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Numero do processo: 10552.000327/2007-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carlos Alberto Mees Stringari, relator, que entenderam pela desnecessidade da diligência. Designado relator o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Declarou-se impedida a conselheira Daniele Souto Rodrigues. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza - Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carlos Alberto Mees Stringari, relator, que entenderam pela desnecessidade da diligência. Designado relator o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Declarouse impedida a conselheira Daniele Souto Rodrigues. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 52 .0 00 32 7/ 20 07 -7 3 Fl. 5732DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário apresentados contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 1017.889 da 6ª Turma, que julgou o lançamento procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DECADÊNCIA. EXPOSIÇÃO DE TRABALHADORES A RISCOS AMBIENTAIS. OCORRÊNCIA. GERENCIAMENTO DO AMBIENTE DE TRABALHO E CONTROLE DE RISCOS. INEFICÁCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL DE RAT RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO. INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. PERÍCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A teor da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Lançamento cientificado ao sujeito passivo em 14/11/2006 está fulminado pela decadência para o período de 04/1999 a 10/2000. A existência de trabalhadores expostos a agentes nocivos no ambiente de trabalho, com alterações físicas ou biológicas, somado à falta de programas efetivos de controle e avaliação dos riscos, leva à conclusão que o empregador não gerencia adequadamente os riscos ambientais. É devido o adicional de Riscos Ambientais do Trabalho, acrescido às alíquotas do SAT/GILRAT (Seguro Acidente do Trabalho/Grau Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos riscos Ambientais do Trabalho), incidente sobre a remuneração de segurado empregado que trabalha sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, para o financiamento da aposentadoria especial. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada ao Poder Judiciário. 0 pedido de perícia deverá atender disposições próprias, contendo a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, bem como a indicação de nome, endereço e qualificação profissional do perito indicado para ser deferido, além de mostrarse necessário. Pedido indeferido. A impugnação suspende a exigibilidade do crédito. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer da preliminar de decadência argüida na impugnação, acolhêla em parte com o reconhecimento da extinção do lançamento referente ao período de 04/1999 a 10/2000, determinando o cancelamento do crédito tributário Fl. 5733DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 4 3 neste lapso de tempo e julgar procedente o crédito tributário remanescente, cujo valor na data de consolidação passa a ser de R$ 18.072.234,16 (dezoito milhões, setenta e dois mil, duzentos e trinta e quatro reais e dezesseis centavos). O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DO LANÇAMENTO O lançamento fiscal foi inicialmente identificado pelo Debcad n° 37.018.9191, e, para fins de controle na Secretaria da Receita Federal do Brasil, recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o processo n° 10552.000327/200773. Tratase de crédito previdenciário constituído em 14/11/2006, por descumprimento da obrigação principal de recolhimento da contribuição adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, instituída pela Lei n° 9.732/98, para custear a aposentadoria especial prevista nos arts. 57 e 58 da Lei n°. 8.213/91, dos empregados expostos a agentes nocivos relacionados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos. 0 crédito é relativo ao período de 04/1999 a 02/2006. Da Atividade do Sujeito Passivo 0 item 9 do relatório fiscal, às fls. 29, informa que a atividade principal do sujeito passivo é a fabricação, comércio, importação e exportação de produtos químicos e petroquímicos e de combustíveis, classificada sob o código CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas 2421.0 fabricação de produtos petroquímicos básicos, consoante o anexo V do RPS, com grau de risco grave, cuja contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à alíquota de três por cento (3%), conforme o inciso II, alínea "c", do art. 22 da Lei n°8.212/91. Do Pagamento de Adicional de Periculosidade Consta também que o sujeito passivo paga mensalmente adicional de periculosidade a empregados que atuam em centros de custos da empresa, tais como Olefinas, Olefinas 2, Aromáticos, Utilidades, Manutenção/Oficina Central, Manutenção/oficina e outros, listados no item 9 do relatório fiscal (fls. 31/33), em substituição ao adicional de insalubridade, por entender mais vantajoso, conforme declaração prestada pelo setor de Recursos Humanos da mesma. Da Ação Fiscal Conjunta com o Ministério do Trabalho e Emprego (item 7.2 do relatório fiscal, fls. 19/22) A ação fiscal foi desenvolvida com fundamento no art. 338, § 3° e art. 339 do RPS, objetivando verificar os controles internos e o cumprimento dos preceitos legais relativos aos controles médicos dos empregados do sujeito passivo e contou com a participação conjunta Fl. 5734DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 5 4 do Ministério do Trabalho e Emprego, através de Auditores Fiscais do Trabalho — Médicos do Trabalho da DRT, vinculados à Delegacia Regional do Trabalho — DRT de Porto Alegre, solicitada e formalizada através do Oficio DRFP/CANOAS/RS — N° 46/2006 da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre encaminhado A DRT — Delegacia Regional do Trabalho, de 29/08/2006 (fls. 248). Dos Agentes Nocivos Analisados Ruído e Benzeno O item 7.2 do relatório fiscal, fls. 19, informa que os Médicos do Trabalho da DRT detiveramse na análise dos exames audiométricos alterados de trabalhadores da empresa expostos a níveis elevados de ruído (para os quais não houve emissão de CAT — Comunicação de Acidente do Trabalho) e, ainda, dos hemogramas de trabalhadores expostos ao agente nocivo Benzeno. A manifestação conclusiva dos Médicos do Trabalho da DRT acerca do agente nocivo ruído consta do relatório contido às fls. 249 a 256 dos autos e para o agente nocivo Benzeno, As fls. 273 a 282, constituindo se em documentos integrantes da presente notificação fiscal, consoante informa o item 14 do relatório fiscal, às fls. 36/37. Dos Critérios adotados pelos Auditores Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego — MTE Da exposição ao Ruído O item 7.2, "a" do relatório fiscal informa que à época da ação fiscal havia cinqüenta (50) trabalhadores em atividade junto ao sujeito passivo, com CAT — Comunicação de Acidente do Trabalho emitida por alteração audiométrica neurosensorial.(fls. 19) Os Médicos do Trabalho da DRT/POA, em conjunto com o médico consultor da empresa e especialista em Otorrinolaringologia, analisaram a base de dados informatizada do sujeito passivo, identificando cento e quarenta e oito (148) trabalhadores que atuam em áreas da empresa com presença de níveis elevados de ruído e cujas series históricas de exames audiométricos mostravamse consistentemente alteradas, isto é, sugestivas de PAIR Perda Auditiva Induzida pelo Ruído, doença de origem ocupacional (prevista nos anexos I e II do RPS). Em relação a este grupo o sujeito passivo foi intimado pelos Médicos do Trabalho da DRT a apresentar CAT ou justificativa técnica para a não emissão deste documento, não tendo sido apresentadas CATs nem justificativa técnica para cento e quarenta e seis (146) destes casos. Extraise das fls. 249 dos autos, que esta análise foi procedida com base nos critérios estabelecidos no Anexo I da Norma Regulamentadora n° 07 do MTE, com a redação dada pela Portaria SSST/MTb n° 19, de 09/04/1998, considerando como parâmetro para nível elevado de ruído, o valor de 85 decibéis, medido em jornada normal de 8 horas em avaliações ambientais do tipo dosimetria. Os Médicos do Trabalho relatam que existem diversos locais da empresa com estas características citando que o documento intitulado NSS00021 (fls. 261), elaborado pelo próprio sujeito passivo enumera diversos locais que ultrapassam a medição de 85 dB, dentre os quais citase: Manutenção (Técnicos de Manutenção e Coordenador Técnico — 89,4 dB, 87,2 dB, 91,4dB e 90 dB); Manutenção (Técnicos de Fl. 5735DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 6 5 Manutenção caldeireiro 87,0 dB); Utilidades (Técnico de Operação — 87,3 dB a 89,1 dB); Olefinas 1 e 2 (Técnico de Operações — 88,3 dB a 86,4 dB). Consoante o mesmo documento, existem mais de dez (10) locais de trabalho cujas medições de ruído, embora estejam abaixo do limite de tolerância, apresentam nível de ruído maior que o Nível de Ação, ou seja, o valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ultrapassem os limites de exposição, consoante critério definido no item 9.3.6 e subitens da Norma Regulamentadora n°09 do MTE (corte de 80 dB — item 6 do Anexo I da NR 15). Os Médicos do Trabalho afirmam que "o ruído é o problema maior na empresa", pois existem muitos locais acima do limite de tolerância e outros que, por serem limítrofes a estes, estão dentro do limite de ação, consoante se extrai das informações contidas no relatório conclusivo relativo aos trabalhadores expostos a ruído excessivo (fls. 253). Os Médicos do Trabalho, após análise dos exames audiométricos de trabalhadores do sujeito passivo com suspeita de PAIR Perda Auditiva Induzida pelo Ruído, concluíram que existe exposição ocupacional a níveis elevados de ruído, como se extrai das descrições contidas no item 7.2, "a" do relatório fiscal, às fls. 19/20, destacandose os seguintes trechos: "...Reputamos, portanto, falaciosa a classificação de "pouco exposto" para operadores das áreas de oficinas e utilidades, ou para os operadores e supervisores das áreas." ...postura da empresa, que busca qualquer justificativa para não emitir as CATs dos trabalhadores com PAIR." " A empresa apresentou listagem com 27 trabalhadores que intitulou como "CASO EM ESTUDO". (..)Estes casos foram identificados porque seus traçados audiométricos os classificavam como "casos suspeitos" de PAIR pelos critérios legais vigentes. Todos trabalhavam em áreas barulhentas. Nenhum tem laudo médico descaracterizando o fator ocupacional no desenvolvimento das suas alterações." " (.) A COPESUL usa solvente orgânico como matéria prima (nafta petroquímica e Benzeno) e produz tolueno. Mas em local algum se encontra menção de a empresa ter levado em conta o impacto aditivo dos produtos nela existentes, na gênese das perdas audiométricas encontradas nos seus trabalhadores." Da Exposição ao Benzeno Em relação ao Benzeno, os Médicos do Trabalho, em conjunto com o médico hematologista consultor do sujeito passivo, verificaram se a empresa identifica os casos suspeitos de Benzenismo (conjunto de sinais, sintomas e complicações decorrentes da exposição aguda ou crônica ao hidrocarboneto aromático Benzeno), com base na avaliação das alterações encontradas nas séries históricas dos hemogramas dos trabalhadores expostos àquele agente nocivo (fls. 279), na forma como determina a Portaria do Ministério da Saúde/GM n° 776, de 28/04/2004, a qual dispõe sobre a regulamentação dos procedimentos relativos à vigilância da saúde dos trabalhadores expostos ao Benzeno Fl. 5736DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 7 6 (item 7.2, "b" do relatório fiscal, fls. 20/21), uma vez que, consoante o item 4.1.2 da referida portaria, todas as alterações hematológicas de pessoas potencialmente expostas ao Benzeno devem ser valorizadas, investigadas e justificadas, considerando se caso suspeito de toxidade crônica por Benzeno a presença de alteração hematológica relevante e sustentada. Para tanto, os hemogramas apresentados em planilhas foram transformados em gráficos, construindose a série histórica dos mesmos, de forma a permitir a comparação sistemática e permanente dos dados e análise de alterações eventuais ou persistentes, para avaliação, considerandose os valores referenciais como sendo os do próprio indivíduo, em período prévio à exposição a qualquer agente mielotóxico. Consoante se extrai do relatório dos Médicos do Trabalho, às fls. 273/274, o procedimento por eles adotado teve como base o disposto no Decreto n° 1.253, de 27/09/1994, que aprovou a Convenção n° 136 da Organização Internacional do Trabalho sobre o Benzeno e na legislação complementar que se seguiu, prevista no Quadro II da NR 7, com redação dada pela Portaria do Ministério do Trabalho n° 24, de 29/12/1994, que estabelece parâmetros para a monitoração da exposição ocupacional ao Benzeno, no anexo 13A da NR 15, com redação dada pela Portaria do Ministério do Trabalho n° 14, de 20/12/1995 e na Instrução Normativa SSST no 02, de 20/12/1995 DOU 04/01/1996. Os Médicos do Trabalho constataram "troca de patamar" ou "queda continuada" em uma ou mais séries hematológicas para vinte e três (23) trabalhadores do sujeito passivo, significando alterações relevantes e persistentes, situações que deveriam ter sido classificadas como caso suspeito de benzenismo e, por essa razão, ter sido submetidos a uma investigação clinica e hematológica mais aprofundada, devendo ser colocados em um protocolo especial, conforme determina o item 4.1.4 da Portaria do Ministério da Saúde/GM 776, de 28/04/2004, o que não se verificou. Os Médicos do Trabalho concluíram que a empresa não adota os procedimentos de vigilância da saúde dos trabalhadores expostos ao Benzeno, conforme descrição contida no item "h" do relatório fiscal deste lançamento fiscal, as fls. 20/21, do qual extraemse alguns excertos, tais como: "Os 23 casos encontrados em que houve"Troca de Patamar" ou "Queda Continuada", são os casos suspeitos de intoxicação crônica por Benzeno, os quais deveriam ter sido objeto de atenção especial por parte da empresa, mas não o foram". "Encontramos 23 casos de trabalhadores que deveriam estar incluídos no "protocolo de acompanhamento" previsto no item 4.1.4 da Portaria MS 776, por apresentarem alterações hematológicas RELEVANTES e PERSISTENTES, mas que não o foram. Estes casos indicam a necessidade de a empresa analisar as séries históricas dos hemogramas de TODOS os seus trabalhadores, de modo a identificar Fl. 5737DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 8 7 todos os casos suspeitos de benzenismo, nos termos da Portaria MS 776". Da CAT — Comunicação de Acidente do Trabalho O relatório do presente lançamento fiscal informa que a empresa não comunica, na forma estabelecida em Lei, os acidentes de trabalho de seus empregados, principalmente para os trabalhadores expostos ao ruído, exceto quando provocada por ação dos órgãos fiscalizadores, tendo verificado, por exemplo, que num lapso de tempo de 11 anos — de 1992 a 2003 a empresa não emitiu nenhuma CAT (item 7.2, "a" do relatório, fls. 20), tendo sido autuada por esta infração em 14/11/2006, através do Auto de Infração identificado pelo Comprot n° 10552.000385/200705 (Debcad n°37.018.9213). Da corelação entre doenças que originaram Benefícios concedidos pelo INSS e o rol das doenças causadas pelo exposição ao Benzeno Consoante se extrai do item 3 da PT MS/GM n° 776/2004, o quadro clinico de toxicidade ao Benzeno caracterizase por uma repercussão orgânica múltipla, em que o comprometimento da medula óssea é o componente mais freqüente e significativo, sendo a causa básica de diversas alterações hematológicas. Os dados laboratoriais hematológicos mais relevantes são representados pelo aparecimento de neutropenia, leucopenia, eosinofilia, linfocitopenia, monocitopenia, macrocitose, pontilhado bascifilo, pseudo Pelger e plaquetopenia. O item 7.2, "h" do relatório fiscal noticia a ocorrência de algumas destas doenças em trabalhadores do sujeito passivo expostos ao Benzeno (fls. 22), enumerando alguns benefícios previdenciários e por acidentes do trabalho, relativos a auxiliodoença concedidos para trabalhadores da empresa, em decorrência da constatação de doenças tais como: Hepatite Aguda A (B15), Defeitos Qualitativos das Plaquetas (D69.1), Outros Transtornos dos Glóbulos Brancos (D72), Outros Espondiloses c/ Mielopatia (M47.1), Agranulocitose Neutropenia tóxica (D 70) e Púrpura e outras afecções Hemorrágicas (D69) . Adiante, o mesmo relatório reproduz o Quadro 2 do Anexo II do RPS, identificando as doenças relacionadas com o Benzeno e seus homólogos tóxicos, com suas respectivas denominações e codificações consoante a Classificação Internacional de Doenças —CID 10. O traçado comparativo demonstra que as doenças objeto dos benefícios citados integram o rol daquelas causadas pelo Benzeno. Dos casos de Leucopenia/Neutropenia/ Plaquetopenia/ Trombocitopenia — Reexame pelo INSS O mesmo item 7.2, "h" do relatório fiscal informa a existência de doze (12) ocorrências de acidente do trabalho por doenças como Leucopenia/Neutropenia/Plaquetopenia/ Trombocitopenia para os quais a Perícia Médica do INSS não estabeleceu o nexo causal com o Benzeno a época da concessão dos benefícios, em razão de não constar este agente nocivo nos laudos apresentados. Diante desta constatação, todos os programas e demais informações colhidos na ação fiscal foram encaminhados pela fiscalização à perícia Fl. 5738DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 9 8 Médica do INSS, para reexame destes benefícios, consoante orientação recebida da DRT. Da conclusão dos Médicos do Trabalho da DRT Como resultado, os Médicos do Trabalho da DRT concluíram pela presença do agente nocivo ruído junto ao sujeito passivo, em níveis de tolerância que pode comprometer a saúde ou a integridade física dos trabalhadores e da exposição de trabalhadores ao Benzeno, agente nocivo em que a simples exposição é prejudicial à saúde, sugerindo à Secretaria da Receita Previdenciária a autuação do sujeito passivo por descumprimento dos artigos 286 e 336 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, bem como a apuração dos valores devidos, nos termos do § 3° do art. 203 do mesmo regulamento.(fls. 249/282). Da Auditoria procedida pelos Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Previdenciária A fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária, a época, órgão arrecadador das contribuições previdenciárias, consoante estabelecido no art. 338 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99 e com base no trabalho conclusivo elaborado pela fiscalização do Ministério do Trabalho, examinou as demonstrações ambientais e outros documentos e controles internos do sujeito passivo, objetivando verificar se o mesmo gerencia os riscos ocupacionais decorrentes da exposição de seus trabalhadores a agentes nocivos e adota as medidas de proteção recomendadas. Da análise dos Demonstrativos Ambientais A fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária procedeu à análise das demonstrações ambientais dos diversos estabelecimentos do sujeito passivo, através do exame do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais do Trabalho PPRA, do Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho LTCAT, do Programa de Prevenção de Exposição Ocupacional ao Benzeno — PPEOB, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional —PCMSO, além de outros. Além disso, inspecionou as dependências da empresa, através de visitas à planta industrial, verificando os ambientes e o processo de trabalho, consoante o item 5 do relatório fiscal, fls. 8. Do cotejo dos documentos apresentados foram constatadas diversas irregularidades tais como: omissões, apresentação deficiente de demonstrativos (PPRA, LTCAT, PPEOB, PCMSO), incompatibilidade entre documentos, descumprimento de formalidades na elaboração de laudos e evidências materiais que comprovaram a efetiva exposição de trabalhadores a agentes nocivos, consoante detalhado no item 6 do relatório fiscal (fls. 09/18), concluindo que o sujeito passivo não comprovou o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e o controle dos riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos ex saúde e a integridade física, fato gerador da contribuição social previdenciária prevista no art. 57, 6° da Lei n° 8.213/91. Em relação ao ruído o item 7.2, "a" do relatório fiscal, as fls. 19, acusa a existência de trabalhadores com exames audiométricos alterados, sugestivos de Perda Induzida por Ruído — PAIR, sem laudo médico descaracterizando o fator ocupacional no desenvolvimento destas Fl. 5739DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 10 9 alterações e de Áreas/locais de trabalho na empresa expostos a ruído excessivo. No tocante ao Benzeno, o item 7.2, "h" do relatório fiscal aponta que "a empresa não adota os procedimentos de vigilância da saúde dos trabalhadores". (fls. 20) Com base na análise dos demonstrativos dos diversos estabelecimentos do sujeito passivo, especialmente o PPRA, LTCAT e PPEOB, os quais indicaram a presença dos agentes nocivos ruído e Benzeno, a fiscalização apurou o crédito referente aos trabalhadores que atuam em unidades/áreas da empresa comprovadamente expostas a estes agentes nocivos. No caso do ruído, para limites de tolerância acima dos estabelecidos e para o Benzeno, nos casos de comprovada exposição. Dos Critérios para a Exposição a Agentes Nocivos No tocante ao agente nocivo ruído, a fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária considerou para fins de levantamento do crédito, as Áreas/unidades da empresa e funções com exposição acima de 90 dB até 11/2003 e acima de 85 dB a partir de 12/2003. 0 Anexo I da NR 15 estabelece que a máxima exposição diária permissível ao ruído, para uma carga horária de 8 horas é de 85 decibéis. Os níveis de pressão sonora decorrentes de exposição ocupacional ao ruído, que darão ensejo à aposentadoria especial, estão definidos no art. 171 da Instrução Normativa INSS/DC n° 99, de 05/12/2003 DOU 10/12/2003 e no art. 180 da Instrução Normativa INSS/DC N° 118, de 14/04/2005 DOU 18/04/2005. Para o agente nocivo Benzeno foram consideradas as áreas/funções nas quais foi identificada a simples exposição a este agente no ambiente de trabalho, conforme disposto no art. 157, parágrafo 1 0, inciso "I" da Instrução Normativa INSS/DC n° 118/2005 e no anexo 13 A da NR 15. Do PPP — Perfil Profissiográfico Previdenciário Consta no item 5 do relatório fiscal que o sujeito passivo não apresentou o PPP Perfil Profissiográfico Previdenciário para os empregados que atuam em áreas expostas a agentes nocivos, tendo sido autuado por deixar de elaborar e manter atualizado este documento. O mesmo relatório conclui que o sujeito passivo somente elabora o PPP quando da necessidade dos empregados de requererem beneficio previdenciário. Da análise das Atas da Reuniões da CIPA e dos EPI Equipamento de Proteção Individual A fiscalização analisou as Atas de Reuniões da CIPA — Comissão Interna de Prevenção de Acidentes da empresa, transcrevendo as informações que considerou relevantes no item 7.3 do relatório fiscal (fls. 22/25). Também foram analisados os controles internos referentes ao fornecimento de EPI — Equipamento de Proteção Individual aos empregados, no período de 07/2000 a 12/2005 (item 7.4 do relatório fiscal, fls. 25/28). 0 relatório conclui que as falhas verificadas no controle de fornecimento de EPI, somadas às evidências demonstradas no Livro de Inspeção do Trabalho e nas Atas da CIPA, demonstram que o sujeito passivo não fornece Fl. 5740DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 11 10 adequadamente e não exige corretamente o uso dos equipamentos de proteção aos trabalhadores (fls. 28). Outros Documentos Verificados Também foram analisados outros documentos e controles internos da empresa, tais como Livro de Inspeção e Notificações do Ministério do Trabalho (item 7.1 do relatório fiscal, fls. 18/19), exames médicos, Comunicação de Acidente do Trabalho — CAT e benefícios concedidos pelo INSS (item 7.2 do relatório fiscal, fls. 19/22). Da existência de Inquérito Civil Público movido pelo Ministério Público do Trabalho Extraise dos autos (relatório dos Médicos do Trabalho, às fls. 254), que a empresa tem contra si o Inquérito Civil Público de n° 055/02, que tramita junto ao Ministério Público do Trabalho, cujo conteúdo discute questões relativas a ruído excessivo. Dos Trabalhadores Expostos aos Agentes Nocivos — Ruído e Benzeno A relação dos locais e funções referentes a trabalhadores do sujeito passivo expostos a ruído, cuja exposição ficou acima dos limites de tolerância, assim como as medições alcançadas por este agente por período, encontrase elencada no item 9 do relatório fiscal, As fls. 30/31, tendo sido extraída das informações constantes nos LTCAT. Os locais/funções com exposição ao Benzeno e as medições obtidas por período, constam no mesmo item do relatório, As fls. 31/33, tendo sido extraídos das informações constantes no PPEOB. Dentre as áreas/locais expostos a agentes nocivos foram citadas as unidades Olefinas, Aromáticos, Utilidades e Manutenção (Oficina Central, Supervisão de Materiais). A relação dos centros de custo e funções identificados nas folhas de pagamento e que consubstanciaram a apuração do crédito, consta no item 9 do relatório fiscal, às fls. 33/34, pormenorizados às fls. 35. A relação nominal dos trabalhadores expostos aos elementos Benzeno e/ou ruído consta As fls. 307 (volume II) a 1096 (volume IV) dos autos. Este demonstrativo nomina, por competência, o agente nocivo ao qual o trabalhador está exposto, identificando a unidade na qual este atua, o nome, o cargo e o respectivo salário de contribuição. Do Fato Gerador 0 fato gerador do presente crédito tributário é constituído pela remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados do sujeito passivo e que exerceram atividade em condições especiais com exposição aos agentes nocivos citados, de modo permanente, no período de 01/04/1999 a 28/02/2006, consoante informa o item 1.2 do relatório fiscal, As fls. 02. Das Bases de Cálculo Os valores que serviram de base para apuração do crédito constam relacionados no "Anexo I — Relação de Trabalhadores Expostos aos Elementos Benzeno e Ruído", às fls. 307 a 1096. Das Alíquotas Aplicadas Sobre a remuneração, que constitui a base de cálculo, foi aplicada a alíquota adicional prevista no § 6° do art. 57 da Lei 8.213/91, instituída pelo art. 1.0 da Lei 9.732, de 11/12/1998, a Fl. 5741DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 12 11 qual compreende um acréscimo no percentual da contribuição para o financiamento dos benefícios previdenciários concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (antigo SATSeguro Acidente do Trabalho), prevista no inciso II do art. 22 da Lei 8.212/91. No presente caso, foi aplicada a alíquota de 2% no período de 04/1999 a 08/1999, 4% no período de 09/1999 a 02/2000 e de 6% no período de 03/2000 a 02/2006, incluindo o décimo terceiro salário de 2000 a 2005, conforme o item 11 do relatório fiscal (fls. 36) e o demonstrativo intitulado DAD Discriminativo Analítico de Débito (fls. 41a 55). Da GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Consta do relatório fiscal que o contribuinte apresentou GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social em relação aos fatos geradores constantes nas folhas de pagamento de salários, para o período fiscalizado (item 10, fls. 36). Considerando que a contribuição adicional ao GILRAT não foi declarada em GFIP, o crédito foi apurado através do levantamento intitulado ADE — ADIC APOSENTADORIA ESPECIAL, classificado como não declarado em GFIP, consoante se verifica do DAD — Discriminativo Analítico de Débito, parte integrante da notificação fiscal (fls. 45 a 55). Da Representação Fiscal para Fins Penais Foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais relativa ao presente crédito e encaminhada ao Delegado da Receita Previdenciária em Porto Alegre (item 16 do relatório fiscal, As fls. 37). Da Representação Administrativa 0 item 17 do relatório fiscal informa que foi emitida Representação Administrativa (RA) ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTBe) e ao Serviço de Segurança e Saúde do Trabalho (SSST) da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), em virtude da ocorrência, em tese, de desrespeito As normas de segurança e saúde do trabalho, que reduzem os riscos inerentes ao trabalho ou às normas previdenciárias relativas aos documentos LTCAT, CAT, PPP e GFIP, relacionadas ao gerenciamento dos riscos ocupacionais. (fls. 38) Dos Documentos Anexados aos autos pelo Fisco A fiscalização anexou aos autos cópia de documentos examinados na ação fiscal, a exemplo de PPRA, PCMSO, LTCAT e PPEOB (fls. 107 a 300). Além destes, também consta: Oficio DRFP/CANOAS/RS — N° 46/2006 da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre à DRT — Delegacia Regional do Trabalho, de 29/08/2006, solicitando ação fiscal conjunta (fls. 248); relatório conclusivo, emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho acerca de informações relativas a trabalhadores expostos a ruído excessivo (fls. 249/256); relatório conclusivo, emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho acerca de informações relativas a análise dos hemogramas dos trabalhadores expostos a Benzeno (fls. 273/282); Fl. 5742DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 13 12 Termo de Notificação n° 406970, de 27/09/2006, emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego/DRTRS (fls. 257); manifestação da ASESMA — Assessoria de Gestão de Pessoas, Segurança e Meio Ambiente, de 23/10/2006, acerca dos termos da notificação fiscal n° 406970 da DRT/RS (fls. 263/264); ATA da CIPA — 4ª Reunião — 2004(11s. 283/285); CAT— Comunicação de Acidente do Trabalho (fls. 295/306); Do Valor do Crédito Tributário O lançamento atingiu o montante de R$ 21.702.981,58 (vinte e um milhões, setecentos e dois mil, novecentos e oitenta e um reais e cinqüenta e oito centavos), consolidado em 13/11/2006. DA IMPUGNAÇÃO A empresa foi cientificada do lançamento fiscal em 14/11/2006, tendo apresentado impugnação tempestiva em 30/11/2006 (fls. 1099 a 1158) e anexos de fls 1159 a 1302 (incluindose consultas e pareceres), conforme a seguir sintetizado: EM PRELIMINAR Discorda do crédito tributário, alegando que é inexigível o valor lançado na NFLD impugnada. Nulidade do Lançamento — das "Impropriedades" do Relatório Fiscal Elenca "impropriedades" no relatório fiscal, referindo que as mesmas são insuficientes para demonstrar pretensos defeitos no gerenciamento de riscos capazes de sustentar a exigência do recolhimento das contribuições para financiamento de aposentadoria especial, manifestandose às fls. 1100 a 1109 acerca de algumas afirmações constantes do relatório fiscal, objetivando demonstrar a nulidade do lançamento, alegando que inexistem funcionários submetidos aos riscos apontados, na forma como a seguir sintetizado: 1) pág. 08, "c" Quanto as medidas de controle adotadas, a empresa indica o uso de EPI como "medida geral" para o agente nocivo ruído, desrespeitando a hierarquia estabelecida no item 9.3.5 da NR 09..." — afirma que desde 1986 adota a implantação de medidas de controle para ruído, conforme item 7.3.1 do PPRA. Nos PPRAs entregues à fiscalização constam as medidas de proteção coletiva e individual adotadas pela empresa, independentemente da hierarquia mencionada, ressaltando que o importante é que a empresa vem adotando medidas de controle tecnológico na fonte, na trajetória e nos indivíduos, bem como medidas administrativas e de organização do trabalho mencionadas nos PPRAs, não identificadas pela fiscalização (fls. 1100); 2) pág. 09 —"A constatação de que a empresa insubordinou esta hierarquia, desconsiderando medidas de proteção coletivas (EPC) e negligenciando proteção na causa alega que não há tecnologia para a redução de ruído abaixo de 85 dB(A) para áreas industriais semelhantes, sendo através de medidas de controle a longo prazo e de caráter continuo e que o fato de constar dentre as medidas adotadas pela empresa, na mesma relação — EPCs e EPIs, não caracteriza insubordinação ã hierarquia, uma vez que são adotadas em cada área da empresa, conjuntamente. Fl. 5743DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 14 13 3) pág. 09 — "Todos os programas, PPRAs, emitidos no período (08/01/1998 até a revisão 11) apresentam as mesmas medidas de controle para os agentes físicos, indicando serem uma cópia ano a ano, ignorando melhorias no ambiente de trabalho, ainda mais quando ha setores em que a exposição de ruído sempre esteve acima dos limites de tolerância" alega que as medidas se repetem porque são ações já implantadas e outras em andamento tendo sido adotadas ao longo dos anos, ora em uma Area industrial e/ou equipamento, ora em outros; 4) pág. 09 — "É citado o enclausuramento de fontes geradoras de ruído sem qualquer menção aos equipamentos nos quais foi adotada essa medida" refere que possui a relação de todas as fontes que foram enclausuradas, não tendo referido os equipamentos por questão de simplificação do PPRA; a empresa possui milhares de equipamentos que são fontes emissoras de riscos ambientais, como bombas e válvulas e se todos fossem citados, não seria possível o manuseio do documento além do que, a fiscalização poderia ter solicitado a informação das fontes atenuadas, constante do PCA (Programa de Conservação Auditiva), o qual não foi verificado; 5) pág. 09 — "Não há qualquer citação de inviabilidade técnica na adoção de medidas de proteção coletiva" — este fato decorre da inexistência de inviabilidade técnica; 6) pág. 09 — "Os programas não avaliam a eficácia dos equipamentos de proteção, contrariando o disposto no item 9.3.1,"d" da NR 09 a eficácia de proteção é avaliada na sistemática de monitoramento periódico; se identificada a necessidade de controle em uma fonte emissora e incluída nas ações a serem adotadas pela empresa, é de se supor que a próxima avaliação daquela fonte deverá espelhar o resultado do tratamento realizado. 7) pág. 09 — "Essa insubordinação é agravada pela constatação de falhas na adoção dos equipamentos de proteção e pelo constante aparecimento de casos de perda auditiva induzida por ruído" — afirma que não existe o constante aparecimento de perdas auditivas induzidas por ruído e que é equivocada a constatação da existência de falhas na adoção dos equipamentos de proteção. Refere que a proteção depende, além da responsabilidade gerencial da empresa, também da responsabilidade individual dos funcionários e que, para tanto, implementou processo de segurança comportamental chamado VIDAS — Valores Internos Desenvolvendo Atitudes Seguras, com o objetivo de internalizar nas pessoas o valor da segurança e criar uma cultura de comportamento seguro na organização e que a eficácia deste processo virá a longo prazo, com modificação de crenças e valores pessoais. 8) pág. 09 — "6.1.2. Ainda com relação ás medidas de controle, verificamos as seguintes inconsistências: a) Os programas apresentam como medidas de controle aos agentes químicos, Programa de Monitorarnento das emissões Fugitivas desde 08/01/1998, sendo que, na Ata da CIPA de 2004 — 4 0 Reunião demonstra que esse programa só foi apresentado em 2004". Refere que a implantação do Programa de Monitoramento das emissões Fugitivas ocorreu no inicio de 1999 e que a sua divulgação se Fl. 5744DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 15 14 deu somente em 2004; que o mesmo não se configura como obrigação legal, tendo sido implantado para avaliação do balanço de massas, além de contribuir na implementação de materiais e equipamentos de baixa emissão de contaminantes para a atmosfera. Com ele foram realizadas alterações de especificações em juntas, conexões, válvulas e bombas. 9) pág. 09 — mencionado também o rodízio de pessoal para limitações de tempo de exposição a riscos ambientais químicos. Em entrevista realizada em 03/05/2006 com o supervisor da área de Olefinas II, Sr. Marcos Albert, o mesmo informou que os empregados trabalham na própria planta e que os rodízios são realizados para efeito de férias e progressão funcional". Refere que a exposição é potencial e que a informação trazida pela fiscalização demonstra que há efetivo rodízio entre os técnicos, o qual ocorre naturalmente entre Areas de uma mesma Unidade (ex: A1 e A 2 em Olefinas, A21, 22, 23 e 24 em Aromáticos) em razão da existência de. plano de carreira por habilidades, em que os técnicos de operação de campo desenvolvem suas atividades em vários locais/áreas de uma mesma Unidade. 10) pág. 10 — "6.1.2. Demais inconsistências verificadas na análise dos programas: a) O PPRA de 1997, datado de 08/01/1998, menciona na descrição dos locais de trabalho a Planta II de Olefinas. Porém foi verificado que esta Planta entrou em operação no ano de 1999. Alega que foi mencionada a planta 2 de Olefinas porque nesta época já existia em projeto, simplesmente, mas que a mesma entrou em operação em 1999 e desde então se verificam as demonstrações/avaliações ambientais. 11) pág. 10 — "b) No quadro de resultados das avaliações ambientais, verificase que as medições de agentes químicos (tolueno, xileno, butadieno, metano) e do agente fisico poeira são as mesmas nas Unidades Aromáticos e Utilidades, desde a Revisão 0 até a revisão 10. 0 número de trabalhadores expostos é idêntico por área e função em cada Unidade, para todos os programas apresentados, indicando que tais revisões são possíveis cópias umas das outras." Aduz que o monitoramento de poeiras em Utilidades não é sistemático, sendo realizado quando da mudança da matriz energética (tipos de combustíveis) o que pode acarretar alteração na geração e qualidade dos particulados. Desta forma, repetemse os resultados nos intervalos decorrentes entre cada avaliação. Em Aromáticos, com relação ao metanol, que também não é sistemática, ocorre o mesmo. Quanto aos agentes tolueno e xileno os resultados têm sido muito similares e próximos ao limite de detecção do aparelho de medição. A empresa entende não ser relevante discutir valores próximos ao limite de detecção, em torno de 0,1 ppm, quando os limites de tolerância destes agentes são de 78 ppm. 12) pág. 10 — "c) A avaliação do agente físico ruído (Rev. 0 do PPRA —10/03/2000) nas áreas 02, 03 e 25 da unidade Aromáticos foi de 82,9 Fl. 5745DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 16 15 dB(A), enquanto nos LTCAT está registrado 101,0 a 106,6 dB(A) em 29/01/1999 e 94,8 dB(A) em 17/04/2000, considerando que as metodologias de avaliação citadas são as mesmas nos dois programas". A avaliação do agente físico no PPRA considerou os GHE para realização de dosimetrias (avaliação da jornada de 8h) de ruído, através de audiodosímetros, enquanto as avaliações registradas no LTCAT são o resultado de avaliações pontuais e instantâneas, realizadas em fontes (equipamentos) existentes em áreas/locais, com o uso de decibelimetros. Refere que o próprio INSS induzia a este tipo de trabalho (higiene ocupacional em PPRA e avaliação ambiental em LTCAT), quando não aceitava os dados de dosimetrias. 13) pág. 10. "Nas avaliações do agente químico Benzeno, encontramos várias inconsistências corn outros programas e documentos, conforme o quadro abaixo: (..) Aduz que houve erro de interpretação na vinculação das colunas. Em (1), os empregados citados nos resultados da coluna "Plan Aval."dizem respeito a Avaliações de Procedimentos de trabalho (parada de Unidade) e não são utilizados nos cálculos para gerar indices de GHE — Grupo Homogêneo de Exposição. Em (2) o PPRA e o PPEOB são avaliados usando o critério de GHE. Os dados informados no LTCAT são gerados nas avaliações de areas, enquanto a coluna Plan. Aval , apresenta avaliações conforme citado acima. Em (3) esse resultado é apenas uma avaliação de um GHE, que posteriormente, com as demais avaliações, são tratados conforme determinado no Apêndice 1 da IN 01, de 20/12/95, do Ministério do Trabalho, não podendo, desta forma, ser comparado com as demais colunas. Em (4), quando da geração da informação para o PPRA, foram expurgados, manualmente, resultados com variação superior a 3 DP (desvio padrão), conforme tratamento estatístico. Quando da migração eletrônica dos dados, do sistema antigo para o atual, esses mesmos resultados espúrios migraram automaticamente. 0 fechamento do PPRA ocorre quando da conclusão das avaliações e os dados para o PPP são gerados dentro do ano fiscal (1° de janeiro a 31 de dezembro de cada ano). 14) pág. 10 " e) Os quadros de resultados das avaliações ambientais apresentam subdivisões por área/local e fun cão, discriminando o número de trabalhadores expostos em cada local. A empresa não mantém registro destes trabalhadores por área e sim por centro de custo de acordo com a folha de pagamento. Foi emitido o AI Debcad n° 37.018.9205 pela não apresentação da relação dos empregados por área/local e grupo homogêneo de exposição solicitado no TIAD de 15/09/2006." Confirma que efetivamente os quadros de resultados das avaliações ambientais apresentam subdivisões por área/local e função, discriminando o número de trabalhadores expostos em cada local (e não o nome de cada trabalhador, pois neste caso o que interessa é o número de técnicos disponíveis para cada área/local, já que o trabalho destes em cada uma é itinerante), não significando que são sempre os mesmos trabalhadores que laboram em cada área/local pois os Fl. 5746DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 17 16 técnicos exercem suas atividades de forma itinerante, por exemplo, na Unidade Aromáticos (portanto, no centro de custo de aromáticos), executando as atividades em todas as Areas (ex. 21, 22, 23, 24, 02, 03, etc) da U. Aromáticos, ora numa (A21, 22, 23 e 24), ora noutra (A02, 03, 122) e vice versa. 15) pág. 11 "0 LTCAT deve preencher as formalidades definidas conforme norma de regência a época de sua emissão. Na sua análise foi observado que as revisões do LTCAT, de 14/04/02 e 10/03/03, não especificam Os Certificados de Aprovação — CA dos EPI utilizados, bem como a periodicidade das trocas e controle do fornecimento, estando em desacordo com o estabelecido no item VI, "b", art. 148 da Instrução Normativa — IN INSS/DC n°57, de 10/11/2001 e item VII, "b", art. 155, da Instrução Normativa — IN INSS/DC n°84, de 17/12/2002, respectivamente. Informa que a adequação dos Certificados de Aprovação ocorreu no documento de 2004. Quanto A conclusão do LTCAT de 29/01/1999, a própria legislação previdencidria de dez/98 deu novos contornos As definições de habitual e permanente, não ocasional, nem intermitente e a necessidade de inclusão nos laudos de uma frase obvia que é a de "que a exposição aos agentes ambientais, em níveis de concentração e intensidade superiores aos seus limites de exposição, previstos na regulamentação de segurança e medicina do trabalho, são prejudiciais A saúde e integridade fisica". 16) pág. 11. "a) A conclusão do Eng.° responsável pelo LTCAT de 29/01/99, baseado nos levantamentos dos agentes ambientais existentes nos locais de trabalho e/ou atividades desenvolvidas pelos colaboradores, foi de os empregados (..)"Conforme já explicado no item 14 a empresa controla quem trabalha em cada Unidade de produção (ex. Aromático, Olefinas, etc.). Não há controle dos técnicos por área em cada Unidade porque as pessoas desenvolvem atividades itinerantes em todas as áreas da Unidade. Com relação As alegações de que existem nos LTCAT e PPPs "sempre as mesmas atividades, tanto em período anterior quanto em período posterior A cobrança do adicional" não significa conflito pois nesse caso o que está em discussão é onde estão sendo executadas estas atividades. 0 que está sendo dito é que efetivamente as atividades (operar bomba e compressor) são as mesmas (só que em equipamentos diferentes 21B01, 22B03), pois pertencem A áreas diferentes (com intensidade de ruídos e concentrações de HCs também diferentes). 17) pág. 12. "a) As medições apresentadas para o agente nocivo ruído nos laudos são idênticas da revisão 6 até a Revisão 9, enquanto a empresa afirma que os períodos das avaliações foram atualizados. Dado as inúmeras variáveis no ambiente de trabalho, a exemplo de mudanças de layout, novos equipamentos operacionais, mudança nos equipamentos de proteção, desgaste nos equipamentos existentes, etc, demonstram ser improvável a repetição dos mesmos valores durante tanto tempo e nos mesmos locais. Houve alterações de valores na avaliação de 2004, sendo que em 2005 repetiuse novamente 2004. Refere que a alegação carece de fundamento técnico. Não houve mudança de layout. Numa instalação de porte como na COPESUL, Fl. 5747DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 18 17 com alguns milhares de equipamentos (bombas, compressores, válvulas de segurança), além do ruído produzido pela circulação de fluidos nas tubulações, quando da introdução de algum novo equipamento, o ruído por esse agregado não altera o ruído de fundo originado pelas demais fontes, tal como já explicado em itens anteriores. Quanto ao alegado desgaste, há que se fazer referência aos programas de manutenção corretiva, preditiva e preventiva. Os valores apresentados são a resultante das várias áreas avaliadas. 18) pág. 12 "Há inconsistências nas Avaliações ambientais comparandose com os demais programas apresentados, conforme já explicitado na análise do PPRA, item 6.1.2, letra "d". Defende que a aparente inconsistência é originada da utilização de métodos de avaliação diferenciados para cada situação: LTCAT é a resultante de medições pontuais e instantâneas, conforme o exposto no item 12. Com relação ao PPRA, os resultados são decorrentes de audiodosimetria em colaboradores, por GHE. 19) pág. 12 " d) Os laudos apresentam como medidas de controle de agentes químicos, programa de Monitoramento das Emissões fugitivas desde 17/04/2000, sendo que, na Ata da C1PA de 2004 – 4ª Reunião demonstra que esse programa só foi apresentado em 2004. ... e) E mencionado também o rodízio de pessoal para limitação de tempo de exposição a riscos ambientais químicos já contestado pela fiscalização no item 6.1.2, letra “b” f) Nos laudos apresentados não constam as avaliações do agente químico METANOL, na Unidade de aromáticos, conforme verificado nos PPRAs." Aproveita os mesmos argumentos dos itens 08, 09 e 11. 20) pág. 14 "6.3.2. (...) a)Nos programas apresentados não constam as seguintes informações exigidas nos itens 4.1.2 — Referentes aos trabalhadores e processos de trabalho (pessoal próprio e contratados) e 4.1.3 — avaliações pregressas de concentração de Benzeno no ar da IN 01: (..)"As avaliações pregressas são encontradas nos PPRAs e outras documentações referentes às avaliações realizadas desde 1988. Todas as considerações apontadas no relatório foram utilizadas para a definição dos Grupos Homogêneos de Exposição bem como para estabelecer a Estratégia de Avaliação. Todos os aspectos constantes dos itens 4.1.2 e 4.1.3 da IN n° 01 se encontram contemplados, quer no próprio PPEOB, quer em outros documentos NSSMD001. 21) pág. 14 "b) 0 item 4.4 da referida Norma recomenda que a freqüência mínima para o monitoramento seja a seguinte(...)”0 item 4.4, letra "e" da IN 01 de 20/12/1995 do mil recomenda a freqüência minima para o monitoramento. Portanto, não há obrigação legal, conforme noticiado pela fiscalização. Fl. 5748DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 19 18 22) pág. 15 "c) Os PPEOBs apresentados não contém informações relevantes estabelecidas no item 6 (sic item 5)— Relatório da IN 01 (..) "0 PPEOB faz referência clara no item 5 (Legislação Aplicada) à IN n° 1 para a definição dos GHE e para a definição da estratégia de avaliação também é clara a referência existente no item 6 (Sistemática de atuação) â referida IN n°01. 0 PPEOB, em seu item 7, subitens 7.2 e 7.5 reporta para o procedimento de coleta que contemplam os itens da demanda e relaciona os equipamentos utilizados, respectivamente. Devido ao grande volume de informações que são geradas anualmente, o que tornaria o documento extremamente extenso, as mesmas, como por exemplo, temperaturas, umidade relativa do ar, embora não constantes no PPEOB, são facilmente acessadas nos relatórios disponibilizados pelo banco de dados que as armazenam. As informações reclamadas pela fiscalização no PPEOB não constam no mesmo devido ao grande volume que representam, mas são facilmente acessadas no banco de dados que as armazenam. 23) Págs. 16 e 17 "6.4. Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional — PCMSO Item "a": Está incorreta a afirmação de que os programas apresentados não definem prazos para realização dos exames ocupacionais, tendo em vista que está descrito no PCMSO (item Ações de saúde ocupacional), que o exame préadmissional deve ser realizado antes da data da efetivação na empresa. No exame periódico, consta que todos os trabalhadores devem realizar exames anualmente e os colaboradores de Area operacional farão exames semestralmente. No exame de retorno ao trabalho, refere que após o período de beneficio igual ou superior a 30 dias o exame médico deverá ser realizado no dia seguinte da alta do INSS, e se coincidir com o final de semana, no 1° dia útil do serviço da empresa". Por fim, o exame demissional deve ser realizado antes do desligamento definitivo do colaborador, desde que o último exame periódico não tenha sido realizado há mais de 30 dias. Item "b": No tocante à periodicidade de realização dos exames audiométricos A empresa tem uma sistemática de gestão quanto â convocação, mas a realização do exame é pessoal. Para atender plenamente a disposição, em 2005 a empresa inseriu o exame como indicador de bônus por resultado e previu sanções administrativas para a não realização do exame. Item "c". Quanto à articulação do PCMSO com os demais programas Há relação dos programas PCMSO e PPRA. Os agentes mencionados em Aromáticos (radiações, etilBenzeno e MTBE), Olefinas (radiações, butadieno e mercúrio inorgânico) e utilidades (radiações e cloro) constam no PPRA "quando da realização de atividades por demanda e não de rotina". Sendo assim, não aparecem como riscos no PCMSO. Na realização por demanda, alguns riscos são monitorados por Area médica. Exemplo disso é o monitoramento biológico para mercúrio Fl. 5749DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 20 19 inorgânico e acompanhamento dos hemogramas de colabores que executaram atividades com radiações. Existem grupos especiais que são monitorados periodicamente mesmo não constatando como risco (soldadores, eletricistas, caldeireiros). Além disso, os PCMSO apresentados sempre tiveram referência quanto â área/local ou GHE de acordo com o PPRA. II) Da Decadência Discorre acerca da decadência do direito do INSS de efetuar a constituição do crédito tributário fora do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, requerendo seja reconhecida a decadência do direito de lançar as contribuições previdenciárias relativas ao período de 04/1999 a 12/2000, excluindo se os valores relativos a esse período do crédito tributário constituído. NO MÉRITO I)Da Contribuição para o Financiamento da Aposentadoria Especial Inicialmente, faz uma breve análise dos fundamentos legais que sustentam a contribuição para o financiamento da aposentadoria especial, referindo que a mesma foi alvo de Emenda Constitucional (EC n° 20, de 16/12/1998), promulgada com o fim de garantir a sua manutenção no sistema. Na seqüência, aponta a existência de vícios que tornam impossível a sua exigência, referindo que a contribuição para o financiamento da aposentadoria especial é inconstitucional, por afronta ao principio da separação da harmonia entre os Poderes (art. 2°, da CF/88), eis que é indelegável a função legislativa, da legalidade geral (art. 5°, II da CF/88), da legalidade estrita tributária (art. 150, I da CF/88) e, também, por afronta ao art. 149, que inclui as contribuições sociais expressamente no rol tributário nacional, e ilegal, por afronta ao art. 97, IV do CTN, que exige lei, em sentido formal, para a fixação de aliquotas de tributos e das respectivas bases de cálculo. Transcreve ensinamentos de Geraldo Ataliba, de Misabel de Abreu Machado Derzi e de Ruy Rosado de Aguiar Júnior. II) Da Avaliação Qualitativa do Benzeno Insurgese quanto â avaliação exclusivamente qualitativa do Benzeno, acusando a ilegalidade das Instruções Normativas INSS/DC nos 99/2003 e 118/2005. Refere que, a despeito de relacionar as atividades que, supostamente, contêm o risco de prejuízo à saúde pelo contato com o Benzeno, o Decreto n° 3.048/99 não estabeleceu os critérios para determinação efetiva da existência de prejuízo em razão da exposição a tal agente. E o INSS, através das Instruções Normativas n's 99/2003 e 118/2005, arvorouse no direito de estabelecer o critério para sustentar a exigência da contribuição para o custeio da aposentadoria especial dos trabalhadores expostos ao Benzeno, o que considera absurdo, pois o veiculo utilizado para definição da hipótese de incidência não foi nem a lei nem o decreto regulamentador e que, ao contrario, tudo que a lei induz é para situações que admitem medidas de prevenção e proteção. Enfatiza que a solução administrativa preconizada na Instrução Normativa 99/2003 não pode ser aceita porque desconhece que o Benzeno é substância presente no ambiente comum a todos. Refere que a orientação adotada na mesma instrução conflita com o tratamento dispensado pelo Ministério do Trabalho e Emprego ao tema da Fl. 5750DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 21 20 insalubridade, níveis de tolerância e incentivo a providencias protetivas e, em sendo deste a competência para tratar da matéria da insalubridade no emprego e defesa do meio ambiente do trabalho, da proteção a saúde e a integridade física do trabalhador, a sua normatização deveria ter prevalência. Aponta que é contraditório o posicionamento adotado pela autarquia na condução da questão: embora exija o recolhimento das contribuições para financiamento da aposentadoria especial por parte da COPESUL, o setor de benefícios do INSS tem, de forma sistemática, negado a concessão de tal espécie de aposentadoria aos seus funcionários que, em condições semelhantes aos que ora serviram como base para o lançamento efetuado, prestaram serviços para a empresa. III) Da Perícia Técnica Requer a realização de perícia técnica para demonstrar que a exposição é insuficiente para ensejar qualquer prejuízo a saúde dos funcionários tidos pela fiscalização como expostos ao ruído e ao Benzeno e, conseqüentemente, não enseja a exigência de pagamento de contribuição para financiamento da aposentadoria especial. IV) Dos Pedidos Finais Por fim, requer seja recebida a impugnação, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário lançado através da presente NFLD, até decisão final, acrescido dos pedidos de realização de prova pericial e de decadência (até 12/2000) e seja reconhecida a nulidade da mesma, desconstituindose o crédito tributário. Inconformada com a decisão, em 05/07/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência até 10/2001. · Inexigibilidade das contribuições para financiamento de aposentadoria especial Efetiva demonstração de inexistência de vícios no gerenciamento de riscos por parte da recorrente – Reapresenta os argumentos da impugnação. · Eventualidade da exposição ao benzeno. Para que haja direito à aposentadoria especial, a lei exige que o contato com o agente nocivo seja habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente. · Os trabalhadores da recorrente que laboram expostos ao benzeno, o fazem de modo ocasional e intermitente, não habitual e nem permanente. · Inconstitucionalidade e ilegalidade. Tributação para financiamento de aposentadorias especiais. · Monitoramento do meio ambiente laboral — Observância do limite de tolerância de exposição ao benzeno Exposição ao agente nocivo ruído Desconsideração da realidade fática existente. A fiscalização Fl. 5751DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 22 21 desconsiderou completamente as medidas adotadas para atenuar os efeitos da exposição. A recorrente, adicionalmente ao recurso voluntário, apresentou e juntou ao processo “Parecer Técnico – Avaliação de Riscos Ocupacionais”, documento este que também foi apreciado na análise deste processo. É o relatório. Fl. 5752DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 23 22 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. 1. DECADÊNCIA A recorrente pleiteia o reconhecimento da decadência até a competência 10/2001. Da leitura atenta da decisão de primeira instância, se observa a existência de contradição. Conforme abaixo apresentado, a ementa, a decisão, a conclusão do voto condutor e o DADR foram por reconhecer a decadência até 10/2000, sendo que o texto do voto condutor apresenta reconhecimento da decadência até 10/2001. Pelas razões apresentadas, concordo com o posicionamento apresentado no texto do voto condutor, isto é, devido à existência de recolhimentos parciais, entendo decadentes as competências até 10/2001, com base na regra do § 4º do art. 150 do CTN. Pelo fato de ter havido antecipação de pagamento nestas competências, a regra para contagem do prazo decadencial a ser aplicada é a disposta no § 4° do art. 150 do CTN e o prazo inicial para a contagem da decadência é a data da ocorrência do fato gerador. ... No caso em análise, o lançamento foi legalmente constituído com a ciência do sujeito passivo em 14/11/2006, e engloba obrigações das competências 04/1999 a 10/2001 totalmente fulminadas pela decadência uma vez que, pela aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, o lançamento da última competência (10/2001) poderia ter sido constituído até 31/10/2006. Assim, em decorrência do comando legal do CTN, assiste razão à impugnante, impondose o reconhecimento da caducidade do direito de a Fazenda Pública constituir, em 14/11/2006, crédito tributário contendo as competências 04/1999 a 10/2001. Ementa/Acórdão A teor da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Lançamento cientificado ao sujeito passivo em 14/11/2006 está fulminado pela decadência para o período de 04/1999 a 10/2000. ... Fl. 5753DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 24 23 Acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer da preliminar de decadência argüida na impugnação, acolhêla em parte com o reconhecimento da extinção do lançamento referente ao período de 04/1999 a 10/2000, determinando o cancelamento do crédito tributário neste lapso de tempo e julgar procedente o crédito tributário remanescente, cujo valor na data de consolidação passa a ser de R$ 18.072.234,16 (dezoito milhões, setenta e dois mil, duzentos e trinta e quatro reais e dezesseis centavos). DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado Excluídos valores até 10/2000. Voto O presente lançamento decorre de descumprimento de obrigação principal oriundo de contribuição adicional que o sujeito passivo deixou de recolher, incidente sobre o salário de contribuição dos segurados empregados quando do recolhimento espontâneo das contribuições previdenciárias das competências 04/1999 a 02/2006. Pelo fato de ter havido antecipação de pagamento nestas competências, a regra para contagem do prazo decadencial a ser aplicada é a disposta no § 4° do art. 150 do CTN e o prazo inicial para a contagem da decadência é a data da ocorrência do fato gerador. 0 fato gerador das contribuições previdenciárias ocorre mensalmente, conforme disciplina o art. 66 da IN/MPS/SRP no 03, de 14/07/2005, D.O.U. de 15/07/2005. Assim, uma vez que as contribuições previdenciárias têm como período base a competência (compreendendo o intervalo do primeiro ao último dia do mês), considerase ocorrido o fato gerador no último dia do mês. No caso em análise, o lançamento foi legalmente constituído com a ciência do sujeito passivo em 14/11/2006, e engloba obrigações das competências 04/1999 a 10/2001 totalmente fulminadas pela decadência uma vez que, pela aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, o lançamento da última competência (10/2001) poderia ter sido constituído até 31/10/2006. Assim, em decorrência do comando legal do CTN, assiste razão à impugnante, impondose o reconhecimento da caducidade do direito de a Fazenda Pública constituir, em 14/11/2006, crédito tributário contendo as competências 04/1999 a 10/2001. Conclusão Nesses termos, voto por julgar improcedente o lançamento com relação às competências 04/1999 a 10/2000, posto que extintas pela decadência nos termos do inciso V do artigo 156 do CTN, mantendo o crédito remanescente no valor de R$ 18.072.234,16 (dezoito milhões, setenta e dois mil, duzentos e trinta e quatro reais e dezesseis centavos), consolidado em 14/11/2006, conforme DADR — Discriminativo Analítico do Débito Retificado, que acompanha esta decisão. Fl. 5754DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 25 24 2. INCONSTITUCIONALIDADE – COMPETÊNCIA A recorrente alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. O Decreto nº 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no artigo 32. Art.32.Ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, órgão colegiado judicante, paritário, compete julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, § 2o, do Decreto no 70.235, 6 de março de 1972, alterado pela Medida Provisória no 449, de 3 de dezembro de 2008. Parágrafo único.Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes da Fazenda Nacional, e a outra metade, de representantes dos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional e pelas centrais sindicais Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 5755DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 26 25 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFnº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. 3. RISCOS AMBIENTAIS TRIBUTAÇÃO A Lei 8.213/91 estabelece tributação adicional para as empresas, incidente sobre o valor da remuneração dos segurados que trabalham sob condições especiais que lhes prejudicam a saúde ou a integridade física. A tributação é um adicional ao SAT/RAT. Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação atual é a dada pela Lei n°9.032, de 28/04/94 e restabelecida pela Lei n°9.528, de 10/12/97). ... § 3°A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação data pela Lei n°9.032, de 28/04/95). ... Fl. 5756DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 27 26 § 6° 0 beneficio previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Parágrafo alterado pela Lei n°9.732, de 11/12/98). § 7º 0 acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.732, de 11/12/98). A empresa que possui ambiente com condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física dos trabalhadores pode adotar medidas para eliminação ou atenuação dessas condições de modo a eliminar esses riscos. Esse trabalho é denominado, e aqui assim será tratado, como gerenciamento do ambiente de trabalho. Existindo esses ambientes nocivos na empresa, esta, para não sofrer a tributação, deve demonstrar que gerencia adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores. Esse gerenciamento dos riscos ambientais está normatizado e deve conter um conjunto de documentos e demonstrações: · Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA, que visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle, devendo ser elaborado e implementado pela empresa, por estabelecimento, nos termos da NR9, do MTE; · Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, que deverá ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo estabelecimento, a partir do PPRA, com o caráter de promover a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico precoce dos agravos a saúde relacionados ao trabalho, inclusive aqueles de natureza subclinica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou de danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores, nos termos da NR7, do MTE; · Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho LTCAT, que é a declaração pericial emitida para evidenciação técnica das condições ambientais do trabalho; · Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP, que é o documento históricolaboral individual do trabalhador, que estabelece critérios a serem adotados pela área de Benefícios do INSS; Fl. 5757DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 28 27 · Comunicação de Acidente do Trabalho CAT, que é o documento que registra o acidente do trabalho, a ocorrência ou o agravamento de doença ocupacional, mesmo que não tenha sido determinado o afastamento do trabalho, conforme previsto nos arts. 19 a 23 da Lei n°8.213, de 1991, e nas NR7 e NR15, ambas do MTE, sendo seu registro fundamental para a geração de análises estatísticas que determinam a morbidade e mortalidade nas empresas e para a adoção das medidas preventivas e repressivas cabíveis. Conforme visto acima, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, tem como objetivo definir ações para garantir a preservação da saúde e integridade dos trabalhadores face aos riscos existentes nos ambientes de trabalho. Conceitualmente, em ações contínuas, como é o caso da proteção do trabalhador em ambientes de risco, após planejar e implementar uma ação, devemos avaliar o resultado obtido, isto é, verificar se o resultado pretendido foi obtido e em que medida. Essa avaliação subsidiará novo planejamento e o processo segue sendo aperfeiçoado. Em outras palavras, a citada avaliação é a medição da eficácia (a eficácia mede a relação entre os resultados obtidos e os objetivos pretendidos, ou seja, ser eficaz é conseguir atingir um dado objetivo). A Norma Regulamentadora 9 – NR 9, do Ministério do Trabalho, estabeleceu a obrigatoriedade da elaboração e implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA. A estrutura do Programa, obrigatoriamente deve conter a avaliação dos resultados obtidos, isto é, da sua eficácia. 9.2 Da estrutura do PPRA. 9.2.1 O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deverá conter, no mínimo, a seguinte estrutura: a) planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; b) estratégia e metodologia de ação; c) forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; d) periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. Somente um Programa de Prevenção de Riscos Ambientais eficaz garante o correto gerenciamento dos riscos ambientais. Complementarmente a Lei 8.213/91 estabelece que “A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador.” Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho". Fl. 5758DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 29 28 § 1° A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. § 2° Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. § 3º 0 É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. § 4º 0 Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento. 4. RISCOS AMBIENTAIS – COPESUL Conforme visto acima, “A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador.”(Lei 8.212/91) e existindo ambiente nocivo na empresa, esta, para não sofrer a tributação, deve demonstrar que gerencia adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores isto é, suas ações de proteção ao trabalhador devem ser eficazes. No recurso apresentado, a COPESUL efetua contestação de inúmeros pontos, procurando demonstrar que gerencia os riscos ambientais e que inexistem segurados expostos a risco. O lançamento considera que a empresa não é eficaz no gerenciamento do ambiente de trabalho e expõe seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e à integridade física. Como a seguir será exaustivamente demonstrado, a empresa não comprovou o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e o controle dos riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos a saúde e a integridade física, fato gerador da contribuição social prevista no art. 57, § 6°, da Lei n °' 8.213/91. Também o Parecer Técnico elaborado pelo IPT e trazido ao processo pela recorrente fala das falhas do controle da eficácia Sobre as medidas de controle A empresa atende à maioria dos aspectos do item 9.3.5 da NR09, mas sua metodologia para atendimento ao subitem 9.3.5.1 é ainda informal. Encontrouse evidência de realização de análise de eficácia da implantação de medidas de controle, mas não foi encontrado nenhum procedimento, ou item, ou anexo do PPRA que estabelecesse de forma inequívoca os critérios e métodos a serem empregados na avaliação da eficácia das medidas de controle empregadas. Observo que a conclusão do Parecer Técnico é que não ficou demonstrada com clareza o cumprimento das normas de proteção ao trabalhador. 6. CONCLUSÕES Em linhas gerais, a análise dos principais programas elaborados pela Copesul (hoje Braskem UNIB) entre 1999 a 2006 (período do escopo deste trabalho), que são o PPRA, o PPEOB, o PCMSO e o PPR atendem os requisitos exigidos pelas NRs e Fl. 5759DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 30 29 instruções normativas, porém os próprios documentos base dos programas citados são insuficientes para demonstrar com clareza o cumprimento das normas. Os agentes nocivos considerados no lançamento foram ruído (físico) e benzeno(químico), razão pela qual, a´pós apresentar alguns pontos gerais que considerei relevantes, passarei a análise separada desses dois agentes. 4.1. ASPECTOS GERAIS 4.1.1 FISCALIZAÇÃO CONJUNTA COM MÉDICOS DA DRT A ação fiscal foi conjunta com a Delegacia Regional do Trabalho DRT em Porto Alegre., e teve o intuito de verificarmos os controles internos e o cumprimento dos preceitos legais, referentes aos controles médicos dos empregados da empresa Copesul Cia Petroquímica do Sul. O Dr. Roberto Dias Schellenberger e a Dra. Iara A. V. Hudson, Médicos do Trabalho, participaram dos trabalhos na empresa na empresa, onde foram solicitados documentos e esclarecimentos referentes aos controles médicos dos empregados. Os trabalhos foram direcionados para a análise dos "Exames Audiométricos alterados sem a emissão de CAT e análise dos hemogramas dos trabalhadores expostos ao agente nocivo Benzeno". 4.1.2 PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO – PPP O Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP é documento criado pela Previdência que registra, de forma individualizada as atividades desenvolvidas, o ambiente de trabalho e a exposição a agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física. O PPP viabiliza o reconhecimento dos direitos do trabalhador junto á Previdência. Registra o Relatório Fiscal que a empresa, mesmo intimada, não apresentou os PPPs. Neste contexto, foi solicitado a apresentação do Perfil Profissiográfico Previdenciário, para aqueles empregados onde há exposição a riscos ocupacionais, o que não foi atendido pela empresa. Em razão da exigência contida no parágrafo quarto do art. 58da Lei 8.213/91, acrescentado pela MP nr. 1523, de 11/10/96, ratificado pela Lei 9.528, de 10/12/97, foi lavrado o Auto de Infração n° 37.018.9248, código de capitulação 89 ("deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento"). Verificamos que a empresa somente elabora o PPP quando da necessidade dos empregados requererem algum beneficio junto ao INSS Não houve contestação por parte da empresa. Fl. 5760DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 31 30 4.1.3 LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO LTCAT O LTCAT é um laudo emitido por perito acerca das condições do ambiente de trabalho. Identifica o(s) agente(s) e dimensiona o risco. Tem por base medições e análises efetuadas no local. Registra o Relatório Fiscal, sem contestação por parte da empresa, vícios nas revisões do LTCAT de 14/04/02 e 10/03/03. Consta que não especificam os Certificados de Aprovação CA dos EPI utilizados, bem como a periodicidade das trocas e controle do fornecimento. Mais do que a inconsistência apontada, entendi relevante para formação de meu convencimento acerca do gerenciamento dos riscos, a mudança na conclusão do engenheiro responsável pelo LTCAT. A conclusão do Eng° responsável pelo LTCAT de 29/01/99, baseado nos levantamentos dos agentes ambientais existentes nos locais de trabalho e/ou atividades desenvolvidas pelos colaboradores, foi de que os empregados das Unidades e Áreas mencionados no Laudo executam suas atividades operacionais de forma habitual e permanente, submetidos aos riscos ambientais, previstos na Legislação e que a exposição aos agentes ambientais, em níveis de concentração e intensidade superiores aos seus limites de exposição previstos nas Normas Regulamentadoras, são prejudiciais à saúde e à integridade física. “executam suas atividades operacionais de forma habitual e permanente, não ocasional nem intermitente, submetidos aos riscos ambientais, previstos na Legislação e que a exposição aos agentes ambientais, em níveis de concentração e intensidade superiores aos seus limites de exposição previstos nas Normas Regulamentadoras, são prejudiciais à saúde e à integridade física." A partir do LTCAT de 17/04/00, após o início da cobrança da contribuição das alíquotas adicionais ao SAT (abril/1999)", a conclusão passou a ser outra, diametralmente oposta. "a existência de um Plano de Carreira (GEP) em que os colaboradores da Copesul se tornaram multi habilitados, efetuando rodízio entre os vários locais de trabalho, descaracterizando a habitualidade e permanente exposição aos riscos ambientais. " Ocorre que a fiscalização também analisou PPPs arquivados no INSS apresentados quando do requerimento de auxílio doença de alguns empregados e constatou que constam sempre as mesmas atividades, tanto em período anterior, quanto em período posterior cobrança do adicional, isto é, não houve o citado rodízio. • Outro fato relevante que contraria as alegações do Engenheiro responsável pela elaboração dos LTCATs, são as informações encontradas em alguns PPPs arquivados no INSS (foram entregues pela empresa e anexados A processos, quando do pedido de auxilio doença de alguns empregados), onde constam sempre as mesmas atividades, tanto em período anterior, quanto em período posterior cobrança do adicional. Fl. 5761DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 32 31 Esses dados não foram contestados. 4.1.4 LIVRO DE INSPEÇÃO E NOTIFICAÇÕES DO MINISTÉRIO DO TRABALHO A fiscalização também verificou o Livro de Inspeção do Trabalho LIT e as notificações da Delegacia Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul — DRT/RS. Destaco os seguintes pontos: · Auto de infração n° 011254351, de 13/04/2005, por dificultar o livre acesso dos Auditores Fiscais a dependência de estabelecimento sujeito à inspeção do trabalho. · Auto de Infração n° 007666471, de 13/04/2005, por não permitir que representante dos trabalhadores acompanhem a fiscalização dos preceitos legais e regulamentares sobre Segurança e Medicina do Trabalho. · Auto de infração n° 005863252, de 24/06/2005, por dificultar o livre acesso de Auditor Fiscal a dependências dos estabelecimentos sujeitos ao regime da legislação trabalhista. · Auditores do Trabalho verificaram as seguintes irregularidades: 03 (três) empregados com Leucopenia persistente e um com alteração ocular compatível com efeitos do Metanol — todos sem emissão de CAT. (Pig. 25). · Termo de Notificação n° 08060640077: a) tornar obrigatório o uso de EPI Respiratório nas operações de enchimento dos tanques da área 65, inclusive nas operações de manutenção ou vazamentos; b) apresentar projetos e programas de melhoria sobre captação/filtros de ar na casa de controle Planta 2 e Utilidades; c) medidas de controle das emissões de vapores dos tanques que ocorrem durante as operações de enchimento/recebimento; d) outras medidas de engenharia referentes a redução da emissão de benzeno/hidrocarbonetos nesta área (Utilidades, tancagem 65 e bombas de óleo e casas de controle planta 2 e Utilidades). · Termo de "Interdição" por situação de risco grave e iminente a saúde e integridade física dos trabalhadores nas operações de deslocamento vertical de pessoas junto ao "FRARE" e uso de elevadores de cremalheira. (Pág. 20). · Autos de Infração por ausência de proteção contra quedas de alturas durante a operação de carregamento de caminhões tanque no pier Santa Clara e pela deficiente higienização da mascara de ar mandado utilizada coletivamente. (Pág. 23 e 24). 4.2 BENZENO Inicialmente registro a existência do “PROGRAMA DE PREVENÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO BENZENO – PPEOB”. A empresa afirma que o ambiente de trabalho é bem gerenciado e que não existe risco. Fl. 5762DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 33 32 Minha conclusão é que o gerenciamento não é eficaz e que a tributação é devida. Durante a ação fiscal foi constatado que a empresa tinha 23 casos de trabalhadores com alterações hematológicas relevantes e persistentes mais 12 empregados afastados por acidente de trabalho (em gozo de beneficio previdenciário) referentes a casos de leucopenia, neutropenia, plaquetopenia e trombocitopenia (doenças associadas ao benzeno). Os Auditores Fiscais do Trabalho – AFT (médicos) direcionaram seu trabalho para a análise dos hemogramas dos trabalhadores expostos a Benzeno: Foram solicitados os hemogramas dos trabalhadores expostos ao Benzeno na forma definida pela Portaria do Ministro da Saúde n° 776, de 28/04/2004, os quais foram apresentados em planilhas e transformados em gráficos para melhor visualização. Os dados foram repassados aos AFT's para análise em conjunto com o médico hematologista que presta consultoria à empresa. A conclusão apresentada é que a empresa não adota os procedimentos de vigilância da saúde dos trabalhadores. Constatamos que a empresa não adota os procedimentos de vigilância da saúde dos trabalhadores em função das seguintes constatações efetuadas pelos AFT's (relatório anexo): • "23 casos onde houve "Troca de Patamar" ou "Queda Continuada" — foram os casos em que foi encontrada uma queda significativa em uma ou mais séries hematológicas, e que deveriam ter sido classificados como CASO SUSPEITO, e submetidos a uma investigação clinica e hematológica mais aprofundada, conforme item 4.1.4 da Portaria MS 776." • "Os 23 casos encontrados em que houve "Troca de Patamar" ou "Queda Continuada", são os casos SUSPEITOS de intoxicação crônica por Benzeno, que deveria ter sido objeto de atenção especial por parte da empresa, mas não foram." • "E em 23 casos, dos 74 analisados, a empresa falhou em identificá los, mesmo tendo a disposição o instrumental necessário." • "Encontramos 23 casos de trabalhadores que deveriam estar incluídos no "protocolo de acompanhamento" previsto no item 4.1.4 da Portaria MS 776, por apresentarem alterações hematológicas RELEVANTES e PERSISTENTES, mas que não o foram. Estes casos indicam a necessidade de a empresa analisar as séries históricas dos hemogramas de TODOS os seus trabalhadores, de modo a identificar todos os casos suspeitos de Benzenismo, nos termos da Portaria MS 776." • "Encontramos casos de trabalhadores com diagnósticos sugestivos de benzenismo, com ou sem a CAT emitida, mas com afastamento previdenciário tipo B31, auxilio doença comum, ou seja, sem o devido vinculo ocupacional reconhecido. É importante que se providencie um levantamento, acompanhamento e eventual correção de tais casos." Fl. 5763DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 34 33 A empresa tinha a obrigação de efetuar uma investigação clinica e hematológica mais aprofundada e não o fez. A NR 9 estabelece que deverão ser adotadas as medidas necessárias suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais sempre que, através do controle médico da saúde, ficar caracterizado o nexo causal entre danos observados na saúde os trabalhadores e a situação de trabalho a que eles ficam expostos. Ocorre que a empresa, que tinha 23 casos de trabalhadores com alterações hematológicas relevantes e persistentes não cumpriu com a obrigação de investigar a causa da degradação da condição de saúde de seus empregados suspeitos de benzenismo. 9.3.5 Das medidas de controle. 9.3.5.1 Deverão ser adotadas as medidas necessárias suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais sempre que forem verificadas uma ou mais das seguintes situações: identificação, na fase de antecipação, de risco potencial à saúde; constatação, na fase de reconhecimento de risco evidente à saúde; c) quando os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR15 ou, na ausência destes os valores limites de exposição ocupacional adotados pela ACGIH American Conference of Governmental Industrial Higyenists, ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais rigorosos do que os critérios técnicolegais estabelecidos; d) quando, através do controle médico da saúde, ficar caracterizado o nexo causal entre danos observados na saúde os trabalhadores e a situação de trabalho a que eles ficam expostos. Também foi apresentada relação de alguns benéficos pagos pelo INSS, relacionandoos a exposição ao benzeno. Destacamos a seguir alguns benefícios concedidos pelo INSS aos trabalhadores da empresa Copesul, comentados anteriormente, e a relação de doenças causadas pela exposição ao Benzeno prevista no Decreto 3.048, de 06/05/1999, Anexo II, Lista A (QUADROA x QUADRO 2: Fl. 5764DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 35 34 A empresa apresentou 12 acidentes de trabalho referentes a casos de LEUCOPENIA, NEUTROPENIA, PLAQUETOPENIA e TROMBOCITOPENIA, alguns deles em período anterior ao fiscalizado, sendo dois deles por imposição através de ,fiscalização anterior da DRT, os quais foram encaminhados para Fl. 5765DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 36 35 investigação do nexo causal junto à Perícia Médica do INSS, especificamente para relacionálos com a exposição ao Benzeno. A Perícia Médica do INSS informou que o nexo não havia sido estabelecido, na época, devido à não exposição ao agente nocivo Benzeno nos laudos apresentados. Porém, os laudos técnicos da empresa não estavam anexados aos processos de auxílio doença dos empregados afastados. Desta forma, todos os programas e demais informações constantes nesta ação fiscal serão encaminhados Perícia Médica do INSS para que os casos sejam reexaminados, conforme orientação da DRT. Vale ressaltar que nenhum destes casos foi analisado pelos AFT's em função dos hemogramas destes 12 empregados não terem sido disponibilizados pela empresa, em tempo hábil, e por já terem sido encaminhados ao INSS para verificar o nexo. 4.3 RUÍDO A tese apresentada pela empresa é que o agente ruído é adequadamente gerenciado e que inexiste trabalhador exposto a condição de risco. Pelos motivos acima e abaixo apresentados, entendo que a empresa não é eficaz no gerenciamento de seu ambiente de trabalho e que a tributação é devida. Quando da fiscalização, havia 50 empregados com CAT emitida por alteração audiométrica neurosensorial e foram identificados outros 148 casos de exames audiométricos sugestivos, de perda induzida por Ruído, classificados desta forma por médico Otorrinolaringologista que presta consultoria para a Copesul. Esses números apontam a ineficácia da proteção dos trabalhadores sujeitos a trablho em ambiente ruidoso. Abaixo destaco algumas constatações efetuadas pelos Auditores do Trabalho na análise dos exames audiométricos alterados, ao comentar a tentativa da empresa de não emitir CAT para os casos supracitados: · "...Reputamos, portanto, falaciosa a classificação de "pouco exposto" para operadores das áreas de oficinas e utilidades, ou para os operadores e supervisores das áreas." · "56 dos casos a empresa informa que "também não devem ser notificados em CAT, por apresentarem causas ou condições não ocupacionais, devidamente documentadas, que explicam sua alteração audiométrica." Nestes casos, procuramos e não achamos os laudos médicos par a . embasar tais afirmações. A empresa teve 25 dias de prazo para produzir uma justificativa técnica para os casos em que não houve a emissão da CAT." · "Não é isto que observamos na postura da empresa, que busca qualquer justificativa para não emitir as CATS dos trabalhadores com PAIR." (Perda Auditiva Induzida pelo Ruído) · A empresa apresentou listagem com 27 trabalhadores que intitulou como 'CASO EM ESTUDO". A listagem com estes trabalhadores é o anexo 6. Não entendemos a dúvida. Estes casos foram identificados porque seus Fl. 5766DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 37 36 traçados audiométricos os classificavam como "casos suspeitos" de PAIR pelos critérios legais vigentes. Todos trabalham em áreas barulhentas. Nenhum tem laudo médico descaracterizando o fator ocupacional no desenvolvimento das suas alterações. · Toda a literatura sobre PAIR menciona a correlação de outros fatores capazes de agredir diretamente o órgão auditivo, e influir no desenvolvimento da perda auditiva por meio de da interação com os níveis de pressão sonora ocupacional ou não ocupacional. Destacando se, entre eles: Agentes químicos, solventes, tolueno. Solventes orgeinicos em mistura, e tolueno, são abundantes nesta planta industrial, e reconhecidos fatores e cofatores na gênese .de lesões ocupacionais. A COPESUL usa solvente orgânico como matéria prima (nafta petroquímica e benzeno) e produz tolueno. Mas em local algum se encontra menção de a empresa ter levado em conta o impacto aditivo dos produtos nela existentes, na gênese das perdas audiométricas encontradas nos seus trabalhadores. O Relatório Fiscal informa que a empresa foi autuada por deixar de comunicar acidente de trabalho para 146 empregados com sinais de Perda Auditiva Induzida pelo Ruído e que não comunica, na forma estabelecida em lei, os acidentes de trabalho de seus empregados, principalmente para aqueles expostos ao Ruído, quando o faz, isso se dá normalmente mediante ação dos órgãos fiscalizadores. Entre 1992 e 2003 nenhuma CAT foi emitida para exposição ao ruído. Dessa forma, a empresa deixou de comunicar acidente de trabalho para 146 empregados com sinais de Perda Auditiva Induzida pelo Ruído, o que acarretou a lavratura do Auto de Infração n° 37.018.921 3. Constatamos que a empresa não comunica, na forma estabelecida em lei, os acidentes de trabalho de seus empregados, principalmente para aqueles expostos ao Ruído. E quando o faz, isso se dá normalmente mediante ação dos órgãos fiscalizadores. É importante ressaltar, ainda, o lapso de 11 anos sem emissão de CAT para exposição ao Ruído no período de 1992 até 2003. 4.3.1 PROTETORES AURICULARES A fiscalização analisou os controles internos da empresa referentes ao fornecimento de EPIs. Constatouse situações em que empregados ficam longo tempo sem receber e/ou substituir os protetores auriculares. O Relatório Fiscal apresenta planilha demonstrativa às folhas 25 a 28. Registra o Relatório Fiscal que o LTCAT é omisso quanto à periodicidade das trocas e que, segundo declaração feita pelo Sr. Roberto Broetto, Técnico de Meio Ambiente Segurança e Saúde da empresa, os protetores auriculares do tipo PLUG tem duração máxima de trinta dias. Fl. 5767DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 38 37 As falhas no controle de fornecimento de EPI supracitados e as evidencias demonstradas no Livro de Inspeção do Trabalho e nas Atas da CIPA, demonstram que a empresa não fornece adequadamente e não exige corretamente o uso dos equipamentos de proteção aos trabalhadores. 4.3.3 LAUDOS TÉCNICOS O LTCAT é baseado em medições efetuadas no ambiente de trabalho. O Relatório Fiscal aponta que entre os anos 2000 a 2003, as medições foram idênticas. As medições apresentadas para o agente nocivo Ruído nos laudos são idênticas da Revisão 6 até a Revisão 9, enquanto a empresa afirma que os períodos das avaliações foram atualizados. Dado as inúmeras variáveis no ambiente de trabalho, como por exemplo, mudanças de layout, novos equipamentos operacionais, mudança nos equipamentos de proteção, desgaste nos equipamentos existentes, etc., demonstram ser improvável a repetição dos mesmos valores durante tanto tempo e nos mesmos locais. Houve alterações de valores na avaliação de 2004, sendo que em 2005 repetiuse novamente 2004. Segue demonstrativo exemplificando a situação acima descrita: A empresa afirma que não houve a mudança de layout. Entendo praticamente impossível, no intervalo de tempo apresentado,a medição apontar exatamente os mesmos valores. Não creio no que a empresa apresenta como real. 4.3.4 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL — PCMSO A Fiscalização identificou que há trabalhadores, expostos ao agente físico Ruído, que não foram submetidos aos exames anuais ou aos exames periódicos mínimos previstos nas normas de proteção. b) Constatamos que há trabalhadores, expostos ao agente físico Ruído, que não foram submetidos aos exames anuais ou aos exames periódicos mínimos previstos no item 3.4, ANEX01 QUADRO H da NR 07; "3.4. Periodicidade dos exames audiométricos. 3.4.1. 0 exame audiométrico será realizado, no mínimo, no momento da admissão, no 6° (sexto) mês após a mesma, anualmente a partir de então, e na demissão. Fl. 5768DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 39 38 3.4.1.1. No momento da demissão, do mesmo modo como previsto para a avaliação clinica no item 7.4.3.5 da NR 7, poderá ser aceito o resultado de um exame audiométrico realizado até: 135 (cento e trinta e cinco) dias retroativos em relação à data do exame médico demissional de trabalhador de empresa classificada em grau de risco 1 ou 2; 90 (noventa) dias retroativos em relação à data do exame médico demissional de trabalhador de empresa classificada em grau de risco 3 ou 4. 3.4.2. 0 intervalo entre os exames audiométricos poderá se reduzido a critério do médico coordenador do PCMSO, ou por notificação do médico agente de inspeção do trabalho, ou mediante negociação coletiva de trabalho." Fl. 5769DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 40 39 A empresa informou que tem uma sistemática de gestão para a convocação, mas a realização do exame é pessoal. Para atender plenamente a disposição, em 2005 a empresa inseriu o exame como indicador de bônus por resultado e previu sanções administrativas para a não realização do exame. 5. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada Fl. 5770DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 41 40 com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Para o recurso voluntário, voto pelo provimento parcial do recurso para nas preliminares reconhecer a decadência do período até 10/2001, com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN. No mérito voto pelo recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 5771DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 42 41 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Júlio de Souza – Relator designado De plano, cumpre ressaltar que, em princípio, o presente não tem pretensão de apresentar divergências aos argumentos do i. Relator. Tratase de proposta de diligência para obter dados complementares para a formação do convencimento do proponente bem como dos demais Conselheiros presentes que , por maioria de votos, anuíram a proposição em tela. Na forma original da ementa abaixo transcrita, o i. Relator do voto em apreço, corroborando o lançamento e a decisão a quo, resume o seu entendimento de que restara definitiva constatação da ineficácia do gerenciamento do ambiente de trabalho. Eis a questão de fundo que motivara a diligência: “INEFICÁFIA NO CUMPRIMENTO DAS NORMAS DE PROTEÇÃO DO TRABALHADOR. INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO ADICIONAL.A deterioração da saúde do trabalhador exposto a agentes nocivos no ambiente de trabalho evidencia a ineficácia do gerenciamento do ambiente de trabalho e resulta em incidência de adicional de Riscos Ambientais do Trabalho, acrescido às alíquotas do SAT/GILRAT (Seguro Acidente do Trabalho/Grau Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos riscos Ambientais do Trabalho).” Incluído pelo Decreto n° 4.032, de 2001, aduz que compete aos médicos peritos da previdência social verificar a eficácia das medidas adotadas pela empresa, conforme a previsão § 2º, art. 338 do Decreto 3048/99. No §3o fica definido que cabe ao INSS auditar. No art. 339 do mesmo diploma legal, aduz que fiscalizar tais aspectos é competência do Ministério do Trabalho e Emprego , verbis: “Art.338.A empresa é responsável pela adoção e uso de medidas coletivas e individuais de proteção à segurança e saúde do trabalhador sujeito aos riscos ocupacionais por ela gerados.(Redação dada pelo Decreto n 4.032, de 2001). §1ºÉ dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. .( Incluído pelo Decreto n 4.032, de 2001) §2ºOs médicos peritos da previdência social terão acesso aos ambientes de trabalho e a outros locais onde se encontrem os documentos referentes ao controle médico de saúde ocupacional, e aqueles que digam respeito ao programa de prevenção de riscos ocupacionais, para verificar a eficácia das medidas adotadas pela empresa para a prevenção e controle das doenças ocupacionais.(Incluído pelo Decreto n 4.032, de 2001) §3ºOs médicos peritos da previdência social deverão, sempre que constatarem o descumprimento do disposto neste artigo, comunicar formalmente aos demais órgãos interessados na providência e, quando Fl. 5772DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 43 42 for o caso, ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. .( Incluído pelo Decreto n 4.032, de 2001) §3oO INSS auditará a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais, incluindose as de monitoramento biológico, e dos controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, de modo a assegurar a veracidade das informações prestadas pela empresa e constantes do CNIS, bem como o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho. .(Redação dada pelo Decreto n 4.032, de 2001). §4oOs médicos peritos da previdência social deverão, sempre que constatarem o descumprimento do disposto neste artigo, comunicar formalmente aos demais órgãos interessados na providência, inclusive para aplicação e cobrança da multa devida. .( Incluído pelo Decreto n 4.032, de 2001) Art.339. O Ministério do Trabalho e Emprego fiscalizará e os sindicatos e entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos arts. 338 e 343.” No Relatório do voto, consta que a ação fiscal foi desenvolvida com fundamento nos sobreditos art.338, § 3° e art. 339 do RPS e que fora juntada a manifestação conclusiva dos Médicos do Trabalho da DRT. Entretanto, nada se comenta sobre ter havido manifestação dos médicos peritos da previdência social, em razão de suas atribuições legais. Cabe ressaltar que o sobredito posicionamento dos Médicos do Trabalho da DRT não foi conclusivo. Na seqüência isto restará demonstrado: “Da Ação Fiscal Conjunta com o Ministério do Trabalho e Emprego (item 7.2 do relatório fiscal, fls. 19/22) A ação fiscal foi desenvolvida com fundamento no art. 338, § 3° e art. 339 do RPS, objetivando verificar os controles internos e o cumprimento dos preceitos legais relativos aos controles médicos dos empregados do sujeito passivo e contou com a participação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego, através de Auditores Fiscais do Trabalho Médicos do Trabalho da DRT, vinculados à Delegacia Regional do Trabalho DRT de Porto Alegre, solicitada e formalizada através do Oficio DRFP/CANOAS/RS N° 46/2006 da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre encaminhado A DRT Delegacia Regional do Trabalho, de 29/08/2006 (fls. 248).” “A manifestação conclusiva dos Médicos do Trabalho da DRT acerca do agente nocivo ruído consta do relatório contido às fls. 249 a 256 dos autos e para o agente nocivo Benzeno, As fls. 273 a 282, constituindose em documentos integrantes da presente notificação fiscal, consoante informa o item 14 do relatório fiscal, às fls. 36/37.” Os Médicos do Trabalho afirmam que "o ruído é o problema maior na empresa", pois existem muitos locais acima do limite de tolerância e outros que, por serem limítrofes a estes, estão dentro do limite de ação, consoante se extrai das informações contidas no relatório conclusivo relativo aos trabalhadores expostos a ruído excessivo (fls. 253). Fl. 5773DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 44 43 Diante desta constatação, todos os programas e demais informações colhidos na ação fiscal foram encaminhados pela fiscalização à perícia Médica do INSS, para reexame destes benefícios, consoante orientação recebida da DRT. Da conclusão dos Médicos do Trabalho da DRT Como resultado, os Médicos do Trabalho da DRT concluíram pela presença do agente nocivo ruído junto ao sujeito passivo, em níveis de tolerância que pode comprometer a saúde ou a integridade física dos trabalhadores e da exposição de trabalhadores ao Benzeno, agente nocivo em que a simples exposição é prejudicial à saúde, sugerindo à Secretaria da Receita Previdenciária a autuação do sujeito passivo por descumprimento dos artigos 286 e 336 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, bem como a apuração dos valores devidos, nos termos do § 3° do art. 203 do mesmo regulamento.(fls. 249/282). Como se nota, no encimado, além de não serem taxativos quando afirmaram que os agentes nocivos, tãosomente PODERIAM estar comprometendo a saúde ou a integridade física dos trabalhadores, também a sugestão de autuação se ateve a observar o preceituado nos arts. 286 e 336 do RPS, que não se reporta aos argumentos que motivaram o lançamento em comento ou seja, fatos geradores da contribuição social previdenciária prevista no art. 57, 6° da Lei n° 8.213/91. Atevese a sugestão a procederem autuações segundo previsões de multas por acidentes não comunicados, verbis: “Art.286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. §1º Em caso de morte, a comunicação a que se refere este artigo deverá ser efetuada de imediato à autoridade competente. §2º A multa será elevada em duas vezes o seu valor a cada reincidência. §3º A multa será aplicada no seu grau mínimo na ocorrência da primeira comunicação feita fora do prazo estabelecido neste artigo, ou não comunicada, observado o disposto nos arts. 290 a 292.” “Art.336.Para fins estatísticos e epidemiológicos, a empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de que tratam os arts. 19, 20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991, ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, e o trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na forma do art. 286.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta do cumprimento do disposto no caput, caberá ao setor de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. Fl. 5774DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 45 44 §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §3ºNa falta de comunicação por parte da empresa, ou quando se tratar de segurado especial, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º A comunicação a que se refere o §3º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo. §5º A perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social poderá autuar a empresa que descumprir o disposto no caput, aplicando a multa cabível, sempre que tomar conhecimento da ocorrência antes da autuação pelo setor de fiscalização. (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §6º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela previdência social, das multas previstas neste artigo.” Na seqüência, o Relatório do voto explica o procedimento da Auditoria realizada pelos Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Previdenciária que na forma de suas análises concluíram que o sujeito passivo não comprovou o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e o controle dos riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos ex saúde e a integridade física, fato gerador da contribuição social previdenciária prevista no art. 57, 6° da Lei n° 8.213/91. Da Auditoria procedida pelos Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Previdenciária A fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária, a época, órgão arrecadador das contribuições previdenciárias, consoante estabelecido no art. 338 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99 e com base no trabalho conclusivo elaborado pela fiscalização do Ministério do Trabalho, examinou as demonstrações ambientais e outros documentos e controles internos do sujeito passivo, objetivando verificar se o mesmo gerencia os riscos ocupacionais decorrentes da exposição de seus trabalhadores a agentes nocivos e adota as medidas de proteção recomendadas. Da análise dos Demonstrativos Ambientais A fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária procedeu à análise das demonstrações ambientais dos diversos estabelecimentos do sujeito passivo, através do exame do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais do Trabalho PPRA, do Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho LTCAT, do Programa de Prevenção de Exposição Ocupacional ao Benzeno PPEOB, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, além de outros. Além disso, inspecionou as dependências da empresa, através de visitas à planta industrial, verificando os ambientes e o processo de trabalho, consoante o item 5 do relatório fiscal, fls. 8. Fl. 5775DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 46 45 Do cotejo dos documentos apresentados foram constatadas diversas irregularidades tais como: omissões, apresentação deficiente de demonstrativos (PPRA, LTCAT, PPEOB, PCMSO), incompatibilidade entre documentos, descumprimento de formalidades na elaboração de laudos e evidências materiais que comprovaram a efetiva exposição de trabalhadores a agentes nocivos, consoante detalhado no item 6 do relatório fiscal (fls. 09/18), concluindo que o sujeito passivo não comprovou o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e o controle dos riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos ex saúde e a integridade física, fato gerador da contribuição social previdenciária prevista no art. 57, 6° da Lei n° 8.213/91. De tudo que foi exposto, na forma do § 2° do art. 338, compete aos médicos peritos da previdência social verificar a eficácia das medidas adotadas pela empresa para a prevenção e controle das doenças ocupacionais. Nesse sentido, destaca o i Relator que todos os programas e demais informações colhidos na ação fiscal foram encaminhados pela fiscalização à perícia Médica do INSS, para reexame dos benefícios, consoante orientação recebida da DRT, verbis: “ §2º Os médicos peritos da previdência social terão acesso aos ambientes de trabalho e a outros locais onde se encontrem os documentos referentes ao controle médico de saúde ocupacional, e aqueles que digam respeito ao programa de prevenção de riscos ocupacionais, para verificar a eficácia das medidas adotadas pela empresa para a prevenção e controle das doenças ocupacionais.(Incluído pelo Decreto n 4.032, de 2001)” “...todos os programas e demais informações colhidos na ação fiscal foram encaminhados pela fiscalização à perícia Médica do INSS, para reexame destes benefícios, consoante orientação recebida da DRT.”( fls 9 do voto em apreço Consta registro da existência de Inquérito Civil Público Da existência de Inquérito Civil Público movido pelo Ministério Público do Trabalho “Extraise dos autos (relatório dos Médicos do Trabalho, às fls. 254), que a empresa tem contra si o Inquérito Civil Público de n° 055/02, que tramita junto ao Ministério Público do Trabalho, cujo conteúdo discute questões relativas a ruído excessivo.” DA NECESSIDADE DA DILIGÊNCIA A autoridade autuante registrou, conforme abaixo transcrito, o rol dos documentos anexados: “Dos Documentos Anexados aos autos pelo Fisco A fiscalização anexou aos autos cópia de documentos examinados na ação fiscal, a exemplo de PPRA, PCMSO, LTCAT e PPEOB (fls. 107 a 300). Além destes, também consta: Oficio DRFP/CANOAS/RS N° 46/2006 da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre à DRT Delegacia Regional do Trabalho, de 29/08/2006, solicitando ação fiscal conjunta (fls. 248); relatório conclusivo, emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho acerca de informações relativas a trabalhadores expostos a ruído excessivo (fls. 249/256); Fl. 5776DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000327/200773 Resolução nº 2403000.249 S2C4T3 Fl. 47 46 relatório conclusivo, emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho acerca de informações relativas a análise dos hemogramas dos trabalhadores expostos a Benzeno (fls. 273/282); Termo de Notificação n° 406970, de 27/09/2006, emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego/DRTRS (fls. 257); manifestação da ASESMA Assessoria de Gestão de Pessoas, Segurança e Meio Ambiente, de 23/10/2006, acerca dos termos da notificação fiscal n° 406970 da DRT/RS (fls. 263/264); ATA da CIP 4ª Reunião 2004(11s. 283/285); CAT Comunicação de Acidente do Trabalho (fls. 295/306)” Não tendo sido alcançado nos autos de que houvera sido providenciado o retorno do reexame da perícia médica do INSS, sendo certo que à esses médicos se conferiu a atribuição de competência para atestar a eficácia das medidas adotadas manifestando apreço ao laborioso trabalho do i. Relator voto no sentido de que os autos retornem em diligência para as sobreditas providências de juntar o referido laudo pericial médico do INSS. Aduz que, se faça juntar, também, cópia ou informação do trânsito em julgado da ação cível supra. DA INTIMAÇÃO Com previsão do art. 28 da Lei n° 9.784/99, devem ser objeto de intimação o abaixo descrito, verbis: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. "(grifos de minha autoria) Aduz que tal determinação também é feita no comando do § 4° do art. 63 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, verbis: " § 4° Dos acórdãos será dada ciência ao recorrente ou ao interessado e, se a decisão for desfavorável à Fazenda Nacional, também ao seu representante.” Assim, determino que antes do retorno dos autos, o contribuinte deva ser intimado do inteiro teor desta Resolução bem como da Resposta vinculada. É como voto Ivacir Júlio de Souza Fl. 5777DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 20/10/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.729091/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.595
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura dos autos de infração à legislação da Cofins e do PIS, fls. 3/27, em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento nos períodos de apuração 01/2009 a 12/2011. Exigese, para o PIS, principal de R$ 1.114.826,33, que acrescido de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 2.247.032,72 e, no caso da Cofins, contribuição de R$ 5.057.009,49, totalizando, com multa de ofício e juros moratórios, R$ 10.194.626,47. Integra o auto de infração o “Termo de Verificação Fiscal” de folhas 29/31, no qual a autoridade fiscal informa que a fiscalização foi programada para os anos de 2009, 2010 e 2011, com o objetivo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 09 1/ 20 13 -1 8 Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10380.729091/201318 Resolução nº 3201000.595 S3C2T1 Fl. 1.587 2 verificar indícios de redução indevida do PIS/COFINS a recolher, uma vez que nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON apresentados para o referido período, constam registros de créditos alocados nas rubricas de "Bens para Revenda" e "Bens utilizados para Consumo", incompatíveis com os dados declarados a esse título nas correspondentes Declarações de Rendimentos DIPJ. Informa ainda que a pessoa jurídica sob fiscalização atua em nome da Loteria Estadual do Ceará, na realização de concurso de prognóstico, dizendose autorizada pela Lei Federal n° 6.717/79, comercializado sob a marca "TOTOLEC” na capital e no interior do Estado do Ceará. De acordo com o seu Contrato Social, datado de 20/01/2003, essa empresa foi constituída sob a forma de sociedade limitada, tendo como objeto social a administração e distribuição de loterias de prognósticos, tendo posteriormente transformadose em sociedade por ações através da Ata da Assembléia datada de 01/06/2011, acrescentando ao seu objeto social, a participação e administração em outras sociedades. Em resposta a intimação, a interessada apresentou planilhas, contendo as bases de cálculo das contribuições devidas, bem como os valores que adotou como base para o cálculo dos créditos que foram delas deduzidos. De acordo com as referidas planilhas as contribuições devidas foram calculadas com base nos totais mensais indicados na linha correspondente a "faturamento/receita bruta". Já quanto à base para o cálculo dos créditos, os valores foram totalizados mensalmente na linha correspondente a "insumos utilizados p/ produção dos serviços", com a menção à margem, de que esses totais eram referentes a gastos com "selos, cartelas, publicidade e direito de uso", tendo ainda indicado em linha própria, as despesas com energia. No cômputo do faturamento mensal utilizado como base para o cálculo das contribuições devidas, o contribuinte excluiu os valores correspondentes aos pagamentos das premiações objeto dos sorteios realizados, tendo submetido à tributação do PIS e da COFINS apenas a diferença entre o montante da receita bruta recebida e o valor das premiações pagas. Afirma o fiscal que o procedimento adotado pela empresa não encontra guarida no disciplinamento legal da matéria, estabelecido nas leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação posterior, nem em relação à definição de receita bruta, nem tampouco em relação aos requisitos para aproveitamento de crédito a título de custos ou despesas, uma vez que os pagamentos são feitos a pessoas físicas em dinheiro, representando, por conseqüência, uma redução indevida da base tributável das contribuições citadas, por carência de permissivo legal que lhe dê respaldo jurídico. Informa ainda o fiscal que, em relação à composição da base de cálculo dos créditos indicados nos DACON a título de insumos utilizados para produção dos serviços, nas planilhas apresentadas pela empresa, foram informados valores mensais globais, com a indicação de que eram decorrentes de gastos com: selo, cartela, publicidade, direito de uso, e em linha específica, as despesas com energia elétrica. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10380.729091/201318 Resolução nº 3201000.595 S3C2T1 Fl. 1.588 3 Ressalva que, à vista de declarações prestadas pelas empresas de comunicações (documentos anexos) que prestaram serviços à fiscalizada, os gastos indicados na planilha a título de "publicidade" foram admitidos no rol dos créditos, em face da comprovação de que os mesmos referiamse à cessão de espaço na mídia para a realização, ao vivo, dos sorteios necessários à publicidade do evento via televisão e rádio, bem como, referentes a divulgação dos seus resultados através de jornais, dispêndios estes que se revelam essenciais à consecução do objeto social da fiscalizada, que consiste, como já dito, na realização de concurso de prognósticos tipo "bingo", e portanto, classificáveis nos "custos" dos serviços realizados pela fiscalizada, enquadráveis nas hipóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. De modo diverso, devido à falta de amparo nos dispositivos legais supracitados e legislação correlata, deixou de acatar os créditos decorrentes dos gastos classificados como "direito de uso", por se tratarem de taxas arrecadadas mensalmente à Secretaria de Fazenda do Estado do Ceará (cód. Receita: 6181Taxa da Loteria Estadual do Ceará), conforme documentos de arrecadação em anexo, cuja dedução na apuração do saldo a pagar do PIS e da COFINS, não é autorizada pela legislação de regência. Assim, foi procedida a recomposição da base calculo do PIS e da COFINS, conforme demonstrativos em anexo, considerando como base de cálculo destas contribuições o faturamento mensal da fiscalizada, no seu montante integral, e como base para o cálculo dos créditos aproveitáveis, os valores dos custos contabilizados a título de selo, cartela, publicidade e energia, conforme demonstrativo em anexo, deixando de incluir nesse rol, pelos motivos apontados acima, os dispêndios computados a título de ''direito de uso", cabendo ressaltar que dos saldos devedores então apurados, foram deduzidos os valores dessas contribuições que já haviam sido declarados/recolhidos espontaneamente pela empresa. Cientificada em 22/10/2013 a interessada, inconformada, apresentou em 12/11/2013 a impugnação de fls. 1477 a 1496 na qual alega, em resumo, que: ∙ A Loteria Estadual do Ceará (Lotece) é serviço público outrora vinculado à Secretaria de Indústria e Comércio, atualmente vinculado à Secretaria da Fazenda – serviço explorado pelo estado do Ceará por força do DecretoLei 204, de 27 de fevereiro de 1967; ∙ Na qualidade de prestadora de serviços lotéricos, a sociedade empresária "atua em nome da Loteria Estadual do Ceará'', vale dizer, a prestadora de serviços lotéricos administra os sorteios autorizados e cuida do pagamento dos prêmios aos respectivos portadores dos bilhetes premiados, tudo em nome da Loteria Estadual do Ceará e da Secretaria da Fazenda. Com esse propósito, é cediço que a ora impugnante: organiza sorteios lotéricos; oferece os bilhetes lotéricos ao público consumidor; recolhe o produto da venda dos bilhetes lotéricos; Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10380.729091/201318 Resolução nº 3201000.595 S3C2T1 Fl. 1.589 4 sorteia os prêmios autorizados e prometidos com transmissão ao vivo por várias emissoras de TV; entrega aos contemplados, em nome da Loteria Estadual do Ceará, os prêmios autorizados, prometidos e sorteados; retém, como parte da contraprestação dos serviços lotéricos, o valor concernente aos prêmios não reclamados; mensalmente, por intermédio da Secretaria da Fazenda, entrega a parcela líquida dos recursos arrecadados pela ora impugnante e destinados à Loteria Estadual do Ceará; e recebe, para o custeio das despesas de operação, administração e divulgação do serviço de loteria, a título de contraprestação dos serviços lotéricos, remuneração correspondente ao produto da venda dos bilhetes lotéricos deduzido dos prêmios pagos e da parcela líquida dos recursos arrecadados pela ora impugnante e destinados à Loteria Estadual do Ceará. ∙ Noutras palavras, a prestadora de serviços lotéricos que "atua em nome da Loteria Estadual do Ceará" recebe, como contraprestação dos serviços lotéricos remuneração correspondente ao produto da venda dos bilhetes lotéricos deduzido de duas parcelas atinentes a ingressos de numerários sem natureza de receita própria: a parcela dos recursos financeiros arrecadados pela ora impugnante e previamente vinculados ao pagamento dos prêmios em nome da Loteria Estadual do Ceará às pessoas contempladas nos sorteios lotéricos, exclusive os prêmios não reclamados; e a parcela líquida dos recursos financeiros arrecadados pela ora impugnante e destinados à Loteria Estadual do Ceará, mensalmente entregues à destinatária por intermédio da Secretaria da Fazenda. ∙ O correto critério aqui defendido para a determinação da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS é semelhante ao utilizado, por exemplo, pelas casas lotéricas credenciadas pela Caixa Econômica Federal. É notório que as casas lotéricas credenciadas pela Caixa Econômica Federal recolhem o produto da venda dos bilhetes lotéricos, mas o faturamento delas também é calculado tomandose o produto da venda dos bilhetes lotéricos e dele deduzindose duas parcelas: (i) os prêmios pagos pelas casas lotéricas (em nome da Caixa Econômica Federal) e (ii) a parcela dos recursos financeiros arrecadados pela casa lotérica e destinados à Caixa Econômica Federal; ∙ Nessa forma de apuração da base de cálculo das contribuições, se assemelham as demais pessoas jurídicas que administram ou operam recursos de terceiros, tais como, dentre outras, aquelas que têm por objeto: propaganda e publicidade, cobrança, venda de bilhetes de metrô e prestadoras de serviços de transporte coletivo de passageiros que repassam receitas às demais pessoas jurídicas participantes de sistema integrado. ∙ Ademais, provavelmente com o intuito de afastar eventuais dúvidas relacionadas com a grande movimentação de recursos financeiros pelas inúmeras loterias federais administradas pela Caixa Econômica Federal, a própria Receita Federal, na Instrução Normativa SRF 247, Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10380.729091/201318 Resolução nº 3201000.595 S3C2T1 Fl. 1.590 5 de 2002, vigente na época dos fatos aqui discutidos, determinou que, no caso dos serviços de loterias, a base de cálculo da Cofins e das contribuições para o PIS e para o Pasep é o somatório das "RENDAS DE ADMINISTRAÇÃO DE LOTERIAS", conforme detalha o seu Anexo de número I. ∙ Logo, o faturamento da ora impugnante, "assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica" é a remuneração recebida como contraprestação dos serviços lotéricos, nela não incluídos, obviamente, os ingressos de numerários sem natureza de receita própria. ∙ Nos lançamentos dos créditos tributários, a Receita Federal do Brasil deixou de lado o princípio da verdade material e adicionou à base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS ingressos de numerários SEM natureza de receita própria: pela via direta, adicionou à base de cálculo informada pelo sujeito passivo a parcela dos recursos financeiros arrecadados pela ora impugnante e previamente vinculados ao pagamento dos prêmios em nome da Loteria Estadual do Ceará às pessoas contempladas nos sorteios lotéricos; e pela via indireta, glosou insumo declarado pelo sujeito passivo, sob o título "direito de uso", correspondente à parcela líquida dos recursos financeiros arrecadados pela ora impugnante e destinados à Loteria Estadual do Ceará, mensalmente entregues à destinatária por intermédio da Secretaria da Fazenda. ∙ É certo que a própria impugnante havia cometido erro quando, na determinação da base de cálculo das contribuições, equivocadamente, adicionou à rubrica "faturamento" (ou "receita bruta de venda de serviços") o valor da parcela líquida dos recursos financeiros por ela arrecadados na venda de bilhetes lotéricos e destinados à Loteria Estadual do Ceará mensalmente entregue à destinatária por intermédio da Secretaria da Fazenda. No entanto, a fiscalização da Receita Federal do Brasil não se vincula a erros cometidos pelo sujeito passivo da obrigação tributária e a venda de bilhetes representa ingresso de numerários no caixa da ora impugnante, mas apenas parte dele tem natureza de receita própria, conforme já demonstrado. ∙ A interessada roga pela total improcedência do lançamento dos créditos tributários da Cofins e da contribuição para o PIS, regime não cumulativo, porque constituídos a partir de base de cálculo incorreta. ∙ Ad argumentandum, caso a Turma Julgadora entenda improcedente o primeiro pedido de mérito, SUCESSIVAMENTE, a impugnante pede a reforma do lançamento para excluir da base de cálculo das contribuições as parcelas correspondentes aos ingressos de recursos financeiros previamente vinculadas a terceiros: valor bruto destinado ao pagamento de prêmios e valor do repasse de recursos à Loteria Estadual do Ceará. Sobreveio decisão da 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10380.729091/201318 Resolução nº 3201000.595 S3C2T1 Fl. 1.591 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 COFINS. NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A legislação de regência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, determina que o fato gerador é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ademais, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de serviço e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PIS. NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A legislação de regência da contribuição para o PIS/Pasep determina que o fato gerador é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ademais, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de serviço e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de serviços. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. VOTO Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10380.729091/201318 Resolução nº 3201000.595 S3C2T1 Fl. 1.592 7 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A autoridade fiscal esclarece que o auto de infração decorre de equívoco da recorrente na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nestes termos (Termo de Verificação Fiscal, fls. 29): 1. No cômputo do faturamento mensal utilizado como base para o cálculo das contribuições devidas, o contribuinte excluiu os valores correspondentes aos pagamentos das premiações objeto dos sorteios realizados, tendo submetido à tributação do PIS e da COFINS apenas a diferença entre o montante da receita bruta recebida e o valor das premiações pagas. O procedimento adotado pela empresa não encontra guarida no disciplinamento legal da matéria, estabelecido nas leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação posterior, nem em relação à definição de receita bruta, nem tampouco em relação aos requisitos para aproveitamento de crédito a título de custos ou despesas, uma vez que os pagamentos são feitos a pessoas físicas em dinheiro, representando, por conseqüência, uma redução indevida da base tributável das contribuições citadas, por carência de permissivo legal que lhe dê respaldo jurídico. A recorrente, por seu turno, afirma que nem todo ingresso de numerário no caixa da sociedade empresária configura receita própria, “sendo imprescindível para qualificálo o caráter de definitividade da quantia ingressada, o que não acontece com valores só transitados pelo patrimônio da pessoa jurídica”. Aduz que a prestadora de serviços lotéricos, que atua em nome da Loteria Estadual do Ceará recebe, como contraprestação dos serviços lotéricos remuneração correspondente ao produto da venda dos bilhetes lotéricos deduzido de duas parcelas atinentes a ingressos de numerários sem natureza de receita própria, quais sejam: a parcela dos recursos financeiros arrecadados e previamente vinculados ao pagamento dos prêmios em nome da Loteria Estadual do Ceará às pessoas contempladas nos sorteios lotéricos, exclusive os prêmios não reclamados, e a parcela líquida dos recursos financeiros arrecadados pela ora recorrente e destinados à Loteria Estadual do Ceará, mensalmente entregues à destinatária por intermédio da Secretaria da Fazenda. Delimitada a lide, constatase, contudo, que não consta do presente processo o ato concessivo previsto no DL 6.259/1944, que dispõe sobre o serviços de loterias, mais especificamente sobre a delegação da exploração do serviço de loteria a concessionários de comprovada idoneidade moral e financeira. Desta forma, sendo esta ato concessório indispensável para a verificação da natureza dos ingressos na contabilidade da recorrente, mostrase necessária a conversão em diligência do presente processo, para o esclarecimento dos fatos. Diante do exposto, voto pela conversão em diligência do presente processo, para os seguintes procedimentos a cargo da autoridade fiscal: a) intimar a recorrente a apresentar, no prazo de 30 dias, o título jurídico (ato concessório) que fundamenta a concessão da exploração do serviço de loteria que pratica, bem como os documentos que entender aptos ao esclarecimento da lide; Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10380.729091/201318 Resolução nº 3201000.595 S3C2T1 Fl. 1.593 8 b) apresentar relatório acerca dos elementos apresentados pela recorrente. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente e à PGFN para, em tendo interesse, manifestaremse no prazo de 30 dias. Concluídos os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para o prosseguir com o julgamento da lide. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10380.901170/2006-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CONDIÇÕES.
Somente é cabível o reconhecimento do direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de CSLL, quando ficar demonstrado que tal valor deixou de ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que ocorreu esse pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL do mesmo período.
Recurso Voluntário Negado.
Tratando-se de apuração anual, o prazo para solicitar a restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/base negativa de CSLL extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da apuração do referido saldo negativo.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. ANTERIORIDADE À DECISÃO ADMINISTRATIVA.
A legislação tributária estabelece, entre outras restrições, que a retificação de DCOMP somente pode ser efetuada pelo sujeito passivo na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, e desde que a declaração ainda se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador.
Numero da decisão: 1402-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e os pedidos de diligência e de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Diligências e perícias não se prestam a produzir provas de responsabilidade da parte, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. PEDIDO REALIZADO A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Aos pedidos de restituição realizados a partir de 9 de junho de 2005 aplicase o prazo prescricional de 5 anos contados a partir da extinção do crédito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. BASE NEGATIVA DE CSLL. APURAÇÃO ANUAL. PRAZO. Tratandose de apuração anual, o prazo para solicitar a restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ/base negativa de CSLL extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da apuração do referido saldo negativo. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. ANTERIORIDADE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. A legislação tributária estabelece, entre outras restrições, que a retificação de DCOMP somente pode ser efetuada pelo sujeito passivo na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, e desde que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 11 70 /2 00 6- 33 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 303 2 declaração ainda se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CONDIÇÕES. Somente é cabível o reconhecimento do direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de CSLL, quando ficar demonstrado que tal valor deixou de ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que ocorreu esse pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL do mesmo período. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e os pedidos de diligência e de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 304 3 Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA DO CEARÁ recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1260.885 proferido pela 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/DRJ1 que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Versa o presente processo sobre o tratamento manual (Proposta e Despacho de fl.03) dado ao PERDCOMP de nº 11107.96068.150803.1.3.032772 (fls.03/12), transmitido em 15/08/2003, através do qual a interessada declarou compensações efetuadas com crédito oriundo de saldo negativo de CSLL, do exercício de 2002 (AC 2001), cujo valor original indicado foi de R$ 7.505.726,52. No mesmo tratamento manual, foram incluídos os PER/DCOMP abaixo relacionados, relativos a outras compensações efetuadas com o saldo remanescente do referido crédito: 18871.08671.170903.1.3.038546; e 26469.84557.130208.1.3.037732. Através de Despacho Decisório de fl.71, a Delegada da DRF/Fortaleza homologou as compensações declaradas no limite do crédito reconhecido de R$ 6.720.412,45, acrescido dos juros SELIC, na forma do art.52 da IN SRF nº 600/2005. Esse Despacho teve como base os fundamentos consubstanciados na Informação Fiscal de fls.66/70 (numeração digital). A síntese do conteúdo dessa Informação é apresentada a seguir, devendo ser observado que a numeração indicada é a original: a) A declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica relativa ao exercício de 2002, AC 2001 (DIPJ/2002), transmitida pela interessada em 13/06/2003, aponta saldo negativo de CSLL no montante de RS 7.583.152.27; b) O quadro seguinte traz um resumo da FICHA 17A – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ/2002: CÁLCULO DA CSLL VALOR DECL. (R$) 36. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 0,00 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 305 4 TOTAL DEDUÇÕES 38.() CSLL Mensal Paga por Estimativa 7.533.160,89 41.() CSLL Retida na Fonte por Órgão Público 49.991,38 42. CSLL A PAGAR (363841) 7.583.152,27 c) Os códigos relativos à CSLL Retida na Fonte por Órgão Público são 5952 (retenção conjunta de CSLL, Pis e Cofins) e 5987 (retenção exclusiva de CSLL). Através de consulta ao sistema SIEFDIRF, referente ao resumo das retenções ocorridas no AC 2001 (extrato de fl.56), foi feita a conferência dos valores retidos, por código, sendo verificado que não consta retenção com os códigos citados. d) O relatório obtido com base em dados dos sistemas de controle da RFB (fls.49/50) e da DCTF do período (fls.19/24), relativo aos valores recolhidos ou compensados pela interessada a título de estimativa mensal de CSLL do AC 2001, é o seguinte: ESTIMATIVAS DARF COMP Pag Indev COMP SN CSLL RETIDA TOTAL JAN 262.677,45 8.964,88 FEV 516.783,15 329.898,72 MAR 754.856,48 9.204,99 ABR 531.524,24 138.475,08 27.434,37 MAI 512.876,41 JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 4.770.363,84 TOTAL 7.349.081,57 329.898,72 156.644,95 27.434,37 7.863.059,61 c) O valor de R$ 329.898,72 foi utilizado para compensar parte da CSLL declarada de fevereiro de 2001, conforme cópia da DCTF de fls.20/21, e referese a pagamentos indevidos ou a maior efetuados no anocalendário 1996, código de receita 2484 CSLL Estimativa Mensal. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento a maior de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. d) Assim, conforme explicitado, serão glosados, do saldo apurado da CSLL mensal por estimativa (7.863.059,61), os valores de R$ 329.898,72 e R$ 27.434,37, e do ajuste anual a dedução de CSLL retida na fonte, no valor de R$ 49.991,38. e) O novo cálculo do valor da CSLL é o seguinte: Fl. 305DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 306 5 CÁLCULO DA CSLL VALOR DECL. (R$) 36. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO TOTAL 0,00 DEDUÇÕES 38.() CSLL Mensal Paga por Estimativa 7.505.726,52 41.() CSLL Retida na Fonte por Órgão Público 0,00 42. CSLL A PAGAR (363841) 7.505.726,52 f) O saldo negativo apurado é, portanto, de R$ 7.505.726,52. g) Analisandose a DCTF/2002, fl.56, verificase que parte da estimativa de CSLL devida em jun/2002, no valor de R$ 858.897,98, foi compensada com o saldo negativo do AC 2001, sem processo. Ademais, vale destacar que este valor compõe o saldo negativo de CSLL apurado no AC 2002, analisado no Processo de nº 10380720.196/200763. h) Após a utilização do valor de R$ 858.897,98, o valor do saldo negativo a ser utilizado nos PER/DCOMP de que se trata é de R$ 6.720.412,45, em face da imputação proporcional efetuada às fls. 57/61. Cientificada do Despacho Decisório em 04/06/2008 (AR, fl.72), a interessada apresenta, em 03/07/2008, sua manifestação de inconformidade (fls.75/94), instruída com os documentos de fls.95/205, alegando, em síntese, relativamente ao Mérito, o que segue: Da Retificação de Ofício do PER/DCOMP a) Com base nos arts. 147 e 149, IV e VIII do CTN, e tendo em vista realizou a retificação da sua DIPJ/2002, o valor correto do saldo negativo inicial da CSLL, que deveria ter constado no PER/DCOMP, é de R$ 7.863.059,61; e a) Deduzindose desse montante o valor de R$ 858.897,98 (utilizado em compensação sem processo), aferido pela própria Autoridade Fiscal como sendo compensação de parte da estimativa de junho/2002, chegase ao valor final de R$ 7.004.161,63, compensável mediante PER/DCOMP. Da Indevida Glosa da Compensação com Pagamento Indevido ou a Maior Fl. 306DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 307 6 a) Foi incorreta a glosa do valor de R$ 329.898,72 (correspondente à parte da estimativa de IRPJ de fev/2001, compensada com pagamento indevido ou a maior efetuado em 1996 DCTF de fls.20/21), feita pela Administração; b) Essa conclusão está baseada, conforme Informação Fiscal, na observação óbvia de que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, que efetuar pagamento indevido ou a maior de estimativa, somente poderá utilizar o valor pago na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve pagamento a maior ou para compor o saldo negativo de CSLL do período; e c) Os dados da DIRPJ/1997 anexa provam a existência do crédito pleiteado. Da Indevida Glosa da CSLL Retida na Fonte por Órgãos Públicos a) O fundamento da retenção em questão está no art.64 da Lei nº 9.430/1996 e não na Lei 10.833/2003, o que ocasionou o equívoco de terem sido consultados, para a confirmação dessa retenção, os códigos 5952 e 5987, quando o correto teria sido o código 6147; e b) Para possibilitar o efetivo levantamento de todos os comprovantes, fazse necessária a realização de perícia/diligência fiscal a fim de comprovar as retenções nos totais de R$ 27.434,37 e R$ 49.991,38. Nessa manifestação, a interessada REQUER: A) A realização de perícia/diligência fiscal através da qual reste possibilitado o efetivo levantamento de todos os comprovantes relativos às retenções em pagamentos efetuados por órgão público, os quais possam levar a presente Autoridade Julgadora da DRJ a responder aos quesitos de fls.92/93; B) A imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança dos débitos albergados no presente processo de restituição/compensação, face à expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados (art. 151, III, do CTN, o art. 74, §§ 4o, 7o, 9o, 11, da Lei n° 9.430/96, o art. 15 do Decreto n° 70.235/72 (Lei do PAF) e o art. 68, § Io da IN SRF n° 600/005); e C) Que o presente processo, por força dos mesmos dispositivos legais, passe a constar como "exigibilidade suspensa" nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma a que Fl. 307DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 308 7 seja deferida Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa CPDEN, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN. Apensados a este, encontramse os Processos nºs 10380.010210/200717 e 10380.720120/200819 que tratam, respectivamente, da resposta enviada pela interessada, datada de 11/09/2007, a Termo de Intimação lavrado anteriormente ao tratamento manual de que trata este processo e de extratos relativos ao PER/DCOMP nº 28469.84557.130208.1.3.03 7732. Analisando a manifestação de inconformidade, a turma julgadora a quo julgoua parcialmente procedente, reconhecendo tão somente o valor de R$ 77.425,75 referente a retenções de CSLL na fonte. O contribuinte foi cientificado da decisão em 20 de janeiro de 2014 (fl. 253) apresentando recurso voluntário de fls. 256279 em 19 de fevereiro de 2014. Em síntese, a recorrente repisa seus argumentos apresentados em impugnação, solicitando: preliminarmente: (i) a realização de diligência e perícia para confirmar o valor de saldo negativo no valor constante na DIPJ retificadora, e não o contido na declaração de compensação transmitida; (ii) a imediata paralisação de qualquer cobrança do crédito tributário em litígio em face da suspensão de sua exigibilidade (e o consequente direito à expedição positiva com efeito de negativa); no mérito, o reconhecimento do direito creditório ainda não reconhecido, e a consequente homologação das compensações pleiteadas. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 309 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator 1. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PRELIMINARES 2.1 DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA/ DILIGÊNCIA FISCAL A recorrente requereu em sua impugnação, e também em sede de recurso voluntário, a realização de diligência/perícia a fim de demonstrar que grande parte dos recursos movimentados em suas contas correntes diz respeito a valores estranhos ao seu faturamento. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de diligência. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 310 9 No caso ora examinado alega a recorrente que houve retificação da DIPJ alterando o valor do saldo negativo contido em sua declaração de compensação, e que deveria a autoridade fiscal, de ofício, realizar as diligências necessárias para comprovação do novo valor informado. Além disso, requereu perícia a respeito do tema, indicando, inclusive, os quesitos e o perito responsável. Em primeiro lugar, há de se observar que caberia ao contribuinte comprovar os dados informados em sua DIPJ retificadora a fim de demonstrar que o saldo negativo por ela mesmo informado em DComp (aliás, DComp não retificada), e isso, durante toda a instrução processual, não o foi feito, não cabendo a este colegiado suprir tais deficiências. Além disso, há de se observar que a retificação da DIPJ, com o suposto aumento do saldo negativo pleiteado, se deu em período em que não mais era possível tal correção, uma vez que realizada em prazo superior a 5 anos contados da data do pagamento indevido, conforme se abordará em item específico deste voto. No que atine à diligência a respeito das retenções de tributos, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, razão pela qual transcrevo seus fundamentos com apoio do disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99: A interessada requer, na sua manifestação, a realização de perícia/diligência fiscal para que possa ser efetuado o levantamento de todos os comprovantes relativos às retenções de CSLL na Fonte, efetuadas por Órgãos Públicos. No caso dessas retenções, a Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 02 de março de 2001, tendo em vista o disposto no art.64 da Lei nº 9.430/1996, invocado pela interessada em sua manifestação, estabelece que: Art. 21 . O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual da retenção, até o dia 28 de fevereiro do ano subseqüente, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, conforme modelo constante do Anexo IV: o código de retenção; a natureza do rendimento; o valor pago, assim entendido o valor antes de efetuada a retenção; o valor retido. § 1º Como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia impressa do Darf, desde que este contenha, no campo destinado a observações, o valor pago, correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. (grifouse) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 311 10 Portanto, de acordo com a legislação de regência, os Órgãos Públicos, na qualidade de fontes pagadoras, são obrigados a fornecer o comprovante anual das retenções efetuadas. Dessa forma, tratase de matéria de prova a ser feita mediante a mera juntada de documentação, cuja guarda e conservação competem à interessada. Vale ressaltar, que, já durante o período da análise manual das compensações de que se trata, efetuada pela DRF/FOR/SEORT, a interessada teve a oportunidade de apresentar a correspondente documentação, em face do Termo da Intimação nº 65/2008 (fls.33/34) e, também, durante o período de apresentação da manifestação de inconformidade que ora se analisa. Diante do exposto, indefiro o pedido de diligência e de perícia por considerálo prescindível. 2.2 DA RETIFICAÇÃO DA DIPJ/2002 Argumenta a recorrente que o valor pleiteado de saldo negativo deveria se ater ao montante indicado em sua DIPJ retificadora, e não a contida em sua DComp. A DIPJ/2002 retificadora foi transmitida em 30/06/2008. Essa DIPJ recebeu o nº 1263998. Nesse cenário, aduz ainda a recorrente que o valor correto do saldo negativo inicial da CSLL seria de R$ 7.863.059,61 e não R$ 7.583.152,27 (valor indicado na ficha 17 da DIPJ/2002 originalmente transmitida). Conforme bem observa a decisão recorrida, "o que se verifica com a transmissão dessa DIPJ/2002 retificadora, de nº 1263998, é que foi alterado o valor do saldo negativo de CSLL apurado (Ficha 17) de R$ 7.583.152.27 (DIPJ/2002 retificadora de 03/06/2002, fl.205) para R$ 8.138.508,38 (extrato anexo)". Ocorre que, à data da transmissão de tal declaração retificadora, e considerandose o argumento da recorrente de que o valor de base negativa de CSLL teria sido alterada com a transmissão desta declaração retificadora, já havia transcorrido mais de 5 anos do suposto pagamento indevido. Ora, considerandose que o pagamento indevido ocorreu em 31/12/2001, e tendo sido transmitida a declaração retificadora somente em 30/06/2008, ainda que se entenda que a simples retificação do saldo negativo de CSLL informado em DIPJ implique alteração do indébito pleiteado via DComp valor adicional, o saldo adicional pleiteado há de respeitar o prazo prescricional de 05 anos contados da data da extinção do crédito tributário (art. 165, inciso I, c/c art. 168, inciso I, ambos do CTN). Cumpre relembrar que a Lei Complementar nº 118 deu nova redação ao inciso I do art. 168 do CTN de forma a evitarse a perpetuação da tese de 10 anos ("tese do 5+5") para contagem do prazo para requererse repetição de indébitos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 312 11 A esse respeito, assim dispõe a Súmula CARF nº 91: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". A leitura de tal súmula implica também compreender que, para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, não se aplica o prazo prescricional de 10 anos, adotandose, a partir daí, a nova imposição trazida no art. 168, I, do CTN com a nova redação dada pela LC 118/2005, qual seja, a contagem de cinco anos a partir da data da extinção do crédito tributário. Há de se ressaltar ainda que o STF, em julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral RE 566621, assim decidiu sobre a matéria: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Vêse, assim, corroborando o entendimento já esposado alhures, que os para os pedidos de restituição realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo prescricional a ser considerado é de 5 anos. E tratandose de julgamento sob o rito do art. 543B do CPC, tal entendimento, a teor do que dispõe o art. 62 do Anexo II do RICARF/2015 deverão ser reproduzidos pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso concreto, tratandose de base negativa de CSLL relativa ao ano calendário de 2001, prazo para requererse tal indébito teve início a partir do último dia de tal ano, extinguindose 5 anos após, ou seja, em 31/12/2006. Desse modo, considerandose que a DIPJ retificadora somente foi transmitida em 30/06/2008, ainda que se entenda tratarse de um pedido de indébito complementar, concluo que já esse já se encontrava prescrito. Convém ainda transcrever o excerto da decisão recorrida que trata das limitações infralegais, no caso concreto, para eventual retificação de DComp: Cabe acrescentar que, com a mencionada alteração do valor do saldo negativo, a interessada pretendeu obter a retificação da DCOMP de nº final 2772, aumentando o valor do crédito inicial indicado para R$ 7.863.059,61 (que, após a dedução do valor utilizado em compensação sem processo, chegaria ao valor de R$ 7.004.161,63). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 313 12 Tendo como base as disposições da INSRF nº 600, de 28/12/2005, vigente à época da transmissão da manifestação em análise, podese afirmar que, ainda que se considerasse que tal retificação fosse proveniente de inexatidão material verificada no preenchimento do PER/DCOMP original (como determina o art.58 da citada IN), essa retificação somente poderia ser efetuada no caso de o mencionado PER/DCOMP ainda se encontrar pendente de decisão administrativa na data do envio do documento retificador (art.57), o que não seria o caso. E mais. A possibilidade de transmissão de novo PER/DCOMP, à época da apresentação da manifestação de inconformidade (03/07/2008), para declarar novas compensações com a diferença de crédito mencionada, também já não seria possível. Isto porque, tratandose de saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, o direito de utilização da referida parcela de saldo negativo já estaria extinto, em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre as datas mencionadas. Ante o exposto, rejeito tal pedido. 2.2 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A recorrente insistiu em seu recurso voluntário que deveria haver a expressa determinação, em sede de julgamento, sobre a suspensão da exigibilidade do crédito. A matéria, como bem tratada pela decisão de primeira instância, é inteiramente regrada pelo § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dispositivo esse que garante a suspensão de exigibilidade com a simples apresentação de manifestação de inconformidade. Vejase: Assim dispõe o §11 do art.74 da Lei nº 9.430/1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (oriunda da Medida Provisória nº 135/2003): Art. 74 da Lei nº 9.430/96. (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 314 13 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (grifouse) Na situação em análise, os débitos cujas compensações não foram homologadas, em face da insuficiência do crédito tributário reconhecido, referemse ao PER/DCOMP de nº final 7732 (extrato de fl.214), cuja transmissão ocorreu em 13/02/2008, na vigência, portanto, do reproduzido parágrafo 11. Destarte, conforme previsto na legislação de regência e, tendo em vista a apresentação tempestiva da manifestação de inconformidade contra a não homologação de parte da compensação declarada, a exigibilidade dos débitos de que se trata está automaticamente suspensa até a ciência desta decisão, e, também, posteriormente, até a apreciação de recurso à instância superior, na hipótese de sua interposição tempestiva. Sendo assim, não há necessidade de solicitação a respeito. E como consequência de tal suspensão da exigibilidade, o contribuinte faria jus à certidão positiva com efeito de negativa, não havendo qualquer litígio em relação à matéria. 3 MÉRITO No mérito, a recorrente limitouse a reproduzir os argumentos entabulados em sua impugnação. Analisando a decisão recorrida, entendo que ela não merece reparos, razão pela qual reproduzo seus fundamentos, adotandoos como minhas razões de decidir, conforme me possibilitar o § 1º do art. 50 da Lei 9.784/99: De acordo com a Informação Fiscal de fls. 66/70 (numeração digital), as parcelas de crédito não reconhecidas compõemse dos seguintes valores: a) R$ 329.898,72 referente a crédito por pagamento indevido ou a maior efetuado em 1996; b) Parcelas da CSLL Retidas na Fonte por Órgãos Públicos, utilizadas como dedução: · R$ 27.434,37 –no cálculo da estimativa de abr/2001; e · R$ 49.991,38 no ajuste anual de 2001. Quanto ao valor de R$ 329.898,72, é de se destacar que a interessada faz alusão à DCTF de fls.20/21 (num. original), relativa ao 1º trim/2001, onde consta que esse valor, que se constitui em parcela da estimativa de IRPJ de fev/2001, foi compensada na forma de compensação sem processo com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado durante o anocalendário de 1996. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 315 14 Vale observar que, anteriormente à IN SRF nº 460/2004, não era obrigatória a utilização de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve esse pagamento ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Por outro lado, a compensação sem processo, prevista na IN SRF nº 21/1997 e permitida até setembro/2002, poderia ser feita na própria contabilidade do contribuinte, independentemente de requerimento à SRF (atualmente RFB), abrangendo débitos de mesma natureza e de períodos de apuração posteriores. De acordo com a já mencionada DCTF de fls.20/21, a compensação efetuada, no valor total de R$ 329.898,72, é composta das seguintes parcelas: Receita P.A. Vencimento Valor Principal Valor Compensado 2484 31/05/1996 30/06/1996 57.000,00 4.810,12 2484 31/07/1996 30/08/1996 367.709,93 245.816,00 2484 31/08/2006 30/09/1996 314.456,39 79.272,60 Portanto, fazse necessário verificar a liquidez e a certeza do crédito que a interessada alega possuir, cuja origem seriam os pagamentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ de 1996, que, neste caso, não teriam sido levados para o resultado final desse mesmo anocalendário de 1996. As apurações mensais de IRPJ (Ficha 09), constantes da DIRPJ/1997 apresentada em 30/04/1997 (fls.186/191), cuja forma de apuração foi o Lucro Real Anual, possuem os dados a seguir: AC 1996 CSLL – ESTIMATIVA MENSAL – CÓDIGO 2484 (CSLL Ob L Real Demais Estim Mensal|) DIRPJ/1997 –Ficha 09 P.A CSL devida (Linha 10) CSL devida em meses anteriores (Linha 11) Saldo da CSL a Comp. Apurado em Per. Anteriores (L.12) Demais Compensações de CSL (Linha 13) Contr. Social a Pagar (Linha 14) Valores originais recolhidos (Pesquisa anexa) jan 59.018,67 59.018,67 58.922,00 fev 157.820,23 59.820,23 98.801,62 98.570,45 mar 259.059,90 157.820,23 212,00 101.027,67 101.028,77 abr 358.620,93 259.059,90 205,00 99.356,02 98.355,49 mai 412.791,15 358.620,93 54.170,22 57.000,00 jun 458.330,93 412.791,15 5.037,00 40.502,78 40.480,62 22,22 jul 701.759,56 458.330,93 243.428,63 367.709,93 ago 975.748,03 701.759,56 273.988,47 314.456,39 set 1.321.507,45 975.748,03 88.916,56 146.429,44 107.413,42 107.412,72 out 1.234.042,31 1.321.507,45 87.465,14 0,00 nov 1.520.415,84 1.321.507,45 198.908,39 283.984,02 dez 1.567.594,22 1.520.415,84 47.178,38 0,00 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 316 15 TOTAIS 1.527.942,61 Já os valores da Ficha 11, relativa à apuração anual da Contribuição Social (fls.192) são os seguintes: Ficha 11 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro ..... 22. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ....................................... 1.567.594,22 23. () Contr. Soc. Mensal c/ Base R.Bruta ou Bal..Susp/Red ................ 1.567.594,22 26..CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR ............................................ 0,00 Relativamente ao preenchimento das Fichas 09 e 11, destaco algumas instruções contidas no MAJUR/1997: 1ª) Linha 09/12 Saldo de CSL a Compensar Apurado em Períodos Anteriores Nesta linha poderá ser indicado o saldo de CSL, apurado em declaração de rendimentos, que não tenha sido compensado em períodos anteriores, ajustado de acordo com o anocalendário de sua apuração; 2ª) Linha 09/13 Demais Compensações de CSL Indicar nesta linha o valor correspondente ao imposto de renda pago a maior ou indevidamente em períodos anteriores, atualizado de acordo com o período correspondente: se pago até 1995 ou se pago a partir de 01/01/1996; Pelos dados constantes das Fichas 09 e 11 da DIRPJ/1997 e pelos recolhimentos efetuados, verificase que: a) as apurações mensais de IRPJ foram efetuadas com base em balancetes de suspensão ou redução; b) a interessada efetuou, relativamente às estimativas de CSLL/1996, pagamentos a menor e a maior; c) a interessada não trouxe aos autos qualquer informação/comprovação sobre os valores das linhas 09/12 e 09/13; d) com os dados disponíveis, podese apenas considerar (na apuração anual) que a Contr. Social Mensal da Linha 11/23 tem o valor de R$ 1.527.942,61, que corresponde ao somatório dos valores recolhidos a título de estimativa de CSL; e) por sua vez, a Ficha 11 aponta, como Contribuição Social Mensal Pago por Estimativa (Linha 23) , o valor de R$ 1.567.594,22 (superior ao somatório dos recolhimentos); e f) não foi apurado saldo negativo de IRPJ nesse anocalendário de 1996. Por sua vez, o Demonstrativo de fl.161, apresentado pela interessada, aponta os seguintes valores de estimativa de CSL (código 2484): P.A. Data do Pag. Valor a Pagar Valor Pago Valor Credor em Valor Atualizado Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 317 16 Moeda até 12/2001 01/05/1996 28/06/1996 53.958,47 57.000,00 2.384,91 5.059,83 01/07/1996 30/08/1996 243.428,62 367.709,93 124.281,31 258.865,54 01/08/1996 30/09/1996 273.988,47 314.456,39 40.467,92 83.537,93 Total da Contribuição Social 347.463,29 . Esses dados são insuficientes para demonstrar que os valores indicados como credores não tenham sido levados para a apuração anual, uma vez que os demais valores a serem considerados (valores das Linhas 09/12 e 09/13), como já mencionado, não foram comprovados. Além do mais, relativamente ao Demonstrativo de fl.161, vale acrescentar, que não tem qualquer sentido a demonstração do cálculo da correção de tais parcelas até dez/2001, quando essas parcelas teriam sido utilizadas para compensar parte da estimativa de fev/2001. Dessa forma, não reconheço a parcela do direito creditório em análise. Das Parcelas da CSLL Retidas na Fonte por Órgãos Públicos: R$ 27.434,37 e R$ 49.991,38 Ainda que a interessada não tenha trazido aos autos os comprovantes das retenções invocadas, em atenção ao princípio da verdade material, há a possibilidade de pesquisa aos arquivos da RFB, que controlam as informações apresentadas através das Declarações de Imposto de Renda na Fonte – DIRF, entregues pelas fontes pagadoras. Por oportuno, é de se ressaltar que cabe razão à interessada ao argumentar que, em face da legislação vigente à época, o código de retenção a ser considerado é o 6147, e não os outros códigos considerados na análise feita inicialmente pela DRF/Fortaleza. De acordo com o Anexo I da já mencionada Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, o código 6147, referese, entre outros, ao fornecimento de energia elétrica, sendo que a tabela correspondente é a seguinte: ALÍQUOTAS NATUREZA DO BEM FORNECIDO OU DO SERVIÇO PRESTADO IR CSLL COFINS PIS/PASEP PERCENTUAL A SER APLICADO Energia Elétrica, etc 1,2 1,0 3,0 0,65 5,85 O Resumo das Retenções Ocorridas no AC 2001, constante do sistema SIEFDIRF (extrato de fl.58), confirma o valor total indicado pela Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10380.901170/200633 Acórdão n.º 1402001.992 S1C4T2 Fl. 318 17 interessada, na DIPJ/2002 retificadora de 13/06/2003, como CSLL Retida na Fonte (alíquota correspondente igual a 1%), que é de R$ 77.425,75 (27.434,37 + 49.991,38), uma vez que esse valor é compatível com o rendimento bruto indicado para o referido código 6147 (R$ 7.920.431,76). Em consequência, entendo que a parcela do crédito em foco deva ser reconhecida. Conforme explanado, e não havendo novos elementos a alterar o montante de crédito tributário já reconhecido, mantémse a decisão recorrida também neste ponto. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e os pedidos de diligência e de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10882.000451/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA PELA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune), pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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MULTA PELA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE EM ATRASO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo (DIF Papel Imune), pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista no inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009, por ser mais benéfica daquela originalmente lançada. Aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 04 51 /2 00 5- 35 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 183 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 11/16, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 2o trimestre de 2002 e 2o trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 855.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001; art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999; arte. Io, 2o, 10 e 12 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001; art. 2o, § único da Instrução Normativa (IN) SRF n° 159, de 16 de maio de 2002. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.13.002004 003152 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a comprovar a entrega da DIF Papel Imune relativa ao período acima mencionado (fl. 03). Em atenção à referida intimação, a fiscalizada justificou a não entrega das declarações porque não teve ciência "da publicação do Ato Declaratório, autorizando compra de Papel Imune, nos termos da IN SRF n° 71, de 24/08/2001". O sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 01/03/2005 (fl. 17), tendo protocolado sua impugnação em 31/03/2005, conforme peça de fls. 19/44, firmada por procurador regularmente estabelecido (46/66), e anexos que a seguem, na qual aduz, em apertada síntese: a) que "desempenha diversas atividades e, dentre elas, a prestação de serviços gráficos de qualquer natureza, incluindo o processamento de dados por impressão eletrônica, dedicandose, ainda, à confecção de impressos de segurança, formulários contínuos, embalagens flexíveis, e outros, rótulos, etiquetas e cadernos, dentre outros"; b) que, conforme já havia esclarecido por ocasião do procedimento de fiscalização, não entregou as declarações "simplesmente porque desconhecia o deferimento do pedido"; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 184 3 c) que não lhe foi concedida "qualquer oportunidade para regularizar sua conduta, isso, repitase, sem que tenha se verificado qualquer operação com papel imune"; d) que a aplicação das normas deve observar "seus pressupostos teleológicos ou finalísticos". Nesse sentido, "a aplicação da multa regulamentar não deve consubstanciar um instrumento de arrecadação". E a multa em tela visa, tãosomente, "impedir que se faça mal uso do instituto da imunidade tributária". Portanto, "somente os contribuintes que desrespeitarem a norma, ou seja, se utilizarem de papel imune para atividades não beneficiadas pela imunidade tributária acima mencionada é que poderiam ser punidos"; e) que protesta pela realização de "diligências necessárias a demonstração de inexistência de quaisquer operações com papel imune"; f) que sua boafé está demonstrada justamente pela não realização de operações com papel imune. E, por isso, "a aplicação da sanção ou penalidade, concessa máxima vênia, se verificou de forma absolutamente desproporcional, desarazoada, isso para não dizer, flagrantemente, confiscatória"; g) que o art. 16 da Lei n° 9.779/99, que também fundamenta a imposição da multa regulamentar aqui analisada, "apenas delega à Receita Federal competência para dispor sobre obrigações acessórias". Mas a Constituição Federal prescreve a necessidade de lei para fazer nascer obrigações; h) que a multa aplicada no auto de infração, com fundamento no disposto no art. 57 da MP n° 2.15834, foi considerada de forma cumulativa, o que implicou em "inequívoco bis in idem", que ofende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, caracterizando "inafastável hipótese de confisco". Neste sentido, "segundo a exegese adotada pela Fiscalização para cada trimestre a sanção deveria compreender todo o período antecedente o que, evidentemente, não se justifica"; i) que, "desde que apenas para argumentar fosse olvidada a finalidade da norma", seria passível de ser cobrado o valor de R$ 155.000,00, relativo à data de ocorrência de 31/07/2002, "e que corresponde ao número de meses do período fiscalizado"; j) que o auto de infração é ato administrativo vinculado, cuja motivação constitui requisito de sua validade. Se isto não for observado, tal ato administrativo é passível de revisão k) que o conteúdo econômico passível de ser tributado está delimitado pelas regras de competência e os princípios que informam o sistema constitucional, norma de maior hierarquia do ordenamento jurídico. Após repetir o conteúdo dos 26 primeiros parágrafos de sua peça, reitera a impugnante pela realização de diligências e perícias necessárias à comprovação da não realização de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 185 4 operações com papel imune, indicando perito contábil, bem como apresentando os quesitos que pretende serem respondidos. Conclui a impugnante pedindo pela declaração de nulidade da multa "que lhe foi imposta através do presente processo administrativo", ou pela sua "desconstituição, face à ausência de motivo, haja vista a não utilização de papel imune e, pois, a regularidade do procedimento da ora Impugnante face ao instituto da imunidade tributária". Sucessivamente, pede a impugnante pela "revisão da forma de aplicação da penalidade para que se evite o bis in idem e aplicada a multa na forma estipulada pelo art. 57 da Medida Provisória (MP) 2.15834, ou seja, a importância ali assinalada multiplicada pelo número de meses equivalente ao período e não por todo o período antecedente". Pede, ainda, pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no disposto no art. 150, inc. III do CTN, e protesta pela juntada de novos documentos destinados a fazer prova de suas alegações nos termos dos parágrafos 4o e 5o do art. 16 do Decreto 70.235/72". Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. CIÊNCIA. EFEITOS. Os efeitos da inscrição no Registro Especial de papel imune produzemse a partir da publicidade da sua concessão, por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE) publicado no Diário Oficial da União (DOU), na forma do § 1o do art. 2o da IN SRF N° 71/2001. DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 186 5 sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835, devida por mêscalendário de atraso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO. REGULARIZAÇÃO DE CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez constatada a infração tributária, impõese o lançamento da penalidade aplicável, que não depende de prévia oportunidade para regularização da conduta do infrator. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. DESNECESSIDADE. Não se atende pedido para realização de diligências e perícias que visam comprovar situação que não afeta a procedência do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/01/2001 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade pela infração à legislação tributária não depende da intenção do agente. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 187 6 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A infração ora em julgamento decorre da falta de apresentação pela recorrente da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF Papel Imune). A contribuinte não contesta a omissão, justificandoa no desconhecimento do deferimento do seu pedido. Aduz que não lhe foi concedida oportunidade para regularizar sua conduta, bem como que não realizou nenhuma operação com papel imune, estava de boafé e que por isso não deveria ser penalizada. Delimitada a lide, verificase que a questão já se encontra pacificada em nossa casa, inclusive com pronunciamentos unânimes da CSRF pela regularidade da aplicação da multa pela falta de entrega da DIF Papel Imune, a partir da publicação do ato declaratório no Diário Oficial da União. Neste sentido, transcrevo abaixo excerto do voto condutor do acórdão nº 930301.428, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, julgado por unanimidade de votos pela 3ª Turma da CSRF, que se adota como razão de decidir: A controvérsia a ser resolvida diz respeito ao momento em que o Ato Declaratório Executivo, que reconheceu a inscrição da sociedade no Registro Especial de papel imune, produziu efeitos para fins de obrigatoriedade de entrega da DIF – Papel Imune. Com a delegação de competência do CTN e da Lei nº 9.779/99, foi editada a Instrução Normativa nº 71, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livro, jornais e periódicos, e institui a Declaração Especial de Informação Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF Papel Imune). Transcrevo partes importantes da referida IN, que irão nortear minha razão de decidir, in verbis: Art. 1º Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 188 7 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n°2.15834, de 27 de julho de 2001. O programa gerador da DIF Papel Imune foi aprovado pela IN SRF nº 159/2002, que estabeleceu regras, dentre elas, a obrigatoriedade de entrega da declaração. Art. 2° A apresentação da DIFPapel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Com base na legislação vigente à época, os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados a apresentar a DIF – Papel Imune a partir do momento da concessão do registro especial, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. [...] Como bem delineada pelo despacho de admissibilidade, a discordância está no momento de produção dos efeitos do ato declaratório de concessão de registro especial, para fins de obrigatoriedade de entrega da DIF – Papel Imune: Sustenta o acórdão recorrido que a ciência da concessão do ato declaratório de registro especial darseia pela ciência pessoal à interessada, ao passo que a recorrente entende que seria a data da publicação no Diário Oficial da União e o deslinde da controvérsia confirmará ou não a data a partir da qual existiria a obrigação acessória que teria sido descumprida. O art. 2 da IN SRF nº 71/2001 trata do modo como se dá a publicidade do Ato de concessão do registro especial, como se segue: Art. 2° O registro especial será concedido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic), em cuja jurisdição estiver localizado o estabelecimento a requerimento da pessoa jurídica interessada, que deverá atender aos seguintes requisitos: (Redação dada pela IN SRF 101, de 21/12/2001) Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 189 8 1° A publicidade da concessão do registro especial darseá por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União (DOU), que conterá: (Redação dada pela SRF 101, de 21/12/2001) (grifei) Consoante noção cediça, o Diário Oficial é o meio oficial e hábil para dar ciência de atos da administração pública. E, pela regra acima, a publicidade do ADE se dá com sua publicação no DOU. [...] Portanto, não é necessário empreender grandes esforços intelectuais para concluir que, com a publicação do ADE no Diário Oficial da União, o contribuinte estava obrigado a entregar a DIF – Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação no período. Estabelecida as premissas que norteiam a solução da lide, em análise ao caso concreto, contatase que a recorrente teve seu pedido de inscrição acatado pela Delegacia da Receita Federal em Osasco/SP, sendo sua inscrição formalizada pelo Ato Declaratório Executivo n° 35, de 1o de abril de 2002, da DRF Osasco, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 04/04/2002 (fl. 06). O Auditor Fiscal da Receita Federal efetuou o lançamento do auto de infração para exigência de multa, pela falta da entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF –Papel Imune), relativas ao 2º, 3º e 4º Trimestre de 2002; ao 1º, 2º, 3º e 4º Trimestre de 2003, e ao 1º e 2ºtrimestre de 2004. Constatase, de pronto, que todas as exigências referemse a período posterior a sua inscrição no regime, mostrandose correta a autuação fiscal. A penalidade foi aplicada com base no artigo 57, inciso I, da MP 2.158 34/01, que apresentava, à época, a seguinte redação: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (grifo nosso) A infração, contudo, teve sua penalidade modificada pela Lei nº 11.945, de 2009. Essa lei, mais específica, modifica a penalidade, passando de cinco mil reais por mês calendário para cinco mil reais por declaração não apresentada. Transcrevese, abaixo, o artigo 1º desta Lei: Art. 1º. Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 190 9 que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. [...] § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. (grifo nosso) Desta forma, em atenção ao previsto no artigo 106, II, “c” do CTN, tratando se de norma que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, deve a mesma ser aplicada ao ato não definitivamente julgado. Como consequência, aplicase a autuação, de forma retroativa, o inciso II, do § 4º, do artigo 1º da Lei nº 11.945/09, mantendo a penalidade no valor de R$ 5.000,00 por DIF não apresentada. Quanto à inconstitucionalidade da exigência, esclarecese que a questão não pode ser apreciada por esta casa devido ao CARF não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O pedido de diligência, a seu turno, também deve ser negado, tendo em vista a total prescindibilidade deste na solução da lide, posto que a legislação estabelece que a Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10882.000451/200535 Acórdão n.º 3201002.086 S3C2T1 Fl. 191 10 obrigatoriedade da apresentação da DIFPapel Imune independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, reduzindo a penalidade para o valor de R$ 5.000,00 por DIF não apresentada. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/03/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10660.001408/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, RESOLVER avocar o processo nº 10660.001404/2009-47, para serem julgados conjuntamente em função da conexão existente entre eles, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.001408/200925 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.255 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 06 de agosto de 2013 Assunto IRPF Recorrente ADRIANO FERREIRA SODRÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, RESOLVER avocar o processo nº 10660.001404/200947, para serem julgados conjuntamente em função da conexão existente entre eles, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .0 01 40 8/ 20 09 -2 5 Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10660.001408/200925 Resolução nº 1401000.255 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 10461050): Mediante o Auto de Infração de fls. 2/5, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 6/27 e demonstrativos de fls. 28/30, exigese do sujeito passivo, já qualificado no processo em epígrafe, o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 2.110.141,72, discriminado por: R$ 706.482,07 de imposto; R$ 343.936,55 de juros de mora (calculados até 30/11/2009); e R$ 1.059.141,72 de multa proporcional (passível de redução). A descrição dos fatos anuncia a seguinte infração (fl. 4): "Rendimentos Atribuídos a Sócios de Empresas Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado Pagos a Sócios ou Acionista Rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Presumido, excedentes ao Lucro Presumido menos IRPJ, COFINS, CSLL e PIS/PASEP, quando a pessoa jurídica não demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao Lucro Presumido, de acordo com o Ato Declaratório Normativo Cosit n. 4/96, inciso 11, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. " Os valores tributáveis identificados corresponderam a R$ 1,180.172,01 (ano calendário 2004), R$ 932.740,61 e R$ 474.103.23 (ambos atinentes ao ano calendário 2005). Tais importâncias restaram apuradas, conforme ação fiscal minudenciada no citado Termo de Verificação Fiscal — TVF — de fls. 6/27, do qual, entre outras análises desenvolvidas, podemse destacar fragmentos correspondentes ao histórico descrito sobre a distribuição de lucros pelas empresas Comercial Beneficiadora de Café e Exportadora Varginha (f1s. 18/19): "44.1. Conforme a legislação vigente, essas empresas por serem optantes pelo Lucro Presumido, poderiam distribuir lucros a seus sócios, sem incidência de imposto de renda, no valor correspondente ao seu Lucro Presumido diminuído de todos os impostos e contribuições (IRPJ, Adicional IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep). E esse lucro distribuído, por ser isento, não integraria a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, no caso o sócio fiscalizado, de acordo com o art. 10 da Lei n. 9.249195, o art. 662 der Regulamento do Imposto dá Renda199 e o inciso Ido Ato Declaratório Norniativo Cosit n. 4/96 ...: 44.2. Acima desse valor, a COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ e EXPORTADORA VARGINHA só poderiam distribuir, sem incidência de imposto de renda, até o limite do seu lucro contábil efetivo, desde que elas demonstrassem, via escrituração contábil feita de acordo com as normas contábeis, que esse último é maior que o lucro presumido Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10660.001408/200925 Resolução nº 1401000.255 S1C4T1 Fl. 4 3 obtendo o beneficiário, assim, também a mesma isenção, conforme dispõe o parágrafo segundo do art, 48 da Instrução Normativa 93197, o art. 39, inciso XXVIII do Regulamento do Imposto de Renda199, o art. 46 ela Lei 8.981/95 e o inciso 11 do Ato Declaratório Cosit n. 4/96. ... 45. Considerando a autuação das receitas provenientes da EMBRASIL na COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ e EXPORTADORA VARGINHA, os tributos devidos por essas empresas tiveram que ser recalculados, e com a respectiva dedução dos mesmos, chegouse ao cálculo de novos valores de lucro presumido a serem distribuídos nos anoscalendário de 2004 e 2005. 46. Diante do acima relatado, as contabilidades apresentadas referentes aos apóscalendário de 2004 e 2005 não respaldam a distribuição do excedente de lucro distribuído pela COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ e EXPORTADORA VARGINHA. 47. Convém ressaltar, que mesmo antes do novo cálculo do lucro presumido a ser distribuído nos anoscalendário 2004 e 2005, a isenção relativa ao lucro excedente deveria ter sido repassada em escrituração contábil corri a respectiva autenticação do Livro Diário anterior aos lançamentos dessa distribuição dos lucros ou, pelo menos, por ocasião da distribuição dos mesmos, o que não ocorreu, conforme se constata das datas das autenticações dos Livros Diários das empresas, posteriores às datas de distribuição dos lucros. O que se observou foi que os Livros Diários dessas empresas foram autenticados à medida que esta fiscalização intimava as mesmas a apresentálos. 48. Portanto, consideramos como rendimento isento e não tributável, apenas o valor distribuído por essas empresas ao sócio até o valor do Lucro Presumido a ser distribuído, levando em consideração o seu percentual de participação societária, sendo o restante considerado como rendimento tributável, de acordo com os cálculos evidenciados ..." (sublinhados do original) Em sequência, preocupouse a autoridade lançadora em fundamentar a aplicação da multa qualificada, estabelecendo que o intuito do contribuinte, enquanto sócio administrador, mediante procedimentos de cisão parcial, visou encobrir uma real cessão de créditos, recebendo o dinheiro correspondente a essa cessão com isenção de tributação via lucros distribuídos pelas empresas detentoras desses créditos. Ressaltou a Fiscalização, ao término de sua exposição acerca da motivação da multa aplicada que (fl. 26): "... o dolo se caracterizou não pela intenção negocial do contribuinte em nome das empresas de proceder a supostas cisões parciais na tentativa de encobrir cessões de créditos, mas sim pela intenção real de se utilizar desses procedimentos de cisão parcial para indiretamente anular a vedação contida na alínea "a " do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei n. 9.430196 e na IN SRF 41/2000 " (.sublinhados do original) Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10660.001408/200925 Resolução nº 1401000.255 S1C4T1 Fl. 5 4 Em face do ilícito apontado, deuse a Representação Fiscal para Fins Penais, abrigada no processo n. 10660.001713/200917, e providenciouse, ainda, o processo de arrolamento, sob n. 10660.001758/200991. 0 autuado apresentou a impugnação de fls. 668/739, na qual, em estreita síntese, promoveu questionamentos sobre os seguintes itens e subitens que destacou: => "3. Da inexistência de fraude nos atos de cisão parcial das empresas Comercial Beneficiadora de Café e Exportadora Varginha e da impossibilidade de agravamento da multa de 150% ", fls. 670/671; => "3.1. Da legalidade do procedimento de cisão seguida de incorporação, fls. 671 /675; => "A) Da inexistência de simulação ", fls. 675/679; => "B) Da ausência de fundamentação para a desconsideração das operações de reorganização societária praticadas licitamente pelas empresas, fls 679/684; => "C)Do ato jurídico perfeito e do planejamento tributário, fls. 684/688; => "D) Da inexistência de razões para o agravamento da multa no percentual de 150% da exação fiscal ", fls. 688/704; => "E) Da impossibilidade de conferir efeitos retroativos à legislação tributária ", fls. 704/705; => "4. Da decadência", fls. 706/716; => "5. Do mérito ", "5.1. Da impossibilidade de desconsiderar a contabilidade das empresas para efeito de justificar a distribuição de lucros ", fls. 716/730; =:> "5.2. Dos equívocos cometidos pela Fiscalização no determinação do lucro presumido e dos tributos e contribuições incidentes ", fls. 731; => "A. Da tributação prevista no ADI SRF 25/2003", fls. 731/732; =:> "B. Dos juros compensatórios e moratórios ", fls. 732/737; =:> "C. Da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS reconhecida pelo STF", fls. 737/738; Na conclusão acerca da análise do mérito, o impugnante dispôs que (fl. 739): "Diante do exposto podese chegar às seguintes conclusões quanto ao mérito da tributação dos valores pagos sob parâmetros inconstitucionais e posteriormente recuperados pelos contribuintes: a) na forma das disposições do ADI 2512003, os valores relativos ao principal não são tributáveis pelo IRPJ e CSLL se o sujeito passivo não se beneficiou anteriormente da dedução da despesa, como é o caso das empresas optantes pelo lucro presumido; b) atribuindose à repetição do indébito o caráter reparador da indenização, também não pode Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10660.001408/200925 Resolução nº 1401000.255 S1C4T1 Fl. 6 5 prosperar a tributação dos juros como receitas novas; c) face à inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal não é possível a inclusão nas bases de cálculo do PIS e COFINS dos valores relativos ao principal e juros tributados a titulo de “Outras Receitas". Portanto, no mérito, carece de.fundamento o lançamento suplementar efetuado pela fiscalização contra as empresas Comercial Beneficiadora de Café e Exportadora Varginha, e pela via da consequência, perdem a validade rodos os demonstrativos através dos quais foram recalculados o lucro presumido a distribuir e o excedente submetido à incidência do imposto de renda mediante a aplicação da tabela progressiva vigente na declaração de ajuste anual (veja item 48 de TV), sobretudo pela boa fé do contribuinte. E assim sendo, prevalece a distribuição de lucros efetivada com base na contabilidade dessas empresas, que já demonstramos estar revestida de todas as formalidades legais necessárias a respaldar a distribuição do lucro apurada contabilmente com isenção na fonte e na declaração de rendimentos do beneficiário." À impugnação foram colacionados os documentos de fls. 741/953. Posteriormente, o interessado apresentou a petição de fls. 960/961, a qual capeou cópia do Acórdão n. 910100.460 (fls. 962/965), proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Piscais, em sessão de 4 de novembro de 2009, que aborda o tema "decadência". O impugnante alega que o citado entendimento empresta ao seu caso significância especial, porquanto corrobora a decadência que suscitou para o lançamento no que concerne aos fatos ocorridos no ano calendário 2004. Em novo aditamento, às fls. 966/968, o impugnante ratifica sua tese da decadência, com amparo na Súmula CARF n. 38, fazendo colacionar à petição cópia do Acórdão n. 240100.357 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF, às fls. 969/976. Este relator, às fls. 978/988, faz anexar reprodução do teor do Acórdão n. 0928.942, e, às fls. 989/997, a atinente ao de n. 0928.939, ambos proferidos em 08/04/2010 pela 1ª Turma desta Delegacia de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para: I — exigir do interessado o recolhimento da parcela do IRPF (ano calendário 2005) equivalente a R$ 367.085,07 (trezentos e sessenta e sete mil e oitenta e cinco reais e sete centavos), acrescido da multa de 150% (passível de redução) e dos juros de mora a serem atualizados na data do efetivo pagamento; II — eximilo do pagamento da parcela restante do IRPF correspondente a R$ 339.397,00' (trezentos e trinta e nove mil, trezentos e noventa e sete reais). O referido Acórdão foi assim ementado (fls. 1045): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISCCA IRPF Exercício: 2005, 2006 VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS Os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto" não são válidos por si mesmos, devendo sua validade Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10660.001408/200925 Resolução nº 1401000.255 S1C4T1 Fl. 7 6 ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; e, se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manífestada e a vontade real, hão de ser desconsiderados. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Exegese que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. No caso em concreto, que sofre reflexo do que fora decidido para pessoa jurídica, cujos períodos de apuração são distintos (trimestrais) do da pessoa física (anual), há que se observar o decidido para aquela, o que gera o afastamento da exação neste alusiva ao anocalendário 2004. PENALIDADES. MULTA MAJORADA Ocorrendo simulação com evidente intuito de fraude, cabível o agravamento da multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COFINS. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI nº 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718 198, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/Pasep e da Cofins, devem ser desconsiderados os respectivos valores para efeito de determinação do lucro presumido que serviu de base para o cálculo do lucro distribuído. com fulcro em determinação introduzida no art. 26A do Decreto n° 70.235/72, sem se olvidar do que já fora decidido no exame dos processos alusivos às pessoas jurídicas envolvidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do Acórdão em 20/09/2010 (fls. 1012), a contribuinte interpôs em 18/10/2010 o recurso voluntário de fls. 1015 1051, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Devidamente cientificada desse Acórdão em 20/09/2010 (v. AR de fls. 1070), a contribuinte apresentou em 18/10/2010 o recurso voluntário de fls. 10741110, basicamente reiterando as razões de defesa apresentadas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10660.001408/200925 Resolução nº 1401000.255 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Conforme relatado, trata o presente processo de exigência de IRPF sobre rendimentos atribuídos a sócios, excedentes ao montante do lucro presumido deduzido dos tributos pagos (IRPJ, COFINS, CSLL e PIS/PASEP). Tais rendimentos foram pagos ao contribuinte pelas pessoas jurídicas COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ e EXPORTADORA VARGINHA. Considerando a autuação das receitas provenientes da EMBRASIL na COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ e EXPORTADORA VARGINHA, os tributos devidos por essas empresas tiveram que ser recalculados, e com a respectiva dedução dos mesmos, chegouse ao cálculo de novos valores de lucro presumido a serem distribuídos nos anoscalendário de 2004 e 2005. No entanto, as autuações referentes às citadas pessoas jurídicas, COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ e EXPORTADORA VARGINHA, são objeto dos processos administrativos nº 10660.001405/200991 e 10660.001404/200947, respectivamente. O julgamento do presente processo é totalmente dependente da decisão relativa aos dois processos supracitados. O processo nº 10660.001405/200991, referente à COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ, também foi distribuído para mim, tendo sido pautada para julgamento neste mesma sessão. No entanto, o processo 10660.001404/200947 não foi distribuído para este mesmo colegiado. Considerando que a decisão a ser proferida no presente processo depende integralmente do que restar decidido no retrocitado processo nº 10660.001404/200947, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para AVOCAR o processo nº 10660.001404/200947, para que os feitos sejam julgados conjuntamente, em função da conexão. Na hipótese de o referido processo já ter sido julgado, deve o presente processo simplesmente retornar a este colegiado, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000614/2004-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
NULIDADE.
Estando as planilhas de glosa lastreadas na escrituração contábil do contribuinte, fornecida ao fisco mediante intimação, inexiste irregularidade ou nulidade, a teor da presunção estabelecida no art. 9º, §§ 1º e 2º do Decreto-Lei nº 1.598/77.
ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova do direito de crédito oposto à Administração Tributária.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Esteve presente ao julgamento a Dra. Mariana Ribeiro, OAB/DF 14956-E.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 NULIDADE. Estando as planilhas de glosa lastreadas na escrituração contábil do contribuinte, fornecida ao fisco mediante intimação, inexiste irregularidade ou nulidade, a teor da presunção estabelecida no art. 9º, §§ 1º e 2º do Decreto-Lei nº 1.598/77. ÔNUS DA PROVA. Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova do direito de crédito oposto à Administração Tributária. Recurso voluntário negado.
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Estando as planilhas de glosa lastreadas na escrituração contábil do contribuinte, fornecida ao fisco mediante intimação, inexiste irregularidade ou nulidade, a teor da presunção estabelecida no art. 9º, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.598/77. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova do direito de crédito oposto à Administração Tributária. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Esteve presente ao julgamento a Dra. Mariana Ribeiro, OAB/DF 14956E. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 06 14 /2 00 4- 94 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento da COFINS formalizado em 07/06/2004 referente ao primeiro trimestre de 2004, com base no art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003. Por meio de despacho decisório notificado ao contribuinte em 08/06/2005, a autoridade administrativa fez ajustes na receita declarada e glosou parte dos créditos a seguir discriminados, homologando parcialmente as compensações declaradas. Foram efetuados os seguintes ajustes no DACON: 1) o crédito sobe insumos foi glosado porque os bens não se consumiram em contato direto com o produto em fabricação; 2) a fiscalização glosou o valor da energia elétrica informada juntamente com o valor dos insumos, mas calculou e concedeu o crédito sobre ela tomando por base os valores escriturados no registro de entrada dos meses de fevereiro e março de 2004; 3) foram glosados os créditos sobre encargos de depreciação e amortização, pois o contribuinte não contabiliza em separado a depreciação de bens utilizados no processo produtivo; 4) na apuração das contribuições, o contribuinte excluiu indevidamente da base de cálculo as receitas de venda de peças de veículos automotores, sob o argumento de que essa receita estava sujeita à alíquota zero. A fiscalização reincluiu essas receitas na base de cálculo, por entender que o art. 3º da Lei nº 10.485/2002 prevê a alíquota zero apenas para comerciantes atacadistas e varejistas de peças para veículos classificadas na posição 8708. Regularmente notificado do deferimento parcial do seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a decisão da autoridade administrativa não está revestida do requisito da certeza, pois a fiscalização não examinou os principais documentos que atestam a legitimidade dos créditos, quais sejam: as notas fiscais. A defesa alegou que somente foram fiscalizados os livros contábeis e que a glosa efetuada não tem amparo em nenhum critério técnico ou legal. Alegou que todos os insumos glosados foram utilizados no processo produtivo não merecendo qualquer glosa. A fiscalização não apresentou justificativas para as glosas efetuadas e nem indicou qual insumo foi glosado. A glosa está calcada em critérios subjetivos, pois a fiscalização não analisou os insumos. Não há prova nos autos que lastreie a glosa efetuada. Por meio do Acórdão nº 18.061, de 20 de dezembro de 2007, a DRJ Juiz de Fora, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente notificado em 05/03/2008 (fl. 947), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/04/2008 (fl. 948) no qual reprisou os argumentos lançados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10670.000614/200494 Acórdão n.º 3402002.870 S3C4T2 Fl. 3 3 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme se verifica nos autos, a própria defesa reconheceu que os demonstrativos elaborados pela fiscalização estão lastrEados nos dados existentes nos livros contábeis fornecidos mediante intimação. Sendo assim, o fato de a fiscalização não ter analisado as notas fiscais não configura nenhuma irregularidade ou nulidade, pois a escrituração do contribuinte goza da presunção de veracidade e legitimidade, a teor do art. 9º, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.598/77. Conforme bem apontou a decisão recorrida, verificase que a fiscalização elaborou minucioso relatório instruído com demonstrativos, nos quais indicou os ajustes efetuados e as respectivas motivações, conforme fls. 509/809. Os referidos demonstrativos foram elaborados por filial, respeitando o período de apuração mensal das contribuições, e relacionaram o número da nota fiscal, a data da emissão, o emitente, a descrição do insumo, e as bases de cálculo do crédito. Também foram elaborados o "resumo de glosa de créditos de insumos" para cada mês (fls. 810 a 812), planilhas de insumos com apuração mensal (fls. 813/815) e demonstrativos de apuração mensal da contribuição (fls. 820/827). Desse modo, não procede a alegação no sentido de que a glosa não obedeceu a critérios técnicos e que está desprovida de provas, pois a partir do objeto social da recorrente e com base nas regras gerais da experiência, a fiscalização, adotando o conceito de insumo previsto nos atos administrativos da Receita Federal e os demais parâmetros legais, glosou o que no seu entender não tinha aptidão para gerar o crédito. Tratandose de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus de comprovar a legitimidade do direito de crédito oposto à Administração, razão pela qual não há como se deferir os pedidos de diligência e perícia, que unicamente visam a suprir o ônus da prova que cabia ao contribuinte (art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72). Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000336/98-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1994 a 10/04/1995
REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Para que seja admitido o especial, além da tempestividade, faz-se necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial. Recurso não conhecido
Numero da decisão: 9303-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, por ausência de dissídio jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Para que seja admitido o especial, além da tempestividade, fazse necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, por ausência de dissídio jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 03 36 /9 8- 41 Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário (fls. 147 a 156) apresentado em 22 de dezembro de 1999 contra a Decisão nº 11.175/03/GD/02546/99, de 30 de setembro de 1999, da DRJ em Campinas SP (fls. 128 a 138), que, relativamente a auto de infração de IPI de períodos do 12º decêndio de dezembro de 1994 ao 12º decêndio de abril de 1995, considerou procedente o lançamento. A ementa da decisão foi a seguinte: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Crédito Indevido: Inadmissível a utilização de crédito a incentivo por estabelecimento diverso daquele para o qual foi concedido. EXIGÊNCIA FISCAL PROCEDENTE". O auto de infração foi lavrado em 13 de fevereiro de 1998 e, segundo o termo de fls. 45 e 46, a empresa Aços Anhanguera S/A, incorporada posteriormente pela interessada, obtivera “junto ao (sic) antigo SDI (Secretaria de Desenvolvimento Industrial) o Certificado SDI/SEMET/N° 007/89 que lhe permitia usufruir do incentivo fiscal do IPI previsto na Lei nº 7.554/86". Acrescentou que, "Em 06 de dezembro de 1994, tendo em vista ato de incorporação jurídico levado a efeito pela Aços Villares S/A às outras empresas citadas e adequação física dos investimentos, foi concedido pela Secretaria de, Desenvolvimento Industrial o Certificado Aditivo SPI/DCMM/N 027/11/94 ao Termo de Compromisso lavrado pela empresa em um só projeto revisado, de responsabilidade da sucessora Aços Villares S/A, Bem como a unificação dos valores dos incentivos fiscais do IPI, no montante de R$ 5.488.783,78, a serem usufruídos por Aços Villares S/A". Segundo a Fiscalização, apenas o estabelecimento matriz seria beneficiário do incentivo, que, de depósito mensal em dinheiro, passou a ser usufruído "na forma de crédito do IPI". Entretanto, o incentivo "passou a ser 'rateado' entre os diversos estabelecimentos incorporados", em ofensa ao disposto no Ripi/82, art. 392, IV.. Dessa forma, o estabelecimento correspondente à empresa incorporada Aços Anhanguera S/A teria deixado de recolher total ou parcialmente o IPI dos períodos elencados na fl. 46 dos autos. Conforme já relatado, a DRJ manteve o lançamento. No recurso, a interessada alegou inicialmente pendência de julgamento do Processo n2 13808.000763/9612, "que abarcou todo o suposto excesso de incentivo utilizado pela Recorrente em todos os seus demais estabelecimentos", tendo havido supostamente dupla exigência. Segundo a interessada, o presente auto de infração teria sido lavrado na pendência de julgamento do contido naqueles autos, que deu origem ao recurso de oficio no Processo nº 10875.02028/9699, em face da ilegitimidade passiva da Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10875.000336/9841 Acórdão n.º 9303003.395 CSRFT3 Fl. 1.463 3 empresa sucedida. A identidade de ações fiscais teria sido reconhecida pela própria Fiscalização e os valores recurso de oficio. Ainda preliminarmente alegou a interessada que a multa seria "elevadíssima", descabida e ilegal, por não terem restados "configurados os pressupostos que determinaram sua incidência", que se limitariam a falta de lançamento do imposto em nota fiscal ou a falta de pagamento do imposto lançado no prazo de noventa dias, segundo o art. 364 do Ripi/82. Acrescentou que os valores foram informados em Raipi e na Dipi, que teria efetuado o recolhimento no Banco do Brasil S/A, com a devolução do valor no prazo de três dias pelo Banco, e que apenas com a alteração do art. 80 da Lei n2 4.502, de 1964, é que teria deixado de existir o requisito "falta de declaração do imposto" para aplicação da multa. Em relação ao mérito, alegou que a Lei n2 7.554, de 1986, seria destinada a "expansão e modernização do parque siderúrgico nacional", não havendo como concluir que somente os estabelecimentos que operassem plantas de fabricação de produtos siderúrgicos poderiam usufruir do incentivo. Ademais, como incorporadora das empresas, teria passado a interessada a ser a titular dos incentivos, tendo o já citado Certificado Aditivo SPI centralizado o incentivo na sede da empresa, “mas destinado evidentemente es aplicação nos estabelecimentos fabris das exsubsidiárias (agora seus), nos mesmos projetos incentivados que contavam anteriormente com um certificado próprio [..]” Por fim, contestou as conclusões da decisão de primeira instância. Apresentou documentação relativa aos incentivos e ao depósito recursal. Em sessão de 22 de maio de 2002, esta Primeira Câmara aprovou a Resolução nº 20100.116 (fls. 241 e 242), para remessa do Processo nº 10875.002028/9699 a este 2º Conselho de Contribuintes. O processo foi apensado ao presente e a interessada apresentou os esclarecimentos de fls. 135 a 138 do segundo volume, acompanhados de documentação sobre a aprovação dos incentivos. Em 14 de maio de 2003, esta P Câmara aprovou a Resolução n2 201 00.342 (fls. 479 a 482), para esclarecer "se na opção ao Refis foi incluído o valor do IPI devido por todos os estabelecimentos e objeto do Processo n2 13808.000763/9612, o que englobaria a presente exigência; e se a contribuinte encontra se em situação de regularidade perante o mencionado Programa de Recuperação Fiscal Refis". Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 Após a baixa do processo, foram juntados documentos atestando o trânsito em julgado em seu desfavor da ação promovida pela interessada contra o depósito recursal. Na fl. 514, esclareceu a DRF em Guarulhos SP que os valores 'contidos no presente processo não integraram o Refis nem o Paes’. Ainda na fl. 523, informou a juntada dos "extratos dos débitos do processo supra, onde mostra que os valores e vencimento de multa de oficio são diferentes dos valores e do vencimento da multa de oficio do processo nº 13808.000763/9612 (fls. 516/517), como também demonstram os extratos do Refis e do Paes (fIs. 506 a 510), este processo não foi incluído na consolidação do Refis nem na consolidação do Paes". Acrescentou que a interessada foi excluída a pedido do Refis para inclusão no Paes. 0 Processo nº 10875.002028/9699, apensado ao presente, referiuse a ação fiscal dirigida a empresa Aços Anhanguera (Villares) S/A, que resultou em auto de infração do IPI com descrição dos fatos similar a do objeto do presente recurso. Por decisão da DRJ em Campinas SP (fls. 98 a 103), o auto foi cancelado por erro na identificação do sujeito passivo, tendo esta 1ª Câmara, como já noticiado, mantido a decisão. Julgando o feito, o Colegiado da Turma da Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1994 a 10/04/1995 SEGUNDO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DO LANÇAMENTO ANTERIOR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Lançamento anterior efetuado contra sujeito passivo incorreto, pendente de julgamento definitivo administrativo, não impede a realização de novo lançamento contra o sujeito passivo correto, vista de ser tal lançamento obrigatório e sujeito a prazo de decadência independente do julgamento do lançamento anterior. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL ELEVADO. Descabe apreciação administrativa de aspectos subjetivos relativos aplicação da multa de oficio proporcional ao imposto lançado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1994 a 10/04/1995 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10875.000336/9841 Acórdão n.º 9303003.395 CSRFT3 Fl. 1.464 5 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. FALTA DE DECLARAÇÃO. NÃO REQUISITO. A falta de recolhimento de imposto lançado em nota fiscal, em face da utilização de créditos indevidos, é hipótese típica da aplicação de multa de oficio proporcional ao imposto lançado. EMPRESAS SIDERÚRGICAS. INCENTIVO DA LEI N 2 7.554, DE 1986. INCORPORAÇÃO. TITULARIDADE DA SUCESSORA RECONHECIDA POR ATO ADMINISTRATIVO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A ESTABELECIMENTO. IRREGULARIDADE. 0 aproveitamento e a transferência de créditos incentivados do IPI da Lei nº 7.554, de 1986, dependia de resolução especifica do órgão regulador competente para cada estabelecimento da empresa beneficiária. Recurso voluntário negado. Inconformado, o contribuinte, na qualidade de incorporador, apresentou recurso especial, onde pugna pelo cancelamento do lançamento. Apresenta entendimento de que o acórdão recorrido deve ser reformado porque, em síntese, através de acórdão paradigma, somente pode ser constituído o crédito tributário relativo a um determinado tributo, decorrente de uma mesma infração e referente a uma mesmo período uma única vez, sob pena de duplicidade de lançamento. O apelo da contribuinte (incorporadora), logrou seguimento, nos termos do despacho de admissibilidade. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso da contribuinte, na qualidade de incorporador, a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões. Nesta, solicita a manutenção do lançamento. Fundamenta seu entendimento na inexistência de lançamento contra o mesmo sujeito passivo, pois um lançamento foi contra a incorporada/sucedida, enquanto o outro lançamento, que é o guerreado, foi contra o incorporadora/sucessora. Ademais, como o lançamento é uma atividade vinculada, nos termos do art.142 do CTN, e o lançamento anterior foi anulado por ilegitimidade passiva, cabe a constituição do lançamento no sujeito passivo correto, pois não foi discutido o mérito da exigência fiscal e cancelamento por vício material não suspende a contagem do prazo decadencial. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo, mas não deve ser admitido por lhe faltar um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o da divergência jurisprudencial, conforme demonstrarseá linhas abaixo. Analisando as razões que levaram o Colegiado recorrido a manter o lançamento fiscal, vêse que os julgadores a quo entenderam que o lançamento anterior Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 efetuado contra sujeito passivo incorreto, pendente de julgamento definitivo administrativo, não impediria a lavratura de novo lançamento contra o sujeito passivo correto, pois tal providência seria necessária e obrigatória para prevenir o risco da decadência, independente do julgamento do lançamento anterior. Para melhor esclarecimento das razões adotadas pela Câmara recorrida, transcrevese ementa e excerto do voto condutor do acórdão vergastado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1994 a 10/04/1995 SEGUNDO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DO LANÇAMENTO ANTERIOR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Lançamento anterior efetuado contra sujeito passivo incorreto, pendente de julgamento definitivo administrativo, não impede a realização de novo lançamento contra o sujeito passivo correto, vista de ser tal lançamento obrigatório e sujeito a prazo de decadência independente do julgamento do lançamento anterior. O relator do voto condutor do acórdão recorrido anotou: Inicialmente, a interessada alegou nulidade da autuação em face de pendência no julgamento do Processo nº 10875.002028/96 99, que tratou de auto de infração lavrado contra a empresa sucedida, relativamente à mesma matéria apurada no presente auto de infração. O referido auto de infração foi julgado definitivamente improcedente por erro na identificação do sujeito passivo, mas à época do lançamento de que trata os presentes autos, pendia do julgamento do recurso de oficio. A nulidade em função de erro na identificação do sujeito passivo é material e não formal e não interrompe os efeitos da decadência do direito de lançar em relação ao verdadeiro sujeito passivo. A nulidade em função de erro na identificação do sujeito passivo é material e não formal e não interrompe os efeitos da decadência do direito de lançar em relação ao verdadeiro sujeito passivo. Dessa forma, a efetivação do lançamento era obrigatória, à vista das disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional. Obviamente, a duplicidade de lançamento seria naturalmente corrigida pelo processo administrativo, não sendo situação suficiente para caracterizar a nulidade do segundo lançamento. Como se pode ver da ementa e do excerto do voto condutor do acórdão aborda a possibilidade de lançamento de ofício de um mesmo tributo, sob idêntico período e Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10875.000336/9841 Acórdão n.º 9303003.395 CSRFT3 Fl. 1.465 7 infração tributária, sobre a sucedida lançamento cancelado por ilegitimidade passiva posteriormente, sobre a sucessora por incorporação. Nestes autos, o Colegiado recorrido, tratou da controvérsia do novo lançamento em razão de o anterior haver sido anulado por vício na sujeição passiva. Entendeu se que o lançamento anterior efetuado contra sujeito passivo incorreto, pendente de julgamento definitivo administrativo, não impediria a lavratura de novo lançamento contra o sujeito passivo correto, pois tal providência seria necessária e obrigatória para prevenir o risco da decadência, independente do julgamento do lançamento anterior. De outro lado, o sucinto acórdão paradigma não trata da mesma situação fática destes autos, senão vejamos: Quanto à parcela do lançamento relativa à utilização irregular de beneficio concedido pela Lei n° 7554/86, considerando que já foi objeto de ação fiscal consolidada através de Auto de Infração constante do processo n° 13808.000763/9612, confirmado pela autoridade competente em diligência efetuada, fls. 532/534, relativa ao mesmo fato gerador e mesmo período, é de julgarse a improcedência do atual lançamento, referente à infração retrocitada. Cotejandose os dois acórdãos, verificase que as situações abordadas em um e em outro caso são bastantes distintas. No recorrido, enfrentouse preliminar de nulidade do novo lançamento em razão de o anterior haver sido anulado por vício na sujeição passiva. Já no paradigma, a razão pra cancelar o lançamento foi a constatação de que os valores dele constante já havia sido objeto de um outro lançamento, válido, que teria exigido o crédito tributário referente ao mesmo período de apuração referente aos mesmos fatos geradores. Ou seja, o crédito tributário do lançamento em questão havia sido exigido em outro lançamento, repitase, válido. Inclusive, objeto de parcelamento (REFIS). Vejase que no caso do acórdão recorrido, o Colegiado baixou os autos em diligência para verificar, justamente, essa situação, conforme resolução, a seguir transcrita: Ex positis, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para ser esclarecido: a) se na opção ao REFIS foi incluído o valor do IPI devido por todos os estabelecimentos e objeto do Processo nº 13808.000763/9612, o que englobaria a presente exigência; e b) se a contribuinte encontrase em situação de regularidade perante o mencionado Programa de Recuperação Fiscal — REFIS. Notese que o lançamento que englobaria os autos de infração das filiais seria o referente ao Processo Administrativo Fiscal nº 13808,000763/9612. Acontece que, no caso do paradigma, consignouse que a diligência confirmara a duplicidade de lançamento, enquanto que no acórdão recorrido afirmouse, justamente, o contrário, que o crédito tributário destes autos não são os mesmos do referente ao PAF nº 13808,000763/9612, conforme informação fiscal, fls. 561 e 570, dos autos papel, resultante da diligência determinada por Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 8 força da resolução acima mencionada. Para que não paire dúvida, vejase a transcrição dessa informação fiscal INFORMAÇÃO FISCAL, FL. 561 (AUTOS PAPEL) Conforme demonstram os extratos do REFIS e do PAES de fls. 506 a 510, este processo n° 10875.000336/9841 não está incluído na consolidação do REFIS nem na consolidação do PAES. Portanto, proponho devolver A, ARF/MOGI DAS CRUZES para atualizar a situação do processo no PROFISC e também para prosseguir na Cobrança dos débitos do mesmo. INFORMAÇÃO AUTORIDADE PREPARADORA, FL. 570 (AUTOS PAPEL) Em atenção ao despacho de fls. 515, da ARF/MOGI DAS CRUZES, juntamos, às fls. 518 a 520, os extratos dos débitos do processo supra, onde mostra que os valores e vencimento de Multa de Oficio são diferentes dos valores e do vencimento da Multa de Oficio do processo 13808.000763/9612 (fls. 51 .6/517), como também demonstram os extratos do REFIS e do PAES (fls.506 a 510), este processo não foi incluído na consolidação do REFIS nem na consolidação do PAES. Quanto ao item b) do despacho de fls. 482, informamos que o contribuinte foi EXCLUÍDO A PEDIDO do REFIS (fls. 521), encontrandose atualmente na situação EM PARCELAMENTO no PAES. E o que temos a informar. Proponho devolver o presente processo à ARF/MOGI DAS CRUZES Diante dessas informações, o Colegiado recorrido registrou1 que os débitos destes laudos não são os mesmos do outro processo administrativo, e, por isso, não abordou essa matéria, e passou a tratar do mérito do lançamento. Com essas considerações, não conheço do recurso especial apresentado pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Relator 1 Finalmente, ficou esclarecido nos autos que os débitos lançados não integraram a consolidação do Refis. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10875.000336/9841 Acórdão n.º 9303003.395 CSRFT3 Fl. 1.466 9 Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 11030.720607/2010-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 07 /2 01 0- 59 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 168), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Cofins nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010, conforme AR juntado ao processo. Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise, pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720607/201059 Acórdão n.º 3802002.294 S3TE02 Fl. 170 3 pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 138 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 168), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2007. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 96 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 138 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720607/201059 Acórdão n.º 3802002.294 S3TE02 Fl. 171 5 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720607/201059 Acórdão n.º 3802002.294 S3TE02 Fl. 172 7 pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11543.003690/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DRF/Vitória/ES, na forma do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DRF/Vitória/ES, na forma do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 03 69 0/ 20 04 -7 0 Fl. 13705DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 4 2 Relatório: Por bem descrever os fatos, adotase o relatório exarado na decisão de primeira grau, que segue transcrito: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo a COFINS não cumulativa referente ao período de apuração : 01/07/2004 a 30/09/2004 (3º Trimestre de 2004), no valor de R$ 6.737.997,48. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 144, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1.426/2009 (fls. 133 e ss.), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 4.005.046,12 e homologar as compensações apresentadas no presente processo, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: 1. • A avaliação do histórico do livro Razão do período mostra que o contribuinte registra como variação cambial passiva despesas de variação cambial na venda, bem como despesas de variação cambial relacionadas à antecipação de contrato de câmbio – ACC; 2. • Como a ACC tem caráter de financiamento, tal despesa se enquadra na previsão legal. No entanto, não há qualquer previsão para utilização das demais despesas de variação cambial, como formadoras do direito creditório da nãocumulatividade, cabendo serem excluídas as despesas de variação cambial passiva não atreladas a ACCs nos históricos dos lançamentos no livro Razão do contribuinte; 3. • Dentro do item despesas financeiras, o contribuinte indica as despesas relacionadas aos juros remuneratórios. Após intimado foi constatado que o mesmo se refere a Juros sobre o Capital Próprio. É pacífico que os juros pagos aos sócios investidores não são despesas de empréstimos, visto que não existe uma dívida da entidade para com os sócios; 4. • Foram excluídos da base de cálculo dos créditos da contribuição os valores pagos aos acionistas a título de juros remuneratórios nos valores de R$ 280.385,58 em cada mês do trimestre em análise. 5. • Despesas decorrentes do pagamento de corretagem não dão direito ao crédito, haja vista não caracterizarem insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; 6. • O contribuinte informa despesas com materiais com direito a crédito, contabilizadas na conta 3101030031 – materiais de manutenção.Ocorre que o somatório destas despesas contabilizadas nos balancetes apresentados totalizam valores diversos daqueles informados pelo contribuinte. Dessa forma, foram glosados da base de cálculo os valores informados nos demonstrativos que excederam o valor contabilizado na conta 3101030031; 7. • Foram analisadas as aquisições de café dos fornecedores pessoas jurídicas responsáveis por 70% das aquisições da Unicafé no ano de 2004; 8. • Nesta amostragem, 60% do volume financeiro total registrado referemse a fornecedores que se enquadram como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Fl. 13706DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 5 3 Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão. Outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é nula, portanto totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com o ora requerente; 9. • A tabela às fl. 139 apresenta as compras dos fornecedores irregulares; 10. • Verificase que há a pretensão de obtenção de crédito da COFINS de fevereiro a dezembro de 2004 sob compras de fornecedores em situações incompatíveis com a receita declarada que totalizariam R$ 10.859.898,63, valores estes nunca recolhidos aos cofres públicos; 11. • Como se pode extrair, a situação é paradoxal, haja vista que a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um pretenso direito creditório que, como contrapartida, não possui o recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior; 12. • Diante do que foi retratado, a plausível conclusão conduz inadmissibilidade do pleito formulado, no que toca às ditas compras, em razão de um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representa uma cessão de interesses públicos em favor de particulares; 13. • Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3º, II da CF/88 (não obstante referirse ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sem sombra de dúvida é o paradigma adotado para esta novel roupagem das contribuições sociais em comento), estabelece a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado na anterior; 14. • Irrefragável é a concepção segundo a qual a efetiva cobrança ou, na pior hipótese, a pressuposição de sua ocorrência, é condição sine qua nom para a admissão do creditamento. Vale esclarecer que tal "cobrança", para os tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", onde a lei atribui ao próprio contribuinte a iniciativa de apuração e recolhimento do montante devido, é caracterizada pela efetiva adoção de referidos procedimentos; 15. • Isto se dá porque, diversamente do que só ocorre com o IPI, onde o imposto vem destacado na respectiva nota fiscal de aquisição, o que faz presumir a sua incidência, na apuração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins tal cálculo é realizado pela aplicação da alíquota cabível sobre o valor das compras realizadas, o que não conduz a tal conjectura; 16. • Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; 17. • Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores que se encontram nas situações descritas, bem como a listagem das notas fiscais das aquisições não aproveitadas, às fl.92/107, e foi promovida a glosa pertinente, conforme tabela à fl.108; Fl. 13707DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 6 4 18. • Procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da COFINS apurado no mês: verificandose a existência de créditos disponíveis para compensação, cabendo o reconhecimento do direito creditório de R$ 4.005.046,12, relativo à nãocumulatividade da COFINS vinculado à exportação. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 08/09/2009 (fl. 150) e apresentou, em 24/09/2009, a Manifestação de Inconformidade de fl. 151 e ss. alegando, em síntese que: 1. • A recorrente possui registros em seus livros contábeis de contas de ativo e passivo, valores que representam direitos e obrigações indexadas ao dólar americano, que, por óbvio, têm reflexos tributários; 2. • As variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, devem ser consideradas para efeito de apuração do lucro operacional da entidade empresária; 3. • Assim, as despesas da variação cambial passiva devem ser incluídas na determinação do lucro operacional, sendo devido o correspondente registro como despesas incorridas em cada exercício, independentemente do seu pagamento, devendo por sua vez, ser apropriado à luz das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004, como formadoras do direito creditório da nãocumulatividade; 4. • Conceber os juros sobre capital próprio pagos como despesas financeiras (parágrafo único, artigo 30 da IN SRF nº 11/96), nada mais é, senão, atribuir tratamento isonômico às sociedades; 5. • Isto porque, da mesma forma que a empresa é tributada quando recebe tais rubricas (Artigo 29, § 4º, alínea “a”), está autorizada legalmente a tomada de créditos quando tais despesas são suportadas pela entidade empresária por ocasião do pagamento a outra pessoa jurídica; 6. • Podese concluir que, seja por quaisquer dos raciocínios empregados chegase a mesma conclusão: a decisão exarada pela fiscalização deverá ser reformada, já que não encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; 7. • A atividade de corretagem de café é essencial ao comércio atacadista de café. O corretor de café é um consultor do produtor, assim como do comprador que traz os diversos lotes para o exportador e o torrador; 8. • A atuação do profissional de corretagem de café é absolutamente necessária à comercialização do produto; 9. • Em tais condições, não há como afastar que os desembolsos decorrentes do pagamento de corretagem de café, sejam desconsiderados como insumos à atividade da contribuinte; 10. • A Autoridade Fiscal, alega que a manifestante adquiriu mercadorias de empresas inativas, com receita incompatível, com receita nula e omissa ao longo do ano calendário 2004, porém deve ser notado que as glosas das rubricas deramse de modo Fl. 13708DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 7 5 precipitado, com base na afoita alegação de que as aludidas empresas fornecedoras estavam irregulares; 11. • Não há nos autos a demonstração jurídica do preenchimento dos requisitos legais e regulamentares da inidoneidade das empresas fornecedoras ou qualquer comprovação de que tenham deixado de funcionar nos endereços respectivos; 12. • As empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados; 13. • A boa fé da empresa Recorrente é ainda demonstrada pelo fato de que esta teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA e ao próprio banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; 14. • Ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações de fornecimento de mercadorias, no ano de 2004, o que não é verdade, a manifestante não poderia jamais ser prejudicada por fatos que não causou; 15. • A análise do caso concreto demonstra que há efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Recorrente, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, elencando seus fornecedores e os respectivos recolhimentos; Posteriormente, em 21/12/2010, a contribuinte carreou aos autos petição intitulada Aditivo à Manifestação de Inconformidade corroborando os pontos suscitados na Manifestação originária e salientando a boa fé da contribuinte. Em 25/05/2011, a então 5ª Turma da DRJ/RJ2, atual 17ª Turma da DRJ/RJO encaminhou o processo em diligência, para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto às irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas; Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos vasta documentação e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Relatório Fiscal em fls.12.589/12.818. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: 1. • A utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinada nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em outubro de 2007, e que resultaram posteriormente na “Operação Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. • No início, as investigações restringiramse ao estado do Espírito Santo, que produz café conilon e arábica, e onde estão localizadas importantes exportadoras de café do país. E, após a “Operação Broca”, foram realizadas diligências no Sul da Bahia (café conilon) e Região da Zona Mata Mineira e Sul de Minas Gerais (café arábica); 3. • Fato é que na diligência iniciada em 25/03/2009, antes, portanto, da deflagração da “Operação Broca”, a UNICAFÉ apresentou para o período de 12/2002 a 12/2008 um Fl. 13709DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 8 6 rol disseminado com mais de 700 fornecedores pessoas jurídicas, inclusive várias cooperativas, no qual já despontavam à época diversas empresas laranjas do ES e um conjunto de indícios de que as supostas empresas fornecedoras de Minas Gerais haviam trilhado o mesmo caminho; 4. • No extenso rol de supostos fornecedores de café, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES.; 5. • A UNICAFÉ, com matriz em Vila Velha/ES e armazéns localizados nas principais regiões produtoras de café, como por exemplo: MANHUMIRIM (Região da Mata Mineira), VARGINHA (Sul de Minas Gerais) e VILA VELHA (Região da Grande Vitória/ES), tem escritório localizado no edifício PALÁCIO DO CAFÉ/VITÓRIA/ES, onde também funciona o Centro de Comércio de Café de Vitória (C.C.C.V), bem como outras empresas exportadoras e corretoras de café; 6. • Por se tratarem de pessoas jurídicas cadastradas como ATACADISTAS DE CAFÉ com vultosa movimentação financeira, esperavase encontrar empresas com uma estrutura operacional e logística compatível com tal volume de supostas vendas; 7. • De forma diametralmente oposta às tradicionais empresas ATACADISTAS DE CAFÉ, situadas em COLATINA, LINHARES e GRANDE VITÓRIA, o que se viu foram pequenas salas com acomodações acanhadas. Nenhum armazém, nenhum quadro de funcionários, nenhuma estrutura logística indispensável para o funcionamento de uma empresa ATACADISTA DE CAFÉ. Algumas situadas muito próximas às maiores e tradicionais empresas comerciais exportadoras de café, que supostamente seriam suas clientes. Não era viável economicamente a inclusão desse tipo de “empresa” na comercialização de café entre produtor e essas tradicionais atacadistas exportadoras e torrefadoras, dada a pequena margem de preço praticado pelo produtor e o pago pela exportadora/indústria e a carga tributária incidente sobre o faturamento (PIS/COFINS) pela então legislação vigente da nãocumulatividade; 8. • O avanço das investigações mostrou que se estava diante de um grande esquema montado de empresas laranjas de dimensão nacional usadas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores/maquinistas; 9. • Aliás, as investigações da Receita Federal realizadas antes da deflagração da Operação Broca haviam delineado diversas negociações de compras de café da própria UNICAFÉ, no ES, nas quais corroboraram a existência do esquema fraudulento; 10. • O modus operandi descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas) foi devidamente demonstrado mediante confrontação dos documentos colhidos no de decorrer das investigações e robustecido com aqueles apreendidos na Operação Broca; 11. • No início das investigações no Espírito Santo, ANTÔNIO GAVA, sócio da COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações Fl. 13710DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 9 7 prestadas em 30/11/2007, apontou para o esquema de venda de notas fiscais da COLÚMBIA para guiar café de produtor; 12. • Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em 28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o modus operandi do esquema; 13. • Em 06/03/2008, em resposta às indagações fiscais, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaramse de igual teor. Relataram à época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia necessidade, contratavam serviços terceirizados de motoboy para entrega de documentos; 14. • Quanto à origem dos recursos creditados nas contas correntes, afirmaram categoricamente que eram recursos que pertenciam a terceiros compradores do café: Asseveraram que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café; 15. • Recebida a informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não fazer contato com o mesmo. Certo é que o comprador depositava o valor na conta da COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L e “exigia que o produtor ‘guiasse’ o produto com nota de produtor para a fiscalizada”. 16. • E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este o valor da venda e emitiam em seguida uma nota fiscal própria de venda para a Compradora; 17. • A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O PRODUTOR ‘GUIASSE’ O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA” E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma “POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”; 18. • Revelaram, ainda, que em hipótese alguma teriam “recursos para operar da forma como operaram nos últimos anos, mormente considerando a pesada carga tributária imposta por lei na operação, em especial da forma como exigida pelos compradores, qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”; 19. • No início, em 2003, as exportadoras sinalizaram e algumas chegaram a indicar as pseudo empresas para guiar suas compras de café, conforme declarado por maquinistas, produtores rurais, corretores e os próprios sócios das empresas de fachada; 20. • Criouse, então, a figura da intermediária fictícia, cujo objetivo era vender nota fiscal. A princípio, com poucas “empresas”, esse mercado paralelo de pseudo atacadistas de café expandiuse rapidamente de tal modo que gerou uma concorrência no preço cobrado pela venda da nota fiscal. A existência e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras e outras simplesmente se omitiram, sendo assim culpadas dessa cumplicidade silenciosa; Fl. 13711DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 10 8 21. • Com base nos depoimentos, fica claro que as exportadoras sabiam da condição de laranja das empresas que documentavam artificialmente as vendas de produtores/maquinistas como sendo suas, a consulta efetivada ao SINTEGRA e CNPJ para verificar a situação fiscal (ativa e sem restrições) da “empresa” que estava guiando o café. Tal procedimento era adotado a cada descarga nos armazéns da UNICAFÉ, quer fosse no ES, quer fosse em MG, ou outro estado, conforme cópia dos documentos juntada pela própria UNICAFÉ nos autos ora diligenciados; 22. • Aliás, esse não era procedimento exclusivo da UNICAFÉ. Ao contrário, todas as exportadoras e torrefadoras auditadas lançavam mão da mesma prática, o que vem ao encontro das declarações prestadas pelos corretores no curso das investigações; 23. • A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do ES. No início, a maioria produtores de café conilon do norte e noroeste do estado, estendendo posteriormente para outras regiões do ES e de outros estados (Bahia e Minas Gerais). O critério utilizado foi ouvir aqueles identificados como maiores produtores de determinadas regiões; 24. • Os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudo empresas atacadistas usadas para guiar o café. Negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança, ou seja, os corretores, maquinistas e empresas da sua região, contudo, no momento da retirada do café surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; 25. • Sem exceção, os depoimentos dos produtores têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” totalmente desconhecidas dos depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado; 26. • Ao longo dessas oitivas, surgiram novos nomes de pseudo atacadistas, principalmente, criadas a partir de 2006. A fiscalização diligenciou grande parte delas, que resultou na sua Inaptidão/Suspensão no cadastro do CNPJ; 27. • A existência e o modo delas operarem não só era de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras. A corroborar os depoimentos do corretor ARYLSON STORCK e de FLÁVIO TARDIN FARIA e LUIZ FERNANDO MATTEDE TOMAZI, administradores das empresas laranjas ACÁDIA, DO GRÃO e L&L, transcritos na DENÚNCIA PR/COL/ES; 28. • Os representantes da Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionário das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências efetuadas em MG; 29. • A fraude e o seu modus operandi foram corroboradas nas oitivas colhidas no curso das investigações perante os produtores/maquinistas e corretores juntamente com a vasta documentação apresentada por eles e para fulminar os documentos apreendidos na “OPERAÇÃO BROCA”, inclusive na própria UNICAFÉ; Fl. 13712DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 11 9 30. • Na oitiva do dia 26/11/2008, o corretor LUIZ FERNANDES ALVARENGA informou que, antes de constituir a CASA DO CAFÉ CORRETORA e COLATINA CORRETORA DE CAFÉ, trabalhou na UNICAFÉ, na qual alcançou a função de subgerente de compras na filial em COLATINA/ES; 31. • Luiz Fernandes Alvarenga explicou minuciosamente seu trabalho de corretor, ratificando o relato de outros corretores quanto a utilização de empresas laranjas para guiar café do produtor e/ou maquinista para as exportadoras/torrefadoras. Deixou claro a responsabilidade e o risco do produtor e/ou maquinista pela qualidade e entrega do café, bem como a identificação destes para o comprador (exportador e indústria torrefadora), que se dá mediante apresentação de amostras do café ou por descrição sobre a qualidade e a procedência do café, que são passadas por telefone e/ou meio eletrônico; 32. Na resposta ao questionamento dos Auditores Fiscais sobre as operações da COLÚMBIA, THIAGO GAVA e ANTÔNIO GAVA, acrescentaram que também são gestores da W R DA SILVA, que foi criada por CARLIANO DÁRIO, da empresa laranja C. DÁRIO, e que passaram a operar com a W R DA SILVA no lugar da COLÚMBIA, nos mesmos moldes desta: venda de nota fiscal para guiar café para as empresas compradoras; 33. • Entre os documentos encaminhados pela Polícia Federal, por intermédio do citado Ofício nº 4568/2009SR/DPF/ES – (OPERAÇÃO BROCA), vieram confirmações de pedido, documento firmado pelo corretor para sacramentar a negociação de compra e venda de café, emitidas pela CASA DO CAFÉ CORRETORA, como por exemplo: a CONFIRMAÇÃO DE PEDIDO N° 0163/05 , de 07/03/2005, retrata uma operação de compra da UNICAFÉ para entrega futura na 2ª quinzena de maio de 2005 à opção do vendedor. No próprio corpo da confirmação, está escrito com todas as letras que o vendedor das 250 sacas de café conilon para a UNICAFÉ foi “EDMAR FRANCISCO MULLER, CPF: 780.470.64720, JAGUARÉ – CENTRO”; 34. • No campo observação do citado documento, o ranço do esquema: “O CAFÉ SERÁ ENTREGUE EM NOME DA COLÚMBIA COM. DE CAFÉ LTDA”; 35. • A corroborar que na emissão das confirmações firmadas nas operações de entrega futura o vendedor é o produtor/maquinista e que na reemissão a empresa laranja passa a figurar como fícto vendedor, os documentos apreendidos durante a OPERAÇÃO BROCA na LIBRA CORRETORA DE CAFÉ, situada no PALÁCIO DO CAFÉ; 36. • Como exemplo, a CONFIRMAÇÃO DE NEGÓCIO N° 82/2010, de 25/02/2010, na qual a LIBRA CORRETORA intermediou a compra de 500 sacas de canilon para a UNICAFÉ com previsão de entrega a partir do mês de abril/2010; 37. • Afirmou não conhecer Antônio Gava e Thiago Gava, gestores da COLÚMBIA e W.R. DA SILVA, Altair Bráz Alves, gestor da V. MUNALDI – ME, e Fernando Mattede, gestor da ACÁDIA, DO GRÃO e L & L; 38. • Alegou que desde 2003 não consegue vender café diretamente para as empresas exportadoras, ou seja, com nota fiscal de produtor. Assim, teria sido orientado pelos corretores a guiar o café em nome de COLÚMBIA, V. MUNALDI e etc; Fl. 13713DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 12 10 39. • Questionado, então, sobre as suas notas de produtor supostamente destinadas à COLÚMBIA, V. MUNALDI, DO NORTE CAFÉ, WR DA SILVA, ACÁDIA, DO GRÃO, respondeu detalhadamente sobre a figura da fícta interposição de uma pessoa jurídica na operação entre o produtor e as exportadoras, o transporte em veículo próprio e a troca de nota fiscal, preferencialmente em postos de gasolina; 40. • O arquivo “COLÚMBIA SAÍDAS” mostra que desde 2005 AMÉRICO JOSÉ MAI já realizava venda de café para a UNICAFÉ por meio da empresa laranja COLÚMBIA. Entre 2005 e 2008, pela COLÚMBIA, foram mais de 20 mil sacas de café para a UNICAFÉ. Por exemplo, em 2005, foram 2 mil sacas de café; 41. • Documentos apreendidos na L&L, no curso da OPERAÇÃO BROCA, mostram vendas de café para entrega futura de LUIZ CRISTIANO MULLER. Entre eles, CONFIRMAÇÕES DE NEGÓCIO, da corretora LIBRA/COLIBRI, nas quais a L&L figura como pseudovendedora de café conilon para a UNICAFÉ. Não obstante isso, há também a anotação manuscrita identificando o produtor/maquinista “LUIZ MULLER”; 42. • Junto com as confirmações, foram apreendidas planilhas contendo a movimentação mensal de notas emitidas pela L&L com discriminação completa do valor cobrado pela empresa laranja pela venda da nota fiscal à LUIZ MULLER para guiar café para a UNICAFÉ e outras exportadoras; 43. • Não se pode olvidar que o corretor EDUARDO LIMA BORTOLINI, da LIBRA/COLIBRI, declarou que, fechada a operação com o maquinista, emite a CONFIRMAÇÃO DE NEGÓCIO para o comprador (UNICAFÉ). Como se trata de compra em 04/03/2009 para entrega futura na 2ª quinzena de maio de 2009, no momento da definição da empresa laranja usada como intermediária fictícia, certamente houve a reemissão da confirmação para acobertar essa situação, como visto nos outros exemplos que retrataram esse tipo de operação e corroborado com as declarações dos corretores; 44. • Os fatos apurados trazem, por conseguinte, a certeza de que, definitivamente, não era venda de café das empresas laranjas emitentes dos documentos fiscais, mas, sim, dos produtores/maquinistas para a UNICAFÉ. A emissão de notas fiscais da interposta fictícia não foi mais do que o produto da fraude. A contrafação de uma operação comercial; 45. • Certo é que a UNICAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiou; 46. • Diante desses fatos, restou demonstrado a utilização pela UNICAFÉ de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário o que afasta os limites impostos pela boafé. São operações fingidas, que mascaram a realidade; 47. • Repetese a afirmação do corretor JOAQUIM DA SILVA ALMEIDA de que “as exportadoras e/ou indústrias fazem questão de saber quem é o dono do café, pois assim os mesmos sabem se a procedência do café é boa ou ruim”; 48. • Os representantes da COLÚMBIA, ACÁDIA, L & L e DO GRÃO respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Fl. 13714DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 13 11 Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionários das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências em Minas Gerais; 49. • No curso das investigações, os Auditores Fiscais constataram registros de vultosas compras nas empresas exportadoras do ES de supostas fornecedoras situadas no estado de Minas Gerais, principalmente, no município de Manhuaçu (municípios da Zona da Mata Mineira) e de Varginha e municípios adjacentes (Sul de Minas Gerais); 50. • Entretanto, a confrontação da movimentação financeira com dados fiscais dessas supostas atacadistas de café no estado de Minas Gerais não mostrou um quadro diferente do encontrado pelos Auditores Fiscais no Espírito Santo: movimentação financeira milionária para empresa na situação de inativa, omissa ou simplesmente preenchida zerada; 51. • Assim, mesmo antes da deflagração da OPERAÇÃO BROCA e dos Auditores Fiscais tomarem conhecimento da denúncia anônima sobre a mesmo tipo de fraude no estado de Minas Gerais, a análise dos dados fiscais e financeiros apontavam nesse sentido, que foi reforçado com as declarações de alguns produtores/maquinistas do Espírito Santo, situados na Região do Caparaó, divisa entre os estados do ES e MG; 52. • Em conclusão, temos que a introdução do regime não cumulativo do PIS/COFINS foi um novo marco regulatório na comercialização de café em grão no país. As exportadoras e indústrias, por razões óbvias, demonstraram para os corretores resistência na aquisição de café de produtores rurais, pois não dava direito ao crédito de PIS/COFINS integral de 9,25% do valor da operação, conforme narrado por diversos corretores; 53. Então, “o modelo de firmas laranjas foi a solução à nova lei do PIS/COFINS”, como disse o comprador de café de uma determinada exportadora; 54. • Na mesma linha, o corretor LUIZ FERNANDES ALVARENGA, de COLATINA/ES, que as assegurou que a “utilização de ‘laranjas’ visava permitir a compensação do PIS e da COFINS pelas exportadoras e indústrias”. Ou nas palavras do corretor PAULO ROBERTO MARSON, de VARGINHA, as laranjas eram para “esquentar o crédito”; 55. • A migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado e coordenado. Exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 56. • Esse foi o quadro delineado de como o mercado de café atuava no país, antes das modificações introduzidas pela Lei n° 12.599/2012 e da MP n° 609/2013; 57. • Foram analisadas minuciosamente a origem e o modus operandi do esquema de interposição de empresa de fachada, “laranja”, para apenas gerar créditos ilícitos em operações fictícias na compra e venda de café. Fl. 13715DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 14 12 O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 09/07/2013 – fl.12.819/12.824 e apresentou, em 07/08/2013, a Manifestação de fls. 13.036/13.118, alegando o seguinte: 1.Antes de adentrar ao mérito, propriamente dito, do Relatório de Diligência Fiscal, necessária se faz a indicação de algumas questões preliminares vislumbradas pelo contribuinte que, de pronto, importam na nulidade do trabalho realizado pela fiscalização; 2. Fazse necessário destacar que a conduta adotada pela Fiscalização nestes autos revelou a busca pelo acesso irrestrito às informações internas e gerenciais da Contribuinte, importando em flagrante quebra de sigilo de dados, sem amparo em nenhuma autorização judicial para tal procedimento, o que transgride o direito fundamental insculpido no artigo 5º, incisos X e XII, da CF/88; 3. Há que se lembrar, ainda, que o interesse público jamais pode ser confundido com o interesse da Fazenda Pública. É justamente por isso que a avaliação dos indícios para a viabilização da quebra do sigilo de dados somente pode ser reconhecida pelo Poder Judiciário, ou seja, não pode e nem deve ficar sob a vontade do órgão fiscalizador, que, ao final, se valerá de tal expediente – única e exclusivamente – para aumentar a arrecadação, como ocorreu no presente caso; 4. Não obstante, outrossim, a Fiscalização não trouxe aos autos provas de que a Contribuinte tenha agido em conjunto com as empresas intituladas de fachada, muito pelo contrário; 5. Apesar de a evidente quebra de sigilo de dados da Contribuinte apenas comprovar a correção das operações de compra e venda de café realizadas pela mesma, sempre cercadas de todas as precauções necessárias, a violação ao seu direito fundamental à restrição de acesso de suas informações bancárias, fiscais, contábeis, telefônicas e eletrônicas restou claramente configurada, razão pela qual o acervo documental levantado pela Fiscalização deve ser sumariamente desconsiderado, visto que coletado através de procedimento de todo ilegal; 6. No caso vertente, os dados submetidos a sigilo colhidos por ocasião do Inquérito Policial instaurado e utilizados como fundamentos no Relatório de Diligência Fiscal, foram indiscriminada e ilegalmente utilizados em desfavor da contribuinte, uma vez que não se observou as balizas estipuladas pela Jurisprudência Pátria; 7. Ademais, para ser válido, o depoimento de terceiros que visa imputar a prática de qualquer conduta à Contribuinte, necessariamente, deve ser realizada na presença deste e seu defensor, pois visa assegurarlhes o respeito ao princípio constitucional do contraditório, ampla defesa, bem como o direito a reperguntas; 8. Em respeito aos princípios da legalidade e da moralidade, a Fiscalização deveria ter reproduzido na sua integralidade e sem qualquer tipo de recorte, os documentos que se utiliza para embasar as suas constatações, conduta que, lamentavelmente, não adotou, fragilizando todo o trabalho desenvolvido; 9.Impende salientar que nenhum dos sócios ou empregados da contribuinte estão entre os denunciados após as investigações provenientes das Operações Broca e Tempo de Fl. 13716DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 15 13 Colheita. Vale dizer que não recai sobra a interessada nem sobre as pessoas físicas a ela vinculadas sequer uma suspeita de que tenham participado em qualquer atividade fraudulenta ou criminosa; 10. No caso é de se sobrevalorizar o fato de inexistirem declarações que deponham contra a idoneidade e a boa fé da contribuinte. Nada havendo especifica e particularmente contra a pessoa jurídica, a fiscalização não pode querer se beneficiar de generalizações sobre fraude difusa no mercado cafeeiro; 11. Não se pode permitir que se concretize a existência de fraude ou conluio, conforme sugere o Relatório de Diligência Fiscal, a partir de elementos dúbios, por meio de meras presunções que advêm de provas testemunhais colhidas unilateralmente pela administração, pois se estaria favorecendo o Poder Público em detrimento da segurança jurídica; 12. Importante asseverar que a Confirmação de Negócio nada mais é do que um documento “informal” (não exigido pela legislação) em que o vendedor se compromete a entregar o café no prazo e na qualidade especificada nas tratativas, e o comprador, a pagar o preço negociado. A função é simplesmente de documentar o que foi combinado. Nada mais; 13. Enfatizase que, tendo em vista o interesse objetivo do comprador de café no produto, e sendo este uma commodity, não tem o mesmo relação, e nem necessita se relacionar com os produtores e/ou empresas atacadistas. Dado o dinamismo do mercado, o relacionamento é, na grande maioria das vezes, com os corretores; 14. Nesse panorama, para os compradores, como é o caso da contribuinte, tanto faz se os fornecedores, e mesmo os corretores, têm escritório luxuosos, grandes parques de estocagem, enormes galpões ou uma única salinha. O comprador paga quando chega o café ao seu armazém, e desde que seja com a qualidade combinada; 15. Não se pode exigir que as empresas compradoras fiscalizem seus vendedores, sejam eles, produtores, maquinistas ou empresas atacadistas; 16. E a verdade é que se as fraudes existiram, em hipótese alguma podem ser imputadas à contribuinte. Não há obrigação legal e não pode ser exigida dos compradores mais do que uma verificação cadastral das empresas com quem negociam. E isso foi feito; 17.Atualmente, a contribuinte figura entre as maiores e mais renomadas exportadoras de café do mundo, e conta com estabelecimentos comerciais em todas as principais regiões produtoras de café do Brasil, o que a habilita comercializar os melhores e mais variados tipos de café do Brasil, para mais de 40 países; 18. Impende registrar, por oportuno, que conforme publicação no DJ de 11/12/2012, o Hábeas Corpus nº 2012.02.01.0143115, impetrado por um dos denunciados na Ação Penal nº 2008.50.05.005383, teve sua segurança concedida pelo E.TRF da 2ª Região para trancamento desta Ação Penal; 19. O Acórdão em questão corrobora a conclusão pela completa fragilidade dos elementos indiciários contidos no Inquérito Policial que, repisese, embasou integralmente o Relatório de Diligência Fiscal; Fl. 13717DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 16 14 20. Pontuadas essas questões no que diz respeito à tradição da Contribuinte no mercado de café, somados à impossibilidade de extensão dos efeitos das Operações Broca e Tempo de Colheita, a conclusão óbvia só pode ser no sentido de que não há que se falar em fraude “orquestrada” ou “planejada” pela Unicafé; 21. Afinal, a Unicafé preza e responde pela sua própria idoneidade, e de mais ninguém; 22. O que existe no documento contraditado é apenas um discurso apelativo, lastreado em elementos probatórios débeis carentes de conexão lógica entre si e que, absolutamente, não comprovam o dolo da Contribuinte; 23. No caso vertente, não há prova minimamente consistente que possa conduzir à conclusão de que a Contribuinte desejava a fraude ou de que coordenou ou mesmo orquestrou a fraude, vale dizer, não demonstrou o Relatório de Diligência Fiscal, o domínio do fato; 24. A glosa operada está lastreada em meros indícios e ilegítimas presunções, extraídas de depoimentos em processo administrativo onde sequer foi garantido o direito ao contraditório; 25. A farta documentação apresentada foi juntada com o objetivo de atender ao que dispõe o parágrafo único do art.82 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. É o que demonstram os documentos juntados por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade nos autos do presente PAF; 26. Acrescentase o fato que, das 89 empresas citadas no Relatório de Diligência Fiscal como supostas “pseudoatacadistas”, é possível aferir que 34 delas estão ativas, o que torna a compra de mercadorias das mesmas atos lícitos; 27. À luz da diretriz constitucional, uma pessoa apenas pode ser considerada violadora da ordem jurídica na hipótese de existirem provas incontroversas de sua culpabilidade; 28. Ante o exposto, requer seja reconhecida e declarada a nulidade absoluta do Relatório de Diligência Fiscal, e que sejam afastadas as infundadas e descabidas imputações e acusações direcionadas à Contribuinte. Na seqüência foi exarado o Acórdão 1261.155, de 2013, da 17ª Turma da DRJ/RJ1, fls. 13.457/13.499, ora recorrido, onde os membros daquela Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, acordaram por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão da Unidade da RFB na íntegra, fls. 267/289 (fls. 133/244 no processo papel), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da Fl. 13718DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 17 15 contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. É incabível o desconto de créditos apurados segundo o regime não cumulativo, calculados sobre juros pagos ou creditados a pessoas jurídicas a título de remuneração do capital próprio, sob o argumento de que constituem despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, no período em que havia autorização legal para o desconto de créditos relativamente a essas despesas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 13.511/13.620, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, acrescentado, em síntese: 1. O Órgão a quo pautou sua decisão, tão somente, em um conjunto probatório parco e reconhecidamente deficiente, 2. existência de vício processual quanto á execução da diligência requerida pela DRJ, posto que o relatório de Diligência Fiscal extrapolou os limites da Diligência acordada na DRJ, ocorrendo uma inovação da autuação por parte da fiscalização. 3. Com a inovação, a fiscalização, de forma indevida, reforçou a fundamentação da glosa, deturpando o procedimento fiscal. 4. Inaplicabilidade da legislação civil e do artigo 116, parágrafo único do CTN para desconsideração dos negócios jurídicos. 5. Descaracterização das aquisições do café de pessoas jurídicas, caracterizandoas como adquiridas de pessoas físicas, sem contudo indicação da base legal e de quais seriam os produtores rurais dos quais a recorrente teria adquirido o café. Em 1/10/2014 houve juntada de petição, fls. 13.696/13.699 requerendo, adicionalmente: a) Na eventualidade de ser mantida a glosa dos créditos integrais, lhe seja assegurado o direito de apropriação dos créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/04; e b) Que os referidos créditos presumidos sejam utilizados na âmbito deste próprio processo, em observância ao disposto no art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, para fins das DComp e PER então apresentados. Por sorteio, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 13719DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 18 16 Voto: Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. Registrese que em semelhantes condições encontramse treze processos de titularidade da recorrente, a seguir identificados, todos de minha relatoria e igualmente pautados para julgamento: seq. processo Tributo Período (mês/ano) 1 11543.003690/200470 Cofins 7/04 a 9/04 2 11543.003689/200445 PIS 7/04 a 9/04 3 11543.000371/200593 PIS 1/05 a 3/05 4 11543.000767/200450 PIS 1/04 a 3/04 5 11543.000184/200429 PIS 10/03 a 12/03 6 11543.002342/200485 Cofins 4/04 a 6/04 7 11543.000117/200595 Cofins 10/04 a 12/04 8 11543.000118/200530 PIS 10/04 a 12/04 9 11543.000372/200538 Cofins 1/05 a 3/05 10 11543.001116/200568 PIS 4/05 a 6/05 11 11543.001117/200511 Cofins 4/05 a 6/05 12 11543.001879/200517 Cofins 7/05 a 9/05 13 11543.001878/200564 PIS 7/05 a 9/05 Dessa forma, visando a celeridade processual, o presente voto alcançará a totalidade dos processos, sendo que o teor das informações e dados serão individualizados, sempre que necessário. Vislumbro, desde já necessidade de conversão do presente feito em Diligência, conforme fundamento a seguir. Conforme delineado no relato precedente, o cerne da controvérsia cingese (I) a glosa integral dos créditos calculados sobre o valor das despesas de corretagem na compra do café em grão (II) a glosa integral dos créditos calculados sobre os juros remuneratórios sobre o capital próprio e (III) a glosa parcial dos créditos calculados sobre a aquisição de café cru em grão de pessoas jurídicas irregulares (inativas, omissas ou sem receita declarada). Fl. 13720DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 19 17 Relativamente ao item (III), a eventual manutenção, por parte desse colegiado, da glosa dos créditos ordinários, obtidos irregularmente, ensejaria a apreciação de conseqüente direito, ou não, ao aproveitamento do crédito presumido, fruto de reconhecimento de que tais operações foram processadas junto a pessoas físicas ruralistas. Repercutirá ainda na definição quanto ao alcance temporal e na modalidade do aproveitamento do crédito presumido. isto é, o crédito poderá ser utilizado exclusivamente para fins de compensação com débitos da própria contribuição, para compensação com outros tributos, ressarcimento em espécie, ou ainda nenhuma delas. Isso porque no período de ocorrência do fato gerador, englobando todos os processos sob análise, compreende outubro de 2003 a setembro de 2005, houve edição da Lei 10.925/2004, vigência a partir de 1º de agosto de 2004, que estabeleceu novos dispositivos para o crédito presumido, até então disciplinado na Lei 10.833/2003, §§ 5º e 6º do art. 3º e 10637/2002, §§ 10 e 11 do art. 3º. Nesse contexto, verificase omissão nos Despachos Decisórios da DRF/ES que, se não suprido, poderá levar a decisão distorcida da realidade, por parte desse colegiado. A priori, DRF/ES, neste e nos demais processos relacionados, reconheceu que, tendo a aquisição do café ocorrido de pessoas físicas, a recorrente tem direito a apropriar os respectivos créditos presumidos, a partir de 1º de agosto de 2004, data em que entrou em vigor o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23/7/2004. Quanto aos períodos anteriores, até 31/7/2004, a DRF silenciouse. Entretanto, a afirmação acima não está clara no texto dos Despachos Decisórios quanto ao reconhecimento, quantificação e efetiva apropriação, por parte da fiscalização, dos créditos presumidos. Exemplificadamente, v. excerto do Despacho Decisório 1.426, processo 11543.003.690/200470, fls. 285: [...] Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas. Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores (tabela resumo supra apresentada) que se encontram nas situações descritas, bem como a listagem das notas fiscais das aquisições não aproveitadas, as fls.92/107, e foi promovida a glosa pertinente, conforme tabela à f1.108. Confirmouse no arquivo de notas fiscais de entrada que o contribuinte efetuou aquisições de produtores rurais, pessoas físicas, tendo o direito ao crédito presumido. Ocorre que o contribuinte não apurou estes créditos nos períodos anteriores, utilizandoos, posteriormente, de forma acumulada em julho/04. Neste item cabe a ressalva que embora tenha sido confirmado o direito ao crédito presumido relativo ás compras de pessoas físicas, produtores rurais (agroindústria), tal crédito, seguindo o disposto no art. 8° §3°, II, da IN SRF N°660/2006 Fl. 13721DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 20 18 que disciplinou a Lei n° 10925/2004 não pode ser objeto de compensação com tributos diversos, nem de pedido de ressarcimento. Assim sendo, todo este crédito a partir de 1° de agosto/2004 foi alocado ao crédito da não cumulatividade do mercado interno. Ressaltase que foi apurado crédito residual decorrente das operações no mercado interno neste trimestre no valor de R$ 391.253,05, crédito estes que sera incorporado ao crédito de mercado interno apurado no período subseqüente, e por conseqüência utilizado no confronto com o débito da própria contribuição (não é possível compensação ou ressarcimento deste crédito atrelado ao mercado interno). [...] Conforme se depreende do texto acima, não ficou patente se o credito presumido referente a aquisição pessoa física rural, oriundo da desconsideração das operações simuladas, tenha sido efetivamente reconhecido ou apropriado, isto é, o segundo parágrafo guarda relação com o primeiro ou são dois tópicos independentes, cuidando de itens distintos? Não obstante o acima exposto, notase que os ajustes efetivados pela fiscalização, por meio dos respectivos demonstrativos de apuração do débito/crédito, não refletem harmonização de procedimentos entre os processos. Para uns processos constam a apropriação e quantificação do crédito presumido, conquanto para outros não há tal indicação quantitativa, ainda que se refiram igualmente a períodos dentro da vigência da Lei 10.925/2004 (v. fls 265 e 149 dos processos 11543.003690/200470 e 11543.000371/200593, respectivamente). Vejamos a relação processual e as respectivas informações: UNICAFÉ Crédito Presumido PF Rural em substituição do PJ simulado seq. processo Tributo Período (mês/ano) Nota demonstrativo fls. eprocesso 1 11543.003690/200470 Cofins 7/04 a 9/04 Crédito não quantificado 265 2 11543.003689/200445 PIS 7/04 a 9/04 Crédito não quantificado 285 3 11543.000371/200593 PIS 1/05 a 3/05 Crédito quantificado 149 4 11543.000767/200450 PIS 1/04 a 3/04 Crédito não reconhecido 181 5 11543.000184/200429 PIS 10/03 a 12/03 Crédito não reconhecido 1140/1142 6 11543.002342/200485 Cofins 4/04 a 6/04 Crédito não reconhecido 157 7 11543.000117/200595 Cofins 10/04 a 12/04 Crédito não quantificado 123 8 11543.000118/200530 PIS 10/04 a 12/04 Crédito não quantificado 141 9 11543.000372/200538 Cofins 1/05 a 3/05 Crédito quantificado 120 10 11543.001116/200568 PIS 4/05 a 6/05 Crédito quantificado 110 11 11543.001117/200511 Cofins 4/05 a 6/05 Crédito quantificado 106 12 11543.001879/200517 Cofins 7/05 a 9/05 Crédito quantificado 123 13 11543.001878/200564 PIS 7/05 a 9/05 Crédito quantificado 126 Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligencia para que a unidade da Receita Federal do Brasil, DRF/Vitória/ES diligencie no sentido de: Relativamente à glosa dos créditos referentes às aquisições de pessoas jurídicas irregulares, informar: Fl. 13722DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11543.003690/200470 Resolução nº 3301000.226 S3C3T1 Fl. 21 19 1. se houve reconhecimento do direito ao crédito presumido pessoa física rural. 2. se foram apropriados os respectivos créditos presumidos, quantificálos. 3. qual o tratamento dispensado ao crédito presumido em relação ao período anterior à vigência da Lei 10.925/2004 (1º/8/2004). 4. Outras informações que entender relaventes. As informações poderão, a critério da Unidade da RFB, serem proferidas em conjunto, numa única informação, replicadas, por cópia, em todos os processos relacionados. Por derradeiro, cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência, intimandoo a manifestarse, se desejar, no prazo regulamentar. Cumprindose a diligência os autos deverão retornar ao Carf para prosseguimento. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 13723DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 19647.010175/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo, para a finalidade da não-cumualtividade do PIS/Pasep e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, ocupa uma posição intermediária entre a acepção de matéria-prima, produto intermediário e de embalagem, segundo a legislação do IPI, e despesas operacionais e custo de aquisição, da legislação do IRPJ, alcançando os bens e serviços utilizados diretamente na produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se desgastem ou percam as características físico-químicas em função do contato direto exercido ou sofrido com o bem em produção ou serviço prestado.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo, para a finalidade da não-cumualtividade do PIS/Pasep e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, ocupa uma posição intermediária entre a acepção de matéria-prima, produto intermediário e de embalagem, segundo a legislação do IPI, e despesas operacionais e custo de aquisição, da legislação do IRPJ, alcançando os bens e serviços utilizados diretamente na produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se desgastem ou percam as características físico-químicas em função do contato direto exercido ou sofrido com o bem em produção ou serviço prestado. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.010175/200571 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.012 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria COFINS Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA VALE DO PINDARÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE PRODUÇÃO. ÔNUS. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO. Consoante art. 333, I do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, nos feitos que consubstanciam pedidos de ressarcimento ou restituição de tributos, o ônus da prova do direito alegado é do contribuinte requerente, prova esta exclusivamente documental, cujo momento de produção é a apresentação do recurso inaugural, com as exceções textualmente previstas, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo, para a finalidade da nãocumualtividade do PIS/Pasep e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, ocupa uma posição intermediária entre a acepção de matériaprima, produto intermediário e de embalagem, segundo a legislação do IPI, e despesas operacionais e custo de aquisição, da legislação do IRPJ, alcançando os bens e serviços utilizados diretamente na produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se desgastem ou percam as características físicoquímicas em função do contato direto exercido ou sofrido com o bem em produção ou serviço prestado. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 01 75 /2 00 5- 71Fl. 820DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa, relativo ao 3º trimestre/2005, reconhecido parcialmente e, na mesma medida, homologadas as compensações atreladas ao direito creditório. Narra a fiscalização que as glosas decorreram da apropriação de créditos de carvão vegetal, cujos documentos fiscais foram emitidos pelo próprio requerente; bens e serviços não enquadrados como insumo (combustíveis, lubrificantes, produtos intermediários, etc.); não apresentação de documentário fiscal para determinados insumos; despesas de armazenagem e fretes, por ausência de documentos fiscais; e, encargos de depreciação não registrados em contas do ativo imobilizado, mas em contas de custos. Em manifestação de inconformidade o contribuinte acusou, preliminarmente, homologação tácita de parcela das compensações examinadas. No mérito, primeiramente, discorreu sobre o princípio da verdade material; quanto aos encargos de depreciação, alegou que houve equívoco na sua contabilização; indicou a apresentação dos documentos que respaldariam o direito crédito glosado; colacionou o conceito de insumo à luz da jurisprudência do CARF; relativamente aos combustíveis e lubrificantes, asseverou que a sua utilização ocorreu nos caminhões e equipamentos de transporte de insumos ou produtos semiacabados, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, requereu perícia contábil. Com o recurso vieram, a título de “documentos”, cópias de balancetes, razões analíticos, três notas fiscais de aquisição de minério e lista de notas fiscais de compras. A DRJ Fortaleza/CE manteve as conclusões do despacho decisório, em decisão assim ementada: “PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010175/200571 Acórdão n.º 3401003.012 S3C4T1 Fl. 11 3 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. CRÉDITO. CONSUMO. O crédito do contribuinte utilizado nas compensações homologadas tacitamente reduz sim o crédito de ressarcimento porventura reconhecido, na seqüência em que apresentadas as DCOMPs serodiamente analisadas. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. PESSOA FÍSICA. AQUISIÇÕES. Não dá direito a crédito o valor referente à aquisição de bens e serviços de pessoas físicas, por expressa disposição legal. RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. MATERIAL DE CONSUMO. MANUTENÇÃO PATRIMONIAL. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de bens destinados à venda devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 RESSARCIMENTO. SERVIÇO. MANUTENÇÃO PATRIMONIAL. Também se consideram insumos, para os mesmos fins, os serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços, que não acrescentem vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie. RESSARCIMENTO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETE. As despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, geram direito ao desconto de créditos na apuração não cumulativa da contribuição. Entendese por armazenagem estritamente a guarda de mercadoria, não se incluindo nesse conceito operações portuárias diversas. RESSARCIMENTO. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade.” O recurso voluntário exaltou, preliminarmente, a busca da verdade material e, no mérito, destacou a jurisprudência atual do CARF acerca do conceito de insumo; aduziu que esta acepção açambarca o bem ou serviços pertinente e essencial ao processo produtivo, quer empregado direta ou indiretamente; que as aquisições de carvão, cujo crédito foi apropriado, foram realizadas apenas de pessoas jurídicas; que as autoridades fiscais não verificaram a forma de utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo; que os produtos intermediários glosados atendiam aos requisitos de pertinência e essencialidade com o processo produtivo; da mesma forma os serviços (transporte de funcionários, mão de obra para operação de veículos, consultoria ambiental, etc.); e, quanto às glosas de armazenagem, frete e encargos de depreciação, ressaltou que a insuficiência documental não pode ser motivo para a glosa porque a fiscalização não exigiu a descrição da natureza destas operações, o que, todavia, poderia ser sanado através de realização de perícia contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Tocante à preambular de observância ao princípio da verdade material, verifico que se tratou de discurso eminente teórico, sem questionamentos específicos neste tópico, mas recorrente ao longo do arrazoado, logo, entendo que não há necessidade de manifestação própria a seu respeito. Quanto ao mérito, inicio pela definição de insumo. Como já abordado pelo próprio recorrente, aludida acepção já se encontra hodiernamente, de certa forma, abalizada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 823DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010175/200571 Acórdão n.º 3401003.012 S3C4T1 Fl. 12 5 Fiscais – CARF, consoante o qual insumo corresponderia ao bem ou serviço empregado no processo de produção, industrialização ou prestação do serviço, ainda que não se consuma ou sofra alterações físicoquímicas por contato direto com o bem em produção ou o serviço prestado. Este conceito situase em posição intermediária entre a tese defendida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o equipara às matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, segundo a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, e aquela defendida por alguns contribuintes, equivalente o seu alcance às despesas operacionais da pessoa jurídica, nos termos do art. 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Esta situação foi captada com percuciência no voto proferido pelo eminente membro desta turma julgadora, Cons. Bernardo Leite de Queiroz Lima, no julgamento do Acórdão nº 3401002.859, cujo excerto peço licença para transcrever: Os dispositivos das instruções normativas definiram como insumos na fabricação de bens destinados à venda, os bens que se enquadrem como matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. No que tange aos serviços, este serão considerados insumos quando forem aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Na prestação de serviços, serão considerados insumos os bens e serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Percebese que as instruções normativas adotaram o conceito de insumo utilizado na legislação atinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao restringir os insumos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, bem como outros bens que tenha desgaste em contato com o bem produzido. Este é um conceito bastante restrito, coerente com a materialidade do IPI, que está intrinsecamente relacionada ao processo de industrialização, a um ciclo econômico em que é possível aferir as diferentes etapas e identificálas de forma a impedir a indevida onerosidade em cada uma delas, de forma a garantir a nãocumulatividade. Não é, contudo, o caso do PIS e da COFINS, cujo fato gerador o "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", não se relacionando diretamente a um determinado produto e sua industrialização, mas às receitas decorrentes da atividade empresarial como um todo. Não é possível, portanto, adotar para o PIS e a COFINS um conceito de insumo originário da legislação do IPI, uma vez que a materialidade daquelas contribuições e deste imposto são distintas, não guardando semelhança a justificar que se aproveite definições deste naquelas. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Da mesma forma, a materialidade do PIS e da COFINS, conquanto mais próxima àquela do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, haja vista que o faturamento também é elemento que afeta este imposto, não se confundem. É cediço que, para se apurar o lucro de determinada pessoa jurídica, é necessário verificar o faturamento e as receitas desta para se alcançar o lucro líquido e, posteriormente, o lucro real, base de cálculo do imposto no regime de apuração real. Isto não significa, contudo, que as definições contidas na legislação do IRPJ são aplicáveis ao PIS e à COFINS, posto que, mesmo com suas semelhanças, tratamse de tributos distintos. Outrossim, caso aplicados os conceitos do IRPJ ao PIS e à COFINS, corre se o risco de descaracterizar a materialidade destas contribuições. Assim, não é possível afirmar que o conceito de insumos corresponde exatamente ao de despesas necessárias do art. 299 do Decreto nº 3000/99 ou do custo de produção trazido no art. 290 deste mesmo decreto, não obstante algumas semelhanças entre o conceito de insumo e estas definições. Neste sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais desta 3ª Seção, no acórdão nº 3302001.916, em que foi adotado um conceito próprio de insumo, distinto tanto daquele previsto na legislação do IPI quanto da legislação do IRPJ, para fins de apuração dos créditos de PIS e COFINS. Por partilhar deste entendimento, segue transcrição de trecho do voto proferido naquele acórdão, o qual permite elucidar de forma clara a questão dos insumos: (...) Em suma, em busca de um conceito de insumo que esteja em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI; bem como não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Adotando o conceito a que se chegou a CSRF no acórdão acima, é possível definir insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Partindo deste conceito, deve ser feita uma análise pormenorizada dos créditos de COFINS glosados no auto de infração e determinar se, dentro do conceito de insumo adotado, podem tais créditos serem mantidos ou não.” Destas colocações, ressalvo apenas o entendimento pessoal em relação à possibilidade de se admitir a qualificação de insumo aos bens e serviços utilizados indiretamente no processo produtivo, na fabricação ou na prestação dos serviços. É que, a meu ver, permitir que o emprego indireto dos bens/serviços na produção possa gerar direito de crédito conduz justamente à incerteza que o conceito formulado pretende profligar, porquanto indiretamente todas as despesas concorrem para a formação do produto final ou serviço prestado pelo contribuinte. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010175/200571 Acórdão n.º 3401003.012 S3C4T1 Fl. 13 7 Assim, a minha compreensão do termo “insumo”, tal como insculpido nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03, abrange tãosomente os bens e serviços que são utilizados diretamente na produção, industrialização e prestação de serviços. Essa definição, em que pese a aparente objetividade, ainda padece de um certo grau de abstração e subjetividade prática, eis que exige a análise casuística de cada item, tomado no contexto do processo produtivo e/ou de prestação de serviço do requerente, vicissitude esta inerente a todas as formulações até hoje engendradas. Nesta vereda, passo ao exame, na ordem proposta pelo recurso, às glosas de carvão vegetal. Aqui o recorrente assevera que aproveitou créditos apenas de aquisições de pessoas jurídicas, todavia, como salientado pela decisão reclamada, as glosas se restringiram às operações cujos documentos fiscais de entrada foram emitidos pelo próprio requerente, sendo que os balancetes apresentados na impugnação não estampavam registros destas aquisições, como se extrai do seguinte trecho: “Por ocasião do levantamento do crédito pleiteado, o requerente informa que adquiriu o carvão de vários fornecedores, documentando a operação com nota fiscal de entrada por ele mesmo emitida (fls 150/173). Compulsando, a seu turno, o razão analítico juntado com a impugnação, não se verifica o registro da operação de aquisição de carvão. Como esses insumos não se encontram demonstrados ou evidenciados na escrituração, não há prova hábil a sua comprovação. Ademais, as notas fiscais de entrada têm baixa eficácia probatória das operações que elas registram, porquanto se revelarem prova unilateral, vale dizer, da feitura do próprio interessado.” (destaques no original) Considerando que todas as pessoas jurídicas, segundo a legislação tributária, estão obrigadas à emissão de nota fiscal ou documento equivalente legalmente estipulado, aludidas notas fiscais (de emissão do recorrente) não poderiam se referir a “aquisições de pessoas jurídicas”. De outra banda, não é possível apropriar créditos em operações comerciais, se é que assim se possa considerar, onde o vendedor e o adquirente da mercadoria sejam a mesma pessoa. Se as aquisições se referem à produção própria de carvão vegetal, como aventado em outros processos do mesmo contribuinte, não é a “aquisição”, em si, deste produto que geraria direito ao crédito postulado, mas sim, desde que observadas as circunstâncias do caso concreto, os insumos utilizados na produção do carvão vegetal. Outrossim, considerando que não houve exclusão de aquisições de pessoas jurídicas distintas, segundo o relatório fiscal (fl. 321), salvo as notas fiscais de entradas por ele mesmo emitidas, improcedente a argumentação do recorrente. Aqui abro um parêntese para registrar a inconsistência destas aquisições de carvão vegetal, tendo em conta que ora se afirma tratar de produção própria, ora aquisições guiadas por notas fiscais do próprio requerente denotando aquisições de pessoas físicas, ora sequer estão contabilizadas com esta natureza (aquisição de carvão vegetal), ou seja, não há clareza suficiente nos elementos contábeis e fiscais apresentados a respaldar a apropriação de créditos destes insumos. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Quanto aos combustíveis e lubrificantes, as autoridades administrativas procederam à sua exclusão por não vislumbrarem aplicação direta sobre o bem em produção ou fabricação. O recorrente, por seu turno, apenas alegou que não foram feitas as verificações necessárias, acrescentando de forma genérica que o combustível fora utilizado nos veículos para transporte de matériasprimas ou produtos semiacabados. Em minha opinião, o busílis da questão reside especialmente na distribuição do ônus probatório, isto é, a quem competiria demonstrar a procedência do direito: aquele que alega ou aquele que contesta. No caso vertente, a prova necessária ao deslinde da celeuma é eminentemente documental. Neste diapasão, o Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, dispõe em seu art. 16, que a prova documental, de interesse do contribuinte, será trazida aos autos no recurso, precluindo o direito de fazêla em outro momento processual. Já o art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, aponta que seria atribuição do contribuinte a demonstração e prova do direito alegado, eis que, segundo o dispositivo, o ônus de provar o fato constitutivo do direito incumbe ao autor, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento de tributos, impõese ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário, este encargo é imputado ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Administração Tributária. Nestes autos, então, a responsabilidade pela prova caberia ao requerente, que não se desvencilhou de produzila, razão porque não se pode acatar o pedido de perícia contábil, eis que as diligências e perícias não têm por escopo suprir deficiência probatória do titular do direito vindicado, seja a Administração Tributária, seja o contribuinte. Para constar, a prova necessária não se resume à apresentação de relação de notas fiscais de aquisição, como ocorreu no presente processo, mas, principalmente, a descrição detalhada de como esses insumos (combustíveis e lubrificantes) foram empregados, até porque o motivo não foi a insuficiência documental, como supõe o recorrente, mas sim que aludido insumo não teria se consumido no processo de produção. O recorrente, por seu turno, aduz de forma lacônica e aleatória que o combustível fora empregado em veículos de transporte para movimentação de matériasprimas ou produtos semiacabados, no entanto, não especifica, por exemplo, quais seriam estas matériasprimas, tampouco quais os bens em produção foram movimentados, com indicação dos percursos realizados, estabelecimentos da pessoa jurídica envolvidos nesta operação de produção/industrialização seqüenciada, a respaldar o trânsito de mercadorias em produção. Não há sequer um princípio de prova coligido aos autos neste sentido, de maneira que a alegação genérica não embasa o direito de crédito pleiteado, não sendo possível admitilo nestas circunstâncias, valendo o princípio jurídico consoante o qual alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. (“allegatio et non probatio, quasi non allegatio”). Além do que, entendo que o combustível utilizado no transporte de insumos não pode ser enquadrado na categoria de “insumo” devido ao fato que, nesta etapa logística, a produção propriamente dita, na definição até aqui adotada, ainda não se iniciou. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010175/200571 Acórdão n.º 3401003.012 S3C4T1 Fl. 14 9 Na seqüência, concernente aos produtos intermediários glosados, também uma vez mais o contribuinte simplesmente aduz que são bens enquadráveis no conceito de insumo. Do exame da planilha de exclusão elaborada pela fiscalização, fls. 299/305, tais bens consistem em peças para veículos, pneus, baterias, madeira serrada, tijolos e materiais elétricos. À luz do conceito de insumo engendrado neste voto é possível afastar, de plano, tais produtos porquanto claramente não são utilizados diretamente na produção, mas apenas indiretamente, o que não compagina com o escopo da lei. A mesma sorte se reserva aos serviços glosados, haja vista que também não são aplicados diretamente na produção, mas, quando muito, indiretamente. A teor da planilha elaborada pela fiscalização, fl. 309/312, os serviços correspondem a transporte de funcionários, serviços em veículos, serviços de informática, serviços de consultoria, serviços de abastecimento d’água, aberturas de praças, assistência de pessoal, dentre outros. Às fls. 306/308 consta a relação de glosas decorrentes da não apresentação dos documentos fiscais correspondentes, documentos estes que não foram apresentados nas oportunidades recursais, razão suficiente para que sejam mantidas. Enfim, ainda que não se acolha o conceito de insumo adotado pelas instâncias recorridas, a conclusão dos trabalhos, quanto às exclusões realizadas e examinadas, deve ser mantida. No tocante às glosas de quotas de depreciação de bens do ativo imobilizado, segundo o demonstrativo de fls. 313/315, correspondem tais valores a aquisições de ferragens e materiais de construção (tijolos, tubos de ferro e serviços correlatos) que não foram ativados, mas mantidos em contas de custos, o que impede a apropriação do crédito nessas condições. Consoante art. 3º, VI c/c § 1º, III da Lei nº 10.833/03, o direito ao crédito está restrito ao encargo de depreciação incorrido no mês relativo às máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, não se estendendo aos gastos não ativados, como ocorreu no caso vertente. Relativamente às despesas com fretes/armazenagem, segundo a fiscalização, o contribuinte não apresentou documentos que respaldassem os valores informados no DACON e utilizados na apuração do direito creditório, situação esta que se mantém inalterada até a presente data, ao passo, que o contribuinte se limitou a apresentar um rol de documentos fiscais na impugnação, contudo, nenhuma cópia destes documentos propriamente ditos foi carreada ao processo, revelando a persistência do problema apontado inicialmente, qual seja, ausência de documentário fiscal. Em recurso voluntário, o recorrente insistiu na realização de perícia contábil para elisão deste problema, todavia, como adrede mencionado, a prova neste caso é exclusivamente documental, cabendo ao contribuinte a sua produção no momento processual designado pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/72, não se prestando as diligência/perícias à dilação probatória, como pretendido. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 829DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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