Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4955973 #
Numero do processo: 11070.000407/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/01/2005 Ementa: AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. COMPENSAÇÃO – GLOSA Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS É dever da auditoria fiscal, ao tomar ciência da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária emitir Representação Fiscal para Fins Penais. O processo administrativo fiscal não é o instrumento competente para discutir a ação penal e para a apresentação de provas da ocorrência, em tese, do crime contra ordem tributária, devendo a notificada demonstrar seu inconformismo em relação à apresentação de provas nos autos do processo de ação penal relacionada, e não nos autos do processo administrativo que discute o lançamento de débito. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.620
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201203

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/01/2005 Ementa: AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. COMPENSAÇÃO – GLOSA Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS É dever da auditoria fiscal, ao tomar ciência da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária emitir Representação Fiscal para Fins Penais. O processo administrativo fiscal não é o instrumento competente para discutir a ação penal e para a apresentação de provas da ocorrência, em tese, do crime contra ordem tributária, devendo a notificada demonstrar seu inconformismo em relação à apresentação de provas nos autos do processo de ação penal relacionada, e não nos autos do processo administrativo que discute o lançamento de débito. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 11070.000407/2008-95

anomes_publicacao_s : 201203

conteudo_id_s : 5143624

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2301-002.620

nome_arquivo_s : 230102620_11070000407200895_201203.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

nome_arquivo_pdf_s : 11070000407200895_5143624.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012

id : 4955973

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:08 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983776997376

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 1          1             S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11070.000407/2008­95  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­02.620  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2012  Matéria  AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL  Recorrente  COOPERATIVA TRITICOLA SANTA ROSA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/11/2000 a 30/01/2005  Ementa: AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA   É  devida,  pelo  produtor  rural  pessoa  física,  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção.   RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE  A empresa  adquirente da produção de produtores  rurais pessoas  físicas  fica  sub­rogada  nas  obrigações  de  tais  produtores  e  está  obrigada  a  arrecadar,  mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida.  COMPENSAÇÃO – GLOSA  Constatada a compensação de valores efetuada  indevidamente pela empresa  ou em desacordo com o permitido pela legislação tributária, será efetuada a  glosa dos valores e constituído o crédito  tributário por meio do instrumento  competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis.  MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL  – RENÚNCIA  Em  razão  da  decisão  judicial  se  sobrepor  à  decisão  administrativa,  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial,  antes  ou  depois  do  lançamento,  implica  renúncia  ao  contencioso  administrativo  fiscal  relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS  É dever da auditoria fiscal, ao tomar ciência da ocorrência, em tese, de crime  contra a ordem tributária emitir Representação Fiscal para Fins Penais.  O processo administrativo fiscal não é o instrumento competente para discutir  a ação penal e para a apresentação de provas da ocorrência, em tese, do crime  contra ordem tributária, devendo a notificada demonstrar seu inconformismo     Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   2 em  relação  à  apresentação  de  provas  nos  autos  do  processo  de  ação  penal  relacionada,  e  não  nos  autos  do  processo  administrativo  que  discute  o  lançamento de débito.  MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.   O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento  da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a  multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.  Revogado  o  referido  dispositivo  e  introduzida  nova  disciplina  pela  Lei  11.941/2009,  devem  ser  comparadas  as  penalidades  anteriormente  prevista  com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº  9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais  benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).  Não  há  que  se  falar  na  aplicação  do  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/1991  combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a  multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP  449/2008,  somente  sendo  possível  a  comparação  com  multas  de  mesma  natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e  da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,    I) Por voto de qualidade: a) em negar  provimento  ao  recurso,  no  mérito,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro  de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em manter a  aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva,  que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para  que  seja  aplicada  a  multa  prevista  no  Art.  61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Redator(a)  Designado(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  negar  provimento  às  demais  alegações  apresentadas  pela  Recorrente,  nos  termos  do  voto  da  Relatora.  Redator  designado:  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes.   Marcelo Oliveira ­ Presidente.     Bernadete De Oliveira Barros ­ Relatora.     Leonardo Henrique Pires Lopes ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De  Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000407/2008­95  Acórdão n.º 2301­02.620  S2­C3T1  Fl. 2          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  interposto  contra  o  Acórdão  que  julgou  procedente  o  débito lançado contra a empresa acima identificada.  O  crédito  previdenciário  lançado  por  intermédio  da  NFLD  se  refere  a  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social  pelo  produtor  rural,  pessoa  física,  e  segurado  especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção  rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT.   Segundo  Relatório  Fiscal  (fls.  31),  a  notificada,  pessoa  jurídica,  adquiriu  produção  rural  de  pessoas  físicas,  ficando,  portanto,  sub­rogada  nas  obrigações  de  tais  produtores,  mas  não  efetuou  os  descontos  e  os  recolhimentos  das  contribuições  por  eles  devidas em decorrência da comercialização de suas produções, relativos à diferença de preço.   Conforme  informado pela  autoridade  lançadora,  a notificada  impetrou  ação  1999.71.00.014512­9,  questionando  a  legalidade  da  contribuição  social  incidente  sobre  a  comercialização  de  produto  rural,  sendo  que  até  a  data  da  lavratura  da  NFLD,  a  ação  não  transitou em julgado.   Esclarece que a  empresa  efetuou  compensações  de contribuições  incidentes  sobre a comercialização de produto rural, descontados dos produtores rurais, com contribuições  recolhidas antes da ação judicial.  A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  meio  do  Acórdão  18­9.333,  da  3a  Turma  da  DRJ/STM  (fls.  109),  julgou  o  lançamento  procedente  em  parte,  excluindo  do  débito,  por  decadência,  os  valores  lançados  até  a  competência 03/2003, inclusive.  Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls.  130), alegando, em síntese, o que se segue.  Inicialmente,  informa que,  considerando que  inexiste necessidade de prévio  reconhecimento  judicial  para  a  realização  do  procedimento  compensatório,  iniciou  procedimento de compensação de seu crédito com amparo na Lei n° 8.383/91 e com base na  decisão  judicial  proferida  no  curso  da  ação  nº  199971000145129,  que  determina  a  inexigibilidade da contribuição social sobre comercialização rural em diversas competências.   Ressalta  que  a  notificada  está  compensando  crédito  decorrente  da  ação  judicial  e  que  diz  respeito  ao  período  em  que  as  Leis  que  regulamentaram  as  hipóteses  de  tributação atuais não estavam vigentes.  Esclarece  que  está  compensando  pagamentos  indevidos  efetuados  pela  Cooperativa, relativos ao período de 01.08.91 a 01.04.93 (contribuição incidente sobre a venda  do produtor pessoa física), e ao período de 01.08.91 a 01.08.94 (contribuição incidente sobre a  venda do produtor pessoa jurídica).  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   4 Assevera  que  a  recorrente  possui  decisão  judicial  com  trânsito  em  julgado  parcial, não mais passível de modificação neste  item, uma vez que foi proferida decisão pelo  STJ e que não houve recurso do INSS em relação à tal decisão.  Entende  que  restou  demonstrado  que  não  houve  mera  inadimplência  de  tributo,  mas  sim  antecipação  de  crédito  líquido  e  certo,  com  amparo  em  nossa  legislação  hodierna,  razão  pela  qual  é  improcedente  a  autuação  formalizada,  devendo  ser  revista  a  imputação  pretendida,  ou  ainda  que  assim  não  se  entenda,  seja  suspensa  a  exigibilidade  da  pretensa divida até o término da ação judicial que busca o reconhecimento da inexigibilidade  do tributo.  Defende  a  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  da  contribuição  ao  FUNRURAL, trazendo julgados de nossas Cortes de Justiça nesse sentido.  Argumenta  que  a  inconstitucionalidade  do  art.  25  da  Lei  n°8.212/91,  apresenta­se  inegável,  diante  da  impropriedade  do  meio  jurídico  utilizado,  consoante  depreende­se da leitura dos artigos 146 e 154 combinados com o art. 195, 5 4° da Constituição  Federal de 1988.  Transcreve  a  conclusão  do  voto  do  Min.  Marco  Aurélio  no  início  do  julgamento do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, para reforçar o entendimento de que o  art 10 da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  n°  8.212/91,  com  redação  atualização  até  a  Lei  n°  9.528/97,  é  inconstitucional.  Em  relação  ao  pedido  de  que  fosse  suspensa  a  emissão  de  Representação  Penal  ao Ministério  Público  Federal,  alega  que merece  reforma  a  decisão  proferida,  eis  que  compete ao Delegado da Receita Federal a emissão do referido documento e que a legislação  determina  que  o  mesmo  somente  seja  feito  após  o  trânsito  em  julgado  do  processo  administrativo, conforme disposto no art. 83, da Lei n° 9.430/96.  É o relatório.  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000407/2008­95  Acórdão n.º 2301­02.620  S2­C3T1  Fl. 3          5     Voto Vencido  Conselheira Bernadete de Oliveira Barros   O  recurso  é  tempestivo  e  todos  os  requisitos  de  admissibilidade  foram  cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento.  Verifica­se, dos argumentos apresentados, que a notificada tenta demonstrar a  legalidade da compensação de contribuição previdenciária por ela efetuada.  Sustenta que efetivou a compensação por força de uma decisão judicial que  lhe autorizava tal procedimento e que pleiteou a compensação dos seus créditos com base no  art.  66,  da Lei  8.383/91,  que  permite  o  acertamento  de  tributos  e  contribuições  federais  que  tenham sido  recolhidos  a mais ou  indevidamente, com futuros débitos de exações da mesma  espécie, sem a necessidade de autorização prévia da administração tributária.  No  entanto,  as  contribuições  previdenciária,  por  possuir  natureza  tributária,  são regidas pelo Código Tributário Nacional – CTN e pelas normas previdenciárias.  E o artigo 170­A, do CTN, veda a compensação efetuada pela empresa:  Art.170/­A  ­  É  vedada  a  compensação  mediante  o  aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01).  No  caso  em  tela,  o  débito  lançado  teve  origem  na  glosa  da  compensação  efetuada pela empresa na competência de 12/2002 a 02/2003.  Todavia,  as  compensações  que  a  empresa  realizou  não  possuem  amparo  legal, pois não havia, à época, decisão judicial transitada em julgado.  Portanto,  a  Fazenda  Pública,  conforme  dizeres  do  CTN,  apenas  pode  compensar  suas  dívidas  e  créditos  quando  a  lei  autorizar.  E  como  o  ato  praticado  pela  administração pública é vinculado, o seu agente só pode agir em conformidade com o que a lei  determina. E a lei não autoriza a compensação realizada.  E  como  o  administrador  público  somente  poderá  fazer  o  que  estiver  expressamente  autorizado  em  lei  e  nas  demais  espécies  normativas,  a  autoridade  fiscal,  ao  constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento dos  valores  devidos  à  Previdência  Social,  lavrou  a  presente NFLD,  em  observância  aos  ditames  legais.   Assiste  razão  à  recorrente  quando  afirma  que  não  há  a  necessidade  de  autorização prévia da administração tributária para a compensação de tributos e contribuições  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   6 federais que tenham sido recolhidos a mais ou indevidamente, com futuros débitos de exações  da mesma espécie, conforme base no art. 66, da Lei 8.383/91, que permite o acertamento.  No entanto, deve­se observar que o caráter  facultativo da compensação não  desobriga o contribuinte do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário  Nacional e a Lei 8.212/91. Assim, se em uma ação fiscal  ficar constatada a compensação de  valores  em  desacordo  com  o  permitido  pela  legislação  tributária,  será  efetuada  a  glosa  dos  valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das  penalidades cabíveis.   Relativamente ao entendimento de que a NFLD deve ser cancelada uma vez  que há discussão judicial acerca do pagamento de contribuições destinadas a terceiros, cumpre  observar que a ação  judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os  atos  executórios  de  cobrança.  A  autoridade  administrativa  não  está  impedida  de  fiscalizar,  lançar ou julgar o crédito tributário, e nem deve ser anulada a NFLD ou suspenso o trâmite do  presente  processo  administrativo,  pois  a  suspensão  refere­se  à  exigência  do  crédito  e  não  à  possibilidade  de  a  autoridade  fiscal  efetuar  o  lançamento  ou  de  as  autoridades  julgadoras  administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal.   E  como  o  administrador  público  somente  poderá  fazer  o  que  estiver  expressamente  autorizado  em  lei  e  nas  demais  espécies  normativas,  a  autoridade  fiscal,  ao  constatar o não recolhimento das contribuições devidas, lavrou corretamente a presente NFLD,  em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91:  Da  mesma  forma,  não  procedem  as  alegações  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade da contribuição incidente sobre a comercialização de produtos rurais.  No  recurso  especial  363856,  trazido  pela  recorrente  para  reforçar  seu  entendimento, o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da  Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30,  inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação  nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição.  Ocorre  que,  conforme  verifica­se  do  relatório  FLD,  o  presente  débito  foi  fundamentado na Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91, e não  nos dispositivos declarados inconstitucionais no referido Recurso Extraordinário.  Observa­se  que  o Ministro Marco Aurélio  deixa  claro,  em  seu  voto,  que  a  desobrigação da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por  subrogação  sobre  a  "receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural"  de  empregadores,  pessoas  naturais,  é  somente  até  que  legislação  nova,  arrimada  na  Emenda  Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição.  Assim,  a  Lei  10.256/2001,  que  fundamenta  o  débito  lançado  por  meio  da  NFLD  ora  discutida,  encontra  amparo  na EC  20/98,  e  está  em  pleno  vigor  no  ordenamento  jurídico, não havendo que se falar em ilegalidade da exação em tela.  É  oportuno  informar  que  tal  matéria  já  foi  objeto  de  apreciação  pela  3a  Turma,  da  4a  Câmara,  da  2a  Seção,  deste  CARF,  que  decidiu,  por  unanimidade,  que  as  aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas após o advento da Lei 10.256/2001  são fatos geradores de contribuições previdenciárias.  Segue parte do voto da Conselheira Ana Maria Bandeira, relatora do Acórdão  ....  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000407/2008­95  Acórdão n.º 2301­02.620  S2­C3T1  Fl. 4          7 “É  sabido  que  está  em  julgamento  pelo  STF  o  Recurso  Extraordinário  nº  363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  –  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE –  CONCLUSÃO  –  Porque  o  Supremo,  na  análise  da  violência  à  Constituição,  adora  entendimento  quanto  à  matéria  de  fundo  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  –  José  Carlos  Barbosa  Moreira  ­,  em provimento  ou  desprovimento  do  recurso,  sendo  impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  –  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  –  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  –  SUB­ROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195,  INCISO I, DA  CARTA  FEDERAL  –  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA  –  EXCEÇÕES  –  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR –  Ante o  texto constitucional,  não subsiste a obrigação  tributária  sub­rogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos,  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista  os  artigos  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com as  redações  decorrentes  das  Leis  nº  8.540/92  e  9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.)  “Nota­se  que  o  objeto  do  RE  363.852  refere­se  à  discussão  da  constitucionalidade  dos  dispositivos  da  Lei  nº  8.212/1991  nas  redações  dadas  pelas  Leis  8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998.  “Ou  seja,  decidiu  o  STF  que  a  inovação  da  contribuição  sobre  comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a  Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97.  “Tal  inconstitucionalidade  residiria  no  fato  de  que  seria  necessária  lei  complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção  do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna   “Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF  previa  como  bases  tributáveis  de  contribuições  previdenciárias  a  folha  de  salários,  o  faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável.  “Assim,  a  Lei  nº  8.540/1992  ao  instituir  contribuições  sobre  receita  bruta  sobre  a  comercialização  da  produção  dos  produtores  rurais  pessoas  físicas  levou  ao  questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no  julgamento do RE 363.852.  “No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195,  inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   8 Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998  “Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa  a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias.  “Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova  redação ao  art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar:  Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº  10.256, de 2001).  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho.   “Cumpre  enfatizar  que  o  fundamento  jurídico  adotado  pelo  Relator  no  julgamento  do  RE  363.852  demonstra  que  apenas  foi  abordada  a  constitucionalidade  da  redação  do  art.  25  da  Lei  8.212/91  conferida  pela  Lei  8.540/92,  não  havendo  apreciação  da  constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01  e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98  1998,  seria  suficiente  para  afastar  a  pecha  de  inconstitucionalidade  da  contribuição  previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei  Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito:  ...conheço  e  dou  provimento  ao  recurso  extraordinário  para  desobrigar  os  recorrentes  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  subrrogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a  Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição,  tudo  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000407/2008­95  Acórdão n.º 2301­02.620  S2­C3T1  Fl. 5          9 na  forma do pedido  inicial,  invertidos os ônus da sucumbência.  (g.n.)  “Assevere­se  que  a  contribuição  lançada  com  fulcro  no  dispositivo  com  a  redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário  conforme se depreende da decisão abaixo colacionada:  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA  EMPREGADOR.  PRESCRIÇÃO.  LC  118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1­ O STF, ao julgar o RE  nº  363.852,  declarou  inconstitucional  as  alterações  trazidas  pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de  custeio  por  meio  de  lei  ordinária,  sem  observância  da  obrigatoriedade  de  lei  complementar  para  tanto.  2­  Com  o  advento  da EC nº  20/98, o  art.  195,  I,  da CF/88  passou a  ter  nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3­ Em  face  do  novo  permissivo  constitucional,  o  art.  25  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  10.256/01,  ao  prever  a  contribuição do empregador rural pessoa física como incidente  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  não  se  encontra  eivado  de  inconstitucionalidade.”  (Apelação  nº  0002422­12.2009.404.7104,  Rel. Des.  Fed. Mª  de  Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF­4, julgada em 11/05/10)”  Assim,  sendo  o  lançamento  um  ato  vinculado,  ao  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador,  a  autoridade  fiscal,  a  quem  compete  o  lançamento,  lavrou  a NFLD  em  estrita  observância aos dispositivos legais vigentes à época da ocorrência do fato gerador.  Portanto, verifica­se que a NFLD foi  lavrada de acordo com os dispositivos  legais  e  normativos  que  disciplinam  a  matéria,  tendo  o  agente  notificante  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária,  fazendo  constar,  nos  relatórios  que  compõem  a  Notificação,  os  fundamentos  legais  que  amparam  o  procedimento adotado e as rubricas lançadas.  O  Relatório  Fiscal  traz  todos  os  elementos  que  motivaram  a  lavratura  da  NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais  que  dão  suporte  ao  procedimento  do  lançamento,  separados  por  assunto  e  período  correspondente,  garantindo,  dessa  forma,  o  exercício  do  contraditório  e  ampla  defesa  à  notificada.   Da mesma forma, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional ao emitir  Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de  crime de apropriação indébita previdenciária.  Entretanto, cumpre esclarecer que não houve propositura de ação penal pela  autoridade lançadora, e sim a emissão de representação junto aos órgãos competentes para as  providencias cabíveis. E serão esses órgãos que moverão, se for o caso, a ação penal contra a  recorrente.  E, entendo que não cabe manifestação a  respeito da oportunidade em que a  auditoria  fiscal  deveria  efetuar  a  citada  representação,  pois  o  lançamento,  objeto  do  recurso,  não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado.  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   10 Dessa  forma, o presente processo  administrativo  fiscal  não  é o  instrumento  competente para discutir a ação penal e para a apresentação de provas da ocorrência, em tese,  do  crime  contra  ordem  tributária,  restando,  portanto,  prejudicados  os  argumentos  sobre  a  impossibilidade de emissão da representação mencionada.  A recorrente deve demonstrar seu inconformismo em relação à apresentação  de  provas  nos  autos  do  processo  de  ação  penal  relacionada,  e  não  nos  autos  do  processo  administrativo que discute o lançamento de débito, uma vez que o ato do lançamento é um ato  administrativo  vinculado,  não  podendo  o  agente  fiscal,  ao  constatar  o  não  recolhimento  da  contribuição previdenciária devida, deixar de proceder ao lançamento, sob pena de expor­se à  responsabilidade disciplinar administrativa.  Nesse sentido e  Considerando tudo mais que dos autos consta  Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGAR­LHE  PROVIMENTO.  É como voto.  Bernadete de Oliveira Barros – Relatora  Voto Vencedor  Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Redator designado    Da multa aplicada    A  autuação  em  comento  refere­se  ao  descumprimento  pelo  contribuinte  da  sua  obrigação  tributária  principal,  consistente  no  dever  de  recolher  a  contribuição  previdenciária dentro do prazo previsto em lei.    Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da  ocorrência  dos  fatos  geradores  previa  a  imposição  ao  contribuinte  da  penalidade  correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava  a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal  de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal,  e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa.    Como  se  depreende  do  caput  do  art.  35  referido  (sobre  as  contribuições  sociais  em  atraso,  arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos...)  a  penalidade  decorria  do  atraso  no  pagamento,  independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não.    Em  outras  palavras,  não  existia  na  legislação  anterior  a  multa  de  ofício,  aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de  mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei  dirigia­se à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento  em que fosse recolhida.     Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000407/2008­95  Acórdão n.º 2301­02.620  S2­C3T1  Fl. 6          11 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na  Lei  nº  11.941/2009,  o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991  foi  revogado,  tendo  sido  incluída  nova  redação àquele art. 35.    A  análise  dessa  nova  disciplina  sobre  a  matéria,  introduzida  em  dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior  que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106,  II do CTN,  in  verbis:    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão, desde que não  tenha sido  fraudulento e não  tenha  implicado em falta de  pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos  severa que a prevista na  lei  vigente ao  tempo da sua prática.    Cabe,  portanto,  analisar  as  disposições  introduzidas  com  a  referida MP  nº  449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009:    Art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991  ­   Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não pagos nos prazos previstos  em  legislação,  serão acrescidos  de  multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27  de dezembro de 1996.    Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ­ Os débitos para com a União, decorrentes de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos  nos prazos previstos na  legislação específica, serão acrescidos de multa de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.    À  primeira  vista,  a  indagação  de  qual  seria  a  norma  mais  favorável  ao  contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35  da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos  em que  a multa  de mora  excedesse  o  percentual  de  20% previsto  como  limite máximo pela  novel legislação.    Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   12 Contudo, o art. 35­A,  também  introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009,  passou  a  punir  o  contribuinte  pelo  lançamento  de  ofício,  conduta  esta  não  tipificada  na  legislação anterior, calculado da seguinte forma:    Art.  35­A.   Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.    Art.  44.   Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas:   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento,  de falta de declaração e nos de declaração inexata;  II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:   a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar de ser efetuado, ainda que não  tenha sido apurado  imposto a pagar  na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha  sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição  social sobre o  lucro  líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de  pessoa jurídica.     Pela nova sistemática  aplicada  às contribuições previdenciárias, o atraso no  seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº  9.430/1996).  Sendo o  caso  de  lançamento  de  ofício,  a multa  será  de 75%  (art.  44  da Lei  nº  9.430/1996).    Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos  fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em  se aplicar  também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com  que norma será cotejada a antiga  redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a  existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN.    Isto  porque,  caso  seja  acolhido  o  entendimento  de  que  a  multa  de  mora  aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da  Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%.    Ocorre  que  alguns  doutrinadores  defendem que  a multa  de mora  teria  sido  substituída  pela  multa  de  ofício,  ou  ainda  que  esta  seria  sim  prevista  no  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação  da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou  seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício.    Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer.     Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35  da  Lei  nº  8.212/1991  destinava­se  a  punir  a  demora  no  pagamento  do  tributo,  e  não  o  pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase  do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser  pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000407/2008­95  Acórdão n.º 2301­02.620  S2­C3T1  Fl. 7          13   Também  não  seria  possível  se  falar  em  substituição  de multa  de mora  por  multa  de  ofício,  pois  as  condutas  tipificadas  e  punidas  são  diversas.  Enquanto  a  primeira  relaciona­se  com  o  atraso  no  pagamento,  independentemente  se  este  decorreu  ou  não  de  autuação do Fisco, a outra vincula­se à ação fiscal.    Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada  conforme o art. 35­A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício  prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art.  32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991.    Em  primeiro  lugar,  esse  entendimento  somente  teria  coerência,  o  que  não  significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto  pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificando­as.     Nesses  casos,  concluindo­se  pela  aplicação  da  multa  de  ofício,  por  ser  supostamente a mais benéfica, os autos de  infração  lavrados pela omissão de fatos geradores  em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa  de  ofício)  estaria  substituindo  aquelas  aplicadas  em  razão  do  descumprimento  da  obrigação  acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco.    Em  segundo  lugar,  não  se podem  comparar multas  de naturezas  distintas  e  aplicadas  em  razão  de  condutas  diversas. Conforme  determinação  do  próprio  art.  106,  II  do  CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando  cominar­lhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verifica­se a edição  de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com  sanções diversas.    Assim,  somente  caberia  a  aplicação do art.  44,  I  da Lei nº 8.212/1996  se a  legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº  449/2008.    A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que  tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições.    Revogado  o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991,  cabe  então  a  comparação  da  penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita  acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996.    Não  só  a  natureza  das  penalidades  leva  a  esta  conclusão,  como  também  a  própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha  sobre a multa de mora, foi  introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora,  agora  remetendo  ao  art.  61  da  Lei  nº  9.430/1996.  Estes  dois  dispositivos  é  que  devem  ser  comparados.    Diante  de  todo  o  exposto,  não  é  correto  comparar  a multa  de mora  com  a  multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento.    Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento,  deverão  ser  cotejadas  as  penalidades  previstas  na  redação  anterior  do  art.  35  da  Lei  nº  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   14 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação  dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicando­lhe a que for mais  benéfica.      Declaração de Voto  Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes  Peço vênia à ilustre Relatora para divergir, também, quanto à manutenção do  lançamento  no  tocante  às  contribuições  do  produtor  rural  pessoa  física,  a  que o  ora  autuado  estaria obrigado a reter e recolher.    Isto porque, no caso dos autos, o débito lançado decorre da sub­rogação nas  contribuições  previdenciárias  devidas  pelo  produto  rural  de  pessoa  física  em  face  da  comercialização da produção rural.    Tratar­se­ia, portanto, de uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não  prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada,  qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita  bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154,  I da CF/88, que é a de lei complementar.    De início, apenas a título de esclarecimento da matéria, cabe mencionar que,  apesar  de  a  apreciação  de  matéria  constitucional  em  tribunal  administrativo  exacerbar  sua  competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem  como  de  invadir  competência  atribuída  especificamente  ao  Judiciário  pela  Constituição  Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros  das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional  por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis:     Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei  ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo  único. O disposto  no  caput não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária  definitiva do Supremo Tribunal Federal.    Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da  decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado  em competência privativa do Poder Judiciário.    Pois bem. No caso dos  autos,  o STF declarou  inconstitucionais  os  arts.  12,  incisos  V  e  VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com  as  redações  decorrentes  das  Leis  nº  8.540/92  e  nº  9.528/97,  em  sede  de  apreciação  do  Recurso  Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito:    Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000407/2008­95  Acórdão n.º 2301­02.620  S2­C3T1  Fl. 8          15 RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  ­  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO  ­  VIOLÊNCIA  À  CONSTITUIÇÃO  ­  ANÁLISE  ­  CONCLUSÃO.  Porque  o  Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto  à  matéria  de  fundo  do  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  ­  José  Carlos  Barbosa  Moreira ­, em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as  nomenclaturas  conhecimento  e  não  conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­ COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS  ­  PRODUTORES RURAIS  PESSOAS NATURAIS ­ SUB­ROGAÇÃO ­ LEI Nº 8.212/91 ­ ARTIGO 195,  INCISO  I,  DA  CARTA  FEDERAL  ­  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL  Nº  20/98  ­  UNICIDADE  DE  INCIDÊNCIA  ­  EXCEÇÕES  ­  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PRECEDENTE  ­  INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não  subsiste a obrigação tributária sub­rogada do adquirente, presente a venda  de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12,  incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as  redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no  tempo ­ considerações.  (RE 363852, Relator(a):  Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno,  julgado  em 03/02/2010, DJe­071 DIVULG 22­04­2010 PUBLIC 23­04­2010 EMENT  VOL­02398­04 PP­00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 41­69)     De  fato,  a  redação  do  art.  195  da Constituição  Federal  de  1988,  anterior  à  Emenda Constitucional nº 20/98, era:    Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e  das seguintes contribuições sociais:  I ­ dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e  o lucro;    Percebe­se, da  transcrição acima, que a  receita bruta não  era prevista  como  base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova  fonte de custeio através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88).    Ora,  o  art.  25  da  Lei  8.212/91,  ao  instituir  através  de  lei  ordinária,  que  a  contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  inclusive  para  financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal  exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna.    Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a  instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da  comercialização.    Destaque­se,  contudo,  que  as  normas  editadas  anteriormente,  sem  a  observância das exigências constitucionais quanto à  forma especial de  lei complementar, não  se  convalidam  com  a  alteração  na  Constituição  Federal  que  passa  a  admitir  a  disciplina  da  matéria por lei ordinária.  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS   16   Isto  porque  os  requisitos  de  validade  e  de  existência,  bem  como  a  compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os  dispositivos  vigentes  no  momento  da  sua  edição.  Se  a  norma  nasce  viciada,  sempre  será  inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê  suporte de validade para a referida norma.    Em  outras  palavras,  o  vício  que  fulminava  o  art.  25  da Lei  nº  8.212/1991,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.528/1997,  não  foi  afastado  com  a  edição  da  Emenda  Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade.    Assim,  sendo  inválida  a  previsão  que  determinava  que  a  contribuição  previdenciária do produtor  rural  pessoa  física e  do  segurado especial  seria  a  receita bruta da  comercialização  da  sua  produção,  também  foi  reconhecida  a  inconstitucionalidade  da  norma  que  determinava,  por  conseqüência,  as  obrigações  dela  decorrentes,  como  é  o  caso  da  obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30,  IV da Lei nº 8.212/1991:    Art.  30.  A  arrecadação  e  o  recolhimento  das  contribuições  ou  de  outras  importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:  IV ­ a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa  ficam sub­rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a"  do  inciso  V  do  art.  12  e  do  segurado  especial  pelo  cumprimento  das  obrigações  do  art.  25  desta  Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou  com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na  forma estabelecida em regulamento;    Diante da declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente  auto de infração as verbas referentes às contribuições devidas pela aquisição de produção rural  de  terceiros  e,  mantida,  contudo,  no  tocante  a  omissões  de  contribuições  previdenciárias  devidas sobre as remunerações pagas aos seus empregados.    Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

score : 1.0
4970937 #
Numero do processo: 11080.720526/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201306

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 11080.720526/2010-63

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5271941

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3302-000.311

nome_arquivo_s : Decisao_11080720526201063.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : Não se aplica

nome_arquivo_pdf_s : 11080720526201063_5271941.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013

id : 4970937

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:54 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983784337408

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1480; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.720526/2010­63  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3302­000.311  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  25 de junho de 2013  Assunto  RESSARCIMENTO PIS   Recorrente  SLC ALIMENTOS SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  redator  designado.  Vencida  a  Conselheira  Maria  da Conceição Arnaldo  Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber  José da Silva  para redigir o voto vencedor.     (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente e Redator Designado.     (assinado digitalmente)  MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ ­ Relatora.    EDITADO EM: 15/07/2013   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Walber  José  da  Silva,  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo  Jacó,  Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 52 6/ 20 10 -6 3 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se,  na origem, de Pedidos de Ressarcimento de PIS  não cumulativo,  em  função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/10/2008 a  30/09/2009 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno.  A  contribuinte  é  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  do  ramo  da  indústria,  comércio,  importação  e  exportação  de  carnes,  aves,  ovos,  peixes,  frutas,  cereais,  legumes,  gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo.  Com base  na verificação  e  análise dos  trabalhos  fiscais  executados,  o Auditor  Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por  ele constatadas:  Créditos Indevidos   1 – Serviços Utilizados como Insumos ­ Fretes incorridos em compras à alíquota  zero, com suspensão e com crédito presumido PF.  2  –  Serviços  Utilizados  como  Insumos  ­  Fretes  Transferências Matéria­Prima  p/depósito.  3  ­  Fretes  nas  operações  de  vendas  –  Fretes  de  transferências  entre  estabelecimentos.  4 ­ Crédito indevido de aluguéis veículos.  5  ­ Outras operações com direito a crédito – Controle de pragas e Serviços de  Terceiros (serviços prestados por pessoas físicas, serviços de estiva, movimentação de cargas,  combustível  de  veículos,  aferição  do  INMETRO,  manutenção  de  ar  condicionado  split  e  outros).  6 ­ Apuração de créditos calculados sobre aquisições de insumos com suspensão  das  Contribuições.  A  Auditora  fiscal,  neste  item  de  infração,  esclarece  em  sua  Informação  fiscal que:   “19.  (...).  No  caso  específico  do  beneficiamento  de  arroz  a  empresa  adquire o arroz em casca de vários fornecedores, tanto pessoas físicas  como  pessoas  jurídicas,  bem  como  de  cooperativas  de  produção  agropecuária.  20. Em relação ao produto arroz em casca, a empresa calcula crédito  integral (1,65% PIS e 7,6% para Cofins) sempre que realiza aquisições  de  pessoas  jurídicas.  Ocorre  que  de  acordo  com  a  legislação  que  regulamenta a matéria não é  toda a aquisição de pessoa jurídica que  dá  direito  a  crédito  integral,  sendo  que  boa  parte  dos  insumos  agropecuários  é  adquirida  com  suspensão  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep e para a Cofins”.  Em  consequência,  o Despacho Decisório  da Delegacia  da Receita  Federal  em  Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao  pedido  de  ressarcimento  de  PIS  Não­Cumulativo­  Receita  no  mercado  interno,  referente  ao  período do 4º TRIM. 2008 ao 3º TRIM.2009.  Fl. 853DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 4          3 A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando,em síntese:   ­  Defende  a  apuração  de  créditos  sobre  os  fretes  incorridos  nas  operações de compra de bens sujeitos à alíquota zero, com suspensão e  com crédito presumido. No caso, aponta que as compras de arroz em  casca teriam sido todas tributadas pelo PIS e Cofins, alega adiante que  não  teria  cumprido  os  requisitos  para  aplicar  a  suspensão  e  apurar  crédito presumido. Esclarece, também, que a autoridade administrativa  teria deixado de perceber que o creditamento realizado foi tão­somente  sobre  os  valores  referentes  às  despesas  de  fretes  dos  produtos  e  não  sobre  os  valores  de  aquisição  dos  insumos  adquiridos  com  alíquota  zero  destas  contribuições.  Entende  que  a  vedação  do  art.  3°,  §  2°,  inciso  II,  da  Lei  n°  10.833/2003,  só  seria  aplicável  ao  caso,  se  na  aquisição  dos  insumos  sujeitos  à  alíquota  zero  das  contribuições,  o  frete  fosse  arcado  pelo  vendedor.  Da  mesma  forma,  considera  que  ainda  que  adquirisse  o  arroz  em  casca  com  suspensão  e  apurado  crédito presumido, o art. 8º, § 3º, inciso III, da Lei nº 10.925/2004, só  seria  aplicável  ao  caso,  se  na  aquisição  dos  insumos  o  frete  fosse  arcado pelo vendedor. Explica que na situação em apreço, a aquisição  dos insumos e do arroz em casca, tributados à alíquota zero, contempla  apenas  o  preço  de  aquisição  das  mercadorias,  sendo  o  frete  das  mercadorias  de  responsabilidade  do  comprador.  Cita  e  transcreve  Solução  de  Consulta  para  embasar  seu  entendimento  e  conclui  pela  legitimidade do creditamento destes valores referentes às despesas de  frete, visto que esses serviços foram tributados pelas contribuições.  ­  Considera  as  despesas  de  fretes  na  transferência  de matéria­prima  para  depósitos  como  intrínsecas  à  sua  atividade,  portanto  seriam  legítimos  os  créditos  calculados  sobre  as  mesmas.  Informa  que,  eventualmente,  contrata  serviços  de  industrialização  por  encomenda  para o beneficiamento de arroz e necessita remeter matéria prima para  terceiros,  bem  como  retorná­la  a  seus  estabelecimentos  após  o  beneficiamento, o que acarreta em despesas com serviços de transporte  para  estas  operações.  Desta  forma,  os  correspondentes  fretes  de  transferência  integrariam seu processo produtivo, o que  legitimaria o  respectivo creditamento. Acrescente que a prestação destes serviços de  frete,  prestados  por  pessoas  jurídicas  nacionais,  são  tributadas  pelas  contribuições  PIS  e  Cofins,  o  que  já  autorizaria  o  respectivo  creditamento sobre estas despesas, com base no art. 3º, inc. II da Lei nº  10.833/2003.  Com  o  mesmo  fundamento,  defende  o  direito  a  apurar  créditos  sobre  as  despesas  decorrentes  dos  serviços  de  estiva  e  movimentação  de  cargas,  as  quais  também entende  como  integrantes  do processo produtivo da empresa.  ­  Considera  igualmente  legítimos  os  créditos  apurados  sobre  as  despesas  de  fretes  de  transferência  entre  os  estabelecimentos  da  própria  pessoa  jurídica,  com  o  fundamento  de  que  tais  despesas  lançadas  seriam  desdobramentos  das  despesas  dos  fretes  incorridos  nas  operações  de  venda.  Discorre  sobre  sua  necessidade  de  possuir  diversos  centros  de  distribuição  para  possibilitar  o  atendimento  das  diferentes  regiões  do  país,  bem  como  para  as  exportações  de  suas  mercadorias. Conclui,  então,  que  pelas  razões  logísticas  expostas,  as  operações  de  fretes  entre  seus  estabelecimentos  seriam  apenas  um  desdobramento  das  operações  de  venda  e  também  se  enquadrariam  como  custos,  gerando  igualmente  direito  ao  correspondente  Fl. 854DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 5          4 creditamento  pela  lógica  da  não  cumulatividade.  Cita  e  transcreve  jurisprudência  do STF,  além de  doutrina  e  legislação  tributária para  amparar  seus  argumentos  no  sentido  de  que  a  glosa  destas  despesas  afrontaria  aos  princípios  constitucionais  da  não  cumulatividade  e  do  não­confisco.  ­  Sustenta  seu  direito a  apurar  créditos  sobre  as  despesas  incorridas  com  aluguel  de  veículos  utilizados  nos  deslocamentos  de  seus  representantes  comerciais,  bem  como  dos  combustíveis  utilizados  nestes veículos, com base no disposto no art. 3º, incisos II e IV, da Lei  nº  10.833/2003.  Argumenta  que  o  dispositivo  legal  em  comento,  ao  prever  a  expressão  “máquina”,  não  estabeleceu  a  sua  definição  ou  restrição  de  seu  alcance,  desta  forma  os  veículos  automotores  poderiam  ser  enquadrados  como  máquinas.  Entende  que,  por  ser  a  comercialização  a  atividade  que  dá  vazão  à  sua  produção,  todas  as  despesas envolvidas com este fim se demonstram como necessárias.  ­ Da mesma forma, entende como legítimos os créditos apurados sobre  as  despesas  com  o  controle  de  pragas,  o  qual  se  trataria  de  serviço  indispensável, consumido de forma direta em sua atividade. Esclarece  que durante seu processo produtivo seria obrigada a cumprir normas  sanitárias com a finalidade de manter seu produto final (arroz) dentro  da  classificação adequada,  como apto ao  consumo e  livre de pragas.  Para  amparar  seus  argumentos,  cita  e  transcreve  legislação  e  atos  normativos  tributários,  jurisprudência  administrativa,  soluções  de  consulta, bem como trechos de normas e regulamentos expedidos pela  ANVISA.  ­ Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de  insumos  adquiridos  com  a  suspensão  da  contribuição,  com  o  argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela  Lei 10.925/04 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela  IN SRF nº 660/2006, portanto não estaria sujeita à obrigatoriedade de  observar  a  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições,  conforme  entendeu a fiscalização.  Novamente  cita  e  transcreve  Solução  de  Consulta  para  embasar  seu  entendimento.  Informa  que  o  advento  da  IN  RFB  nº  977,  de  14  de  dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro  de 2009, alterou o anteriormente disposto na IN SRF nº 660/2006, para  tornar  obrigatória  a  aplicação  da  suspensão  em  todos  os  casos  elencados no Art. 2º da IN 660/66.  Desta  forma,  sustenta  que  a  nova  Instrução  Normativa  modificou  o  sentido  que  até  então  era  vigente  para  o  caso,  ou  seja,  trouxe  uma  inovação  no  ordenamento,  tornando  obrigatório  o  que  antes  era  facultativo. Conclui, assim, que anteriormente à inovação trazida pela  IN 977/09, a utilização da sistemática da suspensão/crédito presumido  não era obrigatória,  sendo ela,  portanto,  uma opção do contribuinte.  Acrescenta,  ainda,  que  nas  Notas  Fiscais  de  aquisição  do  arroz  em  casca emitidas no período de janeiro a setembro de 2008 não existiria  a  expressão  "Venda  efetuada  com  suspensão  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS", requisito  formal exigido pelo Art. 2º, § 2º  da  IN 660/06. Cita  e  transcreve  jurisprudência do STJ para amparar  seu entendimento.  Fl. 855DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 6          5 ­  Alternativamente,  requer  a  garantia  de  que  nas  operações  aqui  guerreadas  seja  mantida  a  possibilidade  de  registro  do  crédito  presumido nos termos da Lei 10.925/04. Considera que na hipótese de  desprovimento  da  presente  Manifestação  de  Inconformidade,  não  poderia restar sem qualquer possibilidade de registro de crédito nestas  operações,  sendo  que  se  revestiria  de  caráter  lógico  a  concessão  do  crédito  presumido  no  caso  de  desacolhimento  dos  pedidos  aqui  trazidos.  Ao final, pede que sua Manifestação de Inconformidade seja acolhida,  para a imediata reforma do Despacho Decisório ora combatido, com o  deferimento  total  do  crédito pleiteado. Sucessivamente,  caso não  seja  deferido  o  direito  creditório  integral  em  relação  às  aquisições  de  insumos  (arroz  em  casca)  sem  suspensão  da  Contribuição  para  a  COFINS,  requer  seja  deferido  o  direito  ao  registro  do  crédito  presumido.   Com relação aos créditos pleiteados  sobre os  fretes de  transferência,  caso não sejam acolhidos como mero desdobramento das operações de  venda  e  exportação,  pede,  sucessivamente,  que  lhe  seja  concedido  o  creditamento pela  forma prevista no art. 3º,  inc.  II  e § 3º,  inc.  II das  Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois o frete se trataria de insumo  utilizado na concretização da comercialização.   Requer,  ainda,  a  possibilidade  de  juntar  outros  documentos  que  possam  corroborar  com  a  comprovação  da  legitimidade  dos  créditos  pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem  como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal”.  Em julgamento da manifestação de  inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por  unanimidade  de  votos,  em  julgar  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  para  não  reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele  julgado, consoante a ementa a seguir transcrita:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009   Ementa:  FRETES  NAS  AQUISIÇÕES  DE  INSUMOS  TRIBUTADOS  À  ALÍQUOTA  ZERO,  ADQUIRIDOS  DE  PESSOAS  FÍSICAS  E  COM  SUSPENSÃO.  Se  não  ocorreu  a  tributação  sobre  os  insumos,  não  gerando  direito  de  desconto  de  crédito  da  contribuição,  também não  pode haver sobre bens e serviços que se agregam à matéria­prima.  FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não  existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e  do  PIS  não­cumulativos  sobre  valores  relativos  a  fretes  realizados  entre estabelecimentos da mesma empresa.  CREDITAMENTO  SOBRE  DESPESAS  FORA  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS.  IMPOSSIBILIDADE.  Existe  vedação  legal  para  o  creditamento sobre despesas que não podem ser caracterizadas como  insumos  dentro  da  sistemática  de  apuração  de  créditos  pela  não  cumulatividade de Pis e Cofins.  Fl. 856DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 7          6 MOVIMENTAÇÃO  E  ACONDICIONAMENTO  DE  MERCADORIAS.  As  despesas  com  a  movimentação  e  o  acondicionamento  de  mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  por  não  se  configurarem  como  despesas de armazenamento.  SUSPENSÃO.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  Preenchidos  os  requisitos  para  aplicar  a  suspensão  das  contribuições  PIS  e  Cofins,  inexiste  a  possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º  da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo  adquirente  dos  insumos,  havendo  previsão  legal  apenas  de  crédito  presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004.  Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido”.  A  contribuinte,  irresignada,  apresenta  o  seu  Recurso Voluntário,  por meio  do  qual  contesta o  referido Acórdão, que,  segundo  alega,  não merece prosperar o  entendimento  firmado,  pelas  razões  de  recurso  que  expõe,  reprisando,  em  sua  maioria,  os  argumentos  da  impugnação, segundo os títulos e sub­títulos postos a seguir:  I ­ DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA   II ­ DO DIREITO   II. I ­ DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO­ CUMULATIVOS   II.  II  –  DA  AUSÊNCIA  DE  SUPOSTAS  IRREGULARIDADES  APONTADAS PELA INFORMAÇÃO FISCAL   II.II.1.  DESPESAS  DE  FRETES  NA  OPERAÇÃO  DE  COMPRA DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, COM SUSPENSÃO E  COM CRÉDITO PRESUMIDO   II. II. 2. ­ DESPESAS DE FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE  MATÉRIA­PRIMA PARA DEPÓSITO   II. II.3 ­ DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIAS   II. II.4 ­ DESPESAS DE ALUGUÉIS DE VEÍCULOS   II. II. 5 ­ DAS DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS   II. II. 6 ­ SERVIÇOS DE TERCEIROS   II.  III  ­  DA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  SOBRE  AQUISIÇÕES  DE  INSUMOS  SEM  SUSPENSÃO  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA O PIS   II.  III.  1  ­ DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO  CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA   Fl. 857DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 8          7 II.  III.  2  ­  DA  NÃO  ADEQUAÇÃO  AOS  REQUISITOS  DA  INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06   II.  III.  3  ­  DA  ALTERAÇÃO  LEGISLATIVA  PELA  INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 977/09   II.  III.  4  ­  EQUÍVOCOS  REFERENTES  À  GLOSA  DO  CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA   II.III.5 ­ PEDIDO SUCESSIVO ­ ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITO  PRESUMIDO  II. IV ­ DA PERÍCIA   III ­ DO PEDIDO:  Formula seu pedido nos seguintes termos:  “...requer seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para  determinar  a  reforma  do  r.  acórdão  recorrido,  para  o  fim  do  deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação  da sua legalidade.   Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em  relação às aquisições de  insumos  (arroz  em casca e  cana de açúcar)  sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o  direito ao registro do crédito presumido.”  Na  forma  regimental,  o  processo  foi  distribuído  para  a  conselheira  Maria  da  Conceição Arnaldo Jacó relatar.    Voto    Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado.    O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele  se conhece.  Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS.  Uma  das  questões  suscitadas  pela  Recorrente  diz  respeito  à  possibilidade  de  escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente  quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor  com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04.  Fl. 858DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 9          8 A  DRF  considerou  que  todas  as  aquisições  de  arroz  em  casca  saíram  do  estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não  geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal:  24.  Tendo  em  mente  os  dispositivos  legais  transcritos  acima,  as  condições para que a fiscalizada, adquira produtos com contribuições  PIS e Cofins suspensas nas vendas no mercado interno, são totalmente  implementadas:  apurar  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  real,  exercer atividade agroindustrial e utilizar o produto adquirido  (arroz  em casca) como insumo no processo produtivo dos produtos listados no  artigo 5º da IN 660/2006 (arroz industrializado).  25.  E  as  condições  a  serem  cumpridas  por  grande  parte  dos  seus  fornecedores  também  se  encontram  completamente  implementadas:  serem cerealistas ou exercer atividade agropecuária ou cooperativa de  produção agropecuária e vender produtos agropecuário a ser utilizado  como insumos em produtos do artigo 5º da IN 660/2006.  26. Alguns desses fornecedores informaram inclusive no corpo da nota  fiscal  ou  em  observação  que  as  vendas  foram  efetuadas  com  a  suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e mesmo assim foram  incluídos  na  base  de  cálculo  de  créditos  com  alíquotas  integrais.  Cópias de notas fiscais (NF) desse exemplo estão a fls.248 e 249 deste  processo entregues em atendimento a  solicitação de uma NF de cada  fornecedor como amostragem.  27.  No  caso  da  compra  de  arroz  em  casca  pela  fiscalizada  estão  presentes  todos  os  requisitos  para  a  ocorrência  da  suspensão  das  contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, sempre que o produto  adquirido  for  utilizado  como  insumo na  fabricação dos  produtos  que  trata o art. 5º da IN SRF 660/2006.  Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas  fiscais  emitidas  no  período  em  questão  não  contém  a  informação  de  que  as  vendas  foram  efetuadas com suspensão da contribuições. Diz a Recorrente:  Como  pode  ser  observado  nas  notas  fiscais  emitidas  no  período  em  questão relativas à aquisição de arroz, estas não contém a expressão  “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP  e  da  COFINS”,  requisito  formal  exigido  pelo  art.  2º,  §  2º  da  IN  nº  660/06.  Diante da inexistência de ressalva quanto às informações constantes na  nota  fiscal  de  seus  fornecedores,  a  Recorrente  entendeu  que  as  operações  de  compra  de  arroz  em  casca  de  cooperativas  e  demais  pessoas  jurídicas  ocorridas  no  período,  não  deveriam  ensejar  o  registro de crédito presumido de Cofins. Pelo contrário, às aquisições  aplicam­se  as  regras  gerais  da  não­cumulatividade,  tal  qual  exposto  alhures,  restando  à  Recorrente  o  direito  de  registrar  crédito  integral  sobre estas operações (com alíquota de 7,6% para a COFINS e 1,65%  para  o  PIS),  tendo  em  vista  que  as  operações  realizadas  pelos  fornecedores devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins (não estando  sujeito  à  suspensão  de  sua  exigibilidade  pelo  Fisco,  por  não  cumprimento de requisitos necessários).  Fl. 859DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 10          9 Como prova de sua alegação, a empresa Recorrente juntou cópia de notas fiscais  de  04  (quatro)  fornecedores.  Das  notas  fiscais  juntadas  pela  Recorrente,  as  de  emissão  das  empresas POLIAGRO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA e AGROPEC VIVEIRO  S/A,  ao  contrário  do  afirmado,  constam  a  expressão  “Venda  efetuada  com  suspensão  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” no corpo das notas fiscais. Já nas notas fiscais  de emissão das empresas SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA e PURO  GRÃO  IND.  E  COM.  DE  ARROZ  E  SOJA  LTDA  realmente  não  consta  a  referida  expressão.  Como se vê, a alegação da Recorrente é contraditória e incoerente.  De outra banda, confirma­se a afirmação da Autoridade Fiscal da DRF de que  no corpo de algumas notas  fiscais, ou  em observação,  consta que as vendas  foram efetuadas  com  a  suspensão  das  contribuições  para  o  PIS  e  Cofins.  No  entanto,  a  Fiscalização  não  identificou em quais notas fiscais consta a referida informação ou a “observação”.  Outro  fato  relevante  é  que,  no  período  de  apuração  objeto  deste  processo,  a  Recorrente adquiriu arroz em casca de outros fornecedores, além daqueles que ela trouxe cópia  de nota fiscal, conforme “Listagem de NF de aquisição de arroz em casca de PJ em cuja  amostragem há  informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito  integral  pela  fiscalizada  transformado  em  crédito  presumido  de  Agroindústria”  elaborada  pela  Fiscalização.  Há,  portanto,  nos  autos  incerteza  quanto  ao  cumprimento  das  obrigações  acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores  da  Recorrente,  nos  termos  determinados  pelas  IN  SRF  nº  636/06  e  660/06,  posto  que  há  indícios de que alguns fornecedores não cumpriram as referidas obrigações.  Para  o  julgamento  da  lide,  há  necessidade  de  se  comprovar  que  a mercadoria  efetivamente  saiu  com  suspensão  do  PIS  e  da Cofins.  Em  caso  semelhante,  este  Colegiado  entendeu  que  é  necessário  esta  comprovação,  conforme  Acórdão  nº  3302­01.982,  de  28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/2009­80.  Na  oportunidade,  o  Colegiado  entendeu  que,  não  havendo  o  Fisco  logrado  provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente  o direito de escriturar o  crédito normal e não o  crédito presumido, cabendo à Administração  avaliar  a  necessidade  e  oportunidade  de  efetuar  o  lançamento  da  exação  que  deixou  de  ser  recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso.  Portanto,  ao  contrário  do  entendimento  da  Fiscalização,  naquele  julgado  o  Colegiado  entendeu  que  a  suspensão  somente  se  opera  se  forem  cumpridos  os  requisitos  formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei  nº 10.925/04.  Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento,  junto  aos  fornecedores  da  Recorrente,  com  o  objetivo  de  identificar  quem  efetivamente  cumpriu  os  requisitos  exigidos  pela  IN  nº  660/06  (possui  a  declaração  fornecida  pela  SLC  Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da  Cofins).  Fl. 860DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 11          10 Outro  ponto  que  precisar  ser  esclarecido  é  sobre  os  produtos  e  serviços  utilizados no controle de pragas. Há necessidade de saber em que momento estes produtos são  empregados e com qual objetivo.  Deve,  portanto,  a  Fiscalização  solicitar  à  Recorrente  informações  sobre  cada  produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente relacionar cada  despesa realizada, identificando a data da apuração do crédito, o número da nota fiscal, o nome  e o CNPJ do fornecedor, o produto/serviço adquirido, o valor pago e a descrição do emprego  do produto/serviço, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo.   Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição  de origem para as seguintes providências:  1­  Listar  as  compras  de  arroz  em  casca  realizadas  pela  Recorrente,  cujos  fornecedores  detêm  a  declaração  fornecida  pela  SLC Alimentos  S/A  e  consignaram  na  nota  fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os  mesmos  elementos  da  “Listagem  de  NF  de  aquisição  de  arroz  em  casca  de  PJ  em  cuja  amostragem há  informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito  integral pela  fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização.   1.1­  Juntar  cópia  da  declaração  entregue  pela  SLC  Alimentos  S/A  a  cada  fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de  notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias.  2­  Listar  as  compras  de  arroz  em  casca  realizadas  pela  Recorrente  cujos  fornecedores detêm a declaração  fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na  nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter  os mesmos  elementos  da  “Listagem  de  NF  de  aquisição  de  arroz  em  casca  de  PJ  em  cuja  amostragem há  informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito  integral pela  fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização.   2.1­  Juntar  cópia  da  declaração  entregue  pela  SLC  Alimentos  S/A  a  cada  fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de  notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias.  3­  Listar  as  compras  de  arroz  em  casca  realizadas  pela  Recorrente  cujos  fornecedores NÃO detêm a declaração  fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na  nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter  os mesmos  elementos  da  “Listagem  de  NF  de  aquisição  de  arroz  em  casca  de  PJ  em  cuja  amostragem há  informações de Vendas com Suspensão utilizadas como crédito  integral pela  fiscalizada transformado em crédito presumido de Agroindústria” elaborada pela Fiscalização.   3.1­  Juntar,  por  amostragem,  cópia  de  notas  fiscais  de  cada  fornecedor.  Se  já  existir  cópia  de  notas  fiscais  do  fornecedor  nos  autos,  não  há  necessidade  de  juntar  novas  cópias.  4­  Listar  as  compras  de  arroz  em  casca  realizadas  pela  Recorrente  cujos  fornecedores  NÃO  detêm  a  declaração  fornecida  pela  SLC  Alimentos  S/A  e  NÃO  consignaram  na  nota  fiscal  que  a  venda  foi  efetuada  com  suspensão  do  PIS  e  da Cofins. A  listagem  deve  conter  os  mesmos  elementos  da  “Listagem  de  NF  de  aquisição  de  arroz  em  casca de PJ em cuja amostragem há informações de Vendas com Suspensão utilizadas como  Fl. 861DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.720526/2010­63  Resolução nº  3302­000.311  S3­C3T2  Fl. 12          11 crédito  integral  pela  fiscalizada  transformado  em  crédito  presumido  de  Agroindústria”  elaborada pela Fiscalização.   4.1­  Juntar,  por  amostragem,  cópia  de  notas  fiscais  de  cada  fornecedor.  Se  já  existir  cópia  de  notas  fiscais  do  fornecedor  nos  autos,  não  há  necessidade  de  juntar  novas  cópias.  5­ No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das  compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos  itens anteriores;  6­ Opinar  sobre  a  procedência  (ou  não)  do  direito  ao  crédito  normal  em  cada  uma das situações descritas nos itens 1 a 4;  7­ Intimar a Recorrente para prestar informações sobre cada produto ou serviço  utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente informar:  7.1­ data da apuração do crédito (separar por período de apuração);  7.2­ número da nota fiscal de aquisição;  7.3­ nome e CNPJ do fornecedor;  7.4­ descrição do produto/serviço adquirido;  7.5­ valor do produto/serviço adquirido  7.6­ descrição do emprego do produto/serviço adquirido, identificado em que é  empregado, em que momento e com que objetivo.  8­ Manifestar­se sobre a veracidade das informações prestadas pela Recorrente,  a que se refere o item anterior;  9­  Prestar  as  informações  e  os  esclarecimentos  que  julgar  importante  para  o  deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4;  10­  dar  ciência  à  Recorrente  desta  Resolução  e  do  resultado  da  diligência,  abrindo­lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA  Fl. 862DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO

score : 1.0
4910009 #
Numero do processo: 10845.000340/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa CERCEAMENTO DE DEFESA.NULIDADE. Representa nulidade por cerceamento de defesa, o lançamento não conter todas as informações necessárias à defesa do sujeito passivo. Processo Anulado
Numero da decisão: 2802-001.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a notificação de lançamento, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 17/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201205

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa CERCEAMENTO DE DEFESA.NULIDADE. Representa nulidade por cerceamento de defesa, o lançamento não conter todas as informações necessárias à defesa do sujeito passivo. Processo Anulado

turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10845.000340/2009-07

anomes_publicacao_s : 201306

conteudo_id_s : 5259433

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2802-001.613

nome_arquivo_s : Decisao_10845000340200907.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE

nome_arquivo_pdf_s : 10845000340200907_5259433.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a notificação de lançamento, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 17/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.

dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2012

id : 4910009

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:30 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983794823168

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 2          1 1  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10845.000340/2009­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­001.613  –  2ª Turma Especial   Sessão de  17 de maio de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  EVANDRO BALTHAZAR SILVEIRA TROCOLI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006  Ementa  CERCEAMENTO DE DEFESA.NULIDADE.  Representa nulidade por cerceamento de defesa, o lançamento não conter  todas as informações necessárias à defesa do sujeito passivo.   Processo Anulado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a  notificação de lançamento, nos termos do voto da relatora  (assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente  (assinado digitalmente)  Dayse Fernandes Leite – Relatora  EDITADO EM: 17/04/2013  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte  Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna  Bandeira Toscano, Dayse  Fernandes  Leite,  Sidney  Ferro Barros. Ausente  justificadamente  o  Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 03 40 /2 00 9- 07 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Relatório  Trata­se de Notificação de Lançamento lavrada com fundamento na Dedução  Indevida  de  Despesas  Médicas,  tendo  sido  glosado  o  valor  de  R$32.702,  00,  por  falta  de  comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução.  Segundo  consta  na  complementação  das  descrição  dos  fatos,  fls.  28,  foram  Glosadas parte das deduções com despesas médicas, pela não apresentação de comprovantes,  em  vista  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  bem  como  em  face  da  não  comprovação nos termos exigidos em intimação, da efetividade da prestação de serviço, assim  como pela não comprovação do desembolso dos valores declarados pagos.  O contribuinte  apresentou  impugnação onde alega, consoante o  relatório da  decisão de primeira instância que:  · Em 12/11/2008 foi intimado a apresentar documentos comprobatórios  da efetividade da prestação de  serviços e dos pagamentos e,  embora  tenha  atendido  ao  solicitado,  mediante  apresentação  de  recibos  revestidos das formalidade legais exigidas, teve as deduções glosadas.  · A exigência  tributária  é  totalmente  inválida,  pois o  auto de  infração  não  individualiza  os  valores  glosados  e  não  indica  as  deduções  não  aceitas, o que macula de nulidade em razão de cerceamento de direito  de defesa.   · Tanto a legislação quanto a jurisprudência administrativa não exigem  do  contribuinte  a  comprovação  de  despesas  muito  tempo  após  os  eventos.  O  ato  de  ignorar  os  esclarecimentos  prestados  pelo  contribuinte,  corroborados  por  recibos  médicos  válidos  estabelece  presunção de veracidade  a  seu  favor,  transferindo o ônus probatório  para a administração tributária.  · De acordo com o RIR/99 – art. 80, § 1º,  III e a Instrução Normativa  SRF nº. 15/2001 – art. 48, a única exigência imposta é a apresentação  de  e  documentos  com  as  informações  especificadas, mas  não  que  o  pagamento  seja  feito  por  cheque  ou  outro  meio  bancário.  A  apresentação de cheque nominal é citada pela  legislação como meio  de prova quando ausente o recibo. Apresenta decisões administrativas  que corroboram seus argumentos.  · A mera  suspeita  não  autoriza  o  funcionário  público  a  criar  óbices  à  dedução de despesas médicas,  a não ser que os comprovantes  sejam  falsos ou o profissional negue que os emitiu, o que não se aplica ao  presente  caso.  O  impugnante  tem  conhecimento  de  que  os  profissionais em questão não foram indagados quanto à prestação de  serviços,  ou  se  os  valores  constantes  dos  recibos  fornecidos  foram  incluídos nos rendimentos por eles declarados à Receita Federal.  · A  intimação  para  que  o  contribuinte  comprovasse  a  efetividade  dos  serviços  prestados  e  dos  respectivos  pagamentos  é  providência  admissível  apenas  na  hipótese  de  existirem  suspeitas  no  sentido  de  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.000340/2009­07  Acórdão n.º 2802­001.613  S2­TE02  Fl. 3          3 que  os  serviços  não  tenham  sido  prestados,  conforme  decisões  administrativas que traz à colação.  · Na presente  situação, entretanto, a  autoridade  fiscal não  colocou em  dúvida a autenticidade dos recibos apresentados; autuou com base em  presunções simples e conceitos subjetivos, criando óbices à apuração  da real base de cálculo do tributo, o que contraria o art. 97 do Código  Tributário  Nacional,  que  estabelece  que  somente  a  lei  pode  dispor  sobre a base de cálculo do tributo.  · O art. 845 do RIR/99 estabelece presunção de veracidade em favor do  contribuinte,  vedando  à  autoridade  fiscal  a negativa de validade dos  documentos  por  ele  apresentados,  a  não  ser  diante  de  vícios  que  devem ser apontados.    Pelo Acórdão nº. 1747.278 (fls. 120/130) a 10ª. Turma da DRJ/São Paulo II  (SP) considerou a autuação procedente e que foi efetuado com observância das normas legais  e, em face da não apresentação de elementos de convicção quanto à efetividade da prestação de  serviços e correspondente pagamentos às profissionais Solange Gonçalves da Silva, Renata dos  Santos  Vicente,  Isabel  Cristina  F.  Simões  Peniche  e  Cristiane  Cristóvão  da  Silva  e  à  CAPEP/Pref. Municipal de Santos.  Contra  tal  acórdão,  o  autuado  apresentou  recurso  em  20/04/2011,  (fls.  134/166) onde reintera as alegações apresentadas em primeira instância, com enfoque no fato  de  ter  recebido o Auto de Infração onde constou apenas o valor  total das deduções glosadas,  sem  nenhuma  indicação  de  quais  profissionais  se  referiam.  Assevera  que  não  lhe  foi  encaminhada  qualquer  relação  apontando  o  valor  das  deduções  consideradas  incabíveis,  de  modo que pudesse  identificar­lhes a origem. Assegura que esse  fato cerceou o seu direito de  defesa, já que não tem a menor idéia em que se baseou a autoridade administrativa para aceitar  determinada dedução e recusar outras. Assim , entende, que restou caracterizado a nulidade de  que trata o artigo 59, II, do Decreto nº. 70.235.  Prossegue alegando que a evidência, a falta de identificação dos profissionais  cujo preço dos serviços foram dados como insuscetíveis de serem deduzidos, como também a  falta de indicação dos valores tidos como não comprovados, impedem o recorrente de conhecer  os  pretensos  elementos  contra  si  existentes,  caracterizando,  o  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,com a consequente nulidade do auto de infração lavrado, que deveria ter sido cancelado  pela autoridade julgadora de primeira instância.  É o relatório,    Voto             Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora  O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 A  recorrente  apresenta,  preliminarmente,  o  argumento  de  que  teve  o  seu  direito defesa cerceado vez que no Auto de Infração constou apenas o valor total das deduções  glosadas, sem nenhuma indicação de quais profissionais se referiam. Considerando que não lhe  foi  encaminhada  qualquer  relação  apontando  o  valor  das  deduções  consideradas  incabíveis,  de.modo  que  pudesse  identificar­lhes  a  origem,  não  teve  a menor  idéia  em  que  se  baseou  a  autoridade administrativa para aceitar determinada dedução e recusar outras. Assim , entende,  que restou caracterizado a nulidade de que trata o artigo 59, II, do Decreto nº. 70.235.  A decisão recorrida, por sua vez, não considerou ter ocorrido o cerceamento  de defesa, e assim fundamentou:  4  “A alegação de cerceamento de defesa, quando analisada à  luz da sequencia de fatos ocorridos durante a ação fiscal e  acima sintetizada, não pode prosperar. Após uma primeira  intimação,  as  deduções  relativas  a  dependentes,  despesas  com instrução e contribuições para a previdência privada  foram  consideradas  como  devidamente  comprovadas  pela  autoridade  fiscal.  Restou  dúvida  acerca  da  efetividade  da  prestação  de  serviços  e  dos  respectivos  pagamentos  aos  profissionais elencados na segunda intimação. Em face dos  documentos  apresentados,  foi  acolhida  como  regular  a  dedução  de  despesa  referente  à  profissional  Karen  de  Araújo  Mendes.  Ademais,na  impugnação  apresentada  transparece  a  plena  compreensão  acerca  das  razões  das  glosas efetuadas.  Destarte, uma vez assegurado ao interessado o exercício do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  preceituados  na  Constituição Federal,  tendo  sido  observado  o  prazo  legal  para  apresentar  sua  impugnação,  com  argumentos  e  provas  que  elidissem  o  lançamento  não  se  vislumbra  a  existência  de  vício  a  macular  o  lançamento,  devendo  ser  rejeitada  a  arguição  de  nulidade  por  cerceamento  de  defesa. ”  Examinados os documentos e demonstrativos que compõe os autos, verifica­ se que na “descrição dos fatos à autoridade dá notícias de glosa de despesas médicas.  Analisando­se  a  relação  de  pagamentos  efetuados  pelo  recorrente  com  o  código 07 e 11, que corresponde a dedução de despesas médicas, temos:a) Solange Gonçalves  da Silva R$12.960, b) Karen de Araujo Mendes – R$9.500,00, c) Renata dos Santos Vicente  R$10.000,00,  Isabel Cristina F Simões Peniche, R$1.800,00, d) Cristiane Cristovão da Silva,  R$7.000,00, Prefeitura Municipal de Santos R$945,55 e Unimed R$10.418,66. O que  leva a  crer  que  o  contribuinte  pleiteou  em  sua  declaração  de Ajuste  Exercício  2006,  dedução  com  despesas médicas no montante de R$52.621,21.  A  intimação  de  fls.  34,  comprova  que  a  autoridade  lançadora  solicitou  a  recorrente os  seguintes documentos: 1) comprovante de  todos os  rendimentos  recebidos pelo  contribuinte e seus dependentes, bem como os comprovantes de todas as deduções pleiteadas  na declaração Exercício 2007 . Posteriormente foi encaminhada ao contribuinte a intimação de  fls. 100, solicitando a apresentação de comprovantes da efetividade da prestação dos serviços,  em relação aos pagamentos  informados como feitos à Karem de Araujo, Solange Gonçalves,  Renata dos Santos Vicente, Cristiane Cristovão da Silva e Isabel Cristina F Simões Peniche.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.000340/2009­07  Acórdão n.º 2802­001.613  S2­TE02  Fl. 4          5 Compulsando  as  peças  que  compõem os  autos  verifica­se  que  a  autoridade  lançadora deixou de explicar quais recibos não estavam sendo considerados e ainda, quais as  falhas encontradas nos recibos apresentados. Também, não apontou, nos recibos apresentados  pelo contribuinte, em atendimento a  intimação fls. 98, quaisquer fatos que possam amparar a  afirmação de que os recibos não são idôneos para a comprovação de despesas médicas.  De  igual  forma,  a  decisão  de primeira  instância,  ao  analisar  a  as  razões  de  defesa  apresentadas pelo contribuinte,  limitou­se a afirmar que a Notificação de Lançamento  contém  todos os elementos  legalmente previstos e que a alegação de cerceamento de defesa,  quando  analisada  à  luz  da  sequencia  de  fatos  ocorridos  durante  a  ação  fiscal  e  acima  sintetizada,  não  pode  prosperar.  Assevera  que  após  uma  primeira  intimação,  as  deduções  relativas  a  dependentes,  despesas  com  instrução  e  contribuições  para  a  previdência  privada  foram  consideradas  como  devidamente  comprovadas  pela  autoridade  fiscal.  Restou  dúvida  acerca da efetividade da prestação de serviços e dos respectivos pagamentos aos profissionais  elencados  na  segunda  intimação.  Em  face  dos  documentos  apresentados,  foi  acolhida  como  regular a dedução de despesa referente à profissional Karem de Araújo Mendes.   Observase que não há nos autos qualquer elemento que leve à convicção de  que o recorrente foi informando as falhas encontradas pela autoridade fiscal, nos documentos  apresentados para que  fosse possível o mesmo efetivamente  corrigir  as  falhas. A meu ver,  a  falta  da  informação  acima  representa  cerceamento  de  defesa  da  recorrente  e  impediu  que  o  mesmo  pudesse  apresentar  adequadamente  os  documentos  comprobatórios  das  deduções  pleiteadas em sua declaração.  De  minha  parte,  considero  que  não  existe  nos  autos  segurança  de  que  os  valores  lançados  e  mantidos  pela  autoridade  julgadora  "a  quo"  estejam  corretos,  pelos  seguintes motivos:a) ausência de melhor descrição dos fatos; b) falta de indicação das  falhas  encontradas nos recibos apresentados pelo requerente.  Tal  equívoco  representa  vício  material  insanável  não  podendo  a  presente  Notificação de Lançamento subsistir.  Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta.  Voto  o  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  ANULAR  a  presente  Notificação de Lançamento por vício material.  (assinado digitalmente)  Dayse Fernandes Leite­Relatora                              Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     6   Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

score : 1.0
4960956 #
Numero do processo: 12269.004436/2009-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-002.061
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e que prevaleça a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201305

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 12269.004436/2009-52

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5268224

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2403-002.061

nome_arquivo_s : Decisao_12269004436200952.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

nome_arquivo_pdf_s : 12269004436200952_5268224.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e que prevaleça a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.

dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2013

id : 4960956

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:42 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983817891840

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12269.004436/2009­52  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.061  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  PAMPA TELECOMUNICAÇÕES E ELETRICIDADE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2006  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENÉFICA.  ATO  NÃO  DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.  Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica­se  a ato ou fato pretérito, tratando­se de ato não definitivamente julgado, quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao  tempo  da sua prática.  A  multa  deverá  ser  recalculada,  com  base  na  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009  ao  artigo  32A  da  Lei  8.212/91,  com  a  prevalência  da  mais  benéfica ao contribuinte.      Recurso Voluntário provido em Parte    Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no  art.  32A  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009  e  que  prevaleça  a  mais  benéfica ao contribuinte.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 44 36 /2 00 9- 52 Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2   Carlos Alberto Mees Stringari   Presidente e Relator    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari  (Presidente),  Paulo  Mauricio  Pinheiro  Monteiro,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.  Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.004436/2009­52  Acórdão n.º 2403­002.061  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 10­30.684 da  7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente.  A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão  recorrido:    Conforme Relatório Fiscal  da  Infração,  fls.  05/07,  a  empresa  em  epígrafe  foi  autuada  por  não  ter  declarado  nas  Guias  de  Recolhimento  do Fundo de Garantia  por Tempo de Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  das  competências  09/2004  a  08/2006  e  12/2006,  valores  pagos  a  segurados  empregados  referentes  às  rubricas  "371  ­  Ajuda  de  Custo",  "3051 ­ Ajuda de Custo", "3068 ­ Acerto Cesta de benefícios" e  "Diferença  Cesta  de  Benefícios",  não  contemplados  nas  hipóteses  de  exclusão  de  incidência  da  contribuição  previdenciária previstas no parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n°  8.212/91.  Foi  aplicada  a  multa  no  valor  total  de  R$  1.129.803,00  (um  milhão,  cento  e  vinte  nove  mil,  oitocentos  e  três  reais),  valor  consolidado em 30/10/2009.  Informa  o  Relatório  Fiscal  da  Infração  que  foi  observada  a  aplicação  da  multa  mais  benéfica  ao  contribuinte,  determinação prevista no artigo 106,  inciso  II,  alínea "c", do  Código Tributário Nacional ­ CTN, procedimento demonstrado  na  "Planilha Demonstrativa  do Valor Originário Lançado"  e  na "Planilha Comparativa da Multa Aplicada", fls. 09/10.  A  empresa  impugnou  tempestivamente  a  exigência,  através  do  arrazoado  de  fls.  661/671.  A  ciência  do  Auto  de  Infração  ­  AI  ocorreu  em  06  de  novembro  de  2009  e  a  protocolização  da  impugnação, em 04 de dezembro de 2009.  Aduz,  primeiramente,  que  o  caso  dos  autos,  omissão  de  fato  gerador,  se molda  perfeitamente  à  situação prevista no  artigo  32­A, da Lei  n° 8.212/91, nos  termos da "redação que  lhe  foi  dada  pela  Lei  n°  11.941/09".  Afirma  que  o  comando  legal  em  referência  dispõe  que  a  aplicação  de  multa  será  de  R$  20,00  para  cada  grupo  de  10  informações  incorretas  ou  omitidas,  diferenciando­se  da  hipótese  prevista  no  inciso  II  do  mesmo  dispositivo  que  prevê  cominação  para  os  casos  em  que  o  contribuinte não apresenta qualquer tipo de declaração.  Assim sendo, requer o acolhimento e julgamento de procedência  da impugnação para que seja reconhecida a nulidade do Auto de  Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 Infração, a  fim de que seja  recalculada a multa em atenção ao  disposto  no  artigo  32­A,  inciso  I,  parágrafo  3o  ,  da  Lei  n°  8.212/91, combinado com o artigo 106,  inciso II, alínea "c", do  CTN.  Aguarda  seja  a  presente  impugnação  recebida  e  regularmente  processada,  com  a  conseqüente  e  imediata  suspensão  da  exigibilidade  da  "dita  contribuição  à  Seguridade  Social",  até o  final do julgamento da lide administrativa, a teor do disposto no  artigo 151, inciso III, do CTN.    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  onde pleiteia a aplicação da multa mais benéfica, retroatividade do art. 32­A, I, da lei 8.212/91  por força do art. 106, II, C, do CTN.      É o relatório  Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.004436/2009­52  Acórdão n.º 2403­002.061  S2­C4T3  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.    Como visto no relatório acima, a recorrente, tanto na impugnação, quanto no  recurso, não contesta o cerne da autuação, apenas pleiteia que a multa seja calculada conforme  o artigo 32A da Lei 8.212/91.    CÁLCULO DA MULTA    Recálculo  da  multa  com  base  no  art.  32­A,  Lei  8.212/1991,  a  partir  da  alteração da Lei 11.941/2009.  No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações,  face  à  edição  da  recente Medida  Provisória  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009. A  citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por  infrações relacionadas à  GFIP.  Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  art.  32  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes multas:      I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e       II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3odeste artigo.  § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 notificação  de  lançamento.(Incluído  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009).   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).   I  –  à  metade,  quando  a  declaração  for  apresentada  após  o  prazo,  mas  antes  de  qualquer  procedimento  de  ofício;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo  fixado em  intimação.(Incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009).   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº  11.941, de 2009).   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).   II  – R$ 500,00  (quinhentos  reais),  nos demais  casos.  (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).    Considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea  “c”,  do  Código  Tributário  Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais  favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  Art.106 ­ A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)  II  ­  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado:  (...)  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32,  inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena  administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição  não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991.  Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual  das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN:  (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32,  §  5º,  Lei  nº  8.212/1991  ou  (b)  a  norma  atual,  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV,  Lei  nº  8.212/1991 c/c o art. 32­A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.  Nesse  sentido,  entendo  que  na  execução  do  julgado,  a  autoridade  fiscal  deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte.      Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.004436/2009­52  Acórdão n.º 2403­002.061  S2­C4T3  Fl. 5          7 CONCLUSÃO    Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso,  NO  MÉRITO,  DAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO,  para  que  se  recalcule  o  valor  da  multa  de  acordo  com  o  disciplinado  no  art.  32­A  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009  e  que  prevaleça a mais benéfica ao contribuinte.      Carlos Alberto Mees Stringari                                 Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

score : 1.0
4956241 #
Numero do processo: 10865.001987/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2009 SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA. Por força do artigo 62-A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN reconhecendo assim a decadência de parte do período lançado e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recálculo da multa relativa ao período até 11/2008, nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201204

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2009 SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA. Por força do artigo 62-A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10865.001987/2010-43

anomes_publicacao_s : 201204

conteudo_id_s : 5084180

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2402-002.641

nome_arquivo_s : 2402002641_10865001987201043_201204.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES

nome_arquivo_pdf_s : 10865001987201043_5084180.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN reconhecendo assim a decadência de parte do período lançado e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recálculo da multa relativa ao período até 11/2008, nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012

id : 4956241

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:13 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983855640576

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 366          1 365  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.001987/2010­43  Recurso nº  000.000   Voluntário  Acórdão nº  2402­02.641  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de abril de 2012  Matéria  COOPERATIVA DE TRABALHO  Recorrente  ASSOCIACAO COMERCIAL E EMPRESARIAL DA ESTANCIA  TURISTICA DE HOLAMBRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2009  SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA.  Por  força  do  artigo  62­A,  §§1°  e  2°  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  n°  256,  de  22/06/2009,  a  matéria  objeto  de  recurso extraordinário ao STF e por ele sobrestada também deverá observar a  mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente.  O sobrestamento não prejudica a regular  tramitação do processo em relação  às  demais  questões  e  matérias  nele  em  discussão,  mesmo  porque  após  a  decisão  definitiva  do  STF  não  restará  aos  conselheiros  do  CARF  outra  decisão  que  não  seja  a  reprodução  do  julgamento  pela  nossa Corte Maior.  Assim,  o Processo Administrativo Fiscal  se  tornará definitivo  em  relação  à  matéria sobrestada.  SERVIÇOS PRESTADOS POR  INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE  TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a  contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou  fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.  MULTA DE MORA.  Aplica­se  aos  processos  de  lançamento  fiscal  dos  fatos  geradores  ocorridos  antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106,  inciso  II,  alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do  artigo  61  da  Lei  nº  9.430/96.  No  caso  da  falta  de  declaração,  a  multa  aplicável  é  a  prevista  no  artigo  35  da  Lei  nº  8.212,  de  24/07/91,  nos  percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.  INCONSTITUCIONALIDADE.     Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo  de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.  Recurso Voluntário Provido em Parte    Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 367          3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel  Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN reconhecendo assim a decadência  de parte do período lançado e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial  ao recurso para recálculo da multa relativa ao período até 11/2008, nos termos do artigo 35 da  Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.  Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator.   Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas  Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.  Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal  realizado  em  10/06/2010  para  constituição  de  crédito sobre serviços contratados por intermédio de cooperativa de trabalho. Segue transcrição  de trecho do relatório fiscal:  1.1  O  presente  relatório  é  parte  integrante  do  AUTO  DE  INFRAÇÃO  supracitado  e  tem  por  objeto  a  narrativa  do  fato  ocorrido  e  verificado  na  ação  fiscal  que  ensejou  o  lançamento  do  crédito  relativo  a  contribuições  devidas  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB  ,  correspondente  à  parte  de  empresa,  decorrente  da  contratação da Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho  Médico.  1.2  ...  4.2 Cabe ressaltar que os referidos valores  foram omitidos das  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço e Informações à Previdência Social –GFIP.  Segue transcrição de trechos do acórdão recorrido:  CONTRATAÇÃO  DE  COOPERATIVA  DE  TRABALHO  MÉDICO.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  A  NOTA  FISCAL OU FATURA.  E  devida,  pela  empresa  contratante,  a  contribuição  de  15%  sobre  o  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DE  LEI  OU  ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO.  A  instância  administrativa  é  incompetente  para  se  manifestar  sobre  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  lei  ou  ato  normativo.  DECADÊNCIA.  Nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  existindo  antecipação  do  pagamento,  ainda  que  parcial,  a  decadência  opera­se com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da  ocorrência  do  fato  gerador, mediante  aplicação do  artigo  150,  §4° do Código Tributário Nacional.  ...        Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 368          5 Contra a decisão, o  recorrente  interpôs recurso voluntário, onde se  reiteram  as alegações trazidas na impugnação:  Alega, inicialmente, a nulidade do lançamento fiscal por falta de  requisitos essenciais com o conseqüente cerceamento ao direito  de  defesa  do  contribuinte.  Aduz,  nesse  sentido,  que  não  há  clareza e precisão quanto às ilegalidades apontadas.  Aduz,  ainda,  existir  omissão  quanto  aos  fundamentos  legais,  métodos e critérios seguidos pelo auditor fiscal para arbitrar o  lançamento  na  ordem  de  30%  dos  valores  das  notas  fiscais  e  também na  razão pela qual a  impugnante deve  figurar no pólo  passivo  da  obrigação  tributária,  haja  vista  não  ter  sido  ela  a  tomadora dos serviços médicos prestados pelos cooperados por  intermédio da Unimed.  Entende  que  o  auditor  fiscal,  ao  invés  de  arbitrar  a  base  de  cálculo na ordem de 30%. deveria requerer à Unimed Campinas  as  folhas  de  pagamento  nominais  mensalmente  emitidas  para  seus  cooperados,  mencionando  o  disposto  no  artigo  216  da  Instrução Normativa R F B n° 971/09.  Alega a decadência do direito de constituir o crédito relativo ao  período de janeiro a maio/2005, nos termos do §4° do artigo 150  do Código Tributário Nacional.  Entende não estar presente a hipótese de incidência descrita no  inciso  IV  do  artigo  22  da  Lei  n°  8.212/91,  uma  vez  que  à  impugnante  não  são  prestados  quaisquer  serviços  pelos  cooperados,  os  quais  são  destinados  aos  seus  diretores,  empregados  e  associados.  Argumenta  que  a  associação  centraliza  os  valores  pagos  pelos  associados  e  os  valores  descontados  dos  seus  empregados  e  diretores,  utilizando­os  integralmente para quitar as notas fiscais emitidas pela Unimed.  Aduz  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  em  comento,  por  se  tratar  de  nova  fonte  de  custeio  da  seguridade  social  não  veiculada  por  lei  complementar,  argumentando  que  a  base  de  cálculo  utilizada  não  guarda  relação  com  a  remuneração  do  cooperado.  Menciona  a  existência  de  discussão  sobre  o  tema  junto  ao  Supremo Tribunal Federal,  na A D  I  n  n° 2.594­ DF.  com parecer favorável do Procurador Geral da República.  Aduz, ainda, não estar caracterizado o crime de sonegação fiscal  mencionado pela autoridade  fiscal,  já que ainda não ocorreu o  lançamento  definitivo  da  obrigação  tributária.  Que  com  o  processo administrativo em andamento, não se pode considerar  o  fato  como  crime.  Menciona  o  artigo  337­A,  argumentando  jamais  ter  deixado  de  declarar  em  folha  dc  pagamento  ou  na  GFIP os segurados que lhe prestam serviços, destacando que os  médicos  cooperados  não  prestam  serviços  à  impugnante,  mas  sim à própria cooperativa.  Requer,  finalmente,  o  acolhimento  das  razões  expostas,  cancelando  o  presente  auto  de  infração.  Protesta  provar  o  alegado por todos os meios de provas admitidos.  Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6 É o Relatório.  Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 369          7 Voto             Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Das Preliminares  Sobrestamento de matérias  O  lançamento  constituiu  crédito  de  contribuição  sobre  a  contratação  de  serviços por intermédio de cooperativa de trabalho. Acontece que essa matéria encontra­se em  discussão no STF, tendo sido declarada a repercussão geral da matéria.  Por  força  do  artigo  62­A,  §§1°  e  2°  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário  ao STF e por ele  sobrestada  também deverá observar  a mesma  tramitação no CARF até que  julgada definitivamente; do que resultará sua aplicação neste Conselho, conforme determina o  caput do mesmo artigo:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.   § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.  Adverte­se  que  o  sobrestamento  não  prejudica  a  regular  tramitação  do  processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a  decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a  reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se  tornará definitivo em relação à matéria sobrestada.  Ressalta­se  também  que  o  Processo  Administrativo  Fiscal  é  regido,  dentre  outros,  pelos  princípios  da  Oficialidade  e  da  Razoabilidade,  sendo  vedada  à  autoridade  administrativa sobrestar o andamento do processo quando outra medida menos gravosa atende  igualmente a finalidade da norma.  É  certo que,  independentemente do  entendimento deste  conselheiro  sobre o  momento em que se dá o sobrestamento da matéria, a Portaria CARF n° 001, de 03/01/2012  condicionou o sobrestamento à declaração expressa nesse sentido pelo STF; o que não ocorreu  no presente caso:  Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 Art.  1º.  Determinar  a  observação  dos  procedimentos  dispostos  nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento  de  recursos  em  tramitação  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ CARF, em processos referentes a matérias de  sua  competência  em  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários  ­ RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão,  nos  termos  do  art.  543­B da Lei  n°  5.869,  de 11  de  janeiro  de  1973, Código de Processo Civil.  Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata  o  caput  somente  será  aplicado  a  casos  em  que  tiver  comprovadamente  sido  determinado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal ­ STF o sobrestamento de processos relativos à matéria  recorrida, independentemente da existência de repercussão geral  reconhecida para o caso.  Em razão do exposto, voto pela regular tramitação do processo e submeto­o à  julgamento.  Procedimentos formais  O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos  os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do notificado;  II ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou  impugnação;  III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;  IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  O  recorrente  foi  devidamente  intimado  de  todos  os  atos  processuais,  assegurando­lhe  a  oportunidade  de  exercício  da  Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 370          9 ampla  defesa  e  do  contraditório,  nos  termos  do  artigo  23  do  mesmo Decreto:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  III  ­  por  edital,  quando  resultarem  improfícuos  os  meios  referidos nos incisos  I e  II.  (Vide Medida Provisória nº 232, de  2004)  A  decisão  recorrida  também  atendeu  às  prescrições  que  regem  o  processo  administrativo  fiscal:  enfrentou  todas  as  alegações  do  recorrente,  com  indicação  precisa  dos  fundamentos  e  se  revestiu  de  todas  as  formalidades  necessárias.  Não  contém,  portanto,  qualquer vício que suscite  sua nulidade, passando,  inclusive,  pelo  crivo do Egrégio Superior  Tribunal de Justiça:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).   “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SERVIDOR  PÚBLICO  INATIVO.  JUROS  DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ.  1.  Não  há  nulidade  do  acórdão  quando  o  Tribunal  de  origem  resolve  a  controvérsia  de  maneira  sólida  e  fundamentada,  apenas não adotando a tese do recorrente.  2. O  julgador  não  precisa  responder  a  todas  as  alegações  das  partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar  a decisão, nem está obrigado a ater­se aos fundamentos por elas  indicados “. (RESP 946.447­RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma  – DJ 10/09/2007 p.216)  Portanto,  em  razão  do  exposto  e  nos  termos  de  regras  disciplinadoras  do  processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos  atos praticados:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  No mérito  Alega a recorrente inconstitucionalidade da contribuição sobre a contratação  de  serviços por  intermédio de cooperativa de  trabalho;  entretanto,  a  regra no  artigo 26­A do  Decreto  n°  70.235/72  restringe  a  atuação  do  órgão  administrativo  no  sentido  de  afastar  dispositivo legal vigente:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  A  contribuição  está  prevista  no  artigo  22,  IV  da  Lei  n°  8.212/1991,  com  redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999:   Art.22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:   (...)   IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99)   E também que teria havido arbitramento e ilegitimidade passiva da recorrente  uma vez que deveria a contribuição ser cobrada da cooperativa de trabalho médico. Como se  depara do dispositivo acima a contribuição é a cargo da empresa contratante e não se trata de  arbitramento, mas de lançamento correspondente a 15% das notas fiscais de serviços, fls. 05 e  seguintes, e não 30% como afirma a recorrente.  Multa de mora  Insurge­se a recorrente quanto às multas cobradas. A questão a ser enfrentada  é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em  que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009.  É  que  a  medida  provisória  revogou  o  artigo  35  da  Lei  8.212/91  que  trazia  as  regras  de  aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou  a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo,  75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%.   Para  tanto,  deve­se  examinar  cada  um  dos  dispositivos  legais  que  tenham  relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores:  Art. 35. Sobre as contribuições  sociais em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:   I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:    a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;    b) quatorze por cento, no mês seguinte;  Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 371          11  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;   II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:   a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação;   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação;   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS;    d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;   De  fato,  a  multa  inserida  como  acréscimo  legal  nos  lançamentos  tinha  natureza  moratória  ­  era  punido  o  atraso  no  pagamento  das  contribuições  previdenciárias,  independentemente  de  a  cobrança  ser  decorrente  do  procedimento  de  ofício.  Mesmo  que  o  contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a  constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A  redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse  sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento –  a mora.  Contemporâneo  à  essa  regra  especial  aplicável  apenas  às  contribuições  previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os  demais tributos federais:  Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições  Multas de Lançamento de Ofício  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.   É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se  sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12 aparentes.  Para  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  ocorridos  até  a MP  449  aplicava­se sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91.   Portanto,  a  sistemática  do  artigos  44  e  61  da  Lei  nº  9.430/96  para  a  qual  multas  de  ofício  e  de  mora  são  excludentes  entre  si  não  se  aplica  às  contribuições  previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplica­se a multa de mora e,  caso  contrário,  seja  necessário  um  procedimento  de  ofício  para  apuração  do  valor  devido  e  cobrança  através  de  lançamento  então  a multa  é  de  ofício.  Enquanto  na  primeira  se  pune  o  atraso  no  pagamento,  na  segunda  multa,  a  falta  de  espontaneidade.  E  não  fica  só  nisso,  dependendo  de  alguns  agravantes  esta  última  que  se  inicia  em  75%  pode  chegar  a  225%;  enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal.   De  fato,  a  fixação  da  multa  de  ofício  independe  do  tempo  de  atraso  no  pagamento  do  tributo.  Para  fatos  geradores  ocorridos  a  5  anos  ou  no  ano­base  anterior,  por  exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior.  Levar­se­ão  em  consideração  outros  fatores,  como:  fraude,  omissão  de  informações  ou  se  apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação  da multa  de mora  no  âmbito  das  contribuições previdenciárias. Na Previdência Social,  essas  condutas  do  sujeito  passivo  são  consideradas  infrações  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  e,  portanto,  ensejam  lavratura  de  auto  de  infração,  cuja multa  não  tem  nenhuma  relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais  progressivos,  considerando  o  tempo  em  atraso  para  o  pagamento  e  a  fase  do  contencioso  administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do  recurso,  após  recurso  e  antes  de  15  dias  da  ciência  da  decisão  e  após  esse  prazo.  Quando  realizado  o  lançamento  a  multa  de  mora  é  maior  em  razão  da  gradação  e  não  porque  foi  aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também  ocorre  igualmente  em  outras  fases  do  processo  sem  que,  em  qualquer  momento,  a  Lei  nº  8.212/91  alterasse  a  natureza  jurídica  da multa  de mora.  E,  ainda,  a  diferença  de  percentual  para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%.  Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a  recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente.  Portanto,  repete­se: no caso das  contribuições previdenciárias  somente o  atraso  era  punido  e  nenhuma  dessas  regras  se  aplicava;  portanto,  não  vejo  como  se  aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência  da MP 449.  Alguns  sustentam  a  aplicação  quando  embora  tenham  os  fatos  geradores  ocorrido  antes,  o  lançamento  foi  realizado na vigência da MP 449. E  aí  consulto  as Normas  Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reporta­se à data de ocorrência  do  fato  gerador  e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada:   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  ...  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 372          13 É  a  afirmação  legislativa  da  natureza  declaratória  do  lançamento,  já  predominante  na  doutrina  desde  a  edição  das  obras  de Direito Tributário  do  saudoso mestre  Amílcar de Araújo Falcão1:   “De  logo  convém  recordar  que  não  é  manso  e  tranqüilo  o  entendimento  que  exprimimos  quanto à  função do  fato  gerador  como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária.   Alguns  autores  dissentem  dessa  conclusão,  afirmando  que  tal  função criadora deve ser atribuída ao lançamento.   Contestam  estes  que  o  lançamento  tenha,  como  à  maioria  da  doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.”  Como  regra  comporta  algumas  exceções,  dentre  as  quais  a  aplicação  retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de  definir um fato como infração:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  ...  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;   c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.  Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação  com  a  multa  de  mora.  Isso  porque  a  mesma  Lei  nº  8.212/91  fazia  à  época  uma  nítida  diferenciação entre  infração,  todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias,  inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não  pagamento  das  contribuições  previdenciárias. Deixar  de pagar  a  contribuição  devida  não  era  infração, mas  inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o  lançamento  através  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  do  Débito  –  NFLD  para  a  cobrança  do  valor  principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora:  Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se  referem,  conforme  dispuser  o  regulamento.Parágrafo  único.  Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o  prazo  de  15  (quinze)  dias para  apresentar  defesa,  observado o  disposto em regulamento.                                                               1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo  Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977.  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14 §  1º  Recebida  a  notificação  do  débito,  a  empresa  ou  segurado  terá  o  prazo  de  15  (quinze)  dias  para  apresentar  defesa,  observado o disposto em regulamento.  ...  Regulamento  da Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto  n°  3.048/99:  Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e  8.213,  ambas  de  1991,  para  a  qual  não  haja  penalidade  expressamente cominada neste Regulamento,  fica o responsável  sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e  trinta e seis  reais  e  dezessete  centavos)a  R$  63.617,35  (sessenta  e  três  mil  seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme  a  gravidade  da  infração,  aplicando­se­lhe  o  disposto  nos  arts.  290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:  I­  a  partir  de  R$  636,17  (seiscentos  e  trinta  e  seis  reais  e  dezessete centavos)nas seguintes infrações:   a)deixar  a  empresa  de  preparar  folha  de  pagamento  das  remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados  a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro Social;   b)deixar  a  empresa  de  se  matricular  no  Instituto  Nacional  do  Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do  início  de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro  Nacional da Pessoa Jurídica;   c)deixar  a  empresa  de  descontar  da  remuneração  paga  aos  segurados  a  seu  serviço  importância  proveniente  de  dívida  ou  responsabilidade  por  eles  contraída  junto  à  seguridade  social,  relativa a benefícios pagos indevidamente;   d)deixar  a  empresa  de  matricular  no  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  obra  de  construção  civil  de  sua  propriedade  ou  executada  sob  sua  responsabilidade  no  prazo  de  trinta  dias  do  início das respectivas atividades;  ...  Já  quanto  à  hipótese  na  alínea  “c”,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ  pacificou  o  entendimento  que  não  se  trata  apenas  dos  atos  infracionais,  mas  de  todas  as  penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora:  RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 ­ RS (2003/0101012­0)  PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA  – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART.  61 DA LEI 9.430/96 A  FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE  –  RETROATIVIDADE  DA  LEGISLAÇÃO  MAIS  BENÉFICA  –  ART.  106  DO  CTN  O  Código  Tributário  Nacional,  por  ter  natureza  de  lei  complementar,  prevalece  sobre  lei  ordinária,  facultando  ao  contribuinte,  com  base  no  art.  106  do  referido  diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 373          15 aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores  anteriores a 1997.  Recurso não conhecido.  ...  O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior  determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança  fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo  ser  reduzida  a  multa  aplicada  por  cometimento  de  infração  tributária  material.  Destarte,  não  comporta  mais  divergências  no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado  nos  Embargos  de  Divergência  no  Recurso  Especial  n.º  184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis:  "TRIBUTÁRIO  –  LEI  MENOS  SEVERA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  –  POSSIBILIDADE  –  REDUÇÃO  DA  MULTA  DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106,  inciso  II,  letra  'c'  estabelece  que  a  lei  aplica­se  a  ato  ou  fato  pretérito  quando  lhe  comina  punibilidade  menos  severa  que  a  prevista  por  lei  vigente  ao  tempo  de  sua  prática.  A  lei  não  distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratando­se de  execução  não  definitivamente  julgada,  pode  a  Lei  n.º  9.399/96  ser  aplicada,  sendo  irrelevante  se  já  houve  ou  não  a  apresentação dos embargos do devedor ou se estes  já foram ou  não julgados."  A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14,  de  04/12/2009,  admitiu  também  a  retroatividade  benéfica  aos  processos  ainda  não  definitivamente  julgados,  ainda  que  realizados  antes  da  vigência  da MP  449;  embora  tenha  considerado  que  as  multas  sejam  de  ofício  mesmo  para  os  fatos  geradores  ocorridos  na  vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito  de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de  execução  com  a  qual  não  concordamos.  A  Portaria  diz  que  as  multas  lançadas  nas  NFLD  devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação,  com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem  comparar  institutos  com  naturezas  jurídicas  distintas  como  se  fossem  a mesma  coisa  e,  pior  ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada  um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas  só há em comum o  nome  “multa”,  mais  nada?  Não  pode.  Essa  parte  da  Portaria,  com  o  devido  respeito,  não  merece acolhida nesse Conselho  Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009:  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.   Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16 os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 – Código Tributário Nacional (CTN).   ...  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:   Art.  3º  A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento de obrigação principal,  conforme o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela  Lei nº 11.941, de 2009.   § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.   §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de  2008.   Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­A  daquela  Lei,  acrescido  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.   Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social (GFIP), a multa aplicada limitar­se­á àquela prevista no  art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009.   A  multa  lançada  nos  documentos  de  constituição  de  crédito  da  obrigação  principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado  pela  lei  posterior  para  multa  de  ofício.  Acontece  que  não  se  pode  fazer  retroagi­lo  aos  lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade  benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores.  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 374          17 Assim,  temos  atualmente  vigentes  duas  regras,  a  primeira  para  a multa  de  mora e a segunda para a de ofício:  a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplica­se o artigo 61 da Lei  nº 9.430/96;  b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei.  Lei nº 9.430/96  Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de  tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.   §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada  aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é  necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a  retroatividade  benéfica,  deve  ser  comparada  com  a  regra  do  artigo  35  da  Lei  nº  8.212/91  vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação  da  multa  de  mora  atualmente  vigente  ao  invés  da  multa  de  ofício  exige  como  requisito  a  declaração  dos  fatos  geradores.  Se  a  declaração  na  época  somente  tinha  importância  para  a  redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser  aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora.   Lei nº 8.212/91  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     18 ...  II  ­  para pagamento de  créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:  ...  Em  síntese,  por  força  do  artigo  106,  inciso  II,  alínea  "c"  do  CTN,  os  processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449,  ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e  limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores  ou,  caso  contrário,  aplicado  o  artigo  35  da  Lei  nº  8.212,  de  24/07/91  nos  percentuais  vigentes à época dos fatos geradores.  Nesse sentido, em reforço dessa diferença conceitual entre multas de ofício e  de  mora,  transcrevo  trechos  do  meu  voto  no  acórdão  n°  2402­001.874,  de  28/07/2011  que  decidiu também pela inaplicabilidade do artigo 44 da Lei 9.430/96 nos autos­de­infração pelo  descumprimento da obrigação acessória de declaração em GFIP dos fatos geradores:  Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006   GFIP.  OMISSÕES.  INCORREÇÕES.  INFRAÇÃO.  PENALIDADE  MENOS  SEVERA.  RETROATIVIDADE  BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.  Em  cumprimento  ao  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”  do  CTN,  aplica­se a penalidade menos severa modificada posteriormente  ao  momento  da  infração.  A  norma  especial  prevalece  sobre  a  geral:  o  artigo  32­A da Lei  n° 8.212/1991  traz  regra  aplicável  especificamente  à  GFIP,  portanto  deve  prevalecer  sobre  as  regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas  as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e  responsáveis tributários.   Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo  32­A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.  ...  Ainda  quanto  à  multa  aplicada,  deve  ser  aplicada,  com  fundamento  no  artigo  106  do  Código  Tributário  Nacional,  a  regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que  introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32­A. Seguem  transcrições:  Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes  alterações:  ...  Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e  II  –  de  2%  (dois  por  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 375          19 cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante  das  contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega  após  o  prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no  § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.  § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas  antes  de  qualquer  procedimento  de  ofício;  ou  II  –  a  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  se  houver  apresentação  da  declaração no prazo fixado em intimação.  § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais  casos.”  Código Tributário Nacional:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.”  Podemos  identificar  nas  regras  do  artigo  32­A  os  seguintes  elementos:  ­  é  regra  aplicável  a  uma  única  espécie  de  declaração,  dentre  tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações à Previdência Social – GFIP;  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     20 ­ é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o  prazo  legal,  corrigi­la  ou  suprir  omissões  antes  de  algum  procedimento de ofício que resultaria em autuação;  ­ regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de  entrega/entrega após o prazo  legal e nos  casos de  informações  incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por  cento da contribuição;  ­ desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação  ao recolhimento da contribuição previdenciária;  ­ reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou  supressão  da  omissão  antes  ou  após  o  prazo  fixado  em  intimação; e fixação de valores mínimos de multa.  Inicialmente,  esclarece­se  que  a  mesma  lei  revogou  as  regras  anteriores  que  tratavam  da  aplicação  da  multa  considerando  cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número  de segurados da empresa:  Art. 79. Ficam revogados:  I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35,  os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º  do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do  art.  80,  o  art.  81,  os  §§  1º,  2º,  3º,  5º,  6º  e  7º  do  art.  89  e  o  parágrafo  único  do  art.  93  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991;  Para  início  de  trabalho,  como de  costume,  deve­se  examinar  a  natureza  da  multa  aplicada  com  relação  à  GFIP,  sejam  nos  casos  de  “falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega  após  o  prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”.  No inciso II do artigo 32­A em comento o legislador manteve a  desvinculação  que  já  havia  entre  as  obrigações  do  sujeito  passivo:  acessória,  quanto  à  declaração  em  GFIP  e  principal,  quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida:  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.  Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado  o  pagamento  de  cem  por  cento  das  contribuições  previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo.   Comparando  com  o  artigo  44  da  Lei  n°  9.430,  de  27/12/1996,  que  trata  das  multas  quando  do  lançamento  de  ofício  dos  tributos  federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As  multas nele previstas  incidem em razão da  falta de pagamento  ou,  quando  sujeito  a  declaração,  pela  falta  ou  inexatidão  da  declaração, aplicando­se apenas ao valor que não foi declarado  e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o  seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de  R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 376          21 tenha  efetuado  o  pagamento/recolhimento  integral  dos  R$  100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada?  Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$  80.000,00?  Incidiria  a  multa  de  75%  (considerando  a  inexistência de  fraude)  sobre a diferença de R$ 20.000,00.  Isto  porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição  do  crédito  pelo  fisco,  isto  é,  de  ofício  através  do  lançamento.  Caso  todo  o  valor  de  R$  100.000,00  houvesse  sido  declarado,  ainda  que  não  pagos,  a  DCTF  já  teria  constituiria  o  crédito  tributário sem necessidade de autuação.  A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o  pagamento. Ainda  que  não  existam diferenças  de  contribuições  previdenciárias  a  serem  pagas,  estará  o  contribuinte  sujeito  à  multa  do  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/1991.  Seguem  transcrições:  LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996.  Dispõe  sobre  a  legislação  tributária  federal,  as  contribuições  para a seguridade social, o processo administrativo de consulta  e dá outras providências.  ...  Seção  V  Normas  sobre  o  Lançamento  de  Tributos  e  Contribuições...  Multas  de  Lançamento  de  Ofício  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição:  I­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.   A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do  caso  da  multa  prevista  no  artigo  32­A,  em  que  independentemente do pagamento/recolhimento da  contribuição  previdenciária,  o  que  se  pretende  é  que,  o  quanto  antes  (daí  a  gradação  em  razão  do  decurso  do  tempo),  o  sujeito  passivo  preste  as  informações  à  Previdência  Social,  sobretudo  os  salários de contribuição percebidos pelos  segurados. São essas  informações  que  viabilizam  a  concessão  dos  benefícios  previdenciários.  Quando  o  sujeito  passivo  é  intimado  para  entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já  tem conhecimento da  infração e,  portanto,  já poderia autuá­lo,  mas  isso  não  resolveria  um  problema  extra­fiscal:  as  bases  de  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     22 dados  da  Previdência  Social  não  seriam  alimentadas  com  as  informações  corretas  e  necessárias  para  a  concessão  dos  benefícios previdenciários.  Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do  artigo  44  aos  processos  instaurados  em  razão  de  infrações  cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração  e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além  das  razões  já  expostas,  deve­se  observar  o  Princípio  da  Especificidade  ­  a  norma  especial  prevalece  sobre  a  geral:  o  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212/1991  traz  regra  aplicável  especificamente  à  GFIP,  portanto  deve  prevalecer  sobre  as  regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas  as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e  responsáveis  tributários.  Pela  mesma  razão,  também  não  se  aplica o artigo 43 da mesma lei:  Auto  de  Infração  sem  Tributo  Art.43.Poderá  ser  formalizada  exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a  multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente.   Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.  Em  síntese,  para  aplicação  de  multas  pelas  infrações  relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do  artigo 32­A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a  matéria.  É  irrelevante  para  tanto  se  houve  ou  não  pagamento/recolhimento  e,  nos  casos  que  tenha  sido  lavrada  NFLD  (período  em  que  não  era  a  GFIP  suficiente  para  a  constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor  nela lançado.  E,  aproveitando  para  tratar  também  dessas  NFLD  lavradas  anteriormente  à  Lei  n°  11.941,  de  27/05/2009,  não  vejo  como  lhes  aplicar  o  artigo  35­A,  que  fez  com  que  se  estendesse  às  contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da  Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é  vedado;  nem  tampouco  a  nova  redação  do  artigo  35.  Os  dispositivos  legais  não  são  interpretados  em  fragmentos,  mas  dentro  de  um  conjunto  que  lhe  dê  unidade  e  sentido.  As  disposições  gerais  nos  artigos  44  e  61  são  apenas  partes  do  sistema  de  cobrança  de  tributos  instaurado  pela  Lei  n°  9.430/1996.  Quando  da  falta  de  pagamento/recolhimento  de  tributos  são  cobradas,  além  do  principal  e  juros  moratórios,  valores  relativos  às  penalidades  pecuniárias,  que  podem  ser  a  multa  de  mora,  quando  embora  a  destempo  tenha  o  sujeito  passivo  realizado  o  pagamento/recolhimento  antes  do  procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o  lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies  são  excludentes  entre  si. Essa  é a  sistemática adotada pela  lei.  As  penalidades  pecuniárias  incluídas  nos  lançamentos  já  realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa  nova  sistemática  aplicável  às  contribuições  previdenciárias,  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 377          23 conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa  de  mora.  Do  que  resulta  uma  conclusão  inevitável:  independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada  nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é  a  mesma  da  multa  de  mora  prevista  no  artigo  61  da  Lei  n°  9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos  a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício.  Seguem transcrições:  Art.35.Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único  do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996.  Art.35­A.Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto no art. 44  da Lei no 9.430, de 1996.  Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros   Art.61.Os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.   §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  Redação anterior do artigo 35:  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:   I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:    a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;    b) quatorze por cento, no mês seguinte;   c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;   II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     24  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação;   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação;   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS;    d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;   Retomando  os  autos  de  infração  de  GFIP  lavrados  anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que  parece  ser  o  mais  controvertido:  o  sujeito  passivo  deixou  de  realizar  o  pagamento  das  contribuições  previdenciárias  (para  tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de  contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco?  Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que  seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela  decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo  44  por  lhe  ser  mais  prejudicial),  sem  prejuízo  da multa  no  AI  pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade  por  infração  de  obrigação  acessória  ou  instrumental  para  a  concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas  possuem motivos  e  finalidades próprias que não se confundem,  portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem.  Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para  ajustá­lo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32­ A  da  Lei  n°  8.212/1991. Nada mais  que  a  aplicação  do  artigo  106, inciso II, alínea “c” do CTN:  Código Tributário Nacional:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  ...  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.”  De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega  da  GFIP,  a  multa  não  pode  exceder  a  20%  da  contribuição  previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez  ocorrências:  Art. 32­A. (...):  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.001987/2010­43  Acórdão n.º 2402­02.641  S2­C4T2  Fl. 378          25 I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e  II  –  de  2%  (dois  por  cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante  das  contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega  após  o  prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no  § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.  Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no auto­de­ infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por  exemplo,  quando a  empresa  possui  pouquíssimos  segurados,  já  que a multa era proporcional ao número de segurados), não há  como se falar em retroatividade.  Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do  §2° do artigo 32­A:  § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas  antes  de  qualquer  procedimento  de  ofício;  ou  II  –  a  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  se  houver  apresentação  da  declaração no prazo fixado em intimação.  Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é  aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a  falta.  Essa  possibilidade  já  existia  antes  da  Lei  n°  11.941,  de  27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação  pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a  atenuação no caso de correção da infração.  E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho,  os  sujeitos  passivos  autuados,  embora  pudessem  fazê­lo,  não  corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a  redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo,  portanto,  desnecessária  nova  intimação  para  a  correção  da  falta,  oportunidade  já  oferecida,  mas  que  não  interessou  ao  autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°:  Art.291.Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  o  termo  final  do  prazo para impugnação.  §1oA  multa  será  relevada  se  o  infrator  formular  pedido  e  corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não  contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não  tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     26 ...  CAPÍTULO  VI  ­  DA  GRADAÇÃO  DAS  MULTAS  Art.292.  As  multas serão aplicadas da seguinte forma:  ...  V  ­  na  ocorrência  da  circunstância  atenuante  no  art.  291,  a  multa será atenuada em cinqüenta por cento.  Por  tudo, voto pelo provimento parcial do recurso apenas para  reconhecer o direito de retroatividade do artigo 32­A da Lei n°  8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.  É como voto.  Julio Cesar Vieira Gomes  Por  tudo,  considerando  que  não  houve  declaração  em  GFIP  dos  fatos  geradores,  conforme  consignado  no  relatório  fiscal  e  decisão  recorrida,  deve  ser  aplicada  a  regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 aos fatos geradores ocorridos até 11/2008 e multa de  ofício sobre as bases de cálculo relativas ao período a partir de 12/2008.  Assim, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário.  É como voto.  Julio Cesar Vieira Gomes                                Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

score : 1.0
4957168 #
Numero do processo: 10183.721923/2010-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESULTADO DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. No processo administrativo fiscal, o resultado do juízo de admissibilidade, no órgão a quo, se expressa por uma destas duas fórmulas: "conhece-se da impugnação", quando positivo o resultado, isto é, quando o órgão colegiado entende concorrerem todos os requisitos necessários para tornar a impugnação admissível; "não se conhece da impugnação", quando, diversamente, considera o órgão julgador que falta algum (ou mais de um) daqueles requisitos. Já o resultado do juízo de mérito acha expressão noutro par de fórmulas: "julga-se procedente a impugnação ou improcedente o lançamento”, quando se apura que assiste razão ao Impugnante; na hipótese contrária, "julga-se improcedente a impugnação ou procedente o lançamento”. Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2801-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, para conhecer da impugnação no que se refere ao capítulo das despesas médicas, determinando o retorno dos autos à DRJ, para julgamento do mérito, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201306

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESULTADO DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. No processo administrativo fiscal, o resultado do juízo de admissibilidade, no órgão a quo, se expressa por uma destas duas fórmulas: "conhece-se da impugnação", quando positivo o resultado, isto é, quando o órgão colegiado entende concorrerem todos os requisitos necessários para tornar a impugnação admissível; "não se conhece da impugnação", quando, diversamente, considera o órgão julgador que falta algum (ou mais de um) daqueles requisitos. Já o resultado do juízo de mérito acha expressão noutro par de fórmulas: "julga-se procedente a impugnação ou improcedente o lançamento”, quando se apura que assiste razão ao Impugnante; na hipótese contrária, "julga-se improcedente a impugnação ou procedente o lançamento”. Decisão Recorrida Nula

turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10183.721923/2010-31

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5267324

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2801-003.057

nome_arquivo_s : Decisao_10183721923201031.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

nome_arquivo_pdf_s : 10183721923201031_5267324.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida, para conhecer da impugnação no que se refere ao capítulo das despesas médicas, determinando o retorno dos autos à DRJ, para julgamento do mérito, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013

id : 4957168

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983880806400

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2156; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 76          1 75  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10183.721923/2010­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.057  –  1ª Turma Especial   Sessão de  18 de junho de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  MARIA ALICE FERNANDES MARTINS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RESULTADO  DO  JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.  No processo administrativo fiscal, o resultado do juízo de admissibilidade, no  órgão  a  quo,  se  expressa  por  uma  destas  duas  fórmulas:  "conhece­se  da  impugnação", quando positivo o resultado, isto é, quando o órgão colegiado  entende  concorrerem  todos  os  requisitos  necessários  para  tornar  a  impugnação  admissível;  "não  se  conhece  da  impugnação",  quando,  diversamente,  considera  o  órgão  julgador  que  falta  algum  (ou mais  de  um)  daqueles requisitos. Já o resultado do juízo de mérito acha expressão noutro  par  de  fórmulas:  "julga­se  procedente  a  impugnação  ou  improcedente  o  lançamento”, quando se apura que assiste razão ao Impugnante; na hipótese  contrária,  "julga­se  improcedente  a  impugnação  ou  procedente  o  lançamento”.   Decisão Recorrida Nula      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  para  declarar  a  nulidade  da  decisão  recorrida,  para  conhecer  da  impugnação  no  que  se  refere  ao  capítulo  das  despesas médicas,  determinando o  retorno  dos  autos  à  DRJ,  para  julgamento  do  mérito,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Ausente,  momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 19 23 /2 01 0- 31 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.721923/2010­31  Acórdão n.º 2801­003.057  S2­TE01  Fl. 77          2 Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros  Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.  Relatório  Trata­se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa  Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 4.459,66, incluídos  multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.  O  crédito  tributário  foi  constituído  em  razão  de  ter  sido  verificada,  na  Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, exercício 2009, dedução indevida de previdência  privada,  no  valor  de  R$  881,89,  e  dedução  indevida  de  despesas  médicas,  no  valor  de  R$  7.716,72.   Acordaram  os  membros  da  4ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/CGE,  por  unanimidade  de  votos,  em NÃO CONHECER da  impugnação  apresentada  pela  contribuinte  (fls. 3/4 deste processo digital), mantendo­se o crédito tributário lançado.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  19/01/2012  (fl.  65),  a  Interessada interpôs, em 22/02/2012, o recurso de fl. 67/71. Na peça recursal aduz, em síntese,  que:  ­ Discorda dos termos da decisão recorrida de que a matéria em litígio não foi  impugnada, porquanto atacou o conteúdo de mérito do lançamento e da cobrança tributária.   ­ O valor de R$ 881,89 refere­se a pagamento de contribuição ao seu plano de  previdência  privada,  sendo  que  tal  montante  não  ultrapassa  a  12%  (doze  por  cento)  dos  rendimentos tributáveis declarados.  ­  A  APLUB,  ao  remeter  o  comprovante  de  contribuições  pagas  pela  Recorrente, inseriu a quantia de R$ 882,19 sob o verbete “Outros Planos/Seguros/Títulos”. O  contador não observou que somente as contribuições previdenciárias são dedutíveis, incidindo  em erro, mas não de má fé. Deveria ter sido ofertada à Recorrente a possibilidade de retificação  da declaração.  ­ Em relação às despesas médicas, foi explicitado que os valores glosados se  referem a despesas da própria Recorrente e de sua mãe, que não recebeu rendimentos em valor  superior ao limite da isenção anual.  ­ Sua genitora sempre foi sua dependente de fato, constando regularmente em  suas  declarações  de  rendimentos  anuais,  conforme  pode  ser  verificado  nos  registros  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB  e  no  documento  da  UNIMED  anexado  à  impugnação.  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.721923/2010­31  Acórdão n.º 2801­003.057  S2­TE01  Fl. 78          3 Ao  final,  requer  seja  julgada  procedente  a  impugnação,  para  cancelar,  indeferir ou anular a Notificação de Lançamento.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator  ADMISSIBILIDADE DO RECURSO  Aprecio, de início, a (in) tempestividade do recurso.  O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe:  Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  (...)  Art. 23. Far­se­á a intimação:  (...)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)   (...)  § 2° Considera­se feita a intimação:  (...)  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição  da  intimação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)  (...)  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  Na espécie, a ciência à Interessada, do Acórdão da 4ª Turma de Julgamento  da  DRJ/CGE,  se  deu  em  19/01/2012  (quinta­feira),  conforme  Aviso  de  Recebimento  –  AR  acostado  aos  autos  em  fl.  65  deste  processo  digital,  o  que  significa  dizer  que  o  prazo  para  apresentação do recurso iniciou­se no dia 20/01/2012 (sexta­feira).  O trigésimo dia seguinte à ciência da decisão caiu no dia 18/02/2012 (sábado  de  carnaval),  vencendo  o  prazo  para  apresentação  do  recurso  em  23/02/2012  (quinta­feira),  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.721923/2010­31  Acórdão n.º 2801­003.057  S2­TE01  Fl. 79          4 haja  vista  que  a  quarta­feira  de  cinzas  não  é  considerada  dia  de  expediente  normal  na  repartição.   O  recurso veio  subscrito por procurador  regularmente constituído nos autos  (procuração à fl. 5) e foi protocolado em 22/02/2012 (quarta­feira de cinzas), ou seja, dentro do  prazo  de  30  (trinta)  dias  previsto  na  legislação.  Assim,  conheço  do  recurso,  porquanto  presentes os requisitos de admissibilidade.  O CASO CONCRETO  O  crédito  tributário  foi  constituído  em  razão  de  ter  sido  verificada,  na  Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, dedução indevida de previdência privada, no valor  de R$ 881,89, e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 7.716,72.  A  decisão  recorrida  considerou  não  impugnada  a  dedução  indevida  de  previdência privada no valor de R$ 881,89. No recurso, a Interessada alega que tal valor refere­ se a pagamento de contribuição ao seu plano de previdência privada, sendo que tal montante  não ultrapassa a 12% (doze por cento) dos rendimentos tributáveis declarados.   Assevera,  no  entanto,  que  incidiu  em  erro,  haja  vista  que  tal  quantia  foi  inserida  sob  o  verbete  “Outros  Planos/Seguros/Títulos”  (parcela  não  dedutível)  do  “Comprovante  de  Contribuições  Pagas”  da  APLUB,  o  que  não  foi  observado  pelo  seu  contador. Postula, no recurso, a retificação de sua declaração.  Ocorre  que  a  contribuinte  reconheceu,  na  impugnação,  que  houve  erro  na  elaboração  da  declaração  por  parte  de  seu  contador.  Assim,  penso  que  o  entendimento  da  decisão  recorrida  (matéria  na  impugnada)  está  correto,  porquanto  não  houve  qualquer  insurgência  contra  esta  parte  do  lançamento.  Desta  forma,  a  matéria  encontra­se  preclusa,  porquanto não impugnada em época oportuna.  Em  relação  ao  segundo  ponto  (dedução  indevida  de  despesas médicas),  os  ilustres  julgadores  de  1ª  instância  não  conheceram  da  impugnação  sob  a  seguinte  fundamentação:  Como  se  constata,  a  glosa  deu­se  em  decorrência  da  apresentação  de  documentos  relativos  às  despesas  médicas  pagas à UNIMED CUIABÁ, contendo valores não discriminados  por beneficiário.  Em  sua  impugnação,  a  contribuinte  informa  que  se  trata  de  despesas  da  sua  genitora,  a  Sra.  ALICE  MARTINS  FERNANDES, não declarada como dependente, embora de fato  o  seja.  Informa,  ainda,  que  não  houve  má  fé,  mas  erro  no  preenchimento da declaração.  Verifica­se  que  a  impugnante  não  contesta  a  glosa  da  despesa  deduzida indevidamente. Apenas justifica o seu procedimento.  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente impugnada pelo contribuinte.   Acontece que as despesas médicas glosadas referem­se ao plano de saúde da  própria  Interessada  (valor  de  R$  3.020,16)  e  do  dependente  Leonardo  Fernandes  Lima  (no  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.721923/2010­31  Acórdão n.º 2801­003.057  S2­TE01  Fl. 80          5 valor  de  R$  4.696,56),  em  nada  se  relacionando  com  despesas  médicas  da  genitora  da  Recorrente.  Logo,  não  se  pode  falar  que  a  “glosa  de  despesas  médicas”  não  foi  impugnada,  porquanto  a  Interessada  colacionou  aos  autos,  por  ocasião  da  impugnação,  os  comprovantes de despesas do seu plano de saúde (fl. 11) e do plano de saúde de sua mãe (fl.  10), de forma individualizada. O que ocorreu, a meu ver, foi que não houve a análise de tais  documentos (dos comprovantes da UNIMED).  Acrescento,  ainda,  que  em  relação  à  glosa  de  despesas  médicas  a  decisão  recorrida teceu longas considerações de mérito, o que é incompatível com o resultado de “não  conhecimento da impugnação”, consoante será demonstrado abaixo.  NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO  Qual o significado da expressão “não conhecer da impugnação”?  Tal  expressão  significa,  a  meu  ver,  abster­se  de  examiná­la  em  sua  substância,  de  aprovar  ou  desaprovar  os  fundamentos  nela  expostos  e  em  seus  anexos.  O  Colegiado que não conhece a impugnação em hipótese nenhuma diz a quem assiste razão: se  ao Impugnante, se à Fazenda Nacional. Se o fizer, está dando ao seu próprio pronunciamento  denominação equivocada.  É antes de examinar a substância da impugnação que o órgão de piso tem de  decidir se vai ou não conhecer da impugnação. Se lhe examinou a substância, dela já conheceu,  por mais que se empenhe em fazer crer o contrário. No instante em que está deliberando se a  impugnação merece  ou  não  ser  conhecida,  o  Colegiado  ainda  não  sabe  que  juízo  formará  a  respeito das razões do Impugnante; apenas o saberá se e quando conhecer do recurso.   No processo administrativo fiscal, o resultado do juízo de admissibilidade, no  órgão a quo, se expressa por uma destas duas fórmulas: "conhece­se da impugnação", quando  positivo o resultado, isto é, quando o órgão colegiado entende concorrerem todos os requisitos  necessários para  tornar a  impugnação admissível;  "não  se  conhece da  impugnação",  quando,  diversamente, considera o órgão julgador que falta algum (ou mais de um) daqueles requisitos.   Já  o  resultado  do  juízo  de  mérito  acha  expressão  noutro  par  de  fórmulas:  "julga­se  procedente  a  impugnação  ou  improcedente  o  lançamento”,  quando  se  apura  que  assiste  razão  ao  Impugnante  (isto  é,  que  sua  impugnação  é  fundada);  na  hipótese  contrária,  "julga­se improcedente a impugnação ou procedente o lançamento”.   Tudo  aconselha  a  que  essa  distinção  terminológica  seja  cuidadosamente  preservada,  se é verdade que em direito a  fenômenos  iguais devem atribuir­se denominações  iguais e a fenômenos diferentes denominações também diferentes.  CONCLUSÃO  Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso para anular a decisão  recorrida, para que outra seja proferida em seu lugar, com o conhecimento da impugnação no  que se refere ao capítulo das despesas médicas, e para a análise, no mérito, das razões expostas  na  peça  impugnatória  e  de  todos  os  documentos  apresentados  pela  contribuinte,  pena  de  supressão de instância.  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.721923/2010­31  Acórdão n.º 2801­003.057  S2­TE01  Fl. 81          6 Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos Almeida                                Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN

score : 1.0
4895161 #
Numero do processo: 19515.001156/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 DESPESAS DE PROPAGANDA. DEDUTIBILIDADE. Os gastos com a aquisição e distribuição de objetos, desde que de diminuto valor e diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa, poderão ser deduzidos a título de despesas de propaganda para efeitos de lucro real. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CHEQUES PÓS-DATADOS. O pacto adjeto estabelecido entre o emitente e o beneficiário, para fixação de uma data de apresentação do cheque não tem o condão de alterar a data de vencimento do crédito, sob pena de alterar a natureza do cheque como ordem de pagamento à vista e violar os princípios da literalidade e abstração. PRÊMIOS A PAGAR. PROVISÃO. As provisões dedutíveis são aquelas assim consideradas pela legislação tributária. Deduzida provisão para pagamento de prêmios, havendo elementos que indiquem ser a conta creditada representativa de conta de provisão para participação nos lucros e resultados, e não provada a certeza e liquidez do valor provisionado não é possível aceitar-se que a conta contábil que a contenha tenha natureza de passivo, sendo correta a glosa. GLOSA DE DESPESAS. MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DE EQUIPAMENTOS. O regime aplicável à dedutibilidade com partes e peças adquiridos para promover a conservação e manutenção de bens de capital principais é o do art. 346 do RIR/99, não se lhes aplicando o art. 301 da referido regulamento. SALDO NEGATIVO. PERDCOMP. Havendo PERDCOMP sob análise que postule restituição ou compensação do saldo negativo apurado, descabe pedido para compensá-lo com valor apurado no procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1302-001.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso para: a) por unanimidade, excluir do lançamento o item relativo a glosa de despesa com reparo de equipamentos e negar a compensação do crédito lançado com saldo negativo apurado no ano-calendário 2003; b) por maioria de votos, afastar o lançamento relativo à glosa de despesa por perdas no recebimento de créditos e à glosa de despesas com o programa Raia Agradece, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade (relator) e Luiz Matosinho Machado, que negavam provimento; c) por voto de qualidade, manter o lançamento relativo a despesas com prêmios a pagar, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo, que davam provimento ao recurso nesta matéria. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. EDUARDO DE ANDRADE - Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado. EDITADO EM: 17/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201304

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 DESPESAS DE PROPAGANDA. DEDUTIBILIDADE. Os gastos com a aquisição e distribuição de objetos, desde que de diminuto valor e diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa, poderão ser deduzidos a título de despesas de propaganda para efeitos de lucro real. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CHEQUES PÓS-DATADOS. O pacto adjeto estabelecido entre o emitente e o beneficiário, para fixação de uma data de apresentação do cheque não tem o condão de alterar a data de vencimento do crédito, sob pena de alterar a natureza do cheque como ordem de pagamento à vista e violar os princípios da literalidade e abstração. PRÊMIOS A PAGAR. PROVISÃO. As provisões dedutíveis são aquelas assim consideradas pela legislação tributária. Deduzida provisão para pagamento de prêmios, havendo elementos que indiquem ser a conta creditada representativa de conta de provisão para participação nos lucros e resultados, e não provada a certeza e liquidez do valor provisionado não é possível aceitar-se que a conta contábil que a contenha tenha natureza de passivo, sendo correta a glosa. GLOSA DE DESPESAS. MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DE EQUIPAMENTOS. O regime aplicável à dedutibilidade com partes e peças adquiridos para promover a conservação e manutenção de bens de capital principais é o do art. 346 do RIR/99, não se lhes aplicando o art. 301 da referido regulamento. SALDO NEGATIVO. PERDCOMP. Havendo PERDCOMP sob análise que postule restituição ou compensação do saldo negativo apurado, descabe pedido para compensá-lo com valor apurado no procedimento fiscal.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 19515.001156/2008-00

anomes_publicacao_s : 201306

conteudo_id_s : 5257093

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 1302-001.064

nome_arquivo_s : Decisao_19515001156200800.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE

nome_arquivo_pdf_s : 19515001156200800_5257093.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso para: a) por unanimidade, excluir do lançamento o item relativo a glosa de despesa com reparo de equipamentos e negar a compensação do crédito lançado com saldo negativo apurado no ano-calendário 2003; b) por maioria de votos, afastar o lançamento relativo à glosa de despesa por perdas no recebimento de créditos e à glosa de despesas com o programa Raia Agradece, vencidos os conselheiros Eduardo de Andrade (relator) e Luiz Matosinho Machado, que negavam provimento; c) por voto de qualidade, manter o lançamento relativo a despesas com prêmios a pagar, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo, que davam provimento ao recurso nesta matéria. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. EDUARDO DE ANDRADE - Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado. EDITADO EM: 17/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior.

dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013

id : 4895161

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:20 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983883952128

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.084          1 1.083  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.001156/2008­00  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.064  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de abril de 2013  Matéria  IRPJ  Recorrente  Raia & CIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2003  DESPESAS DE PROPAGANDA. DEDUTIBILIDADE.  Os gastos com a aquisição e distribuição de objetos, desde que de diminuto valor e  diretamente  relacionados  com  a  atividade  explorada  pela  empresa,  poderão  ser  deduzidos a título de despesas de propaganda para efeitos de lucro real.  PERDAS  NO  RECEBIMENTO  DE  CRÉDITOS.  CHEQUES  PÓS­ DATADOS.  O pacto adjeto estabelecido entre o emitente e o beneficiário, para fixação de  uma data de apresentação do cheque não  tem o condão de alterar a data de  vencimento do crédito, sob pena de alterar a natureza do cheque como ordem  de pagamento à vista e violar os princípios da literalidade e abstração.  PRÊMIOS A PAGAR. PROVISÃO.  As  provisões  dedutíveis  são  aquelas  assim  consideradas  pela  legislação  tributária. Deduzida provisão para pagamento de prêmios, havendo elementos  que indiquem ser a conta creditada representativa de conta de provisão para  participação  nos  lucros  e  resultados,  e  não  provada  a  certeza  e  liquidez  do  valor  provisionado  não  é  possível  aceitar­se  que  a  conta  contábil  que  a  contenha tenha natureza de passivo, sendo correta a glosa.  GLOSA  DE  DESPESAS.  MANUTENÇÃO  E  CONSERVAÇÃO  DE  EQUIPAMENTOS.  O  regime  aplicável  à  dedutibilidade  com  partes  e  peças  adquiridos  para  promover a conservação e manutenção de bens de capital principais  é o do  art. 346 do RIR/99, não se lhes aplicando o art. 301 da referido regulamento.  SALDO NEGATIVO. PERDCOMP.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 56 /2 00 8- 00 Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2 Havendo  PERDCOMP  sob  análise  que  postule  restituição  ou  compensação  do  saldo  negativo  apurado,  descabe  pedido  para  compensá­lo  com  valor  apurado no procedimento fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado    em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para: a) por unanimidade, excluir do lançamento o item relativo a glosa de despesa com reparo  de  equipamentos  e  negar  a  compensação  do  crédito  lançado  com  saldo  negativo  apurado  no  ano­calendário 2003; b) por maioria de votos, afastar o lançamento relativo à glosa de despesa  por perdas no recebimento de créditos e à glosa de despesas com o programa Raia Agradece,  vencidos  os  conselheiros  Eduardo  de  Andrade  (relator)  e  Luiz  Matosinho  Machado,  que  negavam provimento; c) por voto de qualidade, manter o lançamento relativo a despesas com  prêmios a pagar, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo,  que davam provimento ao recurso nesta matéria.    EDUARDO DE ANDRADE ­ Presidente.     EDUARDO DE ANDRADE ­ Relator.    ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Redator designado.  EDITADO EM: 17/04/2013  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade,  Luiz  Tadeu  Matosinho,  Guilherme  Pollastri,  Márcio  Frizzo,  Valmir  Sandri  e  Alberto  Pinto  Souza Junior.    Relatório  Trata­se  de  apreciar  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  acórdão  proferido  nestes  autos  pela  1ª  Turma  da  DRJ/SP1,  no  qual  o  colegiado  decidiu,  por  unanimidade,  julgar  PROCEDENTE  EM  PARTE  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Data do fato gerador: 31/12/2003  APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO.  Os  documentos  que  fundamentam  contestação  a  lançamento  tributário  devem  ser  apresentados  juntamente  com  a  impugnação administrativa.  Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.085          3 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.  O  decidido  quanto  à  infração  que,  além  de  implicar  o  lançamento  de  IRPJ  implica  o  lançamento  da  Contribuição  Social  sobre  o Lucro Líquido  (CSLL),  também se  aplica  a  este  outro lançamento naquilo em que for cabível.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2003  DESPESAS  COM  DISTRIBUIÇÃO  DE  BRINDES.  INDEDUTIBILIDADE.  A  partir  do  ano­calendário  de  1996,  as  despesas  com  distribuição  de  brindes,  independentemente  de  seu  valor  ou  de  sua  eventual  necessidade  para  o  incremento  da  atividade  econômica  da  empresa,  são  indedutíveis,  para  efeito  de  apuração do Lucro Real, nos  termos preceituados pelo art. 13,  inciso VII, da Lei nº 9.249/1995.  PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES.  Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de  valor até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis  meses,  independentemente  de  iniciados  os  procedimentos  judiciais para o seu recebimento.  TRATAMENTO  FISCAL  DE  POSTERGAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  INAPLICABILIDADE.  FALTA  DE  PROVA  DE  OFERECIMENTO  À  TRIBUTAÇÃO  EM  EXERCÍCIO  POSTERIOR  E  DE  OCORRÊNCIA  DE  PAGAMENTO  CORRESPONDENTE.  Não  tendo o contribuinte  se desincumbido do ônus de provar o  oferecimento  à  tributação  e  do  correspondente  pagamento,  em  exercício  posterior,  de  valor  excluído  indevidamente  das  bases  de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado exercício, torna­ se inaplicável, à hipótese, o tratamento fiscal de postergação de  pagamento.  GLOSA DE DESPESAS. BENS DE NATUREZA PERMANENTE.  O  custo  de aquisição  de  bens  do  ativo permanente  não  poderá  ser  deduzido  como  despesa  operacional,  salvo  se  o  bem  adquirido  tiver  valor  unitário  não  superior  a  R$  326,61,  ou  prazo de vida útil que não ultrapasse um ano.  PROVISÃO. ADIÇÃO. LUCRO REAL.  A partir de 01/01/1996, para efeito de apuração do Lucro Real e  da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  (CSLL), são vedadas a constituição de qualquer provisão, exceto  as  expressamente  autorizadas.  Não  havendo  a  previsão  legal  para  a  constituição  de  uma  provisão  para  prêmios  a  pagar,  torna­se cabível adicionar o valor na Apuração do Lucro Real.  Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4   Os  eventos  ocorridos  até  o  julgamento  na  DRJ,  foram  assim  relatados  no  acórdão recorrido:  Em decorrência  de  ação  fiscal  direta,  a  contribuinte,  acima  identificada,  foi  autuada,  em  31/03/2008  (fls.  385,  390  e  393),  e  intimada  a  recolher  o  crédito  tributário constituído relativo ao IRPJ e à CSLL, multa proporcional e juros de mora,  referentes a fatos geradores ocorridos em 31/12/2003.  2.     Conforme  descrito  nos  Autos  de  Infração  e  nos  Termos  de  Constatação Fiscal (fls. 212 a 215, 320 a 323, 362 a 365, e 368 a 371) a contribuinte,  que apurou o  IRPJ pelo Lucro Real anual no ano­calendário 2003, de acordo com  cópia da Declaração de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica  (DIPJ)  às fls. 20 a 76, deduziu indevidamente na apuração da base de cálculo do imposto e  da CSLL valores a título de despesas, já que referidas despesas foram consideradas  pela  fiscalização  como  indedutíveis,  pois  não  respeitaram  os  critérios  de  dedutibilidade preconizados na legislação de regência da matéria.   3.     Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua  o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de  Infração:  3.1.     IRPJ (fls. 383 a 387):  3.1.1.    Bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa  ­ com base nos artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299, e 301 do Decreto nº  3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999).  3.1.2.    Provisões – Provisões  não  autorizadas  ­  com base  nos  artigos  249,  inciso  I,  251,  parágrafo  único,  299,  e  335  do  Decreto  nº  3.000/1999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  RIR/1999),  combinado  com  o  artigo  13,  inciso I, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995.  3.1.3.    Despesas Indedutíveis ­ com base nos artigos 247, 249, inciso I,  251, parágrafo único, e 299 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de  Renda – RIR/1999).  3.1.4.    Perdas  no  recebimento  de  créditos  –  Inobservância  dos  requisitos legais ­ com base nos artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, e 340 do  Decreto  nº  3.000/  1999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  RIR/1999),  combinado com o artigo 9º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  3.1.5.    O  crédito  tributário,  com  juros  de  mora  calculados  até  29/02/2008, totalizou o montante de R$ 1.063.484,96.  3.2.     CSLL (fls. 388 a 392):  3.2.1.    Falta de Recolhimento da CSLL ­ com base nos artigos 2º e §§  da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro  de 1996, 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 37 da Lei nº 10.637, de  30 de dezembro de 2002.  3.2.2.    O  crédito  tributário,  com  juros  de  mora  calculados  até  29/02/2008, totalizou o montante de R$ 382.854,58.  4.     O  enquadramento  legal  da  multa  de  ofício  aplicada  no  percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 e o dos juros de mora  com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é  o artigo 61, § 2º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 384 e 389).  Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.086          5 5.    Irresignada  com  os  lançamentos,  a  empresa  apresentou  impugnação  às  fls.  395  a  426,  protocolizada  em  29/04/2008,  acompanhada  dos  documentos  às  fls.  427  a  763  (complementados  posteriormente  por  anexos  às  fls.  767 a 970), na qual alega, em síntese, o seguinte:  I – Despesas com o Programa Raia Agradece.  5.1.    A  contribuinte  realizou  a  promoção  denominada  “Programa  Raia Agradece”, que consistia em conceder a cada Real gasto pelo cliente na compra  de produtos de higiene, beleza e dietéticos, um ponto no programa. Com 300 pontos,  o consumidor poderia  trocá­los por um CD das Coleções “Sucessos  Internacionais  II”  (concedido  no  período  de  janeiro  a  gosto  de  2003)  e  “Sucessos  Internacionais  III”  (concedido no  período  de  setembro  a  dezembro de  2003),  o  que  retribuía  sua  fidelidade à empresa.  5.2.    Os produtos não eram concedidos por mera liberalidade, já que  exigiam  uma  contraprestação  para  o  seu  recebimento.  Como  comprovação  do  alegado, a recorrente acosta aos autos o Regulamento do Programa Raia Agradece  (fls.  459  a  461),  além  de  planilha  da  conta  3401115  (Programa  Raia  Agradece)  juntada pela fiscalização (fls. 462 a 563).  5.3.    Na  referida  planilha  o  vocábulo  Brinde  aparece  em  todos  os  lançamentos, em razão de os produtos adquiridos serem considerados como brindes  pela  legislação  do  ICMS.  Esta  consigna  que  o  brinde  caracteriza­se  por  não  se  constituir em produto objeto normal da atividade da contribuinte e por se distribuído  gratuitamente ao consumidor.  5.4.    Mesmo  que  se  considere  um  novo  fundamento  legal,  de  qualquer  forma  os  gastos  efetuados  enquadram­se  no  conceito  de  despesas  necessárias previsto no Art.  299 do RIR/1999, em  razão de  tal  promoção  ser vital  para a manutenção da fonte produtora, já que estimula a fidelidade do consumidor.  II – Perdas em Operações de Crédito.  5.5.    Na  planilha  anexada  pela  fiscalização  (fls.  569  a  607)  para  refutar  a dedução aplicada pela  requerente, mais de 50% dos valores  referem­se  a  créditos vencidos há mais de 6 meses.  5.6.    Isto  em  razão  de  a  grande  maioria  dos  créditos  apresentar  vencimento nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho de 2003, que  foram  considerandos  como  dedutíveis  quando  do  encerramento  do  ano­calendário  2003,  ou  seja,  após  seis meses  do  seu  vencimento,  conforme  se  verifica na  citada  planilha. Como prova da data de  emissão do  cheque, que  constitui  uma ordem de  pagamento  à  vista,  a  defendente  acosta,  por  amostragem,  cheques  registrados  na  planilha que foram avaliados como indedutíveis pela RFB (fls. 608 a 655).  5.7.    Assim, não há dúvida de que tais perdas podiam ser deduzidas  como despesa no ano de 2003.  5.8.    Há que se reconhecer que havia créditos vencidos há menos de  6 meses  e  que  foram  considerados  como  despesa  dedutível  pela  empresa  no  ano­ calendário  2003.  Todavia,  tal  procedimento  não  poderia  implicar  na  cobrança  de  tributo,  uma  vez  que  deveriam  ser  considerados  os  efeitos  da  postergação  do  pagamento do tributo, consoante artigos. 247, § 2º, e 273 do RIR/1999.  5.9.    Desta forma, a indevida apropriação da perda em 2003 somente  constituiria  fundamento  para  a  cobrança  de  tributo  caso  não  tivesse  ocorrido  Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     6 aumento  na  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  no  ano­calendário  2004,  já  que  houve uma mera postergação de seu pagamento para o período seguinte.  III – Prêmios a Pagar.  5.10.    A  empresa  investe  em  treinamento  de  pessoal,  tendo  como  premissa que seus funcionários são agentes decisivos no ponto de venda.  5.11.    Assim,  as  lojas  e  funcionários  que  alcançam  as  metas  estabelecidas são agraciados com prêmios mensais, estabelecidos de acordo com o  valor atingido.  5.12.    Quando  se  alcança  a  meta,  lança­se  o  valor  devido  na  conta  Prêmios  a Pagar,  que  tem natureza  de  conta  de passivo; mensalmente,  debita­se  a  conta na medida do pagamento dos valores.  5.13.    Há  períodos  em  que  o  reconhecimento  da  despesa  ocorre  concomitantemente ao pagamento da mesma. Entretanto, por razões operacionais, é  comum que a despesa  seja  incorrida em determinado mês e seu pagamento ocorra  em  meses  seguintes;  assim,  como  exemplo,  o  alcance  da  meta  em  janeiro  é  contabilizado com os resultados auferidos até o último dia deste mês, momento em  que  nasce  a  despesa,  com  o  pagamento  sendo  efetuado  a  partir  do  cálculo  da  participação de cada funcionário.  5.14.    Considerando­se o regime de competência a que estão sujeitas  as  sociedades  anônimas,  a  despesa  deve  ser  reconhecida  no  momento  em  que  é  incorrida, e não no momento em que é efetivamente paga.  5.15.    O  procedimento  da  fiscalização  em  considerar  que  o  saldo  líquido da conta Prêmios a Pagar é provisão, pelo simples fato de não ter sido pago  até o encerramento do ano­calendário 2003, não a transforma em provisão.  5.16.    Não sendo uma estimativa, mas um valor exato e determinado,  não há que se confundir o valor da conta Prêmios a Pagar com provisão.  5.17.    As  provisões  estão  relacionadas  a  eventos  futuros,  incertos  e  estimados, que podem ou não ocorrer, criadas para prover recursos financeiros para  gastos que serão possivelmente incorridos no futuro.  5.18.    A  natureza  da  conta  Prêmios  a  Pagar  não  apresenta  tais  características.  Muito  pelo  contrário,  o  valor  glosado  de  R$  277.293,71  foi  totalmente pago no mês de abril de 2004, conforme Razão contábil da referida conta  (acostou documento às fls. 673 a 690).  5.19.    Desta  forma,  no  caso  de  descasamento  entre  os  regimes  de  competência  e  de  caixa,  com  despesa  incorrida  em  2003  mas  paga  em  2004,  prevalece para fins de reconhecimento da despesa o regime de competência.  5.20.    A título de argumentação, ainda que se admita que a conta seja  de  provisão,  a  fiscalização  não  poderia  ter  efetuado o  lançamento,  tendo  em vista  que os saldos inicial e final da conta Prêmios a Pagar eram de R$ 314.576,27 e R$  277.293,71, ou seja, não houve majoração da conta no ano de 2003, mas diminuição,  o que demonstra acréscimo de valor em 2003.  5.21.    Registre­se, ainda, que deveria ter sido considerado o efeito da  postergação,  já  que  a  suposta  provisão  deixou  de  ser  provisão  no  ano­calendário  seguinte.  IV – Gastos com Reparos de Equipamentos.  Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.087          7 5.22.    O  art.  346  do RIR/1999  preconiza  que  os  gastos  com  reparo,  conservação  ou  substituição  de  partes  e  peças  de  bens  do  ativo  imobilizado,  destinados  a mantê­los  em  condições  eficientes  de  operação,  podem  ser  lançados  como custo ou despesa operacional.  5.23.    As  peças  adquiridas  pela  empresa  são  de  uso  cotidiano  na  manutenção  e  reparo  de  equipamentos,  com  finalidade  única  de  mantê­los  em  condições  eficientes  de  operação,  e  sem  repercussão  em  aumento  de  vida  útil  superior  a  um  ano,  o  que  permitiu  à  empresa  contabilizar  tais  dispêndios  como  despesa operacional.  5.24.    A  autuante  deduziu,  sem  maiores  justificativas,  que  as  peças  adquiridas resultaram em aumento de vida útil dos equipamentos superior a um ano.  5.25.    Ainda  que  se  pretendesse  provar  que  os  bens  adquiridos  aumentaram  a  vida  útil  dos  bens,  tal  tentativa  seria  “infrutífera”. Analisando­se  o  histórico  das  contas  manutenção  de  equipamentos  e  manutenção  de  hardware,  conforme consta na planilha elaborada pela fiscalização, constata­se nitidamente que  os bens são de diminuto valor, o que não permitiria um incremento capaz de alterar  significativamente a vida útil dos equipamentos.   5.26.    Dentre  as  peças  adquiridas  encontram­se  Fontes  Chaveadas,  Fontes FX250, Cabos de scanner, Fontes AT 300W, Fitas DAT/DLT/DDS3, Cabo  de rede, Baterias, Termômetro, Teclados e Relógio de ponto, não sendo razoável que  tais peças, em virtude de sua simplicidade, ensejem alteração de vida útil. Trata­se  de material destinado à manutenção e conservação, sendo, quando muito, peças de  reposição.   5.27.    Não há  que  se  falar  que  outros  itens,  com maior  sofisticação,  como teclados, placas de rede, pentes de memória, HD, impliquem em aumento de  vida útil.  5.28.    As mencionadas peças destinam­se a  repor outras danificadas,  de  uma  vasta  gama  de  microcomputadores,  de  modo  que  nem  sequer  é  possível  quantificar  aumento  de  vida  útil.  E  ainda  que  fosse  possível  quantificá­lo,  certamente não seria superior a um ano.  5.29.    Não  constitui  ônus  da  contribuinte  comprovar  que  as  peça  adquiridas não resultaram em aumento de vida útil dos bens do ativo. Cabe ao Fisco  o  dever  não  somente  de  demonstrar,  mas  também  de  provar  que  os  dispêndios  implicaram em aumento de vida útil superior a um ano, o que não ocorreu no caso  que se discute.   5.30.    Mesmo  que  se  admita,  apenas  como  argumentação,  que  os  gastos  com  manutenção  deveriam  ter  sido  ativados,  deveria  a  fiscalização  ser  coerente e considerar ao menos a taxa de depreciação aplicável, para fins de dedução  no IRPJ e na CSLL.  V  –  Da  inexistência  de  saldo  negativo  de  IRPJ  e  CSLL  no  ano­calendário  2003 – Necessidade de sua consideração para o cálculo do montante devido.      5.31.    No ano­calendário 2003 a impugnante apurou saldo negativo de  IRPJ no valor de R$ 936.642,80, e de R$ 215.649,99 em relação à CSLL, conforme  DIPJ 2004 (juntou documento às fls. 699 a 763).  Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     8 5.32.    Assim, a empresa recolheu  IRPJ e CSLL a maior no curso do  ano­calendário, relativamente ao valor devido no encerramento.  5.33.    Neste contexto, antes de proceder o lançamento, a fiscalização  deveria ter verificado se os valores do saldo negativo de IRPJ e base de cálculo da  CSLL eram suficientes para absorver o valor dos tributos apurados, sendo cabível o  lançamento somente na hipótese de constatação de saldo a recolher.  5.34.    Veja­se que os saldos negativos de  IRPJ e CSLL superam em  muito o valor dos tributos lançados.  6.    Ao final, a impugnante protesta por provar o alegado por todos  os meios de prova em direito admitidos.  A  recorrente,  na  peça  recursal  submetida  à  apreciação  deste  colegiado,  repisou as alegações expendidas na impugnação. Alegou, ademais, em síntese, que:  ­ despesas com brindes exigiam a contraprestação da fidelidade;  ­  a  decisão  da DRJ  partiu  de  premissa  equivocada  quanto  ao momento  em  que deva ser considerado o crédito para contagem do prazo de 6 meses de seu vencimento, pois  não  a  contou  da  data  de  emissão  do  cheque,  mas  da  data  indicada  nos  cheques  sob  denominação “bom para”;  ­ o efeito da postergação não foi observado;  ­  embora  assim  o  digam  os  históricos  dos  lançamentos,  os  valores  contabilizados na conta prêmios a pagar não correspondem a antecipação da participação nos  resultados da empresa (PLR), pois estes dependem da futura apuração do lucro da empresa. E  ainda  que  se  considere  a  conta  como  de  provisão,  o  saldo  final  era  superior  ao  inicial,  indicando que os valores não foram criados no ano de 2003;  ­ a fiscalização não demonstrou aumento de vida útil  superior a 01 ano dos  gastos com manutenção glosados, nem sequer considerou a depreciação possível;  ­  quanto  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  e  CSLL  em  2003,  cuja  utilização  em  PERDCOMP foi constatada pela DRJ, os pedidos estão ainda pendentes de análise.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro Eduardo de Andrade  O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço.    (a) Despesa com brindes  A  fiscalização  glosou  a  despesa  com  brindes  no  programa  Raia  Agradece,  entendendo que seria necessária sua adição ao lucro real, nos termos do art.299 do RIR.  Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.088          9 A  recorrente  discorda,  por  entender  que  há  uma  contraprestação  para  o  recebimento do presente, não se encaixando os CD’s distribuídos no conceito de brinde, vez  que exigida a fidelidade. Assim, se o consumidor gastasse ao menos R$300,00 teria direito a  trocar seus pontos por um CD gravado com músicas (Sucessos Internacionais II e III).  Segundo aduz, o vocábulo brinde foi utilizado porque os produtos adquiridos  são considerados pela legislação do ICMS como tais.  Entende, ainda, que a legislação federal acolhe o mesmo vocábulo com outro  sentido. Baseia­se, para isto, na análise feita no Parecer Normativo do Coordenador do Sistema  de Tributação nº 15/1976.  A questão envolve pois, resolver se os prêmios concedidos por programa de  fidelidade se encaixam ou não no conceito de brinde e se exigem ou não contraprestação.  De  fato,  o  oferecimento  dos CD’s  aos  bons  clientes  tem  o  claro  intuito  de  incrementar as vendas, sendo intuitivo que o incremento obtido será à custa da fidelização.   A  interpretação  feita  pelo  Parecer  Normativo  CST  nº15/76  faz  uma  aproximação do conceito de brinde ao conceito de amostra. Neste sentido, conclui o parecer  que   9.  Ante  o  exposto,  as  despesas  efetivamente  realizadas  na  aquisição  e  distribuição  gratuita  de  objetos  ou  direitos  de  pequeno  valor,  a  título  de  brindes,  a  clientes  ou  não,  e  que  apresentem  índice  moderado  em  relação  à  receita  bruta  da  empresa, são admissíveis como dedutíveis, na apuração do lucro  operacional.  De fato, a semelhança verificada pelo ilustre parecerista entre os conceitos de  brinde e amostra  tem fundamento. Ocorre que ambas as espécies se destinam ao  incremento  das  vendas.  Todavia,  com  função  distinta.  Enquanto  as  amostras  se  destinam  a  promover  o  produto, os brindes se destinam a promover a empresa.   Este  sentido  emprestado  ao  conceito  de  brinde  de  fato  encontra  abrigo  no  costume de efetuar­se a  distribuição  ao  final do exercício,  próximo às  festividades natalinas,  como bem apontado no parecer, senão vejamos:  2.  Tornou­se  costume  empresas  brindarem  clientes  em  certas  fases  do  ano,  comumente  em  junho  ou  dezembro,  quando  são  ocorrentes  festas  tradicionais.  Nessas  ocasiões,  a  oferta  de  presentes  ou  brindes  é  uma  forma  habitual  de  cortesia  e,  sobretudo, de propaganda de seus negócios.  Todavia,  há  que  se  posicionar  o  referido  parecer  no  tempo,  para  dele  se  extrair a melhor conclusão. Menciona logo ao início o ilustre parecerista que o RIR/75, vigente  à  época  dos  fatos,  embora  trouxesse  previsão  para  a  dedutibilidade  das  despesas  com  propaganda, nada dizia sobre a dedutibilidade dos brindes.  4.  Por  sua  vez,  o  art.  191  do  RIR  indica,  expressamente,  as  despesas qualificadas como de propaganda. Correspondem elas  a  gastos  estritamente  de  natureza  publicitária,  efetivamente  Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     10 realizadas  com  profissionais  ou  empresas  especializadas  (as  despesas de propaganda).  5. No elenco desses dois dispositivos  regulamentares não estão  contempladas  as  despesas  com  distribuição  de  brindes,  inexistindo,  portanto,  normas  específicas  pertinentes  a  elas,  na  vigente legislação do Imposto de Renda.  Desta forma, a semelhança apontada entre brinde e amostra encontrou forte  amparo conceitual, permitindo fosse dado ao brinde o mesmo tratamento conferido à amostra,  o qual era de permitir sua dedutibilidade, nos termos do art. 191, e, do Decreto nº 76.186/75,  verbis:  Art.  191  ­  Somente  serão  admitidas  como  despesas  de  propaganda,  desde  que  diretamente  relacionadas  com  a  atividade explorada pela empresa (Lei nº 4.506/64, art. 54):  ...  e)  o  valor das amostras,  tributáveis ou não pelo  imposto  sobre  produtos  industrializados,  distribuídas  gratuitamente  por  laboratórios químicos ou  farmacêuticos,  e por outras  empresas  que  utilizem  esse  sistema  de  promoção  de  venda  de  seus  produtos, sendo indispensável:  I ­ que a distribuição das amostras seja contabilizada nos livros  de escrituração da empresa, pelo preço de custo real;  II ­ que a saída das amostras esteja documentada com a emissão  das correspondentes notas fiscais;  III  ­  que  o  valor  das  amostras  distribuídas  em  cada  ano  não  ultrapasse  aos  limites  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, até o máximo de 5% (cinco por cento) da receita bruta  obtida  na  venda  dos  produtos,  tendo  em  vista  a  natureza  do  negócio.  Todavia,  a  Lei  nº  9.294/95  (art.13)  veio  suprir  esta  lacuna  vedando  expressamente a dedutibilidade dos brindes, verbis:  Art.  13.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas  as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47  da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964:  (...)  VII ­ das despesas com brindes.  Assim,  havendo  Lei  em  sentido  contrário,  a  interpretação  conferida  pelo  Parecer, embora tenha desempenhado papel relevante ao seu tempo, não pode mais prosperar.  Por  outro  lado,  não  concordo  com  a  assertiva  de que  há  contraprestação,  e  portanto, não haveria subsunção ao conceito de brinde. Os bens são efetivamente distribuídos a  título gratuito,  sem qualquer contraprestação,  independentemente do  seu  efeito  relativamente  ao  incremento das vendas por  fidelização.  Isto  porque não há dever  jurídico  criado, mas  tão  somente um efeito psicológico na fidelização. Além disso, o brinde não pode ser distribuído  antecipadamente,  o  que  decerto  poderia  gerar  algum dever. Ele  é um  prêmio,  distribuído  ao  Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.089          11 final,  atingido  determinado  volume  de  compras  no  período.  Neste  sentido,  assemelha­se  ao  conceito de promessa de recompensa, podendo­se afirmar que o único obrigado é a empresa,  sendo  que  sobre  o  cliente  não  pesa  nenhum  vínculo,  descabendo­se  falar,  portanto,  em  contraprestação.  Quanto à promessa de recompensa, pontificam Monteiro, Maluf e Silva1:  No  terreno  puramente  doutrinário,  tem  sido  objeto  de  controvérsia  a  natureza  jurídica  da  promessa  de  recompensa.  Para primeira corrente, ela constitui simples oferta de contrato,  endereçada ao público, isto é, a pessoa indeterminada; o vínculo  obrigatório não se  forma senão no momento em que a oferta é  aceita.  Para  segunda  corrente,  a  promessa  de  recompensa  constitui  negócio  jurídico  unilateral,  que  obriga  aquele  que  emite a declaração de vontade desde o momento em que ela se  torna pública, independentemente de qualquer aceitação.  A  primeira  teoria  deve  ser  rejeitada;  promessa  de  recompensa  não  é,  em  verdade,  simples  proposta  de  contrato,  ela  não  é  o  primeiro  passo  de  um  contrato  e  formação;  o  promitente  vincula­se  obrigacionalmente  ainda  que  o  aceitante  haja  executado  o  trabalho  desinteressadamente,  sem  ter  sido  aguilhoado pelo desejo de obter a recompensa prometida.  Esposou  nosso  Código  a  segunda  teoria;  a  promessa  de  recompensa é obrigatória, por constituir aplicação resultante de  declaração  unilateral  de  vontade;  forma­se  o  vínculo  com  a  manifestação unilateral da vontade, posto que dirigida a pessoa  ausente ou indeterminada. Ela tem fundamento ético: o respeito  à palavra dada.  Estabelece, realmente, o Código Civil de 2002, em seu art. 854,  que  “aquele  que,  por  anúncios  públicos,  se  comprometer  a  recompensar, ou gratificar, aquém preencha certa condição, ou  desempenhe  certo  serviço,  contrai  obrigação  de  cumprir  o  prometido”.   Sílvio  Rodrigues2,  embora  divirja  com  relação  ao  fundamento  ético  do  respeito  à palavra  (para  ele  a obrigatoriedade da promessa de  recompensa deriva do  aspecto  social,  relativamente  às  pessoas  a  quem  a  promessa  foi  dirigida),  também  concorda  que  a  promessa  de  recompensa  é  uma  declaração  unilateral  de  vontade,  obrigando  tão  somente  o  promitente, senão vejamos:  I. O interesse da comunidade é melhor atendido quando se torna  obrigatória  a  promessa,  pois  que  ela  pode  provocar  uma  expectativa  no  meio  social  que  não  deve  ser  decepcionada  impunemente.  Quando  alguém  promete  um  prêmio  a  quem  realizar certa obra, seu ato suscita, no meio dos especialistas e  dos estudiosos, uma justa expectativa de ganhá­lo, conduzindo à                                                              1 Washington de Barros Monteiro, Carlos Alberto Dabus Maluf e Regina Beatriz Tavares da Silva,  in Curso de  Direito Civil, vol.5, Direito das Obrigações  ­ 2ª parte, Saraiva, 39ªedição, São Paulo.    2 Sílvio Rodrigues, in Direito Civil ­ dos contratos e das declarações unilaterais de vontade, vol.3, Ed. Saraiva, São  Paulo, 21ª ed.  Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     12 realização de  trabalhos que  ficariam sem objeto  se a promessa  não vinculasse o promitente.  II. Que o Código Civil desprezou a concepção contratual, para  ver na promessa de recompensa uma obrigação que emerge da  mera  declaração  unilateral  de  vontade,  é  circunstância  que  se  verifica  não  só  da  colocação  da  matéria  no  Código,  como  do  fato de o  legislador atribuir direito à  recompensa a quem quer  que  satisfaça a condição ou  realize o  serviço  estipulado, ainda  que  não  pelo  interesse  da  promessa  (Cód.Civ.,  art.  1.513,;  cf.  ainda, BEVILÁQUA, obs. Ao art. 152).  De  modo  que  o  promitente  se  obriga  à  prestação  prometida  ainda que o beneficiário não manifeste a intenção de reclamá­la;  ainda que este satisfaça a condição sem almejar recompensa; e  mais: ainda que ignore a promessa.  Assim,  perfeitamente  caracterizada  a  obrigação  de  premiar  o  cliente  na  promoção “Raia Agradece” como promessa de recompensa (e, portanto, declaração unilateral  de vontade) não há como sustentar a existência de contrapartida, de contraprestação, do cliente,  conforme sustentado pela recorrente.  A  única  obrigação  derivada  do  programa  é  atribuível  à  própria  recorrente,  que  tem  o  dever  de  premiar  o  cliente  que  atingir  o  volume  de  compras  que  autoriza  a  premiação.  Neste sentido, voto para negar provimento quanto à esta matéria.          (b) Perdas no recebimento de créditos. Data do vencimento.  A recorrente escriturou, no ano­calendário 2003, sob a rubrica Despesas com  Prejuízos  com Cheques  (  conta  3201504  –  fls.  324  a  361)  a  importância  de R$  475.143,51,  resultante  da  contabilização  de  cheques  de  valores  inferiores  a  R$  5.000,00.  Permaneceu  silente quando intimada (fl. 201) a esclarecer o procedimento adotado e apresentar documentos  comprobatórios. Assim, a despesa foi glosada por descumprimento ao disposto nos artigos 249,  inciso I, 251, parágrafo único, e 340, do RIR/1999, e art. 9º da Lei nº 9.430/1996.  Analisando a impugnação da recorrente, a DRJ reduziu o valor tributável de  R$475.143,51  para  R$471.143,51,  considerando  a  dedutibilidade  de  R$3.153,00  relativos  a  cheques que atendem as condições de dedutibilidade.  A  recorrente,  todavia,  insurge­se  contra  a  decisão  da  DRJ,  porque  esta  reconheceu  como  marco  para  a  contagem  do  prazo  de  6  meses  a  data  em  que  os  cheques  realmente foram apresentados para compensação (Data “Bom Para”) e não a data de emissão  do cheque.  A  recorrente  alega  em  sua  defesa  que  recebia  aceitava  os  cheques  pós­ datados. Porém, afirma que a legislação comercial não reconhece sua validade.   Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.090          13 De  fato,  de  acordo  com  a  legislação  comercial,  além  do  cheque  ser  uma  ordem de pagamento à vista, nenhuma menção em contrário pode ser levada em consideração  consoante prescreve o art. 32 da Lei do Cheque (Lei nº 7357), verbis:  Art  .  32  O  cheque  é  pagável  à  vista.  Considera­se  não­estrita  qualquer menção em contrário.(grifo meu)  O art. 1º da referida Lei confirma esta prescrição aos estabelecer quais são os  requisitos indispensáveis à validade do título como cheque, e neles elenca (inciso V) a data de  emissão.  Art . 1º O cheque contêm:   ...  V ­ a indicação da data e do lugar de emissão;  Art . 2º O título, a que falte qualquer dos requisitos enumerados  no  artigo  precedente  não  vale  como  cheque,  salvo  nos  casos  determinados a seguir:   I  ­  na  falta  de  indicação  especial,  é  considerado  lugar  de  pagamento  o  lugar  designado  junto  ao  nome  do  sacado;  se  designados  vários  lugares,  o  cheque  é  pagável  no  primeiro  deles; não existindo qualquer indicação, o cheque é pagável no  lugar de sua emissão;   II  ­  não  indicado  o  lugar  de  emissão,  considera­se  emitido  o  cheque no lugar indicado junto ao nome do emitente.    Buscou a Lei soluções para suprir lacuna quanto ao lugar do pagamento, mas  jamais quanto à falta da data de emissão, dada sua importância no regime jurídico estabelecido  para  o  título. Decorre  daí  que  nem emitente,  nem portador  ficam protegidos  pela  adoção  do  costumeiro hábito de financiar o consumo por meio do recebimento de cheque pós­datado.   O  emitente  de  cheque  pós­datado,  cuja  segurança  do  depósito  em  data  ulterior  resida  em  postecipação  da  data  de  emissão  ou mesmo  tão  somente  na  aposição  do  carimbo “bom para”, não pode resistir à apresentação do cheque, à data que desejar o portador  (parágrafo único do art.32), devendo ter sempre fundos disponíveis ou sujeitar­se a protesto e  ser responsabilizado (inclusive criminalmente) pela emissão sem fundos.  Art  .  32  O  cheque  é  pagável  à  vista.  Considera­se  não­estrita  qualquer menção em contrário.   Parágrafo único ­ O cheque apresentado para pagamento antes  do  dia  indicado  como  data  de  emissão  é  pagável  no  dia  da  apresentação. (grifo meu)  Por outro lado, não apresentado o cheque dentro de 30 dias (quando emitido  na praça) ou 60 dias (quando emitido em outro lugar do país ou no exterior), contados da sua  emissão, o portador perde não apenas o prazo de apresentação, como também o direito à ação  de execução contra o emitente.  Art  .  33  O  cheque  deve  ser  apresentado  para  pagamento,  a  contar do dia da emissão, no prazo de 30 (trinta) dias, quando  Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     14 emitido  no  lugar  onde  houver  de  ser  pago;  e  de  60  (sessenta)  dias,  quando  emitido  em  outro  lugar  do  País  ou  no  exterior.(grifo meu)  Art . 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do  prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura  ao portador.  Art . 47 Pode o portador promover a execução do cheque:   I ­ contra o emitente e seu avalista;   § 3º O portador que não apresentar o cheque em tempo hábil,  ou não comprovar a  recusa de pagamento pela  forma  indicada  neste artigo, perde o direito de execução contra o emitente, se  este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e  os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável.  Assim, embora o pagamento parcelado tenha sido acordado entre empresa e  cliente, visto sob o prisma do direito comercial, o pacto é contra legem e não resta amparado,  não se lhe podendo atribuir efeito jurídico.  Sob o enfoque comercial a venda, assim realizada, é a vista.   A legislação tributária, por outro lado, adota como marco para caracterizar a  perda no recebimento do crédito (art.9º, Lei nº 9.430/96) a data em que o crédito, por operação,  considera­se vencido.   Tal  data,  vista  pelo  direito  comercial,  é  a  data  seguinte  à  de  emissão  do  cheque ou a data seguinte à da emissão do primeiro da relação.  Todavia,  a  empresa  ­  que  volitivamente  adota  esta  política  comercial  contrária à lei comercial porque ela lhe favorece as vendas ­ sabe efetivamente que o crédito  não  está  para  ela  vencido  na  data  acima  descrita,  vez  que  a  relação  comercial  que  travou  impede­lhe de exercer seus direitos de portador em sua completude. Assim, sabendo­se que o  cliente  lesado  e  o  próprio  mercado  reagiriam  prontamente  a  uma  decisão  que  optasse  pelo  direito  de  apresentar  imediatamente  os  cheques  em  seu  poder,  desconsiderando  o  pacto  comercial firmado, está constrangida a cumpri­lo.  E tanto é verdade que sabe qual a data em que o crédito se encontra vencido  que concretiza, no mundo jurídico, esta ciência, no momento em que credita a conta de ativo  representativa do crédito e debita a conta de perda no recebimento de crédito.  Isto porque, em primeiro lugar, a contabilidade deve obedecer aos princípios  da  oportunidade  (pelo  qual  o  registro  do  patrimônio  e  de  suas  mutações  deve  ocorrer  tempestivamente e ser  íntegro) e competência (pelo qual o registro da receita e da despesa, e  bem assim, de seus estornos, devem ser incluídos na apuração do resultado do período em que  ocorrerem)3 .  Assim,  como  a  contabilidade  é  mantida  para  a  entidade  (postulado  da  entidade),  e  o  que  lhe  interessa  é  a  verdade  comercial,  deve  o  registro  ser  fiel  à  situação  patrimonial  que  souber  ser  a mais  íntegra.  E,  decerto,  apresenta  maior  integridade  para  lhe                                                              3 Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, in Manual de contabilidade das sociedades por  ações, f.54, Atlas, 6ª Ed.  Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.091          15 caracterizar o momento da perda aquele em que o cheque ­ depositado na data “bom para” ­ foi  devolvido por insuficiência de fundos.  Desta forma, sabendo­se que adota o regime de competência para apurar seus  resultados, o momento da perda é aquele em que teve seu título devolvido pelo sacado. Antes  disso,  qualquer  outro  lançamento,  que  considerasse  qualquer  outra  data,  seria  mera  elucubração.  Do  ponto  de  vista  tributário,  o  resultado  do  exercício  será  tão  mais  representativo do  lucro efetivamente auferido quanto mais efetivo for o controle dos créditos  lastreados  em  cheques  sob  poder  da  empresa,  registradas  as  perdas  quando  efetivamente  ocorridas  e  não  conforme  as  datas  de  emissão  dos  cheques,  pois  estas  certamente  levarão  a  conclusões equivocadas quanto ao lucro ou perda no período.  Assim, o ponto fulcral é saber se deve ser acolhido o direito comercial ou o  direito tributário.  A  saída  para  esta  questão  também  não  prescinde  da  análise  das  provas  acostadas.  Assim,  mesmo  que  o  registro  da  data  “bom  para”  seja  feito  por  papeizinhos  grampeados aos cheques – o que não é o caso dos autos, havendo possibilidade de se saber qual  a  data  que  eles  apontavam  como  boa  para  apresentação,  e  sendo  as  provas  documentais  consistentes com a escrita contábil e fiscal, a data “bom para” deverá ser preferida para efeito  de reconhecimento da perda no recebimento dos créditos, relativamente à data de emissão.  Especificamente, no que tange ao afastamento da legislação comercial, ele se  justifica ao amparo do art. 118, I, do CTN, verbis:  Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:   I  ­ da validade  jurídica dos atos efetivamente praticados pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;  Assim,  não  é  porque  o  contribuinte  optou  por  praticar  atos  contrários  à  lei  comercial  que  deixará de  ter  seu  resultado  apurado  de  acordo  com a  definição  legal  do  fato  gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.  Assim, deixo de acolher a alegação de erro na constituição do crédito por ter  a autoridade considerado a data adotada pela própria recorrente para registrar a perda. Registro,  ademais, que durante o procedimento fiscal, intimada a esclarecer o procedimento adotado e a  apresentar os documentos comprobatórios, a recorrente se calou, conforme atesta a autoridade  fiscal no termo de verificação fiscal nº 02 (fl.320). Assim, além disso, sua defesa, que envolve,  inclusive,  a  rejeição  de  sua  própria  contabilidade  ­  a  qual  foi  objeto  de  pedido  de  esclarecimento  por  parte  da  autoridade  ­  revela  clara  tentativa  de manipular  a  verdade,  para  lograr o efeito processual desejado.  Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     16   A  DRJ  analisou  a  alegação  da  recorrente  de  que  haveria  vários  cheques  vencidos há mais de 06 meses que  foram considerados na autuação, bem como as cópias de  cheques  apresentada,  tendo  exonerado  apenas  R$3.153,00  relativos  a  cheques  efetivamente  vencidos há mais de 06 meses (contados de sua apresentação para compensação). Vejamos o  que disse o acórdão recorrido:  27.  A  planilha  a  seguir  consolida  a  análise  das  cópias  dos  cheques  apresentados pela contribuinte.  28.  Os  cheques  consignam,  além  de  sua  data  de  emissão,  a  data  em  que  realmente  foram  apresentados  para  compensação  (“Bom Para”);  assim,  podem  ser  considerados vencidos há mais de seis meses (art. 340, § 1º, inciso II, alínea “a”, do  RIR/1999),  tendo como marco a data do fato gerador do lançamento ora discutido  (31/12/2003),  os  cheques  indicados  em  negrito,  todos  com  valor  inferior  a  R$  5.000,00 e que somam R$ 3.153,00, sendo cabível a dedução deste valor da base de  cálculo originalmente lançada (R$ 475.143,51), que desta forma fica reduzida para  R$ 471.990,51.            PREJUÍZOS COM CHEQUES ­ CONTA 3201505                             VALORES PLEITEADOS PELA RECORRENTE COMO VENCIDOS HÁ MAIS DE 6 (SEIS) MESES  (art. 340, § 1º, inciso II, alínea "a", do RIR/1999).                                      Nº FOLH.  DATA  VALOR  Nº   Nº   DATA  DATA   VENCTO  CÓPIA  PLAN.  PLAN.   (R$)  CHEQUE  BANCO  CHEQUE  "BOM PARA"  6 MESES  CHEQUE  FISCAL.  FISCAL.                    (FL.)  324  02/06/2003  495,76  300097  409  03/04/2003  03/05/2003  03/11/2003  609/610  325  03/07/2003  251,25  300018  409  23/05/2003  22/06/2003  22/12/2003  612/613  327  27/05/2003  294,16  1929  237  17/05/2003  16/06/2003  16/12/2003  615/616  327  05/03/2003  245,39  300590  409  28/01/2003  27/02/2003  27/08/2003  618/619  331  08/10/2003  351,09  850042  001  20/08/2003  19/09/2003  19/03/2004  621/622  338  16/05/2003  233,59  850005  001  25/03/2003  24/04/2003  24/10/2003  624/625  359  30/01/2003  231,83  900218  341  30/12/2002  19/01/2003  19/07/2003  627/628  356  30/01/2003  206,12  683395  341  29/11/2002  29/12/2002  29/06/2003  630/631  352  28/02/2003  224,81  300863  409  31/12/2002  30/01/2003  30/07/2003  633/634  344  23/05/2003  281,62  436495  341  23/03/2003  22/04/2003  22/10/2003  636/637  346  24/06/2003  250,00  850278  001  07/06/2003  07/06/2003  07/12/2003  639/640  347  25/03/2003  226,30  900086  104  11/02/2003  11/03/2003  11/09/2003  642/643  350  27/11/2003  455,48  1494  237  11/11/2003  11/11/2003  11/05/2004  645/646  350  28/02/2003  212,17  377573  341  21/01/2003  21/01/2003  21/07/2003  647/648  350  26/12/2003  209,68  669  353  14/11/2003  30/11/2003  30/05/2004  653/654        3153,00                      Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.092          17 Por fim,  relativamente à alegação de que não foi considerada a postergação  no pagamento (consoante artigos 247, § 2º, e 273 do RIR/1999, bem como Parecer Normativo  nº  02/1996)  vale dizer  que  a  recorrente  não  esclareceu  de  forma  indubitável  que  os  créditos  foram  incluídos  no  resultado  do  ano­calendário  de  2004,  não  havendo,  assim,  como  se  considerar os efeitos da postergação.  Neste  ponto,  reproduzo  o  quanto  afirmado  pela  DRJ,  argumentos  com  os  quais alinho­me de forma congruente:  31. Neste tópico, esclareça­se que a contribuinte não deixou evidenciado, de  forma  precisa,  que  tais  créditos,  que  ela  nem  mesmo  quantifica,  tenham  sido  incluídos  no  Resultado  do  ano­calendário  2004,  com  base  no  qual  foi  apurado  o  Lucro Real e a base de cálculo da CSLL de 2004.  32.    Portanto,  não  tendo  o  autuada  se  desincumbido  do  ônus  de  fazer prova da alegação de oferecimento à tributação, em 2004, de créditos vencidos  há menos de 6 meses em 2003, não há como se admitir que tais valores tenham sido,  de fato, submetidos à tributação do IRPJ e da CSLL em 2004.  33.    Em  conseqüência,  inexistindo  oferecimento  à  tributação  em  exercício posterior e, por decorrência,  inocorrendo o correspondente pagamento de  tributo, resta afastada a hipótese de postergação de pagamento, tornando supérflua a  discussão  posta  pela  autuada,  da  necessidade  de  se  aplicar  ao  caso  o  referido  tratamento fiscal, consoante as diretrizes traçadas no Parecer Normativo nº 02/1996.  34.    Acrescente­se  que  em  consulta  efetuada  ao  sistema  IRPJ  da  RFB constatou­se que não houve pagamento de imposto na DIPJ AC 2004 (fls. 986  e 987).  35.    Portanto,  a  análise  efetuada  pela  fiscalização  deve  ser  considerada parcialmente procedente, visto que está de acordo com as normas que  regem  a  matéria,  devendo  ser  adicionado  ao  Lucro  Real  a  importância  de  R$  471.990,51,  com  a  respectiva  lavratura  dos  AI  IRPJ  e  CSLL,  como  concretizado  pela autuante.  Desta forma, mantenho a decisão recorrida quanto a esta matéria.    c) Prêmios a pagar  Segundo  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  nº  04  (fls.  368  a  371  –  ciência  juntamente  com  o  AI,  em  31/03/2008  –  fl.  371),  a  recorrente  escriturou,  no  ano­calendário  2003, a título de Prêmios a Pagar (conta 2103104 – Planilha às fls. 372 a 382) e Provisão para  Contingência  da Cofins  de  dezembro/2003,  os  valores  de R$  277.293,71  e  R$  89,46,  tendo  deduzido  indevidamente,  da  Apuração  do  Lucro  Real,  os  citados  valores  de  Provisão,  procedimento  incompatível  com  o  que  preconizam  os  artigos  249,  inciso  I,  251,  parágrafo  único, e 335, do RIR/1999.  De  fato,  nenhuma  dúvida  paira  sobre  a  indedutibilidade  de  uma  provisão  assim constituída (art. 13, Lei nº 9.249/95). Todavia,  sustenta a  recorrente que o  lançamento  considerou  equivocadamente  como  conta  de  provisão  a  conta  de  prêmios  a  pagar,  que  se  caracteriza como conta de passivo, sendo debitada a medida que os prêmios vão sendo pagos.  Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     18 Alega  que  não  se  trata  de  mera  provisão,  pois  há  um  valor  exato  e  determinado a  ser pago, enquanto que  as provisões  se destinam a eventos  futuros,  incertos  e  estimados que podem ou não ocorrer.  A DRJ não acatou o argumento da recorrente, entendendo que   50.  Compulsando­se  a  planilha  acostada  pela  fiscalização  (fls.  372  a  382),  constata­se  a  existência  de  18  lançamentos  com  histórico  indicando  tratar­se  de  valores  concedidos  a  título  de  participação nos resultados da empresa (PLR).  51. Assim, tendo em vista que a citada participação depende da  apuração do lucro da empresa, há incerteza em relação ao valor  futuro  a  ser  distribuído,  o  que  descaracteriza  a  assertiva  da  defendente.    De  fato,  verificam­se  os  lançamentos  tal  qual  narrados  pelo  acórdão  recorrido, senão vejamos alguns, a título exemplificativo:      Entendo  que  ao  trilhar  a  linha  argumentativa  de  que  a  conta  de  prêmios  a  pagar é conta de passivo, deveria a recorrente ter colacionado elementos que demonstrassem de  forma  inequívoca a certeza e  liquidez dos valores provisionados e deduzidos do  lucro real, o  que não logrou fazer.  No que tange à alegação quanto ao efeito da postergação, mantenho o quanto  decidido no item (a).    (d) Gastos com reparos de equipamentos  O  Termo  de Verificação  Fiscal  nº  03  (fls.  362  a  365  –  ciência  juntamente  com  o  AI,  em  31/03/2008  –  fl.  365),  também  efetuou  a  glosa,  no  ano­calendário  2003,  de  Despesas  com  Manutenção  de  Equipamentos  (conta  3201109  –  Planilha  à  fl.  366)  e  Manutenção de Hardware (conta 3201110 – Planilha à fl. 367), nos valores de R$ 7.195,80 e  R$  37.504,48,  respectivamente  (obtidos  excluindo­se  os  valores  iguais  ou  inferiores  a  R$  326,61), deduzidos  indevidamente da Apuração do Lucro Real bens de natureza permanente,  em desacordo com o que determinam os artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, e 301, do  RIR/1999.  A recorrente aduziu que o art. 346 do RIR/1999 preconiza que os gastos com  reparo, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, destinados  Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.093          19 a mantê­los em condições eficientes de operação, podem ser lançados como custo ou despesa  operacional.  Segundo defende a recorrente,  as peças adquiridas pela empresa são de uso  cotidiano  na manutenção  e  reparo  de  equipamentos,  com  finalidade  única  de  mantê­los  em  condições  eficientes de  operação,  e  sem  repercussão  em aumento de vida útil  superior a um  ano, o que permitiu à empresa contabilizar tais dispêndios como despesa operacional.  Para  ela,  a  fiscalização  deduziu,  sem  maiores  justificativas,  que  as  peças  adquiridas  resultaram  em  aumento  de  vida  útil  dos  equipamentos  superior  a  um  ano.  Mas,  analisando­se o histórico das contas manutenção de equipamentos e manutenção de hardware,  constata­se nitidamente que os bens são de diminuto valor, o que não permitiria um incremento  capaz de alterar significativamente a vida útil dos equipamentos.   Dentre as peças adquiridas encontram­se Fontes Chaveadas, Fontes FX250,  Cabos  de  scanner,  Fontes  AT  300W,  Fitas  DAT/DLT/DDS3,  Cabo  de  rede,  Baterias,  Termômetro, Teclados e Relógio de ponto, não sendo razoável que  tais peças, em virtude de  sua simplicidade, ensejem alteração de vida útil. Trata­se de material destinado à manutenção e  conservação, sendo, quando muito, peças de reposição.  A DRJ manteve o  lançamento, pois entendeu que  todos os valores, no caso  dos autos,  são superiores ao  limite previsto na  legislação  (R$326,61). Desta  forma, entendeu  que a questão encontra  fulcro no  art. 301 do RIR/99 e não no art. 346. Além disso, os bens  indicados nas planilhas elaboradas pela fiscalização (fls.366/367) indicam peças que sugerem  vida útil  acima de um ano  (Fontes Chaveadas, Fontes FX250, Cabos de  scanner, Fontes AT  300W,  Fitas DAT/DLT/DDS3,  Cabo  de  rede,  Baterias,  Termômetro,  Teclados  e Relógio  de  ponto).  Neste  ponto,  divirjo  do  acórdão  recorrido.  Fica  para mim  evidente  que  os  materiais  indicados  nas  planilhas  acima  destacados,  com  exceção  do  relógio  de  ponto  e  termômetro (fontes, cabos, fitas DAT, cabos, baterias, teclados) caracterizam­se não como bens  de capital principais, mas como partes e peças de outros bens. Desta  forma, não poderia ser­ lhes  aplicado  o  art.  301  do  RIR/99,  já  que  há  legislação  específica  para  prescrever  dedutibilidade de partes e peças (art. 346, RIR/99), verbis:   Art. 346.  Serão  admitidas,  como  custo  ou  despesa  operacional,  as  despesas  com  reparos  e  conservação  de  bens  e  instalações  destinadas a mantê­los em condições eficientes de operação (Lei  nº 4.506, de 1964, art. 48).  § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes  e  peças  resultar  aumento  da  vida  útil  prevista  no  ato  de  aquisição  do  respectivo  bem,  as  despesas  correspondentes,  quando  aquele  aumento  for  superior  a  um  ano,  deverão  ser  capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras  (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único).  § 2º  Os  gastos  incorridos  com  reparos,  conservação  ou  substituição de partes e peças de bens do ativo  imobilizado, de  que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser  incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo  valor  contábil,  no  novo  prazo  de  vida útil  previsto  para  o  bem  recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá:  Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     20 I ­ aplicar  o  percentual  de  depreciação  correspondente  à  parte  não  depreciada  do  bem  sobre  os  custos  de  substituição  das  partes ou peças;  II ­ apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e  o valor determinado no inciso anterior;  III ­ escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de  resultado;  IV ­ escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do  ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor  contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto.  § 3º  Somente  serão  permitidas  despesas  com  reparos  e  conservação  de  bens  móveis  e  imóveis  se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização  dos  bens  e  serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III).  Desta forma, caberia à fiscalização a prova do aumento da vida útil, já que –  conforme alegado pela recorrente ­ tal aumento não se presume; deve ser demonstrado. O auto  de infração, por sua vez, simplesmente efetua a glosa, pelo valor total de tais aquisições acima  do  limite  mínimo,  sem  fazer  qualquer  ressalva  ao  aumento  de  vida  útil.  Aliás,  sequer  demonstra a  relação das partes e peças  adquiridas com o bem ativado que as  recebeu, o que  deveria ter sido feito na investigação procedida.  Desta forma, sou pelo provimento do recurso neste item.    (e) Saldo Negativo de IRPJ e CSLL no ano­calendário de 2003  A recorrente afirma que no ano­calendário da autuação (2003) apurou saldo  negativo  de  IRPJ  e CSLL  e  entende  que  tais  saldos  deveriam  absorver  o  valor  dos  tributos  apurados.  A DRJ negou a compensação pleiteada, asseverando que os referidos saldos  negativos já foram objeto de PERDCOMP específica.  A  recorrente  argumenta  que  os  referidos  PERDCOMP  ainda  não  foram  julgados, entendendo que devam, então, ser considerados.  Ora,  não  há  como  aceitar  o  pleito  da  recorrente.  Se  já  foi  pleiteada  a  restituição/compensação dos saldos negativos na via procedimental adminstrativa correta (por  meio  de  PERDCOMP)  não  há  qualquer  razão  para  que  seja  neste  processo  efetuada  nova  compensação,  que  tão  somente  tumultuaria  a  análise  do  pedido  já  feito.  Além  disso,  a  homologação da compensação de saldo negativo é sujeita a uma série de verificações que não  poderiam  ser  aqui  feitas,  posto  que  são  da  competência  da Delegacia  da Receita  Federal  de  domicílio do contribuinte.  Assim, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir  do lançamento a glosa relativa a despesas com reparos de equipamentos.  Eduardo de Andrade ­ Relator  Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.094          21 Voto Vencedor  Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.  Coma  devida  vênia  do  ilustre  relator,  divirjo  do  voto  proferido  em  duas  questões, quais sejam, as relativas a despesas com brindes e perdas no recebimento de crédito,  pelas razões que passo a expor.  DESPESAS COM BRINDES  A Receita Federal  firmou o entendimento, no Parecer Normativo15/76, que  despesas com brindes seriam dedutíveis quando fossem bens de diminuto valor e diretamente  relacionados com a atividade explorada pela empresa. Assim, despesas com brindes não seriam  dedutíveis quando se tratassem de bens de elevado valor – o que por si só já pode sinalizar um  desvio da atividade empresarial – ou quando desvinculado da atividade,  como, por exemplo,  bens  que  não  tivessem  qualquer  função  de  promover  a  empresa,  constituindo­se  assim,  em  ambos os casos, mera liberalidade por parte do doador.   Posteriormente,  com  a  edição  da  Lei  9.249/95,  o  art.  13,  VII,  veio  dispor  expressamente que não seriam dedutíveis as despesas com brindes. No entanto, a referida  lei  não definiu o que seria considerado brinde, de tal sorte que entendo que ela não alterou o que já  estava  definido  no  Parecer  Normativo  15/76.  Aliás,  esse  também  foi  o  entendimento  da  Coordenação­Geral  de  Tributação  exarada  na  Solução  de  Consulta  04/2001,  cuja  a  ementa  assim dispõe:   SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 4, DE 28 DE SETEMBRO DE 2001  DOU 05.10.2001  ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  EMENTA:  DESPESAS DE  PROPAGANDA.  Os  gastos  com  a  aquisição  e  distribuição  de  objetos,  desde  que  de  diminuto  valor  e  diretamente  relacionados com a atividade explorada pela empresa, poderão ser deduzidos a  título de despesas de propaganda para efeitos da apuração da base de cálculo  da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido.  DISPOSITIVOS  LEGAIS:  Arts.  299  e  366  do  Decreto  nº  3.000,  de  26  de  março de 1999 e Parecer Normativo CST 15/76.  ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  EMENTA:  DESPESAS DE  PROPAGANDA.  Os  gastos  com  a  aquisição  e  distribuição  de  objetos,  desde  que  de  diminuto  valor  e  diretamente  relacionados com a atividade explorada pela empresa, poderão ser deduzidos a  título de despesas de propaganda para efeitos de lucro real.  DISPOSITIVOS  LEGAIS:  Arts.  299  e  366  do  Decreto  nº  3.000,  de  26  de  março de 1999 e Parecer Normativo CST 15/76.  ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS  Coordenadora­Geral Substituta  Ora,  estamos  aqui  a  tratar  de  CD  (de  músicas)  que  veicula,  na  sua  capa,  propaganda da marca “Raia”, ou seja, tem a função de fixar o nome da empresa comercial entre  a sua clientela. Além disso, tais CDs só eram distribuídos para os clientes que efetuassem um  determinado volume de compras, o que objetivava a  fidelização da  clientela e a  captação de  novos  clientes,  logo,  não  se  pode  alegar  que  tais  despesas  não  tenham  relação  direta  com  a  atividade de uma empresa comercial.  Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     22 Ademais, o próprio caput do art. 13 da Lei 9.249/95, já deixa claro que o ali  estabelecido deve ser conjugado com o art. 47 da Lei 4.506/64, razão pela qual não vejo como  sustentar que as despesas em tela não sejam necessárias para a manutenção da fonte produtora  da renda, pois é vital para qualquer empresa mercantil promover as suas vendas e fixar a sua  marca entre a clientela.   Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste ponto.   PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO  Com relação a perda no recebimento de crédito, entendo que se equivocou a  Fiscalização e a decisão recorrida quando entendeu como dies a quo do prazo estabelecido na  alínea “a”do  inciso  II  do  art.  9o  da Lei 9.249/95 a data  em que os  cheques  realmente  foram  apresentados para compensação (Data “Bom Para”) e não a data de emissão do cheque. Ora, o  referido  dispositivo  legal  fala  em  6  meses  do  vencimento,  sendo  o  cheque  uma  ordem  de  pagamento à vista, o dies a quo do referido prazo de seis meses é a data de sua emissão.  O pacto adjeto estabelecido entre o emitente e o beneficiário, para fixação de  uma data de apresentação do cheque, vulgarmente conhecida como “Data Bom Para”, não tem  o condão de alterar a data de vencimento do título, tanto que pode ser simplesmente ignorada  pelo banco sacado. Nesse sentido, vale lembrar o que sustentou a Ministra Nancy Andrighi, ao  julgar o Resp 1.068.513/DF, in verbis:   “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  AÇÃO  DE  EXECUÇÃO.  TÍTULO  DE  CRÉDITO.  CHEQUE  PÓS­DATADO.  OMISSÃO.  FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE.  DEFICIENTE.  SÚMULA  284/STF.  DISSÍDIO  JURISPRUDENCIAL.  AUSÊNCIA  DE  COTEJO  ANALÍTICO.  SIMILITUDE  FÁTICA  NÃO  DEMONSTRADA.  PRESCRIÇÃO  DA  AÇÃO  EXECUTIVA.  DATA  CONSIGNADA NA CÁRTULA.  1.  A  ausência  de  fundamentação  ou  a  sua  deficiência  implica  o  não  conhecimento do recurso quanto ao tema.  2. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico  entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas  3. Ainda que  a  emissão  de  cheques  pós­datados  seja  prática  costumeira,  não  encontra  previsão  legal.  Admitir­se  que  do  acordo  extracartular  decorra  a  dilação  do  prazo  prescricional,  importaria  na  alteração  da  natureza do cheque como ordem de pagamento à vista  e na  infringência  do  art.  192  do  CC,  além  de  violação  dos  princípios  da  literalidade  e  abstração. Precedentes.  4. O termo inicial de contagem do prazo prescricional da ação de execução  do cheque pelo beneficiário é de 6 (seis) meses, prevalecendo, para fins de  contagem  do  prazo  prescricional  de  cheque  pós­datado,  a  data  nele  regularmente consignada, ou seja, aquela oposta no espaço reservado para  a data de emissão.  5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido.” [grifo  nosso]  Dessa  forma, divirjo do Relator quando sustenta que existam duas datas de  vencimento  para  o  mesmo  crédito:  uma  definida  pelo  Direito  Tributário,  data  pactuada  no  acordo extracartular; e outra de acordo com o Direito Comercial, data de emissão do cheque.  Na verdade, a data de vencimento do crédito é a data de emissão do cheque, mesmo porque o  crédito só decorre dele e não do pacto adjeto (ou acordo extracartular, na dicção da Ministra  Nancy  Andrighi).  O  pacto  adjeto  constitui  apenas  uma  obrigação  de  não­fazer  para  o  beneficiário do cheque, ou seja, de não­apresentar o cheque antes de determinada data,  tanto  Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001156/2008­00  Acórdão n.º 1302­001.064  S1­C3T2  Fl. 1.095          23 que, se descumprida tal cláusula, nada altera o direito do beneficiário ao crédito constituído no  cheque, pois a questão se resolverá em perdas e danos.   Por essas razões, entendo equivocado o lançamento que, para fins do disposto  na alínea “a”do inciso II do art. 9o da Lei 9.249/95, não considerou como data de vencimento  dos créditos a data de emissão dos respectivos cheques, mas a  ‘Data Bom Para”. Logo, voto  por dar provimento ao recurso voluntário neste ponto.  Alberto Pinto Souza Junior – Redator Designado.                       Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

score : 1.0
4955675 #
Numero do processo: 10865.000872/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. REENQUADRAMENTO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL COMO SEGURADO EMPREGADO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, ainda mais em caso no qual a própria recorrente reconhece o reenquadramento levado a efeito pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.404
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201201

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. REENQUADRAMENTO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL COMO SEGURADO EMPREGADO. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, ainda mais em caso no qual a própria recorrente reconhece o reenquadramento levado a efeito pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10865.000872/2008-17

anomes_publicacao_s : 201201

conteudo_id_s : 4889751

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2402-002.404

nome_arquivo_s : 2402002404_10865000872200817_201201.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO

nome_arquivo_pdf_s : 10865000872200817_4889751.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012

id : 4955675

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:01 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983893389312

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 577          1 576  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.000872/2008­17  Recurso nº  000.000   Voluntário  Acórdão nº  2402­002.404  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de janeiro de 2012  Matéria  CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO: CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL  Recorrente  ASSOCIAÇÃO CASABRANQUENSE DE C PHYSICA E ESPORTES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007  AI.  NORMAS  LEGAIS  PARA  SUA  LAVRATURA.  OBSERVÂNCIA.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  REENQUADRAMENTO  DE  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL  COMO  SEGURADO  EMPREGADO.  COMPROVAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  Não  se  caracteriza  o  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  o  fiscal  efetua  o  lançamento  em  observância  ao  art.  142  do CTN,  demonstrando  a  contento  todos os  fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o  lançamento  efetuado,  ainda  mais  em  caso  no  qual  a  própria  recorrente  reconhece  o  reenquadramento levado a efeito pela fiscalização.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.     Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente.     Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo  de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.     Fl. 785DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  por  ASSOCIAÇÃO  CASABRANQUENSE DE CULTURA PHYSICA E  ESPORTES  ,  em  face  de  acórdão  que  manteve  a  integralidade  do  Auto  de  Infração  lavrado  para  a  cobrança  de  contribuições  previdenciárias, parte da empresa, devidas à Seguridade Social e incidentes sobre pagamentos  efetuados  a  segurados  contribuintes  individuais  (levantamento  CID  e  CIN),  segurados  empregados  (levantamento  FOL),  transportador  autônomo  rodoviário  (levantamento  RTA),  caracterização de segurado empregado (levantamento LEF).  Consta do relatório fiscal que os pagamentos de remunerações aos segurados  empregados, contribuintes individuais e transportador autônomo rodoviário, foram apurados da  análise  das  GFIP  apresentadas  pelo  contribuinte,  corroboradas  pelas  folhas  de  pagamentos  solicitadas  pela  fiscalização,  e  outros  documentos  extraídos  da  contabilidade  apresentada,  sendo  que  os  recolhimentos  de  contribuições  previdenciárias  não  foram  suficientes  para  quitação dos débitos apurados.  Ademais,  no  que  se  refere  à  caracterização  do  segurado  empregado,  o  relatório  fiscal  aponta  que  a  recorrente  remunerou  o  segurado  Leandro  Ferrari  (gerente)no  período  de  07/2006  a  12/2007,  reenquadrando­o  como  segurado  empregado  a  partir  das  seguintes verificações e justificativas do fiscal autuante:  3.3.3  Impende  considerar  um  aspecto  peculiar  à  situação  do  gerente. Antigamente, o gerente era visto como aquele que fazia  as  vezes  do  empresário,  intitulado  pela  práxis  comerciante. Os  tempos  evoluíram,  e  com  ele,  o  pensamento  jurídico  acerca  da  figura do gerente.  Efetivamente,  o  cenário  empresarial  demonstrou  que  o  gerente  não é aquele indivíduo solto, desprovido de uma ligação firme e  sólida  com  relação  ao  empresário,  senão  .aquele  que  deste  depende,  justamente  por  força  dos  laços  de  vinculação  hierárquica  e  jurídica,  agindo  tal  qual  um mandatário,  porém,  com maior autonomia do que este. Assim, sagrou­se­ adotada a  figura  do  gerente  como  um  auxiliar  do  comércio,  auxiliar  este  dependente  e  vinculado.  O  novo  Código  Civilna  esteira  do  Código  Civil  peninsular,  adotou  este  conceito,  dispondo  que  "Considera­se  gerente  o  preposto  permanente  no  exercício  da  empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência".  Na esteira do pensamento, o gerente é auxiliar dependente, com  vínculo  empregatício,  porque  outra  coisa  não  se  espera  em  relação  àquele  contratado  para  gerir  todo  um  plexo  de  atividades negociais, ressaltando o caráter mais puro da fidúcia  na relação de gestão de bens e negócios alheios.  3.3.4 Admitir que se possa ter um gerente, na exata acepção  do termo é confundir o gerente com o administrador, figura que  o  Novo  Código  Civil  elege  em  substituição  ao  antigo  "sócio­ gerente".  Destarte,  não  se  equivalem  as  expressões.  Administrador é o titular da empresa coletiva ou individual que  a exerce, no seu interesse e por conta dos seus negócios. Gerente  Fl. 786DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.000872/2008­17  Acórdão n.º 2402­002.404  S2­C4T2  Fl. 578          3 é aquele que, sob a orientação e supervisão superior, executa os  negócios,  agindo  tão­somente  na  esfera  material,  e  não  na  de  condução  efetiva  dos  fins  sócio­econômicos.  Daí  não  se  poder  confundir. Administrar é ministrar, empreender, aplicar algo em  uma  finalidade,  envolvendo  discricionariedade  e  poder  de  decisão; gerir é cuidar, reger, cercar aquilo já destinado a uma  finalidade.  O  lançamento  compreende  o  período  de  01/2004  a  12/2007,  tendo  sido  o  recorrente cientificado do lançamento em 04/07/2008 (fls. 37).  Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 553/559), o  contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.563/575, através do qual sustenta,  em síntese:    1.  que  o  relatório  fiscal  é  impreciso  e  não  aponta  claramente a ocorrência dos fatos geradores indicados no  relatório fiscal;  2.  que  o  v.  acórdão  recorrido  ao  reconhecer  que  o  lançamento deve ser claro e garantir o direito de defesa,  deveria ter anulado o lançamento efetuado;  3.  que a folha de rosto do auto de infração não preenche o  si  requisitos  legais  da  validade,  especialmente  porque  apresenta  de  forma  a  insatisfatório  a  totalização  de  débito,  não  discrimina  os  fatos  geradores  das  contribuições  que  pretende  serem  devidas,  nem  traz  a  fundamentação  legal  das  imposições,  passando  a  impugnar um a um todos os anexos do Auto de Infração  combatido;  4.  que é entidade de utilidade pública e, portanto, não pode  ser alvo de cobrança de contribuições previdenciárias;  Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.    Fl. 787DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4   Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade,  dele conheço.  Inicialmente, da análise do recurso e da própria impugnação apresentada nos  autos do presente processo, verifica­se que a  recorrente deixou efetivamente de  impugnar  as  contribuições  lançadas,  resumindo­se a atacar o  lançamento com fundamento em nulidades a  serem consideradas no Auto de Infração, motivo que a meu ver tornou­o incontroverso.  No que se refere aos levantamentos FOL, CID, CIN e RTA, como já dito, por  não terem sido expressamente impugnados e terem se originado de informações prestadas pelo  próprio  contribuinte  em GFIP,  folhas de pagamento  e documentos  contábeis,  não vejo  como  acatar  o  pedido  formulado  em  sede  recursal,  uma vez  que  a  recorrente  não  logrou  êxito  em  demonstrar qualquer inconsistência no lançamento, seja através de argumentos consistentes ou  mesmo documentos que comprovam qualquer equívoco nas informações prestadas.  Ademais, quanto a  tais  levantamentos,  a análise do  relatório  fiscal  permite­ nos concluir que nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação  pertinente,  atribuindo  à  recorrente,  a  responsabilidade  pelo  pagamento  de  contribuições  previdenciárias por ela não adimplidas e declaradas, levando a efeito simplesmente aquilo que  determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma  legal em vigor, não hã que se reconhecer a nulidade do lançamento.  Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verifica­se ter sido observado o  que disposto no art. 142 do CTN a seguir:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Da  análise  do  relatório  fiscal,  verifica­se  que  este  veio  devidamente  acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se  percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e  37  da  Lei  n.  8.212/91,  na  medida  em  que  todos  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  que  ensejaram  a  lavratura  do  Auto  restaram  devidamente  demonstrados,  o  que  proporcionou  e  garantiu  ao  contribuinte  a  clara  e  inequívoca  ciência  e materialização  da  ocorrência  do  fato  gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas.   Fl. 788DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.000872/2008­17  Acórdão n.º 2402­002.404  S2­C4T2  Fl. 579          5 A  caracterização  do  segurado  Leandro  Ferrari  fora  devidamente  demonstradas, de certo que emerge dos autos a devida comprovação da presença dos requisitos  ensejadores  do  reconhecimento  do  vínculo  de  emprego,  em  conformidade  com  aquilo  o  que  disposto nos artigos 2o e 3o, ambos da Consolidação das Lei Trabalhistas – CLT. Não obstante,  também fora informado no próprio relatório fiscal que a recorrente acabou por lhe reconhecer a  condição de segurado empregado, quando efetuou retificação das GFIP´s apresentadas, agora  incluindo­o na nova condição.  Uma  vez  que  o  v.  acórdão  recorrido  decidiu  a  matéria  a  contento  e  em  consonância com o entendimento ora esposado, nenhum reparo merece ser­lhe determinado. A  mera  irresignação  ou  inconformismo  da  recorrente  quando  aos  fundamentos  de  decidir  do  julgador de primeira instância não tem o condão de ensejar a nulidade do acórdão.  Por  tais  motivos,  rejeito  esta  preliminar  e  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.  É como voto.  Lourenço Ferreira do Prado                                  Fl. 789DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

score : 1.0
4957182 #
Numero do processo: 10865.000679/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2201-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos-calendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 06/15, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.998.575,17, calculados até 31/03/2003. A fiscalização apurou omissão de rendimentos da atividade rural, glosa de despesas da atividade rural e omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: PRELIMINAR DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. 4.1O sigilo bancário do impugnante foi quebrado ilegalmente, pois o direito fundamental à intimidade e à vida privada está inserido como cláusula pétrea na Constituição Federal. Dessa maneira, a supressão da ordem judicial na quebra do sigilo bancário não poderia ter sido feita por lei complementar. Em outras palavras, a Lei nº 105/2001 não pode dispor contra a Constituição Federal na parte em que consagra direitos fundamentais insuscetíveis até mesmo de emendas constitucionais. Também merece destaque a inadmissibilidade do fato de uma lei complementar conferir competência às autoridades fiscais, sejam elas Federais, Estaduais ou até Municipais, lhes assegurando poderes de verificação de informações e dados sigilosos que, até então, só poderiam ser quebrados mediante determinação do Poder Judiciário, contrariando assim o Princípio da Inviolabilidade do Sigilo de Dados, inserido no inciso XII do artigo 5º da CF (Para reforçar seu entendimento, transcreve várias decisões judiciais sobre o tema, algumas posteriores à edição da LC nº 105/2001); PRELIMINAR DE ILEGALIDADE DA AÇÃO FISCAL PELA IRRETROATIVADE DA LEI. 4.2a lei nº 105/2001 está impregnada de inconstitucionalidade, uma vez que fere o princípio e garantia constitucional da irretroatividade das leis, pois não poderia ser aplicada a fatos geradores anteriores a 2001. O entendimento da LICC já é pacificado no sentido de que, uma lei, após promulgada, tem efeito imediato e geral (nunca retroativo), contudo, deve sempre respeitar o ato jurídico perfeito, o direito adquirido ou a coisa julgada. A retroatividade é tema de tal excepcionalidade que é tratada somente em âmbito constitucional, sendo permitida apenas em relação à lei penal que seja mais benigna ao réu. No caso do MPF ora impugnado, foi justamente esta prática abusiva a adotada pelo órgão fiscalizador, uma vez que, valendo-se da LC nº 105/2001, foi violado o sigilo bancário do ano de 1998. E com a inobservância do princípio da irretroatividade das leis, também foi abalada a segurança jurídica (para reforçar sua argumentação, transcreve várias decisões judiciais sobre o tema);. NO MÉRITO. 4.3o lançamento de imposto de renda tendo como base apenas a movimentação financeira é totalmente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício, pois é da consciência jurídica que, tanto para pessoas físicas quanto para as pessoas jurídicas, mera movimentação financeira não indica hipótese de incidência de imposto de renda, ainda que faça nascer o fato gerador da CPMF. Cita a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos e transcreve várias decisões administrativas; 4.4conforme o artigo 849, §2º, item I, do Regulamento do Imposto de Renda, não são considerados, para efeito da determinação de receita omitida, os valores decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Ocorre que, nas contas objeto de levantamento fiscal, existem transferências de recursos do próprio impugnante através de valores devidamente debitados em suas contas correntes, relacionadas no Anexo I (fls. 550-553); 4.5embora a legislação do imposto de renda determine expressamente, no artigo 71 do RIR/99, que à opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitar-se-á 20% da receita bruta, a partir da elaboração das Declarações de Rendimentos de pessoas físicas por meio eletrônico, essa “opção” deixou de existir na prática, pois o programa preenche automaticamente o campo destinado ao valor tributável, que de acordo com Manual de Preenchimento da Declaração, é o menor valor entre a diferença entre receitas e despesas e prejuízo de exercícios anteriores e 20% da receita bruta. Ao simplesmente tributar à alíquota máxima de 27,5% sobre o valor dos depósitos bancários, que no entender do agente fiscal tratavam-se de omissão de rendimentos, tais lançamentos não foram corretamente elaborados, pois estes ensejam a elaboração de nova Declaração de Rendimentos, utilizando-se o manual e o programa de cada ano-calendário e deduzindo-se os valores lançados pelo contribuinte, constando novos valores do imposto de renda devido. Tal não aconteceu, visto que o agente fiscal não observou nem o manual e muito menos o programa elaborado pela Receita Federal. Assim, apresenta os cálculos que entende como corretos (fls. 621-636). A 6ª Turma da DRJ - São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF, sobretudo quando o próprio contribuinte apresenta os extratos bancários à fiscalização. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2.001 E DA LEI Nº 10.174/2.001. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, devendo ser excluídos da base de cálculo os depósitos que, comprovadamente, sejam originários de outra conta-corrente de mesma titularidade do contribuinte . GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, ou com a qual o contribuinte concorda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. TRIBUTAÇÃO PELO ARBITRAMENTO DE 20% DA RECEITA BRUTA. Na apuração da omissão de rendimentos decorrente da atividade rural, de acordo com o Demonstrativo de Apuração da Atividade Rural, anexo à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, a tributação deve ser o menor valor entre 20% da receita bruta e a receita líquida obtida pela diferença entre o total das receitas e o total das despesas, sendo que, no presente caso, a opção deve ser pelo arbitramento de 20% da receita bruta, por ser este o menor valor. Intimado da decisão de primeira instância em 13/03/2009 (fl. 653), Camillo Cesare Scotoni apresenta Recurso Voluntário em 13/04/2009 (fls. 659 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que não foram excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme planilha e documentos carreados aos autos. É o relatório. Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201306

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10865.000679/2003-71

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5267338

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2201-000.154

nome_arquivo_s : Decisao_10865000679200371.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH

nome_arquivo_pdf_s : 10865000679200371_5267338.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013

id : 4957182

ano_sessao_s : 2013

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos-calendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 06/15, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.998.575,17, calculados até 31/03/2003. A fiscalização apurou omissão de rendimentos da atividade rural, glosa de despesas da atividade rural e omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: PRELIMINAR DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. 4.1O sigilo bancário do impugnante foi quebrado ilegalmente, pois o direito fundamental à intimidade e à vida privada está inserido como cláusula pétrea na Constituição Federal. Dessa maneira, a supressão da ordem judicial na quebra do sigilo bancário não poderia ter sido feita por lei complementar. Em outras palavras, a Lei nº 105/2001 não pode dispor contra a Constituição Federal na parte em que consagra direitos fundamentais insuscetíveis até mesmo de emendas constitucionais. Também merece destaque a inadmissibilidade do fato de uma lei complementar conferir competência às autoridades fiscais, sejam elas Federais, Estaduais ou até Municipais, lhes assegurando poderes de verificação de informações e dados sigilosos que, até então, só poderiam ser quebrados mediante determinação do Poder Judiciário, contrariando assim o Princípio da Inviolabilidade do Sigilo de Dados, inserido no inciso XII do artigo 5º da CF (Para reforçar seu entendimento, transcreve várias decisões judiciais sobre o tema, algumas posteriores à edição da LC nº 105/2001); PRELIMINAR DE ILEGALIDADE DA AÇÃO FISCAL PELA IRRETROATIVADE DA LEI. 4.2a lei nº 105/2001 está impregnada de inconstitucionalidade, uma vez que fere o princípio e garantia constitucional da irretroatividade das leis, pois não poderia ser aplicada a fatos geradores anteriores a 2001. O entendimento da LICC já é pacificado no sentido de que, uma lei, após promulgada, tem efeito imediato e geral (nunca retroativo), contudo, deve sempre respeitar o ato jurídico perfeito, o direito adquirido ou a coisa julgada. A retroatividade é tema de tal excepcionalidade que é tratada somente em âmbito constitucional, sendo permitida apenas em relação à lei penal que seja mais benigna ao réu. No caso do MPF ora impugnado, foi justamente esta prática abusiva a adotada pelo órgão fiscalizador, uma vez que, valendo-se da LC nº 105/2001, foi violado o sigilo bancário do ano de 1998. E com a inobservância do princípio da irretroatividade das leis, também foi abalada a segurança jurídica (para reforçar sua argumentação, transcreve várias decisões judiciais sobre o tema);. NO MÉRITO. 4.3o lançamento de imposto de renda tendo como base apenas a movimentação financeira é totalmente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício, pois é da consciência jurídica que, tanto para pessoas físicas quanto para as pessoas jurídicas, mera movimentação financeira não indica hipótese de incidência de imposto de renda, ainda que faça nascer o fato gerador da CPMF. Cita a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos e transcreve várias decisões administrativas; 4.4conforme o artigo 849, §2º, item I, do Regulamento do Imposto de Renda, não são considerados, para efeito da determinação de receita omitida, os valores decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Ocorre que, nas contas objeto de levantamento fiscal, existem transferências de recursos do próprio impugnante através de valores devidamente debitados em suas contas correntes, relacionadas no Anexo I (fls. 550-553); 4.5embora a legislação do imposto de renda determine expressamente, no artigo 71 do RIR/99, que à opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitar-se-á 20% da receita bruta, a partir da elaboração das Declarações de Rendimentos de pessoas físicas por meio eletrônico, essa “opção” deixou de existir na prática, pois o programa preenche automaticamente o campo destinado ao valor tributável, que de acordo com Manual de Preenchimento da Declaração, é o menor valor entre a diferença entre receitas e despesas e prejuízo de exercícios anteriores e 20% da receita bruta. Ao simplesmente tributar à alíquota máxima de 27,5% sobre o valor dos depósitos bancários, que no entender do agente fiscal tratavam-se de omissão de rendimentos, tais lançamentos não foram corretamente elaborados, pois estes ensejam a elaboração de nova Declaração de Rendimentos, utilizando-se o manual e o programa de cada ano-calendário e deduzindo-se os valores lançados pelo contribuinte, constando novos valores do imposto de renda devido. Tal não aconteceu, visto que o agente fiscal não observou nem o manual e muito menos o programa elaborado pela Receita Federal. Assim, apresenta os cálculos que entende como corretos (fls. 621-636). A 6ª Turma da DRJ - São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF, sobretudo quando o próprio contribuinte apresenta os extratos bancários à fiscalização. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2.001 E DA LEI Nº 10.174/2.001. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, devendo ser excluídos da base de cálculo os depósitos que, comprovadamente, sejam originários de outra conta-corrente de mesma titularidade do contribuinte . GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, ou com a qual o contribuinte concorda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. TRIBUTAÇÃO PELO ARBITRAMENTO DE 20% DA RECEITA BRUTA. Na apuração da omissão de rendimentos decorrente da atividade rural, de acordo com o Demonstrativo de Apuração da Atividade Rural, anexo à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, a tributação deve ser o menor valor entre 20% da receita bruta e a receita líquida obtida pela diferença entre o total das receitas e o total das despesas, sendo que, no presente caso, a opção deve ser pelo arbitramento de 20% da receita bruta, por ser este o menor valor. Intimado da decisão de primeira instância em 13/03/2009 (fl. 653), Camillo Cesare Scotoni apresenta Recurso Voluntário em 13/04/2009 (fls. 659 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que não foram excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme planilha e documentos carreados aos autos. É o relatório. Voto

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983912263680

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.000679/2003­71  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2201­000.154  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  18 de junho de 2013  Assunto  IRPF  Recorrente  CAMILLO CESARE SCOTONI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.     Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Relator    Assinado Digitalmente  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente     Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Eduardo  Tadeu  Farah,  Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta  Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.      Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda  Pessoa Física,  anos­calendário  1997,  1998,  1999,  2000  e  2001,  consubstanciado  no Auto  de  Infração,  fls.  06/15,  pelo  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 1.998.575,17, calculados até 31/03/2003.  A  fiscalização  apurou  omissão  de  rendimentos  da  atividade  rural,  glosa  de  despesas da atividade rural e omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 67 9/ 20 03 -7 1 Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/2003­71  Resolução nº  2201­000.154  S2­C2T1  Fl. 3          2 Cientificado  do  lançamento,  o  interessado  apresentou  tempestivamente  Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  PRELIMINAR DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO.  4.1    O  sigilo  bancário  do  impugnante  foi  quebrado  ilegalmente, pois o direito  fundamental à  intimidade e à vida privada  está  inserido  como  cláusula  pétrea  na  Constituição  Federal.  Dessa  maneira, a supressão da ordem judicial na quebra do sigilo bancário  não poderia ter sido feita por lei complementar. Em outras palavras, a  Lei  nº  105/2001  não  pode  dispor  contra  a  Constituição  Federal  na  parte em que consagra direitos  fundamentais  insuscetíveis até mesmo  de  emendas  constitucionais.  Também  merece  destaque  a  inadmissibilidade  do  fato  de  uma  lei  complementar  conferir  competência às autoridades fiscais, sejam elas Federais, Estaduais ou  até  Municipais,  lhes  assegurando  poderes  de  verificação  de  informações  e  dados  sigilosos  que,  até  então,  só  poderiam  ser  quebrados mediante  determinação  do  Poder  Judiciário,  contrariando  assim o Princípio  da  Inviolabilidade do  Sigilo  de Dados,  inserido  no  inciso  XII  do  artigo  5º  da  CF  (Para  reforçar  seu  entendimento,  transcreve várias decisões judiciais sobre o tema, algumas posteriores  à edição da LC nº 105/2001);  PRELIMINAR  DE  ILEGALIDADE  DA  AÇÃO  FISCAL  PELA  IRRETROATIVADE DA LEI.   4.2    a  lei  nº  105/2001  está  impregnada  de  inconstitucionalidade,  uma  vez  que  fere  o  princípio  e  garantia  constitucional  da  irretroatividade  das  leis,  pois  não  poderia  ser  aplicada a fatos geradores anteriores a 2001. O entendimento da LICC  já é pacificado no sentido de que, uma lei, após promulgada, tem efeito  imediato e geral  (nunca retroativo), contudo, deve sempre respeitar o  ato  jurídico  perfeito,  o  direito  adquirido  ou  a  coisa  julgada.  A  retroatividade  é  tema  de  tal  excepcionalidade  que  é  tratada  somente  em  âmbito  constitucional,  sendo  permitida  apenas  em  relação  à  lei  penal que seja mais benigna ao réu. No caso do MPF ora impugnado,  foi  justamente esta prática abusiva a adotada pelo órgão fiscalizador,  uma  vez  que,  valendo­se  da  LC  nº  105/2001,  foi  violado  o  sigilo  bancário  do  ano  de  1998.  E  com  a  inobservância  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis,  também  foi  abalada  a  segurança  jurídica  (para reforçar sua argumentação, transcreve várias decisões judiciais  sobre o tema);.  NO MÉRITO.  4.3    o  lançamento  de  imposto  de  renda  tendo  como  base  apenas  a  movimentação  financeira  é  totalmente  incorreto,  por  ser  apenas presunção, suposição ou indício, pois é da consciência jurídica  que, tanto para pessoas físicas quanto para as pessoas jurídicas, mera  movimentação financeira não indica hipótese de incidência de imposto  de  renda,  ainda  que  faça  nascer  o  fato  gerador  da  CPMF.  Cita  a  Súmula  182  do  antigo  Tribunal  Federal  de  Recursos  e  transcreve  várias decisões administrativas;  4.4    conforme o artigo 849, §2º, item I, do Regulamento do  Imposto de Renda, não são considerados, para efeito da determinação  Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/2003­71  Resolução nº  2201­000.154  S2­C2T1  Fl. 4          3 de  receita  omitida,  os  valores  decorrentes  de  transferência  de  outras  contas  da  própria  pessoa  física  ou  jurídica.  Ocorre  que,  nas  contas  objeto  de  levantamento  fiscal,  existem  transferências  de  recursos  do  próprio impugnante através de valores devidamente debitados em suas  contas correntes, relacionadas no Anexo I (fls. 550­553);  4.5    embora  a  legislação  do  imposto  de  renda  determine  expressamente, no artigo 71 do RIR/99, que à opção do contribuinte, o  resultado da atividade rural limitar­se­á 20% da receita bruta, a partir  da elaboração das Declarações de Rendimentos de pessoas físicas por  meio  eletrônico,  essa  “opção”  deixou  de  existir  na  prática,  pois  o  programa  preenche  automaticamente  o  campo  destinado  ao  valor  tributável,  que  de  acordo  com  Manual  de  Preenchimento  da  Declaração,  é  o  menor  valor  entre  a  diferença  entre  receitas  e  despesas e prejuízo de exercícios anteriores e 20% da receita bruta. Ao  simplesmente  tributar à alíquota máxima de 27,5% sobre o valor dos  depósitos bancários,  que no  entender do agente  fiscal  tratavam­se de  omissão  de  rendimentos,  tais  lançamentos  não  foram  corretamente  elaborados,  pois  estes  ensejam  a  elaboração  de  nova Declaração  de  Rendimentos,  utilizando­se  o  manual  e  o  programa  de  cada  ano­ calendário  e  deduzindo­se  os  valores  lançados  pelo  contribuinte,  constando  novos  valores  do  imposto  de  renda  devido.  Tal  não  aconteceu,  visto  que  o  agente  fiscal  não  observou  nem  o  manual  e  muito  menos  o  programa  elaborado  pela  Receita  Federal.  Assim,  apresenta os cálculos que entende como corretos (fls. 621­636).  A  6ª  Turma  da  DRJ  ­  São  Paulo/SPOII  julgou  integralmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO.  Havendo  procedimento  administrativo  regularmente  instaurado,  não  constitui  quebra  do  sigilo  bancário  a  obtenção,  pelos  órgãos  fiscais  tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a  movimentação  bancária  dos  contribuintes  com  base  em  valores  da  CPMF, sobretudo quando o próprio contribuinte apresenta os extratos  bancários à fiscalização. Preliminar rejeitada.  PRELIMINAR.  LANÇAMENTO  LASTREADO  EM  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  (BASE  DE  DADOS  DA  CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI  COMPLEMENTAR Nº 105/2.001 E DA LEI Nº 10.174/2.001.  Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  tenha  instituído  novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliando  os  poderes  de  investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados  em sua conta de depósito ou de  investimento,  devendo  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  os  depósitos  que,  comprovadamente,  Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/2003­71  Resolução nº  2201­000.154  S2­C2T1  Fl. 5          4 sejam  originários  de  outra  conta­corrente  de  mesma  titularidade  do  contribuinte .   GLOSA  DE  DESPESAS  DA  ATIVIDADE  RURAL.  MATÉRIA  NÃO  CONTESTADA.  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada, ou com a qual o contribuinte concorda.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DA  ATIVIDADE  RURAL.  TRIBUTAÇÃO  PELO  ARBITRAMENTO  DE  20%  DA  RECEITA  BRUTA.  Na apuração da omissão de rendimentos decorrente da atividade rural,  de  acordo  com  o  Demonstrativo  de  Apuração  da  Atividade  Rural,  anexo à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, a tributação  deve ser o menor valor entre 20% da receita bruta e a receita líquida  obtida pela diferença entre o total das receitas e o total das despesas,  sendo  que,  no  presente  caso,  a  opção  deve  ser  pelo  arbitramento  de  20% da receita bruta, por ser este o menor valor.  Intimado  da  decisão  de  primeira  instância  em  13/03/2009  (fl.  653),  Camillo  Cesare  Scotoni  apresenta  Recurso  Voluntário  em  13/04/2009  (fls.  659  e  seguintes),  sustentando,  essencialmente,  os  mesmos  argumentos  defendidos  em  sua  Impugnação,  sobretudo,  que  não  foram  excluídas  as  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade,  conforme planilha e documentos carreados aos autos.   É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.    A  controvérsia  essencial  dos  autos  versa  sobre  a  omissão  de  rendimentos  caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos  nos anos­calendário 1997 a 2001.  Em  sua  peça  recursal  alega  o  recorrente  que  não  foram  consideradas  transferências  entre  contas  de mesma  titularidade,  conforme  planilhas  e  demais  documentos  carreados aos autos.  De início, verifico que o contribuinte  junta ao recurso planilhas  (Anexo  I e  II)  contendo a exclusão de todas as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme se  observa às fls. 852/859­processo digital.   Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/2003­71  Resolução nº  2201­000.154  S2­C2T1  Fl. 6          5 Em uma primeira análise constata­se que de fato houve diversas transferências  entre  contas  de mesma  titularidade  que  não  foram  consideradas  quando  da  formalização  da  exigência.   Isto  posto,  proponho  a  conversão  do  processo  em  diligência  para  adoção  das  seguintes providencias:  a)  intimar  o  contribuinte  para  que  no  prazo  de  30  dias  providencie  todos  os  extratos  faltantes  que,  de  acordo  com  sua  peça  recursal,  já  foram  solicitados  às  instituições  financeiras.  O  recorrente  deverá  elaborar  planilha  contendo  todos  os  valores  relativos  às  transferências entre contas, acompanhada os respectivos extratos;  b)  a  planilha  apresentada  deverá  ser  objeto  de  auditoria  pela  fiscalização,  que  lavrará  relatório  circunstanciado,  justificando  a  manutenção  ou  exclusão  do  crédito  questionado;  c) do relatório acima, deverá a autoridade lançadora dar ciência ao contribuinte  para, querendo, manifestar­se.    Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência.      Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah    Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH

score : 1.0
4941500 #
Numero do processo: 10320.002483/2009-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 NULIDADE. DESCRIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE DIFERENCIAÇÃO ENTRE AUTUAÇÕES CONEXAS. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ART. 59, II, DO DECRETO 70.235/72. É nulo o Auto de Infração que possui mesmo objeto de outro conexo, decorrente do mesmo procedimento fiscal sem ter dado o fiscal subsídios para o contribuinte avaliar e diferenciar as exigências, causando, assim, cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão por vício material. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201304

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 NULIDADE. DESCRIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE DIFERENCIAÇÃO ENTRE AUTUAÇÕES CONEXAS. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ART. 59, II, DO DECRETO 70.235/72. É nulo o Auto de Infração que possui mesmo objeto de outro conexo, decorrente do mesmo procedimento fiscal sem ter dado o fiscal subsídios para o contribuinte avaliar e diferenciar as exigências, causando, assim, cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Provido.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10320.002483/2009-64

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5264022

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2403-002.037

nome_arquivo_s : Decisao_10320002483200964.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

nome_arquivo_pdf_s : 10320002483200964_5264022.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão por vício material. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013

id : 4941500

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:55 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045983916457984

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10320.002483/2009­64  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.037  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de abril de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  OBRAS SOCIAIS DA PAROQUIA DE VITORIA DO MEARIM  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007  NULIDADE.  DESCRIÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  AUSÊNCIA  DE  DIFERENCIAÇÃO  ENTRE  AUTUAÇÕES  CONEXAS.  VÍCIO  MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ART.  59,  II,  DO DECRETO 70.235/72.  É  nulo  o  Auto  de  Infração  que  possui  mesmo  objeto  de  outro  conexo,  decorrente  do  mesmo  procedimento  fiscal  sem  ter  dado  o  fiscal  subsídios  para  o  contribuinte  avaliar  e  diferenciar  as  exigências,  causando,  assim,  cerceamento do direito de defesa.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do Colegiado,  por maioria  de  votos,  em  anular  a  decisão por vício material. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Marcelo Magalhães Peixoto – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 83 /2 00 9- 64 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2  Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari,  Marcelo  Magalhães  Peixoto,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Ivacir  Júlio  De  Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim.  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002483/2009­64  Acórdão n.º 2403­002.037  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão prolatada em  sede de Acórdão da DRJ, que manteve em todos os seus termos o lançamento consolidado em  09/03/2009,  sob  o  DEBCAD  n.  37.083.012­1,  cujo  importe  corresponde  a  R$  76.129,17  (setenta e seis mil, cento e vinte e nove reais e dezessete centavos).  O Auto de Infração lavrado pretende o recolhimento de contribuições sociais  devidas à Seguridade Social, compreendidas pelas competências 01/2004 a 12/2007, relativas à  parte  da  Empresa  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  no  que  diz  respeito  a  terceiros (FNDE, SESC, SENAC, SEBRAE E INCRA).  Segundo o Relatório Fiscal de fls. 39/42, verbis:  “1.  Este  relatório  é  parte  integrante  do  Auto  de  Infração  de  contribuições  sociais  devidas  à  Seguridade  Social,  relativas  à  parte  da  Empresa  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  no  que  diz  respeito  a  terceiros  (FNDE,  SESC,  SENAC, SEBRAE E INCRA), devidamente relacionadas em título  deste  relatório  denominado  ‘Levantamento’,  adiante  identificado.  Estas  contribuições  foram  apuradas  nos  Documentos  de Caixa  e  Folhas  de  Pagamento  de  Empregados  tendo sido declaradas em GFIP.  (...)  3.  A  Empresa  enquadrava­se  como  Entidade  Filantrópica  com  Isenção,  conforme  verificado  no  FPAS  639  informado  pela  mesma  em  suas  GFIP’s,  entretanto  não  nos  apresentou  documentos  necessários  para  tal  enquadramento  solicitados  no  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  –  TIPF  e  tampouco  solicitou isenção de tributos à RFB. Desta forma, procedemos ao  levantamento  dos  fatos  geradores  como  empresa  normal  e  fizemos  RFFP  –  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  por  crime contra ordem tributária, além de apropriação indébita”.  DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de  Infração por meio do instrumento de fls. 52/58.  DA DECISÃO DA DRJ  Após analisar os argumentos da Recorrente, em 17 de novembro de 2011, a  6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, prolatou o Acórdão 08­22.255, de fls.  307/315,  mantendo  procedente  o  lançamento,  conforme  ementa  que  abaixo  se  transcreve,  verbis:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007  IMUNIDADE  PREVISTA  NO  ART.  195,  §7º,  DA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL.  RECONHECIMENTO  DE  UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL. REQUERIMENTO.  Para  fatos  geradores  ocorridos  até  29/11/2009,  a  imunidade  prevista  na  Constituição  Federal,  art.  195,  §7º,  somente  alcançava  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendiam os requisitos determinados na Lei nº 8.212/91, art. 55,  dentre eles ser reconhecida como de utilidade pública federal.  Para  fazer  jus  à  imunidade  em  tela,  devia  ser  apresentado  requerimento, que era analisado juntamente com os documentos  que  deviam  ser  anexados  (Lei  nº  8.212/91,  art.  55,  §1º).  Reconhecido  o  direito  à  isenção  (imunidade),  os  seus  efeitos  eram  gerados  a  partir  da  data  do  protocolo  do  pedido  (Regulamento  da  Previdência  Social  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n° 3.048/1999 art. 208, §2º).  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.  DO RECURSO  Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls.  158/160,  requerendo a  reforma do Acórdão,  alegando em síntese que é portador de  todos os  documentos  necessários  para  a  sua  isenção,  não  havendo  que  falar  em  falta  de  pedido  e  conseqüente indeferimento.    É o relatório.  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002483/2009­64  Acórdão n.º 2403­002.037  S2­C4T3  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator  DA TEMPESTIVIDADE  De acordo com o documento de fl. 182, tem­se que o recurso é tempestivo e  reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DO MÉRITO  Obras Sociais da Paróquia de Vitória do Mearim foi autuada em razão de não  ter  preenchido,  à  época  dos  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  em  discussão  neste processo administrativo, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 para gozo da imunidade  prevista no art. 195, parágrafo 7º da CF.  A este conselheiro, chegaram três processos decorrentes da mesma autuação:   a)  Processo  nº:  10320.002482/2009­10,  no  valor  de  R$  6.989,76,  referente a parte de terceiros, no período de R$ 6.989,76;   b)  Processo  nº:  10320.002480/2009­21,  no  valor  de  R$  275.639,99,  referente  a  parte  da  Empresa  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados e contribuintes individuais e financiamento dos benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho;  c)  Processo  nº:  10320.002483/2009­64,  no  valor  de  R$  76.129,17,  referente a parte de terceiros, no período de 01/2004 a 12/2007.  Da  análise  dos  processos  acima  negritados,  percebe­se  que  o  objeto  de  cobrança é o mesmo, qual seja, a contribuição para terceiros, no entanto, os valores para cada  competência são diferentes.  Compulsando os autos, verifica­se do Discriminativo Analítico de Débito de  ambos os processos há divergência considerável no valor, vejamos abaixo o comparativo entre  alguns valores:  Competência  Processo nº: 10320.002483/2009­64 (fl. 06/24)  Processo nº: 10320.002482/2009­10 (fl. 06/09)  04/2006  R$ 15.600,00  R$ 4.199,00  05/2006  R$ 15.600,00  R$ 3.300,00  08/2006  R$ 15.833,33  R$ 3.300,00  12/2006  R$ 15.600,00  R$ 3.650,00  11/2007  R$ 20.660,00  R$ 5.100,00  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     6  Da  análise  dos  relatórios  fiscais,  não  é  possível  encontrar  qualquer  diferenciação  na  base  de  cálculo,  ou  seja,  a  razão  de  existir  duas  autuações  diversas,  para  a  exigência da mesma rubrica, terceiros.  Ao  contrário,  o  que  se  encontra  é  a  semelhança,  em  ambos,  há  redação  a  mesma redação, qual seja: Este levantamento refere­se a remuneração de empregados apurada  em folhas de pagamento e recibos de férias e termos de rescisões de contrato de trabalho extra  folha.  Diante  desse  quadro,  percebe­se  que  há  confusão  entre  os  fatos  geradores  descritos  nos  dois  processos  administrativos,  gerando  assim,  dúvidas  quanto  ao  mérito  dos  levantamentos. Mediante esta situação, percebe­se que o fiscal descumpriu com o disposto no  art. 10, III, do Decreto 70.235/72, in verbis:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Esclareça­se que o vício aqui presente é material e não meramente formal.  Uma vez que atinge o art. 142 do CTN, in verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Nesse  sentido,  esta  Segunda  Seção  já  julgou  desta  forma  no  Recurso  Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/2006­32, em 21 de setembro de  2010, que resultou no Acórdão n. 2402­01.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária.  Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 108­08.174 de 23/02/2005  da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes:  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ­ NULIDADE ­ VÍCIO  FORMAL  ­  LANÇAMENTO  FISCAL  COM  ALEGADO  ERRO  DE  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO  ­  INEXISTÊNCIA  ­  Os  vícios  formais  são  aqueles  que  não  interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.002483/2009­64  Acórdão n.º 2403­002.037  S2­C4T3  Fl. 5          7 elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais  para  garantia  da  integridade  do  lançamento  como  ato  de  ofício,  mas  não  pertencem  ao  seu  conteúdo  material.  O  suposto  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo  caracteriza  vício  substancial,  uma  nulidade  absoluta,  não  permitindo  a  contagem  do  prazo  especial  para  decadência  previsto no art. 173, II, do CTN.  Também,  há  de  se  destacar  o  julgamento  no  Recurso  129.310,  Processo  10247.000082/00­91 em 09 de  julho de 2002, Acórdão n. 107­06.695,  ementado da  seguinte  forma:  (...)  RECURSO  EX  OFFICIO  ­  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do  fato gerador  da obrigação, a determinação da matéria  tributável,  o  cálculo  do  montante  do  tributo  devido  a  indentificação  do  sujeito  passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional ­  CTN, são elementos fundamentais  intrínsecos, do lançamento,  sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência  da  obrigação  tributária  em  concreto.  O  levantamento  e  observância  desses  elementos  básicos  antecedem  o  são  preparatórios  à  sua  formalização,  a  qual  se  dá  no  momento  seguinte, mediante a  lavratura do auto de  infração, seguida da  notificação  ao  sujeito  passivo,  quando,  aí  sim,  deverão  estar  presentes  os  seus  requisitos  formais,  extrínsecos,  como,  por  função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão  expedidor ou de outro servidor autorizado, com a  indicação de  seu cargo ou função e o número de matrícula.  (...)  No decorrer do voto condutor do acórdão, o  relator, Dr. Francisco de Sales  Ribeiro de Queiroz , afirma:  Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está  para  a  constituição  do  crédito  tributário assim  como  o  cálculo  estrutural  está  para a  edificação,  no  ramo da  construção  civil,  enquanto  que  a  forma  seria,  para  o  lançamento  de  ofício,  o  equivalente  ao  acabamento,  à  "fachada",  na  edificação  civil.  Deduz­se daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de  defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja  na  construção  civil  ou  na  constituição  do  crédito  tributário,  possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por  terra a obra erigida com esse insanável vício.  Em  outro  passo,  o  defeito  de  forma,  de  acabamento  ou  na  "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo  vício  de  estrutura,  sendo  contomáveis,  sem  que  dano  de morte  cause  à  edificação.  Fazem­se  os  acertos  ou  até  mesmo  as  modificações  pertinentes,  porém,  sem  reflexo  algum  sobre  as  bases  em  que  a  obra  tenha  sido  erigida  ou  à  sua  própria  condição de algo que existe,  apesar dos defeitos.  e, a meu ver,  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     8  são  esses  "defeitos  menores"que  o  legislador  quis  contemplar  quando admite que  tais vícios, apenas eles, podem e devem ser  sanados  e  que  somente  a  partir  da  decisão  que  declarar  a  nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência  para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a  novo lançamento de ofício.  No  mesmo  norte,  é  o  julgamento  do  Acórdão  n.  192­00  015  IRPF,  de  14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes:  O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche  aos  requisitos  constantes  do  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional,  havendo  equívoco  na  construção  do  lançamento  quanto  à  verificação  das  condições  legais  para  a  exigência  do  tributo  ou  contribuição  do  crédito  tributário,  enquanto  que  o  vício  formal  ocorre  quando  o  lançamento  contiver  omissão  ou  inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem  o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua  realização.  Destarte, caracterizada está a infração ao disposto no art. 10, III, do Decreto  70.235/72 uma vez que a descrição dos fatos está prejudicada em razão da aparente duplicidade  da  autuação,  bem como  ao  art.  142  do CTN. E,  não  havendo possibilidade  de discriminar  a  diferença das bases de  cálculo dos dois processos,  há  inconteste  afronta  ao direito de defesa  (art. 59, II do Decreto 70.235/72), inquinando a exigência de nulidade material.  CONCLUSÃO  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  para dar  provimento,  anulando­o  por  vício material.    Marcelo Magalhães Peixoto                            Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

score : 1.0