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Numero do processo: 10280.720113/2007-64
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. O recolhimento do tributo anterior à sua confissão na DCTF configura a denúncia espontânea. Não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, tendo em vista que ambas possuem caráter punitivo, ou seja, são aplicáveis em função de um comportamento ilícito do contribuinte. Significa dizer que a denúncia espontânea levaria ao afastamento da possibilidade da incidência da multa moratória, uma vez que a responsabilidade do sujeito passivo fica elidida, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ e da CSRF.
Numero da decisão: 1802-001.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. O recolhimento do tributo anterior à sua confissão na DCTF configura a denúncia espontânea. Não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, tendo em vista que ambas possuem caráter punitivo, ou seja, são aplicáveis em função de um comportamento ilícito do contribuinte. Significa dizer que a denúncia espontânea levaria ao afastamento da possibilidade da incidência da multa moratória, uma vez que a responsabilidade do sujeito passivo fica elidida, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ e da CSRF.
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RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. O recolhimento do tributo anterior à sua confissão na DCTF configura a denúncia espontânea. Não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, tendo em vista que ambas possuem caráter punitivo, ou seja, são aplicáveis em função de um comportamento ilícito do contribuinte. Significa dizer que a denúncia espontânea levaria ao afastamento da possibilidade da incidência da multa moratória, uma vez que a responsabilidade do sujeito passivo fica elidida, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ e da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720113/200764 Acórdão n.º 180201.126 S1TE02 Fl. 85 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720113/200764 Acórdão n.º 180201.126 S1TE02 Fl. 86 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (“DRJBEL”), que julgou improcedente Impugnação apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “AGROPALMA S/A, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 04.102.265/000151, teve contra si lavrado o Auto de Infração (fls 23/29) n° 1004453, referente a CSLL – emitido eletronicamente e onde foi apurado um crédito tributário total na ordem de R$ 25.998,35. Referido Auto de Infração teve como fatos geradores o terceiro e o quarto trimestre de 2004 e deveuse a recolhimento em atraso de tributo informado na DCTF. Tomando ciência e inconformada, a empresa apresentou impugnação (fls 1/12) em 27.04.2007, onde aduz em síntese que: Não procede a cobrança já que efetuou o recolhimento da diferença paga a menor, referente a CSLL/2004, declarado em DCTF, espontaneamente, após procedimento de auditoria interna. Ocorreu, assim, o instituto da denúncia espontânea. Demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer cancelamento do Auto.” Em sua decisão, a DRJBEL houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 0113.498, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. É cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo dê tributo. Lançamento Procedente.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final, que o recurso seja totalmente provido para conceder o benefício da denúncia espontânea ora pleiteado. É o relatório, passo a decidir. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720113/200764 Acórdão n.º 180201.126 S1TE02 Fl. 87 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. Inicialmente e conforme informações de fls. 123 e 127, destaco que não há nos autos prova efetiva da data do recebimento do acórdão recorrido, motivo pelo qual entendo que o protocolo do Recurso Voluntário foi tempestivo e, por se tratar de manifestação espontânea do contribuinte, fica suprido qualquer tipo de vício que pudesse existir no que tange à notificação da decisão atacada. Com efeito, o recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que após procedimento de auditoria interna verificou declaração e recolhimento a menor de CSLL. Dessa forma, sanou tais equívocos efetuando o recolhimento do tributo devido com os respectivos juros e daí procedeu à retificação da DCTF, de modo a caracterizar a formalização da denúncia espontânea. O artigo 138 do Código Tributário Nacional disciplina o instrumento da denúncia espontânea nos seguintes termos: “Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” No caso concreto a Recorrente efetuou o recolhimento do tributo computando o valor dos juros de mora devidos em 22 de julho de 2005 (DARFs de fls. 40 e 48), antes de declarálos nas respectivas DCTFs retificadoras em 29 de julho de 2005 (DCTFs de fls. 41/44 e 49/52), débitos esses que não constam das DCTFs originais (fls. 35/39, e 45/47). Dessa forma, o pagamento do tributo devido mais os juros de mora, acompanhados da denúncia espontânea antes de qualquer início de procedimento administrativo, exclui aplicação de multa moratória. Nesse sentido deve ser observado o precedente do E. Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA (CTN, ART. 138). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720113/200764 Acórdão n.º 180201.126 S1TE02 Fl. 88 5 MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRECEDENTE RESP 798.263. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESS RECURSAL. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. A 1ª a Seção do STJ, no julgamento do ERESP 435.835/SC, Rei. p/ o acórdão Min. José Delgado, sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador — sendo irrelevante, para fins de cômputo do prazo prescricional, a causa do indébito. Adotase o entendimento firmado pela Seção, com ressalva do ponto de vista pessoal, no sentido da subordinação do termo a quo do prazo ao universal princípio da actio nata (votovista proferido nos autos do ERESP 423.994/SC, 1 a Seção, Min. Peçanha Martins, sessão de 08.10.2003). 3. A jurisprudência assentada no STJ considera inexistir denúncia espontânea quando o 'pagamento se referir a tributo constante de prévia Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ou de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei. Considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência (= constitui) do crédito tributário, e, constituído, o crédito tributário, o seu recolhimento a destempo, ainda que pelo valor integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN (Precedentes da l a Seção: AGERESP 638069/SC, o Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 13.06.2005; AgRg nos EREsp 332.322/SC, l a Seção, Min. Teori Zavascki, DJ de 21/11/2005). 4. Entretanto, não tendo havido prévia declaração pelo contribuinte, configura denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo (Precedente: AgRg no Ag 600.847/PR, Ia Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 05/09/2005). 5. Recurso especial desprovido". (STJ, Resp 754273/RS, 1ª Turma, Min. Rel. Teori Albino Zavascki, D.J. 03/04/2006) (grifouse). Pois bem, a multa de mora é devida em razão do pagamento em atraso de tributo ou de contribuição pelo sujeito passivo. Na verdade, a multa tem a função de punir, sancionar o descumprimento de obrigações e deveres jurídicos. Já a correção monetária atualiza o poder de compra da moeda e os juros recompõem o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720113/200764 Acórdão n.º 180201.126 S1TE02 Fl. 89 6 A multa de mora, assim como a multa de ofício, ao contrário do que alega a autoridade administrativa, possui natureza jurídica de penalidade e não de compensação/indenização pelo atraso no pagamento. Não há qualquer distinção entre multa moratória e multa punitiva, tendo em vista que ambas possuem caráter punitivo, ou seja, são aplicáveis em função de um comportamento ilícito do contribuinte. Com efeito, a denúncia espontânea leva ao afastamento da possibilidade da incidência da multa moratória, uma vez que a responsabilidade do sujeito passivo fica elidida, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça entende pela exclusão da multa de mora nos casos de denúncia espontânea: “TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA – RESP 962.379/RS APRECIADO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC INAPLICABILIDADE COFINS DÉBITO RECOLHIDO COM JUROS DE MORA ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF CONFIGURAÇÃO. 1.O REsp 962.379/RS, caso líder na sistemática prevista no art. 543 –C do CPC, é inaplicável às hipóteses em que se questiona a configuração da denúncia espontânea pelo pagamento a destempo, mas antes da entrega da DCTF, pois naquela oportunidade a Primeira Seção afastou a existência de denúncia espontânea a partir de outro enfoque, ou seja, considerando que houve declaração e o tributo não foi pago no vencimento. 2. Inexistindo prévia declaração e ocorrendo o pagamento integral da dívida com os juros de mora, configurada está configurada a denúncia espontânea, devendo ser excluída a sanção pela infração tributária: a multa, moratória ou punitiva. Precedentes. 3. Recurso especial não provido." (STJ, REsp n. 1.094.945, Segunda Turma, Min. Rel. Eliana Calmon, DJe 26/02/2009). “DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento dos recursos repetitivos REsp n. 962.379 e REsp 886.462, reafirmou o entendimento já assentado pela Corte no sentido de que não existe denúncia espontânea quando o pagamento se referir a tributos já noticiados pelo contribuinte por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS — GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei e pagos a destempo. Considerase que, nessas hipóteses, a simples declaração é apta a constituir o crédito tributário, sendo desnecessário, para tanto, o lançamento, de modo que, constituído o crédito tributário, o seu recolhimento a destempo, ainda que pelo valor integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720113/200764 Acórdão n.º 180201.126 S1TE02 Fl. 90 7 2. Contudo, in casu, o acórdão recorrido, com fundamento na prova dos autos, concluiu pela configuração da denúncia espontânea, porquanto não vislumbrou indício algum de que "realmente tenha havido declaração dos tributos anteriormente ao pagamento" ou de que o débito fora objeto de parcelamento. 3. Conclusão baseada em premissa fática cuja revisão é vedada a esta Corte por força do óbice da Súmula 7/STJ. 4. Assim, não havendo comprovação da ocorrência de parcelamento ou prévia declaração pelo contribuinte, configura se a denúncia espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, em razão da confissão da dívida acompanhada de seu pagamento integral ter ocorrido em momento anterior a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. 5. No que tange à natureza da multa cujo perdão está previsto no artigo 138 do CTN, a jurisprudência desta Corte já assentou que, não havendo, no dispositivo legal, nenhuma distinção entre multa punitiva e moratória, ambas devem ser excluídas quando do reconhecimento da denúncia espontânea. Precedentes. 6. Recurso especial nãoprovido." (STJ, REsp 1062139/PR, Primeira Turma, Min. Rel. Benedito Gonçalves, DJe 19/11/2008) (grifouse). Com o devido respeito ao entendimento firmado em primeira instância, assiste razão à Recorrente em pleitear o benefício da denúncia espontânea, com o afastamento da multa moratória. É certo também que esse entendimento do STJ era o mesmo que vinha sendo aplicado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a saber: “MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, antes de qualquer procedimento de fiscalização e da declaração do contribuinte, exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa compensatória.” (CSRF – 1ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão n. 910100.499, Data de decisão: 25/01/2010). “TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF , de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual ocorre no caso em tela. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10280.720113/200764 Acórdão n.º 180201.126 S1TE02 Fl. 91 8 Precedentes da CSRF e do Egrégio STJ.” (CSRF, 2ª. Turma da 2ª Câmara, Acórdão n. 920200.257, Data de decisão: 22/09/2009). Por fim, corroborando esse posicionamento, temos o Parecer PGFN/CRJ/No. 2113/2011, que permitiu à PGFN não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à questão da denúncia espontânea, senão vejamos: “Denúncia Espontânea. Exclusão da multa moratória. Inexistência de distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do Código Tributário Nacional” Assim, tanto o STJ, como a CSRF, quanto a própria PGFN são favoráveis à aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso em tela. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reformandose totalmente a r. decisão combatida. Marco Antonio Nunes Castilho (documento assinado digitalmente) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 15 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000654/2005-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000, 2001
DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO LUCRO
INFLACIONÁRIO DIFERIDO, NÃO OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO.
O prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização, ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula no.10 do CARF).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano calendário: 2000, 2001
LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. TRIBUTAÇÃO A PARTIR DE 1996.
A legislação de regência determina que, a partir de ano-calendário 1996, seja oferecido à tributação ao menos o percentual de 10% ao ano - realização mínima - do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1995.
Numero da decisão: 1801-000.388
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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COMÉRCIO E INDUSTRIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO, NÃO OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO. O prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização, ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula no.10 do CARF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. TRIBUTAÇÃO A PARTIR DE 1996. A legislação de regência determina que, a partir de ano-calendário 1996, seja oferecido à tributação ao menos o percentual de 10% ao ano - realização mínima - do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 254DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 09/11/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de auto de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, que constituiu o crédito tributário no valor total de R$ 431.198,11, incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, (fl. 91 a 99), tendo em conta as seguintes irregularidades, apuradas nos anos-calendário 2000 e 2001 e assim descritas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração – fl. 93: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO - REALIZAÇÃO MÍNIMA Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Emitiu-se Termo de Intimação em 05/11/2004, para esclarecimento pelo contribuinte das divergências apuradas, que em 22/11/2004 foi devolvido pelo Correio com a anotação de "MUDOU-SE", apesar de ter sido encaminhado para o endereço constante no cadastro da Secretaria da Receita Federal, documentos às folhas 80 e 85. Sendo assim, em 22/12/2004, afixou-se o Edital de Intimação , notificando o contribuinte para comparecer na Delegacia da Receita Federal em Uberlândia/MG, para fins de cientificar-se do Termo de Intimação de Revisão DIPJ, tendo sido desafixado em 11/03/2005 e ainda em 27/12/2004, encaminhou-se cópia do referido Termo de Intimação para o sócio-gerente, Sr. James Dominic Cleary,que teve a ciência em 31/12/2004, documentos às folhas 89 a 90, e nenhum esclarecimento apresentou, em conseqüência lavrou-se o presente auto de infração. Às fls. 03 a 79 encontram-se acostadas cópias das DIPJ e às fls. 100 a 103 telas do sistema SAPLI. Foi encaminhada cópia do auto de infração ao domicilio da empresa mas o A.R. retornou com a informação “mudou-se”, como se verifica à fl. 105. Providenciou-se, então, a afixação do Edital no. 012/2005 (fl. 108) – afixado em 15/04/2005 e desafixado em 02/05/2005 - com a finalidade de cientificar a interessada da exigência fiscal. Também foi Fl. 255DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10675.000654/2005-77 Acórdão n.º 1801-00.388 S1-TE01 Fl. 239 3 encaminhada cópia da autuação ao endereço do sócio, conforme A.R. à fl. 108, verso, recebido em 25/04/2005. Em 17/05/2005 foi protocolizada a impugnação de fls. 110 a 140. Em suas razões de defesa a empresa, por intermédio de procurador, esclarece que já há tempos vinha adotando o procedimento de compensar o lucro inflacionário devido com prejuízos fiscais apurados, o que fora feito nos anos-calendário 1995 e 1996, e que tal procedimento havia gerado autos de infração, todos julgados procedentes, cujos processos atualmente encontravam- se arquivados. Em preliminares alega a decadência do direito do Fisco em formalizar o presente lançamento de ofício, posto que o lucro inflacionário teria tido origem na declaração do IRPJ do ano-calendário 1995, e a regra de contagem a ser aplicável seria aquela do artigo 150, parágrafo 4 o . do Código Tributário Nacional. Invoca a nulidade do auto de infração pois teria havido cerceamento de direito de defesa da contribuinte, já que, em 31/10/2002, teria protocolizado petição junto à repartição de origem na qual consignou que todas as intimações destinadas à empresa deveriam ser encaminhadas ao escritório de seu representante legal, o que não ocorreu neste caso. Ainda em preliminares defende a nulidade do auto de infração por ofensa aos princípios da legalidade estrita, da proporcionalidade, da eficiência e do devido processo legal. No mérito argüiu que o lucro inflacionário não é renda tributável pois não corresponderia a um acréscimo patrimonial, mas apenas simples aumento nominal da expressão monetária do patrimônio da empresa. Contestou a aplicação da taxa Selic, dado seu caráter ilegal e inconstitucional. Ao final pugnou pela decretação de nulidade da autuação ou pelo reconhecimento de sua total improcedência. Pelo Acórdão no. 09-18.746, de 18/02/2008 (fls. 159 a 168), a 2 a . Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora /MG julgou o lançamento procedente. A autoridade, em preliminares, afastou a decadência e as argüições de nulidade e, no mérito, consignou que o presente lançamento trata de tributação de uma parcela de lucro, cujo diferimento foi possibilitado pelo legislador ordinário, para um momento mais adequado, quando fosse verificado um ganho pela recuperação do custo do ativo, face à amortização e/ou depreciação, não onerando as empresa que apresentassem ganho inflacionário. Foi encaminhada cópia da decisão para ciência da interessada no endereço de seu domicílio fiscal. O A.R, entretanto, retornou com a rubrica “mudou-se” (fls. 171 e verso). Também foi providenciada a intimação do sócio, cujo A.R foi recepcionado em 13/06/2008, conforme cópia à fl. 172, verso. Irresignada, a empresa, por intermédio de procurador, apresentou, em 09/07/2008 o Recurso Voluntário de fls. 174 a 212, no qual reproduz os mesmos argumentos de defesa deduzidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE Com relação à invocada decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributário relativo ao lucro inflacionário, de que tratam os presentes autos, cumpre consignar que este Colegiado já se posicionou de forma reiterada sobre o assunto, tendo sido, inclusive, proferida a Súmula no. 10 do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que se transcreve: Súmula 10 do CARF. O prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização, ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. No caso sob análise os períodos de apuração em que, nos termos da legislação, deveria haver realização do Lucro Inflacionário pelo sujeito passivo, ainda que ao percentual mínimo de 10% (dez por cento), se referem aos anos-calendário 2000 e 2001. Tendo em conta que nesses períodos a recorrente optou pela apuração dos seus resultados de acordo com as regras do Lucro Real anual, o lucro inflacionário deveria ter sido apurado ao final de cada um dos períodos de apuração, ou seja, em 31/12/2000 e 31/12/2001, época do levantamento de balanços, das demonstrações financeiras e da apuração definitiva do IRPJ. De acordo com o entendimento deste órgão, in casu, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo ao lucro inflacionário é de 5 (cinco) anos e deve ser contado a partir de 31/12 (data do fato gerador) de cada ano-calendário em relação ao qual o lucro inflacionário deveria ter sido realizado (ainda que em percentuais mínimos). Assim, em relação ao ano-calendário 2000, o prazo venceria em 31/12/2005 e, em relação ao ano- calendário 2001, o prazo decadencial se esgotaria em 31/12/2006, verificando-se que não se operou a decadência em relação ao lançamento cientificado à recorrente em 02/05/2005, data da desafixação do Edital. Afasto, também, as argüições de nulidade do procedimento por cerceamento de direito de defesa e por ofensa aos princípios constitucionais e de direito tributário. A recorrente deseja ver reconhecida nulidade que ela mesma pretendeu dar causa, já que as intimações foram enviadas ao seu domicílio fiscal cadastrado junto à SRF. O Decreto no. 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal determina que as intimações sejam feitas pessoalmente ou por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (art. 23, II), não havendo previsão legal que permita que as intimações sejam encaminhadas ao escritório de procurador. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10675.000654/2005-77 Acórdão n.º 1801-00.388 S1-TE01 Fl. 240 5 Quanto ao mérito cumpre consignar que, por conseqüência direta da inexistência da correção montaria de balanço, a partir do ano-calendário 1996 deixou de haver cálculo de lucro inflacionário novo – lucro inflacionário do próprio período de apuração, passando, a tributação, em períodos posteriores a 31/12/1995, a alcançar as realizações por conta do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1995. A Lei no. 9.065, de 20 de junho de 1995 e a IN SRF no. 51, de 31 de outubro de 1995 já haviam alterado a sistemática determinada pela Lei no. 7.799, de 10 de julho de 1989, levando à realização total deste lucro no prazo máximo de 10 anos. Vejamos as disposições contidas nos mencionados dispositivos legais: Lei no. 9.065, de 20 de junho de 1995: Art. 6º A pessoa jurídica deverá considerar realizado em cada ano-calendário, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário, quando o valor, assim determinado, resultar superior ao apurado na forma do § 1º do art. 5º Parágrafo único. A realização de que trata este artigo aplica-se, inclusive, ao valor do lucro inflacionário apurado no próprio ano-calendário. Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá considerar realizado mensalmente, no mínimo, 1/120 do lucro inflacionário, corrigido monetariamente, apurado em cada ano-calendário anterior. Parágrafo único. A parcela realizada na forma deste artigo integrará a base de cálculo do imposto de renda devido mensalmente. IN/SRF no. 51, de 31 de outubro de 1995: Art. 51. Em cada ano-calendário considerar-se-á realizada parte do lucro inflacionário proporcional ao valor, realizado no mesmo período, dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária. Parágrafo Único. O lucro inflacionário realizado em cada ano- calendário será calculado de acordo com as seguintes regras: ... omissis.... Art. 52. A pessoa jurídica deverá considerar realizado em cada ano-calendário, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário, quando o valor, assim determinado, resultar superior ao apurado na forma do parágrafo único do art. 51. Parágrafo Único. A realização de que trata este artigo aplica-se inclusive ao valor do lucro inflacionário apurado no próprio ano-calendário. Posteriormente, o artigo 7 o . da Lei no. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, veio dispor que o saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de Fl. 258DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 1995, corrigido monetariamente até essa data, deveria ser realizado de acordo com as regras da legislação então vigente: Lei no. 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 7º O saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, será realizado de acordo com as regras da legislação então vigente. § 1º Para fins do cálculo do lucro inflacionário realizado nos períodos-base posteriores, os valores dos ativos que estavam sujeitos a correção monetária, existentes em 31 de dezembro de 1995, deverão ser registrados destacadamente na contabilidade da pessoa jurídica. § 2º O disposto no parágrafo único do art. 6º aplica-se à correção dos valores de que trata este artigo. § 3º À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, com base no parágrafo único do art. 6º, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento. § 4º A opção de que trata o parágrafo anterior, que deverá ser feita até 31 de dezembro de 1996, será irretratável e manifestada através do pagamento do Imposto em cota única, podendo alcançar também o saldo do lucro inflacionário a realizar relativo à opção prevista no art. 31 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. § 5º O imposto de que trata o § 3º será considerado como de tributação exclusiva. A legislação então vigente nessa matéria era a Lei no. 9.065, de 1995, cujos artigos 6 o . e 8 o , acima transcritos, disciplinaram as formas de realização do lucro inflacionário, alterando as normas anteriores até então espelhadas na Lei no. 7.789, de 1989. Assim, a partir de 01/01/1996, o percentual de realização, mínimo ou efetivo, deveria ser aplicado sempre sobre o valor diferido em cada ano, de forma que ocorresse a realização total do lucro diferido, no prazo máximo de 10 anos, mas deveria incidir sobre o valor do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 e não sobre o saldo remanescente após as realizações a partir de 1996. A recorrente foi autuada por não efetuar a realização mínima e não ofereceu justificativas plausíveis para o não oferecimento à tributação das parcelas devidas do saldo do lucro inflacionário. Ao contrário, admitiu ter adotado a prática de não oferecer à tributação, em períodos posteriores, o saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1995, o que levou à formalização de outros autos de infração para exigência dos valores devidos, os quais, segundo informou, foram julgados procedentes, encontrando-se, atualmente, em arquivo. As discussões a respeito da natureza jurídica do lucro inflacionário não encontram guarida nesta esfera de julgamento, com o objetivo de se pretender venha este Colegiado negar validade e aplicação a comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico nacional. As discussões a respeito de legalidade e inconstitucionalidade de leis Fl. 259DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10675.000654/2005-77 Acórdão n.º 1801-00.388 S1-TE01 Fl. 241 7 devem ser submetidas ao crivo do poder judiciário. Nesse sentido já se pacificou o entendimento deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF no. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao protesto da defesa quanto à cobrança de juros calculados com base na taxa Selic, da mesma forma a percepção deste Colegiado já se encontra pacificada, nos seguintes termos: Súmula CARF no. 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELI para títulos federais. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 9 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) ________________________ Maria de Lourdes Ramirez Relatora Fl. 260DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 Fl. 261DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 19515.720078/2014-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 07 8/ 20 14 -8 6 Fl. 4652DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 4.653 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1148/1201) interposto em face do Acórdão nº. 1658.202 (fls. 1117/1141), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009, 01/11/2009 a 30/11/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010, 01/11/2010 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA INDEVIDA. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. GFIP. COMPETÊNCIA EM QUE OCORREU PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR QUE O DEVIDO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. PRÉREQUISITO À COMPENSAÇÃO. Uma vez que a GFIP constitui instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, é necessária a retificação das declarações referentes às competências em que ocorreram os pagamentos indevidos para que reflitam a origem do direito creditório que o contribuinte alega ter. Extraise do conjunto normativo que trata da compensação das contribuições previdenciárias que sua viabilidade depende da prévia retificação das GFIP das competências em que ocorreram os pagamentos indevidos ou maiores que os devidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009, 01/11/2009 a 30/11/2009, 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010, 01/11/2010 a 31/12/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, confirmada por meio de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Por força do disposto na legislação tributária, somente serão declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das anteriormente citadas não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Fl. 4653DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.654 3 PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532/97, determina que as intimações sejam feitas por via postal ou por qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Inexistindo previsão legal para intimação em endereço diverso, indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores. O presente processo originase de Auto de Infração (DEBCAD nº. 51.011.007 0) concernente às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social em razão da glosa de compensações indevidamente efetuadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) das competências 01/2009, 02/2009, 03/2009, 11/2009, 01/2010, 07/2010, 11/2010 e 12/2010. O crédito tributário foi consolidado em 20/01/2014 no valor de R$ 42.585.885,89 (quarenta e dois milhões, quinhentos e oitenta e cinco mil, oitocentos e oitenta e cinco reais e oitenta e nove centavos) e cientificado ao sujeito passivo em 24/01/2014 (fls. 504, 568 e 572). Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 552/568), foram apontados os seguintes fatos, como bem descritos pela decisão de piso, que reproduzimos: 2.1. A análise das compensações das contribuições previdenciárias tratadas no auto de infração decorre de resposta à Intimação n° 83/2011, efetuada pelo Serviço de Acompanhamento de Maiores Contribuintes SEMAC, a partir da qual a empresa informou que as compensações tinham origem em créditos surgidos a partir de rubricas, pagas aos empregados da empresa, sobre as quais não deveria incidir a referida exação. 2.2. Referida Autoridade emitiu, em 03/10/2012, Termo de Intimação Fiscal por meio do qual solicitou os seguintes documentos e esclarecimentos: Memória de Cálculo detalhada da origem dos valores (originários e atualizados) compensados nas GFIPs do período de 2009 e 2010, dispostos mensalmente, por estabelecimento, por segurado, por rubrica; resumo das folhas de pagamento dos períodos de origem dos créditos compensados; esclarecimentos quanto a eventual propositura de medida judicial que ampare as compensações efetuadas. O AuditorFiscal solicitou, igualmente, que os documentos comprobatórios dos valores que compõem as compensações efetuadas ficassem à disposição para eventual análise. 2.2.1. Consta do relatório fiscal a informação de que a empresa respondeu à intimação (22/10/2012 – fls. 34), na qual afirma ter apresentado Memória de Cálculo da origem dos valores compensados nas GFIPs e resumos das folhas de pagamento, esclarecendo que não possuía ação judicial que amparasse as compensações. Fl. 4654DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.655 4 2.3. O contribuinte foi novamente intimado em 23/10/2013 (fls. 481/482) para esclarecer se efetuou a retificação das GFIPs referentes aos períodos em que foram apurados os supostos créditos compensados. Na resposta (fls. 485/487) datada de 30/10/2013, a empresa informou que não retificou as GFIPs das competências em que apurou créditos vez que não haveria previsão legal para a referida retificação, haja vista o art. 56 da IN 1.300/12, bem como haveria impossibilidade técnica no programa gerador das declarações. Acrescentou que os valores utilizados em compensação são exclusivamente aqueles pagos indevidamente pela empresa, não havendo qualquer aproveitamento dos valores recolhidos em favor dos empregados a seus serviços. 2.4. A Autoridade Fiscal lavrou Termo de Ciência, Constatação e Intimação Fiscal em 08/11/2013 (fls. 488/491), no qual solicitou que a fiscalizada comprovasse que os valores que originaram as compensações foram submetidos, em época própria, à incidência da referida contribuição, assim como apresentar documentação hábil e idônea, que dê suporte sobre cada rubrica, segregada por segurado, que deu origem aos supostos créditos de contribuição previdenciária. 2.4.1. Em sua resposta (28/11/2013 – fls. 493/503), a empresa informou que os valores compensados em 2009 e 2010 são referentes às seguintes rubricas do período de 01/2004 a 10/2010 reconhecidas como de natureza indenizatória pela doutrina e jurisprudência: Auxílio Doença; Auxílio Acidente; Auxílio Creche; Auxílio Funeral; Reembolso Quilometragem; Aviso Prévio; Férias Indenizadas Médias; Férias Indenizadas 1/3 médias; Férias proporcionais 1/3 indenizado; Dif. Férias 1/3; Férias 1/3; 1/3 média férias no mês; Dif. 1/3 férias no mês; Ajuda Cesta Básica; Ajuda Especial; Ajuda aluguel; Ajuda educação; Ajuda escolar; Ajuda bolsa de estudos; Ajuda material escolar; Ajuda de custo; Auxílio Filho Excepcional; Ajuda tratamento ortodôntico; Prêmio; Prêmio Segurança do Trabalho; Aviso Prévio Indenizado; Prêmio Antiguidade e Abono único. 2.4.2. Para comprovar que os valores que originaram as compensações foram submetidos à incidência da contribuição em época própria, a empresa apresentou planilhas onde constavam nome da firma, nome do empregado, descrição da verba, data do pagamento e montante pago, tendo a fiscalização constatado, com base na folha de pagamento apresentada pela empresa, que os valores das rubricas que ensejaram os supostos créditos foram declarados em GFIP. 2.5. Por fim, concluiu a Autoridade Fiscal que constitui Fato Gerador da obrigação principal a compensação das verbas referentes à Auxílio Doença, Auxílio Acidente, Auxílio Funeral, Ajuda Creche, Reembolso Quilometragem, Aviso Prévio, Aviso Prévio Indenizado, Adicional de 1/3 (um terço) de férias, Férias Indenizadas, Prêmio, Prêmio Antiguidade, Prêmio Segurança do Trabalho e Abono Único, conforme as seguintes justificativas: 2.5.1. A verba intitulada pela empresa como Auxílio Doença, assim entendido como o pagamento do salário referente aos primeiros 15 dias de afastamento do segurado que ficar incapacitado para o seu trabalho por motivo de doença, integra o salário de contribuição dos Fl. 4655DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.656 5 segurados empregados em decorrência da regra geral constante do art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, inexistindo previsão de sua exclusão no rol taxativo constante do § 9º do mesmo artigo. 2.5.2. Em relação ao Aviso Prévio Indenizado, ressalta que, com a publicação do Decreto nº 6.727/09 (DOU de 13/01/2009), foi revogado o art. 214, §9°, inciso V, alínea “t”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Com isso, não havendo mais a citada regra de exclusão, a Instrução Normativa (IN) SRP nº 20/2007 firmou entendimento de que a cobrança do aviso prévio indenizado seria devida. 2.5.3. Para que o AuxílioCreche não integre o salário de contribuição dos segurados, fazse necessária a comprovação do cumprimento dos requisitos previstos na CLT, bem como das convenções coletivas firmadas entre a empresa e os representantes da categoria, conforme prevê o art. 28, § 9º, alínea “s”, da Lei nº 8.212/91 combinado com o art. 389, §§ 1º e 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), fato que não restou comprovado pela empresa. 2.5.4. O Reembolso de Quilometragem não integra o salário de contribuição desde que comprovadas as despesas incorridas pelo funcionário. Na forma como foi demonstrado pela empresa, não há como aferir com clareza se tais despesas se referem de fato aos valores gastos com veículos de funcionários ou se na realidade são verbas que integralizaram o salário destes funcionários. 2.5.5. No que diz respeito às Férias e ao Terço de Férias, tratamse de verbas salariais que integram a remuneração do funcionário, não havendo exceções previstas no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 que embase as alegações da empresa. 2.5.6. Com relação à rubrica AuxílioFuneral, a empresa foi intimada a prestar os devidos esclarecimentos, fornecer comprovantes e/ou documentos que autorizassem o tratamento de referida verba como reembolso de despesa ou indenizatória em virtude do falecimento de seus funcionários. No entanto, durante o prazo da fiscalização, a empresa apenas informou que se trata de cláusula prevista em Convenção Coletiva, segundo a qual é direito do funcionário o reembolso de despesas referentes aos funerais, sem trazer nenhuma comprovação que permitisse identificar as características e validade dos valores compensados. 2.5.7. Quanto às rubricas Prêmio, Prêmio Antiguidade e Prêmio Segurança do Trabalho, em razão da regra geral disposta no art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, essas verbas devem integrar o salário base para incidência da contribuição previdenciária, inexistindo excludente prevista no §9° do mesmo dispositivo que justificasse o entendimento da fiscalizada de que as contribuições recolhidas sobre esses pagamentos seriam indevidos. 2.5.8. Por fim, quanto ao Abono Único, esclarece a Autoridade Autuante que o Parecer PGFN/CRJ/N° 2114/2011 dispensa a apresentação de contestação, a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos em relação às demandas/decisões judiciais que fixam entendimento de que a contribuição previdenciária Fl. 4656DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.657 6 não incide sobre os valores pagos pelo empregador aos seus empregados a título de abono único concedido por meio da Convenção Coletiva de Trabalho, conforme previsão do art. 28, §9°, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91. No entanto, os valores compensados referentes a tal rubrica foram lançados neste auto de infração porque a empresa não corrigiu as GFIPs dos períodos em que tais valores foram base de incidência de contribuição previdenciária. 2.6. Para o levantamento da base de cálculo das contribuições, foram utilizados os valores declarados nas GFIPs do período de 2009 e 2010. Foi aplicada a multa de mora conforme art. 35 da Lei n° 8.212/91, prevista no caput e §2° do art. 61 da Lei nº 9.430/96: 0,33% por dia de atraso, limitada a 20% do valor compensado indevidamente. 2.7. Relembra o AuditorFiscal que a GFIP é instrumento de confissão de dívida, o que permite a inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União caso não ocorra o pagamento no prazo. Assim, para exercer seu direito de efetuar restituição e compensação de contribuição previdenciária, deve seguir o que preceitua o art. 89 da Lei nº 8.212/91. Um dos requisitos necessários para que seja homologada a compensação é a retificação da GFIP do período em que os valores da contribuição previdenciária foram recolhidos a maior, conforme disposto na Portaria MPS n° 133/06 (DOU de 03/05/2006). 2.8. Acrescenta que as informações prestadas na GFIP alimentam o banco de dados da Previdência Social, o qual tem a função precípua de manter fidedignamente todos os dados dos segurados da Previdência Social – incluindo os valores recolhidos à Previdência –para fins de concessão dos benefícios. 2.8.1. Com isso, sobrevém a necessidade de retificação das GFIPs dos períodos que supostamente deram origem aos créditos para se evitar um descompasso entre o que efetivamente a empresa contribuiu para a Previdência Social e o que o segurado terá, futuramente, de benefício. Ou seja, homologandose a compensação dos valores pagos a maior, sem a devida correção da GFIP referente à origem dos créditos, a empresa se beneficiará com a compensação e o segurado também se beneficiará com o valor de salário de contribuição informado a maior no banco de dados da Previdência Social. 2.8.2. Nesse sentido, independentemente da natureza do crédito referente ao recolhimento indevido, que foi posteriormente compensado pela empresa, não há margem para a fiscalização permitir a compensação de valores que não foram corrigidos pela própria empresa no documento que alimenta o banco de dados da Previdência Social (GFIP). 2.9. Pelos motivos exposto, a Autoridade Fiscal conclui pela impossibilidade da totalidade da compensação efetivada pela empresa, razão pela qual todos os valores compensados foram lançados neste Auto de Infração. Fl. 4657DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.658 7 Apresentada a impugnação de fls. 596/649, que resultou no acórdão cuja ementa foi acima reproduzida. Intimada eletronicamente da referida decisão em 26/06/2014, apresentou tempestivamente o recurso voluntário (fls. 1148/1201) em 07/07/2014, alegando, em síntese: a) precariedade da ação fiscal e ilegal inversão do ônus do prova, por não ter a Autoridade Fiscal realizado a devida análise dos créditos utilizados pela recorrente nas compensações glosadas, sem analisar documentos e demonstrativos elaborados; a.1) verificada a ilegal inversão do ônus da prova, por ter sido realizada a glosa sem a devida análise dos créditos da recorrente, não se entendendo pela integral rejeição da acusação, deveria ser realizada diligência fiscal nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto 70.235/72; b) nulidade do auto de infração, por vício material, ante a falta de motivação e fundamentação do lançamento, ao passo que, em que pese terem sido glosadas todas as compensações e que se referem a 28 (vinte e oito) verbas que entende a recorrente sobre as quais não deveria incidir a contribuição previdenciária, o lançamento fiscal fundamenta as suas razões de glosa somente sobre 12 (doze) destas; c) nulidade do auto de infração em face de ausência de intimação, no curso da fiscalização, para apresentação da documentação necessária para apuração do crédito relativos ao reembolso quilometragem e auxílio funeral. Segundo a recorrente, embora a Autoridade Fiscal tenha afirmado que sobre tais verbas não incide a contribuição previdenciária, afirmou que a documentação apresentada pela recorrente não foi suficiente para amparar o crédito pretendido, porém, em momento algum do procedimento fiscalizatório foi intimada para tal; d) da inexistência do dever instrumental de retificar as GFIPs, sendo que é a existência ou não dos créditos utilizados na compensação que deve ser analisada, e) informa que foram apresentadas planilhas de cálculos relativos a todos os créditos utilizados nas compensações realizadas, e que não foram analisados e rebatidos pela Autoridade Fiscal; f) defende o caráter indenizatório de cada uma das verbas sobre a qual entende não deveria incidir a contribuição previdenciária e, por isso, originaram os créditos utilizados nas compensações glosadas, quais sejam: Auxílio Doença; Auxílio Acidente; Auxílio Creche; Auxílio Funeral; Reembolso Quilometragem; Aviso Prévio; Férias Indenizadas Médias; Férias Indenizadas 1/3 médias; Férias proporcionais 1/3 indenizado; Dif. Férias 1/3; Férias 1/3; 1/3 média férias no mês; Dif. 1/3 férias no mês; Ajuda Cesta Básica; Ajuda Especial; Ajuda aluguel; Ajuda educação; Ajuda escolar; Ajuda bolsa de estudos; Ajuda material escolar; Ajuda de custo; Auxílio Filho Excepcional; Ajuda tratamento ortodôntico; Prêmio; Prêmio Segurança do Trabalho; Aviso Prévio Indenizado; Prêmio Antiguidade e Abono único É o relatório. Fl. 4658DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.659 8 VOTO VENCIDO Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Preliminar de diligência Apesar de restar vencido, não vislumbro qualquer dúvida a ensejar uma baixa em diligência, como foi o entendimento da maioria do Colegiado, eis que a acusação fiscal e os documentos que instruem os autos são suficientes para convicção deste Relator quanto ao exame do procedimento fiscal que culminou com a glosa sobre os créditos apurados pelo contribuinte. Não sendo possível, nessa ocasião, adentrarse ao julgamento do mérito do recurso voluntário, resta esperar o retorno dos autos após o cumprimento da Resolução nos termos e fundamentos do voto vencedor do Conselheiro Cleberson Alex Friess, a seguir consignado. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 4659DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.660 9 VOTO VENCEDOR Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, que dava provimento parcial ao recurso voluntário. De acordo com o relatório, o lançamento fiscal referese à glosa das compensações realizadas pelo sujeito passivo, apoiada em 2 (dois) fundamentos: (i) falta de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); e (ii) natureza das verbas que compõe o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo. Quanto à necessidade de retificação da GFIP, em cognição superficial e, portanto, não exauriente, o ponto de vista pessoal é no sentido de que a ausência de correção do documento fiscal, por competência, relativamente ao período em que os valores da contribuição previdenciária foram recolhidos a maior, é circunstância que autoriza a glosa da compensação pela autoridade tributária. Nesse estágio processual, contudo, não cabe aprofundar a justificação sobre tal matéria de fundo. Mesmo que a falta de retificação da GFIP, a qual, reforço, é um fato incontroverso nos autos, tenha o condão de acarretar, por si só, a manutenção da glosa de compensação efetuada pelo agente fiscal, há um aspecto fundamental que prejudica o julgamento imediato do recurso voluntário. Segundo o apelo recursal, o direito creditório pleiteado é composto por recolhimentos a título de 28 (vinte e oito) verbas de natureza indenizatória (ou ressarcitória) distintas sobre as quais percebeu a empresa que não deveria incidir a contribuição previdenciária, tendo a autoridade lançadora procedido à glosa do valor integral das compensações efetuadas mês a mês pelo contribuinte. Em que pese tais fatos, o lançamento fiscal fundamentou as razões para a glosa das compensações tão somente em 12 (doze) dessas parcelas. Ao compulsar os autos, verifico que a questão preliminar suscitada pela recorrente é pertinente ao deslinde do julgamento. No início dos trabalhos, como resposta à Intimação SEMAC nº 83/2011, a empresa fiscalizada declarou que a origem dos créditos compensados abarcava diversas verbas trabalhistas, cuja natureza não era salarial, dentre elas a parcela identificada genericamente como "Ajuda de Custo" (fls. 12). Posteriormente, no curso do procedimento fiscal, em atendimento à intimação do agente fazendário, a pessoa jurídica informou a utilização de diversas rubricas nas compensações, no total de 28, com o fim de respaldo do direito creditório. Fl. 4660DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.661 10 A seu turno, a fiscalização constatou, a partir do exame da folha de pagamento apresentada, que os valores das rubricas que ensejaram os supostos créditos foram declarados em GFIP. Para melhor avaliação da acusação fiscal, copio os itens 14 a 16 do Relatório Fiscal (fls. 557): Porém, logo na sequência da acusação fiscal, sem um passo intermediário com o fim explicativo, a autoridade lançadora fundamenta a constituição do crédito tributário na compensação de apenas 13 (treze) verbas elencadas antes, conforme item 17 do Relatório Fiscal (fls. 558): Com efeito, a situação reproduzida acima implica dúvida deste julgador quanto à própria delimitação das razões do lançamento fiscal, no que tange à natureza das verbas pagas/creditadas aos segurados empregados pela empresa, em relação às quais restou configurada a discórdia a respeito da incidência da contribuição previdenciária. Fl. 4661DF CARF MF Processo nº 19515.720078/201486 Resolução nº 2401000.611 S2C4T1 Fl. 4.662 11 Dessa feita, com propósito de trazer aos autos elementos adicionais de convencimento ao julgador, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade lançadora esclareça, de maneira fundamentada, os seguintes pontos obscuros: (i) a glosa efetuada no auto de infração abrangeu a integralidade das compensações realizadas pela empresa nas respectivas competências declaradas em GFIP? (ii) o direito creditório aproveitado pela empresa é composto de quais verbas pagas/creditadas aos segurados empregados declaradas em GFIP no período de 2009 a 2010: as 28 verbas (vinte e oito) enumeradas no item 14 do Relatório Fiscal ou somente as 13 rubricas (treze) descritas no item 17 e segs. do Relatório Fiscal? e (iii) Caso as compensações efetuadas pela empresa em GFIP, no período de 2009 a 2010, tenham incluído rubricas distintas daquelas expressamente discriminadas no item 17 do Relatório Fiscal, a autoridade tributária deverá confeccionar planilha/quadro com detalhamento, por competência lançada, do montante que corresponde exclusivamente às verbas denominadas "auxílio doença", "auxílio acidente", "auxílio funeral', "ajuda creche", "reembolso quilometragem", "aviso prévio", "aviso prévio indenizado", "adicional de 1/3 (um terço) de férias", "férias indenizadas", "prêmio", "prêmio antiguidade", "prêmio segurança do trabalho" e "abono único". Após o pronunciamento do Fisco, deverá ser oportunizado o contraditório à empresa recorrente, concedendolhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 4662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720736/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010, 2011
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.)
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. QUESTÃO DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR DEVIDO POR SUB-ROGAÇÃO AO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf 01.)
SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA.
Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o Senar tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior.
AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR.
A exigência da contribuição ao Senar, com base no instituto da substituição tributária, dá-se com fulcro no art. 3º, § 3º, da Lei n. 8.315/91.
Numero da decisão: 2301-005.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer da questão atinente ao controle repressivo de constitucionalidade, (b) rejeitar o pedido de perícia e a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e (c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2010, 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. QUESTÃO DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR DEVIDO POR SUBROGAÇÃO AO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf 01.) SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA. Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o Senar tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 07 36 /2 01 3- 52 Fl. 2573DF CARF MF 2 AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. A exigência da contribuição ao Senar, com base no instituto da substituição tributária, dáse com fulcro no art. 3º, § 3º, da Lei n. 8.315/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer da questão atinente ao controle repressivo de constitucionalidade, (b) rejeitar o pedido de perícia e a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e (c) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1144.540, exarado pela 7ª Turma da DRJ no Recife (efls. 2515 a 2525). O processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração n° 51.033.196 3, o qual formaliza a exigência de contribuições sociais, de responsabilidade da autuada, destinadas a terceiros, incidentes sobre: • Receitas Brutas de Comercialização da produção Rural própria e de outrem relacionadas a empresas exportadoras (SENAR); • Aquisição de Produtores Rurais pessoas físicas (SENAR), • Remuneração de Segurados Empregados apurada em folha de pagamento (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SENAI e SESI). Os valores considerados como bases de cálculo – não declarados em GFIP – estão detalhados às planilhas das fls. 2015 a 2382. Segundo o relatório fiscal, a autuada é agroindústria que produz e comercializa açúcar e álcool. A apuração dos valores ora lançados decorre de verificação junto à filial 000277, que emprega os trabalhadores dos setores rural e industrial. A matriz, localizada em Marechal Deodoro – AL, contempla apenas o escritório da sociedade. As GFIP consideradas na Ação Fiscal foram as últimas entregues antes de seu início e estão indicadas à efl. 1997. Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 3 3 A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PRODUÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÃO. ICMS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, não havendo, no texto legal, indicativo de qualquer exclusão, mormente do ICMS, que, sendo imposto calculado "por dentro", integra o preço do produto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. INCIDÊNCIA. A imunidade sobre Exportação não se estende ao comércio interno, ainda que as operações se dêem com o fim específico de exportação futura. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 INCONSTITUCIONALIDADE, APRECIAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às situações concretamente constatadas, estando expressamente vedada a apreciação de questões atinentes à constitucionalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO. Os juros de mora ora calculados incidem unicamente sobre o tributo lançado. O presente Auto de infração não formulou exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, inexistindo, a este respeito, qualquer contraditório suscetível de apreciação por esta Delegacia de Julgamento. REPERCUSSÃO GERAL. EFEITOS. O reconhecimento da repercussão geral por si só não exime o administrador de aplicar normativos legais questionados, ausente decisão definitiva sobre o mérito. JULGAMENTO SIMULTÂNEO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste mandamento legal determinando julgamento simultâneo das impugnações, devendo a decisão de primeira instância ser fundada com observância do princípio da celeridade do julgamento. Impugnação Improcedente Fl. 2575DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido A ciência por decurso de prazo dessa decisão ocorreu em 30/12/2014 (efl. 2572). Em 20/01/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 2529 a 2555), sendo alegado, em síntese: I) a revogação das contribuições para o Sesi, Senai, Sebrae, Incra e salário educação sobre a folha de salários pela EC n° 33/01; II) a impossibilidade de cobrança do Senar sobre faturamento, decorrente de venda de mercadorias destinadas à exportação; II.a) a impossibilidade de cobrança do Senar sobre faturamento, no mercado interno, com inclusão do ICMS; III) a impossibilidade de substituição tributária por decreto: inexigibilidade da contribuição do Senar contra a adquirente; IV) a improcedência o lançamento do Sesi/Senai/Sebrae; V) a cobrança excessiva dos débitos: inclusão de verbas indenizatórias da folha de salários; (V.a) férias indenizadas. auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliocreche; adicional noturno; (V.b) hora extra e terço de férias. realinhamento jurisprudencial; precedentes do STF, STJ e TRF/5 (V.c) repouso semanal remunerado, férias gozadas e feriados; (v.d) gratificação natalina (13o); (V.e) horas in itinere; equiparação ao vale transporte; precedentes do STF e do TRF/5; (V.f) aviso prévio indenizado. Foi solicitada perícia para demonstrar que foram incluídos valores de natureza indenizatória na base de cálculo do lançamento; foram indicados quesitos e qualificado o perito; O pedido consiste no provimento do recurso voluntário para anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, ou alternativamente, a reforma do acórdão recorrido, com a extinção total ou parcial da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Do cerceamento do direito de defesa e contraditório Alega a recorrente terlhe sido negado, pela negativa da realização de perícia e/ou diligência, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Não está com a razão. Ocorre que, com de há muito vem assentando este Colegiado, no processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 4 5 A teor do disposto no o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. Ademais, quanto ao pedido de perícia realizado no recurso voluntário em apreço, faço eco às razões da autoridade recorrida, às quais assumo, como se minhas fossem: A irresignação do contribuinte deve ser rechaçada porquanto estabelece uma contradição em suas próprias condutas. A defesa não aponta, tampouco demonstra, nenhum equívoco em suas folhas de pagamento, razão pela qual ficam mantidos os valores apurados pela fiscalização. Conforme já indicado os valores de bases de cálculo consideradas são idênticos aos registrados como tal nas folhas de pagamento da autuada, conforme resumos anexados neste AI. Assim, não se pode dar cabimento a reclamação do contribuinte quanto aos valores que ele mesmo faz constar em seus documentos. Por este motivo, revelase desnecessária a perícia intentada, uma vez que a alegada inclusão indevida de verbas indenizatórias, nas bases de cálculo apontadas, poderia ser demonstrada pelo próprio contribuinte na ocasião da impugnação, por meio das respectivas provas documentais, dispensando auxilio técnico / especializado Das contribuições do Sesi, Senai, Sebrae, Incra e salárioeducação sobre a folha de salários pela EC n° 33/01 É alegado que a cobrança das contribuições para o Sesi, Senai, Incra (0,2%), Sebrae e salárioeducação, incidentes sobre a folha de pagamentos, é improcedente, pois as normas que as fundamentavam foram revogadas pela Emenda Constitucional 33, 2001, que deu nova redação ao art. 149 da CF; não se trata de inconstitucionalidade, mas de Emenda Constitucional superveniente, o que desautorizaria a recusa da DRJPE em apreciar tal matéria; com o advento do EC n° 33/01, por meio do novo § 2°, II, do art. 149, foram criadas materialidades específicas para as contribuições de intervenção no domínio econômico, acerca das quais as contribuições dessa estirpe, criadas antes da EC n° 33/01, devem ser compatíveis, sob pena de não recepção pela Constituição superveniente; não é possível admitir que as bases de cálculo do novo art. 149, § 2°, II, seriam exemplificativas, porque, se assim fosse, chegar seia a conclusão de que a EC 33/01 foi completamente inútil nesse aspecto; podese afirmar que no regime constitucional posterior a EC n° 33/01 somente subsistem as contribuições sociais gerais ou interventivas com supedâneo no art. 149 se estas, além de estarem vocacionadas à realização de seus fins característicos, incidirem exclusivamente sobre o faturamento, o valor da operação ou o valor aduaneiro; cita a doutrina de Leandro Paulsen e Fl. 2577DF CARF MF 6 Andrei Pitten Velloso e a jurisprudência do STF, acerca da vigência da contribuição ao Incra, em razão da EC n° 33/2001, o qual reconheceu a repercussão geral do tema no RE n° 630.898. Entendo ter a presente questão caráter prejudicial em relação às demais. O acórdão da DRJ não enfrentou o mérito da questão, por força do disposto no art. 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972 e por falta de decisão judicial específica que socorresse o contribuinte. Caso esta Turma chegue a uma conclusão diferente – ou seja, que a matéria deve ser apreciada –, o remédio a ser aplicado, a meu juízo, seria o retorno dos autos à autoridade ad quem para o enfrentamento da questão. Porém, penso que agiu corretamente a autoridade recorrida. O fim almejado com o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, ou com a Súmula 02 do CARF, é evitar que as instâncias julgadoras administrativas usurpem a competência do Poder Judiciário, afastando a aplicação de normas tributárias frente a seu conflito com a Constituição Federal. Ora, o próprio STF já firmou sua competência e reconheceu a repercussão geral para a análise das contribuições destinadas ao: (a) Incra, em face da EC 33/2001: tema 495 – Referibilidade e natureza jurídica da contribuição para o INCRA, em face da Emenda Constitucional nº 33/2001; leading case RE 630.898 (b) Sebrae, em face da EC 33/2001: tema 325 Subsistência da contribuição destinada ao SEBRAE, após o advento da Emenda Constitucional nº 33/2001; leading case RE 603.624; (c) salárioeducação, em face das Constituições de 1969 e 1988: tema 518 – Compatibilidade da contribuição destinada ao custeio da educação básica com as Constituições de 1969 e de 1988; leading case RE; neste caso, firmou a seguinte tese: “Nos termos da Súmula 732 do STF, é constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação”. (c) Senar: tema 801 – Constitucionalidade da incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 2º da Lei 8.540/1992, com as alterações posteriores do art. 6º da Lei 9.528/1997 e do art. 3º da Lei 10.256/2001; leading case RE 816830. Nesse sentido, saber se determinada norma foi ou não recepcionada pela Constituição Federal (incluindo, por óbvio, suas emendas constitucionais), é tema precípuo e recorrente a ser dirimido pelo STF. Cito como exemplo: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO SENAI. ARTIGOS 4º E 6º DO DECRETOLEI 4.048/1942. VALIDADE E RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 (ARTIGO 240). ARTIGO 149, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. HIGIDEZ DAS NOTIFICAÇÕES DE DÉBITO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE EXTRAORDINÁRIA. SÚMULA 279 DO STF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA SEM REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 5 7 TEMA 660. ARE 748.371. REITERADA REJEIÇÃO DOS ARGUMENTOS EXPENDIDOS PELA PARTE AGRAVANTE. MANIFESTO INTUITO PROTELATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC/2015. AGRAVO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. ARTIGO 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (ARE 1035080 AgR / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 26/05/2017; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EMBARGOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL. CARÁTER TRIBUTÁRIO. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. BITRIBUTAÇÃO. A SEGUNDA PARTE DO INCISO I DO ARTIGO 154 DA CONSTITUIÇÃO NÃO SE APLICA ÀS CONTRIBUIÇÕES. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA ENTIDADE SINDICAL. INEXISTÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (RE 947732 ED / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 29/03/2016; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA FIXAÇÃO DE ALÍQUOTAS NÃO FOI RECEPCIONADA. ALCANCE DOS PRECEDENTES. É compatível com os precedentes desta Corte a decisão que reconhece a recepção das exações pela Constituição de 1988, mas estabelece que após a referida promulgação a alíquota não pode ser modificada por entidade desprovida de mandato legislativo, de modo que o tributo deve ser calculado de acordo com a alíquota válida no momento da promulgação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 597098 AgR / DF; Relator): Min. Joaquim Barbosa; Julgamento: 04/10/2011; Órgão Julgador: Segunda Turma) (Grifouse.) Assim, não há como este colegiado se substituir a órgãos do Poder Judiciário, pelo que entendo ser aplicável ao caso (cobrança das contribuições para o Sesi, Senai, Incra, Sebrae e salárioeducação, face a EC 33/2001) a Súmula Carf 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para delas se manifestar. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 2579DF CARF MF 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (II) Da cobrança do Senar sobre faturamento decorrente de venda de mercadorias destinadas à exportação A contendora alega fazer jus à imunidade em relação às contribuições sociais previstas no art. 149, § 2°, da CF/88, e por força do que dispõe o art. 1°, parágrafo único, c/c o art. 3° do DecretoLei 1.248, de 1972, pelo qual as exportações via sociedade comercial exportadora são equiparadas por lei à exportação direta para fins de incentivo à exportação, sendo fora de dúvida que a imunidade, prevista no art. 149, § 2°, da CF/88, é uma forma legal de incentivo à exportação. Não está com a razão a contribuinte. NATUREZA JURÍDICA DO SENAR: DESCABE A IMUNIDADE 2.4.8. Diante da constatação de que as vendas realizadas pela empresa tratamse de operações de mercado interno e não negócios realizados diretamente com o importador, excluise da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição Federal, a produção rural da agroindústria quando vendida para empresa comercial exportadora, ainda que com o fim específico de exportação, devendo incidir sobre o valor da respectiva receita bruta a contribuição ao SENAR de que trata o art. 22 A, parágrafo 5º, da Lei 8.212, de 1991. 2.4.9. De igual modo, excluise da imunidade tributária, prevista no art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição Federal, as contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre receitas decorrentes de exportação. Sendo assim, mesmo que a empresa tivesse efetivamente auferido receitas de exportação, seria devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre as mesmas, em virtude de sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse das categorias econômicas. O § 2º do art. 149 da Constituição Federal veicula norma de imunidade, pela qual não incidem contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação: Art. 149 (...). § 2 As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação (...) A seu turno, o DecretoLei 1.248, de 1972, em seu art. 1º combinado com o art. 3º consagra e limita uma isenção dirigida à empresa comercial exportadora e ao produtor vendedor: DecretoLei 1.248, de 1972 Art. 1 ° As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 6 9 a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; (...) Art. 3° São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1° deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1° do Decretolei n° 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. É descabido, a meu juízo, considerar uma norma constitucional que veicula uma imunidade como integrativa de norma legal, ou seja, infraconstitucional, que estabelece e limita uma isenção. Assim, o objeto da imunidade são as receitas decorrentes de exportação; não há alusão a receitas decorrentes de operação no mercado interno, ainda que tais operações se dêem com o fim específico de exportação futura. A seu turno, o DecretoLei 1.248, de 1972, assegura ao produtorvendedor, nas operações decorrentes de venda de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Não é possível, assim, aumentar o objeto da imunidade (receitas decorrentes de exportação), em razão de norma infraconstitucional, no caso, o DecretoLei 1.248, de 1972, que se limita a estender ao produtorvendedor, nas operações decorrentes de venda de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Nesse sentido a jurisprudência deste CARF: CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros tradings, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (Ac. 2401004.847; sessão de 05/06/2017) SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA INCIDENTE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. Ê devida a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre receitas decorrentes de exportação em virtude da sua natureza jurídica ser de contribuição de interesse de categorias econômicas. (2202003.907; sessão de 06/06/2017) SENAR. SEGURADO ESPECIAL. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA. Fl. 2581DF CARF MF 10 Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas por Segurado Especial com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as cooperativas, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior. (Acórdão nº 2302003.620; sessão de 10/02/2015) II.a) Da cobrança do Senar sobre faturamento, no mercado interno, com inclusão do ICMS É asseverado que a base de cálculo da contribuição agroindustrial ao Senar, prevista no art. 22A, § 5°, da Lei 8.212, de 1991 é o “valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção”; considerando que o ICMS é imposto estadual, o tributo não constituiria receita do contribuinte, mas, sim, do Estadomembro ao qual pertence, não estando contida, então, no conceito de faturamento nem no de receita bruta; decorrentemente, ele estaria fora da base de cálculo da contribuição da agroindústria do art. 22A da Lei 8.212, de 1991. Não lhe assiste razão. A contribuição da agroindústria, em substituição àquelas previstas no art. 22 da Lei 8.212, de 1991, é estabelecida pelo art. 22A do mesmo diploma legal. : Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001) . A contribuição incide “sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção”; não há a previsão de qualquer exclusão de sua base de cálculo, nem, especificadamente, do ICMS, o qual, sendo imposto calculado “por dentro”, integra o preço do produto. Assim, por falta de previsão legal, o valor do ICMS não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição do produtor rural incidente sobre a receita bruta da comercialização. Nesse sentido a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SAT E SENAR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. RE 240.785/MG. EFEITO "INTER PARTES". A Constituição Federal de 1988 em seu art. 195, I,'b' (modificado pela EC nº 20), dispôs que se pode instituir contribuição sobre 'a receita ou o faturamento', tratandoos como sinônimos. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 7 11 excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Daí derivaria a impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e também da Contribuição Previdenciária SAT e SENAR. O RE 240.785/MG tem efeito "inter partes" (sem repercussão geral) (TRF4; Processo: 500489871.2014.404.7003; Data da Decisão: 25/03/2015) (Grifouse.) III) Da substituição tributária: da contribuição do Senar A recorrente alega existir ilegalidade da cobrança da contribuição para o Senar, devido por subrogação ao produtor rural pessoa física, embora inexista lei formal que estabeleça tal responsabilidade, mas mero Decreto n° 566/92, que não é o veículo adequado para tal fim à luz do art. 121 e 128 do CTN. Ocorre que a recorrente discute a mesma questão – inexistência de base legal para a cobrança da contribuição para o Senar devido por subrogação ao produtor rural pessoa física – nos autos do processo 0006716 74.2010.4.05.8000, que tramitou na 2ª Vara Federal de Alagoas, estando presentemente no Tribunal Federal Regional da 5ª Região. Em 07/07/2016 foram julgadas as apelações da contribuinte e da União pela Apelação / Reexame Necessário 24297AL, a qual recebeu a seguinte ementa: APELAÇÃO / REEXAME NECESSÁRIO Nº 24297AL (0006716 74.2010.4.05.8000) APELANTE : ONDA VERDE AGROCOMERCIAL S/A ADV/PROC : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES e outros APELANTE : FAZENDA NACIONAL APELADO : OS MESMOS APELADO : SENAR SERVICO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL ADV/PROC : ÁLVARO ARTUR LOPES DE ALMEIDA FILHO e outros REMTE : JUÍZO DA 2ª VARA FEDERAL DE ALAGOAS (MACEIÓ) ORIGEM : 2ª Vara Federal de Alagoas AL RELATOR : DES. FEDERAL IVAN LIRA DE CARVALHO (CONVOCADO) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEGITIMIDADE DA EMPRESA ADQUIRENTE PARA DISCUTIR APENAS A EXIGIBILIDADE DO FUNRURAL. ART. 25, I, DA LEI Nº 8.212/91, DADA PELO ART. 1º DA LEI Nº 8.540/92. Fl. 2583DF CARF MF 12 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RE 363.852/MG. REPERCUSSÃO GERAL NO RE 596.177/RS. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. CABÍVEL. I. Tratase de apelações de sentença que julgou parcialmente procedente o pedido, para declarar a nulidade de lançamentos de ofício de débitos declarados pela empresa, da contribuição previdenciária referente a fatos geradores anteriores a outubro de 2001, exigidas com base no art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelas Leis nºs 8540/92 e 9528/97, em razão da inconstitucionalidade das mesmas. Negou o pedido de não recolhimento da citada contribuição ao SENAR como substituto tributário e declarou extinto o pedido de restituição/compensação, por ilegitimidade ativa. Fixou honorários advocatícios em R$ 5.000,00 (cinco mil reais). II. A parte autora recorre defendendo que é inconstitucional a exigência do FUNRURAL, mesmo após a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, não tendo esta estabelecido a base de cálculo nem alíquota para as contribuições em apreço. Afirma que foi violado o art. 195 da CF. Diz que também não é cabível a contribuição ao SENAR do adquirente da produção do empregador rural pessoa física e que é inconstitucional o art. 6º da Lei 9528/97, na sua redação original e na redação dada pelo art. 3º da Lei nº 10.256/2001, por violar o art. 62 do ADCT e o art. 240 da CF, bem como o art. 11, parágrafo5º, do Decreto nº 566/92, por afrontar o art. 128 do CTN. Por fim, afirma que tem legitimidade para requerer a restituição/compensação de valores pagos indevidamente a titulo de FUNRURAL, uma vez que não se trata de substituição tributária, mas de subrogação, nos termos do art. 30, IV, da Lei nº 8212/91. III. A Fazenda Nacional apela alegando que a contribuição previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção, acaso inquinada estivesse de eventual vício como assentado na parte dispositiva do acórdão proferido pelo STF no julgamento do RE 363.852, o mesmo deixou de existir com a vigência da Lei nº 10.256/2001, que estatuiu que a referida contribuição viria em substituição àquela prevista na Lei nº 8212/91, restando superada a inconstitucionalidade da contribuição em debate. IV. O STJ vem se posicionando no sentido de admitir a legitimidade da empresa adquirente do produto rural para discutir a exigibilidade da contribuição denominada FUNRURAL, restando mantido, contudo, o entendimento que lhe nega legitimidade para postular a restituição ou a compensação dos tributos indevidamente recolhidos. Precedente: STJ, AgRg nos EDcl no REsp 1429715 / PR, rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe 06.04.2015. V. O STF, no julgamento do RE n. 363.852/MG (rel. Min. Marco Aurélio, Pleno, DJ 23.4.2010), declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei n.º 8.540/92 e do art. 1º da Lei n.º 9.528/97, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/91, o qual tratou da contribuição previdenciária sobre o resultado da Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 8 13 comercialização de produção agropecuária do produtor rural, pessoa física. A matéria foi pacificada pelo Pretório Excelso, em seara de Repercussão Geral, no julgamento do RE 596.177. VI. Após a promulgação da Emenda Constitucional 20/98, o art. 195, I, b, da CF recebeu nova redação, ficando estabelecido como base de incidência não só o faturamento, mas também a receita. Com a edição da Lei n.º 10.256/2001, passou a ser constitucional a exigência da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. VII. Não há inconstitucionalidade na exação em favor do SENAR, inicialmente incidente sobre a folha de salários (Lei nº 8.315/91) e, atualmente, cobrada no percentual de 0,2% sobre a receita bruta da comercialização da produção rural da pessoa física empregadora e do segurado especial na forma do art. 2º, da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e da Lei nº 10.256/2001. VIII. Apelações improvidas. No voto do Exmo. Desembargador Federal Ivan Lira de carvalho (Relator Convocado), restaram consignadas as seguintes razões: Com relação à contribuição para o SENAR, a Lei n.º 8.315/91, dando cumprimento ao art. 62 do ADCT da CF/88, criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural. A contribuição ao SENAR é contribuição de interesse de categoria profissional, com fundamento nos artigos 149 e 240 da CF, 62 do ADCT, 2º do DL nº 1.146/70 e na Lei n.º 8.315/91, sendo sua exigência perfeitamente constitucional e legal, como já se posicionou o STF, conforme abaixo transcrito: "Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Contribuição destinada ao SENAI. Exação enquadrada no artigo 240 da Constituição Federal. Tributo instituído originariamente por decretolei. 3. Fenômeno da recepção. O modo da enunciação inaugural de texto normativo validamente produzido sob a égide de Constituição anterior é aspecto indiferente na aferição de sua eficácia diante do paradigma constitucional que o recepciona materialmente. 4. Compatibilidade com a Constituição Federal de 1988. Precedente do Plenário do STF. RE 396.266. 5. Agravo regimental a que se nega provimento."(STF, AI 839196 AgR / SC, rel. Min. GILMAR MENDES, DJ 15.4.2011)". Não procede a alegação de inconstitucionalidade da contribuição para o SENAR (que não foi objeto do aventado RE 363.852/MG). Com efeito, não se sustenta o argumento de que, pelo fato de o artigo 62 do ADCT autorizar, para a categoria dos trabalhadores rurais, a criação da contribuição para aquele Serviço nos moldes da legislação relativa ao SENAI e ao SENAC, significa que a mesma (contribuição) tenha que Fl. 2585DF CARF MF 14 incidir sobre a folha de salários em consonância com o que preceitua o art. 240 da CF/88. É que esse artigo disciplina as contribuições dos empregadores, por isso a vincula à "folha de salários", como se vê da sua redação, que, a bem da clareza, segue transcrita: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Já o art. 6º da Lei nº 9.528/97, tanto na sua versão primitiva1, como na determinada pela Lei nº 10.256/012, cuidou de disciplinar a contribuição para o SENAR não só do empregador rural, mas também do segurado especial. Não haveria inconstitucionalidade na exação em favor do SENAR, inicialmente incidente sobre a folha de salários (Lei nº 8.315/91) e, atualmente, cobrada no percentual de 0,2% sobre a receita bruta da comercialização da produção rural da pessoa física empregadora e do segurado especial na forma do art. 2º, da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e da Lei nº 10.256/2001. A contribuição para o SENAR é compulsória e decorre de imposição legal, tendo sido recepcionada pela atual Constituição Federal, consoante o artigo 62 do ADCT: " a lei criará o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) nos moldes da legislação relativa ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC), sem prejuízo das atribuições dos órgãos públicos que atuam na área". (...) Ressaltese, ainda, que o legislador ordinário deixou bem definida a finalidade e a destinação da referida exação, isto é, tem ela como finalidade executar as políticas de ensino da formação profissional rural e à promoção social do trabalhador rural, donde se conclui que a contribuição ora discutida tem natureza jurídica de contribuição social de interesse de categoria profissional ou econômica, instituída pela União, no exercício de competência exclusiva, submetendose, em face de sua natureza tributária, ao regime geral da tributação, daí a remissão aos artigos 146, inc. III, e 150, incs. I e III, da Constituição Federal de 1988. Esclareçase, ainda, que o art. 30, IV, da Lei nº 8212/91 disciplina somente a subrogação das contribuições constantes do art. 25, que têm sua destinação vinculada à Seguridade Social, não atingindo a contribuição pra o SENAR, que constitui outra categoria de contribuição, com base legal e constitucional diversas (art. 149 da CF e art. 6º da Lei nº 9528/97). Também, como bem fundamentado na sentença: No que toca ao segundo argumento da autora, deveras, o art. 30, IV, da Lei n. 8.212/91 não fundamenta a substituição tributária para a contribuição ao SENAR, pois se restringe às contribuições Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 9 15 previdenciária do art. 25 da Lei n. 8.212/91. Todavia, no caso em exame, a exigência da contribuição ao SENAR, com base no instituto da substituição tributária dáse, na verdade, com fulcro no art. 3º, § 3º, da Lei n. 8.315/91, que assim dispõe: Art. 3º (...) § 3º A arrecadação da contribuição será deita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do SENAR, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. Desta feita, inexiste violação ao art. 128 do CTN, que exige que a responsabilidade tributária seja oriunda de norma veiculada por lei em sentido formal. Assim, o Decreto n. 566/92 tão somente teve a finalidade de regulamentar a matéria disciplinada pelo dispositivo legal supracitado. Assim, apesar de as contribuições ao SENAC, SENAI, SESC e SESI possuírem como base imponível a remuneração dos empregados do sujeito passivo, o que acontece também com relação a parte do empregadores que figuram como sujeito passivo da contribuição ao SENAR, que contribuem também com base na remuneração paga a todos os seus empregados, com fulcro no art. 3º, I, da Lei n. 8.315/1991, isso não impede que o legislador ordinário escolha outra base imponível para os beneficiários do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), desde que observado os princípios constitucionais tributários (legalidade, irretroatividade, anterioridade, dentre outros, além do princípio da proporcionalidade. A contribuição ao SENAR qualificase, para alguns, como de intervenção no domínio econômico, e para outros doutrinadores, como contribuição de interesse de categoriais profissionais ou econômicas. De uma espécie ou de outra, o seu fundamento está na norma do art. 149, que assim dispõe: "Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo." Notese que o texto constitucional não traz as bases imponíveis da grande maioria destas exações. Veja o exemplo da contribuição a que está sujeito o advogado inscrito na OAB, em que não há a estipulação da base imponível na Constituição Federal e nem por isso a exação é inconstitucional. Alguns podem dizer, mas a base imponível das contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical está na Constituição: Fl. 2587DF CARF MF 16 "folha de salários". Contra esse argumento, devo destacar que a interpretação que faço do texto constitucional é a seguinte: as contribuições "atuais" que foram instituídas com base na folha de salário e destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical não se caracterizam como contribuição previdenciária, não lhes aplicando o regime do art. 195 da CF/88, continuando a ser legítima a sua exigência, ainda que sobre a mesma base tributável (folha de salários) das contribuições previdenciárias. No caso dos autos, o produtor rural pessoa física (seja segurado especial ou empregador rural), que vende os seus produtos à agroindústria não está sujeito à contribuição previdenciária com base em folha de pagamento (ou, remuneração de empregados nos termos da Lei n. 8.315/1991), portanto, a única base razoável para tributação da contribuição ao SENAR é mesmo a receita proveniente da venda de sua produção, com alias ocorre com a contribuição previdenciária, nos termos da Lei n. 10.256/2001. A alíquota é de 0,2%, ou seja, o que equivale à contribuição ao SENAR de menos de 10% da contribuição previdenciária, já que esta é de 2,1% da receita. Considerandose que os demais contribuintes desta exação (aqueles que se submetem ao 3º,I, da Lei n. 8.315/1991) sujeitamse à alíquota de 2,5% sobre a remuneração dos seus empregados e, a empresa, contribui, via de regra, com 20% da remuneração a título de contribuição previdenciária patronal (fora o SAT), chegase à conclusão de que, a contribuição ao SENAR destes sujeitos passivos equivale a 12,5% da contribuição previdenciária, portanto, em termos relativos, é maior do que a contribuição ao SENAR dos segurados especiais e pessoas físicas empregadores rurais. Por tais razões, entendo que o princípio da proporcionalidade está atendido no caso, nos seus três aspectos: adequação (a base imponível utilizada é adequada), necessidade (como não há contribuição previdenciária sobre a folha de salários e a base de cálculo desta é a própria receita de comercialização, surge a necessidade de se adotar outra base imponível) e proporcionalidade em sentido estrito (o ônus suportado tendo por base a contribuição previdenciária é até menor do que aquele sofrido pelos demais contribuintes que apuram a contribuição com base na remuneração dos empregados art. 3º, I, da Lei n. 8.315/91). De acordo com a Súmula Carf nº 01, “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. No presente caso, restou caracterizada a renúncia, pois a referida ação judicial possui como objeto a legalidade da cobrança da contribuição para o Senar, devido por subrogação ao produtor rural pessoa física, face ao Decreto n° 566/92, e arts. 121 e 128 do CTN. IV) Do lançamento das contribuições para o Sesi/Senai/Sebrae Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 10 17 A contendedora afirma que, acaso se entenda pela constitucionalidade e vigência do art. 22A da Lei 8.212/1991, essa norma criou novo sistema contributivo para as agroindústrias, no qual o legislador optou por considerar a atividade preponderante da agroindústria a atividade rural, na medida em que obrigou a pagar somente a contribuição do Senar – espécie contributiva criada no interesse de categoria profissional rural; dessa maneira, a agroindústria não deve recolher as contribuições ao Sesi/Sebrae/Senai sobre a folha urbana, diante da opção do legislador em obrigála ao recolhimento sobre toda a sua produção para o Senar; a exigência de recolhimento das agroindústrias ao Sesi/Sebrae/Senai decorre não de mudança legislativa, mas de mera interpretação consignada em instrução normativa (IN RFB n° 785/2007 e seguintes), a qual, mediante "interpretação histórica", substituiu a contribuição de 2,5% do Incra, antes devida pelas agroindústrias, pelas contribuições ao Sesi/Sebrae/Senai; contudo, instrução normativa não é meio apto para criação de novas obrigações tributárias, especialmente quando sua "exegese" conflita com o regime instituído pelo art. 22A da Lei n° 8.212/1991. Não lhe assiste razão. As contribuições para o Sesi e Senai foram instituídas, respectivamente, pelos DecretoLei 9.403, de 1946 e pelos DecretoLei 6.048, de 1942, tendo sido recepcionadas pela Constituição Federal de 1988, conforme disposição contida no seu art. 240: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. A contribuição para o Sesi é devida pelos “estabelecimentos industriais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (CNI), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca (art. 3º do DecretoLei 9.403, de 1946). Por certo que as agroindústrias são subespécies do gênero indústrias; por conseguinte, são enquadradas na CNI, como facilmente se comprova digitando a palavra “agroindústria” na endereço eletrônico da CNI (http://www.portaldaindustria.com.br/); hoje, 02/12/2016, retornaram 172 resultados. Também a contribuição para o Senai é devida pelos estabelecimentos industriais das modalidades de indústrias enquadradas na Confederação Nacional da Indústria (art. 4º do DecretoLei 6.048, de 1942). O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) foi criado pela Lei 8.029, de 1990, a qual desligou o antigo Cebrae da Administração Pública e transformouo em serviço autônomo, sem qualquer vinculação com os outros já existentes. O Sebrae possui personalidade jurídica de direito privado, distinta dos demais e tem como finalidade "planejar, coordenar e orientar programas técnicos, projetos e atividades de apoio às micro e pequenas empresas" (art. 9º da Lei nº 8.154, de 1990); objetiva ministrar assistência à categoria produtiva específica, com características econômicofinanceiras peculiares; tem administração e patrimônio genuíno, diverso das demais entidades, pelo que necessita, para sua manutenção, de dotação orçamentária ou contribuição parafiscal, instituída pelo artigo 8º, da Lei nº 8029, de 1990, nos seguintes termos: Fl. 2589DF CARF MF 18 "Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Cebrae), mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) § 3° As contribuições relativas às entidades de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até três décimos por cento, com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. (Grifouse.) § 4° O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao Cebrae." DecretoLei n° 2.318, de 1986 Art 1º Mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), para o Serviço Social da Indústria (SESI) e para o Serviço Social do Comércio (SESC), ficam revogados: (...) Ao julgar o Recurso Extraordinário 96.266, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da contribuição destinada ao Sebrae: "EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. As contribuições do art. 149, C.F. contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de ‘outras fontes’, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 11 19 III. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. R.E. conhecido, mas improvido." (Grifouse.) Nesse mesmo julgamento, decidiuse ser exigível a contribuição social destinada ao Sebrae de empresas que exercem atividade econômica, não sendo necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Nesse sentido: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. Esta colenda Corte, no julgamento do RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso, firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE configura contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo legítima a sua cobrança de empresa que exerce atividade econômica. Precedentes: RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso; RE 399.653AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; RE 404.919AgR, Rel. Min. Eros Grau; e RE 389.016 AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. (Grifouse.) Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 437.839 AgR, Rel. Min. Carlos Britto, Primeira Turma, DJ 18.11.2005, (Grifouse.) “EMENTA: Contribuição em favor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE: constitucionalidade reconhecida pelo plenário do STF, ao julgar o RE 396.266, Velloso, DJ 27.2.2004, quando se afastou a necessidade de lei complementar para a sua instituição e, ainda tendo em vista tratarse de contribuição social de intervenção no domínio econômico , entendeuse ser inexigível a vinculação direta do contribuinte ou a possibilidade de que ele se beneficie com a aplicação dos recursos por ela arrecadados, mas sim a observância dos princípios gerais da atividade econômica.” (RE 389.016AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ 13.8.2004,) (Grifouse.) Em 25/04/2013, o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE 635682 / RJ, submetido ao rito da repercussão geral (tema 227), pelo qual entendeu ser constitucional a Contribuição para o Sebrae e válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE Fl. 2591DF CARF MF 20 mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (Grifouse.) A seu turno, a Primeira Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região entendeu inexistir incongruência no fato de a contribuição ao Sebrae possuir finalidade e natureza diversa das contribuições ao Sesi/Senai/Sesc/Senac, face ao princípio da solidariedade social. O precedente recebeu a seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DL nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). Prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar, inocorrendo, também, o fenômeno da bitributação. 2. Em se tratando de contribuição de intervenção no domínio econômico, que dispensa seja o contribuinte virtualmente beneficiado, deve ser paga pelas empresas à vista do princípio da solidariedade social (CF/88, art. 195, caput)." (Embargos Infringentes em AC nº 2000.04.01.1074802/SC, Rel. Des. Dirceu de Almeida Soares, DJ 03/04/2002) (Grifouse.) Assim julgando, consagrou a irrelevância da ausência de correlação entre o sujeito passivo (todas as empresas) e a categoria beneficiada pela atuação do órgão a que se destina a arrecadação (micro e pequenas empresas), visto que a finalidade das contribuições de intervenção no domínio econômico é propiciar condições e incentivos a setores mais frágeis da economia. As contribuições se qualificam pela destinação, restando evidente, no caso, que a contribuição ao Sebrae objetiva oferecer apoio às micro e pequenas empresas, promovendo o seu desenvolvimento em seus aspectos tecnológicos, gerenciais e de recursos humanos, visando à melhoria do seu resultado e ao fortalecimento de seu papel social, consoante os princípios elencados no art. 170 da CF/88. Não há óbice, pois, para a exigência das contribuições para o Sebrae, Sesi e Senai das agroindustrias. V) Da inclusão de verbas indenizatórias da folha de salários A recorrente argui haver excesso de cobrança na autuação, porque a fiscalização fez incidir a contribuição social sobre verbas indenizatórias pagas aos seus empregados em relação aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos seus empregados doentes ou acidentados; na hipótese em que houve a concessão do benefício de auxíliodoença, auxíliocreche ou auxílioacidente pelo INSS; sobre as férias indenizadas; horas extras; adicional noturno; aviso prévio indenizado; feriados, férias gozadas, décimo terceiro, descanso semanal remunerado e hora in itinere; assevera que sua folha de pagamentos demonstra que os valores de bases de cálculo incluem as citadas verbas indenizatórias, devidamente individualizadas mês a mês, provando que houve incidência sobre tais verbas; afirma ainda Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10410.720736/201352 Acórdão n.º 2301005.129 S2C3T1 Fl. 12 21 que, caso o acórdão recorrido tivesse dúvidas sobre esse ponto, deveria ter determinado a realização de diligência ou perícia, como requerido por si. Não está com razão a contribuinte, pois não está relatado no auto de infração que tenha havido lançamento sobre qualquer verba considerada pela contribuinte como indenizatória. Para a apuração das contribuições devidas a terceiros foram utilizadas as bases de cálculo reconhecidas pelo contribuinte, discriminadas à efl. 390. O lançamento deveuse à correção de mero erro de enquadramento, pelo qual a autuada apresentou Gfip relativas às competências 11/2008 a 12/2010 declarando “ 0000” no campo CÓDIGO DE ENTIDADES, ou seja, declarando que sobre as remunerações pagas aos segurados empregados não incidiriam contribuições destinadas a Terceiros/outras entidades. Verifiquese: (efls. 1998 a 2010): · PF2 AQUISIÇÃO PRODUÇÃO RURAL PF (FPAS 744) 2.3.4. As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (observar item 2.7. e seus respectivos subitens). Os valores das remunerações foram verificados nas folhas de pagamentos da empresa e encontramse no Relatório de Lançamentos – RL anexo a este auto de infração, onde estão lançados discriminadamente nos seguintes levantamentos: · T12 TERCEIROS FP URBANOS (FPAS 833) · T22 TERCEIROS FP RURÍCOLAS (FPAS 604) · T3 – TERCEIROS FP GERAL (FPAS 833)(Grifouse.) (...) 2.7. Através da análise das GFIP´s apresentadas pelo sujeito passivo citadas no item 1.6. e subitem do presente relatório fiscal, verificouse que o erro de enquadramento no FPAS e/ou no código de outras entidades acarretou diferenças de contribuições devidas ao seguinte Fundo e às seguintes Entidades: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (SalárioEducação), ao INCRA, ao SENAI, ao SESI e ao SEBRAE. 2.7.1. No período ora objeto de autuação, o sujeito passivo deveria enquadrarse nos FPAS e códigos de outras entidades citados nos itens 1.2. e 1.3. e respectivos subitens deste relatório fiscal. 2.7.2. Haja vista o sujeito passivo ter apresentado GFIP´s declarando “0000” no campo código de entidades, o sujeito passivo foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal TIF nº 003, com data de ciência em 03/08/2012, a informar o seguinte: · Informar o motivo pelo qual a empresa apresentou GFIP’ s relativas às competências 11/2008 a 12/2010 declarando “ 0000” no campo CÓDIGO DE ENTIDADES, ou seja, declarando que sobre as remunerações pagas aos segurados empregados não incidiriam contribuições destinadas a Terceiros/outras entidades. Fl. 2593DF CARF MF 22 (...) 2.7.4. Constatase, pois, que o sujeito passivo não tem amparo judicial para eximirse dos recolhimentos das contribuições devidas ao Fundo e Entidades citados no item 2.6., as quais incidem sobre as remunerações dos empregados. (...) 2.7.6. Os valores das contribuições apuradas devidas aos terceiros, discriminadas por competência e por fundo e entidades, pode ser verificada na seguinte planilha anexa a este relatório fiscal: · “FOLHAS DE PAGAMENTOS A EMPREGADOS – APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS” Conclusão Voto, portanto, por NÃO CONHECER da questão atinente ao controle repressivo de constitucionalidade, REJEITAR o pedido de perícia e a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 2594DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.950151/2008-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO APÓS LC 118. SALDO NEGATIVO. 5 ANOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição ou compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. A partir desta data, o prazo para restituição de indébito é de 5 (cinco) anos, inclusive para o saldo negativo de IRPJ.
Não é conhecido recurso especial quando a parte requer o reconhecimento do direito de restituição, ou compensação, em prazo superior àquele definido pelo STF e Súmula CARF.
Numero da decisão: 9101-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO APÓS LC 118. SALDO NEGATIVO. 5 ANOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição ou compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. A partir desta data, o prazo para restituição de indébito é de 5 (cinco) anos, inclusive para o saldo negativo de IRPJ. Não é conhecido recurso especial quando a parte requer o reconhecimento do direito de restituição, ou compensação, em prazo superior àquele definido pelo STF e Súmula CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO APÓS LC 118. SALDO NEGATIVO. 5 ANOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição ou compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. A partir desta data, o prazo para restituição de indébito é de 5 (cinco) anos, inclusive para o saldo negativo de IRPJ. Não é conhecido recurso especial quando a parte requer o reconhecimento do direito de restituição, ou compensação, em prazo superior àquele definido pelo STF e Súmula CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 01 51 /2 00 8- 61 Fl. 355DF CARF MF 2 Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por compensações apresentadas entre 15/01/2004 e 20/07/2009 (fls. 2), indicandose crédito de saldo negativo de 1999. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo deferiu parte das compensações, destacandose trecho da decisão: (...) O valor do saldo negativo disponível que não foi objeto de declarações de compensação ou pedido de restituição transmitidos no prazo estabelecido no art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) foi considerado valor não passive l de restituição ou compensação, por não ter sido utilizado dentro do prazo legal Valor do saldo negativo disponível: R$ 1.503.626,52 Valor não utilizado no prazo legal: R$ 272.513,95 Valor do saldo negativo passível de restituição ou compensação: R$ 1.231.112,57 A DRF apresenta relatório no qual enumeradas as 10 (dez) compensações não homologadas e respectivas datas de transmissão. São as seguintes: 1) DCOMP N°: 30014.99412.130509.1.7.026104 (...) Data de transmissão da DCOMP: 13/05/2009 2) DCOMP N°: 19768.60666.150509.1.3.025382 Data de transmissão da DCOMP: 15/05/2009 3) DCOMP N°: 33173.14347.200509.1.3.028442 Data de transmissão da DCOMP: 20/05/2009 4) DCOMP N°: 07428.85506.220509.1.3.021409 Data de transmissão da DCOMP: 22/05/2009 5) DCOMP N°: 15495.59207.250509.1.3.028624 Data de transmissão da DCOMP: 25/05/2009 6) DCOMP N°: 26851.08667.290509.1.3.026506 Data de transmissão da DCOMP: 29/05/2009 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 9101002.984 CSRFT1 Fl. 355 3 7) DCOMP N°: 09754.54855.200609.1.7.025607 Data de transmissão da DCOMP: 20/06/2009 8) DCOMP N°: 22797.47536.010709.1.3.020095 Data de transmissão da DCOMP: 01/07/2009 9) DCOMP N°: 03260.40165.150709.1.3.021696 Data de transmissão da DCOMP: 15/07/2009 10) DCOMP N°: 28409.89362.200709.1.3.022854 Data de transmissão da DCOMP: 20/07/2009 O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento de sua restituição, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (fls. 221), em acórdão do qual se destaca: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PER/DCOMP. Prescrição. A fluência do prazo prescricional para formalização de compensação ou pedido de restituição ocorre até a data da transmissão do instrumento hábil previsto na legislação (PER/DCOMP). A apresentação de DCOMP em que apenas demonstrada a composição do crédito, e para vinculação de PER/DCOMP a serem posteriormente apresentados, como não formaliza a compensação ou o pedido de restituição, não tem o condão de suspender ou interromper a contagem do prazo de prescrição. Direito Creditório. Prescrição. Prazo. Em decisão definitiva do Pleno e com Repercussão Geral, o STF reconheceu a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, mas considerou válida a aplicação do novo prazo de cinco anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Decorre daí que deve ser aplicado o prazo prescricional de cinco anos aos PER/DCOMP apresentados após 09/06/2005. Não se homologam as compensações e indeferese o pedido de restituição de indébito tributário apurado em 31/12/1999, mas apenas formalizados a partir de 13/05/2009. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi negado provimento pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, verbis: Fl. 357DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO AO FISCO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO REALIZADOS AO LONGO DO TEMPO UTILIZANDO PARTE DO CRÉDITO. ALEGAÇÃO DE QUE O PRIMEIRO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO SE CONSTITUI EM CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO EM RELAÇÃO AO SALDO NÃO UTILIZADO. INEXISTÊNCIA DE CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO. RECURSO IMPROVIDO. O saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas tem origem na regramatriz de direito ao crédito, que não se confunde com a regramatriz de incidência tributária que fundamenta a exigência de tributos por parte da Administração. A partir do momento da constituição/apuração do saldo negativo o contribuinte tem prazo de cinco anos para pedir a restituição ou utilizálo em processos de compensação. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, com a redação atribuída pela Lei nº 11.941, de 2009. O pedido de restituição é causa interruptiva da prescrição. Uma vez formulado, nada obsta que o contribuinte, enquanto não restituído o valor solicitado, aproveite tal crédito para, com base nele, ao longo do tempo, ainda que isto se estenda por mais de 5 anos, apresente pedidos de compensação. Poderá assim proceder até a efetiva extinção do crédito ou restituição pela Administração. No entanto, nos casos em que não existe pedido de restituição e sim pedido de compensação envolvendo parte do crédito, em relação ao saldo não há interrupção de prescrição. Assim o é porque o direito exercido de forma parcial não se constitui em causa de interrupção da prescrição em relação à parcela do crédito não contemplada no pedido compensação. Recurso Voluntário Improvido. O contribuinte foi intimado em 19/05/2015 (fls. 287), interpondo recurso especial em 02/06/2015 (fls. 290/306). Sustenta divergência quanto aos seguintes temas: (i) prazo para restituição de indébito tributário, indicando como paradigma o acórdão nº 1101000.885 (Processo Administrativo nº 10660.000905/200663), no qual se decidiu que "em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial / prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos cinco mais cinco, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova." Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 9101002.984 CSRFT1 Fl. 356 5 (ii) inaplicabilidade do prazo de 5 anos para restituição e compensação de saldo negativo, com o acórdão paradigma nº 910100411 (processo administrativo nº 11080.006480/0004), do qual se destaca: “o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente". O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção, conforme despacho às fls. 338/342 em decisão proferida em 27/01/2016, destacandose trecho a seguir. O Colegiado recorrido decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a nãohomologação de compensações em razão da prescrição do indébito nelas utilizado (saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999). A interessada aponta divergência relativamente à contagem do prazo prescricional para utilização do indébito adotando duas linhas argumentativas. Inicialmente indica que o Acórdão nº 1101000.885 admitiria que os pagamentos indevidos anteriores a 09/06/2005 estão sujeitos a tese dos "cinco mais cinco". (...) Este paradigma, porém, deve ser desconsiderado com fundamento no art. 67, §12, inciso II do Anexo II do RICARF por contrariar decisão judicial transitada em julgado, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, qual seja, aquela proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, inclusive já citada no acórdão recorrido para as alegações da interessada: (...) Já o outro paradigma apresentado, vinculado à segunda linha argumentativa da recorrente, prestase a caracterizar a divergência pretendida, porque conclui pela imprescritibilidade do saldo negativo de IRPJ enquanto o sujeito passivo apurar o imposto segundo a sistemática do lucro real. Neste sentido é a ementa do Acórdão nº 910100.411: (...) A divergência é clara, vez que o voto condutor do acórdão recorrido partiu da premissa de que, em se tratando de IRPJ, o saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas, decorrente de retenção de imposto de renda na fonte e ou recolhimento de estimativas, resulta constituído no momento em que o contribuinte, mediante procedimento adequado, (i) informa as receitas e os rendimentos sujeitos à tributação; (ii) apura o montante dos tributos devidos e (iii) dele subtrai o que foi pago de forma antecipada, declarando tal procedimento à Administração. Neste momento temse a constituição do saldo negativo em favor do contribuinte, com prazo de cinco anos para ser utilizado em processo de compensação ou pedido de restituição. Fl. 359DF CARF MF 6 Já no paradigma, o termo inicial do prazo prescricional somente se verificaria no momento em que o sujeito passivo encerrasse suas atividades ou mudasse de regime de tributação. (...) Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso em 05/02/2016 (fls. 344), sustentando que o direito de pleitear a restituição esgotase com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que ocorreria com o pagamento antecipado. A Procuradoria ainda reproduz o artigo 3º, da Lei Complementar nº 118/2005 em suas razões recursais. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial é tempestivo, tendo sido admitido especificamente quanto ao acórdão paradigma nº 910100.411, conforme razões da Presidente de Câmara. Como acima relatado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento negou parte dos créditos do contribuinte, aplicando o prazo prescricional de 5 anos às compensações declaradas após a vigência da Lei Complementar nº 118/2005: Direito Creditório. Prescrição. Prazo. Em decisão definitiva do Pleno e com Repercussão Geral, o STF reconheceu a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, mas considerou válida a aplicação do novo prazo de cinco anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Decorre daí que deve ser aplicado o prazo prescricional de cinco anos aos PER/DCOMP apresentados após 09/06/2005. Não se homologam as compensações e indeferese o pedido de restituição de indébito tributário apurado em 31/12/1999, mas apenas formalizados a partir de 13/05/2009. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No mesmo sentido pronunciouse a Turma a quo no acórdão recorrido, conforme trecho que se extrai a seguir: A partir do momento da constituição/apuração do saldo negativo o contribuinte tem prazo de cinco anos para pedir a restituição ou utilizálo em processos de compensação. Em igual prazo, Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 9101002.984 CSRFT1 Fl. 357 7 identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, com a redação atribuída pela Lei nº 11.941, de 2009. A matéria devolvida a este Colegiado, devidamente admitida por despacho do Presidente de Câmara é a inexistência de prazo para restituir saldo negativo, como alegado pela contribuinte recorrente. Nesse sentido é o acórdão paradigma nº 910100.411: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não deve ser aplicado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que o contribuinte exerça seu direito à restituição nos casos de saldo negativo de IRPJ e CSLL, quando mantido. o regime de apuração do lucro real, uma vez que o saldo negativo é apurado e renovado a cada período. Em caso similar ao presente, esta Turma da CSRF não conheceu recurso especial de contribuinte que também indicou o acórdão 910100.411 como paradigma. Colacionase ementa do precedente desta Turma, em julgamento por maioria de votos à qual me filiei: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1992 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não serve como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF e decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Novo Código de Processo Civil (NCPC). (acórdão 9101 002.602) Adoto as razões da Conselheira Adriana Rego, relatora do precedente acima referido (9101002.602), para não conhecer do presente recurso especial. Transcrevo trecho das razões da Ilustre Conselheira: No presente caso temse que, na data em que foi proferido o despacho de exame de admissibilidade do REsp da contribuinte, os paradigmas por ela indicados o Acórdão nº 910100.411 e o Acórdão nº 910100.522, deduziam tese que contrariava decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), e a Súmula nº 91, do CARF. Com efeito, na data em que apreciado o Recurso Especial da contribuinte, o STF já havia se pronunciado, na sistemática da repercussão geral (art. 543B, da Lei nº 5.869, de 1973), no sentido de que há prazo prescricional para reaver indébitos tributários, e esse prazo é de: (i) 5 (cinco) anos, a partir da extinção do crédito tributário, e é aplicável às ações de repetição de indébito ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias Fl. 361DF CARF MF 8 a contar da promulgação da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, ou de (ii) 10 (dez) anos, a contar da extinção do crédito tributário, para ações de repetição de indébito ajuizadas antes de 09/06/2005, como consignado no RE 566.621/RS – Rio Grande do Sul – Recurso Extraordinário (Relator(a): Min. Ellen Gracie. Julgamento: 04/08/2011 – Trânsito em Julgado em 17/11/2011). Além disso, na data do exame de admissibilidade do REsp, que se deu em 25/06/2015, já havia sido aprovada pelo Pleno da CSRF do CARF, em sessão realizada em 09/12/2003, a Súmula CARF nº 91, de seguinte teor: (...) Portanto, demonstrado que, na data em que feito o exame de admissibilidade do Resp da contribuinte, os paradigmas por ela indicados contrariavam entendimento consolidado em Súmula do CARF e em decisão proferida pelo STF em sistema de repercussão geral, temse que o REsp manejado viola as disposições do art. 67, do Regimento Interno do CARF e, nessas condições, não deve ser admitido. Diante de tais razões, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 362DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.906825/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.908
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 82 5/ 20 11 -5 3 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.906825/201153 Resolução nº 3201000.908 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10183.906825/201153 Resolução nº 3201000.908 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10183.906825/201153 Resolução nº 3201000.908 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10183.906825/201153 Resolução nº 3201000.908 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000211/2001-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PERDCOMP. PRAZO DECADENCIAL PARA ANÁLISE. DO DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Na análise dos pedidos de ressarcimento inexiste prazo para a autoridade fiscal efetuar a investigação da origem do crédito. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN é aplicável aos casos .em que a autoridade fiscal efetua lançamento de ofício.
PERDCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. FALTA DE INCLUSÃO DAS RECEITAS NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ.
A falta de comprovação do oferecimento à tributação das receitas objeto de retenção impede o aproveitamento dos valores de IRRF na apuração do saldo negativo do IRPJ.
Numero da decisão: 1301-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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PRAZO DECADENCIAL PARA ANÁLISE. DO DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Na análise dos pedidos de ressarcimento inexiste prazo para a autoridade fiscal efetuar a investigação da origem do crédito. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN é aplicável aos casos .em que a autoridade fiscal efetua lançamento de ofício. PERDCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. FALTA DE INCLUSÃO DAS RECEITAS NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A falta de comprovação do oferecimento à tributação das receitas objeto de retenção impede o aproveitamento dos valores de IRRF na apuração do saldo negativo do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 02 11 /2 00 1- 28 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13804.000211/200128 Acórdão n.º 1301002.585 S1C3T1 Fl. 635 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "BULL DO BRASIL SISTEMAS DE INFORMAÇÃO LTDA, manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT (fls. 895 a 908), que deferiu parcialmente o Pedido de Restituição (fls. 01) bem como homologou parcialmente também os Pedidos de Compensação do presente processo (fls. 02, 64, 66, 68, 70, 72, 89, 90, 92, 93, 94 e 97 a 102) e as Declarações de Compensação DCOMP e PER/DCOMP, listadas às fls.163 a 164, apresentadas nos processos apensos, relativos ao saldo credor negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 1999. Ao analisar o crédito pleiteado o Auditor Fiscal verificou que o saldo credor de IRPJ, no valor de R$ 153.123,92, foi composto por IRRF e por recolhimentos de antecipações por estimativa. Os recolhimentos de antecipações foram confirmados e aceitos pelo Auditor Fiscal em seu valor total. Quanto ao IRRF , verificouse que a contribuinte deixou de oferecer a tributação os rendimentos relativos a SWAP no valor de R$ 27.568,80, Conforme a DIRF de fls.128, o valor do IRRF correspondente aos rendimentos financeiros que foram oferecidos à tributação, totalizou R$ 63.787,47, que foi reconhecido pelo Auditor Fiscal. Quanto ao saldo credor de CSLL, relativo ao anocalendário de 1999, o valor foi integralmente aceito, após a analise efetuada que confirmou o direito da contribuinte, no valor total de R$ 60.487,25. Desse modo, foi reconhecido o credito de R$ 150.669,17 relativo ao saldo credor de IRPJ e R$ 60.487,25 de CSLL, do anocalendário de 1999, corrigidos com juros pela taxa Selic e homologadas as compensações até o limite do valor do crédito reconhecido. Cientificada da decisão proferida em 02/06/2008, conforme Relatório do Correio histórico do objeto de fls. 174, a contribuinte apresentou, em 03/07/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 408 a 412), apresentando as razoes a seguir, em síntese: Alega que já ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar qualquer revisão do autolançamento realizado pela contribuinte, de acordo com o disposto no art. 150 do CTN, pois o crédito se refere ao anocalendário de 1999 e esse artigo prevê o prazo legal de 5 anos para a constituição do crédito tributário. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13804.000211/200128 Acórdão n.º 1301002.585 S1C3T1 Fl. 636 3 Uma vez que a DEFIS não efetuou qualquer lançamento fiscal dentro do prazo legal, o lançamento foi tacitamente homologado. Cita jurisprudência judicial para corroborar o que alega. Alega que a única diferença existente entre o que o Fisco reconheceu e o que a empresa declarou é o valor de R$ 5.513,70, retido na fonte em operação de SWAP. Alega que o comprovante de rendimentos que apresenta comprova a retenção na fonte e tendo sido retido, o imposto foi repassado aos Cofres Públicos, independentemente de ter sido lançado na declaração de ajuste anual da contribuinte, argumentando que exigir essa diferença é bis in idem , intolerável no nosso ordenamento jurídico. Alega que fiscalização tributaria tem como objetivo a busca da verdade real/material e que cita doutrinadores e jurisprudência administrativa que embasariam o que alega. Por fim, requer que seja reconhecido como válido o crédito informado e integralmente homologadas as compensações realizadas com o referido crédito. Requer que seja validado o comprovante de retenção na fonte, apresentado de modo ser evitado o bis in idem posto que o valor glosado já foi remetido aos cofres públicos pela entidade responsável pela retenção do imposto de renda. É o relatório. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, na sessão realizada em 12/12/2008, a 5ª Turma da DRJ/SPOI indeferiu a solicitação e não homologou a compensação, além das que já haviam sido homologadas no Despacho Decisório, conforme acórdão nº 16 19.862, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA No cálculo do IRPJ devido, somente tem direito ao aproveitamento do IRRF retido sobre rendimentos financeiros, se esses rendimentos integraram a base de cálculo do Imposto de Renda. RENDIMENTOS DE SWAP COM HEDGE O não oferecimento dos rendimentos de SWAP impede o aproveitamento do IRF retido na operação. Compensação Não Homologada Cientificada do Acórdão DRJ/SPOI nº 1619.862 em 18/02/2009, conforme AR às fls. 516, a recorrente apresentou, tempestivamente, em 10/03/2009, recurso voluntário (fls. 535 a 541) alegando em síntese: A decadência do direito do Fisco de questionar o crédito informado, pois teriam transcorridos mais de sete anos entre a data do o protocolo do pedido de compensação (01/2001) e a ciência da decisão (06/2008); Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13804.000211/200128 Acórdão n.º 1301002.585 S1C3T1 Fl. 637 4 Defende a recorrente que nos termos do art. 150. § 4º do CTN, ultrapassado o prazo de cinco anos contados a partir de janeiro/2000, teria ocorrido a homologação tácita do crédito relativo ao calendário de 1999 em dezembro/2004; Alega que a decisão recorrida admite a ocorrência da decadência, entretanto, exige o valor do débito que foi compensado com esse crédito, Afirma que o prazo decadencial é valido tanto para o crédito como para o pedido de compensação e, se o Fisco não tomou as providências que deveria no prazo que a lei lhe permite, não poderia agora, utilizandose de semântica duvidosa, reconhecer o crédito mas deixar de homologa a compensação; Defende que mesmo havendo erro do contribuinte, como ocorreu no caso concreto, onde contribuinte deixou de declarar o valor de imposto retido na fonte, a documentação apresentada, no caso, o comprovante de retenção, deve ser admitida, para que em face da verdade formal se sobreponha a verdade real; Por fim, requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. O pedido de restituição protocolado em 24/01/2001, relativo ao saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 153.123,92, foi parcialmente deferido, no Despacho tendo sido reconhecido o direito creditório no valor de R$ R$ 150.669,17. A parcela indeferida, no valor de R$ 2.454,75, referese ao IRRF retido na fonte sobre rendimentos de swap não incluídos na base de cálculo do IRPJ. Ao apreciar as alegações da Manifestação de Inconformidade, a DRJ manteve a decisão do despacho decisório argumentando que os rendimentos não foram oferecidos à tributação, motivo pelo qual a contribuinte não poderia se aproveitar do IRRF, pois aí sim, estaria deixando de recolher qualquer imposto sobre o rendimento. No Recurso Voluntário alega a recorrente que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar o crédito informado, pois teriam transcorridos mais de sete anos entre a data do o protocolo do pedido de compensação (01/2001) e a ciência da decisão (06/2008). Diversamente do alegado pela recorrente, a investigação da origem do crédito com origem no saldo negativo de IRPJ, apurado em 31/12/1999, tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN, para o tributos sujeitos aos lançamentos por homologação, aplicase às investigações em que a autoridade fiscal verifica a apuração efetuada pelo sujeito passivo e, discordando do tributo por ele apurado, constitui o lançamento de ofício. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13804.000211/200128 Acórdão n.º 1301002.585 S1C3T1 Fl. 638 5 Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) O ônus da prova do direito creditório é do contribuinte, por outro lado, o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, conforme o § 4º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sob pena de ocorrer a homologação tácita Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) No caso concreto, apesar de ter protocolizado o pedido de restituição em 24/01/2001, boa parte das declarações de compensação vinculadas a esse pedido foram apresentadas a partir de 13/06/2003, conforme planilha às fls. 172 e 173 do despacho decisório. Assim, considerando que o termo inicial do prazo de cinco anos para a ocorrência da homologação tácita é a data do envio das declarações de compensação, bem assim, que a recorrente foi cientificada da decisão que não homologou referidas compensações em 05/06/2008, conforme despacho e consulta ao sítio dos Correios às fls. 182 e 183, não há que se falar em homologação tácita. Alega a recorrente que mesmo havendo erro do contribuinte, como ocorreu no caso concreto, em que teria deixado de declarar o valor de imposto retido na fonte,o conforme documentação apresentada. no caso, o comprovante de retenção, deve ser admitida, para que em face da verdade formal se sobreponha a verdade real O art. 231 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), estabelece a necessidade de inclusão das receitas objeto de retenção na determinação do lucro real, para determinação do saldo de imposto a pagar ou ser compensado: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13804.000211/200128 Acórdão n.º 1301002.585 S1C3T1 Fl. 639 6 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Dos dispositivos legais acima transcritos, verificase que para a inclusão do IRRF na apuração do saldo negativo do IRPJ a ser restituído, fazse necessária comprovação de que as receitas objeto de retenção foram oferecidas à tributação. Apesar do despacho decisório e da decisão recorrida afirmarem, expressamente, que a o motivo do não reconhecimento é a falta de comprovação da inclusão das receitas na base de cálculo do IRPJ, em momento algum a recorrente contesta tal acusação. Ao contrário, admite expressamente ter deixado de declarar o IRRF na DIPJ, porém, entende que o comprovante da retenção apresentado, em obediência ao princípio da verdade material, deve ser admitido. Diante do exposto, voto por não reconhecer o direito creditório no valor de R$ 2.454,75, devendo ser homologadas apenas as compensações já reconhecidas no despacho decisório. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001179/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada.
Numero da decisão: 2201-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontra-se no arquivo não-paginável anexado à fl. 569 do processo eletrônico.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 17/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontra-se no arquivo não-paginável anexado à fl. 569 do processo eletrônico. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 17/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontrase no arquivo não paginável anexado à fl. 569 do processo eletrônico. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 17/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 79 /2 00 8- 14 Fl. 671DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 646/649) apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.852 (fls. 618/644), proferido por esta Turma, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 2201003.737 S2C2T1 Fl. 672 3 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao identificar o vício que justificaria a apresentação de embargos, a PGFN destaca o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão: “Apesar de o lançamento referirse a contribuição patronal de uma entidade que dizse isenta, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, apresenta várias apropriações de recolhimentos para o débito em questão (cota patronal), tanto para a contribuição da empresa quanto para o SAT/RAT.” Em seguida, afirma a embargante que: O acórdão ora embargado se reporta ao RADA como prova de que houve recolhimento parcial, todavia, não foi possível confirmar a informação no sentido de que há recolhimento parcial da contribuição previdenciária objeto dos autos exatamente nas competências em análise. Muito embora exista menção ao documento, salvo algum equívoco na leitura do processo, não foi possível localizálo, o que enseja cerceamento do direito de defesa da União. Após mencionar a importância da análise dessas informações para o processo e transcrever o enunciado nº 99 da Súmula CARF, concluiu a peticionante no seguinte sentido: Como fica patente ante a leitura do enunciado, não basta a existência de pagamento de qualquer contribuição previdenciária, é preciso que esses comprovantes de recolhimento se refiram ao tributo específico a que se reporta a autuação. Nesse contexto, cumpre ressaltar e se mostra um tanto espantoso que haja recolhimento no caso dos autos, considerando que entidade que se enquadrava como isenta no período, aspecto que demonstra ainda maior a relevância de que se aponte com clareza qual documento (página/trecho exatos) que respaldam a conclusão do julgado. Pelo despacho de fls. 652/653, os embargos foram admitidos por se considerar que "a decisão embargada foi omissa ao não mencionar a folha dos autos em que se localiza o documento". Fl. 673DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme foi evidenciado no relatório, a decisão embargada considerou comprovada a existência de pagamentos de contribuições previdenciárias nas competências abrangidas pelo lançamento, razão pela qual aplicou o prazo decadencial de que trata o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Ao fundamentar essa decisão, o aresto vergastado afirma que o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA apresenta várias apropriações de recolhimentos para o débito em questão (cota patronal), tanto para a contribuição da empresa quanto para o SAT/RAT, razão pela qual, tendo o sujeito passivo sido cientificado do auto de infração em 20/11/2008, considerou decaídas as competências de 01/2003 a 10/2003. Não tendo localizado a comprovação desses pagamentos, a embargante solicita que se identifique página/trechos exatos que justificariam essa conclusão. Analisandose o processo, vêse que a fls. 542/552 foi prolatada a Resolução nº 2403000.295, de 6 de novembro de 2014, pela qual se determina a juntada ao processo dos seguintes documentos: IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento RL Relatório de Lançamentos RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal A partir da fl. 556, há vários termos de anexação de arquivo nãopaginável. Na fl. 569, está identificado o "termo de anexação de arquivo nãopaginável Debcad 37.156.7424", que contém um conjunto de arquivos, sendo um deles identificado como RADA.pdf. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 14041.001179/200814 Acórdão n.º 2201003.737 S2C2T1 Fl. 673 5 Nele está o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados relativo ao AI Debcad 37.156.7424, onde a fiscalização procura demonstrar como os pagamentos identificados no curso da ação fiscal foram apropriados no lançamento. A primeira informação fornecida nesse arquivo é a abaixo transcrita: Estabelecimento: 00.331.801/000130 Competência: 01/2003 Documentos Apresentados Tipo Quant. DEBCAD C.Pag. Tot. INSS Tot. Terc. Tot. Liq. Tot. c/ Acr. Leg. GPS 35 2100 89.807,46 89.807,46 91.090,09 TOTAL DA COMPETÊNCIA 89.807,46 89.807,46 91.090,09 Apropriação Efetuada Documento Item Levantamento Prioridade Vl. Apropriado EXCL 09.446.7532 Segurados GFE 1 1.141,49 AI 37.156.7424 Empresa REF 3 67.803,35 AI 37.156.7440 Segurados DSE 2 19.769,51 AI 37.156.7459 Segurados CSE 3 1.093,11 TOTAL INSS 89.807,46 Conforme se extrai dessas informações, na competência 01/2003, foram identificadas 35 GPS com código de pagamento 2100, totalizando R$ 89.807,46. Para as competências seguintes, esse documento apresenta as seguintes informações: Comp. 02/2003: 42 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 201.047,64; Comp. 03/2003: 37 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 204.504,71; Comp. 04/2003: 38 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 155.609,46; Comp. 05/2003: 41 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 213.051,29; Comp. 06/2003: 47 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 251.808,19; Comp. 07/2003: 42 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 256.436,83; Comp. 08/2003: 40 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 247.763,42; Comp. 09/2003: 41 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 437.869,73; Comp. 10/2003: 40 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 234.254,53. Fl. 675DF CARF MF 6 No mesmo "arquivo nãopaginável" é possível encontrar o arquivo RDA.pdf, onde estão relacionadas todas as GPS apropriadas no RADA. Por outro lado, do relatório fiscal, destacase o seguinte trecho, que menciona expressamente a identificação de GPS e sua apropriação: 9.3 Para fins de apropriação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias (GPS), foram consideradas as contribuições de empregados e contribuintes individuais (levantamento "GFE" e "GFC" respectivamente) declaradas pela empresa nas GFIP. Para tanto, houve a necessidade de alteração do código de recolhimento das GPS para "2100". O relatório das contribuições declaradas pela empresa e consideradas para fins de apropriação das GPS encontrase anexo ao presente documento. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, informar à embargante que o documento citado pelo Acórdão embargado como fundamento para a declaração de decadência de parte do lançamento encontrase no arquivo nãopaginável anexado à fl. 569 do processo eletrônico. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724174/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção.
CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA.
O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONCEITO DE INSUMO. NÃOCUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 41 74 /2 01 2- 14 Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10855.724174/201214 Acórdão n.º 3302004.351 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 3o trimestre de 2007. O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório constante nos autos, reconheceu em parte o direito creditório, homologando as compensações efetuadas até o limite reconhecido, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Cientificada do despacho decisório, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade contestando a glosa dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Não se conformando com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10855.724174/201214 Acórdão n.º 3302004.351 S3C3T2 Fl. 4 3 estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Porto Alegre, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 10050.204. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou as alegações da manifestação de inconformidade e solicitou a reversão das glosas em relação ao arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.337, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10855.002716/200729, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.337): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2014, fls. 788, e o recurso foi protocolado em 06 de agosto de 2014, fls. 790. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da Matéria Preclusa No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a turma julgadora não emitiu juízo de valor sobre o crédito, decorrente de despesas com arrendamento mercantil. Discorre que a apropriação de créditos, decorrentes de custos com arrendamento mercantil, na apuração da COFINS não cumulativa, não foi condicionada ao fato de que o bem, equipamento ou veículo fosse utilizado na atividade fim da empresa, cita precedente do Carf e solicita a reversão da glosa. De fato, não há no acórdão da DRJ/Porto Alegre qualquer manifestação sobre a glosa de despesas com arrendamento mercantil, contudo, a Recorrente somente apresentou tal tema em fase recursal, não havendo, assim, como a decisão, ora contestada, pronunciarse sobre um tema que não havia sido manifestado no momento oportuno. Vale Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10855.724174/201214 Acórdão n.º 3302004.351 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, que seria equivalente à impugnação. Por tal motivo, a matéria é preclusa e, portanto, não pode ser conhecida. 3. Da Prejudicial de Mérito Da Decadência A Recorrente alega que, no presente caso, operouse o instituto da decadência, uma vez que o seu pedido de ressarcimento eletrônico foi transmitido em 30 de agosto de 2007 às 16h13min e a sua ciência ocorreu em 17 de setembro de 2012. Assim, entende que concluído o prazo de cinco anos sem a manifestação da Receita Federal do Brasil, o pedido de restituição estaria decaído e, por conseguinte, tacitamente homologado. No caso em análise, observase a existência de dois pedidos: um de ressarcimento e outro de compensação. Assim, em primeiro, lugar é necessário observar se o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado no ressarcimento, para, então, poder alocálo no pedido de compensação. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. Assim, a existência do crédito no ressarcimento é premissa necessária para a compensação, não podendo falar em homologação tácita. Ademais, não há previsão legal de prazo para o fisco analisar o pedido de restituição. Portanto, rejeitase a prejudicial de decadência e não se conhece da matéria. 4. Dos Créditos Custos de Fretes Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10855.724174/201214 Acórdão n.º 3302004.351 S3C3T2 Fl. 6 5 A Recorrente alega que incorre em custos inevitáveis e necessários com transporte de seus produtos para suas filiais e centros de distribuição, razão pela qual eles devem integrar a base de créditos do PIS, pois se constituem em um verdadeiro insumo essencial na atividade produtiva da empresa, cita a legislação, entende insumo sob o aspecto da essencialidade. Pleiteia que os seus gastos com frete intermediário, aquele para o transporte de seus produtos para outros estabelecimentos, venham a compor a base de créditos do PIS. Cita soluções de consulta e pleiteia pela aplicação do princípio da isonomia. Por fim, entende que o conceito de insumo deve ser analisado sob a ótica do imposto sobre a renda. Da Informação Fiscal, fls. 731, extraise: 3.6 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda O item IX do artigo 3° da lei 10.833/2003, traz a permissão para crédito de gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A memória de cálculo apresentada pela empresa foi detalhada na planilha 6 – Despesas de Fretes e Armazenagem, gravada no CD 04, cujo conteúdo encontrase digitalmente anexado ao Recibo de entrega de arquivos digitais – READ. Nesta rubrica, ao auditála, percebeuse que o número da nota fiscal elencada na planilha e informada no lançamento contábil, tratavase, na verdade, do número da Fatura, que, como sabemos, pode agregar várias notas fiscais, ou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, o CTRC. (...) 3.6.1 – Fretes na Operação de Venda (...) Para calcular o valor do crédito de direito, procedeuse da seguinte forma: Extraímos os fretes interiharas, isto é, os fretes da Iharabrás para a própria Iharabrás, consolidando tais valores a fim de glosálos, nos Anexos IX “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás Jul 2004 a Dez 2004 – Analítico” e Anexo X “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás – Jul 2004 A Dez 2004 – Sintético”. Identificamos os fretes cujo remetente é a Iharabrás, e destinatário diverso, a fim de manter o creditamento. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10855.724174/201214 Acórdão n.º 3302004.351 S3C3T2 Fl. 7 6 havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. Da doutrina contábil, extraise: d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço1 Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; 1 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10855.724174/201214 Acórdão n.º 3302004.351 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003. O cerne da questão é se fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica pode ser considerado como insumo do processo produtivo. Para esclarecer como ocorre o creditamento de fretes no que concerne à contribuição para o PIS/Pasep, valese da preciosa lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no acórdão nº 3302003.210, que explica didaticamente como ocorre e do qual se adota como fundamento: Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (grifos não constam do original) Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10855.724174/201214 Acórdão n.º 3302004.351 S3C3T2 Fl. 9 8 Pela análise do anexo XIV, fls. 538 e seguintes, e pela própria argumentação da contribuinte, ela pleiteia pelo crédito de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, que por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Por tal motivação, mantémse a decisão da DRJ/Porto Alegre. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, sendo a matéria preclusa; e, portanto, não pode ser conhecida, e, no mérito, aplicase o mesmo entendimento quanto ao crédito de PIS/COFINS de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, ressalvando que no caso específico do processo não houve litígio quanto à prejudicial de decadência. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, nego provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1085DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004848/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Omissão de Receita. Presunção.
Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
Alienação de Ações. Perda Superior a Dez por Cento. Indedutibilidade.
Não são dedutíveis os prejuízos havidos em virtude de alienação de ações, títulos ou quotas de capital, com deságio superior a dez por cento dos respectivos valores de aquisição, salvo se a venda houver sido realizada em bolsa de valores, ou, onde esta não existir, tiver sido efetuada através de leilão público, com divulgação do respectivo edital, na forma da lei, durante três dias no período de um mês.
CSLL, PIS e Cofins. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.568
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PERDA SUPERIOR A DEZ POR CENTO. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis os prejuízos havidos em virtude de alienação de ações, títulos ou quotas de capital, com deságio superior a dez por cento dos respectivos valores de aquisição, salvo se a venda houver sido realizada em bolsa de valores, ou, onde esta não existir, tiver sido efetuada através de leilão público, com divulgação do respectivo edital, na forma da lei, durante três dias no período de um mês. CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 48 /2 00 3- 97 Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 19515.004848/200397 Acórdão n.º 1301002.568 S1C3T1 Fl. 2.303 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por HOTELARIA ACCOR PDB LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1615.269, da 3ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 1.583 a 1.599), que deu provimento parcial à impugnação apresentada contra os autos de infração de fls. 359 a 380. O Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 344 a 348) descreve as seguintes infrações, ocorridas no 2º e no 3º trimestres de 1998: a) omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada; e b) inobservância do regime de competência e falta de adição ao lucro líquido de perda não dedutível na alienação de investimentos. Contra o lançamento foi apresentada impugnação, à qual a DRJ São Paulo I deu parcial provimento, excluindo uma parcela do crédito tributário relativa à omissão de receitas, tendo em vista a comprovação, quanto a alguns depósitos, das operações a que se referiam os valores depositados. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 19515.004848/200397 Acórdão n.º 1301002.568 S1C3T1 Fl. 2.304 3 Configurase a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo. Exonerase a parcela comprovada na fase impugnatória. PERDA NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. INDEDUTIBILIDADE. É indedutível a perda na alienação de ações, com deságio superior a dez por cento do respectivo valor de aquisição, cuja operação, realizada entre a investidora e sua controladora, não ocorreu em bolsa de valores ou por leilão público. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso (fls. 1.607 a 1.653) alegando, em síntese, que todos os depósitos e transferências bancárias relacionados no lançamento são provenientes de integralização de aumento de capital social, subscrito pela sociedade Novos Hotéis da Guanabara S/A. Aduziu que os valores depositados foram devidamente contabilizados e submetidos à tributação na pessoa jurídica que procedeu à integralização do capital. Quanto à segunda infração, disse que é infundado e inverídico o argumento da autoridade fiscal de que os procedimentos adotados pela autuada teriam representado falta de adição do prejuízo com a alienação dos investimentos, pois os valores teriam sido previamente adicionados ao lucro líquido, quando da apuração do Lucro Real. Afirmou que a empresa Hotel Coral da Guanabara Ltda., antiga denominação da recorrente, registrou em 30/06/1998 a prévia adição do "Custo de Baixa das Ações sob o Código 3.1.2.06.003", no valor total de R$ 3.487.966,74, no livro de apuração do lucro real. Alegou, por fim, quanto à multa isolada, que a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu parcial provimento ao recurso de apelação n° 2000.61.00.0251617, interposto pela recorrente, reformando, a sentença de primeira instância, para o fim de conceder a segurança pleiteada. Assim, de acordo com o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, a denúncia da infração tributária, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, impõe o afastamento da cobrança da multa moratória. Com esses fundamentos, pugnou pelo provimento do recurso. A Resolução nº 1301000.220 (fls. 2.190 a 2.206) determinou o retorno dos autos à unidade de origem para a realização de diligência, a fim de comprovar a origem dos depósitos bancários. A Fiscalização, no Termo de Encerramento de Diligência (fls. 2.245 a 2.246), manifestouse da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado por Termo de Início de Procedimento Fiscal em 20/08/2015, tendo sido reintimado em 16/09/2015 para se manifestar ou apresentar quaisquer documentos. Inicialmente, serão analisadas as alegações e os documentos referentes ao Recurso Voluntário. No DOC. 03 (fls. 1670) o contribuinte apresenta planilha referida no item 1 do Recurso Voluntário (fls. 1611). Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 19515.004848/200397 Acórdão n.º 1301002.568 S1C3T1 Fl. 2.305 4 Essa planilha não será considerada nesta diligência, pois a comprovação das transações bancárias se faz necessariamente com a apresentação dos correspondentes documentos bancários, com os quais seria possível a identificação do depositante do numerário. Os Livros Diário e Razão refletem a escrituração das operações bancárias com base nos documentos bancários que identifiquem a origem dos depósitos auferidos. Os demais documentos apresentados (DOC. 04 a 07) não são suficientes para efetiva comprovação da origem dos depósitos bancários. (...) Os documentos hábeis não são planilhas, nem mesmo os Livros Diário e Razão, mas aqueles que comprovem a operação e as partes envolvidas. Dessa forma, não há que se falar em provas juntadas pelo contribuinte no Recurso Voluntário. Também na resposta apresentada pelo contribuinte em atendimento aos Termos de Intimação e de Reintimação expedidos por esta Fiscalização, o contribuinte também apresentou planilhas sem a juntada de qualquer documento. A recorrente foi intimada do resultado da diligência (AR fl. 2.296), após o que, os autos devolvidos a esta Turma para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade A admissibilidade do recurso já foi reconhecida, quando da Resolução nº 1301000.220. Todavia, o ponto que diz respeito à multa isolada não é pertinente a este processo, mas ao processo apensado de nº 19515.004847/200342, razão pela qual a matéria aqui não será examinada. Omissão de receita A omissão de receita foi apurada com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 19515.004848/200397 Acórdão n.º 1301002.568 S1C3T1 Fl. 2.306 5 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal, de eficácia relativa, podendo ser afastada por prova em contrário oferecida pelo sujeito passivo. Nasce a presunção quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos bancários cuja origem a Fiscalização, pelo exame das informações de que disponha, não conseguir identificar; b) intimação regular ao contribuinte para esclarecer as operações que deram causa aos depósitos; c) ausência ou insuficiência de esclarecimento pelo contribuinte. Reunidos tais requisitos, nasce a presunção de omissão de receitas, a qual, sem necessidade de prova de qualquer outro fato ou circunstância, pode dar ensejo ao lançamento de Imposto de Renda e demais tributos. No caso concreto, estão reunidos os três requisitos. Em situações como essa, deve ser examinada a origem de cada depósito de forma individual. É o que dispõe o parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (g.n.) Como se vê, não basta à recorrente, de forma genérica, afirmar, como ela faz no recurso, que os depósitos têm todos a mesma origem, ou seja, a integralização de capital, por parte da pessoa jurídica Novos Hotéis da Guanabara S/A, no montante de R$ 1.783.319,87, dividido em diversos depósitos e transferências realizadas ao longo do período (fl. 1.614). A explicação há de ser individual e respaldada em documentos comercias e fiscais. No caso em tela, a Fiscalização relacionou inúmeros depósitos (fls. 349 a 356) para os quais não restou comprovada a origem. A recorrente afirmou que todos eles têm origem no mesmo fato jurídico, ou seja, a integralização de capital. Não é comum que a integralização de capital social se faça pulverizada em mais de cem depósitos e transferências para diversas contas bancárias, ao longo do ano. A recorrente também não explicou o motivo para esse procedimento. Essa alegação precisava ser provada. Para esse fim, os autos foram remetidos à unidade de origem. A diligência, entretanto, foi frustrada, pois, segundo o relatório fiscal, a recorrente, embora tenha apresentado planilhas e livros contábeis (produzidos unilateralmente), deixou de exibir os documentos que comprovariam as operações das quais derivam os valores depositados nas contas bancárias. Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 19515.004848/200397 Acórdão n.º 1301002.568 S1C3T1 Fl. 2.307 6 Portanto, à mingua de prova da origem dos valores depositados, o lançamento nesse parte deve ser mantido. Perda na alienação de investimento O lançamento, nesse ponto, foi motivado pela inobservância do disposto no art. 336 do Regulamento do Imposto Renda, aprovado Decreto nº 1.041/1994, vigente à época dos fatos: Art. 336. Não são dedutíveis os prejuízos havidos em virtude de alienação de ações, títulos ou quotas de capital, com deságio superior a dez por cento dos respectivos valores de aquisição, salvo se a venda houver sido realizada em bolsa de valores, ou, onde esta não existir, tiver sido efetuada através de leilão público, com divulgação do respectivo edital, na forma da lei, durante três dias no período de um mês (Lei n° 3.470/58, art. 84). Parágrafo único. As disposições deste artigo não se aplicam às sociedades de investimentos fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil, nem às participações permanentes (Lei n° 3.470/58, art. 84, parágrafo único). De acordo com a Fiscalização, a recorrente alienou para Asteca Empreendimentos Ltda. participações no capital da Riotur e da Flumitur, por preço inferior ao custo registrado na contabilidade. A recorrente negou a infração, alegando que o custo do investimento fora adicionado, em junho de 1998, ao lucro líquido, conforme registrado no Lalur. Acerca do problema, assim se expressou a recorrente: Tal assertiva pode ser facilmente comprovada a partir da análise do LALUR da empresa Hotel Coral da Guanabara Ltda., antiga denominação da recorrente, onde em 30.06.1998 consta, inequivocamente, a prévia adição do "Custo de Baixa das Ações sob o Código 3.1.2.06.003 lançado na folha 33", no valor total de R$ 3.487.966.74. (Doc. 10). (...) Assim, resta cabalmente demonstrado que em junho de 1998 a recorrente adicionou, sim, tais valores ao seu lucro real não havendo que se falar, portanto, em qualquer irregularidade contábil a ela concernente, quer no que diz respeito ao regime de competência, quer no que se refere a adição dessas perdas quando da apuração do lucro real. E, como é notório, a prévia adição de uma perda ao Lucro Real da empresa e o conseqüente oferecimento deste resultado à tributação afasta quaisquer motivos para que se mantenha o presente lançamento fiscal, uma vez demonstrada que não houve qualquer prejuízo ao Fisco Federal. (fls. 1.631 a 1.632) É verdade que o custo do investimento foi adicionado ao lucro líquido, conforme registro no Lalur. Entretanto, o mesmo valor adicionado em um período foi excluído no outro, anulando o efeito sobre a base de cálculo do IRPJ. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 19515.004848/200397 Acórdão n.º 1301002.568 S1C3T1 Fl. 2.308 7 O voto condutor da decisão recorrida descreve com clareza a situação fática: A empresa citada, em 05 de junho de 1998, realizou a baixa contábil da totalidade do custo das ações (conforme Razão de fls. 83/87, crédito na conta investimento e débito a conta de resultado), efetuando posteriormente ajustes extracontábeis: adição ao Lucro Real em 30 de junho de 1998 (conforme LALUR, fl. 1601, verso) e exclusão em 30/09/1998 (embora não conste da cópia autenticada do LALUR, fl. 1602, foi informado na Ficha 07 da DIPJ e no demonstrativo de fl. 1604). (g.n.) (fl. 1.597) A recorrente procedeu à baixa da totalidade do custo das ações. Esse lançamento afetou o lucro líquido, ponto de partida para a apuração do lucro real (lucro tributável). Se, para fins de apuração do IRPJ, a perda na alienação das ações é indedutível, o que deveria ser adicionado (extracontabilmente) ao lucro líquido era o prejuízo, ou seja, a diferença entre o custo e o preço de venda. A recorrente, todavia, não procedeu assim. No Lalur (ajuste extracontábil), ela fez a adição integral do custo e depois excluiu o mesmo valor, de modo que o segundo lançamento anulou o primeiro, fazendo com que, ao final, o registro contábil da perda na alienação das ações da Riotur e da Flumitur permanecesse reduzindo o lucro tributável. Assim sendo, resta caracterizada a infração que motivou o lançamento. Por último, convém ressaltar a inaplicabilidade do método de equivalência patrimonial para avaliar as ações da Flumitur e da Riotur, por não se tratar de investimento relevante em coligadas ou controladas. CSLL, PIS e Cofins Quanto aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, por terem origem na mesma situação fática do IRPJ, devem receber a mesma decisão adotada para este (IRPJ), o que só não aconteceria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação de um desses tributos, que impusesse solução diferente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 19515.004848/200397 Acórdão n.º 1301002.568 S1C3T1 Fl. 2.309 8 Fl. 2309DF CARF MF
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