Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10820.000527/94-70
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 1996
Ementa: COFINS - CONSULTA - LANÇAMENTO NOVO - É de se reconhecer a nulidade do lançamento efetuado na mesma data da ciência da decisão do recurso em processo de consulta, impedindo a
realização do recolhimento espontâneo sem multa, no prazo
assegurado de 30 dias pela norma de regência.
Lançamento nulo.
Numero da decisão: 108-03.716
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, acolher a preliminar de nulidade do auto de infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros
José Antônio Minatel, Oscar Lafaiete de Albuquerque Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199611
ementa_s : COFINS - CONSULTA - LANÇAMENTO NOVO - É de se reconhecer a nulidade do lançamento efetuado na mesma data da ciência da decisão do recurso em processo de consulta, impedindo a realização do recolhimento espontâneo sem multa, no prazo assegurado de 30 dias pela norma de regência. Lançamento nulo.
turma_s : Oitava Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 1996
numero_processo_s : 10820.000527/94-70
anomes_publicacao_s : 199611
conteudo_id_s : 4226052
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 108-03.716
nome_arquivo_s : 10803716_003796_108200005279470_006.PDF
ano_publicacao_s : 1996
nome_relator_s : Luiz Alberto Cava Maceira
nome_arquivo_pdf_s : 108200005279470_4226052.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, acolher a preliminar de nulidade do auto de infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Antônio Minatel, Oscar Lafaiete de Albuquerque Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 12 00:00:00 UTC 1996
id : 4632515
ano_sessao_s : 1996
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:06:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041841054547968
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-28T13:10:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-28T13:10:53Z; Last-Modified: 2009-08-28T13:10:53Z; dcterms:modified: 2009-08-28T13:10:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-28T13:10:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-28T13:10:53Z; meta:save-date: 2009-08-28T13:10:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-28T13:10:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-28T13:10:53Z; created: 2009-08-28T13:10:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-28T13:10:53Z; pdf:charsPerPage: 1190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-28T13:10:53Z | Conteúdo => -;; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;fL•fr.:4::.t> PROCESSO N°. : 10820/000.527/94-70 RECURSO N°. : 03.796 MATÉRIA : COFINS - EXS.: De 1993 e 1994 RECORRENTE: ESPAN - ATIVIDADES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS LTDA. RECORRIDA : DRF EM ARAÇATUBA (SP) SESSÃO DE : 12 de novembro de 1996 ACÓRDÃO N°. : 108-03.716 COFTNS - CONSULTA - LANÇAMENTO NOVO - É de se redonhecer a nulidade do lançamento efetuado na mesma data da ciência da decisão do recurso em processo de consulta, impedindo a realização_do_recolhimento_espontâneo._ sem_ multa, _ no_ _prazo assegurado de 30 dias pela norma de regência. Lançamento nulo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ATIVIDADES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS LTDA., ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, acolher a preliminar de nulidade do auto de infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Antônio Minatel, Oscar Lafaiete de Albuquerque Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE LUIZ ALB ri • TO CAVA MA EIRA RELATO./ PROCESSO N°. : 10820/000.527/94-70 2 ACÓRDÃO N°. : 108-03.716 FORMALIZADO EM: . 2 8 FEV 1997 RECURSO DA FAZENDA NACIONAL N9 . RP/108-0.101 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ ANTÔNIO MINATEL, MARIA DO CARMO SOARES RODRIGUES DE CARVALHO, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, OSCAR LAFAIETE DE ALBUQUERQUE LIMA E 6)PAULO IRVIN DE CARVALHO VIANNA E RENATA GONÇALVES PANTOJA. MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10820.000527194-70 ACÓRDÃO N° RECURSO N° 03.796 RECORRENTE: ESPAN - ATIVIDADES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS LTDA. RELATÓRIO ESPAN - ATIVIDADES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS LTDA., empresa com sede na Rua Rui Barbosa, n° 35, Birigui/SP, inscrita no C.G.C. sob n° 58.249.491/0001-99, inconformada com a decisão monocrática que indeferiu sua impugnação, recorre a este Colegiado. A matéria objeto do litígio diz respeito a COFINS, onde foi constatada-a-falta de -recolhimento- desta-contribuição-no-periodo-de-julho de 1993 a março de 1994, com infração ao disposto nos arts. 1°, 2°, 3°, 4° e 5° da Lei Complementar n°70/91. Tempestivamente impugnando, a empresa alega que: - Estava amparada pelo instituto da consulta, capitulada pelos arts. 46 a 58 do Decreto n° 70.235/72. O impugnante protocolou em 14/09/92 Recurso Voluntário e tempestivo, Processo n° 10820.000695/92-11, que versa sobre o tributo em questão, sendo, portanto, nulo o procedimento, eis que o mesmo tem efeito suspensivo. - É ilegítima, face à jurisprudência hoje pacífica, posto que esta contribuição é considerada imposto inominado, de competência residual da União, que para ter validade no mundo legal, seria necessário a instituição do regime de não cumulatividade, providência que não foi cumprida, bem como a distinção entre bases de cálculo com os impostos que já foram criados anteriormente. - Requer seja julgado improcedente o auto de infração, declarando-o insubsistente. A autoridade singular indeferiu a impugnação em decisão assim ementada: "LANÇAMENTO DE OF/C/0 - NULIDADE Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. COFINS - CONSULTA. A consulta formulada relativamente à contribuição objeto destes autos não suspende o prazo para seu recolhimento (art. 49 do Decreto n° 70.235/72). tk) . px 6.4; MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10820.000527194-70 ACÓRDÃO N° - CRÉDITO FISCAL - CONSTITUCIONALIDADE. A questão relativa à constitucionalidade de leis, inobstante o direito de invocação na instância administrativa, constitui-se em assunto, cuja discussão, por razões institucionais, situa-se na esfera de competência do Poder Judiciário." Em suas razões de apelo, a Recorrente ratifica as alegações constantes na peça impugnatória, acrescentando que: - Foram equiparadas, na decisão, as modalidades de lançamento •por homologação e autolançamento, justificando-se esse procedimento no art. 49 do Decreto 70.235/72. - Segundo o art. 48 deste mesmo Decreto, está assegurado ao contribuinte que nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência. - No art. 49, vem a ressalva de que não suspende o prazo para recolhimento de tributo retido na fonte ou autolançado. Portanto, o tributo autolançado é aquele cujo pagamento não pode deixar de ser efetuado, por já ter sido lançado pelo próprio contribuinte, como é o caso do IPI. - O agente fiscal deve proceder a fiscalização e a conseqüente lavratura do respectivo auto, na sede da empresa ou onde se verificar a falta, consoante toda a legislação pertinente, e não como procedido, pois o exame dos livros e documentos da autuada ocorreram na DRF. - O fundamento do procedimento administrativo é também o de desobstruir as vias judiciais, para que não se acumulem litígios desnecessários retardando os julgamentos, sendo que se tal fim não existisse, não haveria necessidade de existirem cargos exclusivos para julgamento das lides administrativas. - Requer seja dado provimento total ao recurso, decretando-se a nulidade e o conseqüente arquivamento do referido auto de infração. CililN...\É o relatório. ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10820.000527/94-70 ACÓRDÃO N° VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: Recurso tempestivo, dele conheço. Dentre os efeitos da consulta fiscal eficaz, um dos mais importantes, é colocar o consulente a salvo de penalidades. O art. 48 do Decreto 70.235/72, dispõe: "...Nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo, relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I - Da decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso. li - De decisão de segunda instância." A consulta fiscal não é modalidade de denúncia espontânea, em virtude de requerer que o consulente esteja em condição de demonstrar dúvida. Justamente para evitar eventual infração, o consulente se antecipa a qualquer atitude da administração. Não cabe, portanto, que o consulente, exercendo seu direito de petição de resposta, como o é a consulta fiscal, seja alvo de autuações. Com referência ao art. 48 do decreto supramencionado, GERALDO ATALIBA, sustenta que: )An MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10820.000527194-70 ACÓRDÃO N° " O consulente fica imune a sanções ou punições, pelo fato de formular, regularmente, consulta à administração. Esta norma proíbe, nesta hipótese, a aplicação de sanções. E o faz 'até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência da resposta dada a consulta, pelo órgão fazendário' (art. 48), exatamente para garantir ao administrado a possibilidade de se comportar na conformidade da orientação apontada pela resposta que vier a ser dada. ______Se_assim_ não- dispusesse- o-regulamentoi ~uni- dão teria_ _ __ sentido. Os administradores ficariam inibidos e o instituto seria inteiramente inócuo. Por isso é nulo qualquer procedimento relativo à espécie consultada (art. 48), não tem eficácia, é como se não existisse." Pelo exposto, considerando que a ciência do recurso no processo de consulta ocorreu na mesma data da lavratura do Auto de Infração, o que impediu o recolhimento espontâneo "sem multa", entendo por reconhecer a - preliminar de nulidade do Auto de Infração. Diante do exposto, voto por anular o lançamento de oficio. Brasília-DF, 12 de novembro de 1996. ' • • • LUIZ AI_ RTO CAVA M EIRA - Relator Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000582/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2004, 2005
Multa Isolada por Compensação Indevida. Cabimento.
A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos de
natureza diversa da tributária é passível de penalização com a multa estabelecida no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.006
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2004, 2005 Multa Isolada por Compensação Indevida. Cabimento. A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos de natureza diversa da tributária é passível de penalização com a multa estabelecida no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10665.000582/2006-68
anomes_publicacao_s : 200903
conteudo_id_s : 4406615
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.006
nome_arquivo_s : 320100006_139043_10665000582200668_008.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Luis Marcelo Guerra de Castro
nome_arquivo_pdf_s : 10665000582200668_4406615.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
id : 4631629
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:06:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041841068179456
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T13:24:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T13:24:03Z; Last-Modified: 2009-09-03T13:24:04Z; dcterms:modified: 2009-09-03T13:24:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T13:24:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T13:24:04Z; meta:save-date: 2009-09-03T13:24:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T13:24:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T13:24:03Z; created: 2009-09-03T13:24:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-09-03T13:24:03Z; pdf:charsPerPage: 1175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T13:24:03Z | Conteúdo => S3-C2T1 Fl. 186 /CS MINISTÉRIO DA FAZENDA '" • '41‘--. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10665.000582/2006-68 Recurso n° 139.043 Voluntário Acórdão n° 3201-00.006 — 2" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente DIVINÓPOLIS DIESEL LTDA. Recorrida DRJ-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2004, 2005 Multa Isolada por Compensação Indevida. Cabimento. A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos de natureza diversa da tributária é passível de penalização com a multa estabelecida no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. LUIS RCELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto e Nilton Luiz Bartoli. Processo n° 10665.000582/2006-68 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.006 Fl. 187 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário contra acórdão proferido pela egrégia 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: "Trata-se de Auto de Infração decorrente da 'Compensação Indevida' informada pelo contribuinte acima qualificado, no valor de R$ 722.316,75, assim discriminado: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Multa exigida R$ 722.316,75 isoladamente Total R$ 722.316,75 2. A descrição dos fatos encontra-se à fl. 04 deste processo, nos seguintes termos: O contribuinte efetuou compensações indevidas de valores em declarações de compensação e por meio eletrônico (PERDCOMP), cujas cópias, bem assim quadro demonstrativo das mesmas constam dos autos do processo administrativo fiscal n° 10665.000582/2006-68, correspondente ao presente auto de infração. As declarações de compensação foram consideradas não declaradas conforme despachos decisórios que fazem parte dos autos do processo mencionado. 3.0 enquadramento legal reporta-se ao art. 44, inciso I, e 74, parágrafo 12, inciso II, alínea "e", da Lei n°9.430, de 28 de dezembro de 2006, com a redação dada pelo art. 4° da Lei n" 11.051, de 19 de dezembro de 2004; o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001 e art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 2004. 4.As PER/DCOMP's que deram origem ao lançamento encontram-se discriminadas à fl. 07 deste processo e foram enviadas eletronicamente à SRF no período de 11/02/2005 a 21/07/2005, onde foram informadas as pretensas compensações de débidos no valor de R$ 963.088,97. As PER/DCOMP's mencionadas encontram-se anexadas ao processo às fls. 8 a 70. Os Despachos Decisórios denegatórios dos pleitos do contribuinte acompanham as PERIDCOMP's anexadas. 5.0 contribuinte foi cientificado do lançamento aos 05/09/2006, conforme AR-Aviso de Recebimento anexado àfl. 73. 0e7 2 Processo n° 10665.000582/2006-68 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.006 Fl. 188 6.Irresignado, o contribuinte apresenta aos 25/09/2006 a impugnação anexada às fls. 74 a 87 deste processo. Resumidamente, as alegações alegações apresentadas pelo impugnante: O cerne da fundamentação trazida pela Receita Federal é a impossibilidade de aceitar uma compensação, cujo crédito não seja administrado por este Órgão. Apesar de muito bem elaboradas as razões do auto, essas não merecem prosperar por falta de fundamento de validade. Alega responsabilidade solidária da União Federal, mencionando que 'A Eletrobrás, ao receber o Empréstimo Compulsório — objeto da lide, agiu na qualidade de delegada da União Federal, que ademais assumiu a responsabilidade solidária pelo adimplemento das Obrigações ao Portador, nos termos do art. 4°, parágrafo 3°, da Lei n" 4.156/62".(Ipsis Litteris) Transcreve os arts. 275 do Código Civil Brasileiro e art. 125 do CT1V. A União é 'responsável solidária pelos valores pagos a título de empréstimos Compulsórios, cabendo ao credor cobrar o que é seu de direito. Tal fundamento se confirma pela própria Natureza Tributária das Obrigações em questão, sendo que é responsabilidade da Receita Federal a cobrança de tributos e Contribuições federais s.(gnfos do original) Transcreve alguns artigos do Decreto n° 68.419, de 1971 no intuito de atribuir à SRF a administração e fiscalização do Imposto Unico sobre Energia Elétrica.. Ilustra com Ementa do STJ - Superior Tribunal de Justiça. Tece diversas considerações acerca da natureza tributária da exação. Busca amparo ao seu entendimento com passagens de ilustres tributaristas e com Ementas do Poder Judiciário. Para se ter uma idéia da sua aceitabilidade, anexamos decisões judiciais que determinam a compensação de tributos federais com utilização de debêntures/cau telas representativas de Empréstimo Compulsório. (Ipsis Litteris) Menciona e anexa ainda, sentença prolatada em demanda judicial promovida por empresa do mesmo grupo econômico. Por serem os créditos verdadeiros tributos e já possuírem reconhecimento de natureza tributária, sem fundamento de validade se torna o auto de infração constituído, devendo o mesmo ser anulado por esta Delegacia de Julgamento. 7. Para subsidiar a análise o contribuinte apresenta junto com a impugnação os documentos anexados às lis. 88 a 144, além da procuração autorizando a impugnante. 8.Considerando a tempestividade da impugnação apresentada, a DRF/DivinópolisMG encaminha o processo a esta DRI, para manifestação acerca da lide. ‘;2 3 Processo n° 10665.000582/2006-68 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.006 Fl. 189 • Ponderando as razões de impugnação, bem assim os fundamentos jurídicos expendidos no voto condutor, decidiu o órgão julgador recorrido pela manutenção parcial da exigência, como se verfica na leitura da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. • Enseja o lançamento da multa isolada de oficio, a compensação de débitos indevidamente informada em PER/DCOMP, na hipótese de utilização de crédito não administrado pela SRF. Lançamento Procedente em Parte Mantendo sua irresignação, compareceu a recorrente novamente aos autos pugnando pela total improcedência da multa aplicada, essencialmente, pelos mesmos fundamentos aduzidos por ocasião da instauração da fase litigiosa. GioÉ o Relató 2 ' 4 Processo n0 10665.000582/2006-68 53-C2T1 Acórdão n°3201-00.006 Fl. 190 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Presidente e Relator O recurso é tempestivo: a recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 29/03/2007 e renovou sua inconformidade em 23/04/2007 (aviso de recebimento de fl. 166 e protocolo de fl 169), além de tratar de matéria afeta à competência deste Terceiro Conselho. Dele deve-se tomar conhecimento, portanto. Antes de enfrentar o mérito, entendo conveniente, preliminarmete, demarcar a matéria litigiosa. Assim, há que se chamar atenção para o fato de que, parte da exigência que deu origem ao presente litígio foi exonerada pelas autoridades recorridas e que tal parcela não está sujeita a recurso de oficio. Remanesce, portanto, a multa de 75%, aplicada com espeque no art. 18, caput e § 2° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que reza. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar- se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. (.) § 2° A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Não se encontra em discussão, por outro lado, o reconhecimento do direito de extinguir débitos tributários com os créditos elencados nas Dcomp. Tais pedidos foram indeferidos e não se tem noticia, no presente processo, que tais indeferimentos tenham sido alvo de manifestação de inconformidade ou, se apresentada, que qualquer órgão julgador tenha reconhecido o crédito pleiteado. Assim sendo, apesar da extensa argumentação da recorrente acerca da legitimidade da compensação pleiteada, penso que compete a este colegiado apreciar exclusivamente se a conduta narrada se subsume ou não a uma das demais hipóteses elencadas no caput do art. 18 da lei n°10.833, de 2003. Dentro dessa delimitação, penso que, efetivamente, a conduta descrita se subsumiu à norma instituidora de penalidade. 5 Processo n° 10665.000582/2006-68 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.006 Fl. 191 Com efeito, para que se aplique a multa objeto do presente recurso exige-se que, além de indevida, a compensação declarada se enquadre em uma das seguintes hipóteses: a) que se configure fraude, sonegação ou conluio, definidos nos art. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 19641; b) que a utilização do crédito declarado encontre-se expressamente vedada por lei; ou • c) que o crédito que se pretendeu utilizar tenha origem em tributos ou contribuições diversos dos administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. Sendo certo que os créditos em questão dizem respeito a obrigação não administrada pela antiga SRF (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB), irreparável, a meu ver, o acórdão hostilizado. Oportuno relembrar, nessa esteira, o que dita a Súmula 3°CC n° 6: Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. De se acrescentar, finalmente, que apesar das seguidas alterações do art. 18 da Lei ri° 10.833, de 2003, nenhuma dessas alterações deixou de apenar a conduta verificada. Senão vejamos: A primeira alteração da redação do dispositivo em debate foi promovida pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2" do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Art . 71. Sonegação é hW ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria principal, sua natureza ou circunstancias materiais: II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tõda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impásto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art .73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos ruis. 71 e 72. er::07) 6 Processo n°10665.000582/2006-68 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.006 Fl. 192 § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso 11 do § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996." (destaquei) A seu turno, o Inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996, conforme redação fornecida pela mesma Lei n° 11.051, de 2004, dispõe: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (.) II - em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-prémio" instituído pelo art. 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a titulo público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. Em sua versão atual, fornecida pelo art. 18 da Medida Provisória 351, posteriormente convertida na Lei 11.488, de 16 de junho de 2007, o dispositivo passou a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória # 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão de não- homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei # 9.430, de 17 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso lido § 12 do art. 74 da Lei tr£ 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § P, quando for o caso. 7 p • Processo n° 10665.000582/2006-68 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.006 Fl. 193 §52 Aplica-se o disposto no § 22 do art. 44 da Lei a2 9.430, de 17 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§Y e 4 2 deste artigo." (NR) Vê-se, portanto, que apesar da redefinição da redação do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, em nenhuma de suas versões, a conduta promover a compensação indevida, com créditos de natureza diversa da tributária, deixou de ser apenada com a correspondente multa isolada: na redação original, estava prevista no seu capta, após as alterações, passou a ser tratada no seu parágrafo 4°, em conjunto com o § 12, II do art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Assim sendo, revela-se inaplicável ao caso concreto, a meu ver, o inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, que reza: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (4 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigéncia de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, nem a lei posterior deixou de considerar a conduta narrada uma infração, nem de tratá-la como contrária às normas que tratam do procedimento de compensação, nem muito menos passou a impor penalidade menos severa do que a discutida no presente processo. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de março de 2009. g;;P::)L CE O GUERRA DE CASTRO — Presidente e Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011765/2005-68
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DESISTÊNCIA DE RECURSO - HOMOLOGAÇÃO - Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, nos termos do § 1°, art. 59, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, impõe-se sua homologação, com a decorrente extinção do procedimento recursal.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 104-23.719
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200902
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DESISTÊNCIA DE RECURSO - HOMOLOGAÇÃO - Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, nos termos do § 1°, art. 59, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, impõe-se sua homologação, com a decorrente extinção do procedimento recursal. Recurso não conhecido.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10580.011765/2005-68
anomes_publicacao_s : 200902
conteudo_id_s : 4162778
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 104-23.719
nome_arquivo_s : 10423719_160159_10580011765200568_006.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Rayana Alves de Oliveira França
nome_arquivo_pdf_s : 10580011765200568_4162778.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
id : 4631297
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:06:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041841079713792
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T13:04:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T13:04:58Z; Last-Modified: 2009-09-09T13:04:59Z; dcterms:modified: 2009-09-09T13:04:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T13:04:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T13:04:59Z; meta:save-date: 2009-09-09T13:04:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T13:04:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T13:04:58Z; created: 2009-09-09T13:04:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-09-09T13:04:58Z; pdf:charsPerPage: 1187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T13:04:58Z | Conteúdo => PCCOI/C04 Fls. I C:44 rs, MINISTÉRIO DA FAZENDA v PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:;M,r;‘› QUARTA CÂMARA Processo n° 10580.011765/2005-68 Recurso u° 160.159 Voluntário Matéria IRRF Acórdão ri° 104-23.719 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente UNIME - UNIÃO METROPOLITANA DE EDUCAÇÃO E CULTURA S/C LTDA Recorrida 3a TURMA/DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DESISTÊNCIA DE RECURSO - HOMOLOGAÇÃO - Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, nos termos do § 1°, art. 59, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, impõe-se sua homologação, com a decorrente extinção do procedimento recursal. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIME - UNIÃO METROPOLITANA DE EDUCAÇÃO E CULTURA S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 5041)41 ,GU VO LIAN HADDAD Presidente em Exercício 'Atte) (.9 rhave RAYarALVES DE OLIVEIRA FRANÇA -Relatora Processo n° 10580.011765/2005-68 CaltiC04 Acórdão n.° W4-23.719 Fls. 2 FORMALIZADO EM: 16 MAR ?() Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Mallmann, Heloisa Guarita Souza, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Suplente Convocada). S5)71 2 P Processo n°10580.011765/2005-68 CO31/C04 Acórdão n.° 104-23.719 ps. 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 19/12/2005, o auto de Infração de fls. 01/08, relativo ao 1RRF - Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimento do trabalho assalariado (0561), referente ao ano calendário de 2003, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 1.083.588,25, dos quais R$ 512.218,95 correspondem a imposto, R$ 384.164,16 a multa de oficio ao percentual de 75%, e R$ 187.205,14 a juros de mora calculados até 30/11/2005. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/11), a ação fiscal decorreu do trabalho de MALHA FISCAL denominado de DIRF/DARF, cujo objetivo é promover o batimento entre as informações prestadas pelas fontes pagadores, através de DIRF e os valores recolhidos através de DARF. Intimida pelo Termo de Intimação Fiscal (fls. 15), a esclarecer sobre as divergências constatadas entre os valores de IRRF informados na DIRF, relativa ao ano- calendário de 2003 e os valores recolhidos em DARF; a contribuinte informou que (fls. 17): - há divergências de informações causadas por problemas no programa de emissão de folha que considerou a data do pagamento da folha e não o período de competência para processamento da DIRF; - assim que este problema fosse regularizado, seria feita a retificação da DIRF/2004. - quanto aos DARFs de recolhimento referentes ao ano calendário 2003, o período encontra-se no PAES Em 16/03/2005, foi apresentada DIRF retificadora do exercício de 2004 (fls. 40/45), cujo valor de imposto de renda retido na fonte era de R$ 512.218,95. Cientificada do Auto de Infração em 23/12/2005 (fls. 48), a contribuinte apresentou, em 23/01/2006, a impugnação de fls. 49/59, e documentos de fls. 60/90, cujos principais argumentos foram: - caráter confiscatório da multa imposta, no percentual de 75%; - necessidade de exclusão dos juros calculados com base na taxa SELIC, por violação ao art.161, §1° do CTN. Em 28/09/2006, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento 'em Salvador/13R através da sua 3° Turma, proferiu o Acórdão DRJ/SDR n° 15 - 11389 (fls. 93/96), que por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. (‘• PI\ 3 • Processo n• 10580.011765/2005-68 CC0i/C04 Acórdão n.• 104-23.719 Fls. 4 A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. A aplicação da multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) calculada sobre o tributo ou contribuição decorre de lei, devendo ser observada pela autoridade fiscal no lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, devendo ser observada pela autoridade fiscal no lançamento de oficio, Lançamento Procedente" Ressaltando ainda, em seu relatório: "No Termo de Verificação Fiscal, à s fls. 09111, ficou consignado que o lançamento teve como base os valores informados pelo contribuinte na DIRF retificadora entregue, em 16/03/2005, e que não foram considerados os valores recolhidos ou declarados em DCTF, depois de iniciado o procedimento fiscal. Ficou consignado, também, que os ' valores objeto da autuação não tinham sido inclusos pelo contribuinte em seu parcelamento PAES. Finalizando o procedimento, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais no Processo n° 10580.011927/2005-68, em razão de ter sido constatada a ocorrência de fatos que, em tese, configura crime contra ordem tributária, definido no art. 2", inciso II, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fis. 49159, alegando, em síntese, que a multa de oficio aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) seria inconstitucional em razão do seu inegável caráter confiscató rio, e que os juros de mora não poderiam ser calculados com base na taxa SELIC, pois ultrapassavam o percentual de I% ao mês previsto no art. 161 do C7N." Cientificada da decisão de primeira instância em 18/10/2006, conforme AR de fls. 101, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em 16/11/2006, o Recurso Voluntário de fls. 102/128, acompanhado de arrolamento de bens, fls. 129/139, por meio do qual alega: - a fiscalização desconsiderou os valores declarados em DCTF, em 16/06/05, quais sejam, RS 459.900,83, referentes ao IRRF (0561) e R$ 313,71, referente ao IRRF (0588), além de desconsiderar o pagamento realizado em 22/03/06 (R$ 34.142,45), sob a alegação de terem sidos efetuados após inicio do procedimento fiscalizatório; - no entanto, considerou a DIRF retificadora no valor de RS 512.218,95, superior aos R$ 483.535,29, declarados na DIRF originária; NP" 4 Processo n° 10580.011765/2005-68 CCO I /CO4 Acórdão n.° 104-23.719 Fls. 5 - deve haver um tratamento uno, para considerar ou não todas as declarações e pagamentos feitos após o inicio do procedimento fiscal; - nulidade do auto de infração, por não ter sido informado de forma clara e de fácil interpretação, como é feito o cálculo do valor da multa referente a suposta infração; - a autoridade administrativa não deve aplicar normas inconstitucionais no que se refere a multa com caráter confiscatório e aplicação da taxa SELIC; - por fim requer a nulidade do auto de infração ou subsidiariamente que seja revista a multa aplicada e inadequação da taxa SELIC; Em 13/05/2008, a Delegacia da Receita Federal de Salvador/BA, enviou a este Conselho, pedido da Recorrente nos seguintes termos (fls. 247): "2. O sujbito passivo acima identificado requer, na pessoa do seu representante legal, para efeito do disposto no art. 10 da Lei n°.10260, de 12 de junho de 2001, alterada pela Lei n° 11.522, de 18 de setembro de 2007, a desistência TOTAL da impugnação ou do recurso interposto, constante do processo administrativo n° 10580- , 01 L765/2005-68. Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta a referida impugnação ou recurso. 3.Desistência parcial não há, apenas total. 4. Os débitos da desistência de que trata este requerimento são os débitos relativos aos demais tributos administrados pela RFB, que serão incluídos no: Parcelamento dos débitos relacionados no inciso 1 do art. 30 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°6 de 17 de dezembro de 2007. 5. Identificação do representante legal da entidade mantenedora perante o CNPJ: Célia Marilena Calvo Galindo - CPF 270.594.218- 15" Referido pedido foi assinado pelo Dr. Max Alves de Carvalho, OAB/SP 238.869 e estava acompanhado de uma procuração com poderes para transigir, desistir, firmar compromissos propor ação, discordar, concordar e substabelecer, com reservas, em especial para praticar a defesa da OUTORGANTE nos autos do processo número 10580-011.765/2005- 68, em nome de UNIME - UNIÃO METROPOLITANA DE EDUCAÇÃO E CULTURA S/C LTDA, assinada pelo Dr. Marcelo Calvo Galindo (fls. 248), que detinha procuração pública emitida pelos sócios da Pessoa Jurídica com poderes para constituir advogados com poderes da Cláusula "Ad-Judicia" (fls. 263), nos termos do contrato social e aditivos da referida empresa (fls. 250/260). É o Relatório. nsr,\C ti Processo n° 10580.011765/2005-68 CCO I /C04 Acórdão n.° 104-23.719 Fls. 6 Voto Conselheiro RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, Relatora O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais. No entanto, diante do pedido de expresso desistência da contribuinte (fls. 247), deixo de apreciar o presente recurso por perda de objeto, nos termos do art. 59, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n o 147, de 25 de junho de 2007, que dispõe: "Art. 59. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. .§* I° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo." Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência apresentado pela recorrente. Sala das Sessões - DF, em 05 de fevereiro de 2009 de- et VcsismAt RAYANA XLVES DE OLIVEIRA FRANÇA 6 Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000033/2002-86
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 105-01.204
Decisão: RESOLVEM OS Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Jose Carlos Passuelo
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200410
turma_s : Quinta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
numero_processo_s : 13808.000033/2002-86
anomes_publicacao_s : 200410
conteudo_id_s : 5608872
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 105-01.204
nome_arquivo_s : 10501204_136579_13808000033200286_006.pdf
ano_publicacao_s : 2004
nome_relator_s : Jose Carlos Passuelo
nome_arquivo_pdf_s : 13808000033200286_5608872.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM OS Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
id : 4628078
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:05:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-04-22T19:22:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-04-22T19:22:33Z; created: 2013-04-22T19:22:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-04-22T19:22:33Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2013-04-22T19:22:33Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713041841083908096
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005094/92-59
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPJ- OMISSÃO DE RECEITAS. Inexistindo nos autos a correta
demonstração, por parte do fisco, que dos depósitos bancários foram extirpadas as transferências interbancárias, os empréstimos obtidos bem como os descontos de duplicatas, para demonstrar a omissão de receita proveniente da comparação entre a receita declarada e os recursos obtidos pelo contribuinte, deve o lançamento ser declarado insubsistente.
Recurso provido.
Numero da decisão: 108-03981
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199702
ementa_s : IRPJ- OMISSÃO DE RECEITAS. Inexistindo nos autos a correta demonstração, por parte do fisco, que dos depósitos bancários foram extirpadas as transferências interbancárias, os empréstimos obtidos bem como os descontos de duplicatas, para demonstrar a omissão de receita proveniente da comparação entre a receita declarada e os recursos obtidos pelo contribuinte, deve o lançamento ser declarado insubsistente. Recurso provido.
turma_s : Oitava Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 1997
numero_processo_s : 10830.005094/92-59
anomes_publicacao_s : 199702
conteudo_id_s : 4225030
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 108-03981
nome_arquivo_s : 10803981_110240_108300050949259_007.PDF
ano_publicacao_s : 1997
nome_relator_s : Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho
nome_arquivo_pdf_s : 108300050949259_4225030.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 1997
id : 4632770
ano_sessao_s : 1997
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:06:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041841084956672
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T11:52:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T11:52:14Z; Last-Modified: 2009-09-03T11:52:14Z; dcterms:modified: 2009-09-03T11:52:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T11:52:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T11:52:14Z; meta:save-date: 2009-09-03T11:52:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T11:52:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T11:52:14Z; created: 2009-09-03T11:52:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-09-03T11:52:14Z; pdf:charsPerPage: 1188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T11:52:14Z | Conteúdo => ... -.. 1/ 4, ."4 . r. • MINISTÉRIO DA FAZENDA ...,. -::* Z., PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES J;;44.:.titiv PROCESSO N°. : 10830/005.094/92-59 RECURSO N°. : 110.240 MATÉRIA : WH - EX: DE 1988 RECORRENTE: CRAVESTAC ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. RECORRIDA : DRF EM CAMPINAS - SP. SESSÃO DE : 25 DE FEVEREIRO DE 1997 ACÓRDÃO N°. : 108-03.981 MF'J - OMISSÃO DE RECEITAS. Inexistindo nos autos a correta demonstração, por parte do fisco, que dos depósitos bancários foraár extirpadas as transferências interbancárias, os empréstimos obtidos bem como os descontos de duplicatas, para demonstrar a omissão de receita proveniente da comparação entre a receita declarada e os recursos obtidos pelo contribuinte, deve o lançamento ser declarado insubsistente. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CRAVESTAC ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA, ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de, Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , ye - - /-MANOEL ANTONIO GADEL . • IAS - P • ' .IDEN'TE / mARIA a o A44-,..i.4.(ipal 0 . RELATORA, H - 4i I i ariSralars-- _i e N 1 - . -"" • • 'u MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 108301005.094192-59 ACÓRDÃO N°. : 108-03.981 FORMALIZADO EM: 21 MAR 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ ANTÔNIO MINATEL, NELSON LOSSO FILHO, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO I 312, JORGE EDUARDO GOUVÊA VIEIRA e CELSO ÂNGELO LISBOA GALLUCCI. Al 2 ir" r,, a. . ,,,- , , MINISTÉRIO DA FAZENDA ,' --, -- - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3 . •5---": .: I: PROCESSO N°. : 10830.005094/92-59 ACÓRDÃO Na. : 108- O 3 . 9 81 RECURSO N°. : 110240 RECORRENTE : CRAVE STAC ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Cravestac Engenharia e Comércio Ltda., já qualificada nos autos, recorre a este E. Conselho de Contribuintes da decisão de primeira instância prolatada pelo Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas - SP - fls. 79/80, que julgou procedente o auto de infração de fl. 63. Refere-se a lançamento de omissão de receitas caracterizada pela ausência de comprovação da origem dos recursos que deram suporte a parte dos depósitos bancários efetuados no ano-base de 1987, apurado de acordo com o demonstrativo contido no documento de fls. 02 dos autos, com fulcro nos artigos 157, parágrafo primeiro, 181 e 387, inciso II do RIR/80, aprovado pelo Decreto n° 85.450/80. O documento de fLs. 02 refere-se ao Termo de Verificação e intimação onde a fiscalização determinou o fluxo financeiro da empresa adotando o seguinte procedimento: 1. Somou os depósitos bancários que foram identificados nos extratos bancários, totalizando CzS 24.171.528, 00; 2. Da receita bruta de vendas do período, adicionou o saldo de caixa existente em 31/12 do período-base imediatamente anterior e excluiu o saldo de caixa existente no final do período. Adicionou o montante declarado de duplicatas a receber do período-base imediatamente anterior e excluiu as duplicatas a receber do período-base e adicionou os recebimentos via Caixa. Deste fluxo apurou a quantia de Cz$ 16.605.654,00. Diante da divergência apurada, intimou-se a empresa a jus ;7 ,: a origem dos recursos que suplantaram as disponibilidades apuradas, sendo que em res . e r.• empresa informa que não havia sido possível identificar as origens dos depósitos efetuados. iif 4 er 411 k MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4. PROCESSO N°. : 10830.005094/92-59 ACÓRDÃO N°. : 108- 03-981 Ato continuo lavrou-se o auto de infração. Irresignada com o feito a cmpresa apresenta impugnação tempestiva alegando, de inicio, que não infringiu o artigo 157 eis que apresentou a escrituração contábil à fiscalização e que a mesma foi escriturada com estrita observância das leis comerciais e fiscais. Que não ficou provado pelo fisco, a omissão de receita apurada, posto que baseou-se apenas em amostragens e que não foi considerado, pela fiscalização, as transferências de depósitos interbancárias. Que o Diário n° 15, colocado à disposição da fiscalização contém o universo das operações realizadas nesse ano-base e os lançamentos de crédito de receita mantêm as correspondentes contra-partidas devedoras, o mesmo acontecendo com os lançamentos decorrentes de entradas e saídas de caixa, inclusive as citadas operações interbancárias que não se referem a receitas, mas sim a meras transferências de numerários. Ressalta ainda que a faculdade atribuída à fiscalização de arbitrar recursos de caixa não identificados, referida no artigo 181 do RIR/80 restringe-se apenas às hipóteses previstas naquele artigo, o que não foi constatado pelo auditor fiscaL Requer, ao final, o cancelamento do auto de infração. Informação fiscal às fLs. 76/77 pela manutenção da autuação. Baseando-se na informação fiscal a Autoridade Julgadora mantém o auto de infração impugnado. O recurso interposto : fls. 86/89 reproduz integralmente a impugnação interposta. É o Relatório. I "iy.' MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5. PROCESSO N°. : 10830.005094/92-59 ACÓRDÃO N°. : 108-z O 3 . 9 8 1 VOTO Recurso assente em lei. dele tomo conhecimento. Percebe-se do relato tratar-se de lançamento cujo pressuposto é a conclusão, pela autoridade fiscal autuante, de que a recorrente teria omitido parte da receita declarada que estaria contida nos débitos dos extratos bancários por ela trabalhados, conforme demonstrativo constante às fls. 02. Vimos também que o lançamento está fulerado na regra do artigo 181 do Regulamento do Imposto de Renda - Decreto n° 85.450/80. Ao elaborar o precitado demonstrativo a autoridade lançadora intimou o contribuinte a explicar a origem dos recursos que suplantaram as receitas omitidas. Porém, ao expedi-1a, a fiscalização já estava de posse dos extratos bancários e da contabilidade da empresa, com a oportunidade de elaborar o encontro de contas entre os extratos existentes, bem como checar as transferências efetuadas Após a lavratura do auto de infração o contribuinte insurgiu-se contra a forma do lançamento, arguindo que havia, como de fato há, transferências interbancárias e que estariam elas devidamente escrituradas e que este fato poderia ser comprovado pela autoridade fiscal posto que a contabilidade estivera todo o tempo à sua disposição. Assim expôs seus argumentos: "Não ficou, por outro lado, provada a omissão de receita, porquanto tendo se baseado em amostragens, não considerou o ilustre auditor fiscal do tesouro nacional, as transferências de depósitos interbancários, além disso, como o diário n° 15 relativo ao ano de 1987 contém o universo das operações realizadas nesse ano-base, os lançamentos de créditos de receita mantém as correspondentes contra-partidas devedoras, o mesmo acontecendo com os lançamentos decorrentes de entradas e saídas de caixa, inclusive as citadas operações interbancárias, que não se referem a receitas, mas a meras transferências de numerários. É de ressaltar-se aqui que a faculdade atribuída à fiscalização de arbitrar recursos de caixa não identificados, referida no artigo 181, se restringe às hipóteses previstas nesse artigo, o que não foi assim constatado pelo senhor auditor. 6217 e"..e MINISTÉRIO DA FAZENDA ".!L:if ' • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6.c PROCESSO N°. : 10830.005094/92-59 ACÓRDÃO N°. 108_03.981 Percebe-se, neste ponto a fragilidade, da peça impugnada, posto que lavrada sem um demonstrativo que apontasse a correta apuração dos fatos. Se os extratos bancários existentes estavam escriturados e nele estão estampadas não só as transferências elencadas pela recorrente, como também outras operações que comprovam os empréstimos obtidos e que duplicatas foram descontadas, impossível definir qual o valor da omissão de receia Sequer se ela existiu. Nos autos, estão apensos documentos de fls. 12157, as cópias dos extratos bancários, de onde se presume tenha a fiscalização trabalhado para extrair os valores dos depósitos tributados. Comprovam-se nestas peças os argumentos expendidos pela recorrente. A simples conta de chegar, que o autuante demonstrou no documento de tis. 02 não pode ser levada em consideração para que se possa afirmar que aquele montante nela discriminado seja omissão de receita e tampouco tenha sido suprido a conta bancos, por aquele total, pelos sócios ou administradores. O demonstrativo de fls. 02, para que possa ser levado em consideração deveria discriminar todos os créditos levados em conta corrente, demonstrando, detalhadamente, todas as exclusões que porventura tivessem sido efetuadas. Somente como foi elaborado toma-se impossível afirmar que a omissão de receita apurada seria a correta. Faltou o quesito certeza para que a justiça se fizesse presente no presente lançamento. Qual seria o valor correto? A peça básica dos autos, que tem por finalidade principal a aplicação de penalidade ao infrator à legislação tributária, seja pelo descumprimento das obrigações principais ou acessórias, deve apresentar três requisitos básicos e fundamentais que são a segurança, a certeza e a seriedade. Estes requisitos são tão fiuidarnentais que sem eles não pode existir a relação juriclico-tributária entre o sujeito ativo e o passivo. A segurança, quanto à correta apuração dos fatos e a capitulação legal pertinente, possibilitando ao contribuinte o perfeito entendimento acerca da denúncia fiscal. A certeza quanto ao crédito tributário exigido. E por fim, a seriedade st serem corretamente observadas as formalidades e requisitos para a sua celebração. \ \is or - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 7 . PROCESSO Na. : 10830.005094/92-59 ACÓRDÃO N°. : 108- 0 3 . 9 81 À luz dos fatos, não se pode assegurar que estes requisitos estão presentes no auto de infração impugnado. A fiscalização teve em suas mãos os documentos que possibilitariam fazer o levantamento correto para a determinação da receita omitida, se é que houve. Não o fez. O encontro de contas deveria existir nos autos provando que dos depósitos efetuados, foram extraídas as transferências efetuadas, os depósitos provenientes de empréstimos contraídos e de descontos de duplicatas Da análise minuciosa dos autos percebe-se que existe o Diário que a recorrente aponta na fase impugnativa e na recursal, informando que os lançamentos de transferência estariam contabilizados, posto que ele é citado no documento de fls. 02 e parte dele é acostado aos autos, por cópia - fLs. 07/11. Qual foi o motivo que levou a fiscalização a não apensar no processo as cópias restantes? Tampouco elaborar um demonstrativo eficiente que apontasse os extomos que deveriam ser efetuados para afinal caracterizar a receita omitida? Este demonstrativo não existe. Como se não bastassem tais imperfeições no presente lançamento, há que considerar a falta de subsunção dos fatos à norma que o fulcrou. Com efeito, o artigo 181 do RIR/80 não contempla a hipótese dos autos, que trata exclusivamente de suprimento de caixa e não de bancos. Não obstante se tratar de contas de disponibilidades, para que se evidencie a omissão de receita, mister se faz que a conta suprida seuX o caixa, face à sua liquidez, que é mais imediata que bancos e que há maiores oportunidades para que o contribuinte exerça mais diretamente o controle do caixa particular. Diante das considerações acima elencadas, forçoso é admitir que no presente lançamento não estão presentes os requisitos de certeza, seriedade e segurança determinados para que exista a perfeita relação jurídico-tributária entre as partes. Assim posto, por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao rec - • , para declarar insubsistente o lançamento subjudice. Sala das sessões (1) • Fever . 's de 1997: 4 / CONSELHEIRA - MARIA 5 • ,.:1t4. • 4 0 (I .R. DE • • VALHO - .RelatoradiçAinass-- / 41/1
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000551/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 10/11/2004 a 31/12/2006
Ementa:
AUTODEINFRAÇÃO.
FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL
A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 10/11/2004 a 31/12/2006 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16004.000551/2007-58
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 5046579
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.281
nome_arquivo_s : 230201281_16004000551200758_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 16004000551200758_5046579.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4743962
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044226815557632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000551/200758 Recurso nº 508.502 Voluntário Acórdão nº 230201.281 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente SOCIEDADE RIOPRETENSE DE ENSINO SUPERIOR E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 10/11/2004 a 31/12/2006 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Manoel Coelho Arruda Júnior, Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000551/200758 Acórdão n.º 230201.281 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em 14/08/2007, pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja a confecção de folha de pagamento de todas as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa, nos moldes e padrões estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária, nas competências 11/2004 a 12/2006 Relatório Fiscal de fls.06/07 e 10/16, diz que a autuada é integrante de grupo econômico e ficou configurada a circunstância agravante de reincidência genérica. Após a impugnação, Acórdão de fls. 120/128, julgou a autuação procedente, mas excluiu do pólo passivo da obrigação o responsável solidário, pois a solidariedade se dá apenas em relação à obrigação principal, conforme artigo 179, I da Instrução Normativa SRP n.º 03/2005. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso arguindo a nulidade do lançamento fiscal pois foi utilizada a Portaria n.º 142, de 11/04/2007, para fixação da multa, se traduzindo em veículo impróprio para tanto, por inobservância do princípio da legalidade. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade do recurso, conforme atesta o documento de fl. 139, conheço do mesmo e passo ao seu exame. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/91, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.48/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000551/200758 Acórdão n.º 230201.281 S2C3T2 Fl. 3 5 É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A recorrente não contesta a infração relativa a esta autuação, devendo, assim, ser considerada a Portaria SRFB N.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 e dita no seu artigo 8º: "Art. 8° Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." Quanto à inconformidade da recorrente acerca do valor da multa constar de Portaria Ministerial, faço referência ao artigo 373 do Regulamento da Previdência Social que diz: “Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no era.288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.” Desta forma, a aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial nº. 142, de 11/04/2007, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000268/2005-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO
STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço.
VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
No período objeto do lançamento, não há dispositivo legal concedendo isenção de PIS e de Cofins nas vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
ESPONTANEIDADE. DCTF RETIFICADORA.
Declaração retificadora apresentada após o inicio da ação fiscal não tem o caráter de denúncia espontânea e não exime o contribuinte de sofrer autuação, compreendendo principal, multa de oficio e juros de mora.
DÉBITOS NÃO PAGOS E NEM DECLARADOS. LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE.
Comprovado pela Fiscalização a existência de débitos não declarados e nem extinto por qualquer modalidade, deve o mesmo ser objeto de lançamento de ofício.
DÉBITOS PAGOS ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO.
Comprovado que o contribuinte, antes da lavratura do auto de infração, efetuou o pagamento do débito com os acréscimos legais devidos (juros de mora e multa de mora ou de ofício), ainda que não declarados em DCTF, não deve prosperar o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.291
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/RJ 130013.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. No período objeto do lançamento, não há dispositivo legal concedendo isenção de PIS e de Cofins nas vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. ESPONTANEIDADE. DCTF RETIFICADORA. Declaração retificadora apresentada após o inicio da ação fiscal não tem o caráter de denúncia espontânea e não exime o contribuinte de sofrer autuação, compreendendo principal, multa de oficio e juros de mora. DÉBITOS NÃO PAGOS E NEM DECLARADOS. LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. Comprovado pela Fiscalização a existência de débitos não declarados e nem extinto por qualquer modalidade, deve o mesmo ser objeto de lançamento de ofício. DÉBITOS PAGOS ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO. Comprovado que o contribuinte, antes da lavratura do auto de infração, efetuou o pagamento do débito com os acréscimos legais devidos (juros de mora e multa de mora ou de ofício), ainda que não declarados em DCTF, não deve prosperar o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 18471.000268/2005-83
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4828148
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-001.291
nome_arquivo_s : 330201291_18471000268200583_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 18471000268200583_4828148.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/RJ 130013.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4747278
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044226950823936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2085; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 885 1 884 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000268/200583 Recurso nº 133.692 Voluntário Acórdão nº 330201.291 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de novembro de 2011 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. No período objeto do lançamento, não há dispositivo legal concedendo isenção de PIS e de Cofins nas vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. ESPONTANEIDADE. DCTF RETIFICADORA. Declaração retificadora apresentada após o inicio da ação fiscal não tem o caráter de denúncia espontânea e não exime o contribuinte de sofrer autuação, compreendendo principal, multa de oficio e juros de mora. DÉBITOS NÃO PAGOS E NEM DECLARADOS. LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. Comprovado pela Fiscalização a existência de débitos não declarados e nem extinto por qualquer modalidade, deve o mesmo ser objeto de lançamento de ofício. DÉBITOS PAGOS ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXCLUSÃO. Comprovado que o contribuinte, antes da lavratura do auto de infração, efetuou o pagamento do débito com os acréscimos legais devidos (juros de Fl. 885DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 886 2 mora e multa de mora ou de ofício), ainda que não declarados em DCTF, não deve prosperar o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Presente ao julgamento o Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/RJ 130013. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Tratase de auto de Infração, de fls. 28 a 30 e 220 a 226, que exigiu a quantia de R$ 140.486.778,86 (cento e quarenta milhões quatrocentos e oitenta e seis mil setecentos e setenta e oito reais e oitenta e seis centavos) relativa à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado / pago de COFINS, referente ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2003, já incluídos o principal e juros de mora, calculados até 28/02/2005. Tal lançamento se baseou, em síntese, no fato da contribuinte deixar de incluir em sua base de cálculo, outras receitas além de seu faturamento, indo de encontro com a Lei n° 9.718/98, art. 3°. Tais débitos estão declarados com suspensão de exigibilidade, com amparo na liminar em Mandado de Segurança n° 2000.02.01.0439609. Além disso, tais receitas – financeiras e de variações monetárias e cambiais – foram indevidamente ajustadas, contrariando a legislação pertinente, pois não foram computadas no cálculo das contribuições para a COFINS. Intimada a esclarecer a forma de determinações das variações cambiais, a empresa informou que optou pelo regime de competência, amparada pela Medida Provisória 2.15835 de 2001, mas a autoridade fiscal entendeu que a contribuinte, em verdade, não optou por nenhum dos regimes (caixa ou competência), ajustando indevidamente tais contas. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 887 3 Por fim, o Auto de Infração, que restou lavrado com base nos lançamentos contábeis da contribuinte, não admitiu, para efeito de determinação do valor lançado, as DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal, tendo em vista a exclusão da espontaneidade destes atos, conforme o art. 7°, § 1°, do Decreto 70.235/72. A contribuinte, notificada em 11/03/2005, apresentou sua impugnação, de fls. 312 a 351 e anexos de fls. 352 a 577, em 12/04/2005, alegando, resumidamente, que parte da COFINS exigida é relativa a vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, que gozam de isenção, concedida na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade n° 23489, além de questionar a procedência dos saldos utilizados pela autoridade autuante em seus cálculos e reclamar pela aceitação das DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal, uma vez que a desconsideração das mesmas implicaria em duplicidade na exigência destes valores. Outros aspectos questionados pela contribuinte dizem respeito à questão das variações cambiais, consideradas dentro da normalidade, além de pleitear pela possibilidade das exclusões previstas na Lei 9.718/98, quais sejam: amortização da variação cambial especial CVM 294 – títulos resgatados, variação cambial deliberação CVM 404/01 – títulos resgatados, market to market opções – estorno de provisão e Fator Moderador – recuperação de despesas. O Acórdão n° 9.252, da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro (RJ), datado de 07 de julho de 2005, decidiu, por unanimidade de votos, por indeferir tal pleito, julgando procedente o lançamento, com a ementa transcrita logo abaixo: Assunto: Processo administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 Ementa: APURAÇÃO FISCAL – NULIDADE – Não há que se falar em nulidade quando o lançamento é efetuado com base em valores registrados na contabilidade da empresa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 Ementa: COFINS – VALORES DECLARADOS EM DCTF – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF apresentada antes do início da ação fiscal gozam do atributo da espontaneidade e dispensam o lançamento de ofício. COFINS – BASE DE CÁLCULO – A base de cálculo da COFINS, para as pessoas jurídicas de direito privado, é o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões expressamente previstas em lei. REGIME DE COMPETÊNCIA – Para fins de composição da base de cálculo da COFINS, adotase, regra geral, o regime de competência, vale dizer, as receitas são oferecidas à tributação na medida em que são auferidas, não importando a época de seu efetivo recebimento. VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO – A partir de 01 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de Fl. 887DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 888 4 câmbio serão consideradas para efeito de determinação da base de cálculo da COFINS, segundo o regime de caixa ou, à opção do contribuinte, segundo o regime de competência. Lançamento Procedente. Tal acórdão considerou procedente o lançamento atacado, alegando que o entendimento da Receita Federal é no sentido de tributar as receitas provenientes de vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, conforme solução de consulta da SRRF 7ª RF/DISIT, e por não haver previsão expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, além de mencionar que a ADIN citada pela recorrente foi julgada sem a análise de mérito, por perda de objeto. Entendeu também que não merece prosperar a desconsideração das DCTF’s retificadas após o início do procedimento fiscal, sob o entendimento de que as mesmas não gozaram de espontaneidade, ou seja, por não se caracterizar a declaração de compensação na data em que foi protocolizada como instrumento de confissão de dívida, e por estas se referirem a pagamentos já considerados pela fiscalização, valores estes sob condição suspensiva em virtude da liminar na ADIN 23489, ou em virtude do Mandado de Segurança supracitado. O acórdão da DRJ considerou ainda inválidos os ajustes feitos pela contribuinte em suas variações monetárias e cambiais, pois a mesma reduziu os valores negativos dos positivos em sua base, enquanto que o entendimento da autoridade fiscal é de considerar de forma integral o valor da variação ativa em sua base de cálculo, caracterizando como irregular a atitude da contribuinte. Já em relação às exclusões pleiteadas pela contribuinte, o acórdão não as considerou válidas para fins de base de cálculo da COFINS. Ao tomar conhecimento do acórdão mencionado acima na data de 14/12/2005, a contribuinte COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL, impetrou o presente recurso voluntário, de fls. 628 a 681, em 10/01/2006, enfatizando que este credito tributário está com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do processo n° 2000.02.0436909 da 28ª Vara Federal, que aguarda julgamento da apelação, e expondo resumidamente os argumentos mencionados: a) O DecretoLei 288/67 instituiu que as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus são equiparadas judicialmente a exportação de mercadorias. Aduz que, corroborando tal posicionamento, é o entendimento sustentado pelo art. 40 do ADCT, e mantido pela MP 2.03725 de 2001, transcrita em sua peça, juntamente com jurisprudência especializada. b) Ao ser indagada sobre o procedimento adotado em sua apuração, a requerente juntou documentação e explicações do procedimento utilizado e dos ajustes realizados, mas ainda assim a autuante se valeu unicamente dos saldos contábeis daquelas contas, ferindo assim o princípio da legalidade, pois considera que a autoridade deve não apenas presumir a ocorrência de fatos que levem à exigência do tributo, mas também proválos. c) As DCTF’s retificadas após o início do procedimento fiscal devem ser excluídas do lançamento, sob risco de duplicidade na exigência destes valores já pagos pela mesma, citando jurisprudência do STJ, para reforçar sua teoria. d) Defendeu a inconsistência do lançamento, pelo fato de que em alguns meses as bases adotadas pelo mesmo serem diferentes, ocorrendo inconsistências no entendimento da própria autoridade autuante. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 889 5 e) Defendeu a utilização do regime de competência em seus cálculos de PIS e COFINS. f) Considera que houve equívoco por parte da fiscalização, uma vez que a mesma incluiu na base de cálculo o somatório das contas de variação cambial passiva, quando credor, na presunção de que todo ele corresponderia a receitas tributáveis, amparandose no art. 9° da Lei n° 9.718/98. g) Considera também equivocada a atitude da fiscalização de não considerar em seus cálculos receitas não tributáveis pela COFINS, conforme a própria Lei n° 9.718/98, caracterizandose como exclusões da base de cálculo efetuada pela contribuinte. São elas as contas: Amortização da Variação Cambial Especial CVM 294 – Títulos Resgatados, Variação Cambial Deliberação CVM 404/01 – Títulos Resgatados, Marked to Market Opções – estorno de provisão e Fator Moderador – Recuperação de Despesas. h) Questiona o fato da fiscalização não admitir o procedimento contábil adotado em relação às contas “33010101”, “33010102”, “33010210” e “33010220”, presentes dentro do grupo de receitas financeiras, cuja contabilização consiste em adicionar o valor correspondente à diminuição do próprio ativo em virtude de desvalorização ocorrida em aplicação financeira e excluir o valor correspondente à recuperação desta perda quando ocorre uma valorização posterior. i) A contribuinte questiona quanto à conta de “indenização perdas e danos”, referente a valores recebidos a título de compensação financeira em decorrência de divergência, após pesagem, na quantidade de mercadorias por ela adquiridas e as efetivamente entregues. Assim, quando positivo o ajuste da conta (percebese que as mercadorias recebidas estão a menor que o efetivamente pactuado), a contribuinte recebe a diferença em dinheiro, reconhecendo tal valor como receita e oferecendoo à tributação para a COFINS. Por outro lado, quando a diferença é a menor (após a pesagem, verificase que a mercadoria recebida é menor que a contratada), a diferença negativa é estornada e, desta forma, o lançamento contábil é feito a débito desta conta e ajustase tal valor na apuração da COFINS. Esta segunda parte do procedimento – na hipótese de estorno de lançamentos a maior – não fora aceita pelo Fisco. j) Por fim, alega a contribuinte que a compensação dos saldos negativos com os positivos é feita dentro do próprio mês, procedimento este acatado pela fiscalização. Porém, nos meses em que a diminuição no valor de ativos é superior ao somatório das demais receitas tributadas, o resultado líquido negativo é compensado nos meses posteriores, fato este ocorrido em dezembro de 2002, março e abril de 2003, sendo reprovado pela fiscalização. Diante de todos estes argumentos, pede, por fim, a recorrente, pela anulação do auto de infração guerreado, ou, alternativamente, que tenha sua base de cálculo retificada. Em assentada de 04.06.08, a antiga 1ª Câmara do Segundo Conselho, resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para i) comprovar documentalmente se tais vendas foram efetivamente realizadas para Zona Franca de Manaus; e ii) da mesma forma, comprovar as alegações quanto à quitação da COFINS mediante compensação no valor de R$ 12.942.160,42, relativamente a junho de 2003, e da COFINS paga em 30/11/2004, com os devidos acréscimos moratórios, no valor de R$ 12.943.160,42, relativamente a junho de 2003, e da COFINS paga em 30.11.2004, com os devidos acréscimos moratórios, no valor de R$ 112.166,92. Tendo os autos retornado para prosseguimento do julgamento com diligência atendida nos seguintes termos: Fl. 889DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 890 6 “Quanto à comprovação documental de que as vendas foram efetivamente realizadas para a Zona Franca de Manaus, a Fiscalização respondeu positivamente às fls. 837/838. Quanto à alocação do pagamento de 30/11/2004, a DICAT desta Especializada confirmou a quitação às fls. 842/843 do valor de R$ 112.166,93, relativamente à parcela da COFINS devida no mês de outubro de 2003. Quanto à quitação por compensação do valor de R$ 12.943.160,42 da Cofins do PA 06/2003 por compensação, verificamos às fls. 844/847 que a quitação se efetivou, mas em razão de parcelamento e não de compensação, através do processo n° 10768.004377/200702”. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso é tempestivo e em razão disso passo a apreciálo. Tratase de auto de infração referente às apurações da COFINS referentes ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2003, quando a referida contribuição ainda estava sob a égide da Lei 9.718/1998. Para fins de melhor evidenciação acerca da controvérsia discutida nos autos, dividirei a análise em cinco tópicos: (i) tributação sobre diversas receitas: receitas financeiras – inclusive variações cambiais –, ; (ii) exclusões na base de cálculo da COFINS promovidas pela contribuinte; (iii) contabilização de valores referentes a indenizações e compensações sobre compra de materiais; (iv) vendas efetuadas para estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus; e (v) consideração das DCTF’s retificadas após o início do procedimentos fiscal, a fim de afastar o lançamento de ofício. Quanto ao primeiro tópico, discutemse nos autos eventuais valores não tributados pela contribuinte, em especial referentes a receitas financeiras e variações cambiais. Tendo em vista que, nos termos do art. 9º da Lei 9.718/1998 as variações cambiais, para fins fiscais, são consideradas como receitas financeiras e com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, do mesmo diploma legal, proclamado pelo STF quando do julgamento do Recurso Extraordinário no 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), uma vez que as receitas financeiras estão dentro do conceito de “Outras Receitas”, fora do alcance da tributação da COFINS regida pela Lei 9.718/98, a discussão acerca da forma de tributação sobre tais valores tornase estéril. Assim, nesse ponto, não deve subsistir a autuação fiscal. Sobre a questão, confirase ainda os Acórdão CSRF 02/02768, de 03/07/2007 e o do Acórdão do 1º CC 10322978, de 25/04/2007. Transcrevo abaixo a ementa do segundo: COFINS. BASE DE CÁLCULO AMPLIADA SEGUNDO O ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do Fl. 890DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 891 7 art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Matéria já sumulada nesse CARF. Ad argumentandum tantum, se vencido neste ponto, entendo que, uma vez que a contribuinte optou pela tributação das variações cambiais pelo regime de competência, conforme faculdade prescrita no art. 30, § 1º, da MP 2.15835/2001, correta a tributação pelo saldo da variação mensal das referidas contas, após os devidos confrontos dos lançamentos credores e devedores (oscilações cambiais) ocorridas em cada período de apuração. Portanto, ainda que se entenda pela inaplicabilidade do julgado do STF acima – que define o conceito de faturamento a que alude a Lei 9.718/1998 , entendo que, sobre as receitas de variações cambiais tributadas pelo regime contábil de competência, possam ser oferecidos à tributação apenas o movimento mensal das contas. Isso porque, a autoridade fiscal não levou em consideração o movimento mensal das referidas contas, não admitindo que nas referidas contas – que refletem movimentação financeira, sujeita a lançamentos e a estornos – possam ocorrer lançamentos negativos. Tal posicionamento, se adotado, seria assumir que não existam variações nem oscilações no mercado financeiro. Ora, e admitir que os lançamentos negativos em contas de aplicações financeiras devam ter o mesmo tratamento de uma despesa financeira, é ignorar as oscilações e a volatilidade que este mercado, por definição. Com efeito, a análise deve ser realizada levandose em consideração a natureza contábil das operações em discussão. Deste modo, urgese relembrar os conceitos contábeis de receita, dos quais trago dois à baila: Hendriksen & Van Breda (1999) fazem uma análise acerca da definição contábil de receitas trazida pelo FASB, consagrando o entendimento de que receita deve ser entendida como uma figura contábil que: (i) gera aumento do patrimônio dos acionistas – no entanto, nem todo aumento no patrimônio é receita, v.g., as doações de imóveis –, (ii) receita é a expressão dos bens e serviços que subsumem em produto da empresa; e (iii) receita não se confunde com fluxo de caixa, o que seria uma idéiachave que se relaciona diretamente com a teoria do consumo em economia. Iudícibus (op. cit, p. 154) traz outra definição sobre receitas: Receita é o valor monetário, em determinado período, da produção de bens e serviços da entidade, em sentido lato, para o mercado, no mesmo período, validado, mediata ou imediatamente pelo mercado, provocando acréscimo de patrimônio líquido e simultâneo acréscimo de ativo, sem necessariamente provocar ao mesmo tempo, um decréscimo do ativo e do patrimônio caracterizado pela despesa. Desta forma, as receitas financeiras, por sua vez, variam em função da remuneração das quotas, fundos, títulos a que estão vinculadas, que, por sua vez, são avaliados segundo as condições e regras do mercado a que estão inseridos. O lançamento contábil das receitas financeiras é apenas o reflexo dessas variações. Admitirse que toda e qualquer variação negativa (lançamentos a débito) nas contas de receita financeira é despesa financeira, seria incorrer, fatalmente, em desobediência dos princípios contábeis que fundamentam a escrituração comercial, por sua vez base da escrita fiscal, nos termos do art. 7º do DecretoLei 1.598/1977 e, ainda, do próprio art. 3º da Lei 9.718/1998. Hipoteticamente, admitamos que uma aplicação financeira fora realizada pelo valor de R$ 100,00. Após o primeiro mês, houve valorização de 10%, representando no Fl. 891DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 892 8 lançamento contábil de R$ 10,00 em conta de receita financeira, e que, considerandose o princípio contábil da competência, estaria sujeita à tributação pela COFINS (admitindo como correto e válido o conceito de faturamento exposto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998). No segundo mês, por razões de mercado, o mesmo título sofre desvalorização de 5%, gerando um lançamento de R$ 5,50, a débito da conta de aplicações financeiras (e não, despesa financeira). Agora suponhamos que, neste mesmo segundo mês, a mesma pessoa jurídica realiza outra aplicação financeira, em título diverso, no valor de R$ 100,00 que se valorizou em 12%, gerando R$ 12,00 a título de receita financeira. Ora, o que o Fisco pretende é que os R$ 12,00 sejam tributados pela COFINS no segundo mês, e não o real resultado financeiro (receita financeira) auferido pela pessoa jurídica naquele mês, e apurados segundo os princípios contábeis da competência, de R$ 6,50. A hipótese pretendida pelo Fisco não me parece razoável, pois foge de qualquer fundamentação contábil e/ou legal para o reconhecimento das receitas. Desta forma, uma vez que a autoridade fiscal lançadora não demonstrou em nenhum momento terem ocorrido incorreções quanto aos lançamentos realizados na escrituração da entidade, não entendo que a glosa fiscal deva ser mantida. Assim, voto pelo provimento do recurso neste quesito. Com relação ao segundo tópico, que se refere às exclusões feitas pela contribuinte nas apurações da COFINS (contas 33010101 – Aplic. Financ. Investidor, 33010210 – Swap, juros, 33010220 – Outros rendimentos financeiros; e 33010229 – Market to Market Opções), tenho que o acórdão da DRJ os indeferiu porquanto considerou a abrangência do conceito de faturamento e receita a que alude o art. 3º da Lei 9.718/1998. Assim, repetindo o argumentado no tópico anterior, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade retromencionada, neste quesito também não merece prosperar o indeferimento promovido pelo acórdão recorrido. Assim, neste particular, diante da argumentação exposta pelo acórdão a quo, merece provimento o recurso. Contudo, se vencido neste ponto, entendo que nem assim merecem guarida as alegações do acórdão guerreado, haja vista que entendo possam ser consideradas na apuração das receitas a serem tributadas pela COFINS o movimento mensal da contas, levandose em conta o confronto entre os lançamentos credores e devedores sofridos nas contas de receitas acima discorridas. No que se refere ao terceiro ponto, cumpre analisar a operação, sob o ponto de vista contábil: Segundo o argumentado pela recorrente em suas razões de recurso, e não refutado em nenhum momento ao longo dos autos pelo Fisco, a conta “33030104 – Indenização Perdas Danos Prod. Materiais” referese a conta de ajuste de valores recebidos ou pagos pela contribuinte nas hipóteses de divergências na compra de materiais entre os valores pactuados em contrato e os efetivamente recebidos, após pesagem. Assim, se se verifica que o valor recebido, após pesagem, é inferior ao valor contratado e pago, a entidade recebe uma “indenização” pela diferença, que é contabilizada com receita na referida conta, que é oferecida à tributação. Por outro lado, se se verifica que o valor recebido é maior que o contratado, a contribuinte paga ao seu fornecedor a diferença, e registra o lançamento a débito da referida conta. O Fisco aceita a tributação quando do reconhecimento do lançamento credor na referida conta (primeira situação), porém não aceitou a dedução na base de cálculo dos Fl. 892DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 893 9 valores devedores, nas hipóteses dos pagamentos promovidos pela contribuinte (segunda situação). Entendo que não merece prosperar o auto também neste particular. A uma, porque a operação acima discorrida é eminentemente patrimonial, sendo um ajuste de estoque ou custo contra conta de disponibilidades. A duas, porque, mesmo que se admita que a conta transite em resultado, entendo se tratar de conta de custo – ainda que possua lançamentos credores, nas hipóteses de recebimentos de “indenizações” pelas diferenças na pesagem das compras de materiais , que, por sua vez, não são tributáveis pela COFINS, seja pela inconstitucionalidade do alargamento do conceito de receita trazida pela Lei 9.718/1998, seja por não se constituir, em verdade, de receita nem faturamento, sob o ponto de vista contábil, mas de ajuste de estoque ou de custeio. O quarto quesito referese às vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus. A discussão gira em torno da possibilidade ou não de exclusão das referidas vendas na base de cálculo da COFINS, uma vez que: (i) segundo o DecretoLei 288/67, as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus são equiparadas juridicamente a exportação de mercadorias; (ii) tal entendimento fora recepcionado pela CF/88, mediante o art. 40 do ADCT; (iii) o art. 14, II, da MP 2.03725/2000 isentou da COFINS as exportações, mas, no seu § 2º, I, do mesmo artigo expressamente excepcionou desta isenção as vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (iv) posteriormente, por meio da ADIN nº 2.3489, o STF deferiu medida cautelar com eficácia ex nunc, publicada em 18/12/2000 suspendendo a expressão “Zona Franca de Manaus”; e (v) a 7ª SRRF, por meio de solução de consulta, lançou interpretação segundo a qual, a suspensão da expressão “Zona Franca de Manaus” apenas alcançaria as vendas das hipóteses do art. 14, IV, VI, VIII e IX da MP 2.03725/2000. Também aqui mereceria provimento o recurso. A uma porque a interpretação da 7ª SRRF extrapolou a real exegese do art. 14 da MP 2.03725/2000, que não previu quais produtos estaria sob isenção, senão todas as exportações de mercadorias para o exterior. A duas porque, à época do auto de infração – no período de 12/2002 a 12/2003, já estava em vigor a MP 2.15835/2001, que já suprimiu em seu bojo a expressão “Zona Franca de Manaus” do art. 14, § 2º, I.. Logo, não pode o fiscal querer aplicar restrições onde a lei não o fez. Também esta é a interpretação desta Câmara, como demonstra o Acórdão 20179406, da lavratura da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas, que restou assim ementado: “COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. Período de apuração: 01/05/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/07/1999, 01/02/2000 a 31/05/2000, 01/02/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 30/11/2002, 01/03/2003 a 31/05/2003. Equiparação, para fins fiscais, das vendas a Zona Franca de Manaus às exportações. Limitação temporal. Recurso provido em parte.” Do voto condutor, destaco o seguinte trecho, que bem elucida o histórico acerca da questão: Fl. 893DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 894 10 Inicialmente, cabe identificar a legislação de regência aplicável ao caso, tendo em vista as diversas alterações perpetradas no período de 1998 a 2003. No que se refere à Cofins, em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento de isenção para as empresas estabelecidas nas localidades que menciona, assim dispondo: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; (...).” (Grifouse)” Posteriormente, a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, modificou a normatização da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não fazendo qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de edição de novo dispositivo legal tratando das isenções das referidas contribuições. No sentido de solucionar tal falha foi incluído na Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, o art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, redefinindo as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogando expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) Fl. 894DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 895 11 § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º A s isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)”. (destaquei) “Em virtude da patente afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. Ocorre que a esta decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Posteriormente à decisão do STF, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Por aplicação ao caso em questão dos dispositivos legais acima transcritos, inferese, de plano, que não é possível a este tribunal administrativo analisar a constitucionalidade dos dispositivos que, expressamente, impediam a aplicação, por analogia, do benefício fiscal da isenção tributária. Inclusive em razão de os eminentes Ministros do Supremo Tribunal Federal terem determinado, expressamente, a impossibilidade de aplicação retroativa erga omnes dos benefícios tributários à Zona Franca de Manaus. Neste particular, não importa a opinião pessoal desta julgadora, por impossibilidade de apreciação. Ainda de acordo com este raciocínio, entendo que, a partir de dezembro de 2000, devese reconhecer a existência do benefício pretendido, sendo indiscutível a equiparação das remessas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus à exportação.” Porém, verifico que as alegações da recorrente não foram acompanhados de qualquer meio de prova no sentido de que as alegadas vendas contabilizadas realmente referiramse foram destinadas ZFM. Isso posto, anteriormente votava no sentido de negar provimento ao recurso quanto a esse tocante. Outrossim, pelo resultado da diligência, de fls. 848, entendo que restou comprovado pela fiscalização que as vendas foram efetivadas para a ZFM, motivo pelo qual também dou provimento ao recurso nesse sentido. Por fim, o último ponto reside quanto à aceitação das DCTF’s retificadoras após iniciados os procedimentos fiscais, a fim de afastar o lançamento de ofício, valendose do benefício da espontaneidade. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 896 12 Com relação a esta questão, entendo que a retificação das DCTF’s depois de iniciados os procedimentos de fiscalização de fato afastam a hipótese da espontaneidade e ensejam o lançamento de ofício neste quesito. No mesmo sentido, esta Câmara assim decidiu, nos Acórdãos 30131835, 20401344 e 20310971. A título de ilustração, transcrevo a ementa deste último: PIS. ESPONTANEIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DCTF RETIFICADORA. O início do procedimento fiscal afasta a espontaneidade do contribuinte e a apresentação posterior de DCTF retificadora não impede o lançamento de ofício. Todavia, no caso em específico, verificase que o início dos procedimentos de fiscalização deuse em 16 de maio de 2003 (fl. 01). As retificações das DCTF’s deramse em: a) PA 2º Trimestre de 2002: 15/09/2004 (fl. 394); b) PA 1º Trimestre de 2003: 15/09/2004 (fl. 398); c) PA 2º Trimestre de 2003: 15/03/2005 (fl. 406); e d) PA 4º Trimestre de 2003: 14/05/2004 (fl. 412). O auto de infração foi lavrado em 10 de março de 2005 (fl. 220). Desta forma, todas as retificações deramse após o início dos procedimentos fiscais, sendo que a retificação da DCTF do 2º Trimestre de 2003 deuse inclusive após a lavratura do auto de infração. Também é necessário analisar que o auto de infração compreende períodos de apuração em que a companhia já se encontrava sob procedimentos de fiscalização. E também não se há de exigir que a entidade não possa incorrer em erros de fato e, com isso, não poder retificar suas DCTF’s, apenas sob o argumento de que os procedimentos de fiscalização já estavam sendo realizados. Diante desse arrazoado, dentro do princípio da razoabilidade, entendo que apenas com relação à DCTF do 2º Trimestre de 2003, retificada após a lavratura do auto de infração, é que deva ser mantido o lançamento de oficio devido à descaracterização de espontaneidade. Todavia, é preciso balizar o lançamento de ofício apenas para com relação a eventual saldo divergente entre os valores informados em DCTF e as bases de cálculo apuradas, a fim de apenas subsistir lançamento de ofício quanto à efetiva e eventual diferença resultante de falta de recolhimento e/ou divergência de COFINS do 2º Trimestre de 2003 com relação à base de cálculo ajustada nos termos do presente voto. Nesse sentido também, a diligência de fls. 848 demonstrou que houve a liquidação dos valores, ressaltando que o valor de R$ 12.943.160,42 (06/2003) não fora liquidado por compensação, mas por parcelamento. Diante de todas estas considerações, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, redator designado. Como relatado, a Fiscalização constatou que a empresa autuada deixou de incluir na base de cálculo da Cofins, além de parcelas da venda de mercadorias e serviços, receitas incluídas na base de cálculo da exação pela Lei nº 9.718/98. As diferenças foram Fl. 896DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 897 13 apuradas em confronto com os valores declarados em DCTF e/ou pagos em cada período de apuração objeto da autuação. No curso da Fiscalização a empresa autuada efetuou retificação de DCTF e pagamento de diferença de Cofins. O lançamento foi efetuado com a exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial. A empresa autuada contesta a inclusão de outras receitas na base de cálculo da Cofins e solicita a aplicação imediata da decisão judicial transitada em julgado no dia 18/06/2007, proferida do mandado de segurança nº 2000.02.01.0439609. Neste parte alega, ainda, que a Fiscalização não logrou provar a infração fiscal, posto que utilizou unicamente dados constantes da contabilidade da recorrente, sem fazer maiores investigações. Pelas razões consignadas no relatório, a empresa recorrente defende que sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus não incide a Cofins. Em relação aos créditos tributários dos períodos de apuração de 10/2003 e 06/2003, a empresa afirma que o primeiro foi pago no dia 30/11/2004 e o segundo extinto por compensação protocolada no dia 15/07/2003. Por último, alega a improcedência do lançamento dos débitos lançados que foram declarados em DCTF retificadoras, estas apresentadas no curso da Fiscalização ou após a lavratura do auto de infração. Com relação às outras receitas incluídas na base de cálculo da Cofins pelo § 1º do art. 3º da lei nº 9.718/98, a recorrente obteve êxito no mandado de segurança impetrado, não restando à administração outra alternativa senão cumprir a determinação judicial e excluir da base de cálculo da Cofins lançada as referidas receitas. Além disto, no dia 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. A base de cálculo da Cofins passa a ser, portanto, a prevista na Lei Complementar nº 70/91, ou seja, a receita da venda de mercadorias e serviços, excluído das vendas canceladas, das vendas para o exterior, dos descontos incondicionais e do IPI. Quanto a existência ou não de isenção da Cofins nas vendas para a Zona Franca de Manaus, cumpre destacar que não apreciarei os argumentos da recorrente relativos aos efeitos da ADIN nº 23489 porque à época da ocorrência dos fatos gerados (01/12/2002 a 31/12/2003), objeto do lançamento, não mais existia, no art. 14, § 2º, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a expressão “Zona Franca de Manaus” e, como tal expressão foi suprimida do texto legal antes de apreciação da Medida Provisória nº 2.03734/200 pelo 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 897DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 898 14 Congresso Nacional, nenhum efeito legal produziu (art. 62 da CF, antes da alteração da EC nº 32/2001), tanto é que o STF não julgou o mérito da ADIN por falta de objeto. Continuando a análise da existência, ou não, de isenção ou de imunidade nas vendas para a zona Franca de Manaus não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. Claramente as disposições do art. 4º do DecretoLei nº 288/67 não alcança as isenções de tributos ou contribuições instituídas posteriormente à sua edição e nem às isenções de tributos e contribuições existentes à época de sua edição mas concedidas posteriormente, como se pode constatar com a leitura do mesmo: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. A Cofins é uma contribuição instituída posteriormente à edição do Decreto Lei nº 288/67 e a ela não se aplica eventual isenção prevista no mesmo, por expressa determinação contida no inciso II, do art. 117, do CTN. Resta, agora, apurar se na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores existia reconhecendo como isenta da Cofins a receita de venda de mercadorias para empresa situada na Zona Franca de Manaus. Que seja do conhecimento deste Conselheiro relator, não existe nenhum dispositivo legal concedendo isenção de Cofins nas vendas realizadas a empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Tanto essas operações eram tributadas com alíquotas maior do que zero que a Lei nº 10.996/04 reduziu a tributação para alíquota zero a partir de sua edição2. O fato de ter sido excluído da MP nº 2.03725/2000 a expressão “Zona Franca de Manaus” não incluiu as operações de vendas para a ZFM como isentas, posto que operação de exportação para o exterior não o são: são operações no mercado interno. Ademais, as isenções tributárias devem constar expressamente da legislação e sua interpretação é literal. Interpretação por vias oblíquas ou indiretas, perfeitamente admitidas em direito, não podem resultar em desoneração tributária, a teor dos arts. nº 97, inciso II, e nº 111, inciso II, ambos do CTN. Por fim, no regulamento da Cofins (Decreto nº 4.524/02, art. 45, § 2º, inciso I), de aplicação obrigatória pelo CARF, consta expressamente que as vendas de mercadorias para empresas situadas em áreas de livre comércio, a exemplo da Zona Franca de Manaus, são tributadas pelo PIS e pela Cofins. Portanto, procedente o lançamento nesta parte, devendo o débito lançado ser exigido integralmente com o trânsito em julgado da decisão administrativa deste processo, haja vista que a decisão judicial que suspendia parte do débito já transitou em julgado em desfavor da recorrente (aumento da alíquota). Quanto aos efeitos da entrega de declaração, incluindo a DCTF, após o início do procedimento fiscal, o CARF firmou entendimento de que a mesma não produz nenhum efeito sobre o lançamento de ofício, nos termos a Súmula CARF nº 33, abaixo reproduzida: Súmula CARF no 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. 2 “Ademais, a publicação da Lei n° 10.996, de 2004, com o referido artigo 2° corrobora a argumentação até aqui elaborada, pois se já existisse isenção anteriormente não teria sentido a edição da norma prevendo alíquota zero” Fl. 898DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 899 15 No caso sob exame, a empresa autuada apresentou DCTF retificadoras no curso da Fiscalização e, também, após a ciência do auto de infração. Com relação à DCTF retificadora apresentada após a ciência do lançamento, ao contrário do defendido pelo Ilustre Conselho relator, a mesma não pode substituir o lançamento de ofício já efetuado e, consequentemente, dispensar a multa de ofício. O lançamento feito de ofício e regularmente notificado ao sujeito passivo somente pode ser modificado nas hipóteses previstas no art. 145 do CTN, que não contempla a apresentação de DCTF retificadora. Com relação às DCTF retificadoras relativas a fatos geradores ocorridos no curso da Fiscalização, também não há previsão legal para a produção de efeitos, enquadrando se perfeitamente na Súmula CARF nº 33, acima reproduzida. Portanto, legítimo o lançamento das diferenças de Cofins apuradas no confronto entre os valores pagos e/ou declarados e os valores apurados pela Fiscalização. Quanto ao débito de R$ 112.166,93, relativo ao PA 10/2003, ficou comprovado o seu recolhimento no dia 30/11/2004, com os acréscimos moratórios. Neste dia, a empresa estava sob ação fiscal e, como o lançamento foi efetuado com a exigibilidade suspensa, o débito poderia ser pago com multa de mora.. Portanto, o valor pago pela recorrente deve ser considerado na apuração da diferença a ser exigida. Como não o foi, deve o valor do principal do dito pagamento ser excluído do valor lançado. Quanto ao débito do PA 06/2003, ficou comprovado na diligência (fls. 848) que, ao contrário do defendido pela recorrente, o mesmo não foi extinto por compensação realizada antes do início da Fiscalização. No entanto, o referido débito foi incluído em parcelamento e extinto no mesmo, em data posterior à lavratura do Auto de Infração (Processo nº 10768.004377/200702), sendo legítimo o seu lançamento, posto que o débito não estava extinto por compensação quando da lavratura do Auto de Infração. Esclareçase que o valor pago/compensado no processo de parcelamento deve ser alocado ao referido débito do PA 06/2003 antes da ciência deste Acórdão e cobrança dos débitos remanescentes deste processo. Portanto, procedente o lançamento nesta parte. Em resumo e salvo algum erro material, os valores mantidos e os valores exonerados pelo Colegiado são os abaixo demonstrados. Período de Apuração Cofins Lançada R$ Cofins Mantida R$ Cofins Exonerada R$ Dezembro de 2002 6.215.527,48 178.301,76 6.037.225,72 Janeiro de 2003 3.001.283,58 167.036,41 2.834.247,17 Fevereiro de 2003 1.607.188,79 150.213,16 1.456.975,63 Março de 2003 14.702.452,47 69.824,81 14.632.627,66 Abril de 2003 32.920.101,06 76.570,38 32.843.530,68 Maio de 2003 2.995.687,34 74.282,48 2.921.404,86 Junho de 2003 19.451.342,63 12.980.308,25 6.471.034,38 Julho de 2003 6.254.325,51 123.741,23 6.130.584,28 Agosto de 2003 213.408,61 185.791,95 27.616,66 Setembro de 2003 2.988.408,18 151.999,67 2.836.408,51 Outubro de 2003 6.789.588,86 149.728,88 6.639.859,98 Novembro de 2003 7.460.320,30 178.106,30 7.282.214,00 Dezembro de 2003 6.107.031,21 149.934,55 5.957.096,66 TOTAL 110.706.666,02 14.635.839,83 96.070.826,19 Fl. 899DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 900 16 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter o crédito no valor de R$ 14.635.839,83 (quatorze milhões, seiscentos e trinta e cinco mil, oitocentos e trinta e nove reais e oitenta e três centavos) e exonerar o crédito no valor de R$ 96.070.826,19 (noventa e seis milhões, setenta mil, oitocentos e vinte e seis reais e dezenove centavos). (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 18471.000268/200583 Acórdão n.º 330201.291 S3C3T2 Fl. 901 17 Fl. 901DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000007/2006-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001
COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO.
Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de
cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/01/2004
LEI No 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE DE CÁLCULO).
INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo
Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal
administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por
qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de
enriquecimento ilícito.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-001.225
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001 COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/01/2004 LEI No 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE DE CÁLCULO). INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Recurso de Ofício Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16095.000007/2006-53
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4958096
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.225
nome_arquivo_s : 330201225_16095000007200653_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 16095000007200653_4958096.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4744349
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044227032612864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 259 1 258 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000007/200653 Recurso nº 512.399 De Ofício Acórdão nº 330201.225 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2011 Matéria Cofins Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANTO AMARO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001 COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/01/2004 LEI No 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE DE CÁLCULO). INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 369DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000007/200653 Acórdão n.º 330201.225 S3C3T2 Fl. 260 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício (RO) apresentado contra o Acórdão no 05 25.081, de 09 de março de 2009, da 3ª Turma da DRJ/CPS (fls. 324 a 327), cientificado em 31 de março de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. DECISÃO JUDICIAL. Em cumprimento a provimento dado pelo Supremo Tribunal Federal em Recurso Extraordinário transitado em julgado, excluise do crédito constituído de ofício a parcela correspondente às receitas financeiras. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente em Parte Fl. 370DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000007/200653 Acórdão n.º 330201.225 S3C3T2 Fl. 261 3 O auto de infração foi lavrado em 23 de fevereiro de 2006, de acordo com o termo de fls. 235 a 239. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, fls. 240/256, que constituiu o crédito tributário total de R$ 2.971.082,90, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/01/2006. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 235/239, a autoridade fiscal relata o andamento de Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte contra a ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota da COFINS pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Após ter negadas suas pretensões pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, a contribuinte teria interposto Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, recurso este que pendia de julgamento. Feitas as verificações na contabilidade e nas declarações prestadas pela contribuinte, a autoridade fiscal aponta falta de recolhimentos atribuíveis às seguintes causas: não inclusão da receita financeira na base de cálculo, conforme consta da planilha fornecida pelo contribuinte; apuração incorreta da base de cálculo, além da não inclusão da receita financeira; erro na determinação da alíquota, nos meses de maio/99 a jan/01, conforme consta da planilha fornecida pelo contribuinte. Prossegue a fiscalização: Os valores referentes a essas três causas foram individualizadas na planilha ‘COFINS DEVIDA NÃO DECLARADA E NÃO RECOLHIDA’, transcrita abaixo, tendo os mesmos sido obtidos da planilha ‘Erro na apuração da Base de Cálculo da COFINS’ e da planilha informada pelo contribuinte. Cientificado do lançamento em 23/02/2006, o sujeito passivo apresentou impugnação em 23/03/2006, fls. 269/275, requerendo, em sua própria síntese: a) excluir da autuação qualquer valor cujo fato gerador date de cinco anos ou mais, em relação à data de sua lavratura; (b) excluir da autuação quaisquer valores decorrentes da incidência do tributo sobre receitas financeiras; finalmente (c) determinar que sobre eventual remanescente, se houver, não incidam juros à taxa SELIC, mas apenas à taxa de 12% ao ano, definida no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional." Fl. 371DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000007/200653 Acórdão n.º 330201.225 S3C3T2 Fl. 262 4 O acórdão, conforme ementa acima citada, excluiu os valores atingidos pela decadência e as receitas financeiras, com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal. Excedido o limite de alçada, foi apresentado recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Tratandose de diferenças apuradas entre os valores apurados e os recolhidos, a regra de decadência a ser aplicada é a do art. 150, § 4o, do CTN, à vista da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212, de 1991, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante no 8. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4o E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Portanto, tendo sido o auto de infração lavrado em fevereiro de 2006, os períodos anteriores a fevereiro de 2001 restaram decaídos. No tocante às receitas financeiras, o novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que foi aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em seus arts. 62 e 62A dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000007/200653 Acórdão n.º 330201.225 S3C3T2 Fl. 263 5 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme o inciso I do parágrafo único do citado art. 62, se existente decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal a respeito da matéria constitucional, a Câmara poderá (na realidade, deverá, em face de se tratar de princípio de direito público) afastar a aplicação da lei inconstitucional. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Fl. 373DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000007/200653 Acórdão n.º 330201.225 S3C3T2 Fl. 264 6 Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Ademais, conforme ressaltado pelo acórdão de primeira instância, a Interessada obteve decisão judicial transitada em julgado sobre a matéria. Portanto, é cabível a exclusão das receitas que não se classificam como faturamento da base de cálculo da contribuição. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 374DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000007/200653 Acórdão n.º 330201.225 S3C3T2 Fl. 265 7 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 375DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004736/2004-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL.
Tratando-se de área de utilização limitada reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade
material, sobretudo quando lastreada em Laudo Técnico e ADA tempestivo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose
as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratando-se de área de utilização limitada reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material, sobretudo quando lastreada em Laudo Técnico e ADA tempestivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10675.004736/2004-18
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4853521
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.640
nome_arquivo_s : 920201640_10675004736200418_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 10675004736200418_4853521.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
id : 4746818
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044227057778688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 0 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.004736/200418 Recurso nº 339.213 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.640 – 2ª Turma Sessão de 25 de julho de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DIAL DISTRIBUIDORA DE AÇO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADARESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratandose de área de utilização limitada reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material, sobretudo quando lastreada em Laudo Técnico e ADA tempestivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório DIAL DISTRIBUIDORA DE AÇO LTDA., contribuinte já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 06/12/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Muquem”, localizado no município de Coromandel/MG, cadastrado na RFB sob o nº 26005603, conforme peça inaugural do feito, às fls. 30/37, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 20.388/2007, às fls. 150/160, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Especial, em 16/03/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 380100.027, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2000 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. O Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi apresentado tempestivamente e o Laudo Técnico confirma a área declarada pelo contribuinte a título de Utilização Limitada, restando, portanto, com base no princípio da verdade material, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10675.004736/200418 Acórdão n.º 920201.640 CSRFT2 Fl. 2 3 comprovada a Reserva Legal, não obstante referida área ter sido averbada à margem da matrícula do registro do imóvel após a data de ocorrência do fato gerado, mas anteriormente ao início do procedimento fiscal, não havendo provas ou mesmo indícios que afastem a boafé do contribuinte nessa questão. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Não obstante restar comprovado nos autos que o contribuinte é proprietário de três imóveis rurais contíguos que, de acordo com a legislação de regência correspondem a um único imóvel rural para fins do ITR, tal informação não foi observada na autuação sob exame. Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 190/197, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 30238.382 e 30236.585, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovadas às divergências argüidas. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, uma vez imporem que a comprovação da existência das áreas de utilização limitadareserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Alega que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da utilização limitadareserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de utilização limitadareserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO 4 fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da utilização limitadareserva legal deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, em relação à necessidade de averbação tempestiva da utilização limitadareserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do tributo (ITR), sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 21000037/2010, às fls. 204/205. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 209/213, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado nos Acórdãos nºs 30238.382 e 30236.585, ora adotados como paradigmas, impõe que a comprovação da existência de utilização limitadareserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10675.004736/200418 Acórdão n.º 920201.640 CSRFT2 Fl. 3 5 Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação da utilização limitadareserva legal para fruição da benesse isentiva, a Câmara guerreada, contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação da utilização limitadareserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO 6 § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários da área de utilização limitadareserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da utilização limitadareserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de utilização limitadareserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservandose as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10675.004736/200418 Acórdão n.º 920201.640 CSRFT2 Fl. 4 7 lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de utilização limitadareserva legal no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da área de utilização limitadareserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não da área de utilização limitadareserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de utilização limitada reserva legal, e que fora determinante para os demais Conselheiros que acompanharam o presente voto pelas conclusões é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta, inclusive, que a averbação fora procedida, ainda que intempestivamente (posteriormente ao fato 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO 8 gerador), mas antes do início da ação fiscal, em 14/11/2003, consoante se infere da Matrícula do Imóvel, às fls. 11/12, como a própria autoridade lançadora reconheceu na descrição dos fatos no Auto de Infração, às fls. 33, afastando qualquer dúvida quanto à materialidade de referida área. Nesse sentido, a averbação à margem da escritura do imóvel, ainda que posterior ao fato gerador (mas antes do início da ação fiscal), associada ao ADA tempestivo, às fls. 13, e Laudo Técnico, às fls. 92/110, contemplando aludida área, se prestam a comprovar a existência da área de utilização limitadareserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO Processo nº 10675.004736/200418 Acórdão n.º 920201.640 CSRFT2 Fl. 5 9 diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 1ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 09/08/2011 por OTACILIO DA NTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000665/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2000, 01/01/2005 a 28/02/2007
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se
mostra mais benéfico ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN.
Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2000, 01/01/2005 a 28/02/2007 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14485.000665/2007-15
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4875750
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.483
nome_arquivo_s : 230201483_14485000665200715_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 14485000665200715_4875750.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4748465
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044227107061760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.000665/200715 Recurso nº 266.209 Voluntário Acórdão nº 230201.483 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2011 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente FEDERAÇÃO PAULISTA DE VOLLEYBALL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2000, 01/01/2005 a 28/02/2007 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 19/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000665/200715 Acórdão n.º 230201.483 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação, lavrada em 15/08/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 17/08/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas em GFIP, nas competências de 01/1999 a 05/2000 e de 01/2005 a 02/2007. O relatório fiscal de fls. 30/31, diz que o lançamento referese as divergências apuradas no batimento dos valores declarados pelo contribuinte em GFIP, com as GPS recolhidas. Após a impugnação, Acórdão de fls. 119/136, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega em síntese: a) que impugna todos os valores apresentados, pois são incorretos, equivocados e foram tomados sobre rubricas não devidas; b) que foi incorreta a aplicação da Lei n.º 8.212/91; c) que não pode ser classificada como empresa, pois não possui fins lucrativos; d) não existe lei que obrigue a entidade a recolher a exação pretendida; e) que é inconstitucional a contribuição de 4,5% para terceiros; f) que o INSS não é competente para arrecadar contribuição de terceiros; g) argúi a decadência com base na inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91; h) que os juros são inaplicáveis e a multa deve retroagir nos moldes do artigo 106,II, “c” do CTN para ser reduzida no percentual de 75%. Requer a apresentação de razões e documentos complementares, o cancelamento da notificação e seus créditos, declarandose a anulação da NFLD. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo a seu exame. Da Preliminar A notificação referese ao período de 01/1999 a 05/2000 e 01/2005 a 02/2007 e foi cientificada ao sujeito passivo em 17/08/2007. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000665/200715 Acórdão n.º 230201.483 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluído do levantamento o período de 01/1999 a 05/2000, inclusive: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A recorrente não possui razão quando diz que não pode ser considerada empresa, por não ter fins lucrativos, eis que o parágrafo único do artigo 15 da Lei n.º 8.212/91, traz que as entidades de qualquer natureza ou finalidade estão equiparadas à empresa, conforme conceituado no inciso I, do artigo, para os efeitos da citada lei: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) No que se refere à incompetência do INSS para arrecadar as contribuições referentes aos Terceiros, também não possui razão a recorrente, posto que até a edição da Lei n.º 11.457, em 16/03/2007, a competência para a arrecadação estava contida na autorização emanada pelo artigo 94, da Lei n.º 8.212/91, que segue transcrito: Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração ajustada, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta lei. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000665/200715 Acórdão n.º 230201.483 S2C3T2 Fl. 4 7 Com a criação da Receita Federal do Brasil, o artigo 94 foi revogado pela Lei n.º 11.501/2007, mas a arrecadação das contribuições destinadas às terceiras entidades passou a ser respaldada pela Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, artigos 2º e 3º: Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. Art3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). O pedido de juntada de documentos após a impugnação não deve ser acolhido, uma vez que a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Portaria MPS/GM nº 520/2004: “Art. 9º (...) § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Decreto nº 70.235/72 “Art. 16 (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do § 1º do art. 9º da Portaria MPS/GM acima transcritas. Ressaltese que, de acordo com o § 2º do mesmo art. 9º, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, demonstrandose a ocorrência de uma das hipóteses do § 1º do mesmo artigo. Todavia, no caso em análise, o impugnante não demonstrou, em sua peça de defesa, a ocorrência de nenhuma dessas situações, razão pela qual indefiro o pedido de juntada de documentos. A recorrente impugna os valores lançados na notificação, dizendo que são incorretos e equivocados. Todavia, o levantamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente, já que o levantamento originouse basicamente do batimento dos valores informados pela recorrente em GFIP com aqueles eventualmente recolhidos. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000665/200715 Acórdão n.º 230201.483 S2C3T2 Fl. 5 9 Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento, sendo inócua a assertiva da recorrente de que a Lei n.º 8.212/91, foi aplicada de maneira incorreta. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. A recorrente requer que seja aplicada a retroatividade benigna exposta no artigo 106 do Código Tributário Nacional para fazer incidir as alterações introduzidas pela MP nº 449/2008. Todavia, é de se notar que o benefício da retroatividade benigna contido na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado sempre que uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000665/200715 Acórdão n.º 230201.483 S2C3T2 Fl. 6 11 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento o período de 01/1999 a 05/2000. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
