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Numero do processo: 10865.900325/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/10/2005
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/10/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 25 /2 01 2- 10 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900325/201210 Acórdão n.º 3301004.207 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.742. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900325/201210 Acórdão n.º 3301004.207 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900325/201210 Acórdão n.º 3301004.207 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724292/2015-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003.
As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infra-legais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003.
As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infra-legais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios.
Numero da decisão: 3401-004.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) afastar as alegações de nulidade; (a2) cancelar o lançamento no que se refere às glosas de crédito extemporâneo de manutenção; crédito extemporâneo de edificação Prédio BVN; crédito extemporâneo sobre depreciação de instalações industriais; estorno decorrente de cancelamento de pedido de ressarcimento; e saldo de crédito de meses anteriores; e (a3) manter o lançamento no que se refere a fretes para os quais não se comprovou que representam operação de venda; notas fiscais de remessa para entrega futura; notas fiscais em duplicidade; valores divergentes das notas fiscais de aquisição; notas fiscais apropriadas em duplicidade; e gastos com edificações não relacionados à produção, e não destacados no item "b"; (b) por maioria de votos, para (b1) afastar o lançamento no que se refere a equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes, e gastos com edificações não relacionados à produção referentes a compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, e estação de tratamento de efluentes, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; (c) por voto de qualidade, para manter a autuação no que se refere a frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como em relação a crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos, vencidos o relator e os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) afastar as alegações de nulidade; (a2) cancelar o lançamento no que se refere às glosas de crédito extemporâneo de manutenção; crédito extemporâneo de edificação Prédio BVN; crédito extemporâneo sobre depreciação de instalações industriais; estorno decorrente de cancelamento de pedido de ressarcimento; e saldo de crédito de meses anteriores; e (a3) manter o lançamento no que se refere a fretes para os quais não se comprovou que representam operação de venda; notas fiscais de remessa para entrega futura; notas fiscais em duplicidade; valores divergentes das notas fiscais de aquisição; notas fiscais apropriadas em duplicidade; e gastos com edificações não relacionados à produção, e não destacados no item "b"; (b) por maioria de votos, para (b1) afastar o lançamento no que se refere a equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes, e gastos com edificações não relacionados à produção referentes a compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, e estação de tratamento de efluentes, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; (c) por voto de qualidade, para manter a autuação no que se refere a frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como em relação a crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos, vencidos o relator e os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. ROSALDO TREVISAN - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infra-legais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infra-legais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios.
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APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infralegais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 42 92 /2 01 5- 20 Fl. 591DF CARF MF 2 econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE PIS/COFINS. APROVEITAMENTO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS (DCTF E DACON), OU SEJA, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, NÃO PODE IMPEDIR A FRUIÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO. ARTIGOS 3º, PARÁGRAFO 4º, DAS LEIS Nº 10.637/2002 E LEI 10.833/2003. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infralegais nem que o descumprimento de obrigação acessória implique a negativa de direito de crédito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA, COMO PNEUS (LINHAS CARGA, AGRO, OTR, PASSEIO, MOTO, BICICLETA E MOTOCICLETAS), PLACAS, PISOS, LENÇÓIS, ESTRADO E TIRA PROTETORA. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado), devendo observar um regime jurídico próprio, decorrente de sua legislação de regência. Há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, não existe direito a crédito para o frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 560 3 assim como para o crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constituise em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) afastar as alegações de nulidade; (a2) cancelar o lançamento no que se refere às glosas de crédito extemporâneo de manutenção; crédito extemporâneo de edificação “Prédio BVN”; crédito extemporâneo sobre depreciação de instalações industriais; estorno decorrente de cancelamento de pedido de ressarcimento; e saldo de crédito de meses anteriores; e (a3) manter o lançamento no que se refere a fretes para os quais não se comprovou que representam operação de venda; notas fiscais de remessa para entrega futura; notas fiscais em duplicidade; valores divergentes das notas fiscais de aquisição; notas fiscais apropriadas em duplicidade; e gastos com edificações não relacionados à produção, e não destacados no item "b"; (b) por maioria de votos, para (b1) afastar o lançamento no que se refere a equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes, e gastos com edificações não relacionados à produção referentes a compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, e estação de tratamento de efluentes, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; (c) por voto de qualidade, para manter a autuação no que se refere a frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como em relação a crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos, vencidos o relator e os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. MARA CRISTINA SIFUENTES Redator designado. Fl. 593DF CARF MF 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Adoto inicialmente parte do relatório da decisão recorrida, que assim descreve as constatações da Fiscalização: "A auditoria consistiu em verificar a correta apuração das contribuições, mediante cotejamento das informações apresentadas nos arquivos digitais da escrituração fiscal digital da empresa com notas fiscais e memórias apresentadas. Mediante a análise descrita, a apuração dos valores informados nos Dacon foi realizada utilizando como base de cálculo o memorial apresentado pelo contribuinte, onde foram constatada a infração de aproveitamento de crédito em desacordo com a legislação. Após descrever o procedimento fiscal, a Autoridade Fiscal passa a identificar as glosas realizadas, da base de cálculo dos créditos de mercado interno, conforme as linhas do Dacon, como segue. 1 Bens utilizados como insumos – Linha 02 FICHAS 06A e 16A do Dacon Créditos extemporâneos Foram glosados valores de notas fiscais de aquisição de materiais de manutenção referente ao período de 01/07/2008 a 01/02/2011, computados na base de cálculo para apuração do crédito em março/2011, por não haver amparo legal na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade. 2 Despesas de Frete na Operação de Venda– Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon Por não estarem relacionados a operações de venda, conforme determina o IX. do art. 3° das Lei nº 10.833/2003, foram glosados todos os conhecimentos de frete relacionados à operações de remessa, devoluções e outras saídas, conforme demonstrado no anexo I. 3 Sobre Bens do ativo imobilizado (Base no valor de aquisição) – Linha 10 FICHAS 06A e 16A do Dacon A fiscalização informa que a interessada apropriou crédito sobre três grupos de aquisições, quais sejam, máquinas/equipamentos, benfeitorias e edificações, separando os cálculos em três subitens, denominados (1) crédito acelerado de máquinas e equipamentos, (2) crédito acelerado de edificações e (3) crédito sobre depreciação de instalações industriais. 3.1 Crédito acelerado na aquisição de máquinas e equipamentos Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 561 5 Mediante análise na planilha de detalhamento do crédito por nota fiscal, verificouse que o contribuinte computou indevidamente, por não atenderem aos requisitos estabelecidos na legislação para aproveitamento de crédito, na base de cálculo para apuração do crédito: a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. 3.2 Crédito acelerado de edificações Mediante análise na planilha de detalhamento do crédito por nota fiscal, verificouse que o contribuinte computou indevidamente na base de cálculo para apuração do crédito sobre edificações: a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; c) créditos extemporâneos. 3.3 Crédito sobre depreciação de benfeitorias incorporadas ao ativo imobilizado Por não haver amparo legal na legislação de regência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, foram glosadas da base de cálculo do crédito de março/2011, as 20 parcelas, referentes ao período de Julho/09 a Fevereiro/01, que foram apropriadas de forma indevida. 4 Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon Consta que o valor de R$ 691.619,20 lançado em outubro de 2011 na linha 21 da ficha 16A do Dacon referiase a um cancelamento de pedido de ressarcimento de crédito, em 14/10/2011, referente ao 4° trimestre de 2008, cujo o valor foi descontado na apuração de fevereiro de 2009. Este aproveitamento de crédito solicitado pelo contribuinte foi glosado, tendo em vista que não há previsão legal para que estorno de crédito solicitado em pedido de ressarcimento seja reconhecido como aproveitamento de crédito nas aquisições do mercado interno, visto que não é um crédito proveniente de aquisições no mercado interno (Ficha 16 A do Dacon), mas sim, de estorno no pedido de ressarcimento. No caso de haver cancelamento no pedido de ressarcimento, o ajuste deve ser feito na ficha 24 do Dacon, com a retificação do Dacon. 5 Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon Por não haver amparo legal na legislação de regência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, foram glosados créditos extemporâneos de parcela do Ativo Imobilizado sobre máquinas e equipamentos não apropriados desde dezembro/2007". Fl. 595DF CARF MF 6 Contra esse lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada totalmente improcedente pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, na sessão de julgamento do dia 24/06/2016, em acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a perícia requerida para fins de produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo contribuinte. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete na operação de venda, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado pelo vendedor para o transporte do bem vendido, não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento de insumos ou produtos entre estabelecimentos da empresa. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 562 7 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. CRÉDITO. APROPRIAÇÃO ACELERADA. As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Cofins decorrentes de despesas de depreciação ou amortização de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO. MÁQUINAS EQUIPAMENTOS DO IMOBILIZADO Pode ser apurado crédito em relação à amortização e depreciação de maquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 (...)" Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado no dia 30/06/2016, conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" de fls. 479, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 29/07/2016, conforme documento de fls. 480, pelo qual pediu a reforma do acórdão recorrido, com o cancelamento integral do crédito tributário constituído pelos autos de infração, com base nos argumentos a seguir: (i) nulidade da decisão recorrida por ausência de perícia; (ii) nulidade do lançamento em razão de erro na base de cálculo na glosa relacionada aos fretes de operações de remessa, devoluções e outras saídas; (iii) seriam legítimos os créditos extemporâneos de aquisições de materiais de manutenção; (iv) as operações de frete realizadas pela Recorrente dariam direito a crédito, "tanto porque indispensáveis ao processo produtivo como insumo, quanto por serem necessários às operações de venda"; nesse sentido, a Recorrente traz explicações a respeito das seguintes rubricas: frete para remessa e devolução de vasilhame ou sacaria, frete de devolução do ativo imobilizado, frete para remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo, frete de remessa em bonificação, doação ou brinde, e frete de outra saída de mercadoria ou prestação de serviço; (v) com relação a bens do ativo imobilizado, seguindo a divisão em tópicos proposta no lançamento, a Recorrente defende item a item a legalidade do creditamento dos valores discutidos, pelas razões a serem analisadas no Voto; (vi) no que refere ao tópico "outros créditos a descontar", a Recorrente defende que o fato de "ter cancelado o pedido de ressarcimento não inviabiliza o aproveitamento do mesmo"; (vii) no tópico "saldo de crédito dos meses anteriores", a Recorrente novamente defende a legitimidade do direito ao crédito extemporâneo; (viii) a Recorrente pede o afastamento da SELIC sobre a multa de ofício; e, por fim, (ix) a Recorrente defende a necessidade de perícia, para que sejam esclarecidos pontos relativos aos "conhecimentos de transporte utilizados como parâmetros para considerar o frete nas operações de remessa, devolução e outras saídas (itens tratados em preliminar)". Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria. Fl. 597DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, de modo que dele tomo conhecimento. Para melhor compreensão das matérias em discussão nos autos deste processo, coloco a seguir cada uma delas, adotando a divisão em tópicos e subtópicos proposta pela Fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 17 e seguintes. Matérias em Discussão 1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção 2) Despesas de Frete que não representam operação de venda Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon 3) Bens do ativo imobilizado 3.1) Crédito acelerado de máquinas e equipamentos; a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade; e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. 3.2) Crédito acelerado de edificações; e a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; e c) créditos extemporâneos. 3.3) Crédito sobre depreciação de instalações industriais. 4) Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon 5) Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon Em seguida, o exame de cada uma delas, após as preliminares de nulidade levantadas pela Recorrente. Nulidades A Recorrente inicialmente aponta questões que, na sua visão, seriam preliminares ao julgamento do mérito, defendendo a existência de nulidade tanto da decisão recorrida quanto no lançamento, pois teria ocorrido erro na base de cálculo na glosa relacionada aos fretes de operações de remessa, devoluções e outras saídas e por ter sido indeferido o pedido de perícia da Recorrente, que teria por objetivo justamente esclarecer esse ponto e ajustar a base de cálculo, de acordo com as notas fiscais vinculadas a cada frete. Explica a Recorrente que a Fiscalização realizou a glosa dos conhecimentos de frete, pelo seu valor total, sem atentar que cada conhecimento de frete, por vezes, poderia ser vinculado a mais de uma nota fiscal e que, dentre as notas fiscais vinculadas a conhecimentos de frete considerados na base de cálculo do lançamento havia aquelas que tratavam, por exemplo, de "produtos para revenda". Diante disso, afirma a Recorrente que a "autoridade fiscal considerou o valor total do conhecimento para glosa, quando em verdade deveria ter especificado o valor da nota fiscal objeto da glosa do suposto aproveitamento indevido de crédito, pois como se verifica na nota acima, os produtos ali destacados são destinados para revenda" e que "a glosa do Fisco Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 563 9 que se baseia em “conhecimento de frete, dos quais houve aproveitamento de crédito, que não estavam relacionados a operações de venda”, ocorreu de forma equivocada". De plano, verificase que não há que se falar em nulidade e não se trata de questão preliminar. Nos termos do artigo 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235/1972, "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". No caso, não há qualquer ato praticado por autoridade incompetente nem com preterição ao direito de defesa da Recorrente. Na realidade, se determinada despesa com frete tem natureza de despesa com frete relacionada à operação de venda, à luz da legislação de regência das contribuições, essa não é uma questão preliminar ao mérito, mas uma questão de mérito, cabendo à Recorrente demonstrar a natureza das operações por ela praticadas, que a Fiscalização considerou operações que não poderia ter considerado, o montante de tais operações, dentre outras alegações, não incorrendo a decisão recorrida em nulidade, ao indeferir uma prova que poderia ser produzida pela Recorrente e, ao entender da autoridade julgadora de piso, não se mostrava necessária para a formação de sua convicção, como prevê o artigo 18, do Decreto nº 70.235/1972. Além disso, a Recorrente pede a produção de prova pericial, sem se preocupar com a exposição dos motivos que a justifique, com a formulação de quesitos e com a nomeação de assistente técnico, o que atrai a aplicação do artigo 16, inciso IV, combinado com parágrafo 1º, do Decreto nº 70.235/1972, que determina: “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Portanto, essa matéria será apreciada adiante, no exame da glosa das despesas de frete, andando bem a decisão recorrida quando rejeitou a nulidade suscitada, ao afirmar que "eventual erro de cálculo do crédito tributário lançado poderia, quando muito, causar a reforma do lançamento e não a sua nulidade". Pelo exposto, proponho ao Colegiado rejeitar as nulidades levantadas pela Recorrente. 1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção Nesse item da autuação, a Fiscalização expõe que "mediante análise na planilha de detalhamento do crédito por nota fiscal, verificouse que o contribuinte computou na base de cálculo para apuração do crédito, em março/2011, notas fiscais de aquisições de materiais de manutenção referentes ao período de 01/07/2008 a 01/02/2011, no valor de R$ 4.761.734,55, item por ele denominado “Crédito Extemporâneo de Manutenção”. Porém, segundo o entendimento da Fiscalização, por força do artigo 3º, parágrafo 1º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, para fins de aproveitamento de crédito no regime não cumulativo, a regra seria a aplicação da alíquota do tributo sobre o valor dos bens adquiridos no mês, ou seja, o cálculo de créditos estaria restrito aos respectivos períodos de apuração, para que a análise da existência e natureza do crédito pudessem ser aferidas dentro do período específico do crédito. Fl. 599DF CARF MF 10 Assim, não haveria amparo legal na legislação de regência das contribuições para o aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, citando ainda a Fiscalização (i) a Solução de Consulta nº 73/2012, que exige a entrega de DACON e DCTF retificadoras, para reconhecimento do direito de crédito, na hipótese de aproveitamento extemporâneo das contribuições; e (i) decisão do CARF que iria nesse mesmo sentido (Acórdão nº 3403003.078, de 22/07/2014). Com isso, conclui a Fiscalização que não haveria como aceitar os créditos extemporâneos, pois "a empresa deveria apresentar DACON e DCTF retificador (s) referentes aos meses de julho de 2007 a fevereiro de 2011, que suportasse o aproveitamento desses créditos nos períodos de apuração correspondentes, ao invés de lançar gastos extemporaneamente". Por sua vez, a Recorrente defende a legitimidade dos créditos extemporâneos e que a legislação de regência permitiria a escrituração de crédito extemporâneo, destacando o artigo 3º, parágrafo 4º, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02. Além disso, a Recorrente afirma que as perguntas 59 e 60 das perguntas freqüentes do EFD, publicadas no sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil, amparariam a possibilidade de adjudicação de créditos extemporâneos, mencionando ainda decisões do CARF, que seriam favoráveis a sua tese. Em primeira instância, os argumentos da ora Recorrente foram rejeitados, concluindo a autoridade julgadora que "inexistem as retificações das declarações, sequer há a indicação de que houve a escrituração de créditos extemporâneos, ou ainda, qualquer prova de que tais créditos não foram utilizados em períodos anteriores, restando prejudicado o seu pleito". A matéria a respeito da possibilidade de escrituração e aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS/COFINS não é nova no CARF nem nessa Turma, que julgou, na sessão do dia 30/03/2017, processo de minha relatoria, na qual a matéria foi enfrentada (Resolução nº 3401001.140; Data: 30/03/2017; Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira). A questão que se coloca é se a retificação das declarações prestadas pelo contribuinte à Receita Federal, a respeito das contribuições, é condição para aproveitamento de crédito extemporâneo de PIS/COFINS. Na apreciação dessa matéria, há aqueles que entendem pela sua necessidade, reconhecendo que não existe lei que expressamente preveja a retificação como uma condição para o aproveitamento, mas que a retificação seria uma forma de demonstrar a certeza do crédito e permitir o aproveitamento do crédito. Nesse sentido, podese citar precedente unânime de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, abaixo transcrito: Ementa: "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização". Trecho da Decisão: Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 564 11 "Em endosso à argumentação do julgamento de piso, salientese que as retificações (ou mesmo a prova inequívoca por outros meios, na ausência delas, que poderíamos acrescentar) são condição à acolhida dos créditos extemporâneos, não porque há lei específica o estabelecendo (embora a DRJ transcreva norma de hierarquia inferior e orientação nesse sentido), mas porque deturpam a certeza quanto ao regular aproveitamento do crédito. Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações". (Processo nº 10380.733020/201158; Acórdão nº 3403002.717; 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária; Sessão de 29 de janeiro de 2014; Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan; decisão unânime) Nessa mesma linha de entendimento, manifestaramse, recentemente, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara e a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, conforme se verifica pelas ementas dos acórdãos a seguir: "CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização". (Processo nº 19515.722441/201317; Acórdão nº 3302003.155; 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 27 de abril de 2016; Relator: Conselheiro Walker Araújo; decisão por maioria, vencido o Conselheiro Domingos de Sá) ***** "CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização". (Processo nº 11516.722107/201180; Acórdão nº 3402003.148; 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 20 de julho de 2016; Relator: Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; decisão unânime nessa matéria) Contudo, esse entendimento, que é o mesmo da decisão recorrida, não se sustenta. Isso porque, os artigos 3º, parágrafo 4º, das Leis nº 10.637/2002 e Lei 10.833/2003, prevêem a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS em períodos Fl. 601DF CARF MF 12 diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição, conforme a seguir: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Desse modo, não existindo qualquer restrição de direito na Lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada por atos infralegais, como pretendeu a decisão recorrida. Assim, não há como se condicionar o direito de crédito à apresentação de declarações retificadoras, pois se a Lei não fez esse tipo de ressalva, não cabe ao regulamento, muito menos ao intérprete fazêlo. Devese reconhecer que a retificação das declarações permite que a certeza do crédito seja aferida com muito mais facilidade. Por outro lado, não se pode transformar um descumprimento de obrigação acessória em cobrança de obrigação principal, em especial em casos como o presente, em que o contribuinte apresenta informações detalhadas quanto ao mês em que apurada cada tipo de despesa e não há qualquer questionamento quanto à utilização em duplicidade do crédito, sua origem e outras dúvidas a respeito do crédito, limitandose a Fiscalização a rejeitar o direito de crédito tão somente em razão do descumprimento de obrigação acessória pelo contribuinte. Além disso, devese lembrar que existe sanção específica no ordenamento para punir o descumprimento de obrigação acessória, certamente diferente da cobrança do valor da obrigação principal ou da rejeição do direito de crédito do contribuinte1. Seguindo essa linha, pela desnecessidade de retificação de declarações para fins de aproveitamento de crédito extemporâneo, oportuno trazer os dois julgados abaixo, também unânimes em relação a matéria ora analisada: Ementa: "CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4o, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. 1 Artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 565 13 Tendo a DRF e a DRJ se recusado a apreciar o mérito dos créditos extemporâneos, devem ser anuladas ambas as decisões para evitar supressão de instância e permitir que seja proferido novo despacho decisório". (Processo nº 19515.720869/201244; Acórdão nº 3202001.617; 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 19 de março de 2014; Relator: Thiago Moura de Albuquerque Alves; Redator ad hoc: Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; decisão unânime) ***** "PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Quando o contribuinte verifica que tinha direito a crédito de PIS/Cofins não cumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, pode proceder de duas formas: a primeira consiste em fazer o aproveitamento no mês em que o crédito foi gerado, promovendo a retificação do DACON daquele período de apuração e dos períodos subseqüentes, bem como da DCTF para, então, promover a compensação por meio de DCOMP, utilizando como crédito o valor que recolheu a maior, inclusive com atualização; a segunda consiste em aproveita o crédito no período de apuração corrente, incluindoo na DACON, sem precisar retificar nenhuma declaração em relação ao passado, mas aproveitando o crédito pelo seu valor nominal, sem atualização (art. 13 da Lei nº 10.833/2003). Qualquer das duas formas de aproveitamento é legítima". (Processo nº 16682.720330/201275; Acórdão nº 3403002.420; 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária; Sessão de 21 de agosto de 2013; Relator: Conselheiro Ivan Allegretti; decisão unânime) No primeiro julgado citado, de relatoria do Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, destaco a menção à possibilidade de se registrar créditos que não são contemporâneos à declaração no DACON e que há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS), no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/ Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Portanto, não havendo determinação na Lei de condições ao registro e apropriação de crédito extemporâneo e sendo ainda perfeitamente possível a sua inclusão nas declarações prestadas à Receita Federal, o que é abalizado pelas orientações da administração tributária, penso que a ausência de retificação não pode ser óbice ao aproveitamento do crédito. Ademais, como expõe o relator do processo em comento, "é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos não cumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos não cumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte". Fl. 603DF CARF MF 14 Por último, é de se notar que o entendimento exposto aqui e na Resolução nº 3401001.140, acima citada, apesar de ser o mesmo, gera conseqüências diversas. Isso porque aquele processo versava sobre pedido de ressarcimento de PIS/COFINS, ao passo que o presente processo decorre de Auto de Infração. No primeiro, uma vez ultrapassado o impedimento inicial vislumbrado pela Fiscalização, que ainda naquela ocasião indicou problemas quanto à liquidez e certeza do direito de crédito, a providência foi a conversão do julgamento em diligência, para verificação quanto a esse último aspecto. No presente processo, que decorre de Auto de Infração, cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência do fato gerador, produzindo as provas que entender necessárias para tanto, nos termos do artigo 142, do CTN. Não tendo a autoridade lançadora apresentado razões adicionais para a constituição do crédito tributário, não há como o Colegiado requerer diligências para inovar a fundamentação do lançamento, devendo assumir que aquele ausência de DACON e DCTF retificadoras era o único óbice à escrituração e aproveitamento do crédito das contribuições, não havendo outro caminho a seguir que não seja determinar o seu cancelamento do crédito tributário, nessa parte. Pelo exposto, entendo que a não retificação das declarações não pode ser motivo para que se rejeite o direito à apropriação de crédito extemporâneo, motivo pelo qual dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o crédito tributário correspondente, tendo em vista que esse foi o único fundamento apontado pela Fiscalização para constituição do crédito tributário, não existindo qualquer oposição a respeito da liquidez e certeza do crédito extemporâneo escriturado e descontado. 2) Despesas de Frete que não representam operação de venda Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon Nesse item, a autuação é realizada, com base no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02, que estabelece: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". De acordo com a Fiscalização: "Mediante análise das informações prestadas pelo contribuinte, conjuntamente com as informações das notas fiscais da sua EFDICMS/IPI, foi identificado que haviam conhecimento de frete, dos quais houve aproveitamento de crédito, que não estavam relacionados a operações de venda, conforme determina o IX. do art. 3°,das Leis nº 10.833/2003, ou seja, não passíveis de creditamento. Portanto, serão considerados aproveitamento indevido de crédito, todos os conhecimentos de frete relacionados à operações de remessa, devoluções e outras saídas, conforme demonstrado no anexo I". O Anexo I do Termo de Verificação Fiscal, denominado "conhecimentos de frete relacionados a NF de remessa, devolução e outras saídas" consta às fls. 45 e seguintes dos autos e lista os conhecimento de frete que entendeu a Fiscalização não corresponder a hipótese de direito de desconto de crédito, prevista no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 566 15 10.833/03 e nº 10.637/02, indicando mês, número de nota fiscal de saída, Código CFOP, descrição CFOP, transportadora, número de conhecimento de frete e valor total consolidado. Em sua defesa, a Recorrente afirma que "a aquisição de crédito nas operações de frete de remessa, devoluções e outras saídas, envolvendo “remessa de vasilhame ou sacaria”; “devolução de vasilhame ou sacaria”; “devolução do bem do ativo imobilizado de terceiros”; “remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo”; “remessa em bonificação, doação ou brinde” e; “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, são operações de fretes que geram direito, ao crédito tanto porque indispensáveis ao processo produtivo como insumo, quanto por serem necessários às operações de venda (cujas notas fiscais e conhecimentos de transporte seguem anexos por amostragem) e, portanto, geram direito creditório". Em seguida, passa a Recorrente a defender os motivos pelos quais entende que o direito de crédito tem amparo na legislação em cada uma das "descrições CFOP" indicadas. Ao se realizar o cotejo entre os itens objeto de lançamento no Anexo I e os itens que foram impugnados pela Recorrente, verificase que a impugnação não é total, para ilustrar, não há impugnação em relação aos conhecimentos de frete que tratam de "Devolução de compra para industrialização ou produção rural" ou " Devolução de compra de material de uso ou consumo". Desse modo, devese reconhecer a preclusão de qualquer discussão em relação aos itens não impugnados especificamente pela Recorrente, nos termos do artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972. De notar ainda que a discussão em determinados itens não se restringirá apenas à subsunção do direito de crédito previsto no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02, mas também à hipótese prevista no artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.833/03, sendo, portanto, oportuno fixar o conceito de insumo que será adotado, ainda que o façamos de forma bem objetiva, tendo em vista a ausência de divergência sobre a matéria na Turma. Em linha com a jurisprudência firmada no CARF e manifestação do e. Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), há que se concordar que o conceito utilizado pela Receita Federal é restritivo demais e não guarda sintonia com as próprias normas que emanam da legislação de regência do PIS e da COFINS. Por outro lado, a partir da leitura dessa mesma legislação, constatase que “é necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo”. (REsp 1246317/MG, Trecho do Voto Vencedor do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES) Assim, reconhecendo que o conceito de insumo deve observar um regime jurídico próprio, extraído da interpretação de sua legislação de regência, podese entender que há direito a crédito, para fins de desconto na apuração do PIS/COFINS, na aquisição de bens e serviços adquiridos pela pessoa jurídica que tenham uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim, sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a Fl. 605DF CARF MF 16 atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou a perda de suas qualidades essenciais. Esse, portanto, o conceito de insumo a ser adotado. Ademais, antes de proceder a análise de cada item, para a devida contextualização das operações descritas pela Recorrente, importante expor que a Recorrente, nos termos do artigo 4º de seu Estatuto Social, tem por objeto: "a) industrialização, comércio, importação e exportação de reparos a frio, vulcanizantes e autovulcanizantes, para pneus e câmaras de ar, inclusive matériasprimas; b) industrialização, comércio e prestação de serviços em borracha, seus artefatos, maquinários e equipamentos em geral, para os ramos automotivo, esportivo e industrial, adesivos, colas e produtos de limpeza em geral; c) a administração de negócios e de outras sociedades; e d) a participação em outras sociedades". (fls. 73) No sítio eletrônico da Recorrente, há maiores informação sobre as atividades da Recorrente, que consistem na (i) prestação de serviços de reparo de pneus das linhas carga, agro, OTR, passeio, moto e bicicleta, na produção e venda de pneus de motocicletas; (ii) na produção de produtos a serem utilizados na atividade de reparo e manutenção, como catalizador, removedor de graxa, tiras de conserto e cimento linha industrial; (iii) na produção e venda de produtos de borracha, como placas, pisos, lençóis, estrado e tira protetora; (iv) e atuação em modelos de fornecimento de compostos de borracha, segmento que, segundo o sítio eletrônico da Recorrente, "utiliza a borracha para oferecer soluções a indústrias ou a outros fabricantes que também têm essa matériaprima como elemento fundamental". Com relação ao frete vinculado a "remessa de vasilhame ou sacaria” e “devolução de vasilhame ou sacaria”, a Recorrente defende que se referem a remessa de pallets onde são transportados os produtos destinados à venda e que são entregues a diversas unidades da Recorrente acopladas no pallet. Em seguida, afirma que após a entrega da mercadoria, é emitida uma nota fiscal de devolução do pallet com o respectivo conhecimento de transporte. Na sessão do dia 27/07/2017, em processo de minha relatoria, a Turma, por voto de qualidade, decidiu que: "O serviço de frete, no transporte de produtos acabados, entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por não poder ser enquadrado como insumo e por falta de previsão legal, não gera direito ao crédito da nãocumulatividade". (Acórdão nº 3401003.902; Data: 27/07/2017; Relator: Augusto Fiel Jorge d' Oliveira; Redator Designado: Fenelon Moscoso de Almeida) Naquela oportunidade, manifestei entendimento que acabou não prevalecendo, no sentido que há direito de crédito em relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, com fundamento no inciso IX, do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, pois tais remessas se qualificam como uma etapa essencial da operação de venda da mercadoria, que permite o avanço da mercadoria na cadeia indústriacomércio, do produtor em direção ao consumidor final. Isso porque, "se o crédito é assegurado na hipótese em que o industrial realiza uma operação de venda e remete a mercadoria diretamente para o seu cliente final, não poderia ser restringido quando, por um questão de logística, o industrial remete a mercadoria para um outro estabelecimento ou para um centro de distribuição, para fracionar o transporte entre diversas modalidades, pois há no caso apenas um desdobramento da operação de venda, que deve ser realizada em mais de uma etapa". O mesmo raciocínio ali desenvolvido em relação às transferências de mercadorias vale para as transferências dos pallets. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 567 17 À luz do que o artigo 3º, inciso IX, das Leis de regência das contribuições, as despesas com frete de remessa de uma mercadoria vendida acompanhada do pallet, do fabricantevendedor em direção ao cliente, geram direito de desconto de crédito. Além dessas despesas, a meu ver, o frete arcado pelo vendedor para promover o retorno dos pallets, do cliente em direção ao fabricantevendedor, também gera direito de desconto de crédito, pois o retorno ou devolução dos pallets está inserida, faz parte, da operação de venda, não podendo o aplicador da Lei restringir o sentido de "frete na operação de venda" apenas para a viagem de ida, por exemplo, pois, onde o legislador não restringiu, não cabe ao aplicador fazêlo. Logo, fixado o entendimento de que o retorno dos pallets deve gerar direito de crédito na operação mais tradicional de venda que se realiza diretamente entre fabricante vendedor e cliente e fixado o entendimento de que há direito de crédito no frete de produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, em decorrência, na hipótese em que a venda não é realizada diretamente para o cliente, havendo remessas de mercadorias acabadas entre os estabelecimentos da Recorrente, e há remessa das mercadorias com pallets e sua posterior devolução, penso que seja possível o direito de desconto de crédito, com fundamento no artigo 3º, inciso IX, das leis de regência. Por esse motivo, proponho ao Colegiado cancelar o crédito tributário correspondente a esse item. No que se refere ao item “devolução do bem do ativo imobilizado de terceiros”, a Recorrente afirma que, na verdade, deveria ter classificado tal frete como "retorno de equipamento utilizado por empréstimo", esclarecendo que os bens transportados são "“matrizes” para a fabricação das bandas de rodagem, ou seja, como a forma para preenchimento da matériaprima e demais insumos que irão compor a banda de rodagem" e que "as matrizes são de propriedade da Borrachas Vipal S.A. e a mesma cede em mútuo gratuito para a Borrachas Vipal Nordeste S.A., ora Recorrente, para a fabricação de determinada banda de rodagem que foi objeto do pedido de encomenda de seus clientes, após a finalização da produção desse item, a determinada matriz é devolvida à sua origem". Em geral, o aluguel de bens utilizados nas atividades da empresa gera direito de crédito, com fundamento no inciso IV, do artigo 3º, das leis de regência. No caso específico, o aluguel do equipamento sequer gera direito de crédito, pois, como informado pela Recorrente, o proprietário das matrizes é empresa a ela ligada, que ajustou um empréstimo gratuito dos moldes. Então, tratamse de despesas com transporte de um equipamento utilizado na atividade da empresa e que não gera direito de crédito. Apesar de a matéria não ser pacífica, o CARF já decidiu que "é possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição" (Acórdão nº 3403001.937; Data: 19/03/2013; Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan; por maioria, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl). Na realidade, embora não exista pagamento das contribuições em relação ao bem transportado, há pagamento de contribuições sobre as receitas do serviço de transporte, o que permitiria a aferição do direito de crédito. Ocorre que o fundamento legal apontado pela Recorrente é manifestamente inaplicável ao caso, pois não se trata de frete na operação de venda, como reconhece a própria Recorrente, ao afirmar que se trata de frete de equipamento alugado para uso na atividade da Fl. 607DF CARF MF 18 empresa. Além disso, diante da não aceitação de tal fundamento legal pela Fiscalização, a Recorrente simplesmente não aponta um fundamento legal alternativo que justificasse o direito de crédito, motivo pelo qual entendo que essa parte da autuação deve ser mantida, por carência de demonstração do seu direito pela Recorrente. Com relação ao item "remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo”, a Recorrente esclarece que se trata de "despesa de frete (...) suportada pela ora Recorrente, com o propósito de enviar as peças e partes de peças das máquinas da linha de produção, que, tenham sofrido danos que necessitam conserto ou reparo", pedindo o reconhecimento do direito de crédito, com fundamento no artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse item, a própria Recorrente reconhece que a adoção do artigo 3º, inciso IX, das Leis de regência das contribuições, como fundamento legal do direito de desconto de crédito, não é o adequado, ao defender que as despesas de frete deveriam se enquadrar como insumo, portanto, com força no artigo 3º, inciso II, das leis de regência. De acordo com a Solução COSIT nº 99.013/2017, "os serviços de manutenção de máquinas que são utilizadas diretamente na fabricação de produtos, bem como as aquisições de partes e peças de reposição dessas máquinas permitem a apuração de créditos da Cofins na modalidade aquisição de insumos, desde que não promovam aumento de vida útil da máquina superior a um ano". Assim, como os fretes de remessa das partes e peças integra o custo de aquisição do próprio serviço de manutenção das máquinas utilizadas no processo produtivo, acredito que, em tese, tais fretes geram direito de crédito, com fundamento no inciso II ou no inciso VI, do artigo 3º, das leis de regência, a depender da vida útil do bem objeto de manutenção. Porém, no presente caso, não há qualquer indicação de quais são as máquinas objeto de manutenção, em que parte do processo produtivo elas se inseririam, a vida útil das máquinas e, em manifestação posterior, o próprio Recorrente adota explicação completamente contraditória, no sentido de que tais remessas teriam relação novamente com operação de venda de mercadoria, seriam remessas de mercadorias consertadas ou reparadas aos seus clientes, no âmbito da cláusula de garantia oferecida pela Recorrente a eles. Portanto, parece que nem a Recorrente sabe ao certo a natureza de tais remessas, motivo pelo qual entendo que esse item do lançamento merece ser mantido, por carência de demonstração do seu direito pela Recorrente. No que se refere ao item “remessa em bonificação, doação ou brinde”, a Recorrente afirma que "a bonificação, a doação ou brinde é desdobramento da venda de determinado bem, em que o vendedor realiza como forma de desconto ao cliente, a fim de tornar seu produto competitivo no mercado e atrair fidelização de bons clientes", pedindo o reconhecimento do direito de desconto de crédito, com fundamento no inciso IX, do artigo 3º, das leis de regência. Nesse item, há que se concordar com a Recorrente. As remessas de mercadorias a título de bonificação, a meu ver, são uma operação intimamente relacionada a uma operação de venda. O vendedor remete determinada quantidade de mercadorias em bonificação porque o cliente comprou uma quantia determinada de mercadorias, o que se traduz em verdadeiro desconto ou redução do preço da compra e venda, considerando ambas as remessas como integrantes de uma mesma relação jurídica de compra e venda de mercadoria. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 568 19 Por esses motivos, entendo que as remessas realizadas a esse título geram direito de crédito, nos termos do inciso IX, do artigo 3º, das leis de regência, motivo pelo qual proponho ao Colegiado afastar o crédito tributário relacionado a esse item. Com relação ao item “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, a Recorrente defende o direito de crédito, com fundamento no inciso II, do artigo 3º, das leis de regência, ao afirmar que "são referentes a devolução de papelão para caixa de embalagem, fios de aço como matériaprima da banda de rodagem, entre outros itens de insumos que são devolvidos por não terem sido consumidos em determinados produtos encomendados pelos seus clientes, seja pela quantidade remanescente que não foi aproveitada, seja pela qualidade não observada em determinados itens". Pela descrição da Recorrente, sem o oferecimento de contratos, laudos e/ou demais informações, não há como se aferir, com segurança, a natureza jurídica da relação existente entre ela, a Recorrente, e seu cliente, que dá amparo à devolução desses materiais, ou seja, não há demonstração pela Recorrente da efetiva natureza das despesas de frete registradas nas notas fiscais como “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, sendo, inclusive, contraditório o registro como saída de materiais que, segundo a Recorrente, deram entrada em seu estabelecimento. Desse modo, proponho ao Colegiado manter o lançamento nessa parte. 3) Bens do ativo imobilizado Como inicialmente mencionado, esse item da autuação se desmembra nos três itens a seguir: (i) crédito acelerado de máquinas e equipamentos; (ii) crédito acelerado de edificações; e (iii) crédito sobre depreciação de instalações industriais. O primeiro item a ser examinado, "crédito acelerado de máquinas e equipamentos", ainda se desdobra em mais quatro itens, a saber: a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade; e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. Já o segundo item a ser examinado "crédito acelerado de edificações", por sua vez, é dividido em três itens: a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; e c) créditos extemporâneos. A seguir, passaremos a análise de cada um deles. 3.1) Crédito acelerado de máquinas e equipamentos Esse item tem relação com a forma ordinária e opcional de cálculo de crédito a descontar na aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, previstas no artigo 3º, inciso VI, parágrafos 1º, inciso III, e parágrafo 14º, das leis de regência, nos termos a seguir: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para Fl. 609DF CARF MF 20 utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (....) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal". (grifos nossos) Segundo a Fiscalização, a Recorrente apura os créditos sobre máquinas e equipamentos com base na apropriação mensal do custo de aquisição do bem, conforme determina § 14 , do artigo 3°, da Lei nº 10.833/2003, porém, teria computado indevidamente na base de cálculo das contribuições a) aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção; b) notas fiscais de remessa para entrega futura; c) notas fiscais em duplicidade; e d) valores divergentes das notas fiscais de aquisição. Com relação a "aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção", a Fiscalização afirma que "o contribuinte utilizou indevidamente na base de cálculo aquisições de ativos imobilizados não relacionados a produção de bens destinados à venda, tais como Porta Pallets, Container Metálicos e Equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes", ressaltando o seu entendimento, no sentido de que "os ativos utilizados na produção são aqueles utilizados especificamente em razão da produção, não abrangendo máquinas e equipamentos utilizados antes de iniciado o processo produtivo ou depois que ele tenha acabado". Contra essa acusação, a Recorrente expõe que os porta pallets e o container metálico servem para armazenagem dos produtos acabados no estabelecimento da Recorrente, com o objetivo de guarda para posterior remessa para venda aos seus clientes. A Recorrente explica que o porta pallet consiste em prateleiras metálicas, em que os “pallets contendo os produtos destinados à venda são colocados”, para que “os produtos destinados a venda sejam armazenados de forma organizada, segura e eficaz”. Já no que diz respeito aos containers metálicos, a Recorrente informa que eles têm a mesma função, porém, esclarece a Recorrente que não deu sequência à utilização deste material, defendendo o direito de crédito, com base nos artigos 3º, inciso IX, e artigo 15, inciso II, da Lei nº 10.833/03. Em relação ao equipamento para tratamento de água, esgoto e efluentes, a Recorrente afirma que a “água é um dos insumos de maior quantidade na produção dos produtos derivados de borracha produzidos pela ora Recorrente razão pela qual, verificase a sua subsunção ao conceito de insumo, pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03 e 10.637/02”. Além disso, aduz que “embora não sejam despesas para a produção do bem industrializado, são necessárias para cumprir a legislação ambiental, que prevê penas pelo descumprimento deste procedimento que vão desde a multas pecuniárias, como sanções administrativas de suspensão das atividades da ora Recorrente”. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 569 21 No mesmo sentido é a alegação da Recorrente em relação ao tratamento de esgoto e efluentes, que, segundo a Recorrente, “a utilização do referido material decorre da legislação ambiental, se tratando de matérias utilizados pela Recorrente conforme determinação das regras ambientalistas, haja vista que a água utilizada no processo produtivo, conforme determina a legislação, deve ser tratada antes de ser descartada”. Nesse item, entendo que assiste razão à Recorrente. As despesas com armazenamento das mercadorias, seja com a aquisição de porta pallets ou containers metálicos são necessárias por viabilizarem a atividade produtiva da Recorrente, pois, de nada adiantaria realizar a produção de bens, se não dispusesse de estrutura em ativo imobilizado para armazenálos com segurança e longe de riscos quanto a qualidade do material produzido, entre o momento em que encerrada a produção e a remessa aos clientes da Recorrente. Como tais bens estão registrados no ativo imobilizado, o direito de desconto de crédito deve se dar, com fundamento no artigo 3º, inciso VI, parágrafos 1º, inciso III, e parágrafo 14º, das leis de regência, e não nos artigos 3º, inciso IX, e artigo 15, inciso II, da Lei nº 10.833/03, como defendido pela Recorrente. Já com relação ao equipamento de tratamento de água, esgoto e efluentes, o mesmo ocorre. Além de necessário à atividade produtiva da Recorrente, é obrigatório, por força de cumprimento às leis ambientais, como já teve esse Colegiado a oportunidade de decidir em hipóteses semelhantes, podendose citar o Acórdão nº 3401003.787; Data: 23/05/2017; Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan. Já no que se refere ao item “notas fiscais de remessa para entrega futura”, a Fiscalização afirma que a Recorrente utilizou de desconto de crédito de notas fiscais de remessa, decorrentes de compras para recebimento futuro (CFOP 6116), quando a legislação estabelece como requisito para o aproveitamento de crédito que o bem esteja incorporado ao ativo imobilizado, conforme artigo 3º, inciso VI, das leis de regência, o que seria ratificado pela previsão legal, no sentido de que o cálculo do crédito ocorre apenas em bens já passiveis de depreciação e amortização, portanto, bens em operação/utilização, nos termos do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 10.833/2003. A Recorrente, por sua vez, afirma que a aquisição do crédito ocorre com a emissão da primeira nota fiscal, momento em que seriam destacados o PIS e a COFINS incidentes sobre o bem adquirido. A decisão recorrida manteve a autuação nesse item, nos seguintes termos: “Bem, a hipótese de crédito de que aqui se trata é a prevista no inciso VI e § 14, do art. 3°, da Lei nº 10.833/2003. Em relação a estes dispositivos, como bem coloca a Autoridade Fiscal, temse que o inciso IV é taxativo ao estabelecer como requisito para o aproveitamento de crédito que o bem esteja incorporados ao ativo imobilizado. Também cabe razão quando afirma corroborar este entendimento o fato de o inciso III do § 1º, do art. 3°, da Lei nº 10.833/2003 estabelece que o crédito ocorre sobre os encargos de depreciação dos bens mencionados, assim, portanto, ocorre apenas em bens já passiveis de depreciação e amortização, ou seja, bens em operação/utilização. Fl. 611DF CARF MF 22 Destarte, para fins de creditamento, não há que se falar em custo de depreciação de bem que não esteja incorporado ao ativo imobilizado e não há que se falar em depreciação pelo desgaste de bem que não esteja em funcionamento. Portanto, o direito ao crédito, por expressa previsão legal, está condicionado a que o bem já esteja imobilizado e em operação. O argumento de defesa em nada altera o entendimento que se extrai da legislação mencionada”. Dessa maneira, concordando com as razões da decisão de primeiro piso e não trazendo a Recorrente nenhuma alegação adicional contra o que fora ali entendido, proponho ao Colegiado manter a autuação nesse item. Com relação ao item “notas fiscais em duplicidade”, a Fiscalização expõe que a Recorrente, em determinadas notas fiscais, utilizouse duas vezes do direito de desconto de crédito a elas referente, quando afirma que “os itens, após serem totalmente apropriados a uma taxa de 12 meses, retornaram a planilha de cálculo em setembro/2011 com uma taxa de apropriação de 48 meses”. Nesse item, a Recorrente reconhece ter cometido um equívoco, mas defende não ter utilizado o crédito e, portanto, não ter havido prejuízo ao Fisco, ao afirmar que “embora tenha ocorrido o erro de preenchimento de fazer constar estas mesmas notas 22676, 22036, 22100, 22118 e 36, as mesmas não foram objeto de apropriação de crédito, pois, na verificação da DACON do mês de setembro de 2011, conforme documento anexo, é possível perceber o crédito de R$ 19.120,00 não utilizado na dedução do PIS e da COFINS a pagar”. Entretanto, esse argumento por si só não é capaz de afastar as conclusões a que chegou a Fiscalização para a constituição do crédito tributário, pois a Fiscalização partiu de planilhas apresentadas pela própria Recorrente, o crédito não teria sido utilizado somente no mês de setembro de 2011 e, além disso, não há nos autos o documento indicado pela Recorrente. Por oportuno, merece destaque o exame do item realizado pela decisão de primeiro piso, para rejeitar as explicações da Recorrente: “A presente duplicidade foi verificada através da análise da planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”. Nesta, os valores das tais notas constam em janeiro de 2011 como totalmente apropriados, à taxa de doze meses, e na planilha de setembro de 2011 retornam para serem apropriadas à taxa de 48 meses. A glosa se deu nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, no valor de R$ 18.432,02 ao mês. (...) primeiro, não se localizou nos autos o mencionado “documento anexo” e, segundo, mesmo que restasse demonstrado a existência do alegado crédito disponível não utilizado, isso não seria suficiente para demonstrar que este se referiria às tais notas fiscais. Ademais, como visto: a glosa ocorreu nos últimos quatro meses de 2011 e não somente no mês de setembro; o valor mensal glosado foi de R$18.432,02 e não R$19.120,00 como arguido pela interessada”. Por conseguinte, mantenho a autuação em relação a esse item. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 570 23 Com relação ao item “valores divergentes das notas fiscais de aquisição”, a Fiscalização realizou o lançamento, tendo em conta a divergência entre os valores apropriados para fins de direito de crédito e os valores constantes em nota fiscal, lançando a diferença. Em sua defesa, a Recorrente se limita a afirmar que a divergência se deu, em razão da forma pela qual realizou o preenchimento do sistema, onde todos os valores foram colocados em uma mesma nota fiscal, afirmando que “as notas fiscais 7950, 15313 e 107, nada mais são, do que notas de entradas de crédito que contemplam outras notas fiscais de aquisição de insumos”. Contudo, as alegações da Recorrente não se prestam a infirmar a divergência constatada a partir de planilha e notas fiscais por ela apresentadas à Fiscalização no curso da ação fiscal. E, como bem apontado pela decisão recorrida, “a alegação trazida não afasta o fato de que na nota fiscal nº 7950 consta o valor de R$ 1.310,60 e na base de cálculo foi incluído, referente a esta mesma nota, o valor de R$ 152.400,66. Assim também em relação às notas 15313 e 107”. Logo, merece ser mantida a autuação também em relação a esse item. 3.2) Crédito acelerado de edificações Nesse item, a fiscalização é desdobrada em 3 (três) subitens: a) notas fiscais apropriadas em duplicidade; b) gastos com edificações não relacionados à produção; e c) créditos extemporâneos. A seguir, a análise de cada um deles. a) notas fiscais apropriadas em duplicidade Nesse item, a Fiscalização aponta que “mediante análise da planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”, detalhamento do crédito por nota fiscal, foi identificada a ocorrência de apropriação em duplicidade das notas fiscais n° 284 e n° 293 do fornecedor Construtora Queiroz Galvão S.A”. Ou seja, a Fiscalização constatou que a Recorrente utilizou duas vezes créditos relacionado a uma mesma nota fiscal e glosou a segunda apropriação do crédito, lançando o respectivo crédito tributário. Em sua defesa, a Recorrente afirma que “na verdade, se tratam dos mesmos números de notas fiscais, mas emitidas por outro fornecedor chamado ORMEC ENGENHARIA e com outras bases de cálculo”, apresentando cópia de tela que parece ser de um sistema interno da Recorrente, no qual consta a indicação de que haveria notas fiscais emitidas por esse fornecedor com o mesmo número das notas fiscais emitidas pela Construtora Queiroz Galvão S.A., quais seja, notas fiscais de nº 284 e 293. Como se verifica, partindo da premissa que há realmente as notas fiscais de mesmo número indicadas na cópia da tela de sistema interno da Recorrente – isso porque, a Recorrente sequer apresenta tais notas fiscais , a alegação da Recorrente permite apenas concluir que fornecedores distintos seus emitiram nota fiscal com o mesmo número. Fl. 613DF CARF MF 24 Não há qualquer informação ou documentação adicional. Nem mesmo os valores das notas fiscais de emissão da ORMEC ENGENHARIA foram informados. Dessa maneira, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que não se creditou em duplicidade em relação às notas fiscais emitidas pela Construtora Queiroz Galvão S.A., motivo pelo qual proponho ao Colegiado manter esse item da autuação. b) gastos com edificações não relacionados à produção Na sistemática do PIS/COFINS não cumulativo, o contribuinte pode optar por duas formas para exercer o direito de desconto de crédito com gastos com edificações. Na primeira forma, que podemos aqui denominar de “forma ordinária de desconto de crédito”, o contribuinte poderá descontar créditos com gastos em edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa e o crédito é determinado mediante aplicação da alíquota sobre o valor dos encargos de depreciação, nos termos dos artigos 3°, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, in verbis: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (....)” Na segunda forma, que podemos denominar de “forma acelerada de desconto de crédito”, o contribuinte poderá se apropriar mais rapidamente dos créditos de edificações, porém tais edificações não se destinam a ser utilizadas nas atividades da empresa como um todo, mas devem ser utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços, como prevê o artigo 6°, da Lei nº 11.488/2007, abaixo transcrito: “Art. 6º As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1o Os créditos de que trata o caput deste artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ou do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, conforme o caso, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição ou de construção da edificação. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 571 25 § 2o Para efeito do disposto no § 1o deste artigo, no custo de aquisição ou construção da edificação não se inclui o valor: I de terrenos; II de mãodeobra paga a pessoa física; e III da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições previstas no caput deste artigo em decorrência de imunidade, não incidência, suspensão ou alíquota 0 (zero) da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...)” A partir dessas regras, nesse item da autuação, a Fiscalização verificou que a Recorrente se apropriou de créditos relativos a investimento chamado por ela de “prédio BVNE”, na forma do artigo 6°, da Lei nº 11.488/2007, pedindo informações à Recorrente a respeito, para fins de aferição do cumprimento dos requisitos para a fruição do crédito acelerado pela Recorrente. Com bases nas informações prestadas pela Recorrente, a Fiscalização constatou que “o contribuinte apurou indevidamente créditos sobre os gastos com edificações de áreas não relacionadas a produção”, pois, além de edificações relacionadas à produção, estavam incluídos na rubrica “prédio BVNE” e, portanto, sujeitos ao crédito acelerado, despesas com as seguintes edificações, tais como registradas na matrícula do Registro Geral de Imóveis e reproduzidas na tabela de fls. 31: Prédio administrativo, Casa do caminhoneiro, Central de resíduos, Guarita e recepção, Refeitório, Vestiário Geral, Estação de tratamento de efluentes, Compostagem, Centro de distribuição, Cobertura de motos, Cobertura de bicicletas e Descarga de óleo e bombas. Em sua defesa, a Recorrente afirma que “o aproveitamento do crédito da Recorrente não ocorreu de forma individualizada e sim do complexo produtivo como um todo”, argumentando que todos os itens são essenciais e garantidos pelo artigo 3º, inciso VII, da Lei nº 10.833/03. Como se verifica, a própria Recorrente reconhece que não realizou a apropriação do crédito acelerado de forma individualizada, levando em consideração se as despesas com edificações estavam ou não vinculadas à produção. Além disso, afirma que tais créditos estariam garantidos pelo artigo 3º, inciso VII, da Lei nº 10.833/03, quando não se discute a apropriação de edificações vinculadas meramente às atividades da empresa, mas sim o crédito acelerado previsto no artigo 6°, da Lei nº 11.488/2007. Impende ressaltar ainda que não há, por parte da Recorrente, qualquer impugnação específica em relação aos itens não admitidos pela Fiscalização como vinculados à produção. Ou seja, a Recorrente não demonstra porque determinada edificação deveria ser considerada como vinculada à produção e, portanto, merecedora de ser incluída na sistemática do crédito acelerado. Diante disso, a decisão de primeira instância manteve a autuação nesse item, afirmando que “a própria impugnante admite que a apropriação de crédito não foi somente em relação às edificações de áreas relacionadas a produção, mas de todas as edificações da empresa”. Fl. 615DF CARF MF 26 Dentre os itens glosados, existem itens que claramente não se vinculam à produção, como o item prédio administrativo ou cobertura de motos e cobertura de bicicletas, existindo outros itens que demandariam prova que não foi feita, no sentido de evidenciar a sua natureza e a relação com o processo produtivo. Entretanto, com relação de aos itens compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, estação de tratamento de efluentes, parte já examinada em outro item da autuação, entendo que as despesas com a sua edificação têm relação com o processo produtivo, por ser essencial e obrigatória, em razão de imposição do Poder Público, sendo possível rejeitar o lançamento quanto a esse item. Pelo exposto, seja por ser improcedente a apropriação de crédito acelerado seja por carência probatória por parte da Recorrente, proponho ao Colegiado manter o lançamento em relação a esse item, com exceção dos subitens compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas e estação de tratamento de efluentes. c) créditos extemporâneos Nesse item da autuação, a Fiscalização afirma que “mediante análise na planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”, verificouse que o contribuinte computou na base de cálculo para apuração do crédito, em março/2011, 21 parcelas mensais do custo de construção da edificação “Prédio BVN”, 20 parcelas referentes ao período de Julho/09 a Fevereiro/01, no valor de R$ 47.020.065,74, e uma parcela referente ao próprio mês de março, no valor de R$ 2.474.740, 30”. Aqui, novamente a Fiscalização rejeita a possibilidade de apropriação de créditos extemporâneos sem que sejam apresentadas DACON e DCTF retificadores. A matéria já foi analisada neste Voto no item “1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção” e, da mesma forma que exposto naquele item, entendo que a exigência de retificação de DCTF e DACON não pode ser empecilho ao aproveitamento do crédito. Assim, sendo esse o único motivo para a realização do lançamento do crédito tributário nesse item, proponho ao Colegiado o seu cancelamento, observados os item anterior. 3.3) Crédito sobre depreciação de instalações industriais Esse item também trata de não aceitação pela Fiscalização de apropriação de crédito extemporâneo, por ausência de DCTF e DACON retificadores. Segundo a Fiscalização, “mediante análise na planilha “Demonstrativo de crédito de imobilizado final”, verificouse que o contribuinte computou indevidamente na base de cálculo para apuração do crédito sobre instalações industriais créditos extemporâneos. O valor apurado de R$ 15.239.630,32 foi apropriado em 300 parcelas mensais ( taxa de depreciação 4% a.a, apropriação 25 anos), tendo sido computado em março/2011, 21 parcelas mensais do custo das instalações industriais, 20 parcelas referentes ao período de Julho/09 a Fevereiro/01, no valor de R$ 1.015.975,36, e uma parcela referente ao próprio mês de março, no valor de R$ 50.798,77”. Com isso, pelas mesmas razões já expostas nesta Voto no “1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção”, reitero entendimento no sentido de que a exigência de retificação de DCTF e DACON não pode ser empecilho ao aproveitamento do crédito, de modo que, sendo esse o único motivo para a realização do lançamento do crédito tributário nesse item e não tendo sido levantada oposição concreta quanto à liquidez e certeza do direito de crédito, proponho ao Colegiado o seu cancelamento. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 572 27 4) Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon Nesse item da autuação, a Fiscalização explica que não aceitou um estorno de crédito solicitado pela Recorrente, que decorre de cancelamento de pedido de ressarcimento, por ter a Recorrente informado tal crédito na ficha 16ª do DACON, quando o correto seria na ficha 24 do DACON. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal: “Foi solicitado ao contribuinte, mediante Intimação n° 5, que apresentasse memorial de cálculo do referido valor. Em resposta à intimação o contribuinte respondeu que o valor de R$ 691.619,20, lançado em outubro de 2011, na linha 21 da ficha 16A do Dacon referiase a um cancelamento de pedido de ressarcimento de crédito, em 14/10/2011, referente ao 4° trimestre de 2008, cujo o valor foi descontado na apuração de fevereiro de 2009. Este aproveitamento de crédito solicitado pelo contribuinte foi glosado, tendo em vista que não há previsão legal para que estono de crédito solicitado em pedido de ressarcimento seja reconhecido como aproveitamento de crédito nas aquisições do mercado interno, visto que não é um crédito proveniente de aquisições no mercado interno (Ficha 16 A do Dacon), mas sim, de estorno no pedido de ressarcimento. No caso de haver cancelamento no pedido de ressarcimento, o ajuste deve ser feito na ficha 24 do Dacon, com a retificação do Dacon”. Como se observa, a Fiscalização não contesta que o pedido de ressarcimento tenha sido cancelado nem aponta que a Recorrente teria utilizado duas vezes um mesmo crédito, um via pedido de ressarcimento, outra pelo estorno do crédito via DACON. A acusação é unicamente de que o campo da DACON utilizado estaria incorreto, pois o estorno de pedido de ressarcimento cancelado não se equipara a crédito proveniente de aquisições no mercado interno. Nessas condições, ainda que se pudesse entender que o crédito decorrente de um cancelamento de pedido de ressarcimento perderia sua natureza de crédito proveniente de aquisições no mercado interno, não me parece que o preenchimento equivocado da DACON, uma obrigação acessória, possa ser falha suficiente para impedir o direito de desconto de crédito da Recorrente, quando, à luz da legislação de regência, o crédito é legítimo e não há óbice à sua fruição. Por essa razão, proponho ao Colegiado cancelar o crédito tributário nesse item. 5) Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon Nesse último item, novamente vem à baila a discussão sobre apropriação de créditos extemporâneos. Segundo a fiscalização: “Tendo em vista que o contribuinte utilizou saldo credor apurado em novembro/2010 para descontar débitos apurados em 2011, esta fiscalização Fl. 617DF CARF MF 28 procurou validar os valores ao quais originaram o saldo credor. Em análise dos Dacons apresentados pelo contribuinte em 2010, foi identificado valores atípicos apropriados no mês de Novembro/2010, R$ 9.059.838,57 (Cofins ) e R$ 1.966.938,64 (Pis ), na linha 21, outros créditos a descontar, das fichas 6A e 16A do Dacon. O contribuinte foi intimado, Intimação n° 5, a apresentar memorial de cálculo do referido crédito. Em resposta à Intimação o contribuinte declarou que se tratavam de créditos extemporâneos de parcela do Ativo Imobilizado sobre máquinas e equipamentos não apropriados desde dezembro/2007. Referente a este item apresentou uma planilha eletrônica “Rateio Imobilizado” com a demonstração do cálculo destes créditos. Tendo em vista que a planilha eletrônica apresentada apenas o valor e critério de apropriação dos créditos extemporâneos, foi solicitado em 30/09/2015, termo de Intimação n° 6, relação de notas fiscais de aquisição dos ativos imobilizados que compuseram o crédito extemporâneo sobre máquinas e equipamento contabilizado em novembro/2010. Por motivos expostos em parágrafos anteriores, não há amparo legal na legislação de regência do PIS/PASEP e Cofins para aproveitamento extemporâneo de crédito da não cumulatividade, portanto os créditos apropriados referentes ao período de Dezembro/07 a Maio/10, foram feitos de forma indevida”. Pelas mesmas razões já expostas nesta Voto no “1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção”, manifesto novamente entendimento no sentido de que a exigência de retificação de DCTF e DACON não pode ser empecilho ao aproveitamento do crédito, de modo que, sendo esse o único motivo para a realização do lançamento do crédito tributário nesse item e não tendo sido levantada oposição concreta quanto à liquidez e certeza do direito de crédito, proponho ao Colegiado o seu cancelamento. SELIC sobre multa de ofício Por fim, a Recorrente pede o afastamento da SELIC sobre a multa de ofício. Com relação a essa matéria, mantenho o entendimento que venho expondo em outros julgados, no sentido de que é incabível a aplicação de SELIC sobre a multa de ofício, por dois motivos: (i) pela ausência de previsão legal; e (ii) pela própria natureza da multa de ofício, desprovida de caráter compensatório. Nesse sentido, decidiu o Colegiado, ainda que por maioria de votos, em processo de minha relatoria, que possui a seguinte ementa: "JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal (artigo 61 da Lei nº 9.430/1996), não possuindo a multa de ofício caráter indenizatório, o que afasta a sua majoração, em função do tempo de atraso, com juros compensatórios da mora". (Acórdão nº 3401003.852; Relator: Augusto Fiel Jorge d' Oliveira; Data: 24/07/2017) Pelo exposto, proponho ao Colegiado afastar a aplicação da SELIC sobre a multa de ofício. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 573 29 Conclusão Ante o exposto, proponho ao Colegiado conhecer e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para cancelar o crédito tributário relativo a apropriação de crédito extemporâneo: itens 1) Glosas de crédito extemporâneo de manutenção; 3) Bens do ativo imobilizado / 3.2) Crédito acelerado de edificações / c) créditos extemporâneos; e 5) Saldo de Crédito de Meses Anteriores – Linha 1 – FICHAS 14 E 24 do Dacon; "remessa de vasilhame ou sacaria” e “devolução de vasilhame ou sacaria” e “remessa em bonificação, doação ou brinde”, examinados no item 2) Despesas de Frete que não representam operação de venda Linha 07 FICHAS 06A 16A do Dacon; aquisição de ativos imobilizados não relacionados à produção do item 3.1) Crédito acelerado de máquinas e equipamentos; itens compostagem, central de resíduos, descarga de óleo e bombas, estação de tratamento de efluentes, discutidos no item 3) Bens do ativo imobilizado / 3.2) Crédito acelerado de edificações / b) gastos com edificações não relacionados à produção; e item 4) Outros Créditos a Descontar – Linha 21 FICHA 16A do Dacon; ficando mantido o restante do crédito tributário lançado. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 619DF CARF MF 30 Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Redatora Designada Em que pese o bem relatado voto proferido pelo eminente Conselheiro Augusto Fiel Jorge d´Oliveira, a quem presto minhas homenagens, ouso discordar quanto a sua posição de excluir a parte da autuação que trata do frete de pallets e remessas em bonificação, doação ou brinde, assim como em relação a crédito acelerado para porta pallets e contêineres metálicos. A autuação foi efetuada com base no artigo 3º, inciso IX, das Leis nº 10.833/03 e nº 10.637/02. E de acordo com o termo da fiscalização: "Mediante análise das informações prestadas pelo contribuinte, conjuntamente com as informações das notas fiscais da sua EFDICMS/IPI, foi identificado que haviam conhecimento de frete, dos quais houve aproveitamento de crédito, que não estavam relacionados a operações de venda, conforme determina o IX. do art. 3°,das Leis nº 10.833/2003, ou seja, não passíveis de creditamento. Portanto, serão considerados aproveitamento indevido de crédito, todos os conhecimentos de frete relacionados à operações de remessa, devoluções e outras saídas, conforme demonstrado no anexo I". A Recorrente alega que: "a aquisição de crédito nas operações de frete de remessa, devoluções e outras saídas, envolvendo “remessa de vasilhame ou sacaria”; “devolução de vasilhame ou sacaria”; “devolução do bem do ativo imobilizado de terceiros”; “remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo”; “remessa em bonificação, doação ou brinde” e; “outra saída de mercadoria ou prestação de serviço”, são operações de fretes que geram direito, ao crédito tanto porque indispensáveis ao processo produtivo como insumo, quanto por serem necessários às operações de venda (cujas notas fiscais e conhecimentos de transporte seguem anexos por amostragem) e, portanto, geram direito creditório". No voto vencido o ilustre relator realiza o cotejo entre os itens objeto de lançamento no Anexo I e os itens que foram impugnados pela Recorrente, e verificou que a impugnação não foi relativa a todos os itens, reconhecendo a preclusão em relação aos itens não impugnados, no que foi acompanhado pelo colegiado. Sem entrar no mérito da discussão do conceito de insumo, conforme já esclarecido pelo relator do voto vencido e ser assunto onde não há divergência nesse colegiado, podemos passar a análise específica dos itens glosados pela fiscalização. Com relação ao frete vinculado a “frete de pallets”, apesar dos argumentos apresentados pela Recorrente que se trata de remessas e devoluções vinculadas às vendas, já há algum tempo essa turma vem decidindo, de forma não unânime, que o frete de produtos acabados não gera direito de crédito: "O serviço de frete, no transporte de produtos acabados, entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por não poder ser enquadrado como insumo e por falta de previsão legal, não gera direito ao crédito da não cumulatividade". (Acórdão nº 3401003.902; Data: 27/07/2017; Relator: Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10530.724292/201520 Acórdão n.º 3401004.362 S3C4T1 Fl. 574 31 Augusto Fiel Jorge d' Oliveira; Redator Designado: Fenelon Moscoso de Almeida) E se não gera direito de crédito para produtos acabados, muito menos poderá gerar para vasilhame ou sacaria, quando esses vasilhames estiverem sendo transportados vazios entre os estabelecimentos, conforme o caso analisado. Esse tipo de serviço ocorre após o termino da produção, não podendo ser considerado um serviço aplicado na produção e muito menos fazendo parte da operação de venda. No que se refere ao item “remessa em bonificação, doação ou brinde”, a Recorrente afirma que "a bonificação, a doação ou brinde é desdobramento da venda de determinado bem, em que o vendedor realiza como forma de desconto ao cliente, a fim de tornar seu produto competitivo no mercado e atrair fidelização de bons clientes", pedindo o reconhecimento do direito de desconto de crédito, com fundamento no inciso IX, do artigo 3º, das leis de regência. Também não merecer prosperar o afastamento dessa glosa de créditos. Conforme bem esclarecido no voto do acórdão recorrido não é qualquer frete que dá direito a crédito, mas somente nas hipóteses previstas em lei, ou seja o frete contratado relacionado a uma operação de venda, que não é o caso de remessa em bonificação, doação ou brinde. Por não consistirem de máquina e equipamento destinados ao ativo imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados à venda ou a prestação de serviço foram glosados da base de cálculo do crédito valões referentes a porta pallets e contêineres metálicos. Ouso nesse ponto divergir do relator do voto para acompanhar o posicionamento externado no acórdão recorrido. Os ativos utilizados na produção são aqueles utilizados especificamente em razão da produção, não abrangendo máquinas e equipamentos utilizados antes de iniciado o processo produtivo ou depois que ele tenha acabado. Desse modo, proponho ao Colegiado manter o lançamento conforme relatado. Mara Cristina Sifuentes – Redatora Designada Fl. 621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.009458/2005-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1002-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente NEW LYNE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 94 58 /2 00 5- 01 Fl. 59DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 42 à 53) interposto contra o Acórdão n° 1613.115, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (fls. 33 à 36), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF), por vislumbrar seu enquadramento nas circunstâncias autorizativas da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), verbis: Em face do acima exposto, requer a Recorrente que Vossas Senhorias se dignem a julgar procedente o presente Recurso com a reforma do r. acórdão, para o fim de declarar a insubsistência da multa aplicada pela entrega em atraso da Declaração e Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF 2002), tendo em vista a ocorrência de denúncia espontânea. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Por seu turno, os argumentos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 19679.009458/200501 Acórdão n.º 1002000.043 S1C0T2 Fl. 3 3 Contudo, não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados no juízo administrativo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: Versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. De início, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê lo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue e ter recolhido todos os impostos declarados nos prazos previstos em lei, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tomar letra mona os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.l38 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, 0 que não é 0 caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, Fl. 61DF CARF MF 4 nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904801/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.281
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 80 1/ 20 11 -8 7 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.904801/201187 Resolução nº 3402001.281 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0256.937, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.904801/201187 Resolução nº 3402001.281 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.904801/201187 Resolução nº 3402001.281 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.904801/201187 Resolução nº 3402001.281 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904801/201187 Resolução nº 3402001.281 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900124/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/12/2004
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS DE COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Numero da decisão: 3302-005.163
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 30/12/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS DE COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 118 1 117 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.900124/201226 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.163 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO COFINS Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 30/12/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 01 24 /2 01 2- 26 Fl. 118DF CARF MF 2 CRÉDITOS DE COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o processo de contestação contra o Despacho Decisório emitido em 01/03/2012, pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa – mercado interno, do 4º trimestre de 2004, deferindo o crédito de R$ 19.630,02 do valor de R$ 48.661,17 pleiteado no PER nº 19627.31133.300408.1.1.118713 e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada na Dcomp nº 39569.15138.301008.1.3.112266. Conforme Relatório Fiscal, o procedimento de análise do direito creditório do PIS/Pasep e da Cofins abrangeu os períodos compreendidos entre 07/2004 e 12/2005 e foram anotadas as seguintes ocorrências: 1. glosa da totalidade de créditos sobre fretes utilizados pela contribuinte, por se referirem a compra de combustíveis e não fretes em operações de venda; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13227.900124/201226 Acórdão n.º 3302005.163 S3C3T2 Fl. 119 3 2. glosa de despesas com locação de equipamentos da Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga pela não apresentação do contrato; e das despesas com locação de equipamentos da Transportadora Batista Ltda., pela inexistência de contrato com registro público. Foram considerados apenas os créditos de locação imobiliária feito com a Transportadora Giomila Ltda.; 3. foram mantidos os créditos com gastos de energia elétrica, sendo efetuada a glosa de R$ 312,24, em novembro de 2005, por constar informação indevida no Dacon em relação a esse valor; 4. mantevese os créditos sobre benfeitorias realizadas em imóveis próprios e de terceiros em relação à Cofins, mas realizouse a glosa de créditos de PIS/Pasep sobre benfeitorias próprias, nos termos da legislação, considerando tãosomente os créditos com benfeitorias em imóvel de terceiros; também efetivouse a glosa de gastos que não se enquadram dentro do conceito de benfeitorias, como despesas de manutenção (troca de lâmpadas, cópias de chaves etc.), ou que não tinham qualquer relação com os imóveis (revisão de veículo, compra de envelopes etc.); 5. quanto a bens adquiridos para revenda, a pessoa jurídica não pode descontar créditos na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária (como no caso de vendas de gasolinas e suas correntes), e também de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores de autopeças (como indicadores de velocidade e tacômetros e suas partes, filtros de entrada de ar para motores de ignição por centelha e aparelhos para filtrar óleos minerais). Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da não cumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 120DF CARF MF 4 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas industrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. Salienta ser ilegítima a exclusão de créditos com aluguéis pagos à Transportadora Batista Ltda, pela ausência de registro público do contrato firmado entre elas. Entendeu ser desnecessário o registro, pois o mesmo está assinado pelas partes e por testemunhas, sendo os valores pagos confirmados por recibos e a legislação não estabelece a obrigatoriedade do registro público. Também os pagamentos de aluguel de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) efetuados à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga foram efetuados, conforme comprovam os boletos bancários, mas não localizou o contrato em seus arquivos, solicitando que tais valores sejam incluídos na base dos créditos e que seja acolhida posteriormente declaração da Cia. Ipiranga acerca da locação de suas máquinas. Contesta a exclusão dos créditos sobre bens para revenda, aduzindo que, conforme mencionado no relatório fiscal, nunca vendeu tacômetros, mas sim tacógrafos, que são discos de papel para registrar a velocidade dos caminhões, cujo produto é classificado na NCM 48.23.40.00 – papéis diagramas para aparelhos registradores, em bobinas, em folhas ou em discos, não relacionado nos anexos a Lei nº 10.485, de 2002. Também em relação a filtros, diz que vende diversos tipos de filtros, mas nem todos estão sujeitos à incidência concentrada das contribuições, já que são apenas os filtros do NCM 8421.23.00 e 8421.31.00 que estão no Anexo I da Lei nº 10.485, de 2002, os demais são tributados à regra geral. Diz que para ser correta a glosa de tais itens é necessário que se analise o tipo do produto, se monofásico ou não, mas também deve ser verificado a base dos débitos, já que ofereceu à tributação todos os produtos dos quais tomava crédito. Solicita, por fim, o reconhecimento dos créditos que foram glosados, a homologação das compensação declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência por esta 3ª Turma de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13227.900124/201226 Acórdão n.º 3302005.163 S3C3T2 Fl. 120 5 É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. O frete sobre compras não pode ser admitido para efeito de creditamento, uma vez que não havendo a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, assim também não o haverá para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. CONDIÇÃO PARA UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a inequívoca comprovação dos gastos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. Em se tratando de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, inexiste a possibilidade de creditamento quando da sua aquisição. RESSARCIMENTO. JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. Os valores pagos a título de ressarcimento das contribuições de PIS/Pasep e Cofins não cumulativas não ensejam a incidência de juros compensatórios, com base na taxa SELIC, conforme previsão legal estabelecida nas leis de regência. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 14/05/2016, conforme Termo de Abertura de Documento, apresenta em 06/06/2016, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido: 1.Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; 2. Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente de COFINS NÃO Fl. 122DF CARF MF 6 CUMULATIVA referente ao 4ºT/2004, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; 3. Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; 4. Que se seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; 5. Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de alugueis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos alugueis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; 6. Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; 7. Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a RO JI PARANA DRF Fl. 114 incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13227.900124/201226 Acórdão n.º 3302005.163 S3C3T2 Fl. 121 7 administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 124DF CARF MF 8 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13227.900124/201226 Acórdão n.º 3302005.163 S3C3T2 Fl. 122 9 previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Fl. 126DF CARF MF 10 Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13227.900124/201226 Acórdão n.º 3302005.163 S3C3T2 Fl. 123 11 cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prende se ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 128DF CARF MF 12 Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.001114/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INCOMPATIBILIDADE COMPROVADA. CONHECIMENTO E PROVIMENTO DOS EMBARGOS. EXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO.
É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, conforme demonstram os autos, quando da lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal.
Numero da decisão: 3302-005.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a contradição alegada e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento para manter o lançamento da multa de ofício, vencido o Conselheiro José Renato P. de Deus que dava parcial provimento ao recurso. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
José Renato Pereira de Deus - Relator.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INCOMPATIBILIDADE COMPROVADA. CONHECIMENTO E PROVIMENTO DOS EMBARGOS. EXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, conforme demonstram os autos, quando da lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal.
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INCOMPATIBILIDADE COMPROVADA. CONHECIMENTO E PROVIMENTO DOS EMBARGOS. EXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, conforme demonstram os autos, quando da lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a contradição alegada e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento para manter o lançamento da multa de ofício, vencido o Conselheiro José Renato P. de Deus que dava parcial provimento ao recurso. Designada a Conselheira Maria do Socorro F. Aguiar para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] José Renato Pereira de Deus Relator. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 11 14 /2 00 9- 25 Fl. 1016DF CARF MF 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Engarrafadora Brambila Ltda EPP, ora embargante, face ao Acórdão 3302.003526, de 26/01/2017, por suposta incompatibilidade entre os fundamentos do voto e a decisão que não tomou conhecimento do recurso voluntário. Observemos abaixo as disposições trazidas pelo despacho de admissibilidade dos Embargos de Declaração, que são de grande importância, e servem de razão para a resolução do recurso: 2. DAS ALEGAÇÕES Em linhas gerais, considera que, por várias razões, não é aplicável ao caso concreto a Súmula Carf nº 01. Alega que pretendia a anulação completa do auto de infração controvertido. Que, subsistindo o auto de infração, não terá como dele defenderse, pois não o discute no processo judicial, no qual, ao contrário, terminou obtendo provimento para aproveitamento do crédito correspondente. Argumenta: Entendemos S.M.J. que a Súmula 1 aplicase àqueles casos onde após o início do processo administrativo a parte resolve oporse também judicialmente através de AçãoDeclaratória ou outro meio, o que nem de longe é o caso, já que o processo administrativo foi iniciado após a Ação Judicial e por isso estava com o chamado efeito de EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Ainda mais, que o próprio relator do processo afirma textualmente no voto, que há uma correção a ser feita no lançamento, mas, ao final, a Turma decide não conhecer do recurso. Ora, pelo menos em tese, nas palavras do relator entendese que a multa aplicada ao auto de infração estava incorreta, mas, mesmo assim, não houve provimento do recurso ao menos neste ponto. Percebase no entanto, que ao reconhecer textualmente que a multa de ofício só poderia ser exigida “30 (trinta) dias contados da ciência da decisão final”, podese também depreender que as escriturações estavam corretamente realizadas, pois se não há multa, também não houve descumprimento da norma tributária. 3. DO CABIMENTO É impertinente o protesto pelo reconhecimento do direito de litigar na esfera administrativa. É de amplo conhecimento que a opção pela via judicial, a qualquer momento, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 11060.001114/200925 Acórdão n.º 3302005.294 S3C3T2 Fl. 3 3 instâncias administrativas. Basta ler o texto da Súmula Carf nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O que se percebe é que a embargante mostrase irresignada com a teor da decisão tomada. Os embargos de declaração, contudo, não são o meio adequado para discussões desse tipo. O mesmo não se pode dizer em relação ao segundo apontamento. De fato, o voto afirma taxativamente (efolha 960) que "a correção a ser feita restringe a exigência da multa de ofício, a qual será exigida no interregno de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão final, não sendo quitada no prazo acima". Compulsando os autos, constatase, à efolha 890, no relatório do acórdão de primeira instância, que não se trata de matéria preclusa. E, mesmo que assim não fosse, creio que essas considerações, presentes no corpo do voto, nunca seriam condizentes com a decisão de não tomar conhecimento do recurso voluntário. Se se tratasse de matéria preclusa, e, ainda assim, o relator quisesse sobre ela se pronunciar, necessariamente deveria tratála e declarála como tal. Também não me parece que estejamos diante de um comentário apenas obiter dictum, pois trata da única matéria autônoma do auto de infração, não submetida ao Poder Judiciário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Renato Pereira de Deus Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou a aparente contrariedade entre os fundamentos do voto e a decisão que não tomou conhecimento do recurso voluntário, e no sentir desse Conselheiro razão lhe assiste. Como bem apontado pelo i. Conselheiro que promoveu a análise de admissibilidade do recurso, a matéria suscitada pela embargante não encontrase preclusa e não compõem o objeto da ação judicial sobre a qual é aplicada a Sumula n. 1 do CARF. Fl. 1018DF CARF MF 4 Ressaltase ainda que existe matéria suscitada no recurso voluntário que não foi objeto de apreciação no voto embargado, como a alegação de decadência trazida pela embargante recorrente. I DECADÊNCIA Para a embargante recorrente o auto de infração que lhe foi imputado, estaria parcialmente "prescrito", trazendo os seguintes fundamento: Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11060.001114/200925 Acórdão n.º 3302005.294 S3C3T2 Fl. 4 5 Contudo, não entendo que assiste razão a embargante. Depois de longo debate jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial nº 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos. Desta forma, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: (i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou (ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento ou quando houver dolo, fraude ou simulação (art. 173, I, CTN). O artigo 62, § 2º, Anexo II do RICARF, estabelece que o referido entendimento jurisprudencial é de observância obrigatória por este tribunal administrativo, não podendo dele se distanciar. No presente processo não há comprovação de antecipação de pagamento do tributo, o que de plano afasta a possibilidade de aplicação da primeira premissa estabelecida pelo STF, como acima mencionado. Nesse sentido, considero inaplicável à espécie a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN. Vale ressaltar que a possibilidade de lançamento do tributo por parte da Fazenda Pública, mesmo nas hipóteses em que encontrase suspensa a exigibilidade de crédito tributário, esta expressamente prevista em lei. Tal regra é prevista no art. 63 da Lei n. 9.430/1996, que assim determina: Art. 63. Na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição de ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição.(destaquei) Assim, afasto a alegação de decadência trazida pela embargante recorrente. II MULTA DE OFÍCIO Entretanto, reconhecer qualquer alegação no sentido de que à embargante não poderia ser imputada a multa de ofício de 75%, vez que carecia de observância a contagem do prazo de 30 (trinta) dias da cientificação para a quitação dos débitos para com o Fisco, é Fl. 1020DF CARF MF 6 totalmente contrário à decisão de não tomar conhecimento do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. Entendo que a matéria relacionada a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, suscitada pela embargante recorrente, não é atingida pela aplicação da Súmula CARF 1, razão pela qual deveria ter sido levada à deliberação do colegiado, o que de fato não ocorreu. Assim, considerando a legislação alhures descrita, entendo que a aplicação da multa de ofício no presente caso não é legítima. Conforme podemos extrair do todo documental disposto no presente processo, o procedimento fiscalizatório, que culminou com a lavratura do auto de infração e imposição de multa, é posterior ao processo judicial movido pela embargante recorrente, não havendo que se falar, num primeiro momento, em aplicação de penalidade. Debrucemonos novamente sobre o que estabelece a legislação sobre o assunto. Diz o art. 63 da Lei 9.430/1996: Art. 63. Na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.(destaco) Ora! É exatamente o que se apresenta no caso em tela. O lançamento do crédito tributário, ocorrido após a medida judicial manejada pela embargante recorrente que discute a mesma matéria, serviu, exclusivamente, para prevenir, nos exatos termos da lei, a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento de seu crédito. E, em sendo dessa forma, não há que se falar em lançamento da multa de ofício. Esclarecese por oportuno, que a exclusão da multa de ofício corresponde, somente, aos fatos geradores apresentados ao Judiciário, sobre os quais foi reconhecida a concomitância. III CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para dar provimento aos embargos, dandolhe efeitos infringentes, para acolher o Recurso Voluntário da embargante recorrente, e nos termos das razões acima expostas darlhe parcial provimento, para excluir do auto de infração o lançamento da multa de ofício de 75%. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora: Com as vênias de praxe, a divergência com o voto do i. Relator prendese à exigência da multa de ofício, de 75%, no lançamento que ora se discute em sede de embargos. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 11060.001114/200925 Acórdão n.º 3302005.294 S3C3T2 Fl. 5 7 Destaca o Relatório Fiscal de fls.815/816: O estabelecimento industrial acima qualificado apurou créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI decorrente da aquisição de insumos imunes, isentos ou tributados com alíquota "zero", aplicados na industrialização de produtos, amparado pelo Mandado de Segurança n° 200071020016273. A empresa obteve decisões favoráveis em primeira instância e no Tribunal, mas em última instância, conforme decisão do Recurso Extraordinário n° 370726 de 16/07/2007, foi negada' a" utilização dos referidos créditos, segue transcrita a decisão: (...) Por último em 12/03/2008, ingressou com embargo de divergência, ainda. pendente de julgamento. Os embargos de divergência possuem apenas o efeito devolutivo, sendo desprovido de suspensividade. Assim, enquanto pendente de julgamento o embargo de divergência, não havendo aquelas causas de suspensão elencadas pelo art. 151 do Código Tributário Nacional, a exigibilidade do crédito tributário seguirá o teor da decisão recorrida.(grifei). Nesse mister, dispõe o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.(Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) (grifei). § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.(Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Em face das disposições do § 1º acima transcrito, verificase que a ciência ao Termo de Início de Ação Fiscal, fls.03, ocorreu em 27/09/2008, fl.04, quando inexistia causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, conforme expressamente destacado no Relatório Fiscal de fls.815/816, portanto não se aplica ao caso dos autos as disposições do caput do art 63 supra, de inexigibilidade da multa de ofício visto que o início de ação fiscal ocorreu quando inexistia causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, sendo portanto aplicável ao lançamento a multa de ofício de 75%. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração para sanar a contradição alegada e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, Fl. 1022DF CARF MF 8 negarlhe provimento para manter o lançamento da multa de ofício de 75%, conforme consta no auto de infração. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora designada Fl. 1023DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720072/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
O momento, em que se instaura a lide, é na apresentação da manifestação de inconformidade, sendo o tempo inicial para realizar a produção probatória.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA.
A DCOMP está vinculada à análise de créditos, que foram indeferidos no despacho decisório, por falta de prova.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Para ter direito ao crédito, a contribuinte deve provar que faz jus a ele, sendo que lhe compete o ônus da prova quanto à existência de crédito nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015.
Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O momento, em que se instaura a lide, é na apresentação da manifestação de inconformidade, sendo o tempo inicial para realizar a produção probatória. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. A DCOMP está vinculada à análise de créditos, que foram indeferidos no despacho decisório, por falta de prova. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Para ter direito ao crédito, a contribuinte deve provar que faz jus a ele, sendo que lhe compete o ônus da prova quanto à existência de crédito nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
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INEXISTÊNCIA. O momento, em que se instaura a lide, é na apresentação da manifestação de inconformidade, sendo o tempo inicial para realizar a produção probatória. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. A DCOMP está vinculada à análise de créditos, que foram indeferidos no despacho decisório, por falta de prova. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Para ter direito ao crédito, a contribuinte deve provar que faz jus a ele, sendo que lhe compete o ônus da prova quanto à existência de crédito nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 72 /2 00 8- 20 Fl. 6594DF CARF MF 2 (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/ Juiz de Fora, fls. 65471: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI PER nº 18374.32353.280508.1.5.010814 (fls. 38/63), relativo ao 3º trimestre do anocalendário de 2003, apurado nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Ao saldo credor de R$60.224,87, o contribuinte vinculou a Declaração de Compensação DCOMP nº 15431.59100.280508.1.7.10362 (fls. 61/64) para compensar débitos em igual montante (com os acréscimos legais). Os PER/DCOMP em causa passaram por uma série de retificações, descritas no Despacho Decisório, proferido no processo nº 10120.008585/200273, anexado, nestes autos, às fls. 03/09, cuja leitura é indispensável para o entendimento da razão que levou à formalização do processo em epígrafe, com intuito de análise de saldo credor relativo ao 3º trimestre do anocalendário de 2003. Baixados os PER/DCOMP para tratamento manual, concluiuse, no Despacho Decisório nº 227/2013DRF/GOIÂNIA, proferido às 122/128, pela denegação do saldo credor e, conseqüentemente, pela nãohomologação das compensações declaradas. O motivo para o indeferimento foi a apresentação incompleta dos documentos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 80/81. No referido termo, foram solicitados ao contribuinte os livros fiscais (Registro de Entradas, Saídas, RAIPI, etc., e os arquivos digitais a eles referentes, no formato txt, autenticados devidamente no sistema de validação e autenticação de arquivos SVA, disponível no sítio da RFB), bem como as relações de insumos adquiridos e de produtos fabricados, trazendo esta última a classificação fiscal completa. O contribuinte foi também intimado a designar alguém para explicar à fiscalização não só os produtos finais fabricados, mas também a utilização e finalidade dos insumos neles utilizados. As notas fiscais de entradas e de saídas não deveriam ser entregues, mas apenas mantidas à disposição da fiscalização. Ao fim do procedimento de fiscalização, considerandose indispensáveis à análise do ressarcimento/compensação, dentre outros documentos solicitados, o Livro de Utilização de 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 6595DF CARF MF Processo nº 10120.720072/200820 Acórdão n.º 3302004.925 S3C3T2 Fl. 3 3 Documentos Fiscais e Termo de Ocorrências e, assinadas pelo representante legal da empresa, a relação dos insumos adquiridos para a industrialização e a relação dos produtos industrializados no estabelecimento, contendo esta última a descrição completa na TIPI (itens 2.4, 2.7 e 2.8), bem como de outros itens não apresentados, sobre os quais sequer houve justificativa pela respectiva não apresentação, foi elaborado o despacho decisório de indeferimento do pleito do contribuinte. Segundo o ato decisório, cabia ao contribuinte provar o direito alegado (art. 333, inc. I, do CPC) e, para tanto, segundo o art. 19, §1º, da Lei nº 3.470, de 28/11/1958, com redação dada pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001, em se tratando de informações e documentos que diziam respeito a fatos que deveriam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, teria ele o prazo de cinco dias úteis para a apresentação de informações e documentos necessários ao procedimento fiscal. Não atendida a intimação na sua integralidade, no prazo estipulado pela fiscalização, o pleito foi denegado. O contribuinte teve, respeitada a contagem legal de prazo, a ser considerada entre a data da ciência do Termo de Início de Fiscalização em 14/02/2013 (fl. 82Aviso de Recebimento) e 27/02/2013 (fl. 103, Termo de Prorrogação de Prazo), aproximadamente, 13 (treze) dias para apresentação dos documentos requeridos pela fiscalização. Além dos dispositivos já citados, embasaram o indeferimento, o art. 264 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999RIR/1999, que alude à obrigatoriedade de Conservação de Livros e Comprovantes enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; os livros, documentos e papéis relativos à atividade da pessoa jurídica, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, e ainda, ao art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe sobre o arquivamento de pedido formulado quando não atendido no prazo fixado pela Administração solicitação referente à apresentação de documentos necessários à respectiva apreciação. Indignado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 152/159, contendo razões preliminares e de mérito. Como preliminares, o contribuinte apontou: 1) a recusa no recebimento de documentos apresentados, provocando assim a impossibilidade de exame de seu pleito. Segundo o contribuinte, em 06/02/2013, mediante Termo de Início de Ação Fiscal, foi intimado a apresentar livros do período compreendido entre 01/07/2003 a 31/03/2004. Tratandose de documentos antigos, emitidos a mais de cinco anos, requereu dilação de prazo para apresentálos. Recebeu autorização para fazêlo até 27/02/2013, data em que os apresentou de forma incompleta, tendo sido, por essa razão, Fl. 6596DF CARF MF 4 recusados pelo funcionário da DRF em Goiânia, sem sequer se dar ao trabalho de recebêlos e repassálos à fiscalização, olvidando o disposto no art. 332, do CPC, e, ainda, o disposto no art. 26 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011. A recusa no recebimento das provas, mesmo que parciais, configurou o cerceamento do direito de defesa previsto no art. 5º, inc. LXXVIII, da Constituição Federal. Requerse, portanto, tal reconhecimento para tornar nula a carta de cobrança, objeto da comunicação nº 608/2013; 2) A análise do Pedido de Ressarcimento pela Administração Tributária É dever do administrador público zelar pela duração razoável do processo, conforme comando do art. 5º, inc. LXXVIII, da CF, acrescido pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004. Com o novo dispositivo, erigiuse à categoria de direito fundamental a razoável duração do processo. Desse modo, admitese que a conclusão do procedimento administrativo fiscal em prazo razoável é comprovação do princípio da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. Princípios determinam o alcance, sentido e interpretação das normas, pois são hierarquicamente superiores a elas. Por isso, vinculam, de modo inexorável, o entendimento e as normas jurídicas que com eles se conectam. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, também inseriu a eficiência como um dos princípios norteadores da Administração Pública, anexado ao da legalidade, da moralidade da motivação, da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa, do contraditório, da segurança jurídica e do interesse público. Assim, a omissão da Administração em decidir sobre pedidos de ressarcimento formulados pelos contribuintes viola não apenas dispositivo legal, mas constitucional. A referida Emenda atribui ao princípio da razoável duração do processo e, conseqüentemente, do princípio da efetividade, a qualidade de garantia fundamental, incluído, pois, nas cláusulas pétreas contidas na carta Magna. A omissão em restituir às empresas os valores indevidamente recolhidos afronta o Estado Democrático de direito, sendo a reparação da situação existente carecedora da tutela jurisdicional do Estado. A eficiência também está garantida no art. 37 da CF. Temse que o despacho decisório foi exarado pela autoridade fazendária 4 anos, 8 meses e 9 dias após a transmissão da DCOMP nº 18374.32353.280508.1.4.010814, tempo que afronta a idéia da duração razoável do processo administrativo. Também a Lei nº 11.457, de 16/03/2007, art. 24, estabeleceu prazo de 360 dias para a manifestação da administração tributária. A referida matéria já foi apreciada pelo STJ, quando do Julgamento do REsp 1.138.206/RS, cujo acórdão foi publicado no DJ, em 01/01/2010. Fl. 6597DF CARF MF Processo nº 10120.720072/200820 Acórdão n.º 3302004.925 S3C3T2 Fl. 4 5 Destarte, requer se digne essa Instância, reconhecer a impossibilidade de exame da documentação exigida pela autoridade fiscal, não por desinteresse ou embaraço do contribuinte, cujas razões da não apresentação foram fartamente esclarecidas nos autos pelo manifestante, mas sim pelo prazo de quatro anos do protocolo/transmissão do PER/DCOMP e sua apreciação pela Administração competente. Requerse, portanto, tal reconhecimento para tornar nula a carta de cobrança, objeto da comunicação nº 608/2013; No mérito, o contribuinte aduziu: Se as preliminares não forem acatadas, admitindose o fato apenas para efeito de argumentação, o manifestante reafirma o total direito ao crédito de IPI de que trata o PER/DCOMP, não poupando esforços em juntar outros documentos afetos ao pleito, tais como: a) Livros fiscais do 3º trimestre de 2003 – entrada, saída, e apuração do IPI; b) Livros Diário e Razão do 3º trimestre (Anexo IICDROM), que de forma subsidiária podem comprovar a realidade dos números alusivos às operações de entradas de insumos (MP, PI e ME) e saídas de mercadorias industrializadas pelo manifestante. Fazse anexar também Relação dos Insumos Adquiridos (Anexo III) e Relação dos Produtos Fabricados (Anexo IV), informandose os códigos TIPI correspondentes. Por fim, requereu o contribuinte a reforma do Despacho Decisório, homologandose integralmente o crédito de IPI e declarando nula a carta de cobrança de que trata a comunicação 608/2013. A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente, vide ementa de decisão, colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A defesa só pode ser praticada depois de dada a ciência ao contribuinte da decisão proferida ou do auto de infração lavrado, quando, então, poderá, se assim o desejar, instaurar o litígio, mediante apresentação da manifestação de inconformidade ou de impugnação ao lançamento. Antes disso, não há de se falar em cerceamento de direito de defesa, pois não há defesa possível durante os procedimentos preparatórios para a formulação da decisão administrativa sobre o pleito do contribuinte ou durante os procedimentos anteriores à lavratura do auto de infração. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS TRIBUTÁRIOS. Fl. 6598DF CARF MF 6 Por falta de previsão legal, não se pode atribuir ao prazo estipulado no art. 24 da Lei nº 11.457, de 16/03/2002, força para o reconhecimento obrigatório de direito do contribuinte, sem que se dê a análise de mérito de seu pleito. Isto é, para os prazos processuais estabelecidos em lei não se cogita de caracterizálos como prazos de prescrição intercorrente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PETIÇÃO ADMINISTRATIVA. PROVA DO DIREITO ALEGADO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O direito alegado pelo contribuinte deve ter suporte em provas por ele providenciadas, quando delas ele exclusivamente detenha a faculdade de carreálas aos autos (art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, e art. 333, do CPC). A Contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 21 de agosto de 2007, fls. 425, e o recurso foi protocolado em 18 de setembro de 2015, fls. 427. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Das preliminares 2.1. Do cerceamento de defesa A Recorrente faz uma longa argumentação sobre a importância dos princípios, depois trata do princípio do devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Diz que houve cerceamento do direito de defesa, pois o direito creditório não foi reconhecido com fundamento na simples insuficiência dos documentos apresentados. Destaca trecho da decisão da DRJ/Juiz de Fora e diz que os documentos que faltaram consistem em simples cópias como a da procuração e do documento de identidade do procurador. Ademais, alega que apresentou a documentação no momento da manifestação de inconformidade e traz precedentes judiciais. Ela diz que houve recusa no recebimento das provas, pois entendeu a repartição que os referidos documentos seriam inservíveis, configurando cerceamento do direito de defesa, e, ao final, postula pela nulidade da carta cobrança. No caso em análise, a fiscalização recusou a documentação, fls. 105, pois entendeu que a contribuinte não apresentou cópia dos livros fiscais, mas apenas os originais, assim, a repartição não havia como realizar a identificação dos documentos. Fl. 6599DF CARF MF Processo nº 10120.720072/200820 Acórdão n.º 3302004.925 S3C3T2 Fl. 5 7 Em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente apresentou documentação que torna possível a análise do direito creditório, fls. 153 e seguintes, como: i) livros fiscais entrada, saída e apuração do IPI; ii) livros diário e razão; iii) relação de insumos adquiridos; iv) relação dos produtos fabricados. Não vejo que a recusa por parte da fiscalização da documentação que entender incabível ao caso configurese cerceamento do direito de defesa, pois o momento em que se instaura a lide é na apresentação da manifestação de inconformidade, conforme preceitua a legislação: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Nesse sentido, rejeitase a argumentação de cerceamento do direito de defesa e, por conseguinte, da nulidade da carta de cobrança, uma vez que os créditos compensados não foram, de fato, comprovados. Ademais, já houve conversão do feito em diligência . 2.2. Da prescrição intercorrente A Recorrente trata do princípio da eficiência no âmbito da Administração Pública e afirma que do Despacho Decisório exarado pela Autoridade Fazendária passaramse exatos 4 (quatro) anos, 8 (noite) meses e 14 (catorze) dias após a transmissão da DCOMP n° 26042.77230.2305508.1.7.010142 e postula com fundamento no artigo 24, da Lei nº 11.457, de 2007, que a administração tributária possui um prazo de 360 dias para analisar os pedidos de ressarcimento, devendo ser considerada nula a carta de cobrança. No caso em análise, não se vislumbra a existência de ocorrência da chamada prescrição intercorrente, conforme tópico destacado no Recurso Voluntário, da contribuinte. Ademais, não há neste caso, a ocorrência do lapso de 5 (cinco) anos, conforme destacou a decisão da DRJ/Juiz de Fora, fls. 6554: Entretanto, a declaração de compensação em questão, DCOMP nº 15431.59100.280508.1.7.10362, transmitida em 28/05/2008, teve seu resultado efetivo de não homologação, em 14/03/2013, quando o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório de indeferimento de seu pleito, conforme AR anexado à fl. 132. Tendo em vista que entre 28/05/2008 e 14/03/2015 não transcorreram 5 anos, nem esse prazo de homologação tácita pode trazer reflexos para o cancelamento da cobrança, objeto da comunicação nº 608/2013. Vale ainda esclarecer que tal DCOMP está vinculada à análise de créditos, que foram indeferidos no despacho decisório, pois a Recorrente não atendeu ao pleito da fiscalização na fase investigatória. Cabe ressaltar que, conforme Súmula CARF nº 11: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Por fim, a homologação tácita só pode ocorrer quando ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos, contados da apresentação, o que não se amolda ao caso. Portanto, rejeitase a preliminar suscitada e, por conseguinte, a nulidade da carta de cobrança. Fl. 6600DF CARF MF 8 3. Do mérito 3.1. Do direito creditório No mérito, a Recorrente alegou in verbis, fls. 6584: É importante salientar que o acórdão ora recorrido, em momento algum, menciona que a Recorrente não possui o direito creditório, frisando apenas a suposta insuficiência dos documentos apresentados. Desta forma, caso as preliminares acima arguidas não sejam acatadas, o que se admite apenas para efeito de argumentação, já que os fundamentos expostos são suficientes para a reforma do Despacho Decisório e anulação da Carta Cobrança respectiva, ainda assim a Recorrente reafirma o total direito ao crédito de IPI de que trata a DCOMP referenciada, não poupando esforços em juntar outros documentos afetos ao pleito, conforme já mencionado. O crédito em litígio tem como fundamento legal os seguintes dispositivos: Lei nº 9.779, de 1999 Art.11.O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Posteriormente, sobreveio a Instrução Normativa 33, de 1999, que regulamentou a apuração do crédito: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, darse á de conformidade com esta Instrução Normativa. Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1o O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. Fl. 6601DF CARF MF Processo nº 10120.720072/200820 Acórdão n.º 3302004.925 S3C3T2 Fl. 6 9 § 2o No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF No 21, de 10 de março de 1997. § 3o Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (grifos não constam no original) Para ter direito ao crédito, a Recorrente deve provar que faz jus a ele, conforme se extrai da interpretação dos dispositivos normativos, ora colacionados. No caso em análise, a Recorrente não provou o direito ao crédito de modo adequado, conforme se pode observar da decisão da DRJ/Juiz de Fora, fls. 6555: De fato, houve apresentação de documentos, tais quais os Livros fiscais do 3º trimestre de 2003 – entrada, saída e apuração do IPI; b) Livros Diário e Razão do 3º trimestre de 2003. Entretanto, a Relação dos Insumos Adquiridos (Anexo III) e a Relação dos Produtos Fabricados (Anexo IV), elementos indispensáveis à análise fiscal, deixam muito a desejar. Nenhuma das relações apresentadas traz a assinatura do representante legal da empresa, conferindolhes o caráter documental necessário, bem como não trazem a totalidade dos insumos adquiridos e dos produtos fabricados. É de se destacar que nos itens 2.7 e 2.8 do Termo de Início de Ação Fiscal foi clara a exigência da fiscalização: as relações de insumos e produtos fabricados deveriam ser legitimadas pela assinatura do representante legal da empresa (fl. 100). No que concerne aos respectivos conteúdos, a Relação dos Insumos Adquiridos deveria contemplar todos os insumos utilizados pelo contribuinte na confecção de seus produtos, enquanto a Relação dos Produtos Fabricados deveria consignar todos os produtos fabricados. Notase que essas duas relações se atêm à linha de SNACKS, olvidando o contribuinte todos os demais produtos que fabrica. Outra falha verificada na Relação dos Produtos Fabricados foi a falta de informação sobre a classificação fiscal utilizada pelo interessado. Voltandose ao Termo de Início de Ação Fiscal, no item 2.8, requereu a fiscalização que constasse da referida relação a “descrição completaclassificação fiscal por posição, subposição, item e subitem da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), alíquota do IPI aplicada, e se ocorre imunidade, isenção ou não tributação.” Entretanto, apesar de solicitadas objetivamente pela fiscalização, tais Fl. 6602DF CARF MF 10 informações não constam da Relação dos Produtos Fabricados, embora o contribuinte faça afirmação nesse sentido. Tratandose, ainda, da Relação dos Insumos Adquiridos e da Relação dos Produtos Fabricados, recorreuse, neste voto, para fins de encaminhamento do pleito, à DIPJ apresentada pelo contribuinte, retificadora ativa do anocalendário de 2003, exercício financeiro 2004, ND:123847735 (lucro real). Mas, no tocante às informações requeridas pela fiscalização, nenhum dado se pode obter, pois o contribuinte nada informou sobre a matéria no documento oficial encaminhado à RFB. Isso se confirma nas cópias da DIPJ, extraídas do sistema IRPJ/Consulta, às fls. 6.535/6.545. Não há informações sobre os insumos, tampouco sobre os produtos fabricados e respectivas classificações fiscais. Infelizmente, o atendimento incompleto das solicitações formuladas pela fiscalização, isso já em tempo de manifestação de inconformidade, não enseja a impulsão do processo às verificações da legitimidade do pleito do contribuinte. Cabe esclarecer que o ônus da prova quanto à existência de crédito cabe à Recorrente nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015. Portanto, diante da falta de produção probatória por parte da Recorrente, tornase improcedente o pedido contido no Recurso Voluntário quanto à compensação dos créditos. 4. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 6603DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688797/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.216
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 79 7/ 20 09 -0 3 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.688797/200903 Resolução nº 3402001.216 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.688797/200903 Resolução nº 3402001.216 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.688797/200903 Resolução nº 3402001.216 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000786/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo à falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte.. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração (fls. 186 do processo digitalizado), pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 19.575.220,28, relativos ao tributo, juros de mora e multa de ofício, em valores consolidados em julho de 2007. O lançamento está devidamente explicitado no Termo de Verificação Fiscal de folhas 179. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 78 6/ 20 07 -6 9 Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.824 2 A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o crédito referente ao período de agosto de 2003 a março de 2007, ocorreu em 11 de julho de 2007, conforme se verifica às folhas 186. Em 10 de agosto de 2007, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.227). Em 31 de janeiro de 2008, a 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1218.101 (fls. 359), de forma unânime, entendeu pela procedência do lançamento. Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 14 de maio de 2008, por via postal (AR fls. 388), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 1892) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. Em 20 de junho de 2013, esta 1ª Turma Ordinária, por meio da Resolução 2201 000.159 (fls. 2215), resolveu converter o julgamento em diligência. Tal decisão apresenta o seguinte Relatório, que adoto em razão de sua precisão e clareza: 'A fiscalização levantou o Imposto de Renda Retido na Fonte constante da escrituração contábil da empresa e comparou com as informações prestadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF’s). As diferenças apuradas foram consideras como omissão, conforme demonstrativos de fls. 179/182. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: o auto de infração, lavrado por supostas diferenças entre valores escriturados e declarados em DCTF, seria nulo; o autuante teria deixado de analisar a documentação entregue por ela durante a fiscalização, ocasionando, assim, preterição do seu direito de defesa e exigência de valores já adimplidos, na forma de dupla tributação; o autuante, ao comparar os valores declarados nas DCTF e os valores escriturados, não teria levado em conta que todas as quantias correspondentes ao IRRF teriam sido escrituradas na mesma conta, sem distinção de código de recolhimento; o autuante também teria deixado de considerar que os valores de IRRF declarados por ocasião da retenção do imposto teriam sido escriturados, em atendimento à legislação pertinente, somente à época de seu recolhimento; os valores considerados como devidos pelo autuante teriam sido adimplidos, conforme estaria demonstrado nas planilhas explicativas e documentos acostados à impugnação; o autuante não teria efetuado corretamente o cálculo do montante devido e estaria cobrando valores regularmente recolhidos, o que tornaria nulo o lançamento realizado; Fl. 5824DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.825 3 a nulidade do lançamento decorreria da sua imprecisão, uma vez que o auto de infração não conteria um requisito formal, ao deixar de trazer um correto e fundamentado cálculo do montante devido; o auto de infração deveria ser cancelado, pois contrariaria o artigo 142 do CTN e os princípios da reserva legal e da segurança jurídica, previstos nos artigos 5°, inc. II, e 150, inc. I, da Constituição da República; segundo a doutrina e a jurisprudência, os autos de infração somente seriam válidos se contivessem todos os requisitos legais, impondose aos agentes fiscais a verificação correta da ocorrência do fato gerador do tributo, da base de cálculo que o quantifica, da alíquota aplicável, da penalidade a ser adotada etc.; teria faltado a necessária verificação pelo autuante da totalidade dos elementos componentes de sua contabilidade, para que ele, à vista do princípio da verdade material, pudesse confirmar ou não a existência de crédito tributário exigível; o princípio do devido processo legal teria sido ignorado, uma vez que o autuante não teria apresentado provas dos fatos tributáveis que teriam sido apurados por ele; a imprecisão do auto de infração, por si só, já tornaria nula a autuação, em razão da falta de elementos essenciais ao auto de infração; o autuante não teria feito a necessária análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram a apuração da matéria tributária e do montante devido, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, conforme entendimento destacado no acórdão 10192819 do Conselho de Contribuintes; a ausência de verificação pelo autuante da documentação por ela apresentada no curso da ação fiscal configuraria nítido cerceamento de seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72; o IRRF incidiria sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, devendo ser retido por ocasião de cada pagamento, nos termos dos parágrafos 1° e 2°, do art. 620 do RIR/99; apesar de a retenção do IRRF ocorrer no momento do efetivo pagamento da renda ao empregado, o seu recolhimento deveria ser feito até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador (art. 70 da Lei nº 11.196/2005); antes de janeiro de 2006, o recolhimento do tributo deveria ser feito até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do pagamento do rendimento pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora (art. 865, II, do RIR/99); o recolhimento do imposto de renda na fonte relativo a férias de empregados seria efetuado separadamente dos demais rendimentos pagos ao beneficiário no mês, sendo que a base de cálculo corresponderia ao valor das férias pagas ao empregado, acrescido dos Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.826 4 abonos previstos no art. 7° da Constituição Federal e no art. 143 da CLT; as férias deveriam ser pagas ao empregado até dois dias antes do início do respectivo período, conforme disposto no artigo 145 da CLT, sendo a data do pagamento do valor percebido a título de férias a do fato gerador do imposto de renda que deveria ser retido na fonte; quanto à ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, o Parecer Normativo CST n° 347/70 atribuiria ao contribuinte a possibilidade de escolher livremente a forma de escriturar suas operações, desde que obedecesse aos princípios técnicos contábeis, desautorizando as repartições fiscais a opinarem sobre processos de contabilização; ao contrário do entendimento do autuante, ela poderia escriturar em uma determinada conta todos os valores referentes à retenção do imposto de renda, sem a necessidade de separálos por código de arrecadação; além da escrituração de todo o imposto de renda em uma única conta, visando a atender às suas necessidades internas, ela utilizaria dois tipos diferentes de contabilização de receitas e despesas, sendo um para efeitos gerenciais, com conta transitória, e outro para o balanço; a Fiscalização, ao elaborar o comparativo entre os valores declarados nas DCTF e os "provisionados", teria considerado apenas o crédito efetuado na conta referente à "provisão" do imposto devido no mês subseqüente/anterior; assim, os valores considerados como devidos pela Fiscalização seriam referentes aos pagos no mês posterior/anterior, oriundos da conta transitória e transferidos para a conta permanente, por ocasião do recolhimento do tributo; em relação ao CÓDIGO 0588, correspondente a rendimento sobre trabalho sem vínculo empregatício, o artigo 628 do RIR/99 preveria a contabilização pelo regime de caixa (pagamento); o valor de R$ 1.785,94, apesar de ter sido escriturado no mês março, corresponderia à retenção ocorrida no mês de fevereiro, sendo certo que teria sido recolhido com os acréscimos legais cabíveis em razão da mora no pagamento; deveriam ser cancelados os valores autuados relativos à diferença entre os tributos escriturados e os declarados, pois, apesar dos equívocos, o IRRF teria sido devidamente quitado; muitas das divergências apontadas no auto de infração seriam insubsistentes, em razão de o autuante não ter considerado os recolhimentos efetuados com os códigos de apuração 1708, 8045 e 3280; em relação ao CÓDIGO 0561, referente à retenção do imposto sobre rendimentos provenientes do trabalho assalariado, os valores autuados seriam relativos ao pagamento de rendimentos a pessoa física em razão do início do período de férias; Fl. 5826DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.827 5 teria havido um descompasso temporal entre a escrituração, que indicaria o mês do efetivo recolhimento do tributo e a declaração, que apontaria o mês do seu fato gerador; o descompasso decorreria da própria legislação que trata da retenção e do recolhimento do IRFonte no que tange ao pagamento de férias ao trabalhador assalariado; o momento no qual o imposto é retido seria diferente daquele no qual é recolhido, havendo, por isso, uma dificuldade na escrituração e na declaração de tais valores; se o fato gerador do tributo ocorre em determinado mês, o tributo deveria ser declarado em DCTF como correspondente a esse mesmo mês, ainda que o recolhimento somente fosse efetuado no mês seguinte e o valor fosse escriturado no livro Razão por ocasião da efetiva saída dos valores de caixa; o autuante deveria ter feito uma verificação exaustiva dos fatos, em vez de ter efetuado a autuação sem analisar os documentos apresentados por ela no curso da fiscalização; o autuante, ao ter entendido que os valores escriturados e os valores declarados seriam discrepantes em razão da sistemática de retenção e recolhimento do imposto de renda, deveria ter procedido à retificação de ofício das DCTF, a fim de solucionar o problema da diferença entre valor escriturado e declarado; apesar da falta de correspondência entre a escrituração e a declaração do imposto, tanto a retenção como o recolhimento do tributo teriam se dado de forma correta, motivo pelo qual jamais poderia ter havido autuação; também em relação ao código 0561, teriam sido autuados valores referentes a estornos de lançamentos equivocados, visando a sua anulação; como exemplo, citaria o mês de setembro de 2003, em relação ao qual o autuante teria apontado uma diferença de R$ 63.234,28 entre o valor do IRRF escriturado e o declarado; nesse mês de setembro, o valor escriturado do IRRF referente àquele código teria sido de R$ 35.043,44 e se referiria à remuneração de férias, sendo que o pagamento teria ocorrido no mês de agosto; o valor de R$ 35.043,44 englobaria os valores realmente pagos no mês de setembro e alguns devidos em setembro, mas declarados no mês de outubro; seria composto dos valores de R$ 699,81, que teria sido declarado na DCTF de agosto e deveria ter sido escriturado no mesmo mês, de R$ 31.615,68, que teria sido declarado equivocadamente no mês de outubro de 2003 e de R$ 2.727,95, que teria sido declarado no mês de setembro; à vista desses fatos, o valor do imposto escriturado seria compatível com o retido e recolhido, ainda que tivesse havido equívoco em alguns casos quando do momento da escrituração, em virtude de seu entendimento de que o fato gerador do IRRF ocorreria no início do Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.828 6 período de férias e não no momento do pagamento dos rendimentos ao empregado até dois dias antes; quanto ao valor escriturado de R$ 30.918,79, o autuante não teria percebido que ele teria sido estornado, ou seja, lançado a débito e a crédito, para anulação; em razão dos fatos expostos, deveria haver o cancelamento do auto de infração, em virtude de o tributo ter sido devidamente retido e recolhido; mesmo que se ignorasse os argumentos expostos, o que se admitiria apenas por amor ao debate, e se considerasse equivocada a forma de contabilização utilizada por ela, o que não teria ocorrido, tal fato jamais poderia ser suficiente para a desconsideração dos pagamentos realizados; em razão de mera incompreensão da forma de contabilização adotada por ela, o autuante estaria exigindo imposto sobre fatos geradores cujos tributos já teriam sido objeto de recolhimento, como se comprovaria pela documentação acostada; de qualquer forma, a simples ocorrência de ERRO FORMAL não poderia macular a existência dos pagamentos efetuados e, tampouco, autorizaria o Fisco a proceder à cobrança de tais valores com base na eventual existência de tais erros; meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva inexistência do débito, especialmente em razão da observância do princípio da verdade material, aliás, aplicado amplamente pelo Conselho de Contribuintes; em razão de ter verificado pequenas incorreções acerca do recolhimento do IRRF, teria providenciado a quitação dos valores correspondentes (após a autuação), conforme comprovariam as cópias de DARF anexadas (fls. 290 a 332). Ao final, a interessada solicita que a impugnação seja conhecida, para ser declarada a nulidade apontada ou ser cancelado o auto de infração, em razão da ausência de análise dos documentos entregues à fiscalização e da comprovação da retenção e do recolhimento do IRRF lançado. Os documentos que acompanham a impugnação correspondem basicamente à procuração, substabelecimento, cópias de ata de assembléia, de contrato social e alterações, do auto de infração, do termo de verificação fiscal e os demonstrativos que o acompanham, além de cópias de diversos Darf com data de recolhimento de 08/08/2007 (fls. 244 a 332). O órgão local juntou extrato do processo às fls. 333 a 336 e informou que deixou para proceder à alocação dos pagamentos efetuados pela interessada somente após a decisão proferida no processo pela DRJ (fl.336). Em seguida, remeteu o processo a este órgão para julgamento (fl.337). Fl. 5828DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.829 7 A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DELIMITAÇÃO DA LIDE. PAGAMENTO PARCIAL NO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não se instaura a fase litigiosa em relação ao crédito tributário recolhido pelo contribuinte no prazo previsto para a impugnação do auto de infração, afigurandose essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera administrativa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. DIFERENÇAS DE IMPOSTO NÃO RECOLHIDAS. COTEJO ENTRE A ESCRITURAÇÃO E A DCTF A falta de recolhimento do imposto, apurada a partir do cotejo entre os valores registrados contabilmente e os informados na DCTF, enseja o seu lançamento de ofício, com multa de 75% e juros de mora. Lançamento Procedente " Intimada da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 381), Net Rio Ltda. apresenta, em 13/06/2008, Recurso Voluntário com os respectivos documentos (fls. 386 a 1871 e 1872 a 1999), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório." A conversão em diligência, foi motivada, no entender do Colegiado, pelas razões que transcrevo (fls. 2222): "De fato, quando se tenta cotejar o imposto escriturado com o efetivamente declarado, não é possível aferir qual é efetivamente o imposto retido na fonte que deixou de constar na DCTF e, por conseguinte, não recolhido pela autuada. Assim, como a recorrente alega que a conta contábil precisa necessariamente ser ajustada, para se obter a real base da autuação, proponho converter o processo em diligência para adoção das seguintes providencias: a) intimar o contribuinte para que no prazo de 30 dias providencie planilha contendo todos os valores individualmente lançados nas respectivas contas, devidamente conciliadas, indicando a data do fato gerador, histórico, data de recolhimento, valor do imposto retido, valor do imposto pago e a consequente informação na DCTF. A planilha deverá ser acompanhada dos respectivos documentos; Fl. 5829DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.830 8 b) a planilha apresentada deverá ser objeto de auditoria pela fiscalização, que lavrará relatório circunstanciado informando o real valor omitido. A autoridade fiscal avaliará a necessidade ou não da juntada de documentos; c) do relatório acima, deverá a autoridade lançadora dar ciência ao contribuinte para, em prazo razoável, querendo, manifestarse." Em cumprimento a diligência, a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro I, por meio de sua Divisão de Fiscalização, produziu o Relatório Fiscal de páginas 2312. Quando do retorno a este Colegiado, foi observado pelo ilustre Relator, que o contribuinte não havia sido cientificado do teor do relatório fiscal que examinará os documentos por ele apresentados quando do cumprimento da diligência. Por isso, em 13 de abril de 2016, foi determinada nova diligência, por meio da Resolução 2201000.218 (fls. 2871), para ciência do sujeito passivo. Devidamente cientificado em 18 de julho de 2017 (fls. 5818), o sujeito passivo se pronunciou, em 16 de agosto seguinte, por meio da Manifestação acostada às folhas 2891. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro, em razão do término do mandato do Relator original. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Estando presentes os requisitos de admissibilidade, passo a apreciar o recuso voluntário. Antes, porém, necessário recordar os termos da diligência determinada por esta colenda 1ª Turma, por meio da Resolução 220100.159 (fls. 2215): "De fato, quando se tenta cotejar o imposto escriturado com o efetivamente declarado, não é possível aferir qual é efetivamente o imposto retido na fonte que deixou de constar na DCTF e, por conseguinte, não recolhido pela autuada. Assim, como a recorrente alega que a conta contábil precisa necessariamente ser ajustada, para se obter a real base da autuação, proponho converter o processo em diligência para adoção das seguintes providencias: a) intimar o contribuinte para que no prazo de 30 dias providencie planilha contendo todos os valores individualmente lançados nas respectivas contas, devidamente conciliadas, indicando a data do fato gerador, histórico, data de recolhimento, valor do imposto retido, valor do imposto pago e a consequente informação na DCTF. A planilha deverá ser acompanhada dos respectivos documentos; b) a planilha apresentada deverá ser objeto de auditoria pela fiscalização, que lavrará relatório circunstanciado informando o real Fl. 5830DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.831 9 valor omitido. A autoridade fiscal avaliará a necessidade ou não da juntada de documentos; c) do relatório acima, deverá a autoridade lançadora dar ciência ao contribuinte para, em prazo razoável, querendo, manifestarse." (grifei) Como relatado, a Divisão de Fiscalização, DIFIS, da DRF Rio de Janeiro I, em 22 de outubro de 2015, produziu o Relatório Fiscal de folhas 2312, como resultado da diligência determinada. Dele consta: Instado a se manifestar sobre o relatório fiscal, após nova diligência essa determinada pela Resolução 2201000.218, (fls. 2871) a Recorrente apresenta petição de folhas 2891, onde argui: "8. O PA foi remetido à DRF/RJI, que, em 17/07/2017, cientificou a Manifestante acerca do resultado da diligência originária e abriu prazo para manifestação a respeito do Relatório Fiscal, o qual concluiu pela manutenção do lançamento, "tendo em vista que os documentos acostados não trazem novos elementos nem demonstram a incorreção no lançamento do crédito tributário" (Doc. 02). 9. Ocorre que a D. Autoridade Fiscal deixou de analisar parte relevante dos documentos apresentados em resposta à diligência fiscal, ainda em 10/2015, os quais evidenciam a conciliação requisitada por este C. CARF e, pois, a improcedência da autuação, conforme se passa a demonstrar: Fl. 5831DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.832 10 II. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO II.1. DA PREMISSA EQUIVOCADA ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO 10. Conforme mencionado no item anterior, o lançamento fiscal decorre das supostas divergências apuradas pela Fiscalização quando do cotejo das informações constantes da escrituração contábil e de DCTF acerca do IRRF. Em seu entendimento, todos os lançamentos efetuados a crédito nos razões seriam equivalentes a IRRF devido e apenas os valores declarados na DCTF corresponderiam à quantia recolhida, tendo sido consideradas inadimplidas as diferenças apuradas. 11. A título exemplificativo, vejase o quadro comparativo elaborado pela Fiscalização e a contabilidade da Manifestante acerca da conta contábil n° 241503.003 para o mês de 08/2003 (IRRF — Código 1708): 12. Sob a premissa fiscal: Fl. 5832DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.833 11 a. Os valores registrados na coluna "crédito" seriam débitos de IRRF 1708 que deveriam ter sido recolhidos, totalizando RS 20.442,64; b. Constaria da DCTF do período apenas o pagamento de RS 18.532,10; c. Logo, foi autuada a diferença de R$ 1.910,54. 13. Ocorre que a Autoridade Fiscal ignorou os correspondentes lançamentos a débito que consubstanciam, justamente, pagamentos dos débitos de IRRF. Em números, com base no excerto da contabilidade colacionado acima, significa dizer que, do total de R$ 20.442,64 apurado de IRRF 1708 no curso de 08/2003, a Manifestante recolheu R$ 20.636,22 no próprio período. 14. Ora, é de rigor a exclusão dos valores lançados na coluna crédito correspondentes ao IRRF provisionado no mês, que posteriormente foram baixados com o lançamento da contrapartida a débito, mediante pagamento por meio de DARF , sob pena de se manter uma exigência em duplicidade. Tal comprovação — frisese — decorre da simples análise do Livro Razão. 15. Assim, com base na própria contabilidade da Manifestante entregue ao Fiscal ainda no curso da fiscalização, afigurase clara a insubsistência da autuação." (grifei) Verifico que tal argumento consta da impugnação (fls. 239), do recurso voluntário (1893), e da própria carta resposta à diligência (fls. 2317), consoante trecho transcrito desta última peça (fls. 2318): É nítido que, aqui, o Fisco deixou de se manifestar sobre ponto constante da diligência determinada, fundante para a decisão sobre a procedência do crédito tributário lançado. Prosseguindo na análise dos esclarecimentos prestados pelo Recorrente, encontro (fls. 2895): "16. Conforme já esclarecido pela Manifestante nestes autos, as divergências apontadas pela Fiscalização decorrem, essencialmente, de três fatores, quais sejam: (i) erros no preenchimento das DCTFs Código de Receita 1708; (ii) erros nos lançamentos contábeis — Código de Receita 0588; e (iii)descasamento entre escrituração e DCTF — Código de Receita 0561. Fl. 5833DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.834 12 17. Senão vejamos: > IRRF: CÓDIGO DE RECEITA Nº 1708 18. Os valores escriturados na conta contábil n° 241503.003 correspondem ao IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pela prestação de serviços, os quais foram devidamente recolhidos pela Manifestante sob o código de receita 1708. Ocorre que, por um lapso, apenas parte dos recolhimentos efetuados sob tal código foram informados em DCTF pela Manifestante. 19. Ou seja, a Manifestante recolheu os valores registrados em sua contabilidade, mas declarou a menor na DCTF, do que resultou a aparente diferença verificada pela Fiscalização, a qual, no entanto, inexiste, conforme já comprovado por ocasião da resposta à diligência (fls. 2317), mediante os seguintes documentos (Doc. 03): • cópia dos razões contábeis mensais dos períodos autuados; • resumo da apuração no período autuado (considerados na sua aferição tanto os lançamentos a crédito como a débito); e • cópia dos comprovantes de arrecadação do IRRF efetivamente devido. 20. No mais, vale reiterar ser de rigor a exclusão dos valores escriturados na coluna crédito correspondentes ao IRRF provisionado, que foram baixados com o lançamento da contrapartida a débito , sob pena de se manter uma exigência em duplicidade." (destaquei) Novamente não há uma linha sequer, na manifestação fiscal, sobre tais documentos. Ao reverso, diz o Fisco que 'o contribuinte não apresentou nenhuma documentação comprobatória' (folha 2312, 'in fine'). Continuando. Vejo na manifestação do Recorrente sobre o relatório fiscal de diligência, às folhas 2896, a seguinte explicação: "> IRRF: CÓDIGO DE RECEITA N° 0561 21. Em relação ao código de receita 0561, a Manifestante verificou que as divergências apontadas decorreriam, essencialmente, do descasamento entre a escrituração contábil e a declaração dos valores em DCTF, em decorrência da dissintonia entre o momento da retenção do IRRF e seu efetivo recolhimento. 22. Visando exemplificar a situação, observese o ocorrido no mês de 06/2006. Fl. 5834DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.835 13 23. O IRRF apurado sobre rendimentos do trabalho assalariado no valor de RS 65.320,30 foi escriturado na conta contábil 214503.001 em 06/2006, mas declarado na DCTF de 05/2006, conforme apontado no demonstrativo elaborado pela Fiscalização (fls. 182): 24. Isso porque, a Manifestante declarava o IRRF sobre a folha de salários na DCTF relativa ao mês da retenção (regime de competência), porém escriturava quando do efetivo desembolso (regime de caixa), que ocorria no mês seguinte. Aplicandose tal entendimento ao exemplo acima, vêse que a Manifestante declarou o IRRF sobre a folha de salários, em DCTF, em 05/2006, quando da retenção, mas contabilizou em 06/2006, quando do seu recolhimento. (...) 26. No mais, vale notar que parte dos valores lançados na conta não corresponde ao IRRF devido sobre folha de salários, tendo sido contabilizados sob o código 0561 por equívoco, pelo que não deveriam ter sido considerados no cotejo entre a escrituração contábil e a DCTF, quais sejam: Fl. 5835DF CARF MF Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.300 S2C2T1 Fl. 5.836 14 27. Pois bem. Excluindose tais valores da contabilidade, em função do lançamento equivocado, a conta refletiria somente o IRRF devido sobre a folha de salários, que foi recolhido sob o código de receita 0561 e declarado em DCTF pela Manifestante (...) Novamente, verifico que não houve pronunciamento do Fisco sobre tais documentos e explicações, embora constassem da resposta à diligência apresentada (fls.2318). Outros pontos há, na manifestação do contribuinte sobre o relatório fiscal (itens 28 a 43, folhas 2898 a 2905), que demonstram a ausência de pronunciamento da autoridade lançadora sobre esclarecimentos prestados à diligência determinada por este Conselho. Explicito que, segundo a dinâmica de distribuição do ônus da prova, ao comprovar fatos modificativos do direito de crédito do Fisco, o contribuinte se desvencilha de seu encargo probatório, transferindo àquele que tem o dever de verificar a ocorrência do fato gerador tributário e de quantificálo, tal ônus. Assim, não havendo manifestação da autoridade lançadora sobre os documentos acostados durante o processo administrativo tributário, caberá ao julgador somente aceitálos, posto que, submetidos ao contraditório, restaram incontroversos. Diante do exposto, e pela necessidade de busca da verdade material, voto por converter, novamente, o julgamento em diligência para que: a) a autoridade lançadora se pronuncie de maneira detalhada sobre os documentos apresentados pela Recorrente, tanto nas respostas à diligência (folhas 2317 e 2321), quanto na manifestação sobre relatório fiscal (fls. 2891), confeccionando parecer circunstanciado sobre todos os pontos constantes das peças mencionadas; b) cientifique o sujeito passivo do resultado de seu parecer, para que este, querendo, sobre ele se manifeste no prazo máximo de 30 dias. Após, retornem os autos a esta Turma Julgadora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 5836DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.912364/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2002
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ.
Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste.
Numero da decisão: 1301-002.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2002 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 23 64 /2 00 9- 95 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13896.912364/200995 Acórdão n.º 1301002.801 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada e, DCOMP nº 39497.28519.040806.1.3.040012, referente a alegado crédito de valor original na data transmissão de R$ 629,47, relativo a pagamento indevido ou a maior de código de receita nº 2362, DARF de valor total de R$ 11.161,18, período de apuração de 31/12/2001 e data de arrecadação de 31/01/2002. Segundo o Despacho Decisório de não homologação, o DARF informado na DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, conforme processo nº 13896.004119/200821, não restando assim crédito disponível para a compensação do(s) débito(s) informado(s) na DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade a interessada pediu a homologação da compensação. Para tanto, assim resumiu seus argumentos: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Excluir o lançamento referente à IRPJ código 2362, da DCTF do 4 trimestre/2001, constante na página 5, no valor de R$ 11.161,18, pois esse valor não é devido para o período Dezembro/2001. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.796, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 13896.911728/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13896.912364/200995 Acórdão n.º 1301002.801 S1C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.796): O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. 1. Nulidade da decisão de 1a instancia por falta de motivação e inobservância ao principio da verdade material Alega a Recorrente que a decisão de primeira instancia violou os princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, pois entendeu não estar clara a motivação que levou o julgador às conclusões exportas na parte dispositiva do julgamento. Defende que o argumento ensejador do não provimento da manifestação de inconformidade se baseou em alegações de que a recorrente não trouxe aos autos sua escrituração contábil, sem sequer analisar os documentos juntados a manifestação de inconformidade. Compulsandose os autos verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4° trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 11.161,18, Despacho Decisório n°. 848664496 de 07/10/2009, CNPJ, Última Alteração Contratual Consolidada e documentos do representante legal. No entanto, em linha com a decisão de primeira instancia, tais documentos não são capazes de comprovar os argumentos da Recorrente de que o valor do DARF relativo a pagamento de Dezembro 2001 não seria deveras devido. Contrariamente ao alegado, o julgador de primeira instancia, buscando a verdade material dos fatos, buscou nos sistemas disponíveis a Receita Federal informações detalhadas sobre o crédito tributário perquirido. Solicitou, ainda, desarquivamento do processo relativo ao restabelecimento da DCTF relativa que havia sido cancelada pela Recorrente. Em resumo, não vejo qualquer razão nos argumentos apresentados pela Recorrente que possam dar ensejo a nulidade da decisão de primeira instancia. 2. Compensação Em relação a compensação, sabese que o art. 170 do CTN determina que os créditos tributários líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública podem ser objetos de compensação, na forma que a lei estipular. Como liquido e certo, entendese aquele crédito tributário cuja existência seja garantida e cujo valor seja mensurável. No caso em tela, temse que a interessada não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, conforme Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13896.912364/200995 Acórdão n.º 1301002.801 S1C3T1 Fl. 5 4 disposto no art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente os contábeis e fiscais, não sendo suficiente, por si só, como prova, a mera apresentação da DIPJ, que, ao contrário da DCTF, não se constitui em instrumento de confissão de dívida. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. No presente caso verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4 trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 11.161,18, Despacho Decisório n°. 848664536 de 07/10/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 169DF CARF MF
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