Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10650.900198/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:
2002 – COMPENSAÇÃO.
PAF DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – VALORES REFERENTE ÀS RETENÇÕES DE FONTE – Os valores específicos referentes às retenções realizadas pelas instituições financeiras, quando tratados como antecipação do imposto devido na declaração, comporão o saldo do período.Após o encerramento do ano calendário haverá recolhimento do imposto devido apurado no período, ou pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA.
Haverá restituição de valores relativos ao imposto de renda, quando houver saldo negativo apurado na declaração de rendimentos.
Numero da decisão: 1102-000.676
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 – COMPENSAÇÃO. PAF DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – VALORES REFERENTE ÀS RETENÇÕES DE FONTE – Os valores específicos referentes às retenções realizadas pelas instituições financeiras, quando tratados como antecipação do imposto devido na declaração, comporão o saldo do período.Após o encerramento do ano calendário haverá recolhimento do imposto devido apurado no período, ou pagamento indevido. COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA. Haverá restituição de valores relativos ao imposto de renda, quando houver saldo negativo apurado na declaração de rendimentos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10650.900198/2006-26
conteudo_id_s : 5491245
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.676
nome_arquivo_s : Decisao_10650900198200626.pdf
nome_relator_s : Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
nome_arquivo_pdf_s : 10650900198200626_5491245.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento recurso, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 6064829
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888511107072
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-28T17:51:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2012-03-28T17:51:16Z; Last-Modified: 2012-03-28T17:51:16Z; dcterms:modified: 2012-03-28T17:51:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ad16d12e-fe95-40f3-b406-0d1027fa7cc6; Last-Save-Date: 2012-03-28T17:51:16Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-03-28T17:51:16Z; meta:save-date: 2012-03-28T17:51:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2012-03-28T17:51:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2012-03-28T17:51:16Z; created: 2012-03-28T17:51:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2012-03-28T17:51:16Z; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2012-03-28T17:51:16Z | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.900198/200626 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102.00.676 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria IRPJ Recorrente PECPLAN ABS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida 1A.TURMA DRJ JUIZ DE FORA/MG IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 – COMPENSAÇÃO. PAF DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – VALORES REFERENTE ÀS RETENÇÕES DE FONTE – Os valores específicos referentes às retenções realizadas pelas instituições financeiras, quando tratados como antecipação do imposto devido na declaração, comporão o saldo do período.Após o encerramento do ano calendário haverá recolhimento do imposto devido apurado no período, ou pagamento indevido. COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA. Haverá restituição de valores relativos ao imposto de renda, quando houver saldo negativo apurado na declaração de rendimentos. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO –Presidente e Relatora EDITADO EM:26/03/2012. Processo nº 10650.900198/200626 Acórdão n.º 1102.00.676 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Oppermann Thomé,Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) Relatório Processo nº 10650.900198/200626 Acórdão n.º 1102.00.676 S1C1T2 Fl. 3 3 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Tratase de Declaração Eletrônica de Compensação, transmitida em 17/09/2003, de débito de IRPJ, período de apuração 31/08/2003, no valor de R$41.718,88, com crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no mesmo valor do débito. Em 06/09/2006, conforme informação de fls. 33; a interessada foi intimada para sanar irregularidade em sua PER/DCOMP (fls. 32). A DRF/UBERABA/MG, em 20/05/2008 emitiu Despacho Decisório Eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, porque constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP (fls. 34). O contribuinte foi cientificado em 03/06/2008 (fls. 90). A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 01 e 02), na qual alega que a referida PERDCOMP possui como origem de crédito, o imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras, o que segundo a legislação vigente é essa retenção, antecipação do IR devido na apuração do lucro real das empresas. Informa ainda que procedeu a retificação da DIPJ/2003, em 20/06/2008, na qual encontrase evidenciado o crédito e sua utilização (fichas 12 A fls. 43). Ponderando os fundamentos expostos na manifestação de inconformidade, decidiu a 1a. Turma da DRJ/JFA por unanimidade de votos, não homologar a compensação, conforme acórdão 0924.637 de 25/06/2009, nos termos do voto do relator, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes na data da compensação, devendo tais créditos, a teor do artigo 170 do CTN, gozar de liquidez e certeza. Compensação não Homologada Ciente em 04/09/2009, conforme fls.98, interpôs a Contribuinte o recurso voluntário de fls.99/104, em 06/10/2009, onde aponta que, em17/09/2003, apresentou a Declaração Eletrônica de Compensação — PER/DCOMP n° 32402.11966.1709903t 1.3.02 4604 — compensando créditos de IRRF incidente sobre aplicações financeiras de renda fixa, no valor de R$ 41.718,88 (quarenta e um mil, setecentos e dezoito reais e oitenta e oito centavos), ano de 2003. Processo nº 10650.900198/200626 Acórdão n.º 1102.00.676 S1C1T2 Fl. 4 4 Informa que teve prejuízo fiscal ,durante aquele período. Portanto, as retenções sofridas – no caso, instituições financeiras — caracterizamse como antecipação do imposto devido na declaração. Reclama do despacho decisório e da decisão de 1o. grau que negaram seu direito , sob pretexto da falta de comprovação da existência do crédito. E, mais absurda ainda, fora a exigência do crédito que somou R$ 84.263,78, exigência impossível de prosperar. Aduz que as fontes retentoras, Banco do Brasil e Bradesco , forneceram a comprovação das retenções realizadas sobre as aplicações financeiras, conforme demonstrara às fls.101, cujo total no ano de 2003 somou R$ 41.718,88. Comenta que declarara os rendimentos e sofrera prejuízo fiscal. Portanto, o valor retido pela fonte pagadora a título de Imposto de Renda, é crédito passível de Compensação, nos termos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96. No ano de 2003 sofreu retenções de imposto sobre aplicações financeiras.Compensou o montante pago a este título com o saldo negativo do período. Os créditos apurados somavam a importância de R$ 67.443,28, conforme DIPJ 2004, Ficha 11 — Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa, período agosto/2003, campo 07 — lmp. de Renda Retido na Fonte, bem como da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, referente ao 3° Trimestre de 2003 e transmitida à Receita Federal ,do Brasil em 10/02/2005 (cópias anexas). Informa que preencheu a referido PER/DCOMP, indicou todos os dados das fontes pagadoras, bem como os respectivos valores do Imposto de Renda retido. Ou seja, ao confrontar os dados constantes dos documentos apresentados (incluindo DIPJ 2004, DCTF e PER/DCOMP) com as informações transmitidas em DIRF pelas instituições financeiras, imediatamente é possível detectar a consistência do seu procedimento. Assim, podia a Administração Tributária constatar a origem dos créditos compensados, já que além do PER/DCOMP n° 32402.11966.1709903.1.3.024604, a empresa declarou todos os valores na DIPJ 2004 e DCTF apresentadas, relativas ao exercício de 2003. Comenta que o dever de comprovação da origem dos créditos compensados somente deverá ser exercido caso ausentes as provas no sistema da Receita Federal do Brasil, fato que, no presente caso, não há como sustentar. Entendimento corroborado pela decisão proferida no acórdão 10517377, de 18/12/2008, cuja ementa transcreve. Segue para dizer que essas razões anulariam a decisão de primeiro grau, no que tange a falta de comprovação do seu direito creditório, porque apresentou todas as provas, antes mesmo de ser proferido o Despacho Decisório n° 763932064; de 20/05/2008, não havendo que se falar em "adequação da recorrente à realidade dos fatos" como assim pretende o ilustre julgador. Menciona o parágrafo 4o.do artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, que determina a juntada de provas no momento em que é apresentada a impugnação. Todavia, é imprescindível dar oportunidade ao contribuinte de colacionar as provas que detém até o julgamento do recurso voluntário, em nome do princípio da busca pela verdade material que norteia o processo administrativo. Como suporte a esta tese transcreve ementa do acórdão n° 19200066, de 06/10/2008). Processo nº 10650.900198/200626 Acórdão n.º 1102.00.676 S1C1T2 Fl. 5 5 Por todos esses fatos, não poderia prevalecer a glosa da compensação efetuada no valor de R$ 41.718,88, porque demonstrara a consistência e legitimidade dos créditos oriundos do IRRF. Pede que se ainda houver dúvidas que sejam os autos baixados em diligência, para a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos se necessário, a fim de verificar, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Reclama que não lhe foi dada oportunidade de se manifestar previamente à análise da sua declaração, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 320/2003, em vigor à época da entrega da Declaração de Compensação, caracterizando cerceamento de defesa, pois, anteriormente ao despacho decisório houve limitação na produção de provas, com claro ferimento ao princípio do devido processo legal. Transcreve da Constituição Federal o art. 50 LIV e LV. Resume seu pedido na ordem seguinte: a) a reforma do Acórdão n° 0924.637, proferido pela i a Turma da DRJ/JFA, para homologar a integralidade dos créditos objeto da Declaração de Compensação – PER/DCOMP n° 32402.11966.1709903.1.3.024604, no montante de R$ 41.718,88 (quarenta e um mil, setecentos e dezoito reais e oitenta e oito centavos; b) seja anulado o crédito tributário exigido, no valor total de R$ 84.263,78 (oitenta e quatro mil, duzentos e sessenta e três reais e setenta e oito centavos), originado da compensação nãohomologada pela Delegacia da, Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora; c) que o inteiro teor da decisão seja comunicado à recorrente. Despacho de fls. 194 encaminha os autos ao CARF. Por sorteio, os recebo. É o Relatório. Voto O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Processo nº 10650.900198/200626 Acórdão n.º 1102.00.676 S1C1T2 Fl. 6 6 Conforme anteriormente relatado, tratase pedido de homologação da Declaração Eletrônica de Compensação, PERDCOMP 32402.11966.170903.1.3.024604, que pretendia utilizar saldo negativo do IRPJ, referente a DIPJ/2003, ano calendário 2002. O termo de intimação de fls.32, emitido em 31/08/2006, assim versou: (...) 4.Descrição dos fatos e enquadramento legal “ Não foi apurado saldo negativo na DIPJ. Apuração: Exercício 2003 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 0,00 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 41.718,88 Crédito DIPJ: R$ 0,00(Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 12 A 17) Crédito PER/DCOMP: R$ 41.718,88(Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Estimativas compensadas com outros tributos) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as Informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Base legal: Art. 60, Parágrafo 1o. inciso II e art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 40 e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF no 600, de 2005. 5 Fica o sujeito passivo acima Identificado INTIMADO a sanar a(s) irregularidade(s) apontada(s) no quadro 4, no prazo de 20 dias contados da ciência desta Intimação. Não sanada(s) a(s) irregularidade(s) apontada(s) no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderá ser indeferido/não homologado. (...) Não há juntada da resposta. Às fls.34, em 20/05/2008, o despacho decisório n. rastreamento 763932064, não homologa a compensação e está assim vazado: 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Processo nº 10650.900198/200626 Acórdão n.º 1102.00.676 S1C1T2 Fl. 7 7 Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 41.718,88 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 1 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/05/2008. (...) PRINCIPAL 41.718,88 MULTA 8.343,77 JUROS 27.909,93. Para verificação dos valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br , na opção Serviços ou através de certificação digital na opção eCAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. Enquadramento Legal: Parágrafo 10 do art. 60 e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 50 da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. As fls. 35/36 Consta detalhamento da PER/DECOMP Despacho Decisório – Análise de Crédito. É cediço que a compensação se realiza a partir da existência do saldo negativo do imposto de renda da pessoa jurídica e o despacho decisório aponta que o valor informado na DIPJ do período foi zero. A Recorrente afirma que os valores pretendidos se referem ao imposto de renda retido na fonte, sobre aplicações financeiras e, inclusive oferece as declarações das fontes retentoras, como suporte à sua pretensão. Contudo, não demonstrou o tratamento tributário que deu em relação as receitas financeiras auferidas. Por isto, é lícito supor que esse rendimento pode ter sido tratado como rendimento de tributação exclusiva. Cabe lembrar que a simples existência de valores referentes ao imposto de renda retido na fonte não é certeza do crédito, pois este só existe se os valores antecipados superarem o imposto de renda devido, na apuração dos resultados, no fim do período. Aqui o início do saldo negativo.do imposto de renda passível de ser compensado e não mais imposto de renda retido na fonte, como pretende a Recorrente. Quanto ao pedido de diligência, determina o artigo 16, IV, do Decreto 70235/1972, que o mesmo será formulado na impugnação Por sua vez, o parágrafo 1o. do artigo 16 dispõe que será considerada não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do acima referido artigo. 16. Nos autos não verifico a exceção no parágrafo 4o. do mesmo artigo 16 que permite a juntada de provas após a impugnação, quando restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação , naquele momento, por motivo de força maior; se refira a fato ou direito superveniente ou ainda, que se contraponha a fatos ou razões posteriormente aduzidas. Processo nº 10650.900198/200626 Acórdão n.º 1102.00.676 S1C1T2 Fl. 8 8 O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que para se efetivar a compensação os créditos devem ser líquidos e certos .Portanto,para ter direito à restituição de valores relativos ao imposto de renda é necessário que haja saldo negativo do imposto apurado na declaração de rendimentos, devidamente comprovado. Nessa ordem de juízos, Nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000811/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/08/2000
RESTITUIÇÃO. GLOSA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. No caso dos autos, seja pela aplicação do art. 150, §4o do CTN ou mesmo do art. 173, I do mesmo diploma, a decadência alcança a totalidade do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/08/2000 RESTITUIÇÃO. GLOSA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. No caso dos autos, seja pela aplicação do art. 150, §4o do CTN ou mesmo do art. 173, I do mesmo diploma, a decadência alcança a totalidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 36624.000811/2007-03
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474502
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.872
nome_arquivo_s : Decisao_36624000811200703.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 36624000811200703_5474502.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5962419
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888514252800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 678 1 677 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.000811/200703 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.872 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO. GLOSA Recorrente ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/08/2000 RESTITUIÇÃO. GLOSA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECADÊNCIA. SÚMULA 08/STF. PRAZO DE 05 (CINCO) ANOS. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. No caso dos autos, seja pela aplicação do art. 150, §4o do CTN ou mesmo do art. 173, I do mesmo diploma, a decadência alcança a totalidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 11 /2 00 7- 03 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ISCP – SOCIEDADE EDUCACIONAL SA, em face do v. acórdão de fls., que manteve parcialmente a NFLD N°. 37.014.2390, referente a glosa de restituição da cota patronal efetuada de acordo com o PT no. 36624.005141/200192. Consta do relatório fiscal de fls. que o lançamento fora realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n°. 01/2005, emitido em desfavor da recorrente em 23/03/2005, nos autos do processo n. 35462.002444/200469. Referido Ato Cancelatório cassou a isenção que usufruía a contribuinte desde 01/1998, por descumprimento do requisito constante no inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. O lançamento compreende as competências de 04/99 a 05/2000 e 08/2000, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006 (fls. 01). Às fls. 235 fora determinada a realização de diligência para que a fiscalização pormenorizasse, em ordem cronológica de acontecimentos, os fatos que deram ensejo ao lançamento. Em cumprimento assim apontou a fiscalização a ordem cronológica dos fatos que ensejaram o presente lançamento: 3.1 0 primeiro Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (antiga denominação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS), obtido pelo Instituto Superior de Comunicação Publicitária ISCP, atual ISCPSociedade Educacional S.A., manteve sua validade de 07/07/81 a 31/12/94. 3.2 A Resolução CNAS no. 086/97 deferiu a renovação do primeiro certificado assegurandolhe a validade para o período de 01/01/95 a 31/12/97. 3.3 Em 05/01/1998, nos autos do Processo n°. 35462.000002/98 51, a entidade requereu o direito de isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, assim como das exigidas pele Lei Complementar n°. 84, de 18/01/1996. 3.4 Em 08/10/1998 a entidade teve seu pedido deferido, estando dispensada das referidas contribuições a partir de 01/01/1998, resguardado o direito do INSS de periodicamente verificar se a entidade continuava atendendo aos requisitos legais da Lei n°. 8.212/91. Cabe salientar, entretanto, que na concessão da isenção fica implícita uma condição imposta por lei à entidade beneficiada, qual seja: que a mesma cumpra, no período seguinte, os requisitos previstos no art. 55 da Lei n°. 8.212 de 24 de julho de 1991. 3.5 A instituição não era portadora do CEAS no período de 01/01/98 a 16/09/2000 uma vez que o novo certificado só lhe foi concedido pela Resolução CNAS no. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000811/200703 Acórdão n.º 2401003.872 S2C4T1 Fl. 679 3 181/2002, publicado no DOU de 16/12/2002, com validade de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.6 0 Parecer MPS/CJ no. 3.347/2004, publicado no DOU de 24/11/2004, deu provimento ao recurso interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no sentido de cancelar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pela Resolução CNAS no. 181/2002, de 10/12/2002, DOU de 16/12/2002, o que significa que a instituição deixou de ser portadora do CEAS também no período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.7 Com base no § 20 do art. 11 da Medida Provisória no. 213 de 10/09/2004, em novembro/2004 a instituição protocolou pedido de adesão ao PROUNI. 3.8 A Resolução CNAS no. 49/2005 de 17/03/2005, DOU de 30/03/2005, restabeleceu o CEAS da entidade para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003, com base no artigo 11, § 20 da Lei no. 11.096 de 13/01/2005. 3.9 A partir de 18/09/2003 não foi expedido nenhum CEAS para a entidade. 3.10 Em 23/03/2005 foi emitido o Ato Cancelatório no. 01/2005 declarando cancelada a isenção das contribuições sociais, a partir de 01/01/98, por infração ao inciso II do art. 55 da Lei no. 8.212/91, combinado com o art. 206, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). 3.11 Posteriormente à emissão do Ato Cancelatório a entidade impetrou Mandado de Segurança no Superior Tribunal de Justiça, contra o ato do Senhor Ministro de Estado da Previdência Social que havia cancelado o seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (MS no. 10.510/DF 2005/00429090). Na referida ação judicial, em 28/03/2005, foi concedida liminar à Impetrante, suspendendo os efeitos do ato ministerial, razão pela qual a instituição teve a validade de seu certificado restabelecida, compreendendo o período de 17/09/2000 a 16/09/2003. 3.12 Em 2001 a empresa solicitou restituição das contribuições previdenciárias e de outras entidades, competências 04/99 a 05/2000, 08/2000 e 01/2001, nos autos do PT n°. 36624005141/200192, "recolhidas indevidamente", com base no Ato Dedaratório emitido pelo INSS em 08/10/98. 3.13 Em 2002, como ainda não havia sido emitido o Ato Cancelatório, o pedido de restituição foi deferido. 3.14 Em 06/10/2005 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n°.0926776700, para a verificação do cumprimento das obrigações relativas As Contribuições Sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, das contribuições por lei devidas a terceiros e dos requisitos de Fl. 723DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 4 regularidade quanto à manutenção da isenção, período de janeiro/2000 a Agosto/2005. 3.15 Durante a Ka() fiscal, foi detectado pelo contencioso que o período de 01/1998 a 16/09/2000 não está contido na liminar (MS no. 10.510/DF 2005/00429090). Assim, foi determinado o levantamento da cota patronal e a glosa da restituição efetuada no PT n°. 36624005141/200192, com base no Ato Cancelatório n°. 01/2005, de 23/03/2005, respeitando a suspensão de exigibilidade por força da medida judicial acima citada. 3.16 Em 26/10/2006 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n°. 09267767C07, estendendo o período de apuração, de 01/2000 a 08/2005, para janeiro/1998 a dezembro/2005. 3.17 Durante o procedimento fiscal foi constatado que a instituição também não cumpria os requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei no 8.212/91. Foi emitida uma Informação Fiscal sugerindo o cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias, o que deu origem ao Processo 44023.000141/200714 (cópia anexa). 3.18 Em 27/10/2007, por unanimidade, a Egrégia Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Mandado de Segurança no. 10.510/DF, denegou a segurança, no sentido de que não it& direito adquirido A manutenção de regime fiscal. Intimada, a recorrente não se manifestou quanto resultado da diligência, mas apenas reiterou os argumentos de impugnação e requereu a aplicação da Súmula 08 e o art. 150, 4o do CTN ao caso. Sobreveio, então o julgamento de primeira instância, quando foram excluídos do lançamento as contribuições relativas às competências de 09/2000 a 11/2000 em razão do reconhecimento da decadência com base no art. 173, I, do CTN. Por oportuno, transcrevo o seguinte excerto da decisão da DRJ que bem esclarece o motivo ensejador da glosa da restituição feita ao contribuinte: 5.1. No lançamento em questão foram apurados valores referentes às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, quais sejam: a contribuição da empresa devida ao FPAS, prevista nos incisos I do art. 22, da Lei 8.212/91 e a contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Também foram apurados e lançados os valores eferentes às contribuições devidas a terceiras entidades: FNDE (salário educação), INCRA e SEBRAE. 5.1.1. Referidas contribuições incidiram sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, nos períodos de 04/1999 a 05/2000 e 08/2000, que constam nas folhas de pagamento e na contabilidade da empresa e que não foram declaradas em GFIP. Conforme foi informado no relatório Fiscal Complementar a Fl. 724DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000811/200703 Acórdão n.º 2401003.872 S2C4T1 Fl. 680 5 empresa efetuou o recolhimento das referidas contribuições na época própria, entretanto, por meio do Processo n° 36624.005141/200192 solicitou a devolução dos valores pagos, com base no Ato Declaratório de Isenção emitido pelo INSS em 08/10/98. Restituição esta concedia pelo INSS em 2002. 5.1.2. Conforme foi ainda informado no Relatório Fiscal Complementar fls.I 92/196, os valores lançados referemse a glosa de restituição das contribuições correspondentes à cota patronal (restituição efetuada no Processo n°36624.005141/200192). 5.1.3. Posteriormente, a Secretaria da Receita Previdencidria cancelou a isenção da autuada (Ato Cancelatório de Isenção n° 01/2005, emitido e 23/03/2005) a partir de 01/01/1998, em razão do descumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91, qual seja: ausência do Certi ficado de Entidade Beneficente de Assistência Social desde 01/01/1998. Desta forma, a Administração verificou que a restituição feita em 2002, por meio do processo n° 36624.005141/200192, fora indevida, razão pela qual efetuou o presente lançamento fiscal onde foram glosados os valores restituidos indevidamente, conforme foi informado nos relatórios fiscais (fls. 50/52 e 192/197).Em seu recurso, a contribuinte sustenta a impossibilidade jurídica da glosa, tendo em vista que o processo de restituição já havia transitado em julgado, constituindo ato jurídico perfeito e consolidado. Em seu recurso, a contribuinte sustenta a impossibilidade jurídica da glosa, tendo em vista que o processo de restituição já havia transitado em julgado, constituindo ato jurídico perfeito e consolidado. Aduz ser indevida a expedição do Ato Cancelatório 01/2005, pois o suposto descumprimento do inciso II, do artigo 55, da Lei n. ° 8.212/91, teria ocorrido no período de 1998 a 2000 e a fazenda visa a cobrança de débitos tributários com fatos geradores de 2000 a 2003. Acresce que o Ato Cancelatório é genérico, pois não aponta o período do descumprimento da exigência legal tida por inobservada. Diante do ato ilegal praticado pelo Ministro de Estado da Previdência Social, qual seja o cancelamento do CEAS que resultou na expedição do Ato Cancelatório 01/2005, o recorrente impetrou mandado de segurança com pedido de medida liminar, MS n.° 10.510DF, em 22 de março de 2005, tendo em vista que o ISCP não necessitaria renovar trienalmente seu certificado, ao fazer jus ao direito adquirido, sendo que tal procedimento era efetivadoapenas por cautela. Que teve o restabelecimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095), não havendo que se falar em ausência do descumprimento do requisito legal constante no relatório fiscal da infração. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 6 Aduz que entendimento do v. acórdão de primeira instância, no sentido de que o restabelecimento do CEAS para o período do lançamento fiscal em comento: 18/09/2000 até 17/09/2003 somente teria eficácia a partir da legislação que instituiu o referido Programa é absurdo e merece ser reformado, pois, se assim fosse, não haveria qualquer benesse para as empresas que aderissem ao programa, na medida em que não se pode requerer renovações de certificados que foram ANTERIORMENTE indeferidos, se os mesmos somente teriam eficácia após vigência da Lei do PROUNI. Que além do deferimento do CEAS pela adesão ao PROUNI, teve também deferido a seu favor o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) para o período em razão da Medida Provisória n.° 446, de 2008. Que a Lei n.° 12.101 de 2009 editou lei tributária mais benéfica, que impõe expressamente que o direito a isenção/imunidade a contribuições sociais (artigo 195, §7º, da Constituição da República) , quando suspenso ou cancelado em razão de descumprimento da legislação, deve ter como data inicial o da infração, além de demonstrar o período (competências) em que tal infração ocorreu, não podendo ser descrito de forma genérica, conforme ocorreu no presente caso. Consoante exaustivamente demonstrado em sua impugnação, em estrito cumprimento às legislações pertinentes, o recorrente cumpriu com todos os requisitos exigidos para fazer jus à imunidade às contribuições sociais, possuindo direito adquirido à fruição da isenção. Que foi expedido em seu favor Ato Declaratório de Isenção, quando foi devidamente reconhecida como entidade imune às contribuições sociais, pelo próprio INSS, em 8 de outubro de 1998, declarando que o ISCP cumpriu integralmente com as condições do artigo 55, da Lei n.° 8.212, de 1991, estando dispensada das referidas contribuições, a partir de 01/98. Equivocouse, portanto, a Douta Delegacia de Julgamento ao afirmar nos lançamentos fiscais que no período de 01/01/98 a 16/09/2000 não possuía o recorrente o certificado, vez que o próprio então INSS, nesse período, emitiu ato declaratório de isenção em seu favor. Que o Ato Cancelatórion.° 01/2007 trata de matéria diversa daquela objeto do presente processo, não podendo ser considerado como fundamento apto a determinar a cassação de sua isenção. Que os efeitos dos Atos Cancelatórios não podem retroagir a fatos geradores passados, mas apenas a partir da data em que são emitidos. Que o MS impetrado junto ao STJ ainda não transitou em julgado, de modo que ante a inexistência de decisão definitiva, não há que se falar na possibilidade de adoção dos fundamentos ali tomados como razões de decidir para manter o lançamento. Por fim, pretende o reconhecimento da decadência do lançamento com base no art. 150, 4o do CTN. É o relatório. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 36624.000811/200703 Acórdão n.º 2401003.872 S2C4T1 Fl. 681 7 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso voluntário, dele conheço. RECURSO VOLUNTÁRIO Decadência Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 8 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No entanto, no caso dos autos, em se tratando de fatos geradores relativos à competência de 04/99 a 05/2000 e 08/2000, seja pela regra do artigo 173, I do CTN ou mesmo do art. 150, 4o do CTN, eventual lançamento somente poderia ter sido efetuado até o mês 01/2006. No entanto a ciência do relatório fiscal original deuse em 26/12/2006, logo, uma vez já ultrapassado o prazo decadencial a ser aplicado no presente caso. Ante todo o exposto, voto no sentido de acolher a decadência e declarar extinta a totalidade do crédito lançado. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 09/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 31/03/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000400/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003
30/06/2003,
30/09/2003, 31/12/2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITAS OPERACIONAIS. REVENDA DE MERCADORIAS.
Na circunstância de a contribuinte, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e corn a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto devido trimestralmente no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado.
CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Em se tratando de lançamento decorrente, mantida a tributação original, aplica-se a este o mesmo destino.
Numero da decisão: 1401-001.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade, afastaram a decadência e, no mérito, por maioria, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira que desqualificava a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITAS OPERACIONAIS. REVENDA DE MERCADORIAS. Na circunstância de a contribuinte, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e corn a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto devido trimestralmente no decorrer do ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Em se tratando de lançamento decorrente, mantida a tributação original, aplica-se a este o mesmo destino.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10976.000400/2008-15
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5481924
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.308
nome_arquivo_s : Decisao_10976000400200815.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 10976000400200815_5481924.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade, afastaram a decadência e, no mérito, por maioria, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira que desqualificava a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos
dt_sessao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
id : 6015096
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888518447104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000400/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.308 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente MINASMULTI INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITAS OPERACIONAIS. REVENDA DE MERCADORIAS. Na circunstância de a contribuinte, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e corn a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto devido trimestralmente no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Em se tratando de lançamento decorrente, mantida a tributação original, aplicase a este o mesmo destino. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade, afastaram a decadência e, no mérito, por maioria, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira que desqualificava a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 04 00 /2 00 8- 15 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: “Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 03/09, lavrado contra a contribuinte cm epígrafe, para exigência do crédito tributário no valor de R$ 6.062.668,22, a titulo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, juros de mora e multa proporcional, referente a infrações apuradas em relação aos seguintes fatos geradores: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003. Em decorrência, exigiramse, também, os créditos tributários da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 1.670.540,15, conforme Auto de Infração de fls. 10/17, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 7.710.186,30, conforme Auto de Infração de fls. 18/25 e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 2.763.138,41, conforme Auto de Infração de fls. 26/32. De acordo com a descrição dos fatos as fls. 05/06, os lançamentos decorreram de ação fiscal levada a efeito junto a contribuinte que apurou infrações a legislação tributária, conforme segue: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITAS OPERACIONAIS. REVENDA DE MERCADORIAS. "Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação corn base no Lucro Real, não possui escrituração na .forma das leis comerciais .fiscais, fato este por ele declarado conforme documento de fls. Enquadramento legal: arts. 530, inc. I e 532 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 10, o lançamento do PIS decorre da constatação de "FALTA/INSUEICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS" e está consubstanciado no "Valor apurado conforme consta das declarações da pessoa Jurídica apresentadas pela empresa durante a fiscalização". Fl. 546DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 4 3 Enquadramento legal: art. 1' e 30, da Lei Complementar n" 07, de 07 de setembro de 1970; arts. 2', inc. I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n" 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins De acordo com a descrição dos fatos A. fl. 20, o lançamento da Cofins decorre da constatação de "FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS" e esta consubstanciado no "Valor apurado conforme consta das declarações da pessoa Jurídica apresentadas pela empresa durante a fiscalização". Enquadramento legal: arts. 2°, inc. II e parágrafo único; 3', 10, 22 e 51, do Decreto n" 4.524, de 2002. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 28/29, o lançamento da CSLL teve por base as infrações enunciadas no Auto de Infração do 1RPJ. Enquadramento legal: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29, inc. I da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração por via postal em 13 de novembro de 2008, conforme evidencia o Aviso de Recebimento — "AR", à fl. 297, e inconformada com as exigências, por seu procurador, instrumento de mandato à fl. 319, apresentou a impugnação de fls. 298/314, que foi recepcionada no C.A.C. / LUZ — DERAT/SP em 12 de dezembro de 2008, expendendo, em síntese, as seguintes razões: IMPUGNAÇÃO .que está apresentando impugnação aos autos de infração do IRPJ, do PIS, da Co fins e da CSLL. I Tempestividade e Representação Processual .que recebeu o auto de infração por via postal em 13/11/2008 c que por isso sua impugnação é tempestiva; .que o advogado subscritor da petição foi constituído representante da empresa por instrumento público mediante procuração já inclusa nos autos do processo, conforme referenciado pela própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal; 2 — Dos Fatos e do Direito .a .fiscalização arbitrou o lucro do período de janeiro a dezembro de 2003, baseada nas receitas "declaradas", exigindo IRPJ e "tributação reflexa"; .malgrado tenha se baseado nas "declarações do contribuinte" a fiscalização teria exigido, além dos tributos, multa e juros e a qualificação da multa de oficio ao exorbitante percentual de 150% (cento c cinqüenta por cento); .o procedimento ,fiscal estaria, pois, maculado de vicio insanável, fadado então à nulidade; .estarseia exigindo crédito tributário extinto pela decadência; .não restariam configurados os requisitos autorizativos da qualificação da multa de oficio; .em face da, a seu ver, aplicação errónea da legislação tributária, o auto de infração deveria ser liminarmente anulado e, assim não sendo, no mérito a ação .fiscal deveria set julgada improcedente; 110 3 Preliminarmente — Nulidade: Desobediência its normas pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 547DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 5 4 .descumprimento das normas relativas ao AIPF, regido à época pela Portaria SRF n°3007, de 2001, pois que não teriam sido feitas prorrogações em tempo hábil; o fisco não teria se manifestado em face de inúmeras interrupções e intervalos; c a fiscalização teria se estendido por 04 (quatro) anos, sem a substituição dos fiscais; .por esses aspectos os autuantes seriam, a seu ver, pessoas incompetentes para lavratura do auto de infração; .ofensa ao art. 10, c/c art. 59 do Decreto n" 70.235, acerca do servidor competente e da pena de nulidade; .ofensa ao art. 13 da Portaria SRF n°3007, de 2001, acerca d a comunicação ao contribuinte das prorrogações do 111PF; 4 — Decadência: Perda do direito de fazer o lançamento para fato gerador ocorrido no primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2003 e para o mês de outubro de 2003. .arrimado em doutrina e jurisprudências administrativa e judicial, cujas ementas transcreve, faz alusão ao Decretolei n" 1.967, de 1982, 'a Lei n°9.430, de 1996, ao §' 4" do art. 150 e ao art. 156, inc. V, do CTN, para tecer alentada discussão acerca do instituto da decadência e sustentar que o lançamento do imposto de renda é por homologação e como tal a Fazenda Nacional esta impedida de realizálo após os cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador; .defende que o que se homologa não é o pagamento em si, mas a atividade procedimental desenvolvida pelo contribuinte, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, levada ao conhecimento da autoridade; .exemplifica que o imposto de renda de janeiro de 2003, teve o termo inicial de decadência iniciado em 1" de fevereiro de 2003 c terminado em I" de fevereiro de 2008, e assim sucessivamente, de modo tal que o imposto de renda de outubro de 2003, teve o termo final em 1º de novembro de 2008; .diz textualmente que: Ocorre que a impugnante somente teve ciência do lançamento na primeira quinzena de 2008 , ou seja, cinco anos após ocorrência do fato gerador ocorrido em 01 de novembro de 2008 . " (ipsis litteris) 5 — Multa — impossibilidade de qualificação do Percentual .sustenta, expressamente, que "ficou indefectivelmente demonstrado que agiu de boa fé. Com efeito, a própria autuação fiscal baseouse nas informações declaradas pelo contribuinte ao fisco, para calcular o tributo lançado". .a fiscalização não teria produzido prova de que a autuada agiu de m áfé; .em matéria tributária, o dolo especifico ou próprio, é o elemento subjetivo necessário configuração do delito que somente pode ocorrer com o elemento subjetivo; o dolo não pode ser presumido, devendo ser provada a vontade consciente do agente, mormente após o STF ter mitigado a aplicação do art. 136 do CTN; .o percentual da multa infringe os princípios constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva; .somente se o .fisco comprovar o evidente intuito de fraude de sonegar, poderá impor sanções qualificativas; no que tange a apresentação de documentos, verificarseia no Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte, não dispondo de toda a documentação solicitada, teria preferido, ao seu alvedrio, declarar e arbitrar espontaneamente o lucro; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 6 5 .não apenas teria cumprido a intimação, como também apresentado a base de cálculo do lucro arbitrado e jamais teria se recusado a colaborar coin a.fiscalização; .a leitura do Termo de Verificação Fiscal evidenciaria que a .fiscalização pode se valer de todas as informações relativas as operações da empresa e que serviram de base de cálculo para o lançamento dos tributos exigidos; .invoca os princípios da presunção de inocência e da boafé e reportase ao art. 112 do CTN. 6 — Do Pedido: Requer: I) liminarmente: nulidade do lançamento em face dos supostos vícios atinentes ao MPF; 2) decadência em relação ao 1", 2", 3" trimestres e mês de outubro do ano calendário de 2003; 3) se superadas as prefaciais acima, improcedência dos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS, e Cofins; 4) pelo principio da eventualidade, redução da multa e extirpação da qualifica cão; 5) encaminhamento das intimações e decisões, doravante, ao endereço profissional do advogado. Anexos a Impugnação Com a impugnação a defendente juntou aos autos apenas a cópia da "tela" do histórico do "AR", "baixada" da página dos Correios na Internet (fl. 315) Representação Fiscal para Fins Penais O Despacho da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário — SACAT da DRF de Contagem — MG, menciona que o Processo n" 10976.000399/200811, referente Representação Fiscal para Fins Penais, encontrase na referida Delegacia, nos termos da Portaria RFB 665, de 2008. Em face destes argumentos, a 3ª Turma da DRJ/BHE, proferiu acórdão no qual foi julgada improcedente a Impugnação e mantido o crédito tributário, conforme emente abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITAS OPERACIONAIS. REVENDA DE MERCADORIAS. Na circunstância de a contribuinte, que deixou de cumprir os preceptivos legais para exercer a opção pela tributação pelo lucro presumido, ao ser intimada reiteradamente na forma regulamentar e corn a concessão de prazo razoável, não lograr apresentar os elementos da escrituração, o imposto devido trimestralmente no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 7 6 CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Em se tratando de lançamento decorrente, mantida a tributação original, aplicase a este o mesmo destino. Lançamento Procedente Observada da decisão da DRJ, insta salientar que o presente débito, em um primeiro momento, foi inscrito em dívida ativa pelo exaurimento da defesa administrativa, tendo em vista a preclusão do prazo para a interposição de Recurso Voluntário. Entretanto, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança nº 27060 77.2010.4.01.3800 objetivando que o Fisco concedesse novo prazo para a interposição de Recurso Voluntário ao CARF, alegando, em síntese, que as intimações se deram por meio de editais, dos quais não tomou conhecimento o seu representante legal, motivo pelo qual se deu a preclusão, ofendendo assim o direito à ampla defesa e ao contraditório. A 3ª Vara Federal de Minas Gerais concedeu a liminar vindicada para determinar que á Autoridade Impetrada, órgão da Receita Federal, que reabrisse para a Impetrante o prazo para apresentação de Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do PA 10976.000400/200815, sendo cancelada a inscrição em dívida ativa (limar esta confirmando por sentença posteriormente fls. 495). Cumprindo a determinação judicial, a Receita Federal reabriu o prazo para interposição de Recurso Voluntário, conforme consta às fls. 498, ocasião em que foi interposto o Recurso Voluntário, fls. 501504, que ora se analisa. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço nos termos da lei. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração de fls. 03/09, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência do crédito tributário no valor de R$ 6.062.668,22, a titulo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, juros de mora e multa proporcional, referente a infrações apuradas em relação aos seguintes fatos geradores: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003; Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 1.670.540,15, conforme Auto de Infração de fls. 10/17, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 7.710.186,30, conforme Auto de Infração de fls. 18/25 e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 2.763.138,41, conforme Auto de Infração de fls. 26/32. A Recorrente alega, em síntese, os seguintes pontos: desobediência do Mandando de Procedimento Fiscal; decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento; e a desqualificação da multa de ofício. Bem vejamos item a item. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 8 7 Do Mandando de Procedimento Fiscal A Recorrente, preliminarmente, suscita nulidade da autuação tendo em vista a suposta exigência de vícios do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, consubstanciados em supostas faltas de ciências de prorrogações em tempo hábil; falta de manifestação do fisco em inúmeras interrupções e intervalos; e alargamento da fiscalização por 4 anos, sem a substituição dos fiscais. Contudo, diferentemente do alegado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, o "Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 06.1.10.002004 002694", emitido em 20 de setembro de 2004, delimitava o prazo de 18 de janeiro de 2005 para sua execução e o "Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF", à fl. 105 dos autos, onde consta assinatura de ciência do sócio proprietário Sr. Carlos Euripes Simões de Freitas, evidencia as prorrogações e as respectivas validades dos MPF emitidos desde 18 de janeiro de 2005 até 12 de julho de 2006. Vejase quadro probatório: No campo de observações desse "Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF" consta o "Código do Procedimento Fiscal", que é o de n" 07751690, bem como o nome, endereço e telefone do chefe da fiscalização da DRF de jurisdição; e mensagem ao fiscalizado de que a exatidão das informações do MPF e das respectivas prorrogações poderia ser verificada na Internet, no endereço mencionado, mediante a indicação do CNPJ e do código supra mencionado. É importante frisar que na consulta ao sitio virtual da receita federal, mediante indicação do CNPJ e do código do procedimento fiscal, se tem acesso a tela demonstrativa das prorrogações e respectivas validades, inclusive do período posterior a 13 de maio de 2006 até 28 de dezembro dc 2008, bem como dos "MPF COMPLEMENTAR" nos 01, 02 e 03, que incluíram no Mandado os auditores Fiscais Robson Pereira Perry, Lucas Martins Ferreira Diniz e Clayton Geraldo de Andrade Rocha e excluiram os Auditores Fiscais Lucas Martins Ferreira Diniz e Newton César Kammel Guimarães (Vide fls. 198/199). Por outro turno, também não subsiste o questionamento acerca de que o procedimento fiscal teria se arrastado por 4 anos e os fiscais responsáveis não teriam sido substituídos durante esse período. Primeiramente é importante lembrar que durante determinado lapso de tempo da ação fiscal, a Recorrente encontravase em local incerto e não sabido, motivo pelo qual Fl. 551DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 9 8 algumas intimações foram feitas por Edital. Em segundo lugar, não se pode olvidar que no MPF originário eram mandatários os Auditores Fiscais: Lucas Martins Ferreira Diniz e Newton César Kfimmel Guimarães, ao passo que no Demonstrativo de Emissão e Prorrogações, constam como mandatários, ainda, os Auditores Fiscais Lucas Martins Ferreira Diniz e Robson Pereira Perry. Já o auto de Infração foi lavrado pelos Auditores Fiscais Robson Pereira Perry e Clayton Geraldo de Andrade Rocha. Nos termos do art. 15, incs. I e II da Portaria SRF n" 3007 de 2001, o MPF se extingue pela conclusão do procedimento fiscal e pelo decurso dos prazos de validade e de prorrogação. Como se vê, porém, no "Demonstrativo" de fl. 105 e na "tela" da Internet As fls. 336/337, não ocorreu extinção, por decurso desses prazos, no interregno entre o MPF originário e a última prorrogação. Mesmo que assim não fosse, o art. 16 da portaria MF n" 3007 de 2001, preleciona que o decurso desses prazos não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF. Ainda que já tenha sido refutado o argumento da Recorrente acerca da não substituição dos Auditores Fiscais mandatários, cumpre considerar que nos termos do parágrafo único do art. 16, somente não pode ser indicado o mesmo Auditor Fiscal responsável pela execução, no caso de emissão de novo MPF em decorrência de mandato extinto por decurso de prazo. No entanto, como já visto, essa hipótese não se aplica A situação em apreço, porque não ocorreu extinção por decurso de prazo. Além disso, como se observa da termo de Verificação Fiscal – TVF – a intimação do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF originário, somente foi possível por meio de Edital, em face de a Recorrente e seu sócio responsável encontraremse, à época, em local incerto e não sabido, vindo a apresentarse a fiscalização somente por ocasião do contato do advogado que se identificou como seu representante e procurador, ocorrido em fevereiro de 2006. Aditese, por fim, que os documentos de fls. 256/296, evidenciam os inúmeros "Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal, relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n" 06110002004002694", cientificados à contribuinte fiscalizada. Portanto, o MPF não padece de quaisquer vícios na sua formalização, motivo pelo qual não deve ser declarado nulo. Da Alegação de Decadência A Recorrente alega decadência da maior parte do crédito tributário constituído de oficio, arrimada em doutrina e jurisprudências administrativa e judicial, sustentando que em se tratando de lançamento por homologação, nos moldes do § 4º do art. 150 do CTN, o imposto de renda de janeiro de 2003, teve o termo inicial de decadência iniciado em 1º de fevereiro de 2003 e terminado em 1º de fevereiro de 2008, e assim sucessivamente, de modo tal que o imposto de renda de outubro de 2003, teve o termo final em 1" de novembro de 2008; Fl. 552DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 10 9 Em primeiro lugar, cumpre sublinhar, de antemão, que o Código Tributário Nacional (CTN), contempla o instituto da decadência com as disposições contidas no seu art. 173, do seguinte modo: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição rio crédito tributário pela no ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, como regra geral, é aquele definido no inciso I, acima transcrito. Todavia, atualmente, os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF) condicionamse ao sistema no qual o sujeito passivo realiza o pagamento do crédito tributário sem prévio exame da autoridade administrativa. Neste caso, a contagem do prazo decadencial para lançamento de cada tributo ou contribuição, dáse de acordo com as disposições contidas no "caput" do art. 150 do CTN, e respectivo § 4º, que estabelecem: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (..) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, ci contar da ocorrência do .fato gerador; expirado esse prazo scan que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." De tal modo, na definição do termo inicial do prazo decadencial, quando se trata de lançamento por homologação, é necessário considerar se o pagamento foi realmente antecipado, independentemente de sua suficiência para extinguir totalmente o crédito tributário e da anuência da autoridade administrativa sobre os procedimentos envolvidos na sua apuração. Porém, não havendo pagamento a homologar, como no presente caso, não há lançamento por homologação, mas sim a de oficio, e a regra de decadência a seguir é a do art. 173 do CTN, acima transcrito. O prazo definido nesse artigo é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em relação ao 1º, 2° e 3º trimestres do anocalendário de 2003, o lançamento já poderia ter sido efetuado em 2003. Então o primeiro dia do exercício seguinte é o dia Fl. 553DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 11 10 01/01/2004, de modo tal que o termo do prazo decadencial ocorre em 31/12/2008, após a ciência do auto de infração ocorrida em 13 de novembro de 2008. Em relação ao 4º trimestre do anocalendário de 2003, o lançamento somente poderia ser constituído em 2004, de modo tal que o primeiro dia do exercício seguinte é o dia 01/01/2005, de modo tal que o lançamento poderá ser constituído até o dia 31/12/2009. Por conseguinte, não há que se falar em decadência, pois que na data da constituição do crédito ainda não havia decorrido o lapso quinquenal estatuído em lei que ensejaria este instituto. Diante da clarividência dessa fundamentação, não há que se falar em decadência do direito de lançar. Da qualificação da Multa de 150% È importante consignar que a Recorrente não utiliza argumentos com o fito de debater o mérito em si da autuação, ocasião em que seu Recurso Voluntário somente abarca a defesa quanto a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, decadência, e qualificação da multa (os dois primeiros já analisados e o terceiro sob analise no referido ponto). Contudo, antes de adentrar na questão da multa é necessário destacar que o presente caso versa sobre tributação com base em arbitramento. Assim, é importante ter em mente que o arbitramento procedido não constitui penalidade, mas mera forma de tributação do lucro, dado que nas circunstâncias, a falta de apresentação dos elementos revelou descumprimento e inobservância das formalidades e requisitos da legislação comercial e fiscal. Exposto esse breve comentário, vejamos a possibilidade, ou não, de desqualificar a multa de ofício no presente caso. Segundo o Termo de Verificação Fiscal – TVF, e posteriormente o Auto de Infração ora guerreado, o fato determinante para a qualificação da multa de ofício em 150% da infração seria que a Recorrente teria apresentado declarações “zeradas”, ou deixado de entregar algumas declarações de rendimentos e que quando da entrega das declarações retificadoras, estas não poderiam ser considerados tendo em vista que já existia o inicio de procedimento fiscal. Além disso, a dificuldade de localização da empresa para a intimação, segundo a autoridade autuante, seria uma prova de fraude e não regularidade operacional, motivo pelo qual a Recorrente, inicialmente foi intimada por edital. O fato de existir arbitramento de lucro, tendo em vista a falta de documentação, ou a entrega de declarações zeradas seriam suficiente paras e presumir um dolo e restar comprovada a fraude? Conforme entendimento que venho adotando, excepcionalmente, nos caso de entrega de declarações zeradas, entendo presentes os requisitos de dolo e fraude, que justificam a qualificação da multa. Nesse sentido, acolho o fundamento da decisão recorrida que, no caso em tela, resta justificada a aplicação da multa no percentual de 150% pela ocorrência dos ilícitos previstos na Lei n° 4.502/64, conclusão a que se chegou em razão dos fatos e situações que teriam sido colhidos dos autos do presente processo, em consonância com a falta de documentação apresentada ou entregue de declarações. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10976.000400/200815 Acórdão n.º 1401001.308 S1C4T1 Fl. 12 11 Diante do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares levantadas pelo contribuinte, e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 555DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000627/2005-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10865.000627/2005-67
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5478560
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-000.345
nome_arquivo_s : Decisao_10865000627200567.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10865000627200567_5478560.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 6004194
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888571924480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.771 1 1.770 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000627/200567 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.345 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de março de 2015 Assunto IPI. PROCESSO PRODUTIVO. Recorrente TRW AUTOMOTIVE SOUTH AMÉRICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Por bem descrever o histórico do caso até à decisão da DRJ, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: A interessada transmitiu em 13/10/2004 o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), protocolizado em meio fisico em 21/03/2005, cujos créditos se referem ao 3° trimestrecalendário de 2004, no importe de R$ 7.903.482,13. Houve a transmissão de PER/DCOMP retificador em 15/12/2004 (fl. 204). Houve várias compensações no valor total de R$ 3.417.239,31, representadas por diversas DCOMP, que estão nos autos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 62 7/ 20 05 -6 7 Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.000627/200567 Resolução nº 3202000.345 S3C2T2 Fl. 1.772 2 Em Despacho Decisório (fls. 634/639), de 18/06/2007, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira, SP, com base em informação fiscal (fls. 627/630), indeferiu o pleito e não homologou as compensações declaradas em DCOMP pelos seguintes motivos: a) compras para o ativo imobilizado (R$ 27.096,24); b) compras de material para uso e consumo (R$ 484,53); c) energia elétrica — produto NT (R$ 75.132,99); d) créditos extemporâneos sobre entradas de produtos importados com suspensão, sob regime drawback, incluída correção monetária (R$ 8.560.853,31). Do total de créditos indevidos escriturados, R$ 8.663.567,07, foram utilizados R$ 7.903.409,95 para ressarcimento/compensação, tendo sido o restante do referido valor usado para a compensação do IPI devido nas saídas tributadas, no âmbito da escrita fiscal, passível de exigência mediante auto de infração. Insatisfeita com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 22/06/2007, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte ofereceu, em 17/07/2007, manifestação de inconformidade subscrita pelo patrono da empresa, qualificado no devido instrumento legal juntado, em que, em síntese, alega o seguinte, A luz de doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis: • é legitimo o crédito de IPI incidente sobre aquisições de bens para o ativo imobilizado e sobre itens para a respectiva manutenção, sendo defeso A lei ordinária ou a qualquer dispositivo regulamentar vedar, diminuir ou alterar um direito garantido pela Constituição Federal (art. 153, § 3°, II — principio da nãocumulatividade); • Tratase de materiais intermediários, e não de materiais para uso e consumo, pois são consumidos no processo de manufatura da empresa, apesar de não integrar fisicamente o produto final, de tal maneira que não se prestam mais A finalidade intrínseca; o regulamento de 1972 condicionava o crédito de IPI aos insumos "imediata e integralmente consumidos no processo industrial", mas a partir do regulamento de 1979 tais expressões não estão mais presentes e sim a referência ao consumo no processo de industrialização: isso ocorre com o ferramental utilizado no processo industrial, de acordo com os Pareceres Normativos 65/79 e 18/80, baixados pela CST da Receita Federal; • 0 crédito de IPI referente a insumos imunes, isentos, não tributados e com aliquota zero têm garantia constitucional, havendo precedente do STF (RE 350.446/PR) sobre insumos isentos e com aliquota zero e especificamente sobre insumos NT (RE 344.6665/SC); os produtos industrializados constantes da TIPI como NT são, na verdade, produtos isentos, já que, sendo produtos industrializados, se encontram no campo de incidência, tendo sido retirados por uma norma legal de isenção; a energia elétrica, resultante de uma transformação em usina hidroelétrica, etc., se enquadra nessa hipótese e, de qualquer forma, por ter imunidade a energia elétrica (CF, art. 155, § 3°), o respectivo crédito é um direito; • Há direito ao crédito na modalidade de importação drawback suspensão, sendo uma espécie de isenção sujeita a condição resolutiva, pelo principio da nãocumulatividade; Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.000627/200567 Resolução nº 3202000.345 S3C2T2 Fl. 1.773 3 • A correção monetária de crédito do IPI está assegurada por lei, no caso, a Lei n° 8.383, de 1991, art. 66, § 3°, conforme julgado do Conselho de Contribuintes, que equipara o nãoaproveitamento de créditos legítimos na época própria a pagamento indevido de imposto; • Encerra com o pedido de acolhimento da manifestação de inconformidade e reforma do Despacho Decisório, para que seja integralmente deferido o pedido de ressarcimento (PER/DCOMP) e homologadas as compensações (DCOMP). Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ julgoa improcedente, conforme resume a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à aliquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. AÇÃO DIRETA SOBRE 0 PRODUTO. OBRIGATORIEDADE PARA FAZER JUS A CRÉDITOS. Somente os insumos que exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ainda que sem integrar o produto final (produtos intermediários), mas com desgaste no processo industrial, geram créditos do imposto passíveis de registro na escrita fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada inconstitucionalidade de atos normativos regularmente editados. Solicitação Indeferida. Não resignada com a decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando os argumentos articulados na sua manifestação de inconformidade. O processo, então, foi distribuído para minha relatoria, na forma regimental, e em seqüência pedi sua inclusão em pauta para julgamento. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.000627/200567 Resolução nº 3202000.345 S3C2T2 Fl. 1.774 4 É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: A maioria das questões postas no recurso voluntário já foram decididas definitivamente pelo pleno do STF , de forma contrária a contribuinte, razão pela qual o CARF está vinculado a mesma conclusão da Suprema Corte, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62A do RICARF. Tratase de processo no qual o interessado pleiteia o reconhecimento de crédito de IPI apurados no período compreendido entre 01/07/2004 a 30/09/2004, que incluem aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens não sujeitas ao pagamento do IPI. Todavia, o STF decidiu que não cabe o desconto de créditos do IPI, com base na regra constitucional da nãocumulatividade, na aquisição de insumos com alíquotazero, isentos, não tributados ou não sujeitos ao pagamento do IPI. Confirase: EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FIN AL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da não cumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.000627/200567 Resolução nº 3202000.345 S3C2T2 Fl. 1.775 5 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os in sumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se d á sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) o u de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10 ). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Pl enário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento.(REAgR 592917, LUIZ FUX, STF.) A referida decisão plenária da Suprema Corte vincula o CARF, nos termos do art. 62A do RICARF, razão pela qual a sigo integralmente. Considerando que a empresa defende a apuração do crédito, em relação à aquisição de bens sujeitos ao drawback, por se tratarem de isenção sujeitas à condição, é aplicável o mesmo raciocínio do STF contrário ao crédito nas aquisições isentas. Igualmente, o STF decidiu que o benefício fiscal do art. 11 da Lei nº 9.779/1999 é válido a partir de sua vigência e trata do não estorno de créditos de IPI, decorrentes, por óbvio, da entrada de insumos creditáveis (isto é, tributados pelo IPI), quando estes são vinculados às saídas de produtos industrializados isentos ou alíquota zero do IPI. Confirase: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. IPI. Princípio da Não Cumulatividade. Produto final isento ou sujeito à alíquota zero, matéria pacificada. Precedentes. Alegação de conexão. Inovação recursal. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.000627/200567 Resolução nº 3202000.345 S3C2T2 Fl. 1.776 6 1. Nos precedentes do Pleno desta Corte, consubstanciados no RE nº 562.980/ SC e no RE nº 475.551/PR, assentouse que o não creditamento do IPI pago na aquisição de insumos tributados, utilizados em processo produtivo, cujo produto final goza de isenção ou alíquota zero, em período anterior à Lei nº 9.779/99, não ofende o princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal. 2. Inovação recursal quanto à alegação de conexão. Questão não passível de apreciação. 3. Agravo regimental não provido. (AIAgR 685826, DIAS TOFFOLI, STF.) Sobre esses créditos, nossa turma já proferiu julgamento, unânime, no Acórdão nº 3202001.312, de 17 de setembro de 2014, da minha relatoria. Outrossim, o pleno do STF negou o crédito de IPI, alusivo a aquisição de bens de uso/consumo ou integrantes do ativo imobilizado da empresa. Confirase: “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO FIXO OU AO USO E CONSUMO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não admite o creditamento do IPI pago na aquisição de bens que irão integrar o ativo fixo da empresa ou produtos destinados ao uso e consumo. 2. Agravo regimental desprovido” (RE 451.965AgR, Rel. Min. Ayres Britto, Segunda Turma, DJe 11.11.2011). *** “AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CUMULATIVIDADE. OPERAÇÕES QUE GERAM DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS QUE NÃO SE DESGASTAM EM CONTATO COM O PRODUTO. A atual orientação desta Suprema Corte não reconhece o direito ao crédito do valor do IPI incidente de operações de aquisição de bens destinados ao uso, ao consumo à integração ao ativo fixo do estabelecimento. Agravo regimental ao qual se nega provimento” (RE 496.715AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe 4.6.2012). *** “RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO RECURSO DE AGRAVO IPI CRÉDITO DO VALOR PAGO EM RAZÃO DE OPERAÇÕES DE AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO USO E/OU À INTEGRAÇÃO NO ATIVO FIXO APROVEITAMENTO INADMISSIBILIDADE RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de não reconhecer, ao contribuinte, o direito de creditarse do valor do IPI, quando pago em razão de operações de aquisição de bens destinados ao uso e/ou à integração no ativo fixo do seu próprio estabelecimento. Precedentes” (RE 593.772 ED, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJe 30.4.2009). Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.000627/200567 Resolução nº 3202000.345 S3C2T2 Fl. 1.777 7 *** “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1) EMBARGOS CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. 2) CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI PAGO NA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO FIXO E AO USO OU CONSUMO NO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE: IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” (RE 626.959ED, de minha relatoria, Primeira Turma, DJe 11.4.2011). A despeito disso, há uma questão residual, na análise do presente caso, que precisa ser examinada, alusiva ao enquadramento ou não de certas aquisições de bens tributados pelo IPI, na categoria de produtos intermediários. Sobre o tema, o Parecer Normativo CST nº 65, DOU de 06 de novembro de 1979, emitiu sua clássica definição de produto intermediário: 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos "que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em "incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários "stricto sensu" , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão "consumidos" sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas? ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3 Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4 Notese, ainda, que a expressão “compreendidos no ativo permanente” deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser “júris tantum” aceita como legítima, somente passível de impugnação para Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.000627/200567 Resolução nº 3202000.345 S3C2T2 Fl. 1.778 8 fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. 11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1 Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79”. (sublinhei) Porém, observo que o processo não está devidamente instruído para que se analise a mencionada questão residual, razão pela qual voto para CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a empresa Recorrente a: a) efetuar descritivo minucioso do processo produtivo da Recorrente – elaborar laudo se necessário , a fim de que possa ser constatado se as aquisições de bens tributados pelo IPI, vinculadas a saídas tributadas pelo IPI, isentas ou alíquotazero; são enquadráveis ou não no conceito de produtos intermediários para fins de apuração de créditos de IPI, indicando, especialmente se:compõem o ativo imobilizado ou não e se os referidos bens sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização; b) trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Em seguida, a autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. Após,retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912623/2012-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2007
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2007 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.912623/2012-57
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5481930
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3803-006.430
nome_arquivo_s : Decisao_11020912623201257.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11020912623201257_5481930.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
id : 6015102
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888594993152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 5 1 4 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.912623/201257 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.430 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria Compensação Recorrente MECANICA INDUSTRIAL COLAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2007 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 23 /2 01 2- 57 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1444.381, de 28/08/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912623/201257 Acórdão n.º 3803006.430 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1444.381, em 16/10/13, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 13/11/13, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.912623/201257 Acórdão n.º 3803006.430 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/12/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011186/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2004
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL. MATÉRIA SUMULADA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38)
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
IRRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. HERANÇA. INDENIZAÇÃO. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Para que sejam aceitos como herança os valores omitidos em declarações de rendimentos, é obrigatória a comprovação com documentos hábeis e idôneos que demonstrem, de maneira inequívoca, a efetiva transferência do patrimônio.
Numero da decisão: 2201-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 104.244,00 (item 1 do Auto de Infração). Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada) e German Alejandro San Martín Fernández, que excluíram o valor de R$ 131.244,00 da base de cálculo dos depósitos bancários (item 1 do Auto de Infração) e o valor de R$ 500.000,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos (item 2 do Ato de Infração). O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Drª Andréa Maron Maia, OAB/BA 18.435.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Llian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2004 IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL. MATÉRIA SUMULADA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. IRRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. HERANÇA. INDENIZAÇÃO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para que sejam aceitos como herança os valores omitidos em declarações de rendimentos, é obrigatória a comprovação com documentos hábeis e idôneos que demonstrem, de maneira inequívoca, a efetiva transferência do patrimônio.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.011186/2006-04
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5490796
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.691
nome_arquivo_s : Decisao_10580011186200604.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580011186200604_5490796.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 104.244,00 (item 1 do Auto de Infração). Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada) e German Alejandro San Martín Fernández, que excluíram o valor de R$ 131.244,00 da base de cálculo dos depósitos bancários (item 1 do Auto de Infração) e o valor de R$ 500.000,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos (item 2 do Ato de Infração). O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Drª Andréa Maron Maia, OAB/BA 18.435. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Llian Haddad.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6061186
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888598138880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.011186/200604 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.691 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente ANDRE DE MENEZES MARON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2004 IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL. MATÉRIA SUMULADA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. IRRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. HERANÇA. INDENIZAÇÃO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para que sejam aceitos como herança os valores omitidos em declarações de rendimentos, é obrigatória a comprovação com documentos hábeis e idôneos que demonstrem, de maneira inequívoca, a efetiva transferência do patrimônio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 104.244,00 (item AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 11 86 /2 00 6- 04 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 1 do Auto de Infração). Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada) e German Alejandro San Martín Fernández, que excluíram o valor de R$ 131.244,00 da base de cálculo dos depósitos bancários (item 1 do Auto de Infração) e o valor de R$ 500.000,00 da base de cálculo da omissão de rendimentos (item 2 do Ato de Infração). O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Drª Andréa Maron Maia, OAB/BA 18.435. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Llian Haddad. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.011186/200604 Acórdão n.º 2201002.691 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 4 a 14), exercícios 2002 e 2004, no qual se apurou o imposto de valor de R$ 333.521,09, acrescido da multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os respectivos juros de mora. As infrações apuradas foram: omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem comprovação de origem e reclassificação de rendimentos (R$ 900.000,00) declarados na DAA como isentos/não tributáveis. O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: Quanto aos rendimentos declarados como isentos, recebidos em 2003, o impugnante alega que se referem a direito que lhe fora transmitido por herança. Havia recebido por sucessão a propriedade da empresa SEPAL, Sociedade de Empreendimentos Pastoris e Agrícolas Ltda. Esta empresa recebera, através de acordo indenizatório, o montante de R$ 900.000,00, depositado em duas parcelas, R$ 400.000,00 em maio de 2003 e R$ 500.000, em julho de 2003. Anexa cópias dos processos judiciais de partilha e de execução de obrigação. Quanto aos depósitos bancários realizados em 2001, traça, em síntese, os seguintes argumentos (fls. 292/344): 1) Houve cerceamento do direito de defesa, pois havia solicitado da autoridade lançadora os extratos de depósito que ele próprio havia antes fornecido. Narra as dificuldades que enfrentou para obter acesso a estes dados. Ainda aguardando estes documentos, foi surpreendido com o auto de infração. 2) A garantia ao sigilo das informações bancárias está insculpida como cláusula pétrea na Constituição e não poderia ser alterado sequer por emenda constitucional. Por isso é inconstitucional a Lei Complementar 105/2001, que autoriza a quebra do sigilo bancário pela via administrativa. 3) Os depósitos bancários não podem servir de base para a presunção legal de rendimentos omitidos, pois seriam simples indícios que precisariam ser corroborados por outras evidências patrimoniais e de consumo para indicaram a ocorrência do fato gerador do tributo. 4) Exigese lhe prova impossível, pois, na condição de pessoa física, não estava obrigado a manter escrituração formal, especialmente quando se trata de fatos ocorridos, há mais de cinco anos. 5) Não foram considerados como origem dos depósitos os rendimentos e recursos regularmente informados e tributados em sua declaração de ajuste anual. Haviam sido informados a este título rendimentos de R$ 48.000,00, pagos pela ECIL Engenharia Construtora e Incorporadora Ltda., da qual era sócio, e R$ 29.250,00, pagos pela Concessionária Litoral Norte S/A CLN. 6) Houve erro em sua declaração quando informara não haver contraído dívida com a ECIL. Recebera, de fato, empréstimos desta empresa em 2001, que foram depositados em suas contas bancárias. Requer oportunidade futura para apresentar a escrituração da empresa comprovando o alegado. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 7) As instituições financeiras ainda não lhe forneceram os comprovantes necessários à identificação dos depósitos. Por este motivo, requer lhe seja reconhecido o direito à apresentação posterior destas provas. 8) Apresenta cópias de documentos para demonstrar a origem de diversos depósitos (que serão especificados e analisados no voto), tais como cópias de DOC, comprovantes de pagamento, contratos particulares de compra e venda de imóveis, declarações de terceiros. Indica também depósitos que se teriam originando de contas da sua própria titularidade. 9) Exercia atividade rural, como se comprova por ser proprietário de fazenda (escritura às fls. 354) e por haver produzido leite em 2000, de acordo com declaração do adquirente deste produto (fls. 376). Vendera também gado a seu irmão, ao alienar a sua participação na fazenda que detinham em sociedade (v. fls. 275). Estes rendimentos não haviam sido declarados porque exercia esta atividade meramente como lazer. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), por meio do Acórdão nº 1513.967, de 11 de outubro de 2007, consideraram a impugnação procedente em parte, excluindo R$ 15.568,78 de imposto, calculado sobre depósitos no montante de R$ 56.568,78, referentes os seguintes depósitos efetuados no BBV: a) Pela ECIL, em 19 de junho e cinco de julho de 2001, identificados através de cópias dos recibos de depósito (fls. 348/349), nos valores de, respectivamente, R$ 1.205,00 e R$ 3.000,00; b) Por transferência de conta do próprio titular, em 24 de dezembro de 2001, no valor de R$ 31.000,00 (fls. 351); e c) Pela Concessionária Litoral Norte, conforme recibos de pagamento a autônomo (fls. 380/386), em 24 de dezembro (R$ 31.000,00), dois de abril (R$ 4.877,50), dois de maio (R$ 4.877,50), primeiro de junho (R$ 4.877,50) e quinze de junho (R$ 4.776,25). Cientificado, por meio postal em 15 de dezembro de 2007 (fl. 493), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 15 de janeiro de 2008, no qual cita os pontos arguidos em sede de impugnação e destaca: a) Decadência de o fisco constituir o crédito tributário do anocalendário 2001; b) Origem dos valores depositados nas contas correntes em 2001; e c) Improcedência da ação fiscal para os valores recebidos em 2003; Em 9 de fevereiro de 2011, por meio da resolução nº 220100.048, esta Turma Ordinária, por proposição da Conselheira relatora, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal examinasse os documentos de folhas 452/483, em conjunto com as razões complementares apresentadas pelo contribuinte, às folhas 425/450; atestasse a autenticidade e boa forma dos livros contábeis da pessoa jurídica ECIL Eng. Construções e Incorporações Ltda., especialmente quanto aos lançamentos constantes das cópias de fls. 470/483; e formulasse parecer conclusivo sobre a documentação e fatos pertinentes ao deslinde desta questão. Em relatório fiscal às folhas 687 a 694, a auditorafiscal que realizou a diligência concluiu como sendo inviável “a utilização pura e simples da escrituração como prova de origem dos depósitos que o contribuinte alega se tratar de valores recebidos da ECIL a título de empréstimo”. Disse que o contribuinte, ao ser intimado, alegara que não mais possuía a documentação comprobatória dos lançamentos escriturados nos livros, sendo Fl. 799DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.011186/200604 Acórdão n.º 2201002.691 S2C2T1 Fl. 4 5 mantidos apenas os Livros Razão e Diário em função das cópias autenticadas de parte destes livros no processo nº 10580.011185/200604. Além disso, que a escrituração estaria em desacordo com o art. 269 do RIR/1999, sendo as operações registradas no último dia de cada mês, o que impossibilitaria a identificação das contrapartidas. Em relação aos depósitos que o contribuinte informou tratarse de empréstimo pago pela empresa ECIL, considerouos como de origem não comprovada, bem como o depósito em dinheiro no valor de R$ 16.000,00 efetuado em sete de maio de 2001, por intermédio do BBV, por falta da documentação comprobatória e pela impossibilidade de identificar as contrapartidas contábeis e fazer as devidas conciliações. No Por fim, junta duas planilhas, nas quais registra a sua conclusão em relação aos rendimentos comprovados e aos não comprovados. O contribuinte, cientificado em 6 de agosto de 2013, protocolou sua manifestação em relação ao resultado da diligência. E, ao retornar o CARF, os autos foram distribuídos à 2ª Turma Ordinária e redirecionados por despacho a esta Turma, por ser o colegiado de origem. É o relatório. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe observar que, apesar de citar as questões arguídas em sede de impugnação, como ofensa constitucional da quebra do sigilo bancário, não configuração de renda dos depósitos bancários e do cerceamento de defesa durante o procedimento fiscal, esses aspectos não foram expressamente defendidos no recurso voluntário. A defesa está centrada na decadência dos valores apurados com base nos depósitos mensais no anocalendário 2001, nos documentos juntados para comprovar as operações de depósitos e nos valores declarados na DAA, inclusive o valor de R$ 900.000,00, que não estaria sujeito à tributação. I Decadência por apuração mensal do IRPF no anocalendário 2001. O contribuinte alega que, a exceção do valor de R$ 31.000,00, depositado em 24 de dezembro de 2001, oriundo da transferência entre suas contascorrentes, o direito de o fisco constituir o crédito encontravase fulminado pela decadência, uma vez que o lançamento teria ocorrido em 23 de dezembro de 2006 e a apuração do imposto seria mensal. Porém, o imposto de renda das pessoas físicas é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de complexivo, apurado no ajuste anual. Ou seja, aquele que o fato gerador se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade de gerar a obrigação tributária exigível. Assim, embora apurado mensalmente, o IRPF se sujeita ao ajuste anual, apurandose o montante devido ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. A base de cálculo da declaração abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário, diminuídos das deduções pleiteadas. Para isso, há a declaração de ajuste, conforme trata o artigo 85 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. No caso em análise, o requerente foi cientificado do lançamento em 23 de dezembro de 2006. Como o anocalendário questionado é de 2001, mesmo adotandose a contagem do prazo decadencial nos termos dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, que é a forma mais benéfica ao sujeito passivo, o prazo decadencial somente se iniciaria em 2007. A polêmica da apuração mensal para a omissão baseada em depósitos bancários foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 38, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de oito de dezembro de 2009, in verbis: Fl. 801DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.011186/200604 Acórdão n.º 2201002.691 S2C2T1 Fl. 5 7 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF. II Omissão de rendimentos com base em depósitos bancários no AC 2001 O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos do artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte quanto à origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme legalmente previsto. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 117 a 121), caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Assim, não comprovada a origem dos recursos, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. O contribuinte indica que os depósitos teriam origem comprovada. Alguns destes já foram apreciados na primeira instância. Outros, posteriormente juntados, foram analisados na diligência determinada pela Resolução nº 220100.048. A fiscalização apurou, no anocalendário 2001, omissão de rendimentos no valor de R$ 313.828,10, sendo R$ 79.250,00 da conta corrente do BankBoston, R$ 229.938,10 do Banco Bilbao Vizcaya e R$ 4.640,00 da Caixa Econômica Federal. Desse montante, foram excluídos pela decisão de primeira instância os seguintes depósitos (Tabela I): Tabela I Motivo – decisão da DRJ Data Valor Banco Depósitos no BBV efetuados pela ECIL, identificados através de cópia 19/06/2001 *1.205,00 BBV Fl. 802DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 dos recibos de depósito (fls. 348/349). Como o contribuinte havia declarado rendimentos de prólabore pagos por esta empresa, cabe considerar comprovada a origem regular destes créditos. (* apesar de o depósito ser de R$ 1.200,00, será mantido o valor excluído pela DRJ de R$ 1.205,00) 05/07/2001 3.000,00 BBV Depósito no BBV. Transferência de conta do próprio titular, cf. fls.351 24/12/2001 31.000,00 BBV 02/04/2001 4.877,50 BBV 02/05/2001 4.877,50 BBV 01/06/2001 4.877,50 BBV Depósitos no BBV efetuados pela Concessionária Litoral Norte, conforme recibos de pagamento a autônomo (fls. 380/386), correspondendo a rendimentos declarados. 15/06/2001 6.776,25 BBV Total 56.613,75 No resultado da diligência, a auditorafiscal responsável pela diligência entendeu como comprovados adicionalmente pelo contribuinte os valores listados a seguir (Tabela II): Tabela II Motivo diligência DRF Data Valor Banco Venda de veículo/comprovante de depósito, autorização para transferência da empresa Veritas do Brasil Ltda. (fls. 463 a 465). 12/03/2001 28.394,00 BBV DOC. do próprio contribuinte/declaração da Caixa e extrato do BankBoston (fl. 452 e 84). Transferência entre contas do contribuinte. 10/08/2001 2.500,00 Caixa Rendimento da atividade rural decorrente de venda de gado/comprovante de depósito em cheque e declaração de Luis Otávio Pereira (fls. 458/459) 30/11/2001 6.780,00 BBV Rendimento da atividade rural decorrente de venda de gado/comprovante de depósito em cheque e declaração de Pedro Paulo de Souza Oliveira (fls. 460/462). 13/12/2001 6.570,00 BBV Total 44.244,00 Resta, portanto, entre os valores contestados pelo contribuinte, os seguintes depósitos (Tabela III): Tabela III Valor Data Banco Alegações do recorrente 1.243,00 19/02/2001 BBV Indenização por danos materiais na propriedade rural do recorrente, conforme comprovariam os docs. 02 e 03 das razões complementares Análise: Documentos insuficientes para comprovar a natureza dos recursos. Os documentos anexados às “razões complementares” são o extrato do Banco Bibao Bizcaya e a cópia do CNPJ online da empresa Veritas do Brasil Ltda, insuficientes para demonstrar que os recursos tenham como origem indenização paga por danos materiais, como afirma o recorrente. 9.000,00 03/07/2001 BBV Empréstimo do seu irmão Roberto Menezes Maron, conforme comprovante de depósito (doc. 04), quitado por ocasião da venda da fazenda. A empresa depositante, Proativa Serviços e Participações, seria de propriedade de seu irmão, como comprovariam os docs. 08 e 09 da defesa. Análise: Documentos insuficientes para comprovar a natureza dos recursos. O valor não está consignado na DIRPF e o depósito é de Pessoa Jurídica, não justificando o empréstimo de pessoa física. 4.000,00 09/11/2001 BBV 6.000,00 08/11/2001 BBV Receita da atividade rural da venda de gado ao irmão, conforme comprovante de depósito da empresa Proativa Serviços e Participações. Análise: Documentos insuficientes para comprovar a natureza dos recursos. O depósito de Pessoa Jurídica não justifica a venda para a pessoa física do sócio/proprietário da empresa. 7.470,00 02/01/2001 BBV 4.000,00 04/01/2001 BBV 7.470,00 05/02/2001 BBV 10.000,00 07/02/2001 BBV 7.470,00 05/03/2001 BBV Valores retirados da empresa ECIL a título de empréstimo ao longo do ano de 2001 (com exceção do depósito de R$ 4.000,00, todos os demais foram efetuados em dinheiro). Fl. 803DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.011186/200604 Acórdão n.º 2201002.691 S2C2T1 Fl. 6 9 3.500,00 03/03/2001 BBV 6.801,35 06/07/2001 BBV 3.500,00 09/05/2001 BBV 2.140,00 06/07/2001 CEF 1.500,00 30/07/2001 BBV 5.000,00 27/10/2001 Boston 9.833,00 01/10/2001 BBV 4.000,00 09/11/2001 BBV Análise: Documentos insuficientes para comprovar a natureza dos recursos. A exceção do depósito de R$ 4.000,00, de 09/11/2001, os depósitos foram efetuados em dinheiro, o que não permite verificar o depositante. Mesmo o que foi depositado em cheque, não há qualquer indicação do depositante. 16.000,00 07/05/2001 BBV Prólabore recebido da ECIL Análise: O depósito foi efetuado em dinheiro, o que não permite verificar o depositante ou sua origem. 60.000,00 07/08/2001 Boston Depósito efetuado por seu irmão, Roberto Menezes Maron (fls. 352/353), pela venda da sua participação na fazenda que possuía em sociedade com o seu irmão. Anexa instrumento particular de compra e venda (fls. 359). Análise: Acatada a tese de que os valores são da venda da aludida propriedade ao irmão. Apesar de não informar a operação na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2002, há um contrato particular datado de 12 de março de 2002, no qual consta como “integralmente recebida”, cujo valor coincide com o montante alegado. 12.000,00 01/10/2001 Boston Venda de bens de pequeno valor, que estavam na fazenda, ao irmão. 15.000,00 02/08/2001 BBV Os dois cheques de R$ 6.500,00 e R$ 8.500,00 referiamse à venda de cabeças de gado para o seu irmão quando alienara a sua participação na fazenda. Mas a venda só teria ocorrido em data posterior a este depósito Análise: Documentos insuficientes para comprovar a natureza dos recursos. Os depósitos foram efetuados por pessoa jurídica que não é parte no alegado negócio. Especificamente em relação ao contrato de mútuo com a ECIL Engenharia, além de não ser identificada a correlação dos pagamentos/retiradas/depósitos, a auditora responsável pela diligência ressalta que a situação financeira da empresa não era favorável ao pretenso empréstimo, uma vez que, além de devedora com o outro sócio em R$ 169.764,10 (saldo no final de 2001, fl. 22 do livro razão), no ano de 2001 apurou um prejuízo de R$ 32.476,43, acumulando um total de prejuízos de R$ 267.937,90, conforme o Demonstrativo de Resultado do Balanço Patrimonial do Exercício (fls. 85 a 87 do Livro Diário). O valor não confere com a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002, anocalendário 2001, que permaneceu inalterado, não sendo possível agora alterála em função da mera alegação de erro de preenchimento da referida declaração. O contribuinte não dispunha da documentação comprobatória necessária à identificação das contrapartidas dos lançamentos efetuados nos livros contábeis (Livro Caixa e Razão). Citase, como exemplo, a conta Caixa Geral, no mês de janeiro, em que a coluna da contrapartida encontrase em branco durante todo o mês. Toda movimentação desta conta seria, basicamente, para o pagamento do empréstimo do contribuinte. Entretanto, mesmo que isso fosse possível, os cheques emitidos foram aglutinados em um só dia, o que inviabiliza qualquer conferência. Também, nos livros não é possível relacionar os pagamentos da empresa aos depósitos em dinheiro. Conforme determina o Art. 923 de Regulamento do Imposto de Renda, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis”, e não como pretende o recorrente ao alegar que os simples registros contábeis elaborado pelo próprio seriam suficientes como meio probatório. Sendo o contribuinte sócio da empresa a qual contabilidade Fl. 804DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 se refere, deveria provar os fatos nela registrados, como dispõe o art. 925 do citado Regulamento. Em relação aos demais depósitos, conforme analisado na tabela acima, os documentos e justificativas apresentadas não são suficientes para comprovar a situação alegada. Assim sendo, para o anocalendário 2001, devem ser excluídos da base de cálculo, além daqueles já acatados na decisão de primeira instância, os valores de R$ 44.244,00 aceitos por ocasião da diligência e identificados na Tabela II e de R$ 60.000,00 da Tabela III, da venda da fazenda, totalizando assim R$ 104.244,00. III – Omissão de rendimentos do anocalendário 2003 No anocalendário de 2003 foram reclassificados R$ 900.000,00, sendo R$ 400.000,00 recebidos em 05 de maio e R$ 500.000,00 recebidos em 14 de julho, declarados na DAA de 2004 como isentos e não tributáveis. O contribuinte alega que os valores foram originados de acordos firmados em razão de ações judiciais em que eram partes a COPENER e a SEPAL e que foram havidos por herança, já que a ação original tinha como objeto os imóveis rurais que pertenciam a seus pais, e que tais direitos foram arrolados no processo de inventário, juntado às folhas 244 e 245. Argui que os direitos da Ação de Reintegração de Posse foram transmitidos ao recorrente não a empresa SEPAL, pois esta – antes mesmo da sucessão – já não mais operava. E, como a herança não se resumiria aos bens materiais, os pagamentos decorrentes do acordo foram herdados e, por isso, isentos do imposto de renda nos termos do art. 39, XV, do RIR/1999, por terem natureza indenizatória. Assim, são apontadas duas questões: a primeira, que o direito teria sido repassado ao recorrente por herança; e a segunda, que os pagamentos seriam decorrentes de indenização pela propriedade rural A situação posta exige a ordenação cronológica dos fatos. Por isso, passase a transcrever a ordem dos acontecimentos: 1 – Em 1977, a empresa SEPAL, de propriedade de Roberto Maron e Elbert Menezes Maron, que detinha a posse "a justo título" dos imóveis rurais situados no município de Entre Rios (BA), denominados “Cayru” e “Subaumirim”, promove uma ação de reintegração de posse em juízo contra Selma Magnavita (petição de fls. 234/236). 2 – Em 1982, por meio de contrato particular, o pai do contribuinte, Roberto Maron, juntamente com Elbert de Menezes Maron, se comprometem a transferir seus direitos a firmado com COPENER. 3 – Em 1983, Roberto Maron e Elbert Menezes Maron, promovem o inventário de Agostino José Pinheiro, antigo proprietário dos imóveis (fls. 252/254). 4 – Em 1985 falece Roberto Maron, pai do recorrente, e em 1991 (fl. 248) a sua mãe, Elzeny de Menezes Maron (fl. 249). 5 – Em 1989 foi regularizada a posse dos bens, por transmissão dos direitos hereditários dos sucessores de Agostinho José Pereira, tornandose Roberto Maron e Elbert de Menezes Maron os proprietários a justo título de imóveis rurais situados no município de Entre Rios, na Bahia (fl. 259). Fl. 805DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10580.011186/200604 Acórdão n.º 2201002.691 S2C2T1 Fl. 7 11 6 – Em 1994, o contribuinte e o seu irmão, Roberto Maron, ingressam com pedido de sobrepartilha (fls. 244/245) para incluir na partilha os imóveis recebidos, alegando que os mesmos, propriedades da empresa SEPAL, não haviam integrado o processo original de sucessão, porque na época a posse das terras pendia de decisão judicial em litígio com terceiros. 7 – Em 1997 os sócios da SEPAL, Roberto e Andre Maron, transferiram a propriedade dos terrenos denominados “Subaumirim”, “Antonio Jorge” e “Cayru” à COPENER, passando esta última a figurar como parte no processo de reintegração de posse contra Selma Magnavita, agora cumulado com questões reivindicatórias e possessórias entre a SEPAL e a COPENER. A lide cessa com um acordo celebrado entre as partes (fls. 237/240). Na ocasião, Andre Maron recebe R$ 162.000,00 e dois terrenos contíguos denominados “Fazenda Taitá” e “Nova Canaã”. 8 – Em 1999 a SEPAL ingressa com ação executória contra a COPENER pelo descumprimento de cláusula aditada ao acordo acima referido, celebrado em 1997 (fls. 391, verso). Segundo esta cláusula, os imóveis mencionados no acordo seriam transferidos à SEPAL juntamente com os direitos de pesquisa e lavra outorgados à COPENER pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). 9 – Em junho de 2003 as partes entram em acordo no processo de execução e a COPENER se compromete a pagar à SEPAL R$ 500.000,00, no prazo de cinco dias úteis a contar da data do trânsito em julgado da sentença que homologasse a transação (fls. 395/398). Das informações acima, é possível concluir que: a) Do direito a herança. Não foi juntada aos autos, antes ou depois da impugnação, a homologação da partilha dos bens, restringindose a comprovação apresentada pelo recorrente a um pedido de sobrepartilha, datado de 18 de março de 1994, para inclusão dos direitos decorrentes da SEPAL. A referida empresa e os seus direitos não constam na declaração de ajuste do interessado do exercício 2004. O acordo com a COPENER foi celebrado pela pessoa jurídica CEPAL em 1997, e não pelo recorrente pessoa física. Nesse acordo, foram encerrados todos os litígios que envolviam as propriedades objeto da invasão pela senhora Selma Magnavita e pela COPENER, ocasião em que foram recebidas as propriedades “Fazenda Taitá” e “Nova Canaã”. O pedido de sobrepartilha dos bens invadidos é de 1994, data bastante anterior ao recebimento das novas propriedades, e nele não há qualquer alusão ao direito arguido na ação ingressada em 1999. A ação contra a COPENER, iniciada em 1999, resultou no fechamento de um acordo em julho de 2003. Antes disso, inexistia o direito de sua incorporação ao patrimônio do recorrente, como contribuinte ou herdeiro. Aliás, por ser um direito arguido posteriormente, sequer estaria no inventário, na partilha ou na sobrepartilha. b) Das datas de pagamento e vinculações aos acórdãos. Nos autos consta o acordo assinado pelas partes (SEPAL e COPENER) em 12 de junho de 2003 (fl. 399), no valor de R$ 500.000,00, antes da homologação, que somente ocorreu em outubro de 2003 (fl. 400). Fl. 806DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 Há também uma petição datada de abril de 2003, na qual a SEPAL, representada por André Maron, receberia a quantia de R$ 400.000,00 pago através de cheque do Banco do Brasil, ag. 0158, c/c 4175166. Entretanto, não foi juntado à petição de abril, que contempla o mesmo objeto do acórdão firmado em junho de 2003, qualquer documento que faça referência a parcelas anteriores ou posteriores ou que comprove a sua homologação. Além de não haver clareza nas informações sobre o valor recebido nessa transação e não terem sido juntados aos autos elementos suficientes para se saber exatamente o valor acertado entre as empresas SEPAL e a COPENER, o acordo teve origem em um fato ocorrido posteriormente à sucessão e, por isso, não representa um bem deixado como herança. Ainda que tivesse origem de fato em um direito deixado por herança, não se poderiam definir os rendimentos do acordo firmado entre as partes como isentos, uma vez que o ato homologatório não lhe confere o caráter público de uma sentença em juízo. c) Beneficiário dos rendimentos. O acordo foi realizado pelo recorrente como representante da pessoa jurídica SEPAL. Não há informações nos autos se o contribuinte agia em nome da empresa ou como inventariante. Se o direito era do espólio, os recursos decorrentes desse direito não poderiam ser destinados à pessoa física do inventariante, sem qualquer formalização da partilha. E, se os rendimentos eram destinados de fato à pessoa física, não há porque se falar de herança. Caberia ao interessado, quando instado pela autoridade fiscal, apresentar as comprovações de origem dos recursos, mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrassem claramente os fatos ocorridos. Não poderia a auditoria, com base em suposições, definir os rendimentos em questão como isentos e não tributáveis. Isto posto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir R$ 104.244,00 da base de cálculo do anocalendário 2001, relativa à infração omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários sem comprovação de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 807DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/07/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000103/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/09/2007
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória da existência do crédito, deve ser mantida a glosa de compensação.
JUROS SELIC. SÚMULA 4 CARF.
É pacífico o entendimento neste CARF, conforme teor da Súmula n° 4 CARF, que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.619
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/09/2007 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória da existência do crédito, deve ser mantida a glosa de compensação. JUROS SELIC. SÚMULA 4 CARF. É pacífico o entendimento neste CARF, conforme teor da Súmula n° 4 CARF, que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11065.000103/2009-88
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473095
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.619
nome_arquivo_s : Decisao_11065000103200988.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11065000103200988_5473095.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5959129
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888605478912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000103/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.619 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MATRISOLA COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/09/2007 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória da existência do crédito, deve ser mantida a glosa de compensação. JUROS SELIC. SÚMULA 4 CARF. É pacífico o entendimento neste CARF, conforme teor da Súmula n° 4 CARF, que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 01 03 /2 00 9- 88 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11065.000103/200988 Acórdão n.º 2402004.619 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 21/01/2009, para glosar compensação indevidamente efetuada pela Recorrente no período de 11/2005 a 09/2007. A Recorrente apresentou Impugnação (fls. 128/1138), requerendo o cancelamento da autuação ante a sua insubsistência. A DRJ de Juiz de Fora/MG julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 1149/1152), sob os argumentos de que: (i) a legislação de regência não possibilita a compensação de créditos de terceiros, mesmo que havidos por cessão, com débitos próprios; (ii) não é possível afastar a aplicação de legislação em vigor para o cálculo de juros. Intimada da decisão em 19/08/2010 (fl. 1155), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/09/2010 (fls. 1159/1199), visando à reforma da decisão de primeira instância, argumentando que: (i) a legislação vigente à época do crédito não impunha resistência ao procedimento adotado pela Recorrente. A Lei nº 8.383/91 apenas exigia do contribuinte declarações prévias de compensação; (ii) a Emenda Constitucional nº 62/09, nos arts. 5º e 6º convalidou tanto as cessões de crédito efetuadas pela Recorrente, como as compensações por ela efetuadas; (iii) não se trata de créditos de terceiros, já que transferido para o patrimônio da Recorrente por meio de instrumento público de cessão, contabilizado e com a titularidade transferida nos termos do art. 567, do CPC, autorizado pelo art. 78 do ADCT e convalidado pela EC nº 62; (iv) é ilegal e notadamente onerosa a utilização da taxa SELIC para atualização de créditos tributários. É o relatório. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O cerne de controvérsia reside na possibilidade ou não de a Recorrente compensar débitos próprios de contribuição previdenciária, com créditos, da mesma espécie, decorrentes de decisão judicial favorável proferida em favor de outro sujeito passivo, mas que tenham sido objeto de Cessão de Crédito. A Lei n° 8.212/91, no art. 89, autoriza somente a compensação das contribuições arrecadadas pelo INSS nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido. Referido dispositivo não prevê a possibilidade de pagamento de contribuições com créditos de terceiros. Vejase: “Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas a, b e c, do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. § 7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios." Nesse sentido, temse que a Lei nº 8.383/91 também não prevê a possibilidade de compensação de débitos com créditos de terceiros, conforme se depreende da leitura do art. 66 abaixo transcrito: Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11065.000103/200988 Acórdão n.º 2402004.619 S2C4T2 Fl. 4 5 “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. § 4° O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo.” Além disso, a redação do art. 74, § 12, II, ‘a’, da Lei n° 9.430/96, é clara no sentido de que será considerado como não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito for de terceiro, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: a) seja de terceiros;” Desta forma, concluise que os dispositivos legais acima não permitem a compensação de débitos com créditos de terceiros. Em 10/12/2009, foi publicada a Emenda Constitucional n° 62, que em seu art. 5° convalidou todas as cessões de créditos de precatórios realizadas antes sua da promulgação, e no art. 6° convalidou todas as compensações de precatórios com tributos vencidos até 31/10/2009, efetuados na forma do art. 78, § 2°, do ADCT. Vejamse os dispositivos citados: Art. 5º Ficam convalidadas todas as cessões de precatórios efetuadas antes da promulgação desta Emenda Constitucional, independentemente da concordância da entidade devedora. Art. 6º Ficam também convalidadas todas as compensações de precatórios com tributos vencidos até 31 de outubro de 2009 da entidade devedora, efetuadas na forma do disposto no § 2º do Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 art. 78 do ADCT, realizadas antes da promulgação desta Emenda Constitucional. Para melhor elucidação do tema, transcrevese o art. 78, § 2°, do ADCT: Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos. § 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. A análise conjunta de todos os dispositivos citados leva à conclusão de que, naquelas situações previstas pela Emenda Constitucional n° 62/09, há o direito à compensação de débitos tributários com créditos de terceiros (precatórios) obtidos através de cessão de crédito. Contudo, o reconhecimento do direito à compensação tal como previsto na referida emenda, não implica, no presente caso, em convalidação das compensações, e no consequente cancelamento da autuação. Isso porque, o contribuinte deveria comprovar a real propriedade e disponibilidade do crédito, que no caso se daria através da demonstração de que os precatórios utilizados na compensação são efetivamente de sua titularidade (não tendo sido transferidos a outrem), bem como que os valores nele consubstanciados foram destinados ao pagamento dos tributos lançados no presente processo, não deixando margem à dúvida se aquele valor foi levantado judicialmente ou utilizado para pagamento de mais débitos do que o crédito existente. Todos os precatórios juntados aos autos constam como beneficiários os autores originais das ações, e não o Recorrente, não havendo um controle das possíveis cessões de créditos efetuadas. Os únicos documentos apresentados com o objetivo de comprovar a realização da cessão de créditos são escrituras públicas lavradas em cartório, em que os termos da cessão são previamente acordados entre as partes, não sendo possível averiguar acerca da disponibilidade dos créditos. Assim, ainda que fosse possível aplicar o permissivo constitucional, a autuação deve ser mantida, ante a ausência de documentação comprobatória do direito. Por fim, não prospera a alegação de que é ilegal e notadamente onerosa a utilização da taxa SELIC para atualização de créditos tributários. Sobre a aplicação da taxa SELIC, assim dispõe a Súmula nº 4 do CARF: Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11065.000103/200988 Acórdão n.º 2402004.619 S2C4T2 Fl. 5 7 “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Destacase, inclusive, que o E. STF no julgamento do RE 582.461/SP – Rel. Min. Gilmar Mendes, em sede de repercussão geral, já decidiu ser legítima a incidência da SELIC como índice de atualização dos débitos tributários. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo integralmente a autuação. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001503/2006-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVA DE REGULARIDADE FISCAL.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº. 9.069/95, art. 60).
Não se desincumbindo o contribuinte, no curso do processo de revisão de benefícios fiscais, de comprovar sua regularidade fiscal, é de ser indeferido o pleito.
Recurso voluntário desprovido
Numero da decisão: 1103-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento por maioria, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva que votou pela conversão do julgamento em diligência. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº. 9.069/95, art. 60). Não se desincumbindo o contribuinte, no curso do processo de revisão de benefícios fiscais, de comprovar sua regularidade fiscal, é de ser indeferido o pleito. Recurso voluntário desprovido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.001503/2006-53
conteudo_id_s : 5468984
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.641
nome_arquivo_s : Decisao_16327001503200653.pdf
nome_relator_s : Hugo Correia Sotero
nome_arquivo_pdf_s : 16327001503200653_5468984.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento por maioria, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva que votou pela conversão do julgamento em diligência. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
id : 5939625
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888610721792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001503/200653 Recurso nº 502.154 Voluntário Acórdão nº 110300.641 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria IRPJ Incentivos Fiscais Recorrente BANCO ITAÚ HOLDING FINANCEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº. 9.069/95, art. 60). Não se desincumbindo o contribuinte, no curso do processo de revisão de benefícios fiscais, de comprovar sua regularidade fiscal, é de ser indeferido o pleito. Recurso voluntário desprovido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento por maioria, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva que votou pela conversão do julgamento em diligência. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. (Documento assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (Documento assinado digitalmente) HUGO CORREIA SOTERO Relator. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001503/200653 Acórdão n.º 110300.641 S1C1T3 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório A Recorrente formulou Pedido de Revisão de Ordem de Benefício Fiscal – PERC referente ao anocalendário de 2003, pedido este indeferido pela Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo em face da ausência de comprovação de regularidade fiscal, bem assim pela existência de débito inscrito no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal – CADIN, e de pendências em relação à Procuradoria da Fazenda Nacional. A decisão de indeferimento do pedido foi vertida nos seguintes termos (fls. 81): “12 – Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN/ SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/ PGFN, INSS, CEF/FGTS. 13 – A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto ao CADIN/SISBACEN e à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 55 a 76, indicando que constam débitos da interessada em cobrança no PROFISC, no SIEF, e débitos inscritos em Dívida Ativa da União, impedindoa de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo prescrita:” Inconformada, apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade (fls. 8588), pleiteando a reforma da decisão administrativa com base nos seguintes fundamentos, verbis: “Não obstante, como já esclarecido, não foi expedida a ordem de emissão de adicional de incentivos fiscais, razão pela qual foi apresentada PERC, indeferida pela DEINF sob o argumento de que "(...) foram consultados o CADIN/SISBACEN e, os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal PGFN, INSS e CEF/FGTS" e que a consulta indica que o interessado está em situação irregular junto ao CADIN/SISBACEN E a SRF e PGFN" razão pela qual deve ser aplicado o artigo 60 da Lei n° 9.069/95, quecondiciona a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001503/200653 Acórdão n.º 110300.641 S1C1T3 Fl. 3 3 Porém, tais "irregularidades" são, na maioria dos casos, inexistentes, já que inúmeras vezes a recorrente, embora tenha pago o tributo (por DARF, por compensação demonstrada à Receita Federal) ou tenha obtido suspensão de exigibilidade (em decisão liminar, por depósito judicial), em razão de falhas no cadastro, do sistema do Fisco, se vê impedida de obter certidões negativas ou recebe cobranças desses supostos débitos, sendo, por isso, obrigada a requerer a baixa do débito inexistente ao próprio órgão administrativo ou buscar tutela judicial para tanto (o que, digase, acarreta custo, desgaste etc.).” A manifestação de inconformidade foi improvida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, assim: “INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida” Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 107111, reproduzindo as razões da manifestação de inconformidade, acrescentando: “Não obstante os argumentos acima, para comprovar o quão incontestável é a sua regularidade fiscal, o Recorrente anexa ao presente Recurso a listagem SINCOR, datada de 14.08.2009 (doc. 03), obtida por meio do Serviço de Atendimento Virtual (e CAC), a partir da qual justifica todos os seus débitos perante a RFB e a PGFN, quais sejam: DÉBITOS/ PENDÊNCIAS NA RECEITA FEDERAL: • Código 5706 e 9453: Tratamse de débitos de IRRF, nos valores de R$ 3.034.445,79 e R$ 2.157.189,50, relativos a multa moratória nos casos de denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Em 24.08.2009 foi protocolizada petição inicial do Mandado de Segurança contra referidos débitos (doc. 04); • CDA 80.6.02.05888019: em 15.02.2007 foi protocolizada petição junto à Receita Federal do Brasil, a qual ainda se encontra pendente de análise (doc. 05); • COA 80.2.04.00056397: em 13.07.2009 foi protocolizada petição, nos autos da Execução Fiscal n.° 2006.61.82.0498078, concordando com a conversão em renda da União do depósito judicial, no valor de R$ 321.745,31, realizado como garantia aos Embargos à Execução Fiscal (doc. 06); • CDA 80.6.08.02060428: em 24.10.2008, foi realizado depósito judicial, no valor de R$ 557.364,01, nos autos do processo n.° 2008.61.00.0258374 (doc. 07); • CDA 80.2.09.00042883: em 26.05.2009, a PGFN protocolizou petição, na qual converteu os títulos oferecidos como garantia à Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001503/200653 Acórdão n.º 110300.641 S1C1T3 Fl. 4 4 Execução Fiscal n.° 2009.61.82.0082926 em depósito judicial (doc. 08); • CDA 80.2.09.00601106: foram realizados depósitos judiciais, nos valores de R$ 29.526,23 e R$ 2.684,20, nos autos do processo n.° 2009.61.00.0069892 (doc. 09). Diante das informações acima apresentadas, resta evidente a necessidade da reforma da decisão proferida.” É o relatório. Voto Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Confirase a regra do art. 60 da Lei Federal nº. 9.069/95, verbis: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” Nos termos da disposição normativa, a concessão ou renovação de incentivos fiscais fica condicionada à comprovação – patente – de situação de regularidade fiscal, não comportando o procedimento administrativo de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC a instauração de fase instrutória para analisar, em face de irregularidades existentes, a possibilidade ou impossibilidade de concessão de benefícios fiscais ao contribuinte ou, como pretende a Recorrente, para desconsideração das informações constantes dos sistemas da Receita Federal atinentes a débitos inscritos em dívida ativa de sua responsabilidade. A cognição própria dos procedimentos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) resumese à conferência do preenchimento dos requisitos específicos pelo contribuinte – dentre ele, a regularidade fiscal –, não sendo possível a instauração de procedimentos incidentais para avaliar e desconstituir exigências relativas ao cumprimento de obrigações tributárias pelo contribuinte. O que postula a Recorrente, no caso, é que este Conselho se debruce sobre as pendências apontadas pela Secretaria da Receita Federal, desconstitua as restrições apontadas, ateste sua situação de regularidade fiscal e defira o pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, o que me parece inadmissível. Acolhida a pretensão da Recorrente, o específico procedimento de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, transformarseia em substitutivos dos processos administrativos de exigência de tributos, extrapolando sua função específica. Os procedimentos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, não comportam discussões acerca da situação de regularidade fiscal dos requerentes; o pedido Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001503/200653 Acórdão n.º 110300.641 S1C1T3 Fl. 5 5 deve ser instruído com a comprovação (patente) de regularidade, comprovação esta a ser feita mediante apresentação de certidão negativa ou certidão positiva com efeitos de negativa, sem o que deve ser indeferido o pedido. Sendo cediço que os procedimentos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, não comportam discussões acerca da situação de regularidade fiscal dos requerentes, faziase obrigatório que a Recorrente trouxesse aos autos certidão de regularidade, o que não fez. Assim, à míngua de comprovação da regularidade fiscal da Recorrente, conheço do recurso para negarlhe provimento. (Documento assinado digitalmente) Hugo Correia Sotero Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008215/2009-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/09/2005, 13/09/2005, 23/09/2005, 28/09/2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE.
O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/09/2005, 13/09/2005, 23/09/2005, 28/09/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10715.008215/2009-12
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473830
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-005.349
nome_arquivo_s : Decisao_10715008215200912.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10715008215200912_5473830.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5959864
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888623304704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.008215/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.349 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente TRANSPORTES AEREOS PORTUGUESES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/09/2005, 13/09/2005, 23/09/2005, 28/09/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsumese à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 82 15 /2 00 9- 12 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 12 2 Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através de Declarações de Exportação (DE’s) listadas na planilha de folhas 10, no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. Conforme demonstrado na planilha anexa ao auto de infração, as mercadorias foram embarcadas, mas os “dados de embarque” no SISCOMEX foram registrados após o prazo 2 dias para tal registro. Assim, entendendo estar caracterizada a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para cada veículo transportador em que a informação de dados de embarque não foi prestada, no SISCOMEX, no prazo (2 dias). Cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, alguns registros no SISCOMEX foram realizados fora do prazo, por incompatibilidade entre as informações prestadas pela TAP e as preenchidas pelo exportador no RE e na DE, tais informações não foram averbadas pelo sistema; Que, para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador. A simples alteração de informações referentes ao embarque de mercadorias no SISCOMEX não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à fiscalização; Que, ocorreu violação ao princípio da proporcionalidade; Que, não se vislumbra qual teria sido o prejuízo causado pela suposta intempestividade dos respectivos registros (cuja ocorrência nega). Não houve prejuízo e/ou embaraço à ação fiscalizadora; Que, ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos. Requer diligência e prova pericial; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 14 4 Requer seja acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração, subsidiariamente seja reconhecida a improcedência do auto de infração e, que as intimações sejam enviadas ao seu advogado. Posteriormente à apresentação da peça de defesa a interessada anexou aos autos: a) documento requerendo seja concedido o benefício da retroatividade benigna em razão da modificação introduzida pela Instrução Normativa RFB n° 1.096/10, que ampliou o prazo para registro da informação (7 dias); b) cópias de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais relacionadas à casos semelhantes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/09/2005, 13/09/2005, 23/09/2005, 28/09/2005 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. TRANSPORTADOR. PRAZO. O prazo para registro dos dados de embarque no Siscomex pelo transportador é de 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aéreo. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 16 6 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 17 7 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 18 8 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 19 9 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola o princípio da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB, estando pacificada no âmbito administrativo através da Súmula CARF no 2. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 20 10 Voto Vencedor Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Com o devido acatamento, ouso divergir do voto do Exmo. Sr. Relator. Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há decretolei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi prestada a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, após o prazo especificado no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, dentro de prazo determinado pela norma tributária, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 21 11 No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, quedandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 22 12 Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração O primeiro pressuposto é a ocorrência da infração cometida – no caso, a prestação extemporânea da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 23 13 Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.008215/200912 Acórdão n.º 3801005.349 S3TE01 Fl. 24 14 Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001358/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUANDO NÃO HÁ PAGAMENTO.
Conforme entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a ausência de pagamento em tributos sujeitos a homologação desloca a contagem do dies a quo para a data prevista no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, cujos fundamentos foram adotados como conclusão.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Nereida de Miranda Finamore Horta e Henrique Heiji Erbano. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Cuba Netto, que não foi substituído.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUANDO NÃO HÁ PAGAMENTO. Conforme entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a ausência de pagamento em tributos sujeitos a homologação desloca a contagem do dies a quo para a data prevista no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10650.001358/2005-71
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474354
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-001.059
nome_arquivo_s : Decisao_10650001358200571.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10650001358200571_5474354.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, cujos fundamentos foram adotados como conclusão. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Nereida de Miranda Finamore Horta e Henrique Heiji Erbano. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Cuba Netto, que não foi substituído.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5960388
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888629596160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2179; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.001358/200571 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.059 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria Auto de Infração Recorrente COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE NOVA PONTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENDÁRIO: 2000 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação, desacompanhada de documentação comprobatória, de que os ajustes promovidos pela Contribuinte se referem a receitas não tributadas, portanto, não relacionadas à compensação de base negativa de CSLL de anos anteriores, não é suficiente para afastar lançamento tributário baseado na inobservância do limite de 30%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUANDO NÃO HÁ PAGAMENTO. Conforme entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a ausência de pagamento em tributos sujeitos a homologação desloca a contagem do dies a quo para a data prevista no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, cujos fundamentos foram adotados como conclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 13 58 /2 00 5- 71 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Nereida de Miranda Finamore Horta e Henrique Heiji Erbano. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Cuba Netto, que não foi substituído. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão que julgou procedente o lançamento de CSLL do 2o trimestre de 2000, no valor total de R$ 457.926,16, em razão de irregularidades apuradas durante a fiscalização e descritas como “Base de cálculo negativa de períodos anteriores (financeiras) – compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores”. Reproduzimos, a seguir, a descrição pormenorizada dos fatos, conforme relatados na decisão recorrida: Em 19/07/2005, foi dada ciência à contribuinte da abertura do procedimento fiscal e do correspondente Termo de Início de Fiscalização (fls. 09/12), ação fiscal conforme RPF — Revisão Interna n° 06.1.05.002005001365 (fls. 01), sendo esta intimada a prestar os esclarecimentos necessários quanto às diferenças constatadas em sua DIPJ, no que toca à compensação a maior de Base de Cálculo Negativa da CSLL. Em sua resposta, a contribuinte esclareceu que o valor declarado se tratava da composição das seguintes contas: 1) Rendas de Títulos de Renda Fixa— R$ 21,81; 2) Recuperação de créditos baixados como prejuízo — R$ 854.580,57; 3) Reversão do saldo das provisões operacionais — R$ 1.943.331,49; 4) Outras Receitas Operacionais — R$ 600,00; 5) () Despesas Operacionais — R$ 6.275,88; 6) () Outras Despesas não Operacionais — R$ 46.047,57; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 4 3 Lucro Líquido = 1+2+3+456 = R$ 2.746.210,42 Já o fisco entendeu que como a legislação vedava a compensação acima de 30% do lucro líquido ajustado e não incluía tais casos (contas) como exceção à regra, houve infração à legislação tributária, sendo, dessa forma, glosados os valores compensados indevidamente na DIPJ/2000, 2° trimestre, a título de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s) em período(s)base anterior(es). Cientificada das autuações (fl. 97), a contribuinte protocolizou peça de impugnação (em 08/11/2005 fls. 99/123), onde sustenta em sua defesa pelas seguintes razões de fato e de direito: 1. Inicialmente, em conformidade com o disposto no art. 156, V, c/c o art. 150 do CTN, requer seja reconhecida a decadência relativa aos fatos geradores antes de 05/08/2000, tendo em vista ter sido cientificada do Termo de Intimação em 05/08/2005, e o fato gerador do respectivo lançamento ocorreu em 30/06/2000. Isso considerado, o lançamento deve ser anulado, de acordo com o § 4o do art. 150. Para corroborar seu argumento apresenta Acórdãos de julgados da Receita Federal e do Conselho de Contribuintes. Relata que a impugnante efetuou pagamento e que tal fato em nenhum momento foi questionado pela fisco. Por fim, diante disso, entende não ser possível a aplicação do art. 173, I, do CTN. 2) Posteriormente, alega erro no preenchimento da DIPJ. Assevera que a parcela de R$ 2.746.210,42 foi lançada equivocadamente no item “Base de Cálculo Negativa da CSLL de Períodos Anteriores — Atividade em Geral”, tendo em vista se tratar, na realidade, de uma hipótese de exclusão da composição do Lucro Líquido da Contribuinte, mais especificamente “Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas”, ou seja, deveria ter sido lançada dentro do campo de exclusões, na linha 26. Alega não existir limite legal à sua utilização integral como hipótese de exclusão. Cita legislação pertinente ao caso e argumenta que se trata de receita decorrente da prática de ato cooperativo pela Impugnante, uma Cooperativa de Crédito Rural; 3) Em seguida, disserta sobre o ato cooperativo, onde cita o art. 79 da Lei n° 5.764/71. Afirma que o ato praticado pela Cooperativa no presente caso é daqueles praticados “pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”, já que se trata de uma operação realizada entre ela, uma cooperativa de crédito singular, e sua cooperativa central, a CREDIMINAS. Relata que, a impugnante, enquanto ainda em funcionamento, celebrou com a CREDIMINAS dois contratos, os quais viabilizavam a sua operacionalização e funcionamento. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 5 4 Devido ao processo de liquidação, a empresa deixou de arcar com os compromissos assumidos perante a CREDIMINAS. Dessa forma, passou a contabilizar em seu ativo o débito assumido e também os encargos contratuais dele decorrentes (multa e juros). Em decorrência disso, a CREDIMINAS ajuizou duas ações judiciais contra a ora impugnante, nas quais foram realizados acordos judiciais (fls. 150/155), sendo que o valor negociado foi inferior àquele contabilizado como despesa pela impugnante, além de terem sido utilizados bens imóveis escriturados no passivo da contribuinte e bens de exdiretores da empresa na liquidação do débito. Devido a isso, ocorreu uma reversão de provisionamento contábil escriturado pela contribuinte, o que, para fins contábeis ou tributários, seria "receita". É evidente, destarte, que tal receita é decorrente de ato cooperativo, já que se trata de uma operação de crédito (objetivo social) tomada por uma Cooperativa de Crédito Rural singular junto à sua Cooperativa Central de Crédito. Portanto, sendo ato cooperativo, o seu resultado está abrangido pela não incidência do Imposto de Renda, conforme art. 182 do RIR/99; 4) Segue apresentando diversas decisões administrativas e judiciais sobre o assunto; 5) Culmina por sustentar que a Administração Pública deve regerse pelo Princípio da Verdade Material, ou seja, deve rever o lançamento com base nas alegações formuladas e provas apresentadas. Diante das razões apresentadas, solicita a nulidade do presente lançamento, requerendo: a extinção do auto de infração devido à ocorrência de decadência; a extinção da autuação, em virtude desta estar fundada em erro cometido pela Contribuinte no preenchimento da DIPJ; a declaração de insubsistência do auto de infração, porquanto a parcela utilizada como base de cálculo do tributo ora exigido é receita decorrente da prática de ato cooperativo pela Impugnante e, portanto, encontrase abrangida pela nãoincidência; e, por fim, a concessão de prazo para posterior juntada das cópias dos processos judiciais que deram origem à receita de ato cooperativo percebida pela Impugnante. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 6 5 Em sessão realizada em 18 de fevereiro de 2009, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetuado. As Ementas a seguir transcritas reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 30/06/2000 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INOBSERVÂNCIA DE LIMITE. Caracterizado que a contribuinte ultrapassou o limite de 30% estabelecido para a compensação relativa a valores referentes à Base de Cálculo Negativa da CSLL de Períodos Anteriores deve ser mantida a exigência do crédito tributário no valor nele consignado. DECADÊNCIA. CSLL. APURAÇÃO TRIMESTRAL. Não tendo havido pagamento, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, o prazo prescricional começa a correr a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, 01/01/2001. Neste caso, não há que se falar em DECADÊNCIA. Intimada da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual basicamente reproduz os entendimentos já expostos na impugnação, quanto à ocorrência de decadência, ao mero erro no preenchimento da DIPJ, à natureza do ato cooperativo e ao princípio da verdade material. Em sessão realizada em 26 de janeiro de 2011, esta Turma decidiu, por meio da Resolução n. 1021000.035, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto prolatado pelo Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz. Conforme entendimento manifestado naquele voto, Ao apreciar o pedido, a r. decisão “a quo” entendeu faltar prova de que o montante em referência originase de atos cooperativos e não acolheu a impugnação. Analisando a documentação juntada, localizamse cópias de acordos judiciais firmados entre a recorrente e outra cooperativa, pelos quais a recorrente concorda em pagar certos valores em adimplemento de obrigações cooperativas descumpridas. Mas, como destacado na r. decisão “a quo”, os valores constantes destes acordos não equivalem “prima facie” aos valores descritos na composição dos montantes dos acordos acima indicados, que o recurso invoca como sendo decorrentes de ato cooperativo. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 7 6 Na DIPJ consta como “61. Lucro Líquido do Período de Apuração” o valor de R$ 2.746.210,42. Desta forma, não foi possível verificar a origem da receita, restando dúvida acerca do exato valor decorrente dos referidos acordos, não obstante a juridicidade em tese da argumentação trazida. Não obstante competir ao recorrente o ônus de provar os fatos invocados, o art. 18 do Decreto 70.235/72 permite ao julgador determinar a realização de diligência de ofício se entender pertinente para elucidar os fatos e permitir a exata incidência tributária à luz da verdade real evitando a perpetuação do litígio e sua renovação no âmbito do Poder Judiciário: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Desta forma, em virtude verossimilhança dos fundamentos trazidos e atento à “ideologia constitucional” que exige estímulo e incentivo técnico e financeiro às cooperativas, na forma do art. 146, inc. III, alínea “c”, da Constituição Federal quando determina seja dado “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os fins abaixo: 1. Pedese a autoridade originária que verifique, mediante intimação ao contribuinte, e informe se ele tinha registrado saldos de Prejuízo Fiscal de Períodos de Apuração de 1991 a 2000 no montante de R$ 2.746.210,42. 2. Pedese a autoridade originária que verifique a composição dos R$ 2.746.210,42, que a recorrente alega serem “Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas”, e que seriam compostos pelos seguintes valores constantes de sua DIPJ, a fim de confirmar mediante documentação a origem de cada resultado positivo da composição abaixo descrita: Linha 11: Rendas de Títulos de Renda Fixa R$ 21,81; Linha 28: Recuperação de créditos baixados como prejuízo (na DIPJ esse valor está lançado como “28. RECEITAS DE OUTRAS OPERAÇÕES”) R$ 854.580,57; Linha 39: Reversão do saldo das provisões operacionais R$ 1.943.331,49; Linha 40: Outras Receitas Operacionais R$ 600,00; Linha 41: () Despesas Operacionais R$ 6.275,88; Linha 51: () Outras Despesas não Operacionais R$ 46.047,57; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 8 7 Linha 61: Lucro Líquido = 1+2+3+456 = R$ 2.746.210,42”. 3. Informar se o recorrente sofreu retenção de CSLL na fonte, nos anoscalendário objeto de fiscalização. 4. Informar se o recorrente realizou pagamento de antecipações de CSLL nos anoscalendário objeto de fiscalização. Por força da Resolução desta Turma, em 20 de outubro de 2011 a interessada foi intimada a apresentar diversos documentos, necessários aos trabalhos de diligência. Após outras intimações e entrega de documentos, a autoridade diligenciante elaborou Termo de Informação Fiscal, no qual sintetiza suas conclusões, nos seguintes termos: 1. Atendendo à decisão da 1a Turma ordinária – 2a Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi realizada diligência fiscal na contribuinte acima referida, cujos resultados estão discriminados a seguir. 1.1. SALDOS ANTERIORES DE PREJUÍZOS FISCAIS Conforme documentos apresentados pela contribuinte e registros do Sistema SAPLI, no início do anocalendário de 2000 a Cooperativa acumulava um saldo de Base de Cálculo negativo superior ao montante de R$ 2.746.210,42. 1.2. RETENÇÃO DE CSLL NA FONTE, NO ANO CALENDÁRIO DE 2000: Não constam retenções de CSLL na fonte. 1.3. ANTECIPAÇÕES DE CSLL NO ANOCALENDÁRIO DE 2000: Não constam antecipações de CSLL. 1.4. LIVROS CONTÁBEIS: Intimada a apresentar os livros Diário e Razão do anocalendário 2000, a contribuinte apresentou sua escrita contábil em folhas soltas, conforme documentos de folhas 393 a 412, que não atendem às formalidades extrínsecas (Encadernação, Termos de Abertura e de Encerramento, Registro no órgão competente). 1.5. COMPOSIÇÃO DO RESULTADO DO ANOCALENDÁRIO DE 2000: conforme consta do item 1.4 acima, os livros contábeis apresentados não atendem às formalidades exigidas pelo Conselho Federal de Contabilidade e pelo DecretoLei 486, de 03/03/1969, o que prejudica a confiabilidade das informações neles contidas. Entretanto, analisando todos os documentos apresentados pela Cooperativa, o resultado positivo apurado no anocalendário 2000 seria composto pelos fatos contábeis a seguir discriminados. RECEITAS Rendas de títulos de Renda Fixa R$ 21,81 Recuperação de créditos baixados R$ 854.580,57 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 9 8 • Recebimento de parte dos créditos inadimplidos, mediante dação de imóveis e cessão de créditos de precatórios, por parte dos devedores da Cooperativa. Abatimento de empréstimos devidos R$ 1.943.331,49 • Apesar de o histórico do lançamento chamar de “reversão de despesas”, tratase de abatimento obtido em acordo para pagamento de dívida do sujeito passivo com a CREDIMINAS, cujos encargos vinham sendo lançados a débito de despesas, em exercícios anteriores. Rendas de aluguéis R$ 600,00 TOTAL DAS RECEITAS R$ 2.798.533,87 TOTAL DAS DESPESAS (R$ 52.323,45) • Conforme declarado pela contribuinte. LUCRO LÍQUIDO R$ 2.746.210,42 O valor das receitas no montante de R$ 1.943.331,49, que a Cooperativa alega ser originário de reversão de provisões operacionais, corresponde ao abatimento obtido quando da liquidação de empréstimo com a CREDIMINAS, cujos encargos haviam sido contabilizados a débito das respectivas contas de despesas nos exercícios anteriores, compondo os resultados negativos apresentados até o anocalendário de 1999. Portanto, não havia provisões contábeis a serem revertidas. (...) Em resumo: 1. As receitas obtidas com aplicações financeiras, recuperação de créditos, abatimento de dívidas e outras receitas operacionais deveriam compor, no anocalendário de 2000, a base de incidência da CSLL; 2. Não houve erro ao preencher a DIPJ, uma vez que para a CSLL todo o resultado deveria ser tributado, fosse ele oriundo ou não de atos cooperativos; 3. O Auto de Infração está correto, um vez que somente poderiam ser compensados valores de bases de cálculo negativos até o limite de 30% do resultado do exercício. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Vencido Fl. 513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 10 9 Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Tendo em vista o questionamento preliminar da Recorrente, faremos a análise dos argumentos de forma tópica, no intuito de enfrentar todos os temas suscitados nos autos. 1. Preliminar de decadência Com a publicação do Recurso Especial n. 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, que teve como relator o Ministro Luiz Fux, a matéria encontrase definida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e deve, portanto, ser seguida neste Colegiado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 11 10 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Como no caso dos autos não se tem notícia de pagamento, conforme demonstrado na decisão recorrida, que também pesquisou os sistemas informatizados da Receita Federal, o prazo decadencial deve ser contado conforme a regra do artigo 173, I, do CTN, de sorte que não deve prosperar a preliminar suscitada, pois o fato gerador ocorreu em 30 de junho de 2000 (2o trimestre) e a ciência do Auto de Infração foi dada ao Contribuinte em 10 de outubro de 2005, conforme aviso de recebimento de fls. 100. 2. Quanto ao mérito A Recorrente alega que houve mero erro no preenchimento da DIPJ, em que a parcela de R$ 2.746.210,42 foi lançada equivocadamente como “Compensação de Prejuízos Fiscais”, quando, na verdade, tratavase de hipótese de exclusão da composição do lucro real, de forma que não existe qualquer limite à sua utilização, o que afastaria o fundamento do Auto de Infração. Todavia, os trabalhos de diligência demonstram que tais alegações não são procedentes. Ao responder os quesitos formulados por esta Turma, a autoridade diligenciante informou que: a) A Cooperativa acumulava saldo negativo de Base de Cálculo superior a R$ 2.746.210,42; b) Que não houve retenções ou antecipações a título de CSLL no ano calendário de 2000; Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 12 11 c) Que os livros contábeis apresentados não atenderam às formalidades previstas pelas normas contábeis e legais; Ainda assim, a autoridade constatou que as receitas auferidas no ano calendário de 2000 foram efetivamente de R$ 2.746.210,42, conforme demonstrativo de fls. 435, já reproduzido no relatório deste voto. E mais: em relação à principal rubrica discutida nos autos, qual seja, o montante de R$ 1.943.331,49 que a Recorrente alega ser originário de reversão de provisões operacionais, a autoridade diligenciante informa que a natureza deste valor corresponde ao abatimento obtido quando da liquidação do empréstimo com a CREDIMINAS, cujos encargos haviam sido contabilizados a débito das respectivas contas de despesas nos exercícios anteriores, de forma que compuseram o resultado negativo apresentado até o anocalendário anterior e, ao contrário do que afirmou a interessada, não havia provisões para reversão. Portanto, não assiste razão à Recorrente, visto que os valores não são exclusões do lucro líquido, mas sim bases negativas de períodos anteriores. E, nesse sentido, é induvidoso que a interessada compensou indevidamente valores que compunham a base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores sem obedecer ao limite de 30%, legalmente previsto. De se notar que, à época dos fatos, havia previsão legal para a incidência da CSLL sobre todo o resultado das sociedades cooperativas, conforme estabelecido pela Lei n. 7.689/88: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 13 12 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. (...) Art. 4º São contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. Somente a partir de 1o de janeiro de 2005, com o advento da Lei n. 10.865/2004, as receitas decorrentes dos atos cooperativos (definidos no artigo 79 da Lei n. 5.764/71) passaram a ser consideradas isentas da CSLL: Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. (grifamos) (...) Art. 48. Produz efeitos a partir de 1o de janeiro de 2005 o disposto no art. 39 desta Lei. Como a questão debatida nos autos diz respeito ao anocalendário de 2000, não há qualquer óbice aos procedimentos lavrados pela fiscalização, razão pela qual o lançamento deve ser mantido. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10650.001358/200571 Acórdão n.º 1201001.059 S1C2T1 Fl. 14 13 Voto Vencedor Não obstante o brilhantismo do voto do ilustre Conselheiro Relator, ouso acompanhálo apenas pelas conclusões. Isso porque, entendo que as alegações da Recorrente são coerentes e uma vez que fossem comprovadas, seriam suficientes para afastar o lançamento tributário relacionado à inobservância do limite de 30% de aproveitamento de Base Negativa de CSLL de anos anteriores. Contudo, e este é ponto fulcral da questão, a documentação apresentada pela Recorrente não ratifica suas alegações, levandome, portanto, à conclusão de que acertado foi o lançamento tributário. Desta sorte, acompanho o Relator pelas conclusões, uma vez que foi a ausência de comprovação das alegações da Recorrente que me levaram a ratificar o lançamento tributário. (documento assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO – Relator Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
score : 1.0
