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Numero do processo: 10940.000005/2007-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Comprovado o pagamento de pensão alimentícia em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente deve ser restabelecida a dedução que havia sido glosada por falta de comprovação.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora
Declaração de voto: Jorge Claudio Duarte Cardoso
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
EDITADO EM: 28/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Comprovado o pagamento de pensão alimentícia em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente deve ser restabelecida a dedução que havia sido glosada por falta de comprovação. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora Declaração de voto: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 28/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 00 05 /2 00 7- 51 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/201 3 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude de terem sido glosadas deduções de pensão alimentícia (R$48.001,00), e despesas médicas.( R$3.150,78). Na impugnação, consoante o relatório da decisão de primeira instância, foi alegado o seguinte: a) em relação ao montante de despesa glosado no valor de R$3.150,78, referente a despesas médicas tal dispêndio efetivamente foi realizado, conforme atestam: o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte emitido pelo Ministério da DefesaExército Brasileiro no valor de R$2.940,75 (cópia em anexo), referente a hospitalização de uma cirurgia cardíaca; e a Declaração emitida pela Associação dos Servidores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (cópia em anexo) que especifica o total de R$394,35 referente a despesas médicas pagas 5 Unimed Ponta Grossa Cooperativa de Trabalho Médico Ltda, CNPJ 77.781.706/000162, e R$265,68 pago ao Laboratório Oscar Pereira, CNPJ 02.707.023/000166, referentes a exames clínicos. Argúi que os comprovantes de despesas ficaram retidos pela Associação; b) em relação ao montante de despesa glosado no valor de R$48.001,00, referente ã pensão alimentícia judicial tal despesa ocorreu em virtude de decisão judicial, conforme Termo de Audiência de Separação Judicial Consensual expedido pela 2a Vara de Família da Comarca de Curitiba (cópia em anexo). Referida pensão alimentícia foi prestada ao filho Pedro Henrique Salau Brollo, no valor de R$15.500,00, correspondente ao percentual de 13,1% sobre os rendimentos recebidos, e a exesposa Regina Helena Salau Brollo, no valor de R$32.501,00, correspondente a 27,5% dos montante dos rendimentos recebidos. E que a referida Sra. efetuou o recolhimento do tributo no valor de R$3.014,35 (DARF em anexo). A 5ª Turma da DRJ Curitiba (PR) julgou parcialmente procedente a impugnação, restabelecendo a dedução de despesas médicas. Foi mantida a glosa da pensão alimentícia, sob o seguinte fundamento: “Em relação ao assunto Pensão Alimentícia Judicial, faço as seguintes considerações. De acordo com o artigo 4°, inc. II da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a pensão alimentícia paga em cumprimento a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente é passível de dedução para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda. Entretanto, o gozo dessa benesse legal depende da prova da obrigação e do pagamento, por força da determinação contida no DecretoLei 5.844, de 1943, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificaccio, a juizo da autoridade lançadora (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3º)". Como prova da obrigação de pagar a pensão aos seus filhos Milton Fabricio Salau Broil°, Silvia Regina Salau Brollo, Nádia Cristina Salau Brollo e Pedro Henrique Salau Brollo, e a excônjuge Regina Helena Salau Brollo, o impugnante Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/201 3 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10940.000005/200751 Acórdão n.º 2802002.138 S2TE02 Fl. 34 3 juntou, às fls. 25 a 32, petição inicial em Ação de Separação Judicial Consensual, e, às fls. 33, cópia do Termo de Audiência de Separação Judicial Consensual 2ª Vara de Família da Comarca de Curitiba/PR, em 07/11/1994, onde foi homologado o acordo firmado pelos cônjuges. Cabe observar que no ano da audiência (1997), eram menores os filhos alimentários, acima mencionados. É sabido que da menoridade dos filhos decorre a presunção legal de os pais sustentálos (CF, art. 229 1ª parte). Já no ano calendário em questão (2004), os filhos já contavam com mais de 21 anos, portanto, já haviam completado a maioridade, contando, respectivamente, corn 30, 28, 26 e 23 anos. 0 advento da maioridade dos filhos tem por conseqüência a extinção do poder familiar (novo Código Civil, art. 1635, inc. III), podendo, com isso, ocorrer a cessação da obrigação de pagar pensão. Entretanto, pelo dever de solidariedade entre parentes próximos, o alimentante pode continuar obrigado a prestar alimentos ao filho, desde que este comprove a sua necessidade, devendo tal situação ser reconhecida pelo Poder Judiciário. Portanto, tudo leva a acreditar que a única hipótese cabível ao caso seria o pagamento da pensão alimentícia para excônjuge Regina Helena Salau Brollo. Entretanto, a prova do pagamento dessa pensão não foi trazida aos autos. Assim, na ausência de comprovação do pagamento da pensão judicial e considerando a maioridade dos filhos no ano calendário 2004, deve ser mantida a glosa do valor de R$48.001,00, a titulo de pensão alimentícia judicial, efetuada pela fiscalização. Ciente do acórdão em 04/12/2009, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 30/12/2009 argumentando o seguinte: 0 fato, portanto, dos beneficiários terem incluído em suas Declarações de Ajuste Anual o recebimento da Pensão Alimentícia Judicial:Regina Helena Salau Brollo a quantia de R$ 32.501,00; e, Pedro Henrique Salau Brollo a quantia de R$ 15.500,00, justifica, salvo melhor juizo, por si só, as deduções procedidas, conforme prescreve a Art. 73 do RIR. Como já exposto, na questão da Pensão Alimentícia Judicial, os membros da 5º Turma de Julgamento da DRJ/CTA acordaram pela glosa no valor de R$ 48.001,00 efetuada pela fiscalização por ausência de comprovação do pagamento da pensão judicial (fls. 5). No entanto, desconsideraram as informações contidas na Declaração de Ajuste Anual do IR de 2005 de Regina Helena Salau Brollo (anexada ao Processo), referente ao recebimento da Pensão Alimentícia Judicial na quantia de R$ 32.501,00, uma vez que a mesma efetuou o recolhimento do Imposto de Renda devido no valor total de R$ 3.014,35 (DARF anexada ao Processo acima referenciado e citado As fls. 3 do Acórdão), sem que nenhuma solução fosse proposta para corrigir o recolhimento "indevido" de tributo. E importante referir que o pagamento da Pensão Alimentícia Judicial para Pedro Henrique Salau Brollo, conforme Termo de Audiência de Separação Judicial Consensual expedido pela 2º. Vara de Família da Comarca de Curitiba, homologado em 16 de setembro de 1997 (cópia em anexo), foi efetuado em 2004 por tratarse de filho (Pensionista) estudante universitário do Centro Universitário Franciscano do Paraná (cópia do Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/201 3 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 histórico escolar em anexo). Neste sentido, é importante observar que o Termo de Audiência de Separação Judicial Consensual não estabelece restrição de idade, quanto A duração do pagamento da referida Pensão Alimentícia. Na verdade, o referido Termo amplia, como pode ser comprovado, as obrigações para além das inerentes a Pensão Alimentícia, ou seja, de alimentação, saúde e educação. Dai a razão para sua inclusão como beneficiário de Pensão Alimenticia Judicial, complementarmente ao fato de ser estudante universitário. Apresenta os seguintes documentos: · às fls. 79, Recibo de pagamento de pensão Alimentícia, firmado por Pedro Henrique Salau Broll, no valor de R$15.500,00; · às fls. 80, Recibo de pagamento de pensão Alimentícia, firmado por Regina Helena Salau Brollo, no valor de R$32.501,00; · às fls. 81 Declaração firmada pelo recorrente nos seguintes termos: Eu, MILTON XAVIER BROLLO, brasileiro, divorciado, Professor de Ensino Superior, portador do RG n. 32742793 — SSP/PR e do CPF n. 035210.52087, residente e doiniaTiado à Rua Goiás, n°. 400 — Ap. 22, na cidade de Ponta Grossa— Paraná, declaro para os devidos fins que, em razão da sentença de mérito proferida nos autos de Separação Consensual n..° 2.14511997, da 2° Vara de Família da Comarca de Curitiba — PR, qual arbitou, a titulo de pensão alimentícia, o pagamento mensal de 30% (trinta por cento) da totalidade dos meus rendimentos mensais (não descontados em folha de pagamento) A REGINA HELENA SALAU BROLLO, cumpro com a determinação judicial, disponibilizando alimentada a totalidade dos rendimentos provenientes do Exército Brasileiro, os quais são depositados diretamente em conta conjunta, estando sempre a disposição exclusiva da alimentante, e mais 30% (trinta por canto) dos vencimentos mensais auferidos da Universidade Estadual de Ponta Grossa, os quais são depositados à mesma por mim, mensaknente_ Declaro que o relatado acima é verdadeiro e dou fé. · Às fls. 82/84, histórico escolar do filho Pedro Henrique Salau Brollo; · Às fls. 85, Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física – Exercício 2005, apreentada pela Sra. Regina Helena Salau Brollo, demonstrando a tributação do valor de R$32.501,00. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário comprovam o pagamento de pensão alimentícia em favor do filho Pedro Henrique Salau Brollo, no valor de R$15.500,00 e da exesposa Regina Helena Salau Brollo, no valor de Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/201 3 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10940.000005/200751 Acórdão n.º 2802002.138 S2TE02 Fl. 35 5 R$32.501,00, o que justifica restabelecer a dedução de pensão alimentícia nesses mesmo valores. Ressalto que no acordo judicial consta que mesmo após a maioridade o recorrente fica obrigado ao pagamento da pensão. Destarte, entendo insubsistente o fundamento utilizado pela DRJ do não acatamento da dedução com pensão alimentícia face a ausência de comprovação do pagamento da pensão judicial e considerando a maioridade dos filhos no ano calendário 2004. Ademais os rendimentos, auferidos por Regina Helena Salau Brollo, beneficiária da pensão alimentícia foram oferecidos a tributação conforme documento de fls. 85. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO para restabelecer a dedução de pensão alimentícia de R$ 48.001,00 (quarenta e oito mil, e um real). (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Declaração de Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso Comprovados os pagamentos e o cumprimentos dos termos do acordo homologado judicialmente, resta consignar que a solução do litígio envolve a dedutibilidade de pensão alimentícia em favor de filhos maiores, razão pela qual adoto como razão de decidir os fundamentos adiante reproduzidos e que foram adotado no acórdão unânime nº 280201.325, de 20 de janeiro de 2012, desta Turma Julgadora (processo 13433.000743/200716). Ementa: IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. FILHO MAIOR. O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade esta sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos, conforme Súmula STJ nº 358, de forma que não se trata de liberalidade do alimentante. Destarte, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente cujo pagamento for efetivamente comprovado são dedutíveis, ainda que pagas a filhos maiores que não mais atendem a condição de dependentes segundo a lei tributária. Recurso provido. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/201 3 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 (...) “A dedução em questão é prevista na alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei 9.250/1995, peço vênia para transcrever além desse dispositivo outros do mesmo artigo 8º que contribuem para a correta compreensão do tema. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Vejamos que diferentemente de deduções a outros títulos, como despesas com a saúde e com a instrução, em que a lei expressamente restringe às despesas efetuadas com o próprio declarante e com seus dependentes, no caso de dedução de pensão de alimentos a lei restringe aos pagamentos feitos em face das normas do direito de família e ao cumprimento da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/201 3 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10940.000005/200751 Acórdão n.º 2802002.138 S2TE02 Fl. 36 7 Uma demonstração disso é o §2º que se refere exclusivamente à alínea “a” do inciso II, em silêncio eloqüente em relação à alínea “f”. Sendo certo que onde o legislador não distingue não cabe ao intérprete fazê lo. A remição às normas do Direito de Família tem especial importância, pois faz com que a interpretação da lei tributária se mantenha em harmonia com as normas do Direito de Família que contemporaneamente estipulam o dever de prestar alimentos ainda que inexistente o poder familiar e segundo a interpretação consolidada e sumulada pelo STJ nos termos do enunciado da Súmula STJ nº 358 ( O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade esta sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos.). Ao exigir uma nova decisão judicial para desonerar os pais de pagar pensão aos filhos maiores está evidenciado que tal pagamento não se faz a título de liberalidade e sim em atendimento às normas do Direito de Família e em cumprimento a decisão ou acordo homologado judicialmente, tal como disposto na Lei 9.250/1995. Vejamos ainda o caso de pensão paga a excônjuge, não se duvida que seja dedutível. E excônjuge não é dependente perante a legislação tributária. Outra evidência de que a dedução de pensão de alimentos não é restrita a dependentes é a possibilidade de decisão judicial obrigando parentes em linha colateral até o segundo grau ao pagamento (irmãos). Uma vez havendo a decisão judicial não se poderá alegar liberalidade para afastar a dedução. De outro giro, a pensão é rendimento tributável para quem a recebe e certamente reduz a capacidade contributiva de quem está obrigado ao pagamento. Feitas estas considerações, acompanho a relatora. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/03/201 3 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE
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Numero do processo: 10510.002835/2010-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2403-000.035
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COESI COLÉGIO DE ORIENTAÇÃO E ESTUDOS INTEGRADOS E ESCOLINHA DO RE MI LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Igor Araújo Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10510.002835/201088 Resolução n.º 2403000.035 S2C4T3 Fl. 95 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário acostado às fls. 78 a 87 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador/BA que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração nº 37.282.1677 no valor, consolidado em 21/07/2010, de R$ 91.971,50 (noventa e um mil e novecentos e setenta e um reais e cinquenta centavos). Segundo o relatório fiscal às fls.38 a 45, a fiscalização apurou que a empresa recorrente foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n 41, de 25/09/2007 e que, por tal motivo, voltaria a recolher os tributos sob o regime normal de tributação. Assim, lançou as contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (FNDE/Salário Educação, SEBRAE, INCRA e SESC) incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados referentes ao período compreendido entre as competências 07/2005 a 06/2007. Foi informado ainda que, em janeiro de 2001, o contribuinte optou pelo Simples Federal, subsidiado pela Lei 9.317/96, sendo posteriormente revogada em julho de 2007 pela Lei complementar nº. 123/2006. Todavia, em 25/09/2007, com a expedição do Ato Declaratório Executivo n 41, a recorrente foi excluída do SIMPLES, tendo impugnado esta exclusão por meio apropriado, através do processo administrativo específico nº 10510.004107/200713, o qual se encontra atualmente em trâmite no CARF. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 26/07/2010 e apresentou impugnação às fls.55 a 57 alegando que: À época do fato gerador estava em pleno exercício de direito ao optar pelo Simples Federal, resguardado pela Lei 9.317/96; Estava enquadrada como empresa remanescente e a lei vigente apenas proibia a adoção do SIMPLES às empresas resultante de cisão; Só ulteriormente é que a Lei complementar 123 passou a proibir também as empresas remanescentes., aduzindo ainda que a nova lei não podia retroagir para lhe prejudicar regulando fatos pretéritos; Mantinha ensino préescolar, fundamental e médio, e que em novembro de 2011 desmembrou o ensino médio passando a ser pessoa jurídica diversa, ressaltou a autuada que a remanescente era optante do Simples em janeiro de 2002; A empresa resultante de cisão ficou com a atividade do ensino médio, e que após ter sido extinta deixou de ser empresa remanescente por não haver mais cisão ou desmembramento; O Ato Declaratório 41, que excluiu o contribuinte do sistema Simples, retroativo a 2002, não se coaduna com o regulado em lei, pois em seu texto há a Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10510.002835/201088 Resolução n.º 2403000.035 S2C4T3 Fl. 96 3 informação de que é vedado o benefício à empresa resultante de cisão, mas não à que gerou; A própria fiscalização entendeu ser o ato insubsistente, haja vista sua validade estar vinculada ao julgamento do processo administrativo que trata do Ato Declaratório Executivo nº 41, e que, segundo a Constituição Federal, a atividade administrativa é vinculada em lei. Por fim, requereu o acolhimento dos fatos e fundamentos no sentido de revogar o Auto de Infração e a desconstituição da penalidade imposta. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 6ª Turma da DRJ de Salvador/BA proferiu acórdão (n° 1526.416) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2007 SIMPLES. A exclusão da empresa do Simples implica no retorno ao pagamento das contribuições para os Terceiros a cargo da pessoa jurídica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão supra, a recorrente COESI LTDA interpôs recurso voluntário às fls.78 a 87, vindo a ratificar todas as alegações em sede de impugnação, em especial a tese da insubsistência do auto de infração em face de ainda sendo discutida a validade do Ato Declaratório Executivo, asseverando que, caso o fisco entenda pela procedência da exclusão do contribuinte do sistema unificado de recolhimento, que fosse aplicada a redução de multas, pois estas possuem caráter de confisco. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10510.002835/201088 Resolução n.º 2403000.035 S2C4T3 Fl. 97 4 VOTO Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator A grande celeuma referese ao fato da auditoria ter lavrado auto de infração cujo objeto sejam contribuições destinadas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Vale destacar que o crédito tributário apurado em ação fiscal decorre do fato da empresa ter sido excluída do SIMPLES, hipótese em que deveria recolher seus tributos sem o benefício do regime único de arrecadação. Assim, é imprescindível saber se o ato que determinou sua exclusão possui caráter definitivo, pois, a própria auditoria, conforme consta no relatório fiscal, informou que o presente auto só subsistirá se for julgada procedente a sua exclusão do Regime de tributação do Simples Federal. O ato que determinou a exclusão da empresa do SIMPLES foi impugnado por ela, dando origem a um processo administrativo tributário específico (10510.004107/200713). Referido processo, segundo os autos e conforme informações obtidas do sítio do Ministério da Fazenda de consulta processual <comprot.fazenda.gov.br>, os autos encontramse em tramitação no CARF. Todavia, não há como saber se uma das turmas da 1 Seção de Julgamento do CARF, competentes para apreciar situações que envolvam a inclusão/exclusão da empresa do SIMPLES, já se pronunciou acerca da matéria. Contudo, para que não haja um julgamento precipitado e entendendo que seja imprescindível saber a situação da recorrente perante o regime simplificado de tributação, solicito a realização de diligência que tenha como objetivo verificar a atual posição do processo 10510.004107/200713 (informação em anexo), inclusive se o mesmo já foi apreciado pelo CARF em sede de Recurso Voluntário, considerando que a definitiva exclusão da empresa do SIMPLES só será verificada com a decisão de última instância do referido processo. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10675.907153/2009-47
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0939.086/12 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 56 a 61, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 07 15 3/ 20 09 -4 7 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907153/200947 Resolução nº 1801000.162 S1TE01 Fl. 3 2 “A interessada transmitiu a DCOMP n° 31740.69220.140606.1.3.041552, visando compensar o débito nela declarado, com crédito oriundo de pagamento indevido de CSLL, efetuado em 30/11/2004. A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 07 do processo virtual, no qual não homologa a compensação pleiteada diante da inexistência de crédito. A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · ao calcular e preencher o DARF relativo a Contribuição Social s/Lucro LíquidoCSLL, referente ao 3° trimestre de 2004, cometeu um equivoco fazendo constar naquele documento um valor maior que o devido; · apresenta a cópia da ficha 18 A (doc. em anexo) da DIPJ onde constam os valores da receita bruta do 3° trimestre de 2004, bem como o respectivo cálculo dessa contribuição; · o recolhimento a maior da Contribuição Social S/ Lucro LíquidoCSLL, relativa ao 3° trimestre de 2004, se deu através dos Darfs (doc. em anexo). · após constatar que havia efetuado o recolhimento a maior, providenciou a retificação da DCTFOriginal (doc. em anexo) entregue em 14/11/2003, transmitindo a DCTFRetificadora (doc. em anexo), em 29/12/2008, onde fez constar, respectivamente, o valor informado originariamente e o valor realmente devido; · diante da existência do crédito acima discriminado, resolveu, então, aproveitar parte desse valor para compensar o débito apurado de COFINS, da competência 05/2006, cuja data de vencimento se deu em 14/06/2006, tudo isso em conformidade com a legislação vigente àquela época, e, para demonstrar esta compensação, entregou em 14/06/2006 a Declaração de Compensação PER/DCOMP (doc. em anexo), onde informou que estava realizando a compensação da quantia de R$ 11.163,40, crédito apurado em relação a parcela da Contribuição Social recolhida em 30/11/2004, que, corrigida, atingiu o valor de R$ 14.250,08, conforme demonstra o PER/DCOMP retro citado, em sua página de n° 02. · além da informação constante do PER/DCOMP, a requerente também informou esta compensação na pág. 46 (doc.em anexo) da DCTF do 1° Semestre do ano 2006. [...] A empresa apresentou as declarações (DCTF e DIPJ) originais do 3° trimestre de 2004 com informação de débito de CSLL no total de R$ 37.286,87, vinculado a pagamento em DARF's de R$ 18.643,44, com datas de vencimento em 29/10/2004 e 30/11/2004. A DCOMP em análise foi transmitida em 14/06/2006. A ciência do despacho decisório eletrônico ocorreu em 19/08/2009 (AR de fl. 10 do processo virtual). A contribuinte apresentou DCTF retificadora em 29/12/2008 e DIPJ retificadora em 18/09/2009, após a ciência do despacho decisório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907153/200947 Resolução nº 1801000.162 S1TE01 Fl. 4 3 Portanto, na data da transmissão da DCOMP, só existiam a DCTF e a DIPJ originais. A manifestação de inconformidade confirma que esse novo valor, informado na DCTF e na DIPJ retificadoras, fora apurado e declarado à RFB em data posterior à transmissão da DCOMP n° 31740.69220.140606.1.3.041552, sem comprovar que houve erro de fato na informação prestada nas declarações originais (DCTF e DIPJ). Erro de fato é aquele que independe de averiguações para sua constatação. Considerando que a DCTF constituise em confissão de dívida, os débitos nela declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP em análise. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. A Lei 9.430/1996, em seu artigo 74, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002, assim dispõe: [...] Assim não resta dúvida de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP, sendo que nessa data não existia o crédito declarado na DCOMP analisada. O despacho decisório considerou a informação contida em DCTF porque somente essa existia quando da apresentação da DCOMP e quando da emissão do despacho decisório. A informação em DCOMP da existência de crédito disponível em função de pagamento a maior de tributo tem que estar suportada em informações existentes nos sistemas utilizados pela RFB (controle de DARF, DCTF, DIPJ, DIRF, DACON) ou suportada nos livros e documentos escriturados à época da transmissão da DCOMP. O crédito registrado em DCOMP deve ser líquido e certo, a teor do artigo 170 do CTN, para que ocorra a homologação da compensação a ele vinculada, cabendo à contribuinte, quando instada, fazer prova a seu favor, uma vez que se constitui num pleito seu e não em lançamento realizado pela administração tributária. [...] Assim, quanto ao pedido de produção de novas provas, só se pode aqui dizer que a inserção de novos elementos de prova no processo depois de transcorrido o prazo de impugnação, só pode ser deferida no caso de estarem presentes alguma(s) das circunstâncias previstas no parágrafo 4.° do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/72 (impossibilidade de apresentação durante o prazo de impugnação, por conta de "força maior", "fato ou direito superveniente" etc.), o que só poderá ser avaliado quando da situação em concreto. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907153/200947 Resolução nº 1801000.162 S1TE01 Fl. 5 4 [...] Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada.” A empresa interpôs, tempestivamente (AR – 27/02/12; Recurso – 27/03/12), o Recurso de fls. 73 a 88, reiterando as argumentações da defesa exordial e juntou aos autos folhas do Razão Analítico buscando comprovar o valor das receitas brutas auferidas no período e o cálculo devido de apuração do tributo em espécie. Pretende com esta providência comprovar os erros de recolhimentos a maior realizados e o seu direito no indébito tributário. É o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 3º trimestre de 2004, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que o valor devido e correto é R$ 14.960,06, mas recolheu R$ 37.286,87, em duas parcelas (R$ 18.643,43 cada uma), e traz contas do Razão Analítico para comprovar as receitas auferidas no período. Este processo tem como objeto um dos DARF relativo à parcela recolhida em 30/11/2004 e o valor pleiteado é a diferença entre R$ 18.643,43 e R$ 7.480,03 (R$ 14.960,06: 02), que perfaz R$ 11.163,40. A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de as declarações retificadoras – DIPJ e DCTF – foram entregues após o despacho decisório e porque entende que à data do pedido de compensação, o débito tributário da CSLL confessado na DCTF original foi devidamente pago. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo da CSLL devida, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907153/200947 Resolução nº 1801000.162 S1TE01 Fl. 6 5 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, as contas do Razão analítico que são utilizadas para apurar o tributo devido, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (balancetes registrados no Diário e verificação da possível existência de outras contas de receitas auferidas no período em comento). Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que: a) a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo da CSLL relativa ao 3º trimestre de 2004 junto a contabilidade completa da recorrente, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes; b) a autoridade competente informe se os valores já foram inscritos na Dívida Ativa da União. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907153/200947 Resolução nº 1801000.162 S1TE01 Fl. 7 6 A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.001409/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tornando-se definitivo, na esfera administrativa, o crédito tributário correspondente. Não e conhece de recurso quanto à matéria não impugnada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 05 de março de 2013.
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tornando se definitivo, na esfera administrativa, o crédito tributário correspondente. Não e conhece de recurso quanto à matéria não impugnada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 14 09 /2 00 7- 17 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 05 de março de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório OZENI MARIA MORO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SÃO PAULO/SP II (fls. 799) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/26, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2003 e 2004, no valor de R$ 1.472.909,42, acrescido de multa de ofício e de juros de mora e, ainda, de multa isolada, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 3.338.351,23. As infrações que ensejaram a autuação foram: 1) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa física, sujeitos ao carnêleão; 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem; 3) Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Exigência de multa isolada. Os fatos e a fundamentação legal da autuação estão detalhadamente descritos no auto de infração, com seus anexos. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a Fiscalização incorreu em cerceamento do direito de defesa, pois as intimações para a apresentação dos extratos bancários e a comprovar as origens dos depósitos não foram feitas pessoalmente, mas por via postal e entregues a terceiros; que, assim, as intimações não teriam sido feitas de acordo com a legislação de regência; que, portanto, deve ser declarada a nulidade do procedimento fiscal; que todos os valores depositados em suas contas bancárias foram provenientes de pagamentos de precatórios, o que não foi devidamente analisado pela Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001409/200717 Acórdão n.º 2201001.995 S2C2T1 Fl. 3 3 Fiscalização; que apresenta lista de pagamentos por ele fetuados que justificariam os créditos em suas contas; que como nem todos os valores depositados em suas contas lhe pertenceriam, seria indevida a mmulta pela falta do pagamento do carnêleão. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSÃO PAULO/SP II registrou que não houve impugnação quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnê leão, declarando definitiva a matéria na esfera administrativa. A DRJ rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento pelo alegado cerceamento do direito de defesa. Observou que as intimações foram realizadas de conformidade com o que rege o Decreto nº 70.235, de 1972, enfatizando que tal diploma legal foi recepcionado pela nova ordem inaugurada com a Constituição Federal em vigor; que as intimações foram respondidas pelo Contribuinte e a impugnação ao auto de infração foi apresentada tempestivamente, o que denota não ter havido prejuízo à defesa. Quanto ao mérito, registra a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários, com amparo no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tema questionado pela defesa, e, não tendo havido a comprovação das origens dos depósitos, concluiu que a exigência deveria ser mantida. Sobre a multa pela falta de pagamento do imposto devido a título de carnê leão, a Turma Julgadora de primeira instância limitouse a afirmar que não foi impugnada a autuação pela falta de recolhimento do carnêleão. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 25/04/2011 (fls. 815) e, em 24/05/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 817/832, que ora se examina, e no qual reitera as alegações quantos às origens dos depósitos, que diz serem precatórios de clientes por ele recebidas. Também questiona os cálculois realizados pela Fiscalização para a apuração da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade do lançamento. O Contribuinte afirma que a Fiscalização incorreu em cerceamento de direito de defesa pela Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 forma como realizou a intimação, por via postal e não pessoalmente. A questão foi devidamente apreciada pela decisão de primeira instância, que expôs, com clareza, que, no processo administrativo fiscal, a intimação pode ser feita pessoalmente ou por via postal, e no caso de restar improfícua a tentativa de intimação por um destes meios, por edital. No caso, as intimações foram regularmente entregues no domicílio fiscal do Contribuinte que, inclusive, as respondeu. Assim, além da regularidade do procedimento fiscal, não se vislumbra qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa, que foi plenamente exercido. Rejeito, portanto, a preliminar. Quanto ao mérito, o Contribuinte, na fase recursal, apresenta alguns questionamentos quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Porém, esta matéria não foi impugnada, fato explicitado na decisão de primeira instância, que declarou a definitividade da exigência quanto a esta parte do lançamento. Assim, não se instaurou o litígio quanto a esta matéria e, deste modo, precluiu o direito de o Contribuinte questionar a matéria na fase recursal. Não conheço, pois do recurso quanto á omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Quanto aos depósitos bancários com origens não comprovadas, embora o Contribuinte insista que os depósitos têm origens em valores recebidos a título de precatórios, não demonstra a relação entre os depósitos e esta alegação. É que a Fiscalização fez um levantamento detalhado dos valores recebidos pelo Contribuinte a este título e já excluiu os valores com origens comprovadas, realizando a autuação apenas em relação á parte não comprovada. Assim, não bastaria ao Contribuinte apenas afirmar, genericamente, que os depósitos tiveram essa origem; precisaria apontar, de forma individualizada, a origem dos depósitos. Deveria, enfim, completar o quadro demonstrativo realizado pela Fiscalização apontando, para os depósitos em relação aos quais a Fiscalização não identificou a origem, a procedência do recurso. Sem essa providência não há como infirmar o levantamento feito pela fiscalização. Sobre a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários, trata se de exigência formulada com amparo no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001409/200717 Acórdão n.º 2201001.995 S2C2T1 Fl. 4 5 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Este Conselho, por sua vez, na sua jurisprudência uníssona tem considerado regular este tipo de lançamento, pelo qual se busca, de forma indireta, alcançar os rendimentos omitidos pelos contribuintes. Assim, quanto a este ponto, nada há a rever na autuação. Finalmente, sobre a multa isolada do carnêleão, embora a decisão de primeira instância afirme que a matéria não foi impugnada, verificase que, ao contrário, na impugnação o Contribuinte questiona esta multa, apelo que repete no recurso. Cumpre, pois, examinar a questão. Penso que assiste razão ao Recorrente quanto a este ponto. A possibilidade da exigência simultânea da multa isolada com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base, já foi rejeitada por este Conselho. Como exemplo vejase a seguinte decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) É como penso. Entendo que a questão se resolve na natureza da multa isolada. E, para tanto, é conveniente examinarmos o que dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, que previu a hipótese de sua incidência (na redação anterior à mudança introduzida pela medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007), a saber: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I –de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º. As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) III – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixarmos de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; (...). É dizer, o § 1º do art. 44, acima transcrito, não institui uma penalidade nova, mas apenas a forma de sua incidência, juntamente com o tributo, na hipótese do inciso I, e isoladamente, nas hipóteses dos demais incisos. O dispositivo que institui a penalidade é o caput do artigo e seus incisos. É aí que a lei especifica o fato típico, enseja dor da penalidade: a falta de pagamento ou recolhimento etc. Pelo simples fato de não ter havido o pagamento do imposto devido a título de carnêleão não há previsão de incidência de outra penalidade senão a dos incisos I e II do caput art. 44, conforme o caso. Sendo assim, não se pode conferir ao art. 43 e aos incisos do parágrafo 1º, inovações da Lei nº. 9.430, interpretação que implique em incidência de gravame inexistente Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001409/200717 Acórdão n.º 2201001.995 S2C2T1 Fl. 5 7 antes da vigência dos referidos dispositivos. É o que ocorre quando se aplica a penalidade duplamente, sobre a mesma base, na exigência da multa isolada, pelo não pagamento da antecipação, e na exigência do imposto quando do ajuste anual. Ora, a incidência da multa isolada, como no caso específico tratado neste processo, por falta de recolhimento do carnêleão, não tem outro objetivo senão o de evitar a formalização de exigência de imposto devido como antecipação do ajuste anual e que, logo em seguida, seria compensado quando do lançamento do imposto apurado no ajuste. Com a multa isolada, essa dificuldade foi superada, exigindose apenas a multa pelo não pagamento da antecipação, deixandose para formalizar a exigência do tributo apenas na apuração do imposto devido no ajuste anual. Nesse segundo momento, contudo, a base de cálculo da multa isolada não deveria compor a base de cálculo da multa de ofício exigida conjuntamente com o imposto. Em nenhum momento os contribuintes deviam o imposto duas vezes, antecipadamente e quando do ajuste anual. É que, ao pagar o primeiro, necessariamente teria direito a compensar o que pagou quando do ajuste anual. Assim, não há falar em dupla hipótese de incidência das multas, pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual. Ora, é certo que a Lei nº 11.488, de 2007, que, entre outros pontos, alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, instituiu a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão. Porém, este dispositivo aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos após sua vigência. É que, como ressaltado acima, se antes não havia a possibilidade de incidência simultânea da penalidade pelo não recolhimento do carnêleão, em concomitância com a multa de ofício sobre os rendimentos omitidos apurados no ajuste anual, sobre a mesma base, a nova legislação, que introduziu esta possibilidade, não é mais benéfica ao contribuinte e, portanto, não poderia ser aplicada em relação aos fatos pretéritos. Concluo, pois, pela exclusão da multa isolada. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa isolada do carnêleão. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10830.001409/200717 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.995. Brasília/DF, 05 de março de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001409/200717 Acórdão n.º 2201001.995 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10640.001190/2009-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA.
Considera-se preclusa matéria não objeto do recurso, tornando-se, nessa parte, definititiva a constituição do crédito tributário não sendo mais suscetível de recurso na órbirta administrativa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS.
A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula, quando inexistir razões fáticas ou jurídicas para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-001.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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SILVEIRA CORRETORA E ADMINISTRADORA DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Considerase preclusa matéria não objeto do recurso, tornandose, nessa parte, definititiva a constituição do crédito tributário não sendo mais suscetível de recurso na órbirta administrativa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula, quando inexistir razões fáticas ou jurídicas para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 11 90 /2 00 9- 47 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 750 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 751 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 736/741 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora (fls. 716/723) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), anocalendário 2005, assim constituído: Auto de Infração (R$) Principal Juros de Mora (calculados até 31/03/2009) Multa de Ofíco de 75% Total IRPJ 33.772,47 14.782,19 25.329,33 73.833,99 PIS 5.481,88 2.502,67 4.111,37 12.095,92 CSLL 24.289,21 10.719,34 18.216,90 53.225,45 Cofins 33.734,99 15.401,58 25.301,22 74.437,79 Total 213.643,15 Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJ e reflexos do ano calendário 2005, lavrados em 20/04/2009 na DRF/Juiz de Fora (fls. 03/38), que foram imputadas as seguintes infrações, in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Omissão de receitas da atividade sem emissão das NotasFiscais, conforme Relatório Fiscal que acompanha este Auto de Infração. (...) Fundamento legal: Art. 528 do RIR/99. (...) 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fundamento legal: Arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430/96; art. 528 do RIR/99. (...) Fl. 751DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 752 4 No Relatório Fiscal, parte integrante dos autos de infração, em relação a essas infrações imputadas consta a seguinte narrativa e especificação (apuração) do valor tributável (fls.39/50 e 51/67), in verbis: (...) O contribuinte apresentou a DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, do exercício de 2006, anocalendário de 2005, com tributação pelo Lucro Presumido e uma Receita Bruta anual no valor de R$ 175.435,34. No entanto, diversas empresas declararam através de DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, pagamentos em valor nitidamente superior ao declarado pela fiscalizada, conforme quadro abaixo: Nome Declarante Cód.Retenção Rend.Bruto Imp.Retido SUL AMERICA CAPITALIZAÇÃO S/A SULACAP 8045 4.925,08 27,86 HDI SEGUROS S.A. 8045 29.731,64 276,11 SUL AMERICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS 8045 7.804,03 69,15 REAL SEGUROS S.A. 8045 635.907,77 9.263,87 UNIBANCO AIG SEGUROS S.A 8045 43.231,76 567,06 AUTOTRAC COMERCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A 1708 860,74 12,91 MARÍTIMA SEGUROS AS 8045 25.593,22 366,75 ALLIANZ SEGUROS S/A 8045 48.118,39 480,89 BRADESCO AUTO/RE COMPANHIA DE SEGUROS 8045 47.934,08 634,99 Total 844.106,71 11.699,59 No anocalendário de 2005 foi registrada uma movimentação financeira no valor de R$ 1.067.822,38, incompatível com a receita bruta declarada pelo contribuinte. 2 ) DAS VERIFICAÇÕES EFETUADAS DIRF X DIPJ (...) Tendo em vista a divergência entre as DIRF's apresentadas (fls. 71/82) e os valores declarados pelo contribuinte, foram lavrados Termos de Intimação Fiscal para as empresas (...) relacionadas, solicitando confirmação dos valores declarados como pagamento de Comissão/Corretagem para J. Silveira Corretora e Administradora de Seguros. (...) Conforme relatado nos itens 2.1 a 2.8, todas as Companhias de Seguros intimadas confirmaram os valores declarados em DIRF, e os depósitos bancários identificados, obtidos a partir dos extratos fornecidos pelo próprio contribuinte, foram relacionados na planilha DEPÓSITOS EFETUADOS NO BANCO REAL PELAS EMPRESAS QUE DECLARARAM EM DIRF, com exceção dos pagamentos efetuados por UNIBANCO AIG SEGURADORA que foram depositados no Banco Mercantil do Brasil. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 753 5 (...) 3) DAS VERIFICAÇÕES EFETUADAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Nos Termos de Intimação n° 2 e n° 3, a fiscalizada foi intimada a comprovar mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários relacionados em planilhas anexadas àqueles termos (fls. 136 a 143). (...) Em resumo a empresa não apresentou qualquer documentação para justificar os créditos relacionados na intimação de número 02. Quanto ao Termo de Intimação n° 03 o contribuinte esclare que os pagamentos nos valores de R$ 12.146,80, R$ 11.310,33 e R$ 16.527,37 nas datas 17/05/05, 05/09/05 e 20/10/05, respectivamente, foram efetuados pela Real Seguros SA, o que concordo, relacionandoos na planilha DEPÓSITOS EFETUADOS NO BANCO REAL PELA EMPRESAS QUE DECLARARAM EM DIRF. Esclarece, ainda, que os valores R$ 10.913,84 e R$ 8.857,82 depositados em 23/05/05 e 09/09/05 se referem à liberação de desconto de cheques com a mesma explicação dada no Termo de Intimação Fiscal n° 02. Alega, também, que os demais depósitos foram efetuados por seguradoras e estariam abrangidos pelo Termo de Intimação Fiscal n° 01. Cabe aqui ressaltar que em relação à liberação de desconto de cheques, a fiscalizada não apresentou qualquer documentação comprobatória. Quanto à alegação de que os demais depósitos relacionados nesta intimação estariam abrangidos pelos valores declarados em DIRF, discordo plenamente, pois na planilha DEPÓSITOS EFETUADOS NO BANCO REAL PELAS EMPRESAS QUE DECLARARAM EM DIRF já estão computados todos os depósitos, conferindo com o valor liquido declarado na DIRF (Rendimento Bruto menos o Imposto de Renda Retido na Fonte). Portanto estes depósitos são de origem não comprovada. 4) CONCLUSÃO 4 . 1 ) OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE Tendo ficado comprovado, conforme descrito no item 2 deste Relatório, o efetivo pagamento dos valores declarados em DIRF por diversas Seguradoras, será tributada como Omissão de Receita a diferença entre os valores declarados em DIRF e o valor declarado em DIPJ pelo contribuinte. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 754 6 Declarado em DIRF Declarado em DIPJ Mês Total rend. bruto Contribuinte Diferença Janeiro 54.243,80 13.196,31 41.047,49 Fevereiro 50.908,51 13.360,84 37.547,67 Março 37.954,95 18.357,05 19.597,90 Abril 87.205,70 15.023,23 72.182,47 Maio 50.763,19 13.308,31 37.454,88 Junho 42.069,30 6.059,99 36.009,31 Julho 73.419,00 15.759,02 57.659,98 Agosto 67.667,00 14.858,62 52.808,38 Setembro 147.415,41 16.789,75 130.625,66 Outubro 111.101,74 18.160,82 92.940,92 Novembro 76.637,53 30.561,40 46.076,13 Dezembro 44.720,58 44.720,58 total 844.106,71 175.435,34 668.671,37 (...) 4.2) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Pelos motivos descritos no item 3 serão considerados depósitos bancários de origem não comprovada, todos os valores relacionados na planilha DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (fls.61 a 64), perfazendo um total mensal de: MÊS VALOR Janeiro 5.433,75 Fevereiro 9.906,08 Março 12.317,13 Abril 12.434,73 Maio 18.649,98 Junho 9.854,97 Julho 16.203,12 Agosto 28.546,71 Setembro 13.123,86 Outubro 23.598,84 Dezembro 24.635,37 TOTAL 174.704,54 (...) Ciente dos autos de infração, a contribuinte apresentou impugnação em 27/05/2009 (fls. 707/713), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1 Omissão de receitas com base exclusivamente em extratos bancários: que a omissão de receitas foi fundada, exclusivamente, nos extratos bancários, valores extraídos dos extratos encaminhados pela fiscalizada; que a fiscalização não examinou sequer um livro ou documento da empresa e não procedeu qualquer conciliação dos lançamentos contidos nos extratos, como exclusão de transferências, créditos decorrentes de empréstimos, valores retirados e que retornaram ao banco, etc; Fl. 754DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 755 7 que, no tocante à tributação com base em depósitos bancários, a Lei n° 9.430/96, lei ordinária que é, extrapolou os limites impostos pela CF e pelo CTN; que o entendimento jurisprudencial do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que é "ilegítimo o imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários'" (Súmula 182 do exTFR); que a movimentação financeira, depósitos a crédito, não é renda, não configurando fato gerador do IRPJ; que, por fim, mesmo nos casos de presunção, o ônus não se inverte, pois o indício nada mais é que um fato conhecido, uma circunstância conhecida e provada, que pode, numa relação causal e por um processo de indução, levar à conclusão da existência de outra ou outras circunstâncias. Entretanto, o indício por si só não é sinônimo de infração. 2 Diferença entre receita declarada e informações constantes das DIRF das fontes pagadoras: que a diferença entre o somatório dos valores constantes das DIRF das fontes pagadoras e o montante declarado na DIPJ decorre de comissões pagas a corretores não credenciados, e que se valeram de empresas credenciadas para recebimento de comissões. Tais receitas, embora tivessem transitado pela conta da empresa, de fato não pertencem à autuada; que as comissões devidas a corretores não credenciados eram a eles repassados, sendo, por conseqüência, tais vendedores os legítimos beneficiários dos rendimentos; que, ainda, está buscando junto às seguradoras a identificação dessas pessoas, bem como os valores pagos a cada uma delas, protestando, desde já, pela juntada de tais provas, quando estiver de posse das mesmas. A DRJ/Juiz de Fora, enfrentando no mérito todas as questões atinentes ao litígio objeto dos autos, julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente os autos de infração, consoante Acórdão de fls.716/723, cuja ementa transcrevo: (...) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. PRAZO. CONDIÇÕES. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções previstas na lei. QUESTÃO DE FATO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É imprescindível que as alegações contraditórias a questão de fato tenham o devido acompanhamento probatório, pois: "Alegar e não provar é quase não alegar ". Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 755DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 756 8 Exercício: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS E PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RENDA POR PRESUNÇÃO LEGAL. As críticas feitas pelo impugnante, quanto ao art. 42 da lei 9430/96, e quanto à inobservância do conceito constitucional de renda, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, em virtude de vinculação do julgador administrativo aos ditames da legislação. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de receita (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Irresignada, em parte, com esse decisum do qual tomou ciência em 27/07/2011 (fl. 735), a recorrente apresentou Recurso Voluntário apenas contra a infração Omissão de Receitas – Depósitos Bancários de origem não comprovada, o qual foi protocolizado em 30/08/2011 (fls.736/741), juntando ainda os documentos de fls. 742/746, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Omissão de receitas apuradas exclusivamente em extratos bancários: que a fiscalização não examinou sequer um livro ou documento da empresa e não procedeu a qualquer conciliação dos lançamentos contidos nos extratos bancários, como exclusão de transferências, créditos decorrentes de empréstimos contraídos, valores retirados e que retornaram ao banco etc; que a finalidade do procedimento de fiscalização é a busca da verdade material, a qual deve ser mostrada objetivamente dentro dos rigores do devido processo legal; que nos termos do art. 142 do CTN, e do princípio da legalidade, o fisco, se entendeu possuir os elementos indiciários de suposta omissão de receitas, tinha o dever de Fl. 756DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 757 9 aprofundar a fiscalização para tentar obter suportes fáticos, sinais exteriores de riqueza, renda consumida etc, capazes de amparar a imputação fiscal; que, ainda que se admita seja o art. 42 da Lei nº 9.430/96 conforme a Constituição Federal e o CTN, no que concerne à autorização da presunção legal, o procedimento de fiscalização que antecede o lançamento deve ser calcado em outros indícios que possam respaldar a imputação da omissão de receitas; que o fato indiciário (fato conhecido e provado), por raciocínio dedutivo ou ilação, não comprova, por si só, o fato probando (a infração imputada); que a prova do fato gerador é mais que um ônus; é um encargo; é um dever do fisco; que, para configurar a inversão do ônus da prova de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96, não basta apenas a comprovação, por extratos bancários, da existência de depósitos bancários a crédito de origem não compravada; que é também necessário outros indícios, como sinais exteriores de riqueza e renda consumida; que, nesse sentido, é o entendimento da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR; que, nesse sentido, ainda, cita precedentes do STJ e do STF que, com base nessa Súmula, afastaram aplicação do art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90, ou seja, afastaram o arbitramento do lucro apenas com base em extratos bancários; Por fim, com base nesses argumentos, conclui a recorrente pela inexistência da mais tênue prova da ocorrência do fato gerador, ante a falta de prova de acréscimo patrimonial ou renda consumida e, em respeito aos princípios da Administração Pública de que trata o art. 37 da CF, o lançamento deve ser cancelado. É o relatório. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 758 10 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam da exigência do crédito tributário do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), anocalendário 2005, em face da imputação das seguintes infrações: a) Omissão de Receitas da atividade (diferenaça apurada entre as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras e a DIPJ apresentada pela recorrente); b) Omissão de Receitas – depósitos bancários de origem não comprovada. No caso, o objeto do recurso é, apenas, a infração: Omissão de Receitas – depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto à infração: Omissão de Receitas da atividade, a recorrente não recorreu, por conseguinte, tratase de matéria preclusa, não cabendo mais sua discussão na esfera administrativa, ficando, nessa parte, o crédito tributário definitivamente constituído. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. As questões suscitadas nas razões do recurso, contra a imputação da infração em tela, não merecem prosperar. O IRPJ, sobre a receita omitida – depósitos bancários de origem não comprovada – foi calculado com base no lucro presumido. Diversamente do alegado, a fiscalização analisou, sim, a escituração contábil e fiscal da recorrente. A propósito, além de tudo que já foi transcrito na caracterização da infração em tela (autos de infração), consta, também, do Termo de Verificação Fiscal (fls.39/50): (...) 2) DAS VERIFICAÇÕES EFETUADAS DIRF X DIPJ Em 01/09/2008 foi lavrado Termo de Início de Ação Fiscal, solicitando do contribuinte a apresentação do Contrato Social e suas alterações, livros da escrituração contábilfiscal, todos os documentos que embasaram a contabilidade e extratos bancários de todas as contascorrentes. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 759 11 Na análise da documentação apresentada constatei que o Livro Diário não se encontra registrado na Junta Comercial e que foram emitidas as notas fiscais abaixo relacionadas: (...) Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada (Omissão de Receitas), a fiscalização, de forma exaustiva, apurou o valor objeto da infração imputada, conforme já transcrito no relatório. Primeiro, a fiscalização constatou que a movimentação financeira da recorrente era incompatível com as receitas declaradas, conforme demonstrativos já transcritos no relatório. Nesse sentido, o fisco apurou, com base nos extratos bancários fornecidos pela recorrente (fls. 89/156 e 172/183)), movimentação financeira ou bancária a crédito nas suas contas correntes, no anocalendário 2005, no montante de R$ 1.067.822,38, conforme demonstrativo (fls. 160/171); porém, as receitas declaradas na DIPJ 2006, anoalendário 2005, totalizam, apenas, R$ 175.435,34, conforme demonstrativo transcrito no relatório e documentos (fl. 68/76). Entretanto, as DIRF das fontes pagadoras indicavam rendimento bruto auferido pela recorrente no valor de R$ 844.106,71 – demonstrativo transcrito no relatório e documentos (fl. 77/85). Em face disso, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal, cuja narrativa da apuração dos fatos já foi transcrita no relatório, que: a) a recorrente foi intimada a esclarecer a discrepância encontrada entre as receitas declaradas e as informadas nas DIRF pelas fonte pagadoras, conforme Intimação Fiscal nº 01, de 04/11/2008 (fls. 157/159); porém, não desencumbiuse desse ônus probatório; b) a recorrente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários em suas contas correntes bancárias no valor de R$ 1.067.822,38 – planilha ou demonstrativo, conforme Termos de Intimação n° 2 e n° 3 (fls. 160/171), para apresentação de documentação hábil e idônea; porém, não conseguiu desencumbirse desse ônus probatório; c) então, as pessoas jurídicas, que informaram nas respectivas DIRF (retenção de imposto na fonte) quanto a pagamentos efetuados à recorrente no anocalendário 2005 no valor de R$ 844.106,71, foram intimadas e confirmaram os pagamentos, um por um, de forma individualizada, indicando, inclusive, a forma de pagamento (cheque, data do depósito etc), conforme relatado nos itens 2.1 a 2.8 do TVF. De modo que a fiscalização, de posse desses dados, efetuou a conciliação bancária, com base nos extratos bancários fornecidos pela própria recorrente, restando comprovado, nessa parte, a origem dos depósitos bancários em sua contas correntes; Ainda, por fim, houve reiteração de intimações físcais em 18/02/2009 (fls. 187/188), para comprovação da origem dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias quanto às intimações nº 01, 02, 03 e 04, todas de 04/11/2008, cujos valores foram extraídos dos extratos bancários fornecidas pela recorrente à fiscalização, conforme intimação fiscal, ciência 18/02/2009. Então, após excluídas todas as parcelas possíveis dos ingressos a crédito nas contas corrente, restaram depósitos bancários a crédito em suas contas bancárias no montante Fl. 759DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 760 12 de R$ 174.704,54 sem comprovação de origem (fl. 64/67). Por conseguinte, foi imputada a infração Omissão de Receitas – Depósitos bancários de origem não comprovada. Logo, não merece crédito a alegação da recorrente de que a fiscalização não teria subtraído do valor tributável imputado as transferências entre contas, devoluções, valores de empréstimos etc. Tratase de alegação sem fundamento, genérica, sem provas, sem indicação ou especificação de qual valor ou operação que deveria ter sido excluído do valor tributável e a que título. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. A recorrente, ainda, alegou que o fisco não poderia imputar a infração Omissão de Receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, nas contas correntes (extratos bancários fornecidos pela própria recorrente à fiscalização); que o fato indiciário (fato conhecido, provado) – depósitos a crédito em contas correntes bancárias de origem não comprovada não não servem, por si só, para presumir, a ocorrência da Omissão de Receitas (fato probando); que – no caso – seria inaplicável a inversão do ônus da prova de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois o fisco deveria ter aprofundado a investigação no sentido de comprovar sinais exteriores de riqueza e renda consumida; que, nesse sentido, é o entendimento dos tribunais pátrios, ou seja, pela aplicação da Súmula nº 182 do TFR. Aqui, também, a argumentação da recorrente não tem melhor sorte. Diversamente do entendimento da contribuinte, por ter restado não comprovada pela recorrente a origem dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias, o fisco, por presunção legal, imputou a infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42). O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 encerra uma presunção legal relativa, que tem a função de inverter o ônus probatório. No caso de presunção legal, o ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa a infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova negativa de que não ocorreu a omissão de receitas. Para fisco compete, apenas, comprovar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com lastro em extratos bancários (prova indiciária) de da presunção de omissão de receitas. Vale dizer, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais invocados, pois calcados em legislação revogada. Isso porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma Fl. 760DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 761 13 com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (este revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n° 9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 , a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 762 14 O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes trascrevo algumas ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10809.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 762DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 763 15 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 10517.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 195 00.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracterizase como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas Fl. 763DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 764 16 envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC. CSRF nº 0105.643, sessão de 27 de março de 2007, Redator designado José Cóvis Alves). Por fim, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal. Ainda, apenas para argumentar, eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, falecendo competência ao CARF para tanto, conforme máteria já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte, embora intimada disversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desencumbiu desse ônus probatório para elidir a omissão de receitas. Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para lastrear suas alegações. Portanto, deve ser mantida a infração imputada “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. TIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS, COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vale dizer, os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento matriz (principal), inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente, em relação a íntima relação de causa e efeitos. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 764DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.001190/200947 Acórdão n.º 1802001.308 S1TE02 Fl. 765 17 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10830.722244/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL:
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que dava provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado.
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DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 22 44 /2 01 1- 99 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que dava provimento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722244/201199 Acórdão n.º 2402003.408 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela dos segurados descontada e não descontada, assim como à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 06/2007 a 12/2009. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Código de Fundamento Legal 78). O Relatório Fiscal informa que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD’s 37.300.5008 (período de 06/2007 a 10/2008) e 37340.1710 (período de 11/2008 a 13/2009), relativo a contribuições patronais, incluindo as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT; 2. DEBCAD’s 37.300.5016 (período de 06/2007 a 10/2008) e 37.340.1728 (período de 11/2008 a 13/2009), relativo a contribuições para outras Entidades/Terceiros (salárioeducação/FNDE, SEBRAE, INCRA, SEST E SENAT); 3. DEBCAD’s 37.300.5024 (período de 01/2007 a 10/2008) e 37.340.1736 (período de 11/2008 a 13/2009), as contribuições dos segurados não descontadas e incidentes sobre a remuneração oriunda do pagamento da PLR; 4. DEBCAD 37.340.1701, trata da cobrança de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e contribuintes individuais, mas não recolhidas aos cofres previdenciários. Quanto aos segurados empregados, os valores em questão foram apurados pela diferença entre os descontos reconhecidos em folha de pagamento e os declarados em GFIP. Com relação às contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais, os fatos foram constatados nas folhas de pagamento e na contabilidade da empresa; 5. DEBCAD 37.300.5067, por descumprimento de obrigação tributária acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias), mediante imposição da multa de R$20,00 por grupo de 10 informações Fl. 406DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 incorretas ou omissas, conforme detalhado na planilha de fls. 129/131. Esses créditos tributários lançados foram codificados em levantamentos fiscais, e decorrem das seguintes remunerações: 1. retiradas de pro labore declaradas nas folhas de pagamento; 2. participação nos lucros ou resultados (PLR) declarada nas folhas de pagamento e paga em desacordo com a Lei 10.101/2000, nos seguintes termos do Relatório Fiscal: “(...) não Elaborou Metas que deveriam ser parte integrante do Acordo; não preparou regras claras e objetivas; não apresentou os resultados das Metas, os Prazos para eventuais recursos; quando fez mais de 02 pagamentos anuais, (...)”; 3. diferenças apuradas entre as bases de cálculo reconhecidas nas folhas de pagamento, mas não declaradas em GFIP; 4. Diferenças de Acréscimos Legais (DAL) devidos em decorrência do pagamento de GPS em atraso, mas não recolhidos. Sobre as GFIP, relata o Fisco, que constam na autuação os valores nelas declarados a fim de apropriar os recolhimentos constantes nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Enfatizou que crédito constituído por meio de GFIP, mas não pago, não é objeto da autuação, na medida em que é exigível por meios próprios. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/07/2011 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 321/326), alegando, em síntese, que: 1. a cobrança pretendida é inconstitucional e ilegal, pois a natureza salarial da participação nos lucros ou resultados é afastada no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal. A Lei nº 10.101/2000, que regulamenta a matéria, prevê que o pagamento da parcela deve decorrer de procedimento acordado entre as partes em comissão, acordo ou convenção coletiva. A seu ver, cumprida a lei, não há como se vislumbrar a incidência de contribuições previdenciárias sobre tais pagamentos; 2. argui que “(...)quando do Acordo Coletivo firmado entre as partes, Sindicato dos Rodoviários e Empresas de Ônibus, dentre outras cláusulas, ficou definido o pagamento do PLR a todos os funcionários do setor, restando ainda acordado que o mesmo deveria ser pago mediante critérios mínimos de produtividade, tais como: número de faltas injustificadas ao trabalho, número mínimo de acidentes e multas de trânsito etc, conforme relatório em anexo (...)”; 3. ressalta que os documentos em anexo, devidamente arquivados na entidade sindical consoante o disposto na Lei 10.101/2000, comprovam a procedência das suas alegações; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722244/201199 Acórdão n.º 2402003.408 S2C4T2 Fl. 4 5 4. requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento do recurso interposto, o cancelamento das autuações e que seja notificada a autoridade policial sobre a inocorrência da apropriação indébita. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0535.790 da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 361/368) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Campinas/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: Quanto aos valores lançados em decorrência da remuneração proveniente da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o procedimento de auditoria fiscal demonstrou que tal verba foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. Esclarecemos que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000. No presente processo, a remuneração, cognominada de participação nos lucros e resultados, paga aos segurados fora realizada em desacordo com o mencionado diploma legal e, com isso, deverá integrar o salário de contribuição dos valores lançados. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722244/201199 Acórdão n.º 2402003.408 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) ......................................................................................................... Art. 3º. (...) § 2o. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Verificase que a verba cognominada de Participação nos Lucros ou Resultados foi paga pela empresa em desacordo com os dispositivos legais, conforme devidamente enfatizado no conjunto fáticoprobatório do Relatório Fiscal, bem como nos elementos acostados pela Recorrente nas peças de defesa, uma vez que os Acordos Coletivos de Trabalho firmados no biênio 2007/2008 e no biênio 2009/2010: 1. não estipulam critérios a serem cumpridos pelos trabalhadores; 2. não estipulam metas a serem atingidas, não constam formas de apuração dos resultados referentes às supostas metas inicialmente fixadas. Também não estabelecem quaisquer índices pretendidos pela empresa, tais como: produtividade, qualidade ou lucratividade. Determinam apenas o valor a ser pago e datas de pagamento. Embora devidamente intimada para apresentação de documentos, a Recorrente não apresentou os resultados do cumprimento de metas, índices e parâmetros, restando comprovado o pagamento de PLR em desacordo com a Legislação. Isso está consubstanciado nos Acordos Coletivos de Trabalho que registram: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “Biênio 2007/2008: CLÁUSULA 06. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: A título de PLR será pago o valor de R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais) para todos os empregados abrangidos por este acordo coletivo. Parágrafo Primeiro: O pagamento do PLR será efetuado em duas parcelas iguais, correspondendo cada uma delas a 50% (cinqüenta por cento) do valor estipulado, os quais deverão ser quitadas nas dates, a saber: • 1ª parecia 30/09/2008 • 2ª parcela 30/03/2009 Parágrafo Segundo: O PLR ora estipulado compreende o período dos resultados aferidos de 01/01/2008 até 31/12/2008, sendo certo que seu pagamento será proporcional aos meses trabalhados pelo empregado, respeitandose o limite mínimo de 15 (quinze) dias trabalhados no mês. Parágrafo Terceiro: Por não contribuírem com os resultados, os empregados afastados não receberão o PLR a partir da data de seu afastamento.” ......................................................................................................... “Biênio 2009/2010: CLÁUSULA 05. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS £ RESULTADOS: A título de PLR será pago o valor de R$ 340,00 (trezentos e quarenta reais) para todos os empregados abrangidos por este acordo coletivo. Parágrafo Primeiro: O pagamento da PLR será efetuado em três parcelas as quais deverão ser quitadas nas datas, a saber: 1ª parcela 30/08/2009 no valor de R$ 110,00; 2ª parcela 30/10/2009 no valor de R$ 110,00; 3ª parcela 28/02/2010 no valor de R$ 120,00. Parágrafo Segundo: O PLR ora estipulado compreende o período dos resultados aferidos de 01/01/2009 até 31/12/2009, sendo certo que seu pagamento será proporcional aos meses trabalhados pelo empregado, respeitandose o limite mínimo de 15 (quinze) dias trabalhados no mês. Parágrafo Terceiro: Por não contribuírem com os resultados, os empregados afastados não receberão o PLR a partir da data de seu afastamento.” Fl. 411DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722244/201199 Acórdão n.º 2402003.408 S2C4T2 Fl. 6 9 É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivos de Trabalho referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. A Recorrente argumenta ainda que as metas para a aquisição do direito de receber a PLR estariam inseridas nos acordos coletivos, tais como número de faltas injustificadas ao trabalho, acidentes e multas de trânsito, e juntou planilhas de acompanhamento dos índices de absenteísmo e rotatividade (fls. 355/358). Essa alegação não será acatada, eis que não existe indício da interferência dos resultados indicados nas planilhas no pagamento da PLR, nem há previsão dessas metas nos acordos coletivos firmados nos biênios 2007/2008 e 2009/2010. Além disso, os índices de ausências dos trabalhadores (absenteísmo) e da rotatividade, por si só, e desacompanhados de elementos subjacente à meta ou resultado que se pretende comprovar, não atendem os parâmetros do programa de metas delineados no art. 2o da Lei 10.101/2000. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, para as competências 06/2007 a 12/2009. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados nos lançamentos fiscais: (i) DEBCAD’s 37.300.5008 e 37340.1710, relativo a contribuições patronais, incluindo as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT; (ii) DEBCAD’s DEBCAD’s 37.300.5024 e 37.340.1736, relativo a contribuições dos segurados não descontadas e incidentes sobre a remuneração oriunda do pagamento da PLR; e (iii) DEBCAD 37.340.1701, contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e contribuintes individuais, mas não recolhidas aos cofres previdenciários. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Fl. 412DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.722244/201199 Acórdão n.º 2402003.408 S2C4T2 Fl. 7 11 § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15521.000137/2010-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
GANHO DE CAPITAL
Está sujeito ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens imóveis.
INCORPORAÇÃO DE CAPITAL
Incorporação efetuada não pelo contrato social, mas por escritura publica e, por preço superior ao custo de aquisição. Ganho de capital reconhecido.
Numero da decisão: 2202-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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INCORPORAÇÃO DE CAPITAL Incorporação efetuada não pelo contrato social, mas por escritura publica e, por preço superior ao custo de aquisição. Ganho de capital reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 37 /2 01 0- 32 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro II/RJ que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos no ganho de capital na alienação de imóveis para a sociedade Golden Meat Ind. de Alimentos por importância superior ao valor constante da Declaração de Ajuste anual. Auto de Infração (fls. 334/340), com ciência em 07/08/10 (Ar fls. 374). Termo de Verificação Fiscal (fls. 341/368) com início da fiscalização em 27/10/2010. Contatou a fiscalização que Paulo Roberto Silveira sócio da empresa Golden Meat Ind. de Alimentos transferiu imóvel de R$ 200.000,00 por R$ 4.689,985,00, para a sociedade, com um acréscimo de R$ 4.489.985,00. Impugnação (fls. 383/400). Decisão recorrida (fls. 460/462) com ciência em 18/03/2011 (AR fls. 466) manteve a autuação sob o fundamento de a incorporação do imóvel à empresa Golden Meat Ind. de Alimentos não se fez pelo custo de aquisição de R$ 200.000,00, consta da Declaração de Ajuste, mas pelo valor de R$ 4.689,985, 00. Recurso Voluntário (fls. 467/484) repete os argumentos da Impugnação (fls. 383/400), onde sustenta, em síntese, que transferiu em 2005, de forma gratuita os imóveis para a empresa Golden Meat Ind. de Alimentos, pelo custo de aquisição. Em 2006, após a transferência, a empresa reavaliou os imóveis e aumentou de capital social, com lançamento na Declaração do Imposto de Renda dos sócios do anocalendário 2005, exercício 2006. Por fim, alega que inexistem motivos para duplicar a multa do at. 44, I, da Lei nº 9.430/96. É o breve relatório. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 15521.000137/201032 Acórdão n.º 2202002.170 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de autuação do IRPF sobre ganhos de capital na alienação de imóveis no anocalendário de 2006 incorporado ao patrimônio da empresa Golden Meat Ind. de Alimentos, de titularidade do Recorrente, com multa a qualificada de 150%. A decisão recorrida esta assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 GANHO DE CAPITAL Está sujeito ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens imóveis. MULTA QUALIFICADA È cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do Contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Em regra, as decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS Deve ser indeferido o pedido de produção de novas provas, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 524DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 4 Sustenta o Recorrente, desde a Impugnação, que transferiu os imóveis pelo custo de aquisição, sem qualquer ganho de capital passível de tributação na pessoa física. Após a incorporação ao capital – continua o Recorrente reavaliou os imóveis e aumentou o capital social da empresa. A decisão recorrida manteve a autuação porque a transmissão dos imóveis à empresa Golden Meat Ind. de Alimentos Ltda. não se fez pelo custo de aquisição (R$ 200.000,00), conforme consta da Declaração de Ajuste do Recorrente, mas pelo valor de R$ 4.689,985,00. De fato. A questão destes autos resumese em saber a forma e o preço da integralização dos imóveis ao capital da sociedade de titularidade do autuado. Constatase dos autos, que a transferência dos imóveis para a sociedade ocorreu em 07.08.2006 e não em 2005 como insiste o Recorrente, e isto se fez pela Escritura de incorporação lavrada no Tabelionato de Notas, pelo valor de R$ 4.689,985, 00 (fls. 298 a 303), com a Matrícula do Registro de Imóveis feita em 08.08.2006 (fls. 41). Na segunda alteração do contrato social da sociedade Golden Meat Ind. de Alimentos Ltda (fls. 18 a 23), firmado em 28.02.2005, os sócios, um deles o autuado, procederam ao aumento de capital com os imóveis, objeto da autuação, sem que conste desse instrumento particular de contrato a integralização ao capital. Nessa alteração contratual consta o custo de aquisição R$ 200.000,00, mas transmitida pelo valor de R$ 4.689,985,00. Em 28.02.2005, como insiste o Recorrente, a sociedade não era proprietária dos imóveis pela incorporação ao capital. Este é o fato em conflito. A propriedade dos imóveis somente foi transmitidas pelos sócios à empresa por intermédio da Escritura Publica de integralização em 07.08.2006. Na constituição de sociedades ou no aumento de capital com bens imóveis, o contrato social ou a sua alteração, com registro na Junta do Comercio, é titulo translativo para permitir o registro no Cartório de Registro de Imóveis e transmitir o domínio sobre o imóvel, conforme prevê o art. 64, da Lei n° 8.934, de 1994. Art. 64. A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis, passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados, será o documento hábil para a transferência, por transcrição no registro público competente, dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. Contudo, no caso destes autos, a transmissão da titularidade dos imóveis à sociedade não correu pelo contrato social, mas pela Escritura Publica de incorporação. E essa integralização do capital pela escritura publica foi procedida por preço superior ao custo de aquisição constante da Declaração Anual de ajuste do Recorrente. A diferença é ganho de capital, tributável na pessoa física. Observese, não houve qualquer aumento de capital com a transmissão dos imóveis à sociedade, o que existiu foi a integralização feita pelo preço que o Recorrente sustenta ser o aumento de capital na empresa. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 15521.000137/201032 Acórdão n.º 2202002.170 S2C2T2 Fl. 4 5 O equivoco, não percebido foi o de incorporar o imóvel não pelo custo de aquisição constante na Declaração de Ajuste, mas por preço superior ao custo atribuído ao imóvel. Outro equivoco foi entender que a alteração do contrato social, firmado em 28.02.2005, com objetivo de proceder ao aumento de capital com os imóveis, na realidade não fez alteração ou aumento de capital e muito menos a incorporação ao capital da sociedade. A incorporação repitase, foi feita pela Escritura Pública e por preço superior ao custo, daí o ganho de capital apurado pela fiscalização com a autuação. A diferença entre um e outro critério – transferência pelo custo de aquisição ou por valor atualizado para posterior com aumento de capital, esta apenas na modalidade e no momento de tributação na pessoa física ou na pessoa jurídica e da carga tributária. Enfim, pela forma escolhida pelo Recorrente de incorporar o imóvel ao capital por valor superior ao custo de aquisição ou atualizado, significar obter ganho de capital na alienação. Num ponto o Recorrente tem razão. Não há motivo para qualificar a penalidade. A conduta do Recorrente, pensamos, esta longe de configurar dolo ou fraude para permitir a qualificar a penalidade. Resta claro nos autos que houve erro na forma da incorporação dos imóveis ao capital, com valor superior ao custo, quando poderia transferir pelo custo de aquisição e, após avaliar e a aumentar o capital. O Recorrente pensou assim, mas fez coisa diversa com a Escritura Publica, tanto no momento da incorporação e na forma. Os erros contratuais confirmam a total inexistência do dolo ou de simulação para permitir a qualificação da multa. Ante o exposto pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para excluir a qualificadora da multa, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 526DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 6 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10783.724036/2011-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. TRIBUTAÇÃO
O valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, não sofre incidência de contribuição previdenciária, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.
Numero da decisão: 2403-001.783
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. TRIBUTAÇÃO O valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, não sofre incidência de contribuição previdenciária, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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TRIBUTAÇÃO O valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, não sofre incidência de contribuição previdenciária, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 40 36 /2 01 1- 37 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.724036/201137 Acórdão n.º 2403001.783 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 12 44.214 da 13ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização, consolidados nos DEBCAD nº 37.324.5882 e 37.324.5890, pertinentes, respectivamente à cota patronal de contribuições previdenciárias (art. 22 da Lei 8.212/91), contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e, contribuições para Outras Entidades e Fundos Paraestatais (Terceiros), conforme o demonstrativo de fls. 2. 2. O Relatório Fiscal informa que as contribuições exigidas recaem sobre remunerações pagas a segurados empregados, relativas ao programa de previdência privada, concedidas em desacordo do o art. 28, inciso I, § 9º, alínea “p” da Lei 8.212/91, por não ser extensível a todos os empregados e dirigentes da autuada. 3. Segundo o autuante, os valores lançados foram extraídos dos lançamentos a débito das contas contábeis “Previdência Privada Professores” (41401089) e “Previdência Privada” (41401019) constantes dos arquivos digitais do Razão e do Livro Diário fornecidos pelo contribuinte. As alíquotas aplicadas foram demonstradas no DD –Discriminativo do Débito. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Os valores despedidos pelo empregador para plano de Previdência Complementar privada não integram o salário de contribuição, independentemente de o plano ter sido disponibilizado a todos os empregados ou a apenas a uma categoria profissional. Acosta jurisprudência em abono de sua tese. · O art. 2º do Decreto Lei nº 2.296/86 e art. 69 § 1º da Lei Complementar nº 109/01) não contemplam qualquer restrição ou Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 imposição de condição para a exclusão das contribuições aos planos de previdência privada da base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o relatório Fl. 369DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.724036/201137 Acórdão n.º 2403001.783 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento tem por base de cálculo as remunerações pagas a segurados empregados, relativas ao programa de previdência privada, concedidas em desacordo do o art. 28, inciso I, § 9º, alínea “p” da Lei 8.212/91, por não ser extensível a todos os empregados e dirigentes da autuada. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/11/1997)(...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997) O Relatório Fiscal deixa claro que a previdência complementar não foi paga ou disponibilizada à totalidade dos segurados. Esse ponto é incontroverso. A tese apresentada no recurso, foi a mesma apresentada no impugnação, qual seja: entende que não incide contribuição com base no art. 2º do Decreto Lei nº 2.296/86 e no art. 69 § 1º da Lei Complementar nº 109/01 e em dispositivos constitucionais. Analisemos: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 INCONSTITUCIONALIDADE A contribuinte alega conflitos entre o disposto no art. 28, inciso I, § 9º, alínea “p” da Lei 8.212/91 e dispositivos constitucionais. Obviamente é questão de inconstitucionalidade. Não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. DECRETOLEI 2.296/86 Entendo que a regra estabelecida pelo artigo 2º do DecretoLei 2.296/86 foi revogada pelo art. 28, inciso I, § 9º, alínea “p” da Lei 8.212/91. DecretoLei 2.296/86 Art 2º As contribuições efetivamente pagas pela pessoa jurídica relativas aos programas de previdência privada, em favor dos seus empregados e dirigentes, não serão consideradas integrantes da remuneração dos beneficiários para efeitos trabalhistas, previdenciários e de contribuição sindical, nem integrarão a base de cálculo para as contribuições do FGTS. LEI COMPLEMENTAR 109 A tese apresentada pela recorrente foi a mesma do impugnação, isto é, conforme artigo 69, § 1º, sobre os valores pagos a previdência complementar não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10783.724036/201137 Acórdão n.º 2403001.783 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1oSobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Ocorre que os argumentos apresentados na decisão de primeira instância não foram apreciados, razão pela qual os reproduzo para não acatar a tese da recorrente. Foi dito que é necessário interpretar a lei em conjunto e de forma harmônica com o sistema normativo em vigor e não se fazer uma leitura tópica e isolada de dispositivo legal. Ao observarse uma defesa pautada em trechos normativos, devese atentar para o bom costume jurídico de não se fazer uma leitura tópica e isolada de um dispositivo legal. É necessário interpretálo em conjunto e de forma harmônica com o sistema normativo em vigor. Nesse sentido, alerta Eros Grau que “Não se interpreta o direito em tiras, aos pedaços. A interpretação de qualquer texto de direito impõe ao intérprete, sempre, em qualquer circunstância, o caminhar pelo percurso que se projeta a partir dele – do texto até a Constituição. Um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado algum.” (Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito. São Paulo: Malheiros, 2002, pág. 34) A Lei Complementar 109/2001, dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá outras providências. O artigo 16 estabelece a obrigatoriedade de os planos de previdência complementar serem oferecidos a todos. Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. §1º. Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Esses planos de previdência complementar ofertados a todos é que não são tributados, conforme artigo 69. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 373DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904243/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3801-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 111 1 110 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904243/200924 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.728 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria COFINS Recorrente AUTO POSTO VERONA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 42 43 /2 00 9- 24 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904243/200924 Acórdão n.º 3801001.728 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de compensação declarada por meio de DCOMP de suposto crédito de COFINS, que foi objeto de Despacho Decisório no sentido de sua não homologação, em virtude de que o crédito apontado foi utilizado integralmente para a quitação de outros débitos da empresa, não restando crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP. Cientificado da decisão administrativa, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que os valores compensados são decorrentes de COFINS e PIS incidentes sobre receitas repassadas a terceiros (art. 3o., § 2o., inciso III, da Lei 9.718/98) e que, por conseguinte, não poderiam sofrer a incidência das contribuições em comento. A DRJ de Porto Alegre, ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, assim decidiu: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação não produziu efeitos, sendo descabido, com base nesse pressuposto, o reconhecimento do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo sido notificada da decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que o crédito compensado seria a título de PIS recolhido com base nos Decretoslei no. 2.445/1988 e 2.449/1988, que tiveram sua eficácia suspensa com a edição da Resolução do Senado Federal no. 49/95. E que, em face do exposto, voltou a vigorar a sistemática da Lei Complementar no. 7/70 e, com a alta da inflação, o valor mensal devido pelas empresas mercantis e mistas foi reduzida a praticamente zero. Alega que essa situação perdurou até 29/11/1995, quando foi editada a MP no. 1.212/95, que determinou a cobrança do PIS sobre o faturamento. Porém, como a MP e suas sucessivas reedições não observaram a carência nonagesimal exigida constitucionalmente, a Lei Complementar no. 7/70 estaria vigente até hoje e, em face disso, a base de cálculo do PIS seria o faturamento do sexto mês anterior, sem quaisquer correções. Estaria, assim, justificada a compensação efetuada pelo Recorrente, razão pela qual requer que seu direito creditório seja reconhecido por este Conselho. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904243/200924 Acórdão n.º 3801001.728 S3TE01 Fl. 113 3 É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora O Recurso é tempestivo. Porém, não há como conhecêlo. Isso porque o Recurso Voluntário é o meio através do qual o Recorrente devolve ao Conselho a matéria decidida pela Delegacia de Julgamento. Deve, portanto, efetivamente impugnar tal decisão, demonstrando seu inconformismo com as razões apresentadas pelos julgadores. Contudo, a Recorrente não pode utilizarse desse instrumento para alegar matéria totalmente estranha ao processo. Ora, o processo foi instaurado em face de uma compensação realizada pela Recorrente de suposto crédito de COFINS. A compensação não foi homologada. A Recorrente, em sua primeira manifestação, justifica a existência do crédito de COFINS alegando que seria decorrente de incidência havida sobre receita repassada a terceiros (sem, contudo, trazer qualquer demonstrativo de cálculo que comprovasse tal alegação). A Delegacia de Julgamento de Porto Alegre manteve o entendimento no sentido da inexistência do crédito. E, por fim, em suas razões recursais, justifica a compensação em face de suposto recolhimento indevido a maior a título de PIS!!! De se ressaltar que não se trata de simples inovação de argumentos, mas de matéria completamente estranha aos autos do processo. Não se questiona aqui, compensação de crédito de PIS, mas sim compensação de crédito de COFINS. Padece o recurso de regularidade formal. O Recurso só é possível quando o Recorrente demonstra de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão recorrida, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Na presente hipótese, carece a peça recursal de elementos técnicos de formação, posto que não guarda relação lógica e pertinência temática com aquilo que foi objeto da decisão. Não tendo sido impugnados os alicerces da decisão recorrida, tratando de matéria alheia ao processo, não há como conhecer do presente Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904243/200924 Acórdão n.º 3801001.728 S3TE01 Fl. 114 4 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10950.002204/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/05/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL - SUB-ROGAÇÃO - DISCUSSÃO JUDICIAL. - DECISÃO COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DA REALIDADE FÁTICA DO LANÇAMENTO - NULIDADE
Ao observar que os termos da Decisão de Primeira Instância, ensejam inovação nos fundamentos do lançamento, por ter a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso, deve ser declarada a nulidade da referida decisão.
Na informação fiscal restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais quanto de pessoas físicas, o que demonstra equivoco por parte da autoridade julgadora, que manteve o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/05/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL - SUB-ROGAÇÃO - DISCUSSÃO JUDICIAL. - DECISÃO COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DA REALIDADE FÁTICA DO LANÇAMENTO - NULIDADE Ao observar que os termos da Decisão de Primeira Instância, ensejam inovação nos fundamentos do lançamento, por ter a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso, deve ser declarada a nulidade da referida decisão. Na informação fiscal restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais quanto de pessoas físicas, o que demonstra equivoco por parte da autoridade julgadora, que manteve o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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DECISÃO COM FUNDAMENTOS DIVERSOS DA REALIDADE FÁTICA DO LANÇAMENTO NULIDADE Ao observar que os termos da Decisão de Primeira Instância, ensejam inovação nos fundamentos do lançamento, por ter a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso, deve ser declarada a nulidade da referida decisão. Na informação fiscal restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais quanto de pessoas físicas, o que demonstra equivoco por parte da autoridade julgadora, que manteve o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 22 04 /2 01 0- 80 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.002204/201080 Acórdão n.º 2401002.878 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.260.5192 em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, Segundo Relatório Fiscal (fls. 89 a 95), o lançamento corresponde ao valor da comercialização na aquisição de produtos rurais de Produtor Rural Pessoa Física – não declarado em GFIP, bem como pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais relacionados em Folhas de Pagamento e não incluídas em GFIP. O presente encontrase apensado ao processo relativo às contribuições previdenciárias devidas pela empresa AI DEBCAD n° 37.260.5206, vez que o auto de infração ora em Julgamento possui correlação direta com o referido AIOP. Notese, ainda que ambos os autos consubstanciassem sobre as mesmas bases de cálculo do presente lançamento e formalizado com base nos mesmos elementos de prova naquele anexadas, nos termos do art. 2o , inciso III, da Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008. A penalidade pecuniária aplicável à infração em tela apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias é aquela prevista no art. 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, na redação em vigor antes da publicação da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, depois convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Dessa forma no cálculo observouse a aplicação da penalidade mais benéfica. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 04 no relatório demonstrativo da Retroatividade Benigna, foram apresentados os valores utilizados na determinação da multa aplicável em cada competência. Nesse relatório observouse que a legislação anterior é mais benéfica ao recorrente. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 10/05/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 11/05/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 12 a 27, informando preliminarmente, que renunciou o seu direito de recorrer à esfera administrativa, ao expressamente optar pela via judicial, considerando que ajuizou antes mesmo do presente lançamento, Mandado de Segurança para terlhe assegurado o direito de não subsumirse ao recolhimento prevista nos art. 25 e 30 da lei 8212/91, por entender tratarse de norma vertentemente inconstitucional. Colocando sob discussão judicial a ilegalidade da exigência, o fisco está impedido de constituir o credito tributário quanto as mesmas até o transito em julgado da ação. Inaplicável da mesma forma multa de ofício face a existência de medida judicial. No mérito questiona a constitucionalidade da contribuição. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 43 a que confirmou a procedência do lançamento, por entender a autoridade de primeira instância que a matéria objeto do lançamento e do Mandado de Segurança são distintas. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 374 a 389. Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as smas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Preliminarmente, o lançamento é nulo, pois discordando da exigência contributiva prevista nos art. 25 c/c 30 da lei 8212, a empresa optou pela discussão da matéria dos autos pela via judicial, renunciando ao seu direito de recorrer à esfera administrativa . 2. Considerando que ajuizou antes mesmo do presente lançamento, Mandado de Segurança 2007.70.01.001786/8. para terlhe assegurado o direito de não subsumirse ao recolhimento prevista nos art. 25 e 30 da lei 8212/91, por entender tratarse de norma vertentemente inconstitucional. 3. É indevida a exigência de multa de ofício, vez que a falta de recolhimento apurada pela fiscalização decorreu da discussão judicial. 4. Ainda que fosse possível constituir o crédito, cuja constitucionalidade está sendo discutida, deve aterse o lançamento apenas ao principal consoante as disposições do art. 63 da Lei 9430/96. 5. A exigência de contribuições previdenciárias, por subrogação, com base na aquisição de produção rural de pessoas físicas, balizada pelo art. 25 da lei 8212/91 seria ilegal e inconstitucional, dando tratamento igual a contribuintes que se encontram em situação diferente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.002204/201080 Acórdão n.º 2401002.878 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 391. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em se tratando de AI de obrigação acessória justificável a necessária apreciação do desfecho do julgamento da AIOP que indicou os fatos geradores, Processo 10950.002202/201091, DEBCAD n. 37.260.5206, em julgamento nessa mesma sessão. No caso, considerando a nulidade da decisão de primeira instância, naquele processo, igual destino deve ser atribuído ao presente processo, considerando a vinculação dos mesmos. Sendo assim, adoto os argumentos daquela decisão para também decretar a nulidade da decisão proferida nos presente autos, considerando a correlação entre os mesmos, conforme transcrito abaixo: Retornam os autos após diligência comandada por esta Câmara de julgamento, no intuito de identificar, precisamente, quais os fatos geradores descritos no presente lançamento, considerando a existência de ação judicial em que o recorrente questiona a inconstitucionalidade da contribuição por subrogação em relação a contratação de produtores rurais pessoas físicas. Conforme descrito na diligência a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que não existiria conflito entre a ação judicial proposta, em que o recorrente ingressou com Mandado de Segurança, para terlhe assegurado o direito de não subsumirse ao recolhimento prevista nos art. 25 e 30 da lei 8.212/91, por entender tratarse de norma vertentemente inconstitucional. Descreveu dita autoridade que o lançamento em questão somente abarca as contribuições pela compra de produção rural dos segurados especiais, e não do produtor rural pessoa física. Contudo, ao apreciar os documentos e relatórios constantes dos autos não enxerguei tal fato com tanta clareza. Ou seja, no caso de ingresso em juízo, não será conhecida matéria que possua o “mesmo objeto”, assim, entendo deva ser esclarecido pela autoridade fiscal, se o lançamento envolve apenas a aquisição de segurado especial, pessoa física empregador, ou se o lançamento envolve sem discriminação as duas situações. Da diligência, respondeu a autoridade fiscal, que o lançamento envolve tanto a aquisição da produção rural de segurados Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 especiais, quanto empregador rural pessoa física. Vejamos trecho da informação fiscal: Processo: 10950.002202/201091 FRIGORÍFICO FRIGOPRATA LTDA 1. Atendendo à solicitação formulada na Resolução nº 2401 000.214, fls. 448/452, informamos que o lançamento fiscal do processo 10950.002202/201091 referese à aquisição da produção rural de segurados especiais e empregadores rurais pessoa física, sem distinção. 2. Acrescentamos que a documentação apresentada pela empresa durante o procedimento de fiscalização não permite identificar a condição do produtor rural junto à Previdência Social. Contudo às fls. 365, assim, descreveu a autoridade fiscal sobre a ausência de concomitância: “quanto ao pedido, na impugnação administrativa, de nulidade do lançamento vez que, no entendimento da contribuinte, o ingresso do MS para discutir a legalidade e a constitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre a aquisição produção rural de pessoa física implica renúncia a toda à esfera administrativa, ou seja, o fisco sequer poderia iniciar o procedimento administrativo de constituição e exigência dos eventuais créditos tributários respectivos, repetese que, conforme já mencionado, as matérias objetos dos processos administrativo e judicial são diferenciadas, tratandose, no processo administrativo, de produtores rurais pessoas físicas segurados especiais e, na ação judicial, de produtores rurais pessoas físicas empregadores.” Isto posto, ao observamos os termos da Decisão de Primeira instância, identificase inovação nos fundamentos do lançamento, tendo a autoridade julgadora rebatido o argumento do recorrente de concomitância de ação judicial, descrevendo tratar a NFLD de fato gerador diverso. Entretanto, não consegui identificar idêntica conclusão ao apreciar o referido relatório fiscal, tanto que se fez necessário converter o julgamento em diligência. Conforme descrito acima, da informação fiscal, restou evidenciado que a autoridade fiscal, lançou tanto a contribuição dos segurados especiais e pessoas físicas, ou seja, resta demonstrado que ocorreu equivoco por parte da autoridade julgadora, mantendo o lançamento, sem que os fundamentos da decisão correspondessem verdadeiramente ao objeto do lançamento. Dessa forma, entendo que a referida decisão deva ser anulada, posto encontrarse em dissonância com os fatos descritos no lançamento e a impugnação do recorrente. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10950.002204/201080 Acórdão n.º 2401002.878 S2C4T1 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto POR ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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