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Numero do processo: 12898.001405/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS.LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. VALORES RELATIVOS AO CUSTO COM MÃO-DE-OBRA
E BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS.ERRO CONTÁBIL CONFESSADO.
Em face a existência incontestavelmente válida de prova documental, revelando confissão sobre erro de escrituração contábil, para justificar diferença entre o apurado pela fiscalização, a responsabilidade do sujeito passivo é definida pelo art. 136 do CTN, sendo que, se apontado erro decorreu de culpa “in eligendo” de contabilista, essa circunstância não tem o
condão de exonerar o fiscalizado de imputação de infração fiscal como lançada, com todos seus consectários legais.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2007
Ementa: CSLL DECORRÊNCIA.
Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o
lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na proporção do mantido.
Numero da decisão: 1202-000.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS.LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. VALORES RELATIVOS AO CUSTO COM MÃO-DE-OBRA E BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS.ERRO CONTÁBIL CONFESSADO. Em face a existência incontestavelmente válida de prova documental, revelando confissão sobre erro de escrituração contábil, para justificar diferença entre o apurado pela fiscalização, a responsabilidade do sujeito passivo é definida pelo art. 136 do CTN, sendo que, se apontado erro decorreu de culpa “in eligendo” de contabilista, essa circunstância não tem o condão de exonerar o fiscalizado de imputação de infração fiscal como lançada, com todos seus consectários legais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2007 Ementa: CSLL DECORRÊNCIA. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na proporção do mantido.
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HUMANOS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS.LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. VALORES RELATIVOS AO CUSTO COM MÃODEOBRA E BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS.ERRO CONTÁBIL CONFESSADO. Em face a existência incontestavelmente válida de prova documental, revelando confissão sobre erro de escrituração contábil, para justificar diferença entre o apurado pela fiscalização, a responsabilidade do sujeito passivo é definida pelo art. 136 do CTN, sendo que, se apontado erro decorreu de culpa “in eligendo” de contabilista, essa circunstância não tem o condão de exonerar o fiscalizado de imputação de infração fiscal como lançada, com todos seus consectários legais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 Ementa: CSLL DECORRÊNCIA. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na proporção do mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 2 2 Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Viviane Vidal Wagner e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente processo de lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, relativos ao ano calendário de 2007, com seus consectários legais, nos termos do relatório da autoridade julgadora “a quo”, relativamente ao que se reproduz na íntegra abaixo: “Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada o IRPJ e a CSLL sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, no montantes de R$ 910.523,65 e R$ 327.788,51, respectivamente, acrescidos de multa de 150% e juros de mora. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl.148 a 161 e Termo n° 05 Verificação de Infração (fl. 141 a 147) foram apurados os fatos abaixo descritos: OMISSÃO DE RECEITAS Foram apuradas inconsistências na apuração da base de cálculo do IRPJ, quando da análise de documentos de procedimento fiscal anterior, que tratava sobre o PIS e a COFINS dos anos de 2004 a 2007. Esta ação fiscal culminou com a autuação do sujeito passivo, através do processo administrativo n° 18471.003374/200861 (fl. 36/39). O contribuinte, que desenvolve a atividade de locação de mãodeobra, vinha recolhendo PIS e COFINS a menor, pois não reconhecia como tributáveis as receitas da conta correspondente ao ressarcimento de gastos com mãodeobra. O contribuinte alegou (fl. 94), que essas rubricas ("Mão de Obra") referemse aos ressarcimentos auferidos pela empresa para pagamentos dos encargos de folha de salários e demais despesas sociais correlatas (férias, FGTS, vale transporte, refeição, etc). Tais encargos são repassados para as tomadoras do serviço (clientes), que demandam mãodeobra locada pela fiscalizada. A "Taxa Administrativa", corresponde à comissão, em percentual variável, de acordo com cada contrato, e é auferida pela fiscalizada em decorrência do empréstimo do pessoal, por ela recrutado, treinado e posteriormente locado. A "Taxa Administrativa" corresponde ao valor faturado que excede ao montante referente a ressarcimento com mãodeobra. Em relação ao PIS e COFINS, a fiscalizada contava com decisões favoráveis no Mandado de Segurança n° 2006.51.01.0011171. A referida ação judicial tramita Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 3 3 na 18a Vara Federal, Seção Judiciária no Rio de Janeiro. Seu objeto limitase à alegação de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1°, da Lei n° 9.718/98, que versa sobre a majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS, que assim passariam a incidir, além da receita bruta, sobre as demais receitas das empresas. De acordo com a certidão 061/2008 (fl.35) Justiça Federal, esta ação não tem pertinência com o IRPJ. Parte do documental produzido na ação fiscal anterior foi aproveitado neste auto, especialmente as planilhas denominadas "Mapa de Faturamento Por Ordem de Emissão de Nota Fiscal"(fl. 92/125). Durante o presente procedimento fiscal, houve a apresentação da 8ª alteração contratual e do Livro Diário n° 13, de 2007, protocolado na Jucerja, em 13/09/2008, sob o n° 17.373/08, além do Razão (fl. 41/46 e 53/89). O contribuinte foi intimado (fl. 137/139) a esclarecer as diferenças apuradas entre o levantamento do faturamento com base nas notas fiscais (Mapas de Faturamento) em confronto com as bases mensais escrituradas nos livros contábeis, as quais serviram de suporte para as informações prestadas na DIPJ/2008. Tais diferenças encontramse discriminadas no "Demonstrativo Comparativo Entre Receitas Escrituradas e Apuradas 2007". Foi respondido, na fl. 140 que houve "erro material por motivo de imperícia", por parte da empresa responsável pela contabilidade da fiscalizada, que "deixou de escriturar os valores recebidos a titulo de reembolso dos valores pagos pela Extraquadro antecipadamente de proventos e encargos sobre a mão de obra locada em seus clientes". Afirma que "não houve máfé por parte da Extraquadro". Até o anocalendário de 2006, a fiscalizada vinha procedendo a tributação de sua renda com base no lucro real. O ressarcimento de mãodeobra, era considerado receita, mas também era despesas com pessoal, deixando de impactar o IRPJ e CSLL. No ano auditado (2007) optou pela apuração do IRPJ lucro presumido. Sobre a receita total ("Taxa Administrativa" e "Mãodeobra"), incide o percentual de 32%, em se tratando 'de atividade de prestação de serviços, para apuração da base de cálculo do IRPJ. No Razão (fl. 55), verificouse que a receita referente à "Mãodeobra", conta 3.1.02.01.003 Receitas de Reembolsos, encontravase subfaturada. Os valores mensais escriturados, a título de mãodeobra, totalizam R$ 1.258.751,91, enquanto a receita efetivamente auferida corresponde a R$ 12.606.265,98, como retrata o "Demonstrativo Comparativo Entre Receitas Escrituradas e Apuradas 2007" (fl. 139). A receita anual com mãodeobra escriturada equivale a menos de 10% da efetivamente auferida, considerando o levantamento realizado com base nas notas fiscais (Mapas de Faturamento). As notas fiscais foram conferidas com as planilhas mensais referentes ao faturamento. Em relação à comissão pela locação do pessoal ("Taxa Administrativa"), conta 3.1.02.01.001 Receitas de Serviços Prestados Interno (fl. 54), foram verificadas diferenças nos meses de junho e julho de 2007, como assinala o anexo do Termo n° 04/2009 ("Demonstrativo Comparativo Entre Receitas Escrituradas e Apuradas 2007"). De acordo com o Ireferido demonstrativo, a receita escriturada Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 4 4 referente à comissão foi de R$ 3.121.803,97, enquanto a receita efetivamente auferida corresponde ao montante de R$ 3.155.836,88. Os valores escriturados a menor, a título de receitas, serviram de base para a fiscalizada elaborar e entregar a DIPJ/2008, anobase 2007. Os valores apurados na DIPJ serviram de suporte para as DCTF, referentes ao 1° e 2° semestres de 2007. Embora o contribuinte não tenha feito nenhuma alusão quanto à impertinência da inclusão dos ressarcimentos oriundos da locação de pessoal encargos trabalhistas e sociais suportados pelas empresas clientes da fiscalizada e a ela repassados, reputase conveniente explanar porque tais verbas efetivamente constituem parte do faturamento A atividade do contribuinte conta com a participação, de pelo menos três integrantes: a empresa locadora de mãodeobra, a empresa agenciadora (ou tomadora) do pessoal e o empregado temporário. De acordo com a lei 6019/74 e Decreto 73841/74, o trabalhador que é disponibilizado pela locadora à agenciadora está juridicamente vinculado à primeira, a qual se obriga a) proceder o registro do empregado e a efetuar o pagamento de seu salário e encargos sociais (art. 4°, 10,11, 12 e § 1° da Lei 6019/74). A agenciadora tem apenas o controle técnico e disciplinar do empregado. Seu dever legal quanto as obrigações trabalhistas e previdenciárias, cingese à hipótese de insolvência da locadora, se obrigando solidariamente ( art. 16 da Lei 6019/74 As obrigações perante os trabalhadores temporários cabem à locadora de mão deobra. As despesas com empregados constituemse em custo a reduzirlhe a receita bruta. Na empresa de trabalho temporário o produto ou mercadoria constitui se no pessoal treinado e adequado as necessidades das contratantes (agenciadoras), contingente sobre o qual se estima o custo a ser repassado. Ao se transferir os encargos trabalhistas às agenciadoras, a locadora não se exime de suas obrigações legais e o ressarcimento constituise em fração de seu faturamento. Observese que as convenções particulares não podem ser opostas aos interesses da Fazenda (art.123 do CTN). Pelo disposto nos art. 40 e 11 da Lei n° 6.019/74 e nos art. 8°, 21 e 33 do Decreto n° 73.841/74 (que a regulamentou), verificase que na atividade de locação de mãodeobra, o pagamento dos salários e dos encargos trabalhistas e sociais é de responsabilidade da empresa prestadora dos serviços, isto é, da empresa locadora da mãodeobra. Da Conduta Ilícita e Multa de Lançamento de Ofício Houve o intuito fraudulento, com vistas a diminuição da base de cálculo do IRPJ. O aventado erro material repetiuse em todos os meses do ano, em desproporção acentuadamente discrepante entre total escriturado e as notas fiscais emitidas. Os responsáveis pela fiscalizada intentavam obter desoneração indevida da carga tributária ao migrar para o regime cumulativo de PIS e COFINS, optando pelo Lucro Presumido. A escrituração das receitas em valores acentuadamente discrepantes daquelas efetivamente auferidas,. seria o meio para acobertar a realidade dos fatos, expediente de que se serviam para apurar o IRPJ e a CSLL em montante bem menor que o devido. Ao inserir elementos inexatos nos livros contábeis (Diário n° 13), prestando com base neles, declaração falsa às autoridades fazendárias, concretizaramse um ou mais dentre os ilícitos tipificados como fraude, em sentido amplo, nos art. 71, 72 e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 5 5 73, da Lei n° 4.502/64. Os fatos praticados pela fiscalizada revestemse de caráter ilícito (Ricardo Lobo Torres, em "Curso de Direito Financeiro e Tributário" 9a edição, 2002, Ed. Renovar, pág. 294). Para esses casos, a lei tributária, nos termos do art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, impõe a aplicação de multa de oficio qualificada no percentual de 150% sobre a diferença do imposto e reflexos devidos. Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 01/09/2009 (fl. 149) a interessada apresentou em 29/09/2009 a impugnação de fl. 170 a 202, na qual alega, em síntese, que: • O processo n° 2006.51.01.00011171(inconstitucionalidade do recolhimento de tributo pelo art.3° da Lei 9718/98) teve decisão transitada em julgado a favor do contribuinte na 18" Vara Federal; quanto a outra ação (compensação de créditos devido a declaração de inconstitucionalidade) a decisão ainda não transitou em julgado. • .Foi deflagrada ação fiscal entendendose que o recolhimento do IRPJ do foi insuficiente, vez que, não foram oferecidas à tributação os encargos referente a "Mão de Obra" pagos pelo Tomador de Serviço ao empregado temporário Foi oferecido a tributação a Taxa Administrativa sendo incontroverso que tal fato se refere à receita auferida. . Em análise ao item 2.2 do termo fiscal n° 5, constatase que a Administração entende que não só a "taxa de Administração"compõe a receita da empresa, mas também a "rubrica mão de obra" contabilizada na nota fiscal do requerente como "reembolso de encargos". • A SRFB entende que deve ser oferecido a tributação os encargos da mãode obra, salário do empregado temporário (valores discriminados em Nota Fiscal), considerando ser receita auferida. • O contribuinte é mero intermediário das chamadas rubricas "mãode obra". Não se pode incluir no critério qualitativo (base de cálculo), fatos que não constituem acontecimentos econômicos ou grandeza econômica. • A empresa presta serviço de mão de obra temporária. A atividade é regulamentada pela Lei Federal 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74. • O vinculo de trabalho existente entre o trabalhador temporário e a empresa de trabalho temporário se encontra previamente ajustado no contrato entre a empresa de trabalho temporário e a tomadora (doc.anexo). Não se pode desconsiderar a natureza especifica de sua atividade desenvolvida como intermediadora. • A legislação define cada uma dessas partes (fl.175). • A empresa tem duas relações contratuais vinculadas. Um contrato entre a empresa tomadora do serviço e a empresa de trabalho temporário, onde esta se compromete a recrutar e disponibilizar os trabalhadores temporários, mediante remuneração previamente acertada. A tomadora de serviço se compromete a repassar à impugnante os valores referentes ao pagamento dos salários dos trabalhadores temporários e encargos sociais correspondentes, além de pagar uma quantia previamente determinada pela prestação de serviço da empresa de trabalho temporário (doe. em anexo), denominada de taxa de administração ou comissão. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 6 6 • Há uma relação de contrato de trabalho por tempo determinado, estabelecido entre a empresa de trabalho temporário e o trabalhador, onde este se obriga a prestar serviço a uma determinada empresa, em troca de salário ajustado previamente entre as empresas, e que será pago pela prestadora de serviço (determinação legal), mas com os recursos repassados pela tomadora do serviço. • A prestadora de serviços temporários, é mera intermediadora entre a empresa tomadora e o trabalhador temporário, onde sobressai a natureza específica da atividade exercida da autora. • A empresa é obrigada a emitir nota fiscal de prestação de serviços com os valores denominados nos seguintes grupos: REEMBOLSO DE PROVENTOS Salário pago ao trabalhador temporário; REEMBOLSO DE ENCARGOS Encargos sociais e trabalhistas do trabalho temporário (ex: FGTS, INSS); TAXA DE ADMINISTRAÇÃO. Comissão da Impetrante. • A folha de salário e encargos sociais, correspondem as verbas pagas pelas empresas tomadoras de serviços aos trabalhadores temporários contratados, ficando a impetrante como mera intermediária da transação, responsável pelo repasse conforme a Lei 6.019/74. • Concluise que a taxa de administração, representa a efetiva e real remuneração percebida pela Impetrante pelo serviço de intermediação. • VALORES QUE NÃO CONSTITUEM A BASE DE CÁLCULO DO IRPJ DO ALCANCE E APLICAÇÃO DO FATURAMENTO • Transcreve doutrina e artigo do código civil sobre conceito de faturamento, nas fl. 177 e 178. • O código Comercial prevê que a fatura é instrumento de contrato de mercantil, utilizado nas vendas por atacado. Por conseguinte o conceito de faturamento, foi sendo alterado e hoje ele corresponde a receita bruta. • A Lei n°. 6.404/76 em seu artigo 187, itens I e II, dispõe que as empresas deverão, na Demonstração de Resultados do Exercício, discriminar "a receita bruta, das vendas e serviços, deduções das vendas, dos abatimentos e dos impostos" e "a receita líquida". • A legislação fiscal também consagrou o termo receita bruta, conforme o artigo 279 do RIR199. • Faturamento é o ato que decorre da emissão de faturas. De acordo com o nosso ordenamento jurídico a doutrina, aplicada ao Direito Comercial informa que a fatura exprime uma venda já consumada, oportunidade em que se perfaz uma lista das mercadorias e/ou artigos, vendidos, com indicação de preço, quantidade, demonstração de qualidade espécie. • Aqui faturamento está ligado à idéia do somatório das receitas decorrentes da atividade da empresa. Sendo uma empresa mercantil, seu faturamento decorrerá das operações com vendas de mercadorias, pois é esse o seu objeto; se for uma prestadora de serviços o seu faturamento decorrerá do somatório das operações de venda. • Transcreve na fl. 180 trecho da Ação Declaratória de Constitucionalidade n. 11/DF. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 7 7 • Esta decisão passou a conceituar faturamento como sendo receita bruta, contudo tal entendimento foi efetuado em virtude de uma interpretação jurídica conceitual do disposto no decretolei 2.397/87, art. 22 "a" ( transcrito na fl.180). • Como esclarece a Ministra Eliana Calmon no recurso Especial 516.4 RJ (2003/00476325), em que pese haver uma equiparação de faturamento a receita bruta, não são a mesma coisa (fl. 181). • Atenção deve ser dada para a correta interpretação da norma constitucional, quanto a definição de Faturamento já decidida pelo STF. • O informativo n° 408 traz o entendimento do Plenário do Egrégio STF, quanto a definição de Faturamento (fl.181). • O "Faturamento" deve ser visto e entendido conforme interpretação do STF referente ao informativo n°. 437, no julgamento do Recurso extraordinário n°. 240785/MG. 24.8.2006. (RE240785), e o Recurso Extraordinário 346.0846 e 408.7977.(fl.182). • Nem tudo que se encontra escriturado numa fatura pode ser considerado receita, na acepção de grandeza econômica, isto porque a Constituição Federal estabeleceu "LIMITES". • Não se pode entender que os valores que compõe o pagamento do empregado temporário (salário, encargos do INSS, 13° salário, FGTS), constituem ingresso no patrimônio do Contribuinte, tributando grandeza que não se encontra na base de cálculo daquele tributo. • Nem tudo quanto seja recebido é receita. Deve ser considerada a distinção entre os aspectos financeiro e econômico. • Se faz necessário verificar que o termo "acréscimo" pode ser visto sobre o aspecto econômico quanto correspondente a um aumento do patrimônio líquido sem que tenha havido entrada de dinheiro. Um "acréscimo" pode ser visto sobre o aspecto financeiro quando ocorre uma entrada de dinheiro que não corresponde a um aumento do patrimônio líquido. • Se uma empresa obtiver um empréstimo, ou receber uma quantia que não lhe pertence, mas sim a um terceiro com o qual negocia, e embora esteja ocorrendo uma entrada de dinheiro, não ocorre aumento de seu patrimônio liquido. Tais recebimentos não constituem receitas. • O fluxo de dinheiro, nem sempre corresponde ao fluxo de riqueza capaz de aumentar ou diminuir o patrimônio liquido. Receita não inclui todos os acréscimos dos ativos, ou decréscimos nos passivos. O recebimento de numerário por empréstimos tomados ou valor de um ativo comprado a dinheiro não são receitas, porque não alteram o patrimônio liquido. Estes conceitos não podem estar dissociados ao princípio da capacidade contributiva, que está submetido a supremacia das normas constitucionais e da máxima efetividade. • O termo "auferido" traduz a idéia de algo que é percebido, que é transformado em dinheiro ou bem econômico. A receita auferida é um acréscimo patrimonial juridicamente qualificado; é aquele em que prestação já está satisfeita. Para fins de incidência tributária, quer dessas contribuições PIS e COFINS, quer do IRPJ, não basta que a pessoa jurídica tenha receita; é imprescindível que se aufira os Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 8 8 efeitos do negócio jurídico que lhe deu causa, que haja efetivamente entrada de valores nos cofres da empresa. • Um dos efeitos das obrigações em geral é o pagamento; logo, para concretização da, repitase, receita auferida, é necessário que ocorra o pagamento em dinheiro, ou bem com funções imediatas equivalentes. • Inferese que constitui a, "conta de mão de obra" também denominada de (reembolso de proventos ou de encargos), valores repassados pelo tomadorcliente à impugnante de quantias devidas a titulo de salário e demais elementos relativos ao trabalhador temporário. É forçoso entender que os valores repassados pela tomadora de mãodeobra temporária à empresa cedente, se constituem em receitas, ou implemento patrimonial ou ainda grandeza econômica. • Pretender tributar simples ingressos, valores pertencentes a terceiros que não integra, nem agrega grandeza econômica ao patrimônio do prestador de serviço, é desvirtualizar a base de cálculo do IRPJ. • Transcreve jurisprudência nas fl.185 a 193. • O contribuinte/impugnante não era conhecedor da omissão e imperícia efetuada por seu antigo contador. O conhecimento de tal fato só foi verificado com o recebimento do "TERMO N° 4" CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO • Foi confirmado pelo anterior contador que houve erro contábil sendo apurada diferenças entre receitas escrituradas (ano de 2007) e que tal fato se deu em face de ter gerado uma interpretação errônea e descuidada do responsável pela escrituração técnica/tributária. • A impugnante efetuou "Denúncia ao Conselho de Contabilidade do Rio de Janeiro" onde foi requerida aplicação de sanções. • Não se pode aceitar a imputação de intuito fraudulento. • A empresa em todo o período de fiscalização sempre procurou atender as exigências da fiscalização, agindo com lisura e atenção para dirimir qualquer dúvida. O referido fato pode ser constatado com a verificação do cumprimento de todos os TERMOS DE FISCALIZAÇÃO. • Para que haja a caracterização de "fraude" é necessário que seja observado os caso legais, isto é: evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71 a 73, da Lei n." 4.502/1964. • O dolo é presença obrigatória para a caracterização tanto da sonegação, quanto da fraude, como do conluio. Conseqüentemente, o evidente intuito de fraude a que se refere o artigo 44, da Lei n.° 9.430/96 tambem pressupõe a ocorrência de dolo. • Concluise que imprescindível a conjugação de vários elementos e em todos estando a presença do dolo, da máfé para a imposição da multa qualificada. • Logo, não deve prosperar a imputação de fraude eis que esta deve estar associada ao dolo, o que não ficou evidenciado, nem provado. • Os atos administrativos possuem presunção de legitimidade e portanto veracidade, decorrente do principio da legalidade, previsto no "caput", do art. 37 da Constituição Federal. Também é certo que esta presunção é relativa vez que, a lei Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 9 9 estabelece como verdade até prova em contrário. O fato presumido é havido como verdadeiro, salvo se a ele opuser prova em contrário. • Não basta alegar a presunção, mister se faz que a parte comprove a existência dessa presunção, isto é, imprescindível a comprovação do elemento "dolo", para que seja imputado ao Impugnante "ato fraudulento • No presente caso, como a presunção de veracidade é um atributo do ato administrativo, é indispensável a comprovação da imputação pretendida, qual seja, "que a empresa agiu com "dolo", o que não ficou comprovado, diante dos fatos narrados. • Transcreve jurisprudência nas fl.195 a 202. • Requer seja revogado o Termo n° 05, que originou o auto de infração. • Requer também a diminuição do gravame da multa para 50%. É o relatório.” • A DRJ do Rio de Janeiro, decidiu por julgar o lançamento procedente em parte, afastando a qualificação da multa, mas mantendo as exigências principais, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS.LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. VALORES RELATIVOS AO CUSTO COM MÃODEOBRA E BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS. Nas empresas de trabalho temporário fornecedoras de mãodeobra, as despesas com pessoal e benefícios aos empregados não podem ser excluídos da receita bruta para fins de apuração dos tributos. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 Ementa: CSLL DECORRÊNCIA. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na proporção do mantido. MULTA AGRAVADA. Afastase da exigência fiscal o agravamento da penalidade quando nos autos não restam provas caracterizadoras do evidente intuito de fraude.A multa é reduzida para 75%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 10 10 Assim a d. autoridade julgadora de primeira instância construiu, em síntese, seu entendimento: que a empresa autuada opera tendo como atividade econômica a locação de mão de obra temporária, nos termos da Lei nº 6.019/74 e Decreto nº 73.841/74, assim como terceirização de mãodeobra e alocação de trainees e estagiário; afirma que no contrato com tomador prevê o recebimento de valores financeiros compreendendo o ressarcimento de salários, encargos sociais, refeições, vale transporte, FGTS etc; o contrato celebrado com clientes define bem isso como sendo preço do serviço; afirma que os salários, e demais encargos legais constituem custo dos serviços prestados de locação de mão de obra; entende que os salários e demais encargos, por força da citado lei de trabalho temporário, é responsabilidade da empresa prestadora, sendo fiscalizada por esse dever diretamente; cita o Parecer CST/SIPR nº 1236/89, que trata do IRFonte nas locações de mão de obra, definindo a responsabilidade direta da empresa locadora, não prevalecendo qualquer disposição contratual firmada entre as partes contratantes objetivando transferir essa responsabilidade para tais obrigações legais; a empresa de trabalho temporários age em nome próprio e não em nome da tomadora; entende que a prestadora de serviços não é mera repassadora de salários e encargos sociais, mas ela remunera salários e encargos dos seus trabalhadores que vão prestar serviço em outras empresas; o fato de segregar tais custos da taxa administrativa, ao ver da autoridade “a quo”, não retira o valor da natureza de preço de serviço, tratandose de mera discriminação de custos; entende que os valores intitulados de reembolso constituem parte do preço do serviço prestado; conceitua que receita bruta é aquela obtida pela empresa mediante atividade que constitua o seu objeto social; nesse sentido cita o art. 279 do RIR/99 (com matriz legal o art. 31 da Lei nº 8.981/95) dizendo que o produto da venda de serviços prestados está compreendido na receita bruta; nesse sentido ainda assevera que, dentro dos valores relativos a prestação de serviços, os mesmos devem constar da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois esta receita quando auferida provocou um acréscimo patrimonial; afasta a qualificação da multa de ofício, por entender inexistente o evidente intuito de fraude, vale dizer, o dolo específico para incorrer em tal sanção quando qualificada, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 11 11 deixando o Fisco de apresentar provas da intenção deliberada do contribuinte de praticar fraude. O sujeito passivo, não se conformando com a decisão “a quo” interpôs seu recurso voluntário, praticamente reproduzindo seus argumentos e razões discordantes como exposto em sua impugnação, sobre a matéria remanescente para o exame desta segunda instância julgadora. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Como relatado, notase que a controvérsia estabelecida entre o Fisco e o contribuinte reside em dois pontos fundamentais: a questão se se o valor constante da atividade econômica do contribuinte constitui preço, ou parte do preço, como sendo os valores considerados como salários e demais encargos legais decorrentes; e a questão de se entender como receita bruta todos os valores, seja como taxa administrativa, seja como ressarcimento de custos de salários e encargos da mão de obra, base do IRPJ e CSLL, na qualidade de acréscimo patrimonial. Antes mesmo de se adentrar nesse exame das razões, tanto do fisco, como da Recorrente, impende registrar os fatos incontroversos: o contribuinte é optante pelo lucro presumido, no período fiscalizado e sequer questiona tal opção por tal regime de tributação, por outro lado a autoridade administrativa fiscal igualmente relata tal opção para o anocalendário fiscalizado; a base tributável do regime adotado pelo sujeito passivo é a receita bruta, nos termos do disposto no art. 31 da Lei nº 8.981/95; é fato que, a fls.137, no Termo nº 04, Constatação e Intimação Fiscal, exigiuse do contribuinte esclarecimentos sobre o subfaturamento da receita escriturada, vez que tal escrituração serviu de base para informações prestadas na DIPJ Ex. 2008, base 2007, apresentada ao fisco, para fins de apuração do IRPJ (Lucro Presumido), anexando um Demonstrativo Comparativo entre Receitas Escrituradas e Apuradas –2007; como também é fato comprovado, a fls.140, a seguinte resposta da Recorrente, a saber: “Ao Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 12 12 Ministério da Fazenda Secretaria da Receita Federal Superintendência Regional da Receita Federal/7 a. RF Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro Divisão de Fiscalização III — Equipe Fiscal 118 Att. Sr. Auditor Fiscal Wagner Santos Freire REF.: EXTRAQUADRO ADM. DE RECURSOS HUMANOS E SERV. LTDA CNPJ n° 02.672.387/000158. TERMO DE INTIMAÇÃO DE N° 04 18/08/2008 — MPF : 0719000.2009.002426 Em complementação do atendimento ao termo de intimação emitido por V.Sas., esclarecemos que na escrituração contábil do período diligenciado do ano de 2007, houve por parte da empresa de contabilidade responsável a época, o erro material por motivo de imperícia, quando deixou de escriturar os valores recebidos a titulo de reembolso dos valores pagos pela Extraquadro antecipadamente de proventos e encargos sobre a mão de obra locada em seus clientes. Informamos ainda que não houve a má fé por parte da Extraquadro, devido ao fato de a mesma ter informado anteriormente em relatórios acessórios sobre os valores citados, conforme V.Sas. faz constar no próprio termo de constatação e intimação emitido. Atenciosamente, Rio de Janeiro, 03 de agosto de 2009.” Desta feita, toda a discussão centrada sobre a base tributável, seja sob a ótica de preço do serviço, seja sobre o conceito de receita bruta, não obstante os razoáveis argumentos expostos pela defesa da Recorrente, quer relativamente a rubrica “taxa administrativa” constituindose essa, efetivamente, o preço dos serviços praticados em locação de mão de obra, assim como para o tratamento de receita tributável fazse necessário considerar a condição do ingresso no patrimônio do contribuinte, na esteira do entendimento exposto pelo prof. José Antonio Minatel, que ensina: “No entanto, como já alertaram os financistas, nem todo ingresso tem natureza de receita, sendo imprescindível para qualificálo o caráter de definitividade da quantia ingressada, o que não acontece com valores só transitados pelo patrimônio da pessoa jurídica, pois são por ela recebidos sob condição, ou seja, sob regime jurídico, o qual, ainda que lhe dê momentânea disponibilidade, não lhe outorga definitiva titularidade, pelo fato de os recursos adentrarem o patrimônio carregando simultânea Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 13 13 obrigação de igual natureza. O mesmo acontece com os valores recebidos na qualidade de mandatário, por conta e ordem de terceiros, ou recebidos a título de empréstimo, de depósito, de caução. Há momentânea disponibilidade, é inegável, mas não com o definitivo animus rem sibi de titular, de dono, de proprietário, e sim com animus de devedor, de responsável, de obrigado.” (Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação, MP Editora, 2005, p.100/101). Assim, é a realidade constatada nesses autos, que a Recorrente, como empresa locadora de mão de obra temporária, cobra de seus clientes, tomadores de serviços, um valor que se constitui em sua obrigação de pagar, seja a remuneração dos trabalhadores temporários, que realizam os serviços para clientes, seja obrigações legais trabalhistas e previdenciárias daí decorrentes, na condição de obrigada portanto, e não de titular dos valores que não se incorporam ao seu patrimônio, vale dizer, não há definitividade, nem qualquer acréscimo patrimonial, ocorrendo, tão somente, permutações patrimoniais, que não diminuem, nem aumentam o patrimônio líquido da mesma, o que, por esse motivo, não há se falar em lucro sobre tais ingressos de reembolso e/ou ressarcimento. Contudo esse seja o entendimento aqui adotado, o fato de existir um citado documento formal, assinado pelo representante da Recorrente (fls. 140), confessando “erro contábil” exatamente sobre intimação fiscal para prestar esclarecimentos relativos a diferença apurada entre o escriturado e o apurado, por força de desconsideração de valores recebidos à titulo de reembolso de despesas com mão de obra temporária, este julgador não pode olvidar, ou omitir tal relevante documento, mesmo perante razões defensórias plausíveis de ponderação e compreensão sobre a real atividade econômica relatada nestes autos. Nesse sentido, por outro lado, a Recorrente, mesmo, em tese, questionando a adoção de base tributável considerando a receita bruta os valores totais faturados para clientes, englobando a comissão administrativa, assim como as verbas salariais e demais encargos legais trabalhistas e previdenciários, em nenhum momento, em face a verdade material, traz ao processo as demonstrações documentais de que as verbas recebidas aquele título, de sua obrigação de pagar terceiros e o fisco, por força dessa prestação de serviços, não se incorporaram definitivamente ao seu patrimônio, apenas exibindo registros em livros contábeis e planilhas que não computaram na base de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) os valores entendidos como ressarcimentos de salários e encargos legais, que também fragiliza a sustentabilidade de sua tese defensória, em face a carência de prova a caracterizar que as verbas somente transitaram por seu patrimônio, sem qualquer incorporação como acréscimo. Diante do exposto, com já dito, não se pode negar reconhecimento válido (objeto lícito, agente capaz, forma não vedada em lei e sem denotar qualquer defeito intrínseco ou extrínseco – art. 104 do novo CC) ao documento de fls. 140, confissão expressa de “erro contábil” sobre o tratamento exibido perante a autoridade fiscalizadora, o que contraria frontalmente a tese de defesa da Recorrente, que, por isso, não se sustenta, principalmente pelo disposto no art. 136 do CTN, que trata da responsabilidade objetiva do sujeito passivo, que assim prescreve: “ Salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão do efeitos do ato” Se foi erro confesso, ainda que imputável ao contabilista terceirizado, o fato da infração tributária não pode ser exonerado do sujeito passivo, mesmo por que o lançamento de ofício, na determinação da base imponível, está reparando o erro cometido e confessado pelo sujeito passivo, em detrimento ao crédito tributário, não podendo Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 14 14 ser oponível como defesa daquele, para justificar o não oferecimento à tributação de verbas as quais a autoridade lançadora entendeu como devidas na composição da base tributável, e o contribuinte concordou, ainda que de maneira indireta, assumindo seu próprio erro, que deixou de escriturar corretamente tal base de cálculo do IRPJ e CSLL. Em suma, se o sujeito passivo confessa ter errado, depois de devidamente intimado para esclarecimento, tal equívoco foi perante algum procedimento legalmente prescrito, como apurado pela fiscalização, e por conta disso, seu erro está sendo corrigido, de ofício, pelo presente lançamento, na exigência do crédito tributário da Fazenda Nacional, com todos seus consectários legais. Mesmo que se alegue o documento de confissão de erro – reiterese que na fase recursal a Recorrente ainda reforça com a juntada de cópia da denúncia perante o Conselho Regional de Contabilidade relativo a acusação em comento refirase a penalidade aplicada, no intuito de afastar contra si a sanção reconhecida pela infração fiscal, o denominado “erro contábil” se encontra vinculado substancialmente ao atendimento do Termo de Intimação nº 04, que diretamente questiona o tratamento de receita escriturada e apurada, ou seja, diferença entre o que foi considerado receita pelo contribuinte (taxa administrativa) e o que foi apurado pela fiscalização (todas os valores recebidos como receita bruta, incluindo os ressarcimentos e/ou reembolsos como exercício regular do objeto social da empresa fiscalizada), consistindo, claramente, no fulcro da discussão contenciosa deste processo, indissociável, pois, do mérito da questão posta a julgamento, e, com efeito, neutralizando a defesa jurídica da Recorrente para justificar o assumido erro como se fosse um tratamento deliberado de conceitos próprios de receita/lucro, composição de preço, ressarcimentos etc, matéria técnica que, no processo contencioso, contradiz o quanto apurado e confessado durante o procedimento fiscalizatório. Portanto, ante o apontado elemento documental de confissão, matéria fática e que comprova a manifestação dispositiva e válida do erro de composição contábil fiscal da escrituração do sujeito passivo, revelamse inconsistentes os argumentos teóricos desenvolvidos pela Recorrente, e também por que, como já aduzido, carecem de provas robustas e insofismáveis que os valores que ingressaram em seu patrimônio, o foram sem caráter de definitividade. Diante todo o exposto, evidenciada a prova comentada, válida e eficaz, para os efeitos deste processo administrativo fiscal, sobre a confissão de erro contábil cometido pelo sujeito passivo, ainda que por seu contabilista à época, que, por sua vez, poderá ser, em outro momento, devidamente responsabilizado, em processo administrativo de competência de seu órgão de classe profissional, o que, conquanto assim seja, não tem o condão de afastar a responsabilidade tributária do sujeito passivo, como estabelecida no art.136 do CTN. Por derradeiro, pelos fundamentos próprios de natureza fática/probatória acima descritos, sou por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 14DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 12898.001405/200933 Acórdão n.º 120200.617 S1C2T2 Fl. 15 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10935.002593/2002-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL Rui - ITR
Exercício: 1998
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IN/VA/EL DESTINADO A PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Inexistindo animus domini da contribuinte em relação a imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação , de Programa de Reassentamento em virtude de alagamento de área para constituição de reservatório de Usina Hidrelétrica, impõe-se o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente a aludido imóvel, quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores sem terras
já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.323
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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IN/VA/EL DESTINADO A PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação a imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação , de Programa de Reassentamento em virtude de alagamento de área para constituição de reservatório de Usina Hidrelétrica, impõe-se o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente a aludido imóvel, quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores sem terras já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, antes da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Caio Mhrcos Candido — Presid nte-Substituto Gust o Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente-Substituto), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Companhia Paranaense de Energia - Copel foi lavrado o auto de infração de fls. 121/123, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1998, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto tendo em vista a atribuição indevida de isenção à area da Fazenda Refopas Reas/Cx- 007 pela contribuinte. A Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 303-33.394, que se encontra às fls. 604/608 e cuja ementa é a seguinte: "ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. FATO GERADOR. NECESSIDADE DE ANIMUS DOMINI. A ausência de animus domini em relação ao imóvel rural, por parte da Recorrente, implica na inocorrencia de fato gerador de ITR não se formando, portanto, relação jurídico-tributária que pudesse ensejar sua cobrança. Recurso voluntário provido." A anotação do resultado do julgamento indica que a Camara, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva, dando provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 19/06/2007 (fls. 609) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial ás fls. 611/617, em que sustenta, em apertada síntese, divergência jurisprudencial entre o v. acórdão e o acórdão no 301-31.468, bem como que o imóvel não e isento para fins do ITR tendo em vista a inexistência de decreto expropriatório federal e a legitimidade da contribuinte para figurar como sujeito passivo da exação tributária, na medida em que não só era proprietária do imóvel objeto do lançamento como possuidora na época da ocorrência do fato gerador. 2 Processo n° 10935.002593/2002-21 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.323 Fl. 2 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho n° 309/2007 (fls. 632/634). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte apresentou suas contra-razões (fls. 639/642). o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad , Relator 0 Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria já é bem conhecida desta E. Câmara Superior. A Procuradoria da Fazenda Nacional busca reformar o v. acórdão recorrido por entender, que o imóvel em questão não está isento do ITR, haja vista a inexistência de decreto expropriatório para fins de reforma agrária, bem como que o artigo 4° da Lei no 9.393/1996 elegeu como contribuinte do ITR o proprietário de imóvel rural e, sendo a COPEL proprietária A. época da ocorrência do fato gerador, não há como se falar em sua exclusão do polo passivo. A Contribuinte, por sua vez, sustenta que o imóvel em questão foi adquirido especificamente para o reassentamento de moradores que foram prejudicados pela construção de usina hidrelétrica, sendo a área em questão declarada de interesse social pelo Estado do Paraná, razão pela qual o imóvel seria isento do imposto territorial rural. Logo, a discussão nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte para se sujeitar ao ITR incidente sobre o imóvel rural autuado, em face da existência de um programa especial de reassentamento da população local que foi desalojadas das Areas alagadas pelo reservatório da Usina Hidroelétrica de Salto Caxias. Entendo que, em casos como o presente, restando comprovada a ausência do animus domini da contribuinte em relação ao imóvel rural, a autuação não merece prevalecer. Reporto -me aos fundamentos do voto proferido pelo Conselheiro Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, no Acórdão n° 9202-00.950 julgado por esta C. Camara Superior em sessão de 17/08/2010, que veicula fundamentação à qual me filio: "Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Fazenda Nacional não tern o condão de prosperar, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do terna, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Com efeito, observe-se que o lançamento se deu em virtude de a fiscalização não ter considerado como Programa Oficial de Reforma Agrária o reassentamento instituido pela contribuinte objetivando atender aos pequenos proprietcirios rurais e agricultores sem terras, que se encontravam nas areas atingidas cs-4' 3 e foram desalojados das áreas alegadas pelo Reservatório da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias, conforme relatado alhures. Afastando-se de aludida conclusão, ou seja, adotando outra .,i;m rinnlon ft7On, ç nuo ruir v.; cork! ‘-..Try7 ,n eoprr improcedência do feito, em virtude da mudança de critério jurídico do lançamento, o julgador de primeira instância achou por bem rechaçar a defesa inaugural da contribuinte, firmando o entendimento de que, em relação ao exercício de 1998, a autuada não comprovou mediante documentação hábil e idônea não deter a posse do imóvel rural. Em que pesem as substanciosas razões do fiscal autuante e, bem assim, da Procuradoria, as teses sustentadas por estes não merecem acolhimento. Destarte, como a contribuinte vem defendendo desde o primeiro momento, o imóvel rural objeto do lançamento fora adquirido precipuamente para atender ao Programa de Reassentamento sob análise. Prova disso aliás, foi a publicação do Decreto do Estado do Paraná sob n° 1658, de 14/03/1996, ás fls. 259/261, que em seus artigos 2° e 3°, assim prescreve: "Art. 2° - Fica autorizada a Companhia Paranaense de Energia — COPEL a promover a desapropriação dos imóveis de que trata o presente Decreto, de acordo com o art. 5 0 da Lei n°4.132/62 e na forma da legislação vigente, podendo praticar todos os atos judiciais e extrajudiciais que se fizerem necessários; Art. 3° - Fica reconhecida a necessidade de desapropriação das áreas descritas para reassentamento dos proprietcirios desapropriados e produtores rurais sem-terra da bacia de acumulação de águas da Usina Hidrelétrica de Salto do Caxias, ficando autorizada a Companhia Paranaense de Energia — COPEL a promover a subdivisão dos imóveis ora declarados de interesse social e alienar as partes mediante outorga das competências escrituras públicas." Em suma, extrai-se dos elementos constantes do processo, especialmente o Decreto encimado, que a contribuinte, de fato, adquiriu aludido imóvel rural visando tão somente atender ao Programa de Reassentaniento retromencionado. 1nexiste, a toda evidência, o animus domini da autuada em relação àquele imóvel, capaz de justificar a presente tributação, na forma que exigem os artigos 1°c 4°, da Lei n°9.363/1996, in verbis: "Art. 1° 0 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Art. 4° Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo." No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: "Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio 40, ou o seu possuidor a qualquer titulo." sim Processo n° 10935.002593/2002-21 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.323 Fl. 3 Neste ponto, alias, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo, reforçando o entendimento de que, inobstante a autuada ser época a proprietária do imóvel, não detinha o domínio útil, uma vez que os possuidores, a qualquer titulo, eram os reassentados, afastando, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber a autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastando- se dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer titulo dos reassentados (duas das hipóteses legais). Dessa forma, estando a Fazenda Barater vinculada, desde a sua aquisição, ao Programa de Reassentamento implementado pela contribuinte, a partir da desapropria cão determinada pelo Estado do Paraná, mediante Decreto re 1658/1996, não se pode cogitar em posse da autuada daquele imóvel, de maneira a ensejar a sua inclusão no pólo passivo da obrigação tributária. Melhor elucidando, a contribuinte não dispas do imóvel rural em debate para exercer outras atividades, sendo a implementação do programa de reassentamento daqueles agricultores rurais. No caso dos autos restou devidamente comprovado que a area em questão (Fazenda Refopas Reas/Cx-007), compreendida pelas matriculas de fls. 98 a 99, foi declarada de interesse social para fins de desapropriação para reassentamento, sendo que, nos termos do Decreto Estadual n° 1658/1996, caberia a COPEL efetuar a desapropriação (fls. 71/82). Adicionalmente, o documento de fls. 254/367 denominado "Termo de Compromisso, Responsabilidade e Outras Avenças, para Ocupação Uso, a Titulo Precário, Temporário e Transitório de Imóveis, Adquiridos para o Programa de Reassentamento, da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias", comprova que, desde 1996, os pequenos proprietários rurais já se encontravam na posse da Fazenda Refopas Reas. ainda que a titulo precário. E, por fim, os documentos denominados de "Escritura Pública de Dação em Pagamento" de fls. 93/95 e 269/549, comprovam a transferência da propriedade para as famílias assentadas. Assim, entendo comprovada a ausência do animus domini do imóvel rural a época do fato gerador, razão pela qual deve ser mantida a decisão constante do v. acórdão recorrido. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Procuradoria e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo íntegra a decisão recorrida. Guvo Lian Haddad 5
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002941/2003-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício:2000
RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE RENDIMENTOS
ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA.
Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2000 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA. Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Recurso especial negado.
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Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 09/11/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 8387), interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº10421.933 (fls. 6280) da Quarta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido em 11/12/2006, que, por maioria dos votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte que pleiteara a restituição do imposto de renda retido na fonte, relativo ao exercício de 2000, correspondente ao ano calendário 1999, por tratarse de contribuinte militar da reserva, acometido de moléstia grave, cuja ementa transcrevo: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Recurso Provido. Insurge a Fazenda Nacional contra a decisão não unânime, alegando que o referido acórdão, ao arrepio da lei, estendeu o benefício da isenção aos contribuintes militares na reserva remunerada, quando acometidos de moléstia grave, sendo que a Lei nº 7.713/88 estabeleceu o alcance apenas dos proventos oriundos de aposentadoria ou reforma: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10850.002941/200381 Acórdão n.º 920201.785 CSRFT2 Fl. 2 3 portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) Desse modo, pugna a Procuradoria da Fazenda Nacional pelo conhecimento do Recurso Especial ora interposto, visando a reforma do acórdão da Quarta Câmara do Primeiro Conselho dos Contribuintes, para que seja reconhecida a incidência do Imposto de Renda sobre os proventos do contribuinte. Intimado da interposição do Recurso Especial, o contribuinte apresentou Contrarazões (fls. 106110), alegando a possibilidade da concessão da isenção, tendo em vista verossimilhança entre a sua antiga situação funcional reserva remunerada e a prevista na lei reforma. Destarte, requer a manutenção da decisão consubstanciada no Acórdão nº 10421933 e no Acórdão nº 10422784, sendo este último proferido também pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho dos Contribuintes, em análise de Pedido de Retificação requerido pela Fazenda Nacional, que visou a correção de erro material presente no acórdão anterior. O Presidente da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conheceu do recurso interposto (fls. 112113), dandoo seguimento, para que seja reapreciada a questão discutida nos presentes autos. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito Quanto ao mérito do recurso, i. Procuradoria da Fazenda fundamenta o pedido de reforma baseada no art. 6º , inciso XIV da Lei nº 7.713/88, que dispõe sobre o imposto de renda e dá outras providências. No caso, o dispositivo legal regulamenta os casos de isenção do referido tributo sobre os rendimentos de pessoa física: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) Alega a representante da Fazenda Nacional que o legislador, ao determinar os casos de inatividade profissional alcançados pelo benefício da isenção, estabeleceu exclusivamente os proventos de aposentadoria e reforma, deixando de fora, intencionalmente, a condição "reserva remunerada". Tal alegação não pode prosperar. A Constituição Federal de 1988 preconizou o princípio da isonomia como fundamento basilar dos direitos fundamentais individuais. Desse modo, não se pode tratar situações jurídicas semelhantes de forma distinta, sob pena de ofensa ao princípio da igualdade. Afinal, nada justifica a concessão do direito ao militar reformado e a negativa de tal direito ao militar de reserva remunerada. Este foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça que, ao analisar caso similar, decidiu pela concessão do benefício à militar: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC IMPOSTO DE RENDA ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/1988 NEOPLASIA MALIGNA DEMONSTRAÇÃO DA CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS DESNECESSIDADE RESERVA REMUNERADA ISENÇÃO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10850.002941/200381 Acórdão n.º 920201.785 CSRFT2 Fl. 3 5 OFENSA AO ART. 111 DO CTN NÃOCARACTERIZADA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ . 1. Descabe o acolhimento de violação do art. 535 do CPC, se as questões apontadas como omissas pela instância ordinária não são capazes de modificar o entendimento do acórdão recorrido à luz da jurisprudência do STJ. 2. Reconhecida a neoplasia maligna, não se exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial, ou a comprovação de recidiva da enfermidade, para que o contribuinte faça jus à isenção de Imposto de Renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88. Precedentes do STJ. 3. A reserva remunerada equivale à condição de inatividade, situação contemplada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88, de maneira que são considerados isentos os proventos percebidos pelo militar nesta condição. Precedente da Primeira Turma. 4. É firme o entendimento do STJ, no sentido de que a busca do real significado, sentido e alcance de benefício fiscal não caracteriza ofensa ao art. 111 do CTN . 5. Incidência da Súmula 83/STJ no tocante à divergência jurisprudencial. 6. Recurso especial conhecido parcialmente e não provido. (REsp nº 1.125.064 - DF. Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06/04/2010. DJe de 14/04/2010, grifei). Outrossim, acompanho o entendimento já pacificado na corte cidadã de que o objetivo do legislador tributário, ao estabelecer os casos de isenção do imposto de renda, previstos no inciso XIV, do art. 6º da Lei nº 7.713/88, foi de amenizar o sofrimento do servidor inativo acometido de moléstia grave, aliviando assim os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e medicações ministradas.1 Desse modo, tornase inconsistente a alegação da representante da Fazenda Pública de que o Estatuto do Militares (Lei n° 6.880/1980) fez a distinção entre reserva remunerada e reforma, sendo ambas as espécies de inatividade e não a primeira espécie da última. Senão vejamos: Art. 3° Os membros das Forças Armadas, em razão de sua destinação constitucional, formam uma categoria especial de servidores da Pátria e são denominados militares. § 1° Os militares encontramse em uma das seguintes situações: (...) b) na inatividade: 1 REsp 1088379/DF, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRATURMA, julgado em 14/10/2008, DJe 29/10/2008 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 I os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva das Forças Armadas e percebam remuneração da União, porém sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa, mediante convocação ou mobilização; e II os reformados, quando, tendo passado por uma das situações anteriores estejam dispensados, definitivamente, da prestação de serviço na ativa, mas continuem a perceber remuneração da União. Observase que, assim como afirmou a recorrente, as duas modalidades aqui discutidas tratam da inatividade do militar, diferenciandoas apenas pela possibilidade de retorno à atividade, caso o militar da reserva remunerada seja convocado. No entanto, padecendo de moléstia grave, o servidor público inativo fica inapto à prestação de serviço, igualandose, assim, ao militar reformado. Foi o que entendeu, corretamente, o STJ ao sanar a falha legislativa no que se refere à isenção do Imposto de Renda Pessoa Física, prevista no art. 6° da Lei n° 7.713/1988. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso interposto para que seja restituído o imposto de renda retido na fonte, exercício de 2000, ano calendário de 1999, devendo o valor ser calculado pela administração fazendária. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 37317.003963/2005-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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score : 1.0
Numero do processo: 13708.000775/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
Ementa:
SIMPLES NACIONAL – REINCLUSÃO – PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA – RAZOABILIDADE
Em face a demonstrada insignificância do débito apurado, depois
comprovado que foi compensado em declaração retificadora, em respeito ao princípios que regem o processo administrativo geral, da razoabilidade e da proporcionalidade, e em face a interpretação analógica ao disposto na Lei n° 10.522 de 2002, posteriormente alterada pela Lei n° 11.033 de 2004, pelo
valor ínfimo do débito, é de se reconhecer a legtimidade de reinclusão no regime tributário simplificado.
Numero da decisão: 1202-000.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Simples Nacional Ano-calendário: 2009 Ementa: SIMPLES NACIONAL – REINCLUSÃO – PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA – RAZOABILIDADE Em face a demonstrada insignificância do débito apurado, depois comprovado que foi compensado em declaração retificadora, em respeito ao princípios que regem o processo administrativo geral, da razoabilidade e da proporcionalidade, e em face a interpretação analógica ao disposto na Lei n° 10.522 de 2002, posteriormente alterada pela Lei n° 11.033 de 2004, pelo valor ínfimo do débito, é de se reconhecer a legtimidade de reinclusão no regime tributário simplificado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 Ementa: SIMPLES NACIONAL – REINCLUSÃO – PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA – RAZOABILIDADE Em face a demonstrada insignificância do débito apurado, depois comprovado que foi compensado em declaração retificadora, em respeito ao princípios que regem o processo administrativo geral, da razoabilidade e da proporcionalidade, e em face a interpretação analógica ao disposto na Lei n° 10.522 de 2002, posteriormente alterada pela Lei n° 11.033 de 2004, pelo valor ínfimo do débito, é de se reconhecer a legtimidade de reinclusão no regime tributário simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13708.000775/200914 Acórdão n.º 120200.604 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Viviane Vidal Wagner e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata se de pedido de reinclusão da Recorrente no regime de tributação do SIMPLES NACIONAL para o ano exercício de 2009. Tal pedido se deu em vista da exclusão em referido regime, por que a contribuinte apresentou débitos de natureza não previdenciária conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional registrado em 11/03/2009 (fl. 02). Em sua Manifestação de Inconformidade, a Requerente alega que a pendência foi compensada através da DIRPJSimples retificadora recebida pelo SERPRO em 29/01/2009, com referência das Dcomp na ficha 8, além de anexar os DARFS recolhidos, e por derradeiro solicita a desconsideração do Termo de Indeferimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro, proferiu o Acórdão DRJ/RJOI n°1224.912 (fls. 82 a 85) com a seguite ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL Deve ser indeferido o pedido de inclusão no Simples Nacional, quando a interessada possuir débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Solicitação Indeferida No voto, a solicitação da Requerente é novamente indeferida consubstanciada em um débito (cód. 6106) no valor de R$ 15,15, conforme extrato do sistema SIEF (fl. 21), remanescido de compensações do ano exercício de 2007. Por existir esse débito, foi indeferida a solicitação. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou o pedido feito em sua Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: (i) que o débito é improcedente, tendo em vista a compensação feita; (ii) A Recorrente não é devedora e sim credora da SRFB, já que feita as compensações e atualizando monetariamente os valores, existe um crédito de R$ 8,06; (iii) evocou o princípio da Ampla Defesa e do Contraditório, alegando que não foi comunicada pela SRFB de eventuais mudanças no lançamento, pois a denúncia do débito de R$ 1.848,25 foi alterada por um procedimento interno da 8ª Turma, verificandose que o real débito seria de R$ 15,15; (iv) alegou ser inexpressível o débito, justificando através da Lei n° 10.522 de 2002, artigo 18, parágrafo 1°, bem como princípios da Fl. 63DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13708.000775/200914 Acórdão n.º 120200.604 S1C2T2 Fl. 3 3 Insignificância e Bagatela, Razoabilidade e Supremacia do Interesse Público; (v) que sua exclusão de tal sistemática, traria prejuízos imensuráveis, não permitindo o pleno andamento das atividade empresarial. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, e dele tomo conhecimento. Trata o presente processo sobre o pedido de reinclusão da Recorrente no SIMPLES Nacional no ano de 2009. O pedido foi indeferido por haver débito no código 6106 (SIMPLES) do período de apuração de 06/2007, no valor de R$ 15,15. A Recorrente alega que já houve a regularização do débito através da Dcomp, e que não é devedora da SRFB e sim credora de um crédito no valor de R$ 8,06. Em ato de exame, denotase que a compensação foi feita pela Recorrente, de acordo com as normas de compensação editadas pela Receita Federal do Brasil, e não há dúvidas quanto a isso, uma vez que consta todos extratos que convalidam tal situação. Há entendimentos jurisprudenciais e regras legais que corroboram com a irrelevância da cobrança de valores sem expressão monetária. Basta analisar os princípios que a própria Recorrente traz à baila. O Princípio da Insignificância e da Bagatela, Princípio da Razoabilidade e da Supremacia do Interesse Público, todos trazem consigo, o entendimento a ser seguido, que é o de desconsiderar valores ínfimos, ou não levar a diante cobranças que possam ser mais onerosas à administração pública quanto ao próprio pagamento. Ademais, no caso vertente, a Recorrente demonstra em seu recurso que o valor supostamente devido foi compensado com a DIRPJ retificadora, e respectivo DARF, em 2009, como relatado. Verificase que tal exclusão, além de trazer ônus maiores que o montante a receber, inviabiliza a continuidade da atividade empresarial, tendo em vista que o escopo da criação da sistemática SIMPLES para o empresariado de pequeno porte é justamente alavancar e levar desenvolvimento aos que tem capacidade reduzida e se enquadram nos requisitos para o devido usufruto de tal faixa de tributação. O legislador, preocupado com os aspectos citados acima dentre outros, na necessidade de ver sanada as demandas sobre valores insignificantes de créditos tributários, editou a Lei n° 10.522 de 2002, posteriormente alterada pela Lei n° 11.033 de 2004 que dispôs o seguinte: Fl. 64DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 13708.000775/200914 Acórdão n.º 120200.604 S1C2T2 Fl. 4 4 Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) § 1o Ficam cancelados os débitos inscritos em Dívida Ativa da União, de valor consolidado igual ou inferior a R$ 100,00 (cem reais). Ora, existindo lei que dispensa a constituição de créditos tributários de valores inferiores a R$ 100,00, não subsiste interesse nem razão plausível para se excluir do SIMPLES uma empresa cujo o débito é de R$ 15,15, que fere o princípio da razoabilidade, do processo administrativo geral. Ademais, por analogia e considerando o princípio da proporcionalidade, também característico do processo administrativo, como orienta o art. 108 do CTN, é legítimo e de justiça acolherse a pretensão da Recorrente Em face ao exposto, oriento o voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para o restabelecimento do SIMPLES NACIONAL da Recorrente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 65DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10920.004339/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS
Ano-calendário: 2006
REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO E INSUMOS.
No regime da nãocumulatividade, são considerados como insumos,
para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na
fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias
primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e
quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;
e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,
aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PARA COFINS — ÔNUS DA PROVA.
Para ter direito ao ressarcimento, cumpre ao sujeito passivo demonstrar objetiva e conclusivamente a existência do direito creditório e não se pautar em meras alegações.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-000.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Conselheiros Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani votaram pela conclusão.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Ano-calendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO E INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PARA COFINS — ÔNUS DA PROVA. Para ter direito ao ressarcimento, cumpre ao sujeito passivo demonstrar objetiva e conclusivamente a existência do direito creditório e não se pautar em meras alegações. Recurso Voluntário Negado.
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CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PARA COFINS — ÔNUS DA PROVA. Para ter direito ao ressarcimento, cumpre ao sujeito passivo demonstrar objetiva e conclusivamente a existência do direito creditório e não se pautar em meras alegações. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Conselheiros Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani votaram pela conclusão. Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM: 18/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente temporariamente Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de “Pedido de Ressarcimento” de créditos para a COFINS, relativo ao quarto trimestre de 2006, no valor de R$ 18.846,26. Na análise da documentação apresentada pela contribuinte, concluiu a autoridade fiscalizadora por glosar valores declarados à Linha 13 do Dacon – Outros Valores com Direito a créditos R$ 32.434,09, onde foram lançados valores referentes às mais variadas despesas (fls.51/57), tais como taxa de administração de mãodeobra, serviço de consultoria, serviços não destinados à produção, bens ou serviços não enquadrados como insumos, dentre outros; Houve o reconhecimento parcial do direito creditório no valor de R$ 16.220,12. Em sua defesa, inicialmente, a contribuinte remete aos dispositivos legais contidos na Lei 10.833/2003, argumentando que foram indeferidos valores relativos a custos de terceiros, manutenção de bens, despesas de veículos e com combustíveis e lubrificantes. Alega, em síntese, que todos estes custos, lançados no Dacon, estão relacionados diretamente ao processo produtivo e que estão corretos os procedimentos adotado, em vista da“solução de divergência nº. 35 de 29/09/2008”. No Tópico II – o Direito, a contribuinte reitera os seus argumentos quanto ao direito de descontar os créditos relacionados na Linha 13 do Dacon (serviços de consultoria vinculados à produção, manutenção e conservação de bens, despesas com veículos da produção, e combustíveis e lubrificantes) e sustenta que o seu direito está ratificado e confirmado na Solução de Divergência nº. 35 de 29/09/2008, sendo que, com base nessa interpretação, faz jus aos valores informados integralmente. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10920.004339/200812 Acórdão n.º 320100.817 S3C2T1 Fl. 2 3 No tópico III – O mérito, requer que sejam reconsiderados os itens glosados relativos à Linha 13 do Dacon, e relaciona sumariamente os pontos de discordância com o fisco, conforme já relatados. “ O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.321, de 24/09/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo interessado, pois a empresa não comprova que os itens glosados pela fiscalização, estariam inseridos no processo produtivo. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento referente ao direito creditório de COFINS. A recorrente discorda da glosa parcial, relativo ao quarto trimestre de 2006. A recorrente invoca a “solução de divergência nº. 35 de 29 de setembro de 2008”, para se insurgir contra as glosas dos valores despendidos com mãodeobra, custos de terceiros, manutenção de bens, despesas de veículos, combustíveis e lubrificantes e material de consumo industrial. Inicialmente, os insumos foram conceituados, na sistemática "não cumulatividade" para o PIS e para a Cofins respectivamente pelas Leis n.o 10.637/2002 e n.o 10.833/2003. Lei n.o 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifouse) [...] Lei n.o 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifouse) [...] A Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n.o 247/2002 e a Instrução Normativa SRF n.o 404/2004 que assim dispuseram: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10920.004339/200812 Acórdão n.º 320100.817 S3C2T1 Fl. 3 5 Instrução Normativa SRF n.o 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [..] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifouse) Instrução Normativa SRF n.o 404/2004: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifouse) As Instruções Normativas referidas utilizaramse de elementos da legislação do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI para definir o que deva ser considerado insumo também na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Pois bem, o PIS/COFINS não incide somente sobre produtos industrializados e nem sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa. Incide sobre o ingresso que seja considerado receita. E a receita, por lei e nos termos da jurisprudência do STF1, deve ser oriunda de compra e venda de mercadorias, prestação de serviços e das demais atividades empresarias, tais como a cessão onerosa e temporária de um bem ou direito ou a remuneração de um investimento. 1 Conferir o acórdão proferido no RE 400479, em que relator, Ministro Cezar Peluso, manifestou entendimento de que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10920.004339/200812 Acórdão n.º 320100.817 S3C2T1 Fl. 4 7 A nãocumulatividade do PIS e da COFINS deve estar relacionada com os custos incorridos pelo contribuinte para realizar os negócios jurídicos capazes de gerar a sua receita operacional – fato gerador e base de cálculo do PIS/COFINS. Daí é que a legislação do IPI, que faz referência apenas aos custos relativos à industrialização de bens (insumo como matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem), não poderia abranger todos os insumos na sistemática do PIS e da COFINS. Pois bem, se as receitas submetidas a tais contribuições não são oriundas apenas de vendas de produtos industrializados, os conceitos encontrados no IPI não são suficientes, portanto, para abarcar todos os custos que poderiam gerar crédito. No caso concreto, a recorrente nada trouxe aos autos no sentido de demonstrar que qualquer um dos produtos cujos valores foram glosados e pelos quais se insurge, estariam inseridos em seu processo produtivo na forma de insumos utilizados na produção ou fabricação de móveis. Restringese, a apontar a Solução de Divergência nº. 35 de 29/09/2008, para alegar que o seu direito está ratificado e confirmado na interpretação contida àquele texto. Ou seja, a recorrente nada traz aos autos para se contrapor às razões do fisco.E, mais, quanto à referência da solução de consulta, no âmbito do contencioso administrativo, o julgador pode, eventualmente, subsidiar o seu conteúdo na interpretação de fatos e situações semelhantes, não sendo norma vinculante. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/01/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000143/2003-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
RECURSO INTEMPESTIVO.
A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 RECURSO INTEMPESTIVO. A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RECURSO INTEMPESTIVO. A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Adoto o relatório da DRJ de Porto Alegre – RS, a seguir: Relatório O estabelecimento acima qualificado protocolizou em 21 de janeiro de 2003, na Delegacia da Receita Federal (DRF) em Florianópolis/SC, formulário(s) de Declaração de Compensação (DCOMP), com o(s) respectivo(s) formulário(s) anexo(s) "Créditos decorrentes de decisão judicial", para compensar seus débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no valor total de R$ 107,27, com crédito de terceiro, decorrente do Mandado de Segurança n'' 2001.51010063355, impetrado por Refinadora Catarinense S/A, contra o então Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro/RJ, perante a 33 Vara Federal daquela cidade. Na(s) referida(s) DCOMP(s), foi citado, como origem do crédito, o Processo ri° 13706.000745/200243, também em nome de Refinadora Catarinense S/A. Tanto no verso da(s) DCOMP(s) referida(s) no item precedente, quanto no verso do(s) seu(s) formulário(s) anexo(s), consta Informação prestada pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) no Rio de Janeiro, firmada, inclusive, pelo titular • daquela unidade, no seguinte sentido: 'O contribuinte REFINADORA CATARINENSE S/A, CNPJ riº 86.151.586/000100, através do Processo Administrativo 13706.000745/200243, faz jus ao crédito do !PI relativo a Insumos utilizados na fabricação de produtos exportados pleiteado com base no DecretoLei n' 491/69. conforme Decisão Judicial proferida nos Autos do MS nº 1001.51010063355. Atendendo ao Requerido, está sendo transferida nesta data a débito desse crédito a importância de RS (..) a favor do contribuinte USATI ADM. DE BENS E PART. SOCIETÁRIAS LTDA., CNPJ ii 75.545.1521000179, para sua utilização na quitação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, conforme a determinação judicial supramencionada. Observação: O Adquirente do crédito deverá apresentar na Unidade da SRF da sua jurisdição os formulários Créditos Decorrentes de Decisão Judicial e 'Declaração de Compensação' para efeito da formalização do respectivo processo. "(os destaques são do original) Nas fls. 17 a 20, foi juntada cópia da decisão proferida no citado Mandado de Segurança n1 2001.51010063355, em 16 de maio de 2001, pela qual a meritíssima Juíza Federal Substituta da 31 Vara Federal do Rio de Janeiro deferiu a liminar requerida por Fl. 266DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.000143/200389 Acórdão n.º 180100.747 S1TE01 Fl. 240 3 Refinadora Catarinense S/A, "para que prevaleçam, em relação à impetrante, e até o julgamento final do presente, os efeitos jurídicos dos artigos 1º e 5º do Decreto (sic) 491/69, reconhecendo o direito ao crédito de IPI apurado por tal sistemática, e a sua utilização conforme o determinado pelas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de nrs.21/97, 73/97 e 37/97, bem como pelo parágrafo 1º do artigo 39 da Lei 9532/97'. Na mesma decisão, constou: "Fica, outrossim, impedida a autoridade fiscal de promover qualquer ato coativo ou impeditivo de direito do impetrante, em razão da medida deferida, até ulterior decisão do Juizo". Nas fls. 21 a 36, foi juntada cópia da sentença prolatada no Mandado de Segurança 111 2001.51010063355, em 21 de agosto de 2001, pela meritíssima Juíza Federal titular da V Vara Federal do Rio de Janeiro, sendo que o dispositivo da sentença é transcrito a Seguir: "Posto isso, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO E CONCEDO A SEGURANÇA, confirmando integralmente a liminar anteriormente concedida pelo Juizo e reconhecendo, pois, à impetrante o direito ao crédito de 1P1, relativo às operações promovidas no período indicado, com base na legislação de regência, com os expurgos inflacionárias havidos no período, pacificamente reconhecidos pelo STF e acrescido de SELIC, nos termos dos arts. 3º, I, e 5º da IN/SRF 21/97, sendolhe assegurada a sua utilização de acordo e nas hipóteses prescritas nas 1N/SRF 21/97, 37/97 e 73/97, amparadas pelos artigos 1º e 5º do DecretoLei nº 491, de 5.3.69." • A sentença mencionada relata que o pedido do impetrante se refere "às operações promovidas nos últimos dez anos". Na fundamentação da respeitável sentença, a magistrada consignou que o Ato Declaratório SRF n°31, de 30 de março de 1999, e a Instrução Normativa SRF nº 41, de 7 de abril de 2000, "mostramse descompassados com os princípios da legalidade tributária e da limitação do poder regulamentar". A sentença em questão transcreveu os atos citados no item precedente, ficando explícito que, pelo AD SRF nº 31, de 1999, o créditoprêmio, instituído pelo DecretoL ei nº 491, de 1969, não se enquadra nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação, previstas na Instrução Normativa SRF ri1 21, de 10 de março de 1997, alterada pela 1N SRF 73, de 15 de setembro de 1997, e que, pela IN SRF n1 41, de 2000, restou vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros, com a Fl. 267DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 ressalva que é mencionada na referida IN, mas não vem ao caso. Na fl. 37, consta extrato de consulta ao sitio na rede mundial de computadores (Internet), do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ªi Região, sediado no Rio de Janeiro, dando conta da existência da Apelação em Mandado de Segurança (AMS) nº 2002.02.01.0066577, interposta pela Fazenda Nacional, contra sentença proferida no Mandado de Segurança nº 2001.51010063355. Retornando à tramitação do presente processo administrativo, cumpre relatar que foi elaborada a Informação Fiscal das fls. 38 a 42, opinando (a) pela declaração de nulidade dos despachos constantes do verso das DCOMPs e dos seus formulários anexos e (b) pela nãohomologação das compensações declaradas pelo interessado. Em seguida, foi proferido o Despacho Decisório das fls. 43 a 45, pelo Delegado da Receita Federal em Florianópolis, que acolheu as proposições antes referidas e determinou a cobrança dos débitos indevidamente compensados. As razões de decidir vêm sintetizadas na seqüência. Inicialmente, o despacho referido no item precedente ressaltou que a decisão favorável ao estabelecimento Refinadora Catarinense S/A no Mandado de Segurança nº• 2001.51010063355, não é definitiva. Em segundo lugar, o Despacho Decisório explicou que a sentença que havia reputado ilegal a proibição da IN SAI : n°41, de 2000, de compensar débitos com créditos de terceiros, perdeu eficácia, nessa parte, após 1º de outubro de 2002, data em que passou a surtir efeitos o art. 49 da Medida Provisória nº' 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n' 10.637, de 30 de dezembro de 2002, dispositivo que, ao dar nova redação ao art. 74 da Lei ri' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, desautoriza compensações de débitos do sujeito passivo, com créditos de terceiros. Por último, o Despacho Decisório asseverou que os despachos proferidos no verso das DCOMPs e dos seus formulários anexos, pela Derat no Rio de Janeiro, estão eivados de ilegalidade, motivo pelo qual os declarou nulos. Em seguida, após a devida ciência do Despacho Decisório prolatado neste processo, segundo consta na 11. 47, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, das fls. 48 a 63, no devido prazo, firmada por procurador, com mandato na fl. 137, e instruída • com documentos, alegando, em síntese, o que segue. Preliminarmente, o interessado alega nulidade do Despacho Decisório, dizendo que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis não tem competência para anular os despachos do Delegado de Administração Tributária do Rio de Janeiro. Cita e transcreve legislação que julga pertinente. Reportandose à IN SRF nº 21, de 1997, cuja observância afirma decorrer das decisões judiciais no Mandado de Segurança r? 2001.51010063355, o requerente sustenta que ingressou com Fl. 268DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.000143/200389 Acórdão n.º 180100.747 S1TE01 Fl. 241 5 pedidos de compensação, na Derat no Rio de Janeiro, porque essa era a repartição jurisdicionante do estabelecimento detentor dos créditos, sendo que, na repartição que jurisdicionava o titular dos débitos (DRF em Florianópolis), seria protocolada apenas uma via do pedido, com o caráter exclusivo de comunicado. Passando ao mérito da contestação, o requerente argumenta que, para dar cumprimento às decisões judiciais proferidas no Mandado de Segurança n° 2001.5101006335 5, a Derat no Rio de Janeiro quantificou os créditos do estabelecimento Refinadora Catarinense S/A, nos Processos n" 13706.000714/200110 e 13706.000745/200243, inclusive glosando valores que entendeu indevidos, e autorizou as compensações, com débitos do interessado Diz a manifestação de inconformidade que a decisão judicial não perdeu sua eficácia, após a edição da Medida Provisória n° 66, de 2002, porque não foi modificada pela autoridade judicial que a prolatou, nem por outra de instância superior, estando em pleno vigor, inclusive no que tange à liminar, que impede a autoridade fiscal de promover qualquer ato coativo ou impeditivo do direito do impetrante, em razão da medida deferida. Na seqüência, o interessado defende o cabimento dos créditos de que tratam os arts. 1º e 5º' do DecretoLei nº 491, de 1969, e também a sua compensação com débitos de terceiros, sob pena de os referidos dispositivos virarem letra morta. Alega o requerente que, quando da entrada em vigor da alteração promovida pela Medida Provisória ri 66, de 2002, o detentor dos créditos já possuía direito adquirido, no que se refere à compensação do seu créditoprêmio, com débitos de terceiros, acrescentando que a lei restritiva de direitos só pode alcançar fatos pretéritos nas hipóteses previstas no art.• 106 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), que não se verificam nos autos. Por último, o interessado requer (a) a decretação da nulidade do despacho decisório hostilizado, ou, alternativamente, (b) o cancelamento desse despacho. Em sessão de 18 de maio de 2007, a DRJ em Porto AlegreRS, com o Acórdão 1012.092 da sua 3ª Turma, indeferiu a solicitação. Cientificada do Acórdão em 09 de agosto de 2007, interpôs Recurso Voluntário em 13 de setembro de 2007, onde alega em preliminar, a tempestividade do recurso e: I que a DRJ não examinou detidamente o mérito da impugnação formulada pela recorrente, pois a Lei nº 10.637/2002 não pode ser aplicada ao caso, por imputar à contribuinte exigência fiscal que restou cumprida de acordo com sentença Fl. 269DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 judicial, emanada em mandado de segurança, que gera efeitos vinculados inter partes; II – flagrante desrespeito ao devido processo legal, pois parte da manifestação de inconformidade não foi apreciada pela autoridade administrativa, acarretando verdadeiro cerceamento do direito de defesa; III – que o despacho decisório e o Acórdão recorrido realizaram clara interpretação do conteúdo da sentença judicial; IV – não há precedentes no direito que amparem a perda de eficácia de uma sentença pelo advento de nova legislação, inclusive porque, como se sabe; a decisão judicial produz efeitos normativos próprios e vinculados às partes da relação jurídico processual e, eventualmente, aos terceiros interessados na questão jurídica.; V – pede a anulação do Acórdão Recorrido para assegurar `lhe o direito à utilização dos créditos decorrentes de incentivos fiscais que encontram fundamento nos arts. 1º e 5º. do DL491/69. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.000143/200389 Acórdão n.º 180100.747 S1TE01 Fl. 242 7 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator Embora a Recorrente alegue a tempestividade do Recurso Voluntário, nego provimento a esta preliminar, pois a sua interposição foi intempestiva. A contribuinte foi intimada do Acórdão recorrido em 09 de agosto de 2007 , quinta feira (fls. 165) e apresentou Recurso Voluntário em 13 de setembro de 2007, quintafeira (fls. 166). O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. Considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 10 de setembro de 2007, segunda feira.. Desta forma, não conheço das razões de mérito aventadas e nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 271DF CARF MF Emitido em 03/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10880.912965/2006-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2002
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às
agências de propaganda.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da
compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 399 2 (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 400 3 Relatório Y&R PROPAGANDA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por maioria de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação veiculada na DCOMP nº 08725.12760.141003.1.3.049105. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no anocalendário de 2002. 2. Despacho Decisório (fl. 06) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SÃO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” 3. A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19), alegando, em síntese, o seguinte: 3.1 que a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; 3.2 que, nos termos da IN SRF nº 600/2005 (artigo 5°), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; 3.3 que no presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; 3.4 que nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; 3.5 que, em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; 3.6 que, pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; 3.7 que, como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 401 4 3.8 que, não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referemse àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor específico de IRRF recolhido sob o código 8045; 3.9 que, dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação à compensação pleiteada; 3.10 que o preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a título de saldo negativo de IRPJ; 3.11 que, ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; 3.12 que o processo administrativo tributário está sujeito às garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do princípio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; 3.13 que outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9°, § 1º do Decreto 70.235. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Não seria possível transmudar o pedido para saldo negativo do IRPJ, isso porque o reconhecimento desta alteração importaria grave irregularidade, pois, além de se burlar o instituto da decadência, estarseia suprimindo da Delegacia da Receita Federal em São Paulo atribuição regimental de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. • Destacou que por esta razão não foi analisado o mérito da existência ou não de crédito da requerente a título de saldo negativo de IRPJ. Não é o caso de se impedir o aproveitamento por parte da requerente de crédito que ela venha a possuir, bastando, para tanto, que a interessada formalize nova declaração que se sujeitará à análise da autoridade competente. Também, pelos mesmos motivos, não cabe a apensação deste processo a outros processos administrativos que tenham por objeto a compensação de débitos com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002. • Esclareceu que o caso em tela nem é hipótese de retificação da Per/Dcomp, uma vez que esse procedimento não é admitido após a ciência da decisão administrativa, em observância ao disposto no artigo 57 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, em vigor na data em que foi proferido o Despacho Decisório ora contestado. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 402 5 Divergiu o julgador Eduardo Newman de Mattera Gomes que, ante o objeto social da interessada, e tendo em conta a sistemática de recolhimento do imposto de renda na fonte imposta às agências de propaganda e publicidade, entendeu ser possível compreenderse perfeitamente a incorreção cometida pelo contribuinte no preenchimento da DCOMP eletrônica sob análise, mormente tendo em conta o prejuízo fiscal informado na DIPJ. Frisou, ainda, a possibilidade de a autoridade administrativa retificar as informações erroneamente insertas em declarações apresentadas pelo contribuinte para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, citando doutrina neste sentido, ainda que impedida esteja a retificação pela contribuinte, depois da prolação do despacho decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/12/2009 (fl. 384), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 22/12/2009 (fls. 385/395), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e pede que prevaleça na íntegra o voto vencido do I. Sr. Eduardo Newman de Mattera Gomes. Esclarece que, como agência de propaganda, está submetida ao regime específico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 123/92, recolhendo, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes), o imposto que, originariamente, seria por eles retido na fonte, recolhendoos através de um único DARF, sob código 8045, além de cumprir outras obrigações acessórias. Optando pela apuração anual do lucro real, levantou balancetes de suspensão mensais apurando prejuízo fiscal em todos os períodos, evidenciandose o excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representou R$ 448.957,61, declarado em DCTF e informado a seus clientes anunciantes como comprovado na manifestação de inconformidade. Afirma, assim, seu direito de compensar aquele indébito a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic (art. 5° da IN SRF n° 600/2005). Destaca, porém, que tendo em conta a identidade entre o valor do saldo negativo e dos recolhimentos de IRRF, optou, desavisadamente, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF, e não a saldo negativo de IRPJ. Discorda da decisão recorrida, pois não pretende inovar seu pedido de compensação, havendo apenas mero erro formal, que deve ser retificado de ofício. Nem há o que se falar em burlar o prazo de decadência, pois a DCOMP foi apresentada em 2003, dentro do prazo legal de prescrição. Destaca sua boafé ao requerer o apensamento de todos os processos administrativos nos quais discute o saldo negativo de 2002, para julgamento conjunto, como forma de não haver aproveitamento em duplicidade do crédito. Reafirma a imprescindibilidade deste apensamento também para evitar decisões conflitantes, bem como em observância ao art. 9o, §1o do Decreto nº 70.235/72, que permite a formalização de um único processo quando várias exigências dependerem dos mesmos elementos de prova. Invoca o princípio da verdade material, para que seja superado o mero erro formal ora em discussão, citando ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes neste sentido. Discorda da argumentação de que a análise do saldo negativo pela Delegacia de Julgamento suprimiria atribuição regimental da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, pois o art. 147, §2o do Código Tributário Nacional impõe à autoridade Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 403 6 administrativa a quem compete a revisão da declaração o dever de retificar os erros, mormente sendo a DCOMP instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Cita outras ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes e firma que cabe à Delegacia de Julgamento corrigir a omissão da Delegacia da Receita Federal que exerce jurisdição sobre seu domicílio fiscal, em proceder à mencionada revisão. Quando muito, poderia a Delegacia Regional de Julgamento determinar, nos termos do art. 29 do Decreto n° 70.235/72, as diligências necessárias para a comprovação do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ que ora se pleiteia, mas jamais o indeferimento da solicitação, por todas as alegações de fato e de direito já expostas. Pede, assim, que sejam apensados os processos por ela relacionados, que tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, e que da análise de seu recurso resulte a homologação das compensações efetuadas, requerendose eventual diligência, se necessária, para que a autoridade competente, a partir da documentação já anexa aos autos da manifestação de inconformidade apresentada, comprove de uma vez por todas a existência do crédito, tal como informado. Em 25/01/2011 a recorrente dirigiu petição à 4a Câmara da 3a Seção do CARF, aduzindo que, tendo em vista a inclusão do Recurso Voluntário em questão em pauta de julgamento do dia 04/02/2011, requeria a realização de sustentação oral de suas razões perante esta C. Câmara. Em 07/02/2011 o Presidente da 4a Câmara da 3a Seção do CARF acolheu proposta do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, em favor do encaminhamento dos autos à 1a Seção do CARF, tendo em conta que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado e, no caso, o crédito alegado é originário de suposto pagamento a maior de IRRF (antecipação de IRPJ) e/ou da existência de Saldo Negativo de IRPJ, cuja apreciação é de competência da Primeira Seção, nos termos do art. 7º, § 1º, c/c art. 2º, incisos I e III, do Regimento Interno do CARF. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 404 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O litígio presente nestes autos tem os mesmos contornos daquele verificado nos autos do processo administrativo nº 10880.912964/200691, motivo pelo qual as razões de decidir são as mesmas ali expressas e, a seguir, reproduzidas: Inicialmente no que tange ao pedido de apensação dos processos indicados pela recorrente, cumpre esclarecer que, embora desejável, a juntada não é essencial para solução do litígio presente nestes autos, e também não se mostra viável operacionalmente. De fato, a matéria restou tratada em diferentes processos em razão de iniciativa da contribuinte, que vislumbrou seu crédito formado a partir de cada recolhimento de IRRF, e assim individualizou sua compensação em diferentes DCOMP. Em conseqüência, os litígios daí decorrentes, sob a aparência de indébitos individuais, ingressaram neste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais e foram tratados de forma individualizada. É certo que houve um erro na atribuição da maior parte deles à 3a Seção de Julgamento, já corrigido com a sua redistribuição à 1a Seção de Julgamento e, em alguns casos, à 2a Seção de Julgamento, à qual cabe, em regra, o julgamento dos litígios envolvendo IRRF, salvo quando antecipação do IRPJ, circunstância que tem sido constatada na análise de cada litígio, e ensejado a redistribuição dos autos à 1a Seção de Julgamento. Assim, ao final, todos estes litígios possivelmente serão apreciados por esta 1a Seção de Julgamento. E, nesta análise, é perfeitamente possível apreciar, de forma individualizada, a defesa da interessada centrada, basicamente, na alegação de que tais créditos não corresponderiam a pagamentos indevidos aferidos a partir de recolhimentos isolados, mas sim a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. Isto especialmente porque a apuração da contribuinte, no referido período, resultou em prejuízo fiscal, de modo que a soma dos indébitos individuais, veiculados nas DCOMP, corresponde ao indébito total alegado em recurso, a evidenciar que eventual provimento do recurso da interessada resultaria em idêntico benefício, tanto na análise global dos litígios, como na individualizada. Aliás, a própria recorrente reconhece este fato ao afirmar que como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ. Em verdade, o julgamento individualizado dos litígios possibilitaria, apenas, que decisões diferentes fossem adotadas em casos semelhantes. Todavia, tanto a Fazenda Nacional como a interessada dispõem de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais no caso de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (art. 37, §2o, inciso II do Decreto nº 70.235/72). Nem mesmo existe a aventada possibilidade de aproveitamento em duplicidade do crédito pois o reconhecimento deste, pela autoridade administrativa competente, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 405 8 dependeria da confirmação de sua disponibilidade no momento da apresentação da DCOMP. E, quanto ao disposto no art. 9o, §1o do Decreto nº 70.235/72, mesmo admitindose sua aplicação analógica no âmbito da compensação, não se pode aqui afirmar que as compensações individualizadas pela contribuinte dependam dos mesmos elementos de prova, na medida em que cada recolhimento se referiria a operações específicas, com reflexos próprios na apuração do lucro real e do saldo negativo. Demais disto, a nova redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.196/2005 deixa claro que a reunião de lançamentos nas circunstâncias ali previstas é uma possibilidade, e não um dever: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Por estas razões, indeferese o pedido de apensamento dos processos relacionados pela recorrente e declarase desnecessária sua reunião para julgamento conjunto. De toda sorte, durante o julgamento do presente processo, a Turma Julgadora concluiu que, independentemente da apreciação dos processos conexos que estavam em pauta, seria conveniente buscar a reunião dos demais processos para apreciação desta mesma Relatora, razão pela qual esforços serão feitos neste sentido. Além disso, concluiuse que seria recomendável a apensação ao menos dos seis processos que foram apresentados na mesma sessão de julgamento, de forma a garantir que eles tivessem o mesmo encaminhamento. No mérito, aduz a recorrente que, como agência de propaganda, está submetida ao regime específico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 123/92, recolhendo, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes), o imposto que, originariamente, seria por eles retido na fonte, recolhendoos através de um único DARF, sob código 8045. De fato, a legislação fixa uma sistemática peculiar de incidência de imposto na fonte nos casos de agências de propaganda: Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99: Art. 651. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, art. 8º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º): I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; II por serviços de propaganda e publicidade. § 1º No caso do inciso II, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 406 9 pela comprovação da efetiva realização dos serviços (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, parágrafo único). § 2º O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica. Instrução Normativa SRF nº 123, de 1992: Art. 1º A base de cálculo do Imposto de Renda de que trata o art. 53, inciso II da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, é o valor das importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. Art. 2º Não integram a base de cálculo as importâncias repassadas pelas agências de propaganda a empresas de rádio, televisão, jornais, publicidade ao ar livre ("outdoor"), cinema e revistas, nem os descontos por antecipação de pagamento. Parágrafo único O anunciante e a agência de propaganda são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Art. 3º O imposto deverá ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, até o décimo dia da quinzena subsequente à de ocorrência do fato gerador. § 1º A agência de propaganda efetuará o recolhimento do imposto utilizando um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, preenchido em duas vias, englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração. § 2º O valor do imposto será convertido em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no primeiro dia útil subsequente ao de ocorrência do fato gerador. § 3º O valor em cruzeiros do imposto a pagar será determinado mediante a multiplicação da sua quantidade em UFIR pelo valor da UFIR diária na data do pagamento. Art. 4º A agência de propaganda deverá fornecer ao anunciante, até o dia 15 de fevereiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior. Parágrafo único As informações prestadas pela agência de propaganda deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda na fonte DIRF Anual do anunciante. Art. 5º A dedutibilidade, pelo anunciante, das despesas de propaganda, segundo o regime de competência, está sujeita às disposições do art. 247 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/80). Art. 6º A agência de propaganda deverá informar o valor do imposto na Declaração de Contribuintes e Tributos Federais DCTF. Art. 7º O Imposto de Renda na fonte poderá ser deduzido do imposto apurado mensalmente na forma do art. 38 da Lei nº 8.383, de 1991, assim como do imposto estimado em cada mês, caso a agência de propaganda tenha optado pela faculdade prevista nos arts. 39, 86 ou 87 da mesma lei. Art. 8º Esta Instrução Normativa aplicase aos fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1993. Nestes termos, a Lei nº 7.450/85, base legal do RIR/99, estabelece a incidência do imposto de renda no momento do pagamento, de uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, por serviços de propaganda e publicidade. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 123/92 atribui à agência de propaganda, na condição de beneficiária, o recolhimento do imposto incidente sobre o pagamento ou crédito, por ordem e conta do anunciante. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 407 10 Ainda, a legislação impõe, à agência de propagada, o dever de fornecer ao anunciante documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior, para que ele os discrimine em sua DIRF e disponha da prova necessária para a dedutibilidade da despesa de propaganda. Os dispositivos antes transcritos também exigem que a agência de propagada informe em DCTF o imposto incidente sobre o pagamento por ela recebido, e reconhecem o direito de a agência de propaganda deduzir este imposto de renda na fonte na apuração definitiva do imposto de renda incidente sobre o lucro (IRPJ). Admissível, portanto, neste contexto, que uma agência de propaganda se confunda, no preenchimento da DCOMP, quanto à natureza de seu crédito, e vislumbre indébitos em cada recolhimento de imposto incidente sobre os valores que lhes foram pagos ou creditados, ao invés de um saldo negativo consolidado, mormente se no anocalendário correspondente foi apurado prejuízo fiscal. Neste caso excepcional, distinto da generalidade dos casos nos quais as antecipações cabem a quem paga ou credita rendimentos, o imposto incidente na fonte foi recolhido pela própria beneficiária, de forma que ela dispunha dos DARF que representavam o indébito de imposto de renda naquele período, o que pode têla induzido a apontá los como origem do crédito utilizado em compensação. Cumpre, assim, confirmar se no presente caso concreto estão presentes os demais elementos caracterizadores da condição da recorrente como credora da Fazenda Nacional, no anocalendário 2002, a título de saldo negativo de IRPJ. Está provado nos autos que a contribuinte tem por objeto social: (a) a prestação dos serviços de propaganda, publicidade, marketing, comunicações, promoções, convenções e realização de eventos em geral; (b) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; (c) a prestação de serviços de assessoria e assistência pertinentes às atividades indicadas no item (a); e (d) a participação em outras sociedades, na qualidade de sócia ou acionista (fl. 26). É inconteste, também, que houve recolhimento sob o código de receita 8045, destinado ao IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens); serviços de propaganda, e que tal recolhimento foi vinculado a débito de mesmo valor declarado em DCTF, motivo da não homologação da compensação. Porém, não há prova, nos autos, de que o recolhimento apontado na DCOMP corresponda, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda. Como acima indicado, o código de receita 8045 prestase, também, ao recolhimento de IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Contudo, a interessada afirma que os recolhimentos teriam esta natureza, e junta comprovantes apresentados a seus clientes anunciantes, além de DCTF, DARF e DIPJ, como evidências do excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representaria R$ 448.957,61. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatase que a contribuinte transmitiu as seguintes DCOMP eletrônicas (já excluídos os documentos retificados), apontando indébitos de IRRF no anocalendário 2002: DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 22305.98962.141003.1.3.040291 2.547,31 05/01/2002 10880.912964/200691 16845.17748.141003.1.3.045032 3.127,21 12/01/2002 10880.912991/200664 16872.02259.141003.1.3.044008 28.106,59 19/01/2002 10880.912990/200610 25926.81926.141003.1.3.045913 5.446,57 26/01/2002 10880.912989/200695 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 408 11 DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 04210.95184.141003.1.3.048068 18.432,77 02/02/2002 10880.912988/200641 37590.58144.141003.1.3.040831 3.833,05 09/02/2002 10880.912987/200604 12566.72466.141003.1.3.045410 7.429,94 16/02/2002 10880.912986/200651 22446.93141.141003.1.3.045550 19.724,64 23/02/2002 10880.912985/200615 22532.02564.141003.1.7.048434 109,28 23/02/2002 10880.912967/200625 17966.65019.141003.1.3.048668 7.433,51 02/03/2002 10880.912984/200662 08725.12760.141003.1.3.049105 7.433,51 02/03/2002 10880.912965/200636 03475.35811.201003.1.7.040837 3.778,86 09/03/2002 10880.912983/200618 27834.36530.141003.1.3.042217 3.824,04 16/03/2002 10880.912982/200673 36503.98360.141003.1.3.041021 21.937,09 23/03/2002 10880.912980/200684 15598.37698.141003.1.3.045089 5.721,01 30/03/2002 10880.912963/200647 07980.11161.141003.1.3.047103 7.891,72 06/04/2002 10880.912978/200613 28708.07251.141003.1.3.040867 6.841,68 13/04/2002 10880.912966/200681 12006.15388.201003.1.7.043070 10.148,83 20/04/2002 10880.912977/200661 27387.52252.141003.1.3.047050 12.844,76 27/04/2002 10880.912976/200616 13182.09862.141003.1.3.046947 6.389,16 04/05/2002 10880.912975/200671 09546.55746.141003.1.3.041211 8.472,63 11/05/2002 10880.912974/200627 07521.85698.201003.1.3.041223 20.772,15 18/05/2002 10880.912994/200606 42250.96509.141003.1.3.045520 3.068,08 25/05/2002 10880.912973/200682 20434.30143.141003.1.3.041001 19.340,42 01/06/2002 10880.912972/200638 08983.47705.141003.1.3.040136 3.719,34 08/06/2002 10880.912971/200693 07517.78787.201003.1.7.043595 11.721,31 15/06/2002 10880.912993/200653 32929.51569.141003.1.3.043086 6.666,43 22/06/2002 10880.912970/200649 15304.18822.141003.1.7.041323 10.501,23 29/06/2002 10880.912969/200614 01560.94152.141003.1.3.049141 12.597,86 06/07/2002 10880.912968/200670 23736.01015.211003.1.7.049006 6.458,94 13/07/2002 10880.912979/200650 Total 286.319,92 Obs: os itens em negrito correspondem aos processos distribuídos a esta Relatora Nesta consulta observase, também, que a contribuinte não transmitiu DCOMP ou Pedido de Restituição em formulário eletrônico para utilização de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. Há documentos desta natureza apontando saldos negativos de IRPJ apurados nos exercícios de 1999, 2002, 2004 e 2007 a 2010 (correspondentes aos anoscalendário de 1998, 2001, 2003 e 2006 a 2009), mas nada vinculado ao exercício de 2003. A DIPJ apresentada para o anocalendário 2002, e processada sob nº 1011791, não traz qualquer informação na Ficha 12A, destinada ao Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, mas o cálculo das estimativas indicadas na Ficha 11 e a Demonstração do Lucro Real na Ficha 09A confirmam a alegação de que foi apurado prejuízo fiscal em todos os períodos daquele anocalendário. Em consulta ao sistema Eprocesso, constatase a existência de lançamento de ofício relativo ao IRPJ devido no anocalendário 2002, sob nº 19515.004275/200725, cujo demonstrativo de apuração evidencia que a determinação da base de cálculo do IRPJ resultou na conversão do prejuízo fiscal declarado na DIPJ em lucro, e sobre este foi apurado o tributo devido, sem qualquer dedução de antecipações daquele anocalendário (fl. 300 daqueles autos), procedimento coerente com a indisponibilidade destas antecipações já utilizadas em compensação desde 2003. De forma semelhante também procedeu a contribuinte, ao concordar parcialmente com a exigência, promovendo o recolhimento de IRPJ calculado sobre o valor das infrações não contestadas, reduzido pelo prejuízo fiscal informado na DIPJ, e sem qualquer dedução de antecipações daquele anocalendário (demonstrativo à fl. 438 daqueles autos). Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 409 12 A DIPJ traz, ainda, em sua Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, as seguintes informações relativas ao código de receita 8045: Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 00.074.569/000100 600,00 9,00 00.355.188/000190 1.037,19 15,56 00.366.449/000178 6.092,80 91,39 00.394.478/000224 470.034,73 7.050,60 00.396.253/000126 180.921,16 2.713,82 00.637.277/000120 17.368,11 260,52 00.811.990/000148 461.246,75 6.918,72 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 00.904.448/001101 2.943,88 44,16 01.294.481/000158 330.563,05 4.958,46 01.633.510/000169 50.000,00 750,00 01.764.411/000116 3.611,20 54,17 01.868.682/000111 105,00 1,58 02.015.014/000104 773,03 11,59 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 02.131.538/000160 116.849,19 1.752,73 02.183.757/000436 169.170,44 2.537,56 02.240.314/000197 337,12 5,05 02.245.323/000170 4.185,00 62,78 02.441.272/000152 3.091,37 46,37 02.719.250/000101 123.284,91 1.849,28 02.863.830/000178 37.886,32 568,32 03.459.453/000179 371,25 5,57 03.541.428/000130 3.307,48 49,61 03.687.592/000150 72.146,61 1.082,18 03.784.906/000132 160,50 2,41 03.898.955/000104 246,40 3,70 03.907.562/000101 13.445,00 201,68 03.988.598/000167 13.000,00 195,00 04.067.191/000160 47.108,32 706,62 07.196.033/0026,56 500,00 7,50 15.179.682/002243 571,20 8,57 16.640.849/000160 7.026,87 105,41 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 17.244.708/000190 137,21 2,06 17.397.076/000103 18.389,95 275,85 19.900.000/000176 746,00 11,19 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 410 13 Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 26.983.734/000121 301,80 4,53 29.341.120/000215 48,00 0,72 31.323.157/000181 475.090,79 7.126,37 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 32.215.014/000119 30.520,00 45,78 32.215.014/000208 1.747.390,85 26.210,91 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 33.066.234/000190 34.188,24 512,82 33.216.797/000118 110.593,10 1.658,90 33.252.156/000119 10.894.503,62 163.417,53 33.267.741/000192 16.431,04 246,48 33.300.914/000127 12.771,08 191,56 34.267.617/000190 22.591,04 338,87 40.377.293/000145 5.596,34 83,95 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 42.214.912/000311 467,34 7,01 43.830.074/000400 5.410,65 81,16 43.830.074/000834 14.260,00 216,90 43.915.172/000106 552,00 8,28 43.924.497/000147 48.230,40 723,46 45.039.237/000114 3.799.892,60 59.958,79 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 46.024.030/000805 106.273,20 1.594,09 46.070.868/001998 507.374,91 7.610,59 46.379.400/000150 647.798,31 9.717,02 46.566.444/000190 6.645,60 99,69 46.869.475/000110 971,19 14,57 49.362.411/000116 166.042,96 2.490,65 50.686.591/000170 3.644,00 54,66 54.313.564/000294 43,60 0,65 54.639.463/000127 21.361,82 320,43 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 56.324.114/000141 144.565,07 2.168,48 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 57.947.475/000298 35.627,83 534,42 58.183.401/000104 20.893,56 313,41 59.104.273/000129 174.703,29 2.620,59 60.434.065/000509 71.077,00 1.066,16 60.452.752/004960 39.614,20 594,21 60.509.239/000113 361.868,48 5.248,03 60.544.244/000167 5.890,00 88,36 60.628.369/000175 2.083.626,44 31.437,99 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 411 14 Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 60.749.397/000140 20.959,99 314,41 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 61.065.421/000195 8.268,30 124,02 61.067.377/000152 51.761,67 776,43 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 61.277.273/000172 48.349,84 725,25 61.533.949/000141 78.472,47 1.177,08 62.528.369/000129 696,96 10,45 66.970.229/000167 47.104,71 706,36 67.385.369/000130 55.286,78 829,30 68.153.956/000248 90.000,00 1.350,00 69.349.017/000155 32.500,00 487,50 71.613.400/000110 1.481,13 22,21 73.090.482/000191 38.132,85 572,00 75.775.460/000190 64,28 0,96 76.494.806/000145 46.288,43 694,33 77.070.332/000177 8.658,21 129,87 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 79.875.902/000121 940,49 14,12 80.430.317/000105 308,96 4,63 82.611.617/000108 4.664,41 69,97 82.645.029/000195 5.521,12 82,81 83.093.708/000161 963,18 14,45 83.358.697/000102 75,84 1,14 83.358.697/000366 56,88 0,85 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 87.156.337/000170 6.812,57 102,19 90.721.994/000128 1.526,40 22,90 91.043.687/000106 343,04 5,15 91.235.549/001273 63,20 0,95 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 91.903.989/000107 338,81 5,08 92.821.701/000100 814,15 12,22 92.821.701/000290 760,46 11,40 93.049.245/000275 332,64 4,99 96.201.124/000104 20,00 0,30 Totais 33.122.784,59 499.811,83 Conforme instruções de preenchimento da DIPJ, a referida ficha destinase às seguintes informações: FICHA 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte Nesta Ficha devem ser prestadas informações sobre todo o imposto de renda retido na fonte durante o período abrangido pela declaração, incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, independentemente de a empresa ter Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 412 15 apurado prejuízo fiscal ou imposto de renda devido menor que o retido na fonte durante o período. Para o preenchimento desta ficha o beneficiário que esteja compensando imposto de renda retido na fonte (IRRF) deverá observar as seguintes instruções: a) CNPJ da Fonte Pagadora e Nome Informar número de inscrição no CNPJ, inclusive dígitos de controle e o respectivo nome da pessoa jurídica responsável pela retenção e recolhimento do IRRF que estiver sendo compensado. b) Código da Receita Indicar, nesta linha, o código de receita utilizado para recolhimento do IRRF, conforme Tabela de Códigos da Arrecadação, disponível na Caixa de Combinação. c) Rendimento Bruto Informar o valor bruto do rendimento que originou a retenção. d) Imposto de Renda Retido na Fonte Informar o valor de todo o imposto de renda retido na fonte durante o período abrangido pela declaração, incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, independentemente de a empresa ter apurado prejuízo fiscal ou imposto de renda devido menor que o retido na fonte durante o período. Atenção: Não deve ser informado nessa linha o valor das retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos. Porém, mesmo destinandose esta ficha à informação do imposto de renda incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, notase, no conjunto de informações prestadas, a presença de diversos veículos de comunicação (emissoras de rádio e televisão, jornais, editoras de revistas) e prestadores de serviços associados a propaganda (publicidade, produções, promoções, comunicação, edição, gráfica), ao passo que a recorrente afirma que seu crédito decorreria de recolhimentos, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes). E, embora a contribuinte tenha apresentado comprovantes de imposto de renda recolhido em decorrência de serviços de propaganda e publicidade apontando tais prestadores de serviços também como anunciantes, não se pode negar que é incomum uma agência de propaganda receber rendimentos de veículos de comunicação, ou de empresas que prestam serviços associados a propaganda, aos quais normalmente faz pagamentos, em razão da veiculação de publicidade em favor de seus clientes. Assim, é razoável supor que o IRRF vinculado a estes veículos de comunicação, e aos prestadores de serviços associados a propagada, possa representar retenções promovidas pela interessada, incidentes sobre rendimentos do beneficiário do pagamento, e não próprios, as quais teriam, também, resultado em recolhimentos sob o código 8045. Tal constatação opera em desfavor da interessada, na medida em que, como antes mencionado, não há prova segura nos autos de que os DARF apontados nas DCOMP correspondam, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda, e não a IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Notase, inclusive, que os comprovantes de imposto de renda recolhido emitidos em favor destes veículos de comunicação e prestadores de serviços, juntados a estes autos, distinguemse dos demais por apresentarem, como base de cálculo do imposto retido, o mesmo valor do rendimento bruto, enquanto nos demais casos estes valores são sempre distintos, possivelmente em razão do disposto no §1o do art. 651 do RIR/99, que permite a dedução, da base de cálculo, das importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 413 16 Necessário, portanto, o aprofundamento da análise dos elementos apresentados pela recorrente, para confirmação dos indícios de sua condição de credora da Fazenda Nacional em decorrência da apuração de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002. O quadro abaixo evidencia quais operações informadas na DIPJ cujo comprovante de imposto de renda foi juntado pela contribuinte em sua defesa, e destaca, em negrito, aquelas nas quais a razão social da pessoa jurídica indicada como fonte pagadora, e a identidade entre a base de cálculo do imposto retido e o rendimento bruto estão presentes como indícios de que não se trate, ali, de imposto de renda recolhido sobre rendimentos auferidos pela interessada: Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 801.667,89 439,34 438,61 437,57 227 00.074.569/000100 600,00 9,00 6.600,00 221 00.355.188/000190 1.037,19 15,56 1.037,19 15,56 316 00.366.449/000178 6.092,80 91,39 6.092,80 91,39 266 00.394.478/000224 470.034,73 7.050,60 00.396.253/000126 180.921,16 2.713,82 180.921,16 2.713,82 260 00.637.277/000120 17.368,11 260,52 17.368,00 260,52 292 00.811.990/000148 461.246,75 6.918,72 461.246,75 91,35 554,26 5.379,70 289 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 67.780,00 7,50 6,60 6,60 211 00.904.448/001101 2.943,88 44,16 01.294.481/000158 330.563,05 4.958,46 330.563,05 216,67 288 01.633.510/000169 50.000,00 750,00 50.000,00 243 01.764.411/000116 3.611,20 54,17 3.611,20 322 01.868.682/000111 105,00 1,58 105,00 277 02.015.014/000104 773,03 11,59 773,03 1,89 307 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 4.595,50 22,25 3,04 209 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 132.203,44 97,13 8,16 13,24 230 02.131.538/000160 116.849,19 1.752,73 116.849,19 1.678,26 313 02.183.757/000436 169.170,44 2.537,56 169.170,44 278 02.240.314/000197 337,12 5,05 3.526,22 235 02.245.323/000170 4.185,00 62,78 02.441.272/000152 3.091,37 46,37 3.091,37 310 02.719.250/000101 123.284,91 1.849,28 123.284,91 252 02.863.830/000178 37.886,32 568,32 03.459.453/000179 371,25 5,57 371,25 269 03.541.428/000130 3.307,48 49,61 3.307,48 327 03.687.592/000150 72.146,61 1.082,18 03.784.906/000132 160,50 2,41 160,50 2,41 270 03.898.955/000104 246,40 3,70 246,70 3,70 321 03.907.562/000101 13.445,00 201,68 57.745,00 253 03.988.598/000167 13.000,00 195,00 13.000,00 13.000,00 242 04.067.191/000160 47.108,32 706,62 47.108,32 324 07.196.033/0026,56 500,00 7,50 5.500,00 248 15.179.682/002243 571,20 8,57 16.640.849/000160 7.026,87 105,41 7.026,87 26,71 303 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 20.460,00 27,90 247 17.244.708/000190 137,21 2,06 137,21 2,06 273 17.397.076/000103 18.389,95 275,85 18.389,95 249 19.900.000/000176 746,00 11,19 746,00 218 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 414 17 Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.594.628,64 7.537,62 4.070,01 2.394,92 208 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 64.203,37 151,80 222 26.983.734/000121 301,80 4,53 301,80 268 29.341.120/000215 48,00 0,72 48,00 0,72 285 31.323.157/000181 475.090,79 7.126,37 541.524,23 250 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 886.581,97 1.132,68 7,66 207 32.215.014/000119 30.520,00 45,78 11.256,05 228 32.215.014/000208 1.747.390,85 26.210,91 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 32.642,00 184,59 2,64 220 33.066.234/000190 34.188,24 512,82 34.188,24 126,71 299 33.216.797/000118 110.593,10 1.658,90 110.593,10 1.658,90 294 33.252.156/000119 10.894.503,62 163.417,53 10.894.503,62 20.155,78 14.769,59 14.435,73 263 33.267.741/000192 16.431,04 246,48 16.431,04 48,53 19,86 301 33.300.914/000127 12.771,08 191,56 12.771,08 47,50 300 34.267.617/000190 22.591,04 338,87 22.591,04 80,12 259 40.377.293/000145 5.596,34 83,95 5.596,34 83,95 311 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 607.547,03 663,05 28,76 32,65 229 42.214.912/000311 467,34 7,01 467,34 7,01 237 43.830.074/000400 5.410,65 81,16 5.410,65 267 43.830.074/000834 14.260,00 216,90 14.460,00 271 43.915.172/000106 552,00 8,28 552,00 8,28 287 43.924.497/000147 48.230,40 723,46 48.230,40 219,24 298 45.039.237/000114 3.799.892,60 59.958,79 3.997.254,01 78,62 10.553,76 3.261,79 262 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 1.084.268,66 197,14 21,08 3,78 213 46.024.030/000805 106.273,20 1.594,09 106.273,20 65,87 688,38 326 46.070.868/001998 507.374,91 7.610,59 46.379.400/000150 647.798,31 9.717,02 46.566.444/000190 6.645,60 99,69 6.645,60 22,12 29,48 296 46.869.475/000110 971,19 14,57 971,19 14,54 302 49.362.411/000116 166.042,96 2.490,65 166.042,96 271,68 503,67 112,40 264 50.686.591/000170 3.644,00 54,66 3.644,00 8,40 13,20 9,00 315 54.313.564/000294 43,60 0,65 43,60 0,65 286 54.639.463/000127 21.361,82 320,43 21.361,82 246 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 46.192,00 11,28 5,28 210 56.324.114/000141 144.565,07 2.168,48 144.565,07 1.241,74 325 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 42.093,50 227,46 233 57.947.475/000298 35.627,83 534,42 35.627,83 169,78 148,50 314 58.183.401/000104 20.893,56 313,41 20.893,56 71,90 19,83 308 59.104.273/000129 174.703,29 2.620,59 790.824,90 239 60.434.065/000509 71.077,00 1.066,16 71.077,00 251 60.452.752/004960 39.614,20 594,21 39.614,20 272,16 295 60.509.239/000113 361.868,48 5.248,03 361.868,48 1.194,68 265 60.544.244/000167 5.890,00 88,36 29.450,00 232 60.628.369/000175 2.083.626,44 31.437,99 2.155.610,19 1.344,61 736,84 261 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 13.819.586,02 4.728,30 877,90 1.747,54 217 60.749.397/000140 20.959,99 314,41 20.959,99 80,17 297 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 3.642.778,05 1.956,59 959,84 1.864,31 216 61.065.421/000195 8.268,30 124,02 15.531,30 255 61.067.377/000152 51.761,67 776,43 51.761,67 245 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 286.308,75 39,66 31,73 31,73 214 Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 415 18 Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 61.277.273/000172 48.349,84 725,25 48.349,84 256 61.533.949/000141 78.472,47 1.177,08 78.472,47 293 62.528.369/000129 696,96 10,45 696,96 309 66.970.229/000167 47.104,71 706,36 232.523,56 256 67.385.369/000130 55.286,78 829,30 55.286,78 110,74 318 68.153.956/000248 90.000,00 1.350,00 90.000,00 257 69.349.017/000155 32.500,00 487,50 71.613.400/000110 1.481,13 22,21 1.481,13 291 73.090.482/000191 38.132,85 572,00 38.132,85 56,40 197,40 226 75.775.460/000190 64,28 0,96 64,28 0,96 323 76.494.806/000145 46.288,43 694,33 46.288,43 694,33 279 77.070.332/000177 8.658,21 129,87 8.658,21 304 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 159.598,92 194,24 231 79.875.902/000121 940,49 14,12 940,49 284 80.430.317/000105 308,96 4,63 308,96 4,52 317 82.611.617/000108 4.664,41 69,97 4.664,41 47,12 282 82.645.029/000195 5.521,12 82,81 5.521,12 62,86 281 83.093.708/000161 963,18 14,45 963,18 9,41 312 83.358.697/000102 75,84 1,14 834,24 240 83.358.697/000366 56,88 0,85 625,68 241 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 14.829.893,98 4.193,40 2.499,40 1.248,92 215 87.156.337/000170 6.812,57 102,19 6.812,57 82,54 280 90.721.994/000128 1.526,40 22,90 1.526,40 8,50 306 91.043.687/000106 343,04 5,15 343,04 5,15 319 91.235.549/001273 63,20 0,95 695,20 0,95 238 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 138.477,54 38,44 43,38 12,80 212 91.903.989/000107 338,81 5,08 338,81 5,08 305 92.821.701/000100 814,15 12,22 814,15 6,64 276 92.821.701/000290 760,46 11,40 760,46 3,28 275 93.049.245/000275 332,64 4,99 332,64 4,99 290 96.201.124/000104 20,00 0,30 20,00 272 Por oportuno registrese que às fls. 219, 223, 224, 225, 234, 236, 244, 254, 274 e 283, a interessada juntou comprovantes de imposto recolhido pertinente a anunciantes que não foram indicados na DIPJ, sendo que alguns deles, inclusive, estão apontados como residentes no exterior. De toda sorte, mesmo desconsiderandose as informações relativas aos veículos de comunicação, e aos prestadores de serviços associados a propagada, bem como outros nos quais a razão social não permite aferir a atividade da empresa, mas apresentam rendimento bruto idêntico à base de cálculo do imposto, constatase que remanescem operações nas quais houve imposto recolhido informado para os meses de janeiro, fevereiro e março, aos quais se referem as compensações submetidas à análise desta Relatora: Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 416 19 Fonte Pagadora DIPJ Comprovante de imposto recolhido Rend.Bruto IRRF Rend.Bruto Jan. Fev. Mar. Fl 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 801.667,89 439,34 438,61 437,57 227 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 67.780,00 7,50 6,60 6,60 211 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 4.595,50 22,25 3,04 209 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 132.203,44 97,13 8,16 13,24 230 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 20.460,00 27,90 247 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.594.628,64 7.537,62 4.070,01 2.394,92 208 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 64.203,37 151,80 222 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 886.581,97 1.132,68 7,66 207 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 32.642,00 184,59 2,64 220 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 607.547,03 663,05 28,76 32,65 229 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 1.084.268,66 197,14 21,08 3,78 213 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 46.192,00 11,28 5,28 210 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 42.093,50 227,46 233 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 13.819.586,02 4.728,30 877,90 1.747,54 217 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 3.642.778,05 1.956,59 959,84 1.864,31 216 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 286.308,75 39,66 31,73 31,73 214 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 159.598,92 194,24 231 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 14.829.893,98 4.193,40 2.499,40 1.248,92 215 91.235.549/001273 63,20 0,95 695,20 0,95 238 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 138.477,54 38,44 43,38 12,80 212 Totais 8.824.629,63 132.372,43 21.431,93 9.160,20 8.057,34 Por sua vez, as DCOMP apresentadas para estes períodos de apuração, veiculam os seguintes créditos: DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 22305.98962.141003.1.3.040291 2.547,31 05/01/2002 10880.912964/200691 16845.17748.141003.1.3.045032 3.127,21 12/01/2002 10880.912991/200664 16872.02259.141003.1.3.044008 28.106,59 19/01/2002 10880.912990/200610 25926.81926.141003.1.3.045913 5.446,57 26/01/2002 10880.912989/200695 04210.95184.141003.1.3.048068 18.432,77 02/02/2002 10880.912988/200641 37590.58144.141003.1.3.040831 3.833,05 09/02/2002 10880.912987/200604 12566.72466.141003.1.3.045410 7.429,94 16/02/2002 10880.912986/200651 22446.93141.141003.1.3.045550 19.724,64 23/02/2002 10880.912985/200615 22532.02564.141003.1.7.048434 109,28 23/02/2002 10880.912967/200625 17966.65019.141003.1.3.048668 7.433,51 02/03/2002 10880.912984/200662 08725.12760.141003.1.3.049105 7.433,51 02/03/2002 10880.912965/200636 03475.35811.201003.1.7.040837 3.778,86 09/03/2002 10880.912983/200618 27834.36530.141003.1.3.042217 3.824,04 16/03/2002 10880.912982/200673 36503.98360.141003.1.3.041021 21.937,09 23/03/2002 10880.912980/200684 15598.37698.141003.1.3.045089 5.721,01 30/03/2002 10880.912963/200647 Portanto, embora o exame preliminar das provas existentes nestes autos não permita concluir pela existência integral dos indébitos utilizados pela interessada em compensação, há evidências suficientes de que houve erro no preenchimento da DCOMP, confirmando a alegação de que a contribuinte pretendeu, em verdade, valerse de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2002, e não de recolhimentos indevidos de IRRF, promovidos naquele anocalendário. Opera ainda, em favor da contribuinte, a constatação de que todas as DCOMP em análise por esta Relatora foram apresentadas em 14/10/2003, após o encerramento do anocalendário 2002, e indicam a aplicação, ao crédito, de taxa de juros em percentual inferior ao que seria admitido sobre o indébito se correspondente a saldo Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 417 20 negativo apurado em 31/12/2002. De fato, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 3/2000, os saldos negativos de IRPJ e CSLL são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, correspondente, no período de janeiro a outubro de 2003, a 17,81%, ao passo que a contribuinte adotou, nas DCOMP sob análise, taxas que variaram entre 5,93% e 12,2%. Quanto à admissibilidade da retificação do conteúdo da DCOMP no curso do contencioso administrativo, adotase aqui as razões expressas pelo I. Julgador Eduardo Newman de Mattera Gomes que, ausente na sessão de julgamento da 2a Turma da DRJ/São PauloI na qual foi apreciado o presente processo, assim declarou seu voto, em favor da contribuinte, na decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 10880.912965/200636: Neste ponto, é importante ressaltarse que entendo que as informações erroneamente insertas em declarações apresentadas pelo contribuinte para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, inclusive as prestadas em DCOMP, são passíveis de retificação por parte do Fisco, desde que evidenciado o erro cometido pelo declarante, em decorrência do princípio da estrita legalidade tributária e da aplicação analógica da norma veiculada no art. 147, §2º, do CTN, sendo relevante transcrevermos as seguintes lições tecidas por Leandro Paulsen na obra “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência”, 10ª edição, Livraria do Advogado, p. 996: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originalmente prestada, considere as retificações. Isso toma absoluta relevância na medida em que é reconhecido ao Fisco o direito de inscrever em dívida ativa créditos formalizados mediante declaração do próprio contribuinte, conforme se vê em nota ao art. 201 do CTN. Declaração retificada. Efeitos quanto à futura inscrição e sobre inscrição já realizada. Distinção. Retificada a declarações pelo contribuinte – DCTF, DIRPJ etc , não pode mais o Fisco proceder à inscrição em dívida dos valores apontados na declaração originária, pois esta já não mais persiste. Contudo, efetuada a inscrição de declaração do contribuinte, não se torna insubsistente pela simples retificação posterior pelo contribuinte. No caso, impende que este demonstre perante o Fisco o erro na declaração originária. Aplicase ao caso, por analogia, o art. 147, §1º, do CTN. A perda do prazo para retificação “ad nutum” do contribuinte não impede que o contribuinte peticione administrativamente ou ajuíze ação para afastar os efeitos do equívoco. O §1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária quando já notificado do lançamento (lançamento por declaração) ou, por analogia, quando já inscrita a declaração em dívida ativa (tributos sujeitos a lançamento por homologação em que prestada declaração e não pago o tributo). Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído o seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 418 21 CTN. Poderá, também, ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos e, até mesmo, buscando, a restituição de indébitos. “EXECUÇÃO FISCAL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. ART. 147, §1º, DO CTN. RETIFICAÇÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Embora seja vedado ao contribuinte a retificação da declaração após a notificação do lançamento (art. 147, §1º, do CTN), isso não impede que ele demande a sua nulidade, demonstrando que a declaração foi feita com erro e que não ocorreu o fato gerador do tributo, ou que houve erro em sua quantificação, uma vez que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso XXXV, assegura que a lei não eximirá o Judiciário de apreciar lesão à direito, bem como a exigência tributária é baseada no princípio da legalidade. 2. Reconhecida pela própria Receita Federal a inexistência de débito, cabível a manutenção da sentença que determinou a extinção da execução (...) (TRF4, 2ª T., AC 2005.04.01.0017924, Rel. Dirceu de Almeida Soares, publicado em 30/03/2005)” Logo, como entendo que a autoridade administrativa deve retificar de ofício a declaração prestada com erro pelo sujeito passivo (aplicação analógica da norma veiculada no art. 147, §2º, do CTN), e em função dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do informalismo moderado que rege o processo administrativo (Lei nº. 9.784/99, art. 2º parágrafo único, inciso IX), entendo que deve ser considerado que o contribuinte buscou veicular na DCOMP encartada nos autos o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Frisese, por relevância, que a vedação do contribuinte retificar a DCOMP eletrônica a partir da data da prolação do DespachoDecisório (art. 57 da IN SRF nº. 600/2005) certamente não impede a retificação de ofício prevista no art. 147, §2º, do CTN. De fato, entendese que a proibição da retificação por iniciativa do contribuinte a partir da decisão administrativa prolata pela DERAT/SPO busca apenas evitar que inovações (matérias não contidas expressa ou implicitamente na inaugural DCOMP) causem óbice ao regular trâmite processual ou se constituam em tentativas de burlar os prazos prescricionais previstos para a restituição / compensação de direitos creditórios. Contudo, entendo que não se pode defender que devem ser perenizados erros cometidos pelo contribuinte, principalmente nos casos em que é evidente a intenção do sujeito passivo quando veiculou o seu direito creditório. Ressaltese, neste ponto, que, em decorrência da interpretação das normas administrativas ter por “norte” o atendimento ao interesse público (Lei nº. 9.784/99, art. 2º parágrafo único, inciso XI), entendo que fere tal mister a grave conseqüência decorrente do não reconhecimento do erro sob análise (perda do direito creditório pelo contribuinte, vez que, na data de ciência do DespachoDecisório – 20/05/2008, já se encontrava prescrito o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002), com o conseqüente enriquecimento estatal relativo a tributo nãodevido, se confirmada a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Por todo o exposto, cabe aqui afastar a nãohomologação da compensação, que teve por referência a indicação equivocada pelo sujeito passivo, em DCOMP, de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior verificado em DARF, e não de saldo negativo. Porém, para afirmar a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, mas sob sua real natureza de saldo negativo. De fato, a desconstituição do único fundamento da decisão – impossibilidade de compensação de indébito cujo DARF estava alocado a débito nos sistemas informatizados da Receita Federal – é insuficiente para concluir pela integridade da Fl. 22DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 419 22 formação do crédito, dado que as análises da autoridade administrativa foram prejudicadas pela informação equivocada da natureza do indébito pela interessada. Superado este obstáculo, necessária se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, a apuração de IRPJ nos mesmos termos expressos em sua DIPJ e a efetiva natureza de antecipação do recolhimento apontado na DCOMP, demonstrando a disponibilidade do indébito daí resultante, mediante prova de que não se valeu dele em outras compensações com ou sem pedido, de forma que o crédito assim confirmado possa ser confrontado com os débitos compensados e verificada a sua suficiência para extinção destes. Registrese, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de parcela do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, providenciandose a apensação dos processos apreciados nesta sessão (nº 10880.912964/200691, 10880.912965/200636, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/2006 41 e 10880.912987/200604) antes de seu retorno à origem. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 23DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 420 23 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO. Conforme o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a declaração de compensação se submete ao exame da Receita Federal (expresso, ou tácito por decurso de prazo). Além disso, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência a própria Receita para disciplinar a compensação prevista no artigo. Portanto, as declarações de compensação devem considerar as regras administrativas postas pela Receita, no que tange ao direito material, que sujaz à declaração. Assim, devem obedecer à forma determinada de declarar o exercício do direito de compensação. Por isso, não basta que materialmente o contribuinte tenha direito a restituição ou a compensação, é preciso que ele siga corretamente a formalidade imposta pela Receita. Se uma declaração de compensação não atende a forma, a administração não homologará a compensação declarada e o contribuinte deve fazer uma nova declaração, se quiser aproveitar seu crédito. Se a Receita não homologa uma determinada declaração de compensação, o faz em razão do seu conteúdo. Neste caso, se a única alegação de defesa do contribuinte é de que sua declaração não retratou exatamente o direito que tem, esta alegação consiste em admitir que violou a forma imposta legalmente e em pretender desobedecer às consequencias legais à violação das formalidades. Conforme relatório, o contribuinte declarou a compensação de forma errada. Ou seja, o modo como formalizou o seu pedido não corresponde àquele que se infere de sua defesa. Em resumo, no caso em julgamento, o contribuinte não logrou infirmar as razões da decisão da DRF/DRJ e insistiu em uma declaração errada, sem retificar a declaração, discutindo sua negativa no presente processo administrativo. Se o contribuinte não conseguiria retificar sua declaração, pois para a adequação do pedido seria preciso alterar a natureza do crédito informado na Dcomp original, isso apenas confirma que a declaração do contribuinte estava errada, na medida em que não retratava o direito declarado. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912965/200636 Acórdão n.º 110100.591 S1C1T1 Fl. 421 24 De qualquer modo, se não é possível ao contribuinte retificar sua declaração, por vedação da legislação posta pela Receita, então ele deve acatar a negativa da compensação originalmente declarada e, se quiser, deve apresentar uma nova Dcomp, nos termos da legislação. Se disso resulta algum ônus financerio para o contribuinte (por exemplo, os encargos moratórios do débito erroneamente declarados compensados na declaração original), isso decorre de seu próprio erro. Não cabe à Administração evitar prejuízo ao contribuinte que agiu em desacordo com a legislação. A Administração não pode abrir mão das formalidades legalmente estabelecidas pelo Fisco. Tais formalidades decorrem da legislação, são postas em razão da racionalização administração tributária, e com base em competência legal. Frisese ainda que o contribuinte teve longo tempo e muitas oportunidades para se adequar a legislação. Ele teve um despacho contrário ao seu pedido e inclusive um acórdão da DRJ, onde toda a situação ficou clara. Se ele prefere insistir no erro na esperança de que a Administração, no curso do processo administrativo, decida favoravelmente ao seu pleito, ele deve arcar com o ônus de ver seu direito de repetir decaído, além daquele ônus decorrente de seu erro na declaração de compensação. Noutro giro, a busca do direito material deve respeitar as formas estabelecidas na legislação aplicável. Neste aspecto, destaquese a importância que o sistema jurídico dá às formalidades, como garantidoras do próprio direito material. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 4 de outubro de 2011. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 25DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10711.004264/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IPI. MULTA REGULAMENTAR.
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. ART. 173 DO CTN.
PRAZO DE 5 ANOS PARA A FAZENDA PÚBLICA CONSTITUIR O LANÇAMENTO.
De acordo com o art. 173 do CTN, a Fazenda Pública possui o prazo de cinco anos para constituir o lançamento dos créditos tributários, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A notificação dos sujeitos passivos, sobre o auto de infração,
após o decurso do prazo de cinco anos, é inócua ante a decadência dos créditos tributários.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A parte tem direito à vista do processo e a obter cópias dos documentos que o integram, ressalvados os documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem. Inteligência do art. 46 da Lei n° 9.784/99.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE REQUISITOS FORMAIS. NÃO MANIFESTAÇÃO SOBRE A TAXA SELIC. SÚMULA N.º 04 DO CARF.
Cumpridas as exigências de validade previstas no artigo 142 do CTN e nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, é de ser rejeitada a alegação de nulidade do auto de infração.
A aplicação da taxa SELIC deriva de lei, conforme apontado pela DRJ. Além disso, segundo a Súmula n° 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais
HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. AUDITOR DA RECEITA. REGISTRO NO CRC.
A competência do Auditor da Receita para lavrar auto de infração provém de lei e do concurso público que antecedeu a sua nomeação, e não do registro no RC. O Auditor utiliza o conhecimento contábil como mero instrumento, sendo fundamental o
conhecimento da legislação fiscal.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. DUPLO GRAU DE
JURISDIÇÃO. Não pode a Recorrente alegar, em sede recursal, matéria não impugnada, caso contrário ter-se-ia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria supressão de instância, pois os argumentos levantados seriam analisados penas e diretamente em segunda instância.
INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. SUPOSTA FALTA DE PROVA.
Foram emitidas notas fiscais nas quais consta que a natureza da operação é venda para exportação, havendo registro dessas operações (vendas) no SISCOMEX.
MULTA POR EMISSÃO DE DOCUMENOS INIDÔNEOS. EFEITO CONFISCATÓRIO. SUMULA Nº 02 DO CARF.
A multa aplicada pela emissão de documentos inidôneos tem previsão legal e destina-se a punir o contribuinte. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Preliminar de decadência acolhida quanto aos responsáveis solidários.
Demais preliminares não acolhidas.
No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.391
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência em relação aos responsáveis solidários e rejeitar as preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa, por falta de requisitos formais do Auto de Infração e por não manifestação quanto à taxa Selic; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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MULTA REGULAMENTAR. Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. ART. 173 DO CTN. PRAZO DE 5 ANOS PARA A FAZENDA PÚBLICA CONSTITUIR O LANÇAMENTO. De acordo com o art. 173 do CTN, a Fazenda Pública possui o prazo de cinco anos para constituir o lançamento dos créditos tributários, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A notificação dos sujeitos passivos, sobre o auto de infração, após o decurso do prazo de cinco anos, é inócua ante a decadência dos créditos tributários. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. A parte tem direito à vista do processo e a obter cópias dos documentos que o integram, ressalvados os documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem. Inteligência do art. 46 da Lei n° 9.784/99. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE REQUISITOS FORMAIS. NÃO MANIFESTAÇÃO SOBRE A TAXA SELIC. SÚMULA N.º 04 DO CARF. Cumpridas as exigências de validade previstas no artigo 142 do CTN e nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, é de ser rejeitada a alegação de nulidade do auto de infração. A aplicação da taxa SELIC deriva de lei, conforme apontado pela DRJ. Além disso, segundo a Súmula n° 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 555 2 HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. AUDITOR DA RECEITA. REGISTRO NO CRC. A competência do Auditor da Receita para lavrar auto de infração provém de lei e do concurso público que antecedeu a sua nomeação, e não do registro no CRC. O Auditor utiliza o conhecimento contábil como mero instrumento, sendo fundamental o conhecimento da legislação fiscal. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Não pode a Recorrente alegar, em sede recursal, matéria não impugnada, caso contrário terseia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria supressão de instância, pois os argumentos levantados seriam analisados apenas e diretamente em segunda instância. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. SUPOSTA FALTA DE PROVA. Foram emitidas notas fiscais nas quais consta que a natureza da operação é venda para exportação, havendo registro dessas operações (vendas) no SISCOMEX. MULTA POR EMISSÃO DE DOCUMENOS INIDÔNEOS. EFEITO CONFISCATÓRIO. SUMULA Nº 02 DO CARF. A multa aplicada pela emissão de documentos inidôneos tem previsão legal e destinase a punir o contribuinte. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar de decadência acolhida quanto aos responsáveis solidários. Demais preliminares não acolhidas. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência em relação aos responsáveis solidários e rejeitar as preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa, por falta de requisitos formais do Auto de Infração e por não manifestação quanto à taxa Selic; no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 556 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face de VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA., ora Recorrente, relativo à multa regulamentar de IPI no valor de R$ 1.024.922,67 (fl. 01). As irregularidades constatadas estão relacionadas no Anexo denominado “Descrição dos Fatos” (fl. 22) da seguinte maneira: “DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES Demonstrouse, de maneira cristalina, que as exportações aqui analisadas foram simuladas, calcadas em documentos inidôneos (DE`s, BL`s e notas fiscais), emitidos de maneira fraudulenta, que não correspondem aos fatos econômicocontábeis que se objetivam comprovar. Considerando que não se comprovou o embarque dos bens, concluise que não houve a efetiva saída do estabelecimento comercial nos termos descritos na nota fiscal, o que nos permite inferir que tenham sido desviados para outros fins, não sendo possível precisar a localização dos mesmos, vez que não há documentação legal que ateste o efetivo destino das mercadorias. A sanção aplicável aos casos da espécie guarda amparo legal no diploma abaixo transcrito, que atribui ao infrator uma multa correspondente ao valor expresso na nota fiscal (valor comercial da mercadoria).” Com efeito, o presente Auto de Infração trata de diversas DDE’s (Declarações de Despacho de Exportação), sendo que, para facilitar a identificação dos responsáveis, elaboramos o seguinte quadro resumo com base nas informações constantes do lançamento em conjunto com as planilhas constantes às fls. 47 a 49: Número DDE Usuário Resp. DDE Resp. pela presença da carga Resp. pelo Embarque Valor da DDE 2030608372/8 Paulo Cesar Rodrigues Eduardo Vinicius dos Santos Costa Igor Machado Borges R$ 257.033,70 2030608383/3 Paulo Cesar Rodrigues Eduardo Vinicius dos Santos Costa Igor Machado Borges R$ 269.885,39 2030608392/2 Paulo Cesar Rodrigues Eduardo Vinicius dos Santos Costa Igor Machado Borges R$ 269.885,39 2030608404/0 Paulo Cesar Rodrigues Eduardo Vinicius dos Santos Costa Igor Machado Borges R$ 228.118,19 Total R$ 1.024.922,67 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 557 4 Assim, foram arrolados como responsáveis solidários pelas DDE’s envolvidas as seguintes pessoas: Waldir Conde Antonio CPF 125.064.59804 (sócio Vitrotec), Christian Conde Antonio CPF 153.031.93829 (sócio Vitrotec), Milene Conde Antonio CPF 166.304.79874 (sócia Vitrotec), Odilo Alves CPF 431.189.50897 (administrador Vitrotec), Paulo César Rodrigues CPF 253.104.10791 (despachante), Eduardo Vinicius dos Santos Costa CPF 052.238.12786 (funcionário da Multirio) e Igor Machado Borges – CPF 084.676.03712 (transportador), conforme análise conjunta da autuação e das planilhas anexas acima mencionadas. Regularmente intimada do lançamento, a empresa apresenta impugnação (fls. 321 e seguintes). Entretanto, os responsáveis solidários não foram devidamente intimados do Auto de Infração. Tal vício foi constatado pelo Relator da 2ª Turma da DRJ/JFA, que determinou a intimação dos responsáveis solidários arrolados, abrindolhes o prazo legal para apresentarem impugnação, conforme fl. 348. Contudo, mesmo com a determinação de que TODOS os responsáveis solidários fossem intimados, apenas três pessoas físicas foram notificadas sobre o Auto de Infração (Paulo César Rodrigues, Eduardo Vinícius dos Santos Costa e Igor Machado Borges), conforme fl. 350. Os responsáveis solidários notificados apresentaram impugnações às fls. 360 a 386. Desta contenda é que se originou a decisão da DRJ de Juiz de Fora (MG), a qual se transcreve a ementa abaixo: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do ato administrativo só ocorre quando presente uma das situações previstas na legislação de regência. MULTA E JUROS DE MORA. A cobrança de multa de oficio e juros de mora para os débitos lançados de oficio, é feita com permissivo legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO COMPETÊNCIA DA PFN. Por ser matéria de execução, a competência para se manifestar acerca da responsabilização solidária de terceiros é da Procuradoria da Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A decisão da DRJ/ JFA houve por bem rejeitar os argumentos apresentados na impugnação da empresa e não conhecer as impugnações apresentadas pelos devedores solidários, mantendo, assim, o lançamento na íntegra. Foram notificados do inteiro teor do acórdão originário da DRJ/JFA os seguintes interessados: VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA, PAULO CÉSAR Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 558 5 RODRIGUES, EDUARDO VINÍCIUS DOS SANTOS COSTA, e IGOR MACHADO BORGES, os quais interpuseram Recurso Voluntário contra a referida decisão. Ocorre que, mesmo sem receber a devida notificação, outros responsáveis solidários arrolados no Auto Infração, tomando conhecimento da decisão proferida, também interpuseram Recurso Voluntário, acostados às fls. 466 a 520. Entre eles estão, ODILO ALVES, WALDIR CONDE ANTONIO, CHRISTIAN CONDE ANTONIO e MILENE CONDE ANTONIO. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa os autos posteriormente distribuídos a este Conselheiro e, agora, submetidos a julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que os Recursos Voluntários interpostos merecem ser conhecidos. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS INTERPOSTOS PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS E DA FALTA DE INTIMAÇÃO DE ALGUNS DELES 1. DA DECADÊNCIA Início meu voto pela análise da questão trazida pelos recursos voluntários interpostos pelos devedores solidários. Em síntese, constam nas razões recursais que houve o cerceamento de defesa de parte dos responsáveis solidários, uma vez que não houve a correta intimação de todos os responsáveis solidários arrolados pelo Sr. Fiscal no auto de infração. No Anexo do Auto de Infração – Descrição dos Fatos, o Sr. Fiscal justifica, em um longo e bem redigido texto, o motivo pelo qual arrolou diversas pessoas como responsáveis solidárias da obrigação tributária. Ocorre que apenas a pessoa jurídica foi intimada do conteúdo do Auto de Infração (fl. 320). Ao verificar o erro cometido, o Relator de primeiro grau Robson Marcos Schreider propôs que o processo fosse encaminhado à SECAT/ALF/PORTO/ Rio de Janeiro, para que a autoridade administrativa providenciasse a INTIMAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS ARROLADOS, abrindolhes o prazo legal para impugnação (fl. 348). Verifica se que o ilustre Relator, tomando conhecimento do erro que poderia anular todos os atos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 559 6 subsequentes, determinou a devida correção das intimações. Porém, a Secretaria da Receita Federal, ignorando a determinação, só intimou três responsáveis solidários arrolados no Auto de Infração, quais sejam, PAULO CÉSAR RODRIGUES, EDUARDO VINICIUS DOS SANTOS COSTA e IGOR MACHADO BORGES, sendo que nada foi comunicado aos outros responsáveis que estavam devidamente qualificados na autuação (fls. 27 e 28). Malgrado ter ocorrido um lapso na intimação de alguns responsáveis solidários, o fato é que isso tornouse inócuo, uma vez já ter ocorrido a decadência dos créditos tributários em relação a esses devedores solidários não intimados do auto de infração, quais sejam, ODILO ALVES, WALDIR CONDE ANTONIO, CHRISTIAN CONDE ANTONIO e MILENE CONDE ANTONIO, nos termos do art. 173 do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. De acordo com os documentos juntados aos autos, é possível verificar que os fatos geradores ocorreram em diversas datas do ano de 2003, assim, o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário iniciouse no primeiro dia útil do ano de 2004, conforme o inciso I, do art. 173 do CTN. O auto de infração foi lavrado no dia 20/07/2006, conforme fls. 01, porém, alguns sujeitos passivos nunca foram intimados da existência deste auto. Portanto, com relação aos sujeitos passivos que não foram intimados, quais sejam, ODILO ALVES, WALDIR CONDE ANTONIO, CHRISTIAN CONDE ANTONIO e MILENE CONDE ANTONIO, reconheço a decadência dos créditos tributários, o que torna inócuo o julgamento da preliminar de nulidade por cerceamento defesa, sendo importante destacar ainda que tal tema (a decadência) é matéria de ordem pública que pode ser conhecida de ofício pelo órgão julgador (CARF, 3ª Turma, 4ª Câmara, 3ª Seção, Acórdãos n.s 3403 00.367 e 3403.00.385). No que tange aos demais sujeitos passivos intimados posteriormente do auto de infração também ocorreu a decadência dos créditos tributários. O fato gerador dos créditos tributários em questão ocorreu em 2003, tendo o prazo da decadência iniciado no primeiro dia útil de 2004. As intimações de PAULO CÉSAR RODRIGUES, EDUARDO VINICIUS DOS SANTOS COSTA e IGOR MACHADO BORGES ocorreram todas no dia 03/12/2009, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 560 7 conforme os avisos de recebimento acostados às fls. 357 a 359, respectivamente. De acordo com o já citado art. 173 do CTN, a Fazenda Pública tem o prazo de 5 anos para constituir o crédito tributário, o que não ocorreu no caso em tela. Assim, concluise que, em relação a esses sujeitos passivos, também ocorreu a decadência dos créditos tributários. DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO PELA EMPRESA VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA 1. DAS PRELIMINARES 1.1 DO CERCEAMENTO DE DEFESA A Recorrente alega que houve cerceamento de defesa, pois não foram concedidas as cópias solicitadas para elaboração do Recurso ora analisado. Com o devido respeito, essa alegação não pode prosperar porque a Recorrente teve acesso aos documentos necessários e permitidos para a elaboração da presente peça recursal. As cópias negadas dizem respeito a documentos de terceiros, e por isso foram negadas, conforme determina o art. 46 da Lei n° 9.784/99, in verbis: Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem. O próprio SECAT já havia se manifestado à fl. 421 sobre o motivo pelo qual negou as cópias solicitadas. Tal negativa em nada afetou a apresentação do Recurso Voluntário, logo, não há que se falar em cerceamento de defesa. 1.2 DAS MATÉRIAS NÃO APRECIADAS PELA DECISÃO DA DRJ 1.2.1 DA VIOLAÇÃO AO ART. 11 DO DECRETO N° 70.235 A alegação de que o auto de infração é nulo por violar o art. 11 do Decreto n° 70.235 não procede. O presente auto de infração acostado às fls. 01 a 29 contém todos os requisitos previstos na legislação para sua validade, obedecendo aos ditames do art. 142 do CTN e artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235. Assim, afasto a referida nulidade. 1.2.2 DA ILEGALIDADE DA TAXA SELIC Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 561 8 A Recorrente alega que a decisão da DRJ/JFA não apreciou a ilegalidade da correção monetária pela Taxa SELIC, porém, isso não condiz com a verdade. A decisão da Delegacia tratou do tema e decidiu que: “Também a aplicação da TAXA SELIC decorre de lei, não havendo possibilidade de afastála em sede de impugnação.” A aplicação da Taxa SELIC é determinada por lei, e cabe às instâncias julgadoras administrativas aplicar as normas legais aos casos concretos, sem possuir poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou ilegalidade, sendo essa atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, sobre o assunto, é aplicável Súmula n° 04 do CARF, mantendose a decisão recorrida quanto à incidência da Taxa SELIC sobre o débito tributário discutido nestes autos. 2. DO MÉRITO 2.1 RAZÕES DE RECURSO E MATÉRIA IMPUGNADA De acordo com o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso verificase que os argumentos da impugnação da ora Recorrente foram os seguintes: a) que o auto de infração é nulo por contrariar o artigo 11 do Decreto nº 70.235/72 e por falta de habilitação profissional do agente fiscal; b) que “a autuação baseiase unicamente em mera suposição de que a impugnante teria realizado exportações fictícias, vez que, em momento algum, foram apresentadas provas concretas, cabais e robustas neste sentido.”; c) que a multa aplicada pelo fisco é confiscatória; e; d) que a aplicação da correção monetária pela Taxa Selic é ilegal. Contudo, no Recurso Voluntário ora analisado, a Recorrente alegou matérias não suscitadas na impugnação. Relacionamse, abaixo, em síntese, todos os argumentos trazidos na peça recursal: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 562 9 a) que houve cerceamento de defesa pela negativa de acesso a todo o processo e a vista dos votos de todos os julgadores; b) que não houve a análise de tópicos apresentados na defesa, entre estes, da nulidade do auto de infração por contrariar o art. 11 do Decreto nº 70.235/72, e da análise da aplicação da Taxa Selic; c) que o auto de infração é nulo por falta de intimação pessoal da recorrente, por erro na intimação dos responsáveis solidários, e por falta de habilitação profissional do agente fiscal; d) que “a autuação baseiase exclusivamente em mera suposição de que a recorrente teria realizado exportações fictícias, vez que, em momento algum, foram apresentadas provas concretas e robustas neste sentido.”, e; e) que a multa aplicada pelo fisco é confiscatória. Do exposto, observase que a Recorrente apresentou, em sede recursal, novos argumentos, que não foram levantados na impugnação. Ressaltase que a fase recursal tem como fundamento, na visão de JAMES MARINS, o princípio do duplo grau de cognição, o qual atende ao princípio da ampla defesa. Nas palavras do citado autor: “A idéia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, LV, da CF/88. Representa, o direito a recurso, manifestação axiomática do direito à ampla defesa. Denominase de “hierárquico” o recurso que submete a revisão da decisão a órgão julgador, monocrático ou colegiado, de hierarquia superior, competente para reapreciação e rejulgamento da lide fiscal. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. Pg. 196)”. Da afirmação acima é possível compreender que o recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Dentro deste enfoque, fica estabelecida limitação à Recorrente, no sentido de possuir prazo específico para alegar toda a defesa que entenda necessária. Entretanto, passada esta fase depois de iniciado o processo administrativo, a Recorrente não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Caso contrário, terseia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria enorme contradição, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 563 10 Neste sentido, já decidiu o E. Conselho de Contribuintes: “(...) NORMAS PROCESSUAIS–PRECLUSÃO – Nos termos do artigo 17 do Decreto 70235/72, matéria não impugnada está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo, tornase consolidado. (...) (CARF, Acórdão n º108 0692, Recurso Voluntário n.º: 129198, Sessão de 17 de abril de 2002)”. Desta forma, não cabe a análise das novas alegações apresentadas pela Recorrente no presente recurso, quais sejam, a da nulidade do auto de infração por falta de intimação pessoal da Recorrente, e, por erro na intimação dos responsáveis solidários, uma vez que estes argumentos não foram analisados anteriormente. Além disso, ainda que não tivesse ocorrido a preclusão desses dois argumentos, é certo ainda que a intimação por via postal realizada (fl. 318) está de acordo com o art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, sendo, portanto, totalmente válida. Tanto isso é verdade que a intimação postal cumpriu seu objetivo final, qual seja, comunicação da Recorrente para apresentação de sua Impugnação, a qual foi encartada aos autos e analisada em primeira instância, não existindo qualquer tipo de prejuízo nesse sentido. E, quanto ao erro na intimação dos devedores solidários, não existem dúvidas de que esse argumento não pode prejudicar e nem beneficiar a Recorrente, pois aludido equívoco é relacionado apenas e tãosomente aos interesses dos referidos devedores, e já foi analisado na parte inicial deste voto. 2.2 DA HABILITAÇÃO DO PROFISSIONAL. A Recorrente, inconformada com a decisão da DRJ, vem manifestarse sobre a necessidade do Auditor da Receita ser registrado no Conselho Regional de Contabilidade. Contudo, razão não assiste à Recorrente, conforme demonstraremos a seguir. O Auditor da Receita verifica as operações contábeis apenas com o objetivo de certificarse do fiel cumprimento das obrigações acessórias. O conhecimento contábil é um mero instrumento, já o conhecimento da legislação fiscal é fundamental para sua atividade. Para desempenhar sua função o Auditor utiliza documentos e dados da contabilidade do contribuinte, porém, isso não significa que ele esteja desempenhando funções reservadas aos contadores. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 564 11 Neste sentido, acolho parte dos argumentos apresentados na decisão da DRJ: “Esse tema foi objeto da Súmula n°. 8 do antigo 1° CC que declarou que "o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador". A previsão legal consta do artigo 2° do Decreto 6.641/2008, que regulamenta as atribuições da Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil, conforme previsão contida no §3° do artigo 6° da Lei n° 10.593/2002. No mesmo sentido, os artigos 904, 911 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999.” Na mesma direção já decidiu o então Conselho de Contribuintes: COMPETÊNCIA. AUDITOR FISCAL. EX LEGE. INSCRIÇÃO NO CRC. DESNECESSIDADE. A competência do Auditor Fiscal é decorrente de lei (atualmente art. 6 da lei n. 11.457/2007), não se sujeitando a qualquer habilitação em curso superior específico ou ao requisito de registro junto ao CRC. (CC, Acórdão n° 20501.483, Recurso n°157.429, Sessão de 03 de fevereiro de 2009) (grifos nossos) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. COMPETÊNCIA. AUDITORFISCAL. REGISTRO NO CRC. A competência do auditorfiscal para fiscalizar tributos federais provém da lei e do concurso público que antecedeu sua nomeação e não de registro no CRC. (CC, Acórdão n° 201 78.217, Recurso n°222658, Sessão de 23 de fevereiro de 2005) (grifos nossos) Desta forma, não há o que se falar na necessidade do Auditor da Receita possuir registro no Conselho Regional de Contabilidade, motivo pelo qual fica afastada a nulidade aventada. 2.3 DA INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO A Recorrente alega que a autuação está baseada em mera suposição e que não há provas robustas sobre o ilícito cometido. Sobre o tema, acolho os argumentos da Decisão da DRJ/JFA como voto, uma vez que não foram apresentadas novas informações que pudessem modificar o entendimento firmado em primeira instância. Segue a transcrição: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 565 12 “Ora, pelo que se constata no Anexo – Descrição dos Fatos (fls. 06/29), a empresa emitiu notas fiscais nas quais consta que a natureza da operação é venda para exportação, registrou essas operações (vendas) no Siscomex e não efetivou o embarque da mercadoria. Assim, não existe dúvida de que a operação de exportação alegada pela empresa foi uma simulação calcada em documentos inidôneos.” 2.4 DA MULTA CONFISCATÓRIA Quanto a alegação da Recorrente que a multa aplicada é exorbitante e que se afigura um verdadeiro confisco, acolho os argumentos da decisão da DRJ/JFA, que colaciono a seguir: “Cumpre esclarecer que essa multa tem previsão legal e destinase a punir o contribuinte pela emissão de documentação inidônea. Salientamos que a vedação constitucional citada pela impugnante referese à utilização de tributo com efeito confiscatório, não se referindo a multas por atos ilícitos. E mais, dirigese ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de oficio efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas.” Em sede de recurso, a Recorrente cita a vedação constitucional da utilização do tributo com efeito confiscatório. Porém, não se atenta, novamente, que a multa aplicada ao caso concreto é uma sanção imposta ao contribuinte que emite documentação inidônea, multa esta com previsão legal, conforme determina o art. 83, inciso II, da Lei n° 4.502/1964, in verbis: Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (...) II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, notafiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (...) Além disso, aplicável a Súmula n° 02 do CARF à questão, não cabendo ao CARF se pronunciar sobre matéria constitucional. Diante de todo o exposto, voto por acolher a preliminar de decadência em relação aos responsáveis solidários e não acolho as demais preliminares apresentadas pela Fl. 12DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN Processo nº 10711.004264/200673 Acórdão n.º 3202000.391 S3C2T2 Fl. 566 13 Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. No mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pela VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 13DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 31/12/2011 por GILBERTO DE CASTRO MO REIRA JUN
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Numero do processo: 10660.002278/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 31/07/2006, 01/09/2006 a 30/09/2006
Ementa:
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO
AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Orgãos Públicos Recorrente MUNICÍPIO DE CAMBUQUIRA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 31/07/2006, 01/09/2006 a 30/09/2006 Ementa: INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10660.002278/200786 Acórdão n.º 230201.319 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação, lavrada em 12/06/2007 e cientificada ao sujeito passivo, através de registro postal em 20/06/2007, de crédito lançado pela falta de recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social e relativas à retenção de 11%,incidentes sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviço emitidas pelas empresas nominadas no discriminativo de fls.30/32, nas competências de 01/2006 a 04/2006, 06/2006, 07/2006 e 09/2006. O relatório fiscal informa que o município contratou prestações de serviço com diversas empresas, retendo e não recolhendo a contribuição prevista no artigo 31, da Lei n.º 8.212/91, de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviço. A impugnação foi apresentada intempestivamente e Acórdão de fls.53/59, não conheceu da mesma, julgando procedente o lançamento. Inconformada a recorrente interpôs recurso tempestivo onde alega a nulidade do lançamento porque o prefeito não foi cientificado; que a defesa não foi intempestiva porque o município não foi regularmente notificado e o cerceamento de defesa porque não foi permitida a produção de provas. Por fim, requer a nulidade da notificação e a produção de todos os meios de prova admitidos. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente alega que sua impugnação foi tempestiva posto que o município não foi regularmente intimado da notificação, porque não foi cientificado o prefeito municipal, único com poderes para tanto. De acordo com os elementos constantes do processo, o recorrente foi cientificado da notificação através de registro postal, AR de fl.35, em 20/06/2007 e somente apresentou impugnação em 09/11/2007, fls. 49/50, configurando, portanto sua intempestividade, como pugnou a decisão recorrida. Conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.). Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação da recorrente de que a notificação, encaminhada por via postal, fora recebida por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10660.002278/200786 Acórdão n.º 230201.319 S2C3T2 Fl. 3 5 AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) Ademais,tal assunto já se encontra sumulado por este colegiado, Súmula n.º09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Também não se vislumbrou o cerceamento de defesa porque não cabe à recorrente solicitar a produção de provas, mas sim, apresentálas de forma que possam ilidir ou retificar o lançamento fiscal, o que de fato não ocorreu. Quanto ao mérito do lançamento, o relatório fiscal explicita que se refere a retenções de 11%, efetuadas e incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que não foram objeto de recolhimento por parte da recorrente, na condição de tomadora desses serviços. A Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãodeobra. A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. O artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9.711/1998, diz que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá proceder à retenção incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da cedente de mãodeobra: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. Pelo exposto, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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