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Numero do processo: 19515.001510/2002-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. VEDAÇÃO REGIMENTAL.
Não cabe Recurso Especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF.
Recurso Especial da Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. VEDAÇÃO REGIMENTAL. Não cabe Recurso Especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF. Recurso Especial da Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 10 /2 00 2- 01 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem, com fundamento no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, relativos ao anocalendário de 1998. Em sessão plenária de 11/03/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 165.316, exarando o Acórdão nº 220100.572 (fls. 126 a 136), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (artigo 42, da Lei n° 9.430/96). Matéria já assente na CSRF. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados na Lei n° 9.430, de 1996. DADOS OBTIDOS PELA CPMF. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE O art. 11, § 3 o , da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF N° 35). INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.001510/200201 Acórdão n.º 9202003.740 CSRFT2 Fl. 196 3 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Recurso Voluntário Negado.” Cientificada do acórdão em 12/09/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 141), a Contribuinte interpôs, em 27/09/2011, o Recurso Especial de fls. 144 a 148, visando rediscutir a aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001 e indicando como paradigma o Acórdão nº 10419.637. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2200 00.916, 06/03/2012, registrandose como matéria de recurso: “I Matérias objeto do recurso especial O recurso está manejado quanto à alegada responsabilidade tão somente da fonte pagadora, quando esta não procede à respectiva retenção.” O processo foi encaminhado à PGFN em 24/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 173). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 23/06/2013. Em 31/05/2013, foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 174 a 192 (Despacho de Encaminhamento de fls. 193). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. A leitura da ementa do acórdão recorrido permite constatar que foi aplicada a Súmula CARF nº 35, que é inclusive vinculante: “(...) DADOS OBTIDOS PELA CPMF. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE O art. 11, § 3 o , da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF N° 35). (...)” O art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, assim estabelecia: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância.” (grifei) Salientese que o pressuposto acima foi reiterado no novo RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Assim, conforme disposição regimental expressa, é incabível Recurso Especial de decisão que aplique súmula. Ademais, foi indicado como paradigma o Acórdão nº 10419.637. Ocorre que dito julgado foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/0400.096, de 22/09/2005. Na oportunidade, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, com a seguinte ementa: “IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXTRATOS BANCÁRIOS. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA A Lei n° 10.174, de 2001, que alterou o art.11, parágrafo 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, de natureza procedimental ou formal, por força do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, tem aplicação aos procedimento tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, cujo fato gerador se verificou em período anterior à publicação desde que a constituição do crédito não esteja alcançada pela decadência. Recurso especial provido” Diante do exposto, com fundamento no art. 67, § 2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, reiterado pelo disposto no art. 67, § 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Contribuinte. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.001510/200201 Acórdão n.º 9202003.740 CSRFT2 Fl. 197 5 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000175/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/12/2005
Ementa:
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. LEGÍTIMA. DATA DA OUTORGA DE PODERES. REGULARIDADE.
Não há irregularidade na representação processual da recorrente quando a outorga de poderes para o signatário do recurso deu-se por intermédio de seu legítimo representante à época da assinatura da procuração, embora não mais o fosse na data de interposição do recurso. A extinção posterior do mandato do representante legal da empresa não invalida os atos legitimamente praticados durante sua vigência.
DECISÃO A QUO. NÃO CONTESTAÇÃO. DEFINITIVIDADE.
O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas tratados na decisão que pretende reformar, nos termos do art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72. É definitiva a decisão de primeira instância na parte que não objeto de recurso.
COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS E VALOR DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO.
É inconstitucional a inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS-importação e da Cofins-importação. Precedentes do STF. RE nº 559.937 - Repercussão Geral.
Numero da decisão: 3402-002.955
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins tanto a parcela relativa ao ICMS como o valor da própria contribuição. Ausente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/12/2005 Ementa: REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. LEGÍTIMA. DATA DA OUTORGA DE PODERES. REGULARIDADE. Não há irregularidade na representação processual da recorrente quando a outorga de poderes para o signatário do recurso deu-se por intermédio de seu legítimo representante à época da assinatura da procuração, embora não mais o fosse na data de interposição do recurso. A extinção posterior do mandato do representante legal da empresa não invalida os atos legitimamente praticados durante sua vigência. DECISÃO A QUO. NÃO CONTESTAÇÃO. DEFINITIVIDADE. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas tratados na decisão que pretende reformar, nos termos do art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72. É definitiva a decisão de primeira instância na parte que não objeto de recurso. COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS E VALOR DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. É inconstitucional a inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS-importação e da Cofins-importação. Precedentes do STF. RE nº 559.937 - Repercussão Geral.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 269 1 268 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.000175/200719 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.955 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria Cofins Recorrente DELTA PUBLICIDADE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2005 Ementa: REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. LEGÍTIMA. DATA DA OUTORGA DE PODERES. REGULARIDADE. Não há irregularidade na representação processual da recorrente quando a outorga de poderes para o signatário do recurso deuse por intermédio de seu legítimo representante à época da assinatura da procuração, embora não mais o fosse na data de interposição do recurso. A extinção posterior do mandato do representante legal da empresa não invalida os atos legitimamente praticados durante sua vigência. DECISÃO A QUO. NÃO CONTESTAÇÃO. DEFINITIVIDADE. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas tratados na decisão que pretende reformar, nos termos do art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72. É definitiva a decisão de primeira instância na parte que não objeto de recurso. COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS E VALOR DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. É inconstitucional a inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PISimportação e da Cofinsimportação. Precedentes do STF. RE nº 559.937 Repercussão Geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 01 75 /2 00 7- 19 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins tanto a parcela relativa ao ICMS como o valor da própria contribuição. Ausente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de em São Paulo, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração para exigência da diferença de Cofins Importação, acrescida de multa de ofício e juros de mora, incidente sobre a operação realizada pela Declaração de Importação (DI) nº 05/13708183, registrada em 15/12/2005. Posteriormente parte dos bens passaram a constar também na DI nº 06/05347500, registrada em 10/05/2006, em face da autorização concedida pela fiscalização aduaneira para desmembramento do Conhecimento de Carga. Conforme relato da autoridade fiscal e demais documentos constantes dos autos, a contribuinte registrou a DI nº 05/13708183, submetendo à despacho: (i) uma máquina impressora offset para impressão multicolor de jornais, marca Man Roland, modelo uniset; (ii) uma máquina auxiliar para máquina impressora Man Roland modelo uniset – dispositivo de dobra de chapa; (iii) uma máquina auxiliar para máquina impressora Man Roland modelo uniset – dispositivo de perfuração de chapa. As três máquinas foram declaradas na adição 001 da DI nº 05/13708183, classificadas sob o código NCM 8443.11.10, com o valor unitário (VUCV) de $ 5.922.000,00 euros. Anteriormente ao registro da referida DI, a importadora havia protocolizado consulta, em 18/11/2005, informando sobre a classificação fiscal que pretendia utilizar, observando que, para a NCM 8443.11.10, aplicase alíquota zero tanto para o II como para o IPI; bem como que, pelo fato de operar sob o regime de cumulatividade, nos termos da Lei nº 10.833/2003, estaria sujeita às alíquotas de 0,65% para o PIS e 3% para a COFINS. Questionou, assim, se o entendimento adotado estaria correto e, se assim não fosse, qual seria (fls. 40/42). Em resposta, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) do dia 27/12/2005, a Solução de Consulta SRRF/2ªRF/Diana nº 76, que excluiu da posição NCM 8443.11.10 os dispositivos de perfuração e dobra de chapas, por entender que cada um desses dispositivos seguia seu regime próprio de classificação. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/200719 Acórdão n.º 3402002.955 S3C4T2 Fl. 270 3 Como, na referida Solução de Consulta, não constava manifestação acerca das alíquotas a serem aplicadas, foi formalizada nova consulta, específica sobre essa questão, a qual foi solucionada mediante Solução de Consulta DISIT/SRRF/2ªRF nº 47, de 19/09/2006, que esclareceu que as alíquotas aplicáveis ao caso seriam de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins. Contra essa decisão foi interposto Recurso Especial, cuja admissibilidade foi negada. Conforme autorização obtida junto ao Fisco, a interessada procedeu ao desmembramento do conhecimento de carga e ao registro, em 10/05/2006, da DI nº 06/05347500. Na adição 001, declarou o dispositivo de dobra de chapa sob o código NCM 8443.60.10, ao valor unitário (VUCV) de $ 19.678,35 euros; enquanto que, na adição 002, declarou o dispositivo de perfuração de chapa sob o código NCM 8443.60.90, ao valor unitário (VUCV) de $ 11.727,00 euros. Em conferência documental, a fiscalização verificou várias divergências, dentre elas, o fato de a importadora haver declarado e recolhido a Cofinsimportação à alíquota de 3,00%, bem como de não haver incluído na base de cálculo das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, o valor do ICMS. Em razão das incorreções apuradas, a fiscalização procedeu ao lançamento da diferença apurada em relação à CofinsImportação, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, perfazendo o valor total do crédito tributário exigido R$ 1.567.056,22. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, conforme consta na decisão recorrida, alegando, em síntese, que: a) protocolizou consulta para que a Receita Federal confirmasse o enquadramento fiscal apresentado pela impugnante na importação das mercadorias sob análise, e apresentou aditamento demonstrando novos argumentos a justificar sua pretensão para que fossem aplicadas as alíquotas de 0,65% para o PIS e 3% para a COFINS, em razão de operar no regime de cumulatividade dessas contribuições, nos termos da Lei nº 10.833/2003. O entendimento da Receita Federal foi, porém, de que as contribuições deveriam ser calculadas às alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,6% para a COFINS e, apesar de haver interposto Recurso Especial, o mesmo foi rejeitado; b) por não concordar com o entendimento da Receita Federal, a impugnante declarou e recolheu a COFINS à alíquota de 3%, assim como não incluiu na base de cálculo da COFINS o valor do ICMS; c) entende que a Receita Federal não pode exigir o recolhimento da COFINS com a alíquota de 7,6% e impedir que a impugnante utilize o crédito gerado desta operação. Assim como, não pode exigir que a impugnante pague a COFINS incluindo na sua base de cálculo o valor do ICMS, já que é inconstitucional incluir tributo na base de cálculo de outro tributo; d) cita o artigo 10 da Lei nº 10.833/2003 para demonstrar que, no caso das pessoas jurídicas imunes a impostos, assim como as empresas que auferem receitas decorrentes da venda de jornais, como no caso da impugnante, devem recolher a COFINS com Fl. 271DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 base na Lei nº 9.718/98. Logo, seja pela forma de apuração do IR, seja pela sua atividade econômica, a impugnante está sujeita ao recolhimento da COFINS com base na alíquota de 3%; e) no caso específico da COFINSImportação, cita diversos dispositivos legais para concluir que a Lei nº 10.865/2004 criou uma situação incoerente, pois se por um lado equiparou os contribuintes tributados pelo lucro presumido com os tributados pelo lucro real, ao submeter ambos a uma alíquota total de 9,25% para as contribuições incidentes sobre as importações, por outro lado fez uma distinção entre tais contribuintes, uma vez que os primeiros não poderão utilizar o valor pago por tais contribuições na importação como créditos para o pagamento das contribuições "normais", enquanto os segundos foram autorizados a utilizar tal crédito. Essa situação desrespeita o princípio constitucional da isonomia; f) o ICMS não pode fazer parte da base de cálculo da COFINS na operação em comento, uma vez que a impugnante tem direito a pagar o tributo de forma diferida, conforme dispõe o artigo 1º do Decreto Estadual n° 1.773/2005, e o imposto só será devido na eventual saída dos bens de seu ativo fixo; g) caso seja ultrapassada a questão do diferimento, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim o ICMS não poderia fazer parte da base de cálculo da COFINS porque os bens importados foram adquiridos mediante arrendamento mercantil e o ICMS não incide sobre essas operações, conforme dispõe o Regulamento do ICMS do Estado do Pará, sendo devido apenas na eventual alienação dos bens decorrente da opção de compra pelo arrendatário; h) ademais, o ICMS e o PIS/COFINSIMPORTAÇÃO não poderiam ser incluídos na base de cálculo da COFINS Importação, uma vez que jamais poderiam ser abrangidos pelo conceito de "valor aduaneiro", tudo em consonância com ampla jurisprudência e doutrina favoráveis ao contribuinte, bem como pela legislação pertinente ao tema, conforme demonstra. Conclui, assim, pela inconstitucionalidade da exigência das contribuições na forma implementada pela Lei n° 10.865/2004; i) aduz que o procedimento de incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor do ICMS, não está de acordo com os regramentos constitucionais relativos à segurança jurídica e indelegabilidade da competência tributária; j) requer, ao final, que o lançamento de ofício seja julgado improcedente. (...) Mediante o Acórdão nº 1659.631, de 23 de julho de 2014, a 24ª Turma da DRJ/SPO julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 15/12/2005 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/200719 Acórdão n.º 3402002.955 S3C4T2 Fl. 271 5 EFEITOS DA CONSULTA. A Solução de Consulta vincula a Administração em relação ao Consulente. A utilização por parte do sujeito passivo de entendimento diverso do estabelecido na Solução de Consulta sujeitao ao lançamento de ofício dos tributos porventura decorrentes da divergência de entendimento. BASE DE CÁLCULO COFINSIMPORTAÇÃO. INCLUSÃO ICMS. A DRJ não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O valor do ICMS diferido compõe a base de cálculo da COFINSImportação, conforme legislação de regência. Em suma, o julgador de primeira instância decidiu por: a) deixar de apreciar as colocações da contribuinte no tocante à alíquota da Cofins aplicável à espécie, vez que a contribuinte se valeu do instituto da consulta fiscal para dirimir dúvida acerca da alíquota da Cofins a ser aplicada na operação sob exame, encontrandose vinculada à resposta dela emanada; e b) julgar improcedente as alegações da impugnante quanto à ilegitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, tendo em vista que: alegações de inconstitucionalidade não são conhecidas na instância administrativa; a legislação de regência prevê expressamente que, nos casos de diferimento do ICMS, o valor do ICMS diferido compõe a base de cálculo da exação; não consta dos autos qualquer documento a comprovar a alegação de que os bens importados foram adquiridos mediante arrendamento mercantil; e a operação de arrendamento mercantil internacional que envolva importação do equipamento está sujeita à regra geral de incidência do ICMS, conforme previsto no parágrafo único do art 4º da Lei Complementar nº 87/1996. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância por via postal em 27/08/2014. Em 15/09/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese: 1 DA EQUIVOCADA INTERPRETAÇÃO DA LEI N° 10.865/04 QUE INSTITUIU O PIS IMPORTAÇÃO (...) a Recorrente, seja pela forma de apuração do IR, seja pela sua atividade econômica, está sujeita ao recolhimento do COFINS com base na alíquota de 3%. Da leitura dos dispositivos legais supracitados inferese que os contribuintes sujeitos à apuração não cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições para o PIS/PASEP IMPORTAÇÃO e para a COFINSIMPORTAÇÃO. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Dessa forma, as contribuições incidentes na importação de bens e serviços apenas gerarão créditos, a serem utilizados no momento do pagamento das contribuições "normais" para o PIS/PASEP e para a COFINS, para os contribuintes que estiverem sujeitos à sistemática não cumulativa dessas últimas contribuições, sistemática esta instituída pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 (artigo 15 c/c artigo 16, da MP 164/04). Por outro lado, as pessoas jurídicas tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido continuam sujeitas à sistemática cumulativa do PIS/PASEP e COFINS, conforme determina o artigo 8o, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e artigo 10, inciso II, da Lei n° 10.833/03. Como se vê, a Lei n° 10.865/04 criou uma situação incoerente, pois se por um lado equiparou os contribuintes tributados pelo lucro presumido com os tributados pelo lucro real, ao submeter ambos a uma alíquota total de 9,25% para as contribuições incidentes sobre as importações, por outro lado fez uma distinção entre tais contribuintes, uma vez que os primeiros não poderão utilizar o valor pago por tais contribuições na importação como créditos para o pagamento das contribuições "normais", enquanto os segundos foram autorizados a utilizar tal crédito. Esta situação desrespeita o Princípio da Isonomia, protegido pelo artigo 150, inciso II, da CF/88, pois privilegia os contribuintes submetidos à sistemática não cumulativa das contribuições (...). No caso específico em tela, a Lei 10.865/04 não elegeu os critérios estabelecidos pelo §9 do art.195 da CF/88, pois se por um lado equiparou os contribuintes tributados pelo lucro presumido com os tributados pelo lucro real, ao submeter ambos a uma alíquota total de 9,25% para as contribuições incidentes sobre as importações, por outro lado fez uma distinção entre tais contribuintes, uma vez que os primeiros não poderão utilizar o valor pago por tais contribuições na importação como créditos para o pagamento das contribuições "normais", enquanto os segundos foram autorizados a utilizar tal crédito. 2 DA IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. 2.1 DO DIFERIMENTO. DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR APENAS NA SAÍDA DOS BENS DO ATIVO FIXO DA EMPRESA. O ICMS não pode fazer parte da base de cálculo do PIS na operação em comento, uma vez que a Recorrente tem direito a pagar o tributo de forma diferida, conforme dispõe o artigo 1o do Decreto Estadual n° 1.773/2005, conforme expressamente consignado nos documentos relativos à importação. Desta feita, considerando o benefício do diferimento concedido pelo Estado do Pará à Recorrente com fulcro no Decreto 1.773/2005, resta induvidoso que o ICMS não pode fazer parte da base de cálculo do PIS na presente importação, uma vez que Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/200719 Acórdão n.º 3402002.955 S3C4T2 Fl. 272 7 o imposto só será devido pela empresa na eventual saída dos bens de seu ativo fixo, conforme expressa determinação legal. 2.2 DA NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS NA PRESENTE IMPORTAÇÃO. Caso ultrapassada a questão do diferimento o que se admite apenas a título de mera argumentação ainda assim o ICMS não poderia fazer parte da base de cálculo da COFINS no caso em discussão. A Recorrente adquiriu os bens importados mediante arredamento mercantil, com a opção, ao final do contrato, de adquirir ou não os produtos. (...) o ICMS não incide sobre operações resultantes de arrendamento mercantil, conforme dispõe de forma expressa o Regulamento do ICMS do Estado do Pará, aprovado pelo Decreto 4676/2001. (...) o ICMS só será devido se o arrendatário, in casu, a Recorrente, exercer a opção de compra, seja antes ou no final do contrato. Com efeito, no presente caso, sequer há de se falar em ICMS devido pela Recorrente, uma vez que os bens foram adquiridos mediante arredamento mercantil, hipótese essa em que o RICMS prevê expressamente em seu art. 5o, inciso VIII, a não incidência do imposto. Assim, em face da não incidência do ICMS na importação realizada pela Recorrente, não há dúvidas de o imposto estadual não pode fazer parte da base de cálculo da COFINS, como erroneamente quer fazer crer a fiscalização. 3 DA IMPOSSIBILIDADE DO ICMS, PIS E COFINS FAZEREM PARTE DO VALOR ADUANEIRO. DA ILEGALIDADE DA LEI 10.865/2004. Ademais, o ICMS e o PIS/COFINSIMPORTAÇÃO não poderiam ser incluídos na base de cálculo da COFINS Importação, uma vez que jamais poderiam ser abrangidos pelo conceito de "valor aduaneiro", tudo em consonância com ampla jurisprudência e doutrina favoráveis ao contribuinte, bem como pela legislação pertinente ao tema, que será melhor exposto a seguir. Verificase pela simples leitura dos dispositivos acima que tal autorização constitucional era para que a contribuição incidisse sobre o valor aduaneiro, porém, de fato, não foi isto que se verificou na Lei n° 10.865/2004. O legislador ordinário, motivado por sua voracidade arrecadatória e ao arrepio dos princípios e normas de nosso ordenamento, extrapolou o seu poder regulamentar e elegeu uma base de cálculo diversa daquela autorizada pela Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Constituição para as referidas contribuições, tornandoas não oponíveis aos contribuintes, por absoluta inconstitucionalidade. (...) o valor aduaneiro nada mais é do que o valor da transação, que corresponde ao valor da mercadoria, crescido dos custos e despesas decorrentes da importação. Por conseguinte, depreendese pela comparação feita entre as redações dos artigos, que a base de cálculo estipulada pelo artigo 7o da Lei n.° 10.865/2004 extrapolou de maneira flagrante a matriz constitucional do Pis Importação e Cofins Importação, posto que além de considerar o valor aduaneiro (previsto no artigo 77, do Decreto 4.543/2002), incluiu outros valores que não coadunam com o conceito técnico, quais sejam: o valor do ICMS e das próprias contribuições. Por outro lado, deve ser observado que os conceitos utilizados no Direito Tributário por expressa determinação dos artigos 109 e 110 do CTN, não podem ser alterados (...). No caso em tela, o legislador modificou o conceito de valor aduaneiro para alargar a base de cálculo das contribuições. (...) Desta forma, podese afirmar que a figura tributária criada pela Lei n.° 10.865/2004, não são as contribuições sociais que têm como base de cálculo o valor aduaneiro e, portanto, autorizada pela Constituição Federal, mas, na verdade, tratase de uma inovação, de outras contribuições incidentes sobre a importação. Nestes casos, a jurisprudência do egrégio Supremo Tribunal Federal é assente em afirmar que a exigência de contribuições sociais sobre grandezas que não esteiam autorizadas pela Constituição Federal, dependerá da edição de Lei Complementar, por força do art. 195, § 4o, c/c 154,1, ambos da CF/88. O que não se apresenta no presente caso, posto ser a Lei n° 10.865/2004, Lei Ordinária. E ainda, em razão do disposto no art. 154 (CF/88), tais novas contribuições trazem como prérequisitos a não cumulatividade e que não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios daquelas já discriminadas (incisos I à IV do art. 195, art. 239, da CF/88). Ante ao exposto, percebese que a base de cálculo descrita no art. 7°, inciso I, da Lei n° 10.865/04, diverge frontalmente daquela permitida pelo art. 149, § 2o, III, 'a', c/c art. 195, IV, todos da Constituição Federal. E diante disso, impõese à declaração de inconstitucionalidade da exigência das contribuições na forma implementada pela Lei n° 10.865/2004, que deve ser desde logo afastada na sua totalidade, uma vez que não observa o parâmetro do art. 149, § 2o, III, 'a', da Constituição Federal, já que tratou, em verdade, de criação de tributos novos, malferindo os artigos 154, I c/c 195, § 4o, da Constituição Federal. 4 DA IMPOSSIBILIDADE DO ICMS FAZER PARTE DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS EM RAZÃO DA Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/200719 Acórdão n.º 3402002.955 S3C4T2 Fl. 273 9 VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA INDELEGABILIDADE DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA Além do já exposto anteriormente, devese considerar, ainda que o procedimento do Auditor Fiscal de incluir na base de cálculo do PIS e da COFNS o valor do ICMS, não está de acordo com os regramentos constitucionais relativos à segurança jurídica e à indelegabilidade da competência tributária. Com tal inclusão, não há certeza jurídica sobre o valor do tributo devido, já que seu cálculo vai depender da apuração de imposto instituído e cobrado por legislação dos Estados. É certo que cada ente da Federação exerce as competências previamente delimitadas na Constituição, assim, a Lei n° 10.865/04 incorreu em inconstitucionalidade no momento em que permitiu, por vias oblíquas, que houvesse a modificação do valor da contribuição tributo de competência da União através de legislação estadual. Feitas tais considerações, outro aspecto que merece análise é o fato de que integram a base de calculo do ICMS importação o valor das próprias contribuições, ou seja, para que se apure o valor do ICMS é necessário que se saiba previamente o valor das contribuições para o PISImportação e COFINS Importação (art. 12 da Lei Complementar n.° 87/96, com redação dada pela Lei Complementar n.° 114/2002). Tal disposição dá inicio a uma operação aritmética cíclica que, à margem da complexidade no seu entendimento, apresentase, aparentemente sem solução. E não obstante tenham os Tribunais admitido pela validade das chamadas base de calculo "por dentro", para o caso concreto resta demonstrada a impossibilidade de se apurar corretamente o valor a ser pago pelo tributo, o que gera um incerteza incompatível com os princípios que orientam o direito tributário, mormente, quanto a necessidade de permitirse o planejamento tributário e a segurança do contribuinte. Tendo sido a recorrente intimada por duas vezes para sanear irregularidade de representação processual, atendeu somente à primeira intimação. Entendeu a autoridade preparadora que os documentos que constavam nos autos não eram suficientes para comprovar a legitimidade de representação do signatário do recurso voluntário, nesses termos: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Senhor Chefe da Sarac, Prazo de 20(vinte) dias esgotado sem manifestação do contribuinte. Cumpre informar que a procuração particular emitida em 09/11/06 (fl.129) não pode ser considerada para legitimar os poderes de representação do Senhor Leonardo Menescal na data da apresentação do recurso voluntário em Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 15/09/2014 porque, segundo consta na Ata da Assembleia de 31/05/05 (fls.78/80), o mandato do Senhor Rômulo Maiorana como Diretorpresidente, condição que o autorizava a representar a empresa judicialmente e extrajudicialmente (Art. 19, do Estatuto fls. 250/253), expirou em 30/04/08. A procuração apresentada às fls. 242/244, por se tratar de procuração particular, também padece de falta de comprovação dos poderes do outorgante, Sr. Rômulo, da condição de representante da empresa, porque o documento apresentado para comprovar essa condição, Ata da Assembleia de 17/11/11 (fl.254), informa que o seu mandato expirou em 30/04/14. À sua consideração. (...) É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Não obstante as ressalvas apontadas pela autoridade preparadora quanto à representação processual da recorrente, entendo que a procuração que já constava nos autos por ocasião da impugnação, emitida em 09/11/2006 (fl. 129) pode, sim, ser considerada para legitimar os poderes de representação do Senhor Leonardo Alcantarino Menescal, na data da apresentação do recurso voluntário em 15/09/2014. Embora, como afirmou a autoridade preparadora, "o mandato do Senhor Rômulo Maiorana como Diretorpresidente, condição que o autorizava a representar a empresa judicialmente e extrajudicialmente (Art. 19, do Estatuto fls. 250/253), expirou em 30/04/08", no momento da assinatura da Procuração da fl. 129/130, o Senhor Rômulo Maiorana, como representante legal da empresa recorrente nessa época, detinha poderes para outorgar procuração ao Senhor Leonardo Alcantarino Menescal, que veio posteriormente a ser signatário do recurso voluntário. Nessa linha, o Tribunal Superior do Trabalho Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, no Processo Nº TSTAIRR103668.2010.5.03.0018, em 13/06/2013, acolheu os embargos e declarou a regularidade da procuração outorgada às advogadas pela diretoria anterior àquela com mandato à época da interposição do agravo de instrumento, conforme ementa e parte do Voto do Ministro Vieira de Mello Filho ora transcritos: RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 11.496/2007 – AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO CONHECIDO – IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO – MANDATO AD NEGOTIA COM VALIDADE EXPIRADA – MANDATO AD JUDICIA VÁLIDO. A extinção do mandato da diretoria da empresareclamada não invalida os atos legitimamente praticados na vigência do instrumento. Dessa forma, a procuração judicial outorgada pela empresa continua em vigor mesmo após a alteração dos membros da diretoria. Logo, no caso dos autos, regular a representação processual da reclamada no ato da interposição do agravo de instrumento, subscrito por advogadas constituídas mediante procuração judicial e substabelecimentos outorgados Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/200719 Acórdão n.º 3402002.955 S3C4T2 Fl. 274 11 durante a vigência da procuração ad negotia carreada aos autos. Recurso de embargos conhecido e provido. (...) 2 MÉRITO A Turma declarou irregular a representação das advogadas que assinaram o agravo de instrumento da reclamada, pois expirada – antes da interposição do recurso a procuração ad negotia conferida pela empresa àqueles causídicos que posteriormente substabeleceram seus poderes até, por fim, tornar habilitadas as mencionadas advogadas. Todavia, o fato de ter se extinguido o mandato da diretoria da empresa não invalida os atos por ela legitimamente praticados na vigência do instrumento, inclusive as procurações judiciais outorgadas para a defesa de seus interesses em juízo. Entendimento contrário conduziria ao contrassenso de se exigir a ratificação de todos os atos anteriormente praticados por pessoas jurídicas cada vez que a composição de sua diretoria fosse alterada, o que indubitavelmente implicaria incerteza e instabilidade nas relações jurídicas. (...) Ressaltese que, como mencionado, eventual eleição de diretoria distinta da anterior não invalida o instrumento procuratório passado regularmente, se não houver manifestação expressa da parte contrária, como no caso dos autos. É evidente que quem praticou o ato (outorga de poderes judiciais) foi a pessoa jurídica, por meio de seus representantes legais, e não as pessoas naturais que compõem a diretoria da empresa. Logo, concluise que o prazo de validade da procuração ad judicia independe da duração do mandato negocial conferido aos diretores da sociedade que a representaram naquele ato. Nessa quadra, embora expirada a validade da procuração negocial à época da interposição do agravo de instrumento, permanecem válidos os poderes outorgados às advogadas subscritoras do recurso. Destaquese que não restou consignado que as procurações ad judicia carreadas aos autos possuíssem previsão de expiração de sua validade. [grifos desta Relatora] Assim, considero que não há irregularidade na representação processual do recurso voluntário, eis que a outorga de poderes da empresa para o signatário desse recurso deuse por intermédio de legítimo representante da empresa à época da assinatura da Procuração. Atendidos também aos demais requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Como já relatado, o julgador de primeira instância não conheceu das alegações da contribuinte relativas à alíquota da Cofins aplicável à espécie, vez que a contribuinte se valeu do instituto da consulta fiscal para dirimir essa questão, encontrandose, assim, vinculada à resposta dela emanada. A recorrente não apresentou defesa no recurso voluntário quanto ao eventual descabimento do não conhecimento da matéria pelo julgador de primeira instância, apenas repisando os argumentos já trazidos na impugnação quanto à legitimidade da alíquota de 3% de para a Cofins, ao invés da alíquota de 7,6% sustentada pelo Fisco. Não há que se olvidar que o recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas tratados na decisão que pretende reformar, nos termos do art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Assim, não conheço das alegações da recorrente quanto à incorreção da alíquota adotada pelo Fisco, cuja diferença é objeto de exigência no presente auto de infração, devendo ser mantida a decisão de primeira instância que não conheceu a matéria em face de ter sido objeto de consulta eficaz pela contribuinte, eis que não foi objeto de contestação expressa pela recorrente. Quanto à impossibilidade de os contribuintes tributados pelo lucro presumido utilizarem o valor pago das contribuições incidentes na importação como créditos para o pagamento das contribuições "normais", bem quanto à base de cálculo das contribuições, por força do Regimento Interno do CARF, este Colegiado está vinculado ao que restou decidido pelo STF no RE nº 559.937, com repercussão geral decretada, cuja ementa se reproduz a seguir: EMENTA: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/200719 Acórdão n.º 3402002.955 S3C4T2 Fl. 275 13 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. [grifos desta Relatora] Sendo assim, independentemente da análise dos demais argumentos da recorrrente, entendo que devem ser excluídos da base de cálculo da Cofinsimportação o valor Fl. 281DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 do ICMS e o valor da própria contribuição, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Assim, em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela relativa ao ICMS e o valor da própria contribuição. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 282DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10320.003164/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 03 16 4/ 20 10 -1 8 Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/201018 Resolução nº 1301000.281 S1C3T1 Fl. 3.268 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Imposto de Renda na Fonte (IRF), relativas aos anos calendário de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas. Sirvome de fragmentos do relatório constante na decisão de primeira instância para descrever os fatos apurados e as razões de defesa trazidas em sede de impugnação. [...] Conforme a descrição dos fatos, contida no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 134/148), que integra os autos de infração, a ação fiscal foi motivada por determinação judicial constante do ofício n° 449/2007/SEPOD/lªVara/JF/MA, de 26/02/2007, e no curso desta foram constatados fatos a seguir relatados. A empresa autuada tem por objeto a atividade de fomento mercantil, ou "factoring", atividade esta voltada ao fomento dos negócios mercantis de outras empresas, aliando prestação de serviços à compra de ativos financeiros gerados pelas vendas a prazo por estas realizadas. Contudo, os elementos colhidos nos autos revelam que ela, na verdade, foi criada apenas para interagir, como fonte de financiamento, com as empresas do Grupo Empresarial Mirante, conclusão a que se chega a partir das seguintes constatações: 1. A fiscalizada tem por domicílio uma dependência (sala) localizada no mesmo prédio onde funciona outras empresas do chamado Grupo Mirante, tais como TV Mirante, Rádio Mirante, Jornal O Estado, Gráfica Escolar, dentre outras, localizada à Av. Ana Jansen 200, bairro São Francisco, em São Luís/MA, 2. A fiscalizada tem como sócios a Sra. Teresa Murad e o Sr. João Odilon Soares Filho; 3. A Sra. Teresa Murad é cônjuge do Sr. Fernando Sarney, sócio das várias empresas que compõem o chamado Grupo Mirante. Já o Sr. João Odilon Soares Filho é quem gerencia a fiscalizada, além de várias outras empresas do Grupo Mirante; 4. Segundo o Sr. João Odilon Soares Filho, toda a contabilidade das empresas que compõem o Grupo Mirante, inclusive a São Luís Factoring, é feita de forma centralizada. 5. A fiscalizada não possui funcionários registrados, sendo encarregados das suas atividades o Sr. João Odilon Soares Filho e a Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa; 6. As operações de factoring realizadas pela fiscalizada são feitas, em sua maioria, com as empresas do Grupo Mirante, em especial com a TV Mirante e a Gráfica Escolar; 7. A contabilidade da fiscalizada indica como devedores decorrentes das operações de factoring, as próprias empresas (fomentadas) que lhe vendem os títulos e não os seus clientes (sacados) constantes dos borderôs; Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/201018 Resolução nº 1301000.281 S1C3T1 Fl. 3.269 3 8. De acordo com os recibos apresentados, as quitações dos títulos junto à fiscalizada são realizadas diretamente pelas empresas contratantes das operações de factoring, e não pelos clientes sacados; 9. Na contabilidade da TV Mirante e da Gráfica Escolar, a fiscalizada figura no Grupo do Ativo Circulante, em subconta da rubrica "Banco C/Movimento", como se fora mais um agente financeiro dessas empresas. A empresa autuada registrou diversas operações contabilizadas como aquisições de direitos creditórios ("factoring"), cujos títulos não possuíam lastro em operações mercantis praticadas pelas empresas ditas como cedentes, uma vez que as mesmas não realizavam vendas a prazo, necessárias à geração dos direitos ditos como cedidos, conforme a seguinte descrição: 1. A sociedade empresária M S Campos e Cia Ltda. constituise de uma pequena oficina mecânica e teria realizado "operações de factoring" mediante cessão de títulos para a empresa autuada, nos anos de 2004 a 2008, da ordem de R$ 2.859.044,00, embora seu faturamento fosse decorrente apenas de vendas à vista e sua receita, nesse período, foi de apenas R$ 517.615,67. Ademais, em vários borderôs apresentados como comprobatórios dessas operações, consta como cliente (sacado) o nome da Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa, que é sócia administradora da própria M S Campos Ltda., juntamente com seu irmão Miguel Silva Campos, e é também administradora da empresa de factoring autuada. Diversos cheques emitidos pelo autuado, nominais a M S Campos Ltda, a pretexto de compra de títulos da mesma, foram descontados sob endosso da Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa, ou seja, sem indicação que tivessem sido depositados na conta da beneficiária, enquanto outros cheques, também emitidos a pretexto de operações de factoring com a M S Campos Ltda, têm por beneficiário a própria emitente (São Luis Factoring) ou a Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa ou ainda sua irmã Maria Raimunda Campos Barbosa. 2. o empresário individual S de Sousa Neto teria realizado operações de factoring mediante a cessão de créditos para a fiscalizada no ano de 2008 no valor de R$ 255.433,21. No entanto, à época em que esses fatos teriam ocorrido, aquela empresa já não mais existia, pois havia sido extinta por liquidação voluntária na data de 12/09/2002, estando essa firma, de igual modo, com sua inscrição baixada no cadastro do CNPJ. Ademais, na grande maioria dos borderôs apresentados, a exemplo do já visto nos borderôs da M S Campos Ltda, aparece na condição de "sacado" dos títulos supostamente negociados o nome da Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa que, além de ser a administradora da São Luis Factoring, é a esposa do Sr. Sebastião de Sousa Neto, titular da empresa em tela. Outras irregularidades podem ser verificadas nos aditivos relativos aos borderôs emitidos em nome dessa empresa: ausência de assinatura da parte contratada e assinatura do representante da São Luís Factoring, Sr. João Odilon Soares Filho, tanto pela parte da contratada como pela parte da contratante. 3. Salientese que a fiscalização foi autorizada, por determinação judicial, a consultar os extratos das contas bancárias mantidas pela Sra. Luzia, no período de 2004 a 2008, e verificou que esta não dispunha de saldos suficientes para os pagamentos dos títulos por ela emitidos em favor das empresas M S Campos e Cia Ltda e S de Sousa Neto, relacionados nos citados borderôs, com o agravante de que os cheques ditos como utilizados nesses supostos pagamentos, com raríssimas exceções, nem mesmo foram descontados. 4. A sociedade empresária T & P Comércio e Dist. Ltda teria realizado operações com a fiscalizada nos anos de 2004 a 2008, mediante cessão de crédito, em cujos borderôs consta como único sacado a própria empresa contratante. Essa circunstância caracteriza empréstimo lastreado em título de crédito e não "factoring", que permite Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/201018 Resolução nº 1301000.281 S1C3T1 Fl. 3.270 4 apenas aquisição de direitos creditórios. Ademais, verificamse irregularidades nos aditivos, sem assinatura ou com a mesma assinatura do Sr. João Odilon Soares Filho (representante da São Luís Factoring) consignada tanto no papel de contratada como de contratante. Intimada a apresentar seus livros contábeis para se atestar a veracidade das operações com a São Luis Factoring, a T & P Comércio e Distribuição LTDA limitou se a trazer seus blocos de notas fiscais e alguns contratos de prestação de serviços, informando que não dispunha de livros contábeis e que os pagamentos dos serviços prestados eram feitos diretamente em contacorrente da empresa (fls.644 a 646). Em nova intimação, desta feita para esclarecer se nos anos de 2004 a 2008 havia prestado serviços com recebimentos a prazo e para que, se fosse o caso, juntasse a documentação correspondente (duplicatas, nota fiscal, fatura, etc) e informasse quais deles teriam sido negociados em operações de factoring, o representante da T & P limitouse a informar que no citado período todas as notas fiscais de serviços haviam sido emitidas diretamente contra seus clientes sem a emissão de duplicatas, utilizando algumas vezes o procedimento da emissão de cheques da própria empresa ou de seu titular, correspondente ao valor ou parte das notas fiscais a receber, cujos cheques foram negociados com empresa de factoring para suprir problemas com fluxo de caixa (fls. 647 a 650). Examinando os blocos de notas fiscais entregues pela T & P, constatouse que aproximadamente 96% dos serviços por ela prestados foram destinados à Gráfica Escolar S/A, ligada ao grupo empresarial Mirante, e num cotejamento feito por amostragem nos assentamentos contábeis desta empresa, verificouse que os pagamentos realizados pela tomadora dos serviços eram feitos à vista (fls. 651 a 762). 5. o empresário individual R F D da Costa teria negociado títulos em operações de factoring com o autuado nos anos 2005 e 2006 (fls. 1709 a 1836), no entanto, a empresa apresentou à Receita Federal declarações de inatividade (fl. 777) para o mesmo período. Intimada a apresentar seus livros contábeis relativos aos anos 2005 e 2006, a empresa limitouse a mostrar o livro caixa do ano de 2004 (fls. 771 a 773). Tendo sido mais uma vez intimada a apresentar os livros de 2005 e 2006, informou que suas atividades estavam paralisadas desde 2004, não dispondo dos citados livros (fls. 774 a 775). 6. A sociedade empresária Arms Vigilância Ltda. teria negociado títulos em operações de factoring com o autuado no ano de 2004, no valor total de R$238.034,31 (fls. 1531 a 1708), apesar de ter apresentado declaração de rendimentos (DIPJ) em branco. Por outro lado, consultando informações sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) (fls. 792 a 793), verificouse que, ano 2004, essa empresa teve por principal cliente o SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, para o qual as faturas são emitidas à vista, não gerando, portanto, direitos creditórios que pudessem ser negociados em operações de factoring. Ademais, em todos os borderôs emitidos em nome dessa empresa, consta uma mesma espécie de título, cujo sacado é sempre o Sr. Silvino Ezon Pinto Ferraz, cônjuge da Sra. Heloísa Helena Nunes dos Santos Ferraz, que é sócia da referida empresa. Também depõem contra a idoneidade dessas operações o fato do contrato de fomento mercantil n° 25 não ter assinatura da cedente dos títulos (fls. 779 a 786) e de vários aditivos de borderôs não conterem assinatura do representante da contratada ou serem assinados pela mesma pessoa, tanto figurando como contratante quanto como contratada, no caso, o Sr. João Odilon Soares Filho, representante da São Luis Factoring (fls. 1532, 1544, 1562, 1581, 1664 e 1702). Cabe registrar que a empresa Arms Vigilância foi intimada e reintimada a apresentar seus livros contábeis relativos ao ano 2004, mas não os apresentou e tampouco apresentou justificativa (fls. 787 a 788). Considerando tais fatos, as operações de factoring foram descaracterizadas pela fiscalização, por inexistirem títulos idôneos que as comprovassem, e foram realizados lançamentos por omissão de receitas, configurada em dois momentos: pagamentos sem Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/201018 Resolução nº 1301000.281 S1C3T1 Fl. 3.271 5 comprovação das operações que lhes deram causa e suprimentos financeiros de origem não comprovada. Transcrevese trecho da conclusão contida no TVF: Conforme relatado no item precedente, as operações ditas como praticadas com as empresas acima listadas, a título de factoring, não se conformam com a realidade e estão eivadas de vícios que desqualificam os fatos que elas pretendem retratar na contabilidade da fiscalizada, impondose, por conseqüência, considerarse que os respectivos pagamentos, consignados na conta "Caixa", não possuem comprovação das operações que lhes deram causa, cominando na espécie o disposto no art. 61, caput e §1º da Lei 8.981/95, para fins de tributação do imposto de renda na fonte sobre os desembolsos escriturados. Os valores tributáveis constam de planilha própria denominada "DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS SEM CAUSA 2004 A 2008 E DO REAJUSTE DA BASE DE CÁLCULO BC, PARA EFEITO DO IR FONTE (ART. 61 § 3° LEI 8981/95)" (fls. 1521 a 1530), integrante do presente Termo. De igual modo, na parte referente aos registros das quitações dessas supostas operações, cujos recebimentos foram contabilizados a crédito das contas de "títulos a receber" das empresas MS Campos e Cia Ltda, S de Sousa Neto, RFD Costa e T & P Comércio e Dist. Ltda e Arms Vigilância Ltda.e a débito da conta caixa/banco, seus valores devem ser considerados como originários de operações não comprovadas, dado que, até por um princípio de coerência, não se admitindo a existência fática da aquisição, por parte da fiscalizada, dos direitos creditórios dessas empresas, também não há como se admitir a ocorrência das respectivas quitações junto àquela empresa, razão pela qual os recebimentos contabilizados a esse título, devem ser considerados como suprimentos financeiros de origem não comprovada, caracterizadores de receitas omitidas, na forma dos artigos arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). Os valores tributáveis constam de planilha própria denominada "DEMONSTRATIVO DOS SUPRIMENTOS DE CAIXA CONTABILIZADOS A TÍTULO DE QUITAÇÕES DE OPERAÇÕES DE FACTORING ANOS DE 2004 A 2008" (fls. 1953 a 1979) integrante do presente Termo. A qualificação da multa de ofício foi assim motivada, conforme a conclusão do referido TVF: Cabe por fim a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II da Lei 9.430/96, alterada pela Lei 11.488/2007, tendo em vista o evidente intuito de fraude caracterizada pela prática de simulação nos registros contábeis da fiscalizada, a encobrir saídas e entradas de recursos financeiros com destinação e de origens, respectivamente, diversas das que foram retratadas na sua escrituração, conforme amplamente exposto no presente Termo. Cientificado pessoalmente dos presentes autos de infração, em 14 de outubro de 2010 (fls. 2, 67, 80, 100 e 121), o contribuinte apresentou impugnação em 16 de novembro de 2010, cuja tempestividade é afirmada no despacho de fl. 4.211. Em sua defesa, o contribuinte alega que: 1. já havia caducado o direito de constituir créditos tributários com fato gerador anterior a outubro de 2005; 2. declarou toda a movimentação financeira relativa às operações de factoring que realizou e recolheu todos os tributos incidentes, não sendo relevante a mudança na natureza dessas operações; 3. algumas operações não geraram movimentação financeira por se tratarem de mera renovação de empréstimo; Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/201018 Resolução nº 1301000.281 S1C3T1 Fl. 3.272 6 4. todas as operações existiram de fato e estão comprovadas por farta documentação; 5. a recusa dos documentos apresentados configura indevida inversão do ônus da prova; 6. a exigência de tributo sobre base de cálculo já oferecida à fiscalização constitui bis in idem; 7. a reduzida capacidade financeira das empresas que contrataram com o impugnante não é suficiente para desacreditar as operações realizadas, ensejando apenas uma auditoria fiscal naquelas empresas; 8. não há que se falar em pagamento a beneficiários não identificados quando todos os contratantes estão identificados nos documentos apresentados; 9. é improcedente o lançamento sobre todos os valores recebidos quando o resultado da empresa se dá pela diferença entre valores pagos e valores recebidos; 10.o lançamento tem como base um arbitramento de receitas contrário à legislação; 11 .o autuante não demonstrou o intuito de fraude necessário para a qualificação da multa de ofício, sequer demonstrou o fato gerador que seria ocultado pelo procedimento do impugnante; 12. a imposição da alíquota de 35% sobre o valor bruto do pagamento já importa em penalidade ao contribuinte, de forma que a aplicação de multa de ofício dobrada equivale a uma tripla apenação do impugnante; 13.a multa aplicada fere os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da livre iniciativa, caracterizando verdadeiro confisco; 14. a taxa SELIC tem natureza remuneratória de títulos, razão pela qual não se pode admitir sua utilização pela Fazenda Pública como índice de correção monetária de tributos; Por fim, requer a produção de prova pericial, a juntada posterior de documentos, o reconhecimento da decadência indicada, a improcedência material do lançamento, o cancelamento da multa qualificada, o afastamento da taxa Selic e dos juros sobre a multa de ofício. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 0821.065 de 07 de junho de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários, em virtude do reconhecimento de caducidade do direito de se efetuar o lançamento relativamente a determinados fatos geradores. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. A falsa operação de factoring importa omissão de receita do valor recebido, quando o sujeito passivo não comprova a verdadeira causa do negócio jurídico. PAGAMENTOS SEM CAUSA E SEM BENEFICIÁRIO IDENTIFICADO. Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/201018 Resolução nº 1301000.281 S1C3T1 Fl. 3.273 7 Os pagamentos sem causa e sem beneficiário identificado sujeitamse à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas, o que decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Já foi pacificado, na esfera administrativa, que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECADÊNCIA . O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como nos casos de tributos sujeitos exclusivamente a lançamento de ofício. CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao órgão administrativo de julgamento a discussão de constitucionalidade de lei, que está devidamente fundamentando o lançamento tributário, salvo quando ela já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, quando haja autorização em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, quando haja autorização em súmula da AdvocaciaGeral da União ou quando haja autorização em parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 4.283/4.3401, em que, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, aduz que a Turma Julgadora de primeira instância deixou de apreciar questão relevante trazida em sede de impugnação, implicando em nulidade do ato decisório recorrido, e que houve cerceamento do direito de defesa em virtude do indeferimento do pedido de perícia. Por meio de documento protocolizado em 04 de março de 2013, fls. 4.631/4.643, a contribuinte, alegando surgimento de “fato novo”, argumenta que “o egrégio STJ anulou todas as provas que embasaram o auto de infração hostilizado, o qual sem elas não subsiste, razão pela qual o Recurso Voluntário deve ser imediatamente provido por este egrégio Conselho”. É o Relatório. 1 Numeração do arquivo digital. Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/201018 Resolução nº 1301000.281 S1C3T1 Fl. 3.274 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Relacionase a lide com exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Imposto de Renda na Fonte (IRF), relativas aos anos calendário de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas. Diante da informação trazida pelo Representante Legal da Recorrente no sentido de que houve pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da ilicitude da prova que serviu de fundamento para os lançamentos tributários, acompanho a manifestação do Colegiado de que, por prudência, devese analisar a documentação correspondente, supostamente protocolizada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em vista do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Câmara junte aos autos a documentação protocolizada pela contribuinte após a interposição do recurso. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900986/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente.
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 98 6/ 20 06 -9 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201000.629 S3C2T1 Fl. 74 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Per/Dcomp, (30001. 95157. 150903. 1. 3. 044057) transmitida em 15/09/2003, onde foi verificado que o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos informados. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual aduz que o Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, foi preenchido incorretamente, tendo faltado a informação nos campos “Informado em Processo Administrativo Anterior” e “Número do Processo” . Informa, ainda, que a DCTF do período de apuração foi preenchida incorretamente, tendo a retificação sido efetuada de acordo com a Intimação nº. 73/2008 de referido processo. Termina por afirmar que estão anexadas as fotocópias do Despacho Decisório do Processo nº. 13973.000286/200329 e da intimação nº. 73/2008, protocolada em 22/02/2008 e que resta demonstrado o erro no preenchimento e a suficiência de saldo. Requer, por fim, que seja retificada a Per/Dcomp e acolhida a impugnação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS n° 0721.893, de 29/10/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis /SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, tendo em vista que para a compensação ter validade, a mesma demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201000.629 S3C2T1 Fl. 75 3 Porém, verificase claramente no Despacho Decisório datado de 24/06/2008, o reconhecimento do direito creditório, e que o PER/DCOMP tratado neste processo, só não foi homologado em virtude de ter tido um Despacho Decisório eletrônico anterior, e que diante disso, deveria ser julgado na manifestação de inconformidade apresentada. Ocorre que diante das informações relevantes deste último Despacho Decisório, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos princípios da economicidade, eficiência e moralidade (que devem ser observados pela Administração Pública), poderia ter cancelado o Despacho Decisório eletrônico e homologado todas as Declarações de Compensação informadas na intimação n° 73/2008. Desnecessário, portanto, toda esta discussão diante de um direito creditório líquido e certo. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de Declaração de Compensação – Per/Dcomp, transmitida em 15/09/2003, onde foi verificado que o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, logo, não restando créditos para compensação dos débitos, ora tratados. Rebate a recorrente que só não foi reconhecido o seu direito creditório, em face de ter sido Despacho Decisório eletrônico anterior, e que diante disso, deveria ser julgado na manifestação de inconformidade apresentada. Vide trecho do despacho decisório acima referido: Importante também ressaltar que as PER/DCOMPs de n° 30001.95157.150903.1.3.044057, 10355.33898.151003.1.3.047730 e 00818. 62128151203.1.3.041743não estão sendo tratadas no presente processo, em virtude de terem sido não homologadas previamente, conforme Despachos Decisórios de fls. 35 a 37, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos dos §§ 7o e 9o do art. 74 da Lei 9.430/1996 (fls. 38 a 40). A Per/Dcomp de nº 30001. 95157. 150903. 1. 3. 044057 em discussão, nos autos, não foi homologada, conforme trecho do despacho acima, logo, não havia crédito inconteste. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201000.629 S3C2T1 Fl. 76 4 Como ressalta a própria decisão de primeira instância, não obstante a recorrente ter retificado a DCTF (em 20/02/2008), mas quando do pedido de compensação (em 15/09/2003), a mesma não possuía liquidez e certeza que pudesse ser objeto de repetição: Em que pese o fato da interessada ter retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. Como se constata nos autos, a contribuinte retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuía a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Verificase, que através do processo de n° 13973000286/200329 (cópia trazida pela recorrente), através da intimação de n° 73/2008 (em 06/02/2008), a fiscalização observava divergência de valores informados entre a DCTF e DIPJ: Verificamos, entretanto, que essa empresa informou, em DCTF, ter apurado, no período acima, débito equivalente aos pagamentos relacionados (R$ 115.567,51). Já na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2003, ano calendário 2002, o valor apurado de PIS em novembro de 2002 foi de R$ 89.572,70. No Despacho Decisório consta a informação que a recorrente responde que a DCTF do período foi preenchida incorretamente, tendo sido providenciada a sua retificação e que o valor correto do débito de Pis de novembro de 2002 correspondeu a R$ 89.572,70, apresentando cópias do razão das contas de receita do período. Ressaltese que em sua defesa, o contribuinte trouxe aos autos referência do outro processo a DCTF retificadora, com recibo de entrega em 20/02/2008, ou seja, em momento posterior à apresentação do Per/Dcomp. Não obstante, retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório, já comentado. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que se apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. Várias são as decisões proferidas pelo CARF que têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis e neste caso, dos autos, a origem do erro de apuração do débito retificado, não foi apresentado com essa documentação. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201000.629 S3C2T1 Fl. 77 5 E mais, não custa nada lembrar, que a discussão acima é o que o Despacho decisório, DCTF retificadora referemse a outro processo, que a recorrente traz cópia na tentativa de comprovar a liquidez da compensação, ora tratada. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do CTN Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Pois bem, como está disposto de forma literal no artigo 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que não se verifica no presente caso, motivo pelo qual tal compensação não foi homologada. Exemplo desse entendimento é o Acórdão de n° 3802001.290, de 25/09/2012, de relatoria de José Fernandes do Nascimento, cuja ementa (parte) dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (....) Logo, como se constata nos autos, a recorrente retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuía a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/200695 Resolução nº 3201000.629 S3C2T1 Fl. 78 6 Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos realizados pela Recorrente, mas integralmente utilizados para quitação de débitos dela própria, não restando, assim, crédito disponível para compensação. Não houve, todavia, antes de prolatada a decisão, intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos sobre o pedido que formulou, muito embora, como se sabe, a Lei n.º 9.784, de 1999, que rege o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF por força do disposto em seu art. 69, determina que o administrado tem, entre outros direitos perante a Administração Pública, o de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão competente (inciso III do art. 3º). Pelo exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para determinar que a unidade de origem promova a intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários e, sendo o caso, profira novo Despacho Decisório a partir dos esclarecimentos e documentos apresentados. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13888.002709/2005-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
Ementa:
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002.
Os recolhimentos de PIS/Pasep-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/PASEPIMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002. Os recolhimentos de PIS/PasepImportação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideramse específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 27 09 /2 00 5- 76 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 3 2 Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de PIS/Pasep, relativo ao terceiro trimestre de 2005. A fiscalização efetuou glosa de créditos de importação de PIS/PasepImportação recolhido de produtos amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Autotmotiva (Recof Automotivo), em razão de que os recolhimentos ocorreram devido à destinação dos produtos ao mercado interno (nacionalização, ou seja, o produto importado foi revendido no mercado interno ou utilizado como insumo em outro produto vendido no mercado interno). Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o regime do Recof; 2. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof, de acordo com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004; 3. Que antes da edição da Lei nº 12.058/2009, não havia disposição legal determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao tipo de receita auferida; 4. A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon.A recorrente apresenta manifestação adicional, reforçando os argumentos quanto à regularidade do rateio efetuado, mencionado no item 3 acima. A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1454.516, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. RATEIO. CONDIÇÕES. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 4 3 Aplicase o rateio proporcional para apuração dos créditos relativos ao mercado interno e à exportação somente para os insumos comuns às mercadorias destinadas a um e outro mercado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão por não ter apreciado as provas e os argumentos de defesa, ou alternativamente, a conversão em diligência a fim de confirmar o alegado pela recorrente e, no mérito, os argumentos já deduzidos na manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente aduziu nulidade por não ter a decisão recorrida apreciado as provas de que os custos são comuns às receitas de exportação e de venda no mercado interno. A recorrente apresentou relação em meio magnético e planilha exemplificativa (doc. 4 da manifestação de inconformidade) contendo duas notas fiscais (uma de exportação e outra de venda no mercado interno na quais se demonstra que um produto adquirido numa mesma DI e nota fiscal de entrada foi revendido no mercado externo e interno, o que seria suficiente para rebater as alegações da autoridade fiscal e da DRJ de que todas as mercadorias seriam destinadas ao mercado nacional. A decisão recorrida assim dispôs: "Portanto, o Recof, em resumo, tratase de um regime de entreposto aduaneiro onde o contribuinte pode importar com suspensão da exigibilidade dos tributos devidos mercadorias destinadas a comporem produtos que serão posteriormente exportados. Caso as mercadorias sejam destinadas ao mercado interno, os tributos suspensos devem ser recolhidos até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação. No caso concreto, a contribuinte destinou as mercadorias cujos insumos foram adquiridos no âmbito do Recof ao mercado interno, sendo assim os tributos passaram a ser devidos, incluídas as contribuições ao PIS e a Cofins na importação, cujo respectivo crédito foi utilizado pela empresa. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 5 4 Como as mercadorias foram internalizadas, a fiscalização entendeu que o crédito somente poderia ser utilizado para descontar das contribuições devidas no mercado interno, glosando a parcela que a contribuinte vinculou ao mercado externo, porquanto o crédito referente à receita do mercado interno pode apenas ser descontado da contribuição devida. A impugnante primeiramente alega que o custo do insumo importado é comum, não está vinculado, porque pode ser utilizado tanto na fabricação de produto destinado ao mercado ao interno como ser exportado, assim não haveria como fazer a apropriação, pois a receita ainda não foi auferida. Todavia, esse crédito, relativo às contribuições sociais pagas na importação, somente surge com o pagamento das contribuições, pois, como restou demonstrado, as contribuições somente são devidas após a internação da mercadoria, até então havia a suspensão dos tributos. Portanto, tal alegação é infundada, pois não há custo comum, já que nesses casos antes da internalização dos produtos ainda não existe esse tipo de crédito, pois somente nesse momento a contribuição passa a ser devida, bem assim surge o crédito, que se refere apenas às mercadorias destinadas ao mercado interno, haja vista que se fossem exportadas não haveria pagamento das contribuições. Há um equívoco por parte da recorrente, que, na realidade, permeia toda a discussão deste processo. Nem a autoridade fiscal nem a DRJ afirmaram que todas as mercadorias adquiridas no âmbito do Recof foram destinadas ao mercado interno, mas sim que todo o crédito decorrente de PIS/PasepImportação e CofinsImportação recolhidos se vinculam a mercadorias destinadas exclusivamente ao mercado interno. Assim, não obstante a planilha demonstrar que as aquisições, no momento em que realizadas no âmbito do Recof, não possuem destinação futura definida, não é este o momento de apropriação de crédito, pois que crédito algum há, haja vista a aquisição com suspensão dos tributos. Este crédito somente surge com o recolhimento do PIS/Pasep Importação e CofinsImportação, o qual somente surge com a destinação das mercadorias ao mercado interno, devidamente segregadas das destinadas ao mercado externo, por exigência normativa do Recof. O fato de a decisão não ter se referido à planilha apresentada pela recorrente não implica a omissão de enfrentamento de razões, pois toda a argumentação da decisão afasta a tese defendida pela recorrente de que o creditamento é comum às receitas de exportação e de venda no mercado interno (embora a aquisição dos produtos houvera sido contabilizada de forma indistinta quando de sua aquisição). Ademais, não há necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada, em observância do princípio do livre convencimento motivado. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3202001.369, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1987, 1990 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 6 5 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Este entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...] 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE Fl. 572DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 7 6 DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Rejeitase, portanto, a preliminar arguida e passase ao mérito. Rateio para os créditos de importação vinculados às receitas de exportação, decorrentes dos recolhimentos de PIS/PasepImportação, quando da nacionalização dos insumos importados ao amparo do Recof. Esclareçase, inicialmente, que as normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições para CofinsImportação, nos termos do artigo 14 da Lei nº 10.865/2004. O regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado estava disposto no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) e foi normatizado pela IN SRF nº 417/20041, vigente à época dos fatos, nos seguintes termos: Decreto nº 4.543/2002: CAPÍTULO VII DO ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO Seção I Do Conceito Art. 372. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (Recof) é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, mercadorias que, depois de submetidas a operação de industrialização, sejam destinadas a exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 1º Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de 1 Revogada pela IN RFB nº 757/2007 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 8 7 industrialização, poderá ser despachada para consumo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 2º A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. Seção II Da Autorização para Operar no Regime Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 1º). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. [...] Seção III Do Prazo e da Aplicação do Regime Art. 375. O prazo de suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação será de até um ano, prorrogável por período não superior a um ano. [...] Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá Fl. 574DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 9 8 quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 3º). Seção IV Da Exigência de Tributos Art. 377. Findo o prazo fixado para a permanência da mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 90, § 2º). Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa o cumprimento das exigências legais e regulamentares para a permanência definitiva da mercadoria no País. Art. 378. Os resíduos decorrentes do processo produtivo poderão ser: I destruídos, sem exigência de tributos, caso não se prestem à utilização econômica; ou II despachados para consumo, com o pagamento de tributos, tendo como base de cálculo o valor que lhes for atribuído em laudo técnico específico, e com a alíquota fixada para a mercadoria correspondente. Art. 379. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos. IN SRF nº 417/2004: Art. 1º A concessão e a aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) serão efetuadas de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º O regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação [...] Art. 22. A admissão no regime de mercadoria importada terá por base declaração de importação específica formulada pelo importador no Siscomex. [...] Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 10 9 a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica [...] Art. 36. Os resíduos do processo produtivo poderão ser exportados ou despachados para consumo, mediante o recolhimento dos tributos devidos na importação, ou destruídos. § 1º Os resíduos para os quais a beneficiária não tenha controle de suspensão de tributos na forma do ato a que se refere o art. 52, despachados para consumo, terão os seus tributos devidos calculados com base na mercadoria geradora de resíduo que tenha, na importação, o maior somatório de tributos com exigibilidade suspensa, por quilograma, consideradas as últimas importações registradas. § 2º O beneficiário deverá separar fisicamente os resíduos para os quais tenha controle na forma do ato a que se refere o art. 52 dos demais resíduos. [...] Art. 37. No caso de destinação para o mercado interno, o recolhimento dos tributos com exigibilidade suspensa, correspondentes às mercadorias importadas, alienadas no mesmo estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, ou aplicadas em serviço de recondicionamento, manutenção ou reparo, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, Fl. 576DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 11 10 mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione o estabelecimento importador. § 1º O IPI com exigibilidade suspensa, relativo às aquisições no mercado interno, será apurado e recolhido na forma da legislação de regência. § 2º A declaração a que se refere o caput será desembaraçada automaticamente pelo Siscomex. [...] Art. 38. Findo o prazo estabelecido para a vigência do regime, os tributos com exigibilidade suspensa, incidentes na importação, correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos com o acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. § 1º Na hipótese deste artigo, para efeito de cálculo dos tributos devidos, as mercadorias constantes do estoque serão relacionadas às declarações de admissão no regime ou às correspondentes Notas Fiscais de aquisição no mercado interno, inclusive de transferência entre beneficiários, com base no critério contábil PEPS. § 2º O pagamento dos tributos e respectivos acréscimos legais, quando espontâneo, não dispensa o registro da DI e o cumprimento das demais exigências regulamentares para a permanência definitiva das mercadorias no País. CONTROLE DO REGIME Art. 45. O controle aduaneiro de entrada, permanência e saída de mercadorias no regime, inclusive em decorrência de substituição do beneficiário ou de movimentação com base em Ambra, será efetuado com base no sistema informatizado a que se refere o inciso III do art. 5 o , 2 integrado aos respectivos controles corporativos e fiscais da empresa interessada. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação fiscal. Art. 46. O sistema informatizado a que se refere o art. 45 estará sujeito a auditoria, nos termos da Instrução Normativa SRF n o 239, de 6 de novembro de 2002. [...] 2 Art. 5 o Para a habilitação de que trata o art. 4 o , a empresa deverá: [...] III dispor de sistema informatizado de controle de entrada, permanência e saída de mercadorias, de registro e apuração de créditos tributários devidos, extintos ou com exigibilidade suspensa, integrado aos sistemas corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da SRF; e Fl. 577DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 12 11 Art. 47. O sistema informatizado do beneficiário habilitado deverá contemplar ainda: I o registro de dados sobre as importações autorizadas no regime realizadas por fornecedores, até a entrada no seu estabelecimento; II o registro de dados de importações em outros regimes aduaneiros especiais e de aquisição no mercado interno de partes e peças utilizadas na fabricação de produto ou aplicadas na prestação de serviços industriais; III o controle do valor dos tributos com exigibilidade suspensa, relacionada às entradas ou transferências de regime de mercadorias importadas, referenciados aos seus documentos de origem, bem assim das formas de extinção das correspondentes obrigações tributárias; e IV a demonstração de cálculo dos tributos relativos aos componentes de produtos transferidos para outros beneficiários, vendidos no mercado interno ou exportados. Art. 48. O controle de extinção dos créditos com exigibilidade suspensa em decorrência da aplicação de outros regimes aduaneiros especiais também observará o critério PEPS, em harmonia com as entradas e saídas de mercadorias. § 1 o O sistema de controle informatizado deverá registrar os inventários de partes e peças existentes em estoque ou na linha de produção antes do início das operações no regime. § 2 o O disposto no § 1 o , para o caso de mercadorias admitidas em regime aduaneiro especial, requer, ainda, a vinculação dos estoques existentes aos respectivos documentos de entrada. § 3 o A exportação de produto, a reexportação de mercadoria admitida no regime ou a prestação de serviço a cliente sediado no exterior, utilizando mercadorias admitidas no regime de que trata esta Instrução Normativa e em outros regimes suspensivos, enseja a baixa simultânea dos correspondentes tributos com exigibilidade suspensa. A recorrente foi autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo) pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 8/2004, parcialmente, transcrito abaixo: Art. 1º Fica a empresa Caterpillar Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 61.064.911/0000177, situada na Rodovia Luiz de Queiroz, Km 157, s/nº, Distrito Unileste Piracicaba/SP, autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo). Art. 2º A autorização referida no art. 1º somente permite a admissão, no Recof Automotivo, de mercadorias estrangeiras destinadas às operações de industrialização dos produtos Fl. 578DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 13 12 relacionados no Anexo I à Instrução Normativa SRF nº 254, de 11 de dezembro de 2002. [...] Art. 5º A admissão de mercadoria no Recof Automotivo darseá com ou sem cobertura cambial e terá por base declaração de importação específica, formulada pela autorizada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, na forma estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002. Art. 6º O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação na DRF/Piracicaba. Art. 7º A autorizada fica obrigada a disponibilizar os relatórios previstos no ADE Conjunto COANA/COTEC nº 1, de 14 de novembro de 2001 , de conformidade com o disposto no art. 49 do ADE Conjunto COANA/COTEC nº 2, de 26 de setembro de 2003 . Parágrafo único. O disposto neste artigo: I não dispensa a autorizada de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o cumprimento dos compromissos de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002; e II não exclui a realização de outros procedimentos fiscais pertinentes. [...] Art. 10. Este ato entra em vigor na data de sua publicação. Verificase que o art. 6º do referido ato determinava o recolhimento dos tributos suspensos correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, mediante o registro da corresponde Declaração de Importação. Já seu art. 7º determinava a disponibilização de relatórios previstos no Ato Declaratório Executivo Conjunto COANA/COTEC nº 1/2001, revogado pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003, o qual especificou os requisitos técnicos para o sistema informatizado de controle aduaneiro. O ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 especificou em seu item 3.7, os requisitos para o controle de suspensão dos tributos incidentes na importação, cujo teor transcrevese: 3.7 Suspensão de Tributos Art. 27 . O controle de suspensão do II e do IPI vinculado à importação e do IPI relativo à aquisição de mercadoria nacional deverá ser feito de modo integrado ao controle de entrada e saída de mercadoria, e abrangerá os valores dos Fl. 579DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 14 13 tributos e as quantidades de mercadorias em estoque e terá por base os documentos fiscais e aduaneiros pertinentes, e a RTM3 quando for o caso. § 1º Cada tributo objeto do controle de que trata este artigo terá quatro contas "Calculado", "Suspenso", "Devido" e "Extinto" que serão registradas segundo o método contábil de partidas dobradas. § 2º As contas de tributo "Suspenso" serão desdobradas em nível de part number4 e cada um terá também uma correspondente conta de quantidade para registrar entrada e saída crédito e débito de mercadoria objeto do controle de suspensão. § 3º O controle de suspensão de que trata este artigo deverá ser estendido para registrar outros tributos ou contribuições administrados pela SRF que vierem a incidir sobre as operações e, a critério do beneficiário do regime, poderá ser utilizado também para controlar o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e o Adicional de Frete de Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). [...] Art. 28. Os lançamentos nas contas referidas no artigo anterior deverão ser escriturados em ordem cronológica e obedecerão as seguintes regras: I pela importação de mercadoria com suspensão de tributos, aquisição de mercadoria nacional de outro beneficiário do Recof que contenha mercadorias admitidas nesse regime, ou pela aquisição de mercadoria nacional com IPI suspenso, será feito: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) crédito na correspondente conta de quantidade; 3 Relação de Transferência de Mercadoria O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle 4 Art. 12. O controle de estoque de mercadoria admitida no regime de entreposto aduaneiro para fins de aplicação nas operações previstas nos incisos II e III do art. 5º da IN SRF nº 241, de 6 novembro de 2002, bem assim o de componente adquirido no mercado nacional para o mesmo fim, será feito de forma integrada ao correspondente controle exercido pelo estabelecimento industrial instalado no recinto alfandegado de uso público, que receba a mercadoria para industrialização. § 1º O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle. § 2º A RTM terá numeração seqüencial única para o recinto, com sete dígitos mais um dígito verificador, correspondendo os dois primeiros ao ano da transferência e outros cinco à seqüência numérica sem repetição e terá como sede de registro e arquivo o sistema informatizado do recinto alfandegado de uso público. § 3º Cada mercadoria, identificada pelo seu part number, será indexada na RTM a um número seqüencial de item, iniciando sempre pelo numeral "0001". Fl. 580DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 15 14 II quando do despacho para consumo de mercadoria importada admitida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou venda para o mercado doméstico de mercadoria nacional recebida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou do registro de saída relativamente à constatação de falta de mercadoria importada admitida no regime, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade. III pela venda de mercadoria nacional admitida no regime de entreposto aduaneiro com suspensão de IPI, em retorno para o mercado interno, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IV quando da exportação de mercadoria no mesmo estado em que importada, inclusive de seu resíduo, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; V pela exportação de mercadoria produzida pelo estabelecimento com componente(s) importado(s) e ou nacional(is), ou pela venda ou transferência definitiva de mercadoria para outro beneficiário do regime, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na(s) conta(s) "Suspenso" do(s) pertinente(s) part number do(s) componente(s) importado(s) e ou nacional(is); b) débito na(s) correspondente(s) conta(s) de quantidade; VI pela baixa relativa à perda de mercadoria até o limite admitido na habilitação: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; b) débito na correspondente conta de quantidade; VII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime sem cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; VIII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime com cobertura cambial, ou de seu resíduo: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 16 15 a) crédito na conta "Devido" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IX pela destinação ao mercado interno, em caráter definitivo, de mercadoria obtida pela desmontagem de outra mercadoria importada admitida no regime: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Devido" da pertinente NCM ou part number referido ao respectivo registro de desmontagem; e b) débito na correspondente conta de quantidade. X quando do pagamento da obrigação tributária, débito na conta "Devido"e crédito na conta "Extinto"; XI pela expiração do prazo de suspensão: a) débito na correspondente conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; b) débito na correspondente conta de quantidade, ao qual deverá corresponder um crédito nos estoques de mercadoria nacionalizada. § 1º O registro de débito/crédito referido nos incisos do caput, além das informações de valor e ou quantidade, deverá conter: [...] § 3º O débito na conta "Suspenso" de qualquer part number, bem assim na respectiva conta de quantidade, obedecerá ainda às regras: I será registrado apenas na data do correspondente embarque na hipótese de exportação, do registro da DI para consumo na hipótese de nacionalização de produto estrangeiro, ou da efetiva saída do estabelecimento em se tratando de destinação ao mercado interno de produto nacional; II o débito de tributo suspenso corresponderá à proporção da quantidade debitada, pela apropriação do respectivo saldo em cada DA/adição/item na hipótese de produto importado, ou de cada nota fiscal/item em se tratando de produto nacional, com obediência ao critério contábil PEPS; III para a mercadoria aplicada em produto industrializado pelo estabelecimento industrial situado em recinto alfandegado, o débito será feito mediante apropriação das quantidades de produto importado relacionadas nas RTM de transferência do estabelecimento industrial para o recinto alfandegado de uso público; e IV as RTM referidas no inciso anterior serão apropriadas pelo critério PEPS por ocasião das exportações ou de Fl. 582DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 17 16 colocação no mercado nacional, mantida a correspondência com o produto industrializado exportado. [...] Dispõe ainda o item 3.9, artigos 30 e 31: 3.9 Controles Contábeis e Corporativos Art. 30. O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos controles contábeis, por meio dos registros de compras de mercadorias nacionais ou importadas, bem assim por meio do registro das vendas para o mercado interno ou exportações de produtos acabados. [...] Art. 31 . O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos demais sistemas corporativos, especialmente os que controlem almoxarifados e produção. Depreendese que todo o controle da suspensão dos tributos pressupõe a segregação dos tributos suspensos que passam para a condição de “devidos” dos tributos suspensos que passam para a condição de “extintos”. É esta segregação exigida pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 que possibilita a aplicação do artigo 6º5 do ADE SRF nº 8/2004, acima mencionado, em conformidade com as disposições da IN SRF 417/2004. No sentido de se determinar a vinculação dos recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05, com o seguinte teor: “Considerando que o sujeito passivo está autorizado a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo), podendo importar insumos com os tributos suspensos, sendo devidos os recolhimentos em caso de destinação ao mercado interno, deverá, em relação aos valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação — PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação — Cofins Paga" dos DACON e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4° trimestre de 2004 até o 4° trimestre de 2005, atender o seguinte: 1) Sendo estes valores integralmente referentes às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização, ou seja, destinação ao mercado interno de insumos, ou de produtos industrializados aos quais estes insumos sejam 5 O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 18 17 incorporados, adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, apenas informar o fato; 2) Sendo os valores compostos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização de insumos adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, e de contribuições pagas em função de aquisição de insumos fora do citado regime, com incidência de tributos, apresentar arquivos Excel de PIS/Pasep e Cofins pagos na Importação, distintos para cada situação a seguir, sujeito á comprovação posterior: a) de insumos adquiridos sob o regime do Recof e nacionalizados; b) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado interno; c) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado externo; d) de insumos adquiridos fora do regime, comuns ás receitas dos mercados externo e interno.” Em resposta, a recorrente informou: “A Intimada informa que os valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação Cofins Paga" dos DACONs e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4o . Trimestre de 2004 até o 4o trimestre de 2005, referem se às Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS pagas (vide Anexos I e II), em decorrência de nacionalização de: a) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, empregadas em produtos cujo destino final foi o mercado doméstico. b) Regime Comum de Importação referente a mercadorias importadas e empregadas na produção de geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico. c) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. d) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para máquinas, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. e) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Depósito Especial DE, mais especificamente peças de reposição, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas.” Constatase que a recorrente confirmou que os recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação referiamse à destinação das mercadorias importadas ao mercado interno e não às exportações. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 19 18 De todo o exposto, concluise que não procedem as alegações da recorrente quanto à aplicação do método do rateio previsto no §8º, uma vez que o recolhimento de Cofins Importação pressupõe a vinculação à destinação ao mercado interno, conforme normatizado pelo Recof. A própria sistemática do Recof, diversamente do que defende a recorrente, determina a segregação das mercadorias importadas e dos tributos suspensos respectivos, estabelecendo requisitos técnicos e formais para implantação de sistema informatizado, visando o controle dos tributos suspensos e da destinação de cada mercadoria. Destarte, os tributos suspensos relativos às mercadorias reexportadas ou utilizadas na fabricação de produto exportado se tornam extintos, implicando, por conseguinte, a inexistência de pagamento de CofinsImportação, incidindo, consequentemente, a vedação quanto à possibilidade de creditamento relativo à importação das mercadorias vinculadas às exportações, uma vez que o comando do artigo 15, §1º determina a efetividade de pagamento das contribuições para que as hipóteses de creditamento previstas nos incisos do caput possam gerar créditos, conforme transcrevese abaixo: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) [...] § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. Por outro lado, discordase da recorrente quanto à alegação de que o art. 176 da Lei nº 11.033/2004 propiciaria a manutenção de créditos em operações desoneradas no âmbito do Recof. É que tal artigo não estabelece novas hipóteses de creditamento, mas apenas permite que se mantenham os créditos apuráveis segundo os dispositivos legais regentes da matéria, como os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, bem como o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. O artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 elucida o entendimento: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 20 19 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, não obstante o art. 17 permitir o creditamento em relação a saídas desoneradas, é necessário que os pressupostos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 sejam observados, especialmente o §1º acima que condiciona o creditamento à existência de PIS/PasepImportação e CofinsImportação efetivamente pagas. Entretanto, o Recof estipula que os tributos suspensos relativos às mercadorias destinadas ao exterior são extintos, baixados no dizer do §3º do artigo 48 da IN SRF nº 417/2004, ou seja, não há qualquer recolhimento de PIS/PasepImportação ou CofinsImportação vinculados às receitas de exportação. Dito de outro modo, se todas as mercadorias importadas no âmbito do Recof fossem destinadas ao mercado externo, implicando a baixa dos tributos suspensos, não haveria qualquer crédito a ser aproveitado. Desta forma, agiu a fiscalização com acerto, quando efetuou a glosa por entender que a contribuição paga vinculavase às mercadorias importadas revendidas no mercado interno ou utilizadas em produto vendido no mercado interno Por fim, quanto à exclusão de multas e juros de mora, por observância das normas de preenchimento do Dacon, verificase, de fato, que a recorrente não observou a premissa das instruções de preenchimento, qual seja, a existência de custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às de venda no mercado interno, sobre os quais aplicarseia um dos métodos de vinculação previstos no §8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (rateio proporcional ou apropriação direta, à sua escolha). No caso aqui tratado, os créditos decorrentes dos recolhimentos de PIS/PasepImportação no âmbito do Recof não são comuns às duas receitas, mas apenas às de venda no mercado interno. Assim, não se trata da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Pontuese, ainda, que as alegações quanto ao artigo 35 da Lei nº 12.058/2009 em nada influenciam a decisão, pois tal artigo trata de segregação dos créditos da não cumulatividade e não da segregação realizada no âmbito do Recof, a qual fundamentou a vinculação específica entre os créditos de importação decorrentes dos recolhimentos de PIS/Pasep e CofinsImportação e as receitas de venda no mercado interno. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/200576 Acórdão n.º 3302002.946 S3C3T2 Fl. 21 20 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 11020.001897/2002-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NULIDADE PROCESSUAL POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
Em obediência ao art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, que consagra os princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, diante da ausência de intimação do contribuinte quanto ao resultado do julgamento do recurso especial que lhe foi desfavorável, o que pretere o seu direito de defesa, deve ser reconhecida a nulidade do atos administrativos praticados desde então.
Numero da decisão: 9101-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, embargos conhecidos e acolhidos nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Rafael Vidal de Araújo.
Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 17/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NULIDADE PROCESSUAL POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. Em obediência ao art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, que consagra os princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, diante da ausência de intimação do contribuinte quanto ao resultado do julgamento do recurso especial que lhe foi desfavorável, o que pretere o seu direito de defesa, deve ser reconhecida a nulidade do atos administrativos praticados desde então.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, embargos conhecidos e acolhidos nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Rafael Vidal de Araújo. Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 17/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NULIDADE PROCESSUAL POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. Em obediência ao art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, que consagra os princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, diante da ausência de intimação do contribuinte quanto ao resultado do julgamento do recurso especial que lhe foi desfavorável, o que pretere o seu direito de defesa, deve ser reconhecida a nulidade do atos administrativos praticados desde então. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, embargos conhecidos e acolhidos nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Rafael Vidal de Araújo. Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 17/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 18 97 /2 00 2- 47 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos MARCOPOLO S.A. (doravante "contribuinte" ou "embargante"), em face do acórdão n. 9101001.109 (doravante "acórdão embargado"), proferido na sessão de 01.08.2011, pela Primeira Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante "CSRF"), em que foi julgado recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante "PFN"). Por oportuno, o relatório do despacho proferido para fins de admissibilidade dos referidos embargos de declaração bem sintetizou as questões ora submetidas à análise deste Tribunal (fls. 534539 do eprocesso): "Tratase de embargos de declaração interpostos em face do Acórdão nº 9101001.109, de 01/08/2011, proferido pela 1ª Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF que, por voto de qualidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara a quo para a análise das demais razões de mérito, entendimento este que restou consubstanciado na seguinte ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de oficio. O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Em 12/08/2012, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF examinou o mérito do recurso voluntário e proferiu o Acórdão nº 120200.817, no qual, por unanimidade de votos, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001897/200247 Acórdão n.º 9101002.167 CSRFT1 Fl. 550 3 negou provimento ao recurso voluntário interposto, conforme ementa abaixo reproduzida: IRPJ. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. O cômputo do saldo de reservas de lucros para fins de apuração do limite de dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio somente é permitido a partir do ano calendário de 1997, em razão do disposto no art. 78 da Lei nº 9.430/96. Em 24/08/2012, a embargante foi cientificada do resultado do julgamento tanto do Acórdão nº 9101001.109, proferido pela CSRF, quanto do Acórdão nº 120200.817, da 2ªTO/2ª Câmara/1ª SJ. Em 31/08/2012, interpôs, tempestivamente, embargos de declaração suscitando, preliminarmente, violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório tendo em vista que somente foi cientificado do acórdão proferido pela CSRF, que acolheu o recurso especial da Fazenda Nacional e determinou o retorno dos autos à Câmara a quo, depois que foi proferido o novo acórdão pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que negou provimento ao recurso voluntário. Com relação ao mérito da decisão proferida pela CSRF, a embargante alega que os julgadores incorreram em dois equívocos, "os quais demonstram a existência de omissão no julgado", verbis: Em primeiro plano, o fundamento que enseja a aplicação do art. 173, I, do CTN, somente encontra respaldo quando não ocorre o pagamento antecipado do tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação. Todavia, isso não ocorre no presente caso. Em um segundo momento, o disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Nobre Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina a aplicação do entendimento consagrado no âmbito dos recursos repetitivos, seja pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, como se verifica: [...] A ora Embargante irá, nesse momento, tratar do prazo decadencial que entende aplicável ao seu caso, sendo que, ao final de sua exposição, restará pacificado que o mesmo deve seguir a regra disposta no art. 150, § 49, do CTN, inclusive sob a benção do art. 62A, do RICARF. O CTN traz um único prazo decadencial, de cinco anos, que, todavia, pode ser contado de duas formas distintas: pela regra geral disposta pelo art. 173, e pela norma especial relatada no art. 150 § 4o. Ao contrário do disposto no combalido acórdão, a Embargante reafirma que o prazo aplicável ao presente caso é o disposto no art. 150, § 4° do Diploma Tributário, in fine, tendo em vista que o tributo ora combalido se submete ao tipo de lançamento homologatório, e em relação ao exercício em questão, houve inequívoco pagamento de IRPJ, ainda que, aos olhos do Fisco, de maneira insuficiente: [...] Fl. 551DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Assim, afirma a Embargante que tanto pela interpretação disposta no âmbito judicial quanto pela corrente adotada por esse E. Conselho de Contribuintes, o lançamento não teria condições de sobrevida, uma vez que foi definitiva e inquestionavelmente alcançado pela decadência, firmada na forma do art. 150, § 4°, do CTN, haja vista a existência de recolhimento, ainda que parcial. Nessa esteira, não há que se falar na aplicação do prazo decadencial disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ainda que o lançamento que exigiu as exações supostamente não recolhidas tenha sido realizado de ofício, com fundamento no art. 149, da citada norma tributária. Desta forma, houve inequívoca atuação da decadência sobre os valores exigidos, o que torna nulo o lançamento efetuado, tendo em vista a incontestável extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inc. V, do CTN. Ao final, a embargante requer que os embargos sejam acolhidos para: i) acoimar de nulidade o acórdão 9101001.109, proferido pela C. 1§ Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois há nítida agressão aos arts. 5, LV, da CF/88 e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, face ao inafastável preterimento de defesa ocorrido por ocasião da imediata aplicação do citado acórdão, provocado em face de Recurso Especial interposto pela Fazenda. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas por amor ao debate, que (ii) seja reconhecida a omissão incorrida, para o fim de anular a autuação em questão, pois restou claramente demonstrado que sobre o direito de constituição do crédito tributário sobreveio a decadência, na forma disposta pelo art. 150,§ 4º, do CTN, uma vez que a ora Embargante em momento algum deixou de pagar o IRPJ relativo ao ano calendário de 1996, mas, adotandose o ponto de vista da D. Autoridade Fiscal, o fez a menor, o que afasta a regra decadencial determinada no art. 173,1, do CTN. Concomitantemente, a recorrente interpôs embargos de declaração em face do Acórdão nº 120200.817, proferido pela 2ª TO da 2ª Câmara, alegando em preliminar a mesma nulidade suscitada nos embargos declaratórios dirigidos contra o acórdão proferido pela CSRF, ora sob exame, além de outras alegações quanto ao mérito." Em decorrência da aludida análise de admissibilidade, os embargos de declaração foram admitidos apenas em parte. Ao reexaminar a questão, o Presidente da 1a Turma da CSRF enunciou o seguinte despacho: Com fundamento nas razões expendidas na informação retro, ADMITO parcialmente os embargos de declaração interpostos, quanto à preliminar de nulidade suscitada em face do Acórdão nº 120200.817, proferido pela 2ª TO da 2ª Câmara e rejeito, em caráter definitivo, a alegação de omissão no Acórdão nº 9101001.109. Tendo em vista que o relator original não pertence mais ao colegiado, encaminhese o presente processo ao Sesej para sua inclusão em lote de sorteio à membro da 1ª Turma da CSRF, nos termos do art. 49, § 5º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001897/200247 Acórdão n.º 9101002.167 CSRFT1 Fl. 551 5 Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte cumprem com o requisito da tempestividade e preenchem os demais requisitos de admissibilidade exigidos. Por isso, os conheço na parte em que admitidos pelo despacho irrecorrível proferido pelo i. Presidente da 1a Turma da CSRF. Nessa parte, atinente à nulidade dos atos processuais praticados à revelia da intimação do contribuinte quanto ao julgamento do recurso especial que reverteu a anterior decisão que lhe era favorável, entendo que os embargos de declaração opostos pelo contribuinte devem ser providos. O Decreto n. 70.235/72 prescreve, em seu art. 59, norma essencial para o deslinde da questão: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. A ausência de intimação ao contribuinte quanto ao resultado do julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que culminou em retorno dos autos para a análise do mérito pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção (doravante "Turma Ordinária), configura preterição do direito de defesa. A preterição do direito de defesa do ora embargante é causa de nulidade da remessa dos autos à Turma Ordinária, bem como dos demais atos administrativos praticados daí em diante, inclusive o acórdão nº 120200.817. Tratase de nulidade fundada no princípio da publicidade dos atos processuais, sem o que deixa se de cumprir os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Ocorre que, como bem suscitou a i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo, em seu despacho de admissibilidade dos presentes embargos de declaração, o vício em Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 questão fulmina os princípios do contraditório e da ampla defesa, tão caros ao processo administrativo tributário: "Constato que, conforme arguido pela embargante, não lhe foi dada ciência do acórdão da CSRF, antes de ser proferida nova decisão pela 2ª TO da 2ª Câmara, violando de forma flagrante o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Ora, uma vez proferido o acórdão da CSRF impunhase a ciência à interessada, para que pudesse, querendo, apresentar o recurso cabível em face da mesma. No caso em apreço, embargos de declaração, o que somente se viabilizou quando já tinha sido proferido o novo acórdão pela câmara a quo." Consignase que, na sessão de julgamento dos presentes embargos de declaração, houve debate entre os i. Conselheiros desta Turma da CSRF quanto à extensão da nulidade nos presentes autos. Foi suscitado, por exemplo, que não seria nula a decisão da Turma Ordinária (acórdão nº 120200.817), proferida após o retorno dos autos da CSRF sem a devida intimação do contribuinte quanto ao julgamento do recurso especial que reverteu a anterior decisão que lhe era favorável. Nesse debate, também foi suscitado, por exemplo, que a oposição dos embargos de declaração ora em julgamento, que teve como ensejo a intimação do contribuinte quanto à decisão proferida pela Turma Ordinária, esgotaria o direito à oposição de quaisquer outros recursos perante a CSRF. Não me parece, contudo, que a acolhida de tais propostas seja possível. A nulidade seletiva, que não alcançaria todos os atos administrativos praticados desde a causa da nulidade em questão, redundaria em insanável ofensa aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal. A questão é solucionada pela conhecida metáfora jurídica dos frutos da árvore envenenada: ao envenenarse a raiz da planta, tudo em diante se contamina, até o fim de sua extensão, os seus frutos. É o que se confirma com a análise do caso concreto: No que se refere à decisão da Turma Ordinária (acórdão nº 120200.817), proferida após o retorno dos autos da CSRF sem a devida intimação do contribuinte quanto ao julgamento do recurso especial que reverteu a anterior decisão que lhe era favorável: tendo em vista a não observância do princípio da publicidade, o contribuinte não foi cientificado do retorno dos autos à Turma Ordinária e não pôde, então, comparecer ao julgamento que resultou no acórdão nº 120200.817. Compreendo que o contribuinte tem o direito assegurado pelo RICARF tanto à apresentação de memoriais (art. 53, III, do RICARF anterior e art. 53, par. 4, do RICARF atual) quanto à realização de sustentação oral (entre outros, art. 53, III, art. 58 do RICARF anterior e art. 58, II, do RICARF atual) e não pôde exercêlo naquele julgamento realizado pela Turma Ordinária. Não se pode colocar em dúvida tais prerrogativas assegurados ao contribuinte e aos seus Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001897/200247 Acórdão n.º 9101002.167 CSRFT1 Fl. 552 7 procurados, os quais buscam justamente garantir a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal. No que se refere ao suposto esgotamento das possibilidades recursais perante a CSRF face aos embargos de declaração ora em julgamento: Compreendo que a nulidade em tela ausência de intimação de acórdão somente será plenamente suprida com o restabelecimento da relação jurídica presente no último ato válido do processo administrativo, que é a formalização do acórdão da CSRF. Após esse fato válido, para que seja sanada a nulidade, deve ser o contribuinte intimado quanto ao referido acórdão, dando início ao seu prazo para que adote (ou não) alguma providência recursal. O primeiro ato administrativo prejudicado pela nulidade, no presente processo administrativo, consiste justamente na intimação do acórdão n. n. 9101001.109, desta CSRF, pois o art. 59, § 1º, do Decreto n. 70.235/72, prescreve que estão prejudicados todos os atos posteriores ao ato nulo e que dele dependam diretamente ou sejam consequência. Ao dar causa à nulidade em tela, este Tribunal não pode adentrar no âmbito das escolhas processuais da parte prejudicada, com ingerência sobre qual recurso e quais questões poderiam ser alegadas caso houvesse sido regularmente intimado. De outro modo, a presente decisão, em vez de realmente corrigir os prejuízos da nulidade, teria o potencial de, apoiada em suposições e conjecturas, perpetrar restrição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. Nesse seguir, voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração opostos pelo contribuinte na parte conhecida pelo despacho de admissibilidade (fls. 534539 do eprocesso), a fim de que seja sanado o vício processual verificado, declarandose a nulidade dos atos administrativos praticados desde a remessa dos autos à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção sem a devida intimação prévia do contribuinte quanto ao julgamento do acórdão 9101001.109, bem como de todos os demais atos administrativos praticados daí em diante, inclusive o acórdão nº 120200.817, proferido pela referida Turma Ordinária. Voto, ainda, para que haja nova e regular intimação do contribuinte quanto ao acórdão de recurso especial n. 9101001.109, proferido por esta CSRF, devolvendolhe o prazo para a apresentação de recurso que entender cabível (inclusive embargos de declaração), de modo que possa exercer plenamente o seu direito à ampla defesa, contraditório e devido processo legal. É como voto. Conselheiro Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Fl. 555DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18192.000242/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ENTREGA NO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. ENTREGA A EMPREGADO DA EMPRESA. VALIDADE. É válida a intimação feita no domicílio fiscal do sujeito passivo, ainda que o recebedor não seja o seu representante legal.
No caso em tela, o sujeito passivo não conseguiu demonstrar que na data da intimação a pessoa que a recebeu não era seu empregado.
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento atacado refere-se a falta de recolhimento de contribuição retida dos prestadores de serviço por cessão de mão-de-obra ou empreitada, em que a notificada responde como responsável tributária. Este não pode ser confundido com o lançamento de contribuições em que a empresa fiscalizada aparece na condição de contribuinte, como é o caso da apuração fiscal sobre a remuneração paga para execução de obra de construção civil de propriedade daquela.
PERÍCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES REQUERIDAS PELA NORMA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia em que a postulante não indicou os quesitos referentes às averiguações pretendidas, o nome, o endereço e qualificação profissional de seu perito.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ENTREGA NO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. ENTREGA A EMPREGADO DA EMPRESA. VALIDADE. É válida a intimação feita no domicílio fiscal do sujeito passivo, ainda que o recebedor não seja o seu representante legal. No caso em tela, o sujeito passivo não conseguiu demonstrar que na data da intimação a pessoa que a recebeu não era seu empregado. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento atacado refere-se a falta de recolhimento de contribuição retida dos prestadores de serviço por cessão de mão-de-obra ou empreitada, em que a notificada responde como responsável tributária. Este não pode ser confundido com o lançamento de contribuições em que a empresa fiscalizada aparece na condição de contribuinte, como é o caso da apuração fiscal sobre a remuneração paga para execução de obra de construção civil de propriedade daquela. PERÍCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES REQUERIDAS PELA NORMA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia em que a postulante não indicou os quesitos referentes às averiguações pretendidas, o nome, o endereço e qualificação profissional de seu perito. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 381 1 380 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18192.000242/200733 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.879 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SHOPPING MINAS SUL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ENTREGA NO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. ENTREGA A EMPREGADO DA EMPRESA. VALIDADE. É válida a intimação feita no domicílio fiscal do sujeito passivo, ainda que o recebedor não seja o seu representante legal. No caso em tela, o sujeito passivo não conseguiu demonstrar que na data da intimação a pessoa que a recebeu não era seu empregado. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento atacado referese a falta de recolhimento de contribuição retida dos prestadores de serviço por cessão de mãodeobra ou empreitada, em que a notificada responde como responsável tributária. Este não pode ser confundido com o lançamento de contribuições em que a empresa fiscalizada aparece na condição de contribuinte, como é o caso da apuração fiscal sobre a remuneração paga para execução de obra de construção civil de propriedade daquela. PERÍCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES REQUERIDAS PELA NORMA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia em que a postulante não indicou os quesitos referentes às averiguações pretendidas, o nome, o endereço e qualificação profissional de seu perito. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 02 42 /2 00 7- 33 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18192.000242/200733 Acórdão n.º 2402004.879 S2C4T2 Fl. 382 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 17.247 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.º 37.034.4600. O crédito em questão referese à exigência da retenção da contribuição previdenciária exigida dos tomadores de serviço realizados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, nos termos do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. De acordo com o relatório fiscal, fls. 30/34, as retenções tratadas no lançamento incidiram sobre notas fiscais de prestação dos serviços contratados para execução da obra de construção civil, matricula CEI 50.005.75825/75. Esclarece o fisco que a notificada contratou diversos prestadores de serviço, pessoas jurídicas, para edificação do Shopping Minas Sul. Esses serviços foram considerados pela administração da obra como sujeito à retenção da contribuição previdenciária, tanto que houve o desconto por ocasião da emissão das notas fiscais, conforme escrita contábil (grupo de contas 2.1.07) Afirma que a empresa, mesmo regularmente intimada, não forneceu cópias das notas fiscais e guias de recolhimento correspondentes. Houve a lavratura de Representação Fiscais para Fins Penais em razão da ocorrência, em tese, do delito capitulado no art. 168A do Código Penal. De acordo com o fisco, a apuração se deu conforme os valores retidos registrados da contabilidade. Cientificado do lançamento em 11/12/2008, o sujeito passivo apresentou impugnação de fls. 69/83, na qual, após relato dos fatos processuais, afirmou que a lavratura foi confeccionada em total afronta aos preceitos da Constituição Federal. A pessoa que foi intimada em 22/09/2006 pelo fisco para apresentar os documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal, Sr. Eric Fabian Chaves, naquela data sequer era empregado do contribuinte (Shopping Minas Sul S/A), mas sim do condomínio do Shopping, figuras jurídicas totalmente distintas. A empresa não pode ser penalizada pela suposta falta de apresentação de documentos, cuja solicitação não foi realizada de forma válida. Acrescenta que possui, para pronta disponibilização, todos os elementos exigidos anteriormente de pessoa que não detinha legitimidade. Há uma patente duplicidade na apuração fiscal, posto que, na NFLD n.º 37.034.4669, correspondente aos períodos contabilizados nos Livros Diário e Razão de 2001 a Fl. 383DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 2005, nos quais estão englobados os fatos geradores contemplados na presente lavratura, que está circunscrita ao período de 2004 a 2005. A análise das notas fiscais mencionadas nas duas NFLD deixa claro a existência de tributação em duplicidade. O confronto das duas NFLD, mediante perícia contábil, é de suma importância para demonstrar a ocorrência de bis in idem. Afirma que a taxa Selic não pode ser utilizada para fins tributários. A decisão de primeira instância, fls. 335/342, não acatou as alegações defensórias. Acerca da comprovação de que a pessoa que recebeu a intimação para apresentação de documentos não seria empregado da empresa, a DRJ não a considerou hábil a afastar a legalidade do procedimento fiscal. Primeiro, porque não consta na ficha de registro de empregado da recorrente que o Sr. Eric Fabian Rodrigues Chaves tenha sido desligado do Shopping Minas Sul S/A. Por outro lado, acrescenta que a GFIP da competência 10/2005, apresentada para comprovar que a mencionada pessoa estava registrada no Condomínio Minas Sul Shopping não merece ser aceita, posto que no registro de empregados do Shopping Minas Sul S/A consta alteração de seu salário em 12/2005 e pagamento do imposto sindical do exercício de 2006. Concluiu a DRJ que, ou a GFIP apresentada não condiz com a realidade, ou o Sr. Eric Chaves trabalhava nas duas empresas. Foi afastada também a alegação da ocorrência de bis in idem. Afirmouse na decisão a quo que a NFLD n.º 37.034.4669 tem natureza distinta do crédito sob apreciação. Naquela foram apuradas as contribuições devidas pelo próprio sujeito passivo decorrentes da mãodeobra utilizada na construção do Shopping Center, cuja base de cálculo foi aferida indiretamente, pelo método que leva em conta a área construída e padrão da obra ( método CUB), enquanto a NFLD atacada referese à exigência de contribuições descontadas dos prestadores de serviço. O pedido de perícia foi indeferido, por entender o órgão regional que a então impugnante não apresentou os elementos exigidos pela legislação. Quanto à suposta inconstitucionalidade da taxa Selic, esta deixou de ser apreciada, por entender a DRJ que não teria competência para se pronunciar sobre desconformidade de lei vigente e eficaz com a Carta Magna. Cientificado acórdão de primeira instância em 03/03/2008, a empresa interpôs recurso voluntário de fls. 342/357, no qual apresentou os mesmos argumentos constantes na impugnação. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18192.000242/200733 Acórdão n.º 2402004.879 S2C4T2 Fl. 383 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Intimação para apresentação de documentos Acusa a empresa que o fisco fez a intimação para apresentação de documentos a pessoa que não era seu empregado quando da realização do ato processual. A DRJ apresentou substanciosa análise da questão tendo concluído que a notificada não conseguiu demonstrar que Sr. Eric Fabian R. Chaves não seria mais seu empregado em 22/09/2006, data que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos Fiscais TIAF lhe foi entregue. De fato, a ficha de registro de empregado juntada à defesa, fl. 102, mostra que a mencionada pessoa foi contratada em 01/11/2002 pelo Shopping Minas Sul S/A na função de engenheiro. O mesmo documento apresenta alteração de salário em 12/2005 e pagamento do imposto sindical em março de 2006. Nada consta acerca da rescisão deste funcionário. No recurso do contribuinte não há qualquer alegação relativa a esta constatação da DRJ. A recorrente poderia ter apresentado a rescisão do seu contrato de trabalho ou outro documento hábil a comprovar o seu desligamento. Isso não fez. Por outro lado, está sedimentado no CARF o entendimento de que as intimações feitas no domicílio fiscal do sujeito passivo são válidas, mesmo que a pessoa que a recebe não seja seu representante legal. É isso que se pode ver da Súmula abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, descabida a pretensão do sujeito passivo de ter o lançamento cancelado em razão de suposta mácula na entrega do TIAD. Ocorrência de duplicidade Também não deve prevalecer a tese da ocorrência de duplicidade no lançamento. A presente NFLD foi lavrada contra o Shopping Minas Sul S/A na condição de responsável tributário pela antecipação da contribuição do seu prestador de serviços , conforme previsão do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991 (redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores): Fl. 385DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Conforme registrado em sua escrita contábil, a empresa notificada cumpriu parcialmente esta obrigação, posto que efetuou a retenção da contribuição dos seus prestadores, todavia, deixou de adimplir com a segunda parte do dever legal, não efetuando o recolhimento da quantia retida. O lançamento de que ora tratamos não tem identidade com aquele veiculado através da NFLD n.º 37.034.4669. Nesta o sujeito passivo é chamado na condição de contribuinte a responder pelas contribuições decorrentes da mãodeobra utilizada na construção do Shopping Center Minas Sul, cuja base de cálculo foi aferida indiretamente, pelo método que leva em conta a área construída e padrão da obra ( método CUB). Essa distinção contribuinteresponsável fica muito clara quando se lê o art. 121 do CTN, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Portanto, correta a decisão da DRJ quando não reconheceu a suposta duplicidade na NFLD de que ora se cuida, haja vista que os lançamentos tomados como em duplicidade têm natureza distinta: um trata a notificada como responsável tributário pelo pagamento da antecipação das contribuições dos seus prestadores de serviço, por força do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, o outro, colocaa no lugar de contribuinte, em relação às contribuições incidentes sobre a sua folha de salários. Pedido de Perícia O processo administrativo fiscal federal admite a realização da prova pericial, conforme determina o Decreto n.º 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18192.000242/200733 Acórdão n.º 2402004.879 S2C4T2 Fl. 384 7 (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) Todavia, alguns requisitos são exigidos e estes não foram cumpridos pela empresa. Conforme já mencionado na decisão recorrida, a empresa pugna pela realização de perícia, no entanto, não apresentou os quesitos referentes às averiguações pretendidas, nem o nome, o endereço e qualificação profissional de seu perito. Mas, ainda que esses dados tivessem sido encaminhados com o recurso, mesmo assim não caberia o deferimento do pleito, pois este julgador entende que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Não merecem redução os juros aplicados no lançamento. Conclusão Voto por conhecer do recurso, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10805.901277/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Relatório
CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANÔNIMA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 05-23.129 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF).
Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final:
Trata o presente processo de Declarações de Compensação de fls. 01/18, apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, a partir de 12 de setembro de 2003, por meio da quais a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2002, no valor de R$ 2.096.849,00, para a compensação de débitos relativos a períodos de apuração subseqüentes.
2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 119/122, 09 de janeiro de 2008, que se transcreve:
Tratam-se de Declarações de Compensação (fls. 01/18) de débitos de IRPJ, no valor total de R$ 2.161.715,14, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ de 31.12.2002, no valor de R$ 2.096.849,00. As Dcomps foram transmitidas através do programa PERDCOMP e estão relacionadas no quadro a seguir:
N.º PerDcomp
Débitos
Data
Compensados
Transmissão
23386.52854.120903.1.7.02-9418
R$ 2.095.175,27
12/09/2003
29309.83140.240903.1.7.02-1886
R$ 66.539,67
24/09/2003
Fundamentação e Proposta
Análise do direito creditório: Saldo Negativo de IRPJ Ano-Calendário de 2002
Conforme indica a Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, o saldo negativo do IRPJ de 31.12.2002, de R$ 2.096.849,00, foi assim determinado (fls. 20):
Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real
R$
Imposto de Renda sobre o Lucro Real
27.517.322,24
(+) Adicional
18.320.881,49
(-) Operações de Caráter Cultura e Artístico
87.000,00
(-) Programa de Alimentação ao Trabalhador
227.002,83
(-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital
26.011,41
(-) Imposto de Renda Retido na Fonte
2.070.837,59
(-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa
45.524.200,90
(=) Imposto de Renda a Pagar
(2.096.849,00)
Em seguida devem ser auditados os valores componentes do Saldo Negativo.
a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa
O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. E Ganhos de Capital, no valor de R$ 10.139.124,58, utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24).
O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 57/76, referentes ao imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A. Os pagamentos efetuados estão relacionados na tabela a seguir:
Data do
IR Pago
Taxa de
IR Pago
Pagamento
no Exterior
Câmbio (*)
no Exterior
em Pesos
em Reais
12/05/2003
6.440.001,92
1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina
6.694.446,40
12/05/2003
559.959,31
1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina
582.083,30
12/05/2003
606.800,86
1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina
630.775,56
03/06/2003
0,90
1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina
0,94
03/06/2003
38,77
1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina
40,51
Total
7.606.801,76
7.907.346,71
(*) Os valores da taxa de câmbio foram obtidos no sítio do Banco Central do Brasil, na Internet, conforme telas de fls. 113/117.
Examinando a tabela, verifica-se que o valor total do imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A foi de R$ 7.907.346,71. Este é o valor máximo que o interessado poderia compensar com o Imposto de Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11, do artigo 14, da Instrução Normativa SRF n.º 213, de 07 de outubro de 2002, reproduzidos a seguir:
§ 9º. O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real.
§ 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor:
I- do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real;
II- do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior.
§ 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (Grifo nosso).
Desta forma, a diferença de R$ 2.257.789,28 (R$ 10.139.124,58 R$ 7.907.346,71) deve ser Deduzida do valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa a ser de R$ 43.266.411,62.
b) Imposto de Renda Retido na Fonte
O valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 Imposto de Renda Retido na Fonte, foi composto, em parte, pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, pela empresa Socotherm do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, no valor de R$ 273.193,21, conforme declarado na Ficha 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ 2003 (fls. 25).
O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 78/83. Estes documentos comprovam a retenção do fonte no valor total de R$ 183.742,87.
Desta forma, a diferença de R$ 89.450,34 (R$ 273.193,21 R$ 183.742,87) deve ser Deduzida do valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual passa a ser de R$ 1.981.387,25.
Com essas alterações, o Saldo Negativo do IRPJ de 31.12.2002 foi recalculado, resultando em Saldo a Pagar, no valor de R$ 250.390,62, conforme demonstrado no quadro a seguir:
Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real
R$
Imposto de Renda sobre o Lucro Real
27.517.322,24
(+) Adicional
18.320.881,49
(-) Operações de Caráter Cultura e Artístico
87.000,00
(-) Programa de Alimentação ao Trabalhador
227.002,83
(-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital
26.011,41
(-) Imposto de Renda Retido na Fonte
1.981.387,25
(-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa
43.266.411,62
(=) Imposto de Renda a Pagar
250.390,62
Diante do exposto, proponho, por inexistência o Não Reconhecimento do direito creditório e a Não Homologação das PERDCOMPs n.ºs. (...).
3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 124, em 23 de janeiro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 21 de fevereiro de 2008, fls. 125/130, com as alegações que se seguem.
3.1. Afirma que o entendimento da autoridade fiscal, de que apenas a importância de R$ 7.907.346,71, relativa ao imposto pago por sua controlada (SIAT S/A) no exterior, seria compensável, não corresponde aos fatos reais.
3.2. Elabora demonstrativo à fl. 127, onde consta que sua controlada apresentou dados diversos na Declaração Jurada, equivalente a nossa DIPJ, sendo que o total do imposto devido corresponderia a 14.445.659,53 Pesos argentinos, distribuído por retenções de 1.654.517,57 Pesos, antecipações de 5.184.341,10 Pesos e Saldo a Pagar de 7.606.800,86 Pesos.
3.3. Acrescenta estar apresentado a Declaração Jurada da empresa Siat S/A, que confirmaria os dados apresentados. E continua:
De qualquer forma, esclarecemos que a Confab Industrial detém apenas 30% do capital da empresa Siat S/A. Dessa forma, de $ 14.445.659,53, a Confab se apropriaria de $ 4.333.697,88.
3.4. Traz outro demonstrativo, fl. 128, segundo o qual o total do lucro tributado no exterior, no ano-calendário de 2002, corresponderia a R$ 40.326.152,36, enquanto o lucro líquido seria de R$ 26.211.999,03 e o imposto pago de R$ 14.098.674,93.
3.5. Aduz que até o ano-calendário de 2001, tributava-se o lucro no exterior quando fosse efetivamente distribuído, ou seja, quando representasse entrada de caixa. E, a partir do ano-calendário de 2002, com o advento da Instrução Normativa n.º 213, de 07 de outubro de 2002, o lucro do exterior passou a ser tributado a partir de sua constituição, nos termos do artigo 2º daquele ato normativo.
3.6. Especificamente para o ano-calendário de 2002, afirma que o lucro acumulado até 31/12/2001 e não distribuído, deveria ser totalmente oferecido à tributação em 31/12/2002, enquanto os lucros distribuídos no decorrer daquele ano deveriam ser tributados na efetiva distribuição, conforme determina o artigo 2º, § 7º.
3.7. Nos termos de tais preceitos, teria oferecido à tributação o valor de R$ 1.547.839,94 em maio de 2002 e R$ 38.778.312,42 em dezembro de 2002, num total de R$ 40.326.152,36, gerando um imposto de renda pago no exterior de R$ 14.098.674,93, dos quais registrou como passível de compensação a importância de R$ 13.710.891,80, relativa a 34% do lucro tributado, utilizando-se da importância de R$ 10.139.124,58, para compensação.
3.8. Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte glosado pela autoridade fiscal (R$ 89.450,34) trata-se de imposto retido pela empresa Socotherm do Brasil S/A, anteriormente denominada de Soco-Ril do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, que a empresa não teria comprovado quando intimada.
3.9. Acrescenta que devido a um lapso deixou de apresentar o documento correspondente anteriormente, o que faz agora, acrescentando que os juros sobre capital próprio são do ano-calendário de 2001.
Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou-a improcedente.
O contribuinte foi cientificado da decisão em 14 de outubro de 2008 (fl. 322) apresentando recurso voluntário de fls. 323-336, e anexos, em 13 de novembro de 2008.
Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese:
- que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no ano-calendário de 2002, por força do disposto no art. 74 da MP 2.158-35/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas, de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa vasta documentação referente às declarações de renda transmitidas na Argentina, acompanhada, inclusive, de tradução juramentada;
- em relação às estimativas compensadas com créditos de IPI (pedidos de ressarcimento), alega que como foram alvo de compensação, eventual não homologação ensejará a cobrança de tais valores;
- no que atine ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL, reafirma que apresentou o comprovante de retenção, implicando, necessariamente, no reconhecimento de seu direito à dedução de tais valores.
É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Relatório CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANÔNIMA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 05-23.129 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de fls. 01/18, apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, a partir de 12 de setembro de 2003, por meio da quais a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2002, no valor de R$ 2.096.849,00, para a compensação de débitos relativos a períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 119/122, 09 de janeiro de 2008, que se transcreve: Tratam-se de Declarações de Compensação (fls. 01/18) de débitos de IRPJ, no valor total de R$ 2.161.715,14, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ de 31.12.2002, no valor de R$ 2.096.849,00. As Dcomps foram transmitidas através do programa PERDCOMP e estão relacionadas no quadro a seguir: N.º PerDcomp Débitos Data Compensados Transmissão 23386.52854.120903.1.7.02-9418 R$ 2.095.175,27 12/09/2003 29309.83140.240903.1.7.02-1886 R$ 66.539,67 24/09/2003 Fundamentação e Proposta Análise do direito creditório: Saldo Negativo de IRPJ Ano-Calendário de 2002 Conforme indica a Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, o saldo negativo do IRPJ de 31.12.2002, de R$ 2.096.849,00, foi assim determinado (fls. 20): Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 (-) Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 (-) Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 (-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 2.070.837,59 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 45.524.200,90 (=) Imposto de Renda a Pagar (2.096.849,00) Em seguida devem ser auditados os valores componentes do Saldo Negativo. a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. E Ganhos de Capital, no valor de R$ 10.139.124,58, utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 57/76, referentes ao imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A. Os pagamentos efetuados estão relacionados na tabela a seguir: Data do IR Pago Taxa de IR Pago Pagamento no Exterior Câmbio (*) no Exterior em Pesos em Reais 12/05/2003 6.440.001,92 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 6.694.446,40 12/05/2003 559.959,31 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 582.083,30 12/05/2003 606.800,86 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 630.775,56 03/06/2003 0,90 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 0,94 03/06/2003 38,77 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 40,51 Total 7.606.801,76 7.907.346,71 (*) Os valores da taxa de câmbio foram obtidos no sítio do Banco Central do Brasil, na Internet, conforme telas de fls. 113/117. Examinando a tabela, verifica-se que o valor total do imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A foi de R$ 7.907.346,71. Este é o valor máximo que o interessado poderia compensar com o Imposto de Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11, do artigo 14, da Instrução Normativa SRF n.º 213, de 07 de outubro de 2002, reproduzidos a seguir: § 9º. O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I- do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II- do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (Grifo nosso). Desta forma, a diferença de R$ 2.257.789,28 (R$ 10.139.124,58 R$ 7.907.346,71) deve ser Deduzida do valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa a ser de R$ 43.266.411,62. b) Imposto de Renda Retido na Fonte O valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 Imposto de Renda Retido na Fonte, foi composto, em parte, pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, pela empresa Socotherm do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, no valor de R$ 273.193,21, conforme declarado na Ficha 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ 2003 (fls. 25). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 78/83. Estes documentos comprovam a retenção do fonte no valor total de R$ 183.742,87. Desta forma, a diferença de R$ 89.450,34 (R$ 273.193,21 R$ 183.742,87) deve ser Deduzida do valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual passa a ser de R$ 1.981.387,25. Com essas alterações, o Saldo Negativo do IRPJ de 31.12.2002 foi recalculado, resultando em Saldo a Pagar, no valor de R$ 250.390,62, conforme demonstrado no quadro a seguir: Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 (-) Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 (-) Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 (-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 1.981.387,25 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 43.266.411,62 (=) Imposto de Renda a Pagar 250.390,62 Diante do exposto, proponho, por inexistência o Não Reconhecimento do direito creditório e a Não Homologação das PERDCOMPs n.ºs. (...). 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 124, em 23 de janeiro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 21 de fevereiro de 2008, fls. 125/130, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que o entendimento da autoridade fiscal, de que apenas a importância de R$ 7.907.346,71, relativa ao imposto pago por sua controlada (SIAT S/A) no exterior, seria compensável, não corresponde aos fatos reais. 3.2. Elabora demonstrativo à fl. 127, onde consta que sua controlada apresentou dados diversos na Declaração Jurada, equivalente a nossa DIPJ, sendo que o total do imposto devido corresponderia a 14.445.659,53 Pesos argentinos, distribuído por retenções de 1.654.517,57 Pesos, antecipações de 5.184.341,10 Pesos e Saldo a Pagar de 7.606.800,86 Pesos. 3.3. Acrescenta estar apresentado a Declaração Jurada da empresa Siat S/A, que confirmaria os dados apresentados. E continua: De qualquer forma, esclarecemos que a Confab Industrial detém apenas 30% do capital da empresa Siat S/A. Dessa forma, de $ 14.445.659,53, a Confab se apropriaria de $ 4.333.697,88. 3.4. Traz outro demonstrativo, fl. 128, segundo o qual o total do lucro tributado no exterior, no ano-calendário de 2002, corresponderia a R$ 40.326.152,36, enquanto o lucro líquido seria de R$ 26.211.999,03 e o imposto pago de R$ 14.098.674,93. 3.5. Aduz que até o ano-calendário de 2001, tributava-se o lucro no exterior quando fosse efetivamente distribuído, ou seja, quando representasse entrada de caixa. E, a partir do ano-calendário de 2002, com o advento da Instrução Normativa n.º 213, de 07 de outubro de 2002, o lucro do exterior passou a ser tributado a partir de sua constituição, nos termos do artigo 2º daquele ato normativo. 3.6. Especificamente para o ano-calendário de 2002, afirma que o lucro acumulado até 31/12/2001 e não distribuído, deveria ser totalmente oferecido à tributação em 31/12/2002, enquanto os lucros distribuídos no decorrer daquele ano deveriam ser tributados na efetiva distribuição, conforme determina o artigo 2º, § 7º. 3.7. Nos termos de tais preceitos, teria oferecido à tributação o valor de R$ 1.547.839,94 em maio de 2002 e R$ 38.778.312,42 em dezembro de 2002, num total de R$ 40.326.152,36, gerando um imposto de renda pago no exterior de R$ 14.098.674,93, dos quais registrou como passível de compensação a importância de R$ 13.710.891,80, relativa a 34% do lucro tributado, utilizando-se da importância de R$ 10.139.124,58, para compensação. 3.8. Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte glosado pela autoridade fiscal (R$ 89.450,34) trata-se de imposto retido pela empresa Socotherm do Brasil S/A, anteriormente denominada de Soco-Ril do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, que a empresa não teria comprovado quando intimada. 3.9. Acrescenta que devido a um lapso deixou de apresentar o documento correspondente anteriormente, o que faz agora, acrescentando que os juros sobre capital próprio são do ano-calendário de 2001. Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou-a improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 14 de outubro de 2008 (fl. 322) apresentando recurso voluntário de fls. 323-336, e anexos, em 13 de novembro de 2008. Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese: - que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no ano-calendário de 2002, por força do disposto no art. 74 da MP 2.158-35/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas, de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa vasta documentação referente às declarações de renda transmitidas na Argentina, acompanhada, inclusive, de tradução juramentada; - em relação às estimativas compensadas com créditos de IPI (pedidos de ressarcimento), alega que como foram alvo de compensação, eventual não homologação ensejará a cobrança de tais valores; - no que atine ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL, reafirma que apresentou o comprovante de retenção, implicando, necessariamente, no reconhecimento de seu direito à dedução de tais valores. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 01 27 7/ 20 06 -4 3 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 679 2 Relatório CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANÔNIMA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 0523.129 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de fls. 01/18, apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, a partir de 12 de setembro de 2003, por meio da quais a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 2.096.849,00, para a compensação de débitos relativos a períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 119/122, 09 de janeiro de 2008, que se transcreve: “Tratamse de Declarações de Compensação (fls. 01/18) de débitos de IRPJ, no valor total de R$ 2.161.715,14, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ de 31.12.2002, no valor de R$ 2.096.849,00. As Dcomp’s foram transmitidas através do programa PERDCOMP e estão relacionadas no quadro a seguir: Fundamentação e Proposta Análise do direito creditório: Saldo Negativo de IRPJ AnoCalendário de 2002 Conforme indica a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, o saldo negativo do IRPJ de 31.12.2002, de R$ 2.096.849,00, foi assim determinado (fls. 20): Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 () Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 () Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 () Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 N.º PerDcomp Débitos Data Compensados Transmissão 23386.52854.120903.1.7.029418 R$ 2.095.175,27 12/09/2003 29309.83140.240903.1.7.021886 R$ 66.539,67 24/09/2003 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 680 3 () Imposto de Renda Retido na Fonte 2.070.837,59 () Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 45.524.200,90 (=) Imposto de Renda a Pagar (2.096.849,00) Em seguida devem ser auditados os valores componentes do Saldo Negativo. a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. E Ganhos de Capital, no valor de R$ 10.139.124,58, utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 57/76, referentes ao imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A. Os pagamentos efetuados estão relacionados na tabela a seguir: Data do IR Pago Taxa de IR Pago Pagamento no Exterior Câmbio (*) no Exterior em Pesos em Reais 12/05/2003 6.440.001,92 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 6.694.446,40 12/05/2003 559.959,31 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 582.083,30 12/05/2003 606.800,86 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 630.775,56 03/06/2003 0,90 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 0,94 03/06/2003 38,77 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 40,51 Total 7.606.801,76 7.907.346,71 (*) Os valores da taxa de câmbio foram obtidos no sítio do Banco Central do Brasil, na Internet, conforme telas de fls. 113/117. Examinando a tabela, verificase que o valor total do imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A foi de R$ 7.907.346,71. Este é o valor máximo que o interessado poderia compensar com o Imposto de Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11, do artigo 14, da Instrução Normativa SRF n.º 213, de 07 de outubro de 2002, reproduzidos a seguir: § 9º. O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: Fl. 681DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 681 4 I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (Grifo nosso). Desta forma, a diferença de R$ 2.257.789,28 (R$ 10.139.124,58 – R$ 7.907.346,71) deve ser Deduzida do valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa a ser de R$ 43.266.411,62. b) Imposto de Renda Retido na Fonte O valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte, foi composto, em parte, pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, pela empresa Socotherm do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/000170, no valor de R$ 273.193,21, conforme declarado na Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ 2003 (fls. 25). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 78/83. Estes documentos comprovam a retenção do fonte no valor total de R$ 183.742,87. Desta forma, a diferença de R$ 89.450,34 (R$ 273.193,21 – R$ 183.742,87) deve ser Deduzida do valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual passa a ser de R$ 1.981.387,25. Com essas alterações, o Saldo Negativo do IRPJ de 31.12.2002 foi recalculado, resultando em Saldo a Pagar, no valor de R$ 250.390,62, conforme demonstrado no quadro a seguir: Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 () Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 () Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 682 5 () Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 () Imposto de Renda Retido na Fonte 1.981.387,25 () Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 43.266.411,62 (=) Imposto de Renda a Pagar 250.390,62 Diante do exposto, proponho, por inexistência o Não Reconhecimento do direito creditório e a Não Homologação das PERDCOMP’s n.ºs. (...).” 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 124, em 23 de janeiro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 21 de fevereiro de 2008, fls. 125/130, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que o entendimento da autoridade fiscal, de que apenas a importância de R$ 7.907.346,71, relativa ao imposto pago por sua controlada (SIAT S/A) no exterior, seria compensável, não corresponde aos fatos reais. 3.2. Elabora demonstrativo à fl. 127, onde consta que sua controlada apresentou dados diversos na Declaração Jurada, equivalente a nossa DIPJ, sendo que o total do imposto devido corresponderia a 14.445.659,53 Pesos argentinos, distribuído por retenções de 1.654.517,57 Pesos, antecipações de 5.184.341,10 Pesos e Saldo a Pagar de 7.606.800,86 Pesos. 3.3. Acrescenta estar apresentado a “Declaração Jurada” da empresa Siat S/A, que confirmaria os dados apresentados. E continua: “De qualquer forma, esclarecemos que a Confab Industrial detém apenas 30% do capital da empresa Siat S/A. Dessa forma, de $ 14.445.659,53, a Confab se apropriaria de $ 4.333.697,88.” 3.4. Traz outro demonstrativo, fl. 128, segundo o qual o total do lucro tributado no exterior, no anocalendário de 2002, corresponderia a R$ 40.326.152,36, enquanto o lucro líquido seria de R$ 26.211.999,03 e o imposto pago de R$ 14.098.674,93. 3.5. Aduz que até o anocalendário de 2001, tributavase o lucro no exterior quando fosse efetivamente distribuído, ou seja, quando representasse entrada de caixa. E, a partir do anocalendário de 2002, com o advento da Instrução Normativa n.º 213, de 07 de outubro de 2002, o lucro do exterior passou a ser tributado a partir de sua constituição, nos termos do artigo 2º daquele ato normativo. 3.6. Especificamente para o anocalendário de 2002, afirma que o lucro acumulado até 31/12/2001 e não distribuído, deveria ser totalmente oferecido à tributação em 31/12/2002, enquanto os lucros Fl. 683DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 683 6 distribuídos no decorrer daquele ano deveriam ser tributados na efetiva distribuição, conforme determina o artigo 2º, § 7º. 3.7. Nos termos de tais preceitos, teria oferecido à tributação o valor de R$ 1.547.839,94 em maio de 2002 e R$ 38.778.312,42 em dezembro de 2002, num total de R$ 40.326.152,36, gerando um imposto de renda pago no exterior de R$ 14.098.674,93, dos quais registrou como passível de compensação a importância de R$ 13.710.891,80, relativa a 34% do lucro tributado, utilizandose da importância de R$ 10.139.124,58, para compensação. 3.8. Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte glosado pela autoridade fiscal (R$ 89.450,34) tratase de imposto retido pela empresa Socotherm do Brasil S/A, anteriormente denominada de Soco Ril do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/000170, incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, que a empresa não teria comprovado quando intimada. 3.9. Acrescenta que devido a um lapso deixou de apresentar o documento correspondente anteriormente, o que faz agora, acrescentando que os juros sobre capital próprio são do anocalendário de 2001. Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 14 de outubro de 2008 (fl. 322) apresentando recurso voluntário de fls. 323336, e anexos, em 13 de novembro de 2008. Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese: que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no anocalendário de 2002, por força do disposto no art. 74 da MP 2.15835/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas, de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa vasta documentação referente às declarações de renda transmitidas na Argentina, acompanhada, inclusive, de tradução juramentada; em relação às estimativas compensadas com créditos de IPI (pedidos de ressarcimento), alega que como foram alvo de compensação, eventual não homologação ensejará a cobrança de tais valores; no que atine ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL, reafirma que apresentou o comprovante de retenção, implicando, necessariamente, no reconhecimento de seu direito à dedução de tais valores. É o relatório. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 684 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO Tratase de pedidos de compensação que dizem respeito a saldo negativo apurado no anocalendário de 2001 (exercício 2002). Foram transmitidas duas Dcomps (12/09/2003 e 24/09/2003). A unidade de origem não reconheceu o direito creditório pleiteado fundamentando sua decisão em dois pontos: em relação ao imposto de renda supostamente recolhido por SIAT S.A. (pessoa jurídica sediada na Argentina de cujo capital a recorrente participa em 30%): tal valor (R$ 10.139.124,58) fora utilizado para quitação da estimativa referente ao mês de dezembro de 2002, contudo, o montante efetivamente pago no exterior teria sido de R$ 7.907.346,71. Desse modo, reduziu o valor de estimativas pagas informado na linha 16 Ficha 12A da DIPJ/2003 de R$ 10.139.124,58 para R$ 7.907.346,71 (glosa de R$ 2.257.789,28); no que atine ao imposto de renda retido na fonte pela empresa SOCOTHERM DO BRASIL pelo pagamento de juros sobre capital próprio à recorrente, não teria havido comprovação de todo o valor informado como retido, reduzindose de R$ 273.193,21 para 183.742,87 o valor do imposto retido, implicando a redução de R$ 89.450,34 no valor informado na linha 13 da Ficha 12A da DIPJ/2003, ajustando seu montante de R$ 2.070.834,59 para R$ 1.981.387,25. A manifestação de inconformidade apresentada atacou basicamente dois pontos, a saber: em relação ao imposto recolhido por SIAT S.A.: a) o valor a ser considerado como pago deveria englobar também as retenções na fonte sofridas na Argentina; b) deveria se levar em conta não só os valores de imposto de renda recolhidos na Argentina ao anocalendário de 2002, mas também os valores de imposto relativos aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, uma vez que o lucro acumulado até 31/12/2001, e não distribuído, deveria ser totalmente oferecido à tributação em 31/12/2002, conforme determinava a IN SRF 213/2002 (art. 74 da MP 2.15835/01). Tendo tal adição sido realizada (R$ 40.326.152,36 – Ficha 09 A – Fl. 685DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 685 8 Demonstração do Lucro Real, na Linha 05 – Lucros Disponibilizados do Exterior); assim, o imposto recolhido em tais períodos deveria ser levado em consideração; em relação ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL, anexou comprovante da retenção. A turma julgadora a quo considerou a manifestação de inconformidade improcedente. Em relação aos lucros auferidos no exterior, o voto condutor do aresto concluiu que “os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior devem ser adicionados ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, pela pessoa jurídica situada no Brasil, quando de sua disponibilização” e que o “além de oferecer tais lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas do exterior à tributação, o imposto a ser compensado deve ter sido efetivamente pago pela controlada no exterior, não se admitindo a compensação de imposto devido no país de origem, enquanto não efetivado seu pagamento, no exterior” , concluindo ainda que: 33. Enfim, o que se observa é que não houve a apresentação de quaisquer documentos que comprovem o efetivo pagamento do imposto incidente sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital ou receitas, auferidos no exterior. 34. Os únicos comprovantes de pagamento apresentados pela interessada e considerados pela autoridade fiscal, correspondem à parte do pagamento do imposto apurado por sua controlada no encerramento do ano calendário de 2002, não se tratando do imposto incidente sobre os lucros acumulados e distribuídos à controladora do Brasil. 35. Em conseqüência, a interessada não pode se aproveitar dos montantes envolvidos, com o fim de compensar o IRPJ apurado no Brasil, seja para liquidação de estimativas mensais ou no encerramento do anocalendário. 36. Como a contribuinte utilizouse da importância de R$ 10.139.124,58 para a liquidação parcial da estimativa do mês de dezembro de 2002, tal montante deve ser deduzido, integralmente, do total de R$ 45.524.200,90, indicado na Linha 16, da Ficha 12A [Cálculo do IR sobre o Lucro Real], da declaração de rendimentos, restando a importância de R$ 35.385.076,32. Além disso, entendeu que dos R$ 35.385.076,32 de estimativas assim consideradas, R$ 34.845.035,37 teriam sido quitadas com créditos originados em pedidos de Ressarcimento de IPI, dos quais “R$ 12.291.243,53, relativo aos meses de janeiro, abril, maio, agosto, setembro e parte de novembro, correspondem a processos administrativos que se encontram pendentes de julgamento no Conselho de Contribuintes e na Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), [...]”. E com base em tal raciocínio, assim concluiu: 42. Em conseqüência, não há liquidez e certeza sobre a extinção das estimativas do IRPJ que se pretende liquidar por meio de Fl. 686DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 686 9 compensações, enquanto tais processos não se tornarem definitivos na esfera administrativa. 43. Portanto, ainda que se considere como comprovada a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte glosado pela autoridade fiscal, na importância de R$ 89.450,34, em vista da apresentação do Comprovante de Pagamento de Juros sobre o Capital Próprio, fls. 206/207, tal valor pouco influencia a evidência dos fatos aqui relatados, ou seja, a existência de Imposto de Renda a Pagar no encerramento do anocalendário de 2002, e não de saldo negativo passível de compensação com débitos subseqüentes. Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese: que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no anocalendário de 2002, por força do disposto no art. 74 da MP 2.15835/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas, de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa vasta documentação referente às declarações de renda transmitidas na Argentina e dos comprovantes de pagamentos (fls. 348/498), acompanhada, inclusive, de tradução juramentada de suas demonstrações financeiras relativas aos anoscalendário de 1997 a 2002 (fls. 499670); em relação às estimativas compensadas com créditos de IPI (pedidos de ressarcimento), alega que como foram alvo de compensação, eventual não homologação ensejará a cobrança de tais valores; no que atine ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL, reafirma que apresentou o comprovante de retenção, implicando, necessariamente, no reconhecimento de seu direito à dedução de tais valores. Entendo assistir razão à recorrente. No que tange ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL por ocasião do pagamento de juros sobre capital próprio à recorrente, tendo em vista o comprovante de retenção apresentado já em sede de manifestação de inconformidade, e considerandose que os rendimentos foram oferecidos à tributação, não há como não se reconhecer o direito de crédito correspondente. No que atine a argumentação da DRJ a respeito dos valores de estimativa compensados com créditos de IPI (ressarcimento), tratase de matéria absolutamente inovadora e sequer abordada pela unidade de origem. Embora aqui não se trate de lançamento, mas sim de um pedido para reconhecimento de indébito, entendo que os órgãos julgadores não possam se afastar das matérias abordadas pela unidade de origem. É certo que, por vezes, em razão dos elementos de defesa trazidos aos autos, se faz necessária uma análise que possa se distanciar, ou ao menos aprofundar, os argumentos entabulados pela unidade de origem. Mas para se abrir tal possibilidade, o julgador deve tão somente contraargumentar em relação os elementos trazidos pela própria interessada em suas peças recursais. Jamais abrir nova frente de averiguação, de Fl. 687DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 687 10 modo a realizar glosa em parcela de crédito sequer abordada pelo despacho decisório inaugural. A própria Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 33/2013 (disponível em: < http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=297 85>), se posicionou sobre tais limites de atuação dos órgãos julgadores. Por oportuno, peço vênia aos meus pares para transcrever excerto dos fundamentos de tal ato: 12. Em um breve resumo, temse que o lançamento, seja efetuado por meio de notificação de lançamento ou auto de infração, deve conter os elementos necessários para a apresentação da defesa por parte do sujeito passivo. É diante desses elementos que o interessado vai apresentar, por meio da impugnação, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta para se contrapor ao lançamento, as diligências que pretende que sejam efetuadas, os pontos de discordância e as razões e provas que possui. Assim, podemos afirmar que o lançamento delimita a matéria em relação à qual o sujeito passivo tem o direito de se defender e, por essa razão, deve indicar precisamente a disposição legal infringida. 12.1. Temse, ainda, que a impugnação instaura a fase litigiosa do processo e que o julgamento do processo em primeira instância compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 12.2. O julgador, ao analisar a impugnação e as provas apresentadas, formará livremente sua convicção e poderá determinar diligências em caso de dúvida quanto a veracidade dos fatos, em respeito ao princípio da verdade material. 12.3. A autoridade julgadora deverá proferir decisão na qual deve indicar os fundamentos legais infringidos, em respeito ao princípio da ampla defesa e do contraditório, devendo referirse às razões de defesa suscitadas pelo impugnante. São nulas as decisões proferidos com preterição do direito de defesa. 12.4. Assinalese que quando forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deverá ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. 12.5. Por seu turno, cumpre recordar que as despesas qualificadas como médicas, para serem dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual (DAA), devem estar devidamente comprovadas, de acordo com o estabelecido no caput do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/1999, e na alínea “a” do inciso II do art. 8º e incisos do § 2º da Lei nº 9.250, de 1995. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 688 11 13. Após esse breve estudo, verificase que a solução para as questões apresentadas deve levar em conta o que embasou o lançamento, pois indicará a motivação da glosa da despesa médica pleiteada, e, também, as razões e provas que constam da impugnação apresentada pelo interessado. 14. Em resposta ao primeiro questionamento apresentado pela consulente, podese afirmar que não estará a autoridade julgadora inovando ao manter a glosa fundamentada na falta ou insuficiência de elementos adicionais de prova por ela solicitados, após a análise das provas trazidas pelo interessado em sua impugnação, quando o lançamento teve como motivação justamente a falta ou insuficiência de documentação comprobatória da despesa médica. A motivação continua a mesma, qual seja a não comprovação da dedução pleiteada. 15. Em relação ao segundo questionamento, a resposta dependerá de que elementos adicionais foram solicitados pela autoridade julgadora, se esses têm ou não relação com a motivação do lançamento ou com as razões e provas trazidas pelo interessado em sua impugnação. Recordese que compete à autoridade julgadora o julgamento do processo de exigência do crédito tributário e, para tal, deve formar sua convicção sem, entretanto, desempenhar a função de autoridade lançadora. 15.1. Assim, se o documento apresentado à autoridade lançadora foi considerado não hábil por carência de requisito formal exigido na legislação e o interessado, ao impugnar, apresenta documentos que visem a corrigir a falta apontada, a manutenção da glosa pela autoridade julgadora, fundamentada na falta ou insuficiência de elementos adicionais por ela solicitados estranhos ao referido requisito formal, caracteriza inovação da motivação do lançamento e, consequentemente, agravamento da exigência inicial. Na situação apontada, o contribuinte não procurou comprovar a despesa médica por outros meios. Ele simplesmente apresentou documento com vistas a sanar a falta do requisito formal. 15.1.1. A inovação, entretanto, não ocorrerá se a manutenção da glosa pela autoridade julgadora for fundamentada na falta ou insuficiência de elementos adicionais por ela solicitados relacionados ao requisito formal que não ficou devidamente comprovado pelo contribuinte em sua impugnação. 15.2. Situação diferente ocorrerá se o interessado, ao impugnar, apresentar documentos que visem não a corrigir a falta do requisito formal apontada pela autoridade lançadora mas a comprovar a realização da despesa médica. Nessa situação, a manutenção da glosa pela autoridade julgadora fundamentada na falta ou insuficiência de elementos adicionais por ela solicitados relacionados à comprovação da Fl. 689DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 689 12 dedução não caracteriza inovação pois é direito do contribuinte apresentar as provas que possui em sua defesa e compete a autoridade julgadora analisálas, formando livremente sua convicção. Recordese que o princípio da verdade material rege o PAF e que, nesse caso, o próprio interessado apresentou elementos adicionais de prova. 16. Assim, a título de exemplo, se o documento apresentado à autoridade lançadora foi considerado não hábil por não conter o número do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) do emitente e o interessado apresentar à autoridade julgadora novo documento que contenha todos os requisitos legais, inclusive o CNPJ, não caberá a autoridade julgadora solicitar elementos adicionais estranhos ao delimitado no lançamento. Mas se o contribuinte apresentar declaração do prestador do serviço como meio de prova da dedução pleiteada, poderá a autoridade julgadora solicitar elementos adicionais de convencimento. 17. Ressaltese que, a despeito de a glosa pela autoridade lançadora ter sido porque o documento apresentado foi considerado não hábil por carência de requisito formal exigido na legislação, não há impedimento para que a autoridade julgadora cancele a glosa com base em prova outra que comprove a efetiva prestação do serviço médico e seu respectivo pagamento. Entendo que a decisão de primeira instância, em total descompasso com a matéria até então litigiosa, inaugurou nova discussão a respeito do indeferimento do direito creditório pleiteado. Vejase a conclusão da unidade de origem quanto às estimativas informadas como pagas em DIPJ: a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. E Ganhos de Capital, no valor de R$ 10.139.124,58, utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 57/76, referentes ao imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A. Os pagamentos efetuados estão relacionados na tabela a seguir: Data do IR Pago Taxa de IR Pago Pagamento no Exterior Câmbio (*) no Exterior em Pesos em Reais 12/05/2003 6.440.001,92 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 6.694.446,40 12/05/2003 559.959,31 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 582.083,30 12/05/2003 606.800,86 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 630.775,56 03/06/2003 0,90 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 0,94 03/06/2003 38,77 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 40,51 Total 7.606.801,76 7.907.346,71 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 690 13 (*) Os valores da taxa de câmbio foram obtidos no sítio do Banco Central do Brasil, na Internet, conforme telas de fls. 113/117. Examinando a tabela, verificase que o valor total do imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A foi de R$ 7.907.346,71. Este é o valor máximo que o interessado poderia compensar com o Imposto de Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11, do artigo 14, da Instrução Normativa SRF n.º 213, de 07 de outubro de 2002, reproduzidos a seguir: [...] Desta forma, a diferença de R$ 2.257.789,28 (R$ 10.139.124,58 – R$ 7.907.346,71) deve ser Deduzida do valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa a ser de R$ 43.266.411,62. Já o voto condutor do aresto recorrido, assim concluiu sobre o tema: 38. Além disso, verificase que o valor de R$ 35.385.076,32 seria parcialmente liquidado por meio da utilização de Imposto de Renda Retido na Fonte (R$ 448.208,79), restando ainda um valor de R$ 34.936. 867,53 de IRPJ a Pagar: [...] 39. Por sua vez, consulta às DCTF apresentadas, permite a seguinte consolidação: [...] 40. Do demonstrativo acima, a partir dos débitos declarados em DCTF, verificase que a contribuinte utilizouse, para a liquidação das estimativas apuradas durante o anocalendário de 2002, de compensações na importância de R$ 34.936.757,57, sendo que a maior parte deste valor (R$ 34.845.035,37) corresponde a créditos com origem em Ressarcimento do IPI, além de R$ 91.722,16 utilizados para a liquidação parcial da estimativa de agosto, com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. 41. Verificase também que um montante de R$ 12.291.243,53, relativo aos meses de janeiro, abril, maio, agosto, setembro e parte de novembro, correspondem a processos administrativos que se encontram pendentes de julgamento no Conselho de Contribuintes e na Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), conforme demonstra consulta de fls. 233/271. 42. Em conseqüência, não há liquidez e certeza sobre a extinção das estimativas do IRPJ que se pretende liquidar por meio de compensações, enquanto tais processos não se tornarem definitivos na esfera administrativa. Vêse, assim, que enquanto a unidade origem concluiu que o total de estimativas pagas era de R$ 43.266.411,62, a turma julgadora de origem concluiu não haver certeza e liquidez também em boa parte das estimativas não glosadas pela unidade de origem. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 691 14 Logo, por se tratar de matéria estranha ao despacho decisório da unidade de origem, entendo que os argumentos atinentes às compensações de estimativas realizadas com créditos de IPI (pedidos de ressarcimento) não podem ser óbice para reconhecimento do direito creditório pleiteado pela recorrente. Em relação ao imposto de renda recolhido por SIAT S/A na Argentina, e que a recorrente entende possuir o direito a compensar com o IRPJ devido no Brasil, do mesmo modo, concluo assistirlhe razão. O oferecimento à tributação, no ano de 2002, no Brasil, dos lucros auferidos em sua coligada na Argentina no período de 1997 a 2001 decorria de expresso dispositivo com força de lei (art. 74 da MP 2.15835/01). Portanto, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, não há que se falar em necessidade da disponibilização dos lucros. Tal equívoco de interpretação contido na decisão recorrida levou a turma julgadora a discordar até mesmo da unidade de origem, uma vez que essa havia reconhecido como efetivamente pago no exterior o montante de R$ 7.907.346,71, enquanto no voto condutor do aresto guerreado concluiuse que a recorrente não fazia jus a compensar qualquer valor referente ao imposto pago na Argentina. Vejase: 36. Como a contribuinte utilizouse da importância de R$ 10.139.124,58 para a liquidação parcial da estimativa do mês de dezembro de 2002, tal montante deve ser deduzido, integralmente, do total de R$ 45.524.200,90, indicado na Linha 16, da Ficha 12A [Cálculo do IR sobre o Lucro Real], da declaração de rendimentos, restando a importância de R$ 35.385.076,32. 37. Cabe esclarecer que tal fato, que resulta na diminuição do montante antecipado por meio de estimativas, a ser deduzido na apuração efetuada no encerramento anual do anocalendário de 2002, mostrase suficiente para o indeferimento integral do pleito de compensação formulado pela empresa, pois tal redução, por si só, implicaria a apuração de IRPJ a pagar no encerramento anual (R$ 8.042.275,58) e não de saldo negativo. Feito esse pequeno esclarecimento quanto à peculiaridade da interpretação da decisão recorrida, retornase ao mérito da questão. Em primeiro lugar, cumprese destacar que o despacho da unidade de origem passou ao largo de toda essa discussão ao considerar como imposto recolhido o total do imposto de renda devido por SIAT S/A, sem levar em consideração que a recorrente possuía somente 30% de participação naquela empresa, fazendo jus, por consequência, somente a esse mesmo percentual dos recolhimentos lá realizados. Ou seja, a própria unidade de origem sequer percebeu a questão do oferecimento à tributação de valores atinentes a períodos anteriores, bem como da utilização dos respectivos saldos de impostos recolhidos naquele país nesse mesmo interregno. Não há dúvidas de que a recorrente efetuou a adição de tais resultados na base de cálculo do IRPJ (item 29 do voto da decisão de primeira instância). Faziase necessário, tão somente, a comprovação do valor efetivamente recolhido na Argentina. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/200643 Resolução nº 1402000.340 S1C4T2 Fl. 692 15 Nesse ponto, a meu ver, não há como se desconsiderar os valores retidos na fonte, na Argentina, como imposto efetivamente pago. Tratase exatamente do mesmo procedimento adotado no Brasil para fins de determinação do imposto a pagar, obtido a partir da determinação do imposto devido deduzido dos recolhimentos efetuados e das retenções devidamente comprovadas. E a vasta documentação acostada aos autos, em especial as declarações de renda transmitidas na Argentina onde constam os valores de imposto de renda retido na fonte, bem como dos recolhimentos efetuados ambos a deduzir o saldo de imposto devido a meu ver, apontam para uma confirmação dos valores pleiteados pela recorrente. Contudo, a própria recorrente requer em sua peça recursal que o julgamento seja convertido em diligência para que se possa confirmar os valores recolhidos por SIAT S/A e retidos em seu nome durante o período compreendido entre o ano de 1997 e o ano de 2002. A fim de se evitar maiores contratempos, salientase que, para fins de compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, o documento relativo a esse tributo deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Contudo, a pessoa jurídica fica dispensada dessa obrigação quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do Imposto de Renda que houver sido pago por meio do documento de arrecadação apresentado. No caso de documentos expedidos na Argentina, aplicase, no que couber, o disposto no Acordo, por troca de notas, sobre Simplificação de Legalizações em Documentos Públicos, de 16.10.2003, publicado no Diário Oficial da União em 23.04.2004, conforme esclarecido na Solução de Consulta no 54/2011, da 10ª Região Fiscal. 3 CONCLUSÃO Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem analise os documentos acostados aos autos em sede de recurso voluntário (em contraposição aos argumentos da DRJ), e, sendo necessário, intime o contribuinte a demonstrar, de forma pormenorizada, a composição do valor de imposto supostamente recolhido na Argentina por SIAT S/A (incluindo as retenções) e deduzido em DIPJ, apresentando, se necessário, os documentos complementares pertinentes. A autoridade fiscal deverá analisar os dados fornecidos pelo contribuinte, elaborando, ao final, relatório conclusivo sobre correição das informações prestadas pela ora recorrente. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 693DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10930.907087/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/02/2001
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/02/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 92 1 91 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907087/201161 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.164 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COFINS PER/RESTITUIÇÃO Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/02/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 87 /2 01 1- 61 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.487, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 20853.45248.300605.1.2.040868, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472352). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 852,80, referente ao pagamento efetuado em 15/02/2001, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 60.072,41. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3802004.164 S3TE02 Fl. 93 3 período de apuração de 31/01/2001, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2001 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3802004.164 S3TE02 Fl. 94 5 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3802004.164 S3TE02 Fl. 95 7 Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11080.724352/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2010
INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter a exigência não configura alteração do fundamento do lançamento.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. APROPRIAÇÃO DE DESPESA. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Tratando-se de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a regime de competência não pode ser dissociada do momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência. Uma vez deliberado o pagamento de juros sobre o capital próprio, do ponto de vista estritamente tributário, o que releva verificar é se, no momento em que a despesa foi incorrida, foram atendidos os requisitos legais objetivos autorizadores da sua dedutibilidade.
Numero da decisão: 1301-001.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Redator.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter a exigência não configura alteração do fundamento do lançamento. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. APROPRIAÇÃO DE DESPESA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Tratando-se de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a regime de competência não pode ser dissociada do momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência. Uma vez deliberado o pagamento de juros sobre o capital próprio, do ponto de vista estritamente tributário, o que releva verificar é se, no momento em que a despesa foi incorrida, foram atendidos os requisitos legais objetivos autorizadores da sua dedutibilidade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2193; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.980 1 1.979 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.724352/201431 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.891 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ/JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO/GLOSA Recorrente LOJAS RENNER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter a exigência não configura alteração do fundamento do lançamento. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. APROPRIAÇÃO DE DESPESA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Tratandose de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a regime de competência não pode ser dissociada do momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência. Uma vez deliberado o pagamento de juros sobre o capital próprio, do ponto de vista estritamente tributário, o que releva verificar é se, no momento em que a despesa foi incorrida, foram atendidos os requisitos legais objetivos autorizadores da sua dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 43 52 /2 01 4- 31 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.981 2 Presidente e Redator. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.982 3 Relatório Por meio dos autos de infração são exigidas da contribuinte acima identificada as importâncias relacionadas a IRPJ (R$ 5.733.419,85) e CSLL (R$ 2.064.031,14), referente ao anocalendário de 2010, apuradas em conformidade com o regime de apuração do lucro real, acrescidas de multa de ofício de 75% e de juros de mora. A exigência tem como fundamento a falta de adição na apuração do lucro real do excesso de juros sobre o capital próprio. 1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 666/710, a autoridade fiscal assim se manifestou: [...] 5.1 Durante o procedimento fiscal a fiscalização apurou que a fiscalizada LOJAS RENNER S.A na competência 12/2010 efetuou o pagamento de Juros sobre Capital Próprio calendários 1998 a 2009, o qual não pode ser considerado despesa dedutível da CSSL e IRPJ, conforme será relatado. 5.2. A presente constituição de crédito tributário trata de dedução indevida nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL de Juros sobre Capital Próprio. 6. DA DEMONSTRAÇÃO DA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA 6.1. O fisco traz provas que demonstram que a autuada acumulou, de forma extracontábil, JSCP (Juros sobre Capital Próprio) calculados entre os anos de 1998 a 2009. Em 2010, tais acumulações foram usufruídas para pagamento de R$ 22.933.679,27) de JSCP, contrariando de forma absoluta o princípio da competência, que veda o pagamento de JSCP oriundo de exercícios distintos daqueles nos quais tais juros estão sendo pagos. [...] 2. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a autuada apresentou a impugnação alegando, em síntese: • Que a controvérsia que deu azo ao lançamento ora impugnado está no pagamento, como despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no ano de 2010, de JCP relativos aos exercícios de 1998 a 2009. • Que a premissa norteadora da dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio foi equiparar o tratamento tributário ao dispensado à remuneração de capital de terceiros. Assim, se não há restrição em relação às despesas financeiras relativas aos encargos de juros de um empréstimo que, por qualquer razão, não tenham sido apropriadas em Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.983 4 exercícios anteriores, da mesma forma não haveria sentido se imputar tal restrição ao instituto o JCP. • Que a norma estabelece como requisito para pagamento e dedutibilidade: 1. Existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados; 2. Pagamento ou crédito dos JCP individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, calculados sobre as contas de patrimônio líquido; 3. Limitação dos valores à variação, pro rata dia, da TJLP. • Que, no caso em exame, todos os três requisitos foram integralmente preenchidos e que inexiste qualquer referência em contrário no relatório fiscal. • Que o fundamento do ato administrativo, em síntese, é a alegada impossibilidade de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de valores relativos aos JCP apurados entre 1998 e 2009 e pagos no ano de 2010, por suposta violação ao princípio da competência. • Que só se pode cogitar da existência da despesa relativa aos JCP no momento em que o pagamento desses se torna obrigatório para a pessoa jurídica. A DRJ/FLORIANÓPOLIS (SC) decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 0736.078, de 27 de novembro de 2014, julgando improcedente a impugnação e mantido o auto de infração, tendo sido lavra a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. NÃO EXERCÍCIO. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. DEDUÇÃO EM ANOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio JSCP à acionista ou sócio é faculdade concedida pela Lei, para ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes limitada aos juros (TJLP) sobre o patrimônio líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. Deste modo, o não exercício da mencionada faculdade em determinado ano calendário configura renúncia ao benefício concedido na Lei e enseja a preclusão temporal que impede a dedução dos juros sobre o capital próprio JSCP em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução na apuração do lucro real do ano, de juros sobre o capital próprio JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores. Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.984 5 PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, a decisão prolatada no lançamento principal (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, inexistindo razão de fato e direito para decidir diversamente. É o relatório. Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.985 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório e voto recorrido constatase que a lide posta a exame para esse colegiado, considerandose que inexiste contestação a respeito dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio no valor de R$ 22.933.679,37, nem sobre os limites estabelecidos pela Lei nº 9.249, de 1995, ou mesmo quanto a sistemática de cálculo de cálculo da TJLP, resumese a questão meramente de direito, visto que o fundamento do ato administrativo (auto de infração) é a impossibilidade de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de valores relativos aos JCP apurados entre 1998 e 2009 e pagos no ano de 2010, por violação ao princípio da competência, conforme excerto do “Relatório da Atividade Fiscal”, fls. 670. Assim, o cerne da questão é a possibilidade de se deduzir como despesa o valor pago a título de juros sobre o capital próprio relativo a períodos anteriores. Extraise do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal a seguinte acusação: DA DEMONSTRAÇÃO DA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA O fisco traz provas que demonstram que a autuada acumulou, de forma extracontábil, (Juros sobre Capital Próprio) calculados entre os anos de 1998 a 2009. Em 2010, tais acumulações foram usufruídas para pagamento de R$ 22.933.679,27 de JSCP, contrariando de forma absoluta o princípio da competência, que veda o pagamento de JSCP de exercícios distintos daqueles nos quais tais juros estão sendo pagos. (...) A fiscalizada declarou na DIPJ ano base 2010 na Ficha 06 A Demonstração do Resultado PJ em geral, na linha 44 () Juros sobre o Capital Próprio o valor de R$ 70.228.363,31. O valor declarado é composto por: R$ 47.300.177,57 referente ao exercício de 2010 e R$ 22.933.679,37 referente a 1/3 (um terço) do valor apurado (R$ 68.801.038,10) referente aos exercícios de 1998 a 2009. Através da documentação apresentada pela fiscalizada, a fiscalização constatou que a mesma apurou extracontabilmente o valor de R$ 68.801.038,10 a tÍtulo de JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DE PERÍODOS ANTERIORES e reconheceu no exercício de 2010 o valor de 22.933.679,37 referente a 1/3 (um terço) do valor apurado, referente aos exercícios de 1998 a 2009. Pois bem, o art. 9º, da Lei nº 9.249, de 1995, autoriza à pessoa jurídica deduzir da apuração do lucro real os juros pagos aos sócios e aos acionistas a título de remuneração sobre capital próprio, verbis: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.986 7 remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Sobre a escrituração a que as pessoas jurídicas estão obrigadas o art. 177 da Lei nº 6.404/76 assim prescreve: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (negritei) Logo vêse que o entendimento esposado pela Recorrente no sentido de que não há um limite temporal para que se possa deduzir a despesa aqui discutida (juros sobre o capital próprio), efetivamente não pode ser acolhido. No regime de competência, o cômputo das receitas e despesas é indissociável do período de tempo em que os correspondentes montantes são realizados, justificando, assim, o registro da mutação patrimonial respectivo. Nesse passo, o regime de competência é a regra, consistindo mera exceção a adoção do regime de caixa quando expressamente estabelecido na legislação, como na hipótese da dedução de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa (art. 344, § 1º, do RIR/99), e da dedução da variação monetária passiva (art. 30 da Medida Provisória nº 2.03723/2000). Como visto, no caso sob exame, tratase da dedução de despesa com juros sobre o capital próprio (JCP) para o qual o art. 9º da Lei 9.249/95 não estabeleceu exceção ao regime de competência. Nessa linha, se pretender gozar da faculdade de distribuir JCP a seus sócios, a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Constituída, se for o caso, a obrigação de distribuir JCP, a pessoa jurídica poderá extinguila imediatamente através de “pagamento” ao sócio, ou deixar a extinção para momento posterior, caso em que deverá registrar, também imediatamente, o “crédito” ao sócio. No caso sob exame a contribuinte fez, tão somente, um controle extracontábil. Anotese que esta Corte Administrativa assim tem decidido com relação a esta matéria, como exemplo, podemos citar os seguintes acórdãos precedentes; 140100.348 (de 10/11/2010), 1201000.348 (de 11/11/2010), 1401000.734 (de 14/03/2012) e 1301 001.118 (de 05/12/2012). Deste último acórdão (1301001.118) o voto vencedor da lavra do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, ao meu ver, explicita de forma cristalina a lide, senão vejamos: Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.987 8 A controvérsia está representada pela seguinte questão: apurados e não contabilizados os juros sobre o capital próprio em determinado ano calendário, a dedução dessa despesa poderia ser feita em outro ano calendário, isto é, em período de apuração diverso do correspondente ao de apuração (e da não contabilização). A dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, encontrase disciplinada no artigo 9º da Lei nº. 9.249, de 1995. [acima transcrito] Cabe destacar que a norma em referência cuida, única e exclusivamente, de dedutibilidade da despesa com remuneração do capital próprio (juros), estabelecendo, pois, as condições para tanto. Nesse sentido, preconiza: a) que os juros dedutíveis devem ser calculados sobre as contas do patrimônio líquido e devem ser limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP; e b) que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Releva notar que antes da edição da Lei nº. 9.249/95 não eram admitidas, como custo ou despesa dedutível, as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios da empresa, a título de juros sobre o capital (artigo 49 da Lei nº. 4.506/64). Ao introduzir a possibilidade de dedução, a norma tributária impôs condições, como anteriormente explicitado. A Instrução Normativa SRF nº. 11, de 1996, complementando as disposições trazidas pelo art. 9º da Lei nº. 9.249, de 1995, estabeleceu: Juros Sobre o Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Como é cediço, no Regime de Competência as receitas e despesas são apropriadas no período de sua realização, independentemente do efetivo recebimento das receitas ou do pagamento das despesas. Em que pese as referências feitas pelo Ilustre Conselheiro Relator ao regime de competência, a questão versada nos autos não trata exatamente de inobservância do referido regime na apropriação de despesa, mas, sim, de desconsideração das condições de dedutibilidade estabelecidas na legislação de regência. Ademais, revelase absolutamente impróprio falarse em inobservância de regime de competência no registro de despesa na situação em que ela própria (a despesa) não existe, pois, se apurada e não refletida contabilmente, descabe falar em despesa incorrida. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.988 9 Cabe destacar, assim, que na situação sob análise, em que se fala em “apuração” mas não se prova a contabilização, o regime de competência se revela no momento do pagamento ou crédito ao beneficiário, isto é, no momento em que a despesa é efetivamente incorrida. Resta fora de dúvida, portanto, que, no presente caso, a solução da controvérsia está diretamente associada à aferição do cumprimento das condições estabelecidas pela legislação tributária para fins de dedutibilidade da despesa. (...) Do referido texto, aqui acolhido por inteiro, ressalto as seguintes conclusões: 1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência; 2. tratandose de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das disposições do art. 6º do DecretoLei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem de forma expressa em disposição de lei; 3. a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio não se subordina única e exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma tributária impõe limites objetivos; 4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida; 5. do ponto de vista estritamente tributário, os juros sobre o capital próprio, diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista; 6. nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado; 7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores; 8. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade. Assim, não havendo dúvida de que o registro da despesa em comento deve ser feito obedecendose o regime de competência, e que, no caso, tal regime se revela no momento do pagamento ou crédito ao beneficiário, resta expresso na norma tributária que a dedutibilidade de tal pagamento ou crédito fica limitado à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP sobre as contas do Patrimônio Líquido e condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (art. 9º, caput e parágrafo primeiro, acima transcritos). Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.989 10 A defesa alega, ainda, que houve inovação pelo acórdão recorrido, ao se referir pela impossibilidade de pagamento de JCP em períodos posteriores aqueles a que dizem respeito. Neste sentido, vejamos o que diz a decisão recorrida: Equivocase, portanto, a Interessada ao afirmar os juros sobre o capital próprio somente passaram a existir a partir do momento em que os sócios ou acionistas definiram sua aprovação e seu pagamento e/ou que este é o período de competência, momento no qual é gerada uma obrigação para a empresa e um direito creditório aos sócios e acionistas. Mostramos que a Interessada parte de uma premissa equivocada, a qual, por decorrência lógica, invalida sua tese, qual seja, a de que teria observado o regime de competência. A premissa equivocada é a seguinte: o interessado defende que não haveria impedimento legal para que os sócios ou acionistas, em qualquer momento, pudessem deliberar e definir a aprovação de distribuição e pagamento de juros sobre o capital próprio. Em outras palavras, poderiam os sócios ou acionistas, por exemplo, numa Assembléia no ano de 2010, deliberar sobre a distribuição de juros sobre o capital próprio referentes a fatos verificados nos anos de 1998 a 2009. Data venia, tal hipótese não encontra amparo legal. Se não foram observadas as regras societárias, não cabe o benefício da dedutibilidade fiscal. Portanto, há uma clara inobservância ao regime de competência, pois o interessado, ao descumprir norma societária (se pretendia distribuir juros sobre o capital próprio (JSCP) nos anoscalendário de 1998 a 2009 deveria ter deliberado nas respectivas assembléias ou reuniões destes anos e não somente em 2010) “deslocou”, artificialmente, despesas de um ano para outro ano. Tal procedimento, no meu modo de ver, fere o regime de competência. Constatase, claramente, que a argumentação da decisão recorrida não alterou o fundamento do auto de infração. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse na mesma linha, ainda que usando outras palavras, inclusive como reforço de argumentos. Entendo, desse modo, que não houve alteração no fundamento do lançamento pela DRJ, mas, apenas o reforço argumentativo da sua procedência. Como, no caso, a contribuinte deduziu no ano calendário de 2010 despesas com juros sobre o capital próprio que, por força do regime de competência, somente poderiam ter sido levadas ao resultado em anos anteriores, voto por manter a glosa nos termos da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.990 11 Voto Vencedor Wilson Fernandes Guimarães, Redator Em que pese as densas considerações trazidas pelo Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado decidiu, por maioria, de forma diversa. A partir do registro feito no pronunciamento do Ilustre Conselheiro Relator, no sentido de que "inexiste contestação a respeito dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio no valor de R$ 22.933.679,37, nem sobre os limites estabelecidos pela Lei nº 9.249, de 1995, ou mesmo quanto a sistemática de cálculo de cálculo da TJLP", a questão a ser dirimida resumese à matéria de direito, como bem destaca também o citado pronunciamento. Não obstante, no que diz respeito ao denominado PAGAMENTO ACUMULADO de juros sobre o capital próprio, podese elencar duas situações passíveis de questionamento pelo Fisco, quais sejam: i) pagamento acumulado em que as condições de dedutibilidade da despesa são observadas nos anos correspondentes aos juros, mas, não, no momento em que a despesa é incorrida; ii) pagamento acumulado em que, no momento em que a despesa é incorrida, são atendidas as condições que autorizam a sua dedução. O acórdão nº 1301001.118, referenciado no Relatório Fiscal que integra a autuação objeto do presente processo, tratou de situação semelhante a descrita no item "i" acima. Ali, a autoridade fiscal, constatando que no ano em que a despesa foi apropriada no resultado extrapolou os limites quantitativos estabelecidos pela legislação de regência, considerou indedutível a parcela excedente aos referidos limites. Com efeito, a contribuinte deduziu juros sobre o capital próprio no montante de R$ 50.727.602,26, sendo R$ 15.927.602,26 referentes ao próprio ano em que a despesa foi apropriada (2005) e R$ 34.800.000,00 correspondentes a períodos anteriores (1999 a 2004). Na medida em que o limite para a dedução foi de R$ 19.232.003,62, a autoridade fiscal considerou indedutível a parcela de R$ 31.495.598,64. É importante notar que, embora ali se tenha afirmado que não se poderia reconhecer a apropriação de despesa de juros sobre o capital próprio de forma retroativa, foi admitida a dedução da despesa correspondente aos juros do próprio ano de 2005 (R$ 15.927.602,26) e parte da referente ao período de 1999 a 2004 (R$ 3.304.401,36), Penso que afirmação acerca da apropriação retroativa não é de todo correta, pois não se revela adequado falar em aproveitamento de despesa de forma retroativa na circunstância em que, no período passado, ela sequer existia. Destaco a situação enfrentada no acórdão nº 1301001.118 em virtude do fato de, tendo concordado com os termos da autuação e divergido do Ilustre Conselheiro Relator Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/201431 Acórdão n.º 1301001.891 S1C3T1 Fl. 1.991 12 daquele julgado, ter sido designado redator do voto vencedor. Ademais, como já dito, o referido acórdão foi referenciado no Relatório Fiscal que integra a autuação objeto do presente processo, apesar de não ter tratado de situação exatamente igual a apreciada nestes autos, como aqui demonstrado. A meu ver, a hipótese retratada nos presentes autos está representada pela situação descrita no item "ii" acima, em que, embora o pagamento dos juros sobre o capital próprio inclua períodos anteriores ao correspondente à apropriação da despesa, foram observados os limites estampados na legislação de regência no momento em que ela foi incorrida. Em convergência com tal afirmação, o voto vencido assinala: Portanto, tendo a impugnante respeitado, para efeito de dedutibilidade, os critérios e limites previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, não há como negar a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio por ela utilizada e glosada pela fiscalização. O Colegiado, por maioria, como já dito, alinhouse ao entendimento esposado no referido voto vencido no sentido de que a legislação tributária não cuidou de estabelecer limite temporal para a deliberação dos sócios/acionistas para efetivação do pagamento dos juros sobre o capital próprio (e, salvo melhor juízo, nem lhe caberia) de modo que, observados os limites impostos pela lei no momento em que a despesa foi incorrida, a sua dedução resta autorizada. No que tange à alegada inobservância do regime de competência, tratandose de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a tal fato não pode ser dissociada do momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Wilson Fernandes Guimarães Redator Designado Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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