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Numero do processo: 10665.905572/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2002
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 55 72 /2 01 1- 88 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10665.905572/201188 Acórdão n.º 3401005.506 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizado com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, indeferido por ausência de saldo credor, consoante informação do Despacho Decisório. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02039.187. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente, interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.504, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10665.905569/201164, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.504): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: No Despacho Decisório, consta que a fundamentação para o indeferimento do pedido de restituição reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme especificado. No processamento eletrônico, tal constatação é feita com base nos dados contidos no Darf confrontados com as informações prestadas pelo contribuinte em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentada, na qual confessa a existência do referido débito. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10665.905572/201188 Acórdão n.º 3401005.506 S3C4T1 Fl. 4 3 Em sua defesa, o manifestante alega que “efetuou retificação manualmente” da DCTF, conforme documento anexado aos autos, fato que não deixaria nenhuma dúvida a respeito da existência do crédito. Nesse ponto, ainda que fosse admitida a retificação manual da DCTF, tal documento, apresentado após a ciência do despacho decisório, não tem nenhuma força de convencimento e só pode ser aqui considerado como argumento de impugnação, e não como prova, uma vez que só foi elaborado em razão do indeferimento do pedido de restituição. É bom lembrar ainda que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). As declarações apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). Como essa presunção não é absoluta, admitese que o signatário possa impugnar sua veracidade, alegando serem ideologicamente falsas, isto é, que os seus dizeres são falsos, embora sejam materialmente verdadeiros. Entretanto, a presunção de veracidade faz com que o declarante tenha que provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento. Noutras palavras, a DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Para contrariar sua própria palavra, dada como expressão da verdade, deve o impugnante comprovar o erro ou a falsidade da declaração entregue, que serviu de base para a expedição do despacho decisório. Não é o que ocorre no caso. Nada há nos autos que confirme o pagamento indevido ou a maior propalado, sendo insuficiente para tal a DCTF “retificada manualmente”, apresentada após a ciência do despacho decisório, notadamente quando evidenciada contradição com a apuração do tributo demonstrada na DIPJ. Nesse ponto, pesa contra o manifestante o fato de, na DIPJ retificadora ativa, apresentada em 30/03/2007, relativamente ao período de apuração de 30/04/2003, ter sido apurado um valor de R$5.163,17 a título de COFINS A PAGAR (...). (...). Confrontado o valor do Darf em questão (R$5.163,17) com o montante acima apurado na DIPJ, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. Assim sendo, o recolhimento efetuado por meio do Darf indicado no PER/DComp analisado não constitui crédito passível de restituição, uma vez que totalmente utilizado para quitar débito apurado na DIPJ retificadora Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10665.905572/201188 Acórdão n.º 3401005.506 S3C4T1 Fl. 5 4 competente e confessado em DCTF que serviu de base para a emissão do Despacho Decisório, não ficando configurada nenhuma das hipóteses de restituição de tributo previstas no art. 165 do Código Tributário Nacional –CTN. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10665.905572/201188 Acórdão n.º 3401005.506 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000546/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO SÓCIO VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. NULIDADE
É nula a intimação enviada ao sócio da pessoa jurídica em situação cadastral ativa e com endereço atualizado junto à administração tributária, não se justificando o envio da intimação para endereço diverso.
INTIMAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. DIA DE EXPEDIENTE ATÍPICO. TERMO A QUO. PRIMEIRO DIA ÚTIL SEGUINTE.
A intimação efetuada em dia não útil ou em que não haja expediente normal na repartição, como no caso de ponto facultativo, é considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte, iniciando-se nesta data a contagem dos prazos processuais.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZOS.
O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, inexistindo dolo fraude ou simulação e havendo pagamento e declaração prévia do débito, é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Ao revés, inexistindo pagamento e/ou declaração prévia do débito, ainda que não seja constatado dolo fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO. CANCELAMENTO.
Cancela-se a exigência amparada em omissão de receitas apurada com base em saldo credor de caixa se da recomposição não se materializa a hipótese presuntiva.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS.
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se ao lançamento das contribuição sociais sobre o faturamento e o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
Numero da decisão: 1302-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO SÓCIO VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. NULIDADE É nula a intimação enviada ao sócio da pessoa jurídica em situação cadastral ativa e com endereço atualizado junto à administração tributária, não se justificando o envio da intimação para endereço diverso. INTIMAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. DIA DE EXPEDIENTE ATÍPICO. TERMO A QUO. PRIMEIRO DIA ÚTIL SEGUINTE. A intimação efetuada em dia não útil ou em que não haja expediente normal na repartição, como no caso de ponto facultativo, é considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte, iniciando-se nesta data a contagem dos prazos processuais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZOS. O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, inexistindo dolo fraude ou simulação e havendo pagamento e declaração prévia do débito, é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Ao revés, inexistindo pagamento e/ou declaração prévia do débito, ainda que não seja constatado dolo fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO. CANCELAMENTO. Cancela-se a exigência amparada em omissão de receitas apurada com base em saldo credor de caixa se da recomposição não se materializa a hipótese presuntiva. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se ao lançamento das contribuição sociais sobre o faturamento e o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 457 1 456 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000546/201083 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1302003.225 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida MASTER CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO SÓCIO VIA POSTAL. DOMICILIO TRIBUTÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. NULIDADE É nula a intimação enviada ao sócio da pessoa jurídica em situação cadastral ativa e com endereço atualizado junto à administração tributária, não se justificando o envio da intimação para endereço diverso. INTIMAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. DIA DE EXPEDIENTE ATÍPICO. TERMO A QUO. PRIMEIRO DIA ÚTIL SEGUINTE. A intimação efetuada em dia não útil ou em que não haja expediente normal na repartição, como no caso de ponto facultativo, é considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte, iniciandose nesta data a contagem dos prazos processuais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZOS. O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, inexistindo dolo fraude ou simulação e havendo pagamento e declaração prévia do débito, é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Ao revés, inexistindo pagamento e/ou declaração prévia do débito, ainda que não seja constatado dolo fraude ou simulação, o prazo é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO. CANCELAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 05 46 /2 01 0- 83 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 458 2 Cancelase a exigência amparada em omissão de receitas apurada com base em saldo credor de caixa se da recomposição não se materializa a hipótese presuntiva. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS E COFINS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase ao lançamento das contribuição sociais sobre o faturamento e o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 459 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 1ª Turma da DRJ/Curitiba, em face do seu Acórdão nº 0653.421, de 05 de outubro 2015, mediante o qual julgou procedente a impugnação e cancelou o crédito tributário lançado em face da contribuinte em referência (recorrida), conforme se extrai da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INTIMAÇÃO. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Se a contribuinte podia ser encontrada no domicílio tributário por ela eleito, não se justifica o envio da intimação, via postal, para endereço diverso, ainda que do seu sócio, pois o inciso II do artigo 23 do PAF se refere expressamente à prova do recebimento da intimação no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; apenas seria justicável (sic) o envio da intimação para o endereço do sócio caso a contribuinte não tivesse anteriormente sido localizada no domicílio tributário informado no cadastro do CNPJ, o que não é o caso. INTIMAÇÃO EFETUADA EM DIA NÃO ÚTIL OU EM QUE NÃO HAJA EXPEDIENTE NORMAL NA REPARTIÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO NO PRIMEIRO DIA ÚTIL SEGUINTE . Considerando que o parágrafo único do artigo 5º do PAF dispõe que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, a intimação efetuada em dia não útil ou em que não haja expediente normal na repartição é considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Cancelase a exigência fiscal quando as entradas de caixa inexistentes estornadas pela fiscalização na recomposição da conta Caixa Geral são insuficientes para evidenciar a existência de saldo credor de caixa e consequente materialização da presunção legal de omissão de receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 460 4 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fatogerador, exceto quando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado do tributo, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à Cofins. O acórdão recorrido descreve as infrações apuradas, extraindose, verbis: [...] 3.1 omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa, apurada mediante recomposição da conta Caixa Geral com a exclusão dos valores, lançados a débito desta conta, cuja origem e/ou efetividade da entrega do numerário não foram comprovadas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 174180), com infração ao disposto no art. 528 do RIR de 1999: . 31/12/2005.................................................................R$ 6.259.081,20 3.2. omissão de receitas caracterizada por valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, com infração ao disposto nos arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 528 do RIR de 1999: . 31/03/2005.................................................................R$ 6.500.000,00 . 30/06/2005.................................................................R$ 6.000.000,00 . 30/06/2005.................................................................R$ 6.000,00 Na sua impugnação, a contribuinte, ora recorrida, trouxe as seguintes alegações sintetizadas no acórdão da DRJCuritiba, verbis: [...] Da decadência do direito de constituição do crédito tributário a) argui que recebeu a notificação do lançamento somente em 03/01/2011 (doc. 04), ou seja, a constituição do crédito tributário se deu após o lapso decadencial de cinco anos; que não prospera a alegação do auditor fiscal de que a ciência foi efetuada por via postal no domicilio do contribuinte e do titular da pessoa jurídica, pois o estabelecimento encontravase fechado e referido auto de infração foi lavrado às 11h28min do dia 30/12/2010 e postado às 12h39min do mesmo dia, não havendo tempo hábil para que o auditor fiscal fosse até o estabelecimento da contribuinte; Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 461 5 b) considerando a afirmação do auditor fiscal de ter também enviado a notificação do lançamento ao titular da pessoa jurídica, aduz que o cio Adauto Kiyota não é considerado “sujeito passivo” do lançamento, posto que não é ele a pessoa que tem o dever de prestar, ao credor, o objeto da obrigação, bem como, o seu endereço não é o domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, não podendo ser considerada válida dita intimação, sob pena de contrariar o quanto dispõe o art. 23, II, do Decreto nº 70235, de 1972, bem como o art. 145 do CTN; mesmo que assim não fosse, referida notificação ainda tramitava internamente nos correios no dia 31/12/2010 e somente foi entregue em 04/01/2011 ao porteiro do prédio, que a entregou ao sócio Adauto Kiyota no mesmo dia (doc. 05); c) o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do ano calendário de 2005 se esgotou em 31/12/2010, mas a ciência do lançamento fiscal somente ocorreu em 03/01/2011, com o recebimento da notificação do lançamento pela impugnante, sujeito passivo da obrigação tributária, operandose, assim, a decadência; em reforço de suas alegações, cita juristas e julgados do STJ e do extinto TRF; Empréstimos tomados da empresa Santa Cruz e outros d) esclarece que os créditos efetuados pela empresa Santa Cruz (doc. 06), com exceção do item 05 (por ter sido devolvido no dia imediatamente posterior), foram devidamente contabilizados: . transferências de R$ 4.500.000,00 em 14/01/2005 e de R$ 2.000.000,00 em 31/01/2005: empréstimos em dinheiro concedidos pela Santa Cruz, tendo os recursos correspondentes sido transferidos da conta da mutuante no Unibanco para a conta da interessada no mesmo banco, razão pela qual acredita que essas operações foram nominadas de “transferência interconta”; já apresentou todos os documentos pertinentes, tais como contrato de mútuo, extrato bancário e livro Diário; . transferência de R$ 5.000.000,00 em 25/04/2005: empréstimo concedido pela Santa Cruz, tendo a transferência sido efetivada por terceiros (AXIS Coml. Imp. e Exp. Ltda.) por conta e ordem da Santa Cruz, conforme apurado no MPF 08.1.24.00.2009.00640 da DRF/Jundiaí; . depósito em dinheiro de R$ 1.000.000,00 em 25/04/2005: depósito efetuado pela própria interessada com recursos em espécie disponíveis em seu caixa, devidamente contabilizado no livro Diário; ocorre que a auditor fiscal desconsiderou tal alegação com base na recomposição de caixa; . TBI 3748.036872 de R$ 6.000,00 realizada em 07/06/2005 para a conta do Banco Itaú: transferência efetuada por Alessandra Kiyota Braga, filha de Adauto Kiyota, cujo valo foi devolvido em 08/06/2005 através de TED para a conta corrente 2072394, agência 0576, do Unibanco; Da contabilização através de partida mensal e) argumenta que embora o livro Diário deva ser escriturado diariamente, constitui prática reiterada a autoridade administrativa aceitar partida mensal de operações de mesma natureza desdobradas em livros ou registros auxiliares, ou discriminadas pelos dias de ocorrência no lançamento único que as compreende; f) considerando que a documentação era enviada para contabilização antes do recebimento dos extratos bancários necessários para se proceder a conciliação, e Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 462 6 para se evitar acúmulos e atrasos na digitalização (sic) dos mesmos, os lançamentos de pagamentos eram todos creditados, provisoriamente, contra a conta Caixa; somente depois de recebidos os extratos é que foram estornados os valores efetivamente pagos através do banco, de forma totalizada ao final de cada mês, mediante um único lançamento, com o histórico “saldo que se transfere”; g) não se trata de origem de crédito fictício, pois o estorno na conta Caixa era precedido de lançamento dos pagamentos realizados pelo Banco, situação ainda desconhecida por ocasião da digitalização (sic) dos documentos; assim devem ser excluídos da base de cálculo os itens 02, 04, 05, 07 a 11, 15 e 19 a 22 do demonstrativo “Detalhes dos Valores Debitados na Conta 1.1.1.01.0001 – Caixa” Demais lançamentos – origem dos recursos, comprovação h) idêntico tratamento deve ser dado aos demais lançamentos desconsiderados pela fiscalização: . item 01 do demonstrativo fiscal (crédito de R$ 529.124,00 em 31/01/2005): contabilizou a aquisição das ações da empresa Encomind em 2004, tendo o pagamento correspondente contra o caixa sido efetuado com base no item 3.2 da cláusula III do Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, firmado em 03/06/2004, com a Globalbank Consulting Ltda. (doc. 10); no entanto, posteriormente foi acordado entre as partes que o pagamento das ações seria efetuado com o cheque nº 399.00060, pósdatado para 05/01/2005, do Banco Itaú, mas tal informação somente chegou ao setor contábil após o encerramento do balanço de 2004, razão pela qual procedeuse ao estorno do valor; considerando que é de cinco anos o prazo para guarda de livros obrigatórios da escrituração comercial e fiscal (parágrafo único do art. 195 do CTN c/c o art. 264 do RIR de 1999), não mais dispões de livros e documentos contábeis de 2004; requer sejam aceitos os esclarecimentos e a prova documental ora acostada; . item 03 (crédito de R$ 45.025,45 em 28/02/2005): afirma que se refere ao recebimento da nota fiscalfatura nº 000084, emitida em 14/02/2005, contra a Comercial Salfer Ltda (doc. 11), cujo pagamento foi efetuado em espécie, depois de efetuada a dedução da Cofins e do PIS retidos na fonte (R$ 1.401,93 e R$ 303,75); . item 06 (crédito de R$ 516.175,00 em 31/03/2005): não ocorreu o registro em duplicidade do valor de R$ 500.000,00 (adiantamento de clientes no valor de R$ 500.00,00 em 31/01/2005 e faturamento de R$ 550.000,00 ref. NF 85 em 31/03/2005), pois o recebimento de R$ 516.175,00 em 31/03/2005 é resultado das seguintes operações: 31/01/2005 / lanç.6: faturamento NF’s 82 e 83 ....R$ 1.130.129,97 31/01/2005 / lanç.7 a 10: retenç.NF’s 82 E 83 .....R$ 69.502,99 31/01/2005 / lanç.79: adiant.Santa Cruz...............R$ 500.000,00 28/02/2005 / lanç.35: faturamento NF 84.............R$ 46.731,13 28/02/2005 / lanç.37: retenções NF 84.................R$ 1.705,68 28/02/2005 / lanç.40: recebimento NF 84 ............R$ 45.025,45 16/02/2005 / lanç.132: recebimentos fevereiro ....R$ 50.000,00 01/03/2005 / lanç.127: estorno ret.CSLL NF 84 ..R$ 467,31 31/03/2005 / lanç.38: faturamento NF 85.............R$ 550.000,00 31/03/2005 / lanç 39 a 42: retenções NF 85 .........R$ 33.825,00 31/03/2005 / lanç.43: baixa receb.NF 82 e 83......R$ 516.175,00 saldo......................................................................R$ 510.159,67 Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 463 7 . item 12 (crédito de R$ 2.281.616,68 em 30/06/2005): lançamento referente transferências realizadas ao longo do ano de 2004, através da conta de aplicação do Banco Itaú para a Santa Cruz para liquidação parcial do saldo devedor oriundo do contrato de mútuo; valor lançado em 2004 conta a conta Caixa, cujo montante foi reposto quando da conciliação dos saldos da conta de aplicação em 30/06/2005; considerando que já foi ultrapassado em muito o prazo decadencial, a impugnante não mais dispõe de livros e documentos contábeis de 2004, razão pela qual deixa de fazer a juntada da comprovação correspondente; . item 13 (crédito de R$ 35.904,71 em 30/06/2005): em 30/06/2005 realizou levantamento da conta de fornecedores e constatou ter lançado pagamentos a maior pelo Caixa, razão pela qual estornou o valor lançado indevidamente; . item 14 (crédito de R$ 510.159,67 em 30/06/2005): saldo das NF’s 82 e 83 recebido pelo Caixa e não baixado anteriormente (lanç. 18 do livro Diário); . item 16 (crédito de R$ 15.000,00 em 13/07/2005): transferência de recursos (estorno) do Banco Itaú para o Caixa, referente pagamento de título emitido por Del’Art Indústria e Comércio de Móveis (doc. 12) contra a empresa Kiyota Incorporadora Ltda. (por conta de contrato de mútuo), lançado anteriormente contra o Caixa, cujo valor foi estornado pela transferência de recursos do banco, quando da conciliação bancária; . item 17 (crédito de R$ 250.000,00 em 22/07/2005): pagamento realizado à Luma Comércio e Distribuidora de Alimentos (doc. 13) por ordem da mutuante Santa Cruz, para ser deduzido do saldo devido no contrato de mútuo, cujo valor lançado anteriormente contra o Caixa foi estornado quando da conciliação bancária; . item 18 (crédito de R$ 100.380,00 lançado em 22/07/2005): transferência realizada pelo Banco Itaú para a conta corrente 3006.015006 de titularidade da Santa Cruz (doc. 14), para dedução do saldo devido no contrato de mútuo, cujo valor lançadoanteriormente contra o Caixa foi estornado quando da conciliação bancária; Da anulação da multa imposta e do seu efeito confiscatório i) como a multa não pode ter caráter confiscatório, entende ser perfeitamente cabível a sua redução em face de valor excessivo e em atenção aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; alega que não há milagrosa fórmula matemática para definir o que é confisco, mas o principal critério para demonstrar se ocorre violação ao referido princípio é verificar se prejudica a atividade da contribuinte; Pedido j) ao final requer: (i) seja declarada a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário; (ii) seja anulado o auto de infração por inexistência do fato gerador, bem como os lançamentos reflexos, posto estar cabalmente demonstrada a total insubsistência e improcedência do lançamento. O colegiado recorrido decidiu acolher a impugnação e cancelar o lançamento, acolhendo a nulidade da intimação feita na pessoa do sócio da pessoa jurídica e, em consequência, a preliminar de decadência dos 1º, 2º e 3º trimestres/2005, e ainda cancelou o lançamento de omissão de receita apurado com relação ao saldo credor de caixa apurado no 4º trimestre de 2005. É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 464 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Recurso de Ofício Em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). As questões suscitadas na impugnação foram bem enfrentadas pelo acórdão recorrido, de sorte que adoto como base para a solução do litígio. Inicialmente, o acórdão recorrido apreciou as questões preliminares, nos termos abaixo transcritos: [...] Trata o presente processo de exigências de IRPJ e lançamentos reflexos, com base no lucro presumido, decorrentes de omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa e por créditos bancários de origem não comprovada, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 174180). Intimação enviada ao endereço do titular da pessoa jurídica 11. O lançamento fiscal foi cientificado por via postal, mediante remessa dos autos de infração e do Termo de Verificação e Constatação Fiscal tanto para o domicílio tributário da interessada como para o endereço do seu sócio Adauto Kiyota (Rua Itapaiuna, 1800, ap. 181, Jardim Morumbi, São Paulo/SP). A correspondência encaminhada ao domicílio tributário da interessada somente foi recebida em 03/01/2011 (fl. 325), mas a enviada ao endereço de Adauto Kiyota foi recebida pelo porteiro do prédio em 31/12/2010 (fls. 215216 e 327). 12. A impugnante argui que, tendo recebido somente em 03/01/2011 a notificação enviada ao seu domicílio tributário sido, já estava decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do anocalendário de 2005. Acrescenta ser inválida a notificação enviada ao endereço do titular da pessoa jurídica, o sócio Adauto Kiyota, haja vista não ser ele o “sujeito passivo” da obrigação e seu endereço não ser o domicilio tributário eleito pela contribuinte, sob pena de ofensa ao disposto no artigo 23, II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), bem como o artigo 145 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Mesmo que assim não fosse, referida notificação ainda tramitava internamente nos correios no dia 31/12/2010 e somente foi entregue em 04/01/2011 ao porteiro do prédio, que a entregou ao sócio Adauto Kiyota no mesmo dia (fls. 327328). 13. Portanto, cumpre destacar que a intimação por via postal deve ser obrigatoriamente efetuada no domicílio tributário do sujeito passivo por força do disposto no artigo 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 465 9 (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) (Grifouse) 14. A lei processual não exige que a ciência de recebimento do auto de infração seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado. 15. Contudo, se a Máster Consultoria Tributária podia ser encontrada no domicílio tributário por ela eleito, não se justifica o envio da intimação, via postal, para endereço diverso, ainda que do sócio Adauto Kiyota, pois o inciso II do artigo 23 do PAF se refere expressamente à prova do recebimento da intimação no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Apenas seria justicável (sic) o envio da intimação para o endereço do sócio caso o sujeito passivo não tivesse anteriormente sido localizado no domicílio tributário informado no cadastro do CNPJ, o que não é o caso. 16. Ademais, ainda que fosse válida a intimação enviada ao endereço de Adauto Kiyota – correspondência recebida em 31/12/2010 (sexta feira) pelo porteiro do prédio no qual reside o sócio (e não em 04/01/2011, como erroneamente afirmado pela impugnante) – cabe destacar que parágrafo único do artigo 5º do PAF dispõe que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, razão pela qual a intimação efetuada em dia não útil ou em que não haja expediente normal na repartição é considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte. 17. Por conseguinte, tendo a Portaria nº 834 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, de 6 de novembro de 2009, em seu artigo 1º (ao divulgar os dias de feriados nacionais e de pontos facultativos no ano de 2010, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e funcional do Poder Executivo), disposto que o dia 31 de dezembro de 2010 era ponto facultativo após as 14 horas, considerase que no presente caso a intimação foi efetuada no dia 03/01/2011 (segunda feira, primeiro dia útil seguinte). 18. Portanto, a contribuinte foi validamente intimada apenas em 03/01/2011. Decadência 19. No que diz respeito ao prazo decadencial, cumpre destacar que, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, a modalidade de lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos e contribuições cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento devido sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesse caso, a atuação que a autoridade administrava tem é posterior, ocorrendo a homologação quando ela, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, de efetuar o recolhimento sem seu prévio exame, expressamente a homologa, ou, se não houver a manifestação expressa do fisco, dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, homologada também estará essa atividade, mas de forma tácita, conforme disposto no § 4º do mesmo artigo 150, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 466 10 de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (Grifouse) 20. Contudo, cumpre destacar que, nos termos do § 1º do artigo 150 do CTN, aquilo que se homologa é a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, ou seja, o fato do pagamento antecipado, certificandose a autoridade administrativa da sua estrita conformidade com a legislação vigente. Não se trata de homologação do lançamento, justamente porque, nessa modalidade, o lançamento vai aparecer apenas com o ato homologatório. Até o seu advento, terá curso o procedimento de extinção, que se inicia com o pagamento antecipado e se encerra com a homologação. 21. Decorre daí que, inexistindo pagamento antecipado, ainda que a contribuinte documente bem todos os seus passos, não se poderá falar em homologação e, por via de consequência, em lançamento por homologação, razão pela qual é aplicável a regra do inciso I do artigo 173 do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (Grifouse) 22. Na situação em análise verificase que na Ficha 14A (Apuração do Imposto de Renda Sobre o Lucro Presumido) da DIPJ 2006 (ND 1255935, às fls. 420431) a interessada somente apurou imposto de renda a pagar no 1º trimestre/2005, no valor de R$ 106.246,87, que foi recolhido em três parcelas de R$ 35.415,33 em 29/04/2005, 31/05/2005 e 30/06/2005. A Ficha 14A dos 2º, 3º e 4º trimestres/2005 está totalmente zerada e não foi declarado saldo algum de imposto a pagar. 23. Portanto, não tendo a autoridade fiscal apontado ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme ressalva contida ao final do § 4º do artigo 150 do CTN, concluise que os fatos geradores ocorridos no 1º trimestre/2005 já se encontravam decaídos em 03/01/2011, quando a interessada foi cientificada do Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 467 11 lançamento fiscal, pelo recurso do prazo decadencial de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador. 24. Com relação aos 2º e 3º trimestres/2005, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial é o dia 01/01/2006, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o prazo decadencial encerrouse em 31/12/2010. 25. Dessa forma, apenas os fatos geradores ocorridos no 4º trimestre/2005 não foram atingidos pela decadência, porquanto o prazo decadencial encerrouse em 31/12/2011. Não tenho reparos à análise feita no acórdão recorrido quanto à data da efetivação do lançamento em face da pessoa jurídica. Com efeito, não se justifica a intimação do sócio, quando a pessoa jurídica está ativa e possui endereço certo e atualizado juntos aos cadastros da RFB. Neste caso, como bem aponta o relator na DRJ, nem mesmo a intimação do sócio teria se concretizado no dia 31/12/2010, mas sim em 03/01/2011, em face do ponto facultativo das repartições federais no último dia do ano. Em consequência, também se revela acertado o reconhecimento da decadência parcial do lançamento de IRPJ e CSLL relativo aos 3 primeiros trimestres de 2005 e dos PIS e da COFINS relativos aos meses de janeiro a novembro de 2005, nos termos dispostos nos arts. 150, § 4º e 173, inc. I do CTN, estando o entendimento do acórdão recorrido em conformidade com o quanto decidido pelo E. STJ, no julgamento do Resp. nº 973.733/SC, proferido no rito dos recursos repetitivos estabelecido no art 543C do antigo CPC, conforme dispõe o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. O referido julgado foi sintetizado na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREs p 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 468 12 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante ao exposto, e tendo em vista a obrigatoriedade de observância do entendimentos do STJ, exarado no rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício quanto às preliminares suscitadas. Na sequência, o acórdão recorrido trata das questões de mérito. Com o reconhecimento da decadência parcial do lançamento, subsistiu para análise apenas os fatos geradores ocorridos no último trimestre de 2005. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 469 13 Assim, como as infrações apuradas relativas à omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, verificadas nos meses de janeiro, abril e junho de 2005, foram automaticamente canceladas. Com relação à omissão de receitas apurada com base em saldo credor de caixa, o colegiado recorrido, corretamente, excluiu os valores apurados relativos aos três primeiros trimestres de 2005, fulminados pela decadência, e efetuou a recomposição dos saldos dos últimos 3 meses a partir do saldo contábil escriturado em 30/09/2005, verificandose a inexistência de saldo credor no período e, assim, cancelando, também, esta infração. Transcrevo abaixo a análise feita no acórdão recorrido, verbis: Omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa 26. A autoridade fiscal recompôs a conta Caixa Geral para excluir os valores lançados a débito (entradas de caixa) cuja origem e/ou efetividade da entrega do numerário utilizado restaram não comprovadas (itens 01 a 22 da planilha “Detalhes dos Valores Debitados na Conta 1.1.1.01.0001 Caixa”), o que resultou na apuração do saldo credor de R$ 6.259.081,20 em 31/12/2005, infração enquadrada no artigo 281, inciso I, do RIR de 1999: {planilha de apuração omitida] 27. Todavia, considerando que os fatos geradores ocorridos dos 1º, 2º e 3º trimestres/2005 já foram atingidos pela decadência, cabe analisar apenas a exclusão das disponibilidades fictícias do 4º trimestre/2005 na recomposição da conta Caixa Geral. 28. A autoridade fiscal estornou nos itens 21 e 22 da planilha “Detalhes dos Valores Debitados na Conta 1.1.1.01.0001 Caixa”, as entradas de caixa correspondentes aos lançamentos efetuados ao final dos meses de outubro e novembro/2005 para ajustar o saldo da conta contábil Banco Itaú ao saldo do extrato do Banco Itaú (débito da conta 1.1.1.01.00001 Caixa Geral e crédito da conta 1.1.1.02.00001 Banco Itaú): 29. Em sua impugnação, a interessada alegou que tendo efetuado a escrituração de suas operações por partidas mensais, foram ao longo do mês lançados contra a conta Caixa Geral valores que originalmente deveriam ter sido lançados contra a conta Banco Itaú, razão pela qual foi necessário fazer correções ao final de cada mês mediante transferência de valores da conta Banco Itaú para a conta Caixa Geral. Acrescenta que não se trata de origem de crédito fictício, pois o estorno na conta Caixa Geral era precedido de lançamento dos pagamentos realizados pelo banco, situação ainda desconhecida por ocasião da digitação dos documentos. 30. Assim, cumpre destacar que o artigo 258, § 1º, do RIR de 1999 admite a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 470 14 31. No mesmo sentido, a NBC T2 – Da Escrituração Contábil, Aprovada pela Resolução CFC nº 563/83, assim dispõe: 2.1.5 – O “Diário” e o “Razão” constituem os registros permanentes da Entidade. Os registros auxiliares, quando adotados, devem obedecer aos preceitos gerais da escrituração contábil, observadas as peculiaridades da sua função. No “Diário” serão lançadas, em ordem cronológica, com individuação, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, incluídas as de natureza aleatória, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. 2.1.5.1 – Observado o disposto no caput, admitese: a) a escrituração do “Diário” por meio de partidas mensais; b) a escrituração resumida ou sintética do “Diário”, com valores totais que não excedam a operações de um mês, desde que haja escrituração analítica lançada em registros auxiliares. (...) (Grifouse) 32. Como a contabilidade não cria atos e fatos, apenas os registra na forma como realmente ocorreram, cumpre salientar que, além não comprovada, é absolutamente fora de qualquer propósito a singela alegação de contabilização contra a conta Caixa Geral de pagamentos que deveriam ter sido lançados a crédito da conta Banco Itaú. 33. Contudo, o estorno das disponibilidades fictícias contabilizadas em 31/10/2005 e 30/11/2005 na recomposição da conta Caixa Geral é insuficiente para evidenciar a existência de saldo credor de caixa e consequente materialização da presunção legal de omissão de receitas, porquanto apurase o saldo de caixa positivo de R$ 35.346,36 em 31/12/2005: 34. Dessa forma, cancelase a exigência correspondente ao saldo credor de R$ 6.259.081,20 da conta Caixa Geral em 31/12/2005. Omissão de receitas caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada 35. Foi no lançamento fiscal apurada omissão de receitas caracterizada por créditos bancários, alegadamente remetidos pela Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda., cujos recursos utilizados não tiveram sua origem Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10932.000546/201083 Acórdão n.º 1302003.225 S1C3T2 Fl. 471 15 comprovada, infração tributada com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: 36. Dessa forma, conforme já relatado no presente voto, tendo os fatos geradores ocorridos dos 1º e 2º trimestres/2005 sido atingidos pela decadência, voto por cancelar a exigência correspondente. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL CONTRIBUIÇÃO P/ FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 37. Sendo a impugnação a mesma do IRPJ e ante a íntima relação de causa e efeito, cancelamse igualmente as exigências de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social. [...] Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 472DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720126/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO DO LANÇAMENTO. CTN, ART. 146. ERRO DE DIREITO.
Alteração do lançamento por erro de direito configura ofensa ao artigo 146, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1301-003.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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CTN, ART. 146. ERRO DE DIREITO. Alteração do lançamento por erro de direito configura ofensa ao artigo 146, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 26 /2 01 3- 55 Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.089 2 Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório UNIVERSO ONLINE S/A., já qualificada nos autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$13.396.966,52. Tratase de autuação para constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. Conforme relatório da decisão recorrida e Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF, Fls. 804/808) as razões do lançamento foram: Do Lançamento Verificamos que o contribuinte indicou exclusão na apuração da base de cálculo do Lucro Real no total de R$ 134.248.688,90 (cento e trinta e quatro milhões, duzentos e quarenta e oito mil, seiscentos e oitenta e oito reais e noventa centavos) a título de "Outras Exclusões", na alínea 68 da Ficha 09A — Demonstração do Lucro Real, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2009, Ano Base 2008. Intimamos, em 24/04/2012 [fls. 159/160], para que esclarecesse qual a composição deste valor. Recebemos, dessa forma, correspondência, datada de 19/06/2012 [fls. 164/171], onde este alega que tal montante tem como composição seis fatos distintos, a saber: a. Juros sobre títulos do NKB, empresa pública norueguesa, os quais não são tributados no Brasil, por força do Tratado para Evitar Dupla Tributação firmado entre Brasil e Noruega em 1981; b. Variação monetária SWAP; c. Amortização de contrato de exclusividade com "Plug In", adicionado em 2007 e controlado na Parte B do LALUR; d. Atualização de depósitos judiciais; e. Operação de SWAP para garantia da variação cambial do item "a", adicionados mensalmente na apuração do lucro real; f. Reversão de provisões indedutíveis em anos anteriores, adicionados na Parte B do LALUR e excluídos quando de sua realização Após nova intimação, recebida em 24/08/2012, e reintimação, recebida em 04/01/2013, concluímos que o contribuinte comprovou integralmente as justificativas identificadas nas letras "a", "b", "c", "e" e "f" acima. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.090 3 Dessa forma, restou a justificativa "d" que permaneceu integralmente sem comprovação pois o contribuinte identificou um montante de R$ 18.566.970,28 (dezoito milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, novecentos e setenta reais e vinte e oito centavos) como atualização de depósitos judiciais, porém, foram apresentadas, em 18/09/2012, apenas planilhas com cálculos que resultaram no valor mencionado [fls. 491/529], sem, no entanto, qualquer documento para embasar suas afirmações, tais como, a petição inicial dos processos indicados, as decisões judiciais transitadas em julgado, ou mesmo as certidões de objeto e pé das referidas ações. Intimado a apresentar o trânsito em julgado ou a certidão de objeto e pé atualizada das referidas ações em 21/08/2012 e reintimado em 03/01/2013 [fls. 535/537], o contribuinte apresentou, em 22/01/2013, cópias de petições iniciais e algumas peças dos processos [fls. 540/803], entretanto não restando possível identificar a situação atual em nenhuma dessas ações. Assim, efetuamos a glosa de R$ 18.566.970,28 (dezoito milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, novecentos e setenta reais e vinte e oito centavos) da apuração do lucro real que foram declarados como outras exclusões sem documentação fiscal que a embase. (...) Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, apresentada às fls. 838/880: I DAS QUESTÕES PRELIMINARES I.1 – Argüição de nulidade – Ausência de motivação adequada e específica para a tributação do montante de R$ 18.566.970,28 A autoridade fiscal não motivou, de forma adequada e específica, a glosa do montante de R$ 18.566.970,28 (“atualização de depósitos judiciais”), excluído do lucro líquido para fins de apuração do lucro real. A Impugnante, durante a fiscalização, já havia detalhado a composição do referido montante, mediante apresentação de demonstrativos de atualização dos depósitos, cópias das petições iniciais das respectivas ações e consultas dos andamentos dos processos, indicando que os feitos ainda se encontravam tramitando no ano de 2008. A exigência feita à Impugnante para que apresentasse certidões referentes à situação das ações em 2013 revelase impertinente para a análise da controvérsia. A fundamentação da glosa, tal como formulada pela autoridade fiscal, é genérica e precária, não se coadunando com os requisitos de precisão, segurança e certeza exigidos pelo art. 142 do CTN. I.2 – Argüição de nulidade – Erro na lavratura do Auto de Infração de CSLL – Falta de aprofundamento do trabalho fiscal O AuditorFiscal autuante presumiu que a importância de R$ 18.566.970,28 também foi excluída da base de cálculo da CSLL, a título de atualização de depósitos judiciais. Tratase, todavia, de um equívoco. Se a referida autoridade tivesse aprofundado a investigação, perceberia que o valor em questão não integrou o somatório informado na Linha 53 (“Outras Exclusões”) da Ficha 17 (“Cálculo da Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.091 4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”) da DIPJ/2009 — conf. planilha de composição do Item “Outras Exclusões” (doc. fls. 953) e Livro de Apuração da Contribuição Social – LACS (doc. fls. 954/974). I.3 – Argüição de nulidade – Inobservância de critério jurídico específico para a correta apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL Analisandose os Autos de Infração, verificase que a autoridade fiscal tributou o montante de R$ 18.566.970,28, simplesmente aplicando sobre este valor as alíquotas do IRPJ e da CSLL. Tal procedimento deixou de observar as regras específicas de apuração do IRPJ e da CSLL, que prevêem a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores. Em face do equivocado critério jurídico adotado pela autoridade fiscal, e da conseqüente imprecisão da base tributável, impõese o cancelamento integral da autuação. I.4 – Argüição de nulidade – Desconsideração dos créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL Não bastassem os equívocos acima apontados, a autoridade fiscal deixou ainda de considerar, no cálculo dos tributos devidos, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL que foram apurados no anocalendário de 2008, nos valores de R$ 2.403.877,51 e de R$ 1.036.499,55, respectivamente. Por mais este motivo, impõese o cancelamento integral da autuação. II DO MÉRITO II.1 – Improcedência da glosa em relação ao IRPJ A Impugnante, no curso da ação fiscal, demonstrou que, no ano de 2008, possuía ações judiciais em andamento, nas quais vinha discutindo créditos tributários relativos a COFINS, CPMF, SAT, ICMS e IPTU. Visando suspender a exigibilidade destes tributos, efetuou depósitos judiciais dos valores controvertidos. Considerando que não havia disponibilidade jurídica ou econômica dos valores depositados, a Impugnante excluiu do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, a receita de R$ 18.566.970,28, correspondente à atualização dos referidos depósitos. O procedimento adotado pela Impugnante é reconhecido como legítimo pela Receita Federal — vide Solução de Consulta SRRF/3ªRF nº 032/2005; Solução de Consulta SRRF/8ªRF nº 082/2010; Solução de Consulta SRRF/7ªRF nº 393/2012; e Solução de Consulta SRRF/8ªRF nº 264/2012. II.2 – Improcedência da glosa em relação à CSLL A Impugnante foi acusada de haver excluído, indevidamente, da base de cálculo da CSLL, a importância de R$ 18.566.970,28, a título de “atualização de depósitos judiciais”. Isto, contudo, não é verdade. Conforme explicado anteriormente, o referido montante não foi objeto de exclusão, fato que pode ser comprovado através da planilha de composição da Ficha 17, Linha 53 da DIPJ/2009 – “Outras Exclusões” (doc. fls. 953) e do próprio Livro de Apuração da Contribuição Social – LACS (docs. fls. 954/974). II.3 – Ocorrência de postergação parcial do pagamento de IRPJ Caso a autoridade julgadora decida pela procedência da glosa, o que se admite apenas para efeito de argumentação, então, neste caso, deverão ser reconhecidos os efeitos da postergação parcial do IRPJ. Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.092 5 Conforme já explicado, no anocalendário de 2008, a Impugnante excluiu da base de cálculo do IRPJ um montante de R$ 10.325.765,68, relativo à atualização de depósitos judiciais de ICMS. Ocorre que, no ano de 2011, a empresa obteve decisão final favorável aos seus interesses, vindo a levantar os valores depositados, com as atualizações devidas (docs. fls. 1040/1100). Neste mesmo anocalendário, adicionou à base de cálculo do IRPJ um montante de R$ 11.659.397,41, correspondente à atualização dos depósitos. Fica comprovada, assim, a ocorrência de postergação parcial do pagamento do IRPJ, postergação essa que deverá ser lavada em conta no cálculo do imposto devido, sob pena de tributação em duplicidade (bis in idem) . II.4 – Recálculo dos valores devidos – Compensação de prejuízos fiscais e bases de calculo negativas de CSLL de períodos anteriores – Cômputo dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL Na hipótese de virem a ser mantidos os lançamentos, a autoridade julgadora deverá, ao menos, determinar o recálculo dos valores devidos, a fim de permitir a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores, bem como a dedução dos créditos correspondentes aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados no anocalendário de 2008. II.5 – Não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Ainda na hipótese de ser mantida a exigência fiscal, cumpre afastar a eventual incidência de juros de mora sobre a multa de ofício de 75%. Em matéria de tributos, a cobrança de juros moratórios só é possível em relação aos valores decorrentes de obrigação tributária principal que não tenham sido pagos no vencimento (art. 161, combinado com os arts. 113 e 119, do CTN). Neste contexto, a única interpretação possível para o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, é a que autoriza a incidência de juros de mora apenas sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre a multa de ofício. Da decisão da DRJ Em julgamento realizado em 24 de outubro de 2013, a 15ª Turma da DRJ/RJ1, considerou, por unanimidade de votos, procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 12060.762, (efls. 1121 e ss), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. Uma vez verificado que a descrição dos fatos é clara e fornece todos os elementos para a compreensão da matéria autuada e o conseqüente exercício do contraditório e da ampla defesa, rejeitase a argüição de nulidade e prosseguese na análise do mérito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. EXCLUSÕES. RECEITAS DE ATUALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. GLOSA MOTIVADA PELA FALTA DE INFORMAÇÕES SOBRE O ANDAMENTO DAS AÇÕES. Confirmado, na fase impugnatória, que as ações judiciais encontravamse pendentes de decisão definitiva por ocasião do encerramento do período Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.093 6 fiscalizado, cumpre reconhecer o direito do contribuinte de excluir do lucro líquido, para fins de apuração lucro real, as receitas de atualização monetária dos depósitos realizados nas referidas ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. AUSÊNCIA DE BASE FÁTICA. Inexistindo prova de que os fatos que deram origem ao lançamento do IRPJ repercutiram na base de cálculo da CSLL, reputase insubsistente a exigência da referida contribuição. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. Das Resoluções: O processo chegou ao CARF e em 08/12/2016, pelo teor da Resolução nº 1301000.280, no qual a turma unanimemente entendeu que o processo não reunia condições de julgamento e determinou a conversão do julgamento em diligência, onde se formulou dez quesitos. Tais quesitos foram parcialmente respondidos, razão pela qual, em 23/03/2017, quando os autos retornaram a este CARF, foi determinada uma nova diligência, nos termos da Resolução 1301000.403, a fim de que a fiscalização procedesse no complemento das respostas. Abaixo as respostas iniciais e complementares aos quesitos "b", "e" e "f", de fls. 1725/1729 e 2085/2064: a) No anocalendário 2008, foram contabilizadas, a débito de conta de resultado, as variações monetárias passivas (juros moratórios) incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente? Resposta: De acordo com os dados disponibilizados pelo contribuinte e os documentos apresentados (Doc. 1 e Doc. 2) podemos concluir que as variações monetárias passivas (juros moratórios) incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente foram lançados a débito na conta de resultado. b) Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, essas variações monetárias passivas foram adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real? Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.094 7 Resposta: Foi salientado pelo contribuinte que esse valor teria sido adicionado na Linha 44 da Ficha 09 da DIPJ 2012, ano calendário 2011, caracterizando, assim, a postergação do pagamento do IRPJ (Doc. 3, Doc 4, Doc. 5, Doc. 6, Doc. 7, Doc. 8, Doc. 9, Doc. 10, Doc. 11 e Doc. 12). Complemento O contribuinte não adicionou o valor ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, alegando não haver previsão legal para tal procedimento. c) Qual o saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) de exercícios anteriores disponível para compensação nas seguintes datas: (i) 31/12/2008; (ii) na data do lançamento; (iii) na data da conclusão da diligência. Resposta: i. 31/12/2008: R$ 274.186.683,09 ii. Na data do lançamento: R$ 232.086.583,72 iii. Na data da conclusão da diligência: R$ 191.946.580,79 d) Qual o saldo de bases de cálculo negativas de CSLL de exercícios anteriores disponível para compensação nas seguintes datas: (i) 31/12/2008; (ii) na data do lançamento; (iii) na data da conclusão da diligência. Resposta: i. 31/12/2008: R$307.002.338,04 ii. Na data do lançamento: R$ 291.742.641,31 iii. Na data da conclusão da diligência: R$291.742.641,31 e) O saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$2.403.877,51 (linha 20 da Ficha 12A da DIPJ, fl. 22) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? Resposta: Pelo que se pode depreender do Livro de Apuração do Lucro Real o contribuinte não restituiu, não compensou ou não aproveitou de outra forma o saldo negativo de IRPJ até o momento. Complemento O saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2008 foi parcialmente compensado conforme PER/DCOMPs apresentadas em 25/06/2009, número 03490.82162.250609.1.3.027705, em 24/10/2010, número 33263.47335.241010.1.7.022367, em 01/04/2011, número 25413.03462.010411.1.3.025321, e em 31/03/2011 sob o número 20145.33973.310311.1.3.025586, totalizando R$ 2.343.223,80 (dois milhões, trezentos e quarenta e três mil, duzentos e vinte e três reais e oitenta centavos) já utilizados como compensação de tributos no período citado. Salientamos que, tais PER/DCOMPs também foram anexadas pelo contribuinte (fls. 1.999 a 2.026) em resposta à intimação desta diligência. f) O saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário 2008, no montante de R$1.036.499,55 (linha 76 da Ficha 17 da DIPJ, fl. 28) já foi restituído, compensado ou de outra forma aproveitado pela interessada? Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.095 8 Resposta: Pelo que se pode depreender do Livro de Apuração do Lucro Real o contribuinte não restituiu, não compensou ou não aproveitou de outra forma o saldo negativo de CSLL até o momento. Complemento saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário 2008 foi totalmente compensado conforme PER/DCOMP apresentada em 31/03/2011 sob o número 23948.81981.310311.1.7.038633 e anexada pelo contribuinte (páginas 2.041 a 2.048) em resposta à intimação desta diligência. g) Faça acostar aos autos cópia integral da DIPJ 2012 (anocalendário 2011). Resposta: Apresentamos a DIPJ 2012, ano calendário 2011, ativa nos sistemas da Receita Federal do Brasil, entregue em 05/09/2014, além das demais declarações entregues anteriormente, quais sejam, a declaração original cancelada, entregue em 29/06/2012, e as declarações retificadoras, também canceladas, entregues em 20/02/2013 e 31/12/2013. h) Verifique se procede a afirmação da interessada de que, na apuração do lucro real do anocalendário 2011, teria procedido à adição de R$ 11.659.397,41, correspondente a atualização monetária de depósitos judiciais de ICMS, levantados naquele ano, sendo que tais atualizações monetárias teriam sido anteriormente excluídas, no anocalendário 2008. Resposta: Na declaração original (cancelada), entregue no curso da fiscalização, dentro do prazo de entrega legal (29/06/2012), não havia a adição mencionada (DIPJ 2012 Ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral — Alínea 44. Outras Adições). O valor desta alínea está em R$ 0,00 (zero reais). O valor total das adições informado na alínea 45. Soma das Adições é de R$ 50.553.218,14. Na declaração retificadora (cancelada) entregue em 20/02/2013, portanto após o encerramento da fiscalização e com o crédito tributário já constituído, foi adicionado o valor de R$ 11.659.397,41 nesta alínea 44. Outras Adições, elevando, assim o valor da Alínea 45. Soma das Adições para R$ 62.212.615,55. A interessada entregou uma nova declaração retificadora (também cancelada) em 31/12/2013 onde alterou dados não diretamente relacionados às adições mencionadas. Por fim, entregou declaração retifícadora em 05/09/2014 (atualmente ativa) sem qualquer alteração no valor destas adições. i) Faça acostar aos autos documentos comprobatórios das respostas aos quesitos (extratos do SAPLI, cópias de livros Razão, LALUR, entre outros documentos). Resposta: Documentos acostados, conforme solicitação. j) Manifestese sobre outros pontos que considerar relevantes, acerca dos quesitos formulados. Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.096 9 Resposta: Lembramos que a DIPJ 2012 foi retificada pela primeira vez em 20/02/2013, pela segunda vez em 31/12/2013 e por fim em 05/09/2014. Portanto, todas as retificações pretendidas pelo contribuinte ocorreram após a ciência à lavratura do auto de infração que ocorreu dia 24/01/2013. A declaração original, vigente à época da lavratura do auto de infração, entregue em 29/06/2012, apresentava a Linha 44 da Ficha 09 com valor igual a 0,00 (zero reais). Dessa forma, o contribuinte não havia adicionado, ainda, essa variação monetária passiva que ora alega, pretendendo a mera ocorrência da postergação do pagamento do IRPJ. Intimados do relatório de diligência fiscal, o contribuinte apresentou suas razões às fls. 2073, destacando que a motivação original dos lançamentos fiscais diz respeito exclusivamente à suposta ausência de prova documental da exclusão do valor de R$18.566.970,28, referente à atualização de depósitos judiciais, não tendo a fiscalização investigado os efeitos fiscais das variações monetárias passivas, e muito menos considerado essa informação relevante para fins de constituição dos créditos tributários. Ademais, a própria fiscalização atestou a ocorrência da postergação (parcial) do pagamento, nos termos da Súmula CARF nº 36, de modo que o montante de R$ 10.325.765,68, referente a atualização dos depósitos judiciais efetuados a título de ICMS, devem ser reduzidos do montante total do IRPJ exigido, sob pena de tributação em duplicidade. Requer, então pela manutenção da decisão de 1a instância ou alternativamente, pelo reconhecimento da postergação do recolhimento do IRPJ da parcela de R$10.325.765,68, referente à atualização dos depósitos judiciais efetuados a título de ICMS, nos termos da Súmula CARF n. 36. Assim, recebi os autos por sorteio em 13/06/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Os autos de infração trazem exigências de IRPJ e de CSLL, relativos ao ano calendário de 2008 sob a sistemática do Lucro Real e regime de apuração anual, no valor total de R$13.396.966,52, decorrente da glosa de R$18.566.970,28 que foram tratados pelo recorrente como outras exclusões sem a documentação fiscal que a embase. Intimado a esclarecer e comprovar a exclusão, o contribuinte alegou tratarse de atualização monetária de depósitos judiciais. Porém, no entender do Fisco, a documentação apresentada seria insuficiente para identificar a situação atual nas ações judiciais relacionadas pela interessada. Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.097 10 Na impugnação, foram trazidos novos documentos, que convenceram a DRJ, que por sua vez considerou a impugnação do contribuinte procedente e cancelou o lançamento, conforme segue: [...] Muito bem. É ponto incontroverso que os juros e as atualizações monetárias decorrentes de valores depositados em juízo devem ser reconhecidos como receitas apenas por ocasião da sua disponibilidade jurídica ou econômica, configurandose esta disponibilidade na data em que o depositante é autorizado a levantar os depósitos — o que se dá, em regra, após a decisão definitiva da lide. Assim, enquanto não houver uma decisão judicial definitiva favorável ao sujeito passivo, e uma conseqüente autorização para levantamento dos depósitos, as receitas apropriadas contabilmente a titulo de juros e atualizações poderão ser excluídas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real. No caso em foco, o AuditorFiscal autuante não questionou a existência dos depósitos, nem tampouco o cálculo das atualizações. A razão da glosa prendeuse tão somente a uma suposta impossibilidade de identificar a situação das ações judiciais vinculadas aos referidos depósitos. Ora, em que pese a documentação fornecida no curso da ação fiscal não tenha sido realmente suficiente para identificar o andamento de todas as ações, os elementos que ora se encontram anexados aos autos demonstram, de forma inequívoca, que os processos judiciais referidos pelo contribuinte ainda se encontravam pendentes de decisão definitiva em 31/12/2008, data de encerramento do período sob fiscalização. Senão vejamos: […] Em face do exposto, reconheço o direito da Interessada de excluir do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o montante de R$ 18.566.970,28, relativo às receitas de atualização dos depósitos vinculados às ações judiciais acima referidas. Assim, diante do valor exonerado, houve a interposição de Recurso de Ofício. E no que tange à sua admissibilidade, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme o relator a quo, no seu entendimento, já que a matéria trata de atualização monetária sobre depósitos judiciais, seria aplicável a súmula CARF 58 : Súmula CARF nº 58: As variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, salvo se Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.098 11 demonstrado que as variações monetárias passivas incidentes sobre o tributo objeto dos depósitos não tenham sido computadas na apuração desse resultado. E assim, continuou ele: as variações monetárias ativas, no caso sob análise, devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência. Nesse sentido, em um primeiro momento, ao registrar contabilmente tais variações monetárias a crédito do resultado contábil (apuração do lucro líquido), o contribuinte agiu corretamente. No entanto, em um segundo momento, ao excluir os mesmos montantes do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, o contribuinte reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ. Prosseguindo na análise, a parte final da súmula acima transcrita traz uma exceção a essa regra. As variações monetárias ativas poderão deixar de integrar o resultado fiscal se, e somente se, as correspondentes variações monetárias passivas, incidentes sobre o tributo questionado judicialmente, não forem computadas nesse resultado. Melhor explicando: as obrigações tributárias são registradas a crédito do passivo. As variações monetárias passivas, normalmente, são igualmente registradas a crédito do passivo, e a débito de resultado, reduzindo o lucro líquido. Se o tributo é questionado judicialmente, com depósitos judiciais, esses depósitos são registrados a débito do ativo. As variações monetárias ativas, também usualmente, são registradas a débito do ativo e a crédito do resultado, aumentando o lucro líquido. Nessa situação, a influência sobre o lucro líquido é nula, visto que o aumento provocado pelas variações monetárias ativas é neutralizado pela redução provocada pelas variações monetárias passivas. Esta, repito, é a situação mais usualmente encontrada, daí porque, como regra, se exige que as variações monetárias ativas integrem o resultado do exercício. Se, por algum motivo, as variações monetárias passivas não forem computadas na apuração do resultado fiscal (lucro real), haverá um desequilíbrio ao se exigir que as variações monetárias ativas o sejam. O lucro real será majorado pelas variações monetárias ativas sem a correspondente redução pelas variações monetárias passivas. É esse desequilíbrio que se busca evitar. No caso vertente, não encontro nos autos a prova de que as variações monetárias passivas, incidentes sobre os tributos questionados e depositados judicialmente, tenham deixado de ser computadas na apuração do resultado fiscal, seja por falta de débito a conta de resultado, seja por adição ao lucro líquido. E essa seria a prova que poderia conduzir ao afastamento do lançamento do IRPJ. Observo que a deficiência probatória não pode ser imputada unicamente a uma das partes. Por um lado, o Fisco, ao glosar a exclusão das variações monetárias ativas sobre depósitos judiciais, não teve o cuidado de verificar se as variações monetárias passivas incidentes sobre os tributos questionados judicialmente impactaram o resultado fiscal. Por outro lado, a então impugnante também poderia ter trazido aos autos a comprovação de que a exclusão por ela efetuada tinha como objetivo a preservação da neutralidade em termos fiscais. Assim, determinouse a realização de duas diligências com o fim de se apurar se houve a contabilização da atualização monetária passiva sobre os tributos discutidos judicialmente, se houve adição, etc, conforme já relatado acima. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.099 12 O relatório fiscal está acostado às fls. 1725 e ss e 2058 e ss, e trouxe a informação de que as variações monetárias passivas incidentes sobre os tributos discutidos judicialmente foram lançados à débito na conta de resultado, e que esse valor teria sido adicionado na Linha 44 da Ficha 9 da DIPJ 2012/2011, caracterizando a postergação do pagamento do IRPJ, em complemento foi mencionado que não foi adicionado por não haver previsão legal para tal procedimento. O contribuinte por sua vez reitera que os efeitos das variações monetárias passivas não foi objeto da análise da fiscalização e muito menos considerados relevantes na motivação original dos lançamentos fiscais. E nessa linha, caso fossem considerados relevantes neste julgamento, como quis fazer através das diligências, implicará em evidente e indevida alteração da motivação original dos autos de infração, em afronta aos arts. 142 e 146 do CTN. Tais artigos impedem a alteração do lançamento original e vedam ajustes substanciais e materiais, e se o auto de infração foi mal lavrado deve ser ele cancelado e não refeito pela autoridade julgadora. Da análise do processo, verifico através dos termos de intimação que de fato o contribuinte nunca foi intimado a informar se o houve adição das variações monetárias passivas. Nesses termos vejo que o contribuinte tem razão. As diligências realizadas levaram em conta a Súmula 58, porém, antes disso, o fiscal deveria ter analisado tais pontos e baseado o seu lançamento na falta de adição das variações monetárias passivas, mas nada acerca deste ponto questionou. Normalmente ajustes na base de cálculo são aceitas através de documentação apresentadas posteriormente. No caso, em se aceitarmos os resultados aqui tratados aceitaríamos um erro de direito por parte da fiscalização, em que o julgador quis corrigir em sede de recurso de ofício. Cito aqui trechos do voto do acórdão 9101003.446, nesse sentido: Com efeito, o artigo 146, do CTN, impede seja alterado critério jurídico do lançamento: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A respeito do artigo 146, são as considerações de Hugo de Brito Machado: “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotada uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado” (Curso de Direito Tributário, 30ª ed., Malheiros, 2009, p. 176). Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.100 13 O Código Tributário Nacional ainda autoriza a revisão de ofício de lançamento quando há erro de fato, nos termos do artigo 149, IV, c/c artigo 145, III: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de:(...) III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Em que pese autorize a revisão do lançamento quanto ao erro de fato, o Código Tributário Nacional não autoriza a revisão do lançamento quando há – se o caso – erro de direito. A esse respeito, são as primorosas considerações de Humberto Ávila: A mudança de orientação da Administração quer com relação à prática até então adotada, quer com referência aos atos de lançamento já efetuados, só pode dizer respeito a erros de fato, nunca erros de direito. Com efeito, se a Administração, por algum motivo, entende que a legislação foi malaplicada, só pode mudar a orientação para o futuro, não para o passado, inclusive por determinação do art. 146 do Código Tributário Nacional. (Segurança Jurídica – Entre Permanência, Mudança e Realização no Direito Tributário, Malheiros, 2011, p. 458) Como também entende Ricardo Lobo Torres, reiterando a impossibilidade de revisão de lançamento por erro de direito: Enquanto o artigo 149 exclui o erro de direito dentre as causas que permitem a revisão do lançamento anterior feito contra o mesmo contribuinte, o artigo 146 proíbe a alteração do critério jurídico geral da Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia para os fatos pretéritos (O Princípio da Proteção da Confiança do Contribuinte, RFDT 06/09, dez/03) Nesse contexto, apurase que tampouco os artigos 145 e 149 legitimam a alteração de critério jurídico pela autoridade administrativa. Nesse sentido, e em respeito aos princípios do contraditório e ao da ampla defesa, o artigo 18, §3º, do Decreto nº 70.235/1972 assegura aos contribuintes o direito de nova impugnação administrativa, tratando da possibilidade de lançamento complementar. A despeito de tal previsão, não se admite a alteração do critério jurídico do lançamento anterior, em respeito ao artigo 146, do Código Tributário Nacional. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.101 14 O Decreto nº 7.574/2011 se alinha a tal diretriz legal, explicitando a possibilidade de alteração de lançamento e a necessária oportunização de contencioso desde impugnação administrativa: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. § 4º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. § 5º O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. O dispositivo do Decreto nº 7.574/2011 novamente trata de erro de fato, ao possibilitar tal alteração do lançamento por: (a) apuração incorreta da base de cálculo (inciso I, alínea a), (b) não inclusão de matéria devidamente identificada no crédito tributário (inciso I, alínea b) ou (c) fatos novos, desconhecidos pela autoridade lançadora original (inciso II). O artigo 41, portanto, está devidamente alinhado às normas do Código Tributário Nacional. O Superior Tribunal de Justiça também acena pela impossibilidade de mudança no critério jurídico de lançamento anterior, por eventual erro de direito: Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.102 15 (...) 4. Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.103 16 pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Dizse que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenha o deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) 9. In casu, restou assente na origem que: "Com relação a declaração de inexigibilidade da cobrança de IPTU progressivo relativo ao exercício de 1998, em decorrência de recadastramento, o bom direito conspira a favor dos contribuintes por duas fortes razões. Primeira, a dívida de IPTU do exercício de 1998 para com o fisco municipal se encontra quitada, subsumindose na moldura de ato jurídico perfeito e acabado, desde 13.10.1998, situação não desconstituída, até o momento, por nenhuma decisão judicial. Segunda, afigurase impossível a revisão do lançamento no ano de 2003, ao argumento de que o imóvel em 1998 teve os dados cadastrais alterados em função do Projeto de Recadastramento Predial, depois de quitada a obrigação tributária no vencimento e dentro do exercício de 1998, pelo contribuinte, por ofensa ao disposto nos artigos 145 e 149, do Código Tribunal Nacional. Considerando que a revisão do lançamento não se deu por erro de fato, mas, por erro de direito, visto que o recadastramento no imóvel foi posterior ao primeiro lançamento no ano de 1998, tendo baseado em dados corretos constantes do cadastro de imóveis do Município, estando o contribuinte notificado e tendo quitado, tempestivamente, o tributo, não se verifica justa causa para a pretensa cobrança de diferença referente a esse exercício." 10. Consectariamente, verificase que o lançamento original reportou se à área menor do imóvel objeto da tributação, por desconhecimento de sua real metragem, o que ensejou a posterior retificação dos dados cadastrais (e não o recadastramento do imóvel), hipótese que se enquadra no disposto no inciso VIII, do artigo 149, do Codex Tributário, razão pela qual se impõe a reforma do acórdão regional, ante a higidez da revisão do lançamento tributário. 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 19515.720126/201355 Acórdão n.º 1301003.630 S1C3T1 Fl. 2.104 17 (Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial nº 1130545, DJe 22/02/2011). Em sentido similar, decidiu esta Turma da CSRF pela impossibilidade de alteração do critério jurídico do lançamento (acórdãos nº 9101003.157 e 9101002.961), como também outros Colegiados deste Conselho (acórdão nº 1402002.603). Assim, no meu entendimento, o fato de através de diligências posteriores buscarse outras informações que sequer foram objeto da fiscalização, a fim de que se veja o teor da Súmula 58, alteraria o critério jurídico. O erro que o fiscal cometeu no momento do lançamento fiscal, quando apenas analisou uma parte das contabilizações é erro de direito e não de fato, não cabendo ao julgador a sua correção. Dessa forma de se NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso de Ofício, e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13821.000058/2005-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PRAZO PRESCRICIONAL NA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. EFEITO VINCULANTE EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
As decisões proferidas pelo STF na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, conforme reza o artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1002-000.531
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a prescrição como impedimento à análise do pedido de restituição e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição fiscal do contribuinte para apreciação de seu mérito.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. EFEITO VINCULANTE EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. As decisões proferidas pelo STF na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, conforme reza o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a prescrição como impedimento à análise do pedido de restituição e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição fiscal do contribuinte para apreciação de seu mérito. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 1. 00 00 58 /2 00 5- 54 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 81 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a negativa de análise do pedido de restituição, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Restituição por intermédio da qual a contribuinte pretende reconhecimento de alegado direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, concernente ao anocalendário de 1999. Por meio de despacho decisório, foi indeferido o pedido, ante constatação de transcurso do prazo prescricional previsto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN). Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que não se verificaria decurso do prazo de cinco anos para a restituição, pois tal prazo somente teria início após a homologação da declaração em que foi apurado o crédito compensável, nos termos dos artigos 150, § 4º e 156, VII, do CTN, e conforme entendimento manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao final, requer seja requer o recebimento e regular processamento de suas razões de inconformidade e que ao final seja julgado procedente seu pedido, reformando a decisão recorrida e determinando a restituição dos valores requeridos, deduzida eventual compensação com débito do exercício seguinte, se deferida. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, no acórdão n. 1440.886, de 25 de março de 2013 (efl. 49), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar nº 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 82 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 RESTITUIÇÃO. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado no pedido de restituição formalizado, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 65), no qual, apresenta os argumentos abaixo sintetizados. Preliminarmente o Recorrente defende "(...)que a R. Decisão é nula por não apreciar amplamente todas as questões opostas pela Recorrente". Diz que o Julgador "(...) se limitou a afirmar que não existiam prova nos autos, embora não tenha praticado qualquer ato tendente a produzilas!". Aduz que "(...) os autos processuais estão instruídos com cópias da Declaração do Imposto de Renda do Exercício objeto do pedido de restituição, as quais demonstram com clareza o saldo negativo objeto do pedido de restituição". No mérito, registra que "(...) protocolou em 06/06/2005, junto à ARF de Andradina, pedido de restituição dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do Ano Calendário 1999", que "a DRF de Araçatuba indeferiu tal solicitação sob o fundamento de que o direito à restituição já havia se esvaído pela PRESCRIÇÃO", que "(...)apresentou, dentro do prazo regulamentar, manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRF de Ribeirão Preto sob os fundamentos de falta de instrução devida e DECADÊNCIA de direito, ou seja, já não mais pela PRESCRIÇÃO como havia decidido a DRF de Araçatuba" e que " esta inovação é indevida e inaceitável em processo sério". Sustenta que "Até a promulgação da Lei Complementar 118/2005, o prazo para requerimento de restituição era de 5 (cinco) anos após a homologação do lançamento, fato alterado para pela citada lei para 5 (cinco) anos após o pagamento ou a declaração", que "(...) o requerimento do Recorrente foi protocolado junto à Receita Federal durante a 'vacatio legis' (...)", que "Esse é o entendimento não só do STF, mas também da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que confirmou a adoção de tal posicionamento quando exarou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012(...)", que "o entendimento estampado no parecer da PGFN considera que o prazo de 5 (cinco) anos a contar da data do pagamento é aplicado somente aos processos protocolizados após a 'vacatio legis' (...)" e que "no caso em debate, o requerimento foi protocolizado em 06 de junho de 2005, portanto, antes do início de vigência na nova legislação". Como forma de lastrear os fundamentos do Recurso Voluntário, colaciona diversos acórdãos de jurisprudência e cita escólio de doutrina. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 83 4 Conclui sua peça de defesa requerendo ao colegiado a realização de diligências para apuração dos fatos narrados e, ao final, a procedência do recurso, ou, alternativamente, a declaração da nulidade da decisão recorrida. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Registro inicialmente que a matéria relativa à nulidade por cerceamento do direito de defesa de que trata o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, arguída como "preliminar" no Recurso Voluntário e relacionada à pretensa inovação de critério jurídico no julgamento e à suposta falta de exame de todas as questões apresentadas pelo Recorrente, na verdade, confundese com o próprio mérito do recurso e, em razão disso, como tal será analisada neste Voto. Mérito Em primeiro lugar esclareço que a questão suscitada pelo Recorrente relativa a divergência na utilização dos termos "prescrição" e "decadência" pela DRJ/RPO e pela DRF/Araçatuba explicase pelo fato de decisões administrativas relacionarem a perda do prazo previsto no artigo 168 c/c 165 do CTN ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, não sendo incomum a confusão no uso desta terminologia no meio jurídico. Em razão disso, deixará ela de ser examinada neste Voto por não ter interferência direta na solução da lide. Adentrando no mérito propriamente dito, constato que o acórdão recorrido consigna como um primeiro fundamento denegatório do Recurso Voluntário o fato de o pedido de restituição encontrarse prescrito, entendendo que em 31/12/2004 já havia expirado o prazo postulatório de 5 (cinco) anos, iniciado em 01/01/2000, conforme indica o excerto seguinte: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 84 5 (...) Portanto, tendo alegado direito creditório surgido em 31/12/1999 (data da extinção do crédito tributário do IRPJ), excluindose tal dia da contagem do prazo (dia de início da contagem), o prazo para se pedir restituição e ou compensação iniciouse em 01/01/2000 e se extinguiu no dia 31/12/2004, ou seja, cinco anos após o pagamento indevido. Conseqüentemente, tendo a contribuinte apresentado o Pedido de Restituição em 06/06/2005, inferese que o seu direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório para fins de restituição ou de compensação estava extinto pelo decurso do prazo decadencial. A controvérsia apontada cingese à apreciação da preliminar de prescrição do pedido de restituição apresentado pelo recorrente em prazo superior a cinco anos, tese adotada pela Fazenda Nacional, em contraposição à tese dos dez anos (cinco + cinco) defendida pelo Superior Tribunal de Justiça para os pedidos realizados até a edição da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, anteriormente a junho de 2005. Em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC), a Corte Superior deliberou sobre o prazo prescricional das ações de repetição de indébitos tributários, em face da Lei Complementar nº 118/05 e a constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 85 6 estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como se observa, definiuse naquela assentada que a prescrição qüinqüenal não alcança situação de contribuintes que ingressaram com pedidos de restituição dos indébitos tributários antes da edição da Lei Complementar nº 118/05, reconhecendose o prazo de dez anos para o ingresso de pedidos desta natureza, a contar do fato gerador. Por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF – RICARF, este colegiado vinculase às decisões proferidas pelo STF, processadas sobre o rito do art. 543B e "C" do CPC: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Posteriormente, foi editada súmula do CARF no mesmo sentido do posicionamento firmado no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS, dotada de força vinculante aos órgãos de julgamento integrantes deste Conselho (grifos nossos): Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 86 7 homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Considerandose não mais restar dúvida quanto à fixação do prazo prescricional de 10 anos do fato gerador para ingresso com pedido de restituição oriundo de pagamento indevido ou a maior, concluise que assiste razão ao Recorrente, eis que sua solicitação foi protocolizada em 06/06/05 e tratou de indébito tributário de saldo negativo de IRPJ de período de apuração encerrado em 31/12/1999, enquadrandose, portanto, dentro do prazo estabelecido na sistemática dos cinco + cinco. Pelo exposto, afastase a prescrição do prazo como motivo impeditivo à análise do pleito do Recorrente. Outrossim, o acórdão recorrido sustentou que, mesmo que superado o óbice da prescrição, o pedido de restituição não mereceria deferimento, eis que o Recorrente não colacionou aos autos provas suficientes de seu pretenso direito, notadamente as contábeis, conforme demonstra os trechos seguintes extraídos do acórdão de Manifestação de Inconformidade: (...) Ademais, ainda que, por hipótese, fosse superada a questão relativa à decadência, cumpre observar que o crédito pretendido possui natureza de saldo negativo de IRPJ e sendo assim, esta Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Por tais termos, é essencial que aos autos venham as provas notadamente contábeis, mesmo porque se trata de contribuinte sujeita ao regime de apuração do imposto com base no lucro real, para o qual há obrigatoriedade de contabilidade regular. Dentre estas provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, a demonstração do resultado do exercício, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o saldo negativo de IRPJ declarado. No caso em tela, a recorrente fundamenta sua peça impugnatória tão somente com a Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1999 para comprovar que o alegado crédito. A par disso, cumpre observar que dos documentos juntados aos autos não se pode identificar, conforme já relatado, a disponibilidade na escrituração contábil da peticionária dos Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 87 8 valores de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1999. Embora sustentável, entendo que esse argumento do acórdão recorrido deve ser relativizado no presente caso, diante do fato de que ficou claramente demonstrado prejuízo processual à defesa a partir do momento em que o mérito recursal deixou de ser plenamente analisado pelo órgão julgador de 1ª instância sob a justificativa da prescrição, que, conforme consignado neste Voto, inocorreu. Não fosse o óbice da prescrição, é lícito supor que o órgão julgador de primeira instância teria assegurado ao Recorrente a plenitude dos meios de defesa que são próprios do devido processo legal na busca da elucidação do mérito processual, optando, por exemplo, pela realização de diligência para esclarecimento dos fatos. Isso porque, a priori e em juízo de delibação, constatase haver verossimilhança nas alegações do Recorrente, porquanto o crédito vindicado relativo a saldo negativo do anocalendário de 1999 aparentemente foi reconhecido pelo acórdão 1437.273 da 3ª Turma da DRJ/RPO, exarado em 12 de abril de 2012 e integrante dos autos do processo nº 10820.000215/200543, conforme depreendese do excerto seguinte, que consta de suas efls. 5191 (destaques do original): Compensação com saldos negativos do imposto e da contribuição A contribuinte suscita em sua impugnação a possibilidade de compensação dos valores apurados com os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, de período anterior ao revisado. Como já explicitado, esta 3ª Turma de Julgamento, mediante a Resolução nº 14957, de 18/10/2007 (fls. 418/420) encaminhou o processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de origem, para diligenciar junto ao contribuinte sobre as questões envolvida nos autos. Conforme informação fiscal (fls. 474/475), prestada pela Seção de Fiscalização da DRF/Araçatuba em atendimento à referida resolução, o autor da diligência elaborou o demonstrativo, no qual informa que no balanço de abertura, o saldo da conta do IRPJ a recuperar é de R$ R$ 7.865,77 e da CSLL R$ 2.267,51 e que, atualizados com base na Selic, em 31/12/2000 os créditos representam os valores de R$ 9.123,50 e R$ 2.630,08, respectivamente. Informou ainda: A contribuinte apresentou, em 07/03/2008, somente planilhas compostas dos seus créditos do IRPJ e CSLL, do ano de 1999, atualizada pela Selic até 31/12/2000. Pela análise da cópia do Livro Dário do ano 2000 (fls. 285 a 320), constatamos no Ativo Realizável a Curto Prazo, os seguintes valores na conta Impostos a Recuperar: (...). 1 Conforme consulta processual no sistema Decisões W, acesso em 13/11/2018. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 88 9 No período de 01/2000 a 07 2000 e de 01/2004 até 12/2006,não houve atividade operacional, de acordo com as DIPJ entregues. Em consulta às Declarações de Contribuições e Tributos Federais –DCTF e ao Sinal (consulta pagamento), constatamos que os tributos declarados foram integralmente pagos, portanto não houve compensação. Os tributos apurados no 4º trimestre de 2000 estão sendo exigidos no Auto de Infração objeto deste processo. Da análise dos elementos acima, concluímos que a contribuinte tem direito a compensar saldo negativo do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 11.479,82 em 31/12/2000, já deduzidos os tributos apurados no 4º trimestre. Ressaltese que o saldo apurado nessa informação considerou a compensação dos tributos apurados pelo contribuinte no 4º trimestre, ou seja, IRPJ no valor de R$ 171,10 e CSLL no valor de R$ 102,66, os quais embora não declarados em DCTF foram compensados pela contribuinte. Portanto, devem ser excluídos do lançamento. Cumpre observar, todavia, quanto aos valores do imposto e contribuição relativos à glosa das compensações indevidas de prejuízo e base de cálculo negativa da CSLL, por serem objeto de lançamento de ofício não podem ser compensados, conforme disposto na Instrução Normativa (IN) SRF nº 21, de 1997, art. 14: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (grifei) Vêse que o saldo negativo de IRPJ a compensar em 31/12/1999 no valor de R$ 7.865,77 consignado nos autos do processo 10820.000215/200543 corresponde ao mesmo valor declarado pelo ora Recorrente na linha 16 da ficha 13A da DIPJ/2000 do processo ora examinado (efls. 3), constituindo indicativo claro da provável justeza de seu pleito, o qual depende, entretanto, de avaliação mais detida e conclusiva, inclusive para o fim de abatimento Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13821.000058/200554 Acórdão n.º 1002000.531 S1C0T2 Fl. 89 10 do montante eventualmente compensado naquele e em outros processos de restituição/compensação eventualmente existentes em nome do contribuinte para que seja apurado o saldo efetivo de direito creditório a restituir. Nesse quadro, o direito à plena apreciação do contexto fáticoprobatório desta lide administrativa deve ser restabelecido ao Recorrente, a fim de se permitir um julgamento justo e evitarse eventual alegação ou ocorrência de cerceamento de seu direito de defesa. Dispositivo Diante do exposto voto para dar provimento parcial Recurso Voluntário, afastando a preliminar da prescrição e determinando que os autos voltem a Unidade de jurisdição fiscal do contribuinte para apreciar o mérito do pedido de restituição. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004713/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 13 /2 01 0- 02 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.109, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos da Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 10 9 na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa da Cofins que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 12 11 Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 13 12 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10920.004713/201002 Acórdão n.º 3201004.515 S3C2T1 Fl. 14 13 Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 295DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000158/2008-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando no Recurso Especial adota-se premissa equivocada acerca da situação fática do acórdão recorrido, indicando-se paradigma que, embora compatível com a premissa, não caracteriza divergência em relação ao acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que o paradigma indicado encontra-se em sintonia com o acórdão recorrido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
SALÁRIO INDIRETO. MATERIAL ESCOLAR PARA DEPENDENTES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Incabível a exclusão, do salário-de-contribuição, de valores relativos a material escolar destinados aos dependentes do segurado empregado, no que tange aos fatos geradores objeto da autuação.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Súmula CARF nº 119.
Numero da decisão: 9202-007.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto ao "kit material escolar", vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à retroatividade benigna e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pela conselheira Patrícia da Silva, com voto já proferido e consignado na reunião de 11/2018.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando no Recurso Especial adotase premissa equivocada acerca da situação fática do acórdão recorrido, indicandose paradigma que, embora compatível com a premissa, não caracteriza divergência em relação ao acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que o paradigma indicado encontrase em sintonia com o acórdão recorrido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. SALÁRIO INDIRETO. MATERIAL ESCOLAR PARA DEPENDENTES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Incabível a exclusão, do saláriodecontribuição, de valores relativos a material escolar destinados aos dependentes do segurado empregado, no que tange aos fatos geradores objeto da autuação. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 01 58 /2 00 8- 41 Fl. 4026DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Súmula CARF nº 119. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto ao "kit material escolar", vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à retroatividade benigna e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pela conselheira Patrícia da Silva, com voto já proferido e consignado na reunião de 11/2018. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2301003.228 (fls 3.559 a 3.591) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, em sessão plenária de 22 de novembro de 2012, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Fl. 4027DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.027 3 No caso deve ser compreendida, para a aplicação do artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional a totalidade da folha de salários do sujeito passivo, sendo que o lançamento é decorrente apenas em relação às diferenças encontradas, qual seja, a parte relativa aos denominados “salários indiretos”. ABONO RETORNO DE FÉRIAS Tratandose de abono previsto em Convenção Coletiva de trabalho, fundado no artigo 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, incide o disposto no item 6, do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, segundo o qual não integram o saláriode contribuição as importâncias recebidas “a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT.” Em decorrência da a extinção do citado benefício foi prevista uma indenização, a qual não atrai a incidência das contribuições previdenciárias. AUXILIOCRECHE Não incidência das contribuições previdenciárias. Aplicação do Parecer n° 2600/2008 da PGFN e Súmula 310 do Colendo Superior Tribunal de Justiça. INDENIZAÇÃO. ALTERAÇÃO DA DATABASE Não se verifica a habitualidade, já que fora um único pagamento, além do que tal valor revela natureza indezatória na medida em que os empregados, com a alteração da database em 90 dias posteriomente à data prevista, deixaram de perceber os valores que lhes seriam devidos em decorrência do contrato de trabalho. ABONO ÚNICO. Não incide contribuições previdenciárias sobre o abono único. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011. “ABONOS” PAGOS EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DE DIREITOS ASSEGURADOS EM CONVENÇÕES COLETIVAS ANTERIORES. Os valores previstos nas cláusulas 8 e 9 também não estão sujeitos ao alcance das contribuições, eis que não detêm as características da habitualidade e da retributividade, pois pagos uma única vez, além do que assumem feição nitidamente indenizatória eis que pagos em decorrência de supressão de direitos trabalhistas previstos em Convenções anteriores. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de Fl. 4028DF CARF MF 4 utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. O benefício não atinge os gastos com os dependentes do trabalhador com material escolar. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim registrada : Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em excluir do lançamento as contribuições oriundas do "abono retorno de férias", nos termos do voto do Relator; c) em excluir do lançamento as contribuições oriundas do ¿auxílio creche¿, nos termos do voto do Relator; d) em excluir do lançamento as contribuições oriundas de ¿abonos item 03, Convenção Coletiva/2006¿, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2002, anteriores a 12/2002, devido a aplicação da regra decadencial prevista no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em excluir do lançamento as contribuições oriundas de ¿indenização alteração da data base¿, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; c) em excluir do lançamento as contribuições oriundas de ¿indenização rescisão especial de contrato item 08, Convenção Coletiva/2006, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; d) em excluir do lançamento as contribuições oriundas de indenização prêmio aposentadoria item 09, Convenção Coletiva/2006, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros Fl. 4029DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.028 5 e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida em grupo, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão do kit escolar ou material escolar, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva. O contribuinte após cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário e de Ofício interpôs Embargos de Declaração, resultando no Acórdão n.º 2301003.649 julgado em sessão plenária de 18 de julho de 2013, cuja ementa, transcrevese abaixo : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, há prova de que houve individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. Embargos Acolhidos. Decisão no acórdão de embargos de declaração : Fl. 4030DF CARF MF 6 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos. em ratificar a decisão, nos termos do voto do Relator Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER E NEGAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS de modo a ratificar o dispositivo do acórdão quanto ao seguro de vida. A Fazenda Nacional devidamente cientificada dos Acórdãos de Recurso Voluntário e de Ofício n.º 2301003.228 e do Acórdão n.º 2301003.649 de Embargos de Declaração, formalizou Recurso Especial de Divergência Jurisprudencial insurgindose quanto as seguintes matérias : a) Decadência b) Abono c) Multa No Despacho n.º 2300294/2014 de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional (folhas 3.681 a 3.690), o Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção proferiu a seguinte decisão : a) Quanto a matéria decadência Negou Seguimento; b) Quanto ao Abono Deu Seguimento; c) Quanto as multas Deu Seguimento. Conforme previa à época o art. 71 do RICARF, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, recepcionou o Recurso Especial para reexame (folhas 3.691 a 3.692), proferindo a decisão consubstanciada abaixo : Assim, decido por manter o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial em relação as primeira e segunda divergências. Observase claramente que houve um erro, pois ao afirmar que decidiria por manter o despacho do Presidente da Câmara, o correto seria negar seguimento apenas em relação a primeira divergência. Devidamente cientificada em 09/01/2015 (folha 3.693), a Fazenda Nacional retornou o processo ao CARF comunicando que efetuaria a devolução sem manifestação. Em 25/03/2015, através de intimação eletrônica, o Sujeito Passivo foi cientificado dos seguinte documentos : § Acórdão de Embargos nº 2301003.649 / 2013 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / CARF; § Recurso Especial da Fazenda Nacional; § Despacho de Exame de Admissibilidade da Fazenda Nacional; e § Despacho de Reexame de Admissibilidade da Fazenda Nacional . Fl. 4031DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.029 7 Em 09 de abril de 2015, o contribuinte protocolou Recurso Especial, insurgindose, em síntese quanto as seguintes matérias : a) arts. 142 e 146 do CTN e art. 18 do Decreto n.º 70.235 quando inova na fundamentação do lançamento; b) individualização do montante que beneficia cada um dos empregados de seguro de vida pago pela empresa; c) desconsideração de prova contida nos autos; d) adequação da rubrica kit material escolar ao conceito de salário contribuição; Ainda em 09 de abril, o contribuinte protocoliza contrarrazões ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (folhas 3.810 a 3.822). Em 30 de junho de 2015, o Presidente da 2ª Seção do Carf acolhe despacho de correção processual (folhas 3.879 a 3.884), onde decide pela necessidade de reexame do despacho que deu seguimento parcial a recurso especial da procuradoria. Por sua vez, em 17 de agosto de 2015 as folhas 3.885 a 3.887, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em despacho de REEXAME do Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial decide reformar o despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da Câmara em 12 de maio de 2014, para DAR SEGUIMENTO TOTAL, ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, ficando assim decidido as matérias apontadas como divergentes pela PGFN : a) Quanto a matéria decadência Deu Seguimento; b) Quanto ao Abono Deu Seguimento; c) Quanto as multas Deu Seguimento. No despacho de encaminhamento ficou consignado : Encaminhese à unidade de origem da RFB para cientificar o sujeito passivo do Acórdão nº 2301003.649, do Recurso Especial interposto pela PGFN, do despacho de exame de admissibilidade e do presente despacho de reexame, assegurandolhe o prazo de quinze dias para oferecer contrarrazões e interpor Recurso Especial relativamente à parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Após, retornem os autos ao CARF para prosseguimento. Cientificado eletronicamente em 03 de setembro de 2015, o contribuinte protocolizou em 17 de setembro de 2015 manifestação (folhas 3.893 a 3.901) discordando quanto a validade do despacho de REEXAME do Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial de 17/08/2015, que decidiu reformar o despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da Câmara em 12 de maio de 2014, Ao final da sua manifestação, requer : Fl. 4032DF CARF MF 8 1 que seja cancelado o despacho do dia 17/08/2015, mantendose integralmente a decisão proferida no dia 12/05/2014 pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que realizou a reanálise da admissibilidade do recurso especial protocolado pela União a qual manteve a decisão proferida pelo Presidente da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF. 2 que seja sanado o erro material constante no qual incorreu a decisão proferida no dia 12/05/2014 pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais de modo que, onde se lê "assim decido por manter o despacho do Presidente da Câmara que negou seguimento ao recurso especial em relação às primeira e segunda divergências", leiase : assim decido por manter o despacho do Presidente da Câmara que negou seguimento ao recurso especial em relação à primeira divergência", de modo que restarão perfeitas as contrarrazões ao Resp da União protocoladas pela ora recorrida em 09/04/2015, bem como o Resp administrativo aviado pelo contribuinte na mesma data; 3 que, caso o despacho proferido no dia 17/08/2015 não seja cancelado, seja reaberto o prazo para o contribuinte oferecer contrarrazões e interpor Resp relativamente a parte do acórdão que lhe foi desfavorável. O pedido formulado pelo contribuinte às fls. 3893/3901 não foi apreciado em qualquer momento! O REsp do contribuinte alcança as seguintes matérias: Da divergência quanto a inovação do lançamento no que tange ao seguro de vida em grupo – para a qual foi dado seguimento (b) Da divergência quanto a aplicação da legislação com base em Parecer da PGFN e não na lei, para a qual foi dado seguimento; (c) Da divergência por desconsiderar que a prova contida nos autos de que os Acordos Coletivos da Recorrente não individualiza os valores do seguro de vida em grupo – para qual foi NEGADO seguimento (d) Da divergência quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas sob a rubrica "kit escolar", para a qual foi dado seguimento. Tendo em vista a negativa de seguimento ao item c. Da divergência por desconsiderar que a prova contida nos autos de que os Acordos Coletivos da Recorrente não individualiza os valores do seguro de vida em grupo, o Contribuinte apresentou AGRAVO, pois referida apreciação da prova teria sido incompleta. Uma vez que o acórdão não afirmou a inexistência de individualização, em razão da pessoa do empregado e do valor a ser recebido por ele especificamente, contentandose com a menção da indexação genérica ao salário (trinta vezes o respectivo salário). O AGRAVO foi rejeitado e, intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando por não conhecimento do Recurso por alegada similitude fática e, no mérito, e que, como os conceitos de salário para fins trabalhistas e tributários não são necessariamente idênticos, despesas com material escolar constituem remuneração indireta, devendo ser desprovido o recurso. É o relatório. Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.030 9 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Primeiramente, analisarei o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, assim, passo a á análise dos Requisitos de Admissibilidade: Em litígio: i) aplicar ao caso o art. 150, § 4.º do CTN e, assim, excluir do lançamento todos os valores anteriores a dez/2002; ii) contribuições previdenciárias incidentes sobre o seguro de vida em grupo e auxílio para aquisição de material escolar; iii) sobre as parcelas mantidas, autorizar a redução da multa de mora. a) Decadência Apesar de tempestivo, entendo irrepreensíveis as considerações acerca da inexistência de similitude fática no que tange à matéria, decadência, constante do primeiro exame de admissibilidade, reafirmado no reexame de admissibilidade, de modo que trago à colação, literis: Segundo a Fazenda Nacional, a decisão recorrida diverge do paradigma que apresenta em relação à contagem do prazo decadencial. Segue abaixo sua ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2004 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AFERIÇÃO INDIRETA VALORES “EXTRA FOLHA” DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO – NÃO DEMONSTRAÇÃO NULIDADE DO LEVANTAMENTO – PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA. 15 DIAS. PEREMPTÓRIO. NÃO CERCEAMENTO DE DEFESA. – DOCUMENTAÇÃO DISPONIBILIZADA PELO JUÍZO. NÃO OCORRÊNCIA DE ILICITUDE. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. Fl. 4034DF CARF MF 10 O prazo para apresentação de defesa é peremptório, não podendo ser dilatado pela autoridade administrativa. Não há cerceamento de defesa quando a autoridade aplica a lei. Não há ilicitude se a documentação foi regularmente disponibilizada à fiscalização pelo juiz de direito. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, invertendo neste caso o ónus da prova A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 43 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: "Súmula Vinculante n° 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Tratandose de lançamento consubstanciado em indicativo de ilícito de sonegação de contribuição previdenciária, tendo sido inclusive realizada representação Fiscal para Fins Penais, aplicável para determinação do prazo atingido pela decadência qüinqüenal o art. 173 do CIN. Assim, encontramse decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO ÓNUS DA PROVA VICIO MATERIAL. Deveria a autoridade fiscal ter descrito de forma mais pormenorizada os requisitos ensejadores do vinculo de emprego e não apenas descrever que os pagamentos eram contabilizados na FOPAG razão porque não há como manter o levantamento 09A. O ônus de provar a existência dos pressupostos da relação de emprego por serviços prestados à notificada é da autoridade lançadora. A ausência da plena demonstração da ocorrência do fato gerador representa vicio na motivação do ato do lançamento, configurando sua nulidade. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.”(Acórdão 2401 00.210) Afirma que, apenas pela ementa do paradigma colacionada acima, fica clara a divergência apontada. Tratando de matéria geral, afeta ao prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, diante de casos nos quais se vislumbrou a existência de recolhimentos, os acórdãos confrontados, contudo, Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.031 11 externaram conclusões diversas sobre a interpretação e aplicação da norma jurídica. Enquanto o acórdão recorrido aplicou do artigo 150, § 4º, do CTN, afirmando ter constatado a existência de recolhimentos, o acórdão paradigma aplicou o artigo 173, inciso I, do CTN por entender que, diante da ocorrência apenas em tese do ilícito tipificado no art. 337A do Código Penal, ou seja, de sonegação de contribuição previdenciária, seria aquela norma jurídica que deveria incidir para a contagem do prazo decadencial independentemente da existência de recolhimento ou não. Conclui, portanto, ter restado configurado o dissídio jurisprudencial na hipótese vertente, porquanto, o acórdão posto em cotejo decidiu de forma completamente diversa quanto à norma aplicável na contagem do prazo decadencial, quando configurado crime de sonegação de contribuição previdenciária. Mediante análise dos autos, não vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendo que não está configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. Em que pesem as argumentações da recorrente acerca dos indícios nos autos de que o contribuinte teria praticado, em tese, a conduta tipificada no Código Penal como sonegação de contribuição previdenciária, o acórdão recorrido não analisou tal situação. De fato, o acórdão recorrido avalia a decadência dos tributos lançados por homologação em caso de pagamento antecipado, concluindo pela aplicação deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Já o paradigma, concluiu pela aplicação do art. 173, I do CTN em se tratando de lançamento consubstanciado em indicativo de ilícito de sonegação de contribuição previdenciária, tendo sido inclusive realizada representação Fiscal para Fins Penais. Dessa feita, NÃO CONHEÇO ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação à primeira divergência indicada. b) Abono Segundo a Fazenda Nacional, apresenta o acórdão n.º 2404.002.500, na parte em que determinou fossem excluídos da NFLD os valores de contribuição previdenciária calculados sobre o abono retorno de férias. A Fazenda Nacional alega que o abono de retorno de férias teria natureza salarial porque é pago no bojo do contrato de trabalho e ainda é fixado em percentual vinculado ao salário. Fl. 4036DF CARF MF 12 Contido, a Fazenda traz situação fática diversa, qual seja, abono único. As razões recursais limitamse a sustentar a tributação do abono único antecipação salarial e não o abono de retorno de férias, pago para premiar os empregados assíduos ao trabalho. O abono de férias é previsto no art. 144 da CLT e sua não tributação é garantida pelo art. 28, § 9, alínea"e", item 6 da Lei 8.212/91; enquanto o abono único é constante do mesmo artigo 28, porém no item 7. Assim, voto por não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria ABONO. Restando portanto, o Recurso Especial da Fazenda Nacional tãosomente conhecido quanto à multa. Mérito do Recurso Especial da Fazenda Nacional Assim, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional somente no que tange à MULTA: Quanto à multa, este CARF já sumulou a questão da aplicabilidade da retroatividade benigna, de acordo com o verbete 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 Assim, com relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, conheço tão somente o questionamento sobre MULTA, e doulhe provimento para aplicar a Súmula CARF 119. Do Recurso Especial do Contribuinte Entendo presentes todos os pressupostos de admissibilidade quanto às matérias a) Seguro de vida e b) auxílio para aquisição de material escolar. a) Seguro de Vida A Notificação Fiscal fundamentase na suposta "não previsão do seguro de vida em grupo" nos acordos e convenções coletivas de trabalho, razão pela qual considerouse que os valores pagos a este título foram tidos como remuneração. Entretanto, o Contribuinte trouxe aos autos comprovação de que os seguro de vida em grupo era de conhecimento de todos os empregados (Fls 1727 e ss) , e não tinha qualquer vinculação com contrapresação pelo trabalho. Dessarte, o acórdão recorrido, alterou a fundamentação do auto de infração justificando a manutenção da autuação por haver distinção entre os valores pagos por Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.032 13 empregados. A inovação da motivação do lançamento, ofende o disposto no art. 142 do CTN, uma vez que o lançamento de débitos é atividade da autoridade fiscal e desrespeita o art. 146 da lex. Entendo assim insubisistente o lançamento, pois eivado de vício material. b) Kit escolar De acordo com as informações contidas nos autos, destaco o seguinte trecho: O fundamento da autuação reside na ausência de norma de isenção que contemple a aludida parcela. O caso, contudo, é de não incidência da contribuição previdenciária (razão pela qual se afigura desnecessária e até mesmo incabível a existência de isenção), tendo em vista que o Kit escolar e o material escolar não se enquadram no conceito de rendimento do trabalho dada a sua natureza não remuneratória e assistencial e, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Deveras, o auxílio material escolar possui caráter nitidamente assistencial, suprindo necessidades do empregado relacionadas à educação e que por isso, de acordo com a Constituição Federal, deveriam ser satisfeitas pelo próprio estado, a quem cabe, portanto, estimular as empresas que optem pela concessão de tais benefícios (e não penalizálas coma imposição de um ônus adicional, como é a sujeição da verba à incidência de contribuições previdenciárias). Não se configura contraprestação por serviço prestado, nem ganho financeiro, em pagamento habitual, atendendo, claramente o disposto no art 458, § 2.º da CLT: "não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ...II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático." Assim, sobre o Recurso Especial do Contribuinte, conheço e DOU PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordei do voto da Ilustre Conselheira Relatora apenas no que tange ao Recurso Especial da Contribuinte, especificamente quanto ao conhecimento da matéria "seguro de vida em grupo" e quanto ao mérito da matéria "kit material escolar". Fl. 4038DF CARF MF 14 Quanto ao primeiro ponto, reitero o voto proferido quando da apreciação do processo nº 15504.000187/200811, de minha relatoria, que trata das obrigações acessórias correlatas, e passo a expor as razões de decidir pelo não conhecimento da matéria "seguro de vida em grupo". Dita matéria figurou no Despacho de Admissibilidade (fls. 3.935 a 3.958) conforme os seguintes tópicos: inovação do lançamento no que tange ao seguro de vida em grupo; e aplicação da legislação com base em Parecer da PGFN e não na lei. Antes de proceder à análise dos paradigmas, ressaltase que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, devidas a interpretação divergente da legislação tributária. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigmas, a ver se haveria similitude entre elas. Quanto ao primeiro tópico inovação do lançamento no que tange ao seguro de vida em grupo verificase que a situação fática do recorrido não se assemelha à dos paradigmas, de sorte que a divergência jurisprudencial não restou comprovada, conforme será demonstrado. No caso do acórdão recorrido nº 2301003.228 (fls. 3.559 a 3.591), em relação à matéria ora analisada, o voto vencedor assim registra: "Estando no campo de incidência, foi instituída uma isenção por meio da norma do art. 214, §9º, inciso XXV do Regulamento da Previdência Social(RPS): Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Portanto, são requisitos da isenção: previsão em acordo coletivo e estar disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro em vida em grupo temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 04/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a Fl. 4039DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.033 15 incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: (...) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremolas para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, quando tratamos de contribuição previdenciária incidente sobre seguro de vida em grupo, consideraremos que o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, não integra a base de cálculo da contribuição. Não há prova nos autos de que o seguro de vida não tenha individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, o que impede de aplicarmos o conteúdo do Parecer da PGFN. Não sendo cumprido tal requisito e não constando o seguro de vida em acordo coletivo em todo o período, revelase correta a inclusão de tais pagamentos na base de cálculo da contribuição previdenciária." (grifei) Assim, no caso do acórdão recorrido, não obstante o voto vencedor ter considerado o Parecer PGFN/CRJ/nº 2.119/2011, este não pôde ser aplicado. Diante da impossibilidade de aplicação do parecer favoravelmente à Contribuinte e considerando a ausência de previsão do seguro de vida em acordo ou convenção coletiva de trabalho, foi mantida a tributação desta verba. O Acórdão de Embargos nº 2301003.649 (fls. 3.613 a 3.616), proferido em função de aclaratórios opostos pela própria Contribuinte, torna ainda mais claro o posicionamento do Redator Designado para essa matéria. Confirase a respectiva ementa: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. Fl. 4040DF CARF MF 16 SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, há prova de que houve individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. Embargos Acolhidos." (grifei) Assim, de plano percebese que a Contribuinte partiu de uma premissa equivocada, qual seja, a de que os acórdãos recorridos teriam reconhecido a previsão do seguro de vida em acordo coletivo e teriam mantido o lançamento com base em fundamento diverso daquele utilizado no Relatório Fiscal. Confirase o que consta de seu Recurso Especial (fls. 3.706 a 3.732): "Portanto, o fundamento da autuação para fazer incidir a contribuição previdenciária sobre o seguro de vida em grupo custeado pela Recorrente em favor de seus empregados era a ausência de previsão deste benefício em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Ao longo das suas defesas a Recorrente provou não só que tais acordos existem, como também que, independentemente disto, todos os seus empregados da Recorrente tinham conhecimento do benefício em testilha e com ele anuíram por meio de outros documentos (os quais estão juntados no doc. 07 da Impugnação). O acórdão recorrido, ao julgar os Embargos de Declaração, apesar de reconhecer a existência dos Acordos Coletivos que preveem o pagamento do seguro de vida em grupo no presente caso, continuou mantendo tais valores no cômputo das contribuições previdenciárias, sob o fundamento de que neles foi feita distinção de valores por empregados e isto, a seu ver, seria causa de incidência das contribuições. (...) Ambos os acórdãos adotam como razões de decidir o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, segundo o qual somente serão excluídos do salário de contribuição os valores de seguro de vida em grupo que não individualizar o montante que beneficia a casa um dos empregados segurados. E neste ponto é fácil perceber que os acórdãos inovam na fundamentação do lançamento, afinal, o argumento usado pelo Fl. 4041DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.034 17 fiscal para justificar a autuação era da inexistência dos Acordos Coletivos e quando a Recorrente prova a existência dos mesmos, o acórdão ao invés de anular o lançamento, acaba por trazer ao feito novos argumentos nunca antes levantados neste processo. Neste ponto fica claro que os Julgadores alteraram a motivação do lançamento, e nisto colide frontalmente com os arts. 142 do CTN segundo o qual o lançamento é atividade exclusiva e obrigatória da fiscalização, a quem compete determinar o fato tributável, verbis: (...) O dispositivo não concede a qualquer autoridade julgadora (seja administrativa ou judicial) o poder de alterar a fundamentação do lançamento para “salvar o auto de infração”. Deparandose os julgadores com um fundamento que não é válido para sustentar o lançamento, isto é, com alguma inconsistência na constituição do crédito tributário, deve ele declarar a inexigibilidade do lançamento e cancelar todos os débitos nele consubstanciados e relacionados a esta causa de invalidade, mas não pode jamais tentar salvar a validade do ato por meio de alteração das premissas fixadas pela autoridade lançadora, como está a ocorrer in casu." (grifei) A adoção de premissa equivocada resta clara, já que, conforme comprovam os trechos reproduzidos no presente voto, extraídos do Acórdão de Recurso de Ofício e Voluntário recorrido, o Redator manteve o fundamento da autuação, qual seja, ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho, já que não foi possível aplicar o Parecer da PGFN, por não haver prova de que o seguro de vida não individualizava o montante que beneficiava cada um dos empregados, hipótese esta aventada apenas em benefício da Contribuinte. No Acórdão de Embargos esse posicionamento fica ainda mais claro, já que o Redator enfatiza que as provas colacionadas mais o convenceram acerca da individualização dos valores por empregado, o que confirmava a impossibilidade de aplicação do ato da PGFN. Portanto, ficou claro nos acórdãos recorridos, que, caso houvesse a prova do cumprimento do requisito da não individualização do seguro por empregado, o Redator, em nome da eficiência, abriria mão do requisito representado pela necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Para demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, a Contribuinte indicou os Acórdãos nºs 2102002.609 e 9303001.690, que, ao contrário do acórdão recorrido, efetivamente tratam de casos de inovação da motivação do lançamento. Confirase: Paradigma Acórdão 2102002.609 Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Fl. 4042DF CARF MF 18 Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido. Quando o contribuinte comprovou nos autos que ofereceu à tributação rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício deixou de existir a motivação indicada no lançamento para a glosa da dedução de Livro Caixa e nesta conformidade o lançamento não pode prosperar. INOVAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO COMPLEMENTAR Na ocorrência da inovação da motivação do lançamento fazse necessária a lavratura do Auto de Infração ou da Notificação de Lançamento complementar, conforme rito previsto no §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Embargos Acolhidos Decisão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que deuse provimento ao recurso, por entender que suprida a falta indicada no lançamento não pode prosperar a infração imputada ao contribuinte e também porque não é possível a alteração da motivação do lançamento, sem a devida lavratura da Notificação de Lançamento Complementar. Paradigma Acórdão 9303001.690 Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. Fl. 4043DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.035 19 AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. (destaques do Contribuinte) A leitura dos excertos colacionados permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorridos e paradigmas não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim da diversidade de situações fáticas. Nos paradigmas, constatouse que a motivação do lançamento apontada pela autoridade fiscal não se sustentava, daí aventouse nova fundamentação para a manutenção do lançamento, o que de forma alguma se verificou no caso do acórdão recorrido. Com efeito, nos votos condutores dos acórdãos recorridos, após aventarse hipótese que poderia beneficiar a Contribuinte (ato da PGFN), concluiuse que, não havendo provas que dessem suporte à aplicação desta hipótese, a exigência teria de ser mantida pela motivação utilizada pela autoridade fiscal, quando do lançamento (ausência de previsão do seguro de vida em acordo ou convenção coletiva de trabalho). Assim, não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, de sorte que o primeiro tópico inovação do lançamento no que tange ao seguro de vida em grupo não pode ser conhecido. Quanto ao segundo tópico aplicação da legislação com base em Parecer da PGFN e não na lei analisandose o inteiro teor do paradigma indicado pela Contribuinte Acórdão nº 230200.922 verificase que, longe de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, dito julgado encontrase em perfeita harmonia com os acórdãos recorridos. Confirase o paradigma: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Fl. 4044DF CARF MF 20 SEGURO DE VIDA EM GRUPO — PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Voto A previsão para exclusão da base de cálculo da parcela referente ao prêmio de seguro de vida em grupo somente surgiu no ordenamento jurídico com a publicação do Decreto n ° 3.265, publicado no DOU em 30 de novembro de 1999, que acrescentou o inciso XXV ao § 9° do art. 214 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: (...) Para os fatos geradores ocorridos posteriormente à publicação do Decreto n ° 3.265/1999 é necessária, para que não haja incidência das contribuições previdenciárias, a previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho e a extensão à totalidade dos empregados e dirigentes. (...) Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No presente caso, o prêmio de seguro de vida em grupo não foi previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho." (grifei) Destarte, constatase que, tal como no acórdão recorrido, no paradigma o entendimento é no sentido de que é devida a tributação sobre a verba paga a título de seguro de vida em grupo, quando este não está previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Assim, longe de caracterizarem divergência, os julgados encontramse em perfeita sintonia. O fato de terem chegado a soluções diversas não decorreu de divergência e sim da diversidade dos respectivos conjuntos probatórios, cabendo frisar que, no tocante ao conjunto probatório, cada processo constitui um universo específico. Assim, tendo a Contribuinte indicado paradigma que, longe de demonstrar divergência, harmonizase com a decisão recorrida, não restou caracterizada a alegada divergência jurisprudencial, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte quanto ao segundo tópico aplicação da legislação com base em Parecer da PGFN e não na lei . Fl. 4045DF CARF MF Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 9202007.488 CSRFT2 Fl. 4.036 21 Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, somente em relação à incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a rubrica "kit material escolar" e sobre esta passo a manifestarme no mérito. Quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias sobre a rubrica "kit material escolar", esclareçase, de plano, que a exigência em questão diz respeito às competências de 1º/01/1999 a 31/12/2006. Nesse passo, o art. 144 do CTN (Lei nº 5.172, de 1966), assim estabelece: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Destarte, a lei vigente à época do fato gerador, portanto aplicável ao caso em tela, é a Lei nº 8.212, de 1991, que assim estabelecia, à época: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa[...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.” (grifei) Nesse passo, para que os valores pagos a título de Auxílio Educação não integrassem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, a empresa deveria atender a alguns requisitos. Ademais, a interpretação do caso concreto deve ser objetiva, nos limites da legislação específica, ou seja, os pressupostos legais para concessão de tal benefício devem ser observados, a teor do art. 111 do CTN: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; Fl. 4046DF CARF MF 22 III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Com efeito, a leitura do dispositivo legal acima negritado (art. 28, I, § 9º, "t", da Lei nº 8.212, de 1991) não autoriza a conclusão de que estariam albergados pela isenção os valores relativos a material escolar destinados aos dependentes dos empregados ou contribuintes individuais, de sorte que ditos valores integram o saláriodecontribuição. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, somente em relação ao "kit material escolar", e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, acompanho a Relatora, no sentido de conhecer parcialmente, apenas quanto à retroatividade benigna e, na parte conhecida, darlhe provimento para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 4047DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000589/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°. do CTN.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de constituição definitiva do crédito tributário. Neste sentido, estando suspensa a exigibilidade do crédito em decorrência da interposição tempestiva de impugnação, não há que se falar em prescrição intercorrente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Na inexistência de comprovação contrária à omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, há que se manter inalterado o lançamento, independente de o sujeito passivo alegar falta de intenção de sonegar imposto.
Numero da decisão: 2202-004.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°. do CTN. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de constituição definitiva do crédito tributário. Neste sentido, estando suspensa a exigibilidade do crédito em decorrência da interposição tempestiva de impugnação, não há que se falar em prescrição intercorrente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na inexistência de comprovação contrária à omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, há que se manter inalterado o lançamento, independente de o sujeito passivo alegar falta de intenção de sonegar imposto.
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RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°. do CTN. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de constituição definitiva do crédito tributário. Neste sentido, estando suspensa a exigibilidade do crédito em decorrência da interposição tempestiva de impugnação, não há que se falar em prescrição intercorrente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na inexistência de comprovação contrária à omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, há que se manter inalterado o lançamento, independente de o sujeito passivo alegar falta de intenção de sonegar imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 05 89 /2 01 0- 97 Fl. 156DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0647.695, proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) que julgou improcedente a impugnação, mantendo a cobrança do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 05 a 11, referente ao exercício de 2009, exigese do contribuinte R$ 17.748,51 de imposto suplementar com R$ 13.311,38 de multa de ofício de 75% e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05 a 08, foi apurada omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda e do Banco do Brasil, nos respectivos valores de R$ 330,56 e de R$ 64.214,93, com R$ 1.926,44 de IRRF, além das glosas de R$ 1.655,00 com dependente e de R$ 29.732,06 de despesas médicas, por falta de comprovação, uma vez que o autuado não teria atendido à intimação. Cientificado do lançamento, em 08/01/2010 fl. 47, o contribuinte apresentou, em processo aberto em 25/01/2010, a manifestação de fls. 03 e 04, instruída com os documentos de fls. 05 a 37, acatada como tempestiva pelo órgão de origem – fl. 52. Informa que foi induzido a declarar como isentos os rendimentos recebidos do Banco do Brasil, uma vez que “não houve informações claras e objetivas tanto do Banco como da própria Receita Federal”. Solicita informação sobre o motivo de glosa das despesas declaradas, afirmando não ter sido chamado para “tratar do ASSUNTO” . Alega que não conseguiu efetuar declaração retificadora e finaliza pedindo a revisão do lançamento porque não teria lhe sido dado o direito de defesa. Foram acostados aos autos os documentos de fls. 54 a 63 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.000589/201097 Acórdão n.º 2202004.886 S2C2T2 Fl. 157 3 Ao ser intimado, em 03/02/2013 fls. 65 e 66, a apresentar os comprovantes das despesas médicas, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 68 a 97. À fl. 99 consta a intimação de 2009 para apresentação dos comprovantes de rendimentos e de despesas declaradas no ajuste anual referente ao anocalendário de 2008. Foi lavrado Termo Circunstanciado, fls. 103 a 105, que acatou somente a dedução com dependentes e R$ 3.433,08 de despesas médicas. A omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil foi apurada com a dedução de R$ 3.926,60 de honorários advocatícios e mantida a omissão de R$ 330,56 recebidos do Ministério da Fazenda decorrente da diferença entre o valor declarado e o informado pela fonte pagadora em DIRF. O lançamento foi alterado para imposto suplementar de R$ 16.398,05, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. À fl. 106 consta Despacho Decisório acolhendo a proposta do Termo Circunstanciado. Cientificado da revisão de ofício, o contribuinte apresentou manifestação, de fls. 112 a 125, onde alega que: · nunca se recusou a prestar informações ao Fisco, o que comprovaria a sua boafé; · já forneceu a documentação para comprovar a regularidade da sua declaração de ajuste; · não houve omissão de rendimentos porque os rendimentos foram declarados como rendimentos não tributáveis e não lhe foi dada oportunidade de retificar as informações prestadas “quando esta Secretaria questionou a existência de diferenças (percentuais), no tocante ao imposto de renda (IR) retido na fonte sobre o montante de R$ 64.214,93”; · alguns documentos foram perdidos devido ao lapso temporal de aproximadamente 5 anos entre o ano de 2008 e a “última Notificação remetida por esta Secretaria” solicitando a documentação relativa às despesas dos anoscalendário 2008 a 2011; · o “aludido auditor informalmente (via telefone) asseverou que fosse desconsiderada a Notificação (ano calendário 2008)”; · discorda do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, solicitando o reexame do caso e a exclusão da exigência; · o percentual da multa de ofício é desproporcional, ilegal e abusivo, porque os rendimentos decorrentes de ação judicial tiveram retenção de IR na fonte e a exigência de Fl. 158DF CARF MF 4 mais tributo caracterizaria “bitributação e enriquecimento sem causa estatal”; · a retenção de IR na fonte sobre os rendimentos recebidos judicialmente, demonstraria sua boa fé ao informálos como isentos no ajuste anual; · em decorrência da ausência de máfé, “não merece prosperar a aplicação da multa e respectiva exigência”; · não houve omissão de rendimentos e a manutenção da exigência caracterizaria “enriquecimento sem causa dos cofres públicos”; Ao final, requer “o envio do processo administrativo às instâncias superiores, em especial à Delegacia de Julgamento, ao Conselho de Contribuinte ou outro órgão para julgamento da matéria, objeto da lide”. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/CTA. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. CONDIÇÕES. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes, são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES INFORMADOS EM DIRF. São tributáveis os rendimentos informados em DIRF pela fonte pagadora, caso o contribuinte não consiga demonstrar que tal omissão não ocorreu. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DEMANDA JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos recebidos por meio de demanda judicial e não abrangidos pelas hipóteses legais de isenção de IR estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento, devendo ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, caso não provado o seu enquadramento em rendimentos de tributação exclusiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na inexistência de comprovação contrária à omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, há que se manter inalterado o lançamento, independente de o sujeito passivo alegar falta de intenção de sonegar imposto. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.000589/201097 Acórdão n.º 2202004.886 S2C2T2 Fl. 158 5 PERDA DE ESPONTANEIDADE. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE RETIFICADORA IMPOSSIBILIDADE. O início do procedimento fiscal caracteriza a perda de espontaneidade e impede a apresentação de declaração de ajuste retificadora. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Quando verificado o descumprimento da legislação tributária, ocasionando falta de pagamento do imposto, correta a cobrança de multa de ofício no percentual legalmente determinado de 75%. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/01/2014 (fls. 159), alegando que: está sendo penalizado indevidamente haja vista que ora nenhuma teve a intenção de infringir as normas vigentes; discorda dos valores elencados no demonstrativo de débito, por entender exorbitantes e prescritos uma vez que já se passaram mais de cinco anos. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela tomo conhecimento. Da Preliminar de Decadência/Prescrição Verificase que o contribuinte não alegou a ocorrência da decadência, em sua impugnação inicial, efls. 04/05 e 119/121, não tendo sido objeto de análise pelo juizo a quo, contudo por se tratar de matéria de ordem pública, conheço de ofício a preliminar suscitada. Quanto à suposta decadência, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Fl. 160DF CARF MF 6 ''Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...) (acórdão n°2402005.594; 19/01/2017) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 (...) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGA ÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF n° 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173,1, do CTN. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4o), esclarecendose que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo n° 10980.725701/201183,1a Turma Especial da 2a Seção do CARF, julgado em 18/02/2014) Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.000589/201097 Acórdão n.º 2202004.886 S2C2T2 Fl. 159 7 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda , havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial contase nos termos do §4o do art. 150 do CTN, que assim dispõe: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Destarte, é primordial verificar a existência ou não de pagamento a fim de ser fixada qual das duas regras será utilizada para a determinação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. No presente caso, constatase que existiu o pagamento de IRRF, conforme consta do Termo Circunstanciado (efls. 104/106). É de se ressaltar que a retenção efetuada pela fonte pagadora é considerada antecipação de pagamento do imposto de renda, o que traz como consequência a utilização da regra da contagem do prazo decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN. Desse modo, no caso em apreço, como houve antecipação do imposto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase em 31 de dezembro de 2008 e o termo final em 31/12/2013, conforme regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, citado acima. O lançamento tributário só se considera definitivamente constituído após a ciência (notificação) do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 145 do CTN), que no presente caso ocorreu em 08/01/2010, não se sujeitando então ao instituto da decadência. Ressaltese ainda que nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de constituição definitiva do crédito tributário. Neste sentido, estando suspensa a exigibilidade do crédito em decorrência da interposição tempestiva de impugnação, não há que se falar em prescrição intercorrente. Fl. 162DF CARF MF 8 Tal entendimento já está consolidado no âmbito do CARF, por meio da Súmula CARF n. 11, a qual tem efeito vinculante a esta Turma de Julgamento, in verbis: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Intenção do Contribuinte Neste ponto, concordo com a decisão do julgador a quo, que adoto como razões de decidir: Em relação à alegação de falta de intenção de lesar o fisco ou de agir de maneira contrária à legislação, cabe esclarecer que o art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, dispõe ser a responsabilidade por infrações independente da intenção do agente, e que o art. 3º do Decretolei n.º 4.657, de 04 de setembro de 1942, Lei de Introdução ao Código Civil, veda que seja utilizado como justificativa para o descumprimento da lei o fato de desconhecêla: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão de seus efeitos. Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Assim, o desconhecimento do procedimento correto de elaboração da declaração de ajuste, como onde incluir os rendimentos recebidos judicialmente, não inibe a lavratura da notificação de lançamento. Ressaltese que o lançamento não apurou máfé do autuado, uma vez que a multa foi exigida com o percentual de 75% e não com o percentual de 150% aplicada nos casos de dolo. Conclusão Ante o exposto, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.000589/201097 Acórdão n.º 2202004.886 S2C2T2 Fl. 160 9 Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000481/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE.
O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES.
A participação no lucro prevista na Lei n° 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-004.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES. A participação no lucro prevista na Lei n° 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES. A participação no lucro prevista na Lei n° 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 81 /2 01 0- 91 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 494 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de crédito lançado pela Fiscalização (DEBCAD n° 37.271.7179), contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls.10/16, corresponde à contribuição devida pela empresa prevista no Art. 22, III, da Lei 8.212/91, incidente sobre a remuneração paga, a título de Participação nos Lucros, aos administradores/diretores não empregados. O lançamento referese às competências 01/2005, 07/2005, 01/2006 e 07/2006, totalizando o montante de R$ 35.297.452,25 (trinta e cinco milhões, duzentos noventa e sete mil, quatrocentos e cinqüenta e dois reais e vinte e cinco centavos), consolidado em 04/05/2010. DA IMPUGNAÇÃO A empresa apresentou defesa tempestiva, fls.209/239, onde alega em síntese: que consoante lhe possibilita o art. 152, da Lei 6.404/76, promoveu a distribuição de verbas a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR aos seus administradores, nos períodos de l 1/2004 a 12/2006, devidamente autorizado pela Assembléia Geral Ordinária; que a Constituição de 1988, no seu Art. 7°, XI, exclui da incidência da contribuição social o montante que é concedido, aí incluído indubitavelmente o administrador, a título de participação nos lucros, sendo equivocada a interpretação dada pelo agente fiscal aos dispositivos constitucionais e legais que regem a proteção social do trabalho que o Art. 7°, XI, da CF, outorga ampla proteção a todos os trabalhadores, inclusive os administradores, como meio de valorização social do trabalho de modo a possibilitar a participação dos mesmos nos lucros das empresas sem que tal verba configure hipótese de incidência da contribuição para a previdência; que o Agente Fiscal procurou Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 495 3 amesquinhar o conceito de teor previsto na Constituição Federal de 1988, como forma de viabilizar a tributação da ba denominada Participação nos Lucros destinada os seus Administradores, interpretação que o pode ser admitida sob pena de ofensa a toda a sistemática constitucional que zela pela valorização social do trabalho e a livre iniciativa; que o termo trabalhador, previsto no art. 7° da Constituição Federal deve ser interpretado da forma mais ampla e comum possível, sendo evidente que os administradores que laboram para a empresa se qualificam como trabalhadores, razão pela qual as verbas que estes recebem a titulo de Participação nos Lucros da companhia de maneira alguma podem sofre a incidência de contribuição previdenciária; que a autoridade fiscal ao tributar a verba em questão, que não se compatibiliza com o conceito constitucional de remuneração, usurpa funções do constituinte e do legislador, pois a participação nos lucros e resultados, desvinculada da remuneração, está configurada no próprio texto constitucional como garantia essencial inserida no rol dos direitos sociais assegurados ao trabalhador; que o fato do pagamento de participação nos lucros ao dirigente é neutro, não sendo apto a gerar tributo, fenômeno este conhecido pela doutrina como 0 de não incidência juridicamente qualificada; que o legislador deixou bem claro e definido, no comando estampado no § 9°, do art. 28 da Lei 8.212/91, que não pode ser considerado como base de cálculo, isto é, como saláriodecontribuição, o valor pago a título de participação nos lucros aos segurados investidos em funções dirigentes no âmbito da relação de custeio da seguridade social; que está claro, na Lei n° 8.212/91, que não integra o saláriode contribuição a participação nos lucros, ou seja, qualquer participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com lei específica, no caso dos diretores não empregados, a Lei n 6.404 de 1976, sendo irrelevante o fato do administrador ou membro do conselho de administração da sociedade ser enquadrado na categoria de contribuinte individual; que não há que se falar em necessidade de expressa previsão legal para a isenção, como quer o Fisco, porquanto a própria Lei n° 8.212/91 não inclui entre as verbas que integram o saláriodecontribuição “a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com lei específica”; que para sacramentar a total improcedência do lançamento fiscal em questão, cabe ressaltar que a verba relativa à participação nos lucros e resultados não está inserida no disposto no art. 195, I, “a”, da Constituição federal, pela simples razão de que não é relativa à retribuição recebida pelo trabalho realizado, mas relativa à retribuição do capital investido. Pelo exposto a Impugnante solicitou que seja acolhida a sua impugnação e cancelado o Auto de Infração, eis que restou Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 496 4 cabalmente comprovado que não deve haver incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas aos administradores não empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 344/354): CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título no decorrer do mês. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada a administradores não empregados. Em face da referida decisão, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do mérito Defende a empresa que, diante da imunidade constitucional prevista no inciso XI do art. 7° da Carta Política de 1988, a não incidência das contribuições previdenciárias abrange não só os pagamentos a empregados a título de PLR, como também a diretores não empregados. Adiciona que a própria Lei n° 6.404, de 1976, lei especial que regula as sociedades anônimas, dá guarida ao pagamento de PLR aos administradores estatutários, Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 497 5 cumprindo, desse modo, o requisito estabelecido pela Lei n° 8.212, de 1991, para o fim de escapar à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Pois bem. A alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, reproduzida novamente abaixo, ao afastar a incidência tributária sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa paga ou creditada, de acordo com lei específica, está se referindo à Lei n° 10.101, de 2000, a qual é destinada tão somente aos segurados empregados: Art. 28 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...)De fato, ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9° do art. 214 do RPS, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição,exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) Isso porque a Lei n° 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, haja vista constar expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Art. 2°A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo : I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) (GRIFEI) Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7° da Carta Política de 1988. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 498 6 Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei n° 10.101, de 2000, incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) n° 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, Relator Ministro Dias Toffoli e Redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7°, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7°, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. Recurso extraordinário a que se dá provimento. De modo que não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica", contida na alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, referese a mais de uma lei ordinária, além da Lei n° 10.101/2000, abarcando a distribuição de valores também com base na Lei n° 6.404, de 1976. Menciona a recorrente, ainda, que as parcelas não podem compor o salário decontribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei n° 6.404/1976. Quanto ao tema, utilizo como fundamento da minha decisão o brilhante voto proferido pelo Conselheiro Cleberson Alex Friess, acórdão nº 2401004.411 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na parte que se relaciona especificamente à matéria: Para melhor compreensão da previsão contida na lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei n° 6.404, de 1976: Remuneração Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 499 7 Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1° O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2° Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, "caput") e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1°). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. Nessa mesma linha, trago à colação decisão da CSRF a seguir ementada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2° da Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 500 8 referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Acórdão n° 9202005.705, sessão de 29.08.2017 Logo, escorreito o lançamento fiscal que entendeu pela incidência da tributação sobre os pagamentos à diretores não empregados, a título de participação nos lucros ou resultados. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguida para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.000481/201091 Acórdão n.º 2201004.804 S2C2T1 Fl. 501 9 Fl. 501DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.002138/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 11/05/2002 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os produtos fabricados essencialmente como partes de luminárias classificam-se na posição 94.05 da TIPI ("Aparelhos de Iluminação, incluídos os projetores e sua partes"), pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, combinada com a Nota 1 k) da Seção XV da TIPI.
JUROS SELIC. SÚMULA CARF N° 4
De acordo com a Súmula CARF n° 4 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 3301-005.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Os produtos fabricados essencialmente como partes de luminárias classificamse na posição 94.05 da TIPI ("Aparelhos de Iluminação, incluídos os projetores e sua partes"), pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, combinada com a Nota 1 k) da Seção XV da TIPI. JUROS SELIC. SÚMULA CARF N° 4 De acordo com a Súmula CARF n° 4 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 21 38 /2 00 6- 16 Fl. 22149DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.150 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada nos autos de infração de fls. 05/60, lavrados em 09/10/2006, com ciência da contribuinte em 11/10/2006, totalizando o crédito tributário de R$ 1.340.067,11, inclusos juros de mora e multa de oficio. Segundo a descrição dos fatos de fls. 06/08, no período de 11/05/2002 a 31/12/2004, houve falta de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e alíquota menor do imposto. Constatouse que os produtos fabricados e comercializados pela empresa sob a denominação genérica de "conj perfilado ...", classificados na posição 7216.61.90 e tributados à alíquota de 5% do IPI são de fato parte de luminárias, embaladas nas diversas configurações, com tamanhos, acabamento, modelos e preços diferenciados, constituindo kits a serem montados pelo instalador, devendo, portanto, ser classificados no código TIPI 9405.9 — partes de aparelhos de iluminação submetidos à alíquota de 15% do IPI. Os produtos tributados à alíquota 5% foram apurados nos demonstrativos às fls. 365/825. Considerandose que houve insuficiência de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com alíquotas inferiores devido a erros de classificação fiscal, foi lavrado o competente auto de infração. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 851/858, alegando, em suma: 1. O cerne da questão ronda em torno da devida classificação junto a TIPI do produto identificado como eletrocalha, calha, leitos para cabos, perfilados, etc.; 2. A autoridade autuante, valendose de uma interpretação extensiva e literal, acabou por impor a Impugnante obrigação tributária não condizente ao princípio da legalidade e, bem ainda, o princípio da vinculabidade da tributação; 3. A Seção XV da TIPI "Metais Comuns e suas obras", ao especificar na posição 72.16 "Perfis de Ferro ou Aços não ligados" elencou nas subposições inúmeras configurações, vindo de encontro, exatamente aos modelos então produzidos pela autuada, símeles e próprios, pela descrição e características constantes dessa classificação TIPI, de calhas, eletrocalhas, perfilados, etc., em forma de U, L, T, I, I1, daí porque, ilegítimo o argumento constante do auto de infração quanto a este tópico de que são partes de luminárias; Fl. 22150DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.151 3 4. A maioria das vendas são efetuadas separadamente como eletrocalha, destinadas a condução de fios elétricos, telefônicos, etc, insuficientes para alterar a classificação fiscal da tabela TIPI. Fosse a Impugnante obrigada a efetuar vendas conjuntas das eletrocalhas com demais acessórios de iluminação, violaria com essa conduta o Código do Consumidor, ao proibir expressamente as denominadas "vendas casadas"; 5. O desvio do consumidor quanto a finalidade do produto a qual fora originalmente projetado e construído, não tem o condão para modificar a essencialidade do produto que ser observado quando da edificação para fins de classificação tributária do 111; 6. A eletrocalha de fabrico da Impugnante não está catalogada na posição 94.05, tanto que a autuação anotou a classificação 94.05.99 "outros", a revelar que não possui característica, tampouco é parte de luminária ou aparelhos de iluminação, pois sua função principal é acomodar fios e cabos a ser ligados a rede elétrica; 7. O material fabricado ora questionado para fins de alíquota do IP], também encontraria classificação na posição 73.08 "Construções e suas partes (...) chapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, de ferro fundido, ferro ou aço, próprios para construções", adequando, assim, na subposição 73.08.9010 "outros"; Ao final, protestou pela realização de perícia, sem prejuízo da prova testemunhal e documental que se fizer necessária. Assim como, insurgiu contra a multa aplicada em 75% por configurar confisco, bem ainda, contra a aplicação da taxa Selic quanto aos juros moratórios, por ser absolutamente inconstitucional." Em 09/11/06, o contribuinte protocolizou petição (fls. 2.728 a 2.773), admitindo ter cometido parte das infrações apontadas pela fiscalização e requerendo o parcelamento, com o desconto de 40% da multa de ofício. Em 11/12/08, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 1421.830 foi assim ementado: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/05/2002 a 31 /1 2/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos desenvolvidos e fabricados essencialmente como partes de luminárias classificamse na posição 94.05 Aparelhos de Ilutninwilo (incluídos Os projetores) e sua partes, ... da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, combinada com a Nota 1 k) da Seção XV da TIPI. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DE PRAZO. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de Fl. 22151DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.152 4 inconformidade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Lançamento Procedente" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que apresentou os seguintes argumentos: a) contesta o fato de a DRJ não ter determinado a realização de perícia; b) como o próprio Fisco consignou no Termo de Constatação do Auto de Infração, os perfilados que produz e comercializa não são aplicados exclusivamente em luminárias, porém também para eletrocalhas; c) há que se acrescer acessórios para que os perfilados possam se transformar em luminárias; d) quando fabricou luminária. tributou à alíquota de 15%; e) transcreve as definições de eletrocalha e luminária da Associação Brasileira de Normas Técnicas, para concluir que todos os perfis que produz enquadramse no conceito de eletrocalhas, estando, portanto, correta a classificação fiscal adotada; f) declarações de instaladores, confirmando que já utilizaram os produtos como eletrocalhas; g) para que os perfis se convertam em luminária, há que serem adicionados acessórios, dentre eles o soquete; nesta linha, apresenta tabelas, suportadas por documentação comprobatória, para provar a incorreção da conclusão do Fisco, pois o número de soquetes adquiridos no período é muito inferior ao que seria necessário para transformar todos os perfilados objetos da autuação em luminárias; e h) o judiciário já concluiu que a taxa Selic não se presta para corrigir créditos de natureza tributária, havendo, adicionalmente, o empecilho imposto pelo art. 161 do CTN. É o relatório. Voto Fl. 22152DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.153 5 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento de ofício de IPI, relativo ao período de 11/05/02 a 31/12/2004, motivado por erro na classificação dos produtos assim descrito no auto de infração (fl. 13): "(. . .) denominação comercial genérica de "CONJ PERFILADO", nos modelos, Calha Comercial, Centaurus, Sirius, Sirius System e Top Light, nas cores, bege, branca, preta e titanio, com aletas branca ou transparente, nas configurações, básica e standard; para lâmpadas de tamanhos e potências de: 1x20, 1x26, 1x40, 2x18, 2x20, 2x40; com ou sem reator; (. . .)." Do código NCM 7216.61.90, cuja alíquota de IPI era de 5%, o Fisco reclassificou para o 94.05.99, com IPI de 15%. Perícia ou diligência Antes de adentrar no argumento central de defesa, cumpre abordar o protesto pelo fato de a DRJ não ter determinado a realização de perícia, o que classificou como cerceamento do direito de defesa. O pedido foi negado, porque não foram apresentados os quesitos e tampouco nomeado o perito, nos termos do inciso IV do caput do art. 16 do Decreto n° 70235/72. Concordo com a decisão da DRJ e a replico em relação ao recurso voluntário, posto que, mais uma vez, não trouxe os elementos legalmente requeridos. Também afasto a necessidade de diligência, pois reputo que todos os elementos necessários á conclusão da lide encontramse nos autos. Mérito A recorrente classificou os produtos sob a denominação comercial "CONJ PERFILADO" no código NCM 72.16.61.90, cuja alíquota de IPI era de 5%, enquanto que o Fisco concluiu pelo 94.05.99, com IPI de 15%. Reproduzo os trechos relevantes das citadas posições da TIPI, aprovada pelos Decretos n° 4.070/01 e 4.542/02, que vigoraram ao longo do período autuado, sem alteração nos textos: "CAPÍTULO 72 FERRO FUNDIDO, FERRO E AÇO (. . .) 72.16 PERFIS DE FERRO OU AÇOS NÃO LIGADOS 7216.10.00 Perfis em U, I ou H, simplesmente laminados, estirados ou extrudados, a quente, de altura inferior a 80mm 5 7216.2 Perfis em L ou T, simplesmente laminados, estirados ou extrudados, a quente, de altura inferior a 80mm 7216.21.00 Perfis em L 5 Fl. 22153DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.154 6 7216.22.00 Perfis em T 5 7216.3 Perfis em U, I ou H, simplesmente laminados, estirados ou extrudados, a quente, de altura igual ou superior a 80mm 7216.31.00 Perfis em U 5 7216.32.00 Perfis em I 5 7216.33.00 Perfis em H 5 7216.40 Perfis em L ou T, simplesmente laminados, estirados ou extrudados, a quente, de altura igual ou superior a 80mm 7216.40.10 De altura inferior ou igual a 200mm 5 7216.40.90 Outros 5 7216.50.00 Outros perfis, simplesmente laminados, estirados ou extrudados, a quente 5 7216.6 Perfis simplesmente obtidos ou completamente acabados a frio 7216.61 Obtidos de produtos laminados planos 7216.61.10 De altura inferior a 80mm 5 7216.61.90 Outros 5 7216.69 Outros 7216.69.10 De altura inferior a 80mm 5 7216.69.90 Outros 5 7216.9 Outros 7216.91.00 Obtidos ou completamente acabados a frio a partir de produtos laminados planos 5 7216.99.00 Outros 5 CAPÍTULO 94 MÓVEIS; MOBILIÁRIO MÉDICOCIRÚRGICO; COLCHÕES, ALMOFADAS E SEMELHANTES; APARELHOS DE ILUMINAÇÃO NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTROS CAPÍTULOS; ANÚNCIOS, CARTAZES OU TABULETAS E PLACAS INDICADORAS LUMINOSOS, E ARTIGOS SEMELHANTES; CONSTRUÇÕES PRÉFABRICADAS (. . .) 94.05 APARELHOS DE ILUMINAÇÃO (INCLUÍDOS OS PROJETORES) E SUAS PARTES, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES; ANÚNCIOS, CARTAZES OU TABULETAS E PLACAS INDICADORAS LUMINOSOS, E ARTIGOS SEMELHANTES, CONTENDO UMA FONTE LUMINOSA FIXA PERMANENTE, E SUAS PARTES NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 9405.10 Lustres e outros aparelhos de iluminação, elétricos, próprios para serem suspensos ou fixados no teto ou na parede, exceto os dos tipos utilizados na iluminação pública 9405.10.10 Lâmpadas escialíticas 15 9405.10.9 Outros 9405.10.91 De pedra 15 9405.10.92 De vidro 15 9405.10.93 De metais comuns 15 9405.10.99 Outros 15 9405.20.00 Abajures (candeeiros) de cabeceira, de escritório e lampadários de interior, elétricos 15 9405.30.00 Guirlandas elétricas dos tipos utilizados em árvores de Natal 15 9405.40 Outros aparelhos elétricos de iluminação 9405.40.10 De metais comuns 15 9405.40.90 Outros 15 Ex 01 Refletores (projetores) de lâmpadas halógenas ou HMI, abertos ou com lentes de Fresnel 0 9405.50.00 Aparelhos não elétricos de iluminação 10 Ex 01 De madeira 0 Ex 02 De pedra 0 Ex 03 De barro 0 9405.60.00 Anúncios, cartazes ou tabuletas e placas indicadoras luminosos, e artigos semelhantes 15 9405.9 Partes Fl. 22154DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.155 7 9405.91.00 De vidro 15 9405.92.00 De plásticos 15 9405.99.00 Outras 15 O argumento central da recorrente é o de que os conjuntos perfilados produzidos, obtidos e acabados a frio e a partir de laminados de aço e cujas vendas foram objetos da autuação, não eram luminárias, porém aplicados como eletrocalhas, para condução de fios elétricos, de comunicação, equipamentos elétricos e outros. Para que luminárias fossem, teriam de ter sido acrescidos diversos acessórios, tais como o "soquete com torre de fixação". Além de citar trecho do auto de infração, em que o Fisco teria desta forma descrito seus produtos, transcreve conceitos de luminárias e eletrocalhas, extraídos de normativos da ABNT. Para robustecer suas alegações, apresenta quadros (as notas fiscais de compra e venda correspondentes foram carreadas aos autos), demonstrando que o número de perfilados vendidos e objetos da autuação foi muito superior ao de soquetes adquiridos. Donde concluir seia que os perfilados vendidos não eram luminárias, porém eletrocalhas. Por fim, juntou aos autos declarações de instaladores, confirmando que utilizaram os produtos como eletrocalhas. Não assiste razão à recorrente. Defendeuse, alegando que o Fisco errou, pois não são luminárias. E isto repetiu, diversas vezes. Ocorre que o agente fiscal não classificou os perfilados como "luminárias", porém no código NCM destinado às "partes" de luminárias, conforme reprodução acima do Capítulo 94 da TIPI. Para elucidar a questão, reproduzo excertos do auto de infração, destacando a transcrição que fez da Solução de Consulta SRRF/10°/DIANA n° 17/2001 e ainda contra argumentos apresentados pela fiscalização, em face a explicações providas pela recorrente ao fim do trabalho de auditoria fiscal e repetidas nas defesas: "(. . .) 7 Classificamse na posição 9405 da TIPI (fl. 63/69 ) os aparelhos de iluminação e suas partes não especificados nem compreendidos em outras posições, sujeitos à alíquota de 15% do IPI. 8 Verificamos, conforme demonstram as fotografias de fl. 337/341 e o folheto denominado manual de instalação de fl. 329/331 que os produtos fabricados e comercializados pela empresa sob a denominação genérica de "CONJ PERFILADO ..." , classificados na posição 7216.61.90 e tributados à alíquota de 5% do IPI são de fato parte de luminárias, embaladas nas diversas configurações, com tamanhos, acabamento, modelos e preços diferenciados, constituindo KITs a serem montados pelo instalador, devendo, portanto, ser classificados no código TIPI 9405.9 partes de aparelhos de iluminação submetidos à aliquota de 15% do IPI. (. . .) Fl. 22155DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.156 8 11 Em 29/09/2006, a empresa prestou no documento de fl. 826/827 os esclarecimentos resumidos a seguir: a) que os produtos relacionados no termo de constatação são tributados à alíquota de 5% do IPI; b) que as vendas desses produtos tem por destinação a utilização em eletrocalhas; c) sugere que a classificação correta desses produtos seria na posição 7308.90.10; d) apresenta dois novos manuais de instalação: um para luminárias (fl. 829/834 ) e outro para eletrocalhas (fl. 835/848 ); e) afirma que "... não se vê qualquer prejuízo ao erário, mormente em razão do regular e lícito recolhimento pela peticionária do imposto com alíquota de 5%". 12 As considerações resumidas devem ser analisadas no contexto do que foi apurado: I no ano de 2003 o produto CONJ PERFILADO atinge 574 configurações distintas, conforme informação prestada pela empresa (fl. 317/327 ) e as descrições demonstram que o produto é de fato parte de luminária; II o catálogo de produtos (fl. 332/336 ) apresentado em 24/08/2006 não faz referência ao produto CONJ PERFILADO e tampouco sugere onde deva ser aplicado; III mesmo na hipótese de o CONJ PERFILADO (parte de luminária) ser utilizado em calhas ou eletrocalhas o produto deve ser classificado no código TIPI 9405.99.00, conforme esclarece a SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/10a/DIAN N° 17 DE 02/03/2001 (fl. 61/62 ), da qual transcrevemos os itens 2 e 3: '2. A posição 9405 compreende, entre outros, os aparelhos de iluminação e suas partes, não especificados nem compreendidos em outras posições da nomenclatura. 2.1 De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, e alteradas pela Instrução Normativa SRF n° 123/98, de 22 de outubro de 1998 (suplemento ao Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 1998), relativas aos "aparelhos de iluminação não especificados nem compreendidos em outras posições" da posição 9405 (página 1705), citam entre os tipos mais comuns de aparelhos de iluminação aí incluídos, as luminárias para iluminação de locais, tais como as luminárias suspensas, de globo, plafoniês, lustres, apliques, colunas e lampadários, tocheiros, abajures de mesa, de cabeceira, de escritório e lampadários à prova de água para locais úmidos. 2.2 As mesmas NESH esclarecem que as partes de aparelhos de iluminação também se classificam nesta posição, desde que sejam reconhecíveis como tais e desde que não sejam incluídas mais especificamente em outras posições. 2.3 A "calha" já possui características próprias para uso em luminárias fluorescentes, e a Nota 1 k) da Seção XV (Metais comuns e suas obras), a qual pertence o Capítulo 73, determina que essa Seção não compreende os artefatos do Fl. 22156DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.157 9 Capítulo 94. Incabível, portanto, classificar o produto na. posição 7326 pretendida pelo consulente. 3. No âmbito da posição 9405, as partes de aparelhos de iluminação se classificam na subposição de primeiro nível 9405.9; as que forem de metal comum classificamse na subposição de segundo nível 9405.99.' IV a classificação 7308.90.10 sugerida no item 11c referese a chapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, próprios para construções outros, não tem a mais tênue relação com o produto denominado CONJ PERFILADO, conforme esclarece a NESH fl. 73. V carece de fundamento o afirmado no item 11 e, vez que o produto CONJ PERFILADO constitui parte de luminária e deve ser classificado no código TIPI 9405.99.00 e tributado à aliquota de 15%. (. . .)" O trabalho da fiscalização foi cuidadoso e baseouse nas descrições dos produtos constantes dos catálogos e em diligência em sua fábrica. E a conclusão ficou em linha com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), como atestaram os julgadores de primeira instância, de cujo voto condutor, de lavra do julgador Luis Fernando Mayor da Silva, extraio alguns trechos, dos quais faço parte de minhas razões de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) As mercadorias em lide, segundo a Impugnante afirmou nos autos, são em sua esmagadora maioria comercializadas como eletrocalha, calha, perfilados, etc, destinados a condução/leito de fios elétricos, telefônicos, etc. À vista dos elementos nos autos, principalmente os manuais de instalação, catálogos de publicidade e fotos de fls. 329/341, podemos verificar que a linha dos produtos da Impugnante, RCG Tecnologia Eletromecânica, são voltados para a linha de iluminação, proteção e informática, tais como: luminárias, reatores eletrônicos, páraraios eletrônicos, inversores e transformadores eletrônicos, auto transformadores, estabilizadores, filtros de linha, nobreaks e relés. Inclusive, em seu catálogo à fl. 336 (verso), na qual descreve a história e trajetória da empresa, consta a informação que seus produtos são "voltados para a linha de iluminação". Como se pode verificar, o argumento da Impugnante onde afirma que os produtos, classificados pelo Fisco no código NCM 9405.99.00, possuem como "função" principal acomodar fios e cabos a ser ligados a rede elétrica" não procede. Podemos; sim, ter que eventualmente os perfilados produzidos pela Impugnante e utilizados em luminárias são usados como leitos para cabos e fios, o que não descaracteriza a função principal dos perfilados que é fazer parte de luminárias. Como se pode notar, embora a Impugnante defenda que os produtos possuem 'função principal acomodar fios e cabos a ser ligados a rede elétrica", eles foram desenvolvidos para utilização em luminárias. Pelo que se infere dos elementos trazidos ao processo, a venda dos produtos para a aplicação como leitos para fios e cabos é absolutamente pontual. Sendo assim, caracterizase os produtos em questão como essencialmente partes de luminárias. Fl. 22157DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.158 10 (. . .) Abaixo transcrevo a Regra 1 das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado: "A CLASSIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS NA NOMENCLATURA REGESE PELAS SEGUINTES REGRAS: 1.0S TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES". A Regra 1 começa por determinar que os títulos "têm apenas valor indicativo". Desse fato não resulta nenhuma conseqüência jurídica quanto à classificação; apenas determina para o caso em tela que os títulos dos capítulos 72 e 94 não definem a classificação. Na seqüência, a Regra define que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. O texto da posição 9405 inclui as partes de luminárias, não limitando apenas a luminárias completas. E neste ponto é necessário mostrar o que determina a Nota 1 k), da Seção XV (metais comuns e suas obras) do qual faz parte o Capítulo 72 da TIPI: "Notas I. A presente Seção não compreende: k) os artefatos do Capítulo 94 (por exemplo: móveis, suportes elásticas para camas, aparelhos de iluminação, cartazes ou tabuletas luminosos, construções préfabricadas)". Constatase que a Nota transcrita expressamente exclui do Capítulo 72 da TIPI os artefatos da posição 9405, entre eles, obviamente, aos aparelhos de iluminação e suas partes. Percebese aqui, uma total incompatibilidade na tentativa de classificar as mercadorias descritas como "Conj. Perfilado ..." no código NCM 7216.61.90. A classificação 7308.90.10, sugerida pela Impugnante, referese a lapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, próprios para construções — outros, não tem a mais tênue relação com o produto denominado "conj perfilado". Desta forma, em face do exposto, entendendose que as mercadorias em lide devem ser classificadas no código NCM 9405.99.00, adotado pelo autuante, não podendo prosperar, como acima demonstrado, aquele pretendido pela Impugnante. (. . .)" Isto posto, nego provimento aos argumentos da recorrente. Juros Selic Fl. 22158DF CARF MF Processo nº 13830.002138/200616 Acórdão n.º 3301005.619 S3C3T1 Fl. 22.159 11 Alega a recorrente que o judiciário já teria concluído que a taxa Selic não se presta para corrigir créditos de natureza tributária, havendo, adicionalmente, o empecilho imposto pelo art. 161 do CTN. A Súmula CARF n° 4 dispõe que "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Portanto, nego provimento. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 22159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001374/2007-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido, reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido, reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 74 /2 00 7- 26 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 4 3 milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido, reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 5 4 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.284, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que: · Por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925; · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito; · Pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero; · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais; · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo; · Por maioria de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita; Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 6 5 · Por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 7 6 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM Fl. 703DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 8 7 OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Em despacho às fls. 629 a 641, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 9 8 Irresignado com o exame de admissibilidade, o sujeito passivo interpôs Agravo, expondo as divergências dos arestos recorrido e indicados como paradigma por matéria, requerendo a admissibilidade de todos os pontos do Recurso Especial propostos. Em Despacho às fls. 659 a 666, o agravo foi acolhido para dar seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da Fl. 705DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 10 9 publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: [...] Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 11 10 Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); no que tange ao enquadramento de sua atividade dentre as que fazem jus ao crédito presumido, bem como a possibilidade de seu aproveitamento como ressarcimento, estarseia discutindo os mesmos arts. 3º das Leis 10.637 e 10.833, agora em seu inciso II, combinados com o artigo 8º da Lei 10.925; quanto à última, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 12 11 Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 13 12 E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as demais, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente Fl. 709DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 14 13 dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 15 14 · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 16 15 quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303 005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303 006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303 006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303 005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303 005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 17 16 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 18 17 ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 19 18 apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 20 19 Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 21 20 Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 22 21 Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 23 22 · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 24 23 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 25 24 estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 26 25 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 27 26 e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 28 27 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias até os estabelecimentos de suas filiais para a distribuição são considerados insumos, vez que essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 29 28 Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 30 29 analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 31 30 Quanto à discussão acerca do enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS e Cofins, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Recordo que já expus esse entendimento no acórdão nº 3202 001.618, que consignou a seguinte ementa: “[...] CRÉDITO DE COFINS. PROCESSO DE BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. Confere atividade industrial o processo de beneficiamento de grãos soja e milho quando o referido processo envolve as fases de secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, com o fim de tornalos aptos para a exportação e consumo humano ou animal. O que, por conseguinte, no presente caso, é de se considerar que as aquisições de grãos in natura devem ser computadas para fins de apuração do crédito presumido, subsumindose as hipóteses preceituadas no art. 3º, § 5º, da Lei 10.833/2003. [...]” Para melhor elucidar o meu entendimento, transcrevo parte de meu voto, que constou daquele acórdão: “[...] Quanto ao crédito presumido referente as aquisições de pessoas físicas, traz a priori a recorrente que: ∙ Dentre as atividades desenvolvidas pela recorrente está o processo produtivo de soja e milho; ∙ O processo produtivo dos grãos é regulado por Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; ∙ O processo de produção da soja, por exemplo, é normatizada pela IN 11/2007 que, por sua vez, tem por objetivo definir o padrão oficial de classificação da soja, considerando os seus requisitos de Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 32 31 identidade e qualidade intrínseca e extrínseca, de amostragem e de marcação ou rotulagem; ∙ A Lei 9.972/2000 tornou a classificação obrigatória para os produtos vegetais e, mediante credenciamento pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento autorizou as cooperativas agrícolas e as empresas ou entidades especializadas na atividade a exercerem a classificação, conforme procedimentos e exigências contidos em regulamento. Para suas argumentações quanto a necessidade de se considerar o processo produtivo dos referidos produtos, acentua a recorrente que, como não poderia deixar de ser desenvolve o processo produtivo (beneficiamento) exigido, no qual se alteram as características originais do produto, aperfeiçoando as mercadorias, resultando, do beneficiamento realizado, os grãos/mercadorias comercializados, exportados, através das seguintes etapas: [...] Diante dos documentos acostados no processo, e das normas que regulamentam o “beneficiamento” dos referidos grãos para enquadramento aos critérios definidos como aceitos para consumo e pronto para a exportação, não tenho dúvidas para afirmar que as mercadorias comercializadas são produzidas pela recorrente, ou seja, passam por um processo de “industrialização”, mais especificamente atividade de beneficiamento tal como descrita no Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto 7.212, de 15 de junho de 2010, pois, se assim não fossem consideradas, não poderiam ser enquadradas como “aceitas” para a exportação e “consumo”, sendo proibida para consumo e estando impossibilitada de serem comercializadas no exterior. Com efeito, as etapas do processo produtivo denotam a segregação de diversos setores que devem passar os grãos in natura para que possam ser considerados aptos para a exportação e consumo humano e animal. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 33 32 Sendo indiscutível o processo de industrialização, tal como disciplinado na legislação do IPI e no CTN, nos seguintes dispositivos: ∙ O art. 3º e o art. 4º, inciso II, do Decreto 7.212/2010 – RIPI (destaques meus): “Art. 3º. Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4ª. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: [...] II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” ∙ O art. 46 do CTN (grifos meus): “Art. 46. O imposto de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I – o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II – a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. § único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou aperfeiçoe para o consumo”. Fica claro que os grãos beneficiados (soja e milho) adquiridos de pessoas físicas, in natura de origem vegetal geram crédito presumido, pois passam por um processo industrial que, por sua vez, resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 34 33 Produção é industrialização definição dada pela Lei do IPI, porquanto não há definição dada pelas Leis de PIS/Cofins: tratase de mera interpretação sistemática. Ora, os grãos devem passar por processo de beneficiamento para estarem enquadrados como aptos para exportação e consumo humano ou animal; aliás, se assim não forem beneficiados, não terão valor comercial, eis que não podem ser comercializados. Tanto é assim que o beneficiamento dos grãos envolve procedimentos de secagem, limpeza, padronização e classificação, alterando evidentemente suas características originais – não há como se ignorar que tais procedimentos caracterizam e enfatizam a atividade industrial. A atividade desenvolvida pela recorrente, portanto, é de beneficiamento de milho em grãos e de soja em grãos, conforme descrição das etapas produtivas, constituindo, inclusive, exigências regulatória e sanitária, para que tais produtos possam ser consumidos e exportados. Logo, é produção ou industrialização. Sendo assim, entendo que tais aquisições devem ser consideradas para fins de computo do credito presumido, subsumindose as hipóteses trazidas pelo art. 3º, § 5º, da Lei 10.833/2003 (à época vigente, mas atualmente tal dispositivo se encontra revogado pela Lei 10.925/2004). De fato, tal dispositivo era expresso ao preconizar que, sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do “caput” do artigo 3º da Lei 10.833/2003, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 35 34 Do que já foi exposto, resta clara a aplicação, no caso vertente, do dispositivo ora tratado, não restando dúvida quanto a sua abrangência e representação na base de cálculo desse crédito presumido. E, se mais não bastasse, vejase que a própria Receita Federal do Brasil esclarece tal entendimento ao trazer a IN 660/2006 – que, ao interpretar a materialidade do art. 3º, § 5º, da Lei 10.833/2003, dispõe: “Art. 5º. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I – destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12 e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela Instrução Normativa RFB 977, de 14 de dezembro de 2009)”. Considerando que as mercadorias produzidas pela contribuinte estão posicionadas nos capítulos 10, 12, 15 e 23, nos termos da NCM, classificações essas que nunca foram questionadas, é de se notar que se enquadram perfeitamente na alínea “d” do inciso I do art. 5º da IN 660/2006, tendo a recorrente o direito de descontar créditos presumidos sobre os valores dos produtos industrializados. Nessa parte, estabelece que a pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos de PIS/Cofins sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumo na fabricação de produtos classificados na NCM adotada pela recorrente. Vêse que ainda a IN 660/2006 (art. 6º) também conceitua como atividade agroindustrial, referida no caput do art. 5º, a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 36 35 art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei 8.023/1990. O que não é o caso. Eis a redação do art. 6º, I, da IN 660/2006: “Art. 6º. Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5 º , excetuadas as atividades relacionadas no art. 2 º da Lei n º 8.023, de 1990; e […]” Vejase o art. 2º da Lei 8.023/90: “Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matéria prima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995)” Notese que o art. 2º, inciso V, da Lei 8.023/1990 dispõe que se considera atividade rural a "transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura feita pelo próprio agricultor ou criador". Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 37 36 Ora, o beneficiamento do milho em grãos e da soja em grãos não é feito pelo próprio agricultor, mas pela recorrente. Aliás, a Lei 8.023/1990 chama inclusive de transformação atividade que não altera a composição e as características do produto in natura. Logo, atividade da recorrente é agroindustrial, a transformação não feita pelo próprio agricultor, conforme a interpretação da própria IN RFB 660/2006. Para não haver dúvidas, conforme a própria IN 660/2006 que, repitase, nesse passo, versa sobre a materialidade legal do art. 3º, § 5º, da Lei 10.833/2003 vedase o uso de crédito presumido para PJs de que tratam os incisos I a III do art. 3º dessa IN. O art. 3º, III cuida das PJs que exerçam atividade agropecuária no caso de produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. O art. 3º, § 1º diz que para fins do art. 3º, entendese por atividade agropecuária a de cultivo de terra nos termos do art. 2º da Lei 8.023/1990. Já se viu que a atividade da recorrente não se inclui no art. 2º da Lei 8.023/1990 ("transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura feita pelo próprio agricultor ou criador" a transformação nesses termos não é feita pelo próprio agricultor, mas pela recorrente). Portanto, é induvidoso que a atividade da recorrente, conforme a interpretação dada pela IN 660/2006, é agroindustrial. Ou seja, a atividade da recorrente é de produção das mercadorias descritas anteriormente para consumo humano ou animal. Transcrevo os dispositivos em questão: “Art. 5º. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I – destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 38 37 [...] d) nos capítulos 8 a 12 e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela Instrução Normativa RFB 977, de 14 de dezembro de 2009) [...] § 2º. É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3 º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Art. 3º. A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2 º , alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º . § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2 º ; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2 º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção.” Dessa forma, especificamente a essa questão, é cristalino que não há como não considerar a aquisição desses grãos in natura de origem vegetal como não sendo passíveis de composição da base Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 39 38 de cálculo do referido crédito presumido, por estar tal evento subsumido à norma referendada. [...] Portanto, a meu ver, devem ser consideradas para a mensuração do crédito presumido, o valor total das aquisições efetuadas pelo contribuinte – ora discutidas, ou seja, calculado sobre o total de suas aquisições efetuadas de pessoas físicas, pois as utiliza na produção (beneficiamento) das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, 15 e 23 da NCM, em respeito ao inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c com o § 5º do art. 3º da Lei 10.833/2003 e reconhecido pela IN SRF 660/2006.” No caso vertente, nos termos da Lei 9.972/00 regulamentada pelo Decreto 6.268/07 e demais normas, o sujeito passivo desenvolve o processo produtivo – beneficiamento de grãos, aperfeiçoandoos para o consumo humano ou animal. Eis as etapas de produção/beneficiamento trazidas pelo sujeito passivo: · 1ª Etapa – Recebimento e Classificação O sujeito passivo adquire produtos (soja e milho) de pessoas físicas e outras pessoas jurídicas que chegam a granel carregados em caminhões, mercadorias úmidas e com impurezas, fora do padrão de exportação, passam por uma classificação que considera aspectos físicos do produto: umidade, impurezas, PH, presença de insetos, odor, entre outros. A coleta de amostras é realizada por um sistema de coleta que permite rapidez e eficiência. A umidade da massa do grão é medida nas amostras por analisadores eletrônicos de alta confiabilidade a impureza é analisada em máquina de prélimpeza portátil, também é medido o teor de ardidos e avariados da mercadoria. Classificados, os grãos seguem para as moegas para serem descarregados e receberem o Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 40 39 processo de industrialização, no qual consiste em secagem e limpeza. · 2ª Etapa – Descarga das mercadorias A descarga das mercadorias é realizada em moegas de concreto, onde a mercadoria é depositada e segue em elevadores de cargas até a máquina de prélimpeza. · 3ª Etapa – Prélimpeza dos grãos Nas máquinas de prélimpeza é realizada a exaustão do pó, os grãos são transportados até as máquinas de prélimpeza para a retirada da maior parte dos resíduos e impurezas – terra e demais resíduos que vem junto aos grãos no ato da colheita). · 4ª Etapa – Secagem Os grãos são transportados até os secadores verticais por meio de elevadores de cargas, onde o calor gerado pela queima de lenha vegetal – reflorestamento – dentro de fornalhas flui através das colunas de grãos dentro dos secadores, retirando a umidade excessiva dos cereais até um padrão próprio e seguro para o armazenamento. Secagem é um tratamento térmico que reduz a umidade da massa de grãos. O sistema de secagem se compõe de secador com coluna de secagem, difusores de ar metálicos, exaustores axiais ou centrífugos, fornalha, ciclone e transportadores de carga. As fornalhas fornecem a fonte calorífica para a secagem dos grãos. · 5ª Etapa – Póslimpeza Após a secagem, os graõs passam pelas máquinas de pós limpeza, onde ocorre a limpeza mais apurada com a separação dos grãos quebrados. · 6ª Etapa – Armazenagem e Controle de Qualidade Os grãos são conservados dentro dos armazéns por sistema de aeração, monitorados pelos sistemas de termometria e acionados de acordo com as condições metereológicas. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 41 40 Esses sistemas são essenciais, pois umidades e temperaturas elevadas podem ocasionar deterioração do produto e gerar perdas enormes. Controle de pragas e Controle integrado – minimizam perdas qualitativas e quantitativas na armazenagem. · 7ª Etapa Expedição Os grãos são retirados dos armazéns e transportados até as tulhas metálicas pelo sistema de correias e elevadores de cargas de carregamento onde é feito o embarque nos caminhões para expedição. Junto a cada armazém graneleiro existe um sistema de carregamento rodoviário para a expedição dos grãos. Os grãos são transportados por correias e elevadores de canecas até as caixas de carregamento. Sendo inegável que o sujeito passivo efetivamente dispõe os grãos para beneficiamento – que, por sua vez, caracterizase como processo produtivo – atividade agroindustrial, nos termos da IN SRF 660 – o sujeito passivo faz jus ao crédito presumido de PIS e Cofins sobre os insumos adquiridos, vez que se trata de pessoa jurídica que produz as mercadorias relacionadas no art. 8º da Lei 10.925/04, que resultam nos produtos constantes dos capítulos 8 a 12 da NCM. Proveitoso trazer que a fiscalização constatou, através de seu relatório fiscal, efetivamente que as mercadorias comercializadas/exportadas estão classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM. Em vista do exposto, entendo, nessa parte, que assiste razão ao sujeito passivo. Relativamente à penúltima discussão – qual seja, sobre a possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins, primeiramente, importante trazer que a Lei 12.058/09 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925/04. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 42 41 Não obstante, para melhor compreensão da lide, relativamente à possibilidade de se pedir ressarcimento dos créditos presumidos do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04, tornase necessário elucidar as modificações impostas nessa Lei ao regime da não cumulatividade das contribuições. Para tanto, importante, a priori, transcrever o que traz a Lei 10.637/02 com a redação trazida pela Lei 10.684/03 (Grifos meus): “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...] § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 43 42 deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º ; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.” “Art. 5º.............. §1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]” Nos termos dos dispositivos descritos acima, é de se constatar que, com o advento da Lei 10.684/03 – que, por sua vez, trouxe a redação dos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02, passou a agroindústria a fruir da possibilidade de se aproveitar os créditos presumidos para a dedução do valor a recolher das contribuições resultante de operações lá definidas, compensar com débitos próprios Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 44 43 de tributos administrados pela RFB ou pleitear seu ressarcimento, se até o final de cada trimestre do ano civil não conseguir utilizar o referido crédito. Porém, verificase que, posteriormente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02 foram revogados pela Medida Provisória 183/04, publicada no DOU Extra de 30.4.04, in verbis: “Art. 5º Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Quanto à produção dos efeitos dessa revogação, a MP 183/04 dispôs que: “Art. 3º Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5º darseão a partir do quarto mês subsequente ao de publicação desta Medida Provisória” O que, por conseguinte, considerando a data da publicação da MP, a rigor, observando apenas a norma a ser observada até esse momento, temse que somente a partir de agosto de 2004 houve efetivamente a revogação dos créditos presumidos da agroindústria. Não obstante, em seguida, é de se considerar que a MP 183/04 foi convertida na Lei 10.925/04, publicada em 26.7.04, que, por sua vez, ressuscitou os créditos presumidos da agroindústria com outras regras, conforme conferido no art. 8º, in verbis (Grifos meus): “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 45 44 COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” Dessa forma, é de se transparecer que a Lei 10.925/04 estabeleceu a possibilidade da pessoa jurídica deduzir da contribuição para o PIS e para a Cofins, devidas em cada período de apuração, o crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos nos inciso II do caput do art. 3º da Lei 10.637/02 e 10.833/03 – quando adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Essa Lei ainda revela em seu art. 17, entre outros (Grifos meus): “Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; [...]” A Lei 10.925/04, então, com efeito, reinstituiu novas hipóteses de créditos presumidos – art. 8º com aplicação dessas novas regras a partir de 1.8.04. É de se trazer ainda que a Lei 10.925/04 manteve, assim como a MP 183/03, a revogação dos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei 10.637/02 e §§ 11 e 12 do art. 3º, da Lei 10.833/03. O que, por conseguinte, constatase, depreendendo da análise da legislação até esse momento, que não haverseia que se falar, a rigor, em possibilidade de se efetuar a compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação aos créditos ora em discussão. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 46 45 Em respeito às mesmas argumentações, não seria também possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelo art. 8º da Lei 10.925/04, pois à época não havia previsão legal para tanto. Ou seja, com a Lei 10.925/04, não houve alterações nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que contemplavam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º” dessas Leis, tampouco houve previsão legal permitindo tal feito aos créditos reinstituídos pelo art. 8º da Lei 10.925/04. Eis a lembrança da redação do art. 5º da Lei 10.637/02 e art. 6º da Lei 10.833/03 – que não foi alterada até aquele momento (Grifos meus): “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria” “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 47 46 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” Dando seguimento, temse que, em 30.12.05, foi publicada a IN 600/05 que trouxe em seu art. 21 (Grifos meus): “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: [...]” Portanto, é de se notar que a RFB não havia apreciado outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição em cada período. No entanto, em 19.5.05, foi publicada a Lei 11.116/05, que trouxe em seu art. 16, in verbis (Grifos meus): “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de Fl. 743DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 48 47 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. “ Em vista desse dispositivo, vêse que o legislador possibilitou o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado na forma do art. 3º da Lei 10.637/02 e art. 3º da Lei 10.833/03 – e de forma retroativa, conforme comando esposado no parágrafo único do art. 16 da Lei 11.116/05. Ademais, é de se trazer que, em 14.10.09, foi publicada a Lei 12.058/09, que trouxe, entre outros, o art. 36 (Grifos Meus): “Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: Fl. 744DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 49 48 I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2010. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Com o advento da Lei 12.058/09, houve expressamente, relativamente ao crédito presumido reinstituído com novas regras dispostas no art. 8º da Lei 10.925/04: · Permissão de se compensar o saldo dos créditos presumidos com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; · Autorização de se pedir o ressarcimento em dinheiro sob a ressalva de que o pedido somente poderia ser efetuado: (i) para créditos apurados nos anoscalendários de 2004 a 2007, a partir do mês subsequente ao da publicação da Lei; (ii) para créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 1/2009 e o mês de aplicação dessa Lei, a partir de 1.1.2010; O que, por conseguinte, ratificou também o legislador os direitos concedidos pela Lei 12.058/09, permitindo o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04. Continuando, ainda foi publicada em 21.12.10 a Lei 12.350/10 – que dispôs em seu art. 55, in verbis (Grifos Meus): Fl. 745DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 50 49 “Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência) II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4o do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 51 50 § 4o O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 5o É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1o deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II – de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo, exceto em relação às receitas auferidas com vendas dos produtos classificados nas posições 23.04 e 23.06 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). § 6o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 7º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 6o deste artigo poderá: I – efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II – solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 8º O disposto no § 7o deste artigo aplicase somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação, sobre o valor da aquisição de bens Fl. 747DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 52 51 relacionados nos incisos do caput deste artigo, da relação percentual existente entre a receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O disposto neste artigo aplicase também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 10. O crédito presumido de que trata este artigo aplicarse á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Sendo assim, resta claro que: · As Leis 12.058/09 e 12.350/10 conferiu o direito de compensação ou ressarcimento do crédito presumido apurados na forma do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04; · O legislador possibilitou o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado na forma do art. 3º da Lei 10.637/02 e art. 3º da Lei 10.833/03 – e de forma retroativa, conforme comando parágrafo único do art. 16 da Lei 11.116/05. Não há que se falar, portanto, em impossibilidade de se aproveitar o crédito presumido do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04 por meio de pedido de ressarcimento, ainda que apurado antes de 2006. Não obstante, quanto à sua aplicação, nos resta somente discorrer sobre quando o pedido de ressarcimento desses créditos poderia ser efetuado, eis que a Lei 12.058/09 expressamente trouxe tal possibilidade quando o pedido fosse efetuado somente a partir de 1.1.2010. Nessa parte, independentemente do que rege essa Lei e de entender que, com a Lei 12.350/10, não há que se falar em obstáculo para a fruição desse crédito por meio de pedido de ressarcimento, ainda que efetuado em qualquer Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 53 52 momento que não aquele engessado pela Lei 12.058/09, é de se lembrar o art. 106 do CTN. Sabese que tal dispositivo autoriza a aplicação da Lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulenta e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo – conforme transcrito abaixo: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Ora, as Leis 12.058/09 e 12.350/10 trouxe o direito à compensação e ao ressarcimento – já previsto pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 – e direcionou a correta interpretação à Lei 10.925/04 – no que se refere ao direito de aproveitamento de crédito presumido de PIS e Cofins não cumulativo da agroindústria. Sendo assim, em respeito ao art. 106 do CTN, não obstante essa julgadora já entender pela aplicação da regra posta pelas Leis, considerando a intenção do legislador, devese aplicar retroativamente as referidas normas sem qualquer obstáculo a fruição dos créditos em questão por meio de pedido de ressarcimento. Com tais considerações, vêse que o ressarcimento pretendido pelo sujeito passivo deve prosperar. O que dou provimento ao seu recurso nessa parte. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 54 53 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 55 54 No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de Fl. 751DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 56 55 produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matérias primas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 57 56 Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 13161.001374/200726 Acórdão n.º 9303007.593 CSRFT3 Fl. 58 57 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 754DF CARF MF
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