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Numero do processo: 11065.722996/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
MPF. CONTROLE INTERNO DA ADMINISTRAÇÃO. EVENTUAIS FALHAS NÃO REPERCUTEM NO LANÇAMENTO.
O mandado de procedimento fiscal possui ínsita natureza de instrumento de controle interno da administração, portanto eventuais omissões ou incorreções nele presentes não contaminam o lançamento tributário efetuado em observância ao art. 142 do Código Tributário Nacional.
NULIDADE. LANÇAMENTO. ANÁLISE DE DOCUMENTOS.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade, devendo ser as questões relacionadas à valoração das provas analisadas quando do exame do mérito das razões recursais.
RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Insere-se no âmbito da competência da autoridade fiscal o reconhecimento da condição de segurado empregado, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, não se consubstanciando tal feito em desconsideração de interpostas pessoas jurídicas envolvidas.
DIRETORES. SOCIEDADE LIMITADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Não restando evidenciado que as pessoas físicas que exerciam cargo de diretoria possuíam relação de emprego com a sociedade de responsabilidade limitada, enquadram-se elas como contribuintes individuais.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS MEDIANTE PESSOA JURÍDICA. CONSTATAÇÃO DOS REQUISITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constatado que os sócios das pessoas jurídicas contratadas para prestação de serviços intelectuais exerciam a atividade-fim da empresa, com habitualidade, onerosidade, pessoalidade, e subordinação, sob sua forma estrutural, recebendo ainda benefícios típicos de empregados, cabe reconhecer essa sua condição, atraindo a incidência das contribuições previdenciárias devidas.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. VIGÊNCIA CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Constatada a interposição meramente formal de pessoas jurídicas com vistas a dissimular os vínculos jurídicos materialmente estabelecidos, impõe-se a aplicação de multa de ofício qualificada
A multa qualificada consoante prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 aplica-se às contribuições previdenciárias desde a edição da MP nº 449/08, sendo que nos questionamentos de índole constitucional, deve ser observada a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA E SEBRAE. SÚMULA STJ Nº 516. SÚMULA CARF Nº 2.
A contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA é devida pelas empresas urbanas e rurais, consoante já assentado na Súmula 516 do STJ.
Cingindo-se o questionamento quanto à contribuição para o SEBRAE à matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE ENTREGA DE DOCUMENTOS.
Não havendo o contribuinte entregue documentos solicitados no curso da ação fiscal, incide a multa prevista no art. 283, II, 'j' do Decreto nº 3.048/99.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que sejam excluídos dos autos de infração DEBCAD nºs 51.029.873-7, 51.029.874-5 e 51.029.857-3 os levantamentos pertinentes às empresas prestadoras de serviços, cujos sócios eram diretores do contribuinte autuado, mantendo-se as demais exigências.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CONTROLE INTERNO DA ADMINISTRAÇÃO. EVENTUAIS FALHAS NÃO REPERCUTEM NO LANÇAMENTO. O mandado de procedimento fiscal possui ínsita natureza de instrumento de controle interno da administração, portanto eventuais omissões ou incorreções nele presentes não contaminam o lançamento tributário efetuado em observância ao art. 142 do Código Tributário Nacional. NULIDADE. LANÇAMENTO. ANÁLISE DE DOCUMENTOS. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade, devendo ser as questões relacionadas à valoração das provas analisadas quando do exame do mérito das razões recursais. RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Inserese no âmbito da competência da autoridade fiscal o reconhecimento da condição de segurado empregado, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, não se consubstanciando tal feito em desconsideração de interpostas pessoas jurídicas envolvidas. DIRETORES. SOCIEDADE LIMITADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Não restando evidenciado que as pessoas físicas que exerciam cargo de diretoria possuíam relação de emprego com a sociedade de responsabilidade limitada, enquadramse elas como contribuintes individuais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 29 96 /2 01 3- 01 Fl. 9628DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS MEDIANTE PESSOA JURÍDICA. CONSTATAÇÃO DOS REQUISITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado que os sócios das pessoas jurídicas contratadas para prestação de serviços intelectuais exerciam a atividadefim da empresa, com habitualidade, onerosidade, pessoalidade, e subordinação, sob sua forma estrutural, recebendo ainda benefícios típicos de empregados, cabe reconhecer essa sua condição, atraindo a incidência das contribuições previdenciárias devidas. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. VIGÊNCIA CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Constatada a interposição meramente formal de pessoas jurídicas com vistas a dissimular os vínculos jurídicos materialmente estabelecidos, impõese a aplicação de multa de ofício qualificada A multa qualificada consoante prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 aplicase às contribuições previdenciárias desde a edição da MP nº 449/08, sendo que nos questionamentos de índole constitucional, deve ser observada a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA E SEBRAE. SÚMULA STJ Nº 516. SÚMULA CARF Nº 2. A contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA é devida pelas empresas urbanas e rurais, consoante já assentado na Súmula 516 do STJ. Cingindose o questionamento quanto à contribuição para o SEBRAE à matéria de índole constitucional, aplicase a Súmula CARF nº 2. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE ENTREGA DE DOCUMENTOS. Não havendo o contribuinte entregue documentos solicitados no curso da ação fiscal, incide a multa prevista no art. 283, II, 'j' do Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 9629DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 108 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que sejam excluídos dos autos de infração DEBCAD nºs 51.029.8737, 51.029.8745 e 51.029.8573 os levantamentos pertinentes às empresas prestadoras de serviços, cujos sócios eram diretores do contribuinte autuado, mantendose as demais exigências. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 9630DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente os lançamentos DEBCAD 51.029.8737 e 51.029.8745, relativos respectivamente às contribuições previdenciárias dos segurados e patronal, e os lançamentos DEBCAD 51.029.8573, contribuições devidas a terceiros, e DEBCAD 51.029.8761, descumprimento de obrigação acessória (fls. 1/520). Os termos da autuação foram assim sintetizados pela decisão contestada: 2.1. No relatório fiscal, narra a autoridade autuante as seguintes situações: Houve interposição fraudulenta de pessoas jurídicas, visando elidir a real situação de segurado empregado, nos casos que lista. Os pagamentos realizados às pessoas jurídicas elencadas no relatório fiscal foram considerados base de cálculo de remuneração de empregados, pelos seguintes motivos: • os contratos apresentados não são formalizados apenas com a CONTRATADA PJ, mas sim, envolvendo claramente o verdadeiro prestador de serviço (sócio); • os outros sócios da contratada têm relação íntima de parentesco (maior parte) ou de amizade com o sócio prestador; • os domicílios fiscais das empresas, com raríssimas exceções, coincidem com os mesmos endereços residenciais dos sócios e/ou de seus parentes. Várias empresas chegam a ter seus domicílios fiscais no mesmo local; • os telefones indicados nos cadastros das PJ, muitas vezes são os mesmos. Também nestes documentos constam emails onde o domínio é da própria EMBRATEC; • os “SÓCIOS” das empresas prestadoras de serviço compõem o núcleo DIRETIVO e de GERÊNCIA da fiscalizada. • os sócios das PJ eram ou foram empregados da autuada; • no caso de exempregados, as funções continuaram as mesmas e com subordinação, sendo a data de contratação da PJ imediatamente após o término do vínculo; * também há a situação inversa, quando a PJ já prestava serviços, por vezes, o contrato é encerrado e o sócio titular é contratado como empregado; • alguns colaboradores não possuem, de início, vínculo trabalhista. Logo que realizam o cadastro da Pessoa Jurídica, começam a prestar os serviços e, em alguns casos, após a rescisão dos contratos, encerram a atividade empresarial ou então tornam suas empresas inativas. Nestes casos, voltam a ser empregados em outras empresas; • os sócios das prestadoras já possuíam empresas com CNPJ ativo, abrindo uma nova no momento em que começaram a prestar serviços à EMBRATEC. Fl. 9631DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 109 5 Outros, após prestarem serviços por um período de tempo com um CNPJ, abrem uma nova empresa e dão continuidade à mesma prestação de serviços, se adequando à situação que lhes são impostas. • Os titulares das PJ, após terem seus contratos rescindidos, ajuizaram reclamações trabalhistas requerendo o reconhecimento do vínculo empregatício, a anulação do contrato de prestação de serviços e pagamento de parcelas remuneratórias e/ou indenizatórias. Nestes processos houve rapidez de solução, com acordos de valores expressivos. Os processos de empregados comuns, com requerimentos semelhantes, o tempo é bem maior, sendo o litígio conduzido para uma sentença. • O Sr. Ronaldo Paiva Mattar, da empresa Torres e Mattar Assessoria LTDA não aceitou acordo. Transcreve parte da inicial, da sentença e da oitiva das testemunhas. São citados como superiores os integrantes do quadro diretivo, também contratados como PJ; • As PJ contratadas não cumpriam as obrigações tributárias principais e, raramente, cumpriam as acessórias, mesmo assim, de forma incompleta; • nenhuma das empresas manteve empregados no período em que se dava a prestação dos serviços; • os “sócios” das empresas encerraram a sua relação laboral na mesma competência da contratação da pessoa jurídica e outros continuaram com o vínculo; • apesar dos reiterados pedidos, a empresa não entregou e também não se pronunciou a respeito dos documentos que comprovassem os serviços de consultoria e assessoria por parte das PJ e também não entregou a totalidade dos contratos, acontecendo o mesmo com as notas fiscais; • contrato com a MCA COMERCIO E REPRESENTAÇÕES e sócio Almir Estevão de Medeiros (RT – Acordo no valor de R$ 65.000,00) – remuneração de R$ 5.000,00/mês e uma bonificação em dezembro de R$ 5.000,00. Auxilio despesas, auxilio alimentação e convênio saúde. A contratante além da remuneração estipulada faz reembolsos de todas as despesas incorridas pela contratada na execução dos seus serviços, além do pagamento de aluguel. • contrato com a MS CONSULTORIA E MARKETING e sócio Marcos Schoenberger. Além dos itens acima, também existem lançamentos para pagamento de aluguel de apartamento, automóvel, energia elétrica, SKY, IPTU, de utilização particular do Sr. Marcos, sócio da MS; • cita vários outros contratos com as mesmas situações, com pequenas variações e outras diferenças de valores; • há casos de empregados que também possuem contratos com a EMBRATEC através de suas PJ. Exemplo: Sr. Marcos Shoenberger e sua esposa Sra. Ana Lúcia Schoenberger, tendo como domicílio fiscal à própria moradia do sócio. O Sr. Marcos, no período de MAIO/2000 a ABRIL/2005, teve dois contratos com a fiscalizada, um com vínculo de emprego (remuneração R$ 4.000,00) e outro como prestador Pessoa Jurídica (remuneração R$ 4.000,00); seu vínculo como prestador de serviços foi encerrado em 01/2011, mas, apesar disto, continuou recebendo valores através da MS Consultoria e Marketing; • Apesar de Marcos Schoenberger ter sido alçado à Presidência da empresa pela alteração contratual de 24/08/2010, o mesmo já detinha este cargo, conforme Fl. 9632DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 página do “Canal Executivo da UOL”, datada de 2006, sendo que de MAIO/2005 a DEZEMBRO/2010, exerceu suas funções exclusivamente como PJ. • narra as mesmas ou semelhantes situações em relação aos outros trabalhadores/diretores em que há PJ na prestação laboral; • exemplificando, na empresa W.A. CONSULTORIA EM VENDAS LTDA, as notas fiscais emitidas por esta continham o email com domínio da EMBRATEC; • na empresa CRF CONSUL COM EM GESTAO EMP LTDA EPP, que intermedeia o empregado Celso Freitas Neto, as notas fiscais são sequenciais e emitidas com exclusividade para a EMBRATEC, além do reembolso de despesas de alimentação, pagamento do Saúde BRADESCO e obrigatoriedade do uso de crachá; • nas outras PJ citadas a situação repetese, inclusive com ajuizamento de Reclamatória trabalhista por parte dos supostos “Sócios Titulares” das mesmas; • resume a Pejotização, afirmando que a empresa utiliza duas formas para efetivála: a) no momento da contratação dos novos empregados, impõem a estes a constituição de PJ como condição indispensável para suas admissões e b) exige dos mais antigos a transformação em PJ, sob implicação de demissão. Logo após a baixa, contrata as PJ criadas pelos empregados. • Menciona os seguintes princípios e suas incompatibilidades com a avença através de normas dispositivas do Direito Civil: Princípio da imperatividade das normas trabalhistas; Princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas e Princípio da primazia da realidade. • Explica a desconsideração de negócio jurídico, ínsita no Art. 149 do CTN, informando que houve a desconsideração do vínculo pactuado e consequente caracterização de relação de emprego, nos termos do Art. 229, §2º, do Regulamento da Previdência Social Decreto 3.048/99;, visto a não eventualidade da prestação pessoal dos serviços, a subordinação jurídica através de várias obrigações assumidas pessoalmente perante a sua contratante, inclusive a da exclusividade, bem como a remuneração de periodicidade mensal; 2.2. Informa que a multa de 75% foi duplicada pela caracterização da fraude, através da “pejotização”, na forma do §1º, do Art. 44 da Lei 9.430/96, efetuando a subsunção ao artigo 71 da Lei nº 4.502/64. 3. Também foi lavrado Auto de Infração por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n° 8.212/91, na medida em que a empresa não atendeu aos TIF 004 e 005, onde eram solicitados os documentação probante que revele a execução dos serviços de consultoria e assessoria para os fins de que foram contratados os prestadores, apresentando os diagnósticos, consultas, pareceres ou outros documentos emitidos pela empresa de consultoria. 4. Insta esclarecer também que não foram declarados em GFIP os fatos geradores apurados nesta ação fiscal antes do início da mesma. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 5657/ 5998 e docs. associados às fls. 5999/8021), a qual não foi acolhida pela DRJ/RJ1, consoante decisão de fls. 9280/9314. Em decorrência, foram interpostos recursos voluntários referentes a cada um dos lançamentos em questão, na data de 17/9/2014 (fls. 9326/9332, 9335/9405, 9408/9478 e 9481/9563). Tais recursos arguem, preliminarmente: Fl. 9633DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 110 7 a nulidade nos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF); a ausência de fundamentação legal do lançamento, não estando nele discriminados claramente a infração, o dispositivo infringido e a caracterização da relação de emprego, especialmente a subordinação e a nãoeventualidade; a incompetência da fiscalização para desconsiderar os contratos de prestação de serviços e reconhecer vínculos empregatícios; No mérito, levantase: a ofensa da coisa julgada em ações trabalhistas, por afrontar decisões que não reconheceram vínculos empregatícios, e por não deduzir o lançamento as parcelas pagas nos processos relativos à mesma relação jurídica, o que seria bitributação; que as empresas nominadas prestaram serviços de natureza intelectual, com base no art. 129 da Lei nº 11.196/95, não havendo elemento apto a descaracterizálos e configurar relação de emprego; que não poderia o Fisco, sem previsão normativa, desconsiderar atos jurídicos, com amparo no art. 116 do CTN, por simulação ou fraude à lei, e a contratação de pessoas jurídicas nos termos do art. 129 da Lei nº 11.196/05 não implica em ato ilícito; crítica a aspectos probatórios do lançamento, tal como o fato de prestadores de serviços voltarem a ser celetistas, e o uso da plataforma de email da autuada por esses prestadores; a impossibilidade de cobrança de multa sobre juros; a inaplicabilidade da multa qualificada de 150% a fatos anteriores a maio de 2009, quando adveio o art. 26 da Lei nº 11.941/09, bem como a inexistência de evidente intuito de fraude, sendo suscitado, ainda, o caráter confiscatório daquela. Verte, outrossim, razões contra a incidência de juros sobre a multa de ofício, a exigência de contribuições ao SEBRAE e ao INCRA. No tocante à multa por descumprimento de obrigação acessória, o recorrente argumenta que está sendo penalizado por falta de exibição de formalidades legais, o que não aconteceu na realidade, que a multa devia ter sido aplicada em seu patamar mínimo, ou ainda relevada nos termos do art. 291, § 1º do RPS, já que "o infrator é primário". De sua parte, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou suas contrarrazões em 14/11/2014 (fls. 9568/9625), contestando os principais pontos levantados pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 9634DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). O contribuinte aponta uma série de supostas falhas no MPF vinculado à autuação contestada, tas como ausência de identificação de autoridades e responsáveis, de ciência às demais empresas envolvidas e de limitação temporal, o que teria ensejado "decurso de prazo". Como cediço, é pacífica e uniforme a jurisprudência do CARF no sentido de que, ainda que o MPF permita a maior transparência nas relações entre o Fisco e os contribuintes, seu caráter precípuo é de instrumento de controle interno da administração tributária. Eventuais omissões ou incorreções afligindo esse instrumento não contaminam o lançamento de ofício, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN, e sendo verificada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode a autoridade administrativa deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. E essa autoridade, consoante o art. 6º da Lei nº 10.593/2002 e Decreto nº 6.641/2008, é o AuditorFiscal da RFB. Dentre os inúmeros precedentes administrativos nesse sentido, vale mencionar os Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) de nº 40105189 (j. 14/3/2005), 0106.085 (j. 11/11/2008) e 9202000.637 (j. 12/4/2010), devendo ser, nesse diapasão, rejeitadas as alegações formuladas pelo contribuinte. Da fundamentação legal do lançamento. O auto de infração descreve à minúcia todos os elementos fáticos e jurídicos aptos, no entender da fiscalização, a consubstanciar a relação de emprego. No corpo do relatório fiscal, foram explanados os traços comuns às relações de prestação de serviços firmadas, e trazidos diversos exemplos da situação encontrada. Além disso, nas informações complementares ao relatório fiscal às fls. 9012/9211, devidamente cientificadas ao contribuinte, os mesmos dados são detalhados para cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviços que não haviam sido especificamente contempladas naquele relatório, com bastante adequação e transparência. Verificase assim que a autuação de infração está devidamente formalizada, estando claramente discriminadas as razões de fato e de direito que o fundamentaram, conforme se depreende da sua leitura, às fls. 2247/2257 e 2431/2449. De resto, vale anotar que não se vislumbra, na espécie, qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº Fl. 9635DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 111 9 70.235/72, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Da competência da autoridade fiscal para reconhecimento do vínculo. Gizam os arts. 12 e 33 da Lei nº 8.212/91: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Por seu turno, o art. 2º da Lei nº 11.457/07 reforça a esfera de competência da Receita Federal do Brasil quanto à fiscalização das contribuições em comento: Art.2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 ,e das contribuições instituídas a título de substituição. Como bem lembrado pela instância de origem, quando da sanção presidencial à Lei nº 11.457/07, o Presidente da República vetou o § 4º do artigo 6º desse diploma, o qual excluía das atribuições da autoridade fiscal “a desconsideração da pessoa, ato ou negócio jurídico que implique reconhecimento de relação de trabalho, com ou sem vínculo empregatício”, estabelecendo que a atuação fiscal, nesses casos, deveria ser precedida de decisão judicial. Segundo as razões de veto “condicionar a ocorrência do fato gerador à existência de decisão judicial não atende ao princípio constitucional da separação (sic) dos Poderes”. De fato, o que se violaria seria a atuação do poder fiscalizatório justamente na hipótese mais grave das relações de trabalho, ou seja, quando se constata a evasão fiscal decorrente da falta de formalização (ou desvirtuação) do contrato de trabalho e consequente inadimplemento das contribuições ao sistema. Então, para analisar as condições de incidência das contribuições previdenciárias, têm as autoridades fazendárias o poderdever de verificar a relação jurídica existente entre o prestador de serviços e o tomador, checando a ocorrência de não eventualidade e subordinação. Fl. 9636DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 Tal feito tem supedâneo normativo expresso no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS), o qual regra que "Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado". Nesse sentido, temse sucessivas decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tais como as prolatadas nos RESP nºs 236.279, 515.521, 575.086 e 894.571/SP. Não é demasiado lembrar, ainda, que em caso de constatação de fraudes nas relações trabalhistas, o art. 9º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) regra que são nulos de pleno direito os atos praticados para viabilizálos, havendo, por outra via, amparo normativo no inciso VII do art. 149 do CTN para a imputação do gravame tributário nessas situações. Não há, em decorrência, qualquer mácula na ação fiscal tanto no tocante à competência para o reconhecimento, seja da existência de relações jurídicas aptas a atrair a incidência das contribuições previdenciárias, seja de eventual fraude envolvendo tais relações. Dos acordos judiciais e dos recolhimentos deles decorrentes. O art. 831 da CLT dispõe: Art. 831 A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. Resta explícito nessa norma que a composição de interesses via acordo homologado pelo juiz trabalhista não possui a qualidade de definitividade perante o Fisco, no que tange às contribuições previdenciárias. Dessa maneira, ainda que nos termos do § 6º do art. 832 da CLT, c/c o § 5º do art. 43 da Lei nº 8.212/91, seja determinado pelo juízo laboral o imediato recolhimento das importâncias devidas à seguridade social, tal feito não opera efeito vinculante no concernente à autoridade fazendária e sua competência fiscalizatória, já abordada. Quanto ao pleito de consideração das importâncias já recolhidas em sede judicial, o exame das guias de pagamentos e demais documentos juntados aos autos revela que não há como estabelecer liame seguro entre tais pagamentos e as exigências do lançamento de ofício, de modo a que pudesse haver algum tipo de compensação entre os valores envolvidos. Não obstante, nada impede que, sendo o caso, o contribuinte demonstre discriminadamente e com as provas hábeis para tanto, em fase de execução administrativa ou judicial, que as montantes eventualmente cobrados via auto de infração, já foram, no todo ou em parte, já quitados perante em autos judiciais. Da prestação de serviços via pessoa jurídica e da desconsideração destas. O argumento principal trazido pelo recorrente é que os serviços que lhe foram prestados tiveram supedâneo legal no parágrafo único do art. 129 da Lei nº 11.196/05, verbis: Fl. 9637DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 112 11 Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único.(VETADO) Essa disposição legal encerra alguns problemas hermenêuticos para a busca do seu real alcance, como por exemplo definir o que seriam serviços intelectuais, dado que toda a atividade humana demanda, em maior ou menor grau, o uso das faculdades mentais do indivíduo. Para fins de exame da situação em questão, e sem maiores devaneios interpretativos, podese pressupor que a norma busca alcançar os serviços preponderantemente intelectuais, o que englobaria, em tese, as áreas de tecnologia de informação, por exemplo. Tal possibilidade de prestação desse gênero de serviços via pessoas jurídicas encontra limites, contudo, na observância do princípio da primazia da realidade, segundo o qual deve ser priorizada a verdade real observada no contexto das prestação de serviços, e não os seus aspectos formais. Nesse sentido, impõe trazer à colação a redação do parágrafo único do art. 129 da Lei nº 11.196/05, e respectivos motivos para o veto: Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Razões do veto O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador o cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade. Vêse então que a verificação da realidade material da relação jurídica regrada formalmente pela norma em evidência não carece de exame do poder judicante para ser submetida aos ditames da legislação tributária, bem como à análise das autoridades fazendárias competentes. Tal conclusão vai ao encontro do posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), vide o AIRR nº 639 35.2010.5.02.0083, j. 19/6/2013, e o AIRR nº 981 61.2010.5.10.0006, j. 29/10/2012 ambos tendo como relator o Ministro Mauricio Godinho Delgado da 3ª Turma, ilustre doutrinador. Daquela última decisão transcrevese a ementa: Fl. 9638DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 12 AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1) NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 2) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. MULTA. 3) VERBAS RESCISÓRIAS. 4) RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. TRABALHO EMPREGATÍCIO DISSIMULADO EM PESSOA JURÍDICA. FENÔMENO DA PEJOTIZAÇÃO. PREVALÊNCIA DO IMPÉRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 7º, CF/88). MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 126/TST. A Constituição da República busca garantir, como pilar estruturante do Estado Democrático de Direito, a pessoa humana e sua dignidade (art. 1º, caput e III, CF), fazendoo, entre outros meios, mediante a valorização do trabalho e do emprego (art. 1º, IV, in fine; Capítulo II do Título II; art. (art.5º,XXIII) e da busca do bemestar e da justiça sociais (Preâmbulo;art.3º, I, III e IV, ab initio; art. 170,caput; art. 193).Com sabedoria, incentiva a generalização da relação empregatícia no meio socioeconômico, por reconhecer ser esta modalidade de vínculo o patamar mais alto e seguro de contratação do trabalho humano na competitiva sociedade capitalista, referindose sugestivamente a trabalhadores urbanos e rurais quando normatiza direitos tipicamente empregatícios (art. 7º, caput e seus 34 incisos). Nessa medida incorporou a Constituição os clássicos incentivos e presunção trabalhistas atávicos ao Direito do Trabalho e que tornam excetivos modelos e fórmulas não empregatícias de contratação do labor pelas empresas (Súmula 212, TST). São excepcionais, portanto, fórmulas que tangenciem a relação de emprego, solapem a fruição de direitos sociais fundamentais e se anteponham ao império do Texto Máximo da República Brasileira.Sejam criativas ou toscas,tais fórmulas têm de ser suficientemente provadas, não podendo prevalecer caso não estampem, na substância, a real ausência dos elementos da relação d e emprego (caput dos artigos 2º e 3º da CLT). A criação de pessoa jurídica, desse modo (usualmente apelidada de pejotização), seja por meio da fórmula do art. 593 do Código Civil, seja por meio da fórmula do art. 129 da Lei Tributária nº 11.196/2005, não produz qualquer repercussão na área trabalhista, caso não envolva efetivo, real e indubitável trabalhador autônomo. Configurada a subordinação do prestador de serviços, em qualquer de suas dimensões (a tradicional, pela intensidade de ordens; a objetiva, pela vinculação do labor aos fins empresariais; ou a subordinação estrutural, pela inserção significativa do obreiro na estrutura e dinâmica da entidade tomadora de serviços), reconhecese o vínculo empregatício com o empregador dissimulado, restaurandose o império da Constituição da República e do Direito do Trabalho. Portais fundamentos, que se somam aos bem lançados pelo consistente acórdão regional, não há como se alterar a decisão recorrida.Agravo de instrumento desprovido. (grifei) Destarte, não vislumbro respaldo normativo nem jurisprudencial que obste o reconhecimento, pelas autoridade fazendárias, de estarse diante de prestação de serviço como empregado, assim definida nos termos da alínea 'a" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, ainda que formalmente o quadro apresentado seja de prestação de serviços intelectuais, nos termos do art. 129 da Lei nº 11.196/05. Fl. 9639DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 113 13 Quanto à alegação de que não poderia ter sido desconsiderada a personalidade jurídica das prestadoras de serviço, face à ineficácia normativa do art. 116 do CTN, e considerações afins, entendoas por descabidas, pois, como verseá na sequência, não foi esse o procedimento da fiscalização, a qual nem mesmo citou tal dispositivo no lançamento, mas sim entendeu existir relação de emprego dos sócios dessas pessoas jurídicas diretamente com o autuado, nos termos das normas já citadas nos itens precedentes deste Voto. Dos fatos examinados e da autuação. A fiscalização concluiu que o contribuinte em epígrafe contratou pessoas físicas mediante a interposição de pessoas jurídicas, cujos sócios efetivamente prestavam os serviços acordados. Nesse sentido, coletou os seguintes elementos de prova, dentre outros: notas fiscais emitidas nos mesmos valores para os doze meses do ano, sendo pago bônus no valor equivalente à "remuneração" mensal no mês de dezembro; as empresas que prestavam serviço tinham como sócios, além do efetivo prestador de serviços, parentes sem conhecimento hábil para a realização do contrato; os domicílios fiscais e telefones das pessoas jurídicas coincidiam com os das residências dos sócios; os emails dessas empresas tinham, em parte significativa, como proprietário do domínio o autuado; vários dos sócios da ditas pessoas jurídicas exerciam o núcleo diretivo e gerencial do fiscalizado ou atuavam na área de tecnologia da informação; o autuado induzia trabalhadores a abrirem pessoas jurídicas para serem contratados, ou desligavaos para recontratálos como pessoas jurídicas, ou ainda, acabava por mais adiante voltar a reinserilos na empresa na condição de empregados; várias reclamatórias trabalhistas foram ajuizadas por esses exsócios da pessoa jurídica, quase todas terminando com acordo sem reconhecimento de vínculo, mas revelando pelos seus termos a condição de empregado dos postulantes; os contratos de prestação de serviços são quase todos por tempo indeterminado, e estabelecem pagamentos de despesas diversas, plano de saúde, odontológico, auxíliorefeição, etc. Dessa maneira, afirma a fiscalização que procurou o contribuinte, sob a escusa de estar contratando prestadores de serviço intelectual na forma do art. 129 da Lei nº 11.196/05, mascarar a relação de emprego firmada entre a empresa e os ditos "sócios" das interpostas pessoas jurídicas. Como visto anteriormente, são segurados obrigatórios da previdência social os empregados, definidos pelo art. 12 da Lei nº 8.212/91 como aqueles que prestam serviço a empresa em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Cabe examinálos no que tange ao caso em tela. Fl. 9640DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 14 Onerosidade e não eventualidade. A onerosidade é traço comum tanto ao contrato de trabalho quanto ao de prestação de serviços, porém há que se ressaltar restar claro, pelas notas fiscais apresentadas, que os valores envolvidos foram pagos mensalmente às pessoas jurídicas no transcurso do período examinado, não havendo variações quantitativas relevantes de um mês para outro, sendo as respectivas notas fiscais emitidas enumeradas sequencialmente para o mesmo prestador. Assim, durante os anoscalendário em foco, cada pessoa jurídica recebeu mensalmente os mesmos valores associados à prestação de serviços, com base em contratos estipulados por tempo indeterminado. Além disso, em sua quase totalidade estava prevista uma bonificação no mês de dezembro de cada ano, equivalente ao valor da "remuneração" acordada ver contratos às fls. 5481/7395. Pessoalidade. O recorrente não nega que os serviços eram prestados pessoalmente pelos contratados, mas entende que para fins fiscais lhes seria aplicável a legislação das pessoas jurídicas, com esteio no art. 129 da Lei nº 11.196/05. Decerto, tarefa deveras desafiadora seria defender que os serviços não foram prestados com pessoalidade. Os responsáveis pelos projetos apresentados junto com a impugnação são justamente as pessoas físicas do sócios das empresas em questão, sendo que muitos deles já tinham sido, anteriormente, funcionários empregados da empresa, ainda que em cargo de gestão, como bem frisado pela fiscalização. Sequer tinham movimento as DIPJ e as GFIP das prestadoras, nos poucos casos em que entregues tais declarações, indicando que as pessoas jurídicas careciam de personalidade jurídica de fato. Ausentes, outrossim, empregados a elas vinculados. De todo modo, a existência de pessoalidade tornase inequívoca quando se constata a concessão mensal de auxíliorefeição à contratada pessoas jurídicas não precisam receber tal benefício, por óbvio. A previsão dos sócios da contratada e seus dependentes aderirem aos planos de saúde e assistência odontológica do autuado é mais um traço nítido de pessoalidade e da existência de relação de emprego, pois o razoável, tanto nesse caso quanto no do auxílio refeição é que a pessoa jurídica prestadora embutisse no preço de seus serviços eventuais custos decorrentes do fornecimento dessas benesses aos seus funcionários. Subordinação. O conceito de subordinação jurídica, definida como poder de comando que o empregador tem sobre o trabalho do empregado, vem sofrendo transformações ao longo do tempo, tendo em vista a dinâmica das relações que se estabelecem no mercado de trabalho. Nesse contexto, impôsse o desenvolvimento do conceito de subordinação estrutural ou integrativa, segundo o qual o vínculo empregatício resta configurado na medida em que o trabalhador esteja inserido na estrutura da empresa e a sua prestação de serviços revelese indispensável à consecução da atividade empresarial. Fl. 9641DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 114 15 Tal conceito vem sendo amplamente acolhido pela doutrina e jurisprudência trabalhista, conforme atestam, ilustrativamente, os julgados do TST no RR528100 67.2006.5.02.0081 (j. 14/12/11), AI no RR 20310920125020384 (j. 16/9/2014). Vejase que no caso em tela o sócio da pessoa jurídica formalizada não conta com estrutura empresarial própria, acessando os estabelecimentos do autuado com crachás por ele disponibilizados e desenvolvendo seus projetos utilizandose dos recursos de informática daquele, consoante as cláusulas contratuais respectivas uniformemente preceituam. O pagamento é realizado mensalmente mediante "remuneração" com direito a um "bônus" no 13º mês, valendo lembrar dos benefícios conferidos aos sócios das contratadas em tudo semelhantes ao corriqueiramente concedidos a funcionários empregados do recorrente. Para diversas pessoas físicas sócios das contratadas havia vínculo laboral pré existente com o contribuinte, e vários dos sócios dessas empresas voltaram a ser contratados como empregados, o que, à luz do princípio da continuidade da relação de emprego, também aponta para a efetiva existência desse tipo de liame jurídico na espécie (ver exemplos às fls. 268/270). Merece também ser enfatizado que não há, aliás, qualquer risco de perda por parte da pessoa jurídica prestadora, e que os serviços realizados sob a designação de assessoria e/ou consultoria confundemse, à toda vista, com a própria atividadefim da empresa contratante, consoante exsurge de plano da análise dos projetos "contratados", juntados à impugnação. Em suma, ainda que a inserção do trabalho dos referidos sócios na dinâmica empresarial do contribuinte não possa, isoladamente, dar ensejo ao reconhecimento de subordinação jurídica, por outro lado não se pode conceber que a natureza intelectual do labor por eles desenvolvido seja óbice insuperável à verificação em concreto da existência dessa subordinação, tendo em vista as demais evidências coligidas nos autos, as quais, em seu conjunto, denotam a existência de relação empregatícia abarcando tais pessoas físicas. Das empresas prestadoras diretores. No caso das pessoas físicas constatadas pela fiscalização como sendo diretores do autuado, nem todos os contratos de prestação de serviços foram apresentados. Temse os contratos pertinentes à Marcos Shoenberger (diretor presidente MS Consultoria em Marketing Ltda.) Sérgio Rego Monteiro Filho (diretor executivo de frota pesada SRM Consultoria), Wilson de Almeida Alves (diretor executivo comercial frota pesada W.A. Consultoria em vendas), Celso de Freitas Neto (diretor de relacionamento e serviço CRF Consultoria em Gestão), Erlanger Modesto de França (diretor regional de vendas Erlanger Serviços), Renato Raineri (diretor nacional mercado varejo R.N.R Assessoria e Consultoria), Guilherme Alberto Stumpf (diretor administrativo Siliccio Assessoria Empresarial Ltda.). Não foram localizados nos autos os contratos relativos a Guilherme Tarrago de Souza (diretor administrativo financeiro) Aydos e Tarrago Assessoria Empresarial), Eleuvan Pereira e Silva (diretor comercial B & V Processamento de Dados), Eduardo Fleck Diefenthaeler (diretor de marketing Loha Consultoria), Fabio Gallinea (diretor regional de Fl. 9642DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 16 vendas AFG Engenharia e Informática), Alexandre Leme Pereira Leite e Marcelo da Rosa Teixeira (diretores de ecobenefícios Advisor Representações Comerciais). Todas essas pessoas físicas receberam valores uniformes ao longo do período examinado, mais as ditas bonificações no valor mensal ajustado pagas em novembro ou dezembro, e, ainda, valor adicional extra mais elevado uma ou duas vezes ao ano, mediante a emissão de notas fiscais sequenciais. A empresa defende que tais pessoas físicas não exerciam cargos de diretores, mas sim tratavamse de sócios de pessoas jurídicas prestadoras de assessoria e consultoria, no período sob exame. Não obstante, nenhuma prova foi carreada aos autos da realização dos mencionados trabalhos ou projetos de consultoria, apesar de ter sido a empresa autuada devidamente cientificada para o fazer. Por outro lado, variadas foram as evidências levantadas pelo Fisco de que tais pessoas ocupavam cargo de gestão no contribuinte, como diretores. Cabe de inicio aludir aos relatórios anuais da empresa (fls. 1758/1788 e 3470/3547), nos quais além de constar fluxograma indicando a composição da diretoria no período analisado (fls. 1768 e 3499), com a função de direção exercida por cada uma das pessoas acima discriminadas, também há entrevistas, fotos e diversas referências a diretores individualizados. É malfadada a tentativa da defesa de desqualificar o valor probatório de tais documentos, pois tratandose de veículo impresso de comunicação interno e externo da companhia, teria de se supor que ela estaria divulgando informações falsas a terceiros interessados e público em geral, o que não parece minimamente razoável, além de atentar contra a veracidade das demais razões ventiladas pelo contribuinte. No caso do diretor presidente, além de diversas notícias na mídia confirmando tal função, foram constatados lançamentos contábeis relativos a pagamentos de despesas tais como aluguéis, energia elétrica, etc. Notícias de caráter similar constam nos autos no tocante a outros diretores, sendo relativamente à vários desses há páginas no site Linkedin repositário de currículos e contatos negociais na internet confirmando as funções citadas nos relatórios da empresa. Vejase que era costumeiro, conforme registros contábeis atestam, o reembolso de despesas tais como estacionamento, pedágios, hospedagem, passagens aéreas, refeições, etc (fls. 1740/1757). Várias das pessoas supra qualificadas como diretores ajuizaram ações trabalhistas visando o reconhecimento de vínculo empregatício com o autuado, com o pagamento de verbas tais como o FGTS, findando a maioria dessas reclamatórias em conciliação. Não bastassem tais evidências, há também contratos avençados com terceiros em que as pessoas físicas em questão assinavam em nome da empresa, na condição de diretores, todos relativos ao período sob exame. Dessa maneira, o arcabouço probatório reunido pela fiscalização atesta, em grau sólido e suficiente, a realidade de que inexistiam serviços de consultoria e assessoria prestados com amparo no art. 129 da Lei nº 11.196/05, pelas pessoas físicas em questão. Com Fl. 9643DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 115 17 efeito, exerciam elas a função de diretores na atividade empresarial, sendo tal fato reconhecido amplamente tanto perante o público interno quanto externo. Não obstante tais considerações, mister realçar que a função de diretor veicula um feixe de poderes de mando, gestão, representação e planejamento, colocandoo na topo da pirâmide organizacional. Ainda que não haja incompatibilidade intrínseca entre tal qualidade e a condição de empregado, visto que perante os sócios o diretor pode se apresentar sim, com efetivos caracteres de subordinação, mesmo que de cunho integrativo, é necessário verificar concretamente, ainda que por elementos indiciários, essa subordinação. No caso vertente, não restou elucidado se tais diretores eram previamente empregados da empresa, alçados àquela cargo, ou se foram contratados externamente, não estando tais questões abordadas nas deliberações e documentos societários juntados, conforme prescrevem os arts. 1.060 e seguintes do Código Civil. Mais relevante ainda, é que o exame dos contratos de prestação de serviços e demais documentos juntados não permite traçar os vínculos de subordinação desses diretores com os sócios do autuado, o que não surpreende, dado que tais pactos visavam dissimular a efetiva natureza das funções desses indivíduos, no contexto da empresa. Por conseguinte, temse que deveria a fiscalização ter lavrado as exigências fiscais considerandose tais diretores como contribuintes individuais, nos termos do art. 12, inciso V, alínea 'f' da Lei nº 8.212/91, por não restar suficientemente caracterizada a sua condição de empregados. Registrese que para as sociedades por cotas de responsabilidade limitada, tais como a que ora se examina, a qual na época dos fatos tinha tal condição, temse que o administrador não empregado sem ressalvas quanto ao cargo de diretor é segurado obrigatório da previdência social na categoria de contribuinte individual, forte no art. 9º, inciso V, alínea 'h' do RPS. Consequentemente, restam insubsistentes as autuações relacionadas com os diretores da Embratec. Das empresas prestadoras demais colaboradores. A situação das demais pessoas físicas sócios das prestadoras de serviços, que não são pertencentes ao quadro de diretoria, é diversa. Decerto, alguns aspectos são similares, tais como o pagamento mensal reiterado de "remuneração" em valores basicamente invariáveis, mais o "bônus" no final do ano, no mesmo valor da remuneração, como sucedâneo do décimo terceiro salário. As notas fiscais que lastrearam tais pagamentos são, mais uma vez, sequenciais. Porém no caso praticamente todos os contratos de prestação de serviços foram apresentados (fls. 5481/7399), sendo que, salvo poucas exceções, neles estão previstos o pagamento de verbas usualmente associadas ao contexto de relação empregatícia, como auxíliorefeição, plano de saúde médico e odontológico, auxílio combustível ("Good Card Fuel Control"), acesso franqueado à empresa via crachá e uso dos recursos da empresa. Fl. 9644DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 18 Os projetos na área de tecnologia da informação, quando juntados aos autos, por si só apenas comprovam que as atividades realizadas pelas pessoas físicas sócias das pessoas jurídicas estavam inseridas umbilicalmente na atividadefim da empresa. Sem repisar à exaustão os elementos probatórios já mencionados mais acima, tais quais páginas no Linkedin nas quais consta enfatizada a função exercida na Embratec, a fragilidade das pessoas jurídicas formalmente existentes sócios como parentes, sede na residência da pessoa física e vínculo empregatício anterior ou posterior com a empresa, deve ser destacado também muitas dessas pessoas procuraram a justiça trabalhista com escopo de ver reconhecida a relação de emprego, como gerentes e analistas de sistemas, dentre outras funções (fls. 275/279) E, mesmo que em regra tenham tais litígios findados em acordo, no único caso em que houve decisão de mérito foi reconhecido o vínculo empregatício com o autuado, o que se verificou na reclamatória ajuizada por Ronald Paiva Mattar, da empresa Torres e Mattar Assessoria Ltda. Nessa ação é narrada a sistemática da empresa, que inclusive compelia as pessoas que nela almejavam emprego a constituir pessoa jurídica, em evidente fraude nos termos do art. 9º da CLT. Também são confirmadas, via prova testemunhal, que certas pessoas físicas atuavam como diretores, ainda que tivessem sido contratados mediante interposta pessoa jurídica pelo contribuinte. O panorama que se descortina é o de que as pessoas físicas dos sócios das interpostas pessoas estavam inseridas na dinâmica produtiva da atividade fim da empresa autuada, não correndo os riscos do negócio dela, tampouco assumindo riscos com as prestadoras de serviço formalizadas. Os rendimentos auferidos do trabalho já estavam padronizados conforme os contratos firmados, que também já estabeleciam as benesses típicas das relações empregatícias. Com efeito, não se trata de reconhecer tal relação unicamente em função da inserção dessas pessoas físicas na organização empresarial, mas sim sopesar os vários elementos de prova constantes nos autos que não só reforçam a existência de subordinação, como também reverberam os demais requisitos desse tipo de vínculo, a saber, a pessoalidade, a onerosidade e a não eventualidade. Cabe portanto manter a exigência fiscal, no tocante às pessoas físicas que não compunham o quadro de diretores da empresa, consoante descrito pela fiscalização. Em síntese, devem ser excluídos dos autos de infração DEBCAD nºs 51.029.8737, 51.029.8745 e 51.029.8573 os levantamentos pertinentes às empresas prestadoras de serviços cujos sócios eram diretores do contribuinte autuado, mantendose as demais exigências. Da multa de qualificada. Diversamente do aduzido na peça recursal, desde o início de 2009 já estava prevista no ordenamento jurídico a possibilidade de imputação de multa qualificada em lançamentos de contribuições previdenciárias, por força da edição da Medida Provisória nº 449/08, que por seu art. 24 introduziu o art. 35A na Lei nº 8.212/91, submetendo o regime daquelas contribuições ao regrado pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo sido publicada dita Medida Provisória (MP) em 3/12/2008, resta evidente que os fatos geradores relativos aos anoscalendário 2009 e 2010 já estavam Fl. 9645DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 116 19 alcançados pelo seu regramento, tratandose a Lei nº 11.941/09, publicada em 27/520/09, de mera conversão em lei da indigitada MP, cujos ditames já se encontravam sob plena eficácia. Quanto à imputação da multa qualificada frente aos fatos apurados no curso do procedimento fiscal, não há reparos a fazer no lançamento. Como descrito, o contribuinte procurou dissimular a contratação de pessoas físicas para ocuparem cargos de gestão ou afeitos à atividadefim da empresa mediante a interposição de pessoas jurídicas, alegadamente sob o manto protetor do art. 129 da lei nº 11.196/05, ou seja, prestação de serviços de natureza intelectual. No entanto, a fiscalização apurou que várias das pessoas físicas reputadas formalmente como sócios das prestadoras exerciam de fato e perante terceiros a função de diretores da empresa, não havendo sido comprovada a prestação de quaisquer serviços de assessoria ou consultoria por parte dos referidos. A par disso, no que diz respeito aos sócios das demais pessoas jurídicas prestadoras a situação dissimulatória restou ainda mais às escancaras, pois os serviços foram realizados com habitualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação típicas das relações empregatícias, trabalhando as indigitadas pessoas na atividadefim da empresa, com a percepção dos benefícios usuais conferidos a empregados. Logo, a constituição de diversas pessoas jurídicas para camuflar a prestação de serviços por seus sócios, bem como a pactuação dos respectivos contratos, tratase de artifício meramente formal que não se sobrepõe ao princípio da primazia da realidade, o qual, combinado com os diversos preceitos legais já mencionados à saciedade, tais como o art. 12, inciso I, alínea 'a" da lei nº 8.212/91 e § 2º do art. 229 do RPS, permitiram ao Fisco desvelar a incidência das contribuições previdenciárias para o período em foco. Observese que, por se tratar de conduta objetivando dissimular os vínculos efetivamente estabelecidos, os elementos de prova, ainda que indiciários e há elementos de natureza mais contundente na espécie, que reste anotado devem ser avaliados em seu conjunto, o qual corrobora as conclusões da autoridade lançadora. Assim, constatada a divergência entre os atos jurídicos formais praticados e os fatos realmente ocorridos, há que se reconhecer a existência de simulação com intuito de fraudar as relações de trabalho e obstar o conhecimento do fisco do fato gerador das precitadas contribuições. Justificada, então, a qualificação da multa de ofício levada a efeito no lançamento. E no tocante às alegações de caráter confiscatório da precitada multa, não devem eles prosperar, por ingressarem eles na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 9646DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 20 O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp nº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na Fl. 9647DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 11065.722996/201301 Acórdão n.º 2402005.270 S2C4T2 Fl. 117 21 quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Das contribuições para o INCRA e para o SEBRAE As empresas urbanas e rurais estão sujeitas ao recolhimento da contribuição ao INCRA, constante entendimento já pacificado pelo STJ no seguinte enunciado sumular, publicado em 2/3/2015: Súmula 516 STJ A contribuição de intervenção no domínio econômico para o Incra (DecretoLei n. 1.110/1970), devida por empregadores rurais e urbanos, não foi extinta pelas Leis ns. 7.787/1989, 8.212/1991 e 8.213/1991, não podendo ser compensada com a contribuição ao INSS. E, no que diz respeito à contribuição para o SEBRAE, deve ser destacado que o STF já deixou assente, em julgamento do RE nº 635.652/RJ realizado em 25/4/2013 sob o rito do art. 543B do CPC (repercussão geral), que ela é devida pelas empresas prestadoras de serviço, sendo prescindível contraprestação direta em favor do contribuinte. Quanto às razões recursais referentes à suposta necessidade de lei complementar para sua instituição, com base no art. 149 da CF, enveredam elas em exame de constitucionalidade das leis, vedado a este Colegiado por força da Súmula CARF nº 2, mais acima transcrita. Sem razão, assim, o contribuinte no particular. Da multa por descumprimento de obrigação acessória. O contribuinte não atendeu parte das intimações do Fisco para exibir documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, tais como notas fiscais e contratos de prestação de serviços. Assim, incidiu a regra do art. 323, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 233, parágrafo único do RPS, sendo corretamente aplicada pela fiscalização a pena prevista nos arts. 92 e 102 daquela lei, regulamentada pelos arts. 283, II, “j” e 373, do citado regulamento. O valor dessa multa foi aplicado em seu valor mínimo, o qual não era mais de R$ 6.361,73 quando do lançamento, por força de atualização realizada na forma prevista no art. 102 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 373 do RPS. Por fim, anotese que o Decreto nº 6.727/09, em vigor desde 12/1/2009, revogou o art. 291 do RPS que previa a relevação da multa, não se aplicando tal previsão à espécie, portanto. Acrescentese que, de qualquer forma, não faria o contribuinte jus a tal benefício, por não ter corrigido a falta que deu ensejo à penalidade no prazo de impugnação, como requerido no § 1º daquele dispositivo. Fl. 9648DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 22 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de que sejam excluídos dos autos de infração DEBCAD nºs 51.029.8737, 51.029.8745 e 51.029.8573 os levantamentos pertinentes às empresas prestadoras de serviços cujos sócios eram diretores do contribuinte autuado, mantendose as demais exigências. Ronnie Soares Anderson. Fl. 9649DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10735.003278/2003-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica - IRPJ
Exercícios: 1999, 2000
Ementa: DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por
homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de
decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art, 150, § 4º do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso
especial não provido.
Numero da decisão: 9101-000.784
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer
do recurso especial apenas para CSL e COFINS e, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Leonardo de Andrade Couto e Viviane Vidal Wagner. Ausente, temporariamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art, 150, § 4 0 do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso especial apenas para CSL e COFINS e, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Leonardo de Andrade Couto e Viviane Vidal Wagner. Ausente, temporariamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Ba • Ca Marcos ta 'Antonio Carl 4" 4 EDITADO EM: 2 r EV 2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Kamm Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffinann. U's itTJto. - Relator. Relatório Com base no permissivo do art. 7, I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 5' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 1999, 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO CSLL e COF1NS — TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - MATÉRIA RESERVADA A LEI COMPLEMENTAR APLICAÇÃO DO ART 150, PP, DO CTN - A decadência de créditos tributários é matéria reservada pela CF/88 a lei complementar . Neste contexto, o prazo decadencial a ser aplicado ás contribuições sociais, cujo lançamento efetivado por homologação da Fazenda Pública, é de 05 (cinco) anos, conforme o descrito no art. 150, §4°, do C'TN No caso concreto, os . fatos gerados ocorreram em 1996 e 1997. Como o contribuinte só foi intimado do lançamento em 22/12/2006, deve- se reconhecer a decadência. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA — A Fazenda Púbica dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art, 150 do CTN, a do lançamento por homologação. SIMPLES - PERCENTUAIS APLICA VEIS - EFEITOS DA DECADÊNCIA - Para .fins de determinação dos percentuais aplicáveis, nos termos dos incisos I e II do art da Lei n° 9.317/1996, considera-se a receita bruta acumulada até o mês, incluindo-se as receitas omitidas apuradas em procedimento de fiscalização, mesmo que sobre essas receitas não se possa mais constituir crédito tributário, por alcançadas pela decadência." No que interessa a esta instância recursal, o acórdão mencionado reconheceu a decadência do direito do Fisco de constituir créditos de IRPJ relativos a fatos geradores ocorridos ate setembro de 1998, em vista do fhto de a ciência do lançamento pela Recorrida ter se dado em 22.10,2001 Os elementos dos autos indicam a existência de recolhimento (insuficiente) de tributos federais nas respectivas competências, considerada a natureza e os fundamentos da autuação fiscal (insuficiência de recolhimentos, à exceção da competência abril de 1998). Sustenta a Fazenda Nacional, em síntese, contrariedade do acórdão recorrido ao disposto no art, 173, I e ao 150, parágrafo ambos do CTN, sob a alegação de que nas hipóteses em que não ha recolhimento antecipado do tributo pelo contribuinte a contagem do prazo decadencial qüinqüenal tem por te rmo a qua o primeiro dia útil do exercício seguinte a que o lançamento poderia ser lavrado. Pede, ao final, a reforma do acórdão recorrido para que seja afhstada a decadência sobre o lançamento objeto do processo. 2 Processo n° ]0735.003278/2003-59 CSRF-T1 Acórd'ão lID 9101-00.784 F] 2 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a qua (Despacho n, 105-129/2007 (fls. 200)), ante a configuração do indispensável dissenso jurisprudencial Foram apresentadas contra-razaes pela Recorrida (fls. 207/214), pelas quais se sustentou que o acórdão impugnado estaria em harmonia com a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e desta Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional apenas na parte relativa A argilição de decadência da CSLL e da COF1NS, já que quanto aos demais lançamentos (IRPJ e P15) não houve divergência entre os julgadores do Colegiado a quo.. Quanto a estes, caberia h Fazenda Nacional interpor recurso com base em dissenso jurisprudencial, o que não ocorreu na hipótese. Cinge-se a controvérsia ao acolhimento pelo acórdão recolhido da preliminar de decadência para a constituição de créditos de contribuições previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram em data posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da ciência do lançamento pelo contribuinte, O recurso não merece provimento. Por primeiro, pelo fato de que os lançamentos indicam recolhimentos efetuados pelo Contribuinte durante praticamente todo o período lançado pela Fiscalização. De fato, o termo de verificação fiscal de fls, 12/16 assevera textualmente que o Contribuinte declarou (a menor) receitas em todos os períodos a que se referem os lançamentos. Não bastasse, os autos de infração de CSLL e COHNS atestam que o Contribuinte teria efetuado "recolhimento insuficiente" dos tributos em todos os períodos tidos como decaidos. Considerada a antecipação de pagamento feita pelo Contribuinte, restam superados os fundamentos da insurgência da Fazenda Nacional. Em segundo lugar, pelo fato de o terna em referência não comportar maiores divagações, em vista da remansosa jurisprudência deste Colegiado sobre o tema [segundo a qual se reconhece a decadência do direito de o Fisco constituir créditos referentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 5 (cinco) anos contados da ciência do respectivo lançamento (CTN, artigo 150, § 4 0), independentemente de ter sido realizado (ou não) o pagamento antecipado do tributo)]. Verbis: 'SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5" DO DECRETO-LEI N" 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N" 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO." CSLL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - A omissão no acórdão de ponto sabre o qual se deveria pronunciar a Turma justifica, nos termas do artigo 27 do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, o acolhimento dos embargos apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. CSLL - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO -Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se ci sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se 4 Processo n° 10735.003278/2003-59 Acórd5o n 9101-00.384 refere a decadência, mais precisamente no § 4' do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, instituída pela Lei n" 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4 0, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N" 146 733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, Ill, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazenddria se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, do qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo. Por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada e ratificar o Acórdão n ." CSRF/ 01-04.556, de 18 de agosto de 2003, ('Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSR.F/ 01-05.533 em 19.09..2006, DOU 07.08.2007, Relator. Carlos Alberto Gonçalves Nunes - grifos nossos No mesmo sentido: CONTRIBUIÇÁO SOCIALILL, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN.. A Contribuição social sobre o lucro liquido, instituída pela Lei n" 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 19.5, § 4", da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N" 146 733-9-SAO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, tis regras do art, 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CAI, se faz de acordo coin o Código Tributário Nacional no que se refere a decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05..530 em 19.09.2006, DOU 07.08.2007, Relator; José Carlos Passuello - grifos nossos) No mesmo sentido: CSL - Ex; 1993. CSLL, LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA HOMOLOGAÇÃO. ART 4.5 DA LEI N° 8,212/91, INAPLICABILIDADE, PREVALÊNCIA DO ART. 150, 40, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, 'b', DA CONSTITUIÇA ,O FEDERAL, A regra de incidência de cada tributo 6 que define a Sistemática de seu lançamento A CSI,L, tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade CSRF-T1 ii. 3 5 administrativa, pelo que se amolda à sistenuitica de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 40, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prow de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do .§ 40, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, 1) 1, da Constituição Federal. Recurso especial negado Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CS!?? / Primeira Turma / ACÓRDA-0 CSRF/ 01-05,489 em n 20,062006, DOU 06.08.2007, Relator José Carlos Passuello grifos nossos), No mesmo sentido: IRPJ DECADÊNCIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A classificação do lançamento, se por homologa cão e portanto com o prazo de decadência fitado pelo art,. 150, parágrafo 40, do CTN, não depende do recolhimento do tributo.. Tributo sujeito por homologação é aquele em que a lei estabelece ao contribuinte o dever de apurar e recolher o tributo independentemente de ato administrativo prévio . Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma /ACÓRDÃO CSRF/ 01-05,464 em 19,06.2006, DOU 06.08.2007, Relator' José Henrique Longo — grifos nossos) No mesmo sentido: DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DECADÊNCIA - TRIBUTOS ADMINISTRATIVOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, po'r forgo do artigo 38 da Lei n" 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN Tendo o Pleno do STFiti se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-III da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária (STF TRIBUNAL PLENO - RE 407190/RS - SESSÃO DE 27-10-2004), Recurso especial provido Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CS]?,? / Primeira Turma / 6 Processo n" 10735.003278/2003-59 CSRF-T1 Acórdão n " 9101-00.784 Fl. 4 ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.540 em 19.09.2006, DOU 07.082007, Relator: José Clóvis Alves — grifos nossos) No mesmo sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Constatada a omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração para supri-la DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÓES SOCIAIS - A regra decadencial prevista no art. 45 da Lei 8.212/91 confronta corn a regra do art. 150, § 4°do Código Tributário Nacional e, assim, dentro do principio da hierarquia das leis e sendo aquela ordinária e esta complementar, não pode prevalecer. Embargos acolhidos, Por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a .fim de suprir a omissão apontada no Acórdão n " CSRF/ 01-04.55.5, de 09 de junho de 2003 e ratificar a decisão nele consubstanciada, (Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma /ACÓRDÃO CSRF/ 01-05..438 em 21.03.2006, DOU 07,08,2007, Relator.. Victor Luis de Salle.s Freire grifos nosso.$) No mesmo sentido: CSL - DECADÊNCIA - ART 45 DA LEI N" 8212/91 - INAPLICABILIDADE - Por .força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4o, do CT1V, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato geradon Recurso especial negado Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. ('Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Primeira Turma / ACORDÃO CSRF/ 01-05,523 em 18.09..2006, DOU 07.08,2007, Relator: Dorival Padovan — grifos nossos) No mesmo sentido: CSL DECADÊNCIA - ART, 45 DA LEI N" 8212/91 - INAPLICABILIDADE - Por .força do Art, 146, 1H, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4o, do CT1V, con, a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador, ressalvado, porém, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, em que o prazo se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN.' Art. 173, I. especial negado. P9 maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso . Vencidos bs Conselheiros Marcos Vinichis Neder de Lima, José Henrique Longo, Mario Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05,462 em 19.06.2006, DOU 07,08.2007, Relator.' Dorival Fado van — grifos nossos) 7 No mesmo sentido: LANÇAMENTO - DECADÊNCIA - CONTAGEM - Na vigência da Lei 8383/91 o lançamento se opera sob a forma de homologação e assim a regra para verificagão de sua preclusão conta-se da forma do art.. 150, sç' 4° do CT1V, ou seja, do decurso do prazo de 5(cinco) anos da ocorrência do fato gerador Recurso especial negado. Por maioria de votos. NEGAR provimento ao recurso, Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Marcos Vinicius Neder de Lima que deram provimento ao recurso„ (Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05,42 1 em 21.03,2006, Publicado no DOU ern: 07.08.2007, Relator Victor Luis de Salles Freire — grifos nossos) No mesmo sentido: IRPJ - DECADÊNCIA - Resta pacificado pela CSRF o entendimento de que o lançamento do IRPJ, após a edição da Lei 8,383, conforma-se aos ditames do artigo 150, §' 4", do CTN, tendo o prazo decadencial, como dia "a quo", a data de ocorrência do fato gerador Recurso especial negado, Par maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neither que deu provimento ao recurso. (Ciimara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05498 em 20.062006, DOU 0608.2007, Relator.- Mário Junqueira Franco Jánior — grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECADÊNCIA - IRPJ - O imposto de renda pessoa jurídica se submete e'r modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, o.fisco dispõe de prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador para homologá-lo au exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex vi do disposto no parágrafo 40 do artigo 150 do CTIV). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento. Recurso especial negado Poi- maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso„ Vencidos os Conselheiros Candid° Rodrigues Neuber e Marcos Vinícius Neder de Lima que deram provimento ao recurso. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.427 em 21,03,2006, DOU 06..08.2007, Relator José Carlos PasSuello grifos nossos). No mesmo sentido: IRPJ - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A partir do ano-calendário de 1992, exercício de 1993, por forger das inovações da Lei n" 8383, de 30/12/91, o contribuinte do Imposto de Renda passou a ter a 8 Processo n° 10735 003278/2003-59 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00.784 Fl. 5 obrigação de pagar o imposto, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendo-lhe verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por lim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN art, 1.50, Amoldou-se, assim, h natureza dos impostos sujeitos a lançamento por homologa cão a ser feita, expressamente ou por decurso do prazo decadencial estabelecido no art. 150, § 4', do Código Tributário Nacional. No caso concreto, a empresa declarou o imposto referente ao ano calendário de 1996 pelo lucro real anual, e o fato gerador da obrigação tributriria ocorreu em 31/12/96 e, como a ciência do auto de infração que lançou o tributo se fez em 19/02/2002, decaiu o direito da Fazenda Nacional. Recurso especial negado. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, e Cândido Rodrigues Neuber que deram provimento ao recurso. (Camara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-0.5.410 em 2003.2006, Publicado no DOU em. 16.07.2007, Relator. - Carlos Alberto Gonçalves Nunes grifos nossos) . No mesmo sentido: IRPJ DECADÊNCIA - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se a sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial da-se na forma disciplinada no ,sç 4' do artigo 150 do CTN, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado,Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que deu provimento ao recurso. (Camara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/ 01-05.446 em 21.03.2006, Publicado no DOU em: 1607..2007, Relator Dorival Padovan — grifos nossos). Por tais fundamentos, e consideradas as datas dos fatos geradores das exigências lançadas e de ciência pelo contribuinte do auto de infração (citadas no relatório), voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, na parte conhecida, negar-lhe provim to. Sala das Sess6es, 14 Antonio Carlosj 3ii don 2010. Relator 9
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Numero do processo: 10120.007233/2004-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. APLICAÇÃO RETROATIVA.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula Carf 35 - vinculante).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2301-004.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da Soma Valores Origem Comprovada 1ª Diligência) da planilha da e-fl. 19421 os valores constante das colunas F a H da planilha da fl. 19420, correspondentes aos depósitos de cheques de origem comprovada (colunaG), os depósitos de origem não comprovada que foram comprovados (cheque + dinheiro) (coluna H) e os depósitos em cheques e em cheques liberados (coluna H), de modo a se obter os seguintes valores de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada:
Valores residuais 2ª Diligência
I=D-F-G-H
jan/00
261.183,79
fev/00
21.256,32
mar/00
152.625,85
abr/00
75.591,58
mai/00
7.449,54
jun/00
176.532,14
jul/00
114.180,41
ago/00
103.362,58
set/00
124.772,30
out/00
214.825,58
nov/00
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dez/00
202.906,31
SOMA
1.529.944,29
jan/01
304.804,24
fev/01
265.088,18
mar/01
76.413,03
abr/01
121.096,66
mai/01
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jun/01
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jul/01
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ago/01
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set/01
240.313,76
out/01
151.650,05
nov/01
281.111,06
dez/01
233.306,80
SOMA
2.009.047,25
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: Relator João Bellini Júnior
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Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. APLICAÇÃO RETROATIVA. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula Carf 35 vinculante). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da “Soma Valores Origem Comprovada 1ª Diligência”) da planilha da efl. 19421 os valores constante das colunas “F” a “H” da planilha AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 72 33 /2 00 4- 62 Fl. 19456DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 da fl. 19420, correspondentes aos depósitos de cheques de origem comprovada (coluna”G”), os depósitos de origem não comprovada que foram comprovados (cheque + dinheiro) (coluna “H”) e os depósitos em cheques e em cheques liberados (coluna “H”), de modo a se obter os seguintes valores de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada: Valores residuais 2ª Diligência I=DFGH jan/00 261.183,79 fev/00 21.256,32 mar/00 152.625,85 abr/00 75.591,58 mai/00 7.449,54 jun/00 176.532,14 jul/00 114.180,41 ago/00 103.362,58 set/00 124.772,30 out/00 214.825,58 nov/00 75.257,89 dez/00 202.906,31 SOMA 1.529.944,29 jan/01 304.804,24 fev/01 265.088,18 mar/01 76.413,03 abr/01 121.096,66 mai/01 31.981,68 jun/01 65.055,28 jul/01 84.663,13 ago/01 153.563,38 set/01 240.313,76 out/01 151.650,05 nov/01 281.111,06 dez/01 233.306,80 SOMA 2.009.047,25 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0320.353, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Brasília (efls. 18127 a 18160). O auto de infração (efls. 2104 a 2185), é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovadas, correspondentes aos anoscalendários 2000 e 2001, por intermédio do qual foi lançado crédito tributário de R$12.761.000,45, dos quais R$5.613.506,70 correspondem a imposto, R$2.937.363,73 a juros de mora e R$4.210.130,02 à multa (de 75%). A receita considerada não comprovada, nos anoscalendários 2000 e 2001, monta a R$9.546.860,71 e R$10.867.854,58. Fl. 19457DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.457 3 No curso da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos de suas contas bancárias (efls. 19 a 21); sem resposta, foram emitidas requisições de informações sobre movimentação financeira (RMF) para as instituições financeiras pertinentes, que enviaram os respectivos extratos bancários (efls. 22 a 89 e 90 a 1533). O contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos créditos bancários (e fls. 1534 a 1689). Como resposta, informou que os recursos movimentados em suas contas correntes eram de propriedade da sociedade Expresso São Luiz Ltda., da qual fazia parte do quadro societário no período fiscalizado, utilizando tal procedimento em decorrência das dificuldades enfrentadas pela pessoa jurídica, a qual estava sendo objeto de ações judiciais trabalhistas e cíveis, inclusive com bloqueios de contas bancárias, sendo que os valores que transitaram em sua conta foram contabilizados a débito da conta caixa da empresa, não gerando prejuízo na apuração do lucro real da pessoa jurídica. Foram juntados aos autos alguns documentos para comprovar sua alegação, como despesas da Expresso São Luiz Ltda. pagas com recursos das contas auditadas e autos de penhora expedidos em desfavor dessa empresa (e fls. 1690 a 1738). Auditado o livro razão da Expresso São Luiz Ltda., a autoridade fiscal relatou (efls. 2107 e 2108) Da análise dos referidos livros, verificase que as contas bancárias 103690 e 05103, ag. 1840, do Banco do Brasil e 0189105, ag. 3600, do Banco Safra, pertencentes ao contribuinte Abadio Pereira Cardoso, CPF 002.716.59149, não estão contabilizadas, assim como os valores nelas creditados também não estão lançados a débito na conta Caixa, conforme alegado pelo contribuinte, de acordo com as cópias autenticadas do Livro Razão de fls. 1.748/2.098. Foi encerrada a ação fiscal (efls. 2104 a 2285), imputando os créditos de origem não comprovada como omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei 9.430, de 1996. A maior parte dos depósitos de origem não comprovada foi creditada na conta corrente 5.1039, agência 1840, do Banco do Brasil, com montantes mensais variando de 500 mil a 1,5 milhão de reais (vide consolidação de efls. 2113 a 2116). Em sua impugnação (efls. 2300 a 2358), em essência, no mérito, foi : (a) reafirmado que os valores constantes nas contas bancárias auditadas pertenciam à sociedade Expresso São Luiz, da qual fazia parte do quadro societário, justificando a movimentação nas contas bancárias fiscalizadas em decorrência de problemas financeiros e judiciais suportados pela empresa nos anoscalendário 2000 e 2001, (b) afirmado que não seria crível que uma pessoa física nascida em 1920, passando dos 80 anos na época dos fatos, pudesse ostentar uma movimentação financeira que totalizara 35.895 depósitos e 24.317 débitos nos anoscalendário auditados; assim, tratarseia de movimentação típica de pessoa jurídica (média de 50 depósitos por dia, em 2000, e de 49, em 2001), como a Expresso São Luiz Ltda., a qual possuía 54 unidades (filiais e postos de serviços), todas efetuando depósitos diários nas contas bancárias em questão. Fl. 19458DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Nessa impugnação, o recorrente juntou aos autos extenso rol de documentos (efls. 2363 a 17835), que passo a descrever (trancrevo da Resolução 21020017, efls. 18263 a 18265): 1. livro diário (fls. 2358 a 4928) Aqui se confronta a contabilização da conta Caixa do Livro Diário com os depósitos nas contas auditadas em alguns dias do período. Assim, por exemplo, vejase a contabilização do dia 14/02/2000 (fls. 2.545 a 2.555). Neste dia, há débito na conta Caixa, de R$ 3.108,37, com histórico • "CHEQUE P/SUPRIM. CAIXA N. CONF RELAÇÃO", outro de R$ 500,00, referente a um cheque devolvido Banco Bradesco, e dois outros de R$ 12.000,00, com o mesmo histórico de "APROPRIAÇÃO DE RECEITAS NO MÊS VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO" (fl. 2.555). Já os depósitos nas contas auditadas montaram R$ 90.768,98, neste mesmo dia (fis. 2.140 e 2.141). Outro exemplo, como no dia 21/02/2000, os débitos no CAIXA montaram R$ 90.341,09, basicamente com lançamento com histórico "CHEQUE P/SUPRIM. CAIXA N. CONF RELAÇÀO". Já os depósitos atingiram R$ 79.864,34 (fls. 2.141 e 2.142). Como regra, os lançamentos na conta Caixa aparecem com histórico "CHEQUE P/SUPRIM. CAIXA N. CONF RELAÇÃO" (como exemplos, vide fls. 2.594, 2.705, 2.793, 3.512, 3.563, 3.694 e 4.102), além de histórico de transferência entre contas (fls. 4.087 e 4.804), o que impede a verificação da composição desses lançamentos; 2. por outro lado, considerando que o contribuinte alegou que as receitas transitaram pela conta Caixa no fim de cada mês, em valores aproximados aos depósitos de origem não comprovada (fl. 2.329), colacionase uma tabela com os depósitos de origem não comprovada e a contabilização a débito na conta Caixa (histórico "TRANSFERENCIA ENTRE CONTAS") no último dia de cada mês do Diário, de alguns dos meses do período fiscalizado, que, pela expressividade do valor e constância, poderseia presumir aí os débitos (receitas) oriundos das contas do fiscalizado: MÊS DEPÓSITO DE ORIGEM DÉBITO NA CONTA NÃO COMPROVADA (fls. 2.109 a 2.112) CAIXA Janeiro de 2000 R$ 990.515.40 R$ 939.241,70 (FL. 2.493) Fevereiro de 2000 R$ 780.076,60 R$ 658.102,88 (FL. 2.624) Março de 2000 R$ 684.571,83 R$ 633.820,72 (FL. 2.755) Abril de 2000 R$ 633.708,93 R$ 602.891,43 (FL. 2.885) Maio de 2000 R$ 747.974,16 R$ 478.648,36 (FL. 3.005) Junho de 2000 R$ 708.612,73 R$ 455.578,87 (FL. 3.091) Julho de 2000 R$ 942.952,90 R$ 701.706,81 (FL. 3.195) Agosto de 2000 R$ 692.128,12 R$ 457.505,09 (FL. 3.282) Setembro de 2000 R$ 661.465,88 R$ 458.577,36 (FL. 3.360) Outubro de 2000 R$ 851.818,46 R$ 489.408,61 (FL. 3.445) Novembro de 2000 R$ 724.953,80 R$ 545.847,14 (FL. 3.547) Dezembro de 2000 R$ 1.128.081,90 R$ 133.160,01 (FL. 3.638) Fevereiro de 2001 R$ 828.682,10 R$ 748.275,91 (FL.3.893) Março de 2001 R$ 738.717,80 R$ 682.736,69 (FL. 3.980) Abril de 2001 R$ 621.582,62 R$ 644.620,53 (FL. 4.087) Maio de 2001 R$ 848.847,40 R$ 503.699,66(11.4.164) Junho de 2001 R$ 582.532,83 RS 430.598,25 (FL. 4.251) Julho de 2001 R$ 1.070.797,38 R$ 646.249.74 (fl. 4.354) Agosto de 2001 R$ 994.300,93 R$ 491.395,52 (fl. 4.460) Fl. 19459DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.458 5 Setembro de 2001 R$ 850.506,86 Outubro de 2001 R$ 868.297,04 Novembro de 2001 R$ 1.054.078,11 Dezembro de 2001 R$ 1.255.031,71 3. Ainda do Livro Diário, a partir das demonstrações de resultado escrituradas, verificase que a empresa teve uma receita global de R$ 10.897.434,30 (fl. 3.670) e R$ 10.124.054,35 (fl. 4.883). Vêse, por fim, movimentação em outras contas bancárias da própria empresa (como exemplo, vide fls. 4.312, 4.381, 4.451, 4.809), o que também pode ser atestado pelos balancetes trimestrais que espelham a expressiva movimentação do título contábil "Conta banco movimento" (como exemplo, para o anocalendário 2001, vide fls. 3.983, 4.254, 4.556 e 4.852), da ordem de 2 milhões de reais por trimestre, bem como o recebimento de receitas a partir de cartões de crédito; 4. fragmentos do Livro Razão (fls. 4.930 a 4.976); 5. quantitativo dos lançamentos a crédito e a débito nas contas auditadas, totalizando 35.895 lançamentos a crédito e 23.417 a débito, nos dois anoscalendário fiscalizados (fl. 4.981); 6. autos de infração lavrados em desfavor da empresa Expresso São Luiz Ltda, com processos protocolizados em 2004, onde se observa autuação de IRPJ nos anoscalendário 2003 e 2004 (fls. 4.983 a 5.072); 7. movimentos de caixa das filiais da empresa Expresso São Luiz Ltda., com o fito de justificar a origem dos depósitos (fls. 5.074 a 9.355). Vêse que se trata de borderôs de caixa, com uma coluna de receita e outra de despesa, sendo o valor líquido depositado nas contas bancárias auditadas. Assim, como exemplo, vejase um dos "movimento de caixa" de 03/01/2000, no valor de R$ 4.267,25 (fl. 5.075). Havia um depósito de origem não comprovada de R$4.267,25, no mesmo dia 03/01/2000 (fl 2.131). Outro, um dos borderôs de 07/07/2000, no valor líquido de R$ 4.148,14, com depósito em 10/07/2000 (fl. 5.905). Havia igualmente um depósito de origem não comprovada de R$ 4.148,14, no mesmo dia 10/07/2000 (fl. 2.167). Ainda, um borderô de 21/10/2001, no valor líquido de R$ 3.008,75, com depósito em 22/10/2001 (fl. 9.300). Havia igualmente um depósito de origem não comprovada de R$ 3.008,75, em 22/10/2001 (fl. 2.264). Posteriormente, após a diligência que a seguir descreveremos, tais valores foram considerados com origem comprovada (fls. 17.821, 17.830 e 17.851). 8. relação de filiais da Expresso São Luiz Ltda. (fls. 9.357 a 9.360); 9. papeletas de pagamentos (com registro dos cheques emitidos) de despesa da Expresso São Luiz Ltda. a débito da conta corrente n° 5.1039, do Banco Brasil, do fiscalizado (fls. 9.362 a 11.663), com notas fiscais e outros documentos de suporte da Fl. 19460DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 despesa. Como exemplo, vejamse as despesas de julho de 2000 (fls. 10.238 a 10.366), no montante de R$ 157.534,52, com a emissão de cheques descritos nas papeletas e levados a débito da conta bancária do contribuinte (como exemplo de cheques debitados, vejamse os pares despesas/débitos nos extratos bancários: fls: 10.313595; 10.323615; 10.328614; 10.333 687); 10. papeletas de pagamentos (com registro dos cheques emitidos) da folha de pagamento da Expresso São Luiz Ltda. a débito da conta corrente n° 5.1039, do Banco Brasil, do fiscalizado, com cheques individualizados por beneficiário (fls. 11.665 a 17.764). Em face dessa documentação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) converteu o julgamento em diligência (efls. 17840 a 17.843), para que fosse apreciada a documentação pela autoridade preparadora. Intimada a Expresso São Luis Ltda. a confirmar o trânsito de seu faturamento pelas contas bancárias do sócio fiscalizado Abadio Pereira Cardoso, a pessoa jurídica assumiu a responsabilidade pelos créditos bancários aqui em debate (efls. 17.864, 17.872 e 17.873), bem como confirmou a autenticidade dos documentos "movimento de caixa" e "recibos de depósitos" apresentados pelo impugnante. Com a apresentação dos documentos "movimento de caixa" pela pessoa jurídica, a autoridade preparadora conciliou os documentos com os depósitos bancários de origem não comprovada, efetuando as exclusões dos valores com identidade, o que implicou na exclusão de cerca de 60% do montante original dos depósitos de origem não comprovada (ver planilha da efl. 17918). Restou constatado "que grande parte das receitas diárias arrecadadas pela empresa nos anoscalendário 2000 e 2001 tem os correspondentes depósitos efetuados nas contascorrente da pessoa física" (efl. 17919). Os depósitos de origem não comprovada remanescentes são todos originados na conta corrente n° 51039, agência 1840, do Banco do Brasil (efls. 1788417920). Ademais, a autoridade preparadora asseverou que a movimentação financeira identificada e pertencente à pessoa jurídica seria tratada em fiscalização aberta em desfavor desta (efls. 1788417920). Intimado do resultado da diligência, o contribuinte referiu que: (a) a partir dos documentos "movimento de caixa", a autoridade que presidiu a diligência somente excluiu as importâncias depositadas em dinheiro, não tomando a mesma providência com as importâncias depositadas em cheques, em procedimento inaceitável; (b) os depósitos em cheque liberados no mesmo dia estão computados em duplicidade, sendo o primeiro crédito no dia da liberação, e o segundo quando da compensação dos cheques; o segundo crédito era estornado pelo banco; (c) na diligência, foi excluído valor de cheques devolvidos inferior àquele retirado por ocasião da autuação; (d) a totalidade da movimentação levada a efeito em sua conta tinha origem no faturamento da Expresso São Luis Ltda., sendo que tal sociedade tinha 54 unidades em 05 estados da federação (GO, MT, MS, SP e MG), não sendo incomum o extravio dos Fl. 19461DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.459 7 "movimentos de caixa", também motivado pelo lapso de tempo entre a ocorrência dos depósitos e a concretização da autuação e da presente diligência; (e) confrontando o rol de depósitos de origem não comprovada com o débito na conta Caixa da empresa no fim de cada mês, verificarseá que se aproximam bastante, a indicar que a pessoa jurídica era a real titular da conta de depósito, cujas receitas foram oferecidas à tributação; (f) fiscalizando os mesmos anoscalendário aqui em discussão em desfavor da Expresso São Luis Ltda., a Receita Federal não encontrou qualquer omissão de receita, tampouco o pagamento de despesas à margem da contabilidade; reaberta a fiscalização na pessoa jurídica em decorrência da presente diligência, mais uma vez não se encontrou qualquer omissão de receitas nos anoscalendário 2000 e 2001, como se comprova pelo Termo de Encerramento de Ação Fiscal n° 0001, datado de 03/01/2006 (efl. 18.122); (g) considerando os erros perpetrados pela autoridade autuante, há indeterminação da base de cálculo do IRPF lançado, razão suficiente para fulminar o lançamento. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte em acórdão que recebeu as seguintes ementas (efls. 18127 a 18160): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Não ocorre erro de identificação do sujeito passivo quando não fica provado nos autos que a totalidade dos depósitos autuados pertenciam à pessoa jurídica da qual o contribuinte era sócio majoritário. O lançamento só é feito em nome de terceiro, titular de fato das contas bancárias, se for provado que todos os valores movimentados pertenciam ao terceiro. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO MATERIAL. INOCORRÊNCIA. O lançamento que obedece ao disposto na legislação tributária e identifica claramente a matéria tributável, base de cálculo e alíquota, não é nulo. A exclusão de depósitos bancários cujas origens foram comprovadas pelo contribuinte altera a base de cálculo do tributo, mas não a torna indeterminada. PRELIMINAR. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE EMISSÃO DE RMF. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. A prestação de informações, por parte das instituições financeiras, solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, mediante a emissão de Requisição de Movimentação Financeira RMF não constitui quebra do sigilo bancário se houver procedimento administrativo instaurado) Fl. 19462DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais proferidas pelos órgãos integrantes do Ministério da Fazenda ou pelos Tribunais Pátrios se aplicam somente às partes dos processos nos quais foram proferidas as decisões. Constou no decisum do acórdão: Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em REJEITAR as Preliminares de Ilegitimidade Passiva, Nulidade do Lançamento por Erro Material e de Quebra de Sigilo Bancário sem Autorização Judicial e Irretroatividade da LC n° 105, de 2001 e, no mérito, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir da tributação os depósitos comprovados de RS 5.781.589,86 (AC 2000) e RS 6.484.783,04 (AC 2001), que resultou na manutenção do Imposto no valor de R$ 2.240.254,15, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O valor da exoneração correspondente ao tributo monta a R$1.589.937,22 (anocalendário 2000) e R$1.783.315,33 (anocalendário 2001), ao que se soma a multa de ofício de 75%. (Vide extrato do processo, efl. 18161) Em face dos valores exonerados, houve recurso de ofício, nos termos do artigo 34, I, do Decreto 70.325, de 6 de março de 1972, e Portaria MF 3, de 03 de 2008. A ciência dessa decisão ocorreu em 23/04/2007 (efl. 18166). Em 23/05/2007, foi apresentado recurso voluntário, sendo argumentado, em síntese (efls. 18170 a 18258): (a) a nulidade insanável no lançamento, a partir de ilicitude no assenhoreamento dos extratos bancários pela autoridade fiscal, já que as RMFs foram expedidas sem a prévia elaboração de relatório fundamentado que demonstrasse a ocorrência de quaisquer das hipóteses autorizadoras da transferência do sigilo bancário do contribuinte para o fisco. O ato administrativo de transferência do sigilo é nulo, faltandolhe motivação e fundamentação (fls. 20 e 86); (b) não houve autorização judicial para a quebra do sigilo bancário do contribuinte, com vulneração aos princípios constitucionais insculpidos no art. 5o, X, XII e XXXV, da Constituição Federal. Ademais, as Leis complementar n° 105/2001 e ordinária nº 10.174/2001 não poderiam retroagir, com o fito de atingir exercícios pretéritos a 2001, ano em que foram publicadas; (c) conforme remansosa jurisprudência administrativa e judicial, inclusive à luz da antiga Súmula n° 182 do Tribunal Federal de Recursos, meros depósitos bancários não são suscetíveis de caracterizar o fato jurídico tributário do imposto de renda. E nem se diga que Fl. 19463DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.460 9 o art. 42 da Lei n° 9.430/96 alterou o entendimento acima, já que pretendeu criar nova definição do fato gerador do imposto de renda, vulnerando as balizas do art. 43 do CTN; (d) demonstrou, desde a fase que antecedeu a autuação, que os depósitos bancários em debate pertenciam à Expresso São Luis Ltda., funcionando o contribuinte como interposta pessoa dessa, incidindo, na espécie, o art. 42, § 5º, da Lei n° 9.430/96, que determina a tributação em nome do real titular dos recursos; para comprovar o alegado, além de farta documentação que demonstra o pagamento de despesas da Expresso São Luis Ltda. a débito da conta bancária auditada, com registro no Livro Diário dessa empresa (com crédito na conta Caixa), as receitas referentes aos valores depositados também eram contabilizadas a débito da referida conta Caixa, sendo que as receitas totais da empresa são bastante próximos dos valores depositados nas indigitadas contas bancárias; ademais a pessoa jurídica também sofreu auditoria em período concomitante ao do presente feito administrativo (auditoria iniciada em 15/12/2003), e a autoridade fiscal tinha o dever de aprofundar a investigação no sentido de que os rendimentos aqui tributados pertenciam à empresa; (e) a quantidade de eventos a débito e a crédito nas contas bancárias auditadas (35.895 créditos e 24.317 débitos), em uma média de 50 por dia, próximo da quantidade de filiais da Expresso São Luis Ltda., e o montante envolvido, este comparado com os valores ofertados à tributação pelo fiscalizado em cada anocalendário (sem qualquer acréscimo patrimonial), aliado à idade do fiscalizado (mais de 80 anos), detentor de 96,40% das cotas da empresa citada, tudo leva a conclusão de que os valores pertenciam à empresa; (f) confrontando os valores tributáveis mensais com os lançamentos a débito no fim de cada mês na conta Caixa da Expresso São Luis Ltda., verificase uma similitude; essa confrontação seria o único critério seguro que haveria que ser adotado pelas autoridades fiscais, caso fosse possível segregála da obtida pela Expresso São Luiz Ltda.: a diferença positiva entre o total dos depósitos efetuados nas contascorrentes do recorrente e a receita auferida pela pessoa jurídica poderia constituir indício de receita presumidamente auferida; (g) a Expresso São Luis Ltda. sofreu duas auditorias fiscais referentes aos anoscalendário 2000 e 2001, sendo a primeira concomitante a aqui em debate e a segunda decorrente do resultado da diligência determinada pela Turma de Julgamento da DRJBrasília, não havendo a apuração de omissão de receitas à luz da legislação do imposto de renda da pessoa jurídica; isso corrobora as alegações deduzidas nesse recurso; ainda, prova cabal de que o efetivo titular da contas bancárias auditadas era a Expresso São Luis Ltda está demonstrada pelas cópias dos cheques de pagamento de fornecedores e folha de salário dessa pessoa jurídica, a débito das contas auditadas e registrado nos Livros Diários acostados aos autos; (h) foram perpetrados equívocos na diligência, a saber: 1. os movimentos de caixa somente foram documentos hábeis para comprovar os valores depositados em dinheiro nas contas auditadas, e, contraditoriamente, não serviram para comprovar os valores depositados em cheque; cada valor depositado em cheque está fracionado a partir de seu prazo de compensação, destacado com asteriscos nos extratos para cada prazo de bloqueio, não se afigurando razoável efetuar uma conciliação após o seu desbloqueio; assim, os valores depositados em cheque, constantes dos movimentos de caixa, devem ser excluídos do rol dos créditos de origem não comprovada; 2. havia depósitos em cheque liberados pelos gerentes no mesmo dia, com histórico "DEP. CH. LIB" (depósitos cheques liberados); posteriormente, quando da Fl. 19464DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 compensação dos cheques, ocorria um lançamento a crédito na conta bancária com o histórico "DESBL. DEP" (desbloqueio de depósitos) e outro a débito com o histórico "EST. DEP. xD" (estorno de depósitos, sem "x" o prazo da compensação), sob pena do cliente receber o valor depositado em cheque em duplicidade; os depósitos de origem não comprovada com histórico "depósitos cheques liberados" se incluem nas importâncias com histórico "desbloqueio de depósito"; assim, sob pena de se considerar os depósitos em duplicidade, não deveria constar do rol de depósitos de origem não comprovada quaisquer créditos com o histórico "depósito cheque liberado"; 3. a autoridade autuante excluiu os valores devolvidos da base de cálculo da infração; os quais eram compostos de cheques devolvidos e estorno de depósitos bloqueados; segregando as duas espécies de valores devolvidos, vêse que os cheques devolvidos montaram R$ 216.764,88 e R$ 204.820,67, e os estornos, R$1.253.273,79 e R$1.941.829,60, tudo nos anoscalendário 2000 e 2001, respectivamente; de outra banda, após a diligência fiscal, os depósitos com os históricos "depósito em cheque" e "depósito em cheque liberado" totalizaram R$1.870.400,48 e R$1.994.192,35 nos anoscalendário 2000 e 2001, respectivamente, implicando que não houve a integralidade do estorno dos valores com históricos "depósito cheque" e "depósito cheque liberado", devendo assim haver exclusão adicional de R$617.126, 69 (diferença entre R$1.870.400,48 e R$1.253.273,79) e de R$52.362,75 (diferença entre R$1. 994.192,35 e R$1.941.829,60) nos anoscalendário 2000 e 2001, respectivamente; (i) considerando os equívocos perpetrados pelas autoridades fiscais que conduziram a autuação e a diligência, vêse que há uma completa indeterminação da base de cálculo do tributo lançado, havendo, assim, um vício essencial no elemento material do fato gerador, razão suficiente para que seja anulado o lançamento. Em 09/03/2010, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 2ª Seção do Carf, converteu o julgamento em diligência, “para que a autoridade preparadora apure o montante dos rendimentos referente aos movimentos de caixa com depósitos em cheques não devolvidos (a partir do total dos cheques decorrente dos movimentos de caixa com depósitos em dinheiro/cheques e somente com cheques), em cada anocalendário” (efls. 18261 a 18272). Realizada a diligência (efls. 19417 a 19421), foi o recorrente intimado de seus termos, sobre os quais alegou, em síntese: (a) a quebra ilegal do sigilo bancário do recorrente pelo Fisco, em face da inexistência de autorização judicial, em atenção ao decidido nos Recurso Extraordinários 389.808PR e 387.604RS; (b) estarem corretos os valores das colunas “A” a “E” da tabela Demonstrativos dos Depósitos Bancários de Origem Comprovada – AnosCalendários 2000 e 2001, produzida na 2ª diligência (efl. 19421); por sua vez, os valores da coluna “F” simplesmente representariam a mesma soma mensal dos valores de origem comprovada depositados nos Bancos Safra e do Brasil, conforme consolidado na coluna “C”, mas excluídos os cheques devolvidos e os estornos de depósitos relacionados nas colunas “D” e “E”, respectivamente; os valores mensais informados na coluna “F” jamais poderiam ser transportados para a coluna "E" (denominada "Valores de origem comprovada 1ª Diligência) da outra planilha planilha produzida pelo Fisco por ocasião da 2ª diligência, denominada “Consolidação Final – Demonstrativo dos Depósitos Bancários – AnosCalendários 2000 e 2001” (efl. 19420) para serem utilizados na composição da equação matemática que demonstraria, nessa última planilha, que a totalidade dos depósitos efetuados nas contas correntes do Sr. Abadio (coluna “A”) seria exatamente igual à soma dos cheques devolvidos (coluna “B”), dos estornos de depósitos (coluna “C”), dos valores de origem não comprovada Fl. 19465DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.461 11 (coluna “D”) e dos valores de origem comprovada (coluna “E”), uma vez que já restou devidamente provado nos autos que os valores dos depósitos comprovados pelo recorrente durante a 1ª diligência fiscal foram depositados exclusivamente em espécie, jamais em cheques, o que demonstra, por si só, ser indevida a dedução pretendida pela autoridade revisora na coluna “F” segunda planilha (“Demonstrativo dos Depósitos Bancários AnosCalendário 2000 e 2001”); os valores de origem comprovada que deveriam ser transportados para a planilha de consolidação final (efl. 19420) seriam os relacionados na coluna “C” da planilha da efl. 19421, os quais representam, de fato, a totalidade dos depósitos de origem comprovada nos Bancos Safra e do Brasil que deveriam ter sido excluídos pela autoridade revisora; para corrigir os erros detectados nas referidas planilhas elaboradas pelo Fisco, o recorrente elaborou sua própria a planilha (efl. 19442), na qual apenas substituiu os valores informados na coluna “"E”", da planilha da fl. 19420, que tinham sido extraídos da coluna “F” da planilha da efl. 19421, pelos valores informados na coluna “C” desta mesma planilha (efl. 19421), sendo assim, o montante de receita de origem não comprovada é o evidenciado na coluna “I”, desta tabela (efl. 19442), ou seja: Valores residuais 2ª Diligência I=DFGH jan/00 261.183,79 fev/00 21.256,32 mar/00 152.625,85 abr/00 75.591,58 mai/00 7.449,54 jun/00 176.532,14 jul/00 114.180,41 ago/00 103.362,58 set/00 124.772,30 out/00 214.825,58 nov/00 75.257,89 dez/00 202.906,31 SOMA 1.529.944,29 jan/01 304.804,24 fev/01 265.088,18 mar/01 76.413,03 abr/01 121.096,66 mai/01 31.981,68 jun/01 65.055,28 jul/01 84.663,13 ago/01 153.563,38 set/01 240.313,76 out/01 151.650,05 nov/01 281.111,06 dez/01 233.306,80 SOMA 2.009.047,25 Foram realizados os seguintes pedidos: a) declaração da nulidade do crédito tributário lançado, por força do que dispõe o art. 5º, LVI, da Constituição Federal e da a quebra ilegal do sigilo bancário do recorrente pelo Fisco; b) declaração da nulidade do auto de infração por erro de fato substancial ou material, em razão da indeterminação da base de cálculo do IRPF lançado e de erro de identificação do sujeito passivo; c) declaração da improcedência do auto de infração, totalmente ou relativamente ao anocalendário de 2000, em razão da irretroatividade da Lei Complementar n° 105, de 2001 e da Lei n° 10.174, de 2001; d) declaração da improcedência parcial do auto de infração, ajustando a base de cálculo aos valores constante da sua planilha. Fl. 19466DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 3475). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior RECURSO DE OFÍCIO Na decisão recorrida, foram excluídos da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) os depósitos bancários comprovados, por diligência fiscal, descritos nos Demonstrativo dos Depósitos Bancários AnosCalendário 2000 e 2001, nos valores totais de R$5.781.589,86 (AC 2000) e R$6.484.783,04 (AC 2001). AC 2000 A Depósitos s/ Origem Comprovada 11.016.899,34 B Cheques Devolvidos 1.470.038,67 C Depósitos Autuados (A B) 9.546.860,67 D Depósitos Comprovados 5.781.589,86 E Omissão (C • D) 3.765,270,81 AC 2001 A Depósitos s/ Origem Comprovada 13.014.504,84 B Cheques Devolvidos 2.146.650,27 C Depósitos Autuados (A B) 10.867.854,57 D Depósitos Comprovados 6.484.783,04 E Omissão (C D) 4.383.071,53 Não há reparos a fazer na decisão atacada, a qual exclui os valores considerados comprovados pela fiscalização, referidos em diligência fiscal (efls. 19.917 a 19.920), os quais foram considerados pertencentes à Expresso São Luiz Ltda. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS NULIDADES Segundo o recorrente, teria ocorrido as seguintes nulidades: a) do crédito tributário lançado, por força do que dispõe o art. 5º, LVI, da Constituição Federal e da quebra ilegal do sigilo bancário do recorrente pelo Fisco; b) do auto de infração, por erro de fato substancial ou material, em razão da indeterminação da base de cálculo do IRPF lançado e de erro de identificação do sujeito passivo. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 19467DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.462 13 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, a jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Fl. 19468DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente ou despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I), nem despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II). Por outro lado, não há falar em provas ilícitas neste processo administrativo (CF, art. 5º, LVI), nem de quebra ilegal de seu sigilo bancário eis que os seus dados bancários foram colhidos segundo os ditames da Lei Complementar 105, de 2001, da Lei 10.174, de 2001 e do Decreto 3724, de 2001, como abordado minudentemente em tópico específico dessa decisão. Também é dasarrazoado falar de erro de identificação do sujeito passivo quando o próprio contribuinte junta aos autos planilha pelo qual admite ter omitido receitas em montante superior a três milhões e meio de reais. Tampouco há indeterminação da base de cálculo do IRPF lançado, que é líquida e certa. Logo, não há qualquer nulidade do auto de infração. Fl. 19469DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.463 15 DO SIGILO BANCÁRIO – LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001 E Lei 10.174, de 2001 São alegadas (a) a quebra ilegal e inconstitucional de seu sigilo bancário, fundamentada na Lei Complementar 105, de 2001 e na Lei 10.174, de 2001 e (b) a improcedência do auto de infração, totalmente ou relativamente ao anocalendário de 2000, em razão da irretroatividade da Lei Complementar n° 105, de 2001 e da Lei n° 10.174, de 2001 Não assiste razão ao contribuinte. Não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. No que tange às alegações de inconstitucionalidade dessas e de quaisquer normas, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua Súmula 02, são claros ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Fl. 19470DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ademais, em 24/02/2016, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento das ADI 2859, 2390, 2386 e 2397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, concluindo pela constitucionalidade da norma. Como os acórdãos ainda não foram formalizados, trago a notícia do sítio eletrônico do STF: STF garante ao Fisco acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão desta quartafeira (24) o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Na semana passada, foram proferidos seis votos pela constitucionalidade da lei, e um em sentido contrário, prolatado pelo ministro Marco Aurélio. Na decisão, foi enfatizado que estados e municípios devem estabelecer em regulamento, assim como fez a União no Decreto 3.724/2001, a necessidade de haver processo administrativo instaurado para a obtenção das informações bancárias dos contribuintes, devendose adotar sistemas certificados de segurança e registro de acesso do agente público para evitar a manipulação indevida dos dados e desvio de finalidade, garantindose ao contribuinte a prévia notificação de abertura do processo e amplo acesso aos autos, inclusive com possibilidade de obter cópia das peças. Na sessão desta tarde, o ministro Luiz Fux proferiu o sétimo voto pela constitucionalidade da norma. O ministro somouse às preocupações apresentadas pelo ministro Luís Roberto Barroso quanto às providências a serem adotadas por estados e municípios para a salvaguarda dos direitos dos contribuintes. O ministro Gilmar Mendes também acompanhou a maioria, mas proferiu voto apenas no Recurso Extraordinário (RE) 601314, de relatoria do ministro Edson Fachin, e na Ação Direta de Inconstitucionalidade 2859, uma vez que estava impedido de participar do julgamento das ADIs 2390, 2386 e 2397, em decorrência de sua atuação como advogadogeral da União. O ministro afirmou que os instrumentos previstos na lei impugnada conferem efetividade ao dever geral de pagar impostos, não sendo medidas isoladas no contexto da autuação fazendária, que tem poderes e prerrogativas específicas para fazer valer esse dever. Gilmar Mendes lembrou que a inspeção de bagagens em aeroportos não é contestada, embora seja um procedimento bastante invasivo, mas é medida necessária e Fl. 19471DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.464 17 indispensável para que as autoridades alfandegárias possam fiscalizar e cobrar tributos. O decano do STF, ministro Celso de Mello, acompanhou a divergência aberta na semana passada pelo ministro Marco Aurélio, votando pela indispensabilidade de ordem judicial para que a Receita Federal tenha acesso aos dados bancários dos contribuintes. Para ele, embora o direito fundamental à intimidade e à privacidade não tenha caráter absoluto, isso não significa que possa ser desrespeitado por qualquer órgão do Estado. Nesse contexto, em sua opinião, o sigilo bancário não está sujeito a intervenções estatais e a intrusões do poder público destituídas de base jurídica idônea. “A administração tributária, embora podendo muito, não pode tudo”, asseverou. O decano afirmou que a quebra de sigilo deve se submeter ao postulado da reserva de jurisdição, só podendo ser decretada pelo Poder Judiciário, que é terceiro desinteressado, devendo sempre ser concedida em caráter de absoluta excepcionalidade. “Não faz sentido que uma das partes diretamente envolvida na relação litigiosa seja o órgão competente para solucionar essa litigiosidade”, afirmou. O presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, último a votar na sessão desta quarta, modificou o entendimento que havia adotado em 2010, no julgamento do RE 389808, quando a Corte entendeu que o acesso ao sigilo bancário dependia de prévia autorização judicial. “Tendo em conta os intensos, sólidos e profundos debates que ocorreram nas três sessões em que a matéria foi debatida, me convenci de que estava na senda errada, não apenas pelos argumentos veiculados por aqueles que adotaram a posição vencedora, mas sobretudo porque, de lá pra cá, o mundo evoluiu e ficou evidenciada a efetiva necessidade de repressão aos crimes como narcotráfico, lavagem de dinheiro e terrorismo, delitos que exigem uma ação mais eficaz do Estado, que precisa ter instrumentos para acessar o sigilo para evitar ações ilícitas”, afirmou. O relator das ADIs, ministro Dias Toffoli, adotou observações dos demais ministros para explicitar o entendimento da Corte sobre a aplicação da lei: “Os estados e municípios somente poderão obter as informações previstas no artigo 6º da LC 105/2001, uma vez regulamentada a matéria, de forma análoga ao Decreto Federal 3.724/2001, tal regulamentação deve conter as seguintes garantias: pertinência temática entre a obtenção das informações bancárias e o tributo objeto de cobrança no procedimento administrativo instaurado; a prévia notificação do contribuinte quanto a instauração do processo e a todos os demais atos; sujeição do pedido de acesso a um superior hierárquico; existência de sistemas eletrônicos de segurança que sejam certificados e com registro de acesso; estabelecimento de instrumentos efetivos de apuração e correção de desvios.” (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConte udo=310670&caixaBusca=N, acessado em 03/05/2016) Fl. 19472DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 No que tange à retroatividade da Lei Complementar 105, de 2001, deve ser aplicada a Súmula Carf 35 (vinculante), pela qual “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. DA OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em Fl. 19473DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.465 19 separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF 26, a fim de consolidar tal entendimento: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto aos valores a serem tributados, penso que está com razão o contribuinte, ao pedir a manutenção dos valores constantes da Coluna I (“Valores residuais 2ª Diligência”) da tabela que criou, denominada “Resumo Final – Demonstrativo dos Depósitos Bancários AnosCalendário 2000 e 2001” (efl. 19442). Explico. A 2ª diligência, como relatado, foi solicitada pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 2ª Seção do Carf, “para que a autoridade preparadora apure o montante dos rendimentos referente aos movimentos de caixa com depósitos em cheques não devolvidos (a partir do total dos cheques decorrente dos movimentos de caixa com depósitos em dinheiro/cheques e somente com cheques), em cada anocalendário” (efls. 18261 a 18272). A motivação de tal diligência foi a segregação, para fins de exclusão do lançamento, dos depósitos em cheques constantes nos "movimentos de caixa", já que a decisão recorrida apenas excluíra os valores depositados em dinheiro. As razões para tal exclusão foram convenientemente explicitadas pelo conselheiro relator Giovanni Christian Nunes Campos, das quais transcrevo: Os cheques constantes em cada depósito têm prazos de compensação diversos, figurando individualmente como crédito bloqueado no extrato, com um asterisco, aguardando a Fl. 19474DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 compensação e o desbloqueio no prazo regulamentar da Câmara de Compensação. Dessa forma, somente se houvesse uma cópia frente e verso de cada guia de depósito seria possível tentar identificar cada cheque que constou no depósito respectivo (e no "movimento de caixa"). Considerando o enorme volume de depósitos, aliado ao fato do contribuinte somente permanecer com o recibo do depósito (onde não consta o rol dos cheques depositados), parece desarrazoado exigir que o contribuinte procedesse a essa conciliação. Ademais, para dificultar qualquer possibilidade de conciliação, quando ocorre o desbloqueio, tal valor representa a totalidade do montante bloqueado para aquele dia. Interessante que o contribuinte, quando se insurgiu contra o resultado da diligência, trouxe diversos casos emblemáticos a indicar a procedência de sua pretensão. Vejase, por exemplo, um movimento de caixa de 03/01/2000 (fl. 17.900), no valor de R$ 7.524,65, depositado parte em dinheiro (R$3.111,36) e parte em cheque (R$ 4.413,29). O valor em dinheiro consta com o histórico "depósito online", com origem outrora não comprovado, na conta bancária 51039, agência 1840, do Banco do Brasil (fl. 2.131, in fine). Compulsando os extratos bancários respectivos (fls. 120 a 125), vêse que não há qualquer depósito bloqueado de R$ 4.413,29, mas há múltiplos valores bloqueados pelo prazo de compensação de cada cheque, não sendo possível, considerando o volume de depósitos, identificar os créditos componentes do depósito em cheque. A autoridade que presidiu a diligência excluiu apenas o montante de R$3.111,36, em dinheiro (fl. 17.821), já que houve coincidência de data e valor entre o depósito/movimento de caixa e o crédito bancário. Porém não pode remanescer qualquer dúvida que a parcela referente aos cheques também transitou pela conta bancária, inclusive porque faz parte de um único depósito, sendo receita da Expresso São Luis Ltda., até porque a prova básica de comprovação foi o documento intitulado "movimento de caixa". Compulsando os autos, vêse que o movimento de caixa acima não constou daqueles outrora trazidos pelo então impugnante, devendo ter sido trazido somente na diligência, quando a autoridade fiscal intimou a pessoa jurídica Expresso São Luis Ltda. a acostar aos auto a mesma documentação que outrora o impugnante tinha produzido. Exigir o desdobramento de cada depósito em cheque, como fez a decisão recorrida, é desarrazoado, a uma, porque a comprovação da origem foi a partir dos documentos intitulados "movimento de caixa", o qual serve para justificar os montantes em dinheiro e, por óbvio, em cheque; a duas, porque o recibo de depósito que fica na posse do depositante não tem a relação dos cheques, o que dificulta a comprovação de cada crédito bloqueado; a três, porque a quantidade de depósitos é enorme, implicando em um trabalho da conciliação hercúleo, quando é de meridiana clareza que, se os valores em espécie pertencem à empresa, os em cheques tiveram o mesmo destino. Fl. 19475DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10120.007233/200462 Acórdão n.º 2301004.768 S2C3T1 Fl. 19.466 21 Realizada a diligência, a autoridade preparadora montou as planilhas das e fls. 19420 e 19421. Na planilha da fl. 19421 verificase que a soma dos valores que tiveram a origem comprovada (coluna “C”) é a soma dos valores de depósitos de origem comprovada relacionados ao Banco Safra (coluna “A”) e do Banco do Brasil (coluna “B”) (ambas constatadas por ocasião da 1ª diligência, solicitada pela DRJ). Como visto, próprio nome da coluna “C” já indica tratarse da “Soma valores origem comprovada”. No entanto, a referida planilha da efl. 19421 estranhamente deduz desses valores os “Cheques devolvidos” (coluna “D”) e os “estornos de depósitos” (coluna “E”). Ora, cheques devolvidos e estornos de depósitos não constituem receitas para fins de tributação pelo art. 42 da Lei 9430, de 1996. Exemplificando com a própria tabela: Valores depósitos Valores depósitos Soma Cheques Estorno de Valores origem comprovada origem comprovada valores origem devolvidos depósitos depósitos excluídos excluídos comprovada origem. fls.2l09 a 2112 fls. fls. 2113 a 2126 fls.2113 a 2126 comprovada Bco Safra Bco Brasil la Diligência la Diligência la Diligência 1 a Diligência A B C = A + B D E F + CDE jan/00 11.524,00 615.356,43 626.880,43 2.010,50 37.088,63 587.781,30 Assim, raciocinou corretamente o recorrente quando utilizou a coluna”C” da tabela da efl. 19421 como referência (coluna “E”) para a tabela da efl. 19420, a partir da qual foram retirados os valores comprovados na 2ª diligência, correspondentes aos depósitos de cheques de origem comprovada (coluna”G”), os depósitos de origem não comprovada que foram comprovados (cheque + dinheiro) (coluna “H”) e os depósitos em cheques e em cheques liberados (coluna “H”). Considerando, assim, corretos os valores das colunas “F” a “H” da efl. 19420, os valores da coluna “I”, “valores residuais” são calculados considerandose valores de origem comprovada (coluna “E”) os valores constantes da coluna “C” (denominada “Soma Valores Origem Comprovada 1ª Diligência”) da planilha da efl. 19421, elaborada pelo Fisco, Não há controvérsia de parte do contribuinte quanto a tais valores, calculado do modo por ele proposto e descrito retro. Em relação aos demais depósitos, não foi feita prova de sua origem, pelo que opino pela manutenção do lançamento correspondente. Voto, portanto, por: (a) negar provimento ao recurso de ofício; quanto ao recurso voluntário (b) não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei; (c) rejeitar as preliminares, e, no mérito, (d) DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir da “Soma Valores Origem Comprovada 1ª Diligência”) da planilha da efl. 19421 os valores constante das colunas “F” a “H” da planilha da fl. 19420, correspondentes aos depósitos de cheques de origem comprovada (coluna”G”), os depósitos de origem não comprovada que foram comprovados (cheque + dinheiro) (coluna “H”) e os depósitos em cheques e em cheques liberados (coluna “H”), de modo a se obter os seguintes valores de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada: Valores residuais 2ª Diligência I=DFGH jan/00 261.183,79 fev/00 21.256,32 mar/00 152.625,85 abr/00 75.591,58 mai/00 7.449,54 jun/00 176.532,14 jul/00 114.180,41 Fl. 19476DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 ago/00 103.362,58 set/00 124.772,30 out/00 214.825,58 nov/00 75.257,89 dez/00 202.906,31 SOMA 1.529.944,29 jan/01 304.804,24 fev/01 265.088,18 mar/01 76.413,03 abr/01 121.096,66 mai/01 31.981,68 jun/01 65.055,28 jul/01 84.663,13 ago/01 153.563,38 set/01 240.313,76 out/01 151.650,05 nov/01 281.111,06 dez/01 233.306,80 SOMA 2.009.047,25 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 19477DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.010868/2010-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/09/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.648
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/09/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 08 68 /2 01 0- 18 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 212 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.806. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 213 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 214 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 215 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 216 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 217 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 218 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 219 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 220 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 221 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.010868/201018 Acórdão n.º 9303003.648 CSRF‐T3 Fl. 222 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13819.722356/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC.
INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
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RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 23 56 /2 01 2- 77 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13819.722356/201277 Acórdão n.º 2402005.318 S2C4T2 Fl. 87 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir da notificação de lançamento nº 2009/525857696115713, às fls.05/07, emitida em 30/07/2012, que constatou, no anocalendário de 2008, duas infrações: (i) omissão de rendimentos do trabalho recebidos pela pessoa física interessada, no valor de R$75.758,33, referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104, e (ii) compensação indevida de imposto complementar, no valor de R$2.272,75. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls.02/03, acompanhada dos documentos de fls.04/42, alegando, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, pois não foi recebido rendimento algum da fonte pagadora. Além disso, os rendimentos considerados como omitidos são isentos, por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Para a DRJ, as informações extraídas da DIRF dão conta de que a contribuinte auferiu rendimentos decorrentes de decisão da Justiça Federal,cuja fonte pagadora foi a Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104, no valor de R$75.758,33, com retenção de imposto de renda no valor de R$2.272,75, no anocalendário de 2008. Quanto ao argumento da isenção decorrente de moléstia grave, concluise que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os rendimentos omitidos fossem considerados como rendimentos isentos, posto que faltou a apresentação de laudo emitido por serviço médico oficial. Cientificada da decisão em 09/07/2015 (fl. 65), a notificada interpôs tempestivamente recurso (fls. 67/71) em 10/08/2015 (segundafeira). Preliminarmente afirma que não houve omissão dos rendimentos, mas apenas erro na indicação da fonte pagadora que seria a Caixa Econômica Federal, todavia, foi informado o INSS. Afirma que não há o que se falar em sonegação, posto que houve a quitação do imposto retido na fonte. Quando recebeu o valor objeto do lançamento já gozava de isenção do IRPF, seja em razão da cardiopatia grave ou por contar com mais de 74 anos de idade. Os tribunais pátrios tem afastado a exigência do laudo médico oficial para reconhecimento da isenção por moléstia grave, conforme precedente colacionado. Ao negar o seu direito à isenção, o acórdão recorrido deixou de observar o que prescrevem as Leis n.° 7.713/1988; 11.052/2004 e 11.482/2007. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Acusa ainda o desrespeito ao regime de competência para apuração do imposto. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13819.722356/201277 Acórdão n.º 2402005.318 S2C4T2 Fl. 88 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento IRPF sobre rendimentos acumulados Um dos argumentos do sujeito passivo para afastar a exigência diz respeito à forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente adotada no lançamento, qual seja, regime de caixa. Essa é uma controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, que foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi vitoriosa a tese constante na divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13819.722356/201277 Acórdão n.º 2402005.318 S2C4T2 Fl. 89 7 Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Portanto, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser cancelada a notificação. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Nesse sentido, encaminho pelo cancelamento do lançamento fiscal. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10803.000076/2008-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 11/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 11/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 862 1 861 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10803.000076/200817 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.811 – 2ª Turma Sessão de 18 de fevereiro de 2016 Matéria PAF Intimação por edital / Normas Gerais decadência Recorrente NAGIB ELIAS ESPER Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 11/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 76 /2 00 8- 17 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em sessão plenária de 24/10/2011, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 210201.594, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. RECUSA DO RECEBIMENTO DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua, em razão da recusa no recebimento da correspondência, devidamente atestada pelo agente dos Correios no Aviso de Recebimento. Recurso Voluntário Não Conhecido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois intempestivo." Antes mesmo de ser cientificado do acórdão em 16/05/2012 (Termo de Ciência de fls. 754), o Contribuinte opôs, em 14/05/2012, os Embargos de Declaração de fls. 760 a 764. Cientificado da rejeição de seus Embargos Declaratórios em 30/10/2012 (fls. 777/778), o Contribuinte interpôs, em 12/11/2012, o Recurso Especial de fls. 779 a 810, suscitando as seguintes matérias: validade da intimação por edital; e necessidade de apreciação da decadência, independentemente da tempestividade do recurso, por ser matéria de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 07/06/2013 (fls. 848 a 850). Cientificada em 22/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 851), a Fazenda Nacional ofereceu, em 03/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 861), as Contrarrazões de fls. 852 a 860. Voto Fl. 863DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 9202003.811 CSRFT2 Fl. 863 3 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A Fazenda Nacional ofereceu Contrarrazões tempstivas. As matérias suscitadas pelo Recorrente são: validade da intimação por edital; e necessidade de apreciação da decadência, independentemente da tempestividade do recurso, por ser matéria de ofício. Relativamente à primeira matéria, o Contribuinte defende que a intimação por edital não seria válida, quando a tentativa de intimação por via postal restou improfícua, porém foi efetivada uma única vez. Como paradigmas, indica os Acórdãos nºs 280101.321 e 2801001.325. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, em que se interpreta a mesma legislação, são adotadas soluções diversas. Assim, tornase imprescindível a verificação acerca das situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigmas. Com estas considerações, constatase que no acórdão recorrido a intimação por via postal foi considerada improfícua, tendo em vista que a correspondência da Receita Federal foi recusada, daí a intimação editalícia. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. RECUSA DO RECEBIMENTO DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua, em razão da recusa no recebimento da correspondência, devidamente atestada pelo agente dos Correios no Aviso de Recebimento. Recurso Voluntário Não Conhecido." (grifei) Voto "Colhese dos autos que o Acórdão da decisão de primeira instância foi encaminhado para o contribuinte por via postal, Aviso de Recebimento (AR), fls. 509. Do referido AR consta informação prestada pelo agente dos Correios, identificado por nome e matrícula, que a correspondência foi recusada. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Diante de tal fato, a autoridade administrativa procedeu a ciência do Acórdão por Edital, fls. 510, que foi afixado em 10/05/2010." (grifei) Por outro lado, no caso dos paradigmas Acórdãos nºs 280101.321 (fls. 811 a 818) e 2801001.325 (fls. 819 a 827) não se verificou a recusa da correspondência, e sim a ausência do contribuinte, o que levou à conclusão de que o meio não poderia ser considerado improfícuo com uma única tentativa, daí a rejeição da utilização da intimação editalícia. Confirase as respectivas ementas, cuja redação é idêntica: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. REQUISITOS. Para que a intimação por edital seja válida, fazse necessário que tenha resultado improfícuo um dos meios previstos no caput do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72. Uma única tentativa de intimação via postal, em que se constatou a ausência do contribuinte, não justifica o uso da intimação por edital. (...)" (grifei) Destarte, constatase que as situações fáticas são distintas, exatamente no ponto que motivou a consideração acerca de ser improfícuo ou não o meio de intimação utilizado, daí a intimação por edital. Com efeito, no caso do acórdão recorrido a recusa no recebimento da correspondência caracterizou como improfícuo o meio. Já no caso dos paradigmas, a ausência do contribuinte, constatada apenas com uma tentativa, não caracterizaria o meio como improfícuo. Assim, resta claro que as soluções diversas não resultaram de interpretação divergente da legislação, mas sim das situações fáticas diversas: recusa no recebimento da correspondência e ausência do contribuinte. Como se não bastasse tal constatação, os paradigmas ainda registram, de forma idêntica, em seus respectivos votos condutores: "Em que pese o acima exposto, não se pode excluir a hipótese de intimação por edital, haja vista sua previsão legal, entretanto sua aplicação deve restringirse àquelas situações em que seja latente a impossibilidade de intimar o contribuinte pelo meio escolhido e, principalmente nas hipóteses em que se vislumbre que o destinatário está evitando ser intimado. Como no caso em discussão foi escolhida a via postal, cumpre verificar se resultou improfícuo esse meio para cientificar a contribuinte. Analisando o caso em pauta constato que não se encontram presentes as condições que permitem que a intimação fosse feita por edital. O fato de a intimação via postal ter sido devolvida com a informação que a contribuinte estava ausente não constitui razão para considerar, de imediato, o meio utilizado como improfícuo e decidase pela intimação por edital. É perfeitamente plausível que a contribuinte não estivesse em seu domicílio no momento da entrega da intimação, sendo precipitada a opção pela intimação por edital Fl. 865DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 9202003.811 CSRFT2 Fl. 864 5 sem que houvesse uma nova tentativa de intimála via postal. " (grifei) Assim, constatase que a principal exceção para a aplicação da tese defendida nos paradigmas, é exatamente a situação verificada no acórdão recorrido, ou seja, quando se vislumbra que o destinatário está evitando ser intimado. Afinal, a recusa no recebimento de uma correspondência da Receita Federal, mormente quando já existe um processo administrativo fiscal em curso, obviamente materializa a hipótese de que "o destinatário está evitando ser intimado". Diante do exposto, constatandose que não existe similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e que a ressalva registrada nos paradigmas corresponde à situação do recorrido, não há como caracterizarse a alegada divergência jurisprudencial, de sorte que esta primeira matéria validade da intimação por edital não pode ser conhecida. Relativamente à segunda matéria suscitada necessidade de apreciação da decadência, independentemente da tempestividade do recurso, por ser matéria de ofício o Contribuinte indica como paradigma o Acórdão nº 280300.326. Mais uma vez, antes de proceder à análise do paradigma, registrese que a divergência somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, em que se interpreta a mesma legislação, são adotadas soluções diversas, de sorte que mais uma vez tornase imprescindível a verificação acerca das situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigma. No caso do acórdão recorrido, tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa qualificada de 150%, e o Recurso Voluntário não foi conhecido por intempestividade. No apelo constava a alegação de decadência, pedindose a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Confirase o relatório do acórdão recorrido: Relatório " A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, fls. 78/99, foi acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de dezembro de 2002 e dezembro de 2003. A multa de ofício foi aplicada na sua forma qualificada, no percentual de 150%, pelas razões a seguir extraídas do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal: (...) Cientificado da decisão de primeira instância, por edital, fls. 510, afixado em 10/05/2010, o contribuinte apresentou, em 08/10/2010, recurso voluntário, fls. 517/580, no qual traz as alegações a seguir resumidas: (...) Da decadência – Na data do lançamento encontravase alcançado pela decadência o crédito tributário referente ao anocalendário 2002." (grifei) Fl. 866DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Já no caso do paradigma Acórdão nº 280300.326 (fls. 828 a 831) tratava se de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias, com base no art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, declarado inconstitucional pelo STF e objeto da Súmula Vinculante do STF nº 8. Confirase o voto condutor do paradigma: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2000 . PROTOCOLO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO E DO RECURSO. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva de impugnação ocasiona não o seu não conhecimento, por não ter o condão de iniciar a fase litigiosa do processo administrativa fiscal, devido à preclusão. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DO PRAZO QÜINQÜENAL DE DECADÊNCIA. Em razão do princípio da legalidade e da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º , ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." (grifei) Assim, de plano constatase que as situações fáticas dos acórdãos recorrido e paradigma não são similares, já que no primeiro há uma simples alegação de decadência, em um Recurso Voluntário não conhecido por intempestividade. Já no caso do paradigma, não se trata de alegação de decadência, mas sim de decadência consumada pela impossibilidade de aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, por força de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, inclusive com Súmula Vinculante. Destarte, não se pode dizer que, em face do acórdão recorrido, o Colegiado que julgou o acórdão paradigma teria adotado a mesma solução. Ademais, o voto condutor do paradigma não deixa duvidas, no sentido de que a solução adotada não contemplaria os demais casos, tais como o que se verifica no acórdão recorrido. Confirase o voto do paradigma: "Preliminarmente, em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência, contudo por outros motivos, indiferente de futuros vícios ou nulidades que venham ser apontadas. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991, nestas palavras: Fl. 867DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10803.000076/200817 Acórdão n.º 9202003.811 CSRFT2 Fl. 865 7 Súmula Vinculante n° 8 'Sao inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observese a NFLD é referente as fatos geradores não declarados em instrumentos próprios nos períodos de 01/1999 a 12/2000. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação, mas que os créditos foram levantados por meio de arbitramento, apuração em outros documentos, em face da não localização dos mesmos, o que tornao em lançamento por ofício (art. 150, §4°, e 149, CF/1998), devendose seguir o disposto no art. 173, I, c/c art. 156, inciso V, do CTN, contando o prazo de 5 (cinco) anos do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." (grifei) Assim, mais uma vez se constata que a situação que levou o Colegiado que julgou o paradigma a ultrapassar a intempestividade e declarar a decadência foi a existência de uma Súmula Vinculante e a determinação contida no art. 103A, da Constituição Federal. Destarte, as soluções diversas não decorreram de interpretação divergente dada à legislação tributária, mas sim às diferentes situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que esta segunda matéria necessidade de apreciação da decadência, independentemente da tempestividade do recurso, por ser matéria de ofício também não pode ser conhecida. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 868DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 16004.720356/2011-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis.
Numero da decisão: 9202-003.803
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis.
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DA SILVA STRINGUETTA Interessado SHIRLEY C. DA SILVA STRINGUETTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/11/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 56 /2 01 1- 24 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial referese a motivado pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte, face ao Acórdão 240301.521 (fls. 688/694), proferido pela 3ª Turma Ordinária /4ª Câmara/2ª Seção de Julgamento/CARF. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, conforme trechos a seguir: “Trata o presente de Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP – consolidados em 19/08/2011 e com ciência ao contribuinte em 26/08/2001, referentes a contribuições à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a título de plano de previdência privada caracterizados como salário indireto e não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, para as competências de 07/2007 a 09/2007 e de 08/2008 a 11/2008, totalizando o montante de R$ 208.253,11 (duzentos e oito mil, duzentos e cinquenta e três reais e onze centavos). Foram considerados fatos geradores os valores pagos pela autuada ao plano de previdência privada denominado VGBL (Valor Gerador de Benefícios Livres) tendo como beneficiária a titular da firma individual, Shirley Carolina da Silva Stringuetta, considerando que esse plano, dentre outras vantagens, complementa a remuneração do segurado em sua aposentadoria. Ainda segundo o Relatório Fiscal, o fato de a empresa pagar plano de previdência privada ao segurado empresário representa acréscimo salarial, pois, caso a própria segurada tivesse que arcar com esses custos, esses pagamentos acarretariam em diminuição de seu salário. Considerou que essa vantagem pecuniária deveria integrar o salário de contribuição, haja vista a não apresentação de provas de que se tratava de benefício oferecido a todos os empregados, condição fundamental para a desvinculação da natureza salarial, nos termos do art. 28, § 9.º, “p” da Lei 8.212/91. Na presente ação fiscal foram lavrados os seguintes AIOP, consolidados em 19/08/2011: Debcad n.º 37.354.2089, no montante de R$ 204.626,00 (duzentos e quatro mil, seiscentos e vinte e seis reais), relativo à parte patronal (empresa), equivalente a 20% sobre o salário de contribuição. Debcad n.º 37.354.2097, no montante de R$ 3.627,11 (três mil, seiscentos e vinte e sete reais e onze centavos), relativo à parte dos segurados, equivalente a 11% sobre a remuneração do segundo empresário, respeitado o limite máximo do salário de contribuição. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.720356/201124 Acórdão n.º 9202003.803 CSRFT2 Fl. 11 3 Foi também emitida Representação Fiscal para Fins Penais, cujo processo (n.º 16004.720357/201179) encontrase apensado ao presente. Informa também o Relatório Fiscal que, em atendimento ao princípio da retroatividade benigna da lei trazido pelo art. 106, II, “c” do CTN, foi feita a comparação entre a multa vigente à época da ocorrência da infração e aquela imposta pela legislação superveniente, restando mais benéfica ao contribuinte a multa da legislação anterior (24%) e que, por tratarse de multa única visando apenar a inexatidão ou não declaração em GFIP de tributos previdenciários, sendo impossível a convivência de outra penalidade de mesma natureza e fato, deixouse de emitir o auto de infração de obrigação acessória com fundamentação legal 68. Às fls. 194/218, a autuada apresentou a Impugnação, reiterando os argumentos de que a empresa não contribuiu para o citado plano, que os valores saíram de sua conta corrente a título de aplicação e a ela retornaram e que o banco nunca forneceu extratos de movimentação de planos de previdência privada. Apresentou cópias das propostas dos planos e dos extratos bancários. Às fls. 456/466, a DRJ deu parcial procedência à impugnação da Contribuinte, retificando os lançamentos, com manutenção em parte do crédito tributário no montante de R$ 66.283,94 para o AIOP Debcad n.º 37.354.2089 e R$ 1.014,97 para o AIOP Debcad n.º 37.354.2097, consolidados em 19/08/2011, conforme Discriminativos Analíticos do Débito Retificado – DADR. Inconformada com a decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 471/488, alegando, em síntese, que não ocorreu o fato gerador uma vez que todos os valores foram aplicados e resgatados pela empresa e não pela pessoa física da empresária. Em análise ao Recurso Voluntário, em 10/07/2012 a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nas fls. 688/694, concluiu estar “bem comprovado que recursos da pessoa jurídica foram destinados a um plano de previdência complementar de uma pessoa física, sua dirigente (somente pessoa física se aposenta) e que se esse benefício não é estendido a todos dirigente e empregados constitui fato gerador de contribuições previdenciárias”. Já quanto à aplicação da multa, considerou que “a multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal”. Observou que esse artigo “foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%”. Em suma, julgou que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, conforme art. 106, inciso II, “c”, do CTN, aduzindo que o art. 35, caput da Lei 8.212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei 11.941/09, e que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Irresignada, às fls. 696/705, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial, trazendo acórdão paradigma com entendimento contrário ao decidido no acórdão recorrido. Segundo o acórdão paradigma da 1º Turma da 4ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, o art. 35 da Lei 8.212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei 11.941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9.430/96. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A União salientou que no paradigma a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, § 2º da Lei 9.430/96 foi rechaçada de forma expressa. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme fls. 708/710, tendo sido considerados presentes os requisitos de admissibilidade, tendo sido verificada a divergência entre os acórdãos confrontados. Observou que tanto o paradigma assim como o acórdão recorrido foram proferidos após o advento da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei 8.212/91. Às fls. 712/715 e 727/728, alegando facilitar o julgamento do Recurso Voluntário, em 20/02/2013 a Contribuinte requereu a juntada aos autos de extratos bancários novos, arguindo servir para comprovar os saques dos valores de R$ 100.262,54, em 14/01/2009; de R$ 49.667,27, em 13/05/2009, e de R$ 214.287,32, em 16/07/2009, não considerados no acórdão recorrido, cuja conclusão foi a de que a Contribuinte não obteve êxito em comprovar documentalmente o resgate de todo o valor aplicado, de R$ 650.000,00 no “VGBL Empresarial”, no período de julho de 2007 a novembro de 2008. Às fls. 766/787, a Contribuinte interpôs o Recurso Especial, trazendo aos autos acórdão paradigma tratando de “OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO”, e observou que o acórdão paradigma entendeu que se não houve pagamento ou algum benefício à pessoa física contribuinte, não há o que se falar na realização do fato gerador do tributo. No cotejo analítico, ponderou que o acórdão recorrido não levou em consideração o fato de que as aplicações feitas pela recorrente no plano de previdência privada foram de boa fé, à guisa de aplicação financeira. Considerou que a tributação dos rendimentos, quando for o caso, depende da efetiva entrega dos valores ao contribuinte. Finalmente, afirmou que a fiscalização presumiu que a impugnante utilizava pagamentos de plano de previdência privada para pagamento de remuneração para a sua proprietária. Intimada da interposição do Recurso Especial pela Fazenda Pública, a Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 844/847, arguindo ser irretocável o acórdão que determinou o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941 ao art. 35 da lei 8.212 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. O Recurso Especial da contribuinte foi inadmitido, às fls. 853/855, por não se verificar a demonstração analítica da divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma. Considerou que a recorrente busca a reapreciação dos fatos já avaliados pelo Colegiado a quo. Essa decisão foi ratificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, à fl. 856, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De outro modo, o Fl. 861DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.720356/201124 Acórdão n.º 9202003.803 CSRFT2 Fl. 12 5 Recurso Especial da Interessada deve ser inadmitido por não se verificar a divergência jurisprudencial a que se propõe o referido recurso. Trata o presente dos seguintes Autos de Infração de Obrigações Principais – AIOP – consolidados em 19/08/2011, conforme Discriminativos Analíticos do Débito Retificado – DADR, e com ciência ao contribuinte em 26/08/2001, referentes a contribuições à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a título de plano de previdência privada caracterizados como salário indireto e não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, para as competências de 07/2007 a 09/2007 e de 08/2008 a 11/2008, totalizando o montante de R$ 208.253,11: Debcad n.º 37.354.2089, no montante de R$ 204.626,00, relativo à parte patronal (empresa), equivalente a 20% sobre o salário de contribuição. Debcad n.º 37.354.2097, no montante de R$ 3.627,11, relativo à parte dos segurados, equivalente a 11% sobre a remuneração do segundo empresário, respeitado o limite máximo do salário de contribuição. Às fls. 456/466, a DRJ retificou os lançamentos, com manutenção em parte do crédito tributário no montante de R$ 66.283,94 para o AIOP Debcad n.º 37.354.2089, e de R$ 1.014,97 para o AIOP Debcad n.º 37.354.2097. O acórdão recorrido concluiu estar “bem comprovado que recursos da pessoa jurídica foram destinados a um plano de previdência complementar de uma pessoa física, sua dirigente (somente pessoa física se aposenta) e que se esse benefício não é estendido a todos dirigente e empregados constitui fato gerador de contribuições previdenciárias”. Já quanto à aplicação da multa, julgou que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, conforme art. 106, inciso II, “c”, do CTN, aduzindo que o art. 35, caput da Lei 8.212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei 11.941/09, e que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. O Recurso Especial da Fazenda Nacional insurgiuse tão somente quanto à retroatividade benigna na aplicação da multa, aduzindo que, com a edição da Lei 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do art. 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o art. 35A, a fim, instituindo uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais. Vale dizer, o art. 35A se remete ao art. 44 da Lei 9.430/96, cuja redação prevê a aplicação da multa no patamar de 75%. A União ainda salienta que no acórdão paradigma o entendimento é o de que a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, § 2º da Lei 9.430/96 foi rechaçada de forma expressa. O caso em tela trata da aplicação da multa no Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: Fl. 862DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação Lei 9876/99 redação original – recolhimento em atraso lançamento de ofício alterada MP 449/2008 convertida Lei 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débitos lançados mas recolhimento em atraso) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação original redação Lei 9528/97 alterada MP 449/2008 Art. 32 sem Multa Art. 32, §5º Multa 100% Insere Art. 32A Multa 20% (limitada a) Deixo de transcrever aqui a redação original dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; Fl. 863DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.720356/201124 Acórdão n.º 9202003.803 CSRFT2 Fl. 13 7 c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Observese que os presentes autos discutem duas infrações legais diversas, por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal), de modo que foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Em casos como este a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei 8212/91 tem conteúdo material análogo, e que, portanto a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso por que se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado “ bis in idem”. Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD, não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio “tempus regit actum” esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, Fl. 864DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n. 449/2008, que insere o artigo 35 – A e 32 A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) _______________________________________________________ Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 acima citada determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei 9430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Fl. 865DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16004.720356/201124 Acórdão n.º 9202003.803 CSRFT2 Fl. 14 9 Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo Nº 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: “ Resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 dispõe expressamente “nos casos do lançamento de ofício” e inciso I utiliza a expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro uma interpretação coerente do ordenamento jurídico no qual esta inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996. Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: SE CASO DE DESCUMPRIMENTO DE: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA: · Redação anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Redação atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: · Redação anterior, se a multa aplicada, na redação do art. 35, II, da Lei n° 8.212, de 1991, Fl. 866DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 · Redação atual, multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, sendo que a soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória deve ser limitada a 75%. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 867DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10715.000175/2010-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 01 75 /2 01 0- 02 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 274 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.880, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 275 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 276 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 277 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 278 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 279 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 280 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 9303003.741 CSRFT3 Fl. 281 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13981.000039/00-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
Sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. (RESP 993164, Min. Luiz Fux).
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
Recurso Especial da Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-004.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial da Contribuinte.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. (RESP 993164, Min. Luiz Fux). REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. Recurso Especial da Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 39 /0 0- 91 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 340 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro artigo 32, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria n° 55, de 12/03/98, então vigente, por meio do qual busca a reforma do Acórdão nº 20400.892 (fls. 213 a 224) proferido pela 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 07/12/2005, no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a incidência da taxa Selic a partir do pedido de ressarcimento, in verbis: IPI CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. INSUMOS NÃO CONSUMIDOS NO PROCESSO PRODUTIVO. De acordo com o art. 3° da Lei n° 9.363, o alcance dos termos matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do lPI. E a normatização do IPI nos dá conta que somente dará margem ao creditamento de insumos, quando estes integrem o produto final ou, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os combustíveis e a energia elétrica não têm ação direta no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal. AQUISIÇÕES DE INSUMOS EM OPERAÇÕES ONDE NÃO HÁ INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Tendo a Lei n° 9.363/96 instituído um benefício fiscal a determinados contribuintes, com conseqüente renúncia fiscal, deve ela ser interpretada restritivamente. Assim, se a Lei dispõe que farão jus ao crédito presumido, com o ressarcimento das contribuições Cofins e PIS, incidentes sobre as aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, não há que se falar no favor fiscal quando não houver incidência das contribuições na última aquisição, como no caso de aquisições de pessoas físicas e/ou de cooperativas. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 341 3 TAXA SELIC. Aplicase a taxa Selic sobre o crédito a ser restituído em pedido de ressarcimento, por aplicação analógica dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. Recurso provido em parte. Por bem descrever o transcurso do processo até o momento, adotase o relatório constante no acórdão recorrido: Trata o presente processo de pedido de restituição em espécie de créditos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social — Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, relativo ao período retro citado, no montante correspondente a R$ 9.399,27. A DRJ em Joaçaba SC, às fls. 175/176 decidiu pela procedência parcial do pedido, glosando valor igual a R$ 7.125,93, alegando que as aquisições de energiaelétrica, combustíveis e insumos de pessoas físicas não pode integrar a base de cálculo do ressarcimento. O Contribuinte interpôs Recurso às fls. 181/190, buscando o reconhecimento do direito ao ressarcimento sobre que as aquisições de energiaelétrica, combustíveis e insumos de pessoas físicas, citando decisões judiciais e administrativas, além de legislação que ampara suas alegações. A DRJ em Porto Alegre — RS, às fls. 193/199, indeferiu a solicitação do Contribuinte alegando que os insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não deveria ser computado no cálculo do benefício. Insatisfeito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 204/215. Com relação a glosa sobre energia elétrica, argumenta que o artigo 147, I, do RIPI prevê sua inclusão sobre cálculo de valor a ser ressarcido, apresentado decisões judiciais e doutrina que fundamentam suas alegações. No que cinge a Glosa dos insumos adquiridos de pessoas físicas, argumenta o Contribuinte que deve ser incluído sobre o valor da restituição, apresentando vasta jurisprudência e argumentando a ilegalidade das Instruções Normativas 23/97 e 103/97, por restringirem a incidência do crédito presumido, inovando a ordem jurídica. Por fim, requereu a procedência do recurso e a incidência de juros baseados na taxa Selic sobre o valor a ser restituído. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 342 4 Sobreveio julgamento de parcial provimento do recurso voluntário tão somente para reconhecer a incidência da taxa Selic a partir do pedido de ressarcimento (fls. 213 a 224), decisão contra a qual ora se insurge a contribuinte por meio de recurso especial (fls. 235 a 254), suscitando divergência com relação aos seguintes pontos: (a) inclusão das despesas com energia elétrica e combustíveis na base de cálculo do crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e da COFINS; e (b) inclusão das aquisições de insumos produzidos por pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da COFINS. Colacionaramse como paradigmas para cada um dos itens, respectivamente, os acórdãos nºs 20175.055 (1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) e CSRF/0201.158 (Câmara Superior de Recursos Fiscais; e CSRF/0201.160 e CSRF/0201.191 (ambos da Câmara Superior de Recursos Fiscais). O recurso foi admitido em parte pelo Despacho nº 3400541 R (fls. 311 a 314). Foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional (fls. 318 a 328) postulando, em síntese, a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 28/04/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora O recurso especial da contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, devendo, portanto, ser conhecido. Pertinente delimitarse o objeto do recurso especial previamente ao exame do mérito. No Despacho nº 3400541, que deu seguimento parcial ao apelo do sujeito passivo, foi consignado serem três os pontos de insurgência: "[...] 1) ao direito ao crédito presumido do IPI sobre custos com combustíveis e energia elétrica (Lei nº 9.363/1996); 2) ao direito ao créditopresumido do IPI sobre aquisições de insumos de cooperativa e pessoas físicas; e 3) ao nãoreconhecimento de juros compensatórios à taxa Selic sobre ressarcimentos de créditospresumidos de IPI." O recurso especial foi admito parcialmente por ter entendido o ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos itens 2 e 3, nos seguintes termos: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 343 5 [...] Quanto ao item 01, direito ao créditopresumido do IPI sobre custos com combustíveis e energia elétrica, tratase de matérias já sumuladas pelo antigo 2° Conselho de Contribuinte, cuja Súmula n° 12, assim dispõe, in verbis: "SÚMULA N° 12. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." Dessa forma, não cabe recurso especial contra o acórdão recorrido, na parte em que não reconheceu o direito da recorrente ao créditopresumido do IPI sobre as aquisições de combustíveis e de energia elétrica, nos do § 3° do art. 7° do RICARF. Já em relação ao item, 2, direito ao créditopresumido do IPI sobre aquisições de insumos de cooperativa e pessoas fisicas, as cópias dos acórdãos CSRF/0201.160, às fls. 276/293, e CSRF/0201.191, às fls. 294/299, comprovam a divergência suscitada pela recorrente. Também, a divergência suscitada no item 3, juros compensatórios à taxa Selic sobre ressarcimentos de créditospresumido de IPI, foi comprovada por meio do acórdão CSRF/0201.160, às fls. 276/293. Do exame dos requisitos de admissibilidade do recurso (arts. 7° e 15 da Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 ou arts. 67 e 68 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 RICARF), verificase que o recurso especial deve ser admitido parcialmente, ou seja, quanto às matérias dos itens 2 e 3, sendo, portanto, nãoadmitido para a matéria do item 1. Em face do exposto, DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO somente em relação às matérias abordadas nos itens 2 e 3, ou seja, para que se analise e julgue o direito de a recorrente se creditar do créditopresumido de IPI sobre aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de cooperativas e pessoas física, bem como o direito a juros compensatórios, à taxa Selic, sobre ressarcimento de IPI. [...] Ocorre que, no recurso especial, a contribuinte insurgiuse apenas com relação a dois itens (2 e 3 referidos no despacho de admissibilidade), apresentando os respectivos paradigmas. Não foi objeto de insurgência, portanto, a questão relativa à correção do crédito a ser ressarcido pela taxa Selic, até mesmo porque foi provido o recurso voluntário quanto a este aspecto. Assim, tendo em vista a rejeição da insurgência quanto ao crédito presumido de IPI para as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por se tratar de matéria já sumulada, a controvérsia posta no recurso especial a ser examinada por este Colegiado delimitase à possibilidade de crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e da COFINS sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 344 6 No mérito, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse, em sede de julgamento do recurso especial nº 993.164/MG sujeito ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do Código Civil de 1973), no sentido de entender devida a inclusão na base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, das aquisições de matériaprima e de insumos de fornecedores pessoa física e cooperativas, não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. A ementa do julgado deuse nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 345 7 expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 346 8 Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000039/0091 Acórdão n.º 9303004.130 CSRFT3 Fl. 347 9 (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (grifos no original) Conforme art. 62, §2º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, deve ser reconhecido o direito da contribuinte ao crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS sobre as aquisições de insumos (matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários) de pessoas físicas e de cooperativas, não sujeitas à tributação pelo PIS e pela COFINS. Consignese, ainda, não haver discussão quanto à comprovação da origem do crédito pleiteado, tendo o recurso voluntário restringido o direito ao crédito tão somente em razão de se tratar de pessoa física ou cooperativa, não sujeitas à incidência das contribuições. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10074.720670/2014-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2013
VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS SEQUENCIAIS DO AVA - ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA.
O valor aduaneiro deverá ser determinado com base nos métodos subsequentes previstos, observada a ordem sequencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira, sob pena de acarretar a nulidade material do lançamento administrativo.
MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO DE ACRÉSCIMOS AO VALOR ADUANEIRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO NÃO NECESSÁRIAS À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. FALTA DE INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO DAS DESPESAS DE CAPATAZIA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 1% (UM POR CENTO). DESCABIMENTO.
Por não representar informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, a não inclusão das despesas com descarga e manuseio (despesas de capatazia) no valor aduaneiro da mercadoria importada não configura conduta típica da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 711, III, do RA/2009.
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. POSSIBILIDADE.
Restando comprovado que o contribuinte dificultou o trabalho da fiscalização, deixando de fornecer documentos que estavam em seu poder, aplica-se a multa prevista no artigo 728, do Regulamento Aduaneiro.
Recurso de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Ofício, para restabelecer a multa por embaraço à fiscalização, parcialmente vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Walker Araújo, Relator, que davam parcial provimento ao Recurso para restabelecer também a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria e a Conselheira Lenisa Prado e o Conselheiro Domingos de Sá, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2013 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS SEQUENCIAIS DO AVA - ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. O valor aduaneiro deverá ser determinado com base nos métodos subsequentes previstos, observada a ordem sequencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira, sob pena de acarretar a nulidade material do lançamento administrativo. MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO DE ACRÉSCIMOS AO VALOR ADUANEIRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO NÃO NECESSÁRIAS À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. FALTA DE INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO DAS DESPESAS DE CAPATAZIA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 1% (UM POR CENTO). DESCABIMENTO. Por não representar informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, a não inclusão das despesas com descarga e manuseio (despesas de capatazia) no valor aduaneiro da mercadoria importada não configura conduta típica da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 711, III, do RA/2009. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. POSSIBILIDADE. Restando comprovado que o contribuinte dificultou o trabalho da fiscalização, deixando de fornecer documentos que estavam em seu poder, aplica-se a multa prevista no artigo 728, do Regulamento Aduaneiro. Recurso de Ofício Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Ofício, para restabelecer a multa por embaraço à fiscalização, parcialmente vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Walker Araújo, Relator, que davam parcial provimento ao Recurso para restabelecer também a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria e a Conselheira Lenisa Prado e o Conselheiro Domingos de Sá, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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DESCLASSIFICAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE MÉTODOS SEQUENCIAIS DO AVA ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. O valor aduaneiro deverá ser determinado com base nos métodos subsequentes previstos, observada a ordem sequencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira, sob pena de acarretar a nulidade material do lançamento administrativo. MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO DE ACRÉSCIMOS AO VALOR ADUANEIRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO NÃO NECESSÁRIAS À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. FALTA DE INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO DAS DESPESAS DE CAPATAZIA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 1% (UM POR CENTO). DESCABIMENTO. Por não representar informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, a não inclusão das despesas com descarga e manuseio (despesas de capatazia) no valor aduaneiro da mercadoria importada não configura conduta típica da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 711, III, do RA/2009. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. POSSIBILIDADE. Restando comprovado que o contribuinte dificultou o trabalho da fiscalização, deixando de fornecer documentos que estavam em seu poder, aplicase a multa prevista no artigo 728, do Regulamento Aduaneiro. Recurso de Ofício Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 06 70 /2 01 4- 40 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Ofício, para restabelecer a multa por embaraço à fiscalização, parcialmente vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Walker Araújo, Relator, que davam parcial provimento ao Recurso para restabelecer também a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria e a Conselheira Lenisa Prado e o Conselheiro Domingos de Sá, que negavam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso de ofício para revisão do acórdão nº 1148.722, proferido pela 6ª Turma da DRJ/REC, que por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação quanto ao lançamento da multa prevista no RA/2009, art.711, III, por ser incabível no caso concreto, exonerandose essa exigência; e, por maioria de votos, julgou procedente a impugnação, para exonerar a exigência do crédito tributário referente ao Pis/PasepImportação e à CofinsImportação lançados, em face de nulidade material no procedimento de apuração do valor aduaneiro das mercadorias importadas, bem como para afastar a aplicação da multa prevista no RA/2009, art.728, IV, pela não caracterização da conduta de embaraço à ação fiscal. O Auto de Infração objetiva a cobrança de PIS/COFINSimportação pela falta de inclusão como acréscimo ao valor aduaneiro da parcela referente aos custos de descarga e manuseio de mercadorias importadas pela Recorrente, nos termos do artigo 77, do RA e do artigo 8º, §§ 1º e 2º do Acordo de Valoração Aduaneiro, bem como da multa tipificada no inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro, ocasionado pela omissão de informações no "acréscimo" anteriormente citado e, por fim, da multa tipificada no artigo 728, inciso IV, alínea "c", do citado regulamento. Cientificada em 24.03.2014, a Interessada apresentou impugnação em 16.04.2014 (fls.560582) e requereu a declaração de improcedência da autuação, alegando, em síntese, o seguinte: A Equivoco na adoção do 6º Método de Valoração Aduaneira Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 755 3 i) o artigo 25, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 327/2003 é claro ao determinar que na aplicação dos métodos substitutivos de valoração aduaneira, deverá ser observado a ordem sequencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira; ii) É evidente a necessidade de declaração de nulidade por vício material do Auto de Infração por violação ao art. 25, inciso I, da IN SRF nº 327/03 e por desatendimento ao art. 2º do Acordo sobre a implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio. Cita jurisprudência da CARF. B Nulidade Formal: NCMS´S não correspondem às DI´s relacionadas pela fiscalização i) conforme se demonstra pela planilha em anexo (ANEXO II), os NCM´s utilizados pela fiscalização no Auto de Infração para o lançamento de ofício realizado não correspondem àqueles efetivamente declarados nas respectivas DI´S registradas, razão pela qual se verifica a nulidade forma do Auto de Infração por violação ao artigo 59, do Decreto nº 70.235/72; C A inaplicabilidade da multa do artigo 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro (1% sobre o Valor Aduaneiro i) que os serviços de carga e descarga não foram individualizados por DI, apresentando valor global, razão pela qual a interessada não teve condições de individualizar o serviço por importação; ii) o Auto de Infração limitouse a mencionar que "adicionalmente, foi lançado a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro", sem, contudo, fundamentar as razões que levaram à aplicação de tal penalidade. iii) admitindose apenas para fins de argumentação que tenha havido omissão de informação ou a sua prestação de forma incompleta ou inexata, ainda nesta hipótese não seria cabível a aplicação da multa, posto que não houve dolo ou máfé da Recorrente. iv) inclusive com base no Ato Declaratório COSIT 10/97 temse entendido que não se configura declaração inexata da mercadoria quando não se constata intuito doloso ou má fé do contribuinte, o que mitiga a própria regra do art.136 do CTN; e v) caso fosse aplicável alguma multa, o que não se entende cabível, que fosse aplicada a multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/96, de 75% sobre o valor supostamente não recolhido, ao invés da multa de 1% sobre o valor aduaneiro. C Inexistência de Embaraço à Fiscalização i) Não houve por parte da interessada máfé ou algum intuito de embaraçar a fiscalização, considerando que os serviços de carga e descarga não foram individualizados por DI, apresentando valor global, razão pela qual a interessada não teve condições de individualizar o serviço por importação tampouco atender as intimações. D Da substituição da DI nº 12/07983820 (CANCELADA) pela DI nº 12/08013760 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 i) Há um PAF em andamento (nº 11684.720863/201302 referente ao cancelamento da DI nº 12/07983820, que foi substituído pela DI nº 12/08013760, sendo que a fiscalização desconsiderou o referido pedido de cancelamento e efetuou o lançamento da multa nas duas DI´s, o que gerou um lançamento indevido no valor de R$ 2.251.569,14. Reconhecendo expressamente que impugnação apresentada atendia aos demais requisitos de admissibilidade, a 6ª Turma da DRJ/REC julgou procedente a defesa da interessada com base nos fundamentos sintetizados em sua ementa, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2013 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AFASTAMENTO DO 1º MÉTODO. UTILIZAÇÃO SEQUENCIAL DOS MÉTODOS PREVISTOS. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Verificada a não inclusão das despesas com descarga e manuseio no valor aduaneiro das mercadorias declarado nas 85 DI’s objeto da fiscalização e, estando assim prejudicado o valor que seria considerado no primeiro (1º) método de valoração aduaneira, justificase que este seja substituído. O valor aduaneiro deve ser determinado com base nos métodos subsequentes, observada a ordem sequencial prevista, sob pena de nulidade. Configurada nulidade, por vício material, no procedimento adotado para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das 85 DI’s especificadas neste processo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTOS NULOS. BASE DE CÁLCULO EIVADA DE NULIDADE. Em face da nulidade material constatada na apuração do valor aduaneiro restam prejudicados os lançamentos das diferenças de contribuições sociais incidentes nas importações correspondentes às 85 (oitenta e cinco) DI especificadas no Auto de Infração. Tais diferenças foram apuradas sobre base de cálculo eivada de nulidade. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR DA MERCADORIA IMPORTADA. As omissões apontadas pela fiscalização não estão incluídas no rol descrito nos cinco incisos do § 1º do art. 711 do RA/2009, os quais especificam quanto às informações referidas no inciso III, desse mesmo artigo, as que poderiam suscitar a aplicação da penalidade ali prevista. Multa incabível no caso concreto. MULTA POR EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. Os fatos descritos no AI não conduzem à caracterização da conduta de embaraço à ação fiscal. No caso concreto não cabe a aplicação da multa a esse título. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 756 5 O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade eis que o débito cancelado pela decisão combatida excede ao limite de alçada previsto pela Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. I Preclusão da matéria não impugnada pela interessada A Interessada não impugnou a matéria concernente a inclusão das despesas de descarga e manuseio no valor aduaneiro da mercadorias importadas, sendo, portanto, matéria preclusa, nos termos do artigo 17, do Decreto nº 70.235/721. Referida preclusão foi devidamente consignada na decisão recorrida, a saber: Em que pese haver a interessada, ora impugnante, no curso do procedimento fiscal que antecedeu o lançamento, haver manifestado que seu entendimento fora diverso, sem perceber a obrigatoriedade da inclusão das despesas de descarga e manuseio no valor aduaneiro das mercadorias importadas, e por essa razão, não haver cuidado de discriminar em sua contabilidade os valores específicos daquelas despesas, não tendo também as notas fiscais de serviço referenciados às operações focadas pela fiscalização apresentado a discriminação daquelas despesas, esclareçase neste ponto, por oportuno, que na peça impugnatória apresentada em contestação ao lançamento concretizado, objeto do AI de que se cuida neste processo, a r. impugnante não contestou esta matéria específica. Vale dizer, não tendo sido apresentada na peça de resistência nenhuma contra argumentação quanto à obrigatoriedade da inclusão das despesas de descarga e manuseio no valor aduaneiro das mercadorias importadas, este tema não compõe a lide que ora se apresenta ao julgamento deste colegiado, sendo matéria preclusa, conforme preconizado no Decreto nº 70.235/72. Assim, resta preclusa a matéria concernente a inclusão das despesas de descarga e manuseio no valor aduaneiro da mercadorias importadas. II Nulidade do procedimento fiscal sobre valoração aduaneira O Acordo de Valoração Aduaneira expressamente determina os seis métodos de valoração, de aplicação sucessiva, sendo que os métodos substitutivos (segundo ao sexto método) somente são aplicados quando o método anterior revelarse inaplicável. O Artigo 1 do AVA (GATT), que trata do Primeiro Método, determina que “o valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado”. Sendo impossível a aplicação do 1° método, outros métodos deverão ser tentados, na ordem seqüencial obrigatória, a saber: 2º Método: método do valor de transação de mercadorias idênticas; 3º Método: método do valor de transação de mercadorias similares; 4º Método: método do valor da revenda (ou do valor dedutivo); 5º Método: método do custo de 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 produção (ou do valor computado); 6º Método: método do último recurso (ou método pelo critério da razoabilidade). O sexto método, também conhecido como método dos critérios razoáveis ou do último recurso, merece sua transcrição integral. O Artigo 7 do AVAGATT dispõe que “se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base o disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no país de importação.” Conforme se verifica no Relatório Fiscal, a fiscalização adotou o 6º método previsto no AVA com base nos seguintes fundamentos: Conforme exaustivamente relatado, PETROBRÁS foi, então, intimada a informar os valores da descarga relativamente às Declarações de Importação indicadas no termo de intimação. Como resposta, o importador afirmou que, “não foi computado, no valor aduaneiro nenhum referente às operações de descarga de produtos importados ANEXO 1”. Prossegue, afirmando no próximo parágrafo o seguinte: “Os gastos relativos às atividades de descarga e manuseio não estavam associados ao transporte da mercadoria importada e forma incorridos após a chegada da mercadoria no porto alfandegado, onde foram cumpridas as formalidades legais( art. 79 do Decreto nº 6.759/2009 c/c art 5º da IN SRF 327/003)”. Assim, não resta, outra alternativa ao Fisco Federal que não seja a prevista no Acordo de Valoração Aduaneira e indicada no Comentário 7.1, ou seja, os valores aduaneiros declarados em tais DI's devem ser recalculados, fazendose uso dos métodos de valoração substitutivos. Foram analisadas todas as 85 declarações de importação que fazem parte do rol coberto pelo Mandado de Procedimento Fiscal, abrangendo o período entre janeiro de 2010 e março de 2013. Desse total, simplesmente, não houve, no preenchimento do campo “Acréscimos”, consignação de qualquer valor referente aos gastos de carga, descarga e manuseio em nenhuma DI. Entretanto, evidenciando que há legitimidade da inclusão dos gastos de descarga e manuseio no valor aduaneiro em suas importações, PETROBRÁS em várias outras declarações de importação insere tais gastos em suas importações (ANEXO 3). Utilizando o SISCOMEX para acessar todas as importações do Grupo PETROBRÁS, é possível encontrar mercadorias com as mesmas NCM's das DI's abrangidas por esta auditoria. As NCM's em pauta são: 2709.0010 e 2710.1922. Resumindo: encontramos DI's que o importador (PETROBRÁS) vinculou o valor declarado em “Acréscimos” com valores de carga, descarga e manuseio. A metodologia aplicada, então, foi encontrar mercadorias com o mesmo NCM (idênticas) e utilizar a de menor valor de descarga para imputação às DI's objeto do presente lançamento. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 757 7 Lembrando, ainda, que, como o fiscalizado negouse a fornecer tais informações, tais dados foram extraídos do SISCOMEX por esta fiscalização. Como o rol de DI's analisadas e tributadas é extremamente grande e com países exportadores diversos não valoramos, por prudência, as mercadorias pelo segundo método. A aplicação do terceiro, quarto e o quinto métodos sucessiva e sequencialmente, também não foi possível. Afinal, não se conseguiu atestar a similaridade exigida pelo AVA (terceiro método descartado) e não se teve acesso a valores internos de revenda nem aos custos de produção dos bens importados (quarto e quinto métodos inviabilizados). Portanto, todas as DIs foram revaloradas pelo sexto método que se baseia na utilização de critérios razoáveis. Considerando os valores de descarga por quilo/tonelada usados como referência, utilizei o menor deles, de acordo com os princípios e regras do AVA. Além disto, é importante destacar que foram utilizadas mercadorias idênticas e importadas em tempo aproximado às autuadas. No presente caso, ficou plenamente demonstrada pela fiscalização a impossibilidade de aplicação do 1º Método de Valoração Aduaneira, considerando que a interessada, intimada a fornecer os documentos relativos ao pagamento das despesas de descarga e manuseio das mercadoria importadas, permaneceu silente. Portanto, diante da inexistência de suporte documental, correto o afastamento do 1º Método. Já em relação a aplicação dos demais métodos sequenciais, o voto condutor do acórdão recorrido, reconheceu a nulidade do lançamento, por vício material, com base nos seguintes fundamentos: A primeira observação deve ser, inescapavelmente, quanto à arguição da interessada, ora impugnante, de que os argumentos explicitados para a adoção do 6º método, especialmente quanto aos dados buscados, e encontrados no SISCOMEX , indicariam que o método que cabia ser utilizado era o 2º método de valoração, e sua não utilização se deu apenas por mera conveniência da autoridade administrativa fiscal, a qual pareceu queixarse de serem muito numerosas as 85 DI’s selecionadas pela própria autoridade aduaneira, e se referindo a mercadorias provenientes de diversos, e muitos, países exportadores. (...) Não há dúvida que a d. fiscalização, ao enunciar o procedimento que adotou, deixou absolutamente clara a preocupação em seguir os critérios determinados para a utilização do 2º método de valoração aduaneira. Notadamente: (a) partiu da explicitação substanciosa das razões que impediam a utilização do 1º método do AVA; (b) explicitou que todos os dados utilizados para formular uma planilha com indicação dos valores de acréscimo a serem imputados para a devida valoração das 85 DI focadas no AI (respectivos valores de descarga e manuseio) foram extraídos do SISCOMEX, onde foram buscados, e encontrados, sendo dados de outras importações realizadas pelo Grupo PETROBRÁS com mercadorias importadas Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 enquadradas nos mesmos NCM em que foram respectivamente enquadradas as mercadorias objeto das 85 DI cuja valoração se pretendeu substituir; (c) o objetivo traçado foi o de tomar como referência mercadorias idênticas (o que queria garantir pelo mesmo código NCM de enquadramento), e explicitou, conforme acima transcrito especialmente nos itens 2, 3, 6 e 7, na descrição do procedimento fiscal, que a metodologia usada era a de encontrar mercadorias idênticas nas DI’ tomadas como referência para apuração do valor de descarga e manuseio, a serem imputados respectivamente às 85 DI’s objeto do lançamento no AI, e utilizando para esse fim o critério de escolher, dentre as DI pesquisadas com mesmo NCM de enquadramento, as registradas em tempo (período) aproximado às autuadas, de forma a ser apurado, aplicado, o menor valor (médio) de descarga por tonelada, “de acordo com os princípios e regras do AVA” (conforme destacado no Relatório Fiscal, às fls.98, no terceiro parágrafo). Entendo, pelo exposto, que o tipo de dados obtidos conforme descrito acima, no propósito de utilizar o 6º método, a partir de importações registradas e tomadas por referência para atribuir, por amostragem, um valor médio das despesas com descarga e manuseio, apurado para mercadorias idênticas, importadas em período aproximado ao das DI’ focadas na autuação, com apuração criteriosa do menor valor de descarga/tonelada, estão consoantes com os mesmos critérios e requisitos exigidos no artigo 2 do AVA, os quais deviam e podiam ser igualmente observados para extrair da pesquisa, no SISCOMEX, o rol expandido de dados que fossem necessários e suficientes à valoração, pelo 2º método, das mercadorias registradas nas 85 DI’s especificadas pela fiscalização, a serem valoradas por método substitutivo, e apresentam tal magnitude na quantidade de DI’s, abrangendo mercadorias originadas de diversos países exportadores, por decorrência de seleção decidida pela própria autoridade fiscal. Não faz nenhum sentido que isso pudesse ser admitido como justificativa para que a própria fiscalização escapasse da obrigação legal que se impunha, a de utilizar o 2º método de valoração (que estava na vez de uso), independentemente da intensidade de trabalho que tivesse de ser enfrentada. Entendo, s.m.j., que o salto sobre o 2º método de valoração, praticado pela d. autoridade aduaneira, não encontra justificativa plausível, nada se vinculando à alegada intenção de prudência, mas sim por mera conveniência em trabalhar com amostragem menor, não percebendo que essa sua comodidade, além de representar prejuízo ao interesse do contribuinte, constituiu flagrante descumprimento de obrigação legal. Haja vista que chegamos à conclusão de que foi indevidamente desconsiderada a utilização do 2º método de valoração, apenas para não nos omitirmos na presente análise acerca de outro aspecto que ficou, no mínimo, mal explicado pela autoridade lançadora, façamos breves comentários sobre a forma sumária, e também inadequada, com que depois de descartar equivocadamente o 2º método de valoração, conforme demonstramos, a r. autoridade lançadora também saltou sobre os métodos seguintes (terceiro, quarto e quinto). É de ser ver que a motivação utilizada pela fiscalização para afastar a aplicação métodos anteriormente está enviada de nulidades, posto que os critérios previstos no AVA para valoração aduaneira não foram respeitados. Desta forma, entendo que a decisão de primeira instância não merece reparos no tocante a decisão que declarou nulo o lançamento fiscal relativo a exigência do PIS/COFINSImportação. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 758 9 II A multa por omissão ou prestação inexata de informações tipificada no artigo 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro Inicialmente, é importante esclarecer que a multa prevista no artigo 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro incidiu sobre o valor da mercadoria constante da DI, com acréscimo do valor do custo relativo a descarga e manuseio da mercadoria, este último calculado pela fiscalização através dos critérios explicitados no Termo de Verificação Fiscal e constante na planilha de fls.520545. A título exemplificativo, segue abaixo o cálculo realizado pela fiscalização para apurar o novo valor aduaneiro da DI nº 11/0888386790001: DI Valor da Mercadoria Acréscimo Recalculado Novo Valor Aduaneiro 11/08838679001 407.741.408,03 749.975,65 408.491.383,68 Desta forma, considerando que o acolhimento da nulidade do lançamento fiscal atingiu apenas os valores relativos ao custo da descarga e manuseio das mercadorias importadas pela Interessada, a multa, caso aplicável, deverá incidir somente sobre o valor da mercadoria indicada nas DI´s objeto de análise. Assim, passamos a análise da aplicação da multa de 1%, tipificada no artigo 711, do Regulamento Aduaneiro. A fiscalização por entender que a Interessada deixou incluir como acréscimo ao valor aduaneiro da parcela referente aos custos de descarga e manuseio de mercadorias importadas, aplicou multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, com base no artigo 711, inciso III, do Decreto 6.759/2009, que assim preceitua: “Art. 711. Aplica se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.158/35, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, § 1o): III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, § 2º):”. A respeito da aplicação da multa tipificada no dispositivo citado, vale transcrever as orientações previstas o item 44.2, da IN SRF 680/06 e na conclusão da Solução de Consulta Interna nº 26 da COSIT, de 13.09.2013, a saber: ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR (...) 44.2 Acréscimos Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 Valores a serem adicionados ao preço efetivamente pago ou a pagar, para composição do valor aduaneiro, conforme a tabela "Acréscimos", administrada pela SRF *** 13.3. Em suma, a omissão na declaração de qualquer informação constante do anexo único da atual instrução Normativa nº 680, de 2006, ou a sua feitura de maneira incorreta ou incompleta, enseja a aplicação da multa do art. 711, III, do RA. (...) 16. Em conclusão: a) As informações descritas nos incisos do § 1º do art. 711 do RA são exemplificativas. b) A multa do art. 711, III, do RA aplicase para qualquer informação a ser prestada constante do anexo único da IN SRF nº 680, de 2006, bem como à qualquer outra informação a ser prestada constante de norma complementar. c) A multa do art. 711, III, do RA, é objetiva; não cabe na sua aplicação analisar se ela é ou não necessária ao controle administrativo; Dos preceitos normativos acima, concluise que: a) a multa deve ser aplicada ao importador ou beneficiário de regime aduaneiro que prestar de forma inexata informação de natureza administrativa tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado; b) as informações referidas no §1º compreendem a descrição detalhada da operação, sem que haja especificação ou restrição do alcance da expressão "descrição detalhada da operação", mas com a inclusão de hipóteses que o legislador quis enumerar; e c) a IN SRF 680/06, disciplinando o despacho de importação, estabeleceu com fulcro no item 44.2 que os contribuintes deverão informação a composição do valor aduaneiro, no campo "acréscimos", dos valores adicionais ao preço da mercadoria. É sob essa ótica que deve ser visto se houve por parte da Interessada omissão ou prestação inexata de informação capaz de ensejar a aplicação da multa tipificada na referida norma. No presente caso, é incontroverso que nas DI´s objeto de lançamento, a Interessada deixou de incluir no campo "acréscimo" o valor aduaneiro as despesas de descarga e manuseio, alegando apenas na fase fiscalizatória, como causa excludente de prestar informações, o fato de que as despesas incorridas para o transporte das mercadorias após o seu descarregamento no terminal marítimo não devem compor os valores aduaneiros. Em que pese a ausência de manifestação da Interessada, em sede de impugnação, da matéria relativa a inclusão dos custos de descarga e manuseio da mercadoria importada no valor aduaneiro, este relator já manifestou entendimento sobre o assunto quando do julgamento dos processos nºs 11613.000062/200976 e 11613.00269/200860, envolvendo as mesmas parte aqui litigantes, cujo voto vencedor proferido nos acórdãos nº 3302003.128 e Fl. 763DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 759 11 3302003.127 de minha relatoria, foi no sentido de manter o lançamento o fiscal relativo à este ponto. Vejamos a ementa de um dos acórdãos citados: Valor Aduaneiro. PIS/COFINSImportação. Os custos de seguro e transporte, bem como de gastos relativos a carga, descarga e manuseio da mercadoria importada auferidas até o porto ou local de importação devem ser considerados no valor aduaneiro para o fim de compor a base de cálculo do PIS/COFINSimportação, conforme previsto no artigo 77, do Decreto 6.759/2009 c/c Artigo 8º, do Acordo de Valoração Aduaneira. (acórdão 3302003.128) Desta forma, entendo que referida infração encontrase devidamente caracterizada, considerando que a falta de inclusão dos referidos custos no campo "acréscimo" se subsume perfeitamente a hipótese prevista nos citados dispositivos. Neste aspecto, convém esclarecer que a multa em questão se aplica em decorrência do prejuízo ao controle aduaneiro, sendo que a omissão de prestar corretamente as informações nas DI´s no presente caso, omissão pela não inclusão do valores relativos ao custo de manuseio e descarga da mercadoria , acarreta redução da base de cálculo dos tributos e consequentemente prejuízo ao erário. Assim, entendo que resta configurada a omissão de informação pela ausência de inclusão dos valores relativos ao custo de carga, descarga e manuseio despendido pela Interessada. Subsidiariamente, a Interessada alega como causa de excludente de ilicitude, a falta de dolo ou máfé na omissão de informação, assim como o disposto no ADN COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997. No presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 , do Código Tributário Nacional: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Nestes termos, ainda que não tenha havido dolo ou máfé por parte da Interessada ao omitir informações, o prejuízo ao devido controle aduaneiro é inequívoco, sendo exatamente este prejuízo que a referida multa busca evitar e sancionar. Deste modo, independentemente da existência de dolo ou máfé, a multa deve ser aplicar em razão da não observância de dever objetivo de prestar as informações que eram de obrigação do administrado (art.711, do RA e IN SRF 680/06). Já o disposto no ADN Cosit 10/1997 suscitado pela Interessada, foi excluído do ordenamento jurídico (revogação expressa) quando da publicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10.09.2002, sendo totalmente inaplicável aos fatos gerados ocorridos nos exercícios de 2010 a 2014. Aliás, tanto o ADN Cosit 10/1997 quanto o ADN SRF 10/2002, tratavam de exclusão de punibilidade das multas previstas no artigo 4º, da Lei nº 8.218/91, e no artigo 44, Fl. 764DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 da Lei nº nº 9.430/96, ocasionada por declaração inexata, motivada por erro de classificação fiscal, o que não é o caso dos autos. Por fim, também não merece respaldo o argumento utilizado pela Interessada no sentido que não tem meios de apresentar uma base de cálculo efetiva para apuração do PIS/COFINSImportação, considerando que as Notas Fiscais de Prestação de Serviços de carga e descarga apresentam valor global e não individual por DI. A uma porque a Interessada não comprovou que os valores cobrados nas Notas Fiscais dizem respeito a diversas mercadorias importadas, inexistindo qualquer vinculação entre o documento fiscal e as DI´s. E a duas porque o fato das Notas Fiscais supostamente apresentarem valor global, não é motivo plausível para justificar o não cumprimento de obrigações acessórias. Assim, resta caracterizada a ocorrência do evento ilícito e a sua perfeita subsunção à hipótese típica, aliada a inexistência de qualquer circunstância excludente de responsabilidade em relação à penalidade aplicada, o que conduz a inarredável conclusão de que é procedente a exigência da dita penalidade. III A multa por embaraço a fiscalização Neste ponto, melhor sorte não resta a parte Interessada. Com efeito, verificase que a Interessada foi diversas vezes intimada para apresentar/informar quais os valores dos gastos relativos à descarga e manuseio das mercadorias importadas vinculadas as DI´s objeto de análise, sendo que esta negouse a fornecer os documentos solicitados pela fiscalização, alegando, para justificar a negativa, o fato de que tais despesas não devem ser incluídas no valor aduaneiro. Todavia, a Interessada em sede de impugnação trouxe aos autos algumas das Notas Fiscais que deveriam ter sido entregues na fase fiscalizatória, as quais certamente serviriam de suporte à autoridade fiscal para apurar o correto valor dos referidos gastos. É de se ver, que a Interessada em nenhum momento tentou auxiliar o trabalho da fiscalização, deixando de fornecer documentos que estavam em seu poder, cujo único intuito, até prova em contrário, foi dificultar a correta apuração dos fatos. Portanto, correta a aplicação de multa por embaraço a fiscalização, prevista no artigo 728, do Regulamento Aduaneiro. IV Da substituição da DI nº 12/07983820 (CANCELADA) pela DI nº 12/08013760 Alega a Interessada que há um PAF em andamento (nº 11684.720863/2013 02) referente ao cancelamento da DI nº 12/07983820, que foi substituído pela DI nº 12/08013760, sendo que a fiscalização desconsiderou o referido pedido de cancelamento e efetuou o lançamento da multa nas duas DI´s, o que gerou um lançamento indevido no valor de R$ 2.251.569,14. Primeiramente, vale destacar que na fase fiscalizatória não houve nenhum pedido ou informação prestada pela Interessada, realizada neste processo, noticiando o cancelamento da DI nº 12/07983820, sendo que tal informação só veio à tona em sede de impugnação. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 760 13 Desta forma, é prematuro afirmar que a fiscalização desconsiderou o pedido de cancelamento feito pela Interessada nos autos do PAF em referência. Já os documentos juntados pela Interessada relativos ao PAF nº 11684.720863/201302, nos permite apenas concluir que não houve até o momento análise do pedido de cancelamento, ou seja, não há, como afirmou a Interessada, cancelamento da DI nº 12/07983820. Assim, os documentos não se prestam para confirmar a existência ou não de duplicidade de DI´s. Desta forma, não há como acolher o pedido de cancelamento da DI formulado pela Interessada, considerando que não há decisão proferida nos autos do PAF 11684.720863/201302 e, os documentos carreados aos autos não se prestam para confirmar a existência ou não de duplicidade das DI´s. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício, para condenar a Interessada ao pagamento da multa prevista no artigo 711, do Regulamento Aduaneiro, calculada somente sobre o valor das mercadorias indicadas nas DI´s objeto de análise, bem como da multa prevista no artigo 728 do mesmo diploma legal. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Com a devida vênia, a discordância em relação ao bem fundamentado voto do nobre Relator cingese apenas à questão atinente à imposição da multa por omissão ou prestação inexata de informação tipificada no art. 711, III, do RA/2009. O cancelamento da cobrança da referida multa pelo Colegiado julgador de primeiro grau foi fundamentado, em síntese, nos seguintes argumentos: a) era nulo o valor aduaneiro apurado pela fiscalização e que servira de base de cálculo, para a apuração do valor da referida multa; e b) as informações acerca do valor da descarga e do manuseio da carga, omitidas nas respostas às intimações fiscais não estavam incluídas no rol descrito nos cinco incisos do § 1º do art. 711 do RA/2009. De outra parte, o nobre o Relator restabeleceu a cobrança da questionada multa, em síntese, baseado nos seguintes argumentos: a) a multa deveria incidir somente sobre o valor da mercadoria constantes das respectivas DI, que serviram de amparo as referidas importações, sem o acréscimo dos correspondentes custos da descarga e manuseio das mercadorias importadas, posto que o Fl. 766DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 acolhimento da nulidade do lançamento fiscal atingira apenas os valores relativos aos citados custos da descarga e manuseio; b) a falta de inclusão dos referidos custos no campo “acréscimo” das respectivas DI configurava prejuízo ao controle aduaneiro e, portanto, tal conduta subsumiase perfeitamente a hipótese descrita no art. 711, III, e § 1º, do RA/2009. Com devido respeito ao entendimento do i. Relator, a razão está com Colegiado julgador de primeiro grau. No caso, revelase de todo incoerente, no mesmo procedimento fiscal, admitir que o valor aduaneiro, determinado com base no 6º método do AVA GATT/1994, é inválido ou nulo para fim de base de cálculo da Contribuição para PIS/Pasep Importação, e, ao mesmo tempo, válido para fim de base de cálculo da multa em apreço. E a simples substituição do valor aduaneiro calculado pela fiscalização pelo valor da mercadoria declarado na DI, que corresponde ao valor aduaneiro declarado pelo próprio importador, sem o acréscimo dos valores das despesas de descarga e manuseio da carga importada determinados pela fiscalização, também representa evidente contradição, pois, se o valor aduaneiro declarado pelo importador não estava correto, por óbvio, ele não poderia ser utilizado como base de cálculo da questionada multa. Ora, se o valor aduaneiro declarado na DI pela autuada não se prestava para cálculo dos tributos, pela mesma razão ele também não se prestava para cálculo da multa em apreço. De outra parte, se o valor aduaneiro declarado pela contribuinte for considerado como base de cálculo da multa, não há razão para não adotálo como base de cálculo dos tributos incidentes na operação de importação, o que ratifica a inexistência de equívoco na apuração do valor aduaneiro, neste específico caso. Além disso, por razões diferentes das consignadas no voto condutor do acórdão recorrido, este Redator entende que a falta de acréscimo das despesas de manuseio e descarga (despesas de capatazia) ao valor aduaneiro declarado nas respectivas DI pela autuada não se subsume à hipótese da infração descrita no art. 711, III, do RA/2009, combinado com disposto no seu § 1º, a seguir transcrito: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): [...] III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1º As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 2º): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador) Fl. 767DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 761 15 ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. [...] (grifos não originais) Da leitura do referido preceito legal, extraise as condições necessárias e suficientes, para configuração/cometimento da infração em comento. A condição necessária consiste na prática das seguintes condutas: omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial. Enquanto que a condição suficiente consiste no fato de as referidas informações serem necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso, é incontroverso que a autuada não informou nas respectivas DI e, por conseguinte, não incluiu no valor aduaneiro nelas declarado as despesas com descarga e manuseio da carga importada, que, no entendimento deste Redator, integram o valor aduaneiro, por força do disposto no art. 77, II, do RA/2009. Assim, encontrase devidamente demonstrada a condição necessária a aplicação da infração em apreço. Porém, resta ainda por demonstrar se tal informação era indispensável para definição do procedimento de controle aduaneiro. E no âmbito das operações de importação, além das informações descritas nos incisos I a V do § 1º do art. 711 do RA/2009, as informações de natureza administrativo tributária ou fiscal, relacionadas no art. 21, § 1º, da Instrução Normativa, que trata da definição dos canais de conferência aduaneira na importação, também são necessárias à determinação dos procedimentos de controle aduaneiro, nos termos a seguir transcrito: Art. 21. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; Fl. 768DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria, conforme estabelecido em norma específica. § 1º A seleção de que trata este artigo será efetuada por intermédio do Siscomex, com base em análise fiscal que levará em consideração, entre outros, os seguintes elementos: I regularidade fiscal do importador; II habitualidade do importador; III natureza, volume ou valor da importação; IV valor dos impostos incidentes ou que incidiriam na importação; V origem, procedência e destinação da mercadoria; VI tratamento tributário; VII características da mercadoria; VIII capacidade operacional e econômicofinanceira do importador; e IX ocorrências verificadas em outras operações realizadas pelo importador. [...] Da simples leitura dos referidos preceitos regulamentares, verificase que o valor aduaneiro e os seus ajustes/acréscimos não constituem elemento ou informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado da mercadoria importada. Além disso, não há notícia que exista outro ato normativo que determine que a informação ou a inclusão dos valores das despesas com descarga e manuseio da carga importada seja necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro da operação de importação. Assim, diferente do entendimento do i. Relator, temse que o simples fato de ser obrigatória a prestação da informação sobre os valores das despesas com capatazia na DI, conforme determinado no subitem 44.2 da Instrução Normativa SRF 680/2006, não significa que a dita informação seja necessária à determinação do procedimento controle aduaneiro. No caso, para que seja configurada a infração, além de obrigatória, a informação ainda precisa ser necessária à determinação do procedimento controle aduaneiro. Sem essa condição, por certo, toda e qualquer informação omitida ou prestada de forma incorreta ou inexata na DI configuraria a prática da referida infração, o que não representa o real alcance da norma em comento, conforme demonstrado precedentemente. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10074.720670/201440 Acórdão n.º 3302003.197 S3C3T2 Fl. 762 17 Para esse fim, é necessário que ato normativo editado pela RFB explicite que determinada informação ou elemento seja necessário à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, o que ainda não ocorreu com o valor aduaneiro ou com os seus ajustes/acréscimos. Em relação ao valor aduaneiro, cabe consignar que a partir da vigência da Instrução Normativa SRF 327/2003, que instituiu um novo modelo de controle administrativo do valor aduaneiro, os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação passaram a ser realizados após o despacho de importação e não mais no curso do referido despacho. Os novos procedimentos foram estabelecidos no art. 31 da referida Instrução Normativa, a seguir reproduzido: Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira. Em decorrência desse nova forma de procedimento, foram extintos os critérios de seleção do despacho aduaneiro no Siscomex para análise do referido valor e a Administração redirecionou seus esforços para as atividades de auditorias pós despacho aduaneiro. Assim, a rotina de exame conclusivo do valor aduaneiro foi absorvida pelos procedimentos de uma auditoria de zona secundária. A apresentação da Declaração de Valor Aduaneiro (DVA), inclusive, deixou de ser obrigatória no momento do despacho, podendo ser exigida relativa à mercadoria objeto de valoração, conforme o método aplicado. Em face dessa forma procedimental, no curso da fase de conferência aduaneira do despacho, a informação sobre o valor aduaneiro, incluindo os ajustes, deixou de ser necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Com base nessas considerações, chegase a conclusão que a conduta imputada a autuada não se subsume a hipótese da infração definida no art. 711, III, do RA/2009. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para manter a exclusão da cobrança da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, por falta de informação do valor das despesas de descarga e manuseio da carga importada pela recorrente por meio das DI objeto da presente autuação. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 770DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por WALKER ARAUJO, As sinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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