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Numero do processo: 19515.000814/2010-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 14 /2 01 0- 52 Fl. 841DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 842 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403002.198, prolatado pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 13 de agosto de 2013 (efls. 777 a 799). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO.MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. TAXA SELIC. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS, PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS.LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MULTA MAIS BENÉFICA. São devidas as Contribuições Seguridade Social à título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais e referentes ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, sobre a remuneração dos segurados empregados. Na forma do artigo 17 do Decreto 70/235/72, matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise. Conforme Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A Representação Fiscal para Fins Penais é ato administrativo vinculado e deve ser realizada quando verificada, em tese, uma das situações ensejadoras, legalmente1 previstas, cabendo ao Ministério Público a análise da ocorrência ou não de conduta tipificada na legislação penal. Indeferese o pedido de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. As provas que possuir, salvo excludentes legais expressamente previstas, devem ser apresentadas no prazo para Impugnação. Prevê o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato Fl. 842DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 843 3 gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Entretanto §1° aduz que aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. A existência de ação judicial conexa com o processo em questão não impede o julgamento pelo CARF do recurso interposto. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza, relator, na preliminar de sobrestamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 16/02/2016 (efl. 804), sua Procuradoria apresentou, em 30/03/2016 (efl. 818) Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 805 a 817), tendo sido admitido, na forma de despacho de admissibilidade de efls. 820 a 826. Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 17/05/2012, no âmbito do Acórdão no. 2401002.453, e, ainda, em relação ao decidido no Acórdão 9202 03.290, de lavra desta 2a. Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, datado de 30/06/2014, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2401002.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 844 4 PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Acórdão 920203.290 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 845 5 Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, constatada a partir de informação de análise de recolhimentos no TEAF, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62 A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991.Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991.Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido em parte. Decisão: por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para confirmar a decadência reconhecida no acórdão recorrido e aplicar a limitação de 75% à multa. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Anan Junior (suplente convocado) que negavam provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; Fl. 845DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 846 6 b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449, de 2008, atualmente convertida na Lei 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212, de 1991. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212. de 1991. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449, de 2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212, de 1991 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212, de 1991; c) Nessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal agiu corretamente ao aplicar a norma mais benéfica: ou a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Cita, ainda, a necessidade de observância da IN RFB no. 971, de 2009, modificada pela IN RFB no. 1.027, de 2010, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto às matérias, para reformar o acórdão recorrido no ponto impugnado Após a ciência da autuada em 12/07/2016 (efl. 829), esta apresenta, em 27/07/2016 (efl. 830), contrarrazões de efls. 831 a 838, onde defende a manutenção do julgado recorrido por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 847 7 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, conheço do pleito. Passo, desta forma, à análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 847DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 848 8 data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Fl. 848DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 849 9 Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 849DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 850 10 dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 850DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 851 11 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212/91, já na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso Fl. 851DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 852 12 de lavratura de Notificação de Lançamento ou Auto de Infração pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, tal como aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento simultâneo das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal, o que não se confunde, notese, com a hipótese de aplicação do novo art. 32A, que se limita a meu ver, a casos onde houver somente a falta de apresentação da GFIP no prazo fixado ou a apresentação com incorreções ou omissões, sem que se esteja a cogitar aqui de lançamento de ofício. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não Fl. 852DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 853 13 poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 854 14 Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa Fl. 854DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 855 15 regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. Não há que se falar, com base no entendimento acima, uma vez se estando diante de lançamento de ofício, em comparação segregada de multas ou da existência, aqui, de multa de natureza moratória, limitada ao percentual de 20%, nem tampouco de aplicação do novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. De se notar, por fim, a plena aplicabilidade da solução acima, indistintamente, aos lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigações principais e acessória, conforme muito bem observado pelo voto da Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, verbis: (...) Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Assim, é de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática Fl. 855DF CARF MF Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 9202006.534 CSRFT2 Fl. 856 16 estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 856DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.003241/2005-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2004
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
GANHO DE CAPITAL. DESPESAS DE INTERMEDIAÇÃO.
As despesas de intermediação, comprovadas por documentação adequada, podem reduzir a apuração do ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-005.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. GANHO DE CAPITAL. DESPESAS DE INTERMEDIAÇÃO. As despesas de intermediação, comprovadas por documentação adequada, podem reduzir a apuração do ganho de capital.
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INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. GANHO DE CAPITAL. DESPESAS DE INTERMEDIAÇÃO. As despesas de intermediação, comprovadas por documentação adequada, podem reduzir a apuração do ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 32 41 /2 00 5- 05 Fl. 111DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.003241/200505 Acórdão n.º 2401005.230 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 5/11, acompanhado do demonstrativo de fl. 4 e do Relatório Fiscal de fls. 13/14, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física dos anoscalendário 2001, 2002 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 12.651,81, composto da seguinte forma: R$ 6.356,45 relativo ao Imposto; R$ 1.528,03 de Juros de mora (calculados até 31/03/2005); e R$ 4.767,33 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 6), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, cujos fatos geradores estão ocorreram em 30/11/2001, 31/01/2002 e 30/06/2004. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 13/14), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “Conforme contrato particular de folhas 15 a 18, a Senhora Neusa Mello Francez, casada no regime de comunhão de bens com Luiz Alberto de Oliveira Francez, adquiriu o ap. 306 e o box 07 do Ed. Mani, em Capão da Canoa, em 01/08/2001. De acordo com o contrato de folhas 19 a 20, o ap. 306 e o box 07 do Ed. Mani foram vendidos para Maria Rocha Matte, em 18/11/2001, por R$ 57.000,00. Como parte do pagamento do preço, houve a dação do ap. 303 do Ed. Rodielis, por R$ 31.000,00. No mesmo documento consta que seria paga a comissão pela intermediação do negócio, no montante de R$ 2.280,00. Logo, o valor recebido pela venda foi de R$ 54.720,00. Sendo assim, verificase um ganho de capital de R$ 8.220,00, apurado na data da venda, em novembro de 2001. Conforme contrato particular de folhas 21 a 23, o senhor Luiz Alberto de Oliveira Francez, juntamente com sua esposa Neusa Mello Francez, adquiriram o ap. 506 e box 13 do Ed. Doral, em Capão da Canoa, em 05/01/2002, por R$ 65.000,00. Como parte do pagamento, deu o ap. 303 do Ed. Rodielis, por R$ 35.000,00. Uma vez que o ap. 303 do Ed. Rodielis havia sido recebido por dação em pagamento pelo valor de R$ 31.000,00, verificase um ganho de capital de R$ 4.000,00, em janeiro de 2002. Conforme escritura pública de folhas 27 a 29, o senhor Luiz Alberto de Oliveira Francez, juntamente com sua esposa Neusa Mello Francez, Fl. 113DF CARF MF 4 venderam o ap. 502 e box no Ed. situado na Av. Ary Parreiras, nº 320, Rio de Janeiro, em 28/06/2004, por R$ 137.000,00, pagos à vista. Pela declaração de bens constante na DIRPF/2004 (folhas 39 a 40), os imóveis vendidos possuíam um custo de aquisição, atualizado até 31/12/2004, de R$ 93.919,47, e teria sido adquirido em 1983. O ganho de capital apurado foi de R$ 43.080,53. Conforme art. 139 do Regulamento do Imposto de Renda, cabe uma redução de 30% do ganho de capital, resultando em um ganho líquido tributável de R$ 30.156,37, no mês de junho de 2004. Conforme declaração de bens de folhas 31 a 32, 34 a 35 e 39 a 40, nas datas das alienações, o senhor Luiz possuía outros imóveis, não se aplicando a isenção prevista no artigo 122 do Decreto 3000/99 – Regulamento do Imposto de Renda 1999. Tendo em vista a apuração do ganho de capital e a falta de recolhimento do imposto incidente (folha 41), foi efetuado o lançamento do mesmo por auto de infração, juntamente com os acréscimos moratórios e a multa de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96.” Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 50/58), alegando, resumidamente, o que segue: (i) Os fatos geradores do crédito tributário apurado na ação fiscal tiveram origem em (suposta) omissão no acréscimo de capital oriundo de alienação de bens imóveis. Foram os seguintes, fatos geradores: a) em novembro de 2001: ganho de capital de R$ 8.200,00; b) em janeiro de 2002: ganho de capital de R$ 4.000,00; c) em junho de 2004: ganho de capital de R$ 30.156,37. A presente impugnação limitase aos fatos geradores constantes nas alíneas “b” e “c”, supra, conforme argumentos que o contribuinte passará a expor. Pois, quanto ao fato gerador da alínea “a”, embora também tenha havido despesa com intermediação imobiliária, não foi possível encontrar o respectivo recibo. (ii) Conforme relatório da ação fiscal, o que é comprovado pelo contrato de compra e venda acostado às folhas 2123, o contribuinte adquiriu o apartamento de número 506, juntamente com o respectivo Box de garagem , do Edifício Doral, na cidade de Capão da Canoa, por R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais), o qual ainda é de sua propriedade. Nesse negócio jurídico o contribuinte deu em pagamento o apartamento 303, do Edifício Rodielis, pelo valor de R$ 35.000, 00 (trinta e cinco mil reais). Este imóvel havia sido recebido pelo contribuinte em anterior transação imobiliária, pelo preço de R$ 31.000,00 (trinta e um mil reais). Eis a origem do suposto fato gerador: o acréscimo patrimonial de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), decorrentes da diferença de valor do imóvel, à maior, nos negócios jurídicos acima mencionados. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.003241/200505 Acórdão n.º 2401005.230 S2C4T1 Fl. 4 5 Insistese em referir "suposto" fato gerador, em virtude de tal diferença não corresponder com a realidade. Isso, porque nessa transação imobiliária embora não constante no contrato particular de compra e venda de fls. 2123 , houve o pagamento de comissão de corretagem no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), conforme se infere pelo recibo que ora é acostado aos autos. Dessa forma, o fato gerador do crédito tributário em referência é reduzido para R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), implicando, por conseqüência, redução tanto do imposto devido, quanto da multa incidente sobre o mesmo. No entanto, além da referida comissão de intermediação de venda, o contribuinte foi onerado com despesas de transmissão e registro do apartamento 506 e Box 13, do Edifício Doral, de Capão da Canoa. Despesas essas que somam a importância de R$ 1.569,40 (mil quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta centavos), comprovadas pelos recibos de pagamento que acompanham a presente. Portanto, a real base de cálculo para apuração do imposto devido , deduzidas a comissão de corretagem e as despesas alhures, importa em R$ 930,60 (novecentos e trinta reais e sessenta centavos). O imposto devido, dessa forma, somará a importância de R$ 139,59 (cento e trinta e nove reais e cinqüenta e nove centavos). E a multa, por sua vez, será reduzida para R$ 104,69 (cento e quatro reais e sessenta e nove centavos). O que totaliza um crédito tributário no valor nominal de R$ 244,28 (duzentos e quarenta e quatro reais e vinte e oito centavos). (iii) No que tange ao imóvel e Box descritos na escritura pública de fls. 2729 e situados na Avenida Ary Parreiras, número 320, Bairro Icaraí, na cidade Niterói, Estado do Rio de Janeiro, houve equívoco dos agentes na apuração do ganho patrimonial em virtude da errônea atribuição do custo de aquisição do referido imóvel. No relatório da ação fiscal fora consignado que o valor de R$ 93.919,47 (noventa e três mil, novecentos e dezenove reais e quarenta e sete centavos) representava o custo de aquisição do imóvel, "atualizado até 31/12/2004. O ganho patrimonial líquido tributável de R$ 30.156,37 (trinta mil, cento e cinqüenta e seis reais e trinta e sete centavos), apurado na ação fiscal, teria origem no fato de o contribuinte ter alienado referido imóvel pelo valor de R$ 137.000,00 (cento e trinta e sete mil reais). Acontece que o custo de aquisição do imóvel não está atualizado até a data informada no relatório da ação fiscal! Tal valor (R$ 93.919,47) teve sua última atualização no anocalendário de 1997, conforme faz prova a declaração de renda do exercício de 1998, ora acostada aos autos. O valor de R$ 137.000,00 (cento e trinta e sete mil reais), recebido pelo contribuinte na alienação do imóvel em referência, outra coisa não representa senão a o valor atual do imóvel na data da venda (28/06/2004)! Fl. 115DF CARF MF 6 Assim, inexiste fato gerador pela ausência de acréscimo patrimonial! Ademais, referida transação também houve a incidência de despesa com intermediação imobiliária, a qual, conforme faz prova o recibo em anexo, importou em R$ 6.850.00 (seis mil oitocentos e cinqüenta reais). Se este órgão reconhecer atualização do imóvel em valor inferior ao produto da alienação o que se admite apenas a título argumentativo , ainda assim é de ser aplicado o redutor de 30%, previsto no artigo 139, do Regulamento do Imposto de Renda, posto que a suposta situação fática amoldase na descrição hipotética da norma em comento (imóvel adquirido até 31 de dezembro de 1988). (iv) Por fim, discorre acerca da possibilidade de redução da multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1024.556 da 4ª Turma da DRJ/POA, às fls. 84/86, julgando parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2004 GANHO DE CAPITAL. DESPESAS DE INTERMEDIAÇÃO. As despesas de intermediação, comprovadas por documentação adequada, podem reduzir a apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Não há previsão legal para correção do custo de aquisição, após 1995, conforme art. 128, par. 9º, do RIR/1999. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 01/06/2010, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 92. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 93/102), reprisando os mesmos argumentos lançados em sua peça de Impugnação. Ao final, destaca que os seus argumentos foram ignorados pelo acórdão recorrido, que se limitou a debruçarse em relação à questão do acréscimo decorrente do ganho de capital, e, argumenta, que se deve combater todos os argumentos lançados, a fim de que tenha o recorrente noção exata do que se está a cobrar. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.003241/200505 Acórdão n.º 2401005.230 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 01/06/2010 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 92, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 25/06/2010, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Conforme relatado, o Recorrente, em seu Recurso Voluntário (fls. 93/102), limitase a repetir os mesmos argumentos já lançados em sua peça de Impugnação (fls. 50/58). No entanto, ao final da peça recursal, argumenta que os “argumentos foram solenemente ignorados pelo acórdão recorrido, que se limitou em debruçarse em relação à questão do acréscimo decorrente do ganho de capital. É de se dar relevância E DE SE COMBATER FRONTALMENTE TODOS OS ARGUMENTOS AQUI LANÇADOS, a fim de que tenha o recorrente noção exata do que se está a cobrar”. Contudo, razão não lhe assiste. É que a decisão recorrida enfrentou o tema em debate e concluiu que, no caso em tela, os valores com intermediação das operações de venda dos imóveis, comprovados nos autos, devem ser decotados do ganho de capital apurado, com redução proporcional da multa e dos acréscimos legais para o ganho de capital apurado. Quanto ao ganho de capital do ano de 2004, referente à alienação do imóvel e Box descritos na escritura pública de fls. 2729 e situados na Avenida Ary Parreiras, número 320, Bairro Icaraí, na cidade Niterói, Estado do Rio de Janeiro, a Turma julgadora a quo entendeu que não há previsão legal para correção do custo de aquisição, após 1995, conforme art. 128, parágrafo. 9º, do RIR/1999, bem como foi corretamente aplicada a redução do ganho de capital referente à aquisição feita em 1983. A propósito, confirase o teor do julgado: “Examinando a documentação existente no presente processo, e as razões apresentadas pelo contribuinte, verificamos que em relação às três alienações objeto da apuração de ganho de capital, lançada por auto de infração, o contribuinte não se opõe a de novembro de 2001. Para o ganho de capital de janeiro de 2002, foi apresentado recibo de R$ 1.500,00, e para junho de 2004, R$ 6.850,00, referente à Fl. 117DF CARF MF 8 intermediação das operações de venda. Tais valores devem ser descontados na apuração, com redução proporcional de multa e acréscimos legais. Na apuração do ganho de capital de junho de 2004 o contribuinte sustenta a correção do custo de aquisição do imóvel, pois argumenta que informava em suas declarações o mesmo valor de 1997. Não há previsão legal para correção do custo de aquisição, após 1995, conforme art. 128, par. 9º, do RIR/1999, reproduzido a seguir: § 9º Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data (Lei n° 9.249, de 1995, arts. 17 e 30). Observese que foi corretamente aplicada a redução do ganho de capital referente à aquisição feita em 1983. O percentual de redução de 30% foi aplicado, conforme verificase no Relatório Fiscal, fl. 12. As despesas de transmissão e registro do imóvel adquirido reduzem o ganho de capital desse imóvel (ap. 506 e Box do Ed. Doral) ao integrarem o seu custo de aquisição, não reduzindo apuração do ganho de capital do imóvel que foi incluído na transação imobiliária (ap. 303 do Ed. Rodielis). Em relação às considerações sobre a redução da multa observamos que o julgamento administrativo não tem competência para avaliar a constitucionalidade das leis. Diante do que foi exposto, voto no sentido de julgar a impugnação procedente em parte, cancelando o imposto sobre ganho de capital em R$ 1.252,50, conforme tabela acima, nesse voto.” Verificase, portanto, que a lide foi solvida nos limites necessários e com a devida fundamentação, coerência e clareza, ainda que sob ótica diversa daquela almejada pelo Recorrente. Ademais, não custa lembrar que, mesmo consoante o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o julgador administrativo não está obrigado a rebater cada questão levantada pelo contribuinte quando a fundamentação delineada seja suficiente para embasar a decisão. Isso porque, se a fundamentação embasa a decisão, obviamente o julgador apreciou as demais teses e delas discordou. Recordese: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.003241/200505 Acórdão n.º 2401005.230 S2C4T1 Fl. 6 9 O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2201002.671, Relator. Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, Data da Sessão 11/02/2015) Portanto, o Recorrente pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à alegada nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Desta forma, não há quaisquer fundamentos para se reformar a decisão de primeiro grau, merecendo ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001677/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2006
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO À ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF.
A ausência de uma condição essencial para caracterização do crédito rural a qualidade de instituição financeira por parte do mutuante impede o enquadramento dos mútuos realizados a empresas que atuam no ramos agropecuário no conceito legal de crédito rural, não fazendo jus, portanto, á redução de alíquota pretendida.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente) atuou em substituição ao Conselheiro Renato Vieira de Ávila (Suplente), ausente ocasionalmente.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO À ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF. A ausência de uma condição essencial para caracterização do crédito rural a qualidade de instituição financeira por parte do mutuante impede o enquadramento dos mútuos realizados a empresas que atuam no ramos agropecuário no conceito legal de crédito rural, não fazendo jus, portanto, á redução de alíquota pretendida. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 16 77 /2 00 9- 33 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 12898.001677/200933 Acórdão n.º 3401004.337 S3C4T1 Fl. 299 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente) atuou em substituição ao Conselheiro Renato Vieira de Ávila (Suplente), ausente ocasionalmente. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: "Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 99/106) lavrado em virtude de ausência de recolhimento de IOF sobre as operações de Crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre a empresa fiscalizada, coligadas e pessoa física, no ano de 2006, de acordo com as Planilhas de Apuração do IOF” e Termo de Constatação anexos. A interessada foi cientificada em 29/09/2009 (fl. 112) e apresentou impugnação (fl. 115/126) em 29/10/2009 alegando em síntese: nulidade do auto de infração, uma vez que o autuante aponta como disposição legal infringida o disposto nos artigos 7º do Decreto nº 4.494/2002 que foi revogado pelo Decreto nº 6.306/2007. Assim o lançamento foi embasado em norma retirada do mundo jurídico. que os mútuos entre a impugnante e a sub holding da área de agronegócios – MPE – Participações em Agronegócios S/A tinha, em geral, objetivo de investimento, custeio, comercialização e ou garantia à exportação e de acordo com o artigo 8º do Decreto nº 6.306/2007 a alíquota, neste caso, será reduzida a zero. a multa de ofício é excessiva e desproporcional, tem efeito confiscatório, sendo portanto, inconstitucional. É o relatório." (grifei) Fl. 299DF CARF MF Processo nº 12898.001677/200933 Acórdão n.º 3401004.337 S3C4T1 Fl. 300 3 A decisão de primeira instância, proferida em 07/12/2011 (fls. 153/157), foi pela improcedência da impugnação e manutenção integral do crédito constituído, segundo ementa, abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. AUSÊNCIA DE PROVAS Nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a impugnação deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância, em 27/06/2013 (AR à fl. 167), apresentou, em 29/07/2013, recurso voluntário (fls. 169/182), alegando: (1) Do contrato de contacorrente do Grupo MPE e a não incidência de IOF: que a partir das características reais do instrumento contratual e das funções desenvolvidas pela holding, deve ser afastada a incidência do IOF, pois, é uma holding de instituições não financeiras, no segmento de serviços e engenharia, possuindo como um de seus objetivos centralizar a administração das sociedades do Grupo, bem como suas transações, operações de créditos e obrigações, ou seja, uma holding de engenharia e serviços que administra o "caixa" do Grupo MPE, tendo firmado o contrato em análise para fins da atividade de gestão de recursos, própria de holdings, portanto, não havendo incidência de IOF, porquanto, o contrato é caracterizado como contrato de contacorrente e não contrato de mútuo, a despeito dessa denominação constar equivocadamente no instrumento contratual, clamando pela aplicação do precedente no Acórdão nº 3101001.094, de 25/04/2012 (Processo nº 11080.01570/200800) e o conseqüente afastamento da aplicação do Ato Declaratório SRF nº 7/99, que equipara os contratos de mútuo e os contratos de contacorrente; (2) Da classificação das operações como meros ajustes contábeis afastando a incidência de IOF: que as operações tratadas no Auto de Infração são meros ajustes contábeis do Grupo MPE, com o fim de desonerar os Balanços Patrimoniais das coligadas, não havendo entrega de quaisquer valores que constitua o critério material da obrigação tributária, sendo equivocados os lançamentos contábeis efetuados, não havendo configuração do fato gerador do IOF, por conta de registros contábeis errados e erros contratuais, incapazes de dar causa à uma obrigação tributária, tratandose a operação de erro formal e contábil, afastada de plano a incidência do IOF pelo art. 64, do Decreto nº 6.306/2007; (3) Da destinação dos recursos e a conseqüente redução da alíquota a ZERO: que as operações financeiras de crédito entre as empresas do Grupo MPE, em regra, entre as empresas de engenharia e de agronegócio, destinaramse à investimentos, compras de insumos ou fomento da comercialização e Fl. 300DF CARF MF Processo nº 12898.001677/200933 Acórdão n.º 3401004.337 S3C4T1 Fl. 301 4 exportação de seus produtos, portanto, sujeitas à alíquota zero, nos termos do artigo 8º, incisos III (crédito exportação) e IV (crédito rural), do Decreto nº 6.306/2007, colocando à disposição da administração pública, na sede de sua empresa, volumosa documentação, para que seja sanada, por meio de diligência fiscal, qualquer dúvida existente a respeito de eventuais mútuos; (4) Da desproporcionalidade e irrazoabllidade na aplicação das multas: por fim, acerca da multa aplicada (75%), alega ser excessiva e claramente possuir efeito confiscatório, por isso, inconstitucional, recorrendo pela redução das multas, por conta de seus valores excessivos, em obediência aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida (1) Do contrato de contacorrente do Grupo MPE e a não incidência de IOF Nesse ponto, pela perfeita adequação do presente caso ao precedente no PAF nº 16682.720582/201202, sobre fatos absolutamente semelhantes, envolvendo o mesmo contribuinte e períodos de apurações imediatamente posteriores (2007 e 2008), adoto como minhas as razões de decidir no recurso voluntário do Acórdão nº 3403003.415, de 13/11/2014, in verbis: "No mérito, verificase que entre a impugnação e o recurso voluntário, a defesa guinou da posição de admitir a existência dos mútuos para a posição de negálos. Em sede de recurso a defesa alegou que os mútuos não são mútuos, mas sim "contratos de contacorrente". Com isso pretende que se dê ao caso concreto o mesmo tratamento dado pelo Acórdão 3101001.094. Entretanto, a situação fática e jurídica deste processo é totalmente diferente daquela sopesada pelo Acórdão 3101001.094. Isto porque no caso concreto a fiscalização "não escolheu" o tipo de contrato representado pelos saldos das contas contábeis e nem sequer invocou o Ato Declaratório SRF nº 07/1999 para "equiparar " contratos de contacorrente a contratos de mútuo. Aqui neste processo, a fiscalização provou que os contratos são de mútuo na modalidade de crédito rotativo, inclusive com a juntada de [cinco] contratos entregues pela empresa nos quais se constata essa operação e que a defesa, em sede de recurso, pede que sejam desconsiderados. E o fato de os mútuos não possuírem caráter oneroso, não os desnatura como contratos de mútuo, a teor do art. 591 do Código Civil. Além de não trazer nenhuma prova aos autos da alegação de que os contratos de mútuo não são de mútuo, mas sim de "contacorrente", a defesa pede ao colegiado que desconsidere as provas trazidas aos autos pela fiscalização, o que não tem nenhum cabimento. (...) Fl. 301DF CARF MF Processo nº 12898.001677/200933 Acórdão n.º 3401004.337 S3C4T1 Fl. 302 5 Reforça a conclusão de que no caso concreto não se tratam de "contratos de conta corrente", o fato da empresa não ter alegado esse fato nem durante o procedimento fiscal e nem na impugnação. Nesse passo, seria incontroverso nos autos a natureza de contratos de mútuo na modalidade crédito rotativo, pois a alegação não provada de que seriam "contratos de contacorrente" só apareceu em sede de recurso voluntário. O conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização, as manifestações da empresa no curso da ação fiscal e os termos da impugnação ao lançamento, produzem a certeza de que realmente foram celebrados contratos de mútuo, na modalidade de crédito rotativo, e não contratos de "contacorrente" como foi alegado no recurso. Portanto, deve ser rejeitada a alegação recursal, mesmo porque a recorrente não se desincumbiu do ônus da prova dos fatos alegados (art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72)." (2) Da classificação das operações como meros ajustes contábeis afastando a incidência de IOF No mérito, também nesse ponto, reiterase que, entre a impugnação e o recurso voluntário, a defesa guinou da posição de admitir a existência dos mútuos para a posição de negálos, inclusive, alegando que foi um erro o contrato celebrado entre as diversas empresas do Grupo MPE e que foram equívocos os lançamentos contábeis efetuados, pois, meros ajustes contábeis, não havendo entrega de quaisquer valores que constitua o critério material da obrigação tributária. Assim como no tópico anterior, recorre trazendo novos fatos e direito, não alegados, durante o procedimento fiscal ou na impugnação, só aparecendo em sede de recurso voluntário, assim, atraindo para si o ônus da prova em relação a tais fatos, impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor da acusação fiscal, a respeito de erros nos contratos e nos lançamentos, além de ausência de entrega de quaisquer valores, caracterizando toda a operação como um erro formal e contábil, que afastaria a incidência do IOF, nos termos do art. 64, do Decreto nº 6.306/2007. Acontece, que o conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização, as manifestações da empresa no curso da ação fiscal e os termos da impugnação ao lançamento, contrariam estas alegações, portanto, devendo também ser rejeitada, mesmo porque, a recorrente, novamente, não se desincumbiu do ônus da prova dos fatos alegados (art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72). (3) Da destinação dos recursos e a conseqüente redução da alíquota a ZERO Nesse outro ponto, também, sobre pessoas, fatos e direito semelhantes, envolvendo o mesmo Acórdão nº 3403003.415, de 13/11/2014, cujas razões de decidir adoto, in verbis: "Relativamente à questão da alíquota zero, o art. 13 da Lei nº 9.779/99 estabelece o seguinte, in verbis: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 12898.001677/200933 Acórdão n.º 3401004.337 S3C4T1 Fl. 303 6 Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Com base nesse dispositivo legal, entende a recorrente que tem direito à alíquota zero de IOF sobre os mútuos que celebrou com as empresas que se dedicam ao ramo do agronegócio, pois o art. 8º, III e IV, do Decreto nº 6.306/2007 reduziu a zero a alíquota do IOF quando o crédito é destinado ao amparo à exportação ou produção, bem como quando se trate de crédito rural, destinado a investimento, custeio e comercialização. Entretanto, a alegação do contribuinte não prospera porque o art. 13 da Lei nº 9.779/99 não equiparou as demais pessoas jurídicas a instituições financeiras. O art. 13 apenas estabeleceu que as demais pessoas jurídicas se sujeitam ao IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às instituições financeiras. Sendo assim, o "crédito rural" mencionado no art. 8º, IV, do Decreto nº 6.306/2007, se constitui em uma modalidade específica de crédito que se encontra regulada pela Lei nº 4.829/65. O art. 2º da referida lei estabelece o seguinte: Art. 2º Considerase crédito rural o suprimento de recursos financeiros por entidades públicas e estabelecimentos de crédito particulares a produtores rurais ou a suas cooperativas para aplicação exclusiva em atividades que se enquadrem nos objetivos indicados na legislação em vigor. (Grifei) Já o art. 2º, § 1º do regulamento anexo ao Decreto nº 58.380/66, estabeleceu com todas as letras que "crédito rural" é aquele concedido por instituições financeiras, in verbis: Art 2º Considerase crédito rural o suprimento de recursos financeiros a produtores rurais ou a suas cooperativas para aplicação exclusiva em atividades que se enquadrem nos objetivos indicados neste regulamento, nos têrmos da legislação em vigor. § 1º O suprimento de recursos a que alude este artigo será feito por instituições financeiras, assim consideradas as pessoas jurídicas públicas, privadas ou de economia mista que tenham como atividades principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. (Grifei) Sendo assim, os empréstimos concedidos pela recorrente às empresas que atuam no agronegócio não podem ser enquadrados como crédito rural, pois a recorrente não é instituição financeira e nem foi equiparada a instituição financeira pelo art. 13 da Lei nº 9.779/99. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 12898.001677/200933 Acórdão n.º 3401004.337 S3C4T1 Fl. 304 7 Por outro lado, também não se pode cogitar de reconhecer a alíquota zero sobre essas operações com base no art. 8º, III, do Decreto nº 6.306/2007, porque a defesa não se desincumbiu do ônus de provar que os empréstimos se destinaram a estimular a produção e a exportação." (4) Da desproporcionalidade e irrazoabllidade na aplicação das multas Sob o ponto de vista da legalidade, o argumento de que o percentual (75%) da multa seria excessivo, não merece acolhida, pois, lançada de acordo com o art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/96. Já quanto a alegação, respaldada em excertos doutrinários e de jurisprudência administrativa, de que o percentual da multa aplicada seria desproporcional e irrazoável, inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório, em ofensa ao inc. IV, do art. 150, da CF/88, resta aplicar ao caso a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.", restando vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar a Lei nº 9.430/96, sob fundamento de inconstitucionalidade, também, nos termos do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Assim, ratificando a decisão recorrida, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário, interposto pelo sujeito passivo, mantendo integralmente a decisão de primeira instância. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.913312/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.006
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 12 /2 01 1- 35 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 61 PIS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.294, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.913312/201135 Acórdão n.º 3402005.006 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002995/2004-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/05/1999 a 31/12/2003
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3302-005.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/05/1999 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. José Renato Pereira de Deus - Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.002995/200442 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.309 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO IPI Recorrente COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE CAL TANCAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/05/1999 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 29 95 /2 00 4- 42 Fl. 201DF CARF MF 2 Relatório Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao período de apuração de 10/05/1999 a 31/12/2003. A princípio o período de apuração teve como marco inicial a data de 01/01/1994, período sobre o qual considerouse a existência da decadência do direito do contribuinte se beneficiar do suposto crédito. Entretanto, a contribuinte recorrente em sua manifestação de inconformidade e, posteriormente, em seu recurso voluntário, não contestou expressamente a decisão que reconheceu a decadência, tornando, desta feita, a matéria preclusa, motivo pela qual não se toma conhecimento neste voto. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 121 a 141), apresentada em 09 de maio de 2013, contra despacho decisório da DRF/Curitiba de 11 de abril de 2013 (efls. 114 a 119), cientificado em 11 de abril de 013 (efl. 120) e que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos de IPI da Interessada (efl. 4), de 10 de maio de 2004, relativamente aos períodos de janeiro de 1994 a dezembro de 2003. A Interessada, no mandado de segurança n. 5050983 95.2012.404.7000/PR, obteve sentença favorável (efls. 81 a 85) para que o Delegado da Receita Federal em Curitiba apreciasse o pedido no prazo de trinta dias, promovendo “a atualização monetária do crédito eventualmente reconhecido com a aplicação da Selic desde a data do requerimento administrativo, em 10/05/2004, até a data em que autorizado o ressarcimento”. A União apelou contra a incidência da Selic, mas o Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu pela manutenção1: TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ANÁLISE E DECISÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. TERMO A QUO. 1. No tocante à atualização de créditos escriturais, a jurisprudência do STJ consagrouse no sentido de que não incide correção monetária sobre os créditos escriturais, salvo se o creditamento foi ilegitimamente impossibilitado pelo Fisco. Súmula nº 411 do STJ: ‘É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco’. 2. No REsp 1.138.206, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, o STJ assentou que o art. 24 da Lei nº 11.457/07, que trata sobre a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativo no prazo de 360 dias a partir do protocolo administrativo, ostenta natureza processual fiscal e deve ser aplicado de imediato aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes, sendo inadmissível que a Administração Pública postergue a solução dos processos administrativos. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10980.002995/200442 Acórdão n.º 3302005.309 S3C3T2 Fl. 3 3 3. Quanto aos pedidos administrativos já solucionados antes da vigência do art. 24 da Lei nº 11.457/2007, aplicase o prazo de 150 dias (120+30), contado da data do protocolo do pedido, para configurar a mora da administração. 4. Transcorrido o prazo estabelecido para o Fisco responder o pedido administrativo 360 dias ou 150 dias (conforme o caso) , a correção monetária é devida a partir da data do protocolo do pedido administrativo. 5. As questões concernentes ao cômputo da correção monetária foram discutidas na sessão, da 1ª Seção, do dia 01.09.2013, na AC 500252576.2010.404.7110/RS. 6. Aplicase a taxa SELIC a título de correção monetária. Nesse contexto, foi apreciado o pedido pelo mencionado despacho decisório, que resumiu o pedido da seguinte forma: 1. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, formalizado em 10/05/2004, por meio do formulário de fl. 01 , no valor de R$ 518.007,03 (quinhentos e dezoito mil, sete reais e três centavos), referente ao saldo credor de IPI apurado pela empresa, decorrente da aquisição de insumos utilizados para embalagem e fabricação de cal hidratada, cal virgem comum, cal fino e cal pintura, classificadas na TIPI (Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados) como "Não Tributada NT" no período compreendido entre os anos de 1994 a 2003, além de atualização monetária dos créditos, calculada com base em "valores em conformidade com o parecer AGU 01/96". Cabe aqui assinalar que a análise do direito creditório pleiteado no presente processo vem atender à ordem judicial exarada nos autos de Mandado de Segurança ns 5050983 95.2012.404.70000/PR de V a r a Federal de Curitiba, conforme cópia acostada às fls. 77/81. 2. Para instruir o presente processo, além do Pedido de Ressarcimento de fl. 01, o contribuinte anexou os seguintes documentos: a) Requerimento assinado por procurador da empresa com esclarecimentos adicionais e fundamentos jurídicos de seu pleito (fls. 02); b) Procuração lavrada em 23/01/2004 (fls.03); c) Cópia da Quinta Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social da empresa (fls. 04 a 06); d) Planilha de Atualização das Parcelas de Crédito de IPI até 31/12/2004 (fls 07 e 08); e) Levantamento de insumos, materiais intermediários e embalagens relativos ao IPI, com cálculos unitários do tributo em Notas Fiscais por decêndios desde Janeiro/1994 a Dezembro 2003 (fls. 11 a 67); 3. Em atendimento a nossa Intimação n° 06/2013 e para complementar a instrução processual, fiz juntar ao presente processo às fls. 84 a 108, explicações do contribuinte relativas ao processo produtivo, à imunidade conferida aos minerais em geral, Fl. 203DF CARF MF 4 aos insumos envolvidos, aos produtos industrializados pela requerente, a não escrituração e apresentação do Livro Registro e Apuração do IPI RAIPI e anexando a Décima Alteração e Consolidação do Contrato Social, Descrição das Etapas do processo produtivo confeccionada por Engenheiro Químico e cópia de Sentença em Mandado de Segurança n° 5019686 70.2012.404.7000/PR de três impetrantes do mesmo ramo de atividade. O despacho decisório teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI. Período de Apuração: Janeiro/1994 a Dezembro/2003. Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. O prazo decadência qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme a legislação tributária. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999. (Artigo 4o da IN/SRF n° 33, de 1994) Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT) . (Artigo 2° § 3° da IN/SRF n° 33, de 1994) É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de Ressarcimento Indeferido. Na manifestação de inconformidade, a Interessada esclareceu inicialmente o seguinte: A Contribuinte, ora Impugnante, realiza a industrialização e comércio dos seguintes produtos, classificados nas respectivas posições na tabela TIPI: a) cal hidratada, descrita na TIPI como "cal apagada", classificada na posição 2522.20.00; b) cal virgem comum, descrita na TIPI como "cal viva", classificada na posição 2522.10.00; c) cal fino, descrita na TIPI como "cal viva", classificada na posição 2522.10.00; d) cal pintura, descrita na TIPI como "cal viva", classificada na posição 2555.10.00. Ou seja, como especificado pela própria TIPI, os produtos industrializados pela Impugnante são minerais, e sobre minerais, conforme dispõe a Constituição Federal de 1988, somente foi/é permitido a incidência do ICMS, do II e do IE (§ 3º , do art. 155, da CF/88). Sendo assim, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI não pode incidir sobre os mesmos (minerais), salientese, face à imunidade concedida pelo Poder Constituinte (e não a não tributação). Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10980.002995/200442 Acórdão n.º 3302005.309 S3C3T2 Fl. 4 5 A seguir, defendeu seu direito de crédito, alegando que os produtos fabricados seriam imunes e que, o fato de serem classificados na Tabela de Incidência do imposto como “NT” não significaria que não seriam produtos industrializados, pois somente os produtos “in natura” classificados como “NT” é que seriam não industrializados. Acrescentou que a IN SRF n° 33, de 1999, art. 4º, esclareceu que os produtos imunes também seriam passíveis de ressarcimento, nos termos do art. 11 da Lei n. 9.779, de 1999. Alegou que a Receita Federal teria deferido pedido seu semelhante efetuado por meio da PER/DCOMP n. 08139.02761.171109.1.1.011598. A seguir, passou a tratar do processo de industrialização de seus produtos, esclarecendo como ocorreria os processos de extração, transporte e britagem, calcinação, moagem, ensacamento de cal virgem e produção de cal hidratada. Tratou do direito de manter e utilizar os créditos, repetindo algumas alegações anteriormente expostas e citando parte de voto proferido na Apelação Cível n. 2005.70.00.0059444/PR, e requereu a incidência de correção monetária. Por fim, citou ementas de soluções de consulta da Receita Federal e de acórdãos do antigo 2º Conselho de Contribuintes e do Carf. (..)". O Acórdão 1446.981, da 8ª Turma da DRJ/RPO, Sessão de 26 de novembro de 2013, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 205DF CARF MF 6 Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Como dito anteriormente, a princípio o período de apuração teve como marco inicial a data de 01/01/1994, período sobre o qual considerouse a existência da decadência do direito do contribuinte se beneficiar do suposto crédito. Entretanto, a contribuinte recorrente em sua manifestação de inconformidade e, posteriormente, em seu recurso voluntário, não contestou expressamente a decisão que reconheceu a decadência, tornando, desta feita, a matéria preclusa, motivo pela qual não se toma conhecimento neste voto. Ao contrário das conclusões apresentadas pela contribuinte no sentido de que a controvérsia central do presente processo cingiriase à sua condição de produtora/exportadora, o que se vê no presente caso é que o centro do debate referese à possibilidade de se apropriar de créditos vinculados a saída de produtos nãotributados (NT), aspecto esse que será tratado nos parágrafos a seguir. Vale ressaltar que matéria idêntica foi objeto de análise pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária desse E. Conselho, no Acórdão nº 3301004.105, de relatoria do I. Conselheiro José Henrique Mauri, de onde, com a devida vênia, assimilei parte das razões de decidir. I DO MÉRITO Crédito IPI. Produto Não Tributado (NT). A matéria aqui debatida cingese aos preceitos trazidos pela Lei nº 9.779/99, IN SRF nº 33/99, bem como do regulamento do IPI. Com efeito o art. 11 da Lei nº 9.779/99, resultado da conversão da Medida Provisória nº 1.788/98, estabelece o seguinte: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Regulamentando o disposto no art. 11, acima transcrito, foi publicada a IN SRF nº 33/99, que disciplinou a apuração e aproveitamento dos créditos de IPI. O Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados RIPI/2002, consolidou o entendimento trazido pela IN de 1999, de que a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passariam a ter direito ao crédito do IPI relativo à MP, PI e ME, empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, restando apartados os produtos nãotributados (NT). Tanto no RIPI/2002 (art. 164, I), quanto no RIPI /2010 (art. 226, I), foram estabelecidas as condições para o creditamento do IPI, no que tange a MP, PI e ME, a saber: i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e; ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10980.002995/200442 Acórdão n.º 3302005.309 S3C3T2 Fl. 5 7 equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] A própria contribuinte recorrente em suas peças de defesa, onde trouxe a informação de que os produtos de sua atividade estão lançados nas seguintes posições da Tabela TIPI: a) cal hidratada, descrita na TIPI como "cal apagada", classificada na posição 2522.20.00; b) cal virgem comum, descrita na TIPI como "cal viva", classificada na posição 2522.10.00; c) cal fino, descrita na TIPI como "cal viva", classificada na posição 2522.10.00; d) cal pintura, descrita na TIPI como "cal viva", classificada na posição 2555.10.00. Com uma simples passada de olhos na classificação dos produtos na TIPI, podemos afirmar que estão lançados como produtos nãotributados (NT). Tal alegação é incontroversa. Desta forma, concluise que a contribuinte recorrente não atende aos requisitos legais necessários para o creditamento, tendo em vista que os insumos são utilizados integralmente na industrialização de produtos NT, fato esse que nos lega a outra conclusão, e essa fatal de que a recorrente não realiza operação que tenha a incidência do IPI, razão pela qual não poderá apurar o creditamento do imposto. Não nos distanciemos das disposições trazidas pelo Decreto nº 7.272/2010 (RIPI), que em seu art. 251, § 1°, repetindo as disposições do antigo RIPI, assim determina: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Fl. 207DF CARF MF 8 Pondo fim diretamente na celeuma, quanto a possibilidade ou não de cretitamento de IPI sobre industrialização de produtos nãotributados, o CARF publicou a Súmula CARF nº 20, com os seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Por essa razão, entendo ser acertada a glosa dos créditos pleiteados pela contribuinte recorrente, devendo ser mantida em sua totalidade a r. decisão de piso. No que tange a alegação de que os créditos pleiteados deveriam ser corrigidos pela taxa Selic, o que lhe teria sido garantido pela decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 5050983952012404.7000/PR, o que se deu em razão da suposta oposição ilegítima do Fisco quanto ao deferimento do pedido de compensação, conforme demonstrado, estamos diante de pedido que, fundamentadamente, foi legitimamente negado, motivo pelo qual referida correção não há de ser praticada. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto negarlhe provimento. É como voto. Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.726616/2012-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. FALTA DE REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO PRAZO LEGALMENTE PREVISTO.
Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de regularização de pendências dentro do prazo de que dispõe a pessoa jurídica para, no ano em questão, realizar a opção pelo regime especial de tributação.
Numero da decisão: 1001-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA- Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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FALTA DE REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO IMPEDITIVA JUNTO À RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO PRAZO LEGALMENTE PREVISTO. Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de regularização de pendências dentro do prazo de que dispõe a pessoa jurídica para, no ano em questão, realizar a opção pelo regime especial de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 66 16 /2 01 2- 65 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10730.726616/201265 Acórdão n.º 1001000.261 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 29) interposto contra o Acórdão nº 12 52.989, proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 18 a 22), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 Simples Nacional. Falta de Regularização da situação impeditiva junto à Receita Federal do Brasil no prazo legalmente previsto. Constitui óbice ao ingresso no Simples Nacional a falta de regularização de pendências dentro do prazo de que dispõe a pessoa jurídica para, no ano em questão, realizar a opção pelo regime especial de tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade do Contribuinte face seu indeferimento da opção pelo Simples Nacional, relativo ao anocalendário 2012, conforme fl. 04. 2. De Acordo com o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional – data da opção 31/01/2012, e data do registro do indeferimento em 02/06/2012 (fl. 04) a empresa teve seu pedido indeferido em razão de possuir débitos com a Receita Federal, de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa, conforme abaixo listados: Lista de Débitos: 1) Débito: 37.316.9337 2) Débito 37.316.9345 3. Em sua Manifestação de Inconformidade de fl. 02, protocolada em 06/06/2012, o contribuinte informa que o motivo do indeferimento do ingresso no Simples Nacional foi por constar do quadro societário da empresa um sócio pessoa jurídica que, na realidade, não pertence mais ao quadro societário desde 1980 e, por constarem dois débitos de natureza previdenciária – Débito 37.316.9337 e Débito 37.316.9345. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10730.726616/201265 Acórdão n.º 1001000.261 S1C0T1 Fl. 4 3 3.1. Alega que os citados débitos previdenciários originaramse do fato de a empresa ter sido excluída do Simples Nacional; 3.2. Finda sua impugnação solicitando que seja feita a inclusão da empresa no Simples Nacional com data retroativa a 26/07/2007, data do primeiro indeferimento (conforme novo Termo de Indeferimento de fl. 05, com data de opção e registro em 06/07/2007). 3.3. Instruindo a impugnação, o interessado juntou, entre outros, os seguintes documentos: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional relativo ao ano calendário 2012 – fl. 04; Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data da Opção em 26/07/2007 – fl.05; Alteração do Contrato Social datado de 10/11/2009, fls. 06 a 09; Impugnações relativas aos débitos previdenciários 37.316.9337 e 37.316.9345, de fls. 12 a 15, protocolados em 06/06/2012, conforme fl. 14. 4. Consta do processo à fl. 16, tela de consulta SICOB com informação estraída em 23/08/2012 onde consta que a Sociedade CNPJ 30.064.042/000157 – RIBA COA ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS LTDA como participante do quadro societário da impugnante." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário repetindo os exatos mesmos termos exarados por ocasião da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 7. O §2º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, assim dispõe: Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10730.726616/201265 Acórdão n.º 1001000.261 S1C0T1 Fl. 5 4 forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) §2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3o deste artigo. 8. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 04, de 30/05/2007, cujo art. 7º assim estabelece: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)) 9. A situação que se afigura, pela documentação acostada aos autos, é que a impugnante teve indeferido seu pedido de ingresso no Simples Nacional por duas vezes, a saber, em 2007 e 2012, por motivos diversos. 9.1. O Indeferimento em 2007 foi em razão da constatação da existência de pessoa jurídica participando do quadro societário da empresa; 9.2. O indeferimento em 2012 foi pela constatação da existência de dois débitos de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa. Tais débitos segundo informa a empresa, ocorreram pois que a empresa fora excluída do Simples Nacional,e, portanto tributada como toda e qualquer empresa sem o referido benefício fiscal. 10. Inicialmente tratemos do indeferimento do Simples Nacional relativo ao anocalendário 2012, pela existência dos débitos DEBCAD 37.316.9337 e 37.316.9345. 11. Consultas feitas no sistema informatizado da Receita Federal informam que os referidos débitos estão na fase de “535Ajuizamento/ Distribuição” desde 26/06/2012. Dessa forma, os mesmo não se encontram com a exigibilidade suspensa, e então, verdadeiramente se constituem em impedimento à opção pelo Simples Nacional em 2012. 12. Quanto ao Indeferimento da Opção pelo Simples em 2007, o próprio Termo de Indeferimento à fl. 05 expressamente refere: “Caso a(s) pendência(s) seja(m) regularizada(s) no período de 02/07/2007 a 20/08/2007, a pessoa jurídica deverá, se for do seu interesse ingressar no Simples nacional, formalizar nova opção até às 20 horas (horário de Brasília) do dia 20 de agosto de 2007”. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10730.726616/201265 Acórdão n.º 1001000.261 S1C0T1 Fl. 6 5 13. Observamos, pela documentação acostada aos autos, a inexistência de novo pedido de ingresso no Simples Nacional, no prazo informado no Termo de Indeferimento de 26/07/2007. 13.1. Outrossim, o que consta dos autos são impugnações protocoladas em 06/06/2012 (ou seja, 5 anos após o indeferimento do pedido). 14. Assim, verificase que o contribuinte não comprova ter regularizado os débitos DEBCAD 37.316.9337 e 37.316.9345, no prazo previsto pela legislação, motivo pelo qual voto por NEGAR PROVIMENTO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DO CONTRIBUINTE, mantendo o indeferimento do ingresso do Contribuinte no Simples, relativamente ao anocalendário 2012. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.984895/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 48 95 /2 00 9- 61 Fl. 131DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.984895/200961 Acórdão n.º 3402005.075 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 133DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.984895/200961 Acórdão n.º 3402005.075 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 135DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.984895/200961 Acórdão n.º 3402005.075 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001187/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 08/08/2008
IPI. SELO DE CONTROLE. INEXISTÊNCIA. EXPOSIÇÃO À VENDA. PENALIDADES.
Os produtos sujeitos a selo de controle, expostos à venda sem tais selos, sujeitam-se à penalidade de perdimento, após o advento da Lei no 11.196/2005 (especificamente, pelo disposto em seu art. 61), sem prejuízo das demais sanções e exigências previstas na legislação que rege o IPI.
Numero da decisão: 3401-004.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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SELO DE CONTROLE. INEXISTÊNCIA. EXPOSIÇÃO À VENDA. PENALIDADES. Os produtos sujeitos a selo de controle, expostos à venda sem tais selos, sujeitamse à penalidade de perdimento, após o advento da Lei no 11.196/2005 (especificamente, pelo disposto em seu art. 61), sem prejuízo das demais sanções e exigências previstas na legislação que rege o IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 11 87 /2 00 8- 60 Fl. 85DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 81, lavrado em 15/08/2008 (com ciência via postal, em 23/09/2008 – fl. 11), para aplicação da pena de perdimento por exposição à venda de produtos (relógios de pulso) sem selo de controle, no valor total de R$ 7.812,90. O perdimento foi mantido, em função de revelia, como se atesta à fl. 13. Às fls. 15 a 27 consta impugnação datada de 13/10/2008, na qual alega a empresa que: (a) a autuação é nula pois não foi lavrada no estabelecimento da empresa, violando o artigo 10 do Decreto no 70.235/1972, e fora de seu próprio domicílio fiscal; (b) o termo de apreensão não permite à empresa ter os elementos necessários ao exercício imediato de seu direito de defesa; (c) todos os produtos apreendidos foram adquiridos de fornecedores idôneos, como comprovam as notas fiscais anexadas aos autos, sendo nove relógios da marca “ORIENT” produzidos no Brasil, na Zona Franca de Manaus, sendo isentos de IPI, e dois da marca “LEMER” e um da marca “PRIMEX” adquiridos de empresa que também os comprou na Zona Franca de Manaus; (d) a responsabilidade pela aposição dos selos é única e exclusiva do fornecedor, que deveria ter sido chamado “em responsabilidade solidária”; (e) a má qualidade do selo fornecido pela casa da moeda faz com que ele desole facilmente dos relógios, o que pode ser atestado por perícia; (e) é inconstitucional a aplicação da pena de perdimento sem prévio processo judicial; e (f) a “multa” aplicada, de 100% do valor comercial da mercadoria, tem efeito confiscatório. Em 29/01/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 54 a 62), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) a competência para apreciar processos de aplicação de pena de perdimento com base na legislação do IPI é das DRJ; (b) tanto a autuação quanto a apreensão foram conduzidas por autoridades competentes, havendo previsão expressa no Decreto no 70.235/1972 para lavratura de auto de infração por autoridade de jurisdição diversa (art. 9o, § 2o); (c) não houve prejuízo à defesa, que bem compreendeu razões e fundamentos da autuação; (d) a legislação tributária obriga aqueles que adquirem ou recebem produtos, tributados ou isentos, sujeitos ao selo de controle, a examinar se eles se acham devidamente selados, se estão acompanhados dos documentos exigidos e se satisfazem todas as prescrições legais, sob pena de serem responsabilizados; (e) nem mesmo a apresentação da nota fiscal que ampara a operação comercial do produto de fabricação nacional sem o selo, afasta a penalidade aplicada, exatamente pela falta de selo; (f) a perícia é dispensável, pois, mesmo que se encontrassem os tais vestígios de cola no anverso dos relógios, tal situação não alteraria a penalidade aplicada, pois caberia ao possuidor dos mesmos tomar as medidas ao seu alcance previamente à exposição à venda; e (g) o eventual caráter confiscatório da penalidade não é passível de análise na esfera administrativa. Cientificada da decisão de piso em 05/03/2014 (fl. 65), a empresa interpôs recurso voluntário em 27/03/2014 (fls. 66 a 81), reiterando as razões expostas em sede de impugnação. O processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2017, tendo sido indicado para pauta de julho de 2017, mas não incluído em pauta pelo excesso de número de processos a julgar. Em agosto, o processo não foi incluído em pauta por ausência justificada do relator, e, em setembro e outubro, foi incluído em pauta e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. Não houve sessões de julgamento em novembro e dezembro. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13982.001187/200860 Acórdão n.º 3401004.305 S3C4T1 Fl. 86 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A autuação se dá, basicamente, com fundamento nos artigos 223, 253 e 514, III do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI) de 2002, e no artigo 2 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal no 30/1999: “RIPI/2002: (...) Art. 223. Estão sujeitos ao selo de controle previsto no art. 46 da Lei no 4.502, de 1964, segundo as normas constantes deste Regulamento e de atos complementares, os produtos relacionados em ato do Secretário da Receita Federal, que poderá restringir a exigência a casos específicos, bem assim dispensar ou vedar o uso do selo (Lei no 4.502, de 1964, art. 46). (...) Art. 253. A falta do selo no produto, o seu uso em desacordo com as normas estabelecidas ou a aplicação de espécie imprópria para o produto importarão em considerar o produto respectivo como não identificado com o descrito nos documentos fiscais (Lei no 4.502, de 1964, art. 46, § 2o, e Lei no 9.532, de 1997, art. 37, inciso IV). (...) Art. 514. Sujeitarseão também à pena de perdimento da mercadoria: (...) III os vendedores ambulantes e os estabelecimentos que possuírem ou conservarem produtos das posições 71.02 a 71.04, 71.06 a 71.11, 71.13 a 71.16, 91.01 e 91.02 da TIPI, cuja origem não for comprovada, ou quando os que os possuírem ou conservarem não estiverem inscritos no CNPJ (Decretolei no 34, de 1966, art. 22, parágrafo único); e (...)” “IN SRF 30/1999: (...) Art. 2o Estão sujeitos ao selo de controle, previsto no art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, na forma estabelecida neste ato, os relógios de pulso e de bolso, incluídos nas posições 9101 e 9102 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 2.092, de 10 de dezembro de 1996.” (grifo nosso) Fl. 87DF CARF MF 4 São incontroversos os principais elementos fáticos caracterizadores da penalidade. Os relógios efetivamente estavam expostos à venda sem o selo de controle, e estão sujeitos ao referido selo, por se classificarem na posição 9102 da TIPI. O único tema passível de discussão, que seria referente à não comprovação de origem, utilizada no enquadramento apresentado à fl. 3, é apenas tangenciado pela defesa, que se limita a suscitar nulidades que, além de não encontrarem guarida nas leis de regência (vejase, v.g., no Decreto no 70.235/1972, que os casos de nulidade residem no artigo 59), refogem a comandos expressos da mesma norma (v.g., o art. 9o, § 2o), como destacou a DRJ, endossado pela Súmula CARF no 27: “Súmula CARF no 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” Não vemos obstáculo à defesa na simples autuação de uma folha, que cristalinamente mostra as razões que levaram à apreensão dos produtos e à aplicação da pena de perdimento. Tendo em vista que não há discussão quanto à necessidade de selagem, e que os produtos efetivamente não estavam selados, cabia à defesa apenas justificar a razão de estarem os produtos sem selo de controle, ou defender que a penalidade aplicável seria inadequada. E foi o que fez a defesa. Ao tentar justificar o porquê de estarem os produtos sem selo de controle, alegou a empresa que alguns eram produzidos na Zona Franca de Manaus, o que é absolutamente irrelevante, visto não estarem os produtos ali fabricados dispensados do selo. E suscitou ainda que seriam de fácil descolagem os selos fabricados pela Casa da Moeda, de qualidade baixa (fl. 76): É pouco crível a tese de que apenas os selos presentes nesta empresa descolem totalmente dos relógios, mas bastaria que viesse acompanhada de alguma argumentação cientificamente plausível para que fosse acolhido o pleito de diligência. Afinal de contas, a empresa, que levanta tal tese, deveria ao menos se esforçar para comprovar que não só os selos dos relógios que ela comercializa descolam, mas que isso seria rotineiro. Assim, desnecessária e impertinente a perícia demandada, não tendo sido semeada dúvida relevante a ponto de demandar esclarecimentos adicionais sobre os selos. Quanto a defender que a penalidade aplicável seria inadequada, a recorrente caminha para a tese de que seria inconstitucional a aplicação administrativa do perdimento e de que seria confiscatória a “multa” aplicada. Ambas as teses restam prejudicadas neste tribunal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13982.001187/200860 Acórdão n.º 3401004.305 S3C4T1 Fl. 87 5 administrativo, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, a vedação ao confisco, constitucionalmente estabelecida, referese a tributos, e não a penalidades, e não se aplica, ao menos nesta autuação, “multa”, mas sim o perdimento da mercadoria, sendo a análise efetuada por este tribunal apenas em função do artigo 4o, III e XXI do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 343/2015: “Art. 4o À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo.” Aliás, o próprio RIPI/2002 contempla a aplicação de multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, em seu artigo 499, sem prejuízo do perdimento (inicialmente apenas no caso de produtos classificados no código 2402.20.00 da TIPI): “Art. 499. Aplicamse as seguintes penalidades, em relação ao selo de controle de que trata o art. 223, na ocorrência das infrações abaixo (Decretolei no 1.593, de 1977, art. 33, e Medida Provisória no 66, de 2002, art. 52): I venda ou exposição à venda de produtos sem o selo ou com o emprego do selo já utilizado: multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais) (Decretolei no 1.593, de 1977, art. 33, inciso I, e Medida Provisória no 66, de 2002, art. 52); (...)” (grifo nosso) (...) § 2o Aplicarseá ainda a pena de perdimento aos produtos do código 2402.20.00 da TIPI (Decretolei no 1.593, de 1977, art. 33, § 2o, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 52): I – na hipótese de que tratam os incisos I e V do caput; e II – encontrados no estabelecimento industrial, acondicionados em embalagem destinada a comercialização, sem o selo de controle.” (grifo nosso) No entanto, à época da detecção da infração e da lavratura da autuação já estava em vigor o artigo 61 da Lei no 11.196/2005, expressamente mencionado no termo de apreensão anexo à autuação, e que estende o disposto no art. 33, § 2o do DecretoLei no 1.593/1977 a todos os produtos sujeitos a selo de controle, como os relógios de pulso apreendidos. Fl. 89DF CARF MF 6 Por fim, no que se refere à responsabilidade pela infração, sustenta a empresa que é do fornecedor, que deveria ter sido chamado “em responsabilidade solidária” (fl. 75): Cabe recordar que a responsabilidade solidária tributária, em nosso ordenamento jurídico, não comporta benefício de ordem, de modo que trazer aos autos o fornecedor não excluiria a recorrente do polo passivo. E que, como também se destacou, sem refutação, no julgamento de piso, a previsão de responsabilidade é expressa, no art. 266, 3 do mesmo RIPI/2002: “Art. 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei no 4.502, de 1964, art. 62). (...) § 3o No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei no 4.502, de 1964, art. 62, § 2o, e Lei no 9.532, de 1997, art. 37, inciso V).” (grifo nosso) De fato, os produtos inquestionavelmente estavam expostos à venda sem selo. E a adquirente nada fez, e nem apresentou elementos plausíveis de defesa que justificassem a ausência de selo, ou a inadequação da penalidade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13982.001187/200860 Acórdão n.º 3401004.305 S3C4T1 Fl. 88 7 Rosaldo Trevisan Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720611/2012-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL.
A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Morgado Rodrigues
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.720611/201231 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.349 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente PROENGTELECOM INFORMATICA E COMPUTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 06 11 /2 01 2- 31 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 86 a 89) interposto contra o Acórdão nº 1263.106, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 70 a 76), que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade, oposta pela interessada acima qualificada, contra o ato de indeferimento de opção pelo regime de tributação especial, denominado Simples Nacional (fl. 03/06), registrado em 28/02/2012, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, para o ano calendário 2012, pelo fato de constar nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, débitos relacionados no próprio termo, cuja exigibilidade não estaria suspensa: Da Manifestação de Inconformidade 2. Insurgese a Impugnante contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional, interpondo impugnação em 01/03/2012 (fl. 2), alegando que: 2.1. em 30/01/2012, conseguiu, junto à Justiça Federal, sentença no bojo da ação no 1432736.2011.4.01.3803, que determina o enquadramento de todos os débitos da Impugnante no parcelamento previsto na Lei 11.941/2009; 2.2. requer sua inclusão no regime do SIMPLES Nacional. Da Sentença 3. Cópia da sentença exarada pela Justiça Federal, em 30/01/2012 (fls. 35/39), determina que a Secretaria da Receita Federal do Brasil retifique a opção de parcelamento da Impetrante, incluindo os débitos parcelados anteriormente, Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 4 3 previdenciários e não previdenciários, na modalidade de parcelamento prevista no art. 3o da Lei 11.941/2009, bem como realize a consolidação dos referidos débitos. Do Despacho Decisório 4. É juntado aos autos (fls. 52/53) Despacho Decisório no 0415/2013 DRF/UBL, de 04 de abril de 2013, expedido pela DRF Uberlândia – MG, informando que a regularização da totalidade dos débitos impeditivos ao ingresso no SIMPLES Nacional não se deu dentro do prazo hábil, ou seja, ainda remanesceram débitos com exigibilidade não suspensa, que possivelmente não foram indicados pelo contribuinte para figurar no parcelamento. Informa os débitos descritos às fls. 49/51; 4.1. os débitos informados às fls. 49/51 tratam de: IRPJ – Lucro Presumido, código de receita 2089, com vencimento em 30/10/2007 e pago em 17/05/2012; e CSLL – para PJ que apuram IRPJ com base em Lucro Presumido ou Arbitrado, código de receita 2372, com vencimento em 30/10/2007 e 31/08/2008, pagos em 26/04/2012 e 05/03/2012, respectivamente; 4.2. informa ainda que, apenas posteriormente ao prazo legal de 30 (trinta) dias contados a partir da intimação do termo de indeferimento, a pessoa jurídica providenciou a regularização dessas pendências, extinguindo os créditos tributários através de pagamento. Com este proceder, a regularização das pendências tributárias não foi apta a afastar os efeitos do indeferimento da opção, o que ocorreria apenas se tal regularização se efetivasse até o dia 31 de janeiro de 2012; 4.3. em 24/06/2013 (fls. 55/56) se deu, por via postal, a ciência do Despacho Decisório. Do Pedido de Reconsideração 5. Irresignada a Impugnante apresenta Pedido de Reconsideração, recepcionado em 23/07/2013 (fls. 58/60), alegando que: 5.1. a RFB manteve o indeferimento à opção pelo SIMPLES Nacional porque o débito no 39.065.0668 não estava incluso no parcelamento pleiteado, alegando que o mesmo fora inscrito em dívida ativa m 24/12/2011, após concluídas todas as etapas do parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, e após a impetração do Mandado de Segurança no 1432736.2011.4.01.3803, entendimento com o qual não concorda a Impugnante; 5.2. informa que a liminar concedida determina que se restabeleça a condição de optante do parcelamento previsto na Lei 11.941/2009; 5.3. a decisão judicial não especifica quais os créditos tributários devam constar do parcelamento, determinando que todos os débitos deveriam ser incluídos; 5.4. não sabe o por quê de o crédito de no 39.065.0668 não ter sido incluso no dito parcelamento; 5.5. ressalta que, ao seu ver, a não inclusão do referido crédito no parcelamento configura crime de desobediência, conforme previsto no art. 330 do Código Penal; Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 5 4 5.6. requer a inclusão do crédito tributário no 39.065.0668 no pedido de parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, e a consequente inclusão no regime do SIMPLES Nacional, relativa ao ano de 2012." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que a decisão judicial obtida em seu favor abrangeria todos os débitos existentes, logo todos deveriam ser considerados inscritos em parcelamento, logo, não haveria pendência a impedir o deferimento de sua Opção pelo SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, se faz oportuno relembrar das disposições jurídicas próprias à matéria em análise. Acerca do prazo de que dispõe o interessado, a cada ano, para realizar a opção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim dispõe: Art. 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. (...) § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. Por sua vez, O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) em sua atividade regulamentar exarou a Resolução CGSN nº 94/2011, cujo artigo 6º assim estabelece: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6 º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 6 5 § 1 º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 2 º) § 2 º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (g.n.) Retornando ao caso concreto, vêse que a decisão de primeira instância não considerou o débito previdenciário nº 39.065.0668 como impedimento para a opção pelo regime simplificado, vez que entendeu que a sua não inclusão no parcelamento se deveu a falhas de organização e comunicação dos próprios órgãos da administração pública. No entanto, a decisão de piso indeferiu a Impugnação da ora Recorrente, por entender que mesmo com a observação da decisão judicial, ainda havia restado débitos exigíveis que não foram abrangidos pela ordem judicial. Aqui, cabe colacionar o dispositivo da sentença de mérito do Mandado de Segurança (fls. 3539) apresentada pela Recorrente. "Ante o exposto, reconsidero a liminar e concedo a segurança para determinar à Impetrada que retifique a opção de parcelamento da Impetrante, incluindo os débitos parcelados anteriormente, previdenciários e não previdenciários, na modalidade de parcelamento prevista no art. 3º da Lei n.º 11.941/2009, bem como realize a consolidação dos referidos débitos." (grifouse) Conforme se extraí do excerto acima, quando houve a estabilização da segurança por meio da sentença definitiva, a ordem judicial determinava tão somente que fosse permitido a reinclusão dos débitos que já haviam sido objetos do parcelamento anterior, afim de que fosse sanado o vício fático,qual seja, a escolha de modalidade incorreta. A decisão judicial prolatada em sentença não abriu "novo prazo" para que a contribuinte fruísse novamente de todas as benesses do parcelamento trazido no bojo da Lei 11.941/09, apenas visou permitir a correção do erro formal operado no momento em que procedeu a adesão ao mesmo. Seguindo esta linha, a DRJ de origem considerou que os débitos (fls. 4951) apontados pelo Despacho Decisório Despacho Decisório nº 0415/2013DRF/UBL, expedido pela DRF Uberlândia – MG (fls. 52/53) só poderiam ser incluídos no parcelamento, sob determinação da ordem judicial citada, caso já tivessem sido objeto do parcelamento anterior, que fora objeto do Mandado de Segurança. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 7 6 Ocorre que, conforme menciona a decisão de piso, não houve qualquer documento que indicasse que os débitos fazendários supracitados integraram qualquer parcelamento antes da decisão judicial, in verbis: "(...) 28. Estranhamente, de modo diverso ao tratamento dispensado aos débitos de origem previdenciária, a Impugnante calase em seu Pedido de Reconsideração quanto aos débitos de origem fazendária, mencionados no Despacho Decisório no 0415/2013DRF/UBL, de 04 de abril de 2013, expedido pela DRF Uberlândia – MG (fls. 52/53). (...) 30. À sentença é clara e determina que se “retifique a opção de parcelamento da Impetrante, incluindo os débitos PARCELADOS ANTERIORMENTE, previdenciários e não previdenciários”, ou seja, que seja modificada a opção, feita anteriormente de maneira errônea, para a opção correta, DAQUELES DÉBITOS CONSTANTES DO PEDIDO DE PARCELAMENTO ANTERIOR. 31. A Impugnante não junta aos autos qualquer prova de que os débitos de origem fazendária, motivadores do Despacho Decisório denegatório, constavam de pedido de parcelamento efetuado pela mesma. 32. Diante do exposto, em face dos débitos de origem fazendária terem sido regularizados após o prazo limite de 31/01/2012, entendo que permanece o óbice ao ingresso da Impugnante no regime tributário diferenciado do Simples Nacional para o anocalendário de 2012. (...)" Portanto, não havendo qualquer indício de que os débitos apontados pelo Despacho Decisório de fls. 5253 não haviam sido previamente parcelados, portanto não abrangidos pela ordem judicial que determinou a reinclusão de débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/09; e considerando que os referidos débitos só foram quitados após o prazo legal para a Opção do SIMPLES, entendo que a decisão da DRJ em manter o indeferimento da Opção se deu de forma correta. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 8 7 Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907120/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.999
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 20 /2 01 1- 53 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06054.119. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 198DF CARF MF
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