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6330454 #
Numero do processo: 17546.000561/2007-29
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Numero da decisão: 2803-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para reformar a decisão recorrida e o lançamento em razão de parcial extinção dos créditos por ocorrência do lapso decadencial, devendo o cálculo do crédito tributário ser apurado apenas sobre à 199,20m². (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17546.000561/2007­29  Acórdão n.º 2803­004.116  S2­TE03  Fl. 3          2     (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator ad hoc na data da formalização.        Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: HELTON CARLOS  PRAIA  DE  LIMA  (Presidente),  RICARDO  MAGALDI  MESSETTI,  AMILCAR  BARCA  TEIXEIRA  JUNIOR,  OSEAS  COIMBRA  JUNIOR,  GUSTAVO  VETTORATO  (Relator),  EDUARDO DE OLIVEIRA.  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17546.000561/2007­29  Acórdão n.º 2803­004.116  S2­TE03  Fl. 4          3   Relatório  Conselheiro  Marcelo  Oliveira  ­  Relator  designado  ad  hoc  na  data  da  formalização   Para  registro  e  esclarecimento,  pelo  fato  do  conselheiro  responsável  pelo  relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê­ lo.  Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas  internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.    Trata­se recurso contra decisão a quo que manteve parcialment o lançamento  de  obrigação  principal  lavrado  contra  o  contribuinte  acima  identificado,  referente  às  contribuições  previdenciárias  (empregador  e  segurados),  ao  SAT  e  à  terceiras  entidades,  em  que a base de cálculo foi apurada por aferição indireta pelo CUB ­ Custo Unitário Básico, para  regularização  de  1.418,85m²,  referente  a  obra  realizada,  conforme  relatório  fiscal,  entre  01.01.1996 a 31.12.2005, período que foi considerado para a constituição do crédito. A ciência  do  lançamento  foi  em  30.10.2006.  O  acórdão  recorrido  cancelou  (proporcionalmente)  parcialmente o crédito equivalente a 59(cinquenta e nove) meses, em razão de decadência na  forma do art. 173, I, de CTN. A manutenção do lançamento deu­se em razão da parte não ter  comprovado a finalização da obra no ano de 2001 e com a área total, bem como não apresentou  documentos hábeis para comprovar os fatos geradores  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso voluntário apresentando novos documentos, em especial um laudo  técnico, contas de  energia  e  água,  ofício  do  Comando  Geral  da  Aeronáutica,  e  auto  de  vistoria  do  corpo  de  bombeiros, bem como requer a aplicação do disposto no art. 150, §4º, do CTN e decadência  qüinqüenal do lançamento.  Os autos foram devolvidos à esta Turma para apreciação.  É o relatório.  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17546.000561/2007­29  Acórdão n.º 2803­004.116  S2­TE03  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro  Marcelo  Oliveira  ­  Relator  designado  ad  hoc  na  data  da  formalização.  Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto  ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê­lo.  Esclareço que aqui reproduzo ­ integralmente ­ as razões de decidir do então  conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.    1)  O  recurso  é  tempestivo,  preenchendo  os  requisitos  de  admissibilidade,  devendo ser conhecido.  2) O Supremo Tribunal Federal,  conforme entendimento sumulado, Súmula  Vinculante  de  n  º  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras:  Súmula  Vinculante  nº  8“São  inconstitucionais  os  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.  Conforme previsto no art. 103­A da Constituição Federal a Súmula de n º 8  vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la.  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há  que serem observadas as regras previstas no CTN.   As  contribuições  previdenciárias  são  tributos  lançados  por  homologação,  assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então  o pagamento antecipado, observar­se­á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do  CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, assim caso esse não exista, não há o que  ser homologado, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17546.000561/2007­29  Acórdão n.º 2803­004.116  S2­TE03  Fl. 6          5 hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN.  Caso  tenha  ocorrido  dolo,  fraude  ou  simulação  não  será  observado  o  disposto  no  art.  150,  parágrafo  4o  do  CTN,  sendo  aplicado  necessariamente  o  disposto  no  art.  173,  inciso  I,  independentemente de ter havido o pagamento antecipado.  Conforme  demonstrado  pelo  relatório  fiscal  e  demais  demonstrativos,  os  créditos  lançados  foram  todos  apurados  pela  própria  fiscalização,  e  os  fatos  geradores  não  haviam  sido  informados  pela  Recorrente  das  declarações  à  Previdência  Social.  Assim,  não  haverá  pagamento  a  ser  homologado,  incorrendo na  aplicação  da  regra decadencial  art.  173,  inciso  I,  do  CTN.  Nessa  hipótese,  caso  não  haja  ciência  do  lançamento,  o  direito  de  constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Atente­se ao  fato de que a constituição do crédito  tributário  foi cientificada  oficialmente à contribuinte no dia 30.10.2006, contudo, como observa­se nos artigos 466 e 482,  da IN 03/2005­SRP, retificados em razão do reconhecimento do prazo quiquenal de decadência  e substituídos pelos arts. 374 e 390 da IN n. 09/2009 da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  houve decadência parcial dos fatos geradores apurados pela fiscalização, desde o início ao final  da obra, dos fatos geradores ocorridos anteriores à 1º.01.2001.  Assim,  quanto  à  aplicação  da  decadência,  o  acórdão  recorrida  está  parcialmente  recorrida,  pois  os  fatos  geradores  ocorridos  na  competência  12/2000  também  estão decadentes, observando que o fato gerador das contribuições previdenciárias ocorrem no  momento  da  prestação  do  serviço,  não  na  data  do  pagamento  (art.  43,  §2º,  da  Lei  n.  8.212/1991)  3) Conforme os documentos analisados pelo autuante, está claro que a obra  objeto  de  análise  teve  início  em  01.01.1996,  conforme  o  ARO,  fato  inconteste.  Tal  início  comprovado  também  serve  como  início  da  contagem  da  decadência  do  direito  da  Fazenda  Pública constituir os créditos tributários referentes às obrigações nascidas naquele período. (art.  390, § 2º, da IN n. 09/2009 da Receita Federal do Brasil).   Observa­se que a parte apresentou o (fls. 209), Auto de Vistoria do Corpo de  Bombeiros n. 222288, requerido pelo pedido em 2001, que declarou a conformidade da obra,  informando a área total da construção do imóvel, datado de 01.04.2002. que corrobora com os  outros  documentos  juntados  como  o  Ofício  n.  957/SERENG­4/3105  de  Deferimento  de  conformidade da obra dado pelo Quarto Comando Aéreo Regional, datado de 26.09.2001 (fls.  221). Tal documento é apresentado como comprovação de término da obra em 2001. Ainda há  declaração  da  empresa  de  energia  está  lidada  desde  14.06.2000  (fls.  211).  Contudo  o  único  documento  com  data  certa  de  que  houve  averiguação  da  finalizada  em  2001,  é  o  Ofício  n.  957/SERENG­4/3105, datado de 26.09.2001. Dessa forma, por ser o único documento público  com  uma  data  exata,  entendo  que  essa  deve  ser  considerado  o  dia  26.09.2001  como  a  data  efetiva de finalização da obra.  Em razão da verdade material  (art. 16, do Dec. 70235), os meios de prova,  desde  que  não  sejam  obtidas  de  forma  ilícita,  não  ficam  adstrito  a  numerus  clausus  estabelecidos  em  instrumento  introdutor  de  normas  infra­legal,  de  caráter  interno  do  INSS.  Assim, considerando que, dentre os documentos apresentados, há atos públicos dotados de fé  público, deve ser entendido como documento hábil para comprovação da obra em 2001.  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17546.000561/2007­29  Acórdão n.º 2803­004.116  S2­TE03  Fl. 7          6 Logo,  a  obra  durou  de  01.01.1996  a  26.09.2001,  ou  seja,  69,8  (sessenta  e  oito)  meses.  Desse  período,  60(sessenta)  meses  estão  decadentes.  Considerando  o  cálculo  utilizado, pela própria decisão anterior, na forma do art. 443,  IV, da IN MPS/SRP n. 3/2005,  em  que  a  decadência  é  calculada  na  proporção  do  tempo  total  da  obra  em  relação  a  área,  85,95% do período  da obra  está  decadente,  restando  apenas  14,04% da  obra  é  que  pode  ser  lançado. Tal porcentagem expressa na área considerada para o  lançamento (1.418,85m²), não  decadente, é equivalente à 199,20m².  3) Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, DAR­ LHE PROVIMENTO, para  reformar a decisão  recorrida e o  lançamento em razão de parcial  extinção  dos  créditos  por  ocorrência  do  lapso  decadencial,  devendo  o  cálculo  do  crédito  tributário ser apurado apenas sobre à 199,20m².    Foi  assim  que  o  conselheiro  votou  na  sessão  de  julgamento,  conforme  registro.    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator ad hoc na data da formalização                                Fl. 243DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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Numero do processo: 13804.000928/2002-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FORMAÇÃO DO CRÉDITO. Nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendo-o por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SURGIMENTO DO ÁGIO. DEPENDÊNCIA DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. A verificação de que empresas envolvidas em reorganizações societárias são ou não independentes para fins de oponibilidade do planejamento ao Fisco deve focar nas operações que deram o surgimento ao ágio e não nas incorporações posteriormente realizadas. Por uma razão lógica é certo que após a aquisição de participação societária relevante com o surgimento do ágio as empresas envolvidas deixarão de ser independentes. ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. DEMONSTRAÇÃO. NECESSIDADE. A demonstração do fundamento econômico do lançamento do ágio deve ser arquivada como comprovante da escrituração para que a correspondente amortização seja dedutível. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. A parcela do saldo negativo referente ao imposto retido na fonte deduzido na apuração somente pode ser compensada se o contribuinte provar a referida retenção e a tributação do correspondente rendimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de decadência de revisar os saldos negativos, vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas que acolhia a preliminar; e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a amortização do ágio no valor de R$ 41.027.474,86, bem assim considerar o IRRF comprovado no valor de R$ 2.780.732,68, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FORMAÇÃO DO CRÉDITO. Nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendo-o por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SURGIMENTO DO ÁGIO. DEPENDÊNCIA DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. A verificação de que empresas envolvidas em reorganizações societárias são ou não independentes para fins de oponibilidade do planejamento ao Fisco deve focar nas operações que deram o surgimento ao ágio e não nas incorporações posteriormente realizadas. Por uma razão lógica é certo que após a aquisição de participação societária relevante com o surgimento do ágio as empresas envolvidas deixarão de ser independentes. ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. DEMONSTRAÇÃO. NECESSIDADE. A demonstração do fundamento econômico do lançamento do ágio deve ser arquivada como comprovante da escrituração para que a correspondente amortização seja dedutível. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. A parcela do saldo negativo referente ao imposto retido na fonte deduzido na apuração somente pode ser compensada se o contribuinte provar a referida retenção e a tributação do correspondente rendimento. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de decadência de revisar os saldos negativos, vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas que acolhia a preliminar; e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a amortização do ágio no valor de R$ 41.027.474,86, bem assim considerar o IRRF comprovado no valor de R$ 2.780.732,68, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.211          2 A parcela do saldo negativo referente ao imposto retido na fonte deduzido na  apuração  somente  pode  ser  compensada  se  o  contribuinte  provar  a  referida  retenção e a tributação do correspondente rendimento.   Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  AFASTAR  a  preliminar  de  decadência  de  revisar  os  saldos  negativos,  vencido  o  Conselheiro Marcos  de  Aguiar Villas Boas  que  acolhia  a  preliminar;  e,  no mérito,  por  unanimidade  de  votos, DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso  para  reconhecer  a  amortização  do  ágio  no  valor  de  R$  41.027.474,86, bem assim considerar o  IRRF comprovado no valor de R$ 2.780.732,68, nos  termos do voto do relator.    Documento assinado digitalmente.  Antônio Bezerra Neto ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Guilherme  Adolfo  dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos  de  Aguiar  Villas  Boas,  Fernando  Luiz  Gomes  de Mattos,  Aurora  Tomazini  de  Carvalho  e  Antonio Bezerra Neto.     Relatório    Inicialmente,  esclareço  que  todas  as  indicações  de  folhas  inseridas  neste  relatório  e  no  subsequente  voto  dizem  respeito  à  numeração  digital  do  sistema  e­Processo,  ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos.  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  CARGILL  AGRÍCOLA  S/A  contra  acórdão  proferido  pela  DRJ/São  Paulo  I  que  concluiu  pela  procedência  parcial  de  manifestação  de  inconformidade  acerca  da  compensação  de  créditos  de  saldo  negativo  (no  valor  de  R$  14.156.342,71)  e  pagamentos  indevidos  de  IRPJ  (no  valor  de  22.454.756,65)  correspondentes  ao  ano­calendário  de  2001,  totalizando  o  valor  de  R$  36.611.099,36,  com  débitos  de  diversos  tributos  federais. As  correspondentes  declarações  de  compensação  estão  consubstanciadas  no  presente  processo  e  nos  apensos  de  nº  13804.002056/2003­46,  Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.212          3 13804.007599/2002­79, 13804.007929/2002­26, 13804.007976/2002­70, 13804.008294/2002­ 84, 13804.008675/2002­63 e 13808.000285/2002­13.  A  Derat/SP,  mediante  Despacho  Decisório  (fls.  784  a  803),  reconheceu  apenas parte do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 13.664.828,87, e, por conseguinte,  homologou  a  compensação  até  este  limite.  Essa  decisão  foi  motivada  pelo  fato  de  aquela  unidade  ter  constatado  a  existência  de  um  saldo  de  imposto  a  pagar  no  valor  de  R$  8.462.628,13 ao invés do saldo negativo pleiteado pela empresa. Por isso, o direito creditório  reconhecido foi calculado a partir da diferença entre os pagamentos  indevidos de estimativas  verificados  (quase  a  totalidade  do  originalmente  pleiteado,  qual  seja,  R$  22.127.457,00)  e  aquele saldo de imposto a pagar.  Diante  dessa  decisão,  a  empresa  interpôs  manifestação  de  inconformidade  (fls.  815  a  839)  na  qual  reuniu  os  seguintes  argumentos  (conforme  relatados  no  recurso  apresentado):  (i)  decadência  do  direito  do  fisco  efetuar  a  constituição  de  crédito  tributário no valor de R$ 8.462.628,13 e a impossibilidade de abater tal valor  do direito creditório reconhecido em nome da Recorrente;  (ii)  os  rendimentos  em  operações  de  swap  foram  contabilizados  em  contas  contábeis  diversas  e  foram  adicionados  ao  resultado  do  exercício  de  2001 mediante o lançamento em outras linhas da DIPJ/2002 (linhas 06A/24 e  6A/30);  (iii) não obstante ter deixado de informar o valor das receitas de Juros  Sobre  o  Capital  Próprio  na  linha  correta  da  DIPJ/2002,  informou  na  linha  06A/24, conforme demonstrado;  (iv)  apesar  de  constar  no  balancete  que  o  valor  de R$  10.907.431,36  refere­se aos valores de provisões para devedores duvidosos, na realidade tal  valor  refere­se  às  efetivas  perdas  no  recebimento  de  créditos,  conforme  comprovado;  (v)  o  valor  de  R$  41.979.838,19,  referente  à  diferença  entre  o  valor  declarado  na  linha  06A/38  e  o  declarado  na  linha  09A/10,  diz  respeito  à  amortização de ágio considerado dedutível para determinação do lucro real;  (vi) o valor de R$ 11.333.856,77 refere­se à variação cambial passiva  do  ano  de  2000,  cuja  obrigação  foi  liquidada  durante  o  ano  de  2001,  justificando, assim, sua exclusão neste ano, conforme demonstrado;  (vii)  em  relação  ao montante de  IRRF declarado na  linha 12A/13, no  valor  de  R$  14.172.465,98,  a  fiscalização  já  havia  constatado  a  existência  desse valor a título de IRRF; e  (viii)  em  relação ao pagamento  indevido,  a diferença  entre os valores  apurados  pela  fiscalização  e  pela  Recorrente  refere­se  à  multa  e  aos  juros  pagos,  cujos  valores  devem,  necessariamente,  ser  considerados  como  recolhimentos indevidos.    Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.213          4 A 4ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº  16­39.396 (fls. 1962 a 2044), de 29 de maio de 2012, por meio do qual considerou procedente  em parte a manifestação de inconformidade.  Assim figurou a ementa daquele julgado:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2001  CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.  O  contribuinte  tem  direito  a  restituição  e/ou  compensação  do  tributo  pago  indevidamente,  desde  que  faça  prova  de  possuir  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda Pública.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2001  DIREITO CREDITÓRIO.  Foi apurado crédito em favor do contribuinte, referente ao IRPJ, em valor superior  ao já reconhecido pela Autoridade Administrativa, mas inferior ao pleiteado.    As  conclusões  que  fundamentaram  tal  decisão  foram  assim  resumidas  no  recurso voluntário:    (i) em relação à preliminar de decadência, que não houve constituição  de  imposto  a  pagar,  mas  apuração  do  valor  do  saldo  negativo  de  IRPJ  apurado  em  relação  ao  AC  2001  (negado  provimento  ao  recurso  da  Recorrente);  (ii)  tendo  em  vista  a  comprovação  da  Recorrente,  deve­se  manter  o  valor de R$ 0,00 informado na Linha 06A/21 da DIPJ/02 (dado provimento  ao recurso da Recorrente);  (iii) deve­se considerar na Linha 06A/23 o valor de R$ 285,26,  tendo  em vista que a Recorrente não comprovou que tal valor compôs o indicado na  Linha 06A/24 (negado provimento ao recurso da Recorrente);  (iv)  restou  comprovado que o  valor  de R$ 10.907.431,36  refere­se  às  perdas efetivas ocorridas durante o ano de 2000, devendo­se manter o valor  R$  0,00  indicado  pela  Recorrente  na  linha  05A/21  (dado  provimento  ao  recurso da Recorrente);  (v)  não  se  aplica  à  Recorrente  a  norma  de  dedutibilidade  de  ágio  prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/99, pois o ágio gerado dentro de  um  mesmo  grupo  econômico  não  encontra  respaldo  na  contabilidade,  não  Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.214          5 restando  comprovada  a  ocorrência  de  uma  incorporação  de  uma  forma  normal, ou seja, entre partes independentes, razão pela qual deve­se alterar o  valor informado na linha 09A/10 de R$ 23.135.154,83 para R$ 65.114.993,02  (negado provimento ao recurso da Recorrente);  (vi)  a  Recorrente  não  poderia  excluir,  na  DIPJ/02,  o  valor  de  R$  11.333.856,77,  referente  à  variação  cambial  passiva  do  ano  de  2000,  cuja  obrigação  foi  liquidada  durante o  ano  de  2001,  sob  pena  de  utilizá­lo  duas  vezes (negado provimento ao recurso da Recorrente);  (vii)  em  relação  ao  IRRF  declarado  na  Linha  12A/13,  a  Recorrente  somente poderia utilizar o valor de R$ 10.704.662,08,  tendo em vista que a  Recorrente não comprovou, através de  informes de  rendimentos, o valor de  R$ 14.156.342,71 (negado provimento ao recurso da Recorrente); e  (viii) deve­se reconhecer como pagamento indevido o montante de R$  21.803.913,34 (dado parcial provimento ao recurso da Recorrente).    Com isso, o direito creditório reconhecido passou a ser de R$ 17.776.004,46.  Isso  porque,  apesar  de  a  decisão  recorrida  ter  observado  que  os  pagamentos  indevidos  de  estimativas comprovados (no valor de R$ 21.803.913,34) seriam inferiores aos verificados pela  unidade de origem, o saldo de imposto a pagar foi reduzido para R$ 4.027.908,88.  Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 2047 a 2072) em  que  limitou  suas  alegações  nas  matérias  concernentes  à  decadência  do  direito  do  Fisco  questionar a apuração do  imposto, à glosa das amortizações de ágios e à glosa de  IRRF não  comprovados. Em resumo, os seguintes argumentos foram deduzidos:   1.  O crédito tributário de IRPJ relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001 estava extinto  pela decadência quando a empresa foi intimada, em 23/02/2007, do indeferimento do seu  pedido  de  compensação.  Neste  sentido,  colaciona  trechos  de  decisões  proferidas  nos  âmbitos administrativo e judicial.  2.  No  que  se  refere  aos  R$  41.978.838,19  (diferença  entre  os  R$  65.114.993,02  e  os  R$  23.135.154,83  informados  na  linha  09A/10  da DIPJ)  amortizados  a  título  de  ágio,  sua  origem  foi motivada  pela  rentabilidade  futura  verificada  na  aquisição  de  três  empresas  diferentes:  São  Valentim,  Japinha  e  Fertinal.  Tais  empresas  foram  incorporadas  pela  recorrente durante o ano­calendário de 2001. Com isso, passou a considerar dedutível a  amortização do ágio com base no artigo 386, III, do RIR/99. A DRJ limitou­se a analisar  os  documentos  referentes  à  incorporação  das  empresas  (fls.  894  a  945).  Entretanto,  de  acordo  com  outros  documentos  contidos  no  processo,  é  possível  verificar  que  aquelas  empresas  foram  adquiridas  de  terceiros  e  que  os  ágios  foram  justificados  mediantes  laudos de avaliação.  3.  Quanto ao IRRF não comprovado, é importante frisar que o sistema SIEF/DIRF, utilizado  pela  Derat  para  aferir  os  valores  retidos,  é  alimentado  com  informações  passíveis  de  erros. No entanto, a análise criteriosa efetuada pela Defis (solicitada pela Derat) concluiu  que  o  valor  de  R$  14.172.465,98  foi  adequadamente  comprovado  e  escriturado  nos  registros  contábeis.  Ainda  assim,  juntou  ao  recurso  a  segunda  via  de  um  informe  de  Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.215          6 rendimentos  que  comprova  a  retenção  no  valor  de  R$  2.780.732,68,  além  dos  R$  10.704.662,08  reconhecidos  pela  decisão  recorrida.  Além  disso,  informa  que  tentaria  obter os demais informes de rendimentos e apresentá­los antes do julgamento do recurso  voluntário.  Em 24/09/2014, a extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de  Julgamento,  pelo  voto  de  qualidade,  resolveu  (Resolução  nº  1102­000.281)  converter  o  julgamento  em  diligência  ao  discordar  do  voto  deste  Relator  especificamente  no  tocante  ao  IRRF considerado não comprovado. Entendeu­se que deveria ser oportunizado ao contribuinte  uma nova possibilidade para a produção de prova.   O  conteúdo  daquele  meu  voto  será  integralmente  reproduzido  no  voto  a  seguir.  Outrossim,  as  razões  que motivaram  a metade  da Turma  a  decidir  por  oportunizar  a  nova produção de prova e o resultado da diligência perpetrada na unidade de origem estarão lá  relatados.    É o relatório.    Voto               Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator     O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Quanto  à  alegação  de  que  o  crédito  tributário  estava  extinto  pela  decadência,  de  fato,  costuma­se  argumentar  que  a  apuração  efetuada  pelo  contribuinte  teria  que  ser  aceita  sem  qualquer  contestação  por  parte  do  Fisco  porque  ela  só  poderia  ser  recomposta por meio de um lançamento. A verificação do Fisco só seria admissível no nível  dos  pagamentos  (retenções  na  fonte  e  estimativas  mensais)  que  eventualmente  tivessem  reduzido  o  tributo  devido.  Segundo  os  defensores  dessa  tese,  a  negativa  da  restituição/compensação fundamentada em erros no nível da apuração do lucro real ou da base  de cálculo da CSLL seria uma forma disfarçada de lançamento.  Entretanto,  não  há  que  se  confundir  a  impossibilidade  da  constituição  do  crédito tributário por haver decaído o direito de lançar com a possibilidade de verificação das  circunstâncias que influenciaram na apuração de um direito creditório pleiteado, ainda que tais  elementos  estejam  vinculados  a  períodos  cujo  direito  de  lançar  tenha  sido  atingido  pela  decadência. Nesse sentido, por demais esclarecedor, reproduzo trecho de voto já pronunciado  nesta Casa:    Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.216          7 Quando  se  trata  de  compensação,  não  se  está  a  tratar  de  lançamento,  e  tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a  ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a  prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil,  artigo  333,  inciso  I.  Assim,  o  prazo  decadencial  apropriado  à  espécie  a  ser  considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito  do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente.  Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo  ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao  Fisco  verificar  a  consistência  das  informações  necessárias  ao  procedimento  de  homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à  lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda pública,  e  sob  as  condições  e  garantias que  a  própria lei vier a estipular.  Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em  se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito  alegado. Neste  sentido,  cumpre  observar  que  o  art.  74  da Lei  nº  9.430/96,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.833/03,  veio  a  suprir  lacuna  antes  existente  na  legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise  do  pleito.  E  o  prazo  que  foi  estabelecido  pela  lei  para  a  homologação  da  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo  é  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96).  (Acórdão nº  1102­00.432, Relator:  João Otávio Oppermann Thomé, Proferido na  Sessão de 25/05/11)    Portanto,  o  prazo  de  decadência  para  se  constituir  o  crédito  tributário  mediante lançamento é estabelecido no CTN. E isso vale tanto para a hipótese do artigo 150, §  4º (a apuração do crédito tributário estará homologada, como penso, ou o pagamento do crédito  tributário estará homologado, como o STJ decidiu em sede de  recurso  repetitivo no REsp nº  973.733­SC), quanto para a hipótese do artigo 173 (constituição do crédito tributário de ofício  pela  Fazenda  Pública).  É  de  se  notar  que  nessas  hipóteses  o  objeto  da  norma  restringe­se  sempre  ao  conceito  de  “crédito  tributário”.  Ou  seja,  trata­se  de  apuração,  pagamento  ou  lançamento de “crédito tributário”.  Por  outro  lado,  o  prazo  para  se  verificar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  creditório  invocado num pedido de restituição/compensação está  conformado no artigo 74, §  5º,  da Lei nº 9.430/96. Aqui  o objeto  é outro. A norma  trata do prazo  de decadência para  a  homologação da “compensação declarada”.  São  prazos  independentes  que  não  se  comunicam mesmo  nas  situações  em  que o Fisco realiza a correta apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL para fins de  verificação do direito creditório consubstanciado por um saldo negativo de IRPJ ou CSLL.   Nem se diga que o Fisco não poderia proceder dessa forma sem a lavratura de  auto  de  infração  por  causa  da  alteração  legislativa  que  foi  introduzida  no  PAF  (Decreto  nº  70.235/72), no § 4º do seu artigo 9º, pela Lei nº 11.941/09, verbis:    Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.217          8 Art.  9º  A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009)  (...)  §  4º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  nas  hipóteses  em  que,  constatada  infração  à  legislação  tributária,  dela  não  resulte  exigência  de  crédito  tributário.  (Incluído  pela  Lei nº 11.941, de 2009)    A modificação  legislativa  teve apenas o condão de criar uma previsão  legal  para a autuação das infrações que não resultam em exigência de crédito tributário. Seu objetivo  foi  bem  esclarecido  no  item  13  da  Exposição  de  Motivos  Interministerial  nº  161/2008  –  MF/MP/MAPA/AGU  –  apresentada  para  a  Medida  Provisória  nº  449/2008,  que  lhe  deu  origem:    13. O art. 23, por sua vez, altera o Decreto nº 70.235, de 1972,  sendo  que  a  alteração  do  art.  9º  do  referido  Decreto  visa  possibilitar  à  Fazenda  Nacional,  nas  hipóteses  em  que  não  resulte  lançamento  de  crédito  tributário,  a  formalização  de  infrações  que  ensejem  a  redução  de  valores  a  restituir,  a  compensar  ou  a  deduzir  de  tributos  e  a  glosa  de  créditos  de  tributos  não  cumulativos,  permitindo  ao  contribuinte  exercer  plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa.     Tratou­se,  então,  de  garantir  o  contraditório  e  a  ampla defesa nas hipóteses  em  que  são  constatadas  as  referidas  infrações.  Portanto,  a  finalidade  dessa  norma  deve  ser  colhida  em  absoluta  consonância  com  a  ideia  de  se  garantir  o  contencioso  administrativo  e,  sobretudo, com a exigência probatória contida no caput do mesmo artigo, qual seja,  todos os  elementos indispensáveis à comprovação do ilícito. Desde que tais premissas sejam atendidas,  não vejo necessidade de se exigir a lavratura de um auto de infração se o mesmo objetivo pode  ser atingido com um despacho decisório que pode ser contestado pela via da manifestação de  inconformidade.  Ademais,  existe  ainda  uma  questão  de  ordem  pragmática  que  me  parece  relevante nessa discussão.   Vamos admitir que o contribuinte faça uma retificação de sua apuração, para  aumentar seu saldo negativo, e submeta a correspondente declaração de compensação quando  decorridos quatro anos e onze meses da ocorrência do fato gerador. Se o Fisco tivesse só um  mês  para  conferir  a  apuração,  é  bem  possível  que  isso  abriria  espaço  para  a  “criação”  de  Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.218          9 créditos  fictícios que,  uma vez multiplicados,  poderiam  trazer  consequências nefastas para o  Erário.   Nesse caso, os defensores da tese da “homologação tácita independentemente  da apuração de crédito  tributário” propugnam por uma solução  jurisprudencial que permita a  reabertura do prazo decadencial por causa da retificadora apresentada ao Fisco. Nada obstante,  além  da  falta  de  previsão  legal,  em  nome  da  coerência  lógica  do  sistema,  haveria  que  se  estender tal entendimento para as situações em que, ao invés de aumento do saldo negativo, a  retificadora  fosse  apresentada  no  sentido  de  reduzir  o  saldo  positivo,  ou  seja,  de  reduzir  o  crédito  tributário  anteriormente  constituído.  Então,  se  o  pagamento  ainda  não  tivesse  sido  efetuado,  os  defensores  daquela  tese  admitiriam  também  a  reabertura  do  prazo  para  o  Fisco  lançar o crédito tributário indevidamente reduzido? Não creio que chegassem a tanto!   Por  conseguinte,  nada  impede  que  o  Fisco  perscrute,  a  qualquer  tempo,  os  elementos  formadores  de  um  crédito  reclamado  por  um  contribuinte. O  limite  temporal  está  fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendo­o por meio da  compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro  deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito  indicado.  É claro que  a  soma desses prazos  (de repetição  e de homologação) acabará  consolidando em dez anos uma determinada apuração de saldo negativo. Assim, por exemplo,  se a apuração originalmente efetuada pelo contribuinte no ano­calendário de 2009 resultar em  saldo negativo, este poderá ser objeto do direito creditório em uma declaração de compensação  até o final do ano­calendário de 2014. O Fisco, por sua vez, terá até o final do ano­calendário  de 2019 para  confirmar ou  recompor a apuração original. Mesmo que  esta apuração original  tenha  deduzido  estimativas  pagas  mediante  compensação  com  crédito  referente  a  saldo  negativo anterior (apurado no ano­calendário de 2008, por exemplo), o Fisco não mais poderá  visitar  a  apuração  que  o  acarretou.  Isso  porque  tal  compensação  já  terá  sido  alcançada  pela  homologação tácita (que teria ocorrido no final do ano­calendário de 2013).    A possibilidade de o Fisco exigir a comprovação dos elementos formadores  do crédito indicado na compensação é confirmada pela aplicação da exegese contida no artigo  37 da Lei nº 9.430/96:    Art.  37.  Os  comprovantes  da  escrituração  da  pessoa  jurídica,  relativos  a  fatos  que  repercutam  em  lançamentos  contábeis  de  exercícios  futuros,  serão  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos tributários relativos a esses exercícios.    Com  efeito,  pleiteada  a  compensação,  esta  constitui  um  fato  permutativo  entre elementos do patrimônio da pessoa jurídica. Mesmo sujeito à posterior homologação, a  teoria  contábil  exige  o  lançamento  deste  fato  administrativo  quando  de  sua  constituição.  Enquanto não decair o direito de o Fisco lançar os créditos tributários referentes ao exercício  financeiro em que ocorreu ou deveria ter ocorrido o mencionado lançamento, a pessoa jurídica  Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.219          10 tem  o  dever  de manter  os  comprovantes  da  escrituração  dos  elementos  que  repercutiram  na  criação do crédito alegado na compensação.  Quanto  aos  R$  41.978.838,19  amortizados  a  título  de  ágio,  conforme  relatado, sua origem teria sido motivada por rentabilidade futura verificada na aquisição de três  empresas.  Assim,  a  composição  contábil  do  total  amortizado  reuniu  parcelas  de  ágios  concernentes  às  aquisições  das  empresas  (i) São Valentim Agro­Industrial  Ltda;  (ii)  Japinha  S/A; e (iii) Fertinal Administração, Empreendimentos e Participações Ltda  (de acordo com a  explicação fornecida com a manifestação de inconformidade às fls. 894).  A DRJ concordou com a glosa  efetuada pela unidade de origem sobre  essa  amortização porque entendeu que, em suas palavras,  “não  restou comprovada, nas operações  referidas,  uma  incorporação  de  uma  forma normal,  ou  seja,  entre partes  independentes,  com  recursos monetários (incluindo o ágio) despendidos com este fim” (fls. 2031). Nesse sentido,  baseia­se  no  teor  do  item  120  da  Resolução  CFC  nº  1.110/2007,  do  Ofício­ Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e de parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Viana  da Costa Junior. Todos, de alguma forma, defendendo a impossibilidade de surgimento de ágio  em  uma  operação  realizada  dentro  do  mesmo  grupo  econômico.  Trata­se,  portanto,  da  conhecida doutrina que abomina o planejamento fiscal consubstanciado pelo ágio interno.  Nada obstante, parece que a instância a quo se equivocou na aplicação dessa  doutrina  ao  presente  caso.  Isso  porque  fundamentou  sua  constatação  nos  fatos  de  que  os  documentos  juntados  para  comprovar  as  operações  de  incorporação  e  de  que  consultas  ao  Sistema CNPJ  revelaram  a  coincidência  de  pessoas  físicas,  e  seus  respectivos  endereços,  as  quais representavam os dois  lados de cada uma daquelas operações. Além disso, a recorrente  constava como sócia das empresas incorporadas antes das referidas operações.  Ora, a verificação de que empresas envolvidas em reorganizações societárias  são ou não independentes para fins de oponibilidade do planejamento ao Fisco deve focar nas  operações que deram o surgimento ao ágio e não nas incorporações posteriormente realizadas.  Por uma razão lógica é certo que após a aquisição de participação societária relevante com o  surgimento do ágio as empresas envolvidas deixarão de ser independentes.  A  recorrente  até  alega  que  as  três  empresas  posteriormente  incorporadas  foram adquiridas através de operações com pessoas independentes. Neste sentido, informa que:  a empresa São Valentim foi adquirida no ano de 1996 mediante contrato de compra e venda de  quotas  firmado  com  a  empresa  Lina  Participações  e Administração  Ltda  e Alberto  Zuzzi;  a  empresa  Fertinal  foi  adquirida  no  ano  de  2000  de  oito  pessoas  físicas  (Beatriz  Baptistella  Henriques,  Eduardo  Baptistella,  Lucas  Carlos  Baptistella  Júnior,  Maria  Isabel  Baptistella  Savoia,  Vera  Cardinali  Batistella,  Jose  Fernando  Bastos  Sampaio,  Sidney  Frattini  e  Walter  Frattini); e a empresa Japinha foi adquirida no ano de 1999 mediante permuta de ações com a  empresa Grupasso Participações S/A. No entanto, mesmo que  isso fosse  inverídico, essa não  foi a acusação manifestada no despacho decisório da unidade de origem nem a contraposição  deduzida no acórdão recorrido.   Sem  embargo,  o  voto  condutor  da  decisão  recorrida  também  motivou  sua  concordância  com  a  glosa  das  amortizações  no  fato  de  que  os  documentos  juntados  para  comprovar  as  operações  de  incorporação  davam  conta  da  contratação  de  empresa  visando  elaborar  laudo  de  avaliação,  mas  não  teriam  sido  trazidos  laudos  que  justificassem  o  ágio  alegado.  A  recorrente,  por  sua  vez,  alega  que  os  ágios  foram  justificados  por  laudos  de  avaliação.  Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.220          11 A meu ver, temos aí mais um equívoco da instância a quo. A justificativa dos  ágios deve ser comprovada mediante demonstrativos produzidos na época das aquisições dos  investimentos e, sobretudo, contendo as razões econômicas pelas quais haveria as expectativas  de resultados futuros. Essa é a ratio legis do artigo 20 do Decreto­Lei nº 1.598/77, verbis:     Art  20  ­ O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em:   I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e   II  ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo  de  aquisição  do  investimento  e  o  valor  de  que  trata  o  número I.  (...)  § 2º ­ O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes, seu fundamento econômico:   (...)   b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;   (...)   § 3º ­ O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras  a  e  b  do  §  2º  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.    Tais  demonstrativos  podem  até  ser  veiculados  na  forma  de  laudos  de  avaliação,  todavia,  não  se  confundem  com  a  figura  prevista  no  §  3º  do  artigo  227  da  Lei  6.404/76  (Lei  das  S/A),  o  qual  exige  um  laudo  para  a  avaliação  do  patrimônio  líquido  da  empresa incorporada. Confira­se:      Art.  227. A  incorporação é a operação pela qual  uma ou mais  sociedades  são absorvidas por outra, que  lhes  sucede em todos  os direitos e obrigações.   §  1º  A  assembléia­geral  da  companhia  incorporadora,  se  aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de  capital  a  ser  subscrito  e  realizado  pela  incorporada  mediante  versão  do  seu  patrimônio  líquido,  e  nomear  os  peritos  que  o  avaliarão.   § 2º A sociedade que houver de  ser  incorporada,  se aprovar o  protocolo  da  operação,  autorizará  seus  administradores  a  Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.221          12 praticarem  os  atos  necessários  à  incorporação,  inclusive  a  subscrição do aumento de capital da incorporadora.   § 3º Aprovados pela assembléia­geral da incorporadora o laudo  de  avaliação  e  a  incorporação,  extingue­se  a  incorporada,  competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação  dos atos da incorporação. (grifei)    Portanto,  são  justamente  estes  os  laudos  de  avaliação  mencionados  nos  documentos juntados para comprovar as operações de incorporação. O fato de não terem sido  trazidos aos autos em nada interfere no presente julgamento em razão de serem inúteis como  prova para aquilo que aqui se discute.  Por  outro  lado,  conforme  alegado  pela  recorrente,  foram  apresentados,  de  fato,  demonstrativos  (na  forma  de  laudos  de  avaliação)  para  justificar  a  expectativa  de  resultados  futuros  dos  ágios  contabilizados  na  aquisição  das  empresas  Japinha  (fls.  1773  a  1817)  e  Fertinal  (fls.  1893  a  1910).  No  entanto,  relativamente  à  empresa  São  Valentim,  a  diligência solicitada pela instância a quo atestou (fls. 1916) que a recorrente não apresentou o  demonstrativo  da  expectativa  de  resultados  futuros  alegando  extravio  dos  documentos  da  transação. Pretendeu, apenas, comprovar o ágio  lançado mediante a singela apresentação dos  dados da sua contabilidade.   O § 3º do artigo 20 do Decreto­Lei nº 1.598/77, acima transcrito, é categórico  ao determinar que a demonstração do fundamento econômico do lançamento do ágio deve ser  arquivada  como  comprovante  da  escrituração.  Como  já  esclarecido,  a  pessoa  jurídica  tem  o  dever de manter os comprovantes da escrituração dos elementos que repercutiram na criação  do  crédito  alegado  na  compensação.  Portanto,  como  o  lançamento  do  ágio  não  atendeu  à  regular exigência da lei, sua amortização não é dedutível.   Por  tais  motivos,  deve­se  manter  apenas  a  glosa  da  amortização  do  ágio  referente à aquisição da empresa São Valentim (que, segundo atestado às fls. 1917, totaliza o  valor de R$ 952.363,33). Ou seja, há que se confirmar a amortização de ágios no valor de R$  41.027.474,86 (R$ 41.979.838,19 – R$ 952.363,33).  Quanto ao IRRF não comprovado,  a  recorrente alega que as  informações  contidas  nas  DIRF  são  passíveis  de  erros.  Tais  erros  poderiam  ter  dado  ensejo  às  inconsistências em relação ao resultado da análise criteriosa efetuada pela Defis (em diligência  solicitada  pela Derat).  Isso  porque,  na DIPJ  apresentada,  existiriam  rendimentos  financeiros  reconhecidos  pelo  regime  de  competência  enquanto  que  a  retenção  na  fonte  só  é  efetuada  quando do resgate da referida aplicação.  Diante  dessas  alegações,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  em  outra diligência demandada à Defis, solicitou a efetiva comprovação dos valores retidos junto  às fontes pagadoras. Contudo, o relatório da diligência limitou­se a opinar que os documentos  contábeis  apresentados  pela  empresa  seriam  suficientes  para  corroborar  seus  argumentos  considerando que a diligência anterior já havia procedido às devidas verificações.  A DRJ, então,  invocou o argumento de que o  resultado da diligência não a  vinculava e, em face das dúvidas contidas no universo dos documentos contábeis apresentados  (fls. 246 a 421 e 1669 a 1721), decidiu considerar comprovados apenas os valores de retenção  Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.222          13 suportados por informes de rendimentos. Como esses valores totalizaram um resultado inferior  ao  IRRF  reconhecido  pela  unidade  de  origem,  diante  da  impossibilidade  do  “reformatio  in  pejus”, manteve a glosa inicialmente efetuada.  Entendo  que  assiste  razão  ao  decidido  na  instância  a  quo.  Com  efeito,  os  documentos  contábeis  apresentados  não  permitem  a  comprovação  efetiva  da  totalidade  do  IRRF deduzido na apuração anual do  tributo. Segundo a documentação  anexada na primeira  diligência  efetuada  pela  Defis,  os  valores  contabilizados  foram  resumidos  em  uma  planilha  juntada às fls. 256, como segue:    Item  Instituição  Valor Retido (R$)  1  HSBC Bank Brasil S/A  2.780.732,68  2  Banco Sudameris S/A  5.293.873,47  3  Banco Santos S/A  54.974,26  4  Banco Cargill S/A  36.382,63  5  Banco ABN Amro S/A  1.744.609,98  6  Banco Chase Manhattan / J P Morgan  3.900.380,58  7  Inpar Incor Partic. Ltda.  356.065,97  8  Pirelli do Brasil S/A  5.446,41    A  DRJ,  pela  razão  já  mencionada,  considerou  comprovados  os  valores  indicados nos  itens 2,  4,  6  e 8. Não admitiu  a  retenção  indicada nos demais  itens porque os  documentos  apresentados  pela  empresa,  juntados  em  seguida  à  referida  planilha  (fls.  257  a  421),  bem  como  os  reunidos  de  fls.  1669  a  1721,  são  elementos  que  não  prescindem  da  inequívoca comprovação dos valores retidos.   Em  relação  ao  item  3,  os  documentos  juntados  de  fls.  322  a  329  levam  a  presumir  que  o  valor  retido  se  refere  a  rendimentos  financeiros  obtidos  em  liquidação  de  contrato de câmbio. O valor contratado seria de R$ 4.316.000,00 e o correspondente prêmio  (rendimento) seria de R$ 274.871,25. Para se aceitar a  retenção, haveria que se provar que o  valor  do  prêmio  foi  efetivamente  oferecido  à  tributação. Às  fls.  324  e  326,  consta  que  este  valor  foi  creditado  de  uma  conta  de  ativo  circulante  que  lançou  como  provisão  algumas  quantias a título de “prêmios a receber”. As folhas seguintes, de números 325, 327, 328 e 329,  não são conclusivas para atestar que aquele valor foi, de fato, oferecido à tributação. Ademais,  não há nenhum documento provando que houve a retenção de R$ 54.974,26. A cópia do e­mail  de fls. 322, decisivamente, não configura prova neste sentido.  Em  relação  ao  item  5,  os  documentos  juntados  de  fls.  354  a  358  levam  a  presumir  que  o  valor  retido  se  refere  a  rendimentos  financeiros  obtidos  em  liquidação  de  contrato  de  câmbio.  Os  valores  contratados  seriam  (i)  de  R$  17.860.000,00,  com  o  Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.223          14 correspondente prêmio (rendimento) de R$ 4.376.262,40 e imposto retido de R$ 875.252,48; e  (ii)  de R$  18.430.000,00,  com  o  correspondente  prêmio  (rendimento)  de R$  4.346.787,49  e  imposto retido de R$ 869.357,49. A soma dos valores retidos totaliza o indicado na planilha.  Para  se  aceitar  a  retenção,  haveria  que  se  provar  que  os  valores  dos  prêmios  foram  efetivamente oferecidos à tributação. Às fls. 355 e 357, consta que este valores foram lançados  (não está claro se à débito ou crédito) em uma conta de ativo circulante. A folha seguinte, de  número  358,  não  é  conclusiva  para  atestar  que  aqueles  valores  foram,  de  fato,  oferecidos  à  tributação.  Ademais,  não  há  nenhum  documento  provando  que  houve  a  retenção  de  R$  875.252,48  e  R$  869.357,49.  Os  avisos  de  crédito  de  fls.  354  e  356,  decisivamente,  não  configuram prova neste sentido.  Em  relação  ao  item  7,  os  documentos  juntados  de  fls.  394  a  416  levam  a  presumir  que  o  valor  retido  se  refere  a  receitas  financeiras  advindas  de  empréstimos  concedidos.  Os  valores  das  receitas  seriam  de  R$  786.990,25  e  R$  993.339,60,  com  os  correspondentes  impostos  retidos  de  R$  157.398,05  e  R$  198.667,92.  A  soma  dos  valores  retidos totaliza o indicado na planilha. Para se aceitar a retenção, haveria que se provar que os  valores  das  receitas  financeiras  foram  efetivamente  oferecidos  à  tributação.  No  termo  de  esclarecimento (fls. 394), a recorrente diz que eles foram contabilizados “pro rata” segundo o  regime de competência. Os registros de lançamentos de fls. 396 a 416 não são conclusivos para  atestar  que  aqueles  valores  foram,  de  fato,  oferecidos  à  tributação.  Não  há  coincidência  de  valores  com  os  que  foram  contabilizados  (mesmo  aqueles  com  a  indicação  por  escrito  “INPAR”)  na  conta  “juros  ativos­terceiros”. Ademais,  não  há  nenhum  documento  provando  que houve a  retenção de R$ 157.398,05 e R$ 198.667,92. O  termo de esclarecimento de  fls.  394, decisivamente, não configura prova neste sentido. O DARF de fls. 395, no valor de R$  157.398,05,  foi  recolhido  em nome de  “INPAR” com o código de  receita 3426  (“aplicações  financeiras  de  renda  fixa”).  Há  uma  informação  (por  escrito)  dizendo  que  o  DARF  será  alterado. Contudo, o extrato de consulta do sistema SINAL, efetuada em 16/11/2006 (fls. 422 e  423),  o  qual  serve  de  confirmação  dos  pagamentos  via  DARF,  não  indica  nenhum  recolhimento no referido valor, em nome da empresa recorrente, no período entre 01/01/01 e  31/12/01.  O fato de a diligência solicitada pela Derat ter entendido que a documentação  era  suficiente  para  comprovar  o  IRRF  deduzido,  realmente,  não  vincula  as  instâncias  julgadoras. Mormente quando tal diligência firmou sua convicção na singela análise, efetuada  em um único parágrafo, a seguir reproduzida (cf. fls. 426):    Em  relação  ao  IRRF  de  R$  14.172.465,98  referente  as  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS,  encontram­se  as  fls.  246/412  cópias  do  razão  e  dos  documentos  suporte  aos  lançamentos  contábeis.  Conclui­se,  pela  análise  e  exame  documental  procedida pelo usual método de amostragem, que o IRRF, juntamente com a receita  auferida,  foi  adequadamente  comprovado  e  escriturado  nos  registros  contábeis.  O  demonstrativo de  fls.  245 permite visualizar as  contas utilizadas na  contabilização  dos valores envolvidos.    Além disso, a alegação de que haveria inconsistência porque os rendimentos  financeiros são reconhecidos pelo regime de competência e que a retenção é efetuada quando  do resgate das respectivas aplicações não procede. Isso porque o oferecimento dos rendimentos  Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.224          15 à  tributação  não  guarda  correspondência  cronológica  com  a  dedução  das  antecipações  de  imposto retido, as quais devem, de fato, obedecer ao regime de caixa.   Ademais,  o  artigo  55  da  Lei  nº  5.450/85  é  claro  quanto  à  necessidade  de  comprovação  da  retenção  mediante  documento  emitido  em  nome  da  fonte  pagadora  dos  rendimentos. Confira­se:    Art  55  ­  O  imposto  de  renda  retido  na  fonte  sobre  quaisquer  rendimentos  somente poderá  ser  compensado na declaração de  pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante  de  retenção  emitido  em  seu  nome  pela  fonte  pagadora  dos  rendimentos.    Diferentemente dos processos nos quais o Fisco constitui o crédito tributário,  nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos, é ônus do sujeito passivo,  na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir. Quando não o faz  devidamente, não se pode reconhecer o seu direito.  E é também por tais motivos que se deve reconhecer que o documento que a  empresa apresentou  junto com seu recurso voluntário  (fls. 2115), a  título de “segunda via do  informe de rendimentos, relativo ao ano de 2001, por meio do qual se comprova a retenção de  IRRF  no  valor  de  R$  2.780.732,68”,  pode  servir  como  comprovante.  É  que  tal  documento  possui estrita consonância com os valores indicados no item 1 da planilha juntada às fls. 256  (acima reproduzida) e com os avisos de crédito referentes à liquidação de operações de câmbio  anexados às fls. 257 e 259. Os registros contábeis que os seguem (fls. 260 a 303) levam a crer  que os respectivos rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação. Observe­se, ainda,  que esse item não foi incluído dentre os reconhecidos pela unidade de origem (de acordo com o  que pode ser verificado no extrato do Sistema SIEF/DIRF, às  fls. 465 a 467, que amparou o  Despacho Decisório, conforme fls. 797).  Portanto,  apenas  uma  parcela  do  total  pleiteado  no  recurso,  deveria  ser  reduzida da glosa referente ao IRRF deduzido, qual seja, o valor de R$ 2.780.732,68. Essa foi a  conclusão  firmada  na  sessão  de  julgamento  ocorrida,  em  24/09/2014,  na  extinta  2ª  Turma  Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento.  Nada  obstante,  como  relatado,  aquela  Turma  discordou  dessa  conclusão  e,  pelo  voto  de  qualidade  consubstanciado  na Resolução  nº  1102­000.281,  decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência  para  oportunizar  ao  contribuinte  uma  nova  chance  de  produzir  a  prova  referente  aos  três  itens  não  contemplados.  No  voto  vencedor,  o  redator  assim  se  pronunciou:    (...)  Ao perceber  que  a  decisão  recorrida mencionara  a  ausência  de  Informes  de  Rendimentos nos autos como um dos motivos para o não reconhecimento do IRRF  pleiteado, a  recorrente esforçou­se por obtê­los,  tendo  logrado êxito com relação a  Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.225          16 um informe do HSBC Bank Brasil S/A, no valor de R$ 2.780.732,68, mencionado  como item nº 1 na tabela constante do voto vencido, mas não obteve, ao menos até a  presente data, os relativos aos itens nº 3, 5 e 7 da mesma tabela.  Ocorre  que  a  apresentação  do  comprovante  de  retenção  emitido  pela  fonte  pagadora,  apesar  de  ser  o meio  de  prova  por  excelência,  previsto  em  lei,  não  é  o  único, podendo a prova  também se  fazer por outros meios, consoante  reconhece o  próprio  CARF.  Afinal,  é  perfeitamente  possível  que,  por  vários  motivos,  inteiramente  alheios  à  vontade  e  ao  controle  do  sujeito  passivo,  não  possua  ele  o  referido comprovante, que deve ser ordinariamente emitido por terceiro.  Assim,  tendo  em  vista  as  objeções  levantadas  na  análise  feita  pelo  relator,  entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência para que a autoridade  fiscal de jurisdição do sujeito passivo proceda da seguinte forma:  (i) intime o sujeito passivo a apresentar os elementos de sua escrituração que  façam prova para contrapor aos seguintes pontos suscitados pelo relator:  a. com relação ao item 3: prova de que o valor do prêmio de R$ 274.871,25  foi efetivamente oferecido à tributação, e de que houve a retenção de R$  54.974,26;   b.  com  relação  ao  item  5:  prova  de  que  os  valores  dos  prêmios  de  R$  4.376.262,40  e  de  R$  4.346.787,49  foram  efetivamente  oferecidos  à  tributação, e de que houve retenções nos valores de R$ 875.252,48 e de  R$ 869.357,49, respectivamente;   c. com relação ao item 7: prova de que os valores das receitas financeiras de  R$  786.990,25  e  de  R$  993.339,60  foram  efetivamente  oferecidos  à  tributação, e de que houve retenções nos valores de R$ 157.398,05 e de  R$ 198.667,92, respectivamente.  (ii) esclareça sobre a situação do DARF de fls. 395 (item 7), i.e., se foi ou não  retificado, e/ou se se encontra vinculado ou não a algum débito específico  nos  sistemas  da Receita  Federal,  e/ou  se  foi  incluído  ou  não  em  alguma  outra solicitação de restituição/compensação;   (iii)  analise  os  elementos  apresentados  pela  empresa  em  atenção  ao  item  ‘i’  acima,  podendo  eventualmente  solicitar  outros  que  julgue  necessários,  sendo ainda recomendável que busque esclarecer eventuais dúvidas com o  auxílio da empresa interessada; e   (iv) lavre relatório conclusivo quanto ao oferecimento ou não à tributação dos  valores mencionados no item ‘i’ acima, bem como quanto à prova ou não  da retenção dos valores também mencionados no item ‘i’ acima.  Do relatório conclusivo lavrado deve ser dada ciência ao sujeito passivo para  que, querendo, sobre ele se manifeste no prazo de 30 dias, findos os quais devem os  autos retornar a este colegiado para o competente julgamento.    Decorridos mais de  seis meses dessa decisão,  em 16/04/2015, a unidade de  origem intimou a empresa a apresentar os elementos indicados no item "i" (fls. 2143 a 2147).  Cerca de dois meses mais, em 19/06/2015, a diligência foi concluída com a elaboração de um  relatório (fls. 2171 a 2174) com o seguinte conteúdo:  Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.226          17   3.  Foi  enviada  intimação  (fls.2.143/2.144)  para  que  o  interessado  pudesse  comprovar  a  efetividade  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  sobre  as  aplicações  financeiras  e  o  oferecimento  à  tributação  dos  rendimentos  correspondentes.  4. Juntamente com a resposta à intimação (fls.2.149/2.166), em 11/05/2015, a  interessada solicitou o prazo adicional de vinte dias para demonstração da  escrituração  das  receitas  financeiras  em  questão  e  o  consequente  oferecimento à tributação. Foi concedida a prorrogação do prazo conforme  solicitado (fl.2.168), porém até a presente data não houve apresentação dos  documentos faltantes.  5.  Os  únicos  documentos  apresentados  que,  segundo  a  interessada,  comprovariam  a  retenção  do  imposto  de  renda,  são  os  mesmos  que  já  constam nos autos: Doc.04 ­ cópias de aviso de crédito emitido pela Banco  Real  ABN AMRO Bank  (fls.2.161  e  2.162)  e  também  às  fls.354  e  356;  Doc.05 ­ cópia de e­mail (fl.2.164) e também às fls. 322; Doc.06 ­ cópia do  DARF no valor de R$ 157.398,05 (fl.2166) e também à fl.395.  6.  Com  relação  ao  DARF  de  fl.395,  verificou­se  no  sistema  SIEF  Pagamentos,  a  alteração  do  CNPJ  de  65.867.848/0001­68  para  60.498.706/0001­57, conforme Histórico do Pagamento – DARF (fl.2.169).  Conforme tela SIEF – Fisc.Eletr. – Analisar Valores –Pagamento (fl.2.170),  o  valor  encontra­se  não  alocado.  Também  não  foi  localizado  no  Sistema  COMPROT, de acordo com o assunto cadastrado, processo de  restituição  de pagamento indevido referente ao DARF em questão.  7. Considerando a falta de novos elementos de prova relativas às retenções do  imposto  de  renda  na  fonte  bem  como  o  oferecimento  à  tributação  dos  rendimentos correspondentes, conforme quadro do item 2, não há como se  chegar  a  uma  conclusão  diversa  ao  já  decidido  pela  DRJ  por  meio  do  Acórdão 16­39.396 – 4ª Turma da DRJ/SP1.     Em 05/08/2015, a recorrente apresentou sua manifestação (fls. 2179 a 2190)  acerca desse relatório de forma intempestiva em relação ao prazo que lhe havia sido concedido  (foi intimada em 03/07/2015, uma sexta­feira; o início da contagem dos trinta dias ocorreu em  07/07/2015;  e o prazo  final  expirou, portanto,  em 04/08/2015). Sobre  essa  intempestividade,  alega  que  na  data  final  do  seu  prazo  tentou  transmitir  a  manifestação  de  forma  eletrônica,  através  do  Programa  Gerador  de  Solicitação  (PGS);  contudo,  ocorreram  problemas  com  a  contagem do prazo pelo sistema e, por isso, teve que apresentá­la por meio de protocolo físico  no dia seguinte.  Quanto ao fato de não ter apresentado os documentos faltantes mencionados  no  relatório  da  diligência,  alega  que  foi  surpreendida  com  sua  abreviada  conclusão  sem  ter  tomado conhecimento do deferimento da  sua  solicitação de prorrogação do prazo de  entrega  dos documentos solicitados no inicio do procedimento. Assim, com supedâneo no princípio da  verdade material, requer que se aceite as comprovações apresentadas na manifestação.  A recorrente, na verdade, espera que tais comprovações sejam feitas através  de  extratos  de  telas  dos  seus  sistemas  internos  de  contabilidade  (fls.  2185  a  2188  e  2191  a  Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.227          18 2197).  As  informações  contidas  nesses  extratos,  todavia,  permanecem  não  conclusivas  na  medida em que: (i) nada informam sobre o item "7" da planilha acima reproduzida; (ii) não se  pode aferir sua fidedignidade vis­à­vis a contabilidade que efetivamente serviu de base para os  valores tributáveis informados no respectivo período de apuração; (iii) não se pode aferir se as  contas,  nas quais  a  recorrente  alega  terem sido  utilizadas para os  lançamentos  contábeis dos  prêmios, se  tratam, de fato, de contas de resultado;  (iv) e não há coincidência plena entre os  valores dos prêmios e os valores contidos nos extratos.  A  recorrente  chega  a  suscitar  que,  diante  da  vastidão  de  suas  operações  financeiras,  a  contabilização  das  receitas  não  é  realizada  de  maneira  individual,  operação  a  operação,  o  que  tornaria  complexa  a  recuperação  particularizada  das  informações,  principalmente quando as operações se iniciaram antes de 2001.   Sem  embargo,  é  justamente  por  causa  desse  tipo  de  dificuldade  que  a  empresa deveria ter dado maior atenção à intimação promovida na diligência. Como relatado, o  precedente  julgamento  realizado  em  outra  Turma  desta  Casa  deu  à  empresa  mais  uma  oportunidade  para  que  esta  pudesse  explicar  os  pormenores  de  sua  contabilização  à  fiscalização. E o que aconteceu? Mesmo já conhecendo com seis meses de antecedência o teor  do que lhe seria indagado (na ata do referido julgamento consta, inclusive, que a representante  da  contribuinte  fez  sustentação  oral),  a  empresa  teve  que  pedir  prorrogação  do  prazo  inicial  concedido na intimação e depois, ainda, extrapolou o prazo para apresentar sua manifestação  acerca do relatório final da diligência. Não é possível, destarte, admitir tamanha negligência.  No que se refere ao DARF de fls. 395, no valor de R$ 157.398,05, inserido  no  contexto  das  alegações  direcionadas  para  o  IRRF  informado  no  item  "7"  da  planilha,  esclareça­se que  a diligência verificou que o mesmo não  se encontra alocado  (cf.  fls.  2170),  isto é, não está vinculado a nenhum débito declarado. Portanto, diferentemente do pretendido  pela  recorrente  em  sua  manifestação,  não  se  pode  diretamente  inferir  que  o  débito  foi  devidamente  quitado.  Ademais,  como  já  ressaltado,  não  foi  comprovado  o  oferecimento  à  tributação da correspondente receita financeira.   Por conseguinte, mantenho minha posição no sentido de que apenas o IRRF  contido  no  item  "1"  da  planilha  acima  reproduzida,  no  valor  de  R$  2.780.732,68,  deve  ser  reduzido da glosa anteriormente efetuada.    Assim sendo, há que se rever o valor de R$ 4.027.908,88 apurado a título de  IRPJ a pagar pela decisão recorrida (conforme reprodução das fichas 09A e 12A da DIPJ às fls.  2039 e 2040) como segue:    FICHA 09A – DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL  DISCRIMINAÇÃO  Acórdão recorrido  Presente voto  L.01 Lucro Líquido antes do IRPJ  46.252.410,59  46.252.410,59  ADIÇÕES    L.02 Custos – Soma Parcelas Não Dedut.  428.048,00  428.048,00  Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.228          19 L.03 Despesas Operc. – Parc. Não Dedut.  2.374.195,27  2.374.195,27  L.04 CSLL  0,00  0,00  L.10 Ajustes p/ Dimin. Valor Inv. Av. PL  65.114.993,02  * 24.087.518,16  L05+L12+L19+L20 (Outras Adições)  49.525.472,63  49.525.472,63  23 SOMA DAS ADIÇÕES  117.442.708,92  76.415.234,06  EXCLUSÕES    L.31 (­) VCP – Operações Liquidadas  0,00  0,00  L25+L28+L36 (Outras Exclusões)  86.384.621,14  86.384.621,14  L.37 SOMA DAS EXCLUSÕES  86.384.621,14  86.384.621,14  L. 38 Lucro Real Antes Comp. Prejuízo  77.310.498,37  36.283.023,51  L42 (­) Comp. Prej. Ativ. em Geral 91/01  7.198.955,44  7.198.955,44  L. 46 LUCRO REAL  70.111.542,93  29.084.068,06  * Considerando a amortização de ágios confirmada no valor de R$ 41.027.474,86.    FICHA 12A – CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL  DISCRIMINAÇÃO  Acórdão recorrido  Presente voto  L.01 ALÍQUOTA DE 15%  10.516.731,44  4.362.610,21  L.03 ADICIONAL  6.987.154,29  2.884.406,81  DEDUÇÕES    L.13 (­) IRRF  9.300.586,17  ** 12.081.318,85  L.16 (­) IR Mensal Pago por Estimativa  4.175.390,68  4.175.390,68  L.18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  4.027.908,88  ­ 9.009.692,51  ** Considerando o IRRF comprovado no valor de R$ 2.780.732,68.     Portanto, ao invés de imposto a pagar, foi apurado um saldo negativo de R$  9.009.692,51.  Isso,  somado  ao  crédito  reconhecido  pela  decisão  recorrida  a  título  de  pagamentos  indevidos  de  estimativas  (no  valor  de  R$  21.803.913,34),  totaliza  o  reconhecimento de um direito creditório no valor de R$ 30.813.605,85.   Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13804.000928/2002­51  Acórdão n.º 1401­001.601  S1­C4T1  Fl. 2.229          20   Pelo  exposto,  oriento  meu  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  creditório  de  R$  30.813.605,85  e,  nesta  conformidade, homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido.    Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator                                Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO

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Numero do processo: 10880.024523/95-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. RELATÓRIO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10880.024523/95­07  Resolução nº  3201­000.680  S3­C2T1  Fl. 760          2 Em ação  fiscal  levada a  efeito  em  face  da  contribuinte  acima  identificada  foi  apurada  falta  de  recolhimento  da  contribuição  para  financiamento  da  seguridade social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de outubro/93 a  novembro/93 e janeiro/94, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls.  20  e  21,  integrado  pelos  termos,  demonstrativos  e  documentos  nele  mencionados, com o seguinte enquadramento legal: Arts 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da Lei  Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991.  2.  O  crédito  tributário  apurado,  composto  pela  contribuição,  multa  proporcional  e  juros  de  mora,  calculados  até  21/08/95,  perfaz  o  total  de  842.918,63  (oitocentas  e  quarenta  e  duas  mil,  novecentas  e  dezoito  unidades  fiscais de referência e sessenta e três centésimos).  3.  Inconformada  com  a  autuação,  da  qual  foi  devidamente  cientificada  em  21/08/1995, a  contribuinte protocolizou,  em 19/09/1995, a  impugnação de  fls.  25  a  30,  acompanhada  de  documentos  de  fls.  31  a  72,  na  qual  deduz  as  alegações a seguir resumidamente discriminadas:  3.1. A  impugnante  propôs  a Medida Cautelar  Inominada nº  94.009297­0  com  Pedido de Concessão de Liminar, e respectiva Ação Ordinária nº 94.0011615­2,  para que fosse admitida a legalidade da compensação efetuada.  3.1.1. No transcorrer da discussão judicial, o Tribunal Pleno do STF julgou, em  16  de  dezembro  de 1992,  inconstitucionais  diversos  dispositivos  da  legislação  reguladora do FINSOCIAL, a partir da edição da Lei nº 7.689/88, no Recurso  Extraordinário nº 150.764­1.  3.1.2.  A  decisão  proferida  pelo  plenário  da  Colenda  Corte,  ao  julgar  inconstitucional o artigo 9º da Lei nº 7.689/88 e das diversas alterações havidas  “aposteriori”,  manteve  a  exação  FINSOCIAL  na  forma  recepcionada  pelo  artigo 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.   3.1.3.  Conseqüentemente,  patente  ficou  a  limitação  da  exação  denominada  FINSOCIAL ao percentual limite de 0,5%, em virtude da inexistência de LC.  3.1.4.  Portanto,  restou  nítida  a  admissibilidade  pelo  STF  do  FINSOCIAL  na  forma  prevista  pelo  DL  1.940/82,  recepcionado  pelo  artigo  56  do  Ato  das  Disposições Constitucionais Transitória, limitando sua exigibilidade a 0,5%.  3.1.5. Nesse  sentido,  ainda  que a  retro  citada  decisão  não  tenha  efeito  “erga  omnes”,  claro  está,  em  virtude  desta  e  de  outros  posicionamentos  no mesmo  caminho,  que  as  demais  decisões  sobre  a  matéria  caminham  nesta  direção,  inclusive os processos judiciais da ora Impugnante.   3.1.6. Dessa  feita, não há que se  falar na obrigatoriedade da ora  Impugnante  em  efetuar  a  declaração  dos  valores  referentes  à  compensação  realizada,  na  DCTF.  Isso  porque,  não  há  mais  qualquer  relação  jurídico­tributária  da  Impugnante para com o FISCO que valide tal necessidade de informação.  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10880.024523/95­07  Resolução nº  3201­000.680  S3­C2T1  Fl. 761          3 3.1.7.  A  compensação  efetuada  pela  Impugnante  seguiu,  invariavelmente,  os  ditames estabelecidos pelo CTN em seu artigo 170 e Lei nº 8383, de 30/12/1991,  em seu artigo 66.  3.1.8. Cumpre  lembrar,  por  oportuno,  o  quanto disposto  no  art.  156  do CTN,  conforme reproduzido.  3.1.9. Ora, se o crédito tributário resta extinto com a compensação, como pode  o FISCO pretender penalizar a ora Impugnante com relação ao integral valor  da compensação efetuada? Reproduz o acórdão nº 101­87.615 do CC.  3.1.10.  Observando­se  o  entendimento  que  o  Conselho  de  Contribuintes  vem  manifestando,  não  faz  sentido  a  autuação  lavrada  contra  a  ora  Impugnante,  posto  que  se  faz  totalmente  desnecessário  o  dispêndio  de  recursos  em  esfera  administrativa,  para  o  questionamento  de  temas  que  já  foi  objeto  de  deslinde  pelo Judiciário.   3.2. Conforme já demonstrado, não há a alegada obrigatoriedade de declaração  dos  valores  em  questão  na  DCTF,  em  virtude  da  inexistência  de  relação  jurídico­tributária entre o FISCO e a Impugnante. Por conseguinte, o Auto de  Infração  ora  lavrado  não  merece  prosperar,  não  podendo  ser  aventada  qualquer  multa  ou  juros  a  título  de  infração  cometida  pela  ora  Impugnante,  posto que a mesma procedeu em plena conformidade com as medidas judiciais  por ela obtidas.  3.3. Ademais,  foi publicado o Decreto 1.601, de 23 de Agosto de 1995, o qual  determinou que nas causas em que a representação da União competir à PGFN,  em  que  haja  manifestação  jurisprudencial  reiterada  e  uniforme  e  decisões  definitivas do STF ou do STJ, em suas respectivas áreas de competência, fica o  Procurador­Geral  da  Fazenda  Nacional  autorizado  a  declarar,  mediante  parecer  fundamentado,  aprovado  pelo  Ministério  de  Estado  da  Fazenda,  as  matérias em relação às quais é de ser dispensada a apresentação de recursos.  3.3.1. Dentre as matérias já determinadas, temos:  “ANEXO (...)  2. Contribuição ao FINSOCIAL – majoração de alíquota acima de 0,5% (meio  por cento), em relação às empresas comerciais e mistas (Lei nº 7.689, der 15 de  dezembro de 1988, art. 9; Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989; Lei nº 7.894, de  24 de novembro de 1989; Lei nº 8.147, de 28 de dezembro de 1990)”   3.3.2. O quanto determinado do decreto em tela nada mais demonstra senão o  nítido  posicionamento  que  a  matéria  referente  ao  FINSOCIAL,  alíquota  excedente  a  0,5%,  já  está  mais  do  que  consolidada.  Portanto,  entende  a  Impugnante, mais uma vez, ser descabida a autuação lavrada pelo FISCO.   3.4.  Por  fim,  requer  que  esta  impugnação  seja  julgada  procedente,  para  que  seja cancelado o procedimento fiscal em questão.     Fl. 769DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10880.024523/95­07  Resolução nº  3201­000.680  S3­C2T1  Fl. 762          4 O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos  do Acórdão DRJ/SPOI no 16­18.758, de 26/09/2008, proferida pela 9ª Turma da Delegacia da  Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins   Período  de  apuração:  01/10/1993  a  30/11/1993,  01/01/1994  a  31/01/1994   COFINS  ­  DÉBITOS  NÃO  DECLARADOS  NA  DCTF  ­  OBRIGATORIEDADE DO LANÇAMENTO.   Nos casos em que for efetuada a compensação de pagamento indevido  ou a maior com o valor do  tributo e/ou contribuição a  ser declarado  (art.  66  da Lei  nº  8.383/91),  deverá  ser  informado na DCTF o  valor  total  apurado,  não  devendo  ser  considerados  eventuais  ajustes  decorrentes da compensação.  MULTA DE OFÍCIO DE 100%.  Deve  ser  reduzida  para  75%  por  haver  lei  posterior  impondo  penalidade menos severa.  Lançamento Procedente em Parte.  O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte o lançamento.  Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde  repisa basicamente os termos da impugnação.   O processo digitalizado  foi distribuído e encaminhado a  esta Conselheira para  prosseguimento.  É o relatório.    VOTO  Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM  O  presente  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão por que dele tomo conhecimento.   Versa o presente de falta de recolhimento da contribuição para financiamento da  seguridade social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de outubro/93 a novembro/93 e  janeiro/94,  razão  pela  qual  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  de  fls.  20  e  21,  integrado  pelos  termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, com o seguinte enquadramento legal:  Arts 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991.  Transcrevo trecho do voto da decisão a quo:  5. Alega a  impugnante que “propôs a Medida Cautelar  Inominada nº  94.009297­0 com Pedido de Concessão de Liminar, e respectiva Ação  Fl. 770DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10880.024523/95­07  Resolução nº  3201­000.680  S3­C2T1  Fl. 763          5 Ordinária  nº  94.0011615­2,  para  que  fosse  admitida  a  legalidade  da  compensação efetuada” e que “No transcorrer da discussão judicial, o  Tribunal  Pleno  do  STF  julgou,  em  16  de  dezembro  de  1992,  inconstitucionais  diversos  dispositivos  da  legislação  reguladora  do  FINSOCIAL,  a  partir  da  edição  da  Lei  nº  7.689/88,  no  Recurso  Extraordinário nº 150.764­1”.  5.1. No tocante às ações judiciais para que fosse admitida a legalidade  da compensação efetuada, deve­se considerar que:  5.1.1.  Medida  Cautelar  Inominada  nº  94.009297­0,  na  primeira  instância, consta a decisão: “Isto posto,  julgo extinto o processo, sem  apreciação do mérito, com fulcro nos artigos 267, I; 295, I, parágrafo  único, II e III, ambos do CPC” (fls. 109­110).  5.1.2. Ação Ordinária nº 94.0011615­2, na primeira instância, consta a  decisão:  “Julgo,  pois,  improcedente  o  pedido  de  compensação  dos  créditos da contribuição ao Finsocial, com os débitos de contribuição  ao COFINS” (fls. 124­131).  5.1.3.  No  Tribunal,  foi  proferida  a  decisão,  sendo  que  o  item  4  da  Ementa  consta  que  “4.  A  compensação  poderá  ser  efetuada  com  contribuição social sobre o faturamento (COFINS)” (fl. 132). No voto  consta “Na hipótese, portanto, de compensação o valor do crédito do  contribuinte será corrigido desde a data do pagamento  indevido ou a  maior,  pelos  mesmos  índices  mediante  os  quais  eram  atualizados  os  créditos  tributários  até  31  de  dezembro  de  1991  e,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1992,  observando­se  a  regra  do  §  3º  do  art.  66  da Lei  nº  8.383/91” e ainda “Assim, a fiscalização não sofrerá qualquer empeço,  devendo  verificar  a  exatidão  dos  cálculos  que  serão  procedidos  pelo  contribuinte  e o  cumprimento das demais condições estabelecidas  em  lei, como se verificou” (fls. 136­137). (grifamos)  5.1.4. O Acórdão transitou em julgado em 26.08.97 conforme Certidão  nº 380/99 (fl. 138), restando respaldado judicialmente o procedimento  fiscal que lavrou o Auto de Infração em 21.08.95 (fls.20­21).  Tendo  em  vista,  tratar­se  de  um  processo  antigo  e  só  recentemente  a  mim  distribuído,  sugiro  que  o  mesmo  baixe  em  diligência  para  os  devidos  esclarecimentos  e  atualizações.  Observei que em sede de recurso voluntário, a recorrente insiste em alegar que ­  o valor de 382.714,97 UFIR questionado pelo Ilustre Fiscal quando da lavratura do Auto de  Infração, nada mais é do que o valor excedente pago a  titulo de FINSOCIAL no período de  1989 a 1990.  Bem como:  Não houve demonstração de contas e o mesmo sequer informou quais os dados  e informações que o levaram a encontrar um saldo remanescente de 98.098,81 UFIR.  Solicitando, inclusive, que os cálculos que chegaram a esse valor remanescentes  sejam expostos (98.098,81 UFIR).  Fl. 771DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10880.024523/95­07  Resolução nº  3201­000.680  S3­C2T1  Fl. 764          6 Em sendo assim, solicito que seja esclarecido como se procedeu a atualização e  os índices utilizados dos valores de crédito do Finsocial; em relação a Cofins compensada  no período compreendido de novembro de 1993 e janeiro de 1994.  Enfim, que sejam esclarecidas essas informações e outras, que necessário assim  entender para sequência do julgamento.  Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para  que a Unidade Preparadora dê ciência à recorrente do resultado da diligência acima solicitada,  com reabertura de prazo, se for o caso, para possível manifestação, nos termos do que dispõe o  Decreto 70.235/72; em respeito ao princípio do contraditório.  Por  fim,  devem  os  autos  retornar  a  esta  turma  para  prosseguimento  no  julgamento.  (assinado digitalmente)  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Relator     Fl. 772DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA

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6327268 #
Numero do processo: 16004.000337/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/06/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I, da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Órgão Fazendário Federal competente. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. LEI Nº 3.470/58. Nos lançamentos de ofício, é de cinco dias úteis o prazo para a apresentação de documentos necessários ao procedimento fiscal, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, a teor do §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     2  autoridade  fiscal  promove  a  coleta  de  dados  e  informações,  examina  documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a  ocorrência  ou  não  de  fato  gerador  de  obrigação  tributária  aplicando­lhe  a  legislação tributária.   Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao  crivo  do  contraditório  nem  da  ampla  defesa,  direito  reservados  ao  sujeito  passivo  somente  após  a  ciência  do  lançamento,  com  o  oferecimento  de  impugnação,  quando  então  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  procedimento  fiscal.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM.  São  solidárias  as  pessoas  físicas  e/ou  jurídicas  que  realizam  conjuntamente  com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação  principal objeto do  lançamento, a  teor do  inciso  I do art. 124 do CTN, não  comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem.  FRAUDE.  Configura­se  fraude  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.  SONEGAÇÃO  Qualifica­se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  a  respeito  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições  pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal  ou o crédito tributário correspondente.   LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  E  LEGALIDADE.  INVERSÃO  DO  ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  notificado  o  ônus  de  desconstituir  o  lançamento  ora  em  consumação.  Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado eficazmente pela parte  contrária, o desfecho há de ser em favor  desta presunção.  DIREITO  PREVIDENCIÁRIO.  PRINCÍPIO  DA  PRIMAZIA  DA  REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.  Vigora  no Direito Previdenciário  o Princípio  da Primazia  da Realidade  dos  fatos  sobre  a  Forma  jurídica  dos  atos,  o  qual  propugna  que,  havendo  divergência  entre  a  realidade  das  condições  efetivamente  ajustadas  numa  determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a  realidade dos fatos.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  INCIDENTES  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  DO  ADQUIRENTE.  ART.  25  DA  LEI  Nº  8.212/91,  NA  REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001.  Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 457          3  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art.  12  desta  Lei,  destinada  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho,  é  de  2%  e  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  respectivamente,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001.   A  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa  são  obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91,  no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de  essas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91.  AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.   A  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade  da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a  seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem­se motivo justo, bastante,  suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição  indireta  de  sua  base  de  cálculo,  a  contribuição  previdenciária  que  reputar  devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR­ LHE provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.     André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico  Lombardi  (Presidente  de  Turma),  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Cleberson  Alex  Friess,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Theodoro  Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.      Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     4    Relatório  Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007  Data da lavratura do AIOP: 26/06/2009.  Data da Ciência do AIOP: 06/07/2009.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  DRP  em  Ribeirão  Preto/SP  que  julgou  improcedente a impugnação oferecida pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por  intermédio  do  Auto  de  Infração  nº  35.201.577­8,  CFL  30,  lavrado  em  razão  do  descumprimento  objetivo  de  obrigação  acessória  prevista  no  inciso  I  do  art.  32  da  Lei  nº  8.212/91, conforme descrito no Termo de Constatação de Infração Fiscal a fls. 11/17.  CFL ­ 30  Deixar  a  empresa  de  preparar  folha(s)  de  pagamento(s)  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo  INSS.     A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283,  I,  ‘a’  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048  de  06/05/1999,  elevada  em  três  vezes  conforme  previsão  assentada  no  inciso  II  do  art.  290  do  Regulamento  da Previdência Social,  com valores  reajustados  conforme Portaria MPS/MF n°  48, de 12/02/2009, DOU de 13/02/2009, de acordo com o Relatório Fiscal da Multa aplicada a  fl. 16.  De acordo com a resenha fiscal, a empresa deixou de incluir em suas folhas  de  pagamento  as  remunerações  pagas  aos  segurados  obrigatórios  do  RGP  indevidamente  registrados  nas  interpostas  pessoas  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira  Ltda,  existentes  tão  somente  no  papel,  infringindo  assim  o  disposto no Art. 32, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o Art. 225, inciso I e §9°,  do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99.   No Termo de Constatação de Infração Fiscal do PAF 16004.000336/2009­19  são  transcritos  trechos  do  relatório  da  Polícia  Federal,  onde  são  expendidas  considerações  detalhadas  sobre  a  operacionalização  dos  procedimentos  efetuados,  discorrendo  sobre  a  operação "Grandes Lagos" e a existência de uma organização criminosa criada para fraudar a  administração tributária mediante a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para eximir os  verdadeiros  titulares  do  pagamento  de  tributos,  sendo  apresentadas,  dentre  tantas  outras,  as  seguintes informações:   ·  A  partir  de  denúncias  e  informações  de  órgãos  fiscalizadores  foi  deflagrada  a  operação  “Grandes  Lagos”,  identificando­se  situações  que,  em  tese,  são  caracterizadoras  de  crimes  de  sonegação,  tendo  sido  Fl. 459DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 458          5  expedidos  pelo  Poder  Judiciário  mandados  de  busca  e  apreensão  e  de  prisão  preventiva,  sendo  determinada  a  instauração  de  inúmeras  ações  fiscais,  dentre  elas  junto  à  autuada,  pelo  fato  de  adquirir  notas  fiscais  “frias” de empresas “noteiras”, que efetuavam a venda de tais documentos  fiscais visando a fraudar a administração tributária.   ·  A  fraude  à  administração  tributária  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de  recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de  tributos.   ·  O  gado  era  comprado,  abatido  e  vendido  pelo  frigorífico  cliente  das  empresas  “noteiras”.  No  entanto,  aparentemente  a  compra  do  gado  e  comercialização  dos  produtos  do  abate  eram  feitos  pelas  “noteiras”  de  acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas  fiscais  “frias”  relativas  à  compra  do  gado  e  notas  também  “frias”  de  remessa  desse gado ao  frigorífico  (cliente da  “noteira”) para abate,  seguindo­se  a  emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que,  finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos.   ·  Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras”  foram  constituídas  com  o  único  propósito  de  emitir  notas  fiscais  ‘frias”  para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto  ao  fisco  e não despertar  suspeitas  sobre o verdadeiro  faturamento desses  “clientes”:  (a)  o  patrimônio  declarado  das  “noteiras”  é  insuficiente  para  suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos  declarados  do  sócio majoritário  da  “noteira”  e  as  receitas  declaradas  da  empresa  no  período;  (c)  a  movimentação  financeira  desse  sócio  majoritário  em  valores  muito  superiores  a  seus  rendimentos  declarados;  (d)  a  movimentação  de  contas  bancárias  da  citada  empresa  por  procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas –  “clientes”);  (e)  transcrição  de  declarações  de  inúmeros  produtores  rurais  no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”,  mas com seus “clientes”.     O Termo de Constatação de  Infração Fiscal do PAF 16004.000336/2009­19  prossegue informando que as empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda compõem o  "Núcleo  Ouroeste", estando todas constituídas em nome de "laranjas". Consta consignado no Termo de  Constatação de Infração Fiscal que:  ·  Na Continental  Ouroeste,  três  dos  sócios  não  têm  histórico  de  vínculos  empregatícios compatíveis com a condição de empresários.   ·  O  Frigorífico  Ouroeste  foi  iniciado  pelo  Sr.  José  Cabral  Muniz  e  seus  filhos,  e  posteriormente  foi  vendido  para  o  Sr.  José  Ribeiro  Junqueira  Neto, representado por seu procurador ­ Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira  ­ e para o Sr. Dorvalino Francisco de Souza.   Fl. 460DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     6  ·  A Continental Ouroeste foi constituída quando o Frigorífico Ouroeste teve  problemas  com  sua  inscrição  estadual.  Compõem  seu  quadro  societário  Antonio Martucci  e  Edson Garcia  de  Lima. O  primeiro  recebeu  o  valor  para  integralização de  sua parcela no  capital  social  da  empresa Produtos  da Fazenda Ltda, que formalmente pertence a Manoel dos Reis de Oliveira  e Sandra Amara Reis de Oliveira, mas de fato, pertence a Edson Garcia de  Lima e Dorvalino Francisco de Lima.   ·  É feita a análise dos depoimentos prestados pelos envolvidos; do contrato  de arrendamento pela Continental Ouroeste das instalações do Frigorífico  Ouroeste  em  10/09/2002,  e  da  utilização  de  créditos  do  ICMS  pela  Continental Ouroeste.   ·  Discorre­se novamente sobre depoimentos pessoais acerca dos rótulos dos  produtos comercializados (os produtos da Continental Ouroeste saíam com  o rótulo do Frigorífico Ouroeste) e das informações prestadas por clientes  e fornecedores, que indicam os verdadeiros responsáveis pela empresa e a  realização de operações fictícias para gerar créditos do ICMS.   ·  Constatou­se  a  existência  de  inúmeros  benefícios  diretos  e  indiretos  concedidos  aos  verdadeiros  sócios  do  empreendimento,  como  títulos  de  capitalização,  transferências  de  valores  mensais,  tendo  referidas  pessoas  recebido  o  tratamento  por  instituições  financeiras  como  sócios  dessas  empresas.   ·  Verificou­se  que  a  empresa  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  dívidas  da  Continental Ouroeste, sendo que esta nunca entregou DCTF, mas apenas  as DIPJ de 2002 e 2003, recolhendo os tributos por substituição tributária  no  período,  além  de  recolhimentos  parciais  de  contribuições  previdenciárias.   ·  Concluiu­se que a Continental Ouroeste  inexiste de fato, constituída com  fins  fraudulentos,  tendo  como  beneficiários  destas  operações  os  Srs.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson Garcia  de  Lima,  José Roberto  de  Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto.   ·  A  Continental  Ouroeste  foi  criada  para  que  estas  pessoas  ­  verdadeiros  sócios da Frigorífico Ouroeste  ­  não  tivessem seus nomes vinculados  ao  patrimônio da empresa.   ·  A SP Guarulhos sucedeu a Continental Ouroeste na fraude praticada.   ·  Consta  no  TCF  relato  pormenorizado  de  operações  bancárias  praticadas  pelos envolvidos, com o intuito de demonstrar­se a ligação entre eles, e da  situação de cada uma das pessoas físicas mencionadas e também daqueles  que se caracterizaram como colaboradores do esquema.   ·  Discorre­se  acerca  dos  depoimentos  das  pessoas  envolvidas  no  esquema  de  venda  de  notas  fiscais  e  informações  prestadas  por  clientes  e  fornecedores  que  atestam  que  as  operações  de  compra  do  gado  e  venda  dos produtos resultantes do abate, embora lastreadas com notas fiscais de  empresas  diversas  ("noteiras"),  eram  realizadas  com  pessoas  que  Fl. 461DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 459          7  integravam o Núcleo Ouroeste, citando­se ainda que os próprios Dorvalino  e Edson admitiram a compra de notas de empresas "noteiras".   ·  A  fiscalização,  a  partir  de  documentos  aos  quais  teve  acesso  durante  os  trabalhos fiscais, apurou que as notas vendidas pelas "noteiras" traziam um  código de identificação de seu comprador, o qual possibilitou a apuração  dos valores relativos a operações dessa natureza.   ·  Que a empresa BR Fronteira também foi criada com o intuito de assumir a  responsabilidade pelas obrigações trabalhistas do grupo. A análise pessoal  das  pessoas  que  integram  seu  quadro  societário  demonstra  a  flagrante  incompatibilidade  de  sua  situação  econômica  e  a  condição  de  sócias  da  citada  empresa,  concluindo­se  tratarem­se  de  interpostas  pessoas  ("laranjas").   ·  Foram  encontrados  documentos  no  endereço  do  Frigorífico  Ouroeste  (cartões  de  ponto,  holerites,  PPRA  da  Continental  Ouroeste  e  da  BR  Fronteira),  que  comprovam  que  o  seu  controle  sobre  a  mão­de­obra,  assumindo os riscos da atividade econômica praticada, havendo também a  comprovação  de  que  os  trabalhadores  se  confundiam  em  relação  à  definição  da  empresa  para  a  qual  prestavam  serviços.  Existiam  trabalhadores  com  vínculos  formais  estabelecidos  com  as  diversas  empresas  envolvidas,  discorrendo­se  acerca  do  rodízio  dos  vínculos  empregatícios entre as empresas.   ·  A  utilização  de  documentos  fiscais  adquiridos  de  outras  empresas  para  ocultar  os  verdadeiros  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  caracteriza o dolo. São citados dispositivos do Código Civil e do Código  Tributário Nacional ­ CTN.   ·  Os  fatos  geradores  foram  considerados  como  do  Frigorífico  Ouroeste,  inclusive aqueles  relacionados a documentos  fiscais adquiridos de outras  empresas  ("noteiras");  aos  pagamentos  efetuados  aos  contribuintes  individuais, inclusive sócios de fato da autuada; e à interposição de mão­ de­obra em outras empresas.   ·  São descritos os valores tomados como base de cálculo das contribuições  lançadas,  com  o  detalhamento  das  aferições  indiretas  realizadas,  indicando­se  ainda  que  todos  os  levantamentos  foram  considerados  não  declarados  em GFIP, pois os  fatos geradores não constaram na GFIP do  real empregador, o Frigorífico Ouroeste.   ·  Foram examinados documentos apresentados pelo Frigorífico Ouroeste.   ·  A  empresa  Continental  Ouroeste  não  atendeu  à  intimação  fiscal  para  apresentação de documentos,  sendo a análise dos vínculos empregatícios  realizada  com  base  em  elementos  apreendidos  ­  Livros  de  Registro  de  Empregados  ­  confrontados  com  informações  do  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  ­  CNIS.  Foram  apreendidos  documentos  junto  às  empresas SP Guarulhos e BR Fronteira.   Fl. 462DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     8  ·  A fiscalização arrolou como devedores solidários do Frigorífico Ouroeste  as  empresas  interpostas  Continental  Ouroeste,  SP  Guarulhos  e  BR  Fronteira,  bem  como  os  beneficiários  pessoas  físicas  das  fraudes  perpetradas,  eis  que  presente  o  interesse  comum  nas  situações  que  constituíram  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  ora  lançadas.  Assim, foram lavrados e encaminhados os respectivos Termos de Sujeição  Passiva lavrados, juntamente com cópias do Auto de Infração e seu Termo  de  Constatação  e  Infração  Fiscal,  expondo  que  os  demais  elementos  de  prova  ficam  franqueados  aos  devedores  solidários,  em  atendimento  à  ampla defesa e ao contraditório.     De  acordo  com  o Termo  de Constatação  de  Infração  Fiscal,  a  Fiscalização  constatou  no  banco  de  dados  corporativo  (telas  RAIS  e  CNIS  ­  Fonte  GFIP  /  Dados  do  Trabalhador),  que  os  trabalhadores  em  apreço  foram  inicialmente  contratados  em Agosto  de  2002  e  desligados  em Setembro  de  2002  pelo  Frigorífico Ouroeste  Ltda. Na  sequência,  tais  operários foram recontratados pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, conforme LRE a  fls.  93  a  313  ­  Vols.  I  e  II/Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19,  no  dia  seguinte  ao  desligamento  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  permanecendo  com  vínculos  no  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda até Outubro de 2005 .   Em  Novembro  de  2005  os  mesmos  empregados  foram  transferidos  para  a  empresa Rodrigues Bastos, atual Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda,  permanecendo nesta até Dezembro/2006.  Nos  vínculos  com  a  empresa  Rodrigues  Bastos/Comércio  de  Carnes  e  Representação BR de Fronteira Ltda constam como data de admissão a mesma que consta na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  de  onde  avulta  que  aquela  assumiu  o  passivo  trabalhista  desses  empregados,  conforme  consta  no  Livro Registro  de  Empregados  n.  05  da  Continental Ouroeste, fls. 303 ­ Vol. I/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19.   Após  a  ação  da  Polícia  Federal  os  vínculos  desses  empregados  retornaram  para  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  constando  nas  FRE  ­Fichas  Registro  de  Empregados  a  assunção pelo Frigorífico Ouroeste Ltda de todo o passivo trabalhista, desde suas admissões no  Frigorífico Ouroeste em 2002, na Continental Ouroeste ou na Rodrigues Bastos / BR Fronteira  Ltda, fls. 703 a 781 ­ Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19.   A Fiscalização apurou que em 2007 o Frigorífico Ouroeste Ltda solicitou à  Caixa  Econômica  Federal  a  unicidade  do  FGTS  de  todos  os  empregados  que  prestaram  serviços ao Grupo Ouroeste desde 2002.   A  Fiscalização  comprovou  a  ocorrência  de  simulação  dos  negócios  praticados,  uma  vez  que  a  Continental  Ouroeste,  a  SP  Guarulhos  e  a  BR  Fronteira  apenas  aparentemente  figuravam  como  contribuintes,  acobertando  o  verdadeiro  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  o  'Frigorífico  Ouroeste  Ltda',  que  assumiu  todo  o  passivo  trabalhista,  inclusive  previdenciário  e  fiscal,  assumia  os  riscos  da  atividade  econômica  com  finalidade  lucrativa, dirigia a prestação de serviço de maneira não eventual, assalariava os empregados a  seu  serviço,  estando  presente  todos  os  requisitos  que  os  qualificam  como  seus  segurados  empregados, conforme disposições  legais, art. 3º da CLT e art. 12 da Lei nº 8.212/91, sendo  nulo o vínculo através das interpostas pessoas acima citadas, conforme art. 9º da CLT, sendo  de fato o único beneficiário e real empregador o Frigorífico Ouroeste Ltda, conforme previsto  no art. 2º da CLT e art. 15 da Lei n° 8.212/91.  Fl. 463DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 460          9  Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  Br  Fronteira,  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo  Frigorífico Ouroeste, nas competências 11/2005 a 13/2006, pois conforme declaração da sócia  Maria  Aparecida  na  Vara  de  Fernandópolis,  de  que  os  encargos  previdenciários  foram  recolhidos  pelo  Frigorífico  Ouroeste,  a  GPS  com  código  2003  (SIMPLES)  foi  considerada  como  2100  (empresas  em  geral)  (fls.  333,  337  e  340  ­  Volume  2  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19).  Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  SP  Guarulhos  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo  Frigorífico Ouroeste, lançadas como CRED (créditos), nas competências 03/2006 e 13/2006.  Conforme discriminado nos Relatório RADA – Relação de Apropriação de  Documentos  Apresentados  e  RDA  –  Relação  de  Documentos  Apresentados  do  PAF  16004.000336/2009­19, os créditos de titularidade da empresa, decorrentes de recolhimentos à  Seguridade  Social,  foram  utilizados  para  abater,  prioritariamente,  as  Contribuições  Sociais  devidas pelos  segurados  empregados  e pelos Segurados Contribuintes  Individuais,  incidentes  sobre seus respectivos Salários de Contribuição ­ itens 11 e 1F ­ SEGURADO, do anexo DAD  ­  Discriminativo  Analítico  do  Débito.  Eventuais  saldos  foram  utilizados  para  abater  as  Contribuições Sociais devidas pela empresa – Itens 12, 13, 14 e 15 do Discriminativo Analítico  de Débito.  Em razão da existência de interesse comum na situação constitutiva dos fatos  geradores objeto do presente lançamento, o vertente Crédito Tributário houve por lançado, por  solidariedade  passiva,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  124  do  CTN,  também  em  face  das  seguintes  pessoas  adiante  arroladas,  conforme  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  a  fls.  19/36:  ·  Antonio Martucci;  ·  Edson Garcia de Lima;  ·  Dorvalino Francisco de Souza;  ·  José Roberto de Souza;  ·  Oswaldo Antonio Arantes;  ·  Luiz Ronaldo Costa Junqueira;  ·  João Francisco Naves Junqueira;  ·  José Ribeiro Junqueira Neto;    Houve­se  também por  formalizada  a  competente Representação  Fiscal  para  Fins Penais.   Irresignado  com  a  autuação,  o  Autuado  apresentou  impugnação  administrativa em face do lançamento, a fls. 79/161.  Fl. 464DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     10  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza e Oswaldo Antonio Arantes ofereceram impugnação em petição  conjunta a fls. 165/247.  Os demais devedores solidários não contestaram o lançamento.     A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  lavrou decisão  administrativa  textualizada no Acórdão nº 14­33.071 – 9ª Turma da  DRJ/RPO,  a  fls.  279/290,  julgando  improcedentes  as  impugnações  ofertadas  e  mantendo  o  crédito tributário em sua integralidade.  O Autuado e os demais Sujeitos Passivos foram cientificados da decisão de 1ª  Instância  no  dia  13/06/2011,  conforme  Cartas  de  Ciência  e  Avisos  de  Recebimento  a  fls.  308/338.  O  devedor  Principal  Frigorífico Ouroeste  ltda  interpôs Recurso Voluntário,  em petição a fls. 339/385.  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Oswaldo Antonio  Arantes  e  Antonio Martucci  interpuseram  Recurso Voluntário em petição conjunta a fls. 396/447.  Os demais devedores solidários não se manifestaram nos autos do processo.  Os Recorrentes alegam, em resumo:  ·  Nulidade por falta de clareza na autuação;   ·  Cerceamento  do  direito  de  defesa,  em  razão  do  prazo  exíguo  para  apresentação de documentos;  ·  Cerceamento do direito de defesa, por não ter tido acesso aos documentos  das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação;   ·  Que é indevido o lançamento a partir da desconsideração da personalidade  de outras empresas;   ·  Que a Fiscalização não  logrou comprovar a existência dos requisitos dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários  das  empresas  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda. e  a Autuada;   ·  Que  a  Fiscalização  promoveu  o  lançamento  a  partir  dos  valores  consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIP dos quais Edson  Garcia  de Lima, Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Jose Roberto  de  Souza,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  não  tiveram  acesso,  não  foram partes, não foram intimados da relação processual, não figuram no  Polo  Passivo,  olvidando­se  que  as  pessoas  acima  não  podem  suportar  o  ônus  do  lançamento  de  tributos  de  interesse  de  outra  pessoa  jurídica,  sobretudo  por  não  terem  direito/dever  de  manterem  e  apresentarem  a  contabilidade de outrem;  Fl. 465DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 461          11  ·  Que a autoridade lançadora imputou responsabilidade solidária às pessoas  de Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de  Souza,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  com  o  exclusivo  fundamento  de  que os mesmos  seriam,  em  tese,  procuradores,  sócios  ou  administradores de outra firma;   ·  Que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço  só  poderia  ocorrer  ante  a  verificação da  insuficiência do patrimônio da pessoa  jurídica e mediante  prévio  procedimento  judicial  de  cognição  com  decisão  transitada  em  julgado;     Ao fim, requerem o provimento do Recurso Voluntário.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 466DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     12    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  Os  Recursos  Voluntários  interpostos  são  tempestivos.  Assim,  presentes  os  demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.      2.  DAS PRELIMINARES  2.1.   DA NULIDADE  Alega o Recorrente nulidade por falta de clareza na autuação.  Não !  Merece ser destacado, inicialmente, que o lançamento tributário é constituído  por  uma  diversidade  de Termos, Relatórios  e Discriminativos,  sendo  certo  que  a  captação  e  compreensão  das  condições  de  contorno  que  individualizam  e  modelam  a  exação  exigida  decorrem  não  de  um  único  relatório,  mas,  sim,  da  interpretação  conjunta,  sistemática  e  teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da  legislação de regência, atividade essa que exige profissionais capacitados e com conhecimento  específico  sobre  o  tema,  como  assim  sói  ocorrer  em  toda  e  qualquer  área  da  atividade  governamental, econômica ou intelectual da era pós­moderna. A complexidade e o sinergismo  dos diversos ramos do conhecimento assim o exigem.  Dessarte, dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo  do  lançamento  há  que  ser  interpretado  e  digerido  com  o  olhar  clínico  que  o  seu  propósito  finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que  não  se  cometa  o  despropósito  de  se  atribuir  à  administração  tributária  uma  deficiência  que,  muita  vez,  não  é  da  parte  que  formaliza  e  redige  os  elementos  constitutivos  do  lançamento,  mas, sim, da capacidade de cognição de quem os analisa e interpreta.  Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de  cunho  eminentemente  jurídico,  nada mais  natural  e  exigível  que  os  termos  que  o  compõem  obedeçam  à  lógica  e  ao  jargão  jurídico.  Tal  característica,  logicamente,  não  o  invalida.  Ao  contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance.  Fosse  um  documento médico,  de  informática,  ou  de  engenharia,  exigíveis  seriam  os  jargões  médico, de TI ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico.   Ao contrário da leitura empreendida pelo Recorrente, avulta dos autos que o  Auto de Infração em relevo houve­se por lavrado em perfeita consonância com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo a Autoridade Lançadora demonstrado, de  Fl. 467DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 462          13  forma clara e precisa, as circunstâncias do caso concreto a evidenciar a efetiva ocorrência de  infração à Legislação Tributária, bem como a motivação da lavratura do Auto de Infração em  apreço.  Logo  de  plano  o  item  02  do  Relatório  Fiscal  da  Infração  detalha  todas  as  infrações cometidas pelo Autuado, assim como a fundamentação jurídica.  Na sequência, o Relatório Fiscal expõe  todas as  razões de  fato e de Direito  que formaram a convicção da Autoridade Fiscal acerca da ocorrência de violação à legislação  tributária,  bem  como  a  motivação  da  lavratura  do  vertente  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória, indicando, inclusive, a fundamentação legal.  Adiante,  a  Autoridade  Lançadora  expõe  a  memoria  de  cálculo  da  multa  aplicada, bem assim como a fundamentação jurídica de regência.  Oportuno  lembrar  que  o Termo  de Constatação  de  Infração  Fiscal  do  PAF  16004.000336/2009­19  traz  a  lume  as  circunstâncias  motivadoras  da  deflagração  da  Ação  Fiscal da qual  resultou o Auto de  Infração em debate, sendo abordados o núcleo Ouroeste,  a  existência  de  interpostas  pessoas,  as  infrações  a  obrigações  tributárias,  a  constituição  de  empresas  em  nome  de  “laranjas”,  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  envolvidas,  e  a  descrição  detalhada de todas as demais constatações que desaguaram na percepção da efetiva existência  de  uma  organização  criminosa  criada  para  fraudar  a  administração  tributária  mediante  a  interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para eximir os verdadeiros titulares do pagamento  de tributos:  No caso em apreço, os relatórios fiscais que integram o presente lançamento  foram elaborados dentro do escopo especificamente desenhado adrede para cada deles, não se  afastando  nem  omitindo  as  informações  que  deles  se  esperam,  permitindo  ao  Autuado  a  perfeita  compreensão  dos  fundamentos  e  razões  da  autuação,  sendo­lhe  dessarte  garantido  o  exercício do contraditório e da ampla defesa.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  tipificação  da  obrigação  tributária  acessória  violada,  as  razões  de  fato  e de Direito  do  lançamento,  a motivação  da  lavratura  do Auto  de  Infração,  a  fundamentação  legal,  a Memória  de  Cálculo  e  a  composição  da multa  aplicada,  dentre outros, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição,  nos relatórios específicos.  O lançamento encontra­se revestido de todas as formalidades exigidas por lei,  dele  constando,  além  dos  relatórios  já  citados,  o  MPF,  TIPF,  TIF  e  TEPF,  dentre  outros,  havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso  do  presente  feito,  favorecendo,  assim,  a  contradita  dos  termos  do  lançamento  e  o  devido  processo legal.  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de  prejuízo  à  defesa  erguida  pelo  sujeito  passivo,  razão  pela  qual  impende  repelir  peremptoriamente a preliminar de nulidade tão veementemente sustentada pelo Recorrente.  Por tais razões, rejeitamos a preliminar de nulidade.  Fl. 468DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     14    2.2.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  O Recorrente alega cerceamento do seu direito de defesa, em razão do prazo  exíguo para apresentação de documentos;  Sem razão.    De  acordo  com  o  §1º  do  art.  19  da  Lei  nº  3.470/58,  nos  lançamentos  de  ofício, nas  situações em que as  informações e documentos  solicitados digam respeito a  fatos  que  devam  estar  registrados  na  escrituração  contábil  ou  fiscal  do  sujeito  passivo,  ou  em  declarações  apresentadas  à  administração  tributária,  o  prazo  para  a  apresentação  de  documentos necessários ao procedimento fiscal é de cinco dias úteis.  A  dilação  de  10  dias  assinalada  pela  Fiscalização  à  empresa  para  a  apresentação de sua escrituração contábil decorre ex lege, sendo­lhe concedido um prazo maior  do que aquele previsto no §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58, incluído pela Medida Provisória nº  2.158­35/2001.  Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958.  Art.  19. O processo de  lançamento de ofício  será  iniciado pela  intimação  ao  sujeito  passivo  para,  no  prazo  de  vinte  dias,  apresentar  as  informações  e  documentos  necessários  ao  procedimento  fiscal,  ou  efetuar  o  recolhimento  do  crédito  tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº  2.158­35/2001)   §1º  Nas  situações  em  que  as  informações  e  documentos  solicitados  digam  respeito  a  fatos  que  devam  estar  registrados  na  escrituração  contábil  ou  fiscal  do  sujeito  passivo,  ou  em  declarações apresentadas à administração  tributária, o prazo a  que  se  refere  o  caput  será  de  cinco  dias  úteis.  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 2.158­35/2001)   §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§  2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação  para  apresentar  documentos,  cuja  guarda  não  esteja  sob  a  responsabilidade  do  sujeito  passivo,  bem  assim  a  impossibilidade  material  de  seu  cumprimento.  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 2.158­35/2001)     Com efeito, dada a potencial impossibilidade de se apurar, imediatamente, o  valor correspondente a cada operação a ser registrada na contabilidade, a  legislação tributária  concede um prazo de carência para que tais registros sejam lançados. Nessa toada, o §13º do  art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estipula que  os lançamentos contábeis referentes aos fatos geradores de todas as contribuições, o montante  das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, só serão exigidos  pela  fiscalização  após  noventa  dias  contados  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  das  contribuições,  devendo  tais  lançamentos  atender  ao  princípio  contábil  do  regime  de  competência,  além  de  registrar,  em  contas  individualizadas,  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  de  forma  a  identificar,  clara  e  precisamente,  as  rubricas  integrantes  e  não  integrantes  do  salário­de­contribuição,  bem  como  as  contribuições  Fl. 469DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 463          15  descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa,  por obra de construção civil e por tomador de serviços.  Regulamento da Previdência Social   Art. 225. A empresa é também obrigada a:  (...)   II­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos;   (...)  §13.  Os  lançamentos  de  que  trata  o  inciso  II  do  caput,  devidamente  escriturados  nos  livros  Diário  e  Razão,  serão  exigidos  pela  fiscalização  após  noventa  dias  contados  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  das  contribuições,  devendo,  obrigatoriamente:  I­ atender ao princípio contábil do regime de competência; e  II­  registrar,  em  contas  individualizadas,  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  de  forma  a  identificar,  clara  e  precisamente,  as  rubricas  integrantes  e não  integrantes  do  salário­de­contribuição,  bem  como  as  contribuições  descontadas  do  segurado,  as  da  empresa  e  os  totais  recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de  construção civil e por tomador de serviços.  §14.  A  empresa  deverá manter  à  disposição  da  fiscalização  os  códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas  utilizadas na  elaboração da  folha  de  pagamento,  bem  como os  utilizados na escrituração contábil.    Não se deslembre que o art. 33 da Lei nº 8.212/91 outorgou à Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  a  competência  para  planejar,  executar,  acompanhar  e  avaliar  as  atividades  relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das contribuições sociais previdenciárias, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de  examinar a contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a exibir todos os documentos e  livros  relacionados  com  tais  contribuições  sociais,  e  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).    §1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  Fl. 470DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     16  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).    §2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).    Nessa  esteira,  o  art.  32  da  Lei  nº  8.212/91  determina  expressamente  que  a  empresa  é obrigada  a preparar  folhas de pagamento das  remunerações pagas ou  creditadas  a  todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão  competente  da  Seguridade  Social;  a  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos  e  a  declarar  à  Secretaria da Receita Federal  do Brasil, mediante GFIP,  todos os dados  relacionados  a  fatos  geradores,  base  de  cálculo  e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse  do  INSS,  devendo  os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento das tais obrigações instrumentais ficar arquivados na empresa, à disposição  da fiscalização, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir  os créditos tributários a eles relativos, ou que ocorra a prescrição dos créditos tributários  decorrentes das operações a que se refiram.  Código Tributário Nacional  Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação  quaisquer  disposições  legais  excludentes  ou  limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores,  ou  da  obrigação  destes de exibi­los.  Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram.      Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32. A empresa é também obrigada a:   I ­ preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou  creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com  os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da  Seguridade Social;   II  ­  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas as contribuições, o montante das quantias descontadas,  as contribuições da empresa e os totais recolhidos;   III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis  de  seu  interesse,  na  forma  por  ela  estabelecida,  bem  como  os  Fl. 471DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 464          17  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização;  (Redação  dada  pela Lei nº 11.941/2009)  IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil  e ao  Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  – FGTS, na  forma, prazo e condições estabelecidos por esses  órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo  e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do  FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  (...)  §11.  Os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento  das  obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na  empresa  durante  dez  anos,  à  disposição  da  fiscalização.  (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos)      Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da  Lei nº 9.430/96.  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Guarda de Documentos  Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa  jurídica,  relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de  exercícios  futuros,  serão  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos tributários relativos a esses exercícios.    Outra não é a determinação contida no art. 4º do Decreto­Lei nº 486/69, que  dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis:  Decreto­Lei nº 486, de 3 de março de 1969.  Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  a  escrituração,  correspondência  e  demais  papéis  relativos  à  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial.     No mesmo norte também apontam as diretrizes fixadas no art. 126, II da Lei  Complementar nº 123/2006, que Instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa  de Pequeno Porte.  Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006  Art.  26.  As  microempresas  e  empresas  de  pequeno  porte  optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a:  (...)  II­  manter  em  boa  ordem  e  guarda  os  documentos  que  fundamentaram  a  apuração  dos  impostos  e  contribuições  devidos  e  o  cumprimento das  obrigações  acessórias  a  que  se  refere  o  art.  25  desta  Lei  Complementar  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações que lhes sejam pertinentes.  Fl. 472DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     18    Os  preceptivos  acima  destacados  não  se  atritam  com  as  disposições  encartadas no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Dec. 3000/99.  Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999  Conservação de Livros e Comprovantes  Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial   §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de  livros,  fichas,  documentos  ou  papéis  de  interesse  da  escrituração,  a  pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação  do  local  de  seu  estabelecimento,  aviso  concernente  ao  fato  e  deste  dará  minuciosa  informação,  dentro  de  quarenta  e  oito  horas,  ao  órgão  competente  do  Registro  do  Comércio,  remetendo  cópia  da  comunicação  ao  órgão  da  Secretaria  da  Receita Federal de sua   §2º  A  legalização  de  novos  livros  ou  fichas  só  será  providenciada  depois  de  observado  o  disposto  no  parágrafo  anterior   §3º  Os  comprovantes  da  escrituração  da  pessoa  jurídica,  relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de  exercícios  futuros,  serão  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos tributários relativos a esses exercícios.    No mesmo sentido apontam as normas cogentes do código civil:  Código civil de 2002   Art.  1.194.  O  empresário  e  a  sociedade  empresária  são  obrigados  a  conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e mais  papéis  concernentes  à  sua  atividade,  enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos  atos neles consignados.    Nessa  perspectiva,  deflui  dos  dispositivos  legais  suso  selecionados  que  a  empresa tem, por obrigação legal, que preparar folhas de pagamento das remunerações pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  órgão  competente  da  Seguridade  Social.  Tem  também  que  declarar  mensalmente  à Secretaria da Receita Federal  do Brasil  e  ao Conselho Curador do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  –  FGTS,  mediante  GFIP,  na  forma,  prazo  e  condições  estabelecidos por esses órgãos, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e  valores devidos da contribuição previdenciária e outras  informações de  interesse do  INSS ou  do Conselho Curador do FGTS e, igualmente, proceder à escrituração fiscal em títulos próprios  de  sua  contabilidade  de  todos  os  lançamentos  representativos  de  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  no  prazo  máximo  de  90  dias  contados  das  suas  ocorrências,  devendo  tais  documentos  fiscais  ser  arquivados  na  empresa,  mantidos  sob  sua  guarda,  à  disposição da fiscalização.  Fl. 473DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 465          19  O termo legal “a disposição da Fiscalização” implica que o Obrigado tenha  sob  sua  guarda  e  responsabilidade,  pronto  para  apresentação  imediata,  todos  os  documentos  assinalados na Legislação Tributária com tal desígnio, mesmo que em arquivo apartado, mas  de pronto acesso à verificação fiscal.  No  caso  em  tela,  mediante  o  TIPF  datado  de  26/01/2009,  a  fls.  39/40,  a  Fiscalização  intimou  a  empresa  a  apresentar,  dentre  outros  documentos,  as  Folhas  de  Pagamento,  as  GFIP  e  a  escrituração  contábil  referentes  ao  período  de  novembro/2005  a  fevereiro/2007,  sendo  inconcebível  que  o  Obrigado,  passados  quase  dois  anos,  ainda  não  tivesse elaborado tal documentação.  A  Fiscalização  reintimou  a  empresa,  mediante  TIF  de  16/02/2009,  a  fls.  43/45, a apresentar os documentos acima citados, sendo, igualmente, inatendida.  De acordo com o Termo de Dilação de Prazo, a fls. 49/51, o contribuinte foi  novamente  intimado  em  05  de  março  de  2009  conforme  termo  de  constatação  e  intimação  fiscal n°02, cientificado em 09 de março de 2009, pelo recebimento do Aviso de Recebimento  postal n° SÓ 111759934 BR, assinado pela funcionária Eliana Gomes Oliveira.  Novamente  intimado  em  30  de  março  de  2009,  conforme  termo  de  constatação  e  Reintimação  fiscal  n°  03,  cientificado  em  01  de  abril  de  2009,  conforme  recebimento pelo aviso postal n° RO 692332626 BR, assinado pela funcionária Eliana Gomes  Oliveira.  Com relação ao  termo de constatação e  intimação fiscaln°02, se manifestou  com data de 25 de março de 2009, recebido pela DRF/RJO em 02 de abril de 2009. Todavia,  não  procede  a  alegação  que  para  cumprimento  da  intimação  depende  de  documentos  apreendidos  pela  policia  federal,  uma  vez  que  a  empresa  recebeu  da  Fiscalização  todas  as  planilhas com os fatos geradores, de forma individualizada, além do que a empresa possuía as  folhas de pagamentos dos empregados comprovadamente seus, tanto que apresentou a RAIS de  2007, onde consta a data de admissão dos empregados retroativas a 15 de setembro de 2002,  data  essa  que  iniciou  a  atividade  econômica  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  A  empresa  solicitou dilação do prazo para cumprimento absoluto em mais 30 (trinta) dias.  Com relação ao termo de constatação e intimação fiscal nº 03, a empresa se  manifestou  em  06  de  abril  de  2009,  repetindo  as mesmas  alegações,  e  novamente,  solicitou  dilação de prazo de 30 (trinta) dias.  A Administração Tributária deferiu a dilação de 30 dias de prazo, conforme  solicitado pelo Contribuinte, a contar do requerimento datado de 06 de abril de 2009. Portanto,  as intimações deveriam ter sido atendidas, totalmente, até a data de 06 de maio de 2009.  A empresa foi, novamente, intimada, em 16/04/2009, mediante o TIF nº 04, a  fl. 53, a declarar em GFIP os valores da comercialização da produção rural conforme o livro  registro de entrada de mercadorias e GIA  ICMS,  relativos  às compras de bovinos para abate  CFOP  1.102  (compras  no  estado)  e  2.102  (compras  fora  do  estado),  sendo­lhe  concedido  o  prazo de 30 dias.  Uma  vez  mais,  mediante  o  TIF  nº  05  a  fl.  59,  a  empresa  foi  intimada  a  apresentar os apresentar Livros Diário n° 01 ­ volumes I e II, relativo ao período de janeiro a  fevereiro de 2007, com todas as formalidades legais (autenticação).  Fl. 474DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     20  Não  procede  a  alegação  de  que,  para  o  cumprimento  da  intimação,  dependeria de documentos apreendidos pela policia federal.  Ao  que  tudo  indica,  tais  documentos  encontravam­se  sob  a  guarda  da  Recorrente, tanto assim que foram apresentados à Fiscalização os Livros Caixa 2006, Diário e  Razão  2007,  Fichas  Registro  de  Empregados,  Livro  Registro  de  Entrada  e  Saída  de  Mercadorias  2006/2007,  Boletins  de Abate  2006/2007, Notas  Fiscais  de  Entrada  e  Saída  de  Mercadorias  2006/2007,  Folhas  de  Pagamento  2007,  GFIP  2006/2007  e  GPS  2006/2007,  inexistindo nos autos qualquer elemento de prova de que os documentos exigidos, porém não  exibidos,  não  teriam  sido  apresentados  à  Fiscalização  em  razão  de  estarem  apreendidos  na  Policia Federal. Cadê o Termo de Apreensão consignando tais documentos ?    Conforme  demonstrado,  a  empresa  teve  tempo  suficiente,  até  demais,  para  apresentar documentos  exigidos,  os quais,  por disposição de  lei  formal,  já deveriam  ter  sido  elaborados, preparados e postos à disposição da Fiscalização já à data de início da ação fiscal,  beirando ao escárnio e à litigância de má­fé a alegação de cerceamento de defesa por suposta  exiguidade de prazo para apresentação de documentos.  Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa.    2.3.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  O Recorrente  alega  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  por  não  ter  tido  acesso aos documentos das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação.    Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal  é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício  de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou  não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como  oficiosa  ou  não  contenciosa,  a  autoridade  administrativa  procede  à  coleta  de  informações,  dados e elementos de prova, à audita de testemunhas, ao exame de documentos, à auditagem  dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores  de obrigação tributária principal e/ou acessória.  Sublinhe­se  que,  tanto  as  provas  coletadas  diretamente  pela  fiscalização  quanto  àquelas  obtidas  por  intermédio  dos  trabalhos  complementares  de  investigação  não  se  submetem,  nesta  fase  do  procedimento,  ao  crivo  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  direito  constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento  processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento,  oportunidade  em  que  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  Processo Administrativo  Fiscal,  nos  termos  do  art.  14  do  Decreto  nº  70.235/72,  quando  então  o  contribuinte  tem  ao  seu  inteiro  dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.    Fl. 475DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 466          21  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Tal  compreensão  é  corroborada  pelos  termos  consignados  no  inciso LV do  art.  5º  da  Constituição  Federal  que  assegura  aos  litigantes,  nos  processos  judiciais  e  administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio  após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência  de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com  a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é  instaurada  a  fase  contraditória)  ou,  exercendo  o  direito  de  defesa  e  do  exercício  do  contraditório,  poderá  impugnar  o  lançamento,  instaurando  assim  a  fase  litigiosa  do  procedimento fiscal.  Constituição Federal de 1988   Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos)     Assim, ao ser dada a ciência do lançamento tributário ao Recorrente, também  lhe  são  fornecidos  todos  os  relatórios  integrantes  do  lançamento,  assim  como  o  conjunto  probatório,  que  demonstram  os  fatos  geradores  apurados,  os  tributos  devidos,  as  infrações  perpetradas, os fundamentos legais que fornecem esteio jurídico à Autuação, os procedimentos  levados a efeito pela Fiscalização, as circunstâncias e motivação do lançamento, bem como as  demais condições de contorno atávicas à atuação fiscal.   Não se deve olvidar, outrossim, que, ao tomar ciência de eventual lançamento  tributário, o Autuado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo  a pagar ou  a parcelar o  que  lhe  está  sendo exigido, hipótese  em que não é  instaurada  a  fase  contraditória.  Ao  revés,  pode  ele,  também,  exercendo  o  seu  direito  de  defesa,  impugnar  o  lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração  em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a  descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a  determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de trinta dias,  bem  como  a  assinatura  da Autoridade  Lançadora  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     22  Não  se  pode  perder  de  vista,  igualmente,  que  os  procedimentos  de  investigação levados a efeito na operação Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela  Polícia Federal, pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Fazenda Estadual  em São José do Rio Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales ­ 24ª  subseção Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e  jurídicas envolvidas, no período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à Secretaria  da Receita  Federal  e  à Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e  previdenciárias,  necessárias  à  constituição  dos  créditos,  tudo  em  fiel  consonância  com  as  disposições inscritas no art. 198 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos no art. 199, os  seguintes:  (Redação dada pela Lcp nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  Lcp nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela Lcp nº 104/2001)  III  –  parcelamento  ou  moratória.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104/2001)    Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de cerceamento de defesa tão veementemente erguida pelo Recorrente.  Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa.    Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 467          23  Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    3.1.  DO PROCEDIMENTO FISCAL PARA APURAÇÃO DOS FATOS GERADORES     Em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos  fatos  que  chegaram  ao  seu  conhecimento  sobre  organizações  criminosas  estabelecidas  na  região de Jales ­ SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e  sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública.   Após  exaustiva  investigação,  houve­se  por  constituído  o  processo  judicial,  procedendo­se à representação ao Poder Judiciário para a expedição dos mandados de busca e  apreensão  em  locais  suspeitos  com  o  intuito  de  obter  provas  dos  ilícitos  praticados,  deflagrando­se  a  operação  denominada  "GRANDES  LAGOS",  executada  pela  autoridade  policial federal, que apurou a existência de núcleos de empresa e pessoas físicas constituídos  com o objetivo de  sonegar  tributos  e  evitar demanda  judicial  de natureza  fiscal  e  trabalhista  mediante a criação de empresas "de  fachada”, cujos sócios eram arregimentados para serem,  no  jargão  policial,  "laranjas”,  de  modo  a  proteger  de  sequestros  nas  execuções  fiscais  o  patrimônio dos verdadeiros  sócios e das empresas  lícitas em seu nome  (plantas e  instalações  frigoríficas em São José do Rio Preto, Fernandópolis­SP e Campina Verde­MG), com uso de  dissimulados e precários contratos de arrendamento.   Em seguida, o Poder Judiciário Federal em Jales expediu ofícios requisitórios  ao Fisco (Receita Federal e Receita Previdenciária) para fiscalizar os contribuintes ­ as pessoas  jurídicas e físicas ­ envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de  busca e  retenção de documentos e arquivos magnéticos com  informações contábeis  e fiscais;  trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos.   A  fiscalização  previdenciária,  à  época,  ligada  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária, procedeu à retenção dos elementos colhidos na sede das empresas fiscalizadas,  através da lavratura de Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos ­ AGD.   Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     24  Posteriormente, atendendo a solicitação do fisco federal, a Justiça Federal em  Jales expediu novos mandados de busca e apreensão, os quais foram executados em 2007. Na  sequência,  a  Justiça  Federal  –  24ª  Subseção  Judiciária  do  Estado  de  São  Paulo  ­  deferiu  a  quebra  do  sigilo  bancário  das  pessoas  físicas  e  jurídicas,  do  período  de  2002  a  2006,  determinando  às  instituições  financeiras  o  fornecimento  de  documentos  e  informações  solicitados pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto.   Os  procedimentos  de  investigação  levados  a  efeito  na  operação  Grandes  Lagos  foram  conduzidos  em  conjunto  pela  Polícia  Federal,  pela  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  e  pela  Secretaria  da  Fazenda  Estadual  em  São  José  do  Rio  Preto/SP,  sob  os  olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales  ­ 24ª subseção Judiciária de São Paulo,  que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no período de  2002  a  2006,  expediu  mandados  de  busca  e  apreensão  de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à  Secretaria  da  Receita  Federal  e  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas  no  esquema  de  sonegação,  dando  origem  aos  procedimentos  de  busca  e  retenção  de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e previdenciárias,  necessárias  à  constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no art. 198 do  CTN.  Assim,  a  denominada  "Operação  Grandes  Lagos",  deflagrada  pela  polícia  federal, por solicitação da Receita Federal, desbaratou uma organização criminosa criada para  fraudar a administração tributária, que vinha atuando na região de São José do Rio Preto havia  muitos  anos,  tendo  em  vista  que  seria  praticamente  impossível  para  a  Receita  Federal  identificar  todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, sem um trabalho de inteligência da  Polícia Federal, inclusive com interceptações telefônicas. Decorridos meses de investigação, a  Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, efetuou mais de uma centena de prisões e  procedeu  à  busca  e  apreensão  de  documentos  nas  empresas  envolvidas  na  fraude,  conforme  excerto do relatório da Polícia Federal adiante transcrito:  “Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS  vêm  recebendo  denúncias  de  um  mega­esquema  de  sonegação  fiscal  envolvendo  frigoríficos  estabelecidos  na  região  dos  Grandes Lagos, no  interior do Estado de São Paulo,  sobretudo  nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias,  o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos.   A partir destas denúncias,  a Receita e o  INSS  iniciaram vários  procedimentos  fiscais  contra  várias  empresas  e  pessoas  físicas  ligadas  ao  esquema.  Finalizadas  as  fiscalizações,  foram  lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais.  No entanto, invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava  cobrar  os  tributos  devidos,  verificava  quem  nem  as  empresas,  nem  seus  sócios,  possuíam  qualquer  patrimônio  em  seu  nome  para honrá­las. No curso dos  trabalhos de fiscalização,  tanto a  Receita Federal quanto o INSS se depararam com evidências de  que  as  pessoas  que  constavam  do  quadro  societário  destas  empresas eram apenas "laranjas", que se reportavam a um nível  hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas  fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de  sonegar tributos.   Diante  da  dificuldade  de  comprovar  o  vínculo  entre  os  verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas"  para a prática de crimes contra a ordem tributária, e dadas as  evidências  da  existência  de  uma  verdadeira  organização  criminosa por  trás destas empresas,  no  final do ano de 2005 a  Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 468          25  Receita  Federal  solicitou  formalmente  o  apoio  da  Polícia  Federal  em  Jales/SP,  para  que  as  investigações  fossem  aprofundadas,  de  modo  a  se  identificar  com  precisão  todo  o  esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à  julgamento pela Justiça”.    Após a deflagração da operação Grandes Lagos, houve determinação judicial  para  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  envolvidas  no  caso  fossem  fiscalizadas  pela  Receita  Federal  do Brasil, motivo  pelo  qual  houve­se  por  instituída  uma  equipe  especial  de  fiscalização  pela  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  8ª  Região  Fiscal  para  conduzir os trabalhos relativos à citada operação.  Por  isso,  houve­se  por  expedido  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  N°  08.1.07.00­2009­0034­0,  determinando  à  equipe  fiscal  nele  assinalada  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  relativas  às  Contribuições  Sociais  administradas  pela  RFB,  conforme determina o art. 2º da Lei n° 11.457/2007, e àquelas relativas a  terceiros, conforme  determina  o  artigo  3°  da  mesma  lei;  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a  segurados  empregados; A verificação do  cumprimento das obrigações previdenciárias  e para  outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados contribuintes  individuais;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  conciliação  GFIP;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  comercialização  de  produtos  rurais  ­  contribuições  devidas  por  adquirente  na  condição  de  sub­rogado;  A  verificação  do  cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ comercialização  de  produção  ­  contribuições  próprias  e  a  verificação  de  informações  econômico­fiscais  do  contribuinte,  por  determinação  Judicial  através  do  Ofício  076/2006­GAB­JCS­Processo  2006.61.24.001666­2 da 1ª Vara Federal de Jales.  Da  investigação  procedida  pela  Policia  federal,  em  conjunto  com  as  Secretarias da Receita Federal e de Fazenda Estadual restou configurada a existência de uma  grande organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, cujo  modus  operandi  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas,  com  o  objetivo  de  eximir  os  titulares  de  fato  do  pagamento  de  tributos  e  contribuições  sociais.  As  pessoas  interpostas movimentaram grande quantia de recursos por meio da rede bancária, mediante a  abertura  de  contas  em  seus  nomes,  mas  movimentando  recursos  pertencentes  a  terceiros,  titulares de fato desses recursos.    Foram,  então,  determinadas  e  abertas  fiscalizações  nos  contribuintes:  FRIGORÍFICO  OUROESTE  LTDA.  e  CONTINENTAL  OUROESTE  CARNES  E  FRIO  LTDA, assim como diligências fiscais nas empresas SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE  CARNES E DERIVADOS LTDA  e COMERCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR  DE FRONTEIRA LTDA. E, também, diligências fiscais nas Pessoas Físicas relacionadas com  as suso citadas empresas: Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Dorvalino Francisco de Souza, José  Roberto de Souza, Edson Garcia de Lima, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, ,  João  Francisco  Naves  Junqueira,  e  José  Ribeiro  Junqueira  Neto  e  na  Vara  do  Trabalho  de  Fernandópolis/SP.  Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     26  Foram  arroladas  nos  fatos  geradores  lançados  as  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  a  interposta  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  a  interposta/noteira Distribuidora de Carnes e Derivados S. Paulo Ltda.   Durante os trabalhos de auditoria foram detectadas como interposta empresa  do Frigorífico Ouroeste Ltda, além das empresas citadas acima, as empresas SP GUARULHOS  (aquisição  de  produtos  rurais  como  sub­rogado  e  mão­de­obra)  e  a  BR  FRONTEIRA  (fornecedora de mão­de­obra na atividade fim, a partir de Novembro de 2005).  A  Fiscalização  apurou  que  as  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  a  SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados Ltda compõem o Núcleo Ouroeste.   Todas essas empresas estão registradas em nome de "laranjas".   Formalmente,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  estava  em  nome  de  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  e  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira,  com  50%  de  participação cada uma no quadro societário da empresa; são "laranjas" do empreendimento.   A  contribuinte  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  é  mãe  do  Dorvalino  Francisco de Souza e José Roberto de Souza. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales  informa que assinou uma procuração para seu Dorvalino, para que o mesmo pudesse trabalhar.  Informa, ainda que nunca participou da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda e que pertence de  fato aos Srs. Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima (fls. 684 ­ Volume  IV /  Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ). No período declara apenas rendimento recebido do  INSS.  É  conhecida  na  cidade  de  Bálsamo  como  "Maria  da  Pamonha",  pois  possui  uma  pequena  barraca  na  feira  livre  da  cidade  que  vende  doces  derivados  de  milho.  Portanto,  a  contribuinte é mais uma interposta pessoa, “laranja”, do núcleo dos envolvidos na fraude do  Frigorífico Ouroeste Ltda.  A  contribuinte  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira  constou  nos  quadros  societários da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda de 2003 até 2007. É esposa do Sr.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales disse que, a  pedido de seu cônjuge, por volta de 2003, assinou uma procuração para que o mesmo pudesse  investir  na  compra  de  um  frigorífico  em  Ouroeste­SP.  Que  desconhece  completamente  qualquer  assunto  relacionado com a  empresa Frigorífico Ouroeste Ltda,  e que constou  como  sócio a pedido do cônjuge (fls. 685 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Declara,  no  período,  somente  rendimento  recebido  de  seu  sogro  João  Francisco  Naves  Junqueira  (fls.  2137  a  2155  ­  Volume  XI  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19  ).  Consta  no  sistema  CNIS  ­  Fonte  GFIP  vínculo  para  a  matrícula  11.528.00886/81 do empregador supra citado com admissão em 03/11/1998 (fls. 59 ­ Volume I  / Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Portanto,  a  contribuinte  é  mais  uma  interposta  pessoa  do  núcleo  dos  envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda.    A empresa Frigorífico Ouroeste Ltda foi iniciada pelo Srs. José Cabral Muniz  e Filhos em 26.01.1999, fls. 33 a 38 – Volume I  / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 .  Em 13.02.2002,  teria sido vendido o estabelecimento para o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto,  representado  pelo  seu  procurador  Sr.  Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  e  para  o  Sr. Dorvalino  Francisco de Souza, conforme cópia autenticada do Instrumento Particular de Compra e Venda  Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 469          27  de  Imóvel  (terreno  e  prédio),  Instalações  Industriais,  Utensílios,  Máquinas  e  Ferramentas  entregues pela empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, ao Posto Fiscal da Secretaria  de Fazenda do Estado de São Paulo, em Fernandópolis (fls. 91 a 98 – Volume I/Anexo 1 do  PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em resposta a  intimação fiscal de 13.11.2005, o Sr. Dorvalino Francisco de  Souza confirmou que emitiu 06 cheques de R$ 30.000,00 informando que para fazer frente a  tal despesa  teria  tomado empréstimo com os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci  (fls. 1754 / 1759 – Volume IX/ Anexo1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em seu depoimento a Polícia Federal de  Jales,  em 05.10.2006, o Sr. Edson  Garcia de Lima declarou que "16% do Frigorífico Ouroeste lhe pertence, 34% pertencem ao  Sr. Dorvalino e os outros 50% ao Sr. Luiz Ronaldo" (fls. 646 – Volume IV/Anexo 1 do PAF  16004.000336/2009­19 ).  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  em  seu  depoimento  à  Polícias  Federal  de  Jales, declarou (fls. 677 – Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ) :  "...assim como  já afirmado acima, a  empresa pertence à genitora,  sendo que há cerca de 2 anos recebeu procuração de sua genitora  para  gerir  o  Frigorífico.  Que  cerca  de  uma  ano  e  meio,  o  interrogado  esteve  a  frente  dos  negócios  juntamente  com  o  seu  irmão José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima. Explicando,  50% da  empresa  pertencia  a  sua  genitora  e  50% pertence  a  Luiz  Ronaldo Junqueira. Havia uma sociedade civil entre o interrogado,  seu irmão José Roberto e Edson Garcia de Lima "     Conforme cláusula terceira do Instrumento Particular de Compra e Venda de  Imóveis (terreno e prédio), Instalações industriais, Utensílios, Máquina e Ferramentas, verifica­ se que os compradores tomaram posse do imóvel imediatamente.  A  Fiscalização  apurou  que  nenhum  dos  envolvidos,  compradores  e  vendedores, declaram tal situação ao Fisco Federal.   Em 08.04.2003, fizeram uma alteração contratual falsa, onde os vendedores,  José  Cabral Muniz,  Elisabete  Rascado Matos Muniz,  Flavia  Rascado Matos Muniz,  Camila  Matos Muniz  e  José Cabral Muniz  Júnior,  teriam  cedido  suas  cotas  no  Frigorífico Ouroeste  Ltda para Maria de Lourdes Bazeia de Souza (mãe do Dorvalino) e Ana Maria Cecília Podboy  Costa  Junqueira  (esposa  do  Sr.  Luiz  Ronaldo),  pelo  valor  de  R$  50.000,00  (fls.  27  a  32  – Volume I/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em suas declarações à Polícia Federal de Jales, as duas senhoras declararam  que  assinaram procurações,  com amplos  poderes,  para Dorvalino Francisco de Souza  e Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  respectivamente,  baseado  em  confiança  familiar  (fls.  684/685  –  Volume III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em  18.05.2007,  foi  feita  outra  alteração  contratual  fraudulenta  onde  a  empresa tem como novos sócios Luiz Ronaldo Costa Junqueira (99%) e Edson Garcia de Lima  (1%). No mesmo instrumento, o capital social foi alterado para R$ 300.000,00 (fls. 2229/2232  –  Volume  XII  /  Anexo1  do  PAF  16004.000336/2009­19).  Tal  alteração  contratual  não  foi  Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     28  aceita pelo Fisco estadual como alteração válida, já que os sócios não comprovaram condições  financeiras  para  tal  ato.  Esta  alteração  também  não  foi  realizada  junto  ao  CNPJ.  Aliás,  a  Fiscalização  apurou  que  uma  das  marcas  das  empresas  envolvidas  na  operação  é  o  total  descompasso entre as alterações contratuais na Junta Comercial, no Fisco Estadual e no CNPJ.  Com  base  nas  informações  colhidas,  a  Fiscalização  concluiu,  conforme  raciocínio desenvolvido no item 2.1. do Termo de Constatação de Infração Fiscal, que o quadro  societário verdadeiro da Frigorífico Ouroeste Ltda é o seguinte:  1­ José Ribeiro Junqueira Neto e/ou João Francisco Naves Junqueira ­ 50%  2­ José Roberto de Souza ­ 7,85 %   3­ Dorvalino Francisco de Souza ­ 16,44%   4­ Edson Garcia de Lima ­ 16,00%   5­ Antonio Martucci ­ 9,71 %     3.1.1.   DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA   A Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda  foi  constituída em 10.09.2002,  tendo como sócios os Srs. Antonio Martucci e Edson Garcia de Lima, com um capital de R$  70.000,00. Dos quais 99% foi  integralizado pelo Sr. Antonio Martucci  (R$ 69.300,00) e 1 %  pelo Sr. Edson Garcia de Lima (R$ 700,00).  Analisando  os  extratos  bancários  da  conta  do  Sr.  Antonio  Martucci,  a  Fiscalização apurou o recebimento de um TED enviado pela empresa Produtos da Fazenda, no  valor de R$ 69.370,00, no dia 13.09.2002. A integralização das cotas da empresa, acima citada,  feita  pelo  Sr.  Antonio  Martucci  deu­se,  também,  no  dia  13.09.2002,  através  do  cheque  nº  001606,  no  valor  de  R$  69.300,00.  Note­se  que  o  valor  recebido  é  exatamente  o  valor  da  integralização, acrescido da CPMF R$ 70,00 (R$ 69.300,00 x 0,038%).  A empresa Produtos da Fazenda Ltda tem como sócios o Sr. MANOEL DOS  REIS  DE  OLIVEIRA  e  a  Sra.  SANDRA  AMARA  REIS  DE  OLIVEIRA,  estando  inativa  desde 2003. O  sócio Manoel  dos Reis  de Oliveira  é  conhecido  na  cidade  de Bálsamo  como  "DEDÉ  Carrinheiro",  pessoa  de  pouca  posse,  morador  em  casa  simples  da  COHAB  de  Bálsamo.  Atualmente  é  sócio  da  empresa  De  Souza  e  Lima  Ltda,  junto  com  a Mãe  do  Sr.  Edson Garcia  de  Lima.  A  empresa  pertence  de  fato  ao  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  e  ao  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Lima,  conforme  consta  em  seus  depoimentos  à  Polícia  Federal  de  Jales.   O  Sr.  Manoel  dos  Reis  de  Oliveira  é  interposta  pessoa  dos  citados  contribuintes.  Em  seu  depoimento  em  26.03.2008,  a  secretária  da  empresa,  Sra.  Angela  Cristina Veigas Longo, confirma que a empresa De Souza e Lima Ltda tem como objeto social  a  venda  de  Carne  desossada  no  atacado  e  pertence  ao  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  e  ao  Sr.  Dorvalino Francisco de Lima.  Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado  e o  informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste,  porém  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 470          29  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  interrogado para ser um dos  sócios "de direito" ao  lado de Edson  Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao  interrogado  com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia  de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com  50%". Que o  interrogado efetivamente pagou sua parte do  capital  social  a  Dorvalino  que  era  quem  havia  negociado  a  compra.  No  contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital  social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar  o  gado  em  pé,  o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor  rural era orientado a  fazer a nota de venda em nome da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".     Entretanto em seu depoimento ao Juízo da 3ª Vara de São José do Rio Preto,  em 05.12.2006, o Sr. Antonio Martucci afirmou:   "....Eu não recebi nada para emprestar o nome, eu só fiz isso porque  eu  era  amigo  do Dorvalino  na  época. Quando  eu  abatia  gado  no  Frigorífico  Ouroeste  a  nota  saia  do  produtor  para  o  Pereira  e  Pereira,  para  a  Basco,  para  onde  eles  determinassem,  era  o  frigorífico quem determinava em nome de quem sairia a nota, mas  eu  não  mexia  com  isso.  As  vezes  podia  ser  a  Distribuidora  São  Paulo ".   Em outro trecho diz:   "...  O  Frigorífico  Ouroeste  e  a  Continental  Ouroeste  ficavam  no  mesmo prédio, mas eu não sei a diferença entre elas. Eu sabia que  tinha emprestado o nome para a Continental, mas eu não sabia que  também figurava como sócio do Frigorífico Ouroeste...".     Analisando os depoimentos acima, verifica­se que o contribuinte faltou com a  verdade em vários trechos, tendo em vista sua participação efetiva nas empresas envolvidas.     Em seu depoimento a Polícia Federal de Jales, o Sr, Edson Garcia de Lima,  quando perguntado a respeito de quais as empresas que lhe pertenciam, respondeu:  "1)  "De  direito" H4 Comercial  de Carnes  e Derivados  Ltda  e De  Souza  &  Lima  Ltda.  2)  "De  fato"  16%  do  Frigorífico  Ouroeste.  Também são proprietários "de fato" desta, Dorvalino (34%) e Luis  Ronaldo  (50%).  Esta  empresa  está  "de  direito"  em  nome  da  genitora do Dorvalino e da esposa do Luiz Ronaldo, senhora Maria  Cecília.  È  a  pessoa  que  efetivamente  administra  a  empresa  era  Oswaldo Antonio Arantes, porém compra de gado quem fazia era o  interrogado...."   Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     30    Em seu interrogatório ao Juízo da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, o  Sr. Edson Garcia de Lima, declarou:   "...  A  Continental  foi  criada  para  abater  gado,  antes  de  nós  comprarmos o Frigorífico Ouroeste, nós a utilizamos entre 2002 e  2003,  embora  tenha  sido  utilizada  também depois, mas  em menor  escala,  pois nós adquirimos o Frigorífico Ouroeste. A Continental  foi criada para ser utilizada como Distribuidora para abater gado,  antes  de  nós  fecharmos  ela,  nós  levantamos  os  tributos  devidos  e  fizemos o parcelamento, nós estamos pagando o parcelamento...."     Analisando  os  dados  acima,  a  Fiscalização  constatou  que  o  contribuinte  Edson Garcia de Lima faltou com a verdade,  invertendo a ordem de abertura das empresas e  dizendo que teria fechado a empresa e estaria pagando os tributos devidos.   Não foram localizadas opções válidas pelos parcelamentos REFIS ou PAES,  apesar  de  constar  pagamento  de  R$  4.000,00  (R$  2.000,00  no mês  e  novembro/2006  e  R$  2.000,00 em Dezembro/2006) e R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 em janeiro/2007 e R$ 1.000,00 em  fevereiro/2007), com código de recolhimento do PAES. Tais recolhimentos ocorreram após a  ação da Polícia Federal de Jales­SP. Não antes.  O contribuinte Dorvalino Francisco de Souza, em seu interrogatório ao juízo  da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, declarou:   "  ....Eu e o Edson Garcia de Lima abrimos uma empresa chamada  Continental, mas como eu tinha restrição em meu nome, a empresa  ficou em nome do Edson (1%) e do Martucci (99%), mas o Martucci  ficou poucos meses. O Edson ia até o campo, compra gado em nome  da Continental e o frigorífico apenas abatia o gado, o Luiz Ronaldo  tinha 50% do frigorífico e não queria participar do negócio..." em  outro  trecho diz  "  ...Eu e o Edson exercíamos a administração do  Frigorífico Ouroeste e da Continental. O Martucci praticamente só  cedeu o nome dele mesma para a empresa...."    Analisando as informações acima, a Fiscalização concluiu que o contribuinte  faltou com a verdade, informando que o Sr. Antonio Martucci teria ficado poucos meses e que  o Sr. Luis Ronaldo Costa Junqueira não participava dos negócios.  Tais  fatos  demonstram  quem,  de  fato,  são  os  proprietários  da  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Lima.    Em setembro/2002, o Frigorífico Ouroeste teria supostamente arrendado para  a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda teria as instalações industriais, utensílios,  máquinas e ferramentas. A cláusula quinta estatui que todas as benfeitorias que a arrendatária  fizesse ficariam incorporada ao imóvel, não sendo devida nenhuma indenização. Esta cláusula  é comum em todas as empresas envolvidas na operação, quando a arrendatária é uma empresa  inexistente  de  fato  (empresa  de  papel),  criada  com  objetivo  fraudar  as  administrações  tributárias,  e  o  verdadeiro  “dono  do  negócio”  é  o  arrendador,  de  maneira  que  todas  as  benfeitorias permanecem dom o dono do negócio, o Arrendador.  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 471          31  Nesta  data,  a  Continental  além  das  instalações  físicas,  assumiu  todos  os  empregados  do  Frigorífico  Ouroeste,  conforme  assim  revela  a  consulta  de  vínculos  empregatícios  do  trabalhador  do CNIS,  iniciando  o  "esquema  de  sonegação"  (  fls.  01/405  ­  Vol. I a III do Anexo 6 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Em janeiro de 2003, foi  realizada uma ampliação das instalações industriais  (acréscimo de 418 m2 no prédio, acréscimo de 448 m2 nos currais, construção de câmara fria e  aquisição  de  diversas  máquinas  e  utensílios),  tendo  despendido  um  valor  superior  a  R$  10  milhões  de  reais,  tudo  pago  com  créditos  acumulados  de  ICMS, muitos  dos  quais  frios  (fls.  1725/1747 ­ Volume IX / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ) Todas estas benfeitorias  foram acrescidas ao patrimônio do Frigorífico Ouroeste sem custo.   Consta,  também,  que  a  empresa  adquiriu  "Óleo  Diesel"  da  Petrobrás  Distribuidora  S/A,  no  período  de  09/2003  a  01/2005,  no  valor  de  R$  3.412.568,00  ou  2.970.000  litros  (fl.  1724  ­  Volume  IX/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19  ).  Considerando o  período  de 17 meses  ou  510  dias;  o  fato  de  o  frigorífico  ter  consumo deste  combustível apenas para o gerador (que é usado somente nas horas de picos e quando há falta  de energia elétrica); o consumo do motor do gerador de mais ou menos 80  litros por hora, o  diesel adquirido seria suficiente para produzir energia, 24 horas por dia, por 1.546 dias ou 51  meses (80 litros/h x 24hs = 1.920 litros ao dia), o que demonstra que tal combustível houve­se  por utilizado por outras empresas do esquema.  De tal exposição avulta que o crédito de ICMS foi utilizado em proveito do  Frigorífico Ouroeste Ltda e/ou seus sócios como benefício indireto.    Em 11.03.2003,  retira­se da  sociedade o Sr. Antonio Martucci e entra o Sr.  Oswaldo Antonio Arantes, que adquire as cotas daquele pelo mesmo valor da constituição, R$  69.300,00 , pago através de cheque n° 000465, emitido pelo Sr. Oswaldo Antonio Arantes em  03.04.2003, Banco Bradesco,  agência Ouroeste/SP  (  fls.  102  ­ Volume  I  / Anexo 1  do PAF  16004.000336/2009­19).  Em  sua  declaração  a  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  contribuinte Sr. Oswaldo Antonio Arantes declarou:  "  ....salvo engano, no ano de 2003 o declarante  foi admitido como  empregado  da  empresa  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  sediada  na  cidade  de  Ouroeste/SP,  como  gerente  administrativo,  tendo  como  função precípua a manutenção do frigorífico, admissão e demissão  de  funcionários,  etc,  sendo  certo  que  quem  o  contratou  fora  os  senhores Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, os  quais  são  proprietários  da  mencionada  empresa;  QUE  percebia  uma  salário  de  R$  2.800,00;  QUE,  após  quatro  meses,  aproximadamente,  o  declarante  fora  demitido  da  ora  citada  empresa, porém lá permaneceu, no mesmo cargo e funções, sem   registro em sua CTPS...."     Em outro trecho diz:   "...QUE, o declarante no ano de 2003 para 2004, adquiriu parte da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda,  salvo  engano  70%, esta sediada na época na cidade de Ouroeste/SP, porém por  não  ter  sido  aceito  pela  Secretária  da  Fazenda  do Estado  de  São  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     32  Paulo, sob alegação de que não dispunha de bens, teve de devolver  essa  parte  para  o  seu  originário  proprietário,  Antonio  Martucci;  QUE esclarece  o  declarante  que  somente  permaneceu  como  sócio  proprietário  da  empresa  Continental  Ouroeste,  que  tinha  como  ramo o comércio de carne, por um período de no máximo um mês  Que,  o  dinheiro  que  o  interrogado  usou  para  adquirir  parte  da  sociedade da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, o  obteve  da  venda  de  terra  no  Estado  do  Mato  Grosso,  de  propriedade de seu sogro Sebastião Luiz Arantes, o qual reside com  o declarante...."    Analisando o extrato do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes, a fl. 141 do  PAF  16004.000336/2009­19  verifica­se  que  em  14.03.2003  ele  recebeu  uma  TED  de  uma  empresa sediada no Estado do Paraná chamada Taurus Comércio de Bovinos Ltda, no valor de  R$ 101.608,00.   Em  26.03.2003,  adquiriu  um  veículo  Renaut/Clio  RT  1.0  16V,  ano  de  fabricação  e modelo  2001,  branco,  placa DFH­0542,  no  valor  de R$  20.500,00  da  empresa  Andrade  &  Ortolan  Ltda,  veículo  este  registrado  em  nome  de  sua  esposa  (fls.  965/966  ­  Volume V/Anexo 1 e 1748/1753 ­ Volume IX/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Finalmente,  em  03.04.2003,  emite  o  cheque  nº  000465,  no  valor  de  R$  69.300,00  , para custear a suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr.  Antonio Martucci.   Em  resposta  a  intimação  para  comprovar  a  entrada  e  saída  de  valores  relevante em sua conta, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes, explica a fls. 1760 a 1766 ­ Volume  IX/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 :   a) "Que o depósito de R$ 101.608,00 refere­se ao  recebimento da  venda da pequena propriedade rural de meu sogro, Sebastião Luiz  Arantes, CPF  n°  288.476.288­49,  sediada  no município  de Gloria  D'Oeste  ­  MT;  b)  Que  o  valor  de  R$  20.500,00  refere­se  ao  levantamento de numerário a pedido de meu sogro; c) Que o valor  de R$ 69.300,00 refere­se ao  levantamento de numerário a pedido  de meu sogro."     Como se pode observar, o contribuinte não consegue explicar a origem e/ou  aplicação  dos  recursos  em  sua  conta,  ainda  se  atrapalha  com  relação  ao  valor  utilizado  para  suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr. Antonio Martucci.     Na Junta comercial, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes ingressou na sociedade  em 20.03.2003 e se retirou em 26.08.2004.   Analisando  os  vínculos  empregatícios,  a  Fiscalização  apurou  que  o  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes  foi  funcionário  do  Frigorífico  Ouroeste  de  01.08.2002  até  14.09.2002; Da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, de 15.09.2002 até 12.01.2003, como  segurado  empregado;  De  06/2003  até  10/2005  constou  como  contribuinte  individual  na  Continental Ouroeste, como sócio gerente, conforme GFIP ­ Base CNIS, com remuneração de  R$  1.500,00 mensais  ­  Categoria  11,  portanto  em  descompasso  com  o  que  consta  na  Junta  Comercial, com saída em 26.08.2004; De 01/11/2005 a 01/01/2007 foi registrado na função de  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 472          33  gerente  geral,  com salário de R$ 2.800,00 na  empresa Comércio de Carnes  e Representação  Rodrigues e Bastos Ltda, atual BR Fronteira.  A Fiscalização apurou que a BR Fronteira assumiu  formalmente a partir de  Novembro de 2005 todo o passivo trabalhista da Continental Ouroeste, conforme transferência  no  Livro  Registro  de  Empregados  de  n°  05,  fls.  303  ­  Vol.  II  /  Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19, e que no período de novembro/2005 a dezembro/2006 toda a mão de  obra da BR Fronteira trabalhou, com exclusividade, para o núcleo Ouroeste.  Após  a  operação  de  Policia  Federal,  ou  seja,  a  partir  de  Janeiro/2007,  o  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  novamente  todos  esses  empregados  e  o  passivo  trabalhista  decorrente,  conforme Fichas Registro de Empregados,  tanto que  a data  de admissão,  seja no  Frigorífico Ouroeste, seja na Continental Ouroeste, é a data retroativa quando foram admitidos  na primeira vez, fato que pode ser confrontada com a GFIP de Janeiro de 2007, a fls. 805/820  do PAF 16004.000336/2009­19, e nos contratos de trabalho.   Em  seu  interrogatório  na  Polícia  Federal  o  Sr.  Oswaldo  também  disse  também:   "QUE, salvo engano no mês de março do corrente ano o declarante  foi admitido pela empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES BR  DE FRONTEIRA,  como gerente,  tendo  as mesmas  funções  que  na  empresa FRIGORIFICO OUROESTE LTDA, esclarece o declarante  que  continua  trabalhando  no  FRIGORIFICO  OUROESTE  LTDA,  porém registrado na empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES  BR  DE  FRONTEIRA,  esta  prestadora  de  serviços  à  empresa  FRIGORIFICO OUROESTE; QUE, o declarante não sabe informar  quem  possa  ser  seus  patrões,  porém  sabe  informar  que  continua  recebendo  ordens  dos  senhores  EDSON  GARCIA  DE  LIMA  e  DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.”     De toda essa exposição dessai que os verdadeiros donos da BR Fronteira são,  também, os Srs. EDSON GARCIA DE LIMA e DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.    Em  20.03.2003,  foi  feita  uma  nova  alteração  contratual  na  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  retirando  da  sociedade  Edson  Garcia  de  Lima  e  admitindo  a Sra. Ângela Cristina Viegas Longo, CPF n°  274.259.978­94. Em  seu Termo de  declaração à Polícia Federal de Jales, em 18.10.20006, (fls. 644/645 ­ Volume III/Anexo 1 do  PAF 16004.000336/2009­19), a Sra. Angela Cristina Viegas Longo declarou:  "... A declarante  trabalhava na empresa De Souza e Lima em São  José do Rio Preto, exercendo a função de secretária, no período de  1997  a  2005.  A  declarante  afirma  que  essa  empresa  era  uma  distribuidora de carnes de propriedade de Edson Garcia de Lima e  Dorvalino  Francisco  de  Souza.  A  declarante  afirma  que  Edson  Garcia  de  Lima,  vulgo  "Edão",  pediu  seus  documentos  pessoais,  RG, CPF, comprovante de residência, para constar como sócia na  empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda no ano de 2003.  A declarante afirma que Edson Garcia de Lima,  vulgo  "Édão"  fez  esse pedido explicando que estava com problemas no nome dele e  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     34  não poderia mais constar como sócio dessa empresa. A declarante  aceitou  as  explicações  de Edson Garcia  de  Lima  e  entregou  seus  documentos  pessoais  para  constar  como  sócia  desse  frigorífico,  apenas para ajudar Edson Garcia de Lima. A declarante afirma que  Durvalino  Francisco  de  Souza  levou  a  alteração  contratual  do  frigorífico  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  para  ser  assinada  no  escritório,  sendo  de  fato  a  alteração  contratual  assinada  pela  declarante. A  declarante  afirma que  os  verdadeiros  proprietários  do  frigorífico  de  Ouroeste,  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  Luis  Ronaldo,  Roberto  e  Antonio  Martucci..."     Em declaração  prestada  na Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  em São  José  do  Rio  Preto/SP,  em  26.03.2008  (fls.  702  a  704  ­  Volume  III/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19  ),  a  Sra.  Ângela  Cristina  Viegas  Longo  confirmou  que,  para  ela,  as  empresas se confundiam, ou seja, uma existia somente no papel, e as citadas pessoas Dorvalino  Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  José Roberto de  Souza e Antonio Martucci eram os verdadeiros proprietários. Declarou ainda que as alterações  contratuais  com  relação  ao  objeto  social,  abertura  de  filial  de  31.05.2004  e  retirada  da  sociedade de 26.08.2004 não foi assinada pela declarante, sendo as assinaturas possivelmente  falsificadas.   Na alteração contratual de 26.08.2004, retirou­se da sociedade o Sr. Oswaldo  Antonio Arantes e a Sra. Angela Cristina Veigas Longo,  retornando os  sócios originais, Srs.  Edson  Garcia  de  Lima  e  Antonio  Martucci  (fls.  84/86  ­  Volume  I  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).   Em  05.01.2005,  retira­se  da  sociedade  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima  e  Antonio Martucci e são admitidos os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ( fls.  87 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No Dossiê da empresa existente no Posto Fiscal da Secretária de Fazenda do  Estado  de  São  Paulo,  em  Fernandópolis,  consta  um  contrato  da  suposta  venda  da  empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (Os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci  vendendo para os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges), datado de 20.08.2004,  pelo  preço  de  R$  25.000,00  a  ser  pago  em  5  (cinco)  parcelas  mensais  e  sucessivas  de  R$  5.000,00 a partir de 20.09.2004, e 5 recibos de recebimento dos citados valores, fls. 110 a 117 ­  Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 .   Negócio da China, pois na época da venda, a empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  apresentava  um  faturamento  mensal  superior  a  R$  10.000.000,00  (dez  milhões de reais) (fls. 109 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )    Como  já  era  de  se  esperar,  Diligência  Fiscal  realizada  na  cidade  de  Uberlândia­MG,  os  contribuintes  Claudir  Brusnello  e  Mauricio  de  Lima  Borges  não  foram  localizados  nos  endereços  declarados  a SRF, muito menos  as  supostas  empresas  dos  citados  contribuintes, muitas inclusive, com endereços inexistentes.  Apurou­se,  igualmente,  que  os  citados  contribuintes  Claudir  Brusnello  e  Mauricio de Lima Borges não possuem capacidade financeira para tal empreendimento e não  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 473          35  apresentaram movimentação  financeira  no  período  (fls.  126  a 129  ­ Volume  I  / Anexo 1  do  PAF 16004.000336/2009­19 )  Em  10.05.2005,  foi  promovida  uma  alteração  do  endereço  da  empresa  de  Ouroeste­SP para Jundiaí/SP, e em 19.10.2005, de Jundiaí­SP para zona rural de Angico/TO.  Em diligência aos citados endereços, verificou­se a inexistência de ambos, sendo considerado  como alteração ilegal com objetivo de dificultar a fiscalização nos termos do Artigo 127, §2°  do CTN (fls. 130/138 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )    A  propriedade  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  pela  Frigorífico Ouroeste encontra­se plasmada até na rotulagem dos produtos daquela, eis que os  rótulos  dos  produtos  comercializados  pela  empresa  apresentavam  com  destaque  (em  letras  maiores) a palavra "Frigorífico Ouroeste " e em letras menores o nome da empresa Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda.  (fls.  1593/1596  ­  Volume  VIII  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).  Até  o  Médico  Veterinário  responsável,  Sr.  Cledson  Luis  Furtado,  era  empregado  do  Núcleo  Ouroeste  desde  30/08/2001(fls.  404  ­  Volume  III/Anexo  6  do  PAF  16004.000336/2009­19 )   Circularizando  alguns  clientes  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda  foram obtidos  informações que as pessoas que negociavam pela empresa eram os  funcionários do Sr. José Roberto de Souza, e ainda os Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Edson  Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Luiz Ronaldo. Destaque­se que o Sr. Edson  Garcia de Lima era o mais conhecido pelos pecuaristas da região. (fls. 208/642 ­ Volumes I a  III / Anexo 1, e fls. 01/329 ­ Vols. I e II / Anexo 7 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   A  Fiscalização  apurou  que  o  Núcleo  Ouroeste  também,  praticou  outras  fraudes, já que as respostas de vários supostos fornecedores de gado de outros estados foram no  sentido de que não comercializavam com o frigorífico em tela e muitos nem se dedicavam à  pecuária  de  corte.  Tal  fato  demonstra  que  as  respectivas  notas  de  entrada  não  refletiam  a  realidade dos  fatos,  tendo sido usadas para gerar créditos  fictícios de  ICMS  (fls. 1167/1309­  Volumes VI e VII / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).     Do  exame  das  contas  bancárias  da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios Ltda, a Fiscalização se deparou com vários títulos de capitalização, com pagamento até o  final do ano de 2005, cujos beneficiários eram os Srs. Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  demonstrando  que  o  núcleo  Ouroeste  mantinha o controle da empresa, mesmo após a suposta transferência da empresa para os Srs.  Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ocorrida em 08/2004 (fls. 1151/1166 ­ Volume  VI/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   O  cruzamento  de  informações  entre  as  contas  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda e as pessoas envolvidas (Dorvalino Francisco de Souza, Edson  Garcia de Lima, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes) revelou  uma  grande  quantidade  de  transferências  de  valores  mensais,  cujo  valor  médio  era  de  R$  5.000,00 cada. Em vários meses, há mais de uma transferência para mesma pessoa, conforme  abaixo demonstrado no item 2.4.1. a fls. 157/159 do PAF 16004.000336/2009­19.  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     36  Os  estabelecimentos  bancários  onde  os  envolvidos  acima  citados  possuíam  contas,  também  reconheciam  que  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  era  deles. Em uma análise interna sobre a liberação de empréstimo ao Sr. Dorvalino Francisco de  Souza, em 16.02.2005, o gerente do Banco Nossa Caixa, agência de Bálsamo, declarou:  (fls.  893/894 ­ Volume V / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )   "  ...trata­se  de  um  cliente  c/exp.  Positiva  de  crédito,  c/c  desde  06/2003,  eh  sócio  prop.  do  Frigorifico  Continental,  De  Souza  e  Lima (Distr. de Carnes)..".     Em outra analise, agora para o Sr. Edson Garcia de Lima, em 14.03.2005, o  mesmo gerente disse: (fls. 902/904 ­ Volume V / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )  "...Cujo  tomador  eh  sócio  prop.  do  Frigorífico  Continental  de  Ouroeste desta ag...”.     A Fiscalização apurou que a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda assumiu ao  menos  duas  dívidas  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  uma  no  valor  de  R$  736.290,13,  perante  o  Banco  Bradesco  S.A  e  a  outra,  da  empresa  de  factoring New  Suport  Factoring Ltda, decorrente de desconto de duplicatas, dando como garantia, hipoteca do imóvel  da  empresa  situado  em Ouroeste/SP,  tendo  como  solidários  fiadores Dorvalino Francisco  de  Souza,  Luiz  Ronaldo Costa  Junqueira,  José Roberto  de  Souza  e  Edson Garcia  de Uma  (fls.  1597/1723 ­ Volumes VIII e I X / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No caso da escritura pública de confissão de dívida com garantia de hipoteca  e outras avenças, data de 26.08.2005, consta como devedora a empresa Continental Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, representada pelos sócios, Oswaldo Antonio Arantes e a Ângela Cristina  Viegas Longo, com menção do contrato social com as alterações somente até 13.03.2003 (fls.  1606 a 1608 ­ Volume IX/Anexo I do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Verifica­se  no  caso,  um  claro  ato  doloso  e  fraudulento,  já  que nesta  data  a  empresa já pertencia, de direito, aos Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges.  Embora a devedora fosse a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, quem  liquidou o débito junto ao Banco Bradesco e da empresa de factoring foi a Frigorífico Ouroeste  Ltda.    A Fiscalização também apurou que a empresa Continental Ouroeste Carnes e  Frios Ltda  nunca  entregou DCTF  ­ Declaração  de Débitos  e Créditos Tributários  Federais  à  SRF,  tendo  apresentado  apenas  as DIPJ  ­ Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da  Pessoa Jurídica nos anos calendários 2002 e 2003 e, mesmo assim, só recolheu os tributos por  substituição  tributária  do  período  (fls.  1828/1942  ­  Volume  X  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).  Com relação às contribuições previdenciárias foram efetuados recolhimentos  parciais, sendo que as diferenças a recolher encontram­se inclusas no presente lançamento.     Com  base  no  acima  relatado,  fica  evidente  que  a  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda nada mais é do que uma “empresa de fachada”,  inexistente de  fato,  aberta  e  utilizada  exclusivamente  para  fraudar  as  Administrações  Tributárias  Federal,  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 474          37  Estadual  e Trabalhista,  com atos  constitutivos  eivados  de  falsidade  ideológica,  sendo que  os  contribuintes  envolvidos  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Oswaldo  Antonio  Arantes,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto foram beneficiários  diretos/indiretamente da fraude.   Conclui­se,  portanto,  que  a  referida  empresa  foi  criada  para  existir  tão  somente  no  papel. Os  seus  verdadeiros  donos  (os  reais  sócios  do  Frigorífico Ouroeste  Ltda  acima  citados)  não  figuravam  em  seu  quadro  societário  não  porque  apresentavam  supostas  restrições de créditos (conforme declarações expressas a fls. 646/683 ­ Volume IV/Anexo 1 do  PAF 16004.000336/2009­19 ), mas porque apresentavam DIRPF incompatíveis com nível de  vida e renda e, principalmente, porque queriam permanecer ocultos perante os fiscos Federal e  estadual.  Dessarte,  como não desejavam ter seus nomes vinculados ao Patrimônio do  frigorífico,  criaram  uma  ficção  jurídica  consubstanciada  na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda, em nome de “laranjas”, para realizar o objeto social do frigorífico.   Merece  se  destacado  que  o  ADE  ­  Ato  Declaratório  Executivo  nº  66,  de  29.07.2008, a fls. 41/43 ­ Volume 1 / Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19, publicado no  DOU  ­  Diário  Oficial  da  União  n°  149,  de  05.08.2008,  declarou  a  INAPTIDÃO  da  pessoa  jurídica Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, com efeitos desde sua constituição.    3.1.2.   DA SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA   Em relação à SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda o  quadro  não  é  diferente,  mudando­se  apenas  o  figurante,  mas  mantendo­se  inalterados  os  cenários e os protagonistas.   A  empresa  foi  constituída  em  01  de Março  de  2004  em  nomes  de  sócios  "laranja"  Sérgio  Aparecido  da  Fonseca  Alves,  Claudir  Luis  de  Siqueira  e  Rodrigo  Daniel  Andrade,  em  funcionamento  a  partir  de Maio/2005  para  a  continuação  da  fraude  até  então  praticada  pela  Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  sendo  que  as  cópias  dos  referidos  contratos constitutivos foram apreendidos no interior do Frigorífico Ouroeste ltda.   Visando  a  conferir  ares  de  legalidade  em  seus  negócios,  simulou­se  um  Contrato  de  Locação  Comercial  com  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  em  setembro/2005,  abarcando,  inclusive,  todos  os  equipamentos  e  ferramentas  para  funcionamento  de  um  frigorífico,  pagando­se  um  valor  fixo,  somado  a  outro  valor  por  cabeça  de  gado  abatido  no  local, tendo por fiador o próprio sócio Sérgio Aparecido da Fonseca Alves.  A  partir  de  seu  funcionamento,  o  esquema  fraudulento  se  valeu  do mesmo  "modus operandi" já utilizado pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, utilizando­se de  empresa vendedora de notas fiscais – a “NOTEIRA” Distribuidora S. Paulo, para fazer crer real  as atividades realizadas.   Com receitas em torno de R$ 18.300.000,00 em 2005, e de R$ 11.615.000,00  em 2006 (Fonte DIPJ), a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda contava  com apenas um empregado formalizado.   Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     38  Convenhamos  que  com apenas  um  único  empregado  revela­se  inverossímil  que uma empresa possa ter uma movimentação financeira de 43 milhões de reais até 2006. Tal  inverossimilhança é corroborada pelo fato de tal empresa, após a deflagração da operação da  Polícia Federal  no  final de 2006,  ter  faturado,  tão  somente, R$ 21.695,00 em 2007, quando,  então, paralisou suas atividades.   A SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda não entregou  DCTF ­ Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em 2005, sendo que em 2006  entregou somente os dados cadastrais, sem declarar tributos; A empresa entregou DIPJ de 2005  e 2006,   A  Fiscalização  apurou  que  tal  "modus  operandi"  era  utilizado  por  todas  as  empresas envolvidas na fraude ­ operação grandes lagos.     Os  agentes  fiscais  constataram  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e Derivados Ltda mantinha  relacionamento  com diversos bancos,  quase uma dezena,  conforme relação das contas correntes apresentada a fl. 153 do PAF 16004.000336/2009­19.  Nos  livros  contas  correntes  apreendidos no  interior do Frigorífico Ouroeste  Ltda (itens 7.1, 7.2 e 7.3 do Termo de Busca e Apreensão da Policia Federal) constam diversos  pagamentos  a  fornecedores  de  gado,  assim  como  os  pagamentos  de  despesas  pessoais  e  retiradas  de  pro  labore  dos  sócios  de  fato  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza, e Luiz Ronaldo Costa Junqueira, bem como salários, férias, 13º  salário  e  salário  maternidade  dos  empregados  assalariados  e  dirigidos  pelo  Frigorífico  Ouroeste, mão­de­obra com vínculos formais registrados na empresa interposta BR Fronteira.     Circularizando em diversos fornecedores de gado a Fiscalização comprovou  que os verdadeiros donos de fato da SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados  Ltda  são  os  mesmo  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  ou  seja,  Sr.  Edson,  Dorvalino,  conforme  respostas  aos Termos  de  Intimação  Fiscal  a  fls.  1150/1280  ­ Volumes VI  e VII/Anexo 3  do  PAF 16004.000336/2009­19.   Na  resposta  do  fornecedor  Marcos  Bassan  Gonçalves,  este  informa  que  o  recebimento da venda de bovinos efetuada a SP Guarulhos, com emissão da NF n° 1680,  foi  pago pelo cheque n° 10494 no valor de R$ 7.627,00, datado de 31 de Agosto de 2005, emitido  pela Continental Ouroeste — Banco Real — Ag. Mirassol, que pode ser confrontado com as  fls.  07­verso  do  Livro  conta  corrente  7.4  (apreendido),  o  que  comprova  a  ligação  entre  as  citadas empresas.  (documentos às fls. 1190/1199 e 1202­Volumes VI e VII/Anexo 3 do PAF  16004.000336/2009­19 ).   O  fornecedor  Luiz  C.  H.  Teles  remeteu,  juntamente  com  sua  resposta  referente à NF 2628, de 11/10/2005, da SP Guarulhos, as notas fiscais de produtor onde consta  como  local  de  abate  o  Frigorífico  Ouroeste,  bem  como  o  controle  de  pesagem  e  do  transportador, onde consta o logotipo e o nome do Frigorífico Ouroeste, o que mais uma vez  comprova quem detinha o controle do empreendimento (fls. 1203/1217­Volume VII/Anexo 3  do PAF 16004.000336/2009­19 ).     Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 475          39  No Auto de Qualificação e Interrogatório de Dorival Pedro Belini na Policia  Federal de Jales/SP  (fls. 667­ Volume  III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ), quando  questionado  sobre  quais  as  empresas  de  Dorvalino  são  sediadas  em  São  Paulo  Capital,  o  interrogando respondeu:   “... é o dono as SP Guarulhos”.    No mesmo Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão efetuado pela Policia  Federal no interior do Frigorífico Ouroeste Ltda, foram apreendidos outros documentos da SP  Guarulhos,  tais como 2 cartões magnéticos, sendo um Empresarial da Nossa Caixa ag. 535 e  outro  do  Bradesco  Ag.  1760­4;  contratos  sociais;  talões  de  cheques  de  vários  bancos  e  agências, tais como ag. 0540­1 ­ Nossa Caixa ­ Vila Maceno em S. J. R. Preto, conta corrente  04.001570­6 e ag. 535­5 ­ conta 04.000393­3 ­ Ag. Ouroeste­SP.     Analisando  os  documentos  solicitados  via  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação Financeira, a Fiscalização constatou que quem movimentava as contas eram os  verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste  ltda,  fato que corrobora a compreensão de que SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda figurava como mais uma empresa de  fachada, utilizada para a execução dos interesses empresariais da Frigorífico Ouroeste Ltda e  de seus verdadeiros donos.    Na data de 27 de Novembro de 2007, em diligência na Cidade de Guarulhos,  foram apreendidos diversos documentos da empresa, conforme Termo de Retenção a fl. 715­  Volume IV/Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19 .   No interrogatório na Polícia Federal o sócio de fato do Frigorífico Ouroeste,  Sr. Edson Garcia de Lima (fls. 646/648­Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ),  quando  questionado  acerca  das  negociações  envolvendo  notas  fiscais  frias,  esclarece  o  seguinte:   "eventualmente,  o  interrogado  comprava  gado  de  produtores  com  notas  fiscais  do MACAÚBA. O  interrogado  nunca  conversou  com  Macaúba,  pois  quem  efetivamente  comprava  as  notas  fiscais  era  DAVID  APARECIDO  BEZERRA,  a  mando  da  empresa  SP  GUARULHOS".     Questionado  acerca  desta  compra  de  notas  fiscais,  ele  afirma  que  a  SP  GUARULHOS pagava R$ 3,00 ou R$ 4,00 por cada cabeça de gado lançado em nota fiscal. A  despesa era por conta da SP GUARULHOS. David era quem ia até a empresa de MACAUBA  buscar as notas frias.   Como  amplamente  comprovado  a  SP  Guarulhos  pertence  de  fato  aos  verdadeiros  donos  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  David Aparecido  Bezerra  é  funcionário  da  EMPRESA De Souza Lima, também de propriedade de Edson e Dorvalino.  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     40  Macaúba,  ou  VALDER  ANTONIO  ALVES,  é  o  proprietário  da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  com  quem  Edson  Garcia  de  Lima  mantinha  contato  diariamente,  adquirindo notas frias, conforme comprovado pela Policia Federal.  O  Sr.  Edson  faltou  com  a  verdade,  portanto,  ao  afirmar  que  nunca  havia  conversado com o Macaúba.  Constata­se mais  uma  vez  que  os  verdadeiros  donos  tentam  se  esquivar  da  responsabilidade, tentando transferir para terceiros o ônus do empreendimento, seja para David  Aparecido  Bezerra,  seu  empregado  na  empresa  "De  Souza  Lima"  (propriedade  sua  e  Dorvalino), ou com relação ao 'laranja' Sérgio Aparecido da Fonseca Alves da SP Guarulhos.     Os boletins de abate eram emitidos em nome da SP Guarulhos, contudo nas  notas fiscais de produtor constam como local de abate o Frigorífico Ouroeste e a Continental  Ouroeste,  documentos  a  fls.  857/1057  ­  Volumes  V  e  VI  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19, fato este confirmado no relato do Sr. Edson Garcia de Lima na Policia  Federal, a fls. 647­Volume IV­Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 .   “O  gado  era  retirado  do  FRIGORÍFICO  OUROESTE  com  uma  nota fiscal do MACAUBA, em nome da empresa DISTRIBUIDORA  SAO  PAULO,  e  como  destinatária  a  empresa  SP  GUARULHOS.  Afirma o  seguinte:  "eu  comprava  notas  de MACAUBA,  porque  do  Oiapoque ao Chui todos compravam notas dele. A melhor coisa que  poderia acontecer seria se todos começassem a pagar os impostos".    Diante da quebra do sigilo bancário procedida pela Justiça Federal  de Jales/SP, foi requisitado ao Banco Nossa Caixa S/A, através da  RMF  Nº  08.1.07.00­2008­00147­5,  a  movimentação  das  contas  04.001.570­6  ­  ag.  0540­1  e  04.000.393­3  ­ag.  535.5,  da  empresa  SP  Guarulhos,  onde  se  verificam  que  os  reais  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  pela  SP  GUARULHOS  Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são os verdadeiros donos  do  Frigorífico  Ouroeste  ltda,  Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  conforme  ilustrado  na  tabela  a  157/159,  elaborada por amostragem.    Na  mesma  toada,  da  analise  das  fitas­detalhe  enviadas  pelo  Banco  Nossa  Caixa­  conta  nº  04­000393­3­  Ag.  535­5/Ouroeste­SP,  da  empresa  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda,  a  Fiscalização  apurou  diversos  pagamentos  debitados nessa conta, relativos aos meses Janeiro, Fevereiro e Abril de 2006, representativas  de despesas pessoais dos sócios Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, ou de  empresas do núcleo Ouroeste ligadas a tais pessoas, conforme ilustrado a fls. 161/163 do PAF  16004.000336/2009­19.   ·  Boletos  bancário  ­  cedente  Elétrica  Noroeste  Ltda  EPP,  tendo  como  sacado a S P Guarulhos, mas o endereço é do Frigorífico Ouroeste Ltda:  Rua Jose Maticoli CP 35 ­ Ouroeste  ­SP,  idem para o cedente Hermann  Ind. Maq.  Equipamentos.  Idem  para  R$  263,69  vencimento  20/04/2006,  idem para o  cedente Friomat valor R$ 1.300,10 vencimento 20/04/2006,  valor de R$ 3.466,75 vencimento e m 2 1 / 0 4 / 2 0 0 6 / Comosquímica,  Sandet Química cedente valor R$ 960,73 vencimento 24/04/2006; vide fls.  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 476          41  621  ,  622,  661  ,  675,  676,  685,  704,  706  ­  Volume  IV/Anexo  3  do PAF  16004.000336/2009­19.   ·  Boleto  bancário  de  pagto  de  assinatura  do  Jornal  Estadão,  tendo  como  sacado o sócio de fato Dorvalino Francisco de Souza ­ Rua Boa Vista 666  ­  S.  J.R.Preto,  local  onde  funcionava  um  escritório  do  Frigorífico  Ouroeste,  fato  este  confirmado por  produtores  rurais,  idem boleto Abril  S/A no valor de R$ 49,03, fls. 623 e 652 do PAF 16004.000336/2009­19;   ·  Fatura de energia elétrica da CPFL, e da Telefônica  fones 3264­1366 e  3564­1354,  sendo  estes  do Frigorífico Ouroeste  Ltda,  fls.  624  a  626  do  PAF  16004.000336/2009­19;  Boleto  bancário  valor  R$  372,00­  cedente  H4  Fomento  Comercial  Ltda,  como  sacado  a  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, fls. 627 do PAF 16004.000336/2009­19;   ·  Boleto  bancário  no  valor  de  R$  157,00  ­  cedente  Tracker  do  Brasil  e  sacado  a  empresa  De  Souza  Lima,  pertencente  aos  sócios  Dorvalino  e  Edson; idem para outro boleto com vencimento em 24/04/2006, fls. 630 e  672 do PAF 16004.000336/2009­19 ;   ·  Boleto  bancário  valor  R$  2.065,67  ­  cedente  Frigoestrela  e  sacado  a  empresa a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, idem para o boleto  de R$ 2.748,58 ­ cedente Lopesco Ltda, boleto valor R$ 3.947,22 ­ cedente  Viaplastic;  boleto  R$  620,00  vencimento  09/02/2006,  boleto  cedente  Desinsetizadora  Multipragas  valor  R$  450,00,  Cosmoquimíca  valor  R$  1.155,59 vencimento 14/02/2006, Oxijales valor de R$ 35,00 vencimento  20/04/2006, Arnaldo Passo NF 2180 no  valor  de R$ 360,00  vencimento  em 24/04/2006;  ·  Boleto  bancário  valor R$  238,58  ­  cedente Cirasa Riop Aut  e  sacado  a  empresa De Souza Lima, pertencente aos sócios Durvalino e Edson, idem  boleto R$  77,12  ­  cedente Pelatti,  vencimento  09/02/2006,  idem  cedente  Pirelli  valor  de  R$  660,00,  cedente  Facchini  valor  R$  5.190,00  vencimento 14/02/2006, valor R$ 596,70 vencimento 20/04/2006, Propaga  valor  de  R$  113,32  e  Cirasa  Riop  Aut  valor  de  R$  311,50,  vencimento  20/04/2006; Riocap valor R$ 563,50 vencimento em 24/04/2006, fls. 632,  646, 650, 662, 674, 702 e 707 do PAF 16004.000336/2009­19 ;   ·  Boleto bancário de R$ 693,43,  tendo como cedente o Itaú Seguros S/A e  sacado  o  sócio  de  fato  João  Francisco  Naves  Junqueira.  Idem  BV  Financeira no valor de R$ 2.566,42 , vencimento em 16/02/2006, fls. 634  e 683 do PAF 16004.000336/2009­19 ;   ·  Boleto  bancário  valor  R$  81,50  ­  cedente  Cirasa  Riop  Aut  e  sacado  a  empresa Transportadora Sulera Ltda, pertencente ao sócio José Roberto e  do  irmão  do  Dorvalino,  idem  cedente  Cirasa  Auto  Riop  valor  de  R$  396,50  vencimento  em  21/04/2006,  648  e  703  do  PAF  16004.000336/2009­19;   Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     42  ·  Boleto  bancário  de  R$  452,21,  tendo  como  cedente  o  Posto  de  Modo  Trevo e  sacado o  sócio  de  fato Edson Garcia de Lima,  fls.  664 do PAF  16004.000336/2009­19;   ·  Fatura  de  energia  Elektro  vencimento  14/02/2006  no  valor  de  R$  33.470,53,  tendo  como  sacado  a Continental Ouroeste,  fls.  665  do PAF  16004.000336/2009­19;     No Livro Conta Corrente n° 7.1 ­ Banco Bradesco Ag. 1760­Ouroeste­SP c/c  nº 108904, movimentação bancária da empresa SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e  Derivados Ltda período de Outubro/2005 a Fevereiro/2006, solicitados via RMF n ° 2008­149­ 1, constam pagamentos de salários, férias e rescisões de contrato de trabalho de empregados do  Frigorífico Ouroeste Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de Carnes e  Representação BR de Fronteira Ltda, inclusive pagamento dos encargos sociais como INSS e  FGTS,  conforme  ilustrado  por  amostragem,  na  tabela  a  fls.  163/165  do  PAF  16004.000336/2009­19.    Com  relação  ao  cheque  n°  176,  no  valor  de  R$  27.953,96  ,  datado  de  05/12/2005,  relativo  ao  pagamento  do  13°  salário  –  1ª  parcela,  foi  solicitado  ao  Banco  Bradesco  a  relação  dos  beneficiários  de  tais  pagamentos,  sendo  confirmado  tratar­se  dos  empregados  do  Frigorífico Ouroeste,  com  vínculos  trabalhistas  registrados  na  interposta  BR  Fronteira. Tal  relação dos beneficiários pode ser confrontada com a Folha de Pagamento em  nome da interposta pessoa.  No Livro Conta Corrente N° 72 ­ Banco Nossa Caixa ­ Ag. 0540­Rio Preto­ SP,  CC  001570­6,  movimentação  bancária  da  empresa  SP  Guarulhos  no  período  de  setembro/2005  a  agosto/2006,  constam  diversos  pagamentos  de  comissões  e  fretes  a  contribuintes  individuais,  inclusive  retiradas  de  Pró­labore  dos  sócios  de  fato  do  Frigorífico  Ouroeste, Srs. Luis Ronaldo,  Jose Roberto, Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de  Souza (fls. 260/353 ­ Volume II / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No Livro Conta Corrente N° 7.3  ­ Banco Nossa Caixa  ­ Ag. Ouroeste, CC  000393­3, movimentação bancária da empresa SP Guarulhos no período de dezembro/2005 a  Setembro/2006 (fls. 354/395­Volume  II  / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19), constam  pagamentos de salários, férias e rescisões contratuais dos empregados que estavam trabalhando  para o Frigorífico Ouroeste Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de  Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, e a diversos contribuintes individuais, inclusive  retirada de pro labore dos sócios de fato do Frigorífico Ouroeste Ltda, conforme ilustrado, por  amostragem, na tabela a fls. 165/167.  Constam, também, pagamentos dos encargos FGTS ­ Fundo de Garantia por  Tempo  de  Serviços/GFIP  e  recolhimentos  da  retenção  da  contribuição  dos  segurados  empregados  ao  INSS,  através  da  GPS,  conforme  tabela  exemplificativa  a  fl.  167  do  PAF  16004.000336/2009­19,  assim  como  pagamentos  ao  contador  Wanderley  Graidzinski,  responsável pela remessa dos arquivos ao Fisco Estadual das movimentações de mercadorias ­  ICMS, o qual assina, ainda, como testemunha à alteração contratual de 25 de Julho de 2005, e  os Boletins de Abate como procurador.  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 477          43  De  todo  o  exposto,  conclui­se  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes e Derivados Ltda é uma empresa inexistente de fato, tratam­se, nada mais, do que uma  empresa  “de  fachada”,  Pessoa Jurídica de  "papel",  e  comprovadamente  interposta pessoa do  Grupo Ouroeste.  ISTO JÁ ESTÁ FICANDO MONÓTONO !!!    3.1.3.  DAS PESSOAS ENVOLVIDAS NA FRAUDE  O  trabalho  da  Fiscalização  foi  complementado  pela  intimação  pessoal  de  todos  os  contribuintes  envolvidos  no  esquema  fraudulento  desbaratado  pela  Policia  Federal,  sejam  aqueles  que  efetivamente  atuaram  no  grupo,  sejam  os  que  contribuíram  com  trabalho  e/ou capital.  De acordo com o relato fiscal, todos os envolvidos sempre estiveram ligados,  de alguma maneira, ao ramo de abate de bovinos e/ou comércio de carnes e subprodutos, sendo  também os mesmos, de fato, donos do Frigorífico Ouroeste Ltda.   Todos  os  contribuintes  ora  em  apreço  foram  intimados  para  prestar  esclarecimento  pessoal  sobre  sua  atuação  no  esquema  fraudulento,  mas  nenhum  deles  compareceu,  justificando que não eram obrigados a produzir provas contra  si  e que  todos os  esclarecimentos foram dados a Polícia Federal e a Justiça Federal.    3.1.3.1.  Dorvalino Francisco de Souza;   Participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas empresas acima citadas.  Em  seu  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales  admitiu  que  administrava  efetivamente o Frigorífico Ouroeste Ltda com procuração Outorgada por sua Mãe em conjunto  com José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima.   Possui  participações  nas  empresas:  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, De Souza & Lima Ltda, H4 Comercial De Carnes e Derivados  Ltda.   Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas não chegaram a R$ 155.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 171  do  PAF  16004.000336/2009­19,  declarando  apenas,  sua  participação  na  empresa  De  Souza  Lima ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Dorvalino Francisco de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 260.000,00 nos  anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 171/173 do PAF 16004.000336/2009­ 19.  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     44  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido  Bezerra,  funcionário  de  Dorvalino,  documento  intitulado  "RETIRADA  DORVALINO",  no  qual  constam  despesas  do  contribuinte  do  período  de  16.01.2004  a  26.01.2005 (fls. 718 a 724 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados  com  cheques  da  conta  da  empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  no  Banco Nossa Caixa S/A,  demonstrando  claramente que  além dos  valores  acima  recebidos,  a  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais  como  despesas  de  Condomínio,  IPVA,  Plano  de  Saúde  e  outros  (fls.  719  a  724  ­  Volume  IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Nos livros conta corrente (numerados n° 7.1 a 7.4) apreendido no interior do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No mesmo livro conta corrente – 7.4 ­ a fl. 450 do PAF 16004.000336/2009­ 19 , consta pagamento de "Condomínio Panorama", através do cheque 11282 nominal, imóvel  cujo proprietário é o Sr. Dorvalino.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo Sr. Dorvalino Francisco  de  Souza,  no  período  de  janeiro/2004  a  julho/2005,  informando  o  valor  e  a  data  de  cada  transferência, bem como a origem de qual  agencia e conta bancária da Continental Ouroeste  ltda saíram os pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao B. Nossa Caixa, foi encaminhada cópias dos  documentos solicitados relativo a agência 0540 ­ Vila Maceno em S.J.R.Preto, conta corrente  04.001.570­6 pertencente a empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica  através  do  cheque nº 686, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Pró­labore ao Sr. Dorvalino F. de  Souza, além de transferências de quase R$ 20.000,00 para sua conta pessoal.  Em  Diligência  na  empresa  Viagem.com  foram  constatadas  dezenas  de  passagem aérea em nome de Dorvalino Francisco de Souza  ­  ida  e volta S.J.R. PRETO  ­ S.  PAULO, pagas pela empresa SP Guarulhos, bem como pagamento de passagem também para  seu irmão Odécio (sócio da Transportadora Sulera Ltda).  No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada)';   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.   Fl. 499DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 478          45    Não restam dúvidas, portanto, que Dorvalino Francisco de Souza participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam claro  que o Sr. Dorvalino Francisco  de Souza  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    3.1.3.2.  Edson Garcia de Lima:   O  contribuinte  Edson  Garcia  de  Lima  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, H­ 4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e De Souza & Lima Ltda.  Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admitiu que possui de direito  as empresas H­4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e a empresa De Souza & Lima Ltda e  de  fato  16 % do  Frigorífico Ouroeste  Ltda.  Participou  efetivamente  da  empresa Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tendo inclusive controle e gerência da mesma.   Apresentou DIRPF com rendas pouco expressivas nos exercícios de 2002 a  2007, que somadas não chegaram a R$ 168.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro  a fl. 179 do PAF 16004.000336/2009­19, declarando apenas, sua participação na empresa De  Souza Lima ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Edson Garcia de Lima que ultrapassam a cifra de R$ 248.000,00 nos anos de  2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fl. 179 do PAF 16004.000336/2009­19.  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido Bezerra, funcionário de Dorvalino, documento intitulado "RETIRADA EDÃO", no  qual constam despesas do contribuinte do período de 16.01.2004 a 26.01.2005 (fls. 725/729 ­  Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Fl. 500DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     46  No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados  com  cheques  da  conta  da  empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  no  Banco Nossa Caixa S/A,  demonstrando  claramente que  além dos  valores  acima  recebidos,  a  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais  como  faculdade das  filhas Tatiana e Martina,  plano de  saúde,  além de outras  (fls.  726/729  ­  Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No mesmo livro conta corrente – 7.4 ­ a fl. 450 do PAF 16004.000336/2009­ 19, consta pagamento cheque n° 10996, o Imposto Sobre Serviço ­ ISS da De Souza & Lima  Ltda, outra empresa de sua propriedade.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Edson Garcia de Lima,  no período de  janeiro/2004 a  julho/2005,  informando o valor  e  a data de  cada  transferência,  bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste  ltda saíram os  pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias  dos  documentos  solicitados  relativo  a  agência  0540  ­  Vila  Maceno  em  S.J.R.Preto,  conta  corrente  04.001.570­6  pertencente  a  empresa  SP  Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica através do cheque nº 683, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Pró­labore ao Sr.  Edson Garcia de Lima, depositado em sua conta pessoal.  Conforme B. Bradesco ­ ag. 0063 ­ conta corrente 64228, titularidade da SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, verifica­se transferência do valor de  R$ 10.000,00 em 01/03/2006, ch. 975, para sua conta pessoal no Banco Nossa Caixa ­ AG. 434  ­ c/c 010039797.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  Edson  Garcia  de  Lima  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.3.  José Roberto de Souza  O  contribuinte  José  Roberto  de  Souza,  irmão  de  Dorvalino  Francisco  de  Souza, participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas  acima.   Fl. 501DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 479          47  Não  foi  ouvido  na  Polícia  Federal  de  Jales,  tendo  em  vista  não  estar  diretamente  ligado  às  empresas  investigadas  na  Operação  Grandes  Lagos.  Entretanto,  foi  localizado cheque pagando a sua parte da aquisição do Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002.  Segundo  depoimento  dos  demais  contribuintes  envolvidos,  Sr.  Dorvalino  Francisco de Souza e Antonio Martucci, José Roberto de Souza efetivamente contribuiu com  trabalho  e  capital  nos  objetos  sociais  da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda,  tornada inexistente de fato, e do Frigorífico Ouroeste Ltda.   Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado  e o  informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste,  porém  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  interrogado para ser um dos  sócios "de direito" ao  lado de Edson  Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao  interrogado  com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia  de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com  50%". Que o  interrogado efetivamente pagou sua parte do  capital  social  a  Dorvalino  que  era  quem  havia  negociado  a  compra.  No  contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital  social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar  o  gado  em  pé,  o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor  rural era orientado a  fazer a nota de venda em nome da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".     No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada);   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas  não  chegaram  a  R$  115.500,00  ,  conforme  ilustrado  no  quadro  a  fl.  185  do  PAF  16004.000336/2009­19.  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     48  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte José Roberto de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 282.000,00 nos anos de  2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 185/187 do PAF 16004.000336/2009­19.  Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Edson Garcia de Lima,  no período de  janeiro/2004 a  julho/2005,  informando o valor  e  a data de  cada  transferência,  bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste  ltda saíram os  pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias  dos  documentos  solicitados  relativo  a  agência  0540  ­  Vila  Maceno  em  S.J.R.Preto,  conta  corrente  04.001.570­6  pertencente  a  empresa  SP  Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica através do cheque nº 918, de 08/05/2006, pagamento de Pró­labore ao Sr. José Roberto  de Souza, depositado em sua conta pessoal.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  José  Roberto  de  Souza  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  José  Roberto  de  Souza  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.4.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira  O  contribuinte  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  participou  efetivamente  da  fraude,  estando  a  frente  da  administração  das  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda.   Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal em Jales, disse que comprou  50% do Frigorífico Ouroeste, mas por ter problema no "CPF" registrou em nome de sua esposa  e que não administrava o frigorífico e que raramente fazia retiradas.  Todavia,  a  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  retiradas  mensais  em  seu  nome através do Livro Conta Corrente­7.4, apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste, fls.  426  a  460  ­  Volume  III/  Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19,  mediante  cheques  de  pagamentos nominais a sua esposa Maria Cecília Podboy e/ou a seu pai João Francisco Naves  Ribeiro (cheque n° 10607, fls. 479 confrontada com fls. 438­verso do Livro n° 7.4 supra, e fls.  497/498 ­ Volume III/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19 )  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 480          49  A Fiscalização apurou que o citado contribuinte não possui conta bancária em  nome  próprio,  o  que  explica  os  cheques  nominais  a  seus  familiares,  e  apresenta DIRF  com  patrimônio de R$ 4.000,00 e rendimento exclusivamente pago pelo seu pai Sr. João Francisco  Naves Junqueira, conforme extrato a fl. 189 do PAF 16004.000336/2009­19 (fls. 2122/2136 ­  Volume XI/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19), somando nos seis exercícios de 2002 a  2007 pouco mais de R$ 70 mil.  Em seu interrogatório na Justiça Federal, afirmou que fez retiradas algumas  vezes devido ao prejuízo da empresa, contudo no livro conta corrente apreendido no interior do  Frigorífico Ouroeste em outubro de 2006,   Verificam­se retiradas mensais, no ano de 2005, do contribuinte na empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, cheques 10606, 10607 e 10784.   Conforme documentos às  fls. 1154 a 1155 ­ Volume VI  / Anexo 1 do PAF  16004.000336/2009­19,  Luis  Ronaldo  Costa  Junqueira  recebeu  benefício  no  período  de  Novembro  de  2003  a  Julho  de  2005,  a  título  de  Capitalização,  valores  debitados  no  Banco  Bradesco  ­ Ag. Ouroeste  ­  conta  corrente 10770, da empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios Ltda.  Em diligência na empresa Viagem.com foi constatado passagem aérea em seu  nome  ­  ida  e  volta  S.J.R.  PRETO  ­  S.  PAULO,  pagas  pela  empresa  SP  Guarulhos,  recibo  "TAM" emissão em 06 de Março de 2006.  Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina Viegas Longo, a declarante afirma "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de  Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de  Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci".     No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada);   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  recebeu  pro  labore  através  da  empresa  interposta SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, com cheques nominais  a esposa Maria Cecília P. Junqueira e seu pai João Francisco Naves Junqueira, conforme consta  Fl. 504DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     50  no Livro controle conta corrente item 7.2 , apreendido no Frigorífico Ouroeste Ltda, Ag. Nossa  Caixa  SJRPreto  0540­1,  CC  04­001570­6,  fls.  260  a  353­  Volume  II/  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19, como exemplo as fls. 271 ch. 953, fls. 276 ch. 1305, fls. 287­verso ch.  1822, fls. 294­verso ch. 1827, fls. 301 ch. 2569, fls. 305 ch. 2570 e 2844, fls. 313­verso ch. 2 5  7 1 , fls. 322 chs. 3252 e 3255, fls. 324­verso ch. 3253, fls. 329­verso ch. 3254, fls. 342 chs.  4382  e  4383,  fls.  346  ch.  4385,  onde  aparece  anotado  o  nome  do  contribuinte  constando  a  retirada de Pró­labore.   Idem  para  o  livro  item  7.3  ­  Ag.  Nossa  Caixa  Ouroeste  535­5  conta  04­ 000393­3,  fls.  329 a 370­Volume  II  / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19,  fls.  337,  fls.  339­verso,  fls.  340­verso,  fls.  343,  fls.  344,  fls.  351  e  fls.  357  todas  do  PAF  16004.000336/2009­19,  onde  também  aparece  anotado  o  nome  do  contribuinte  constando  a  retirada de Pró­labore e pagamento de despesa.   Regularmente  intimado  na  pessoa  de  seu  procurador  em  26.03.2008,  não  respondeu a citada intimação.  Não restam dúvidas, portanto, que Luiz Ronaldo Costa Junqueira participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As provas dos  autos deixam claro que o Sr. Luiz Ronaldo Costa  Junqueira  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.5.  Antonio Martucci  O  contribuinte  Antonio  Martucci  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo o nome e trabalho nas empresas acima, entretanto com uma participação menor da  administração dos negócios.   Em  seu  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales  admite  que  possuir  participação tanto no Frigorífico Ouroeste Ltda quanto na empresa Continental Ouroeste Ltda,  na razão de 12,5%.   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  não chegaram a R$ 92.000,00 nos seis anos, conforme  ilustrado no quadro a  fl. 195 do PAF  16004.000336/2009­19.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Antonio Martucci que ultrapassam a cifra de R$ 41.000,00 nos anos de 2004 e  2005, conforme exposto na tabela a fls. 195 do PAF 16004.000336/2009­19.  Conforme RMF 2007.283­4 e 284­2, Banco Nossa Caixa e Bradesco, foram  solicitados e remetidos documentos relativos à movimentação bancária, onde se comprova os  valores  vindos  da  conta  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda.  Apesar  de  poucas  transferências,  o Sr. Antonio Martucci  admite que  junto  com o contribuinte  José Roberto de  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 481          51  Souza  adquiria de  150  a  200  cabeças  de  gado  por  semana  e  que os mesmo  eram  abatidos  e  comercializados  pelo  Frigorífico Ouroeste  Ltda,.  (fls.  655  ­ Volume  I V  / Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19).   Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina Viegas Longo, a declarante afirma: "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de  Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de  Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci".   Portanto, está demonstrado que o contribuinte Antonio Martucci, participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda, e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados  sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Antonio  Martucci  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.6.  Oswaldo Antonio Arantes  O  contribuinte Oswaldo Antonio Arantes  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas  empresas  acima.  Era  pessoa  de  confiança  do  grupo e exercia efetivamente administração dos negócios, como gerente geral. Sua participação  vai além de um simples empregado, mesmo que no cargo de gerente administrativo.   Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admite ter comprado a parte da  empresa Continental Ouroeste Ltda (99%) pertencente ao Sr. Antonio Martucci em 2003, pelo  mesmo valor da constituição, mas como não conseguiu alterar o quadro social junto ao Fisco  Estadual, foi devolvido pelo mesmo valor investido.   Ressalte­se  que  o  contribuinte,  mesmo  após  seu  desligamento  dos  quadros  sociais  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  continuou  se  apresentando  e  agindo  como  sócio  da  empresa,  chegando  a  firmar  Procuração  "AD  JUDICIA"  para  os  advogados representarem a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, no processo trabalhista  989/2004­8  na Vara  do Trabalho  de  Fernandópolis­SP,  reclamante Élcio Benato,  procuração  com  data  de  28  de  Novembro  de  2004,  portanto  posterior  a  sua  saída  conforme  alteração  contratual em Agosto de 2004 (fls. 84/88 ­ Volume 1/ Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­ 19).   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  ultrapassaram a cifra de R$ 167.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 197  do PAF 16004.000336/2009­19.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes que ultrapassam a cifra de R$ 425.000,00 nos anos  de 2003 a 2006, conforme exposto na tabela a fls. 197/203 do PAF 16004.000336/2009­19.  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     52  Conforme  RMF  n°  2007.282­6  e  284­2,  285­0  e  286­9,  Bancos  Brasil  e  Bradesco, verifica­se os valores recebidos pelo contribuinte em tela são oriundos das contas da  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda.  Conforme RMF n° 2008­149­1 (Banco Bradesco), fls. 116 a 119 ­ Volume I /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19,  verifica­se  valores  recebidos  pelo  contribuinte  oriundos das contas da SP Guarulhos (de novembro/2005 a março/2006), livro conta corrente  7.1,  7.2  e  7.3,  onde  constam  pagamento  de  salário,  férias  e  13°  salário,  através  de  cheques  nominais, que somam mais de R$ 300 mil, valores considerados como "plus salarial", pois na  folha de pagamento da BR Fronteira, está formalmente registrado como gerente como salário  de R$ 2.800,00.   Na  planilha  a  fls.  675/678  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes,  no  período  de  fevereiro/2003  a  outubro/2005,  totalizando  mais  de  R$  400  mil,  informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta  bancária da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda saíram os pagamentos, complementado  por histórico resumida da transferência.  Com base no acima exposto, fica claro que o contribuinte em tela tinha uma  participação  maior  do  que  a  de  um  simples  empregado.  Tinha  poder  de  decisão,  agindo  e  obtendo  vantagens  financeiras  com  sua  conduta  em  benefício  do  Núcleo  Ouroeste  e  em  detrimento a Fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. Oswaldo Antonio Arantes tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.7.  João Francisco Naves Junqueira  O contribuinte  João Francisco Naves  Junqueira  é pai do Srs. Luiz Ronaldo  Costa Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto. Possui conta corrente em conjunto com o Sr.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira, conta esta que foi utilizada para pagamento de parte do valor  pago pelo Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002.  Foi  beneficiário  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  constando  diversas  transferências  de  valores  para  suas  contas  correntes,  documentos  requisitados  via  RMF  ­  Requisição  de Movimentação  Financeira  nº  148­3  de  2008,  fls.  461  a  466  do  PAF  16004.000336/2009­19,  ao  Banco  ABN  AMRO  REAL  S/A  ­  Ag.  Mirassol  783  ­  conta  97073252, pelos cheques nominais depositados em sua conta pessoal, cuja soma ultrapassa a  cifra de R$ 46 mil, em setembro e outubro de 2005, conforme discriminativo a fl. 205 do PAF  16004.000336/2009­19.  Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira de n° 288  ­ Banco HSBC, n° 289  ­ Banco Santander Brasil  e n° 290  ­ Banco do  Brasil  (fls. 44 a 50 ­ Vol. 1/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19),  restaram confirmados  outros recebimento pelo contribuinte vindos da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, que  somados  ultrapassam R$ 420 mil,  conforme planilha  complementar  dos  valores  recebidos,  a  fls. 697/698 do Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19.   Fl. 507DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 482          53  Foi  beneficiário  da  interposta SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados Ltda, conforme se comprova através dos cheques n. 1822 e 1825 da Nossa Caixa S.  J.  R.  Preto  /  Ag.  540­1  ­  c/c  04.001570­6,  ambos  no  valor  de  R$  5.000,00  e  datados  de  Dezembro de 2005, cheques 2570 e 2844 de Janeiro de 2006, cheque n. 3254 em Fevereiro,  cheques n.  4383 e 4385 em Março de 2006,  às  fls.  493, 499, 528, 610 e 616 Volumes  IV e  V/Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19,  sendo  parte  atribuído  ao  filho  Luis  Ronaldo,  conforme  constam  no  livro  item  7.2,  fls.  260  a  353  ­  Volume  II  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19.   Planilha  a  fls.  2161/2163  do  PAF  16004.000336/2009­19  informa,  igualmente, os valores recebidos por João Francisco Naves Junqueira, mediante transferências  bancarias / TED das empresas do núcleo Ouroeste totalizando em 2006 cerca de R$ 53.500,00.  De  todo o exposto,  resta evidente que o contribuinte participou diretamente  na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta em benefício  do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.   As provas dos autos deixam claro que o Sr. João Francisco Naves Junqueira  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.8.  José Ribeiro Junqueira Neto  O contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto adquiriu 50% das instalações do  Frigorífico Ouroeste Ltda e m 2002, através de seu procurador Luiz Ronaldo Costa Junqueira,  Procuração esta outorgada em 30 de Janeiro de 2001, com poderes amplos e ilimitados.  Na  citada  aquisição,  os  cheques  discriminados  são  de  emissão  do  Luiz  Ronaldo da Costa Junqueira de uma conta conjunta com João Francisco Naves Junqueira, pai  de ambos.  Intimado  e  reintimado  para  esclarecer  tal  situação,  respondeu,  em  18.04.2008, que em 2002 outorgou procuração para seu irmão Luiz Ronaldo Costa Junqueira a  fim  de  que  adquirisse  as  instalações  industriais  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  visto  que  o  mesmo teria problema com seu CPF na época (fls. 2234/2243 ­ Volume XII/Anexo 1 do PAF  16004.000336/2009­19).  Contudo  a  procuração  apresentada  pelo  Sr.  Luis  Ronaldo  Costa  Junqueira em 2002, fls. 207 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19, é datada de  30 Janeiro de 2001, um ano antes da operação de compra das instalações, ocorrida em 2002.   Quanto à assinatura no contrato pelo Luis Ronaldo Costa Junqueira, o mesmo  o fez como procurador do contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto, assumindo este  todos os  encargos decorrentes do negócio jurídico.   Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira de n° 288­9 (fls. 46 ­ Volume I/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19) ­ Banco  HSBC Bank Brasil  S/A verifica­se  o  recebimento  através  da Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda  de  mais  de  R$  106  mil,  conforme  planilhas  valores  recebidos,  fls.  699/700  do  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     54  Volume  IV/Anexo 2  do PAF 16004.000336/2009­19,  assim  como  a  origem de  qual  agencia  bancaria vieram os valores creditados ao contribuinte.    No banco Nossa Caixa (RMF nº 147) verifica­se a transferência via TED de  R$  25.000,00  da  conta  corrente  04.001600  ­  ag.  n°  540,  de  titularidade  da  empresa  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  para  a  conta  pessoal  do  Sr.  José  Ribeiro Junqueira Neto ­ ag. 824 ­ conta corrente 646598, conforme exposto a fls. 1081/1082  do PAF 16004.000336/2009­19 .   Com  base  no  acima  exposto,  fica  claro  que  o  contribuinte  participou  diretamente na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta  em benefício do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    Conforme  demonstrado,  as  pessoas  ora  abordadas  utilizaram­se  de  meio  fraudulento  para  se  ocultar  aos  olhos  do  Fisco,  simulando  uma  “inexistência”  de  relação  jurídica com as empresas autuadas. Tal “inexistência” de relação jurídica era apenas aparente,  eis que a relação jurídica de fato existente encontrava­se dissimulada pela criação de Pessoas  Jurídicas existentes somente no plano formal, presentes apenas no papel, que tudo aceita.  Ocorre, todavia, que a fraude e a simulação deixam sempre rastros e vestígios  que  as  denunciam.  Produzem  fatos,  atos  e  sintomas  que,  quando  conjugados  aos  fins  pretendidos,  e  as  circunstâncias  do  caso,  revelam o  caráter  fictício  ou  imaginário  de  um  ato  jurídico fraudulento ou simulado.  Em  razão de  tal  acobertamento,  tais defeitos da  vontade declarada  têm que  ser  provados  através  do  conjunto  de  indícios  e  evidências  que  as  operações  realizadas  na  execução de tais esquemas vão deixando pelo seu caminho. Assim, pelos meios admissíveis em  direito,  nomeadamente,  através  de  testemunhas,  documentos,  a  experiência,  os  resultados  alcançados,  etc.,  a  Fiscalização  reúne  os meios  de  prova  relativos  a  esses  fatos,  indícios  ou  circunstâncias,  e  o  Julgador,  apreciando­os  segundo  o  seu  livre  convencimento  e  prudente  critério,  conjugando­os  com  os  fins  pretendidos  pelo  Increpado,  forma  o  seu  juízo  de  convicção.  As  provas  constantes  dos  autos  são  eloquentes,  precisas  e  convergentes.  Eloquentes, porque  revelam, de maneira detalhada,  todo o mecanismo arquitetado pelos  seus  idealizadores  para  a  consecução  dos  fins  pretendidos,  consubstanciados  na  utilização  de  interpostas  pessoas,  constituídas  em  nome  de “laranjas”,  visando  a  encobrir  os  verdadeiros  donos  do  empreendimento  increpado,  em  detrimento  da  arrecadação  tributária;  Precisas,  porque delas avulta, de maneira inequívoca, a participação intensiva e essencial dessas pessoas  na condução dos negócios das empresas interpostas, na condução das operações representativas  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  na  direção  das  empresas  interpostas,  como  seus  verdadeiros  donos  e  controladores,  acobertados  por  “laranjas”,  bem  como  o  recebimento  dos  benefícios  decorrentes  do  empreendimento  pesquisado.  E  são  convergentes  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 483          55  porque todas as provas documentais, depoimentos, indícios e rastros conduzem a essa mesma  ilação.  Em resumo,  restou demonstrado que a Continental Ouroeste Carnes e Frios  Ltda  e  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  são  empresas  interpostas,  existentes  tão  somente no papel,  e pertencem DE FATO ao Frigorífico Ouroeste  Ltda,  tendo  como  proprietários  Edson Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  José Ribeiro  Junqueira  Neto, Oswaldo Antonio Arantes  e  João Francisco Naves  Junqueira,  não obstante o  fato de  a  referida empresa ter sido aberta em nome de terceiras pessoas (interpostas/laranjas).   Também a empresa Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  foi utilizada no esquema fraudulento para intermediar a contratação irregular da mão de obra  empregada na atividade fim do Frigorífico Ouroeste Ltda.  Restou  cabalmente  demonstrado,  igualmente,  que  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo  Costa  Junqueira,  José  Ribeiro  Junqueira  Neto,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  João  Francisco  Naves  Junqueira  foram  os  principais  beneficiários  das  fraudes  perpetradas  pela  fiscalizada,  fraude essa que tinha por objetivo a transferência de responsabilidade tributária para terceiros  que  não  tinham  relação  pessoal  e  direta  com  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  sendo  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  os  seus  reais  proprietários  os  verdadeiros  beneficiários econômicos da atividade empresarial empreendida pelo grupo,  já que o produto  da sonegação de tributos foi utilizado por eles para a aquisição de patrimônio, bem como para  pagamento de despesas pessoais.     Do exame da documentação coligida aos autos pela  fiscalização, ante  todos  os elementos de prova então presentes, avulta existir entre as empresas autuadas, as interpostas  empresas  e  as  demais  pessoas  arroladas  pela  Fiscalização  –  Os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira, José Ribeiro Junqueira Neto, Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco Naves Junqueira ­  não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico ostensivo,  haja  vista  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  arroladas  pela  fiscalização  envidaram  esforços  significativos na atividade empresarial  comum do grupo e na realização da situação  jurídica que  constitui  o  fato  gerador da obrigação principal objeto deste  lançamento,  e deles  auferiram benefícios econômicos de diversas espécies, de onde se extrai a solidariedade entre  eles por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN.  Nessas  circunstâncias,  são  solidárias  as  pessoas  que  realizaram  conjuntamente  a  situação  que  constitui  o  fato  gerador,  ou  as  que,  em  comum  com  outras  pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a  teor do inciso I do art. 124 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     56    Não procede, portanto, a alegação de que a autoridade  lançadora  imputou a  responsabilidade solidária com o exclusivo fundamento de que os Responsáveis Solidários em  apreço  tinham  procuração  lhes  outorgando  poderes  de  gestão  e  administração  das  empresas  Autuadas.  Restou  demonstrado  que  os  devedores  solidários  tinham  verdadeiros  interesses  jurídicos  comuns  na  situação  constitutiva  do  fato  gerador  das  Contribuições  Previdenciárias ora lançadas.   Não  procede  também  a  alegação  de  que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço só poderia ocorrer ante a verificação da insuficiência do patrimônio da pessoa jurídica e  mediante prévio procedimento judicial de cognição com decisão transitada em julgado.  Conforme  assinalado,  a  Responsabilidade  Solidária  consignada  no  presente  lançamento tem por fundamento jurídico de validade o preceito inscrito no inciso I do art. 124  do  CTN.  Nessa  prumada,  nos  termos  do  Parágrafo  Único  do  citado  dispositivo  legal,  tal  solidariedade tributária não comporta benefício de ordem, podendo o tributo devido ser exigido  de um, de alguns ou de todos os devedores solidários em conjunto.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    Registre­se  que  a  eleição  do  Sujeito  Passivo  a  figurar  no  polo  devedor  da  relação jurídico­tributária é prerrogativa privativa da Autoridade Administrativa Fiscal, a teor  do art. 142 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.    Conforme  expressamente  consignado  no  art.  121,  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  considera­se  Contribuinte  a  pessoa  obrigada  ao  pagamento  do  tributo  que  tenha  relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da exação.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­se:  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 484          57  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.    No  caso  presente,  a  pletora  documental  presente  nos  autos  demonstra  que  quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo  ora lançado não eram as empresas “noteiras”, notadamente a Distribuidora de Carnes e Derivados  São Paulo Ltda, mas, sim, os clientes dessa empresa “noteira”, in casu, o Frigorífico Ouroeste Ltda e  os seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar  do recolhimento de tributos.  Da mesma  forma,  as  provas  aviadas  nos  autos  revelam  que  quem  detinha  a  relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora lançado não  eram as  interpostas empresas constituídas em nome de “laranjas”, existentes  tão somente no  papel, notadamente a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, mas, sim, as  pessoas  que  administravam,  dirigiam  e  controlavam  todas  as  operações  dessas  empresas,  in  casu,  o  Frigorífico Ouroeste Ltda e seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima  descrito para se esquivar do recolhimento de tributos.    Revela­se  improcedente,  igualmente,  a  alegação  de  que  “Ainda  que  as  Pessoas Físicas arroladas como devedoras  solidárias  fossem sócias das  empresas autuadas,  não seria o caso da pretendida responsabilização, pois ausentes os requisitos indispensáveis a  tanto,  sendo  a  mesma  de  natureza  subsidiária  (artigos  134  e  135  do  CTN)  e  quanto  à  responsabilidade pessoal,  limita­se aos  atos  praticados  comprovadamente  pelos  sócios,  com  excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos”.   Conforme  exaustivamente  demonstrado,  a  responsabilidade  dos  devedores  solidários  no  caso  em  apreço  não  se  fundamenta  em  suposta  responsabilidade  pessoal  dos  diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado por atos praticados  com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos assentados  nos artigos 134 e 135 do CTN, mas,  sim, pelo  interesse  comum na situação constitutiva dos  fatos geradores das Contribuições Previdenciárias ora lançadas, consoante inciso I do art. 124  do CTN.  Não  se  trata,  pois,  de hipótese de  responsabilidade subsidiária,  como assim  quer  fazer  crer  o  Recorrente,  mas,  sim,  de  Responsabilidade  Solidária,  a  qual  não  admite  qualquer benefício de ordem.    3.1.4.  DAS RECEITAS DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA   Do Relatório Eletrônico da Polícia Federal extrai­se que a Distribuidora São  Paulo  é  a principal  empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para  emissão de notas  fiscais  "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros ­  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     58  frigoríficos  e  "taxistas"  ­  que  desejam  ocultar  estas  operações  do  fisco  para  não  despertar  suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento.   Valder Antônio Alves (Macaúba) é o "cabeça" do esquema e o proprietário  de fato e de direito da Distribuidora São Paulo, com 99% de participação no quadro societário,  tendo amplo poder de decisão na empresa, contando com Maria dos Anjos de Medeiros como  seu braço­direito.   A  folha  de  antecedentes  criminais  de  Valder  Antônio  Alves  é  extensa:  foi  indiciado  em  oito  inquéritos  policiais  e  denunciado  em  dezesseis  processos  criminais,  respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de fogo, crime contra a  saúde pública, perigo para a vida ou saúde de outrem, além de cinco processos por sonegação  fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde pública e três vezes por crimes contra a  ordem tributária.   Luzia de Jesus Gonçalves: "Laranja" com participação mínima de apenas R$  10,00 na empresa, que permaneceu apenas cerca de um mês no quadro societário. Sua função  era apenas emprestar seu nome para que não fosse necessário registrar a empresa como firma  individual.   Cláudia  Regina  Barra  Moreno:  "Laranja"  que  substituiu  Luzia  de  Jesus  Gonçalves  na  Distribuidora  São  Paulo,  de  modo  que  permanecesse  viável  o  registro  da  distribuidora como uma sociedade limitada e não como uma firma individual. Cláudia chegou a  ter apenas R$ 1,00 de participação, mas o valor foi alterado para os atuais R$ 500,00. No curso  das  investigações  uma  funcionária  da  distribuidora  chegou  a  telefonar  para Cláudia  dizendo  que se seu nome permanecesse inscrito nos serviços de proteção de crédito, Valder iria retirá­la  da sociedade, colocando Vinícius dos Santos Vulpini em seu lugar.   Maria  dos  Anjos  de  Medeiros  (Nina),  "Gerente"  do  esquema,  é  o  braço­ direito  de  Valder  Antônio  Alves  na  Distribuidora  São  Paulo,  gozando  de  ascendência  em  relação aos demais funcionários. Flagrada em vários diálogos negociando notas fiscais "frias" e  notas  fiscais  em  branco  da  distribuidora  para  vários  clientes  da  empresa.  Cuida  da  movimentação de valores da organização em contas bancárias de "laranjas".   Ana  Cláudia  Valente  Fioravante  é  "gerente"  da  organização  criminosa,  embora  subordinada  a  Maria  dos  Anjos  de Medeiros.  Flagrada  em  vários  diálogos  em  que  vende notas fiscais "frias" a clientes da Distribuidora São Paulo.   Monique de Medeiros Venda: Também atua como "gerente", ocupando uma  posição  subalterna  em  relação  a  Maria  dos  Anjos  de  Medeiros  e  a  Ana  Cláudia  Valente  Fioravante. Na verdade executa tarefas de execução e não de gerenciamento propriamente dito,  pois  comanda  os  negócios,  apenas  anota  pedidos  de  notas  fiscais  "frias"  dos  clientes  do  esquema.   Em  seu  depoimento  a  Polícia  Federal  de  Jales,  a  Ana  Claudia  Valente  Fioravante diz:   "... QUE perguntada qual é a atividade da distribuidora São Paulo  informou ser tirar nota'; QUE perguntada se esta atividade é licita  informou  que  achava  que  sim; QUE  perguntada  porque  achava  e  não  acha  mais,  respondeu  que  no  sábado  da  semana  passada  a  gerente  da  distribuidora,  NINA,  determinou  que  a  interroganda  levasse  para  sua  casa  as  notas  fiscais  em  branco  que  costumeiramente são preenchidas a posteriori por determinação de  VALDER;  QUE  perguntada  a  razão  pela  qual  deveria  levar  tais  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 485          59  documentos para sua residência informou ao que sabe seu patrão,  VALDER  obteve  informação  de  que  haveria  uma  fiscalização  na  distribuidora.."     Em suas declarações dadas na Delegacia da Receita Federal  do Brasil  ,  em  05.02.2007, a Ana Claudia Valente Fioravante disse ainda:   "...Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa,  foi  apresentada  uma  relação  à  declarante,  extraída  dos  arquivos  magnéticos  apreendidos  na  Distribuidora  São  Paulo,  na  qual  constam  os  códigos  dos  "clientes"  (compradores  de  notas)  da  Distribuidora São Paulo e dos frigoríficos onde eram realizados os  abates.  A  declarante  afirma,  categoricamente,  que  a  listagem  corresponde com a situação de fato, ou seja, os códigos constantes  da lista apresentada são os mesmos que ela utilizava na confecção  das notas fiscais na Distribuidora São Paulo, (grifo nosso)..."     Em outro trecho afirma:   "....Com  relação  ao  Código  36  (Dorvalino),  o  cliente  era  o  Frigorífico Ouroeste, de propriedade do Sr. Dorvalino. Neste caso,  a  declarante  afirma  que  confeccionava  todas  as  notas  fiscais  (entrada, saídas e remessa para abate) na Distribuidora São Paulo.  Recebia as informações do Frigorífico Ouroeste por fax....."     Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  COMPRAS  de  R$  7.358.757,00  no  Ano  Calendário  de  2003  e  R$  22.056.508,02  no  Ano  Calendário de 2004, de R$ 25.373.884,00 no ano calendário de 2005, e de R$ 3.893.255,00 em  2006.   Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  VENDAS  de  R$  10.224.336,85  no  Ano  Calendário  de  2003,  de  R$  21.607.292,85  no  Ano  Calendário de 2004, continuando essas vendas até Março de 2006.   Após  isso,  foram  intimados  alguns  clientes  e  fornecedores,  no  sentido  de  confirmar de quem realmente eles tinham comprado ou vendido produtos, e quem era a pessoa  de contato.   No  tocante  aos  fornecedores  (pecuaristas),  a  maioria  indica  como  compradores os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, sendo que alguns,  ainda,  indicaram  o  Sr. Antonio Martucci  e  o  Sr.  José Roberto  de Souza  (fls.  1310  a  1488  ­  Volumes VII e VIII/ Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19).  Quanto  aos  clientes,  as  pessoas  responsáveis,  apontadas,  são  os  Srs.  Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira e  José  Roberto  de  Souza  (fls.  1489  a  1543  ­  Volumes  VII  e  VIII/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19).   Fl. 514DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     60  Os  próprios  envolvidos,  Dorvalino  Francisco  de  Souza  e  Edson  Garcia  de  Lima, admitiram que compravam notas da Distribuidora São Paulo, sendo que um dos trechos  do seu depoimento à Polícia Federal de Jales, o Sr. Edson, admite (fls. 647 ­ Volume IV/Anexo  1 do PAF 16004.000336/2009­19):   "...eu comprava notas do Macaúba (Valder Antonio Alves), porque  do Oiapoque ao Chuí todos compravam notas dele..."     No Termo de Interrogatório no Juízo Federal da 3ª Vara de São José do Rio  Preto,  as  perguntas  formuladas  pelo  MM.  Juiz  ao  Sr.  EDSON  GARCIA  DE  LIMA,  ele  respondeu (fls. 652 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19):   "que eu me recorde, o frigorífico Ouroeste passou a abater carnes  para a SP Guarulhos o  início de 2005; usando nota da São Paulo  Distribuidora  foi  depois  em  2006,  para  levar  carne  para  Guarulhos”.     A Fiscalização apurou,  todavia, que, em 2005 era a Continental Ouroeste  e  não o Frigorífico Ouroeste que abatia gado para a SP Guarulhos. Ou seja, o próprio dono se  confunde quando fala das suas empresas, pois conforme Boletim de Abate n° 001/2006, datado  de 03 de Março de 2006 (assinado pelo sócio Luis Ronaldo como procurador), partir de então o  Frigorífico Ouroeste começou abater; com a SP Guarulhos usando as notas frias da São Paulo  Distribuidora a partir do ano de 2006.   O Sr. Antonio Martucci, em seu depoimento à Polícia Federal de Jales afirma  (fls. 655 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19):   "...  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar o gado em pé, o qual era trazido até o frigorífico situado  em Ouroeste­SP. O produtor rural era orientado a fazer a nota de  venda  em  nome  da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense e Distribuidora São Paulo, porém como local de abate  Frigorífico  Ouroeste.  Em  seguida,  a  carne  era  vendida  para  o  comércio  da  região com nota  fiscal da Distribuidora  São Paulo  e  Norte Riopretense. Quem ligava pedindo as notas a Macaúba era a  secretária  da  empresa  Gislaine.  A  Ouroeste  informava  Macaúba  acerca do comprador final, para fins de que este fizesse a respectiva  nota fiscal de venda em nome do mesmo..."    Quando  questionado  acerca  da  frequência  de  compra  de  notas  venda  disse  (fls. 655 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19):   ..."Toda  a  produção  seguia  este  procedimento,  sendo  que  o  interrogado  negociava  uma média  de  150  a  200  cabeças  de  gado  por  semana. Questionado acerca do abate  feito pelo outros sócios  se utilizando do esquema, afirma que Dorvalino e Edson Garcia de  Lima  faziam vendas mais especificamente para o comércio de São  José do Rio Preto, Guarulhos, Catanduva e Ourinhos. Eles abatiam  muito mais cabeça que o  interrogado com José Roberto de Souza,  pois abatiam uma média de 450 cabeças de gado por semana..."     Fl. 515DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 486          61  Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal de Jales, o Sr. Luiz Ronaldo  Costa  Junqueira Declarou  (fls.  670/671  ­ Volume  IV/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­ 19):   "...  logo  que  ficou  sabendo  dos  fatos  em  apuração  procurou  por  Edson, vulgo "EDÂO", sendo que Dorvalino estava preso, e EDÃO  lhe  informou que  realmente,  as  vezes,  compraram notas  fiscais da  empresa  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO, empresa esta de propriedade da pessoa vulgo "Macaúba",  agora  sabendo  chamar  Valder  Antonio  Alves;  Que  o  declarante  nunca  teve  qualquer  negócio  com  "Macaúba";  Que,  esclarece  o  declarante que questionou "EDÃO" porque comprara notas  fiscais  da  empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO,  quando  lhe  informou  que  "tudo mundo  faz  isso"  na  falta  notas fiscais..."     Com base no acima exposto,  fica evidenciado que o frigorífico Ouroeste se  beneficiou  do  esquema  fraudulento  estruturado,  com  objetivo  de  comprar  e  vender  produtos  sem pagamento de tributos, em prejuízo da Fazenda Nacional.   Merece ser destacado que no dia 15/05/2008 foi publicado no Diário Oficial  da  União,  em  sua  Seção  1,  n°  92,  página  58,  o  Ato  Declaratório  Executivo  n°  53,  de  15/05/2008, em que o Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto declara  INAPTA a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica "Distribuidora de Carnes e Derivados S ã o  Paulo Ltda.", CNPJ n° 68.195.072/0001­75, com efeitos que valem a partir de 01/01/1999, o  que  torna  INIDÔNEOS  os  documentos  emitidos  pela  empresa  desde  então.  (fls.  04  e  05  ­  Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19).   Também  houve  o  cancelamento  da  Inscrição  Estadual  do  contribuinte  no  Estado conforme processo nº 1000326­358725/2007, publicado no D.O.E ­ Diário Oficial do  Estado, de 20/10/2007 (fls. 118 a 211 ­ Vols. I e II / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19),  onde  o  Fisco  Estadual  faz  um  Relatório  minucioso  de  toda  fraude  realizada  e  as  pessoas  participante do esquema.     A  partir  dos  documentos  apreendidos  no  interior  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda, pela Policia Federal de Jales – SP foi possível comprovar como operava o esquema de  compras  de  notas  frias  pelo  núcleo Ouroeste,  na  época  como Continental Ouroeste,  onde  se  pagava a TAXA de R$ 4,00 reais por cabeça de bovino abatido e faturado pela Noteira, mais  um valor fixo de R$ 3.000,00 pelo custo operacional, a seguir demonstrado:   ·  Cotejando  as  Notas  Fiscais  de  Saída  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados São Paulo Ltda emitidas, vinculadas ao cliente CÓDIGO 36  ­  Dorvalino,  em  Setembro  e  Outubro  de  2005  (fls.  63  a  104  Volume  I  /  Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19);   ·  Com a Relação de notas de saída Rem. p/ Abate – Vend. 36 (fls. 59 a 62 ­  Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19);   Fl. 516DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     62  ·  Com o controle em nome do Dorvalino ( fls. 54/57 ­ Volume I / Anexo 5  do PAF 16004.000336/2009­19),  comprova­se  como operava  o  esquema  de  compras  de  notas,  dos meses  Setembro  e Outubro  de  2005  (fls.  58  ­  Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19), a seguir:     Controle Setembro de 2005:   Foram abatidos 4730 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante  de R$ 18.920,00 que, somado à taxa de operação de R$ 3.000, 00 e a um crédito de R$ 330,00  decorrente de agosto/2005, dá um  total de R$ 22.250,00, conforme memoria de  cálculo a  fl.  235.  Do  total  apurado  no  mês  de  Setembro  foi  pago  com  o  cheque  do  Banco  Nossa  Caixa  nº  000068  ao  vulgo  "MACAUBA"/  Valder  Antonio  Alves,  dono  da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  cheque  da  ag.  434  ­  1  ­ Bálsamo  c/c  04.000.460­2  da  empresa  SP  Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00, pré­datado para 13 de Novembro de 2005, restando saldo  de R$ 7.250,00 para Outubro 2005 (fls. 58 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­ 19).  O  Referido  cheque  foi  solicitado  ao  banco  via  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação  Financeira nº 2008­0243­9, fls. 27 a 39 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19)  onde  se  constata  que  foi  emitido  nominal  a  Leonardo  Joaquim  Derau  Alves,  irmão  do  MACAUBA (fls. 42/43 ­ Volume I/Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19).     Controle de Outubro 2005:   Foram abatidos 4170 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante  de  R$  16.752,00  que,  somado  à  taxa  de  operação  de  R$  3.000,  00  e  a  um  crédito  de  R$  7.250,00  decorrente  de  setembro/2005,  dá  um  total  de R$  27.002,00,  conforme memoria  de  cálculo a fl. 235 do PAF 16004.000336/2009­19.  Foi pago com o cheque n. 000069 nominal a Distribuidora S. Paulo, cheque  da ag. 434­1 ­ Balsano c/c 04.000.460­2 da empresa SP Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00,  pré­datado  para  13  de  Dezembro  (fls.  40  /  41  ­  Volume  I  /  Anexo  5  do  PAF  16004.000336/2009­19).     O 'código 36' vinculado nas notas, conforme declaração firmada na Delegacia  da Receita Federal do Brasil por Ana Claudia Valente Fioravante ­ funcionária da Distribuidora  S. Paulo, "trata­se do Cliente Frigorífico Ouroeste ­ Dorvalino" (rodapé das Notas Fiscais a fls.  07/26 e 63/104 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19).   Nas  circularizações  complementares  realizadas  nos  Produtores  Rurais,  confirma­se  o  vínculo  ao  "Código  36  ­  Dorvalino  /cliente  Frigorífico  Ouroeste",  conforme  respostas dos produtores e pelas cópias solicitadas e remetidas por diversos pecuaristas (fls. 31,  33, 38, 42, 44, 46, 59, 61, 64, 68, 75, 89, 91, 93, 95, 109, 112, 114, 117, 123, 125 e outras ­  Volume I / Anexo 7 do PAF 16004.000336/2009­19).   As  vendas  realizadas  eram  com  notas  frias  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda,  figurando  como  cliente  a  Continental  Ouroeste  (NF  32058)  e  demais  notas  a  SP  Guarulhos,  esta,  sucessora  na  fraude  em  continuação  a  Continental  Ouroeste, conforme controle a fls. 59/62 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19,  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 487          63  o  que  mais  uma  vez  comprova  a  interposição  dessas  empresas  com  o  real  beneficiário  Frigorífico Ouroeste Ltda.     Conforme cópias das notas  fiscais a  fls. 1281/1288­ Volume VII  / Anexo 3  do PAF 16004.000336/2009­19, em nome da Distribuidora São Paulo ­ CFOP 5101 ­ vendas,  destinadas a SP Guarulhos, verifica­se no centro da parte de baixo das notas a vinculação para  o Código "36 ­ Dorvalino" e a esquerda SPGUAR, relativas ao ano de 2006, com Certificado  Sanitário  assinado  pelo  médico  veterinário  Cledson  L.F.  Rezende,  com  registro  formal  na  interposta empresa BR Fronteira.   Com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Distribuidora de Carnes e  Derivados São Paulo Ltda, notas vinculadas ao cliente "36", e somente CFOP­ Código Fiscal  de Operações e Prestações de compra, a Fiscalização apurou os valores devidos, conforme RL  Relatório de Lançamentos ­ levantamento PR1 e PR5.  A Fiscalização constatou que todas as empresas da Operação Grandes Lagos  que  utilizavam  notas  fiscais  de  terceiras  empresas,  o  local  de  abate  era  um  dos  "códigos"  usados para identificar os frigoríficos usuários de tal documento.   O  esboço  a  fls.  133  ­  Volume  l/Anexo  5  do  PAF  16004.000336/2009­19  delineia  o modus  operandi  do  esquema  fraudulento,  revelando,  com  clareza,  que  a  empresa  “noteira”  apenas  emite  as  notas  fiscais  da  transação, mas  o  gado,  a  carne  e  o  dinheiro  são  movimentados pelo frigorífico que usa dos seus "serviços". Os clientes dos "noteiros" pagam  pelas notas  fiscais "frias" emitidas a ordem de quatro reais por cabeça de gado bovino e  três  reais por cabeça de gado suíno.   As  interceptações  telefônicas  comprovam  que,  aos  clientes  mais  fiéis,  que  tem movimento maior  e  gozam  de maior  confiança  de Valder Antônio  Alves,  são  enviadas  caixas  de  formulários  contínuos  com  notas  fiscais  em  branco  de  suas  empresas,  que  são  preenchidas nas dependências das  empresas que  as  adquirem,  as quais  acertam o pagamento  pelos "serviços" de Valder posteriormente, dependendo do volume de gado negociado.   Para evitar a prisão dos  sócios por  sonegação  fiscal,  as  empresas do Grupo  dos  Noteiros  não  deixam  de  declarar  ao  fisco  os  tributos  incidentes  sobre  suas  operações  simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual ação do fisco ou da  Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens em seu nome.   Na verdade, este era o desejo de todos os envolvidos neste esquema,  isto é,  que os lançamentos tributários ocorressem todos contra a Distribuidora de Carnes e Derivados  São Paulo Ltda, pois esse foi o objetivo principal da sua criação, qual seja, o de suportar o ônus  advindo das operações fiscais de seus clientes.   Todavia,  graças  ao  trabalho  de  inteligência  da Policia Federal  e  ao  suporte  legal  da  Justiça  Federal,  que  possibilitou  a  busca  e  apreensão  de  documentos,  bem  como  a  quebra de sigilo bancário, e consequentemente gerou a deflagração de operações no âmbito dos  órgãos  fiscalizadores,  tanto  federal  como  estadual,  tornou­se  possível  estabelecer  a  cada  um  dos sonegadores a sua real participação no esquema, de forma a permitir alcançar os valores­ base relativos à aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, e consequentemente as  respectivas contribuições devidas à Seguridade Social.   Fl. 518DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     64    3.1.5.  DAS  RECEITAS  DA  SP  GUARULHOS  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS LTDA   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS,  transmitidas  pela  empresa  ao  Fisco  Estadual,  CFOP  ­  Código  Fiscal  de  Operações  e  Prestações de Saída­vendas (fls. 26/45­Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19) a  Fiscalização  apurou  receitas  no  ano  calendário  de  2005  no  valor R$  18.300.000,00  e  de R$  11.615.000,00  em  2006,  também  declaradas  nas  DIPJ  2005  e  2006  (fls.  67/72­Volume  I  /  Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19).   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS,  transmitidas  pela  empresa  ao  Fisco  Estadual,  CFOP  de  compra,  consta  no  ano  calendário de 2005 o valor R$ 17.023.000,00, e de R$ 11.170.000,00 em 2006 (fls. 46 a 66­ Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19).    3.1.6.   DA COMÉRCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR FRONTEIRA LTDA   A Fiscalização que a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  se  tratava de empresa interposta, constituída para  fornecer somente mão­de­obra às empresas  do grupo Ouroeste, com o intuito de criar uma barreira entre os trabalhadores e os Frigoríficos  para fugir das obrigações trabalhistas e fiscais (fls. 01 a 328­Volumes I e II / Anexo 4 do PAF  16004.000336/2009­19).   Tal  empresa  funcionava,  anteriormente,  com  razão  social  de:  Comércio  de  Carnes e Derivados Rodrigues Bastos Ltda.  A  Fiscalização  promoveu  Diligências  Fiscais  na  Rua  C  ­  Treze  nº  460  ­  Bairro Cristiano de Carvalho  ­  endereço original da empresa Com. Carnes Rodrigues Bastos  Ltda,  encontrando  funcionando  no  local  um  açougue,  contudo,  sem  relação  com  a  referida  empresa.   Efetuou­se  também  diligência  no  endereço  da  sócia  Sra.  Aparecida  Gonçalves Bastos Rodrigues ­ Av. L 9 n° 493 ­ Fundos ­ Bairro Los Angeles, porém não existe  a referida numeração, sendo o n° 379 o último numero da rua; vizinhos desconhecem a suposta  sócia.  Dentre os documentos apreendidos na Norte Riopretense Distribuidora Ltda  (outra empresa que vende notas frias) constam extratos de pagamentos ­ cópias de cheque para  Maria Aparecida, a título de Honorários e Pró­labore, sendo procurador da conta bancária o Sr.  Alberto  Pedro  da  Silva  Filho  ­  vulgo  "Beto  Beleza",  dono/controlador  da  filial  em  Sud  Menucci  da  Norte  Riopretense,  frigorífico  onde  abatia  gados,  de  onde  avulta  uma  intensa  interligação  entre  os  grupos  que  se  beneficiavam  do  esquema  fraudulento,  eis  que  ambos  usaram a BR Fronteira para fraudar o Fisco.  Explica­se  o  referido  pagamento  de  honorários,  pois  no  período  setembro/2004  a  março/2005,  todos  os  empregados  da  Rodrigues  e  Bastos  (BR  Fronteira)  estavam trabalhando, com exclusividade, para o tomador Norte Riopretense Distribuidora Ltda  ­ frigorífico Sud Menucci ­ S P  , conforme GFIP e Notas Fiscais de Prestação de Serviço n°  113 a 119 (fls. 139 a 146 ­ Volume I / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19), que apesar de  constar destaque de retenção de 11 % , não houve o recolhimento respectivo.  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 488          65  Apurou­se,  também,  o  pagamento  de  aluguel  de  sala  em  Barretos  correspondente ao endereço da Rodrigues e Bastos  (fls. 155 a 160  ­ Volume  I  / Anexo 4 do  PAF 16004.000336/2009­19).   Conclui­se que os valores declarados por Maria Aparecida como recebidos de  Pessoa Física, em sua declaração de Imposto de Renda, se referem a esses valores das cópias  de cheques citados acima, pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" ­ BR Fronteira.  Consta no relatório da Policia Federal que Alberto Pedro da Silva Filho (Beto  Beleza):  “E o  dono da  filial Norte Riopretense na  cidade  de Sud Menucci,  que  opera  de  fato,  sendo,  portanto,  o  "cabeça"  no  esquema.  Foi  indiciado  em  três  inquéritos  e  denunciado  em  quatro  processos  criminais. Respondeu por estelionato e perigo para a vida ou saúde  de outrem”    No depoimento de Maria Aparecida na Vara do Trabalho de Fernandópolis,  ela confirma que a empresa Br Fronteira, da qual é sócia, funciona unicamente como interposta  ­  'empresa de aluguel'  ­,  para  esconder os verdadeiros  empregadores,  com  intuito de  fraudar  direitos trabalhistas e sonegar impostos.   Conclui­se  que  a  sócia  não  possui  condições  financeiras  para  gerir  uma  empresa. É pessoa interposta do Grupo Ouroeste com relação ao período de Novembro de 2005  a Dezembro de 2006.   Aparecida  Gonçalves  Bastos  Rodrigues  é  irmã  da  outra  sócia  Roseli  Gonçalves Bastos.  Diligência  realizada  na  Rua  14  nº  4120  ­  Bairro  Ibirapuera,  endereço  constante dos  dados  da Declaração  do DIRPF  exercício  de  2008 da outra  sócia  da  empresa,  Sra. Roseli Gonçalves Bastos, revelou que, no local, reside sua mãe, que nos informou que a  Roseli  reside  atualmente  na  Rua  12  nº  4041  ­  Fundos  no  mesmo  bairro,  e  trabalha  de  empregada  doméstica  para  Juliana  ­  Fone  17  ­  3325­1428  em Barretos. O Bairro  Ibirapuera  trata­se de um bairro popular, com casas bastante modestas.  No  citado  local  não  foi  encontrada  a  Sra.  Roseli,  porém  vizinhos  confirmaram que ela trabalha ali como empregada doméstica.   A  sócia  Roseli  apresentou  declaração  do  imposto  de  renda  de  2008  com  receita de R$ 6.970,00 recebidos de Pessoa Física. A sócia Aparecida apresentou declaração do  imposto de renda de 2008 com receita de R$ 4.470,00 recebidos de Pessoa Física.   Não foi localizada qualquer remuneração a título de pro labore declarada em  GFIP  vinculada  a  empresa  BR  Fronteira,  desde  sua  constituição.  Seus  vínculos  no  sistema  CNIS são sempre como empregada, sendo o último em uma empresa em Barretos com rescisão  em 24/03/2004, com salário em torno de R$ 500,00.  Assim  como  Aparecida,  sua  irmã  e  sócia,  deduz­se  que  os  rendimentos  declarados como recebidos de Pessoa Física no Imposto de Renda, se referem a remuneração  pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" ­ BR Fronteira.  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     66  Conclui­se  que  as  sócias  não  possuem  condições  financeiras  para  gerirem  uma  empresa,  sendo  pessoas  interpostas/colaboradoras  do  Grupo  Ouroeste  com  relação  ao  período de Novembro de 2005 a Dezembro de 2006.     Diligência  Fiscal  realizada  na  Av.  Minas  Gerais  50  ­  A,  cidade  de  Fronteira/MG ­ local atual do domicilio fiscal da BR Fronteira, revelou que no local funciona  um Posto de Gasolina do Sr. Reinaldo Gonçalves Chaves.  De acordo com o relato da filha do Sr. Reinaldo, uma das salas no local foi  alugada para uma pessoa que  se apresentou como proprietário da empresa Br Fronteira  (não  sabe  o  nome),  sem  contrato  de  locação,  tendo  sido  depositado  o  valor  combinado  na  conta  corrente do Sr. Reinaldo durante aproximadamente três meses, e que no local nunca funcionou  a suposta empresa, sendo que essa pessoa nunca mais apareceu no local. Ela informou que foi o  contador  Sr.  Osvaldo  ­  escritório  contábil  Contexp,  quem  apresentou  no  posto  a  referida  pessoa.   No endereço do escritório contábil CONTEXP situado na Avenida da Matriz  n.  103  ­ Fronteira – MG,  a Fiscalização  foi  atendida pelo Sr. Osvaldo que  informou que  foi  procurado por uma pessoa chamada "Júnior", com intenção de transferir uma empresa para a  cidade, e o contratou para efetuar o registro na Junta Comercial de Minas Gerais e Prefeitura  local.  Apresentou  uma  pasta  contendo  alguns  documentos  da  referida  empresa  e  que  essa  pessoa nunca mais retornou ao escritório.  Dentre tais documentos consta:   a)  3ª  alteração  do  contrato  social  da  empresa  Com.  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda  (fls.  105/106  ­ Anexo  4  do  PAF  16004.000336/2009­19),  onde  se  verifica  que  em  22/11/2005,  a  BR  Fronteira alterou seu endereço para Fronteira­ MG à Av. Minas Gerais  nº 50 ­ A e razão social para Comércio de Carnes e Representação BR  de  Fronteira,  com  CNAE:  10.11/01  ­  Frigorífico  ­  abate  de  bovinos,  local onde funciona um Posto de Gasolina.   A  Fiscalização  apurou  que  na  mesma  data  (novembro/2005)  todos  os  vínculos  dos  empregados  da  Continental  Ouroeste  foram  transferidos  para a BR Fronteira. Portanto a alteração não foi mera coincidência. No  depoimento na Vara do Trabalho de Fernandópolis, como testemunha do  reclamante Sebastião G. Junior, a sócia Maria Aparecida declarou que a  mudança  do  endereço  para  Minas  Gerais  foi  a  pedido  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda.   b)  Cópias autenticadas de documentos pessoais das sócias;   c)  Bilhete onde consta  a pessoa de  contato que  alugou a  sala da empresa  em  Fronteira:  Sebastião  Gandolfi  Jr  ­  RG:  12.515.046  ­  CPF:  040.310.978­75 e endereço comercial a Rua Cel. Spinola de Castro 4900  ­ apto 152 ­ Ed. Panorama Center ­ Centro em São José do Rio Preto –  SP (fls. 109/Anexo IV do PAF 16004.000336/2009­19), sendo que este  apartamento pertence a Dorvalino, sócio de fato do Frigorífico Ouroeste  Ltda.     "Junior",  ou  Sebastião  Guandolfi  Junior,  gerente  de  compras  e  vendas  do  Frigorífico Ouroeste, trabalhou até 31.12.2006, com vínculos pela BR Fronteira (registrado em  01/10/2006). Este  impetrou na Vara de Trabalho de Fernandópolis  ação  trabalhista, Proc.  n°  Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 489          67  380/2007 contra o Frigorífico Ouroeste,  tendo  sentença  favorável,  onde  a  justiça determinou  anotação do vínculo no período de 01/11/2004 a 31/12/2006, pelo tomador de serviço.   O contador em Fronteira  ­ MG, Sr. Osvaldo,  informou ainda que Sebastião  Gandolfi  Jr.  teria  uma  casa  /rancho  na  margem  do  Rio  Grande  onde  se  situa  a  Cidade  de  Fronteira/MG,  na  divisa  entre  os  Estados  de  São  Paulo  de Minas  Gerais,  e  que  conhecia  o  local, pois abastecia seu veículo no referido Posto de Gasolina em Fronteira/MG, daí alugou a  referida sala.     Através do Ofício DRF/SJR/SAFIS/N. 168, de 08 de Novembro de 2007, a  Receita  Federal  solicitou  ao  Posto  de  Fiscalização  de Minas Gerais  sobre  a  situação  da BR  Fronteira, sendo respondido que em diligência na Av. Minas Gerais n. 50 ­ Fronteira ­ MG ­  NÃO  foi  encontrada  a  empresa.  Em  consulta  ao  Sistema,  também  NÃO  foi  encontrada  inscrição  do  contribuinte  no  estado  de  Minas  Gerais  (fls.  110  a  113/Anexo  4  do  PAF  16004.000336/2009­19).   De  todo  o  exposto  avulta  que  a  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira  Ltda  nada mais  era  do  que  uma  interposta  empresa  da  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  integrada  ao  esquema  fraudulento  para  intermediar  a mão  de  obra  utilizada  na  execução  da  atividade fim da Autuada.  Senão, vejamos:  Em 01/09/2005 foi simulado um contrato de prestação de mão­de­obra entre  a  Rodrigues  Bastos  (atual  Br  Fronteira)  e  para  a  SP  Guarulhos,  a  fls.  681/683  do  PAF  16004.000336/2009­19. Na mesma data, a SP Guarulhos firmou contrato de locação comercial,  equipamentos  e  ferramentas  com  o  Frigorífico  Ouroeste,  a  fls.  675/680  do  PAF  16004.000336/2009­19, destinado à exploração do ramo de frigorífico; Na sequência, em 30 de  outubro de 2005, a Br Fronteira firmou contrato de prestação de serviços gerais em frigorífico  com  a  Continental  Ouroeste,  para  fornecimento  de  mão­de­obra,  de  no  mínimo  120  trabalhadores,  para  o  período  de  01/11/2005  a  31/12/2007,  a  fls.  684/688  do  PAF  16004.000336/2009­19.   Conforme anotação no Livro Registro de Empregados de n° 05, a fls. 303 ­  Volume  II  /  Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19,  a  partir  de  01/11/2005  ocorreu  a  transferência de todos os empregados da Continental Ouroeste para a Br Fronteira, continuando  a prestação de serviço, sem interrupção, assumindo esta, assim,  todo o passivo  trabalhista da  Continental Ouroeste. Tal fato é confirmado também pelos Termos de Rescisão de contrato de  Trabalho, a fls. 114 a 138 ­ Volume I / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19).   Dessa "prestação de serviços" simulada e simultânea para a SP Guarulhos e  Continental Ouroeste, porém, de  fato, para o Frigorífico Ouroeste Ltda,  a Br Fronteira NÃO  emitiu qualquer nota fiscal, pois conforme talões retidos, a última nota emitida foi a de nº 119,  a  fls.  145  ­  Volume  I/Anexo  4  do  PAF  16004.000336/2009­19,  para  uma  outra  empresa  envolvida nas fraudes detectadas pela operação 'Grandes Lagos', a “noteira” Norte Riopretense,  nota fiscal datada de 31 de Março de 2005, o que comprova a simulação contratual.     A declaração prestada por Maria Aparecida, sócia da Br Fronteira, na Vara de  Fernandópolis, confirma a fraude:   Fl. 522DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     68  “Que  os  empregados  contratados  eram  selecionados  pelo  Frigorífico Ouroeste;   Que os pagamentos da depoente eram realizados pelo gerente  Sr. Osvaldo Arantes;   Que  todas as obrigações  trabalhistas  e previdenciárias  eram  pagas pelo Frigorífico Ouroeste;   Que não conhece Fronteira e nem o Frigorífico Ouroeste;  Que o aluguel da sede da empresa em Fronteira também era  pago pelo Frigorífico;   O Sr. Osvaldo Arantes trazia todos os documentos em Barretos para  serem por ela assinados;   Que o Sr. Sebastião Gandolfi Júnior, apesar de estar registrado na  Br  Fronteira,  era  empregado  como  gerente  geral  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda; o contrato teve vigência ate final de 2006;   Que  o  Frigorífico  Ouroeste  não  honrou  o  compromisso  mensal  assumido,  pelo  "aluguel  do  nome"  ,  não  efetuando  todos  os  pagamentos combinados, pagou somente os três primeiros meses.     Conclui­se  que  a Comércio  e Representações BR  de Fronteira  Ltda  é mais  uma Pessoa Jurídica INTERPOSTA do Frigorífico Ouroeste Ltda, para fornecimento irregular  de mão  de  obra  empregada  na  sua  atividade  fim,  formando­se  o  vínculo  diretamente  com  o  tomador do serviço, conforme Súmula nº 331, do TST.    3.1.7.   DO FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA   Mediante Diligência Fiscal realizada no endereço onde funciona o Frigorífico  Ouroeste Ltda, a Fiscalização obteve diversos documentos das empresas interpostas envolvidas  no esquema em debate, comprovando, uma vez mais, que o Frigorífico Ouroeste detinha todo o  controle da mão­de­obra utilizada nas empresas do grupo e que assumia integralmente os riscos  da atividade econômica praticada:   ·  Cartões de ponto da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda período de  Julho de 2003 a Abril de 2005;   ·  Holerites de Janeiro a Outubro de 2005 da Continental Ouroeste;   ·  PPRA datado de 01/09/2003 e 06/2005 da Continental Ouroeste;   ·  Holerites  de  Novembro  de  2005  a  13º  salário  de  2006  da  Comercio  de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda;   ·  Cartões de ponto de Maio de 2005 a Dezembro de 2006 da Comercio de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda e 45 Termos de Rescisão  de Contrato de Trabalho;   ·  Cartões de ponto e rescisões do próprio Frigorífico Ouroeste Ltda.     Fl. 523DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 490          69  Constata­se  que  os  Cartões  de  Pontos  estão  todos  em  nome  do  Frigorífico  Ouroeste,  constando  o  CNPJ  05.270.758/0001­63  da  Continental  Ouroeste,  porém  os  empregados  estão  com  vínculos  na  BR  Fronteira  conforme  se  comprova  pelos  recibos  de  pagamentos arrolados, por amostragem, a fls. 257/259.  A Fiscalização constatou que os empregados, e até outros profissionais que  trabalhavam  no  esquema  se  confundiam  para  qual  empresa  prestavam  serviço,  sendo  emblemáticos  os  Atestados  de  Saúde  Ocupacional,  assinados  pelo  Médico  do  Trabalho,  datados  de  2006,  nos  quais  consta  como  empregadora  a  Continental  Ouroeste,  porém  já  os  empregados  estavam  registrados  na  BR  Fronteira.  Também  comunicação  do  Técnico  de  Segurança do Trabalho, datada de 22 de 20 de Janeiro de 2006.  No Livro 7.1, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, que controla a  conta corrente n° 0890­4, do Banco Bradesco Ag. 1760­4 ­ Ouroeste, a Fiscalização apurou o  registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas competências outubro e  novembro/2005  a  funcionários  registrados  na Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda  (até  competência  outubro/2005),  e  a  trabalhadores  já  registrados  na  Br  Fronteira  (desde  Novembro/2005)  conforme  ilustrado  a  fls.  109/113­Volume  I  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19.  O mesmo ocorre em relação ao Livro 7.3, controle da conta corrente n° 04­ 000393­3, do Banco Nossa Caixa Ag. 535­5, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, a  Fiscalização apurou o registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas  competências  dezembro/2005  a  junho/2006  a  funcionários  já  registrados  na  Br  Fronteira,  conforme exposto a fls. 329/370 ­ Volume II / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19.  A  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  um  frenético  rodízio  dos  vínculos  trabalhistas,  conforme  extraído do banco de dados  corporativo  ­  telas RAIS e CNIS – Fonte  GFIP  /  Dados  do  Trabalhador:  Diversos  trabalhadores  foram  inicialmente  contratados  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  em  Agosto/2002  e  desligados  em  Setembro/2002.  Na  sequência,  foram recontratados pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (LRE a fls. 93/313 ­ Vols. I  e II / Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19) no dia posterior ao desligamento do Frigorífico  Ouroeste Ltda, permanecendo com vínculos no Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda até  Outubro/2005.   Em  Novembro/2005  os  mesmos  empregados  foram  transferidos  para  a  empresa Rodrigues Bastos, atual Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda,  permanecendo nesta empresa interposta até Dezembro/2006.   Merece  ser  citado  que,  nos  vínculos  com  a  empresa  Rodrigues  Bastos/Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda,  constam  como  data  de  admissão  a  mesma  que  consta  na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  confirmando,  portanto, que a BR Fronteira assumiu todo o passivo trabalhista desses empregados, conforme  consta no Livro Registro de Empregados nº 05 da Continental Ouroeste,  a  fls. 303  ­ Vol.  I  /  Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19.   “Coincidentemente”, após a deflagração ação da Polícia Federal os vínculos  desses empregados retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando nas FRE ­ Fichas  Registro  de  Empregados  a  assunção  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  de  todo  o  passivo  trabalhista, desde suas admissões no Frigorífico Ouroeste em 2002, na Continental Ouroeste ou  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     70  na  Rodrigues  e  Bastos  /  BR  Fronteira  Ltda.  (fls.  703  a  781­Volume  IV/Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).  Adite­se  que  em  2007  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  solicitou  à  Caixa  Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados que prestaram serviços  ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela GFIP da competência  Janeiro/2007, a fls. 805 a 820 do PAF 16004.000336/2009­19 , onde constam as reais datas de  admissão dos empregados pelo Frigorífico Ouroeste, confrontada com os contratos de trabalho,  a fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/2009­19.  Tais fatos demonstram, cabalmente, que os trabalhadores em questão sempre  estiveram na órbita de subordinação do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos,  sendo por estes remunerados, mesmo que por intermédio das interpostas pessoas acima citadas,  estando todos empenhados na execução da atividade fim da Autuada.   Tais  empregados  estão  todos  nominalmente  identificados  conforme  Livros  Registros de Empregados n° 01 a 05 da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a fls. 90 a  314 do Anexo 2, assim como na Folha de Pagamento da Comércio de Carnes e Representação  BR  Fronteira  Ltda,  de  Junho  a  Dezembro/2006  ­  Anexo  4,  fls.  163  a  328,  e  no Anexo  6  ­  Vínculos dos Trabalhadores, a fls. 01 a 405 ­ Vol. I a III do PAF 16004.000336/2009­19 .   Presentes, portanto, todos os requisitos essenciais caracterizadores da relação  de segurado empregado assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91.   Resta  comprovada,  portanto,  toda  a  simulação  empreendida pelas  empresas  integrantes  do  grupo  Ouroeste  nos  negócios  por  ela  praticados,  uma  vez  que  a  Continental  Ouroeste,  a  SP  Guarulhos  e  a  BR  Fronteira  apenas  aparentemente  figuravam  como  contribuinte,  acobertando  o  verdadeiro  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  o  'Frigorífico  Ouroeste  Ltda',  o  qual,  assumindo  de  fato  todos  os  riscos  da  atividade  econômica  com  finalidade  lucrativa,  dirigia,  ordenava  e  administrava  toda  a prestação de  serviço de maneira  não eventual, assalariava os empregados a seu serviço, chegando a assumir, com a deflagração  da ação pela Policia Federal, todo o passivo trabalhista, previdenciário e fiscal referente a tais  trabalhadores,  estando  presentes  os  requisitos  que  os  qualificam  como  seus  empregados  –  subordinação jurídica, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade ­, conforme disposições  inscritas no art. 12 da Lei n° 8.212/91 e art. 3º da CLT, sendo nulo o vínculo fixado através das  interpostas empresas Br Fronteira e SP Guarulhos, conforme art. 9º da CLT.  Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  que  a  Fiscalização  não  teria  logrado  comprovar  a  existência  dos  requisitos  dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários  das  empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda.  e a Autuada.  A existência do vínculo laboral de empregado e do vínculo previdenciário de  segurado empregado houve por reconhecida e consignada pelas próprias empresas Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e  Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda ao registrarem tais  trabalhadores em  seus Livros de Registro de Empregados e em suas Folhas de Pagamento, da mesma forma, pela  declaração espontânea de tais segurados em suas GFIP.  A  declaração  em  GFIP  e  o  registro  nos  LRE  e  nas  Folhas  de  Pagamento  fazem prova de per se da efetiva existência das relações de emprego e do vínculo de segurado  empregado, circunstância que torna despicienda a demonstração por parte do Fisco.  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 491          71  De  outro  eito,  demonstrado  e  comprovado  que  tais  empresas  existiam  tão  somente no papel,  constituídas  em nome de “laranjas”,  se  configurando, nada mais,  do que  meras  empresas  interpostas  pelo Frigorífico Ouroeste  Ltda  com  o  sinistro  intuito  de  ocultar,  perante o Fisco, os verdadeiros beneficiários da atividade econômica praticada, com a intenção  de  eximir­se  dos  pagamentos  de  tributos  pelos  quais  seriam  responsáveis,  tais  vínculos  trabalhistas e previdenciários se consolidam na responsabilidade do verdadeiro empregador, eis  que, em realidade, todos esses trabalhadores envidam seus esforços na realização da atividade  fim da Autuada, a qual detém  todo o poder de chefia e de  comando de  acerca do que  fazer,  quem fazer,  como fazer, onde  fazer, quanto  fazer e quando  fazer,  além do poder de controle  sobre  o  serviço  realizado,  da  admissão  e  da  dispensa  dos  trabalhadores,  mesmo  sem  justa  causa.  Todos  trabalham,  efetivamente,  objetivando  atingir  as  metas  determinadas  pelos  verdadeiros  donos  do  empreendimento,  ordenados  pelas  normas  de  conduta  por  eles  impostas.  As  conclusões  pautadas  nos  parágrafos  precedentes  não  discrepam  das  vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual  impõe, na  contratação  de  trabalhadores  por  interposta  pessoa,  o  estabelecimento  de  vínculo  do  obreiro  diretamente com o contratante, tomador dos serviços.  Enunciado nº 331 do TST  Contrato de Prestação de Serviços ­ Legalidade  I  ­ A  contratação  de  trabalhadores  por  empresa  interposta  é  ilegal,  formando­se  o  vínculo  diretamente  com o  tomador  dos  serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de  03.01.1974). (grifos nossos)   II  ­  A  contratação  irregular  de  trabalhador, mediante  empresa  interposta,  não  gera  vínculo  de  emprego  com  os  órgãos  da  administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II,  da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 ­ TST)  III  ­ Não  forma vínculo de emprego com o  tomador a contratação  de  serviços  de  vigilância  (Lei  nº  7.102,  de  20­06­1983),  de  conservação  e  limpeza,  bem  como  a  de  serviços  especializados  ligados  à  atividade­meio  do  tomador,  desde  que  inexistente  a  pessoalidade e a subordinação direta.  IV  ­  O  inadimplemento  das  obrigações  trabalhistas,  por  parte  do  empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos  serviços,  quanto  àquelas  obrigações,  inclusive  quanto  aos  órgãos  da  administração  direta,  das  autarquias,  das  fundações  públicas,  das empresas públicas e das  sociedades de economia mista, desde  que hajam participado da relação processual e constem também do  título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93).     Na realidade nua dos fatos, todos trabalham efetivamente buscando atingir os  objetivos  traçados  pelo Frigorífico Ouroeste  Ltda  e  pelos  seus  verdadeiros  donos,  de  acordo  com as diretrizes, normas de conduta e controles por eles idealizados, de onde dessai a essência  da subordinação jurídica.  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     72  Existindo  tais  empresas  interpostas  apenas  no  papel,  sendo  constituídas  em  nome de “laranjas”, deflui que toda a remuneração dos trabalhadores em apreço é debitada do  patrimônio  dos  verdadeiros  donos  do  empreendimento  ora  em  foco,  de  onde  avulta  a  onerosidade na prestação dos serviços à responsabilidade da Autuada.    Tais  trabalhadores  encontram­se  nominalmente  registrados  nas  Folhas  de  Pagamento e nos Livros de Registro de Empregados, além de terem sido declarados em GFIP,  inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na  ilação  de  que  tais  trabalhadores,  ao  seu  alvedrio  único,  exclusivo  e  próprio,  e  sem  qualquer  ingerência da empresa Autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o  qual  fora  contratado,  por  outro  trabalhador  qualquer,  mesmo  que  de  idêntica  capacitação,  circunstância  que  denota  a  natureza  intuitu  personae  da  relação  jurídica  materialmente  celebrada entre a Autuada e o trabalhador.    Avulta  das  circunstâncias  do  caso  que  o  risco  da  atividade  econômica  é  integral do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos os quais, além do encargo de  adquirir  animais  de  corte,  de  proceder  ao  abate  e  processamento  de  tais  semoventes,  captar  clientes no mercado para a comercialização de sua produção, contratar a emissão fraudulenta  de notas fiscais frias, ainda admite e remunera os trabalhadores responsáveis pela execução de  tais  serviços,  e  assume  em  seu  patrimônio  inercial  os  eventuais  prejuízos  decorrentes  da  atividade econômica.  Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Autuada se  revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual  ou  coletiva  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite,  assalaria  e  dirige  a  prestação pessoal de serviço.    Também não procede a alegação de que seria indevido o lançamento a partir  da desconsideração da personalidade de outras empresas.   Em  primeiro  lugar,  registre­se  que  no  presente  caso,  o  lançamento  não  se  fundamentou  em  suposta  desconsideração  de  personalidade  jurídica  das  interpostas  pessoas,  mas, tão somente, no princípio da realidade dos fatos sobre a formalidade dos atos.    Com  efeito,  a  atuação  fiscal  empreendida  no  presente  caso  encontra  lastro  jurídico  nas  disposições  encaixadas  no  Parágrafo  Único  do  art.  116  do  Código  Tributário  Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de  atos  e  negócios  jurídicos  praticados  com  o  fito  de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador  tributário.   Código Tributário Nacional ­CTN   Art.  116.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:  I ­ tratando­se de situação de fato, desde o momento em que o  se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  a  que  Fl. 527DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 492          73  produza  os  efeitos  que  normalmente  lhe  são  próprios;  (grifos  nossos)   II  ­  tratando­se  de  situação  jurídica,  desde  o momento  em  que  esteja  definitivamente  constituída,  nos  termos  de  direito  aplicável.  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária. (grifos nossos)     Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais  formais sejam  representativos  de  constituição  de  pessoas  jurídicas  em  nome  de  sócios  distintos  do  quadro  societário da Autuada, as provas dos autos revelam que tais sócios figuram, tão somente, como  “laranjas”  dos  verdadeiros  donos  do  empreendimento  fraudulento,  os  quais  detém  todo  o  poder de comando, ordenamento e controle das  atividades praticadas em cada  empresa,  e no  âmbito geral do grupo por elas constituído.   Muito  embora  os  assentamentos  contratuais  formais  apontem  para  a  celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os  serviços  contratados  foram  prestados  ao  Recorrente  subsumem­se  à  hipótese  genérica  e  abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis  que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado.  Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa  da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo ou a natureza dos elementos  constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no  art. 9º do Decreto­Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de  pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação  dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratam­se de normas antielisivas, visando  ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma.  A  desconsideração  do  ato  ou  do  negócio  jurídico  praticado  visa  apenas  a  reaproximar  a  qualificação  jurídica  do  verdadeiro  conteúdo  material  do  ato  decorrente  do  desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária  com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendo­a coincidir  com a realidade substancial.  Investido  em  tal  poder,  o  Fisco  pode  prescindir  das  aparências  do  ato  simulado e determinar  a obrigação  tributária  segundo a  realidade oculta,  sem necessidade de  declarar a nulidade do ato  jurídico aparente ou de desconsiderar a personalidade  jurídica das  empresas envolvidas.  Merece  ser  destacado  que  a  jurisprudência  do  STJ  não  nega  auto  aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme  se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir:  “AREsp 323.808­SC  Fl. 528DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     74  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 27/05/2013    EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  ART.  116,  PARÁGRAFO  ÚNICO,  DO  CTN.  INEXISTÊNCIA  DE  REGULAMENTAÇÃO.  AUTO­APLICABILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  211/STJ.  NÃO­ALEGAÇÃO  DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.    [...]  O  caso  da  empresa  de  vigilância  é  perfeitamente  análogo:  as  câmaras  são parte do  equipamento que  é utilizado pela  sociedade  Patrimonial  Segurança  Ltda.  para  a  prestação  do  serviço  de  segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de  movimento que sejam instaladas na residência do contratante ­ sem  que este as adquira ­ integram o custo do serviço. (situação diversa  ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência  de  titularidade  do  bem  ensejaria  a  incidência  do  ICMS.  Não  e,  entretanto, o caso).  Ao  destacar  do  valor  do  serviço  uma  quantia  correspondente  a  aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida  pelo  artigo  116,  parágrafo  único,  do Código  Tributário Nacional,  que dispõe:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os  procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.    Com  razão,  assim,  a Procuradoria  do Município,  ao  afirmar  que:  "A  obrigação  da  apelada  consiste  em  prestar  um  serviço  de  vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação  de  'locação  de  equipamento  eletrônico'  dada  pela  apelada  uma  forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação  do serviço" (fl. 217).  Nesse  contexto,  merece  acolhida  o  recurso  para  se  julgar  improcedente a demanda.  [...]"    No  mesmo  sentido,  o  Agravo  Regimental  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins:     AgRg no REsp 1.070.292 ­ RS  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 23/11/2010    EMENTA:   Fl. 529DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 493          75  TRIBUTÁRIO.  COMPLEMENTAÇÃO  DE  APOSENTADORIA  VINCENDA.  PERCEPÇÃO  PAGA  MEDIANTE  TRANSAÇÃO  EM  DEMANDA  TRABALHISTA.  VERBA  DE  NATUREZA  NÃO  INDENIZATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DE  IMPOSTO  DE  RENDA.  POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO.    [...]    Note­se  que  o  montante  pago  teve  por  fim  o  cumprimento  de  prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve  ser  frisado  para  que  não  se  invoque  a  isenção  anteriormente  prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei  9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando  a  natureza  indenizatória  do  montante  pago,  nenhum  efeito  opera  para  o  fisco.  O  reconhecimento  da  natureza  indenizatória  de  determinada  verba  se  impõe  quando  for  possível  constatar  que  aquela  visava  à  recomposição  de  uma  perda  patrimonial,  e  não  pela  mera  denominação  de  indenizatória  (parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em  lei  ordinária).   Trata­se,  no  caso,  de  aplicação  da  Teoria  da  Interpretação  Econômica  do  Fato  Gerador.  A  hipótese  dos  autos  caracteriza  a  aquisição  de  disponibilidade  de  renda,  assim  entendido  o  produto  do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal  verba está sujeita à incidência de imposto de renda.   [...]    Ainda,  nesse  sentido, REsp  nº  1.363.920  ­  SC  ­  Rel. Min.  Og  Fernandes, DJe:  24/10/2013.  Por  outro  viés,  ainda  que  se  admita  que  o  preceito  instalado  no  Parágrafo  Único  do  art.  116  do  CTN  demande  regulamentação  procedimental  via  lei  ordinária,  nada  impede  que  se  recorra  a  procedimentos  já  previstos  em  leis  ordinárias  já  integrantes  do  Ordenamento  Jurídico  Pátrio.  Trata­se  da  realização  de  um  princípio  jurídico  consistente  na  recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no  ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada  com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser  revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza.  A  realização  do  princípio  da  Recepção  das  Leis  permite  a  convivência  de  normas  jurídicas  vigentes  no Ordenamento  Jurídico  anterior  com o Direito  Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as  leis  do  Direito  anterior  que  não  se  chocam  com  o  Direito  atual  são  por  este  Direito  recepcionadas, eliminando­se, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura  legislativa.  Seria,  em  verdade,  ilógico  que  leis  anteriores,  cujo  conteúdo  permanece  Fl. 530DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     76  inalterado  em  face  da  nova Ordem  Jurídica,  tivessem  que  ser  recriadas  para  continuarem  a  estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade.  Pela ótica de  tal  princípio,  quando  se  cria uma nova estrutura normativa,  o  conjunto de normas  jurídicas pré­existente, no que não conflite materialmente com o Direito  Anterior,  permanece  em  vigor  e  produzindo  os  efeitos  que  lhe  são  típicos,  sendo  automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua  elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o  sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro.   A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na  Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme  se depreende dos seguintes julgados:  REsp nº 1.427.949 ­ SC   Rel. Min. Mauro Campbell Marques  DJe: 02/04/2014    EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  PARCELAMENTO.  REFLS.  EXCLUSÃO.  SIMULAÇÃO.  EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI  N.  9.964/2000.  FUNDAMENTO  SUFICIENTE  INATACADO  (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO  (SÚMULA  N.  282/STF).  IMPOSSIBILIDADE  DE  REVISÃO  DE  MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A  QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC.    DECISÃO   [...]  Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato  de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos  de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº  9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996.  Lícito  o  procedimento  de  inativação  do  CNPJ  das  empresas,  por  força  do  art.  81  da  Lei  nº  9.964/2000,  in  verbis  (e­STJ  fls.  9734/9739):    Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do  CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996,  diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único,  do Código Tributário Nacional.  Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a  Administração  Tributária  fundamentou  a  inaptidão  também  na  existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco:  não somente na simulação.  [...]  Ainda  que  se  considere  que,  no  caso  concreto,  incidiria  o  artigo  116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua  vez,  remete  a  procedimentos  estabelecidos  em  lei  ordinária,  tais  procedimentos  (relativos  à  declaração  de  inaptidão)  já  se  encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº  9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e  a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005.  [...]   (grifos nossos)   Fl. 531DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 494          77    No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014.    No  caso  em  estudo,  mediante  os  procedimentos  estabelecidos  na  Lei  Ordinária nº 8.212/91,  foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios  jurídicos  praticados  pelos  atores  do  esquema  fraudulento  acima  descortinado,  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo ou a natureza dos elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  mas  não  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras.   Anote­se que na formalização do presente lançamento, houve­se por operada,  tão  somente,  a  desconsideração  substancial  dos  atos  simulados,  mas  não  a  desconstituição  formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas  autoriza  que  se  desconsidere,  para  fins  exclusivamente  de  constituição  do  crédito  previdenciário,  os  efeitos  jurídicos  dos  atos  simulados,  na  seara  previdenciária,  sem,  no  entanto, desconstituí­los.   Reitere­se  que  a  administração  tributária  federal  não  se  encontra  jungida  à  obtenção  prévia  de  declaração  administrativa  ou  judicial  definitiva  de  nulidade  de  atos  jurídicos  simulados  como  condição  de  procedibilidade  para  a  tributação  da  real  operação  ocorrida,  visto  que  os  atos  simulados  são  ineficazes  perante  o  Fisco,  conforme  dessai  do  preceito inscrito no art. 118 do CTN:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:  I  – da  validade  jurídica dos atos  efetivamente praticados pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;   II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.    Por  tais  razões,  para  os  fins  exclusivos  do  presente  lançamento,  revela­se  desnecessária  a  declaração  judicial  de  nulidade  dos  atos  simulados,  assim  como  a  desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas.  No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui  que a relação jurídica real existente entre a Autuada e os segurados apurados pela fiscalização é  a  de  segurado  empregado,  circunstância  que  impinge  às  partes  dessa  relação  jurídica  a  obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado.    Não procede, portanto, a alegação de que a Fiscalização teria promovido “o  lançamento a partir dos valores consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIP dos  quais Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de Souza, Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  não  tiveram  acesso,  não  foram  partes,  não  foram  intimados da relação processual, não  figuram no Polo Passivo, olvidando­se que as pessoas  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     78  acima  não  podem  suportar  o  ônus  do  lançamento  de  tributos  de  interesse  de  outra  pessoa  jurídica, sobretudo por não terem direito/dever de manterem e apresentarem a contabilidade  de outrem”.  Conforme  acima  demonstrado,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  seus  verdadeiros  donos  detinham  todo  o  poder  de  organização,  administração,  direção  e  controle  sobre  todas  as  operações  e  negócios  realizados  pelas  empresas  interpostas,  as  quais  foram  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  e  existentes  tão  somente  no  papel,  para  acobertar  os  verdadeiros responsáveis tributários pelas obrigações decorrentes das operações praticadas no  âmbito dos negócios pelo grupo econômico de fato ora em foco.  Tanto é assim que, após a deflagração da ação da Polícia Federal, os vínculos  dos segurados empregados em questão retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando  nas FRE ­ Fichas Registro de Empregados a assunção pelo Frigorífico Ouroeste Ltda de todo o  passivo  trabalhista,  desde  suas  admissões  no  Frigorífico  Ouroeste  em  2002,  na  Continental  Ouroeste ou na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira Ltda. (fls. 703 a 781­Volume IV/Anexo 2 do  PAF 16004.000336/2009­19).  Corrobora tal entendimento o fato de, em 2007, o Frigorífico Ouroeste Ltda  ter solicitado à Caixa Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados  que prestaram serviços ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela  GFIP  da  competência  Janeiro/2007,  a  fls.  805  a  820  do  PAF  16004.000336/2009­19,  onde  constam  as  reais  datas  de  admissão  dos  empregados  pelo  Frigorífico  Ouroeste,  confrontada  com os contratos de trabalho, a fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/2009­19.    Assim, com espeque no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, os efeitos dos  atos  jurídicos  simulados,  praticados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  houveram­se  por  desconsiderados  pela  Autoridade  Administrativa  responsável  pelo  lançamento,  restabelecendo­se  assim  a  conexão  do  fato  gerador  da  Contribuição Previdenciária ao seu verdadeiro responsável tributário, in casu, a Autuada.  Conforme se extrai dos fatos expostos anteriormente, o Frigorífico Ouroeste  Ltda  foi  a  titular  de  fato  de  todas  as  operações  de  aquisição  de  gado  de  produtores  rurais  pessoas  físicas,  realizadas  pelo  cliente  n°  36  da  lista  de  "vendedores"  da  Distribuidora  de  Carnes e Derivados São Paulo Ltda, como também por intermédio das interpostas pessoas SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  assim  bem  como  a  verdadeira  empregadora  dos  trabalhadores  registrados,  formalmente,  nos  LRE  das  empresas  interpostas  acima  citadas  e  na  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira  Ltda,  configurando­se  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  como  a  Contribuinte de fato dos tributos incidentes sobre tais fatos geradores.  Acontece  que  a  Fiscalização  apurou  que  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  não  declarou  em  suas GFIP  os  valores  referentes  à  aquisição  de  produtos  rurais  correspondentes  àqueles  acobertados  pelas  empresas  “noteiras”,  muito  menos  os  segurados  empregados  formalmente  registrados  em  empresas  interpostas  existentes  só  no  papel,  no  período  compreendido  no  presente  lançamento.  Na  mesma  toada,  também  a  sua  escrita  fiscal  não  registra tais operações comerciais e demais fatos geradores.  Nessas  circunstâncias,  a  apresentação  deficiente  de  qualquer  documento  ou  informação  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  de  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  das  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 495          79  remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante,  suficiente  e  determinante  para  que  a  Fiscalização  inscreva  de  ofício  a  importância  reputada  como devida, mesmo que mediante a apuração, por aferição indireta, das bases de cálculo das  contribuições  previdenciárias  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário,  a  teor  do  permissivo  legal  encartado  nos  parágrafos  3º  e  6º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art.  33.  Ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘a’,  ‘b’  e  ‘c’  do  parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes  a  título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF  compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘d’  e  ‘e’  do  parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera  de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as  sanções  previstas  legalmente.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001).  §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados.  (...)  §3º Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de qualquer  documento  ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  do Seguro Social­INSS e o Departamento da Receita Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos)   (...)  §6º  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos  nossos)     Assim,  considerando  todo  o  conjunto  probatório  carreado  ao  presente  processo,  restou demonstrado que o vertente Auto de  Infração de Obrigação Principal não se  houve  por  lavrado  apenas  com  base  em  indícios,  suposições  ou  presunções.  A  fiscalização  demonstrou,  mediante  minucioso  procedimento  investigativo,  em  conjunto  com  a  Policia  Federal,  e  sob  os  olhares  da  Justiça  Federal,  a  ocorrência  material  dos  fatos  jurígenos  tributários que integram o vertente lançamento, não logrando o Recorrente produzir os meios  de prova hábeis a desconstituí­lo.  Não procede, igualmente, a alegação de que não houve fraude tributária.  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     80    A  fraude  se  manifesta  na  volitiva  e  consciente  utilização  de  empresas  “noteiras”,  que  realizavam  em  seu  nome  e  sob  sua  responsabilidade  tributária,  sob  o  falso  manto de legalidade, e mediante uma taxa proporcional à operação dissimulada, as operações  de  terceiros  de  compra  e  venda de  produção  rural,  e movimentavam em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  impedir,  total  ou  parcialmente,  na  seara  da  responsabilidade  dos  titulares  de  fato  das  citadas  operações  comerciais  a  ocorrência  do  fato  gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a  evitar o seu pagamento.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.  Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto  devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     A  fraude  tributária  se  consuma,  portanto,  com  o  emprego  de  ardis  e  estratagemas visando a ludibriar o Fisco, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a  evitar ou diferir o seu pagamento.   Fossem  tais  operações  formalmente  registradas  sob  a  responsabilidade  tributária da Autuada, como materialmente, de fato, eram, esta teria que arcar com os encargos  previdenciários  incidentes  sobre  a  comercialização da produção  rural. De outro  canto,  sendo  tais  operações  registradas  sob  a  responsabilidade  tributária  de  empresas  noteiras,  as  quais  foram constituídas como sociedades por cotas de responsabilidade limitada, com capital social  irrisório,  e cujos  sócios nenhum bem possuíam em seus nomes,  a execução  fiscal  do  crédito  correspondente mostra­se  improfícua,  como por  diversas  vezes  assim  se mostrou,  resultando  em flagrante prejuízo patrimonial para Fisco, que não conseguiu, por inúmeras vezes, realizar o  seu crédito tributário.  Reforça  a  compreensão  acerca da  existência  de  fraude  o  fato  de  a  empresa  “noteira”  cobrar  uma  taxa  pela  emissão  da  nota  fiscal  “fria”,  proporcional  à  operação  dissimulada, e ser constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada,  mediante a utilização de sócio “laranja” com participação ínfima no capital social, o qual, por  sua vez, também se revelava irrisório em comparação à movimentação financeira registrada, e  que  tais  sócios  não  possuíam  qualquer  bem  patrimonial  em  seus  nomes,  de  maneira  que  qualquer execução fiscal ajuizada pelo Fisco se revelava improfícuo, em razão da ausência de  patrimônio para honrar o crédito tributário reclamado.  A  fraude  se  encontra  presente,  igualmente,  no  ato  de  criação  de  Pessoas  Jurídicas  fictícias,  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  objetivando  ocultar  dos  olhares  do  Fisco  as  pessoas  efetivamente  responsáveis  pelas  operações  empresariais  realizadas  pelo  empreendimento fraudulento ora em tela, frustrando, assim, o adimplemento das Contribuições  Previdenciárias devidas à Seguridade Social.  Tal  conduta  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  movimentavam  em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  eximir  os  titulares de fato do pagamento de tributos.  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 496          81  Mediante  tais  condutas,  a Autuada  e  seus  verdadeiros  donos  ardilosamente  omitiram fatos geradores de contribuições previdenciárias da contabilidade e das GFIP de sua  responsabilidade  tributária,  ao  mesmo  tempo  em  que  promoveram  prejuízo  patrimonial  ao  erário, que não conseguiu realizar o seu crédito.  Nestes  casos,  apenas  mediante  a  deflagração  de  procedimento  formal  de  investigação policial e de Fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tiveram condições  a Policia Federal e a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos  geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável.    A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar das  empresas  noteiras  para  assumir,  aparentemente,  a  titularidade  e  responsabilidade  das  suas  operações  de  comercialização  de  produção  rural,  e  ao  atribuir  às  empresas  interpostas,  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  a  responsabilidade  pelas  operações  atávicas  à  sua  atividade  empresarial,  a  Autuada  não  efetuou  qualquer  declaração  desses  Fatos  Jurígenos  Tributários  nos  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  tampouco  em  suas  GFIP,  excluindo  dessarte  da Administração  Fazendária  o  conhecimento  a  respeito  da  ocorrência  desses  fatos  geradores de contribuições previdenciárias.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964   Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.     Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.     Assim, estando as empresas “noteiras” e os seus “clientes”, dentre as quais, a  Autuada,  assim  como  as  interpostas  Pessoas  Jurídicas, mancomunadas  no  fim  específico  de  fraudar  a  Administração  Tributária  e  de  sonegar  tributos,  caracterizada  também  se  revela  a  existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64.  Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os  elementos  objetivos  e  subjetivos  qualificadores  da  fraude,  da  sonegação  e  do  conluio,  nos  termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.   Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     82  Mas não é só. Há mais !!!  O caso em  tela  também é  representativo de  simulação. Aqui, o ato  jurídico  real é deliberadamente dissimulado, recebendo a maquiagem de um ato aparente legal, a fim de  representar  externamente  perante  terceiros,  in  casu,  o  Fisco,  uma  outra  realidade  que  não  aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum  resultado econômico favorável.   Na  definição  de  Clóvis  Beviláqua,  citado  por  Silvio  Rodrigues  (in Direito  Civil ­ Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma  declaração  enganosa  da  vontade,  visando  a  produzir  efeito  diverso  do  ostensivamente  indicado”.  Segundo  Orlando  Gomes  (in  Introdução  ao  Estudo  do  Direito,  7a.  ed.,  Rio  de  Janeiro  :  Forense,  1983,  p.  374),  ocorre  a  simulação  quando  "em  um  negócio  jurídico  se  verifica  intencional  divergência  entre  a  vontade  real  e  a  vontade  declarada,  com  o  fim  de  enganar terceiros".   A  simulação,  em  resumo,  consubstancia­se numa deformação voluntária do  ato  jurídico  com  o  intuito  de  fugir  à  disciplina  normal  prevista  em  lei,  consistente  num  desacordo  intencional  entre  a  vontade  interna  das  partes,  efetivamente  pretendida,  e  a  formalmente declarada no ato simulado.  O  ato  jurídico  simulado  ostenta  formalmente  uma  aparência  diversa  do  efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade,  não intencionam nem desejam.   A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico,  considera  serem  simulados  e  passíveis  de  desconsideração  pelo  Fisco  os  atos  e  os  negócios  jurídicos  praticados  pelas  partes  com  a  intenção  de  enganar,  ocultar,  iludir,  dificultar  ou  até  mesmo tornar impossível a atuação fiscal.  A  simulação,  portanto,  traduz­se  pela  falta  de  correspondência  entre  o  ato  praticado  e  o  formalizado,  encerrando  uma  declaração  enganosa  visando  a  produzir  efeito  diverso do fato ocorrido.  No  caso  presente,  a  empresa  “noteira”  emitia,  em  seu  nome,  notas  fiscais  “frias” de comercialização de produção rural, com ilusória aparência de legalidade, encobrindo  dissimuladamente os  reais  titulares da operação mercantil  realizada, com o sinistro  intuito de  excluir  destes  a  responsabilidade  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  decorrentes de tais operações, e causando ao Fisco um prejuízo patrimonial correspondente às  contribuições devidas, eis que o esquema fraudulento houve­se por idealizado e concebido com  a  constituição  de  empresas  noteiras  sob  a  forma  de  sociedade  por  cotas  de  responsabilidade  limitada, com capital social  irrisório, e com nenhum bem em nome dos  sócios, circunstância  que implica fracasso a qualquer tentativa de execução fiscal do crédito tributário devido.   O dolo na conduta se manifesta, precisamente, pelo fato de a empresa noteira  assumir  em  seu  nome  e  responsabilidade  a  titularidade  das  operações  de  terceiros  e  estes  terceiros,  além de pagarem uma taxa pela emissão das notas “frias” proporcional à operação  dissimulada, também não registrarem tais operações em sua contabilidade, tampouco em suas  GFIP.  A  simulação  também  está  presente  na  criação  de  Pessoas  Jurídicas  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  pessoas  que  não  ostentavam  qualquer  relação  com  a  atividade  desenvolvida  pela  empresa,  tampouco  possuíam  conhecimento  técnico  para  tanto,  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 497          83  sendo  certo  que  tais  empresas  interpostas  existiam,  tão  somente,  no  papel,  uma  vez  que  as  operações supostamente por elas praticadas eram realizadas, de fato, pelos verdadeiros donos  da Autuada e de todo o empreendimento fraudulento.  Às  empresas  interpostas  era  atribuída,  tão  apenas,  a  responsabilidade  tributária  pelos  atos  jurídicos  praticados  em  seu  nome,  por  terceiras  pessoas,  no  interesse  exclusivo destas.    Resta  cabalmente  demonstrado  que  os  fatos  geradores  de  Contribuições  Previdenciárias  ora  em  debate,  aparentemente,  mas  só  aparentemente,  atribuídos  simuladamente à Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, à SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e à Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, de  fato ocorreram na órbita de responsabilidade  tributária do Frigorífico Ouroeste Ltda, a real e  efetiva empregadora dos trabalhadores ora em trato.  Tais  empresas  interpostas  nada  mais  eram  do  que  meras  marionetes,  sem  animus próprio  e  sem  existência  de  fato,  controladas  exclusivamente pelas mãos  habilidosas  dos verdadeiros donos da Frigorífico Ouroeste Ltda, que dirigiam todas as operações por elas  simuladamente  realizadas,  administravam  o  empreendimento,  assalariavam  os  trabalhadores  envolvidos  nas  atividades  empresariais  do  “Núcleo  Ouroeste”,  e  auferiam  os  lucros  provenientes do esquema fraudulento ora desfraldado.  Nesse contexto, sendo na realidade nua dos fatos o Frigorífico Ouroeste Ltda  a  pessoa  que  efetivamente  tinha  relação  direta  e  pessoal  com a  situação  constitutiva  do  fato  gerador ora em apreciação, a Autuada deveria NECESSARIAMENTE, por força de lei formal,  ter  incluído  em  suas  Folhas  de  Pagamento  todos  os  trabalhadores  que  efetivamente  lhe  prestaram serviços, no período fiscalizado, assim como suas respectivas remunerações globais.  Mas não o foram.  A conduta omissiva assim perpetrada pela pessoa jurídica autuada configura­ se  infração  às  disposições  inscritas  no  art.  30,  I,  da  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social,  punível com a multa variável prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91, na modulação fixada no  art.  283,  I,  ‘a’  do  RPS,  aprovado  pelo  Dec.  n°  3048/99,  com  valores  atualizados  conforme  mecanismo fixado no art. 102 da Lei de Custeio da Seguridade Social.  Diante dos aludidos dispositivos, exsurge, como decorrência lógica que, tanto  a  obrigação  acessória  ora  infringida  quanto  a  penalidade  pecuniária  associada  ao  seu  descumprimento  objetivo,  encontram­se,  de  fato,  prevista  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social, cumprindo assim as formalidades exigidas pelo Código Tributário Nacional, no âmbito  de competência que lhe foi outorgado pela Carta Magna Brasileira, sendo, por conseguinte, de  observância obrigatória pelo sujeito passivo.  Mostra­se digno de realce, no presente caso, que o lançamento tributário da  obrigação  principal  associada  ao  vertente  Auto  de  Infração  figura  como  objeto  do  Auto  de  Infração de Obrigação Principal nº 37.201.576­0, lavrado na mesma ação fiscal e debatido no  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.000336/2009­19,  o  qual  foi  julgado  integralmente  procedente por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF.  Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     84  Diante  desse  quadro,  havendo  sido  reconhecido,  por  esta  mesma  Turma  Julgadora  a  procedência  do  lançamento  das  obrigações  tributárias  principais  referentes  aos  fatos  geradores  tratados  neste  auto  de  infração,  não  há  mais  como  se  esquivar  do  reconhecimento  da  procedência  do  lançamento  que  ora  se  debate,  eis  que  deveriam  ter  sido  inseridos  nas  folhas  de  pagamento  da  empresa  Autuada  todos  os  segurados  obrigatórios  do  Regime Geral de Previdência Social que lhe prestaram serviços em cada mês­competência.  Não se mostra demasiado enaltecer que o registro nas folhas de pagamento de  todas  as  rubricas  auferidas  pelos  segurados,  sejam  elas  integrantes  ou  não  do  Salário  de  Contribuição,  não  se  revela  como  uma  faculdade  da  empresa,  mas,  sim,  uma  obrigação  tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas  Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69  da nossa Lei Soberana.  No caso  específico dos  autos,  restou demonstrado que a Autuada  agiu  com  dolo, mediante conduta fraudulenta visando a frustrar a arrecadação de tributos, fatos esses que  se consubstanciam em circunstância agravante da infração, prevista no inciso II do art. 290 do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  o  que  implica  a  majoração da penalidade cominada em 03 (três) vezes, em atenção ao disposto no inciso II do  art. 292 do Regulamento da Previdência Social.  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99   Art.  290.  Constituem  circunstâncias  agravantes  da  infração,  das  quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator:  I ­ tentado subornar servidor dos órgãos competentes;  II ­ agido com dolo, fraude ou má­fé;  III ­ desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização;  IV ­ obstado a ação da fiscalização; ou  V ­ incorrido em reincidência.  Parágrafo  único.  Caracteriza  reincidência  a  prática  de  nova  infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por  seu  sucessor,  dentro  de  cinco  anos  da  data  em  que  se  tornar  irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do  pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à  autuação anterior.  (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de  fevereiro de 2007)    Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma:  I ­ na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos  estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e  288, conforme o caso;  II ­ as agravantes dos incisos I e II do art. 290 elevam a multa em  três vezes;  III ­ as agravantes dos incisos  III e IV do art. 290 elevam a multa  em duas vezes;  IV ­ a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes  a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em  caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores  máximos  estabelecidos  no  caput  dos  arts.  283  e  286,  conforme  o  caso; e  Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 498          85  Parágrafo único. Na aplicação da multa a que se refere o art. 288,  aplicar­se­á apenas as agravantes  referidas nos  incisos  III a V do  art. 290, as quais elevam a multa em duas vezes.    Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada,  o art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social aviou norma tributária sancionatória, prevendo  a  punição  do  obrigado,  em  caso  de  infração  de  qualquer  dispositivo  da  Lei  nº  8.212/91,  na  modulação  fixada  no  art.  283,  I,  ‘a’  do  RPS,  aprovado  pelo  Dec.  n°  3048/99,  com  valores  atualizados conforme mecanismo fixado no art. 102 da Lei de Custeio da Seguridade Social.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  sujeita  o  responsável,  conforme a  gravidade  da  infração,  a multa  variável  de Cr$ 100.000,00  (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00  (dez  milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento.    Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada  da  Previdência  Social.  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 2.187­13, de 2001).    Regulamento da Previdência Social   Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e  8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  neste  Regulamento,  fica o  responsável  sujeito a multa variável de R$  636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$  63.617,35  (sessenta  e  três  mil,  seiscentos  e  dezessete  reais  e  trinta  e  cinco  centavos),  conforme  a  gravidade  da  infração,  aplicando­se­lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com  os  seguintes  valores:  (Redação  dada  pelo  Decreto  nº  4.862/2003)  I­  a  partir  de  R$  636,17  (seiscentos  e  trinta  e  seis  reais  e  dezessete centavos) nas seguintes infrações:  (...)  a)  deixar  a  empresa  de  preparar  folha  de  pagamento  das  remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados  a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro Social;    Art.  373.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  referidos  neste  Regulamento,  exceto  aqueles  referidos  no  art.  288,  são  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     86  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da previdência social.    É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente  capaz  de  manter  sua  Moeda  Corrente  a  salvo  da  corrosão  imposta  pela  inflação.  Ante  a  iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto  legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de  tal ocorrência.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  102.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  nesta  Lei  serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da Previdência Social.  (Redação dada pela Medida  Provisória nº 2.187­13/2001).  §1º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  às  penalidades  previstas  no  art.  32­A  desta  Lei.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941/2009).    Revela­se auspicioso salientar que o CTN não  inclui em sua reserva legal a  atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais  não  se  qualificam,  por  expressa  disposição  legal,  como  majoração  de  tributos.  Nessa  perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito  por  qualquer  outro  instrumento  normativo  aquilatado  no  conceito  de  legislação  tributária  estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52,  e do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  § 1º Equipara­se à majoração do  tributo a modificação da sua  base de cálculo, que importe em torná­lo mais oneroso.  § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto  no  inciso  II  deste  artigo,  a  atualização  do  valor  monetário  da  respectiva base de cálculo.    Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  Fl. 541DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 499          87  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  II ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição  administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;  III  ­  as  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas;  IV ­ os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o  Distrito Federal e os Municípios.  Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.    Na  hipótese  ora  tratada,  os  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo  Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no  exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição  Federal.  Constituição Federal de 1988   Art.  87.  Os  Ministros  de  Estado  serão  escolhidos  dentre  brasileiros  maiores  de  vinte  e  um  anos  e  no  exercício  dos  direitos políticos.  Parágrafo  único.  Compete  ao  Ministro  de  Estado,  além  de  outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:  (...)  II  ­  expedir  instruções  para  a  execução  das  leis,  decretos  e  regulamentos;    Nesse contexto, em 13 de fevereiro de 2009 foi publicada no Diário Oficial  da  União  a  Portaria  MPS/MF  nº  48,  de  12/02/2009,  que  atualizou  o  valor  mínimo  da  penalidade pecuniária previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, I, do Regulamento da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99,  equivalente  a  R$  1.329,18  (um  mil,  trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos).  PORTARIA MPS/MF nº 48, de 12/02/2009  Art. 8º A partir de 1º de fevereiro de 2009:    (...)  V  ­  o  valor  da  multa  pela  infração  a  qualquer  dispositivo  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  para  a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  (art.  283),  varia,  conforme  a  gravidade da  infração, de R$ 1.329,18  (um mil  trezentos e  vinte e  nove reais e dezoito centavos) a R$ 132.916,84 (cento e trinta e dois  mil novecentos e dezesseis reais e oitenta e quatro centavos);  VI  ­  o  valor  da  multa  indicada  no  inciso  II  do  art.  283  do  Regulamento  da  Previdência  Social  é  de  R$  13.291,66  (treze  mil  duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos);    Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     88  Como visto, a lei fiscal determina que a empresa tem o dever instrumental de  preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  órgão  competente  da  Seguridade Social.  Merece  ser  citado  que,  das  disposições  insculpidas  no  §3º  do  art.  113  do  codex  tributário, emerge a natureza objetiva do Auto de Infração de Obrigação Acessória, na  medida  em que  o  simples  fato  da  inobservância  da  obrigação  acessória  é  condição  bastante,  suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal,  relativamente à penalidade pecuniária.   Tal compreensão caminha no mesmo compasso das disposições expressas no  art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações  à  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade,  natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter  objetivo e independente da imputação em realce.   Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.    Dessarte, a caracterização da infração à Legislação Tributária ora em relevo  se concretiza com a mera omissão de registro na folha de pagamento da empresa de qualquer  segurado obrigatório do RGPS que lhe preste serviço no mês.  Por  outro  viés,  o  valor  da  penalidade  imposta  por  intermédio  do  presente  Auto  de  Infração  é  único  e  indivisível,  sendo  despiciendo  para  a  sua  caracterização  e  imputação  o  número  de  infrações  cometidas,  se  contentando  a  lei  para  a  sua  consumação  definitiva a ocorrência objetiva de uma única omissão de segurado nas Folhas de Pagamento da  empresa.  Como resultado, subsiste inabalada a obrigação tributária principal objeto do  Auto de Infração em apreço.  Procedente,  portanto,  o  lançamento  tributário  levado  ora  a  cabo  pela  Autoridade Fiscal Fazendária.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.   Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000337/2009­63  Acórdão n.º 2401­004.159  S2­C4T1  Fl. 500          89                              Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI

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Numero do processo: 11080.726241/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-003.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 788          1 787  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11080.726241/2011­17  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.805  –  2ª Turma   Sessão de  17 de fevereiro de 2016  Matéria  Contribuições Previdencárias  Recorrente  Fazenda Nacional.  Interessado  Ctil Logistica Ltda.      ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008  MULTA.  RETROATIVIDADE  BENÉFICA.  APLICAÇÃO  Quando  da  aplicação,  simultânea,  em  procedimento  de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º,  da  Lei  no.  8.212,  de  1991,  que  se  refere  à  apresentação  de  declaração  inexata  em  GFIP,  e  também da sanção pecuniária pelo não pagamento do  tributo devido, prevista no art. 35,  II da mesma Lei,  deve­se cotejar, para fins de aplicação do instituto da  retroatividade  benéfica,  a  soma  das  duas  sanções  aplicadas  quando  do  lançamento,  em  relação  à  penalidade  pecuniária  do  art.  44,  inciso  I,  da  Lei  9.430,  de  1996,  que  se  destina  a  punir  ambas  as  infrações  já  referidas,  e  que  se  tornou  aplicável  no  contexto  da  arrecadação  das  contribuições  previdenciárias desde a edição da Medida Provisória  no. 449, de 2008. Estabelece­se como limitador para a  soma  das  multas  aplicadas  através  de  procedimento  de ofício o percentual de 75%.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso. Vencidas  as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e  Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 62 41 /2 01 1- 17 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 789          2   (Assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior – Relator  (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gérson Macedo Guerra.  Relatório  Em  litígio,  o  teor  do  Acórdão  nº  2803­001.608,  prolatado  pela  3a  Turma  Especial  da  2a  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  na  sessão plenária de 19 de  junho de 2012  (e­fls. 746 a 755). Ali, por maioria de votos, deu­se  parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008   AI DEBCAD nº 37.332.2089   GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS  OU  OMISSAS.  INFRAÇÃO  À  LEGISLAÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. CONFIGURAÇÃO.  A apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas  constitui  infração  à  legislação  previdenciária,  consoante  art.  32A da lei 8.212/91.  Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2008   AI DEBCAD nº 37.332.2062   CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  PAGAMENTOS  A  SEGURADOS  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS  E  COOPERATIVAS  DE  TRABALHO.  A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições devidas em  razão  da  remuneração  paga  a  segurados  contribuintes  individuais  e  contratação  com  cooperativas  de  trabalho.  Não  demonstrada  irregularidade  no  que  apurado  pela  fiscalização,  correta a autuação.  Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 790          3 JUROS  CALCULADOS  À  TAXA  SELIC.  MULTA  DE  MORA.  APLICABILIDADE.  A cobrança concomitante de juros e multa de mora está prevista  na  legislação  tributária  federal,  conforme  consta  do  relatório  FLD Fundamentos Legais do Débito, desse modo foi correta sua  aplicação pela fiscalização previdenciária.  MULTA  APLICÁVEL.  LEI  SUPERVENIENTE.  APLICABILIDADE  SOMENTE  SE  MAIS  BENÉFICA  AO  CONTRIBUINTE.  Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação  principal  foram  alterados  pela  MP  449/08,  de  03.12.2008,  convertida  na  lei  n  º  11.941/09.  Assim  sendo,  como  os  fatos  geradores se referem ao ano de 2007 a 2009, o valor da multa  aplicada  no  AI  Debcad  nº  37.332.206­2,  até  a  competência  11/2008 deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na  redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que  constam do presente auto, para se determinar o resultado mais  favorável ao contribuinte.  Enviados os autos à Fazenda Nacional em 24/07/2012 (e­fl. 756) para fins de  ciência da decisão, insurgindo­se contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 09/08/2012 (e­fl.  766), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho  Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de  julho de 2009, então em  vigor quando da propositura do pleito recursal (e­fls. 757 a 765).  Alega­se, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 10/02/2011, no  Acórdão  2401­01.624,  de  lavra  da  1a.  Turma  Ordinária  da  4a.  Câmara  da  2a.  Seção  deste  CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas, visto que adotado como paradigma, na forma  do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF.  Acórdão 2401­001.624  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Data do fato gerador: 24/09/2007   PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  ARTIGO 32,  IV,  §  5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º  8.212/91 C/C  ARTIGO  284,  II  DO  RPS,  APROVADO  PELO  DECRETO  N.º  3.048/99 ­ OMISSÃO EM GFIP ­ INFORMAÇÃO DE OPTANTE  PELO SIMPLES.   A  inobservância  da  obrigação  tributária  acessória  é  fato  gerador  do  auto­de­  infração,  o  qual  se  constitui,  principalmente,  em  forma  de  exigir  que  a  obrigação  seja  cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na  administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º  da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme  dispõe  o  art.  284,  II  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n  °  3.048/1999.:  “  informar mensalmente  ao  Instituto Nacional  do  Seguro Social­INSS, por intermédio de documento a ser definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 791          4 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Data do fato gerador: 24/09/2007   PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ NÃO  IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES   A  não  impugnação  expressa  dos  fatos  geradores  objeto  do  lançamento  importa  em  renúncia  e  conseqüente  concordância  com os termos do AI.   REGULAR PROCESSAMENTO DE EXCLUSÃO  ­  RESPALDO  PARA  LANÇAMENTO  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AUSÊNCIA  DE  DEMONSTRAÇÃO  DE  EFEITO  SUSPENSIVO  NO  PEDIDO  DE  REINCLUSÃO  NO  SIMPLES.   Havendo  regular  processamento  de  exclusão  do  SIMPLES,  possível  a  realização  de  lançamento  para  cobrança  de  contribuições previdenciárias patronais. O pedido de reinclusão  no  Sistema  SIMPLES,  sem  a  comprovação  de  “efeito  suspensivo”  não  é  suficiente  para  desconstituição  do  lançamento/autuação.   MULTA ­ RETROATIVIDADE BENIGNA   Na  superveniência de  legislação que  estabeleça novos  critérios  para  a  apuração  da  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  faz­se  necessário  verificar  se  a  sistemática  atual  é  mais favorável ao contribuinte que a anterior.   Recurso Voluntário Provido Em Parte.  Decisão:  por  unanimidade  de  votos  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  recalcular  o  valor  da multa,  se mais  benéfico  ao  contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei nº  9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa  na NFLD correlata.  Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que:  a) haveria de se aplicar, à situação fática, o art. 35­A da Lei no. 8.212, de 24  de julho de 1991, quando da comparação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, devendo  ser efetuado o seguinte cálculo: Somar as multas aplicadas na sistemática antiga (art. 35,  II e  art. 32, IV, da norma revogada) e comparar o resultado desta operação com a multa prevista no  art.  35­A  da mesma  Lei  no.  8.212,  de  1991,  introduzido  pela Medida Provisória  no.  449,  de  2008, e que remete ao art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (percentual  de  75%). Rejeita,  assim,  a  comparação  feita  de  forma  segregada pelo  vergastado:  a)  entre  a  multa prevista no  art.  32,  IV da norma  revogada  com o novo art.  32­A da Lei no.  8.212, de  1991  e  b)  entre  a  multa  prevista  no  art.  35  da  norma  revogada  com  os  valores  de  multa  lançados,  aplicando­se,  em  ambos  os  casos,  separadamente,  a  norma  mais  benéfica  ao  contribuinte   Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 792          5 b) Entende  restringir­se  o  art.  32­A do  diploma,  citado  pelo  vergastado,  ao  lançamento  de  multa  isolada  quando  houver  tão­somente  o  descumprimento  da  obrigação  acessória prevista no inciso IV do caput do art. 32 da mesma Lei no. 8.212, de 1991. Entende  que,  sempre  que  houver  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  vinculado  ao  descumprimento  das  obrigações  principal  e  acessória,  há  que  se  utilizar,  agora,  para  fins  de  aplicação da retroatividade benéfica, o teor do art. 35­A daquele diploma, consoante o cálculo  acima  mencionado.  Ressalta,  ainda,  entender  que  o  art.  44,  I  da  Lei  no.  9.430,  de  1996,  referenciado  pelo  mencionado  art.  35­A,  abarca  tanto  a  conduta  de  descumprimento  da  obrigação  principal  como  da  acessória.  Menciona,  ainda,  e  edição  pela  Receita  Federal  do  Brasil da Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, que, ao acrescer o art.  476­A à Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, respalda integralmente tal procedimento  de cálculo, tendo sido obedecida em seus exatos termos pela autoridade fiscal autuante.  Requer,  assim,  que  seja  conhecido  o  recurso  e  lhe  seja  dado  provimento  recurso,  a  fim  de  que  prevaleça  a  forma  de  cálculo  citada  para  aplicação  da  multa  mais  benéfica,  restabelecendo  os  valores  de multa  lançados  pela  autoridade  fiscal  consoante  a  IN  RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010.  O recurso foi admitido pelo despacho de e­fls. 771 a 774.  Encaminhados  os  autos  à  autuada  para  fins  de  ciência,  ocorrida  em  25/09/2013 (e­fl. 783), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de Recurso Especial  de sua iniciativa e ao oferecimento de contrarrazões.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior  Pelo  que  consta  no  processo  quanto  à  sua  tempestividade,  às  devidas  apresentação  de  paradigma  e  indicação  de  divergência,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade e, portanto, dele conheço.  Sob  análise,  a  Lei  no.  8.212,  de  1991,  cujos  dispositivos  de  interesse  aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendo­se as redações anterior e  posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008:   Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da  MP 449/08)  Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08)  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em regulamento, dados relacionados aos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV  ­  declarar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  –  FGTS,  na  forma,  prazo  e  condições  estabelecidos  por  esses  órgãos,  dados  relacionados  a  fatos  geradores,  base  de  cálculo  e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 793          6 interesse  do  INSS.  (Inciso  acrescentado  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  (...)  §  1º  O  Poder  Executivo  poderá  estabelecer  critérios  diferenciados  de  periodicidade,  de  formalização  ou  de  dispensa  de  apresentação  do  documento  a  que  se  refere  o  inciso  IV,  para  segmentos  de  empresas  ou  situações  específicas.  (Parágrafo  acrescentado  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  §  2º  As  informações  constantes  do  documento  de  que  trata  o  inciso  IV,  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  devidas  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  bem  como  comporão  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão  dos  benefícios  previdenciários.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  § 3º O  regulamento disporá  sobre  local,  data  e  forma  de  entrega  do  documento  previsto  no  inciso  IV.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  §  4º  A  não  apresentação  do  documento  previsto no inciso IV, independentemente  do  recolhimento  da  contribuição,  sujeitará o infrator à pena administrativa  correspondente  a  multa  variável  equivalente  a  um  multiplicador  sobre  o  valor  mínimo  previsto  no  art.  92,  em  função  do  número  de  segurados,  conforme  quadro  abaixo:  (Parágrafo  e  tabela  acrescentados  pela  Lei  nº  9.528,  de 10.12.97).  0 a 5 segurados ­ 1/2 valor mínimo  6 a 15 segurados ­ 1 x o valor mínimo  16 a 50 segurados ­ 2 x o valor mínimo  51 a 100 segurados ­ 5 x o valor mínimo  101  a  500  segurados  ­  10  x  o  valor  mínimo  501  a  1000  segurados  ­  20  x  o  valor  mínimo  outras  informações  de  interesse  do  INSS  ou  do  Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP  nº 449, de 2008).  (...)  §  1o  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).   §  2o  A  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  crédito  tributário,  e  suas  informações  comporão  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão  dos  benefícios  previdenciários.  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).   §  3o  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  §4o  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  §5o  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  §6o  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  §7o  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  §8o  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que  se  refere  o  inciso  IV  ainda  que  não  ocorram  fatos  geradores de contribuição previdenciária,  aplicando­ se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32­A.  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)  §  10.  O  descumprimento  do  disposto  no  inciso  IV  impede  a  expedição  da  certidão  de  prova  de  regularidade  fiscal  perante  a  Fazenda  Nacional.  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)  §  11.  Em  relação  aos  créditos  tributários,  os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento  das  obrigações  de  que  trata  este  artigo  devem  ficar  arquivados  na  empresa  até  que  ocorra  a  prescrição  relativa aos créditos decorrentes das operações a que  se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº  449, de 2008).  Art.  32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a  Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 794          7 1001  a  5000  segurados  ­  35  x  o  valor  mínimo  acima de 5000 segurados ­  50  x o  valor  mínimo  §  5º  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  sujeitará  o  infrator  à  pena  administrativa correspondente à multa de  cem por cento do valor devido relativo à  contribuição não declarada, limitada aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  §  6º  A  apresentação  do  documento  com  erro  de  preenchimento  nos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores  sujeitará o infrator à pena administrativa  de  cinco  por  cento  do  valor  mínimo  previsto  no  art.  92,  por  campo  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omissas,  limitadas  aos  valores  previstos  no  §  4º.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97).  § 7º A multa de que  trata o § 4º sofrerá  acréscimo  de  cinco  por  cento  por  mês  calendário  ou  fração,  a  partir  do  mês  seguinte  àquele  em  que  o  documento  deveria  ter  sido  entregue.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  § 8º O valor mínimo a que se refere o §  4º será o vigente na data da lavratura do  auto  de  infração.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  §  9º  A  empresa  deverá  apresentar  o  documento  a  que  se  refere  o  inciso  IV,  mesmo  quando  não  ocorrerem  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária,  sob  pena  da  multa  prevista  no  §  4º.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  §  10. O  descumprimento  do  disposto  no  inciso  IV  é  condição  impeditiva  para  expedição  da  prova  de  inexistência  de  débito  para  com o  Instituto Nacional  do  Seguro  Social­INSS.  (Parágrafo  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  art.  32  no  prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas  (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  I  ­  de  dois  por  cento  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  das  contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta de  entrega da declaração ou entrega após o  prazo,  limitada  a  vinte  por  cento,  observado  o  disposto no § 3o; e  (incluído pela Medida Provisória  nº 449, de 2008).  II ­ de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez  informações  incorretas  ou  omitidas.  (incluído  pela  Medida Provisória nº 449, de 2008).  §  1o  Para  efeito  de  aplicação  da  multa  prevista  no  inciso I do caput, será considerado como termo inicial  o  dia  seguinte  ao  término  do  prazo  fixado  para  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva  entrega  ou,  no  caso  de  não­apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação  de  lançamento.  (incluído  pela  Medida  Provisória nº 449, de 2008).  §  2o  Observado  o  disposto  no  §  3o,  as multas  serão  reduzidas:  (incluído  pela Medida  Provisória  nº  449,  de 2008.:  I  ­  à  metade,  quando  a  declaração  for  apresentada  após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de  ofício;  ou:  (incluído  pela Medida  Provisória  nº  449,  de 2008).  II  ­  a  setenta  e  cinco  por  cento,  se  houver  apresentação  da  declaração  no  prazo  fixado  em  intimação.  (incluído  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de 2008).  § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído  pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  I ­ R$ 200,00 (duzentos reais), tratando­se de omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária;  e  (incluído  pela Medida  Provisória nº 449, de 2008).  II  ­ R$ 500,00  ( quinhentos  reais), nos demais casos.  (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  (...)  Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e  “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições  Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 795          8 acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  § 11. Os documentos comprobatórios do  cumprimento das obrigações de que trata  este  artigo  devem  ficar  arquivados  na  empresa  durante  dez  anos,  à  disposição  da  fiscalização.  (Parágrafo  renumerado  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  (...)  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em  atraso,  arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá multa  de mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de obrigação não incluída em notificação  fiscal de lançamento:  a)  oito  por  cento,  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação  dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b)  quatorze  por  cento,  no  mês  seguinte;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento  da  obrigação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).  II ­ para pagamento de créditos incluídos  em notificação fiscal de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze  dias  do  recebimento  da  notificação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  b) trinta por cento, após o décimo quinto  dia  do  recebimento  da  notificação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  c) quarenta por cento, após apresentação  de  recurso  desde  que  antecedido  de  defesa,  sendo  ambos  tempestivos,  até  quinze  dias  da  ciência  da  decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS;  (Redação  dada  pela  Lei  instituídas a título de substituição e das contribuições  devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros  de  mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449,  de 2008).  I  –  (revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  II  –  (revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  III  –  (revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008).  §  1o  (revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  §  2o  (revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  §  3o  (revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)  §  4o  (revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008).  Art. 35­A. Nos casos de lançamento de ofício relativos  às  contribuições  referidas  no  art.  35,  aplica­se  o  disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído  pela Medida Provisória nº 449, de 2008).    Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 796          9 nº 9.876, de 1999).  d)  cinqüenta  por  cento,  após  o  décimo  quinto  dia  da  ciência  da  decisão  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social ­ CRPS, enquanto não inscrito em  Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº  9.876, de 1999).  III  ­  para  pagamento  do  crédito  inscrito  em Dívida Ativa:  a) sessenta por cento, quando não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº  9.876, de 1999).  c) oitenta por cento, após o ajuizamento  da execução fiscal, mesmo que o devedor  ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  d) cem por cento, após o ajuizamento da  execução  fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda não tenha sido citado, se o crédito  foi  objeto  de  parcelamento.  (Redação  dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  §  1º  Na  hipótese  de  parcelamento  ou  reparcelamento,  incidirá  um  acréscimo  de vinte por cento sobre a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos.   §  2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a  multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.  §  3º  O  valor  do  pagamento  parcial,  antecipado,  do  saldo  devedor  de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida no mês de competência em curso e  sobre a qual incidirá sempre o acréscimo  a que se refere o § 1º deste artigo.      Fl. 796DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 797          10 §  4o  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento  a  que  se  refere  o  inciso  IV  do  art.  32,  ou  quando  se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados  de  apresentar  o  citado  documento,  a  multa  de  mora  a  que  se  refere  o  caput  e  seus  incisos  será  reduzida  em  cinqüenta  por  cento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).   Note­se permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais  benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a este  feito o  seguinte  recálculo da  seguinte  forma: a) para o DEBCAD 37.332.208­9, que abrange  somente  as  competências  até  11/2008,  comparação  a  ser  realizada  entre  o  aplicado  no  AI  decorrente  de  descumprimento  de  obrigação  acessória,  baseado  no  art.  32,  IV  e  §  5o.  da  redação anterior da mesma Lei no. 8.212, de 1991, antes da edição da MP, e o disposto no art.  32­A  da  referida  Lei  no.  8.212,  de  1991, mantendo­se,  das  duas multas,  a mais  benéfica  ao  contribuinte; b) para o DEBCAD 37.332.206­2, que também abrange somente as competências  até  11/2008,  comparação  a  ser  realizada  entre  a  multa  aplicada  no  AI  decorrente  de  descumprimento de obrigação principal,  e o disposto no art. 35 da  referida Lei no. 8.212, de  1991, na redação anterior à vigência da Lei no. 11.941, de 27 de maio de 2009, mantendo­se,  também, das duas multas, a mais benéfica ao contribuinte  Com  a  devida  vênia  ao  entendimento  esposado  no  recorrido,  entendo,  a  propósito que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente  à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a  saber:  a)  em  seu  inciso  I,  o  dispositivo  regulamentava  a  aplicação  de  multa  de  natureza  moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem  qualquer procedimento de ofício da autoridade  tributária e mantida aqui a espontaneidade do  contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso  de  lavratura  de  Notificação  de  Lançamento  pela  autoridade  fiscalizadora,  neste  caso  se  tratando, aqui, de multa de ofício.  Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da  MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também  em sede de ação  fiscal,  de descumprimento das obrigações  acessórias, na  forma preconizada  pelos  §§4o.  e  5o.  do  art.  32  da  Lei  no.  8.212,  de  1991,  convertendo­se,  nesta  hipótese,  a  obrigação acessória em principal, tal como realizado, no presente caso para o AI 37.332.208­9,  lavrado com fundamento legal no mencionado art. 32, § 5o.   Cediço  em meu entendimento que, o que se passou a  ter,  agora  a partir  do  advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação  das  multas  aplicáveis  em  sede  de  ação  fiscal,  abrangendo  tanto  a  constatação,  através  de  procedimento de ofício, de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração  a menor)  em GFIP  de  fatos  geradores  ocorridos/contribuições  devidas,  a  saber,  o  art.  35­A  daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP.  Fl. 797DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 798          11 Este  também  é  o  entendimento  majoritário  esposado  por  esta  Câmara  Superior,  conforme  excertos  dos  seguintes  votos  constantes  dos  Acórdãos  CSRF  9.202­ 003.070 e 9.202­003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir.  Acórdão 9.202­003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira  “  (...)  Portanto,  pela  determinação  do  CTN,  acima,  a  administração  pública  deve  verificar.  nos  lançamentos  não  definitivamente  julgados,  se  a  penalidade  determinada  na  nova  legislação  é  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  no  momento  do  lançamento.  Só  não  posso  concordar  com  a  análise  feita,  que  leva  à  comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de  mora.   (...)  Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do  Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em  lançamento  de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o  sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de  ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento.  Para  tanto, na defesa dessa  tese,  há o argumento que a antiga  redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original).  Lei 8.212/1991:  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não  poderá ser relevada, nos seguintes  termos:  (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída  em  notificação  fiscal  de  lançamento  (grifos  no  original):  (...)  II ­ para pagamento de créditos  incluídos em notificação fiscal  de lançamento (grifos no original):  Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos  no  original),  como  decorre  do  próprio  termo,  pressupõe  a  atividade  da  autoridade  administrativa  que,  diante  da  constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura  a infração e lhe aplica as cominações legais.  Em  direito  tributário,  cuida­se  da  obrigação  principal  e  da  obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN.  Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 799          12 A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro  ao  Estado  por  ter  ocorrido  o  fato  gerador  do  pagamento  de  tributo ou de penalidade pecuniária.  A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não  fazer.  A  legislação  tributária  estabelece  para  o  contribuinte  certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir  documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala  o  §2º  do  art.  113  do CTN. Exige  também,  em certas  situações,  que  o  contribuinte  se  abstenha  de  produzir  determinados  atos  (causar  embaraço  à  fiscalização,  por  exemplo):  são  as  prestações  negativas,  mencionadas  neste  mesmo  dispositivo  legal.  O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  correspondente,  mediante  lançamento  de  ofício  (grifos  no  original).  É  também  fato  gerador  da  cominação  de  penalidade  pecuniária,  leia­se  multa, sanção decorrente de tal descumprimento.  O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o  direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de  ofício  (grifos  no  original).  Na  locução  do  §3º  do  art.  113  do  CTN,  este  descumprimento  de  obrigação  acessória,  isto  é,  de  obrigação  de  fazer  ou  não  fazer,  converte­a  em  obrigação  principal, ou seja, obrigação de dar.  Já  a  multa  de  mora  não  pressupõe  a  atividade  da  autoridade  administrativa,  não  tem  caráter  punitivo  e  a  sua  finalidade  primordial é desestimular o cumprimento da obrigação  fora de  prazo. Ela  é  devida  quando  o  contribuinte  estiver  recolhendo  espontaneamente um débito vencido.  Essa  multa  nunca  incide  sobre  as  multas  de  lançamento  de  ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na  entrega de declarações.  Portanto,  para  a  correta  aplicação  do  Art.  106  do  CTN,  que  trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado  a  penalidade  determinada  pelo  II,  Art.  35  da  Lei  8.212/1991  (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos  no  original)),  antiga  redação,  com  a  penalidade  determinada  atualmente  pelo  Art.  35­A  da  Lei  8.212/1991  (nos  casos  de  lançamento de ofício (grifos no original)).  Conseqüentemente,  divirjo  do  acórdão  recorrido,  pelas  razões  expostas.  (...)”  Acórdão 9.202­003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira  Santos  "(...)  Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 800          13 Verifico,  assim, que,  ainda que a antiga  redação do art.  35 da  Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa  de  mora”,  independentemente  da  denominação  que  tenha  se  dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas  duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as  multas de ofício.   As  primeiras  eram  cobradas  com  o  tributo  recolhido  espontaneamente.  As  últimas,  cobradas  nos  lançamentos  de  ofício  e  através  de  notificação  fiscal  de  lançamento  de  débito,  ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de  auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de  infração  (no  caso  de  obrigação  acessória  convertida  em  obrigação  principal  através  de  lavratura  de  AI  pelo  seu  descumprimento),  ambas  por  força  de  ação  fiscal,  tal  como  ocorria com os demais tributos federais.   Ainda,  quanto  às  multas  de  ofício,  estas  duas  situações  supra  elencadas se  encontravam,  respectivamente,  regradas na  forma  dos  antigos  arts.  35,  II  (multa  referente  à  obrigação  principal  constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos  referindo­se  à  obrigação  acessória  convertida  em  obrigação  principal através de  lavratura de AI pelo seu descumprimento),  ambos  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  sendo  que,  com  a  alteração  legislativa  propugnada  no  referido  diploma,  passaram  a  estar  regradas conjuntamente na forma de seu art. 35­A.  Assim,  entendo  que  a  penalidade  a  ser  aplicada  não  pode  ser  aquela  mais  benéfica  a  ser  obtida  pela  comparação  da  antiga  “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35,  inciso  II, da Lei nº 8.212, de 1991,  com a do art.  61 da Lei nº  9.430,  de  1996,  agora  referida  pela  nova  redação  dada  ao  mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de  2009 e que, note­se,  pressupõe a  espontaneidade,  inaplicável à  situação fática em tela.   A  propósito,  entendo  que,  para  fins  de  aplicação  da  retroatividade  benéfica,  se  deva  comparar  àquela  antiga multa  regrada na  forma da  anterior  redação do art.  35,  inciso  II,  da  Lei nº 8.212, de 1991 (repetindo­se,  indevidamente denominada  como “multa  de mora”,  nos  casos  de  lançamento por  força  de  ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs  conexos,  lavrados  de  ofício  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  (na  forma  da  anterior  redação  do  art.  32,  inciso  IV,  §4o  ou  5o  da Lei  nº  8.212,  de  1991),  a multa  estabelecida  pelo  art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável  quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35­ A, da Lei nº 8.212, de 1991.  No  caso  sob  análise,  verifico  que  permanecem  em  em  litígio,  quanto  à  aplicação  da  retroatividade  benéfica:  a)  a  multa  aplicada  a  débitos  cujos  fatos  geradores  ocorreram antes da vigência da MP no, 449, de 2008, constantes do AI 37.332.206­2, (débitos  de  obrigação  principal  que  permanecem  em  litígio)  e  b)  a  multa  aplicada  através  do  AI  37.332.208­9, aplicada por haver a empresa infringido o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei  no. 8.212, de 1991, também para competências (fatos geradores) anteriores à vigência Medida  Fl. 800DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 11080.726241/2011­17  Acórdão n.º 9202­003.805  CSRF­T2  Fl. 801          14 Provisória no.  449, de 2008. Tais multas  foram  aplicadas  consoante  item 10 do Relatório de  Ação Fiscal de e­fls. 63 a 65, seguindo­se os estritos ditames da Instrução Normativa RFB no.  1.027, de 2010, que adota integralmente o mesmo posicionamento aqui esposado.  Assim, aplicando­se o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise,  entendo que para tais débitos de obrigação principal (cujos fatos geradores ocorreram antes da  vigência da MP no. 449. de 2008, ou seja, mais especificamente, antes de 04/12/2008, leia­se  competência 30/11/2008 e anteriores), bem como para o débito de obrigação acessória lavrado  sob  a  égide da  legislação  anterior  à mesma MP,  se  deva manter  a  cobrança  das  penalidades  lançadas.   Deve­se  limitar,  desta  forma,  a  soma  das  penalidades  aplicáveis  à  cada  competência acima abrangida ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação  principal, sem que se deva falar em comparação segregada: a) da multa de obrigação acessória  com o novo art. 32­A da Lei no. 8.212, de 1991 e b) da multa sobre os débitos de obrigação  principal  objeto  de  lançamento  com  o  antigo  art.  35  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  na  forma  proposta pelo vergastado.  Este  percentual  de  75%  (quando  da  inexistência  de  agravamento  ou  qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de  ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I  da  mesma  Lei  nº  9.430,  de  1996,  e  referenciado  no  art.  35­A,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com  a  sistemática  estabelecida  pelo  art.  476­A  da  Instrução  Normativa  RFB  no.  971,  de  2009,  acrescido  pela  Instrução  Normativa  RFB  no.  1.027,  de  22  de  abril  de  2010,  adotada  pela  autoridade autuante.  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da  Fazenda Nacional,  devendo­se  restabelecer  qual  norma mais  benéfica  para  cálculo  da multa  aplicável: se a soma das duas multas anteriores (art. 35 e 32 da norma revogada) ou a do art.  35­A da MP 449/2008 (convertida na Lei no. 11.941, de 2009), ou seja, mantendo­se, assim, a  forma  de  cálculo  utilizada  pela  autoridade  fiscal  para  aferição  da  multa  mais  benéfica  ao  contribuinte  É como voto.     (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior ­ Relator                           Fl. 801DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO

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Numero do processo: 10980.721730/2013-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Presenciaram o julgamento o Dr. Sol Alexander Sandrini Pereira, OAB/RJ 140.427, advogado da Recorrente, e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário e recurso de ofício interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a concessão de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 17.896.184,24, sobre os quais ainda incidem juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: 3. Os valores autuados foram apurados a partir dos fatos relatados no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls.488-492, onde a autoridade fiscal assim se manifesta: (...) 3. Da Análise aos Registros Contábeis e do Crédito Tributário Constituído; O plano de contas contábil adotado pelo sujeito passivo (holding de seu grupo econômico), relaciona no 'Realizável a Longo Prazo' (Ativo Não Circulante), a conta denominada Partes Relacionadas' (cód. 12105), a qual, em suas subcontas, quer sintéticas, quer analíticas, é representativa de fluxo de recursos financeiros entre a ALL América Latina Logística S.A. e as demais empresas conglomeradas. Nessa contextura, algumas dessas subcontas registraram no ano de 2009 freqüentes saldos diários devedores, indicando, naquele ano, as cessões de créditos da holding (mutuante), para empresas por ela controladas (mutuarias). Conseqüentemente, na forma do art. 128 do CTN (Lei n.° 5.172, de 25/10/1966) e na explícita definição da Lei n.° 9.779, de 19/10/1999, art. 13, §§ Io e 2o, a mutuante ALL América Latina Logística S.A., CNPJ n.° 02.387.241/000160 é a responsável pelo cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao IOF incidente sobre tais cessões. Sem embargo, dentro do mencionado grupamento contábil denominado 'Partes Relacionadas', as subcontas que em variados períodos do ano-calendário de 2009 apresentaram saldos devedores foram as seguintes: • 1210502032 ALL — Argentina' (conta sintética contendo as contas analíticas 1210502032001 ALL Argentina' e 1210502032002 Variação Cambial', ambas referentes a ALL América Latina Logística Central S.A., empresa argentina); • 1210502002001 ALL do Brasil' (conta analítica referente a ALL América Latina Logística Malha Sul S.A. CNPJ n.° 01.258.944/000126) • 1210502005001 ALL Intermodal (conta analítica referente a ALL América Latina Logística Intermodal S.A. CNPJ n.° 03.172.874/000114) ; • 1210502008001 Ferroban" (conta analítica referente a FERROBAN / ALL América Latina Logística Malha Paulista S.A. CNPJ n.° 02.502.844/000166) ; • 1210502007001 Ferronorte' (conta analítica referente a FERRONORTE/ALL América Latina Logística Malha Norte S.A.CNPJ n.° 24.962.466/000136); • 1210502022001 Ferronorte Locadora de Vagões* (conta analítica referente a FERRONORTE LOCADORA DE VAGÕES S.A. CNPJ n.° 09.931.497/000112) ; • 1210502031001 Jpespe' (J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. CNPJ n.° 09.085.491/000195); • 1210502009001 Novoeste' (conta analítica referente a NOVOESTE / ALL América Logística Malha Oeste S.A. CNPJ n.° 39.115.514/0001 28) ; • 1210502012001 Overseas' (conta analítica referente a ALL OVERSEAS empresa caimanesa); • 1210502011001 Portofer' (conta analítica referente a PORTOFER TRANSPORTE FERROVIÁRIO LTDA. CNPJ ^^835^8/000151); • 1210502014001 Santa Fé Vagões (conta analítica referente a SANTA FÉ VAGÕES S.A. CNPJ n.° 06.186.839/000142); Além dessas, porém fora do aludido agrupamento 'Partes Relacionadas', mas igualmente contido no 'Realizável a Longo Prazo", a conta ' 1210301001 Jpespe', componente do subgrupo '12103 Adiant p/Futuro Investimento', é mais uma conta representativa de fluxo de recursos, ou haveres, vertidos da holding para uma de suas controladas, no caso a J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. CNPJ n.° 09.085.491/000195, o que faz com que os saldos devedores dessa conta também estejam sujeitos à tributação pelo IOF, ao menos enquanto os respectivos valores cedidos não tenham sido registrados como capital social da investida ou, eventualmente, devolvidos à origem. De todo modo, no que tange as contas (i) '1210502002001 ALL do Brasil' (ALLAmérica Latina Logística Malha Sul S.A. CNPJ n.° 01.258.944/000126), (ii) '1210502032 ALL Argentina' (América Latina Logística Central S.A.). e (iii) '1210502012001 Overseas' (ALL OVERSEAS), constam dos autos, os seguintes documentos apresentados pelo sujeito passivo: (i) Instrumentos Particulares de Adiantamentos para Futuros Aumentos de Capital com os correspondentes termos de efetivação de transferências parciais de numerários, (ii) Contratos Internacionais de Mútuo e respectivos Contratos de Câmbio, e (iii) Ata de Reunião do Conselho de Administração, realizada em 09/03/2007, com Boletins de Subscrição de Ações de nº 1/63 a 6/63. Nada obstante, no que concerne à primeira dessas contas ('1210502002001 ALL do Brasil"), os referidos instrumentos particulares, dois no total, foram firmados, respectivamente, em 09/06/2009 e 09/12/2009, descrevendo adiantamentos para futuro aumento de capital orçados, no primeiro documento, em até R$ 150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de reais), a serem efetuados entre 10/06/2009 e 05/12/2009, e, no segundo, com orçamento previsto de até R$ 325.000.000,00 (trezentos e vinte e cinco milhões de reais), em adiantamentos efetuáveis no período de 09/12/2009 a 18/05/2010. Nesse caso, quer os Instrumentos Particulares de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital apresentados, quer os correspondentes termos dos adiantamentos parciais, não se prestam para comprovar seus efeitos junto a terceiros, visto que, na ocasião em que foram elaborados, não foram levados a registro público, em clara oposição e, portanto, ao desamparo do que preconiza o art. 221 do Código Civil (Lei n. 10.406, de 10/01/2002). Ademais esses documentos se referem genericamente a limites "até" os montantes citados, caracterizando, na verdade a cessão de créditos rotativos, sem clara definição do valor do principal a ser realmente utilizado nas operações creditórias que reportam. Relativamente à segunda conta citada ('1210502032 ALL Argentina'), os Contratos Internacionais de Mútuo, ainda que acompanhados dos respectivos contratos de câmbio, também não se aproveitam para a demonstração cabal junto a terceiros, de que os valores cedidos, as condições e os prazos de devolução que descrevem, foram de fato pré-estabelecidas, haja vista que, além da aparente falta de registro da data de reconhecimento cartorial das assinaturas firmadas por representantes da mutuante (ALLAmérica Latina Logística S.A.), observa-se também, ainda nos citados contratos de mútuo, a completa ausência de qualquer assinatura nos respectivos campos reservados a representantes da mutuária (América Latina Logística Central S.A. ALL Argentina). Já com relação à terceira conta mencionada, em que pese o prévio registro público dos documentos apresentados, eles, na verdade, referem-se a condições e prazos fixados para aquisição de ações emitidas pela própria ALL América Latina Logística S.A., sem que os respectivos textos façam qualquer menção a Overseas (ALL OVERSEAS). Portanto, tais documentos, per se, não podem ser tomados como comprobatórios de algum virtual acordo, eventualmente selado entre a ALL América Latina Logística S.A. e a destinatária contábil dos recursos escriturados a debito na conta 1210502012001 Overseas'. Dessa maneira, diante da ausência de inconteste documentação comprobatória de que as partes envolvidas (mutuante e mutuarias) estabeleceram previamente os montantes das operações de mútuos que, entre si, efetuariam no transcorrer do ano de 2009, tem-se que a incidência tributária do IOF relativa a toda e qualquer das contas contábeis discriminadas no presente Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal se enquadra na situação prevista na redação atual do art. 7o, I, "a' do Decreto 6.303, de 2007, ou seja, a que se aplica aos créditos rotativos, em que não há prévia definição do valor do principal a ser utilizado em tais operações creditórias. Assim, não só os respectivos somatórios mensais dos saldos devedores diários dessas contas sujeitam-se ao IOF à alíquota de 0,0041%, mas, nesse caso, também o somatório mensal dos acréscimos diários devedores, dessas mesmas contas, submete-se à alíquota adicional de 0,38%, conforme prescrevem os §§ 15 e 16 desse citado art. 7º, do Decreto n.° 6.303, de 2007. (...) 4. A contribuinte foi cientificada da exigência em 27/03/2013. Na impugnação de fls. 508-534, argumenta: (...) como será objeto de esclarecimento nas páginas seguintes, a Processada teve, pelo d. fiscal autuante, a sua contabilidade desconsiderada para os efeitos de apuração da base de cálculo do imposto objeto da exigência ora guerreada, fazendo incidir sobre todos os valores constantes do saldo das contas das subsidiárias as alíquotas de 0,0041% e 0,38%, de acordo com critério próprio e que, em muitas das vezes, carece de fundamento legal para sua imposição. O que, de fato, ocorreu na contabilidade apresentada e analisada pela fiscalização foi que os valores que eventualmente serviram de empréstimos para as controladas da Processada, com seus devidos contratos de mútuo e com o IOF devidamente recolhido, foram creditados nas contas operacionais existentes entre a Processada e suas controladas/coligadas, já que o sujeito passivo se constitui em uma empresa que opera como OTM OPERADOR TRANSPORTADOR MULTIMODAL DE CARGAS, devidamente autorizado pela ANTT (doc. 02). Desta forma, caso o d. fiscal autuante tivesse seccionado as operações, distinguindo e identificando os valores que se direcionavam a reembolso de despesas, adiantamento para futuro aumento de capital ou, ainda, transferências para PAGAMENTO de transporte ferroviário de cargas, transportes estes subcontratados pela Processada às suas controladas/coligadas/subsidiárias, verificaria que todas os lançamentos contábeis estão em conformidade com as determinações legais e que nenhum prejuízo ao Erário foi impingido. Como se vê, houve desídia da fiscalização na apuração concreta dos fatos geradores do imposto ora inquinado já que, somente a planilha contendo a identificação pormenorizada das relações comerciais operacionais havidas entre as empresas, denominadas DCL's (Despacho de Carga Lotação), conta com mais de 6.400 (seis mil e quatrocentas) páginas, com lançamentos individuais das faturas com clientes (doc. 03 amostragem) e que, ao final, serviriam de base para que o pagamento fosse realizado pela Processada às suas controladas/coligadas, em evidente remuneração ou reembolso pelos serviços prestados que foram subcontratados. O que havia por parte da empresa Holding, ora Processada, em relação às suas controladas era, de fato, um pagamento similar ao que se chama comumente de "faturado", tendo as coligadas prestado vários serviços durante determinados prazos e que recebiam, como de praxe, os valores relativos às despesas havidas com os transportes efetuados (reembolsos), ou mesmo o pagamento pelos serviços subcontratados, todos de forma consolidada, e devidamente faturados pelas coligadas contra a holding Processada. (...) SÍNTESE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA PROCESSADA E PELAS EMPRESAS CONTROLADAS E/OU COLIGADAS (...) A fim de operar sua finalidade, a Processada se utiliza das malhas ferroviárias e rodoviárias para transporte dos produtos que lhe são contratados, sendo que as malhas ferroviárias possuem concessões públicas, algumas das quais concedidas às controladas ou coligadas da Processada, assim como os vagões para transportes dos diferentes produtos (grãos, combustíveis, minérios, etc.) e os armazéns para alocação de ditos produtos. A exemplificar: tendo sido a Processada contratada para transportar uma carga do ponto A para o ponto C, porém, sendo a mesma detentora de empresas concessionárias das linhas ferroviárias distintas, capazes de cobrir o trajeto até os limites do ponto A ao ponto B e do ponto B ao ponto C, precisará ela se utilizar da malha férrea de duas empresas controladas para realizar o serviço contratado, fazendo chegar a carga até o seu destino final ("C"). Tal hipótese de utilização de trecho de ferrovia, cujo uso e gozo pertencem a "terceiro", surge como meio indispensável da plenitude da prestação de serviço e vem prevista no artigo 6o do Decreto n° 1.832/96 (...). Ocorre que, via de regra, a Processada subcontratava os transportes contratados pelos Clientes às suas controladas/coligadas que, por certo, receberiam o valor do transporte ao faturarem este serviço contra a controladora (sua contratante Doc. 05 correlação Notas Fiscais x DCL's). Porém, como detentora de participação relevante no capital de suas controladas/coligadas, a Processada recebia valores dos contratos junto aos seus clientes (Usiminas, BUNGE Alimentos, Cargill Agrícola, Votorantin Cimentos, Cia Brasileira de Petróleos, etc doc. 06 Cópia do Livro de entradas), relativos às operações desempenhadas individualmente por cada uma, pois que também possuíam operações independentes das havidas em conjunto com a Holding Processada sem que, com isso, houvesse qualquer pagamento por operação de crédito (Acréscimos ao Saldo Devedor) que pudesse ensejar o fato gerador do Imposto sobre Operações Financeiras. (...)"2 DO DIREITO (...) 2.1 ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL ALL do Brasil (ALL America Latina Logística Malha Sul S/A) (...) Ora Senhor Julgador, considerar como operações de empréstimo adiantamentos para futuro aumento de capital, exclusivamente por ausência de averbação em Registro Público, não resiste a nenhuma lógica, seja ela do ponto de vista do Direito Civil seja em face do Direito Tributário. Esse "formalismo" criado e exigido pelo fiscal autuante inexiste no ordenamento de regência do I0F e caracteriza de sua parte uma presunção de ilegalidade, até mesmo fraude na operação, uma simulação, no mínimo, praticada por uma empresa do quilate da contribuinte, companhia aberta, seja a Investidora seja a Receptora do investimento, ressalte-se, sujeitas, ambas, à auditoria externa e às normas da CVM. Saiba o douto fiscal autuante que fraude não se presume, tem que ser inequivocamente demonstrada, comprovada. (...) Tratando-se de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital entre 2 empresas do mesmo grupo econômico não é imperioso e indispensável que se leve a registro o documento firmado entre as partes, para que produza os devidos efeitos legais. Até mesmo para os fins judiciais, em conformidade com o art. 585, II, do CPC, o instrumento particular dispensa até a assinatura de testemunhas para produzir efeitos, necessitando a assinatura de 2 testemunhas apenas e tão somente para que se constitua em título executivo extrajudicial, mas não desnatura a força probante do documento. (...) Portanto, ao revés do afirmado pela fiscalização, não houve qualquer ou empréstimo fictício na operação sub censura, tendo toda a documentação colocada a sua disposição se prestado SIM a comprovar a legitimidade das operações, já que, independentemente da ausência de averbação dos contratos em Registro Público, ato absolutamente dispensável em se tratando de empresas do mesmo grupo e das normas do Direito Civil, os adiantamentos tiveram o seu objetivo, a destinação prévia, devidamente atingido, qual seja, o AUMENTO DE CAPITAL DA EMPRESA RECEPTORA DO INVESTIMENTO, a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S/A! Este Adiantamento Para Aumento de Capital foi devidamente formalizado pela empresa Receptora do Investimento e pode ser verificado pela Delegacia de Julgamento através do exame de cópia fiel da AGE de aumento do capital social da empresa acima citada, realizada em 18/05/2010, com registro na JUCEPAR em 25/05/2010, bem como a indispensável homologação do aumento pela Agência Nacional de Transportes Terrestres ANTT (doe. N° 07), a qual está subordinada, na qualidade de concessionária de serviços públicos, consoante Portaria SMR 9, de 28/10/2010, DOU de 05/11/2010. [...]2.1.1 ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL J. P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda. Idêntico entendimento aplicou o d. fiscal autuante no que concerne à conta de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital da controlada J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., (...) Neste ponto, mais uma vez, fica explicitada a má vontade com que o d. fiscal analisou a documentação da Processada, uma vez que os valores relativos a esta conta, que totalizava à época R$ 62.641.592,93, foram devidamente integralizados ao capital social da controlada em 30/11/2009, então já com a denominação de Multimodal Participações Ltda., através de sua 4a alteração contratual datada de 30/11/2009, registrada na JUCEPAR sob o n° 48.911/100 (doc. 09) Desta forma, mais uma vez, improcede a pretensão fiscal de exigir IOF sobre os Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFAC contabilizados à controlada J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., conforme os argumentos apresentados no tópico anterior. 2.2 CONTRATOS INTERNACIONAIS DE MÚTUO CÂMBIO PAGAMENTOS EFETUADOS DE IOF IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO O d. fiscal autuante, em sua linha de raciocínio, entendeu por bem desclassificar a contabilidade da Processada para caracterizar todo o saldo existente na conta da coligada ALL ARGENTINA (CONTA 1210502032) como sendo fato gerador do imposto sob exame, (...) Ocorre que as únicas operações de mútuo havidas entre a Processada e a 'ALL Argentina' foram devidamente comprovadas com os respectivos contratos internacionais de mútuo e seus registros perante o órgão competente, o Banco Central do Brasil, consoante comprovam os documentos constantes de fls. 278/302, já anexados a este processo. Com relação a estes contratos, a Processada efetuou regularmente os pagamentos relativos ao Imposto sobre Operações Financeiras devido, consoante PER/DCOMP ora anexada (doc. 10) (...) No que tange aos demais movimentos existentes na conta analisada pela d. fiscalização, vale relembrar o resumo das operações da Processada e suas controladas/coligadas feito acima, vez que a Processada contratava com seus clientes e subcontratava suas controladas, responsabilizando-se pelo reembolso da despesas ou pagamento pelo transporte efetuado de acordo com a necessidade de seus clientes. (...) 2.2.1 SANTA FÉ VAGÕES S/A INSTRUMENTOS PARTICULARES DE MÚTUO IOF DEVIDAMENTE RECOLHIDO E COMPROVADO IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO O mesmo procedimento foi utilizado com a controlada SANTA FÉ VAGÕES S/A, no que concerne às operações de mútuo com contratos devidamente formalizados entre as partes. O d. fiscal autuante simplesmente desconsiderou a contabilidade e os contratos apresentados, assim como não apurou ou computou os pagamentos efetuados a título de recolhimento do IOF devido, ora devidamente anexados (doc. 11), e que servem para infirmar a exigência fiscal neste particular, devendo também ser cancelada a exigência relativa à subconta 1210502014001 (fls. 406).(...) ALL OVERSEAS EXERCÍCIO DE STOCK OPTIONS NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE CRÉDITO AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCIDÊNCIA DE IOF No ponto da autuação fiscal relativo à subconta da coligada ALL OVERSEAS, apresentou a Processada à fiscalização os documentos acostados às fls. 229/236 (doc. 13), justiçando a movimentação como sendo (fls. 203): "Conta 1210502012 — Overseas: O valor constante nessa conta trata-se de depósito efetuado por beneficiário do programa de Stock Option da companhia o qual era residente no exterior Desta forma não houve contrato de câmbio para a operação. Segue anexo a ATA do conselho de Administração realizada em 09 de março de 2007. Nesta Ata os valores referentes ao beneficiário depositante constam nas letras 'A' a lF' e totalizam o valor de R$ 5.750.000,00. A diferença entre esse valor e o valor depositado refere-se a atualização do IGPM no período de março de 2007 até a data do depósito. Segue ainda a ATA de subscrição de ações para comprovação da origem do depósito. Posteriormente o valor foi transferido para a conta da ALL no Brasil." Pela leitura dos esclarecimentos acima, verifica-se que a opção de ações exercida por sócio, com a remuneração devida por elas, não se enquadra na definição de "operação de crédito" de que trata o art. 13, §1°, da Lei n° 9.779/99 (art. 2o, I, do Decreto 6306/2007), e não pode ser utilizado para majorar a base de cálculo do imposto sob censura, devendo ser cancelada a exigência neste ponto. CONTA CORRENTE OPERACIONAL EXISTENTE PARA CONTROLE DE PAGAMENTOS DAS COLIGADAS/CONTROLADAS SUBCONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS, REEMBOLSO DE DESPESAS E ESTORNOS NÃO CONSIDERADOS PONTO COMUM ÀS 11 (ONZE) EMPRESAS COLIGADAS/CONTROLADAS (...) como já apresentado anteriormente, laborou em equívoco a fiscalização por evidente desídia na análise de mais de 320.000 (trezentos e vinte mil) lançamentos, constantes da contabilidade sob a descrição de DCUs DESPACHO DE CARGA E LOTAÇÃO, que tratam da movimentação havida para a prestação do serviço de transporte pelo modal ferroviário, e que refletem claramente a movimentação, individualizada por Fornecedor e que, tendo como contrapartida os pagamentos feitos pela Holding, ora Processada, na qualidade de OTM Operador Transportador Multimodal, evidenciam a lisura do procedimento e o afastamento de qualquer argumento quanto à sua inclusão na base de cálculo do IOF, por absoluta ausência de previsão legal. (...) Ademais, este procedimento é largamente utilizado pelas maiores empresas do País que possuem coligadas que prestam serviços correlacionados, objetivando a otimização dos procedimentos financeiros de compensação, através da criação de um caixa único, para extinção de obrigações das partes signatárias, como forma de pagamento simplificado, evitando-se deslocamentos de fundos e despesas, garantindo às partes contratantes maior poder de negociação perante seus fornecedores e instituições bancárias, possibilitando, indubitavelmente, melhor administração financeira dos seus recursos. A adoção de sistema de conta-corrente de gestão única é, portanto, prática comum entre empresas coligadas de grande porte, caso da Processada, que prestam serviços a clientes comuns, já que agiliza o fluxo e a remuneração dos serviços, cujo saldo não se constitui, de forma alguma, em concessão de crédito de uma ou outra sociedade, afastando assim a tipicidade do art. 13, §1°, da Lei n° 9.779/99 (art. 2o, I, do Decreto 6306/2007). [...]Por outro lado, o conceito civil de mútuo segundo a melhor doutrina, no caso dos autos o mútuo feneratício, vai em sentido totalmente oposto àquele que o d. fiscal tenta empregar para impor a tributação de IOF à Processada, pois que o mesmo pressupõe a entrega de dinheiro à outrem, transferindo-lhe a propriedade, para que o mesmo seja utilizado pelo mutuário da forma como lhe aprouver. Assim, estamos diante de caso totalmente peculiar, pois a fiscalização não somente desclassificou toda a contabilidade da Processada como, também, utilizou-se de uma conta-corrente, de caixa único de gestão, para reunir o somatório do suposto saldo devedor diário e acréscimos ao saldo devedor, sem considerar que a Processada possui contratos em conjunto com suas coligadas e que a prática deste tipo de gestão, em negócios complexos, é largamente utilizada sem que se configure hipótese de incidência de IOF. (...) DO REQUERIMENTO DE PERÍCIA ART. 57, IV, C/C ART. 36 DO DECRETO n° 7.574/2011 NECESSIDADE DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA DOS LANÇAMENTOS A FIM DE SE APURAR OU AFASTAR OS EVENTUAIS FATOS GERADORES DO IMPOSTO OBJETO DA AUTUAÇÃO (...) Como dito anteriormente, o d. fiscal autuante, ao se deparar com a enorme quantidade de lançamentos constante dos livros razão diário, transmitidos pelo Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), e ao verificar que a sua análise criteriosa envolveria a verificação e cruzamento de informações constantes em mais de 6.400 (seis mil e quatrocentas) folhas de lançamentos, cada uma com mais de 50 lançamentos, totalizando cerca de 320.000 (trezentos e vinte mil) itens a verificar, tendo que se identificar as contraprestações de serviços, os créditos financeiros e os estornos realizados, simplesmente desconsiderou a Escrituração Contábil Digital (ECD) e glosou todos os lançamentos da conta como sendo operações de crédito sujeitas à incidência de IOF. Aplicou, sem sombra de dúvidas, a chamada "lei do menor esforço", transferindo o ônus da prova ao contribuinte, no caso, à Processada. (...) Assim, é de clareza solar que a fiscalização utilizou-se de presunções para desclassificar a escrituração da Processada, (...) Esta é a razão pela qual o deferimento de realização de perícia decorre do princípio da ampla instrução probatória e que, segundo a melhor doutrina, advém do princípio da ampla defesa, (...) Descarte requer a Processada se digne V. Sa. em determinar a realização de perícia na escrituração contábil analisada pelo d. fiscal autuante, relativa ao ano de 2009, a fim de que sejam segregados os valores dos lançamentos relativos às operações comerciais e societárias (AFAC) dos valores relacionados às operações financeiras e, destas, sejam evidenciadas quais se referem a operações de mútuo ou crédito passíveis de incidência do Imposto sobre Operações Financeiras, devendo ser computado, por seu turno, os pagamentos efetuados pela Processada a este título. (...) Sobreveio então o Acórdão 06-42.479, da 2ª Turma da DRJ/CTA, dando parcial provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: IOF. NÃO INCIDÊNCIA. AFAC. Impõe-se afastar a incidência do IOF sobre valores movimentados a título de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital AFAC quando devidamente capitalizados e registrados na Junta Comercial. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com de adiantamentos de despesas à empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma conta corrente, devendo-se apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 1232/1258, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Presenciaram o julgamento o Dr. Sol Alexander Sandrini Pereira, OAB/RJ 140.427, advogado da Recorrente, e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário e recurso de ofício interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a concessão de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 17.896.184,24, sobre os quais ainda incidem juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: 3. Os valores autuados foram apurados a partir dos fatos relatados no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls.488-492, onde a autoridade fiscal assim se manifesta: (...) 3. Da Análise aos Registros Contábeis e do Crédito Tributário Constituído; O plano de contas contábil adotado pelo sujeito passivo (holding de seu grupo econômico), relaciona no 'Realizável a Longo Prazo' (Ativo Não Circulante), a conta denominada Partes Relacionadas' (cód. 12105), a qual, em suas subcontas, quer sintéticas, quer analíticas, é representativa de fluxo de recursos financeiros entre a ALL América Latina Logística S.A. e as demais empresas conglomeradas. Nessa contextura, algumas dessas subcontas registraram no ano de 2009 freqüentes saldos diários devedores, indicando, naquele ano, as cessões de créditos da holding (mutuante), para empresas por ela controladas (mutuarias). Conseqüentemente, na forma do art. 128 do CTN (Lei n.° 5.172, de 25/10/1966) e na explícita definição da Lei n.° 9.779, de 19/10/1999, art. 13, §§ Io e 2o, a mutuante ALL América Latina Logística S.A., CNPJ n.° 02.387.241/000160 é a responsável pelo cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao IOF incidente sobre tais cessões. Sem embargo, dentro do mencionado grupamento contábil denominado 'Partes Relacionadas', as subcontas que em variados períodos do ano-calendário de 2009 apresentaram saldos devedores foram as seguintes: • 1210502032 ALL — Argentina' (conta sintética contendo as contas analíticas 1210502032001 ALL Argentina' e 1210502032002 Variação Cambial', ambas referentes a ALL América Latina Logística Central S.A., empresa argentina); • 1210502002001 ALL do Brasil' (conta analítica referente a ALL América Latina Logística Malha Sul S.A. CNPJ n.° 01.258.944/000126) • 1210502005001 ALL Intermodal (conta analítica referente a ALL América Latina Logística Intermodal S.A. CNPJ n.° 03.172.874/000114) ; • 1210502008001 Ferroban" (conta analítica referente a FERROBAN / ALL América Latina Logística Malha Paulista S.A. CNPJ n.° 02.502.844/000166) ; • 1210502007001 Ferronorte' (conta analítica referente a FERRONORTE/ALL América Latina Logística Malha Norte S.A.CNPJ n.° 24.962.466/000136); • 1210502022001 Ferronorte Locadora de Vagões* (conta analítica referente a FERRONORTE LOCADORA DE VAGÕES S.A. CNPJ n.° 09.931.497/000112) ; • 1210502031001 Jpespe' (J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. CNPJ n.° 09.085.491/000195); • 1210502009001 Novoeste' (conta analítica referente a NOVOESTE / ALL América Logística Malha Oeste S.A. CNPJ n.° 39.115.514/0001 28) ; • 1210502012001 Overseas' (conta analítica referente a ALL OVERSEAS empresa caimanesa); • 1210502011001 Portofer' (conta analítica referente a PORTOFER TRANSPORTE FERROVIÁRIO LTDA. CNPJ ^^835^8/000151); • 1210502014001 Santa Fé Vagões (conta analítica referente a SANTA FÉ VAGÕES S.A. CNPJ n.° 06.186.839/000142); Além dessas, porém fora do aludido agrupamento 'Partes Relacionadas', mas igualmente contido no 'Realizável a Longo Prazo", a conta ' 1210301001 Jpespe', componente do subgrupo '12103 Adiant p/Futuro Investimento', é mais uma conta representativa de fluxo de recursos, ou haveres, vertidos da holding para uma de suas controladas, no caso a J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. CNPJ n.° 09.085.491/000195, o que faz com que os saldos devedores dessa conta também estejam sujeitos à tributação pelo IOF, ao menos enquanto os respectivos valores cedidos não tenham sido registrados como capital social da investida ou, eventualmente, devolvidos à origem. De todo modo, no que tange as contas (i) '1210502002001 ALL do Brasil' (ALLAmérica Latina Logística Malha Sul S.A. CNPJ n.° 01.258.944/000126), (ii) '1210502032 ALL Argentina' (América Latina Logística Central S.A.). e (iii) '1210502012001 Overseas' (ALL OVERSEAS), constam dos autos, os seguintes documentos apresentados pelo sujeito passivo: (i) Instrumentos Particulares de Adiantamentos para Futuros Aumentos de Capital com os correspondentes termos de efetivação de transferências parciais de numerários, (ii) Contratos Internacionais de Mútuo e respectivos Contratos de Câmbio, e (iii) Ata de Reunião do Conselho de Administração, realizada em 09/03/2007, com Boletins de Subscrição de Ações de nº 1/63 a 6/63. Nada obstante, no que concerne à primeira dessas contas ('1210502002001 ALL do Brasil"), os referidos instrumentos particulares, dois no total, foram firmados, respectivamente, em 09/06/2009 e 09/12/2009, descrevendo adiantamentos para futuro aumento de capital orçados, no primeiro documento, em até R$ 150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de reais), a serem efetuados entre 10/06/2009 e 05/12/2009, e, no segundo, com orçamento previsto de até R$ 325.000.000,00 (trezentos e vinte e cinco milhões de reais), em adiantamentos efetuáveis no período de 09/12/2009 a 18/05/2010. Nesse caso, quer os Instrumentos Particulares de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital apresentados, quer os correspondentes termos dos adiantamentos parciais, não se prestam para comprovar seus efeitos junto a terceiros, visto que, na ocasião em que foram elaborados, não foram levados a registro público, em clara oposição e, portanto, ao desamparo do que preconiza o art. 221 do Código Civil (Lei n. 10.406, de 10/01/2002). Ademais esses documentos se referem genericamente a limites "até" os montantes citados, caracterizando, na verdade a cessão de créditos rotativos, sem clara definição do valor do principal a ser realmente utilizado nas operações creditórias que reportam. Relativamente à segunda conta citada ('1210502032 ALL Argentina'), os Contratos Internacionais de Mútuo, ainda que acompanhados dos respectivos contratos de câmbio, também não se aproveitam para a demonstração cabal junto a terceiros, de que os valores cedidos, as condições e os prazos de devolução que descrevem, foram de fato pré-estabelecidas, haja vista que, além da aparente falta de registro da data de reconhecimento cartorial das assinaturas firmadas por representantes da mutuante (ALLAmérica Latina Logística S.A.), observa-se também, ainda nos citados contratos de mútuo, a completa ausência de qualquer assinatura nos respectivos campos reservados a representantes da mutuária (América Latina Logística Central S.A. ALL Argentina). Já com relação à terceira conta mencionada, em que pese o prévio registro público dos documentos apresentados, eles, na verdade, referem-se a condições e prazos fixados para aquisição de ações emitidas pela própria ALL América Latina Logística S.A., sem que os respectivos textos façam qualquer menção a Overseas (ALL OVERSEAS). Portanto, tais documentos, per se, não podem ser tomados como comprobatórios de algum virtual acordo, eventualmente selado entre a ALL América Latina Logística S.A. e a destinatária contábil dos recursos escriturados a debito na conta 1210502012001 Overseas'. Dessa maneira, diante da ausência de inconteste documentação comprobatória de que as partes envolvidas (mutuante e mutuarias) estabeleceram previamente os montantes das operações de mútuos que, entre si, efetuariam no transcorrer do ano de 2009, tem-se que a incidência tributária do IOF relativa a toda e qualquer das contas contábeis discriminadas no presente Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal se enquadra na situação prevista na redação atual do art. 7o, I, "a' do Decreto 6.303, de 2007, ou seja, a que se aplica aos créditos rotativos, em que não há prévia definição do valor do principal a ser utilizado em tais operações creditórias. Assim, não só os respectivos somatórios mensais dos saldos devedores diários dessas contas sujeitam-se ao IOF à alíquota de 0,0041%, mas, nesse caso, também o somatório mensal dos acréscimos diários devedores, dessas mesmas contas, submete-se à alíquota adicional de 0,38%, conforme prescrevem os §§ 15 e 16 desse citado art. 7º, do Decreto n.° 6.303, de 2007. (...) 4. A contribuinte foi cientificada da exigência em 27/03/2013. Na impugnação de fls. 508-534, argumenta: (...) como será objeto de esclarecimento nas páginas seguintes, a Processada teve, pelo d. fiscal autuante, a sua contabilidade desconsiderada para os efeitos de apuração da base de cálculo do imposto objeto da exigência ora guerreada, fazendo incidir sobre todos os valores constantes do saldo das contas das subsidiárias as alíquotas de 0,0041% e 0,38%, de acordo com critério próprio e que, em muitas das vezes, carece de fundamento legal para sua imposição. O que, de fato, ocorreu na contabilidade apresentada e analisada pela fiscalização foi que os valores que eventualmente serviram de empréstimos para as controladas da Processada, com seus devidos contratos de mútuo e com o IOF devidamente recolhido, foram creditados nas contas operacionais existentes entre a Processada e suas controladas/coligadas, já que o sujeito passivo se constitui em uma empresa que opera como OTM OPERADOR TRANSPORTADOR MULTIMODAL DE CARGAS, devidamente autorizado pela ANTT (doc. 02). Desta forma, caso o d. fiscal autuante tivesse seccionado as operações, distinguindo e identificando os valores que se direcionavam a reembolso de despesas, adiantamento para futuro aumento de capital ou, ainda, transferências para PAGAMENTO de transporte ferroviário de cargas, transportes estes subcontratados pela Processada às suas controladas/coligadas/subsidiárias, verificaria que todas os lançamentos contábeis estão em conformidade com as determinações legais e que nenhum prejuízo ao Erário foi impingido. Como se vê, houve desídia da fiscalização na apuração concreta dos fatos geradores do imposto ora inquinado já que, somente a planilha contendo a identificação pormenorizada das relações comerciais operacionais havidas entre as empresas, denominadas DCL's (Despacho de Carga Lotação), conta com mais de 6.400 (seis mil e quatrocentas) páginas, com lançamentos individuais das faturas com clientes (doc. 03 amostragem) e que, ao final, serviriam de base para que o pagamento fosse realizado pela Processada às suas controladas/coligadas, em evidente remuneração ou reembolso pelos serviços prestados que foram subcontratados. O que havia por parte da empresa Holding, ora Processada, em relação às suas controladas era, de fato, um pagamento similar ao que se chama comumente de "faturado", tendo as coligadas prestado vários serviços durante determinados prazos e que recebiam, como de praxe, os valores relativos às despesas havidas com os transportes efetuados (reembolsos), ou mesmo o pagamento pelos serviços subcontratados, todos de forma consolidada, e devidamente faturados pelas coligadas contra a holding Processada. (...) SÍNTESE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA PROCESSADA E PELAS EMPRESAS CONTROLADAS E/OU COLIGADAS (...) A fim de operar sua finalidade, a Processada se utiliza das malhas ferroviárias e rodoviárias para transporte dos produtos que lhe são contratados, sendo que as malhas ferroviárias possuem concessões públicas, algumas das quais concedidas às controladas ou coligadas da Processada, assim como os vagões para transportes dos diferentes produtos (grãos, combustíveis, minérios, etc.) e os armazéns para alocação de ditos produtos. A exemplificar: tendo sido a Processada contratada para transportar uma carga do ponto A para o ponto C, porém, sendo a mesma detentora de empresas concessionárias das linhas ferroviárias distintas, capazes de cobrir o trajeto até os limites do ponto A ao ponto B e do ponto B ao ponto C, precisará ela se utilizar da malha férrea de duas empresas controladas para realizar o serviço contratado, fazendo chegar a carga até o seu destino final ("C"). Tal hipótese de utilização de trecho de ferrovia, cujo uso e gozo pertencem a "terceiro", surge como meio indispensável da plenitude da prestação de serviço e vem prevista no artigo 6o do Decreto n° 1.832/96 (...). Ocorre que, via de regra, a Processada subcontratava os transportes contratados pelos Clientes às suas controladas/coligadas que, por certo, receberiam o valor do transporte ao faturarem este serviço contra a controladora (sua contratante Doc. 05 correlação Notas Fiscais x DCL's). Porém, como detentora de participação relevante no capital de suas controladas/coligadas, a Processada recebia valores dos contratos junto aos seus clientes (Usiminas, BUNGE Alimentos, Cargill Agrícola, Votorantin Cimentos, Cia Brasileira de Petróleos, etc doc. 06 Cópia do Livro de entradas), relativos às operações desempenhadas individualmente por cada uma, pois que também possuíam operações independentes das havidas em conjunto com a Holding Processada sem que, com isso, houvesse qualquer pagamento por operação de crédito (Acréscimos ao Saldo Devedor) que pudesse ensejar o fato gerador do Imposto sobre Operações Financeiras. (...)"2 DO DIREITO (...) 2.1 ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL ALL do Brasil (ALL America Latina Logística Malha Sul S/A) (...) Ora Senhor Julgador, considerar como operações de empréstimo adiantamentos para futuro aumento de capital, exclusivamente por ausência de averbação em Registro Público, não resiste a nenhuma lógica, seja ela do ponto de vista do Direito Civil seja em face do Direito Tributário. Esse "formalismo" criado e exigido pelo fiscal autuante inexiste no ordenamento de regência do I0F e caracteriza de sua parte uma presunção de ilegalidade, até mesmo fraude na operação, uma simulação, no mínimo, praticada por uma empresa do quilate da contribuinte, companhia aberta, seja a Investidora seja a Receptora do investimento, ressalte-se, sujeitas, ambas, à auditoria externa e às normas da CVM. Saiba o douto fiscal autuante que fraude não se presume, tem que ser inequivocamente demonstrada, comprovada. (...) Tratando-se de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital entre 2 empresas do mesmo grupo econômico não é imperioso e indispensável que se leve a registro o documento firmado entre as partes, para que produza os devidos efeitos legais. Até mesmo para os fins judiciais, em conformidade com o art. 585, II, do CPC, o instrumento particular dispensa até a assinatura de testemunhas para produzir efeitos, necessitando a assinatura de 2 testemunhas apenas e tão somente para que se constitua em título executivo extrajudicial, mas não desnatura a força probante do documento. (...) Portanto, ao revés do afirmado pela fiscalização, não houve qualquer ou empréstimo fictício na operação sub censura, tendo toda a documentação colocada a sua disposição se prestado SIM a comprovar a legitimidade das operações, já que, independentemente da ausência de averbação dos contratos em Registro Público, ato absolutamente dispensável em se tratando de empresas do mesmo grupo e das normas do Direito Civil, os adiantamentos tiveram o seu objetivo, a destinação prévia, devidamente atingido, qual seja, o AUMENTO DE CAPITAL DA EMPRESA RECEPTORA DO INVESTIMENTO, a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S/A! Este Adiantamento Para Aumento de Capital foi devidamente formalizado pela empresa Receptora do Investimento e pode ser verificado pela Delegacia de Julgamento através do exame de cópia fiel da AGE de aumento do capital social da empresa acima citada, realizada em 18/05/2010, com registro na JUCEPAR em 25/05/2010, bem como a indispensável homologação do aumento pela Agência Nacional de Transportes Terrestres ANTT (doe. N° 07), a qual está subordinada, na qualidade de concessionária de serviços públicos, consoante Portaria SMR 9, de 28/10/2010, DOU de 05/11/2010. [...]2.1.1 ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM JUNTA COMERCIAL J. P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda. Idêntico entendimento aplicou o d. fiscal autuante no que concerne à conta de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital da controlada J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., (...) Neste ponto, mais uma vez, fica explicitada a má vontade com que o d. fiscal analisou a documentação da Processada, uma vez que os valores relativos a esta conta, que totalizava à época R$ 62.641.592,93, foram devidamente integralizados ao capital social da controlada em 30/11/2009, então já com a denominação de Multimodal Participações Ltda., através de sua 4a alteração contratual datada de 30/11/2009, registrada na JUCEPAR sob o n° 48.911/100 (doc. 09) Desta forma, mais uma vez, improcede a pretensão fiscal de exigir IOF sobre os Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFAC contabilizados à controlada J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., conforme os argumentos apresentados no tópico anterior. 2.2 CONTRATOS INTERNACIONAIS DE MÚTUO CÂMBIO PAGAMENTOS EFETUADOS DE IOF IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO O d. fiscal autuante, em sua linha de raciocínio, entendeu por bem desclassificar a contabilidade da Processada para caracterizar todo o saldo existente na conta da coligada ALL ARGENTINA (CONTA 1210502032) como sendo fato gerador do imposto sob exame, (...) Ocorre que as únicas operações de mútuo havidas entre a Processada e a 'ALL Argentina' foram devidamente comprovadas com os respectivos contratos internacionais de mútuo e seus registros perante o órgão competente, o Banco Central do Brasil, consoante comprovam os documentos constantes de fls. 278/302, já anexados a este processo. Com relação a estes contratos, a Processada efetuou regularmente os pagamentos relativos ao Imposto sobre Operações Financeiras devido, consoante PER/DCOMP ora anexada (doc. 10) (...) No que tange aos demais movimentos existentes na conta analisada pela d. fiscalização, vale relembrar o resumo das operações da Processada e suas controladas/coligadas feito acima, vez que a Processada contratava com seus clientes e subcontratava suas controladas, responsabilizando-se pelo reembolso da despesas ou pagamento pelo transporte efetuado de acordo com a necessidade de seus clientes. (...) 2.2.1 SANTA FÉ VAGÕES S/A INSTRUMENTOS PARTICULARES DE MÚTUO IOF DEVIDAMENTE RECOLHIDO E COMPROVADO IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO O mesmo procedimento foi utilizado com a controlada SANTA FÉ VAGÕES S/A, no que concerne às operações de mútuo com contratos devidamente formalizados entre as partes. O d. fiscal autuante simplesmente desconsiderou a contabilidade e os contratos apresentados, assim como não apurou ou computou os pagamentos efetuados a título de recolhimento do IOF devido, ora devidamente anexados (doc. 11), e que servem para infirmar a exigência fiscal neste particular, devendo também ser cancelada a exigência relativa à subconta 1210502014001 (fls. 406).(...) ALL OVERSEAS EXERCÍCIO DE STOCK OPTIONS NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE CRÉDITO AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCIDÊNCIA DE IOF No ponto da autuação fiscal relativo à subconta da coligada ALL OVERSEAS, apresentou a Processada à fiscalização os documentos acostados às fls. 229/236 (doc. 13), justiçando a movimentação como sendo (fls. 203): "Conta 1210502012 — Overseas: O valor constante nessa conta trata-se de depósito efetuado por beneficiário do programa de Stock Option da companhia o qual era residente no exterior Desta forma não houve contrato de câmbio para a operação. Segue anexo a ATA do conselho de Administração realizada em 09 de março de 2007. Nesta Ata os valores referentes ao beneficiário depositante constam nas letras 'A' a lF' e totalizam o valor de R$ 5.750.000,00. A diferença entre esse valor e o valor depositado refere-se a atualização do IGPM no período de março de 2007 até a data do depósito. Segue ainda a ATA de subscrição de ações para comprovação da origem do depósito. Posteriormente o valor foi transferido para a conta da ALL no Brasil." Pela leitura dos esclarecimentos acima, verifica-se que a opção de ações exercida por sócio, com a remuneração devida por elas, não se enquadra na definição de "operação de crédito" de que trata o art. 13, §1°, da Lei n° 9.779/99 (art. 2o, I, do Decreto 6306/2007), e não pode ser utilizado para majorar a base de cálculo do imposto sob censura, devendo ser cancelada a exigência neste ponto. CONTA CORRENTE OPERACIONAL EXISTENTE PARA CONTROLE DE PAGAMENTOS DAS COLIGADAS/CONTROLADAS SUBCONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS, REEMBOLSO DE DESPESAS E ESTORNOS NÃO CONSIDERADOS PONTO COMUM ÀS 11 (ONZE) EMPRESAS COLIGADAS/CONTROLADAS (...) como já apresentado anteriormente, laborou em equívoco a fiscalização por evidente desídia na análise de mais de 320.000 (trezentos e vinte mil) lançamentos, constantes da contabilidade sob a descrição de DCUs DESPACHO DE CARGA E LOTAÇÃO, que tratam da movimentação havida para a prestação do serviço de transporte pelo modal ferroviário, e que refletem claramente a movimentação, individualizada por Fornecedor e que, tendo como contrapartida os pagamentos feitos pela Holding, ora Processada, na qualidade de OTM Operador Transportador Multimodal, evidenciam a lisura do procedimento e o afastamento de qualquer argumento quanto à sua inclusão na base de cálculo do IOF, por absoluta ausência de previsão legal. (...) Ademais, este procedimento é largamente utilizado pelas maiores empresas do País que possuem coligadas que prestam serviços correlacionados, objetivando a otimização dos procedimentos financeiros de compensação, através da criação de um caixa único, para extinção de obrigações das partes signatárias, como forma de pagamento simplificado, evitando-se deslocamentos de fundos e despesas, garantindo às partes contratantes maior poder de negociação perante seus fornecedores e instituições bancárias, possibilitando, indubitavelmente, melhor administração financeira dos seus recursos. A adoção de sistema de conta-corrente de gestão única é, portanto, prática comum entre empresas coligadas de grande porte, caso da Processada, que prestam serviços a clientes comuns, já que agiliza o fluxo e a remuneração dos serviços, cujo saldo não se constitui, de forma alguma, em concessão de crédito de uma ou outra sociedade, afastando assim a tipicidade do art. 13, §1°, da Lei n° 9.779/99 (art. 2o, I, do Decreto 6306/2007). [...]Por outro lado, o conceito civil de mútuo segundo a melhor doutrina, no caso dos autos o mútuo feneratício, vai em sentido totalmente oposto àquele que o d. fiscal tenta empregar para impor a tributação de IOF à Processada, pois que o mesmo pressupõe a entrega de dinheiro à outrem, transferindo-lhe a propriedade, para que o mesmo seja utilizado pelo mutuário da forma como lhe aprouver. Assim, estamos diante de caso totalmente peculiar, pois a fiscalização não somente desclassificou toda a contabilidade da Processada como, também, utilizou-se de uma conta-corrente, de caixa único de gestão, para reunir o somatório do suposto saldo devedor diário e acréscimos ao saldo devedor, sem considerar que a Processada possui contratos em conjunto com suas coligadas e que a prática deste tipo de gestão, em negócios complexos, é largamente utilizada sem que se configure hipótese de incidência de IOF. (...) DO REQUERIMENTO DE PERÍCIA ART. 57, IV, C/C ART. 36 DO DECRETO n° 7.574/2011 NECESSIDADE DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA DOS LANÇAMENTOS A FIM DE SE APURAR OU AFASTAR OS EVENTUAIS FATOS GERADORES DO IMPOSTO OBJETO DA AUTUAÇÃO (...) Como dito anteriormente, o d. fiscal autuante, ao se deparar com a enorme quantidade de lançamentos constante dos livros razão diário, transmitidos pelo Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), e ao verificar que a sua análise criteriosa envolveria a verificação e cruzamento de informações constantes em mais de 6.400 (seis mil e quatrocentas) folhas de lançamentos, cada uma com mais de 50 lançamentos, totalizando cerca de 320.000 (trezentos e vinte mil) itens a verificar, tendo que se identificar as contraprestações de serviços, os créditos financeiros e os estornos realizados, simplesmente desconsiderou a Escrituração Contábil Digital (ECD) e glosou todos os lançamentos da conta como sendo operações de crédito sujeitas à incidência de IOF. Aplicou, sem sombra de dúvidas, a chamada "lei do menor esforço", transferindo o ônus da prova ao contribuinte, no caso, à Processada. (...) Assim, é de clareza solar que a fiscalização utilizou-se de presunções para desclassificar a escrituração da Processada, (...) Esta é a razão pela qual o deferimento de realização de perícia decorre do princípio da ampla instrução probatória e que, segundo a melhor doutrina, advém do princípio da ampla defesa, (...) Descarte requer a Processada se digne V. Sa. em determinar a realização de perícia na escrituração contábil analisada pelo d. fiscal autuante, relativa ao ano de 2009, a fim de que sejam segregados os valores dos lançamentos relativos às operações comerciais e societárias (AFAC) dos valores relacionados às operações financeiras e, destas, sejam evidenciadas quais se referem a operações de mútuo ou crédito passíveis de incidência do Imposto sobre Operações Financeiras, devendo ser computado, por seu turno, os pagamentos efetuados pela Processada a este título. (...) Sobreveio então o Acórdão 06-42.479, da 2ª Turma da DRJ/CTA, dando parcial provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: IOF. NÃO INCIDÊNCIA. AFAC. Impõe-se afastar a incidência do IOF sobre valores movimentados a título de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital AFAC quando devidamente capitalizados e registrados na Junta Comercial. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com de adiantamentos de despesas à empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma conta corrente, devendo-se apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 1232/1258, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2084; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 111          1 110  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.721730/2013­38  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  3402­000.786  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de abril de 2016  Assunto  IOF  Recorrentes  ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A.              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos  termos do voto da Relatora. Presenciaram o  julgamento o Dr.  Sol  Alexander  Sandrini  Pereira,  OAB/RJ  140.427,  advogado  da  Recorrente,  e  o  Dr.  Pedro  Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional.  (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora   Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.     Relatório  Trata­se de recurso voluntário e recurso de ofício interposto em face da decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR, que julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  sobre  a  cobrança  de  Imposto  sobre  Operações  de  Crédito,  Câmbio  e  Seguros  ou  Relativa  a  Títulos  ou  Valores  Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em  apertada  síntese,  sobre  a  concessão  de  empréstimos  entre  empresas  do mesmo grupo,  sem o     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 21 73 0/ 20 13 -3 8 Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 112          2 respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 17.896.184,24, sobre os quais ainda incidem  juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%.  Por  bem  consolidar  os  fatos  ocorridos  até  a  decisão  da DRJ,  com  riqueza  de  detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis:  3. Os valores autuados foram apurados a partir dos fatos relatados no  Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de  fls.488­492,  onde a autoridade fiscal assim se manifesta:  (...)  3.  Da  Análise  aos  Registros  Contábeis  e  do  Crédito  Tributário  Constituído; O plano de  contas  contábil  adotado pelo  sujeito passivo  (holding  de  seu  grupo  econômico),  relaciona  no  'Realizável  a  Longo  Prazo'  (Ativo  Não  Circulante),  a  conta  denominada  Partes  Relacionadas' (cód. 12105), a qual, em suas subcontas, quer sintéticas,  quer analíticas, é representativa de fluxo de recursos financeiros entre  a  ALL  América  Latina  Logística  S.A.  e  as  demais  empresas  conglomeradas.  Nessa  contextura,  algumas  dessas  subcontas  registraram  no  ano  de  2009  freqüentes  saldos  diários devedores,  indicando, naquele ano, as  cessões  de  créditos  da  holding  (mutuante),  para  empresas  por  ela  controladas (mutuarias).  Conseqüentemente,  na  forma  do  art.  128  do  CTN  (Lei  n.°  5.172,  de  25/10/1966)  e na  explícita definição da Lei n.° 9.779, de 19/10/1999,  art.  13,  §§  Io  e  2o,  a  mutuante  ALL  América  Latina  Logística  S.A.,  CNPJ  n.°  02.387.241/000160  é  a  responsável  pelo  cumprimento  da  obrigação  tributária  principal  relativa  ao  IOF  incidente  sobre  tais  cessões.  Sem embargo, dentro do mencionado grupamento contábil denominado  'Partes Relacionadas', as subcontas que em variados períodos do ano­ calendário de 2009 apresentaram saldos devedores foram as seguintes:  •  1210502032 ALL — Argentina'  (conta  sintética  contendo  as  contas  analíticas 1210502032001 ALL Argentina' e 1210502032002 Variação  Cambial',  ambas  referentes  a  ALL  América  Latina  Logística  Central  S.A., empresa argentina);  •  1210502002001  ALL  do  Brasil'  (conta  analítica  referente  a  ALL  América  Latina  Logística  Malha  Sul  S.A.  CNPJ  n.°  01.258.944/000126)  •  1210502005001  ALL  Intermodal  (conta  analítica  referente  a  ALL  América  Latina  Logística  Intermodal  S.A.  CNPJ  n.°  03.172.874/000114)  ;  •  1210502008001  Ferroban"  (conta  analítica  referente  a  FERROBAN  /  ALL  América  Latina  Logística  Malha  Paulista  S.A.  CNPJ  n.°  02.502.844/000166)  ;  •  1210502007001  Ferronorte'  (conta  analítica  referente  a FERRONORTE/ALL América  Latina Logística Malha Norte S.A.CNPJ n.° 24.962.466/000136);  •  1210502022001  Ferronorte  Locadora  de  Vagões*  (conta  analítica  referente a FERRONORTE LOCADORA DE VAGÕES S.A. CNPJ n.°  Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 113          3 09.931.497/000112)  ;  •  1210502031001  Jpespe'  (J.P.E.S.P.E  Empreendimentos e Participações Ltda. CNPJ n.° 09.085.491/000195);  • 1210502009001 Novoeste' (conta analítica referente a NOVOESTE /  ALL América  Logística Malha Oeste  S.A.  CNPJ  n.°  39.115.514/0001  28)  ;  •  1210502012001  Overseas'  (conta  analítica  referente  a  ALL  OVERSEAS empresa caimanesa);  •  1210502011001  Portofer'  (conta  analítica  referente  a  PORTOFER  TRANSPORTE FERROVIÁRIO LTDA. CNPJ ^^835^8/000151);  • 1210502014001 Santa Fé Vagões (conta analítica referente a SANTA  FÉ VAGÕES S.A. CNPJ n.° 06.186.839/000142);  Além  dessas,  porém  fora  do  aludido  agrupamento  'Partes  Relacionadas', mas igualmente contido no 'Realizável a Longo Prazo",  a conta ' 1210301001 Jpespe', componente do subgrupo '12103 Adiant  p/Futuro  Investimento',  é  mais  uma  conta  representativa  de  fluxo  de  recursos,  ou  haveres,  vertidos  da  holding  para  uma  de  suas  controladas,  no  caso a  J.P.E.S.P.E Empreendimentos  e Participações  Ltda.  CNPJ  n.°  09.085.491/000195,  o  que  faz  com  que  os  saldos  devedores dessa conta também estejam sujeitos à tributação pelo IOF,  ao  menos  enquanto  os  respectivos  valores  cedidos  não  tenham  sido  registrados  como  capital  social  da  investida  ou,  eventualmente,  devolvidos à origem.  De  todo  modo,  no  que  tange  as  contas  (i)  '1210502002001  ALL  do  Brasil'  (ALLAmérica  Latina  Logística  Malha  Sul  S.A.  CNPJ  n.°  01.258.944/000126), (ii) '1210502032 ALL Argentina' (América Latina  Logística  Central  S.A.).  e  (iii)  '1210502012001  Overseas'  (ALL  OVERSEAS),  constam  dos  autos,  os  seguintes  documentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo:  (i)  Instrumentos  Particulares  de  Adiantamentos  para  Futuros  Aumentos  de  Capital  com  os  correspondentes  termos  de  efetivação  de  transferências  parciais  de  numerários,  (ii)  Contratos  Internacionais  de  Mútuo  e  respectivos  Contratos  de  Câmbio,  e  (iii)  Ata  de  Reunião  do  Conselho  de  Administração,  realizada  em 09/03/2007,  com Boletins  de  Subscrição  de Ações de nº 1/63 a 6/63.  Nada  obstante,  no  que  concerne  à  primeira  dessas  contas  ('1210502002001  ALL  do  Brasil"),  os  referidos  instrumentos  particulares,  dois  no  total,  foram  firmados,  respectivamente,  em  09/06/2009  e  09/12/2009,  descrevendo  adiantamentos  para  futuro  aumento  de  capital  orçados,  no  primeiro  documento,  em  até  R$  150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de reais), a serem efetuados  entre 10/06/2009 e 05/12/2009, e, no segundo, com orçamento previsto  de até R$ 325.000.000,00 (trezentos e vinte e cinco milhões de reais),  em adiantamentos efetuáveis no período de 09/12/2009 a 18/05/2010.  Nesse  caso,  quer  os  Instrumentos Particulares  de Adiantamento  para  Futuro  Aumento  de  Capital  apresentados,  quer  os  correspondentes  termos  dos  adiantamentos  parciais,  não  se  prestam  para  comprovar  seus  efeitos  junto  a  terceiros,  visto  que,  na  ocasião  em  que  foram  elaborados, não foram levados a registro público, em clara oposição e,  portanto,  ao desamparo do que preconiza o art.  221 do Código Civil  (Lei n. 10.406, de 10/01/2002).  Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 114          4 Ademais esses documentos se referem genericamente a limites "até" os  montantes  citados,  caracterizando,  na  verdade  a  cessão  de  créditos  rotativos,  sem  clara  definição  do  valor  do  principal  a  ser  realmente  utilizado nas operações creditórias que reportam.  Relativamente à  segunda conta citada  ('1210502032 ALL Argentina'),  os Contratos  Internacionais  de Mútuo,  ainda  que  acompanhados  dos  respectivos  contratos  de  câmbio,  também  não  se  aproveitam  para  a  demonstração  cabal  junto  a  terceiros,  de  que  os  valores  cedidos,  as  condições e os prazos de devolução que descrevem, foram de fato pré­ estabelecidas,  haja  vista  que,  além  da  aparente  falta  de  registro  da  data  de  reconhecimento  cartorial  das  assinaturas  firmadas  por  representantes  da  mutuante  (ALLAmérica  Latina  Logística  S.A.),  observa­se também, ainda nos citados contratos de mútuo, a completa  ausência de qualquer assinatura nos respectivos campos reservados a  representantes  da  mutuária  (América  Latina  Logística  Central  S.A.  ALL Argentina).  Já  com  relação  à  terceira  conta  mencionada,  em  que  pese  o  prévio  registro  público  dos  documentos  apresentados,  eles,  na  verdade,  referem­se  a  condições  e  prazos  fixados  para  aquisição  de  ações  emitidas pela própria ALL América Latina Logística S.A., sem que os  respectivos  textos  façam  qualquer  menção  a  Overseas  (ALL  OVERSEAS).  Portanto,  tais  documentos,  per  se,  não  podem  ser  tomados  como  comprobatórios de algum virtual acordo, eventualmente selado entre a  ALL  América  Latina  Logística  S.A.  e  a  destinatária  contábil  dos  recursos escriturados a debito na conta 1210502012001 Overseas'.  Dessa  maneira,  diante  da  ausência  de  inconteste  documentação  comprobatória  de  que  as  partes  envolvidas  (mutuante  e  mutuarias)  estabeleceram previamente os montantes das operações de mútuos que,  entre  si,  efetuariam  no  transcorrer  do  ano  de  2009,  tem­se  que  a  incidência  tributária  do  IOF  relativa  a  toda  e  qualquer  das  contas  contábeis  discriminadas  no  presente  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  de  Ação  Fiscal  se  enquadra  na  situação  prevista  na  redação atual do art. 7o, I, "a' do Decreto 6.303, de 2007, ou seja, a  que se aplica aos créditos rotativos, em que não há prévia definição do  valor do principal a ser utilizado em tais operações creditórias.  Assim, não só os respectivos somatórios mensais dos saldos devedores  diários dessas contas sujeitam­se ao IOF à alíquota de 0,0041%, mas,  nesse  caso,  também  o  somatório  mensal  dos  acréscimos  diários  devedores,  dessas mesmas contas,  submete­se à alíquota adicional de  0,38%,  conforme  prescrevem  os  §§  15  e  16  desse  citado  art.  7º,  do  Decreto n.° 6.303, de 2007.  (...)  4.  A  contribuinte  foi  cientificada  da  exigência  em  27/03/2013.  Na  impugnação de fls. 508­534, argumenta:  (...)  como  será  objeto  de  esclarecimento  nas  páginas  seguintes,  a  Processada  teve,  pelo  d.  fiscal  autuante,  a  sua  contabilidade  desconsiderada  para  os  efeitos  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 115          5 imposto objeto da exigência ora guerreada, fazendo incidir sobre todos  os valores constantes do saldo das contas das subsidiárias as alíquotas  de 0,0041% e 0,38%, de acordo com critério próprio e que, em muitas  das vezes, carece de fundamento legal para sua imposição.  O que, de fato, ocorreu na contabilidade apresentada e analisada pela  fiscalização  foi  que  os  valores  que  eventualmente  serviram  de  empréstimos  para  as  controladas  da  Processada,  com  seus  devidos  contratos  de  mútuo  e  com  o  IOF  devidamente  recolhido,  foram  creditados  nas  contas  operacionais  existentes  entre  a  Processada  e  suas  controladas/coligadas,  já  que  o  sujeito  passivo  se  constitui  em  uma empresa que opera como OTM OPERADOR TRANSPORTADOR  MULTIMODAL  DE  CARGAS,  devidamente  autorizado  pela  ANTT  (doc. 02).  Desta forma, caso o d. fiscal autuante tivesse seccionado as operações,  distinguindo  e  identificando  os  valores  que  se  direcionavam  a  reembolso de despesas,  adiantamento para  futuro aumento de  capital  ou, ainda, transferências para PAGAMENTO de transporte ferroviário  de  cargas,  transportes  estes  subcontratados  pela  Processada  às  suas  controladas/coligadas/subsidiárias,  verificaria  que  todas  os  lançamentos  contábeis  estão  em  conformidade  com as  determinações  legais e que nenhum prejuízo ao Erário foi impingido.  Como  se  vê,  houve desídia da  fiscalização na apuração concreta dos  fatos geradores do  imposto ora  inquinado  já que,  somente a planilha  contendo  a  identificação  pormenorizada  das  relações  comerciais  operacionais  havidas  entre  as  empresas,  denominadas  DCL's  (Despacho  de  Carga  Lotação),  conta  com mais  de  6.400  (seis  mil  e  quatrocentas)  páginas,  com  lançamentos  individuais  das  faturas  com  clientes  (doc. 03 amostragem) e que, ao  final, serviriam de base para  que  o  pagamento  fosse  realizado  pela  Processada  às  suas  controladas/coligadas,  em  evidente  remuneração  ou  reembolso  pelos  serviços prestados que foram subcontratados.  O  que  havia  por  parte  da  empresa  Holding,  ora  Processada,  em  relação às suas controladas era, de fato, um pagamento similar ao que  se chama comumente de "faturado", tendo as coligadas prestado vários  serviços durante determinados prazos e que recebiam, como de praxe,  os valores relativos às despesas havidas com os transportes efetuados  (reembolsos),  ou mesmo  o  pagamento  pelos  serviços  subcontratados,  todos de  forma consolidada, e devidamente  faturados pelas coligadas  contra a holding Processada.  (...)  SÍNTESE  DAS  OPERAÇÕES  REALIZADAS  PELA  PROCESSADA  E  PELAS EMPRESAS CONTROLADAS E/OU COLIGADAS (...)  A  fim  de  operar  sua  finalidade,  a  Processada  se  utiliza  das  malhas  ferroviárias  e  rodoviárias  para  transporte  dos  produtos  que  lhe  são  contratados,  sendo  que  as  malhas  ferroviárias  possuem  concessões  públicas,  algumas  das  quais  concedidas  às  controladas  ou  coligadas  da Processada, assim como os vagões para transportes dos diferentes  produtos  (grãos,  combustíveis,  minérios,  etc.)  e  os  armazéns  para  alocação de ditos produtos.  Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 116          6 A exemplificar:  tendo sido a Processada contratada para  transportar  uma  carga  do  ponto  A  para  o  ponto  C,  porém,  sendo  a  mesma  detentora  de  empresas  concessionárias  das  linhas  ferroviárias  distintas, capazes de cobrir o trajeto até os limites do ponto A ao ponto  B e do ponto B ao ponto C, precisará ela se utilizar da malha férrea de  duas empresas controladas para realizar o serviço contratado, fazendo  chegar a carga até o seu destino final ("C").  Tal  hipótese  de  utilização  de  trecho  de  ferrovia,  cujo  uso  e  gozo  pertencem a "terceiro", surge como meio indispensável da plenitude da  prestação  de  serviço  e  vem  prevista  no  artigo  6o  do  Decreto  n°  1.832/96 (...).  Ocorre que, via de  regra, a Processada subcontratava os  transportes  contratados  pelos  Clientes  às  suas  controladas/coligadas  que,  por  certo,  receberiam  o  valor  do  transporte  ao  faturarem  este  serviço  contra  a  controladora  (sua  contratante  Doc.  05  correlação  Notas  Fiscais x DCL's).  Porém,  como  detentora  de  participação  relevante  no  capital  de  suas  controladas/coligadas,  a  Processada  recebia  valores  dos  contratos  junto aos seus clientes (Usiminas, BUNGE Alimentos, Cargill Agrícola,  Votorantin Cimentos, Cia Brasileira de Petróleos, etc doc. 06 Cópia do  Livro  de  entradas),  relativos  às  operações  desempenhadas  individualmente por cada uma, pois que  também possuíam operações  independentes das havidas em conjunto com a Holding Processada sem  que, com isso, houvesse qualquer pagamento por operação de crédito  (Acréscimos ao Saldo Devedor) que pudesse ensejar o fato gerador do  Imposto sobre Operações Financeiras.  (...)"2 DO DIREITO (...)  2.1  ADIANTAMENTO  PARA  FUTURO  AUMENTO  DE  CAPITAL  (AFAC)  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL  REGISTRO  EM  JUNTA  COMERCIAL ALL do Brasil (ALL America Latina Logística Malha Sul  S/A)  (...)  Ora  Senhor  Julgador,  considerar  como  operações  de  empréstimo  adiantamentos  para  futuro  aumento  de  capital,  exclusivamente  por  ausência  de  averbação  em  Registro  Público,  não  resiste  a  nenhuma  lógica,  seja  ela  do  ponto  de  vista  do  Direito  Civil  seja  em  face  do  Direito Tributário.  Esse  "formalismo"  criado  e  exigido  pelo  fiscal  autuante  inexiste  no  ordenamento  de  regência  do  I0F  e  caracteriza  de  sua  parte  uma  presunção  de  ilegalidade,  até  mesmo  fraude  na  operação,  uma  simulação,  no  mínimo,  praticada  por  uma  empresa  do  quilate  da  contribuinte, companhia aberta, seja a Investidora seja a Receptora do  investimento,  ressalte­se,  sujeitas,  ambas,  à  auditoria  externa  e  às  normas da CVM.  Saiba o douto fiscal autuante que fraude não se presume, tem que ser  inequivocamente demonstrada, comprovada. (...)  Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 117          7 Tratando­se de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital entre 2  empresas do mesmo grupo econômico não é imperioso e indispensável  que se  leve a registro o documento  firmado entre as partes, para que  produza os devidos efeitos legais. Até mesmo para os fins judiciais, em  conformidade  com  o  art.  585,  II,  do  CPC,  o  instrumento  particular  dispensa  até  a  assinatura  de  testemunhas  para  produzir  efeitos,  necessitando a assinatura de 2 testemunhas apenas e tão somente para  que se constitua em título executivo extrajudicial, mas não desnatura a  força probante do documento. (...)  Portanto, ao revés do afirmado pela fiscalização, não houve qualquer  ou  empréstimo  fictício  na  operação  sub  censura,  tendo  toda  a  documentação colocada a sua disposição se prestado SIM a comprovar  a  legitimidade das operações,  já que,  independentemente da ausência  de  averbação  dos  contratos  em  Registro  Público,  ato  absolutamente  dispensável em se tratando de empresas do mesmo grupo e das normas  do Direito Civil, os adiantamentos tiveram o seu objetivo, a destinação  prévia,  devidamente  atingido,  qual  seja,  o  AUMENTO DE  CAPITAL  DA EMPRESA RECEPTORA DO INVESTIMENTO, a ALL AMÉRICA  LATINA LOGÍSTICA MALHA SUL S/A!  Este  Adiantamento  Para  Aumento  de  Capital  foi  devidamente  formalizado  pela  empresa  Receptora  do  Investimento  e  pode  ser  verificado  pela  Delegacia  de  Julgamento  através  do  exame  de  cópia  fiel  da  AGE  de  aumento  do  capital  social  da  empresa  acima  citada,  realizada  em 18/05/2010,  com  registro na  JUCEPAR em 25/05/2010,  bem  como  a  indispensável  homologação  do  aumento  pela  Agência  Nacional  de  Transportes  Terrestres  ANTT  (doe.  N°  07),  a  qual  está  subordinada,  na  qualidade  de  concessionária  de  serviços  públicos,  consoante Portaria SMR 9, de 28/10/2010, DOU de 05/11/2010.  [...]2.1.1  ADIANTAMENTO  PARA  FUTURO  AUMENTO  DE  CAPITAL (AFAC) AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL REGISTRO EM  JUNTA COMERCIAL J. P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações  Ltda.  Idêntico  entendimento aplicou o d.  fiscal autuante no que concerne à  conta de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital da controlada  J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., (...)  Neste ponto, mais uma vez, fica explicitada a má vontade com que o d.  fiscal analisou a documentação da Processada, uma vez que os valores  relativos a esta conta, que totalizava à época R$ 62.641.592,93, foram  devidamente  integralizados  ao  capital  social  da  controlada  em  30/11/2009, então já com a denominação de Multimodal Participações  Ltda.,  através  de  sua  4a  alteração  contratual  datada  de  30/11/2009,  registrada na JUCEPAR sob o n° 48.911/100 (doc. 09)  Desta forma, mais uma vez, improcede a pretensão fiscal de exigir IOF  sobre  os  Adiantamentos  para  Futuro  Aumento  de  Capital  AFAC  contabilizados  à  controlada  J.P.E.S.P.E.  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  conforme  os  argumentos  apresentados  no  tópico  anterior.  2.2  CONTRATOS  INTERNACIONAIS  DE  MÚTUO  CÂMBIO  PAGAMENTOS  EFETUADOS  DE  IOF  IMPROCEDÊNCIA  DA  Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 118          8 AUTUAÇÃO O d. fiscal autuante, em sua linha de raciocínio, entendeu  por  bem  desclassificar  a  contabilidade  da  Processada  para  caracterizar  todo  o  saldo  existente  na  conta  da  coligada  ALL  ARGENTINA  (CONTA  1210502032)  como  sendo  fato  gerador  do  imposto sob exame, (...)  Ocorre que as únicas operações de mútuo havidas entre a Processada  e  a  'ALL  Argentina'  foram  devidamente  comprovadas  com  os  respectivos contratos internacionais de mútuo e seus registros perante  o órgão competente, o Banco Central do Brasil, consoante comprovam  os documentos constantes de fls. 278/302, já anexados a este processo.  Com relação a estes contratos, a Processada efetuou regularmente os  pagamentos relativos ao Imposto sobre Operações Financeiras devido,  consoante PER/DCOMP ora anexada (doc. 10) (...)  No  que  tange  aos  demais  movimentos  existentes  na  conta  analisada  pela  d.  fiscalização,  vale  relembrar  o  resumo  das  operações  da  Processada  e  suas  controladas/coligadas  feito  acima,  vez  que  a  Processada  contratava  com  seus  clientes  e  subcontratava  suas  controladas,  responsabilizando­se  pelo  reembolso  da  despesas  ou  pagamento pelo  transporte  efetuado de acordo com a necessidade de  seus clientes. (...)  2.2.1 SANTA FÉ VAGÕES S/A INSTRUMENTOS PARTICULARES DE  MÚTUO  IOF  DEVIDAMENTE  RECOLHIDO  E  COMPROVADO  IMPROCEDÊNCIA  DA  AUTUAÇÃO  O  mesmo  procedimento  foi  utilizado com a controlada SANTA FÉ VAGÕES S/A, no que concerne  às operações de mútuo com contratos devidamente formalizados entre  as partes.  O d.  fiscal autuante  simplesmente desconsiderou a contabilidade e os  contratos  apresentados,  assim  como  não  apurou  ou  computou  os  pagamentos  efetuados  a  título  de  recolhimento  do  IOF  devido,  ora  devidamente  anexados  (doc.  11),  e  que  servem  para  infirmar  a  exigência  fiscal  neste  particular,  devendo  também  ser  cancelada  a  exigência relativa à subconta 1210502014001 (fls. 406).(...)  ALL  OVERSEAS  EXERCÍCIO  DE  STOCK  OPTIONS  NÃO  CONFIGURAÇÃO  DE  OPERAÇÃO  DE  CRÉDITO  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL  PARA  INCIDÊNCIA  DE  IOF  No  ponto  da  autuação  fiscal  relativo  à  subconta  da  coligada  ALL  OVERSEAS,  apresentou  a  Processada  à  fiscalização  os  documentos  acostados  às  fls.  229/236  (doc.  13),  justiçando  a  movimentação  como  sendo  (fls.  203):  "Conta 1210502012 — Overseas: O valor constante nessa conta trata­ se de depósito efetuado por beneficiário do programa de Stock Option  da companhia o qual era residente no exterior Desta forma não houve  contrato de câmbio para a operação. Segue anexo a ATA do conselho  de  Administração  realizada  em  09  de  março  de  2007.  Nesta  Ata  os  valores referentes ao beneficiário depositante constam nas letras 'A' a  lF' e totalizam o valor de R$ 5.750.000,00. A diferença entre esse valor  e  o  valor  depositado  refere­se  a atualização do  IGPM no período  de  março  de  2007  até  a  data  do  depósito.  Segue  ainda  a  ATA  de  Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 119          9 subscrição  de  ações  para  comprovação  da  origem  do  depósito.  Posteriormente o valor foi transferido para a conta da ALL no Brasil."  Pela  leitura  dos  esclarecimentos  acima,  verifica­se  que  a  opção  de  ações exercida por sócio, com a remuneração devida por elas, não se  enquadra na definição de "operação de crédito" de que trata o art. 13,  §1°, da Lei n° 9.779/99 (art. 2o, I, do Decreto 6306/2007), e não pode  ser utilizado para majorar a base de cálculo do imposto sob censura,  devendo ser cancelada a exigência neste ponto.  CONTA CORRENTE OPERACIONAL EXISTENTE PARA CONTROLE  DE  PAGAMENTOS  DAS  COLIGADAS/CONTROLADAS  SUBCONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS, REEMBOLSO DE DESPESAS E  ESTORNOS NÃO CONSIDERADOS PONTO COMUM ÀS 11 (ONZE)  EMPRESAS  COLIGADAS/CONTROLADAS  (...)  como  já  apresentado  anteriormente, laborou em equívoco a fiscalização por evidente desídia  na  análise  de  mais  de  320.000  (trezentos  e  vinte  mil)  lançamentos,  constantes da contabilidade sob a descrição de DCUs DESPACHO DE  CARGA  E  LOTAÇÃO,  que  tratam  da  movimentação  havida  para  a  prestação  do  serviço  de  transporte  pelo  modal  ferroviário,  e  que  refletem claramente a movimentação,  individualizada por Fornecedor  e  que,  tendo  como  contrapartida  os  pagamentos  feitos  pela Holding,  ora  Processada,  na  qualidade  de  OTM  Operador  Transportador  Multimodal, evidenciam a  lisura do procedimento e o afastamento de  qualquer argumento quanto à sua inclusão na base de cálculo do IOF,  por absoluta ausência de previsão legal.  (...)  Ademais,  este  procedimento  é  largamente  utilizado  pelas  maiores  empresas  do  País  que  possuem  coligadas  que  prestam  serviços  correlacionados,  objetivando  a  otimização  dos  procedimentos  financeiros  de  compensação,  através  da  criação  de  um  caixa  único,  para  extinção  de  obrigações  das  partes  signatárias,  como  forma  de  pagamento  simplificado,  evitando­se  deslocamentos  de  fundos  e  despesas,  garantindo  às  partes  contratantes  maior  poder  de  negociação  perante  seus  fornecedores  e  instituições  bancárias,  possibilitando, indubitavelmente, melhor administração financeira dos  seus recursos.  A  adoção  de  sistema  de  conta­corrente  de  gestão  única  é,  portanto,  prática  comum  entre  empresas  coligadas  de  grande  porte,  caso  da  Processada, que prestam  serviços a  clientes  comuns,  já que agiliza o  fluxo  e  a  remuneração  dos  serviços,  cujo  saldo  não  se  constitui,  de  forma  alguma,  em  concessão  de  crédito  de  uma  ou  outra  sociedade,  afastando assim a  tipicidade do art. 13, §1°, da Lei n° 9.779/99  (art.  2o, I, do Decreto 6306/2007).  [...]Por  outro  lado,  o  conceito  civil  de  mútuo  segundo  a  melhor  doutrina,  no  caso  dos  autos  o  mútuo  feneratício,  vai  em  sentido  totalmente oposto àquele que o d.  fiscal  tenta empregar para impor a  tributação  de  IOF  à  Processada,  pois  que  o  mesmo  pressupõe  a  entrega de dinheiro à outrem, transferindo­lhe a propriedade, para que  o mesmo seja utilizado pelo mutuário da forma como lhe aprouver.  Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 120          10 Assim, estamos diante de caso totalmente peculiar, pois a fiscalização  não somente desclassificou toda a contabilidade da Processada como,  também, utilizou­se de uma conta­corrente, de caixa único de gestão,  para reunir o somatório do suposto saldo devedor diário e acréscimos  ao  saldo  devedor,  sem  considerar  que  a Processada possui  contratos  em conjunto com suas coligadas e que a prática deste  tipo de gestão,  em  negócios  complexos,  é  largamente  utilizada  sem  que  se  configure  hipótese de incidência de IOF.  (...)  DO  REQUERIMENTO DE  PERÍCIA  ART.  57,  IV,  C/C  ART.  36 DO  DECRETO  n°  7.574/2011  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  INDIVIDUALIZADA DOS  LANÇAMENTOS  A  FIM DE  SE  APURAR  OU AFASTAR OS EVENTUAIS FATOS GERADORES DO IMPOSTO  OBJETO  DA  AUTUAÇÃO  (...)  Como  dito  anteriormente,  o  d.  fiscal  autuante,  ao  se  deparar  com  a  enorme  quantidade  de  lançamentos  constante dos livros razão diário, transmitidos pelo Sistema Público de  Escrituração  Digital  (SPED),  e  ao  verificar  que  a  sua  análise  criteriosa  envolveria  a  verificação  e  cruzamento  de  informações  constantes  em  mais  de  6.400  (seis  mil  e  quatrocentas)  folhas  de  lançamentos, cada uma com mais de 50 lançamentos, totalizando cerca  de  320.000  (trezentos  e  vinte  mil)  itens  a  verificar,  tendo  que  se  identificar as contraprestações de serviços, os créditos financeiros e os  estornos  realizados,  simplesmente  desconsiderou  a  Escrituração  Contábil Digital (ECD) e glosou todos os lançamentos da conta como  sendo operações de crédito sujeitas à incidência de IOF. Aplicou, sem  sombra de dúvidas, a chamada "lei do menor esforço", transferindo o  ônus da prova ao contribuinte, no caso, à Processada.  (...)  Assim, é de clareza solar que a  fiscalização utilizou­se de presunções  para desclassificar a escrituração da Processada, (...)  Esta é a razão pela qual o deferimento de realização de perícia decorre  do  princípio  da  ampla  instrução probatória  e  que,  segundo a melhor  doutrina, advém do princípio da ampla defesa, (...)  Descarte  requer  a  Processada  se  digne  V.  Sa.  em  determinar  a  realização de perícia na escrituração contábil analisada pelo d. fiscal  autuante,  relativa ao ano de 2009, a  fim de que sejam segregados os  valores  dos  lançamentos  relativos  às  operações  comerciais  e  societárias (AFAC) dos valores relacionados às operações financeiras  e,  destas,  sejam evidenciadas  quais  se  referem a operações de mútuo  ou  crédito  passíveis  de  incidência  do  Imposto  sobre  Operações  Financeiras,  devendo  ser  computado,  por  seu  turno,  os  pagamentos  efetuados pela Processada a este título.  (...)  Sobreveio então o Acórdão 06­42.479, da 2ª Turma da DRJ/CTA, dando parcial  provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos:  IOF. NÃO INCIDÊNCIA. AFAC.  Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 121          11 Impõe­se  afastar  a  incidência  do  IOF  sobre  valores  movimentados a título de Adiantamento para Futuro Aumento de  Capital AFAC quando devidamente capitalizados e registrados na  Junta Comercial.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  A  compensação  declarada  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior  homologação  e  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência dos débitos indevidamente compensados.  IOF.  ADIANTAMENTOS  EFETUADOS  PARA  EMPRESAS  LIGADAS  COM  A  FINALIDADE  DE  PAGAMENTOS  DE  DESPESAS.  A  utilização  de  uma  rubrica  contábil  com  de  adiantamentos  de  despesas  à  empresas  ligadas,  sem  contrato  formal  de  mútuo,  caracteriza a existência de uma conta corrente, devendo­se apurar  o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito  rotativo.  CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA.  No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa  observará  apenas  a  legislação  de  regência,  assim  como  o  entendimento  da Receita  Federal  do Brasil  (RFB),  expresso  em  atos  normativos  de  observância  obrigatória,  não  estando  vinculada às decisões  administrativas ou  judiciais proferidas  em  processos  dos  quais  não  participe  o  interessado  ou  que  não  possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre  determinadas matérias.  DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.  Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um  adequado  julgamento,  torna­se  prescindível  a  realização  de  perícia ou diligência para a solução da controvérsia.  Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de  fls 1232/1258, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário.  É o relatório.    Voto    Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz   O  contribuinte  teve  ciência  do  Acordão  proferido  pela  DRJ  em  07/08/2013,  conforme AR de fls. 1231 e apresentou em 02/09/2013 o recurso voluntário de fls. 1232/1258,  Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 122          12 conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e os demais requisitos  de admissibilidade encontram­se preenchidos, então dele tomo conhecimento.  Já passando à análise da controvérsia, saliento que a Recorrente afirma que não  ocorreu o fato gerador do IOF in casu. Isto porque os valores vinculados às Contas que foram  objeto de autuação dizem respeito a operações entre ela e demais pessoas jurídicas do mesmo  grupo econômico. No seu sentir, tal situação não se enquadra na hipótese de incidência traçada  pela  legislação  para  o  referido  imposto,  o  mútuo,  capaz  de  lhe  atribuir  a  condição  de  responsável pelo pagamento do IOF (artigo 13 da Lei n. 9.779/99 e artigos 2º, inciso I, alínea  “a” e 3º, §3º, inciso III, do Decreto n. 6.306/2007).   Nesse  sentido,  a  Recorrente  assegura  que  as  operações  que  levaram  aos  lançamentos tributários são relativos a conta corrente, cujo objeto é a centralização de caixas  das empresas, com gestão unificada das disponibilidades. Assim, ao  tributar  tais valores pelo  IOF,  que  fora  do mercado  financeiro  só  incide  sobre  os  contratos  de mútuo,  a  Fiscalização  estaria  infringindo  o  princípio  da  legalidade,  ao  ir  na  contramão  do  artigo  13  da  Lei  n.  9.779/99.  Tal diferenciação entre contrato de mútuo e contrato de conta corrente, existente  de fato, deve ser precisamente aplicada ao caso concreto, demonstrando­se que as  transações  entre  empresas  relacionadas  se  subsomem  a  uma  ou  outra  hipótese.  No  presente  caso,  não  havendo  contrato  firmado  entre  as  empresas  relacionados,  a  análise  da  natureza  jurídica  das  transações restringe­se aos documentos e informações prestadas pelo contribuinte.   Sobre  tais  situações,  com  a  precisão  com  que  sempre  proferiu  seus  votos,  o  Conselheiro Natanael Martins, coloca que:  Ementa   IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA ART.  21 DO DL.  2.065/83 CONTA  CORRENTE  ENTRE  EMPRESAS  CARACTERIZAÇÃO  COMO  MÚTUO IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO O mútuo, a teor do  disposto  no artigo  1256 do Código Civil,  pressupõe o  empréstimo de  coisas  fungíveis, não se caracterizando como  tal a  figura do contrato  de conta corrente.   (...)  Voto   Assim, não teria o contrato de conta corrente o condão de modificar a  causa  jurídica  das  remessas  individualmente  consideradas,  ocorrendo,  apenas,  espécie  de  paralisação  de  sua  exigibilidade,  ao  menos até o encerramento da conta.  O Conselho de Contribuintes,  em reiterados acórdãos,  tem exarado o  entendimento de que o conta­corrente e o mútuo são institutos jurídicos  distintos,  de  modo  que,  casuisticamente,  deve  ser  avaliada  a  origem  das  remessas  que  integram  a  conta­corrente  para  que  se  possa  discernir sua real natureza.   Ocorre  que,  como  já  se  disse,  o  contrato  de  conta  corrente  é,  na  verdade,  contrato  normativo,  destinado  a  regular,  apenas  e  tão  Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 123          13 somente,  o  tratamento  a  ser  dados  a  cada  uma  das  remessas,  não  interferindo em suas respectivas causas.   Nesse  contexto,  um  contrato  de  conta  corrente  poderia,  entre  suas  remessas,  conter  adiantamentos  ou  reembolsos  de  despesas,  dívidas  ou  adiantamentos  comerciais,  remessas  para  gestão  unificada  de  caixa e, até mesmo, mútuos, sem que, pelo fato de serem escrituradas  em conta corrente se desvinculassem de suas origens.   In  casu,  resta  comprovado  que  o  contrato  de  conta  corrente  compreende  remessas  decorrentes  de  duplicatas  recebidas  pela  interligada  em  nome  da  Recorrente,  como  também  despesas  a  pagar  pela Recorrente à interligada,  liquidando­se o saldo apurado ao final  de cada mês.   Ou  seja,  os  valores  lançados  na  conta  corrente  em  análise  não  caracterizam contra  to de mútuo, de modo que não se deve pretender  seja aplicado à hipótese o Decreto­Lei n° 2.065/83."   Corroborando esse  entendimento,  confira­se a  ementa do Acórdão n°  101­80.803,  da  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes:  "IRPJ —  Negócios  de  mútuo.  A  conta­corrente  relativa  a  operações  entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si  mesma,  bastante  para  caracterizar  negócio  de  mútuo.  Há  que  se  investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento,  separando aquelas que realmente espelhem mútuo."  (Recurso  n°  132.337,  Sétima  Câmara,  Acórdão  n°  10706.903,  Rei.  Natanael Martins)  Disto,  percebe­se  que  a  questão  central  é  averiguar  se  a  conta  corrente  foi  utilizada  para  a  concretização  de  operação  de  crédito  correspondente  a  mútuo  entre  as  empresas.   In casu, a Recorrente opera como OTM – Operador Transportador Multimodal  de Cargas, mediante autorização da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), sendo  também  holding  do  grupo  econômico  de  empresas  de  transporte  (artigo  2º  do  seu  ato  constitutivo)  Tendo  isto  em  vista,  a  Recorrente  informa  que  em  grande medida  os  valores  contabilizados  nas  contas  auditadas  pela  fiscalização  constituem  remuneração  ou  reembolso  pelos serviços prestados por empresas subcontratadas no plano de atuação OTM, que, no caso,  são  controladas/coligadas.  Essas  operações  não  são,  portanto,  empréstimos  ou  operações  de  crédito, no sentir da Recorrente.   Continua explicando que há relações comerciais entre as empresas,  justamente  pelo fato da Recorrente operar o OTM. Ela subcontrata as empresas controladas do grupo para  a  realização  de  diversas  atividades  de  transporte.  Porém,  por  ser  holding  responsável  pelo  gerenciamento do grupo, o faturamento era nela centralizado e contabilizado, consolidando os  recebimentos que eram posteriormente divididos entre suas controladas. Em outras palavras, a  holding faturava os serviços em sua integralidade, e posteriormente pagava os valores devidos  às demais empresas do grupo que prestaram serviços para o adimplemento do contrato.   Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 124          14 Entretanto,  a  Fiscalização  não  considerou  qualquer  valor  lançado  a  título  de  pagamento de fornecedores e clientes individuais de cada coligada.  Nesse  sentido,  a  Recorrente  ressalta  que  a  Fiscalização  pautou  sua  análise  unicamente da Escrituração Contábil Digital (ECD) transmitidas pelo SPED e adotou todos os  saldos das contas das coligadas como base de cálculo do IOF, sem a análise de documentação  que  dá  suporte  às  operações.  Por  essa  razão  a  Recorrente  apresenta  amostragem  para  demonstrar  a  inconsistência  do  auto  de  infração  (fls  602  a  638).  São  320.000  lançamentos  contábeis em 6.400 páginas.   Assim,  todo  o  trabalho  de  defesa  da Recorrente  resume­se  à  demonstração  de  que as contas autuadas são o caixa único do grupo, utilizado para a extinção das obrigações das  empresas relacionadas, “como forma de pagamento simplificado, evitando­se deslocamento de  fundos e despesas, garantindo às partes contratantes maior poder de negociação perante  seus  fornecedores  e  instituições bancárias,  possibilitando,  indubitavelmente, melhor  administração  financeira dos seus recursos”, nas palavras da Recorrente.  Diante desse contexto, entendo que tem razão a Recorrente quando reclama seu  direito de produzir prova pericial.  Parece­me  que  efetivamente  as  operações  comerciais  praticadas  entre  as  empresas  do  grupo  eram  contabilizadas  nas  Contas  utilizadas  como  base  de  cálculo  para  a  exigência do IOF. Os serviços e clientes são comuns às empresas. Os Contratos Prestação de  Serviços de Transportes  Intermodal, o  fato de  a holding operar como OTM e demais provas  apresentadas pela Contribuinte sinalizam nesse sentido.   Contudo, a própria Recorrente assume que dentre a enormidade de lançamento  contábeis  postos  nas  Contas  Contábeis  em  questão,  porventura  poderiam  haver  valores  correspondentes à mútuos entre as empresas. Por isso insiste na perícia a ser efetuada, de modo  a preservar seu direito a somente ser tributada sobre montantes que efetivamente componham a  base de cálculo do IOF.   Dessa forma reputo necessária a conversão do presente processo em diligência,  para a  individualização de eventuas operações efetivamente sujeitas à  incidência  IOF  (mútuo  de  recursos  financeiros),  segregando­as  dos  montantes  que  configuram  simplesmente  operações  comerciais  entre  as  empresas  do  grupo  (pagamentos  das  coligadas/controladas,  subcontratação de serviços, reembolso de despesas e estornos).  CONCLUSÃO   Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de produção de perícia  in casu, como requer o artigo 18 caput do PAF, bem como o artigo 464, §1º, inciso II e III do  Novo Código de Processo Civil, para a conclusão do convencimento deste Colegiado sobre os  fatos em discussão. Para  tanto, devem ser  tomadas as seguintes providências pela Repartição  Fiscal de origem¸ nos termos do artigo 18, §1º do Decreto 70.235/72:  i)  designar  servidor  ­  preferencialmente  diverso  daquele  responsável  pelo  lançamento  tributário  ­  para,  como perito da União, proceder  a prova pericial  e  apresentar o  respectivo laudo, com a individualização das operações efetivamente sujeitas à incidência IOF  (mútuo de  recursos  financeiros),  segregando­as  dos montantes que  configuram simplesmente  operações  comerciais  entre  as  empresas  do  grupo  (pagamentos  das  coligadas/controladas,  Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 125          15 subcontratação de serviços, reembolso de despesas e estornos) ­, ou seja, apresentar conclusão  sobre escrituração da Recorrente  relativamente ao ano de 2009,  respondendo os quesitos por  ela mesmo formulados em sua impugnação relativamente à autuação da sua conta­corrente (fls  532 e 533), quais sejam:        ii)  dar  ciência  do  laudo  técnico  à  Recorrente,  abrindo­lhe  prazo  regulamentar  para  manifestação; e     iii) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF,  para prosseguimento do julgamento.  É como voto.   Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10980.721730/2013­38  Resolução nº  3402­000.786  S3­C4T2  Fl. 126          16 Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz     Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ

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6380523 #
Numero do processo: 10480.728761/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO NO PERÍODO PLEITEADO. Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa.
Numero da decisão: 2201-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 13/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 171          1 170  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.728761/2014­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.034  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  JOAO LIBERATO PEREIRA DE MELO NETO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2012  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  IRRF.  DEPÓSITO  JUDICIAL.  INOCORRÊNCIA  DE  TRÂNSITO  EM  JULGADO  NO  PERÍODO  PLEITEADO.  Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com  exigibilidade suspensa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.   Assinado digitalmente.  EDUARDO TADEU FARAH ­ Presidente.  Assinado digitalmente.  ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ ­ Relatora.  EDITADO EM: 13/05/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU  FARAH  (Presidente),  CARLOS  HENRIQUE  DE  OLIVEIRA,  IVETE  MALAQUIAS  PESSOA  MONTEIRO,  MARIA  ANSELMA  COSCRATO  DOS  SANTOS  (Suplente  convocada),  CARLOS  ALBERTO MEES  STRINGARI,  MARCELO  VASCONCELOS  DE  ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 87 61 /2 01 4- 31 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou  provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Em 04/08/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício  de 2012, ano­calendário 2011, na qual foi constatada a compensação indevida do Imposto de  Renda Retido  na Fonte  pelo  titular,  no  valor  de R$ 9.835,86  (nove mil  oitocentos  e  trinta  e  cinco reais e oitenta e seis centavos), referente à fonte pagadora Fundação Chesf de Assistência  e Seguridade Social (FACHESF).  Constou da mencionada Notificação que: o valor informado como retido na  fonte  se  referiu  a  depósitos  judiciais  incidentes  sobre  rendimentos  sub  judice.  Caso  o  interessado  ganhe  a  ação,  o  IRRF  será  recebido  judicialmente.  A  restituição  do  IRRF  mediante a Declaração Anual de Ajuste implicaria no recebimento em duplicidade dos mesmos  valores.  Inconformada  com  a  notificação  apresentada,  a  contribuinte,  em  sede  de  impugnação, aduziu, em síntese, que:  a) durante o período de tramitação da ação, o valor do IRRF foi  depositado  em  juízo.  Esta  ação  transitou  em  julgado  no  dia  21/07/2014, com baixa definitiva. Alega  também que ainda não  foram  efetuados  os  cálculos  da  liquidação  da  sentença  para  determinar  o  montante  a  ser  restituído  ao  autor.  Entretanto,  afirma que uma parte do valor do IR Fonte que está depositado  em  juízo  será revertido em  favor da União. Aduz que a Justiça  Federal  considerou  como  tributados  em  duplicidade  apenas  os  valores  dos  complementos  de  aposentadoria  decorrentes  de  contribuições  vertidas  pelo  contribuinte  entre  1989  e  1995,  quando  tais  aportes  ao  fundo  previdenciário  não  podiam  ser  deduzidos da base de cálculo do imposto de renda;  b)  informa  ainda  que  foi  acometido  de  neoplasia  maligna  da  pele,  conforme  documentos  em  anexo,  fato  reconhecido  pela  perícia médica  do  INSS  e,  portanto,  teria  direito  à  isenção  do  imposto,  tal  qual definido em  lei.  ­  por  este motivo, apresentou  declarações  retificadoras  para  os  anos  de  2009  a  2012,  informando como  isentos  todos os proventos  recebidos a partir  de março/2009, tanto do INSS, quanto da Fachesf, pleiteando a  compensação do IR retido na fonte que a Fachesf depositou em  juízo;  c)  observa  que  a  fiscalização  não  questiona  os  valores  que  o  contribuinte informou como isentos em função de moléstia grave,  mas  pela  possibilidade  de  recebimento  de  restituição  em  duplicidade.  Conclui  que  a  questão  a  ser  decidida  consiste  na  possibilidade ou não de se compensar o imposto retido de 2009 a  2012;  d)  já há  trânsito em julgado no sentido que não são  tributáveis  os  valores  da  complementação  de  aposentadoria  recebidos,  quando decorrentes das parcelas de contribuições efetuadas pelo  autor  entre  1989  e  1995. Assim,  uma parcela  do  depósito  será  convertida em renda da União;  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.728761/2014­31  Acórdão n.º 2201­003.034  S2­C2T1  Fl. 172          3 e)  por  outro  lado,  embora  ocorra  uma  coincidência  parcial  de  pedidos, o fundamento utilizado nas duas situações é distinto. Na  esfera  judicial  o  contribuinte  pleiteou  a  não  incidência  do  imposto  sobre  seus  complementos  de  aposentadoria  alegando  que  eles  já haviam sido  tributados. Na esfera administrativa, a  retificação das declarações com a reclassificação dos proventos  como isentos baseou­se na existência de moléstia grave, da qual  é portador, fato este que é incontroverso;  f) entende que a isenção motivada pela moléstia especificada em  lei prevalece sob a questão judicial;  g)  não  merece  prevalecer  o  argumento  da  Fiscalização  para  negar  a  compensação  do  imposto  retido  na  fonte,  pois  não  há  restituição em duplicidade porque o contribuinte não recebeu de  volta os valores que lhe foram descontados. Remete­se ao prazo  prescricional existente para o pedido de restituição, a fim de não  perder o prazo para exercer seu direito à restituição.    Destaca­se que foi solicitada informação fiscal à autoridade lançadora a fim  de esclarecer a situação dos depósitos judiciais efetuados pelo interessado, nas qual consta que  os  depósitos  judiciais  permanecem  à  disposição  do  juízo,  ainda  não  estando  convertidos  em  renda,  nem  devolvidos  ao  contribuinte,  conforme  consultas  anexadas  aos  autos,  fl.  50  e  seguintes.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I  negou  provimento  à  impugnação  entendendo  pela  inexistência  de  direito  creditório,  com  a  seguintes considerações:  a) a partir do ano do exercício de 2010, quando foi incluída uma  nova ficha denominada "Rendimentos Tributáveis Recebidos de  Pessoas  Jurídicas  com  exigibilidade  Suspensa",  os  respectivos  valores a serem preenchidos têm caráter meramente informativo  e não integram os cálculos do ajuste anual do IRPF;   b) resta evidenciado que houve, de fato, a indevida inclusão pelo  contribuinte  em  sua  DIRPF  do  IRRF  e  dos  respectivos  rendimentos cuja tributação está sendo discutida judicialmente;  c)  nos  termos  da  SCI  n.º  9,  de  18  de  maço  de  2013,  não  se  verifica  concomitância  entre  a  ação  judicial  e  a  impugnação  administrativa,  uma  vez  que  a  primeira  se  refere  à  isenção  do  IRPF e a segunda discute o tratamento adequado a ser dado no  ajuste anual  aos  rendimentos  com  exigibilidade  suspensa e  seu  respectivo IRRF;  d)  verifica­se  que,  nesta  instância  administrativa,  não  cabe  a  discussão da natureza dos  rendimentos, eis que  já  foi discutido  na  esfera  judicial  e  na  própria DIRF  entregue  pela Fachesf  já  consta que o crédito tributário está com exigibilidade suspensa,  em função da existência de ação judicial;  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 e) na DIRF consta  também que o  sujeito passivo é portador de  moléstia  grave,  a  partir  da  competência  10/2012,  conforme  laudo médico apresentado, e o rendimento não consta nem como  tributável;  f)  os  valores  dos  rendimentos  do  IRRF  relativos  à  fonte  pagadora  FACHESF  devem  ser  excluídos  do  ajuste  anual  do  IRPF, ressaltando­se que caberá à unidade competente da SRFB  dar  o  devido  cumprimento  ao  comando  expedido  pelo  Poder  Judiciário.    Posteriormente,  dentro  do  lapso  temporal  legal,  foi  interposto  recurso  voluntário, no qual o contribuinte teceu as seguintes alegações:  a)  que  a  isenção  a  que  tem  direito  o  contribuinte,  sobre  seus  proventos  de  aposentadoria  recebidos  no  ano­calendário  de  2012,  por  ser  portador  de  moléstia  grave  especificada  em  lei,  prevalece  sobre  a  não  incidência  parcial  determinada  pela  Justiça Federal  por  força da decisão proferida no processo n.º  0014913­30.2006.4.05.8300;  b) que não existem razões jurídicas para impedir a compensação  do  IR  Fonte  depositado  em  juízo,  uma  vez  que  a  retificadora  onde  tal  valor  foi  informado  somente  foi  transmitida  após  o  trânsito em julgado da ação judicial;  c)  que  não  ocorreu  ainda  qualquer  restituição  de  imposto  de  renda  ao  requerente  em  função  do  processo  judicial,  fato  que  afasta  a  duplicidade  de  restituição  invocada  pela  autoridade  lançadora  para  glosar  a  compensação  de  IR  Fonte  informada  nas declarações retificadoras;  d) que a quantia a ser restituída neste processo é líquida e certa,  haja  vista  o  pedido  de  conversão  em  renda  da  União  dos  depósitos  judiciais  efetuados,  bem  como  da  renúncia  da  execução judicial do referido ano;  e) que o contribuinte enquadra­se no estatuto do idoso;  f)  que  todas  as  provas  necessárias  ao  julgamento  desta  lide  já  estão  com  a Receita Federal  no  dossiê  n.º  10020000012/0714­ 03;  g) assim, requereu a reforma do acórdão n.º 12­75972 para que  seja restabelecido o valor da restituição apurada na declaração  retificadora do exercício de 2013, ano­calendário de 2012.    É o relatório.    Voto             Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.728761/2014­31  Acórdão n.º 2201­003.034  S2­C2T1  Fl. 173          5 Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  A controvérsia em questão se restringe à glosa da compensação do IRRF no  valor de R$ 9.835,86 (nove mil oitocentos e trinta e cinco reais e oitenta e seis centavos).  Como  anteriormente  relatado,  houve  a  tramitação  da  ação  ordinária  n.º  0014913­30.2006.4.05.8300,  impetrada perante a 2ª Vara da Justiça Federal, Seção Judiciária  de  Pernambuco,  na  qual  consideraram­se  tributados  em  duplicidade  apenas  os  valores  dos  complementos de aposentadoria decorrentes de  contribuições vertidas pelo  contribuinte  entre  1989 e 1995, quando tais aportes ao fundo previdenciário não podiam ser deduzidos da base de  cálculo do imposto de renda, de modo que o contribuinte teve êxito parcial em seu pleito.  Salienta­se que, durante o período de tramitação da ação, o valor de IRRF foi  depositado em  juízo,  sendo que a ação  transitou  em  julgado em 21/07/2014,  sem atualmente  constar  informação  relativa  aos  cálculos  da  liquidação  de  sentença  para  a  determinação  do  montante a ser restituído ao contribuinte.  Não  obstante  a  situação  narrada,  o  contribuinte  apresentou  declarações  retificadoras  para  os  anos  de  2009  a  2012,  informando  como  isentos  todos  os  proventos  recebidos a partir de março de 2009 (provenientes do INSS e da Fachesf) e pleiteando, após o  trânsito  em  julgado  da  decisão  judicial,  a  compensação  do  IR  retido  na  fonte  que  a  Faschesf depositou em juízo.   A  fiscalização,  por  sua  vez,  não  questionou  os  valores  informados  pelo  contribuinte como isentos por moléstia grave, mas fundamentou a notificação dispondo que o  "valor  informado  como  retido  na  fonte  se  referiu  a  depósitos  judiciais  incidentes  sobre  rendimentos  sub  judice.  Caso  o  interessado  ganhe  a  ação,  o  IRRF  será  recebido  judicialmente.  A  restituição  do  IRRF mediante  a Declaração Anual  de Ajuste  implicaria  no  recebimento em duplicidade dos mesmos valores".  Assim,  na  esfera  judicial  o  contribuinte  pugnou  pela  não  incidência  do  imposto  sobre  seus  complementos  de  aposentadoria  alegando  que  eles  já  haviam  sido  tributados;  e,  na  esfera  administrativa,  solicitou  a  retificação  das  declarações  com  a  reclassificação dos proventos como isentos, tomando como base a existência de moléstia grave,  da  qual  é  portador,  conforme documentação  anexa  (laudo médico  oficial  ­  data  de  início  da  doença em 11/03/2009).  Nesse  contexto,  tendo  em  vista  a  motivação  da  glosa,  as  alegações  do  contribuinte, bem como o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96  (Art. 74. O sujeito passivo que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da Receita Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos e contribuições administrados por aquele Órgão), deve ser mantida a glosa referente à  compensação  indevida,  pois,  quanto  realizada  a  compensação,  a  ação  judicial  ainda  encontrava­se em trâmite e os depósitos não haviam sido convertidos em renda para a União.  Assim,  diante  da  impossibilidade  de  compensação  de  valores  que  se  encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, não assiste razão ao recorrente.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     6 Assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  Assinado digitalmente.  Ana Cecília Lustosa da Cruz ­ Relatora                               Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 13/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 13837.720897/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação no processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Isso porque há prevalência do entendimento emanado esfera judicial sobre eventual decisão administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13837.720897/2014­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­005.268  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de maio de 2016  Matéria  IRPF: CONCOMITÂNCIA ENTRE DEMANDA JUDICIAL E  ADMINISTRATIVA  Recorrente  LILIA MARIA SALVINI REZENDE CUNHA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2013  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  E  DECISÃO  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.  Restando comprovado haver o contribuinte  ter estabelecido  litígio no Poder  Judiciário cujo objeto abarca a matéria  submetida à apreciação no processo  administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às  instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a apreciação, pelo órgão de  julgamento administrativo, de matéria distinta  da  constante  do  processo  judicial”.  Isso  porque  há  prevalência  do  entendimento emanado esfera judicial sobre eventual decisão administrativa.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 72 08 97 /2 01 4- 12 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do recurso voluntário.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Natanael  Vieira  dos  Santos  e  Marcelo  Malagoli da Silva.  Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13837.720897/2014­12  Acórdão n.º 2402­005.268  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se de Notificação de Lançamento de fls. 04/09, resultante de alterações  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  (DAA),  exercício  de  2013,  ano­calendário  de  2012,  que  implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em  face da constatação da omissão de rendimentos recebidos do Itaú Unibanco S/A, no valor de  R$111.362,40,  tendo  sido  compensado  o  IRRF  de  R$14.712,64  incidente  sobre  esses  rendimentos,  conforme  documentos  apresentados  pela  contribuinte  e/ou  informações  constantes dos Sistemas da RFB.  A  decisão  de  primeira  instância  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo­se os valores apurados pelo Fisco.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  25/02/2015  (fls.  305),  o  interessado interpôs, em 13/03/2015, o recurso de fls. 306/308. Nas razões recursais aduz que  não houve a  concomitância de  instância  administrativa  e  judicial,  assim  como não ocorreu  a  omissão de rendimentos sinalizada no lançamento fiscal.  Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal  reclamado.   É o relatório.  Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  DA  CONCOMITÂNCIA  ENTRE  A  DEMANDA  JUDICIAL  E  A  ESFERA ADMINISTRATIVA  Cumpre  frisar  que,  na  Ação  Ordinária  n.º  2002.51.01.014995­3,  o  contribuinte demanda que seja declarada  inexigibilidade  total de  IRPF sobre os proventos de  aposentadoria complementar recebidos da Rioprevidência, sucessora da Previ­Banerj.  Nessa  ação  judicial  foi  deferida  a  antecipação  de  tutela  para  determinar  o  depósito judicial do valor retido na fonte a título de imposto de renda sobre a complementação  de aposentadoria. A sentença de primeiro grau julgou procedente o pedido, mas o acórdão do  TRF da  2ª Região  julgou  parcialmente  procedente  o  pedido,  declarando  a  inexigibilidade  de  IRPF  sobre  a  complementação  de  aposentadoria  pelos  autores  recebida,  na  medida  de  suas  próprias contribuições durante a égide da Lei 7.713/88, estando prescritos os recolhimentos de  IRPF anteriores a 01/08/1992. A decisão foi mantida pelo STJ, tendo transitado em julgado.Os  autores promoveram a  execução do  julgado e  foram opostos  embargos  à Execução autuados  sob o nº 21013.51.01.021130­9 (processo eletrônico) ainda em fase de julgamento (fls. 302).  Constata­se que a Recorrente busca na ação judicial o mesmo intento visado  no  recurso  sob  apreciação,  ou  seja,  a  incidência  ou  não  do  imposto  de  renda  sobre  a  complementação de aposentadoria.  Ora, existindo controvérsia  já estabelecida no Judiciário que abrange a essa  matéria, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao  entendimento daquele Poder, prevalente nos termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição  Federal, mormente  quando  tal  entendimento  já  está  abrigado  sob  o manto  da  coisa  julgada,  conforme destacado pelo recorrente no particular.  Destaca­se que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto  do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória  pelos  membros  deste  colegiado,  nos  termos  do  art.  72  do  Regimento  Interno  do  CARF  (RICARF ­ Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015):  Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.  Dessa  forma,  muito  embora  as  razões  recursais  arguidas,  o  fato  é  que  as  decisões  proferidas  no  bojo  dos  processos  2002.51.01.014995­3  (Ação  Ordinária)  e  21013.51.01.021130­9  (Embargos  à  Execução),  fls.  35/295,  deverão  ser  simplesmente  Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13837.720897/2014­12  Acórdão n.º 2402­005.268  S2­C4T2  Fl. 4          5  cumpridas pela administração tributária federal, não sendo necessária a eventual manifestação  adicional deste Colegiado acerca do tema.  CONCLUSÃO:  Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do  voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 10280.004610/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. Cita-se como exemplo de insumos, no caso analisado, o óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais. COFINS NÃO CUMULATIVA. FRETE. CRÉDITOS. As despesas com o transporte para a aquisição de insumos devem integrar a base de cálculo dos créditos da COFINS por integrarem o custo de produção, na forma do art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/03. COFINS NÃO CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade da COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie.
Numero da decisão: 3402-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado para reconhecer o direito ao crédito em relação aos subitens 10.1 (Óleo BPF e Carvão Energético) e 10.2 (Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão), e parcialmente quanto ao subitem 10.5 (quanto aos fretes na aquisição de Óleo BPF, Carvão Energético, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão) e quanto ao item 11 (somente em relação aos serviços de transporte de rejeitos industriais), nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, exceto quanto ao Óleo BPF e Carvão Energético. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

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3402­003.173  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de julho de 2016  Matéria  COFINS ­ PEDIDO DE RESSARCIMENTO  Recorrente  ALUNORTE ­ ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Em  se  tratando  de  ressarcimento  ou  compensação,  o  contribuinte  possui  o  ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.  COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO  O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  (demasiadamente  restritivo)  ou  do  IR  (excessivamente  alargado). Em atendimento ao comando legal, o  insumo deve ser necessário  ao processo produtivo (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção  do  produto  final.  Cita­se  como  exemplo  de  insumos,  no  caso  analisado,  o  óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os  serviços de transporte de rejeitos industriais.  COFINS NÃO CUMULATIVA. FRETE. CRÉDITOS.  As despesas com o transporte para a aquisição de insumos devem integrar a  base de cálculo dos créditos da COFINS por integrarem o custo de produção,  na forma do art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/03.  COFINS NÃO CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE  DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.  Na não cumulatividade da COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos  sobre  os  valores  dos  encargos  de  depreciação  e  amortização,  incorridos  no  mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo  imobilizado,  adquiridos  no  País  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda,  desde  que  observadas  as  disposições  normativas  que  regem a espécie.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 10 /2 00 6- 31 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao Recurso Voluntário apresentado para reconhecer o direito ao crédito em relação aos  subitens 10.1 (Óleo BPF e Carvão Energético) e 10.2 (Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão),  e parcialmente quanto ao subitem 10.5 (quanto aos fretes na aquisição de Óleo BPF, Carvão  Energético, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão) e quanto ao item 11 (somente em relação  aos  serviços  de  transporte  de  rejeitos  industriais),  nos  termos  do  relatório  e  do  voto  que  integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, exceto quanto ao Óleo BPF e  Carvão Energético.    (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.     (Assinado com certificado digital)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim,  Jorge  Freire,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.    Relatório  O  presente  litígio  decorre  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  créditos  de  COFINS  Não­Cumulativa  ­  Exportação,  relativos  ao  2º  trimestre  de  2006.  Após  análise  da  documentação apresentada pelo sujeito passivo, o Fisco reconheceu apenas parte do direito de  crédito pleiteado, conforme Relatório Fiscal de fls. 315­319. Por conseguinte, foi parcialmente  reconhecido o direito creditório conforme Despacho Decisório n.º 86/2011 (fl. 323).  As  parcelas  glosadas  foram  assim  identificadas  no  Relatório  Fiscal  mencionado:    “(...) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS  OBJETO  DE  GLOSA  (Ficha  06A/06B/02):  Através  dos  arquivos  magnéticos  recebidos  (planilha excel) onde consta relação completa de  todas notas fiscais de  insumos  adquiridos,  bem  como  sua  aplicação  no  processo  produtivo,  realizamos  verificação  de  sua  consistência  pela  análise  física  de  algumas  notas  fiscais  (solicitadas por amostragem) e constatamos a irregularidade dos valores alocados  na ficha 16A/16B, item 02 da DACON, conforme detalhamento na planilha 10 e 11,  anexas.  A  pessoa  jurídica  poderá  se  creditar  de  aquisições  de  insumos  (bens  ou  serviços),  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  efetuadas  no  mês.  Considera­se  Fl. 654DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 654          3 como  insumos  a  matéria  prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas no ativo imobilizado.    Glosas Efetuadas  10.1  Combustíveis  e  Carvão  Energético  utilizados  como  energia  térmica  no  aquecimento  das  caldeiras,  equipamentos  e  fornos,  considerando  que  a  lei  11.488/2007  só  admitiu  créditos  a  partir  de  15/06/2007.  A  utilização  de  Combustíveis/Carvão  energético  (...)  na  queima  de  caldeiras  não  podem  ser  considerados  como  insumos  antes  de  15/06/2007  por  não  agir  diretamente  no  processo produtivo;  10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no  processo produtivo;  10.3  Glosas  efetuadas  nos  produtos/bens  por  serem  considerados  como  ativo  imobilizado;  10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do  bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo.  10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados.  (...)  11)  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  (Ficha  16A/03):  Pela  análise  dos  arquivos  magnéticos  recebidos,  referente  a  aquisição  de  serviços,  constatamos  a  existência  de  Serviços,  considerados  pela  fiscalização,  como  não  utilizados  na  produção  dos  bens,  conforme  detalhamento  das  glosas  relacionadas  nas  planilhas  08  e  09,  anexas.  Normas Relacionadas: Solução de Divergência Cosit n° 12, de 24/10/2007 "Não se  consideram  insumos,  para  fins  de  desconto  de  créditos  da  contribuição  para  o  financiamento da seguridade social Cofins, materias de limpeza de equipamentos e  máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas"  12) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA (Ficha  16A/04): Pela análise dos arquivos magnéticos e verificação, por amostragem, das  notas fiscais não constatamos irregularidades relacionadas a esse item.  13)  BASE  DE  CÁLCULO  DO  CRÉDITO  A  DESCONTAR  REFERENTE  AO  ATIVO  IMOBILIZADO  (Ficha  16A/16B/10):  A  empresa  utilizou  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  em  duas  modalidades:  13.1 Por aproveitamento do crédito no prazo de 4(quatro) anos correspondendo a  1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art  3º, § 14, introduzido pela Lei n° 10.865/2004, art. 21 e Instrução Normativa SRF n°  457/2004, art.  1º,  inciso  I do § 2º  e art. 2º,  § 2º,  inciso  II do caput). Através dos  arquivos  magnéticos  referentes  às  aquisições  para  o  Ativo  Imobilizado  de  maio/2004  a  dezembro/2005,  constatamos  a  existência  de  bens  que  não  se  enquadram  como  máquinas  e/ou  equipamentos  utilizados  na  produção  de  bens  destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separando­os em duas categorias:  1)Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos  destinados a venda. 2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como  Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo.  13.1.1 Bens  considerados pelo  contribuinte  com aproveitamento  dos  créditos no  prazo de 04(quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens  não  se  enquadram  como  máquinas  ou  equipamentos  ou  não  são  aplicados  diretamente na produção dos bens destinados à venda, conforme exigência legal  para gozo do benefício.  Fl. 655DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     4 13.1.2 Bens  considerados pelo  contribuinte  com aproveitamento  dos  créditos no  prazo de 04(quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens  caracterizam­se  como  Edificações,  não  abrangidos  pelos  benefícios  acima  referidos  embora  sejam  do  ativo  imobilizado.  Em  relação  a  construção  da  Expansão  II,  o  contribuinte  informou  que  a  mesma  só  entrou  em  operação  a  partir de janeiro de 2006 e a Expansão III somente em 2008.  Notas:  a)  Não  foi  concedido  o  benefício  para  os  outros  bens,  senão  máquinas  e  equipamentos, destinados ao Ativo Imobilizado utilizados na fabricação de produtos  destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas,  instrumentos,  construção  civil,  veículos  e  outros  não  considerados  máquinas  ou  equipamentos.  b) A partir de 1°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens  incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens  destinados  à  venda,  continuando  fora  do  benefício  a  aquisição  de  :  móveis,  veículos,  construção  civil  e  outros  bens  que  não  sejam  utilizados  diretamente  na  produção de bens destinados à venda.  13.2 Por aproveitamento do crédito no prazo de 12(doze) meses, contados da data  de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o  valor  correspondente  a  1/12(um  doze  avos)  do  custo  de  aquisição  do  bem.  O  benefício  é  aplicável  às  máquinas,  aos  aparelhos  aos  instrumentos  e  aos  equipamentos,  novos,  relacionados  em  regulamento  e  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  entre  2006  e  2013,  por  pessoas  jurídicas  que  tenham  projeto  aprovado  para  instalação,  ampliação,  modernização  ou  diversificação  enquadrado  em  setores  da  economia  considerados  prioritários  para  o  desenvolvimento  regional  em  microrregiões  menos  desenvolvidas  localizadas  em  áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam (Lei 11.196/2005, art. 31 e Decreto  nº 5.988/2006)." (fls. 316­317 ­ grifei)    Cientificada,  a  ora  Recorrente  apresentou  tempestivamente  Impugnação  e  Manifestação de Inconformidade com os mesmos argumentos, alegando, em síntese:  a)  A  nulidade  do  Parecer  Seort  alusivo  ao  2º  trimestre  de  2006,  pois  os  números do processo e do despacho decisório indicados pela Fiscalização não coincidiam com  aqueles que constavam da segunda página, incorrendo em cerceamento de defesa;  b)  A  indevida  restrição  do  conceito  de  insumo  pela  fiscalização,  trazendo  manifestação  da  Câmara  Superior  que  admite  como  insumos  os  gastos  necessários  para  a  produção dos bens ou prestação dos serviços;  c)  Descabimento  das  glosas  dos  créditos  relativos  aos  bens  e  serviços  utilizados como insumos que seriam diretamente aplicados no processo produtivo (tal como o  transporte de Rejeitos Industriais, Óleo BPF, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão, para os  quais o interessado indicou a forma como seriam utilizados no processo produtivo).  d)  Descabimento  da  glosa  quanto  aos  bens  do  ativo  imobilizado  por  se  enquadrarem na previsão legal da Lei n.º 10.833/2003 e por estarem em conformidade com a  IN nº 457/2004 (que trouxe a previsão de periodicidade de quatro anos) e com o Decreto n.º  5.988/2006 (que instituiu a depreciação acelerada incentivada e desconto da COFINS no prazo  de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas  em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM).  A fiscalização não teria justificado a glosa.  e)  Injustificada  glosa  dos  créditos  sobre móveis,  ferramentas,  instrumentos,  construção  civil,  veículos  e  demais  que  estariam,  no  entendimento  fiscal,  fora  do  rol  de  Fl. 656DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 655          5 máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não teria  sido indicada claramente a razão deste entendimento, implicando em cerceamento de defesa.   f)  Protesta  pela  produção  de  prova  pericial,  via  auditagem  suplementar,  "considerando­se a incompatibilidade entre a escrita contábil da empresa e as razões de glosa  suscitadas pela Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização  dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo  da requerente" (fl. 469), indicando Assistente Técnico.  Os  argumentos  aduzidos naquelas defesas,  no  entanto,  não  foram acolhidos  pela  primeira  instância  de  julgamento  administrativo  fiscal,  conforme  ementa  do  Acórdão  abaixo transcrito (fls. 508­527):     "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  PAF.  ATO  NORMATIVO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.  A  autoridade  administrativa  não  possui  atribuição  para  apreciar  a  argüição  de  inconstitucionalidade  ou  de  ilegalidade  de  dispositivos  que  integram  a  legislação  tributária.   PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  judiciais  e  administrativas  relativas  a  terceiros  não  possuem  eficácia  normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts.  96 e 100 do Código Tributário Nacional.  PAF. PERÍCIA. REQUISITOS.  Considera­se não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos  previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a  realização  de  perícia  quando  presentes  nos  autos  os  elementos  necessários  e  suficientes à dissolução do litígio administrativo.   COFINS NÃO­CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS.  No  cálculo  da  Cofins  Não­Cumulativa  somente  podem  ser  descontados  créditos  calculados  sobre  valores  correspondentes  a  insumos,  assim  entendidos  os  bens  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda,  sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou  consumidos na produção ou fabricação do produto.  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  ATIVO  IMOBILIZADO.  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.   Na não­cumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre  os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde  que observadas as disposições normativas que regem a espécie.  DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO.  As declarações de compensação apresentadas pelo  sujeito passivo somente podem  ser  homologadas  no  exato  limite  do  direito  creditório  comprovado  pelo  sujeito  passivo.   Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido" (fls. 508­509)    Fl. 657DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     6 Em 15/02/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância  (fl. 528). Inconformada, em 16/03/2012 (fl. 530), apresentou Recurso Voluntário ao CARF (fls.  530­587), reiterando argumentos aventados na Impugnação, sustentando, em resumo:  ­  nulidade  do  Parecer  Seort  alusivo  ao  2º  trimestre  de  2006  vez  que  "o  número do PROCESSO e do DESPACHO DECISÓRIO apontado pela I. Fiscalização não era  compatível com o número que constava na segunda página",  incorrendo em cerceamento de  defesa (fl. 535)  ­ que as glosas são injustificáveis, bastando para isso verificar pela exposição  do  processo  produtivo  da  empresa,  que  os  créditos  pleiteados  são  reembolsáveis  pela  sistemática  do  desconto  de  créditos  da  COFINS  não­cumulativa,  e  que  o  art.  3º,  da  Lei  nº  10.833/2003 e o art. 8º da Instrução Normativa IN/SRF n° 404/2004, têm dicção clara quanto  aos créditos sobre serviços utilizados como insumo;  ­ que o Fisco assenta suas negativas em reconhecer o direito ao desconto dos  créditos em entendimento restritivo da acepção de insumos, ainda que em meio ao regime da  não­cumulatividade da COFINS, se aproximando à sistemática da não­cumulatividade do IPI,  exigindo  que  os  bens  sejam  efetivamente  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  de  bens  destinados à venda ou na prestação de serviços;  ­ discorre  sobre o conceito de  insumos, o  regime da não cumulatividade da  COFINS  ­ Exportação, a extensão e alcance do direito a dedução dos créditos gerados  sobre  valores  de  aquisições  e  dispêndios,  em  conformidade  com  o  ordenamento  constitucional  e  consequente  legislação  ordinária  infraconstitucional,  do  equívoco manifestado  nas  glosas  de  bens e serviços que se constituem em insumos diretamente aplicados ao processo produtivo;  ­ argumenta sobre as glosas sobre Máquinas e Equipamentos incorporados ao  Ativo Imobilizado ­ RECAP/REIDI/SUDAM, tecendo as seguintes considerações:  (i) que em relação à glosa de máquinas e de equipamentos  incorporados ao  seu ativo imobilizado, aduz que tem permissão desses créditos no inciso VI, do art. 3º, da Lei  nº  10.833/03,  afirmando  também  que  a  IN  SRF  nº  457/2004,  veiculou  a  facultatividade  do  cálculo do crédito, observada a periodicidade de 4 anos (1/48 meses sobre o valor da aquisição  do bem). Entende, porém, que a Lei nº 11.196/05 (instituiu regime especial de tributação para o  REPES, RECAP e para o Programa de Inclusão Digital), o Decreto nº 5.789/06 (dispõe sobre  bens  amparados  pelo  RECAP)  e  o  Decreto  nº  5.988/06  (instituiu  depreciação  acelerada  incentivada no prazo de 12 meses em microrregiões menos  favorecidas das áreas de atuação  das  extintas  SUDENE  e  SUDAM),  previram  incentivos  para  que  as  sociedades  sujeitas  ao  regime  da  SUDAM,  pudessem  optar  por  uma  periodicidade  diferenciada  (1/12)  para  os  equipamentos  descritos  no RECAP  (Regime Especial  de Aquisição  de Bens  de Capital  para  empresas exportadoras). Destaca, ainda, que a alegação do Fisco de fundamentar que não teria  observado as exigências da Lei nº 11.196/05, exigir­lhe­ia uma conduta impraticável.  (ii) que não concorda com o entendimento de que o seu rol de máquinas e de  equipamentos,  volvidos  no  ativo  imobilizado,  não  teriam  sido  empregados  na  fabricação  de  produtos para venda, excluindo móveis, ferramentas, construção civil, veículos e outros. Neste  ponto, alega ainda que o fiscal não  teria demonstrado a  razão para a glosa, não  tendo sequer  visitado a fábrica da empresa;  (iii) que não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/07 (REIDI)  no que se refere à redução do prazo para utilização de créditos de edificações;   Fl. 658DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 656          7 (iv)  que  a  glosa  de  bens  considerados  edificações  e  componentes  do  ativo  imobilizado contraria a jurisprudência atual administrativa acerca do conceito de insumos;  (v) quanto aos encargos de depreciação, não há argumentos para glosas, uma  vez que não há dispositivo legal que diga que tais encargos somente possam ser computados a  partir da utilização de cada bem considerado; e  ­  sendo  a  Recorrente  uma  sociedade  empresarial  preponderantemente  exportadora e levado em consideração que também se reputam como insumos empregados na  prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação desses serviços, faz jus à  apropriação desses créditos.  Requer,  por  fim,  que  seja  deferido  o  aproveitamento  dos  créditos  lançados  nos pedidos de compensação, advindos da não cumulatividade, sob pena de violação frontal ao  art. 195, §12 da CF/88, Lei nº 10.833/2003; art. 100 da Lei 5.172/1966 (CTN); arts. 13 e 14 da  Lei n.º 11.196/2005, art. 1º do Decreto n.º 5.789/2006, arts. 1º, 2º e 3º do Decreto 5.988/2006,  art. 6º e 41 da Lei 11.488/2007, art. 8º,  inciso  I,  alínea b e § 4º,  inciso  II, alíneas "a e b" da  IN/SRF n° 404, de 2004, art. 1º, incisos I e II, §§ 1º e 2º da IN/SRF 457/2004, ao lado da farta  doutrina e jurisprudência colacionadas no recurso.  Os  autos,  então,  foram  remetidos  a  este  CARF,  que  ao  analisar  o  recurso,  definiu pela conversão do processo em Diligência, conforme a Resolução nº 3101000.395, de  12/11/2014, com o seguinte teor:    "(...) Diante das considerações acima, entendo desprovido de consistência afirmar  que um insumo adquirido, cuja análise se deu apenas por amostragem de arquivos  magnéticos tenha sido aplicado ou não no processo produtivo da Recorrente, bem  como,  se  a  aquisição  de  serviços  e  bens  constantes  em  lançamentos  de  arquivos  magnéticos  recebidos  tenham  ou  não  sido  utilizados  na  produção  dos  bens  da  mesma  Recorrente  ou  que  não  se  enquadram  como máquinas  e/ou  equipamentos  utilizados na produção dos mesmos bens destinados à venda.  Assim,  por  entender,  também,  que  a  verdade  material  é  essencial  no  processo  administrativo  tributário  e  nesse  caso  é  essencial  a  verificação  física  nas  dependências da empresa, que proponho a conversão do julgamento em diligência  para  que  a  fiscalização  responda  depois  de  uma  visita  nas  dependências  da  empresa  ou  traga  um  laudo  de  perito  especializado  e  idôneo,  respondendo  o  seguinte:  Os  referidos  insumos  e  serviços  glosados  sob  avaliação  têm  afetação  sobre  o  processo produtivo? De que forma?  Levando­se  em  conta  o  papel  exercido  pelos  insumos  e  serviços  glosados  pela  fiscalização  no  processo  produtivo  da  Recorrente,  pode­se  afirmar  que  estes  são  intrinsecos à atividade produtiva e, portanto, a essa está indissociáveis?  Considerando a estrutura da Recorrente e a sua produção seria possível produzir  todos os produtos finais comercializados sem a utilização dos insumos e serviços  glosados?  Os insumos e serviços glosados se mostram essenciais, isto é, se são indispensáveis  aos processos produtivos desenvolvidos pela Recorrente?  Os bens adquiridos pela Recorrente e que foram glosados podem ser enquadrados  ou  não  como  máquinas  e/ou  equipamentos  utilizados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda?  Tal  quesito  deverá  possibilitar  a  determinação  do  prazo  de  depreciação em questão nos  autos Tal quesito deverá possibilitar a determinação  do prazo de depreciação em questão nos autos.  Fl. 659DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     8 Realizada  a  presente  diligência,  notifique  a  Recorrente  para  se  manifestar  e,  também,  se  assim  desejar,  apresente  laudo  de  perito  especializado  e  idôneo  para  responder aos mesmos quesitos apresentados. " (fl. 625­626 ­ grifei).    Verifica­se  que  a  Unidade  de  origem,  cumprindo  o  contido  na  Resolução,  providenciou a intimação da Recorrente solicitando o comparecimento de um técnico por ela  indicado "com a finalidade de prestar esclarecimentos técnicos sobre o processo produtivo da  empresa"  (fl. 631). Em 08/05/2015 compareceu na DRF/Belém o Engenheiro Franklin Puget  Eulalio, Gerente de Área da Recorrente, apresentando todos os esclarecimentos solicitados (fl.  634), tendo sido juntado aos autos à fl. 635 cópia do esquema produtivo da Recorrente, desde a  compra da matéria prima (Bauxita) até a venda do produto final (Silo de Alumina).  Em conclusão  da  diligência,  foi  apresentado  o Relatório Fiscal  de  fls.  639­ 647  adentrando  em  cada  um  dos  créditos  glosados.  Faz­se,  abaixo,  uma  breve  síntese  dos  esclarecimentos trazidos neste relatório da diligência:  Item Crédito Glosado  Esclarecimento da Fiscalização na Diligência  10.1 ­ Combustíveis e  Carvão Energético  "(...)  o  Óleo  BPF  e  Carvão  Energético  são  utilizados  na  queima  das  caldeiras para aquecimento da polpa líquida (LICOR) de onde se extrai a  Alumina.  Um  gerador  de  vapor,  conhecido  também como  caldeira,  é  um  dispositivo usado para produzir vapor aplicando energia térmica à água. A  glosa  foi  efetuada  considerando  que  a  legislação  (lei  11.488/2007)  só  reconheceu crédito sobre energia térmica (queima do Óleo BPF) a partir de  15/06/2007." (grifei ­ fl. 640)  10.2 Produtos/bens não  aplicados diretamente no  processo produtivo  "Essas glosas foram efetuadas basicamente na aquisição de Ácido Sulfúrico  e de Inibidor de Corrosão.  O Ácido Sulfúrico  foi glosado considerando que ele é usado para  limpeza  ácida e desincrustação dos equipamentos, em nenhum momento ele reage  quimicamente com o LICOR para produção da alumina. Embora não seja  necessário  para  produzir  alumina,  sua  utilização  é  fundamental  para  "limpeza" dos equipamentos por onde passa o LICOR.  O  produto  "inibidor  de  corrosão"  é  utilizado  no  tratamento  da  água  potável  e  adicionado  à  água  para  diminuir  o  efeito  da  corrosão  nas  tubulações metálica (sic.) aumentando sua vida útil, em nenhum momento  é  utilizado  como  insumo  na  produção  da  alumina,  não  participa  como  reagente na mistura que gera o LICOR da bauxita até sua transformação  em  alumina  (produto  final). Fazendo  uma  comparação  com  o  cotidiano,  seria similar ao 'aditivo' usado no radiador do carro para diminuir o efeito  corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero 'aditivo'  para aumentar a vida útil das tubulações, não participando efetivamente do  processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos  a glosa dos créditos desse produto." (grifei ­ fls. 640­641)  10.3 Ativo imobilizado  "Foram glosadas as aquisições de  'bola  forjada' por se caracterizar como  bem do ativo imobilizado" (fl. 641)  10.4 Produtos/bens sem  descrição detalhada ou  informação aplicação no  processo produtivo.  "Não foram efetuadas glosas por tal motivo" (fl. 641)  10.5 Fretes dos  produtos/bens glosados.  "Foram glosados os fretes relacionados com os produtos glosados" (fl. 641)  11. Serviços utilizados  como insumos  "As glosas podem ser separadas em 02 tópicos:  1) Serviços de limpeza, manutenção de elevadores e instalações elétricas,  montagem  e  desmontagem  de  andaimes.  Tais  glosas  foram  efetuadas  considerando  que  os  serviços  não  guardam  ligação  com  o  processo  produtivo  das  alumina,  não  sendo  intrínsecos  à  atividade  produtiva. Pela  descrição dos serviços, observamos trata­se de despesas eventuais no dia a  Fl. 660DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 657          9 dia da empresa, não sendo essencial na produção da alumina.  2) Transportes de Rejeitos Industriais: Esse  tópico representa quase 90%  do  valor  total  do  (sic.)  serviços  glosados.  Depois  de  todo  processo  industrial  de  separação  da  alumina  resulta  uma  grande  quantidade  de  rejeito em forma de lama. todo esse rejeito é transportado por caminhões  para diques onde são armazenadas. Como o produto final já foi produzido  (alumina), a retirada da lama residual não tem afetação sobre o processo  produtivo. Tal custo acontece depois da produção da alumina não podendo  ser  considerado um serviço  aplicado na  produção da mesma. Trata­se  de  uma limpeza do pátio após um ciclo de produção. A não remoção da lama  residual formaria uma grande montanha que impediria o funcionamento  operacional da empresa." (grifei ­ fl. 641­642)  13.1.1 Não se enquadram  como máquinas ou  equipamentos ou não são  aplicados diretamente na  produção dos bens  destinados à venda  "As  glosas  foram  efetuadas  quando  a  coluna  'Descrição  do  Projeto'  da  planilha  Plan  01,  apontavam  para  utilização  do  bem  fora  do  setor  de  produção,  tais  como:  Administrativo,  Apoio,  Instalação  provisória,  Móveis...  ou  quando  a  coluna  'Área'  indicava  que  o  bem  foi  aplicado  na  manutenção,  utilidades...  A  lei  só  permite  o  cálculo  da  depreciação  incentivada sobre máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens  destinados  a  venda  e  os  produtos  glosados,  embora  podendo  ser  bens  do  ativo  imobilizados,  não  indicavam  que  seriam  do  tipo  'máquinas  e  equipamentos.  (...)  As  glosas  foram  efetuadas  quando  as  colunas  'Descrição  do  Bem',  'Tipo  Transação',  'Tarefa',  da  planilha  Plan  04,  apontavam  para  utilização  do  bem  fora  do  setor  de  produção,  tais  como:  móveis,  gaveteiros,  armários,  rádio,  bicicletas,  lanches,  colchões  e  outros  bens  destinados  aos  setores  Administrativos, Gerenciais, Manutenção, Comercial, e outros, quando a lei  só  permite  o  cálculo  da  depreciação  incentivada  sobre  máquinas  e  equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda." (fl. 643)  13.1.2 Edificações  "As  glosas  foram  efetuadas  quando  a  coluna  'Descrição  do  Projeto'  da  planilha  Plan  02,  apontavam  para  utilização  do  bem  fora  do  setor  de  produção, tais como: Obras Civis, Estruturas Metálicas, Apoio, Instalação  Provisória de Canteiro, Estacas Hélices... ou quando a coluna 'Fornecedor'  indicava um fabricante de cimento, fios elétricos ou produtos aplicados na  construção  civil.  A  lei  só  permite  o  cálculo  da  depreciação  incentivada  sobre máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados  a venda, ao passo que os produtos glosados, embora podendo ser do ativo  imobilizado,  não  se  caracterizam  como  máquinas  e  equipamentos  para  usufruir  da  depreciação  incentivada  utilizada  pelo  contribuinte,  tais  bens  caracterizam­se como 'edificações'.  (...)  As  glosas  foram  efetuadas  quando  as  colunas  'Descrição  do  Bem',  'Tipo  Transação',  'Tarefa',  da  planilha  Plan  05,  apontavam  para  utilização  do  bem  fora  do  setor  de  produção,  tais  como:  Obras  Civis,  Estruturas  Metálicas,  Apoio,  Instalação  Provisória  de  Canteiro,  Estacas  Hélices....  quando  a  lei  só  permite  o  cálculo  da  depreciação  incentivada  sobre  máquinas  e  equipamentos  utilizados  na  produção  de  bens  destinados  a  venda e não sobre edificações, como se caracterizam os bens glosados." (fl.  643)  13.2 Por aproveitamento  do crédito no prazo de 12  meses, contados da data  de aquisição  "Após  análise  dos  arquivos  contendo  listagem  dos  bens  como  aproveitamento  de  crédito  no  prazo  de  12  (doze)  meses,  detectamos  colunas:  'Nome',  'Tarefa',  'Descrição  NFiscal',  'Descrição  Item',  'Data',  produtos  que  não  se  enquadram  na  depreciação  incentivada  determinada  pela Lei 11.196/2005, art. 31 e Decreto 5.988/2006.  Fl. 661DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     10 (...)  Como ficou demonstrado anteriormente, o contribuinte optou erroneamente  pelo tipo de depreciação (depreciação incentivada) a ser calculada sobre os  bens que foram glosados.  A  seguir  efetuamos  o  cálculo  da  depreciação  normal  incidente  sobre  os  itens  que  tiveram  os  encargos  da  depreciação  incentivada  (art.  21  da  lei  10.865/2004,  art.  31  da  lei  11.196/05,  ­  1/48  e  1/12)  glosados  pela  fiscalização  considerando  que  são  bens  do  ativo  imobilizado.  Tal  procedimento foi adotado caso os Ilustres Conselheiros entendam pertinente  reconhecer os créditos incidentes com aplicação da depreciação normal.  As  planilhas  geradas  com  as  respectivas  taxas  de  depreciação  e  data  de  vigência estão contidas na mídia digital (CD) anexo ao presente relatório."  (fls. 644­645)  Cientificado do resultado da Diligência em 29/05/2015, o ora Recorrente não  apresentou manifestação. Em seguida, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento  do julgamento do recurso.  É o relatório.    Voto             Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  Conforme relatado, o presente processo se refere exclusivamente à pedido de  ressarcimento de créditos da COFINS­Exportação, relativa ao 2º trimestre de 2006, para a qual  houve a glosa parcial dos créditos pleiteados pelo sujeito passivo na forma do art. 74 da Lei n.º  9.430/96.  Preliminarmente,  o  sujeito  passivo  aventou  em  seu  Recurso  a  nulidade  do  Parecer  Seort  que  teria  fundamentado  o  Despacho  Decisório  em  razão  de  um  equívoco  na  numeração.  Contudo,  esse  argumento  não  merece  prosperar,  uma  vez  que  as  razões  que  ensejaram  na  glosa  parcial  dos  créditos  foram  devidamente  trazidas  pela  fiscalização  no  Relatório Fiscal de  fls.  315­319,  juntamente com as planilhas que detalharam os valores das  glosas (fls. 108­299).  Como  relatado,  a  conclusão  do  trabalho  fiscal  foi  trazida  no  Despacho  Decisório  n.º  87/2011  às  fls.  323,  na  qual  a  fiscalização  identifica  que  está  analisando  o  presente processo (COFINS Não Cumulativa ­ Exportação 2º trimestre de 2006). A indicação  equivocada neste  termo do número do processo (menção ao PTA 10280.722278/2009­32) foi  um  simples  equívoco material  que  não  prejudicou  de  qualquer  forma  a  higidez  do  trabalho  fiscal  ou  mesmo  a  defesa  do  sujeito  passivo,  ao  qual  foi  entregue  não  apenas  o  referido  Despacho,  mas  todo  o  trabalho  fiscal.  Assim,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  por  não  vislumbrar o vício apontado pelo Recorrente.  Adentrando­se  no  mérito,  constata­se  que  os  assuntos  em  discussão  são  basicamente  os  mesmos  já  analisados  por  este  CARF  em  diversos  processos  da  mesma  Recorrente:  (a)  delimitação do conceito de  insumo para  as  contribuições;  (b)  glosas de bens  considerados como insumos;  (c) glosas de serviços considerados como insumos; e  (d) glosas  Fl. 662DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 658          11 em  relação  a  bens  do  ativo  imobilizado  e  de  edificações,  inclusive  no  que  se  refere  a  bases  diferenciadas (1/12 e 1/48, meses).  Visando  facilitar  a  análise  a  ser  empreendida,  as  glosas  serão  identificadas  neste voto de acordo com o  item do Relatório Fiscal que instruiu o Despacho Decisório  (fls.  315­319), sendo dividida em dois tópicos:  I ­ DO CONCEITO DE INSUMO. As glosas trazidas nos itens 10 e 11 do  Relatório  Fiscal  são  relativas  ao  conceito  de  insumo  (questões  foram  identificadas nos pontos (a), (b) e (c) acima);  II  ­  DO  CRÉDITO  A  DESCONTAR  REFERENTE  AO  ATIVO  IMOBILIZADO. A glosa do item 13 se refere ao ativo imobilizado (questão  identificada no ponto (d) acima).  Antes  de  adentrar  especificamente  em  cada uma  das  glosas,  vale  consignar  que,  em  se  tratando  de  declaração  de  compensação,  o  contribuinte  figura  como  titular  da  pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em  outras  palavras,  o  sujeito  passivo  possui  o  encargo  de  comprovar,  por meio  de  documentos  hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe.  Assim,  quanto  aos  itens  entendidos  como  não  adequadamente  descritos  ou  equivocadamente enquadrados, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a  comprovar  a  existência  de  direito  creditório,  capazes  de  demonstrar,  de  forma  cabal,  que  a  Fiscalização incorreu em erro com as glosas, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto  nº 70.235/19721.  Com  efeito,  o  ônus  probatório  nos  processos  de  compensação  é  do  postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova  de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2.  No presente caso, quanto aos itens de bens e insumos glosados (itens 10 e 11  do  Relatório  Fiscal),  além  de  documentos  apresentados  pela  Recorrente  à  época  da  fiscalização,  foi  ainda  realizada Diligência Fiscal,  oportunidade na qual um  representante da  Recorrente prestou informações relativas ao seu processo produtivo.                                                              1 “Art. 15. A  impugnação,  formalizada por escrito e  instruída com os documentos em que se  fundamentar, será  apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias,  contados da data em que  for  feita a  intimação da  exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III­  os motivos de  fato e de direito em que se  fundamenta, os pontos de discordância e as  razões e provas que  possuir;"  2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009  VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de  investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de  propiciar  a  aproximação  da  atividade  formalizadora  com  a  realidade  dos  acontecimentos.  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  Nos  processos  derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante,  que  deve  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes. Não  se  presta  a  diligência,  ou  perícia,  a  suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" : (Processo  n.º 11516.721501/2014­43. Sessão  23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401­003.096)  Fl. 663DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     12 Por sua vez, quanto aos ativos imobilizados (item 13 do Relatório Fiscal), a  Recorrente  somente  trouxe  alegações  genéricas,  sem um  substrato  fático  capaz  de  afastar  as  premissas  fáticas  trazidas  pela  fiscalização  e  confirmadas  na  Diligência  Fiscal.  Cumpre  mencionar  que,  não  obstante  tenha  sido  oportunizada  à  Recorrente  a  apresentação  de  informações após a diligência, ela não o fez.  Portanto,  para  a  análise  do  presente  caso  necessário  que  sejam  analisadas  todas as provas acostadas aos presentes autos, seja pela Recorrente, seja na Diligência realizada  nesta fase de julgamento no CARF.   Feito este apontamento inicial passa­se, em seguida, à análise de cada um dos  itens.    I ­ DO CONCEITO DE INSUMOS    Neste  ponto,  o  debate  travado pela Recorrente  centra­se  no  enquadramento  no conceito de insumos dos bens e serviços glosados nos itens 10 e 11 que, em seu entender,  geram direito aos créditos da COFINS. Como se depreende do Relatório Fiscal que instruiu o  Despacho Decisório  (fls. 315­319), o Fisco glosou créditos de  insumos baseado em conceito  mais  restritivo,  no  sentido  de  que,  além  das  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados  créditos  em  relação  a  produtos  que  sejam  aplicados  ou  consumidos  em  ação  direta  sobre  o  produto  em  fabricação.  Este  posicionamento,  indicado  nas  Instruções  Normativas  SRF  nºs  247/2002  e  404/2004  e  que  se  aproxima  à  sistemática  da  não  cumulatividade  do  IPI,  foi  enfrentado pela Recorrente em sua defesa.  Assim, antes do exame das questões fáticas envolvidas, importante que sejam  feitas breves considerações acerca do conceito de insumo e a não cumulatividade do PIS e da  COFINS (ambos com sistemática não cumulativa idêntica).  As contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por  diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que  instituiu  o  PIS  não  cumulativo  ­  vigência  a  partir  de  01/12/2002)  e  a  Lei  n.º  10.833/2003  (conversão  da MP  135/2003  que  instituiu  a  COFINS  não  cumulativa  ­  vigência  a  partir  de  01/02/2004).  Como  contribuições  incidentes  sobre  a  receita,  na  forma  do  art.  1º  destes  diplomas legais, a sistemática não cumulativa foi prevista para determinadas pessoas jurídicas  sendo mantida, para as demais, a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS incidentes sobre  o faturamento.  No  art.  3º  das  referidas  leis  o  legislador  identificou  a  forma  como  seria  operacionalizada  a  não  cumulatividade  dessas  contribuições,  identificando  os  créditos  suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos  são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, identificadas  taxativamente,  dentre  as  quais  os  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise.  Este  Conselho  Administrativo,  de  forma  majoritária  e  à  luz  de  uma  interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, tem adotado a interpretação  do  conceito  de  insumos  considerando  a  sua  essencialidade/necessidade  para  o  processo  Fl. 664DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 659          13 produtivo  da  empresa  ou  para  a  prestação  de  serviço3,  em  uma  aproximação  que  não  é  tão  ampla  como  da  legislação  do  Imposto  de  Renda,  nem  tão  restritiva  como  aquela  veiculada  pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e adotada pelo I. Fiscal no caso em  tela.  Importante  mencionar  que  este  entendimento  poderá  ser  ampliado  pelo  Superior Tribunal de Justiça, em julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos  (Recurso  Especial  nº  1.221.170).  Com  efeito,  como  se  depreende  do  trecho  do  voto  do  E.  Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, proferido em 23/09/2015 em julgamento ainda  não  concluído4,  foi  externado  um  primeiro  posicionamento  no  sentido  de  se  garantir  o  creditamento do PIS e da COFINS sobre todas as despesas realizadas com a aquisição de bens  e serviços necessários para o exercício da atividade empresarial, direta ou indiretamente:    “26. O creditamento no IPI e no ICMS – digo isso apenas para recordar – vincula­ se ao quantum recolhido nas operações anteriores porque os fatos geradores desses  impostos  são,  respectivamente,  a  industrialização  e  a  circulação  comercial  de  mercadoria ou alguns  serviços. No caso do PIS/COFINS, o creditamento consiste  em verdadeiro ou autêntico desconto, pois essas contribuições têm por fato gerador  o próprio faturamento da empresa ou da entidade a ela equiparada; a distinção é  formidavelmente gritante, como se percebe.  27. E essa é a pedra­de­toque para afastar a confusão que comumente havia entre o  creditamento do IPI e o creditamento do PIS/COFINS. No primeiro caso, o tributo  incide  sobre  o  produto,  então  o  crédito  efetivamente  decorre  dos  insumos;  no  segundo caso, vê­se que o tributo incide sobre o faturamento, então o crédito deve  decorrer  –  e  somente  pode  decorrer  –  das  despesas,  sendo  essa  conclusão  de  clareza ofuscante ou brilhante como a do sol nordestino.  28. Ocorre que a  regulamentação  levada a  efeito pelo Poder Executivo –  como é  normal de acontecer quando  se confere ao credor  o  condão de arbitrar quanto o  devedor lhe pagará – ainda se prende àquela antiga confusão entre o creditamento  do IPI e o creditamento do PIS/COFINS, considerando o crédito destes a partir dos  insumos (como no primeiro caso), e não das despesas.  29.  Nesse  proceder,  a  interpretação  fazendária  desvirtua,  com  a  devida  vênia,  o  propósito da não cumulatividade, afastando­se do padrão  legal que  supostamente  estaria a disciplinar, alguns diriam, em prol de maior arrecadação de curto prazo,  às  expensas  do  desenvolvimento  econômico  e  da  geração  de  riquezas  do  país,  problema que se agrava por se tratar de tributos que incidem sobre a primeira linha  da DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), base de cálculo alargada. (...)  36. Contudo, a reflexão nos mostra que o conceito estreito de insumo, para além de  inviabilizar a tributação exclusiva do valor agregado do bem ou do serviço, como                                                              3  Como  bem  esclarece  o  Acórdão  nº  3403­002.656,  julgado  em  28/11/2013,  Relator  Conselheiro  Rosaldo  Trevisan,  ementado  nos  seguintes  termos:  "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/04/2004  a  30/06/2004    CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  INSUMO.  CONCEITO.  O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  à  COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR  (excessivamente  alargado).  Em  atendimento  ao  comando  legal,  o  insumo  deve  ser  necessário  ao  processo  produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final."    4 Julgamento foi suspenso pelo pedido de vista do Ministro Og Fernandes, que apresentou seu voto em julgamento  ocorrido  em  11/05/2016  conhecendo  parcialmente  do  recurso  especial  e,  nessa  parte,  negando­lhe  provimento.  Naquela  oportunidade  foi  ainda  apresentado  o  voto  do  Sr.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques  conhecendo  parcialmente  do  recurso  especial  e,  nessa  parte,  dando­lhe  parcial  provimento.  Em  seguida,  pediu  vista  o  Sr.  Ministro Benedito Gonçalves, aguardando ainda a votação pelos Ministros Assusete Magalhães, Sérgio Kukina,  Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Humberto Martins."  Fl. 665DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     14 determina  a  lógica  do  comando  legal,  decorre  de  apreensão  equivocada,  com  a  devida  vênia,  do  art.  111  do CTN  em  que,  aliás,  insiste,  persiste  e  não  desiste  a  Fazenda Pública, como se trabalhasse algo aleatório ou incerto, num ambiente em  que se prima pelas certezas, qual seja, o ambiente da tributação.  37.  Como  bem  apontado  no  parecer  do  eminente  Professor  HUGO  DE  BRITO  MACHADO (fls. 604), o creditamento não consiste em benefício fiscal, tampouto é  causa  de  suspensão  ou  exclusão  do  crédito  tributário,  e  menos  ainda  representa  dispensa  do  cumprimento  de  obrigações  acessórias,  de  modo  que  não  há  de  ser  interpretado  necessariamente  de  forma  literal  ou  restritiva,  como  está  naquele  dispositivo  do  CTN;  essa  assertiva  do mestre  cearense  calha  como  uma  luva  na  compreensão do tema que se discute.  38.Em  resumo,  Senhores  Ministros,  a  adequada  compreensão  de  insumo,  para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  usualmente  denominadas  PIS/COFINS,  deve  compreender  todas  as  despesas  diretas  e  indiretas  do  contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à  totalidade dos  insumos,  não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico,  por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. (...)  40.  Diante  do  exposto  e  esperando  que  algum  dos  eminentes  julgadores  deste  egrégio  Colegiado  peça  vista  destes  autos,  para  verticalizar,  muito  mais  competentemente,  o  estudo  deste  problema,  voto  pelo  provimento  do  Recurso  Especial, para declarar a ilegalidade da restrição ao conceito de insumo levada a  efeito  pelas  Instruções  Normativas  247/2002  e  404/2004,  da  SRF,  reconhecendo  que devem ser consideradas no conceito de insumo, para fim de creditamento de  PIS e COFINS,  todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços  necessários para o exercício da atividade empresarial, direta ou  indiretamente.”  (grifei)    Ora, no meu entender particular, para garantir a coerência5 e dar efetividade  ao  princípio  da  não  cumulatividade,  o  legislador  ordinário  não  poderia  ter  se  valido  de  restrições e deveria ter assegurado o creditamento de todas as despesas incorridas na atividade  empresarial para auferir a receita (fato tributado pelas contribuições). Já tive a oportunidade de  me manifestar  sobre  esta  questão  na  seara doutrinária,  entendendo que  ao  apresentar um  rol  taxativo de créditos, a legislação do PIS e da COFINS culminou em efetivo efeito cumulativo,  contrário à finalidade da não cumulatividade6.  Contudo, inegável que a lei em vigor trouxe limites, com um rol taxativo de  bens/serviços  passíveis  de  creditamento  e  exigindo  que,  para  o  creditamento,  o  insumo  seja  utilizado  "na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda"  (art. 3º, II, Leis Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). Assim, considerando a  seara  administrativa  na  qual  se  insere  essa  discussão  e  enquanto  ainda  não  concluído  o  julgamento do recurso repetitivo acima referenciado, não posso me desvincular dos termos da  lei, na forma exigida pelo Regimento Interno deste Conselho7.                                                              5 ÁVILA, Humberto. O "postulado do legislador coerente" e a não­cumulatividade das contribuições. In: ROCHA,  Valdir de Oliveira (Coord.). Grandes questões atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2007. v. 11.  p. 180.  6 DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Competência  tributária  residual e as contribuições destinadas à Seguridade  Social. Belo Horizonte: D´Plácido, 2015, p. 296   7 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal;  (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103­A da Constituição Federal;  b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de  Fl. 666DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 660          15 Nesse contexto, e adotando o entendimento já externado em diversas ocasiões  por esta Turma8, filio­me ao entendimento que vêm sendo solidificado no âmbito deste CARF,  entendendo por  insumos para  fins de  aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS aquelas  despesas  incorridas  com bens  ou  serviços  comprovadamente  utilizados  na  atividade  da  pessoa jurídica, seja "na prestação de serviços" ou "na produção ou fabricação de bens ou  produtos destinados à  venda", que guarde, portanto,  relação com as  receitas  tributadas.  Nesse sentido, de forma exemplificativa, traz­se ainda a ementa abaixo de julgado do Conselho  Superior:    "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005  Ementa:  CONCEITO  DE  INSUMO.  PIS  E  COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU  DO IRPJ.  A  legislação do PIS e da COFINS não cumulativos  estabelece  critérios próprios  para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se  afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002,  e  que  também  não  se  aproxima  do  conceito  de  despesa  necessária  prevista  na  legislação do IRPJ.  CONCEITO  DE  INSUMO.  INTERPRETAÇÃO  HISTÓRICA,  SISTEMÁTICA  E  TELEOLÓGICA. LEIS N 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.  “Insumo”  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos,  partindo  de  uma  interpretação  histórica,  sistemática  e  teleológica  das  próprias  normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser  entendido  como  todo  custo,  despesa  ou  encargo  comprovadamente  incorrido  na  prestação de  serviço ou na produção ou  fabricação de bem ou produto que  seja  destinado  à  venda,  e  que  tenha  relação  e  vínculo  com  as  receitas  tributadas                                                                                                                                                                                           Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts.  1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, na  forma disciplinada pela Administração  Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)  (...)  §  2º As  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)"  8 À título de exemplo, trago posicionamento do Nobre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra:      "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano­calendário: 2004  PIS.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  INSUMOS.  UTILIZAÇÃO  DE  BENS  E  SERVIÇOS  .  CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No  regime de  incidência  não­cumulativa  do PIS/Pasep  e  da  COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de  bens e  serviços como insumos na produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na  prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis ­ dadas as  limitações  impostas ao creditamento pelo  texto normativo, vê­se que o  legislador optou por um regime de não­ cumulatividade  parcial,  onde  o  termo  “insumo”,  como  é  e  sempre  foi  historicamente  empregado,  nunca  se  apresentou  de  forma  isolada,  mas  sempre  associado  à  prestação  de  serviços  ou  como  fator  de  produção  na  elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.  PIS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO  DECORRENTE  DE  CUSTOS  E  DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO  PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O  creditamento  objeto do  regime da  não­ cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita  comprovação,  por  documentação  idônea,  dos  custos  e  despesas  decorrentes  da  aquisição  de  bens  e  serviços  empregados  como  insumos  na  atividade da pessoa  jurídica. A não­comprovação  dos  créditos,  referentes  à não­ cumulatividade, indicados no DACON, implica sua glosa por parte da fiscalização. Recurso Voluntário Negado."  (Processo 10675.002237/2004­88. Sessão 15/03/2016 Nº Acórdão 3402­002.965)  Fl. 667DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     16 (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação,  das  especificidades  de  cada processo produtivo.  EMPRESA  DE  FABRICAÇÃO  DE  MÓVEIS.  CRÉDITOS  RECONHECIDOS.  MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. INSUMOS.  Tratando­se  de  uma  empresa  fabricante  de  móveis,  foram  reconhecidos  créditos  com relação à aquisição de materiais para manutenção de máquinas.  Os gastos incorridos na aquisição de materiais para manutenção de máquinas são  necessários  e  imprescindíveis  à  atividade  produtiva  da  contribuinte,  inserindo  no  conceito de “insumo” previsto no inciso II do artigo 3o da Lei n o 10.833/2003.  Recurso  Especial  do  Procurador  Negado"  (Número  do  Processo  11020.001960/2006­79.  Data  da  Sessão  14/08/2014.  Relator  Rodrigo  Cardozo  Miranda. Nº Acórdão 9303­003.079 ­ grifei)    Dessa forma, para decidir quanto ao direito ao crédito do PIS e da COFINS  não­cumulativo  é  imprescindível  que,  primeiro,  se  analise  as  características  da  atividade  produtiva  desenvolvida  pela  empresa  para,  então,  identificar  quais  as  aquisições  que  configuram insumo para os bens por ela produzidos.  Verifica­se  no  Estatuto  Social  que  a  Recorrente  se  dedica  à  produção  e  comercialização  (exportação)  de  Alumina  e  outros  produtos  derivados  e  de  transporte  e  serviços  conexos  aos  objetivos  citados  (fls.  488­489).  Ressalta­se  ainda  que  a  sociedade  empresarial é preponderantemente exportadora.  Destaca­se  que  à  época  da  fiscalização  a  Recorrente  apresentou  um  Laudo  detalhando seu Processo de Produção (fls. 75­107) e, como relatado, foi realizado nos autos a  Diligência com a  identificação das  formas como os bens glosados são utilizados no processo  produtivo da Recorrente (fls. 639­647).  É com fulcro no conceito de insumo aqui adotado, na documentação acostada  aos autos e no resultado da diligência fiscal que irei examinar as glosas objeto dos itens 10 e 11  do Relatório Fiscal desta ação.    I.1 ­ Das Glosas do Item 10. Dos Bens utilizados como Insumo  Neste  item a Fiscalização  identificou 5  subitens  objeto de  glosa por não  se  enquadrarem no seu conceito de insumo (restritivo, reitere­se). Adentra­se a seguir em cada um  desses subitens.  10.1 Combustíveis e Carvão Energético  Como foi consignado na Diligência Fiscal (fl. 640), esse item corresponde à  glosa  dos  valores  relativos  à  aquisição  de  Óleo  BPF  e  Carvão  Energético.  Naquela  oportunidade, esclareceu a fiscalização que esses produtos são essenciais à produção por serem  utilizados na queima das caldeiras para aquecimento do LICOR, de onde se extrai o produto  comercializado pela Recorrente, a Alumina. Transcreve­se novamente os termos do Relatório  da Diligência:    "10.1  Combustíveis  e  Carvão  Energérico  utilizados  como  energia  térmica  no  aequecimento de caldeiras, equipamentos e fornos(...)  Sobre  essas  glosas  esclarecemos  que  o  Óleo  BPF  e  Carvão  Energético  são  utilizados na queima das caldeiras para aquecimento da polpa líquida (LICOR) de  onde se extrai a Alumina. Um gerador de vapor, conhecido também como caldeira,  Fl. 668DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 661          17 é um dispositivo usado para produzir  vapor aplicando energia  térmica à água. A  glosa  foi efetuada considerando que a  legislação  (lei  11.488/2007)  só  reconheceu  crédito  sobre  energia  térmica  (queima  do  Óleo  BPF)  a  partir  de  15/06/2007."  (grifei ­ fl. 640)    A essencialidade desses produtos para a produção da Alumina foi igualmente  evidenciada no Laudo acostado aos autos à época da fiscalização. O trecho a seguir, extraído  da fl. 99 do presente PTA, deixa clara a essencialidade do Óleo Combustível e do Carvão para  o funcionamento das caldeiras:    Somente para deixar clara a visualização da forma como o vapor gerado nas  caldeiras  é utilizado dentro do processo produtivo,  apresenta­se abaixo o  trecho do processo  produtivo acostado na época da Diligência (fl. 635):    Assim, considerando o resultado da diligência e da prova acostada aos autos,  proponho por  reverter a glosa  relativa ao  item 10.1  ­ Combustíveis  e Carvão Energético,  eis  que comprovada a sua necessidade para o processo produtivo da Recorrente.  10.2  Produtos/bens  não  serem  aplicados  diretamente  no  processo  produtivo   Em cumprimento da Diligência Fiscal, o  I. Fiscal  identificou expressamente  os  dois  bens  objeto  de  glosa  neste  subitem,  quais  sejam:  o  Ácido  Sulfúrico  e  Inibidor  de  Corrosão.  Fl. 669DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     18 Para  os  dois  bens,  a  própria  fiscalização  apontou  a  sua  importância  para  o  processo  produtivo  da Recorrente. O Ácido  Sulfúrico  por  sua  utilização  na  limpeza  ácida  e  desincrustação  dos  equipamentos  por  onde  passa  o  LICOR,  sendo  identificada  como  uma  limpeza "fundamental" para o processo produtivo. E o Inibidor de corrosão, por sua vez, por  ser  essencial  para  manter  o  bom  estado  das  tubulações  metálicas  (e,  portanto,  manter  a  qualidade do produto final). Vejamos novamente os termos da Diligência:    "O Ácido Sulfúrico foi glosado considerando que ele é usado para limpeza ácida e  desincrustação  dos  equipamentos,  em  nenhum momento  ele  reage  quimicamente  com  o  LICOR  para  produção  da  alumina.  Embora  não  seja  necessário  para  produzir alumina, sua utilização é fundamental para "limpeza" dos equipamentos  por onde passa o LICOR.  O  produto  "inibidor  de  corrosão"  é  utilizado  no  tratamento  da  água  potável  e  adicionado  à  água  para  diminuir  o  efeito  da  corrosão  nas  tubulações metálica  (sic.) aumentando sua vida útil, em nenhum momento é utilizado como insumo na  produção da alumina, não participa como reagente na mistura que gera o LICOR  da  bauxita  até  sua  transformação  em  alumina  (produto  final).  Fazendo  uma  comparação com o cotidiano, seria similar ao 'aditivo' usado no radiador do carro  para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um  mero  'aditivo'  para  aumentar  a  vida  útil  das  tubulações,  não  participando  efetivamente do processo químico de  transformação da bauxita em alumina é que  efetuamos a glosa dos créditos desse produto." (grifei ­ fls. 640­641)    Esta  turma, com outra composição,  já  teve a oportunidade de analisar esses  dois  bens  no  processo  produtivo  da  própria Recorrente,  quando  da  prolação  do Acórdão  n.º  3402­002.648.  Naquela  oportunidade,  concluiu­se  que  os  "gastos  com  a  aquisição  de  ácido  sulfúrico (...) e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina,  ensejam  o  creditamento  das  contribuições  sociais  não  cumulativas"9.  E  por  trazer  considerações entendidas como relevantes para a conclusão da reversão da glosa neste item10,  trago  as  considerações  de  voto  do  Relator  Alexandre  Kern,  acompanhado  por  unanimidade  naquela oportunidade:    "Mérito: glosa de créditos a título de insumos  No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado  em  refinarias  de  alumina  para  desincrustar  linhas  dos  trocadores  de  calor  e  outros  equipamentos.  É  utilizado  também  para  neutralização  de  efluentes  e  desmineralização  da  água  para  as  caldeiras.  O  calcário  (produto  AL  200  –  Carbomil)  é  empregado durante o processo de combustão nas  caldeiras  a carvão  para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão  mineral. O inibidor  de  corrosão, por  sua  vez,  é usado  em  refinarias  de  alumina                                                              9 Acórdão ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­  Cofins  Período  de  apuração:  01/10/2010  a  31/12/2010  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não­cumulativa, são todos aqueles bens e  serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser  direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço  ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade  do  produto ou  serviço  daí  resultantes. Gastos  com a  aquisição de  ácido  sulfúrico,  calcário AL 200 Carbomil  e  inibidor  de  corrosão,  no  contexto  do  Processo  Bayer  de  produção  de  alumina,  ensejam  o  creditamento  das  contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado." (Número do  Processo 10280.904346/2012­85 Sessão 24/02/2015 Relator Alexandre Kern Acórdão n.º 3402­002.648)  10  Cumpre  mencionar  que  a  premissa  do  conceito  de  insumo  adotado  naquela  oportunidade  é  idêntica  à  aqui  adotada,  tendo  consigando  o  relator  que  "não  é  todo  e  qualquer  custo  ou  despesa  necessária  à  atividade  da  empresa,  nos  termos  da  legislação  do  IRPJ.  Há  de  se  perquirir  a  pertinência  e  a  essencialidade  do  gasto  relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo."  Fl. 670DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 662          19 para  desincrustar  linhas  dos  trocadores  de  calor  e  outros  equipamentos.  É  utilizado  também  para  neutralização  de  efluentes  e  desmineralização  da  água  para as caldeiras.  Entendo  que  o  recorrente  demonstrou  de  maneira  satisfatória,  por  meio  de  sua  explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes  três bens para com o  processo  produtivo,  nos  termos  do  conceito  de  insumo  que  se  adota  neste  voto,  devendo­se reverter as respectivas glosas." (grifei)    Assim,  propõe­se  pela  reversão  integral  da  glosa  do  item  10.2.  posto  que  comprovada  a  essencialidade do Ácido Sulfúrico  e do  Inibidor  de Corrosão  para  o  processo  produtivo da Recorrente.  10.3 Ativo imobilizado  O  enquadramento  pela  Fiscalização  da  "bola  forjada"  como  bem  do  ativo  imobilizado, confirmada pela Diligência, não foi enfrentado pela Recorrente em suas defesas,  seja  com  a  apresentação  de  argumentos  específico,  seja  com  documentos.  Nesse  sentido,  entendo pela manutenção da glosa do crédito neste item.  10.4 Produtos/bens sem descrição detalhada ou informação aplicação no  processo produtivo.  Como confirmado pela fiscalização na Diligência Fiscal, nenhum bem deste  subitem foi objeto de glosa.  10.5 Fretes dos produtos/bens glosados.  Em conformidade  com  o Relatório  Fiscal,  com  as  planilhas  a  ele  anexadas  (fls.  280­289)  e  com  a Diligência Fiscal,  neste  subitem  "foram  glosados  os  fretes  relacionados  com  os  produtos  glosados"  (fl.  641).  Desta  forma,  como  premissa  adotada  pela  própria  fiscalização,  o  presente  subitem  envolve  o  transporte  de  bens  que  não  haviam  sido  considerados como insumos.  Contudo,  conforme  fundamentado  acima,  a maior  parte  desses  bens  foram  neste voto considerados como insumos na  forma do entendimento deste CARF, quais sejam:  Óleo BPF, Carvão Energético, Ácido Sulfúrico e inibidor de corrosão.  Diante disso, para esses quatro bens, esse item passou a envolver as despesas  de frete para a aquisição de insumos.  Neste novo  contexto,  necessária  a  reversão da  glosa deste  item, vez que  as  despesas com o transporte para a aquisição de insumos devem integrar a base de cálculo dos  créditos de COFINS por integrarem o custo de produção. Tratam­se, portanto, de despesas na  aquisição de insumo que se enquadram na previsão do art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/03.  Nesse  exato  sentido,  trago  alguns  julgados  deste  CARF  de  forma  exemplificativa, inclusive um já proferido por esta E. Turma:    "(...)  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS  E  COFINS.  INSUMO.  CONCEITO.  No  regime  não  cumulativo  das  contribuições  o  conteúdo  semântico  de  insumo”  é  mais  amplo  do  que  aquele  da  legislação  do  IPI  e  mais  Fl. 671DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     20 restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e  “serviços” que integram o custo de produção.  SERVIÇOS UTILIZADOS COMO  INSUMOS. Estão aptos  a gerarem  créditos das  contribuições  os  serviços  aplicados  no  processo  produtivo  passíveis  de  serem  enquadrados como custos de produção.  FRETES.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS.  Os  fretes  vinculados  à  aquisição  de  insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem  com custo de produção, a  teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do  RIR/99.  (...)  Recurso  voluntário  provido  em  parte."  (Processo  n.º  13656.721158/2011­15. Relator Antonio Carlos Atulim. Acórdão n.º 3402­002.881.  Sessão 28/01/2016 ­ grifei)    "(...) FRETE. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera  direito  a  créditos  do  PIS  e  da  Cofins  não­cumulativos  o  dispêndio  com  o  frete  pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens  adquiridos  para  serem  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda,  bem  assim  o  transporte  de  bens  entre  os  estabelecimentos  industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização,  vez  que  compõe  o  custo  do  bem"  (Processo  nº  11080.003380/2004­40,  Relator  Maurício Taveira e Silva, Acórdão nº 3301­00.424. Sessão de 03/02/2010 ­ grifei).    Assim,  uma  vez  enquadrados  como  insumos,  propõe­se,  como  decorrência  lógica,  a  reversão  das  glosas  das  despesas  de  frete  nas  aquisições  de  Óleo  BPF,  Carvão  Energético, Ácido Sulfúrico e inibidor de corrosão, mantidas as glosas nos fretes de eventuais  outros produtos que não foram enfrentados pela Recorrente.  I.2 ­ Das Glosas do Item 11. Dos Serviços utilizados como insumo   Em  relação  a  serviços  utilizados  como  insumos,  percebe­se  que  a  Fiscalização efetuou a glosa em relação aos seguintes serviços entendidos como não aplicados  diretamente no processo produtivo:  (I.2.1) Serviços de  limpeza, manutenção de  elevadores  e  instalações elétricas, montagem e desmontagem de andaimes; e (I.2.2) Transportes de Rejeitos  Industriais.   Quanto  ao  subitem  I.2.1  acima,  a Recorrente  não  trouxe qualquer  alegação  específica em seu Recurso Voluntário, respaldando­se, unicamente, no argumento genérico do  não enquadramento no  conceito de  insumo. Com efeito,  em qualquer momento deste PTA a  Recorrente  trouxe  documentos  ou  alegações  suscetíveis  à  enquadrar  esses  serviços  como  insumos de sua produção.  Diante disso,  considerei  aqui  a  conclusão  fática  trazida pela  fiscalização  na  Diligência  Fiscal,  em  afirmativa  não  enfrentada  pela  Recorrente.  Como  atestado  pela  fiscalização, "pela descrição dos serviços, observamos trata­se de despesas eventuais no dia a  dia da empresa, não sendo essencial na produção da alumina" (fl. 641). Assim, por não serem  essenciais à produção da Recorrente ou para garantir a qualidade de seu produto, esses serviços  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  aqui  adotado,  sendo  necessária  a manutenção  da  glosa.  Por  sua  vez,  quanto  aos  serviços  do  item  I.2.2,  de  transporte  de  rejeitos  industriais,  a  Diligência  Fiscal  foi  muito  clara  ao  evidenciar  a  sua  essencialidade  para  o  processo produtivo da Recorrente,  expressamente  consignando que "a não  remoção da  lama  residual  formaria  uma  grande  montanha  que  impediria  o  funcionamento  operacional  da  empresa" (fl. 642). Veja­se novamente os termos do Relatório da Diligência quanto a este item:    Fl. 672DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 663          21 "(...) 2) Transportes de Rejeitos Industriais: Esse tópico representa quase 90% do  valor  total  do  (sic.)  serviços  glosados.  Depois  de  todo  processo  industrial  de  separação  da  alumina  resulta  uma  grande  quantidade  de  rejeito  em  forma  de  lama.  todo  esse  rejeito  é  transportado  por  caminhões  para  diques  onde  são  armazenadas. Como o produto final já foi produzido (alumina), a retirada da lama  residual não tem afetação sobre o processo produtivo. Tal custo acontece depois da  produção  da  alumina  não  podendo  ser  considerado  um  serviço  aplicado  na  produção da mesma. Trata­se de uma limpeza do pátio após um ciclo de produção.  A não remoção da lama residual formaria uma grande montanha que impediria o  funcionamento operacional da empresa." (grifei ­ fl. 641­642)    Assim,  necessária  a  reversão  da  glosa  quanto  a  esse  serviço  essencial  à  continuidade do processo produtivo da Recorrente.  Quanto a esse serviço especificamente, essa turma recentemente reconheceu  a  validade  dos  créditos  para  essa  mesma  Recorrente,  no  Acórdão  3402­003.101  (sessão  de  21/06/2016).  Naquela  oportunidade,  o  Ilustre  Relator  Waldir  Navarro  Bezerra  mencionou  outros  julgados  da  mesma  Recorrente  e  relativos  ao  mesmo  processo  produtivo  nos  quais  igualmente se concluiu pela tomada de créditos em relação a transporte de rejeitos industriais  (Acórdãos n.ºs 3403­003.512 a 518 e 3403­003.520).  À título de exemplo, foi  transcrito o seguinte trecho do voto do Conselheiro  Walber José da Silva, que peço vênia para novamente transcrever:    "Não apenas o transporte de matéria prima destinada ao processo produtivo, mas  também  o  transporte  dos  resíduos  decorrentes  da  produção  configura  ato  que  viabiliza e integra o processo produtivo.  Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do  regime não cumulativo, concluindo­se que “Quanto aos dispêndios realizados com  o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este  serviço  é  parte  do  processo  de  industrialização  dos  bens  exportados  e  está  vinculado à  receita de exportação. Pela natureza da atividade da  recorrente,  sem  este serviço não há produção.  Sendo  um  serviço  diretamente  vinculado  ao  processo  produtivo,  entendo  que  a  recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço  e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos  produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no  Acórdão 201­81.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/2006­47, Sessão de  02/06/2008).    Assim, em conformidade com o entendimento  já externado por este CARF,  proponho a reversão das glosas referentes a serviços de transporte de rejeitos industriais,  mantendo­se as demais glosas referentes aos serviços do item 11 do Relatório Fiscal.  II ­ DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO  Verifica­se no Relatório Fiscal que instruiu o Despacho Decisório que, para o  período  sob  análise  do  2º  trimestre  de  2006,  as  glosas  foram  realizadas  devido  a  inclusão  indevida  de  bens  que  não  comporiam  o  ativo  imobilizado  ou  que  não  eram  utilizados  diretamente na produção da empresa. A natureza desses bens foi novamente enfatizada na  Fl. 673DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     22 Diligência  Fiscal  realizada,  oportunidade  em  que  foi  consignado  que  os  bens  do  ativo  imobilizado ou edificações não estariam relacionados à produção:    "As  glosas  foram  efetuadas  quando  a  coluna  'Descrição  do  Projeto'  da  planilha  Plan 01, apontavam para utilização do bem fora do setor de produção, tais como:  Administrativo, Apoio, Instalação provisória, Móveis... ou quando a coluna 'Área'  indicava que o bem foi  aplicado na manutenção, utilidades... A  lei  só permite o  cálculo  da  depreciação  incentivada  sobre máquinas  e  equipamentos  utilizados na  produção de bens destinados a venda e os produtos glosados, embora podendo ser  bens  do  ativo  imobilizados,  não  indicavam  que  seriam  do  tipo  'máquinas  e  equipamentos.  As glosas foram efetuadas quando a coluna 'Descrição do Projeto' da planilha Plan  02, apontavam para utilização do bem fora do setor de produção, tais como: Obras  Civis,  Estruturas  Metálicas,  Apoio,  Instalação  Provisória  de  Canteiro,  Estacas  Hélices...  ou quando a  coluna  'Fornecedor'  indicava um  fabricante de  cimento,  fios elétricos ou produtos aplicados na construção civil. A lei só permite o cálculo  da depreciação incentivada sobre máquinas e equipamentos utilizados na produção  de bens destinados a venda, ao passo que os produtos glosados, embora podendo  ser do ativo imobilizado, não se caracterizam como máquinas e equipamentos para  usufruir  da  depreciação  incentivada  utilizada  pelo  contribuinte,  tais  bens  caracterizam­se como 'edificações'.  As glosas foram efetuadas quando as colunas 'Descrição do Bem', 'Tipo Transação',  'Tarefa', da planilha Plan 04, apontavam para utilização do bem fora do setor de  produção,  tais  como:  móveis,  gaveteiros,  armários,  rádio,  bicicletas,  lanches,  colchões  e  outros  bens  destinados  aos  setores  Administrativos,  Gerenciais,  Manutenção,  Comercial,  e  outros,  quando  a  lei  só  permite  o  cálculo  da  depreciação incentivada sobre máquinas e equipamentos utilizados na produção de  bens destinados a venda.  As glosas foram efetuadas quando as colunas 'Descrição do Bem', 'Tipo Transação',  'Tarefa', da planilha Plan 05, apontavam para utilização do bem fora do setor de  produção,  tais  como:  Obras  Civis,  Estruturas  Metálicas,  Apoio,  Instalação  Provisória  de Canteiro, Estacas Hélices.... quando a  lei  só  permite  o  cálculo  da  depreciação incentivada sobre máquinas e equipamentos utilizados na produção de  bens  destinados  a  venda  e  não  sobre  edificações,  como  se  caracterizam  os  bens  glosados. (...)  Após  análise  dos  arquivos  contendo  listagem  dos  bens  como  aproveitamento  de  crédito  no  prazo  de  12  (doze)  meses,  detectamos  colunas:  'Nome',  'Tarefa',  'Descrição NFiscal',  'Descrição Item',  'Data', produtos que não se enquadram na  depreciação  incentivada  determinada  pela  Lei  11.196/2005,  art.  31  e  Decreto  5.988/2006. (...)  Como  ficou  demonstrado  anteriormente,  o  contribuinte  optou  erroneamente  pelo  tipo  de  depreciação  (depreciação  incentivada) a  ser  calculada  sobre os  bens que  foram glosados." (fl. 643­645 ­ grifei)    Assim,  restou  comprovado  nos  presentes  autos,  com  fulcro  na  informação  prestada  pela  própria Recorrente,  que  os  bens  envolvidos  nas  glosas não  compõem o  ativo  imobilizado ou não  são utilizados na produção ou não  se  enquadravam na depreciação  incentivada do art. 31 da Lei n.º 11.196/2005.  Considerando o argumento de que qualquer bem do ativo imobilizado geraria  crédito, não tenho como concordar, considerando que, nos termos do inciso VI, do art. 3º, da  Lei  nº  10.833/03,  somente  geram  direito  ao  crédito  os  bens  utilizados  na  produção  de  bens  destinados à venda ou na prestação de serviços. Foram glosados bens do ativo imobilizado que  não são utilizados na produção de bens, como confirmado pela fiscalização:    Fl. 674DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 664          23 "Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a: (...)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção  de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;" (grifei)    E  na  análise  do  caso  idêntico  ao  presente  da mesma  Recorrente  (inclusive  com  os  mesmos  fundamentos  fáticos)  esta  Turma  não  reconheceu  os  créditos  dos  ativos  imobilizados  e  edificações  no  julgamento  do  PTA  10280.722272/2009­65  (Acórdão  no  3403.001.954, Rel. Cons.Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema). Pede­se vênia  para  reproduzir  abaixo os  termos desse acórdão,  integrando as  razões de  decidir  do presente  voto:    “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI  Nº 10.833/04.  Quanto  à  glosa  dos  créditos  tomados  sobre  o  valor  de  aquisição  de  bens  para  o  ativo  imobilizado,  como  opção  à  regra  geral  da  tomada  de  crédito  sobre  a  depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1  a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os  bens  não  se  enquadram  como máquinas  e  equipamentos  ou  não  são  aplicados  diretamente  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda;  e  b)  os  bens,  embora  pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal.  Os valores dos produtos relacionados na planilha 1 foram glosados porque os bens  ali descritos não foram aplicados na produção dos bens destinados à venda, como  exige o art. 3º, VI, § 1º, III combinado com o § 14 da Lei nº 10.833/04.  Compulsando  essa  planilha  verifica­se  que  estão  relacionados  equipamentos  de  informática,  móveis  e  utensílios,  ferramentas  para  elétrica,  ferramentas  diversas,  sobressalentes  nacionais,  instalações  provisórias  para  construção  de  canteiros,  sistema monitor de câmeras da fábrica, equipamentos para restaurante, melhorias  para tratamento de efluentes, etc.  Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art.  3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou  na prestação de serviços”.  O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos  ou  os  “outros  bens”  sejam  passíveis  de  ativação  e  que  sua  destinação  seja  a  locação a  terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos  glosados pela fiscalização na planilha 1.  Por  seu  turno,  os  valores  dos  produtos  relacionados  nas  planilha  2  e  5  foram  glosados  porque  os  bens  ali  descritos  constituem  edificações. Os  bens  descritos  constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à  construção  civil,  como  elevadores,  mãodeobra,  “diversos  materiais  para  construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só  alcança  os  bens  especificados  no  art.  3º,  VI,  da  lei,  que  não  inclui  obras  de  construção civil e nem suas partes.  Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por  exemplo:  gaveteiros,  colchões,  painel  divisor,  armários,  balcão  de  atendimento,  mesa  de  reunião,  mapoteca  e  cabideiro,  lanches  comerciais,  café  da  manhã  completo,  desfibrilador,  veneziana  translúcida,  condicionadores  de  ar,  poltrona  executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo  das  áreas  dos  restaurantes,  veículo  Toyota  Corolla  com  transmissão  automática,  câmera  digital  Cybershot  5.1,  material  hospitalar,  materiais  elétricos  diversos,  Fl. 675DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     24 entre outros. É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos,  pois nem sequer são utilizados na produção da alumina.  Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização.  DA  GLOSA  DOS  CRÉDITOS  TOMADOS  COM  BASE  NO  ART.  31  DA  LEI  Nº  11.196/2005.   Relativamente  a  essas  glosas,  o  contribuinte  alegou  que  a  fiscalização  glosou  a  totalidade do crédito tomado com base no art. 31 da Lei nº 11.196/2005 porque não  teria  sido  observada  a  periodicidade  permitida  pela  lei  e  pelo  crédito  ter  sido  tomado em relação bens do imobilizado não empregados na produção da alumina.  A  insurgência  da  recorrente  quanto  a  este  tópico  não  tem  fundamento.  A  uma  porque como bem assinalado pela PFN nas contrarrazões, a glosa não foi integral.  Foi glosado apenas o crédito decorrente dos bens relacionados na planilha 7 – D.  A  duas  porque  ao  contrário  do  alegado,  a  fiscalização  não  questionou  a  periodicidade  e  nem  a  proporção  adotada  pelo  contribuinte  para  a  tomada  do  crédito.  Foram  respeitadas  as  frações  de  1/48  e  1/12  adotadas  pelo  próprio  contribuinte  nas  DACON,  conforme  se  pode  comprovar  nas  planilhas  7A  e  7B  (Crédito  em  48  parcelas  de maio/2004 a  dezembro/2005)  e  planilhas  7–C  e 7–D  (crédito  em  12  parcelas  período  janeiro/2006  a  dezembro/2007).  O  DACON  recalculado pela fiscalização consta da planilha 7G, onde se pode comprovar que  a glosa foi apenas parcial.  O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida  no art. 31 da Lei nº 11.196/2005.  Os  requisitos  estabelecidos  nesse  dispositivo  legal  são  os  seguintes:  a)  a  pessoa  jurídica  deve  ter  projeto  aprovado para  instalação, ampliação, modernização ou  diversificação  enquadrado  em  setores  da  economia considerados  prioritários; b)  localização  nas  áreas  das  extintas  Sudene  e  Sudam;  c)  o  crédito  é  gerado  pela  aquisição,  a  partir  do  ano  de  2006,  de  máquinas,  aparelhos,  instrumentos  e  equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao  seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses,  contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota  de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem.  O exame da planilha 7D revela que a  fiscalização somente questionou o item “c”  acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes:  DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à  publicação da Lei nº 11.196/2005;  EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007,  que não são contempladas pelo benefício;  N  indica  que  os  bens  não  são  considerados  bens  do  imobilizado  ou  não  são  empregados no processo produtivo do adquirente;  NCD indica que os bens não estão relacionados no regulamento;  NREB  indica  que  o  bem  não  possui  aptidão  para  gerar  crédito  por  ter  sido  adquirido  em  operação  equiparada  a  exportação  (que  é  desonerada  das  contribuições).  A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16,  III,  do  Decreto  nº  70.235/72,  pois  não  contestou  especificamente  e  nem  trouxe  documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa.  Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização.  A  defesa  invocou  as  soluções  de  consulta  proferidas  pela  8ª  Região  Fiscal,  nas  quais  o  órgão  entendeu  que  materiais  utilizados  na  manutenção  dos  bens  de  produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições.   Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de  primeira  instância. A questão é a mesma  já constatada  linhas acima, qual seja: o  contribuinte não apresentou  contestação  específica  elencando quais  itens  foram  destinados  à  manutenção  do  ativo  imobilizado,  não  demonstrou  se  os  bens  aplicados  eram  ou  não  passíveis  de  ativação  obrigatória  e  também  não  demonstrou onde e como foram aplicados.  Fl. 676DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10280.004610/2006­31  Acórdão n.º 3402­003.173  S3­C4T2  Fl. 665          25 Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não  autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de  exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto,  os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda  da produção ocorrer no mercado interno ou externo.  Relativamente  à  questão  da  eficácia  das  decisões  em  processos  de  consulta  e  da  jurisprudência administrativa e judicial, trata­se de matéria que não tem relevância  para  o  deslinde  deste  processo,  pois  este  julgado  está  de  acordo  com  a  jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como  critério  para  estabelecer  o  que  é  insumo  para  fins  da  geração  de  créditos  das  contribuições  não  cumulativas."  (Acórdão  no  3403.001.954,  Rel.  Cons.Antonio  Carlos Atulim,  unânime  em  relação  ao  tema,  sessão  de  20.mar.2013  ­ No mesmo  sentido  os  Acórdãos  no  3403­001.955  e  956,  Rel.  Cons.  Antonio  Carlos  Atulim,  unânimes  em  relação  ao  tema,  sessão  de  20.mar.2013,  que  tratavam,  respectivamente, da COFINS do terceiro e do primeiro trimestres de 2007)    Desta  forma,  mantém­se,  o  entendimento  firmado  naquele  julgamento,  reiterado  recentemente  no  já  mencionado  Acórdão  3402­003.101  (Rel.  Waldir  Navarro  Bezerra), restando hígidas neste tópico as glosas decorrentes efetuadas pelo Fisco no item 13.  Especificamente  quanto  aos  itens  para  os  quais  foi  aplicada  depreciação  incentivada do art. 31 da Lei n.º 11.196/2005  (item 13.2),  insta mencionar que, no Relatório  Fiscal da Diligência, o I. Fiscal trouxe uma série de cálculos para a aplicação da depreciação  normal. Contudo, não  localizamos no Recurso Voluntário apresentado um pedido subsidiário  de aplicação da depreciação normal para esses casos, não tendo a Recorrente demonstrado que  se  enquadra  nos  termos  da  legislação  aplicável.  De  fato,  a  defesa  se  pautou  a  sustentar  a  aplicação na hipótese da depreciação incentivada o que, como bem fundamentado acima, não  pode prevalecer.  Assim, merece  ser mantida  integralmente  a glosa dos  créditos  identificados  no item 13 do Relatório Fiscal.  III. CONCLUSÃO DO VOTO  De forma conclusiva, sintetiza­se no quadro abaixo as glosas e as conclusões  do voto que estão acima detalhadas:  GLOSAS ALUNORTE ­ PTA 10280.004610/2006­31  Item  Conclusão voto  10. Bens  utilizados como  insumos  10.1 Combustíveis e Carvão Energético  (Óleo BPF e Carvão Energético)  Reversão  da  glosa.  Como  evidenciado  no  laudo  pericial  acostado  aos  autos  (fl.  99)  e  atestado  na  Diligência,  tratam­se  de  produtos  essenciais  ao  processo produtivo da  empresa,  sendo  "utilizados na  queima  das  caldeiras  para  aquecimento  da  polpa  líquida  (LICOR)  de  onde  se  extrai  a  Alumina"  (fl.  640)  Fl. 677DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM     26 10.2 Produtos/bens não serem aplicados  diretamente no processo produtivo  (Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão)  Reversão  da  glosa.  Como  atestado  na Diligência,  o  Ácido  Sufúrico  é  um  produto  essencial  para  a  continuidade  regular  do  processo  produtivo  da  empresa,  sendo  sua  utilização  "fundamental  para  'limpeza' dos equipamentos por onde passa o LICOR"  (fl. 640). O inibidor de corrosão igualmente se mostra  necessário para a manutenção do processo para evitar  o  desgaste  da  tubulação,  garantindo  a  qualidade  do  produto (nesse sentido Acórdão 3402­002.648).  10.3 Ativo imobilizado  Glosa  mantida.  Enquadramento  da  "bola  forjada"  como  bem  do  ativo  imobilizado  não  foi  enfrentado  pela Recorrente em suas defesas.  10.4 Produtos/bens sem descrição detalhada ou  informação aplicação no processo produtivo.  Não foram objeto de glosa pela fiscalização conforme  relatório fiscal da Diligência    10.5 Fretes dos produtos/bens glosados.  Reversão  parcial  da  glosa  quanto  ao  transporte  dos  bens  reconhecidos  como  insumo  acima  (Óleo  BPF,  Carvão  Energético,  Inibidor  de  Corrosão  e  Ácido Sulfúrico)  11. Serviços utilizados como insumos  (Serviços de limpeza, manutenção de elevadores e instalações  elétricas, montagem e desmontagem de andaimes e Transportes  de Rejeitos Industriais)  Reversão parcial da glosa quanto ao transporte de  rejeitos  industriais.  Como  atestado  na  Diligência,  esse  serviço  é  essencial  vez  que  "a  não  remoção da  lama  residual  formaria  uma  grande  montanha  que  impediria o funcionamento operacional da empresa."  (fl. 642) A essencialidade dos demais serviços para a  produção não foi comprovada nos autos.  12. Despesas de Energia Elétrica Não foram objeto de glosa conforme Relatório Fiscal  13.1  Por  aproveitamento  do  crédito  no  prazo de 4 anos correspondendo a 1/48 do  valor de aquisição do bem  13. Base de cálculo do  crédito  a  descontar  referente  ao  ativo  imobilizado  13.2  Por  aproveitamento  do  crédito  no  prazo  de  12  meses,  contados  da  data  de  aquisição  (7,6%  sobre  1/12  do  custo  de  aquisição do bem)  Glosa  mantida,  considerando  que  a  empresa  não  trouxe  elementos  para  desconstituir  as  premissas  adotadas pela fiscalização, no mesmo sentido adotado  por esta Turma nos Acórdãos n.º 3403001.954 a 956,  Rel.  Cons.Antonio  Carlos  Atulim  e  Acórdão  3402­ 003.101, Rel. Waldir Navarro Bezerra  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação aos subitens 10.1  (Óleo  BPF  e  Carvão  Energético)  e  10.2  (Ácido  Sulfúrico  e  Inibidor  de  Corrosão),  e  parcialmente quanto ao subitem 10.5 (quanto aos fretes na aquisição de Óleo BPF, Carvão  Energético, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão) e quanto ao item 11 (somente em relação  aos serviços de transporte de rejeitos industriais).  É como voto.  (Assinado com certificado digital)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora                                Fl. 678DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27 /07/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM

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6455561 #
Numero do processo: 14033.000682/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 949          1  948  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14033.000682/2010­68  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­005.399  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de julho de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO SOBRE NOTAS  FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  Recorrente  CONSTRUTORA RV LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.   O  reconhecimento  pela  autoridade  fiscal  da  procedência  do  pedido  de  restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário     Kleber Ferreira de Araújo  Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Natanael  Vieira  dos  Santos,  Bianca  Felicia  Rothschild,  Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e  Theodoro Vicente Agostinho.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 82 /2 01 0- 68 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     2    Relatório  Trata­se de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente  de  supostas  sobras  de  recolhimento  relativas  à  retenção  prevista  no  art.  31  da  Lei  n.º  8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998.  O  requerimento  de  repetição  do  indébito  foi  enviado  eletronicamente  em  18/12/2009,  tendo  sido  indeferido mediante  despacho  decisório,  o  qual  teve  fundamento  na  insuficiência de mão­de­obra para execução dos serviços.  O  contribuinte  apresentou  inconformismo  contra  o  referido  despacho,  todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos.  Cientificada  da  decisão  em  30/03/2011  (fl.  582),  o  sujeito  passivo  interpôs  recurso voluntário (fls. 584 a 623) em 13/05/2011.  O  julgamento  no  CARF  foi  convertido  em  diligência  em  duas  ocasiões,  conforme Resolução nº 2803­000.179, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 667 a  677), e Resolução CARF nº 2803­000.275, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls.  919 a 921), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal :   "(1)  indiferentemente  da  relação massa  salarial  e  faturamento,  analise  se  a  contribuinte  apresentou  pedido  de  restituição  que  cumpre  todos  os  requisitos  para  o  reconhecimento  do  direito,  condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a  legislação  de  regência;  (2)  havendo  qualquer  carência  de  requisitos  ou  documentos,  que  seja  informada  a  requerente,  instruindo­a de como retificar, e concedido prazo para realizar a  retificação;  (3)  responda  todos  os  questionamentos  complementares  trazidos  pela  petição  protocolizada  antes  da  presente  resolução,  bem  como  analise  as  demonstrações  unificadas  dos  pedidos(processos)  de  restituição  conexo  caso  sejam  efetivamente  apresentadas  pela  parte;  (4)  após,  emita  informação  fiscal  analítica  e  motivada,  observando  os  itens  anteriores,  inclusive  sobre  o  valor  a  ser  restituído,  sendo  a  contribuinte intimada para manifestar­se, no prazo de 30 (trinta)  dias".  Às  fls.  934/936  veio  aos  autos  informação  fiscal,  reconhecendo  o  direito  à  restituição  integral  do  montante  pleiteado.  Eis  os  termos  do  pronunciamento  da  autoridade  fiscal:  "8.  A  empresa  declarou  em  campo  próprio  da  GFIP,  as  retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o  artigo  31  da  Lei  8.212/91,  e  conforme  consta  nas  telas  do  sistema  CCORGFIP  (fls.930  a  933),  na  matrícula  CEI  nº  38.720.05895/70,  bem  como  nos  dados  da  Base  Central  do  sistema RestWeb (fl.923).  9.  Deduzindo  os  valores  devidos  pela  empresa  a  título  de  contribuição  previdenciária  cota  parte  patronal,  empregado  e  SAT/RAT  também  declarados  em  GFIP,  dos  valores  retidos  a  Fl. 951DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000682/2010­68  Acórdão n.º 2402­005.399  S2­C4T2  Fl. 950          3  título  de  retenção  da  Lei  9.711/1998,  restou  saldo  a  ser  restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº  40567.39409.181209.1.2.15­3003,  referente  à  competência  03/2006 (sic!), conforme quadro abaixo e planilha de restituição,  anexa ao processo (fl.928):   (...)  10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro  do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o  direito  creditório  reconhecido  no  PER  nº  40567.39409.181209.1.2.15­3003,  referente  à  competência  10/2005, no valor originário de R$ 32.506,28 (trinta e dois mil  quinhentos e seis reais e vinte e oito centavos)."  É o relatório.  Fl. 952DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     4    Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator  Admissibilidade  O  recurso  foi  apresentado  no  prazo  legal  e  preenche  os  demais  requisitos  legais, devendo ser conhecido.  Direito à restituição  O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de  restituição,  expresso  na  informação  fiscal  supra,  põe  fim  a  lide  tributária,  conduzindo­me  obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário.  Conclusão  Voto por dar provimento ao recurso voluntário.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 953DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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