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6272257 #
Numero do processo: 19515.001510/2002-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. VEDAÇÃO REGIMENTAL. Não cabe Recurso Especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF. Recurso Especial da Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     2 Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Relatório  Trata­se de autuação com base em depósitos bancários sem identificação de  origem, com fundamento no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, relativos ao ano­calendário de  1998.  Em  sessão  plenária  de  11/03/2010,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  nº  165.316, exarando o Acórdão nº 2201­00.572 (fls. 126 a 136), assim ementado:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 1999  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  VALORES  CONSTANTES  EM  EXTRATOS  BANCÁRIOS.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações  (artigo  42,  da  Lei  n°  9.430/96).  Matéria já assente na CSRF.  PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA.  As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não  ocorreram na forma como presumidos pela lei.  SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM  LANÇAMENTOS  RELATIVOS  A  FATOS  GERADORES  OCORRIDOS  SOB  A  ÉGIDE  DE  LEGISLAÇÃO  SUPERVENIENTE  A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988,  não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em  lançamentos fundados na Lei n° 9.430, de 1996.  DADOS  OBTIDOS  PELA  CPMF.  POSSIBILIDADE.  RETROATIVIDADE  O art. 11, § 3 o , da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela  Lei  N°  10.174/2001,  que  autoriza  o  uso  de  informações  da  CPMF  para  a  constituição  do  crédito  tributário  de  outros  tributos, aplica­se retroativamente. (Súmula CARF N° 35).  INCONSTITUCIONALIDADE.  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.001510/2002­01  Acórdão n.º 9202­003.740  CSRF­T2  Fl. 196          3 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária  (Súmula CARF n° 2).  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.  A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4).  Recurso Voluntário Negado.”  Cientificada do acórdão em 12/09/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls.  141), a Contribuinte  interpôs, em 27/09/2011, o Recurso Especial de fls. 144 a 148, visando  rediscutir a aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001 e indicando como paradigma o  Acórdão nº 104­19.637.  Ao Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  o Despacho  nº  2200­ 00.916, 06/03/2012, registrando­se como matéria de recurso:  “I ­ Matérias objeto do recurso especial  O recurso está manejado quanto à alegada responsabilidade tão  somente  da  fonte  pagadora,  quando  esta  não  procede  à  respectiva retenção.”  O  processo  foi  encaminhado  à  PGFN  em  24/05/2013  (Despacho  de  Encaminhamento de fls. 173). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF  nº  527,  de  2010,  a  intimação  presumida  da Fazenda Nacional  ocorreria  em  23/06/2013.  Em  31/05/2013,  foram  oferecidas  as  Contrarrazões  de  fls.  174  a  192  (Despacho  de  Encaminhamento de fls. 193).    Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo  O  Recurso  Especial  interposto  pela  Contribuinte  é  tempestivo,  restando  perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade.  A leitura da ementa do acórdão recorrido permite constatar que foi aplicada a  Súmula CARF nº 35, que é inclusive vinculante:  “(...)  DADOS  OBTIDOS  PELA  CPMF.  POSSIBILIDADE.  RETROATIVIDADE  O art. 11, § 3 o , da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela  Lei  N°  10.174/2001,  que  autoriza  o  uso  de  informações  da  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     4 CPMF  para  a  constituição  do  crédito  tributário  de  outros  tributos, aplica­se retroativamente. (Súmula CARF N° 35).  (...)”  O  art.  67,  do  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF nº 256, de 2009, assim estabelecia:  “Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial  interposto  contra  decisão  que  der  à  lei  tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.  (...)  §  2°  Não  cabe  recurso  especial  de  decisão  de  qualquer  das  turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de  Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do  CARF,  ou  que,  na  apreciação  de  matéria  preliminar,  decida  pela anulação da decisão de primeira instância.” (grifei)  Saliente­se que o pressuposto acima foi reiterado no novo RICARF, aprovado  pela Portaria MF nº 343, de 2015.  Assim,  conforme  disposição  regimental  expressa,  é  incabível  Recurso  Especial de decisão que aplique súmula.  Ademais, foi indicado como paradigma o Acórdão nº 104­19.637. Ocorre que  dito  julgado  foi  reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais,  por meio do Acórdão  CSRF/04­00.096, de 22/09/2005. Na oportunidade, foi dado provimento ao Recurso Especial  da Fazenda Nacional, com a seguinte ementa:  “IRPF.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  EXTRATOS  BANCÁRIOS.  NORMAS  DE  CARÁTER  PROCEDIMENTAL.  APLICAÇÃO  RETROATIVA  ­  A  Lei  n°  10.174,  de  2001,  que  alterou  o  art.11,  parágrafo  3°,  da  Lei  n°  9.311,  de  1996,  de  natureza procedimental ou formal, por força do que dispõe o art.  144,  §  1°  do  Código  Tributário  Nacional,  tem  aplicação  aos  procedimento  tendentes  à  apuração  de  crédito  tributário  na  forma do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, cujo fato gerador se  verificou  em  período  anterior  à  publicação  desde  que  a  constituição do crédito não esteja alcançada pela decadência.  Recurso especial provido”  Diante do exposto, com fundamento no art. 67, § 2º, do Regimento Interno do  CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, reiterado pelo disposto no art. 67, § 3º, do  Regimento  Interno  do CARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343,  de  2015,  não  conheço  do  Recurso Especial, interposto pela Contribuinte.     (assinado digitalmente)  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Relatora    Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.001510/2002­01  Acórdão n.º 9202­003.740  CSRF­T2  Fl. 197          5                             Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO

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6319279 #
Numero do processo: 10209.000175/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/12/2005 Ementa: REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. LEGÍTIMA. DATA DA OUTORGA DE PODERES. REGULARIDADE. Não há irregularidade na representação processual da recorrente quando a outorga de poderes para o signatário do recurso deu-se por intermédio de seu legítimo representante à época da assinatura da procuração, embora não mais o fosse na data de interposição do recurso. A extinção posterior do mandato do representante legal da empresa não invalida os atos legitimamente praticados durante sua vigência. DECISÃO A QUO. NÃO CONTESTAÇÃO. DEFINITIVIDADE. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas tratados na decisão que pretende reformar, nos termos do art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72. É definitiva a decisão de primeira instância na parte que não objeto de recurso. COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS E VALOR DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. É inconstitucional a inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS-importação e da Cofins-importação. Precedentes do STF. RE nº 559.937 - Repercussão Geral.
Numero da decisão: 3402-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins tanto a parcela relativa ao ICMS como o valor da própria contribuição. Ausente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/12/2005 Ementa: REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. LEGÍTIMA. DATA DA OUTORGA DE PODERES. REGULARIDADE. Não há irregularidade na representação processual da recorrente quando a outorga de poderes para o signatário do recurso deu-se por intermédio de seu legítimo representante à época da assinatura da procuração, embora não mais o fosse na data de interposição do recurso. A extinção posterior do mandato do representante legal da empresa não invalida os atos legitimamente praticados durante sua vigência. DECISÃO A QUO. NÃO CONTESTAÇÃO. DEFINITIVIDADE. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas tratados na decisão que pretende reformar, nos termos do art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72. É definitiva a decisão de primeira instância na parte que não objeto de recurso. COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS E VALOR DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO. É inconstitucional a inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS-importação e da Cofins-importação. Precedentes do STF. RE nº 559.937 - Repercussão Geral.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 269          1 268  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10209.000175/2007­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­002.955  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2016  Matéria  Cofins  Recorrente  DELTA PUBLICIDADE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 15/12/2005  Ementa:  REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. LEGÍTIMA. DATA DA OUTORGA  DE PODERES. REGULARIDADE.  Não  há  irregularidade  na  representação  processual  da  recorrente  quando  a  outorga de poderes para o signatário do recurso deu­se por intermédio de seu  legítimo representante à época da assinatura da procuração, embora não mais  o fosse na data de interposição do recurso. A extinção posterior do mandato  do  representante  legal  da  empresa  não  invalida  os  atos  legitimamente  praticados durante sua vigência.  DECISÃO A QUO. NÃO CONTESTAÇÃO. DEFINITIVIDADE.  O  recurso  voluntário  é  cabível  contra  a  decisão  de  primeira  instância,  de  modo que o âmbito válido de sua fundamentação se circunscreve aos temas  tratados  na  decisão  que  pretende  reformar,  nos  termos  do  art.  17  e  42  do  Decreto  nº  70.235/72.  É  definitiva  a  decisão  de  primeira  instância  na  parte  que não objeto de recurso.  COFINS.  IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.  ICMS  E VALOR DAS  PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. NÃO CABIMENTO.  É inconstitucional a inclusão do ICMS e do valor das próprias contribuições  na  base  de  cálculo  do PIS­importação  e  da Cofins­importação.  Precedentes  do STF. RE nº 559.937 ­ Repercussão Geral.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 01 75 /2 00 7- 19 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  excluir  da  base  de  cálculo  da Cofins  tanto  a  parcela relativa ao ICMS como o valor da própria contribuição. Ausente o Conselheiro Carlos  Augusto Daniel Neto.   (assinado digitalmente)  ANTONIO CARLOS ATULIM  ­ Presidente  (assinado digitalmente)  MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de  Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos  Augusto Daniel Neto.   Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de  em São Paulo, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte.  Trata o processo de auto de infração para exigência da diferença de Cofins­ Importação, acrescida de multa de ofício e juros de mora, incidente sobre a operação realizada  pela  Declaração  de  Importação  (DI)  nº  05/1370818­3,  registrada  em  15/12/2005.  Posteriormente parte dos bens passaram a constar também na DI nº 06/0534750­0, registrada  em  10/05/2006,  em  face  da  autorização  concedida  pela  fiscalização  aduaneira  para  desmembramento do Conhecimento de Carga.  Conforme  relato  da  autoridade  fiscal  e  demais  documentos  constantes  dos  autos, a contribuinte registrou a DI nº 05/1370818­3, submetendo à despacho: (i) uma máquina  impressora offset para impressão multicolor de jornais, marca Man Roland, modelo uniset; (ii)  uma máquina  auxiliar  para máquina  impressora Man Roland modelo  uniset  –  dispositivo  de  dobra  de  chapa;  (iii)  uma  máquina  auxiliar  para  máquina  impressora  Man  Roland  modelo  uniset – dispositivo de perfuração de chapa. As três máquinas foram declaradas na adição 001  da  DI  nº  05/1370818­3,  classificadas  sob  o  código  NCM  8443.11.10,  com  o  valor  unitário  (VUCV) de $ 5.922.000,00 euros.   Anteriormente ao registro da referida DI, a importadora havia protocolizado  consulta,  em  18/11/2005,  informando  sobre  a  classificação  fiscal  que  pretendia  utilizar,  observando que, para a NCM 8443.11.10, aplica­se alíquota zero tanto para o II como para o  IPI; bem como que, pelo fato de operar sob o regime de cumulatividade, nos termos da Lei nº  10.833/2003,  estaria  sujeita  às  alíquotas  de  0,65%  para  o  PIS  e  3%  para  a  COFINS.  Questionou, assim, se o entendimento adotado estaria correto e, se assim não fosse, qual seria  (fls. 40/42).  Em  resposta,  foi  publicada  no  Diário  Oficial  da  União  (DOU)  do  dia  27/12/2005,  a  Solução  de  Consulta  SRRF/2ªRF/Diana  nº  76,  que  excluiu  da  posição  NCM  8443.11.10 os dispositivos de perfuração e dobra de chapas, por entender que cada um desses  dispositivos seguia seu regime próprio de classificação.   Fl. 270DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/2007­19  Acórdão n.º 3402­002.955  S3­C4T2  Fl. 270          3 Como,  na  referida  Solução  de  Consulta,  não  constava manifestação  acerca  das alíquotas a serem aplicadas, foi formalizada nova consulta, específica sobre essa questão, a  qual  foi  solucionada mediante Solução de Consulta DISIT/SRRF/2ªRF nº 47, de 19/09/2006,  que esclareceu que as alíquotas aplicáveis ao caso seriam de 1,65% para o PIS e 7,6% para a  Cofins. Contra essa decisão foi interposto Recurso Especial, cuja admissibilidade foi negada.   Conforme  autorização  obtida  junto  ao  Fisco,  a  interessada  procedeu  ao  desmembramento  do  conhecimento  de  carga  e  ao  registro,  em  10/05/2006,  da  DI  nº  06/0534750­0. Na adição 001, declarou o dispositivo de dobra de chapa  sob o  código NCM  8443.60.10,  ao  valor  unitário  (VUCV)  de  $  19.678,35  euros;  enquanto  que,  na  adição  002,  declarou o dispositivo de perfuração de chapa sob o código NCM 8443.60.90, ao valor unitário  (VUCV) de $ 11.727,00 euros.   Em  conferência  documental,  a  fiscalização  verificou  várias  divergências,  dentre elas, o fato de a importadora haver declarado e recolhido a Cofins­importação à alíquota  de 3,00%, bem como de não haver incluído na base de cálculo das contribuições do PIS/Pasep  e Cofins, o valor do ICMS.  Em razão das incorreções apuradas, a fiscalização procedeu ao lançamento da  diferença apurada em relação à Cofins­Importação, acrescida de multa de ofício no percentual  de 75% e juros de mora, perfazendo o valor total do crédito tributário exigido R$ 1.567.056,22.  Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, conforme  consta na decisão recorrida, alegando, em síntese, que:  a) protocolizou consulta para que a Receita Federal confirmasse  o  enquadramento  fiscal  apresentado  pela  impugnante  na  importação  das  mercadorias  sob  análise,  e  apresentou  aditamento  demonstrando  novos  argumentos  a  justificar  sua  pretensão para que fossem aplicadas as alíquotas de 0,65% para  o PIS e 3% para a COFINS, em razão de operar no regime de  cumulatividade  dessas  contribuições,  nos  termos  da  Lei  nº  10.833/2003. O entendimento da Receita Federal foi, porém, de  que  as  contribuições  deveriam  ser  calculadas  às  alíquotas  de  1,65%  para  o  PIS  e  7,6%  para  a COFINS  e,  apesar  de  haver  interposto Recurso Especial, o mesmo foi rejeitado;  b) por não concordar com o entendimento da Receita Federal, a  impugnante  declarou  e  recolheu  a  COFINS  à  alíquota  de  3%,  assim como não incluiu na base de cálculo da COFINS o valor  do ICMS;  c) entende que a Receita Federal não pode exigir o recolhimento  da COFINS com a alíquota de 7,6% e impedir que a impugnante  utilize o  crédito gerado desta operação. Assim como, não pode  exigir que a impugnante pague a COFINS incluindo na sua base  de  cálculo  o  valor  do  ICMS,  já  que  é  inconstitucional  incluir  tributo na base de cálculo de outro tributo;  d) cita o artigo 10 da Lei nº 10.833/2003 para demonstrar que,  no caso das pessoas jurídicas imunes a impostos, assim como as  empresas que auferem receitas decorrentes da venda de jornais,  como  no  caso  da  impugnante,  devem  recolher  a  COFINS  com  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     4 base na Lei nº 9.718/98. Logo, seja pela forma de apuração do  IR, seja pela sua atividade econômica, a impugnante está sujeita  ao recolhimento da COFINS com base na alíquota de 3%;  e)  no  caso  específico  da  COFINS­Importação,  cita  diversos  dispositivos legais para concluir que a Lei nº 10.865/2004 criou  uma  situação  incoerente,  pois  se  por  um  lado  equiparou  os  contribuintes tributados pelo lucro presumido com os tributados  pelo  lucro  real,  ao  submeter  ambos  a  uma  alíquota  total  de  9,25%  para  as  contribuições  incidentes  sobre  as  importações,  por  outro  lado  fez  uma  distinção  entre  tais  contribuintes,  uma  vez que os primeiros não poderão utilizar o valor pago por tais  contribuições  na  importação  como  créditos  para  o  pagamento  das  contribuições  "normais",  enquanto  os  segundos  foram  autorizados  a  utilizar  tal  crédito.  Essa  situação  desrespeita  o  princípio constitucional da isonomia;  f) o ICMS não pode fazer parte da base de cálculo da COFINS  na operação em comento, uma vez que a impugnante tem direito  a pagar o tributo de forma diferida, conforme dispõe o artigo 1º  do Decreto Estadual n° 1.773/2005, e o imposto só será devido  na eventual saída dos bens de seu ativo fixo;  g)  caso  seja  ultrapassada  a  questão  do  diferimento,  o  que  se  admite  apenas  a  título  de  argumentação,  ainda  assim  o  ICMS  não poderia  fazer parte da base de cálculo da COFINS porque  os  bens  importados  foram  adquiridos  mediante  arrendamento  mercantil e o ICMS não incide sobre essas operações, conforme  dispõe o Regulamento do ICMS do Estado do Pará, sendo devido  apenas na eventual alienação dos bens decorrente da opção de  compra pelo arrendatário;  h)  ademais,  o  ICMS  e  o  PIS/COFINS­IMPORTAÇÃO  não  poderiam  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  da  COFINS­ Importação, uma vez que  jamais poderiam ser abrangidos pelo  conceito de "valor aduaneiro", tudo em consonância com ampla  jurisprudência e doutrina favoráveis ao contribuinte, bem como  pela  legislação  pertinente  ao  tema,  conforme  demonstra.  Conclui,  assim,  pela  inconstitucionalidade  da  exigência  das  contribuições na forma implementada pela Lei n° 10.865/2004;  i) aduz que o procedimento de incluir na base de cálculo do PIS  e  da  COFINS  o  valor  do  ICMS,  não  está  de  acordo  com  os  regramentos  constitucionais  relativos  à  segurança  jurídica  e  indelegabilidade da competência tributária;  j)  requer,  ao  final,  que  o  lançamento  de  ofício  seja  julgado  improcedente.   (...)  Mediante o Acórdão nº 16­59.631, de 23 de julho de 2014, a 24ª Turma da  DRJ/SPO julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins   Data do fato gerador: 15/12/2005   Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/2007­19  Acórdão n.º 3402­002.955  S3­C4T2  Fl. 271          5 EFEITOS DA CONSULTA.  A Solução de Consulta  vincula a Administração em  relação ao  Consulente.  A  utilização  por  parte  do  sujeito  passivo  de  entendimento  diverso  do  estabelecido  na  Solução  de  Consulta  sujeita­o  ao  lançamento  de  ofício  dos  tributos  porventura  decorrentes da divergência de entendimento.  BASE  DE  CÁLCULO  COFINS­IMPORTAÇÃO.  INCLUSÃO  ICMS.  A  DRJ  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária. O valor do ICMS diferido  compõe  a  base  de  cálculo  da  COFINS­Importação,  conforme  legislação de regência.   Em suma, o julgador de primeira instância decidiu por:   a) deixar de apreciar as colocações da contribuinte no  tocante à alíquota da  Cofins aplicável à espécie, vez que a contribuinte se valeu do instituto da consulta fiscal para  dirimir  dúvida  acerca  da  alíquota  da  Cofins  a  ser  aplicada  na  operação  sob  exame,  encontrando­se vinculada à resposta dela emanada; e  b) julgar improcedente as alegações da impugnante quanto à ilegitimidade da  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  Cofins,  tendo  em  vista  que:  alegações  de  inconstitucionalidade não são conhecidas na instância administrativa; a legislação de regência  prevê  expressamente  que,  nos  casos  de  diferimento  do  ICMS,  o  valor  do  ICMS  diferido  compõe a base de cálculo da exação; não consta dos autos qualquer documento a comprovar a  alegação de que os bens  importados  foram  adquiridos mediante arrendamento mercantil;  e  a  operação  de  arrendamento  mercantil  internacional  que  envolva  importação  do  equipamento  está sujeita à regra geral de incidência do ICMS, conforme previsto no parágrafo único do art  4º da Lei Complementar nº 87/1996.  A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância  por via postal em 27/08/2014.  Em 15/09/2014,  a contribuinte  apresentou Recurso Voluntário  ao Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese:  1  ­  DA  EQUIVOCADA  INTERPRETAÇÃO  DA  LEI  N°  10.865/04 QUE INSTITUIU O PIS IMPORTAÇÃO  ­ (...) a Recorrente, seja pela forma de apuração do IR, seja pela  sua  atividade  econômica,  está  sujeita  ao  recolhimento  do  COFINS com base na alíquota de 3%.  ­ Da leitura dos dispositivos legais supracitados infere­se que os  contribuintes sujeitos à apuração não cumulativa do PIS/PASEP  e  da  COFINS  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  para  o  PIS/PASEP­ IMPORTAÇÃO e para a COFINS­IMPORTAÇÃO.  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     6 ­  Dessa  forma,  as  contribuições  incidentes  na  importação  de  bens  e  serviços  apenas  gerarão  créditos,  a  serem utilizados  no  momento  do  pagamento  das  contribuições  "normais"  para  o  PIS/PASEP  e  para  a  COFINS,  para  os  contribuintes  que  estiverem  sujeitos  à  sistemática  não  cumulativa  dessas  últimas  contribuições, sistemática esta instituída pelas Leis n° 10.637/02  e 10.833/03 (artigo 15 c/c artigo 16, da MP 164/04).  ­ Por outro lado, as pessoas jurídicas tributadas pelo Imposto de  Renda  com  base  no  lucro  presumido  continuam  sujeitas  à  sistemática  cumulativa  do  PIS/PASEP  e  COFINS,  conforme  determina o artigo 8o, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e artigo 10,  inciso II, da Lei n° 10.833/03.  ­ Como se vê, a Lei n° 10.865/04 criou uma situação incoerente,  pois  se por um  lado equiparou os contribuintes  tributados pelo  lucro presumido com os tributados pelo lucro real, ao submeter  ambos  a  uma  alíquota  total  de  9,25%  para  as  contribuições  incidentes  sobre  as  importações,  por  outro  lado  fez  uma  distinção entre tais contribuintes, uma vez que os primeiros não  poderão  utilizar  o  valor  pago  por  tais  contribuições  na  importação como créditos para o pagamento das  contribuições  "normais", enquanto os segundos foram autorizados a utilizar tal  crédito.  ­ Esta  situação desrespeita o Princípio da Isonomia, protegido  pelo  artigo  150,  inciso  II,  da  CF/88,  pois  privilegia  os  contribuintes  submetidos  à  sistemática  não  cumulativa  das  contribuições (...).  ­  No  caso  específico  em  tela,  a  Lei  10.865/04  não  elegeu  os  critérios estabelecidos pelo §9 do art.195 da CF/88, pois se por  um  lado  equiparou  os  contribuintes  tributados  pelo  lucro  presumido com os tributados pelo lucro real, ao submeter ambos  a uma alíquota total de 9,25% para as contribuições incidentes  sobre as importações, por outro lado fez uma distinção entre tais  contribuintes, uma vez que os primeiros não poderão utilizar o  valor pago por  tais contribuições na  importação como créditos  para  o  pagamento  das  contribuições  "normais",  enquanto  os  segundos foram autorizados a utilizar tal crédito.  2  ­  DA  IMPOSSIBILIDADE DE  INCLUSÃO DO  ICMS NA  BASE DE CÁLCULO DA COFINS.  2.1  ­  DO  DIFERIMENTO.  DA  OCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR APENAS NA  SAÍDA DOS BENS DO ATIVO FIXO  DA EMPRESA.  ­ O  ICMS  não  pode  fazer  parte  da  base  de  cálculo  do  PIS  na  operação em comento,  uma vez que a Recorrente  tem direito a  pagar o  tributo de  forma diferida, conforme dispõe o artigo 1o  do  Decreto  Estadual  n°  1.773/2005,  conforme  expressamente  consignado nos documentos relativos à importação.  ­ Desta feita, considerando o benefício do diferimento concedido  pelo  Estado  do  Pará  à  Recorrente  com  fulcro  no  Decreto  1.773/2005,  resta  induvidoso que o  ICMS não pode  fazer parte  da base de cálculo do PIS na presente importação, uma vez que  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/2007­19  Acórdão n.º 3402­002.955  S3­C4T2  Fl. 272          7 o  imposto  só  será  devido  pela  empresa  na  eventual  saída  dos  bens de seu ativo fixo, conforme expressa determinação legal.  2.2  ­  DA  NÃO  INCIDÊNCIA  DO  ICMS  NA  PRESENTE  IMPORTAÇÃO.  ­ Caso ultrapassada a questão do diferimento ­ o que se admite  apenas a título de mera argumentação ­ ainda assim o ICMS não  poderia  fazer parte da base de cálculo da COFINS no caso em  discussão.  ­  A  Recorrente  adquiriu  os  bens  importados  mediante  arredamento  mercantil,  com  a  opção,  ao  final  do  contrato,  de  adquirir ou não os produtos.  ­  (...)  o  ICMS  não  incide  sobre  operações  resultantes  de  arrendamento mercantil, conforme dispõe de  forma expressa o  Regulamento  do  ICMS  do  Estado  do  Pará,  aprovado  pelo  Decreto 4676/2001.  ­  (...)  o  ICMS  só  será  devido  se  o  arrendatário,  in  casu,  a  Recorrente, exercer a opção de  compra,  seja antes ou no  final  do contrato.  ­ Com efeito, no presente caso, sequer há de se  falar em ICMS  devido pela Recorrente,  uma vez que os bens  foram adquiridos  mediante arredamento mercantil, hipótese essa em que o RICMS  prevê expressamente em seu art. 5o, inciso VIII, a não incidência  do imposto.  ­  Assim,  em  face  da  não  incidência  do  ICMS  na  importação  realizada pela Recorrente, não há dúvidas de o imposto estadual  não  pode  fazer  parte  da  base  de  cálculo  da  COFINS,  como  erroneamente quer fazer crer a fiscalização.  3  ­  DA  IMPOSSIBILIDADE  DO  ICMS,  PIS  E  COFINS  FAZEREM  PARTE  DO  VALOR  ADUANEIRO.  DA  ILEGALIDADE DA LEI 10.865/2004.  ­  Ademais,  o  ICMS  e  o  PIS/COFINS­IMPORTAÇÃO  não  poderiam  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  da  COFINS  ­  Importação, uma vez que  jamais poderiam ser abrangidos pelo  conceito de "valor aduaneiro", tudo em consonância com ampla  jurisprudência e doutrina favoráveis ao contribuinte, bem como  pela  legislação  pertinente  ao  tema,  que  será melhor  exposto  a  seguir.  ­ Verifica­se pela simples leitura dos dispositivos acima que  tal  autorização constitucional era para que a contribuição incidisse  sobre  o  valor  aduaneiro,  porém,  de  fato,  não  foi  isto  que  se  verificou na Lei n° 10.865/2004.  ­  O  legislador  ordinário,  motivado  por  sua  voracidade  arrecadatória  e  ao  arrepio  dos  princípios  e  normas  de  nosso  ordenamento,  extrapolou  o  seu  poder  regulamentar  e  elegeu  uma  base  de  cálculo  diversa  daquela  autorizada  pela  Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     8 Constituição  para  as  referidas  contribuições,  tornando­as  não  oponíveis aos contribuintes, por absoluta inconstitucionalidade.   ­  (...)  o  valor  aduaneiro  nada  mais  é  do  que  o  valor  da  transação,  que  corresponde  ao  valor  da  mercadoria,  crescido  dos custos e despesas decorrentes da importação.  ­ Por conseguinte, depreende­se pela comparação feita entre as  redações  dos  artigos,  que  a  base  de  cálculo  estipulada  pelo  artigo 7o da Lei n.° 10.865/2004 extrapolou de maneira flagrante  a  matriz  constitucional  do  Pis  ­  Importação  e  Cofins  ­  Importação,  posto  que  além  de  considerar  o  valor  aduaneiro  (previsto  no  artigo  77,  do  Decreto  4.543/2002),  incluiu  outros  valores que não coadunam com o conceito técnico, quais sejam:  o valor do ICMS e das próprias contribuições.  ­ Por outro lado, deve ser observado que os conceitos utilizados  no Direito Tributário por expressa determinação dos artigos 109  e 110 do CTN, não podem ser alterados (...).  ­  No  caso  em  tela,  o  legislador  modificou  o  conceito  de  valor  aduaneiro para alargar a base de cálculo das contribuições. (...)  ­  Desta  forma,  pode­se  afirmar  que  a  figura  tributária  criada  pela Lei n.° 10.865/2004, não  são as contribuições  sociais que  têm  como  base  de  cálculo  o  valor  aduaneiro  e,  portanto,  autorizada pela Constituição Federal, mas, na verdade, trata­se  de  uma  inovação,  de  outras  contribuições  incidentes  sobre  a  importação.  ­  Nestes  casos,  a  jurisprudência  do  egrégio  Supremo  Tribunal  Federal é assente em afirmar que a exigência de contribuições  sociais  sobre  grandezas  que  não  esteiam  autorizadas  pela  Constituição  Federal,  dependerá  da  edição  de  Lei  Complementar, por força do art. 195, § 4o, c/c 154,1, ambos da  CF/88. O que não se apresenta no presente caso, posto ser a Lei  n° 10.865/2004, Lei Ordinária.  ­ E ainda, em razão do disposto no art. 154 (CF/88), tais novas  contribuições  trazem como pré­requisitos a não cumulatividade  e  que  não  tenham  fato  gerador  ou  base  de  cálculo  próprios  daquelas já discriminadas (incisos I à IV do art. 195, art. 239, da  CF/88).  ­ Ante ao exposto, percebe­se que a base de cálculo descrita no  art.  7°,  inciso  I,  da  Lei  n°  10.865/04,  diverge  frontalmente  daquela permitida pelo  art.  149,  §  2o,  III,  'a',  c/c art.  195,  IV,  todos da Constituição Federal.  ­ E diante disso, impõe­se à declaração de inconstitucionalidade  da  exigência  das  contribuições  na  forma  implementada  pela  Lei  n°  10.865/2004,  que  deve  ser  desde  logo  afastada  na  sua  totalidade, uma vez que não observa o parâmetro do art. 149, §  2o, III, 'a', da Constituição Federal, já que tratou, em verdade, de  criação de tributos novos, malferindo os artigos 154, I c/c 195, §  4o, da Constituição Federal.  4  ­  DA  IMPOSSIBILIDADE DO  ICMS FAZER  PARTE DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  COFINS  EM  RAZÃO  DA  Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/2007­19  Acórdão n.º 3402­002.955  S3­C4T2  Fl. 273          9 VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA E  DA  INDELEGABILIDADE  DA  COMPETÊNCIA  TRIBUTÁRIA   ­  Além  do  já  exposto  anteriormente,  deve­se  considerar,  ainda  que  o  procedimento  do  Auditor  Fiscal  de  incluir  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFNS  o  valor  do  ICMS,  não  está  de  acordo  com  os  regramentos  constitucionais  relativos  à  segurança  jurídica  e  à  indelegabilidade  da  competência  tributária.  ­  Com  tal  inclusão,  não  há  certeza  jurídica  sobre  o  valor  do  tributo devido,  já que seu cálculo vai depender da apuração de  imposto instituído e cobrado por legislação dos Estados.  ­  É  certo  que  cada  ente  da Federação  exerce  as  competências  previamente  delimitadas  na  Constituição,  assim,  a  Lei  n°  10.865/04  incorreu  em  inconstitucionalidade  no momento  em  que permitiu, por vias oblíquas, que houvesse a modificação do  valor  da  contribuição  ­  tributo  de  competência  da  União  ­  através de legislação estadual.  ­ Feitas tais considerações, outro aspecto que merece análise é o  fato de que  integram a base de calculo do  ICMS  importação o  valor  das  próprias  contribuições,  ou  seja,  para que  se  apure o  valor  do  ICMS  é  necessário  que  se  saiba  previamente  o  valor  das  contribuições  para  o  PIS­Importação  e  COFINS  ­  Importação  (art.  12  da  Lei  Complementar  n.°  87/96,  com  redação  dada  pela  Lei  Complementar  n.°  114/2002).  Tal  disposição  dá  inicio  a  uma  operação  aritmética  cíclica  que,  à  margem  da  complexidade  no  seu  entendimento,  apresenta­se,  aparentemente sem solução.  ­ E não obstante tenham os Tribunais admitido pela validade das  chamadas  base  de  calculo  "por  dentro",  para  o  caso  concreto  resta demonstrada a impossibilidade de se apurar corretamente  o  valor  a  ser  pago  pelo  tributo,  o  que  gera  um  incerteza  incompatível  com  os  princípios  que  orientam  o  direito  tributário,  mormente,  quanto  a  necessidade  de  permitir­se  o  planejamento tributário e a segurança do contribuinte.  Tendo sido a  recorrente  intimada por duas vezes para  sanear  irregularidade  de  representação  processual,  atendeu  somente  à  primeira  intimação.  Entendeu  a  autoridade  preparadora que os documentos que constavam nos autos não eram suficientes para comprovar  a legitimidade de representação do signatário do recurso voluntário, nesses termos:  DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO   Senhor Chefe da Sarac,   Prazo  de  20(vinte)  dias  esgotado  sem  manifestação  do  contribuinte.  Cumpre  informar  que  a  procuração  particular  emitida  em  09/11/06  (fl.129)  não  pode  ser  considerada  para  legitimar  os  poderes  de  representação  do  Senhor  Leonardo  Menescal  na  data  da  apresentação  do  recurso  voluntário  em  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     10 15/09/2014  porque,  segundo  consta  na  Ata  da  Assembleia  de  31/05/05  (fls.78/80),  o  mandato  do  Senhor  Rômulo  Maiorana  como  Diretor­presidente,  condição  que  o  autorizava  a  representar  a  empresa  judicialmente  e  extrajudicialmente  (Art.  19, do Estatuto fls. 250/253), expirou em 30/04/08. A procuração  apresentada  às  fls.  242/244,  por  se  tratar  de  procuração  particular, também padece de falta de comprovação dos poderes  do  outorgante,  Sr.  Rômulo,  da  condição  de  representante  da  empresa, porque o documento apresentado para comprovar essa  condição, Ata da Assembleia de 17/11/11 (fl.254), informa que o  seu mandato expirou em 30/04/14. À sua consideração.  (...)  É o relatório.  Voto             Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA  Não  obstante  as  ressalvas  apontadas  pela  autoridade  preparadora  quanto  à  representação processual da recorrente, entendo que a procuração que já constava nos autos por  ocasião  da  impugnação,  emitida  em  09/11/2006  (fl.  129)  pode,  sim,  ser  considerada  para  legitimar os poderes de representação do Senhor Leonardo Alcantarino Menescal, na data da  apresentação do recurso voluntário em 15/09/2014.   Embora,  como  afirmou  a  autoridade  preparadora,  "o  mandato  do  Senhor  Rômulo Maiorana como Diretor­presidente, condição que o autorizava a representar a empresa  judicialmente e extrajudicialmente  (Art. 19, do Estatuto fls. 250/253),  expirou em 30/04/08",  no momento da  assinatura da Procuração da  fl.  129/130, o Senhor Rômulo Maiorana, como  representante  legal  da  empresa  recorrente  nessa  época,  detinha  poderes  para  outorgar  procuração  ao  Senhor  Leonardo  Alcantarino  Menescal,  que  veio  posteriormente  a  ser  signatário do recurso voluntário.  Nessa linha, o Tribunal Superior do Trabalho ­ Subseção I ­ Especializada em  Dissídios  Individuais,  no  Processo  Nº  TST­AIRR­1036­68.2010.5.03.0018,  em  13/06/2013,  acolheu  os  embargos  e  declarou  a  regularidade  da  procuração  outorgada  às  advogadas  pela  diretoria  anterior  àquela  com  mandato  à  época  da  interposição  do  agravo  de  instrumento,  conforme ementa e parte do Voto do Ministro Vieira de Mello Filho ora transcritos:  RECURSO DE EMBARGOS  INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA  LEI  Nº  11.496/2007  –  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  NÃO  CONHECIDO – IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO –  MANDATO  AD  NEGOTIA  COM  VALIDADE  EXPIRADA  –  MANDATO AD JUDICIA VÁLIDO.   A extinção do mandato da diretoria da empresa­reclamada não  invalida  os  atos  legitimamente  praticados  na  vigência  do  instrumento. Dessa forma, a procuração judicial outorgada pela  empresa  continua  em  vigor  mesmo  após  a  alteração  dos  membros  da  diretoria.  Logo,  no  caso  dos  autos,  regular  a  representação processual  da  reclamada no  ato  da  interposição  do agravo de instrumento, subscrito por advogadas constituídas  mediante  procuração  judicial  e  substabelecimentos  outorgados  Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/2007­19  Acórdão n.º 3402­002.955  S3­C4T2  Fl. 274          11 durante a vigência da procuração ad negotia carreada aos autos.  Recurso de embargos conhecido e provido.  (...)  2 ­ MÉRITO  A Turma declarou irregular a representação das advogadas que  assinaram o agravo de instrumento da reclamada, pois expirada  –  antes  da  interposição  do  recurso  ­  a  procuração  ad  negotia  conferida  pela  empresa  àqueles  causídicos  que  posteriormente  substabeleceram seus poderes até, por fim, tornar habilitadas as  mencionadas advogadas.  Todavia,  o  fato de  ter  se extinguido o mandato da diretoria da  empresa  não  invalida  os  atos por  ela  legitimamente praticados  na  vigência  do  instrumento,  inclusive  as  procurações  judiciais  outorgadas  para  a  defesa  de  seus  interesses  em  juízo.  Entendimento contrário conduziria ao contrassenso de se exigir  a  ratificação  de  todos  os  atos  anteriormente  praticados  por  pessoas  jurídicas  cada  vez  que  a  composição  de  sua  diretoria  fosse  alterada,  o  que  indubitavelmente  implicaria  incerteza  e  instabilidade nas relações jurídicas.   (...)  Ressalte­se que, como mencionado, eventual eleição de diretoria  distinta  da  anterior  não  invalida  o  instrumento  procuratório  passado regularmente, se não houver manifestação expressa da  parte contrária, como no caso dos autos.   É  evidente  que  quem  praticou  o  ato  (outorga  de  poderes  judiciais) foi a pessoa jurídica, por meio de seus representantes  legais,  e não as pessoas naturais que  compõem a diretoria da  empresa.   Logo,  conclui­se  que  o  prazo  de  validade  da  procuração  ad  judicia  independe  da  duração  do mandato  negocial  conferido  aos diretores da sociedade que a representaram naquele ato.  Nessa  quadra,  embora  expirada  a  validade  da  procuração  negocial  à  época  da  interposição  do  agravo  de  instrumento,  permanecem  válidos  os  poderes  outorgados  às  advogadas  subscritoras do recurso.   Destaque­se  que não  restou  consignado que as  procurações  ad  judicia carreadas aos autos possuíssem previsão de expiração de  sua validade.  [grifos desta Relatora]  Assim,  considero  que não  há  irregularidade  na  representação  processual  do  recurso voluntário, eis que a outorga de poderes da empresa para o signatário desse recurso  deu­se  por  intermédio  de  legítimo  representante  da  empresa  à  época  da  assinatura  da  Procuração.  Atendidos  também  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  toma­se  conhecimento do recurso voluntário.  Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     12 Como  já  relatado,  o  julgador  de  primeira  instância  não  conheceu  das  alegações  da  contribuinte  relativas  à  alíquota  da  Cofins  aplicável  à  espécie,  vez  que  a  contribuinte se valeu do instituto da consulta fiscal para dirimir essa questão, encontrando­se,  assim, vinculada à resposta dela emanada.  A recorrente não apresentou defesa no recurso voluntário quanto ao eventual  descabimento  do  não  conhecimento  da  matéria  pelo  julgador  de  primeira  instância,  apenas  repisando os argumentos já trazidos na impugnação quanto à legitimidade da alíquota de 3% de  para a Cofins, ao invés da alíquota de 7,6% sustentada pelo Fisco.  Não há que se olvidar que o recurso voluntário é cabível contra a decisão de  primeira  instância,  de modo  que  o  âmbito  válido  de  sua  fundamentação  se  circunscreve  aos  temas  tratados  na  decisão  que  pretende  reformar,  nos  termos  do  art.  17  e  42  do Decreto  nº  70.235/72:  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  Art. 42. São definitivas as decisões:  (...)  Parágrafo  único.  Serão  também  definitivas  as  decisões  de  primeira  instância  na  parte  que  não  for  objeto  de  recurso  voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.  Assim,  não  conheço  das  alegações  da  recorrente  quanto  à  incorreção  da  alíquota adotada pelo Fisco, cuja diferença é objeto de exigência no presente auto de infração,  devendo ser mantida a decisão de primeira instância que não conheceu a matéria em face de ter  sido objeto de consulta eficaz pela contribuinte, eis que não foi objeto de contestação expressa  pela recorrente.  Quanto à impossibilidade de os contribuintes tributados pelo lucro presumido  utilizarem  o  valor  pago  das  contribuições  incidentes  na  importação  como  créditos  para  o  pagamento das contribuições "normais", bem quanto à base de cálculo das contribuições, por  força do Regimento  Interno do CARF, este Colegiado está vinculado ao que  restou decidido  pelo  STF  no  RE  nº  559.937,  com  repercussão  geral  decretada,  cuja  ementa  se  reproduz  a  seguir:  EMENTA:   Tributário.  Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  PIS/COFINS  importação.  Lei  nº  10.865/04.  Vedação  de  bis  in  idem.  Não  ocorrência.  Suporte  direto  da  contribuição  do  importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III,  da  CF,  acrescido  pela  EC  33/01).  Alíquota  específica  ou  ad  valorem.  Valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  ICMS  e  das  próprias  contribuições.  Inconstitucionalidade.  Isonomia.  Ausência de afronta.   1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis  in  idem,  com  invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se  falar  sobre  invalidade  da  instituição  originária  e  simultânea  de  contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195,  com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação.   2.  Contribuições  cuja  instituição  foi  previamente  prevista  e  autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da  Constituição  validamente  instituídas  por  lei  ordinária.  Precedentes.   Fl. 280DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10209.000175/2007­19  Acórdão n.º 3402­002.955  S3­C4T2  Fl. 275          13 3.  Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não  há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser  necessariamente não  cumulativas. O  fato  de não  se admitir  o  crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da  COFINS  pelo  regime  não  cumulativo  não  chega  a  implicar  ofensa  à  isonomia,  de  modo  a  fulminar  todo  o  tributo.  A  sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão  ao  regime  cumulativo,  é  opcional,  de  modo  que  não  se  vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF.   4.  Ao  dizer  que  a  contribuição  ao  PIS/PASEP­Importação  e  a  COFINS­Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de  cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu  a tal base a respectiva competência.   5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da  CF  implicou  utilização  de  expressão  com  sentido  técnico  inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária  para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação.  6.  A  Lei  10.865/04,  ao  instituir  o  PIS/PASEP­Importação  e  a  COFINS­Importação,  não  alargou  propriamente  o  conceito  de  valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de  apuração  de  tais  contribuições,  outras  grandezas  nele  não  contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional  de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham  alíquota  ad  valorem  sejam  calculadas  com  base  no  valor  aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º,  III,  a,  da  Constituição Federal.   7. Não  há  como  equiparar,  de modo  absoluto,  a  tributação da  importação  com  a  tributação  das  operações  internas.  O  PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação  incidem sobre  operação  na  qual  o  contribuinte  efetuou  despesas  com  a  aquisição  do  produto  importado,  enquanto  a  PIS  e  a  COFINS  internas  incidem sobre  o  faturamento  ou  a  receita,  conforme o  regime. São tributos distintos.   8.  O  gravame  das  operações  de  importação  se  dá  não  como  concretização  do  princípio  da  isonomia,  mas  como  medida  de  política  tributária  tendente  a  evitar  que  a  entrada  de  produtos  desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas  sediadas  no  País,  visando,  assim,  ao  equilíbrio  da  balança  comercial.   9.  Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º,  inciso I,  da  Lei  10.865/04:  "acrescido  do  valor  do  Imposto  sobre  Operações  Relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  –   ICMS  incidente  no  desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições ,  por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC  33/01.   10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  [grifos desta Relatora]  Sendo  assim,  independentemente  da  análise  dos  demais  argumentos  da  recorrrente, entendo que devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins­importação o valor  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM     14 do  ICMS  e  o  valor  da  própria  contribuição,  conforme  decidiu  o  STF  no  julgado  acima  colacionado.  Assim, em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao  recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela relativa ao ICMS e o  valor da própria contribuição.  É como voto.  (Assinatura Digital)  MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA ­ Relatora                             Fl. 282DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM

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Numero do processo: 10320.003164/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 3.267          1 3.266  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10320.003164/2010­18  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  1301­000.281  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  08 de dezembro de 2015  Assunto  CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              SÃO LUÍS FACTORING E FOMENTO MERCANTIL LTDA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.   “documento assinado digitalmente”   Wilson Fernandes Guimarães   Presidente e Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Wilson  Fernandes  Guimarães,  Waldir  Veiga  Rocha,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Luís  Tadeu  Matosinho  Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente  convocado).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 03 16 4/ 20 10 -1 8 Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/2010­18  Resolução nº  1301­000.281  S1­C3T1  Fl. 3.268          2   Relatório  Trata  o  presente  processo  de  exigências  de  Imposto  de Renda Pessoa  Jurídica  (IRPJ), Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL), Contribuição  para  Programa  de  Integração Social  (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social  (COFINS)  e  Imposto de Renda na Fonte (IRF), relativas aos anos calendário de 2004, 2005, 2006, 2007 e  2008, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas.  Sirvo­me de fragmentos do relatório constante na decisão de primeira instância  para descrever os fatos apurados e as razões de defesa trazidas em sede de impugnação.  [...]  Conforme a descrição dos fatos, contida no Termo de Verificação Fiscal ­ TVF  (fls.  134/148),  que  integra  os  autos  de  infração,  a  ação  fiscal  foi  motivada  por  determinação  judicial  constante  do  ofício  n°  449/2007/SEPOD/lªVara/JF/MA,  de  26/02/2007, e no curso desta foram constatados fatos a seguir relatados.  A  empresa  autuada  tem  por  objeto  a  atividade  de  fomento  mercantil,  ou  "factoring",  atividade  esta  voltada  ao  fomento  dos  negócios  mercantis  de  outras  empresas,  aliando prestação de  serviços à compra de ativos  financeiros gerados pelas  vendas a prazo por estas realizadas. Contudo, os elementos colhidos nos autos revelam  que ela, na verdade, foi criada apenas para interagir, como fonte de financiamento, com  as  empresas  do  Grupo  Empresarial  Mirante,  conclusão  a  que  se  chega  a  partir  das  seguintes constatações:  1. A fiscalizada tem por domicílio uma dependência (sala) localizada no mesmo  prédio  onde  funciona  outras  empresas  do  chamado  Grupo  Mirante,  tais  como  TV  Mirante, Rádio Mirante, Jornal O Estado, Gráfica Escolar, dentre outras, localizada à  Av. Ana Jansen 200, bairro São Francisco, em São Luís/MA, 2. A fiscalizada tem como  sócios a Sra. Teresa Murad e o Sr. João Odilon Soares Filho;  3.  A  Sra.  Teresa Murad  é  cônjuge  do  Sr.  Fernando  Sarney,  sócio  das  várias  empresas que compõem o chamado Grupo Mirante. Já o Sr. João Odilon Soares Filho  é quem gerencia a fiscalizada, além de várias outras empresas do Grupo Mirante;  4. Segundo o Sr. João Odilon Soares Filho,  toda a contabilidade das empresas  que  compõem  o  Grupo  Mirante,  inclusive  a  São  Luís  Factoring,  é  feita  de  forma  centralizada.  5.  A  fiscalizada  não  possui  funcionários  registrados,  sendo  encarregados  das  suas  atividades  o  Sr.  João Odilon  Soares  Filho  e  a  Sra.  Luzia  de  Jesus Campos  de  Sousa;  6.  As  operações  de  factoring  realizadas  pela  fiscalizada  são  feitas,  em  sua  maioria,  com  as  empresas  do  Grupo  Mirante,  em  especial  com  a  TV  Mirante  e  a  Gráfica Escolar;  7.  A  contabilidade  da  fiscalizada  indica  como  devedores  decorrentes  das  operações de factoring, as próprias empresas (fomentadas) que lhe vendem os títulos e  não os seus clientes (sacados) constantes dos borderôs;  Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/2010­18  Resolução nº  1301­000.281  S1­C3T1  Fl. 3.269          3 8.  De  acordo  com  os  recibos  apresentados,  as  quitações  dos  títulos  junto  à  fiscalizada  são  realizadas diretamente pelas  empresas  contratantes das operações de  factoring, e não pelos clientes sacados;  9. Na contabilidade da TV Mirante e da Gráfica Escolar, a fiscalizada figura no  Grupo do Ativo Circulante, em sub­conta da rubrica "Banco C/Movimento", como se  fora mais um agente financeiro dessas empresas.  A empresa autuada registrou diversas operações contabilizadas como aquisições  de  direitos  creditórios  ("factoring"),  cujos  títulos  não  possuíam  lastro  em  operações  mercantis praticadas pelas empresas ditas como cedentes, uma vez que as mesmas não  realizavam  vendas  a  prazo,  necessárias  à  geração  dos  direitos  ditos  como  cedidos,  conforme a seguinte descrição:  1. A sociedade empresária M S Campos e Cia Ltda. constitui­se de uma pequena  oficina mecânica e teria  realizado "operações de factoring" mediante cessão de títulos  para  a  empresa  autuada,  nos  anos  de  2004  a  2008,  da  ordem  de  R$  2.859.044,00,  embora seu faturamento fosse decorrente apenas de vendas à vista e sua receita, nesse  período, foi de apenas R$ 517.615,67. Ademais, em vários borderôs apresentados como  comprobatórios dessas operações, consta como cliente (sacado) o nome da Sra. Luzia  de Jesus Campos de Sousa, que é sócia administradora da própria M S Campos Ltda.,  juntamente  com  seu  irmão  Miguel  Silva  Campos,  e  é  também  administradora  da  empresa de factoring autuada. Diversos cheques emitidos pelo autuado, nominais a M S  Campos  Ltda,  a  pretexto  de  compra  de  títulos  da  mesma,  foram  descontados  sob  endosso da Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa, ou seja, sem indicação que tivessem  sido depositados na conta da beneficiária, enquanto outros cheques, também emitidos a  pretexto  de  operações  de  factoring  com  a M S Campos  Ltda,  têm  por  beneficiário  a  própria  emitente  (São Luis Factoring) ou  a Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa ou  ainda sua irmã Maria Raimunda Campos Barbosa.  2. o empresário individual S de Sousa Neto teria realizado operações de factoring  mediante  a  cessão  de  créditos  para  a  fiscalizada  no  ano  de  2008  no  valor  de  R$  255.433,21. No entanto, à época em que esses fatos teriam ocorrido, aquela empresa já  não  mais  existia,  pois  havia  sido  extinta  por  liquidação  voluntária  na  data  de  12/09/2002, estando essa firma, de igual modo, com sua inscrição baixada no cadastro  do CNPJ. Ademais, na grande maioria dos borderôs apresentados, a exemplo do já visto  nos  borderôs  da  M  S  Campos  Ltda,  aparece  na  condição  de  "sacado"  dos  títulos  supostamente negociados o nome da Sra. Luzia de Jesus Campos de Sousa que, além de  ser a administradora da São Luis Factoring, é a esposa do Sr. Sebastião de Sousa Neto,  titular  da  empresa  em  tela. Outras  irregularidades  podem  ser  verificadas  nos  aditivos  relativos aos borderôs emitidos em nome dessa empresa: ausência de assinatura da parte  contratada e assinatura do representante da São Luís Factoring, Sr. João Odilon Soares  Filho, tanto pela parte da contratada como pela parte da contratante.  3.  Saliente­se  que  a  fiscalização  foi  autorizada,  por  determinação  judicial,  a  consultar os extratos das contas bancárias mantidas pela Sra. Luzia, no período de 2004  a 2008, e verificou que esta não dispunha de saldos suficientes para os pagamentos dos  títulos por ela emitidos em favor das empresas M S Campos e Cia Ltda e S de Sousa  Neto, relacionados nos citados borderôs, com o agravante de que os cheques ditos como  utilizados  nesses  supostos  pagamentos,  com  raríssimas  exceções,  nem mesmo  foram  descontados.  4. A sociedade empresária T & P Comércio e Dist. Ltda teria realizado operações  com  a  fiscalizada  nos  anos  de  2004  a  2008,  mediante  cessão  de  crédito,  em  cujos  borderôs consta como único sacado a própria empresa contratante. Essa circunstância  caracteriza  empréstimo  lastreado  em  título  de  crédito  e  não  "factoring",  que  permite  Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/2010­18  Resolução nº  1301­000.281  S1­C3T1  Fl. 3.270          4 apenas  aquisição  de  direitos  creditórios.  Ademais,  verificam­se  irregularidades  nos  aditivos,  sem assinatura ou  com a mesma assinatura do Sr.  João Odilon Soares Filho  (representante da São Luís Factoring) consignada tanto no papel de contratada como de  contratante. Intimada a apresentar seus livros contábeis para se atestar a veracidade das  operações com a São Luis Factoring, a T & P Comércio e Distribuição LTDA limitou­ se  a  trazer  seus  blocos  de  notas  fiscais  e  alguns  contratos  de  prestação  de  serviços,  informando  que  não  dispunha  de  livros  contábeis  e  que  os  pagamentos  dos  serviços  prestados  eram  feitos  diretamente  em  conta­corrente  da  empresa  (fls.644  a  646).  Em  nova intimação, desta feita para esclarecer se nos anos de 2004 a 2008 havia prestado  serviços com recebimentos a prazo e para que, se fosse o caso, juntasse a documentação  correspondente (duplicatas, nota fiscal, fatura, etc) e informasse quais deles teriam sido  negociados em operações de factoring, o representante da T & P limitou­se a informar  que  no  citado  período  todas  as  notas  fiscais  de  serviços  haviam  sido  emitidas  diretamente contra seus clientes sem a emissão de duplicatas, utilizando algumas vezes  o  procedimento  da  emissão  de  cheques  da  própria  empresa  ou  de  seu  titular,  correspondente  ao  valor  ou  parte  das  notas  fiscais  a  receber,  cujos  cheques  foram  negociados  com empresa de  factoring  para  suprir  problemas  com  fluxo de  caixa  (fls.  647 a 650). Examinando os blocos de notas fiscais entregues pela T & P, constatou­se  que aproximadamente 96% dos serviços por ela prestados foram destinados à Gráfica  Escolar  S/A,  ligada  ao  grupo  empresarial  Mirante,  e  num  cotejamento  feito  por  amostragem  nos  assentamentos  contábeis  desta  empresa,  verificou­se  que  os  pagamentos realizados pela tomadora dos serviços eram feitos à vista (fls. 651 a 762).  5. o empresário individual R F D da Costa teria negociado títulos em operações  de  factoring  com  o  autuado  nos  anos  2005  e  2006  (fls.  1709  a  1836),  no  entanto,  a  empresa apresentou à Receita Federal declarações de inatividade (fl. 777) para o mesmo  período. Intimada a apresentar seus livros contábeis relativos aos anos 2005 e 2006, a  empresa limitou­se a mostrar o livro caixa do ano de 2004 (fls. 771 a 773). Tendo sido  mais  uma  vez  intimada  a  apresentar  os  livros  de  2005  e  2006,  informou  que  suas  atividades estavam paralisadas desde 2004, não dispondo dos citados livros (fls. 774 a  775).  6.  A  sociedade  empresária  Arms  Vigilância  Ltda.  teria  negociado  títulos  em  operações de factoring com o autuado no ano de 2004, no valor total de R$238.034,31  (fls.  1531  a  1708),  apesar  de  ter  apresentado  declaração  de  rendimentos  (DIPJ)  em  branco. Por outro lado, consultando informações sobre o Imposto de Renda Retido na  Fonte  (DIRF)  (fls.  792  a  793),  verificou­se  que,  ano  2004,  essa  empresa  teve  por  principal cliente o SENAC ­ Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, para o qual  as faturas são emitidas à vista, não gerando, portanto, direitos creditórios que pudessem  ser negociados em operações de factoring. Ademais, em todos os borderôs emitidos em  nome dessa empresa, consta uma mesma espécie de título, cujo sacado é sempre o Sr.  Silvino Ezon Pinto Ferraz,  cônjuge da Sra. Heloísa Helena Nunes dos Santos Ferraz,  que é sócia da referida empresa. Também depõem contra a idoneidade dessas operações  o fato do contrato de fomento mercantil n° 25 não ter assinatura da cedente dos títulos  (fls.  779  a  786)  e  de  vários  aditivos  de  borderôs  não  conterem  assinatura  do  representante  da  contratada  ou  serem  assinados  pela  mesma  pessoa,  tanto  figurando  como  contratante  quanto  como  contratada,  no  caso,  o  Sr.  João Odilon  Soares  Filho,  representante da São Luis Factoring (fls. 1532, 1544, 1562, 1581, 1664 e 1702). Cabe  registrar  que  a  empresa Arms Vigilância  foi  intimada  e  reintimada  a  apresentar  seus  livros contábeis relativos ao ano 2004, mas não os apresentou e tampouco apresentou  justificativa (fls. 787 a 788).  Considerando tais fatos, as operações de factoring foram descaracterizadas pela  fiscalização, por  inexistirem títulos  idôneos que as comprovassem, e  foram realizados  lançamentos por omissão de receitas, configurada em dois momentos: pagamentos sem  Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/2010­18  Resolução nº  1301­000.281  S1­C3T1  Fl. 3.271          5 comprovação das operações que lhes deram causa e suprimentos financeiros de origem  não comprovada. Transcreve­se trecho da conclusão contida no TVF:  Conforme relatado no item precedente, as operações ditas como praticadas com  as empresas acima listadas, a título de factoring, não se conformam com a realidade e  estão  eivadas  de  vícios  que  desqualificam  os  fatos  que  elas  pretendem  retratar  na  contabilidade  da  fiscalizada,  impondo­se,  por  conseqüência,  considerar­se  que  os  respectivos pagamentos, consignados na conta "Caixa", não possuem comprovação das  operações que lhes deram causa, cominando na espécie o disposto no art. 61, caput e  §1º  da  Lei  8.981/95,  para  fins  de  tributação  do  imposto  de  renda  na  fonte  sobre  os  desembolsos  escriturados.  Os  valores  tributáveis  constam  de  planilha  própria  denominada "DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS SEM CAUSA ­ 2004 A 2008 E  DO REAJUSTE DA BASE DE CÁLCULO ­ BC, PARA EFEITO DO IR FONTE (ART.  61 § 3° LEI 8981/95)" (fls. 1521 a 1530), integrante do presente Termo.  De  igual modo, na parte  referente aos  registros das quitações dessas  supostas  operações, cujos recebimentos foram contabilizados a crédito das contas de "títulos a  receber" das empresas MS Campos e Cia Ltda, S de Sousa Neto, RFD Costa e T & P  Comércio e Dist. Ltda e Arms Vigilância Ltda.e a débito da  conta  caixa/banco,  seus  valores  devem  ser  considerados  como  originários  de  operações  não  comprovadas,  dado que, até por um princípio de coerência, não se admitindo a existência  fática da  aquisição, por parte da fiscalizada, dos direitos creditórios dessas empresas,  também  não há como se admitir a ocorrência das respectivas quitações junto àquela empresa,  razão pela qual os recebimentos contabilizados a esse  título, devem ser considerados  como suprimentos financeiros de origem não comprovada, caracterizadores de receitas  omitidas, na forma dos artigos arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e  288 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). Os valores  tributáveis  constam de planilha própria denominada "DEMONSTRATIVO DOS SUPRIMENTOS  DE  CAIXA  CONTABILIZADOS  A  TÍTULO DE  QUITAÇÕES  DE  OPERAÇÕES  DE  FACTORING  ­  ANOS  DE  2004  A  2008"  (fls.  1953  a  1979)  integrante  do  presente  Termo.  A qualificação da multa de ofício foi assim motivada, conforme a conclusão do  referido TVF:  Cabe  por  fim  a  aplicação  da multa  qualificada  prevista  no  art.  44,  II  da  Lei  9.430/96,  alterada pela Lei  11.488/2007,  tendo  em vista  o  evidente  intuito  de  fraude  caracterizada  pela  prática  de  simulação  nos  registros  contábeis  da  fiscalizada,  a  encobrir  saídas  e  entradas  de  recursos  financeiros  com  destinação  e  de  origens,  respectivamente,  diversas  das  que  foram  retratadas  na  sua  escrituração,  conforme  amplamente exposto no presente Termo.  Cientificado pessoalmente dos presentes autos de infração, em 14 de outubro de  2010  (fls.  2,  67,  80,  100  e  121),  o  contribuinte  apresentou  impugnação  em  16  de  novembro de 2010, cuja tempestividade é afirmada no despacho de fl. 4.211. Em sua  defesa, o contribuinte alega que:  1. já havia caducado o direito de constituir créditos tributários com fato gerador  anterior a outubro de 2005;  2.  declarou  toda  a movimentação  financeira  relativa  às  operações  de  factoring  que realizou e recolheu todos os tributos incidentes, não sendo relevante a mudança na  natureza dessas operações;  3.  algumas operações não geraram movimentação financeira por  se  tratarem de  mera renovação de empréstimo;  Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/2010­18  Resolução nº  1301­000.281  S1­C3T1  Fl. 3.272          6 4.  todas  as  operações  existiram  de  fato  e  estão  comprovadas  por  farta  documentação;  5. a recusa dos documentos apresentados configura indevida inversão do ônus da  prova;  6. a exigência de tributo sobre base de cálculo já oferecida à fiscalização constitui  bis in idem;  7.  a  reduzida  capacidade  financeira  das  empresas  que  contrataram  com  o  impugnante  não  é  suficiente  para  desacreditar  as  operações  realizadas,  ensejando  apenas uma auditoria fiscal naquelas empresas;  8.  não  há  que  se  falar  em  pagamento  a  beneficiários  não  identificados  quando  todos os contratantes estão identificados nos documentos apresentados;  9.  é  improcedente  o  lançamento  sobre  todos  os  valores  recebidos  quando  o  resultado da empresa se dá pela diferença entre valores pagos e valores recebidos;  10.o  lançamento  tem  como  base  um  arbitramento  de  receitas  contrário  à  legislação;  11 .o autuante não demonstrou o intuito de fraude necessário para a qualificação  da  multa  de  ofício,  sequer  demonstrou  o  fato  gerador  que  seria  ocultado  pelo  procedimento do impugnante;  12. a imposição da alíquota de 35% sobre o valor bruto do pagamento já importa  em penalidade  ao  contribuinte,  de  forma que  a  aplicação  de multa  de  ofício  dobrada  equivale a uma tripla apenação do impugnante;  13.a multa aplicada fere os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da  livre iniciativa, caracterizando verdadeiro confisco;  14. a  taxa SELIC tem natureza remuneratória de  títulos,  razão pela qual não se  pode admitir sua utilização pela Fazenda Pública como índice de correção monetária de  tributos;  Por fim, requer a produção de prova pericial, a juntada posterior de documentos,  o  reconhecimento da decadência indicada, a  improcedência material do lançamento, o  cancelamento  da  multa  qualificada,  o  afastamento  da  taxa  Selic  e  dos  juros  sobre  a  multa de ofício.  A  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Fortaleza,  Ceará, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 08­21.065 de  07  de  junho  de  2011,  pela  procedência  parcial  dos  lançamentos  tributários,  em  virtude  do  reconhecimento  de  caducidade  do  direito  de  se  efetuar  o  lançamento  relativamente  a  determinados fatos geradores.  O referido julgado restou assim ementado:  OMISSÃO DE RECEITA.  A  falsa  operação  de  factoring  importa  omissão  de  receita  do  valor  recebido,  quando o sujeito passivo não comprova a verdadeira causa do negócio jurídico.  PAGAMENTOS SEM CAUSA E SEM BENEFICIÁRIO IDENTIFICADO.  Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/2010­18  Resolução nº  1301­000.281  S1­C3T1  Fl. 3.273          7 Os  pagamentos  sem  causa  e  sem  beneficiário  identificado  sujeitam­se  à  incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte,  à alíquota de trinta e cinco  por cento.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  Aplica­se às exigências ditas reflexas, o que decidido quanto à exigência matriz,  devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.  Já foi pacificado, na esfera administrativa, que, a partir de 1º de abril de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial  do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  DECADÊNCIA .  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  quando  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  bem como nos  casos  de  tributos  sujeitos  exclusivamente  a  lançamento  de  ofício.  CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  Não  cabe  ao  órgão  administrativo  de  julgamento  a  discussão  de  constitucionalidade  de  lei,  que  está  devidamente  fundamentando  o  lançamento  tributário,  salvo  quando  ela  já  tenha  sido  declarada  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal,  quando  haja  autorização  em  ato  declaratório  do  Procurador­Geral  da  Fazenda  Nacional,  quando  haja  autorização  em  súmula  da  Advocacia­Geral  da  União  ou  quando  haja  autorização  em  parecer  do  Advogado­Geral da União aprovado pelo Presidente da República.  Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 4.283/4.3401, em que,  renovando  argumentos  expendidos  na  peça  impugnatória,  aduz  que  a  Turma  Julgadora  de  primeira  instância  deixou  de  apreciar  questão  relevante  trazida  em  sede  de  impugnação,  implicando  em  nulidade  do  ato  decisório  recorrido,  e  que  houve  cerceamento  do  direito  de  defesa em virtude do indeferimento do pedido de perícia.   Por  meio  de  documento  protocolizado  em  04  de  março  de  2013,  fls.  4.631/4.643,  a  contribuinte,  alegando  surgimento  de  “fato  novo”,  argumenta  que  “o  egrégio  STJ anulou  todas as provas que embasaram o auto de  infração hostilizado, o qual  sem elas  não subsiste, razão pela qual o Recurso Voluntário deve ser imediatamente provido por este  egrégio Conselho”. É o Relatório.                                                              1 Numeração do arquivo digital.  Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10320.003164/2010­18  Resolução nº  1301­000.281  S1­C3T1  Fl. 3.274          8   Voto  Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães   Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos.  Relaciona­se a lide com exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ),  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Programa de Integração  Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Imposto de  Renda  na  Fonte  (IRF),  relativas  aos  anos  calendário  de  2004,  2005,  2006,  2007  e  2008,  formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas.  Diante da informação trazida pelo Representante Legal da Recorrente no sentido  de que houve pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da ilicitude da prova que  serviu  de  fundamento  para  os  lançamentos  tributários,  acompanho  a  manifestação  do  Colegiado  de  que,  por  prudência,  deve­se  analisar  a  documentação  correspondente,  supostamente protocolizada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Em vista do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o  julgamento  em diligência para que a Secretaria da Câmara junte aos autos a documentação protocolizada  pela contribuinte após a interposição do recurso.  "documento assinado digitalmente"   Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator    Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 10920.900986/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente. Charles Mayer de Castro Souza- Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 73          1 72  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.900986/2006­95  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­000.629  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de janeiro de 2016  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  DOBREVE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção  de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para  redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros  Mércia  Helena  Trajano  D'Amorim,  relatora,  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto  e  Winderley Morais  Pereira  que  negavam  provimento  ao  recurso  voluntário.  Conselheira Ana  Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente.  Charles Mayer de Castro Souza­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano DAmorim­ Relatora   (assinado digitalmente)   Tatiana Josefovicz Belisário ­ Redator designado.  (assinado digitalmente)  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira  Lima,  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto,  Tatiana  Josefovicz  Belisário  e  Cássio  Schappo.  Ausência  justificada  de  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos  Araújo. RELATÓRIO     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 98 6/ 20 06 -9 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/2006­95  Resolução nº  3201­000.629  S3­C2T1  Fl. 74          2  O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida  pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC.  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos,  até  então,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida, que transcrevo, a seguir:  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  –  Per/Dcomp,  (30001.  95157.  150903.  1.  3.  04­4057)  transmitida  em  15/09/2003,  onde  foi  verificado que o valor contido no DARF  lá discriminado, objeto do pedido de  compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da  contribuinte,  não  restando créditos disponíveis para  compensação dos  débitos  informados.  Inconformada  com  a  não  homologação  de  sua  compensação,  a  contribuinte  encaminhou  a  presente  manifestação  de  inconformidade,  na  qual  aduz  que  o  Per/Dcomp,  objeto  do  Despacho  Decisório,  foi  preenchido  incorretamente,  tendo faltado a informação nos campos “Informado em Processo Administrativo  Anterior” e “Número do Processo” .   Informa,  ainda,  que  a  DCTF  do  período  de  apuração  foi  preenchida  incorretamente, tendo a retificação sido efetuada de acordo com a Intimação nº.  73/2008  de  referido  processo.  Termina  por  afirmar  que  estão  anexadas  as  fotocópias do Despacho Decisório do Processo nº. 13973.000286/2003­29 e da  intimação nº. 73/2008, protocolada em 22/02/2008 e que resta demonstrado o  erro no preenchimento e a suficiência de saldo.  Requer, por fim, que seja retificada a Per/Dcomp e acolhida a impugnação.  O  pleito  foi  indeferido,  no  julgamento  de  primeira  instância,  nos  termos  do  acórdão  DRJ/FNS  n°  07­21.893,  de  29/10/2010,  proferida  pelos  membros  da  4ª  Turma  da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis /SC, cuja ementa dispõe, verbis:   Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Ano­calendário: 2003   COMPENSAÇÃO.  REQUISITO  DE  VALIDADE  A  compensação  de  créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos  créditos contra a Fazenda Nacional.   Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido.  O  julgamento  foi  no  sentido  de  considerar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  tendo  em  vista  que  para  a  compensação  ter  validade,  a mesma  demanda  a  existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.  O Contribuinte  protocolizou  o Recurso Voluntário,  tempestivamente,  no  qual,  basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória.  Ressalta que:  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/2006­95  Resolução nº  3201­000.629  S3­C2T1  Fl. 75          3 ­Porém,  verifica­se  claramente  no  Despacho  Decisório  datado  de  24/06/2008,  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  e  que  o  PER/DCOMP  tratado  neste  processo,  só  não  foi  homologado  em  virtude  de  ter  tido  um Despacho Decisório  eletrônico  anterior,  e  que  diante  disso,  deveria  ser  julgado  na manifestação  de  inconformidade  apresentada.  ­Ocorre que diante das informações relevantes deste último Despacho  Decisório, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos  princípios da  economicidade,  eficiência  e moralidade  (que devem ser  observados  pela  Administração  Pública),  poderia  ter  cancelado  o  Despacho Decisório eletrônico e homologado todas as Declarações de  Compensação informadas na intimação n° 73/2008.  ­Desnecessário,  portanto,  toda  esta  discussão  diante  de  um  direito  creditório líquido e certo.  O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM  O  presente  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão por que dele tomo conhecimento.   Versa o processo de Declaração de Compensação – Per/Dcomp, transmitida em  15/09/2003,  onde  foi  verificado  que  o  valor  contido  no  DARF  lá  discriminado,  objeto  do  pedido  de  compensação,  já  teria  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  da  recorrente, logo, não restando créditos para compensação dos débitos, ora tratados.  Rebate a recorrente que só não foi reconhecido o seu direito creditório, em face  de ter sido Despacho Decisório eletrônico anterior, e que diante disso, deveria ser  julgado na  manifestação de inconformidade apresentada.  Vide trecho do despacho decisório acima referido:  Importante  também  ressaltar  que  as  PER/DCOMPs  de  n°  30001.95157.150903.1.3.04­4057,  10355.33898.151003.1.3.04­7730  e  00818. 62128151203.1.3.04­1743não estão sendo tratadas no presente  processo,  em  virtude  de  terem  sido  não  homologadas  previamente,  conforme  Despachos  Decisórios  de  fls.  35  a  37,  facultada  a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  à  Delegacia  da  Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos dos §§ 7o e 9o do  art. 74 da Lei 9.430/1996 (fls. 38 a 40).  A  Per/Dcomp  de  nº  30001.  95157.  150903.  1.  3.  04­4057  em  discussão,  nos  autos,  não  foi  homologada,  conforme  trecho  do  despacho  acima,  logo,  não  havia  crédito  inconteste.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/2006­95  Resolução nº  3201­000.629  S3­C2T1  Fl. 76          4 Como ressalta a própria decisão de primeira instância, não obstante a recorrente  ter  retificado  a  DCTF  (em  20/02/2008),  mas  quando  do  pedido  de  compensação  (em  15/09/2003), a mesma não possuía liquidez e certeza que pudesse ser objeto de repetição:  Em  que  pese  o  fato  da  interessada  ter  retificado  o  documento  no  sentido  de  identificar  o  recolhimento  que  diz  ter  sido  indevido,  este  procedimento  foi  feito  após  a  análise  do Per/Dcomp  que  resultou  na  decisão  pela  não­homologação,  conforme  descrito  no  Despacho  Decisório. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise,  foi  realizado  quando  ainda  não  estava  configurada  a  existência  do  pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em  que  o  sujeito  passivo  formalmente  apura  e  declara  a  contribuição  devida à Receita Federal.   Como  se  constata  nos  autos,  a  contribuinte  retificou  a  DCTF  em  momento  posterior  ao  pleito  compensatório,  por  conseguinte,  a  compensação  teria  sido  formalizada  quando  o  crédito  alegado  no  Per/Dcomp,  objeto  do  Despacho  Decisório,  ainda  não  possuía  a  liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição.  Verifica­se, que através do processo de n° 13973000286/2003­29 (cópia trazida  pela recorrente), através da intimação de n° 73/2008 (em 06/02/2008), a fiscalização observava  divergência de valores informados entre a DCTF e DIPJ:  Verificamos,  entretanto,  que  essa  empresa  informou,  em  DCTF,  ter  apurado,  no  período  acima,  débito  equivalente  aos  pagamentos  relacionados  (R$  115.567,51).  Já  na  Declaração  de  Informações  Econômico­fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ,  exercício  2003,  ano  calendário 2002, o valor apurado de PIS em novembro de 2002 foi de  R$ 89.572,70.  No Despacho Decisório consta a informação que a recorrente responde que a DCTF do  período foi preenchida incorretamente, tendo sido providenciada a sua retificação e que o valor correto  do débito de Pis de novembro de 2002 correspondeu a R$ 89.572,70, apresentando cópias do razão  das contas de receita do período.  Ressalte­se  que  em  sua  defesa,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos­  referência  do  outro  processo  a  DCTF  retificadora,  com  recibo  de  entrega  em  20/02/2008,  ou  seja,  em  momento  posterior  à  apresentação  do  Per/Dcomp.  Não  obstante,  retificado  o  documento  no  sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após  a análise do Per/Dcomp que resultou na decisão pela não­homologação, conforme descrito no  Despacho Decisório, já comentado. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise,  foi  realizado  quando  ainda  não  estava  configurada  a  existência  do  pagamento  indevido  por  meio da respectiva DCTF, documento este em que se apura e declara a contribuição devida à  Receita Federal.   Várias são as decisões proferidas pelo CARF que têm assentado a necessidade  de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve  ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis e neste caso, dos autos, a  origem do erro de apuração do débito retificado, não foi apresentado com essa documentação.  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/2006­95  Resolução nº  3201­000.629  S3­C2T1  Fl. 77          5 E mais,  não  custa  nada  lembrar,  que  a  discussão  acima  é  o  que  o  Despacho  decisório,  DCTF  retificadora  referem­se  a  outro  processo,  que  a  recorrente  traz  cópia  na  tentativa de comprovar a liquidez da compensação, ora tratada.   Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se  faz  o  preenchimento  dos  requisitos  da  liquidez  e  certeza  decorrentes  do  art.  170  do  CTN­ Código  Tributário  Nacional.  E  é  justamente  aqui  se  esbarra  o  direito  do  contribuinte.  A  compensação  tributária  só ocorre nas condições  estipuladas pela  lei,  entre créditos  líquidos e  certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo.   Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN:  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos  e  certos,  vencidos ou vincendos,  do  sujeito passivo  contra a Fazenda  pública Destarte,  o  CTN  é  expresso  ao  dispor  sobre  a  permissão  da  compensação, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos  e certos.  Pois  bem,  como  está  disposto  de  forma  literal  no  artigo  170  do  CTN,  a  compensação,  para  ser  válida,  demanda  a  existência  de  créditos  líquidos  e  certos  contra  a  Fazenda Nacional, o que não se verifica no presente caso, motivo pelo qual  tal compensação  não foi homologada.  Exemplo desse entendimento é o Acórdão de n° 3802­001.290, de 25/09/2012,  de relatoria de José Fernandes do Nascimento, cuja ementa (parte) dispõe:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a  31/12/2002  COMPENSAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE  RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA.  Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado  no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida  que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo.  (....)  Logo, como se constata nos autos, a recorrente retificou a DCTF em momento  posterior  ao  pleito  compensatório,  por  conseguinte,  a  compensação  teria  sido  formalizada  quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuía a  liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição.  Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados  os demais argumentos.  (assinado digitalmente)  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Relator  Voto Vencedor  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900986/2006­95  Resolução nº  3201­000.629  S3­C2T1  Fl. 78          6 Tatiana Josefovicz Belisário ­ Redator designado.  Por meio  de  Despacho Decisório  eletrônico,  a  unidade  de  origem  indeferiu  o  pleito,  ao  fundamento  de  que,  a  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos  realizados  pela  Recorrente,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  dela  própria,  não  restando,  assim,  crédito  disponível para compensação.   Não houve, todavia, antes de prolatada a decisão, intimação da Recorrente para  apresentar esclarecimentos sobre o pedido que formulou, muito embora, como se sabe, a Lei  n.º 9.784, de 1999, que rege o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente ao  Processo Administrativo Fiscal  ­ PAF por  força do disposto em seu art. 69, determina que o  administrado  tem,  entre  outros  direitos  perante  a  Administração  Pública,  o  de  formular  alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração  pelo órgão competente (inciso III do art. 3º).   Pelo  exposto,  voto  por  CONVERTER  O  FEITO  EM  DILIGÊNCIA  para  determinar  que  a  unidade  de  origem  promova  a  intimação  da  Recorrente  para  apresentar  esclarecimentos  e  documentos  que  se  fizerem  necessários  e,  sendo  o  caso,  profira  novo  Despacho Decisório a partir dos esclarecimentos e documentos apresentados.   (assinado digitalmente)  Tatiana Josefovicz Belisário ­ Redator designado.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 13888.002709/2005-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Ementa: CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002. Os recolhimentos de PIS/Pasep-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Ementa: CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002. Os recolhimentos de PIS/Pasep-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 3          2 Presidente    (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède  Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Ricardo  Paulo Rosa  (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo,  Jose  Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme  Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.  Relatório  Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos  da  não­cumulatividade  de  PIS/Pasep,  relativo  ao  terceiro  trimestre  de  2005.  A  fiscalização  efetuou  glosa  de  créditos  de  importação  de  PIS/Pasep­Importação  recolhido  de  produtos  amparados  pelo  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Entreposto  Industrial  sob  Controle  Informatizado  para  a  Indústria  Autotmotiva  (Recof  Automotivo),  em  razão  de  que  os  recolhimentos  ocorreram  devido  à  destinação  dos  produtos  ao  mercado  interno  (nacionalização, ou seja, o produto  importado  foi  revendido no mercado  interno ou utilizado  como insumo em outro produto vendido no mercado interno).  Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou:  1. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de  venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o  regime do Recof;  2. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e  Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof, de acordo com o art. 17 da Lei nº  11.033/2004;  3.  Que  antes  da  edição  da  Lei  nº  12.058/2009,  não  havia  disposição  legal  determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao  tipo de receita auferida;  4. A  exclusão  da multa  de ofício  e  dos  juros  de mora,  por  ter  a  recorrente  seguido  as  instruções  de  preenchimento  do  Dacon.A  recorrente  apresenta  manifestação  adicional, reforçando os argumentos quanto à regularidade do rateio efetuado, mencionado no  item 3 acima.  A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14­54.516,  cuja ementa transcreve­se:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  RATEIO.  CONDIÇÕES.  Fl. 569DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 4          3 Aplica­se  o  rateio  proporcional  para  apuração  dos  créditos  relativos  ao  mercado  interno  e  à  exportação  somente  para  os  insumos  comuns  às  mercadorias  destinadas  a  um  e  outro  mercado.   Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Irresignada,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  alegando,  preliminarmente,  a  nulidade  da  decisão  por  não  ter  apreciado  as  provas  e  os  argumentos  de  defesa,  ou  alternativamente,  a  conversão  em  diligência  a  fim  de  confirmar  o  alegado  pela  recorrente e, no mérito, os argumentos já deduzidos na manifestação de inconformidade.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo  conhecimento.  Preliminarmente, a recorrente aduziu nulidade por não ter a decisão recorrida  apreciado  as  provas  de  que  os  custos  são  comuns  às  receitas  de  exportação  e  de  venda  no  mercado  interno.  A  recorrente  apresentou  relação  em  meio  magnético  e  planilha  exemplificativa (doc. 4 da manifestação de inconformidade) contendo duas notas fiscais (uma  de  exportação  e  outra  de  venda  no mercado  interno  na  quais  se  demonstra  que  um  produto  adquirido numa mesma DI e nota fiscal de entrada foi revendido no mercado externo e interno,  o que seria suficiente para rebater as alegações da autoridade fiscal e da DRJ de que todas as  mercadorias seriam destinadas ao mercado nacional.  A decisão recorrida assim dispôs:  "Portanto,  o  Recof,  em  resumo,  trata­se  de  um  regime  de  entreposto  aduaneiro  onde  o  contribuinte  pode  importar  com  suspensão  da  exigibilidade  dos  tributos  devidos  mercadorias  destinadas  a  comporem  produtos  que  serão  posteriormente  exportados.   Caso  as mercadorias  sejam destinadas  ao mercado  interno,  os  tributos suspensos devem ser recolhidos até o quinto dia útil do  mês subseqüente ao da destinação.   No caso concreto, a contribuinte destinou as mercadorias cujos  insumos  foram  adquiridos  no  âmbito  do  Recof  ao  mercado  interno,  sendo  assim  os  tributos  passaram  a  ser  devidos,  incluídas as contribuições ao PIS e a Cofins na importação, cujo  respectivo crédito foi utilizado pela empresa.  Fl. 570DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 5          4 Como  as  mercadorias  foram  internalizadas,  a  fiscalização  entendeu  que  o  crédito  somente  poderia  ser  utilizado  para  descontar  das  contribuições  devidas  no  mercado  interno,  glosando  a  parcela  que  a  contribuinte  vinculou  ao  mercado  externo,  porquanto  o  crédito  referente  à  receita  do  mercado  interno pode apenas ser descontado da contribuição devida.  A  impugnante  primeiramente  alega  que  o  custo  do  insumo  importado  é  comum,  não  está  vinculado,  porque  pode  ser  utilizado  tanto na  fabricação de produto destinado ao mercado  ao interno como ser exportado, assim não haveria como fazer a  apropriação, pois a receita ainda não foi auferida.  Todavia, esse crédito, relativo às contribuições sociais pagas na  importação, somente surge com o pagamento das contribuições,  pois,  como  restou  demonstrado,  as  contribuições  somente  são  devidas  após  a  internação  da  mercadoria,  até  então  havia  a  suspensão dos tributos.   Portanto, tal alegação é infundada, pois não há custo comum, já  que nesses casos antes da internalização dos produtos ainda não  existe  esse  tipo  de  crédito,  pois  somente  nesse  momento  a  contribuição passa a ser devida, bem assim surge o crédito, que  se refere apenas às mercadorias destinadas ao mercado interno,  haja vista que se fossem exportadas não haveria pagamento das  contribuições.   Há um  equívoco  por  parte  da  recorrente,  que,  na  realidade,  permeia  toda  a  discussão  deste  processo.  Nem  a  autoridade  fiscal  nem  a  DRJ  afirmaram  que  todas  as  mercadorias adquiridas no âmbito do Recof foram destinadas ao mercado interno, mas sim que  todo  o  crédito  decorrente  de  PIS/Pasep­Importação  e  Cofins­Importação  recolhidos  se  vinculam a mercadorias destinadas exclusivamente ao mercado interno.  Assim, não obstante a planilha demonstrar que as aquisições, no momento em  que  realizadas  no  âmbito  do  Recof,  não  possuem  destinação  futura  definida,  não  é  este  o  momento  de  apropriação  de  crédito,  pois  que  crédito  algum  há,  haja  vista  a  aquisição  com  suspensão  dos  tributos.  Este  crédito  somente  surge  com  o  recolhimento  do  PIS/Pasep­ Importação e Cofins­Importação, o qual somente surge com a destinação das mercadorias ao  mercado  interno,  devidamente  segregadas  das  destinadas  ao mercado  externo,  por  exigência  normativa do Recof.  O fato de a decisão não ter se referido à planilha apresentada pela recorrente  não implica a omissão de enfrentamento de razões, pois toda a argumentação da decisão afasta  a tese defendida pela recorrente de que o creditamento é comum às receitas de exportação e de  venda  no mercado  interno  (embora  a  aquisição  dos  produtos  houvera  sido  contabilizada  de  forma indistinta quando de sua aquisição). Ademais, não há necessidade de o julgador rebater  um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada,  em  observância  do  princípio  do  livre  convencimento  motivado.  Neste  sentido,  cita­se  o  Acórdão  nº  3202001.369,  proferido  pela  Segunda  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Terceira Seção de Julgamento:  ASSUNTO:  NORMAS  DE  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA  Ano­calendário:1987, 1990  Fl. 571DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 6          5 NORMAS  PROCESSUAIS.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.  Não havendo omissão,  contradição ou obscuridade no acórdão  proferido,  devem  ser  rejeitados  os  embargos  opostos.  Os  embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de  inconformismo  com  a  decisão  prolatada  ou  à  rediscussão  dos  fundamentos  do  julgado,  uma  vez  que  não  se  trata  do  remédio  processual adequado para reexame da lide.  O  livre  convencimento  do  julgador  permite  que  a  decisão  proferida  seja  fundamentada  com  base  no  argumento  que  entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas  as alegações das partes, quando  já se tenha encontrado motivo  suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater­se aos  fundamentos  indicados por elas ou a  responder um a um todos  os seus argumentos.  Este  entendimento  é  pacífico  no  Superior  Tribunal  de  Justiça,  como  se  observa nos seguintes julgados:  Resp nº 879.944­MG (2006/0181415­0):  [...]  8. O art.  535 do CPC resta  incólume se o Tribunal de origem,  embora  sucintamente,  pronuncia­se  de  forma  clara  e  suficiente  sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está  obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para embasar a decisão.   9. Recurso Especial  provido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  art. 543­C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.  Resp nº 885.454­DF (2006/0192397­7)  1.  Não  há  que  se  falar  em  ofensa  do  art.  535  do  CPC  se  o  Tribunal  de  segundo  grau  resolveu  a  controvérsia  de  maneira  sólida  e  fundamentada,  apenas  não  adotando  a  tese  do  recorrente.  2. O  julgador  não  precisa  responder  a  todas  as  alegações  das  partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar  a decisão nem está obrigado a ater­se aos fundamentos por elas  indicados.  [...]  EDcl  no  AgRg  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.489.482  ­  RS  (2014/0269406­8):  PROCESSUAL  CIVIL.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  INEXISTÊNCIA.  DEVIDO  ENFRENTAMENTO  DAS  QUESTÕES  RECURSAIS.  FUNDAMENTAÇÃO  SUFICIENTE.  AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS  DE  LEI  INVOCADOS.  SÚMULA  211/STJ.  EMBARGOS  DE  Fl. 572DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 7          6 DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO  ART.  535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO  DE TESE DISTINTA.  1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é  ver  reexaminada e decidida a  controvérsia de acordo com  tese  distinta.  2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no  afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte  de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão  embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado  não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já  tiver encontrado motivo suficiente para  fundamentar a decisão,  nem  é  obrigado  a  ater­se  aos  fundamentos  por  elas  indicados,  como ocorreu no caso em apreço.  Rejeita­se, portanto, a preliminar arguida e passa­se ao mérito.  Rateio  para  os  créditos  de  importação  vinculados  às  receitas  de  exportação,  decorrentes  dos  recolhimentos  de  PIS/Pasep­Importação,  quando  da  nacionalização dos insumos importados ao amparo do Recof.  Esclareça­se, inicialmente, que as normas relativas à suspensão do pagamento  do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros  especiais,  aplicam­se  também às  contribuições para Cofins­Importação, nos  termos do  artigo  14 da Lei nº 10.865/2004.  O  regime  aduaneiro  especial  de  Entreposto  Industrial  sob  Controle  Informatizado  estava  disposto  no  Regulamento  Aduaneiro  (Decreto  nº  4.543/2002)  e  foi  normatizado pela IN SRF nº 417/20041, vigente à época dos fatos, nos seguintes termos:  Decreto nº 4.543/2002:  CAPÍTULO VII   DO  ENTREPOSTO  INDUSTRIAL  SOB  CONTROLE  INFORMATIZADO   Seção I   Do Conceito   Art.  372.  O  regime  de  entreposto  industrial  sob  controle  aduaneiro  informatizado  (Recof)  é  o  que  permite  a  empresa  importar,  com  ou  sem  cobertura  cambial,  e  com  suspensão  do  pagamento  de  tributos,  sob  controle  aduaneiro  informatizado,  mercadorias  que,  depois  de  submetidas  a  operação  de  industrialização,  sejam destinadas a exportação  (Decreto­lei  nº  37, de 1966, art. 89).   § 1º Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que  foi  importada  ou  depois  de  submetida  a  processo  de                                                              1 Revogada pela IN RFB nº 757/2007  Fl. 573DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 8          7 industrialização,  poderá  ser  despachada  para  consumo  (Decreto­lei nº 37, de 1966, art. 89).   § 2º A mercadoria, no estado em que foi  importada, poderá  ter  ainda uma das seguintes destinações:   I ­ exportação;   II ­ reexportação; ou   III ­ destruição.   Seção II   Da Autorização para Operar no Regime   Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  e  poderá  ser  cancelada  ou  suspensa  a  qualquer  tempo,  nos  casos  de  descumprimento  das  condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais  ou  regulamentares,  sem  prejuízo  da  aplicação  de  penalidades  específicas (Decreto­lei nº 37, de 1966, art. 90, § 1º).   Art. 374. Poderão habilitar­se a operar no regime as empresas  que atendam aos  termos,  limites e condições estabelecidos pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  em  ato  normativo,  do  qual  constarão (Decreto­lei nº 37, de 1966, art. 90):   I ­ as mercadorias que poderão ser admitidas no regime;   II ­ as operações de industrialização autorizadas;   III  ­  o  percentual  de  tolerância,  para  efeito  de  exclusão  da  responsabilidade  tributária  do  beneficiário,  no  caso  de  perda  inevitável no processo produtivo;   IV  ­  o  percentual  mínimo  da  produção  destinada  ao  mercado  externo;   V ­ o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas  ao mercado interno no estado em que foram importadas; e   VI ­ o valor mínimo de exportações anuais.   [...]  Seção III   Do Prazo e da Aplicação do Regime   Art.  375.  O  prazo  de  suspensão  do  pagamento  dos  tributos  incidentes  na  importação  será  de  até  um  ano,  prorrogável  por  período não superior a um ano.   [...]  Art.  376.  A  normatização  da  aplicação  do  regime  é  de  competência  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  que  disporá  Fl. 574DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 9          8 quanto  aos  controles  a  serem  exercidos  (Decreto­lei  nº  37,  de  1966, art. 90, § 3º).   Seção IV   Da Exigência de Tributos   Art.  377.  Findo  o  prazo  fixado  para  a  permanência  da  mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os  tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (Decreto­ lei nº 37, de 1966, art. 90, § 2º).   Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  dispensa  o  cumprimento  das  exigências  legais  e  regulamentares  para  a  permanência definitiva da mercadoria no País.   Art. 378. Os resíduos decorrentes do processo produtivo poderão  ser:   I ­ destruídos, sem exigência de tributos, caso não se prestem à  utilização econômica; ou   II  ­  despachados  para  consumo,  com  o  pagamento  de  tributos,  tendo  como  base  de  cálculo  o  valor  que  lhes  for  atribuído  em  laudo  técnico  específico,  e  com  a  alíquota  fixada  para  a  mercadoria correspondente.   Art. 379. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e  o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos.   IN SRF nº 417/2004:  Art. 1º A concessão e a aplicação do Regime Aduaneiro Especial  de  Entreposto  Industrial  sob  Controle  Informatizado  (Recof)  serão  efetuadas  de  acordo  com  o  disposto  nesta  Instrução  Normativa.   DISPOSIÇÕES GERAIS  Art.  2º  O  regime  permite  importar  ou  adquirir  no  mercado  interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias  a serem submetidas a operações de industrialização de produtos  destinados a exportação  [...]  Art. 22. A admissão no regime de mercadoria importada terá por  base  declaração  de  importação  específica  formulada  pelo  importador no Siscomex.  [...]  Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo  beneficiário, de uma das seguintes providências:  I ­ exportação:  Fl. 575DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 10          9 a)  de  produto  no  qual  a  mercadoria,  nacional  ou  estrangeira,  admitida no regime tenha sido incorporada;  b) da mercadoria no estado em que foi importada;  c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou  d)  de  produto  ao  qual  a  mercadoria  estrangeira  admitida  no  regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada;  II ­ reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime  sem cobertura cambial;   III  ­  transferência  de  mercadoria  para  outro  beneficiário,  a  qualquer título;  IV ­ despacho para consumo:  a)  das  mercadorias  estrangeiras  admitidas  no  regime  e  incorporadas a produto acabado; ou  b) da mercadoria no estado em que foi importada;  V  ­  destruição,  às  expensas  do  interessado  e  sob  controle  aduaneiro; ou  VI  ­  retorno  ao  mercado  interno  de  mercadoria  nacional,  no  estado em que  foi admitida no regime, ou após  incorporação a  produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica  [...]  Art.  36.  Os  resíduos  do  processo  produtivo  poderão  ser  exportados  ou  despachados  para  consumo,  mediante  o  recolhimento dos tributos devidos na importação, ou destruídos.  § 1º Os resíduos para os quais a beneficiária não tenha controle  de suspensão de tributos na forma do ato a que se refere o art.  52,  despachados  para  consumo,  terão  os  seus  tributos  devidos  calculados  com  base  na  mercadoria  geradora  de  resíduo  que  tenha,  na  importação,  o  maior  somatório  de  tributos  com  exigibilidade suspensa, por quilograma, consideradas as últimas  importações registradas.  § 2º O beneficiário deverá separar fisicamente os resíduos para  os quais tenha controle na forma do ato a que se refere o art. 52  dos demais resíduos.  [...]  Art.  37.  No  caso  de  destinação  para  o  mercado  interno,  o  recolhimento  dos  tributos  com  exigibilidade  suspensa,  correspondentes  às  mercadorias  importadas,  alienadas  no  mesmo  estado  ou  incorporadas  ao  produto  resultante  do  processo  de  industrialização,  ou  aplicadas  em  serviço  de  recondicionamento, manutenção ou reparo, deverá ser efetivado  até  o  quinto  dia  útil  do  mês  subseqüente  ao  da  destinação,  Fl. 576DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 11          10 mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione o  estabelecimento importador.  § 1º O IPI com exigibilidade suspensa, relativo às aquisições no  mercado  interno,  será  apurado  e  recolhido  na  forma  da  legislação de regência.  § 2º A declaração a que se  refere o caput  será desembaraçada  automaticamente pelo Siscomex.  [...]  Art. 38. Findo o prazo estabelecido para a vigência do regime,  os  tributos  com  exigibilidade  suspensa,  incidentes  na  importação, correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos  com o acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir  da data do registro da admissão das mercadorias no regime.  § 1º Na hipótese deste artigo, para efeito de cálculo dos tributos  devidos,  as  mercadorias  constantes  do  estoque  serão  relacionadas  às  declarações  de  admissão  no  regime  ou  às  correspondentes Notas Fiscais de aquisição no mercado interno,  inclusive  de  transferência  entre  beneficiários,  com  base  no  critério contábil PEPS.  § 2º O pagamento dos  tributos e  respectivos acréscimos  legais,  quando  espontâneo,  não  dispensa  o  registro  da  DI  e  o  cumprimento  das  demais  exigências  regulamentares  para  a  permanência definitiva das mercadorias no País.  CONTROLE DO REGIME   Art. 45. O controle aduaneiro de entrada, permanência e  saída  de  mercadorias  no  regime,  inclusive  em  decorrência  de  substituição  do  beneficiário  ou  de movimentação  com base  em  Ambra, será efetuado com base no sistema informatizado a que  se  refere  o  inciso  III  do  art.  5  o  ,  2  integrado  aos  respectivos  controles corporativos e fiscais da empresa interessada.   Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  não  dispensa  o  cumprimento  de  outras  obrigações  acessórias  previstas  na  legislação fiscal.   Art. 46. O sistema informatizado a que se refere o art. 45 estará  sujeito a auditoria, nos termos da Instrução Normativa SRF n  o  239, de 6 de novembro de 2002.   [...]                                                              2 Art. 5 o Para a habilitação de que trata o art. 4 o , a empresa deverá:   [...]  III  ­ dispor de  sistema  informatizado de controle de entrada, permanência e  saída de mercadorias, de  registro e  apuração  de  créditos  tributários  devidos,  extintos  ou  com  exigibilidade  suspensa,  integrado  aos  sistemas  corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da SRF; e       Fl. 577DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 12          11 Art.  47.  O  sistema  informatizado  do  beneficiário  habilitado  deverá contemplar ainda:   I  ­  o  registro  de  dados  sobre  as  importações  autorizadas  no  regime  realizadas  por  fornecedores,  até  a  entrada  no  seu  estabelecimento;   II  ­  o  registro  de  dados  de  importações  em  outros  regimes  aduaneiros  especiais  e  de  aquisição  no  mercado  interno  de  partes e peças utilizadas na fabricação de produto ou aplicadas  na prestação de serviços industriais;   III  ­  o  controle  do  valor  dos  tributos  com  exigibilidade  suspensa, relacionada às entradas ou transferências de regime  de mercadorias importadas, referenciados aos seus documentos  de  origem,  bem  assim  das  formas  de  extinção  das  correspondentes obrigações tributárias; e   IV  ­  a  demonstração  de  cálculo  dos  tributos  relativos  aos  componentes de produtos transferidos para outros beneficiários,  vendidos no mercado interno ou exportados.   Art.  48. O controle de  extinção dos  créditos  com exigibilidade  suspensa  em  decorrência  da  aplicação  de  outros  regimes  aduaneiros  especiais  também  observará  o  critério  PEPS,  em  harmonia com as entradas e saídas de mercadorias.   §  1  o O  sistema  de  controle  informatizado  deverá  registrar  os  inventários de partes e peças existentes em estoque ou na linha  de produção antes do início das operações no regime.   § 2 o O disposto no § 1 o , para o caso de mercadorias admitidas  em  regime aduaneiro  especial,  requer,  ainda, a  vinculação dos  estoques existentes aos respectivos documentos de entrada.   § 3  o A  exportação de  produto,  a  reexportação de mercadoria  admitida no regime ou a prestação de serviço a cliente sediado  no exterior, utilizando mercadorias admitidas no regime de que  trata  esta  Instrução  Normativa  e  em  outros  regimes  suspensivos,  enseja  a  baixa  simultânea  dos  correspondentes  tributos com exigibilidade suspensa.   A  recorrente  foi  autorizada  a  operar  o  regime  aduaneiro  especial  de  Entreposto  Industrial  sob  Controle  Informatizado  para  a  Indústria  Automotiva  (Recof  Automotivo) pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 8/2004, parcialmente, transcrito abaixo:  Art.  1º  Fica  a  empresa  Caterpillar  Brasil  Ltda.,  inscrita  no  CNPJ sob o nº 61.064.911/00001­77, situada na Rodovia Luiz de  Queiroz,  Km  157,  s/nº,  Distrito  Unileste  ­  Piracicaba/SP,  autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto  Industrial  sob  Controle  Informatizado  para  a  Indústria  Automotiva (Recof Automotivo).   Art.  2º  A  autorização  referida  no  art.  1º  somente  permite  a  admissão,  no  Recof  Automotivo,  de  mercadorias  estrangeiras  destinadas  às  operações  de  industrialização  dos  produtos  Fl. 578DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 13          12 relacionados no Anexo I à Instrução Normativa SRF nº 254, de  11 de dezembro de 2002.   [...]  Art. 5º A admissão de mercadoria no Recof Automotivo dar­se­á  com  ou  sem  cobertura  cambial  e  terá  por  base  declaração  de  importação  específica,  formulada  pela  autorizada  no  Sistema  Integrado  de  Comércio  Exterior  ­  Siscomex,  na  forma  estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002.   Art. 6º O recolhimento dos  tributos  suspensos, correspondentes  às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no  estado  ou  incorporadas  ao  produto  resultante  do  processo  de  industrialização,  deverá  ser  efetivado  até  o  quinto  dia  útil  do  mês  subseqüente  ao  da  destinação,  mediante  o  registro  da  declaração de importação na DRF/Piracicaba.   Art. 7º A autorizada fica obrigada a disponibilizar os relatórios  previstos  no  ADE  Conjunto  COANA/COTEC  nº  1,  de  14  de  novembro de 2001 , de conformidade com o disposto no art. 49  do ADE Conjunto COANA/COTEC nº 2,  de  26  de  setembro  de  2003 .   Parágrafo único. O disposto neste artigo:   I  ­  não  dispensa  a  autorizada  de  apresentar  relatório  de  apuração  anual,  que  demonstre  o  cumprimento  dos  compromissos de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF  nº 254, de 2002; e   II  ­  não  exclui  a  realização  de  outros  procedimentos  fiscais  pertinentes.   [...]  Art. 10. Este ato entra em vigor na data de sua publicação.   Verifica­se  que  o  art.  6º  do  referido  ato  determinava  o  recolhimento  dos  tributos  suspensos  correspondentes  às  mercadorias  importadas  e  destinadas  ao  mercado  interno,  no  estado  ou  incorporadas  ao  produto  resultante  do  processo  de  industrialização,  mediante o registro da corresponde Declaração de Importação.  Já  seu  art.  7º  determinava  a disponibilização  de  relatórios  previstos  no Ato  Declaratório Executivo Conjunto COANA/COTEC nº 1/2001,  revogado pelo ADE Conjunto  Coana/Cotec nº 2/2003, o qual especificou os requisitos técnicos para o sistema informatizado  de controle aduaneiro. O ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 especificou em seu item 3.7,  os  requisitos  para  o  controle  de  suspensão  dos  tributos  incidentes  na  importação,  cujo  teor  transcreve­se:   3.7 ­ Suspensão de Tributos   Art.  27  . O controle  de  suspensão do  II  e  do  IPI  vinculado à  importação  e  do  IPI  relativo  à  aquisição  de  mercadoria  nacional  deverá  ser  feito  de  modo  integrado  ao  controle  de  entrada  e  saída  de  mercadoria,  e  abrangerá  os  valores  dos  Fl. 579DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 14          13 tributos e as quantidades de mercadorias em estoque e terá por  base os documentos fiscais e aduaneiros pertinentes, e a RTM3  quando for o caso.   § 1º Cada tributo objeto do controle de que trata este artigo terá  quatro  contas  ­  "Calculado",  "Suspenso",  "Devido"  e  "Extinto" ­ que serão registradas segundo o método contábil de  partidas dobradas.   §  2º  As  contas  de  tributo  "Suspenso"  serão  desdobradas  em  nível  de  part  number4  e  cada  um  terá  também  uma  correspondente  conta  de  quantidade  para  registrar  entrada  e  saída  ­  crédito  e  débito  ­  de mercadoria  objeto  do  controle  de  suspensão.   § 3º O controle de suspensão de que trata este artigo deverá ser  estendido  para  registrar  outros  tributos  ou  contribuições  administrados  pela  SRF  que  vierem  a  incidir  sobre  as  operações  e,  a  critério  do  beneficiário  do  regime,  poderá  ser  utilizado também para controlar o Imposto sobre Circulação de  Mercadoria  e  Serviços  (ICMS)  e  o  Adicional  de  Frete  de  Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).   [...]  Art. 28. Os lançamentos nas contas referidas no artigo anterior  deverão ser escriturados em ordem cronológica e obedecerão as  seguintes regras:   I  ­  pela  importação  de  mercadoria  com  suspensão  de  tributos,  aquisição de mercadoria nacional de outro beneficiário do Recof  que  contenha  mercadorias  admitidas  nesse  regime,  ou  pela  aquisição de mercadoria nacional com IPI suspenso, será feito:   a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Suspenso" do  pertinente part number; e   b) crédito na correspondente conta de quantidade;                                                               3 Relação de Transferência de Mercadoria  O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá  por  base  a  emissão  informatizada  da  pertinente  RTM  e  deverá  apresentar  contrapartida  simultânea  em  ambos  sistemas de controle  4 Art. 12. O controle de estoque de mercadoria admitida no regime de entreposto aduaneiro para fins de aplicação  nas operações previstas nos incisos II e III do art. 5º da IN SRF nº 241, de 6 novembro de 2002, bem assim o de  componente adquirido no mercado nacional para o mesmo fim, será feito de forma integrada ao correspondente  controle exercido pelo estabelecimento industrial  instalado no recinto alfandegado de uso público, que receba a  mercadoria para industrialização.   § 1º O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques,  terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos  sistemas de controle.   §  2º  A  RTM  terá  numeração  seqüencial  única  para  o  recinto,  com  sete  dígitos  mais  um  dígito  verificador,  correspondendo os dois primeiros ao ano da  transferência  e outros cinco à  seqüência numérica  sem repetição e  terá como sede de registro e arquivo o sistema informatizado do recinto alfandegado de uso público.   § 3º Cada mercadoria, identificada pelo seu part number, será indexada na RTM a um número seqüencial de item,  iniciando sempre pelo numeral "0001".     Fl. 580DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 15          14 II ­ quando do despacho para consumo de mercadoria importada  admitida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou venda para  o  mercado  doméstico  de  mercadoria  nacional  recebida  com  suspensão,  inclusive  de  seu  resíduo,  ou  do  registro  de  saída  relativamente  à  constatação  de  falta  de  mercadoria  importada  admitida no regime, será feito:   a)  débito  na  conta  "Suspenso"  do  pertinente  part  number  e  crédito na conta "Devido"; e   b) débito na correspondente conta de quantidade.   III ­ pela venda de mercadoria nacional admitida no regime de  entreposto aduaneiro com suspensão de IPI, em retorno para o  mercado interno, será feito:   a)  débito  na  conta  "Suspenso"  do  pertinente  part  number  e  crédito na conta "Devido"; e   b) débito na correspondente conta de quantidade;   IV ­ quando da exportação de mercadoria no mesmo estado em  que importada, inclusive de seu resíduo, será feito:   a)  crédito  na  conta  "Extinto"  e  débito  na  conta  "Suspenso"  do  pertinente part number; e   b) débito na correspondente conta de quantidade;   V  ­  pela  exportação  de  mercadoria  produzida  pelo  estabelecimento  com  componente(s)  importado(s)  e  ou  nacional(is),  ou  pela  venda  ou  transferência  definitiva  de  mercadoria para outro beneficiário do regime, será feito:   a) crédito na conta "Extinto" e débito na(s) conta(s) "Suspenso"  do(s)  pertinente(s)  part  number  do(s)  componente(s)  importado(s) e ou nacional(is);   b) débito na(s) correspondente(s) conta(s) de quantidade;   VI  ­  pela  baixa  relativa  à  perda  de  mercadoria  até  o  limite  admitido na habilitação:   a)  crédito  na  conta  "Extinto"  e  débito  na  conta  "Suspenso"  do  pertinente part number;   b) débito na correspondente conta de quantidade;   VII  ­  pela  baixa  relacionada  à  destruição  de  mercadoria  admitida no regime sem cobertura cambial, ou de seu resíduo:   a)  crédito  na  conta  "Extinto"  e  débito  na  conta  "Suspenso"  do  pertinente part number; e   b) débito na correspondente conta de quantidade;   VIII  ­  pela  baixa  relacionada  à  destruição  de  mercadoria  admitida no regime com cobertura cambial, ou de seu resíduo:   Fl. 581DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 16          15 a)  crédito  na  conta  "Devido"  e  débito  na  conta  "Suspenso"  do  pertinente part number; e   b) débito na correspondente conta de quantidade;   IX ­ pela destinação ao mercado interno, em caráter definitivo,  de  mercadoria  obtida  pela  desmontagem  de  outra  mercadoria  importada admitida no regime:   a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Devido" da  pertinente NCM ou part number referido ao respectivo registro  de desmontagem; e   b) débito na correspondente conta de quantidade.   X  ­  quando  do  pagamento  da  obrigação  tributária,  débito  na  conta "Devido"e crédito na conta "Extinto";   XI ­ pela expiração do prazo de suspensão:   a) débito na correspondente conta "Suspenso" do pertinente part  number e crédito na conta "Devido";   b) débito na correspondente conta de quantidade, ao qual deverá  corresponder  um  crédito  nos  estoques  de  mercadoria  nacionalizada.   § 1º O  registro de débito/crédito  referido nos  incisos do caput,  além das informações de valor e ou quantidade, deverá conter:   [...]  § 3º O débito na conta "Suspenso" de qualquer part number, bem  assim  na  respectiva  conta  de  quantidade,  obedecerá  ainda  às  regras:   I ­ será registrado apenas na data do correspondente embarque  na hipótese de exportação, do registro da DI para consumo na  hipótese de nacionalização de produto estrangeiro, ou da efetiva  saída  do  estabelecimento  em  se  tratando  de  destinação  ao  mercado interno de produto nacional;   II ­ o débito de tributo suspenso corresponderá à proporção da  quantidade  debitada,  pela  apropriação do  respectivo  saldo  em  cada DA/adição/item na hipótese de produto importado, ou de  cada nota fiscal/item em se tratando de produto nacional, com  obediência ao critério contábil PEPS;   III  ­  para  a  mercadoria  aplicada  em  produto  industrializado  pelo estabelecimento industrial situado em recinto alfandegado,  o  débito  será  feito  mediante  apropriação  das  quantidades  de  produto  importado relacionadas nas RTM de  transferência do  estabelecimento  industrial  para  o  recinto  alfandegado  de  uso  público; e   IV  ­  as  RTM  referidas  no  inciso  anterior  serão  apropriadas  pelo  critério  PEPS  por  ocasião  das  exportações  ou  de  Fl. 582DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 17          16 colocação  no  mercado  nacional,  mantida  a  correspondência  com o produto industrializado exportado.   [...]  Dispõe ainda o item 3.9, artigos 30 e 31:  3.9 ­ Controles Contábeis e Corporativos  Art. 30. O sistema de controle informatizado do estabelecimento  industrial  ou  prestador  de  serviços,  beneficiário  de  regime  aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar  aos  controles  contábeis,  por meio  dos  registros  de  compras  de  mercadorias  nacionais  ou  importadas,  bem  assim  por  meio  do  registro  das  vendas  para o mercado  interno  ou  exportações  de  produtos acabados.   [...]  Art. 31 . O sistema de controle informatizado do estabelecimento  industrial  ou  prestador  de  serviços,  beneficiário  de  regime  aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar  aos  demais  sistemas  corporativos,  especialmente  os  que  controlem almoxarifados e produção.   Depreende­se  que  todo  o  controle  da  suspensão  dos  tributos  pressupõe  a  segregação  dos  tributos  suspensos  que  passam  para  a  condição  de  “devidos”  dos  tributos  suspensos  que  passam  para  a  condição  de  “extintos”.  É  esta  segregação  exigida  pelo  ADE  Conjunto  Coana/Cotec  nº  2/2003  que  possibilita  a  aplicação  do  artigo  6º5  do  ADE  SRF  nº  8/2004, acima mencionado, em conformidade com as disposições da IN SRF 417/2004.  No  sentido  de  se  determinar  a vinculação  dos  recolhimentos  de PIS/Pasep­ Importação  e Cofins­Importação,  a  fiscalização  lavrou  o Termo  de Constatação  e  Intimação  Fiscal nº 05, com o seguinte teor:  “Considerando que o sujeito passivo está autorizado a operar o  regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle  Informatizado para a  Indústria Automotiva  (Recof Automotivo),  podendo  importar  insumos  com  os  tributos  suspensos,  sendo  devidos  os  recolhimentos  em  caso  de  destinação  ao  mercado  interno, deverá, em relação aos valores declarados nos campos  "Créditos  a  Descontar  na  Importação  —  PIS/Pasep  Pago"  e  "Créditos  a  Descontar  na  Importação  —  Cofins  Paga"  dos  DACON  e  dos  Demonstrativos  de  Cálculo  dos  Créditos  do  período 4° trimestre de 2004 até o 4° trimestre de 2005, atender  o seguinte:   1) Sendo estes valores integralmente referentes às contribuições  para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização,  ou  seja,  destinação  ao  mercado  interno  de  insumos,  ou  de  produtos  industrializados  aos  quais  estes  insumos  sejam                                                              5  O  recolhimento  dos  tributos  suspensos,  correspondentes  às  mercadorias  importadas  e  destinadas  ao  mercado  interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até  o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação  Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 18          17 incorporados,  adquiridos  dentro  do  regime  do  Recof,  originalmente  com  suspensão  de  tributos,  apenas  informar  o  fato;  2)  Sendo  os  valores  compostos  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins  pagas  em  função  da  nacionalização  de  insumos  adquiridos  dentro  do  regime  do  Recof,  originalmente  com suspensão de tributos, e de contribuições pagas em função  de aquisição de  insumos  fora do citado regime, com  incidência  de  tributos,  apresentar  arquivos  Excel  de  PIS/Pasep  e  Cofins  pagos  na  Importação,  distintos  para  cada  situação  a  seguir,  sujeito á comprovação posterior: a) de insumos adquiridos sob o  regime do Recof e nacionalizados; b) de insumos adquiridos fora  do  regime  e  destinados  exclusivamente  ao mercado  interno;  c)  de  insumos  adquiridos  fora  do  regime  e  destinados  exclusivamente  ao  mercado  externo;  d)  de  insumos  adquiridos  fora  do  regime,  comuns  ás  receitas  dos  mercados  externo  e  interno.”  Em resposta, a recorrente informou:  “A  Intimada  informa  que  os  valores  declarados  nos  campos  "Créditos  a  Descontar  na  Importação  ­  PIS/Pasep  Pago"  e  "Créditos  a  Descontar  na  Importação  ­  Cofins  Paga"  dos  DACONs  e  dos  Demonstrativos  de  Cálculo  dos  Créditos  do  período 4o . Trimestre de 2004 até o 4o trimestre de 2005, referem­  se  às  Contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  COFINS  pagas  (vide  Anexos I e II), em decorrência de nacionalização de:  a) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de  Entreposto  Industrial  sob  Controle  Informatizado  ­  RECOF,  empregadas  em  produtos  cujo  destino  final  foi  o  mercado  doméstico.  b)  Regime  Comum  de  Importação  referente  a  mercadorias  importadas  e  empregadas  na  produção  de  geradores,  cujo  destino final foi o mercado doméstico.  c) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição  para geradores,  cujo destino  final  foi  o mercado doméstico,  no  mesmo estado em que foram importadas.   d) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição  para máquinas,  cujo  destino  final  foi  o mercado doméstico,  no  mesmo estado em que foram importadas.   e) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de  Depósito  Especial  ­  DE,  mais  especificamente  peças  de  reposição, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo  estado em que foram importadas.”  Constata­se que a recorrente confirmou que os recolhimentos de PIS/Pasep­ Importação  e  Cofins­Importação  referiam­se  à  destinação  das  mercadorias  importadas  ao  mercado interno e não às exportações.  Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 19          18 De todo o exposto, conclui­se que não procedem as alegações da recorrente  quanto à aplicação do método do rateio previsto no §8º, uma vez que o recolhimento de Cofins­ Importação  pressupõe  a  vinculação  à  destinação  ao mercado  interno,  conforme  normatizado  pelo  Recof.  A  própria  sistemática  do  Recof,  diversamente  do  que  defende  a  recorrente,  determina  a  segregação  das  mercadorias  importadas  e  dos  tributos  suspensos  respectivos,  estabelecendo  requisitos  técnicos  e  formais  para  implantação  de  sistema  informatizado,  visando o controle dos tributos suspensos e da destinação de cada mercadoria.  Destarte,  os  tributos  suspensos  relativos  às  mercadorias  reexportadas  ou  utilizadas na fabricação de produto exportado se tornam extintos, implicando, por conseguinte,  a  inexistência  de  pagamento  de Cofins­Importação,  incidindo,  consequentemente,  a  vedação  quanto  à  possibilidade  de  creditamento  relativo  à  importação  das mercadorias  vinculadas  às  exportações, uma vez que o comando do artigo 15, §1º determina a efetividade de pagamento  das contribuições para que as hipóteses de creditamento previstas nos incisos do caput possam  gerar créditos, conforme transcreve­se abaixo:  Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição  para  o PIS/PASEP  e  da COFINS,  nos  termos  dos arts.  2o  e 3o  das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de  29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada  pela  Lei  nº  11.727,  de  2008)  (Produção  de  efeitos)  (Regulamento)  [...]  § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta  Lei aplica­se em relação às contribuições efetivamente pagas na  importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos  desta Lei.  Por outro lado, discorda­se da recorrente quanto à alegação de que o art. 176  da  Lei  nº  11.033/2004  propiciaria  a  manutenção  de  créditos  em  operações  desoneradas  no  âmbito do Recof. É que tal artigo não estabelece novas hipóteses de creditamento, mas apenas  permite  que  se mantenham  os  créditos  apuráveis  segundo  os  dispositivos  legais  regentes  da  matéria, como os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, bem como o artigo  15 da Lei nº 10.865/2004. O artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 elucida o entendimento:  Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de  dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do  art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao  final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto  no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá  ser objeto de:   I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela                                                              6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o  PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.    Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 20          19 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria; ou  II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação  específica aplicável à matéria.  Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre­calendário  anterior ao de publicação desta Lei,  a  compensação ou pedido  de  ressarcimento  poderá  ser  efetuado a partir  da  promulgação  desta Lei.   Assim,  não  obstante  o  art.  17  permitir  o  creditamento  em  relação  a  saídas  desoneradas, é necessário que os pressupostos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 sejam  observados,  especialmente  o  §1º  acima  que  condiciona  o  creditamento  à  existência  de  PIS/Pasep­Importação  e  Cofins­Importação  efetivamente  pagas.  Entretanto,  o  Recof  estipula  que os tributos suspensos relativos às mercadorias destinadas ao exterior são extintos, baixados  no dizer do §3º do artigo 48 da IN SRF nº 417/2004, ou seja, não há qualquer recolhimento de  PIS/Pasep­Importação  ou  Cofins­Importação  vinculados  às  receitas  de  exportação.  Dito  de  outro  modo,  se  todas  as  mercadorias  importadas  no  âmbito  do  Recof  fossem  destinadas  ao  mercado externo, implicando a baixa dos tributos suspensos, não haveria qualquer crédito a ser  aproveitado.  Desta  forma,  agiu  a  fiscalização  com  acerto,  quando  efetuou  a  glosa  por  entender  que  a  contribuição  paga  vinculava­se  às  mercadorias  importadas  revendidas  no  mercado interno ou utilizadas em produto vendido no mercado interno  Por  fim, quanto  à  exclusão de multas  e  juros de mora,  por observância das  normas  de  preenchimento  do  Dacon,  verifica­se,  de  fato,  que  a  recorrente  não  observou  a  premissa  das  instruções  de  preenchimento,  qual  seja,  a  existência  de  custos,  despesas  e  encargos comuns às receitas de exportação e às de venda no mercado interno, sobre os quais  aplicar­se­ia um dos métodos de vinculação previstos no §8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002  (rateio  proporcional  ou  apropriação  direta,  à  sua  escolha). No  caso  aqui  tratado,  os  créditos  decorrentes dos recolhimentos de PIS/Pasep­Importação no âmbito do Recof não são comuns  às duas receitas, mas apenas às de venda no mercado interno. Assim, não se trata da aplicação  do parágrafo único do artigo 100 do CTN.  Pontue­se, ainda, que as alegações quanto ao artigo 35 da Lei nº 12.058/2009  em  nada  influenciam  a  decisão,  pois  tal  artigo  trata  de  segregação  dos  créditos  da  não­ cumulatividade  e  não  da  segregação  realizada  no  âmbito  do  Recof,  a  qual  fundamentou  a  vinculação  específica  entre  os  créditos  de  importação  decorrentes  dos  recolhimentos  de  PIS/Pasep e Cofins­Importação e as receitas de venda no mercado interno.  Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário.          (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède             Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002709/2005­76  Acórdão n.º 3302­002.946  S3­C3T2  Fl. 21          20                 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE

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Numero do processo: 11020.001897/2002-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NULIDADE PROCESSUAL POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. Em obediência ao art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, que consagra os princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, diante da ausência de intimação do contribuinte quanto ao resultado do julgamento do recurso especial que lhe foi desfavorável, o que pretere o seu direito de defesa, deve ser reconhecida a nulidade do atos administrativos praticados desde então.
Numero da decisão: 9101-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, embargos conhecidos e acolhidos nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Rafael Vidal de Araújo. Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 17/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  CRISTIANE  SILVA  COSTA,  ADRIANA  GOMES  REGO,  LUÍS  FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente  Convocada),  RAFAEL  VIDAL  DE  ARAÚJO,  RONALDO  APELBAUM  (Suplente  Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice­Presidente), CARLOS ALBERTO  FREITAS BARRETO (Presidente).    Relatório  Tratam­se  de  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  opostos  MARCOPOLO S.A. (doravante "contribuinte" ou "embargante"), em face do acórdão  n.  9101­001.109  (doravante  "acórdão  embargado"),  proferido  na  sessão  de  01.08.2011, pela Primeira Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante  "CSRF"), em que foi julgado recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda  Nacional (doravante "PFN").  Por  oportuno,  o  relatório  do  despacho  proferido  para  fins  de  admissibilidade  dos  referidos  embargos  de  declaração  bem  sintetizou  as  questões  ora  submetidas à análise deste Tribunal (fls. 534­539 do e­processo):    "Trata­se de embargos de declaração interpostos em face do Acórdão nº  9101­001.109,  de  01/08/2011,  proferido  pela  1ª  Turma  desta  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­CSRF  que,  por  voto  de  qualidade,  deu  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  para  afastar  a  decadência  e  determinar  o  retorno  dos  autos  à  Câmara  a  quo  para  a  análise  das  demais  razões  de  mérito,  entendimento  este  que  restou  consubstanciado na seguinte ementa:  DECADÊNCIA.  TRIBUTO  SUJEITO  AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN.  TERMO  INICIAL.  INTERPRETAÇÃO  CONFORME  RECURSO  ESPECIAL N° 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE.  A  contagem  do  prazo  decadencial,  na  forma  do  art.  173,  I,  do  CTN,  deve  se  iniciar  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  poderia  ter  sido  efetuado  o  lançamento  de  oficio. O disposto no art. 62­A do RICARF não  implica o dever  do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em  sede de  recurso  repetitivo,  sem antes  analisar  a  situação  fática  que  ensejou  a  decisão  do  precedente  judicial.  A  finalidade  da  disposição  regimental  é  impedir  que  decisões  administrativas  sejam  contrárias  a  entendimentos  considerados  definitivos  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  sistemática  prevista  pelo  art.  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo Civil.  Em  12/08/2012,  a  2ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF  examinou  o  mérito  do  recurso  voluntário  e  proferiu o Acórdão nº 1202­00.817, no qual, por unanimidade de votos,  Fl. 550DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001897/2002­47  Acórdão n.º 9101­002.167  CSRF­T1  Fl. 550          3 negou  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto,  conforme  ementa  abaixo reproduzida:  IRPJ. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE.  O cômputo do saldo de reservas de lucros para fins de apuração  do  limite  de  dedutibilidade  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  somente  é  permitido  a  partir  do  ano  calendário  de  1997,  em  razão do disposto no art. 78 da Lei nº 9.430/96.   Em  24/08/2012,  a  embargante  foi  cientificada  do  resultado  do  julgamento tanto  do Acórdão nº 9101­001.109, proferido pela CSRF, quanto do Acórdão  nº 1202­00.817, da 2ªTO/2ª Câmara/1ª SJ.  Em  31/08/2012,  interpôs,  tempestivamente,  embargos  de  declaração  suscitando,  preliminarmente,  violação  ao  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório  tendo  em  vista  que  somente  foi  cientificado  do  acórdão  proferido  pela  CSRF,  que  acolheu  o  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional e determinou o retorno dos autos à Câmara a quo, depois que  foi proferido o novo acórdão pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que  negou provimento ao recurso voluntário.  Com  relação  ao mérito  da  decisão  proferida  pela  CSRF,  a  embargante  alega que  os  julgadores  incorreram  em  dois  equívocos,  "os  quais  demonstram  a  existência de omissão no julgado", verbis:  Em primeiro plano, o fundamento que enseja a aplicação do art.  173, I, do CTN, somente encontra respaldo quando não ocorre o  pagamento  antecipado  do  tributo  sujeito  à  sistemática  do  lançamento  por  homologação.  Todavia,  isso  não  ocorre  no  presente caso.  Em um segundo momento, o disposto no art. 62­A do Regimento  Interno deste Nobre Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  determina a aplicação do entendimento consagrado no âmbito dos  recursos  repetitivos,  seja  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  ou  pelo Supremo Tribunal Federal, como se verifica:  [...]  A ora Embargante  irá, nesse momento,  tratar do prazo decadencial que  entende  aplicável  ao  seu  caso,  sendo  que,  ao  final  de  sua  exposição,  restará pacificado que o mesmo deve seguir a regra disposta no art. 150,  § 49, do CTN, inclusive sob a benção do art. 62­A, do RICARF.  O CTN  traz  um  único  prazo  decadencial,  de  cinco  anos,  que,  todavia,  pode ser contado de duas formas distintas: pela regra geral disposta pelo  art. 173, e pela norma especial relatada no art. 150 § 4o.  Ao contrário do disposto no combalido acórdão, a Embargante reafirma  que o prazo aplicável ao presente caso é o disposto no art. 150, § 4° do  Diploma Tributário,  in fine,  tendo em vista que o tributo ora combalido  se submete ao  tipo  de  lançamento  homologatório,  e  em  relação  ao  exercício  em  questão, houve inequívoco pagamento de IRPJ, ainda que, aos olhos do  Fisco, de maneira insuficiente:  [...]  Fl. 551DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     4 Assim,  afirma  a  Embargante  que  tanto  pela  interpretação  disposta  no  âmbito  judicial  quanto  pela  corrente  adotada  por  esse  E.  Conselho  de  Contribuintes, o  lançamento não  teria condições de  sobrevida, uma vez  que  foi  definitiva  e  inquestionavelmente  alcançado  pela  decadência,  firmada na  forma do art. 150, § 4°, do CTN, haja vista a existência de  recolhimento, ainda que parcial.  Nessa  esteira,  não  há  que  se  falar  na  aplicação  do  prazo  decadencial  disposto no  art. 173,  inc.  I, do CTN, ainda que o lançamento que exigiu as exações  supostamente  não  recolhidas  tenha  sido  realizado  de  ofício,  com  fundamento no art. 149, da citada norma tributária.  Desta  forma, houve  inequívoca  atuação da decadência  sobre os valores  exigidos,  o que  torna nulo o  lançamento efetuado,  tendo em vista a  incontestável  extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inc. V, do CTN.  Ao final, a embargante requer que os embargos sejam acolhidos para:  i)  acoimar  de  nulidade  o  acórdão  9101­001.109,  proferido  pela  C.  1§  Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois há nítida agressão  aos  arts.  5,  LV,  da  CF/88  e  59,  II,  do  Decreto  nº  70.235/72,  face  ao  inafastável  preterimento  de  defesa  ocorrido  por  ocasião  da  imediata  aplicação  do  citado  acórdão,  provocado  em  face  de  Recurso  Especial  interposto pela Fazenda.  Caso assim não se entenda, o que se admite apenas por amor ao debate,  que  (ii)  seja  reconhecida  a  omissão  incorrida,  para  o  fim  de  anular  a  autuação  em  questão,  pois  restou  claramente  demonstrado  que  sobre  o  direito  de  constituição  do  crédito  tributário  sobreveio  a  decadência,  na  forma  disposta  pelo  art.  150,§  4º,  do  CTN,  uma  vez  que  a  ora  Embargante em momento algum deixou de pagar o IRPJ relativo ao ano­ calendário de 1996, mas, adotando­se o ponto de vista da D. Autoridade  Fiscal,  o  fez  a menor,  o que afasta  a  regra decadencial  determinada no  art. 173,1, do CTN.  Concomitantemente,  a  recorrente  interpôs  embargos  de  declaração  em  face  do  Acórdão  nº  1202­00.817,  proferido  pela  2ª  TO  da  2ª  Câmara,  alegando  em  preliminar  a  mesma  nulidade  suscitada  nos  embargos  declaratórios  dirigidos  contra  o  acórdão  proferido  pela  CSRF,  ora  sob  exame, além de outras alegações quanto ao mérito."    Em decorrência da aludida análise de admissibilidade, os embargos de  declaração foram admitidos apenas em parte. Ao reexaminar a questão, o Presidente da  1a Turma da CSRF enunciou o seguinte despacho:    Com fundamento nas razões expendidas na informação retro, ADMITO  parcialmente os embargos de declaração interpostos, quanto à preliminar  de nulidade suscitada em face do Acórdão nº 1202­00.817, proferido pela  2ª  TO  da  2ª  Câmara  e  rejeito,  em  caráter  definitivo,  a  alegação  de  omissão no Acórdão nº 9101­001.109.  Tendo  em  vista  que  o  relator  original  não  pertence mais  ao  colegiado,  encaminhe­se o presente processo ao Sesej para sua inclusão em lote de  sorteio à membro da 1ª Turma da CSRF, nos termos do art. 49, § 5º do  Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343/2015.    Fl. 552DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001897/2002­47  Acórdão n.º 9101­002.167  CSRF­T1  Fl. 551          5 Conclui­se, com isso, o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Flávio Neto  Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte cumprem com o  requisito  da  tempestividade  e  preenchem  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  exigidos.  Por  isso,  os  conheço  na  parte  em  que  admitidos  pelo  despacho  irrecorrível  proferido pelo i. Presidente da 1a Turma da CSRF.  Nessa  parte,  atinente  à  nulidade  dos  atos  processuais  praticados  à  revelia  da  intimação  do  contribuinte  quanto  ao  julgamento  do  recurso  especial  que  reverteu  a  anterior  decisão  que  lhe  era  favorável,  entendo  que  os  embargos  de  declaração opostos pelo contribuinte devem ser providos.  O Decreto n. 70.235/72 prescreve, em seu art. 59, norma essencial para  o deslinde da questão:    Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade  incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução  do processo.  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta.     A  ausência  de  intimação  ao  contribuinte  quanto  ao  resultado  do  julgamento  do  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  que  culminou  em  retorno dos autos para a análise do mérito pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª  Seção (doravante "Turma Ordinária), configura preterição do direito de defesa.   A  preterição  do  direito  de  defesa  do  ora  embargante  é  causa  de  nulidade  da  remessa  dos  autos  à  Turma  Ordinária,  bem  como  dos  demais  atos  administrativos praticados daí em diante, inclusive o acórdão nº 1202­00.817. Trata­se  de nulidade fundada no princípio da publicidade dos atos processuais, sem o que deixa­ se  de  cumprir  os  princípios  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  do  devido  processo  legal.  Ocorre que, como bem suscitou a i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo,  em seu despacho de admissibilidade dos presentes embargos de declaração, o vício em  Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     6 questão fulmina os princípios do contraditório e da ampla defesa, tão caros ao processo  administrativo tributário:    "Constato  que,  conforme  arguido  pela  embargante,  não  lhe  foi  dada  ciência do acórdão da CSRF, antes de ser proferida nova decisão pela 2ª  TO  da  2ª  Câmara,  violando  de  forma  flagrante  o  seu  direito  ao  contraditório e à ampla defesa.  Ora,  uma  vez  proferido  o  acórdão  da  CSRF  impunha­se  a  ciência  à  interessada, para que pudesse, querendo, apresentar o recurso cabível em  face  da  mesma.  No  caso  em  apreço,  embargos  de  declaração,  o  que  somente se viabilizou quando já tinha sido proferido o novo acórdão pela  câmara a quo."    Consigna­se que, na  sessão de  julgamento dos presentes embargos de  declaração,  houve  debate  entre  os  i.  Conselheiros  desta  Turma  da  CSRF  quanto  à  extensão  da  nulidade  nos  presentes  autos.  Foi  suscitado,  por  exemplo,  que  não  seria  nula a decisão da Turma Ordinária (acórdão nº 1202­00.817), proferida após o retorno  dos  autos da CSRF sem a devida  intimação  do contribuinte quanto  ao  julgamento  do  recurso  especial  que  reverteu  a  anterior  decisão  que  lhe  era  favorável. Nesse  debate,  também foi suscitado, por exemplo, que a oposição dos embargos de declaração ora em  julgamento,  que  teve  como  ensejo  a  intimação  do  contribuinte  quanto  à  decisão  proferida  pela  Turma  Ordinária,  esgotaria  o  direito  à  oposição  de  quaisquer  outros  recursos perante a CSRF.   Não me parece, contudo, que a acolhida de tais propostas seja possível.  A nulidade seletiva, que não alcançaria todos os atos administrativos praticados desde a  causa da nulidade em questão, redundaria em insanável ofensa aos princípios da ampla  defesa, contraditório e devido processo legal.   A questão é solucionada pela conhecida metáfora jurídica dos frutos da  árvore envenenada: ao envenenar­se a raiz da planta, tudo em diante se contamina, até  o  fim  de  sua  extensão,  os  seus  frutos.  É  o  que  se  confirma  com  a  análise  do  caso  concreto:  ­ No que se refere à decisão da Turma Ordinária  (acórdão nº  1202­00.817), proferida após o retorno dos autos da CSRF sem  a  devida  intimação  do  contribuinte  quanto  ao  julgamento  do  recurso  especial  que  reverteu  a  anterior  decisão  que  lhe  era  favorável:  tendo  em  vista  a  não  observância  do  princípio  da  publicidade, o contribuinte não foi cientificado do retorno dos autos  à  Turma Ordinária  e  não  pôde,  então,  comparecer  ao  julgamento  que  resultou  no  acórdão  nº  1202­00.817.  Compreendo  que  o  contribuinte  tem  o  direito  assegurado  pelo  RICARF  tanto  à  apresentação de memoriais (art. 53, III, do RICARF anterior e art.  53,  par.  4,  do RICARF atual)  quanto  à  realização  de  sustentação  oral (entre outros, art. 53, III, art. 58 do RICARF anterior e art. 58,  II,  do  RICARF  atual)  e  não  pôde  exercê­lo  naquele  julgamento  realizado  pela  Turma  Ordinária.  Não  se  pode  colocar  em  dúvida  tais  prerrogativas  assegurados  ao  contribuinte  e  aos  seus  Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001897/2002­47  Acórdão n.º 9101­002.167  CSRF­T1  Fl. 552          7 procurados, os quais buscam justamente garantir a ampla defesa, o  contraditório e o devido processo legal.    ­ No  que  se  refere  ao  suposto  esgotamento  das  possibilidades  recursais perante a CSRF face aos embargos de declaração ora  em julgamento: Compreendo que a nulidade em tela ­ ausência de  intimação  de  acórdão  ­  somente  será  plenamente  suprida  com  o  restabelecimento da relação  jurídica presente no último ato válido  do  processo  administrativo,  que  é  a  formalização  do  acórdão  da  CSRF. Após esse fato válido, para que seja sanada a nulidade, deve  ser  o  contribuinte  intimado  quanto  ao  referido  acórdão,  dando  início  ao  seu  prazo  para  que  adote  (ou  não)  alguma  providência  recursal. O primeiro ato  administrativo prejudicado pela nulidade,  no  presente  processo  administrativo,  consiste  justamente  na  intimação do acórdão n. n. 9101­001.109, desta CSRF, pois o art.  59, § 1º, do Decreto n. 70.235/72, prescreve que estão prejudicados  todos  os  atos  posteriores  ao  ato  nulo  e  que  dele  dependam  diretamente  ou  sejam  consequência. Ao  dar  causa  à  nulidade  em  tela,  este  Tribunal  não  pode  adentrar  no  âmbito  das  escolhas  processuais  da  parte  prejudicada,  com  ingerência  sobre  qual  recurso e quais questões poderiam ser alegadas caso houvesse sido  regularmente intimado. De outro modo, a presente decisão, em vez  de realmente corrigir os prejuízos da nulidade, teria o potencial de,  apoiada em suposições e conjecturas, perpetrar restrição ao direito  à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal.  Nesse  seguir,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  aos  embargos  de  declaração  opostos  pelo  contribuinte  na  parte  conhecida  pelo  despacho  de  admissibilidade  (fls.  534­539  do  e­processo),  a  fim  de  que  seja  sanado  o  vício  processual  verificado,  declarando­se  a  nulidade  dos  atos  administrativos  praticados  desde a remessa dos autos à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção sem a devida  intimação prévia do contribuinte quanto ao julgamento do acórdão 9101­001.109, bem  como  de  todos  os  demais  atos  administrativos  praticados  daí  em  diante,  inclusive  o  acórdão nº 1202­00.817, proferido pela referida Turma Ordinária.   Voto,  ainda,  para  que  haja  nova  e  regular  intimação  do  contribuinte  quanto  ao  acórdão  de  recurso  especial  n.  9101­001.109,  proferido  por  esta  CSRF,  devolvendo­lhe o prazo para a apresentação de recurso que entender cabível (inclusive  embargos de declaração), de modo que possa exercer plenamente o seu direito à ampla  defesa, contraditório e devido processo legal.   É como voto.    Conselheiro Luís Flávio Neto ­ Relator  (assinado digitalmente) Fl. 555DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     8                               Fl. 556DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 18192.000242/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ENTREGA NO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. ENTREGA A EMPREGADO DA EMPRESA. VALIDADE. É válida a intimação feita no domicílio fiscal do sujeito passivo, ainda que o recebedor não seja o seu representante legal. No caso em tela, o sujeito passivo não conseguiu demonstrar que na data da intimação a pessoa que a recebeu não era seu empregado. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento atacado refere-se a falta de recolhimento de contribuição retida dos prestadores de serviço por cessão de mão-de-obra ou empreitada, em que a notificada responde como responsável tributária. Este não pode ser confundido com o lançamento de contribuições em que a empresa fiscalizada aparece na condição de contribuinte, como é o caso da apuração fiscal sobre a remuneração paga para execução de obra de construção civil de propriedade daquela. PERÍCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES REQUERIDAS PELA NORMA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia em que a postulante não indicou os quesitos referentes às averiguações pretendidas, o nome, o endereço e qualificação profissional de seu perito. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 381          1  380  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18192.000242/2007­33  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.879  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de janeiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  SHOPPING MINAS SUL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005  INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ENTREGA  NO  DOMICÍLIO  FISCAL  DO  SUJEITO  PASSIVO.  ENTREGA  A  EMPREGADO DA EMPRESA. VALIDADE. É válida a  intimação feita no  domicílio  fiscal  do  sujeito  passivo,  ainda  que  o  recebedor  não  seja  o  seu  representante legal.  No caso em tela, o sujeito passivo não conseguiu demonstrar que na data da  intimação a pessoa que a recebeu não era seu empregado.  LANÇAMENTO  EM  DUPLICIDADE.  INEXISTÊNCIA.  O  lançamento  atacado  refere­se  a  falta  de  recolhimento  de  contribuição  retida  dos  prestadores de  serviço por cessão de mão­de­obra ou  empreitada, em que  a  notificada  responde  como  responsável  tributária.  Este  não  pode  ser  confundido com o lançamento de contribuições em que a empresa fiscalizada  aparece na condição de contribuinte, como é o caso da apuração fiscal sobre a  remuneração paga para execução de obra de construção civil de propriedade  daquela.  PERÍCIA.  FALTA  DE  INDICAÇÃO  DAS  INFORMAÇÕES  REQUERIDAS PELA NORMA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o  pedido de perícia em que a postulante não  indicou os quesitos  referentes às  averiguações pretendidas, o nome, o endereço e qualificação profissional de  seu perito.  JUROS  SELIC.  INCIDÊNCIA  SOBRE  OS  DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS  ADMINISTRADOS  PELA RFB. A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria  da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais.  Recurso Voluntário Negado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 02 42 /2 00 7- 33 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie  Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18192.000242/2007­33  Acórdão n.º 2402­004.879  S2­C4T2  Fl. 382          3    Relatório  Trata­se de recurso  interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12­ 17.247 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ  no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir  Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.º 37.034.460­0.  O  crédito  em  questão  refere­se  à  exigência  da  retenção  da  contribuição  previdenciária exigida dos tomadores de serviço realizados mediante cessão de mão­de­obra ou  empreitada,  nos  termos  do  art.  31  da  Lei  n.º  8.212/1991,  na  redação  dada  pela  Lei  n.º  9.711/1998.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  fls.  30/34,  as  retenções  tratadas  no  lançamento incidiram sobre notas fiscais de prestação dos serviços contratados para execução  da obra de construção civil, matricula CEI 50.005.75825/75.  Esclarece o fisco que a notificada contratou diversos prestadores de serviço,  pessoas jurídicas, para edificação do Shopping Minas Sul. Esses serviços foram considerados  pela administração da obra como sujeito à  retenção da contribuição previdenciária,  tanto que  houve o desconto por ocasião da emissão das notas fiscais, conforme escrita contábil (grupo de  contas 2.1.07)  Afirma que  a  empresa, mesmo  regularmente  intimada,  não  forneceu  cópias  das notas fiscais e guias de recolhimento correspondentes.  Houve  a  lavratura  de  Representação  Fiscais  para  Fins  Penais  em  razão  da  ocorrência, em tese, do delito capitulado no art. 168­A do Código Penal.  De  acordo  com  o  fisco,  a  apuração  se  deu  conforme  os  valores  retidos  registrados da contabilidade.  Cientificado  do  lançamento  em  11/12/2008,  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação de fls. 69/83, na qual, após relato dos fatos processuais, afirmou que a  lavratura  foi confeccionada em total afronta aos preceitos da Constituição Federal.  A  pessoa  que  foi  intimada  em  22/09/2006  pelo  fisco  para  apresentar  os  documentos necessários  ao desenvolvimento da  ação  fiscal, Sr. Eric Fabian Chaves,  naquela  data sequer era empregado do contribuinte (Shopping Minas Sul S/A), mas sim do condomínio  do Shopping, figuras jurídicas totalmente distintas.  A  empresa  não  pode  ser  penalizada  pela  suposta  falta  de  apresentação  de  documentos,  cuja  solicitação  não  foi  realizada  de  forma válida. Acrescenta  que  possui,  para  pronta disponibilização, todos os elementos exigidos anteriormente de pessoa que não detinha  legitimidade.   Há  uma  patente  duplicidade  na  apuração  fiscal,  posto  que,  na  NFLD  n.º  37.034.466­9, correspondente aos períodos contabilizados nos Livros Diário e Razão de 2001 a  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4  2005, nos quais estão englobados os fatos geradores contemplados na presente lavratura, que  está circunscrita ao período de 2004 a 2005.  A  análise  das  notas  fiscais  mencionadas  nas  duas  NFLD  deixa  claro  a  existência de tributação em duplicidade.  O  confronto  das  duas  NFLD,  mediante  perícia  contábil,  é  de  suma  importância para demonstrar a ocorrência de bis in idem.  Afirma que a taxa Selic não pode ser utilizada para fins tributários.  A  decisão  de  primeira  instância,  fls.  335/342,  não  acatou  as  alegações  defensórias.  Acerca  da  comprovação  de  que  a  pessoa  que  recebeu  a  intimação  para  apresentação de documentos não seria empregado da empresa, a DRJ não a considerou hábil a  afastar a legalidade do procedimento fiscal. Primeiro, porque não consta na ficha de registro de  empregado  da  recorrente  que  o  Sr.  Eric  Fabian  Rodrigues  Chaves  tenha  sido  desligado  do  Shopping Minas Sul S/A.  Por outro lado, acrescenta que a GFIP da competência 10/2005, apresentada  para  comprovar  que  a  mencionada  pessoa  estava  registrada  no  Condomínio  Minas  Sul  Shopping não merece ser aceita, posto que no registro de empregados do Shopping Minas Sul  S/A consta alteração de seu salário em 12/2005 e pagamento do imposto sindical do exercício  de 2006.  Concluiu a DRJ que, ou a GFIP apresentada não condiz com a realidade, ou o  Sr. Eric Chaves trabalhava nas duas empresas.  Foi afastada também a alegação da ocorrência de bis in idem. Afirmou­se na  decisão a quo que a NFLD n.º 37.034.466­9  tem natureza distinta do crédito sob apreciação.  Naquela  foram apuradas as contribuições devidas pelo próprio sujeito passivo decorrentes da  mão­de­obra  utilizada  na  construção  do  Shopping  Center,  cuja  base  de  cálculo  foi  aferida  indiretamente,  pelo método  que  leva  em  conta  a  área  construída  e  padrão  da  obra  ( método  CUB),  enquanto  a  NFLD  atacada  refere­se  à  exigência  de  contribuições  descontadas  dos  prestadores de serviço.  O pedido de perícia foi indeferido, por entender o órgão regional que a então  impugnante  não  apresentou  os  elementos  exigidos  pela  legislação.  Quanto  à  suposta  inconstitucionalidade da taxa Selic, esta deixou de ser apreciada, por entender a DRJ que não  teria  competência  para  se  pronunciar  sobre  desconformidade  de  lei  vigente  e  eficaz  com  a  Carta Magna.  Cientificado  acórdão  de  primeira  instância  em  03/03/2008,  a  empresa  interpôs  recurso  voluntário  de  fls.  342/357,  no  qual  apresentou  os  mesmos  argumentos  constantes na impugnação.  É o relatório.  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18192.000242/2007­33  Acórdão n.º 2402­004.879  S2­C4T2  Fl. 383          5    Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator  Admissibilidade  O  recurso  merece  conhecimento,  posto  que  preenche  os  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  Intimação para apresentação de documentos  Acusa  a  empresa  que  o  fisco  fez  a  intimação  para  apresentação  de  documentos a pessoa que não era seu empregado quando da realização do ato processual.  A  DRJ  apresentou  substanciosa  análise  da  questão  tendo  concluído  que  a  notificada  não  conseguiu  demonstrar  que  Sr.  Eric  Fabian  R.  Chaves  não  seria  mais  seu  empregado em 22/09/2006, data que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos  Fiscais ­ TIAF lhe foi entregue.  De  fato,  a  ficha de  registro de  empregado  juntada à defesa,  fl.  102, mostra  que  a  mencionada  pessoa  foi  contratada  em  01/11/2002  pelo  Shopping  Minas  Sul  S/A  na  função  de  engenheiro.  O  mesmo  documento  apresenta  alteração  de  salário  em  12/2005  e  pagamento  do  imposto  sindical  em  março  de  2006.  Nada  consta  acerca  da  rescisão  deste  funcionário.  No  recurso  do  contribuinte  não  há  qualquer  alegação  relativa  a  esta  constatação da DRJ. A recorrente poderia ter apresentado a rescisão do seu contrato de trabalho  ou outro documento hábil a comprovar o seu desligamento. Isso não fez.  Por  outro  lado,  está  sedimentado  no  CARF  o  entendimento  de  que  as  intimações feitas no domicílio fiscal do sujeito passivo são válidas, mesmo que a pessoa que a  recebe não seja seu representante legal. É isso que se pode ver da Súmula abaixo reproduzida:  Súmula CARF nº 9: É  válida a  ciência da notificação por  via  postal  realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,  ainda que este não seja o representante legal do destinatário.  Assim,  descabida  a  pretensão  do  sujeito  passivo  de  ter  o  lançamento  cancelado em razão de suposta mácula na entrega do TIAD.  Ocorrência de duplicidade  Também  não  deve  prevalecer  a  tese  da  ocorrência  de  duplicidade  no  lançamento. A presente NFLD foi  lavrada contra o Shopping Minas Sul S/A na condição de  responsável tributário pela antecipação da contribuição do seu prestador de serviços , conforme  previsão  do  art.  31  da  Lei  n.º  8.212/1991  (redação  vigente  quando  da  ocorrência  dos  fatos  geradores):  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6  Art.31.A  empresa  contratante  de  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços  e  recolher  a  importância  retida  até  o  dia  dois  do  mês  subseqüente  ao  da  emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa  cedente da mão­de­obra, observado o disposto no § 5o do art. 33.  (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado  na  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços,  será  compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente  da  mão­de­obra,  quando  do  recolhimento  das  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  devidas  sobre  a  folha  de  pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei  nº 9.711, de 1998).  Conforme  registrado  em  sua  escrita  contábil,  a  empresa  notificada  cumpriu  parcialmente esta obrigação, posto que efetuou a retenção da contribuição dos seus prestadores,  todavia, deixou de adimplir com a segunda parte do dever legal, não efetuando o recolhimento  da quantia retida.  O lançamento de que ora tratamos não tem identidade com aquele veiculado  através  da  NFLD  n.º  37.034.466­9.  Nesta  o  sujeito  passivo  é  chamado  na  condição  de  contribuinte  a  responder  pelas  contribuições  decorrentes  da  mão­de­obra  utilizada  na  construção do Shopping Center Minas Sul, cuja base de cálculo foi aferida indiretamente, pelo  método que leva em conta a área construída e padrão da obra ( método CUB).  Essa  distinção  contribuinte­responsável  fica muito  clara quando  se  lê o  art.  121 do CTN, verbis:  Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  Portanto,  correta  a  decisão  da  DRJ  quando  não  reconheceu  a  suposta  duplicidade na NFLD de que ora se  cuida, haja vista que os  lançamentos  tomados como em  duplicidade  têm  natureza  distinta:  um  trata  a  notificada  como  responsável  tributário  pelo  pagamento da antecipação das contribuições dos seus prestadores de serviço, por força do art.  31  da  Lei  n.º  8.212/1991,  o  outro,  coloca­a  no  lugar  de  contribuinte,  em  relação  às  contribuições incidentes sobre a sua folha de salários.  Pedido de Perícia  O processo administrativo fiscal federal admite a realização da prova pericial,  conforme determina o Decreto n.º 70.235/1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18192.000242/2007­33  Acórdão n.º 2402­004.879  S2­C4T2  Fl. 384          7  (...)  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.  (...)  Todavia,  alguns  requisitos  são  exigidos  e  estes  não  foram  cumpridos  pela  empresa. Conforme  já mencionado na decisão  recorrida,  a empresa pugna pela  realização de  perícia, no entanto, não apresentou os quesitos referentes às averiguações pretendidas, nem o  nome, o endereço e qualificação profissional de seu perito.  Mas,  ainda  que  esses  dados  tivessem  sido  encaminhados  com  o  recurso,  mesmo assim não caberia o deferimento do pleito, pois este julgador entende que os elementos  analisados  já  são  suficientes  para  concluir  pela  procedência  do  lançamento,  não  havendo  necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo.  Juros SELIC  Quanto  à  inaplicabilidade  da  taxa  de  juros  SELIC  para  fins  tributários,  é  matéria  que  já  se  encontra  sumulada  nesse  Tribunal  Administrativo,  nos  termos  da  Súmula  CARF n. 04:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do  CARF,  nos  temos  do  “caput”  do  art.  72  do  Regimento  Interno  do  CARF1.,  não  pode  esse  colegiado afastar a utilização da  taxa de  juros aplicada às contribuições  lançadas no presente  lançamento.  Por  outro  lado,  o Superior Tribunal  de  Justiça  – STJ,  decidiu  com base  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do CPC)  que  é  legítima  a  aplicação  da  taxa  SELIC  aos  débitos  tributários,  o  que  faz  com  que  essa  discussão  torne­se,  até  certo  ponto,  desnecessária. Eis a ementa do julgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543­C DO  CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO­OCORRÊNCIA.  REPETIÇÃO DE  INDÉBITO.  JUROS DE MORA  PELA  TAXA  SELIC.  ART.  39,  §  4º,  DA  LEI  9.250/95.  PRECEDENTES  DESTA CORTE.                                                              1  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF.  (...)  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  1.  Não  viola  o  art.  535  do  CPC,  tampouco  nega  a  prestação  jurisdicional,  o  acórdão  que  adota  fundamentação  suficiente  para decidir de modo integral a controvérsia.  2. Aplica­se a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização  monetária  do  indébito  tributário,  não  podendo  ser  cumulada,  porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização  monetária.  3.  Se  os  pagamentos  foram  efetuados  após  1º.1.1996,  o  termo  inicial  para  a  incidência  do  acréscimo  será  o  do  pagamento  indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores  à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC  terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em  tela, ou seja, janeiro de 1996.  Esse  entendimento  prevaleceu  na  Primeira  Seção  desta  Corte  por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC  e 425.709/SC.  4.  Recurso  especial  parcialmente  provido.  Acórdão  sujeito  à  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  c/c  a  Resolução  8/2008 ­ Presidência/STJ.  (REsp  1111175  /  SP,  Relatora  Ministra  Denise  Arruda,  DJe.  01/07/2009)   Não merecem redução os juros aplicados no lançamento.  Conclusão  Voto por conhecer do recurso, negando­lhe provimento.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 10805.901277/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Relatório CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANÔNIMA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 05-23.129 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de fls. 01/18, apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, a partir de 12 de setembro de 2003, por meio da quais a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2002, no valor de R$ 2.096.849,00, para a compensação de débitos relativos a períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 119/122, 09 de janeiro de 2008, que se transcreve: “Tratam-se de Declarações de Compensação (fls. 01/18) de débitos de IRPJ, no valor total de R$ 2.161.715,14, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ de 31.12.2002, no valor de R$ 2.096.849,00. As Dcomp’s foram transmitidas através do programa PERDCOMP e estão relacionadas no quadro a seguir: N.º PerDcomp Débitos Data   Compensados Transmissão 23386.52854.120903.1.7.02-9418 R$ 2.095.175,27 12/09/2003 29309.83140.240903.1.7.02-1886 R$ 66.539,67 24/09/2003 Fundamentação e Proposta Análise do direito creditório: Saldo Negativo de IRPJ Ano-Calendário de 2002 Conforme indica a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, o saldo negativo do IRPJ de 31.12.2002, de R$ 2.096.849,00, foi assim determinado (fls. 20): Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 (-) Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 (-) Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 (-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 2.070.837,59 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 45.524.200,90 (=) Imposto de Renda a Pagar (2.096.849,00) Em seguida devem ser auditados os valores componentes do Saldo Negativo. a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. E Ganhos de Capital, no valor de R$ 10.139.124,58, utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 57/76, referentes ao imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A. Os pagamentos efetuados estão relacionados na tabela a seguir: Data do IR Pago Taxa de IR Pago Pagamento no Exterior Câmbio (*) no Exterior   em Pesos   em Reais 12/05/2003 6.440.001,92 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 6.694.446,40 12/05/2003 559.959,31 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 582.083,30 12/05/2003 606.800,86 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 630.775,56 03/06/2003 0,90 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 0,94 03/06/2003 38,77 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 40,51 Total 7.606.801,76   7.907.346,71 (*) Os valores da taxa de câmbio foram obtidos no sítio do Banco Central do Brasil, na Internet, conforme telas de fls. 113/117. Examinando a tabela, verifica-se que o valor total do imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A foi de R$ 7.907.346,71. Este é o valor máximo que o interessado poderia compensar com o Imposto de Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11, do artigo 14, da Instrução Normativa SRF n.º 213, de 07 de outubro de 2002, reproduzidos a seguir: § 9º. O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I- do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II- do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (Grifo nosso). Desta forma, a diferença de R$ 2.257.789,28 (R$ 10.139.124,58 – R$ 7.907.346,71) deve ser Deduzida do valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa a ser de R$ 43.266.411,62. b) Imposto de Renda Retido na Fonte O valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte, foi composto, em parte, pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, pela empresa Socotherm do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, no valor de R$ 273.193,21, conforme declarado na Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ 2003 (fls. 25). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 78/83. Estes documentos comprovam a retenção do fonte no valor total de R$ 183.742,87. Desta forma, a diferença de R$ 89.450,34 (R$ 273.193,21 – R$ 183.742,87) deve ser Deduzida do valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual passa a ser de R$ 1.981.387,25. Com essas alterações, o Saldo Negativo do IRPJ de 31.12.2002 foi recalculado, resultando em Saldo a Pagar, no valor de R$ 250.390,62, conforme demonstrado no quadro a seguir: Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 (-) Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 (-) Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 (-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 1.981.387,25 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 43.266.411,62 (=) Imposto de Renda a Pagar 250.390,62 Diante do exposto, proponho, por inexistência o Não Reconhecimento do direito creditório e a Não Homologação das PERDCOMP’s n.ºs. (...).” 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 124, em 23 de janeiro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 21 de fevereiro de 2008, fls. 125/130, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que o entendimento da autoridade fiscal, de que apenas a importância de R$ 7.907.346,71, relativa ao imposto pago por sua controlada (SIAT S/A) no exterior, seria compensável, não corresponde aos fatos reais. 3.2. Elabora demonstrativo à fl. 127, onde consta que sua controlada apresentou dados diversos na Declaração Jurada, equivalente a nossa DIPJ, sendo que o total do imposto devido corresponderia a 14.445.659,53 Pesos argentinos, distribuído por retenções de 1.654.517,57 Pesos, antecipações de 5.184.341,10 Pesos e Saldo a Pagar de 7.606.800,86 Pesos. 3.3. Acrescenta estar apresentado a “Declaração Jurada” da empresa Siat S/A, que confirmaria os dados apresentados. E continua: “De qualquer forma, esclarecemos que a Confab Industrial detém apenas 30% do capital da empresa Siat S/A. Dessa forma, de $ 14.445.659,53, a Confab se apropriaria de $ 4.333.697,88.” 3.4. Traz outro demonstrativo, fl. 128, segundo o qual o total do lucro tributado no exterior, no ano-calendário de 2002, corresponderia a R$ 40.326.152,36, enquanto o lucro líquido seria de R$ 26.211.999,03 e o imposto pago de R$ 14.098.674,93. 3.5. Aduz que até o ano-calendário de 2001, tributava-se o lucro no exterior quando fosse efetivamente distribuído, ou seja, quando representasse entrada de caixa. E, a partir do ano-calendário de 2002, com o advento da Instrução Normativa n.º 213, de 07 de outubro de 2002, o lucro do exterior passou a ser tributado a partir de sua constituição, nos termos do artigo 2º daquele ato normativo. 3.6. Especificamente para o ano-calendário de 2002, afirma que o lucro acumulado até 31/12/2001 e não distribuído, deveria ser totalmente oferecido à tributação em 31/12/2002, enquanto os lucros distribuídos no decorrer daquele ano deveriam ser tributados na efetiva distribuição, conforme determina o artigo 2º, § 7º. 3.7. Nos termos de tais preceitos, teria oferecido à tributação o valor de R$ 1.547.839,94 em maio de 2002 e R$ 38.778.312,42 em dezembro de 2002, num total de R$ 40.326.152,36, gerando um imposto de renda pago no exterior de R$ 14.098.674,93, dos quais registrou como passível de compensação a importância de R$ 13.710.891,80, relativa a 34% do lucro tributado, utilizando-se da importância de R$ 10.139.124,58, para compensação. 3.8. Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte glosado pela autoridade fiscal (R$ 89.450,34) trata-se de imposto retido pela empresa Socotherm do Brasil S/A, anteriormente denominada de Soco-Ril do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, que a empresa não teria comprovado quando intimada. 3.9. Acrescenta que devido a um lapso deixou de apresentar o documento correspondente anteriormente, o que faz agora, acrescentando que os juros sobre capital próprio são do ano-calendário de 2001. Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou-a improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 14 de outubro de 2008 (fl. 322) apresentando recurso voluntário de fls. 323-336, e anexos, em 13 de novembro de 2008. Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese: - que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no ano-calendário de 2002, por força do disposto no art. 74 da MP 2.158-35/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas, de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa vasta documentação referente às declarações de renda transmitidas na Argentina, acompanhada, inclusive, de tradução juramentada; - em relação às estimativas compensadas com créditos de IPI (pedidos de ressarcimento), alega que como foram alvo de compensação, eventual não homologação ensejará a cobrança de tais valores; - no que atine ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL, reafirma que apresentou o comprovante de retenção, implicando, necessariamente, no reconhecimento de seu direito à dedução de tais valores. É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Relatório CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANÔNIMA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 05-23.129 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de fls. 01/18, apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, a partir de 12 de setembro de 2003, por meio da quais a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2002, no valor de R$ 2.096.849,00, para a compensação de débitos relativos a períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 119/122, 09 de janeiro de 2008, que se transcreve: “Tratam-se de Declarações de Compensação (fls. 01/18) de débitos de IRPJ, no valor total de R$ 2.161.715,14, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ de 31.12.2002, no valor de R$ 2.096.849,00. As Dcomp’s foram transmitidas através do programa PERDCOMP e estão relacionadas no quadro a seguir: N.º PerDcomp Débitos Data   Compensados Transmissão 23386.52854.120903.1.7.02-9418 R$ 2.095.175,27 12/09/2003 29309.83140.240903.1.7.02-1886 R$ 66.539,67 24/09/2003 Fundamentação e Proposta Análise do direito creditório: Saldo Negativo de IRPJ Ano-Calendário de 2002 Conforme indica a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, o saldo negativo do IRPJ de 31.12.2002, de R$ 2.096.849,00, foi assim determinado (fls. 20): Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 (-) Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 (-) Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 (-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 2.070.837,59 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 45.524.200,90 (=) Imposto de Renda a Pagar (2.096.849,00) Em seguida devem ser auditados os valores componentes do Saldo Negativo. a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. E Ganhos de Capital, no valor de R$ 10.139.124,58, utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 57/76, referentes ao imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A. Os pagamentos efetuados estão relacionados na tabela a seguir: Data do IR Pago Taxa de IR Pago Pagamento no Exterior Câmbio (*) no Exterior   em Pesos   em Reais 12/05/2003 6.440.001,92 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 6.694.446,40 12/05/2003 559.959,31 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 582.083,30 12/05/2003 606.800,86 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 630.775,56 03/06/2003 0,90 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 0,94 03/06/2003 38,77 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina 40,51 Total 7.606.801,76   7.907.346,71 (*) Os valores da taxa de câmbio foram obtidos no sítio do Banco Central do Brasil, na Internet, conforme telas de fls. 113/117. Examinando a tabela, verifica-se que o valor total do imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A foi de R$ 7.907.346,71. Este é o valor máximo que o interessado poderia compensar com o Imposto de Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11, do artigo 14, da Instrução Normativa SRF n.º 213, de 07 de outubro de 2002, reproduzidos a seguir: § 9º. O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I- do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II- do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (Grifo nosso). Desta forma, a diferença de R$ 2.257.789,28 (R$ 10.139.124,58 – R$ 7.907.346,71) deve ser Deduzida do valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa a ser de R$ 43.266.411,62. b) Imposto de Renda Retido na Fonte O valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte, foi composto, em parte, pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, pela empresa Socotherm do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, no valor de R$ 273.193,21, conforme declarado na Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ 2003 (fls. 25). O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51), apresentou os documentos de fls. 78/83. Estes documentos comprovam a retenção do fonte no valor total de R$ 183.742,87. Desta forma, a diferença de R$ 89.450,34 (R$ 273.193,21 – R$ 183.742,87) deve ser Deduzida do valor de R$ 2.070.837,59, declarado na linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual passa a ser de R$ 1.981.387,25. Com essas alterações, o Saldo Negativo do IRPJ de 31.12.2002 foi recalculado, resultando em Saldo a Pagar, no valor de R$ 250.390,62, conforme demonstrado no quadro a seguir: Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real R$ Imposto de Renda sobre o Lucro Real 27.517.322,24 (+) Adicional 18.320.881,49 (-) Operações de Caráter Cultura e Artístico 87.000,00 (-) Programa de Alimentação ao Trabalhador 227.002,83 (-) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 26.011,41 (-) Imposto de Renda Retido na Fonte 1.981.387,25 (-) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 43.266.411,62 (=) Imposto de Renda a Pagar 250.390,62 Diante do exposto, proponho, por inexistência o Não Reconhecimento do direito creditório e a Não Homologação das PERDCOMP’s n.ºs. (...).” 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 124, em 23 de janeiro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 21 de fevereiro de 2008, fls. 125/130, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que o entendimento da autoridade fiscal, de que apenas a importância de R$ 7.907.346,71, relativa ao imposto pago por sua controlada (SIAT S/A) no exterior, seria compensável, não corresponde aos fatos reais. 3.2. Elabora demonstrativo à fl. 127, onde consta que sua controlada apresentou dados diversos na Declaração Jurada, equivalente a nossa DIPJ, sendo que o total do imposto devido corresponderia a 14.445.659,53 Pesos argentinos, distribuído por retenções de 1.654.517,57 Pesos, antecipações de 5.184.341,10 Pesos e Saldo a Pagar de 7.606.800,86 Pesos. 3.3. Acrescenta estar apresentado a “Declaração Jurada” da empresa Siat S/A, que confirmaria os dados apresentados. E continua: “De qualquer forma, esclarecemos que a Confab Industrial detém apenas 30% do capital da empresa Siat S/A. Dessa forma, de $ 14.445.659,53, a Confab se apropriaria de $ 4.333.697,88.” 3.4. Traz outro demonstrativo, fl. 128, segundo o qual o total do lucro tributado no exterior, no ano-calendário de 2002, corresponderia a R$ 40.326.152,36, enquanto o lucro líquido seria de R$ 26.211.999,03 e o imposto pago de R$ 14.098.674,93. 3.5. Aduz que até o ano-calendário de 2001, tributava-se o lucro no exterior quando fosse efetivamente distribuído, ou seja, quando representasse entrada de caixa. E, a partir do ano-calendário de 2002, com o advento da Instrução Normativa n.º 213, de 07 de outubro de 2002, o lucro do exterior passou a ser tributado a partir de sua constituição, nos termos do artigo 2º daquele ato normativo. 3.6. Especificamente para o ano-calendário de 2002, afirma que o lucro acumulado até 31/12/2001 e não distribuído, deveria ser totalmente oferecido à tributação em 31/12/2002, enquanto os lucros distribuídos no decorrer daquele ano deveriam ser tributados na efetiva distribuição, conforme determina o artigo 2º, § 7º. 3.7. Nos termos de tais preceitos, teria oferecido à tributação o valor de R$ 1.547.839,94 em maio de 2002 e R$ 38.778.312,42 em dezembro de 2002, num total de R$ 40.326.152,36, gerando um imposto de renda pago no exterior de R$ 14.098.674,93, dos quais registrou como passível de compensação a importância de R$ 13.710.891,80, relativa a 34% do lucro tributado, utilizando-se da importância de R$ 10.139.124,58, para compensação. 3.8. Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte glosado pela autoridade fiscal (R$ 89.450,34) trata-se de imposto retido pela empresa Socotherm do Brasil S/A, anteriormente denominada de Soco-Ril do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001-70, incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, que a empresa não teria comprovado quando intimada. 3.9. Acrescenta que devido a um lapso deixou de apresentar o documento correspondente anteriormente, o que faz agora, acrescentando que os juros sobre capital próprio são do ano-calendário de 2001. Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou-a improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 14 de outubro de 2008 (fl. 322) apresentando recurso voluntário de fls. 323-336, e anexos, em 13 de novembro de 2008. Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese: - que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no ano-calendário de 2002, por força do disposto no art. 74 da MP 2.158-35/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas, de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa vasta documentação referente às declarações de renda transmitidas na Argentina, acompanhada, inclusive, de tradução juramentada; - em relação às estimativas compensadas com créditos de IPI (pedidos de ressarcimento), alega que como foram alvo de compensação, eventual não homologação ensejará a cobrança de tais valores; - no que atine ao IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL, reafirma que apresentou o comprovante de retenção, implicando, necessariamente, no reconhecimento de seu direito à dedução de tais valores. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 679            2 Relatório   CONFAB  INDUSTRIAL  SOCIEDADE  ANÔNIMA  recorre  a  este  Conselho  em  face do  acórdão nº 05­23.129 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Campinas que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  pleiteando  sua  reforma,  com  fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF).   Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão  recorrida, complementando­o ao final:  Trata  o  presente  processo  de  Declarações  de Compensação  de  fls. 01/18, apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, a partir de 12 de  setembro de 2003, por meio da quais a contribuinte pretende o reconhecimento  de direito creditório com origem no saldo negativo do IRPJ do ano­calendário  de 2002, no valor de R$ 2.096.849,00, para a compensação de débitos relativos  a períodos de apuração subseqüentes.  2.  A  autoridade  fiscal  indeferiu  o  pleito  da  contribuinte,  nos  termos do Despacho Decisório de  fls. 119/122, 09 de  janeiro de 2008, que se  transcreve:  “Tratam­se  de  Declarações  de  Compensação  (fls.  01/18)  de  débitos  de  IRPJ,  no  valor  total  de  R$  2.161.715,14, com crédito oriundo de saldo negativo de  IRPJ de  31.12.2002,  no  valor  de R$ 2.096.849,00. As  Dcomp’s  foram  transmitidas  através  do  programa  PERDCOMP e estão relacionadas no quadro a seguir:      Fundamentação e Proposta  Análise do direito creditório: Saldo Negativo de IRPJ  Ano­Calendário de 2002  Conforme indica a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de  Renda  sobre  o  Lucro  Real,  da  DIPJ/2003,  o  saldo  negativo  do  IRPJ  de  31.12.2002,  de R$  2.096.849,00,  foi assim determinado (fls. 20):    Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real  R$   Imposto de Renda sobre o Lucro Real  27.517.322,24  (+) Adicional  18.320.881,49  (­) Operações de Caráter Cultura e Artístico  87.000,00  (­) Programa de Alimentação ao Trabalhador  227.002,83  (­) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital  26.011,41  N.º PerDcomp  Débitos  Data     Compensados  Transmissão  23386.52854.120903.1.7.02­9418  R$ 2.095.175,27  12/09/2003  29309.83140.240903.1.7.02­1886  R$ 66.539,67  24/09/2003  Fl. 680DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 680            3 (­) Imposto de Renda Retido na Fonte  2.070.837,59  (­) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa  45.524.200,90  (=) Imposto de Renda a Pagar  (2.096.849,00)    Em  seguida  devem  ser  auditados  os  valores  componentes do Saldo Negativo.  a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa  O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 –  IR  Mensal  pago  por  Estimativa,  foi  composto,  em  parte, pelo Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. E  Ganhos  de  Capital,  no  valor  de  R$  10.139.124,58,  utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24).   O  interessado,  em  resposta  à  intimação  SEORT  n.º  1.481/2007  (fls. 51), apresentou os documentos de  fls.  57/76,  referentes  ao  imposto  pago  no  exterior  pela  controlada  SIAT  S/A.  Os  pagamentos  efetuados  estão  relacionados na tabela a seguir:    Data do  IR Pago  Taxa de  IR Pago  Pagamento  no Exterior  Câmbio (*)  no Exterior     em Pesos     em Reais  12/05/2003  6.440.001,92 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  6.694.446,40  12/05/2003  559.959,31 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  582.083,30  12/05/2003  606.800,86 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  630.775,56  03/06/2003  0,90 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  0,94  03/06/2003  38,77 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  40,51  Total  7.606.801,76    7.907.346,71    (*) Os valores da taxa de câmbio foram obtidos no sítio  do Banco Central do Brasil, na Internet, conforme telas  de fls. 113/117.   Examinando a  tabela,  verifica­se  que  o  valor  total  do  imposto pago no exterior pela controlada SIAT S/A foi  de  R$  7.907.346,71.  Este  é  o  valor  máximo  que  o  interessado  poderia  compensar  com  o  Imposto  de  Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11,  do artigo 14, da Instrução Normativa SRF n.º 213, de  07 de outubro de 2002, reproduzidos a seguir:  §  9º.  O  valor  do  tributo  pago  no  exterior,  a  ser  compensado,  não  poderá  exceder  o  montante  do  imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre  o  valor  dos  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  incluídos na apuração do lucro real.   § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior,  a  pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor:  Fl. 681DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 681            4 I­  do  imposto  pago  no  exterior,  correspondente  aos  lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e  aos  rendimentos  e  ganhos  de  capital  que  houverem  sido computados na determinação do lucro real;   II­  do  imposto  de  renda  e  adicional  devidos  sobre  o  lucro  real  antes  e  após  a  inclusão  dos  lucros,  rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior.  § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo  pago  no  exterior,  passível  de  compensação,  não  poderá  exceder  o  valor  determinado  segundo  o  disposto  em  seu  inciso  I,  nem  à  diferença  positiva  entre  os  valores  calculados  sobre  o  lucro  real  com  e  sem  a  inclusão  dos  referidos  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital,  referidos  em  seu  inciso  II.  (Grifo  nosso).   Desta  forma,  a  diferença  de  R$  2.257.789,28  (R$  10.139.124,58  –  R$  7.907.346,71)  deve  ser  Deduzida  do valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 –  IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa a ser de  R$ 43.266.411,62.  b) Imposto de Renda Retido na Fonte  O valor  de R$ 2.070.837,59,  declarado na  linha  13  –  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte,  foi  composto,  em  parte,  pelo  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte,  pela  empresa  Socotherm  do  Brasil  S/A,  CNPJ  02.837.836/0001­70,  no  valor  de  R$  273.193,21,  conforme  declarado  na  Ficha  43  –  Demonstrativo  do  Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ 2003 (fls.  25).   O  interessado,  em  resposta  à  intimação  SEORT  n.º  1.481/2007  (fls. 51), apresentou os documentos de  fls.  78/83.  Estes  documentos  comprovam  a  retenção  do  fonte no valor total de R$ 183.742,87.  Desta  forma,  a  diferença  de  R$  89.450,34  (R$  273.193,21  –  R$  183.742,87)  deve  ser  Deduzida  do  valor  de  R$  2.070.837,59,  declarado  na  linha  13  –  Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual passa a ser  de R$ 1.981.387,25.   Com  essas  alterações,  o  Saldo  Negativo  do  IRPJ  de  31.12.2002  foi  recalculado,  resultando  em  Saldo  a  Pagar,  no  valor  de  R$  250.390,62,  conforme  demonstrado no quadro a seguir:    Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real  R$   Imposto de Renda sobre o Lucro Real  27.517.322,24  (+) Adicional  18.320.881,49  (­) Operações de Caráter Cultura e Artístico  87.000,00  (­) Programa de Alimentação ao Trabalhador  227.002,83  Fl. 682DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 682            5 (­) Imposto pago no Exterior s/Lucros, Rend. e Ganhos de Capital  26.011,41  (­) Imposto de Renda Retido na Fonte  1.981.387,25  (­) Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa  43.266.411,62  (=) Imposto de Renda a Pagar  250.390,62    Diante  do  exposto,  proponho,  por  inexistência  o Não Reconhecimento do direito creditório e a  Não  Homologação  das  PERDCOMP’s  n.ºs.  (...).”  3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl.  124, em 23 de janeiro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação  de  inconformidade  em  21  de  fevereiro  de  2008,  fls.  125/130,  com  as  alegações que se seguem.  3.1. Afirma que o entendimento da autoridade fiscal, de que  apenas a importância de R$ 7.907.346,71, relativa ao imposto pago por sua  controlada (SIAT S/A) no exterior, seria compensável, não corresponde aos  fatos reais.   3.2.  Elabora  demonstrativo  à  fl.  127,  onde  consta  que  sua  controlada apresentou dados diversos na Declaração Jurada, equivalente a  nossa  DIPJ,  sendo  que  o  total  do  imposto  devido  corresponderia  a  14.445.659,53 Pesos argentinos, distribuído por retenções de 1.654.517,57  Pesos,  antecipações  de  5.184.341,10  Pesos  e  Saldo  a  Pagar  de  7.606.800,86 Pesos.   3.3.  Acrescenta  estar  apresentado  a  “Declaração  Jurada”  da empresa Siat S/A, que confirmaria os dados apresentados. E continua:  “De  qualquer  forma,  esclarecemos  que  a  Confab  Industrial  detém  apenas  30%  do  capital da empresa Siat S/A. Dessa forma, de $  14.445.659,53,  a  Confab  se  apropriaria  de  $  4.333.697,88.”  3.4. Traz outro demonstrativo, fl. 128, segundo o qual o total  do lucro tributado no exterior, no ano­calendário de 2002, corresponderia  a R$ 40.326.152,36, enquanto o lucro líquido seria de R$ 26.211.999,03 e o  imposto pago de R$ 14.098.674,93.   3.5. Aduz que até o ano­calendário de 2001,  tributava­se o  lucro  no  exterior  quando  fosse  efetivamente  distribuído,  ou  seja,  quando  representasse entrada de caixa. E, a partir do ano­calendário de 2002, com  o  advento  da  Instrução Normativa  n.º  213,  de  07  de  outubro  de  2002,  o  lucro do  exterior passou a  ser  tributado a partir de  sua constituição, nos  termos do artigo 2º daquele ato normativo.   3.6. Especificamente para o ano­calendário de 2002, afirma  que  o  lucro  acumulado  até  31/12/2001  e  não  distribuído,  deveria  ser  totalmente  oferecido  à  tributação  em  31/12/2002,  enquanto  os  lucros  Fl. 683DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 683            6 distribuídos  no  decorrer  daquele  ano  deveriam  ser  tributados  na  efetiva  distribuição, conforme determina o artigo 2º, § 7º.   3.7. Nos termos de tais preceitos, teria oferecido à tributação  o  valor  de  R$  1.547.839,94  em  maio  de  2002  e  R$  38.778.312,42  em  dezembro de 2002, num total de R$ 40.326.152,36, gerando um imposto de  renda  pago  no  exterior  de  R$  14.098.674,93,  dos  quais  registrou  como  passível  de  compensação  a  importância  de  R$  13.710.891,80,  relativa  a  34% do lucro tributado, utilizando­se da importância de R$ 10.139.124,58,  para compensação.   3.8.  Em  relação  ao  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  glosado  pela  autoridade  fiscal  (R$  89.450,34)  trata­se  de  imposto  retido  pela empresa Socotherm do Brasil S/A, anteriormente denominada de Soco­ Ril do Brasil S/A, CNPJ 02.837.836/0001­70, incidente sobre o pagamento  de  juros  sobre  capital  próprio,  que  a  empresa  não  teria  comprovado  quando intimada.   3.9. Acrescenta que devido a um lapso deixou de apresentar  o documento correspondente anteriormente, o que faz agora, acrescentando  que os juros sobre capital próprio são do ano­calendário de 2001.   Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgou­a  improcedente.  O contribuinte  foi  cientificado da decisão  em 14 de outubro de 2008  (fl.  322)  apresentando recurso voluntário de fls. 323­336, e anexos, em 13 de novembro de 2008.  Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese:  ­ que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT  S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no ano­calendário de 2002, por força  do disposto no art. 74 da MP 2.158­35/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas,  de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também  foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido  na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa  vasta  documentação  referente  às  declarações  de  renda  transmitidas  na  Argentina,  acompanhada, inclusive, de tradução juramentada;  ­  em  relação  às  estimativas  compensadas  com  créditos  de  IPI  (pedidos  de  ressarcimento),  alega  que  como  foram  alvo  de  compensação,  eventual  não  homologação  ensejará a cobrança de tais valores;  ­  no  que  atine  ao  IRRF  retido  por SOCOTHERM DO BRASIL,  reafirma que  apresentou  o  comprovante  de  retenção,  implicando,  necessariamente,  no  reconhecimento  de  seu direito à dedução de tais valores.  É o relatório.  Fl. 684DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 684            7   Voto   Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento.  2 MÉRITO  Trata­se  de  pedidos  de  compensação  que  dizem  respeito  a  saldo  negativo  apurado no ano­calendário de 2001 (exercício 2002).  Foram transmitidas duas Dcomps (12/09/2003 e 24/09/2003).  A  unidade  de  origem  não  reconheceu  o  direito  creditório  pleiteado  fundamentando sua decisão em dois pontos:  ­ em relação ao imposto de renda supostamente recolhido por SIAT S.A. (pessoa  jurídica  sediada  na Argentina  de  cujo  capital  a  recorrente  participa  em  30%):  tal  valor  (R$  10.139.124,58)  fora  utilizado  para  quitação  da  estimativa  referente  ao  mês  de  dezembro  de  2002, contudo, o montante efetivamente pago no exterior teria sido de R$ 7.907.346,71. Desse  modo, reduziu o valor de estimativas pagas informado na linha 16 Ficha 12A da DIPJ/2003 de  R$ 10.139.124,58 para R$ 7.907.346,71 (glosa de R$ 2.257.789,28);  ­ no que atine ao imposto de renda retido na fonte pela empresa SOCOTHERM  DO  BRASIL  pelo  pagamento  de  juros  sobre  capital  próprio  à  recorrente,  não  teria  havido  comprovação  de  todo  o  valor  informado  como  retido,  reduzindo­se  de  R$  273.193,21  para  183.742,87  o  valor  do  imposto  retido,  implicando  a  redução  de  R$  89.450,34  no  valor  informado na linha 13 da Ficha 12A da DIPJ/2003, ajustando seu montante de R$ 2.070.834,59  para R$ 1.981.387,25.  A manifestação de inconformidade apresentada atacou basicamente dois pontos,  a saber:  ­ em relação ao imposto recolhido por SIAT S.A.:  a)  o  valor  a  ser  considerado  como  pago  deveria  englobar  também  as  retenções na fonte sofridas na Argentina;  b)  deveria  se  levar  em  conta  não  só  os  valores  de  imposto  de  renda  recolhidos  na  Argentina  ao  ano­calendário  de  2002,  mas  também  os  valores  de  imposto  relativos  aos  anos­calendário  de  1997,  1998,  1999,  2000  e  2001,  uma  vez  que  o  lucro  acumulado  até  31/12/2001,  e  não  distribuído, deveria ser totalmente oferecido à tributação em 31/12/2002,  conforme determinava a IN SRF 213/2002 (art. 74 da MP 2.158­35/01).  Tendo  tal  adição  sido  realizada  (R$  40.326.152,36  –  Ficha  09  A  –  Fl. 685DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 685            8 Demonstração do Lucro Real, na Linha 05 – Lucros Disponibilizados do  Exterior); assim, o imposto recolhido em tais períodos deveria ser levado  em consideração;  ­  em  relação  ao  IRRF  retido  por  SOCOTHERM  DO  BRASIL,  anexou  comprovante da retenção.  A  turma  julgadora  a  quo  considerou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente.  Em relação aos lucros auferidos no exterior, o voto condutor do aresto concluiu  que “os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior devem ser adicionados  ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, pela pessoa jurídica situada no Brasil,  quando de sua disponibilização” e que o “além de oferecer tais lucros, rendimentos, ganhos de  capital  e  receitas  do  exterior  à  tributação,  o  imposto  a  ser  compensado  deve  ter  sido  efetivamente pago pela controlada no exterior, não se admitindo a compensação de  imposto  devido no país de origem, enquanto não efetivado seu pagamento, no  exterior”  ,  concluindo  ainda que:  33. Enfim, o que se observa é que não houve a apresentação  de  quaisquer  documentos  que  comprovem  o  efetivo  pagamento  do  imposto  incidente  sobre  os  lucros,  rendimentos,  ganhos  de  capital  ou  receitas,  auferidos no exterior.  34. Os únicos comprovantes de pagamento apresentados pela  interessada e considerados pela autoridade fiscal, correspondem à parte do  pagamento do imposto apurado por sua controlada no encerramento do ano­ calendário  de  2002,  não  se  tratando  do  imposto  incidente  sobre  os  lucros  acumulados e distribuídos à controladora do Brasil.   35.  Em  conseqüência,  a  interessada  não  pode  se  aproveitar  dos  montantes  envolvidos,  com  o  fim  de  compensar  o  IRPJ  apurado  no  Brasil,  seja para  liquidação de estimativas mensais ou no encerramento do  ano­calendário.   36.  Como  a  contribuinte  utilizou­se  da  importância  de  R$  10.139.124,58 para a liquidação parcial da estimativa do mês de dezembro  de  2002,  tal  montante  deve  ser  deduzido,  integralmente,  do  total  de  R$  45.524.200,90, indicado na Linha 16, da Ficha 12A [Cálculo do IR sobre o  Lucro Real],  da declaração de  rendimentos,  restando a  importância de R$  35.385.076,32.   Além  disso,  entendeu  que  dos  R$  35.385.076,32  de  estimativas  assim  consideradas, R$ 34.845.035,37  teriam sido quitadas com créditos originados em pedidos de  Ressarcimento de IPI, dos quais “R$ 12.291.243,53, relativo aos meses de janeiro, abril, maio,  agosto,  setembro  e  parte  de  novembro,  correspondem  a  processos  administrativos  que  se  encontram  pendentes  de  julgamento  no  Conselho  de  Contribuintes  e  na  Delegacia  de  Julgamento de Ribeirão Preto (SP), [...]”. E com base em tal raciocínio, assim concluiu:  42.  Em  conseqüência,  não  há  liquidez  e  certeza  sobre  a  extinção das estimativas do IRPJ que se pretende  liquidar por meio de  Fl. 686DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 686            9 compensações,  enquanto  tais  processos  não  se  tornarem definitivos  na  esfera administrativa.   43. Portanto, ainda que se considere como comprovada a  retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte glosado pela autoridade  fiscal,  na  importância  de  R$  89.450,34,  em  vista  da  apresentação  do  Comprovante  de  Pagamento  de  Juros  sobre  o  Capital  Próprio,  fls.  206/207, tal valor pouco influencia a evidência dos fatos aqui relatados,  ou seja, a existência de Imposto de Renda a Pagar no encerramento do  ano­calendário  de  2002,  e  não  de  saldo  negativo  passível  de  compensação com débitos subseqüentes.   Irresignada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário aduzindo, em síntese:  ­ que ofereceu à tributação no Brasil a totalidade dos lucros auferidos por SIAT  S/A na Argentina no período de 1997 a 2001, e também no ano­calendário de 2002, por força  do disposto no art. 74 da MP 2.158­35/01. Questiona a constitucionalidade de tal norma. Mas,  de todo modo, pleiteia que se reconheça o imposto de renda pago na Argentina e que também  foi objeto de retenção, compondo o cálculo final do imposto de renda efetivamente adimplido  na Argentina e que deve ser deduzido do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil. Para tanto, anexa  vasta  documentação  referente  às  declarações  de  renda  transmitidas  na  Argentina  e  dos  comprovantes de pagamentos (fls. 348/498), acompanhada, inclusive, de tradução juramentada  de suas demonstrações financeiras relativas aos anos­calendário de 1997 a 2002 (fls. 499­670);  ­  em  relação  às  estimativas  compensadas  com  créditos  de  IPI  (pedidos  de  ressarcimento),  alega  que  como  foram  alvo  de  compensação,  eventual  não  homologação  ensejará a cobrança de tais valores;  ­  no  que  atine  ao  IRRF  retido  por SOCOTHERM DO BRASIL,  reafirma que  apresentou  o  comprovante  de  retenção,  implicando,  necessariamente,  no  reconhecimento  de  seu direito à dedução de tais valores.  Entendo assistir razão à recorrente.  No que tange ao  IRRF retido por SOCOTHERM DO BRASIL por ocasião do  pagamento  de  juros  sobre  capital  próprio  à  recorrente,  tendo  em  vista  o  comprovante  de  retenção apresentado já em sede de manifestação de inconformidade, e considerando­se que os  rendimentos foram oferecidos à tributação, não há como não se reconhecer o direito de crédito  correspondente.  No  que  atine  a  argumentação  da  DRJ  a  respeito  dos  valores  de  estimativa  compensados com créditos de IPI (ressarcimento), trata­se de matéria absolutamente inovadora  e sequer abordada pela unidade de origem.  Embora  aqui  não  se  trate  de  lançamento,  mas  sim  de  um  pedido  para  reconhecimento  de  indébito,  entendo  que  os  órgãos  julgadores  não  possam  se  afastar  das  matérias abordadas pela unidade de origem. É certo que, por vezes, em razão dos elementos de  defesa trazidos aos autos, se faz necessária uma análise que possa se distanciar, ou ao menos  aprofundar,  os  argumentos  entabulados  pela  unidade  de  origem.  Mas  para  se  abrir  tal  possibilidade, o julgador deve tão somente contra­argumentar em relação os elementos trazidos  pela própria interessada em suas peças  recursais. Jamais abrir nova frente de averiguação, de  Fl. 687DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 687            10 modo  a  realizar  glosa  em  parcela  de  crédito  sequer  abordada  pelo  despacho  decisório  inaugural.  A própria Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 33/2013  (disponível  em:  <  http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=297 85>),  se  posicionou  sobre  tais  limites  de  atuação  dos  órgãos  julgadores.  Por  oportuno,  peço  vênia aos meus pares para transcrever excerto dos fundamentos de tal ato:  12. Em um breve resumo,  tem­se que o  lançamento,  seja  efetuado  por  meio  de  notificação  de  lançamento  ou  auto  de  infração,  deve conter os elementos necessários para a apresentação da defesa por  parte do sujeito passivo. É diante desses elementos que o interessado vai  apresentar, por meio da impugnação, os motivos de fato e de direito em  que se fundamenta para se contrapor ao lançamento, as diligências que  pretende que sejam efetuadas, os pontos de discordância e as  razões e  provas que possui. Assim, podemos afirmar que o lançamento delimita a  matéria em relação à qual o sujeito passivo tem o direito de se defender  e,  por  essa  razão,  deve  indicar  precisamente  a  disposição  legal  infringida.   12.1.  Tem­se,  ainda,  que  a  impugnação  instaura  a  fase  litigiosa  do  processo  e  que  o  julgamento  do  processo  em  primeira  instância  compete  às  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento.   12.2. O  julgador, ao analisar a  impugnação e as provas  apresentadas,  formará  livremente  sua  convicção  e  poderá  determinar  diligências  em  caso  de  dúvida  quanto  a  veracidade  dos  fatos,  em  respeito ao princípio da verdade material.   12.3. A  autoridade  julgadora  deverá  proferir  decisão  na  qual  deve  indicar  os  fundamentos  legais  infringidos,  em  respeito  ao  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  devendo  referir­se  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante.  São  nulas  as  decisões  proferidos com preterição do direito de defesa.   12.4.  Assinale­se  que  quando  forem  verificadas  incorreções,  omissões  ou  inexatidões  de  que  resultem  agravamento  da  exigência  inicial,  inovação  ou  alteração  da  fundamentação  legal  da  exigência, deverá ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de  lançamento  complementar,  devolvendo­se,  ao  sujeito  passivo,  prazo  para impugnação no concernente à matéria modificada.   12.5.  Por  seu  turno,  cumpre  recordar  que  as  despesas  qualificadas  como  médicas,  para  serem  dedutíveis  na  Declaração  de  Ajuste Anual (DAA), devem estar devidamente comprovadas, de acordo  com o  estabelecido  no  caput do  art.  73  do Decreto  nº  3.000,  de  1999  RIR/1999, e na alínea “a” do inciso II do art. 8º e incisos do § 2º da Lei  nº 9.250, de 1995.   Fl. 688DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 688            11 13. Após esse breve estudo, verifica­se que a solução para  as  questões  apresentadas  deve  levar  em  conta  o  que  embasou  o  lançamento,  pois  indicará  a  motivação  da  glosa  da  despesa  médica  pleiteada,  e,  também,  as  razões  e  provas  que  constam  da  impugnação  apresentada pelo interessado.   14. Em resposta ao primeiro questionamento apresentado  pela consulente, pode­se afirmar que não estará a autoridade julgadora  inovando ao manter a glosa  fundamentada na  falta ou  insuficiência de  elementos  adicionais  de  prova  por  ela  solicitados,  após  a  análise  das  provas  trazidas  pelo  interessado  em  sua  impugnação,  quando  o  lançamento teve como motivação justamente a falta ou insuficiência de  documentação comprobatória da despesa médica. A motivação continua  a mesma, qual seja a não comprovação da dedução pleiteada.   15.  Em  relação  ao  segundo  questionamento,  a  resposta  dependerá  de  que  elementos  adicionais  foram  solicitados  pela  autoridade julgadora, se esses têm ou não relação com a motivação do  lançamento ou com as razões e provas trazidas pelo interessado em sua  impugnação.  Recorde­se  que  compete  à  autoridade  julgadora  o  julgamento  do  processo  de  exigência  do  crédito  tributário  e,  para  tal,  deve  formar  sua  convicção  sem,  entretanto,  desempenhar  a  função  de  autoridade lançadora.   15.1.  Assim,  se  o  documento  apresentado  à  autoridade  lançadora  foi  considerado  não  hábil  por  carência  de  requisito  formal  exigido  na  legislação  e  o  interessado,  ao  impugnar,  apresenta  documentos  que  visem  a  corrigir  a  falta  apontada,  a  manutenção  da  glosa pela autoridade julgadora, fundamentada na falta ou insuficiência  de  elementos  adicionais  por  ela  solicitados  estranhos  ao  referido  requisito  formal,  caracteriza  inovação  da motivação  do  lançamento  e,  consequentemente,  agravamento  da  exigência  inicial.  Na  situação  apontada, o contribuinte não procurou comprovar a despesa médica por  outros  meios.  Ele  simplesmente  apresentou  documento  com  vistas  a  sanar a falta do requisito formal.   15.1.1.  A  inovação,  entretanto,  não  ocorrerá  se  a  manutenção  da  glosa  pela  autoridade  julgadora  for  fundamentada  na  falta  ou  insuficiência  de  elementos  adicionais  por  ela  solicitados  relacionados  ao  requisito  formal  que  não  ficou  devidamente  comprovado pelo contribuinte em sua impugnação.   15.2.  Situação  diferente  ocorrerá  se  o  interessado,  ao  impugnar,  apresentar  documentos  que  visem  não  a  corrigir  a  falta  do  requisito formal apontada pela autoridade lançadora mas a comprovar  a realização da despesa médica. Nessa situação, a manutenção da glosa  pela  autoridade  julgadora  fundamentada  na  falta  ou  insuficiência  de  elementos adicionais por ela solicitados relacionados à comprovação da  Fl. 689DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 689            12 dedução  não  caracteriza  inovação  pois  é  direito  do  contribuinte  apresentar as provas que possui em sua defesa e compete a autoridade  julgadora  analisá­las,  formando  livremente  sua  convicção.  Recorde­se  que  o  princípio  da  verdade material  rege  o  PAF  e  que,  nesse  caso,  o  próprio interessado apresentou elementos adicionais de prova.   16.  Assim,  a  título  de  exemplo,  se  o  documento  apresentado à autoridade lançadora foi considerado não hábil por não  conter o número do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) do  emitente  e  o  interessado  apresentar  à  autoridade  julgadora  novo  documento  que  contenha  todos  os  requisitos  legais,  inclusive  o  CNPJ,  não  caberá  a  autoridade  julgadora  solicitar  elementos  adicionais  estranhos  ao  delimitado  no  lançamento.  Mas  se  o  contribuinte  apresentar declaração do prestador do serviço como meio de prova da  dedução  pleiteada,  poderá  a  autoridade  julgadora  solicitar  elementos  adicionais de convencimento.   17. Ressalte­se que, a despeito de a glosa pela autoridade  lançadora ter sido porque o documento apresentado foi considerado não  hábil  por  carência  de  requisito  formal  exigido  na  legislação,  não  há  impedimento para que a autoridade julgadora cancele a glosa com base  em prova outra que  comprove a  efetiva prestação do  serviço médico  e  seu respectivo pagamento.  Entendo  que  a  decisão  de  primeira  instância,  em  total  descompasso  com  a  matéria  até  então  litigiosa,  inaugurou  nova  discussão  a  respeito  do  indeferimento  do  direito  creditório pleiteado.  Veja­se  a  conclusão  da  unidade  de  origem  quanto  às  estimativas  informadas  como pagas em DIPJ:  a) Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa  O valor de R$ 45.524.200,90, declarado na linha 16 – IR Mensal pago  por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto pago no Exterior  s/Lucros, Rend. E Ganhos  de Capital,  no  valor  de R$ 10.139.124,58,  utilizado na estimativa do mês de Dezembro (fls. 24).   O interessado, em resposta à intimação SEORT n.º 1.481/2007 (fls. 51),  apresentou os documentos de fls. 57/76, referentes ao imposto pago no  exterior  pela  controlada  SIAT  S/A.  Os  pagamentos  efetuados  estão  relacionados na tabela a seguir:  Data do  IR Pago  Taxa de  IR Pago  Pagamento  no Exterior  Câmbio (*)  no Exterior     em Pesos     em Reais  12/05/2003  6.440.001,92 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  6.694.446,40  12/05/2003  559.959,31 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  582.083,30  12/05/2003  606.800,86 1,03951 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  630.775,56  03/06/2003  0,90 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  0,94  03/06/2003  38,77 1,04494 Real/Brasil = 1 Peso/Argentina  40,51  Total  7.606.801,76    7.907.346,71  Fl. 690DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 690            13 (*)  Os  valores  da  taxa  de  câmbio  foram  obtidos  no  sítio  do  Banco  Central do Brasil, na Internet, conforme telas de fls. 113/117.   Examinando a tabela, verifica­se que o valor total do imposto pago no  exterior  pela  controlada  SIAT  S/A  foi  de  R$  7.907.346,71.  Este  é  o  valor máximo que o interessado poderia compensar com o Imposto de  Renda devido no Brasil, nos termos dos §§ 9º, 10 e 11, do artigo 14, da  Instrução  Normativa  SRF  n.º  213,  de  07  de  outubro  de  2002,  reproduzidos a seguir:  [...]  Desta forma, a diferença de R$ 2.257.789,28 (R$ 10.139.124,58 – R$  7.907.346,71)  deve  ser  Deduzida  do  valor  de  R$  45.524.200,90,  declarado na linha 16 – IR Mensal pago por Estimativa, ao qual passa  a ser de R$ 43.266.411,62.  Já o voto condutor do aresto recorrido, assim concluiu sobre o tema:  38. Além disso, verifica­se que o valor de R$ 35.385.076,32 seria  parcialmente liquidado por meio da utilização de Imposto de Renda Retido na  Fonte (R$ 448.208,79), restando ainda um valor de R$ 34.936. 867,53 de IRPJ  a Pagar:  [...]  39.  Por  sua  vez,  consulta  às  DCTF  apresentadas,  permite  a  seguinte consolidação:  [...]  40. Do demonstrativo acima, a partir dos débitos declarados em  DCTF,  verifica­se  que  a  contribuinte  utilizou­se,  para  a  liquidação  das  estimativas  apuradas  durante  o  ano­calendário  de  2002,  de  compensações  na  importância  de  R$  34.936.757,57,  sendo  que  a  maior  parte  deste  valor  (R$  34.845.035,37)  corresponde  a  créditos  com  origem  em Ressarcimento  do  IPI,  além  de  R$  91.722,16  utilizados  para  a  liquidação  parcial  da  estimativa  de  agosto, com origem em saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2001.   41.  Verifica­se  também  que  um montante  de  R$  12.291.243,53,  relativo  aos  meses  de  janeiro,  abril,  maio,  agosto,  setembro  e  parte  de  novembro,  correspondem  a  processos  administrativos  que  se  encontram  pendentes  de  julgamento  no  Conselho  de  Contribuintes  e  na  Delegacia  de  Julgamento  de  Ribeirão  Preto  (SP),  conforme  demonstra  consulta  de  fls.  233/271.  42. Em conseqüência, não há liquidez e certeza sobre a extinção  das  estimativas  do  IRPJ que  se  pretende  liquidar  por meio  de  compensações,  enquanto tais processos não se tornarem definitivos na esfera administrativa.   Vê­se, assim, que enquanto a unidade origem concluiu que o total de estimativas  pagas  era  de  R$  43.266.411,62,  a  turma  julgadora  de  origem  concluiu  não  haver  certeza  e  liquidez também em boa parte das estimativas não glosadas pela unidade de origem.  Fl. 691DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 691            14   Logo,  por  se  tratar  de  matéria  estranha  ao  despacho  decisório  da  unidade  de  origem, entendo que os argumentos atinentes às compensações de estimativas realizadas com  créditos de IPI (pedidos de ressarcimento) não podem ser óbice para reconhecimento do direito  creditório pleiteado pela recorrente.  Em relação ao imposto de renda recolhido por SIAT S/A na Argentina, e que a  recorrente  entende  possuir  o  direito  a  compensar  com  o  IRPJ  devido  no  Brasil,  do  mesmo  modo, concluo assistir­lhe razão.  O oferecimento à tributação, no ano de 2002, no Brasil, dos lucros auferidos em  sua  coligada  na Argentina  no  período  de 1997  a  2001 decorria  de  expresso  dispositivo  com  força  de  lei  (art.  74  da  MP  2.158­35/01).  Portanto,  ao  contrário  do  que  afirma  a  decisão  recorrida, não há que se falar em necessidade da disponibilização dos lucros.  Tal  equívoco  de  interpretação  contido  na  decisão  recorrida  levou  a  turma  julgadora a discordar até mesmo da unidade de origem, uma vez que essa havia reconhecido  como  efetivamente  pago  no  exterior  o  montante  de  R$  7.907.346,71,  enquanto  no  voto  condutor do aresto guerreado concluiu­se que a recorrente não fazia jus a compensar qualquer  valor referente ao imposto pago na Argentina. Veja­se:  36.  Como  a  contribuinte  utilizou­se  da  importância  de  R$  10.139.124,58 para a liquidação parcial da estimativa do mês de dezembro de  2002,  tal  montante  deve  ser  deduzido,  integralmente,  do  total  de  R$  45.524.200,90,  indicado  na  Linha  16,  da  Ficha  12A  [Cálculo  do  IR  sobre  o  Lucro  Real],  da  declaração  de  rendimentos,  restando  a  importância  de  R$  35.385.076,32.   37. Cabe  esclarecer  que  tal  fato,  que  resulta  na  diminuição  do  montante  antecipado  por  meio  de  estimativas,  a  ser  deduzido  na  apuração  efetuada  no  encerramento  anual  do  ano­calendário  de  2002,  mostra­se  suficiente  para  o  indeferimento  integral  do  pleito  de  compensação  formulado  pela  empresa,  pois  tal  redução,  por  si  só,  implicaria  a  apuração  de  IRPJ  a  pagar no encerramento anual (R$ 8.042.275,58) e não de saldo negativo.   Feito  esse  pequeno  esclarecimento  quanto  à  peculiaridade  da  interpretação  da  decisão recorrida, retorna­se ao mérito da questão.  Em  primeiro  lugar,  cumpre­se  destacar  que  o  despacho  da  unidade  de  origem  passou  ao  largo  de  toda  essa  discussão  ao  considerar  como  imposto  recolhido  o  total  do  imposto de renda devido por SIAT S/A, sem levar em consideração que a recorrente possuía  somente 30% de participação naquela empresa, fazendo jus, por consequência, somente a esse  mesmo  percentual  dos  recolhimentos  lá  realizados.  Ou  seja,  a  própria  unidade  de  origem  sequer  percebeu  a  questão  do  oferecimento  à  tributação  de  valores  atinentes  a  períodos  anteriores, bem como da utilização dos respectivos saldos de impostos recolhidos naquele país  nesse mesmo interregno.   Não há dúvidas de que a recorrente efetuou a adição de tais resultados na base  de cálculo do IRPJ (item 29 do voto da decisão de primeira instância). Fazia­se necessário, tão  somente, a comprovação do valor efetivamente recolhido na Argentina.  Fl. 692DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.901277/2006­43  Resolução nº  1402­000.340  S1­C4T2  Fl. 692            15 Nesse  ponto,  a meu  ver,  não  há  como  se  desconsiderar  os  valores  retidos  na  fonte,  na  Argentina,  como  imposto  efetivamente  pago.  Trata­se  exatamente  do  mesmo  procedimento adotado no Brasil para fins de determinação do imposto a pagar, obtido a partir  da  determinação  do  imposto  devido  deduzido  dos  recolhimentos  efetuados  e  das  retenções  devidamente comprovadas.   E  a  vasta  documentação  acostada  aos  autos,  em  especial  as  declarações  de  renda transmitidas na Argentina onde constam os valores de imposto de renda retido na fonte,  bem como dos recolhimentos efetuados ­ ambos a deduzir o saldo de imposto devido ­ a meu  ver, apontam para uma confirmação dos valores pleiteados pela recorrente.  Contudo, a própria recorrente requer em sua peça recursal que o julgamento seja  convertido  em diligência para que  se possa confirmar os valores  recolhidos por SIAT S/A  e  retidos em seu nome durante o período compreendido entre o ano de 1997 e o ano de 2002.   A  fim  de  se  evitar  maiores  contratempos,  salienta­se  que,  para  fins  de  compensação do imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos  de capital computados no lucro real, o documento relativo a esse tributo deverá ser reconhecido  pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que  for  devido  o  imposto.  Contudo,  a  pessoa  jurídica  fica  dispensada  dessa  obrigação  quando  comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a  incidência do Imposto de Renda que houver sido pago por meio do documento de arrecadação  apresentado.  No  caso  de  documentos  expedidos  na  Argentina,  aplica­se,  no  que  couber,  o  disposto no Acordo, por troca de notas, sobre Simplificação de Legalizações em Documentos  Públicos,  de  16.10.2003,  publicado  no  Diário  Oficial  da  União  em  23.04.2004,  conforme  esclarecido na Solução de Consulta no 54/2011, da 10ª Região Fiscal.    3 CONCLUSÃO  Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de  que  a  unidade  de  origem  analise  os  documentos  acostados  aos  autos  em  sede  de  recurso  voluntário  (em  contraposição  aos  argumentos  da  DRJ),  e,  sendo  necessário,  intime  o  contribuinte  a  demonstrar,  de  forma  pormenorizada,  a  composição  do  valor  de  imposto  supostamente  recolhido  na Argentina  por SIAT S/A  (incluindo  as  retenções)  e  deduzido  em  DIPJ, apresentando, se necessário, os documentos complementares pertinentes.  A  autoridade  fiscal  deverá  analisar  os  dados  fornecidos  pelo  contribuinte,  elaborando, ao  final,  relatório conclusivo sobre  correição das  informações prestadas pela ora  recorrente.  Poderá  ainda  a  autoridade  fiscal  apresentar  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  à  melhor  análise  de  tais  fatos.  Ao  final,  a  recorrente  deverá  ser  cientificada  do  resultado da diligência, abrindo­se prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste­se sobre seu  conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011).  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO ­ Relator  Fl. 693DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 10930.907087/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/02/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/02/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo  para apreciação do mérito.       (assinado digitalmente)  Joel Miyazaki ­ Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.        (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc  (art. 17,  inciso  III,  do  Anexo II do RICARF/2015).    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  Relatório  Preliminarmente, ressalta­se que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo  II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF/2015, fui  designado  como  redator  ad  hoc  (fl.  91),  para  formalização  do  respectivo  Acórdão,  considerando o  resultado  do  julgado,  conforme  o  constante  da ATA da  respectiva  sessão  de  julgamento.    A  Recorrente  MOINHO  GLOBO  ALIMENTOS  S/A.,  interpôs  o  presente  Recurso Voluntário  contra  o Acórdão  nº  06­41.487,  proferido  em  primeira  instância  pela  3ª  Turma da DRJ  em Curitiba/PR,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito  creditório.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  apresentada  em  face do  indeferimento  de  pedido  de  restituição  (PER),  de  nº  20853.45248.300605.1.2.04­0868,  nos  termos  do  despacho  decisório  emitido  em  02/12/2011  (rastreamento  nº  013472352).  No aludido PER,  transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a  contribuinte  indicou  um  crédito  de  R$  852,80,  referente  ao  pagamento efetuado em 15/02/2001, de Cofins, código de receita  2172, no valor total de R$ 60.072,41.  Segundo  o  despacho  decisório  recorrido,  a  restituição  foi  indeferida  porque  o  Darf  indicado  como  crédito  estava  totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907087/2011­61  Acórdão n.º 3802­004.164  S3­TE02  Fl. 93          3 período  de  apuração  de  31/01/2001,  de  acordo  com  a  informação da DCTF transmitida pela Interessada.  Cientificada  em  22/12/2011,  a  Contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  em  19/01/2012.  Alega  que  recolheu  valores  indevidos  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins  que  incidiram  sobre  outras  parcelas  que  não  se  compreendem  no  conceito  de  faturamento,  relativamente  às  competências  de  07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004.  Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou  em DCTF os valores devidos a  título de PIS/Pasep e de Cofins  levando em conta a  legislação vigente à época, que alargava a  suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como  integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF  considerou  inconstitucional  tal  ampliação  da  base  de  cálculo.  Anexa jurisprudência do STF e do CARF.  Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época  da  vigência  plena  do  §1o  do  art.  3o  da  Lei  n°  9.718/98,  hoje  declarada  inconstitucional,  hão  de  ser  revistas  de  modo  a  se  adequarem  a  tal  entendimento,  em  prol  da  realidade  material  que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade  pelo E. STF”.  Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais  “correspondem  exatamente  às  receitas  não  operacionais,  não  integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração  de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”.  Argumenta  que  para  o  deferimento  do  pedido  de  restituição  basta  que  a  autoridade  julgadora  exclua  das  DCTF  apresentadas as receitas não operacionais (financeiras),  tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as  declarações prestadas.  Pede o provimento integral do presente recurso..  É o relatório.   Indeferida a Manifestação de  Inconformidade apresentada, o órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da  Ementa que segue:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do Fato Gerador: 15/02/2001  RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.  Correto  o  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  por  inexistência de direito creditório,  tendo em vista que o pagamento alegado  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     4 como  origem  do  crédito  estava  integral  e  validamente  alocado  para  a  quitação de débito confessado.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  CARÁTER  INTER  PARTES.  É  perfeitamente  aplicável  a  disposição  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez  que o  julgamento do STF pela  inconstitucionalidade da ampliação da base  de  cálculo  contida  naquele  dispositivo  não  tem  efeito  erga  omnes,  só  atingindo as partes envolvidas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba –  DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos  apresentados  em  sua manifestação  de  inconformidade,  anexa  trechos  de  seus  livros Diário  e  Razão  nos  quais  constam  as  rubricas  de  receitas  financeiras,  requer  a  homologação  da  compensação  declarada  por  evidente  a  origem  do  crédito  e,  por  conseguinte,  o  direito  à  compensação do mesmo.  É o relatório.  Voto             Conselheiro  Waldir  Navarro  Bezerra,  redator  ad  hoc  designado  para  formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi,  não  mais  compõe  este  colegiado  e  que  a  respectiva  Turma  Especial  foi  extinta,  retratando  hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF,  aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015.  Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros  processos nessa situação tratamento diverso.  Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Conforme  exposto  nas  linhas  acima,  a  Declaração  de  Compensação  da  Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras,  especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da  Cofins  promovida  pela  Lei  nº  9.718/98,  tendo  em  vista  a  ausência  de  mandamento  constitucional  (ou,  doutra  maneira,  a  edição  de  Lei  Complementar  que  estabelecesse  novas  fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência  sobre  receitas  financeiras  e  outras  receitas  operacionais,  não  inseridas  no  conceito  de  faturamento.  Como  bem  observado  pela  decisão  recorrida,  o  Tribunal  Pleno  da  Egrégia  Corte  examinou  os  Recursos  Extraordinários  nºs  346.084/PR,  358.273/RS,  357.950/RS  e  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907087/2011­61  Acórdão n.º 3802­004.164  S3­TE02  Fl. 94          5 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art.  3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida:  "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º,  §  1º, DA LEI  Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL  Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não  contempla a figura da constitucionalidade superveniente.  TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO.  A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio da realidade, considerados os elementos tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PIS  RECEITA  BRUTA  NOÇÃO  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo  195  da  Carta  Federal  anterior  à  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas,  jungindo­as  à  venda  de  mercadorias,  de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços. É  inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  (Supremo  Tribunal  Federal,  Tribunal  Pleno,  RE  346.084/PR,  Relator  Ministro  Ilmar  Galvão,  Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)."  Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes  à  luz  da  legislação  de  regência  das  decisões  exaradas  pelo  STF,  o  art.  62,  parágrafo  único,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  autoriza  este  Colegiado  a  afastar  a  aplicação  de  tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por  decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”.  Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame.  Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este  órgão julgador, deve­se reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante  indevidamente  recolhido  a  título  de  Cofins  em  virtude  da  aplicação  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  declarado  inconstitucional  pelo  STF,  em  consonância  com  o  repertório  jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002  DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     6 Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito  de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou  em valor maior que o devido, extingue­se com o decurso do prazo de cinco  anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento  antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação.  Observância ao princípio da segurança jurídica.  INCONSTITUCIONALIDADE.  DECISÃO  DEFINITIVA  DO  STF.  APLICAÇÃO  Tendo  o  plenário  do  STF  declarado,  de  forma  definitiva,  a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  deve  o CARF  aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias  pagas com fulcro no referido dispositivo legal.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE  IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE.  Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considera­se  não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso  após 29/09/2003.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (CARF,  3ª  Seção,  3ª  Câmara,  2ª  Turma  Ordinária,  RV  501572,  Acórdão  3302­001.245,  Relator  Conselheiro  Walber  José  da  Silva,  Julgamento  06/10/2011)"  Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente.  No entanto, ultrapassada a questão de direito, torna­se fundamental apreciar a  matéria de prova.  No  caso  em  tela,  a  análise  da  prova  restou  prejudicada,  pois  a  DRJ  não  aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente.  Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação,  o  contribuinte  apresentou  excertos  de  seus  livros  Diário  e  Razão  para  buscar  comprovar  o  direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva.  Tais documentos podem excepcionalmente ser  juntados aos autos, diante da  previsão  do  art.  16,  §  4o,  c,  do  RPAF,  que  permite  a  apresentação  de  documentos  posteriormente  à  peça  defensiva  inaugural  para  contrapor  razões  trazidas  em  momento  processual seguinte, pelo que se vê abaixo:  "§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual, a menos que:  a)  fique demonstrada a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por  motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos."  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907087/2011­61  Acórdão n.º 3802­004.164  S3­TE02  Fl. 95          7 Todavia,  a  análise  da  documentação  acostada  aos  autos  pode  levar  à  supressão de instância.   Assim,  e  considerando  que  a  supressão  de  instância  somente  pode  ser  realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72,  entendo que devem os autos  retornar para  julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de  modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação.  Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802­ 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn:  "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  DECLARADA  PELO  STF.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62­A  DO  REGIMENTO  INTERNO  DO  CARF.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.  O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF  no  julgamento  do  RE  nº  346.084/PR  e  no  RE  nº  585.235/RG,  este  último  decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543­B).  Assim,  deve  ser  aplicado o  disposto  no  art.  62­A do Regimento  Interno  do  Carf,  o  que  implica  a  obrigatoriedade  do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DECORRENTE  DA  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE  IMPEDIU  O  CONHECIMENTO  DO  MÉRITO.  AFASTAMENTO.  RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.  A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a  declaração de  inconstitucionalidade do art.  3º,  § 1º,  da Lei nº 9.718/1998,  não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o  valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da  questão,  inclusive  a  efetiva  inclusão  das  receitas  financeiras  na  base  de  cálculo  da  contribuição  no  período  alegado  pelo  interessado. Destarte,  os  autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de  supressão de instância.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Aguardando Nova Decisão."  No mesmo  sentido,  aplicáveis  à  espécie  os  soma­se os  nºs Acórdãos  3802­ 001.959 e 3802­001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi.  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     8 Conclusão  Diante  de  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  dar­lhe  provimento  parcial,  determinando­se  o  retorno  dos  autos  à  instância  a  quo,  para  fins  de  apreciação do mérito.  Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II  do RICARF/2015, subscrevo o presente.     (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc.                                Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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Numero do processo: 11080.724352/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter a exigência não configura alteração do fundamento do lançamento. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. APROPRIAÇÃO DE DESPESA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Tratando-se de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a regime de competência não pode ser dissociada do momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência. Uma vez deliberado o pagamento de juros sobre o capital próprio, do ponto de vista estritamente tributário, o que releva verificar é se, no momento em que a despesa foi incorrida, foram atendidos os requisitos legais objetivos autorizadores da sua dedutibilidade.
Numero da decisão: 1301-001.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Redator. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter a exigência não configura alteração do fundamento do lançamento. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. APROPRIAÇÃO DE DESPESA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Tratando-se de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a regime de competência não pode ser dissociada do momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência. Uma vez deliberado o pagamento de juros sobre o capital próprio, do ponto de vista estritamente tributário, o que releva verificar é se, no momento em que a despesa foi incorrida, foram atendidos os requisitos legais objetivos autorizadores da sua dedutibilidade.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2193; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 1.980          1 1.979  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.724352/2014­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.891  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de janeiro de 2016  Matéria  IRPJ/JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO/GLOSA  Recorrente  LOJAS RENNER S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2010  INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.  Se  a  decisão  analisou  e  rejeitou  motivadamente  os  argumentos  de  defesa  dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões  para  manter  a  exigência  não  configura  alteração  do  fundamento  do  lançamento.  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO.  APROPRIAÇÃO  DE  DESPESA.  REGIME DE COMPETÊNCIA.  Tratando­se de despesa com juros sobre capital próprio, a alusão a regime de  competência  não  pode  ser  dissociada  do  momento  em  que  o  dispêndio  é  incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga, nem incorrida,  descabe  falar  em  inobservância  de  regime  de  competência.  Uma  vez  deliberado  o  pagamento  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  do  ponto  de vista  estritamente  tributário,  o  que  releva  verificar  é  se,  no  momento  em  que  a  despesa  foi  incorrida,  foram  atendidos  os  requisitos  legais  objetivos  autorizadores da sua dedutibilidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, dar provimento  ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Luiz  Tadeu Matosinho Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor  o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.  (assinado digitalmente)  Wilson Fernandes Guimarães      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 43 52 /2 01 4- 31 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.981          2 Presidente e Redator.   (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Wilson  Fernandes  Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e  Hélio Eduardo de Paiva Araújo.  Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.982          3   Relatório  Por  meio  dos  autos  de  infração  são  exigidas  da  contribuinte  acima  identificada as importâncias relacionadas a IRPJ (R$ 5.733.419,85) e CSLL (R$ 2.064.031,14),  referente ao ano­calendário de 2010, apuradas em conformidade com o regime de apuração do  lucro real, acrescidas de multa de ofício de 75% e de juros de mora.  A exigência tem como fundamento a falta de adição na apuração do lucro real  do excesso de juros sobre o capital próprio.  1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL  Conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls.  666/710,  a  autoridade  fiscal  assim se manifestou:  [...]  5.1 Durante  o  procedimento  fiscal  a  fiscalização  apurou  que  a  fiscalizada  LOJAS RENNER S.A na competência 12/2010 efetuou o pagamento de Juros sobre Capital  Próprio calendários 1998 a 2009, o qual não pode ser considerado despesa dedutível da CSSL  e IRPJ, conforme será relatado.  5.2. A presente  constituição  de  crédito  tributário  trata  de  dedução  indevida  nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL de Juros sobre Capital Próprio.  6. DA DEMONSTRAÇÃO DA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA  6.1. O fisco traz provas que demonstram que a autuada acumulou, de forma  extracontábil, JSCP (Juros sobre Capital Próprio) calculados entre os anos de 1998 a 2009.  Em 2010, tais acumulações foram usufruídas para pagamento de R$ 22.933.679,27) de JSCP,  contrariando de forma absoluta o princípio da competência, que veda o pagamento de JSCP  oriundo de exercícios distintos daqueles nos quais tais juros estão sendo pagos.  [...]  2. DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada, a autuada apresentou a impugnação alegando, em síntese:  •  Que  a  controvérsia  que  deu  azo  ao  lançamento  ora  impugnado  está  no  pagamento, como despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no ano de 2010, de  JCP relativos aos exercícios de 1998 a 2009.  •  Que  a  premissa  norteadora  da  dedutibilidade  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  foi  equiparar  o  tratamento  tributário  ao  dispensado  à  remuneração  de  capital  de  terceiros. Assim, se não há restrição em relação às despesas financeiras relativas aos encargos  de  juros  de  um  empréstimo  que,  por  qualquer  razão,  não  tenham  sido  apropriadas  em  Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.983          4 exercícios anteriores, da mesma forma não haveria sentido se imputar tal restrição ao instituto  o JCP.  • Que a norma estabelece como requisito para pagamento e dedutibilidade:  1. Existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros  acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros  a serem pagos ou creditados;  2.  Pagamento  ou  crédito  dos  JCP  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas, calculados sobre as contas de patrimônio líquido;  3. Limitação dos valores à variação, pro rata dia, da TJLP.  •  Que,  no  caso  em  exame,  todos  os  três  requisitos  foram  integralmente  preenchidos e que inexiste qualquer referência em contrário no relatório fiscal.  •  Que  o  fundamento  do  ato  administrativo,  em  síntese,  é  a  alegada  impossibilidade de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de valores relativos aos JCP  apurados  entre  1998  e  2009  e  pagos  no  ano  de  2010,  por  suposta  violação  ao  princípio  da  competência.  •  Que  só  se  pode  cogitar  da  existência  da  despesa  relativa  aos  JCP  no  momento em que o pagamento desses se torna obrigatório para a pessoa jurídica.  A  DRJ/FLORIANÓPOLIS  (SC)  decidiu  a  matéria  consubstanciada  no  Acórdão  07­36.078,  de  27  de  novembro  de  2014,  julgando  improcedente  a  impugnação  e  mantido o auto de infração, tendo sido lavra a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2010  GLOSA  DE  DESPESAS  FINANCEIRAS.  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO.  FACULDADE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA  OBSERVÂNCIA  OBRIGATÓRIA.  NÃO  EXERCÍCIO.  RENÚNCIA  AO  DIREITO À DEDUTIBILIDADE. DEDUÇÃO EM ANOS POSTERIORES.  VEDAÇÃO.  O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio ­ JSCP à acionista ou  sócio é faculdade concedida pela Lei, para ser exercida no ano calendário de  apuração  do  lucro  real,  estando  a  dedutibilidade  das  despesas  financeiras  correspondentes  limitada  aos  juros  (TJLP)  sobre  o  patrimônio  líquido  incidentes  durante  o  ano  da  referida  apuração,  por  força  do  princípio  da  autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz,  no  plano  da  contabilidade  fiscal,  no  denominado  regime  de  competência.  Deste modo, o não exercício da mencionada faculdade em determinado ano­ calendário  configura  renúncia  ao  benefício  concedido  na  Lei  e  enseja  a  preclusão temporal que impede a dedução dos juros sobre o capital próprio ­  JSCP em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução na apuração do lucro  real  do  ano,  de  juros  sobre  o  capital  próprio  ­  JSCP  incidentes  sobre  patrimônio líquido de anos anteriores.  Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.984          5 PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL.  Tratando­se  de  tributação  reflexa,  a  decisão  prolatada  no  lançamento  principal  (IRPJ)  é  aplicável,  no  que  couber,  aos  decorrentes,  em  razão  da  intima  relação de  causa  e  efeito que os vincula,  inexistindo  razão de  fato  e  direito para decidir diversamente.  É o relatório.  Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.985          6   Voto Vencido  Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço.  Do relatório e voto recorrido constata­se que a lide posta a exame para esse  colegiado,  considerando­se  que  inexiste  contestação  a  respeito  dos  valores  pagos  a  título  de  juros sobre o capital próprio no valor de R$ 22.933.679,37, nem sobre os limites estabelecidos  pela Lei  nº  9.249,  de  1995,  ou mesmo  quanto  a  sistemática  de  cálculo  de  cálculo  da TJLP,  resume­se a questão meramente de direito, visto que o fundamento do ato administrativo (auto  de infração) é a impossibilidade de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de valores  relativos  aos  JCP  apurados  entre  1998  e  2009  e  pagos  no  ano  de  2010,  por  violação  ao  princípio  da  competência,  conforme  excerto  do  “Relatório  da  Atividade  Fiscal”,  fls.  670.  Assim, o cerne da questão é a possibilidade de se deduzir como despesa o valor pago a título de  juros sobre o capital próprio relativo a períodos anteriores.  Extrai­se  do  Auto  de  Infração  e  Termo  de  Verificação  Fiscal  a  seguinte  acusação:  DA DEMONSTRAÇÃO DA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA  O  fisco  traz  provas  que  demonstram  que  a  autuada  acumulou,  de  forma  extracontábil, (Juros sobre Capital Próprio) calculados entre os anos de 1998 a 2009.  Em 2010, tais acumulações foram usufruídas para pagamento de R$ 22.933.679,27  de  JSCP,  contrariando  de  forma  absoluta  o  princípio  da  competência,  que  veda  o  pagamento de JSCP de exercícios distintos daqueles nos quais tais juros estão sendo  pagos.  (...)  A fiscalizada declarou na DIPJ ano base 2010 na Ficha 06 A ­ Demonstração  do Resultado ­ PJ em geral, na linha 44 (­) Juros sobre o Capital Próprio o valor de  R$ 70.228.363,31. O valor declarado é composto por: R$ 47.300.177,57 referente ao  exercício de 2010 e R$ 22.933.679,37 referente a 1/3 (um terço) do valor apurado  (R$ 68.801.038,10) referente aos exercícios de 1998 a 2009.  Através  da  documentação  apresentada  pela  fiscalizada,  a  fiscalização  constatou  que  a mesma  apurou extracontabilmente  o valor  de R$ 68.801.038,10  a  tÍtulo de  JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DE PERÍODOS ANTERIORES e  reconheceu no exercício de 2010 o valor de 22.933.679,37 referente a 1/3 (um terço)  do valor apurado, referente aos exercícios de 1998 a 2009.  Pois  bem,  o  art.  9º,  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  autoriza  à  pessoa  jurídica  deduzir  da  apuração  do  lucro  real  os  juros  pagos  aos  sócios  e  aos  acionistas  a  título  de  remuneração sobre capital próprio, verbis:  Art.  9º  A  pessoa  jurídica  poderá  deduzir,  para  efeitos  da  apuração  do  lucro  real,  os  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.986          7 remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do  patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa  de Juros de Longo Prazo TJLP.  § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado  à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros,  ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual  ou  superior  ao  valor  de  duas  vezes  os  juros  a  serem pagos  ou  creditados.  Sobre a escrituração a que as pessoas jurídicas estão obrigadas o art. 177 da  Lei nº 6.404/76 assim prescreve:  Art.  177.  A  escrituração  da  companhia  será  mantida  em  registros  permanentes,  com  obediência  aos  preceitos  da  legislação  comercial  e  desta  Lei  e  aos  princípios  de  contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou  critérios contábeis uniformes no  tempo e registrar as mutações  patrimoniais segundo o regime de competência. (negritei)  Logo vê­se que o entendimento esposado pela Recorrente no sentido de que  não há um limite  temporal para que se possa deduzir a despesa aqui discutida (juros sobre o  capital próprio), efetivamente não pode ser acolhido.  No regime de competência, o cômputo das receitas e despesas é indissociável  do período de tempo em que os correspondentes montantes são realizados, justificando, assim,  o registro da mutação patrimonial respectivo.  Nesse passo, o regime de competência é a regra, consistindo mera exceção a  adoção do regime de caixa quando expressamente estabelecido na legislação, como na hipótese  da  dedução  de  tributos  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa  (art.  344,  §  1º,  do  RIR/99),  e  da  dedução da variação monetária passiva (art. 30 da Medida Provisória nº 2.037­23/2000).  Como visto,  no  caso  sob  exame,  trata­se da  dedução  de despesa  com  juros  sobre o capital próprio (JCP) para o qual o art. 9º da Lei 9.249/95 não estabeleceu exceção ao  regime de competência.  Nessa linha, se pretender gozar da faculdade de distribuir JCP a seus sócios, a  pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao  longo do  tempo em que empregado o capital  objeto  da  remuneração.  Constituída,  se  for  o  caso,  a  obrigação  de  distribuir  JCP,  a  pessoa  jurídica  poderá  extingui­la  imediatamente  através  de  “pagamento”  ao  sócio,  ou  deixar  a  extinção  para  momento  posterior,  caso  em  que  deverá  registrar,  também  imediatamente,  o  “crédito”  ao  sócio.  No  caso  sob  exame  a  contribuinte  fez,  tão  somente,  um  controle  extracontábil.  Anote­se  que  esta  Corte  Administrativa  assim  tem  decidido  com  relação  a  esta matéria,  como  exemplo,  podemos  citar  os  seguintes  acórdãos  precedentes;  1401­00.348  (de  10/11/2010),  1201­000.348  (de  11/11/2010),  1401­000.734  (de  14/03/2012)  e  1301­ 001.118  (de 05/12/2012). Deste último acórdão  (1301­001.118) o voto vencedor da  lavra do  Conselheiro Wilson  Fernandes  Guimarães,  ao  meu  ver,  explicita  de  forma  cristalina  a  lide,  senão vejamos:  Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.987          8 A  controvérsia  está  representada  pela  seguinte  questão:  apurados  e  não  contabilizados  os  juros  sobre  o  capital  próprio  em  determinado  ano  calendário,  a  dedução dessa despesa poderia ser feita em outro ano calendário, isto é, em período  de apuração diverso do correspondente ao de apuração (e da não contabilização).  A dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  encontra­se  disciplinada no artigo 9º da Lei nº. 9.249, de 1995. [acima transcrito]  Cabe destacar que a norma em referência cuida, única e exclusivamente, de  dedutibilidade  da  despesa  com  remuneração  do  capital  próprio  (juros),  estabelecendo, pois, as condições para tanto.  Nesse sentido, preconiza:  a) que os juros dedutíveis devem ser calculados sobre as contas do patrimônio  líquido e devem ser  limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo  Prazo – TJLP; e  b) que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência  de  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  e  reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a  serem pagos ou creditados.  Releva  notar  que  antes  da  edição  da  Lei  nº.  9.249/95  não  eram  admitidas,  como custo ou despesa dedutível, as importâncias creditadas ao titular ou aos sócios  da empresa, a título de juros sobre o capital (artigo 49 da Lei nº. 4.506/64).  Ao introduzir a possibilidade de dedução, a norma tributária impôs condições,  como anteriormente explicitado.  A Instrução Normativa SRF nº. 11, de 1996, complementando as disposições  trazidas pelo art. 9º da Lei nº. 9.249, de 1995, estabeleceu:  Juros Sobre o Capital Próprio  Art.  29.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real,  observado  o  regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou  creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados  sobre  as  contas  do  patrimônio  líquido  e  limitados  à  variação,  pro  rata  dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP.  Como  é  cediço,  no  Regime  de  Competência  as  receitas  e  despesas  são  apropriadas  no  período  de  sua  realização,  independentemente  do  efetivo  recebimento das receitas ou do pagamento das despesas.  Em que pese as referências feitas pelo Ilustre Conselheiro Relator ao regime  de competência, a questão versada nos autos não trata exatamente de inobservância  do  referido  regime  na  apropriação  de  despesa,  mas,  sim,  de  desconsideração  das  condições de dedutibilidade estabelecidas na legislação de regência.  Ademais,  revela­se  absolutamente  impróprio  falar­se  em  inobservância  de  regime  de  competência  no  registro  de  despesa  na  situação  em  que  ela  própria  (a  despesa) não existe, pois, se apurada e não refletida contabilmente, descabe falar em  despesa incorrida.  Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.988          9 Cabe  destacar,  assim,  que  na  situação  sob  análise,  em  que  se  fala  em  “apuração” mas não se prova a contabilização, o regime de competência se revela no  momento  do  pagamento  ou  crédito  ao  beneficiário,  isto  é,  no momento  em  que  a  despesa é efetivamente incorrida.  Resta  fora  de  dúvida,  portanto,  que,  no  presente  caso,  a  solução  da  controvérsia  está  diretamente  associada  à  aferição  do  cumprimento  das  condições  estabelecidas pela legislação tributária para fins de dedutibilidade da despesa.  (...)  Do referido texto, aqui acolhido por inteiro, ressalto as seguintes conclusões:  1.  a  remuneração ou não do capital  próprio constitui uma  faculdade  ínsita à  esfera de decisão da pessoa jurídica, sendo­lhe lícito, ao decidir pela  remuneração,  apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais  decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência;  2. tratando­se de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão  das  disposições  do  art.  6º  do  Decreto­Lei  nº.  1.598/77,  a  adoção  do  regime  de  competência  é  obrigatória  para  o  registro  das  mutações  patrimoniais,  devendo  as  exceções constarem de forma expressa em disposição de lei;  3.  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre  capital  próprio  não  se  subordina  única  e  exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma  tributária impõe limites objetivos;  4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no  momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios  ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida;  5. do ponto de vista estritamente  tributário, os  juros sobre o capital próprio,  diferentemente  dos  lucros  e  dividendos,  não  gera  qualquer  expectativa  de  direito  antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um  direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista;  6.  nos  termos  do  art.  9º  da  Lei  nº.  9.249/95,  a  observância  dos  critérios  e  limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com  os juros é apropriada no resultado;  7.  o  contribuinte,  ao  promover  o  cálculo  dos  juros  com  base  em  elementos  patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja,  na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores;  8. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do  Decreto­lei nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade.  Assim, não havendo dúvida de que o registro da despesa em comento deve ser  feito obedecendo­se o regime de competência, e que, no caso, tal regime se revela no  momento  do  pagamento  ou  crédito  ao  beneficiário,  resta  expresso  na  norma  tributária que a dedutibilidade de tal pagamento ou crédito fica limitado à variação,  pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP sobre as contas do Patrimônio  Líquido  e  condicionado  à  existência  de  lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior  ao  valor  de  duas  vezes  os  juros  a  serem  pagos  ou  creditados  (art.  9º,  caput  e  parágrafo primeiro, acima transcritos).  Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.989          10 A  defesa  alega,  ainda,  que  houve  inovação  pelo  acórdão  recorrido,  ao  se  referir pela impossibilidade de pagamento de JCP em períodos posteriores aqueles a que dizem  respeito.  Neste sentido, vejamos o que diz a decisão recorrida:  Equivoca­se,  portanto,  a  Interessada  ao  afirmar  os  juros  sobre  o  capital  próprio  somente  passaram  a  existir  a  partir  do  momento  em  que  os  sócios  ou  acionistas  definiram  sua  aprovação e  seu  pagamento  e/ou  que  este  é  o período  de  competência, momento no qual é gerada uma obrigação para a empresa e um direito  creditório aos sócios e acionistas.  Mostramos que a Interessada parte de uma premissa equivocada, a qual, por  decorrência lógica, invalida sua tese, qual seja, a de que teria observado o regime de  competência.  A premissa  equivocada  é  a  seguinte:  o  interessado defende que não haveria  impedimento  legal  para  que  os  sócios  ou  acionistas,  em  qualquer  momento,  pudessem deliberar e definir a aprovação de distribuição e pagamento de juros sobre  o  capital  próprio.  Em  outras  palavras,  poderiam  os  sócios  ou  acionistas,  por  exemplo, numa Assembléia no ano de 2010, deliberar sobre a distribuição de juros  sobre o capital próprio referentes a fatos verificados nos anos de 1998 a 2009. Data  venia,  tal  hipótese  não  encontra  amparo  legal.  Se  não  foram observadas  as  regras  societárias, não cabe o benefício da dedutibilidade fiscal.  Portanto,  há  uma  clara  inobservância  ao  regime  de  competência,  pois  o  interessado,  ao  descumprir  norma  societária  (se  pretendia  distribuir  juros  sobre  o  capital  próprio  (JSCP)  nos  anos­calendário  de  1998 a  2009 deveria  ter  deliberado  nas  respectivas  assembléias  ou  reuniões  destes  anos  e  não  somente  em  2010)  “deslocou”, artificialmente, despesas de um ano para outro ano. Tal procedimento,  no meu modo de ver, fere o regime de competência.  Constata­se, claramente, que a argumentação da decisão recorrida não alterou  o fundamento do auto de infração. A autoridade julgadora de primeira instância manifestou­se  na mesma linha, ainda que usando outras palavras, inclusive como reforço de argumentos.  Entendo, desse modo, que não houve alteração no fundamento do lançamento  pela DRJ, mas, apenas o reforço argumentativo da sua procedência.  Como, no caso, a contribuinte deduziu no ano calendário de 2010 despesas  com juros sobre o capital próprio que, por força do regime de competência, somente poderiam  ter sido levadas ao resultado em anos anteriores, voto por manter a glosa nos termos da decisão  recorrida.  (documento assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator  Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.990          11   Voto Vencedor  Wilson Fernandes Guimarães, Redator  Em  que  pese  as  densas  considerações  trazidas  pelo  Ilustre  Conselheiro  Relator, o Colegiado decidiu, por maioria, de forma diversa.  A partir do registro feito no pronunciamento do Ilustre Conselheiro Relator,  no sentido de que "inexiste contestação a respeito dos valores pagos a título de juros sobre o  capital próprio no valor de R$ 22.933.679,37, nem sobre os limites estabelecidos pela Lei nº  9.249, de 1995, ou mesmo quanto a sistemática de cálculo de cálculo da TJLP", a questão a ser  dirimida resume­se à matéria de direito, como bem destaca também o citado pronunciamento.  Não  obstante,  no  que  diz  respeito  ao  denominado  PAGAMENTO  ACUMULADO de juros sobre o capital próprio, pode­se elencar duas situações passíveis de  questionamento pelo Fisco, quais sejam:  i) pagamento acumulado em que as condições de dedutibilidade da despesa  são observadas nos anos correspondentes aos juros, mas, não, no momento em que a despesa é  incorrida;  ii) pagamento acumulado em que, no momento em que a despesa é incorrida,  são atendidas as condições que autorizam a sua dedução.   O acórdão nº 1301­001.118,  referenciado no Relatório Fiscal que  integra a  autuação  objeto  do  presente  processo,  tratou  de  situação  semelhante  a  descrita  no  item  "i"  acima. Ali,  a  autoridade  fiscal,  constatando que  no  ano  em que  a  despesa  foi  apropriada no  resultado  extrapolou  os  limites  quantitativos  estabelecidos  pela  legislação  de  regência,  considerou indedutível a parcela excedente aos referidos limites.  Com efeito, a contribuinte deduziu juros sobre o capital próprio no montante  de R$ 50.727.602,26, sendo R$ 15.927.602,26 referentes ao próprio ano em que a despesa foi  apropriada (2005) e R$ 34.800.000,00 correspondentes a períodos anteriores (1999 a 2004). Na  medida em que o limite para a dedução foi de R$ 19.232.003,62, a autoridade fiscal considerou  indedutível a parcela de R$ 31.495.598,64.  É  importante  notar  que,  embora  ali  se  tenha  afirmado  que  não  se  poderia  reconhecer a apropriação de despesa de  juros sobre o capital próprio de forma retroativa,  foi  admitida  a  dedução  da  despesa  correspondente  aos  juros  do  próprio  ano  de  2005  (R$  15.927.602,26) e parte da referente ao período de 1999 a 2004 (R$ 3.304.401,36),   Penso que afirmação acerca da apropriação retroativa não é de todo correta,  pois  não  se  revela  adequado  falar  em  aproveitamento  de  despesa  de  forma  retroativa  na  circunstância em que, no período passado, ela sequer existia.  Destaco a situação enfrentada no acórdão nº 1301­001.118 em virtude do fato  de,  tendo concordado com os  termos  da autuação e divergido do  Ilustre Conselheiro Relator  Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 11080.724352/2014­31  Acórdão n.º 1301­001.891  S1­C3T1  Fl. 1.991          12 daquele  julgado,  ter  sido  designado  redator  do  voto  vencedor.  Ademais,  como  já  dito,  o  referido acórdão foi referenciado no Relatório Fiscal que integra a autuação objeto do presente  processo, apesar de não ter tratado de situação exatamente igual a apreciada nestes autos, como  aqui demonstrado.   A meu  ver,  a  hipótese  retratada  nos  presentes  autos  está  representada  pela  situação descrita no  item "ii"  acima,  em que,  embora o pagamento dos  juros  sobre o  capital  próprio  inclua  períodos  anteriores  ao  correspondente  à  apropriação  da  despesa,  foram  observados  os  limites  estampados  na  legislação  de  regência  no  momento  em  que  ela  foi  incorrida.  Em convergência com tal afirmação, o voto vencido assinala:  Portanto,  tendo  a  impugnante  respeitado,  para  efeito  de  dedutibilidade,  os  critérios e limites previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito,  não há como negar a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio por ela utilizada  e glosada pela fiscalização.   O Colegiado, por maioria, como já dito, alinhou­se ao entendimento esposado  no  referido voto vencido no  sentido de que  a  legislação  tributária não  cuidou de  estabelecer  limite  temporal  para  a  deliberação  dos  sócios/acionistas  para  efetivação  do  pagamento  dos  juros sobre o capital próprio (e, salvo melhor juízo, nem lhe caberia) de modo que, observados  os limites  impostos pela lei no momento em que a despesa foi  incorrida, a sua dedução resta  autorizada.  No que tange à alegada inobservância do regime de competência, tratando­se  de  despesa  com  juros  sobre  capital  próprio,  a  alusão  a  tal  fato  não  pode  ser  dissociada  do  momento em que o dispêndio é incorrido. À evidência, ausente a despesa, eis que nem paga,  nem incorrida, descabe falar em inobservância de regime de competência.  Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado DAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário interposto.  Wilson Fernandes Guimarães  Redator Designado                  Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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