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Numero do processo: 11516.000794/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 79 4/ 20 09 -6 4 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000794/200964 Resolução nº 3801000.424 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da contribuição ao PIS de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no terceiro trimestre do anocalendário 2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000794/200964 Resolução nº 3801000.424 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000794/200964 Resolução nº 3801000.424 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000794/200964 Resolução nº 3801000.424 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000794/200964 Resolução nº 3801000.424 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000794/200964 Resolução nº 3801000.424 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000794/200964 Resolução nº 3801000.424 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000816/2005-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL.AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR.ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental.
Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior - Relator EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
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ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 08 16 /2 00 5- 47 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Tratasede recurso especial de divergência, com no fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra o Acórdão nº 210200.528,da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 91 a 97), julgado na sessão plenária de 14/04/2010, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR.ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10325.000816/200547 Acórdão n.º 9202002.591 CSRFT2 Fl. 14 3 tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL.DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. Recurso provido. Cientificado desta decisão em 28 de junho de 2010 (fl. 98), o recorrente apresentou o presente recurso tempestivamente no mesmo dia (fls. 100 a 122), nos termos do art. 68 do anexo II do RICARF, apontando divergências com o Acórdão n° 30239.244, da 2ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, prolatado na sessão de 29 de janeiro de 2008, para discutir a obrigatoriedade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA para a dedução das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Transcrevo abaixo a ementa do paradigma apresentado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também, necessária, a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Por meio de análise preliminar, o i. Presidente da 1ª Câmara, da Segunda Seção deu seguimento PARCIAL ao recurso especial por entender que o recorrente demonstrou fundamentalmente existir divergência apenas em face da “necessidade de apresentação tempestiva de ADA para a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR” – despacho fls. 124/125: […] o paradigma decidiu que é obrigatória a apresentação tempestiva de ADA para que se possa deduzir a área de reserva legal no cálculo do ITR, enquanto o acórdão recorrido considerou que a apresentação tempestiva de ADA é dispensável, quando o contribuinte comprovar a existência da área de reserva legal com a averbação na matricula do imóvel Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 até a data do fato gerador. Assim, patente está a divergência jurisprudencial para a matéria área de reserva legal. Entretanto, o acórdão recorrido decidiu, também, que a comprovação da área de preservação permanente pode se dar por laudo técnico, mesmo com a apresentação intempestiva de ADA, e o recurso especial busca, também, atacar essa parte da decisão. Entretanto, o paradigma apresentado não trata de área de preservação permanente, mas apenas de reserva legal. Desta forma, o recurso especial não será admitido nesse aspecto. Isso posto, com fundamento no artigo 67 do Anexo II do RICARF, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto na parte em que questiona a necessidade de apresentação tempestiva de ADA para a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, mas não o admito na parte em que discute sobre a obrigatoriedade de ADA tempestivo para a exclusão da área de preservação permanente, por não ter sido comprovada a divergência jurisprudencial nesse aspecto. Nos termos do despacho de fl. 126, do então Presidente da CSRF, a admissibilidade parcial do recurso especial da Fazenda Nacional foi ratificada, tendo sido determinado posterior “encaminhamento dos presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz/MA, para ciência ao contribuinte do acórdão recorrido, do recurso especial e deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, no prazo de 15 (quinze) dias”. O contribuinte, entretanto, cientificado em 22 de setembro de 2010 (fl. 128), apresentou recurso especial (fls. 129 a 132). Na peça, diz expressamente que “vem, respeitosamente, a ilustríssima presença de Vossas Excelências, apresentar o presente RECURSO ESPECIAL” (fl. 129) e afirma que “deverá ser revertida a decisão proferida no ACÓRDÃO n° 1121.435 – Primeira turma da DRJ/RECIFE e ACÓRDÃO n° 210200.528 – Primeira Câmara/Segunda Turma Ordinária” (fl. 131). Por considerar que não há interesse processual do contribuinte na apresentação do recurso especial em análise, o i. Presidente da 1ª Câmara prolatou despacho [fls. 175/176] que negou seguimento ao Especial interposto pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser declarada a tempestividade do Recurso Especial, tendo em vista sua interposição no prazo estabelecido pelo artigo 68, caput, do Regimento acima mencionado. Conforme previsão regimental, é requisito para admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra câmara dos conselhos de contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10325.000816/200547 Acórdão n.º 9202002.591 CSRFT2 Fl. 15 5 de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10325.000816/200547 Acórdão n.º 9202002.591 CSRFT2 Fl. 16 7 § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma micro bacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10325.000816/200547 Acórdão n.º 9202002.591 CSRFT2 Fl. 17 9 mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 10 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucariaangustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10325.000816/200547 Acórdão n.º 9202002.591 CSRFT2 Fl. 18 11 § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 12 da hipótese de incidência do ITR ou ao início do procedimento fiscal, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. No presente caso, verifico que a divergência se cinge apenas em face da “necessidade de apresentação tempestiva de ADA para a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR”. Dito isso e não obstante os argumentos apresentados pela Recorrente, entendo que o Acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Peço vênia aos ilustres pares para transcrever excerto do decisum, que ratifica o cumprimento pelo Contribuinte do requisito formal para isenção [fl. 98]: […] Em relação à área de reserva legal, o contribuinte acostou na impugnação um Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal, firma do em 08/10/1996, junto ao lbama, assumindo a responsabilidade de averbação de 50% da propriedade como reserva legal (fls. 30 c 31). Tal Termo foi levado à averbação junto à matricula do imóvel rural (fl. 31v), em janeiro de 1997, ficando, assim, demonstrada a averbação cartorária tempestiva da área de reserva legal, e, inclusive, há Laudo Técnico juntado aos autos informando sobre a existência dessa área protegida ambientalmente (fls. 34 a 48). E, por fim, mesmo de forma extemporânea, o contribuinte apresentou o Ato Declaratório Ambiental ADA, com registro da área de reserva legal, cumprindo assim o segundo requisito formal para isenção. Assim, devese deferir a isenção no tocante à área de reserva legal. Na mesma linha acima, vêse que a área de preservação permanente restou comprovada com o Laudo Técnico, robustecida pela apresentação do ADA, devendo igualmente ser deferida a isenção legal. Dessa forma, a pretensão recorrente de afastar a glosa pela “desnecessidade dessa averbação para fins tributários”, ou seja, a “não incidência do ITR sobre as áreas de reserva legal está condicionada apenas à real existência da reserve” [fl. 126], não encontra guarida, segundo entendimento deste Conselheiro. Em face de todo o exposto encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela PFN, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, para que seja mantida o decisum recorrido. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10325.000816/200547 Acórdão n.º 9202002.591 CSRFT2 Fl. 19 13 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 11543.002548/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)
Ano calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL.
O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo está perempto e não deve ser conhecido pelo Colegiado, pois a tempestividade é pressuposto intransponível para a apreciação do recurso.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pois perempto.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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DESATENDIMENTO AO PRAZO LEGAL. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. O recurso interposto após esse prazo está perempto e não deve ser conhecido pelo Colegiado, pois a tempestividade é pressuposto intransponível para a apreciação do recurso. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pois perempto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Acácia Sayuri Wakasugi. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2005 (fls. 5/7), no valor de R$ 7.741,70 (sete mil, setecentos e quarenta e um reais e setenta centavos), em decorrência da glosa de imposto retido na fonte, por compensação indevida, que sofre a incidência de multa e juros de mora. Conforme relatório da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o valor glosado encontravase com exigibilidade suspensa. A Sétima Turma de julgamento da DRJ/BSB, no Acórdão nº 0332.374 (fl. 41/44), deixou de conhecer da impugnação, “por haver concomitância de processo judicial e administrativo, versando sobre a mesma matéria, declarando definitiva na esfera administrativa a exigência.” Cientificado do resultado do julgamento no dia 14 de dezembro de 2009 (fl. 49), o contribuinte interpôs recurso no dia 18 de janeiro do ano seguinte, arguindo que: a) não pode haver a cobrança enquanto não houver decisão definitiva em ação judicial, devendo permanecer suspensa a exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 151, II do Código Tributário Nacional; b) há depósitos judiciais dos valores de IRRF glosados, à disposição da União, conforme ação judicial nº 2000.50.01.0035067; c) é nulo o lançamento pela duplicidade de cobrança, uma por meio do depósito judicial e outra pelo lançamento fiscal, bem como pela ausência de enquadramento legal para a glosa de compensação do IRRF; d) é indevido o lançamento, pois a decisão judicial acerca do tema transitou em julgado em 12 de abril de 2007, antes da notificação, lavrada em 27 de agosto de 2007; e e) não há concomitância de esferas administrativas e judiciais, pois a questão já havia sido decidida na esfera judicial antes da lavratura da notificação, bastandose, portanto, a conversão do depósito em renda. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA Processo nº 11543.002548/200758 Acórdão n.º 2102002.136 S2C1T2 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Inicialmente vêse que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância em 14 de dezembro de 2009, segundafeira, e interpôs recurso voluntário somente em 18 de janeiro de 2010, segundafeira, quando já fluíra o trintídio legal, que teve seu termo final no dia 13, quartafeira. O prazo para apresentação do recurso voluntário está disciplinado nos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe: Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O sujeito passivo deveria apresentar o recurso voluntário nos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão de primeiro grau. Após esse prazo, está materializada a preclusão do direito de recorrer e, conforme expresso no art. 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, cabe ao CARF julgar a perempção do recurso. Por esse motivo, este Colegiado fica impossibilitado de conhecer as razões de defesas suscitadas, tornandose definitiva na esfera administrativa a decisão de primeiro grau, nos termos do inciso I do art. 42 do decreto acima citado. Ante ao exposto, uma vez comprovada a perempção do presente recurso voluntário, voto no sentido de não conhecêlo. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11516.000796/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 79 6/ 20 09 -5 3 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000796/200953 Resolução nº 3801000.426 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da Cofins de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no terceiro trimestre do anocalendário 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 512DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000796/200953 Resolução nº 3801000.426 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000796/200953 Resolução nº 3801000.426 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000796/200953 Resolução nº 3801000.426 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000796/200953 Resolução nº 3801000.426 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000796/200953 Resolução nº 3801000.426 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000796/200953 Resolução nº 3801000.426 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 518DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001573/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2006
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITAÇÃO. RESULTADO DE ATIVIDADE RURAL. SEGREGAÇÃO CONTÁBIL PARA UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL
O prejuízo fiscal da atividade rural poderá ser compensado integralmente com o lucro real da atividade rural dos períodos subseqüentes, desde haja segregação dos resultados das demais atividades. O prejuízo da atividade rural pode ser compensado integralmente com o lucro real das demais atividades desde que ocorra no mesmo período de apuração. À compensação dos prejuízos fiscais das demais atividades e da atividade
rural com lucro real de outra atividade, determinado em período
subsequente, aplica-se a trava de 30% prevista para as demais pessoas jurídicas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2006
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CSLL. LIMITAÇÃO. RESULTADO DE ATIVIDADE RURAL. SEGREGAÇÃO CONTÁBIL PARA UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO NEGATIVO
A base negativa da atividade rural poderá ser compensada integralmente com o lucro real da atividade rural dos períodos subseqüentes, desde haja segregação dos resultados das demais atividades. A base negativa da atividade rural pode ser compensado integralmente com o lucro real das demais atividades desde que ocorra no mesmo período de apuração. À compensação das bases negativas das demais atividades e da atividade rural com lucro real de outra atividade, determinado em período subsequente, aplica-se a trava de 30% prevista para as demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1802-001.391
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITAÇÃO. RESULTADO DE ATIVIDADE RURAL. SEGREGAÇÃO CONTÁBIL PARA UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL O prejuízo fiscal da atividade rural poderá ser compensado integralmente com o lucro real da atividade rural dos períodos subseqüentes, desde haja segregação dos resultados das demais atividades. O prejuízo da atividade rural pode ser compensado integralmente com o lucro real das demais atividades desde que ocorra no mesmo período de apuração. À compensação dos prejuízos fiscais das demais atividades e da atividade rural com lucro real de outra atividade, determinado em período subsequente, aplica-se a trava de 30% prevista para as demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:2006 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CSLL. LIMITAÇÃO. RESULTADO DE ATIVIDADE RURAL. SEGREGAÇÃO CONTÁBIL PARA UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO NEGATIVO A base negativa da atividade rural poderá ser compensada integralmente com o lucro real da atividade rural dos períodos subseqüentes, desde haja segregação dos resultados das demais atividades. A base negativa da atividade rural pode ser compensado integralmente com o lucro real das demais atividades desde que ocorra no mesmo período de apuração. À compensação das bases negativas das demais atividades e da atividade rural com lucro real de outra atividade, determinado em período subsequente, aplica-se a trava de 30% prevista para as demais pessoas jurídicas.
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LIMITAÇÃO. RESULTADO DE ATIVIDADE RURAL. SEGREGAÇÃO CONTÁBIL PARA UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL O prejuízo fiscal da atividade rural poderá ser compensado integralmente com o lucro real da atividade rural dos períodos subseqüentes, desde haja segregação dos resultados das demais atividades. O prejuízo da atividade rural pode ser compensado integralmente com o lucro real das demais atividades desde que ocorra no mesmo período de apuração. À compensação dos prejuízos fiscais das demais atividades e da atividade rural com lucro real de outra atividade, determinado em período subsequ ente, aplicase a trava de 30% prevista para as demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CSLL. LIMITAÇÃO. RESULTADO DE ATIVIDADE RURAL. SEGREGAÇÃO CONTÁBIL PARA UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO NEGATIVO A base negativa da atividade rural poderá ser compensada integralmente com o lucro real da atividade rural dos períodos subseqüentes, desde haja segregação dos resultados das demais atividades. A base negativa da atividade rural pode ser compensado integralmente com o lucro real das demais atividades desde que ocorra no mesmo período de apuração. À compensação das bases negativas das demais atividades e da atividade rural com lucro real de outra atividade, determinado em período subsequ ente, aplicase a trava de 30% prevista para as demais pessoas jurídicas. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 37 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), que por unanimidade de votos rejeitou a preliminar de nulidade e no mérito julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração (fl.150 a 153) o qual lhe exige a importância de R$ 378.802,58, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, correspondente ao 3º e 4º trimestre do ano calendário de 2006, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora à época do pagamento. Segundo consta na descrição dos fatos do lançamento de IRPJ, a exigência de imposto decorre de: “GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% Compensação indevida de prejuízo(s) Fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do presente Auto de Infração.” Decorrente deste lançamento, foi ainda lavrado o Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro CSLL (fls. 154 a 156), na importância de R$ 140.688,92, acrescida da multa de ofício de 75% e de juros de mora à época do pagamento. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal IRPJ e CSLL (fls. 157 a 160) extraise que: a) a Fiscalizada compensou prejuízos fiscais da atividade rural com lucro real das demais atividades sem observar o limite legal de 30%. Intimada a esclarecer (fl.33) o porque da compensação em percentual superior ao limite legal, a Fiscalizada respondeu que “[...] E uma empresa de atividade rural, pois sua atividade é o cultivo de maçã, CNAE 01.334 07, sendo que a compensação foi superior 30% embasado no artigo 512 do Regulamento do Imposto de Renda [...]". b) no objeto social da Fiscalizada constam também a exercício de outras atividades, além da rural; c) na DIPJ da Fiscalizada nada foi informado a título de receita da atividade rural; que no Livro Registro de Apuração do ICMS n° 04 do ano de 2006, consta o registro de receitas com produção própria e comercialização de produtos rurais de terceiros, esta última não sendo considerada atividade rural nos termos do que dispõe a IN SRF de n° 257/2002; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 39 4 d) que esta instrução normativa determina a segregação dos custos e receitas da atividade rural das demais atividades, que a Fiscalizada foi intimada a fazer (e fez) tal segregação, tendo ainda esclarecido, em resposta à intimação fiscal, que "[... entendemos que não houve excesso de compensação de prejuízos durante o ano de 2006." Respondeu, ainda que (fl. 159): “No mesmo período de apuração, nem a lei pode limitar a compensação de prejuízo de uma atividade com o lucro de outra atividade, por contrariar o art.do CTN, se houvesse limitação, a pessoas jurídica estaria pagando imposto renda sem ter auferido renda.” e) que está demonstrada a inobservância do limite legal de 30% nacompensação de prejuízos da atividade rural de períodos anteriores com o Lucro real das demais atividades (também ocorreu com relação à CSLL), desta forma os prejuízos da atividade rural e as bases de cálculo negativas da CSLL da atividade rural compensados indevidamente estão sendo glosados. A interessada apresentou sua impugnação (fls. 164 a 175) aos lançamentos, que ora se reproduz, resumidamente: que possui como atividade principal o cultivo de maçã, portanto é uma empresa que explora atividade rural; que os artigos ditos como infringidos referemse às empresas normais; transcreve o art. 142 do CTN, para enfatizar que é necessário que fique provado o fato gerador da obrigação tributária; gasta rios de tinta para concluir que "É nula, portanto, a exigência tributária por não identificar corretamente o fato gerador da obrigação tributária com a indicação precisa dos dispositivos infringidos." que a disposição contida no art. 512 do RIR/99 é clara, não necessita de interpretação; esclarece que as aquisições efetuadas relacionamse com a produção da empresa e visaram compor o total contratado, visto que a colheita foi prejudicada pelo mau tempo; por outro lado, apenas argumentandose, se a empresa não explorasse a atividade rural, a dedução do prejuízo, em anosbase já ultrapassados, ensejaria tãosomente diferença de imposto por atraso em seu recolhimento, vez que, nos anosbase posteriores, citada dedução não teria sido realizada; da CSLL, por ser lançamento reflexo, a defesa apresentada subtendese nessa exigência. A DRJ de Florianópolis (SC) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2006, 31/12/2006 Preliminar de Nulidade. Vício Formal. Atos Fiscais. Descrição dos Fatos. Enquadramento Legal. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 40 5 O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2006, 31/12/2006 Compensação do prejuízo fiscal da atividade rural com o lucro real das demais atividades. O prejuízo fiscal da atividade rural determinado no período de apuração poderá ser compensado com o lucro real das demais atividades, apurado no mesmo período, sem limite. À compensação dos prejuízos fiscais das demais atividades e da atividade rural com lucro real de outra atividade, determinado em período subsequ ente, aplicamse as disposições previstas para as demais pessoas jurídicas. Lançamento Decorrente. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 08/06/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/06/2011, onde alega preliminarmente a nulidade do auto de infração e no mérito reitera as argumentações feitas por ocasiãi da impugnnação para ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. Este é o Relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Em sede de preliminar a Recorrente discorre por 5 (cinco) laudas para alegar que o auto de infração é nulo, uma vez que, no seu entendimento, não identifica coretamente o fato gerador da obrigação tributária com a indicação dos dispositivos infringidos. Nesse sentido não parece assistir qualquer razão ao Recorrente, senão vejamos. Consta do auto de infração: “001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 30/09/2006 R$ 425.312,60 75,00 31/12/2006 R$ 1.137.397,77 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99. No que se refere â atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fazem parte do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentes nele mencionados” e “001 CSLL BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 42 7 Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal (is) apurado(s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Ocorrência Val. Tributável ou Contribuição Multa(%) 30/09/2006 09/2006 R$ 425.812,60 75,00 31/12/2006 12/2006 R$ 1.137.397,77 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 2º e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 58 da Lei n° 8.931/95; Art. 16 da Lei n° 9.065/95; Art. 37 da Lei n° 10.637/02” Percebemos através das transcrições acima que o auto de infração é claro e demonstra cabalmente os dispositivos específicos infringidos e a base legal sustentadora da pretenção da Fazenda. Notase que a alegação da Recorrente não configura qualquer preliminar de defesa, mas tenta atingir o mérito do lançamento, o que não pode ser acolhido. A Recorrente foi intimada (fls.33/34) a se manifestar acerca da compensação integral de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL, verificado no 3º e 4º trimestre de 2006, considerando que na sua DIPJ (fls.14/15) não constava registro de receita de atividade rural. Em resposta, a contribuinte informou que sua atividade era rural (cultivo de maçã) e, portanto, estava autorizada a efetuar a compensação integral dos seus prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL, por força do art. 512 do RIR/99, a seguir transcrito, não obedecendo assim ao limite de 30% do lucro líquido ajustado. “Art. 512. O prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite previsto no caput do art. 510 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 14)”. Foi constatado pela autoridade fiscal que, além de ter realizado vendas com produtos próprios, a Recorrente também comercializou produtos adquiridos de terceiros, ou seja, revendeu produtos rurais de terceiros. A atividade de revenda não é considerada como sendo atividade rural, nos termos do art 3°, II da IN SRF 257/2002, a saber: Art. 3º Não se considera atividade rural: I a industrialização de produtos, tais como bebidas alcoólicas em geral, óleos essenciais, arroz beneficiado em máquinas industriais, fabricação de vinho com uvas ou frutas; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 43 8 II a comercialização de produtos rurais de terceiros e a compra e venda de rebanho com permanência em poder da pessoa jurídica rural em prazo inferior a 52 (cinqu enta e dois) dias, quando em regime de confinamento, ou 138 (cento trinta e oito) dias, nos demais casos; (grifos nossos) Sendo assim, a Recorrente deveria segregar contabilmente as receitas, custos e despesas, de atividade rural das demais atividades. A esse respeito disciplina a mesma IN: “Art. 8º A pessoa jurídica rural que explorar outras atividades deverá segregar contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades e demonstrar, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), separadamente, o lucro ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades. § 1º A pessoa jurídica rural deverá ratear proporcionalmente à percentagem que a receita líquida de cada atividade representar em relação à receita líquida total: I os custos e as despesas, comuns a todas as atividades; II os custos e as despesas não dedutíveis, comuns a todas as atividades, a serem adicionados ao lucro liquido, na determinação do lucro real; III os demais valores comuns a todas as atividades, que devam ser computados no lucro real. § 2º Na hipótese de a pessoa jurídica rural não possuir receita líquida no anocalendário, a determinação da percentagem prevista no § 1º será efetuada com base nos custos ou despesas de cada atividade explorada.” Notase que a Recorrente descumpriu totalmente as orientações infralegais para que pudesse usufruir do benefício de compensação integral dos prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL, sem tolir o direito da Receita Federal de homologar as informações por ela prestadas. Intimada a apresentar tal segregação, além de demonstrar no LALUR, separadamente, o resultado contábil e fiscal da atividade rural e das demais atividades, (fl. 101), a Interessada forneceu várias planilhas (fls. 109 a 112), onde subsidia a autuação fiscal. A maior parte das receitas auferidas provém de revenda de mercadorias, registradas no Livro de Apuração de ICMS como “venda mercadoria adquirida/recebida de terceiros”. O art. 512 do RIR/99, já transcrito, estabelece que os prejuízos fiscais havidos por força do exercício exclusivo de atividades rurais podem ser compensados com resultados positivos obtidos em períodos posteriores, sem a trava dos 30%. Evidentemente que essa regulamentação só atinge os resultados oriundos das atividades rurais. Havendo outras atividades, que não somente as rurais, o prejuízo fiscal decorrente da atividade rural poderá ser compensado integralmente com o lucro real das demais atividades, somente se estes resultados forem do mesmo período de apuração, ou seja, um prejuízo fiscal de atividade rural verificado no período em curso pode ser compensado Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 44 9 integralmente somente com o lucro real das demais atividades daquele mesmo período de apuração. De acordo com o termo de verificação fiscal a Recorrente não entendeu dessa forma. A Interessada efetuou compensações de prejuízos fiscais de atividade rural de períodos anteriores com o lucro real das demais atividades, o que é vedado. Na planilha elaborada pela Recorrente, a fl. 111, temos a seguinte situação no 3º e 4º trimestres de 2006: a) o lucro real das demais atividades, no montante de R$ 608.303,71 (3º trimestre/2006) foi integralmente compensado, pela Interessada, com a utilização de parte do prejuízo fiscal da atividade rural de períodos anteriores e parte daquele das demais atividades, no caso do 2º trimestre/2006 (fl.146). Assim, somente poderia se utilizar do prejuízo fiscal de períodos anteriores, seja do resultado das demais atividades ou da atividade rural, limitado à compensação em 30% do lucro líquido ajustado. b) o lucro real das demais atividades, no montante de R$ 1.624.853,95 (4º trimestre/2006), foi integralmente compensado, pela Interessada, com todo ou parte do prejuízo fiscal da atividade rural de períodos anteriores, no caso do 2º trimestre/2006. Assim, somente poderia se utilizar do prejuízo fiscal de períodos anteriores, seja do resultado das demais atividades ou da atividade rural, limitado à compensação em 30% do lucro líquido ajustado. Desse modo, contrariamente ao que fora alegado na impugnação e vem sendo mantido no recurso voluntário, o lançamento encontrase perfeitamente identificado nos termos do que dispõe o art. 142 do CTN, não dando margem a qualquer dúvida. De acordo com o enquadramento legal constante do auto de infração, a Recorrente incorreu na tipificação constante do art. 510 do RIR/99: “Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). §1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). §2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. §3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470 Desse modo houve a glosa da compensação no que excedeu ao limite de 30%. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.001573/200912 Acórdão n.º 1802001.391 S1TE02 Fl. 45 10 Não persiste também a argumentação da Recorrente de que poderia ter havido uma postergação do imposto, considerando que não se trata de inexatidão contábil, por inobservância do regime de competência no registro de mutações patrimoniais. A compensação (o excesso visto) praticada pela contribuinte não resultou em reflexos na compensação de prejuízos em períodos posteriores em razão da existência de saldo de prejuízos da atividade rural, conforme extratos Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI) que está anexado às fls. 179 a 184. Com relação a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), aplicase a mesma fundamentação aplicada ao IRPJ. Caracterizada a descaracterização da atividade rural, aplicase o limite de 30% na compensação da base negativa da CSLL. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13856.000511/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. GLOSA
O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação.
PENSÃO JUDICIAL. GLOSA.
O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos em lei.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Numero da decisão: 2101-001.665
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento em parte ao recurso voluntário, para admitir a dedução com dependentes apenas no valor de R$ 2.544,00; bem como a dedução relativa à pensão alimentícia, no valor de R$ 15.600,00.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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GLOSA O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. PENSÃO JUDICIAL. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos em lei. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para admitir a dedução com dependentes apenas no valor de R$ 2.544,00; bem como a dedução relativa à pensão alimentícia, no valor de R$ 15.600,00. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta dos Santos, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 29/31) interposto em 10/06/2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 34/38), do qual o Recorrente teve ciência em 11/05/2010 (fl.27), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a Notificação de Lançamento de fls. 5 a 8, lavrada em decorrência de glosas na dedução por dependente e despesas com pensão judicial e, ainda, em razão da omissão de rendimentos tributáveis, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa: DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. GLOSA O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. PENSÃO JUDICIAL. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos em lei. OMISSÃO DE RENDIMENTO. Verificada a omissão de rendimento compete a fiscalização efetuar o lançamento nos termos do art.142 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls.29/31) argumentando, em síntese, que não apresentou os documentos comprobatórios em primeira instância em razão de não estar em poder de cópia do processo de seu divórcio, o que o faz na presente via recursal, carreando aos autos cópias dos documentos exigidos e, por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No que tange ao mérito, entendo que a matéria cingese à comprovação: a) da relação de dependência das informações declaradas no Código 22 – Filho (a) ou enteado (a) universitário (a) ou cursando escola técnica de 2º grau, até 24 anos; e b) da pensão alimentícia judicial. Para o deslinde da questão se faz necessário invocar a Lei n° 9.250, de 1995, verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13856.000511/200878 Acórdão n.º 2101001.665 S2C1T1 Fl. 2 3 c) à quantia de R$ 1.272,00 (um mil, duzentos e setenta e dois reais) por dependente; (Redação dada pela Lei nº 10.451, de 10.5.2002) (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Agora na fase recursal o Impugnante apresenta os documentos de fls. 53/54, onde se comprova que são efetivamente seus dependentes, Reyster Cardoso Destro e Tatiane Cristina Destro, razão pela qual é de se aceitar a dedução apenas de RS 2.544,00 (1.272,00 x 2). Ressaltese que não foi carreado aos autos a comprovação da relação de dependência de Luiz Antonio Uescar Destro, informado no quadro 8 (Código 22) Dependentes da DIRPF – 2005. Quanto à glosa da pensão alimentícia no valor de R$ 15.600,00, é de se observar, preliminarmente, que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Destarte, o Impugnante fez apensar aos autos, folhas 56/59, documentos capazes de suprir a exigência constante na peça básica. Relativamente à omissão de rendimentos constatada por ocasião da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls 07), no valor de R$ 7.922,27, o Impugnante nada contestou, razão pela qual deve ser mantido o lançamento correspondente. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir a dedução com dependentes apenas no valor de R$ 2.544,00; bem como a dedução relativa à pensão alimentícia, no valor de R$ 15.600,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13603.722651/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 26 51 /2 01 0- 97 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde, nas competências de 01/006 a 12/2006. Refere se, também, o crédito às contribuições incidentes sobre os serviços prestados por pessoas físicas à autuada e em em obra de construção civil de sua propriedade, no mesmo período O Auto de Infração foi lavrado em 11/10/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 27/10/2010. O relatório fiscal diz que os valores foram apurados através das folhas de pagamento, das GFIP’s, dos recibos de pagamento e da contabilidade da autuada. Após a impugnação, Acórdão de fls. 341/349, julgou o lançamento procedente, ressaltando que a autuada recolheu as contribuições relativas às pessoas físicas, referindose a defesa apenas às contribuições incidentes sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega a inconstitucionalidade da contribuição constante no inciso IV do artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, que os serviços são prestados diretamente para os associados, sendo a recorrente mera intermediadora da negociação. Requer o provimento do recurso para reformar o Acórdão proferido , tornando insubsistente o Auto de Infração, eximindo a recorrente do pagamento os valores apurados e das multas incidentes. É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13603.722651/201097 Acórdão n.º 2302002.272 S2C3T2 Fl. 409 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 341/349, em 02/09/2011, fls.404, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 05/09/2011, fruindo até 04/10/2011. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 13/10/2011, conforme documento de fls. 352a, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000197/2010-89
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO - RECEITAS AUFERIDAS POR MEIO DE OPERADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO É correta a tributação dos valores recebidos por meio de operadoras de cartão de crédito, não restando dúvidas de que estes correspondem a receitas de vendas realizadas pela Contribuinte. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício e sobre a taxa SELIC implicaria no afastamento de normas legais vigentes (artigos 44 e 61 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade ou afronta ao Código Tributário Nacional - CTN, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
Numero da decisão: 1802-001.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO - RECEITAS AUFERIDAS POR MEIO DE OPERADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO É correta a tributação dos valores recebidos por meio de operadoras de cartão de crédito, não restando dúvidas de que estes correspondem a receitas de vendas realizadas pela Contribuinte. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício e sobre a taxa SELIC implicaria no afastamento de normas legais vigentes (artigos 44 e 61 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade ou afronta ao Código Tributário Nacional - CTN, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO RECEITAS AUFERIDAS POR MEIO DE OPERADORAS DE CARTÃO DE CRÉDITO É correta a tributação dos valores recebidos por meio de operadoras de cartão de crédito, não restando dúvidas de que estes correspondem a receitas de vendas realizadas pela Contribuinte. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício e sobre a taxa SELIC implicaria no afastamento de normas legais vigentes (artigos 44 e 61 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade ou afronta ao Código Tributário Nacional CTN, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 554DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 2 2 José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 01 a 63, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 1.409,28, R$ 994,98, R$ 3.694,25, R$ 11.001,56 e R$ 25.650,21, respectivamente, incluindo se nestes montantes a multa de 75% e os juros moratórios. As autuações são referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações: diferenças em relação à base de cálculo oferecida à tributação e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das diferenças de base de cálculo. Este processo ainda tem por objeto lançamento para aplicação de multa isolada por falta de comunicação da exclusão do Simples na condição de ME, no valor de R$ 235,91, também considerado procedente pela DRJ Recife/PE. Os fundamentos do lançamento e os argumentos de impugnação estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1135.058 (fls. 509 a 522): (...) 3.5. para apuração da receita total do contribuinte, base de calculo dos tributos abrangidos pelo Simples, foram somados em cada mês de 2006 os valores das vendas através de cartão de créditos e débitos, das três operadoras de cartão de crédito (Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, Redecard S/A e Hipercard Administradora de Cartões de Crédito Ltda), sendo os valores das receitas apurados pelo regime de competência; 3.6. no Livro Caixa apresentado, foram registradas as vendas através de notas fiscais, com as receitas escrituradas atingindo o montante de apenas R$ 26.248,48 em 2006; 3.7. a contribuinte recolheu, através de DARF código 6106, valores de tributos pelo sistema Simples, “sendo aproveitados para abater dos valores calculados dos valores calculados, em anexo Demonstrativo dos valores recolhidos com suas bases de cálculo (folhas 395)”; 3.8. a empresa não apresentou DIPJ para o anocalendário 2006, encontrandose anexados demonstrativos dos valores das vendas com os cartões de crédito, para cada uma das três operadoras de cartão de crédito e com o valor total das operações com cartão de crédito/débito em 2006, sendo aplicados os percentuais determinados pela Lei 9.317/96 sobre Fl. 556DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 4 4 as “receitas constatadas” para cálculo dos valores devidos pela contribuinte, sendo consideradas como diferenças de base de cálculo em cada mês os valores da receita através de cartão de crédito/débito deduzidos dos valores sobre os quais foram recolhidos os tributos através de DARF, conforme demonstrativo anexo com apuração das diferenças; 3.9. para todos os meses, a receita bruta da empresa é superior ao valor sobre o qual foram recolhidos os tributos devidos, provocando aumento dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, acarretando diferença de valores a recolher em cada mês; 3.10. no ano fiscalizado, a receita constatada foi de R$ 403.291,11, tendo, portanto, a empresa ultrapassado o limite para permanência no Simples (R$ 240.000,00) na condição de microempresa, pelo que deveria ter feito a comunicação de exclusão do sistema simplificado, conforme art. 13, II, “a” da Lei 9.317/96, sendo lavrado auto de infração para exigência da multa prevista no art. 21 da mesma lei devido à falta de tal comunicação; 3.10.1. como a receita bruta apurada no mês de dezembro/2006 foi de R$ 38.050,64 e o percentual do Simples aplicável foi de 6,2%, resultando no valor devido do Simples de R$ 2.359,14, temse que o valor da multa pela falta de comunicação da exclusão é de R$ 235,91, correspondente ao percentual de 10% do valor do Simples devido. 4. Cientificada dos autos de infração em 12/04/2010, conforme fls. 16, 22, 28, 38, 48, 58, 62, 68 e 486, a contribuinte apresentou sua impugnação em 10/05/2010, conforme fls. 488 a 503, contendo, em síntese, os seguintes argumentos: 4.1. em razão de ter tomado as relações dos cartões de crédito como se venda fosse, o Auditor Fiscal concluiu por diferença do valor recolhido e majoração da alíquota e receita superior à condição de microempresa, reclassificando para empresa de pequeno porte; 4.2. sustentou o Auditor Fiscal que as relações dos cartões de crédito seriam objeto de vendas, procedendo ao lançamento, “não declinando qualquer amparo legal” de sustentação com relação às relações de cartões de crédito, imputou juros conforme art. 19 da Lei 9.317/96 e multa de 75% conforme art. 44,1, da Lei 9.430/96; 4.3. transcreve trecho no formato de ementa, sem, no entanto, indicar a origem, cujo conteúdo é de que “Preliminar — Auto de Infração Base de cálculo em relação de cartão de crédito — Inexistência de Receita — Afronta ao artigo 186 e 188 do Decreto 3.000/99 — Inexistência de obrigação de tributar — Inexistência de fato gerador — Falta de amparo legal — Afronta ao artigo 153, III, da Constituição Federal”; 4.4. os valores relacionados pela operadora de cartão de crédito que serviram de base de cálculo para o lançamento não são Fl. 557DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 5 5 vendas, não cuidou o Auditor Fiscal de provar que os valores atendem aos arts 186 e 188 do Decreto 3.000/99; 4.5. “necessário lembrar que a presunção de vendas, no caso em tela é relativa, necessário se faz demonstrar que tais valores da relação de cartão de crédito, são realmente receitas do contribuinte, assim como se tais receitas são tributadas pelo sistema Simples”; 4.6. “tais valores foram levantados pelo Auditor Fiscal sob a premissa falsa de serem supostas vendas”. Transcreve os arts. 186 e 188 do Decreto 3.000/99; 4.7. necessário que os valores sejam receitas brutas, não havendo que se tributar pelo Simples, sem tais condições, valores contidos em relação de cartão de crédito, não podendo o Auditor ampliar a base de calculo com a simples suposição de que se tratam de valores oriundos de rendas. Transcreve art. 153, III, da Constituição Federal e aduz que os valores de relação de cartões de crédito não estão dentre os relacionados como rendas e nem proventos de qualquer natureza, sendo tais relações impressas de forma unilateral, não formulários oficiais; 4.8. a legislação reconhece a nota fiscal como documento necessário para venda e para ser utilizado como rendas. Transcreve excerto doutrinário sobre o conceito de renda;` 4.9. “A referida lei não tem o condão de ampliar o campo de incidência do Imposto de Renda (...)” . Transcreve o art. 43, I e II, do Código Tributário Nacional CTN; 4.10. “Assim sendo, não pode os depósitos meros valores da relação de cartão de crédito, serem transformados em supostas rendas sem que tenha sequer a comprovação da ocorrência da variação patrimonial”; 4.11. o Auditor “deixa claro em seu relatório que extraiu os valores da relação de vendas de cartão de crédito contida na relação emitida pelas operadoras de cartões de crédito”; 4.12. o “documento é emitido de forma unilateral pela operadora de cartão de crédito, não tendo nenhuma gerência sob a sua emissão o contribuinte”, “não existe nos autos uma única prova de que tais valores são objeto de venda” e “tampouco existe qualquer comprovação de que tais valores são oriundos de rendas ou proventos do contribuinte”; 4.13. a lei aplicada pelo Auditor para sustentar a transformação de tais valores como base de cálculo do Simples não pode ser aplicada sob pena de ferir princípios constitucionais da legalidade, afronta à Constituição Federal, tornando o ato totalmente viciado, ilícito e inconstitucional. Requer que os Autos de Infração sejam tidos como ilegais e inexistentes por afronta à legislação própria, ao CTN e à Constituição Federal. Transcreve ementa, sem determinar a origem da mesma, sobre “(...) Inocorrência do fato gerador — Lançamento firmado Fl. 558DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 6 6 unicamente com base em relação de valores emitidos pelas operadoras de cartões de crédito (...)”; 4.14. acredita que as preliminares argüidas levarão à nulidade do auto de infração, mas de qualquer forma o lançamento é totalmente improcedente; 4.15. não existe no auto de infração nem nos trabalhos da fiscalização nenhum nexo de causalidade que comprove tratarse de vendas e muito menos de rendas ou proventos; 4.16. cita a Súmula 182 do TFR, que veda lançamentos de imposto de renda pessoa física “arbitrado com base em extratos ou depósitos bancários”, pois "não indicam por si sós a existência de acréscimo patrimonial tributável”, no tendo sido tal Súmula afastada pela legislação posterior; 4.17. os trabalhos realizados pelo Auditor Fiscal está suportado em erros materiais, pois limitouse a somar todos os valores das referidas relações, não se importando com sua origem, não podendo definilos ao seu prazer como vendas, o que implica em distorcer os valores, tomando os mesmos como “a farsa premissa” de que seriam oriundos de vendas; 4.18. não trouxe, o Auditor, uma única prova de que tais supostas rendas seriam realmente vendas realizadas pelo contribuinte, partindo de uma presunção, sem comprovar quais seriam as mercadorias ou serviços vendidos e a quem seriam vendidos, não dando a Lei ao Auditor o condão de presumir tais fatos; 4.19. nem mesmo do disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN, o qual transcreve, socorreuse o Auditor, explicando que este dispositivo diz que para que possa existir a descaracterização ou a desconsideração de um documento, como tenta alegar o Auditor Fiscal, necessário se faz que exista lei ordinária específica para tal finalidade, com procedimentos claros e específicos, lei ordinária esta que não foi apresentada, até porque inexiste, restando provado que não procedem as imputações dos autos de infração; 4.20. os juros de mora ferem totalmente o CTN, que estipulou de limite de 1% ao Mês, não podendo a lei ordinária estabelecer taxas superiores. Transcreve doutrina sobre a matéria; 4.21. a multa de 75% (art. 44, I, da Lei 9.430/96) afronta a Constituição Federal e o CTN, sendo verdadeiro confisco; 4.22. requer que o auto de infração seja ilegal e inexistente por afronta ao CTN e à Constituição Federal, e requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, inclusive novos documentos que se fizerem necessários, e caso ultrapassadas as preliminares, o que não espera, requer a improcedência do lançamento do Auto de Infração por não ter o contribuinte omitido qualquer receita, por estar claramente demonstrado que os valores levantados pelo Auditor Fiscal não demonstram Fl. 559DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 7 7 qualquer nexo de causalidade com a realidade das vendas e receitas do contribuinte. Como mencionado, a DRJ Recife/PE considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO A PARTIR DE OPERAÇÕES DE CARTÕES DE CREDITO. Apuração a partir das diferenças entre os valores de operações com cartões de crédito/débito e os valores recolhidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. São indeferidos os pedidos de diligência ou perícia, quando tais providências forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, ou quando os pedidos deixarem de conter os requisitos estabelecidos pela legislação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. TAXA SELIC. Legitima a aplicação da taxa SELIC, para a cobrança dos juros de mora, a partir de 1º de abril de 1995 (art. 13, Lei nº 9.065/95). APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 8 8 As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/11/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/12/2011, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 9 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, cujos fatos geradores ocorreram durante o anocalendário de 2006. A autuação está fundamentada em diferenças na base de cálculo oferecida à tributação, apuradas com base nos valores das receitas auferidas por meio das operadoras de cartão de crédito. Em razão da alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, as diferenças acima mencionadas repercutiram em outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita que já havia sido oferecida à tributação, que também foi objeto de lançamento. Além disso, houve aplicação de multa isolada por falta de comunicação da exclusão do Simples na condição de ME. Tanto a preliminar de nulidade quanto as alegações de mérito estão fundadas nos mesmos argumentos. Basicamente, a Contribuinte alega que não há nos autos qualquer comprovação de que os valores apurados pelo Auditor Fiscal representam receitas de vendas a serem tributadas. O exame da base de cálculo utilizada para a apuração dos tributos autuados, especialmente no que diz respeito à prova de que os valores levantados pela Fiscalização correspondem realmente a receitas de vendas, repercute em questões que ultrapassam as matérias preliminares. Com efeito, as questões suscitadas pela Recorrente configuram matéria de mérito, e é nessa seara que devem ser analisadas. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento fez várias considerações sobre o problema apontado pela Contribuinte: 7. Alega a contribuinte basicamente que os valores informados pelas operadoras de cartões de crédito e que serviram de base de cálculo para o lançamento não são vendas, não são rendas e não são variação patrimonial. 8. Quanto a não ser renda, esclareçase que a base de cálculo para apuração do Simples é a receita bruta, tal como definido na legislação, e não a renda. Semelhantemente, se a empresa obteve ou não variação patrimonial também não é o que importa para a Fl. 562DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 10 10 apuração do Simples pelo mesmo motivo de ser a base de cálculo deste a receita bruta e não a variação patrimonial 9. Só para exemplificar: uma empresa pode ter uma receita alta e não ter variação patrimonial alguma, tendo em vista suas despesas e gastos, no entanto, a base de cálculo do Simples Federal, conforme a legislação em vigor à época, estava preservada, uma vez que por definição legal era a receita bruta. É uma questão de regime de tributação pelo qual o contribuinte, em geral, opta. Se fez opção pelo Simples Federal, à época, estava sujeito as regras de tributação deste, à época em vigor, inclusive no se refere à sua definição legal de base de cálculo. Lei 9.317/96 Art 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: (...) Art. 5° 0 valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) (...) 10. Vêse, da definição legal acima, que se considera receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia. 11. Com relação à alegação de que os valores informados pelas operadoras de cartões de crédito não seriam vendas, fazse necessária a análise dos autos. 12. Na fl. 84, consta declaração datada de 04/12/2009, assinada pelo Sr. José Cavalcanti da Silva, como empresário, e que é o sócio majoritário e administrador da empresa, conforme cópias do “Contrato de Constituição de Sociedade Limitada Denominada: Vitor Delivery de Pizza Ltda”, fls. 70 a 72, na qual o mesmo afirma que “A relação de valores em anexo com 116 páginas, todas por mim devidamente rubricadas, corresponde ao extrato das vendas com cartão de crédito/débito da empresa Victor Delivery de Pizza Ltda, CNPJ 07.535.013/000104, emitido pela operadora Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos Lida (Visanet) no ano de 2006” (grifos não originais). 13. Percebese que é o próprio administrador e sócio majoritário da empresa, o Sr. José Cavalcanti da Silva, quem cuida de esclarecer de onde se origina os valores da relação anexa (116 páginas), que é aquela constante das fls. 85 a 199 e 202 do processo, por ele devidamente rubricadas, informando que a mesma se refere ao extrato das “vendas” (grifei) com cartão de crédito e débito Visanet em 2006. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 11 11 14. Por sua vez, nas fls. 205 a 293, constam os extratos do cartão de crédito/débito da operadora Redecard S/A, os quais no inicio de cada mês, no seu cabeçalho, entre outras informações, especifica “MOVIMENTO DE VENDAS” (grifei) e logo abaixo consta “VENDAS COM CARTÕES DE CRÉDITO” (grifei) (vide, por exemplo, fls. 205, 214, 221, entre outras). Ainda na primeira folha desse extrato, fl. 205, é indicada a conta corrente bancária na qual ocorria a movimentação financeira deste cartão com os créditos em benefício da empresa, sendo informado tanto o valor bruto de cada crédito e sua data, como o valor líquido das vendas, o que demonstra que os valores das operações eram decorrentes das vendas em operações de conta própria da empresa. 15. A diferença entre o valor do crédito e o valor líquido da venda, seja a crédito ou a débito, ocorrendo tal diferença nos extratos das três operadoras, vem se confirmar como taxa de administração do cartão de crédito nos extratos do HiperCard, fls. 358 a 392, onde também se identifica, nos “DEMONSTRATIVO DE RECEBIMENTO” (fls. 362 a 392), a conta corrente bancária para lançamento da movimentação financeira da contribuinte com este cartão de crédito, identificandose neste último extrato a “Tx rotat.: 4,50%”, além dos valores informados, datas, antecipações, taxas de administração e valores líquidos, em que eram feitos os créditos (depósitos). 16. Ora, de toda a documentação constante dos autos fica claro que os valores monetários originários das operadoras dos cartões de crédito eram oriundos dos recebimentos pela contribuinte decorrentes das suas operações de vendas a crédito ou a débito intermediadas pelas operadoras de cartão de crédito e/ou débito, para o que estas cobram a sua “taxa” de serviço. 17. Observase, ademais, que a contribuinte não contesta ter recebido os referidos valores, apenas alega que não seriam rendas nem variação patrimonial, o que em nada lhe defende contra as autuações, já que estes dois últimos institutos (rendas e variação patrimonial) não são fato gerador nem servem de base de cálculo para os tributos integrantes do Simples Federal, enquanto tributos integrantes desse sistema, conforme legislação em vigor à época, e acima transcrita, como também, alega a contribuinte, os valores não seriam vendas, estas, sim, integrantes da base de cálculo (receita bruta) para apuração tributos integrantes do sistema Simples, no entanto, ficou demonstrado nos autos, inclusive pelas próprias palavras da contribuinte, fl. 84, e demais documentos, trataremse, os valores, de receitas de suas vendas intermediadas pelas operadoras de cartão de crédito e/ou débito. Diante das considerações acima, não há qualquer dúvida de que os valores auferidos por meio das operadoras de cartão de crédito configuram receitas de vendas realizadas pela autuada, e que, portanto, devem mesmo ser tributados. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 12 12 Em sede de recurso, a Contribuinte não refutou nenhum dos fundamentos que embasa a decisão recorrida, pelo que também os adoto neste voto, para manter as exigências fiscais. Finalmente, no que toca à alegação da Recorrente sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de ofício, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 44, I, da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe mais uma vez ressaltar que falece aos órgãos de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto nº 2.346/97 ou do art. 103A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a norma legal. O mesmo se pode dizer da aplicação da taxa “Selic”. Não compete a esse órgão administrativo de julgamento afastar a aplicação de norma legal em pleno vigor. O art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora..., e no seu parágrafo primeiro determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Portanto, a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser definida em percentual diferente de 1%. Basta que uma lei ordinária assim determine. Neste contexto, o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim dispõe: Artigo 61 – Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. E o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430/1996, por sua vez, estabelece que: § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do Fl. 565DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000197/201089 Acórdão n.º 180201.317 S1TE02 Fl. 13 13 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Portanto, incumbe a esse órgão julgador cumprir a norma legal que se encontra em pleno vigor, aplicandoa às situações concretamente verificadas, não lhe cabendo a apreciação da alegada inconstitucionalidade ou ilegalidade da taxa SELIC. Apenas vale frisar que essa mesma taxa de juros é garantida aos contribuintes nos casos de restituição de indébitos. O tratamento, portanto, é isonômico, ou seja, tanto vale para a cobrança, quanto para a devolução de valores, o que reforça a justeza de sua aplicação. Registro ainda que tanto a apreciação de inconstitucionalidade de lei, quanto o cabimento da aplicação dos juros Selic configuram matérias já sumuladas no âmbito deste órgão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 566DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10215.000498/2003-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
O acórdão recorrido fundamentou a sua decisão em interpretação dada ao art. 10, § 1º, inciso IV da lei n° 9.393, de 1996, que define área aproveitável para fins de apuração do ITR.
O acórdão paradigma apreciou a questão da exclusão de área de interesse ecológico para fins de incidência de ITR, com fulcro no art. 10, § 1º, inciso II da lei n° 9.393, de 1996.
A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 18/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. O acórdão recorrido fundamentou a sua decisão em interpretação dada ao art. 10, § 1º, inciso IV da lei n° 9.393, de 1996, que define área aproveitável para fins de apuração do ITR. O acórdão paradigma apreciou a questão da exclusão de área de interesse ecológico para fins de incidência de ITR, com fulcro no art. 10, § 1º, inciso II da lei n° 9.393, de 1996. A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 04 98 /2 00 3- 08 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2201 00.900, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 01/12/2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, acolheu os embargos declaratórios para, retificando o Acórdão n.º 310200.402, dar provimento parcial ao recurso para ajustar a alíquota aplicada ao lançamento ao grau de utilização. Segue abaixo sua ementa: “EMBARGOS DECLARATÓRIOS. MISSÕES. Contatada omissão do acórdão embargado que deixou de apreciar questão relevante para o desfecho da lide, acolhemse os embargos que apontaram o vício para que seja sanada a omissão. ITR. SUJEITO PASSIVO. É contribuinte do ITR o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Estando caracterizada a posse efetiva do imóvel, o seu titular é contribuinte do ITR, ainda que não detenha a propriedade legítima do imóvel. ITR. ÁREA APROVEITÁVEL. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Áreas declaradas de interesse ecológico e social, nos termos do art. 2° do Decreto n° 98.897, de 30 de janeiro de 1990, não são aproveitáveis, na apuração do grau de utilização do imóvel. Embargos acolhidos Acórdão retificado Recurso parcialmente provido.” A PGFN embargou novamente. Pedido negado às fls. 204/205. A PGFN afirma que a decisão em comento diverge do paradigma que apresenta, cuja ementa será reproduzida a seguir: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10215.000498/200308 Acórdão n.º 9202002.481 CSRFT2 Fl. 8 3 “ITR. ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exigência de ato declaratório se encontra tãosó nas alíneas ‘b' e 'c' do inciso II do § 1º da Lei n° 9.393/96. O legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa. Para que não haja incidência de ITR para as áreas de interesse ecológico faz se necessária a existência de Ato Declaratório Ambiental que a reconheça. O Ato Declaratório constante nos autos referese tão a área de preservação permanente e área de reserva legal, não contemplando área de declarado interesse ecológico. Recurso especial provido em parte.” (AC 920200.887) Argumenta que no paradigma a Fazenda Nacional insurgiuse contra o aproveitamento da área de interesse ecológico prevista apenas em Decreto geral e abstrato, para efeito da diminuição do quantum a pagar do ITR. Sustentouse a necessidade de ato concreto que viesse a limitar o uso da propriedade, o que foi acolhido pela Câmara Superior. Pondera que no presente caso, em sentido contrário, o acórdão recorrido entendeu que a existência do Decreto Presidencial é suficiente para o reconhecimento da área como de interesse ecológico, para efeito de apuração do tributo. Destaca que o paradigma, ao contrário do aresto recorrido, sequer cogitou aproveitar a área declarada como de interesse ecológico para o cálculo da alíquota, justamente por inexistir ato concreto que limitasse a propriedade. No mérito afirma que, para efeito de apuração do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico (de utilização limitada), nos termos da legislação do imposto, a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a declaração em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente vara a área da propriedade particular. Diz que o Decreto Presidencial geral e abstrato não prescinde de atos administrativos posteriores para a implementação da Reserva. Inexistindo nos autos a comprovação dessa limitação concreta e específica da propriedade do contribuinte, descabe a redução da área aproveitável. Destaca que o auto de infração teve por fundamento não simplesmente a ausência do ADA, mas de qualquer outro tipo de declaração específica no sentido da criação da área de interesse ecológico. Portanto, uma vez que o contribuinte não logrou demonstrar, por documentação hábil, a existência, à época do fato gerador, da limitação existente sobre a área de interesse ecológica, há de ser mantido o auto de infração, consoante decidido pelo órgão julgador de primeira instância. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.238, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarazões. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliento que o acórdão recorrido não admitiu a referida área de interesse ecológica para fins da apuração da base tributável, tão somente o fez para fins de definição da alíquota a ser aplicada em decorrência da área aproveitável do imóvel, nos seguintes termos: “Não se verifica, portanto, neste caso, a existência comprovada de área de preservação permanente ou de área de reserva legal. Vale repisar que o ato do Poder Público que criou a reserva determinou apenas, no caso das áreas particulares, a disponibilização destas áreas para fins de posterior desapropriação. Portanto, até que sobreviesse tal desapropriação, não havia razão para se falar em não incidência ou em isenção de Imposto Territorial Rural. É de se concluir, portanto, pela inexistência de áreas a serem excluídas para fins de apuração da base tributável do imposto, seja a título de área de reserva legal, seja a título de área de preservação permanente. Observase, todavia, que o lançamento, além de excluir a área de preservação permanente na apuração da área tributável, também considerou os 2.985,0 ha como área aproveitável para fins de apuração da alíquota aplicável. Perguntase: Dado o ato que instituiu a Reserva Extrativa TapajósArapiuns, podese considerar a área do imóvel inserido nos limites da reserva como sendo aproveitável para fins de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal? A resposta é negativa. Segundo o art. 10 da lei n° 9.393, de 1996, a área aproveitável do imóvel a ser considerada para fins de definição da alíquota do imposto está assim definida: Art. 10. [..] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei n" 11.428, de 2006) Isto é, excluídas as áreas de que trata o inciso II da Lei, ou seja, as áreas de preservação permanente, de reserva legal e outras, consideramse aproveitáveis as áreas passíveis de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, e, portanto, não aproveitáveis as áreas que não sejam passíveis de tal exploração. E é este o caso dos imóveis contidos nos limites da Reserva. Se a perda da propriedade ou da posse só se efetiva Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10215.000498/200308 Acórdão n.º 9202002.481 CSRFT2 Fl. 9 5 com a desapropriação, como se ressaltou acima, a restrição ao aproveitamento do imóvel é imediata. Isto, aliás, está dito expressamente no Decreto que instituiu a Reserva, no seu art. 6°, verbis: Art. 6°A área da Reserva Extrativista, ora criada, fica declarada de interesse ecológico e social, nos termos do art. 2° do Decreto n'98.897, de 30 de janeiro de 1990. É importante ressaltar que a apuração do grau de utilização do imóvel. que serve como parâmetro para ao definição da alíquota do imposto, visa atender ao comando constitucional de que a alíquota do ITR deve ser progressiva de modo a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (art. 153, § 4°, I). Ora, não se pode dizer que uma área declarada de interesse ecológico possa ser considerada improdutiva porque não foi explorada economicamente. Assim, em conclusão, penso que não há área a ser excluída para fins de apuração da base tributável do imóvel, porém, para fins de definição da área aproveitável do imóvel, devese considera apenas os valores declarados como área efetivamente utilizada. Deve ser mantida a autuação, portanto, apenas quanto à área tributável, mas quanto à alíquota a ser aplicada, devese considerar o percentual mínimo, conforme consta da DITR apresentada pela Contribuinte. Ou seja, verificase que o acórdão recorrido fundamentou a sua decisão em interpretação dada ao art. 10, § 1º, inciso IV da lei n° 9.393, de 1996, que define área aproveitável para fins de apuração do ITR. Por seu turno, o acórdão paradigma apreciou a questão da exclusão de área de interesse ecológico para fins de incidência de ITR, com fulcro no art. 10, § 1º, inciso II da lei n° 9.393, de 1996. Assim sendo, saliento que a divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. FIXAÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA. 1. A majoração do quantum indenizatório a título de dano moral é medida excepcional e sujeita a casos específicos em que for constatada condenação ao pagamento de valor irrisório, o que não ocorre nos autos. Precedentes. 2. A divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, embora idênticos os fatos que as ensejaram, o que não ocorre in casu. (GRIFEI) 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1092014 / RSAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02006846, Relator Desembargador convocado do TJ/AP HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO, DJe 02/09/2009) DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSTRIÇÃO PATRIMONIAL. REQUISITOS AUTORIZADORES DA MEDIDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I Hipótese em que os agravantes tiveram constrição patrimonial decretada em face de pedido do Ministério Público em Ação Civil Pública tendente a apurar irregularidades em certames licitatórios. II Alegam os recorrentes que existem discrepâncias entre o acórdão recorrido, que reconheceu a possibilidade da constrição patrimonial, e decisão deste Tribunal Superior sobre matéria similar. III A escorreita demonstração de dissídio jurisprudencial requer não apenas o apontamento de decisões díspares prolatadas por Tribunais diversos, mas antes de tudo que se verifique que as decisões conflitantes se deram ante a interpretação do mesmo dispositivo de lei federal. (GRIFEI) IV Se, como no caso dos autos, Tribunais diversos divergem apenas quanto a quais fatos configurariam o fumus boni iuris e o periculum in mora, não há interpretação divergente de dispositivos legais. V Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1120568 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2008/02422717, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 10/06/2009) Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. Só se configura a divergência entre julgados quando existem interpretações diferentes do mesmo dispositivo legal aplicado a situações semelhantes. Recurso especial não conhecido” (Acórdão CSRF/0202.128, Relator: conselheiro Antonio Carlos Atulim) “NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10215.000498/200308 Acórdão n.º 9202002.481 CSRFT2 Fl. 10 7 teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. (...)” (Acórdão nº 920200.003, Relator: conselheiro Elias Sampaio Freire) Destarte, há de se concluir que, para a devida demonstração do alegado dissídio jurisprudencial é necessário que haja interpretação diversa emprestada ao mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu no presente caso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.002963/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.
A RJ aplicou o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, para os fatos geradores ocorridos nos períodos dos três primeiros trimestres de 2001, uma vez que a autuação foi cientificada em 22/12/2006. Isso porque, considerando que houve recolhimento a menor dos tributos, a DRJ acabou aplicando o entendimento sufragado pelo STJ, que em seu Recurso Especial n° 973.733/SC, Min. Relator Luiz Fux, Publicado em 18/09/2009, entendeu pela
aplicação do prazo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, contando o prazo decadencial a partir da data do fato gerador.
INSUSTENTABILIDADE DO LANÇAMENTO. RECONHECIMENTO.
Existindo receitas tributadas em 2001 e não tributadas nesse mesmo ano, decorrente de vendas a prazo já tributadas em 2000, não poderia a fiscalização tomá-las como tudo como receita e tributar as receitas já tributadas novamente.
Não poderia haver omissão de Receita se da análise dos demonstrativos se considerados todos os recursos que efetivamente foram percebidos pelo contribuinte chega-se a conclusão que as origens superam as aplicações.
A fiscalização apurou omissão de receita, porém deveria considerar todos os recursos disponíveis apresentados pela empresa, o que não foi feito, não rebatendo, inclusive, os fundamentos do contribuinte quando demonstrou que possuía vendas a prazo, aplicações, créditos bancários etc.
Não é admissível que em apuração de fluxo financeiro possam ser
desconsiderados recursos efetivamente percebidos pela empresa, a fim de computá-los no quadro de "Recursos Disponíveis”.
PIS E COFINS. REFLEXOS.
Quanto aos lançamentos relativos ao Pis e Cofins, por se tratarem de reflexos da apuração da infração quanto ao IRPJ e a CSLL, não há como acolher a tese da omissão de receita apresentada pela fiscalização.
PAGAMENTO SEM CAUSA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA FRENTE AO SALDO EM CAIXA.
Não há lógica em considerar que no mês de julho de 2001, em razão de recursos superiores a aplicações, teria sido feito pagamentos sem causa, pois havia saldo positivo para cobrir a pequena diferença identificada, vez que a disponibilidade de caixa.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.701
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao Recurso de Ofício.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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RECONHECIMENTO. A RJ aplicou o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, para os fatos geradores ocorridos nos períodos dos três primeiros trimestres de 2001, uma vez que a autuação foi cientificada em 22/12/2006. Isso porque, considerando que houve recolhimento a menor dos tributos, a DRJ acabou aplicando o entendimento sufragado pelo STJ, que em seu Recurso Especial n° 973.733/SC, Min. Relator Luiz Fux, Publicado em 18/09/2009, entendeu pela aplicação do prazo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, contando o prazo decadencial a partir da data do fato gerador. INSUSTENTABILIDADE DO LANÇAMENTO. RECONHECIMENTO. Existindo receitas tributadas em 2001 e não tributadas nesse mesmo ano, decorrente de vendas a prazo já tributadas em 2000, não poderia a fiscalização tomálas como tudo como receita e tributar as receitas já tributadas novamente. Não poderia haver omissão de Receita se da análise dos demonstrativos se considerados todos os recursos que efetivamente foram percebidos pelo contribuinte chegase a conclusão que as origens superam as aplicações. A fiscalização apurou omissão de receita, porém deveria considerar todos os recursos disponíveis apresentados pela empresa, o que não foi feito, não rebatendo, inclusive, os fundamentos do contribuinte quando demonstrou que possuía vendas a prazo, aplicações, créditos bancários etc. Não é admissível que em apuração de fluxo financeiro possam ser desconsiderados recursos efetivamente percebidos pela empresa, a fim de computálos no quadro de "Recursos Disponíveis”. PIS E COFINS. REFLEXOS. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.207 2 Quanto aos lançamentos relativos ao Pis e Cofins, por se tratarem de reflexos da apuração da infração quanto ao IRPJ e a CSLL, não há como acolher a tese da omissão de receita apresentada pela fiscalização. PAGAMENTO SEM CAUSA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA FRENTE AO SALDO EM CAIXA. Não há lógica em considerar que no mês de julho de 2001, em razão de recursos superiores a aplicações, teria sido feito pagamentos sem causa, pois havia saldo positivo para cobrir a pequena diferença identificada, vez que a disponibilidade de caixa. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) FRANCISCO SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Cristiane Silva Costa e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratamse de lançamentos fiscais realizados pelo fisco federal, que cobra da empresa contribuinte Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.686.208,60, fls. 920/925, contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 143.032,82, fls. 926/932, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 660.152,45, fls. 933/939, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 236.211,53, fls. 940/945, e Imposto de Renda Retido na Fonte — IRF, no valor de R$ 546.545,71, fls. 946/949, relativos ao ano calendário de 2001. Nos termos do Termo de Verificação Fiscal de fls. 911/919 a acusação fiscal está assim descrita: "1) A contribuinte apresentou sua declaração de informações econômicofiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2002, no ano calendário de 2001, tendo como forma de tributação do Lucro: o Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.208 3 LUCRO PRESUMIDO, com apuração trimestral. Assinalando ainda na ficha 47 B — Outras Informações que a escrituração foi através do Livro Caixa. (...) 4) A seguir, utilizandose das planilhas do LUCRO PRESUMIDO — Levantamento do Fluxo Financeiro, das Informações e do Livro Caixa fornecidos pela contribuinte, montamos o ANEXO I — DEMONSTRATIVO DO FLUXO DE CAIXA POR TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2001 (fls. 899 a 906), onde foram reunidos todos os recursos financeiros disponíveis e aplicados no período, apurando então na linha 34 a sobra/insuficiência de recursos financeiros para cobrir aplicações do período, resumido abaixo, pelos totais, como segue: (...) No ANEXO I — DEMONSTRATIVO DO FLUXO DE CAIXA POR TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2001, FOI CONSIDERADO COMO (+)Receitas Brutas, no item 02 dos Recursos Financeiros Disponíveis, apenas os valores lançados na declaração de IRPJ/2002, anocalendário de 2001, correspondente a receita reconhecida, pelo regime de caixa pela contribuinte, para fins tributários; 5) Em seguida, apresentamos a contribuinte o ANEXO I — DEMONSTRATIVO DO FLUXO DE CAIXA POR TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2001, composto de 8(oito) folhas. E INTIMAMOS a contribuinte a esclarecer as diferenças negativas, apresentadas nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, correspondentes a insuficiência de recursos disponíveis em relação aos recursos aplicáveis. E a esclarecer a diferença positiva, apresentada no mês de julho, correspondente a sobra de recursos disponíveis em relação aos recursos aplicáveis; 6) A contribuinte apresentou seus esclarecimentos em 30/11/2006, discordando do critério adotado por esta fiscalização, alegando ter conhecimento que ao saldo inicial de regime de competência devem ser acrescidos os faturamentos (vendas a prazo) do regime de competência e conseqüentemente subtrair o saldo final, tendo como resultado o valor recebido de Duplicatas de Clientes. No caso da Avanço S/A., analisando o mês de janeiro/2001, encontramos o recebimento do fato gerador de janeiro/2001 mais os valores de duplicatas emitidas até 31/12/2000, isto porque, ate 31/12/2000 era Lucro Real e a partir de 01/01/2001, Lucro Presumido — Regime de Caixa; Em face desse procedimento por parte desta fiscalização, o resultado de entradas de caixa fica totalmente distorcido. Notou que nos Demonstrativos de Recursos Aplicados, esta fiscalização adotou o saldo inicial da conta fornecedores pelo Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.209 4 regime de competência, mais os acréscimos de compras pelo regime de competência e o saldo final pelo regime de competência, obtendo como resultado os pagamentos de fornecedores do período de até 31/12/2000 e de janeiro/2001, o que difere do processo adotado no Demonstrativo de Recursos Disponíveis (fls. 907); 7) Embora a contribuinte discorde do critério adotado por esta fiscalização, uma vez que, foi considerado como Receita Bruta, somente o reconhecido pela contribuinte na declaração IRPJ/2002, ano calendário de 2001, com base nos dados apurados no ANEXO I — DEMONSTRATIVO DO FLUXO DE CAIXA POR TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2001, apuramos as seguintes irregularidades, como segue: 7.1) OMISSÃO DE RECEITAS — APLICAÇÕES SUPERIORES ÀS ORIGENS: De acordo com o demonstrativo, estamos efetuando o lançamento referente às diferenças negativas apuradas nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2001, abaixo resumidas; 7.2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO: De acordo com o mesmo demonstrativo, estamos efetuando o lançamento referente à diferença positiva apurada no mês de julho de 2001, abaixo resumida: Com base no artigo 725 do RIR/99, estamos reajustando a base de cálculo do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, uma vez que fica caracterizado que a fonte pagadora assumiu o ônus do imposto devido pelo beneficiário, sendo considerada líquida a diferença apurada acima de R$ 380.311,56, ficando então o valor reajustado assim: (...) 8) Ante ao exposto e considerando: A) Em relação ao item 7.1 acima, APLICAÇÕES SUPERIORES ÀS ORIGENS, que o excesso de dispêndios em relação aos recursos auferidos, caracteriza presunção legal de OMISSÃO DE RECEITAS, nos termos dos artigos 281 a 288 e 528 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26/03/1999; e B) Em relação ao item 7.2 acima, PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, que os recursos auferidos maiores que as aplicações, sem os esclarecimentos específicos do destino, foram presumidamente utilizados como PAGAMENTO SEM CAUSA/BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, nos termos do artigo 674 do Regulamento do Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.210 5 Imposto de Renda — RIR/99, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26/03/1999. Está sendo lavrado AUTO DE INFRAÇÃO para a cobrança do crédito tributário devido à Fazenda Nacional, do Imposto de Renda, sendo aplicada o coeficiente de 32% na apuração da base de cálculo, além dos seus reflexos, sendo: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e do Imposto de Renda exclusivamente na Fonte à alíquota de 35%." Vejamos as transcrições dos argumentos de defesa nos enunciados do relatório da DRJ: Devidamente intimado do lançamento, apresentou impugnação, alegando que fez opção, no anocalendário de 2001, pelo lucro presumido, sujeitandose ao regime de caixa. Por conseqüência, na DIPJ/2002 apenas foram declarados os valores relativos a receitas tributáveis auferidas no período — vale dizer, a receitas entradas por trimestre (em especial decorrentes de venda de mercadorias e serviços, variações cambiais e ganhos de capital), as quais foram oferecidas à tributação no período. Ocorre que, até o anocalendário de 2000 a empresa optou pela tributação com base no lucro real e manteve contabilidade detalhada acerca de todas as receitas e aplicações de recursos financeiros realizados no anocalendário de 2001, essa constante de balanço patrimonial, livros contábeis e diversos outros documentos que atestam com exatidão todo o fluxo de caixa verificado no período. A despeito disso, na DIPJ/2002 constam apenas as informações pertinentes especificamente ao regime de caixa decorrente da tributação pelo lucro presumido. Em síntese, em sua apuração o autuante apenas considerou os dados constantes da DIPJ/2002, adotando como critério (para confronto das entradas e saídas de receitas do período), apenas as entradas tributáveis constantes da aludida Declaração. No entanto, a Impugnante auferiu diversas outras receitas, em monta elevada, não tributáveis em 2001 ou já tributadas em 2000 (e, portanto, não constantes da DIPJ/2002), todas devidamente escrituradas e com apoio legal na contabilidade mantida pela empresa, a qual foi disponibilizada sem qualquer restrição ao Sr. Agente Fiscal. Assim, as diferenças identificadas pela fiscalização ocorreram por força da mudança do sistema de tributação do lucro real para o lucro presumido (ocorrido do anocalendário de 2000 para o de 2001) e, conseqüentemente, do regime de competência para o regime de caixa, conforme esclarecido ao Sr. Agente Fiscal (e por ele desconsiderado). Em suma, parte dos recursos aplicados no anocalendário de 2001 tem como origem entradas não tributadas e, em especial, entradas relativas a vendas de mercadorias e prestação de Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.211 6 serviços realizados em período pretérito (vendas financiadas), cujos valores correspondentes já haviam sido oferecidos à tributação até o final de 2000, em decorrência do regime de competência a que se sujeitava. Com efeito, pela especificidade de suas operações, a Impugnante realiza permanentemente vendas financiadas de teares. Por tal razão, estando sujeita ao regime de competência até o final do anocalendário de 2000, a contribuinte, quando da emissão das respectivas faturas, já oferecia os valores totais das vendas à tributação. Posteriormente, as receitas das vendas ingressava de forma fracionada, mês a mês — daí a razão pela qual diversos ingressos de 2001 guardam relação a vendas de 2000 (entradas já tributadas). Notase que o anobase de 2000 encerrouse com saldo de R$ 9.055.652,83, relativo a receitas a serem recebidas de clientes em momentos futuros. Nesse sentido, a contribuinte acosta planilha que demonstra o ingresso de tais recursos (já tributados) ao longo dos anos seguintes, com indicação mês a mês, fls. 1038/1039. E forçoso verificar, portanto, que ingressou efetivamente no caixa da empresa, no anocalendário de 2001, o montante de R$ 5.969.924,72, relativo a vendas anteriores, pactuadas até 31/12/2000, quando a Impugnante sujeitavase ao regime de competência. Assim, tratamse de entradas já tributadas até o ano de 2000. Posto isso, a Impugnante acosta à presente defesa planilha que relaciona detalhadamente os recursos disponíveis em 2001, fls. 1041/1043. Notase que a planilha aponta todas as receitas auferidas neste ano, mês a mês (com subtotais relativos a cada trimestre), dela constando todas as entradas tributáveis e não tributáveis no período. No que se refere às entradas tributáveis, referemse, como consta do aludido documento, a vendas de mercadorias e prestação de serviços, variações cambiais ativas e demais receitas e ganhos de capital auferidos no anocalendário de 2001. Já no que respeita às entradas não tributáveis, subdividemse entre receitas não sujeitas à tributação em 2001 e outras já tributadas até 2000. As primeiras (indicadas como "receitas não tributáveis — 2001") são decorrentes de adiantamentos de clientes, financiamentos bancários (em especial obtidos junto ao FINAME), reembolso de juros por repasse de financiamento do BNDEs, dentre outras receitas não sujeitas à tributação no anocalendário de 2001, por força da legislação vigente. Todas as aludidas receitas foram devidamente contabilizadas nos Livros próprios mantidos pela empresa, em especial no caixa, e totalizam o montante de R$ 6.990.447,36. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.212 7 Já o segundo campo (indicado como ".entradas de vendas de mercadorias e serviços — já tributadas até 2000") referese justamente às entradas dos pagamentos fracionados realizados por clientes (por conta das vendas parceladas celebradas até o final de 2000; tais receitas totalizaram o valor de R$ 5.969.924,72). Portanto, a soma dos dois campos acima totaliza R$ 12.960.372,08, correspondentes às entradas não tributáveis em 2001. Justamente esse o ponto que originou o equívoco no qual incorreu o Sr. Agente Fiscal. Conforme se denota do Termo de Verificação Fiscal foram consideradas apenas as entradas tributáveis verificadas em 2001 que somam R$ 12.744.339,95 (DIPJ/2002). Todavia, somandose todas as entradas tributáveis e não tributáveis, o valor total de recursos financeiros disponíveis em 2001 foi de R$ 25.704.712,03. Assim, atendose o Sr. Agente Fiscal à análise da DIPJ/2002, embasou todo o trabalho fiscal em critério absolutamente equivocado, desconsiderando praticamente metade das receitas ingressadas no caixa da Impugnante no exercício sob análise. E certo que, considerandose todas as entradas de recursos ocorridas no anocalendário de 2001 há suficiência plena de recursos para cobertura das aplicações realizadas no mesmo período. Para comprovar o alegado, a Impugnante também acosta à presente defesa planilha que demonstra os recursos financeiros aplicados em 2001, fls. 1045/1046. Tratamse de despesas com fornecedores, importações, comissões sobre vendas, folha de pagamentos, tributos, serviços tomados (públicos e de terceiros), aluguéis e leasing, amortização de empréstimos e financiamentos, propaganda, dentre outros. Do confronto das duas planilhas, de recebimentos e aplicações de recursos, concluise que os ingressos de recursos somaram R$ 25.704.712,03, enquanto os recursos aplicados totalizaram R$ 23.276.294,62. Não há, portanto, a insuficiência de recursos apontada pelo Sr. Agente Fiscal. A Impugnante anexa, ainda, quadro que demonstra com exatidão o fluxo de caixa da empresa em 2001, fls. 1048/1049. Impende esclarecer, por oportuno, que os valores indicados como "baixa de clientes por adiantamento" referemse a adiamentos de pedidos — nesses casos, a Impugnante, por ocasião da venda efetiva, oferecia a receita à tributação; mas o abatimento em tela se da porque a receita, na realidade, já havia entrado em caixa anteriormente, por força do aludido adiantamento possível verificar, da análise do quadro em questão, fls. 1048/1049, que a, disponibilidade inicial de recursos da Impugnante (equivalente a 31/12/2000) era de R$ Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.213 8 950.204,20. Analisando o fluxo de caixa de todos os meses do ano de 2001, constatase que nunca houve saldo negativo. Na maior parte dos meses, notase que a Impugnante auferiu recebimentos superiores aos pagamentos efetuados; e mesmo nos demais, em que os pagamentos superaram os recebimentos, sempre havia caixa suficiente para cobrir a diferença verificada. Ou seja, resta comprovado, sem qualquer dúvida, que nunca houve o estouro de caixa cogitado pelo Sr. Agente Fiscal. Vale ressaltar que nem seria cabível a qualquer empresa do porte da Impugnante apresentar em todos os meses do mesmo exercício estouros de caixa em montantes tão elevados quanto os cogitados pela fiscalização. A fim de comprovar tal alegação, a Impugnante requer a juntada de cópias do aludido Livro Caixa, por amostragem, apenas relativas aos meses de janeiro a março de 2001, para que se constate que as informações constantes das planilhas conferem com aquelas oficializadas no Livro, fls. 1051/1083. A Impugnante ainda acosta dois outros quadros detalhados que refletem a escrituração realizada no Livro Caixa em todos os meses de 2001, com especificação mais pormenorizada dos recursos financeiros recebidos no período, fls. 1085/1096, e daqueles gastos no ano, fls. 1098/1107. A Impugnante também anexa à presente cópia do balanço patrimonial encerrado em 31/12/2001, fls. 1109/1115, onde constam as demonstrações financeiras do período. Notase que consta do aludido balanço que a disponibilidade de recursos da impugnante em 31/12/2000 era efetivamente de R$ 950.204,20. Do mesmo modo, consta do campo "direitos realizáveis" o já citado saldo a receber de clientes de 31/12/2000 de R$ 9.055.652,83. No mês de julho de 2001 concluiu o Sr. Agente Fiscal que havendo recursos superiores a aplicações, supostamente sem esclarecimentos específicos acerca do destino da diferença, teria sido "presumidamente utilizada como pagamento sem causa para beneficiário não identificado". Mostrase absolutamente descabida tal exigência, uma vez que não há qualquer prova e nem mesmo indício que possa levar à presunção de ter ocorrido pagamento a beneficiário não identificado. Na realidade, como se denota dos documentos acostados à presente, naquele mês de julho, os recursos financeiros efetivamente auferidos totalizam o valor de R$ 3.043.751,58. Os pagamentos do mês somaram R$ 3.076.086,14. Havia, sem qualquer dúvida, saldo positivo para cobrir a pequena diferença identificada, vez que a disponibilidade de caixa, em 30/06/2001, era de R$ 724.106,03, conforme atesta a planilha de fls. 1098. A fim de que não restem dúvidas sobre o alegado, a Impugnante anexa as cópias do Livro Caixa, relativas Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.214 9 ao mês de julho de 2001, que refletem os dados constantes das citadas planilhas, fls. 1117/1129. Desta feita, não há razão que sustente, de forma alguma, a acusação de que a Impugnante teria promovido pagamento a beneficiário não identificado. Impende salientar que a aludida presunção sequer encontra apoio em indício concreto apontado, baseandose em mera suposição do Sr. Agente Fiscal. Ainda que os valores por ele apurados encontrassem veracidade, o que se admite apenas por argumentação, ainda assim não seria cabível que, identificando saldo positivo em dado mês do exercício fiscalizado, pudesse supor, sem qualquer outro elemento adicional que a diferença tivesse correspondido a pagamento a beneficiário não identificado. Ainda, especificamente no que tange ao débito de IRPJ, o Sr. Agente Fiscal apurou a base de cálculo do imposto empregando o percentual de 32%. Ocorre que, por força dos arts. 518 e 519 do RIR/99, a base de cálculo deve ser apurada pelo percentual de 8%. Ora, a Impugnante é empresa notadamente comercial, tendo por principal atividade a indústria e o comércio de máquinas têxteis (teares). E certo que realiza atividade de prestação de serviços em menor proporção, em especial de assistência técnica, o que não descaracteriza sua qualidade de empresa comercial. Não pode, portanto, a fiscalização tomála como se fosse empresa prestadora de serviços, tampouco presumir que toda a suposta omissão de receitas decorreria de prestação de serviços, empregando sobre todas as diferenças apuradas o percentual de 32%, o que implica em evidente nulidade. Outro vicio a macular de nulidade o lançamento fiscal é a aplicação da alíquota de 8% quando do cálculo da CSLL ao invés da de 9%. Por fim, requer o contribuinte o cancelamento das multas aplicadas, todas apuradas no percentual de 75% sobre os valores principais calculados a titulo de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRF, por seu caráter notadamente confiscatório, em violação ao art. 150, inciso IV, da CF/88, bem como aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Desta feita, restando afastada a presunção em questão, vez que foi completamente elidida pelas provas ora produzidas, evidenciase a improcedência das autuações lavradas a título de IRPJ e de tributos reflexos, todas embasadas nos mesmos fundamentos, os quais não mais se sustentam diante do alegado e comprovado na presente defesa. A DRJ julgou improcedente os lançamentos, conforme voto abaixo transcrito: Na realidade, como se denota dos documentos acostados à presente, naquele mês de julho, os recursos financeiros Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.215 10 efetivamente auferidos totalizam o valor de R$ 3.043.751,58. Os pagamentos do mês somaram R$ 3.076.086,14. Havia, sem qualquer dúvida, saldo positivo para cobrir a pequena diferença identificada, vez que a disponibilidade de caixa, em 30/06/2001, era de R$ 724.106,03, conforme atesta a planilha de fls. 1098. A fim de que não restem dúvidas sobre o alegado, a Impugnante anexa as cópias do Livro Caixa, relativas ao mês de julho de 2001, que refletem os dados constantes das citadas planilhas, fls. 1117/1129. Desta feita, não há razão que sustente, de forma alguma, a acusação de que a Impugnante teria promovido pagamento a beneficiário não identificado. Impende salientar que a aludida presunção sequer encontra apoio em indicio concreto apontado, baseandose em mera suposição do Sr. Agente Fiscal. Ainda que os valores por ele apurados encontrassem veracidade, o que se admite apenas por argumentação, ainda assim não seria cabível que, identificando saldo positivo em dado mês do exercício fiscalizado, pudesse supor, sem qualquer outro elemento adicional que a diferença tivesse correspondido a pagamento a beneficiário não identificado. Ainda, especificamente no que tange ao débito de IRPJ, o Sr. Agente Fiscal apurou a base de cálculo do imposto empregando o percentual de 32%. Ocorre que, por força dos arts. 518 e 519 do RIR/99, a, base de cálculo deve ser apurada pelo percentual de 8%. Ora, a Impugnante é empresa notadamente comercial, tendo por principal atividade a indústria e o comércio de máquinas têxteis (teares). E certo que realiza atividade de prestação de serviços em menor proporção, em especial de assistência técnica, o que não descaracteriza sua qualidade de empresa comercial. Não pode, portanto, a fiscalização tomála como se fosse empresa prestadora de serviços, tampouco presumir que toda a suposta omissão de receitas decorreria de prestação de serviços, empregando sobre todas as diferenças apuradas o percentual de 32%, o que implica em evidente nulidade. Outro vício a macular de nulidade o lançamento fiscal é a aplicação da alíquota de 8% quando do cálculo da CSLL ao invés da de 9%. Por fim, requer o contribuinte o cancelamento das multas aplicadas, todas apuradas no percentual de 75% sobre os valores principais calculados a titulo de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRF, por seu caráter notadamente confiscatório, em violação ao art. 150, inciso IV, da CF/88, bem como aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Desta feita, restando afastada a presunção em questão, vez que foi completamente elidida pelas provas ora produzidas, evidenciase a improcedência das autuações lavradas a titulo de IRPJ e de tributos reflexos, todas embasadas nos mesmos Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.216 11 fundamentos, os quais não mais se sustentam diante do alegado e comprovado na presente defesa. Na hipótese dos autos, o contribuinte optou no anocalendário de 2001, pela tributação com base no lucro presumido, sendo ora analisada a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos até setembro de 2001, portanto, alcançando os três primeiros trimestres, uma vez que a autuação foi cientificada em 22/12/2006 (fls. 923 e 943). Assim, como a exigência somente foi formalizada após o transcurso de cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores, para os quais foi declarado imposto devido (ver DIPJ/2002, fichas 14A e 18A, fls. 13/16), e efetuados recolhimentos, conforme pesquisa no Sistema SINAL08, 1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), fls. 1165/1178, os aludidos períodos de apuração já haviam sido alcançados pelo prazo extintivo do direito em questão, não havendo como deixar de admitir que os lançamentos do IRPJ e da CSLL não podem prevalecer quanto àqueles períodos, posto que na data da lavratura dos autos de infração, se achava decaído o direito de constituir o crédito tributário, a teor do que dispõe o artigo 150, §4°, do CTN. Em função do exposto, voto por reconhecer a preliminar de decadência aplicável aos lançamentos do IRPJ e da CSLL, quanto aos primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2001. Com relação ao lançamento do IRRF — "Pagamento a beneficiário não identificado" também o fisco incorreu na decadência prevista no art. 150, § 4° do CTN. Sendo o IRF um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o fisco decai do direito de fazer qualquer procedimento de oficia após ocorridos cinco anos contados do fato gerador, se não houver registro de dolo, fraude ou simulação Desses Moda, como o fato gerador do tributo ora exigido ocorreu em julho de 2001, o fisco teria até julho de'2006 para proceder ao lançamento de oficio. Entretanto, a ciência do auto de infração ocorreu em 22/12/2006, fls. 948, após o prazo decadencial. Desse modo, ao formalizar a exigência do IRRF — "Pagamento a beneficiário não identificado" o fisco já havia decaído do direito de lavrar o auto de infração de fls. 946/949. Com relação às contribuições para o PIS e COFINS, período de apuração mensal, cabem as mesmas conclusões relativas ao IRPJ e CSLL, relativamente aos fatos geradores mensais ocorridos anteriormente a dezembro de 2001, porquanto verificase pela pesquisa no já citado Sistema SINAL08, fls. 1179/1183, que o contribuinte recolheu aquelas exações para os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2001. Portanto, como os autos de infração só foram cientificados ao contribuinte em 22/12/2006 (fls. 930 e 937), voto por reconhecer a preliminar de decadência aplicável aos lançamentos do PIS e Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.217 12 da Cofins, quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2001. Passo, pois, à análise de apuração de omissão de receitas para o IRPJ e CSLL, no 4° trimestre de 2001, e para as contribuições ao PIS e Cofins, fato gerador de dezembro de 2001. Inicialmente, cabe assinalar que a análise do fluxo de origens e aplicações de recursos é um instrumento de auditoria que evidencia as variações ocorridas no caixa da empresa. Por meio de uma análise completa dos fluxos, apoiada em documentos contábeis e fiscais, é possível quantificar as fontes de recursos financeiros e as destinações que lhes foram dadas. Se o demonstrativo englobar todos os elementos que devem ser levados em conta nesse tipo de análise e se os registros contábeis da empresa estiverem corretos, o somatório das origens de recursos num dado período não deve ser inferior ao somatório das aplicações no mesmo período. Uma vez verificado, mediante a reconstituição do fluxo financeiro do contribuinte, que o dispêndio de recursos superou os valores das disponibilidades contabilizadas, caberia presumir a ocorrência da omissão de receita se o contribuinte, depois de intimado a esclarecer a divergência apurada, deixasse de fazê lo. Entretanto, entendo que no presente caso o procedimento adotado pela fiscalização revelouse inconsistente. Vejamos. Com o Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 09/10 o contribuinte foi intimado a preencher as planilhas, mês a mês, dentro do anocalendário de 2001: LUCRO PRESUMIDO — LEVANTAMENTO DO FLUXO FINANCEIRO — A) RECURSOS FINANCEIROS DISPONÍVEIS NO PERÍODO E B) RECURSOS FINANCEIROS APLICADOS NO PERÍODO. Constam dos autos documentos de emissão da empresa, apresentados no curso da ação fiscal, anexos às fls. 98/232, que especificam diaadia os totais de recebimentos efetivamente percebidos no mês, que podem ser classificados como "Receita Tributável — 2001" (locação, máquinas, peças, assistência técnica, comissão, exportação, imobilizado, rendimentos de aplicação, remuneração de cobrança, reajuste, sucata, variação cambial, juros....), "Receita Não Tributável — 2001" e "Receitas decorrentes de vendas e/ou prestação de serviços já tributados até 2000". Às fls. 257 a empresa demonstra, mensalmente, os recursos financeiros disponíveis em 2001, num total de R$ 25.704.712,03 no ano [Entradas Tributáveis + Entradas Não Tributáveis 2001 + Entradas de Vendas de Mercadorias e Serviços já Tributadas até 2000]. Às fls. 258 o contribuinte demonstra os "DADOS BASE DE CALCULO DIPJ LUCRO PRESUMIDO — REGIME DE CAIXA — PERÍODO BASE: 2001", com receita no montante de R$ 12.270.140,21. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.218 13 Às fls. 261 o contribuinte demonstra, mêsamês, os "Recursos Financeiros Aplicados em 2001", que montam em R$ 23.276.294,62. Com o Termo de Intimação Fiscal de fls. 897/898 o contribuinte foi intimado a esclarecer a motivação da apuração de diferenças negativas entre os recursos aplicados e os disponíveis para meses do anocalendário de 2001. Neste termo o agente fiscal explicita que: "Informamos ainda, que foram consideradas como (+) Receita Bruta, no quadro dos Recursos Financeiros Disponíveis no período, os valores lançados na DIPJ/2002 ,a nocalendário de 2001, mês a mês, como base de cálculo do PIS, discriminados na ficha 19." Em resposta o contribuinte asserta que nos demonstrativos elaborados pela fiscalização não foram considerados os faturamentos decorrentes de vendas a prazo efetivadas até dezembro/2000, período em que era tributado pelo lucro real. Acrescenta, que, "ao Saldo Inicial de regime de competência devem ser acrescidos os faturamentos (vendas a prazo) do regime de competência e conseqüentemente subtrair o Saldo Final, tendo como resultado o valor recebido de Duplicatas de Clientes". Em relação ao questionamento acima a fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de fls. 911/919 assim se reporta: 7) Embora a contribuinte discorde do critério adotado por esta fiscalização, uma vez que, foi considerado como Receita Bruta, somente o reconhecido pela contribuinte na declaração de IRPJ/2002, ano calendário de 2001, com base nos dados apurados no ANEXO I — DEMONSTRATIVO DO FLUXO DE CAIXA POR TRIMESTRE DO ANO CALENDÁRIO DE 2001, apuramos as seguintes irregularidades, como segue: 7.1) OMISSÃO DE RECEITAS — APLICAÇÕES SUPERIORES às ORIGENS. 7.2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO: Com efeito, conforme se verifica da análise dos autos, a fiscalização apontou como "Receita Bruta" em seus demonstrativos de fls. 899, 901, 903 e 905 apenas aquela que foi declarada na DIPJ/2002. No curso da fiscalização, em resposta à intimação fiscal, o contribuinte apresenta provas de que suas receitas percebidas se compunham, também, de "receitas não tributadas" e "receitas já tributadas até o anocalendário de 2000", apresentando à fiscalização o documentário de fls. 98/232, que de forma clara demonstra a apuração, diaadia, dessas receitas. No entanto, a fiscalização decide por não considerar, em sua apuração, referidas receitas sem, contudo, efetivar qualquer Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.219 14 comentário sobre a motivação que respaldasse sua decisão. Simplesmente relata a justificativa do contribuinte sem sobre esta fazer qualquer comentário. Nesse passo, forçoso se concluir que as receitas citadas pelo contribuinte são efetivas, ou seja, foram efetivamente percebidas, haja vista que sobre elas a fiscalização não emite qualquer contestação; simplesmente não as considera. Da análise dos demonstrativos de "Recursos Financeiros Disponíveis no Período", fls. 899, 901, 903 e 905, é de se concluir que não há sentido em se confrontar os valores contidos nos campos "saldo inicial de valores a receber no período () saldo final de valores a receber no período" sem que ao primeiro sejam somados todos os recebimentos efetivamente percebidos pela empresa no período. O procedimento adotado pela fiscalização se apresenta tão inconsistente que no mês de janeiro de 2001 foi apurado saldo negativo no próprio demonstrativo de "Recursos Financeiros Disponíveis no Período", fls. 899; como se iniciar com uma disponibilização de recursos negativa no caixa, mesmo antes de confrontála com as aplicações efetuadas no mês? Para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2001, períodos que estão sob apreciação no presente voto, o contribuinte comprova que percebeu as seguintes receitas (ressalvese que estas não foram questionadas pela fiscalização): (...) No entanto, no campo "Receita Bruta" do demonstrativo de fls. 905 a fiscalização considerou somente as receitas declaradas na DIPJ/2002: (...) O lançamento com base no demonstrativo do fluxo financeiro decorre de presunção, uma vez que o excesso de dispêndio fruto de discrepância entre desembolso e aplicação de recursos, afastada a hipótese de erros, somente pode se justificar pela omissão de receitas. Partindose da premissa de que os dados incluídos no demonstrativo de fluxo financeiro são confiáveis, confirmados nos documentos e escrituração, qualquer diferença no demonstrativo que revele desembolsos superiores aos recursos faz aflorar a presunção de que no adimplemento desse dispêndio a descoberto foram usadas receitas omitidas. Assim, a partir da comprovação de um fato diretamente provado (excesso de dispêndio/aplicação) reconhecese a ocorrência de outro fato indiretamente provado (omissão de receitas). No caso, se considerados todos os recursos que efetivamente foram percebidos pelo contribuinte, conforme docs. acostados às fls. 198/232, constatase, ao contrário, que as origens superam as aplicações. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.220 15 Sendo assim, cuidado especial deve ser tomado pela fiscalização, no campo das provas, ao presumir a ocorrência do fato gerador com base nas planilhas de fluxos financeiros em que as origens não coincidem com as aplicações. Há que se demonstrar a relação de causalidade entre os indícios e o fato gerador presumido, no caso a omissão de receitas, com base em evidências concretas, levando em conta a contabilidade do contribuinte. Aqui a fiscalização apurou omissão de receitas, sem, contudo, considerar todos os recursos disponíveis apresentados pela empresa, e, sem justificar a motivação para tal decisão, o que a meu ver fragiliza sobremaneira a apuração fiscal. Com efeito, não é admissível que em apuração de fluxo financeiro possam ser desconsiderados recursos efetivamente percebidos pela empresa, a fim de computálos no quadro de "Recursos Disponíveis”. À vista da apuração efetivada nos presentes autos, concluo que o procedimento adotado pela fiscalização não traduz a necessária adequação técnica e consistência material para apontar com precisão e certeza a ocorrência do fato gerador do imposto. Assim os lançamentos do IRPJ e CSLL, para o 4° trimestre de 2001, devem ser considerados improcedentes e tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo interessado na peça impugnatória. Quanto aos lançamentos relativos à contribuição para o PIS e Cofins, verificase que eles constituem mera decorrência da apuração da infração que ensejou o lançamento principal. Em conseqüência, igual sorte colhe os lançamentos dele decorrentes, devendo ser considerados também improcedentes. Por todo o exposto, voto por, em preliminar, reconhecer a ocorrência de decadência para os lançamentos de IRPJ e CSLL, 1°, 2° e 3° trimestre de 2001, lançamento de IRF, fato gerador de julho de 2001, e para os lançamentos de PIS e Cofins, fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2001, e, no mérito, julgar improcedentes os lançamentos de IRPJ e CSLL, 4° trimestre de 2001, e os lançamentos de PIS e Cofins, fato gerador de dezembro de 2001. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso de ofício atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.221 16 Quanto ao mérito, entendo que a decisão da DRJ não merece reparos. Vejamos: A) DECADÊNCIA Constou a seguinte descrição na decisão da DRJ quanto à decadência: Na hipótese dos autos, o contribuinte optou no anocalendário de 2001, pela tributação com base no lucro presumido, sendo ora analisada a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos até setembro de 2001, portanto, alcançando os três primeiros trimestres, uma vez que a autuação foi cientificada em 22/12/2006 (fls. 923 e 943). Assim, como a exigência somente foi formalizada após o transcurso de cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores, para os quais foi declarado imposto devido (ver DIPJ/2002, fichas 14A e 18A, fls. 13/16), e efetuados recolhimentos, conforme pesquisa no Sistema SINAL08, 1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), fls. 1165/1178, os aludidos períodos de apuração já haviam sido alcançados pelo prazo extintivo do direito em questão, não havendo como deixar de admitir que os lançamentos do IRPJ e da CSLL não podem prevalecer quanto àqueles períodos, posto que na data da lavratura dos autos de infração, se achava decaído o direito de constituir o crédito tributário, a teor do que dispõe o artigo 150, §4°, do CTN. Em função do exposto, voto por reconhecer a preliminar de decadência aplicável aos lançamentos do IRPJ e da CSLL, quanto aos primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2001. Com relação ao lançamento do IRRF — "Pagamento a beneficiário não identificado" também o fisco incorreu na decadência prevista no art. 150, § 4° do CTN. Sendo o IRF um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o fisco decai do direito de fazer qualquer procedimento de oficia após ocorridos cinco anos contados do fato gerador, se não houver registro de dolo, fraude ou simulação Desses Moda, como o fato gerador do tributo ora exigido ocorreu em julho de 2001, o fisco teria até julho de'2006 para proceder ao lançamento de oficio. Entretanto, a ciência do auto de infração ocorreu em 22/12/2006, fls. 948, após o prazo decadencial. Desse modo, ao formalizar a exigência do IRRF — "Pagamento a beneficiário não identificado" o fisco já havia decaído do direito de lavrar o auto de infração de fls. 946/949. Com relação às contribuições para o PIS e COFINS, período de apuração mensal, cabem as mesmas conclusões relativas ao IRPJ e CSLL, relativamente aos fatos geradores mensais ocorridos anteriormente a dezembro de 2001, porquanto verificase pela pesquisa no já citado Sistema SINAL08, fls. 1179/1183, que o contribuinte recolheu aquelas exações para os períodos de apuração de janeiro a novembro de 2001. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.222 17 Portanto, como os autos de infração só foram cientificados ao contribuinte em 22/12/2006 (fls. 930 e 937), voto por reconhecer a preliminar de decadência aplicável aos lançamentos do PIS e da Cofins, quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2001. Como visto, a decisão da DRJ aplicou o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, para os fatos geradores ocorridos nos períodos dos três primeiros trimestres de 2001, uma vez que a autuação foi cientificada em 22/12/2006. Isso porque, considerando que houve recolhimento a menor dos tributos, a DRJ acabou aplicando o entendimento sufragado pelo STJ, que em seu Recurso Especial n° 973.733/SC, Min. Relator Luiz Fux, Publicado em 18/09/2009, entendeu pela aplicação do prazo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, contando o prazo decadencial a partir da data do fato gerador. Nestes termos, entendo que não há reparos a fazer, visto que o entendimento do STJ se deu com base em recurso repetitivo, devendo ser aplicado nos termos do artigo 62A do RICARF. B) MÉRITO Quanto ao mérito, cumpre destacar que os argumentos, planilhas e provas trazidas pelo Recorrente são muito precisas para afastar as imputações fiscais, conforme bem exposto e enfrentado na decisão da DRJ. Faço apenas breves comentários complementares ao que fora decidido, de forma segregada. A empresa apresentou em sua defesa os valores recebidos no mês, classificados como “Receita Tributável – 2001), em razão de locação, venda de máquinas, peças, assistência técnica, comissão, exportação, imobilizado, rendimentos de aplicação, remuneração de cobrança, reajuste, sucata, variação cambial, juros etc. e como “Receita Não Tributável – 2001 as receitas decorrentes de vendas e prestação de serviços já tributados em 2000, quando estava sob o regime tributário do Lucro Real, recolhendo os tributos sobre tais recebimentos em 2000, sob o regime de competência. Nesse aspecto, não vejo nenhuma irregularidade praticada pela empresa, visto que através de planilhas às fls. 257, 258, 261, trouxe todas as informações e cálculos que demonstram as operações praticadas, visto que contemplam também as vendas a prazo até dezembro de 2000, período em que era tributado o lucro real, o que não havia sido computado pelo agente fiscal. Desta feita, "ao Saldo Inicial de regime de competência devem ser acrescidos os faturamentos (vendas a prazo) do regime de competência e conseqüentemente subtrair o Saldo Final, tendo como resultado o valor recebido de Duplicatas de Clientes". Existindo receitas tributadas em 2001 e não tributadas nesse mesmo ano, decorrente de vendas a prazo já tributadas em 2000, não poderia a fiscalização tomálas como tudo como receita e tributar as receitas já tributadas novamente. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.002963/200670 Acórdão n.º 120100.701 S1C2T1 Fl. 1.223 18 E mais, não poderia haver omissão de Receita se da análise dos demonstrativos se considerados todos os recursos que efetivamente foram percebidos pelo contribuinte (vide documentos às fls. 198/232), chegase a conclusão que as origens superam as aplicações. Nesse passo, a fiscalização apurou omissão de receita, porém deveria considerar todos os recursos disponíveis apresentados pela empresa, o que não foi feito, não rebatendo, inclusive, os fundamentos do contribuinte quando demonstrou que possuía vendas a prazo, aplicações, créditos bancários etc. Como bem entendeu a decisão da DRJ, “não é admissível que em apuração de fluxo financeiro possam ser desconsiderados recursos efetivamente percebidos pela empresa, a fim de computálos no quadro de "Recursos Disponíveis”. Quanto aos lançamentos relativos ao Pis e Cofins, por se tratarem de reflexos da apuração da infração quanto ao IRPJ e a CSLL, não há como acolher a tese da omissão de receita apresentada pela fiscalização. Apenas para acrescentar à decisão da DRJ, cumpre destacar ainda que não há lógica também em considerar que no mês de julho de 2001, em razão de recursos superiores a aplicações, teria sido feito pagamentos sem causa, pois havia saldo positivo para cobrir a pequena diferença identificada, vez que a disponibilidade de caixa, em 30/06/2001, era de R$ 724.106,03, conforme atesta a planilha de fls. 1098. Por fim, há erros ainda no lançamento que são primários, como a base de cálculo de 32% aplica sobre toda a receita supostamente omitida, deixando de se fazer a identificação e segregação das atividades para identificar o que fora comercial ou se houve alguma prestação de serviço, negando a fiscalização em aceitar que a atividade da empresa é comercial (comércio de máquinas), nitidamente demonstrada nos autos. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento, mantendo a decisão da DRJ em sua integralidade. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
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