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Numero do processo: 35244.001124/2006-28
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 07/08/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL.
O prazo para pleitear a restituição dos valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos é de cinco anos contados da homologação do pagamento efetuado pelo contribuinte. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.059
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso e negar provimento, nos termos do voto vencedor apresentado pelo redator designado Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, vencidos os conselheiros CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE (relatora),
GUSTAVO VETTORATO e VERA KEMPERS DE MORAES ABREU (suplente).
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA JÚNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/08/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O prazo para pleitear a restituição dos valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos é de cinco anos contados da homologação do pagamento efetuado pelo contribuinte. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Voluntário Negado.
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ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em conhecer do recurso e negar provimento, nos termos do voto vencedor apresentado pelo redator designado Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, vencidos os conselheiros CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE (relatora), GUSTAVO VETTORATO e VERA KEMPERS DE MORAES ABREU (suplente). ___ .....--;" HELTii~ r é ,f4:' ' ---'AIA DE. LIMA — Presidente I , O A j OSÉAS COIM̀ R. . 10R. — Redator designado 1 , Qwt,QUI440(~újtil CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE — Relatara Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera K.empers de Moraes Abreu (suplente), Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de pedido de restituição de valor indevidamente recolhido por CLARICE LIDEI E SCHIEFELBEIN MONTAGNER, em razão de desconto previdenciário em montante superior ao valor do teto máximo na ocasião da liquidação de acordo trabalhista formalizado nos autos do processo n°00535702198-1. Na decisão de fls. 31, a Secretaria da Receita Previdenciária - Unidade Caxias do Sul/RS indeferiu o pedido formulado pelo interessado, sob o fundamento de que já estaria prescrito o direito do contribuinte de pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente em 07/08/2001, por força do disposto no art. 253, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n, 3.048/99, tendo em vista que o pedido de restituição foi protocolado em 24/08/2006. Contra essa decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o prazo prescricional aplicável à hipótese é aquele previsto no art. 168, I do Código Tributário Nacional, que prevê o prazo de cinco anos, contados da data da homologação do pagamento efetuado, para que o contribuinte possa solicitar a repetição do indébito. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenci árias, esse prazo apenas se iniciaria a partir da homologação tácita, que ocorre após o transcurso do prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4, CTN. Nestes termos, defende a Recorrente que o prazo para pleitear a restituição do indébito é de dez anos no total; e que há posição do Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais Federais a respeito do tema. Esse é o relatório. Voto Vencido Conselheira CAR.OLINA. SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora. . . . . . . Com razão a Recorrente; O direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos é assegurado pela disposição contida no art. 165 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: "Ari 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio piotesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual fin à modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no 4" do artigo 162, nos seguintes casos. 1 - cot), [111“1 ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da num; era ou circunstâncias materiais do ,fato gerador efetivamente ocoi rido, 2 Processo o' 35244 001124/2006-28 S2-TE03 Acórdão o" 2803-00.059 Fl 2 O prazo para pleiteai a referida restituição, por sua vez, é determinado pelo art. 168, I do Código Tributário Nacional, segundo o qual "o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito ti-anu/ti io". É nesse contexto que foi editada o art, 253, I, do Regulamento da Previdência Social, que, como se verá abaixo, tem exatamente a mesma redação da norma trazida pelo Código Tributário Nacional: "Art 253. O direito de pleitear restituição ou de i ealizat compensação de contribuições ou de outras importâncias- extingue-se em cinco anos, contados da data" 1 - do pagamento ou recolhimento indevido, Considerando que o recolhimento em questão foi realizado em 07 08,2001, dever- se-á ser aplicada ao caso a jurisprudência consolidada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que, advindo os indébitos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo para se pleitear a restituição dos valores recolhidos indevidamente é de dez anos. Como se verá adiante, a construção jurisprudencial tem como ponto de partida a conjugação dos enunciados contidos no art 168, 1, do CTN_ Tal como ressaltado, o prazo de cinco anos previsto pelo art. 168, I, CTN, e repetido pelo art. 253, I, do Regulamento da Previdência Social, é contado do pagamento indevido do tributo. Há que se ressaltar, contudo, que, consoante o previsto no art. 150, § 4 0 , CTN, esse pagamento só é considerado definitivo após a homologação expressa ou tácita pelo Fisco, sendo que essa Ultima apenas será verificada após cinco anos da ocoirência do fato gerador. Confira-se, a respeito, o teor do referido artigo: "Art 150 O lançamento por hon?ologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação an ibua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento S eill I, 1 évio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a reler ida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". ,Ç 4" Se a lei mio fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato ger odor, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha promuwiado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o Cl édito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fiaude ou simulação Nestes termos, concluiu o STJ que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo para pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente seria de dez anos, contados da data de ocorrência do fato gerador Exemplificativamente, os Julgados: RESP 44.221, R.el Min. Antônio de Pádua Riben o, ERESP 42.720, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, ERESP 48.01.3, Rel. Min. Ari Pargendler, ERESP 47,879, Rel. Min. Demócrito R..einaldo, ERESP 65 490, Rel Min. Hélio Mosimann, ER.ESP 289.398 Franciulli Netto, ERESP 286.552, Min. Eliana Calmon, ERESP 3 346.664, Rei Min Castro Meira, ERESP 449 751, Rei Min, José Delgado, ERESP 416.266, Rei Min. João Otávio de Noronha, ER.ESP 667628, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Consolidou-se, desta forma, a chamada tese dos "cinco mais cinco" anos, aplicável em todas as hipóteses nas quais se pretendesse compensai ou ver restituído valor recolhido a mais a título de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Por todo o exposto, deve ser aplicada ao presente caso a previsão contida no art. 253, 1, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto if 3.048/99, que estabelece que o prazo de cinco anos para pleitear a restituição deve ser contado do pagamento indevido do tributo Essa disposição, contudo, deverá ser interpretada em conjunto com o disposto no art. 150, § 4", CTN, em estrita consonância com a jurisprudência sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido, será de dez anos o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição dos indébitos tributários.. Por fim, cumpre esclarecei que a disposição contida no art 3° da Lei Complementar n" 118/2005, que estabelece que o prazo prescricional para a restituição de tributos, previsto no art. 168, 1, CTN, seria contado do pagamento antecipado de que trata o § 1" do art. 150 da referida Lei, não se aplica à hipótese dos presentes autos. Como já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, o referido dispositivo legal trata-se, na verdade, de norma que atribui ao mencionado art„ 168, I, CTN sentido diverso daquele já dado anteriormente pela Corte Não se poderia, por essa razão, considerá-la norma de caráter interpretativo, como consta na ementa da Lei Complementar n° 118/2005. Esse entendimento foi formalizado por meio do posicionamento sedimentado pela Seção de Direito Público, na sessão de 27.4 2005, no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial 327.043/DF, da R.elatoria do Min João Otávio de Noronha, pôs fim à controvérsia instaurada pelo mencionado diploma legal, determinando o afastamento da disposição contida no art. 4" da referida lei, nos seguintes termos: "Não se nega ao Legislativo o poder de alterar a norma (e, portanto, se lar o caso, também a inteipretaçãQformada em relação a ela). Pode, sim, fazê-lo, mas não com efeitos retroativos. Admitir a aplicação do art 3' da LC 118/2005, sobre os . fittos passados, nomeadamente os que são objeto de demandas em juizo, seria consagi ar verdadeira invasão, pelo Legislativo, da função jurisdicional, comi °metendo a autonomia e a independência do Poder Judiciário Significai ia, ademais, consagrar ofensa à cláusula constitucional que assegura, em lace da lei nova, o direito adquirido, o ato jurídico peifeito e à coisa julgada, Portanto, o reférició dispositivo, poriSer inovador no plano das . 1.701 -mas, somente : pode ser aplicadéi legitimamente a situações que venham a ocorrei .' a partir da vigência da Lei Complementar 118/2005, que ocorreu 120 dias após a sua publicação (art 49, ou seja, no dia 09 de junho de 2005 (,. )".. ()cofre que o art 4" da Lei Complementar 118/2005, em sua segunda parte, determina, de modo expresso, que, relativamente ao seu art, 3", seja observado 'o disposto no art. 106, I, da Lei 5_172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional', vale dizei, que seja aplicada inclusive aos atos ou fatos pi etéritos 01 .a, coifoi me antes de171011SIrado, a aplicação retroativa do dispositivo importa, nesse caso, ofensa à Constituição, nomeadamente ao seu art. 2" (que do dispositivo importa, nesse caso, ofensa à Constituição, nomeadamente ao seu art 2" (que consagra a autonomia e independência do Poder Judiciário emi 4 5-1 0/4 Processo no 35244 001124/2006-28 S2-rE03 Acórdão n " 2803-00.059 Fl 3 relação ao Poder Legislativo) e ao inciso XXXVI do art .5", que resguarda, da aplicação da lei nova, o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. „Ante o exposto, acolho o incidente pata teconhecer a inconstitucionalidade da expressão 'observado, quanto ao ai'! 3", o disposto no art. 106, 1, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional', constante do art. 4", segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 CONCLUSÃO: . Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecei que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição dos valores pagos indevidamente é de dez anos, em conformidade com a _jurisprudência .já consolidada do Superior Tribunal de Justiça. É como voto. 02/U9'(2(1A,CEÁMÁ~l'e CAR.OLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora ,... Voto Vencedor ..1 Conselheiro OSÉA CO(I i BRA .JUNIOR., Redator designado O artigo 253 do Regulamento da Previdência Social, apiovado pelo decreto 3M48/99 indica: "Art 253 O direito de pleitear restituição ou de realizar Compensação de contribuições ou de outras importâncias extingue-se em cinco anos, contados da data I - do pagamento ou recolhimento indevido; ou, II — em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha refOrmado, anulado ou revogado a decisão condenatória "Ad. 218. O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de °unas impoitâncias extingue--se em cinco anos contados da data" 1 — do recolhimento ou do pagamento indevido, II — em que se tornar definitiva a dec.lsão adminisn ativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha relOrmado, anulado ou ievogado a decisão condenatória, Os valores foram recolhidos indevidamente em 07/08/2001, sendo que o pedido de restituição foi protocolado em 24/08/2006. Ultrapassado o prazo de cinco anos 5 determinado pela legislação vigente para se pleitear a restituição, tenho como correta a decisão de indeferimento do pedido pela Secretaria da Receita Previdenciaria: CONCLUSÃO: Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, OSÉAS COIMBRÇIJUNIS/- Redator designado 6 ty
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Numero do processo: 13883.000126/97-43
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IPI - CRÉDITO PRESUMIDO — COMERCIAL EXPORTADORA - Na apuração do incentivo previsto na Lei n° 9.363/96, considera-se receita de
exportação as vendas à empresa comercial exportadora que atenda os requisitos do Decreto-Lei n° 1.248/72.
Recurso provido.
Numero da decisão: 202-12.552
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA
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ementa_s : IPI - CRÉDITO PRESUMIDO — COMERCIAL EXPORTADORA - Na apuração do incentivo previsto na Lei n° 9.363/96, considera-se receita de exportação as vendas à empresa comercial exportadora que atenda os requisitos do Decreto-Lei n° 1.248/72. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-24T00:56:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-24T00:56:00Z; Last-Modified: 2009-10-24T00:56:00Z; dcterms:modified: 2009-10-24T00:56:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-24T00:56:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-24T00:56:00Z; meta:save-date: 2009-10-24T00:56:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-24T00:56:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-24T00:56:00Z; created: 2009-10-24T00:56:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-10-24T00:56:00Z; pdf:charsPerPage: 1044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-24T00:56:00Z | Conteúdo => 22 PUBLI ADO NO D O. U. o. . Ql ujfl, 2924 C hk, MINISTÉRIO DA FAZENDA C ik nk, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13883.000126/97-43 Acórdão : 202-12.552 Sessão - 08 de novembro de 2000 Recurso : 110.480 Recorrente : CONFAB TUBOS S/A Recorrida : DRJ em Campinas - SP IPI - CRÉDITO PRESUMIDO — COMERCIAL EXPORTADORA - Na apuração do incentivo previsto na Lei n° 9.363/96, considera-se receita de exportação as vendas à empresa comercial exportadora que atenda os requisitos do Decreto-Lei n° 1.248/72. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por. CONFAB TUBOS S/A ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Ses ões, em 08 de novembro de 2000 MarcØcius Neder de Lima Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Leite Rodrigues, Adolfo Monteio, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Ana Paula Tomazzete Urroz (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Maria Teresa Martinez López. cl/ovrs 1 - • - MINISTÉRIO DA FAZENDA •,: 1. 4 '4;‘ t1 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13883.000126/97-43 Acórdão : 202-12.552 Recurso : 110.480 Recorrente : CONFAB TUBOS S/A RELATÓRIO Trata-se de lançamento fiscal em decorrência de ressarcimento indevido de Crédito Presumido de IPI, com fulcro nos artigos 1°a 6° da Medida Provisória n° 948/95 e artigos 1° e 2° da Portaria MF n° 129/95. Tal ressarcimento seria indevido em virtude do estabelecimento, ano de 1995, não ter efetuado exportações diretas, mas apenas vendas para Trading S/A, as quais foram consideradas como receita de exportação na apuração do crédito presumido. A tese do Fisco baseia-se na interpretação de que, pelo texto da 948/95, as vendas para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação não integrariam a receita de exportação do estabelecimento produtor de mercadorias nacionais (art. 2° da MP n° 948/95). Somente após as modificações introduzidas pela MP n° 1.484-27/96 que a empresa teria direito ao incentivo. A base para tal entendimento estaria na manifestação da COSIT publicada no BC n.° 073, de 16/05/96 (fls. 11). Inconformada com a exigência, a autuada apresentou, tempestivamente a impugnação de fls. 15/31, aduzindo as seguintes razões . inicialmente, ressalta que a Lei n° 9.363/96 dispõe expressamente que as vendas para empresas comerciais exportadoras constituem receita de exportação, para efeito da aplicação do beneficio do crédito presumido de IPI, e que tal dispositivo somente veio explicitar, tornar mais claro, algo que já decorria da legislação anterior; . alega que a manifestação da COSIT, publicada no Boletim Central da Receita Federal de 16/05/96, na qual baseia-se o Auto de Infração, não pode limitar beneficio fiscal concedido por lei, sob pena de violação do principio da estrita legalidade; . conclui, transcrevendo o art. 30 do Decreto-Lei n° 1.248/72 e o art. 10 do Decreto 71.866/73, que às operações de exportação intermediadas por empresas aplicam-se os mesmos beneficios fiscais a que faz jus o produtor que seus produtos diretamente; 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 7,,f1T:sr. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13883.000126/97-43 Acórdão : 202-12.552 • assinala que a Medida Provisória n° 948/95 não contém dispositivo qualquer excluindo as operações intermediadas por trading e argumenta que não havendo exclusão expressa deve-se aplicar a regra geral estabelecida no art. 3° do Decreto-Lei n° 1.248/72. • recorre ao Princípio da Segurança Jurídica e ao artigo 146 do Código Tributário Nacional para requer a nulidade do lançamento, eis que contraria decisão da própria administração exarada em processo administrativo próprio, a qual deferiu o parcelamento; e . requer ao final, a decretação da improcedência do auto de infração. A decisão monocrática manteve integralmente o lançamento, nos seguintes termos: "IPI - CRÉDITO PRESUMIDO — RESSARCIMENTO INDEVIDO NULIDADE - rejeita-se a nulidade suscitada pela impugnante. O meio de se reverter um ressarcimento indevido, quando esta situação é detectada pela fiscalização, é o auto de infração, conforme previsto nos artigos 12 e 13 da IN SRF n° 28/96." RECEITA DE EXPORTAÇÃO - nos termos da M.P. n° 948, de 23/03/95, e reedições, as vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação não constituem receita de exportação, para fins do crédito presumido, o que somente veio ocorrer com a M.P. n° 1.484-27, de 22/11/96. O art. 30 da M.P.948/95 não tem por finalidade definir conceitos, mas sim garantir que o ressarcimento ocorra na proporção do ônus do PIS- PASEP/COFINS sobre os produtos exportados. CRÉDITO PRESUMIDO - beneficio fiscal que só pode ser concedido por lei específica que regule exclusivamente a matéria, "ex vi" do § 60 do art. 150 da Constituição Federal (Emenda Constitucional n°. 3, de 17/03/93). Inconsistente o D.L. 1.248/72, puro e simples, para suprir tal requisito. EXIGÊNCIA FISCAL PROCEDENTE." Irresignada com a decisão de primeiro grau, a interessada recorre a este Conselho, apresentado em síntese os mesmos argumentos esposados na peça impugnatória. Às fls. 91/93, em observância ao disposto no art. 10 da Portaria MF n° 180/96, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões, manifestando, em síntese, pela manutenção integral da decisão recorrida. 3 .5 3 kt, MINISTÉRIO DA FAZENDA ' • fr'2%; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13883.000126/97-43 Acórdão : 202-12.552 O recurso foi apreciado por este Conselho em Sessão de 28 de abril de 1999, ocasião em que se decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade competente esclareça se a CONFAB Trading S/A é uma empresa comercial exportadora conforme os requisitos do Decreto-Lei n° 1 .248/72, nos termos do voto do ilustre relator Tarásio Campeio Borges, fls. 138/143. Em cumprimento à diligência determinada, vieram aos autos os documentos de fls. 147/174 É o relatório. 4 J9 MINISTÉRIO IDA FAZENDA • •fr*,., SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - - Processo : 13883.000126/97-43 Acórdão : 202-12.552 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA O Recurso da interessada atendeu aos pressupostos para a sua admissibilidade. Depósito administrativo às fls. 191. O apelo merece se conhecido. Conforme relatado, a exigência decorre da glosa de créditos presumidos de IPI de que trata a Medida Provisória n° 948/95, convertida na Lei n° 9.363/96 e regulamentada pela Portaria MF n° 129/95, para ressarcimento do valor das contribuições para o PIS e COFINS incidentes sobre insumos adquiridos no ano base de 1995. Os documentos trazidos à colação em resposta à diligência (fls. 148/171) comprovam que a empresa CONFAB Trading S/A é empresa comercial exportadora nos termos do Decreto-Lei n° 1.248/72. A redação original do art. 1° da MiP n° 948/95 limitava o direito à fruição do beneficio às empresas produtoras e exportadoras. No entanto, a MP n° 948/95 foi reeditada diversas vezes, inclusive com numerações diferentes, sendo na sua última versão, que deu origem à Lei n° 9.363/96, foi inserido um parágrafo único no art. 1°, possibilitando a fruição do incentivo no casos das exportações realizadas através de "Trading Company" ou comerciais exportadoras. O referido artigo passou a ter o seguinte teor: "Art. 1° - A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior." Este Colegiado já teve a oportunidade de se pronunciar diversas vezes sobre essa matéria e a posição adotada é que o beneficio do crédito presumido no caso de vendas através de Comercial Exportadora aplica-se mesmo aos fatos ocorridos anteriores a publicação Medida Provisória n° 1484-27, de 22/11/96, ou seja, desde a edição da Medida Provisória n° 948/95, que instituiu o beneficio fiscal. Este entendimento decorre do disposto no art. 3 0 do 5 35- •-t-Ms, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13883.000126/97-43 Acórdão : 202-12.552 Decreto-Lei n° 1.248/72, com a redação dada pelo Decreto-Lei n° 1.894/81, que assim determinava:1 "Art. 3° - São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o art. 1° deste Decreto-Lei, os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no art. 1° do Decreto-Lei número 491, de 5 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora."2 Por sua vez, dispõe o art. 10 do Decreto-lei n° 1.248/72: "Art. 1° - As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim especifico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto- Lei. Parágrafo único. Consideram-se destinados ao fim especifico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor- vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento." Por essas razões, a decisão recorrida merece ser reformada, para incluir as receitas de exportação referentes aos produtos destinados ao exterior por meio de comerciais exportadoras ("Trading Company") na apuração do percentual entre a receita bruta operacional e as receitas de exportação. Isto posto, dou provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 • - ov mbro de 2000 MARCOS á 94 : NEDER DE LIMA ' o Decreto-Lei n° 1.248/72 foi revogado pelo art. 73 da Medida Provisória n° 1.602, de 14/11/97, estando em pleno vigor no período coberto pelo incentivo pleiteado nos presentes autos. 20 beneficio fiscal excetuado (previsto no art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69) refere-se aos créditos tributários sobre vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente, concedido às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados. 6
score : 1.0
Numero do processo: 10840.004062/2002-22
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1998
Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. ULTRAPASSADO O LIMITE DA RECEITA BRUTA. Considerando que o contribuinte assumiu a
existência das receitas apuradas como omitidas e que essas, se somadas aos valores de receita bruta constantes das Declarações do Imposto de Renda
(IRPJ — SIMPLES), excedem o limite estabelecido no art. 9°, inciso II, da Lei n° 9.317/96, não há como manter a sua opção pela sistemática do regime simplificado de tributação.
Numero da decisão: 303-34.086
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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Recorrida DRERIBEIRÃO PRETO/SP 111/ Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1998 Ementa: SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. ULTRAPASSADO O LIMITE DA RECEITA BRUTA. Considerando que o contribuinte assumiu a existência das receitas apuradas como omitidas e que essas, se somadas aos valores de receita bruta constantes das Declarações do Imposto de Renda (IRPJ — SIMPLES), excedem o limite estabelecido no art. 9°, inciso II, da Lei n° 9.317/96, não há como manter a sua opção pela sistemática do regime simplificado de tributação. o Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Processo n.° 10840.004062/2002-22 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.086 Fls. 357 ANELIS DAUDT PRIETO Presidente C‘Ci MA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Zenaldo Loibman, Tarásio Campeio Borges e Sergio de Castro Neves. Processo n.° 10840.004062/2002-22 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.086 Fls. 358 Relatório Trata o presente processo de Representação Fiscal (fls. 01 a 04) formalizada por Auditor Fiscal da Receita Federal que em procedimento de fiscalização, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.09.00-2002-00047-1-1 (fls. 06), propôs a exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES, por ter o mesmo auferido receita bruta superior a R$ 1.200.000,00, conforme previsto o art. 9 0, II, da Lei 9.317/96, com alteração dada pelo art. 3 0, da Lei 9.732/98 e art. 6°, da Lei 9.779/99. A Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto - SP, acolheu as razões da representação fiscal interposta e determinou a emissão de Ato Declaratório, com efeitos a partir de 01/01/98, para excluir a empresa da sistemática do regime simplificado de tributação. Ciente da formalização de sua exclusão da sistemática do SIMPLES pelo Ato Declaratório n° 97 de 22/11/02 (fls.266), o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 281 a 0110 299, argumentando, em síntese, que: conforme já informado aos auditores fiscais da Receita Federal, apenas parte dos depósitos realizados nas contas bancárias do impugnante são receitas; o ato declaratório é nulo, pois o impugnante não praticou nenhuma irregularidade capaz de justificar a sua exclusão do SIMPLES; totalmente descabida a pretensão dos auditores fiscais em considerar todos os depósitos realizados nas contas correntes do impugn ante como receitas da empresa; realmente, parte dos depósitos são receitas, mas a grande maioria são apenas e tão somente simples movimentações bancárias, oriundas da operacionalização da rotina diária do impugnante; o valor das receitas do impugnante é aquele já informado nas documentações fiscais; 111, inúmeros foram e são os motivos que levam o impugncmte a efetuar rotineiramente saques e depósitos em suas contas correntes; é comum o impugnante ter cheque de sua emissão a ser compensado em determinado banco e, não tendo saldo suficiente, emite um cheque de outro banco, realiza o desconto e deposita em dinheiro na conta em que terá o cheque a ser compensado; essa forma de movimentar as contas são rotinas do impugnante, necessária para o exercício de suas atividades; o impugnante, no exíguo prazo que lhe foi concedido, não teve condições de especificar todas as movimentações contidas nos vários lançamentos discriminados nos extratos entregues para a fiscalização; conforme microfilmes de cheques que foram juntados aos autos do processo de fiscalização, as cártulas foram emitidas tendo como beneficiário o próprio impugnante; (j2" Processo n.° 10840.004062/2002-22 CCO31CO3. , AcOrdao n.° 303-34.086 Fls. 359 os microfilmes juntados exemplificam os inúmeros saques e depósitos realizados, apenas transferindo numerários de um banco para outro; no Termo de Constatação e Intimação Fiscal, os auditores informaram que haviam expurgado todos os depósitos oriundos de transferências bancárias; todavia, no Termo de Conclusão Fiscal, os auditores fiscais reconhecem a existência de outros depósitos provenientes de transferéncias de valores de contas do impugnante; outra situação que ocorre com muita freqüência, são saques de dinheiro para entregar aos motoristas que realizarão grandes viagens para carregamento de produtos comprados ou mesmo entrega de produtos vendidos; nessas viagens, os motoristas levam importâncias para as suas despesas e para a manutenção do veiculo; • o motorista, em alguns casos, leva valores para o pagamento das cargas; muitas vezes, o dinheiro levado para o pagamento dos produtos a serem adquiridos não são utilizados; com o retorno dos motoristas, o dinheiro que não foi utilizado é depositado novamente em uma das contas bancárias do impugnatzte; assim, referidos depósitos não são receitas, mas movimentações oriundas das atividades realizadas; todos esses depósitos seriam evitados se não houvesse o enorme receio de manter o dinheiro no escritório do impugnante; os auditores fiscais deveriam expurgar toda e qualquer movimentação financeira que não seja aquela oriunda dos valores escriturados, o que ocasiona a total nulidade do auto de infração; 110 o impugnante, por mais que pretendesse, não teria condições de demonstrar a finalidade de cada um dos depósitos bancários realizados; analisando-se toda essa situação, verifica-se claramente que não houve qualquer omissão de receitas pelo impugnante, o qual, contabilizou e declarou perante o Fisco toda receita obtida; o impugnante sempre honrou com suas obrigações, pagando toda carga tributária a que está subordinado; o auto de infração é nulo, pois é inadmissível o lançamento de tributos baseado exclusivamente em comprovantes de depósitos bancários; tanto a doutrina como a jurisprudência tem repudiado os lançamentos de tributos com base apenas em depósitos bancários; cita jurisprudências do Primeiro Conselho de Contribuinte e de Tribunais de várias regiões; dstv Processo n.° 10840.004062/2002-22 CCO3/CO3. , Acórdão n.° 303-34.086 Fls. 360 cita súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; a União Federal editou o Decreto-Lei n° 2.471/88 visando extinguir todos os procedimentos, administrativos ou judiciais, oriundos de autos de infrações baseados apenas em extratos bancários; por fim, requer seja reconhecida a nulidade do ato declaratório, mantendo o impugnante no SIMPLES; A DRJ de Ribeirão Preto — SP indeferiu a solicitação do interessado, exarando a seguinte ementa: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos co,,, base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados. Comprovada que a receita auferida, por presunção legal, supera o limite legal estabelecido para usufruir do Simples, impõe-se a exclusão do referido sistema a partir do ano subseqüente. Solicitação Indeferida." A Relatora da DRJ de origem informou que o contribuinte, em virtude da omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados e de origem não justificada, foi autuado em relação ao ano-calendário de 1997 (processo n° 10840.004510/2002-98) e em relação aos anos calendários de 1998, 1999 e 2000 (processo n° 10840.004511/2002-32), e utilizou na impugnação do processo ora em análise, os mesmos argumentos empregados na contestação das autuações de que tratam os processos supracitados. Cientificado da mencionada decisão em 24/03/05 (fls. 314), o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário em 01/04/05 (fls. 315 a 333), insistindo nos pontos objeto de sua impugnação. Os membros dessa Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuinte, por 110 unanimidade de votos, converteram o julgamento do recurso em diligência determinando a baixa do processo à DRJ de origem até que fossem concluídos em definitivo os processos referentes às reiteradas infrações à legislação tributária, especificamente no que diz respeito as omissões de receita praticadas pelo contribuinte. Em 11 de outubro de 2006, a DRF em Ribeirão Preto — Agência da Receita Federal em Jaboticabal, através da petição de fls. 355, informou que o contribuinte apresentou requerimento de desistência total do contencioso administrativo dos processos n° 10840.004510/2002-98 e n° 10840.004511/2002-32, os quais apuravam a existência de omissões de receitas praticadas pelo contribuinte, e incluiu os débitos discutidos em referidos processos no "Parcelamento Excepcional (130 meses) —artigo 1° da MP n°303/2006". Diante da desistência do contribuinte dos processos que estavam sendo óbice para o julgamento do recursos voluntário por ele interposto, o presente processo retornou a este Terceiro Conselho de Contribuintes para >Jzamento. É o Relatório. . • Processo n.° 10840.00406212002-22 CCO3/CO3• Acôrdâo ri." 303-34.086 Fls. 361 Voto Conselheira NANCI GAMA, Relatora A questão central cinge-se à exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES, sob a fundamentação de que em processo de fiscalização o Auditor da Receita Federal constatou a existência de receitas não declaradas caracterizadas por depósitos bancários não escriturados e de origem não justificada, as quais, se somadas aos valores de receita bruta declarados pelo contribuinte, excederiam o limite estabelecido para o seu tipo de empresa, nos termos do artigo 9°, inciso II, da Lei n° 9.317/96. O contribuinte, em virtude da referida omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados e de origem não justificada, foi autuado em relação ao ano-calendário de 1997 (processo n° 10840.004510/2002-98) e em relação aos anos calendários de 1998, 1999 e 2000 (processo n° 10840.004511/2002-32), o que fez com que • esta Terceira Câmara desse E. Terceiro Conselho de Contribuintes convertesse o julgamento em diligência, determinando o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento de referidos processos. Sucede que, em 15 de setembro de 2006,0 contribuinte apresentou requerimento de desistência total dos processos administrativos citados, renunciando quaisquer alegações de direito sobre as quais os mesmos se fundavam, e incluiu os débitos objeto da desistência no Pedido de Parcelamento Excepcional (130 meses), nos termos do art. 1° da MP n° 303/2006. Assim, considerando que o contribuinte não resistiu a imputação da existência das receitas apuradas como omitidas e que essas, se somadas aos valores de receita bruta constantes das Declarações do Imposto de Renda (IRPJ — SIMPLES), excedem o limite estabelecido no art. 9°, inciso II, da Lei n° 9.317/96, não há como manter a opção do contribuinte pela sistemática do regime simplificado de tributação, por tudo apurado nesse processo. • Dessa forma, é incontestável que a situação excludente amolda-se perfeitamente à fundamentação do ato declaratório de exclusão, razão pela qual é incontestável a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, pelas razões acima expostas. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2007 vvIsl)NCI G - Relatora Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11020.720516/2009-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
Ementa: INSUMOS. ALCANCE DO TERMO.
São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes.
CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS
NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do PIS pleiteado.
CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE
VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito.
CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição.
ART. 62-A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS
QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3803-002.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do PIS pleiteado. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 02/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS não – cumulativo – Exportação, transmitido em 08/02/2008, relativo ao terceiro trimestre de 2007, no valor de R$ 416.643,81. Também consta pedido de compensação para este crédito. A unidade de origem, após diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, buscando a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, emitiu Despacho Decisório embasado em Relatório Fiscal, por meio do qual reconheceu parcela do crédito invocado no valor de R$ 239.176,86 e homologou a compensação no limite do crédito reconhecido. Consta ainda que foram glosadas as seguintes despesas: a) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção); Fl. 256DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 380302.864 S3TE03 Fl. 2 3 b) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção; c) Produtos sujeitos à alíquota zero; d) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, peças diversas); e) Materiais de Transporte; f) Crédito sobre bens do imobilizado. Cientificada em 17/12/2009, apresentou manifestação de inconformidade na qual impugna todas as glosas efetuadas pelo auditor fiscal e acima elencadas, e alega, em apertada síntese: a) Pretende o auditor aplicar o conceito do IPI para definição de insumos na apuração dos créditos de PIS/COFINS, para fins da nãocumulatividade, quando inexiste lei formal permissiva para tal extensão interpretativa; b) O entendimento aplicado ao caso vai de encontro ao externado em decisões administrativas em situações análogas. Oportunamente colaciona decisões administrativas e judiciais favoráveis aos seus interesses; A DRJ em Belém não reconheceu a parcela do crédito impugnada (R$ 177.466,95) nem homologou a compensação declarada, conforme se observa da ementa que transcrevemos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. PIS NÃOCUMULATIVO.CRÉD1TOS. INSUMOS. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 08/06/2011, apresentou voluntariamente recurso em 29/06/2011 para este Conselho, no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e, pleiteia a reforma do julgado recorrido, com o deferimento do pedido de ressarcimento, considerando que a Recorrente planta, produz e comercializa maçãs, e demais atividades agropastoris. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Rasip Agropastoril S.A. tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Busca a contribuinte a repetição do indébito relativo ao Cofins não cumulativo – exportação, relativo ao terceiro trimestre de 2007, por meio de Per/Dcomp. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que os valores glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. A Recorrente utiliza como argumento, em suma, que todos os elementos objetos de glosa pelo auditor fiscal fazem parte do processo produtivo da empresa, de modo que os gastos e custos de produção devem gerar crédito de Pis/Pasep e COFINS. Sobre o tema central da discussão, em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 380302.864 S3TE03 Fl. 3 5 referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 6 § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 380302.864 S3TE03 Fl. 4 7 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumo" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Ademais, a tributação do IPI se relaciona com o produto, enquanto que a do PIS/Pasep e a COFINS se relaciona com a produção. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial, conforme preceitua os arts. 290 e 299 do RIR (despesas operacionais). A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Assim, tal qual o Estudo realizado pela PGFN/COCAT, elaborado pela D. Procuradora Bruna Garcia Benevides, acerca do alcanse do termo “insumos” pra fins de creditamento das contribuições aqui abordadas, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 380302.864 S3TE03 Fl. 5 9 entendo que “apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Se entre tais dispêndios e os respectivos processos produtivos houver uma inerência direta, haverá, então, direito ao crédito pleiteado.” Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Neste ponto, faço minhas as palavras do Il. Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, no acórdão nº 310201.143, em trecho que transcrevo a seguir: “Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo.” Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. Tecidas essas considerações, passemos à análise mais específica das glosas procedidas pela autoridade preparadora em fls. 74/82 dos autos. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM EMPILHADEIRAS No relatório fiscal, narra o auditor responsável que quando da visita à empresa, verificouse que o contribuinte utilizava as empilhadeiras para descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento. Assim, pelo critério da essencialidade, observase que as empilhadeiras, participam efetivamente do processo produtivo da empresa uma vez que trabalham diretamente no produto, movimentando a maçã desde à produção até a expedição. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Neste sentido, tendo em vista que a subtração do serviço importa em óbice à atividade da empresa, entendo que as despesas com as empilhadeiras devem gerar o creditamento . APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE Continua a narrativa do fiscal atuante, desta vez no tocante aos gastos oriundos de despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes sobre os quais tenta a empresa se creditar: A aquisição de combustíveis e lubrificantes constitui parcela vultosa do total de créditos escriturados pela contribuinte, de acordo com a memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Durante a execução da diligência fiscal à empresa constatamos que grande parte destes combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Tal constatação é embasada pelas informações contábeis da empresa, em especial no grupo de contas 13214 MOBILIZAÇÕES EM ANDAMENTO. Analisando o razão das contas de nível inferior (nível 5), constatamos que nas contas referentes aos pomares ainda i não produtivos ("POMAR NOVO") existem lançamentos a débito cujas contrapartidas estão localizadas nas contas de estoque, em especial na conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Ou seja, a contribuinte adquire os combustíveis e lubrificantes, realizando um lançamento a crédito em fornecedores e a débito nas contas de estoque e PIS/COFINS a recuperar. Contudo, parcela deste estoque de combustíveis não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba destinada ao ativo imobilizado. Seguindo o mesmo raciocínio do tópico anterior, somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento da Cofins pleiteado pela contribuinte. Assim, do estoque de combustíveis que não foram efetivamente utilizados como insumos e foram, portanto, destinados ao ativo imobilizado, destes valores não poderá a empresa se creditar. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO No que tange ao aproveitamento dos créditos relativos a bens sujeitos à alíquota zero, transcrevemos a vedação expressa apresentada pelo inciso II, §2° do art. 3º das Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 380302.864 S3TE03 Fl. 6 11 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Percebese que o que a somente possibilita a tomada de crédito relativamente a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Vale dizer: se sobre a receita gerada na operação anterior, quando da aquisição do bem ou serviço, não incidiram (ou estavam isentos ou sujeitos à alíquota zero) o PIS e a COFINS, não há que se falar em crédito na operação seguinte. 1 Este mesmo entendimento foi refletido no julgamento do Resp nº 1.134.90300/SP, submetido ao crivo dos recursos repetitivos (543C do CPC), que por força do art. 62A do RICARF estamos obrigados a reproduzir: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULGADO 18.12.2007 PUBLICADO 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULGADO 06.03.2008 PUBLICADO 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 1 Vide: AMS 2006.32.00.0026522/AM, Rel. Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, Conv. Juíza Federal Gilda Sigmaringa Seixas (conv.), Sétima Turma,eDJF1 p.236 de 27/11/2009; IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO CREDITAMENTO INEXISTÊNCIA DO DIREITO EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353657, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe041 DIVULG 06032008 PUBLIC 07032008 EMENT VOL0231003 PP00502 RTJ VOL0020502 PP00807) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 12 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS DIVERSOS Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 380302.864 S3TE03 Fl. 7 13 Restou apurado pela autoridade fiscal que a contribuinte , registra créditos sob a rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito" em seus DACONs. Através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Consta ainda que a fiscalizada trouxe neste momento nova memória de cálculo adicionando colunas para o número do bem aplicado, a descrição do bem, centro de custo, bem como a respectiva descrição de cada um dos itens inclusos como "Outros créditos". No tocante ao Centro de custos MAPE (máquinas pesadas), MACE (manutenção civil e elétrica), DIFR e MANU, tenho que as despesas vinculadas a estes centros de custos não podem ser consideradas insumos para fins de creditamento, tendo em vista que tais receitas descritas como "Oficina (geral)", "Conservação de maquinas (Geral)", incluindo até mesmo manutenção em veículos leves, ou seja, são utilizadas de diversas formas que não, diretamente e especificamente no processo produtivo que ora se analisa. As despesas com manutenção de veículos Gol, Ford Courier, Kombi e Meriva, bens destinados a estoque/oficinas,também seguem as considerações tecidas acima. Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Os demais insumos lançados na rubrica "Insumos Linha 2" e descritos pelo fiscal como estacas e fita para enxertia bem que deve ser destinado ao imobilizado; telhado, areia, palitos, lonas, detergentes, sabonetes, medicamentos e sucos de uva não serão considerados por não apresentarem características de insumo. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE MATERIAL DE TRANSPORTE Outrossim, a autoridade fiscal glosou, ainda, o que considerou “embalagem de transporte”. Em sua justificativa, a glosa se fundou na impossibilidade de enquadrar a respectiva nas hipóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, seja como insumo da produção (inciso II), seja como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Para tanto, utilizouse da legislação do IPI, que distingue a embalagem de apresentação e a de acondicionamento para transporte, pois separam a que pode ser considerada insumo e a que não pode. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Não poderíamos concordar com tal decisão. Isso porque a embalagem de transporte, de fato, faz parte do custo de venda daquele produtor. Elas visam a conservação proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis como choques mecânicos, poeira, outros agentes contaminantes, água, umidade, etc, mormente porquanto será manuseada por pessoal não especializado. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN 14 Assim, se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens em questão serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e podem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002. No caso da COFINS, o inciso IX deixou bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este de tributos cobrados em toda da cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem de frete, descontandose os créditos de PIS e COFINS referentes a estes serviços da apuração do tributo correspondente. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE OS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO No que tange à defesa destinadas aos bens do ativo imobilizado, embora o relatório fiscal tenha detalhado a contabilidade apresentada pela Recorrente e identificado cada uma das glosas, percebese que a mesma limitouse a tecer considerações genéricas em relação ao ponto impugnado, alegando que a impossibilidade de verificação e identificação dos valores que compõem a glosa que nos dizeres do julgador de piso, se encontraram “em frontal antagonismo à evidente clareza e precisa descrição constante do ato impugnado”. Consequentemente, meras objeções genéricas e desacompanhadas de provas não serão conhecidas por inobservância do disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, o qual exige impugnação específica dos pontos em que haja discordância. Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto as maquinas que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado não reconheço a parcela do crédito pleiteado decorrente de despesas contabilizadas como ativo imobilizado, manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), créditos sobre bens diversos que não tiveram contato direto com o produto e não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, assim como, apuração de créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero e a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado da Interessada (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES). [assinado digitalmente] 2 REsp 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Julgado em 19/08/2009. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720516/200907 Acórdão n.º 380302.864 S3TE03 Fl. 8 15 Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.909072/2009-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/07/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado.
Embargos Acolhidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.744
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão n- 3803-002.126, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido
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Numero do processo: 15586.000203/2008-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/07/2007
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O descumprimento de obrigações acessórias, como deixar o contribuinte de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a seus segurados, as contribuições previdenciárias devidas, enseja a aplicação de multa.
ABONO OU GANHO EVENTUAL. ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 9º, “j” DA LEI Nº 8.212/91.
Apenas os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei e os ganhos eventuais ensejam a aplicação da disposição contida no art. 28, § 9º, “j” da Lei nº 8.212/91, não se tratando de salário indireto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.920
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 31/07/2007 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigações acessórias, como deixar o contribuinte de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a seus segurados, as contribuições previdenciárias devidas, enseja a aplicação de multa. ABONO OU GANHO EVENTUAL. ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 9º, “j” DA LEI Nº 8.212/91. Apenas os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei e os ganhos eventuais ensejam a aplicação da disposição contida no art. 28, § 9º, “j” da Lei nº 8.212/91, não se tratando de salário indireto. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 75 1 74 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000203/200803 Recurso nº 502.544 Voluntário Acórdão nº 280300.920 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO INDIRETA: ABONO Recorrente MARLIM AZUL COM PETROLEO DERIVADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 31/07/2007 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigações acessórias, como deixar o contribuinte de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a seus segurados, as contribuições previdenciárias devidas, enseja a aplicação de multa. ABONO OU GANHO EVENTUAL. ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 9º, “j” DA LEI Nº 8.212/91. Apenas os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei e os ganhos eventuais ensejam a aplicação da disposição contida no art. 28, § 9º, “j” da Lei nº 8.212/91, não se tratando de salário indireto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 76 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 77 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de MARLIM AZUL COM PETROLEO DERIVADOS LTDA., em virtude de ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a título de abono salarial, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, no período de 01/11/2000 a 31/07/2007. Nestes termos, teria a empresa incorrido em violação à obrigação prevista no art. 30, inciso I, alínea ‘a’ da Lei nº 8.212/91 c/c com o art. 4º da Lei nº 10.666/2003 e ainda com o art. 261, inciso I, alínea ‘a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, foi arbitrada multa calculada de acordo com o art. 283, inciso I, alínea ‘a’ do Regulamento da Previdência Social. O contribuinte foi intimado pessoalmente em 14/02/2008 e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 17/03/2008, juntada às fls. 38/44. A Delegacia da Receita de Julgamento manteve o lançamento, em acórdão ementado nos seguintes termos (fls. 56/62): “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 31/07/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIARIA. INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO. Deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições do segurado empregado constitui infração ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea "a" da Lei n.° 8.212/91 c/c o artigo 216, inciso I, alínea "a" do Decreto n° 3.048/99. PRAZO DECADENCIAL. MULTA APLICADA POR VALOR FIXO. O reconhecimento da decadência de parte do período de ocorrência da infração não gera alterações em multas lançadas por valor fixo. Lançamento Procedente.” Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso tempestivo em 08/06/2009 (fls.66/71), por meio do qual alega, em síntese, que: (a) de acordo com o entendimento firmado nos Tribunais Regionais do Trabalho, devese respeitar o estabelecido em acordo ou convenção coletiva, conforme expressamente determinado na Constituição Federal; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 78 4 (b) restando patente que o abono foi concedido em norma coletiva, na qual expressamente registra sua natureza, afastando a hipótese de natureza salarial, deve ser validada a cláusula prevista no acordo coletivo de trabalho, a fim de se excluir a incidência das contribuições à previdência social; (c) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem entendido que as diversas modalidades de abono devem ser consideradas de natureza indenizatória, ocorrendo o afastamento da incidência das contribuições à seguridade social; (d) no que tange à afirmação de que o Recorrente providenciou a entrega das guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social no curso da ação fiscal, esclareceu que somente assim o fez para evitar a incidência de eventual multa, atendendo a solicitação do agente fiscalizador, o que não deve significar que reconheceu o fato gerador correspondente na obrigação principal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 79 5 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. O presente auto de infração foi lavrado em razão do descumprimento da obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas aos segurados empregados a título de abono salarial, as contribuições previdenciárias devidas, no período de 01/11/2000 a 31/07/2007. Em razão de a multa ter sido arbitrada pela legislação de regência em valor fixo, resta prejudicada a verificação da decadência parcial do crédito tributário constituído nos presentes autos pelo fato de a lavratura do auto ter se dado tão somente em 13/02/2008 e a sua ciência pelo contribuinte em 14/02/2008. A discussão trazida pelo contribuinte em seu recurso diz respeito à natureza jurídica da verba paga, que não integraria o salário de contribuição, por força da determinação contida no art. 28, § 9° da Lei nº 8.212/91. Todavia, como se verá adiante, a decisão de primeira instância deve ser mantida em sua integralidade. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nos seguintes termos: “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” O mesmo dispositivo legal, em seu § 9º, excetua determinadas parcelas do saláriodecontribuição, em razão de sua natureza indenizatória ou assistencial, como se vê abaixo: “Art. 28. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 80 6 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 81 7 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 82 8 trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97).” Já o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, contém previsão semelhante em seu art. 214, § 9º, “j”, que assim estabelece: “Art. 214. (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição: j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei;” No caso dos autos, a desvinculação do salário está prevista tão somente por Convenção Coletiva, não havendo, no ordenamento jurídico pátrio, dispositivo legal apto a fundamentar a pretensão contida no recurso. É sabido que a obrigação tributária é prevista por lei e, por essa razão, não pode o contribuinte se furtar do seu cumprimento, ainda mais em razão de convenções particulares. Cabe, ainda, analisar se o valor pago pelo Recorrente à título de abono poderia se isentar das contribuições previdenciárias em razão de se tratar de ganho eventual. Restou demonstrado nos autos, de forma inequívoca, que o pagamento do referido abono se deu ao longo de vários anos, e não apenas no ano de 2004. Sendo assim, não há dúvida acerca da sua natureza de ganho habitual, de recebimento certo pelos segurados empregados. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000203/200803 Acórdão n.º 280300.920 S2TE03 Fl. 83 9 A norma de isenção trazida pela alínea “j” é extreme de dúvidas, quando estabelece, como únicos requisitos para a não inclusão da verba paga ao salário de contribuição, a previsão legal de desvinculação do salário ou a eventualidade dos ganhos. Não havendo comprovação do preenchimento de tais requisitos, resta clara a sua natureza de base tributável. Isso porque a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo deve ser literal, por se tratar de modalidade de exclusão do crédito tributário, estando sujeita, portanto, à regra contida no art. 111, inciso I, do Código Tributário Nacional: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário;” Logo, se o legislador não dispôs, de forma expressa, acerca da necessidade de desvinculação do salário por força de lei ou a eventualidade dos ganhos, não pode o contribuinte pretender excluir do salário de contribuição parcelas que não possuam essas características. Por essa razão, deve ser mantido o lançamento fiscal realizado sobre tal parcela. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa, mantenho a exigência do crédito tributário em sua integralidade. Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13896.907983/2009-68
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/01/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA.
INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.458
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendo-se de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral: Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral: Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 30 de agosto de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins efetuado a maior, no montante de R$ 25.132,36, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 23.276,90. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação, mas que, até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, para que o perito informasse, com base no exame da escrituração contábil e fiscal, o valor correto da base de cálculo da contribuição para o PIS no período sob análise, bem como o valor correto da contribuição devida e o montante do indébito decorrente do pagamento a maior, este devidamente atualizado até a data da compensação, detalhandose as explicações referentes a eventuais divergências apuradas entre os valores escriturados e os declarados em DCTF e/ou DIPJ. Indicou o Manifestante como seu assistente técnico o Sr. Waldir Luiz Bulgarelli e requereu a suspensão da exigibilidade de todo e qualquer débito discutido nos autos. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL C0F1NS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907983/200968 Acórdão n.º 380303.458 S3TE03 Fl. 280 3 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. 0 pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a ocorrência de força maior, fato novo ou superveniente. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias encontramse nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho e requer o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o julgamento da Manifestação de Inconformidade foi realizado de forma açodada, com indeferimento da pericia postulada que garantiria um mínimo de instrução ao feito; b) nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; c) direito à compensação da contribuição recolhida a maior, relativamente a receitas financeiras, na vigência da Lei nº 9.718/1998, à luz da jurisprudência deste Egrégio Conselho e da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF); d) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria, retirando do ordenamento jurídico o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, fazendo cessar, desde então, a eficácia do preceito, precipuamente para as pessoas jurídicas que permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições, mesmo após as edições das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e) o art. 53 da Lei nº 11.941/2009 introduziu no ordenamento tributário o dever fazendário de reconhecer de ofício a prescrição, reiterando a preocupação do legislador em prover maior eficiência à Administração tributária, evitandose desnecessárias inscrições de débitos já extintos, bem como os prejuízos decorrentes do ônus da sucumbência; f) os valores recolhidos foram apurados com base na totalidade das receitas, abarcando as operacionais e as não operacionais, estas últimas submetidas à tributação somente Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 a partir da vigência das Medidas Provisórias nº 65/2002 e 135/2003, convertidas, respectivamente, nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; g) “a preclusão do direito à dilação probatória não pode prevalecer sobre a finalidade do lançamento, que é constituir o crédito tributário efetivamente devido, e nem pode ser oposto ao contribuinte porque, a rigor, o laudo técnico a ser apresentado a esta Eg. Corte substitui a perícia negligenciada pela d. Delegacia de Julgamento”; h) “é dever da Administração Pública privilegiar a adoção de formas simples, suficientes para propiciar o grau de certeza e segurança que o lançamento exige”, sendo “os obstáculos temporais à dilação probatória em circunstâncias como estas (...) inoponíveis; i) “na remota hipótese de restarem dúvidas quanto à acurácia dos trabalhos periciais ou quanto à imparcialidade do “expert”, ainda assim restará a esta Egrégia Corte a opção de conversão do julgamento em diligência (...) de modo a permitir que auditoria fazendária analise a escrita fiscal da empresa e confirme, a um só tempo, a natureza das operações descritas no laudo técnico e a precisão dos números informados pelo perito assistente da empresa”. Ao final, o Recorrente requer o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do RE 609.096, em que o STF discute a constitucionalidade da incidência da Cofins e da contribuição para o PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, por se tratar de um “leading case”, que passará a ser obrigatoriamente reproduzido pelos Conselheiros, por força do contido no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente traz aos autos cópias do documento de identificação do causídico, dos acórdãos do RE 346.084 e 390.840 (inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo), do E.M. Ministerial nº 161/2008 – MF/MP/MAPA/AGU, de 3 de outubro de 2008, do estatuto social, de alteração contratual, dentre outras. Posteriormente, o Recorrente traz aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Afirma, ainda, que, segundo entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o PIS e a Cofins não incidem sobre juros sobre o capital próprio recebidos durante a vigência da Lei nº 9.718/1998 (REsp 1.104.184). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907983/200968 Acórdão n.º 380303.458 S3TE03 Fl. 281 5 Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Quanto à preliminar de nulidade da decisão a quo arguida pelo Recorrente, por cerceamento do direito de defesa, esclareçase, de pronto, que referida decisão se deu em conformidade com as regras previstas no Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo sido justificada com base nos elementos fáticos presentes nos autos, assim como fundamentada na legislação tributária de regência, com observância do amplo direito de defesa e do contraditório. O pedido de perícia, nos termos do art. 18 do PAF, subordinase a avaliação da autoridade julgadora de primeira instância, que pode indeferilo quando considerálo prescindível ou impraticável, tendo o julgador de piso fundamentado a sua decisão denegatória no fato de se tratar de provas que o próprio sujeito passivo enfrentava dificuldades em sua obtenção, conforme ele mesmo arguira, encontrandose o pedido de perícia formulado de forma genérica, em dissonância com o teor do despacho decisório, este baseado no DARF e na DCTF apresentada pelo sujeito passivo. Afastase, portanto, a preliminar de nulidade arguida. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos relativos ao pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses documentos ou mesmo do pagamento efetuado, se referente, por exemplo, à receita bruta decorrente da prestação de serviços ou a outras receitas, não havendo qualquer informação quanto à razão desencadeadora da ocorrência do respectivo indébito, mas apenas a informação de que houvera um recolhimento de tributo a maior, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados, ou, alternativamente, a realização de perícia, sem, contudo, pronunciarse sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao indébito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho, tendo permanecido controvertida nos autos apenas a possibilidade de apresentação de documentos comprobatórios após a manifestação de inconformidade e a existência ou não de um pagamento a maior. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, “constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento” 1. 1 Conforme já decidiu o então Segundo Conselho de Contribuintes, quando do proferimento do acórdão nº 203.09143, em 9 de setembro de 2003. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Nem mesmo o DARF correspondente ao alegado pagamento indevido foi trazido aos autos na fase de impugnação, tendo havido tão somente a afirmativa de que os elementos probatórios seriam documentos antigos de difícil localização, decorrendo daí o pedido de prorrogação do prazo para a sua apresentação. O Recorrente, somente após a interposição do Recurso Voluntário, trouxe aos autos um “laudo técnico” que, segundo ele, comprovaria o indébito, sem, contudo, lastreálo com os documentos hábeis e idôneos comprobatórios das informações nele contidas. Dessa forma, a questão relativa à possibilidade de apreciação de provas trazidas a destempo não merece acolhida nesta instância, pois, além da ocorrência de preclusão temporal, as provas que devem ser apresentadas pelo interessado são aquelas previstas na legislação tributária, como por exemplo, a escrituração contábilfiscal e as notas fiscais de venda de mercadorias ou serviços. Documentos particulares, como o referido “laudo técnico”, ainda que elaborados por profissionais competentes, não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhadas dos documentos a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização analise a escrita fiscal da empresa e confirme a natureza das operações descritas no laudo técnico e a precisão dos números informados pelo perito assistente da empresa. No que se refere ao pedido de sobrestamento do presente processo até o julgamento final do RE 609.096, em que o STF discute a constitucionalidade da incidência da Cofins e da contribuição para o PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, tem se que a matéria discutida no referido RE não coincide com a matéria controvertida nestes autos, não se subsumindo, portanto, à previsão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme anteriormente afirmado, as razões de direito do alegado indébito não serão objeto de apreciação neste Conselho em decorrência da preclusão, dado que não foram objeto de análise na primeira instância administrativa em face da ausência de postulação no momento processual devido. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação da declaração apresentada, esta baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei Fl. 284DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.907983/200968 Acórdão n.º 380303.458 S3TE03 Fl. 282 7 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Manifestação de Inconformidade, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca o direito pleiteado. Ele poderia ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica desprovida de elementos probatórios e manifestamente orientada à inversão do ônus da prova não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 285DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13896.907983/200968 Interessada: SND DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.458, de 23 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 23 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 286DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10980.005822/97-12
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2001
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - PEDIDO DE RESSARCIMENTO IDÊNTICO A OUTRO JÁ DEFINITIVAMENTE JULGADO - COISA JULGADA MATERIAL - PRECLUSÃO - O art. 471 do CPC estabelece que nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, não podendo, em consequência, serem novamente colocadas à apreciação da autoridade julgadora administrativa. Ao adentrar no mérito de matéria sob os efeitos da coisa julgada, incorre a autoridade administrativa em "error in procedendo", sendo, nula a decisão que a afronta. Processo que se anula ab initio, sendo, o mesmo extinto com fulcro no art. 267, V, combinado com o art. 329, ambos do CPC.
Numero da decisão: 202-12.688
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, sendo o mesmo extinto com fulcro no art. 267, V, combinado com o art. 329, ambos do CPC.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-23T17:38:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-23T17:38:34Z; Last-Modified: 2009-10-23T17:38:34Z; dcterms:modified: 2009-10-23T17:38:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-23T17:38:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-23T17:38:34Z; meta:save-date: 2009-10-23T17:38:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-23T17:38:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-23T17:38:34Z; created: 2009-10-23T17:38:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-10-23T17:38:34Z; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-23T17:38:34Z | Conteúdo => - . e. ME - Segundo Conereho de Contribuintes Publip_ado no Did119,0 lidai da Unitin• . _. 34.A.4.; MI NISTÉRIO DA FAZENDA de (-2-5 / oti I . <",,,,,rv::•.4..:-.- Rubrica -...CPS) •-- ..,?;*.+NC.- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10980.005822/97-12 Acórdão : 202-12.688 Sessão 24 de janeiro de 2001•. Recurso : 107.767 Recorrente : BRASMEPIL INDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. Recorrida : DRJ em Curitiba - PR NORMAS PROCESSUAIS - PEDIDO DE RESSARCIMENTO IDÊNTICO A OUTRO JÁ DEFINITIVAMENTE JULGADO - COISA JULGADA MATERIAL - PRECLUSÃO - O art. 471 do CPC estabelece que nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, não podendo, em conseqüência, serem novamente colocadas à apreciação da autoridade julgadora administrativa. Ao adentrar no mérito de matéria sob os efeitos da coisa julgada, incorre a autoridade administrativa em "error in procedendo", sendo nula a decisão que a afronta. Processo que se anula ab initio, sendo o mesmo extinto com fulcro no art. 267, V, combinado com o art. 329, ambos do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: BRASMEHL INDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, sendo o mesmo extinto com fulcro no art. 267, V, combinado com o art. 329, ambos do CPC. Sala das Sessy em 24 de janeiro de 2001 / e Mar4:If' . ' cius Neder de Lima Pr entei ente ,----- ...."---..:. -I • tir-c : - : u-eil o Ribeiro -Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Alexandre Magno Rodrigues Alves, Ana Neyle Olímpio Holanda, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Luiz Roberto Domingo, Adolfo Montelo e Maria Teresa Martinez Lopez. cl/cf 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4,r.4.k.. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •••:•Y":' Processo : 10980.005822/97-12 Acórdão : 202-12.688 Recurso : 107.767 Recorrente : BRASMEHL INDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. RELATÓRIO E VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO CARLOS BUE1\10 RIBEIRO Em atenção à Diligência n° 202-02.071, decidida na Sessão de 27.10.99 deste Colegiado, cujo relatório e voto leio para lembrança dos Srs. Conselheiros, foi juntado aos autos os Documentos de fls. 227/233, dos quais se extraem as seguintes informações: - a respeito do alegado pedido de retificação do valor do ressarcimento para R$ 93.852,48, que a Recorrente alegara ter entregue em 12.12.96, ainda no curso do Processo n° 10980.009734/96-18, a AFRF, com quem este processo se encontrava na ocasião, ao ser indagada sobre tal pedido (fls. 227), declara (fls. 228) desconhecer qualquer documento nesse sentido durante o período em que o referido processo esteve em seu poder (até 14.01.97); - no que concerne a uma possível impugnação, datada de 17.02.97, ao indeferimento do Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido de que trata a Portaria ME n° 129/95, relativo ao ano de 1995, decidido nos autos do indigitado Processo n° 1 098 0.009734/96-1 8, o responsável pela Equipe de Processos Fiscais e Restituições do Serviço de Arrecadação da DRF em Curitiba - PR, na qual se encontrava o processo na ocasião, informa (fls. 229) que não houve impugnação ao Despacho do Serviço de Fiscalização de fls. 33 no Processo n° 1 0980.009734/96-1 8; - intimada do teor da Diligência n° 202-02.071 (fls. 218/220) e das informações acima sumariadas, a interessada, na pessoa de seu procurador (instrumento de procuração anexado às fls. 231), deles tomou conhecimento em 22.08.2000, consoante Documento de fls. 232, no qual também está registrado que foi assinalado o prazo de 15 dias úteis, a partir daquela dat: — para que a interessada se manifestasse a respeito, se quisesse; e 2 •47' • •••-• , MINISTÉRIO DA FAZENDA .• • -,,44". SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10980.005822/97-12 Acórdão : 202-12.688 - em 24.10.2000, o Serviço de Fiscalização da DRF em Curitiba - PR, constatando a não manifestação da interessada sobre a matéria, propôs o retorno do processo a este Conselho (fls. 233). Apesar de as informações colhidas no sentido de os documentos relativos ao pedido de retificação do valor de ressarcimento e, principalmente, da eventual apresentação de impugnação ao indeferimento do Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido em foco, não terem chegado ao conhecimento dos setores/funcionários em que se encontrava o processo, nas pretensas datas de apresentação de tais documentos, não serem conclusivas, pois o fato desses documentos não terem sido encaminhados àqueles setores, necessariamente, não implica que não tenham sido apresentados na repartição, é de se concluir pela sua inexistência. Isto porque, além de formalmente não constar a recepção dos aludidos documentos nos autos do Processo n° 10980.009734/96-18 (apensado a este), não houve manifestação da interessada a esse respeito quando notificada para tal, tornando, assim, numa verdade processual a inocorrência de impugnação ao indeferimento do Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido de que trata a Portaria MT' n° 129/95, relativo ao ano de 1995, o que, conseqüentemente, consolidou essa decisão na esfera administrativa. Com isso, à evidência, ocorreu a preclusão do direito de a ora Recorrente vir, novamente, nesta esfera demandar sobre qualquer aspecto do aludido pedido de ressarcimento, pois permitir que se conheça o pedido do presente feito agride a coisa julgada material, e, com ela, a segurança das relações jurídicas. Prescreve o Código de Processo Civil, que aplica-se subsidiariamente ao procedimento administrativo, que "A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas" (CPC, art. 468). Assevera, ainda, aquele Estatuto Processual, que "Nenhum juiz decidirá novamente questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo:..." (CPC, art. 471). Quer o contribuinte, agora, em verdade, voltar ao mérito de questão já definitivamente decidida na esfera administrativa, furtando-se aos efeitos da preclusào. Tal pedido é impertinente e carecedor de fundamento jurídico, pois quer revolver o que já foi decidido. O dogma da coisa julgada material é de tal relevância no ordenamento jurídico pátrio, visando resguardar a segurança e estabilidades das relações jurídicas, que é direito individual positivado em nossa Carta Política, em seu art. 5 0, XXXVI, não perrnitind • legislador infraconstitucional a modifique. 3 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 45 .44-,: , SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10980.005822/97-12 Acórdão : 202-12.688 E aqui falamos de coisa julgada não no sentido judicial, mas sim jurisdicional, no sentido de que não pode mais ser revista pela própria autoridade que prolatou a decisão, no caso a Administração Fazendária l . Pois, como é sabido, as decisões administrativas sempre podem ser revistas pelo Poder Judiciário (CF, art. 5°, XXXV). De se registrar, também, que os efeitos da preclusão administrativa estão previstos nas disposições da Lei n° 9.748, de 29.01.99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, como se verifica no seu artigo 63: "Art. 63 - O recurso não será conhecido quando interposto: I - fora do prazo; - perante órgão incompetente; 111-por quem não seja legitimado; IV - após exaurida a esfera administrativa § I° Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o prazo para recurso. §2° O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de oficio o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa" Como corolário deste raciocínio, nula qualquer decisão administrativa que se manifeste quanto a pleito idêntico ao já decidido naquele processo administrativo. Havendo pressuposto processual negativo (coisa julgada material), não há como ser instaurada validamente a relação jurídica processual, devendo, em conseqüência, ser extinto o presente feito. Dessa forma, incorreram as dignas autoridades administrativas em error in procedendo ao reexaminarem o mérito de pedido atingido pelos efeitos da preclusão administrativa, pois não deveriam conhecer do pedido em tal circunstância. Assim, as referidas decisões são nulas, o que se reconhece de oficio. Ante o exposto, fulcrado no controle da legalidade dos atos administrativos, não conheço do recurso, em face da preclusão do pedido de ressarcimento em tela, declaro, de oficio, ' Como ensina o mestre Hely Lopes Meirelles, in Direito Administrativo Brasileiro, 16a. ed, RT, p.5751576, a coisa julgada administrativa é apenas uma preclusão de efeitos internos, ou a irretratabilidade do ato perante a própria Administração. É sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre ases. 4 P a MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - Processo : 10980.005822/97-12 Acórdão : 202-12.688 nulo o presente processo ab initio, e extingo o presente feito, sem julgamento do mérito, com base no art. 267, V2, combinado com o art. 329 3, ambos do Código de Processo Civil. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2001 ANTO • • OS WENO RIBEIRO 2 "Art. 267 - Extingue-se o processo, sem julgamento do mérito: V - quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendéncia ou de coisa julgada; 3 Art. 329 - Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos artigos 267 e 269, li a V, o juiz declarará extinto o processo." 5
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Numero do processo: 18108.001304/2007-36
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/12/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSENCIAIS. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. VALOR DA MULTA FIXAÇÃO DENTRO DO LIMITE LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI Nº 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benigna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.485
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSENCIAIS. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. VALOR DA MULTA FIXAÇÃO DENTRO DO LIMITE LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benigna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Gustavo Vettorato – Redator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 141 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 142 3 Relatório Tratase no presente processo de Auto de Infração – AI – DEBCAD 35.421.9316 CFL.68, decorrente da não declaração de todos os fatos geradores em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP –, com período de infração de 01/1999 a 05/1999, conforme Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 02. O crédito fiscal foi constituído, em 04/02/2003, data em que o contribuinte tomou conhecimento do lançamento, conforme, AR, fls. 22v. O sujeito passivo impugnou o crédito, em 17/02/2003, conforme consta, as fls. 25, peça inicial da impugnação. A defesa foi juntada, as fls. 25 a 32, acompanhada dos documentos, de fls. 33 a 35, sendo esta considerada tempestiva, fls. 37 e 38. O Serviço de Análises de Defesas e Recursos ADREC da Gerência Executiva do INSS São Paulo Leste, em 13/05/2003, prolatou a Decisão Notificação – DN N° 21.005.0/0061/2003, fls. 44 a 50, julgando procedente o Auto de Infração – AI, mantendo a multa aplicada. A impugnante foi cientificada da DN conforme, AR, de fls. 57, em 27/09/2003. Tal comunicação foi enviada a FAB. SERRAS SATURNO S/A. A empresa apresentou a petição do Recurso Voluntário, as fls. 59 a 64, estando as razões recursais assim resumidas. • Que a decisão recorrida merece reforma, pois não contestou o alegado na defesa e não apresenta fundamento que contrariem as alegações da empresa, uma vez que autuação não atende aos requisitos do Decreto 70.235/72; • Que a decisão se pauto em meras alegações, infundadas suposições e frágeis indícios o que resulta em cerceamento de defesa; • Que a autoridade fiscal não provou as alegações que fez ao dizer que o autuado não declarou GFIP`s com todos os fato geradores; • Que a prova dos fatos deve ser feita pó quem acusa e não por quem é acusado, assim a autuação não pode prosperar; • Que a inocência é presumida e o contrário deve ser provado; • Que o cerceamento do direito de defesa é causa de nulidade do ato administrativo, artigo 59, II, do Decreto 70.235/72; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 143 4 • Que a falta de provas é vício insanável e fulmina a autuação de nulidade; • Que a autuação não está instruída na forma do artigo 9°, do Decreto 70.235/72; • Que a autoridade fiscal limitouse a dizer a autuada e devedora do valor; • Que a decisão recorrida indeferiu o pedido de perícia e a reabertura de prazo formulados na defesa, que isto confirma a lesão ao direito de defesa; • Que o valor da multa é descabido com base no legislação nacional, que a infração e a penalidade devem guardar correlação ; • Que a multa é confiscatória, devendo ser revista; • Requer ao fim: a) processamento e provimento do recurso; b) reforma da decisão a quo; c) e o cancelamento do AI; As fls. 92, consta extrato de consulta processual TRF3 processo 200461000057302, onde informa concessão de liminar para processamento do recurso sem o depósito e , as fls. 93, sentença concessiva da ordem. Os autos guerreado subiram ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS que, as fls. 103 e 104, converteu o julgamento em diligência, solicitando a juntada aos presentes autos da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD conexa. O Serviço de Recuperação de Créditos, as fls. 108 e 109, devolveram ao autos ao CRPS sem cumprir exigência tendo em vista que aquele órgão julgador identificou a notificação equivocadamente. O CRPS novamente converteu o julgamento em diligência para que fosse juntado aos autos a notificação. Está consignado nos autos, fls. 129, a prolação de Acórdão pela TFR3 dando provimento a apelação e remessa oficial. A empresa foi cientificada deste acórdão e instada a promover o depósito recursal, fls. 130 a 133. A diligência foi cumprida com a juntada de duas notificações DEBCAD`s 35.240.6445 e 35.240.6402, que se encontravam na E. Procuradoria Federal, uma vez que estavam em fase de execução judicial. O autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes, sem o depósito prévio, fls. 138 e139. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 144 5 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira. O presente recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que o contribuinte foi comunicado da decisão de primeiro grau, em 23/09/2003, AR, de fls. 57, tendo sido apresentada a petição de interposição do Recurso Voluntário, as fls. 59 a 64, acompanhada dos documentos, de fls. 65 a 79. O despacho, de fls. 80, notícia que o recurso é tempestivo e o de, fls 80 e 18 e 139, que o contribuinte não promoveu o depósito recursal de 30% da exigência fiscal. Inicialmente, tratarei da questão do depósito recursal, uma vez que a tempestividade já ficou comprovada. Quanto ao depósito recursal, ainda, que necessário a época da impetração, hoje este não mais vige, uma vez que revogado pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Ainda, que se alegue que tal condição deva ser averiguada tendo como marco a data da interposição do recurso, tenho para mim que tal exigência estava com os dias contados, basta ver a ADIN 19767, que exclui do Decreto 70.235/72, tal exigência, acrescentada pela Lei 10.522/2002. Neste diapasão apresentase, também, a Súmula Vinculante n° 21 do STF, ou seja, se não tivesse sido revogado tal depósito na seara previdenciária, fatalmente este acabaria declarado inconstitucional, sendo inexigível desde a origem. Não fosse esses argumentos suficientes o Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2009, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, estabelece que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Assim, temse no caso a possibilidade do afastamento desta exigência, uma vez que em RE, conforme abaixo transcrito o STF já havia reconhecido a inconstitucionalidade do artigo 126, §§ 1° e 2°, da Lei 8.213/91, senão que se veja: RECURSO ADMINISTRATIVO DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 389383, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/2007, DJe047 DIVULG 28062007 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 145 6 PUBLIC 29062007 DJ 29062007 PP00031 EMENT VOL 0228208 PP01625 RDDT n. 144, 2007, p. 235236. (grifos do subscritor). Tal decisão transitou em julgado em 14/09/2007, conforme resumo de andamento do processo, consultado no site do STF. Desta forma, e tendo em vista os princípios da isonomia e da segurança jurídica admito o presente recurso, pois preenchidos os requisitos de admissibilidade. No que tange a alegação de nulidade por ausência de preenchimento dos requisitos do artigo 9° do Decreto 70.232/72 e necessidade de reforma da decisão a quo por não enfrentar os argumento da impugnação em razão desses requisitos. Tal alegação não merece prosperar. A uma, porque o Decreto 70.235/72 à época da realização do presente lançamento só era aplicável ao caso de forma subsidiária, ou seja, só aquilo que não disciplinado de forma expressa na legislação do processo administrativo fiscal previdenciária seria por aquele decreto regulado. A duas, porque o artigo 33, da Lei 8.212/91 c/c os artigo 245 e 293, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99 cuidavam dos requisitos do auto de infração. A decisão de primeiro graus é claro ao citar a legislação de regência. O agente autuante descreveu os fatos com clareza e de forma detalhada em seu Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 02, onde esclarece, também, os documentos em que se lastreou para apurar os valores e a base de cálculo, tais como a folha de pagamento fornecida pela empresa, juntando, ainda, as fls.07, Relatório Totais de Vínculos e Massa Salarial – GFIP, obtido no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, que é alimentado pelas informações mensais apresentadas pelo próprio contribuinte. Assim sendo, fica afastada a alegação de cerceamento de defesa por se basear o auto em meras alegações, infundadas suposições e frágeis indícios,haja vista que as informações foram obtidas nos documentos da própria empresa e nos sistemas alimentados por suas declarações. Como esclarecido acima o agente autuante provou de forma clara e cristalina os elementos em que se baseou.Ficou demonstrado que havia divergência entre a folha de salários paga e as remunerações declaradas em GFIP, o que atraia a incidência do artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/91. Não houve a alegada violação ao direito de defesa, pois o auto foi lavrado com todos as formalidades exigidas na legislação de regência. Inexistente qualquer vício não a nulidade a ser considerada. Asseverouse linhas acima que o presente auto não é regido pelo Decreto 70.235/72 de forma direita, mas apenas de forma subsidiária, não sendo os requisitos deste matéria a ser apreciada na égide desta norma, mas sim da Lei 8.212/91 e do Decreto 3.048/99. A autoridade julgadora de primeira grau em sua decisão, de fls. 65 a 70, na parte denominada decisão, abordou os argumentos da impugnante em dezesseis item e subitens refutando os pontos levantados pela empresa. Declarando ao final do documento a quantum da dívida apurada. O pedido de perícia nos termos do artigo 7°, § 1° deve ser indeferido, caso não preencha os requisitos legais foi o que ocorreu no presente caso, além do que tal perícia de mostra desnecessária, pois os valores lançados formam obtidos nos documentos da empresa e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 146 7 no banco de dados oficial alimentado pelas declarações da empresa. Aliás, é isto que pensa os nossos tribunais: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC – INDEFERIMENTO DE PERÍCIA CONTÁBIL PARA AFERIÇÃO DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS – POSSIBILIDADE – AÇÃO CONSIGNATÓRIA – PARCELAMENTO DO TRIBUTO – INVIABILIDADE – PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PARCELAMENTO DO DÉBITO – ART. 138 DO CTN – INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA – RESOLUÇÃO 31/00 DO CONFAZ – INVIABILIDADE DE EXAME. 1. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. 2. Considerando a convicção formada pela Corte de origem, no sentido de que a importância devida pela recorrente resta definitivamente comprovada através das CDAs relativas a ICMS informado pelo contribuinte e acréscimos decorrentes do inadimplemento constantes do próprio título, a pretendida dilação probatória revelase absolutamente desnecessária, competindo ao julgador, nessas hipóteses, indeferir a diligência (CPC, art. 130, c/c o art. 420, parágrafo único, inciso II). 3. Firmouse na Primeira Seção o entendimento segundo o qual a simples confissão de dívida, seguida de pedido de parcelamento, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. 4. A recorrente não indicou qual o dispositivo da Lei Complementar n. 24/75 foi violado, para sustentar sua irresignação pela alínea "a" do permissivo constitucional. Incidência da Súmula 284/STF. 5. No que concerne à suposta violação da Resolução n. 31/00 do CONFAZ, é inviável o trânsito do recurso especial, por não inserir o ato normativo da espécie no conceito de "lei federal", na forma preconizada pelo art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal. Recurso especial conhecido em parte e improvido. (RESP 200800730992, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 02/06/2008) HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostrase prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 147 8 do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (grifo neste documento) A reabertura de prazo de prazo de defesa só se mostra tangível, quando há prejuízos para defesa e esta foi apresentada dentro das formas e no tempo estipulado em lei, não havendo motivos para tal concessão. A multa foi aplicada dentro do que determinado na lei, pois o artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/91 determina que o valor da multa é 100% do valor omitido. No entanto, no parágrafo 4°, deste artigo fica estipulado uma teto máximo de multa a ser aplicado. Assim, da planilha, de fls. 03, Relatório Fiscal de Aplicação das Multa, somandose a contribuição não declarada nas competência 01 a 05/1999 terseia o valor de R$ 25.918,06 e a multa aplicada obedecendo o limitador foi de R$ 8.278,60, ou seja, a multa foi reduzida em 68% do valor das contribuições não declaradas. E, ainda, que tivesse sido a multa fixada em patamar de cem por cento tal situação é considerado possível e constitucional pelos tribunais pátrios, vejase a decisão: 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) (grifo nosso) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 148 9 Mas não foi isso que ocorreu, pois a multa foi aplicada em patamar bem abaixo do que realmente não declarado. Como supramencionado. Não havendo assim o alegado caráter de confisco da multa. Desta forma, não há razão para dar provimento ao recurso, reforma a decisão a quo, ou cancelar o AI. CONCLUSÃO Destarte, com esses argumentos e teses expostas acima voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 149 10 Voto Vencedor Conselheiro – Gustavo Vettorato Em face da vista dos processo, declaro que concordo com o voto do Relator, com exceção do seguinte aspecto: Questões de Mérito – Redução de Multa Ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 150 11 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18108.001304/200736 Acórdão n.º 280300.485 S2TE03 Fl. 151 12 favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, § 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Isso posto, voto por conhecer o presente Recurso Voluntário, no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL no sentido apenas para reformar o lançamento no que tange a aplicação da sanção que deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, § 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado digitalmente). Conselheiro – Gustavo Vettorato. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 13/04/2011 por GUSTAVO VETTORATO, 15/04 /2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005202/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa: COFINS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL
ANIDRO CARBURANTE PARA ADIÇÃO À GASOLINA.
As aquisições de álcool anidro realizada no período em apuração não geram direito ao crédito pleiteado tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com a produção dos efeitos do art. 7º da Lei nº 11.727/08.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.143
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: COFINS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL ANIDRO CARBURANTE PARA ADIÇÃO À GASOLINA. As aquisições de álcool anidro realizada no período em apuração não geram direito ao crédito pleiteado tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com a produção dos efeitos do art. 7º da Lei nº 11.727/08. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL ANIDRO CARBURANTE PARA ADIÇÃO À GASOLINA. As aquisições de álcool anidro realizada no período em apuração não geram direito ao crédito pleiteado tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com a produção dos efeitos do art. 7º da Lei nº 11.727/08. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues Juliano Eduardo Lirani. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS/PASEP, no valor de R$ 82.998,84, relativos ao 4º trimestre de 2005, vinculandose aos mesmos, Pedido de Compensação. A DRF/Maringá proferiu Despacho Decisório no qual foi parcialmente deferido o ressarcimento pleiteado, no montante de R$ 12.491,29, e homologadas as compensações apresentadas até o limite do crédito deferido. A fiscalização não considerou os valores referentes à aquisição de álcool anidro para fins de composição da base de cálculo da contribuição. Em Manifestação de Inconformidade a Interessada alegou que o álcool anidro é insumo em seu processo produtivo, posto que é adicionado a gasolina tipo “A”, para a obtenção da gasolina tipo “C”, e assim, em face da legislação do PIS e da Cofins não cumulativos, entende que tem direito ao abatimento do crédito relativo às aquisições do referido insumo, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, desde o advento da Lei nº 10.865/2004. Argumenta ainda que: a) o álcool hidratado adquirido pela recorrente é revendido ‘in natura’ aos postos revendedores, (consumidoresvarejistas) ; por sua vez, o álcool anidro é utilizado como insumo na produção da gasolina ‘c’, desta forma, não se poderia tratar ambos produtos como se fossem idênticos, de modo que possuem destinação e finalidades dispares, sobretudo porque não há autorização legal para revenda e distribuição de álcool anidro de acordo com determinações técnicas desde o antigo órgão CPN e ANP, Agência Nacional do Petróleo, sendo utilizado exclusivamente como insumo obrigatório na composição final da gasolina ‘c’; b) a vedação ao creditamento contida no art. 3º, I, “a” das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, referese única e exclusivamente ao álcool hidratado, e que as contribuições em debate, incidentes sobre o álcool anidro, não estão sujeitas ao regime de substituição tributária, como teria afirmado o fisco, mas, ao contrário, incidiriam em cada etapa do ciclo produtivo, conforme a situação do vendedor/adquirente, ou seja, se produtor, aplicarseia o disposto no art. 5º, I da Lei nº 9.718/1998, e se distribuidor, aplicarseia o contido no art. 5º, II da mesma lei. A DRJ em Curitiba indeferiu a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório da CIAPETRO, conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO À GASOLINA. Até 30 de setembro de 2008, não havia direito a crédito do PIS e da Cofins, no sistema de nãocumulatividade, para distribuidora de combustíveis sobre aquisição de álcool anidro para fins Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.005202/200917 Acórdão n.º 3803003.143 S3TE03 Fl. 2 3 carburantes adicionado à gasolina “A” para obtenção da gasolina “C”. DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos a inexistência do crédito informado como suporte, não se homologam as compensações vinculadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão retro em 20/04/2012, apresentou Recurso Voluntário para este Conselho Administrativo em 10/05/2012, no qual, em apertada síntese, repisou os mesmos argumentos aduzidos em sede de Manifestação de Inconformidade. Requereu, ao final, pelo reconhecimento do crédito oriundo das aquisições de álcool anidro, anteriores a agosto de 2008, e a homologação das compensações transmitidas pela empresa. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Compulsando os autos facilmente se observa que a lide encontrase delimitada quanto a existência ou não de direito pelo contribuinte ao creditamento do PIS/PASEP e da COFINS sobre as aquisições de álcool anidro, em face da realização de sua mistura à gasolina “A” com o fito de obter a gasolina “C”. Por seu turno, a DRJ em Curitiba considerou que a ora Recorrente não fabrica ou produz bens, de forma que possa considerar, para efeitos tributários, o álcool anidro e a gasolina “A” como insumo do produto, a gasolina “C”, destinado à venda. Argumenta que, diferentemente de produzir, a distribuidora apenas realiza a mistura da gasolina “A” com o álcool etílico anidro, para obtenção da gasolina “C”, em atendimento às normas baixadas pela Agência Nacional do Petróleo e que a legislação tributária de regência determinou que a alíquota para aquele produto seria zero por ser considerado um produto vendido pela distribuidora, e não um insumo. Ademais disso, ressaltou que o aproveitamento de créditos sobre aquisição de álcool anidro para adição à gasolina, para contribuinte sujeito ao regime de apuração nãocumulativa da COFINS e do PIS/PASEP somente tem vigência a partir de 01/10/2008, com a previsão contida no § 13 do art.5º da Lei nº 9.718,de1998. A contribuinte, busca através do Recurso Voluntário emplacar o entendimento de que o álcool anidro é produto intermediário obrigatório, e portanto insumo, da gasolina “c”, enquadrando o direito ao creditamento no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02, que assim dispõem: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Contudo, em que pesem seus argumentos e toda a construção jurídica desenvolvida no Recurso Voluntário que ora se analisa com vistas ao creditamento, os mesmos não merecem prosperar. Isto porque os créditos decorrentes da aquisição de álcool anidro os quais busca o ressarcimento se referem ao 4º trimestre de 2005. Conforme se extrai dos autos, parte integrante do Despacho Decisório proferido pela DRF em Marigá, a contribuinte “considerou as receitas de revendas de gasolina adicionada de álcool anidro como pertencente ao regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins de que trata a Lei nº 10.833/2003, apropriando como custo, o total das aquisições de álcool anidro para fins carburantes do período”. Nas vendas de gasolina, com exceção da de aviação, óleo diesel e GLP, a contribuição para o Pis/Pasep e para a COFINS incide de forma concentrada, no inicio da etapa de comercialização, realizada pelos produtores ou importadores. Até o advento da Lei nº 10.637/02 e da 10.833/02, que instituíram a sistemática da nãocumulatividade para o Pis/Pasep e para a COFINS, respectivamente, essas receitas se mantiveram no regime da cumulatividade, se sujeitando ao art. 2º da Lei nº 9.718/98 se produtor, e arts. 5º e 6º do mesmo diploma legal se distribuidores ou importadores. O inciso IV do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833/02, reproduzido de igual forma na Lei nº 10.637/02, determinava a não inclusão na base de cálculo das contribuições sociais das receitas de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, dentre esses produtos destacamos o álcool para fins carburantes: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.005202/200917 Acórdão n.º 3803003.143 S3TE03 Fl. 3 5 IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; Com o advento da Lei nº10.865, de 30 de abril de 2004, o artigo acima transcrito sofreu mudanças, de maneira que a vedação à inclusão na base de cálculo das contribuições sociais ficou restrita tão somente as operações de venda de álcool para fins carburantes, tal qual o caso: § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008)(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Desta forma, a venda de álcool para fins carburantes permaneceu na sistemática da cumulatividade, a qual não permite o creditamento do crédito oriundo das referidas aquisições, de modo que esta situação permaneceu até sua revogação pela Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008, convertida na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que assim dispôs em seu art. 42: 1 1 6 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1638910 de 17 de Maio de 2012. DRJ/SPO1. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO DE COFINS. A aquisição de álcool anidro para fins carburantes e de gasolina A com a intenção de obtenção de gasolina C não gera crédito de COFINS para distribuidora de combustíveis. Os pro cedimentos de reconhecimento de direito creditório exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Anocalendário: : 01/01/2005 a 31/12/2005 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO. 1 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1425212 de 13 de Julho de 2009. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO DE COFINS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO À GASOLINA. Até 30 de setembro de 2008, não havia direito a créditos da Cofins para distribuidora de combustíveis, sobre aquisição de álcool anidro par a fins de adição à gasolina. Período de apuração: : 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Art. 42. Ficam revogados: III – a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da publicação desta Lei: a) o parágrafo único do art. 6º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; b) os incisos II e III do caput do art. 42 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001; c) o inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; d) o inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; e)os arts. 49, 50, 52, 55, 57 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não havendo, após essa data, outra forma de tributação além dos 2 (dois) regimes previstos nos arts. 58A a 58U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e demais dispositivos contidos nesta Lei a eles relacionados;(Vide Medida Provisória nº 436, de 26/06/2008) f)o § 7º do art. 8º e os §§ 9º e 10 do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004.(Vide Medida Provisória nº 436, de 26/06/2008) Outrossim, o álcool anidro, composto que misturado a gasolina “A” origina a gasolina “C”, comercializada pelos postos revendedores e utilizada pela população em geral em seus veículos automotores, ao meu sentir, não foi tratado pela legislação tributária como insumo, mas sim um produto vendido pelo distribuidor. Tanto é que o inciso II do artigo 42 da MP nº 2.15835, de 2001, portanto vigente à época dos fatos, reduziu a zero a alíquota das contribuições sociais sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores, dispositivo que também foi revogado pela Lei nº 11.727/08, porquanto o recolhimento já haveria sido efetuado na etapa anterior pelos produtores (usinas): Art.42.Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; IIálcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO. 6 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1619305 de 05 de Novembro de 2008. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO DE COFINS. A aquisição de álcool anidro para fins carburantes e de gasolina A com a intenção de obtenção de gasolina C não gera crédito de COFINS para distribuidora de combustíveis. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os procedimentos de reconhecimento de direito creditório exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.005202/200917 Acórdão n.º 3803003.143 S3TE03 Fl. 4 7 IIIálcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Nestes termos, as aquisições de álcool anidro realizada no período de 01/10/2005 a 31/12/2005 não geram direito ao ressarcimento da PIS tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com o advento da Lei nº 11.727/08 e a produção dos efeitos do seu art. 7, a qual instituiu este regime diferenciado de tributação para os distribuidores de álcool anidro adicionado à gasolina. 2 De se acrescentar, que conforme todo o apanhado, não contestado pela Recorrente, no período de agosto de 2001 a setembro de 2008, as saídas de álcool promovida pelas distribuidoras, ainda que misturados à gasolina, estavam sujeitas à alíquota zero, o que comprova a sua finalidade carburante. Por tal razão, não se pode opor à situação que ora se analisa, o permissivo legal contido no art. 17 da Lei nº 11.033/04 cujo conteúdo transcrevemos a seguir para fins de melhor interpretação: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Pelo que se percebe, o contribuinte não poderá se creditar de todas as aquisições de produtos cuja saída do estabelecimento esteja sujeita à alíquota zero, tendo em vista que em determinados casos, como o dos autos, existe expressa determinação legal que veda esse aproveitamento (inciso IV, do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833/03). Em julgado recente, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária desta 3ª seção posicionouse de forma semelhante, no acórdão de nº 340101.111, partilhando do mesmo entendimento que o refletido neste voto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. ÁLCOOL ANIDRO. VEDAÇÃO EXPRESSA. A possibilidade de manutenção de créditos a que se refere o art. 17 da 11.033, de 21 de dezembro de 2004, não é ampla e irrestrita, em face de vedação expressa contida na regra então vigente, qual seja, o artigo 3º, I, “a”, c/c o art. 2 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 52 de 29 de Junho de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: DISTRIBUIDOR DE GASOLINA. DIREITO A CRÉDITO. Até 30/09/2008, as aquisições, por distribuidor, de álcool anidro para fins carburantes para ser adicionado à gasolina não geravam direito a crédito, por força de vedação expressa contida na letra “a”, do inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A partir de 01/10/2008, com a produção dos efeitos do artigo 7º da Lei nº 11.727, de 2008 e do Decreto nº 6.573, de 19/09/2008, pode o distribuidor que adquire álcool anidro para mistura à gasolina de produtor, importador ou outro distribuidor, creditarse em relação ao produto adquirido, sendo o valor do crédito determinado por unidade de medida, conforme estabelecido na norma regulamentadora. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 8 1º, § 3º, IV, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário, mantendo incólume a decisão proferida pelo Órgão de Piso. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
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