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Numero do processo: 13808.001582/2001-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996
IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de
lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o
pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.403
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso para reconhecer de ofício que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para reconhecer de ofício que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 17/08/2011 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13808.001582/200197 Acórdão n.º 210201.403 S2C1T2 Fl. 402 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO GRISI FILHO foi lavrado Auto de Infração, fls. 240/244, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1995, exercício 1996, no valor total de R$ 1.844.838,86, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/03/2001. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 236/239, foi omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de Invest. Sul Dist. de Títulos e Valores Mobiliários Ltda, no mês de maio de 1995, no valor de R$ 1.876.190,00, representados por 259 cheques nominativos. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 256/266, onde alega, em apertada síntese, preliminarmente, nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e decadência e, no mérito, esclarece que os cheques estão relacionados aos valores tomados de empréstimo de Sérgio Beirute. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1717.847, de 11/04/2007, fls. 322/334. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/08/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 341, o contribuinte apresentou, em 20/09/2007, recurso voluntário, fls. 342/374, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Prescrição intercorrente considerandose que o lançamento foi efetuado em abril de 2001, tendo a impugnação sido ofertada em 23/05/2001 e o julgamento da mesma ocorrido somente em abril de 2007, tendo o contribuinte sido intimado em 22/08/2007, ou seja, após 6 (seis) anos, requerse seja reconhecida e declarada a prescrição intercorrente, decretandose a extinção do processo. Do cerceamento de defesa Não obstante a situação em que o recorrente se encontrava quando do início da fiscalização, face a impossibilidade jurídica de o mesmo apresentar documentos de uma pessoa que já havia falecido e de uma instituição financeira liquidada, o AuditorFiscal lavrou o auto de infração com base em presunções e suspeitas. O recorrente foi impedido de localizar documentos, livros e respostas aos questionamentos, deixando o AuditorFiscal de proceder a qualquer análise e consideração para efetuar o lançamento. Assim, no presente caso são flagrantes: (i) a ocorrência do lançamento sem a devida verificação do fato gerador, e, (ii) o cerceamento ao direito de defesa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13808.001582/200197 Acórdão n.º 210201.403 S2C1T2 Fl. 403 3 Do mérito Os fatos apontados pela fiscalização podem se constituir em valiosos indícios, mas não em prova, e não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, nem podem ser tomados como valores representativos de acréscimo patrimonial. Para amparar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física lastreado em omissão de receitas, mister que se prove que a pessoa física envolvida tenha obtido lucro, acréscimo patrimonial, renda ou provento de qualquer natureza, o que certamente não ocorreu no caso em tela. Da presunção Conforme se discorrerá a seguir, os lançamentos por presunção “juris tantum” necessitam que sejam baseados num indício incontestável, nunca em um presumido indício. No caso, seria presumir sobre uma presunção, o que não pode ser aceito. Da ausência de prova – A Fiscalização não provou a ocorrência do fato gerador do imposto que lançou. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13808.001582/200197 Acórdão n.º 210201.403 S2C1T2 Fl. 404 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Antes de analisar as alegações do recorrente, cumpre verificar se, na data do lançamento, o crédito tributário exigido no Auto de Infração já se encontrava alcançado pela decadência. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13808.001582/200197 Acórdão n.º 210201.403 S2C1T2 Fl. 405 5 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, o lançamento cuida de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cujo fato gerador ocorreu em maio de 1995 (anocalendário 1995, exercício 1996). O contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 1996, anocalendário 1995, fls. 12/18, tempestivamente e apurou saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 4.459,04, depois de compensar o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 102.602,00. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 1995 somente se completaram em 31/12/1995, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2000. Como o contribuinte somente foi cientificado do Auto de Infração em 24/04/2001, fls. 248/250, temse que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13808.001582/200197 Acórdão n.º 210201.403 S2C1T2 Fl. 406 6 Logo, tornase desnecessária a análise das argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso para reconhecer de ofício que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000158/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
LANÇAMENTO COM FUNDAMENTO NAS GFIP’S APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE AFERIÇÃO INDIRETA.
Em que pese o lançamento através da aferição indireta das contribuições previdenciárias devidas ser medida legalmente prevista na legislação, não há há qualquer arbitramento por parte da fiscalização que autua com base nas GFIP’S apresentadas pelo próprio contribuinte, confessando o débito e reconhecendo a ocorrência dos fatos geradores.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara
/ 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições
apuradas até a competência 07/2000, anteriores a 08/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo
Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. LANÇAMENTO COM FUNDAMENTO NAS GFIP’S APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE AFERIÇÃO INDIRETA. Em que pese o lançamento através da aferição indireta das contribuições previdenciárias devidas ser medida legalmente prevista na legislação, não há há qualquer arbitramento por parte da fiscalização que autua com base nas GFIP’S apresentadas pelo próprio contribuinte, confessando o débito e reconhecendo a ocorrência dos fatos geradores. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2000, anteriores a 08/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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Recorrente RONALDO LOYOLLA JUNQUEIRA E FAZENDA DA MATA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. LANÇAMENTO COM FUNDAMENTO NAS GFIP’S APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE AFERIÇÃO INDIRETA. Em que pese o lançamento através da aferição indireta das contribuições previdenciárias devidas ser medida legalmente prevista na legislação, não há há qualquer arbitramento por parte da fiscalização que autua com base nas GFIP’S apresentadas pelo próprio contribuinte, confessando o débito e reconhecendo a ocorrência dos fatos geradores. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 124 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2000, anteriores a 08/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 16/08/2005, em desfavor de RONALDO LOYOLLA JUNQUEIRA E/OU FAZENDA DA MATA, face às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados e à parte da empresa, inclusive o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho SAT. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 125 3 De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 49/50, o valor do débito fora calculado por aferição indireta com informações fornecidas pela empresa nas GFIP do valor pago aos segurados empregados e decorrentes de comercialização da produção rural, haja vista que em 07/07/2005 fora encaminhado ao endereço do contribuinte o MPF n° 09228123, bem como o TIAD, recebido pelo Sr. Jair Franco, onde determinava a apresentação dos documentos necessários para o dia 11/07/2005 para realização da fiscalização. Contudo, o recorrente prosseguiu inerte, não tendo entrado em contato com a fiscalização para entregar a documentação solicitada, acarretando também na lavratura de Auto de Infração. Inconformado, o contribuinte ofereceu Impugnação de fls. 59/83. Posteriormente, foi determinada a complementação de informações fiscais dos documentos do contribuinte que legitimam as informações prestadas nas GFIP’s (fls. 87), tendo sido informado pelo auditor fiscal (fls. 89) que não foram apresentados quaisquer documentos, em que pese terlhe sido concedido novo prazo. Em julgamento da impugnação do ora Recorrente, foi lavrado o acórdão de fls. 93/103, julgando o lançamento procedente e mantendo o crédito, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 INSCRIÇÃO DE AUDITORFISCAL NO CRC. DESNECESSIDADE. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil prescinde de inscrição em Conselho Regional de Contabilidade para desempenhar suas atribuições. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. VALIDADE. Encaminhada a notificação por via postal ao endereço tributário eleito pelo contribuinte, a intimação é válida, ainda que a assinatura do recebimento não seja a do intimado. APURAÇÃO DE CRÉDITO COM BASE EM INFORMAÇÕES DECLARADAS EM GFIP. A GFIP é documento declaratório de contribuições devidas à Previdência Social e de outras importâncias arrecadadas pelo INSS, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Não procede a alegação de confisco se os juros e a multa aplicados, decorrentes da falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições sociais, foram calculados nos moldes fixados em lei. Lançamento Procedente Irresignado com a r. decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 109/115, alegando, em síntese: a) Que, de acordo com o disposto no art. 173 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados a partir do 1° (primeiro) dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, existindo, portanto, a decadência dos créditos tributários; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 126 4 b) Que desconhece os créditos apurados pelo auditor fiscal, tendo em vista que o valor do débito fora calculado por aferição indireta, e que por esta razão, impossibilita saber se o lançamento está correto, haja vista aquela não ter o condão de provar a existência do fato gerador; c) Que a Taxa SELIC não fora criada por lei para fins tributários, de modo que a sua aplicação no instituto de atualização tributária implica no aumento de tributo sem lei específica a respeito, o que vulnera o art. 150, inciso I, da Constituição Federal, sendo, portanto, inconstitucional. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preliminarmente Preclusão sobre matérias não impugnadas Os lançamentos da presente NFLD referemse à cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes à parte dos segurados empregados, à parte da empresa, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho SAT. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 127 5 Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da Decadência Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 128 6 administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). Art. 2° O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 129 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 130 8 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 4. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 5. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso dos autos, verificase que o contribuinte pagou parcela das contribuições previdenciárias referentes ao período do lançamento, fato este evidenciado pelo Relatório de Documentos Apresentados (fls. 26/28). Ademais, não tendo sido constatado dolo, fraude, ou simulação na conduta da Recorrente, verificase circunstância necessária à aplicação do art. 150, §4º do CTN e, conseqüente, afastamento do seu art. 173, I. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 131 9 Com efeito, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 19/08/2005 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre janeiro/1999 a fevereiro/2002, tenho como certo que estão decaídas as competências de 01/1999 a 07/2000, isto é, anteriores a agosto/2000. Da Aferição Indireta O contribuinte insurgese, também, contra a presente fiscalização face à afirmação do AFRFB de ter utilizado o procedimento de aferição indireta para realização do cálculo do débito. Insta salientar que a referida técnica não foi utilizada, tendo em vista que o contribuinte confessou seus débitos na oportunidade em que declarou suas bases de cálculo nas GFIP’s apresentadas no período abarcado. Consoante se observa do Relatório Fiscal, todos os fatos geradores e bases de cálculo apontadas na autuação se basearam nas GFIP’s elaboradas pelo próprio contribuinte, que representa documento hábil e suficiente para o lançamento do crédito tributário e confissão de dívida; Corroborando com o acima exposto, imperioso trazer à baila decisão já consolidada pelo Supremo Tribunal de Justiça: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERIFICAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES DECLARADOS NA GFIP E VALORES RECOLHIDOS (PAGAMENTO A MENOR). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO SUPLETIVO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (DECLARAÇÃO). RECUSA AO FORNECIMENTO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND) OU DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA (CPEN). POSSIBILIDADE. PRECEDENTE N.º RESP. 1.143.094/SP, DJ. 01.02.2010, SUBMETIDO AO REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543C, DO CPC. 1. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 2. A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) foi definida pelo Decreto 2.803/98 (revogado pelo Decreto 3.048/99), consistindo em declaração que compreende os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido a título de FGTS. As informações prestadas na GFIP servem como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 132 10 3. Portanto, a GFIP é um dos modos de constituição do créditos devidos à Seguridade Social, consoante se dessume da leitura do artigo 33, § 7º, da Lei 8.212/91 (com a redação dada pela Lei 9.528/97), segundo o qual "o crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte". 4. Deveras, a relação jurídica tributária inaugurase com a ocorrência do fato jurídico tributário, sendo certo que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exigibilidade do crédito tributário se perfectibiliza com a mera declaração efetuada pelo contribuinte, não se condicionando a ato prévio de lançamento administrativo, razão pela qual, em caso de nãopagamento ou pagamento parcial do tributo declarado, afigurase legítima a recusa de expedição da Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.123.557/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 5. Doutrina abalizada preleciona que: " GFIP. Apresentada declaração sobre as contribuições previdenciárias devidas, resta formalizada a existência do crédito tributário, não tendo mais, o contribuinte inadimplente, direito à certidão negativa. Divergências de GFIP. Ocorre a chamada 'divergência de GFIP/GPS' quando o montante pago através de GPS não corresponde ao montante declarado na GFIP. Valores declarados como devidos nas GFIPs e impagos ou pagos apenas parcialmente, ensejam a certificação da existência do débito quanto ao saldo. Há o que certificar. Efetivamente, remanescendo saldo devedor, consideraseo em aberto, impedindo a obtenção de certidão negativa de débito. Em tendo ocorrido compensação de valores retidos em notas fiscais, impende que o contribuinte faça constar tal informação da GFIP, que tem campo próprio para retenção sobre nota fiscal/fatura. Não informando, o débito estará declarado e em aberto, não ensejando a obtenção de certidão negativa." (Leandro Paulsen, in "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência", Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, 10ª ed., 2008, Porto Alegre, pág. 1.264). 6. In casu, restou assente, no Tribunal de origem, que: "verificase que a CND não foi fornecida ao impetrante em razão de divergências de GFIPS" (fl. 187). 7. Conseqüentemente, revelase legítima a recusa da autoridade impetrada em expedir certidão negativa de débito (CND) ou de certidão positiva com efeitos de negativa (CPEN) quando a autoridade tributária verifica a ocorrência de pagamento a menor, em virtude da existência de divergências entre os valores declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e os valores efetivamente recolhidos mediante guia de pagamento (GP) (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 1.179.233/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 03.11.2009, DJe 13.11.2009; AgRg no REsp 1.070.969/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 12.05.2009, DJe 25.05.2009; REsp 842.444/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.09.2008, DJe 07.10.2008; AgRg no Ag 937.706/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 06.03.2008, DJe 04.03.2009; e AgRg nos EAg 670.326/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 14.06.2006, DJ 01.08.2006). 8. Hipótese que não se identifica com a alegação de mero descumprimento da obrigação acessória de informar, mensalmente, ao INSS, dados relacionados aos fatos geradores da contribuição previdenciária (artigo 32, IV e § 10, da Lei 8.212/91). 9. Embargos de declaração acolhidos, para darlhes efeitos infringentes e dar provimento ao recurso especial. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 133 11 (EDcl no REsp 1127985/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/04/2010, DJe 06/05/2010). Destarte, de acordo com o disposto nos artigos 32, inciso IV da Lei n° 8.212/91 e 225, IV, § 1°, do Decreto n.° 3.048/99 verificase que em matéria de contribuição previdenciária confessada, não há necessidade de o Fisco proceder à notificação do devedor para que o crédito se constate, ou seja, o próprio contribuinte, com sua declaração, torna clara a situação impositiva, apura o valor devido e faz o pagamento, sem intervenção da autoridade fiscal. Com efeito, não pode ser acolhida a alegação da Recorrente de que foi arbitrária e indevida a aferição indireta, uma vez que esta não foi aplicada no caso dos autos. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 134 12 Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário do contribuinte e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar as competências de 01/1999 a 07/2000, isto é, anteriores a agosto/2000, por terem sofrido decadência, bem como para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 19991.000158/200777 Acórdão n.º 2301002.154 S2C3T1 Fl. 135 13 É como voto. Sala das Sessões, 8 de junho de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 11516.004173/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2003
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-001.574
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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(CÓDIGO FUNDAMENTO LEGAL CFL 35) Recorrente UNIÃO CATARINENSE DE EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2003 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, em razão da empresa não ter prestado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração de fls. 04 a 06, referente ao período de 01/1997 a 04/2003. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 04 a 06), a autuada deixou de apresentar à fiscalização, quando da imposição da prática do ato consubstanciado nos Termos de Intimações para Apresentação de Documentos TIAD’s (fls. 09 a 14), os seguintes documentos: “Embora intimada para tal, conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, datados de 07/07/2004, 05/05/2005 e 24/05/2005, deixou a empresa de apresentar as informações financeiras, contábeis e os esclarecimentos necessários à fiscalização acerca da formação dos custos das mensalidades escolares, bem como as respectivas Planilhas de Custos, referentes ao período de janeiro de 1997 a abril de 2003, planilhas estas implementadas pela MP 147736, e mantida até a MP 189067, convertida na Lei n° 9870, de 23/11/99, que foi alterada pela MP 2091, de 25 de janeiro de 2001, de todos os estabelecimentos constantes nos referidos Termos de Intimações, com cópia em anexo. (...) Também deixou de apresentar as informações financeiras e contábeis acerca da formação dos custos das atividades esportivas, culturais e religiosas desenvolvidas nos colégios lançadas como gratuidades nos Relatórios de Atividades no período de 1977 a 2003. A recusa em apresentar as informações financeiras e contábeis bem como das respectivas planilhas de custos veio a prejudicar os trabalhos de auditoria da empresa no que se refere ao exame dos requisitos previstos no art. 55, III, da Lei n° 8.212/91, no que refere a gratuidade que a mesma desenvolveu como condição essencial de obtenção e manutenção de isenções fiscais e sociais, sob exame na presente ação fiscal, conforme Mandado de Procedimento Fiscal (anexo).” Foi aplicada a multa prevista no inciso II, alínea “b”, do artigo 283 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, no valor de R$ 11.017,50 (onze mil e dezessete reais e cinqüenta centavos), atualizada nos termos da Portaria MPS n° 822, de 11.05.2005 (DOU de 12.05.05). Não se verificaram circunstâncias agravantes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11516.004173/200798 Acórdão n.º 240201.574 S2C4T2 Fl. 208 3 A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/06/2005 (fls. 01 e 19), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 20 a 40) – acompanhada de anexos de fls. 41 –, alegando, em síntese, que: 1. em momento algum recusou qualquer informação ou esclarecimento; 2. acerca da planilha de custos, que todos os elementos que compõem a mesma estavam a disposição da fiscalização, citando o Livro Razão apresentado e que não pode ser compelida a fazer cálculos para o FISCO; 3. a competência para estabelecer os procedimentos relativos à concessão de registro e certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é do CNAS, entendendo prejudicada a verificação do art. 55, III, da Lei n° 8.212/1991, pela Fiscalização do INSS, já que esta não tem competência para verificar os requisitos dispostos no Decreto n° 2.536/1998; 4. não possui competência o INSS no que respeita ao percentual aplicado em Assistência Social, apenas podendo verificar sobre o critério qualitativo se a instituição possuidora do CEAS cumpre o requisito do art. 55, III, da Lei n° 8.212/1991, ou seja, se promove ou não a assistência social, não podendo aterse a critérios qualitativos, citando o Parecer/CJ/2272/2000, que trata do conflito de competência ora em exame, e no mesmo sentido o Parecer/CJ/MPS n° 3093/2003; 5. o único documento que a autuada se recusou a apresentar foi a planilha de custo, por entender que o INSS é incompetente para proceder a requisição; 6. TIAD tem como objetivo primordial o levantamento de dados que dizem respeito à situação em que se encontra o sujeito passivo diante do INSS, e no presente caso a planilha de custos nada têm haver com a atividade de cobrança do INSS, qual seja, a contribuição previdenciária; 7. requer seja tornado insubsistente o auto de infração, requerendo a juntada do Livro Razão relativo aos exercícios 1997 a 2003; a oitiva de testemunhas para provar que os livros que junta estavam a disposição da fiscalização e a realização de perícia técnica para provar que as informações contábeis para a fixação de mensalidades estão disponíveis no Livro Razão. Às fls. 45/50, foi emitida DecisãoNotificação n° 20.4014/0051/2005, pela extinta Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário da Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária, datada de 02/09/2005, da qual o contribuinte recorreu ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS (fls. 53 a 75). Dentre outras alegações, contestou o indeferimento da prova pericial, reafirmando que apresentou todas as informações solicitadas pela Auditoria Fiscal, e, ainda, que juntou aos autos os Livros Razão referentes ao período de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 1997 a 2003, comprovando o alegado por meio da declaração de recebimento de documentos de fls. 76. De acordo com a declaração em questão, os documentos foram recepcionados por servidora lotada na Seção de logística da Gerência Executiva de Florianópolis. Diante desse fato novo, solicitouse à Seção de Logística da Gerência Executiva de Florianópolis que confirmasse a recepção dos documentos e informasse sobre o encaminhamento dos mesmos, no que não se obteve retorno (fl. 84). Por meio do despacho de fl. 86, os autos foram diligenciados à Fiscalização para manifestação acerca dos fatos relatados pelo contribuinte em sede de recurso, e, caso referidos documentos se encontrassem de posse da auditoria fiscal autuante, evidenciar se os mesmos corrigiam as faltas determinantes da lavratura do auto de infração. Atendendo à diligência, a Fiscalização apresentou as considerações de fls. 89/95. Acerca da documentação entregue pela empresa, informou a auditoria fiscal que se constituíam em cópias encadernadas não autenticadas e que, uma vez analisadas, foram devolvidas à Autuada, conforme o Termo de Devolução de fl. 88. Concluiu, também, que referida documentação não supre a falta objeto da presente autuação. Às fls. 96/102, foi exarada a DecisãoNotificação n° 20.4014/00197/2007, datada de 30/04/2007, que reformou a DN n° 20.401.0051/2005, e julgou procedente a autuação. Em face da nova DecisãoNotificação, foi reaberto o prazo para recurso à autuada, a qual, todavia, não aditou as razões já apresentadas, sendo os autos encaminhados ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento. Posteriormente, em sessão realizada em 24/09/2009, a 4a Câmara/1a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por unanimidade de votos, acordou (Acórdão 240100.637— fls. 109/111) em anular a DecisãoNotificação n° 20.4014/00197/2007, tendo em vista que a autuada não foi intimada/cientificada da juntada da diligência de fls. 86 e da Informação Fiscal consubstanciada às fls. 89/95. Devidamente intimada do acórdão acima citado, a autuada apresentou a manifestação de fls. 120 a 138, em que, além de reiterar todas as alegações e pedidos apresentados na peça de fls. 20/41, formulou os seguintes argumentos: 1. reforça que o AuditorFiscal não poderia exigir da autuada documentos sem o devido embasamento legal e que a análise pretendida pelo mesmo não era de sua competência funcional, mas sim do Conselho Nacional de Assistência Social; 2. no tópico “Contradita às argumentações do AuditorFiscal” (fls. 136 a 138”), diz que não possui embasamento legal a conclusão do auditor fiscal de que os custos econômicos ou financeiros, com pessoal, encargos trabalhistas, sociais, manutenção de imóvel, dentre outros, jamais poderiam ter uma parcela incluída na contabilizarão de despesas a serem lançadas na conta da assistência social, na medida em que tais dispêndios já seriam suportados por aqueles que pagam as mensalidades escolares. Que se existem alunos bolsistas que usufruem Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11516.004173/200798 Acórdão n.º 240201.574 S2C4T2 Fl. 209 5 dos serviços educacionais, isso gera um custo pela instituição, que deve ser contabilizado; 3. em momento algum o auditorfiscal citou procedimento contábil oficial que tenha sido descumprido e que o próprio auditor fiscal menciona que não constatou irregularidades em relação ao cumprimento das obrigações tributárias, tanto acessórias quanto principais. Diz que o auditor frisou que os custos financeiros foram lançados de forma equivocada, contudo, não fundamentou o seu posicionamento no ordenamento jurídico. Lembra que o CNAS, até hoje, passados mais de 13 anos, mantém a certificação da autuada; 4. diz que é contrasenso ser aplicada uma penalidade pela suposta não apresentação de informações solicitadas pelos Auditores do INSS e, ao mesmo tempo, o CNAS, mesmo depois de diversas fiscalizações, não ter chegado à mesma conclusão. Refere que a partir de agora, coma nova legislação esta fiscalização passará a ser do Ministério da Educação; 5. finaliza aduzindo que em momento algum sonegou informações que está legalmente obrigada a prestar, de onde se conclui que inexistiu ofensa ao art. 32, inciso III, da Lei n° 8.212/1991, devendo, por tais motivos, ser julgado nulo o auto de infração. Anexou os documentos de fls. 139 a 178: procuração, atos constitutivos, certificado do Conselho Nacional de Assistência Social, cópia de peças do presente lançamento fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em FlorianópolisSC – por meio do Acórdão 0719.564 da 5a Turma da DRJ/FNS (fls. 185 a 191) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. A Notificada apresentou recurso (fls. 194 a 199), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações das peças de impugnação. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 206). É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 11/05/2010, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado à fl. 193. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 194 a 199), apresentando as mesmas alegações postuladas nas suas peças de impugnação (fls. 20 a 41 e fls. 120 a 138) e não se manifestou a respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 15/06/2010, nos termos da papeleta inicial deste recurso, devidamente assinada por servidor do Fisco do Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) da DRF/Florianópolis/SC (fl. 194). O art. 5º, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão do acórdão no 0719.564 da 5a Turma da DRJ/FNS (fls. 185 a 191) em 11/05/2010 (terçafeira). Assim, o prazo para interposição de recurso teve início em 12/05/2010 (quartafeira). O trigésimo dia ocorreu em 10/06/2010 (quintafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado em 15/06/2010, terçafeira, (fl. 194). Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11516.004173/200798 Acórdão n.º 240201.574 S2C4T2 Fl. 210 7 Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 31/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 01/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 35564.002470/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006
COMPENSAÇÃO FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que se aceite a compensação ou restituição, sobre os valores devidos à Previdência Social, de créditos oriundos de títulos da Dívida Externa Brasileira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-001.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Edgar Silva Vidal, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 124DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35564.002470/200619 Acórdão n.º 230101.858 S2C3T1 Fl. 118 3 Relatório Tratase de pedido de compensação ou de pagamento de débitos junto ao INSS, utilizandose de créditos que a empresa acima identificada afirma possuir com a União, representados por cártulas. A Secretaria da Receita Previdenciária indeferiu o pleito (fls. 65), salientando que não há previsão legal que ampare a pretensão da requerente. Inconformada com o indeferimento, a interessada apresentou recurso alegando, em síntese, o que se segue. Esclarece que, tendo débito referente ao período de apuração de janeiro de 2006 (contribuições referentes a folha de pagamento de empregados, prestação de serviços de autônomos, retirada de prólabore, prestação de serviços de cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, trabalhador autônomo – carreteiro), tudo referente a cota do empregador, efetuou a compensação descriminada no requerimento administrativo de número 35564.002470/200619. Informa que é possuidora de títulos da Dívida Pública, que foram atualizados com base nos laudos paridade ouro, o que confere liquidez ao referido título e representa um crédito da autora contra a União de valor superior ao débito ora apontado. Entende que a decisão do Serviço de Orientação da Arrecadação Previdenciária deve ser reformada, pois não analisou a permissão contida na Lei 9.430/96 e Decreto 2.138/97 e não se atentou para o fato de que, ao pagar juros no título antigo em 1965, a União abriu mão da prescrição e reconheceu a validade do título. Ressalta que os títulos da recorrente são da Dívida Externa Brasileira e não são reguladas pelas leis citadas no despacho de indeferimento e argumenta que a interpretação das leis leva ao entendimento de que é permitida a utilização dos Títulos da Dívida Pública para compensação de tributos. Discorre sobre a legislação e os conceitos de restituição e compensação, acrescentando que a impossibilidade de compensar apenas para o contribuinte fere o princípio da moralidade administrativa, posto que o portador de um título da vida pública deve pagar os tributos que incidam sobre suas atividades, enquanto o poder público lhe nega o direito de receber o que lhe é devido. Requer que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Em contrarazões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil manteve o indeferimento do pleito. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros, Relator A requerente solicita que sejam compensados créditos oriundos da Dívida Pública Federal com os valores devidos à Previdência Social. Contudo, vale esclarecer que a compensação requerida não encontra amparo legal. O Código Tributário Nacional – CTN, em seu art. 170, remeteu à lei a função de estipular as condições para que seja autorizada a compensação de créditos líquidos e certos, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador ordinário. De fato, a Lei 8.212/91, em seu art. 89, estipulou as condições em que poderá haver a compensação, ou seja: Art.89.Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido § 1ºAdmitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. §2ºSomente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido Assim, a compensação e restituição dos créditos atinentes aos Títulos da Dívida Pública que a recorrente afirma possuir não se encontram nas hipóteses previstas no art. 89 da Lei n.º 8.212/91. Ademais, o § 1º do art. 66 da Lei 8.383/91 assim determina: Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie.(grifei). Fl. 126DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35564.002470/200619 Acórdão n.º 230101.858 S2C3T1 Fl. 119 5 E, como no presente caso não houve recolhimento ou pagamento indevido de contribuições previdenciárias, não há que se falar em compensação ou restituição. Portanto, a Fazenda Pública, conforme dizeres do CTN, apenas pode compensar suas dívidas e créditos quando a lei autorizar. E a lei 8.212/91 não autoriza a compensação requerida. E como o ato praticado pela administração pública é vinculado, o seu agente só pode agir em conformidade com o que a lei determina. E considerando que não é facultado ao administrador público eximirse de aplicar a lei, a autoridade administrativa, ao indeferir o pedido formulado pela recorrente, agiu em conformidade com os ditames legais, em obediência ao princípio da legalidade, e em observância ao contido no art. 2º da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. É oportuno trazer a lume o ensinamento do ilustre Wladimir Novaes Martinez que, ao comentar o art. 89 supra, assim se manifestou: “A compensação farseá por espécie de contribuição. Quem recolhe seguro acidentes do trabalho com taxa errada, a maior, deverá deduzir o excesso na própria contribuição destinada às prestações infortunística, e não na parte patronal da empresa. “ (MARTINEZ, Wladimir Novaes. Comentários à lei básica da previdência social – Tomo I: Plano de custeio. 4. ed. São Paulo: LTr, 2003, páginas 758/759) Assim, reiterase, a compensação requerida pela empresa não possue amparo legal, como também não há nenhuma decisão definitiva a amparála. A recorrente solicita que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Contudo, o processo administrativo fiscal ora sob análise se originou de um pedido de compensação e restituição, e não pela lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. A recorrente deve requerer a suspensão da exigibilidade do crédito nos autos que discute o lançamento, e não no processo administrativo que discute o direito à compensação. Portanto, a pretensão da recorrente restou prejudicada. Nesse sentido, CONSIDERANDO que não existe previsão legal que ampare a pretensão da recorrente. CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Bernadete De Oliveira Barros – Relatora. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10855.002048/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/07/2004
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA JUROS
DE MORA
SUSPENSÃO
DA EXIGIBILIDADE SEM DEPÓSITO JUDICIAL.
Quando a causa suspensiva da exigibilidade é a concessão de medida liminar
em mandado de segurança, sem que tenha sido realizado depósito judicial da
quantia em discussão, é cabível a aplicação de juros de mora sobre o
montante principal, sob pena de impedir a atualização monetária do débito.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA NECESSIDADE
DE OBSERVÂNCIA DAS NORMAS VIGENTES. Ainda que a matéria de
mérito esteja sob discussão judicial, o agente fiscal deve observar a legislação
vigente ao promover o lançamento para prevenção da decadência. Se no caso
em análise há norma determinando a aplicação de alíquota zero do tributo, a
disposição legal deve ser observada e a não aplicação desta pelo Fisco deve
ser analisada na esfera administrativa, pois relacionase
a aspecto formal da
constituição do crédito tributário suspenso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.105
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/07/2004 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA JUROS DE MORA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE SEM DEPÓSITO JUDICIAL. Quando a causa suspensiva da exigibilidade é a concessão de medida liminar em mandado de segurança, sem que tenha sido realizado depósito judicial da quantia em discussão, é cabível a aplicação de juros de mora sobre o montante principal, sob pena de impedir a atualização monetária do débito. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DAS NORMAS VIGENTES. Ainda que a matéria de mérito esteja sob discussão judicial, o agente fiscal deve observar a legislação vigente ao promover o lançamento para prevenção da decadência. Se no caso em análise há norma determinando a aplicação de alíquota zero do tributo, a disposição legal deve ser observada e a não aplicação desta pelo Fisco deve ser analisada na esfera administrativa, pois relacionase a aspecto formal da constituição do crédito tributário suspenso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/07/2004 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA JUROS DE MORA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE SEM DEPÓSITO JUDICIAL. Quando a causa suspensiva da exigibilidade é a concessão de medida liminar em mandado de segurança, sem que tenha sido realizado depósito judicial da quantia em discussão, é cabível a aplicação de juros de mora sobre o montante principal, sob pena de impedir a atualização monetária do débito. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DAS NORMAS VIGENTES. Ainda que a matéria de mérito esteja sob discussão judicial, o agente fiscal deve observar a legislação vigente ao promover o lançamento para prevenção da decadência. Se no caso em análise há norma determinando a aplicação de alíquota zero do tributo, a disposição legal deve ser observada e a não aplicação desta pelo Fisco deve ser analisada na esfera administrativa, pois relacionase a aspecto formal da constituição do crédito tributário suspenso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 242DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 02/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração (fls. 45/50) constituindo crédito de PIS, relativo aos períodos de 12/2003 a 07/2004, para prevenir a decadência do direito do Fisco de lançar valores cuja legalidade da incidência da contribuição é discutida em processo judicial (Mandado de Segurança nº 2002.61.10.0099358). O lançamento tem por base de cálculo valores derivados de vendas efetuadas para clientes situados na Zona Franca de Manaus e, no processo judicial, discutese a não incidência do PIS em razão da equiparação das operações a exportações (as quais, por sua vez, não sofrem a incidência da contribuição). Não foi lançada multa, mas apenas principal e juros de mora. 2. Intimada do lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 52/64), requerendo o cancelamento integral do Auto de Infração, com base em diversos fundamentos, dentre eles o de que na apuração do crédito tributário a ser lançado o Fisco teria utilizado créditos da apuração não cumulativa da contribuição, o que implicariam em extinção de parte da contribuição, e ofenderia a decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário e impedia o Fisco de intentar qualquer medida tendente à cobrança do crédito tributário. 3. Em decisão judicial proferida em relação à impossibilidade de utilização de créditos da sistemática não cumulativa para abatimento de parte do PIS objeto do lançamento, o Juiz da causa determinou que fossem afastadas as compensações efetuadas com tais créditos (fls. 143/144), do que derivou o cancelamento do auto de infração anterior e novo lançamento – desta vez sem a utilização dos créditos da sistemática não cumulativa para redução do PIS a ser constituído (fls. 167/169). 4. Intimada do novo lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 172/182), requerendo o cancelamento do lançamento com base nos seguintes fundamentos: (i) O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência e em razão da existência de causa suspensiva da exigibilidade dos valores, razão pela qual Fl. 243DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10855.002048/200730 Acórdão n.º 330201.105 S3C3T2 Fl. 243 3 a Recorrente não está em mora e, portanto, não pode ter contra si imposto juros moratórios; (ii) Em relação à competência 07/2004, não pode haver incidência da contribuição porque há disposição expressa na Medida Provisória nº 202/04 (vigente a partir de 26/07/04), determinando a redução à zero da alíquota do tributo sobre a receita de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus; (iii) No mérito alega a ilegalidade da incidência da contribuição sobre as vendas à Zona Franca de Manaus, tendo em vista que as operações efetuadas com clientes situados naquela região são expressa e legalmente equiparadas às exportações, as quais, por sua vez, não sofrem a incidência do PIS. 5. A DRJ julgou improcedente a Impugnação (fls. 207/216), mantendo o lançamento por entender que os juros de mora só não são devidos em casos em que há depósito integral do valor que está com a exigibilidade suspensa. Em relação ao período de 07/2004, assim como em relação ao mérito, a DRJ não se manifestou por entender que a matéria está sob discussão na esfera judicial, não cabendolhe se pronunciar a respeito. 6. Sobreveio o Recurso Voluntário da Recorrente (fls. 217/224), no qual reiterou os argumentos apresentados em sua Impugnação. 7. Vieramme, então, os autos para decidir. 8. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Após analisar os fatos, constato que as questões que permanecem em discussão referemse a: a) possibilidade de incidência de juros nos valores objeto de discussão judicial; b) aplicação da alíquota zero à competência de 07/2004, nos termos da MP 202/2004. A controvérsia gira em torno do lançamento realizado para prevenção da decadência, com inclusão, além do principal, de valores a título de juros moratórios. Entendo que não assiste razão à Recorrente, pois embora a exigibilidade dos valores permaneça suspensa, o principal não foi objeto de depósito judicial. Se houvesse o depósito integral da quantia sob discussão a instituição financeira que mantivesse os valores promoveria a atualização dos valores, sem causar, assim, qualquer prejuízo à parte vencedora da demanda. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Entretanto, em não havendo depósito judicial, e estando o Fisco exercendo seu direito de lançar o crédito tributário (ainda que não cabendolhe exigilo), deve fazêlo com o acréscimo dos devidos juros, a fim de manter atualizado o valor em questão. Ademais, de acordo com a redação do artigo 63 da Lei nº 9.430/96 deve ser afastada a aplicação da multa moratória – justamente porque o contribuinte que tem suspensa a exigibilidade do crédito tributário em razão de medida liminar ou outra tutela antecipada não está em mora e não deve sofrer nenhuma penalidade. Todavia, o dispositivo em questão não faz qualquer menção a possível afastamento dos juros, verbis: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.” Os juros são mantidos simplesmente porque, inexistindo depósito judicial das quantias, o crédito deve ser constituído, visando prevenir a decadência, com os percentuais necessários à manutenção do valor monetário da quantia em questão. Assim, entendo que não merece prosperar a alegação da Recorrente de que os juros não seriam aplicáveis ao lançamento em análise. Em relação ao mérito, pareceme claro que a maior parte dele encontrase, de fato, sujeita à apreciação do judiciário, razão pela qual não cabe a este Conselho manifestarse a respeito. Todavia, em relação à competência 07/2004, a questão da aplicação da alíquota zero da contribuição sobre receitas advindas de operações efetuadas com clientes situados na ZFM, deve ser analisada. Isto porque, tal ponto não foi submetido à apreciação do judiciário, na medida em que o objeto do mandado de segurança é a equiparação das operações com a Zona Franca de Manaus às exportações. A alíquota zero foi definida para as operações de venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, independentemente de serem ou não equiparadas a exportação, a saber: “MP 202/2004 Art.2o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Parágrafo único. Aplicamse às operações de que trata o caput as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” (destaquei) Assim, a questão da aplicação da alíquota zero que foi estabelecida por lei deixou de ser observada pelo Fisco na constituição do crédito para prevenção da decadência. Afinal, se há disposição legal determinando a aplicação da alíquota zero do PIS, para a competência 07/2004, mesmo no lançamento preventivo da decadência tal Fl. 245DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10855.002048/200730 Acórdão n.º 330201.105 S3C3T2 Fl. 244 5 disposição legal deveria ter sido observada pelo Fisco, graças ao princípio da legalidade ao qual se encontra adstrito. Imperioso esclarecer que a redução da alíquota passou a vigorar com a publicação da citada Medida Provisória, o que aconteceu em 26/07/2004, logo, aplicase apenas a parte dos fatos geradores ocorridos no mês. Assim sendo, em relação à competência 07/2004 entendo que não procede o lançamento, pois aplicada alíquota não vigente à época do fato gerador, razão pela qual deve ser revista a exigência em relação a tal período. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para determinar o cancelamento do lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 26/07/2004, na competência 07/2004, sendo que em relação às demais competências deve ser mantido o lançamento, com exigibilidade suspensa até decisão final do mandado de segurança nº 2002.61.10.0099358. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 246DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13017.000166/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INVIABILIDADE DA FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA ESPONTANEIDADE SE APRESENTADA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O contribuinte somente pode retificar sua declaração de ajuste anual, fruindo dos benefícios da espontaneidade (pagamento da diferença do imposto com acréscimos moratórios minorados
em face daqueles do procedimento de ofício), se não estiver com
procedimento fiscal iniciado. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício), de aplicação obrigatória nos julgamentos desta instância, como determinado pelo art. 72, do Anexo II, do
Regimento Interno do CARF RICARF.
DEPENDENTE INFORMADO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
NECESSIDADE DE COLAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO DEPENDENTE NO MONTE TRIBUTÁVEL. A opção de inclusão de dependente na declaração de imposto de renda tem um bônus e um ônus. O bônus é a possibilidade de dedução das despesas do dependente previstas na
legislação do imposto de renda da base de cálculo do IR do declarante; o ônus é ter que colacionar ao monte tributável do declarante os rendimentos do dependente. Aberto o procedimento de ofício, tal opção torna-se definitiva.
MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE O JULGADOR ADMINISTRATIVA AFASTÁ-LA.
A multa de ofício encontra-se disciplina no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não podendo o julgador administrativo afastá-la,
pois se assim procedesse estaria declarando incidentalmente a inconstitucionalidade dessa norma tributária, o que vedado nesta instância, como se vê na SÚMULA CARF Nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).
JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à
taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INVIABILIDADE DA FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA ESPONTANEIDADE SE APRESENTADA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O contribuinte somente pode retificar sua declaração de ajuste anual, fruindo dos benefícios da espontaneidade (pagamento da diferença do imposto com acréscimos moratórios minorados em face daqueles do procedimento de ofício), se não estiver com procedimento fiscal iniciado. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício), de aplicação obrigatória nos julgamentos desta instância, como determinado pelo art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF. DEPENDENTE INFORMADO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COLAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO DEPENDENTE NO MONTE TRIBUTÁVEL. A opção de inclusão de dependente na declaração de imposto de renda tem um bônus e um ônus. O bônus é a possibilidade de dedução das despesas do dependente previstas na legislação do imposto de renda da base de cálculo do IR do declarante; o ônus é ter que colacionar ao monte tributável do declarante os rendimentos do dependente. Aberto o procedimento de ofício, tal opção torna-se definitiva. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE O JULGADOR ADMINISTRATIVA AFASTÁ-LA. A multa de ofício encontra-se disciplina no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não podendo o julgador administrativo afastá-la, pois se assim procedesse estaria declarando incidentalmente a inconstitucionalidade dessa norma tributária, o que vedado nesta instância, como se vê na SÚMULA CARF Nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Recurso negado.
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INVIABILIDADE DA FRUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA ESPONTANEIDADE SE APRESENTADA NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O contribuinte somente pode retificar sua declaração de ajuste anual, fruindo dos benefícios da espontaneidade (pagamento da diferença do imposto com acréscimos moratórios minorados em face daqueles do procedimento de ofício), se não estiver com procedimento fiscal iniciado. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício), de aplicação obrigatória nos julgamentos desta instância, como determinado pelo art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF. DEPENDENTE INFORMADO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COLAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO DEPENDENTE NO MONTE TRIBUTÁVEL. A opção de inclusão de dependente na declaração de imposto de renda tem um bônus e um ônus. O bônus é a possibilidade de dedução das despesas do dependente previstas na legislação do imposto de renda da base de cálculo do IR do declarante; o ônus é ter que colacionar ao monte tributável do declarante os rendimentos do dependente. Aberto o procedimento de ofício, tal opção tornase definitiva. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE O JULGADOR ADMINISTRATIVA AFASTÁLA. A multa de ofício encontrase disciplina no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não podendo o julgador administrativo afastála, pois se assim procedesse estaria declarando incidentalmente a inconstitucionalidade dessa norma tributária, o que vedado nesta instância, como se vê na SÚMULA CARF Nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Fl. 73DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte ERIAM EUGENIO MORAES FOGAÇA, CPF/MF nº 328.417.36091, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 06/11/2006, auto de infração (fls. 12 a 14), com ciência postal em 11/11/2006. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 3.980,85 MULTA DE OFÍCIO R$ 2.985,63 Ao contribuinte foram imputadas uma omissão de rendimentos recebidos da FENAE – Corretora de Seguros e Administração de Bens S/A (R$ 976,87) e outra recebida da Fl. 74DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13017.000166/200692 Acórdão n.º 210201.183 S2C1T2 Fl. 2 3 União Sul Brasileira de Educação e Ensino (R$ 17.395,15), esta que teve como beneficiária dos rendimentos a Sra. Rosana do Carmo Libardi Fogaça, dependente do fiscalizado. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1024.294, de 10 de março de 2010 (fls. 55 a 58), que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 31/03/2010 (fl. 61). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 16/04/2010 (fl. 62). No voluntário, o recorrente alega, em síntese (fls. 61 e 62), verbis: I — Os Fatos Como já informado em documento juntado à SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO — SRL, protocolada na ARF — CANELA, em 17/1012006, ao elaborar a Declaração de Imposto de Renda, exercício 2005, ano calendário 2004, houve a inclusão da esposa Rosane do Carmo Libardi Fogaça como dependente, mas a renda dela, recebida da USBEEE, não foi lançada na Declaração. Também não foram declarados os rendimentos recebidos da FENAE pelo declarante. O contribuinte não tinha ciência da incorreção até receber a Notificação de Lançamento da Receita Federal. O valor do Crédito Tributário apurado constante na Notificação de Lançamento era de R$7.967,26. À época, na hipótese de o casal apresentar declaração em separado (cópias de simulação anexadas ao processo), chegar seia ao seguinte resultado: Eriam Eugênio Moraes Fogaça, CPF328. 417.360191 — Imposto a pagar R$1034,99; Rosane do Carmo Libari Fogaça, CPF 489.107.670/49 — Imposto a restituir R$46,09. Resumindo, restaria um saldo a pagar no valor de R$988,90. A intimação n°0612010/ARF/CNL, recebida em 29/03/2010, referente ao Acórdão n°10 24.294 traz um cálculo atualizado no valor de R$9.225,62. Inconformado com a DESPROPORÇÃO entre os valores objeto da Notificação e os valores que resultariam de uma possível retificação, o declarante volta a postular pela IMPUGNAÇÃO do cálculo. Reitera permissão para apresentação de Declaração Retificadora ou, não Sendo este o Fl. 75DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 entendimento desse Conselho, postula pela dedução da MULTA e da correção indexada pela taxa SELIC, expondo e requerendo o que segue: II — O Direito II. 1 — PRELIMINAR Os direitos do declarante estão amparados pela Constituição Federal, artigo 50, incisos V, XXXIII e LV. A Notificação recebida pelo contribuinte já apresentava cálculo definitivo com multa inserida, não proporcionando defesa ou retificação. A Receita Federal, ao não informar da necessidade de retificação em tempo hábil, deixou de prestar informações de interesse particular do contribuinte, conforme prevê o inciso XXXIII, do artigo 5°, da Constituição Federal. Não houve revisão preliminar, nem o pedido de esclarecimento previsto no artigo 835 do Decreto N°3000/95, o que seda uma oportunidade para o declarante retificar a declaração em tempo hábil. Existe vasta Jurisprudência amparando a inaplicabilidade da multa de 75% e da correção pela taxa SELIC, sobre o valor do imposto devido. II. 2 — MÉRITO A Receita Federal não aceitou a Declaração com informações incorretas, não restituiu o declarante, portanto não houve prejuízo à Fazenda Pública. A apresentação de Declaração Retificadora eliminaria qualquer possibilidade de erro ou prejuízo. Há incoerência e arbitrariedade nos fatos de a Receita não aceitar a Declaração e, ao mesmo tempo, não permitir a retificação da mesma. A Notificação de Lançamento n°2005/610450055114035 não faz qualquer menção à Solicitação de Retificação de Lançamento, protocolada junto à ARF — Canela, em 17/1012006, o que dá margem a concluir que há um descaso às Postulações do contribuinte. Além dos fatos e motivos já expostos há que se considerar que o valor da multa acrescido da correção pela taxa SELIC toma impossível o saldamento do débito fiscal. Os reajustes da categoria salarial do declarante são repetidamente inferiores aos índices da taxa SELIC. Dentre os princípios gerais do Direito há o princípio de que a pena jamais poderá ser excessiva. O declarante tem intenção de pagar, mas não pode concordar com um valor tão excessivo, reiterando pedido de recálculo com subtração dos valores correspondentes à multa e à correção pela taxa SELIC. III — A CONCLUSÃO Fl. 76DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13017.000166/200692 Acórdão n.º 210201.183 S2C1T2 Fl. 3 5 A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido, plenamente ou em parte, o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose ou reduzindo o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 31/03/2010 (fl. 61), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 16/04/2010 (fl. 62), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 15/06/2007, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, o contribuinte somente poderia retificar sua declaração de ajuste anual, fruindo dos benefícios da espontaneidade (pagamento da diferença do imposto com acréscimos moratórios minorados em face daqueles do procedimento de ofício), se não estivesse sob procedimento fiscal iniciado. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício), de aplicação obrigatória nos julgamentos desta instância, como determinado pelo art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF. Dessa forma, descabe qualquer pedido de retificação de declaração no curso do procedimento fiscal, como se viu nestes autos, quando o contribuinte pugnou pela retificação da declaração na apresentação da “Solicitação de Retificação de Lançamento” (fl. 37). Superado o ponto precedente, passase a apreciar as demais razões recursais. Devese anotar que o contribuinte fiscalizado optou livremente por incluir sua esposa como dependente, chegando a apurar uma restituição que se verificou posteriormente indevida. Ora, feita a opção da inclusão da esposa como dependente, pôde deduzir a despesa do dependente, em si mesmo, bem como todas as despesas dedutíveis a ele vinculadas (previdência oficial, privada/fapi, despesa com educação, médica). Entretanto essa faculdade implica no ônus de colacionar no monte tributável do declarante os rendimentos do dependente, procedimento não executado pelo autuado e corrigido pela autoridade fiscal. Assim sendo, não há qualquer reparo no trabalho da autoridade fiscal, que colacionou ao monte tributável os rendimentos da esposa, declarada como dependente na declaração de ajuste anual do fiscalizado. No tocante à imputação da multa de ofício e dos juros de mora à taxa Selic, estes encontramse regulados pelos arts. 44 e 61 da Lei nº 9.430/96, não podendo o julgador administrativo afastálos, pois se assim procedesse estaria declarando incidentalmente a inconstitucionalidade dessas normas tributárias, o que vedado nesta instância, como se vê na Fl. 77DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Súmula CARF Nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Ainda, no caso da aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, tratase de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. E como já dito, os enunciados sumulares são de aplicação obrigatória nos julgamentos das Turmas do CARF, afastandose a presente defesa. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 78DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10930.002522/2004-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO.Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mão de obra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores.RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação.CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 04/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 30/07/2004, relativo ao 1º trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados pela Fiscalização e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, receitas financeiras não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PIS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODEOBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do PIS, as despesas com mãodeobra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002522/200431 Acórdão n.º 330200.862 S3C3T2 Fl. 2 3 A contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009 e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2009, com recurso voluntário no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: Materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.003268/200779 PIS Nãocumulativo do 2° TR/2007 fls. 363): b.3) Serviço temporário Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. (grifei) 4 é ilegal a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS porque o disposto no artigo 3°, §1º da Lei nº 9.718/98 extrapolou o conceito de faturamento previsto na legislação societária, contábil e fiscal. Discorre sobre o conceito de receita; 5 não prospera a alegação da decisão recorrida de que as receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição social ao PIS em razão da Lei nº 10.637/2002 porque a EC nº 20/2003 acabou por determinar que a legislação infraconstitucional definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição ao PIS será nãocumulativa. É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência do PIS sobre as receitas financeiras; 6 sobre a forma de apuração da receita decorrente de contratos de renda fixa e renda variável, a recorrente entende que os ajustes diários são marcações diárias dos ativos financeiros e devem ser calculados na forma que exemplifica, apurados no mês, considerando as perdas e os pagamentos efetuados pela outra parte contratante; 7 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002522/200431 Acórdão n.º 330200.862 S3C3T2 Fl. 3 5 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Exportação; 19.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganas e a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.003268/200779, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS, não conheço dos argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº 10.637/02, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à forma de contabilização e apuração da receita financeira incluída na base de cálculo do PIS, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto. De fato, o procedimento adotado pela recorrente, como bem disse a autoridade lançadora da RFB, teve como conseqüência a não tributação da receita financeira, acarretando a sua inclusão na base de cálculo da exação. Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para a incidência da taxa Selic no ressarcimento e que este instituto não se confunde com a restituição. O ressarcimento em tela é uma modalidade de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep (art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637/02), ao passo que a restituição, prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), é a devolução, ao contribuinte (de direito) de valores referentes a tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior que os valores devidos, pelo sujeito passivo, ou seja, de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito. Ambos são despesa pública e, como tal, a sua realização deve obedecer aos estritos limites da lei, independente do tipo de dispêndio. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002522/200431 Acórdão n.º 330200.862 S3C3T2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 04/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13839.000274/2003-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA.
Os arts. 156, V, e 173, ambos do CTN, cuidam da extinção, pelo decurso do prazo decadencial, do direito de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento. Não se prestam, portanto, a amparar a alegação de que a Fazenda Pública não poderia retroagir mais do que cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação (DCOMP), com vistas a verificar a existência de saldo negativo de IRPJ, utilizado pela contribuinte na compensação com estimativas mensais de IRPJ devidas em anos posteriores.
COMPENSAÇÃO.
Comprovado que o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário
de 2000 é inferior ao apurado pela contribuinte em sua DIPJ/2001, correta a homologação das DCOMPs apenas até o limite do crédito efetivamente existente.
Numero da decisão: 1201-000.418
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. Os arts. 156, V, e 173, ambos do CTN, cuidam da extinção, pelo decurso do prazo decadencial, do direito de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento. Não se prestam, portanto, a amparar a alegação de que a Fazenda Pública não poderia retroagir mais do que cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação (DCOMP), com vistas a verificar a existência de saldo negativo de IRPJ, utilizado pela contribuinte na compensação com estimativas mensais de IRPJ devidas em anos posteriores. COMPENSAÇÃO. Comprovado que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 é inferior ao apurado pela contribuinte em sua DIPJ/2001, correta a homologação das DCOMPs apenas até o limite do crédito efetivamente existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Fl. 961DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13839.000274/200349 Acórdão n.º 120100.418 S1C2T1 Fl. 941 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Natanael Vieira dos Santos e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório presente na decisão de primeiro grau: Tratase da declaração de compensação em formulário, protocolizada em 31/01/2003 (fls. 01/02), e outra(s) no âmbito do processo administrativo n° 13839.000952/200373, e das DCOMP eletrônicas, transmitidas entre 07/08/2003 e 18/11/2003, vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, apurado na DIPJ 2001 no valor de R$ 105.024,56. Em 03/05/2007 (cf. AR de fls. 124), a contribuinte foi intimada (Intimação Saort n° 53 de 2007 fls. 123), a explicitar o crédito utilizado nas compensações das estimativas devidas no ano calendário 2000. Em resposta, protocolizada em 09/05/2007, a contribuinte informa que (fls. 128): 1. o saldo negativo de IRPJ apurado na DIRPJ 1998 teria sido utilizado na compensação das estimativas devidas de abril de 1998 a outubro de 2000 (parte); 2. o saldo negativo de IRPJ apurado na DIRPJ 1999 teria sido utilizado na compensação das estimativas devidas de outubro de 2000 (parte) a dezembro de 2000 (parte); 3. o saldo negativo de IRPJ apurado na DIRPJ 2000 teria sido utilizado na compensação das estimativas devidas de dezembro de 2000 (parte) a fevereiro (parte) e março de 2001 (parte); 4. o saldo negativo de IRPJ apurado na DIRPJ 2001 teria sido utilizado na compensação das estimativas devidas de fevereiro (parte) e março de 2001 (parte) a dezembro de 2001. Apresenta demonstrativo do cálculo das compensações (fls. 129/138). Foram carreadas para os autos cópias das DIPJ e das DCTF (fls. 139/428). Em 14/05/2007, a DRF Jundiá/SP, mediante Despacho Decisório, de fls. 463/467, homologou em parte as compensações, tendo em conta o reconhecimento de um direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 no valor de R$ 84.038,39, em face da insuficiência dos saldos negativos de 1997 e 1998 para a quitação de todas as Fl. 962DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13839.000274/200349 Acórdão n.º 120100.418 S1C2T1 Fl. 942 3 estimativas devidas, remanescendo em aberto os seguintes débitos: Estimativa Valor não Extinto out/2000 10.772,49 nov/2000 398,00 dez/2000 10.213,38 Total Glosado 21.383,87 Em conseqüência da insuficiência do crédito para a extinção dos débitos de IRPJEstimativa, foi glosado do saldo negativo apurado na DIPJ 2001 de R$ 105.024,56, o valor de R$ 21.383,87. Cientificada da decisão em 11/06/2007 (AR de fls. 485), a contribuinte por intermédio de seu representante legal (cf. Instrumento de Alteração do Contrato Social de fls. 03/06) protocolizou a manifestação de inconformidade de fls. 486/490 em 04/07/2007 para contestar a retificação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 de R$ 105.024,56, apurado na DIPJ para R$ 84.038,39. Adverte que segundo as planilhas apresentadas não deveriam remanescer débitos de estimativas de IRPJ não extintas por compensação com os saldos negativos de períodos anteriores. Assevera que nos meses de outubro a dezembro de 2000, os débitos de estimativa teriam sido extintos da seguinte forma: 1. Outubro de 2000 — valor do débito de R$ 31.502,86: R$ 12.127,45, compensado com saldo negativo de IRPJ de 1997 e R$ 19.375,41 com o saldo negativo de IRPJ de 1998; 2. Novembro de 2000 — valor do débito de R$ 25.443,21, compensado com saldo negativo de IRPJ de 1998; 3. Dezembro de 2000 — valor do débito de R$ 18.639,40: R$ 10.213,68, compensado com saldo negativo de IRPJ de 1998 e R$ 8.425,80 com saldo negativo de IRPJ de 1999. Acrescenta ainda terem sido feitos dois recolhimentos indevidos em janeiro e fevereiro de 1997, e explica: "(...) devido a uma falha nossa na observação de que a empresa possuía SALDO NEGATIVO DO IRPJ ref ao ano calendário de 1996, e que o mesmo já podiam ser compensados a partir de Janeiro/1997; incorporamos esses valores recolhidos indevidamente ao SALDO NEGATIVO DO IRPJ ref a 1996, como poderá ser observado na planilha de compensação de tributos (anexo 3), aumentando assim que o saldo credora ser utilizado em 1997". Requer a reforma da decisão recorrida com a homologação das compensações. Fl. 963DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13839.000274/200349 Acórdão n.º 120100.418 S1C2T1 Fl. 943 4 Ao apreciar a manifestação de inconformidade, a DRJ de origem decidiu pela rejeição do pleito da contribuinte (fls. 538/542), alertando, ainda, que a autoridade que exarou o despacho decisório incorreu em erro material ao reconhecer saldo credor de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, no valor de R$ 84.038,39, uma vez que a própria interessada informou que já havia utilizado parte desse saldo nas compensações sem processo relacionadas às fls. 136/137. Afirmou ainda que, mesmo admitido o saldo de R$ 84.038,39, a autoridade somente poderia ter reconhecido a disponibilidade do direito creditório no valor de R$ 64.431,73, conforme planilha de fls. 532/535. Inconformada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 545/560), pedindo, ao final, sejam totalmente homologadas as compensações, sob as seguintes alegações, em síntese: a) preliminarmente, ainda que a empresa não conseguisse comprovar os valores compensados mediante utilização do saldo de negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, o que não é o caso, estariam eles homologados e tidos como corretos, pois alcançados pelo decurso do prazo decadencial, conforme art. 156 e 173 do CTN; b) no mérito, os demonstrativos elaborados pela defesa, sustentados pelos documentos anexados, comprovam a existência de saldo credor de IRPJ no anocalendário de 2000, no montante de R$ 105.024,56. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Decadência Em preliminar a contribuinte alega haver utilizado em suas DCOMPs transmitidas a partir de 31/01/2003, crédito referente a saldo negativo de IRPJ apurado no ano de 2000. Argumenta que segundo os arts. 156 e 173 do CTN, o exame do direito creditório realizado pelo Fisco só pode retroagir, no máximo, cinco anos contados da data da apresentação das DCOMPs. Afirma que, em assim sendo, o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1997, utilizado para compensação de estimativas de IRPJ do ano de 2000, encontrase “homologado” ou alcançado pela “decadência”, não mais podendo a Fazenda Pública alterálo. Pois bem, como se verá no item seguinte deste voto, a autoridade não retificou o saldo negativo de IRPJ apurado pela contribuinte em sua DIPJ/98, anocalendário 1997, como também não o fez em relação aos saldos negativos de IRPJ apurados nas DIPJs referentes aos anoscalendários de 1998 e 1999, também utilizados na compensação de estimativas de IRPJ do ano de 2000. Isso já seria suficiente para afastar a preliminar ora suscitada. Fl. 964DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13839.000274/200349 Acórdão n.º 120100.418 S1C2T1 Fl. 944 5 Entretanto, ainda que não fosse esse o caso, é de se dizer que os arts. 156 e 173 do CTN não sustentam a premissada levantada pela recorrente segundo a qual o Fisco não poderia retroagir a análise do direito creditório para além de cinco anos contados da entrega da DCOMP. Isso porque, como se vê na transcrição adiante, tais normas cuidam de matéria inteiramente diversa, qual seja, a extinção do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário em razão do decurso do prazo decadencial. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 3) Do Direito Creditório No caso sob exame a interessada apresentou, a partir de 31/01/2003, DCOMPs onde utilizou como crédito o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2001, ou seja, afirmou haver efetuado pagamentos de estimativas de IRPJ no ano de 2000 em montante superior ao IRPJ devido na apuração anual. É, portanto, o típico caso de pagamento a maior, que, segundo o art. 165, I, do CTN dá direito à restituição, e que, de acordo com o art. 66 da Lei nº 8.383/91 e o art. 74 da Lei nº 9.430/96, pode ser utilizado na compensação de débitos tributários, observadas as normas de regência. Todavia, conforme reconhecido pela própria contribuinte (fl. 128), não houve propriamente “pagamento” de estimativas de IRPJ no ano de 2000, e sim compensação dessas estimativas com saldos negativos de IRPJ apurados nas DIPJs relativas aos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999. Isso posto, conforme explicado no despacho decisório, o auditor pôsse a verificar todas as compensações em que a contribuinte informou haver utilizado os mencionados saldos negativos de IRPJ dos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999. Importa ressaltar que nessa verificação a autoridade adotou como crédito exatamente os valores de saldo negativo de IRPJ apurados pela contribuinte nas respectivas DIPJs. Em resumo, não foram promovidas glosas nos saldos negativos de IRPJ dos aos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999. Como dito, o trabalho simplesmente pretendeu verificar se esses créditos eram realmente suficientes à extinção dos débitos compensados pela contribuinte. O demonstrativo presente às fls. 429/440 indica que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, no valor de R$ 81.481,40 (fl. 148), foi suficiente para convalidar todas as compensações realizadas pela contribuinte, com exceção da estimativa de IRPJ do mês de outubro de 2000, que assim permaneceu em aberto, no montante original de R$ 10.772,49. Fl. 965DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 13839.000274/200349 Acórdão n.º 120100.418 S1C2T1 Fl. 945 6 Da mesma forma, o demonstrativo de fls. 441/443 revela que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, no valor de R$ 38.474,51 (fl. 190), foi suficiente à convalidação das compensações realizadas pela contribuinte, com exceção das estimativas de IRPJ dos meses de novembro e dezembro de 2000, restando em aberto os valores de R$ 398,00 e R$ 10.213,38, respectivamente. Por fim, pelo demonstrativo de fls. 444/446 é possível verificar que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 28.900,18 (fl. 253), foi suficiente para convalidar todas as compensações realizadas pela contribuinte. Assim sendo, restou provado que no saldo negativo de IRPJ do ano de 2000, informado na DIPJ/2001, no valor de R$ 105.024,56 (fl. 57), estão incluídos R$ 21.383,87 (R$ 10.772,49 + R$ 398,00 + R$ 10.213,38) referentes às estimativas dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2000 que, ao contrário do afirmado pela contribuinte, não foram efetivamente extintas por compensação, dada a insuficiência de crédito para tanto. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 966DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 09/03/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000451/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato
administrativo. Inadmissível a mera alegação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.061
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Fl. 297DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 A empresa Celulose Irani S.A. apresentou pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, originado da aquisição de insumos, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos, de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, referente ao quarto trimestre do ano de 2003, cumulado com pedido de compensação. A DRF de jurisdição da Contribuinte, em despacho decisório, deferiu parcialmente o pedido e homologou as compensações até o limite do crédito deferido. A parte indeferida fundamentase nas seguintes razões: i) Creditamento indevido de IPI advindos de aquisições de produtos para comercialização, CFOP's 1.12 e 2.12, por falta de previsão legal; ii) Desconsideração dos valores constantes no campo "informações complementares” do Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI) a título de "movimentação correta de CFOP's", pelos seguintes motivos: a) descumprimento de formalidades na escrituração dos crédito; b) não comprovação de que esses valores correspondem aa aquisições que a legislação permita o crédito do imposto;; c) tanto no RAIPI como no documento de fl. 131, consta o estorno efetuado pelo próprio contribuinte a título de "estornos de créditos indevidos". Num montante que abrange não apenas o 4° trimestrecalendário de 2003, mas, também, os demais trimestres de 2002 e 2003 em que, indevidamente, houve a inserção de tais créditos, assim como do creditamento indevido dos CFOP's 1.12 e/ou 2.12. Inconformada com a parte indeferida, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: i) Legitimidade dos créditos vez que são decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. As CFOP's utilizadas na escrituração por si só não justificam a glosa dos créditos ora definidos, eis que seu registro está equivocado. Desta forma, necessária seria uma análise da efetiva operação a fim de verificar se o produto adquirido atende aos requisitos para manutenção dos créditos; ii) A inserção de dados no campo "informações complementares", referese a crédito legítimo e passível de recuperação, uma vez que sua origem se deu com a efetiva entrada da mercadoria. Ademais, sendo a escrituração um procedimento de formalidade, não poderá frustrar o objetivo da contribuinte de creditarse do imposto. A DRJ/Ribeirão Preto/SP prolatou acórdão mantendo o despacho decisório proferido pela DRF, em acórdão com a seguinte ementa: Fl. 298DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.000451/200884 Acórdão n.º 330201.061 S3C3T2 Fl. 2 3 “ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a Interessada insurgese contra seus termos, apresentando Recurso Voluntário, repisando o argumento descrito no item “i” acima. Quanto ao item “ii” a Recorrente quedouse silente. Finaliza requerendo seja reconhecido integralmente o direito creditório, atualizado pela SELIC. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Consoante ventilado no relatório acima, a Recorrente aduz que a glosa dos créditos relativos a aquisições com CFOP’s 1.12 e 2.12 são indevidas eis que as aquisições referemse a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. Afirma que “... já que .o CFOP informado estaria equivocado para o fisco, caberia a ele dizer qual é o procedimento correto a ser adotado pela contribuinte. Sobre o ônus da prova no direito tributário, importante mencionar que cabe o ônus àquele que está alegando o fato. Neste caso específico o fisco se manifestou no sentido de que os CFOP 's utilizados para a escrituração dos créditos da contribuinte estariam equivocados, porém não demonstrou ou informou quais então seriam os CFOP's corretos. Portanto, neste caso, o ônus seria do fisco e não da contribuinte”. Sem razão a Recorrente. Conforme já asseverado na decisão de primeiro grau, o que também se constata nos autos, a Recorrente não faz jus ao ressarcimento pleiteado haja vista: i) limitando se a argumentar, não juntou aos autos nenhuma prova que garanta o que aduz, contrariando, portanto, o teor do art. 16, III1, do Decreto nº 70.235/72. Noção cediça, a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo; ii) 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 incongruências na escrituração, constatadas na fiscalização e muito bem descritas no despacho decisório (fls. 136/141) e iii) está devidamente comprovado nos autos que os valores glosados referemse a créditos indevidos haja vista que referemse a aquisições de produtos para comercialização (CFOP's 1.12 e 2.12). Frisese que a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.° 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Destarte, em relação ao ressarcimento pleiteado, entendo, pelas razões acima expostas, que a Recorrente não faz jus a tal benefício. Concernente a incidência da SELIC sobre ressarcimento, que passo a analisar pela possibilidade de ser vencido na matéria acima, entendo ser incabível por falta de previsão legal. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento (instituto completamente distinto daqueles). Na mesma linha têmse a Lei nº 8.383/91, art. 66, com redação dada pelo artigo 58 da Lei nº 9.069, de 1995. Ambos dispositivos pressupõem a existência de pagamento. A propósito, vejamos o teor dos citados excertos legais, com grifo nosso: Lei nº 9.250/95. Fl. 300DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.000451/200884 Acórdão n.º 330201.061 S3C3T2 Fl. 3 5 “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. §4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (grifei) Lei nº 8.383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. §1º omissis § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. Conforme se vê, os dispositivos acima tratam de compensação ou restituição, para os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais. Não cogitam os referidos atos de ressarcimento de créditos escriturais do IPI. Somado a isso, a SELIC tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação, aplicála é causar favorecimento sem expressa previsão legal. E, também, a Fazenda Nacional não corrige os débitos escriturais do IPI e, analogamente e por força do princípio da isonomia, os créditos ressarcidos não devem ser corrigidos. Sobre o tema, assim tem se posicionado, reiteradamente, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, e.g., no acórdão CSRF/0203.855: “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado”. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Ademais, é noção cediça (prescrita no art. 2º, I, da Lei nº 9.784/99) que a Administração Pública, nos processos administrativos, deve atuar conforme a lei e o Direito, princípio extensivo ao julgador dado sua competência estritamente vinculada. Por outro lado, o princípio da legalidade, insculpido no artigo 37, caput, da CF/88, preceitua que à Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, sob pena de violação do princípio da legalidade. No caso em tela, não há norma garantidora da pretensão da Recorrente. Portanto, incabível a aplicação da SELIC sobre os valores ressarcidos ou a ressarcir. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 302DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000362/2003-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 1998 a 2002.
PRAZO DE DEFESA - INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE -
Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação. 0 termo inicial de que trata o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a
intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia Ufa seguinte. Não comprovado motivo de força maior, deve ser reconhecida a intempestividade da impugnação protocolizada após o prazo de trinta dias previsto no artigo 15 do Decreto n'.
70.235, de 1972.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.081
Decisão: Acordam os membros da segunda turma ordinaria da primeira câmara da segunda seção de julgamento do conselho administrativo de recursos fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 1998 a 2002. PRAZO DE DEFESA - INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE - Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação. 0 termo inicial de que trata o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer em dia não útil, o vencimento deve ser no dia Ufa seguinte. Não comprovado motivo de força maior, deve ser reconhecida a intempestividade da impugnação protocolizada após o prazo de trinta dias previsto no artigo 15 do Decreto n'. 70.235, de 1972. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-02-08T14:17:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-02-08T14:17:07Z; Last-Modified: 2012-02-08T14:17:07Z; dcterms:modified: 2012-02-08T14:17:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f991a78b-2b23-4e10-9bee-af10c224088c; Last-Save-Date: 2012-02-08T14:17:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-02-08T14:17:07Z; meta:save-date: 2012-02-08T14:17:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-02-08T14:17:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-02-08T14:17:07Z; created: 2012-02-08T14:17:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2012-02-08T14:17:07Z; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-02-08T14:17:07Z | Conteúdo => S2-CIT2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10920.000362/2003-23 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 2102-01.081 — P Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF Recorrente VICENTE NUNES DE ALMEIDA Recorrida 5' Turma/DRI - Florianópolis/SC ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 1998 a 2002. PRAZO DE DEFESA - INICIO - CONTAGEM - INTEMPESTIVIDADE - Em conformidade com o artigo 210 do CTN; artigo 66 da Lei n° 9.784, de 2001 e artigo 5° do Decreto 70.235, de 1972, salvo comprovação de motivos de força maior, os prazos iniciam sua contagem no primeiro dia útil de expediente normal após a intimação. 0 termo inicial de que trata o artigo 210 do CTN e o artigo 5°, do Decreto 70.235, de 1972, se verifica com a intimação recebida pelo contribuinte ou seu procurador, começando a contagem do prazo no primeiro dia útil imediatamente subseqüente intimação e terminando no dia de expediente normal na repartição em que o processo corra ou o ato deva ser praticado. Se o termo final ocorrer ern dia não útil, o vencimento deve ser no dia Ufa seguinte. Não comprovado motivo de força maior, deve ser reconhecida a intempestividade da impugnação protocolizada após o prazo de trinta dias previsto no artigo 15 do Decreto n'. 70.235, de 1972. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os •resentes autos. ACORDAM os Me da Segunda Seção de Julgamen unanimidade de votos, em NEG da Turma Ordinária da Primeira Camara Administrativo de Recursos Fiscais, por recurso, nos termos do voto da Relatora. Processo n° 10920.000362/2003-23 S2-C1T2 AcOra° n.° 2102-01.081 Fl. 2 Cs\ Van ssa Pereira Rodr ues Domene — Relatora Formalizado em: 26.10.2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Ntabia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Acacia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em 17/02/2003 foi lavrado Auto de Infração contra o contribuinte, cobrando R$ 28.728,14 de imposto de renda, R$ 13.605,03 a titulo de juros de mora e R$ 21.546,09 a titulo de multa proporcional, totalizando R$ 63.879,26. De acordo com o que consta do auto de infração, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte o cometimento das seguintes infrações: 001 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. 002 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE PREVIDÊNCIA OFICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. 003 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. 004 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS MÉDICAS DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 005 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS DE LIVRO CAIXA DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 006 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESA COM INSTRUÇÃO DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. Inconformado com o lançamento em comento, o contribuinte apresentou, em 25/03/2003, sua defesa (Impugnação ao Auto de Infração) as fls. 115/117, sendo que em análise à referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 198/199), que não conheceu a impugnação por ser intempestiva, conforme segue: alegação de que a impugnação apresentada (11s. 115 a 117) é tempestiva não pode prosperar. 2 Processo n° 10920.000362/2003-23 S2-CIT2 Acórd4o n.° 2102-01.081 Fl. 3 Conforme preceitua o artigo 15, caput, do Decreto n° 70.235/1972, o prazo para apresentação de impugnação, em sede de processo administrativo fiscal federal, é de 30 (trinta) dias contados da ciência da autuação: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. De acordo com a comprovante de entrega de j1s. 113, o contribuinte foi cientificado da autuação em 20 de fevereiro de 2003. A impugnação de fls. 115 e 117, portanto, é claramente intempestiva, já que foi apresentada apenas em 25 de março de 2003 (fls. 115), um dia após a data .final do prazo legal para impugnação (24 de março de 2003). Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar argüido, não tomando conhecimento das argumentações de mérito apresentadas, em razão da evidenciada intempestividade da impugnação, com a conseqüente manutenção da exigência do crédito tributário consubstanciado na presente autuação. Diante da decisão proferida, o contribuinte ainda inconformado interpôs Recurso Voluntário as fls. 203, aduzindo o que segue: 1 0 SOMENTE APÓS CINCO ANOS E OITO MESES APÓS A APRESENTAÇÃO DA DEFESA ADMINISTRATIVO, MEU PROCESSO FOI JULGADO E CONSIDERADO INTEMPESTIVO OU FORA DO PRAZO; 2° TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTA RIOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE PRESCREVE NO PERIOD° DE 05 (CINCO) ANOS TANDO O MESMO IMPEDIDO LEGALMENTE DE REINVINDICAR VALORES DESTE PERÍODO, CONVEM SALIENTAR QUE EM DECISÃO RECENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ORGÃO MÁXIMO NO PAIS PARA DERIMIR. DUVIDAS JURIDICAS, CONSIDEROU QUE todos os CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PERTENCENTES A UNIÃO, NÃO LANÇADOS EM DIVIDA ATIVA, PRESCREVE NO PERÍODO DE 05 ANOS, verificando a prazo da notificação e a data do julgamento observa-se que já decorreram mais de 5 anos." o relatório. Voto Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatora. Processo n° 10920.00036212003-23 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.081 Fl. 4 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Analisando inicialmente os critérios de admissibilidade da impugnação é de se verificar que o contribuinte foi regularmente intimado do lançamento ern 20 de fevereiro de 2003, conforme demonstra o documento (AR) de fls. 113, tendo se iniciado o prazo de 30 (trinta) dias para interposição da impugnação em 21 de fevereiro de 2003, sendo que o prazo fmal para que a impugnação fosse apresentada espirou-se em 24 de março de 2003. Não obstante em 25 de março de 2003 (fls. 115), portanto, após a expiração do prazo recursal, a contribuinte protocolizou a impugnação, ou seja, quando já expirado o prazo para o exercício do direito. Nesse sentido, de acordo com a redação do art. 210 do Código Tributário Nacional, artigo 66 da Lei n° 9.784/2001 e artigo 5° do Decreto n°. 70.235/72, os prazos processuais são continuos, excluindo-se na sua contagem o dia de inicio e incluindo-se o de vencimento, sendo que nenhum deles pode iniciar ou acabar ern dia não útil ou sem expediente. Já nos termos do artigo 15 do Decreto n°. 70.235/72 a impugnação deve ser apresentada no prazo inadiável de 30 (trinta) dias contados da ciência do lançamento, sendo que, no caso concreto, verifico que o seu protocolo se deu após este lapso temporal, motivo pelo qual é intempestiva. Portanto, de acordo com o que dos autos consta, bem como diante da legislação tributária acima mencionada, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, que devidamente fundamentada, demonstrou a ocorrência da intempestividade da impugnação, motivo pelo qual não a conheceu. Assim, analisando o teor do recurso interposto, não houve qualquer justificativa por parte do contribuinte em relação a não interposição da impugnação dentro do prazo legal, não tendo sido apresentado, ademais, qualquer motivo de força maior que justificasse o atraso na apresentação de sua defesa. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2011. _— Van ssa Pereira Rodri es I omen—e- 4
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