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Numero do processo: 11444.000308/2010-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/09/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
O órgão público é obrigado a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos contribuintes individuais e aos segurados empregados, assim considerados pela legislação vigente, os exercentes de mandato eletivo, vereadores.
LEGITIMIDADE DA PARTE. NÃO OCORRÊNCIA DE ILEGALIDADE.
Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome do Município, quando auditoria se desenvolver no órgão publico de administração direta (Câmara Municipal), sendo obrigatório consignar no referido documento, o nome do Município, seguido do nome do órgão a que se refere o débito, no qual ocorreu o fato gerador de obrigação previdenciária.
PRODUÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
O momento para produção de provas no processo administrativo tributário é juntamente com a impugnação, conforme determina o art. 16, § 4º, do Decreto no 70.235/1972 diploma que rege o contencioso administrativo fiscal.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei
nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.180
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente MUNICÍPIO DE ÁLVARO DE CARVALHO CÂMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/09/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O órgão público é obrigado a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos contribuintes individuais e aos segurados empregados, assim considerados pela legislação vigente, os exercentes de mandato eletivo, vereadores. LEGITIMIDADE DA PARTE. NÃO OCORRÊNCIA DE ILEGALIDADE. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome do Município, quando auditoria se desenvolver no órgão publico de administração direta (Câmara Municipal), sendo obrigatório consignar no referido documento, o nome do Município, seguido do nome do órgão a que se refere o débito, no qual ocorreu o fato gerador de obrigação previdenciária. PRODUÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas no processo administrativo tributário é juntamente com a impugnação, conforme determina o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972 diploma que rege o contencioso administrativo fiscal. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Walter Murilo Melo de Andrade. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000308/201032 Acórdão n.º 240202.180 S2C4T2 Fl. 154 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados (vereadores) e contribuintes individuais (autônomos), relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 03/2005 a 09/2009. Estão lançadas ainda diferenças de acréscimos legais em recolhimentos efetuados com atraso. O Relatório Fiscal (fls. 45/54) informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados obrigatórios que prestaram serviços ao Município de Álvaro de Carvalho/Câmara Municipal, e foi constituído por meio dos levantamentos: 1. SV1 contribuição sobre subsídio vereadores à competências 03/2005 a 01/2007 e 02/2007 a 11/2008; 2. PA1 contribuição sobre pagamento contribuinte individual à competências 05/2005, 01/2006, 05/2007; 3. PA2 contribuição sobre pagamento contribuinte individual à competências 12/2008, 07/2009 a 09/2009; 4. SV2 contribuição sobre subsídio vereadores à competências 12/2008 a 09/2009; 5. DAL Acréscimos legais, recolhimento em atraso GPS à competência 05/2009, recolhida em 19/06/2009. Esse Relatório Fiscal informa que as contribuições incidentes sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo são devidas desde 19/09/2004, em razão da entrada em vigor da Lei no 10.887/2004, que introduziu a alínea “j” no inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/1991. Esclarece que a autuada não entregou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) no período de 01/2005 a 07/2005 e de 01/2009 a 09/2009, e que entregou GFIP sem movimento no período de 08/2005 a 12/2008. Registra também que, no presente Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), encontramse abrangidas pelo instituto da decadência as competências 01 e 02/2005, em atendimento ao art. 150, §4o do CTN, posto existirem recolhimentos antecipados efetuados pelo contribuinte. Já para os Auto de Infração de Obrigações Acessórias (AIOA) lavrados na mesma ação fiscal, aplicouse o art. 173, inciso I, do CTN, não restando decadentes essas duas competências. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Informa também que, por se tratar a autuada de pessoa jurídica de direito público, até a competência 01/2007 nos AIOP, não se aplica a multa de mora por expressa determinação legal. Para as competências 02/2007 a 11/2008, procedeu à comparação de multas a serem aplicadas, levandose em consideração a legislação anterior e a introduzida pela edição da Medida Provisória (MP) no 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, em atendimento ao contido no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, que trata da retroatividade benigna em termos de penalidade a ser aplicada, apresenta quadro demonstrativo com as multas aplicadas, por período, chegando à conclusão de que é mais benéfico à autuada a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista no art. 35A da Lei no 8.212/1991, introduzido pela MP supra, conforme planilhas anexas ao Relatório Fiscal. Para as competências 12/2008 a 09/2009, aplicase a multa de ofício prevista na legislação introduzida pela MP supracitada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/03/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 121/124) – acompanhada de anexos de fls. 125/127 –, alegando, em síntese, que: 1. o presente Auto de Infração (AI) trata de débitos relativos a cota patronal incidente sobre os subsídios pagos aos vereadores e que, por equívoco, o Sr. Auditor relacionou os autônomos que não deveriam estar aqui relacionados. Dentre esses, informa que foi recolhida a GPS de forma equivocada, em nome do próprio autônomo e que estão sendo retificadas as GFIP’s e sendo procedidos os devidos ajustes; 2. as irregularidades apontadas são de responsabilidade da Câmara Municipal, não sendo a Prefeitura quem deu origem a elas. Que a Prefeitura está com três convênios para serem assinados com o Governo do Estado e a falta de CND está impedindo tal celebração; 3. requer a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, que não seja apenado com a não expedição de CND e que seja cancelado o presente Auto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão no 1431.204 da 7a Turma da DRJ/RPO (fls. 129/134) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. Assim sendo, o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal foram integralmente preservados. A Notificada apresentou recurso (fls. 139/142), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Marília/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 151/152). É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000308/201032 Acórdão n.º 240202.180 S2C4T2 Fl. 155 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 138/139) e não há óbice ao seu conhecimento. A Recorrente informa que recolheu de forma equivocada em GPS a contribuição dos contribuintes individuais (autônomos), mas não junta aos autos documentos capaz de prova a veracidade dessa informação, e nem faz prova que tenha regularizado a situação verificada pela Fiscalização. Com isso, não iremos acatar essa alegação. Constatase que a Recorrente apenas alega que recolheu contribuições dos segurados contribuintes individuais (autônomos) de forma equivocada em GPS, contudo não trouxe aos autos qualquer meio de prova a corroborar sua tese, conforme previsto no art. 16, III e §4°, do Decreto no 70.235/1972, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) (...) §4.° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) (g.n.) Da leitura do dispositivo acima, percebese que cabe à Recorrente, no momento adequado, trazer aos autos todos os elementos fáticos e jurídicos probatórios de que dispõe, obedecendo ao prazo para impugnação previamente estabelecido pelo arcabouço jurídicotributário em vigor, prazo este definido para todos os sujeitos passivos, em atendimento ao princípio da isonomia. Tais elementos probatórios não foram juntados aos autos. A lavratura do auto de infração reveste da presunção de legitimidade, de veracidade e de legalidade, devendo esta presunção ser afastada pela Recorrente nas suas alegações, fato este que não foi evidenciado. Cumpre esclarecer que o Pedido de Ajuste de Guia – GPS (fls. 143/149), feito pela Recorrente junto ao Fisco, deverá ser analisado pelo setor responsável da Secretaria Fl. 173DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 da Receita Federal do Brasil e não compete a esta Corte Administrativa (CARF), com atribuições exclusivamente de julgamento, analisar os sistemas informatizados do Fisco para verificar se houve ou não recolhimentos equivocados. Assim, entendo que, caso haja recolhimentos equivocados, o órgão responsável pela análise do Pedido de Ajuste de Guia deverá proceder as medidas cabíveis. Logo, não há prova de que efetivamente ocorreu o recolhimento das contribuições sociais previdenciárias da parte patronal incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais (autônomos), e que ora foram lançadas no presente Auto de Infração. Quanto à alegação de que a Câmara Municipal seria responsável pelas irregularidades apontadas na auditoria fiscal, não sendo a Prefeitura quem deu origem a elas, temse que o Fisco atuou em conformidade com a legislação quando constitui os valores apurados no presente processo em nome do Município de Álvaro de Carvalho. Isso decorre do fato de que, embora a Câmara Municipal tenha autonomia administrativa, ela não possui personalidade jurídica e quem responde pelo crédito tributário é o ente Federado, no caso em tela o Município, devendo o lançamento incluir ambos no polo passivo. No nosso ordenamento jurídico, a Câmara Municipal é enquadrada como órgão representativo do Poder Legislativo municipal e independente, sendo que nenhum órgão público possui personalidade jurídica própria, por mais relevantes que sejam as atribuições exercidas. Segundo Hely Lopes Meirelles (Livro: Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Editora Malheiros, 2003), órgãos públicos são “centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem” (grifo nosso). Ainda dentro desse contexto, esse doutrinador (Hely Lopes Meirelles) informa que “a teoria do órgão, também chamada de teoria da imputação volitiva, estabelece que o Estado manifesta sua vontade por meio dos órgãos que integram a sua estrutura, de tal forma que quando os agentes públicos que estão lotados nos órgãos manifestam a sua vontade, esta é atribuída ao Estado”. Assim, como os entes da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) possuem personalidade jurídicas próprias e são sujeitos de direitos e obrigações, esses entes responderão pelas obrigações tributárias de seus órgãos. Sendo assim, as obrigações tributárias da Câmara Municipal serão constituídas em nome do Município. Isso está em consonância com o art. 41 do Código Civil que insere os Municípios como pessoa jurídica de direito público interno. Lei no 10.406/2002 – diploma que institui o Código Civil: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: (...) III os Municípios; (g.n.) No mesmo sentido, o art. 12, inciso II, do Código de Processo Civil (Lei no 5.869/1973) dispõe que o Município deverá responder em juízo pelas suas obrigações. Lei no 5.869/1973 – Código de Processo Civil: Fl. 174DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000308/201032 Acórdão n.º 240202.180 S2C4T2 Fl. 156 7 Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) II – o Município, por seu Prefeito ou procurador; (g.n.) Nos termos do art. 15, inciso I, da Lei no 8.212/1991, considerase como empresa as entidades da administração pública e, com isso, os Municípios também podem ser contribuintes da seguridade social. Lei no 8.212/1991: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (g.n.) (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). De acordo com arcabouço jurídicotributário, quando o procedimento de auditoria fiscal se desenvolver nos órgãos da administração pública direta, no caso em tela a Câmara Municipal, deverá ser emitido o Auto de Infração em nome do ente estatal, com a identificação do CNPJ do respectivo ente da Federação, procedendo à identificação do órgão, nos documentos de constituição do crédito após a menção do ente estatal, conforme ocorreu no presente caso: Município de Álvaro de Carvalho Câmara Municipal. Diante disso, foi correto o procedimento adotado pela auditoria fiscal, que lavrou o Auto de Infração em nome do Município e o notificou na pessoa do Prefeito Municipal, não se verificando qualquer motivo para acatar as alegações da Recorrente expostas na sua peça recursal de fls. 139/142. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas nas competências 02/2007 a 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de Fl. 176DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000308/201032 Acórdão n.º 240202.180 S2C4T2 Fl. 157 9 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/1991 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Alguns sustentam a aplicação quando, embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “[...] De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei no 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido Fl. 178DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000308/201032 Acórdão n.º 240202.180 S2C4T2 Fl. 158 11 espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 (acrescentado pela Lei nº 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lei nº 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Ainda deixo consignado que não há sentido em se aplicar a retroatividade benéfica do art. 106, II, alínea “c”, do CTN, pois haveria cisão ou combinação de preceitos legais na aplicação da multa de mora, conduta esta não aceitável no arcabouço jurídico vigente. Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 vigente à época dos fatos geradores. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11444.000737/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do art. 225 do Decreto
3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, as informações constantes em GFIP constituem-se em confissão de dívida previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados]
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, as informações constantes em GFIP constituemse em confissão de dívida previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados] Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira Do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira Prado, Walter Murilo Mello Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARIA JOSE ROSSATO ROLIM MARILIAME, em face de acórdão que manteve a integralidade da NFLD 37.106.2098 para a cobrança de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e não recolhidas aos cofres públicos em época própria, a cargo da filial inscrita no CNPJ sob o n.03.046.110/000263 Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram informados em GFIP´s e constavam nas folhas de pagamentos enviadas pelo contribuinte à Previdência, tendo sido efetuado o batimento com as GPS apresentadas. O procedimento fiscal na empresa foi iniciado em decorrência do processo 2007.61.11.0016411 da 3° Vara Federal de Marilia/SP, com o cumprimento de mandado de Deslacração, Apreensão e Lacração e a conseqüente emissão de Termo de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos – AGD. Ademais, foi considerada como responsável solidária pelo adimplemento das contribuições lançadas a empresa JAGUARÉ ESPORTE CLUBE, pois a exploração da atividade econômica de bingo, na qual era lotados os segurados cujos valores de contribuições foram descontados e não repassados constituía interesse comum de ambas, conforme o disposto no art. 124, I do CTN. O lançamento compreende o período de 13/2003, 01/2004 a 04/2004, 08/2004 e 13/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/10/2007. Intimado do julgamento em primeira instância (fls. 50/54) o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 62/63, através do qual sustenta: 1. que a ação fiscal que originou a presente NFLD, também originou inúmeras outras, mas que até o presente momento, em razão dos argumentos mencionados nos recursos interpostos pela empresa, estão ainda sob análise, em virtude de se tratar de uma ação peculiar; 2. que até o presente momento, os documentos fiscalizados não foram liberados pelo agente fiscalizador, o que não lhe permitiu elaborar sua defesa; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000737/200712 Acórdão n.º 2402002.202 S2C4T2 Fl. 67 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares passo ao mérito. MÉRITO O recurso interposto em duas laudas carece de fundamentação. Da forma como concluiu o julgamento de primeira instância, de fato, a exigência é incontroversa, haja vista não ter sido expressamente impugnados os fundamentos do lançamento pelo contribuinte. Não obstante, as contribuições lançadas foram declaradas em GFIP, o que se constitui em confissão de dívida nos termos do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulmento da Previdência Social. De outra banda, a recorrente apenas transcreveu seus argumentos de impugnação, os quais foram devidamente afastados pelo julgamento levado a efeito em primeira instância, de modo que, peço licença ao Il. Relator da DRJ para adotar como minhas, as razões de decidir expostas no julgado, que a seguir transcrevo: A impugnante questiona o procedimento adotado pela fiscalização no que se refere A. apreensão de documentos e a lavratura da notificação sem a subseqüente devolução dos elementos apreendidos com vistas a possibilitar à empresa a análise do levantamento em questão para expressar de forma correta seus argumentos. No entanto, devese levar em conta que as contribuições objeto da presente NFLD foram devidamente declaradas em GFIP. Dessa forma, o argumento formulado pela impugnante não tem o condão de elidir o lançamento fiscal realizado, pois, embora não se encontre nos autos a comprovação da devolução dos documentos apreendidos, os mesmos não representam elementos indispensáveis ao exercício do direito de defesa por parte do sujeito passivo. Em se tratando de contribuições declaradas em GFIP e não sendo as mesmas objeto da apreensão havida, poderia a empresa utilizar as informações constantes em tais GFIP para analisar os lançamentos efetuados pela fiscalização. De fato, a GFIP conta com os valores individualizados das remunerações pagas pela empresa e seus respectivos Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 beneficiários, de modo que a empresa tendo em suas mãos referidos documentos, dispunha de todos os elementos necessários à análise e eventuais impugnações dos valores lançados pela fiscalização. Na mesma ação fiscal foram lavrados inúmeras outras NFLD e autosdeinfração, sendo que muitos deles, em atenção ao argumento formulado pelo sujeito passivo, retornaram à DRF de origem justamente para esclarecimentos acerca da devolução dos documentos apreendidos, tendo em vista a relação existente entre tais documentos e os respectivos lançamentos fiscais efetuados. Porém, este procedimento não é cabível no presente caso que se refere exclusivamente a contribuições declaradas em GFIP, conforme explanado anteriormente. Oportuno ressaltar que a o ordenamento jurídico vigente, ao ocuparse do tema "nulidades", disciplina o assunto nos seguintes termos: Decreto n° 70.235/72: "Art. 59. Sao nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetiro ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio." Portaria RFB 10.875, de 16/08/2007 (DOU 24/08/2007): "Art. 27. Seib nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §12 A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000737/200712 Acórdão n.º 2402002.202 S2C4T2 Fl. 68 5 ,sç 22 Na declaração de nulidade, a autoridade especificará os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. sç 32 Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 28. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 27 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Assim, a falta de comprovação da devolução dos documentos apreendidos não corresponde a qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 ou artigo 27 da Portaria RFB 10.875/2007, nem resulta em prejuízo ao sujeito passivo ou influi na solução do litígio (nos termos do artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 e artigo 28 da Portaria RFB 10.875/2007), motivo pelo qual, afastase o pleito formulado pelo sujeito passivo quanto a este particular. Quanto ao não reconhecimento dos fatos e valores lançados devido à falta substancial de provas documentais, não há como acolher tal inesignação, pois, os lançamentos efetuados pela fiscalização foram extraídos das GFIP elaboradas pela própria empresa, a quem caberia impugnar, de forma especifica, qualquer valor que entendesse incorreto. A impugnante, apesar de ter em mãos os elementos necessários à elaboração da impugnação especifica dos itens objeto de sua discordância, portouse de forma diversa, apresentando irresignação genericamente formulada, o que resulta na aplicação das disposições contidas no artigo 17 do Decreto n° 70.235/72 e artigo 8 °. da Portaria 10.875/2007, pelas quais considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta forma, afastase a impugnação genérica relativa ao não reconhecimento dos fatos e valores objetos da NFLD sob análise. Isto posto, voto pela PROCEDÊNCIA da presente NFLD Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13709.001351/2002-82
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.410
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim Relatório Tratase de auto de infração (fls. 22/28) lavrado contra um dos estabelecimentos filiais da recorrente, para exigência da contribuição ao PIS, relativa aos fatos Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13709.001351/200282 Resolução nº 3403000.410 S3C4T3 Fl. 4 2 geradores compreendidos entre 04 e 06/1997, originado a partir de auditoria interna na sua DCTF. De acordo com o auto de infração, a recorrente vinculara aos débitos de PIS informados em DCTF causa suspensiva da exigibilidade supostamente obtida em processo judicial não comprovado. Impugnouse (fls. 1/19) o auto de infração, alegandose que: (a) em 30.09.1999, houve lavratura de outro auto de infração, este contra o estabelecimento matriz da recorrente, originando o processo administrativofiscal n° 15374.001961/9929, no qual se exigem créditos tributários também objeto do presente lançamento; (b) de acordo com o art. 15, III, da Lei n° 9.779/99, a apuração e o recolhimento da contribuição ao PIS devem ser efetuados de forma centralizada, pela matriz da pessoa jurídica; (c) o art. 18, da MP nº 1.212/95 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento da ADIN n° 1.417/DF, inviabilizando, com isso, o início de vigência das disposições contidas na referida MP; e (d) o art. 90, da MP n° 2.15835/ 01 impõe o dever de lançamento apenas na hipótese de constatação de diferenças apuradas em declarações, sendo certo que, in casu, há tão somente inconsistência na revisão mecânica da DCTF. Em 23.08.2002, a recorrente peticiona nos autos (fls. 56/57) reforçando a duplicidade do lançamento e informando que efetuara, em 31.07.2002, o pagamento do auto de infração consubstanciado no processo administrativo nº 15374.001961/9929, o que foi ratificado por meio da manifestação fiscal de fls. 107. Em 17.11.2011, a DRJ/Rio de JaneiroRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 110/115), aos argumentos de que (i) à época dos fatos geradores, a apuração do PIS era descentralizada, de forma que este lançamento não está em duplicidade com aquele objeto do autos nº 15374.001961/9929 e (ii) a declaração de inconstitucionalidade do art. 18, da MP nº 1.212/95 é restrita à primeira edição da MP, de modo que ela se tornou eficaz em fevereiro de 1996. Por fim, a DRJ concluiu que deveria ser excluída a aplicação da multa de ofício, em razão do disposto na Solução de Consulta COSIT nº 3/04 e no artigo 18, da Lei nº 10.833/03. Interposto recurso voluntário (fls. 166/188), reiterando os fundamentos já presentes na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, Relator. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13709.001351/200282 Resolução nº 3403000.410 S3C4T3 Fl. 5 3 Até a edição da Lei nº 9.779/99, em janeiro de 1999, a apuração do PIS era mesmo efetuada de forma descentralizada, fato admitido pela própria recorrente (fls. 173, item 12). Assim, partindose da premissa de que a legislação vigente à época foi observada e considerando que os fatos geradores ora tratados se referem ao 2° trimestre de 1997, não haveria duplicidade entre este lançamento fiscal e o auto de infração constante do autos nº 15374.001961/9929, respeitantes ao estabelecimento matriz da recorrente. A recorrente, contudo, afirma que a autuação objeto do autos nº 15374.001961/9929 alcançava todos os seus estabelecimentos, inclusive o estabelecimento filial sujeito passivo do presente processo e, por conseguinte, que o crédito fiscal aqui lançado já houvera sido lançado naquela outra autuação. Embora a recorrente não tenha trazido a estes autos cópia do referido processo administrativo (em especial cópia das fls. 308 e 339 daquele processo, onde, afirma a recorrente, fica consignado que aquele lançamento alcança os créditos objeto deste lançamento), como seria de se esperar, tenho adotado postura mais tolerante quando o documento faltante à completa cognição do feito tenha sido produzido pela própria fiscalização, sendo, portanto, por ela diretamente acessível. Nesse sentido, determino a baixa dos autos à DRF de origem para que esta: (a) informe se o crédito tributário lançado no autos nº 15374.001961/9929 abrange todos os estabelecimentos filiais ou somente o estabelecimento matriz da recorrente? (b) informe se a base de cálculo do presente processo já estava inserida na base de cálculo apurada no lançamento objeto do autos nº 15374.001961/9929? (c) preste outras informações e esclarecimentos que entenda pertinentes ao julgamento definitivo do processo. Com os esclarecimentos, retornem os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10380.902379/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Nos pedidos de restituição e de ressarcimento a incumbência pela produção da prova necessária à demonstração do direito creditório é do contribuinte, por força do disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.556
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Nos pedidos de restituição e de ressarcimento a incumbência pela produção da prova necessária à demonstração do direito creditório é do contribuinte, por força do disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Nos pedidos de restituição e de ressarcimento a incumbência pela produção da prova necessária à demonstração do direito creditório é do contribuinte, por força do disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 23 79 /2 00 9- 67Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1221.18000.SY5A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Cuidase de compensação não homologada referente a pagamento indevido de PIS/Pasep cujo direito creditório, segundo despacho decisório eletrônico, fora integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação aviada através do PER/DCOMP 38868.60682.150405.1.3.045556. Em manifestação de inconformidade o contribuinte asseverou a existência do crédito a ser compensado e rebateu a afirmação de sua utilização para quitação de outros tributos, de vez que não restou comprovado pela RFB tal situação; aduziu, em extensa exposição, que a decisão administrativa violou o princípio da verdade material ao não promover qualquer diligência para aferir o crédito apontado, citando doutrina e jurisprudência; e, pugnou pela realização de perícia e posterior juntada de documentos. O contribuinte juntou extratos do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON e da Declaração de Débitos de Créditos Tributários Federais – DCTF para demonstrar o seu direito. A DRJ Fortaleza/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade desacolhendo o protesto genérico de posterior juntada de documentos, por força do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, e também o pedido de perícia formulado, por não atender os pressupostos do art. 16, IV do mesmo diploma; na seqüência, entendeu que a reclamação não prosperaria porque o crédito vindicado careceria de liquidez e certeza, uma vez que não restou configurado pelo cotejo entre o pagamento a maior e o débito compensado, a partir das informações prestadas na DCTF, que retrata confissão de dívida e constitui documento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, a teor do art. 5º do DL 2.124/84; aduziu que o DACON não se presta a tal finalidade, cuidandose de mecanismo apuratório meramente informativo das contribuições, para, a partir daí, concluir que apenas a retificação da DCTF e a colação de documentos comprobatórios do direito de crédito poderiam atestar sua procedência; por fim, destacou que a retificação da DCTF só é legítima se realizada no período de espontaneidade, sendo que, posteriormente ao despacho decisório, sua admissão exige prova do direito. Em recurso voluntário o contribuinte protestou, preliminarmente, contra o indeferimento do pleito de produção de prova documental, em franco cerceamento do seu direito de defesa, sustentando que a realização da diligência requerida seria de suma importância para o deslinde da questão, citando doutrina e jurisprudência administrativa; bem assim, reprisou a argumentação atinente à afronta ao princípio da verdade material. No mérito, ratificou o seu direito de crédito alegando que a não homologação da compensação pretendida se deveu a um erro de apuração e de preenchimento da DCTF, afirmando que é descabido o motivo que se pautou a Administração Tributária para o indeferimento, de vez que indigitado crédito nunca foi utilizado para outra compensação que não a requerida; que, à luz dos arts. 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96, faz jus à compensação em face do recolhimento indevido, não se mostrando suficiente os erros formais cometidos para denegação do direito. Ao recurso foram juntadas cópias de documentos contábeis e fiscais para fazer prova de suas alegações. Por intermédio da Resolução 340300.097, o julgamento foi convertido em diligência para certificação da existência do direito de crédito. Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1221.18000.SY5A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.902379/200967 Acórdão n.º 3401002.556 S3C4T1 Fl. 11 3 A DRF Fortaleza/CE, dando cumprimento à determinação do CARF, intimou o contribuinte em duas oportunidades para apresentação da documentação complementar necessária ao levantamento, que, por sua vez, nada apresentou, sendo os autos devolvidos sem atendimento da diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O atendimento aos requisitos de admissibilidade da peça recursal já foi a seu tempo realizado. À luz do resultado, por assim dizer, da diligência determinada, dispensável maiores comentários acerca da situação do processo, remanescendo apenas matéria de ordem fática. Como relatado, a fiscalização, em duas ocasiões, 27/12/2012 e 05/09/2013 (fls. 106/109), intimou o contribuinte a apresentar a documentação necessária à realização da diligência determinada, sendo que, passados mais de 08 (oito) meses desde o primeiro termo fiscal, nenhum documento ou manifestação foi apresentado, o que revela o desinteresse no deslinde da questão. A postura adotada pelo interessado chama atenção pela contradição, porquanto, em sede impugnatória, sustentou firmemente a violação ao princípio da verdade material e, por conseqüência, o cerceamento de sua defesa, no entanto, quando instado a apresentar a documentação que respaldaria o direito vindicado, simplesmente quedouse silente. Consoante disposições do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito postulado, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este ônus é atribuído ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Oportunizada ao contribuinte a produção complementar da prova de seu alegado direito e não se desvencilhando de tal incumbência, outra alternativa não resta senão denegarlhe a pretensão, valendo aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1221.18000.SY5A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1221.18000.SY5A. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROBSON JOSE BAYERL em 30/04/2014 10:00:00. Documento autenticado digitalmente por ROBSON JOSE BAYERL em 30/04/2014. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 06/05/2014 e ROBSON JOSE BAYERL em 30/04/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/12/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1221.18000.SY5A Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F60C470E36A852EE02FF102A211082A2A06FB30B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10380.902379/2009-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10976.000171/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de
pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000171/200910 Acórdão n.º 2402001.726 S2C4T2 Fl. 97 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. art. 32, inciso I, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Lei no 8.212/1991, para as competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 30), a empresa deixou de incluir nas folhas de pagamento os valores pagos aos seguintes contribuintes individuais: (i) José da Silva Anício, competências 01/2004 a 12/2004; (ii) Cláudio Oliveira de Souza, competências 01/2004 a 12/2004; e (iii) Luiz Sérgio Izidoro, CPF 285.563.80626, concernentes às competências 03/2004, 05/2004, 07/2004, 10/2004 e 12/2004. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 31) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei no 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$ 1.329,18 (um mil e trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), cujos valores estão atualizados de acordo com a Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12 de fevereiro de 2009 – DOU de 13/02/2009. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 11/03/2009 (fls.01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 53/57) – acompanhada de anexos de fls. 58/73 –, alegando, em síntese, que: 1. a multa aplicada está prevista e quantificada em decreto e não em lei, como se constata pela legislação inserta no auto de infração. Nesse mesmo sentido, a sua gradação, nos termos do artigo 292, I, do Regulamento da Previdência Social, o que afronta o princípio da estrita legalidade em matéria tributária; 2. argui que não cabe multa isolada no caso em tela. A multa efetivamente devida é a moratória por eventual falta de recolhimento de tributo. Entender o contrário disso é permitir o flagrante desrespeito artigo 150, IV, da CF/88, que veda utilizar tributo com efeito de confisco. Salienta que o descumprimento de obrigação acessória não traz qualquer prejuízo à Fiscalização, a qual, verificando a documentação, pode lançar eventual imposto devido com seus acréscimos legais, inclusive a multa moratória; Fl. 121DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 3. requer a anulação da multa aplicada sob pena de afronta aos princípios da estrita legalidade e do nãoconfisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo HorizonteMG – por meio do Acórdão 0222.487 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 76/80) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que estão presentes os pressupostos de validade da presente lavratura. A Notificada apresentou recurso (fls. 89/93), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em ContagemMG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 94 e 95). É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000171/200910 Acórdão n.º 2402001.726 S2C4T2 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fl. 95). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente deixou de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Lei no 8.212/1991, para as competências 01/2004 a 12/2004. O cerne do recurso, apresentado pela Recorrente, repousa em alegação de que ao procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de incluir em folhas de pagamentos os valores pagos aos contribuintes individuais – nas competências 01/2004 a 12/2004 – José da Silva Anício, Cláudio Oliveira de Souza e – nas competências 03/2004, 05/2004, 07/2004, 10/2004 e 12/2004 – Luiz Sérgio Izidoro, CPF 285.563.80626. Esses valores, segundo Relatório Fiscal da Infração (fl. 30), foram constatados nos lançamentos contábeis da conta 0413004131 (Prólabore dos sócios) e conta 0410004104 (Assistência Médica, referente a prestação de serviços médicos), constantes do Livro Diário no 10, autenticado na JUCEMG n° 990205586 de 15/01/2009, e do Livro Razão no 10 de 2004, pág. 001 a 166 de 01/01/2004 a 31/12/2004. Nos Termos de Intimação Fiscal TIF’s (fls. 10/25), constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2004 a 12/2004. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), lavrado em 11/03/2009 (fls. 28 e 29), atestando o encerramento do procedimento fiscal previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF) n° 0611000.2008.00337. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei no 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Fl. 123DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 Esse art. 32, inciso I, da Lei no 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, §9o e incisos I a V: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) §9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir em folhas de pagamento os valores pagos aos segurados contribuintes individuais, extraídos do Livro Diário n° 10/2004 e Livro Razão n° 10/2004 –, incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 225, §9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade uma vez que a Lei n° 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 124DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000171/200910 Acórdão n.º 2402001.726 S2C4T2 Fl. 99 7 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei no 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados – a Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12 de fevereiro de 2009 – DOU de 13/02/2009, reajustou os valores da multa para R$ 1.329,18 (um mil e trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Esclarecemos ainda que há o entendimento legal de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei no 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei no 5.172/1966 Art. 195. (...) Fl. 125DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 8 Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei no 10.406/2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. No que tange à alegação de que as irregularidades constatadas não prejudicaram o trabalho fiscal, frisamos que isso não afasta o descumprimento da obrigação acessória infringida, nem implica em relevação ou cancelamento da penalidade imposta à Recorrente. Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei no 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação independente do prejuízo ou não causado ao erário. Com relação ao pedido de relevação da penalidade, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante (fls. 01 e 31). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Fl. 126DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10976.000171/200910 Acórdão n.º 2402001.726 S2C4T2 Fl. 100 9 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a incluir em folhas de pagamentos os valores pagos aos contribuintes individuais José da Silva Anício, Cláudio Oliveira de Souza e Luiz Sérgio Izidoro. Por fim, é importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir as folhas de pagamentos, no prazo estabelecido por meio do TIF, em conformidade com os padrões e normas estabelecidos pela Lei no 8.212/1991, não cabendo ao fisco analisar os motivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente, eis que ela deixou de incluir em folhas de pagamentos os valores pagos aos contribuintes individuais – nas competências 01/2004 a 12/2004 – José da Silva Anício, Cláudio Oliveira de Souza e – nas competências 03/2004, 05/2004, 07/2004, 10/2004 e 12/2004 – Luiz Sérgio Izidoro. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 10 Fl. 128DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 10240.900446/2009-11
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.144
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem em declaração de compensação, transmitida por meio do programa PER/DCOMP em 19.08.2005, através da qual a recorrente extinguiu débitos tributários federais oferecendo, em contrapartida, afirmados créditos resultantes de pagamentos a maior da COFINS, apurada com base no fato gerador praticado em 30 de março de 2004. Na DRF-Porto Velho/RO, a homologação da compensação foi recusada sumariamente, por meio do despacho decisório mecânico de fls. 6, não precedido de qualquer providência investigativa ou mesmo de intimação que oportunizasse à interessada a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito alegado. Sintética fundamentação exposta no quadro 3 do decisum elucida que o resultado decorreu – apenas – da transmissão da DCOMP sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante de COFINS a pagar naquela competência e efetuado regularmente o recolhimento correspectivo, o sujeito passivo refez os cálculos da base Fl. 114DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900446/2009-11 Resolução n.º 3403-00.144 S3-C4T3 Fl. 110 2 imponível do tributo e verificou ter promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o suposto excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria COFINS de março de 2004. Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 18/22). Falando pela primeira vez nos autos, relatou que o indébito provinha do equívoco de ter inicialmente acrescido à base de cálculo do tributo a receita de venda de energia elétrica a sociedades de economia mista antes que o respectivo recebimento se desse, conforme lhe facultava o artigo 7 o , da Lei no. 9.718/98. Trouxe aos autos a DCTF retificada posteriormente à intimação do despacho decisório e também a DIPJ relativa ao ano-calendário do fato gerador e tempestivamente entregue, na qual, segundo afirma, teria informado corretamente o tributo devido. Mais importante que isso, porém, advogou infração aos princípios da verdade material e do formalismo moderado no procedimento da autoridade preparadora, eis que, realmente, a negativa veio antes que a existência e o montante do crédito fossem minimamente investigados. Sobreveio, na sequência, aresto da DRJ-Belém/PA desprovendo a manifestação de inconformidade (fls. 49/52). Repetiu-se o fundamento do despacho decisório, acrescentando-se, ainda, que o sujeito passivo, tendo tido a ocasião para documentar a existência do crédito alegado, disperdiçara a oportunidade sem se desincumbir do respectivo ônus. No recurso voluntário manejado, a recorrente, então, procurou detalhar as etapas do procedimento de apuração da base imponível da exação para o período em consideração e, com isso, demonstrar o indébito cujo reconhecimento pretende. Com a peça, trouxe também, além da guia DARF comprobatória do recolhimento supostamente excessivo e das DCTFs original e retificadora, cópia de balancete patrimonial levantado para 30 de março de 2004 (fls. 86/98) e de trecho do Livro Razão onde escrituradas operações do período (fls. 99). Eis, em síntese, o relatório. Voto Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Não é de boa técnica que a proposta de conversão do julgamento em diligência antecipe o enfrentamento de questões que, a rigor, serão melhor examinadas quando do retorno dos autos. É por esta razão que entendo mais apropriado expor, aqui, somente o necessário a justificar, perante meus pares, a solução que venho lhes apresentar. Mesmo assim, alguma discussão de caráter procedimental é indispensável – e dela não me furtarei – confortável quanto à permissão regimental de que estes mesmos temas sejam novamente debatidos por ocasião da conclusão do julgamento (artigo 63, §6 o , Anexo II, Portaria MF no. 256/2009). O objeto central dos processos administrativo-fiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e Fl. 115DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900446/2009-11 Resolução n.º 3403-00.144 S3-C4T3 Fl. 111 3 dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório de fls. 6, vigorava a IN/RFB nº 900/08, cujo artigo 3 o estabelecia: “Art. 3º (...) § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900446/2009-11 Resolução n.º 3403-00.144 S3-C4T3 Fl. 112 4 A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distancia-se do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3 a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF no. 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72, poder-se-ia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJ-Belém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não-homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que, partindo dos documentos carreados aos autos pela recorrente, as seguintes perguntas sejam respondidas: (a) a escrituração contábil da recorrente reveste-se das formalidades aplicáveis? Fl. 117DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900446/2009-11 Resolução n.º 3403-00.144 S3-C4T3 Fl. 113 5 (b) a partir da escrituração contábil do período (março/2004), em quanto monta a base de cálculo da exação? Que natureza (origem) de receitas integram a base de cálculo (venda de energia elétrica, receitas financeiras, etc.)? Quais as exclusões aplicadas? (c) qual a origem da diferença, caso existente, entre a importância recolhida a maior pela recorrente e aquela efetivamente devida, conforme a base de cálculo apurada no item anterior? Qual o montante das vendas, no período, de bens e serviços a empresas públicas e sociedades de economia mista pelas quais a recorrente efetivamente recebeu? (d) as receitas de vendas a empresas públicas e sociedades de economia mista que, ao recalcular o tributo, a recorrente excluiu da respectiva base imponível, foram oferecidas à tributação por ocasião do efetivo recebimento, em períodos de apuração subseqüentes? (e) o crédito determinado no item anterior é suficiente para liquidar por inteiro a compensação realizada? Pede-se à unidade de origem que, colhidas as respostas, elabore relatório circunstanciado, ao qual poderá acrescer informações adicionais que repute relevantes. Após, dê-se vista do relatório à recorrente, facultando-se-lhe manifestação em 30 (trinta) dias, findos os quais retornem os autos para conclusão do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 118DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 11686.000352/2008-85
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.168
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual a recorrente intenta receber pelo saldo credor acumulado da contribuição ao PIS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao primeiro trimestre de 2005, em virtude de atividade exportadora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou o relatório acostado às fls. 19/22 dos autos no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, a recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) a recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3o, inciso IX, da Lei no. 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul (fls. 54/57), afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a requerente – trazendo aos autos planilha demonstrativa (fls. 59) – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semi elaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJPorto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. Este o relatório do essencial. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, Relator. De acordo com a fiscalização, o crédito a que a recorrente faz jus seria inferior ao pretendido, inicialmente porque operações realizadas no trimestre para transferência a terceiros de direitos creditórios relativos ao ICMS não teriam sido espontaneamente submetidas à tributação. Anexo ao relatório de informação fiscal, às fls. 17, há, inclusive, uma planilha demonstrativa dos valores que, segundo o auditor encarregado do procedimento, a recorrente teria auferido como resultado dos aludidos negócios jurídicos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000352/200885 Resolução n.º 340300.168 S3C4T3 Fl. 2 3 De sua parte, a interessada nega sumariamente, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso que, de fato, haja praticado semelhantes operações, sustentando também que a legislação local as vedaria. Especulo que, no intento de explicar a origem dos valores que a fiscalização interpretou serem provenientes destas transferências, a recorrente traz aos autos cópia de convênio firmado com a Secretaria da Fazenda do RS (fls. 54/57), relatando ser titular de incentivo fiscal concernente ao ICMS. Do documento se lê, com efeito, que, atendida uma série de condições, a recorrente desfrutaria, desde julho de 2004, de crédito presumido do ICMS correspondente a uma parcela do valor do próprio imposto incidente nas operações de saída de fertilizantes de fabricação própria, com destino a outros estados da federação. Sinteticamente, portanto, ao comercializar os produtos a adquirentes de outras unidades federativas e apurar o imposto correspectivo, a pessoa jurídica reconheceria, em sua escrita fiscal e contábil, um direito oponível ao Estado do Rio Grande do Sul, no importe de 75% daquele tributo. Diante de eventos sujeitos a procedimentos contábeis tão distintos, difícil conceber que a fiscalização os possa ter confundido. Enquanto a transferência onerosa de saldos credores do ICMS se processa por lançamento a crédito em conta de “impostos a recuperar” e a débito de “caixa” ou “bancos”, acompanhada, simultaneamente, por uma redução de mesmo valor nos saldos mantidos no livro de apuração do tributo, a apropriação do alegado crédito presumido conduz a registros opostos em “impostos a recuperar”. A conta é debitada (isto é, acrescida) e assim permanecerá até que, chegado o vencimento do prazo para o recolhimento do ICMS, a compensação aconteça. Daí porque, ao menos por ora, a versão trazida pela parte não me satisfaz inteiramente. É fato que a fiscalização não produziu nos autos sequer um início de prova do fato que alega: a cessão onerosa de créditos de ICMS. Limitase, como expus, a confeccionar uma planilha demonstrativa dos valores que supostamente teriam sido auferidos pela empresa a este título. Os autos não contêm, repitase, qualquer elemento documental capaz de debelar a incerteza quanto à ocorrência das tais operações. Observo, todavia, do “Termo de Início de Fiscalização” que, ao ensejo do procedimento, a empresa foi intimada a fornecer à auditoria uma vasta gama de documentos fiscais e contábeis, alguns dos quais, em tese, aptos a melhorar os níveis de certeza no julgamento da lide. Entre eles, cito em particular a requisição de informação quanto “ao valor mensal das receitas com créditos de ICMS transferidos a terceiros”. Mais importante até, vejo de fls. 13/14, que a recorrente atendeu à intimação entregando à autoridade um CDROM que supostamente continha: (i) balancetes, (ii) razões de contas como “vendas diversas” e “receitas diversas”, (iii) demonstrativo de cálculos, (iv) planilha dos incentivos fiscais, e (iv) livros fiscais (entrada, saída e apuração) relativos ao ICMS. Ao que tudo indica, portanto, foi com base no exame destes elementos que a fiscalização produziu o relatório de fls. 19/22 e as planilhas que o acompanham, a significar que tenha compulsado documentos aptos a esclarecer a questão. Neste contexto, a proposta que apresento é a de conversão do julgamento em diligência, sem o que tenho por prematura a resolução do recurso. Como a medida, porém, não pode se prestar a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova, limito me a determinar ao órgão de origem que junte aos autos via impressa dos elementos documentais – dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização – que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 entenda capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros. Aproveito o ensejo para também determinar à autoridade de origem que, a partir do exame deste mesmo conjunto documental, informe sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, os que tinham por objeto a remessa de produtos acabados daqueles que, de outro lado, envolveram somente itens em fabricação. Caso afirmativa a resposta, deverá a autoridade elaborar quadro separando as duas situações. Finda a diligência que, repito, não objetiva a coleta de provas adicionais àquelas já anteriormente entregues pela recorrente, a autoridade elaborará relatório conclusivo a respeito das questões submetidas (descrevendo, inclusive, as supostas transferências de saldo credor de ICMS) e, na seqüência, abrirá vista para manifestação da interessada, no prazo de trinta dias. Feito isso, retornem os autos para continuação do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10980.931911/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
EXTINÇÃO DE ESTIMATIVAS POR COMPENSAÇÃO. COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO.
Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
Numero da decisão: 1001-002.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 7.717,48 e homologar as DCOMP objeto do presente processo no limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: Sérgio Abelson
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COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 7.717,48 e homologar as DCOMP objeto do presente processo no limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 19 11 /2 01 1- 17 Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.664 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.931911/2011-17 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 30/32) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 02, que homologou parcialmente e não homologou as compensações constantes das DCOMP que menciona, de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006, informado em DCOMP no valor de R$ 7.709,44, em DIPJ no valor de R$ 7.719,94 e reconhecido no valor de R$ 3.019,43, tendo em vista a não confirmação de estimativas compensadas no valor de R$ 4.698,05, conforme relatório de “Análise de Crédito” do despacho decisório, às folhas 03/04, na tabela reproduzida a seguir: Em sua manifestação de inconformidade (folhas 13/14), a contribuinte alegou que apurou saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2006 declarado em DIPJ no valor de R$ 7.709,44 conforme planilhas que anexa às folhas 20/26, as quais informam crédito no valor de R$ 7.717,48, requerendo a homologação das compensações. No acórdão a quo não foi reconhecido qualquer crédito adicional, tendo em vista que a DCOMP 39007.14874.270306.1.3.20-5159, que compensa as estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2006, teve compensação não homologada, procedimento que consta do processo nº 10980.916421/2010-00, processo cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente sendo mantido o entendimento do respectivo Despacho Decisório por meio do Acórdão nº 59.582 de 20 de abril de 2018 da 4ª Turma da DRJ/Recife. Ciência do acórdão DRJ em 28/01/2020 (folha 35). Recurso voluntário apresentado em 27/02/2020 (folha 36). A recorrente, às folhas 40/42, em síntese do necessário, reitera suas alegações anteriores, anexando demonstrativos por ela elaborados às folhas 43/47 e cópias de DCOMP às folhas 48/149. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.664 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.931911/2011-17 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo e admissível segundo os demais requisitos do Decreto nº 70.235/72; portanto, dele conheço. A lide remanescente se restringe à confirmação da compensação das estimativas de IRPJ de janeiro, fevereiro e março de 2006 mediante a DCOMP 39007.14874.270306.1.3.20- 5159, objeto do processo nº 10980.916421/2010-00, o qual se encontra pendente de julgamento na presente sessão. O caso é de aplicação imediata da Súmula CARF nº 177, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 177 Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Desta forma, devem ser confirmadas as parcelas de crédito correspondentes às referidas estimativas, no valor total de R$ 4.698,05, montante de que deve ser adicionado ao de pagamentos confirmados (R$ 6.604,94) e subtraído do IRPJ devido (R$ 3.585,51), para reconhecer saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 7.717,48, admitindo que a informação em DCOMP de valor ligeiramente inferior tenha se dado por mero erro de preenchimento. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 7.717,48 e homologar as DCOMP objeto do presente processo no limite do crédito reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11070.001841/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. ABONO ASSIDUIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O entendimento consolidado do STJ é no sentido de que são de natureza indenizatória as verbas pagas a título de abono assiduidade convertido em pecúnia, uma vez que têm por objetivo premiar o empregado que desempenha de forma exemplar as suas funções, de modo que não integram o salário de contribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária.
Numero da decisão: 2402-010.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos referentes aos DEBCAD nº 37.115.359-0 e 37.115.357-3, esse último objeto do processo nº 11070001839200813 (apenso), os valores relativos ao levantamento FP6 (prêmio assiduidade). Vencidos os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem, Francisco Ibiapino Luz e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. ABONO ASSIDUIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O entendimento consolidado do STJ é no sentido de que são de natureza indenizatória as verbas pagas a título de abono assiduidade convertido em pecúnia, uma vez que têm por objetivo premiar o empregado que desempenha de forma exemplar as suas funções, de modo que não integram o salário de contribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária.
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CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. ABONO ASSIDUIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O entendimento consolidado do STJ é no sentido de que são de natureza indenizatória as verbas pagas a título de abono assiduidade convertido em pecúnia, uma vez que têm por objetivo premiar o empregado que desempenha de forma exemplar as suas funções, de modo que não integram o salário de contribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos referentes aos DEBCAD nº 37.115.359-0 e 37.115.357-3, esse último objeto do processo nº 11070001839200813 (apenso), os valores relativos ao levantamento FP6 (prêmio assiduidade). Vencidos os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem, Francisco Ibiapino Luz e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcio Augusto Sekeff Sallem, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 18 41 /2 00 8- 92 Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001841/2008-92 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que reproduzo abaixo: O presente lançamento decorre da falta de contribuição previdenciária parte patronal, segurados e SAT/RAT, incidente sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas na GFIP e/ou declaradas após o início da ação fiscal, cuja informação foi omitida quando da retenção das contribuições correntes no repasse do Fundo de Participação do Município — FPM para a Prefeitura Municipal de Braga, por força de acordo firmado com o INSS. Os levantamentos foram os seguintes: a) Folha de Pagamento — FP corresponde à diferença de alíquota de contribuição para o Seguro Acidente do Trabalho, parte patronal sobre a remuneração dos segurados da folha de pagamentos do Município no período de 06/2007 a 04/2008; b) Folha de Pagamento Sem GFIP — FP2 corresponde à parte patronal sobre rescisões, gratificações, diferenças salariais, salários pagos por empenho antes da contratação nas competências apontadas no item 2.2 da folha 47; c) Folha de Pagamento Contribuinte Individual — FP3 corresponde à contribuição patronal sobre os valores pagos a contribuintes individuais nas competências indicadas no item 2.3 da folha 47 e relacionados no Relatório de Lançamento nas folhas 23 a 28; d) Pagamento de Prêmio Assiduidade — FP6 corresponde à contribuição previdenciária sobre o referido prêmio, parte patronal , nas competências que menciona, não recolhidas na época própria. Tais valores foram declarados na GFIP após o início da ação fiscal conforme registrado no Relatório Fiscal do Auto de Infração das folhas 46 a 48 e 28 a 30 (apenso). O levantamento do processo apensado diz respeito à contribuição dos segurados e contribuintes individuais não repassadas integralmente à Seguridade Social no período de 01 /2004 a 07/2007. Observa o auditor que os valores declarados na GFIP eram retidos no repasse do Fundo de Participação dos Municípios — FPM e que, além disto, o município emitia guias de pagamentos (GPS) ora para recolhimento de pagamentos efetuados a contribuintes individuais, ora para recolhimento de contribuições sobre valores pagos em rescisões, todas apropriadas no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA (11s. 33 a 37 e 14 a 18(apenso). O autuado apresentou impugnação em 25/11/2008 argumentando que segundo entendimento do Supremo Tribunal de Justiça que quanto a este tipo de verba [abono assiduidade] quando convertido em pecúnia, trata-se de indenização e, portanto, não tem caráter salarial c não integra a base da contribuição previdenciária. Tal afirmativa tem por fundamento o Recurso Especial STJ-RESP 496408-PR-1ª T - Rel. Min. Denise Arruda. Argui que os valores lançados no levantamento FP3 refere-se a auxílio financeiro concedido a munícipes para o pagamento de consultas médicas especializadas pagas a profissionais fora da sede municipal e manifesta-se inconformado com o lançamento por entender que nada justifica tal procedimento. Repete os mesmos argumentos na defesa do processo apenso relativo à parte dos segurados e não se manifesta sobre os demais lançamentos objeto das presentes autuações. A 4ª turma da DRJ/STM julgou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008 ALÍQUOTA DE SAT/RAT - PRÊMIO ASSIDUIDADE - LEVANTAMENTOS NÃO CONTESTADOS Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001841/2008-92 A alíquota de SAT/RAT decorre da atividade preponderante vinculada ao código CNAE FISCAL. Lançamentos não contestados expressamente dispensam apreciação. Constituem remuneração os prêmios concedidos aos segurados empregados decorrentes de assiduidade e pagos na vigência do contrato de trabalho. Lançamento Procedente Notificado dessa decisão aos 07/05/09 (fls. 65), o contribuinte interpôs recurso voluntário aos 06/05/09 (fls. 67 ss.), no qual reproduz os mesmos argumentos de defesa apresentados em primeira instância de julgamento. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, pelo que dele conheço. Trata-se de recurso interposto contra acórdão que julgou procedentes autos de infração (AI DEBCAD nº 37115359-0 e AI DEBCAD de nº 37115357-3, este último objeto do PAF de nº 11070001839200813, apensado a estes autos para julgamento conjunto) para a constituição de contribuições à seguridade social, parte patronal, segurados e SAT/RAT, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas na GFIP e/ou declaradas após o início da ação fiscal, cuja informação foi omitida quando da retenção das contribuições correntes no repasse do Fundo de Participação do Município — FPM para a Prefeitura Municipal de Braga. O AI DEBCAD de nº 37115359-0 tem por objeto dos seguintes lançamentos: a) Folha de Pagamento - FP corresponde à diferença de alíquota de contribuição para o Seguro Acidente do Trabalho, parte patronal sobre a remuneração dos segurados da folha de pagamentos do Município no período de 06/2007 a 04/2008; b) Folha de Pagamento Sem GFIP - FP2 corresponde à parte patronal sobre rescisões, gratificações, diferenças salariais, salários pagos por empenho antes da contratação nas competências apontadas no item 2.2 da folha 47; c) Folha de Pagamento Contribuinte Individual - FP3 corresponde à contribuição patronal sobre os valores pagos a contribuintes individuais nas competências indicadas no item 2.3 da folha 47 e relacionados no Relatório de Lançamento nas folhas 23 a 28; d) Pagamento de Prêmio Assiduidade - FP6 corresponde à contribuição previdenciária sobre o referido prêmio, parte patronal , nas competências que menciona, não recolhidas na época própria. Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001841/2008-92 O AI DEBCAD de nº 37115357-3, (autos do PAF de nº 11070001839200813, apenso), por sua vez, têm por objeto os seguintes levantamentos: e) FP2 - FOLHA PAGAMENTO SEM GFIP: valores referentes à parte dos segurados sobre rescisões, diferenças de salários nas competências de 04/2004, 11/2004, 13/2004, 03/2005 e 03/2007; f) FP3 - FOLHA PAGAMENTO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL: valores referentes à parte de contribuintes individuais nas competências de 01/2004, 03/2004, 04/2004, 11/2004, 11/2005, 02/2006, 04/2006, 05/2006, 02/2007 e 07/2007. g) FP6 - PAGAMENTO PRÊMIO ASSIDUIDADE: valores referentes à parte de segurados empregados sobre a remuneração de premio assiduidade das competências de 03/2004, 04/2004 e 10/2004. Notificado dos lançamentos, o contribuinte impugnou, tão, somente, as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de prêmio assiduidade (levantamentos FP6) e os valores lançados nos levantamentos FP3, que alega se tratar de contribuições incidentes sobre auxílio financeiro concedido a munícipes para o pagamento de consultas médicas especializadas pagas a profissionais fora da sede municipal prestados pelos segurados contribuintes individuais no período de 01/2005 a 12/2005. Com relação ao levantamento FP6, argumenta que segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, esse tipo de verba, quando convertida em pecúnia, trata-se de indenização e, portanto, não tem caráter salarial e não integra a base da contribuição previdenciária, conforme decidido no REsp nº 496408-PR. Com relação ao levantamento FP3, alega que estes auxílios não podem se constituir em base de tributação do INSS, pois nada justifica tal procedimento, pelo que impende a exclusão dos pertinentes débitos lançados. A DRJ/STM julgou os lançamentos procedentes, entendendo que não houve contestação em relação ao levantamento FP3, pois o contribuinte se limitou a alegar falta de justificativa para tributação e que, com relação ao levantamento FP6, a tese defendida pelo impugnante somente procede quando o abono-assiduidade for pago na rescisão do contrato de trabalho, assumindo caráter indenizatório. Como na presente situação, o prêmio é pago aos funcionários em atividade, não está configurada a indenização, mas gratificação pelo cumprimento de normas internas com reflexo sobre a produtividade individual. Em seu recurso voluntário, como dito, o recorrente reproduz os argumentos constantes de sua impugnação. Pois bem. Com relação aos levantamentos FP3, entendo que tem razão o julgador de primeira instância. Com efeito, dispõe o art. 16, do Decreto nº 70235/72, em seu inciso III, que a impugnação mencionará “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Nessa linha, de fato, não se pode considerar como efetivamente impugnada, nos termos do dispositivo em questão, a cobrança de crédito tributário contra a qual o contribuinte se limita a alegar, como fez o impugnante, agora recorrente, que “estes auxílios não podem se Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001841/2008-92 constituir em base de tributação do INSS, pois nada justifica tal procedimento”, sem apontar nenhum motivo de fato ou de direito, nem nenhuma razão que ampare esse seu entendimento; Assim, entendo que, realmente, essa matéria não foi efetivamente contestada, razão pela qual tornou-se incontroversa. No que diz respeito à cobrança de contribuições sociais sobre valores pagos pelo recorrente a título de abono assiduidade, objeto dos levantamentos FP6, entendo, por outro lado, que tem razão o recorrente. Nesse ponto, como mencionado, entendeu o julgador “a quo” que tal verba somente tem caráter indenizatório quando paga na rescisão do contrato de trabalho, mas não quando paga em situações em que o beneficiário se encontra em atividade, como no caso. Como fundamento para esse entendimento, cita o REsp de nº 788833/SP (rel. Humberto Martins, T2, j. 12/09/2006, DJ 22/09/2006). Ocorre que o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça não condiciona a natureza indenizatória da verba em questão à circunstância de ser paga apenas na rescisão do contrato de trabalho. Nesse sentido, cito, exemplificativamente, o precedente abaixo, dentre inúmeros outros no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE AS PARCELAS RECEBIDAS A TÍTULO DE 13o. (DÉCIMO TERCEIRO) SALÁRIO, AUXÍLIO-MATERNIDADE, HORAS-EXTRAS, ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE, NOTURNO E PERICULOSIDADE, REPOUSO SEMANAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O ABONO ASSIDUIDADE CONVERTIDO EM PECÚNIA. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento dos Recursos Especiais 1.358.281/SP e 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos previsto art. 543-C do CPC, entendeu que não incide a Contribuição Previdenciária sobre o adicional de um terço de férias, sobre o aviso prévio indenizado e sobre os primeiros quinze dias de auxílio-doença e auxílio-acidente; incidindo sobre o adicional noturno e de periculosidade, sobre os salários maternidade e paternidade, e sobre as horas-extras. 2. Consolidou-se na Seção de Direito Público desta Corte o entendimento de que incide Contribuição Previdenciária sobre a verba relativa aos adicionais de periculosidade, insalubridade, décimo-terceiro salário, abono pecuniário, repouso semanal, auxílio- alimentação pago em espécie e adicional de sobreaviso. 3. A jurisprudência desta Corte assentou o entendimento de que incide Contribuição Previdenciária sobre o valor pago a título de faltas abonadas. Todavia, de natureza indenizatória são as verbas pagas a título de abono assiduidade convertido em pecúnia, uma vez que tem por objetivo premiar o empregado que desempenha de forma exemplar as suas funções, de modo que não integram o salário de contribuição para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. 4. Também já se encontra consolidado nesta Corte a orientação de que o adicional de transferência possui natureza salarial, conforme firme jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, pois, da leitura do § 3o. do art. 463 da CLT, extrai-se que a transferência do empregado é um direito do empregador, sendo que do exercício regular desse direito decorre para o empregado transferido, em contrapartida, o direito de receber o correspondente adicional de transferência (REsp. 1.581.122/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe 31.5.2016). No mesmo sentido, citam-se: REsp. 1.217.238/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 3.2.2011; AgRg no REsp. 1.432.886/RS, Rel. Min. OG FERNANDES, DJe de 11.4.2014). Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.467 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11070.001841/2008-92 5. Quanto à verba recebida a título de prêmio desempenho, é firme o entendimento de que, configurado o caráter permanente ou a habitualidade da verba recebida, bem como a natureza remuneratória da rubrica, incide Contribuição Previdenciária sobre as parcelas recebidas pelo empregado. 6. Agravo Interno da Empresa desprovido. 1 (Destaquei) Do Relatório de Lançamentos (RL - RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS - LEVANTAMENTO FP6 - PAGAMENTO PRÊMIO ASSIDUIDADE), a fls. 31 ss., verifica-se que a verba em questão foi paga uma única vez em cada ano-calendário a trabalhadores distintos. Assim, entendo que, diferentemente do que entendeu o julgador de primeiro grau, os valores pagos a título de prêmio assiduidade têm natureza indenizatória, na linha do entendimento consolidado do STJ. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir dos lançamentos (AI’s DEBCAD nºs 37115359 e 37115357-3, esse último, objeto do PAF de nº 11070001839200813, apenso) os valores objeto do levantamento FP6 (prêmio assiduidade). (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini 1 AgInt nos EDcl no REsp nº 1.566.704/SC, rel. Napoleão Nunes Maia Filho, T1, j. 17/12/2019, DJe 19/12/2019 Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11330.000928/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-001.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso pela decadência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso pela decadência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausentes os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 13/08/2007. Seguem transcrições da ementa e parte do relatório que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRO LABORE. INCIDÊNCIA. I 0 direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. II O nãorecolhimento das contribuições relativas remuneração creditada a contribuintes individuais por serviços prestados a empresa, impõe a constituição do competente crédito. ... Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.104.1708, consolidado em 13/08/2007), contra a empresa acima identificada pertinente As contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados contribuintes individuais (outrora denominados autônomos) que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 23/27), referemse As RETIRADAS PRÓLABORE (honorários dos sócios), apurados de acordo com a verificação dos lançamentos escriturados nos Livros Diários de 1997 e 1998. Contra a decisão, o recorrente reitera as alegações trazidas na impugnação: 4.1. Que a contribuição previdenciária é tributo lançado por homologação e assim, sujeito ao prazo de decadência de 5 anos, quer contado do fato gerador, na forma do artigo 150 § 40 do CTN, quer do artigo 173, Ido CTN; 4.2. A matéria foi examinada pelo E. STJ quando do julgamento dos embargos de divergência em RESP 408.617, conforme anexo I As fls. 47; 4.3. Que a jurisprudência torna prevalente o CTN como Lei Complementar, para reger a matéria, que não poderia ser revogado o art. 173, I por uma simples lei ordinária; 4.4. Requer que a presente impugnação seja conhecida e provida para se cancelar o lançamento. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11330.000928/200753 Acórdão n.º 240201.778 S2C4T2 Fl. 99 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. ... Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Fl. 143DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ... Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase que se trata de autuação por descumprimento de obrigação principal, portanto lançamento por homologação e, ainda, verificase que ´não houve pagamento parcial das contribuições relativas aos segurados, daí deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. No entanto, independentemente da regra aplicável, o direito de constituição do crédito já havia se esvaído à época do lançamento. Em razão do exposto, acolho a preliminar de decadência para provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 144DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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