Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.727083/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto.
FUNDOS E/OU CLUBES DE INVESTIMENTO. RESGATE DE QUOTAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Tratando-se de fundos de investimento cujo cálculo do imposto de renda ocorre no resgate de quotas, descabe falar em decadência do direito de se constituir o crédito tributário, em relação à operação de contabilização das ações bonificadas recebidas.
AÇÕES BONIFICADAS. CLUBES DE INVESTIMENTO. RECÁLCULO DAS QUOTAS. IMPOSSIBILIDADE.
As ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, portanto não pode servir de lastro para emissão de novas quotas.
CLUBES DE INVESTIMENTO. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE.
Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, por ser entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal, deve-se imputar-lhe personalidade jurídica, para fins tributários.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 2201-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) Quanto ao Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade, OAB/CE 28.335.
Assinado Digitalmente
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. FUNDOS E/OU CLUBES DE INVESTIMENTO. RESGATE DE QUOTAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tratando-se de fundos de investimento cujo cálculo do imposto de renda ocorre no resgate de quotas, descabe falar em decadência do direito de se constituir o crédito tributário, em relação à operação de contabilização das ações bonificadas recebidas. AÇÕES BONIFICADAS. CLUBES DE INVESTIMENTO. RECÁLCULO DAS QUOTAS. IMPOSSIBILIDADE. As ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, portanto não pode servir de lastro para emissão de novas quotas. CLUBES DE INVESTIMENTO. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, por ser entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal, deve-se imputar-lhe personalidade jurídica, para fins tributários. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.727083/2013-84
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573509
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.762
nome_arquivo_s : Decisao_11080727083201384.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 11080727083201384_5573509.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) Quanto ao Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade, OAB/CE 28.335. Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 20/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6308025
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124343189504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.727083/201384 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201002.762 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IRPF Recorrentes GERVAL INVESTIMENTOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. FUNDOS E/OU CLUBES DE INVESTIMENTO. RESGATE DE QUOTAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tratandose de fundos de investimento cujo cálculo do imposto de renda ocorre no resgate de quotas, descabe falar em decadência do direito de se constituir o crédito tributário, em relação à operação de contabilização das ações bonificadas recebidas. AÇÕES BONIFICADAS. CLUBES DE INVESTIMENTO. RECÁLCULO DAS QUOTAS. IMPOSSIBILIDADE. As ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, portanto não pode servir de lastro para emissão de novas quotas. CLUBES DE INVESTIMENTO. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, por ser entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal, devese imputarlhe personalidade jurídica, para fins tributários. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 70 83 /2 01 3- 84 Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) Quanto ao Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade, OAB/CE 28.335. Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2008 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 19.408.125,42, calculado até 07/2013. A fiscalização apurou majoração indevida dos custos do investimento e, consequentemente, apuração a menor do IRRF incidente sobre os ganhos auferidos nos resgates de quotas. A autoridade fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Frederico Carlos Gerdau Johannpeter. Cientificada do lançamento, a Gerval Investimentos Ltda apresentou impugnação em 02/08/2013 (fls. 1247/1280), acompanhada de documentos (fls. 1281/1371), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Na descrição dos fatos, afirma que o procedimento contestado pela Fiscalização consistiu na transferência direta de ações bonificadas dos clubes de investimento para os seus cotistas, e não o recebimento das ações diretamente pelos clubes, uma vez Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 3 3 que estes têm a natureza de condomínios. Recebidas as ações pelo cotista (que declarou o respectivo montante na sua DIRPF como rendimento isento, nos termos do artigo 10, parágrafo único da Lei nº 9.249/95), este em seguida as utilizou na integralização de novas cotas emitidas pelos clubes. Preliminarmente, alega ter ocorrido erro de cálculo atinente à apuração do tributo supostamente devido em janeiro de 2009, já que a fiscalização deixou de abater o IRRF retido e recolhido pela impugnante sobre os resgates de cotas do Clube de Investimento Triplo, efetuados pelo cotista em 26.01.2009 e 28.01.2009, conforme quadro a seguir: (...) Entende ser necessário, portanto, que se corrija o erro apontado, cancelandose parte da exigência fiscal. Ainda em sede de preliminar, alega a ocorrência de decadência, uma vez que a Fiscalização, ao calcular e cobrar o IRRF, considerou que o aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto seria o momento dos resgates das cotas, e não as datas de recebimento das ações bonificadas pelos cotistas. Ao seu ver, o que se está exigindo é o imposto sobre as próprias bonificações (e não sobre o ganho auferido quando do resgate das cotas), considerando tais rendimentos como tributáveis já que deixou de aplicar a isenção prevista no artigo 10, parágrafo único da Lei nº 9.249/95. Sendo assim, deveria o Fisco ter lançado o imposto por ocasião do pagamento das ações bonificadas (13.04.2006 e 13.06.2008), o que, no entanto, não mais era possível, tendo em vista o decurso do prazo previsto no artigo 150, §4º do CTN. Para as bonificações recebidas em 13.04.2006, a decadência ocorreria, ainda que se considere a contagem do artigo 173, I. Cita decisão do antigo Conselho de Contribuintes (acórdão nº 104718701, de 18.04.2002) no sentido de que o custo de aquisição de determinado ativo não pode ser contestado pelo Fisco, se ultrapassado o prazo de cinco anos. Além disso, segundo o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 7, de 24.05.2007, o fato gerador do IRRF ocorre quando do aporte ou da integralização de valores mobiliários em clubes de investimento, incidente sobre o ganho de capital derivado da diferença positiva entre o valor de mercado dos ativos aportados e o respectivo custo de aquisição. Desta forma, o Fisco deveria ter exigido o IRRF supostamente incidente no aporte das ações bonificadas nos clubes de investimento, o que, porém, também não mais poderia fazer, já que as bonificações foram integralizadas em 13.04.2006 e 13.06.2008. Conclui que o direito de lançar o crédito tributário encontrava se decaído na data da notificação da lavratura do auto de Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 infração (09.07.2013), quer se considere ocorrido o fato gerador do IRRF quando do recebimento das ações bonificadas pelo cotista, quer se considere a sua ocorrência no momento da integralização das bonificações nos clubes de investimento. A autuada combate o lançamento também no mérito. Observa que os clubes de investimento constituem condomínios integrados por pessoas físicas com vistas à aplicação de recursos comuns em títulos e valores mobiliários, e por isso não têm personalidade jurídica, e seus cotistas detêm, em copropriedade, os títulos e valores mobiliários integrantes da sua carteira ou do seu patrimônio. Por não terem personalidade jurídica, os clubes (bem como os fundos de investimento) são, em sua maioria, entidades não sujeitas à tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS, já que o sujeito passivo destes tributos é a pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada (é o caso, como exceção, dos fundos de investimento imobiliário, conforme o artigo 2º da Lei nº 9.779/1999). O artigo 28, parágrafo 10, "a" da Lei nº 9.532/97, combinado com o artigo 33 da mesma lei, reconhece que o fundo ou clube de investimento não são contribuintes de impostos e contribuições. Apenas os rendimentos e ganhos auferidos pelos cotistas é que sofrem a incidência do imposto de renda. No caso, portanto, os cotistas dos clubes Comitê, Jota, PB, Triplo e Iaribe não perderam a titularidade dos títulos e valores mobiliários que passaram a integrar a carteira dos clubes, mas apenas conferiram a eles, ou ao seu administrador a impugnante os poderes de gestão dos bens. Pertencem aos cotistas também, por conseguinte, os produtos, frutos, proventos ou rendimentos da coisa em comum. O Parecer CVM/SJU nº 102, de 23.09.1983, inclusive, assevera que são os cotistas que participam do mercado de capitais, por meio de um representante legal do condomínio. Assim, conquanto o clube de investimento figure nas negociações de mercado, ele o faz na qualidade de representante de seus cotistas. O fato de os registros constantes dos livros de ações ou dos controles de instituições financeiras fazerem menção aos clubes, e não aos cotistas, se explica pela legitimação conferida ao representante do condomínio, nos termos do artigo 28, parágrafo único, da Lei nº 6.404/76, como explicitado naquele Parecer. Desta maneira, a impugnante entende ser incorreta a afirmação da fiscalização de que os acionistas das empresas que promoveram as bonificações são os clubes de investimento, e que não há autorização para transferência direta de ações bonificadas pelos clubes aos cotistas. Ao seu ver, as ações bonificadas, tais como os dividendos e os juros sobre o capital próprio, constituem disponibilidades, cuja transferência aos cotistas é admitida pelo ordenamento jurídico, dada a natureza condominial do clube de investimento, e por isso não é correta a afirmação do autuante de que apenas os dividendos e juros sobre o capital próprio representam novas disponibilidades de recursos, aptos a serem reaplicados ou Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 4 5 entregues diretamente aos cotistas. A regulamentação dos clubes de investimento, apesar de não autorizar expressamente a transferência direta das ações bonificadas, tampouco a impede. Os estatutos sociais dos clubes Comitê, Jota, PB, Triplo e Iaribe determinavam que os frutos, produtos ou rendimentos dos títulos e valores mobiliários deveriam ser reinvestidos nos clubes, o que foi feito pelos cotistas, quando receberam as bonificações e, ato contínuo, integralizaramnas nos clubes. Sendo assim, legítimo o procedimento do cotista de declarar como isentos os valores recebidos a título de ações bonificadas, e, ao reinvestir as ações nos clubes de investimentos, não houve qualquer majoração indevida do custo de suas cotas, não havendo, portanto, qualquer diferença de IRRF a ser cobrada. A impugnante admite que há diferenças entre as ações bonificadas e os dividendos, porém não concorda com a conclusão a que chegaram os autuantes, de que as ações não poderiam ser transferidas diretamente aos cotistas, ao contrário dos dividendos. A despeito das peculiaridades de um e de outro, as bonificações, assim como os dividendos, são um direito do acionista, derivado da sua condição de titular de ações, e também derivado dos lucros apurados pela companhia. São mecanismos de disponibilização dos lucros, o que é confirmado pelo artigo 1º da Lei nº 9.532/97, o qual, ao dispor sobre a tributação dos lucros auferidos no exterior, considera que o emprego do lucro, por meio de capitalização, constitui hipótese de sua disponibilização. Sob o ponto de vista fiscal tal distinção não tem qualquer influência, tanto assim que o artigo 10 da Lei nº 9.249/95 atribui tratamento idêntico aos dividendos ("caput") e às ações bonificadas (parágrafo único). Sendo assim, afirma que carece de legitimidade o raciocínio da Fiscalização, de que quando a companhia emprega o lucro no pagamento de dividendos, o cotista do clube de investimento faz jus à isenção do artigo 10 da Lei nº 9.249/95, porém não quando o lucro for empregado em ações bonificadas. Observa que, ainda que não fosse possível a transferência direta de ações bonificadas aos cotistas, o ingresso destas ações no clube de investimento deve impactar o valor das cotas, sob pena de, afinal, tributarse o que não está sujeito à tributação (as ações bonificadas), desrespeitandose a natureza condominial do clube de investimento, que é mero gestor de bens de terceiros, uma entidade "transparente", desprovida de personalidade jurídica, que não é titular dos títulos e valores mobiliários integrantes de sua carteira. Conclui requerendo, sem prejuízo da correção do apontado erro de cálculo, o acolhimento da impugnação, com o cancelamento do auto de infração. Caso mantida a exigência fiscal, requer o afastamento da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 Argumenta que o artigo 61, "caput" e parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96 somente prevê a aplicação do referido encargo sobre os tributos e contribuições, sendo que as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, a teor do artigo 3º do CTN. O parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96, por outro lado, trata da incidência de juros sobre a multa cobrada isoladamente, que se contitui em crédito tributário principal. No caso da multa calculada proporcionalmente ao principal do tributo devido, no entanto, é este que constitui o crédito tributário principal. Em igual sentido já se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por exemplo, no acórdão CSRF/010200.722. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos. Informa que a matéria objeto da impugnação não foi submetida à apreciação judicial. Por sua vez, o responsável solidário apresentou impugnação em 02/08/2013 (fls. 1224/1232), acompanhada de documentos (fls. 1233/1246), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Afirma que não foram os clubes de investimento que receberam as ações bonificadas, ao contrário do que aduzem os autuantes, mas que houve uma transferência direta de ações bonificadas dos clubes para os seus cotistas, o que é consentâneo com a sua natureza condominial. Por ter recebido ações bonificadas, declarou em sua DIRPF o respectivo montante no campo reservado para os "rendimentos isentos e não tributáveis", por conta da isenção prevista no artigo 10, parágrafo único da Lei nº 9.249/95. Ato contínuo, utilizou as ações bonificadas na integralização de novas cotas, emitidas por cada um dos clubes de investimento. Argumenta que o artigo 124, I é inaplicável ao presente caso, pois o mero benefício econômico não é motivo suficiente para a atribuição de solidariedade. Segundo entendimento dominante na doutrina e na jurisprudência, o interesse comum a que alude o artigo diz respeito ao fato gerador da obrigação tributária, ou seja, apenas fica caracterizado nas situações em que pessoas figurem em um mesmo polo na relação jurídica descrita hipoteticamente em lei como fato gerador de determinado tributo. É o caso, por exemplo, dos condôminos de um imóvel, em relação ao IPTU incidente sobre aquela propriedade. Cita neste sentido decisão do STJ no Recurso Especial nº 859.616RS, de 18.09.2007, bem como diversas decisões do CARF (acórdãos nº 120200030, de 12.05.2009; 1402001.237, de 06.11.2012; 1302000.960, de 08.08.2012). A atribuição de solidariedade também afrontou o Parecer Normativo nº 1/2002, que nos seus parágrafos 8 a 10 esposa o entendimento de que na retenção exclusiva na fonte subsiste a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora ainda que ela não tenha retido o imposto. Caso se admita como válida a atribuição de responsabilidade solidária, praticamente em todos os casos, se não em todos, que Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 5 7 envolvem retenção exclusiva na fonte, o contribuinte seria responsável solidário, pois o não recolhimento do imposto pela fonte pagadora lhe beneficiaria economicamente. Requer o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Se mantido, requer o cancelamento da exigência fiscal de IRRF, pelas mesmas razões da defesa apresentada pela Gerval Investimento em sua peça impugnatória, à qual se reporta e cujas razões devem ser consideradas parte integrante da sua impugnação. A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou parcialmente procedente as impugnações de Gerval Investimentos Ltda e Frederico Carlos Gerdau Johannpeter, conforme ementas abaixo transcritas: CLUBES DE INVESTIMENTO. RECEBIMENTO DE AÇÕES BONIFICADAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Não obstante o caráter condominial dos clubes de investimento, são os próprios clubes que recebem ações bonificadas distribuídas pelas companhias em decorrência do aumento de capital social por incorporação de lucros ou reservas, e não os seus cotistas. Da mesma forma, a regra que determina considerar como custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado é aplicável na apuração do ganho líquido obtido pelo próprio clube. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Nos termos do Parecer Normativo nº 1/2002, no caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. ERRO DE CÁLCULO. CORREÇÃO PELA DELEGACIA DE JULGAMENTO. Constatada a ocorrência de erro de cálculo na apuração do crédito tributário, deve a Delegacia de Julgamento corrigilo.. Impugnação Procedente em Parte A conclusão a decisão de primeira instancia foi no seguinte sentido: ... voto pela procedência parcial das impugnações, para afastar a responsabilidade tributária atribuída a Frederico Carlos Gerdau Johannpeter e cancelar parcialmente o crédito tributário lançado, conforme demonstrativo abaixo. (...) Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 Intimada da decisão de primeira instância em 11/03/2014 (fl. 1409), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 08/04/2014 (fls. 1416/1459), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. A Fazenda Nacional apresenta às fls. 1469/1485 contrarrazões ao recurso voluntário alegando, em síntese, verbis: II.1. Matéria prejudicial arguida pelo contribuinte. Da inocorrência de decadência. Como se observa, o enunciado normativo elege claramente como critério temporal da hipótese de incidência o resgate das cotas, não o recebimento de qualquer bonificação. Com efeito, não se pode eleger as datas das bonificações como critério temporal, por absoluta falta de compatibilidade com o preceito legal em exame. Justamente porque o termo inicial da decadência leva em consideração a ocorrência do fato gerador, não há nesse ponto qualquer influência da data em que foram contabilmente apropriadas as bonificações. Isso porque a figura da “glosa” não se submete à decadência. O que se submete a prazo decadencial é o lançamento. Digase de passagem, observese que os julgados colacionados pela Recorrente, além de antigos, dizem respeito a IRPJ e não a IRPF ou IRRF. (...) II.2. Das ações bonificadas recebidas pelos clubes de investimento. Como se observa, então, não houve substrato patrimonial para a chamada “bonificação em quotas”, de modo que este aumentou indevidamente o custo de aquisição do investimento dos cotistas e reduziu o ganho de capital e a respectiva tributação. A explicação também consta da autuação: a distribuição de novas cotas, houve também a redução do valor patrimonial de cada cota. Dessa forma, não havendo ingresso de riqueza nova, não pode haver aproveitamento das novas cotas como custo. Digase de passagem, a própria Recorrente admite essa circunstância em suas petições. II.3. Inaplicabilidade do artigo 10, parágrafo único, da Lei nº 9.249/95 aos cotistas de clubes de investimento. Como se observa, o lote de ações em condomínio pode ser livremente dividido entre os condôminos. Já no caso de clubes de investimento, a indivisibilidade não pode ser desfeita em virtude da vontade dos condôminos, conforme se observa do artigo 54 do Regulamento anexo à Resolução 303/2005CA da BOVESPA: (...) Em sede de Direito Tributário, a personificação anômala do condomínio é o suficiente para permitir que o mesmo seja sujeito passivo de uma relação tributária, uma vez que o artigo 126, Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 6 9 inciso III, do CTN, prevê que a capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. (...) Ora, se a posição de acionista é do clube de investimento e não a seus cotistas, apenas aquele pode se aproveitar a regra do parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/95. II.4. Dos juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os recursos reúnem os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, versa o processo sobre auto de infração relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) atinente aos anoscalendário 2008 e 2009. I – Do exame do Recurso de Ofício: Ao analisar a impugnação apresentada pela Contribuinte a autoridade julgadora de primeira instância reduziu o crédito tributário lançado, bem como excluiu do polo passivo da autuação o Sr. Frederico Carlos Gerdau Johannpeter. Relativamente ao primeiro provimento, entendeu a autoridade recorrida, verbis: Por fim, constato que têm razão os impugnantes em relação ao alegado erro de cálculo na apuração do crédito tributário. Conforme pode se constatar nos demonstrativos elaborados pela fiscalização (fls. 43 a 61), os AuditoresFiscais deduziram o imposto de renda retido na fonte, declarado nas DIRFs apresentadas pela Gerval, para chegar ao imposto apurado. (...) Os autuantes, no entanto, apenas consideraram as declarações referentes ao anocalendário 2008 (fls. 1.188 a 1.190), deixando de fazêlo em relação à DIRF de 2009 (fls. 1.377), em que consta IRRF retido nos meses de janeiro (R$ 951.662,47) e fevereiro (R$ 861.826,15). Apesar de constar na DIRF os meses de janeiro e fevereiro como os períodos em que ocorreram as retenções, nos demonstrativos entregues pela fiscalizada aos Auditores (fl. 1.137) os mesmos valores aparecem ambos no mês de janeiro (dias 26 e 28): (...) Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 No processo nº 11080.727080/201341, referente ao cotista Germano Hugo Gerdau Johannpeter, os autuantes deduziram em janeiro o IRRF declarado como tendo sido retido no mês de fevereiro (DIRF à fl. 1.378), como se demonstra abaixo: (...) Desta maneira, usarei do mesmo critério, deduzindo do crédito tributário do mês de janeiro o IRRF declarado em DIRF para os meses de janeiro e fevereiro.. De fato, compulsandose o processo nº 11080.727080/201341, verificase que a fiscalização deduziu o imposto de renda retido na fonte, declarado nas DIRFs apresentadas pela Gerval, para chegar ao imposto apurado. No caso destes autos, como se trata de situação idêntica, devese deduzir o IRRF retido sobre o resgate de quotas ocorrido em 26/01/2009 e 28/01/2009, conforme DIRFs de fls. 1377/1378. Quanto à imputação de responsabilidade solidária do quotista Frederico Carlos Gerdau Johannpeter, a decisão recorrida se manifestou no seguinte sentido: Os fundamentos para a imputação da solidariedade são os seguintes: o cotista teve interesse comum na situação que constitui o fato gerador (artigo 124, I, do CTN), uma vez que beneficiouse economicamente da não retenção do imposto; o cotista tinha conhecimento e concordou com os procedimentos adotados pela Gerval; o cotista era Diretor Conselheiro da Gerval nos anos de 2006 e 2008 e nesta qualidade dela recebeu remuneração mensal naqueles anos. O impugnante, por sua vez, argumenta que: o artigo 124, I é inaplicável ao presente caso, pois o mero benefício econômico não é motivo suficiente para a atribuição de solidariedade; o Parecer Normativo nº 1/2002 estabelece que na retenção exclusiva na fonte subsiste a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora ainda que ela não tenha retido o imposto. Uma primeira observação a fazer é que os autuantes constatam interesse comum entre administradora e cotista não na "situação que constitui o fato gerador", no caso o acréscimo patrimonial em virtude da valorização das cotas, mas sim no fato da não retenção do imposto, o que já prenuncia uma incorreta aplicação do artigo 124, I, do CTN. De todo modo, a jurisprudência tem se consolidado no sentido de que o interesse comum, de que trata o artigo, não é o interesse econômico, mas sim o jurídico, que se configura quando ambos os responsáveis tributários praticam o fato gerador. Cito, por exemplo, trecho da ementa do Recurso Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 7 11 Especial nº 859.616 RS, julgado em 18.09.2007 pelo Superior Tribunal de Justiça: (...) O imposto de que estamos tratando é retido e pago pelo administrador dos clubes de investimento, sendo de incidência exclusiva na fonte, nos termos dos artigos 28, II, 32 e 33, todos da Lei nº 9.532/97, e dos artigos 8º, caput, e 16, caput e parágrafo primeiro, da Instrução Normativa SRF nº 25/2001, vigente à época dos fatos: (...) A Gerval e os cotistas dos clubes de investimento não praticam, ambos, o fato gerador do tributo. Na realidade, apenas o cotista o faz, sendo a administradora dos clubes responsável tributário por expressa determinação legal. A rigor, nem se poderia dizer que ambos têm interesse econômico em comum, que neste caso parece ter apenas o cotista, uma vez que o imposto de renda na fonte seria pago com recursos seus, apenas retidos pela administradora. A não retenção do imposto, a não ser que provado em contrário, em nada beneficiaria a Gerval. Isto é verdade para todos os casos em que há a retenção de valores para pagamento do tributo. Caso vingasse a tese da fiscalização, em todos os casos de não retenção na fonte o contribuinte teria que ser responsabilizado. Não é o que entende a própria Secretaria da Receita Federal, no entanto, que em 2002 expediu o Parecer Normativo nº 1, publicado no DOU de 25.09.2002, em que explicitamente estabelece que: (...) Os parágrafos 18 a 22 tratam da não retenção por força de decisão judicial, e é apenas nesta hipótese que o Parecer admite que se efetue o lançamento em nome do contribuinte, no caso de retenção exclusiva na fonte. O fato de o cotista ter conhecimento de que o imposto não seria retido, e de ter sido ele Diretor Conselheiro remunerado da Gerval nos anos em que ocorreu o resgate das cotas, em nada muda o quadro traçado acima. No máximo poderia ensejar a responsabilidade nos termos do artigo 135, III, do CTN, caso demonstrado que o cotista, na qualidade de administrador da Gerval, agiu, pessoalmente, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que não foi feito pelos autuantes. Desta forma, considero indevida a inclusão de Frederico Carlos Gerdau Johannpeter no polo passivo da autuação. (grifei) Do exposto, verificase que a autoridade recorrida corretamente excluiu da sujeição passiva solidária, Frederico Carlos Gerdau Johannpeter, já que para figurar como Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 12 obrigado solidário com base no inciso I do art. 124 do CTN, a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada Contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. Como bem pontuou o acórdão recorrido “... o interesse comum, de que trata o artigo, não é o interesse econômico, mas sim o jurídico, que se configura quando ambos os responsáveis tributários praticam o fato gerador”. No caso dos autos, tratase de situação em que a lei não só atribuiu a responsabilidade a terceira pessoa, à fonte pagadora dos rendimentos, mas determinou que essa responsabilidade seria exclusiva, como previsto no art. 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Portanto, é absolutamente incompatível a imputação de responsabilidade solidária a Frederico Carlos Gerdau Johannpeter. II Do exame do Recurso Voluntário Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar a preliminar de decadência do crédito tributário. Alega a suplicante, em linhas gerais, que “... ao calcular e cobrar o IRRF, a fiscalização considerou que o aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto seria o momento dos resgates das cotas, verificados em novembro e dezembro de 2008 e em janeiro e fevereiro de 2009, e não as datas de percepção ou recebimento das ações bonificadas pelos cotistas (13.4.2006 e 13.6.2008). Mas isto não passou de manobra adotada pela fiscalização, com o objetivo de afastar ou evitar a decadência do crédito tributário". De pronto, verifico, pois, que não assiste razão à Recorrente. O art. 744 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 é de uma clareza meridiana quando dispõe que o imposto de renda será calculo no resgate das quotas. Vejase: Art. 744. Os fundos de investimento cujas carteiras seja constituídas, no mínimo, por sessenta e sete por cento de ações negociadas no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade assemelhada, calcularão o imposto no resgate de quotas abrangendo os rendimentos e ganhos totais do patrimônio do fundo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 28, § 6º, e Medida Provisória nº 1.75316, de 1999, art. 2º). § 1º A base de cálculo do imposto será constituída pela diferença positiva entre o valor de resgate e o valor de aquisição da quota, líquido de IOF (Lei nº 9.532, de 1997, art. 28, § 7º). A alegação de que as ações bonificadas foram recebidas em 13/04/2006 e 13/06/2008, não tem qualquer relação com a hipótese de incidência, já que o art.114 do CTN, define fato gerador da obrigação principal como a situação definida em lei como necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. Ademais, como será melhor esclarecido adiante, os clubes de investimento sujeitamse às mesmas normas do imposto de renda aplicáveis aos fundos de investimento, consoante dispõe o art. 33 da Lei nº 9.532/1997. Portanto, os rendimentos produzidos pelos fundos de investimento estão sujeitos à tributação pelo IRRF, exclusivamente no resgate das quotas, independentemente do anocalendário em que as bonificações foram apropriadas. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 8 13 Ressaltese o Ato Declaratório InterpretativoRFB nº 7/2007 não se aplica à espécie, já que se trata de ato de integralização de quotas de capital social cuja transferência se dar por valor superior ao da declaração, na forma do art. 23 da Lei nº 9.249/1995. Assim, como os resgates das quotas ocorreram em novembro e dezembro de 2008 e em janeiro e fevereiro de 2009, o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. Rejeitase, pois, a preliminar de decadência. No mérito, alega a suplicante que os clubes de investimento apenas figuram nos livros ou registros afetos às ações por questões burocráticas e, por essa razão, não substitui os verdadeiros proprietários dos títulos e valores mobiliários, já que a propriedade das ações é dos quotistas. Assevera ainda que "... o Sr. Agente Fiscal e o acórdão recorrido concluíram que somente os dividendos e juros sobre o capital próprio, podem ser distribuídos diretamente aos cotistas, contrariando, portanto, a natureza jurídica dos clubes de investimento, enquanto entidades condominiais, desprovidas de personalidade jurídica. Conclui a recorrente que "Logo, tendo o Frederico Carlos Gerdau Johannpeter recebido ações bonificadas, legítimo o procedimento de declarar o respectivo montante em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física no campo atinente aos "rendimentos isentos e não tributáveis", haja a vista a isenção de que trata o art. 10, parágrafo único, da Lei n. 9249, de 1995. Por sua vez, defende a autoridade fiscal e recorrida que, não obstante o caráter condominial dos clubes de investimento, são os próprios clubes que recebem ações bonificadas distribuídas pelas companhias em decorrência do aumento de capital social por incorporação de lucros ou reservas, e não os seus cotistas. Assim, a regra que determina considerar como custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado é aplicável na apuração do ganho líquido obtido pelo próprio clube. Delineada a controvérsia, urge entender melhor a natureza jurídica desta sociedade, já que a Contribuinte sustenta que os clubes de investimento são condomínios e, como tal, não dotados de personalidade jurídica capaz de atrair a responsabilidade pela tributação do imposto de renda. Pois bem, relativamente à análise tributária dos clubes de investimento, deve se, primeiramente, trazer a baila o art. 33 da Lei nº 9.532/1997 que determina a aplicação das normas atinentes aos fundos de investimento: Art. 33. Os clubes de investimento, as carteiras administradas e qualquer outra forma de investimento associativo ou coletivo, sujeitamse às mesmas normas do imposto de renda aplicáveis aos fundos de investimento. Os fundos de investimento, assim como os clubes de investimento, são definidos por parte da doutrina como sociedade jurídica despersonalizadas, ou seja, uma espécie de condomínio especial, pois, ainda que não vise ao lucro, e capaz adquirir direitos e contrair obrigações. O mestre Modesto Carvalhosa em sua obra “Comentários à Lei das Sociedades Anônimas” leciona: O fundo de investimentos é um patrimônio de propriedade comum de diversas pessoas, administrado por uma instituição Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 14 financeira, constituído de valores mobiliários diversificados (inclusive ações) e de moeda corrente. Perguntase, na hipótese, se o fundo de investimentos seria um condomínio convencional semelhante ou mesmo idêntico ao condomínio de lote de ações. Embora Cunha Peixoto negue essa natureza ao fundo de investimento, chegando a lhe emprestar a figura de pessoa jurídica e mesmo de sociedade mercantil, parecenos, data venia, que se trata de um condomínio pro indiviso. E, por ser assim, os participantes que deixam o fundo não recebem sua parte em ações ou qualquer outro valor, mas o valor do resgate de sua participação naquele, calculado pelo valor patrimonial do fundo à época da despedida. Tratase, portanto, o fundo de investimento de um condomínio de lote de ações e outros valores mobiliários, pro indiviso, regulado por normas especiais que lhe dão caráter institucional. De fato, diversos fatores conferem aos fundos/clubes de investimento personalidade jurídica anômala, são eles: a) capacidade processual nos termos do CPC; b) patrimônio próprio e autônomo; c) escrituração contábil própria; d) ausência de propriedade direta sobre ações; e) órgão representativo dos investidores (Assembléia Geral); f) gestor e administrador próprios. Diferentemente do que faz crer a Recorrente, o clube de investimento não pode ser enquadrado como um condomínio previsto no Código Civil, na acepção clássica da palavra, mas, fundamentalmente, uma forma especial de condomínio que tem no administrador, em conjunto com o seu gestor, a sua figura central. Não de pode perder de vista que a legislação confere aos clubes de investimento a titularidade de diversos direitos, incluindo o direito de propriedade sobre o patrimônio constituído a partir dos recursos aportados pelos quotistas. Como bem pontuou o professor Fábio Konder Comparato1 os regulamentos dos fundos e os estatutos das companhias “são corpos de normas, objetivas e impessoais, exatamente porque as sociedades por ações, ou os fundos de investimento, constituem reuniões de capitais, representados por ações ou quotas, e não reuniões de pessoas determinadas”. De fato, os investidores não possuem propriedade direta sobre os investimentos do fundo, sendo que os direitos dos quotistas são exercidos sobre todos os ativos da carteira de investimento de modo não individualizado, proporcionalmente ao número de quotas detidas. Mutatis mutandis, citase, outrossim, Instrução CVM n.º 472, de 31 de outubro de 2008, de que trata dos Fundos de Investimento Imobiliário (FII): Art. 8º O titular de cotas do FII: I – não poderá exercer qualquer direito real sobre os imóveis e empreendimentos integrantes do patrimônio do fundo; e É nesse sentido o entendimento de Marina Procknor e Gabriel Saad Kik Buschinelli em sua obra “Fundos de Investimento – Aspectos Regulatórios”: A propriedade das quotas não confere aos investidores propriedade direta sobre os investimentos do fundo, sendo que os direitos dos quotistas são exercidos sobre todos os ativos da 1 Restrições à circulação de ações em companhia fechada: Nova et vetera. Revista de Direito Mercantil, n. 36, 1979. Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 9 15 carteira de investimento de modo não individualizado, proporcionalmente ao número de quotas detidas. Com efeito, o poder para praticar à administração da carteira do clube de investimento é de seu administrador, no caso dos autos a Gerval Investimentos Ltda, estando os quotistas alijados de quaisquer poderes para tanto, consoante se observa da transcrição do art. 12 da Resolução n. 303/2005CA da então Bolsa de Valores do Estado de São Paulo ("BOVESPA"), vigente à época dos fatos: Artigo 12 Os recursos entregues pelos membros ao Clube de Investimento serão representados por quotas de igual valor. Parágrafo Único É facultado aos membros do Clube de Investimento a integralização de quotas mediante a entrega ou venda privada das ações ao Clube, desde que aprovada pelo Administrador do Clube e pelo Gestor da Carteira, e não conflitem com o disposto na política de investimentos do Clube e no disposto nos Capítulos VII e VIII deste Regulamento. No caso de integralização de quotas mediante a entrega ou venda privada das ações, o Clube registrará um crédito em nome do quotista em valor equivalente ao das ações recebidas e, ato contínuo, um débito pela atribuição das quotas subscritas pelo quotista. A Recorrente, na qualidade de administradora do clube de investimento, é a pessoa jurídica responsável pela gestão do patrimônio do fundo. De acordo com a professora Maria Helena Diniz2 a pessoa jurídica nada mais é do que a “unidade de pessoas naturais ou patrimônios, que visa a consecução de certos fins, reconhecida essa unidade como sujeito de direitos e obrigações”. Como sujeito de direito e obrigações o clube de investimento é, essencialmente, entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal. Portanto, não é correto afirmar que somente os entes personalizados podem praticar direitos e obrigações. Citase, novamente, a lição do professor Fábio Konder Comparato3: ... a personalização é uma técnica jurídica utilizada para se atingirem determinados objetivos práticos – autonomia patrimonial, limitação ou supressão de responsabilidade individuais –, não recobrindo toda a esfera da subjetividade, em direito. Nem todo sujeito de direito é uma pessoa. Assim, a lei reconhece direitos a certos agregados patrimoniais como o espólio e a massa falida, sem personalizálos. (grifei) Embora defenda a Contribuinte que os clubes de investimento são condomínios sem personalidade jurídica, tal fato em nada prejudica a imputação tributária, já que as entidades com personificação anômala estão aptas ao exercício de direitos e assunção de obrigações. A título meramente ilustrativo, verificase que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) enquadrou o condomínio edilícios como pessoa jurídica para fins tributários, consoante se extrai das ementas transcritas: 2 Curso de Direito Civil Brasileiro. Teoria Geral do Direito Civil. 29. Ed. São Paulo: Saraiva, 2012 3 O poder de controle na sociedade anônima. 3. ed. Rio de Janeiro : Forense, 1983. p. 268 Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 16 TRIBUTÁRIO. CONDOMÍNIOS EDILÍCIOS. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS DE ADESÃO À PROGRAMA DE PARCELAMENTO. REFIS. POSSIBILIDADE. 1. Cingese a controvérsia em saber se condomínio edilício considerado pessoa jurídica para fins de adesão ao REFIS. 2. Consoante o art. 11 da Instrução Normativa RFB 568/2005, o condomínios estão obrigados a inscreverse no CNPJ. A seu turno, Instrução Normativa RFB 971, de 13 de novembro de 2009, prevê, em seu art. 3º, § 4º, III, que os condomínios são considerados empresas para fins de cumprimento de obrigações previdenciárias. 3. Se os condomínios são considerados pessoas jurídicas para fins tributários, não há como negarlhes o direito de aderir ao programa de parcelamento instituído pela Receita Federal. 4. Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, a jurisprudência do STJ temlhe imputado referida personalidade jurídica, para fins tributários. Essa conclusão encontra apoio em ambas as Turmas de Direito Público: REs 411832/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado e 18/10/2005, DJ 19/12/2005; REsp 1064455/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 19/08/2008, DJe 11/09/2008. Recurso especial improvido. (REsp 1256912 / AL RECURSO ESPECIAL 2011/01229786) ........................... PROCESSO CIVIL E DIREITO CIVIL. DIREITOS REAIS. SERVIDÃO DE ÁGUA. ESTABELECIMENTO. CONDIÇÃO RESOLUTIVA. EXTINÇÃO PELA AUTOSSUFICIÊNCIA EM CAPTAÇÃO DA ÁGUA PELO PRÉDIO DOMINANTE (...) 2. Não é possível considerar, como fez o Tribunal de origem, que para ingressar no processo o proprietário teria de se valer do instituto da oposição. Se o condomínio não tem personalidade jurídica de direito civil, salvo para fins tributários, é incoerente dizer que ele possa ostentar um direito em oposição ao direito dos condôminos, notadamente quando se fala de direito real de servidão que, por determinação expressa de lei, é bem indivisível. (REsp 1124506 / RJ RECURSO ESPECIAL 2009/00307330) ................................ DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO PENHORA DE MÃO PRÓPRIA. EQUIPARAÇÃO A DEPÓSITO E DINHEIRO. PENHORA SOBRE ARRECADAÇÃO MENSAL D CONDOMÍNIO. (...) A despeito da sua personalidade restrita, é inegável que o condomínio tem aptidão para adquirir e exercer direitos e contrair obrigações. Ainda que não vise ao lucro, não pode ser tratado como simples estado de indivisão de bens. O condomínio, enquanto constituído para gerir um patrimônio Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 10 17 comum, deve realizar o se mister com eficiência, objetivando sempre a preservação e o cumprimento dos direitos e deveres de condôminos e terceiros. Diante disso, concluise pela possibilidade de penhora sobre arrecadação mensal do condomínio. (REsp 829.583/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 03/09/2009, DJe 30/09/2009). (grifei) Não obstante o Código Civil não tenha conferido ao condomínio a forma de pessoa jurídica, para fins de tributários, o condomínio pode e deve ser sujeito passivo da relação tributária. Assim, como as ações bonificadas foram recebidas diretamente pelo clube de investimento, conforme comunicados de fls. (fls. 193; 205; 209; 215; 219; 225; 229; 234; 238; 243), a isenção prevista no parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 somente se aplica ao próprio clube. Portanto, o procedimento efetuado pelo cotista Frederico Carlos Gerdau Johannpeter de declarar o respectivo montante em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física no campo atinente aos “rendimentos isentos e não tributáveis”, não encontra amparo legal. No que tange a alegação da Recorrente de que o recebimento das ações bonificadas poderia servir como lastro para emissão de novas quotas, já que aumentou o patrimônio dos clubes, reproduzo, de antemão, trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 21/23): 33 Os dois demonstrativos acima revelam, de forma clara que os valores das bonificações não afetam o patrimônio dos Clubes de Investimento. Em relação a 2006, o patrimônio dos Clubes sofreu um pequeno acréscimo de R$6.485.145,33 ou 0,5897%. Conforme já demonstrado acima, as bonificações totalizaram R$113.913.523,05, valor bem superior ao da variação do patrimônio do Clube. 34 Em 2008 o patrimônio dos Clubes sofreu um decréscimo de R$47.125.458,88 ou 1,5477%. As bonificações de 2008 totalizaram R$ 174.702.920,48. 35 Esclareçase que as variações patrimoniais ocorridas nos períodos referidos nos demonstrativos acima são decorrentes das oscilações de mercado dos ativos que compõem as carteiras dos Clubes de Investimento. Acrescentese que nas datas em exame os cotistas não promoveram aplicações ou resgates de recursos. 36 Ressaltese que as bonificações recebidas resultaram apenas. num aumento na quantidade de ações dessas companhias detidas pelo Clubes, conforme comprovam os Relatórios da Carteia Diária dos dias 13/04/2006 e 13/06/2008 apresentados pela GERVAL em resposta ao TIF n° 40/2012 (anexos 01.b e 01.f). 37 Então, as ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, pois as bonificações não representam ingresso de novas disponibilidades e não servem, portanto, de lastro para emissão de novas cotas. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 18 38 No mesmo sentido, aposição patrimonial do investimento dos cotistas igualmente não sofre alterações em função da emissão das novas cotas... (...) 39 Conforme demonstrativos acima, constatase que, nas datas das bonificações, o recebimento de novas cotas não afetou o patrimônio do cotista. Afinal, se, por um lado, houve aumento no número de cotas, por outro houve a redução do valor patrimonial da cota. A variação verificada se deu em função da oscilação de mercado dos ativos que compõem a carteira do Clube. 40 Entretanto, a emissão de novas cotas aumentou, de forma indevida, o custo do investimento dos cotistas. Na mesma linha, observese, na seqüência, a variação do Custo Histórico do investimento do cotista Frederico Carlos Gerdau Johannpeter, antes e depois da emissão das novas cotas pelo Clube de Investimento Comite. Do exposto, verificase que nas datas das bonificações, o recebimento de novas quotas não afetou o patrimônio do cotista, portanto, o valor das ações bonificadas recebidas por clubes de investimento em ações, emitidas em virtude de incorporação ao capital social da pessoa jurídica de lucros ou reservas, que corresponder às ações integrantes do fundo, não pode ser acrescido ao valor patrimonial das quotas que integram a carteira para fins de determinação do custo de aquisição. Não se pode perder de vista que a bonificação de ações advém do aumento de capital de uma sociedade, mediante a incorporação de reservas e lucros, quando são distribuídas gratuitamente novas ações a seus acionistas, em número proporcional às já possuídas. Assim, não existe alteração do valor possuído por cada acionista, já que a bonificação aumenta o capital e a quantidade de ações da empresa, porém sem alterar o valor do patrimônio líquido, pois as reservas fazem parte do patrimônio líquido da companhia (este evento não aumenta o valor da empresa, digase). Ademais, conforme dispõe a Solução de Consulta nº 22, de 11 de janeiro de 2008 SRRF/8ª RF/Disit “... para que o valor das ações bonificadas seja considerado custo de aquisição na apuração dos ganhos líquidos fazse necessário que haja previsão na legislação tributária ...”. Portanto, as ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos clubes de investimento, fundamentalmente por não representar ingresso de novas disponibilidades e, dessa feita, não pode servir de lastro para emissão de novas quotas. Por fim, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, penso que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, já que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Esse entendimento está pacificado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante a ementa destacada: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 11080.727083/201384 Acórdão n.º 2201002.762 S2C2T1 Fl. 11 19 No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000800/2003-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE.
A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado, por estar dispensada da declaração de ajuste anual por não ter auferido rendimentos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que davam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em exercício
EDITADO EM: 12/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado, por estar dispensada da declaração de ajuste anual por não ter auferido rendimentos. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10920.000800/2003-53
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566962
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.690
nome_arquivo_s : Decisao_10920000800200353.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10920000800200353_5566962.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que davam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em exercício EDITADO EM: 12/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6274153
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124370452480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 203 1 202 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10920.000800/200353 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.690 – 2ª Turma Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROGÉRIO SILVÉRIO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado, por estar dispensada da declaração de ajuste anual por não ter auferido rendimentos. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que davam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator e Presidente em exercício EDITADO EM: 12/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 08 00 /2 00 3- 53 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.000800/200353 Acórdão n.º 9202003.690 CSRFT2 Fl. 204 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, abrangendo, na forma muito bem relatada pela autoridade julgadora de 1a. instância (efl. 157): “ (...) a) omissão de rendimentos tributáveis recebidos durante o ano calendário 2000 (R$ 4.065,12); b) não comprovação de todas as deduções declaradas, no exercício 1999 (anocalendário 1998), a título de contribuição à previdência oficial, despesas médicas e pensão alimentícia judicial, e de parte das deduções declaradas, no mesmo exercício (1999), a título de dependentes; c) não comprovação de todas as deduções declaradas, no exercício 2000 (anocalendário 1999), a título de contribuição à previdência oficial, despesas médicas, despesas com instrução e pensão alimentícia judicial, e de parte das deduções declaradas, no mesmo exercício (2000), a título de dependentes; d) não comprovação de todas as deduções declaradas, no exercício 2001 (anocalendário 2000), a título de contribuição à previdência oficial, despesas médicas, despesas com instrução e pensão alimentícia judicial, e de parte das deduções declaradas, no mesmo exercício (2001), a título de dependentes; e) não comprovação de todas as deduções declaradas, no exercício 2002 (anocalendário 2001), a título de contribuição à previdência oficial, pensão alimentícia judicial e livro caixa, e de parte das deduções declaradas, no mesmo exercício (2002), a título de dependentes, despesas médicas e despesas com instrução. Na mesma forma de efls. 157/158, a autoridade fiscal, assim: “(...) a) no anocalendário 1998, glosou parte (R$ 5.400,00) das deduções declaradas a título de dependentes (R$ 8.640,00), e todas as deduções declaradas a título de contribuição à previdência oficial (R$ 2.844,49), despesas médicas (R$ 2.433,82) e pensão alimentícia judicial (R$ 3.800,00); Fl. 204DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.000800/200353 Acórdão n.º 9202003.690 CSRFT2 Fl. 205 3 b) no anocalendário 1999, glosou parte (R$ 5.400,00) das deduções declaradas a título de dependentes (R$ 8.640,00), e todas as deduções declaradas a título de contribuição à previdência oficial (R$ 3.280,72), despesas com instrução (R$ 1.288,04), despesas médicas (R$ 2.848,66) e pensão alimentícia judicial (R$ 4.600,00); c) no anocalendário 2000, alterou o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas de R$ 46.566,02 para R$ 50.631,14, e glosou parte (R$ 5.400,00) das deduções declaradas a título de dependentes (R$ 8.640,00), e todas as deduções declaradas a título de contribuição à previdência oficial (R$ 5.122,26), despesas com instrução (R$ 4.856,23), despesas médicas (R$ 4.866,92) e pensão alimentícia judicial (R$ 10.680,00); d) no anocalendário 2001, glosou parte (dependentes R$ 5.400,00 / instrução R$ 3.156,20 / médicas R$ 4.682,40) das deduções declaradas a título de dependentes (R$ 8.640,00), despesas com instrução (R$ 4.856,20) e despesas médicas (R$ 5.266,32), e todas as deduções declaradas a título de contribuição à previdência oficial (R$ 1.958,59), pensão alimentícia judicial (R$ 13.860,00) e livro caixa (R$ 14.393,16). A impugnação foi julgada parcialmente procedente, de forma a restabelecer a dedução a título de previdência oficial declarada no anocalendário de 2001 (efls. 156 a 165). O contribuinte apresentou Recurso de efl. 169, o qual, notese, se circunscreve à alegação de prescrição quanto ao lançamento efetuado. A propósito, o Acórdão nº 210100.872, da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 172 a 177), julgado na sessão plenária de 01 de dezembro de 2010, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de prescrição e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução da sogra do contribuinte (Rosa Santos Krueger), uma vez constatado que não houvera auferido rendimentos nos períodos objeto de lançamento superior ao limite de isenção e não tendo a esposa do fiscalizado declarado em separado. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado. PRESCRIÇÃO. RECURSO PENDENTE DE JULGAMENTO. SÚMULA CARF n° 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A prescrição somente começa a fluir a partir da decisão administrativa definitiva. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.000800/200353 Acórdão n.º 9202003.690 CSRFT2 Fl. 206 4 REMISSÃO. LEI n° 11.941/2009. Inaplicável a remissão pretendida pelo recorrente, para o crédito tributário lançado de valor superior a R$10.000,00. Recurso voluntário provido em parte. Cientificada dessa decisão em 26/04/2011 (efl. 179), a Fazenda Nacional apresentou, em 02/05/2011, recurso especial de divergência (efls. 181 a 187), onde defende que a situação de inexistência de renda declarada pela cônjuge do autuado, com esta constando como simples dependente na declaração daquele, não se confunde com a situação exigida em lei (art. 35 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995) para fins da dedução, a saber a existência da cônjuge como declarante na DIRPF. Para comprovar a divergência de interpretação da lei tributária, foi apresentado o seguinte paradigma: Acórdão no 10418936 IRRF — DEDUÇÃO — DEPENDENTES O sogro e sogra só podem ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora, se o casal fizer declaração em conjunto. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 193 a 195. Cientificado dessa decisão por edital de efl. 199, o contribuinte não ofertou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese a saber se, no caso de sogra, mãe de cônjuge de declarante, cônjuge este que não auferiu rendas em determinado anocalendário, a declaração em conjunto, figurando o cônjuge na qualidade de declarante (e não de simples dependente), é condição essencial para que ocorra a dedução para fins de IRPF. Entendo que a resposta seja negativa. Depreendo tal conclusão pelo fato de não fazer sentido, adotandose uma interpretação teleológica em complementação à meramente literal, que : a) no caso de declaração em conjunto, uma vez não tendo sido o cônjuge dispensado da declaração de ajuste anual, se permita a dedução da sogra de contribuinte, bem assim no caso de seu/sua cônjuge fazer declaração em separado (vedada a dedução em duplicidade), mas, em contrapartida, Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.000800/200353 Acórdão n.º 9202003.690 CSRFT2 Fl. 207 5 b) no caso do/da cônjuge não auferir rendimentos, passe a se exigir sua presença como mero declarante na declaração do autuado, o que, notese, em nada alteraria os rendimentos tributáveis do conjunto de cônjuges, respeitada nesta hipótese, também, a dedução da dependente (sogra) por uma única vez. Ou seja, na situação em questão, entendo que, como é o caso do/da cônjuge não ter auferido quaisquer rendimentos (vide Acórdão DRJ, em efl. 161), a desobrigação de declarar se estenderia, inclusive, à eventual presença deste mesmo cônjuge (Sra. Loremar) como declarante em conjunto, para fins de dedução de sua mãe (sogra do autuado) como dependente pelo Sr. Rogério, em linha com o estabelecido no Acórdão recorrido. Faço notar, ainda, que dada a inexistência de rendimentos auferidos pela cônjuge, é de se supor também ter o autuado, presumivelmente, direcionado parte de seus rendimentos à manutenção de sua sogra, o que faria com que, nesta hipótese, não houvesse que se falar de acréscimo patrimonial auferido pelo autuado quanto a este montante, representado, em termos desta dedução, pelo montante legalmente permitido para cada dependente. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 207DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901852/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO.
ÔNUS DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
Cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito de crédito oposto perante à Administração por meio do Perdecomp. Não tendo se desincumbido desse ônus processual, mantém-se a não homologação do Perdecomp.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito de crédito oposto perante à Administração por meio do Perdecomp. Não tendo se desincumbido desse ônus processual, mantém-se a não homologação do Perdecomp. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10875.901852/2008-46
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5564516
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.893
nome_arquivo_s : Decisao_10875901852200846.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10875901852200846_5564516.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6264899
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124375695360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.901852/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.893 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente COMERCIAL AGRÍCOLA PAINEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito de crédito oposto perante à Administração por meio do Perdecomp. Não tendo se desincumbido desse ônus processual, mantémse a não homologação do Perdecomp. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 18 52 /2 00 8- 46 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido eletrônico de restituição cumulado com declaração de compensação, transmitido em 13/07/2004. Por meio de despacho decisório, notificado ao contribuinte em 29/07/2008, a compensação não foi homologada. O motivo invocado pela autoridade administrativa foi que o valor do DARF vinculado à compensação estava inteiramente alocado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou o contribuinte que recolheu a título de PIS relativo ao período de junho de 2002 o valor de R$ 2.243,75, mas que na verdade devia apenas R$ 1.631,28. A diferença de R$ 612,47 teria se originado de um ajuste nas receitas de aluguel, conforme planilhas anexas com a impugnação. Essa diferença corrigida pela taxa Selic, resultaria no crédito de R$ 840,80, que foi usado para quitar por compensação parte do PIS devido no período de apuração de junho de 2004, conforme declarado no Perdecomp. A 8ª Turma da DRJ – Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, basicamente porque a alegação da defesa está fundada em demonstrativo que veio desacompanhado de documentos que o fundamentem. Tendo em vista que no caso o direito de crédito está sendo oposto à administração pelo contribuinte, cabe a ele o ônus da prova do crédito alegado. Regularmente notificado daquele acórdão em 21/05/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/06/2012, alegando, em síntese, que em momento algum afirmou que caberia a administração o ônus da prova, tanto que anexou com a defesa documentos que entendeu suficientes para a comprovação do seu direito creditório. No entanto, em caso de qualquer dúvida acerca dos documentos, e em face do princípio da verdade material, cabe a realização de diligência a fim de verificar a exatidão das informações prestadas nos documentos apresentados. Requereu a reforma da decisão de primeira instância ou o deferimento do pedido de diligência, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Por meio da Resolução 3403000.521 o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem com pedido no sentido de que o contribuinte apresentasse as seguintes informações e documentos: 1) Solicitase a apresentação de uma explicação pormenorizada dos ajustes efetuados na receita de aluguel. Esta explicação deverá englobar não só a razão pela qual foram necessários os ajustes, mas também uma explicação dos lançamentos contábeis, informando qual conta foi creditada e qual conta foi debitada e também uma explicação acerca de quais fatos contábeis são registrados nessas contas; 2) Por que o valor do ajuste do aluguel contabilizado em dezembro de 2002 influencia a base de cálculo do tributo de junho 2002? 3) Por que o valor do ajuste é idêntico para os meses de junho, julho e agosto de 2002? 4) Se este processo se refere ao crédito de PIS do mês de junho de 2002 por que não foi juntado o razão demonstrando o ajuste feito na receita de junho? Observe o contribuinte, que a tela Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10875.901852/200846 Acórdão n.º 3402002.893 S3C4T2 Fl. 3 3 anexada com a impugnação não mostra nenhum lançamento efetuado para ajustar a receita de junho 2002. 5) As justificativas deverão vir acompanhadas de cópias legíveis do livro razão e do diário, com os respectivos termos de abertura e de encerramento, e com os lançamentos devidamente identificados. Regularmente intimado e reintimado da Resolução acima citada, o contribuinte apresentou apenas uma parte dos documentos solicitados pela turma de julgamento (fls. 76/85). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme relatado, a Turma de Julgamento da DRJ Campinas indeferiu a manifestação de inconformidade por falta de provas da existência do indébito. Em relação à atividade probatória, o julgador pode adotar duas posturas que são basicamente ideológicas: 1) ou permanece inerte e deixa essa atividade exclusivamente por conta das partes; ou 2) interfere na atividade probatória, determinando o que deve ser provado e de qual forma. Embora a extinta Turma 3403 tivesse uma postura que se aproximava muito da postura "1" ( o julgador não deve interferir na atividade probatória das partes), houve por bem baixar o processo em diligência determinando quais documentos deveriam ser apresentados pelo contribuinte. Isso porque o colegiado extinto entendia que nos casos de declaração de compensação não homologada, a maioria dos indeferimentos resultava do cruzamento frio de informações do Perdecomp com a DCTF, sem que se procurasse investigar se o contribuinte possuía ou não o crédito. O que geralmente ocorre é que o contribuinte apura o indébito, apresenta o Perdecomp e não retifica a DCTF. Do descompasso entre o cruzamento das informações do Perdecomp e da DCTF resultam indeferimentos motivados no fato de o DARF, que o contribuinte diz conter o pagamento indevido, estar alocado integralmente para o débito declarado na DCTF. Assim, em muitos casos o contribuinte tem o crédito, mas a compensação é indeferida porque ele apresenta o Perdecomp antes de retificar a DCTF. O entendimento vigente na Turma 3403 era no sentido de que se o contribuinte possuísse o crédito, a compensação deveria ser homologada independentemente dele ter retificado a DCTF. A falta de retificação da DCTF (obrigação acessória cumprida Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 irregularmente) não poderia acarretar a negativa do direito de o contribuinte compensar ou de reaver o que pagara a mais. Foi apenas por esta razão que este processo foi baixado em diligência pela Turma 3403, a qual também tive a honra de presidir. Apesar da providência solicitada e do esforço da Autoridade Administrativa em reintimar o contribuinte a complementar os documentos parcialmente apresentados, a defesa não conseguiu comprovar a existência do indébito. A documentação apresentada com a impugnação é totalmente incompatível com o indébito que deveria ser comprovado, não só por não se referir ao mês de junho de 2004, mas também por não estar suportada pela escrituração contábil do contribuinte. O art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598/77 dispõe o seguinte: "Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração." (Grifei) À luz do dispositivo legal acima transcrito, a contabilidade do contribuinte goza de presunção de legitimidade e de veracidade, constituindose em meio de prova dos fatos nela registrados. A Administração Tributária não pode negar validade à escrituração contábil mantida em conformidade com a legislação e devidamente suportada pelos documentos fiscais que deram lastro aos lançamentos. Em regra, para negar essa validade, o § 2º impõe à Administração Tributária o ônus da prova em contrário. Foi por esse motivo que na diligência o colegiado solicitou ao contribuinte a apresentação dos livros contábeis diário e razão para demonstrar o reconhecimento contábil da compensação que ele diz ter efetuado. Em que pese o contribuinte ter apresentado as explicações solicitadas na resposta à primeira intimação (fls. 76/77), deixou de apresentar os documentos comprobatórios do reconhecimento contábil da compensação, solicitados no item 5 da Resolução 3403 000.521. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10875.901852/200846 Acórdão n.º 3402002.893 S3C4T2 Fl. 4 5 Nem mesmo após a reintimação, procedida pela Autoridade Administrativa à fl. 86, o contribuinte se desincumbiu do ônus legal de comprovar a existência do crédito (art. 9º, § 1º do DL nº 1.598/77 e art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72). Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725930/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS.
SALDOS ACUMULADOS RESULTANTES DE ATIVIDADE EMPRESÁRIA DESCONTINUADA COMPENSADOS APÓS INCORPORAÇÃO FORMAL DE OUTRAS EMPRESAS OPERACIONAIS DO GRUPO. A reestruturação de grupo empresarial não pode servir para burlar texto cogente de lei, no caso, a vedação à compensação de prejuízos fiscais. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. Inexiste erro na sujeição passiva quando o sujeito passivo indicado no auto de infração é o autor dos fatos objeto da autuação.
Numero da decisão: 1302-001.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Talita Pimenta Félix; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao pedido de apreciação da regularidade dos saldos de prejuízos e bases negativas a compensar, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Eduardo de Andrade. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Ana de Barros Fernandes Wipprich e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. SALDOS ACUMULADOS RESULTANTES DE ATIVIDADE EMPRESÁRIA DESCONTINUADA COMPENSADOS APÓS INCORPORAÇÃO FORMAL DE OUTRAS EMPRESAS OPERACIONAIS DO GRUPO. A reestruturação de grupo empresarial não pode servir para burlar texto cogente de lei, no caso, a vedação à compensação de prejuízos fiscais. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. Inexiste erro na sujeição passiva quando o sujeito passivo indicado no auto de infração é o autor dos fatos objeto da autuação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.725930/2013-76
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567700
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.767
nome_arquivo_s : Decisao_11080725930201376.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 11080725930201376_5567700.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Talita Pimenta Félix; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao pedido de apreciação da regularidade dos saldos de prejuízos e bases negativas a compensar, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Eduardo de Andrade. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Ana de Barros Fernandes Wipprich e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6281433
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124387229696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.725930/201376 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.767 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2016 Matéria IRPJ/CSLL Compensação de prejuízos e bases de cálculo negativa Recorrente RBS PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. SALDOS ACUMULADOS RESULTANTES DE ATIVIDADE EMPRESÁRIA DESCONTINUADA COMPENSADOS APÓS INCORPORAÇÃO FORMAL DE OUTRAS EMPRESAS OPERACIONAIS DO GRUPO. A reestruturação de grupo empresarial não pode servir para burlar texto cogente de lei, no caso, a vedação à compensação de prejuízos fiscais. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. Inexiste erro na sujeição passiva quando o sujeito passivo indicado no auto de infração é o autor dos fatos objeto da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Talita Pimenta Félix; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao pedido de apreciação da regularidade dos saldos de prejuízos e bases negativas a compensar, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 59 30 /2 01 3- 76 Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Eduardo de Andrade. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Ana de Barros Fernandes Wipprich e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório RBS PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 07/06/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 66.994.777,76. Consta da decisão recorrida o seguinte resumo da acusação fiscal: O procedimento de fiscalização foi iniciado em 14/11/2012, amparado nos Mandados de Procedimento Fiscal n° 10.0.01.002012001024 e n° 10.0.01.00 2013000170. Relata a Fiscalização, em síntese, que, no decurso da ação fiscal (descrita às fls. 1753 e 1776) foi constatado, em apertada síntese, que: a) a RBS Participações S/A, constituída em 1993 e pertencente ao Grupo RBS, até 2007 atuou como holding do grupo para investimentos em telefonia e tv a cabo; era altamente deficitária, acumulando prejuízos desde 1996, resultando, em dezembro 2007, em saldo de R$ 675 milhões de prejuízos contábeis e de R$ 507 milhões de prejuízos fiscais; em 2006 teve início reestruturação no grupo, que culminou em 2008, quando a RBS Participações deixou de ter como atividade principal a participação em outras sociedades e passou a ser uma empresa operacional de tv, pela incorporação da Rádio e TV Caxias S/A, da Televisão Gaúcha S/A e da RBS TV de Florianópolis S/A; a operação acarretou vantagem tributária expressiva, decorrente dos prejuízos acumulados pela RBS Participações, que passaram a ser compensados com os lucros da atividade operacional de televisão a partir de 2008; b) entre 2006 e 2007 a RBS Participações vendeu quase a totalidade das ações que detinha na Net Serviços de Comunicação; c) em 2007 a RBS Participações passou a ser controlada pela RBS Comunicações, que já controlava indiretamente as operacionais de rádio e tv; em 02/10/07, a fiscalizada protocolizou, junto ao Ministério das Comunicações, requerimento para transferir para si as concessões de serviços de radiodifusão de sons e imagens detidas por outras sociedades do grupo; em 28/12/07, promoveu alteração no seu estatuto para incluir a atividade de prestação de serviços de comunicação em geral, inclusive radiodifusão em suas diferentes modalidades e mídia impressa; essas alterações ocorreram em função da etapa seguinte da reestruturação, implementada em 2008; d) em 27/06/08, a RBS Comunicações aumentou capital na RBS Participações com as ações da RBS TV Participações; em 30/06/08, a RBS Participações incorporou a RBS TV Participações e três das quatro sociedades operacionais de televisão que estavam sob a RBS TV Participações (Televisão Gaúcha S/A, RBS TV de Florianópolis S/A e Rádio e TV Caxias S/A); após as incorporações, a atividade principal da RBS Participações passou a ser a prestação de serviços de comunicação, pela absorção das atividades operacionais anteriormente desenvolvidas pela TV Gaúcha, TV Florianópolis e TV Caxias; a RBS Participações, que era sociedade de participações deficitária, passou a ser uma sociedade lucrativa, em função das atividades absorvidas das incorporadas; o Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 5 4 prejuízo fiscal de mais de R$ 500 milhões passou a ser aproveitado para reduzir o lucro tributável; e) em 2012, a RBS Comunicações alterou a denominação social para RBS TV Comunicações e sofreu cisão parcial, transferindo seus investimentos não relacionados à tv aberta para a RBS Mídia Digital e Participações S/A; a RBS Participações permaneceu como controlada da RBS TV Comunicações; f) concluiu a Fiscalização que foi irregular o aproveitamento dos prejuízos fiscais acumulados pela fiscalizada até 30/06/08, uma vez que o art. 514 do RIR/99 veda que a pessoa jurídica sucessora compense prejuízos da sucedida; tal artigo teria sido infringido, porque, de fato, as sociedades operacionais se uniram e "incorporaram" o nome da RBS Participações e seus prejuízos; o histórico da RBS Participações, as atividades que desenvolvia, a origem dos prejuízos acumulados e as atividades que passou a desenvolver após a incorporação indicam que seu nome sobreviveu, mas suas atividades anteriores se tornaram irrelevantes no novo contexto; por outro lado, as sociedades operacionais de TV foram extintas de direito, mas tiveram suas atividades integralmente preservadas de fato; g) a RBS Participações foi constituída em 1993, tendo como objeto a participação no capital de outras sociedades e a prestação de serviços de assessoria econômico financeira e administrativa; a partir de 1995 passou a centralizar os investimentos do Grupo RBS no ramo de tv a cabo, através de sua controlada Caboparbs Participações Ltda; em 1996, o Grupo RBS ingressou no ramo de telefonia, também através da RBS Participações, que adquiriu participação na CRT; em 1997, os investimentos em telefonia ficaram concentrados na Teleparbs Participações S/A, controlada da RBS Participações; em 2001 a Caboparbs foi incorporada pela RBS Participações, que passou a centralizar a participação do Grupo RBS em tv a cabo através da Net Serviços de Comunicação S/A, da qual detinha 3,76%; esse investimento foi vendido em 2006 e 2007; os investimentos em telefonia atingiram R$231 milhões em 1997, através da Teleparbs, que detinha participações na Telefônica do Brasil Holding S.A. (R$ 119 milhões) e nos consórcios BCP S.A. (R$ 87 milhões) e BSE S.A. (R$ 25 milhões); em 1998, a Teleparbs vendeu as participações na BCP e na BSE, e, em 1999, se desfez das ações da Telebrasil Sul Participações S.A. (nova denominação da Telefônica do Brasil Holding S.A.), entregues em restituição de capital à RBS Participações, que vendeu essas ações no mesmo ano; afastada da telefonia, a Teleparbs adquiriu 32% da Caboparbs em 1999, e foi incorporada, juntamente com a Caboparbs, pela RBS Participações em 2001; h) a RBS Participações também participava da RBS Par Ltd., nas Ilhas Cayman, no montante de R$ 82 milhões em 2002; o percentual de participação foi reduzido progressivamente até 2004 e o investimento foi alienado em 2007 para a RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A; além das participações societárias, a fiscalizada auferiu receita operacional de royalties, que variaram de R$ 10 a R$ 20 milhões por ano, de 1997 a 2007; i) em função dos investimentos, principalmente na telefonia, ocorreu endividamento da sociedade; em 1995 e 1997 foram captados no exterior, respectivamente, US$ 50 milhões e US$ 125 milhões, através de Global Médium – Term Notes, garantidos pelas quatro principais empresas de mídia do Grupo RBS; em 2002, o saldo desses empréstimos no balanço superava R$ 500 milhões; em 2004 a RBS Participações e a RBS – Zero Hora Editora Jornalística S.A. participaram de um "Exchange Offer Program", através do qual os investidores que detinham os papéis emitidos em 1997 pela RBS Participações (US$ 125 milhões), que venceriam em 2007, trocaram parte do crédito por papéis emitidos pela Zero Hora; restaram na RBS Participações US$ 58 milhões, liquidados em 2007; o endividamento no exterior acarretou uma Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 6 5 seqüência de prejuízos operacionais a partir de 1997, culminando com um saldo acumulado em 2007 de R$ 675 milhões de prejuízos contábeis e R$ 507 milhões de prejuízos fiscais, os quais decorreram basicamente de despesas financeiras e variações cambiais; j) a RBS Participações não exerceu, até 2008, qualquer atividade de serviço de radiodifusão de sons e imagens; em 2007, já afastada das atividades de telefonia e tv a cabo, vendeu participação na RBS Par Ltd., restandolhe investimentos de menor relevância, num total de R$ 2,7 milhões; acumulava uma dívida com partes relacionadas de R$ 360 milhões, principalmente com a RBS Adm e Cobranças Ltda. (R$ 177 milhões), a RBS – Zero Hora Editora Jornalística S.A. (R$ 109 milhões), a Televisão Gaúcha S.A. (R$ 50 milhões) e a RBS TV de Florianópolis (R$ 11 milhões); l) assim, em 2007, tinha histórico deficitário, sem qualquer perspectiva de reversão do quadro de prejuízos acumulados, tanto do ponto de vista societário, como do aproveitamento dos prejuízos fiscais para compensação futura, já que lhe restava basicamente a receita de exploração de royalties, da ordem de 20 milhões ao ano; ainda que viesse a liquidar seu débito com partes relacionadas, deixando de ter prejuízo financeiro e passasse a apurar lucro real positivo no montante dos royalties recebidos (R$ 20 milhões), levaria mais de 80 anos para liquidar os prejuízos acumulados; m) em face disso, em 2008 transferiu o prejuízo para sociedades lucrativas, em especial a Televisão Gaúcha, com a incorporação de três empresas operacionais que exploravam concessões de serviço de radiodifusão de som e imagem (Televisão Gaúcha, RBS TV de Florianópolis e Rádio TV Caxias); formalmente a RBS Participações incorporou tais sociedades, mas na prática a RBS Participações deixou de existir tal como era quando do acúmulo de prejuízos; o que restou foi a atividade de serviço de radiodifusão, que era desenvolvida pelas sociedades incorporadas; apesar de seguir recebendo royalties, essa receita passou a representar menos de 3% da receita operacional; a incorporadora perdeu sua identidade e quem subsistiu de fato foram as formalmente incorporadas; n) no momento da incorporação, a RBS Participações já se desfizera dos investimentos que lhe haviam causado reiterados prejuízos, e lhe restavam participações societárias menores, um passivo de R$ 360 milhões com pessoas ligadas e prejuízos acumulados de R$ 675 milhões; após a incorporação, deixou de ser deficitária, apurando lucros de R$ 323 milhões em 2008, R$ 92 milhões em 2009, R$ 108 milhões em 2010 e R$ 104 milhões em 2011; o capital social que havia sido aumentado para R$ 312 milhões antes da incorporação, foi reduzido em 2009 para R$ 20 milhões, pela absorção de parte dos prejuízos; do ponto de vista fiscal, passou a aproveitar os prejuízos acumulados apurados anteriormente à incorporação; seguindo a tendência de utilização de prejuízos de 2009 a 2011 (nos três anos foi compensado um total de R$ 83,5 milhões), haverá prejuízos para compensar pelos próximos 15 anos; o) a Televisão Gaúcha era uma empresa historicamente lucrativa, ainda que acumulasse R$ 12 milhões de prejuízos fiscais a compensar antes da incorporação; a RBS TV Florianópolis teve lucro real positivo nos treze anos que antecederam a incorporação e não tinha prejuízos a compensar no momento da incorporação; a Radio TV Caxias apresentava uma alternância entre períodos de lucros e prejuízos de 1996 a 2008, mas tinha apenas R$ 8,9 milhões de prejuízos fiscais a compensar antes da incorporação; com a incorporação, essas três empresas foram colocadas dentro da RBS Participações, que tinha prejuízos fiscais acumulados de R$ 507 milhões, valor absolutamente incompatível com o histórico das três incorporadas; o Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 7 6 endividamento da RBS Participações, que acarretou o enorme prejuízo acumulado até 2007, não teve qualquer relação com a atividade das incorporadas; p) a situação anterior apresentava, de um lado, três empresas prestadoras de serviço de radio difusão, por concessão pública, cujo patrimônio líquido totalizava R$ 248 milhões; de outro, uma holding, cujo histórico estava ligado a investimentos em telefonia e tv a cabo, mas que no momento anterior à incorporação já se encontrava esvaziada no que diz respeito aos seus investimentos, e com prejuízos acumulados de R$ 675 milhões e patrimônio líquido negativo de R$ 448 milhões; após a incorporação restou uma única empresa, detentora das três concessões de exploração, prestando serviços de rádio difusão de sons e imagens, que, ao final de 2009, já absorvera totalmente os prejuízos societários acumulados ao longo de doze anos; q) a fiscalização entendeu que a incorporação do ponto de vista formal não representou a realidade e o que ocorreu de fato foi a transferência dos prejuízos para a Televisão Gaúcha S/A, a RBS TV de Florianópolis S/A, e a Rádio e TV Caxias S/A, que foram unificadas sob o nome da RBS Participações; r) a incorporação ocorrida em 2008 não pode produzir os efeitos desejados pelo contribuinte, qual seja, contornar a limitação imposta pelo art. 514 do RIR/99; isso porque a formalidade dos atos não reflete a realidade dos fatos, já que não havia verdadeira intenção de preservar a RBS Participações, mas de viabilizar o aproveitamento de seus prejuízos; s) a otimização advinda da unificação das atividades de três empresas televisão também poderia ser alcançada se a RBS TV Participações incorporasse as empresas operacionais; a RBS TV Participações era sociedade saudável, mas se fosse utilizada para assumir diretamente as concessões se perderiam os irrecuperáveis prejuízos fiscais da RBS Participações; t) a relação percentual de (custos+despesas)/(receita bruta) aumentou de 54,59% para 59,53% após a consolidação das atividades de televisão na RBS Participações; a alegada recuperação da RBS Participações, cuja situação financeira representava desprestígio para o grupo, não ocorreu de fato; foi recuperado tão somente o prejuízo fiscal; a empresa não foi dotada de fundamentos econômicos e estrutura patrimonial, mas se transformou nas próprias empresas operacionais de televisão, que já existiam e assim permaneceram de fato; as incorporadas subsistiram, revestidas de filiais, absorvendo tão somente o nome e os prejuízos da RBS Participações; não haveria outra forma de distribuir esses prejuízos; o endividamento da fiscalizada era com partes relacionadas, e não mais com terceiros; a perda no recebimento desses créditos seria indedutível para as pessoas ligadas, conforme o art. 340, §6°, do RIR/99. A autoridade lançadora também consigna que as GFIP apresentadas pela autuada até maio/2008 não apresentavam nenhum segurado, e que após a incorporação passaram a ser declarados cerca de 1200 segurados, mesmo número antes apresentado pelas incorporadas em conjunto, sendo que destes, 1120 foram identificados como oriundos das incorporadas. Concluiu, assim, que não há qualquer impedimento legal para que uma empresa que tenha auferido prejuízos em determinada atividade passe a exercer outra atividade e compense os prejuízos anteriores. Mas o que houve na RBS Participações não foi isso, pois a atividade de prestação de serviços de radiodifusão de sons e imagens já estava estruturada nas três empresas incorporadas e assim permaneceu. A fiscalizada emprestou seu nome e transferiu seus prejuízos para empresas que já desenvolviam tradicionalmente essa atividade lucrativa dentro do grupo. Tais empresas desapareceram somente do ponto de vista formal. Formalidade essa que não pode alterar os efeitos tributários decorrentes dos fatos reais. Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 8 7 O crédito tributário lançado resultou da glosa dos prejuízos/bases negativas provenientes da RBS Participações, apurados antes da incorporação, admitindose as parcelas correspondentes aos prejuízos/bases negativas antes acumulados pelas incorporadas. Foram constituídos os créditos tributários devidos nos períodos de 2008 a 2012. Impugnando a exigência, a contribuinte argüiu a nulidade do lançamento, em face da inexistência de violação às legislações fiscal e de direito privado, bem como a sua insubsistência no mérito, dado que não verificadas nenhuma das duas condições que impedem a sucessora por incorporação de compensar seus resultados negativos. Argumentou inexistir vedação à incorporação de pessoas jurídicas lucrativas por sociedade com resultados negativos, justificou as operações por razões extrafiscais, refutou a alegação de perda de eficiência com as incorporações, justificou a inexistência de empregados registrados como funcionários da autuada antes das incorporações, discordou da alegada transformação das incorporadas em filiais da incorporadora, vinculou as perdas compensadas a despesas decorrentes de investimentos em negócios de TV a cabo, telefonia e exploração de marcas relacionadas, discorreu sobre o objetivo das transações, e subsidiariamente argumentou que se aceita a premissa fiscal, a impugnante teria sido extinta, de modo que haveria erro de sujeição passiva. Finalizou manifestandose contra a desconsideração unilateral de atos elisivos, e restringindo a revisão de lançamentos aos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação, requerendo não só o cancelamento da exigência como também a declaração de subsistência do estoque de prejuízos fiscais e de bases negativas acumulados e não aproveitados até o encerramento de 2012. A Turma julgadora rejeitou a argüição de nulidade do lançamento e, no mérito, assim se manifestou acerca dos argumentos deduzidos em defesa: · Não só a simulação, mas também as outras causas de invalidade do negócio jurídico, como a fraude à lei, podem fundamentar autos de infração, ressalvando, porém, que o abuso de direito não é causa invalidante de negócio jurídico, ensejando apenas o dever de indenizar; · ... os fatos descritos pela Fiscalização, bem como a lógica do lançamento, que contestou “tão somente os efeitos fiscais da incorporação ocorrida em 2008” (fl. 1769) se harmoniza in totum com a acusação de simulação, e o fato de não ser nominado o instituto jurídico descrito na peça acusatória apenas poderia ensejar cerceamento ao direito de defesa, que não se verificou no presente caso; · Não é correto o raciocínio de que os requisitos do art. 513 do RIR/99 teriam sido atendidos, porque a alteração do ramo de atividade é inconteste, e este requisito deve ser cumprido ainda que não se verifique a alteração de controle, sendo que esta alteração não pode se verificar no controle direto, nem no indireto. Assim, mesmo que se considere não ter havido simulação, os prejuízos não poderiam ter sido compensados pela autuada; · As demais razões de defesa procuram demonstrar que os negócios jurídicos pertinentes à reestruturação societária foram reais, legais e desejados pela autuada, fundamentados em razões societárias e econômicas, porém o resultado obtido com tais atos, especificadamente, a compensação dos prejuízos, é vedado. Desta forma, as alegações da contribuinte são compatíveis, com a prática, por ela de fraude à lei, dado que a autuada assevera que quis praticar os negócios jurídicos em questão (em face de propósitos empresariais e negociais) que tiveram como resultado prático a Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 9 8 produção de resultado que o sistema jurídico tributário visa a evitar, ou seja, o aproveitamento dos prejuízos fiscais; · Em suas razões de defesa, a contendora não conseguiu demonstrar que poderia ter compensado os prejuízos. As razões societárias e comerciais para a prática da reestruturação não possuem o condão de autorizar a compensação vedada pelo sistema tributário; · O erro de sujeição passiva não se verifica pois jamais foi alegada a inexistência da reorganização societária ou a extinção da autuada; simplesmente, como visto, foram desconsiderados os efeitos fiscais da reestruturação societária ocorrida; · A falta de regulamentação do art. 116 do CTN é irrelevante porque este dispositivo não fundamentou a autuação, e como os fatos descritos são passives de caracterizar tanto o instituto da simulação quanto o da fraude à lei, há causa de invalidade do negócio jurídico na qual o Fisco pode fundamentar autos de infração; Cientificada da decisão de primeira instância em 17/09/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias a partir da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 1988), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/10/2013 (fls. 1991/2036). Inicialmente discorre sobre a acusação fiscal e observa que a autoridade julgadora de 1a instância não se limitou a apreciar os argumentos aduzidos em sede de impugnação. Houve evidente inovação em relação aos lançamentos realizados, em violação ao artigo 146 do CTN. Ao mesmo tempo, as novas assertivas introduzidas pela decisão recorrida revelamse em desacordo com a legislação. Na seqüência, apresenta o histórico dos fatos que redundaram na exigências tributárias, nos seguintes termos: Até o fim de 2005 a TV GAÚCHA, a TV FLORIANÓPOLIS e a RADIOTV CAXIAS eram sociedades controladas por pessoas físicas integrantes da família Sirotsky; 2. A partir de 2006 as sociedades integrantes do grupo RBS passaram por reestruturação. As participações nas empresas de TV aberta (compreendendo as pessoas jurídicas listadas no item antecedente e a TV Coligadas de Santa Catarina S/A) foram transferidas pelas pessoas físicas à RBS Comunicações S/A, a título de aumento de seu capital, pelos mesmos valores que constavam das Declarações de Imposto de Renda — DIRPF's dos seus acionistas diretos; 3. Posteriormente, RBS Comunicações S/A transferiu tais investimentos,pelo valor recebido, à RBS TV Participações S/A, em aumento de seu capital. Isso feito, RBS Comunicações S/A conferiu o investimento em RBS TV Participações S/A, também pelo valor recebido, ao capital da RBS Participações S/A — ora Recorrente — (RBS PART). Tais atos se deram ao longo de 2006; 4. A RBS PART, por seu turno, já em 2908, incorporou as sociedades TV GAUCHA, TV FLORIANOPOLIS e RADIOTV CAXIAS, por meio de deliberações tomadas após ter obtido a aprovação do requerimento de transferência de outorgas (apresentado em 26/09/2007) do Ministério das Comunicações em 27/06/2008; 5. Até a união dos patrimônios entre, de um lado, na condição de sucessora, RBS PART e, de outro, na qualidade de sucedidas, TV GAÚCHA, TV FLORIANOPOLIS e RADIOTV CAXIAS, a incorporadora tinha como atividades econômicas a Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 10 9 exploração das marcas de uso do grupo RBS (o que lhe rendia receitas de royalties pela cessão onerosa) e a aquisição e administração de investimentos em participações societárias de caráter permanente. 6. Antes de incorporar TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS e RADIOTV CAXIAS, a RBS PART, no curso regular de seus negócios, havia adquirido e administrava, direta ou indiretamente, participações societárias em pessoas jurídicas dedicadas à exploração de negócios de TV a cabo (Net Serviços de Comunicação S/A) e de telefonia (Telefônica do Brasil Holding S/A, BCP S/A e BSE S/A). Para adquirir participações nas investidas dedicadas aos segmentos de TV a cabo e telefonia, a Recorrente havia captado recursos no exterior com vencimento superior a 96 meses através da emissão de valores mobiliários (Global Médium — Term Notes). 7. Em consequência das variáveis econômicas então existentes (variação cambial passiva) e dos encargos ajustados, o adimplemento de parte do financiamento externo de longo prazo acima referido fez com que a Recorrente passasse a ter acréscimo substancial nas suas despesas de 1997 a 2007 . Ao mesmo tempo, os ganhos almejados com os negócios de TV a cabo e telefonia não se materializaram da forma como esperada. Como consequência, ao longo dos períodos mencionados a Recorrente apurou prejuízos na formação de seu lucro líquido, bem como resultados negativos (prejuízos fiscais e bases negativas) para fins de IRPJ e CSLL. 8. Depreendese, assim, que antes das incorporações RBS PART explorava duas atividades operacionais compatíveis com seu objeto social, a saber: (i) cessão onerosa de "marcas" do Grupo RBS o que a rendia receita de royalties na ordem de R$ 20 milhões ao ano; e (ii) participações em outras sociedades com negócios variados, em especial em TV a cabo e em Telefonia, as quais foram vendidas antes das incorporações, remanescendo participações de menor valor. Para que os negócios em TV a cabo e telefonia pudessem se desenvolver foram contratados empréstimos no exterior, ao final, liquidados mediante venda de participações societárias, aporte de novos recursos ao capital pelos acionistas e empréstimos com empresas do Grupo RBS, os quais continuavam parcialmente em aberto na data das incorporações. Portanto, é fora de dúvida que a RBS PART era e continua a ser empresa totalmente operacional. 9. Com as incorporações de TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS e RADIOTV CAXIAS, RBS PART, além de continuar a explorar os negócios que já desenvolvia até então, passou também a desenvolver as atividades de televisão aberta, até então desempenhadas pelas sucedidas. Os resultados tributáveis que apurava, fossem eles originários das atividades exploradas até a incorporação, fossem eles decorrentes das atividades exploradas após a incorporação, formaram a base de cálculo para os períodos posteriores compreendidos entre os anos de 2008 e 2012, assim como os resultados negativos acumulados nos exercícios anteriores pela incorporadora (RBS PART), observandose os ditames dos artigos 513 do RIR/99 e 80 da Instrução Normativa 390/04, bem como o limite quantitativo de 30% do resultado ajustado de cada período (RIR/99, art. 510 e IN 390/04, art. 40). Reportase a excertos da acusação fiscal para afirmar que a própria autoridade lançadora atesta que a RBS PART era e sempre foi uma empresa operativa, e enuncia os cinco elementos que demonstrariam que a Recorrente teria sido extinta e a TV GAÚCHA, a TV FLORIANÓPOLIS e a RÁDIOTV CAXIAS é que continuaram a existir. Entendendo estar diante de atos com o objetivo único de reduzir a carga tributária, a autoridade lançadora concluiu por afastar o tratamento dado e requalificálos como se TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS e RÁDIOTV CAXIAS continuassem a existir para fins tributários. Ao final, imputou multa de ofício no percentual de 75%, por considerar a operação elisiva e abusiva, distanciandose da simulação, que traduz uma inverdade e que, se Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 11 10 configurada, levaria à obrigatoriedade de imputação de multa qualificada, no percentual de 150%. Afirma que seriam tantas as ilegalidades cometidas, que a autoridade julgadora constatou a fragilidade das autuações fiscais, mas, ao invés de cancelálas, tentou “consertálas, acrescentando fundamentos não utilizados pelos Autores do Lançamento. Aborda, então, as razões que demonstram o descabimento das autuações fiscais e impõem a reforma da decisão recorrida, as quais estão assim sintetizadas pela recorrente: 4.1. Ausência de identidade entre as motivações do lancamento e da decisão DRJ. Reconhecimento da improcedência da acusação fiscal pelo acórdão de 1o grau. O acórdão DRJ afastou a acusação que serviu de fundamento ao lançamento, no sentido de que os efeitos fiscais da incorporação da TV GAUCHA, TV FLORIANOPOLIS e RADIOTVCAXIAS pela Recorrente deveriam ser afastados, pois, com isso, obtevese carga tributária inferior a que seria verificada se a incorporadora tivesse sido sucedida por uma das incorporadas. Não obstante, manteve a exigência fiscal a partir de novos e distintos fundamentos, quais sejam, de que a mudança de controle direto representaria violação ao artigo 513 do RIR/99 e que os atos perpetrados representariam simulação e fraude à lei. Ou seja, a DRJ construiu razões autônomas ao do lançamento para concluir pela procedência do crédito tributário. Todavia, é vedado às autoridades Julgadoras alterar a motivação das exigências fiscais ou promover na revisão de lançamentos impugnados pelo contribuinte. Por esse motivo, não tendo sido afastadas as razoes de impugnação que revelam o desacerto dos lançamentos, a conclusão da decisão DRJ deve ser alterada, a fim de ser declarada a improcedência das autuações. 4.2. Nulidade dos lançamentos. Inexistência de violação à legislações fiscal e de direito privado. Motivação genérica. As autuações não apontam a norma legal que teria sido descumprida pela Recorrente, pressuposto indispensável para a realização dos lançamentos de ofício. Notese, a propósito, que não há que se cogitar de inobservância dos artigos 514 do RIR/99 e 81 da Instrução Normativa 390/04, vez que a própria autoridade lançadora reconhece que a Recorrente incorporou e sucedeu TV GAUCHA, TV FLORIANOPOLIS e RADIOTV CAMAS. Tampouco se admite motivação legal calcada em normas gerais sem vinculálas à ilicitude detectada nos atos do particular. Assim sendo, as exigências em exame são nulas nos termos dos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/72. 4.3. No mérito por conta de a sucessora ter assegurado o direito à compensação dos seus resultados negativos com os acréscimos obtidos a os a incorporação. Afinal: 4.3.1. São duas as condições que impedem que a sucessora por incorporação possa compensar. seus resultados negativos, a saber: (i) mudança de controle societário; e (ii) alteração no ramo de atividade explorado (RIR/99, art. 513 e IN 390/04, art. 80). Na hipótese em exame, ainda que se entenda que tenha havido ampliação das atividades operacionais desempenhadas pela RBS PART após as incorporações de TV GAUCHA, TV FLORIANOPOLIS e RADIOTV CAXIAS, o fato é que o seu controle acionário permaneceu o mesmo. Portanto restaram observadas as normas legais que dispõem sobre o tema. A alegação da DRJ de que a alteração do controle acionário direto bastaria para que (juntamente com a modificação do ramo de atividade) incidisse a norma proibitiva, afigurase em desacordo com a legislação. 4.3.2. Conforme tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, inclusive por meio de sua Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, a legislação não veda que sociedade com resultados negativos incorpore pessoas jurídicas lucrativas, desde que ambas sejam operacionais. Referido pressuposto foi atendido no caso, na medida em que a Recorrente tem desempenhado atividades Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 12 11 econômicas desde sua formação (tal como reconhece a peça fiscal) e por conta de serem improcedentes os elementos imaginados pela autoridade lançadora para alegar o contrário (o que, em verdade, e passível, de se depreender da própria narrativa dos fatos ocorridos, sem prejuízo de ser adiante demonstrado de forma individualizada). Assim, inexistia óbice para que a Recorrente incorporasse as empresas de televisão aberta, inobstante o volume de suas operações fosse inferior ao de suas incorporadas. 4.3.3. Inexistência, no caso concreto, de simulação e de fraude à lei. Se tanto não bastasse, é de impossível aplicação a conclusão da decisão recorrida, no sentido de se estar diante de atos simultaneamente qualificados como simulados e ilícitos por configurarem fraude à lei. 4.3.4. Por fim, se todo o exposto já não fosse suficiente a justificar o modo como as operações foram implementadas, devese ter presente que elas são explicáveis por razões extrafiscais, as quais foram olimpicamente ignoradas pela DRJ. 4.4. Incongruência entre os motivos aventados para a desconsideração dos efeitos fiscais e a pessoa indicada como responsável velos débitos na consequente requalificação realizada. Caso TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS e RADIO TVCAXIAS continuassem a existir (ao menos para fins fiscais, como afirmou a autoridade lançadora), as autuações com as glosas das compensações feitas deveriam ter sido lavradas nos seus respectivos nomes, observandose as parcelas utilizadas por cada uma das envolvidas. Como não foi esse o procedimento adotado pela autoridade lançadora, que simplesmente lavrou autos de infração em nome da Recorrente, supostamente extinta, segundo suas convicções, verificase a incompatibilidade entre as razões invocadas para afastar o regime tributário adotado pela RBS PART e o trabalho fiscal realizado. O argumento da DRJ para afastar as razões de defesa (bastaria a desconsideração dos efeitos da transação praticada) é improcedente, pois, se simulação houvesse, era obrigatória a requalificação dos atos para o negocio subsistente aos olhos do Fisco. 4.5. Impossibilidade de desconsiderar os efeitos tributários de negócios sem vício de simulação tão só em razao de serem motivados pela perseguição de menor carga tributária. Mesmo que estivesse caracterizado que o objetivo preponderante pela escolha do caminho adotado fosse a menor carga tributaria, assunção aceita para argumentar, os fatos descritos não poderiam ser contestados sob tal fundamento, por caracterizar elisão (passível, em tese, de caracterizar abuso de direito), inaplicável por ora nó direito tributário, na medida em que a Lei Complementar 104/01, que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN justamente com tal objetivo, é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária, inexistente até o presente. Especificamente no que se refere às razões extratributárias que justificavam a indicação da Recorrente como incorporadora, apresenta justificativas para eleição da RBS PART como sucessora por incorporação em detrimento das demais envolvidas, refuta a perda de eficiência com as incorporações das sucedidas por RBS PART, explica a inexistência de empregados registrados como funcionários de RBS PART antes das incorporações, nega a pretensa transformação das incorporadas em filiais da incorporadora com a adoção das denominações das sucedidas a título de “nomes fantasias”, contrapõese ao argumento de que não haveria outro meio para transferir os resultados negativos de RBS PART para as sucedidas, face à vedação constante do artigo 340, §6o do RIR/99. Ao final, pede o cancelamento das autuações, bem como a declaração de subsistência do estoque de prejuízos fiscais e de bases negativas acumulados e não aproveitados até o encerramento de 2012, uma vez que não houve sua reversão pela Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 13 12 autoridade lançadora por meio de lançamento de ofício e respectiva intimação para a reescrituração do LALUR, o que era obrigatório se considerasse a parcela impassível de ser utilizada (Decreto 70.235/72, art. 9o, § 4o83). Sem a realização da sua reversão a importância tornouse definitiva e imutável por força do transcurso do prazo limite para revêla (30/06/2013). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 2107/2120, nas quais inicialmente observa a validade da acusação fiscal, consignando que: Todo o Relatório Fiscal consiste numa demonstração de como a recorrente, praticando atos a princípio não desautorizados pela legislação, buscou atingir por meios oblíquos o resultado vedado pelo ordenamento: a transferência de prejuízos acumulados por uma pessoa jurídica a outra empresa. Este é o sentido da norma inscrita no artigo 514 do RIR/99, reputada infringida pela autuada: evitar que o benefício fiscal1 que autoriza o aproveitamento de prejuízos acumulados seja transferido de um contribuinte para outro. Esta mens legis transparece também no artigo 513 do mesmo diploma, que proíbe o uso do benefício quando alterados, cumulativamente, o controle societário e o objeto social da sociedade, pois nesse caso, apesar de a personalidade jurídica permanecer a mesma, terá sido alterada a empresa, enquanto atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. Consigna que o fato de a autoridade fiscal não ter enquadrado suas considerações em tal ou qual categoria jurídica não faz com que as acusações não se possam considerar presentes no auto de infração, e se opõe às alegações de que a autoridade julgadora de 1a instância teria emendado ou adicionado novos fundamentos ao lançamento. Defende que a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas é benefício fiscal a ser usufruído em confronto com os próprios lucros, que na incorporação é natural a sucessão da empresa deficitária pela mais robusta, e que a incorporação por empresa deficitária é situação excepcional e não pode ser determinada pelo aproveitamento do referido benefício fiscal. Frente a este contexto, observa que os propósitos extrafiscais apresentados pela recorrente justificam o ato de concentração em si, mas não a forma transversa como ele se deu. Questiona a interposição de RBS TV Participações e ocupação da empresa resultante da incorporação quase que exclusivamente com as atividades das incorporadas. Em seu entendimento, transgridese a própria noção de incorporação quando a suposta incorporadora se assemelha muito mais à(s) incorporada(s) do que a si própria. Percebese que quem desapareceu, enquanto unidade organizada para o desenvolvimento de atividades lucrativas, foi a recorrente. Ela prevaleceu apenas como personalidade jurídica, mas não como substância econômica, que era essencialmente das incorporadas. E, do descasamento entre a formalidade e a realidade, entende nítido o objetivo das operações: o aproveitamento do prejuízo fiscal consolidado na RBS Participações pelas atividades lucrativas de TV aberta. Conclui que embora não seja inválida a operação societária, o descasamento entre a formalidade e a realidade, acima exposto, demonstra que está carregada de artificialidade, com vistas a contornar a norma que impede a compensação de prejuízos de uma pessoa jurídica com lucros de outra. Sendo artificial a operação, não lhe podem ser atribuídos os efeitos tributários próprios de uma operação autêntica. E alerta que admitir a procedência da pretensão da recorrente ensejaria reconhecer que os prejuízos fiscais Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 14 13 acumulados no âmbito de um grupo econômico podem ser compensados com os lucros de qualquer das empresas deste grupo, contrariamente à clara opção do legislador pela não socialização do saldo de prejuízos fiscais, ainda que dentro de um mesmo grupo econômico. Acrescenta, ainda, que não houve erro de sujeição passiva, porque a autoridade fiscal não negou a existência do rearranjo societário e nem declarou sua nulidade, mas sim, diante da artificialidade da operação societária praticada, fez incidir aos fatos a norma cuja incidência a parte tentou, sem sucesso, contornar. E observa que lançamentos semelhantes são promovidos em face da sociedade resultante do ato de concentração. Pede, assim, que seja negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 15 14 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente principia sua defesa aduzindo que a autoridade julgadora de 1a instância teria reconhecido a improcedência do lançamento ao afastar a motivação que serviu de lastro à autuação. Acrescenta que os julgadores administrativos são “materialmente incompetentes para a prática de atos de lançamento”, e assim, embora sem pleitear expressamente a declaração de nulidade da decisão de 1a instância, acaba por tangenciar este aspecto preliminar. A descrição contida no Auto de Infração (fl. 1780) expressa a conclusão fiscal acerca dos fatos descritos no Relatório Fiscal: o sujeito passivo compensou indevidamente prejuízos fiscais auferidos anteriormente à incorporação, na qual remanesceram de fato as empresas formalmente incorporadas. Restaram infringidos os arts. 250, III e 514 do RIR/99, consoante expresso no Relatório Fiscal: O art. 514 do RIR/99 dispõe sobre a compensação de prejuízos nos casos de incorporação, fusão e cisão: [...] Como não há vedação para a compensação de prejuízos acumulados anteriormente pela sucessora, com lucros apurados após a sucessão, aparentemente o art. 514 do não se aplicaria à fiscalizada, porque os prejuízos aproveitados após a incorporação provinham da própria RBS Participações. Não tiveram origem nas sucedidas, mas na sucessora, por suas atividades anteriores à incorporação. No entanto, a questão que deve ser analisada é se a RBS Participações foi mesmo sucessora na incorporação ou se as operacionais se uniram e “incorporaram” o nome da RBS Participações e seus prejuízos. [...] O art. 250, III, do RIR/99, autoriza a compensação de prejuízos para a redução do lucro tributável, mas o que ficou demonstrado nesse relatório é que as atividades lucrativas que permitiram a compensação dos prejuízos da RBS Participações a partir de 2008 são de fato da Televisão Gaúcha, da RBS TV Florianópolis e da Rádio e TV Caxias, que desapareceram somente do ponto de vista formal. Formalidade essa que não pode alterar os efeitos tributários decorrentes dos fatos reais. A decisão de 1a instância, por sua vez, está estruturada no sentido de refutar os argumentos deduzidos em impugnação. Neste sentido, como a autuada alegou que os efeitos fiscais de atos praticados por particulares somente poderiam ser afastados em caso de simulação, o voto condutor da decisão recorrida esclarece que esta desconsideração seria possível na presença de uma das causas de invalidade do negócio jurídico, e demonstra que a acusação fiscal opera neste sentido, por conjugar fatos em contexto compatível com a realização de negócios jurídicos simulados, declarando irrelevante o fato de a Fiscalização não ter nominado o instituto jurídico descrito na peça acusatória, na medida em que a autuada, entendendo existente a acusação de simulação, dela se defendeu, alegando que a totalidade de Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 16 15 sua reestruturação societária foi fundamentada em razões societárias e econômicas, não tendo praticado ato simulado. No mais, como a impugnante também argumentou que não estaria presente a vedação contida no art. 513 do RIR/99, a autoridade julgadora de 1a instância se manifestou contra esta alegação, afirmando que o impedimento à compensação de prejuízos se verificaria porque, além de inconteste a alteração do ramo de atividade, a alteração do controle direto seria suficiente para aplicação daquele dispositivo legal. Concluiu, assim, que caso se considerasse não ter havido simulação, os prejuízos não poderiam ser compensados em razão do disposto no art. 513 do RIR/99. Contudo, a autoridade julgadora de 1a instância não afastou a existência de simulação. Ao contrário, observou que, a depender da intenção do agente, um mesmo negócio jurídico pode caracterizar simulação ou fraude à lei, distinguindose em razão da verdadeira intenção dos agentes, a qual, como regra, é desconhecida pelo aplicador da lei. E, sob esta ótica, considerando as alegações da impugnante, asseverou que elas conduziram à conclusão de que os atos foram praticados com fraude a lei, o que resultaria na mesma conclusão: foram compensados prejuízos incompensáveis. E isto porque, como dito já no início do voto condutor da decisão recorrida, bastaria à Fiscalização demonstrar a existência de uma das causas de invalidade do negócio jurídico para desconsiderar os efeitos do negócio jurídico realizado pelo contribuinte. Imprópria, assim, a afirmação da recorrente no sentido de que o acórdão da DRJ, embora reconhecendo inexistir abuso nas operações examinadas, ainda assim julgou os lançamentos procedentes. A decisão recorrida foi erigida no sentido de demonstrar que as características do negócio jurídico demonstradas na acusação fiscal evidenciavam simulação, e que mesmo agregandolhes a motivação suscitada na defesa, restaria caracterizada a fraude a lei, sendo que a presença de qualquer um destes vícios permitiria ao Fisco desconsiderar os efeitos do negócio jurídico realizado pelo sujeito passivo. A recorrente também entende que a decisão de 1a instância teria inovado, porque a autoridade lançadora em momento algum suscitou a existência de simulação ou fraude à lei. Contudo, como acima demonstrado, a autoridade julgadora não agregou fatos novos à acusação fiscal, mas apenas analisou os elementos ali contidos para, à luz da doutrina acerca da matéria, avaliar se os efeitos do negócio jurídico poderia ser desconsiderados para fins fiscais. E, ao assim proceder, a exigência foi mantida sob o mesmo fundamento legal consignado no lançamento, acrescentandose a incidência da norma proibitiva veiculada no art. 513 do RIR/99 apenas para refutar argumento subsidiário da defesa, no sentido de que a operação não encontraria qualquer outro óbice na legislação tributária. Tem razão a recorrente quando afirma a incompetência das autoridades julgadoras para alterar a fundamentação legal e fática exposta no lançamento de ofício. Mas este não é o caso aqui presente. A autoridade julgadora de 1a instância não agregou qualquer elemento fático ou dispositivo legal que fosse determinante para a manutenção da exigência, mas apenas confrontou a acusação fiscal com os argumentos de defesa e demonstrou a prevalência daquela. Rejeitase, portanto, a afirmação no sentido da assunção, pela DRJ, da improcedência das acusações fiscais constantes dos autos de infração, e não se verificando quaisquer inovadoras ilações feitas a pretexto de manter o crédito tributário, afastase a implícita argüição de NULIDADE da decisão de 1a instância. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 17 16 A recorrente também afirma a nulidade dos autos de infração, por ausência de indicação de norma infringida e motivação genérica insuficiente para constituição de crédito tributário. Observa que o art. 142 do CTN e o art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, em consonância com o art. 150, I da Constituição Federal, exigem que a autoridade fiscal verifique a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, bem como aponte, no lançamento, a disposição legal infringida. E acrescenta que o lançamento, como ato administrativo, deve descrever a sua motivação legal de forma explícita, clara e congruente. De outro lado, tendo em conta o que indicado nos autos de infração, uma parte dos dispositivos mencionados artigos 514 do RIR/99, 22 da MP 2.158 35/01 e o 33 do Decretolei 2.341/87 vedam que a sociedade sucessora de sociedade incorporada, cindida ou fusionada aproveite os prejuízos fiscais e bases negativas acumulados pela sua sucedida. Contudo, estas normas não seriam inaplicáveis ao caso em exame, porque os prejuízos fiscais e as bases negativas utilizados pela Recorrente têm origem nas suas operações e foram por ela registrados em seus documentos contábeis e fiscais desde a sua formação. Considerando que as autoridades lançadoras não apontaram que se estaria diante de simulação, e que de simulação não se cuida, dado o regular registro dos atos societários e a aplicação de penalidade no percentual de 75%, entende que os lançamentos são nulos, dado que à exceção da simulação, não há norma que autorize o Fisco a afastar os efeitos fiscais dos atos praticados pelo particular e aplicar tratamento diverso, que considere mais apropriado. No mais, as outras normas legais citadas pela Fiscalização apenas regulariam aspectos gerais da apuração dos tributos, e são imprestáveis para motivação dos lançamentos ora contestados. Porém, consoante relatado, a acusação fiscal foi erigida com o objetivo de demonstrar a inobservância dos dispositivos legais que vedam a utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de sucedidas pela sociedade sucessora, e o Relatório Fiscal é composto por extensa abordagem fática que fundamenta a acusação fiscal. Nos termos da própria jurisprudência administrativa invocada pela recorrente, a nulidade do lançamento verificase quando o motivo de fato não coincide com o motivo legal invocado pela Fiscalização, ou quando o ato administrativo veicula motivos genéricos e imprecisos, que cerceiam o direito de defesa do sujeito passivo. E tais circunstâncias não se verificam no presente caso, cumprindo apreciar a acusação fiscal em seu mérito, validamente confrontado pela contribuinte em sua defesa, para avaliar se procede ou não o lançamento. Neste âmbito, será possível avaliar se está presente a vedação legal invocada pela Fiscalização, se os atos praticados caracterizam simulação e se a indicação expressa deste instituto jurídico, ou a qualificação da penalidade, eram indispensáveis para a caracterização do fato jurídico tributário. Tem razão a recorrente quando defende que as situações que ensejam nulidade do lançamento não se restringem às hipóteses descritas no art. 59 do Decreto 70.235/72. Mas no presente caso, a autoridade lançadora laborou no sentido de atender os requisitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e assim permitiu que o sujeito passivo produzisse sua defesa regularmente, praticando ato válido, e localizando no mérito as questões que a recorrente pretende solucionar em preliminar. Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade dos lançamentos. Passando ao mérito, a recorrente afirma seu direito à compensação dos seus resultados negativos com os acréscimos obtidos após a incorporação, inicialmente abordando Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 18 17 o atendimento às condições fixadas pela legislação para a manutenção dos resultados negativos após as incorporações. Contudo, a avaliação do cumprimento dos requisitos expostos no art. 513 do RIR/99 e no art. 80 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004 somente teria lugar se superado o óbice erigido na acusação fiscal, qual seja, o fato de a atividade empresária beneficiada com a compensação de prejuízos/bases negativas não ser aquela que produziu estes resultados negativos no passado. E, quanto a esta vedação, a recorrente afirma seu direito à adoção da alternativa fiscalmente menos onerosa, desde que a operação seja real – envolvendo sociedades operacionais – característica presente no caso concreto. Isto porque, para além das razões econômicas extratributárias abordadas mais à frente, o fato de a recorrente possuir prejuízos fiscais e bases negativas acumulados também foi um fator levado em consideração na decisão para implementar a estruturação do modo como realizada (concentração dos negócios da TV Gaúcha, TV Florianópolis e RádioTV Caxias na pessoa jurídica autuada), visto que não há impedimento para que o particular utilize a alternativa fiscalmente mais vantajosa dentre as propostas admitidas pela legislação, sendo a busca da eficiência e de lucro uma obrigação de seus gestores, a par de fundamentarse na autonomia privada. Contudo, como bem observa a recorrente, o que se proíbe é a construção de uma série de operações formais e distorcidas, representando estratagemas carentes de explicações econômicas que não a pretensa inserção do contribuinte de forma injustificável em situação que lhe permita reduzir seu ônus fiscal. A autoridade lançadora relata que RBS Participações S/A atuou até 2007 como holding do Grupo RBS, e era uma empresa altamente deficitária, acumulando prejuízos contábeis de R$ 675 milhões e prejuízos fiscais de R$ 507 milhões. Por meio da reestruturação promovida pelo Grupo RBS, a autuada deixou de ter como atividade principal a participação em outras sociedades e passou a ser uma empresa operacional de tv, pela incorporação da Rádio e TV Caxias S/A, da Televisão Gaúcha S/A e da RBS TV de Florianópolis S/A. Para tanto, por meio de várias outras operações societárias anteriores, a autuada se desfez da quase totalidade de seus investimentos em Net Serviços de Comunicações e RBS Par Ltda, e tais investimentos passaram a ser controlados por RBS Comunicações S/A, mesma sociedade que, depois de várias operações societárias, passou a controlar a Rádio e TV Caxias S/A, a Televisão Gaúcha S/A e a RBS TV de Florianópolis S/A. Ao alcançar esta estrutura societária, a autuada requereu a transferência para si dos serviços de radiodifusão, de sons e imagens detidas por aquelas empresas, alterou seu objeto social, e a partir daí foram deflagradas as demais operações que resultaram na incorporação daquelas empresas pela autuada. Cabe a transcrição dos quadros elaborados pela Fiscalização ilustrando a composição do Grupo RBS no início da reestruturação societária e um passo antes da incorporação da Rádio e TV Caxias S/A, da Televisão Gaúcha S/A e da RBS TV de Florianópolis S/A pela autuada. Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 19 18 Posição em 30/06/2008 Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 20 19 A acusação fiscal, além de demonstrar a criação de novas holding interpostas entre as pessoas físicas titulares do grupo e as sociedades envolvidas na incorporação questionada, bem como o deslocamento de participações antes detidas pela autuada para tais holding, em especial a RBS Comunicações S/A, adiciona a análise acerca das atividades da autuada antes e depois da incorporação, com vistas a esclarecer se a RBS Participações foi mesmo sucessora na incorporação ou se as operacionais se uniram e “incorporaram” o nome da RBS Participações e seus prejuízos. E, neste sentido, constata que o histórico da RBS Participações, as atividades que desenvolvia, a origem dos prejuízos acumulados e as atividades que passou a desenvolver após a incorporação indicam que seu nome sobreviveu, mas suas atividades anteriores se tornaram irrelevantes no novo contexto. Do outro lado, as empresas operacionais de TV foram extintas de direito, mas tiveram suas atividades integralmente preservadas de fato. A autoridade fiscal detalha os investimentos antes mantidos pela autuada nas áreas de telefonia e televisão a cabo, bem como os empréstimos daí decorrentes, captados no exterior desde 1996 e liquidados até 2007, mas ensejando despesas financeiras e variações cambiais significativas nestes períodos, determinantes do saldo de prejuízos fiscais inicialmente mencionado. Liquidados os investimentos antes referidos, à autuada restaram apenas dívida com partes relacionadas de R$ 360 milhões (fl. 1733), principalmente com a RBS Adm e Cobranças Ltda. (R$ 177 milhões), a RBSZero Hora Editora Jornalística S.A. (R$ 109 milhões), a Televisão Gaúcha S.A. (R$ 50 milhões) e a RBS TV de Florianópolis (R$ 11 milhões), além de receita de exploração de royalties da marca RBS. Daí a observação de que a autuada: Tinha um histórico altamente deficitário, sem qualquer perspectiva de reversão do quadro de prejuízos acumulados, tanto do ponto de vista societário, como do aproveitamento dos prejuízos fiscais para compensação futura, já que lhe restava basicamente a receita de exploração de royalties, da ordem de 20 milhões ao ano, em contraste com um prejuízo fiscal acumulado de R$ 507 milhões. Ainda que viesse a liquidar seu débito com partes relacionadas, deixando de ter prejuízo financeiro, e passasse a apurar lucro real positivo no montante dos royalties recebidos (R$ 20 milhões), estaria limitado a 30% na compensação (R$ 6 milhões) e levaria mais de 80 anos para liquidar os prejuízos acumulados. É este o contexto no qual o Grupo RBS decide transferir as atividades das três empresas operacionais antes mencionadas para a autuada, que permanece recebendo receitas de royalties, mas agora representando menos de 3% da receita operacional total, motivo pelo qual a Fiscalização conclui que a incorporadora perdeu sua identidade e quem subsistiu de fato foram as formalmente incorporadas, e afirma infringido o art. 514 do RIR/99: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). A recorrente diz que o art. 514 do RIR/99 não é aplicável ao caso concreto, porque a Recorrente (sucessora) compensou seu próprio prejuízo gerado antes das incorporações, ou seja, os prejuízo utilizados não pertenciam às empresas incorporadas, mas sim à incorporadora (ora Recorrente), tendo sido gerados antes da reorganização societária. A Fiscalização, porém, não nega este último aspecto. Apenas demonstra que a maior parte dos resultados gerados em nome da recorrente a partir da incorporação, e subtraídos da tributação Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 21 20 em razão da compensação de prejuízos, são das empresas extintas por incorporação apenas no plano formal, porque sem extinção real, pois quem perdeu sua identidade foi a incorporadora. A recorrente também argumenta que mesmo antes de incorporar TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS e RÁDIOTV CAXIAS sempre desenvolveu atividades econômicas de forma coerente com os seus objetivos sociais, e a autoridade lançadora também nada opõe quanto a isto, assim como em momento algum classifica a recorrente, no passado, como uma sociedade dormente, sem operações até a incorporação. Os fiscais autuantes se empenham, sim, em demonstrar que as atividades das quais resultaram os prejuízos fiscais acumulados pela recorrente deixaram de ser por ela exercidas, e o meio vislumbrado pelo Grupo RBS para compensar aqueles saldos foi promover incorporações que, no plano material, apresentaram resultado inverso àquele constituído no plano formal: as atividades das sociedades incorporadas tiveram continuidade em nome da incorporadora, ao passo que as atividades da incorporadora restaram quase que integralmente descontinuadas, em especial na parte da qual resultaram os prejuízos fiscais acumulados. Somente interessou ao Grupo RBS manter na recorrente as atividades das quais resultavam receitas (exploração de marcas), cuja tributação poderia ser reduzida pelos prejuízos acumulados. A autuada defende que houve apenas a expansão de suas atividades econômicas, pois os elementos juntados à impugnação demonstrariam que as operações societárias, sede, denominação e diretorias da Recorrente foram todos mantidos, não se verificando o abandono de tais elementos e a adoção de referidos atributos das empresas incorporadas. Contudo, como se vê à fl. 1881, os diretores das incorporadas também figuravam na diretoria da incorporadora (recorrente), e a manutenção do endereço sede da autuada não impediu que as atividades das incorporadas tivessem continuidade em seu domicílio original, mas agora sob a forma de filial, e inclusive com manutenção de seu nome fantasia, como destacado pela Fiscalização: Os dados das GFIPs da RBS Participações e das incorporadas demonstram essa transformação (fls. 1596 a 1660). Até maio de 2008 a GFIP da RBS Participações não apresentava nenhum segurado. As GFIPs de maio da TV Gaúcha, da RBS TV de Florianópolis e da Rádio e TV Caxias totalizavam aproximadamente 1200 segurados. Em junho, após a incorporação, as GFIPs da matriz e das filiais da RBS Participações totalizavam aproximadamente 1200 segurados, sendo que 1120 foram identificados pela fiscalização como oriundos das incorporadas, que foram transformadas em filiais da RBS Participações, com o nome fantasia igual à denominação social das empresas extintas (fls. 1661 a 1664). As incorporadas na verdade subsistiram, revestidas de filiais, absorvendo tão somente o nome e os prejuízos da RBS Participações. A recorrente argumenta que não invalida a transação o fato de operações e patrimônios da Recorrente terem antes das transações volumes inferiores aos das incorporadas – TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS E RÁDIOTV CAXIAS, pois não há uma determinação legal, seja no direito privado, seja no direito tributário, que estabeleça que as sociedades com maiores portes patrimoniais devem obrigatoriamente incorporar as de porte inferiores, com vedação à adoção do inverso. Mais à frente acrescenta que o objeto social que desempenhava anteriormente continuou a ser desenvolvido, apenas recebendo o acréscimo das atividades de televisão. Porém, como visto, a reestruturação societária não se resumiu a esse encontro de patrimônios, e não pode ser dissociada do histórico de operações deficitárias da autuada, da transferência das participações societárias por ela detidas para outra holding criada Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 22 21 naquele contexto e conseqüente esvaziamento patrimonial, ainda que com manutenção da atividade original em seu estatuto, apesar de sua ampliação antes da questionada incorporação das sociedades lucrativas. Reportandose a julgados administrativos, inclusive da CSRF, a recorrente afirma legítimas as operações, por meio das quais se busca melhor eficiência, com a diminuição dos custos e da estrutura mediante incorporação de sociedade lucrativa por deficitária, desde que ambas sejam regulares e operativas, inobstante inexista dúvida de que a escolha de tal desenho, em detrimento de outro, se deu também com o intento de aproveitar os prejuízos fiscais e bases negativas acumulados da incorporadora. Aqui, porém, as operações da recorrente que ensejaram os prejuízos fiscais acumulados foram previamente transferidas para outra holding do grupo, como demonstrado pela Fiscalização, de modo que não se pode falar em incorporação realizada por empresas operativas e com objeto social semelhante, como consignado em julgados referidos pela recorrente. A autuada somente subsistiu como operativa porque o Grupo RBS optou por nela manter os direitos de exploração de marca, dos quais resultavam lucros e não os prejuízos acumulados, e a semelhança de objeto foi construída durante o processo de reorganização societária. A recorrente prossegue afirmando a impossibilidade de se considerar estarse diante de atos simultaneamente qualificados como simulados e ilícitos por configurarem fraude à lei, não só porque isto nunca foi suscitado pela autoridade lançadora, mas também porque os dois vícios não poderiam existir simultaneamente na hipótese que se cuida. Isto porque na simulação não há propósito extratributário legítimo que justifique os atos praticados, apenas sobrepondose o ato falso ao ato verdadeiro, este o único que pode gerar conseqüências jurídicas e fáticas. Já na fraude à lei, verificase a prática de atos isoladamente lícitos, porém, para alcançar resultado ilícito, caracterizandose pela existência de um único negócio, ao contrário da simulação na qual há dois negócios. Em seu entendimento: A aplicação de tais figuras ao caso concreto, faz com que, de duas a uma: (1) haveria simulação e, portanto, a Recorrente não teria incorporado TV GAÚCHA, TV FLORIANOPOLIS e RADIOTV CAXIAS (outro teria sido o negócio, dissimulado pela operação ostensivamente declarada); ou (2) RBS PART teria efetivamente sucedido TV GAÚCHA, TV FLORIANOPOLIS e RADIOTV CAXIAS por incorporação e, por assim ter pautado as suas ações, alcançaria resultado proibido pela legislação. Certo é que jamais caberia o entendimento da DRJ, de que as duas figuras estariam presentes na hipótese. Ou a RBS PART não incorporou TV GAÚCHA, TV FLORIANOPOLIS e RÁDIOTV CAXIAS (simulação) ou, diversamente, as incorporou e, com isso, pode se beneficiar de imaginado efeito proibido pela legislação (fraude à lei). De toda sorte, aduz que nenhuma destas situações se verificaria no caso concreto, porque houve apenas a efetiva prática do negócio declarado, em pleno exercício regular de direito, inexistindo impedimento legal para que a sucessora aproveite os prejuízos por ela gerados antes de uma incorporação, em atos corroborados pelo Ministério das Comunicações e Juntas Comerciais. Ademais, caso tivesse cogitado de simulação, a autoridade lançadora estaria obrigada a qualificar a penalidade e formar representação fiscal para fins penais. A acusação fiscal, contudo, traz vários excertos acerca do descompasso entre o contexto formal produzido pelo Grupo RBS e a realidade, consoante a seguir exemplificado: Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 23 22 A situação anterior apresentava, de um lado, três empresas prestadoras de serviço de radio difusão, por concessão pública, cujo patrimônio líquido totalizava R$ 248 milhões. De outro, uma holding, cujo histórico estava ligado a investimentos em telefonia e tv a cabo, mas que no momento anterior à incorporação já se encontrava esvaziada no que diz respeito aos seus investimentos, e com prejuízos acumulados de R$ 675 milhões e patrimônio líquido negativo de R$ 448 milhões. Após a incorporação restou uma única empresa, detentora das três concessões de exploração, prestando serviços de rádio difusão de sons e imagens, que, ao final de 2009, já absorvera totalmente os prejuízos societários acumulados ao longo de doze anos. A pergunta é quem remanesceu de fato? Para essa fiscalização é evidente que a incorporação do ponto de vista formal não representou a realidade. O que ocorreu de fato foi a transferência dos prejuízos para a Televisão Gaúcha S/A, a RBS TV de Florianópolis S/A, e a Rádio e TV Caxias S/A, que foram unificadas sob o nome da RBS Participações. Não estão sendo contestados os motivos ou a validade da reestruturação do Grupo RBS ocorrida a partir de 2006, mas tão somente os efeitos fiscais da incorporação ocorrida em 2008, que não pode produzir os efeitos desejados pelo contribuinte, qual seja, contornar a limitação imposta pelo art. 514 do RIR/99. Isso porque a formalidade dos atos não reflete a realidade dos fatos, já que não havia verdadeira intenção de preservar a RBS Participações (incorporadora): mas tão somente viabilizar o aproveitamento de seus prejuízos. Inexiste, portanto, qualquer inovação promovida pela autoridade julgadora, especialmente porque não merece reparos a abordagem desenvolvida na decisão recorrida acerca da desnecessidade de se nominar o instituto jurídico verificado no caso, desde que seus contornos fáticos estejam suficientemente demonstrados para permitir a defesa do interessado. Da mesma forma, a decisão recorrida validamente demonstra a semelhança entre a simulação e a fraude à lei quando excluída a análise acerca da intenção do agente. Por tais razões, vale a transcrição do arrazoado desenvolvido pelo I. Julgador João Bellini Júnior acerca destes aspectos, aqui adotado como razões de decidir: A acusação fiscal, como visto, é o irregular aproveitamento dos prejuízos fiscais acumulados pela fiscalizada até 30/06/08, uma vez que o art. 514 do RIR/99 veda que a pessoa jurídica sucessora compense prejuízos da sucedida. A autuada refere que à exceção da simulação, não há norma que autorize o Fisco a afastar os efeitos fiscais dos atos praticados pelo particular e aplicar tratamento diverso. Não está com a razão. A simulação é uma das causas de nulidade do negócio jurídico previstas no capítulo V (Da Invalidade do Negócio Jurídico) do Título I (Do Negócio Jurídico) do Livro III (Dos Fatos Jurídicos) da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil. Todas as outras causas de invalidade do negócio jurídico, previstas no art. 166 do Código Civil, ao serem constatadas pelo Fisco, podem fundamentar autos de infração. Entre estes institutos, destaco a fraude à lei, presente no inciso VI do citado art. 166. Ressalvo que a própria contendora traz aos autos a posição de Marco Aurélio Greco, para o qual, contrarius sensus, a operação poderá ter seus efeitos fiscais afastados na constatação de fraude à lei (fl. 1845). Nesse sentido a dicção do art. 170 do Código Civil, o qual determina que se o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. Assim, para desconsiderar os efeitos fiscais de negócio jurídico realizado por contribuinte, basta à acusação fiscal demonstrar a existência de uma das causas de Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 24 23 invalidade do negócio jurídico presentes no Código Civil – comumente a fraude à lei ou a simulação. Assinalo de passagem que o instituto do abuso do direito, que por vezes embasa autos de infração, forte no art. 187 do Código Civil, não é causa invalidante de negócio jurídico; de sua ocorrência decorre o dever de indenizar, de acordo com o art. 927 do Estatuto Civil, não a desconsideração da eficácia dos negócios realizados. Analisemos o Relatório Fiscal para verificar se o motivo do lançamento foi uma das causas de invalidade de negócio jurídico. De acordo com a Fiscalização, as sociedades “operacionais se uniram e "incorporaram" o nome da RBS Participações e seus prejuízos” (fl. 1763); “as empresas operacionais de TV foram extintas de direito, mas tiveram suas atividades integralmente preservadas de fato” (fl. 1763); “formalmente a RBS Participações incorporou três empresas operacionais (Televisão Gaúcha, RBS TV de Florianópolis e Rádio TV Caxias), mas na prática” (...) “quem subsistiu de fato foram as formalmente incorporadas” (fl. 1767); “a incorporação do ponto de vista formal não representou a realidade” (pois) “o que ocorreu de fato foi a transferência dos prejuízos para a Televisão Gaúcha S/A, a RBS TV de Florianópolis S/A, e a Rádio e TV Caxias S/A, que foram unificadas sob o nome da RBS Participações” (fl. 1769); “a formalidade dos atos não reflete a realidade dos fatos” (fl. 1769); “a empresa não foi dotada de fundamentos econômicos e estrutura patrimonial, mas se transformou nas próprias empresas operacionais de televisão, que já existiam e assim permaneceram de fato” (fl. 1772); “a fiscalizada emprestou seu nome e transferiu seus prejuízos para empresas que já desenvolviam tradicionalmente essa atividade lucrativa dentro do grupo” (fl. 1773); “as atividades lucrativas que permitiram a compensação dos prejuízos da RBS Participações a partir de 2008 são de fato da Televisão Gaúcha, da RBS TV Florianópolis e da Rádio e TV Caxias, que desapareceram somente do ponto de vista formal” (fl. 1773). Esse conjunto de fatos é compatível com a realização de negócios jurídicos simulados, pois (a) aparentam conferir e/ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem e/ou (b) contêm declaração ou cláusula não verdadeira ou (b) realizados com fraude à lei. A autuada, por sua vez, alegou, que não houve a acusação de simulação; ora, os fatos descritos pela Fiscalização, bem como a lógica do lançamento, que contestou “tão somente os efeitos fiscais da incorporação ocorrida em 2008” (fl. 1769) se harmoniza in totum com a acusação de simulação. O fato de não ser nominado o instituto jurídico descrito na peça acusatória poderia, quiçá, ser causa de nulidade por cerceamento do direito de defesa, o que não ocorre no caso concreto, em face de a autuada, entendendo existente a acusação de simulação, dela se defendeu, alegando que a totalidade de sua reestruturação societária foi fundamentada em razões societárias e econômicas, não tendo praticado ato simulado. A contendora, ainda, asseverou serem duas condições que impedem que a sucessora por incorporação possa compensar seus resultados negativos: (1) mudança de controle societário e (2) alteração no ramo de atividade explorado (RIR/99, art. 513 e IN 390/04, art. 80), referindo que, ainda que se entenda ter havido alteração na espécie de negócio desempenhado pela RBS PART após as incorporações de TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS c RADIOTV CAXIAS, o seu controle acionário permaneceu o mesmo. [...] As demais razões de defesa procuram demonstrar que os negócios jurídicos pertinentes à reestruturação societária foram reais, legais e desejados pela autuada, fundamentados em razões societárias e econômicas. Pertencem a tal Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 25 24 grupo as seguintes alegações (em síntese), as afirmações de que (1) as operações são explicáveis por razões extrafiscais; (2) a alegada perda de eficiência com as incorporações é improcedente; (3) a inexistência de empregados registrados como funcionários de RBS PART antes das incorporações se justifica em razão das espécies de atividades econômicas das sociedades; (4) a pretensa transformação das incorporadas em filias da incorporadora com a adoção das denominações das sucedidas a título de "nomes fantasias" não se sustenta, uma vez que os referidos "nomes fantasias", embora constem nos cartões de CNPJ das filiais da RBS PART, não eram usados nas atividades econômicas e nas relações da RBS PART com terceiros; (5) as perdas compensadas decorreram de despesas financeiras e operacionais com terceiros independentes, incorridas para a realização de investimentos em negócios de TV a cabo, telefonia e exploração das marcas a elas relacionadas; (6) o objetivo das transações foi viabilizar o crescimento, simplificar o fluxo financeiro entre as empresas e criar mecanismos que assegurassem liquidez aos acionistas e estrutura de capital adequada. Ocorre que o resultado obtido com tais atos, especificadamente, a compensação dos prejuízos, é vedado. Desta forma, as alegações da contribuinte são compatíveis, com a prática, por ela de fraude à lei. Ocorre que, apesar dos institutos da simulação e da fraude à lei serem, por evidente, distintos, os mesmos negócios jurídicos podem caracterizar um ou outro, dependendo da intenção das pessoas físicas e/ou jurídicas envolvidas. Isto porque o que os diferencia, de acordo com abalizados doutrinadores, é a (verdadeira) intenção dos agentes, a qual, como regra, é desconhecida pelo aplicador da lei. Conforme ensina Regis Fichtner Pereira, em sua obra A fraude à lei (Rio de Janeiro, Renovar, 1994, p. 22), o ato praticado com fraude à lei, se analisado isoladamente, “possui todas as características de um ato que estaria em perfeita consonância com a lei. O agente quer efetivamente praticálo e submeterse a todas as suas conseqüências normais. O problema é que estas conseqüências estarão produzindo o mesmo resultado que o sistema procura evitar através da norma proibitiva”. (grifouse) A seu turno, a simulação, de acordo com Pereira “consiste na prática de ato fictício por parte do agente, a fim de encobrir determinada situação que não lhe interessa transpareça”. (op. cit., p. 49) (grifouse) Segundo Pereira, em caso de dúvidas quanto à ocorrência de fraude à lei ou de simulação, se deve perquirir “se o negócio praticado é perfeitamente sério, ou seja, se os agentes objetivaram submeterse a todas as suas conseqüências jurídicas, ou se pretenderam apenas criar uma ilusão, seja para ocultar outro negócio efetivamente realizado, seja para ocultar a subsistência de uma situação jurídica que não deve aparecer”. (op. cit., p. 49.) (grifouse) No mesmo sentido é a lição de Francisco Ferrara, para o qual, na fraude à lei “os contratantes propõemse fugir à aplicação duma norma jurídica, conformando sua conduta de tal modo que não possa ser diretamente reprovada e que, com o conjunto de meios oblíquos empregados, venha a conseguirse o resultado que a lei queria impedir. É, pois, um elemento de conduta fraudulenta a intenção das partes de se subtraírem à força coercitiva do direito, mas não é essencial a consciência de que se tenta alcançar um fim proibido”. (A simulação dos negócios jurídicos: Campinas, Red Livros, 1999, p. 93.) Para esse autor, a intenção das partes é de extrema relevância, pois (op. cit., p. 103) “o negócio jurídico simulado quer produzir uma aparência; o negócio fraudulento, uma realidade; os negócios simulados são fictícios, não queridos, os negócios in fraudem são sérios, reais e realizados assim pelas partes para conseguirem um resultado proibido”. A fraude “não oculta o ato exterior, mas Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 26 25 deixao claro e visível, tratando de fugir obliquamente à aplicação da lei, mercê duma artística e sábia combinação de vários meios jurídicos não reprovados” (op. cit., p. 104). Essa também é a lição de Pontes de Miranda, para o qual “Na simulação, querse o que não aparece e não se quer o que aparece. Na fraude à lei, querse, sinceramente, o que aparece, porque o resultado é aquele que a lei fraudada tenta impedir, ou porque se afasta o resultado que a lei fraudada determina que se produza”, uma vez que “na fraude à lei, a intenção do autor e o que ele manifestou são um só fato da vida, enquanto, na simulação, há de haver a discordância” (Tratado de Direito Privado: Rio de Janeiro, Borsoi, 1970, vol. I, p. 53). Assim, o conjunto probatório presente nos autos – cujo coroamento é a assunção (e/ou transferência) dos objetos sociais de sociedades lucrativas por (para) sociedade deficitária, que posteriormente incorpora aquelas – são compatíveis com a ocorrência de fraude à lei, uma vez que a autuada assevera que quis praticar os negócios jurídicos em questão (em face de propósitos empresariais e negociais) que tiveram como resultado prático a produção de resultado que o sistema jurídico tributário visa a evitar, ou seja, o aproveitamento dos prejuízos fiscais. Tal prática é compatível com o instituto da fraude à lei no sentido que lhe dão, como visto, os doutos; repisando: de acordo com: (a) Ferrara, “os negócios in fraudem são sérios, reais e realizados assim pelas partes para conseguirem um resultado proibido” (op. cit., p. 104); (b) Pontes de Miranda, “na fraude à lei, querse, sinceramente, o que aparece, porque o resultado é aquele que a lei fraudada tenta impedir, ou porque se afasta o resultado que a lei fraudada determina que se produza” (op. cit., p. 53) e (c) Pereira, “o agente quer efetivamente praticálo (o negócio jurídico) e submeterse a todas as suas conseqüências normais. O problema é que estas conseqüências estarão produzindo o mesmo resultado que o sistema procura evitar através da norma proibitiva” (op. cit., p. 22). Em suas razões de defesa, a contendora não conseguiu demonstrar que poderia ter compensado os prejuízos. As razões societárias e comerciais para a prática da reestruturação não possuem o condão de autorizar a compensação vedada pelo sistema tributário. Nas palavras de Pontes de Miranda (op. cit., p. 541): “Temos, assim, o princípio da infração indireta da lei: Quando a regra jurídica determina que algum resultado, positivo ou negativo, seja alcançado, dando a sanção, essa apanha todos os casos em que se violou a lei sem ser pelo modo previsto” (grifou se). Decorrentemente, afastase, da reorganização societária, os efeitos tributários oponíveis ao Fisco Federal. Segundo Ferrara, “A par da transgressão brutal da lei, está o iludila inteligente e sutilmente, pra conseguir o fim proibido por um caminho indireto” (op. cit., p 91); para o autor, “os contratantes propõemse fugir à aplicação duma norma jurídica, conformando a sua conduta de tal modo que não possa ser diretamente reprovada e que, com o conjunto de meios oblíquos empregados, venha a conseguirse o resultado que a lei queria impedir” (op. cit., p. 93). Os meios utilizados por quem frauda a lei costumam ser: 1º) “Emprego dum negócio diferente ou duma combinação de actos jurídicos”; 2º) “Modificação das condições de facto”; 3º) “Interposição” (de pessoas) (op. cit., p. 9394). É o que temos no presente caso, a utilização de uma combinação de negócios jurídicos (reorganização societária) e a modificação das condições de fato (pelo qual a incorporadora passou a deter os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL). Assim, por qualquer das interpretações que se dê, chegase à mesma conclusão: foram compensados prejuízos incompensáveis. Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 27 26 Quanto ao fato de a Fiscalização não ter qualificado a penalidade, cumpre apenas observar que a duplicação do percentual da multa de oficio depende da caracterização de uma das hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, dentre as quais não se verifica, expressamente, a simulação ou a fraude à lei. Em alguns casos, os atos simulados e o meio empregado para fraude à lei podem integrar contexto que reflita uma daquelas hipóteses, mas nada impede que a Fiscalização afaste os efeitos fiscais decorrentes de atos formais em descompasso com a realidade, e não vislumbre uma das hipóteses que impõem a qualificação da penalidade ou caracterizem crime contra a ordem tributária, passível de representação fiscal. A recorrente prossegue expondo as razões extratributárias que justificavam a indicação da Recorrente como incorporadora, quais sejam: · A eleição da autuada como sucessora por incorporação das demais explicavase por ser ela detentora das marcas exploradas pelas empresas do grupo, e a liderança em audiência das incorporadas seria a melhor maneira de consolidar as marcas, via exposição na mídia TV. Além disso, seriam eliminados pagamentos e recebimentos de royalties entre elas, além de créditos mútuos: o documento que trataria das vantagens resultantes da consolidação das marcas está juntado às fls. 1882/1909, mas nada ali permite compreender a alegação da recorrente. Quanto às receitas e despesas recíprocas dentro do grupo, sua eliminação não pode ser considerada um ganho operacional, porque o efeito final, dentro do grupo, no âmbito da rentabilidade, é neutro. Demais disso, se este suposto ganho justificasse a reestruturação realizada, ela teria alcançado outras empresas do grupo que se valiam da marca explorada pela recorrente, ou então bastaria que a cessão de seu uso fosse gratuita; · A perda de eficiência com as incorporações, apontada pela Fiscalização, é improcedente, porque não se levou em conta as demais receitas e despesas das companhias envolvidas, sendo certo que o lucro líquido em relação à receita teve crescimento de 26% em 2007 para 31% em 2009. Demais disso, o aumento de gastos após a incorporação decorreu de circunstâncias de mercado e outros aspectos operacionais detalhados na defesa: a abordagem fiscal acerca da lucratividade das incorporadas, e do resultado agregado final após a incorporação prestouse apenas a demonstrar as vantagens auferidas com a reestruturação societária, e a refutar a alegação da fiscalizada no sentido de que as operações também objetivavam recuperar a RBS Participações S/A, sendo certo que, como dito pela Fiscalização, tal recuperação não ocorreu de fato, porque a empresa não foi dotada de fundamentos econômicos e estrutura patrimonial, mas se transformou nas próprias empresas operacionais de televisão, que já existiam e assim permaneceram de fato; · A inexistência de empregados registrados como funcionários da recorrente antes das incorporações se justificaria por sua atuação como holding, sendo suas atividades exercidas diretamente pelos membros de sua diretoria: a referência feita pela Fiscalização acerca da evolução do número de empregados antes e depois da incorporação Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 28 27 prestase a reforçar a acusação no sentido de que as empresas incorporadas continuaram operando com seu quadro próprio, apenas que revestidas como filiais; · A indicação dos nomes de fantasia das incorporadas nos cartões de CNPJ das filiais da recorrente seria irrelevante, vez que na condução dos negócios após as incorporações foram alterados todos os processos econômicos para refletir a operação societária realizada, consoante documentos juntados aos autos: a recorrente apresenta a impressão de telas de créditos de produção de conteúdo e notas fiscais que denotariam a indicação apenas da “RBS TV” e de sua razão social depois da incorporação, mas basta ver nas notas fiscais de fls. 1943 e 1944 que, embora a razão social indicada seja a da recorrente, consta a designação na fatura de que o valor seria pagável à “Televisão Gaúcha” e “RD e TV Caxias”. Já na nota fiscal de fl. 1945, consta de seu rodapé a referência a RBS TV Florianópolis. Inadmissível, assim, a alegação de que os imaginados “nomes fantasias”, na realidade, não eram usados nas atividades econômicas e nas relações da RBS PART com terceiros; · A impossibilidade de transferir resultados negativos da autuada para s incorporadas, em razão da vedação contida no art. 340, §6o, do RIR/99, não se verificaria porque as perdas compensadas decorreram de despesas financeiras e operacionais com terceiros independentes, incorridas para realização de investimentos em negócios de TV a cabo, telefonia e exploração das marcas a ela relacionadas, os quais não proporcionaram o retorno esperado: ao invocar o art. 340, §6o do RIR/99 a autoridade fiscal tratou da impossibilidade de dedução, como perda, pelas pessoas ligadas, das dívidas que a autuada mantinha com partes relacionadas por ocasião da reorganização societária. O dispositivo legal não foi referido como obstáculo à compensação dos prejuízos formados no passado, em razão das despesas mencionadas pela recorrente; · A reestruturação buscou uma estrutura para viabilizar o crescimento, simplificar o fluxo financeiro entre as empresas e criar mecanismos que assegurassem liquidez aos acionistas e estrutura de capital adequada, via abertura de capital de holding do grupo ou sociedade de private equity, sendo o intento alcançado em 16/10/2008, quando houve a aquisição de 12,64% de ações da holding RBS Comunicações S/A, controladora da Recorrente, pelo Gávea Investimentos: os mencionados benefícios resultantes do aporte de novos recursos para a expansão das atividades do grupo seriam alcançados com o controle direto de RBS Comunicações S/A sobre as empresa operacionais e lucrativas incorporadas pela recorrente, a reforçar a conclusão de que a interposição desta no processo de reestruturação permitiu, essencialmente, a compensação de seus prejuízos acumulados com os lucros das atividades exercidas por outras empresas do grupo RBS. Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 29 28 A recorrente aduz que esclarecimentos neste sentido foram apresentados à Fiscalização, bem como consignados em impugnação, mas ignorados pela autoridade lançadora e, posteriormente, também pela autoridade julgadora de 1a instância. Contudo, verificase que nas fls. 1770/1773 a autoridade lançadora enfrenta as justificativas apresentadas pela fiscalizada para a reestruturação promovida, assim como a autoridade julgadora de 1a instância a elas expressamente se reporta, mas as desmerece por vislumbrar que o resultado obtido com tais atos, especificamente, a compensação dos prejuízos é vedado, classificando tais alegações como compatíveis com a prática, por ela, de fraude à lei, para após a abordagem teórica deste instituto concluir que: Em suas razões de defesa, a contendora não conseguiu demonstrar que poderia ter compensado os prejuízos. As razões societárias e comerciais para a prática da reestruturação não possuem o condão de autorizar a compensação vedada pelo sistema tributário. Nas palavras de Pontes de Miranda (op. cit., p. 541): “Temos, assim, o princípio da infração indireta da lei: Quando a regra jurídica determina que algum resultado, positivo ou negativo, seja alcançado, dando a sanção, essa apanha todos os casos em que se violou a lei sem ser pelo modo previsto” (grifou se). Decorrentemente, afastase, da reorganização societária, os efeitos tributários oponíveis ao Fisco Federal. De toda sorte, como se viu, as razões extratributárias reafirmadas pela recorrente não se mostraram suficientes para justificar o resultado final alcançado com a reestruturação societária, mormente frente à continuidade das atividades das incorporadas sob a forma de filiais. Pertinentes, portanto, as conclusões expostas pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões: Do descasamento entre a formalidade e a realidade, sobressai nítido que o objetivo e resultado da reorganização societária, levada a efeito tal como foi, era possibilitar o aproveitamento do prejuízo fiscal consolidado na RBS Participações pelas atividades lucrativas de TV aberta. Este objetivo exclusivamente fiscal, entretanto, não é suficiente a justificar, no âmbito do direito tributário, a atípica incorporação de empresas lucrativas por sociedade deficitária. Ainda que a recorrente tenha demonstrado legítimo interesse em concentrar atividades, não demonstrou plausível justificativa para adotar a forma anômala de concentração adotada –ainda mais quando as características da sociedade resultante fazem crer que a concentração se deu no sentido contrário. Assim, em que pese não seja inválida a operação societária, o descasamento entre a formalidade e a realidade, acima exposto, demonstra que está carregada de artificialidade, com vistas a contornar a norma que impede a compensação de prejuízos de uma pessoa jurídica com lucros de outra. Sendo artificial a operação, não lhe podem ser atribuídos os efeitos tributários próprios de uma operação autêntica. É importante ressaltar que ao se considerar legítima a compensação de prejuízos desse jaez, se estará abrindo as portas para que, no âmbito de um grupo econômico, sob controle comum, os prejuízos acumulados por uma empresa sempre possam ser compensados com lucros de outra. Isto porque, dentro de um grupo econômico, havendo identidade de controle, é sempre possível criar, extinguir, transferir e reorganizar pessoas jurídicas e ativos (sem qualquer alteração no patrimônio ou no controle das empresas do grupo como um todo), de modo que seja isolado o prejuízo fiscal acumulado em uma sociedade deficitária para em seguida fazer com que esta absorva uma sociedade lucrativa do Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 30 29 grupo, cujos resultados passarão a ser beneficiados pelos prejuízos da incorporadora. Ao fim e ao cabo, a procedência da pretensão da recorrente acarretaria nisso: reconhecer que os prejuízos fiscais acumulados no âmbito de um grupo econômico podem ser compensados com os lucros de qualquer das empresas deste grupo. Basta, para tal, que essas empresas, por meio de sucessivas operações societárias, “assumam” a personalidade jurídica da empresa detentora do prejuízo, por meio de incorporação inversa, não obstante a nova entidade, em essência, consista basicamente na própria incorporada. Data maxima venia, não parece que tenha sido essa a intenção do legislador ao restringir as hipóteses de compensação de prejuízos nos artigos 513 a 515 do RIR/99. Afinal de contas, se nem mesmo as Sociedades em Conta de Participação podem compensar prejuízos próprios com lucros de outras sociedades da mesma espécie ou com o sócio ostensivo (art. 515 RIR/99), sobressai clara a opção do legislador pela nãosocialização do saldo de prejuízos fiscais, ainda que dentro de um mesmo grupo econômico. Assim, afigurase inidônea e contrária ao artigo 514 do RIR/99, a compensação de prejuízos fiscais decorrente de incorporações excêntricas e atípicas por meio das quais outros empreendimentos do grupo econômico assumem a personalidade jurídica da empresa detentora dos prejuízos, quando na realidade a sociedade resultante das incorporações se traduz, em essência e substância, nas próprias sociedades incorporadas. Tratase de escancarada tentativa de, por meios oblíquos, fugir à restrição imposta pelo artigo 514 do RIR/99. A recorrente prossegue apontando incongruência entre os motivos aventados para a desconstituição dos efeitos fiscais e a indicação da Recorrente como sujeito passivo na requalificação realizada, pois caso aceita a premissa adotada na peça fiscal, a Recorrente teria sido extinta, e desta forma não poderia figurar como autuada nos atos de lançamento. Os sujeitos passivos teriam de ser necessariamente TV GAÚCHA, TV FLORIANÓPOLIS e RÁDIOTV CAXIAS, cada qual na proporção dos prejuízos e bases negativas aproveitados de forma individualizada. Em conseqüência, os créditos tributários ora contestados seriam igualmente improcedentes à vista do erro de sujeição passiva. Contudo, como bem consignado no Relatório Fiscal: Não estão sendo contestados os motivos ou a validade da reestruturação do Grupo RBS ocorrida a partir de 2006, mas tão somente os efeitos fiscais da incorporação ocorrida em 2008, que não pode produzir os efeitos desejados pelo contribuinte, qual seja, contornar a limitação imposta pelo art. 514 do RIR/99. Isso porque a formalidade dos atos não reflete a realidade dos fatos, já que não havia verdadeira intenção de preservar a RBS Participações (incorporadora): mas tão somente viabilizar o aproveitamento de seus prejuízos. As incorporadas foram efetivamente extintas, os resultados de sua atividade empresária foram agregados à apuração da recorrente, e o lançamento não poderia ser formalizado em face de pessoas jurídicas extintas. Assim, a exigência foi corretamente formalizada em nome da autuada, mas excluindo da apuração os efeitos dos prejuízos fiscais e bases negativas existentes antes da incorporação e indevidamente utilizados para redução dos lucros resultantes das atividades incorporadas. Para tanto, a autoridade fiscal assim procedeu: Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 31 30 Como a Televisão Gaúcha, a RBS TV de Florianópolis e a Radio e TV Caxias tinham bases de cálculo negativas de contribuição social e prejuízos fiscais próprios, acumulados anteriormente à incorporação, a fiscalização considerou correta parte da compensação efetuada pela fiscalizada, até o limite desses prejuízos. Isso porque a glosa da compensação dos prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL da fiscalizada foi fundamentada na constatação de que as empresas operacionais, formalmente incorporadas, remanesceram de fato, preservando integralmente sua estrutura e suas atividades e, conseqüentemente, seus próprios prejuízos fiscais. Foram elaborados quadros demonstrativos com os valores de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL das empresas incorporadas, os limites de compensação e o excesso glosado. Nestes termos, não há reparos às apurações fiscais que se prestaram a ajustar o lucro tributável da recorrente tendo em conta os parâmetros reais que se verificariam caso as operações das incorporadas fossem realizadas, também no plano formal, sem os efeitos da incorporação. A autoridade fiscal desconsiderou os efeitos vedados pela lei, e recompôs a apuração, ou seja, os atos ou negócios praticados, consoante doutrina citada pela recorrente, assim requalificandoos dentro dos limites que o lançamento tributário permite, qual seja, exigindo crédito tributário que seria devido pelas incorporadas, mas em nome da pessoa jurídica formalmente subsistente, única detentora de personalidade jurídica para tanto. A recorrente ainda invoca a inexistência de regulamentação do parágrafo único do art. 116 do CTN, para afirmar a impossibilidade de afastamento do regime tributário adotado calcado nas assertivas declinadas pela autoridade lançadora. Entende que os atos em geral que se caracterizem como elisivos não são passíveis de desconsideração de forma unilateral pela Administração Fiscal face à legislação vigente, e afirma inviável imaginar que o Decreto 70.235/72 serviria a tal finalidade, pois este contém procedimentos insuficientes e incompatíveis à averiguação da ocorrência da elisão (ou do abuso de forma ou de direito). Observa que a Medida Provisória nº 66/2002, editada neste sentido, não foi convertida em lei, e que o art. 149, VII do CTN somente admite revisão dos lançamentos nos casos de dolo, fraude ou simulação, não cogitados neste caso, vez que ausente o emprego consciente de meio ardiloso com o objetivo de enganar terceiros. O procedimento para desconstituição de estruturas formais que se prestam a ocultar ou impedir a ocorrência do fato gerador, ou de seus efeitos, quando erigidas dolosamente, nunca dependeu de disciplina específica, observando apenas disposições dos arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional, a seguir transcritas: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. [...] Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 32 31 VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; [...] No que tange à apuração e recolhimento do crédito tributário, o dolo revela se nas condutas assim definidas em lei: Lei nº 4.502/64: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Lei nº 8.137/90: Art. 1o Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. [...] Art. 2o Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 33 32 V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. [...] A fraude, por sua vez, apresentase no art. 72 da Lei nº 4.502/64 como conduta dolosa específica, bem como integra outras condutas por meio das quais o sujeito passivo procura ocultar o que efetivamente ocorreu. A ela pode se assemelhar a simulação que, embora não expressamente citada na lei tributária, tem seus contornos definidos na lei civil: Código Civil de 1916: Art. 102. Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: I quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem, ou transmitem; II quando contiverem declaração, confissão, condição, ou cláusula não verdadeira; III quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Art. 103. A simulação não se considerará defeito em qualquer dos casos do artigo antecedente, quando não houver intenção de prejudicar a terceiros, ou de violar disposição de lei. Art. 104. Tendo havido intuito de prejudicar a terceiros ou infringir preceito de lei, nada poderão alegar, ou requerer os contraentes em juízo quanto à simulação do ato, em litígio de um contra o outro, ou contra terceiros. Art. 105. Poderão demandar a nulidade dos atos simulados os terceiros lesados pela simulação, ou os representantes do poder público, a bem da lei, ou da Fazenda. Código Civil de 2002: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Frente ao dolo ou à simulação que caracterizem as hipóteses penais antes transcritas a Fiscalização tem o dever de representar os indícios de crime ao Ministério Público Federal, bem como formalizar a exigência do crédito tributário que deixou de ser recolhido com a aplicação de multa qualificada, atualmente disciplinada na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 34 33 [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Assim, o fato de o lançamento tributário não contemplar a aplicação de multa qualificada significa, em regra, que o Fisco não constatou, na falta de recolhimento do crédito tributário exigido, dolo, fraude ou simulação caracterizadores das hipóteses descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. De outro lado, sendo esta a disciplina legal para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação caracterizadores das hipóteses descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, necessário se faz compreender o conteúdo da alteração promovida no Código Tributário Nacional, por meio da Lei Complementar nº 104/2001, a seguir transcrita: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Evidente está, por tudo antes exposto, que o parágrafo único inserido no art. 116 do Código Tributário Nacional não trata de situações nas quais se constate dolo, fraude ou simulação caracterizadores das hipóteses descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Infere se, daí, que o referido dispositivo buscou alcançar condutas específicas, nas quais atos ou negócios jurídicos ensejam falta de recolhimento de tributos, mas sem a presença do evidente intuito de fraude. Ocorre que, se o Fisco constata que o sujeito passivo interpretou equivocadamente a legislação, cometeu erros materiais na apuração do tributo recolhido, ou se omitiu no dever que a lei lhe impõe de apurar e recolher os tributos devidos em razão das atividades por ele exercidas, o procedimento para formalização da exigência correspondente também tem seus contornos gerais definidos no Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. [...] Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 35 34 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; [...] Nestes casos, a exigência se faz com o acréscimo de multa de ofício na forma da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Tais providências devem ser adotadas qualquer que seja a causa da omissão ou erro na apuração. O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional apenas prestouse a cogitar de um procedimento específico para os casos nos quais a falta de recolhimento decorresse da prática de atos ou negócios jurídicos que, embora não praticados com fraude, deveriam ser desconsiderados para fins tributários. Irrelevante, portanto, se a Medida Provisória nº 66/2002 temporariamente estabeleceu os procedimentos acima referidos, em dispositivos que não integraram a Lei nº 10.637/2002, pois inexistindo no cenário atual, e à época do lançamento, um procedimento específico para as situações tratadas no parágrafo único inserido no art. 116 do Código Tributário Nacional, resta ao Fisco o dever de formalizar a exigência do crédito tributário que deixou de ser recolhido segundo o procedimento genericamente previsto nesse mesmo diploma legal. A autoridade fiscal sempre teve a competência de identificar a matéria tributável a partir de sua análise dos fatos ocorridos, e a pretensão de criar procedimentos especiais para circunstâncias específicas, enquanto não materializada em lei, não pode ser óbice à formalização do lançamento. No presente caso, ainda que não haja fraude, a conduta da contribuinte, no entender do Fisco, resultou na apuração de tributo menor que o devido, e não decorreu de elisão fiscal lícita. Em suma, o Fisco entendeu que a estruturação formal resultante da incorporação questionada não permitiria a compensação de prejuízos e bases negativas antes detidas pela recorrente com os resultados das incorporadas, e consequência disto é a glosa das compensações que superaram o limite legal, e correspondente exigência do IRPJ e da CSLL Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 36 35 com acréscimo da multa de ofício de 75% e de juros de mora. E, em face das disposições antes reproduzidas, este agir sempre esteve autorizado no Código Tributário Nacional, mesmo antes da inclusão do parágrafo único no art. 116, e está orientado pelo disposto no arts. 142 e 149 daquele mesmo diploma legal. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e manter integralmente os créditos tributários aqui constituídos, com base nos fundamentos expostos pela autoridade lançadora, o que dispensa qualquer abordagem acerca do cumprimento dos requisitos legais consolidados no art. 513 do RIR/99, aqui debatidos pela recorrente. A recorrente ainda acrescenta, ao final de seu pedido, a necessidade de declaração de subsistência do estoque de prejuízos fiscais e de bases negativas acumulados e não aproveitados até o encerramento de 2012, uma vez que não houve sua reversão pela autoridade lançadora por meio de lançamento de ofício e respectiva intimação para a reescrituração do LALUR, o que era obrigatório se considerasse a parcela impassível de ser utilizada (Decreto 70.235/72, art. 9o, §4o). Sem a realização da sua reversão a importância tornouse definitiva e imutável por força do transcurso do prazo limite para revêla (30/06/2013). A competência deste órgão julgador, porém, limitase ao lançamento tributário aqui formalizado. Não é possível, assim, antecipar a apreciação de aspectos que repercutam em outras exigências futuras. De toda sorte, importa esclarecer que o art. 9o, §4o do Decreto nº 70.235/72 tem aplicação, dentre outros casos, quando da infração constatada em determinado período de apuração, não resulta base tributável em razão da apuração de prejuízo fiscal ou base negativa em valor superior ao ajuste promovido pela Fiscalização. E o caso presente trata, apenas, de limites à compensação do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas, inexistindo sequer qualquer questionamento fiscal acerca dos montantes assim acumulados, de modo a exigir da autoridade lançadora manifestação acerca da parcela impassível de ser utilizada no futuro. Eventuais glosas futuras serão determinadas em razão dos resultados das incorporadas e dos montantes utilizados em compensação pela recorrente. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do pedido final assim veiculado pela recorrente. O presente voto, portanto, além de REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de 1ª instância, e NÃO CONHECER do pedido final acima referido, é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.725930/201376 Acórdão n.º 1302001.767 S1C3T2 Fl. 37 36 Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 16306.720850/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16306.720850/2013-56
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5562850
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-000.307
nome_arquivo_s : Decisao_16306720850201356.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16306720850201356_5562850.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6262629
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124409249792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 336 1 335 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16306.720850/201356 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.307 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de janeiro de 2016 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .7 20 85 0/ 20 13 -5 6 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16306.720850/201356 Resolução nº 1301000.307 S1C3T1 Fl. 337 2 RELATÓRIO VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S/A (sucessora de Citrovita Comercial e Exportadora S/A), já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório adicional relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007 e, por conseguinte, indeferir a restituição trazida a litígio no presente processo. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007, n° 13405.53709.210911.1.2.025267, apresentado pela empresa Votorantim Participações S/A em 21/09/2011, buscando valor original de R$ 5.615.779,84, apurado por sua incorporada, CITROVITA COMERCIAL E EXPORTADORA S.A. (CNPJ 67.442.046/000131). Diante da demora administrativa para análise do pedido de restituição, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 001029119.2013.4036100 requerendo a ordem para análise do mesmo. O juiz da 19ª vara cível de São Paulo concedeu a ordem liminarmente em 07/06/2013. O Despacho Decisório datado de 26/06/2013, emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT, reconheceu parcela do direito creditório informado, no valor original de R$ 5.460.796,29, como abaixo parcialmente reproduzido: 3 Da Apuração do Direito Creditório 14. Avaliando a apuração do suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007, no montante de R$ 5.615.779,84, declarado na Ficha 12A da DIPJ 2007 à fl. 24, verificase que: · O contribuinte apurou IRPJ devido, antes de descontar as deduções, no montante de R$ 7.341.063,67, conforme Ficha 12A da DIPJ 2007 à fl. 24; · A tabela a seguir resume a apuração da IRPJ Estimativa declarada na DIPJ 2007, a qual optou pelo uso de balancete de suspensão ou redução: [tabela] · A estimativa de janeiro de 2007 no valor de R$ 708.457,61 foi liquidada da seguinte forma (fl 44/49): 1. pagamento de DARF no montante de R$ 5,86. Este recolhimento foi comprovado em consulta ao sistema SIEF/Arrecadação à fl. 57, sendo devidamente alocado a este processo de restituição. 2. pagamento de DARF no montante de R$ 19,33. Este recolhimento foi comprovado em consulta ao sistema SIEF/Arrecadação à fl. 57, sendo devidamente alocado a este processo de restituição. 3. pagamento de DARF no montante de R$ 7.753,18, o qual foi confirmado em consulta ao sistema SIEF/FISCEL à fl. 50. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16306.720850/201356 Resolução nº 1301000.307 S1C3T1 Fl. 338 3 4. compensação de R$ 475.137,36 no PER/Dcomp 18866.70038.230207.1.3.02 1460, o qual utilizava crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004. Este direito creditório foi analisado no processo administrativo 13851.905293/200991. De acordo com o extrato emitido pelo sistema SIEF/Processo às fls. 54/56 a compensação desta parcela da estimativa foi totalmente homologada. 5. compensação de R$ 91.219,08 no PER/Dcomp 23316.14537.220207.1.3.02 3784, o qual utilizava crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. Esse direito creditório foi analisado no processo administrativo 13851.905293/200991. De acordo com o extrato emitido pelo sistema SIEF/Processo às fls. 54/56 a compensação desta parcela da estimativa foi totalmente homologada. 6. compensação de R$ 87.956,44 no PER/Dcomp 40329.70038.230207.1.3.02 9057, o qual utilizava crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005. Esse direito creditório foi analisado no processo administrativo 13851.903967/200912. De acordo com o extrato emitido pelo sistema SIEF/Processo às fls. 54/56 a compensação desta parcela da estimativa foi totalmente homologada. 7. compensação de R$ 46.371,71 no PER/Dcomp 18274.48735.230207.1.3.02 6470, o qual utilizava crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. Esse direito creditório foi analisado no processo administrativo 13851.001182/9906. De acordo com o extrato emitido pelo sistema IBM/Profisc às fls. 54/56 a compensação desta parcela da estimativa foi totalmente homologada. · A estimativa de fevereiro/2007 no valor de R$ 591.002,70 foi liquidada através de pagamento de um DARF no montante de R$ 927,77 e outro de R$ 590.074,93, os quais foram confirmados em consulta ao sistema SIEF/FISCEL à fl. 50. · A estimativa de fevereiro/2007 no valor de R$ 594.579,12 foi paga via DARF, conforme indicado na DCTF à fl. 44. Este pagamento foi confirmado em consulta ao sistema SIEF/FISCEL à fl. 50. · Foi utilizada na apuração das estimativas de IRPJ retenção na fonte no montante de R$ 5.447.024,24, conforme declarado na ficha 11 da DIPJ 2007 (fls. 20/23), e R$ 5.615.779,84 no resultado final (ficha 12A). De acordo com consulta ao sistema SIEF/DIRF (fls. 51/52), foi informado em DIRF, através das declarações das fontes pagadoras, o valor total de R$ 11.062.803,98 a título de IRRF, conforme resumo abaixo. Como a receita correspondente não foi oferecida totalmente à tributação, o contribuinte tem direito a se creditar de R$ 10.907.820,53 a título de IRRF. Este valor é suficiente para validar a parcela utilizada nas estimativas, restando um saldo de R$ 5.460.796,29 a ser utilizado na apuração final do IRPJ. 15. Considerando que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007, após ajuste descrito neste despacho, no montante de R$ 5.460.796,29 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16306.720850/201356 Resolução nº 1301000.307 S1C3T1 Fl. 339 4 (cinco milhões e quatrocentos e sessenta mil, setecentos e noventa e seis reais e vinte e nove centavos), foi devidamente comprovado; 16. PROPONHO o RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional a Votorantim Participações S/A, sucessora de Citrovita Comercial e Exportadora S/A (67.442.046/000131), CNPJ 61.082.582/000197, na importância de: R$ 5.460.796,29 (cinco milhões e quatrocentos e sessenta mil, setecentos e noventa e seis reais e vinte e nove centavos), referente a saldo credor de IRPJ apurado em 28/12/2007; sendo que sob tal valor incide juros SELIC. 17. PROPONHO o deferimento do Pedido de Restituição limitado ao valor do direito creditório reconhecido. 18. PROPONHO ainda o encaminhamento do presente processo à EODIC/DIORT/DERAT/SPO para providências de alçada. À consideração superior. Cientificada, em 11/07/2013, do ato de homologação parcial das compensações, e discordando da cobrança dos débitos remanescentes nas DCOMP transmitidas, a contribuinte apresenta em 12/08/2013, por meio de seu advogado e bastante procurador sua manifestação de inconformidade com as razões abaixo expostas. Preliminarmente, após breve resumo dos fatos, argui a contribuinte a nulidade do despacho decisório exarado por violação do artigo 76 da IN nº 1300/2012. Entende que a norma estabelece uma obrigação à autoridade fiscal de intimar a contribuinte a apresentar as provas de seu crédito. No mérito, questiona o indeferimento do IRRF sobre rendimentos de aplicação financeira (código de receita 3426). Afirma que as receitas correspondentes teriam sido devidamente oferecidas à tributação, quando não no período em análise, em períodos anteriores, já que a apuração do IRRF se dá pelo regime de caixa, enquanto o oferecimento à tributação ocorre pelo regime de competência. Ressalta que, ainda que assim não fosse, não mereceria prosperar o despacho decisório em litígio, posto que, sem qualquer fundamento legal, o despacho cria uma espécie de proporcionalização do crédito, apurado pelo resultado da divisão entre o rendimento bruto declarado na DIRF e as receitas de renda variável informadas na linha 21, da Ficha 06A da DIPJ/2009. Encerra requerendo que sejam acolhidas as nulidades suscitadas e, caso não cancelado o despacho ora combatido, seja considerada procedente sua manifestação com o consequente deferimento de seu PER. Além disso, apresenta, para caso se entenda necessária a feitura de diligência, quesitos para eventual perícia, apontando, também, perito para efetuála. Posteriormente, em 06/09/2013, apresentou a contribuinte complementação de suas razões, alegando objetivar uma ratificação das informações constantes da peça Fl. 339DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16306.720850/201356 Resolução nº 1301000.307 S1C3T1 Fl. 340 5 inicial, pois teria mencionado, equivocadamente, que o término de seu prazo para apresentação se findaria em 12/07/2013, quando o correto seria 12/08/2013. Esclarece, ainda, que as receitas cujo oferecimento à tributação fora questionado, seriam relativas a duas aplicações de renda fixa (CDB e RDB), conforme quadro abaixo reproduzido: Afirma que, sendo tais rendimentos oriundos de aplicações financeiras, o IRRF somente incidiria quando de seu resgate. Traz, então, nova planilha demonstrando as datas dos registros contábeis que teriam reconhecido as receitas em sua integralidade. Como se segue: Prossegue ressaltando que, conforme informações constantes da ficha 06, linha 18 de sua DIPJ/2007 ativa (anocalendário 2006), as receitas financeiras somariam R$ 17.164.090,43, sendo que constaria da ficha 54 da mesma declaração, rendimentos submetidos ao IRRF no montante de R$ 16.165.090,43, valor esse inferior, portanto, àquele oferecido tributação no ano em destaque. Entende que tal diferença comprovaria suas alegações. Encerra reiterando o pedido de reconhecimento integral de seu crédito. Tendo em vista sentença judicial prolatada nos autos do processo nº 0019000 43.2013.403.6100, a DERAT/SP encaminhou notificação de compensação de ofício a ser realizada com parte do crédito já reconhecida. Em resposta, apresenta a contribuinte petição opondose a tal compensação. A 15ª Turma da DRJ/RPO, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16306.720850/201356 Resolução nº 1301000.307 S1C3T1 Fl. 341 6 Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ANTECIPAÇÕES. IRRF. Para utilização do IRPJ retido na fonte como dedução na apuração do imposto ao final do período, fazse necessário que, além da efetiva retenção do IR, seja comprovada a devida tributação dos correspondentes rendimentos. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a restituição em análise, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, os quais, em resumo, podem ser assim sintetizados: Inconformada com a decisão de 1ª instância, a interessada protocoliza Recurso Voluntário tempestivo, onde reitera os mesmos pedidos formulados em sede de manifestação de inconformidade, enfatizado os que ora transcrevo: requer o acatamento da preliminar de argüida, de modo a reformar o acórdão da DRJ, para reconhecer a nulidade por ofensa ao artigo 76 da IN RFB nª 1.300/12; requer o reconhecimento integral do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, deferindo integralmente o pedido de restituição; e requer a realização de diligência fiscal, a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16306.720850/201356 Resolução nº 1301000.307 S1C3T1 Fl. 342 7 VOTO Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo, pois dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Consoante relatado, a contribuinte apresentou Pedido de Restituição buscando o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007. O despacho decisório indeferiu parcialmente o pleito, tendo em vista que parcela das antecipações do IRPJ devido no período não fora confirmada. Frisese que as receitas cujo oferecimento à tributação são questionadas pelo despacho decisório atacado referemse à aplicações financeiras de renda fixa (código de receita 3426). No entendimento da fiscalização, referidas receitas financeiras recebidas durante o anocalendário de 2007, são muito superiores aos declarados na DIPJ/2008, o que pode ser verificado através das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ 53.559.070,15, quando apenas constam da Linha 21 da Ficha 06A Receitas Financeiras no total de R$ 52.808.738,71. Ao não demonstrar, através de documentos idôneos, que no anocalendário anterior (2006), ofereceu à tributação essa diferença de receitas apurada, entendeu por bem a fiscalização em recalcular o IRRF para adequálo a receita financeira efetivamente declarada na DIPJ. Ao declarar que apropriou as receitas por regime de competência e que vinha já declarando parte das receitas constantes da DIRF apresentada pela fonte pagadora, relativa ao anocalendário de 2007, no entendimento da Fiscalização: (...) a contribuinte teria, necessariamente que apresentar os documentos que fundamentaram essa apropriação, ou seja, os documentos das instituições bancárias informando as receitas parciais desses investimentos durante os anoscalendário de 2006 a 2007, e que teriam que corresponder em valores e datas aos assentamentos contábeis e, principalmente, que teriam de ter sido oferecidos à tributação nos exercícios correspondentes. Razão não assiste à Fiscalização, até mesmo porque as instituições financeiras não emitem documento que embasem a apropriação das receitas financeiras de renda fixa por competência. O único documento por estas emitido é o Informe de Rendimentos, o qual, pela própria lógica da tributação do IRRF, segue o regime de caixa. Portanto, os lançamentos contábeis a serem feitos por competência devem estar pautadas pelos assentamentos e critérios contábeis do contribuinte, mais precisamente, prazo da operação, taxa de juros, etc. Assim, no sentido de se buscar a verdade material e se certificar que de fato o contribuinte reconheceu parte das receitas financeiras no ano de 2006, as quais foram objeto de resgate apenas em 2007, ano em que se deu a retenção na fonte do IRRF, voto no sentido de Fl. 342DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 16306.720850/201356 Resolução nº 1301000.307 S1C3T1 Fl. 343 8 converter o julgamento em diligência para que estes autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora para que, com base nos documentos acostados aos autos, se manifeste sobre o que se segue: 1) qual o valor da receita financeira de renda fixa reconhecida pela Recorrente no anocalendário de 2007? Esse valor compôs o lucro do exercício em questão?; 2) qual o valor da receita financeira de renda fixa reconhecida pela Recorrente no anocalendário de 2006? Esse valor compôs o lucro do exercício em questão?; 3) a soma dos valores das receitas financeiras reconhecidas em 2006 e 2007 são condizentes com o valor da receita financeira reconhecida no Informe de Rendimento emitido(s) pela(s) instituição(oes) financeira(s)?; 4) caso se entenda que os documentos já acostados não sejam suficientes para a elaboração do relatório conclusivo, que seja intimado o contribuinte para comprovar o alegado reconhecimento das receitas financeiras, com o consequente oferecimento das mesmas à tributação em exercício anteriores; e 5) que se manifeste a referida autoridade sobre qualquer outro ponto que entenda importante para a correta elucidação da questão posta nestes autos, bem como traga à colação qualquer outra informação tida como fundamental ou que, no seu entender, possa ajudar na formação do convencimento dos julgadores. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. Sala de Sessões, 21 de janeiro de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator Fl. 343DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724004/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IRPJ/CSLL. REDUÇÃO DE CAPITAL. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO.
A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado com base no valor de mercado dos bens da coligada ou controlada superior ao custo registrado na contabilidade, deve registrar o ágio em contrapartida à conta que registrar o bem ou direito de lhe deu causa, passando a integrar o custo do bem ou direito. O recebimento do bem reavaliado por conta da redução de capital da investida não autoriza a amortização do ágio.
DESMUTUALIZAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES ISENTAS. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL.
Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. Assim, sujeita-se à incidência do IRPJ e da CSLL a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos por pessoa jurídica a título de devolução de patrimônio de instituição isenta, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA
As infrações identificadas pelo fisco devem ser compensadas com os resultados negativos do período correspondentes. O saldo daí decorrente, se positivo, deve ser compensado com o prejuízo fiscal ou com a base de cálculo negativa da CSLL apurados em períodos anteriores, observado o limite de 30% imposto pela Lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 1402-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Conselheiro Carlos Pelá que votou por dar provimento total; o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou por dar provimento parcial para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com amortização de ágio; e o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por dar provimento parcial para excluir a exigência referente à desmutualização. Declarou-se impedido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Participou do julgamento o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos que foi designado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad-hoc
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Declarou-se impedido o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 IRPJ/CSLL. REDUÇÃO DE CAPITAL. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado com base no valor de mercado dos bens da coligada ou controlada superior ao custo registrado na contabilidade, deve registrar o ágio em contrapartida à conta que registrar o bem ou direito de lhe deu causa, passando a integrar o custo do bem ou direito. O recebimento do bem reavaliado por conta da redução de capital da investida não autoriza a amortização do ágio. DESMUTUALIZAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES ISENTAS. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. Assim, sujeita-se à incidência do IRPJ e da CSLL a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos por pessoa jurídica a título de devolução de patrimônio de instituição isenta, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA As infrações identificadas pelo fisco devem ser compensadas com os resultados negativos do período correspondentes. O saldo daí decorrente, se positivo, deve ser compensado com o prejuízo fiscal ou com a base de cálculo negativa da CSLL apurados em períodos anteriores, observado o limite de 30% imposto pela Lei nº 8.981, de 1995.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.724004/2010-31
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5558557
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-001.746
nome_arquivo_s : Decisao_11080724004201031.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS PELA
nome_arquivo_pdf_s : 11080724004201031_5558557.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Conselheiro Carlos Pelá que votou por dar provimento total; o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou por dar provimento parcial para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com amortização de ágio; e o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por dar provimento parcial para excluir a exigência referente à desmutualização. Declarou-se impedido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Participou do julgamento o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos que foi designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad-hoc (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Declarou-se impedido o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 6252187
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124414492672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.097 1 1.096 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.724004/201031 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.746 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2014 Matéria IRPJ Recorrente TERRAMAR NAVEGAÇÃO LTDA Recorrida 1ª Turma da DRJ/POA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRPJ/CSLL. REDUÇÃO DE CAPITAL. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado com base no valor de mercado dos bens da coligada ou controlada superior ao custo registrado na contabilidade, deve registrar o ágio em contrapartida à conta que registrar o bem ou direito de lhe deu causa, passando a integrar o custo do bem ou direito. O recebimento do bem reavaliado por conta da redução de capital da investida não autoriza a amortização do ágio. DESMUTUALIZAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES ISENTAS. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. Assim, sujeitase à incidência do IRPJ e da CSLL a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos por pessoa jurídica a título de devolução de patrimônio de instituição isenta, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA As infrações identificadas pelo fisco devem ser compensadas com os resultados negativos do período correspondentes. O saldo daí decorrente, se positivo, deve ser compensado com o prejuízo fiscal ou com a base de cálculo negativa da CSLL apurados em períodos anteriores, observado o limite de 30% imposto pela Lei nº 8.981, de 1995. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 40 04 /2 01 0- 31 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.098 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Conselheiro Carlos Pelá que votou por dar provimento total; o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou por dar provimento parcial para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com amortização de ágio; e o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por dar provimento parcial para excluir a exigência referente à desmutualização. Declarouse impedido o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Participou do julgamento o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos que foi designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator adhoc (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator designado ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Declarouse impedido o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.099 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 807/834), cumulados com juros e multa de ofício, referentes aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, lavrados em razão (i) da suposta omissão de receitas de juros sobre capital próprio; (ii) da suposta amortização indevida de ágio; (iii) do não oferecimento à tributação do suposto ganho de capital auferido no processo de desmutualização da BOVESPA; e (iv) da suposta dedução indevida de despesas não necessárias à atividade da pessoa jurídica. As circunstâncias que culminaram no lançamento, detalhadas no Relatório Fiscal (fls. 842/866), e as razões aduzidas pela Contribuinte em sua peça impugnatória encontramse satisfatoriamente resumidas no relatório da DRJ, razão pela qual passo a transcrevêlo: OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO De acordo com informações prestadas em DIRF (fls. 592/598) o contribuinte auferiu receitas de juros sobre o capital próprio das seguintes fontes: (i) Ideal Indústria de Alimentos Ltda. CNPJ 00.444.891/000175, R$ 344.829,31, em 11/2006; (ii) Bolsa de Valores de São Paulo, CNPJ 08.695.953/000123, R$ 27.508,11, em 12/2007, e (iii) Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S/A, CNPJ 08.936.812/000155, R$ 2.310,00, em 12/2007 O valor auferido de Ideal indústria de Alimentos Ltda. (recebido em 31/01/2007 – fls. 637) foi creditado na conta redutora do ativo permanente investimento “1301010802 () Ideal Ind. De Aliment” (fls. 634) e, em contrapartida, a conta de ativo circulante “11032301 Lucros e Divid a Receber” (fls. 636), não circulando por contas de resultado. O valor do IRRF correspondente foi lançado em conta de IRRF a compensar em 20/11/2006 (fls. 635). Os valores recebidos da BOVESPA e da BM&F não foram contabilizados no anocalendário de 2007. A contabilização foi efetuada no anocalendário de 2008 (fls. 561, 586 e 587). Nesse caso, não cabe o tratamento de postergação de pagamento, pois, no anocalendário de 2008, o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social (DIPJ fls. 557/591). AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO No início do anocalendário de 2005 o contribuinte registrou na parte “B” do LALUR o valor de R$ 16.822.642,25, conta “Amortização de Ágio (Ideal Ind. De Alimentos Ltda)” (fls. 122). Nos anoscalendário de 2005 a 2007, o contribuinte excluiu do lucro líquido os valores de R$ 1.139.430,95, R$ 2.144.808,79 e R$ 3.508.065,75, respectivamente, a título de “realização de amortização de ágio”. Tratase de ágio gerado em dezembro de 1995, quando as quotas de capital de LL Participações e Representações Ltda., no valor de R$ 22.511.700,00, foram subscritas e integralizadas pelos sócios mediante a entrega de 100% das quotas nominativas de Ideal Indústria de Alimentos Ltda., no valor de R$ 24.491.745,58, Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.100 4 bens imóveis no valor de R$ 6.158.000,00 e a transferência de dívidas no total de R$ 8.138.045,58 (fls. 237/251). Como as quotas da Ideal Indústria de Alimentos S/A foram integralizadas por um valor superior ao seu valor patrimonial, foi registrado pela LL Participações e Representações Ltda. um ágio de R$ 16.822.642,25 (DIPJ ás fls. 700/716), fundamentado no valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica, conforme laudo de avaliação às folhas 231 a 236. Em 31/08/1998, conforme alteração contratual (fls. 255/261), a LL Participações e Representações Ltda. foi incorporada pela Terramar Navegação Ltda.. Desse modo, a participação societária na Ideal Indústria de Alimentos Ltda. e o ágio, fundamentado no valor de mercado dos bens pertencentes a esta pessoa jurídica, passaram a integrar o ativo permanente da Terramar. No anocalendário de 2004 o contribuinte amortizou contabilmente o valor de R$ 16.822.642,25, correspondente ao total do ágio ligado ao valor de mercado dos bens da Ideal Indústria de Alimentos Ltda. (fls. 376). Os efeitos dessa amortização na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL foram eliminados pela adição do mesmo valor, o qual passou a constar na parte “B” do LALUR (fls. 122). Atendendo intimação, o contribuinte apresentou memórias de cálculo dos valores de ágio excluídos na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL dos anos calendário de 2005 a 2007 (fls. 262/272), pelas quais verificase que a Terramar, em decorrência da amortização proporcional do ágio, apurou perdas de capital com as reduções do capital social da Ideal Indústria de Alimentos Ltda., ocorridas a partir de agosto de 2005, que foram excluídas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL. Essas perdas foram apuradas da seguinte forma: (1) foi apurado o ágio correspondente a cada cota de Ideal Indústria de Alimentos Ltda., originado quando da integralização de capital na LL Participações e Representações Ltda. em 31/12/1995 (fls. 237/251), correspondente a R$ 2,403237354 por quota (16.822.642,25/6.999.992); (2) a partir da redução de capital ocorrida na Ideal Indústria de Alimentos Ltda., pela qual a quantidade de quotas desta empresa, detida pela Terramar, ficou abaixo de 6.999.992, foi apurada uma realização de ágio, correspondente ao número de quotas extintas multiplicado por R$ 2,403227354; (3) os valores excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram obtidos somandose o valor do ágio correspondente às quotas extintas com o valor contábil dessas quotas e diminuindose o valor recebido pela redução de capital. A planilha de folhas 803 e 804 relaciona 17 alterações do capital social da Ideal Indústria de Alimentos (fls. 274/372), realizadas entre a incorporação da LL Participações e Representações Ltda. pela Terramar Navegação Ltda., em agosto de 1998 e dezembro de 2007. Foram seis alterações contratuais de aumento de capital e 11 de redução de capital. O contribuinte justificou a exclusão nos dispositivos dos arts. 385, 386, 391 e 426 do RIR/99. Em razão desses dispositivos, informados pelo contribuinte como fundamento legal e os demonstrativos de apuração dos valores excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (fls. 262/272), ficou claro que a redução de capital na investida foi considerada como alienação ou liquidação parcial do investimento e, por conta disso, foi considerada realizada a parcela do ágio controlado na parte B do LALUR. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.101 5 Quando o ágio é baseado no valor de mercado dos bens da investida, a incorporação desta pela investidora não produz a amortização deste ágio. As contas diferenciais da sucessora não serão afetadas, posto que a parcela de ágio correspondente a cada bem deve ser contabilizada em contrapartida da conta que registrar o bem. Assim, se para a situação em que todos os bens da investida passam para o patrimônio da investidora, o ágio amortizado não é dedutível na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a redução de capital na investida, com transferência apenas de parte dos bens para a investidora não pode ter como consequência a dedutibilidade da amortização do ágio existente, ainda que de modo proporcional. No caso dos bens avaliados a valor de mercado em 1995, e que permaneceram no capital da Ideal Indústria de Alimentos Ltda., o ágio correspondente somente deve ser levado à conta de resultado quando ocorrer a alienação para terceiro da participação societária detida pela pessoa jurídica. No caso dos bens avaliados a valor de mercado em 1995, e que foram recebidos pela Terramar em função da redução de capital da Ideal Indústria de Alimentos Ltda., o ágio correspondente deve ser contabilizado em contrapartida da conta que registra este bem e somente ser levado à conta de resultado quando ocorrer a alienação ou baixa destes bens, a qualquer título. Atendendo intimação, o contribuinte informou os bens recebidos em decorrência da redução de capital da Ideal Alimentos que haviam sido avaliados a valor de mercado quando da integralização de capital ocorrida em 31/12/1995, o valor de avaliação e seu custo histórico (fls. 375/378), sendo: Granja Aracati (ágio = 620.532,07 – 286.800,00 = 333.732,07), Granja Aquiraz (ágio = 595.262,25 – 268.520,00 = 326.742,25) e Granja Pindoretama (ágio = 1.011.468,51 – 487.400,00 = 524.068,51). Cada uma dessas parcelas de ágio deveria ter sido contabilizada em contrapartida ao bem recebido e somente levadas a resultado ou amortizada quando o bem fosse alienado ou baixado a qualquer título. Dos bens acima, somente a Granja Aracati foi baixada contabilmente em 28/03/2008 (fls. 377), de sorte que o ágio correspondente somente poderia ter sido levado à conta de resultado no anocalendário de 2008. Logo, foi indevida a redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL nos anos calendário de 2005 a 2007 por conta da exclusão da parcela de ágio calculada de modo proporcional à devolução de capital social da investida Ideal Indústria de Alimentos Ltda. Não foi dado o tratamento fiscal de postergação no pagamento do imposto, uma vez que o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário de 2008. NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE GANHO AUFERIDO NO PROCESSO DE DEVOLUÇÃO DE CAPITAL DA ASSOCIAÇÃO BOLSA DE VALORES DO ESTADO DE SÃO PAULO BOVESPA Até agosto de 2007 a BOVESPA operava sob a forma de associação, portanto, era uma entidade sem fins lucrativos, com regime jurídico estabelecidos nos artigos 53 a 61 do Código Civil. O objetivo da entidade, que congregava as sociedades corretoras de valores mobiliários, era viabilizar, controlar e garantir a consistência Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.102 6 do mercado bursático, mantendo um sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários. Em 28/08/2007, mediante deliberações aprovadas em assembléia geral extraordinária, a BOVESPA procedeu a uma reestruturação societária com o objetivo de ser transformada em sociedade anônima de capital aberto, processo que foi chamado de desmutualização das bolsas brasileiras. Nessa data, foi levantado balanço patrimonial que resultou estabelecido em R$ 1.568.890,19 o valor de cada título patrimonial da associação, anteriormente ao processo de desmutualização. De acordo com o Ofício Circular 225/2007 da BOVESPA (fls. 697/699), as corretoras de valores mobiliários associadas e os acionistas da CBLC, para registrarem os eventos contábeis resultantes da reestruturação societária ocorrida, deveriam, para efeitos de conversão em ações de emissão da Bovespa Holding S.A, considerar um título patrimonial da BOVESPA equivalente a 706.762 ações de emissão da Bovespa Holding S.A., no valor de R$ 1.568.803,71. O valor residual, R$ 86,46, deveria permanecer registrado no ativo de cada entidade. Cada lote de 25 ações de emissão da CBLC equivalente a 46.223 ações da Bovespa Holding S.A.. Para efeito de registro contábil, o valor patrimonial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., em 28/08/2007, foi de R$ 2,23. O contribuinte era detentor de um título patrimonial da BOVESPA, cujo custo de aquisição foi de R$ 123.684,18, obteve um ganho não operacional de R$ 1.445.119,53, deixando de oferecer à tributação o valor de R$ 1.301.982,91, em razão de que, no próprio anocalendário de 2007, foram alienadas 70.000 ações da BOVESPA Holding S/A, ao custo de R$ 12.250,08, cujo ganho foi devidamente oferecido à tributação. Esse entendimento fundamentase no art. 17, §§3º e 4º, da Lei nº 9.532, de 1997, que dispõe que, ocorrendo devolução de patrimônio por parte de entidade isenta, e sendo o valor em dinheiro ou em bens entregues superior ao que foi inicialmente aportado para a formação da entidade, a pessoa jurídica associada que receber estes recursos deve computar, na apuração do Lucro Real e na base de Cálculo da CSLL, a diferença entre estes valores. Atendendo intimação, o contribuinte informou que as ações da BOVESPA Holding S/A foram transferidas aos seus sócios por redução de capital a valor contábil em 15/04/2008. Portanto, não houve oferecimento à tributação do ganho auferido nos anoscalendário de 2008 e seguintes, o que permitiria o tratamento de postergação dos tributos. O art. 1º, § 3º, inc. II, da Lei nº 10.833, de 2003, restringe a não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da Cofins de receitas não operacionais provenientes da venda de bens do ativo permanente, o que não é o caso do ganho proveniente da devolução de capital de entidade isenta, que incidem sobre os valores recebidos da bovespa. DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE DA PESSOA JURÍDICA O contribuinte efetuou o pagamento de despesas médicas (exames laboratoriais, consultas médicas, exames de imagem, etc) de Lydia Wong Ling e Sheun Ming Ling, pais dos seus sócios, nos valores de R$ 22.573,99, em 2005, e R$ 22.138,37, em 2006 (fls. 386/388). Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.103 7 O contribuinte efetuou o pagamento de despesas de viagem a Porto Alegre/RS para os sócios Rosa Ling e Winston Ling (fls. 644), residentes no exterior e que, de acordo com o contrato social e alterações de folhas 8 a 40, não participavam da administração da pessoa jurídica. As despesas totalizaram R$ 42.407,50 no ano calendário de 2005. De acordo com o art. 299 do RIR/99, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresas e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas pessoais de sócios ou de pessoas ligadas aos sócios, sem qualquer contraprestação, não são necessárias à atividade da pessoa jurídica, constituindose em ato de liberalidade, classificado contabilmente como dedução e cuja dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL é expressamente vedada pelo art. 13, inc. VI, da Lei nº 9.249, de 1995. A IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 875 a 893, alegando o seguinte: 1 OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO O contribuinte não contesta a materialidade da infração, mas impugna o valor lançado alegando que, mesmo que se considere as retificações fiscais decorrentes da infração, possui bases de cálculo negativas de IRPJ e CSLL suficientes para compensar e zerar os efeitos dessas retificações. Os valores relativos ao PIS e à Cofins foram recolhidos, conforme DARF’s de folha 918. 2 AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO Em consonância com a expressa previsão do art. 426 do RIR/99, ao efetivar a liquidação parcial do investimento na Ideal Indústria de Alimentos Ltda., adquirida com ágio e assim integrante do seu ativo permanente, procedeu à amortização proporcional do respectivo ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir do montante que a esse mesmo título havia sido anteriormente adicionado e assim controlado na parte B do LALUR (quando da prévia amortização contábil desse ágio). O ágio pago na aquisição de investimento societário, uma vez regularmente apurado e contabilizado na forma do art. 385 do RIR/99, tem as contrapartidas das amortizações não computadas na determinação do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL, devendo os valores correspondentes ser controlados na parte “B” do LALUR (art. 391 do RIR/99) para efeito de futura consideração, somente na determinação de ganho ou perda de capital, nas hipóteses de alienação ou liquidação do correspondente investimento societário. É o que estipula e assegura o art. 426 do RIR/99: para efeito de determinação/apuração do ganho ou perda de capital na alienação ou na liquidação de investimento em coligada ou controlada, avaliado pelo valor do patrimônio líquido (art. 384 do RIR/99) deve ser considerado, como correspondente contábil, o somatório do valor do patrimônio líquido consignado na contabilidade, do ágio ou deságio verificado na aquisição, ainda que já tenham sido integralmente amortizados, do eventualmente existente valor de provisão para perdas que tiver sido Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.104 8 computada como dedução na determinação do lucro real (art. 425 do RIR/99 – no caso de provisão constituída até 31/12/1995). A fundamentação fiscal para negar o direito à amortização do ágio está equivocada, justamente por concentrarse única e exclusivamente na hipótese de alienação do correspondente investimento societário, também estipulando e afirmando que os bens que deram origem no passado a esse ágio teriam de ser igualmente alienados para que fosse possível a amortização, o que não se encontra previsto no art. 426 do RIR/99. Portanto, o ágio é plenamente amortizável, tal como foi procedido, visto se enquadrar unicamente nas condições previstas no art. 426 do RIR/99: liquidação parcial do respectivo investimento societário face à redução/restituição proporcional do capital social da investida. 3 NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE GANHO AUFERIDO NO PROCESSO DE DEVOLUÇÃO DE CAPITAL DA ASSOCIAÇÃO BOLSA DE VALORES DO ESTADO DE SÃO PAULO BOVESPA Não auferiu ou não restou configurado qualquer ganho no processo de mera transformação da BOVESPA sociedade sem fins lucrativos na BOVESPA Holding S/A., pois não houve desincorporação patrimonial de qualquer ordem, mas modificação da titularidade patrimonial de uma entidade isenta para uma sociedade comercial com fins lucrativos, razão porque não se aplica o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997. O art. 1.113 do Código Civil e o art. 220 da Lei. 6.404, de 1976, são esclarecedores em bem situar e qualificar juridicamente o processo de transformação da BOVESPA: a mera transformação, sem desmobilização patrimonial, sem a efetiva e concreta devolução ou restituição de qualquer item do respectivo patrimônio, não implica em extinção, dissolução ou liquidação da sociedade. A BOVESPA Holding S/A configura a continuidade da pessoa jurídica preexistente com a correspondente roupagem de natureza jurídica diversa. Para que se verificasse a incidência de tributação pretendida pelo fisco seria necessário que se configurasse o ganho de capital em efetiva alienação das participações detidas na BOVESPA., pois somente se faz tributável o efetivo e concreto acréscimo patrimonial, traduzido e representado pela disponibilidade econômica ou jurídica da renda, conforme previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. Como ainda não se verificou qualquer ganho de capital tributável, não procedem e carecem de fundamentos jurídicos válidos os lançamentos. 4 DEDUÇÃO DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE DA PESSOA JURÍDICA O contribuinte não contesta a materialidade da infração, mas impugna o valor lançado alegando que, mesmo que se considere as retificações fiscais decorrentes da infração, possui bases de cálculo negativas de IRPJ e CSLL suficientes para compensar e zerar os efeitos dessas retificações. Os valores relativos ao PIS e à Cofins foram recolhidos, conforme DARF’s de folha 918. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.105 9 A 1ª Turma da DRJ/POA julgou procedente o lançamento (fls. 991/1021), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRPJ/CSLL ÁGIO. REDUÇÃO DE CAPITAL. AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado com base no valor de mercado dos bens da coligada ou controlada superior ao custo registrado na contabilidade, deve registrar o ágio em contrapartida à conta que registrar o bem ou direito de lhe deu causa, passando a integrar o custo do bem ou direito. O recebimento do bem reavaliado por conta da redução de capital da investida não autoriza a amortização do ágio. IRPJ/CSLL DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E BM&F. SOLUÇÃO DE CONSULTA. GANHO DE CAPITAL NA DEVOLUÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS AOS ASSOCIADOS. Formulada consulta pela Comissão Nacional de Bolsas de Valores e proferida a respectiva Solução de Consulta pela COSIT, que analisou a questão da desmutualização das Bolsas, o entendimento ali proferido passa a ser o entendimento da Secretaria da Receita Federal e vincula a autoridade julgadora de primeira instância. IRPJ/CSLL DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO Sujeitase à incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. IRPJ/CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA As infrações identificadas pelo fisco devem ser compensadas com os resultados negativos do período correspondentes. O saldo daí decorrente, se positivo, deve ser compensado com o prejuízo fiscal ou com a base de cálculo negativa da CSLL apurados em períodos anteriores, observado o limite de 30% imposto pela lei nº 8.981, de 1995. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.106 10 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1031/1086), repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.107 11 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator AdHoc Tendo em vista impossibilidade do Conselheiro Carlos Pelá assinar o voto vencido designeime para tal mister, ressaltando que o entendimento abaixo reflete a opinião daquele Conselheiro e não coincide com meu posicionamento quanto ao tema em discussão: “O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminarmente, registrese que a Recorrente, assim como fez em sua peça impugnatória, não contesta a materialidade das infrações caracterizadas por (i) omissão de receitas de juros sobre capital próprio e (ii) dedução de despesas não necessárias à atividade da pessoa jurídica. No tocante a tais infrações, aduz, em relação ao IRPJ e à CSLL, que possui prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL suficientes para compensar e zerar os efeitos destas infrações. Quanto ao PIS e à Cofins apresenta os comprovantes de recolhimento, conforme DARF’s de folha 918. Uma vez que a verificação acerca da saciedade do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL para compensação dos créditos tributários oriundos de tais infrações depende do quantum decidido em relação às demais infrações, essa questão será analisada ao final deste voto. O ágio sub judice, regularmente constituído e contabilizado pela LL Participações e Representações Ltda., posteriormente incorporada pela Recorrente, tem como fundamento econômico o valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica Ideal Indústria de Alimentos Ltda., conforme art. 385, §2º, I, do RIR/99. A constituição e contabilização do referido ágio em 1995 pela LL Participações e Representações Ltda., bem assim como sua transferência, registro e contabilização pela Recorrente em 1998 é matéria incontroversa nos presentes autos. No anocalendário de 2004 a Recorrente amortizou contabilmente o valor de R$ 16.822.642,25, correspondente ao total do ágio ligado ao valor de mercado dos bens da Ideal Indústria de Alimentos Ltda. (fls. 376). Os efeitos dessa amortização na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL foram eliminados pela adição do mesmo valor, o qual passou a constar na parte “B” do LALUR (fls. 122), nos termos do que determina o art. 391 do RIR/99. Vejamos: Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei n º Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.108 12 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1 º , inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Consoante o citado artigo 426 do RIR/99, o ágio na aquisição de participação societária pode ser levado a resultado quando há liquidação ou alienação da participação societária. Oportuno transcrevêlo: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1 º , inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. Pois bem. Ocorre, no caso concreto, que no período fiscalizado (2005 a 2007), a Recorrente apurou perdas de capital com reduções do capital social da Ideal Indústria de Alimentos Ltda., que foram excluídas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL, tendo em vista, justamente, o valor do ágio registrado na aquisição do investimento. Ou seja, a Recorrente, certa de que a operação de redução de capital caracteriza alienação ou liquidação do investimento; e valendose do permissivo legal (art. 426 do RIR/99), considerou no valor contábil das quotas, para efeitos de apuração de ganho ou perda de capital (in casu, perda), o valor do ágio pago na aquisição do investimento, registrado e controlado em sua contabilidade. Conforme relatório fiscal, essas perdas de capital nas operações de redução de capital realizadas pela Recorrente no período foram apuradas da seguinte forma: (i) foi apurado o ágio correspondente a cada quota de Ideal Indústria de Alimentos Ltda., originado quando da integralização de capital na LL Participações e Representações Ltda. em 31/12/1995 (fls. 237/251), correspondente a R$ 2,403237354 por quota (16.822.642,25/6.999.992); Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.109 13 (ii) a partir da redução de capital ocorrida na Ideal Indústria de Alimentos Ltda., pela qual a quantidade de quotas desta empresa, detida pela Recorrente, ficou abaixo de 6.999.992, foi apurada uma realização de ágio, correspondente ao número de quotas extintas multiplicado por R$ 2,403227354; (iii) os valores excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram obtidos somandose o valor do ágio correspondente às quotas extintas com o valor contábil dessas quotas, e diminuindose o valor recebido pela redução de capital. Nesse contexto, a decisão recorrida manteve a autuação, por entender que as operações de redução de capital em análise nos autos (i) não configuram alienação do investimento, haja vista que nela ocorre apenas a substituição de valores entre contas do ativo permanente investimentos para conta do ativo permanente imobilizado; e (ii) não configuram liquidação da sociedade investida, conforme tratado nos arts. 208 e 209 da Lei nº. 6.404/76, e no art. 1.102 do Código Civil. Merece reforma a decisão recorrida. O aumento de capital social ou a redução deste são eventos de ocorrência relativamente freqüente nas empresas. Dessa forma, não é de se estranhar que no período de 1998 a dezembro de 2007, entre a incorporação da LL Participações e Representações Ltda. pela Recorrente, tenham ocorrido 17 alterações do capital social da Ideal Indústria de Alimentos (fls. 274/372), sendo 6 alterações contratuais de aumento de capital e 11 de redução de capital (fls. 803/804). Aliás, não há nos autos qualquer consideração nesse sentido, tampouco foi aplicada multa de ofício qualificada. As operações de redução de capital da Ideal Indústria de Alimentos foram realizadas dentro do contexto normal das atividades da Recorrente e não há motivos para que o valor do ágio registrado não seja tido em conta para formação do valor contábil do investimento que estava sendo parcialmente alienado ou liquidado. Ora, reduzir o capital social de uma sociedade nada mais é do que restituir aos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, parte do valor das respectivas ações ou quotas. Assim, podese afirmar que se verifica uma verdadeira extinção/liquidação parcial da pessoa jurídica, em razão da extinção/liquidação pela sociedade daquela parcela de capital investido. Nesse sentido, citese a doutrina de Roque Antonio Carraza (in RT nº. 732, pg. 98) invocada pela Recorrente: Deveras, em havendo extinção da sociedade dáse a redução total do seu capital social, retornando aos sócios o patrimônio societário (cada sócio recebe a parcela do patrimônio líquido da companhia, correspondente ao número de ações de que é detentor). Já, ocorrendo a redução do capital societário, verificase basicamente o mesmo processo: apenas a restituição do patrimônio da sociedade aos sócios é parcial (e, não integral). No mais, inexistem diferenças essenciais entre os dois fenômenos jurídicos, que – insistimos – variam apenas de grau. Daí falarmos em extinção parcial, quando aludimos à redução do capital social de uma empresa. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.110 14 Vêse, pois, que o fenômeno jurídico da redução de capital nitidamente equiparase a uma liquidação parcial ou extinção parcial do capital social, bem assim como uma forma de alienação lato sensu. Logo, em se tratando de restituição/liquidação/devolução/extinção parcial do capital social originariamente integralizado e detido com ágio, reputo correto o entendimento no sentido de que a redução de capital se subsume à hipótese legal de liquidação ou alienação, conforme exposto no art. 426 do RIR/99, de forma que esse ágio integra o custo respectivo a ser reconhecido e considerado, para fins contábeis e fiscais, na correspondente e proporcional baixa do ativo. Nos termos do Parecer Normativo CST nº 191/72, “a liquidação, voluntária ou forçada, de empresa individual ou de sociedade mercantil é o conjunto de atos destinados a realizar o ativo, pagar o passivo e destinar o saldo que houver, respectivamente, ao titular ou mediante partilha, aos componentes da sociedade, na forma da lei, do estatuto ou do contrato social.” E continua, “como indica o termo, é o complexo de atos de transformação de todas as aplicações (ativo) em elemento líquido de pagamento, visando à devolução, às fontes, dos recursos aplicados (capital de terceiros e capital próprio)”. Liquidação é, portanto, o procedimento que antecede a extinção empresarial, o conjunto de atos que visam a devolução do patrimônio empresarial às suas fontes. Nesses termos, forçoso concluir que a redução de capital representa uma liquidação parcial do capital investido, já que após a sua realização ocorre a extinção daquela parcela do capital social. Destarte, o conceito de alienação encontrase veiculado no art. 418 do RIR/99, cuja base legal, artigo 31 do DecretoLei nº. 1598, determina que “serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente.” Paralelamente a isso, é de se ter em mente que, se a devolução do capital social da pessoa jurídica está sujeita à apuração de ganho ou perda de capital, e se a transferência de bens ou direitos de pessoas físicas a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital é tributável caso seja apurado ganho de capital, na forma dos arts. 22, 23 da Lei nº 9.249/95 e art. 132 do RIR/99, está claro que a tais operações configuram alienação, ou, no mínimo, liquidação. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249/95 adotam coerentemente o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas. O artigo 23 prevê a possibilidade da pessoa física transferir para a pessoa jurídica, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Contudo, nesse último caso, se as transferências ocorrerem a valor de mercado, poderá haver ganho de capital tributável. Isso porque, conforme o citado artigo 31 do Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.111 15 DecretoLei 1598, o ganho de capital é tributável sempre que houver alienação, a qualquer título do bem ou direito. Portanto, está claro que o legislador trata as figuras do aumento e da redução de capital como forma de alienação, lato sensu. Vale dizer que a alienação pressupõe a mudança de titularidade do bem ou direito, o que efetivamente acontece no caso da redução de capital, já que o bem ou direito deixa de pertencer ao patrimônio da investida, para fazer parte do patrimônio da investidora. Por fim, corroborando o entendimento exposto, citese a jurisprudência colacionada pela Recorrente, Acórdão nº. 0517640 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, proferido em 10/05/2007: Ganho de Capital. Alienação de Investimento. Custo de Aquisição. Ágio. Ocorrida a liquidação, ainda que parcial, do investimento, mediante a devolução de capital em bens e direitos, o valor do ágio pago em sua aquisição deve ser computado na determinação do ganho ou perda de capital na baixa proporcional do investimento, não se configurando admissível a sua transferência para o patrimônio da investidora e, posteriormente, para o patrimônio de uma nova empresa investida. Na integralização de aumento de capital, mediante conferência de bens e direitos, não há que se falar em ágio na aquisição do investimento, porque não há diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido da investida. Portanto, nesse ponto, merece ser afastado o lançamento por absoluta falta de amparo legal e reformada a decisão recorrida, que subverte a lógica de apuração dos ganhos, sustentandose em argumentos meramente subjetivos para manter a exigência. Podese questionar, como já observado em outros casos julgados por esta Turma, a conveniência do tratamento dado pelo legislador, mas não se pode ignorar que a opção da lei continua válida, vigente e eficaz neste aspecto, sob pena de uma decisão “justiceira” (na pior acepção da palavra). A decisão recorrida manteve a atuação nesse ponto, aplicando ao caso o entendimento da Receita Federal do Brasil a respeito do processo de desmutualização das bolsas de valores, manifestado por meio da Solução de Consulta nº 10, de 26/11/07, proferido em razão de consulta formulada no processo 10768.0024431/200700 pela Comissão Nacional de Bolsas de Valores. Esclareceu, ainda, que o julgador administrativo, por força de sua vinculação ao entendimento que a ele dá a Receita Federal do Brasil por meio de seus órgãos centrais, deve limitarse a aplicálo, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade ou outros aspectos de sua validade. Também nesse ponto, merece reforma a decisão recorrida. A Recorrente era associada da Bolsa de Valores de São Paulo, associação sem fins lucrativos, quando esta, no anocalendário de 2008, por força de Assembléia Geral Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.112 16 Extraordinária, tornouse sociedade por ações, passando os antigos associados à condição de acionistas da Bovespa Holding S/A, processo comumente conhecido como desmutualização. Em função dessa nova estrutura societária (sociedade por ações), houve uma sucessão patrimonial, fazendo com que os antigos associados da Bolsa de Valores de São Paulo, detentores de títulos patrimoniais, recebessem, em substituição, ações da nova sociedade constituída (Bovespa Holding S/A). Os títulos patrimoniais representam quotas ou frações ideais do patrimônio social de uma associação. Como exposto, a Bolsa de Valores de São Paulo possuía forma jurídica de uma associação civil sem fins lucrativos, de maneira que, para se tornar participante (associado) da mesma, era preciso adquirir seus títulos patrimoniais. Ao término de cada exercício social, a Bolsa de Valores de São Paulo procedia à atualização do valor do seu patrimônio social, com base nas suas demonstrações financeiras, dividindo esse resultado pelo número de títulos que tivessem sido emitidos. Essa avaliação gerava um novo valor contábil para tais títulos detidos pelos seus associados. Por força do que determinava o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), aprovado pela Circular do BACEN n°. 1.273/87, enquanto os títulos deveriam ser registrados como investimento em uma conta do Ativo Permanente, mais especificamente, na conta 2.1.4.10.008 – “Títulos Patrimoniais”, as atualizações destes títulos deveriam ser registradas em uma conta de Reserva – a conta 6.1.3.70.003 – “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais”. Para fins tributários, por sua vez, a Portaria MF n°. 785/77 prescrevia a exclusão do Lucro Real dos valores correspondentes à atualização dos títulos, verbis: O Ministro do Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no que dispõe o artigo 223, “m” do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75, RESOLVE I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei n° 1.109/70, art. 3º, §3º (RIR, art. 237). Da leitura acima, fica nítido o entendimento fiscal no sentido de que não incidia IRPJ e, por via de consequência, CSLL – embora não mencionada visto que ainda não havia sido instituída à época – sobre os valores que acresciam ao valor de aquisição dos títulos patrimoniais. Aliás, tal posicionamento – da não tributação dos valores referentes ao aumento do patrimônio das bolsas – nunca foi objeto de questionamento por parte das Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.113 17 autoridades fiscais, restando nítido o entendimento de que a Portaria MF n°. 785/77 encontravase plenamente em vigor à época da Desmutualização. Vale lembrar, que esse entendimento foi ratificado pela Solução de Consulta COSIT nº. 13/97. De acordo com tal resposta, as corretoras e, consequentemente, as demais entidades que tivessem títulos patrimoniais, deveriam empregar à atualização do seu valor o mesmo tratamento da equivalência patrimonial (MEP), cujo valor não é sujeito à tributação. Tal conclusão, com efeito, tem completo embasamento na legislação, já que o aumento do valor de uma participação societária através do MEP, não é tributado nem quando da apuração do ganho de capital, nos termos do art. 426 do RIR/99. Logo, o mesmo aumento no valor dos títulos patrimoniais também não o deveria ser. Como se pode constatar do até aqui exposto, o entendimento das autoridades fiscais sobre o assunto, e que se encontrava plenamente embasado na legislação em vigor, era no sentido de que o aumento de valor dos títulos patrimoniais não deveria ser tributado quando da apuração de ganho de capital, devendo aumentar o valor pago pela aquisição dos mesmos. Todavia, para fundamentar seu entendimento, a decisão recorrida utilizase da Solução de Consulta COSIT nº. 10/07, na qual a COSIT apresenta entendimento completamente diverso, em manifesta discordância com a Portaria MF n°. 785/77 e com a legislação vigente durante o período, no sentido de que mencionada atualização deveria ser tributada. Em suma, de acordo com o entendimento externado pela COSIT na Solução de Consulta em referência, o IRPJ e, consequentemente, a CSLL, seriam exigidos por ocasião da Desmutualização, pois: (i) O art. 61 do Código Civil não permitiria a Desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo, por terem se transmudado em entes com fins lucrativos; (ii) A cisão apenas seria aplicável às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, em vista de supostamente inexistir norma no ordenamento jurídico que aplicasse tal instituto às associações; e (iii) Não seria permitido às antigas associadas considerar o aumento do patrimônio, devendo a tributação recair sobre a diferença entre o valor nominal das ações, ou seja, o valor utilizado para troca, e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais. Ora, o posicionamento consignado perpassa pela consideração de que, com a suposta dissolução das associações, os títulos representativos do seu quinhão teriam sido devolvidos ao patrimônio dos exassociados (atuais acionistas) em valor superior ao custo de aquisição de tais títulos, configurando um acréscimo patrimonial tributável pelo IRPJ e pela CSLL. A meu ver, tal entendimento mostrase equivocado, uma vez que o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre com a eventual venda das ações provenientes da Desmutualização e, jamais, no momento da cisão da Bolsa de Valores de São Paulo. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.114 18 Por meio da Desmutualização, retratada pela cisão parcial e posterior incorporação, a antiga associação transformouse em sociedade anônima, o que, inclusive, foi deliberado em Assembléia e aprovado pela CVM. Em resumo, houve a cisão parcial do patrimônio da antiga Bolsa de Valores de São Paulo e posterior incorporação da parcela cindida em nova sociedade, a Bovespa Holding S/A. Sob esta perspectiva, mostrase completamente desprovido de lastro jurídico o entendimento expressado pela COSIT, segundo o qual a cisão apenas seria aplicável “(...) às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade (...)”, motivo pelo qual as associações estariam submetidas exclusivamente ao regime da dissolução “(...) estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002) (...)”, estando vedada, por conseguinte, “(...) a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa (...)”. Isso porque, o ordenamento jurídico pátrio contém expressa previsão acerca da aplicação da transformação, cisão, incorporação e fusão às pessoas jurídicas listadas no art. 44 do Código Civil, onde se incluem as associações. De fato, assim dispõe o art. 2.033 do Código Civil, in verbis: Art. 2.033 Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código. A possibilidade de transformação societária das associações civis também está prevista na Lei nº. 9.532/97, que, em seu art. 16, assim aponta: Art. 16 – Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº. 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Diante de tão claras disposições, forçoso concluir que as associações podem perfeitamente ser cindidas, inexistindo qualquer mácula no processo de Desmutualização engendrado pela antiga associação Bolsa de Valores de São Paulo. Sendo assim, verificase que, em decorrência da legítima cisão parcial e posterior incorporação da parcela cindida em novas sociedades, inexistiu qualquer dissolução ou liquidação da Bolsa de Valores de São Paulo, mas mera transformação societária para a forma de sociedade anônima, conforme, inclusive, preceituam o art. 1.113 do Código Civil e art. 1º da Instrução Normativa do Diretor Nacional do Registro do Comércio – DNRC nº 88/2001, reproduzidos a seguir: Art. 1.113 – O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.115 19 da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. Art. 1º Transformação é a operação pela qual a sociedade muda de tipo jurídico, sem sofrer dissolução e liquidação, obedecidas as normas reguladoras da constituição e do registro da nova forma a ser adotada. Ora, com a cisão parcial e a incorporação não ocorreu a dissolução da sociedade que ensejaria a devolução aos associados dos títulos patrimoniais que detinham, mas, tãosomente, a transferência do patrimônio da associação à nova sociedade, ocorrendo, relativamente ao exassociados, mera substituição do investimento que possuíam na associação para as novas sociedades anônimas. Isto é, para os exassociados, o efeito da cisão parcial e da posterior incorporação foi o de transmutação ou troca das posições societárias de sociedade antiga para a nova, ocorrendo mera sucessão patrimonial eis que mantido o investimento anterior (títulos patrimoniais) na nova sociedade (agora sob a denominação de ações). O instituto da cisão tem por característica a transferência do patrimônio de uma companhia para outra, para que esta última dê continuidade às atividades da primeira, sem qualquer interrupção. Tanto é que a parcela patrimonial cindida passa a compor o patrimônio da cindenda automaticamente, passando esta a suceder aquela em direitos e obrigações. Além do que, é de sabença geral que a Bolsa de Valores de São Paulo não deixou de existir. Reforçando as conclusões, vale trazer à colação os ensinamentos de Modesto Carvalhosa: (...) A fusão e a incorporação, segundo Valverde, constituem negócios jurídicos de natureza associativa, consubstanciados em contratos plurilaterais, pois afetam a personalidade jurídica das sociedades envolvidas, que serão total ou parcialmente extintas (art. 219). O negócio de fusão e de incorporação tem como finalidade a interação de patrimônios societários. (...) Já a cisão constitui negócio jurídico desassociativo, consubstanciado em contrato plurilateral que afeta a personalidade jurídica da companhia cindenda, que será extinta (art. 219) ou parcialmente destituída de parte de seu patrimônio (cisão parcial), com a permanência integral da sua estrutura jurídica. A finalidade desse negócio jurídico é alocar total ou parcial o patrimônio da companhia em duas ou mais companhias especialmente constituídas para tanto ou já existentes. Os negócios de fusão e incorporação têm como causa a intenção válida e eficaz dos sócios ou acionistas das companhias envolvidas (arts. 224 e 225) de realocarem seus recursos patrimoniais e empresariais mediante a utilização de tais negócios jurídicos – fusão, incorporação – que afetam a personalidade jurídica das companhias. (...) Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.116 20 Na cisão a causa é a mesma, envolvendo apenas a vontade válida e eficaz dos sócios da sociedade cindenda, mediante a utilização desse instituto que pode (cisão total) ou não (cisão parcial) afetar a sua personalidade jurídica. (...) O efeito patrimonial no tocante aos sócios será sempre o da transmutação das posições acionárias de uma para outras sociedades, haja ou não extinção (cisão parcial). Essa transmutação decorrente da fusão, da incorporação e da cisão importa em um negócio jurídico complexo, na medida em que a transferência dos direitos dos sócios, para as novas sociedades, submeteos a novo contrato social ou estatuto, devendo, ainda, eventualmente, acomodaremse em acordos de acionistas (art. 118). (...) A incorporação acarreta a extinção da sociedade, sem que sobre a mesma se apliquem os institutos da dissolução e da liquidação. A incorporação é causa direta da extinção, por força do art. 219, II. Assim, não se confunde com a liquidação, porque não há partilha de seu ativo entre os sócios. (...) Ademais, por não haver liquidação, os sócios não recebem qualquer parcela desse patrimônio líquido que, como referido, transferese integralmente à incorporadora. O patrimônio da incorporada agregase ao da incorporadora, via aumento de capital por conferência de bens e direitos (...). A cisão pode ou não acarretar a extinção da sociedade cindida. Em ambos os casos, não se aplicam os institutos da dissolução e da liquidação. (...) O patrimônio da sociedade cindida comporá o patrimônio das sociedades receptoras, mediante agregação, em se tratando de sociedade receptora já existente, ou por subscrição inicial de seu capital, nas sociedades novas, pois constituem seu primeiro cabedal. E a subscrição do capital tanto das sociedades beneficiárias novas como das já existentes é feita diretamente pelos sócios ou acionistas da companhia cindida. Assim, tanto nas sociedades beneficiárias novas como nas existentes, os acionistas ou sócios da sociedade cindida praticam diretamente o ato de subscrição da parcela do valor do patrimônio líquido da sociedade cindida atribuída à sociedade beneficiária. A troca de posições societárias (ações ou quotas), que resulta do negócio da cisão, assim como no de fusão e no de incorporação, não desnatura, em nenhum momento, a total autonomia entre o patrimônio das novas ou existentes sociedades e de seus sócios. (in “Comentários à Lei de Sociedades Anônimas”; Ed. Saraiva; 1998; volume 4; tomo I; págs. 215/217, 251/252 e 287/288). Assim, diante da inocorrência da dissolução da antiga associação Bolsa de Valores de São Paulo, não houve devolução dos títulos representativos do patrimônio dos ex associados (atuais acionistas) em valor superior ao custo de aquisição de tais títulos, sendo Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.117 21 manifestamente inaplicável, na desmutualização, o art. 17 da Lei nº 9.532/97, inexistindo, também, acréscimo patrimonial apto a gerar a incidência do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 43 do CTN e art. 153, III e 195, I, c, da CF/88. Reiterese, por oportuno, que o processo de desmutualização ocasionou, apenas e tãosomente, a substituição/sucessão dos títulos por ações ou, como queira, mera substituição de um ativo por outro, pela modificação da natureza jurídica da sociedade da qual a Recorrente participava. Em momento algum houve acréscimo patrimonial para a Recorrente. Com efeito, no processo de Desmutualização houve mera alteração da natureza do investimento detido pela Recorrente, pois, no caso, ocorreu uma simples sucessão dos títulos (representativos da sua participação na antiga Bolsa de Valores de São Paulo), por ações (representativas da sua participação na Bovespa Holding S/A). Em outras palavras, é dizer que o processo de desmutualização ensejou a mutação do tipo de “papel representativo da participação” detido pela Recorrente, pois as naturezas societárias da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bovespa Holding S/A são distintas, logo, a participação deixou de ser representada por títulos e passou a sêlo por ações, não ensejando, neste momento, qualquer acréscimo patrimonial para a Recorrente. Ou seja, pela simples troca dos títulos patrimoniais por ações não se pode dizer que tenha ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL, por total ausência de disponibilidade econômica ou jurídica de qualquer renda. Pelas razões acima expostas, concluise que, a troca dos títulos da Bolsa de Valores de São Paulo pelas ações da nova sociedade anônima não gera acréscimo patrimonial passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, sendo totalmente improcedente o auto de infração nesse ponto. Tendo em vista a improcedência do lançamento no tocante aos itens acima, não haverá qualquer retificação no saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, que, consoante afirmou a Recorrente, seriam suficientes para compensar o IRPJ e a CSLL devidos em virtude das infrações por (i) omissão de receitas de juros sobre capital próprio e (ii) dedução de despesas não necessárias à atividade da pessoa jurídica. As infrações identificadas pelo Fisco devem ser compensadas com os resultados negativos dos períodos correspondentes. O saldo daí decorrente, se positivo, deve ser compensado com o prejuízo fiscal ou com a base de cálculo negativa da CSLL apurados em períodos anteriores, observado o limite de 30% imposto pela Lei nº 8.981/95. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para exclui os lançamentos referentes à (i) amortização de ágio; e (ii) ganho de capital na desmutualização da Bovespa; homologando a compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo de CSLL detida pela Recorrente nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 com os débitos oriundos das infrações por (iii) omissão de receitas de juros sobre capital próprio e (iv) dedução de despesas não necessárias à atividade da pessoa jurídica, até o limite do direito creditório verificado.” (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Redator Adhoc Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.118 22 Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes e Alencar Tenco em vista impossibilidade do Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Matos assinar o voto vencedor fui designado para tal mister, ressaltando que o entendimento abaixo reflete a opinião daquele Conselheiro e pode não coincidir integralmente com meu posicionamento quanto ao tema em discussão: “Conforme relatado, a Recorrente não questionou a materialidade das infrações caracterizadas por (i) omissão de receitas de juros sobre capital próprio e (ii) dedução de despesas não necessárias à atividade da pessoa jurídica. No tocante a tais infrações, contudo, alegou possuir prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL suficientes para compensar e zerar os efeitos dos lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL. Quanto ao PIS e à Cofins apresentou os comprovantes de recolhimento, conforme DARF’s de folha 918. Uma vez que a verificação acerca da saciedade do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL para compensação dos créditos tributários oriundos de tais infrações depende do quantum decidido em relação às demais infrações, postergo a análise dessa questão para o final deste voto. I Amortização indevida de ágio Constitui fato incontroverso, nos autos, que a pessoa jurídica LL Participações e Representações Ltda. (posteriormente incorporada pela Recorrente) constituiu e contabilizou ágio com base no valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica Ideal Indústria de Alimentos Ltda. Também constitui matéria incontroversa a constituição e contabilização do referido ágio pela LL Participações e Representações Ltda. (em 1995), bem assim como sua transferência, registro e contabilização pela Recorrente (em 1998). No anocalendário de 2004 a Recorrente amortizou contabilmente o valor de R$ 16.822.642,25, correspondente ao total do ágio ligado ao valor de mercado dos bens da Ideal Indústria de Alimentos Ltda. (fls. 376). Os efeitos dessa amortização na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL foram eliminados pela adição do mesmo valor, o qual passou a constar na parte “B” do LALUR (fls. 122), nos termos do que determina o art. 391 do RIR/99. Consoante o citado artigo 426 do RIR/99, o ágio na aquisição de participação societária pode ser levado a resultado quando há liquidação ou alienação da participação societária. Analisandose o caso concreto, verificase que no período fiscalizado (2005 a 2007), a Recorrente apurou perdas de capital com reduções do capital social da Ideal Indústria Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.119 23 de Alimentos Ltda.. Tais perdas foram excluídas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL, tendo em vista, justamente, o valor do ágio registrado na aquisição do investimento. Em outras palavras, a recorrente considerou que a operação de redução de capital caracterizava alienação ou liquidação do investimento. Assim, com fundamento no art. 426 do RIR/99, considerou no valor contábil das quotas, para efeitos de apuração da perda de capital, o valor do ágio pago na aquisição do investimento, registrado e controlado em sua contabilidade. Conforme relatório fiscal, essas perdas de capital nas operações de redução de capital realizadas pela Recorrente no período foram apuradas da seguinte forma: (i) foi apurado o ágio correspondente a cada quota de Ideal Indústria de Alimentos Ltda., originado quando da integralização de capital na LL Participações e Representações Ltda. em 31/12/1995 (fls. 237/251), correspondente a R$ 2,403237354 por quota (16.822.642,25/6.999.992); (ii) a partir da redução de capital ocorrida na Ideal Indústria de Alimentos Ltda., pela qual a quantidade de quotas desta empresa, detida pela Recorrente, ficou abaixo de 6.999.992, foi apurada uma realização de ágio, correspondente ao número de quotas extintas multiplicado por R$ 2,403227354; (iii) os valores excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram obtidos somandose o valor do ágio correspondente às quotas extintas com o valor contábil dessas quotas, e diminuindose o valor recebido pela redução de capital. O ilustre Conselheiro Relator proferiu alentado voto, por meio do qual concluiu que o fenômeno jurídico da redução de capital nitidamente equiparase a uma liquidação parcial ou extinção parcial do capital social, bem assim como uma forma de alienação lato sensu. Ao se colherem os votos dos demais integrantes do colegiado, contudo, o Relator restou vencido, por maioria de votos. Fui então designado pelo Conselheiro Presidente para redigir o presente voto, o que passo a fazer, com a devida vênia do ilustre Conselheiro Relator. Analisando os fatos descritos nos autos, em confronto com a legislação de regência, reputo correta a autuação fiscal, por considerar que as operações de redução de capital: (i) não configuram alienação do investimento, haja vista que nela ocorre apenas a substituição de valores entre contas do ativo permanente investimentos para conta do ativo permanente imobilizado; e (ii) não configuram liquidação da sociedade investida, conforme tratado nos arts. 208 e 209 da Lei nº. 6.404/76, e no art. 1.102 do Código Civil. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.120 24 Sobre o tema, manifestouse com excepcional clareza a decisão de piso, fls. 999: [...] o art. 426 do RIR/99 deixa claro que o ágio na aquisição de participação societária pode ser levado ao resultado quando há alienação da participação societária, pois, nesse caso, se transfere para terceiros o que motivou a geração do ágio: os bens registrados por valores inferiores aos valores de mercado. A dedutibilidade ocorre quando há ruptura do vínculo econômico e jurídico entre quem adquiriu o bem pagando ágio e o próprio bem. No caso dos autos, não houve a ruptura desse vínculo. Os bens da investida, avaliados a valor de mercado, foram incorporados ao patrimônio da investidora em razão da redução de capital realizada naquela. Como já dito: houve apenas a substituição de valores entre contas do ativo permanente investimentos para conta do ativo permanente imobilizado. O ágio correspondente aos bens incorporados ao patrimônio da investidora passa a integrar o custo para efeito de apuração de ganho ou perda de capital quando da alienação ou baixa do bem. Em outras palavras: a contribuinte possuía uma participação societária adquirida com ágio, registrada em seu ativo permanente – investimentos. Por ocasião da redução do capital da pessoa jurídica investida, a recorrente recebeu bens que foram contabilizados em seu ativo permanente imobilizado. O ágio correspondente à parcela extinta da sua participação societária passa, então, a compor o custo do bem recebido em seu lugar. Nenhum prejuízo há para a contribuinte, posto que este ágio poderá ser normalmente computado quando ocorrer a sua baixa ou alienação. A título de mero esclarecimento, ressalto que é incontroverso nos autos que os atos contabilizados pelo contribuinte referemse a operações de redução do capital, conforme previsto no art. 1.082, II do Código Civil, não havendo de se cogitar da hipótese de dissolução da sociedade investida (situação prevista no art. 1102 do Código Civil). Assim sendo, considero que resta inaplicável a regra de afetação do lucro real pelo valor do ágio verificado na aquisição do investimento em outra sociedade. Por estas razões, em relação ao presente tópico, nego provimento ao recurso voluntário. Não oferecimento à tributação do ganho de capital auferido por ocasião da desmutualização da BOVESPA Em relação a este aspecto do lançamento, o ilustre Conselheiro Relator apresentou respeitável voto, por meio do qual conclui que não teria havido qualquer dissolução ou liquidação da Bolsa de Valores de São Paulo, mas mera transformação societária para a forma de sociedade anônima. Em outras palavras, teria havido apenas uma legítima cisão parcial e posterior incorporação da parcela cindida em novas sociedades, em estrita conformidade com o previsto no art. 1.113 do Código Civil. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.121 25 No entanto, colhidos os votos dos demais conselheiros integrantes desse colegiado, novamente restou vencido o Conselheiro Relator, por maioria de votos. Por designação do Conselheiro Presidente, foi a mim atribuída a responsabilidade de redigir o voto vencedor, o que faço, mais uma vez com a decida vênia do ilustre Conselheiro Relator. O processo de desmutualização da Bovespa, na verdade, constitui questão já amplamente debatida no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após sucessivos julgamentos, parecem consolidarse os seguintes entendimentos acerca do aludido processo denominado de desmutualização: (i) O art. 61 do Código Civil não permitiria a desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo, pois tal fato representaria a transmutação de um ente sem fins lucrativos em um entes com fins lucrativos; (ii) A cisão apenas seria aplicável às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade, em vista de supostamente inexistir norma no ordenamento jurídico que aplicasse tal instituto às associações; e (iii) Não seria permitido às antigas associadas considerar o aumento do patrimônio, devendo a tributação recair sobre a diferença entre o valor nominal das ações, ou seja, o valor utilizado para troca, e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais. Os fundamentos fáticos e jurídicos que conduzem a tais conclusões são, de fato, aqueles contidos na Solução de Consulta COSIT nº 10, de 26 de outubro de 2007, integralmente transcrita na decisão de piso. Para evitar desnecessária repetição, limitome a adotar e transcrever as conclusões da retrocitada Solução de Consulta: 59. Em resposta às questões formuladas pela consulente nos itens “i”, “ii”, “iii”, “iv” e “v” do parágrafo 59 da peça vestibular, concluise que: i. a operação de “desmutualização” das bolsas de valores, conforme descrita pela consulente, encontra obstáculo insuperável na norma do art. 61 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), a qual veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa, dessa forma prejudicadas as indagações da consulente dos itens “i” e “ii”; ii. o art. 16 da Lei nº 9.532, de 1997, não se aplica à operação de “desmutualização”, pois, nessa, a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas não tornará aquelas sócias dessas, mas, sim, os seus associados (as sociedades corretoras), o que configura uma devolução de capital, ao qual se aplica o art. 17 do mesmo diploma legal; iii. ao contrário do que sugere a consulente no item “iii”, os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.122 26 corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo MEP, mas, sim, autorizadas pela Portaria nº 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações; iv. o fato de a operação de “desmutualização” de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores [...] À guisa de conclusão, esclareço que o capital formado na associação (BOVESPA) não tinha fins lucrativos, ou seja, não beneficiava os associados. Quando o capital passou a ser utilizado para fins lucrativos, o que ocorreu então foi a disponibilização desse capital aos associados. O associado (agora sócio) passou a dispor de um capital que vai gerar lucros. O fato de o capital não ter sido entregue “diretamente” ao sócio mas vertido a uma sociedade com fins lucrativos em nada altera o raciocínio, pois o reflexo da versão do capital foi a alteração da natureza jurídica do bem possuído pelo associado, de título em associação para ações ou quotas em sociedade empresária. Em outras palavras, não há “mero fato permutativo” no patrimônio do associado, mas recebimento de quotas ou ações que darão ao antigo associado o direito a receber o lucro produzido com o capital que antes estava no patrimônio da associação. Esta mudança na natureza jurídica do título só aconteceu porque o associado concordou em alterar a finalidade dos bens da associação (de não lucrativo para lucrativo) o que importou, necessariamente, em disponibilidade jurídica e econômica desse capital ao associado. Podese extrair do art. 61 do Código Civil que os bens de uma associação possuem finalidade pública, e somente poderiam ser desafetados caso houvesse a sua devolução aos associados. Por esse motivo que a desmutualização da BOVESPA, com versão dos bens a uma sociedade empresária, deveria ser necessariamente precedida da devolução do patrimônio aos associados. Para fins meramente exemplificativos, menciono recente julgado deste mesmo colegiado, que ao analisar esta matéria adotou idêntico entendimento, por maioria de votos, vencidos apenas os mesmos ilustres Conselheiros que também agora adotam entendimento divergente: Processo nº 16327.000002/201036 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402001.522 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.123 27 Sessão de 03 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente BRADESCO S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F E DA BOVESPA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, e Paulo Roberto Cortez que davam provimento. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Do voto condutor do Acórdão acima referido, da lavra do ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (a quem tenho a honra de temporariamente substituir) transcrevo o seguinte excerto: Entendo assistir razão ao Fisco. A questão, que envolve pormenores que serão analisados em seguida, pode ser resumida de maneira simples: uma entidade isenta de imposto de renda acumulou durante inúmeros períodos superávits; ao fim e ao cabo, quer entendendose que houve extinção da entidade sem fins lucrativos, quer sob a ótica de transformação e cisão, desejam os então associados da entidade sem fins lucrativos, posteriormente guindados a acionistas da empresa, não ver submetidos ao crivo do imposto de renda os ganhos da entidade e que não foram alvo de incidência de IRPJ e CSLL. Tais ganhos foram refletidos no valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindo no valor das ações recebidas da empresa com fins lucrativos criada. Ou seja, se assistisse razão à Recorrente, os ganhos não tributados da entidade sem fins lucrativos teria se transformado em custo das ações posteriormente pertencentes aos acionistas da sociedade anônima criada. Desse modo, entendo que deva prevalecer a posição adotada pela autoridade fiscal. Pelas razões expostas, também em relação ao presente tema nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 11080.724004/201031 Acórdão n.º 1402001.746 S1C4T2 Fl. 1.124 28 Demais infrações Não procede a alegação do recorrente de que teria saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL suficientes para compensar a integralidade das bases de cálculo das infrações não questionadas, pois, conforme se verifica nos demonstrativos de apuração do IRPJ e da CSLL, anexos aos autos de infração (v. fls. 812814 e 830832), as compensações foram devidamente efetuadas pelo autuante. Tendo em vista a total procedência do lançamento, inexiste saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, que, consoante alegou a Recorrente, seriam suficientes para compensar o IRPJ e a CSLL devidos em virtude das infrações não questionadas, referentes à i) omissão de receitas de juros sobre capital próprio e ii) dedução de despesas não necessárias à atividade da pessoa jurídica. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário”. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator Designado ad hoc Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000049/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA.
Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer as deduções de R$12.700,00, pagas à cirurgiã-dentista.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13896.000049/2010-57
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572465
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.921
nome_arquivo_s : Decisao_13896000049201057.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 13896000049201057_5572465.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer as deduções de R$12.700,00, pagas à cirurgiã-dentista. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6300250
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124427075584
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-02-23T14:09:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-02-23T14:09:15Z; Last-Modified: 2016-02-23T14:09:15Z; dcterms:modified: 2016-02-23T14:09:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:916e936f-006d-4b88-b9fd-57866090c0f2; Last-Save-Date: 2016-02-23T14:09:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-02-23T14:09:15Z; meta:save-date: 2016-02-23T14:09:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-02-23T14:09:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-02-23T14:09:15Z; created: 2016-02-23T14:09:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2016-02-23T14:09:15Z; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-02-23T14:09:15Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000049/201057 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.921 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente BERENICE DE SOUZA RODRIGUEZ DEL RIEGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA INDEVIDA. Segundo o art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, a dedução de despesas médicas na DIRPF limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, devendo ser admitidas, para efeito de dedução, as despesas comprovadas em conformidade com esse dispositivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 00 49 /2 01 0- 57 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer as deduções de R$12.700,00, pagas à cirurgiãdentista. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Kleber Ferreira de Araújo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000049/201057 Acórdão n.º 2402004.921 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 17ª Turma da DRJ/SP1, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela contribuinte, para manter parte do crédito tributário exigido através de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor total de R$ 7.562,98, exercício 2008, anocalendário 2007. O lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte a) teria deduzido indevidamente contribuição à previdência oficial, no valor de R$ 1.289,60, vez que, de acordo com informações constantes dos sistemas da RFB e conforme comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte apresentado pela contribuinte, teria sido verificada contribuição previdenciária no montante de R$ 10.862,29, e não de R$ 12.151,89; e b) teria deduzido, sem comprovar o efetivo pagamento, despesas médicas no valor total de R$ 13.000,00. Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que: · em anexo à impugnação, estaria fornecendo novas cópias dos recibos médicos, com anotação do endereço do consultório, vez que a segunda intimação recebida no transcorrer da fiscalização não teria consignado a necessidade de apontamento do endereço; · não seria um pedaço de papel perfeitamente preenchido que lhe daria o direito à dedução, mas sim ter feito realmente a despesa; · teria cumprido todos os pormenores estabelecidos na lei fiscal; · as despesas declaradas não seriam exageradas, tanto porque representariam pouco mais de dez por cento da sua receita bruta, como porque ela (contribuinte) seria sexagenária, já com uma série de comprometimentos de saúde; · a RFB teria acesso irrestrito aos dados da contribuinte e dos prestadores dos serviços, a fim de fazer as necessárias verificações; · a lei não exigiria um detalhamento das despesas realizadas, mas apenas se elas teriam efetivamente ocorrido; · os profissionais da área de saúde, por questão de sigilo, estariam proibidos de fornecer à RFB cópias dos laudos, exames, prontuários, etc; · a própria CF protegeria o direito à intimidade; · o RIR/2005 não proibiria o contribuinte de contratar um familiar; · estaria apresentando comprovantes de rendimentos, a fim de comprovar o pagamento da contribuição previdenciária. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, ao argumento de que, a) conforme documento de fl. 31, relativo ao valor de R$ 1.289,60, pago a título de contribuição ao Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, teria que ser restabelecido o valor informado pela contribuinte, de tal maneira que o lançamento deveria ser retificado neste ponto; b) não teria havido a comprovação por meio de documentação hábil e idônea da efetividade dos serviços prestados, nem tampouco da transferência de numerário, de tal forma que deveria ser mantida a glosa das despesas médicas. Notificada da decisão em 25/11/2013, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/12/2013, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação no que se refere à glosa das despesas médicas, acrescentando ainda que: · nos termos do RIR/2005, a comprovação das despesas seria feita mediante documento (recibo) com o nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem recebeu os pagamentos e que a RFB estaria fazendo exigências sem amparo legal; · o recibo seria um documento apto a certificar a quitação de determinado valor, prescindindo, absolutamente, de qualquer outro documento para que adquira validade ou força comprobatória; · os recibos não poderiam ser desconsiderados com base em meras presunções, suposições ou incertezas; · a glosa teria se dado de forma frágil, pois baseada em suposições, desconfianças e incertezas; · ao fazer a sua declaração, a recorrente teria cumprido os ditames da lei; · a decisão da DRJ teria que ser reformada, para que sejam anuladas as glosas. Os autos foram sorteados a este Conselheiro, conforme Ata da Sessão de 08/12/2015. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000049/201057 Acórdão n.º 2402004.921 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Glosa das despesas médicas Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80 do RIR/2005. O seu § 1º, inciso III, preleciona o seguinte a respeito da comprovação: Art. 80. [...] § 1º O disposto neste artigo: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destacouse) A comprovação, portanto, é feita mediante a indicação do nome, endereço e número de inscrição do profissional. Dito de outra forma, os pagamentos são comprovados através dos recibos ou das notas fiscais de prestação de serviços, elaborados em consonância com os requisitos supra mencionados. Na falta dessa documentação (“podendo, na falta de documentação”), admite o Regulamento a exibição dos cheques nominativos. Essa exibição, pois, é uma alternativa para o contribuinte que não possua os recibos ou as notas fiscais. Vale lembrar que lançamento tributário é um ato administrativo vinculado, no qual não há margem para discricionariedade, conforme regra expressa do art. 142, parágrafo único, do CTN. Segundo o Professor Paulo de Barros Carvalho, “o ato jurídico administrativo do lançamento é vinculado, significando afirmar que se coloca entre aqueles para a celebração dos quais não atua o agente com qualquer grau de subjetividade” (Curso de Direito Tributário. 22. Ed. – São Paulo : Saraiva, 2010, p. 463.), de tal modo que a comprovação das deduções deve ser efetuada em conformidade com a Lei, e não de acordo com o juízo da autoridade administrativa. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Da própria definição de tributo, contida no art. 3º do Código, depreendese a natureza vinculada do ato de lançamento. Nesse sentido, o professor e juiz federal Leandro Paulsen observa que “da própria definição legal de tributo (art. 3º do CTN) tirase que é prestação pecuniária cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 987.). O único critério aceitável, portanto, é o critério legal, que, digase de passagem, não varia de pessoa para pessoa, tampouco está sujeito a variações de humor. Destarte, a hipótese em estudo é regida pelo art. 80, § 1º, inciso III, do Regulamento, segundo o qual os pagamentos devem ser comprovados “com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu”. A par desse dispositivo, o art. 320 do Código Civil Brasileiro preleciona que o recibo é o meio de prova do pagamento, isto é, do fato de o devedor ter solvido a obrigação entabulada junto ao credor. A Fazenda Pública tem exacerbado a exigência a respeito da comprovação dos pagamentos em função da prática infeliz da utilização de despesas de modo simulado, o que não significa que todas as situações nas quais não haja a exibição de movimentação bancária possa ser subjetivamente considerada como fraudulenta. Por se colocar entre os atos administrativos vinculados, não se pode admitir que a simples vontade do agente fiscal seja suficiente para obrigar o contribuinte a apresentar outros meios de prova, até porque não há como demonstrar um pagamento em dinheiro, senão por intermédio do recibo ou da nota fiscal. Em todas as relações do Estado com o cidadão ainda se nota uma predominância exagerada do poder estatal, sobretudo na relação jurídicotributária, que é, por essência, uma relação de poder. Todavia, e como sabido, as normas limitadoras desse poder estão erigidas em patamares superiores, fundadas que estão na Lei Maior, segundo a qual a máfé não se presume, mormente em função da extensão do princípio fundamental da presunção de inocência. A infeliz utilização de recibos fraudulentos deve, efetivamente, ser coibida e combatida pelo Estado, mas somente mediante os meios legais e justificáveis. Não se pode esquecer que a possibilidade de dedução das despesas médicas não é nenhum favor legal. O Estado é quem deveria fornecer um serviço de saúde adequado (art. 6º da Constituição Federal). Não o faz pelo mal uso dos recursos públicos, obrigando os bons cidadãos a se utilizarem de serviços privados de saúde, educação, segurança, etc. No caso concreto, verificase que o lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização, a contribuinte teria deduzido, sem comprovar o efetivo pagamento, despesas médicas no valor total de R$ 13.000,00, dos quais R$ 12.700,00 teriam sido pagos à cirurgiã dentista Fúlvia Regina S. Franco, R$ 100,00 à Sociedade Assistencial Bandeira e R$ 200,00 à Dermatologia Clínica e Cirúrgica Ltda. No tocante à glosa da contribuição previdenciária, a Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.000049/201057 Acórdão n.º 2402004.921 S2C4T2 Fl. 5 7 própria DRJ acolheu as alegações da contribuinte, tendo restabelecido o valor informado na DIRPF, com a consequente retificação do lançamento (fls. 73 e 75). Os recibos comprobatórios dos pagamentos efetuados em favor da cirurgiã dentista (fls. 23/30) contém todos os requisitos arrolados no RIR/2005, tais como nome, endereço e número de inscrição da profissional. O seu somatório coincide também com os valores declarados pela contribuinte no anocalendário a que se referem. A par disso, a recorrente dignouse de juntar à impugnação uma declaração firmada pela profissional (fl. 14), na qual igualmente se observa o atendimento dos requisitos legais, inclusive havendo expressa menção ao tratamento prestado e ao seu beneficiário, o que afasta as alegações em contrário constantes da descrição do fatos e enquadramento legal, bem como do acórdão da impugnação. Nada havendo que possa infirmar a veracidade desses documentos (e a veracidade deles não foi contestada em momento algum), não se mostra razoável exigir a exibição de cheques, extratos, transferências ou qualquer outro documento comprobatório, mormente porque os pagamentos foram efetuados em espécie e diluídos mensalmente em pequenas quantias. Por outro lado, e muito embora pudesse ter comprovado o contrário, a RFB não negou que os beneficiários dos recibos tenham recebido os pagamentos. Isto é, podese presumir que os valores já foram oferecidos à tributação. A não aceitação dos recibos traz em seu bojo, ainda que implicitamente, uma série de ilações infundadas, em prejuízo, inclusive, dos profissionais envolvidos, o que não se coaduna com o princípio segundo o qual a boafé se presume, devendo a máfé ser provada pelo interessado. A par disso, e como demonstrado pela recorrente, os valores pagos são efetivamente compatíveis com os seus rendimentos declarados, representando pouco mais de dez por cento deste montante. Até pela idade da recorrente, a propósito, essa fração, que já não é elevada, é totalmente compreensível, como demonstram as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). O próprio valor absoluto também não é elevado. Nesse contexto, cumpre observar que o § 1º do art. 73 do RIR/2005 preceitua que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, o que, como a recorrente comprovou, não é o caso dos autos, em que as despesas são realmente compatíveis com seus vencimentos de aposentada de Procuradora do Estado. Eventual relação de parentesco entre a recorrente e o profissional também não tem o condão de lançar qualquer suspeita sobre as deduções, pois entre um estranho e um parente é explicável e louvável que ela tenha optado por este. E mais, não há como se admitir qualquer conclusão no sentido da prática de fraude pela recorrente com base em meras presunções ou suspeitas. Ao contrário, à vista do conjunto probatório constante dos autos, deve prevalecer a sua presunção de boafé. De todo modo, e diferentemente do que decidiu a DRJ, não há registro claro nos autos de que a dentista Fúlvia Regina S. Franco seja filha da recorrente. Muito embora a própria recorrente não tenha trazido uma informação mais clara a esse respeito, na descrição Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 dos fatos e enquadramento legal consta, textualmente, que Gerson Gattei seria "filha da contribuinte", e não a dentista Fúlvia. Vejase: Foi apresentada cópia de cheque para comprovar pagamento de despesas médicas declarada com o profissional Gerson Gattei CPF: 894.925.95834, em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO N.º 2005/608375567991192, onde indica que essa profissional tem conta corrente conjunta em banco com a contribuinte. Foi verificado nos sistemas da Receita Federal do Brasil que essa profissional é filha da contribuinte. Todavia, no que se refere à quantia de R$ 100,00, alegadamente paga à Sociedade Assistencial Bandeira (fl. 21), não tem razão a recorrente. Com efeito, o documento de fl. 21 não é um recibo, mas sim uma "NOTA DE DÉBITO", não havendo qualquer menção de que o valor ali declarado tenha sido efetivamente adimplido pela contribuinte. Isto é, tal documento não se reveste dos requisitos arrolados no art. 80, § 1º, inc. III, do RIR/2005, não devendo ser aceito para fins de comprovação do pagamento. O recibo comprobatório do pagamento supostamente realizado em favor da Dermatologia Clínica e Cirúrgica Ltda (fl. 22) também está em desacordo com o Regulamento. Assim como foi constatado no PAF 13896.000050/201081, a olho nu percebese que o endereço da clínica foi serodiamente preenchido, o que foi levado a cabo pela mesma pessoa (provavelmente a própria contribuinte), o que se conclui pelo tipo de letra cursiva ali constante. No meu modo de ver, essa circunstância não só retira a fidedignidade do citado documento, como também o torna irregular para fins de comprovação. Expressandose de outra forma, a decisão da DRJ é incensurável neste ponto. Na qualidade de destinatário das provas colhidas nestes autos, portanto, entendo como indevida a glosa da quantia paga à cirurgiãdentista Fúlvia Regina S. Franco (R$ 12.700,00), e como devidas as glosas das quantias referentes à Clínica e Cirúrgica Ltda (R$ 200,00) e à Sociedade Assistencial Bandeira (R$ 100,00), devendo ser retificado o lançamento. Diante do exposto, voto por CONHECER do recurso, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917839/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, do indébito, impede que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, do indébito, impede que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.917839/2011-21
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5555143
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.749
nome_arquivo_s : Decisao_10830917839201121.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917839201121_5555143.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6238544
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124471115776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.970 1 2.969 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917839/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.749 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria PIS/Pasep DCOMP Eletrônico Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, do indébito, impede que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 39 /2 01 1- 21 Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.706, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 57/63 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 15082.09805.100406.1.2.043670, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917839/201121 Acórdão n.º 3402002.749 S3C4T2 Fl. 2.971 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fl. 66). Inconformada, a mesma apresentou, em 30/01/2014, o Recurso Voluntário (fls. 68/88), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.179 (fls. 131/133), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.179 (fls. 131/133), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917839/201121 Acórdão n.º 3402002.749 S3C4T2 Fl. 2.972 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal às fls. 2.901/2.902 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 15082.09805.100406.1.2.043670, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 4.312,16 referente a crédito de PIS/PASEP relativo ao período de apuração 07/2001, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 4734296,58, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 4744804,35, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 0 a título das receitas que se pretende excluir. Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da PIS/PASEP totalizam R$ 0. Assim, a parcela de PIS/PASEP relativa a essas receitas somam R$ 0. Em sua manifestação (fls. 2.921/2.924), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.923: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamento no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que não restou demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante ao todo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722286/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM.
Em se tratando de presunção iuris tantum de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, cabe, ao Fisco, provar o indício - crédito bancário de origem não comprovada, o qua levará à presunção legal de omissão de receita e, por sua vez, cabe ao fiscalizado desconstituir a presunção, o que, in casu, consistiria provar que o ingresso em conta bancária já foi oferecido à tributação ou que não se trata de receita tributável.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada quanto ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos decorrentes.
Numero da decisão: 1302-001.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. Em se tratando de presunção iuris tantum de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, cabe, ao Fisco, provar o indício - crédito bancário de origem não comprovada, o qua levará à presunção legal de omissão de receita e, por sua vez, cabe ao fiscalizado desconstituir a presunção, o que, in casu, consistiria provar que o ingresso em conta bancária já foi oferecido à tributação ou que não se trata de receita tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada quanto ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos decorrentes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10825.722286/2012-80
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566604
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.749
nome_arquivo_s : Decisao_10825722286201280.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10825722286201280_5566604.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6271325
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124476358656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 594 1 593 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.722286/201280 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.749 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ e outros tributos. Recorrente ESCRITÓRIO CONTÁBIL LENÇOIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. Em se tratando de presunção iuris tantum de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, cabe, ao Fisco, provar o indício crédito bancário de origem não comprovada, o qua levará à presunção legal de omissão de receita e, por sua vez, cabe ao fiscalizado desconstituir a presunção, o que, in casu, consistiria provar que o ingresso em conta bancária já foi oferecido à tributação ou que não se trata de receita tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada quanto ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 22 86 /2 01 2- 80 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1446.868 da 3ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da escrituração, devendo ser considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O cerceamento do direito de defesa não se configura, quando cientificado dos atos processuais, o acusado tem plenamente assegurados o seu direito de resposta ou de reação, conforme previsto no PAF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 595DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10825.722286/201280 Acórdão n.º 1302001.749 S1C3T2 Fl. 595 3 A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1446.868 em 07/01/2010 (Termo a fls. 544), interpôs, em 28/01/2010 (Termo a fls. 592), recurso voluntário (doc. a fls. 546 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que houve cerceamento do direito de defesa, pois: a.1) que conforme Termo de Inicio de Fiscalização na data de 25/11/2011 o impugnante foi intimado para apresentar, em 20 vinte dias, diversos documentos relativos ao ano calendário de 2008, entre os quais, a movimentação bancária e aplicações financeiras, em papel e em meio magnético; a.2) que, na data de 19/12/2011, o impugnante entregou todos os documentos solicitados, porém, em relação à solicitação dos extratos de movimentação bancária e aplicações financeiras, em papel e em meio magnético, o Impugnante informou que, momentaneamente, estava impossibilitado de entregálos e que necessitava de mais prazo para poder obter os documentos, pois teria que solicitálos a três instituições financeiras; a.3) que, porém, antes mesmo de esgotar o prazo de 20 (vinte) dias para a entrega dos documentos solicitados, cuja expiração ocorreria somente na data de 15/12/2011, o fiscal requereu a Solicitação da Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF), na data de 12/12/2011; a.4) que, assim, denotase o nítido cerceamento de defesa, pois dentro do prazo legal para apresentação dos documentos faltantes, já havia sido expedido a RMF; a.5) que para consagrar o cerceamento de defesa, na data de 14/12/2011, o Delegado da Receita Federal dentro do prazo legal para o Impugnante entregar os documentos solicitados expediu a RMF; a.6) que diante de um quadro de atropelo e desrespeito ao prazo da defesa, fica nítido que o procedimento não respeitou a razoabilidade, sendo conduzido a 'toque de caixa', chegando ao ponto de não existir a individualização do Relatório Circunstanciado, nos termos do que dispõem a Portaria n. 180 de 1 de fevereiro de 2001 e tão pouco uma singela demonstração de que o Impugnante houvera sido intimado diversas vezes para apresenta os referidos documentos; a.7) que além do cerceamento de defesa pelo fato de ter sido praticado atos processuais dentro do prazo da entrega dos documentos, o Impugnante sequer foi intimado uma segunda vez para apresentar informações; b) que o auto de infração é nulo, pois: b.1) que não foi observado pela Fiscalização na condução do procedimento o art. 37 d CF/88, o Decreto 3724/01, a portaria SRF 180/2001 e a Lei 9784/99, haja vista a emissão de RMF sem sequer ter sido fundamentada e motivada, consequentemente ocasionou a ilegal utilização de dados e extratos de movimentação financeira da recorrente; b.2) que resultou ilícito todo o conjunto probante carreado aos autos; b.3) que, nos termos da legislação supracitada, a descrição dos fatos que motivam enquadramento em hipótese taxativa de indispensabilidade é condição de procedibilidade que, necessariamente, deve vir materializada de forma expressa por intermédio do documento "Relatório Circunstanciado" devidamente motivado, fundamentado e observando o princípio da razoabilidade – e do documento “Solicitação de Emissão de RMF”, este observando enquadramento no art. 3º do Decreto 3.724/2001; Fl. 596DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 b.4) que é evidente que a ausência de fundamentação e motivação tem o mesmo efeito da ausência de um documento (RMF), pois o importante não é a existência física de um documento, mas sim, se este documento atesta que houve respeito à legislação e a Constituição, eis que estes documentos somente existem para efeitos de controle da legalidade; b.5) que não se acha qualquer fundamentação na RMF; b.6) que, segundo o art. 28 da Lei 9784/99, o recorrente teria que ter sido notificado da decisão que teria determinado a violação de seu sigilo bancário, logo, a inobservância desta norma, leva a reconhecer a ilegalidade da utilização das informações obtidas, nos termos do art. 53 da Lei 9.784/99; c) quanto ao mérito, alega que: c.1) que resta claro que o art. 42 da Lei 9.430/96 encerra em si uma presunção, mas esta presunção sem outros elementos idôneos não pode prevalecer sobre fato que consta da declaração do imposto de renda, logo, a autuação não pode se basear exclusivamente em valores constantes nos extratos bancários, porque nem todo ingresso na conta do contribuinte constitui receita tributável; c.2) que a Lei 10.174/01 e a Lei Complementar 105/01 são inconstitucionais; c.3) que a multa de ofício é confiscatória; c.4) que é incontestável o direito do contribuinte à utilização de juros de mora de 1% ao mês para atualização de seus débitos, pois a taxa Selic que a lei pretende equiparar a juros moratórios, possui natureza remuneratória, e a sua utilização naqueles moldes desobedece a regra contida nos artigos 161, § 1º do CTN e 192, § 3º da CF/88. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por representante legal da recorrente, conforme Cláusula Oitava do Contrato Social a fls. 275, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, cabe ressaltar que, em observância da Súmula CARF nº 2, não serão enfrentadas, neste voto, as questões acerca da inconstitucionalidade da Lei 10.174/01 e da Lei Complementar 105/01, como também, a alegação de que a multa de ofício aplicada seria confiscatória, já que tal questão envolveria um juízo de constitucionalidade sobre a norma legal que dispõe sobre a multa de ofício (art. 44 da Lei 9.430/96). Vale, no entanto, registrar que este CARF só estaria vinculado à decisão do Supremo Tribunal Federal a ponto de afastar a aplicação de lei federal, se a inconstitucionalidade da norma legal tivesse sido declarada, por aquela Corte, em ação declaratória de inconstitucionalidade ou em recurso extraordinário do qual a recorrente fosse parte ou então, mesmo não sendo parte, fosse uma decisão definitiva em Fl. 597DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10825.722286/201280 Acórdão n.º 1302001.749 S1C3T2 Fl. 596 5 recurso especial representativo de controvérsia (art. 543B do CPC), hipóteses que não se verifica no presente caso. Quanto à alegação do cerceamento do direito de defesa, o que se verifica, ao se compulsar os autos, é que não houve qualquer “quadro de atropelo”, se não vejamos o que se segue. Dispunha o § 2º do art. 4º do Decreto nº 3724/01, na sua redação original vigente à época dos fatos, que a RMF seria precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. Ora, no presente caso houve a referida intimação e, em resposta a recorrente respondeu, em 30/11/2011, o seguinte (doc. a fls. 69): “Em resposta ao item 5 do referido Termo de Início de Fiscalização, datado de 25/11/2011, em face das dificuldades encontradas junto às instituições financeiras, registramos, no momento, a impossibilidade de cumprimento de apresentação de extratos bancários em papel e em meio magnético.”. Assim, resta claro que a Fiscalização observou a formalidade exigida na legislação para a emissão da RMF, pois só a emitiu em 14/12/2011. Ademais, não é razoável falar em cerceamento do direito de defesa, pois o que restou configurado nos autos foi que, na dificuldade de a recorrente apresentar suas provas, o Fisco usou de suas prerrogativas legais para obtenção dos referidos extratos diretamente das instituições bancárias. Qual direito de defesa da recorrente foi cerceado? Não podemos crer, nem seria tutelado pelo Direito, que fosse o direito de não entregar os extratos, mesmo porque, tanto fazia a recorrente apresentar os extratos como o Fisco os obter diretamente das instituições bancárias, eles seriam os mesmos. Ou será que, por uma interpretação que desborda o texto do Decreto 3724, a recorrente entendia que, postergando ad perpetuam a entrega dos extratos, estaria o Fisco impossibilitado de usar de suas prerrogativas legais? Na verdade, o que é relevante é que o Fisco observou a formalidade prevista no Decreto 3724 de intimar previamente a recorrente a apresentar os extratos antes de emitir a RMF, sendo que o Decreto 3724 não exige que seja prorrogado prazo em caso de o contribuinte, após intimado, encontrar dificuldade para a obtenção dos extratos junto às instituições financeiras. Vale ressaltar que, após a obtenção dos extratos, o Fisco intimou novamente a recorrente, desta feita, para comprovar a origem dos depósitos Quanto à alegação de nulidade, esta também não procede, pois se verificarmos com atenção o modelo de Solicitação de RMF obedece fielmente o que dispõe o Decreto 3724. Notese que as opções de enquadramento e demais informações prestadas no referido formulário de Solicitação de RMF nada mais é do que uma transcrição do que o Decreto 3724 exige que seja informado, especialmente os seus arts. 3º e § 7º do art. 4º. Assim, o que a Portaria SRF 180/01 trata como relatório circunstanciado nada mais é do que o disposto no próprio formulário por ela criada, pois tanto o formulário de Solicitação como o próprio modelo de RMF utilizados na presente autuação foram ambos instituídos pela aludida portaria. Quanto à alegação de que o recorrente teria que ter sido notificado da decisão que teria determinado a violação de seu sigilo bancário em face do disposto no art. 28 da Lei nº 9.784/99, mais uma vez ela incorre em rotundo equívoco, pois, primeiramente, a Lei 9.784/99 não se aplica ao processo administrativo fiscal, como decidido no Recurso representativo de controvérsia – REsp 1.138.206/RS, se não vejamos o seguinte excerto da ementa do acórdão: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 “3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte.” Segundo, ainda que lacuna houvesse, a emissão de RMF não é um ato do processo que resultou para a recorrente em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades, razão pela qual totalmente absurda a tentativa de aplicação do art. 28 da Lei nº 9.784/99 na espécie. No mérito, a falta de compreensão da recorrente do que seja uma presunção legal de omissão de receita levoua a cometer mais equívocos em sua defesa. Ocorre que estamos tratando de uma presunção iuris tantum, como todas as demais presunções de omissão de receita da legislação do IR, em que, ao Fisco, cabe provar o indício (no caso, o crédito bancário de origem não comprovada), que levará à presunção legal de omissão de receita e, por sua vez, cabe ao fiscalizado desconstituir a presunção, o que, in casu, consistiria provar que o ingresso em conta bancária já foi oferecido à tributação ou que não se trata de receita tributável. Ora, como vemos, a presunção legal relativa de omissão de receitas divide o ônus da prova, ao contrário da prova direta em que cabe a quem acusa, realizála integralmente. Assim sendo, caberia à recorrente provar com documentos hábeis a vinculação dos ingressos na sua conta bancária com receitas declaradas e já tributadas ou provar que os ingressos não eram receitas tributáveis. Ora, qual a prova apresentada nesse sentido? Não há. Toda linha de defesa se resumiu a argumentos genéricos infundados, conforme retro demonstrado. Com relação a insurgência da recorrente quanto à aplicação dos juros de mora calculado pela taxa Selic, cabe apenas ressaltar que a matéria encontrase, hoje, já sumulada pelo CARF, conforme verbete abaixo transcrito: “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005143/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
IOF. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. BASE DE CÁLCULO. SOMATÓRIO DOS SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS EM CADA MÊS.
O mútuo de recursos financeiros, realizados entre pessoas jurídicas com pessoas jurídicas e físicas, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelos mutuários, caso dos autos, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês.
IOF. BASE DE CÁLCULO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira (Suplente), Hélcio Lafetá Reis (Suplente) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IOF. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. BASE DE CÁLCULO. SOMATÓRIO DOS SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS EM CADA MÊS. O mútuo de recursos financeiros, realizados entre pessoas jurídicas com pessoas jurídicas e físicas, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelos mutuários, caso dos autos, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. IOF. BASE DE CÁLCULO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10410.005143/2009-86
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572817
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.864
nome_arquivo_s : Decisao_10410005143200986.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10410005143200986_5572817.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira (Suplente), Hélcio Lafetá Reis (Suplente) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6304952
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124507815936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 158 1 157 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.005143/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.864 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria Auto de Infração IOF Recorrente LIMPEL LIMPEZA URBANA LDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IOF. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. BASE DE CÁLCULO. SOMATÓRIO DOS SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS EM CADA MÊS. O mútuo de recursos financeiros, realizados entre pessoas jurídicas com pessoas jurídicas e físicas, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelos mutuários, caso dos autos, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. IOF. BASE DE CÁLCULO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 51 43 /2 00 9- 86 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 159 2 Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira (Suplente), Hélcio Lafetá Reis (Suplente) e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 160 3 Relatório Tratase de auto de infração, fls. 23/67, referente à exigência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, no valor total de R$ 930.773,46, já incluídos juros de mora e multa de ofício, relativos aos períodos de apuração de janeiro/2005 a dezembro/2008. De acordo com a descrição dos fatos, a autuação foi formalizada em face da constatação da existência de mútuos, pela ora recorrente, às pessoas físicas e jurídicas ligadas, sem prazos e realizados por meio de conta corrente. O cálculo do tributo foi efetuado com base nos somatórios dos saldos devedores diários e estão evidenciados nos Demonstrativos constantes do auto de infração. Constatado a existência de mútuos sem que tenham sido recolhidos ou declarados em DCTF o valor correspondente ao IOF, a exigência foi formalizada por meio do lançamento de ofício de que trata o presente processo. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, por meio do qual contesta basicamente a forma de apuração levada a efeito na autuação. Defende que não foi aplicada corretamente a legislação aplicável, ao se utilizar como base de cálculo o somatório dos saldos devedores diários. Afirma que a legislação do IOF prevê como base de cálculo o montante colocado à disposição do mutuário, uma vez que em todos os contratos é estabelecido o valor máximo do empréstimo. No final solicita genericamente a realização de diligências necessárias à elucidação das questões suscitadas. Ao analisar referida impugnação, a 2ª Turma da DRJ/RecifePE, proferiu o Acórdão nº 1132751, de 28/01/2011, fls. 124/135, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IOF. CONTRATOS DE MÚTUO. INDEFINIÇÃO DO VALOR DO EMPRÉSTIMO CONTRAÍDO E DO PRAZO DE DURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS APURADOS NO ÚLTIMO DIA DE CADA MÊS. A base de cálculo do IOF, relativamente aos contratos de mútuo nos quais o valor do empréstimo contraído e o prazo de duração são indefinidos, são os respectivos saldos devedores diários apurados no último dia útil de cada mês. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar alegação de que exigência tributária legalmente prevista teria caráter confiscatório. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 161 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 145/150, basicamente repetindo as argumentações colocadas por meio da impugnação e que podem assim ser resumidas: que tanto o auto de infração quanto a decisão recorrida entenderam incorretamente que o IOF incidente sobre empréstimos de mútuos contratados entre a empresa e seus sócios, deve incidir em cascata sobre o somatório dos saldos devedores diários; que o § 1º do art. 13 da Lei nº 9.779/99, considera ocorrido o fato gerador do IOF, o valor do numerário entregue a título de empréstimo, na data da concessão do crédito, não havendo previsão legal para outra base de cálculo; que todos os contratos de mútuo firmados entre a recorrente e seus sócios e empresas ligadas, estabelecem o valor máximo do empréstimo a ser concedido, e por essa razão tem a sua base de cálculo estabelecida pelo montante colocado a disposição do mutuário, conforme dispõe o art. 7º, I, "b" do Decreto nº 6.306/2007; ao final manifestase com a frase abaixo transcrita, para destacar que se o raciocínio fiscal estivesse correto, estaríamos diante de um verdadeiro confisco: · "Imaginese, por exemplo, uma operação de mútuo em que uma empresa emprestasse a seu sócio, em parcela única, o valor de R$ 100.000,00 e assim permanecesse esse valor sem amortização durante todo um exercício. Seguindo a metodologia adotada pelo Auditor Fiscal, como o saldo médio diário desse empréstimo seria dos mesmos R$ 100.000,00 iniciais, em todos os meses haveria a incidência do IOF sobre o montante de R$ 3.000.000,00 (30 dias x o saldo médio diário de R$ 100.000,00). Ora, se assim fosse o ditame da lei, estaria instituída não uma tributação sobre operação financeira mas sim uma prática ilegal de confisco, vedada em todos os princípios constitucionais tributários." É o relatório. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Da análise do processo constatase que a única questão controversa dos autos é a fórmula de cálculo na apuração do IOF devido. A recorrente nunca negou a existência dos contratos de mútuos, somente defende que a legislação não prevê o cálculo do IOF com base no somatório dos saldos devedores diários, que teria sido a forma aplicada no auto de infração. Todos os contratos de mútuos estão às fls. 12/37 do anexo I do presente processo. Sem exceção, todos os contratos são por prazo indeterminado do tipo conta corrente, ou seja, é especificado um valor máximo de recursos financeiros a serem liberados pelo mutuante à medida das necessidades dos mutuários, os quais não tem data limite para reembolso. Vejamos o que dispõe a legislação que trata da incidência do IOF Crédito. Lei nº 9.779/99: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Decreto nº 4.494/2002 (vigorou de dezembro/2002 até dezembro/2007 quando entrou em vigor o Decreto nº 6.306/2007): Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: (...) c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13). (...) Fl. 769DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 163 6 Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1º Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7º e 10 do art. 7º; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2º O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7º, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3º Considerase nova operação de crédito o financiamento de saldo devedor de contacorrente de depósito, correspondente a crédito concedido ao titular, quando a base de cálculo do IOF for apurada pelo somatório dos saldos devedores diários. § 4º A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei nº 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1º, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 58); Fl. 770DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 164 7 III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13) (...) Art. 5º São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: (...) III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13, § 2º). (...) Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: (destaquei) 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; Decreto nº 6.306/2007 (Vigorou a partir de Dezembro/2007): Art. 2o O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: (...) c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); (...) Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: Fl. 771DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 165 8 I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2o O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). (...) Art. 5o São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: (...) III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13, § 2º). (...) Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): Fl. 772DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10410.005143/200986 Acórdão n.º 3301002.864 S3C3T1 Fl. 166 9 I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação:(Destaquei) 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 6.339, de 2008). 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; (Redação dada pelo Decreto nº 6.691, de 2008). (...) Do disposto nas legislações acima citadas, temse que quando o mútuo de recursos financeiros, realizados entre pessoas jurídicas com pessoas jurídicas e físicas, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelos mutuários, caso dos autos, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. As alíquotas são variáveis entre 0,0041% a 0,0082%, conforme o período de apuração e a personalidade jurídica do mutuário. Portanto, trata se de disposição expressa de lei ou decreto, cuja aplicação não pode ser afastada em razão de alegação de inconstitucionalidades, como pretende o contribuinte ao alegar o caráter confiscatório decorrente da apuração do IOF com base no somatório dos saldos devedores diários. Neste sentido, vale lembrar as disposições da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, reputo correta a apuração efetuada pela fiscalização, e encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 773DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
