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Numero do processo: 10325.000248/2007-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DOCUMENTOS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO E/OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOBSERVÂNCIA. PRECLUSÃO.
O momento para apresentação dos documentos que respaldam o direito em que se funda o recorrente é a apresentação da manifestação de inconformidade e/ou impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outra oportunidade, salvo quando se tratar de fato ou direito superveniente ou, ainda, que a não apresentação se verifique por impossibilidade ocasionada por motivo de força maior, devidamente caracterizado. No caso concreto, além da preclusão, os elementos trazidos ao processo não poderiam ser aceitos como prova.
Numero da decisão: 9303-008.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DOCUMENTOS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO E/OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOBSERVÂNCIA. PRECLUSÃO. O momento para apresentação dos documentos que respaldam o direito em que se funda o recorrente é a apresentação da manifestação de inconformidade e/ou impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outra oportunidade, salvo quando se tratar de fato ou direito superveniente ou, ainda, que a não apresentação se verifique por impossibilidade ocasionada por motivo de força maior, devidamente caracterizado. No caso concreto, além da preclusão, os elementos trazidos ao processo não poderiam ser aceitos como prova.
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO E/OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOBSERVÂNCIA. PRECLUSÃO. O momento para apresentação dos documentos que respaldam o direito em que se funda o recorrente é a apresentação da manifestação de inconformidade e/ou impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra oportunidade, salvo quando se tratar de fato ou direito superveniente ou, ainda, que a não apresentação se verifique por impossibilidade ocasionada por motivo de força maior, devidamente caracterizado. No caso concreto, além da preclusão, os elementos trazidos ao processo não poderiam ser aceitos como prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 02 48 /2 00 7- 46 Fl. 607DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento eletrônico de créditos de IPI no PERD/COMP nº 20662.90803.100205.1.3.010449, no montante originário de R$ 587.623,90, referente ao quarto trimestre do ano de 2003, de acordo com o documento de e fls. 57 a 64, efetuado em 10/02/2005. O crédito deste pedido foi utilizado como base para declarações de compensação de débitos de CSLL do mesmo valor. A DRF em Imperatriz MA, após realização de diligência, elaboração do Termo de Verificação pela Fiscalização, às efls. 213 a 218, e apresentação de Informação Fiscal pelo NURAC, às efls. 250 a 252, refez a apuração do Demonstrativo de Crédito Presumido do IPI da contribuinte, com a realização de diversos ajustes, reconhecendo o direito creditório de R$ 301.156,16 para o 4º trimestre de 2003. Com base na Informação Fiscal , foi emitido o Despacho Decisório de efls. 252 e 253, em 06/11/2009, deferindo em parte o ressarcimento pleiteado, até o limite do crédito reconhecido, resultando em homologação parcial da DCOMP nº 20662.90803.100205.1.3.010449. Intimada (efl. 256) do despacho e da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 260 a 269. Já a 3ª Turma da DRJ/BEL, em 02/03/2010, apreciou os pleitos da contribuinte, e elaborou o acórdão nº 0116.509, às efls. 285 a 294, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 02/06/2010, às efls. 298 a 310. Em apertado resumo traz os seguintes argumentos: a) também os insumos que não exercem contato físico com o bem produzido também compõem os créditos de IPI pleiteados, incluindo se ainda os materiais e insumos para manutenção e funcionamento dos equipamentos de produção; b) há que se reconhecer os créditos decorrentes dos custos com carvão vegetal, seja por aquisição de pessoas físicas, seja por empréstimo ou ainda por produção própria desse insumo, pois o objetivo da legislação sobre o crédito presumido do IPI é desonerar a cadeia produtiva exportadora da incidência de PIS e Cofins; c) impõemse a atualização dos créditos presumidos pleiteados, pois a demora na viabilização de sua utilização decorre da RFB; e d) devem ser reconhecidos os créditos decorrentes dos custos com aquisições de matériaprima de C.M. da Silva Indústria, com base na busca da verdade material, a partir de documentação que será juntada aos autos. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10325.000248/200746 Acórdão n.º 9303008.438 CSRFT3 Fl. 608 3 . A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no acórdão nº 340301.658, apreciou o recurso em 27/06/2012, às efls. 479 a 491, e, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário. Tal julgado teve as seguintes ementas: E MATERIAIS DE EMBALAGEM. CARACTERIZAÇÃO. Nos moldes da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, o insumo, para ser considerado matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser empregado na industrialização da mercadoria e se consumir ou desgastar por contato direto com esta, mesmo que a ela não se agregue, devendo, ainda, pelas regras contábeis e fiscais, não estar compreendido entre os bens do ativo permanente. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO RICARF. Nos termos do 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei nº 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Consoante decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.035.847/RS, sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito referente a ressarcimento se sujeita à atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento, quando então poderia considerarse em mora a Fazenda Nacional, e o termo final, a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie. (...) DOCUMENTOS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO E/OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOBSERVÂNCIA. PRECLUSÃO. O momento para apresentação dos documentos que respaldam o direito em que se funda o recorrente é a apresentação da Fl. 609DF CARF MF 4 manifestação de inconformidade e/ou impugnação, ex vi do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, precluindo o direito de fazêlo em outra oportunidade, salvo quando se tratar de fato ou direito superveniente ou, ainda, que a não apresentação se verifique por impossibilidade ocasionada por motivo de força maior, devidamente caracterizado. O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte à inclusão das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido e à correção do ressarcimento pela taxa selic a partir da formalização do pedido. O Conselheiro Marcos Transchesi Ortiz votou pelas conclusões quanto à análise da prova do pagamento à empresa declarada inidônea. Sustentou pela recorrente o Dr. Edson Victor Eugênio de Holanda – OAB/PE nº 24.867. Após esta decisão, o NURAC da DRF em Imperatriz MA elaborou a Informação Fiscal de efls. 534 a 537, elaborado em 20/09/2012, para alterar o valor do crédito reconhecido a partir de de seus efeitos, implicando em reforma do valor para R$ 476.136,46. Recurso especial de divergência da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 538) do acórdão nº 340301.658 em 27/09/2012 (efl. 539), e interpôs recurso especial de divergência às efls. 547 a 558, em 16/10/2012. Esgrime a divergência com os acórdão paradigmas nº CSRF/03004.382 e nº 10809.655, os quais admitem que o excesso de formalismo deve ser superado para priorizar a verdade material e analisar as provas produzidas no momento do recurso voluntário e antes da decisão, enquanto o acórdão recorrido apenas admite as provas produzidas até a manifestação de inconformidade. Posteriormente ao envio do recurso especial da contribuinte, foi juntada aos autos a Informação Fiscal de efls. 586 a 589, de 17/01/2013, pela qual foi anulado o Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido do 4º Trimestre, originalmente utilizado na Informação Fiscal de efls. 534 a 537. O então Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento no despacho de efls. 593 a 599, em 22/09/2015, analisou o recurso especial, concluindo por dar lhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009. Em face da juntada da Informação Fiscal de efls. 586 a 589, manifestouse ainda o Presidente : Com relação à solicitação da autoridade fiscal, ouso sugerir o seu acolhimento, para que a decisão definitiva a ser proferida contemple a sua dependência com relação aos outros 3 processos administrativos que apuram crédito presumido de IPI para os anteriores trimestres de 2003. (grifos do original) Contrarrazões da Fazenda Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10325.000248/200746 Acórdão n.º 9303008.438 CSRFT3 Fl. 609 5 Cientificada do despacho de efls. 593 a 599, em 30/09/2015 (efl 600), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da contribuinte, às efls. 601 a 606, em 05/10/2015. O Procurador argumenta que não só a preclusão serviu como motivação para a não apreciação das provas apresentadas após a manifestação de inconforrmidade, pois, em verdade elas foram analisadas co a conclusão de que não comprovavam adequadamente as operações em tela. Ao final, o Procurador pleiteia que seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência do sujeito passivo é tempestivo e cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Esclareço que, em que pese a referência, do então Presidente da 4ª Câmara, acerca de uma possível dependência do julgamento do presente recurso, em relação aos outros 3 processos administrativos que apuram crédito presumido de IPI para os anteriores trimestres de 2003, entendo que não fica prejudicado o julgamento do presente recurso. A questão levantada referese apenas à liquidação da decisão, o que compete à autoridade preparadora, não interferindo no critério jurídico aplicável a lide, a ser determinado por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mérito, penso ser irreprochável o entendimento do relator do acórdão recorrido ao analisar o caso. Aliás, em regra, entendo inadmissíveis as provas extemporâneas, relativas às aquisições de pessoa jurídica, juntadas ao processo após a decisão de primeira instância, tendo em vista o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 PAF. Ocorre que a decisão recorrida se estabelece sobre os motivos, pontos de discordância e razões apresentados pelo sujeito passivo, com a base probatória que possuía (art. 16, inc. III, do PAF), já então assentada nos autos; a apreciação dessa prova leva à convicção na decisão. O direito à apresentação de provas posteriormente à impugnação é situação excepcionada pelas condições alternativamente prevista nas alíneas do § 4º do mesmo artigo 16 do PAF; nenhuma daquelas está presente no caso concreto. Esse foi o fundamento que transpareceu na ementa do aresto recorrido. Contudo, como bem salientado pela Procuradora, a fundamentação para a não admissão das provas não se deu apenas pela preclusão, a questão probatória, em verdade, foi analisada, como se pode observar pelo trecho do voto, à efl. 487, que a seguir transcrevo: Entretanto, ainda que se pudesse admitir a prova produzida extemporaneamente, não haveria como se reconhecer o direito postulado. Fl. 611DF CARF MF 6 Com efeito, os elementos apresentados padecem de vícios que, a meu sentir, os tornam imprestáveis ao fim a que se destinam. Neste sentido, alinho as seguintes irregularidades detectadas: i) aquisições de carvão vegetal, no mês de novembro/2003, de uma pessoa jurídica declarada inapta, omissa não localizada, desde fevereiro/2003, bastando simples consulta ao CNPJ para verificação desta situação fiscal; ii) não foi apresentada uma única nota fiscal desta pessoa jurídica, mas sim, notas fiscais de entradas emitidas pela própria recorrente, com remissão àquela, sem qualquer explicação para tal modus operandi, ao passo que a pessoa jurídica fornecedora estaria obrigada à emissão deste documento fiscal; iii) os pagamentos foram feitos a terceiros, sem qualquer autorização da pessoa jurídica fornecedora para esta forma de liquidação negocial; e, por fim, iv) a maior parte dos recibos de pagamentos está assinada (rectius visada) pela mesma pessoa, no entanto, sem qualquer identificação ou autorização para que represente e dê quitação pelos terceiros beneficiados. Por tais razões, sob que ângulo se vislumbre, entendo que não restou adequadamente demonstrada a realização das operações em debate, para fins de reconhecimento de direito creditório. (Sublinhei, negritos do original.) Reparase que o trecho acima transcrito revela que foi apresentado um argumento adicional, entendo que apenas a título de obter dictum, referindo a imprestabilidade da prova apresentada, por vícios. Aliás, rigorosamente, caso esse argumento adicional fosse considerado como efetiva razão de decidir, sequer haveria razão para conhecimento do recurso. Entretanto, considerandoo apenas como obter dictum, mantenho o conhecimento e reforço minha conclusão quanto ao mérito da quaestio. Assim, por nenhum ângulo seria possível aceitar a comprovação das referidas aquisições. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, para manutenção integral do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 612DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.720160/2015-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/03/2014
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
DISCUSSÃO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO.
Sendo proposta ação judicial para discutir a exigibilidade das contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas, a compensação dos valores a elas relativos só é possível após o trânsito em julgado de decisão favorável ao interessado.
Numero da decisão: 2402-007.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que deu provimento ao recurso quanto à multa isolada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2012 a 31/03/2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. Sendo proposta ação judicial para discutir a exigibilidade das contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas, a compensação dos valores a elas relativos só é possível após o trânsito em julgado de decisão favorável ao interessado.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. DISCUSSÃO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. Sendo proposta ação judicial para discutir a exigibilidade das contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas, a compensação dos valores a elas relativos só é possível após o trânsito em julgado de decisão favorável ao interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que deu provimento ao recurso quanto à multa isolada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 01 60 /2 01 5- 94 Fl. 17624DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.625 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 0965.263, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora/MG, fls. 17.579 a 17.592: Tratase de processo de auto de infração de contribuições previdenciárias, AI DEBCAD 51.077.8569, no valor de R$ 11.757.468,26, em razão da "compensação indevida de contribuições previdenciárias com utilização de créditos inexistentes e/ou sem sentença transitada em julgado, contrariando o art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). A multa foi aplicada em dobro do percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo como base de cálculo o valor da compensação glosada, no valor total de R$ 7.838.312,27", com fundamento no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212, de 1991, conforme consta das fls. 8444 e 15486. A ciência do lançamento se deu em 09/04/2015 (fls. 15583). [...] Conforme explicitado no Despacho de Encaminhamento [fl. 17.542], as peças de fls. 15600/17087 se referem à manifestação de inconformidade relativa ao DESPACHO DECISÓRIO DRF/AQA/SAORT nº 017/2015 e integram o processo nº 13851.720563/201533. As peças de fls. 17404/17528 se referem à impugnação apresentada contra o auto de infração da multa de 150%, no valor de R$ 11.757.468,26, cujos termos são abaixo apresentados, em síntese. Inicialmente, o contribuinte alega a tempestividade da peça de defesa, afirmando ter sido ela protocolada em 07/05/2015. Diz que os motivos e fundamentos da impugnação estão expostos nos documentos que fazem parte integrante da PASTA I: DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA DE 150% FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA CARF — CONSELHO ADMINISTRATIVO RECURSOS FISCAIS "STF— RE N° 640.452 REPERCUSSÃO GERAL" Requer então o cancelamento da autuação, referente à multa isolada por "falsidade de declarações" de compensações informadas em GFIP e glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação de falsidade, dolo ou máfé, sonegação e fraude, de forma contrária ao entendimento pacificado do CARF e do STF, conforme acórdãos que cita. Fl. 17625DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.626 3 Requer ainda a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com base no disposto no art. 151, III, do CTN; que seja reconhecido seu direito à obtenção de Certidão Negativa de Débito (CND); que não seja efetuado bloqueio no Fundo de Participação dos Municípios (FPM); que o contribuinte não seja incluído no CADIN ou outros cadastros. Às fls. 17414/17510 foi juntada a PASTA I citada acima. Nela, o impugnante discorre acerca da inaplicabilidade da multa isolada de 150%, de acordo com os seguintes tópicos: • GLOSA DE COMPENSAÇÕES • FALSIDADE DE DECLARAÇÃO EM GFIP • IMPROCEDÊNCIA O contribuinte afirma ter apurado créditos de pagamentos indevidos sobre verbas de natureza indenizatória/compensatória, que não integram o salário de contribuição, a teor do art. 28, §9º, 'e', 7, da Lei nº 8.212, de 1991 e jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Afirma ainda ter efetuado a compensação dos créditos por ele apurados com débitos vincendos previdenciários, sem a anuência do Poder Judiciário ou da RFB, de acordo com o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008 e art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. [...] Argui que a utilização da compensação, como no presente caso, é plausível, e cita o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011. Junta decisões administrativas de outros municípios, proferidas pelos órgãos julgadores da RFB, pela inaplicabilidade da multa de 150% em casos de compensação de pagamentos indevidos sobre verbas indenizatórias/compensatórias e RAT. Por outro lado, alega que, de acordo com orientação do STF, o princípio da vedação do confisco se aplica também às multas, conforme julgado que copia. Ao julgar a manifestação de inconformidade, em 7/12/17, a 5ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, conforme restou assim ementado no decisum: MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 17626DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.627 4 Cientificado da decisão de primeira instância, em 8/2/18, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 17.599, o Contribuinte, por meio de seu procurador municipal (Dr. Rafael Stevan, Matrícula 3.518), apresentou o recurso voluntário de fls. 17.602 a 17.623, em 12/3/18, alegando, em síntese, o que segue: DA PRELIMINAR DE NULIDADE [...] uma vez cientificado do despacho decisório [...], o Município de Américo Brasiliense opôs duas impugnações parciais, da seguinte forma: i) Uma impugnação parcial foi apresentada de maneira direta pela ProcuradoriaGeral do Município, insurgindose contra a não homologação das compensações nas competências 02/2012, 03/2012, 05/2012, 06/2012, 11/2012, 12/2012; e ii) Uma impugnação parcial foi apresentada de maneira indireta, por meio de escritório de advocacia terceirizado, voltandose contra a não homologação das compensações nas competências 06/2013,07/2013 a 13/2013, 01/2014 a 03/2014. [...] Todavia, o v. acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) ignorou completamente a impugnação parcial referida no item “i” supra. Não houve deliberação sobre o mérito e nem sequer sobre a admissibilidade dessa impugnação. Assim, o v. acórdão promoveu julgamento citra petita, como tal considerado aquele que analisa matéria inferior à devolvida para julgamento. [...] Ante o exposto, requer a declaração de nulidade do v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), [...], pra prolação de novo julgamento. DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO Como se observa pelo teor do Acórdão proferido pela 5ª Turna de Julgamento, a suposta falsidade d declaração restou caracterizada pela não comprovação dos recolhimentos das contribuições compensadas e pela compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais interpostas, em desconformidade ao que preceitua o artigo 170A do Código Tributário Nacional. [...] “In casu”, a legislação de regência prevê que a multa isolada somente é aplicável na hipótese em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71, a 73 da Lei nº 4.502/64 [...]. Fl. 17627DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.628 5 Assim, não será falsa a declaração que o contribuinte previdenciário coloca como remuneração não tributável (com esteio em jurisprudência de Tribunais Superiores) uma remuneração que a autoridade fazendária entende como tributável, desde que se identifiquem corretamente tais remunerações quanto a seus elementos fáticos. [...] Neste diapasão, também não se observa a fraude, pois ao apresentar as declarações informando a compensação de tributo com créditos de natureza não tributária, o contribuinte não impediu a nem retardou a ocorrência do fato gerador. DA POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO [...] Como se verifica da inequívoca exegese, o art. 44 [da Instrução Normativa RFB 900, de 30/12/08] autoriza o contribuinte a efetuar as compensações, por sua conta e risco, independente da anuência de judiciário ou de qualquer órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, as únicas exigências são: a existência de créditos, estar em situação regular e informar a compensação em GFIP. Em nenhum momento, o enunciado faz referência à necessidade de que as compensações sejam efetuadas após decisão transitada em julgado, consoante art. 170A. [...] Ocorre que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou acerca de algumas verbas que tem natureza indenizatória, [...]. Nesta esteira, o Ministério Público Federal emitiu parecer favorável no que se refere ao Recurso Extraordinário nº 593.068, no sentido de não incidência da contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias/compensatórias que não se incorporam aos proventos de aposentadoria. [...] Por sua vez, o inciso IV [do art. 11 da Lei 13.485, de 2/10/17], menciona que será objeto do efetivo encontro de contas, às verbas de natureza indenizatória indevidamente incluídas na base de cálculo para incidência das contribuições previdenciárias, sendo elas, “verbis”: [...] a) Terço constitucional de férias; b) Horário extraordinário; c) Horário extraordinário incorporado; Fl. 17628DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.629 6 d) Primeiros quinze dias do auxíliodoença; e) Auxílioacidente e aviso prévio indenizado. [...] Diante de tal fato, resta claro que o entendimento perfilhado pelo Município se mostrou condizente com a jurisprudência dominante do Judiciário e do legislador ordinário, corroborando, a rigor, a tese defendida pelo contribuinte, demonstrando, assim, a regularidade da compensação realizada. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da alegada nulidade da decisão recorrida Segundo o Recorrente, contra o despacho denegatório da compensação teriam sido apresentadas duas impugnações parciais, ou seja, uma pela ProcuradoriaGeral do Município, referente às competências de 2012, e uma por escritório de advocacia terceirizado, referente às competências de 2013 e 2014. Pois bem, em relação a essas impugnações, alega o Recorrente que a decisão recorrida teria apreciado apenas a impugnação apresentada pelo escritório terceirizado, deixando de apreciar a impugnação apresentada pela ProcuradoriaGeral do Município, situação essa que teria eivado de nulidade o julgado a quo. De fato, em relação ao Dedcad 51.077.8569 (multa de 150%), a que se refere o presente processo, consta nos autos uma impugnação apresentada pelo escritório de advocacia Castellucci Figueiredo e Advogados Associados, fls. 17.404 a 17.407, em 7/5/15, e uma impugnação apresentada pela Procuradoria do Município, fls. 17.513 a 17.518, em 11/5/15. Todavia, com a apresentação da primeira impugnação, consumaramse os efeitos do ato de interposição da impugnação, operandose, com isso, a preclusão consumativa em face da segunda impugnação. Logo, não vemos retoques a se fazer na decisão recorrida pela não apreciação da segunda impugnação. Fl. 17629DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.630 7 Da multa isolada aplicada Segundo o Recorrente, a multa isolada somente é aplicável na hipótese em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71, a 73 da Lei nº 4.502/64, e que não é “falsa a declaração que o contribuinte previdenciário coloca como remuneração não tributável [...] uma remuneração que a autoridade fazendária entende como tributável”. O Recorrente também aduz que não incorreu em fraude, “pois ao apresentar das declarações informando a compensação de tributo com créditos de natureza não tributária, [...] não impediu e nem retardou a ocorrência do fato gerador”. Primeiramente, vejamos o que dispõe o art. 89, § 10, da Lei 8.212, de 24/7/91, a respeito da multa em questão: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [..] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Conforme se observa, a responsabilidade pela infração a que se refere o § 10 é objetiva, ou seja, independe da intenção do agente na sua prática, bastando que a compensação seja realizada mediante declaração falsa e, no caso em tela, a declaração prestada pelo Recorrente, em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) era, conhecidamente, falsa, pois, ao arrepio do que que dispõe o art. 170A do CTN, o Recorrente compensou créditos que sabia não serem líquidos e certos, uma vez que não se encontravam acobertados por uma decisão definitiva da Justiça. Além do que não fez a comprovação de que realmente efetuou o recolhimento indevido ou a maior. Sendo assim, não há reparos a se fazer na decisão recorrida, devendo, pois, ser mantida a multa na forma como aplicada pela fiscalização. Da alegada possibilidade de compensação Segundo o Recorrente, as compensações realizadas teriam amparo no art. 11, inciso IV, da Lei 13.485, de 2/10/17, além do que, o art. 44, da Instrução Normativa RFB 900, de 30/12/08, autorizaria o Contribuinte a efetuar as compensações, por sua conta e risco, independente da anuência do Poder Judiciário ou de qualquer órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e acrescenta que tal dispositivo não faz nenhuma referência à necessidade de que as compensações sejam efetuadas após decisão transitada em julgado. Fl. 17630DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.631 8 De fato, o art. 44, da Instrução Normativa RFB 900/08, e seus parágrafos, não dispõe sobre a necessidade de trânsito em julgado: Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes. § 1º Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. § 2º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições previdenciárias devidas. § 3º Caso haja pagamento indevido relativo a obra de construção civil encerrada ou sem atividade, a compensação poderá ser realizada pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 4º A compensação poderá ser realizada com as contribuições incidentes sobre o décimo terceiro salário. § 5º A empresa ou equiparada poderá efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 7º A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação. Segundo se observa, tal dispositivo trata da compensação de forma geral, apenas informando que o sujeito passivo pode compensar créditos passíveis de restituição ou reembolso, porém, não traz qualquer autorização para que créditos em discussão judicial possam ser compensados antes do trânsito em julgado. Contudo, o art. 70, da mesma Instrução Normativa RFB 900/08, é claro quanto à necessidade do trânsito em julgado: Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição, o reembolso e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito Fl. 17631DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.632 9 em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) Por oportuno, em relação a essa questão, trazermos à baila os seguintes excertos da decisão de primeira instância, que segue no processo principal (13851.720563/201533, fls. 1.969 a 1.988): Conforme consta do DD, o contribuinte impetrou a ação judicial nº 000787348.2013.403.6120, objetivando a declaração de inexistência de relação jurídica tributária e a suspensão da exigibilidade das contribuições previdenciárias previstas no artigo 22, I e II da Lei 8212, de 1991, incidentes sobre diversas verbas que compõem a remuneração dos segurados. [...] Considerando que o contribuinte impetrou a referida ação judicial em 28/06/2013, para que fosse declarada a inexistência da relação jurídica tributária e a suspensão da exigibilidade das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as verbas citadas acima, ele não poderia efetuar a compensação das referidas contribuições antes do trânsito em julgado da referida ação, em observância ao disposto no art. 170A, do CTN: [...] Isso porque, não obstante o contribuinte tenha a opção de efetuar a compensação das contribuições previdenciárias que julgue ter recolhido indevidamente ou a maior, sem a interferência do poder judiciário nem da autoridade administrativa, desde que observados os atos normativos, não foi essa a sua escolha: sua escolha foi a contestação judicial da exigibilidade dos referidos tributos, de modo que a sua compensação, que decorreria da declaração da inexigibilidade pleiteada, só pode se dar após o trânsito em julgado da decisão proferida na ação interposta, o que não ocorreu até o presente momento. Sobre o assunto, a Solução de Consulta Cosit nº 119, de 2017: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. MATÉRIA VINCULANTE. AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA. TRÂNSITO EM JULGADO. REQUISITO. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada aos entendimentos desfavoráveis à Fazenda Nacional firmados sob a sistemática de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de recurso especial repetitivo, a partir da ciência da Nota Explicativa da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014. Fl. 17632DF CARF MF Processo nº 13851.720160/201594 Acórdão n.º 2402007.240 S2C4T2 Fl. 17.633 10 Em regra, a jurisprudência vinculante autoriza a restituição ou compensação administrativas de tributos recolhidos indevidamente, observados os prazos e procedimentos estabelecidos na legislação. Não obstante, na hipótese em que o direito é postulado mediante ação judicial própria, o contribuinte deve aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial, a fim de proceder à execução judicial ou à compensação administrativa. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 170A do CTN Também nesse sentido, o acórdão proferido no recurso especial repetitivo, representativo da controvérsia REsp 1164452/MG, de 02/09/2010: Ementa TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Grifo na decisão da DRJ) Por fim, acrescentese que o citado art. 11, da Lei 13.485, de 2/10/17, foi vetado pela Presidência da República, nos termos da Mensagem nº 371, de 2/10/17. Logo, temse por afastada a alegada desnecessidade de trânsito em julgado. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 17633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.987169/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECISÃO. FALTA DE EXAME DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
É nula a decisão que não aprecia a manifestação de inconformidade, estando presentes os requisitos de admissibilidade exigidos na legislação em vigor.
Numero da decisão: 1402-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de 1ª instância.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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FALTA DE EXAME DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. É nula a decisão que não aprecia a manifestação de inconformidade, estando presentes os requisitos de admissibilidade exigidos na legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de 1ª instância. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 98 71 69 /2 00 9- 33 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15374.987169/200933 Acórdão n.º 1402003.878 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório EMPRESA CINEMAS SÃO LUIZ S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro RJ 1 que, por maioria de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensações vinculadas ao saldo negativo apurado no anocalendário 2007, no valor de R$ 141.653,77, dado que na DIPJ não foi informada apuração de saldo negativo. A interessada manifestou sua inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DIPJ, deixando de ser para transportadas as retenções na fonte de tributos incidentes sobre pagamentos por serviços por ela prestados a órgãos da administração pública federal, e a pessoas jurídicas de direito privado. Observou, todavia, que parte do saldo negativo foi informado na Ficha 16 (R$ 131.161,07) e que as retenções na fonte constaram na Ficha 54 da DIPJ, assim como as retenções foram corretamente indicadas na DCOMP. A autoridade julgadora de 1ª instância afirmouse instância revisional e assim impedida de se manifestar sobre o direito creditório, na medida em que ele não pode ser analisado pela DRF de origem, em razão da ausência de informação do saldo negativo em DIPJ. Manteve, assim, o despacho decisório, vez que a análise da consistência do saldo negativo indicado na manifestação de inconformidade pela DRJ caracterizaria usurpação de competência de autoridade administrativa; o indeferimento do pedido com base em inconsistências não apontadas no despacho decisório representaria inovação, o que é inaceitável. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/02/2012 (fl. 98), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 01/03/2012 (fls. 100/120). Inicialmente observa que o relatório da decisão recorrida sintetizou em uma linha seus argumentos de defesa, deixando de mencionar as provas anexadas à peça contestatória, bem como as razões de fato e direito nela deduzidas, e assim questiona a possibilidade de se inserir na ementa da decisão a observação "se não elididos os fatos que lhe deram causa", mais à frente afirmando contraditória esta ponderação. Na sequência, reproduzindo os termos da decisão recorrida, a recorrente argúi, em preliminar, prejuízo a seu direito de defesa e ao contraditório em razão do não exame das verdadeiras razões, demonstrações e documentos, apresentados na manifestação de inconformidade, bem como da manutenção do Despacho Decisório que, em seu entendimento, não reflete a realidade. Entende que a inovação caracterizadora de usurpação de competência da autoridade administrativa, mencionada na decisão recorrida, não encontra respaldo na Constituição de 1988, tampouco nas normas legais de regência, mormente tendo em conta que a revisão de atos administrativos é obrigatória por dever de ofício. Subsidiariamente, caso ultrapassada a ilegalidade apontada na decisão recorrida e a contradição entre voto e ementa, a recorrente afirma a regularidade do saldo negativo compensado, vez que demonstrado, em DIPJ, o recolhimento de estimativa no valor de R$ 131.161,07, bem como as retenções sofridas, no montante de R$ 10.492,70, as quais Fl. 198DF CARF MF Processo nº 15374.987169/200933 Acórdão n.º 1402003.878 S1C4T2 Fl. 4 3 também foram consignadas em DCOMP. Apenas que estas informações não foram transportadas para a Ficha 17 da DIPJ, na qual, aliás, foi indicada base negativa de CSLL no valor de R$ 4.668.370,22. Defende que o erro de preenchimento é evidente, mas não elide o crédito da contribuinte. O crédito compensável subsiste, íntegro. Argumenta que a DIPJ deveria ter sido examinada em sua integralidade, pois assim restaria evidenciado o equívoco no preenchimento, apresenta planilha dos créditos compensados, bem como elementos do Razão Analítico acerca do seu reconhecimento. Reitera a compatibilidade com as antecipações informadas em DCOMP, afirma a regularidade da atualização do crédito e a existência de saldo de crédito original no valor de R$ 0,37. Assim, demonstrada a legitimidade do crédito informado e visto que a compensação declarada observou as normas aplicáveis, não há razão de fato ou de direito que possa justificar sua não homologação. Discorre sobre o princípio da verdade material, aponta inobservância do art. 36 da Lei nº 10.833/2003 que caracteriza as retenções como antecipações do devido pelo sujeito passivo, e reportase a outros princípios para concluir que a alegação de que a análise da consistência do saldo negativo, pela DRJ, caracterizaria "usurpação de competência de autoridade administrativa", com que se tentou sustentar a decisão recorrida, não encontra qualquer respaldo, vez que a autoridade administrativa investida em competência judicante tem o dever de agir segundo a lei, e tem por objeto o restabelecimento da plenitude da ordem jurídica acaso lesionada. Prossegue abordando a ofensa a outros princípios, destacando que a função precípua do Fisco é aplicar a lei de forma vinculada e objetiva, agindo imparcialmente e finaliza manifestando sua inconformidade com a desconsideração de crédito legítimo e não homologação sumária de compensação feita regularmente, transcrevendo jurisprudência em favor de seu entendimento. Ao final, pede a declaração de nulidade da decisão recorrida ou, subsidiariamente, o acolhimento de suas razões de fato, para reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Em circunstâncias semelhantes às apontadas na decisão recorrida, a 1ª Turma da 3ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento decidiu em favor da nulidade da decisão de 1ª instância nos seguintes termos do voto condutor do Acórdão nº 1301003.261: A decisão recorrida não apreciou a manifestação de inconformidade, ao argumento de que a DIPJ retificadora não fora examinada pela DRF e, por isso, não poderia sêlo pela DRJ, sob pena de usurpação de competência de outra autoridade. Ademais, "o indeferimento do pedido com base em inconsistências não apontadas no despacho decisório representaria inovação e ensejaria o cerceamento do direito de defesa do interessado". Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15374.987169/200933 Acórdão n.º 1402003.878 S1C4T2 Fl. 5 4 Malgrado o respeito ao órgão prolator da decisão recorrida, o entendimento nela consignado não pode prevalecer. Não pode prevalecer porque, de ordinário, ao contribuinte não se abre a possibilidade de apresentar qualquer documento ou prova antes da emissão de despacho decisório, salvo se a dcomp for selecionada para "tratamento manual". Não pode prevalecer também, e sobretudo, porque é contrário à orientação emanada da própria Receita Federal, especificamente, a contida no Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 (publicado no DOU de 01/09/2015, seção 1, página 12, e disponível no sítio da RFB na Internet). O parecer, abordando o problema da retificação de DCTF em face da declaração de compensação, manifestase nestes termos: Editase o presente Parecer Normativo para uniformizar entendimento e procedimentos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB quanto às compensações efetuadas com pagamento decorrente de crédito indevidamente declarado em DCTF. Para tanto, tomouse por base consulta oriunda da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte MG, encaminhada pela Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial (Cocaj), a respeito da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação PER/ DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade. (...) 11.2. Portanto, ao retificar a DCTF para tornar disponível pagamento já objeto de PER indeferido ou de DCOMP não homologada, o sujeito passivo não poderá mais usar esse pagamento numa nova DCOMP, podendo, no entanto, apresentar um PER. Resta definir se essa retificadora da DCTF tem o condão de produzir efeitos na DCOMP já apresentada e não homologada, pois isso necessariamente produziria alteração no Despacho Decisório de sua não homologação. 12. Cabe esclarecer que esse problema somente ocorre na hipótese de a autoridade administrativa já ter analisado o PER/DCOMP antes de a DCTF retificadora ter sido apresentada (ressaltese: situação que não teria acontecido se o sujeito passivo que apura os créditos contra a Fazenda Nacional tivesse diligentemente providenciado a retificação da DCTF previamente à apresentação do PER/DCOMP). Não há impedimento legal para que o sujeito passivo retifique a DCTF depois de ter apresentado o PER/DCOMP. É certo que o crédito compensado ou objeto de PER deva ser líquido e certo já em sua apresentação, mas é possível ao sujeito passivo retificar ou mesmo cancelar PER/DCOMP se depois ele mesmo verifica que inexistia tal crédito em seu favor (observadas as condições impostas pela IN RFB n° 1.300, de 2013). Portanto, se o PER/DCOMP ainda não foi analisado e a DCTF for retificada depois de sua entrega, o deferimento ou a homologação automática/eletrônica pode ocorrer, não se vislumbrando, pois, impedimento para que a retificação da DCTF ocorra depois da entrega do PER/DCOMP. 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 15374.987169/200933 Acórdão n.º 1402003.878 S1C4T2 Fl. 6 5 (...) 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. 18.2. Havendo a baixa em diligência, caso não haja questão de direito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF (ou congênere) deverá rever o despacho decisório, e caso defira integralmente aquele crédito (inclusive homologando integralmente a DCOMP), a lide deixa de ter objeto. Nesse caso, em respeito ao princípio da economia processual, encerrase a competência da DRJ, pois o art. 233 do Regimento Interno dá competência a ela para julgar litígio, o que não mais subsiste. 18.3 Entretanto, na situação anterior se houver questão de direito a ser analisada no processo administrativo fiscal pela DRJ, a DRF deverá informar as questões fáticas requeridas em diligência, e a lide deverá ser normalmente julgada pela DRJ. Vale dizer, a DRF apenas deve analisar situações fáticas, considerando que a DRJ tenha acatado as questões de direito trazidas pelo sujeito passivo. Sobre o conceito de erro de fato e de direito, ele foi abordado no Parecer Normativo RFB n° 8, de 3 de setembro de 2014: Sinteticamente, temse como erro de fato aquele relacionado ao "conhecimento da existência de determinada situação", que "reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário"; enquanto o erro de direito é "consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma", um "equívoco na valoração jurídica dos fatos" (STJ: AgRg no Recurso Especial n° 1.347.324 RS, DJe: 14/08/2013; Recurso Especial n° 1.130.545 RJ, DJe: 22/02/2011). 18.4 Já quando o despacho decisório não for integralmente alterado, ou seja, a restituição não for integralmente deferida (ou a DCOMP não homologada totalmente) por alguma outra questão não objeto da lide, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto n° 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser informado para manifestarse no prazo de trinta dias, após o que o processo retornará para julgamento, sem prejuízo da possibilidade de o sujeito passivo concordar com os valores considerados pela DRF na revisão do despacho decisório decorrente da diligência por ela feita e renunciar ao processo administrativo fiscal, aplicandose o disposto na parte final do item 18.2. 18.5. Uma situação deve ficar clara: sempre haverá uma análise da autoridade fiscal/julgadora na situação pretérita daquele caso, mormente quando ela discorda das Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15374.987169/200933 Acórdão n.º 1402003.878 S1C4T2 Fl. 7 6 razões apresentadas pelo sujeito passivo. Nesse caso, a despeito da retificação da DCTF, dentro do seu livre convencimento, a autoridade fiscal/julgadora pode não dar provimento à manifestação de inconformidade, não tendo que se falar no procedimento descrito no item anterior. Afinal, não tendo sido retificada a DCTF previamente à transmissão do PER/DCOMP, o ônus passa a ser do sujeito passivo, conforme item 13. 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB n° 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. (...) Conclusão (...) b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; (g.n.) Como se vê, a retificação da DCTF depois do despacho decisório não dispensa a DRJ do exame da manifestação de inconformidade, desde que apresentada tempestivamente. Se esse entendimento se aplica à retificação de DCTF, que têm efeito de confissão de dívida e constitui crédito tributário, com muito mais razão se deve aplicar às DIPJs, que têm função informativa, mas não constituem crédito tributário, nem se prestam a confessar dívida. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, anulando a decisão de primeira instância, para que a DRJ proceda conforme orientação emanada da Receita Federal do Brasil no Parecer Normativo Cosit nº 2/2015. (destaques do original) No que concerne ao presente litígio, confirmase nesta fundamentação que a autoridade julgadora de 1ª instância não está impedida de analisar a formação de direito creditório que deixou de ser apreciado na DRF de origem em razão da constatação de outros óbices formais à sua verificação, cumprindolhe, inclusive, baixar o processo em diligência para confirmação de elementos materiais da apuração do crédito, hipótese na qual a DRF de origem pode deferir integralmente o crédito, homologar as compensações e encerrar o litígio. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15374.987169/200933 Acórdão n.º 1402003.878 S1C4T2 Fl. 8 7 No presente caso, a interessada não retificou a DIPJ, mas apontou diversas informações nela constantes que confirmariam o saldo negativo que, por erro, não fora transcrito. Tratase, portanto, de razões de fato e de direito que se dirigem precisamente ao motivo da não homologação (saldo negativo em DIPJ igual a zero), passíveis de serem veiculadas em impugnação na forma do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e que, assim, devem ser apreciadas pela Turma Julgadora de 1ª instância se atendidos os demais requisitos de admissibilidade da manifestação de inconformidade. Ao deixar de fazêlo, o Colegiado a quo profere decisão com preterição do direito de defesa, o que autoriza a declaração de sua nulidade na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Por estas razões, o presente voto é no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para anular a decisão de 1ª instância. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.904452/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do redator designado, vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do redator designado, vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do redator designado, vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 45 2/ 20 12 -6 1 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16327.904452/201261 Resolução nº 3302001.111 S3C3T2 Fl. 273 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo partes do relatório da decisão de primeira instância : Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito próprio com suposto direito de crédito decorrente de pagamento a maior de IOF. O valor pago a maior teria sido de R$ 147.388,21 (DARF no total de R$ 601.114,42, recolhido em 17/02/2010), quantia inteiramente aproveitada na DCOMP. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito, sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente comprometido na quitação de outro débito confessado pela contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 13/09/2012, em 15/10/2012 a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em resumo ter havido erro na apuração, declaração e recolhimento do IOF do 1º decêndio de fevereiro de 2010. A DCTF relativa ao período não foi retificada, o que levou a unidade local a não homologar a compensação declarada, tendo em vista a vinculação integral do pagamento ao débito declarado. Conforme o texto da defesa: O crédito utilizado na compensação resultou de DARF recolhido pelo REQUERENTE, em 17.02.2010, a titulo de IOF — Operações de Crédito — Pessoa Jurídica, código de retenção 1150, posto que o valor do DARF pago de R$ 552.766,96 era devido, no período de apuração 1º decêndio (PA: 10/02/2010), o montante de R$ 453.726,21, o que resultou num crédito a ser compensado, pelo REQUERENTE, na importância original de R$ 147.388,21 e objeto do PERD/DCOMP em tela (doc. 05) conforme comprova o razão contábil anexo (doc. 06). Por um erro material incorrido, pelo REQUERENTE, deixou o mesmo, todavia, de retificar a DCTF relativa ao período atinente ao DARF acima. A contribuinte, assim, afirma possuir efetivamente o direito ao crédito e pretende ver homologada a compensação declarada. Acrescenta que o erro cometido no preenchimento da DCTF apresentada em relação ao período em foco não retira a legitimidade de seu procedimento. Em 13/10/2014, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 223DF CARF MF Processo nº 16327.904452/201261 Resolução nº 3302001.111 S3C3T2 Fl. 274 3 Período de apuração: 01/02/2010 a 10/02/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão em 13/11/2014, consoante AR acostado, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 15/12/2014, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na manifestação de inconformidade e aduz que os documentos juntados com a manifestação de inconformidade comprovam a existência do direito creditório. Por fim, requer o reconhecimento da compensação pleiteada, e se necessários outros elementos de prova, a conversão do julgamento em diligência para tanto. Ato seguido, o expediente é encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase desde logo ao mérito do litígio, que não envolve questões de direito, e sim de fato. DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO A decisão recorrida assim tratou das provas trazidas pela recorrente para lastrear o seu crédito: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16327.904452/201261 Resolução nº 3302001.111 S3C3T2 Fl. 275 4 No caso em foco, como visto, a alegação da interessada é a de que o valor do IOF pago e declarado em relação ao primeiro decêndio de fevereiro de 2010 (R$ 601.114,42) não corresponde ao efetivamente devido (R$ 453.726,21), configurandose o pagamento a maior. Para comprovar o alegado, a contribuinte traz aos autos (fls. 108/110) cópias extraídas do livro Razão da conta IOF A RECOLHER – OPER CRÉDITO CARTÃO (conta nº 4.9.1.10.10.2.301.3). No entanto, o documento apresentado não tem força para conduzir a prova da certeza e liquidez do pretendido direito de crédito. Diz a contribuinte que o valor devido em relação ao primeiro decêndio de fevereiro seria de R$ 453.726,21 e não de R$ 601.114,42. A mencionada cópia do Razão traz, à fl. 108 indicação que o saldo da conta ao final do dia 10/02/2010 corresponderia aos citados R$ 453.726,21. Ocorre, em primeiro lugar, que a documentação apresentada está incompleta e não mostra os lançamentos da conta desde o começo do decêndio, mas só a partir do final do dia 09/02/2010, não sendo possível aferir os lançamentos com histórico de IOF a recolher de forma que se confirme que, no decêndio em questão, o IOF a recolher corresponde ao montante afirmado pela contribuinte. Outro ponto a destacar relacionase com a sistemática dos lançamentos efetuados na conta IOF A RECOLHER – OPER CRÉDITO CARTÃO. Inspecionandose a marcha dos registros lançados, verifica se que, na formação dos saldos diários ingressam, a débito, os valores correspondentes aos pagamentos/compensações que a contribuinte efetua a fim de quitar o tributo. No entanto, os recolhimentos/compensações lançados a débito nem sempre correspondem exatamente ao valor de IOF a pagar ao fim do decêndio: este é o próprio motivo da compensação pretendida. Dessa forma, os saldos contábeis apurados ao fim do decêndio não representam necessariamente o IOF a pagar do período. É um equívoco, assim, tomar o saldo contábil como o valor do IOF efetivamente a recolher, que deve ser calculado, de outra forma, pela somatória dos lançamentos ao longo do decêndio, sem considerar os pagamentos/compensações que se referem a débitos de decêndios anteriores. Não se comprova, dessa forma, o direito invocado. Em sede recursal, nada foi dito sobre as razões de fato declinadas para a não homologação da compensação encetada. Apenas foram lançadas novas explicações para a existência do crédito, apontando para documentos juntados com o recurso voluntário, razão contábil da empresa (01/02/2010 a 28/02/2010) Conta 4.9.1.10.10.2.301.304 (Recolhimento de IOF adicional 17/02/2010 1º decêndio 02/10 0,38%) e Tabela com os 3 decêndios de fevereiro de 2010 (doc. 06). Em que pese haver novas páginas do livro Razão da recorrente agora nos autos, ainda não é possível perceber com a documentação trazida o porquê de a base de cálculo declarada num primeiro momento ser incorreta, e a base de cálculo correta ser a de menor Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16327.904452/201261 Resolução nº 3302001.111 S3C3T2 Fl. 276 5 valor. A recorrente não explica a diferença de composição das bases de cálculo nem traz outros documentos que suportem os números constantes do livro Razão trazido. O requerimento de conversão do julgamento em diligência para juntada de outros elementos de prova não encontra guarida nessa fase recursal quando o contribuinte não traz indícios fortes da existência de seu crédito. Assim é que data maxima venia da posição da recorrente, comungo da visão da decisão recorrida, que verificou não haver os atributos de liquidez e certeza no crédito pleiteado pela recorrente. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator Designado. A maioria do Colegiado discordou do voto do relator por entender necessária a conversão do julgamento em diligência para análise dos documentos acostados no momento da interposição da manifestação de inconformidade. Coube a esse conselheiro a redação do voto vencedor. A questão está ligada ao direito de apresentação de documentos em momento posterior ao da interposição da manifestação de inconformidade, em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. No caso dos autos, o pedido de restituição da recorrente foi negado por despacho eletrônico. Em sede de manifestação de inconformidade, afirmou que o indébito tributário ocorreu por um de recolhimento indevido de IOF referente ao primeiro decêndio de fevereiro de 2010. Informou que declarou e recolheu indevidamente um valor superior ao efetivamente devido. Buscou instruir o processo com cópias do livro razão da conta "IOF A RECOLHER OPER CRÉDITO CARTÃO" e com o DARF de recolhimento. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16327.904452/201261 Resolução nº 3302001.111 S3C3T2 Fl. 277 6 A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a documentação apresentada estava incompleta e não demonstrou os lançamentos desde o começo do decêndio, mas só a partir do final do dia 09/02/2010, não sendo possível aferir os lançamentos com histórico de IOF a recolher de forma a provar o alegado pela recorrente. A recorrente repisou no recurso voluntário os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, e apresentou cópia do livro razão referente a conta "IOF A RECOLHER OPER CREDITO CARTÃO", só que agora de todo o mês de fevereiro, buscando suprir a lacuna probatória alertada pela decisão recorrida e utilizada como fundamento para a improcedência de seu recurso em primeira instância. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilitou o julgamento naquela assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902383/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 83 /2 01 4- 36 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.491. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10580.902383/201436 Acórdão n.º 3401005.817 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916224/2016-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.764
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra Acórdão da DRJ que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a não homologação da compensação pretendida, face a inexistência do direito creditório nela informado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 22 4/ 20 16 -0 4 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.916224/201604 Resolução nº 3401001.764 S3C4T1 Fl. 3 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, argumenta que equivocadamente ofereceu à tributação do PIS e da Cofins, pela sistemática não cumulativa, receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, que estavam sujeitas ao regime cumulativo, o que resultou em recolhimento a maior que o devido. Diz que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, talvez por falta de processamento da DCTF retificadora, já que o pagamento foi localizado, mas estava integralmente utilizado para quitação de seus débitos. Contudo, a desconsideração dessa DCTF, transmitida anteriormente ao Per/Dcomp, implica violação às disposições do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 28/08/2015, inclusive com a emissão do Despacho Decisório sem que houvesse lhe oportunizado a prestação de esclarecimentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Tributação de receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem sujeitas ao regime cumulativo; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.758, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.916217/201602, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.758): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.916224/201604 Resolução nº 3401001.764 S3C4T1 Fl. 4 3 de R$ 820.394,55, correspondente ao Darf de COFINS NÃO CUMULATIVA (código 5856), recolhido em 18/04/2008, no valor de R$ 1.790.611,36, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente ao revisar seus procedimentos fiscais entendeu que deveria retificar as informações prestadas à RFB (DCTF), pois verificou que estava oferecendo equivocadamente à tributação pela sistemática nãocumulativa receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, sujeitas ao regime cumulativo. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que seja elucidado qual o procedimento foi adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 03/2008 foi retida para análise? Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.916224/201604 Resolução nº 3401001.764 S3C4T1 Fl. 5 4 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período discutido foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722205/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO.
Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
Numero da decisão: 1302-003.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 633 1 632 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.722205/201467 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.540 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente WEIDMANN TECNOLOGIA ELÉTRICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 22 05 /2 01 4- 67 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 13888.722205/201467 Acórdão n.º 1302003.540 S1C3T2 Fl. 634 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da 4ª Turma da DRJRecife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ pago por estimativa em 31/05/2007, conforme sintetizado na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em síntese: a) que o Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o crédito pleiteado, respaldado em pagamento indevido, não foi comprovado pela contribuinte; b) que aprsentou manifestação de inconformidade esclarecendo que é optante do regime de recolhimento de IRPJ/CSLL por estimativa mensal, e que no período de apuração de abril de 2007, por um equívoco em sua apuração, recolheu valor acima do efetivamente devido, gerando um pagamento a maior de R$ 20.709,78; e, que os lançamentos estão em consonância com os seus documentos fiscais e que o artigo 165 do Código Tributário Nacional concede ao sujeito passivo o direito à restituição total ou parcial do tributo no caso de pagamento espontâneo indevido. d) que em atendimento à diligência determinada pela DRJ, a Autoridade Fiscal apresentou “Informação Fiscal”, aduzindo que, segundo seu entendimento, não seria possível reconhecer o direito creditório, pois haveria divergência entre o Lucro Líquido informado no LALUR e no Livro Diário, bem como que a contribuinte teria informado o crédito em duplicidade, vez que todo o recolhimento do valor pleiteado foi informado na estimativa que compôs o Saldo Negativo de IRPJ, compensado em outro PERD/DCOMP n°, discutido em outro processo administrativo. e) que manifestouse, esclarecendo que a divergência apontada pela Autoridade Fiscal não pode impedir o reconhecimento do direito creditório, visto que a apuração se deu com base no valor do Lucro Líquido e, também, demonstrou que os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade no processo de Saldo Negativo. f) que, contudo, a DRJ não acatou os argumentos apresentados e a manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ, com base na informação fiscal de diligência; g) que não pode ter seu direito creditório obstado por meros equívocos no preenchimento do PER/DCOMP ou em outros documentos, devendo a Autoridade Fiscal Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13888.722205/201467 Acórdão n.º 1302003.540 S1C3T2 Fl. 635 3 possibilitar a retificação das informações, com o escopo de convalidar eventuais erros no preenchimento do documento informativo do crédito, conforme a jurisprudência do CARF; h) os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade; i) que em diversos meses a Recorrente recolheu o IRPJ em valor superior ao das estimativas apuradas, como no mês em referência; j) que os valores lançados a título de IRPJ para o período sempre foram aqueles constantes da DIPJ, uma vez que esta nunca foi retificada, concluindose, assim, que o imposto devido nunca restou incontroverso; k) que todos os lançamentos efetuados estão em consonância entre Livro Diário, Balancetes e LALUR, juntados ao autos e evidenciam que as estimativas apuradas em DIPJ pela Recorrente estão corretas e decorrem de cálculo baseado no lucro de cada período; l) que apesar disso, o crédito pleiteado não foi homologado, sob a premissa equivocada de que o valor integrou o Saldo Negativo do ano calendário de 2007, o qual foi reconhecido e utilizado para compensação dos débitos informados em outro PER/DCOMP; m) que não houve compensação em duplicidade, pois consta do Despacho Decisório que o montante total do crédito pleiteado no outro PER/DCOMP em que se compensou o Saldo Negativo, não inclui o valor dos recolhimentos feitos à maior no período de apuração ora em discussão; n) que, do total recolhido no ano calendário de 2007, apenas uma parte se refere ao pagamento efetivamente alocado de acordo com as estimativas mensais devidas e, portanto, passíveis de compensação de Saldo Negativo. Logo, todo o excedente de efetivamente não compôs a formação do Saldo Negativo de IRPJ de 2007, sendo relativa tão somente aos pagamentos indevidos ou a maior feito durante o ano e, portanto, os pagamentos a maior, não integrantes do Saldo Negativo, foram compensados mensalmente pela contribuinte, como no caso em questão; o) que a Recorrente faz jus ao crédito pleiteado neste processo administrativo, visto que restou comprovado que houve recolhimento indevido ou a maior do IRPJ, não havendo que se falar que o crédito foi compensado em duplicidade, devendo ser integralmente reformado o acórdão recorrido, em respeito ao princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, mesmo havendo erros formais no preenchimento do PER/DCOMP; e p) que o acórdão recorrido não deve prevalecer, vez resta demonstrado que o direito de compensação não se encontra extinto, uma vez que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF. É o relatório. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13888.722205/201467 Acórdão n.º 1302003.540 S1C3T2 Fl. 636 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. O acórdão recorrido indeferiu a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o crédito pleiteado como pagamento indevido ou a maior no recolhimento da estimativa mensal foi integralmente utilizado na apuração do Saldo Negativo do tributo, pleiteado por meio da PER/DCOMP nº 30498.58765.111209.1.3.029897, cujo crédito restou integralmente reconhecido, homologandose as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. Ou seja, nas parcelas indicadas na referida PER/DCOMP, a interessada incluiu na composição do crédito apurado como saldo negativo, o valor integral da estimativa mensal recolhida no mês de apuração, ora em discussão, de sorte que, o valor indicado como recolhido à maior já foi integralmente utilizado naquela DCOMP. A recorrente alega que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF e que o pagamento indevido ou a maior restou efetivamente demonstrado. De fato, ao se analisar individualmente os valores informados mensalmente na DIPJ e na DCTF (retificadora), resta evidenciado que no período de apuração em discussão a interessada recolheu à maior exatamente o valor pleiteado na PER/DCOMP. O valor informado no LALUR como resultado acumulado do período também está em consonância com os dados da DIPJ. A única divergência que se observa na apuração do período é o montante do lucro líquido informado no balancete mensal apresentado que registra um valor menor que o informado no Lalur (o que, aparentemente, é desfavorável ao contribuinte que, inexplicavelmente, partiu de um valor maior para apurar o lucro real). Ocorre que, conforme observou a decisão de primeiro grau, ao indicar as parcelas que compunham o saldo negativo anual apurado, a recorrente informou o pagamento integral do período de apuração objeto da DCOMP ora discutida e este restou integralmente homologado. Desta feita, não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual, a despeito da possibilidade de, eventualmente, ter deixado de aproveitar parcelas quitadas em outro períodos de apuração mensais e não utilizadas em outras compensações Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13888.722205/201467 Acórdão n.º 1302003.540 S1C3T2 Fl. 637 5 Fl. 637DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37005.000295/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2402-007.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), que deram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), que deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 00 5. 00 02 95 /2 00 7- 69 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 Câmara/2ª Turma Ordinária, de 8 de maio de 2019, proferido no âmbito do processo n° 37005.000291/2007-81 - K. M. ENGENHARIA LTDA, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O Contribuinte protocolizou Requerimento de Restituição de Retenção – RRR com o objetivo de reaver valores supostamente retidos na forma do art. 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/98, equivalente ao percentual de 11% (onze por cento) incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviço mediante cessão de mão-de-obra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo Contribuinte, Cientificado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira - Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 8 de maio de 2019, proferido no âmbito do processo n° 37005.000291/2007-81 - K. M. ENGENHARIA LTDA, paradigma ao qual o presente processo encontra-se vinculado. Transcreve-se, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Gregório Rechmann Junior e Maurício Nogueira Righetti, dignos Relator e Redator Designado da decisão paradigma suso citada, reprise-se, Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 8 de maio de 2019. Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido "Conselheiro Gregório Rechmann Junior - Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Trata-se, o presente caso, conforme exposto no relatório supra, de Requerimento de Restituição de Retenção – RRR com o objetivo de reaver valores retidos na forma do art. 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/98, equivalente ao percentual de 11% (onze por cento) incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviço executados mediante cessão de mão de obra. Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 À época dos fatos (recolhimento das retenções previdenciárias e requerimento de restituição), o art. 31 da Lei nº 8.212/91 encontrava-se vigente com a redação dada pela Lei nº 9.711/98: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de- obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). De início, é necessário enfatizar que, no caso em análise, a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária pela empresa tomadora de serviço são fatos tidos como incontroversos no processo. De fato, a negativa para o requerimento de restituição apresentado pelo contribuinte, registre-se, está embasada nas supostas infrações apuradas pela fiscalização em decorrência de ação fiscal, como se infere, pois, da Informação Fiscal, in verbis: INFORMAÇÃO FISCAL "1 - Em cumprimento ao contido no Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização - MPF-F n° 06.1.04.00-2008-01338-3, emitido em 28/11/2008, o procedimento fiscal teve início em 11/12/2008 com a entrega do Termo de Início de Procedimento Fiscal - TIPF, na empresa. Este MPF-F foi prorrogado em 28/03/2009, posteriormente em 27/05/2009, e finalmente em 14/07/2009. 2 - Processo referente à obra matricula CEI 50.017.38066/72 - Reforma de 725,19 m2 de área em edificação no SENAI para transferência do Centro de Treinamento da MRS LOGÍSTICA conforme Anotação de Responsabilidade Técnica — ART n° 1- 3100496 datado de 07/03/2005, entre 11. outros documentos. 3 - A empresa deixou de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, de forma discriminada, durante todo o período de 01/01/2004 a 31/03/2007, bem como as contribuições devidas pela empresa e as descontadas dos segurados empregados. 4 - Pela análise dos contratos de prestação de serviços, das notas fiscais emitidas pela empresa, das planilhas de materiais aplicados As obras, e das notas fiscais de materiais adquiridos apresentadas durante a ação fiscal, constata-se que a empresa deixou de lançar Fl. 113DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, em épocas próprias, na forma da Lei, várias notas fiscais emitidas e de materiais adquiridos. 5 - Pelos motivos descritos acima, e melhor detalhados no Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigações Principais, todas as obras fiscalizadas no período, tiveram o valor da remuneração da mão-de-obra aferida com base na Nota Fiscal ou na área construída. 6 - Especificamente na obra acima referenciada, não foi levantado crédito fiscal. A obra foi considerada regular. Porém não restou saldo a ser restituído. 7 - Na ação fiscal foram lavrados 3 (três) AIOP e 4 (quatro) AIOA: 7.1 - AI — DEBCAD N° 37.173.559-9 - CFL 34 7.2 - AI — DEBCAD N° 37.173.560-2 - CFL 37 7.3 - AI — DEBCAD N° 37.173.561-0 - CFL 38 7.4 - AI — DEBCAD N° 37.173.562-9 - CFL 22 7.5 - AI — DEBCAD N°37.173.563-7 - AIOP EMPRESA 7.5 - AI — DEBCAD N° 37.173.564-5 - AIOP TERCEIROS 7.6 - AI — DEBCAD N° 37.173.565-3 - AIOP SEGURADOS 8 - Pelo exposto, sou de parecer que o pedido de restituição a que se refere este processo, seja indeferido." Neste sentido, assim se manifestou a DRJ: "A decisão que indeferiu o pedido de restituição teve por fundamento, os relatos constantes dos itens 3 e 4 da Informação Fiscal de fls. 37, essencialmente quanto a não apresentação e a apresentação deficiente da contabilidade de 2004 a 2006 (AIOA CFL 38), e a ausência de escrituração ou a escrituração sem respeito à previsão legal de contabilizar em título próprios todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, bem como as contribuições devidas pela empresa e as descontadas dos segurados empregados. (AIOA CFL 34), motivos que levaram o Auditor Fiscal a desconsiderar a contabilidade da empresa e arbitrar através de aferição indireta os valores das remunerações empregadas, entre outras, na obra de construção civil CEI 50.017.38066/72 — Obra da MRS Logística S/A, de sua responsabilidade. O Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal, itens 5 e 6, do Titulo III, juntado as fls.57/65 comprova que a empresa não possuía escrituração contábil regular nos anos de 2004/2004 e 2006, e ainda, a observação do auditor em planilhas por ele elaboradas, afirma que vários processos de restituição foram deferidos, entre outros, pelo motivo de ter a empresa, juntado ao requerimento, declaração de que possui escrituração contábil regular. Assim, pelo fato de o interessado ter a obrigação de escriturar os Livros Diário e Razão, é através deles que deverá demonstrar, na forma prevista na legislação, a existência dos créditos que alega Fl. 114DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 possuir. Enfim, cabe ao requerente, o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito, consoante o que prevê o artigo 333 do Código de Processo Civil — CPC. As alegações apresentadas pela requerente na Manifestação de Inconformidade, não prosperam e não surtem os efeitos necessários a desconsiderar as constatações realizadas pelo auditor fiscal relatadas na Informação e no Relatório Fiscal, que para análise deste processo, independem do resultado final do julgamento dos processos de créditos tributários impugnados. Desta forma, por tudo já exposto na Informação fiscal do auditor, conclui-se que não foram cumpridas todas as exigências contidas nas orientações internas vigentes, para que o requerente viesse a fazer jus à restituição pleiteada, com alteração da decisão de indeferimento do pedido." O Recorrente, reiterando os termos da manifestação de inconformidade, sustenta que o pedido de restituição administrativa jamais poderia ter sido indeferido. Isto porque, como os recursos protocolados pela Recorrente contra os referidos Autos de Infração ainda não foram definitivamente julgados, o Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária - SAORT nunca poderia decidir pela improcedência do requerimento formulado, vez que ainda não se sabe o resultado definitivo dos recursos administrativos interpostos. Razão assiste à Recorrente, tendo em vista que: (i) não existe controvérsia sobre a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias pelos tomadores de serviços; (ii) não foi apontada, pela fiscalização, nenhuma infração ao art. 206 e seguintes da Instrução Normativa DC/INSS nº 100, de 18.12.2003, dispositivos normativos que regulam o pedido de restituição; (iii) a própria fiscalização reconhece que, em relação à obra objeto do Requerimento de Restituição de Retenção em análise, não foi constatada nenhuma irregularidade; (iv) os autos de infração que foram lavrados em 2009, foram lavrados em decorrência de irregularidades apuradas em outras obras e não naquela referente à matrícula CEI 50.017.38066/72; (v) ainda que as autuações emitidas em 2009 se referissem à obra referente ao RRR em análise, as mesmas não teriam o condão de elidir o pleito do contribuinte: - por se tratarem de exigências precárias, impugnadas administrativamente pelo contribuinte, pendentes de decisão final no âmbito deste Conselho; - nos pedidos de restituição ou nas compensações, não se considera como débito para fins de cumprimento dos requisitos um suposto inadimplemento de contribuições previdenciárias sobre parcelas não reconhecidas como integrantes da base de cálculo e identificada pela fiscalização no mesmo procedimento de exame do direito pleiteado pelo contribuinte. Somente créditos tributários previamente constituídos e devidamente conhecidos do contribuinte podem ser considerados débitos a obstar a restituição ou compensação (acórdão nº 2301004.838, de 21/09/2016, Rel. Julio Cesar Vieira Gomes) Fl. 115DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 (vi) o pedido de restituição regularmente instruído não pode ter seu seguimento obstado por meros indícios de irregularidade na apuração das contribuições previdenciárias, tal como já decidido por este CARF: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. (acórdão nº 2301004.880, de 19/01/2017, Rel. Andrea Brose Adolfo) xxx PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição. (acórdão nº 2301004.206, de 04/11/2014, Rel. Manoel Coelho Arruda Junior) Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, de modo a deferir o Requerimento de Restituição de Retenção – RRR. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior" Voto Vencedor "Conselheiro Maurício Nogueira Righetti - Redator Designado Não obstante as vigorosas razões de decidir do Relator, peço licença para dele discordar. O fisco procedeu à fiscalização do contribuinte em tela, no que toca às obras sob sua responsabilidade, durante o período de 01/2004 a 03/2007. Fl. 116DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 Durante o procedimento, identificou-se diversas inconsistências que se estendiam e/ou afetavam todas as obras, na medida em que parte das inconsistências acabou repercutindo na empresa como um todo, a exemplo da contabilização de seu livro caixa e da elaboração de suas folhas de pagamento em arquivo digital. Vejamos: "A empresa registrou em Livro Caixa vários lançamentos a débito da conta CAIXA e a crédito de SERVIÇOS DIVERSOS, valores recebidos onde o histórico é o seguinte: "VALOR RESGATADO CONFORME EXTRATO N°XXXX" Após análise constata-se que tratam-se de recebimentos relativos às notas fiscais emitidas. A empresa exibiu os Livros Caixa relativos aos anos de 2004 e 2005, e o Livro Diário de 2006, onde constata-se a omissão de lançamentos de diversos fatos contábeis, como notas fiscais emitidas e notas fiscais de materiais adquiridos para aplicação nas obras de sua responsabilidade. A escrituração contábil além de não discriminar com clareza e precisão todos os fatos contábeis, não os registra em centros de custos específicos para cada obra. As notas fiscais de materiais adquiridos e aplicados nas obras conforme planilhas apresentadas, muitas não estão escrituradas e outras são lançadas em datas divergentes da sua emissão. O arquivo digital no padrão do MANAD (Manual dos Arquivos Digitais), no que se refere a folhas de pagamentos, existem várias inconsistências entre as Bases Mestre e Itens (Base Mestre nula em contrapartida a uma Base Itens com rubricas integrantes de Salário-de-Contribuição). Devido aos vários equívocos ocorridos na escrituração contábil, conforme descrito nos itens 4 e 5 deste relatório, o arquivo digital relativo ao período de 06/2005 a 06/2006 foi exibido com incorreções e omissões. A empresa deixou de exibir os arquivos digitais no padrão MANAD relativos aos períodos de 01/2004 a 05/2005 e de 06/2006 a 03/2007." Ao final, concluiu o Fiscal, a partir análise dos contratos de prestação de serviços, das notas fiscais emitidas pela empresa, das planilhas de materiais aplicados às obras, e das notas fiscais de materiais adquiridos apresentadas durante a ação fiscal, que o recorrente deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, em épocas próprias, na forma da Lei, várias notas fiscais emitidas e de materiais adquiridos. E ainda, que os lançamentos relativos a pagamentos de salários, rescisões de contrato-de-trabalho e salários a pagar, não discriminariam todas as rubricas integrantes desses títulos. Os lançamentos contábeis também não discriminariam as contribuições devidas pela empresa. (Art. 225, inciso II, § 13, incisos I e II do Decreto n° 3.048, de 06/05/1999). Ante os fatos acima constatados, e quanto a eles parece-me não haver controvérsia, a Fiscalização procedeu, corretamente, à aferição indireta da remuneração da mão-de-obra com base da área construída ou nas notas fiscais emitidas. Finda a apuração, chegou-se a dois grandes grupos de obras: i) aquelas tidas por irregulares, eis que a contribuição devida suplantou o total dos recolhimentos, aqui incluídas as retenções. Para esse grupo foram efetuados os competentes lançamentos que se encontram submetidos ao contencioso administrativo; e ii) aquelas tidas por regulares, na medida Fl. 117DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 em que após o aproveitamento dos valores recolhidos, aqui novamente incluídas as retenções, não se teria apurado valor a pagar ou a restituir. Para esse segundo grupo, a discussão acerca do acerto do procedimento fiscal está se dando, a rigor, exclusivamente no próprio processo de restituição, a exemplo do caso em análise. Nesse rumo, é de se destacar que, quando a fiscalização atestou a "regularidade" da obra, o fez no sentido de que não teria sido apurado crédito tributário após o cotejo entre a contribuição apurada a partir do arbitramento da remuneração da mão-de-obra e o valor retido pelo tomador, e não necessariamente que o recorrente faria jus à restituição do valor retido. Confira-se: "Especificamente na obra acima referenciada, não foi levantado crédito fiscal. A obra foi, considerada regular. Porém não restou saldo a ser restituído." Isto porque, com já dito, após a aferição indireta da remuneração, quando se efetuou a apuração da contribuição devida com os valores recolhidos e/ou retido, a autoridade fiscal acabou por valer-se do recolhimento então pleiteado nesses autos. Confira-se novamente: "1.4.3 — Todos os recolhimentos existentes no conta-corrente da empresa, na matriz e nas obras conforme matriculas discriminadas no item 1 do Titulo li deste Relatório, foram deduzidos do débito apurado, no estabelecimento respectivo. " Por fim, peço licença para discordar do entendimento do relator no sentido de que "o pedido de restituição regularmente instruído não poderia ter seu seguimento obstado por meros indícios de irregularidade na apuração das contribuições previdenciárias". A aferição da liquidez e certeza do crédito ressarcível ou restituível deve ser promovida pelo agente público, por óbvio, após a apresentação do correspondente Pedido de Restituição/Ressarcimento e antes da emissão do competente Despacho Decisório. Não há na legislação tributária prazo específico imposto ao fisco para que promova tal análise. Quer dizer com isso que, ainda que não houvesse mais a possibilidade de se efetuar eventual lançamento por força da decadência, tal circunstância não asseguraria ao requerente, automaticamente, o direito a ver restituído/ressarcido eventual valor envolvido naquela competência. Nesse sentido, o julgamento a seguir ementado: "COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata- se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação Fl. 118DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000295/2007-69 complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Acórdão 9101.003-994, de 18/1/19." Forte no exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti. " Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator. Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000614/2003-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUBRIFICANTES. PEÇAS E PARTES. MAQUINÁRIO REGISTRADO NO ATIVO PERMANENTE.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória, restando excluídos os lubrificantes. Parecer Normativo CST nº 65/79.
Quanto às peças e partes de reposição, por serem componentes do maquinário - ativo permanente, não sofrendo desgaste direto no processo produtivo, não há como incluir tal item como ensejador do referido crédito.
Numero da decisão: 9303-008.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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LUBRIFICANTES. PEÇAS E PARTES. MAQUINÁRIO REGISTRADO NO ATIVO PERMANENTE. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória, restando excluídos os lubrificantes. Parecer Normativo CST nº 65/79. Quanto às peças e partes de reposição, por serem componentes do maquinário ativo permanente, não sofrendo desgaste direto no processo produtivo, não há como incluir tal item como ensejador do referido crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 06 14 /2 00 3- 40 Fl. 501DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 330201.250, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 01/10/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS CONSUMIDOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO Não é necessário o contato direto do insumo com o produto final, bastando que este seja integralmente consumido no processo de industrialização, conforme os artigos 82 do RIPI/82 e 164 do RIPI/02. Inteligência do Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo Resp nº 1.075.508. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando contradições e omissões, requerendo o provimento dos embargos. Em Despacho à fl. 430, os embargos de declaração foram rejeitados, por serem improcedentes as alegações suscitadas. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo prego já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13811.000614/200340 Acórdão n.º 9303008.504 CSRFT3 Fl. 3 3 Em Despacho às fls. 463 a 466, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A recorrente interpôs recurso especial que não deve ser admitido, eis que foi embasado em precedentes administrativos que tratam de situação fática absolutamente diferente da situação que deu origem a este processo administrativo; · Sendo fato incontroverso que os produtos intermediários, objeto da glosa, foram utilizados no processo produtivo, os pedidos de ressarcimento e de compensação estão respaldados pelo entendimento do STJ – de que não há a necessidade de estes produtos integrarem o produto final, para fins de creditamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho. Ora, diferentemente do exposto pelo sujeito passivo, entendo que as situações fáticas são similares, enquanto a decisão recorrida determinou a reversão da glosa dos créditos tomados sobre bens de uso e consumo, ao passo que as decisões paradigma rechaçaram a possibilidade de creditamento. Ou seja, para o cerne da lide restou bem caracterizada a divergência. Fl. 503DF CARF MF 4 Sendo assim, conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, qual seja, se os lubrificantes, peças e partes de reposição geram crédito de IPI como produtos intermediários, importante recordar o art. 226, inciso I do Decreto 7.212/10, vigente à época, verbis (Destaques meus): “Art. 226. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;[...]” Ademais, é de se trazer que o Parecer Normativo CST 65/79, reconheceu que a expressão “consumidos”, deve ser interpretado em sentido amplo abrangendo o desgaste, o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. Com breves elucidações, quanto aos lubrificantes, entendo que tal item não está incluído na Súmula CARF nº 19: “Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Não obstante, tenho que o lubrificante, pelas suas características, não integra o produto final e nem é consumido diretamente com o produto no processo de industrialização. O que impossibilita considerálo para a base do crédito presumido do IPI. Nessa linha, importante citar o acórdão 9303007.533 do ilustre conselheiro Demes Brito e o acórdão 9303007.674 da nobre conselheira Vanessa Marini Cecconello: · Acórdão 9303007.533: “[...] Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13811.000614/200340 Acórdão n.º 9303008.504 CSRFT3 Fl. 4 5 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. COMBUSTÍVEIS. ENERGIA ELÉTRICA. LUBRIFICANTES. IMPOSSIBILIDADE. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam Consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Parecer Normativo CST nº 65/79).[...]” · Acórdão 9303007.674: “[...] INSUMOS. AQUISIÇÃO DE ÓLEOS LUBRIFICANTES, PNEUS E CÂMARAS. NÃO ABRANGIDOS. Nos termos do art. 1º da Lei n.º 9.363/96, a empresa produtora e exportadora terá direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições do PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, no mercado interno, e que sejam empregados diretamente no processo produtivo. Assim, excluídos estão desse conceito os itens relativos às aquisições de óleos lubrificantes, pneus e câmaras de ar, por não se integrarem ao produto em fabricação[...]” O que, manifestando minha concordância, dou provimento em relação à essa matéria. Quanto às peças e partes de reposição, por serem componentes do maquinário – ativo permanente, não sofrendo desgaste direto no processo produtivo, entendo que não há como incluir tal item como ensejador do crédito ora aventado. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 505DF CARF MF 6 Fl. 506DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002393/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE PARA AFASTAR A GLOSA EFETUADA.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes.
O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a exigência fiscal.
DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO.
A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. Há que se indeferir, então, o pedido formulado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente).
Antonio Sávio Nastureles - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE PARA AFASTAR A GLOSA EFETUADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a exigência fiscal. DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. Há que se indeferir, então, o pedido formulado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente). Antonio Sávio Nastureles Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 23 93 /2 00 8- 31 Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 231 2 Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CLIMENIA ZACCARELLI DEL FRARO, contra o Acórdão de julgamento n.º 0934.396 (efls 972 e seguintes), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (4ª Turma da DRJ/JFA), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: "O auto de infração de fls. 4/25 exige do sujeito passivo,já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 67.075,94 (sessenta e sete mil e setenta e cinco reais e noventa e quatro centavos), assim discriminado: R$ 29.999,09 de imposto; R$ 12.700,00 de juros de mora (calculados até 30/06/2008); R$ 22.499,31 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 1.877,54 de multa exigida isoladamente (passível de redução). Nas descrições de fls. 6/12, constaram as seguintes infrações: 1 omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, nos valores mensais de R$ 405,00 (janeiro a junho/2003), R$ 990,00 (julho a dezembro/2003), R$ 211,38 (janeiro/2004), R$ 405,00 (fevereiro a outubro/2004), R$ 423,00 (novembro/2004 a outubro/2005) e R$ 432,00 (novembro e dezembro/2005); 2 dedução indevida de despesas médicas, nos valores tributáveis de R$ 20.080,00 (anocalendário 2003), R$ 23.600,00 (anocalendário 2004) e R$ 22.765,00 (anocalendário 2005); 3 dedução indevida de despesas de Livro Caixa, nos valores tributáveis de R$ 3.200,00 (anocalendário 2003), R$ 7.941,21 (anocalendário 2004) e R$ 8.335,00 (anocalendário 2005); 4 falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão, com a aplicação da multa correspondente a 50% do imposto apurado, consideradas as omissões de rendimentos indicadas no numeral 1. A ação desenvolvida encontrase minudenciada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 26/40, acompanhado de seus anexos (1 a Vlll) de fls. 41/84. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 232 3 Por intermédio de procurador habilitado (instrumento de tl. 691), a interessada apresentou a impugnação de fls. 658/690, na qual, em síntese, aduziu: Dos argumentos despendidos pela Fiscalização, alusivos a suposto recibo emitido pelo profissional Rogério Rezende Reis, não consideraram a ocorrência do pagamento do respectivo imposto, por parte da contribuinte, que reconheceu o equívoco cometido quando da elaboração de sua DIRPF/2003; não se podendo estender o vício apontado às demais despesas médicas de anos subseqüentes; ::› os aluguéis tidos por omitidos pela impugnada foram lançados no campo dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas e devidamente somados aos valores recebidos em face de prestação dc serviços no consultório médico da autuada, contido nos livros caixa dos anoscalendário de 2003 a 2005 (fls. 865/868), conforme sc demonstra nos quadros de fls. 662/663 e ainda no detalhamento dos valores a tl. 664; :> em consequência, a aplicação da multa isolada não pode prosperar, já que não houve omissão de rendimentos advindos de pessoas fisicas; ademais, resta ilegal a O recorrente, diante da decisão de impugnação proferida, interpôs recurso voluntário (fls. 192/195), requerendo o cancelamento do débito fiscal, aduzindo o seguinte: Em recurso voluntário a recorrente alega as mesmas razões de primeira instância. Juntou em sede de recurso os mesmos documentos da impugnação (fls. 197/225). É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo e é de competência desse colegiado. Assim, passo a analisar o mérito. DO PERÍODO DO LANÇAMENTO FISCAL Inicialmente, cita a recorrente que: "(...) 7. Superado este aspecto inicial, e antes de adentrarmos as razões da Recorrente, convém alertar a este Colendo Conselho que o período em discussão é referente aos anos a DIRPF de 2003 a 2005. 8. Assim, é mero erro material contido no v. acórdão o qual por engano cita a DIRPF/2004 a 2006, devendo este Egrégio Conselho apenas corrigir tal erro de digitação". Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 233 4 Entretanto, não há erro no citado Acórdão quanto ao período de apuração do imposto, uma vez que estão sendo exigidos os anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, que correspondem respectivamente aos exercícios 2004, 2005, 2006. Assim, correta está a decisão sobre os respectivos Lançamentos, não havendo erro material no Acórdão a quo. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS Referente a esse lançamento a decisão de primeira instância considerou válida as provas trazidas ao feito, e, portanto, foi acolhida pela DRJ de origem as argumentações, não remontando objeto de recurso. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DAS DESPESAS MÉDICAS: Exigiuse do contribuinte a apresentação de comprovação da efetividade dos pagamentos havidas com as despesas médicas indicadas e questionadas. Isso porque a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos, estabelece que: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ....... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 234 5 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário". (grifouse). Assim, frente às diversas despesas médicas glosadas a fiscalização fez levantamento e análise dos fatos ocorridos. Conforme o termo de verificação fiscal efl. 33 e seguintes, constatase o seguinte: "DA UTILIZAÇÃO DE RECIBOS DO PROFISSIONAL ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF N° 345.652.72687, NO ANO CALENDÁRIO DE 2002. Inicialmente, necessário destacar que a Delegacia da Receita Federal em Varginha MG, na OPERAÇÃO FISCAL DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE, constatou que dezenas de pessoas físicas pleitearam nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física exercícios 2003, 2004 e 2005, anoscalendário 2002, 2003 e 2004, valores significativos a título de Despesas Médicas por serviços supostamente executados pelo dentista ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF 345.652.72687. "Eu, ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF n° 345.652.72687, Dentista, declaro para os devidos fins que o(s) recIbo(s) em anexo, no(s) valor(es) de RS 1.000,00 datado de lanelro de 2002, R$ 1.000,00 datado de fevereiro de 2002, R$ 1.000,00 datado de março de 2002, R$ 1.000,00 datado dg abril de 2002 e RS 1.000,00 datado de maio de 2002, em nome do usuário, CLIMENIA ZACCARELLI DEL FRARO RABELO, foi por mim emitido sem que tenha havido a contraprestação do serviço prestado, tendo sido por mim cobrado do(s) reclbo(s) acima o percentual de 5%. (grifos nosso)" Após todas as l fases do procedimento fiscal realizado junto ao contribuinte/profissional ROGÉRIO REZENDE REIS, CPF N° 345.652.72687, Inicialmente cumpre destacar duas situações: a primeira é que esse julgador tem por praxe examinar as provas de maneira sistemática, onde o conjunto probatório possa formar convicção de que determinada situação possa ter ocorrido, ou nesse caso, que a prestação de serviços médicos tenham efetivamente prestada. A segunda é que, a informação de que o profissional Rogério Rezende Reis tenha se utilizado de suas prerrogativas médicas para emitir recibos duvidosos ou inidôneos para a recorrente não macula análise das demais provas aos autos. Assim, foram analisados todos os recibos Juntados nas efls. 887 e seguintes. Os recibos e a nota fiscal apresentados até preenchem as exigências legais, tais como: que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de quem recebeu os supostos valores pagos, inscrições nos Conselhos Profissionais indicados (e conferidos no endereço eletrônico dos respectivos Conselhos de Classe). Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 235 6 Esses elementos se ajustam com as exigências da legislação em vigor, bem como às imposições da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme a Instrução Normativa n.º 15 de 2001, da SRFB, em seu artigo 46, assim impõe: "IN SRF 15, de 2001 INSRF15, de 2001. Art.46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". No que diz respeito aos comprovantes de pagamento, cito ainda Instrução Normativa n.º 1.500, de 2014, da Receita Federal do Brasil, em que seu artigo 97, dispõe o seguinte: "Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: I nome, endereço, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou CNPJ do prestador do serviço; II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; III data de sua emissão; e IV assinatura do prestador do serviço. Nesse sentido o contribuinte deve comprovar de forma idônea as deduções pretendidas, consoante prescreve o artigo 73 e § I o do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 236 7 Entretanto, a prova isolada da emissão dos recibos por si só, pode não convencer o julgador, uma vez que os indícios levantados no termo de verificação fiscal não corresponde a uma ordem lógica dos serviços prestados, a exemplo do seguinte: "No que tange ao Anexo VII, devese destacar que a fiscalizada “fazia” tratamento com mais de uma psicóloga, “chegando a ir”, em algumas oportunidades, em duas psicólogas no mesmo dia, conforme discriminado abaixo: (...) Pois bem, somado a isso, inexiste nos autos declaração de atendimento, fichas ou demais documentos que possam dar lastros aos serviços prestados à recorrente ou seu dependente. Esses documentos poderiam retirar o lastro de dúvida dos recibos emitidos, onde não constam exatamente para quem foi o tratamento realizado. Na busca da verdade material, princípio este vinculado ao processo administrativo fiscal, forma o julgador seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, conclusiva por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Grifouse. Assim, tendo em vista que não houve a comprovação por parte do contribuinte, da efetiva prestação dos serviços, há que se manter a glosa da dedução pleiteada. DA DILIGENCIA REQUERIDA Pretende a recorrente o seguinte: "37. Por outro lado, estando devidamente documentado através dos recibos médicos, necessário se faz a ocorrência de diligencia sendo que houve por parte da Recorrente tal pedido, nos termos em que permitir o Decreto n° 70.235/72, no sentido de averiguar nas declarações de rendimentos dos profissionais médicos que prestaram serviços à mesma, se houve a devida declaração de recebimentos de tais valores, a fim de verificar a verdade e idoneidade dos documentos e das alegações da lmpunante, a fim Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 237 8 de se evitar a dupla tributação bis in idem do imposto de renda sobre o mesmo fato imponível". Já a DRJ de origem concluiu: "O mero exame das declarações de rendimentos dos “profissionais” que lhe prestaram serviços não tem o dom de conferir qualquer valia às despesas medicas registradas em suas DIRPF/2004 a 2006". Nesse item, também concordo com a decisão de primeira instância. O pedido no caso deveria ser mais específico, a exemplo da solicitação de análise do fluxo de caixa dos profissionais citados, onde esses deveriam, assim, descrever todas as receitas obtidas durante o ano calendário, informando à Receita Federal o Brasil seus rendimentos, bem como comprovar com a guia de recolhimento do imposto de renda referido. A diligência solicitada, portanto, pode resultar em nenhuma informação sobre os rendimentos dos profissionais indicados, que alias, não descreveu de maneira a apontar todos os profissionais requeridos em diligência, um dos requisitos para o pedido de perícia do Processo administrativo fiscal. Ademais, a diligência só seria necessária caso o julgador tivesse alguma dúvida quanto aos fatos narrados no processo. Como dito anteriormente, a recorrente poderia ter trazido aos autos alguma declaração, ficha de atendimento com descrição dos tratamentos, ou algum outro documento emitido pelos profissionais citados que pudesse dar lastro aos tratamentos indicados. Diante da convicção formada, indeferido o pedido de diligência. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e NEGAR PROVIMENTO recurso voluntário, mantendose a exigência do crédito fiscal no que diz respeito às deduções de despesas médicas, procedendo a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10660.002393/200831 Acórdão n.º 2301005.923 S2C3T1 Fl. 238 9 Fl. 1040DF CARF MF
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