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Numero do processo: 16327.001344/2004-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Exercício. 2002
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - "PERC" - COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL - Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n°. 70.235/72.( Súmula CARF N.37)
Numero da decisão: 1102-000.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos de relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.001344/2004-25 Recurso n° 161132- Voluntário Acórdão le 1102-00.423 — P Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria RECONHECIMENTO DE INCENTIVOS FISCAIS Recorrente ITAU SEGUROS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício. 2002 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS - "PERC" - COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL - Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n°. 70.235/72.( Súmula CARF No_37) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos de relatório e voto que integram o presente julgado. IVETMAL QUI S PESSOA MONTEIRO — Presidente e Relatora EDITADO EM: 2C,11 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros, Joao Otávio Oppennann Thomé, Silvana Rescigno Barreto, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) José Sergio Gomes (Suplente convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) Relatório Trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano calendário de 2001, exercício de 2002, formulado em 30/09/2004, conforme fls. 01/02. A contribuinte opta, conforme dados constantes da ficha 29, por Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Rendimentos do exercício de 2002, da qual destinou parcela do imposto de renda recolhido equivalente a R$ 3.549.510,88, para aplicação no FINOR, conforme fls. 78. Despacho proferido em 03/08/2006, fls.99/101, indefere o pedido na ordem seguinte: "Diante do exposto, ... DECIDO INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2002, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida pelo art. 60 da Lei 11 ° 9.069/95". lrresignada apresenta a Contribuinte a manifestação de inconformidade, protocolada 08/09/2006(fls. 104/107), alegando em síntese o seguinte, nos termos da decisão recorrida: Em razão de falhas no cadastro do sistema do Fisco, a Manifestante se vê impedida de obter certidões negativas ou recebe cobranças de débitos que já foram pagos, ou estão com sua exigibilidade suspensa. Não é. possível que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do ano-base 2001, esteja vinculado a esse sistema que, algumas vezes, apresenta distorções na situação real cio cadastro dos contribuintes (que pode oscilar com freqiiência). Assim, se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em .face de mudança da situação cadastral para irregular, indeferiu-o. Analisando os processos envolvidos nas listagens fornecidas pela SRF e PGFN, verifica-se que todos os débitos apontados estão COM a exigibilidade suspensa. Isso é comprovado pela "Certidão Con/unta Positiva com Efeitos de Negativa" emitida pela própria SRF e PGFN. Até que a Procuradoria da Fazenda Nacional aprecie documentação juntada pela recorrente não há que se falar em débito de tributo ou contribuição que impeça o exercício dos direitos e o uso dos benefícios concedidos (investimento em incentivo fiscal). A decisão de fls. 127/136 indefere o pedido e esta assim ementada: Processo 110 16327.001344/2004-25 S 1 -CIT2 Acórdilo n.° 1102-00.423 Fl. 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal .fica condicionada a comprova cão pelo contribuinte da quita cão de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Aponta que a resposta aos questionamentos dos autos é decorrente da aplicação do art. 60 da Lei n° 9.069/1995, in verbis: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria cia Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." E que para atender a esses dispositivos a autoridade administrativa analisou a situação fiscal da contribuinte em 03/08/2006 (fls. 82/98), e constatou a existência de pendências junto à SRF e ã. Procuradoria da Fazenda Nacional, motivo do indeferimento do pedido de revisão formulado. Discorre sobre o Momento da comprovação da regularidade fiscal, transcreve posição de Mary Elbe Gomes Queirós, em voto proferido nos autos do processo n° 13811.002996/99-16, onde esta sintetiza os procedimentos de aplicação do imposto devido em investimentos regionais, na seguinte ordem: `Examinando-se a legislação tributâria acerca (lit opção dos contribuintes para aplicação em incentivos fiscais, formalifada nas Declarações de Rendimento pessoa jurídica apresentadas a Secretaria da Receita Federal, constata-se que a mesma somente se transfonna eln investimentos a partir da concordância daquele órgão com os valores declarados e a emissão cio respectivo certificado. Até então, os valores informados a esse titulo enquadram-se como receita pública da União." E continua para dizer que a aquisição do direito ã aplicação do imposto devido somente ocorre no momento em que a autoridade administrativa verifica se foram observados todos os requisitos previstos em lei para a concessão ou reconhecimento do beneficio. Analisa a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes nas seguintes posições: Momento em que o contribuinte manifestou sua opção em sua declaração de rendimentos: acórdão n" 105-15.844, 105-15.988, ambos da 5" Câmara. Ern qualquer data no curso do processo administrativo: acórdão 101-95.633, da 1" Câmara. 441* 3 A lei não estabeleceu um momento para comprovação da regularidade, devendo o fisco intimar o contribuinte para demonstrar a inexistência de débitos, em vez de simplesmente rejeitar, de plano, apenas com base nos seus controles internos, a opção manifestada: acórdão n" 103-22.338, da 3" Camara. A data da comprovação da regularidade é a do despacho no PERC: acórdãos Tr 108-08.625, 108-09.110, 108-09.111, todos da 8" Cdmara. Discorre sobre as três possibilidades vigentes no Conselho de Contribuintes: a) sempre que se analisar o pedido, b) no momento da sua concessão ou c) quando o contribuinte solicita o beneficio fiscal (momento da opção). E diz se contrapor a esta conclusão. Porque a norma contida no artigo 60 dirige-se â. autoridade administrativa que tern a atribuição de conceder ou reconhecer um beneficio fiscal. A norma é expressa ao vincular a comprovação da regularidade fiscal ao momento da concessão ou reconhecimento do beneficio. Diz identificar apenas dois momentos em que autoridade administrativa pode conceder o beneficio: o momento em que ocorre o processamento eletrônico de dados (emissão do "Extrato das aplicações em incentivos fiscais" pela Secretaria da Receita Federal), e o da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais — PERC. Note-se que o PERC um procedimento regulado em normas de execução exaradas pela Secretaria • da Receita Federal, o qual cria uma nova possibilidade de concessão do beneficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Hipótese em que o contribuinte recebeu o extrato Seln as opções efetuadas ou coin divergências. Hipótese cm que o contribuinte não recebeu o extrato, mesmo tendo feito a opção na declaração de rendimentos. Ressalta seu entendimento quanto aos limites do litígio em questão, por não entender a apreciação da manifestação de inconformidade corno novo momento de concessão do beneficio, mas tão somente ocasião de verificar se o despacho decisório foi proferido com base na legislação em vigor. Assim, se o contribuinte lograr comprovar que na data do despacho decisório não havia débito em aberto, tal decisão deverá ser reformada. Aponta que a situação fiscal do contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica, ocorrendo novos fatos geradores a cada dia, novas constatações por parte do Fisco (inclusão/exclusão de débitos), pagamentos e impugnações efetuados pelo contribuinte. Tal dinamismo é inerente as atividades de administração tributária (fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação, recolhimento e controle dos tributos e contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal), estando longe de configurar uma ofensa a garantia jurídica dos contribuintes. Identifica apenas dois momentos em que autoridade administrativa pode conceder o beneficio: o momento em que ocorre o processamento eletrônico de dados (emissão do "Extrato das aplicações em incentivos fiscais" pela Secretaria da Receita Federal), e o da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais — PERC. 4 Processo II' 16327.001344/2004-25 SI-CIT2 Acórcl5o n.° 1102-00.423 Fl. 3 Refere-se As irregularidades junto A. PGFN, dizendo ser da competência deste órgão se manifestar a respeito, mesmo na hipótese em que a RFB solicita o cancelamento da inscrição. Discorre sobre as irregularidades apontadas no processo,causa da negativa das autoridades administrativas anteriores, para concluir na seguinte ordem: Em face cio disposto no artigo 16, ,sç 4", do Decreto n" 70.235/1972, que determina que a prova documental seja apresentada com a impugnação, não há como deferir a solicitação da Manifestante, sob pena de descumprimento do art. 60 da Lei 9.069/1995, não estando comprovada pela documentação constante nos presentes autos a regularidade fiscal da empresa na data do despacho decisório. Por todo o exposto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da contribuinte. Ciente em 15/06/2007, fls. 144, irresignada a Contribuinte interpõe recurso voluntário, As fis. 146/149, em 06/07/2007, onde narra os fatos e, no tocante ao met -4o, Todavia, a fundamentação utilizada pela DRJ não merece ser acolhida. Dispõe o artigo 60 da Lei n° 9.069/95: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio .fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada ã comprovação pelo contribuinte, pessoa _fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." De acordo com o texto transcrito, a concessão de incentivo fiscal pleiteado está condicionada à comprovação de quitação de tributos e contribuições sociais. Porém, o dispositivo não traz 01111 nenhum indicativo do niomento em que essa quitação deve ser comprovada. A interpretação dada pela DRJ é a de que o momento excito corresponde à data do julgamento do processo, ou seja, não importa se no ano-calendário em que se pleiteou tal incentivo o contribuinte possuía certidão negativa, bem como lido importa se na data em que protocolou seu Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal o contribuinte possuía certidão negativa. Aponta as decisões proferidas nos acórdãos 105-16164 e 103-22338, para concluir que a intenção do legislador não era impedir a liberação de incentivos fiscais a qualquer tempo. Comenta a impossibilidade lógica de se admitir que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do ano-base de 2001, esteja vinculado a pendências apontadas pelos sistemas da SRF e PGFN, as quais podem apresentar distorções na situação real do seu cadastro, posto que oscilam com freqüência. Tivesse a análise sido realizada na fase de situação cadastral "regular" o seu incentivo estaria liberado, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral para irregular, houve o indeferimento. Aponta que o status "regular e irregular" depende de problemas na comprovação dos pagamentos. Por inúmeras vezes, embora corn o tributo pago (através de DARF, compensação demonstrada à Receita Federal ou tenha obtido suspensão de exigibilidade - em decisão liminar, por deposito judicial), em razão de falhas no cadastro do sistema do Fisco se vê impedida de obter certidões negativas ou recebe cobranças desses supostos débitos, por isso, é obrigada a requerer a baixa do débito inexistente ao próprio órgão administrativo ou buscar tutela judicial para tanto (o que, diga-se, acarreta custo, desgaste etc.). E que a fim de comprovar que não possui pendências impeditivas da concessão do incentivo fiscal pleiteado, anexa ao presente Recurso cópia da Certidão - Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (doc. 03), a qual comprova que os débitos apontados estão com a sua exigibilidade suspensa. Dessa forma, e em observância ao Principio da Verdade Material requer o o acolhimento da referida certidão e a conseqüente reforma da decisão proferida. Despacho de fls.174 encaminha os autos ao CARF apontando a tcmpestividade na interposição do recurso voluntário. As fls.175 consta Resolução 1803-00012 de 25/08/2009, declinando da competência em razão do limite de alçada. Redistribuido, por sorteio, recebo-o para relato Este é o Relatório. 6 Processo n° 16327.001344/2004-25 SI-CIT2 Acórclao n.° 1102-00.423 Fl. 4 Voto Conselheiro IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Recurso tempestivo e assente em lei. Trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano calendário de 2001, exercício de 2002, formulado em 30/09/2004, conforme fls. 01/02. Às fls. 03, o extrato de aplicações em incentivos fiscais, no campo das "ocorrências" consiga o seguinte: 11 - CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUICÕES FEDERAIS E/OU COM IRREGULARIDADES. CADASTRAIS- (LEI - 9069/95 ART. 60) A Recorrente opta, conforme dados constantes da ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Rendimentos do exercício de 2002, da qual destinou parcela do imposto de renda recolhido equivalente a RS 3.549.510,88, para aplicação no FINOR, conforme fls.4. 0 despacho decisório de fls.99/100, nega o reconhecimento ao direito creditório da Recorrente, na linha seguinte: (...) 7- Antes de apreciar o pleito do interessado quanto ao seu mérito convem verificar, em caráter preliminar, se o mesmo poderia usufruir o incentivo fiscal el17 questão, considerando o que dispõe a legisla cão que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CADIN e os registros de regularidade mantidos pela SRF, PGFN, INSS e CEF/FGTS gls.82/98). 8- A aludida consulta indica que: - a mais recente certidão quanto aos tributos federais em nome cio interessado foi emitida em 20/07/2006 e é do tipo npositiva" (fls.83,95); - consta a irregularidade cadastral apontada a .f1.84 ; - é irregular sua situação junto à SRF, haja vista a existência de débitos não quitados ora em cobrança (fl.87); - é irregular sua situação junto õ PGFN, conforme atestam as inscrições na Dividia Ativa da União identificadas als.89/92); - impedindo-o de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, Coln o que _fica materializada a vedação prevista na legislação transcrita: Ou seja, sequer analisa a situação dos débitos apontados como irregulares, por entendê-los corno óbices a concessão do beneficio. A questão posta é decorrente da aplicação do art. 60 da Lei n° 9.069/1995, cujo dispositivo determina que a "concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio relativos a tributos e contribitiOes administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada c't comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". A nega o pedido da Recorrente por entender que não há prova da regularidade de sua situação fiscal, nos dois momentos nos quais acredita possível tal reconhecimento. A contribuinte prova, por certidão conjunta anexada ás fls.173, que, apesar de haver débitos, os mesmos estão suspensos e como aposto naquela certidão... "Conforme disposto nos arts. 205 e 206 do CTN, este documento tent os mesmos efeitos da certidão negativa." bem verdade que falta definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, o que torna possível ao contribuinte fazer essa comprovação em qualquer fase do processo, entendimento hoje consolidado na Súmula CARF 37, a seguir reproduzida: CARE N., 37 Para .fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PER C), a exigência de comprovação de regularidade .fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n”. 70.235/72 Como há nos autos as certidões positivas com efeito negativo que provam a regularidade da contribuinte, DOU provimento ao recurso. IVET MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO. (-2 8 Processo n° 16327.001344/2004-25 SI-CIT2 Acórdzio a.' 1102-00.423 Fl. 5 TERMO DE INTIMAÇA0 Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1" Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ ] corn Recurso Especial; [ coin Embargos de Declaração; [ 9
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Numero do processo: 11516.000545/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DO INÍCIO DO BENEFÍCIO.
A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave será concedida, quando a doença for contraída após a aposentadoria, a partir da data de emissão do laudo pericial ou da data em que a doença foi contraída, quando especificada neste. Na existência de dois laudos emitidos por serviços médicos oficiais, que indicam datas diferentes
para o início da doença, deve-se optar pela data mais benéfica ao
contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.156
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. DATA DO INÍCIO DO BENEFÍCIO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave será concedida, quando a doença for contraída após a aposentadoria, a partir da data de emissão do laudo pericial ou da data em que a doença foi contraída, quando especificada neste. Na existência de dois laudos emitidos por serviços médicos oficiais, que indicam datas diferentes para o início da doença, deve-se optar pela data mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. DATA DO INÍCIO DO BENEFÍCIO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave será concedida, quando a doença for contraída após a aposentadoria, a partir da data de emissão do laudo pericial ou da data em que a doença foi contraída, quando especificada neste. Na existência de dois laudos emitidos por serviços médicos oficiais, que indicam datas diferentes para o início da doença, devese optar pela data mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.000545/200464 Acórdão n.º 210201.156 S2C1T2 Fl. 106 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra NILZA CAMPOS BORGES foi lavrado Auto de Infração, fls. 25/32, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2001, exercício 2002, no valor total de R$ 72.133,71, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até dezembro de 2003. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. São tributáveis os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça de SC e do INSS. Foi considerado o laudo médico expedido pela junta médica do INSS, que mesmo diante do pedido de reconsideração da contribuinte, estabeleceu o direito à isenção de IRPF a partir de 08/01/2003, conforme documentos apresentados pela contribuinte. Ressaltese que o direito à isenção não pode ser considerado por fonte pagadora (não sendo considerado, portanto, o laudo do Tribunal de Justiça de SC), mas sim pelo total dos rendimentos recebidos. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/16, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0711.946, de 08/02/2008, fls. 76/79, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 23/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 82, a contribuinte apresentou, em 23/05/2008, recurso voluntário, fls. 88/97, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da juntada de documentos novos pela DRJ – Depois de apresentada a impugnação a DRJ juntou aos autos novos documentos, fls. 50/73, de sorte que cerceou o direito de a contribuinte se manifestar sobre os mesmos, implicando em nulidade do presente processo, vez que o auto não se manteve por seus próprios fundamentos fáticos. Do início da moléstia – Da decisão recorrida colhemse as razões que justificaram a desconsideração do laudo do Poder Judiciário e a adoção do laudo do INSS, salientando que ambos laudos tem igual valor probante: i) Inexistência de expressa indicação da “alienação mental”; e Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.000545/200464 Acórdão n.º 210201.156 S2C1T2 Fl. 107 3 ii) Inexistência de indicação expressa do início da doença. Claramente tratase de formalismo exacerbado. Ao requerer a expressa indicação, o julgador reconhece que tal situação pode ser observada com base em outras informações. Visando evitar o prolongamento dos debates, foi requerido ao TJSC nova declaração com o formato indicado e fazendo menção expressa aos requisitos requeridos. Assim, conforme novo laudo apresentado, fls. 102, o auto de infração deve ser anulado em virtude de a contribuinte estar em 2000 acometida por doença grave, nos termos do atestado da junta médica, cujo inicio deuse em 27/08/1998. Requerse, ainda, que seja afastada a aplicação dos juros da taxa Selic. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.000545/200464 Acórdão n.º 210201.156 S2C1T2 Fl. 108 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, a contribuinte afirma que teve seu direito de defesa cerceado em razão da juntada de novos documentos nos autos depois da apresentação da impugnação. De fato, a autoridade julgadora de primeira instância, sob a alegação de subsidiar o julgamento da lide, juntou aos autos documentos, fls. 50/73, extraídos do processo nº 11516.002570/200300, também de interesse da contribuinte. Ora, tais documentos eram do inteiro conhecimento da defesa dado que já estavam juntados aos autos de outro processo, também de interesse da contribuinte, e que versava sobre a mesma matéria, sendo que do exercício 2000, anocalendário 1999. Observa se, ainda, que muitos dos documentos juntados pela autoridade de primeira instância já se encontravam juntados aos autos. E mais, não foram alterados os fundamentos fáticos da autuação, que foi mantida sob os seguintes argumentos, conforme extraído do acórdão: Diante da retrospectiva feita acima, há que se considerar o início da moléstia grave em 08.01.2003, conforme laudo do INSS, pois: a) os dois laudos, por se tratarem de serviços médicos oficiais, um do Estado e outro Federal, têm o mesmo valor probante; b) o laudo emitido pela Junta Médica Oficial do Poder Judiciário não foi explicito em afirmar que a contribuinte encontravase em estado de "Alienação Mental", o que foi presumido pelo despacho feito no processo para suspensão do desconto do imposto de renda retido na fonte; c) no laudo do Poder Judiciário não consta a data de início da doença, prevalecendo a data do mesmo, ou seja, 23.02.2000. Apenas em informação prestada posteriormente, em 31.12.2001, a Junta Médica do Poder Judiciário informa que a contribuinte teve várias licenças com CIDs 300.4/0 (Depressão Neurótica) e F32.3 (Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos) a partir de 1999, não se manifestando expressamente quanto à "Alienação Mental"; d) o laudo do INSS, superveniente ao do Poder Judiciário e emitido no mesmo ano, não a enquadrou nas doenças passíveis de isenção afirmando tratarse de "Quadro depressivo não demencial." Tal conclusão, como já se viu, foi ratificada pelo INSS quando do pedido de reconsideração no qual a junta Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.000545/200464 Acórdão n.º 210201.156 S2C1T2 Fl. 109 5 médica reafirmou que "a interessada em 20/09/2000, apesar de ser portadora de doença CID F.03, ainda não se enquadrava no requisito necessário para isenção do Imposto de Renda, qual seja, Alienação Mental." Nessa conformidade, não restou caracterizada a alegação de cerceamento ao direito de defesa suscitado pela contribuinte. No mérito, vêse que a lide gira em torno de se saber qual a data em que a moléstia grave, no caso alienação mental, foi contraída. Quando da decisão recorrida, constavam dos autos documentos firmados por duas instituições oficiais, quais sejam: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (TJSC) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A conclusão exarada pelos duas juntas são unânimes em afirmar que a contribuinte é portadora de moléstia grave, porém não coincidentes quanto à data em que a doença foi contraída. O Tribunal de Justiça não faz uma indicação precisa da data, enquanto o INSS afirma que a isenção tem validade a partir de 08/01/2003. A decisão recorrida, embora reconheça que os laudos emitidos pelo Tribunal de Justiça e pelo INSS tem o mesmo valor probante, acabou por decidirse em considerar que a data de início da doença era aquela indicada pelo INSS, já que os laudos emitidos pelo Tribunal de Justiça não se manifestavam expressamente quanto a data em que a contribuinte passou a ser portadora de alienação mental. Contudo, quando da apresentação do recurso, a contribuinte trouxe aos autos novo laudo, emitido pelo serviço médico do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, fls. 102, cujo teor abaixo se transcreve: Declaramos para os devidos fins que,. a Juíza aposentada Dra. Nilza Campos Borges, conforme anotação em sua ficha de controle médico de processos, arquivada nesta Junta Médica, esteve em licença para tratamento de saúde, desde o dia 27 de agosto de 1998 até o dia de sua aposentadoria, com base nos CIDs 300.4/0; F 32.3 e F03, que se enquadra em Alienação Mental, para fins de isenção do Imposto de Renda. Portanto, sua invalidez iniciouse em 27.08.1998. Temse, pois, que a manifestação da junta médica do Tribunal de Justiça foi no sentido de que a doença fora contraída em 27/08/1998 e não em 08/01/2003, conforme afirma a junta médica do INSS. Nesse ponto, vale dizer, conforme afirmado na decisão recorrida, que ambos os laudos tem o mesmo valor probante, dado que emitidos por serviços médicos oficiais, de forma que deve prevalecer aquele mais favorável à contribuinte, ou seja, para fins de isenção devese considerar que a doença foi contraída, na data indicada no laudo emitido pelo serviço médico do Tribunal de Justiça, 27/08/1998. A conclusão que se impõe é de que são isentos os rendimentos de aposentadoria da contribuinte, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina e do INSS, no anocalendário de 2001. Logo, não pode prosperar o lançamento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.000545/200464 Acórdão n.º 210201.156 S2C1T2 Fl. 110 6 Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001733/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, Portaria MF n° 383 DOU de 14/07/2010)
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO.
A vedação constitucional ao confisco aplica-se tão somente
à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%.
A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.242
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PARCIAL
provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, Portaria MF n° 383 DOU de 14/07/2010) MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplica-se tão somente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, Portaria MF n° 383 DOU de 14/07/2010) MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplicase tãosomente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Assinado digitalmente Fl. 82DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 26/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO, 26/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.001733/200707 Acórdão n.º 210201.242 S2C1T2 Fl. 82 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Redator designado. EDITADO EM: 09/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra LOURIVAL LOPES foi lavrado Auto de Infração, fls. 16/22, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$ 164.094,10, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/04/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de José Carlos Dolphine a título de arrendamento mercantil e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 33/38, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0416.925, de 11/03/2009, fls. 49/58: 1. A imposição fiscal é manifestamente ilegal pois em razão da omissão no recolhimento de R$ 59.801,65 o contribuinte foi notificado a pagar R$ 164.094,10 decorrente da aplicação de duas multas, sendo uma de 75% e outra de 50%; 2. A multa de 50% imputada à título de omissão na apresentação de documentação exigida pelo fisco viola princípio mais elementar estampado na CF de 1988. Obrigar o contribuinte a produzir prova contra si, no mínimo, se mostra ilógico e desarrazoado, mais ainda quando o seu silêncio se transforma em penalidade que impõe multa de mais de 50% sobre o débito; Fl. 83DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 26/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO, 26/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.001733/200707 Acórdão n.º 210201.242 S2C1T2 Fl. 83 3 3. A multa tem finalidade punitiva ao contribuinte omisso e, no caso, já está retratada na primeira punição. Aplicarlhe outra multa, também punitiva, se revela bis in idem, uma vez que o contribuinte está sendo penalizado duas vezes. 4. A multa de 75% também é ilegal e inconstitucional pois fere o princípio da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; 5. Os tribunais vêm decidindo que se considera razoável a multa no patamar de 20%; A DRJ Campo Grande/MS decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 12/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 66, o contribuinte apresentou, em 13/07/2009, recurso voluntário, fls. 70/77, onde reproduz e reforça as mesmas alegações trazidas na impugnação. É o Relatório. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 26/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO, 26/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.001733/200707 Acórdão n.º 210201.242 S2C1T2 Fl. 84 4 Voto Vencido Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte se insurge tãosomente contra a imposição das multas de ofício, proporcional, no percentual de 75% e isolada por falta de recolhimento do carnêleão, no percentual de 50%. Afirma que tais penalidades ferem princípios constitucionais, tais como: capacidade contributiva e da vedação ao confisco e que a aplicação concomitante da multa proporcional e da multa isolada revela bis in idem. De pronto, vale destacar que é dever de todo contribuinte pagar o tributo que decorre de lei. A não realização do comportamento desejável e devido, ou seja, o não cumprimento de tal dever, implica em prejuízo a toda a sociedade. Por isso tem o Estado o poderdever de estabelecer mecanismos de coação, a fim de proteger os interesses da sociedade, e o faz através da imposição de penalidades inibidoras das ações ilícitas. Em matéria tributária, esta se consubstancia, basicamente, na instituição de multas pecuniárias, visando a evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. A norma jurídica que veicula a multa de ofício tem esta finalidade. A vedação constitucional ao confisco aplicase tãosomente à instituição do tributo (valor principal do crédito tributário), em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo, como é o caso das penalidades tributárias. A multa pecuniária é penalidade tributária, com evidente caráter repressivo, e sanções dessa ordem podem ser, até mesmo, expressamente confiscatória, tal é o caso da pena de perdimento prevista no Regulamento Aduaneiro (artigos 617 a 627 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002). Ademais, o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2 (Portaria MF n° 383 – DOU de 14/07/2010): Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já no que se refere à concomitância das multas proporcional e isolada, deve se observar o art. 44 da Lei n.º 9.430, de 30 de dezembro de 1996, que assim dispõem: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 85DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 26/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO, 26/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.001733/200707 Acórdão n.º 210201.242 S2C1T2 Fl. 85 5 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) No presente caso, o contribuinte cometeu duas infrações distintas: omitiu rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) e deixou de recolher o imposto de renda mensal a que estava obrigado (carnêleão) e o nãorecolhimento do carnêleão já basta para que passe a dever a multa isolada, independentemente da circunstância de apurar ou não imposto a pagar na DAA. Adotase no Brasil o sistema de bases correntes para o pagamento do Imposto de Renda, e os recolhimentos mensais configuramse como pressuposto básico. Tais recolhimentos compõem simetria com o compulsório recolhimento na fonte em relação aos salários e alguns outros rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; os recolhimentos que venham a revelaremse excessivos, em função de deduções a que o contribuinte tem direito na DAA, deverão ser nesta apurada e, sendo o caso, devolvidos pela Fazenda Pública. Não é facultado ao contribuinte somente recolher o imposto apurado no ajuste, tanto que a legislação prevê expressa e especificamente a exigência da multa isolada, mesmo na hipótese de não vir a ser apurado imposto devido na DAA. No caso dos autos, porém, houve ainda, efetivamente, falta de recolhimento do IRPF apurado e devido, fato que impõe a exigência da multa de ofício prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, incidente sobre o valor do imposto apurado, cumulativamente com a multa exigida isoladamente, sobre o carnêleão não recolhido, nos exatos termos da legislação acima transcrita. Diante do exposto, nada há a empanar a exigência fiscal quanto à aplicação da multa exigida isoladamente, pela falta de recolhimento do imposto de renda mensal devido, a título de carnêleão, cumulada com a multa de ofício proporcional, incidente sobre o imposto apurado anualmente, decorrente da omissão de rendimentos detectada. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 86DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 26/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO, 26/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.001733/200707 Acórdão n.º 210201.242 S2C1T2 Fl. 86 6 Voto Vencedor Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Inicialmente, devo esclarecer que este voto cingese, tãosomente, ao cancelamento da multa isolada. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Verificase na autuação impugnada, cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício, que voto pelo seu cancelamento, pelo Princípio da Moralidade e para adequarse à jurisprudência da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa.( Acórdão: CSRF/0105.078) CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO CANCELAMENTO DA MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. Em relação às demais questões suscitadas pelo recorrente, acompanho a i. Conselheira relatora. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho Redator designado. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 26/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO, 26/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001690/2003-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002
IRPF. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física, relativo aos rendimentos e deduções sujeitos ao ajuste anual, é qüinqüenal com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário,
excepciona-se a hipótese indicada na parte final do § 4º do artigo 150 do CTN.
SÚMULA CARF Nº 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.174
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DECADÊNCIA. O prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física, relativo aos rendimentos e deduções sujeitos ao ajuste anual, é qüinqüenal com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, excepcionase a hipótese indicada na parte final do § 4º do artigo 150 do CTN. SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 09/04/2011 Fl. 52DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 35 a 37 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração (fls. 16/21), pelo qual se exige a importância de R$ 7.864,90 (sete mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e noventa centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, anoscalendário 2000 e 2001, acrescido de multa de oficio e juros de mora. Conforme a descrição dos fatos, foi constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em virtude de trabalho sem vínculo empregatício. Consta que o autuado foi intimado a apresentar os documentos relacionados no Termo de Intimação por via postal, cuja intimação foi recebida pelo próprio autuado em 02/10/2002, conforme Aviso de Recebimento — AR (fl. 03). O intimado solicitou a prorrogação do prazo para cumprimento da intimação, em 09/10/2002 (fl. 04), entretanto, até a lavratura do presente Auto de Infração (28/05/2003), o contribuinte não apresentou os documentos solicitados e não tomou qualquer providência tendente a cumprir os termos da intimação. Houve o agravamento da multa para 112,5% para os fatos geradores e referentes à falta de comprovação das deduções referentes à Previdência Social, dependentes, despesas médicas, Livro Caixa e de instrução. Foi lançada a multa de oficio de 75% sobre o imposto relativo aos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, omitidos na declaração. Conforme lançamento fiscal, foram incluídos todos os valores de rendimentos não declarados, correspondentes ao montante de R$ 4.580,74, os quais constam em DIRF no anocalendário de 2000, correspondentes às remunerações recebidas das seguintes pessoas jurídicas: 1) Agência Marítima Cargonave Ltda., no valor de R$ 131,08; 2) WR Operadores Portuários Ltda., no valor de R$ 4.449,66; Em vista do não comparecimento para prestar as devidas informações e apresentar os documentos solicitados, foram glosadas das declarações do contribuinte as deduções não comprovada s, conforme demonstrativo abaixo: Devidamente cientificado, o contribuinte apresenta o seu instrumento de defesa, às fls. 25/27, juntamente com os anexos de fls. 28/32. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.001690/200347 Acórdão n.º 210201.174 S2C1T2 Fl. 44 3 Alega, em sua defesa, em síntese: a) que..se encontram lançados todos os rendimentos e que não recebeu os valores atribuídos pelo auditor fiscal;b) que foram efetuadas as deduções de acordo com as informações recebidas idas fontes pagadoras, conforme documentação em anexo; c) que as deduções com dependentes são legais, referemse aos filhos legítimos, à companheira, e às demais pessoas que dependem do seu trabalho; d) que paga o plano de saúde através do sindicato de classe; e) que as despesas com instrução referemse aos valores pagos a estabelecimentos de ensino particular, para os quais já solicitou cópias 4os documentos que serão remetidos posteriormente. Por fim, impugna a totalidade do auto de infração, alegando ter efetuado recolhimentos a maior do que deveria ter sido pago. Anexa os seguintes documentos: comprovante do órgão gestor referente ao pagamento mensal do sindicato de classe ( fls. 28/29); cópia da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2001 — anocalendário 2000 (fl. 30), cópias da carteira de identidade (fl. 31) e certidão de casamento (fl. 32). É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, salvo uma redução na omissão dos valores percebidos da empresa WR. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 41, alegando prescrição, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência nos seguintes termos, in verbis: CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE PRESCREVE NO PERIODO DE 05 (CINCO) ANOS TANDO O MESMO IMPEDIDO LEGALMENTE DE REINVINDICAR VALORES DESTE PERIODO, CONVÉM SALIENTAR QUE EM DECISÃO RECENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ORGÃO MÁXIMO NO PAIS PARA DERIMIR DUVIDAS JURIDICAS, CONSIDEROU QUE "TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS "_PERTENCENTES A UNIÃO, NÃO LANÇADOS EM DIVIDA ATIVA, PRESCREVE NO PERIODO DE 05 ANOS, verificando a prazo da notificação e a data do julgamento observa se que já decorreram mais de 5 anos." (sic). Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 54DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Da difícil compreensão das razões expostas no Recurso, podemos entender que o contribuinte solicita reconhecimento de Prescrição Intercorrente ou Decadência. Nesse sentido vejamos: DECADÊNCIA. O Imposto de Renda da Pessoa Física, efetivamente, é tributo cujo recolhimento não demanda o prévio exame pela Autoridade Administrativa, o que se coaduna com o lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN. No caso em apreço, a Declaração de Ajuste Anual, considerada no lançamento foi entregue pelo contribuinte dentro do prazo, razão pela qual não há justificativa para que não se aplique o art. 150, § 4º, conforme a seguir: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifei) Essa matéria vem sendo tratada pela egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), dessa forma: Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Recurso especial provido. Acórdão: CSRF/04 00.586. (Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo). Assim, considerandose como ocorrido o fato gerador em 31/12/2000 e 31/12/2001 e tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração em 03/06/2003 (fls. 23), concluise que efetivamente o direito de o Fisco efetuar o lançamento não foi alcançado pela decadência que somente ocorreria para o período mais antigo em 31/12/2005. Ainda, é de se salientar que a Súmula Carf Nº 11, pacificou que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.001690/200347 Acórdão n.º 210201.174 S2C1T2 Fl. 45 5 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 56DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 09/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001163/2007-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
DCTF “ZERADAS” CUJAS APRESENTAÇÕES SÃO CONTESTADAS PELA CONTRIBUINTE
Em que pese o ônus da prova ser da contribuinte do quanto por ela alegado, prova diabólica é a sua de que não transmitira as indigitadas DCTF, “zeradas”, nem as foram por terceiro autorizado pela contribuinte, ou de que ela fora diligente o suficiente para impedir que terceiros tivessem acesso ao número do recibo de entrega da DCTF original. Sem a devida perícia, a prova
que merece ser acolhida é a indireta, por indícios. Os dados coletados pela DITEC da SRRF da 7ª Região Fiscal, analisados em conjunto, indicam verossimilhança do afirmado pela contribuinte. Nesse quadro, tem lugar a aplicação indireta do art. 112, II e III, do CTN.
Numero da decisão: 1103-000.497
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: DCTF “ZERADAS” CUJAS APRESENTAÇÕES SÃO CONTESTADAS PELA CONTRIBUINTE Em que pese o ônus da prova ser da contribuinte do quanto por ela alegado, prova diabólica é a sua de que não transmitira as indigitadas DCTF, “zeradas”, nem as foram por terceiro autorizado pela contribuinte, ou de que ela fora diligente o suficiente para impedir que terceiros tivessem acesso ao número do recibo de entrega da DCTF original. Sem a devida perícia, a prova que merece ser acolhida é a indireta, por indícios. Os dados coletados pela DITEC da SRRF da 7ª Região Fiscal, analisados em conjunto, indicam verossimilhança do afirmado pela contribuinte. Nesse quadro, tem lugar a aplicação indireta do art. 112, II e III, do CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: DCTF “ZERADAS” CUJAS APRESENTAÇÕES SÃO CONTESTADAS PELA CONTRIBUINTE Em que pese o ônus da prova ser da contribuinte do quanto por ela alegado, prova diabólica é a sua de que não transmitira as indigitadas DCTF, “zeradas”, nem as foram por terceiro autorizado pela contribuinte, ou de que ela fora diligente o suficiente para impedir que terceiros tivessem acesso ao número do recibo de entrega da DCTF original. Sem a devida perícia, a prova que merece ser acolhida é a indireta, por indícios. Os dados coletados pela DITEC da SRRF da 7ª Região Fiscal, analisados em conjunto, indicam verossimilhança do afirmado pela contribuinte. Nesse quadro, tem lugar a aplicação indireta do art. 112, II e III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Cristiane Silva Costa. Fl. 729DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 730 2 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o processo de autos de infração de IRPJ (fls. 551 a 553), no valor de R$ 132.291,50; PIS (fls. 559 a 562), no valor de R$ 51.417,42; COFINS (fls. 570 a 573), no valor de R$ 237.311,73; e CSL (fls. 581 a 583), no valor de R$ 85.432,21, além de juros e multa qualificada de 150%. Os autos de infração abrangeram os anoscalendário 2004 e 2005, além dos dois primeiros trimestres de 2006, em virtude de diferenças encontradas entre as declarações DIPJ, DCTF e DACON e o livro de Apuração do ICMS. Das fls. 525 a 550 consta o Relatório de Encerramento da Ação Fiscal que detalha as ações efetuadas pela fiscalização e as infrações encontradas no curso do procedimento fiscal, cujos pontos principais estão resumidos a seguir. O procedimento foi iniciado por demanda do Ministério Público Federal. As informações contidas na DCTF revelaram divergência entre os valores informados pelo recorrente e as contidas nas DIPJ e suas DACON. A recorrente, reiteradamente, apresentou DCTF’s retificadoras em que reduziu a zero os débitos originalmente confessados. Ela não apresentara os livros contábeis Diário e Razão e não fez recolhimentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSL relativos aos períodos fiscalizados. A recorrente apresentara declarações DIPJ com opção pelo lucro presumido. No anocalendário de 2004 apresentara DCTF informando que não possuía débitos. Com relação ao anocalendário de 2005 e ao primeiro semestre de 2006 apresentou originais confessando débitos e, antes do início do procedimento fiscal, retificouas para declarar valores devidos iguais a zero. Não houve pagamento espontâneo de tributos relativos ao período fiscalizado. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, a recorrente informou que não havia entregado as DCTF’s do anocalendário de 2004 e que os valores das DIPJ 2006 (AC 2005) informados estavam incorretos. Os valores devidos eram os informados nas DCTF’s originais. Informou, também, que não dispunha dos livros Diário e Razão, nem dos balancetes solicitados (31/03/2004 a 30/06/2006). Fl. 730DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 731 3 Houve reintimação para apresentação dos livros Diário, Razão e Caixa, com o alerta de que a falta deles autorizaria o Fisco Federal a arbitrar seu lucro. Em resposta, a recorrente entregou os livros Registro de Entradas e de Saídas e de Apuração do ICMS. Não obstante o Sr. Luiz Carlos de Oliveira Barros, representante do recorrente, ter afirmado que desconhecia a origem das DCTF originais relativas aos quatro trimestres de 2004 e das DCTF retificadoras relativas aos primeiro e segundo trimestres de 2005 e ao primeiro semestre de 2006, fato é que estas DCTF foram apresentadas em 21/12/2006 (fls. 320 a 323) e 19/12/2006 (fls. 325, 327 e 329). E a pessoa que consta como responsável pelo preenchimento das mesmas é o próprio Sr. Luiz Carlos, conforme comprovante juntado à fl. 334. A recorrente não trouxe aos autos comprovante da afirmação de desconhecimento da origem das DCTF apresentadas, portanto os dados nelas inseridos reputamse verdadeiros. De posse dos livros de Apuração de ICMS, foram elaboradas as planilhas de fls. 538 e 539 com as receitas auferidas. A recorrente não efetivou a opção pelo lucro presumido, através dos recolhimentos do IRPJ e da CSL relativos aos primeiros trimestres dos anos de 2004, 2005 e 2006. Assim, ficou sujeito à regra geral do lucro real. Como também não apresentou escrita contábil, restou, como única forma de apuração dos lucros, o arbitramento, através das receitas brutas levantadas nos livros de Apuração do ICMS. Os valores dos lucros arbitrados e das bases de cálculo do IRPJ, da CSL, do PIS e da COFINS estão demonstrados às fls. 542 a 545. Como os valores declarados em DCTF como devidos no período são todos iguais a zero, os valores demonstrados nas folhas citadas anteriormente são os efetivamente devidos e foram lançados com multa de ofício. No período fiscalizado, fora informado que não havia débitos no ano de 2004 e retificou os anteriormente declarados, de 2005 e 2006, para zero, ou seja, de forma reiterada omitiu, livre e conscientemente, os tributos devidos. Também, ainda que tenha auferido vultosa receita (R$ 7,9 milhões), não recolheu um único centavo a título dos tributos lançados. A reiterada prática de omitir informações para causar dano ao erário, justificou a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme disposto no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Além do crédito tributário lançado, foi efetuada representação fiscal para fins penais através do processo nº 15586.001255/200716. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 29/12/2007, houve apresentação de impugnação de fls. 602 a 604 em 28/01/2008, alegandose, em síntese, o que segue. Fl. 731DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 732 4 Conforme se depreende da resposta datada de 29/11/2007, o recorrente confessou seus débitos quando afirmou que mantinha os valores declarados como devidos em 2005 e 2006, originariamente confessados em DCTF. Dessa forma, mesmo que a Receita Federal tenha em seus sistemas as DCTF retificadoras, não deveria tratar a alegação do interessado com tamanha frieza. Se o representante legal alegou não ser o autor de tais retificações, poderia a Autoridade Fiscal requerer perícia para provar o alegado de ofício, o que não fez. A recorrente só tomou conhecimento deque haviam DCTF retificadoras no curso da fiscalização. É essencial que se descubra a origem destas retificadoras para que não pairem dúvidas quanto ao alegado pelo recorrente. Por tal motivo requer a realização de perícia a ser realizada pelo Departamento de Polícia Federal, com o intuito de revelar a autoria da emissão de tais documentos: de que computador se originou, sua localização e proprietário. Requereu, também, a desqualificação da multa qualificada por não ter agido com dolo. DA DECISÃO DA DRJ A 8ª Turma da DJR/Rio de Janeiro I, por maioria de votos, deu procedência parcial à impugnação, reconhecendo inaplicável a multa qualificada cominada. O voto vencido da relatora afastava também as exigências de valores declarados nas DCTF’s originais da recorrente relativas a 2005 e ao 1º semestre de 2006. A relatora havia questionado a DITEC/SRRF/7ªRF, da qual foram obtidos os dados relativos aos IP de onde foram emitidas, tanto as DCTF de 2004, quanto as retificadoras de 2005 e do primeiro semestre de 2006. Em resposta, o Sr. Chefe da DITEC esclareceu que as DCTF relacionadas acima foram emitidas, todas, no dia 21/12/2006, em torno das 8:00h e das 17:40h, do mesmo IP que pertence a um provedor atuante das regiões Norte e CentroOeste. Já as DCTF que o recorrente assume que enviou – originais do 1º e 2º semestres de 2005 e do 1º semestre de 2006 – partiram de endereços de IP pertencentes a provedor que atua no Espírito Santo. Ademais, há o fato de as DCTF’s de 2004 e as retificadoras questionadas terem sido emitidas no mesmo dia, em extremos do horário comercial, ao contrário das originais de 2005 e 2006 que foram emitidas em datas diferentes e em horários normais de expediente. Tudo isso faria concluir que existe grande possibilidade de que estas retificadoras sejam fraudulentas. Ou seja, não teriam sido enviadas por quem de direito. Daí que, dos valores lançados relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006, devem ser deduzidos os declarados em DCTF espontâneas originais, segundo voto vencido da relatora. Além disso, deve ser reduzida a multa qualificada de 150% para 75%, por não resultar caracterizada sonegação. Fl. 732DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 733 5 Voto Vencedor O fato de a DCTF retificadora ter sido enviada através de um endereço de IP de um provedor que funciona somente nas regiões Norte e CentroOeste não comprova, por si só, que a referida declaração não foi transmitida pelo recorrente, posto que não há qualquer impedimento de que o sócio ou empregado da empresa transmita a DCTF de qualquer lugar do país, não sendo necessário que a transmissão seja feita somente no Estado do Espírito Santo. Também não é relevante o horário em que as declarações retificadoras foram transmitidas, podendo ser realizada a qualquer hora. Outro ponto importante para se observar é que para se retificar uma DCTF é necessário que se conheça o número do recibo de entrega da DCTF original, conforme consta das instruções de preenchimento do programa DCTF semestral 1.0 (fls. 671 e 672). Até que se prove o contrário, esta informação pertence à interessada e não a outras pessoas, sendo obrigação do recorrente zelar pelo seus negócios. Para se adotar a tese da recorrente de que as DCTF’s retificadoras seriam falsas, teriam que constar do feito provas materiais e não simples suposições. O ônus da comprovação é da recorrente. Com isso, o voto vencedor exonerou apenas a multa qualificada, vez que não foi comprovada o dolo da recorrente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão em 27/10/2008, a recorrente apresentou recurso voluntário 26/11/2008 de fls. 703 a 707, alegando, em síntese, o que segue. Que já havia declarado seus débitos relativos ao anocalendário de 2005 e ao primeiro semestre de 2006, havendo inclusive similitude entre as informações do Fisco e da recorrente. Que se já havia espontaneamente declarado os débitos, descabido falar em lançamento de ofício, já que a DCTF tem natureza de confissão de dívida. Portanto, apresentase prejudicial a manutenção do lançamento de ofício, tendose dado no caso declaração justa e espontânea, sendo descabido falar em impossibilidade de espontaneidade quando já instaurada ação fiscal, visto que a declaração se deu em momento anterior a abertura da ação fiscal ou outro procedimento fiscalizatório, não tendo sido encontrada qualquer discrepância entre os valores declarados e os valores arbitrados. Logo, mais consentânea se mostrou a atuação decisória da relatora vencida que votou pela redução dos valores lançados por aqueles declarados, sendo que a incidência da multa e juros de mora aplicarseiam apenas sobre o montante atingido após a operação indicada. A recorrente, em sua impugnação, preocupouse em indicar os meios adequados à prova de que as declarações retificadoras não foram por ele apresentadas, declarando que agiu coma certeza de que estaria provando a não apresentação das retificações daquelas originais apresentadas. Fl. 733DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 734 6 A pedido da relatora (voto vencido), foram enviadas as informações acerca do dia, hora e IP de onde partiram as retificadoras das DCTF’s da recorrente, sendo apurado que o IP utilizado para realizar as retificações não foi o mesmo utilizado, agora sim pelo recorrente, para apresentar as declarações de débito – DCTF. Portanto, não poderia o colegiado desconsiderar informação da própria Receita Federal apontando no sentido de não ter sido a recorrente quem remeteu as declarações retificadoras questionadas. Deveria ter sido acatado o pedido primitivo de perícia em equipamento de informática para se atestar a verdadeira origem das declarações. Havendo indício de irregularidade não praticada pela recorrente, cabe à Receita Federal a apuração dela e não o contrário, vez que o zelo pela coisa pública ainda que caiba também, subsidiariamente, ao recorrente, cabe em origem à Administração Fazendária. Requer seja dado provimento ao recurso para que sejam acolhidos os termos do voto vencido. É o relatório. Fl. 734DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 735 7 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a controvérsia se limita e se fixa na questão da não apresentação, pela recorrente, de DCTF original de 2004 e de DCTF’s retificadoras de 2005 e do primeiro semestre de 2006, todas elas entregues à Receita Federal “zeradas”. Não se insurge a recorrente contra a omissão de receitas apurada com base nos Livros de Registro de Saídas e de Apuração do ICMS, nem contra o arbitramento do lucro levado a efeito em face da ausência da escrituração contábil. A multa qualificada fora afastada no decisório do órgão julgador de origem. A manutenção do lançamento no restante se dera por maioria de votos, tendo sido vencida a relatora. A recorrente assume que deve os tributos declarados nas DCTF’s referentes ao anocalendário de 2005 e ao primeiro semestre de 2006. Vale dizer, os tributos declarados nas DCTF’s originais dos períodos em questão. A ilustre relatora do órgão julgador a quo requereu ao chefe da DITEC da SRRF da 7ª Região Fiscal o levantamento de onde foram transmitidas as DCTF’s retificadoras dos períodos supradescritos, bem como as DCTF’s originais relativas ao anocalendário de 2004 (fls. 612 e 613). Em resposta, o chefe da DITEC da SRRF da 7ª Região Fiscal constatou que todas as DCTF’s em causa partiram de um mesmo IP, o 201.47.167.215, que pertence à Global Village Telecom (GVT), provedor de telecomunicações atuante nas regiões Norte e Centro Oeste. Também, que essas DCTF’s foram transmitidas no dia 21/12/06: as DCTF’s referente a 2004 fora encaminhadas às 8:00 horas; as DCTF’s retificadoras correspondentes a 2005 e ao primeiro semestre de 2006 foram apresentadas todas em torno das 17:40 horas. Ainda, segundo o chefe da DITEC da 7ª RF, as seguintes DCTF’s partiram de endereços de IP pertencentes à provedora Telemar (Velox): 2005 (1º semestre), transmitida do IP 201.29.15.56, às 10:19 horas de 7/10/05; 2005 (2º semestre), transmitida do IP 201.58.141.219, às 10:22 horas de 4/04/06; 2006 (1º semestre), transmitida do IP 201.79.2.87, às 8:25 horas de 5/10/07; Fl. 735DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 736 8 2006 (2º semestre), transmitida do IP 201.79.126.103, às 16:10 horas de 5/04/07; 2007 (1º semestre), transmitida do IP 201.79.69.76, às 9:06 horas de 5/10/07; 2007 (2º semestre), transmitida do IP 201.79.114.108, às 8:51 de 7/04/2008; 2006 (2º semestre – retificadora), transmitida do IP 201.79.114.108, às 9:47 de 7/04/07. Também, o chefe da DITEC da 7ª RF observou que a DCTF do 4º trimestre de 2000 fora transmitida às 15:03 horas de 13/03/02, a partir de estação de autoatendimento ou CAC/ARF, vez que o endereço de IP de origem é 161.148.218.133: todos os endereços de IP cujos dois primeiros octetos sejam 161.148 são do Serpro (fl. 612). A questão é delicada. É fato que, para se processar a uma retificação de DCTF é necessário se conhecer o número do recebido de entrega da original. Por outro lado, seria ônus da prova diabólica a recorrente provar que não fora ela nem terceiro por ela autorizado quem teria transmitido as indigitadas DCTF’s retificadoras e as DCTF’s originais referentes a 2004. Igualmente diabólica seria impor o ônus da prova de que a recorrente fora diligente o suficiente para impedir que terceiros tivessem acesso ao número do recibo de entrega de DCFT original. É compreensível, pois, que na peça inaugural a recorrente tenha requerido perícia da Polícia Federal para investigar a autoria da transmissão das DCTF’s em discussão. Se o alegado ocorreu, a própria recorrente seria vítima do suposto e em tese crime de falso. Diante desse quadro, sem a referida perícia, entendo que a prova que merece ser acolhida é a indireta, por indícios. Vêse que todas as DCTF’s impingidas pela recorrente partiram de endereço de IP, pertencente a provedor que atua nas regiões Norte e CentroOeste, no caso, a Global Village Telecom (GVT). Já as DCTF’s assumidamente remetidas pela recorrente foram transmitidas todas de endereços de IP pertencentes à Telemar (Velox), que atua no Espírito Santo, onde se domicilia a recorrente. Inclusive a DCTF retificadora do 2º semestre do ano calendário de 2006 (relembrando que a DCTF retificadora do 1º semestre de 2006, que alegadamente não fora transmitida pela recorrente, partiu de endereço de IP da GVT – Global Village Telecom). Notese que todas as DCTF’s contraditadas pela recorrente partiram de um mesmo endereço de IP, 201.47.167.215, ao passo que as DCTF’s por ela assumidas partiram de endereços de IP diversos – todas pertencentes à Telemar. Estas DCTF’s foram transmitidas em horário comercial diverso, partindo de 8:25 horas até 16:10 horas. Já as DCTF’s questionadas foram transmitidas em torno das 17:40 horas de 21/12/06 e às 8:00 horas desse mesmo dia (original de 2004). Fl. 736DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 110300.497 S1C1T3 Fl. 737 9 Cada um desses dados de fato, isoladamente, não informa, a meu ver, elemento bastante para se poder falar que a recorrente não transmitira as DCTF’s indigitadas. Mas apreciadas em conjunto, parecemse indicadoras de verossimilhança do que afirma a recorrente. Vale dizer, parecemme fortes os indícios de que as DCTF’s combatidas não partiram da recorrente. No caso vertente, no que pertine aos débitos declarados nas DCTF’s originais, restará apenas a cominação de penalidades no auto de infração, caso se acolha a alegação da recorrente. Ainda quanto a esses débitos declarados, a prevalecer a arguição da recorrente, não se coloca a questão da prescrição, pois, tendo sido novamente reconhecidos como devidos os débitos declarados nas DCTF’s originais, na peça recursiva apresentada em 26/11/08 (fl. 703), dáse, nesse momento, a interrupção do prazo prescricional, na conformidade do art. 174, parágrafo único, IV, do CTN. Feitas essas considerações, nesse quadro, tem lugar a aplicação indireta do art. 112, II e III, do CTN, segundo o qual a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades se interpreta da maneira mais favorável ao acusado: em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; ou em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade. Do quanto exposto, dou provimento ao recurso, para que: dos valores de principal exigidos no auto de infração sejam deduzidos os débitos declarados nas DCTF’s originais dos 1º e 2º semestres de 2005 e do 1º semestre de 2006; sejam restabelecidas as mencionadas DCTF’s, como confissões de dívida, com o cancelamento das DCTF’s retificadoras desses períodos e das originais dos 4 trimestres de 2004. É o meu voto. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 737DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000080/2006-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO.
A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n° 6.494.
A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o
enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n° 8.212.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.021
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Também parte do lançamento já foi atingida pela fluência do prazo decadencial.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SOCIAL PROFISSIONALIZANTE Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n ° 6.494. A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n ° 8.212. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também parte do lançamento ja foi atingida pela fluência do prazo decadencial. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000080/200624 Acórdão n.º 230201.021 S2C3T2 Fl. 296 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 1999 a dezembro de 2004, conforme fls. 14 a 22. Não foram informados os menores aprendizes. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 28 a 74. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 199 a 208, mantendo a autuação em sua integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 211 a 250. Alega em síntese: a) A recorrente possui direito à imunidade tributária; b) O contrato com os menores está submetido à lei do estágio Lei 6.494 de 1977; c) Até novembro de 2002 a Espro possui 100% de estagiários; d) Não poderiam os efeitos retroagir em função do art. 146 do CTN; e) É ilegítima a cobrança da taxa Selic; f) Requerendo provimento ao recurso interposto. Contrarazões apresentadas pelo órgão previdenciário, fls. 292 a 293, sugere a manutenção do lançamento fiscal. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso é tempestivo, conforme fl. 290; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 21 de dezembro de 2006, fl. 26, pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2002, a qual findaria em 1o de janeiro de 2007. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000080/200624 Acórdão n.º 230201.021 S2C3T2 Fl. 297 5 Corroborando a forma dessa contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O fato de a recorrente possuir ou não direito à imunidade não afasta a presente autuação; pois independentemente da existência de imunidade a recorrente tem que cumprir as obrigações acessórias. Entre as obrigações acessórias encontrase a entrega da GFIP com todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto à alegação de ser indevida a Selic, litígio não se instaurou pois como já deveria ser de conhecimento da autuada não estão sendo cobrados juros Selic na presente autuação. A recorrente alega que o contrato com os menores está submetido à Lei do estágio (6.494 de 1977). Contudo, não há provas nos autos que os contratos foram realizados observando a lei específica. A contratação de estagiários tem que seguir a legislação específica, no caso a Lei n ° 6.494 de 1977. Ao não seguir os ditames legais a empresa assume o encargo do enquadramento como segurados empregados. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que não há vínculo empregatício do estagiário com a empresa. Tal vínculo existe quando a contratação ocorre de forma irregular. Não integra a remuneração a importância paga a título de bolsa ao estagiário, quando paga nos termos da Lei 6.494 de 07/12/1977, regulamentada pelo Decreto 87.497, de 1982 com as alterações introduzidas pela Lei 8.859 de 1994. A Lei n ° 6.494 permite que as sociedades contratem estagiários, alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. Os alunos devem estar frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial. A condição de estagiário pressupõe que haja compromisso entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória do estabelecimento de ensino, contratopadrão, observância de prazos de duração Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 do estágio e efetiva complementação do ensino. No presente caso a recorrente não provou a existência de tais requisitos por meio de documentação. Ao contrário do afirmado pela recorrente não se trata de aplicar efeitos retroativos pela adoção de novos critérios jurídicos. Em nenhum momento anterior a Receita Previdenciária informou à recorrente que os menores estariam enquadrados como estagiários. A irregularidade da contratação somente foi detectada na ação fiscal. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000080/200624 Acórdão n.º 230201.021 S2C3T2 Fl. 298 7 ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000080/200624 Acórdão n.º 230201.021 S2C3T2 Fl. 299 9 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. Devem ser excluídas as competências já atingidas pela fluência do prazo decadencial e a multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000927/2005-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte,
ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a
ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e
insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de
forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.773
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram
o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino
Barbieri.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 386DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 21/03/2005, relativo aos créditos de PIS não cumulativo do quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 135.490,96 (fl. 01). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2006 (fl. 168), com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 151 a 166, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 105.291,84. Foram glosados os créditos decorrentes de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME) na verdade era estabelecimento da própria interessada e dos decorrentes dos fretes sobre vendas, além de terem sido incluídos na base de cálculo os valores de ICMS transferidos a terceiros. As verificações foram realizadas pela DRF em Novo Hamburgo conforme o Relatório da Ação Fiscal de fls. 175/194 e Despacho Decisório de fl. 196. O Relatório esclarece detalhadamente todas as infrações, inclusive os pontos em que se baseou para descaracterizar a empresa PUPPIES TIME como estabelecimento independente da empresa fiscalizada. A empresa é cientificada do Despacho Decisório em 11/10/2006. A contribuinte apresenta, em 13/11/2006, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 172/300), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a inclusão na base de cálculo dos créditos de ICMS transferidos a terceiros e a glosa dos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Argumenta que a transferência do ICMS para terceiros não pode ser considerada receita tributável, mas sim receita decorrente de exportação e sobre a qual não incide o PIS. Também considera que incluir na base de cálculo os valores do ICMS transferidos a terceiros constituiria bitributação, pois tais valores já teriam sido tributados pelo fornecedor de insumos. Cita jurisprudência judicial. Já quanto à glosa relativa aos créditos dos serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME aborda todos os aspectos levantados pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e poder se creditar do PIS sobre os serviços que aquela empresa teria prestado. Observa que sendo a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada Fl. 387DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000927/200524 Acórdão n.º 320100.0773 S3C2T1 Fl. 354 3 caracterizando irregularidade. Sobre a assistência de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação e inventário de material de embalagem. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que da Ação Fiscal, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Verifica se que a empresa impetrou Ação Judicial, Mandado de Segurança com pedido de liminar, que tomou o no 2006.71.08.0169722, visando afastar da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos em remuneração à transferência para terceiros de saldo credor de ICMS, suspender a exigibilidade de lançamentos decorrentes e o ressarcimento dos valores objeto dos pedidos efetuados nos processos administrativos que menciona, inclusive do que ora se analisa. Também pretendeu a extensão dos efeitos da liminar para todos os futuros processos e o afastamento das exigências da Instrução Normativa Conjunta SRF/SRP 629/2006. A liminar foi deferida parcialmente para suspender a exigibilidade dos créditos lançados através dos autos de infração constantes dos processos administrativos arrolados, afastar as glosas dos pedidos de ressarcimento constantes dos processos que elenca, dentre os quais o presente, determinando que não fosse exigida a contribuição incidente sobre aquelas receitas decorrentes da transferência do ICMS para terceiros. Ante pedido de reconsideração da interessada foram estendidos os efeitos da liminar para afastar outras exigências para comprovação de regularidade diferentes da certidão positiva com efeitos de negativa. Ante tal ordenamento, a DRF/NHO autorizou o ressarcimento dos valores originalmente deferidos, R$ 105.291,84, mais a parcela decorrente da glosa relativa a inclusão da remuneração pela transferência de créditos do ICMS a terceiros na base de cálculo, R$ 21.374,96, totalizando R$ 126.666,80 (fls. 316 a 318). Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 08/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.277 (fls. 333/334): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Fl. 388DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 Ementa: PIS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.338), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2010 (fls. 339/349), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. O referido recurso ataca a glosa do crédito de PIS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de PIS na sistemática nãocumulativa dessas Fl. 389DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000927/200524 Acórdão n.º 320100.0773 S3C2T1 Fl. 355 5 contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de PIS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de PIS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS Fl. 390DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas Fl. 391DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000927/200524 Acórdão n.º 320100.0773 S3C2T1 Fl. 356 7 incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de PIS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da PIS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.637de 2002, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de PIS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.637 de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 392DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 8 Fl. 393DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 11516.002878/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
COMPROVAÇÃO. DIRF.
O ônus da prova da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas é da autoridade fiscal. Nos casos de lançamento calcado exclusivamente em informações prestadas em Dirf, a negativa do contribuinte aliada à retificação da Dirf, impõe o cancelamento da infração de omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.324
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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COMPROVAÇÃO. DIRF. O ônus da prova da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas é da autoridade fiscal. Nos casos de lançamento calcado exclusivamente em informações prestadas em Dirf, a negativa do contribuinte aliada à retificação da Dirf, impõe o cancelamento da infração de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 24/05/2011 Fl. 56DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.002878/200771 Acórdão n.º 210201.324 S2C1T2 Fl. 52 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSE LUIZ RAMOS TRINTA foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/04, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$ 10.479,70, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/06/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, nos seguintes valores: Centrais Elétricas Brasileiras S/A – R$ 67.547,73 e Fundação Eletrobrás de Seguridade Social Eletros – R$ 13.975,74. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, e a autoridade julgadora de primeira instância, julgou procedente em parte o lançamento, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0716.712, de 19/06/2009, fls. 26/27. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/07/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 31, o contribuinte apresentou, em 31/07/2009, recurso voluntário, fls. 32/33, trazendo as alegações a seguir transcritas: 1) Fui empregado das Centrais Elétricas Brasileiras — Eletrobrás de janeiro de 1976 a agosto de 1995, quando me aposentei, passando a receber a aposentadoria do INSS (através da Fundação Eletrobrás de Seguridade Social Eletros) em conjunto com a complementação da aposentadoria a que tenho direito como participante da Eletros, uma fundação de previdência privada fechada; 2) Ressalto serem condições para o recebimento da complementação da fundação, a aposentadoria pelo INSS e o desligamento do quadro de empregados da empresa mantenedora (no caso, a Eletrobrás); 3) Em 2007, recebi da Receita Federal uma notificação de lançamento (folha dois do processo nº 2004/609450252134030 de 18/06/07), cópia em anexo, com a acusação de que eu havia omitido, na minha declaração de renda do ano calendário de 2003 exercício de 2004, rendimentos recebidos da Eletrobrás como empregado (R$ 67.547,73) e do INSS (R$ 13.795,74); 4) Fui à Delegacia da Receita Federal aqui em Florianópolis, e ao agente fiscal que me atendeu, expliquei que, no que dizia Fl. 57DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.002878/200771 Acórdão n.º 210201.324 S2C1T2 Fl. 53 3 respeito à Eletrobrás, eu não era mais empregado dela, e iria verificar qual a causa do lançamento indevido. Foime dito por ele que bastava a Eletrobrás fazer uma declaração retificadora (feita e enviada à Receita Federal em 190709, recibo n 2 18.02.64.89.4110, cópia em anexo). Já em relação ao valor do INSS, expliquei que os participantes aposentados da Fundação Eletrobrás, por uma questão de facilidade oferecida, devido a um convênio que existe entre o INSS e a Fundação, recebem as suas aposentadorias do INSS através da Fundação, que depois é ressarcida. Mostrei a ele os comprovantes de rendimentos pagos que nos são enviados pela Fundação para que possamos fazer nossas declarações, sendo uma relativa somente à Fundação (R$ 77.428,30 — cópia em anexo) e a outra relativa somente à aposentadoria do INSS (R$ 13.795,74 — cópia em anexo), somando as duas a quantia de R$ 91.224,04, valor apresentado na DIRF da Fundação (cópia em anexo) e que eu informei na minha declaração de renda (cópias em anexo). Com isso, segundo ele, estaria tudo resolvido; 5) Como resultante da minha declaração, recolhi em 2004 o valor de R$ 633,09, que somado ao valor dos impostos retidos na fonte (R$ 14.459,92 da Fundação e R$ 244,69 do INSS, perfazem o total de R$ 15.337,20, valor do imposto devido (isto pode ser visto na cópia da minha declaração em anexo). É o Relatório. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.002878/200771 Acórdão n.º 210201.324 S2C1T2 Fl. 54 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2003, exercício 2004, o contribuinte ofereceu à tributação os seguintes rendimentos: Em Reais Fonte pagadora Rendimento IRRF Fundação Eletrobrás de Seguridade Social Eletros 77.428,30 14.459,92 Instituto Social de Seguridade Social 13.795,74 244,69 Totais 91.224,04 14.704,61 A autoridade fiscal, baseada em informações contidas em Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos, de sorte que os rendimentos tributáveis passaram a ter a seguinte composição: Em Reais Fonte pagadora Rendimento IRRF Centrais Elétricas Brasileiras S/A 67.547,73 17.423,03 Fundação Eletrobrás de Seguridade Social Eletros 91.224,04 14.704,61 Instituto Social de Seguridade Social 13.795,74 244,69 Totais 172.567,51 32.372,33 Já a autoridade julgadora de primeira instância, acolhendo a alegação do contribuinte de que teria incorrido em erro de preenchimento de sua DAA e que os rendimentos recebidos do INSS estavam contidos nos rendimentos informados pela Fundação Eletrobrás de Seguridade Social Eletros em Dirf, considerou procedente em parte o lançamento, de modo que os rendimentos tributáveis do contribuinte passaram a ter a seguinte configuração: Em Reais Fonte pagadora Rendimento IRRF Centrais Elétricas Brasileiras S/A 67.547,73 17.423,03 Fundação Eletrobrás de Seguridade Social Eletros 91.224,04 14.704,61 Totais 158.771,77 32.127,64 Fl. 59DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.002878/200771 Acórdão n.º 210201.324 S2C1T2 Fl. 55 5 Logo, verificase que a lide persiste tãosomente quanto aos rendimentos que o contribuinte teria recebido da fonte pagadora Centrais Elétricas Brasileiras S/A. No recurso, o contribuinte esclarece que não recebeu rendimentos da mencionada fonte pagadora, dado que já se encontrava na condição de aposentado no ano calendário de 2003 e que Centrais Elétricas Brasileiras S/A já havia retificado a Dirf. De fato, consta dos autos cópia de recibo de entrega de Dirf retificadora apresentada por Centrais Elétricas Brasileiras S/A em 17/07/2007, data posterior a lavratura do Auto de Infração, que se deu em 16/06/2007. Nesse ponto, vale observar que a autoridade julgadora de primeira instância baseou sua decisão em Dirf, extratos, fls. 24/25. Entretanto, no que diz respeito à fonte pagadora Centrais Elétricas Brasileiras S/A, verificase que consta do referido extrato que as informações ali contidas foram extraídas da Dirf original e que aquela informação havia sido retificada. Ora, a autoridade julgadora de primeira instância manteve o lançamento baseado nas informações prestadas na Dirf original, pois, de certo, não encontrou na Dirf retificada quaisquer informações sobre o recorrente, dado que a retificadora foi apresentada justamente para excluir da Dirf original todas as informações que diziam respeito ao recorrente. Tais constatações corroboram a informação prestada pelo contribuinte de que no anocalendário 2003 não recebeu rendimentos das Centrais Elétricas Brasileiras S/A. Vale lembrar que o ônus da prova da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas é da autoridade fiscal, sendo certo que a negativa do contribuinte aliada à retificação da Dirf, impõe o cancelamento da infração de omissão de rendimentos recebidos das Centrais Elétricas Brasileiras S/A. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 60DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000502/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
INTERESSE DE AGIR. AUSÊNCIA.
Inexiste interesse de agir, e portanto não se conhece do recurso interposto, se a declaração de compensação objeto do processo já havia sido integralmente homologada pela autoridade fazendária.
Numero da decisão: 1201-000.515
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 INTERESSE DE AGIR. AUSÊNCIA. Inexiste interesse de agir, e portanto não se conhece do recurso interposto, se a declaração de compensação objeto do processo já havia sido integralmente homologada pela autoridade fazendária.
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AUSÊNCIA. Inexiste interesse de agir, e portanto não se conhece do recurso interposto, se a declaração de compensação objeto do processo já havia sido integralmente homologada pela autoridade fazendária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 11030.000502/200601 Acórdão n.º 120100.515 S1C2T1 Fl. 5.86 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme relatado ao final do despacho decisório de fls. 298/305, a autoridade tributária: a) não admitiu, com base no art. 59 da Instrução Normativa nº 600/2005, que a declaração de compensação (DCOMP) original de fls. 2/5 fosse retificada pela de fls. 7/10, tendo em vista a inclusão de novo débito; b) reconheceu apenas parcialmente o saldo negativo de IRPJ apurado pela contribuinte em sua DIPJ/2002 (fl. 256) e utilizado na DCOMP de fls. 2/5 c) homologou integralmente a DCOMP de fls. 2/5, uma vez que o crédito acima reconhecido era suficiente à compensação dos débitos ali informados. Informou ainda a autoridade, no mesmo despacho decisório, o que se segue: a) uma vez que a contribuinte, apesar de intimada, não trouxe prova da existência de projeto aprovado nos termos do art. 9° da Lei n° 8.167/91, foram considerados como aplicação do IRPJ em incentivos fiscais (FINAM) apenas os DARFs pagos até 02/05/2001. Os DARFs pagos após essa data foram tidos como contribuição voluntária ao Fundo; b) a compensação informada pela contribuinte em DCTF, referente à estimativa do IRPJ do mês de setembro de 2002, com vencimento em outubro de 2002, não foi homologada haja vista que a partir de 01/10/2002 é exigida apresentação de DCOMP, o que não foi feito. Posteriormente à ciência do despacho decisório a interessada transmitiu nova DCOMP retificadora (fls. 306/309), com os mesmos credito e débitos informados na primeira retificadora. Essa segunda retificadora, tal qual a primeira não foi admitida, conforme despacho de fls. 333/334. Apresentada manifestação de inconformidade (fls. 337/341), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito (fls. 358/364). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 370/379) pedindo a reforma da decisão a quo, sob as seguintes alegações, em síntese: a) inexiste lei que determine que o IRPJ destinado pela empresa ao FINAM seja considerado como contribuição voluntária em caso de inobservância dos requisitos necessários à aplicação desse imposto ao Fundo; b) inexiste obrigatoriedade de apresentação de DCOMP quanto a tributos de mesma espécie, conforme prescrito na Lei nº 8.383/91. Voto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 11030.000502/200601 Acórdão n.º 120100.515 S1C2T1 Fl. 6.86 3 Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Observese inicialmente que a DCOMP de fls. 2/5 foi inteiramente homologada pela autoridade fazendária. No que toca à parcela do direito creditório não reconhecida pela autoridade fazendária, deve ela ser questionada nos processos em que indeferidas total ou parcialmente as respectivas declarações de compensação ou os pedidos de restituição. Tendo em vista todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por ausência de interesse de agir. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 06/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000485/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA LAVRATURA DO AI FORA DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA ENCAMINHAMENTO
DO AI POR AR
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS ATRIBUIR RESPONSABILIDADE A TERCEIRO IMPOSSIBILIDADE.
Para que se atribua a terceiro responsabilidade por obrigação seja acessória ou principal, deve existir previsão legal, o que não se identifica no caso em questão. Na verdade a prefeitura realizou convênio, cedendo servidores para atuarem na associação, mas todas as contratações foram realizadas diretamente pela associação, razão porque não há como incluir no polo o ente
público municipal
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.952
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de sujeição passiva; II) rejeitar a preliminar de nulidade e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA LAVRATURA DO AI FORA DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA ENCAMINHAMENTO DO AI POR AR É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ATRIBUIR RESPONSABILIDADE A TERCEIRO IMPOSSIBILIDADE. Para que se atribua a terceiro responsabilidade por obrigação seja acessória ou principal, deve existir previsão legal, o que não se identifica no caso em questão. Na verdade a prefeitura realizou convênio, cedendo servidores para atuarem na associação, mas todas as contratações foram realizadas diretamente pela associação, razão porque não há como incluir no polo o ente público municipal Recurso Voluntário Negado.
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A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA LAVRATURA DO AI FORA DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA ENCAMINHAMENTO DO AI POR AR É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ATRIBUIR RESPONSABILIDADE A TERCEIRO IMPOSSIBILIDADE. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Para que se atribua a terceiro responsabilidade por obrigação seja acessória ou principal, deve existir previsão legal, o que não se identifica no caso em questão. Na verdade a prefeitura realizou convênio, cedendo servidores para atuarem na associação, mas todas as contratações foram realizadas diretamente pela associação, razão porque não há como incluir no polo o ente público municipal Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de sujeição passiva; II) rejeitar a preliminar de nulidade e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000485/201072 Acórdão n.º 240101.952 S2C4T1 Fl. 235 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 37. 265.8571, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2006 a 12/2007, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio dos documentos apresentados durante o procedimento fiscal, sejam eles recibos de pagamentos de pessoas físicas enquanto autônomos. Segundo a fiscalização previdenciária, a associação possui convênio com a Prefeitura Municipal de São Vicente CNPJ 46.177.523/000109 através do qual recebe verba mensal para atender suas finalidades, e sua sede está localizada nas dependências do Ginásio Poliesportivo João Ramos do Nascimento "Dondinho". Ainda conforme relatório fiscal a maioria dos diretores são funcionários da Prefeitura, conforme oficio 024/2010 da Secretaria de Administração Diretoria de Recursos Humanos. Alguns outros diretores que não são do quadro de funcionários da Prefeitura, são colaboradores não remunerados. A ASSOCIAÇÃO não possui empregados. Os serviços são realizados por funcionários da Prefeitura e por prestadores de serviço pessoa física sem vínculos empregaticios (autônomos), estes são profissionais específicos para as atividades das escolinhas de modalidades esportivas. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 15/07/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 16/07/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 159 a 168. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 210 a 215. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 217 a 227. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Como sua principal atividade e auxiliar a Secretaria de , Esporte da Prefeitura Municipal 'de São Vicente, no desenvolvimento do esporte junto,. a comunidade, nada' mais' correto. do que a. própria municipalidade ,integrar o presente procedimento. Assim, •propugna pela denunciação da lide A Prefeitura Municipal de São Vicente, considerando que a sua principal atividade, consistente no auxilio a referida secretaria, justifica o interesse de participação da Edilidade. 2. A Lei no 9.711, de 20/11/1998, introduziu a obrigatoriedade da retenção, pela empresa contratante de serviços executado mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, de 11% (onze por cento) sobre o valor total dos serviços contidos em fatura ou nota fiscal Fl. 236DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 emitido pelo prestador; que o Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 05/06/1999, traz os conceitos de cessão de mãodeobra e empreitada e relaciona os serviços que se enquadram nestes conceitos. Conclui que não cabe a impugnante efetuar tal desconto. 3. O Auto de Infração foi lavrado fora da sede do sujeito passivo, prejudicando o exercício do direito a ampla defesa. Assevera que a lavratura do Auto de Infração na repartição fiscal viola a segurança jurídica e a seriedade que deve existir em tal procedimento, pois o contribuinte tem o direito de se fazer representar por contabilista e advogado. Colaciona doutrina em favor da tese apresentada, préquestionando a matéria; 4. No tocante à multa aplicada, aduz que a mesma deve apresentar relativa expressividade econômica, de modo a não estimular a inadimplência, não podendo, contudo, assumir expressividade tão elevada que implique invasão ao patrimônio do contribuinte, em caráter de desproporcionalidade. Alega violação ao direito de propriedade de efeito confiscatório da multa aplicada; colaciona julgados em favor da tese. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho, sem a apresentação de contrarazões . É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000485/201072 Acórdão n.º 240101.952 S2C4T1 Fl. 236 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 229. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA CIÊNCIA FORA DO ESTABELECIMENTO E ENCAMINHAMENTO POR AR. Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a lavratura do auto de infração nas dependência da notificada não lhe confiro razão. Não é o local da lavratura que assegura ao recorrente o direito ao exercício da ampla defesa, mas a correta fundamentação do lançamento precedido de todas as formalidades para realização do procedimento fiscal, conforme acima descrito. Não só o relatório fiscal, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição da presente NFLD. Ademais, o próprio CARF já se posicionou quando da aprovação da súmula n. 6 do CARF, aprovadas nas sessões do Pleno em 08/12/2009 e 29/11/2010 (Portaria CARF nº 49 de 01/12/2010) com os correspondentes acórdãos paradigmas, enfatizandose as súmulas vinculantes, aprovadas pela Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010, senão vejamos: Fl. 238DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora doestabelecimento do contribuinte. Ainda com relação ao encaminhamento do AI ou NFLD por via postal assim, manifestasse esse Conselho, por meio da súmula n. 9, aprovadas nas sessões do Pleno em 08/12/2009 e 29/11/2010 (Portaria CARF nº 49 de 01/12/2010) com os correspondentes acórdãos paradigmas, enfatizandose as súmulas vinculantes, aprovadas pela Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Portanto o lançamento não padece de nenhum dos vícios apontados. SUBSTITUIÇÃO E/OU PARTICIPAÇÃO DA PREFEITURA NO POLO PASSIVO. Para que se atribua a terceiro responsabilidade por obrigação seja acessória ou principal, deve existir previsão legal, o que não se identifica no caso em questão. Na verdade, a prefeitura realizou convênio, cedendo servidores para atuarem na associação, mas todas as contratações foram realizadas diretamente pela associação, razão porque não há como incluir no polo o ente público municipal. Aliás, a autoridade julgadora de primeira instância bem já afastou dito requerimento, não tendo o recorrente apresentado qualquer elemento novo, capaz de alterar a decisão notificação, senão vejamos: No tocante A denunciação da lide razão não assiste ao sujeito passivo. Com efeito, tratase de expediente de ampliação dos aspectos objetivo (pedido) e subjetivo (sujeitos) da lide, objetivando a instauração e reconhecimento da relação jurídica de direito regressivo em favor do denunciante contra o denunciado. Dessa maneira, pressuposto de direito processual civil 6 que haja entre denunciante e denunciado um direito material objetivo de regresso a ser reconhecido. No caso dos autos resta evidente não haver tal relação. A relação existente entre o contribuinte e a Prefeitura Municipal de Sao Vicente se resume A participação do chamado setor paraestatal, isto 6, entidades de natureza privada ou pública prestando atividades que, ab originere, cabem ao setor público no exercício de sua governabilidade, mas acabam sendo prestadas por entidades outras, com personalidade jurídica distinta do órgão ou ente público titular da atividade. Desta maneira, havendo distinção quanto A personalidade jurídica do contribuinte e da Prefeitura Municipal de Sao Vicente, a mera parceria existente entre ambos os sujeitos não permite a participação deste no procedimento relativo ao primeiro. Ademais, ressaltese que os expedientes de intervenção de terceiros previstos no Código de Processo Civil — CPC não se aplicam ao processo administrativo fiscal, de um lado, pelo sigilo fiscal, de outro, pela ausência de interesse jurídico na questão tributária. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000485/201072 Acórdão n.º 240101.952 S2C4T1 Fl. 237 7 DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, bem como a exorbitância da multa, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, quais sejam contribuições patronais sobre a contratação de pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais, como não houve recurso expresso aos ponto da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) § 4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.032/01) Assim, não há que se falar em retenção de 11%, posto que não se trata de contratação de empreiteira, ou disponibilização de mão de obra para a prefeitura. NO caso, conforme descrito pela autoridade fiscal, a prefeitura realizou convênio, fazendo repasse de dotação para que a empresa Associação do Pais e Amigos dos Esportistas Vicentinos, realizassem serviços relacionados a esportes junto a comunidade, mas a responsável pela contratação direta era a entidade “associação” e não o ente público municipal, razão por que não se trata de contratação na modalidade que enseja a retenção de 11%, mas o recolhimento de contribuições sobre pessoas contratadas diretamente pela associação para prestar serviços. Fl. 240DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 QUANTO AO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA A multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 241DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000485/201072 Acórdão n.º 240101.952 S2C4T1 Fl. 238 9 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Notese que a própria autoridade fiscal já ajustou a multa de acordo com a lei 11.941/09, não havendo mais o que ser feito a respeito, tendo em vista a atividade vinculada e o disposto na legislação previdenciária. Senão vejamos trecho do relatório fiscal. Em decorrência das alterações introduzidas na Lei 8212/91 pela Medida Provisória 449 de 03/12/08 (DOU de 04/12/08) convertida na Lei 11.941 de 27/05/09 (DOU de 28/05/09), que trouxeram mudanças na lavratura de autos de infração por descumprimento de obrigações previdenciarias, sendo que para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP 449/2008, a multa de mora aplicada obedeceu o principio da retroatividade benigna, conforme Código Tributário Nacional Art. 106, Inciso II, alínea "c", tendo sido comparada a multa pela legislação vigente na época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. 17. Na presente situação, ao confrontarmos as multas cabíveis até o advento da MP 449/08 (Al CFL 67, art. 32, IV e § 90, Lei 8.212/91 + multa de mora do art. 35 da mesma lei) com a multa prevista na Lei 9.430/96, art. 44, I (que passou a ser aplicada por força do art. 35A da lei 8.212/91. Fl. 242DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 incluído pelo art. 26 da Lei 11.941/2009), observouse que a "atual" apresentavase mais benéfica ao contribuinte, portanto, foi a penalidade aplicada, de acordo com o principio da retroatividade benigna. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade pelo cerceamento do direito de defesa e preliminar de alteração do sujeito passivo e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a autuação efetuada. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 243DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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