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Numero do processo: 19515.001738/2003-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificada inexatidão material da decisão embargada. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. DESISTÊNCIA. Tendo em vista o pedido de desistência expresso realizado pela Recorrente, não se pode conhecer do recurso voluntário interposto.
Numero da decisão: 1801-001.141
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria Fazenda Nacional para anular o Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801-00.164, de 08.12.2009, e não conhecer o recurso voluntário diante da desistência da Plastgrup S/A, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificada inexatidão material da decisão embargada. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. DESISTÊNCIA. Tendo em vista o pedido de desistência expresso realizado pela Recorrente, não se pode conhecer do recurso voluntário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria Fazenda Nacional para anular o Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.164, de 08.12.2009, e não conhecer o recurso voluntário diante da desistência da Plastgrup S/A, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.001738/200373 Acórdão n.º 180101.141 S1TE01 Fl. 368 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 194203, com a exigência do crédito tributário no valor de R$746.687,59 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional relativamente aos quatro trimestres do anocalendário de 1998, apurado na forma de tributação com base no lucro real. O lançamento se fundamenta nas seguintes infrações: falta de adição ao lucro liquido do valor correspondente diminuição do valor de investimentos avaliados pelo patrimônio liquido, omissão de receita equivalente à recuperação de despesas com encargos de depreciação e/ou amortização, glosa de despesas não dedutíveis e manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não fora comprovada. II O Auto de Infração às fls. 204207 com a exigência do crédito tributário no valor de R$56.150,47 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. III – O Auto de Infração às fls. 208211 com a exigência do crédito tributário no valor de R$172.770,80 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. IV – O Auto de Infração às fls. 212217 a exigência do crédito tributário no valor de R$248.750,56 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Cientificada em 07.05.2003, fls. 199, 206, 210 e 214, a Recorrente apresentou a impugnação em 06.06.2003, fls. 224233. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 6,797, de 15.06.2004, fls. 248256: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/04/1998 a 30/06/1998, 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 Ementa: IMPUGNAÇÃO. PRAZO. O prazo para apresentação de impugnação contra auto de infração é objetivo: 30 (trinta) dias a contar da ciência, sem qualquer possibilidade de dilação ã conta de critério subjetivo que seja (complexidade da matéria autuada, por exemplo). PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente ã legislação de regência em vigor (i.é, com força vinculante), sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos (validade da norma jurídica). Fl. 620DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.001738/200373 Acórdão n.º 180101.141 S1TE01 Fl. 369 3 IRPJ. PASSIVO. COMPROVAÇÃO. Se insubsistente o passivo escriturado, presumese correspondente omissão de receita. CSLL. PIS. COF1NS. DECADÊNCIA. O prazo de decadência, no que importa à CSLL, ao PIS e ã Cofins, respeita a regra do art. 45 da Lei n° 8.212/91. IRPJ. IRRF. DECADÊNCIA. Nos tributos que suportam o "lançamento por homologação", para que o contribuinte dispute o termo "a quo" privilegiado do art. 150, § 40, do CTN, há que se assomar com: apuração, declaração, pagamento do tributo, ainda que parcial, e boafé. Faltante um destes requisitos, o termo "a quo" do prazo decadencial passa a ser o prefigurado no art. 173 do CTN, particularmente, aqui, o do inciso I. IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, Cofins e PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Matéria não contestada expressamente temse por não impugnada, de ordem a se concluir pela constituição definitiva do credito tributário em apreço. Notificada em 21.08.2006, fl. 261verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.09.2006, fls. 269278, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Está consignado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.164, de 08.12.2009, fls. 352358: “Recurso Voluntário Provido em Parte”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 I IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. 1° TRIMESTRE DE 1998. Não resta configurada a decadência do 1° trimestre de 1998, uma vez que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre. Precedente do STJ no Recurso Especial 973.733 SC, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Subsunção aos termos do PGFN/CAT/N° 1617/2008. II Restando demonstrado que o lançamento de PIS e COFINS ocorreu de maneira equivocada, porquanto apurou tais tributos, trimestralmente. ao invés de mensalmente, patente o vicio material do lançamento, conforme dispõe o artigo 142, do PAF. Cientificada em 21.05.2012, fl. 360, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração em 23.05.2012, fls. 363364, alegando que o Acórdão Fl. 621DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.001738/200373 Acórdão n.º 180101.141 S1TE01 Fl. 370 4 embargado contém omissão, tendo em vista a desistência expressa do recurso voluntário interposto pela Plastgrup S/A, formalizada em 22.09.2010, fls. 339340. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, deles tomo conhecimento. A PFN suscita que houve desistência expressa do recurso voluntário interposto pela Plastgrup S/A formalizada em 22.09.2010, fls. 339340. Vale ressaltar que em qualquer fase processual a Recorrente pode desistir do recurso em tramitação, desde que manifeste em petição ou a termo nos autos do processo (art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) No presente caso, a Recorrente, Plastgrup S/A, formalizou em 22.09.2010 a seguinte petição, fls. 339340. PLASTIGRUP S/A, contribuinte devidamente inscrita no CNPEMF sob o n° 43.867.670/000112, por seu advogado que esta subscreve, devidamente qualificados nos autos do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL N° 19515.001.738/200373, vem respeitosamente a presença de Vossa Senhoria, nos exatos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 15, para o seguinte: 1. O débito relativo ao processo administrativo acima epigrafado é objeto de pedido de parcelamento, nos termos da Lei 11.941/2009, conforme fazem prova os documentos em anexo. 2. Desta forma, a contribuinte desiste expressamente e de forma irrevogável do recurso administrativo e, cumulativamente, renuncia a qualquer alegação de direito sobre o qual se funda o processo administrativo em questão. 3. Importante salientar que a. contribuinte já requereu a desistência do recurso em outras oportunidades, porém para evitar quaisquer contratempos, novamente requer a desistência do mesmo. 4. Por fim, devido ao fato do referido recurso encontrarse fisicamente no CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS DF e, por este ser o domicilio tributário da contribuinte, requer o protocolo deste requerimento e a conseqüente juntada do mesmo no citado processo. Tendo em vista o pedido de desistência expresso realizado pela Recorrente, não se pode conhecer do recurso voluntário interposto. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.001738/200373 Acórdão n.º 180101.141 S1TE01 Fl. 371 5 Verificase que até a presente data a Recorrente, Plastgrup S/A, não foi notificada validamente do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801 00.164, de 08.12.2009, fls. 352358. Por essa razão, este ato administração não vincula a ela tampouco Administração Pública que o emitiu (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 e art. 26 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Assim, o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 6.797, de 15.06.2004, fls. 248256, cujo resultado foi “Lançamento Procedente”, tornouse definitivo na esfera administrativa, porque não mais é objeto de recurso voluntário (art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria Fazenda Nacional para anular o Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.164, de 08.12.2009, e não conhecer o recurso voluntário diante da desistência da Plastgrup S/A. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 623DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.014292/2007-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTO PRODUZIDO POR BENS COMUNS. COMPENSAÇÃO DO IRRF.
O cônjuge que optou por incluir em sua declaração de ajuste anual a totalidade dos rendimentos de alugueis produzidos pelos bens comuns terá direito à compensação do imposto de renda que foi retido pela fonte pagadora, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator .
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Marcio Lacerda Martins e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTO PRODUZIDO POR BENS COMUNS. COMPENSAÇÃO DO IRRF. O cônjuge que optou por incluir em sua declaração de ajuste anual a totalidade dos rendimentos de alugueis produzidos pelos bens comuns terá direito à compensação do imposto de renda que foi retido pela fonte pagadora, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator . (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Marcio Lacerda Martins e Carlos André Ribas de Melo.
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COMPENSAÇÃO DO IRRF. O cônjuge que optou por incluir em sua declaração de ajuste anual a totalidade dos rendimentos de alugueis produzidos pelos bens comuns terá direito à compensação do imposto de renda que foi retido pela fonte pagadora, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator . (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Marcio Lacerda Martins e Carlos André Ribas de Melo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 42 92 /2 00 7- 16 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Notificação de Lançamento, às fls. 15/18, mediante a qual foi procedida a glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 6.473,04, considerado indevidamente compensado na declaração de ajuste anual do exercício de 2005, anocalendário 2004. Segundo consta do lançamento, o comprovante de retenção e de recolhimento apresentado pela contribuinte não identifica o responsável pela emissão e não está acompanhado do contrato de locação e do documento de propriedade do imóvel locado para a Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A notificada interpôs impugnação, às fls. 01/02 alegando, em suma, que a fonte pagadora declarou o IRRF em nome de seu cônjuge Dante Ângelo Conte Pilia, cujos valores foram por ela declarados na sua declaração de ajuste anual, anocalendário 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POÁ) decidiu pela improcedência da impugnação ao argumento de que: “A Declaração do Imposto de Renda na Fonte DIRF que anexo às fls. 47, informa que o valor da retenção objeto da lide (R$ 6.473,04) foi retido dos rendimentos pagos ao Sr. Dante Angelo Conte Pilla, cônjuge da impugnante. De outra parte, não ficou provado que os bens que geraram o rendimento, tratamse de bens comuns. Cientificada em 12/05/2011, fls. 56, a representante da interessada (instrumento de procuração às fls. 98) interpôs recurso voluntário em 09/06/2011, fls 58, informando que junta cópia do contrato de locação, bem como documento que comprova a propriedade do imóvel locado, comprovantes dos pagamentos feitos pela locadora e certidão de casamento celebrado pelo regime de comunhão universal de bens. Requer o cancelamento da Notificação de Lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O relator do voto da decisão de primeira instância, considerou improcedente a impugnação diante da constatação de que não teria sido comprovado que os bens que geraram o rendimento referemse a bens comuns da sociedade conjugal. Agora, na fase recursal, o Recorrente junta os documentos de fls. 63 a 64 (Termo aditivo do Contrato de Locação); fls. 74 a 80 (CartaContrato de Locação); e fls. 81 (matrícula nº. 652, do Cartório de Registro de Imóvel, referente ao imóvel locado e averbação da certidão de casamento, sob nº. AV.6.652). Nos termos do art. art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.014292/200716 Acórdão n.º 2802002.170 S2TE02 Fl. 102 3 Entretanto, em homenagem ao princípio da verdade material e admitida nos julgamentos realizados neste CARF a formalidade moderada dos processos administrativos fiscais, o fato de a prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. A respeito do assunto, convém transcrever a ementa do seguinte julgamento do Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso provido Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “(...) afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”.(Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Do exame dos documentos ora juntados aos autos, ficou constatado que o rendimento declarado a título de aluguel pela contribuinte foi produzido por bem comum, em razão da sociedade conjugal com a pessoa informada como beneficiária do IRRF declarado na DIRF, fls. 47, apresentada pela fonte pagadora. Vejamos o que dispõe o Decreto n° 3.000/99 (RIR/99) a respeito do assunto: Art. 6º. Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5o): I — cem por cento dos que lhes forem próprios; II' — cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Depreendese, pois, que o cônjuge que optou por incluir em sua declaração de ajuste anual o total dos rendimentos produzidos pelos bens comuns terá direito à Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 compensação imposto de renda retido pela fonte pagadora desses alugueis, independentemente de qual dos cônjuges tenha sofrido a retenção. Uma vez que ficou evidenciado nos autos que a Recorrente incluiu em sua declaração de ajuste anual a totalidade dos rendimentos produzidos por bem comum, cabe a ela o direito à compensação do valor do imposto de renda que foi retido pela fonte pagadora do aluguel, em nome de seu cônjuge. Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Jaci de Assis Junior Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10580.011602/2004-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DILIGÊNCIA. APURAÇÃO. NÃO CONTESTAÇÃO. CONCORDÂNCIA TÁCITA. Tendo sido realizada diligência de acordo com resolução aprovada pelo órgão julgador, a não contestação de seu resultado pela Interessada no prazo concedido implica concordância tácita com os termos de sua apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO REPRESENTATIVAS DE FATURAMENTO. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei n o 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. AÇÃO FISCAL. APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS E POSITIVOS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. É possível a compensação entre saldos positivos e negativos de um mesmo tributo apurados pela Fiscalização na ação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.393
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DILIGÊNCIA. APURAÇÃO. NÃO CONTESTAÇÃO. CONCORDÂNCIA TÁCITA. Tendo sido realizada diligência de acordo com resolução aprovada pelo órgão julgador, a não contestação de seu resultado pela Interessada no prazo concedido implica concordância tácita com os termos de sua apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO REPRESENTATIVAS DE FATURAMENTO. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. AÇÃO FISCAL. APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS E POSITIVOS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. É possível a compensação entre saldos positivos e negativos de um mesmo tributo apurados pela Fiscalização na ação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução no 20100.710, de 20 de setembro de 2007 (fls. 116 a 121) da antiga Primeira Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 89 a 109) apresentado em 17 de abril de 2007 contra o Acórdão nº 1512.184, de 23 de fevereiro de 2007, da DRJ de Salvador – BA (fls. 82 a 86), cientificado em 19 de março de 2007, que considerou procedente auto de infração do PIS, lavrado em 18 de novembro de 2004, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2000 a setembro de 2003, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep “Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 “INCONSTITUCIONALIDADE. “A Secretaria da Receita Federal, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. “COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. “A compensação é opção do contribuinte, e o fato de este ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado, por meio de documentos hábeis, ter exercido a compensação antes do início do procedimento de ofício. “Lançamento Procedente” Segundo o auto de infração, foram apuradas diferenças no recolhimento da contribuição, em face da apuração efetuada com base na escrituração da Interessada. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.011602/200402 Acórdão n.º 330201.393 S3C3T2 Fl. 159 3 No recurso, após analisar a decisão de primeira instância, alegou a Interessada que ela seria nula, em razão de haver a Fiscalização apurado de ofício créditos que não foram compensados e o acórdão haver oposto o argumento de que não teria sido apresentada prova da realização da compensação anteriormente ao lançamento e não haver sido especificada a prova a ser produzida. Dessa forma, a apuração realizada pela Fiscalização seria “a única prova exigível” e o Acórdão teria incorrido em cerceamento de direito de defesa Reproduziu a ementa e trechos do julgamento da ação cautelar em mandado de segurança do processo 26.3580, do qual foi relator o Ministro Celso de Mello. A seguir, alegou que os valores recolhidos a maior apurados pela Fiscalização deveriam ser compensados com os valores a menor. Ademais, seria cabível a exclusão de outras receitas, tendo em vista que a base de cálculo do PIS seria somente o faturamento, o que implicaria a apuração de novo crédito, o que importaria que, no período abrangido pela autuação, não restariam diferenças a recolher, mas sim créditos. Afirmou que os valores foram informados em DCTF, o que seria suficiente para reconhecer os créditos. Tratou a seguir do alargamento da base de cálculo da contribuição, que seria inconstitucional, nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal. A resolução aprovada requereu o seguinte, após considerar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins: Dessa forma, à vista de a Fiscalização haver informado em seu relatório que as principais diferenças apuradas no lançamento teriam decorrido do novo conceito de faturamento introduzido pela Lei nº 9.718, de 1998, e a Recorrente, em seu recurso, alegar referiremse a recuperação de ICMS pago indevidamente ao Estado em face de substituição tributária, entendo ser necessária a realização de diligência, para esclarecer a origem específica das diferenças. Voto, assim, por converter o julgamento em diligência, para que a Fiscalização, intimando a Interessada, que deverá prestar todas as informações necessárias ao deslinde da matéria, esclareça a origem específica das diferenças, indicando as contas contábeis das quais se originaram. Deverá ser esclarecida, no levantamento, a aplicação de leis posteriores à Lei nº 9.718, de 1998, que tenham alterado o conceito de faturamento. Posteriormente, deverá elaborar demonstrativo, indicando que parte da base de cálculo estaria abrangida somente pelo Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 conceito de faturamento da Lei nº 9.718, de 1998. Além disso, a Fiscalização deverá indicar os valores apurados a maior, calculados com base nas diferenças a menor das bases de cálculo apuradas em face das contribuições declaradas e pagas. Por fim, deverá dar ciência à Recorrente, para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, expondo eventuais razões de discordância. A diligência foi realizada nas fls. 125 a 150, tendo concluído o seguinte a Fiscalização: Tendo em vista o cumprimento da solicitação de diligência fiscal, constante na página 121, considerando que nas impugnações e recursos voluntários existem indicações de valores de receitas divergentes dos informados pelo contribuinte, no curso da ação fiscal que ensejou a lavratura de Autos de Infração, através de planilhas apresentadas pelo autuado, conforme pág. 19/22, no exercício das funções de Auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, respaldado no RPF 2008006011, lavramos o Termo de Diligencia Fiscal/Solicitação de Documentos IT 001, pag. 125/126, no qual, INTIMAMOS o diligenciado a ratificar as informações constantes nas citadas planilhas ou, sendo o caso, apresentar planilhas retificadas e descrever a natureza de todas as receitas constantes das planilhas. Em resposta ao citado Termo, o contribuinte apresentou planilhas ratificando as informações constantes nas planilhas originais, pág. 133/136 e informou a natureza das diversas receitas, pág. 132. No tocante a "outras receitas" a diligenciada informou tratarse de "recuperação de despesas, reembolso de pagamentos indevidos, etc." Isto posto, lavramos o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos no 002, pág. 137/138, no qual, INTIMAMOS a diligenciada a descrever precisamente a natureza de todas as receitas constantes das planilhas apresentadas, a titulo de "outras receitas". Em resposta ao citado Termo a diligenciada informou, pág 139, que as referidas receitas "...tratamse de reembolso de ISS pago em duplicidade conforme escriturado na conta 50202010004." Da análise da conta 30202010004, referente aos anos de 2001 e 2002, respectivamente pág. 1877 e 2103/2104 dos Livros Razão, pág 140/141, constatamos um lançamento, a titulo de reembolso de ISS, no valor de R$ 26.370,55, que consta nas planilhas como sendo referente ao mês de junho de 2001, mas que na verdade referente ao mês de maio daquele ano, excluindo este valor da base de cálculo do tributo para o mês de junho de 2001, sua base de cálculo será R$ 2.723.555,68. Considerando a referida exclusão, os valores pagos e/ou declarados a maior e os valores objeto de parcelamento, a situação fiscal do contribuinte será a demonstrada nas planilhas Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.011602/200402 Acórdão n.º 330201.393 S3C3T2 Fl. 160 5 "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA PARA A DILIGÊNCIA". Procedendo a compensação dos valores pagos a menor com os valores pagos a maior conforme planilhas "DEMONSTRATIVO DE COMPENSAÇÃO" nas quais cobramos juros e multa de mora, baseado nos arts 950 e 953 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), quando compensamos valores pagos a menor com excesso de pagamentos efetuados em data posterior ao período de apuração, quando aconteceu o contrário, pagamos juros de mora. Restando a favor do fisco os valores em negrito, correspondentes aos meses de junho e agosto a dezembro de 2003. Observamos que o diligenciado não retificou as DCTFs nem os DARFs do período objeto do Auto de Infração. Intimada do resultado da diligência, a Interessada não se manifestou (fl. 154). É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No tocante à compensação mútua de valores a maior e a menor apurados na ação fiscal, não se trata da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, realizada pelo sujeito passivo, mas de supostamente cabível compensação de ofício em procedimento de apuração dos valores devidos para efeito de lançamento em auto de infração. Dessa forma, não há impedimento legal a que a Fiscalização adote o procedimento de mútua compensação, especialmente por se tratar de créditos e débitos de um mesmo tributo ou contribuição apurados de ofício. Assim, ficam prejudicadas as alegações de nulidade do acórdão de primeira instância. Ademais, o novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes foi aprovado recentemente pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em seu art. 49 dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Conforme o inciso I do parágrafo único acima, se existente decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal a respeito da matéria constitucional, a Câmara poderá (na realidade, deverá, em face de se tratar de princípio de direito público) afastar a aplicação da lei inconstitucional. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.011602/200402 Acórdão n.º 330201.393 S3C3T2 Fl. 161 7 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, é cabível a exclusão das receitas que não se classificam como faturamento da base de cálculo da contribuição. Em relação ao que foi apurado pela Fiscalização, a Interessada não se manifestou, o que implicou concordância tácita com o resultado da diligência. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para manter o lançamento nos termos apurados na diligência. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.006043/2005-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O ESPÓLIO IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular.
A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos época em que o contribuinte - titular da conta-corrente - era vivo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 25/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da contacorrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos época em que o contribuinte titular da contacorrente era vivo. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 60 43 /2 00 5- 01 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 25/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2202 01.026, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 15 de março de 2011, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA BANCARIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA 0 ESPÓLIO OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da conta corrente. Portanto, não há corno imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos época em que o contribuinte titular de fato à contacorrente era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu inicio, contra o espólio e a inventariante. Recurso provido.” Segundo a Fazenda Nacional, o aresto atacado entendeu que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei 9430/96, é personalíssima, não tendo como se imputar ao espólio tal responsabilidade. Nesse ponto, considera que tal decisão divergiu do paradigma que apresenta, segundo o qual, para efeitos tributários, se aplicam ao espólio as mesmas normas a que se Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.006043/200501 Acórdão n.º 9202002.598 CSRFT2 Fl. 8 3 sujeitam as pessoas físicas e que cumpre ao inventariante comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados na conta do de cujus. Segue abaixo sua ementa: Acórdão 10247.643 "Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — ACESSO A INFORMAÇÕES BANCARIAS. SIGILO DE DADOS Inexiste proteção ao sigilo bancário quando o contribuinte oferece esses dados em atendimento (1 intimação expedida pelo Fisco e não se manifesta contra ti sua utilização durante todo o procedimento e conclusão do feito. NORMAS PROCESSUAIS — VIGÊNCIA DA LEI — A lei que dispõe sobre o Direito Processual Tributário tem aplicação imediata aos fatos futuros e pendentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ESPÓLIO COMPROVAÇÕES Para efeitos tributários, ao espólio, exceto quanto à responsabilidade tributária, se aplicam as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas físicas. Cumpre ao inventariante efetuar as comprovações exigidas pelo fisco que caberiam ao de cujus, antes do transcurso do prazo decadencial, mormente quando apresentavam declaração de IRPF em conjunto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada. Recurso negado". Explica que há clara divergência jurisprudencial acerca da interpretação do art. 42 da Lei 9.430/96, eis que, diante da mesma situação, qual seja, a tentativa de responsabilização do espólio pela omissão de receitas do de cujus em decorrência de depósitos bancários, cujo inventariante, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem, as Câmaras decidiram de forma contrária. A e. Camara a quo, argüindo que tal obrigação é personalíssima e que não pode ser imputada ao espólio ou ao inventariante, enquanto que a e. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolhendo a tese de que tal responsabilização não só é possível, como decorre da lei, não cabendo ao administrador afastá la. Argumenta que, segundo o art. 121 do CTN, o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa física ou jurídica obrigada por lei ao cumprimento da prestação tributária principal, esteja ou não em relação direta e pessoal com a situação que constitua o fato gerador. Observa que a lei determina que é responsável tributário o sucessor pelos tributos devidos pelo contribuinte ate a data do respectivo ato que importe em sucessão. Salienta que o art. 129 do CTN, não obstante a confusa redação, esclarece ser relevante para a sucessão a data da ocorrência do fato imponível que, ainda que haja lançamento posterior, deverá ter ocorrido antes do ato de sucessão. Destaca que, da análise dos autos, é possível verificar que a inventariante foi intimada a comprovar a origem dos depósitos na contacorrente de titularidade do espólio. No entanto, como não conseguiu comproválos, a presunção legal de omissão de rendimentos corretamente se concretizou. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Conclui que, sendo a titularidade da contacorrente do espólio, representado nos autos pelo seu inventariante, a argüição de desconhecimento dos atos praticados pelo de cujus não tem o condão de desvincular o espólio como sujeito passivo da obrigação principal do fato gerador, uma vez que as condições e os limites da norma instituidora da obrigação tributária foram observados. Ao final, requer o provimento do seu recuso. Nos termos do Despacho n.º 220000.543, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Inicialmente, afirma que o recurso especial da Fazenda não observou o disposto no art. 67, §6º do RICARF: “§ 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” Afirma que o acórdão apresentado como paradigma pela D. Procuradoria, embora verse sobre a aplicação da mesma norma jurídica, qual seja, a tributação com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96, traz situação de fato diversa da decisão ora recorrida. Explica que no caso dos autos assentouse a impossibilidade de aplicação do art. 42 da Lei no 9.430196 tendo em vista que a inventariante não era cotitular da conta corrente fiscalizada, tampouco apresentava declaração em conjunto. Evidente que tal situação não é idêntica ao paradigma trazido no Recurso Especial pois naquele processo a inventariante não só era cotitular de conta bancária como apresentava declaração em conjunto. Frisa que não há identidade fática que justifique a análise de aplicação divergente da norma. Infere que no paradigma só restou viabilizada a tributação via art. 42, tendo em vista que a inventariante representante do espólio era cotitular da conta bancária. Pugna pela negativa de seguimento do recurso especial interposto. No mérito, explica que o de cujus era o único titular das contas mantidas junto às instituições financeiras, o que implica na impossibilidade material de haver intimação e esclarecimentos sobre os depósitos efetuados por parte do contribuinte ora Recorrido. Considera que, ainda que fosse possível a aplicação dos arts. 121 c/c arts. 129 e 130 do CTN, fato é que nenhum deles consta como fundamento do auto de infração, ou seja, a admitirse novos fundamentos para manutenção do auto de infração estarseá introduzindo novo critério no lançamento, o que é vedado expressamente pelo art. 146. Vislumbra evidente erro na eleição do sujeito passivo no momento da lavratura do auto de infração. Entende que, se o sujeito que vai responder pelo crédito tributário é o inventariante na qualidade de representante e sucessor do espólio, a pessoa autuada deveria ser o sucessor, posto que desde o inicio da ação fiscal o titular das contas correntes já era falecido. Registra a impossibilidade de o espolio prestar esclarecimentos, bem como comprovar depósitos bancários efetuados em suas conta, sendo que essa exigência por parte da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.006043/200501 Acórdão n.º 9202002.598 CSRFT2 Fl. 9 5 fiscalização torna o procedimento fiscal ineficaz e, conseqüentemente, nulo o lançamento formalizado por auto de infração. Salienta que, sendo o espolio o conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida, a presunção legal instituída pelo art. 42 da Lei n° 9430/96 não pode ser aplicada em relação ao contribuinte falecido. Argumenta que somente ao titular da conta bancária sob fiscalização cabe a comprovação das origens dos depósitos ali efetuados, uma vez que as operações têm natureza personalíssima. Apresenta jurisprudência do CARF nesse sentido. Ao final, frisa que a discussão não gira em torno da responsabilidade do sucessor ou inventariante pelos tributos devidos pelo espólio, mas sim da impossibilidade de valerse da técnica de presunção de omissão de receitas diante de depósito bancário. Afirma que se a fiscalização tivesse prosseguido na investigação utilizando outros meios que não exigissem a intimação pessoal do contribuinte, o crédito tributário não padeceria do vicio ora debatido. Como não o fez, considera imprestável o presente lançamento. Ao final, requer o não provimento do recurso da Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Quanto aos comentários apresentados pelo contribuinte acerca do exame de admissibilidade realizado nos presentes autos, não lhe dou razão. O recurso especial da Fazenda Nacional demonstrou, satisfatoriamente, a ocorrência de divergência de entendimentos entre o aresto recorrido e o paradigma que apresenta. As decisões em comento, diante de contextos semelhantes, de fato chegaram a resultados distintos. O paradigma é claro ao afirmar que: “Por certo, tornase mais difícil aos representantes do espólio fazer certas provas quanto as operações do "de cujus". Todavia, a legislação tributária, mais especificamente as normas que regem o processo administrativo fiscal e a tributação de omissão de receitas com base em depósitos bancários, não excetuou a comprovação por parte do espólio. Logo, não cabe a este Colegiado estabelecer distinções onde a lei não estabelece. Caberia ao contribuinte ter mantido em boa , guarda seus documentos fiscais para facilitar o atendimento de eventual solicitação das autoridades tributárias, se deixou de fazêlo, cabe ao espólio arcar com as conseqüências de sua conduta.” O acórdão recorrido, por outro lado, assim se manifestou sobre tal assunto: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 “A intimação para que o espólio prestes esclarecimentos, ainda que sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorá lo em presunção de não justificativa de pessoa que não tinha obrigação jurídica de identificar os depósitos, pois conforme depreendese nos autos a conta objeto de lançamento não era de sua titularidade e sobre esta não detinha qualquer controle. A presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9430/1996 é nítida no sentido de exigir que o titular, sujeito passivo, seja intimado. No caso concreto, o espólio não era a titular e portanto o lançamento nas bases efetuadas não se sustenta.” Há de se frisar que o contribuinte destacou que o paradigma trata de situação em que a inventariante possuía uma conta conjunta com o fiscalizado e apresentou com ele declaração do IR do exercício de 2008 em conjunto, e que tal contexto não se repetiu no âmbito dos autos em análise. Todavia, do exposto pelo relator do paradigma, é possível inferir que tais pontos serviram tão somente para reforçar a tese de obrigatoriedade daquela recorrente fazer as comprovações necessárias. Vejamos: “Outrossim, verificase que pelo menos uma das contas bancárias, a do Banco do Brasil S/A, que recebeu depósitos no montante de R$ 171.855,00, era conjunta, conforme consta nos extratos de fls. 3451. Enquanto titular solidária, responsável pela movimentação daquela conta corrente, a inventariante deveria possuir condições para esclarecer a origem de tal movimentação. Além disso, in casu, a inventariante e o fiscalizado apresentaram a declaração do Imposto de renda do exercício de 1998 em conjunto, conforme cópia à fl. 22, mais um motivo para reforçar a obrigatoriedade da recorrente fazer tais comprovações.” Não está claro que esses fatos são alicerces necessários às conclusões expostas no acórdão modelo. Na verdade, entendo que, mesmo que não houvesse prova de conta conjunta e declaração de IR apresentada em conjunto pela inventariante e o fiscalizado, ainda assim teria o relator concluído pela obrigatoriedade de o espólio justificar os depósitos bancários considerados omissão de receita pela fiscalização. Portanto, demonstrada a divergência e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Esta 2ª Turma da CSRF tem se pronunciado no sentido de que não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos época em que o contribuinte titular de fato à contacorrente era vivo: “IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O ESPÓLIO IMPOSSIBILIDADE. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.006043/200501 Acórdão n.º 9202002.598 CSRFT2 Fl. 10 7 hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi. No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o espólio com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado.” (Acórdão nº 920202.046, relator conselheiro Gonçalo Bonet Allage) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10215.000388/2001-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995, 1996
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. FLORESTA NACIONAL.
As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma Floresta Nacional são áreas de declarado interesse ecológico e devem ser excluídas para fins de cálculo do ITR devido, mesmo antes da concretização da devida desapropriação do imóvel.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Floresta Nacional Recorrente JOÃO BAPTISTA COELHO NETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995, 1996 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. FLORESTA NACIONAL. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de uma Floresta Nacional são áreas de declarado interesse ecológico e devem ser excluídas para fins de cálculo do ITR devido, mesmo antes da concretização da devida desapropriação do imóvel. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/06/2012 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.000388/200176 Acórdão n.º 210202.084 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOÃO BATISTA COELHO foi lavrado Auto de Infração, fls. 28/34, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo aos exercícios 1995 e 1996, no valor total de R$ 19.962,25, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 30/06/2000. A infração apontada pela autoridade fiscal foi falta de recolhimento do imposto, apurada em razão da glosa total da área de reserva legal de 2.100 ha, por falta de averbação da referida área à margem do registro do imóvel. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/REC n° 13.696, de 11/11/2005, fls. 55/59. Naquela oportunidade, decidiuse pela procedência do lançamento, de sorte que, em 23/02/2006, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 64, trazendo as seguintes alegações: O tributo relativo a 1995 foi indevidamente pago, conforme documentos anexos. Quanto ao de 1996, é objeto do processo n° 10480.016254/96 54, de cuja última decisão, de n°541/2000, recorri em 27/12/2000 ao Segundo Conselho de Contribuintes, tendo efetuado o depósito recursal em 21/02/2001. Desconheço o resultado. 2° Não obstante esses fatos, conclusivos para evitar nova cobrança, quero reafirmar que o imóvel Santa Cruz está encravado na floresta Nacional Tapajós, como consta de minha primeira impugnação, e a FLONA, criada em 1974, é uma área de preservação permanente, o que isenta de imposto os imóveis por ela abrangidos, desde sua criação. Sobre este assunto encaminho cópia dos Ofícios do IBAMA de nºs 31 e 32, de 21/10/2002, dirigidos ao Delegado da Receita Federal em Recife e ao signatário, para fins de isenção legal. Por entender inexistente nos autos documentos suficientes para julgar a tempestividade do recurso, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em sessão plenária realizada em 24/04/2008, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução n° 3021.459, fls. 91/93, determinando que “a autoridade preparadora da unidade de origem junte aos autos o prefalado AR, ou, na impossibilidade de tal providência, e alternativamente, que faça prova, por outro meio, da data em que, efetivamente a recorrente foi intimada da decisão de primeiro grau”. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.000388/200176 Acórdão n.º 210202.084 S2C1T2 Fl. 3 3 Atendida a referida resolução, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, converteu, mais uma vez, o julgamento em diligência, conforme Resolução n° 3021.586, de 10/12/2008, desta feita para as seguintes providências: 1) informe sobre a autenticidade e correção do pagamento do tributo relativo a 1995, por parte do recorrente, fls. 81/82, se foi na totalidade (inclusive com os acréscimos legais) ou parcial, e se foram levados em consideração quando do lançamento; 2) quanto ao ano de 1996, informar se o processo n° 10480.016254/9654, apontado pelo recorrente, trata da mesma matéria destes autos, e o seu resultado final ou sua localização atual com a respectiva providência tomada; 3) solicite manifestação do 1BAMA, com o objetivo de que esse órgão esclareça, objetivamente, se o imóvel do recorrente, objeto do auto de infração de que trata este processo, estava totalmente dentro dos limites da Floresta Nacional dos Tapajós em 1° de janeiro de 1995 e em 1° de janeiro de 1996, como dá a entender os Ofícios do IBAMA, fls. 73 a 75, ou, se não estava totalmente dentro dos limites da Floresta Nacional dos Tapajós, nas datas apontadas, como dá a entender o OFÍCIO/DIREF n°200/2005, de 19/7/2005, da Diretoria de Florestas desse órgão (fls. 108/111 do processo 10215.000180/200157, julgado pela Primeira Câmara deste Conselho de Contribuintes, em 10 de novembro de 2005). 4) elabore Termo circunstanciado e conclusivo, com o resultado das providências tomadas nos itens anteriores, e dê ciência ao recorrente para, querendo, manifestarse, no prazo de trinta dias, no sentido de prestigiar o contraditório e a ampla defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife, juntou aos autos extratos sobre os pagamentos, fls. 105/111, ofício da Chefe da Floresta Nacional dos Tapajós, fls. 113, e cópia do processo n° 10480.016254/9654, fls. 117/368. Entretanto, não foi elaborado o Termo Circunstanciado e, por conseguinte, deixouse de cientificar o contribuinte do teor do resultado da diligência. Em 14/05/2010, esta Turma determinou a realização de nova diligência, Resolução nº 21020024, fls. 370/371, determinando que fosse elaborado o Termo Circunstanciado e Conclusivo dos fatos e resultados apurados na diligência, o qual deveria ser cientificado ao contribuinte, no sentido de prestigiar o contraditório e a ampla defesa. Assim, elaborouse o Termo Circunstanciado de Diligência, fls. 376/378, cujas conclusões sobre os três questionamentos formulados na diligência proposta pela Resolução n° 3021.586, de 10/12/2008, abaixo se transcreve: Item 1 Os pagamentos constantes às folhas 81/82 referemse ao período de apuração 1996, porém foram alocados para os débitos do ITR relativos ao ano referência 1994, devido a erro de preenchimento do formulário de pagamento. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.000388/200176 Acórdão n.º 210202.084 S2C1T2 Fl. 4 4 Os débitos declarados na DITR relativas aos anos de 1995 (fl.130) e 1996 (fl.121) que deram causa as respectivas Notificações de Lançamentos foram extintos na suas totalidades por motivo 27 (exclusão/cancelamento da dívida ativa), conforme documentos de folhas 335339 (ver também, folhas 317321). Acrescentamos, para completar os questionamentos do item, que os valores constantes nas Notificações de Lançamentos citadas, por se referirem a débitos já confessados, foram considerados e excluídos do Auto de Infração resultante do MPF 0210200/00015/01 (fls.3234) conforme se verifica na letra "(p)" dos demonstrativos de cálculo dos lançamentos suplementares constantes às folhas 28 e 29. Item 2 O processo questionado no item anterior não trata da mesma matéria do Auto de Infração deste processo, tratam da impugnação à Notificação de Lançamento relativa à débitos confessados na DITR N° 04.04098.24, enquanto o Auto de Infração tem como fundamento a utilização indevida de 2100 ha como área de reserva legal, sem a devida averbação na matrícula do imóvel. Quanto ao resultado final do auto referido no item 2, esclarecemos que o mesmo encontrase arquivado na GRA/PE, após ter sido tomada a providência de extinção da dívida ativa, conforme documentos de folhas 350351. Item 3 Foi encaminhado ofício de folha 112, solicitando informação sobre o imóvel em 1° de janeiro dos anos de 1995 e 1996. Em resposta ao oficio, a chefe da Floresta Nacional do Tapajós, informou por meio do Oficio n° 116/09FNT (fl. 113), onde diz que conforme as coordenadas geográficas contidas na escritura, o imóvel esta localizado na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, que é uma unidade de conservação federal do Brasil categorizada como reserva extrativista e criada por Decreto Presidencial em 06 de novembro de 1998. Os imóveis ficam na margem direita do Rio Cupary (Cupari), mapas cartográficos de folhas 374375 e Decreto 3684/1974, ficam dentro da Flona (Floresta Nacional) Tapajós. Conforme documentos de folhas 152155 itens 15, 19 e 20, assinados pelo autuado, o mesmo possui imóveis não contínuos nas duas margens do Rio, sendo os imóveis da matricula 673 (fls. 175) localizados à margem direita do Rio Cupary, logo dentro da Floresta Nacional e o imóvel da matrícula 4.770, fora da área da reserva Florestal, adquirido em 1998, portanto não é objeto desse auto (fl.184). Desta forma, fundamentado pelos documentos de escrituração é fé pública de folhas n° 04, 1213, 44, 7374 e principalmente os de folhas n° 7375 e 175 (todos os limites do imóvel são terras do IBAMA, estando dessa forma, "encravado" na Floresta Nacional do Tapajós, criada em 1974. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.000388/200176 Acórdão n.º 210202.084 S2C1T2 Fl. 5 5 Cientificado do Termo Circunstanciado de Diligência, em 02/09/2010, o contribuinte apresentou em 04/10/2010 (segundafeira), fls. 380/383, sua manifestação sobre o referido Termo. É o relatório. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.000388/200176 Acórdão n.º 210202.084 S2C1T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de Auto de Infração de ITR, relativo ao imóvel denominado Santa Cruz Tayua Boa Esperança Paraizo, com área total de 3.000,0 ha, exercícios 1995 e 1996, decorrente da glosa da área de reserva legal de 2.100 ha, por falta de averbação da referida área à margem do registro do imóvel, à data do fato gerador. Ocorre que, desde a impugnação, o contribuinte vem argüindo que o imóvel está encravado na Floresta Nacional do Tapajós, criada pelo Decreto nº 73.684, de 19 de fevereiro de 1974, fls. 374. De fato, restou assentado, conforme Termo Circunstanciado de Diligência, fls. 376/378, que o imóvel, objeto do Auto de Infração, encontrase dentro dos limites da Floresta Nacional do Tapajós, fato que se confirma mediante documentos fls .73/75 e 175. Conforme já mencionado, cuidase de ITR, exercícios 1995 e 1996, ocasião em que ainda vigorava a Lei nº 8.847 de 28 de janeiro de 1994, que assim estabelecia no seu art. 11: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989; II de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente federal ou estadual e que ampliam as restrições de uso previstas no inciso anterior; III reflorestadas com essências nativas Observese que o inciso II, acima transcrito, foi na íntegra repetido no art. 10, §1°, II, “b”, da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Pois muito bem. De acordo com a legislação acima transcrita, temse que não incide ITR sobre as áreas de interesse ecológico, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. E este é o caso dos autos. O Decreto nº 73.684, de 1974, criou a Floresta Nacional do Tapajós, de modo que as áreas abrangidas pelo mencionado Decreto são áreas de declarado interesse ecológico. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10215.000388/200176 Acórdão n.º 210202.084 S2C1T2 Fl. 7 7 Importa destacar que, conforme art. 17, § 2º, da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, temse que a Floresta Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas. Contudo, o fato de a desapropriação não ter sido ainda concretizada, não impede que se considere a área, ainda particular, como área de declarado interesse ecológico, visto que a criação de uma Floresta Nacional, impõe, de imediato, restrições ao uso dos imóveis nela contida. Digase, ainda, que a Floresta Nacional é uma Unidade de Uso Sustentável, cujo objetivo básico é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. Logo, qualquer exploração somente é permitida, mediante aprovação de Plano de Manejo Sustentado, tal qual ocorre com as áreas de Reserva Legal. Considerando, que restou caracterizado que o imóvel em questão está totalmente inserido na Floresta Nacional do Tapajós, temse que a área total do imóvel é área de declarado interesse ecológico, não se sujeitando, portanto, à incidência do ITR. Desnecessária, portanto, a apreciação das demais alegações apresentadas pela defesa no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 793DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10120.903647/2008-48
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES Exercício: 01/03/2004 INTEMPESTIVIDADE.
SÚMULA CARF Nº 9. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. .
Numero da decisão: 1801-001.187
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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SÚMULA CARF Nº 9. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES 2 Relatório Trata o presente processo da DCOMP transmitida eletronicamente em 19/01/2005, com base em créditos relativos à IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PA CÓD. REC. DARF DATA 31/03/2004 2089 35.341,76 30/04/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: Nº PAGT. VALOR ORIG. PERDCOMP VALOR SALDO 4420933078 35.341,76 Cód.2089 PA 31/03/04 35.341,76 0,00 Assim, em 12/08/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 18), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 35.341,76. Cientificado, via postal, dessa decisão em 21/08/2008 (fl. 18), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/09/2008, manifestação de inconformidade acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria deixado de retificar os valores reais do débito compensado no PER/DCOMP e informados a maior na DCTF original. Desse modo, não teria sido possível para os sistemas da RFB confirmarem a existência do crédito pleiteado, visto que os valores teriam sido informados indevidamente na DCTF. A contribuinte informa, ainda, que já teria retificado a DCTF que conteria informações sobre o crédito informado no PER/DCOMP e solicita nova revisão do Per/DCOMP objeto da lide. Ao final, requer que seja acolhida a presente a Manifestação de Inconformidade, cancelando se o débito fiscal reclamado e constante no Despacho Decisório emitido pela RFB Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES Processo nº 10120.903647/200848 Acórdão n.º 1801001.187 S1TE01 Fl. 71 3 A 4ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2004 ERRO NAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que demonstrassem a existência de erro no preenchimento das informações contidas na DCTF original. A simples entrega de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente Foi lavrado o termo de perempção, juntado à fl.69. É o Relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a fluição do prazo para interposição de recurso voluntário a esse E.Conselho. Foi lavrado termo de perempção pela Sra. Ione de Fátima B.B. Rocha ATRFB, informando que o recurso voluntário foi apresentado fora do prazo estipulado pela legislação do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), nos seguintes termos: “A contribuinte supracitada foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BSA, em 01.06.2011, e apresentou, intempestivamente, em 08/07/2011, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 35/67. ..... Foi lavrado o termo de perempção, juntado à fl.69. Assim, proponho que se encaminhe o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF para apreciação. À Consideração Superior.” Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES 4 Verificado que realmente o Contribuinte recebeu o AR em 01/06/2011 e ingressou com recurso voluntário somente em 08/07/2011, não foram atendidas as exigências contidas nos artigos 33, 5º e 42 do Decreto 70.235/72: “Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 42. São definitivas as decisões: II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição;” Logo, o Recurso Voluntário é intempestivo e assim tornase definitiva a decisão de primeira instância. Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ANA D E BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000390/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 2004, 2005 e 2006. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa ofensivo aos princípios que informam o processo administrativo fiscal o fato de a decisão impugnada indeferir pedido de diligência para comprovação de despesas deduzidas pela contribuinte quando se imputa como dever da contribuinte trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os elementos de prova. A alegação de ofensa ao princípio da verdade material fica prejudica tendo em vista que os documentos não foram juntados sequer extemporaneamente.
REGRAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA AGRAVADA.
DECISÃO DA DRJ QUE AFASTA A SIMULAÇÃO RELATIVA AOS FRETES. SUBISISTÊNCIA DO AGRAVAMENTO.Com a parcial procedência da decisão proferida pela DRJ, que afastou a glosa atinente à desconsideração da personalidade jurídica de algumas transportadoras que teriam agido apenas para dissimular a real subordinação hierárquica à recorrente e com isso possibilitar a dedução de despesas, o fundamento para aplicação da multa de 150% não foi afastado.
Numero da decisão: 1301-000.818
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 2004, 2005 e 2006. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa ofensivo aos princípios que informam o processo administrativo fiscal o fato de a decisão impugnada indeferir pedido de diligência para comprovação de despesas deduzidas pela contribuinte quando se imputa como dever da contribuinte trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os elementos de prova. A alegação de ofensa ao princípio da verdade material fica prejudica tendo em vista que os documentos não foram juntados sequer extemporaneamente. REGRAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA AGRAVADA. DECISÃO DA DRJ QUE AFASTA A SIMULAÇÃO RELATIVA AOS FRETES. SUBISISTÊNCIA DO AGRAVAMENTO.Com a parcial procedência da decisão proferida pela DRJ, que afastou a glosa atinente à desconsideração da personalidade jurídica de algumas transportadoras que teriam agido apenas para dissimular a real subordinação hierárquica à recorrente e com isso possibilitar a dedução de despesas, o fundamento para aplicação da multa de 150% não foi afastado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2004, 2005 e 2006. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA PELA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa ofensivo aos princípios que informam o processo administrativo fiscal o fato de a decisão impugnada indeferir pedido de diligência para comprovação de despesas deduzidas pela contribuinte quando se imputa como dever da contribuinte trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os elementos de prova. A alegação de ofensa ao princípio da verdade material fica prejudica tendo em vista que os documentos não foram juntados sequer extemporaneamente. REGRAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA AGRAVADA. DECISÃO DA DRJ QUE AFASTA A SIMULAÇÃO RELATIVA AOS FRETES. SUBISISTÊNCIA DO AGRAVAMENTO. Com a parcial procedência da decisão proferida pela DRJ, que afastou a glosa atinente à desconsideração da personalidade jurídica de algumas transportadoras que teriam agido apenas para dissimular a real subordinação hierárquica à recorrente e com isso possibilitar a dedução de despesas, o fundamento para aplicação da multa de 150% não foi afastado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro relator. Fl. 10198DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG. Observase no presente Processo Administrativo que em desfavor da recorrente foram lavrados autos de infração (fls. 04 – 24) para formalização e exigência de crédito tributário relacionado, em resumo, à glosa de despesas aproveitadas pela recorrente. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 25 – 47), a auditoria derivou de verificação da regularidade de diversos pedidos de ressarcimento de Pis e Cofins nãocumulativos protocolados pela contribuinte, referentes ao período compreendido entre 07/2004 e 03/2006. Assentou a Fiscalização que a recorrente foi intimada (fls. 807 808), entre outras coisas, a comprovar o efetivo pagamento dos valores contabilizados a título de serviços de frete contratados das empresas de transporte de cargas relacionadas, bem como a apresentar os respectivos contratos de prestação de serviços de transporte. Segundo resposta (fl. 810) apresentada pela recorrente, afirmouse não possuir contrato firmado com as transportadoras elencadas no termo de intimação e foram também apresentadas (fl. 837) cópias dos comprovantes de pagamento dos fretes tomados das transportadoras. Afirmou a Fiscalização que seria de se estranhar a inexistência de contratos firmados entre a recorrente e as transportadoras que lhe prestavam os serviços de frete, porquanto se trata de despesa na ordem de milhões de reais ao ano e de um serviço essencial ao funcionamento da empresa recorrente, relembrando que a recorrente é empresa de grande porte, com faturamento na faixa da centena de milhões de reais ao ano, e que certamente não alcançou a sua pujante fatia de mercado adotando práticas baseadas apenas na confiança. Fl. 10199DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 12963.000390/200701 Acórdão n.º 1301000.818 S1C3T1 Fl. 2 3 Destacouse ainda, que em relação aos comprovantes de pagamento apresentados, constatouse que foram feitas diversas transferências bancárias da fiscalizada para as transportadoras, cujos valores não coincidiam com os discriminados nos conhecimentos de transporte, sendo possível que cada comprovante de transferência bancária estivesse englobando mais de um conhecimento de transporte, razão pela qual a recorrente foi intimada (fls. 838 839) a apresentar, de forma individualizada, o comprovante de quitação de cada conhecimento de transporte. Em resposta (fl. 841), a recorrente apresentou relatórios analíticos nos quais fez a correlação entre cada transferência bancária e os respectivos conhecimentos de transporte por ela abrangida, mas, de acordo com a Fiscalização, tratase de documento produzido unilateralmente, sem a manifestação expressa das respectivas transportadoras dando a quitação dos fretes, razão pela qual, enviouse ofício (fl. 842) à Agência Nacional de Transportes Terrestres ANTT, solicitando que se informasse se as treze transportadoras ali relacionadas possuíam o registro nacional de transportador rodoviário de carga — RNTRC, válido para o período de 07/2004 a 03/2006. Fezse menção à resposta da ANTT (fls. 844/857), na qual se informou o seguinte: (i) a Tecnozém Armazéns Gerais Ltda. (CNPJ 02.745.557/000187), a Transportadora Rodo Braga Ltda. (CNPJ 05.849.383/000190) e a JFC Transportadora Ltda. (CNPJ 06.334.061/000171) nunca possuíram o RNTRC; (ii) a Transportadora do Caddo Ltda. (CNPJ 04.286.451/000198) solicitou cadastro no RNTRC em 22/06/2006, mas ainda não obteve o registro; (iii) a Transcinco Transportes Rodoviários Ltda. (CNPJ 00.967.577/000177) obteve o RNTRC somente em 06/07/2006; (iv) a TH Transportes Ltda. (CNPJ 05.563.749/000160) obteve o RNTRC somente em 07/03/2007. Após tais informações, destacou a Fiscalização que das treze empresas de transporte inicialmente investigadas, passouse a focar apenas nas seis transportadoras acima elencadas, sendo remetidos a elas Termo de Intimação (fls. 859 860, fls. 980 981, fls. 1054 1055, fl. 1110, fls. 1162 1163 e fls. 1173 1174), bem como levantadas cópias de suas DIPJ e das DIRPF de seus sócios. Frisou a Fiscalização que do conjunto das informações obtidas foi possível constatar que cinco transportadoras não possuíam nenhum veículo de transporte de cargas, e a outra possuía apenas um, que os serviços de frete prestados à fiscalizada foram subcontratados a transportadores autônomos ou para outras empresas transportadoras, o reduzido rendimento anual declarado por cada um dos sócios das seis transportadoras seria totalmente incompatível com o suposto volume de negócios daquelas empresas, o que corresponderia a fortes indícios de se tratarem de interpostas pessoas. Concluiuse ainda, que a receita bruta declarada por quatro transportadoras foi praticamente do mesmo valor do somatório dos conhecimentos de transporte emitidos a favor da fiscalizada, fato esse que indicaria ser esta a sua única cliente e que em quatro transportadoras não havia sequer um único empregado registrado, o que, aliado à inexistência ou insuficiência de veículos de transporte de carga em seu nome, evidenciaria a ausência de estrutura administrativa para gerir o negócio, destacandose que os veementes indícios acima enumerados levam a concluir que houve abuso, em tese, da personalidade jurídica das transportadoras, e que a recorrente estava ciente disso e foi a responsável direta pelo fato. Assentouse que a recorrente foi intimada (fls. 1234 1240) a comprovar, relativamente às seis transportadoras antes citadas, a efetiva prestação dos serviços de frete, Fl. 10200DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 bem como o seu efetivo pagamento e que em resposta (fls. 1242 1248) apresentou declarações, com data atual, firmadas pelas seis transportadoras, nas quais afirmam que os conhecimentos de transportes foram todos devidamente quitados por meio de transferências bancárias. Segundo arrazoou a Fiscalização, todas as declarações possuem o mesmo padrão de elaboração, exceção de carimbos e assinaturas dos respectivos signatários, indicando terem sido elaboradas pela mesma pessoa, certamente um funcionário da recorrente e que tal fato corrobora a tese de abuso de personalidade jurídica, na medida em que revela que as respectivas transportadoras, em tese, sequer possuíam um controle do eventual fluxo de trabalho e de recursos, ficando tudo a cargo da recorrente, o que revelaria não uma relação comercial convencional, mas a hierarquização típica de uma relação de trabalho. Tendo em vista o fato de a recorrente não ter apresentado os conhecimentos de transporte referentes ao período entre 07/2004 a 12/2004, a Fiscalização intimoua (fls. 1256 1258) para que o fizesse e em resposta (fls. 1273 1537), apresentou os documentos solicitados de sorte que a Fiscalização concluiu que as margens de lucro das supostas transportadoras (informadas por elas mesmas em resposta a intimação) devem ser tributadas pelo IRPJ e pela CSLL, em razão de suas contabilidades serem meros "prolongamentos" da contabilidade da recorrente, não representado despesas efetivas, mas meras "transferências interna corporis" e desta forma, tais margens de lucro, além dos fretes não comprovados, deveriam ser excluídos da composição do lucro real, gerando lançamento de IRPJ e CSLL com multa qualificada, tendo em vista, o intuito de fraude. No cálculo dessas margens de lucro, destacou a Fiscalização, que havendo dúvida sobre o percentual a ser aplicado, foram levados em consideração os menores valores informados pelas supostas transportadoras em suas respostas, por se constituir em condição mais favorável à recorrente. Devidamente notificada da autuação, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 1542 – 1572 e fls. 5896 5926), alegando em síntese, que o agente fiscal concluiu que teria havido prática de abuso de personalidade jurídica pelas transportadoras e que este teria sido "orquestrado" pela impugnante, indagando quais elementos teriam levado o agente fiscal a tal conclusão. Afirmou que os elementos estariam dispersos no Termo de Verificação Fiscal apresentado, razão pela qual tiveram que ser pinçados e poderiam ser resumidos no fato de algumas transportadoras, não terem registro de veículos em seu nome no RENAVAM, suposta ausência de capacidade contributiva dos sócios das transportadoras, o fato de alguns sócios não auferirem renda proveniente das suas respectivas transportadoras, a inexistência de contrato formal firmado entre a impugnante e as empresas transportadoras contratadas, apuração da receita anual das transportadoras oriunda quase que exclusivamente dos fretes realizados para a impugnante, não coincidência entre os valores dos conhecimentos de transporte e as transferências bancárias realizadas, bem como irregularidade das seis empresas transportadoras perante a ANTT, diante do que seriam inidôneos os conhecimentos de transporte por elas emitidos e que as declarações de quitação dos fretes confeccionados num mesmo padrão de elaboração, implicando dizer que seriam "arranjos". Feita essa recapitulação, sustentou a recorrente que o fato de uma empresa não possuir veículos de transporte em nome próprio não leva à impossibilidade da prestação dos serviços contratados e por previsão legal dos RICMS de cada estado da federação, a subcontratação de serviços de transporte é permitida, defendendo ser este o caso das seis transportadoras em questão, que funcionam muito mais como agenciadoras de transporte de Fl. 10201DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 12963.000390/200701 Acórdão n.º 1301000.818 S1C3T1 Fl. 3 5 carga, pois centralizam a oferta de fretes e os distribuem entre as pessoas jurídicas e pessoas físicas (autônomos) interessados e disponíveis, argumentando que tal agenciamento decorre do fato de que muitos transportadores que chegam com carga ao local de destino, não possuem previamente contratado o frete para o retomo ao local de origem e procuram a empresa agenciadora a fim de obter o frete para o retorno. No mais, afirmou que as supostas inconsistências entre os rendimentos declarados pelos sócios das transportadoras e o faturamento auferido pelas suas respectivas empresas, nada se pode dizer, senão que a destinação dos valores auferidos por determinada empresa incumbe tão somente aos diretamente interessados e isto não poderia lhe trazer consequências, de sorte que não houve omissão de receita por parte das transportadoras, cumpre a estas provar o contrário. Em relação ao pagamento pelos serviços de frete, aduziu a recorrente que conforme comprovado pelos documentos em anexo, todas as transferências bancárias realizadas conferem exatamente com os totais individuais de conhecimentos de transporte emitidos pelas seis transportadoras mencionadas pelo auditor e o fato é que, para uma correta análise de suas respectivas quitações, os conhecimentos de transporte devem ser analisados em conjunto com os relatórios de notas convertidas em duplicatas, os extratos bancários de movimentação diária e os extratos bancários com movimentação mensal e que somente com a análise conjunta destes documentos será possível aferir, com precisão, a quitação, pelo exato valor, dos documentos fiscais emitidos. Destacou que a Fiscalização também incorreu em mais um equívoco ao informar que, para a empresa Transportadora do Carlão Ltda., não havia sido encontrada qualquer transferência bancária e que a referida situação seria explicável, pois todos os transportes realizados pela empresa em questão foram executados pela filial cujo CNPJ está registrado sob o número 04.286.451/000279 sendo que os respectivos pagamentos, como é comum no meio comercial, foram efetuados em nome da matriz, cujo CNPJ é 04.286.451/000198. No que tange às irregularidades das transportadoras contratadas perante a ANTT, afirmou a recorrente que não dispunha de condições para consultar a regularidade das empresas que contrata perante a ANTT e que, portanto, não se poderia penalizar a empresa contratante por supostas irregularidades que absolutamente não lhe dizem respeito. Quanto às declarações de quitação dos conhecimentos de transporte, as quais teriam um mesmo padrão de elaboração, o que levaria à suposição de que teriam sido confeccionadas por uma mesma pessoa, possivelmente um funcionário da fiscalizada, sustentou a recorrente que em momento algum negou o fato de que tais declarações tenham sido elaboradas por uma mesma pessoa, funcionária da fiscalizada e que o referido expediente, por sua vez, não deveria causar estranheza, na exata medida em que foi a recorrente quem solicitou às transportadoras tais declarações e que havendo necessidade de comprovar a quitação de todos os conhecimentos de transporte emitidos pelas transportadoras fiscalizadas, a impugnante nada mais fez do que solicitar (e não exigir) que prestassem a referida declaração, porém, a fim de facilitar o trabalho requerido e evitar declarações equivocadas, enviou um modelo que poderia ser assinado e devolvido. Em relação às margens de lucro informadas pelas seis transportadoras, e utilizados pelo auditor para lavrar o auto de infração, afirmou não ser corrente cobrarlhe as Fl. 10202DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 6 diferenças supostamente exigíveis a título de IRPJ e CSLL com base em respostas informais fornecidas pelas transportadoras fiscalizadas. Por fim, para mostrar o sustentado equívoco da tese fiscal acerca do abuso de personalidade jurídica supostamente orquestrado pela recorrente, argumentou que caso as empresas transportadoras trabalhassem sob subordinação da recorrente não haveriam margens de lucro tão distintas, variando entre 8% e 35% e que seria razoável supor que a recorrente determinaria que fossem informados percentuais de lucro mínimos. No mais, quantos às despesas de frete glosadas por uma suposta inexistência de sua realização, anexou cópia de todos os conhecimentos de transporte emitidos pelas seis empresas averiguadas e afirmou que, no mínimo, deveriam ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL estes valores, os quais, a toda prova, podem e devem ser considerados como custos/despesas dedutíveis, tecendo outras tantas considerações e requerendo que o processo fosse baixado em diligência a fim de se efetuasse novo e completo levantamento das transferências bancárias realizadas em favor das seis transportadoras investigadas, a fim de comprovarse o efetivo pagamento dos serviços de frete e para que se efetuasse uma completa averiguação da documentação existente, com o intuito de apurar quais fretes foram prestados por pessoas físicas, e quais foram prestados por pessoas jurídicas, pugnando ao fim pela improcedência da autuação. Ademais, nos termos daquilo que proposto pelo relator da decisão recorrida, os autos foram remetidos para o órgão de origem (fls. 10.024 – 10.025), a fim de que fossem indicadas as folhas dos autos onde se encontra o demonstrativo individualizado dos fretes não comprovados ou, em caso de sua inexistência, fosse providenciada a sua elaboração e juntada aos autos. Cumprida a exigência (fls. 10.026 – 10.042), e após ciência da recorrente (fls. 10.043 – 10.045), os autos retornaram à DRJ, que nos termos do acórdão e voto de folhas 10.074 a 10.084, julgou o lançamento parcialmente procedente fundamentando para tanto que seria desnecessária a realização de diligências ou perícias e afirmando, no tocante à glosa da margem de lucro das transportadoras, após recapitular os trabalhos da Fiscalização, que o fato de as seis transportadoras não possuírem veículos de transporte de carga, ou os possuírem em número insuficiente, em nada corrobora a tese da autoridade, já que ela mesma verificou que, em razão de ter havido subcontratação, os serviços de frete foram efetivamente prestados por outras pessoas físicas (transportadores autônomos) e pessoas jurídicas transportadoras. Quanto aos demais elementos arrolados, representariam meros indícios de que as seis transportadoras não possuíam personalidade jurídica própria e com tais indícios em mãos, o auditor deveria ter aprofundado as investigações em vez de lavrar desde logo o auto de infração, de sorte que para provar a sua tese, o auditor deveria investigar, entre outras coisas, se os supostos sócios das seis transportadoras atuavam, em verdade, como interpostas pessoas sob subordinação hierárquica na estrutura administrativa da contribuinte e se fosse esse o caso, estaria provado que as seis transportadoras não possuíam personalidade jurídica autônoma, e que, portanto, seus "sócios" (interpostas pessoas) tinham na realidade uma relação de trabalho, e não comercial, para com a recorrente. Destacou a decisão recorrida que é preciso não confundirse a subordinação hierárquica existente na organização administrativa de uma mesma pessoa jurídica, com a subordinação de uma pessoa jurídica em relação à outra, decorrente da posição dominante de uma sobre a outra, eis que no primeiro caso há um vínculo trabalhista da pessoa física subordinada em relação à pessoa jurídica que a contratou e no segundo caso o vínculo não é trabalhista, podendo ser tanto societário como econômico. Fl. 10203DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 12963.000390/200701 Acórdão n.º 1301000.818 S1C3T1 Fl. 4 7 Deixou assentado que a subordinação será societária quando uma pessoa jurídica mantiver com a outra direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais, e o poder de eleger a maioria de seus administradores (sociedades controladora em relação à sociedade controlada art. 243, § 2°, da Lei n° 6.404/76) e a subordinação será econômica quando uma pessoa jurídica depender da outra para sobreviver no mercado, como por exemplo, no caso das revendedoras de veículos novos em relação à fabricante desses veículos, porquanto nesse caso, como é sabido, as revendedoras de automóveis subordinamse aos ditames da indústria, sob pena de perderem a concessão. Salientouse ainda, que o mesmo ocorre em muitos outros segmentos da economia, sendo importante a ressaltar que mesmo havendo subordinação de uma pessoa jurídica em relação a outra em razão da posição dominante, as personalidades jurídicas de ambas as empresas permanecem distintas uma da outra, diferentemente do que ocorre com os "sócios" (interpostas pessoas) de uma empresa que efetivamente encontramse na estrutura administrativa de uma outra empresa. Feito esse cotejo preliminar, a decisão recorrida firmou entendimento de que no caso sob exame, ao invés da subordinação hierárquica que supôs ter havido o auditor, pode muito bem ter havido mera subordinação econômica das seis transportadoras citadas perante a posição dominante que a contribuinte mantinha sobre elas, pois como verificou o auditor, as seis transportadoras tinham como único ou principal cliente a recorrente, sendo natural supor que elas se subordinavam economicamente a esta, frisando, todavia, que tal subordinação econômica, ao contrário da subordinação hierárquica (trabalhista), não implica a desconsideração da pessoa jurídica subordinada. Diante desses fundamentos, assentouse que nem sempre é fácil distinguir entre subordinação hierárquica e subordinação econômica e que a jurisprudência, com base na sumula n° 331 do TST, tem entendido que há relação trabalhista, e não comercial, quando o serviço prestado pela empresa contratada estiver compreendido na atividadefim da empresa contratante. Nesse caso, como a relação é tida como de trabalho, e não comercial, pode a autoridade fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa contratada (vide mensagem veto ao § 4° do art. 6° da Lei n° 10.593/2002, acrescentado pelo art. 9° da Lei n° 11.457/2007 — a chamada Emenda 3), julgando assim, que deveria ser afastada a glosa procedida pela autoridade. No tocante à glosa dos fretes tidos como não comprovados, destacou a decisão recorrida que o demonstrativo de folhas 10.027 a 10.042 relaciona as despesas de frete que a autoridade considerou como não comprovados pela contribuinte e que a recorrente juntou às folhas 3.285 a 5.894 documentos que, segundo ela, comprovam a efetividade da "imensa maioria" das despesas de frete, ressaltando a decisão objetada, contudo, que do confronto entre o demonstrativo elaborado pelo auditor e os documentos acostados pela interessada, verificase que a grande maioria das despesas de frete permanece sem comprovação, porquanto não se juntou aos autos os documentos necessários para tanto, consistentes nas notas fiscais da prestação do serviço e/ou os respectivos conhecimentos de transporte de carga, acompanhados da prova de sua efetiva quitação, pois este foi o critério adotado pela autoridade para considerar como comprovada a despesa elaborandose um quadro demonstrativo para firmar seu posicionamento excetuando aquelas que entendeu estarem comprovadas. Por fim, quanto à alegação da recorrente segundo a qual o auditor cometeu diversos erros em seu levantamento, ao considerar como prestados por pessoas físicas fretes Fl. 10204DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 8 que foram prestados por pessoas jurídicas, registrou a decisão recorrida que que tais erros, acaso tenham realmente ocorrido, não prejudicam o resultado apurado pela fiscalização. Pois não importa, para fins da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, se o frete foi efetivamente prestado por pessoa física ou jurídica o que importa é a comprovação, ou não, da despesa de escriturada pela contribuinte. Na parte dispositiva da relatada decisão, elaborouse uma didática planilha na qual se estampou o total das despesas de frete que permaneciam sem comprovação, concluindose pela parcial procedência do lançamento para manterse essa parcela da glosa. Devidamente cientificada da decisão parcialmente desfavorável (fls. 10.087) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 10.088 – 10.100), argumentando que, muito embora a maior parte da autuação sofrida tenha sido cancelada pela decisão recorrida, parcela significativa dos débitos apurados ainda remanesceu, situação que mereceria prosperar, porquanto ao longo de sua Impugnação, pleiteou diversas vezes a baixa do presente processo administrativo em diligência, para que todos os documentos e provas necessários pudessem ser definitivamente analisados pela fiscalização, afirmando que o indeferimento da pretendida diligência comprometeu seu direito de defesa maculou, portanto, o entendimento da decisão recorrida, ferindo o princípio da verdade material e demais disposições aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Seguiu arrazoando que seria obrigação do órgão julgador intimála para que complementasse a documentação ate então carreada aos autos não se vendo nos autos, qualquer motivo fundamentado par a o indeferimento parcial de sua impugnação, afirmando eu a Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora, longe de satisfazer o interesse público, suprimiu seu direito, na medida em que impediu a plena comprovação dos fatos e do direito narrado na impugnação interposta. Ressaltou já ter diligenciado no sentido de separar e agrupar os documentos comprovatórios (que contam milhares de cópias) de seu direito, os quais se encontrariam à disposição da fiscalização. Por fim, sustentou a inaplicabilidade da multa no patamar de 150%, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário e a consequente reforma da decisão parcialmente recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Fl. 10205DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 12963.000390/200701 Acórdão n.º 1301000.818 S1C3T1 Fl. 5 9 O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como se observa do relatório acima minudenciado, a recorrente manifesta seu inconformismo com a decisão proferida pela DRJ de Juiz de Fora/MG na parte em que, indeferindo o pedido de diligência, considerou procedentes as glosas relativas a despesas de frete que entendeu não comprovadas. Segundo argumenta a recorrente, a baixa do processo em diligência, naquela oportunidade (julgamento pela DRJ), seria capaz de trazer a comprovação das indigitadas despesas e que não foram demonstradas à Fiscalização de pronto, ante o avolumado de documentos e necessária segregação. O argumento da recorrente, contudo, carece de um sustentáculo documental lógico, consistente na juntada, ainda que extemporânea, dos tais comprovantes. Ora, se a recorrente afirma que a diligência a ser determinada pela DRJ por ocasião do julgamento seria capaz de elucidar a questão, cumprialhe, em sede de Recurso Voluntário, já que indeferida a pretendida diligência, trazer ao crivo desse Conselho os documentos que reputa comprovadores para que diante deles, se pudesse aferir o seu valor para o deslinde, bem como analisarse qualquer questão alusiva à preclusão. Ausentes os tais documentos, ainda que extemporâneos, quer me parecer um tanto vago o argumento sustentado pela contribuinte nos seguintes termos: (fl. 10.095): (...) “Ressaltese, por oportuno, que a Recorrente já diligenciou, durante o curso do julgamento, no sentido de separar e agrupar os documentos comprovatórios (que contam milhares de cópias) de seu direito, os quais se encontram a. disposição da fiscalização”. Repito, se os documentos foram agrupados pela recorrente e têm mesmo o efeito probatório que se lhes reputa, cumpria à recorrente têlos juntado mesmo que a destempo, não sendo suficiente a mera alegação. Não passa despercebido o fato de a decisão recorrida ter estabelecido de forma didática e muito clara quais despesas reputou como não comprovadas, de sorte que o direito de defesa da recorrente poderia ser facilmente exercido, bastavalhe comprovar as despesas, mas não o fez, motivo pelo qual, mantenho inalteradas as conclusões da decisão recorrida no tocante à glosa de despesas não comprovadas. Por outro lado, com a parcial procedência daquela decisão, que consoante relatado afastou a glosa atinente à desconsideração da personalidade jurídica de algumas transportadoras que teriam agido apenas para dissimular a real subordinação hierárquica à recorrente e com isso possibilitar a dedução de despesas, quer me parecer que o fundamento para aplicação da multa de 150% foi por igual turno afastado. A discussão que remanesceu se dá unicamente com a não comprovação de determinadas despesas e a consequente glosa, tendo havido evidente intuito de fraude subsiste a qualificação da infração. Fl. 10206DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 10 Com essas ponderações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa das despesas não comprovadas, com a multa qualificada. Sala das Sessões, em 01 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 10207DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 12/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900704/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 07 04 /2 00 9- 72 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900704/200972 Acórdão n.º 1801001.270 S1TE01 Fl. 88 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 15.02.2005, fls. 0913, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$17.034,43 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 31.03.2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 08, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 04.03.2009, fl. 27, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 03.04.2009, fls. 0105, com os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que o valor pleiteado em verdade referese ao saldo negativo de CSLLdo anocalendário de 2004, em conformidade com a Ficha 17 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Diz que equivocadamente indicou na Per/DComp que possuía direito creditório de pagamento indevido. Esclarece que pelo princípio da razoabilidade (art. 37 da Constituição Federal) esta informação deve ser retificada. Defende que apresentou a Per/DComp retificadora tãosomente para correção desse erro e não para a inclusão de novo débito, tampouco alterar o valor do débito confessado. Alega esta formalidade não deve afastar seu direito ao reconhecimento do direito creditório assegurado pelo art. 165 do Código Tributário Nacional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Pelo exposto, uma vez caracterizada a existência do saldo negativo no valor de R$ R$16.865,78 [...] requer: (i) A reforma do despacho decisório ora combatido, para que se reconheça e homologue a compensação declarada [...]; (ii) A retificação da aludida PER/DCOMP, para que se altere o tipo de crédito de "pagamento indevido", fazendo constar como "saldo negativo"; (iü) A imediata suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto da compensação não homologada, nos termos § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008 e inciso III do art. 151 do CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900704/200972 Acórdão n.º 1801001.270 S1TE01 Fl. 89 3 Seja o presente processo administrativo distribuído a uma das Turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte MG, para ulterior análise. Nesses termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0233.471, de 12.07.2011, fls. 3034:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Notificada em 14.11.2011, fl. 39, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 4256, em 15.12.2011, fl. 85, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que mero erro formal não pode resultar em perda do direito creditório, em observância ao princípio da verdade material. Expõe a possibilidade de retificação de ofício da Per/DComp, nos termos no art. 142, art. 147 e art. 149 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida e que deve ser declarada a suspensão da exigibilidade dos débitos confessados. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900704/200972 Acórdão n.º 1801001.270 S1TE01 Fl. 90 4 Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional1. Verificase no presente caso que os débitos confessados na Per/DComp estão com a exigibilidade suspensa pela apresentação regular do recurso voluntário. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor pago sobre a base de cálculo estimada. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar sua alegação. O reconhecimento do direito à homologação da compensação não prescinde de restar comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Por esta razão, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal2. A RFB, no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, determina que a Per/DComp não pode ser retificada caso a sua análise não mais se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Excepcionalmente, todavia, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor da CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, que pode ser analisado como uma parcela a compor a formação do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário. E isto porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual da CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período3. No presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar4. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900704/200972 Acórdão n.º 1801001.270 S1TE01 Fl. 91 5 comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de que tem direito ao reconhecimento do valor de R$16.865,78 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004, uma vez que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante somente pode ser admissível mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147 do Código Tributário Nacional). A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903802/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-004.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 38 02 /2 00 9- 01 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903802/200901 Acórdão n.º 3803004.002 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000021/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do Fato Gerador:28/02/2003, 20/03/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/08/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Fez declaração de voto o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 613 1 612 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000021/200879 Recurso nº 923.426 Voluntário Acórdão nº 330201.554 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria IPI Auto de Infração Recorrente COPERSUCARCOOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANADE AÇÚCAR, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador:28/02/2003, 20/03/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/08/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Fez declaração de voto o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 613DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 614 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 574 a 591) apresentado em 23 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 1527.915, de 02 de agosto de 2011, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 555 a 560), cientificado em 22 de agosto de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de fevereiro a abril e agosto de 2003, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 28/02/2003 a 31/08/2003 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. NÃOOCORRÊNCIA. Observados os preceitos do art. 10 do Decreto n. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Somente fazem jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento do PIS e da Cofins, as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais exportadas diretamente ou por intermédio de comerciais exportadoras. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. ILEGITIMIDADE ATIVA. No caso de produtos fabricados por estabelecimentos cooperados que vierem a ser exportados pela sociedade cooperativa, eventual crédito pertence ao estabelecimento produtor. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INDEVIDO. LANÇAMENTO DO IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. A concessão e o aproveitamento de qualquer benefício ou incentivo fiscal estão subordinados ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação de regência. É lícito ao Fisco proceder à glosa do crédito presumido do IPI irregularmente apropriado pela sociedade cooperativa, e, verificado o aproveitamento dos créditos presumidos indevidamente apurados, mediante recebimento de créditos por transferência, cabe o lançamento de ofício do imposto que Fl. 614DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 615 3 deixou de ser pago em razão da redução indevida do tributo a recolher. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 21 de janeiro de 2009 e, de acordo com o termo de fls. 06 e 12, a Interessada não teria direito ao crédito presumido escriturado, por não ser produtora e exportadora dos produtos fabricados pelos cooperados. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração (fls. 05/12) e Demonstrativos (fls.13/16), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$123.599,70, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$301.744,84. Na descrição dos fatos constante do auto de infração de fls.06/11, a fiscalização descreve no item 001, que a interessado deixou de recolher o IPI por ter se utilizado indevidamente de crédito presumido do IPI, transferido da sua matriz, CNPJ 61.149.589/000189, em período de apuração compreendidos entre o 3º decêndio de fevereiro de 2003 ao 3º decêndio de agosto de 2003, segundo consta nas notas fiscais de transferência do crédito emitidas pela matriz para o estabelecimento fiscalizado (fls.27/32) e Livro Registro do IPI – LRAIPI (fls.33/139), haja vista que o estabelecimento matriz, que não produz a mercadoria exportada, não tem direito ao Crédito Presumido de IPI, previsto na legislação em vigor à época dos fatos geradores, instituído pela Lei 9.363, de 1996, e as IN SRF nº 103, de 1997, inciso II, §1º, do art.2º, e IN SRF nº 313, de 2003, não podendo transferir esses supostos créditos para serem utilizados por outros estabelecimentos filiais da empresa. A contribuinte em questão é uma cooperativa que recebe o produto, açúcar, produzido pelas Usinas Cooperadas, e, em seguida, em tese, realiza a exportação. Mas, a situação fática não se enquadra naquelas previstas na legislação em vigor a época dos fatos geradores. A ""Copersucar"" não é produtora e exportadora (condição cumulativa) e nem produtora que exporte seus produtos através de vendas à empresa comercial exportadora, (exportação indireta), aos moldes do Decreto 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que define as características e requisitos da comercial exportadora (arts.1º, 228, 229, 230), com objetivo único de exportar, não sendo possível o entendimento de que a operação estaria amparada pela legislação que rege o benefício fiscal, nos moldes do art.111 do CTN. Com base nos valores de IPI devidos, apurados pelo Fisco nesta ação fiscal, a fiscalização procedeu à reconstituição da escrita fiscal da empresa, para ajustar os saldos devedores e efetuar o correto lançamento do imposto por decêndio, conforme demonstrativos anexados de fls.17/18. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 616 4 A empresa registra no Livro Registro de Saídas (fls.149/150), arquivos magnéticos apresentados pela contribuinte (fls.237) e no Livro Registro de Apuração de IPI (fls.48 e 53) os débitos de IPI nos valores de R$18.071,56 (referente ao 3º decêndio/fevereiro/2003) e R$1.157,15 (referente 1º decêndio/março/2003), declarados na DCTF como suspensos (fls.220/221), os quais, independentes dos resultados das ações judiciais movidas pela Contribuinte contra a União, foram suspensos nos termos do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional, Lei 5.172, de 25/10/1966, por haver depósitos judiciais conforme demonstrativos e guias de recolhimentos apresentadas pela Contribuinte às fls.486/499. O enquadramento legal prevê infração aos artigos: Cláusulas primeira e terceira do Termo de Acordo n° 018, 23/12/1997, formalizado no Processo 1016 8.003102/9751; Arts: 1° ao 6°da Lei n° 9.363/96; Arts. 42, parágrafo único da Lei n° 9.532/97; Arts 29, inciso II; 54; 55, inciso I, alínea ""b"" e inciso II, alínea ""c""; 59; 62; 63, inciso II; 107, inciso II e 112, inciso IV; todos do RIPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/82; Arts. 32, inciso II, 109, 114, 117, 164 , parágrafo único , 165, 166 , 167, 168, 169, 170, 182 , 182 e parágrafo único, 183, inciso IV e 185, inc iso III, do Decreto n°2.637/98 (RIPI/98); Arts. 26, 34, inciso II, 122, 127 130, 179, 181, 182, 183, 184 , 185 , 186, 187, 188, 189, 199 e parágrafo único, 20 0, inciso IV e 202, inciso III , do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02 ). Nas fls.239/485 encontramse cópias das certidões de objeto e pé e peças judiciais apresentadas pela Contribuinte dos processos de Mandado de Segurança de n°2002.61.00.47968 (fls.301/315 e 316), Mandado de Segurança de n°2003.61.00.0077588 e Medida Cautelar de n° 2003.61.00.0136787 (depósito judicial). Esta ações referemse à mandado de segurança e ações ordinárias com pedidos de medidas liminares para afastar a exigibilidade do IPI incidentes nas saídas de açúcar produzidos pelo seus cooperados para adquirentes não sujeitos ao pagamento do IPI, restringindo o pedido relativo às safras de 2002 e 2003.O pedido foi considerado improcedente tendo a sentença denegado a segurança (fls.240 e 246/255). A contribuinte foi cientificada do lançamento em 21/01/2008 (fl. 05) e apresenta em 27/02/2008, a impugnação de folhas 512/524, sendo essas as suas razões de defesa: Preliminar de Nulidade. A autuação contém vício formal, cabendo, na preliminar, a argüição de nulidade por erro material, na conformidade do art.10 do Processo Administrativo Fiscal – PAF, aprovado pelo Decreto nº70.235, de 1972, uma vez que a capitulação legal efetuada pelo auditor fiscal enquadra a contribuinte como incursa no art. 42, parágrafo único da Lei n°. 9.532, de 1997, mas este artigo foi revogado pelo art. 22, II, b) da Lei n°. 9.779 de 19 de janeiro de 1999, contendo fundamentação e penalidade em desacordo a legislação vigente; Fl. 616DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 617 5 o auto de infração foi lavrado sob a alegação da existência, nos livros fiscais da cooperativa, de débitos do IPI não recolhidos, mas os débitos do IPI objetos da autuação tinham sido extintos por compensação com créditos presumidos do IPI. A compensação não foi aceita sob alegação de que os créditos presumidos eram indevidos, com capitulação equivocada; os débitos do IPI extintos por compensação eram oriundos de vendas de açúcar no mercado interno. Os créditos presumidos utilizados na compensação com os débitos do IPI eram decorrentes de exportações de açúcar. Tanto as vendas no mercado interno, como as exportações, foram vendas e exportações dos próprios produtores, realizadas por intermédio da cooperativa. Os créditos presumidos do IPI foram considerados indevidos sob a alegação de que a cooperativa não é produtora do açúcar que exporta; As vendas efetuadas pela cooperativa são vendas dos cooperados. No sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, como se depreende do art. 83 da Lei n° 5.764, de 1971, dispensada inclusive as procurações e formalidades, exceto o processo de filiação dos cooperados; transcreve jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, com o entendimento de que o cooperado que vende seus produtos por intermédio de cooperativa de vendas, reveste em si próprio a dupla condição de produtor e de vendedor, ou de produtor e exportador, nos Acórdãos 291 75.187 e 20213.259, cujo trecho transcreve; a Lei 9.430/96, art. 66, ao eleger a cooperativa centralizadora das vendas em comum como ""responsável"" pelo pagamento das contribuições do PIS e da COFINS, em consonância com o art. 121 do CTN, consagra o entendimento de que a cooperativa não tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, elegendo a condição de contribuinte, ao cooperado, somente quando decorrer do fato de que é ele quem realiza a venda (ou seja, mantém a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação), conforme item 4.1 do Parecer Normativo CST 77/76, dentre outros, o item 16 da Decisão de Consulta 190/2002 (colhido do item 17 da Nota Cosit 234/2003), que transcreve; a própria SRF mediante a Nota COSIT n° 234, de 01/08/2003, reconhece, expressamente, que, nas vendas efetuadas por intermédio de cooperativa de vendas em comum, o produtor cooperado é o próprio vendedor (no caso, exportador). Vejase, dentre outros, o item 15 da referida nota: ""15. No momento em que a cooperativa exporta a produção de determinado cooperado, é correto o entendimento de que ficam preenchidos os requisitos para a fruição do crédito presumido do IPI, vale dizer, houve industrialização e exportação. Entendemos ser razoável o argumento trazido pela Copersucar de que a Fl. 617DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 618 6 exportação é realizada, na verdade, pelo cooperado. O que há de particular é que o cooperado o faz por intermédio da cooperativa centralizadora de vendas. Assim, faz jus o cooperado ao crédito presumido de IPI. (g.n.)""; com efeito, a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu o direito do produtor cooperado ao crédito presumido do IPI, no item 18 da Nota Cosit 234, de 2003: “18. Então, chegase à conclusão de que faz jus o Cooperado ao crédito presumido de IPI quando a Cooperativa centralizadora de vendas exportar produção por ele entregue. ” resta o entendimento de que, nas operações intermediadas pela cooperativa, o verdadeiro exportador é o próprio produtor (cooperado); removido o equivocado pressuposto em que se funda o auto de infração, de que a cooperativa teria feito, por conta própria, as exportações que deram origem aos créditos presumidos do IPI, há que se reconhecer referidos créditos como absolutamente legítimos; Equiparação a comercial exportadora. O segundo equívoco da Fiscalização está no pressuposto de que a cooperativa pudesse ser equiparada a uma empresa comercial exportadora, o não se aplica ao caso presente. Nem a cooperativa invocou essa fundamentação para o registro dos créditos presumidos de IPI relativos às exportações efetuadas por seu intermédio. O auditor fiscal jamais poderia ter feito essa referência, porque as duas situações são absolutamente distintas, na determinação do parágrafo único do artigo 1º da Lei n° 9.363/96, que equipara uma venda interna a uma exportação, antecipando o direito ao crédito presumido; a entrega da produção, nesse caso, não configura venda, como na alienação a empresa comercial exportadora. O cooperado só terá direito ao benefício do ""crédito presumido"" quando a produção entregue à cooperativa for efetivamente exportada. Nessas circunstâncias, não haveria motivo para a edição de lei dispondo sobre o imediato ressarcimento do direito à desoneração, como foi feito em relação às vendas a comerciais exportadoras; protesta pela apresentação de razões aditivas, caso necessário, com base no princípio da verdade material, e requer, respeitosamente, o acolhimento da preliminar de erro material, ou, se assim não entenderem os Eméritos Julgadores, que acolham integralmente de sua defesa e, em conseqüência, o cancelamento do Auto de Infração. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº 2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido em 22/06/2006, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.554. No recurso, a Interessada repetiu as demais alegações da impugnação. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 619 7 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A matéria discutida no recurso já foi objeto de julgamento anterior pela antiga 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. No Acórdão nº 20180.501, o voto condutor foi assim fundamentado: No tocante ao crédito presumido, há que se afastarem as alegações preliminares da recorrente de que a fundamentação do auto de infração teria restado superada e que o Acórdão de primeira instância teria inovado. Segundo o auto de infração, a interessada não teria direito ao crédito presumido, em face de não se tratar de produtor, uma vez que o produtor é o associado. Considerou, ademais, que o produtor não seria exportador, razão pela qual o produtor também não teria direito ao crédito presumido. Entretanto, as argumentações quanto à inexistência do direito para o produtor não se aplicam ao presente caso, uma vez que não foi o produtor que escriturou o crédito. Já o Acórdão de primeira instância não reconheceu que o direito fosse da interessada, da mesma forma que a Nota Cosit no 234. Uma vez que o crédito foi escriturado pela interessada, em sua escrituração, e que foi transferido de sua matriz, a questão resumese à legitimidade. Nesse contexto, pouco importa que a transferência dos produtos para a cooperativa não represente venda, uma vez que se trata de saber se a escrituração dos créditos pela cooperativa é ou não regular. Afirma a recorrente que nunca pretendeu que o direito fosse seu, que seria mera mandatária dos associados e que a cooperativa seria extensão do estabelecimento produtor. Em relação a essa questão, adoto os fundamentos exarados no voto do eminente Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão no 20177.710: “No entanto, ouso divergir quanto às razões de mérito lançadas em seu voto. Conforme se pode constatar no item 4 do termo de verificação de fl. 02, a Fiscalização glosou o aproveitamento do crédito Fl. 619DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 620 8 presumido efetuado pela cooperativa na contabilidade da cooperativa. O próprio relator Sérgio Gomes Velloso, ao analisar a preliminar de nulidade por duplicidade do lançamento, deixou bem claro que no caso concreto o aproveitamento do crédito presumido e a respectiva glosa ocorreram na contabilidade da cooperativa e não nos livros do estabelecimento do cooperado. Com esta conduta a cooperativa agiu como mandatária do cooperado na realização das vendas, mas agiu como senhora e ‘dona’ do crédito presumido que pertencia ao cooperado, quando dele se apropriou ao escriturálo nos seus livros e ao transferilo para suas filiais. Portanto, não posso concordar com as razões de mérito do seu voto, já que elas contrariam o disposto na Lei nº 9.363/96, que estabelece que o direito ao crédito presumido é do produtor vendedor e não de terceiros, que apenas se limitaram a comercializar a produção, como se deu no caso da Copersucar. A presente questão foi objeto de consulta formulada pela Copersucar à Administração Tributária, que culminou na Nota Cosit nº 234, de 1º de agosto de 2003. ‘No item 19.2 daquela nota, ficou estipulado que, mediante o recebimento de informações da cooperativa, cabe ao cooperado: a) calcular e apurar o crédito presumido e escriturálo em seu livro modelo 8; b) se parte da produção tiver sido vendida pela cooperativa no mercado interno, parte do crédito presumido que for apurado pelo cooperado poderá ser usado para abater o IPI devido pela cooperativa na condição de substituta tributária e somente em relação aos débitos gerados pela produção daquele cooperado; c) remanescendo saldo credor na escrita fiscal do cooperado, após a dedução do IPI devido pela cooperativa, na condição de substituta tributária, poderá haver transferência de crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica do cooperado.’ No parágrafo 21.4 da mesma Nota ficou consignado expressamente que não cabe à cooperativa centralizadora de vendas da apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados. E no parágrafo 21.5 consta que cabe aos cooperados o cumprimento de todos os deveres instrumentais ao benefício, como a apresentação do DCP. Considerando que os documentos de folhas 04/30 comprovam que no caso concreto o procedimento da cooperativa foi exatamente o contrário do que foi estabelecido na Nota Cosit nº 234/2003, pois demonstram inequivocamente que a cooperativa apurou, calculou e escriturou em seus livros o crédito presumido que era dos cooperados, invoco o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para aplicar a fundamentação da Nota Cosit nº 234/2003 e negar provimento ao recurso.” Fl. 620DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 621 9 Observo, ainda, que o procedimento adotado pela interessada foi o de tratar o crédito como seu. A matriz apurou e escriturou o crédito, para compensálo escrituralmente, e transferiu parte do crédito para a filial. Não se trata de procedimento de associado, mas de procedimento da cooperativa. Vejase que não encontra respaldo legal a afirmação da interessada de que teria mandato “legal” para agir em nome dos associados. Primeiramente, porque o chamado “mandato legal” restringese aos atos para os quais a cooperativa foi criada, os chamados atos cooperativos. Tratase de ato regulado pelo direito privado e restrito, no caso de pessoas jurídicas, ao próprio objeto social dos associados. A obrigação tributária, por sua vez, não pode sofrer alterações, relativamente aos sujeitos passivos, sem expressa e específica previsão legal, ao teor da disposição do art. 123 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966). Por essa razão é que se previu o modelo de adesão, no caso de substituição tributária, que, no entanto, não abrange o direito ao crédito presumido de IPI. A alegação da interessada, a respeito da conclusão, na Nota Cosit nº 234, de que “o fato de se tratar de cooperativa centralizadora de vendas não necessariamente permitiria a apuração do crédito presumido e o repasse aos cooperados”, daria azo a interpretação diversa é falaciosa, uma vez que a conclusão é de que, do fato de se tratar de cooperativa centralizadora de vendas, não decorre a permissão para apuração e transferência dos créditos. Não se justificam os atos praticados pela interessada em face da alegada ausência de anterior orientação da Cosit, uma vez que o argumento de que teria “mandato legal” é claramente improcedente. Na ausência de disposição específica em lei tributária, não poderia concluir a interessada que seu direito derivaria de interpretação de disposição específica de direito privado. Ademais, a apuração centralizada prevista em lei diz respeito a estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica produtora e exportadora. No caso das cooperativas, isso não ocorre, pois os produtores e exportadores são os associados, o que impede vislumbrarse hipótese de centralização. Portanto, a apuração e transferência do crédito presumido, da forma como realizada, foi irregular, devendo ser mantida a glosa. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 622 10 Isto posto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria controversa envolve a utilização de crédito presumido de IPI por parte de cooperativa de produtores de cana, açúcar e álcool, compensação considerada indevida pela O crédito presumido de IPI foi criado pela MP nº 1.484/96, posteriormente convertida a Lei nº 9.363/96, com o objetivo de aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional através da desoneração das exportações (dentro do entendimento de que não se exporta tributos). Assim, foi instituído este benefício fiscal aos exportadores, calculado a partir das aquisições de insumos destinados à fabricação dos produtos a serem enviados ao exterior. Tal matéria encontrase disciplinada no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/96, transcrito a seguir: “A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs. 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” Conforme o “Contrato regulamentar da execução de disposições estatutárias de assunção de outras obrigações” apresentada pela contribuinte podemos verificar que as mercadorias produzidas pelas cooperadas serão encaminhada à COPERSUCAR para posterior comercialização dessas a terceiros e rateio proporcional do resultado das vendas entre os cooperados. A cooperativa, portanto, comercializa os produtos acabados em nome e benefício Fl. 622DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15956.000021/200879 Acórdão n.º 330201.554 S3C3T2 Fl. 623 11 dos cooperados, indo ao encontro, inclusive, do que determina o art. 83 da lei nº 5.764/71, que dispõe: “A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo.” O conceito de empresa produtora e exportadora, para efeito da concessão do crédito presumido, inclui as empresas que possuem estabelecimentos equiparados a industrial, e promovem industrialização por encomenda. O art. 11, II do Regulamento do IPI determina que “equiparamse a estabelecimento industrial, por opção as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764/71, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização.” Mesmo que a cooperativa não fosse uma mera intermediária entre os cooperados e possíveis terceiros adquirentes das mercadorias, essa pode ser equiparada ao estabelecimento produtor, conforme demonstra o Regulamento do IPI. Desta forma, aquele que exporta, também é o que produz e mantém direito ao benefício fiscal do crédito presumido de IPI. Ante o exposto, mantenho meu voto de outra ocasião, para o mesmo contribuinte, vencido, proferido no Ac. 20180.258, e no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 623DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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