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Numero do processo: 13850.720018/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009, 2010
PRELIMINAR. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. AFASTAMENTO.
O Decreto nº 70.235/72 oferece os requisitos constitutivos mínimos do auto de infração, quais sejam: a qualificação do autuado, o local, a data e hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias e a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Uma vez que esteja claro no texto do auto de infração que o contribuinte infringiu determinada disposição legal, não há que se ponderar sobre a nulidade por vício formal.
PREJUDICIAL DE MÉRITO. AFASTADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DESNECESSIDADE.
Por previsão expressa na Lei nº 9.430/96, a não homologação da declaração de compensação é motivo legal para que a fiscalização lavre a multa isolada de 50%. A manifestação de inconformidade em processo administrativo não é requisito necessário para a lavratura da multa isolada, ou seja, da não homologação da declaração de compensação o crédito tributário em questão deve ser constituído.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO DECURSO DO TEMPO. EQUÍVOCO.
O que se homologa tacitamente são as compensações declaradas sob condição resolutória, não os créditos utilizados em compensação fiscalizada dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos.
Numero da decisão: 1402-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmete)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmete)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil De Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009, 2010 PRELIMINAR. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. AFASTAMENTO. O Decreto nº 70.235/72 oferece os requisitos constitutivos mínimos do auto de infração, quais sejam: a qualificação do autuado, o local, a data e hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias e a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Uma vez que esteja claro no texto do auto de infração que o contribuinte infringiu determinada disposição legal, não há que se ponderar sobre a nulidade por vício formal. PREJUDICIAL DE MÉRITO. AFASTADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DESNECESSIDADE. Por previsão expressa na Lei nº 9.430/96, a não homologação da declaração de compensação é motivo legal para que a fiscalização lavre a multa isolada de 50%. A manifestação de inconformidade em processo administrativo não é requisito necessário para a lavratura da multa isolada, ou seja, da não homologação da declaração de compensação o crédito tributário em questão deve ser constituído. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO DECURSO DO TEMPO. EQUÍVOCO. O que se homologa tacitamente são as compensações declaradas sob condição resolutória, não os créditos utilizados em compensação fiscalizada dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos.
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NULIDADE. VÍCIO FORMAL. REQUISITOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. AFASTAMENTO. O Decreto nº 70.235/72 oferece os requisitos constitutivos mínimos do auto de infração, quais sejam: a qualificação do autuado, o local, a data e hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias e a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Uma vez que esteja claro no texto do auto de infração que o contribuinte infringiu determinada disposição legal, não há que se ponderar sobre a nulidade por vício formal. PREJUDICIAL DE MÉRITO. AFASTADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DESNECESSIDADE. Por previsão expressa na Lei nº 9.430/96, a não homologação da declaração de compensação é motivo legal para que a fiscalização lavre a multa isolada de 50%. A manifestação de inconformidade em processo administrativo não é requisito necessário para a lavratura da multa isolada, ou seja, da não homologação da declaração de compensação o crédito tributário em questão deve ser constituído. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO DECURSO DO TEMPO. EQUÍVOCO. O que se homologa tacitamente são as compensações declaradas sob condição resolutória, não os créditos utilizados em compensação fiscalizada dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 72 00 18 /2 01 1- 23 Fl. 733DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmete) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmete) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil De Oliveira Pinto. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13850.720018/201123 Acórdão n.º 1402002.423 S1C4T2 Fl. 734 3 Relatório Adoto o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de CampinasSP, com as devidas atualizações. Tratase de multa regulamentar decorrente de compensações indevidas no valor de R$ 115.365,21. No corpo do Auto de Infração, a autoridade fiscal assim contextualiza o lançamento da penalidade: Trata o processo 13884.002745/0011 das compensações do crédito reconhecido na ação judicial 2000.61.03.0022382, relativamente à diferença entre o valor de PIS pago com base nos DecretosLei 2.445 e 2.449/88 e o apurado com base na Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, com débitos diversos. ... Em conferência dos procedimentos efetuados pelo contribuinte, o Seort/DRF/SJC apurou, com o auxilio do programa Crédito Tributário Sub Júdice, homologado pela RFB, que o crédito de PIS, considerandose como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador e atualizado com base no Provimento 24/97 da CGJF 3R, somente foi bastante para amortizar os débitos de PIS de junho de 1999 a março de 2003 e parte do debito de PIS de abril de 2003. ... Transitada em julgado a ação sem alteração em seu teor, foi exarado o Despacho Decisório Seort n° 0053, de 1° de março de 2011, homologando parcialmente as compensações tão somente quanto aos débitos de PIS de junho de 1999 a março de 2003 e parte do débito de PIS de abril de 2003, conforme cálculo efetuado anteriormente. Foram não homologadas, portanto, todas compensações relativamente aos demais débitos. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, apresentada a partir de 16 de dezembro de 2009, data de publicação da Medida Provisória n° 472, de 15 de dezembro de 2009, convertida na Lei n° 12.249, de 11 de junho de 2010. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Conforme dispõe o Auto de Infração e Multa, a autuação foi fundamentada na suposta compensação de débitos de tributos administrados pela RFB com créditos não homologados por ela, mais precisamente, créditos objeto de despacho decisório (Seort n° 53/2010), que homologou apenas compensações com Débitos de PIS feitas entre junho de 1999 a março de 2003, e parte do débito do PIS de abril de 2003, conforme cálculo efetuado anteriormente e de modo unilateral pela RFB, nos autos do processo administrativo n°13884.002745/0011. Fl. 735DF CARF MF 4 Ocorre que, ao contrário do que consta do Despacho Decisório supra epigrafado, e conforme foi devidamente demonstrado através de impugnação tempestivamente apresentada (doc. Anexo), as compensações foram efetuadas de forma lídima e sem qualquer ofensa à legislação que rege a matéria, sendo de pleno direito do Contribuinte a compensação efetuada nos termos requeridos, conforme será melhor demonstrado adiante. Embora não haja qualquer menção no relatório que fundamenta a decisão, a decisão exarada no Despacho Decisório Seort nº 0053, foi impugnada mediante apresentação de Manifestação de Inconformidade, sendo certo que tal recurso se reveste de efeito suspensivo, nos termos do art. 151, inciso III do Código Tributário Federal, inclusive no que toca às sanções administrativas, consoante inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72. Conforme já aduzido nos autosd a Manifestação de Inconformidade supra epigrafada, os créditos objetos da compensação se revestiram de liquidez e certeza, eis que a decisão que indeferiu a homologação nos autos do processo administrativo n] 13884.002745/0011 foi exarada em prazo muito superior a 05 anos de sua apresentação pelo contribuinte, situação esta que incorre na homologação tácita dos créditos, conforme hodierna jurisprudência do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. ... Ante o exposto, tendo o interregno entre a protocolização dos pedidos de compensação e restituição (18.08.2000) e a decisão que indeferiu o pedido (06.03.2007), operouse a homologação tácita do crédito tributário pleiteado pela impugnante, por força de expressa previsão legal, conforme será melhor demonstrado adiante. De outro lado, tendo sido tempestivamente impugnado o Despacho Decisório SEORT n° 0053/2010, não caberá a aplicação de qualquer penalidade até a decisão definitiva em instância administrativa, devendo, por tal razão, ser anulado o Auto de Infração e Multa ora Impugnado. ... Conforme se depreende do Auto de Infração e Multa, sua lavratura foi embasada por suposto enquadramento no § 17 do art. 74 da Lei Federal n° 9.430/96, que, combinado com o § 1 5 do mesmo diploma legal, prevê penalidade de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da compensação não homologada. No caso sob exame, a homologação da compensação está sob análise de manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, onde se asseveram os argumentos acima delineados, notadamente a homologação tácita dos créditos apresentados pela Impugnante. Diante disso, e do caráter suspensivo da interposição tempestiva de Manifestação de Inconformidade, consoante dispõe o art. 74 da Lei n° 9.430/96, em seus §§ 9, 10 e 11. ... Nesse diapasão, a discussão acerca da higidez dos pedidos de compensação apresentados pela Contribuinte, ora impugnante, pendem de análise da competente Delegacia Regional de Julgamento,razão pela qual, a presente autuação fiscal tem sua validade diretamente ligada à decisão administrativa sobre a qual não caiba mais recurso, o que restou demonstrado não ser o caso. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13850.720018/201123 Acórdão n.º 1402002.423 S1C4T2 Fl. 735 5 Deste modo, a Autuação Fiscal lavrada antes mesmo de haver decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, e notadamente pelo caráter suspensivo da manifestação de inconformidade tempestivamente interposta, ofende frontalmente os princípios da legalidade, eis que contraria disposição legal expressa acerca do efeito suspensivo dos recursos administrativos, e da ampla defesa, corolário do princípio do contraditório, eis que impõe sanção à administrada antes de serlhe oportunizada a análise de sua defesa. Por todo o exposto, restou demonstrado que a lavratura do Auto de Infração é nula, eis que não houve decisão definitiva na esfera administrativa no que toca às compensações apresentadas pelo contribuinte nos termos da legislação vigente, sendo certo que a manifestação de inconformidade goza de efeito suspensivo. Diante da defesa apresentada, a DRJ julgou improcedentes os argumentos do contribuinte, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 28/02/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. Aplicase multa isolada sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. POSSIBILIDADE. A existência de Manifestação de Inconformidade ainda em julgamento administrativo não impede o lançamento da multa isolada sobre o crédito objeto de declaração não homologada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em virtude da decisão desfavorável, conforme ementa acima colacionada, a Interessada apresenta Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos dispendidos em sua Impugnação. Não há Recurso de Ofício, nem mesmo foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de restituição, cumulado com pedidos de compensação, de créditos de PIS decorrentes de decisão judicial transitada nos autos nº 2000.61.03.0022382. Tal processo, apenso a este, tomou o nº 13884.002745/0011. Compulsandose o processo de restituição em questão, observase que, às fls. 1128, há Despacho Decisório nº 53, de 01.03.2011, que reconhece, expressamente, a falta de créditos suficientes do contribuinte para atender a todas as compensações pleiteadas, notadamente pela desconsideração, do contribuinte, na apuração de seus créditos, que a decisão transitada em julgado reconheceu a prescrição dos créditos anteriores a 19.05.90. Desta forma, os pedidos eletrônicos de restituição e compensação transmitidos entre agosto e novembro/2010 e a Declaração de Compensação apresentada em 15.02.2011, resultaram em compensações não homologadas, por falta de crédito para tanto. Assim, a multa isolada constituída através deste processo administrativo é devida. Passo a detalhar os motivos desta decisão a partir do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. De acordo com o contribuinte, em seu recurso voluntário, “a autuação foi fundamentada na suposta compensação de débitos de tributos administrados pela RFB com créditos não homologados por ela, (...)”. (grifei). Prosseguindo em suas considerações, o contribuinte afirma que o Despacho Decisório Seort nª 0053 “foi impugnado mediante apresentação de Manifestação de Inconformidade, a qual, a teor do art. 151, III, do CTN, tem efeito suspensivo, inclusive no que toca às sanções administrativas, consoante inteligência do art. 33, do Decreto 70.235/72”. Protesta contra a alegação de que a Manifestação de Inconformidade devidamente protocolada já tinha sido objeto de julgamento, o que autorizaria a manutenção da multa isolada, pois sequer tinha sido intimado do referido acórdão e que, certamente, apresentaria recurso voluntário, mantendo o efeito suspensivo, nos termos do art. 33, do Decreto 70.235/72. Aponta, por fim, nulidades da autuação e, no mérito, defende a higidez dos créditos tributários utilizados para as compensações. Inicialmente, a autuação não ofende ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que está bem claro, no texto do auto de infração, que o contribuinte infringiu o art. 74, § 17, da Lei nº 9430/96, com redação dada pelo art. 62, da Lei nº 12.249/10. E, em sua defesa de mérito, o contribuinte reconhece esse enquadramento legal. Afasto, desta forma, a preliminar de nulidade. Como prejudicial de mérito, o contribuinte afirma que o efeito suspensivo garantido ao processo administrativo iniciado com uma manifestação de inconformidade (§ 11, Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13850.720018/201123 Acórdão n.º 1402002.423 S1C4T2 Fl. 736 7 do art. 74, da Lei 9.430/96), por si só, deveria afastar a imposição de penalidade, pois se as compensações não homologadas estão em discussão, não caberia a multa isolada. Na época da apresentação das declarações de compensação que não foram homologadas, estava em vigor os §§ 15 e 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a seguinte redação: Art. 74. (...) (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (...) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (...) Como se observa, o simples fato de uma declaração de compensação não ser homologada era motivo legal para que a fiscalização, cumprindo o seu dever de ofício, lavrasse a multa isolada de 50%, de tal forma que, independentemente da existência de manifestação de inconformidade em processo administrativo, o crédito tributário em questão deveria ser constituído. No momento da decisão da 3ª Turma da DRJ de Campinas (SP), através do Acórdão nº 0537.350, o Relator não deixou de consignar que, ainda que a constituição do crédito de multa isolada estivesse correta, a eventual cobrança da multa estava vinculada ao deslinde do PAF 13884.002745/0011, pois uma alteração na decisão, admitindo que as compensações foram feitas corretamente, afastaria o pressuposto de validade da multa isolada constituída no presente processo administrativo. No entanto, como o processo administrativo nº 13884.002745/0011 teve uma decisão desfavorável ao contribuinte, que manteve a não homologação das compensações que ensejaram a lavratura de multa isolada no presente processo administrativo, houve por bem a 3ª Turma da DRJ de Campinas (SP), através do Acórdão nº 0537.350, negar provimento à impugnação do contribuinte. Por fim, o argumento de mérito trazido pelo contribuinte para sustentar a legalidade das compensações realizadas e, por outro lado, o não cabimento da multa isolada lavrada no presente processo, é a “higidez do crédito tributário que lastreia a infração”. Alega o contribuinte que apresentou planilha detalhada com os créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado, com os respectivos DARFs comprovando os recolhimentos (planilhas de fls. 55/64 e 237/238). Fl. 739DF CARF MF 8 Compulsando referidas planilhas, verificase que o contribuinte, indevidamente, não excluiu os valores anteriores a 19/05/90, como determinado pela decisão judicial transitada em julgado, bem como acrescentou valores posteriores a outubro/95, desconsiderando que a partir de novembro/95 o PIS passou a ser devido com base na MP 1.212/95, convertida na Lei 9.715/98, de tal forma que tais valores não estavam abrangidos pela decisão judicial transitada em julgado. De se observar, ainda, que na planilha de fls. 237/238, a aplicação da Taxa Selic em base já corrigida pela própria Taxa Selic é incorreta, pois não se aplica, na correção de créditos tributários, juros sobre juros. Outro equívoco que embasa o recurso voluntário do contribuinte é afirmar que o decurso do tempo homologa, tacitamente, o seu crédito tributário. Em verdade, as compensações não homologadas no âmbito do processo administrativo nº 13884.002745/0011 decorrem de declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte a partir de agosto/2010 (Per/DComp’s a partir das fls. 1080 e seguintes). O que, de fato, se homologa tacitamente são as compensações declaradas sob condição resolutória, não os créditos utilizados em compensação fiscalizada dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, como ocorreu no caso concreto. No processo em apenso, repitase, a 3ª Turma da DRJ de Campinas (SP), materializada no Acórdão nº 0537.349, manteve a não homologação das compensações decorrentes dos pedidos de compensação formalizados pelo contribuinte entre agosto e novembro/2010 e DCOMP protocolada em fevereiro/2011, por inexistir crédito tributário de PIS, decorrente de decisão judicial transitada em julgado, suficiente para as mesmas. Da mesma forma, mantenho a decisão da mesma 3ª Turma da DRJ de Campinas (SP), agora materializada no Acórdão nº 0537.350, neste processo administrativo, pois a constituição de crédito tributário – multa isolada, nos moldes do § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 decorre, exclusivamente, do reconhecimento da não homologação de compensações declaradas, o que está sendo feito concomitantemente neste julgamento, afastando os argumentos dispostos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 740DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.000803/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2401-004.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 03 /2 00 7- 59 Fl. 829DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 830 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, negarlhes provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 831 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 751/755, contra o Acórdão nº 2401003.865, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 733/748. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.051.0640, concernente ao período de 01/1998 a 12/2005, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e às destinadas ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho (GILRAT), além das contribuições devidas a terceiros. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 2/159). 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) ausência de exame do disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o qual, segundo a recorrente, prevê que o Certificado de Entidade de Assistência Social (Ceas) concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com base na legislação do Programa Universidade para Todos (Prouni), apenas possibilita a requisição pela pessoa jurídica de um novo pedido de isenção/imunidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, caso deferido o pleito, o benefício fiscal passaria a produzir efeitos a contar da data da entrada em vigor da novel legislação, isto é, 10/9/2004; e (ii) falta de pronunciamento a respeito da adesão do contribuinte antes do julgamento do recurso voluntário ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que tal ato equivale à concordância com a exigência fiscal (fls. 508). 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 12/5/2015, que interpôs os embargos de declaração em 2/6/2015 (fls. 750 e 756). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016, para análise da admissibilidade dos embargos. 6. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 818/819). Fl. 831DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 832 4 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 768/773 e 784/798). É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 833 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 240103.865, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Para melhor explanação das razões de decidir, analisemos em separado os vícios apontados pela Fazenda Nacional: a) falta de exame pelo colegiado do conteúdo do art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005; e b) previamente ao julgamento do recurso voluntário, havia pedido de parcelamento do crédito tributário. a) Falta de exame da norma jurídica contida no art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005 11. Nesse ponto, a Fazenda Nacional sustenta que o acórdão embargado centralizou a sua atenção no § 2º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, deixando de apreciar, por outro lado, o disposto no § 3º do mesmo artigo, preceptivo essencial ao deslinde da controvérsia trazida a debate nos autos. 11.1 Para compreensão da legislação questionada, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 834 6 beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7º desta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: I oferecer 20% (vinte por cento), em gratuidade, de sua receita anual efetivamente recebida nos termos da Lei nº 9.870, de 23 de novembro de 1999, ficando dispensadas do cumprimento da exigência do § 1º do art. 10 desta Lei, desde que sejam respeitadas, quando couber, as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II para cumprimento do disposto no inciso I do caput deste artigo, a instituição: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) a) deverá oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral a estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de curso de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente instalados, observado o disposto nos §§ 3º, 4º e 5º do art. 10 desta Lei; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) b) poderá contabilizar os valores gastos em bolsas integrais e parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), destinadas a estudantes enquadrados no § 2º do art. 1º desta Lei, e o montante direcionado para a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III gozar do benefício previsto no § 3o do art. 7o desta Lei. § 1º Compete ao Ministério da Educação verificar e informar aos demais órgãos interessados a situação da entidade em relação ao cumprimento das exigências do Prouni, sem prejuízo das competências da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Previdência Social. § 2º As entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 835 7 § 3º O Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. § 4º Na hipótese de o CNAS não decidir sobre o pedido até o dia 31 de março de 2005, a entidade poderá formular ao Ministério da Previdência Social o pedido de isenção, independentemente do pronunciamento do CNAS, mediante apresentação de cópia do requerimento encaminhando a este e do respectivo protocolo de recebimento. § 5º Aplicase, no que couber, ao pedido de isenção de que trata este artigo o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (GRIFEI) 12. Prossegue a embargante que a falta de pronunciamento sobre o § 3º acarretou omissão no julgado, na medida em que, conquanto tenha havido o deferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, referente ao período de 09/2000 a 09/2003, pela Resolução nº 49/2005 do CNAS, a concessão do documento com base no art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, apenas tinha o condão de viabilizar um novo pedido de isenção junto ao INSS, a qual, se deferida, produziria efeitos a partir de 10/9/2004. 13. A Fazenda Nacional pretende a rediscussão de questão devidamente examinada e decidida no acórdão embargado. O eventual equívoco na interpretação da legislação pelo julgador que pode levar ao erro de julgamento, ao qual faço alusão tão somente para possibilitar o desenvolvimento do meu ponto de vista, não configura hipótese capaz de ser corrigida por meio dos embargos de declaração. 14. Na visão do relator originário a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, relativamente ao período da autuação. 14.1 Logo, tendo sido deferida a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003, em face da Resolução CNAS nº 49/2005, não haveria, segundo entendimento acatado pela unanimidade dos conselheiros, como manter o lançamento relativamente a tal período. 14.2 De maneira análoga, também produziu efeitos para a improcedência do lançamento tributário a renovação do Certificado de Entidade de Assistência Social para o período de 09/2003 a 09/2006, por meio da Resolução CNAS nº 11/2009, datada de 9 de fevereiro de 2009. 15. Trago excertos do Acórdão nº 240103.865 sobre o ponto questionado pela embargante (fls. 742/745): Fl. 835DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 836 8 (...) Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. (...) Defende [a recorrente], sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). (...) Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: (...) Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: (...) Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a Fl. 836DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 837 9 recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. Da renovação do certificado no período de 2003 a 2006. Outro ponto que necessariamente deve ser analisado por esta Turma referese aos argumentos da recorrente no sentido de que também era possuidora do CEAS válido para o triênio posterior ao período de 09/2003. (...) E diante de tal preceito legal, aponta a recorrente que em fevereiro de 2009 fora publicada a Resolução CNAS n. 11/09, deferindolhe a renovação do CEAS para o período de 09/2003 a 09/2006, cujo teor segue transcrito: (...) Em face de tais constatações, vejo, mais uma vez, que o fundamento adotado pela fiscalização para levar a efeito o lançamento das contribuições previdenciárias não se sustenta, na medida em que a condição de não possuidora do CEAS não mais se verifica, pois sua renovação fora deferida em decorrência de autorização legal expressa. (...) Assim, do mesmo modo que para o período de 09/2000 a 09/2003, entendo que a recorrente possui certificado válido para o período de 09/2003 a 09/2006, motivo pelo qual, a meu ver, resta insustentável o lançamento efetuado. Em face do entendimento supra abarcar a totalidade do período objeto do presente lançamento, tenho por prejudicados os demais argumentos trazidos no recurso voluntário. (...) 16. Tendo em conta o raciocínio esquadrinhado pelo relator originário, entendo não haver vazio na fundamentação utilizada no acórdão recorrido, dispensandose, à vista disso, a necessidade de complementação da decisão pelo exame da aplicação ao caso concreto da norma jurídica contida no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, conforme defende a Fazenda Nacional. 17. Sublinho que o julgador "ad quem" não está obrigado a enfrentar e/ou refutar todos os fundamentos do acórdão de primeira instância que deram esteio à manutenção da autuação fiscal. O decisório recorrido apreciou, de modo fundamentado, as questões relevantes trazidas ao debate pelas partes, com base nos fatos e no direito que entendeu aplicável à questão controvertida. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 838 10 18. Portanto, cabe rejeitar a alegação de omissão no acórdão suscitada pela embargante. b) Parcelamento 19. Assinala a Fazenda Nacional uma outra omissão identificada no Acórdão nº 240103.865, relacionada à falta de pronunciamento sobre a adesão do contribuinte ao parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009. A inclusão do débito em parcelamento, conforme noticiado às fls. 508, caracteriza a desistência do recurso voluntário, em razão da perda de interesse no julgamento do apelo recursal. 20. Na Intimação nº 397/2010, datada de 11/5/2010, relativa ao encaminhamento da decisão de piso para ciência do fiscalizado, verifico que a unidade preparadora da RFB manifestase nos termos a seguir copiados (fls. 519): 1. Pela presente dáse ciência do acórdão no 1624.357 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (14a Turma DRJ/SPOI) e do respectivo anexo DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado, cujas cópias seguem anexas. 2. Como o contribuinte aderiu ao Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, informamos que o processo aguarda a consolidação do parcelamento para que sejam adotadas as devidas providências. 21. Ocorre que no âmbito do parcelamento de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 2009, o requerimento de adesão não implicava a inclusão automática de débitos, visto que os créditos tributários a serem parcelados deveriam ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação do parcelamento (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009). 22. Daí porque, logo em seguida, na Intimação nº 498/2010, de 31/5/2010, a unidade da RFB retifica o teor da intimação anterior e declara expressamente o direito do fiscalizado à interposição de recurso voluntário, no prazo legal (fls. 521) 22.1 Consta também da Intimação nº 498/2010 que: (...) 4. Transcorrido o prazo acima, sem as devidas providências do contribuinte, o processo ficará sobrestado, aguardando consolidação da Lei de Parcelamento 11.941/2009, para que sejam adotadas as devidas providências. (...) 23. Nada obstante, o recurso voluntário foi protocolado em 28/6/2010, juntado às fls. 524/576, e encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 12/7/2010, sem qualquer alusão, por parte do Fisco, à inclusão do débito tributário discutido em acordo de parcelamento (fls. 578). Fl. 838DF CARF MF Processo nº 36624.000803/200759 Acórdão n.º 2401004.596 S2C4T1 Fl. 839 11 23.1 Na sequência de fls. dos autos igualmente não localizei comprovação de parcelamento da NFLD nº 37.051.0640. 24. Destarte, pelos elementos que instruem os autos a omissão apontada pela Fazenda Nacional é manifestamente improcedente, inexistindo comprovação de desistência do contribuinte quanto à discussão administrativa do crédito tributário, devido à inclusão do débito no parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, antes do julgamento do recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, por ausência dos vícios apontados pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 839DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000956/2002-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
DEPÓSITOS JUDICIAIS TEMPESTIVOS. COMPROVADA A CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. EXTINÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
A exigência dos créditos tributários lançados deve ser integralmente cancelada, uma vez comprovada, nos autos, a realização tempestiva do depósito do montante integral dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep lançados, bem como a conversão dos correspondentes depósitos em renda da União.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 DEPÓSITOS JUDICIAIS TEMPESTIVOS. COMPROVADA A CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. EXTINÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. POSSIBILIDADE. A exigência dos créditos tributários lançados deve ser integralmente cancelada, uma vez comprovada, nos autos, a realização tempestiva do depósito do montante integral dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep lançados, bem como a conversão dos correspondentes depósitos em renda da União. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 09 56 /2 00 2- 08 Fl. 285DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração (fls. 42/47), em que formalizada a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 33.449,56, sendo R$ 12.349,00 de Contribuição para o PIS/Pasep do 2º trimestre de 1997, R$ 9.261,75 de multa de ofício e R$ 11.838,81 de juros moratórios, calculados até 28/2/2002. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrante do referido auto de infração, o motivo do lançamento foi a não confirmação da suspensão da exigibilidade dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de abril a junho de 1997, créditos vinculados aos créditos originários do processo judicial 96.010.19774 não comprovado, informado na DCTF do 2º trimestre de 1997. Em sede de impugnação, a autuada alegou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário exigido, sob argumento que havia feito depósito judicial no valor integral do débito, no âmbito do Mandado de Segurança nº 96.01.019774, que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Juiz de Fora/MG, bem como a impropriedade da aplicação da taxa Selic como juros de mora. E para fazer prova das suas alegações, a fiscalizada juntou aos autos as Guias de Depósito Judicial dos valores correspondentes aos débitos lançados no auto de infração. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 93/96), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte a impugnação, para manter o lançamento do tributo, no valor de R$ 12.349,00, acompanhado de multa de mora e juros moratórios, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada falta de recolhimento deve persistir o lançamento efetuado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.º 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os acréscimos legais (juros e multa de mora) serão excluídos no momento da efetiva conversão do depósito em renda, observados os valores das contribuições depositadas/devidas e as datas dos depósitos/vencimento das contribuições. Impugnação Procedente em Parte Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10640.000956/200208 Acórdão n.º 3302003.710 S3C3T2 Fl. 255 3 Crédito Tributário Mantido em Parte Em 8/10/2012, a autuada foi cientificada da referida decisão (fls. 98/ 99). Em 6/11/2012, interpôs o recurso voluntário fls. 118/125, no qual alegou que: (i) nos termos do art. 156, VI, do CTN, o débito era inexigível, ante a extinção em razão da conversão em renda da União dos correspondentes valores depositados judicialmente ; (ii) não deviam ser exigidos acréscimos legais, tendo em vista o efetivo depósito judicial do montante integral do débito, independentemente da fase processual em que fora realizado. Nos termos da Resolução nº 3102000.311 (fls. 207/210), de 28 de maio de 2014, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que o órgão julgador de primeiro grau comprovasse a verossimilhança da documentação acostada aos autos pela recorrente. Por meio do Despacho de fls. 213/214, o Presidente da 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: Em atendimento à Resolução 3102000.311, informo que consta da parte dispositiva do Acórdão 0940.822 2ª Turma da DRJ/JFA que: Registrese que, mantida a exigência na esfera judicial, sobre os valores constantes do lançamento acobertados por depósito judicial antes da constituição do crédito tributário, o sujeito passivo não responderá por quaisquer acréscimos legais, observados os valores das contribuições depositadas/devidas e as datas dos depósitos/vencimentos das obrigações. E ainda em seus fundamentos que: Desta forma, os acréscimos legais devem ser mantidos nesta fase administrativa, com a ressalva de que apenas serão exigidos do sujeito passivo caso permaneçam diferenças quando da conversão do depósito em renda. Assim, entendo que a matéria levada à discussão no âmbito do CARF já havia sido definida em 1ª instância administrativa, ou seja: não há incidência de juros de mora e multa de mora sobre os valores lançados de PIS extintos pela depósitos realizados pela contribuinte convertidos em renda da União. Somente se, do encontro de contas, restar diferença a pagar, sobre essa diferença, não acobertada pelos depósitos judiciais, incidirão acréscimos legais. Caberia aqui somente a autoridade preparadora cumprir a determinação contida no acórdão. Portanto, não havendo litígio, a meu ver, o recurso não deveria ser conhecido. Caso não concorde com esse posicionamento, cumpre esclarecer que a DRJ é autoridade julgadora de 1ª instância administrativa e, sendo assim, também não tem competência para cumprir diligência. Fl. 287DF CARF MF 4 O pedido de diligência deve ser encaminhado à autoridade preparadora, no caso, a DRF Juiz de Fora que jurisdiciona o domicílio fiscal da contribuinte. (grifos não originais) Em 29 de janeiro de 2015, por meio da Resolução nº 3102000.338, o julgamento foi novamente convertido em diligência perante a unidade da RFB de origem, para fim de confirmação ou não da liquidação integral dos débitos lançados, mediante a conversão dos depósitos em renda da União, conforme informado pela recorrente (fl. 122). Em seguida, fosse cientificada a recorrente do procedimento realizado, para se manifestar a respeito do resultado da diligência, inclusive, se fosse o caso, para se pronunciar acerca da desistência do recurso interposto, por falta de objeto. Caso contrário, se persistisse a discordância quanto o resultado do procedimento de liquidação do acórdão recorrido, retornassemse os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Em resposta, por meio do despacho de fls. 234/235, a autoridade fiscal informou a extinção do crédito tributário, em 17/03/2001, mediante conversão em renda do depósito judicial realizado no âmbito processo judicial nº 96.01.019774. Cientificada do referido despacho, por meio da petição fls. 243/245, a recorrente alegou, como a comprovação da realização dos depósitos judiciais ocorrera após a prolação da decisão recorrida não havia que se falar em perda de objeto do recurso interposto, pois, essa questão não fora analisada pela decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O objeto do recurso em apreço cingese à questão atinentes à comprovação da extinção dos débitos lançados mediante conversão em renda da União dos depósitos judiciais realizados no âmbito do processo judicial nº 96.01.019774. Em resposta ao pedido de diligência, formulado no âmbito da Resolução nº 3102000.338, de 29 de janeiro de 2015, por meio do despacho de fls. 234/235, a autoridade fiscal informou a extinção integral do crédito tributário lançado, em 17/03/2001, mediante conversão em renda dos citados depósitos judiciais. Dessa forma, uma vez comprovado, nos autos, a extinção do crédito tributário lançado mediante conversão em renda da União dos depósitos judiciais, realizados tempestivamente, nos termos do art. 156, VI, do CTN, deve ser integralmente cancelada a cobrança dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep do 2º trimestre de 1997, objeto do questionado auto de infração. Por todo o exposto, votase por DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso, para determinar o cancelamento da cobrança do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10640.000956/200208 Acórdão n.º 3302003.710 S3C3T2 Fl. 256 5 Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001335/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Reconhece-se a nulidade material do auto de infração efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, quando inexiste a intimação do cotitular das contas correntes.
Embargos de declaração acolhidos
Numero da decisão: 2101-001.941
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 2101-01.529,
mantendo-lhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material. Acompanhou o julgamento o Dr. Flávio Ricardo Ferreira, OABSP nº 198445.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Reconhece-se a nulidade material do auto de infração efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, quando inexiste a intimação do cotitular das contas correntes. Embargos de declaração acolhidos
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NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Reconhecese a nulidade material do auto de infração efetuado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, quando inexiste a intimação do cotitular das contas correntes. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.529, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material. Acompanhou o julgamento o Dr. Flávio Ricardo Ferreira, OABSP nº 198445. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 13 35 /2 00 8- 91 Fl. 208DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0417.09336.6VHR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001335/200891 Acórdão n.º 2101001.941 S2C1T1 Fl. 209 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fls. 203/204) interposto em 31 de maio de 2012 contra o acórdão de fls. 191/199, que, (a) por maioria de votos, conheceu do recurso voluntário do contribuinte, (b) por unanimidade, não conheceu do recurso de ofício e (c), no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para anular o lançamento por ausência de intimação do cotitular das contas correntes verificadas. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO. INTIMAÇÃO DO ACÓRDÃO DA DRJ POR EDITAL. NULIDADE. RECURSO TEMPESTIVO. É nula a intimação por edital nas hipóteses em que o contribuinte foi procurado (3) três vezes pelos Correios no horário comercial e a DRF não tenta intimálo pelos demais meios previstos pelo artigo 23 do Decreto 70.235/72, principalmente em casos como o presente, em que a intimação do auto de infração foi pessoal. Recurso voluntário conhecido. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo. Recurso voluntário provido. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF N. 3, DE 2008. APLICAÇÃO IMEDIATA. De acordo com precedentes do CARF, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. Fl. 209DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0417.09336.6VHR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001335/200891 Acórdão n.º 2101001.941 S2C1T1 Fl. 210 3 Recurso de ofício não conhecido.” Não se conformando, a União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração, pedindo seja esclarecida se a nulidade constatada no auto de infração decorre de vício formal ou material. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) em 31/05/2012, com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. No presente caso, a Embargante pede seja esclarecido se a nulidade verificada pela ausência de intimação do cotitular das contas correntes mantidas junto aos bancos Bradesco e Banespa, fundamentada na Súmula n.º 29 deste CARF, decorre de vício formal ou material. A seu ver, tratase de vício formal, que permite à autoridade fiscal lavrar novamente o auto, no prazo aludido pelo art. 173, II, do CTN. Ao analisar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconheci a nulidade do lançamento efetuado, tendo em vista que as contas em que foi constatada omissão de rendimentos eram conjuntas (Banespa e Bradesco), bem como não houve intimação dos demais cotitulares. Em se tratando de aspecto crucial à aplicação da regramatriz de incidência tributária, resta configurada nulidade decorrente de vício material, diferentemente do que aponta a União em seu recurso. Para melhor elucidar a questão, válido transcrever o disposto no artigo 142 do CTN, que trata do lançamento, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 acima transcrito representam elementos essenciais para a formação e existência do lançamento, sendo que sua ausência gera insubsistência da autuação, não sua anulação por vício formal. Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regra Fl. 210DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0417.09336.6VHR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.001335/200891 Acórdão n.º 2101001.941 S2C1T1 Fl. 211 4 matriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001, pp. 127129). Na presente hipótese, verificase, claramente, a ocorrência de vício material, eis que desatendeu o comando insculpido no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, que embasou o lançamento. Não há, destarte, que se falar na aplicação do art. 173, II, do CTN, ou seja, do prazo decadencial contado da data em que se tornar definitiva a decisão que anular o lançamento por vício formal. Aplicável, de outra sorte, o prazo de decadência não qualificado, previsto ou no art. 150, §4º (cinco anos do fato gerador), ou no art. 173, I (5 anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ambos do CTN. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.529, mantendolhe o resultado, esclarecendo, apenas, que a nulidade constatada no auto de infração é de ordem material. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 211DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0417.09336.6VHR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 23/10/2012 17:38:30. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 23/10/2012. Documento assinado digitalmente por: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS em 04/11/2012 e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA em 23/10/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/04/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0417.09336.6VHR Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.001335/2008-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10925.720661/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. ÍNDICE DE ATO COOPERATIVO. ENTRADA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. EXCLUSÃO DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SECUNDÁRIOS NÃO PRODUZIDOS PELOS ASSOCIADOS. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA E FINALÍSTICA DA LEI N. 5.764/71 E DO ART. 183 DO RIR/99.
A atividade da cooperativa agropecuária industrial se dá no momento da entrada dos produtos agropecuários produzidos pelos associados, assim, o cálculo do Índice de Ato Cooperativo deve considerar as entradas dos produtos agropecuários. Não deve compor tal cálculo a entrada de produtos intermediários consumidos na industrialização, material de embalagem e qualquer outro tipo de insumo secundário que não se confunde com a matéria-prima (produto agropecuário) produzidos pelos associados, sob pena de se tributar atividade cooperativa. Deve ser aplicada a interpretação finalística e sistemática da Lei n. 5.764/71 e do art. 183 do RIR em consonância com a proteção do ato cooperativo dada pela CF/88.
Numero da decisão: 1201-001.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. ÍNDICE DE ATO COOPERATIVO. ENTRADA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. EXCLUSÃO DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SECUNDÁRIOS NÃO PRODUZIDOS PELOS ASSOCIADOS. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA E FINALÍSTICA DA LEI N. 5.764/71 E DO ART. 183 DO RIR/99. A atividade da cooperativa agropecuária industrial se dá no momento da entrada dos produtos agropecuários produzidos pelos associados, assim, o cálculo do Índice de Ato Cooperativo deve considerar as entradas dos produtos agropecuários. Não deve compor tal cálculo a entrada de produtos intermediários consumidos na industrialização, material de embalagem e qualquer outro tipo de insumo secundário que não se confunde com a matéria-prima (produto agropecuário) produzidos pelos associados, sob pena de se tributar atividade cooperativa. Deve ser aplicada a interpretação finalística e sistemática da Lei n. 5.764/71 e do art. 183 do RIR em consonância com a proteção do ato cooperativo dada pela CF/88.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
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ÍNDICE DE ATO COOPERATIVO. ENTRADA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. EXCLUSÃO DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS SECUNDÁRIOS NÃO PRODUZIDOS PELOS ASSOCIADOS. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA E FINALÍSTICA DA LEI N. 5.764/71 E DO ART. 183 DO RIR/99. A atividade da cooperativa agropecuária industrial se dá no momento da entrada dos produtos agropecuários produzidos pelos associados, assim, o cálculo do Índice de Ato Cooperativo deve considerar as entradas dos produtos agropecuários. Não deve compor tal cálculo a entrada de produtos intermediários consumidos na industrialização, material de embalagem e qualquer outro tipo de insumo secundário que não se confunde com a matériaprima (produto agropecuário) produzidos pelos associados, sob pena de se tributar atividade cooperativa. Deve ser aplicada a interpretação finalística e sistemática da Lei n. 5.764/71 e do art. 183 do RIR em consonância com a proteção do ato cooperativo dada pela CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 06 61 /2 01 4- 91 Fl. 659DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte em referência por meio dos quais se exigem IRPJ e CSLL no valor total de R$ 23.852.662,30, incluídos a multa de ofício de 75%, a multa isolada e os juros de mora consolidados em 11/04/2014. Os fatos que motivaram as autuações foram contextualizados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 24/133, a seguir relatado. O TVF se inicia com a descrição dos acontecimentos atinentes à emissão Mandado de Procedimento Fiscal bem como ao encerramento parcial da ação fiscal, salientando que os trabalhos fiscais prosseguem relativamente a outros anoscalendário e tributos indicados no MPF. Informam que a contribuinte autuada é cooperativa central que “tem por atividade principal a industrialização e posterior venda de produtos entregues (em especial, suínos, aves, leite) pelas cooperativas associadas, bem como o fornecimento de produtos e mercadorias a estas últimas”. Das Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real (infração 0001) Especificamente sobre os fatos que motivaram as autuações em análise, expõem que o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) permite inferir que a contribuinte apura seus resultados em decorrência de atividades relacionadas a suínos, rações suínas reprodutores, pintos/ovos/matrizes, carnes, aves, rações aves, bovinos, lácteos, massas e vegetais. E mais: “Nestas atividades as receitas/ingressos e custos/despesas/dispêndios diretamente a vinculadas às mesmas são apropriadas conforme o percentual de ato cooperado de cada atividade (índice)”. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 3 3 Instada a explicar como é apurado o índice de ato cooperado, a fiscalizada informou que “nas atividades RAÇÕES SUÍNAS, REPRODUTORES, PINTOS/OVOS/MATRIZES, RAÇÕES AVES, BOVINOS, MASSAS e VEGETAIS o índice de ato cooperativo é calculado conforme e as vendas para associados ou para não associados”. Com “relação às atividades de SUÍNOS, CARNES AVES e LÁCTEOS, apurouse que o referido índice (ato cooperado e não cooperado) é encontrado levando em consideração o percentual de aquisições de SUÍNOS VIVOS, AVES VIVAS e LEITE CRU E REFRIGERADO, respectivamente, de cooperados e não cooperados”. Calculados estes índices, chegase ao denominado “ato cooperativo geral”, o qual “é encontrado a partir da seguinte sistemática: Aplicase o índice de ato cooperado de cada atividade (anexo ÍNDICES DE ATO COOPERADO – COOPERATIVA) sobre a receita bruta da atividade respectiva. Somamse então estes valores e verificase a proporção desta em relação à receita bruta total da Cooperativa”. Por fim, a cooperativa “apura o DEMONSTRATIVO DO LUCRO REAL (anexo LALUR III) da seguinte forma. Ao RESULTADO COOPERADO e RESULTADO NÃO COOPERADO ANTES DA CSLL e do IRPJ (anexo LALUR II) a autuada procede a adição ou exclusão de valores, de acordo com o ato não cooperativo geral, chegando assim a BASE DE CÁLCULO DO IRPJ e da CSLL ANTES DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO”. Depois de expor o procedimento adotado pela contribuinte, as Autoridades Fiscais destacaram que ele merecia alguns reparos quanto ao índice relacionado às atividades de suínos, aves e lácteos, o qual é calculado, lembrese, com base nas entradas (compras) de suínos vivos, aves vivas e leite cru refrigerado. Comunica a Fiscalização que a apuração dos resultados atinentes a atos cooperativos e a atos não cooperativos deve seguir o disposto no artigo 87 da Lei nº 5.764, de 1971: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Todavia, a escrita contábil elaborada pela contribuinte não permitiu a identificação segregada das operações com cooperativos e não cooperativos, “ficando evidente que tal separação se faz por meio de rateios”. Prosseguem os AuditoresFiscais: Com relação à não segregação contábil das operações entre cooperados e não cooperados a exemplo da autuada o Parecer Normativo CST n° 73/75, e cujo entendimento está transcrito na pergunta n° 18 do “Manual da DIPJ” (Capitulo XVII) deixa evidente qual o tratamento a ser dado nestes casos, se não vejamos: 018 Como será determinada a base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica das sociedades cooperativas com regime de tributação pelo lucro real? Fl. 661DF CARF MF 4 A base de cálculo será determinada segundo a escrituração que apresente destaque das receitas tributáveis e dos correspondentes custos, despesas e encargos. Na falta de escrituração adequada, o lucro será arbitrado conforme regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No cálculo do Lucro Real deverão ser adotados os seguintes procedimentos: a) apuramse as receitas das atividades das cooperativas e as receitas derivadas das operações com nãoassociados, separadamente; b) apuramse, também separadamente, os custos diretos e imputamse esses custos às receitas com as quais tenham correlação; c) apropriamse os custos indiretos e as despesas e encargos comuns às duas espécies de receitas, proporcionalmente ao valor de cada uma, desde que seja impossível separar objetivamente, o que pertence a cada espécie de receita. Tendo em vista a metodologia acima apresentada, os AuditoresFiscais concluíram que o cálculo do percentual do ato cooperativo deve se dar conforme as saídas, não as entradas (compras). Com isso, deve ser revisto o procedimento da contribuinte de apurar o índice de ato cooperativo em função das compras de suínos, aves e lácteos. Ponderam as Autoridades Fiscais: De acordo com o acima exposto, o controle do ato cooperativo ou se dá via contabilidade que os segregue ou se opera de acordo com percentual que leve em consideração as receitas com cooperados e não cooperados. Não há previsão normativa expressa de cálculo que leve em consideração as entradas. Contudo, temse aceito este critério (proporção das entradas) quando de forma razoável ele representar o percentual de ato cooperado, e isto se dá no caso das cooperativas comerciais que simplesmente revendem a produção dos seus associados, visto que nestes casos, e na formação do preço de venda (receita), ao custo de aquisição (e que será repassado ao cooperado) acrescentamse apenas despesas administrativas, ou seja, o valor a ser repassado ao cooperado (pela entrega de sua produção) tem participação expressiva na composição do preço de venda dessas mercadorias. No caso das cooperativas industriais, (a exemplo da ora autuada) não se revende o produto entregue pelo cooperado, mas sim, outro resultante da modificação do primeiro e que importa em espécie nova. Por exemplo: a cooperativa associada entrega o leite cru e a cooperativa central industrializa e revende queijos, iogurte, leite em embalagem longa vida etc. Sendo assim, no nosso entender, o cálculo do ato cooperado deve levar em consideração não somente o produto primário entregue pelas cooperativas associadas, mas também as demais Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 4 5 matérias primas, os produtos intermediários e material de embalagem que compõem o produto final, visto que estes têm expressiva importância na formação do preço de venda, ou seja, no montante da receita obtida pela cooperativa. Diante disso, intimouse a fiscalizada a informar “o valor mensal das aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem nas atividades de suínos, aves e lácteos”. Com base nestas informações, a Fiscalização apurou novos índices de atos cooperativos, calculados em função de todas as matérias primas envolvidas, não apenas o leite cru e os suínos e aves vivos. Os resultados obtidos foram apresentados no anexo “CÁLCULO ATO COOPERADO FISCALIZAÇÃO – ATIVIDADES CONTROLADAS PELA ENTRADA” e na planilha “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PERCENTUAL ATO NÃO COOPERATIVO GERAL – FISCALIZAÇÃO”. A partir nos novos índices de ato cooperativo e não cooperativo, foram calculadas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme demonstrativos juntados aos autos, os quais permitem verificar a existência de “uma diferença de R$ 30.976.325,19 e R$ 30.920.184,53 de Base de Cálculo de IRPJ e de CSLL, respectivamente, que não foi tributada pelo sujeito passivo”. Destacam as Autoridades Fiscais que a contribuinte possuía Prejuízo Fiscal compensável no montante de R$ 4.452.303,42 e base de cálculo negativa de CSLL compensável no valor de R$ 313.063,52, levados em consideração nas autuações lavradas. Da Multa Isolada – Estimativas (infração 0002) As estimativas recolhidas pela contribuinte durante o ano calendário 2010 foram apurados conforme balanços de suspensão. Em virtude dos novos índices de ato cooperativo e ato não cooperativo, as estimativas foram recalculadas e apresentadas no anexo BALANÇOS DE SUSPENSÃO – FISCALIZAÇÃO, o que ensejou a exigência da multa isolada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme demonstrado no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA MULTA ISOLADA – IRPJ e CSLL. Da Impugnação Cientificada pessoalmente das autuações em 15/04/2014 (fl. 33), a interessada ofereceu sua impugnação em 12/05/2014, a qual foi juntada aos autos a fls. 446/493. Depois de descrever os fundamentos das autuações e as conclusões a que chegaram as Autoridades Fiscais, registra que é uma cooperativa de grande relevância no cenário nacional e apresenta alguns números que dão suporte a esta declaração. Fl. 663DF CARF MF 6 Da Atipicidade das Aquisições de Produtos Intermediários como sendo Aquisições de Produtos de Não Associados Na continuação, apresenta as razões de defesa, contestando o critério adotado pela Fiscalização na apuração da proporcionalidade dos atos cooperativos e não cooperativos. Alega que, na apuração desta proporcionalidade, as cooperativas agroindustriais têm utilizado duas técnicas distintas: “separação pelas entradas” e “separação pelas saídas” e explica: A separação pelas entradas é aplicada nos recebimentos da produção dos associados e dos não associados. A cooperativa compra ou recebe em depósito produtos de associados e terceiros (negóciofim) e os registra em contas distintas em seu estoque. (...) No caso das atividades de abate de aves, suínos e de leite, que diz respeito os presentes autos de infração, a requerente apura o percentual da receita decorrente da industrialização o produto do associado, na proporção das aquisições de produtos primários do associado e de não associado. (...) Sobre a totalidade das aquisições destes produtos, estabelece o percentual de aquisições de associados e de não associados. Quanto ao registro da receita, durante o mês, a cooperativa vende os produtos industrializados ao mercado (negóciomeio) e não conhece ainda qual será a proporção. Em vista disso, todas as notas fiscais de vendas são contabilizadas em contas de receita com associados (ingressos). No final de cada mês, uma vez estabelecido em cada atividade o percentual e associados e não associados, a requerente aplica os referidos índices sobre a totalidade da receita obtida em decorrência das vendas, determinando assim o valor correspondente às vendas de produtos de associados (ingressos) e o correspondente às vendas de produtos de terceiros (receitas). Finalmente, o valor correspondente às receitas de não associados em cada atividade é transferido das contas receitas com associados (ingressos) para as contas de receitas com não associados da respectiva atividade. De igual modo a recorrente computa em separado os custos diretos, e imputados às receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, os custos indiretos são apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas obtidas pela requerente. Considera, assim, atendido o critério estabelecido no artigo 87 da Lei n° 5.764, de 1971, e no Parecer Normativo CST n° 73/75. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 5 7 Ilustra o procedimento com três tabelas referentes a janeiro de 2010, mês em que todos “os suínos e aves destinados ao abate são provenientes de produtores associados, enquanto que na atividade de lácteos o percentual de associados foi de 93,52%”: Sobre o entendimento do Fiscos, assevera: Mas as autoridades fiscais entendem que o cálculo da requerente é equivocado, pois deveria levar em consideração, não somente o produto primário (aves, suínos e leite), entregues pelas cooperativas associadas ou por terceiros, mas também os demais insumos de produção utilizados na industrialização dos produtos agropecuários dos associados ou não associados, como por exemplo, as embalagens, produtos intermediários, etc, pois estes insumos compõem o produto final e têm expressiva importância na formação do preço de venda, ou seja. no montante da receita obtida pela cooperativa. Eis, pois, a demonstração do procedimento adotado pelas autoridades fiscais, tendo por base os dados do mês de janeiro do ano de 2010, conforme demonstrativo de fl. 365: Fl. 665DF CARF MF 8 Considera, contudo, que o critério defendido pelo Fisco não é amparado pela legislação fiscal, uma vez que o inciso I do artigo 183 do RIR/99 “estabelece a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas a sua finalidade, tais como a industrialização, pelas cooperativas agropecuárias, de produtos adquiridos de não associados”: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I – de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; (...) E que “a leitura a contrário sensu da norma esculpida no art. 183 do RIR/99 estabelece que não incide o IRPJ e a CSLL sobre os resultados positivos das operações e atividades relacionadas à finalidade da cooperativa na industrialização de produtos adquiridos de associados”. Com o objetivo de comprovar que não deve prosperar a metodologia adotada pelo Fisco, propõe uma reflexão sobre o aspecto material do fato gerador em exame, qual seja, o “resultado positivo nas operações de industrialização, pelas cooperativas agropecuárias, de produtos adquiridos de não associados”, nos termos do artigo 183 do RIR/99. Indaga: "E qual seria o produto adquirido de não associado? Qual a origem do produto adquirido pelas cooperativas agropecuárias, de não associado, de que cuida a norma? Ou então qual seria o Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 6 9 produto adquirido pela cooperativa agropecuária de não associado para fins de oferecer o resultado positivo da industrialização à tributação?" E entende ser “óbvio que a lei, ao se referir à cooperativa agropecuária, está a dizer que se trata de aquisição de produto rural”. Defende que o artigo 15 da Lei Complementar nº 11, de 1971 (na sua redação original1 e na redação dada pela LC nº 16, de 19732, e o artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991 (com redação dada pela Lei nº8.540, de 19923), permitem se conceituar produto rural da seguinte maneira: Sustenta que a industrialização, por outro lado, “exprime a idéia de transformação, de alteração do estado natural das coisas a partir da interferência direta da ação humana, ou seja, a modificação das características essenciais de algo encontrado na natureza”. Neste sentido o parágrafo único do artigo 46 do Código Tributário Nacional4 e o parágrafo único do artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964. Lembra, ainda, que o inciso III do artigo 1º da Lei Complementar nº 65, de 1991, define, como produto semielaborado, aquele cuja matéria prima de origem animal, vegetal ou mineral represente mais de sessenta por cento do custo do correspondente produto. Argumenta, assim, que são industrializados os produtos cujos insumos não superem o percentual acima referido, o que a leva a concluir que produtos que não sofreram tamanha transformação permanecem sendo rurais. Neste esteio, aduz que os produtos de origem animal ou vegetal podem passar por processos de beneficiamento, os quais não alteram a natureza desta matéria, mas simplesmente sua aparência ou função. Lembra que o produto rural in natura pode ser transformado por meio do processo de industrialização rudimentar, o qual se caracteriza pela precariedade das técnicas e da primariedade do processo bem como pela utilização de trabalhadores de forma não segmentada, segundo dispõe a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 159, de 19977 e a Instrução Normativa SRP nº 3, de 20058. Arremata: Com isso, de forma sintética, resta consolidado que para um produto ser admitido pelo ordenamento jurídico pátrio como produto rural o mesmo deve: (i) possuir origem animal ou vegetal; (ii) encontrarse em estado natural, sem que tenha sofrido qualquer processo de industrialização (com modificação de sua natureza, funcionamento, apresentação, finalidade ou acabamento) sendo apenas admitida a submissão a processos mais simplificados e de complexidade tecnológica reduzida, Fl. 667DF CARF MF 10 quais sejam, os processos de beneficiamento e de industrialização rudimentar; e (iii) possuir finalidade bem definida, ao consumo ou para ser empregado em novo processo produtivo, em posterior processo de industrialização. Terminada esta introdução, recorda que o artigo 110 do CTN não permite que a legislação tributária altere a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito privado, impedindo, assim, que o produto rural tenha seu conceito alargado a ponto de se “admitir a incidência do IRPJ e CSLL sobre as aquisições de insumos de produção como embalagens, energia elétrica, etc., como sendo aquisição de produto rural de não associado”. Discorre acerca do conceito de insumos, que seriam “todas as despesas e investimentos que contribuem para a formação de determinado resultado, mercadoria ou produto até o acabamento ou consumo final”, e encerra com a seguinte conclusão: Assim, límpido e cristalino de que o aspecto material da hipótese de incidência é APURAR RESULTADO POSITIVO NAS OPERAÇÕES DE INDUSTRIALIZAÇÃO, PELAS COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS, DE PRODUTOS RURAIS (PRIMÁRIOS) ADQUIRIDOS DE NÃO ASSOCIADOS. Pondera acerca dos aspectos temporal, pessoal e quantitativo da hipótese de incidência tributária e os aplica ao caso em exame, o que a conduz ao seguinte desfecho: Está claro, no caso tratado pelo artigo 183 do RIR/99, que o legislador ao indicar a materialidade do fato que constituiria APURAR RESULTADO POSITIVO NAS OPERAÇÕES DE INDUSTRIALIZAÇÃO, PELAS COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS, DE PRODUTOS RURAIS (PRIMÁRIOS) ADQUIRIDOS DE NÂO ASSOCIADOS, indicou a medida do fato por ele colhido – base imponível, isto é, o RESULTADO POSITIVO NAS OPERAÇÕES DE INDUSTRIALIZAÇÃO, PELAS COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS. DE PRODUTOS RURAIS (PRIMÁRIOS) ADQUIRIDOS DE NÂO ASSOCIADOS. O outro dado chamado alíquota, isto é, de 15%, com adicional de 10% para o IRPJ e de 9% para a CSLL, aplicada sobre o RESULTADO POSITIVO NAS OPERAÇÕES DE INDUSTRIALIZAÇÃO, PELAS COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS, DE PRODUTOS RURAIS (PRIMÁRIOS) ADQUIRIDOS DE NÃO ASSOCIADOS o resultado positivo, que, conjugado com aquele (base imponível), permite a indicação do montante a ser recolhido a título de IRPJ e CSLL. Portanto, é evidente o equívoco incorrido pelas autoridades fiscais, ao retender que os insumos de produção, aplicados na industrialização de produtos agropecuários sejam considerados como aquisições de terceiros, não associados. No presente caso, as embalagens, a energia elétrica e outros insumos de produção, são utilizados no processo produtivo, mas não são aquisições de produtos rurais. Ora, o artigo 183 do RIR/99, estabelece como base de incidência do IRPJ as aquisições de produtos rurais de não associados. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 7 11 Logo, as embalagens, a energia elétrica, etc., não são considerados produtos rurais. Em não sendo produtos rurais, não podem fazer parte do rateio de aquisições de associados e não associados. Considera, portanto, equivocado o procedimento fiscal de, via interpretação contra legem, “considerar aquisições de embalagens, energia elétrica, produtos intermediários, que não são produtos rurais, como sendo aquisições de produtos rurais de não associados”. Requer, destarte, que tais aquisições sejam desconsideradas, julgandose improcedentes as autuações impugnadas. Da Segregação dos Atos Cooperativos pela Entrada de Produtos de Aves, Suínos e Leite Sustenta que, caso as argumentações já suscitadas sejam superadas, ou seja, caso se ignore que o artigo 183, I, do RIR/99 “determina a incidência do IRPJ e CSLL apenas sobre os resultados obtidos nas aquisições de produtos rurais de não associados – o que exclui as aquisições de energia elétrica, material de embalagem, produtos intermediários, etc., por não se tratar de aquisições de produtos rurais, cumpre perquirir se os insumos de produção (ditos pelas autoridades fiscais como sendo demais aquisições de matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários, de terceiros), que são utilizadas na industrialização de produtos derivados de suínos, aves e leite, estão abrangidos no conceito de ato cooperativo”. Passa então a discutir o conceito de ato cooperativo, iniciando com o disposto na Lei nº 5.764, de 1971, que, em seu artigo 3º, prescreve: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Consoante a legislação e a doutrina, a cooperativa seria uma sociedade sujeita a um regime jurídico próprio destinada a prestar serviços aos associados, diferenciandose, assim, das sociedades civis e comerciais. Outro aspecto peculiar do cooperativismo é a figura do cooperado, o qual tem simultaneamente a condição de associado e de cliente da cooperativa, “fazendo com que se confunda com a própria sociedade”. Na continuação, invoca o artigo 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o qual conceitua ato cooperativo: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 669DF CARF MF 12 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Interpreta a aludida norma da seguinte forma: Vale dizer, não só é ato cooperativo aquele que revela mandato ou delegação de atribuições do cooperado à cooperativa (finalidade), mas também aquele praticado pela cooperativa em nome de seus cooperados, na consecução de seus objetivos sociais (objeto). Com pressuposto nestes entendimentos, comenta o procedimento fiscal: As autoridades fiscais entendem que as aquisições de material de embalagem e produtos intermediários utilizados no processo de industrialização de suínos, aves e leite, configuram atos não cooperativos, razão pela qual apurou índice de rateio das operações com terceiros, e determinou o valor da receita tributável (terceiros), para então exigir o IRPJ e a CSLL. Data maxima venia, o entendimento dos agentes fiscais é equivocado, pois dá ao ato cooperativo (finalidade e objeto) entendimento restrito, ao entender que as aquisições de insumos utilizados no processo industrial pela cooperativa, junto a terceiros, não configuram ato cooperativo. No entanto, a seu ver, as operações apontadas pela Fiscalização subsumemse ao conceito de ato cooperativo, o que torna indevida a exação fiscal. Explica: Quando a recorrente foi ao mercado para adquirir embalagem, produtos intermediários, etc., a mesma atuou com a finalidade de industrializar os bens de seus associados. Isto é o que a lei e a doutrina denominam de compras em comum. Noutras palavras, a requerente atuou como uma cooperativa de compras, em conformidade com seu estatuto social. Na operação de aquisição de bens (embalagem, produtos intermediários, etc), a requerente celebrou um contrato de compra e venda com terceiros, para a consecução de seu objetivo social (objeto). A requerente praticou ato cooperativo quando utilizou tais bens na industrialização de bens aos associados (finalidade). A requerente e o associado, por isso, não celebraram, no caso, contrato de compra e venda (§ único, art. 79, Lei n° 5.764/71). De igual modo, quando o associado entregou sua produção (aves terminadas, suínos e leite à cooperativa para industrialização de produtos derivados do abate de suínos, aves e de leite, o mesmo não celebrou, com a cooperativa, contrato de compra e venda, mas sim ato cooperativo. Isto é decorrente do próprio dispositivo legal que assim o determina. A dupla qualidade do associado impossibilita que se trate de contrato de compra e venda uma vez que não é possível alguém vender algo de sua propriedade para si próprio. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 8 13 De outro lado, o recebimento de suínos, aves e leite e após industrializálos, a cooperativa passa a funcionar como cooperativa de vendas em comum, configurandose assim, ato cooperativo, para a consecução de seu objetivo social (objeto). Logo, todas as operações realizadas pela requerente, isto é, desde a aquisição de bens de terceiros (embalagem, produtos intermediários, etc) até a venda dos produtos resultantes do abate de aves. suínos e da industrialização do leite, são atos cooperativos praticados, em razão da finalidade e objeto. Procura corroborar suas alegações com as lições de Walmor Franke, o qual defende existirem duas espécies de operações realizadas pelas cooperativas. As internas, ou operaçõesfins, realizadas entre a cooperativa e os associados ou entre estes e aquela. E as externas, ou operaçõesmeio, praticadas externamente, no mercado, com entidades públicas ou privadas. Transcreve a lição de Ricardo Mariz de Oliveira: Então, o essencial para caracterizar o ato próprio do objeto institucional da cooperativa não está em ser um ato com o cooperado ou um terceiro, pois que. mesmo quando a cooperativa vende ou compra em ato comercial com terceiros, ela pode estar agindo na consecução de sua própria razão de ser. O essencial, portanto, é que ela venda o que pertence ao cooperado, ou compre o que vai ser consumido pelo cooperado. E conclui: Portanto, ato cooperativo tanto é o praticado entre a cooperativa e os seus associados quanto os praticados entre a cooperativa e terceiros na consecução de seu objeto social. Diz que o Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF tem decidido nesta linha, conforme se depreenderia da ementa do Acórdão nº CSRF/0105.591. Depois de exibir a ementa do aludido acórdão, reproduz parte do voto do Conselheiro Relator Dorival Padovan: É que em se tratando de insumos adquiridos pela cooperativa junto a terceiros, os quais se destinaram aos associados para a terminação de aves, o ato cooperativo não pode ser interpretado restritivamente, vez que inerente à finalidade e objeto da atividade que decorre da associação cooperativa. O relator do acórdão recorrido, i. Conselheiro Irineu Bianchi interpretou com esmero a questão, asseverando: (...) Fl. 671DF CARF MF 14 De outro lado, após o recebimento da produção do associado e após industrializála, a cooperativa passa a funcionar como cooperativa de venda em comum, configurandose assim, ato cooperativo, para a consecução de seu objetivo social (objeto). Logo, todas as operações realizadas pelo frigorífico de aves, isto é, desde a aquisição de bens de terceiros (ovos incubáveis, pinto de um dia, milho, etc.), até a venda dos produtos resultantes do abate de aves, são atos cooperativos praticados, em razão da finalidade e objeto. No caso vertente, não há como negar a necessidade das múltiplas funções da cooperativa, as quais são inerentes à sua missão institucional, sob pena de inviabilizar a atividade de seus associados: produção integrada de frangos que se concretiza, enfim, pelo frigorífico de abate de aves da cooperativa. Arremata: Assim, a constituição de crédito tributário sobre as operações realizadas pela requerente na aquisição de embalagens, produtos intermediários, etc, utilizados na industrialização de bens do associado, deve ser cancelada, pois tais operações foram realizadas para a consecução de seu objetivo social e pela finalidade de sua constituição. Argumenta que os Agentes do Fisco se valeram da interpretação gramatical do artigo 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o que não seria apropriado, pois o cooperativismo deve ser compreendido dentro de um contexto histórico e constitucional. Aliás a Constituição Federal instituiu uma nova ordem jurídica sobre a matéria, determinando tratamento diferenciado e favorecido às cooperativas. Por conseguinte, a seu ver, está acobertada pela proteção constitucional toda sorte de ato cooperativo, quer seja negóciofim quer seja negóciomeio, estes imprescindíveis para que as práticas principais se realizem. Para Renato Lopes Becho, “o negóciomeio é negócio essencial, apesar de não estar expressamente previsto no conceito legal de ato cooperativo, já que este não se realiza sem tais negóciosmeio”. Aplicandose tal doutrina ao case vertente, percebese que a contribuinte não tem como realizar a industrialização dos produtos fornecidos pelos cooperados sem recorrer a produtos ou serviços de terceiros. A interpretação ampla do conceito de ato cooperativo foi defendida por Geraldo Ataliba. Requer, conseguintemente, que seja afastada a interpretação literal do artigo 79 da Lei do Cooperativismo, para fazer prevalecer a interpretação extensiva e finalística do dispositivo legal, consentânea com a Constituição Federal. Invoca outro julgado da CSRF do CARF: SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. ATO – MEIO. INTERPRETAÇÃO. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 9 15 A interpretação literal não é a única que deve ser empregada quando da análise de uma norma jurídica, tendo em vista que sua adequada aplicação também deve derivar de um estudo sistemático. Ao confrontar os artigos 79, 86, 87 e 111 da Lei n° 5.764/71 com os arts. 146, III, ‘c’ e 174, § 2° da Constituição Federal, bem como com as demais disposições da Lei n° 5.764/71, é possível concluir que os atosmeio, por serem indispensáveis à consecução dos atosfim, também devem ser considerados como cooperativos. (Acórdão nº 9303001.882 – 3ª Turma, sessão de 07/03/2012) Reproduz o voto do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Informa que o Poder Judiciário tem decido no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS Não há renda tributável pelo fornecimento de peças e componentes se estiver incluído, por conexão, no conceito legal de ato cooperativo. (Apelação nº 04153114/97RS, TRF da 4ª Região) Da Impossibilidade de Aplicação Simultânea da Multa Isolada e da Multa de Ofício Sobre o tema, alega que “a mesma conduta da contribuinte foi considerada como tipificadora de duas infrações: falta de pagamento de valor mensal estimado e a falta de pagamento do saldo apurado ao final do ano”. Aos olhos do Fisco, os dispositivos legais infringidos seriam os incisos I e II, ambos do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Traz à colação a lição de Marco Aurélio Greco, que considera indevido o entendimento do Fisco, e a jurisprudência do CARF, aqui representada pelos Acórdãos nos 102 47087, 10247460, 10612924, 10322217 e 9101001.657. Decisão da DRJ A 15°Turma de Julgamento da DRJ/POR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação da ora Recorrente e manteve o crédito tributário, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 COOPERATIVAS. TRIBUTAÇÃO. ATO COOPERATIVO. Não são tributados pelo IRPJ os resultados decorrentes de atos cooperativos, entendidos como aqueles realizados entre cooperados e cooperativas bem como entre cooperativas, desde Fl. 673DF CARF MF 16 que promovidos para atender os objetivos sociais da cooperativa. Por conseguinte, o resultado relacionado à aquisição de insumos de terceiros não associados deve ser oferecido à tributação. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ. CSLL. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tem pressuposto de exigência diferente da multa de ofício prevista no inciso I do citado artigo. As penalidades decorrem de pressupostos diferentes e o lançamento delas no mesmo auto de infração não significa dupla penalização pela mesma conduta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. PEDIDO POR JUNTADA DE PROVAS. Indeferese o pedido para juntada de provas após o oferecimento da impugnação, em observância ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, principalmente se a impugnante não informou quais elementos almeja apresentar e o que pretende especificamente provar com eles. Recurso Voluntário Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por maio do qual ratifica seu argumentos de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos em Lei e no PAF, assim, merece ser apreciado. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 10 17 Mérito Em apertada síntese a discussão ora posta se refere ao tratamento fiscal dado pela ora Recorrente às atividades relacionadas à suínos, carnes aves e lácteos. O pano de fundo da discussão envolve a análise dos conceitos de custo, atividade industrial, atividade cooperativa e alcance da legislação correspondente. Isso porque, a ora Recorrente, em obediência à legislação em vigor, deve apurar e demonstrar o " Índice de Ato Cooperado Cooperativa" de cada uma de suas atividades para ao final, após efetuadas as devidas ponderações, apurar tal índice em relação à receita bruta total. Em termos práticos, temos que nas operações de suínos, carnes aves e lácteos, para fins de apuração do percentual da receita de venda desses produtos como ato cooperado e ato não cooperado, a ora Recorrente considera as entradas, ou seja, as aquisições de suínos vivos, aves vivas e leite cru e refrigerado. Assim, a Recorrente identifica as aquisições de tais produtos primários que foram efetuadas junto à associados e a não associados, calcula o percentual de cada um e, após isso, aplica o mesmo percentual sobre a receita bruta da empresa. A Recorrente traz um exemplo didático deste cálculo: Vemos no quadro acima, que demonstra a forma de cálculo adotada pela Recorrente, que a totalidade das aquisições de suínos e aves foi efetuada junto a associados. Desta forma, a receita decorrente da venda dos produtos relacionados diretamente a tais produtos primários foi integralmente considerada como decorrente de ato cooperado. Por outro lado, em relação às entradas de leite cru, apenas parcela correspondente a 93,52% foi adquirida junto aos associados, restando uma menor parcela de 6,48% que fora adquirida de não associados. Neste caso, a Recorrente considerou que a receita de venda dos produtos relacionados ao leite foi 93,52% decorrente de atividade cooperativa e 6,48% de atividade não cooperativa. Fl. 675DF CARF MF 18 Contudo, para efetuar o lançamento, o auditor fiscal utilizou racional diferente, pois, além de considerar as entradas de produtos primários (suínos, aves e leite), incluiu também no cálculo os demais insumos (produtos intermediários, embalagens e etc...) que compõem o produto final. Tomando por base o mesmo mês de janeiro de 2010, o quadro abaixo mostra cálculo do fiscal: O resultados são bem diferentes, isso porque, resta claro aqui que, com exceção do produto leite, todo o material intermediário, embalagem e outros insumos que não o produto primário, são integralmente adquiridos de terceiros não associados e, ao incluir esta variável no cálculo, há substancial aumento da parcela de atividade não cooperativa. Não concordo com o racional adotado pelo Sr. Fiscal e passo agora a explicar minhas razões. Dos Atos Cooperativos Para análise do presente caso se faz necessário, primeiramente, fazer alguns comentários sobre o conceito de atos cooperativos. Para tanto, me aproveito de brilhante resumo elaborado pelo Sr. Fiscal no TVF que deu origem ao processo n. 11020.000206/2003 9 e que culminou no acórdão 9303 001.882 da 3° Turma da CSRF: “1. Atos cooperativos: Segundo o art. 79 da Lei n° 5.764/71, atos cooperativos são aqueles realizados entre a cooperativa e seus associados ou entre cooperativas, quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais da sociedade. São igualmente conhecidos por Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 11 19 atosfim, operações internas, operações privativas dos associados ou negócios cooperativos. Embora impliquem transferência patrimonial, não caracterizam compra e venda ou operação de mercado e não geram, portanto, resultados positivos (lucros). A cooperativa recebe os produtos do associado com plenos poderes para deles dispor (art. 83 da Lei n° 5.764/71), no atendimento de seu objetivo social. Conseqüentemente o associado é reembolsado (o ato de reembolso é cooperativo) com o retorno das "sobras líquidas", consistentes estas no preço obtido pela cooperativa na colocação, no mercado, de seus produtos, diminuído dos custos inerentes ao conjunto de operações necessárias. Cada associado recebe as sobras líquidas na exata proporção em que atuou no mercado através da cooperativa (art. 4 0, VII, da Lei n° 5.764/71). 2. Atos nãocooperativos intrínsecos (inerentes à atividade da cooperativa, sendo indispensável realizálos na consecução do objetivo social): São atos de natureza econômica, civis ou comerciais, que não geram resultados positivos (lucros) para a sociedade (os resultados positivos são gerados para o associado, pessoa física, onde há inclusive acréscimo patrimonial), mas sobras, à medida que são inerentes (intrínsecos) à atividade da cooperativa no atendimento de seu objetivo social. Classificamse em dois grupos: 2.1. Atosmeio, operações externas: são os atos que a cooperativa pratica com terceiros, não associados, no atendimento de seu objetivo social, sendo "meio" por intermédio do qual a cooperativa realiza aquelas operações internas (ato cooperativo 1) relativas à prestação de serviços aos associados. A cooperativa age em nome próprio, mas por conta do associado. O não cooperado aparece em apenas uma ponta da relação negocial. Em uma cooperativa de produção de vinho, por exemplo, o terceiro será o comprador dos produtos industrializados pela sociedade, a partir da entrega, pelos cooperados, dos produtos agrícolas (uva). 2.2. Atos acessórios ou auxiliares: são aqueles praticados com o fim de administrar a sociedade. Por exemplo: contratar ou demitir empregados, venda de um bem obsoleto (ativo imobilizado). 3. Atos nãocooperativos extrínsecos (não vinculados diretamente ao objetivo social da cooperativa) expressamente previstos na Lei n° 5.764/71: São operações com não associados previstas nos arts. 85 a 88 da referida Lei. Caracterizamse como atos jurídicos de natureza civil ou comercial correlacionados indiretamente com o objetivo social ou à finalidade da sociedade, a exemplo da aquisição de produtos de não associados e da prestação de serviços ao Fl. 677DF CARF MF 20 associado para a melhoria da sua situação econômica. Geram lucros, portanto, à medida que a sociedade interage no mercado. 4. Atos nãocooperativos extrínsecos implicitamente previstos pela Lei n° 5.764/71: São operações com não associados não mencionadas nos artigos citados no item 3. São atos a que se refere o art. 1° da Lei n° 8.541/92, ao dispor sobre a tributação relativa ao IRPJ das sociedades cooperativas, "em relação aos resultados obtidos em suas operações ou atividades estranhas a sua finalidade, nos termos da legislação em vigor." As aplicações no mercado financeiro são atos que não fazem parte dos objetivos sociais da maioria das cooperativas. Constituemse, portanto, em típicos exemplos de atos não cooperativos extrínsecos implicitamente previstos na Lei 5.764/71. Os resultados positivos deverão ser destinados ao FATES, ao Fundo de Reserva ou ainda à amortização de prejuízos oriundos de atos nãocooperativos extrínsecos (atos fora do objetivo social da sociedade). 5. Sobras: É o resultado positivo auferido da prática dos atos não cooperativos intrínsecos, também chamados atosmeio (item 2), através dos quais a cooperativa interage no mercado, de acordo com seu objetivo social e perseguindo seu fim (prestação de serviços a associados). Na cooperativa em apreço, por exemplo, originará sobras a colocação, no mercado, dos produtos industrializados pela cooperativa. Percebase que, neste conceito, pouco importa se os cooperados recebem ou não adiantamentos à época da entrega da matériaprima (uva). 6. Lucro: É o resultado positivo que advém da execução de atos não cooperativos extrínsecos (realizados pela cooperativa, em nome próprio, e não em nome dos cooperados) dos quais são exemplos expressos os arts. 85, 86 e 88 da Lei n° 5.764/71 e implícitos quaisquer outros atos não diretamente relacionados com a finalidade ou com o objetivo social da cooperativa. No caso em questão, as seguintes operações resultam em lucro: a) intermediação da cooperativa, entre o associado e o mercado, quando da venda de produtos industrializados (vinho) elaborados a partir da matériaprima (uva) entregue por não associados (nãocooperados) ; b) intermediação da cooperativa, entre o associado e o mercado, quando da venda de produtos industrializados importados do Uruguai (vinho) de empresa estabelecida naquele país; c) obtenção de receitas financeiras a partir de descontos obtidos no pagamento de duplicatas, juros recebidos de terceiros, variações monetárias ativas e rendimentos de aplicações financeiras.”(grifos nossos) Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 12 21 Em resumo, temos que as cooperativas podem realizar tipos variáveis de atos e a classificação de tais atos obedecem um racional de correlação com o respectivo objeto social. É clara a definição de que os atos cooperativos são aqueles expressamente previstos em seu instrumento constitutivo, enquanto que os não cooperativos podem, ou não, ter relação direta com a atividade da cooperativa. Dentre os não cooperativos, temos três subdivisões: (i) os intrínsecos; (ii) os extrínsecos explicitamente previstos pela Lei n° 5.764/71; e (iii) os extrínsecos implicitamente previstos pela Lei n° 5.764/71. Por fim, os atos não cooperativos intrínsecos são divididos em duas espécies, que são os atosmeio e os atos auxiliares ou acessórios. A lei n. 5.764/71 traz a definição legal de tais institutos. Destaco aqui, os arts. 79, 86, 87, 88 e 111: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” A leitura dos dispositivos acima, pode levar à conclusão de que a classificação dos atos cooperativos é restrita e que toda operação que envolva a participação de terceiros está desenquadrada deste conceito. Fl. 679DF CARF MF 22 Contudo, entendo, não é somente este método interpretativo (literal) que deva ser utilizado no caso em tela, vez que a interpretação literal é apenas o início do processo de hermenêutica, que não se encerra na literalidade ou gramática do texto e demanda a utilização de outras técnicas como a sistemática ou finalística. Seguindo este racional, trago neste voto, outros dispositivos legais que nos permitirão efetuar uma interpretação sistemática do que seja a atividade cooperada e nos leve à correta conclusão acerca da respectiva tributação. Nesta direção, podemos partir da própria Constituição Federal que assim dispõe em seus arts. 146, III, "c" e 174, § 2°: Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo Pois bem, o art. 146, III, ‘c’ da Constituição Federal estabelece que cabe à lei complementar dar o adequado tratamento tributário aos atos praticados pelas sociedades cooperativas. Verificase aqui que o legislador constituinte estabeleceu uma especial atenção e uma forma legislativa qualificada (lei complementar) para tratar da questão da tributação das cooperativas. Conforme bem destacado no acórdão 9303001.882 (Rel. Conselheiro Rodrigo Cardoso Miranda), quanto à interpretação do que seria o “adequado tratamento tributário”, dispõe Fábio Junqueira de Carvalho: “Tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é aquele que neutraliza a carga tributária na atuação cooperativa, de modo que a arrecadação fiscal não exceda aquela que normalmente ocorreria caso o associado atuasse isoladamente, sem a “ajuda” da cooperativa.” (CARVALHO, Fábio Augusto Junqueira de; MURGEL, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva. A incidência da CPMF sobre a movimentação financeira das cooperativas. Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, nº 35, ago. 1998. p. 2632) A preocupação do legislador constituinte em dar tratamento especial às cooperativas pode ser confirmada pela leitura do art. 174, § 2º, da Constituição Federal que prevê que a lei deve apoiar e estimular o cooperativismo e outras formas de associativismo. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 13 23 Tais apontamentos de natureza constitucional nos levam à conclusão de que a Lei nº 5.764/71, sendo anterior à promulgação da CF/88, tempo em que o cuidado especial com o cooperativismo ainda não era matéria constitucional, deve ser interpretada de forma sistemática com o texto constitucional que lhe é posterior. Assim seguindo este racional, devemos aplicar uma interpretação não somente sistemática mas também finalística da Lei n. 5.764/71 de modo a concluir que a sociedade cooperativa visa ao exercício de uma atividade econômica, para a qual os seus associados se obrigam a contribuir com bens ou serviços, que ao final se destinam ao mercado. Desta forma, é inevitável que o tratamento diferenciado dado ao ato cooperativo interno (ou atofim previstos no art. 79 da Lei n° 5.764/71) deve abranger alguns atosmeio, realizados com o mercado. Do caso concreto No caso em tela, a finalidade da ora Recorrente é a de receber a produção (suínos, aves e leite cru) de seu associados, industrializar tais produtos e comercializálos no mercado. Veja, o ato cooperativo da Recorrente acontece pelo recebimento da produção dos associados. Desta forma, o percentual adotado pela Recorrente para calcular seus atos cooperativos se baseia nas entradas (suínos, aves e leite cru) advindas de seus cooperados. No mesmo sentido, no caso de entradas provenientes de nãoassociados, tais operações compõem a parcela de atos não cooperativos da Recorrente. Me parece correto o procedimento adotado pela Recorrente, qual seja, o de apurar o percentual de seus atos cooperativos tendo por base as entradas e não as saídas dos produtos, pois, é na entrada que se dá o exercício de sua função de cooperativa. De qualquer forma, temos que o ponto central da discussão aqui é que o conceitos de "entradas" adotado pelo fisco (quaisquer insumos produto intermediário, material de embalagem etc..) é mais elástico do que aquele adotado pela Recorrente (produto primário). Neste ponto, cabe trazer o quanto previsto no art. 183 do RIR/99: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; Fl. 681DF CARF MF 24 III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. (grifos nossos) Se a previsão é a de que há tributação da operação de comercialização ou industrialização de produtos adquiridos de não associados, temos que se os produtos industrializados ou comercializados tiverem sido adquiridos de associados, não haverá tributação. Cabe aqui uma questão: qual é o produto que é industrializado e posteriormente comercializado pela Recorrente? Me pareceu, após análise de documentação apresentada nos autos, de que se trata de carne suína, aves e leite em suas diversas formas de apresentação. Aliás, considerando que tratamos aqui de uma Cooperativa Agropecuária, logicamente, estamos tratando de produtos Agropecuários. A função da cooperativa é receber produtos rurais para industrialização e, para completar o ciclo industrial, adquire e aplica produtos intermediários e embalagens como instrumentos complementares para cumprir sua função social de cooperativa. Vejamos a definição do conceito de produto rural, previsto na LC 11/71: Art. 15 (...) § 1º Entendese como produto rural todo aquele que, não tendo sofrido qualquer processo de industrialização, provenha de origem vegetal ou animal inclusive as espécies aquáticas, ainda que haja sido submetido a beneficiamento, assim compreendidos os processos primários de preparação do produto para consumo imediato ou posterior industrialização, tais como descaroçamento, pilagem, descaroçamento limpeza, abate e seccionamento de árvores, pasteurização, resfriamento, secagem, aferventação e outros do mesmo teor, estendendose aos subprodutos e resíduos obtidos através dessas operações a qualificação de produtos rurais. O dispositivo acima define de forma objetiva que o produto rural é aquele de origem animal ou vegetal que se encontre em estado natural ou rudimentarmente industrializado e que tenha como destino o seu consumo final ou utilização como matéria prima para posterior industrialização. A Ordem de Serviço INSS/DAF n. 159/97 traz o conceito de industrialização rudimentar: "8.2 INDUSTRIALIZAÇÃO RUDIMENTAR: Processo de transformação do produto rural, realizado pelo produtor rural, pessoa física, alterandolhe as características originais, como, por exemplo, a farinha, o queijo, a manteiga, o iogurte, o carvão vegetal, o café moído ou torrado, o suco, o vinho, a aguardente, o doce caseiro, a lingüiça, a ervamate, a castanha de caju torrada, o açúcar mascavo, a rapadura, etc." Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10925.720661/201491 Acórdão n.º 1201001.552 S1C2T1 Fl. 14 25 O art. 240 da IN SRP n. 3/05 traz definição semelhante: IV industrialização rudimentar, o processo de transformação do produto rural, realizado pelo produtor rural pessoa física ou pessoa jurídica, alterandolhe as características originais, tais como a pasteurização, o resfriamento, a fermentação, a embalagem, o carvoejamento, o cozimento, a destilação, a moagem, a torrefação, a cristalização, a fundição, dentre outros similares; Vemos aqui que a dita industrialização rudimentar se restringe a um processo primário de alteração do produto, sem maior complexidade ou adoção de tecnologia, são meras melhorias do produto rural que não lhe retiram suas características naturais. Dito isso, entendo que as embalagens, os materiais intermediários e mesmo a energia elétrica consumida no processo de industrialização da Recorrente, são meros insumos secundários da cadeia produtiva mas não se confundem com o produto rural que é matéria prima cuja produção representa a atividade "core" dos associados. Para completar este racional, é preciso ter bem claro o conceito do termo insumo. O insumo pode ser tanto um fator de produção (capital, máquinas etc..) como uma matériaprima. Assim, ao passo que matériaprima pode ser considerada um insumo, temos que o insumo ultrapassa o conceito de matéria prima. A matériaprima é o material basilar, o mais importante do produto, no caso em tela, os suínos, aves e leite cru. Contudo, para transformar tal matériaprima no produto final, a Recorrente lança mão da utilização de outros insumos em seu processo produtivo. Tais insumos podem ser alterados utilizar outro tipo de embalagem, outra empresa de frete, energia solar ao invés de elétrica e etc.., contudo, para a fabricação de derivados de suínos, sempre será necessário o suíno e o mesmo acontece com os produtos de ave e leite. Todas essas observações servem para subsidiar minha conclusão de que o art. 183 do RIR/99 ao determinar a tributação do resultado positivo das operações das cooperativas em relação aos produtos adquiridos de não associados, no caso de cooperativas agropecuárias, alcança as operações de aquisição de produtos rurais de não associados e não de outros tipos de produtos ou insumos. Assim, no caso em tela, deve a Recorrente oferecer à tributação o resultado das operações em que adquire os suínos, aves e leite cru de não associados, contudo, não deve oferecer à tributação as operações em que tais produtos rurais foram adquiridos de seus associados e que tão somente os insumos secundários utilizados no processo produtivo é que foram adquiridos de terceiros. Sendo assim, o lançamento fiscal é equivocado. Fl. 683DF CARF MF 26 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito DAR LHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 684DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695819/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 58 19 /2 00 9- 83 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.695819/200983 Acórdão n.º 3301003.416 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de COFINS (código de receita 2172), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.193. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.695819/200983 Acórdão n.º 3301003.416 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.695819/200983 Acórdão n.º 3301003.416 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.695819/200983 Acórdão n.º 3301003.416 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.695819/200983 Acórdão n.º 3301003.416 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930703/2009-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 07 03 /2 00 9- 84 Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11080.930703/200984 Acórdão n.º 9303004.522 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.967, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11080.930703/200984 Acórdão n.º 9303004.522 CSRFT3 Fl. 4 3 membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11080.930703/200984 Acórdão n.º 9303004.522 CSRFT3 Fl. 5 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11080.930703/200984 Acórdão n.º 9303004.522 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11080.930703/200984 Acórdão n.º 9303004.522 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001661/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3403-000.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (Tema 69).
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (Tema 69). Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário em razão do r. Acórdão da DRJ em Recife/PE objetivando o afastamento do crédito tributário constituído por meio do auto de infração de número 0819000/00895/06, referente aos períodos de apurações 01/05/2003 a 31/12/2004 e 01/03/2005 a 31/05/2006 para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 66 1/ 20 07 -6 5 Fl. 885DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Resolução nº 3403000.433 S3C4T3 Fl. 5 2 Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e/ou recolhidos e os valores escriturados conforme “Termo de Constatação Fiscal”. A base tributável são os valores constantes da planilha que compõe o Termo de Constatação Fiscal, registrando, que foram analisados os valores da contribuição para a COFINS e o PIS correspondentes aos fatos geradores compreendidos entre maio de 2003 e dezembro de 2006. A impugnação referente o PIS encontra às fls. 406/555 e à COFINS às fls. 274/389. A sustentação é de que o fato gerador da obrigação tributária para incidência do PIS e COFINS é unicamente o faturamento, observando que o conceito de faturamento é definido como sendo: “receita bruta decorrente da venda de bens e de prestação de serviços”. Alega, ainda, que é vedado ao legislador ordinário definir como faturamento algo além de tal limite. O inconformismo emerge da ampliação da base de cálculo determinada por intermédio da Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998. Aduz também a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo na determinação do valor das referidas contribuições. Demonstra resistência à imposição de juros moratórios com base na Taxa Selic, aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, sustentando, para tanto, ser inconstitucional. Essa Turma por meio da Resolução 340300.149 entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fosse feito detalhamento da base de cálculo, após a conclusão dos trabalhos desse vista a Interessada. O resultado da diligência encontra às fls. 831/836, transcrevese parte do parecer que se julga importante ao deslinde da questão: “... Com o intuito de demonstrar os levantamentos efetuados, foram elaboradas três planilhas, a primeira, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo PIS 05 a 12/2003 e 01/2004, elaborada em separado da COFINS, tendo em vista que no período o PIS, por força das disposições da Lei 10.637/2002, foi apurado pelo critério da não cumulatividade. Nesta planilha, na coluna B estão relacionados os valores das vendas brutas, de acordo com as informações dos balancetes contábeis apresentados pela empresa e que se encontram anexos ao processo. Também com base nos balancetes, na coluna C, estão relacionados os descontos incondicionais e na coluna D, os conhecimentos cancelados. Na coluna E, temse a base de cálculo dos débitos do PIS, resultado da coluna B, subtraída das colunas C e D. Na coluna F, temos a base de cálculo dos créditos do PIS, conforme informado nas planilhas apresentadas pelo contribuinte. Na coluna G, temos o valor do PIS apurado pela diligência, resultado da aplicação da alíquota de 1,65%, sobre a diferença resultante da subtração da coluna E, base de cálculo dos débitos, pela coluna F, base de cálculo dos créditos. Nas colunas H e I, temos os valores do PIS apurados pelo contribuinte Fl. 886DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Resolução nº 3403000.433 S3C4T3 Fl. 6 3 e os valores do PIS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração, respectivamente. A segunda planilha, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo COFINS — 05 a 12/2003 e 01/2004, apresenta as colunas A, B, C, D e E, com valores DF CARF MF idênticos aos da primeira planilha. No entanto, nesta planilha não consta a coluna referente ã base de cálculo dos créditos, tendo em vista que, no período de maio 2003 a janeiro de 2004, a COFINS não se submetia ao critério da não cumulatividade, o que só veio a ocorrer a partir de fevereiro de 2004, com base na lei 10.833/2003. Na coluna F, estão demonstrados os valores da COFINS apurados pela diligencia e na coluna G, temos os valores da COFINS apurados pela fiscalização, quando da lavratura do auto de infração. Deixamos de registrar os valores da COFINS apurados pelo contribuinte no período, tendo em vista que foi realizada apuração com base na não cumulatividade, procedimento que não tem base legal que o ampare. A terceira planilha, intitulada Levantamento da Base de Cálculo, subtítulo PIS e COFINS, demonstra a base de cálculo das duas contribuições a partir de fevereiro de 2004, e demais períodos objeto da autuação. Ressaltese que, conforme está demonstrado nas planilhas, às chamadas outras receitas não foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, tendo sido considerado, tão somente, as vendas brutas, subtraídas das exclusões. Como pode ser verificado nos balancetes dos períodos, constam outras receitas na escrituração contábil da empresa, a exemplo de juros recebidos sobre duplicatas, descontos obtidos, e receitas financeiras, mas, conforme os levantamentos realizados, estas receitas não foram incluídas na base de cálculo no momento da autuação”. Há manifestação da Recorrente em relação ao resultado e as planilhas que demonstra à base de cálculo. Às fls. 840/845. Aponta omissão quanto à indicação da fonte utilizada para confecção da 3ª planilha nos moldes como indicado na primeira e segunda, em razão de que os dados são distintos daqueles consignados em planilha fornecida pela Recorrente. Alega a impossibilidade de questionar e impugnar. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Com o resultado da diligência, a meu ver, possibilitaria o julgamento do feito. No entanto, ao examinar as matérias trazidas em Manifestação de Inconformidade, bem como em sede recursal, constatase que uma das alegações se refere à pretensão da recorrente de ver afastada da base de cálculo à inclusão do ICMS. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 19515.001661/200765 Resolução nº 3403000.433 S3C4T3 Fl. 7 4 Como se sabe a discussão acerca da inclusão ou não do ICMS e ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS vem de longa data, e tratase de polêmica questão pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão cogente, proferida pelo STF na ADC 18, determinou a suspensão de todas as ações em trâmite cujo objeto envolva a ampliação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98 Essa Turma tem reiteradamente manifestado o entendimento de que essa matéria encontra em análise de repercussão geral perante o STF, de modo que, é o caso do sobrestamento em sede administrativa e aguardar até que sobrevenha decisão definitiva no Recurso Extraordinário n. 574706, aplicar o desfecho que vier a ser dado pelo Poder Judiciário, aplicando desta forma o determina a Portaria do CARF. Assim, voto no sentido de sobrestar o julgamento e converter em diligência no sentido de aguardar o desfecho da contenda relativamente à inclusão do ICMS à base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 888DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901621/2006-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 21 /2 00 6- 63 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.901621/200663 Acórdão n.º 3301003.142 S3C3T1 Fl. 189 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº nº 0528.812 (fls. 37 a 40), de 17 de maio de 2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22 de maio de 2003. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das caracteristicas do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados.Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.901621/200663 Acórdão n.º 3301003.142 S3C3T1 Fl. 190 3 b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de oficio as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. A DRJ/Campinas considerou improcedente a manifestação de inconformidade proferindo o Acórdão nº nº 0528.812 com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxima quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante da decisão o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 50 a 55) apresentando em síntese os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16327.901621/200663 Acórdão n.º 3301003.142 S3C3T1 Fl. 191 4 possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário; Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2° do CTN; o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720019/200899 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 3ª Seção, por intermédio da Resolução nº 3301000.137, de 14 de fevereiro de 2012, decidiu por diligência nos seguintes termos (fls.119 e 120): Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.901621/200663 Acórdão n.º 3301003.142 S3C3T1 Fl. 192 5 b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na seqüência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras/SPO/Divisão de Orientação e Análise Tributária DEINF/SPO/DIORT , atendendo ao determinado pela Resolução nº 3301000.137, assim se pronunciou às fls. 128: O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme resolução nº 33301000.137 de fls. 116 a 121, para que a autoridade fiscal “analise os documentos acostados ao presente auto.......em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto a existência e disponibilidade do indébito.” Respondendo aos quesitos levantados pelo Conselho: a) de fato, a PER/DCOMP nº 39241.41482.220503.1.3.041960 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 171,84, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 132,86, informado no demonstrativo de fls. 32, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme telas de fls. 123 a 125. À consideração superior. Diante da diligência, depois de devidamente cientificado, o Contribuinte apresentou manifestação às fls. 133 em que solicita: Após a análise de toda documentação anexada aos autos, a Autoridade Fiscal concluiu que: "de fato, a PER/DCOMP nº 39241.41482.220503.1.3.041960 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 171,84, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada.". Notese que a conclusão da Autoridade Fiscal corrobora com os argumentos da Requerente, ou seja, de fato constatouse o equívoco no preenchimento do Per/Dcomp e a cobrança indevida do valor de R$ 271.040,71, conforme planilha abaixo: (...) É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.901621/200663 Acórdão n.º 3301003.142 S3C3T1 Fl. 193 6 Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no no Acórdão nº nº 0528.812, de 17 de maio de 2010, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. É importante salientar que esta Turma proferiu o Acórdão nº 3301002.909, em 17 de março de 2016, em que se deu de forma unânime provimento parcial ao Recurso Voluntário, de situação com grande similitude, do mesmo contribuinte, no processo nº 16327.901632/200643. que assim ficou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Com a devida licença do Conselheiro relator Luiz Augusto do Couto Chagas, utilizarei o voto proferido no processo nº 16327.901632/200643 como base do meu voto, visto que os processos são praticamente iguais apenas com poucas alterações, que as farei no decorrer do voto pois são processos preparados distintamente. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do PER/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$ 257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$ 271.040,71, gerando uma insuficiência de R$ 13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$ 601,17, entendeu ser devedora de R$ 13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança, não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$ 271.040,71, além de multa e juros. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.901621/200663 Acórdão n.º 3301003.142 S3C3T1 Fl. 194 7 A diligência realizada pela delegacia de origem analisou a questão sob duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda quanto a existência e disponibilidade de indébito. Assim, constatou: a) de fato, a PER/DCOMP nº 39241.41482.220503.1.3.041960 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 171,84, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 132,86, informado no demonstrativo de fls. 32, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme telas de fls. 123 a 125. (Grifouse). A Recorrente pede o direito à restituição, sob o argumento que ocorreu erro no preenchimento da PER/DCOMP e da DCTF, sendo que as correções destes equívocos demonstrariam a procedência do crédito alegado. Os erros demonstrados afetam o crédito pleiteado, bem como o débito compensado. Considerando que a utilização da compensação é de iniciativa do contribuinte, comprovada a existência do indébito tributário o procedimento de compensação poderá ser homologado, mesmo que com divergências no preenchimento da PER/DCOMP, desde que seja clara e inequívoca a intenção da compensação pelo interessado. O que cabe ao julgador é se manifestar quanto à procedência do crédito alegado pela Recorrente, determinando a sua procedência e homologando a compensação ate o limite do crédito confirmado. Entendo que a decisão se dá a partir da análise das provas apresentadas e do poder de convencimento quanto às circunstâncias e existência do crédito alegado. Mesmo que em diversas situações possa ocorrer a existência de procedimentos inadequados e erros no preenchimento de declarações, entendo que a verdade material deva prevalecer. Isto é, sendo comprovado por meio de documentação hábil a existência do indébito tributário, este deve ser homologado. Portanto, partindo desta premissa a análise da procedência do crédito, percorre o caminho da identificação dos recolhimentos existentes e do correto valor devido para cada imposto. Comprovandose o recolhimento em valor superior ao devido, resta configurado a existência do direito a repetição do indébito. Consultando os autos, foi identificado que a comprovação do recolhimento a maior do IOF é feita a partir de uma planilha de cálculo, sem nenhuma outra comprovação da ocorrência do pagamento indevido. A Recorrente informa que buscou pagamentos a maior de períodos anteriores com a finalidade de compensar o valor, conforme consta do Recurso Voluntário. O que ficou explicitado no processo é que ao necessitar de créditos para compensar o débito apurado, a recorrente valeuse de créditos anteriores, entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos contábeis ou fiscais, tampouco foi declarado o motivo que ensejou estes pagamentos indevidos ou a maior. Ressaltese que aqui não se discutiu a procedência da retificação das declarações apresentadas. Entretanto, a diligência realizada considerou que a PER/DCOMP em tela é equivocada, como aqui transcrevo: a) de fato, a PER/DCOMP nº 39241.41482.220503.1.3.041960 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.901621/200663 Acórdão n.º 3301003.142 S3C3T1 Fl. 195 8 de R$ 171,84, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. (Grifouse). Considerando o que foi apurado na diligência, utilizouse a premissa de que todos os equívocos de preenchimento realmente ocorreram. Entretanto, considerando os novos valores informados pela recorrente para a DCTF e a PER/DCOMP, não foram identificadas as provas necessárias a justificar o crédito declarado, mesmo constatandose os erros no preenchimento das suas declarações. Conclusão: Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o débito seja cobrado de acordo com os valores apurados em diligência. Valcir Gassen Relator Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 35013.000195/2006-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/2005
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF.
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 9.876, de 1999, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme artigo 62, § 2º, do RICARF.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA.
Com a edição do parecer PGFN n 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9202-005.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 9.876, de 1999, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme artigo 62, § 2º, do RICARF. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com a edição do parecer PGFN n 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 3. 00 01 95 /2 00 6- 27 Fl. 1444DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração NFLD DEBCAD nº 35.790.8392, à efl. 02, cientificado à contribuinte em 04/01/2006, com relatório fiscal às efls. 514 a 530. A notificação decorre de: contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e, correspondentes à parcela da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, ao financiamento da aposentadoria especial e as relativas a Terceiros (SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO). Bem como, de contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais a serviço da empresa e sobre os serviços prestados por Cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. A NFLD foi impugnada, às efls. 898 a 952, em 19/01/2006. Já a o Serviço de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador na Decisão Notificação n° 04.401.4/0323/2006, prolatada em 31/08/2006, às efls. 998 a 1016, considerou procedente em parte o lançamento, pelo afastamento apenas dos créditos relativos às contribuições para o SESC e SENAC, no período de 09/1999 a 12/2002 (efls. 1012 a 1014). Inconformada, em 03/04/2007, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às e fls. 1219 a 1271. Essa contestação teve em resumo, o conteúdo abaixo extraído do relatório do acórdão de julgamento do mesmo RV, às efls. 1287 e 1288: · Os efeitos do ato cancelatório estão suspensos, pois o ato está pendente de decisão de segunda instância; · O Poder Judiciário suspendeu os efeitos do Ato Cancelatório; · Portanto, não há como lançar as contribuições; · O prazo decadencial deve ser o determinado no Código Tributário Nacional (CTN); · de trabalho; · É inconstitucional a exigência de contribuição de valores pagos à cooperativa As cooperativas realizaram Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 35013.000195/200627 Acórdão n.º 9202005.193 CSRFT2 Fl. 1.445 3 os recolhimentos que eram obrigadas, portanto não há que cobrar a retenção não efetuada; · Não é cabível a exigência de valores gastos com alimentação in natura, mesmo quando as empresas não são inscritas no PAT; · Foram realizadas todas as retenções devidas quando ocorreram pagamentos a contribuintes individuais, com exceção dos pagamentos feitos a contribuintes que já contribuíam com o limite máximo de contribuição; · A decisão de primeira instância já verificou e retificou o lançamento referentes a contribuintes individuais quando esses já contribuíam no limite máximo, mas alguns não foram considerados, como não foi possível anexar documentação probante sobre o alegado, devido ao exíguo tempo, solicita revisão fiscal; · A alíquota do SAT não pode ser definida por Decreto; · O SAT é inconstitucional; · A alíquota do SAT deve ser definida por estabelecimento; · E ilegal e inconstitucional a exigência do Salário Educação; · A contribuição ao INCRA é inconstitucional; · A contribuição ao SEBRAE, SEST e SENAT são absurdas; · A recorrente não está obrigada a fazer o recolhimento das contribuições dos autônomos, pois essas não possuem natureza de salário, pois o Art 195 da Constituição Federal não serve como base constitucional para tais exigências; · Nulo o lançamento referente ao Adicional para financiamento da aposentadoria especial, pois o Fisco não descreve quais atividades e quais segurados estão sujeitos a regime especial; · Solicita refiscalização dos valores lançados, para a busca da verdade material; · Há valores arbitrados no lançamento; · Requer, portanto revisão fiscal, com realização de perícia no local do estabelecimento da autuada, sob pena de nulidade; · Requer a suspensão do processo administrativo em face da decisão do Poder Desta forma, solicita acolhimento e atendimento aos pleitos presentes em seu Fl. 1446DF CARF MF 4 Posteriormente, os autos forma enviados ao Conselho, para análise e decisão, Judiciário; O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 1º/12/2009, resultando no acórdão nº 240200.322, às efls. 1285 a 1296, que tem a seguinte ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílioalimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma "in natura", caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, pela regra decadencial constante no I, Art. 173 do CTN, com exceção da competência 12/2000 presente no levantamento GFP, que deve ser extinta, por haver recolhimento, nos termos da regra decadencial presente no § 4º, Art. 150, do CTN, conforme o voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram em aplicar o § 4º, Art. 150 do CTN de forma integral. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do voto do relator. Embargos de declaração da Fazenda Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 35013.000195/200627 Acórdão n.º 9202005.193 CSRFT2 Fl. 1.446 5 A contribuinte manejou embargos de declaração ED ao acórdão, em 15/03/2010, às efls. 1300 a 1303, afirmando a existência de omissão naquele aresto ao não se manifestar sobre a existência de impedimento da contagem decadencial decorrente da existência de isenção impeditiva do lançamento anteriormente ao ato que afastava tal impedimento havido em 2005, o que trouxe a contagem do prazo para 1º/01/2006. Através da Informação nº 2402175, às efls. 1304 e 1305, em 31/08/2010, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou os ED por não entender existente as omissão alegada até porque caberia ao fisco verificar a aptidão da contribuinte para manutenção de sua isenção, não sendo tal isenção impeditivo da ação fiscal. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 23/09/2010, às efls. 1308 a 1315. Por meio do despacho nº 2400351/2010, o Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento negou seguimento ao RE por não vislumbrar similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, conforme o documento às efls. 1320 a 1322. Por meio do despacho nº 2400386R/2010, de 26/10/2010, o presidente do CARF manteve tal denegação, conforme se observa à efl. 1323. Embargos de declaração da contribuinte Intimada (efl. 1328), em 18/04/2011, do acórdão que deu provimento parcial do recurso voluntário, dos embargos de declaração e do RE da fazenda, bem como da negativa de prosseguimento a ambos, dos quais recebeu cópias, a contribuinte também interpôs embargos de declaração ao acórdão, conforme documento às efls. 1329 a 1338, em 25/04/2011. Tais embargos foram igualmente rejeitados pelo então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, no despacho nº 2402059, de 29/07/2011, às efls. 1349 a 1350. RE da contribuinte Intimada (efl. 1368) da denegação dos embargos em 08/05/2014 (efl. 1432), no dia 21 do mesmo mês a empresa manejou recurso especial de divergência (efls. 1370 a 1378) ao acórdão nº 240200.322, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF em duas matérias. A primeira diz respeito à contribuição de 15% sobre a nota fiscal emitida por cooperativa, que, divergindo do recorrido, entende ser devida apenas quando a cooperativa é de trabalho, sendo, no caso em apreço cooperativa de saúde (UNIMED). Apresenta como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 2803003.060, da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, prolatado em 19/02/2014 (cópia às efls. 1407 a 1416). A segunda, trata de contribuição sobre auxílioalimentação in natura, que entende não incidir mesmo quando a empresa não é inscrita no PAT, divergindo do recorrido que entende incidente nesses casos. Traz como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 2403001.968 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, prolatado em 14/03/2013 (cópia às efls. 1418 a 1430). O RE da contribuinte foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho às efls. 1437 a 1440, deu seguimento ao recurso, pois entendeu existentes as similitudes das situações fáticas nos acórdãos recorridos e paradigma, para as duas matérias. Fl. 1448DF CARF MF 6 Cientificada do RE em 26/04/2016 (efl. 1441), a Fazenda Nacional, manifestouse pela não apresentação de contrarrazões em 0205/2016, à efl. 1442. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Separadamente, serão tratadas as duas matérias objetos de recurso: (A) 15% SOBRE A NOTA FISCAL EMITIDA POR COOPERATIVA Quanto a essa matéria recorrida, apesar de a divergência tratar apenas da inaplicabilidade da norma para cooperativa de saúde, esta Turma já teve oportunidade de enfrentar a mesma matéria, no acórdão 9202004.002, de 11/05/2016, relatado pela conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, pelo viés da inconstitucionalidade da norma utilizada. Por essa razão, peço vênia para reproduzir o voto por ela exarado, que em tudo se adéqua ao presente caso: ... o crédito tributário ora exigido teve como fundamento o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999, que assim dispunha: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho." Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, tal exigência foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Em 25/02/2015, foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, nos seguintes termos: "(...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838/SP EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91,com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional.(...)” Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 35013.000195/200627 Acórdão n.º 9202005.193 CSRFT2 Fl. 1.447 7 De acordo com o artigo 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Assim, é de se dar provimento ao recurso especial, nessa matéria, para cancelar a exigência relativa ás contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. (B) AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO No presente caso, a alimentação fornecida pela recorrente é in natura, conforme afirmado tanto na impugnação quanto no recurso voluntário pela contribuinte bem como extraído do relatório fiscal (efl. 521 e 522): 3.4 Alimentação sem inscrição no PAT Da analise da contabilidade, identificouse o pagamento de alimentação ao segurados que exercem atividades na empresa nas contas "LANCHES E REFEIÇÕES 312.02.0228 e 3.1.2.02.022.8" , "REFEIÇÕES 3.1.2.01.025.7" e "REFEIÇÕES 3.1.2.01.025". Estes valores foram lançados nos Levantamentos ALM ALIMENTAÇÃO SEM PAT e ALG ALIMENTAÇÃO SEM PAT POS GFIP para os períodos anterior e posterior a GFIP, respectivamente. Estas parcelas integram a base de calculo das contribuições previdenciárias quando não estão em acordo com o PAT. A parcela "in natura", paga pela empresa, sem observância da legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, tem natureza salarial, incorporandose à remuneração para todos os efeitos legais, constituindo base de incidência das contribuições previdenciárias.(Grifei.) Além disso, compulsando as folhas de pagamento as efls. 624 a 652, não se encontra qualquer referência de pagamento de valores a titulo de alimentação, apenas descontos. Entendo que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna apenas com a fornecida in natura, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de Fl. 1450DF CARF MF 8 contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Portanto, com a edição do parecer PGFN2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Destarte, é de darse provimento ao recurso especial da contribuinte, quanto a essa matéria, para que seja excluída a verba paga a título de auxílioalimentação mesmo sem inscrição no PAT, da base de cálculo da contribuição previdenciária. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da contribuinte, dandolhe provimento, para cancelar as exigências das contribuições previdenciárias incidentes sobre: a) o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho; b) as verbas incluídas na base de cálculo a título de auxílioalimentação sem inscrição no PAT. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 35013.000195/200627 Acórdão n.º 9202005.193 CSRFT2 Fl. 1.448 9 Fl. 1452DF CARF MF
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