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Numero do processo: 13643.720137/2011-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 2002-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da condenação o valor de R$ 7.000,00, referente aos préstimos de Adelton A. Andrade Barbosa, eis que o mesmo declara ter recebido pelos seus préstimos, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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2002­000.463  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  23 de outubro de 2018  Matéria  IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.  Recorrente  LETICIA LACERDA DE TOLEDO ALEIXO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2007  DEDUÇÃO.  DESPESAS  MÉDICAS.  COMPROVAÇÃO  DO  EFETIVO  PAGAMENTO.  A  legislação  do  Imposto  de  Renda  determina  que  as  despesas  com  tratamentos  de  saúde  declaradas  pelo  contribuinte  para  fins  de  dedução  do  imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao Recurso Voluntário para excluir da condenação o valor de R$ 7.000,00, referente aos  préstimos de Adelton A. Andrade Barbosa,  eis que o mesmo declara  ter  recebido pelos  seus  préstimos,  vencida  a  conselheira  Cláudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  (relatora)  que  lhe  negou  provimento.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro  Virgílio Cansino Gil.   (assinado digitalmente)  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Presidente  e  Relatora  (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil ­ Redator Designado  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez,  Thiago  Duca  Amoni  e  Virgílio  Cansino  Gil.  Ausente  justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 72 01 37 /2 01 1- 21 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13643.720137/2011­21  Acórdão n.º 2002­000.463  S2­C0T2  Fl. 123          2   Relatório  Notificação de lançamento  Trata  o  presente  processo  de  notificação  de  lançamento  –  NL  (fls.  37/41),  relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração  de ajuste anual do contribuinte acima  identificado,  relativa ao exercício de 2008. A autuação  implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$797,54  para saldo de imposto a pagar de R$3.102,49.  A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$  8.548,00,  consignando  que,  intimada,  a  contribuinte  não  logrou  comprovar  o  efetivo  pagamento das despesas ali indicadas (fls.39/40).  Impugnação  Cientificada à contribuinte em 25/5/2011, a NL foi objeto de impugnação, em  14/6/2011,  à  fl.  2/26  dos  autos,  na  qual  a  contribuinte  indica  a  juntada  de  declarações  dos  profissionais  acerca  dos  tratamentos  realizados,  moldes,  radiografias  e  extratos  bancários.  Destaca que recebia a remuneração de uma de suas fontes pagadoras em espécie e que de outra  fonte  pagadora  sacava  o  salário  integralmente,  sendo  esses  os  valores  utilizados  para  pagamento de suas despesas.  A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade,  julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 92/94):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Exercício: 2008  GLOSA  DE  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  EFETIVIDADE PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DA PROVA.  Mantém­se a glosa de dedução a título de despesas médicas  quando  o  sujeito  passivo  é  intimado  a  comprovar  a  efetividade  dos  desembolsos  e  deixa  de  apresentar  documentos aptos a fazê­lo.  Recurso voluntário  Ciente do acórdão de impugnação em 18/5/2016 (fl. 98), a contribuinte, em  10/6/2016 (fl. 100), apresentou recurso voluntário, às fls. 100/118, no qual alega, em apertado  resumo, que:  ­  a  teor  do  artigo  80  do  RIR/99,  as  despesas  declaradas  são  perfeitamente  dedutíveis e compatíveis com a renda declarada naquele ano.  Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13643.720137/2011­21  Acórdão n.º 2002­000.463  S2­C0T2  Fl. 124          3 ­ os recibos respectivos foram apresentados e preenchem todos os requisitos  legais, tendo sido informado que os pagamentos se deram em espécie.  ­  recebia o  salário de uma das  suas  fontes pagadoras em espécie e de outra  sacava  o  valor  recebido  integralmente,  o  que  justificaria  os  pagamentos  das  despesas  em  espécie.  ­ o recibo relativo à fisioterapia compreende todos os pagamentos realizados  de fevereiro a dezembro de 2007.  ­  ressalta  que  juntou  ainda  radiografias  e  outros  documentos  relativos  aos  serviços odontológicos.  ­ indica a juntada de declarações emitidas pelos profissionais confirmando a  realização dos serviços e o recebimento dos pagamentos em espécie.  ­ a exigência de cheque nominativo somente seria possível quando os recibos  e  declarações  dos  profissionais  não  contém  todos  os  requisitos  legais,  o  que  não  seria  o  seu  caso.  ­  a  exigência  de  comprovação  do  efetivo  pagamento  seria  desarrazoada  e  ilegal.  ­ não teriam sido apontados indícios de fraude nos documentos apresentados.  ­  reproduz  jurisprudência  administrativa  e  judicial  acerca  da  matéria,  requerendo ao final o cancelamento da autuação.    Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13643.720137/2011­21  Acórdão n.º 2002­000.463  S2­C0T2  Fl. 125          4   Voto Vencido  Conselheira  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Relatora  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.  Mérito  Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF  os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  relativos  ao  próprio  tratamento  e  ao  de  seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente  comprovados.  No  que  tange  à  comprovação,  a  dedução  a  título  de  despesas  médicas  é  condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser  especificados  e  comprovados  com  documentos  originais  que  indiquem  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no Cadastro  de Pessoas Físicas  (CPF) ou Cadastro Nacional  da Pessoa  Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995).  Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que  atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e  CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de  coletar  outros  elementos  de  prova  com  o  objetivo  de  formar  convencimento  a  respeito  da  existência da despesa.  Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a  exigir  provas  complementares  se existirem dúvidas quanto  à  existência  efetiva das deduções  declaradas:  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).   §  1º  Se  forem  pleiteadas deduções  exageradas  em relação aos  rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto­ lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei).  Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos  Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF:  IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.  Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13643.720137/2011­21  Acórdão n.º 2002­000.463  S2­C0T2  Fl. 126          5 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou  justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua  efetividade.  Em  tais  situações,  a  apresentação  tão­somente  de  recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente  para  suprir  a  não  comprovação  dos  correspondentes  pagamentos.   (Acórdão nº9202­005.323, de 30/3/2017)  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Exercício: 2011  DEDUÇÃO.  DESPESAS  MÉDICAS.  APRESENTAÇÃO  DE  RECIBOS.  SOLICITAÇÃO  DE  OUTROS  ELEMENTOS  DE  PROVA PELO FISCO.  Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação,  podendo  a  autoridade  lançadora  solicitar  motivadamente  elementos  de  prova  da  efetividade  dos  serviços  médicos  prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo  tal  solicitação,  é  de  se  exigir  do  contribuinte  prova  da  referida  efetividade.   (Acórdão nº9202­005.461, de 24/5/2017)   IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  DA  EFETIVA  PRESTAÇÃO  DOS  SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO.  A Lei  nº  9.250/95  exige  não  só  a  efetiva  prestação de  serviços  como também seu dispêndio como condição para a dedução da  despesa  médica,  isto  é,  necessário  que  o  contribuinte  tenha  usufruído  de  serviços  médicos  onerosos  e  os  tenha  suportado.  Tal  fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do  permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente  da  base  de  cálculo  do  imposto  sobre  a  renda  devido  no  ano  calendário em que suportou tal custo.  Havendo solicitação pela autoridade  fiscal da comprovação da  prestação  dos  serviços  e  do  efetivo  pagamento,  cabe  ao  contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos  termos  da  Lei  nº  9.250/95,  a  efetiva  prestação  de  serviços  e  o  correspondente pagamento.   (Acórdão nº2401­004.122, de 16/2/2016)  Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos e declarações emitidos  pelos profissionais seriam os documentos hábeis a fazer a prova exigida.  Como exposto  acima, os  recibos médicos não  são uma prova absoluta para  fins  da  dedução.  Nesse  sentido,  entendo  possível  a  exigência  fiscal  de  comprovação  do  pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de  receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir  provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13643.720137/2011­21  Acórdão n.º 2002­000.463  S2­C0T2  Fl. 127          6 seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição  legal de fiscalizar o cumprimento das  obrigações tributárias pelos contribuintes.   É preciso registrar que no presente lançamento a  interessada não está sendo  acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa  qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a  exigência fiscal não conflita com a presunção de boa­fé do contribuinte.  Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual,  o  contribuinte  deve  se  acautelar  na  guarda  de  elementos  de  provas  da  efetividade  dos  pagamentos  e dos  serviços prestados. O ônus probatório  é do  contribuinte  e ele não pode se  eximir desse ônus com a afirmação de que o  recibo de pagamentos seria suficiente por si  só  para fazer a prova exigida.  Inexiste  qualquer  disposição  legal  que  imponha  o  pagamento  sob  determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em  dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando  prejudicada  a  comprovação  dos  pagamentos.  Ressalte­se  que  a  indicação  do  cheque  nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova,  evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento.  Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em  relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato  declarado, repise­se, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que  estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015):  Art.  408.  As  declarações  constantes  do  documento  particular  escrito  e  assinado  ou  somente  assinado  presumem­se  verdadeiras em relação ao signatário.  Parágrafo  único.  Quando,  todavia,  contiver  declaração  de  ciência  de  determinado  fato,  o  documento  particular  prova  a  ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de prová­lo ao  interessado em sua veracidade.  (destaques acrescidos)  O Código Civil  também  aborda  a  questão  da  presunção  de  veracidade  dos  documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros:  Art.  219.  As  declarações  constantes  de  documentos  assinados  presumem­se verdadeiras em relação aos signatários.  Parágrafo  único.  Não  tendo  relação  direta,  porém,  com  as  disposições  principais  ou  com  a  legitimidade  das  partes,  as  declarações  enunciativas  não  eximem  os  interessados  em  sua  veracidade do ônus de prová­las.  ...  Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente  assinado por quem esteja na livre disposição e administração de  seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor;  Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13643.720137/2011­21  Acórdão n.º 2002­000.463  S2­C0T2  Fl. 128          7 mas os  seus efeitos,  bem como os da cessão, não  se operam, a  respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.”   (destaques acrescidos)  No  caso  concreto  desses  autos,  os  recibos  e  declarações  emitidos  pelos  profissionais (fls. 73/75 e 112 e 115) não se revelam hábeis a fazer a prova exigida por meio da  intimação  de  fl.81.  A  juntada  de  seus  extratos  também  não  faz  essa  prova,  uma  vez  que  a  própria  recorrente  informa que os valores não  foram sacados de suas contas por ocasião dos  pagamentos efetuados. Repise­se que o ônus da comprovação é da contribuinte e ela, ao optar  pelo  pagamento  em  espécie,  abriu mão do  poder  probatório  dos  comprovantes  de  operações  bancárias.  Assim,  na  ausência  da  comprovação  exigida,  não  há  reparos  a  se  fazer  à  decisão de piso.  Conclusão  Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao  recurso.  (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez    Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13643.720137/2011­21  Acórdão n.º 2002­000.463  S2­C0T2  Fl. 129          8   Voto Vencedor  Conselheiro Virgílio Cansino Gil ­ Redator  À  partida,  peço  vênia  a  Ilustre  Conselheira  Relatora  Dra.  Claudia  Cristina  Noira Passos da Costa Develly Montez para adotar seu minudente relatório.  No  mérito,  merece  prosperar  em  parte  o  apelo  da  contribuinte  pois  a  declaração emitida pelo profissional Adelton A. Andrade Barbosa (fl.75), comprova a despesas  médica da recorrente no ano de 2007, estando em conformidade que o artigo 80, § 1º, III, do  RIR/99. É bem de ver que o artigo suso citado exige a despesa médica seja comprovada através  de  recibo  e/ou declaração que  conste nome,  endereço e número de  inscrição no Cadastro de  Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ­ CNPJ de quem os recebeu,  e na ausência de referidos documentos, o contribuinte tem o direito de provar a despesa através  de  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento,  sendo  certo  que  na  hipótese dos autos a declaração preenche todas as exigências cumulativas da legislação.  Pelo exposto, conheço do Recurso e no mérito dou provimento parcial para  expungir a glosa com despesas médicas no valor total de R$ 7.000,00 referente ao profissional  Adelton A. Andrade Barbosa.  (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil                  Fl. 129DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.723066/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Presunção de Omissão de Receita. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Confisco. Ofensa a Princípios Constitucionais. Controle de Constitucionalidade. Processo Administrativo Fiscal. As alegações de confisco e de violação a princípios constitucionais não podem ser examinadas no âmbito do processo administrativo fiscal quando implicar o controle de constitucionalidade de lei ou de ato normativo. Multa Qualificada. Comprovação do Dolo. Caracterizado o dolo pela presença de atos simulados e declarações deliberadamente inexatas é cabível a multa qualificada. Multa Agravada. Livros e Documentos. Falta de Apresentação. Arbitramento do Lucro. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando a omissão tenha motivado o arbitramento dos lucros. CSLL, PIS e Cofins. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-003.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 150%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR

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1301­003.429  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de outubro de 2018  Matéria  IRPJ ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  RESTAURANTE E LANCHONETE ITAPETININKA LTDA. ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO DE RECEITA.  Os valores  creditados  em contas bancárias geram presunção “juris  tantum”  de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado,  deixar  de  comprovar  a  origem  dos  recursos  utilizados  nas  respectivas  operações.  CONFISCO.  OFENSA  A  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  CONTROLE  DE  CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  As  alegações  de  confisco  e  de  violação  a  princípios  constitucionais  não  podem  ser  examinadas  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  quando  implicar o controle de constitucionalidade de lei ou de ato normativo.  MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO DOLO.  Caracterizado  o  dolo  pela  presença  de  atos  simulados  e  declarações  deliberadamente inexatas é cabível a multa qualificada.  MULTA AGRAVADA. LIVROS E DOCUMENTOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO.  ARBITRAMENTO DO LUCRO.  A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica,  por  si  só,  o  agravamento  da  multa  de  oficio,  quando  a  omissão  tenha  motivado o arbitramento dos lucros.  CSLL,  PIS  E  COFINS.  IDENTIDADE  DE  MATÉRIA  FÁTICA.  MESMA  DECISÃO.  Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a  mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos  específicos inerentes à legislação de cada tributo.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 66 /2 01 3- 22 Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.584          2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 150%.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Roberto Silva Junior ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto  Daniel  Neto,  Amélia Wakako Morishita  Yamamoto,  Leonam  Rocha  de Medeiros  (suplente  convocado)  e  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto  (Presidente).  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira  Bianca  Felícia  Rothschild,  substituída  pelo  Conselheiro  Leonam  Rocha  de  Medeiros.                                Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.585          3 Relatório  Trata­se  de  recurso  interposto  por  GERVÁSIO  CAVALCANTI  DE  MACEDO e MARIA DOS ANJOS BRITO DE MACEDO, contra o Acórdão nº 06­50.113,  da 2ª Turma da DRJ ­ Curitiba, que negou provimento à impugnação de ambos os recorrentes,  mantendo­os  no  polo  passivo  da  autuação,  como  responsáveis  pelo  crédito  tributário  juntamente com a autuada RESTAURANTE E LANCHONETE ITAPETININKA LTDA. ­  ME.  A  Fiscalização  apurou  omissão  de  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  nas  contas  da  pessoa  jurídica  RESTAURANTE  E  LANCHONETE ITAPETININKA LTDA. ­ ME., cuja existência seria meramente formal, e  cujos sócios seriam pessoas físicas destituídas de qualquer capacidade econômica, interpostas  de  forma  simulada  a  fim  de  ocultar  os  recorrentes,  verdadeiros  responsáveis  pelos  recursos  movimentados.   A  essa  conclusão  chegou  a  autoridade  lançadora  a  partir  de  documentos  fornecidos  pelas  instituições  financeiras,  em  especial  procurações  passadas  em  favor  dos  recorrentes.  A controvérsia foi bem resumida na peça recursal, nos seguintes termos:  O Termo  de  Constatação  Fiscal  emitido  em  12/11/2013  narra,  em  apertada  síntese, os seguintes fatos.  No  acompanhamento  e  supervisão  das  ações  fiscais  realizadas  pela  DEFIS/SPO,  foram  apuradas  situações  irregulares  em  comum  (notadamente  a  expressiva movimentação  financeira  não  informada  ao  fisco)  de  dez  empresas  do  ramo de restaurante, lanchonete e afins, listadas em um mesmo relatório do COAF.  Eis a relação das referidas empresas:  ­ Lanchonete e Restaurante Baraosk Ltda;  ­ Casa de Chá e Restaurante Republyka Ltda;  ­ Restaurante e Lanchonete Itapetininka Ltda ME;  ­ Lanchonete Nosso Lanche Ltda. ME;  ­ Supermercado e Padaria Albuquerkes Ltda;  ­ Lanchonete Rosaliska Ltda ME;  ­ Restaurante e Casa de Lanches Novask Ltda;  ­ Lanchonete e Padaria Edvaldosque Ltda;  ­ JL & JP Lanchonete Ltda ME;  ­ Supermercado Rafaesk Ltda;  No prosseguimento das diligências, não se constataram indícios de que essas  pessoas jurídicas tenham efetivamente se estabelecido em seus endereços cadastrais  e operado nas atividades que constituem os objetos sociais registrados (lanchonete,  Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.586          4 restaurante, bar etc.). As empresas e os respectivos sócios não foram localizados em  seus  domicílios,  sendo  que  a  ciência  dos  atos  fiscais  deu­se  por  meio  de  editais  afixados em locais de acesso ao público nas Delegacias Tributárias.  De  posse  dos  dados,  informações  e  extratos  bancários  requisitados  diretamente das instituições financeiras (por meio de RMFs), o fisco entendeu haver  conexão entre as dez empresas, com a formação de um "grupo econômico de fato"  que serviria apenas "de fachada" aos reais propósitos dos recorrentes, considerados  os controladores e "reais beneficiários da movimentação financeira".  Com  base  em  outras  diligências  e  nas  informações  prestadas  pelas  administradoras de vale­refeição e operadoras de cartões magnéticos, apurou­se que  o  "objeto  real  de  autuação  do  grupo  econômico  era  o  comércio  destes  vales"  ou  seja, um sistema de factoring informal.  Os  recorrentes  foram  meramente  cientificados  do  "Termo  de  Constatação  Fiscal"  e  as  empresas,  intimadas  (via  edital)  a  justificar  e  demonstrar,  com  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  movimentados  nas  contas  bancárias mantidas em seus nomes em instituições financeiras.  Lavraram­se,  então,  contra  as  dez  empresas  Autos  de  Infração  relativos  a  IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em que houve o arbitramento do lucro com base nos  valores depositados nas contas bancárias, com acréscimo de juros de mora e multa  de ofício à razão de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento).  Conforme  expressamente  consignado  no  TCF  todos  os  lançamentos  foram  "apensados  uns  aos  outros  para  que  tenham  contenciosos  administrativos  em  comum".  Intimados  dos  "Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária",  os  recorrentes  formularam impugnação àquelas peças impositivas, na qual sustentam, em resumo,  que:  i) os  lançamentos de ofício são nulos por conta da ausência de intimação na  fase de fiscalização, com o consequente cerceamento do direito de defesa e violação  ao devido processo legal;  ii)  as  autuações  também  são  nulas  por  estarem  escoradas  em  elementos  obtidos mediante a ilegal quebra de sigilo bancário e, assim, desprovidos de eficácia  probatória;  iii) não ficaram caracterizadas as hipóteses previstas no CTN que autorizam a  responsabilidade  solidária  dos  recorrentes  quanto  aos  débitos  lançados  contra  as  pessoas jurídicas;  iv)  é  inconsistente  a  presunção  em  que  se  baseiam  as  exações,  haja  vista  a  impossibilidade  de  se  estabelecer  uma  correlação  direta  entre  a movimentação  de  recursos em contas bancárias e a percepção de receitas;  v)  o  Sr.  Gervásio  é  comerciante  (sendo  a  Sra. Maria  dos  Anjos  uma mera  funcionária)  que  agregou  às  suas  atividades  a  de  comercialização  de  tíquetes  refeição/alimentação,  cuja  receita  se  restringe  ao valor  correspondente ao pequeno  percentual de deságio que é cobrado por ocasião da compra desses tíquetes (e nunca  ao montante total dos depósitos bancários);  Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.587          5 vi)  a multa  de  oficio  aplicada  é  abusiva  e  possui  índole  confiscatória;  bem  como  é  ilegítima  a  utilização  da  taxa  SELIC  como  juros  de  mora  em  matéria  tributária, os quais não incidem sobre a multa de ofício.  Ao final, os recorrentes pugnaram pelo cancelamento de todas as exigências,  com  o  arquivamento  dos  autos  dos  processos  administrativos  correspondentes,  ou  que lhes fosse afastada a condição de sujeitos passivos solidários.  Ocorre que a E. 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA não acolheu nenhuma  daquelas  razões  impugnatórias.  Com  isso,  manteve  os  lançamentos  de  ofício  e  a  imputação de responsabilidade solidária em acórdãos com a seguinte ementa:  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos  requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a observância do contraditório  e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do  lançamento.  AUDIÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.  Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há  qualquer  nulidade  ou  sequer  cerceamento  do  direito  de  defesa  o  fato  de  a  fiscalização  lavrar  um  auto  de  infração  após  apurar  o  ilícito,  mesmo  sem  consultar  o  sujeito  passivo  ou  sem  intimá­lo  a  se  manifestar,  já  que  esta  oportunidade é prevista em lei para a fase de contencioso administrativo.  PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS OBTENÇÃO. SIGILO.  Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta  observância  das  normas  de  regência  e  ao  amparo  da  lei,  sendo  desnecessária  prévia autorização judicial.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.  Atribui­se a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o  nexo  existente  entre  os  fatos  geradores  e  a  pessoa  a  quem  se  imputa  a  solidariedade passiva, nos termos do art. 124, I, do CTN.  ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.  Constatado  que  os  ora  impugnantes  agiram  com  interesse  comum  na  concretização da hipótese de  incidência, ensejando o nascimento da obrigação  tributária,  havendo  ainda  concorrido  para  a  prática  da  infração  ou  dela  se  beneficiado, não há que se falar em ilegitimidade passiva.  PEDIDO DE AFASTAMENTO DOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS.  Indefere­se o pedido de afastamento dos indicados como responsáveis solidários  da relação tributária, posto que os mesmos além de admitirem a participação no  esquema que  teve por objetivo máximo  lograr o Fisco, não  lograram afastar a  imputação.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  FATOS  GERADORES  A  PARTIR DE 01/01/1997.  A Lei n°9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo  42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento  do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar,  mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua  conta de depósito.  Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.588          6 PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO.  FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.  A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade  lançadora  fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado  (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato  jurídico  tributário).  Cabe  ao  Fisco  simplesmente  provar  ocorrência  do  fato  indiciário  (depósito  bancário);  e  ao  contribuinte  cumpre  provar  que  o  fato  presumido não existiu na situação concreta.  ADEQUAÇÃO  DA  PRESUNÇÃO  LEGAL.  VINCULAÇÃO  DA  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  Não cabe ao julgador administrativo discutir se a presunção estabelecida em lei  é apropriada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais  (artigo 116, inciso III, da Lei n° 8.112/1990), mormente quando do exercício do  controle  de  legalidade  do  lançamento  tributário  (artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN).  Nesse  passo,  não  é  dado  apreciar  questões  que  importem  a  negação  de  vigência  e  eficácia  do  preceito  legal  que,  de  modo  inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de rendimentos (artigo 42,  caput, da Lei n°9.430/1996).  MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA.  É exigível  a multa  de  225% nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude  em que  o  contribuinte deixa de atender seguidamente as intimações da Fiscalização para  prestar esclarecimentos.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Os  juros  de  mora  são  devidos  sobre  os  débitos  de  qualquer  natureza  com  a  União, não liquidados nos devidos prazos, dentre os quais se inclui a multa de  ofício.  JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. LEGALIDADE.  Correta a exigência dos juros de mora, em percentuais equivalentes à taxa Selic,  posto que feita com amparo em expressa previsão legal.  DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO  PROCURADOR. INDEFERIMENTO.  O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax  fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins  cadastrais.  Dada  a  existência  de  determinação  legal  expressa  em  sentido  contrário,  indefere­se o pedido de  endereçamento das  intimações ao  escritório  do procurador.  Não resignados, Gervásio Cavalcanti de Macedo e Maria dos Anjos Brito  de Macedo recorreram da decisão.  Alegaram  preliminarmente  que  houve  uma  quebra  indevida  de  sigilo  bancário,  já  que  as  informações  foram  obtidas  diretamente  das  instituições  financeiras,  sem  qualquer  autorização  judicial.  Não  importa  se  o  direito  violado  é  dos  recorrentes  ou  de  terceiros, as provas assim obtidas são imprestáveis.  Frisaram  que  as  operações  bancárias,  por  projetarem  a  personalidade  do  correntista,  têm  seu  sigilo  resguardado  pela  Constituição  Federal,  não  podendo  a  legislação  infraconstitucional dispensar o crivo do Poder Judiciário na quebra do sigilo bancário.  Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.589          7 Está  evidenciado  no  caso  concreto  que  os  créditos  tributários  constituídos  contra  as  dez  empresas  encontram­se  essencialmente  fundamentados  em  informações  desprovidas de eficácia probante. Sendo, por essa razão, flagrante o equívoco da DRJ ao não  reconhecer a nulidade de todos os lançamentos.  Os lançamentos não merecem prosperar em virtude de estarem lastreadas em  presunção de omissão de receitas baseada em simples depósitos bancários. O conceito de renda  é  delineado  na  Constituição  Federal  e  não  pode  ser  ultrapassado  pela  legislação  infraconstitucional. A percepção de receita ou rendimento não se materializa com um simples  depósito bancário.  Inadmissível,  portanto,  que  se  presuma  omissão  de  receitas  tão  somente  a  partir  de  depósitos  bancários  nas  contas  do  sujeito  passivo.  Segundo  jurisprudência  firmada  pelo  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos,  na  Súmula  n°  182,  é  ilegítimo  o  lançamento  de  Imposto de Renda baseado apenas em extratos bancários.  A  autoridade  lançadora  não  observou  as  formalidades  exigidas  pela  lei.  Existem vícios procedimentais insanáveis nas autuações.  A Fiscalização  concluiu  que  as dez pessoas  jurídicas  autuadas  eram  apenas  empresas  "de  fachada",  sem nenhuma  evidência  de  que  tivessem de  fato  operado  nos  locais  indicados  como domicílio  tributário. Por conseguinte,  se  impunha que,  antes da  lavratura de  qualquer  autuação  com  base  no  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/1996,  fossem  intimados  os  recorrentes,  para  justificar  a  origem  dos  valores  depositados  nas  contas  bancárias  das  respectivas  pessoas  jurídicas,  já  que  eles  foram  considerados  os  reais  beneficiários  da  movimentação financeira do grupo.  Diante  da  constatação  de  que  as  pessoas  jurídicas  titulares  das  contas  correntes não possuíam atividade comercial em seus estabelecimentos, era imprescindível que  as pessoas físicas consideradas como beneficiárias dos depósitos bancários  fossem instadas a  esclarecer a origem dos respectivos valores. Isso, entretanto, não ocorreu. Somente as empresas  foram intimadas, por edital, a prestar esclarecimentos.  Os recorrentes sustentam, ademais, que essa exigência  legal não foi  suprida  pelo  envio  do  Termo  de  Ciência  Fiscal,  pois  esse  documento  limitava­se  a  dar  ciência  da  emissão do Termo de Constatação Fiscal ­ TCF, em que eram os  recorrentes arrolados como  reais  beneficiários  dos  resultados  econômicos  das  dez  empresas  ali  relacionadas.  Entretanto,  não  fazia qualquer menção de que os  recorrentes deveriam esclarecer  e  comprovar  a origem  dos  depósitos  realizados  nas  contas  bancárias  das  pessoas  jurídicas,  sob  pena  de  os  valores  serem consideradas como receitas tributáveis.  Houve, portanto, um descumprimento do próprio dispositivo legal que serve  de fundamento jurídico às autuações.  Por  outro  lado,  se  os  recorrentes  foram  considerados  os  verdadeiros  beneficiários  dos  valores,  os  autos  de  infração  deveriam  ter  sido  lavrados  no  nome  dos  recorrentes,  como  determina  o  § 5º  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/1996,  e  não  no  das  pessoas  jurídicas.  Não  teria  sido  observada  a  forma  específica  de  tributação.  Isso  porque  quando identificada a origem dos depósitos bancários, a apuração da base de cálculo do IRPJ e  Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.590          8 dos  demais  tributos  deve  observar  as  normas  de  tributação  específicas  aplicáveis  às  receitas  omitidas.  No  caso  concreto,  a  Fiscalização  relatou  no  Termo  de  Constatação  Fiscal  que  a  origem dos valores depositados nas contas bancárias das empresas do grupo não era o exercício  das atividades que constavam dos respectivos contratos sociais.  O Fisco constatou que as empresas não operavam efetivamente atividades de  bar,  lanchonete,  restaurante  e  congêneres.  Estas  serviam  apenas  de  fachada  para  que  os  recorrentes recuperassem das administradoras de cartões magnéticos de vale­alimentação e de  vale­refeição os valores dos cartões, anteriormente adquiridos, com deságio, de comerciantes e  usuários. Os recorrente atuariam como uma "factoring informal".  Entretanto, a despeito dessa compreensão, ao constituir o crédito tributário, a  autoridade  lançadora não observou as  regras próprias de apuração da base de cálculo para as  factorings,  reconhecidas  pela  própria  Receita  Federal.  No  caso,  a  receita  bruta  é  apenas  o  deságio representado pela diferença entre o valor recebido dos emitentes dos  títulos (os vale­ alimentação e vale­refeição) e o valor pago por sua aquisição.  Existem precedentes do CARF no sentido de que, na hipótese de exercício da  atividade  de  compra  e  venda  de  títulos  representativos  de  direitos  creditórios  (factoring),  somente  se considera  receita omitida,  ainda que  se aplique  a presunção  do art.  42 da Lei n°  9.430/1996, o resultado da subtração dos valores de compra e recebimento dos títulos.  Independentemente  de  se  tratar  ou  não  do  exercício  regular  e  formal  da  atividade de  factoring, o Fisco deveria ter levado em conta as especificidades dessa atividade  ao efetuar o lançamento de ofício.  Também  foram  ignoradas  pela  Fiscalização  diversas  transferências  de  recursos entre as próprias empresas autuadas (item 12 do TCF), quantias que não deveriam ter  sido incluídas na autuação, pois resultam em dupla tributação.  Tais  erros  tornam  nulo  o  lançamento,  não  se  admitindo  qualquer  tipo  de  revisão  a  fim  de  preservar  o  ato  administrativo,  mediante  eliminação  dos  vícios,  pois  isso  implicaria modificação de critério jurídico não admitido pela lei.  No  mais,  existe  ofensa  aos  princípios  da  capacidade  contributiva,  da  proporcionalidade  e  da  razoabilidade,  tendo  em  vista  que  as  exigências  são  nitidamente  confiscatórias.  Isso  porque  incidirem  sobre  o  próprio  valor  de  face  dos  vales  alimentação  e  refeição comercializados, e não sobre a receita resultante da operação.  Especificamente  quanto  à  penalidade,  alegou  ser  inaplicável  a  multa  de  150%, porquanto  a  exigência do  crédito  tributário  está  lastreada na mera presunção  legal de  omissão de receitas com base em extratos bancários.  Seria  igualmente  incabível,  em  relação  aos  recorrentes,  o  agravamento  da  multa  para  225%.  A multa  agravada  se  justifica  apenas  na  hipótese  de  não  atendimento  às  intimações do Fisco, conduta que não pode ser imputada aos recorrentes, já que não receberam  qualquer intimação durante o procedimento fiscal.  Aduziram  que  lhes  foi  endereçado  exclusivamente  o  Termo  de  Ciência  Fiscal,  que  se  restringia  a dar notícia da  emissão do Termo de Conclusão Fiscal,  em que os  recorrente  foram  identificados  como  reais  beneficiários  dos  resultados  econômicos  das  Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.591          9 empresas, porém sem intimá­los a exibir qualquer elemento. Simplesmente foram informados  de que poderiam apresentar impugnação e esclarecimentos que entendessem pertinentes.  Não  houve  por  parte  dos  recorrentes  conduta  reiterada  de  não  atender  às  intimações  da  autoridade  fiscal.  No  único  documento  que  lhes  enviou,  a  Fiscalização  não  formalizou qualquer pedido de exibição de documentos.  Com essas razões, pugnou pela nulidade dos lançamentos.  A pessoa jurídica autuada, Restaurante e Lanchonete Itapetininka Ltda. ­  ME, não interpôs recurso.  É o relatório.                                          Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.592          10     Voto             Conselheiro Roberto Silva Junior ­ Relator  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade.  Os fatos  Sublinho os  fatos que são  a base do  lançamento  tributário  e  sobre os quais  não há controvérsia relevante, já que os recorrentes se limitaram a questionar aspectos formais  do lançamentos e a arguir inconstitucionalidades.  Segundo descrito no Termo de Constatação Fiscal, verificou­se que diversas  empresas tinham em comum as mesmas situações e irregularidades. Todas foram incluídas em  um relatório do COAF ­ Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que dava conta da  existência de operações financeiras que deveriam ser esclarecidas. A Receita Federal constatou  a  incompatibilidade  das  operações  financeiras  com  o  porte  das  empresas  que  figuravam  no  relatório  do  COAF,  pois,  a  julgar  pela  atividade  econômica  informada  nos  respectivos  cadastros, todas deveriam ser de pequeno porte. Além disso, os valores movimentados não se  encontravam declarados em DIPJ e tampouco em DCTF.  O  procedimento  fiscal  revelou  que  as  empresas  tinham  como  objeto  atividades de  lanchonete,  restaurante e afins; que nenhuma delas  foi encontrada no endereço  constante do CNPJ; e que não havia DIPJ e DCTF para o período.  As intimações enviadas, por via postal, para os endereços das pessoas físicas  que figuravam no quadro societário, retornaram com a indicação de que os destinatários eram  desconhecidos.  O  Fisco,  aprofundando  a  verificação,  percebeu  que  os  sócios  eram  pessoas  físicas  destituídas  de  capacidade  econômica  para  figurar  no  quadro  societário  das  empresas,  sobretudo  considerando  os  valores  expressivos  das  operações  financeiras  detectadas  pelo  COAF.  Mais  que  isso,  o  Fisco  constatou  que  os  recorrentes,  com  procurações  que  lhes  outorgavam  amplos  poderes  de  administração,  movimentavam  os  recursos  que  transitaram  pelas contas das empresas indicadas no relatório do COAF.  Esses fatos são incontroversos, pois não foram contestados pelos recorrentes,  que  preferiram,  na  peça  recursal,  se  ater  a  questões  formais  pertinentes  ao  lançamento  e  a  questões relativas a inconstitucionalidade.  Omissão de receitas  A  infração  colhida  no  procedimento  fiscal  foi  a  omissão  de  receitas,  caracterizada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada. O lançamento  se fez com fulcro na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, assim redigido:  Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.593          11 Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Trata­se  de  presunção  legal  de  omissão  de  receitas,  de  eficácia  relativa,  podendo ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte.  Instaura­se a presunção  quando presentes  os  seguintes  requisitos:  a)  existência  de depósitos  bancários  cuja origem a  Fiscalização,  pelo  exame  das  informações  de  que  disponha,  não  conseguir  identificar  (discrepância entre movimentação  financeira e  receitas declaradas); b)  intimação  regular ao  sujeito passivo para esclarecer as operações que deram causa aos depósitos; e c) ausência ou  insuficiência de esclarecimento.  Reunidos  tais  requisitos,  nasce  a  presunção  de  omissão  de  receitas,  a  qual,  sem  necessidade  de  prova  de  qualquer  outro  fato  ou  circunstância,  pode  dar  ensejo  ao  lançamento de Imposto de Renda e demais tributos. É o que ocorre no caso em exame, em que  nenhum  dos  sujeitos  passivos  forneceu  informações  e  documentos  capazes  de  esclarecer  a  origem dos valores depositados nas contas bancárias.  Os  recorrentes,  reportando­se  implicitamente  a  uma  legislação  já  superada,  disseram não ser juridicamente possível  lançar  tributo com base em depósitos bancários, sem  que a autoridade fiscal aprofundasse a investigação, a fim de demonstrar a existência de outros  indícios de omissão de receitas.  Com  o  advento  da  Lei  nº  9.430/1996,  deixou  de  ser  necessário,  para  viabilizar o lançamento com base em depósitos bancários, reunir outros indícios de omissão de  receita ou sinais exteriores de riqueza.  O art. 42 acima citado veio substituir, no que  tange à utilização de extratos  bancários, a sistemática prevista no art. 6º da Lei 8.021/1990, que assim dispõe:  Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados  em  lei,  far­se­á  arbitrando­se  os  rendimentos  com  base  na  renda  presumida, mediante  utilização  dos  sinais  exteriores  de  riqueza.  §1° Considera­se sinal exterior de riqueza a realização de gastos  incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.  §2°  Constitui  renda  disponível  a  receita  auferida  pelo  contribuinte,  diminuída  dos  abatimentos  e  deduções  admitidos  pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de  Renda pago pelo contribuinte.  §3°  Ocorrendo  a  hipótese  prevista  neste  artigo,  o  contribuinte  será  notificado  para  o  devido  procedimento  fiscal  de  arbitramento.  §4°  No  arbitramento  tomar­se­ão  como  base  os  preços  de  mercado  vigentes  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  ou  eventos,  podendo,  para  tanto,  ser  adotados  índices  ou  indicadores  econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas.  Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.594          12 §5° O  arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com  base  em  depósitos  ou  aplicações  realizadas  junto  a  instituições  financeiras,  quando  o  contribuinte  não  comprovar  a  origem  dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº  9.430, de 1996)  §6°  Qualquer  que  seja  a  modalidade  escolhida  para  o  arbitramento,  será  sempre  levada  a  efeito  aquela  que  mais  favorecer o contribuinte.  O caput do art. 6º da Lei nº 8.021 emprega a expressão sinais exteriores de  riqueza. A partir desse texto, construiu­se a interpretação segundo a qual a faculdade prevista  no §5º, que autorizava a utilização de depósitos bancários ou aplicações financeiras para lançar  tributo,  não  prescindia  da  vinculação  de  tais  depósitos  ou  aplicações  a  outros  indícios  de  omissão de receitas.  A exigência de conjugar depósitos bancários com outros sinais exteriores de  riqueza  foi  superada  com  o  advento  do  art.  42  da Lei  nº  9.430. A  alteração  legislativa  veio  instituir em favor da Fazenda uma presunção relativa de omissão de receitas, para a qual basta  a  presença dos  requisitos  acima apontados. Criou­se,  portanto,  nova  sistemática,  afastando  a  prevista no art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021.  É possível, de tudo quanto se disse, inferir que a aplicação do art. 42 da Lei  nº 9.430  dispensa  qualquer  outra  prova  direta ou  indiciária  da omissão  de  receitas.  Portanto,  pode­se afirmar que está superada a Súmula 182 do extinto TFR.  Quanto  à  alegação  de  inconstitucionalidade  na  obtenção  dos  extratos  bancários,  porque  requisitados  pela  autoridade  administrativa  sem  intervenção  do  Poder  Judiciário, cabe lembrar que a questão já foi examinada pelo E. Supremo Tribunal Federal, na  ADI nº 2.859­DF, ocasião em que se reconheceu a constitucionalidade da norma que permite  ao Fisco o acesso aos dados bancários do sujeito passivo.  A  ementa,  naquilo  que  diz  respeito  à  matéria  aqui  discutida,  foi  assim  redigida:  4.  Os  artigos  5º  e  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001  e  seus  decretos  regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de  novembro  de  2009)  consagram,  de  modo  expresso,  a  permanência  do  sigilo  das  informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles  autorização  para  a  exposição  ou  circulação  daqueles  dados.  Trata­se  de  uma  transferência  de  dados  sigilosos  de  um determinado portador,  que  tem o  dever  de  sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a  intimidade e a vida privada do correntista,  exatamente como determina o art. 145,  § lº, da Constituição Federal.  5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos  da  República  Federativa  do  Brasil,  a  construção  de  uma  sociedade  livre,  justa  e  solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades  sociais  e  regionais.  Para  tanto,  a  Carta  foi  generosa  na  previsão  de  direitos  individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a  esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine  qua  non  para  a  realização  do  projeto  de  sociedade  esculpido  na  Carta  Federal.  Dentre  esses deveres,  consta o dever  fundamental  de pagar  tributos,  visto que são  Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.595          13 eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos  direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de  combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º  e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa.  6.  O  Brasil  se  comprometeu,  perante  o  G20  e  o  Fórum  Global  sobre  Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Fórum on  Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões  internacionais  de  transparência  e  de  troca  de  informações  bancárias,  estabelecidos  com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater  práticas  criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do  acesso  automático  aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de  descumprimento de seus compromissos internacionais.  Os  recorrentes  alegaram vícios  no  lançamento  em virtude  da  inobservância  de  regras  específicas  fixadas  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/1996. A  primeira  delas  é  a  falta  de  intimação  específica  dos  recorrentes  para  esclarecer,  antes  da  realização  do  lançamento,  a  origem dos valores depositados nas contas bancárias.  Em  primeiro  lugar,  os  titulares  das  contas  bancárias  formalmente  eram  as  pessoas  jurídicas  e  estas  foram  intimadas.  Os  recorrentes,  que  geriam  as  pessoas  jurídicas,  também o foram através do Termo de Constatação Fiscal. Observe­se que o termo se destinava  exatamente a permitir que todos os implicados pudessem apresentar esclarecimentos, antes da  lavratura do auto de infração. O requisito legal, portanto, foi atendido.  É  importante  que  se  diga  que  a  lei  não  estabelece  uma  denominação  específica  para  a  intimação.  Basta  que,  por  meio  dela,  se  ofereça  ao  sujeito  passivo  a  oportunidade  de  esclarecer  a  origem  dos  depósitos,  antes  da  realização  do  lançamento.  Essa  exigência, como se disse, foi atendida no caso concreto.  Os  recorrentes  alegaram  que,  se  eles  foram  considerados  os  verdadeiros  beneficiários dos valores depositados, os autos de infração deveriam ter sido lavrados no nome  deles e não no da pessoa jurídica.  Essa  alegação  em  nada  aproveita  aos  recorrentes,  porque,  se  acolhida,  implicaria apenas excluir do polo passivo a empresa, sem alterar a posição jurídica dos demais  autuados.  A propósito  da  sujeição  tributária,  cumpre  esclarecer  que,  em  situações  em  que se constata a prática de atos com violação de lei pelo administrador ou gerente de pessoa  jurídica,  esta  não  deve  ser  incluída  no  polo  passivo  se  o  ilícito  tiver  sido  praticado  em  seu  desfavor, ou seja, se a infração tiver sido cometida pelo administrador em prejuízo da pessoa a  quem representava. Ao contrário, quando a pessoa jurídica for instrumento da fraude, ela tem  de figurar no polo passivo, para viabilizar a penhora e execução de seu eventual patrimônio.  Contra  o  lançamento  também  se  disse  que  a  Fiscalização,  embora  tendo  identificado a origem dos depósitos como resultante de operações de  factoring, não submeteu  os respectivos valores às normas de tributação específica, como exige o § 2º do art. 42 da Lei  nº 9.430/1996.  Em  primeiro  lugar,  não  parece  que  a  Fiscalização  tenha  identificado,  de  forma clara e precisa, a origem dos depósitos. O que existe é uma conjectura, um esforço para  Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.596          14 entender a lógica do procedimento que envolvia a utilização pelos recorrentes de dez pessoas  jurídicas, de existência meramente formal, todas do mesmo ramo de atividade.  A Fiscalização, entretanto, não conseguiu identificar, com razoável segurança  e  de  forma  individual,  a  origem  dos  valores  depositados  nas  contas  bancárias  da  pessoa  jurídica. Por isso, o lançamento foi feito com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Ademais,  para  dar  tratamento  tributário  próprio  da  atividade  de  factoring  era  necessário  que  a  pessoa  jurídica  tivesse  sido  constituída  com esse objeto,  e que o Fisco  tivesse meios para  apurar os  valores  pelos  quais  os  vales­alimentação  haviam  sido  adquiridos.  Esses  dados,  se  é  que  existem, não foram trazidos pelos recorrentes.  Por  fim, alegou­se que a Fiscalização não excluiu do rol dos depósitos sem  origem comprovada os valores decorrentes de transferências entre as pessoas jurídicas que, no  entender da autoridade fiscal, formavam um grupo econômico.  A exclusão pretendida pelos recorrentes só poderia ser feita se a Fiscalização  tivesse efetuado um único lançamento, englobando as contas de todas as dez pessoas jurídicas.  Entretanto, como os lançamentos foram individuais, tendo cada pessoa jurídica como entidade  autônoma, a exclusão pretendida fica inviabilizada.  Também  foi  arguida  a ofensa  aos princípios da  capacidade  contributiva,  da  proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco. O exame da ofensa a esses princípios  não pode ser feita na esfera administrativa, quando isso implica negar vigência à norma legal.  É  que,  no  processo  administrativo  tributário,  não  é  dado  exercer  controle  de  constitucionalidade,  como dispõe  o  art.  26­A do Decreto  nº  70.235/1972  e  a Súmula CARF  nº 2.  Multa qualificada e agravada  Existem  precedentes  do  CARF  que  rechaçam  a  aplicação  de  multa  qualificada  em  lançamento  de  ofício  por  omissão  de  receitas,  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada.  O  CARF,  entretanto,  mitigou  a  rigidez  daquele  entendimento,  ao  decidir  que,  na  hipótese  de  interposição  de  pessoas,  a  multa  qualificada  poderia  ser  imposta,  a despeito da utilização de depósitos bancários. Nesse  sentido,  editou  a  Súmula 34, hoje com eficácia vinculante.  Daí se conclui que é possível, ainda que o lançamento se baseie em depósitos  bancários, a qualificação da multa, bastando para tanto que, na situação concreta, se comprove  de forma cabal e inequívoca a presença do dolo.  No  caso  dos  autos,  os  resultados  econômicos  e  a movimentação  financeira  foram  ocultados  do  Fisco,  mediante  declarações  falsas  e  atos  simulados,  condutas  essas  reiteradas ao longo do período, demonstrando a clara intenção dos recorrentes.  Portanto, deve ser mantida a multa qualificada.  Quanto  ao  agravamento  da  multa,  o  CARF  também  consolidou  o  entendimento dominante em verbete de súmula. Trata­se da Súmula 96, que assim dispõe:  Súmula  CARF  nº  96  ­  A  falta  de  apresentação  de  livros  e  documentos  da  escrituração  não  justifica,  por  si  só,  o  Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 19515.723066/2013­22  Acórdão n.º 1301­003.429  S1­C3T1  Fl. 1.597          15 agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o  arbitramento dos lucros.  Neste  processo,  tanto  o  IRPJ,  quanto  a  CSLL  foram  apurados  pelo  lucro  arbitrado. O arbitramento se deu pela falta de esclarecimentos, de apresentação de livros e de  documentos.  Portanto,  à  luz  da  Súmula  CARF  96,  é  inadmissível,  no  caso  em  tela,  o  agravamento da multa do IRPJ e da CSLL.  Afastada a multa agravada para o  IRPJ e a CSLL, o mesmo se há de  fazer  para o PIS e a COFINS.  Em suma, afastando­se o agravamento, a multa fica reduzida ao percentual de  150% sobre o valor do tributo devido e não pago.  CSLL, PIS e Cofins  Quando  os  lançamentos  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins  recaírem  sobre  a  mesma  base  fática,  como  ocorre  no  caso  em  tela,  há  de  ser  dada  a  todos  a mesma decisão,  ressalvados apenas os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.  Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para  no mérito  dar­lhe  parcial  provimento,  afastando  o  agravamento  da multa,  de modo  a  reduzir  o  percentual  a  150% do  valor do tributo que deixou de ser recolhido em face da omissão de receita.    (assinado digitalmente)  Roberto Silva Junior                                Fl. 1597DF CARF MF

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7519905 #
Numero do processo: 16682.720170/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser reconhecidos os créditos vinculados ao óleo diesel, gasolina e propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, unicamente para reconhecer os créditos vinculados ao óleo diesel, à gasolina, ao propeno grau polímero e aos "demais produtos" discriminados em planilha, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO

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3401­005.396  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  PIS  Recorrente  PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO.   Devem  ser  reconhecidos  os  créditos  vinculados  ao  óleo  diesel,  gasolina  e  propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio  dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  unicamente  para  reconhecer  os  créditos  vinculados  ao  óleo  diesel,  à  gasolina,  ao  propeno  grau  polímero  e  aos  "demais  produtos"  discriminados  em  planilha, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Leonardo Ogassawara de Araújo Branco ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Rosaldo  Trevisan  (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos,  Carlos  Henrique  de  Seixas  Pantarolli,  Cássio  Schappo,  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco (Vice­Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 70 /2 01 1- 83 Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 953          2 Relatório  1.  Trata­se do despacho decisório, situado à fl. 66, proferido com base  no Parecer DEMAC/RJO nº 14/2011 situado às fls. 63 a 65, que não homologou a Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  nº  40759.20467.120506.1.7.042104,  situada  às  fls.  47  a  51,  transmitida com o objetivo de compensar crédito no montante de R$ 1.854.737,68, decorrente  de  valores  indevidamente  recolhidos  a  título  de  PIS­Faturamento  (código  de  recolhimento  81092) referente a janeiro de 2001 com débitos do mesmo tributo.  "Quanto ao alegado direito creditório, verifica­se, nos  sistemas  da  Receita  Federal,  o  recolhimento  de  PIS  relativo  ao  mês  de  janeiro de 2001, em 15/02/2001, mediante DARF no valor de R$  103.555.205,16, conforme extrato de pagamento à folha 54.  Na  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  DCTF originalmente entregue em 15/05/2001 (folhas 55 e 56),  a  contribuinte  informou,  para  o  mês  de  janeiro  de  2001,  PIS  devido  no montante  de  R$  103.173.826,89. Em  18/07/2003,  a  empresa  apresentou  DCTF  retificadora  (folhas  55  e  57),  reduzindo  o  valor  do  PIS  para  R$  102.614.329,47.  Cumpre  ainda observar que na DIPJ/2002, apresentada em 28/06/2002,  foi apurado PIS no valor de R$ 102.595.645,94 (folhas 52 e 53)"  ­ (seleção e grifos nossos).    2.  A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual  argumentou,  em  síntese,  que:  (i)  o  recolhimento  da  contribuição  era  efetuado  em  base  de  cálculo estimada. Após o fechamento contábil eram realizados diversos ajustes para obtenção  da base de cálculo definitiva; (ii) foi realizado ajuste referente à venda de óleo leve, código de  produto 65D, tributado pela alíquota geral do PIS, conforme tabela 1; (iii) outro ajuste se refere  à venda de gasolina de aviação, código de produto 623,  tributada pela alíquota geral do PIS,  conforme  tabela  2;  (iv)  foi  realizado  ajuste  referente  à  venda  de  propeno,  produto  614,  contabilizado  na  conta  3110107–  GLP,  mas  tributado  pela  alíquota  geral  do  PIS,  conforme  tabela  3;  (v)  a  IN  219/2002  assegura  o  procedimento  adotado,  pois  os  gases  liquefeitos  de  petróleo  (GLP)  para  efeito  de  tributação  da  CIDE  Combustíveis  são  os  classificados  nos  códigos  27.11.1.3;  (vi)  houve  variação  nas  contas  de  outras  receitas,  aumentando  a  base  de  cálculo,  conforme  tabela 5;  (vii)  o valor do PIS  devido após os  ajustes  está demonstrado na  tabela 6; (viii) a planilha de apuração definitiva está coerente com o Balancete patrimonial; e  (ix) apresenta anexo planilha comparativa do valor estimado x definitivo, cópia do balancete,  planilha de exportações e ajustes extracontábeis.  3.  Em  29/05/2012,  a  17ª  Turma  da  Delegacia  Regional  do  Brasil  de  Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 12­46.932, situado às fls. 534  a  548,  de  relatoria  da Auditora­Fiscal Andréa Paula  de Morais Machado,  que  entendeu,  por  unanimidade de votos,  julgar  improcedente  a manifestação de  inconformidade,  indeferindo o  direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001   Fl. 953DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 954          3 REGIME  ESPECIAL  DE  TRIBUTAÇÃO  CONCENTRADA.  ÓLEO DIESEL.  O produto  classificado no  código  2710.00.41  da Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  (NCM)  corresponde  a  óleo  diesel,  cuja  receita  de  venda,  pelas  refinarias  de  petróleo,  está  sujeita  ao  regime  especial  de  tributação  concentrada  relativo  ao  PIS/Pasep.  IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS.  A manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  decisão  que  reconheceu  em  parte  o  direito  creditório  pleiteado  deverá  conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os  pontos de discordância  e deverá  vir acompanhada dos dados e  documentos comprovadores dos fatos alegados.  AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO.  A  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  por  medida  liminar  ou  depósito  do  montante  integral  restringe­se  aos  tributos e fatos geradores alcançados pela norma contestada na  ação judicial.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido     4.  A contribuinte, intimada da decisão em 30/07/2013, pela abertura dos  arquivos  correspondentes  no  link  Processo  Digital,  no  Centro  Virtual  de  Atendimento  ao  Contribuinte  (Portal  e­CAC),  por  meio  da  opção  "Consulta  Comunicados/Intimações",  em  conformidade  com  o  termo  de  ciência  situado  à  fl.  554,  interpôs,  em  20/08/2013,  em  conformidade  com  o  termo  de  solicitação  de  juntada  situado  à  fl.  555,  recurso  voluntário,  situado às fls. 556 a 572, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade e,  em especial: (i) óleo diesel: relativamente à prova do montante de vendas de óleo leve sujeitas  a alíquota geral, dada a impossibilidade de obter as originais os espelhos das notas ficais são  meio de prova  fidedigno e  suficiente que demonstram o pagamento a maior e a conseqüente  procedência da  compensação;  (ii) gasolina:  o mesmo  raciocínio  cabe aos  espelhos das notas  fiscais,  relativamente  ao  pagamento  a maior,  decorrente  da  inclusão  de  gasolina  de  aviação  (tributada  à  alíquota  geral)  na  base  de  cálculo  apurada  sobre  a  receita  de  venda  de  gasolina  automotiva  comum  (sujeita  à  alíquota  diferenciada);  (iii)  propeno  grau  polímero:  idêntico  entendimento deve ser aplicado aos espelhos das notas  fiscais,  relativamente ao pagamento a  maior,  gerado  pela  indevida  inclusão  das  receitas  de  vendas  de  propeno  grau  polímero  (tributado  à  alíquota  geral),  na  base  de  cálculo  do PIS  apurada  na  receita  de  venda  de GLP  (sujeito  à  alíquota  diferenciada);  (iv)  demais  produtos:  a  documentação  juntada  no  recurso  voluntário demonstra a real base de cálculo a ser tributada; (v) base de cálculo (faturamento x  receita  bruta):  embora  a  DRJ  tenha  retirado  as  receitas  que  não  se  classificam  como  faturamento,  em  função  da  inconstitucionalidade  do  art.  3,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98,  foram  mantidos  os  valores  das  contas  contábeis  3592  (ajustes  de  exercícios  anteriores)  e  3552  (exportação de serviços), que não representam venda de mercadorias ou prestação de serviço,  conforme demonstra a documentação anexa ao recurso;  (vi) base de cálculo (faturamento x  receita bruta). Decadência: alternativamente, os valores das contas contábeis 3592 e 3552 não  Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 955          4 poderiam ser incluídos na base de cálculo do PIS, por conta da decadência;  (vii) venda para  distribuidoras  com  liminares:  não  podem  ser  computados  na  base  de  cálculo  do  PIS  os  valores  não  retidos,  pela  Petrobrás,  das  distribuidoras  de  combustíveis,  por  força  de  ordem  judicial, mesmo porque a importância não recolhida sequer foi objeto de lançamento.  5.  Em sessão de 18/03/2015, foi proferida a Resolução CARF nº 3202­ 000.350, de redatoria ad hoc do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, uma vez que o  relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integrava mais nenhum  dos colegiados deste CARF, que houve por bem converter o julgamento em diligência para que  a unidade: (i) calcule qual seriam os créditos da recorrente, vinculados ao óleo diesel, gasolina  e propeno grau polímero, na hipótese de ser válida a tese da contribuinte e de os espelhos das  notas  ficais  serem  considerados  meio  de  prova  fidedignos  e  suficientes  que  demonstram  o  pagamento a maior, facultando a recorrente a apresentar dados adicionais;  (ii) em relação aos  “demais produtos”, a que se vincula o pedido de restituição, apurar se a documentação juntada  no recurso voluntário demonstra a real base de cálculo a ser tributada, facultando a recorrente a  apresentar dados adicionais; (iii) apurar qual a natureza dos valores das contas contábeis 3592 e  3552, verificando, inclusive, a veracidade da informação contida no recurso voluntário, de que  se  tratam,  respectivamente,  de  ajustes  de  exercícios  anteriores  e  exportação  de  serviços,  que  não representariam ou não venda de mercadorias ou prestação de serviço sujeitas a incidência  do  tributo,  conforme  demonstra  a  documentação  anexada  ao  recurso;  verificar,  ainda,  se  o  tributo  que  incidiria  sobre  tais  valores  foram  confessados  em  DCTF  ou  foram  objeto  de  lançamento,  explicitando,  se  for  o  caso,  o  termo  inicial  e  final  do  prazo  decadencial;  e  (iv)  constatar  se  o  tributo  que  incidiria  sobre  os  valores  não  retidos,  pela  Petrobrás,  das  distribuidoras de combustíveis, por  força de ordem judicial,  foram confessados em DCTF ou  foram  objeto  de  lançamento,  explicitando,  se  for  o  caso,  o  termo  inicial  e  final  do  prazo  decadencial.  6.  Em  17/07/2017,  a  Divisão  de  Orientação  e  Análise  Tributária  da  Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes da Superintendência  Regional  da  7ª  Região  Fiscal  proferiu  o  Relatório  Fiscal  de  Diligência  Diort/Demac­ RJO/SRRF07, situado às fls. 880 a 886.  7.  Em  06/09/2017,  a  contribuinte  apresentou  "contrarrazões"  ao  relatório fiscal, ora recebidos como manifestação sobre o resultado da diligência efetuada.    É o Relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator    8.  O recurso voluntário é  tempestivo e preenche os requisitos formais  de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.  Fl. 955DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 956          5   9.  Em primeiro lugar, quanto ao (i) óleo diesel, à (ii) gasolina e ao (iii)  propeno grau polímero, necessário se observar que, no primeiro caso, as vendas do óleo leve  se  sujeitam  à  alíquota  geral  e,  dada  a  dificuldade  na  obtenção  das  originais,  e  não  havendo  controvérsia  quanto  à  sua  veracidade,  os  espelhos  das  notas  ficais  são meio  de  prova  hábil,  idôneo e suficiente  a demonstrar o pagamento  a maior, o que motivou a diligência. Faz­se a  ressalva quanto à inclusão da parcela referente à gasolina de aviação, tributada à alíquota geral,  na base de cálculo apurada sobre a receita de venda de gasolina automotiva comum, que, por  seu  turno,  sujeita­se  a  alíquota  diferenciada.  Em  igual  sentido,  quanto  ao  propeno  grau  polímero,  quanto  à  inclusão  das  receitas  de  vendas  de  propeno  grau  polímero,  tributado  à  alíquota geral,  na base de  cálculo do PIS apurada na  receita de venda de GLP, que, por  seu  turno, sujeita­se a alíquota diferenciada.  10.  Neste  sentido,  a  conclusão  da  diligência  que  toma,  como  ponto  de  partida, a  "Tabela 4", situada à  fl. 81, constante da manifestação de  inconformidade, onde se  aponta a existência de crédito de R$ 559.497,42, vinculado aos três produtos em apreço.  11.  Os valores discriminados na mencionada tabela estão resumidos e sua  composição  é melhor  entendida  a  partir  da  leitura  do  documento  denominado  “ANEXO  II”,  juntado  às  fls.  41  deste  processo  (contas  “3110­101  – Óleo Diesel”,  “3110­102  – Gasolinas  Nacionais” e “3110­107 – GLP Nacional”).  5.A  partir  da  leitura  do  ANEXO  II,  mencionado  no  parágrafo  precedente,  é  possível  certificar  que  o  crédito  pleiteado  decorreria de suposto equívoco na aplicação da alíquota do Pis  sobre  parte  do  faturamento  dos  três  produtos  em  tela.  Alega  o  interessado que parte do  faturamento estaria  sujeita à alíquota  geral  de  0,65%  e  não  às  alíquotas  específicas  previstas  nos  incisos I, II e III do art. 4º da Lei nº 9.718/1998, com a redação  que lhes foi dada pelo art. 3º da Lei nº 9.990/2000. Análise desta  alegação  está  sob  o  crivo  da  autoridade  julgadora  e  sobre  ela  não será emitida qualquer manifestação no presente relatório.  6.Os  valores  correspondentes  ao  faturamento  bruto,  às  devoluções  e  restituições  e  aos  descontos  incondicionais,  discriminados  no  ANEXO  II  (fls.  41)  encontram  conformidade  com  aqueles  registrados  no  balancete  patrimonial  acostado  às  fls. 43/46 e a esse respeito nada há a contestar. Restou, portanto,  certificar os valores discriminados nas colunas “Exportações” e  “Ajustes SAS” da tabela de fls. 41, razão porque foram feitas as  exigências constantes dos itens “i”, “ii”, “iii” e “iv” do Termo  de Intimação nº 541/2017 (fls. 839/841).  7.Relativamente às receitas da exportação, embora deixando de  atender o quanto solicitado no item “iv” do Termo de Intimação  acima  referido  (Registros  de  Exportação  que  comprovem  a  efetiva  exportação  dos  produtos  e  serviços),  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  o  Razão  Analítico  da  contas  contábeis  onde  foram registradas a Receita Operacional Bruta de cada um dos  produtos em tela (arquivo não paginável a que se refere o termo  de  anexação  de  fls.  858).  Ao  filtrar  a  coluna  “Operação  de  Venda” do referido arquivo, escolhendo a opção “Exportação”,  Fl. 956DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 957          6 é  possível  confirmar  os  valores  discriminados  na  coluna  “Exportação” da tabela a que se refere o ANEXO II (fls. 41).  8.Já  em  relação  aos  “Ajustes  SAS”,  em  momento  algum  o  contribuinte  esclareceu  a  natureza  dos  denominados  “Ajustes  SAS”,  limitando­se  a  trazer  aos  autos  o  Razão  Analítico  das  contas  envolvidas  (arquivo  não­paginável  a  que  se  refere  o  termo de anexação de fls. 877). A esse respeito, deve­se registrar  que:  i)  o  Razão  Analítico  apresentado  refere­se  ao  mês  de  fevereiro/2001, ao passo que o crédito pleiteado refere­se ao mês  de janeiro/2001;  ii)  nem  todos  os  valores  encontram­se  registrados  no  Razão  apresentado;  iii) não há como estabelecer relação com o mês de janeiro/2001,  na  medida  em  que  o  interessado  não  apresentou  qualquer  documentação  contábil  demonstrando  eventual  estorno  de  valores naquele mês;  iv) não foi esclarecida a natureza dos mencionados ajustes.  9.De  qualquer  forma,  os  valores  relativos  ao  denominado  “Ajustes  SAS”,  ao  contrário  de  terem  sido  considerados  exclusão à base de cálculo, foram a esta adicionados, onerando­ a.  Assim,  objetivamente  respondendo  ao  primeiro  dos  questionamentos do órgão julgador,  informo que os créditos da  recorrente,  vinculados  ao  Óleo  Diesel,  Gasolina  e  Propeno  grau polímero, na hipótese de ser válida a tese da contribuinte e  de  os  espelhos  das  notas  fiscais  serem  considerados  meio  de  prova fidedignos e suficientes que demonstram o pagamento a  maior,  são  aqueles  registrados  na  tabela  anexa  às  fls.  81,  no  valor total de R$ 559.497,42. Ressalvo que, conforme apontado  no item “7” acima, o contribuinte deixou de juntar os Registros  de  Exportação  hábeis  a  comprovar  a  efetiva  exportação  dos  produtos,  cujos  valores  foram  registrados  no  Razão  Analítico  apresentado,  fato  que  deverá  ser  levado  em  consideração  por  ocasião da formação de convicção por parte do órgão julgador.    12.  Assim,  em  resumo,  a  partir  dos  dados  apontados  pela  diligência,  o  valor  recolhido  a  maior  a  título  de  PIS,  período  de  apuração  janeiro/2001,  alcança  o  valor  histórico de R$ 1.854.737,68.  13.  Tal  se  observa  porque  foi  realizado,  em  15/02/2001,  pagamento  em  guia Darf no valor de R$ 103.555.205,16 tendo sido confessado em DCTF, no entanto, o débito  de R$ 103.173.826,89 composto pelo valor  recolhido mediante DARF acrescido do valor de  R$  913.861,99,  objeto  de  depósito  judicial,  o  que  importa  o  valor  de  R$  1.295.240,26  correspondente à diferença entre o DARF recolhido (R$ 103.555.205,16) e o valor confessado  em DCTF (R$ 102.259.964,90).  Fl. 957DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 958          7 14.  De fato, na retificação da DCTF o que se indica é a redução do débito  apurado para R$ 102.614.329,47, ou seja, a diferença para o valor originalmente indicado é de  justamente R$ 559.497,42, em conformidade com a conclusão a que chega o relatório  fiscal,  cujo  trecho  pertinente  se  encontra  acima  transcrito,  motivo  pelo  qual  dou  provimento  ao  recurso voluntário interposto neste particular nos termos da diligência.    15.  Em  seqüência,  quanto  aos  (iv)  demais  produtos:  a  documentação  juntada no recurso voluntário demonstra a real base de cálculo a ser tributada;   Os demais produtos aqui referidos são aqueles discriminados na  planilha  acostada  às  fls.  41,  excluídos,  por  óbvio,  os  três  produtos anteriormente tratados (óleo diesel, gasolina e propeno  grau polímero).   Todos  os  valores  ali  discriminados,  à  exceção  daqueles  relacionados  aos  “Ajustes  SAS”  (que,  conforme  visto  no  item  “9” acima, não deram causa a qualquer crédito, pois acabaram  por onerar a base de cálculo inicialmente estimada), encontram  conformidade  com  os  lançamentos  efetuados  no  balancete  patrimonial acostado às fls. 43/46 (repetido às fls. 632/642).   Assim,  objetivamente  respondendo  ao  segundo  questionamento  do  órgão  julgador,  a  documentação  juntada  no  recurso  voluntário demonstra a real base de cálculo a ser tributada, em  relação  aos  “demais  produtos”  a  que  se  vincula  o  pedido  de  restituição.    16.  Assim,  uma  vez  que  a  unidade  responde  positivamente  à  questão  sobre  se  a  documentação  trazida  pela  contribuinte  demonstra  a  real  base  de  cálculo  a  ser  tributada,  por  um  critério  de  coerência,  voto  por  conhecer  e  dar  provimento  ao  recurso  voluntário também neste particular.    17.  Em  quinto  e  sexto  lugares,  quanto  à  (v)  e  (vi)  base  de  cálculo  (faturamento x receita bruta): embora a decisão recorrida tenha retirado as receitas que não  se classificam como faturamento, em função da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei  nº  9.718/1998,  foram mantidos  os  valores  das  contas  contábeis  3592  (ajustes  de  exercícios  anteriores) e 3552 (exportação de serviços), que, segundo a contribuinte, representam venda  de mercadorias ou prestação de serviço.  18.  De fato, ao se compulsarem os documentos trazidos ao conhecimento  administrativo, constata­se que a conta 3552­021 se refere a prestação de serviços de terceiros,  questão esta não controvertida, sendo o valor de R$ 10.413.035,90 referente a exportação de  serviços prestados à YACIMIENTOS PETROLÍFEROS FISCALES BOLIVIANOS (YPFB), que deve ser  excluído  da  base,  o  que  implica o  reconhecimento  de um  faturamento  referente  a  janeiro  de  2001 a título de "Receita de Serviços ­ Terceiros) de R$ 1.555.420,94.  Fl. 958DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 959          8 19.  Por  sua  vez,  a  conta 3592  se  refere  à  rubrica  "ajustes  de  exercícios  anteriores",  com  previsão  no  §  1º  do  art.  186  da  Lei  nº  6.404/1976,  voltada  a  reconhecer  ajustes  decorrentes  de  efeitos  da  mudança  de  critério  contábil,  ou  da  retificação  de  erro  imputável  a  determinado  exercício  anterior,  e  que  não  possam  ser  atribuídos  a  fatos  subseqüentes.  Ao  se  descer  à  apreciação  das  provas,  é  possível  se  observar  a  existência  de  receitas  sujeitas  à  tributação,  na  monta  de  R$  3.003.970,42  e  também  ajustes  que  não  se  sujeitam ao PIS no período de janeiro de 2001, tais como reembolso ou estorno de despesas, no  valor  de  R$  167.408.537,91.  De  fato,  ainda  que  receitas  fossem,  não  se  trata  da  venda  de  mercadorias e serviços, mas tal questão dispensa ser enfrentada neste momento pelo colegiado,  pois o que se vislumbra não é receita e, logo, tais valores estão infensos da tributação do PIS.  20.  Contudo,  há  de  se  ter  em  mente  que  se  trata  de  pedido  de  compensação realizado pela contribuinte e, estivessem todos os dados acima provados e tidos  por  incontroversos,  não  teria  este  relator  dúvida  em  votar  pelo  seu  integral  provimento. No  entanto, deduz­se da diligência efetuada a conclusão oposta, no sentido de verdadeira ausência  de suporte documental apto a suprir a demanda pleiteada:  Segundo  alegado  pelo  contribuinte  no  recurso  voluntário  apresentado e de acordo com a descrição constante do balancete  patrimonial  acostado  às  fls.  632/642  (mais  especificamente  às  fls. 641), a natureza dos valores registrado na conta “3552­021”  é de prestação de serviços a  terceiros. Nesse sentido, pleiteia o  contribuinte a redução do valor de R$ 11.968.456,44, registrado  a crédito desta conta (fls. 641) para o valor de R$ 1.555.420,54  (vide demonstrativo acostado às fls. 86), ao argumento de que a  diferença  de  R$  10.413.035,90  referir­se­ia  a  exportação  de  serviços  para  YACIMIENTOS  PETROLÍFEROS  FISCALES  BOLIVIANOS  (YPFB),  empresa  pública  boliviana  dedicada  à  exploração,  destilação  e  venda do  petróleo  e  seus  derivados  e,  por  referir­se  a  receita  de  exportação,  deveria  ser  excluída  da  base de cálculo do Pis. Nesse sentido, o contribuinte foi intimado  a  trazer  aos  autos  documentação  comprobatória  da  efetiva  exportação  dos  serviços  (item  “v”  do  Termo  de  Intimação  nº  541/2017  –  fls.  839/841),  deixando,  no  entanto,  de  satisfazer  a  exigência, conforme consignado em sua resposta juntada às fls.  875/876. Dessa  forma, entendo não ser possível excluir o valor  de R$ 10.413.035,90 da base de cálculo da contribuição.  12.Já em relação à conta contábil “3592”, afirma o interessado  que  a  mesma  tem,  por  natureza,  previsão  de  receber  lançamentos  de  retificação  de  erro  imputável  a  determinado  exercício anterior. Intimado a identificar os valores que, embora  registrados como receitas, foram excluídos da base de cálculo do  Pis,  indicando a previsão legal para sua exclusão (itens “vi” e  “vii”  do  Termo  de  Intimação  de  fls.  839/841),  o  contribuinte  juntou aos autos o Razão Contábil da mencionada conta “3592”  (arquivo não­paginável a que se refere o termo de anexação de  fls.  878).  Não  é  possível,  a  partir  da  leitura  desse  documento,  identificar  a  previsão  legal  para  cada  lançamento  efetuado,  assim como não é possível identificar a que exercícios anteriores  os mesmos estariam associados. De qualquer modo, o fato é que,  ao  final  do  período  (janeiro/2001),  o  saldo  dos  lançamentos  efetuados  montam  a  R$  170.412.508,33  a  crédito  da  referida  Fl. 959DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 960          9 conta.  Não  há  qualquer  demonstração  de  como  este  valor  poderia ser reduzido a R$ 3.003.970,42 (tabela acostada às fls.  86), tampouco a previsão legal para tanto, razão porque entendo  não  ser  possível  considerar  a  existência  de  crédito  a  favor  do  interessado que daí decorra.   13.Obviamente, o tributo que incidiria sobre os valores lançados  nas contas “3552” e “3592” não foram confessados em DCTF.  O  valor  de Pis  confessado  em DCTF é  aquele  demonstrado às  fls.  879  (relatório  extraído  do  sistema  Sief­Web)  e  foi  apurado  mediante a exclusão, de sua base de cálculo, dos valores aqui em  exame.  Pesquisas  efetuadas  no  Dossiê  Eletrônico  do  Sujeito  Passivo  dão  conta  de  que  a matéria  também  não  foi  objeto  de  lançamento de ofício.    21.  Assim,  voto  por  conhecer  e negar  provimento  ao  recurso  voluntário  neste particular em virtude de carência probatória.    22.  Por  derradeiro,  quanto  à  (vii)  venda  para  distribuidoras  com  liminares, argumenta a contribuinte que não podem ser computados na base de cálculo do PIS  os valores não retidos, pela Petrobrás, das distribuidoras de combustíveis, por força de ordem  judicial, mesmo porque a importância não recolhida sequer foi objeto de lançamento. Sobre tal  ponto, manifesta­se a decisão recorrida nos seguintes termos:  A ação judicial citada, portanto, não alcança o fato gerador ora  em  análise  e  não  justifica  a  suspensão  da  parcela  da  contribuição  devida  apurada,  na  forma  pretendida  pelo  contribuinte,  razão  pela  qual  será  desconsiderada  a  dedução  indicada no valor de R$ 913.861,99.  A  tabela  a  seguir  consolida  a  contribuição  devida  apurada  no  presente voto para o mês de janeiro de 2001:    Conforme  tabela  acima,  a  contribuição  total  devida  para  o  período  de  janeiro  de  2001  é  de  R$  104.329.666,41.  Considerando­se que o pagamento realizado foi no valor de R$  103.555.205,16, conclui­se pela inexistência de direito creditório  a ser utilizado na compensação.  Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 961          10   23.  Por  sua  vez,  determinou­se,  em  resolução,  que  a  unidade  deveria  constatar  se  o  tributo  que  incidiria  sobre  os  valores  não  retidos  pela  contribuinte  das  distribuidoras de combustíveis, por  força de ordem judicial,  foram confessados em DCTF ou  foram  objeto  de  lançamento,  o  que  teve  como  resposta  o  trecho  da  informação  fiscal  que  abaixo se transcreve:  14. Conforme  já abordado no  item “13” acima, o valor do Pis  confessado  em  DCTF  é  aquele  demonstrado  às  fls.  879  e,  no  demonstrativo  de  sua  determinação  (fls.  41/42),  não  foi  computado  qualquer  valor  a  título  de  retenção  das  distribuidoras,  apenas  faturamento.  Importante,  aqui,  registrar  que, no período em análise (janeiro/2001), não mais vigorava o  regime de substituição tributária, tendo o mesmo sido substituído  pelo  regime  concentrado  de  tributação  em  relação  aos  combustíveis (Lei nº 9.990/2000).  15.  Relativamente  ao  lançamento  tributário  de  valores  não  retidos  pela  Petrobrás  por  força  de  determinação  judicial,  o  mesmo  deve  recair  sobre  o  contribuinte  (substituído)  e  não  sobre o responsável (substituto).   É  o  que  se  depreende  a  partir  da  leitura  do  teor  da  Instrução  Normativa SRF nº 104/2000.   Posteriormente,  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  1,  de  24  de  setembro de 2002,  embora  tratando de  retenção do Imposto de  Renda,  esclarece  que  ...'estando  a  fonte  pagadora  impossibilitada de efetuar a  retenção do  imposto em virtude de  decisão  judicial,  a  responsabilidade  desloca­se,  tanto  na  incidência exclusivamente na fonte quanto na por antecipação,  para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuando­se o  lançamento,  no  caso  de  procedimento  de  ofício,  em  nome  deste'.   Assim,  para  responder  ao  questionamento  do  órgão  julgador,  necessário seria conhecer todos os autores da demanda judicial  para, a partir daí, consultar as unidades da RFB com jurisdição  sobre os correspondentes domicílios tributários.   Vale,  aqui,  repetir  que,  no  período  em  análise  (janeiro/2001),  não mais  vigorava  o  regime de  substituição  tributária,  tendo  o  mesmo  sido  substituído  pelo  regime  concentrado  de  tributação  em relação aos combustíveis (Lei nº 9.990/2000).    24.  Assim,  voto  por  conhecer  e negar  provimento  ao  recurso  voluntário  neste particular também em virtude de carência probatória.    25.  Com  base  nestes  fundamentos,  voto  por  conhecer  e,  no mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  interposto  unicamente  para  reconhecer  os  créditos  Fl. 961DF CARF MF Processo nº 16682.720170/2011­83  Acórdão n.º 3401­005.396  S3­C4T1  Fl. 962          11 vinculados  ao  óleo  diesel,  à  gasolina,  ao  propeno  grau  polímero  e  também  aos  "demais  produtos" discriminados  em planilha,  nos  exatos  e precisos  termos do  relatório de diligência  fiscal.     (assinado digitalmente)  Leonardo Ogassawara de Araújo Branco ­ Relator                                Fl. 962DF CARF MF

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Numero do processo: 15374.901709/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1999 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
Numero da decisão: 2202-005.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.901709/2008­19  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  2202­005.113  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de abril de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Recorrente  SOFT CONSULTORIA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 1999  IRRF.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA. AUSÊNCIA.  Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito,  cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a  liquidez e a certeza do  crédito.  Uma  vez  não  comprovada  a  sua  pretensão,  não  se  homologam  as  compensações requeridas.  IRRF.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  PLEITEADO.  UTILIZAÇÃO  INTEGRAL.  VINCULADO  DEBITO.  COMPENSAÇÃO  NÃO HOMOLOGADA.  Mantém­se  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  requerida,  quando  se  verifica  que  o  crédito  pleiteado  já  foi  integralmente  utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte.  PROVAS.  MOMENTO  PROCESSUAL  OPORTUNO.  NÃO  APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.   A  prova  documental  deve  ser  produzida  no  início  da  fase  litigiosa,  considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito  passivo  de  fazê­lo  posteriormente,  salvo  a  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior.  VERDADE  MATERIAL.  SITUAÇÃO  EXCEPCIONAL.  NÃO  OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.   A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador  a  aceitação  extemporânea  de  provas,  todavia  não  permite  ao  julgador  conceder  novo  prazo  para  a  contribuinte  apresentar  todas  provas  que  não  foram  apresentadas  no  início  da  fase  litigiosa.  Ressalvando  as  hipóteses  previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 17 09 /2 00 8- 19 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 3          2 PERÍCIA.  CONHECIMENTO  TÉCNICO  ESPECIALIZADO.  SUBSTITUIR  PROVA  DOCUMENTAL.  NÃO  SE  APLICA.  PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.   A perícia, pela  sua especificidade, não  tem a  faculdade de  substituir provas  que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos  ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se  o  fato  a  ser provado não  necessitar  de  conhecimento  técnico  especializado,  fora do campo de atuação do julgador.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  proposta  de  realização  de  diligência,  vencido  o  conselheiro  Thiago  Duca  Amoni,  que  encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto  ao mérito,  em negar provimento  ao  recurso.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  Martin  da  Silva  Gesto,  Thiago  Duca  Amoni  e  Leonam Rocha de Medeiros.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Marcelo  de  Sousa  Sáteles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente  convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.      Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47,  §§ 1º  e 2º,  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto,  adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202­005.099, de 10 de abril de 2019 ­ 2ª Câmara/2ª  Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/2008­12, paradigma deste  julgamento.  "Acórdão nº 2202­005.099 ­ 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  Acórdão  proferido  pela  Delegacia  da Receita Federal  de  Julgamento  ­ DRJ,  a  qual  julgou  improcedente  a  Manifestação de Inconformidade e não homologou o pedido de compensação.  Do Pedido de Compensação  O  pedido  de  compensação  trata­se  de  processo  referente  ao  PER/DCOMP  eletrônico no qual a Soft Consultoria Ltda pretende aproveitar o crédito de IRRF que  teria sido recolhido indevidamente.  Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 4          3 Da Análise do PER/DCOMP  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório  eletrônico,  a  compensação  não  foi  homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, uma vez que o  recolhimento  realizado  pelo  DARF  indicado  no  PER/DCOMP  foi  integralmente  utilizado para quitação de outros débitos declarados pela contribuinte, não restando  crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação  (PER/DCOMP):  A  partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados um ou mais pagamentos, abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP  Regularmente  intimada  do Despacho Decisório  com  a  não  homologação  da  compensação declarada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade,  alegando que:    Do  direito  ao  crédito  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte  sobre  royalties  ­  remessa ao exterior.  Logo,  diante  dos  fundamentos  apresentados,  entende  a Manifestante  que  os  valores  referentes  ao  IRRF  pagos  por  ela  sobre  remessas  para  pagamento  de  importações de "softwares" de prateleira são passíveis de pedido de indébito e por  isso a impossibilidade de se manter o indeferimento em tela.  Por  fim,  outro  argumento  deve  ser  realçado  pela  ora  Manifestante,  é  a  necessidade  expressa  de  se  realizar  perícia  a  fim  de  se  apurar  o  tipo  de  software  comercializado pela empresa no presente processo.   A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento.  Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento  Quando  da  análise  do  presente  caso,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  apreciou  a  Manifestação  de  Inconformidade,  proferiu  o  Acórdão  negando­lhe  provimento,  mantendo  o  Despacho  Decisório  e  não  homologando  o  PER/DCOMP.  Do Recurso Voluntário   A Soft Consultoria, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso  de  recebimento,  apresentou  recurso  voluntário.  Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que:  Concessa maxima  venia,  cabe  ao Contribuinte  eleger  o meio  de  prova  que  julga adequado à demonstração dos fatos. Na espécie, dada a natureza da matéria  sub examine, entendeu ser a prova pericial. A própria norma reguladora da matéria  é clara ao determinar tal possibilidade.  Nos  termos postos,  a defesa do Contribuinte  fica  inviabilizada,  vez que não  carreou  aos  autos  a  prova  apontada  pelo  nobre  relator,  a  saber,  embalagens  dos  softwares "de prateleira" e respectivos documentos de importação.  Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 5          4 Paralelamente,  além  de  indeferir  o  pedido  formulado,  o  julgador  administrativo também não oportunizou ao contribuinte a possibilidade de trazer aos  autos as provas apontadas.  Alegou  também  a  necessidade  de  se  observar  o  Princípio  da  Verdade  Material,  afirmou  que  em  decorrência  do  princípio  da  legalidade,  a  autoridade  administrativa  tem  o  dever  de  buscar  a  verdade material  e  que  a  referida  verdade  material  é  um  princípio  específico  do  processo  administrativo,  contrapondo­se  ao  princípio do dispositivo, próprio do processo civil, bem como alegou ainda que:  Nesse diapasão, a produção de prova documental no processo administrativo  tributário  federal  não  se  limita  ao momento  da  impugnação.  É  que  em  nome  dos  princípios  da  ampla  defesa,  legalidade,  oficialidade  e  verdade  material,  dentre  outros, não se pode negar ao Administrado a produção de prova em outra fase.  Não poderia ser de outra forma, vez que, o órgão judicante, ao afastar a prova  pretendida  pelo Contribuinte,  não  poderia  negar­lhe  a  possibilidade  de  apresentar,  em outra oportunidade, a prova que ele mesmo julgou conveniente.  Ademais, pelo Princípio da Informalidade Moderada, que é a mais adequado  ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da  verdade material (base de todo sistema), poderia, sem qualquer violação, o julgador  administrativo  ter  determinado  ex­ofício  a  juntada  dos  documentos  que  julgou  conveniente.  Do Pedido  Ao final,  a Recorrente  requer que  seja  reformado o acórdão e  analisados os  documentos acostados junto ao recurso:  1  ­  A  reforma  do  v.  acórdão  fustigado,  com  o  conseqüente  deferimento  do  pedido  de  produção  de  prova  pericial;  conforme  formulado  da  Manifestação  de  Inconformidade, ou, caso assim não entendam Vs.Sas.,  2  ­  Seja,  com  base  nos  princípios  apontados  e  na  economia  processual,  analisada  a  documentação ora  acostada,  a  qual  corresponde  aos meios  de  prova  apontados pelos julgadores a quo, com o conseqüente deferimento do PER/DCOMP  versado na aludida Manifestação de Inconformidade.  É o relatório."  Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 6          5 Voto             Ronnie Soares Anderson ­ Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  prevista  no  art.  47,  §§  1º  e  2º,  do  RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio  aplica­se o decidido no Acórdão nº 2202­005.099, de 10 de abril de 2019 ­ 2ª Câmara/2ª Turma  Ordinária,  proferido  no  âmbito  do  processo  n°  15374.901804/2008­12,  paradigma  deste  julgamento.  Transcreve­se, como solução deste  litígio, nos  termos  regimentais, o  inteiro  teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202­005.099, de 10  de abril de 2019 ­ 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária:    Acórdão nº 2202­005.0992 ­ 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele tomo conhecimento.   Preliminar ­ Da Apresentação De Provas e Da Verdade Material  A  Recorrente  questionou,  invocando  a  necessidade  de  observância  ao  Princípio  da Verdade Material,  que  a  produção  de  prova  documental  no  processo  administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação.   No  mesmo  sentido,  a  Recorrente  ainda  questionou  a  decisão  de  primeira  instância alegando que o julgador administrativo poderia ter determinado ex­ofício a  juntada dos documentos que julgou conveniente.  Além  disso,  a  Recorrente,  quando  da  apresentação  do  recurso  voluntário,  solicitou  a  juntada  de  diversos  documentos  com  o  objetivo  de  comprovar  suas  alegações.  No  que  diz  respeito  ao  pedido  da  recorrente,  entendo  que  não  merece  acolhimento,  uma  vez  que,  a  partir  da Manifestação  de  Inconformidade,  início  da  fase  litigiosa,  era  dever  da  contribuinte municiar  sua  defesa  com  os  elementos  de  prova que suportassem as informações consignadas no seu pedido de compensação.   Neste contexto, cabe registrar que a fim de comprovar a certeza e liquidez do  crédito, a contribuinte deveria, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de  Inconformidade  apresentando  junto  com  os  motivos  de  fato  e  de  direito  que  fundamentaram  sua  pretensão,  os  documentos  que  respaldassem  suas  afirmações,  conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16  do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de  Processo  Civil  (Lei  nº  13.105/2015)  aplicável  subsidiariamente  ao  processo  administrativo fiscal:  Art. 373. O ônus da prova incumbe:   I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 7          6 (...)  Assim,  como  não  apresentou  elementos  necessárias  para  comprovar  suas  alegações,  apenas  requereu  a  realização  de  perícia,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  apreciou  a  Manifestação  de  Inconformidade,  negando­lhe  provimento,  pois  verificou  a  inexistência  de  elementos  probantes,  dessa  forma  indeferiu  o  pedido  de  perícia  e  não  homologou  a  compensação  declarada,  confirmando as razões do despacho decisório.  No  tocante  as  novas  provas  apresentadas,  entendo  que,  além  de  extemporâneas,  estão  ausentes  os  requisitos  que  autorizariam  o  afastamento  da  preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.   Do mesmo modo,  observo  não  há  fato  ou  razão  renovada  trazida  aos  autos  pela  DRJ,  porquanto  o  voto  proferido  pelos  julgadores  daquela  DRJ,  apresentou  considerações no sentido de que  tais provas independem de perícia, pois poderiam  ter sido produzidas por meio de documentos. Todavia, ao fazer estas considerações,  entendo que a DRJ estava demonstrando que a contribuinte perdeu a oportunidade  legal de apresentar os documentos que, em tese, poderiam comprovar o seu pleito.  Inclusive,  no  que  diz  respeito  a  apresentação  de  prova  apenas  em  sede  de  recurso  voluntário,  compartilho  o  entendimento  apresentado  no Acórdão  nº  3201­ 004.710,  sessão  de  29  de  janeiro  de  2019,  proferido  pela  2ª Câmara  da  1ª  Turma  Ordinária,  que  em  situação  semelhante  negou  provimento  ao  recurso  do  contribuinte.  Com base no citado Acórdão, observo o entendimento de que a jurisprudência  apresenta  certo  grau  de  atenuação  dos  rigores  das  normas  processuais  acerca  da  preclusão, afastando­a em alguns casos referentes a fatos notórios ou incontroversos  que podem permitir o pronto convencimento do julgador.   No mesmo sentido, entendo que o direito da parte produzir provas posteriores,  até o momento da decisão administrativa, comporta graduação e será determinado a  critério da autoridade julgadora, com fundamento em seu juízo de valor, acerca da  utilidade  e da necessidade, bem como à percepção de que  efetivamente houve um  esforço na busca de comprovar o direito alegado, que no caso é de responsabilidade  da contribuinte.   No caso dos autos, nota­se que a Recorrente não produziu oportunamente os  documentos que poderiam justificar as suas alegações, responsabilidade esta que lhe  competia,  segundo  o  sistema  de  distribuição  da  carga  probatória  adotado  pelo  Decreto nº 70.235/72 e, de forma subsidiária, pela Lei nº 13.105/2015 (CPC).  Neste  contexto,  observa­se  que  o  princípio  da  verdade  material  confere  ao  julgador administrativo maior  liberdade na apreciação das provas, podendo coletar  provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for  necessário  para  o  seu  convencimento  diante  das  provas  já  apresentadas. Contudo,  não  permite  ao  julgador  conceder  novo prazo  para  a  contribuinte  apresentar  todas  provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa.   Desse modo, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação  para  extinção  de  crédito  tributário,  seja  proposto  sem  a  devida  e  minuciosa  demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente,  também,  em  sede  de  julgamento  se  oportunize  tais  demonstração  e  comprovação,  pois a busca pela verdade material  não  se presta a  suprir  a  inércia da contribuinte  que  tenha  deixado  de  apresentar,  no  momento  processual  apropriado,  as  provas  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 8          7 necessárias  a  possível  comprovação  do  crédito  alegado,  bem  como  não  permite  a  supressão de instância.   Isto  posto,  rejeito,  preliminarmente,  o  pedido  para  acatar  os  documentos  apresentados após a decisão de primeira instância administrativa.  Da Perícia  Na peça de defesa inicial, a contribuinte requereu a realização de perícia com  o  objetivo  de  comprovar  os  seus  argumentos,  todavia,  quando  apreciou  a  Manifestação de Inconformidade, a DRJ indeferiu o pedido de realização de perícia,  porque entendeu desnecessária, uma vez que a pretensão da contribuinte poderia ser  comprovada por meio de prova documental.  Dessa  forma,  percebe­se  que  a  contribuinte  optou  por  não  apresentar  documentos  que  pudessem  comprovar  suas  alegações,  pois,  no  seu  entendimento,  poderia  eleger  o  meio  de  prova  que  julgasse  adequado  e  neste  caso,  devido  a  natureza da matéria em exame, a empresa optou pelo pedido de prova pericial, que a  seu ver seria a mais adequada.   Neste  aspecto,  observo  que  não  podem  prosperar  os  argumentos  e  os  questionamentos apresentados, pois entendo que a Recorrente ao invés de apresentar  oportunamente  os  documentos  que,  em  tese,  poderiam  comprovar  suas  alegações,  optou por substituir sua incumbência probatória com providências a cargo do Fisco  ou do perito técnico, por meio de realização de perícia.   Ademais,  a  prova  pericial,  além  do  caráter  específico,  não  depende  exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a  necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico  em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para  quando  o  julgador,  diante  de  indícios  ou  elementos  incipientes  de  prova,  pudesse  melhor elucidar os fatos para formar sua convicção.   À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em  vista  que  a  mesma  se  destinava  a  suprir  prova  que  poderia  ser  produzida  pela  contribuinte  com  a  juntada  de  documentos  carreados  aos  autos  no  momento  oportuno. Esclarecendo ainda que a contribuinte tem a obrigação jurídica de manter  os meios probatório de seu interesse.  Assim  sendo,  indefiro o  pedido  de perícia,  por  considerá­lo  desnecessário  à  produção das provas pretendidas pela empresa Soft Consultoria Ltda, nos termos do  art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação  das  provas,  formar  livremente  sua  convicção,  podendo  indeferir  o  pedido  de  perícia/diligência que entender desnecessário.  Da Defesa Inviabilizada  No tocante a alegação da Recorrente de que a sua defesa ficou inviabilizada,  porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de  trazer aos autos as provas apontadas, também não merece acolhida, pois a recorrente  teve  oportunidade  de  apresentar  tempestivamente  a  documentação  pertinente  relativo aos fatos, mas não o fez.   Além do mais,  cabe  registrar que nos pedidos de  compensação/restituição o  ônus da prova cabe ao sujeito passivo, como pode ser observado no disposto do art.  373,  inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo  administrativo fiscal, disciplinando que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 9          8 que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99,  impõe ao interessado a prova dos fatos  que tenha alegado.  No  mesmo  sentido,  dispõe  o  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  que,  regendo  as  compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15  que as impugnações administrativas já devem trazer os elementos de prova:  Art.  15.  A  impugnação,  formalizada  por  escrito  e  instruída  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão  preparador  no  prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.  Dessa  forma,  entendo  que  não  caberia  ao  julgador  de  primeira  instância  oportunizar ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas,  pois as provas já deveriam ser apresentadas no momento da contestação por meio da  Manifestação  de  Inconformidade,  conforme  disciplina  o  art.  15  do  Decreto  nº  70.235/72, uma vez que  caberia  à contribuinte,  ao ofertar  a  sua defesa, produzir a  prova em contrário, por meio de documentação hábil e  idônea. Como não o fez, o  seu  pedido  de  compensação  não  foi  homologado,  conforme  decisão  proferida  no  Acórdão de primeira instância que manteve o Despacho Decisório.  Por tudo aqui exposto, rejeito o argumento da contribuinte de que a sua defesa  ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte  a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas.  Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito  De  acordo  com  os  autos,  percebe­se  que  a  Recorrente  alegou  que  houve  recolhimento indevido de tributo e por este motivo requereu, mediante apresentação  de PER/DCOMP, compensação destes valores.   No  entanto,  quando  da  análise  do  seu  pedido  de  compensação,  o  direito  creditório pleiteado não foi reconhecido, pois o crédito indicado no PER/DCOMP já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  outros  débitos, motivo  pelo  qual  se  fundamentou a não homologação da compensação declarada, conforme o Despacho  Decisório.  Além  disso,  quando  apresentou  a  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  a  contribuinte  não  apresentou  documentos  que  pudessem  comprovar  que  houve  recolhimento  indevido  bem  como  se  o  valor  pleiteado  estaria  disponível,  demonstrando a existência da liquidez e certeza do crédito.  Isto  posto,  cabe  esclarecer  que  o  ponto  chave  para  atender  pedido  de  compensação  diz  respeito  a  necessidade  de  comprovar  que  o  crédito  aludido  estivesse  disponível  para  ser  utilizado  na  quitação  do  débito  indicado  no  PER/DCOMP.   Dessa  forma,  caberia  a  contribuinte  demonstrar  a  existência  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  indevido  ou  a maior  de  tributo,  para  um  análise da  situação  fática,  de  modo  a  se  conhecer  qual  seria  o  tributo  devido,  o montante  e  compará­lo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece  as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional.                                                              1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.     Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15374.901709/2008­19  Acórdão n.º 2202­005.113  S2­C2T2  Fl. 10          9 Por  fim,  percebe­se  que  a  contribuinte  não  logrou  êxito  em  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  e,  dessa  forma,  entendo  como  correto  o  resultado  exarado  no  Despacho  Decisório  eletrônico  bem  com  na  decisão  proferida  pelo  Acórdão de primeira instância administrativa que negou provimento à Manifestação  de Inconformidade e não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o  crédito indicado na DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros  débitos declarados pela contribuinte.  Destarte, com base em tudo que foi exposto, entendo que não há espaço para  reanálise  do  despacho decisório  e  nem qualquer  reforma na  decisão  recorrida. No  tocante ao pedido de realização de perícia, entendo desnecessária.  Decisão  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Rorildo Barbosa Correia"  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso.     (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                                                                                                                                                                                              Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a  lei determinará, para os efeitos deste artigo, a  apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um  por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.                              Fl. 178DF CARF MF

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Numero do processo: 16561.720241/2016-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012 PRELIMINAR. ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. Assim é que, mesmo que o art. 24 da LINDB se apresentasse como norma geral válida e aplicável ao Direito Tributário, o CTN já trata de forma específica sobre o tema, dando o regramento que entende conveniente para assegurar a segurança jurídica. O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não havendo provas de conduta dolosa, afasta-se a qualificação da multa de ofício. O dolo não pode ser presumido. O contribuinte não simulou ou dissimulou seus atos e operações, especialmente porque poderia obter o mesmo resultado econômico com a adoção de outras operações. Correta a decisão de piso que reduz a multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO CABIMENTO. Nos termos do art. 135, III do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhada de provas que demonstrem de forma inequívoca a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato. Correta a decisão de piso que exclui a responsabilização solidária. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA CARF 116. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N. 108. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresenta-se regular a incidência dos juros de mora sobre os valores de multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ANÁLISE DE FATOS PASSADOS. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, a cada dedução indevida das despesas com amortização de ágio. Antes das amortizações, não poderia a fiscalização questionar a formação do ágio ou a sua transferência para a contribuinte, pois tais fatos não tinham, até então, reflexos fiscais (não representavam fatos geradores de obrigações tributárias). Alegação de preclusão rejeitada. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. A investidora adquirente de participação societária de empresas sediadas no exterior, com pagamento de sobrepreço (ágio), ao promover integralização de capital com tais participações (valor "cheio") em controlada no Brasil, não dá direito a esta de amortizar o ágio transferido, seja porque não foi quem efetivamente suportou o pagamento de ágio, seja por absoluta ausência de previsão legal. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2011, 2012 CSLL. EXTENSÃO LEGAL. INDEDUTIBILIDADE. DECORRÊNCIA LÓGICA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Cabível, portanto, a extensão da glosa de despesas indedutíveis (amortizações de ágio) à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Uma vez considerado inoponível ao Fisco a constatação de despesas desta natureza tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica estas não podem ser validadas para fins de CSLL.
Numero da decisão: 1401-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, acordam, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de aplicação do art. 24 da LINDB e rejeitar as arguições de decadência e, no mérito, dar provimento parcial para (i) por unanimidade de votos, em negar provimento em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício e vedação ao confisco (ii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação à dedutibilidade das despesas com ágio e na inexistência de base legal para adição na base de cálculo da CSLL das referidas despesas, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano. (iii) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA

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Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, jamais o principal de tributo. Assim é que, mesmo que o art. 24 da LINDB se apresentasse como norma geral válida e aplicável ao Direito Tributário, o CTN já trata de forma específica sobre o tema, dando o regramento que entende conveniente para assegurar a segurança jurídica. O artigo 24 da LINDB dirige-se à revisão de ato, processo ou norma emanados da Administração, bem como de contrato ou ajuste entabulados entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal, já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não havendo provas de conduta dolosa, afasta-se a qualificação da multa de ofício. O dolo não pode ser presumido. O contribuinte não simulou ou dissimulou seus atos e operações, especialmente porque poderia obter o mesmo resultado econômico com a adoção de outras operações. Correta a decisão de piso que reduz a multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO CABIMENTO. Nos termos do art. 135, III do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhada de provas que demonstrem de forma inequívoca a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato. Correta a decisão de piso que exclui a responsabilização solidária. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA CARF 116. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N. 108. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresenta-se regular a incidência dos juros de mora sobre os valores de multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ANÁLISE DE FATOS PASSADOS. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, a cada dedução indevida das despesas com amortização de ágio. Antes das amortizações, não poderia a fiscalização questionar a formação do ágio ou a sua transferência para a contribuinte, pois tais fatos não tinham, até então, reflexos fiscais (não representavam fatos geradores de obrigações tributárias). Alegação de preclusão rejeitada. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL. AMORTIZAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. A investidora adquirente de participação societária de empresas sediadas no exterior, com pagamento de sobrepreço (ágio), ao promover integralização de capital com tais participações (valor "cheio") em controlada no Brasil, não dá direito a esta de amortizar o ágio transferido, seja porque não foi quem efetivamente suportou o pagamento de ágio, seja por absoluta ausência de previsão legal. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2011, 2012 CSLL. EXTENSÃO LEGAL. INDEDUTIBILIDADE. DECORRÊNCIA LÓGICA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Cabível, portanto, a extensão da glosa de despesas indedutíveis (amortizações de ágio) à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Uma vez considerado inoponível ao Fisco a constatação de despesas desta natureza tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica estas não podem ser validadas para fins de CSLL.

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1401­003.183  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2019  Matéria  IRPJ. CSLL. ÁGIO.AMORTIZAÇÃO.  Recorrentes  INTERCEMENT BRASIL S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2011, 2012  PRELIMINAR.  ART.  24  DA  LINDB.  INAPLICABILIDADE.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  MATÉRIA  RESERVADA  À  LEI  COMPLEMENTAR.  O  artigo  146  da  Constituição  Federal  estabelece  que  a  edição  de  normas  gerais  em matéria  tributária  é matéria  reservada  à  lei  complementar. E  tem  uma razão de ser em função da repartição de competências  tributárias entre  diversos entes federativos.  É  esse  o  status  do  Código  Tributário  Nacional  e  de  qualquer  norma  que  pretenda  veicular  norma  geral  em  matéria  tributária.  Assim,  já  causa  estranheza  que  o  legislador  tenha  pretendido  o  alcance  que  defende  a  Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal.  Ademais, o Código Tributário Nacional possui regramento específico sobre a  matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas  complementares exclui  tão somente a  imposição de penalidades, a cobrança  de  juros de mora  e  a atualização do valor monetário da base de  cálculo do  tributo, jamais o principal de tributo.  Assim é que, mesmo que o  art.  24 da LINDB se  apresentasse  como norma  geral  válida  e  aplicável  ao  Direito  Tributário,  o  CTN  já  trata  de  forma  específica  sobre o  tema, dando o  regramento que  entende conveniente para  assegurar a segurança jurídica.  O  artigo  24  da  LINDB  dirige­se  à  revisão  de  ato,  processo  ou  norma  emanados  da  Administração,  bem  como  de  contrato  ou  ajuste  entabulados  entre a Administração e o particular, não se aplicando ao lançamento fiscal,  já que este não se ocupa da revisão de atos administrativos e não declara a  invalidade de ato ou de “situação plenamente constituída”.     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 02 41 /2 01 6- 29 Fl. 5626DF CARF MF     2 MULTA  DE  OFÍCIO.  QUALIFICAÇÃO.  DOLO.  AUSÊNCIA.  IMPROCEDÊNCIA.  Não havendo provas de conduta dolosa, afasta­se a qualificação da multa de  ofício.  O  dolo  não  pode  ser  presumido.  O  contribuinte  não  simulou  ou  dissimulou  seus  atos  e  operações,  especialmente  porque  poderia  obter  o  mesmo  resultado  econômico  com  a  adoção  de  outras  operações.  Correta  a  decisão de piso que reduz a multa qualificada.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO CABIMENTO.  Nos  termos  do  art.  135,  III  do  CTN,  a  sujeição  passiva  solidária  exige  indicação  de  ato  de  infração  à  lei  ou  ao  contrato  social,  acompanhada  de  provas  que  demonstrem  de  forma  inequívoca  a  atuação  pessoal  do  sujeito  responsabilizado  ao  referido  ato.  Correta  a  decisão  de  piso  que  exclui  a  responsabilização solidária.  ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA CARF 116.  O  prazo  decadencial  para  a  lavratura  de  auto  de  infração  para  a  glosa  de  despesas  de  amortização  de  ágio  tem  início  com  a  efetiva  dedução  de  tais  despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N. 108.  Sendo  a  multa  de  ofício  classificada  como  débito  para  com  a  União,  decorrente  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil, apresenta­se regular a incidência dos juros de mora  sobre os valores de multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento.   MULTA  DE  OFÍCIO  E  MULTA  ISOLADA.  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE  Incabível  a  aplicação  concomitante  de  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela  falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não  recolhimento  da  estimativa mensal  caracteriza  etapa  preparatória  do  ato  de  reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da  segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na  estimativa  implica  em  penalizar  duas  vezes  o  mesmo  contribuinte,  já  que  ambas  as  penalidades  estão  relacionadas  ao  descumprimento  de  obrigação  principal.   ÁGIO.  AMORTIZAÇÃO.  ANÁLISE  DE  FATOS  PASSADOS.  PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA.   A obrigação  tributária  e,  conseqüentemente,  o  início  do  prazo  para  o Fisco  constituir  o  crédito  tributário  através  do  lançamento  surgem  apenas  com  a  ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, a cada dedução indevida  das despesas com amortização de ágio. Antes das amortizações, não poderia a  fiscalização  questionar  a  formação  do  ágio  ou  a  sua  transferência  para  a  contribuinte,  pois  tais  fatos  não  tinham,  até  então,  reflexos  fiscais  (não  representavam  fatos  geradores  de  obrigações  tributárias).  Alegação  de  preclusão rejeitada.  TRANSFERÊNCIA  DE  ÁGIO.  SUBSCRIÇÃO  DE  CAPITAL.  AMORTIZAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.  A investidora adquirente de participação societária de empresas sediadas no  exterior, com pagamento de sobrepreço (ágio), ao promover integralização de  Fl. 5627DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.627          3 capital com tais participações (valor "cheio") em controlada no Brasil, não dá  direito  a  esta  de  amortizar  o  ágio  transferido,  seja  porque  não  foi  quem  efetivamente  suportou  o  pagamento  de  ágio,  seja  por  absoluta  ausência  de  previsão legal.   A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas  de  amortização  do  ágio,  prevista  no  art.  386  do  RIR/1999,  requer  que  participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária,  ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento,  fez  os  estudos  de  rentabilidade  futura  e  desembolsou  os  recursos  para  a  aquisição.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 2011, 2012  CSLL.  EXTENSÃO  LEGAL.  INDEDUTIBILIDADE.  DECORRÊNCIA  LÓGICA.  A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores  de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e  a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os  tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  aplica­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro Líquido ­ CSLL.  Cabível,  portanto,  a  extensão  da  glosa  de  despesas  indedutíveis  (amortizações de ágio) à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no  artigo  57  da  Lei  8.981/95,  que  tem  por  intento  evitar  a  repetição  desnecessária  de  comandos  legais  para  disciplinar  a  metodologia  de  determinação  das  bases  imponíveis  das  duas  exações,  naquilo  em  que  as  sistemáticas  têm  de  comum.  Uma  vez  considerado  inoponível  ao  Fisco  a  constatação de despesas desta natureza  tendente  a  reduzir a base de cálculo  do  IRPJ, por decorrência  lógica estas não podem ser validadas para  fins de  CSLL.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Quanto  ao  recurso  voluntário,  acordam,  por  unanimidade  de  votos,  em  afastar  a  preliminar  de  aplicação  do  art.  24  da  LINDB  e  rejeitar  as  arguições  de  decadência  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  para  (i)  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício e vedação ao confisco (ii) por  voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação à dedutibilidade das despesas com  ágio e na inexistência de base legal para adição na base de cálculo da CSLL das referidas despesas,  vencidos  os  Conselheiros  Daniel  Ribeiro  Silva,  Luciana  Yoshihara  Arcângelo  Zanin,  Letícia  Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Designado para redigir o voto vencedor o  Conselheiro  Cláudio  de  Andrade  Camerano.  (iii)  Por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  para afastar  a  aplicação da multa  isolada, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade  Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.  (assinado digitalmente)  Fl. 5628DF CARF MF     4 Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Cláudio de Andrade Camerano ­ Redator designado.    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza  Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice­Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto  Carlos  André  Soares  Nogueira,  Luciana  Yoshihara  Arcangelo  Zanin,  Cláudio  de  Andrade  Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela  Delegacia  da Receita  Federal  em Belo Horizonte  ­  (MG)  que  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação  administrativa  apresentada  pelo  contribuinte  em  virtude  de  supostas  infrações  a  legislação tributária, exigindo­se o Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­ IRPJ, e a Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  conforme  Termo  de  Verificação  (fls.  979  a  1027),  lavrados  para  formalização  e  exigência  de  crédito  tributário  no  montante  de  R$  231.652.840,72, conforme indicação na tabela abaixo:     De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal,  às  fls.  979  a  1027,  “a  sociedade tem por objeto social: a) exploração, aproveitamento de jazidas minerais no território  nacional; b) industrialização e comércio de calcários, seus derivados e correlatos, em todas as  modalidades,  especialmente  a  do  cimento;  c)  importação  e  exportação;  d)  participação  em  outras sociedades, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; e)  transporte de carga própria  ou de terceiros, necessários ao desempenho de suas atividades; f) industrialização e comercio  de  insumos,  aditivos  e  componentes  do  cimento,  seus  derivados  e  correlatos,  bem  como  os  demais  produtos  onde  figure  como  matéria­prima,  especialmente  argamassas,  concretos,  artefatos e pré­moldados; g) prestação de serviços técnicos; h) produção e comercialização de  energia­elétrica; i) industrialização e comércio de pedra e areia e j) prestação de serviços de co­ processamento de resíduos”.  Foram  considerados  Responsáveis  Solidários  por  excesso  de  poderes,  infração de lei, Contrato Social ou Estatuto, os Srs. ­ José Edison Barros Franco, André Pires  Oliveira Dias, Albrecht Curt Reuter Domenech, Vitor Sarquis Hallack e Ricardo Fonseca de  Mendonça Lima.    TRIBUTO  JUROS  MULTA  PROPORCIONAL  MULTA ISOLADA  TOTAL:  IRPJ  R$ 49.113.444,38  R$ 25.155.906,21  R$ 73.670.166,57  R$ 22.396.886,38  R$ 170.336.403,54  CSLL  R$ 17.680.839,98  R$ 9.056.126,23  R$ 26.521.259,97  R$ 8.058.211,00  R$ 61.316.437,18  Fl. 5629DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.628          5 Conforme  informações  trazidas no Termo de Verificação Fiscal  ­ TVF, “no  primeiro  semestre  de  2005,  a  Camargo  Corrêa  S.A.  (CCSA) manteve  negociações  com  um  grupo de Vendedores, constituído por pessoas físicas e jurídicas, com o propósito de aquisição  do controle da empresa Loma Negra C.I.A.S.A., detido pelas Sras. Maria Amália Sara Lavacro  de Fortabat e Maria Inés de Lafuente, Fundação Amália Lacroze de Fortabat, Cocyf Compania  Comercial y Financeira S.A.  (Cocyf) e pela empresa Holdtotal S.A. Em 27 de maio de 2005  foram  constituídas  as  holdings  Gaby1,  Gaby2  e  Gaby3  localizadas  no  Estado  de  Delaware  (EUA) para operacionalizar  as negociações  e  facilitar  a  transferência dos  controles direto da  empresa  Holdtotal  e  indireto  da  empresa  Loma  Negra,  cuja  atividade  principal  consiste  na  fabricação e comercialização de cimento, para a empresa CCSA”.  E  continua  relatando  que  (...)  “No  contexto  das  negociações  de  compra  e  venda  das Ações  das  empresas Gaby1, Gaby2  e Gaby3,  considerando  o  valor  envolvido,  as  garantias  prestadas  e  a  necessidade  de  aprovação  da  operação  pelo  órgão  “Comision  de  Defensa  de  la  Competencia  da  Argentina”  (CNDC),  os  contratantes  nomearam  um  Agente  Fiduciário (“The Bank of New York”), que ficou incumbido pelo cumprimento das obrigações  estipuladas no Contrato de Truste, que se constituíram na transferência das ações das empresas  Gaby1, Gaby2 e Gaby3 para  a empresa CCSA e do pagamento do preço combinado para as  Vendedoras. Em 09 de novembro de 2005, foi aprovada a transação pelo órgão “Comision de  Defensa de  la Competencia da Argentina”  (CNDC), operando­se o evento condicional  a que  transação estava sujeita. Assim o Agente Fiduciário (Truste) transferiu as Ações das Empresas  Gaby1, Gaby2 e Gaby3 para a titularidade da compradora CCSA e transferiu o valor pago para  as Vendedoras. Em consequência, a empresa CCSA passou a controlar diretamente 100% das  ações das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e indiretamente 100% das ações da Holdtotal S.A.  e 93,43% das ações da Loma Negra C.I.A.S.A. e pagou para as Vendedoras o montante de US$  775.818.303,00”.  Sobre a dedutibilidade dos encargos de amortização do suposto ágio, extrai­ se do TVF – que (...)  “as operações societárias engendradas pelo grupo econômico Camargo  Corrêa tiveram como objetivo aproveitar­se da amortização do ágio pago pela empresa CCSA  e gerado quando da aquisição das ações das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 (concretizadas  em  09/11/2005)  e  transferidas  para  a  empresa  fiscalizada,  em  30/11/2005  e  no  dia  seguinte,  incorporadas. E o ponto de partida para tal apropriação do ágio na empresa fiscalizada deu­se  com o aumento de capital na empresa CCC, ocorrido em 30/11/2005, com a transferência das  ações das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e pelo pagamento de uma divida, que a empresa  CCSA tinha com CAUÊ INVESTIMENTS LIMITED, empresa controlada pela CCC, que com  sua extinção, “herdou” esse direito pelo instituto da sub­rogação (art. 347, inciso I, do Código  Civil).  Conclui­se,  por  conseguinte,  que  o  ágio  inicialmente  pago  pela  empresa  CCSA  foi  transferido indevidamente para a empresa fiscalizada”.  Da  solidariedade  passiva  –  registra­se  que  “os  integrantes  do  Conselho  de  Administração  e  o  Diretor­superintendente  da  fiscalizada  serão  considerados  como  Responsáveis Tributários Solidários”.  Ciente  da  autuação  o  interessado  apresenta  IMPUGNAÇÃO  ADMINISTRATIVA – em 23/12/2016 (fl. 1.046), na qual alegou em síntese:  1.  Preliminar,  alega  “ter  ocorrido  a  indevida  alteração  no  critério  jurídico por parte da fiscalização, em afronta ao disposto no art. 146  do CTN”;  Fl. 5630DF CARF MF     6 2.  “informa  que  existem  outros  autos  de  infração  lavrados  para  a  cobrança  do  crédito  tributário  devido  em  razão  da  suposta  dedução  indevida da despesa com amortização do ágio”;  3.  que “com exceção às duas primeiras autuações, formalizadas há mais  de  cinco  anos,  não  houve  a  qualificação  da  multa  de  ofício  nos  demais”;  4.  que  “nos  últimos  anos,  em  autuações  pretéritas  que  partiram  da  mesma  realidade  fática  que  a  presente,  a  Fiscalização  não  verificou  motivos para a exasperação da multa de ofício”;  5.  afirma  que  “a  Fiscalização  adotou,  para  os  mesmos  fatos  e  fundamentos,  critérios  jurídicos  totalmente  diversos  daqueles  utilizados para lavrar os autos de infração que abrangem o período de  2008 a 2010”;  6.  diz “que o procedimento adotado pelo autor do feito, ao qualificar a  multa  de  ofício,  mostra­se  inaceitável,  uma  vez  que  se  encontra  eivado de ilegalidade”;  7.  que “é defeso à Autoridade administrativa alterar os critérios jurídicos  consubstanciados nos lançamentos de ofício, para um mesmo sujeito  passivo,  com  relação  a  fatos  geradores  já  ocorridos,  nos  estritos  termos do que dispõe o artigo 146 do CTN”;  8.  que  “de  acordo  com  o  citado  artigo,  a  alteração  do  posicionamento  jurídico  da  autoridade  Fiscal  deve  abarcar  somente  fatos  geradores  posteriores ao novo entendimento. (...) que o autor do feito procedeu a  uma nova valoração e  interpretação  jurídica sobre  fatos que  já  eram  de  conhecimento  da  Fiscalização,  traindo  de  forma  contundente  a  segurança  jurídica,  assim  como  a  confiança  da  impugnante, motivo  pelo qual solicita a nulidade dos autos de infração ora combatidos”;  9.  “quanto  ao  mérito,  após  breve  resumo  das  operações  societárias  relacionadas  no  presente  caso,  informa  que  para  que  a  CCSA  adquirisse  a  empresa  Loma  Negra,  foi  necessário  adquirir  as  sociedades Gaby´s”;  10. Que  “a  CCSA,  precisando  da  avaliação  das  empresas  americanas,  contratou,  para  tanto,  o  Banco  Goldman  Sachs  e  adquiriu  tais  empresas  tomando  como  base  o  estudo  de  avaliação  realizado  pelo  referido  Banco,  o  qual  foi  posteriormente  ratificado  pelo  laudo  elaborado  pela  KPMG,  e  que  a  CCSA  também  realizou  estudo  de  valor dessas empresas, o qual está espelhado em planilhas que foram  entregues durante a auditoria fiscal dos outros procedimentos fiscais e  que  são  ora  apresentados.  (...)  na  citada  operação  de  aquisição  verificou­se  a  geração  de  um  ágio,  já  que  os  valores  de  patrimônio  líquido das empresas americanas eram inferiores ao que foi pago pela  CCSA”  11. “que o  ágio,  que  teve  como  fundamento  o  estudo  de  expectativa  de  rentabilidade  futura  realizado  pelo  Banco  Goldman  Sachs  e  Fl. 5631DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.629          7 posteriormente  ratificado  por  Laudo  de  Avaliação  elaborado  pela  KPMG, foi regularmente contabilizado pela CCSA”.  12. e  que  em  seguida,  com  a  aquisição  dessa  participação  pela  Impugnante,  decorrente  das  operações  de  aumento  de  capital  e  pagamento  de  dívida  promovidos  pela  CCSA,  tanto  o  investimento  nas Gaby´s, quanto o ágio pago na aquisição, passaram aos registros  contábeis  da  Impugnante  (nos  mesmos  valores  que  estavam  registrados pela CCSA)”;  13. que  “após  realizar  a  incorporação  das  supracitadas  sociedades  americanas, a Impugnante iniciou a dedução das despesas decorrentes  da amortização do ágio contabilizado”;  14. que “a Fiscalização glosou tais despesas por entender que esta (i) não  teria como fundamento a expectativa de rentabilidade futura, mas sim  o  valor  do  fundo  de  comércio  adquirido,  bem  como  outros  ativos  intangíveis, (ii) o laudo de avaliação que avalizou a sua expectativa de  rentabilidade futura teria sido elaborado somente após a aquisição; e  (iii) teria sido transferido indevidamente à Impugnante, na medida em  que não teria sido decorrente de uma aquisição realizada por ela, mas  sim pela CCSA”;  15.  alega que  “o autor do  feito não poderia questionar a  legalidade dos  atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu  em 2005, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre  o fato que propiciou o seu surgimento e a ciência pela impugnante dos  autos de infração em questão (23/12/2016)”;  16. afirma que  “quanto  aos motivos  da  glosa,  informa que o  critério  de  amortização  dessas  despesas  operacionais  e  sua  dedutibilidade  para  fins  tributários,  dependerá  do  fundamento  econômico  para  o  pagamento  dessa  diferença,  respaldado  em  documento  comprobatório”;  17. diz  que  “segundo  o  §2º  do  artigo  20  do  DL  n°  1.598/77,  posteriormente reproduzido pelo artigo 385 do RIR/99, o lançamento  do ágio deverá indicar algum dos seguintes fundamentos econômicos:  valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior  ou  inferior  ao  custo  registrado  na  sua  contabilidade;  valor  de  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada,  com  base  em  previsão  dos  resultados nos exercícios futuros; ou fundo de comércio, intangíveis e  outras  razões,  que  tal  dispositivo  legal  não  estabelece  a  obrigatoriedade  de  consideração  de  todos  os  critérios  mencionados,  mas ao menos um "dentre" eles”.  18. que  “também  não  há  uma  ordem  lógica  ou  pressuposta  para  a  atribuição destes  fundamentos, pois o  fundamento econômico para o  pagamento  de  ágio  em  uma  aquisição  de  bens  é  critério  de  decisão  único e exclusivo do adquirente, tratando­se de prerrogativa negocial  Fl. 5632DF CARF MF     8 que é própria da livre iniciativa das partes na determinação do preço  ativo, que não pode ser oposta pela Fiscalização”;  19. discorre  que  “brevemente  sobre  cada  um  dos  fundamentos  econômicos  destacados  no  §2º  do  art.  385  do  RIR,  a  fim  de  demonstrar  o  equivocado  entendimento  da  Autoridade  Fiscal  ao  pretender deslocar o fundamento econômico do ágio de expectativa de  rentabilidade  futura  (atribuído  pela  Impugnante),  para  fundo  de  comércio e outros intangíveis”;  20. que no presente caso “é incontestável que o ágio pago está respaldado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura,  a  qual  foi  devidamente  demonstrada  pela  avaliação  feita  pelo  Banco  Goldman  Sachs  e  posteriormente  ratificada pela KPMG”.  (...) que  o  ágio ora debatido  não  se  fundamenta  somente  no  laudo  de  avaliação  elaborado  pela  KPMG,  como  parece  crer  a  Autoridade  Fiscal;  está  respaldado  em  estudo  econômico  realizado  pelo  Banco  Goldman  Sachs  e  estudos  internos  realizados  pelo  Grupo  da  Impugnante,  os  quais  foram  elaborados antes da aquisição das Gaby´s e  foram apenas ratificados  posteriormente  pelo  citado  laudo  de  avaliação  elaborado  pela  KPMG”;  21. que “apesar da Fiscalização saber que existiam outras demonstrações  que fundamentavam o ágio ora debatido, preferiu se referir apenas ao  único  documento  elaborado  após  a  aquisição  da  Gaby´s,  isto  é,  o  laudo de avaliação da KPMG, o qual só serviu para ratificar o exposto  nos estudos elaborados anteriormente”;  22. que “de acordo com o disposto no parágrafo 3º do art. 385 do RIR/99,  o  ágio  fundamentado  nos  incisos  I  e  II  deve  estar  respaldado  em  "demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante  de  escrituração";  ...  como  tal  dispositivo  não  foi  regulamentado  por  qualquer  outro  dispositivo,  resta  claro  que  qualquer  "demonstração"  seria  suficiente  à  comprovação  do  fundamento  econômico  adotado,  entre eles o da rentabilidade futura da coligada/controlada”;  23. que  “a  norma  legal  não  exige qualquer  requisito  para  a  validade do  estudo  da  rentabilidade  futura.  Não  há  formalidade  a  ser  cumprida  pelos contribuintes para que possam se valer da dedutibilidade”;  24.  que  “qualquer  que  seja  o  fundamento  do  ágio  adotado  pelo  contribuinte, que deve sempre espelhar o real motivo que o conduziu  ao pagamento daquele ágio, compete­lhe guardar a documentação que  deu  suporte  àquela  fundamentação,  o  que  foi  feito  por  meio  dos  estudos  elaborados  por  instituição  financeira  especializada  e  pelo  grupo  da  Impugnante,  os  quais  foram  ratificados  por  laudo  de  empresa de auditoria independente”;  25. tece argumentos que “no sentido de que para justificar o fundamento  econômico  de  um  ágio  pelo  fundo  de  comércio  ou  intangíveis  da  controlada ou coligada adquirida, cumpre ao contribuinte, admitindo  que  o  critério  de  fundamentação  econômica  do  ágio  eleito  pela  Autoridade Fiscal esteja correto, individualizar e valorar, por meio de  Fl. 5633DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.630          9 estudo  próprio,  cada  um  dos  bens  que  compõe  aquele  fundo  de  comércio e intangíveis”;  26. que “dos estudos elaborados por instituição financeira especializada e  pelo  próprio  grupo  da  Impugnante,  no  presente  caso,  o  ágio  foi  fundamentado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  atribuído  às  sociedades empresárias adquiridas como um todo”;  27. que  “não  se  mensurou  com  base  na  expectativa  de  rentabilidade  futura,  cada  um  dos  bens  que  formariam  o  fundo  de  comércio  e  os  intangíveis,  identificando­os  para,  assim,  atribuir­lhes  um  valor  (de  forma  individualizada  que  sob  o  ponto  de  vista  contábil,  teria  o  legislador do decreto n° 1.598/77 se equivocado ao mencionar fundo  de  comércio  na  alínea  "c"  e  expectativa  de  rentabilidade  futura  na  alínea "b", por se tratarem do mesmo instituto contábil”;  28. outrossim,  que  “em  momento  algum  foi  feita  qualquer  prova,  pela  Fiscalização,  de  que  o  ágio  em  análise  englobaria  algum  valor  correspondente  ao  fundo  de  comércio  ou  intangíveis  adquiridos,  tampouco qual seria a parcela desse montante que comporia o total do  preço de aquisição”;  29. Diz que  “com  relação  à  transferência da participação adquirida  com  ágio à título de aumento de capital e pagamento de dívida, alega que  analisando­se  cada  um  dos  artigos  do  Decreto  n°  1.598/77,  reproduzidos nos artigos 385 e seguintes do RIR/99, não se encontra  qualquer  vedação  ou  mesmo  qualquer  determinação  em  sentido  diverso  do  que  foi  realizado  pela CCSA ao  transferir  a  participação  das  empresas  Gaby´s,  acompanhada  do  respectivo  ágio  gerado  na  aquisição dessas empresas à Impugnante”;  30. “que  se  essa  transferência  das  participações  não  é  vedada  e  estas  foram adquiridas com ágio, há que se reconhecer a aplicação do artigo  385  e  seguintes  do  RIR/99  na  transferência  desse  último  à  Impugnante,  pois  no  ordenamento  jurídico  pátrio,  apenas  a  Administração Pública está sujeita ao Princípio da Legalidade Estrita,  tendo suas ações limitadas somente àquilo que está previsto em lei”;  31. que  “o  fato  de  não  existir  lei  que  autoriza  expressamente  a  transferência do ágio não significa que isto seja vedado, porém, o fato  de  não  haver  lei  que  proíba  tal  operação  representa,  sim,  a  possibilidade de sua implementação”;  32. diz  que  “o  ágio  transferido  à  impugnante  teve  como  fundamento  econômico  a  expectativa  de  rentabilidade  futura  na  aquisição  da  participação nas empresas Gaby´s”;  33. Afirma  que  “se  a  participação  nessas  empresas,  cuja  expectativa  de  rentabilidade futura sustentou o ágio, foi transferida, é razoável que o  ágio  acompanhe  essa  participação(...)  o  ágio  somente  existe  em  função do ativo que é a ele subjacente. trata­se de um acessório (ágio)  Fl. 5634DF CARF MF     10 que  necessariamente  deve  seguir  o  principal  (investimento).  A  sua  amortização  decorre  do  fundamento  econômico  a  ele  subjacente  quanto  ao  fato de  a  fiscalização  ter adicionado  à base de cálculo da  CSLL  os  valores  relativos  à  amortização  do  ágio,  alega  falta  de  previsão legal que autorize tal conduta”;  34. Diz  que  “o  legislador  ao  determinar  a  base  de  cálculo  da CSLL  de  forma  exaustiva  (numerus  clausus),  fixando,  taxativa  e  individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e §§, da Lei  nº 7.689/88) não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, a  amortização do ágio”;  35. Aduz que “com relação à multa qualificada, alega que em momento  algum a Autoridade Fiscal comprovou a prática de qualquer conduta  dolosa  pelas  partes  do  referido  negócio,  mencionando  apenas  a  suposta  existência  de  intuito  na  redução  dos  resultados  tributáveis  através do aproveitamento do ágio em questão”;  36. Afirma  que  “restou  evidente  na  presente  defesa  que  a  operação  foi  realizada  entre  partes  não  relacionadas,  com  efetivo  pagamento  do  preço  e  sustentado  em  laudo  de  rentabilidade  futura,  tendo  a  Impugnante o pleno direito à dedutibilidade da amortização do ágio”;  37. Aduz  que  “prestou  informações  e  forneceu  documentos  à  Fiscalização,  sem  retardar,  impedir,  atrapalhar,  nem  confundir  o  trabalho  fiscal;  registrou  e  arquivou  todos  os  atos  societários  nas  respectivas  Juntas  Comerciais;  e  diligenciou  para  conferir  maior  transparência nas informações referentes à operação”;  38. Diz  que  “não  tendo  sido  comprovada  qualquer  prática  dolosa  no  presente  caso,  conclui­se  que  não  houve  fraude,  sonegação  ou  conluio, fatores necessários à imposição da multa qualificada”;   39. Alega  que  “quanto  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  mensais,  alega  que  somente  poderia  ser  exigida  caso  o  Fisco  verificasse  tal  falta  ou  insuficiência  de  recolhimento  antes  do  término do ano­base”;  40. Aduz  que  “como  os  autos  de  infração  foram  lavrados  após  o  encerramento do ano­base de 2011, eventuais insuficiências não mais  poderiam ser punidas pela exigência da multa isolada”;  41. Afirma que “ainda que fosse possível lançar após o encerramento do  ano­base,  não  poderia  haver,  sobre  a  mesma  base  de  cálculo,  a  cumulação da multa  isolada com qualquer outra  penalidade  (...)  que  analisando  os  autos  de  infração,  verifica­se  que  há  cobrança  cumulativa da multa isolada com a multa de ofício”;  42. Aduz  que  “o  Conselho  já  pacificou  o  entendimento  nesse  exato  sentido, culminando na aprovação da Súmula CARF n° 105”;  43. Afirma que “o artigo 13 da lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos  juros de mora  com base na  taxa SELIC,  remete  ao  art.  84 da  lei  n°  Fl. 5635DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.631          11 8.981/95,  que  por  sua  vez  estabelece  a  cobrança  de  tais  acréscimos  apenas sobre tributos”;  44. Por fim,” discorda da cobrança de juros sobre a multa de ofício, por  ausência de previsão legal”.  45. Requereu  o  “cancelamento  integral  dos  lançamentos  tributários  e  subsidiariamente,  a  exoneração  da  multa  qualificada  aplicada  no  percentual  de  150%  ou,  que  a  multa  de  ofício  qualificada  seja  reduzida para o percentual de 75%, de modo que não supere o valor  do crédito tributário em questão”.    Quanto  à  Impugnação  ­  Responsáveis  Solidários,  com  exceção  do  responsável solidário, Ricardo Fonseca de Mendonça Lima, que foi cientificado do lançamento  em  26/12/2016,  os  demais  responsáveis  solidários  foram  cientificados  em  23/12/2016  (fls.  1.047  a  1.054)  e  apresentaram  impugnações  individualmente  em  26/01/2017  (fls.  1.968  a  3.787), porém, basicamente com os mesmos argumentos, modificando­se apenas nas seguintes  razões:  1.  preliminarmente, “alegam ter ocorrido a indevida alteração no critério  jurídico por parte da fiscalização, em afronta ao disposto no art. 146  do  CTN  citando  os  mesmos  argumentos  contidos  na  impugnação  apresentada pela Intercement”;  2.  ainda  em  sede  de  preliminar,  “informam  que  os  autos  de  infração  devem  ser  anulados  pois  a  autoridade  fiscal  não  teria  indicado  o  dispositivo  legal  e  a  motivação  que  fundamentaria  a  atribuição  de  responsabilidade aos impugnantes”;  3.  aduzindo “que não se pode imputar responsabilidade a alguém apenas  em função do cargo por ela ocupado”;  4.  no  mérito,  “aduz  sobre  a  impossibilidade  de  coexistência,  em  um  mesmo  processo  administrativo,  de  lançamento  do  crédito  tributário  em face da pessoa jurídica e de terceiros supostamente pessoalmente  responsáveis, com fundamento no artigo 135 do CTN”;  5.  alegam  também  que  “em  nenhum  momento  a  autoridade  fiscal  demonstrou no TVF os atos que  teriam sido praticados com dolo ou  excesso  de  poderes  ao  estatuto  ou  contrato  social,  pelos  impugnantes”;  6.  ante  a  “inexistência  de  sonegação,  fraude  e  conluio,  alegam  a  impossibilidade de aplicação da multa qualificada”;  7.  que  ainda  que  o  crédito  em  questão  fosse  devido  e  passível  de  ser  exigível dos  impugnantes na qualidade de  responsáveis  solidários,  o  que  se  alega  apenas  para  argumentar,  solicitam  o  afastamento  da  Fl. 5636DF CARF MF     12 multa qualificada aos  impugnantes”. E que “a multa qualificada  tem  nítido caráter confiscatório”;  8.  Por  fim, “caso  reste  inequívoca a presença da dúvida,  requer­se que  esta  E.  Turma  Julgado  reconheça,  ao menos,  que  não  será  possível  manter  a multa  de  ofício  exigida  dos  Impugnantes  na  qualidade  de  responsáveis solidários”.    O  Acórdão  ora  Recorrido  (02­73.989  ­  4ª  Turma  da  DRJ/BHE)  recebeu  a  seguinte ementa:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.  Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais,  incabível cogitar­se na nulidade do Auto de Infração.  DECADÊNCIA.  ANÁLISE  DE  FATOS  OCORRIDOS  HÁ  MAIS  DE  CINCO ANOS. NATUREZA PROBATÓRIA. POSSIBILIDADE.  A  análise  da  formação  do  ágio  tem  natureza  de  prova,  a  qual  pode  ser  idoneamente carreada aos autos,  independentemente da data de sua criação,  ou da data do fato a que ele se reporte, estando sujeita à livre apreciação pelo  fisco,  que  pode,  com  base  nela,  efetuar  o  lançamento,  desde  que  o  fato  gerador esteja dentro do prazo decadencial.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.  Nos  termos  do  art.  135,  III  do  CTN,  a  sujeição  passiva  solidária  exige  indicação  de  ato  de  infração  à  lei  ou  ao  contrato  social,  acompanhada  de  provas  que  demonstrem  de  forma  inequívoca  a  atuação  pessoal  do  sujeito  responsabilizado ao referido ato.  MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.  Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte  para  a  exasperação  da  multa  aplicada,  há  que  se  reduzir  o  percentual  correspondente.  MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DE  ESTIMATIVAS MENSAIS.  Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica  a  pessoa  jurídica  sujeita  à  multa  de  ofício  isolada  sobre  os  valores  inadimplidos.  MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.  O  artigo  44,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  prevê  as  infrações  por  falta  de  recolhimento  de  antecipação  e  de  pagamento  do  tributo  ou  contribuição  (definitivos). Não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração  ou  penalidade.  Ao  tipificar  essas  infrações  o  artigo  44  da  Lei  nº.9.430,  de  Fl. 5637DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.632          13 1996,  demonstra  estar  tratando  de  obrigações,  infrações  e  penalidades  tributárias distintas, que não se confundem e não se excluem.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Sendo  a  multa  de  ofício  classificada  como  débito  para  com  a  União,  decorrente  de  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Ano­calendário: 2011  ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.  Em  virtude  da  absoluta  ausência  de  previsão  legal,  o  ágio,  supostamente  incorrido  na  aquisição  de  participação  societária  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  exterior,  não  pode  ser  transferido  por meio  de  aumento  de  capital e quitação dívida.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO  – CSLL Ano­calendário:  2011 CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE  ÁGIO. CABIMENTO.  É cabível, em relação à CSLL, a glosa das despesas de amortização de ágio,  tendo em vista a aplicabilidade à CSLL das mesmas normas de apuração e de  pagamento  estabelecidas  para  o  IRPJ,  mantidas  a  base  de  cálculo  e  as  alíquotas previstas na legislação em vigor.  CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  O  resultado  do  julgamento  do  Imposto  sobre  a Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas  infrações.  Impugnação Procedente em Parte.  Crédito Tributário Mantido em Parte.    Face à decisão recorreu­se de ofício.  Isto porque,  segundo entendimento da Turma “em  regra,  a  legislação  fiscal  proíbe a dedução fiscal das contrapartidas da amortização do ágio decorrente de avaliação de  investimentos pelo patrimônio líquido na determinação do lucro real (RIR/99, art. 391). Como  exceção, o mesmo RIR/99, no art. 386, prevê a possibilidade de amortização do valor do ágio  pela pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  desde  que  o  fundamento  do  ágio  seja  o  valor  de  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada,  com  base  em  previsão dos resultados nos exercícios futuros”.  E que “é de se perceber que a multa isolada e a multa de ofício não decorrem  da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo, sendo, portanto, inteiramente  diversas. A primeira  é devida em  função da  falta ou  insuficiência de pagamento do  imposto  devido pelo regime de estimativa e  incide sobre o valor do pagamento mensal. Já a multa de  ofício é aplicada sobre o tributo efetivamente devido pelo contribuinte, que, no caso da opção  pela sistemática das antecipações mensais, é apurado ao final do ano­calendário. Sempre que  Fl. 5638DF CARF MF     14 não for recolhido o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa, o contribuinte faltoso estará sujeito,  no caso de lançamento de ofício, à multa isolada de 50% sobre o montante não pago. A multa  aplica­se ainda que, ao final do período de apuração, venha a ser constatado prejuízo fiscal ou  base  de  cálculo  negativa  da CSLL.  Se  a multa  é  cabível mesmo  na  hipótese  de  se  verificar  prejuízo ao final do período, sua imposição não decorre do pagamento insuficiente do tributo  devido, mas sim da falta de cumprimento de obrigação distinta, o recolhimento antecipado da  estimativa mensal”.  E que “a multa de ofício é débito para com a União decorrente de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, portanto, configura­se regular”.  (...)  Assim,  na  medida  em  que  a  penalidade  aplicada  ao  sujeito  passivo  por  inadimplência  integra  o  objeto  da  relação  obrigacional,  ou  seja,  é  parte  do  direito  de  crédito  detido  pela  Fazenda  contra  o  sujeito  passivo,  é  cristalino  que,  em  contrapartida,  integra  os  débitos  para  com a União, decorrentes de  tributos  e  contribuições,  consoante  art.  61  da Lei nº 9.430, de  1996”.  Ciente  da  decisão  do  Acórdão  em  28/07/2017  (fls.  3840),  o  contribuinte  ­  RICARDO  FONSENCA  DE  MENDONÇA  LIMA,  interpõe  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  (fls.  3847/3851),  afirmando  que:  “apresentou  sua  impugnação  administrativa em 20/01/2017 e não em 26/01/2017, como aduzido pela C. Turma Julgadora,  verificando­se  clara  inexatidão  material  do  acórdão  embargado  nesse  tocante,  o  que  deve  resultar na reforma parcial do referido acórdão, nos termos do supramencionado artigo 32 do  Decreto 70.235/72,  apenas para  consignar  a  tempestividade da peça  impugnatória,  haja vista  que a exclusão da responsabilidade solidária já foi reconhecida nos autos”.  Às  fls.  3947/3952  ­ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  do Contribuinte  ­  JOSÉ EDISON BARROS FRANCO, alegando as mesmas razões apresentadas pelos E.D do  Contribuinte – Ricardo Fonseca de Mendonça às fls.3847/3851.  Às  fls.  4048/4053  ­ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  do Contribuinte  ­  ALBRECHT  CURT  REUTER  DOMENECH,  alegando  as  mesmas  razões  apresentadas  pelos E.D do Contribuinte – Ricardo Fonseca de Mendonça às fls.3847/3851.  Às  fls.  4149/4154  ­ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  do Contribuinte  ­  ANDRÉ PIRES OLIVEIRA DIAS, alegando  as mesmas  razões  apresentadas pelos E.D do  Contribuinte – Ricardo Fonseca de Mendonça às fls.3847/3851.  Às  fls.  4152/4256  ­ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  do Contribuinte  ­  VITOR  SARQUIS  HALLACK,  alegando  as  mesmas  razões  apresentadas  pelos  E.D  do  Contribuinte – Ricardo Fonseca de Mendonça às fls.3847/3851.  Ciente  da  decisão  do  Acórdão  em  25/07/2017  (fls.  3837)  –  o  contribuinte  INTERCEMENT BRASIL S.A, interpõe Recurso Voluntário em 24/08/17 (fls.4350/4408).  Ciente  da  decisão  do  Acórdão  em  28/07/2017  (fls.  3840)  –  o  contribuinte  RICARDO  FONSECA  DE  MENDONÇA  LIMA  –  apresenta  Recurso  Voluntário  em  24/08/2017 ­ (fls. 4450/ 4501) dos autos – 1ª parte.  Ciente  da  decisão  do Acórdão  em  28/07/2017  (fls.  3838)  ­  o  contribuinte  JOSÉ  EDISON BARROS  FRANCO  apresenta  Recurso  Voluntário  em  24/08/2017  (fls.  4600/  4653),  alegando  as  mesmas  razões  trazidas  pelo  contribuinte  Ricardo  Fonseca  de  Mendonça Lima em seu Recurso Voluntário às (fls. 4450/ 4501 dos autos – 1ª parte).  Fl. 5639DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.633          15 Ciente  da  decisão  do Acórdão  em  28/07/2017  (fls.  3838)  ­  o  contribuinte  ANDRÉ  PIRES  OLIVEIRA  DIAS  apresenta  Recurso  Voluntário  em  24/08/2017  (fls.  4753/  4807),  alegando  as  mesmas  razões  trazidas  pelo  contribuinte  Ricardo  Fonseca  de  Mendonça Lima em seu Recurso Voluntário às (fls. 4450/ 4501 dos autos – 1ª parte).  Ciente  da  decisão  do Acórdão  em  28/07/2017  (fls.  3838)  ­  o  contribuinte  ANDRÉ  PIRES  OLIVEIRA  DIAS  apresenta  Recurso  Voluntário  em  24/08/2017  (fls.  4753/  4807),  alegando  as  mesmas  razões  trazidas  pelo  contribuinte  Ricardo  Fonseca  de  Mendonça Lima em seu Recurso Voluntário às (fls. 4450/ 4501 dos autos – 1ª parte).  Ciente  da  decisão  do Acórdão  em  28/07/2017  (fls.  3836)  ­  o  contribuinte  ALBRECHT  CURT  REUTER  DOMENECH  ­  apresenta  Recurso  Voluntário  em  24/08/2017  (fls.  4909/  4961),  alegando  as mesmas  razões  trazidas  pelo  contribuinte Ricardo  Fonseca  de Mendonça  Lima  em  seu  Recurso  Voluntário  às  (fls.  4450/  4501  dos  autos  –  1ª  parte).  Ciente  da  decisão  do Acórdão  em  28/07/2017  (fls.  3836)  ­  o  contribuinte  VITOR SARQUIS HALLACK ­ apresenta Recurso Voluntário em 24/08/2017 (fls. 5061/  5114),  alegando  as mesmas  razões  trazidas  pelo  contribuinte Ricardo  Fonseca  de Mendonça  Lima em seu Recurso Voluntário às (fls. 4450/ 4501 dos autos – 1ª parte).  Às fls. 4447 dos autos – 1ª parte – DESPACHO – “Retorne­se à DRJ/BELO  HORIZONTE/MG para exame de admissibilidade”, tendo em vista apresentação de embargos  de declaração tempestivo pelos responsáveis solidários.  Às  fls.  5209/5236  dos  autos  –  2ª  parte  – Acórdão  de  nº  02­74.671  ­  4ª  Turma da DRJ/BHE, considerando que:  a)  "Nos  embargos  de  declaração  apresentados,  os  responsáveis  solidários  informam que entregaram suas  impugnações  tempestivamente, as quais não  foram  conhecidas pela 4ª Turma da DRJ/BHE sob o  argumento de  suposta  intempestividade. No entanto, alegam que a C. turma Julgadora incorreu em  inexatidão  material  decorrente  de  lapso  manifesto,  tendo  em  vista  que  as  impugnações  dos  embargantes  foram  apresentadas  dentro  do  prazo  legal,  o  que deverá ocasionar na retificação parcial do acórdão, mediante acolhimento  dos  presentes  embargos  opostos  com  fundamento  no  artigo  32  do Decreto  70.235/72, para que seja reconhecida a tempestividade das impugnações”.  b)  “Examinando  os  autos,  constata­se  realmente  a  existência  da  inexatidão  material  apontada  pelos  embargantes,  uma  vez  que,  com  exceção  do  responsável  solidário  Ricardo  Fonseca  de  Mendonça  Lima  que  foi  cientificado do lançamento em 26/12/2016, os demais responsáveis solidários  foram  cientificados  em  23/12/2016  (fls.  1.047  a  1.054)  e  apresentaram  impugnações individualmente em 20/01/2017 (fls. 1.969 a 3.787), e não em  26/01/2017  como  apontado  no  Acórdão  02­73.989,  estando,  portanto,  tempestivas tais impugnações”.  c) “Assim, as medidas para correção da inexatidão material foram adotadas e  proferido novo acórdão em obediência às determinações do § 1º do art. 21 da  Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011”.  Fl. 5640DF CARF MF     16   Assim,  manteve  a  DRJ/BHE  a  decisão  exarada  no  Acordão  de  (nº  02­ 73.989), concluindo no sentido de:    a)REJEITAR “as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito”;  b) CANCELAR “a qualificação da multa de ofício passando para o patamar  de 75%”;  c) AFASTAR “a  responsabilização solidária atribuída a José Edison Barros  Franco, André  Pires Oliveira Dias,  Albrecht  Curt  Reuter Domenech, Vitor  Sarquis Hallack e Ricardo Fonseca de Mendonça Lima”.    Às  fls.  5256/  5261  –  Petição  do  Contribuinte  –  VITOR  SARQUIS  HALLACK:  · Destacando que “a exclusão do responsável solidário do polo passivo  da  obrigação  tributária  não  é motivo  para  ensejar  a  reapreciação  da  matéria  pelo  CARF,  conforme  já  decidiu  este  E.  Conselho,  motivo  pelo qual não deve ser conhecido o recurso de ofício”;  · Requereu  a  “devolução  dos  autos  à  DRJ  para  que  haja  o  regular  julgamento  de  todos  os  argumentos  expostos  na  impugnação  apresentada pelo ora Requerente e ratificada nesta petição”.    Às  fls.  5302/5307  –  Petição  do  Contribuinte  ­  ALBRECHT  CURT  REUTER  DOMENECH,  trazendo  os  mesmos  argumentos  expostos  na  petição  do  Contribuinte Vitor Sarquis Hallack às fls.(5256/5261).  Às fls. 5348/5353 – Petição do Contribuinte ­ JOSÉ EDISON BARROS  FRANCO, trazendo os mesmos argumentos expostos na petição do Contribuinte Vitor Sarquis  Hallack às fls.(5256/5261).  Às  fls.  5394/5399  –  Petição  do  Contribuinte  ­  ANDRÉ  PIRES  OLIVEIRA DIAS, trazendo os mesmos argumentos expostos na petição do Contribuinte Vitor  Sarquis Hallack às fls.(5256/5261).  Às fls. 5442/5447 – Petição do Contribuinte ­ RICARDO FONSECA DE  MENDONÇA LIMA,  trazendo os mesmos argumentos expostos na petição do Contribuinte  Vitor Sarquis Hallack às fls.(5256/5261).  Às  fls.  5488/5546  ­  dos  autos  –  2ª  Parte,  o  contribuinte  INTERCEMENT  BRASIL S.A interpõe novamente o seu Recurso Voluntário, trazendo as seguintes razões:  1.  DO  RESUMO  DAS  OPERAÇÕES  E  ALTERAÇÕES  SOCIETÁRIAS MENCIONADAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO  FISCAL E DA GERAÇÃO DO ÁGIO: Afirma que “de acordo com a  Fl. 5641DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.634          17 documentação  apresentada  durante  a  auditoria  fiscal,  a  Camargo  Corrêa  S/A  ("CCSA')  celebrou  com  as  Sras.  Maria  Amália  Sara  Lacroze  e  Maria  Inês  de  Lafuente  ("Vendedoras')  um  Contrato  de  Compra e Venda de Ações (Stock Purchase Agreement ­ Doc. 04 da  Impugnação)  o  qual  tinha  por  objeto  a venda  da participação  detida  pelas  Vendedoras  na  empresa  Loma  Negra  C.I.A.S.A.  ("Loma  Negra'). Antes, porém, da celebração do Contrato de Compra e Venda  de  Ações,  mais  especificamente  em  27  de  maio  de  2005,  as  Vendedoras  constituíram  três  empresas  nos  Estados  Unidos  da  América,  quais  sejam  Gaby  1  Holding  LLC  ("Gaby  1'),  Gaby  2  Holding  LLC  ("Gaby  2')  e  Gaby  3  Holding  LLC  ("Gaby  3')  (em  conjunto "Gabys'). Segundo o disposto nas condições do supracitado  Contrato  (Cláusula  1.1),  a  aquisição  das  participações  detidas  pelas  Vendedoras implicava necessariamente a aquisição das três empresas  constituídas  nos  Estados  Unidos”.  (...)  E  que,  “na  operação  de  aquisição  verificou­se  a  geração  de  um  ágio,  já  que  os  valores  de  patrimônio  líquido  das  empresas  americanas  eram  inferiores  ao  que  foi pago pela CCSA. Esse ágio, que teve como fundamento o estudo  de expectativa de rentabilidade futura realizado pelo Banco Goldman  Sachs,  conforme  acertadamente  reconheceu  a  Turma  Julgadora  ­  o  qual, repise­se, foi posteriormente ratificado por Laudo de Avaliação  elaborado  pela KPMG  ­  foi  regularmente  contabilizado  pela CCSA.  Em  seguida,  com  a  aquisição  dessa  participação  pela  Recorrente,  decorrente  das  operações  de  aumento  de  capital  e  pagamento  de  dívida  promovidos  pela  CCSA,  tanto  o  investimento  nas  Gabys,  quanto o ágio pago na aquisição, passaram aos registros contábeis da  Recorrente  (nos  mesmos  valores  que  estavam  registrados  pela  CCSA)”.  2.  DA  GLOSA  DO  ÁGIO  PELA  FISCALIZAÇÃO:  Diz  que  “a  Fiscalização  entendeu  por  aplicar  a  multa  de  ofício  qualificada  em  desfavor da Recorrente, conforme previsto no artigo 44, § 10 da Lei  no  9.430/96,  a  qual  foi  corretamente  afastada pela Turma  Julgadora  pela  inexistência  de  fundamento  por  parte  da  Fiscalização,  em  demonstrar  qual  conduta  dolosa  teria  sido  praticada  pela Recorrente  que  justificasse  referida  qualificação.  Por  conseqüência,  foram  afastadas  as  responsabilidades  solidárias  imputadas.  Tais  entendimentos  deverão  ser mantidos  por  este E. CARF,  ao  se negar  provimento ao Recurso de Ofício”.  3.  Da  Inexistência  de  Vedação  Legal  quanto  à  Transferência  da  Participação Adquirida com Ágio: Afirma que “a lógica da permissão  da  dedutibilidade  do  ágio,  fundamentado  na  expectativa  de  rentabilidade  futura,  nas  hipóteses  de  cisão,  fusão  e  incorporação,  nada mais é do que o reconhecimento de que o ágio deverá, sempre,  acompanhar  o  investimento  que  lhe  é  subjacente  ­  o  qual  justificou  seu pagamento. Explica­se: o valor pago com base na expectativa de  rentabilidade  futura,  como  ocorreu  nos  presentes  autos,  está  intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por  determinado investimento, motivo pelo qual a sua amortização dar­se­ Fl. 5642DF CARF MF     18 á em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados. E que  de  fato,  o  ágio  somente  existe  em  função  do  ativo  que  é  a  ele  subjacente. Trata­se de um acessório (ágio) que necessariamente deve  seguir  o  principal  (investimento).  A  sua  amortização,  como  mencionado,  decorre  do  fundamento  econômico  a  ele  subjacente.  Apenas para tornar claro esse conceito, destaque­se que a amortização  do ágio é a forma contábil de se registrar a perda de valor no tempo de  um ativo  intangível em função de  seu uso. O mesmo ocorre com os  ativos  tangíveis  da  sociedade,  que  têm  seu  valor  ajustado  no  tempo  pela depreciação ou pela exaustão”. Colacionou diversos julgados do  CARF.  Dessa  forma,  seja  pela  jurisprudência  consolidada  do  E.  CARF, seja pela ausência de vedação legal ou pela coerência no que  se  refere  à  contraposição  dos  lucros  e  custo  para  obtenção  desses  lucros, é de se reconhecer a transferência da participação e respectivo  ágio  realizada  pela  CCSA  à  Recorrente,  e  consequentemente  a  possibilidade de dedução das despesas com amortização do ágio após  a  incorporação  das  empresas  Gaby  1,  Gaby  2  e  Gaby  3  pela  Recorrente”.  4.  DA  DECADÊNCIA/PRECLUSÃO  DO  DIREITO  DE  QUESTIONAR OS FATOS QUE DERAM ORIGEM AO ÁGIO: Diz  que  “considerando­se  que  a  Recorrente  comprovou  a  absoluta  insubsistência da multa qualificada no presente caso, a qual, inclusive,  foi  corretamente  cancelada  pela  Turma  Julgadora,  em  função  da  ausência da prática de atos dolosos pela Recorrente, deve se aplicar o  artigo  150,  §  40,  do  CTN,  para  fins  de  contagem  do  prazo  decadencial. Portanto, é fato notório que o Fisco não poderia efetuar  os  lançamentos  de  ofício,  em  2016,  sobre  fatos  pretéritos,  já  consumados  no  tempo  em  razão  do  decurso  do  prazo  decadencial  (fato societário que gerou o direito à utilização do ágio, que ocorreu  em  2005),  para  alcançar  os  efeitos  decorrentes  desses  fatos,  em  períodos subsequentes (amortização do ágio em 2011)”.  5.  DA  INEXISTÊNCIA DE  PREVISÃO LEGAL  PARA A ADIÇÃO,  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CSLL,  DA  DESPESA  COM  A  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO  CONSIDERADA  INDEDUTÍVEL  PELA FISCALIZAÇÃO: Diz que “resta equivocado o entendimento  da  Autoridade  Fiscal,  mantido  pela  DRJ/BHE,  no  que  tange  à  lavratura do  auto  de  infração  da CSLL,  tendo  em vista  que  referida  contribuição  tem  regras  que  lhe  são  próprias,  de  forma  que  não  se  pode aceitar a aplicação, para fins de composição da base de cálculo  da Contribuição em questão, de regras que são próprias do IRPJ, sob  pena de afronta a um dos mais importantes princípios norteadores do  Direito Tributário, qual seja o Princípio da Legalidade”.  6.  DA IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DA MULTA ISOLADA  EM  RAZÃO  DA  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  IRP)  E  DA  CSLL  POR  ESTIMATIVA:  Aduz  que  “tendo  em  vista  que  as  disposições trazidas pela Medida Provisória nO 351/2007, convertida  na  Lei  nº  11.488/2007,  em  nada  modificaram  a  natureza  e  materialidade  da  multa  isolada  aplicável  na  hipótese  de  não  recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, não resta dúvida quanto  à  insubsistência  da  pretensão  fiscal,  haja  vista  que  não  se  permite  ­  Fl. 5643DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.635          19 nem encontra respaldo legal ­ a aplicação cumulativa da multa isolada  pela falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício pelo  não pagamento do tributo”.  7.  DA  ILEGALIDADE  DA  COBRANÇA  DE  JUROS  SOBRE  A  MULTA:  Afirma  que  “como  é  sabido,  não  se  pode  confundir  os  conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é  tributo. É o que  se verifica  com clareza pela  leitura da definição de  "tributo",  contida  no  artigo  30  do  Código  Tributário  Nacional.  A  multa  fiscal,  de  forma  diversa,  decorre  de  infração  cometida  pelo  contribuinte”.  8.  MATÉRIAS  RECONHECIDAS  PELA  TURMA  JULGADORA  RELACIONADAS  AO  ÁGIO  ­  RECURSO  DE  OFÍCIO:  Diz  que  “restando comprovada a legitimidade da transferência do ágio e o seu  aproveitamento  fiscal  pela Recorrente,  única matéria  que  remanesce  em discussão no presente Recurso Voluntário, a Recorrente reitera os  argumentos já consignados na Impugnação Administrativa que foram  acolhidos pela DRJ, uma vez que são objeto de Recurso de Ofício a  este  E.  Conselho,  bem  como  requer  que  a  este  seja  negado  provimento”.  9.  AD ARGUMENTANDUM – VEDAÇÃO AO CONFISCO: Diz que  “na remota hipótese de o Recurso de Ofício ser provido, é inequívoca  a  necessidade  do  retorno  dos  autos  à  Turma  a  quo,  para  que  os  argumentos acima elencados sejam apreciados e julgados, em respeito  aos  princípios  constitucionais  da  ampla  defesa,  contraditório  e  ao  duplo grau de jurisdição”.  10. Requereu  o  acolhimento  das  razões  expostas  em  sede  de  Recurso  Voluntário.    Às  fls.  5.590/5.592  dos  autos  –  PETIÇÃO  DO  CONTRIBUINTE  –  requerendo “a aplicação  imediata do artigo 24 do Decreto­Lei no 4.657/42,  incluído pela Lei  13.655/2018, com o consequente cancelamento das autuações fiscais”.  Às  fls.  5.593  dos  autos  –  CONVERSÃO  DO  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA  ­  1401000.587  –  4ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  para  “oportunizar  a  Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 5.590/5.592 dos autos,  garantindo­se assim a igualdade de tratamento às partes do processo”.  Às  fls.  5.562 dos  autos – PETIÇÃO DA PFN,  alegando  resumidamente,  as  seguintes razões:  “O artigo 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal  e as decisões proferidas no Processo Administrativo Fiscal”;  “O ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração,  não  sendo possível  concluir,  do  art.  24  da LINDB,  que  o  auditor­fiscal,  ao  Fl. 5644DF CARF MF     20 efetuar  o  lançamento,  esteja  amarrado  à  jurisprudência  administrativa  ou  judicial  existente  à  época  dos  fatos  geradores;  ademais,  apenas  Lei  Complementar  poderia  dispor  sobre  norma  geral  afeta  à  atividade  do  lançamento”;  “Tampouco  faz  sentido,  diante  do  texto  normativo,  concluir  que  os  órgãos  responsáveis  pelo  julgamento  de  recursos  administrativos,  ao  “revisar  o  lançamento”  estejam  vinculados  à  jurisprudência  majoritária  existente  à  época dos fatos geradores”;  “O artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que  gera  uma  situação  consolidada  (por  exemplo,  emite  uma  licença  de  funcionamento,  assina  um  contrato,  autoriza  um  pagamento),  a  mudança  posterior  de  entendimento  sobre  a  validade  deste  ato  não  pode  afetar  a  situação consolidada que a própria Administração gerou”;  “O Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular  sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre  as  consequências de  sua observância pelo  administrado  (art.  100, parágrafo  único),  bem  como  sobre  o  efeito  intertemporal  da  introdução  de  novos  critérios jurídicos – leia­se, nova interpretação – no processo de constituição  do crédito tributário (art. 146). Trata­se de normatização específica quanto às  questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar”;  “A  Lei  13.655/2018  não  atribui  eficácia  normativa  à  jurisprudência  majoritária  vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  não  a  enquadrando  no  conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN”.  Requereu “que não sejam conhecidos os argumentos suscitados na petição de  fls.5.590/5.592 e, caso conhecidos, sejam julgados improcedentes, conforme  manifestação”.    Às  fls.  5.624  ­  DESPACHO  DE  ENCAMINHAMENTO  para  prosseguimentos do julgamento por esta TO.     É o relatório do essencial.        Voto Vencido  Conselheiro Daniel Ribeiro Silva ­ Relator.  Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao  e­processo.  Fl. 5645DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.636          21 Os  recursos  são  tempestivos  e  preenchem  os  requisitos  de  admissibilidade,  por isso deles conheço.  Do Recurso de Ofício  Inicio  a  análise  pelo  Recurso  de  Ofício  em  face  da  exclusão  da  responsabilização solidária e redução da multa qualificada.  Nesse  ponto,  apesar  de  objetivo,  o  Acórdão  recorrido  foi  absolutamente  correto na apreciação quanto à redução da multa qualificada:    Exatamente  isso  o  que  aconteceu.  O  autuante  lançou  diversos  parágrafos  tratando  de  sonegação,  simulação  e  conseqüente  majoração  da  penalidade,  entretanto  não  justificou o porque da adequação da norma aos fatos concretos.  Simplesmente  justificou  a  majoração  da  penalidade  no  argumento  que  a  CCSA desde o início tinha a intenção de transferir o ágio para a Autuada. Ora, além da CCSA  não  ser  a  autuada,  o  autuante  não  demonstrou  quais  as  provas  que  levam  a  essa  conclusão,  basicamente partiu da presunção de que entendendo que o ágio era indedutível, a contribuinte  agiu dolosamente para reduzir tributos.  E tal fato resta absolutamente claro em sua conclusão fundada no fato de que,  ao repetir tais atos ao longo de 8 anos a Contribuinte sabia o que fazia, e assumiu os riscos.  Ora, esse não é argumento hábil para qualificação da multa, ainda mais diante  do fato de que a Contribuinte defende e entende que o ágio era dedutível. Assim é que, manter  a dedutibilidade a cada ano é conseqüência lógica das suas convicções. Se assim não fizesse,  certamente a autoridade fiscal estaria usando isso como fundamento para reforçar sua tese de  indedutibilidade do ágio.  Assim é que não há o que se reparar na decisão recorrida quanto à redução da  multa qualificada.  Da mesma  forma,  não  há  reparos  a  fazer  na  exclusão  da  responsabilidade  solidária. Neste ponto é ainda mais frágil o TVF, basta, para tanto, ler o trecho da acusação que  justifica a responsabilização solidária:    Fl. 5646DF CARF MF     22 Trata­se, mais uma vez, de punição por presunção, como se o simples fato de  os  responsabilizados  serem  gestores  ou  membros  do  Conselho  de  Administração  fosse  suficiente para imputar responsabilização solidária, o que não pode ser mantido.  Deveria o agente fiscal justificar qual a atuação de cada um dos responsáveis  solidários, bem como o adequado fundamento da sua responsabilização. E assim não o fez.  Face  a  tudo  o  quanto  exposto,  voto  pelo  não  provimento  do  Recurso  de  Ofício.  Do Recurso Voluntário  São  objeto  de  insurgência  do  Recurso  Voluntário:  (i)  ilegalidade  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa;  (ii)  decadência;  (iii)  a  possibilidade  de  transferência  e  amortização  do  ágio;  (iv)  a  inexistência  de previsão  legal  para  adição  na  base  de  cálculo  da  CSLL, da despesa de amortização de ágio considerada indedutível; (v) da impossibilidade de  cumulação de multa isolada e de ofício; (vi) vedação ao confisco.  Adicionalmente, pleiteia o Recorrente a aplicação do art. 24 da LINDB.    Preliminar ­ Aplicabilidade do Art. 24 da LINDB  Preliminarmente, impõe­se a análise da aplicabilidade e do alcance do artigo  24 da LINDB ao/no caso concreto. O dispositivo tem a seguinte redação:    Art.  24.  A  revisão,  nas  esferas  administrativa,  controladora  ou  judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou  norma  administrativa  cuja  produção  já  se  houver  completado  levará  em  conta  as  orientações  gerais  da  época,  sendo  vedado  que,  com  base  em  mudança  posterior  de  orientação  geral,  se  declarem inválidas  situações plenamente constituídas.  (Incluído  pela Lei nº 13.655, de 2018)  Parágrafo  único.  Consideram­se  orientações  gerais  as  interpretações  e  especificações  contidas  em  atos  públicos  de  caráter  geral  ou  em  jurisprudência  judicial  ou  administrativa  majoritária,  e  ainda  as  adotadas  por  prática  administrativa  reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº  13.655, de 2018)    Defende  a  Recorrente  que  tal  dispositivo  tem  aplicação  imediata  ao  caso,  devendo  ser  cancelada  a  autuação  fiscal,  já que o procedimento por  ela  adotado  se deu  com  base nas orientações da época, sendo pautado na jurisprudência majoritária deste CARF.  Todavia, entendo que não é este o alcance da norma.  Não há  como negar que o valor que  se busca  com  tal  norma é nobre,  qual  seja, o de garantir a segurança  jurídica, em especial aos contribuintes que acabam por serem  obrigados a interpretar e aplicar uma legislação tributária absolutamente complexa.  Fl. 5647DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.637          23 Entretanto,  entendo  que  não  se  pode  buscar,  sob  esse  pretexto,  ampliar  o  alcance  ou  impor  a  aplicação  de  uma  norma  (expressiva  de  um  valor  jurídico  importante),  sobre outras normas jurídicas já postas e absolutamente aplicáveis. Seria, a meu ver, buscar a  segurança gerando ainda mais insegurança ao próprio sistema jurídico.  É fato conhecido que o contexto de criação da norma tiveram como pano de  fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de  controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU.  Tal fato é manifestado claramente quando se aprecia a justificação do PL, de  autoria do Senador Antônio Anastasia:    Como  fruto  da  consolidação  da  democracia  e  da  crescente  institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com  o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o  funcionamento,  a atuação dos mais diversos órgãos do Estado,  bem  como  viabiliza  o  controle  externo  e  interno  do  seu  desempenho.  Ocorre  que,  quanto  mais  se  avança  na  produção  dessa  legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica.  O  aumento  de  regras  sobre  processos  e  controle  da  administração  têm  provocado  aumento  da  incerteza  e  da  imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os  ganhos de estabilidade institucional.    Outrossim,  exatamente  por  isso  que  o  texto  da  norma  fala  em  ato  administrativo,  contrato  administrativo,  ajuste  administrativo,  processo  administrativo  ou  norma administrativa. É a conclusão que se chega da concordância verbal do dispositivo, bem  como  da  interpretação  sistemática  do  seu  parágrafo  único  e  demais  artigos  inseridos  da  alteração legislativa.  Portanto, a desconsideração dos efeitos tributários de um ato ou contrato feito  por um particular, por exemplo, foge, a meu ver, da aplicação da norma.  Outrossim,  a  própria  utilização  da  terminologia  "revisão"  também  afasta  a  aplicação  do  art.  24  ao  processo  administrativo  tributário.  Isto  porque,  o  conceito  de  lançamento  previsto  no  art.  142  do  CTN  não  se  amolda  a  tal  conceito.  O  lançamento,  definitivamente, não se configura como procedimento de “revisão”.  Ademais, mesmo que,  forçando  a  interpretação  da norma  se defenda  que  o  lançamento (como ato administrativo) estaria sendo revisto por este Conselho Administrativo  (posição  que  discordo),  o  ato  administrativo  não  se  completou,  especialmente  por  ter  sido  impugnado  pelo  contribuinte.  Outrossim,  também  não  há  como  se  falar  em  situação  plenamente constituída.  Como  bem  manifestado  pela  Conselheira  Livia  Di  Carli  em  voto  sobre  o  tema:  Fl. 5648DF CARF MF     24 A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o  "autolançamento"  ou  o  "lançamento  por  homologação",  não  gera  situação  plenamente  constituída,  já  que  por  definição  a  apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária,  sujeita a homologação da autoridade  competente,  não havendo  que  se  falar  em  "situação  plenamente  constituída"  antes  da  homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal.  Outrossim,  uma  série  de  conceitos  abstratos  tornaria  a  norma  de  difícil  ou  impossível aplicação. Por exemplo, qual o conceito de jurisprudência majoritária? Como aferir  isso? Tratar­se­ia de jurisprudência majoritária administrativa? De jurisprudência judicial? E se  houver divergência de posicionamentos nas duas esferas? A existência de uma maioria simples  de decisões em um sentido por si só importaria na chamada jurisprudência majoritária?  Ainda,  qual  o  elemento  temporal  já  que  o  lançamento  sempre  se  reporta  a  atos passados? Seria a jurisprudência do momento dos fatos ou do lançamento?  Essas questões são tormentosas e de difícil solução.  Entretanto,  ressalto  que  o  direito  processual  já  estabelece  uma  lógica  de  precedentes  (baseado  no  mesmo  valor  de  segurança  jurídica),  a  exemplo  de  decisões  com  repercussão geral ou as próprias súmulas administrativas vinculantes deste CARF.  Em  todos  esses  casos  há  um procedimento  específico  para  sua produção,  e  defender  a  aplicação  direta  do  art.  24  da LINDB me parece  ser  tentar  burlar  um  sistema de  precedentes já posto.  Ainda, necessário lembrar que o direito tributário possui regramento próprio  na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia  das fontes normativas.  O  artigo  146  da  Constituição  Federal  estabelece  que  a  edição  de  normas  gerais em matéria  tributária é matéria  reservada à  lei complementar. E  tem uma razão de ser  em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos.  É  esse  o  status  do  Código  Tributário  Nacional  e  de  qualquer  norma  que  pretenda  veicular  norma  geral  em  matéria  tributária.  Assim,  já  causa  estranheza  que  o  legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei  ordinária federal.  Ademais, merece menção  que o Núcleo  de Estudos Fiscais  (NEF)  da  FGV  Direito SP realizou recente colóquio com o objetivo de debater os possíveis impactos da Nova  Lei  de  Introdução  às  Normas  de  Direito  Brasileiro  (LINDB)  no  direito  tributário  (https://direitosp.fgv.br/evento/novaleideintroducaonormasdireitobrasileirolindbobjetivandopri ncipiosestruturantesd).  No  referido  evento,  um  dos  idealizadores  do  projeto  de  lei  que  gerou  a  alteração da LINDB (Prof. Carlos Ari Sundfeld) ao ser indagado sobre a aplicação do art. 24 da  LINDB  ao  processo  administrativo  tributário,  foi  contundente  ao  afirmar  que  no  direito  tributário já existem os artigos 100 e 146 do CTN que trazem o "mesmo valor" buscado pela  LINDB, e que o art. 24 não se prestaria como algo novo, mas sim um reforço de aplicação à  norma já existente.  Fl. 5649DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.638          25 Isto  porque  que  o  CTN  possui  regramento  específico  sobre  a  matéria,  estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis,  dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de  penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo  do tributo. Jamais o principal de tributo.  Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito  intertemporal  da  introdução  de  novos  critérios  jurídicos  –  leia­se,  nova  interpretação  –  no  processo de constituição do crédito tributário.  Ou ainda, o próprio art. 112 do CTN determina a interpretação mais benéfica  ao contribuinte de normas que cominem penalidade.  Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende  é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à  norma  do  artigo  100  do  CTN,  o  que  vai  de  encontro  a  regras  básicas  de  interpretação  das  normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro.  Permito­me  citar,  novamente,  trecho  de  voto  da Conselheira  Livia Di Carli  sobre o tema:    o  alcance  pretendido  pela  Recorrente  em  nome  da  "segurança  jurídica" acabaria por "engessar" o contencioso administrativo,  impossibilitando­o  de  evoluir  com  eficiência,  retirando  dos  debates  tributários  a  tecnicidade  da  especialização  dos  Tribunais/Conselhos  de  Recursos  Fiscais,  que  diuturnamente  lidam  com  casos  que  envolvem  critérios  contábeis,  situações  e  documentos específicos que o Poder Judiciário não tem condição  (e nem estrutura) para analisar, o que acabaria por aumentar a  vulnerabilidade dos contribuintes trazendo, veja só, insegurança  jurídica.    Ainda, mesmo que passando por cima de tudo o quanto argumentado acima,  hipoteticamente  se  entenda que o  art.  24 da LINDB deva  ser  aplicado, outra questão  se põe  para análise.  Teria o art. 24 natureza puramente interpretativa?  Tal indagação é importante para se aferir a possível retroatividade da norma,  e a conclusão que chego é que não.  A  natureza  do  art.  24  não  é  tão  somente  interpretativa,  isto  porque  supostamente  impõe  um  dever  ao  julgador,  dever  este  que  afeta  a  própria materialidade  do  crédito tributário. Trata­se de norma de natureza material sob esse prisma.  Assim  é  que,  mesmo  que  se  concluísse  pela  aplicabilidade  da  norma  ao  direito  e processo  administrativo  tributário,  tal  aplicação,  a meu ver,  apenas  teria  efeito para  fatos geradores ocorridos após a sua edição, o que não aproveitaria a Recorrente.  Fl. 5650DF CARF MF     26 Outrossim,  também  analisando  hipoteticamente,  em  casos  mais  complexos  como  situações  de  amortização  de  ágio,  as  especificidades  e  situações  fáticas  de  cada  caso  impediriam a utilização generalizada do referido dispositivo. Isto porque, o enquadramento de  uma  empresa  como  "veículo"  demanda  a  análise  fático­probatória,  que  torna  cada  decisão  sobre o tema absolutamente única e peculiar.  Face ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de aplicação do artigo 24 da  LINDB ao caso em questão.    Da vedação ao confisco  De logo, deixo de conhecer o argumento, mesmo que subsidiário, de vedação  ao princípio do  confisco vez que não compete  ao CARF a  análise de  constitucionalidade da  legislação tributária (Súmula CARF n. 02).  Por sua vez, sendo a penalidade aplicável prevista na legislação vigente, não  há o que se questionar quanto à constitucionalidade de sua aplicação nesta esfera.    Da ilegalidade da incidência de juros sobre multa  No  que  se  refere  à  alegação  de  ilegalidade  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à  conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre  a  multa  de  ofício  proporcional,  já  que  ambos  compõem  o  crédito  tributário  constituído,  in  verbis:    Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.   §  1o.  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem  por  objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue­se juntamente  com o crédito dela decorrente.   (...)  Art.  139.  O  crédito  tributário  decorre  da  obrigação  principal  e  tem  a  mesma  natureza desta.  (...)  Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e  da  aplicação  de  quaisquer  medidas  de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.  §1  Se  a  lei  não  dispuser  de modo diverso,  os  juros de mora são  calculados à  taxa de um por cento ao mês.  §2 O disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.    Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência  de  crédito  tributário  composto  exclusivamente  por  multa  ou  juros  de  mora  afirma,  expressamente, a possibilidade de tal incidência:    Art.  43. Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente.  Fl. 5651DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.639          27 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no  respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere  o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.     Ademais, o entendimento de se considerar  legítima a incidência de juros de  mora  sobre  a  multa  fiscal  encontra  sustentação  na  jurisprudência  da  Primeira  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (AgRg  no  REsp  1.335.688PR,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de  juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha  já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009).  Outrossim, a matéria foi sumulada pos este CARF através da Súmula n. 108.  Assim,  não  dou  provimento  ao  Recurso  Voluntário  quanto  a  este  ponto.  Entretanto, sendo vencedor o voto que sigo a proferir, tal questão restaria prejudicada.    Da possibilidade de transferência e amortização do ágio  Inicialmente,  observo  que não  acolho  o  argumento  da Recorrente  de que  o  prazo  para  as  autoridades  fiscais  questionarem  as  operações  deve  ser  contado  a  partir  do  registro contábil do ágio pela adquirente.  Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há,  aí,  lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o  fisco perde o direito de  constituir  o  crédito  tributário,  e  sendo  tal  constituição  possível  apenas  quando  ocorre  o  fato  gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial  pelo mero registro contábil de uma potencial despesa.  Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a  respeito dos  prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio:    ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL  O  prazo  decadencial  para  a  lavratura  de  auto  de  infração  para  a  glosa  de  despesas  de  amortização  de  ágio  tem  início  com a  efetiva  dedução de  tais  despesas  pelo  contribuinte.  Não  ocorrência  de  decadência  no  caso  concreto.  (acórdão  9101­002.387,  julgado  em  13/07/2016)    Outrossim,  essa  questão  também  foi  objeto  de  recente  Súmula  deste  Conselho:    Súmula CARF nº 116  Fl. 5652DF CARF MF     28 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição  de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na  forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve­se levar em  conta o período de sua repercussão na apuração do  tributo em  cobrança.    Superada  a  questão  da  decadência,  passo  à  análise  das  demais  razões  de  mérito no que se refere à dedutibilidade do ágio.   Inicialmente,  cumpre  esclarecer  que,  tal  questão  é  complexa  e  tem  gerado  posicionamentos divergentes no âmbito da DRJ e CARF.  Como  relatado,  a  recorrente  sofreu  sucessivos  lançamentos  que  abarcam  a  mesma matéria.  Em  alguns  dos  lançamentos,  os  Relatores  da  DRJ  entenderam  que  assistia  razão ao contribuinte quanto ao direito à amortização do ágio, mas vencidos pela maioria.  Em outros casos o caminho tem sido semelhante. Outrossim, em julgamentos  proferidos  pelas  Turmas Ordinárias  e  pela  CSRF,  a  posição  desfavorável  à  Recorrente  vem  sendo adotada, em regra, por voto de qualidade.  Faço essa  ressalva para demonstrar que a matéria  tem suscitado dúvidas no  âmbito do próprio CARF, bem como a tese defendida pela Recorrente tem encontrado guarida,  por vezes, em votos proferidos pelos próprios representantes fazendários.  Dito isto, passo a decidir.  A  operação  trata  de  aquisição  do  investimento  LOMA  NEGRA  CIA  S/A  ("LOMA  NEGRA"),  com  sede  na  Argentina,  pela  CAMARGO  CORRÊA  S/A  ("CCSA"),  controladora  da  então  Camargo  Corrêa  Cimentos  S/A  (atualmente  denominada  INTERCEMENT BRASIL S/A, "Contribuinte"), com ágio na ordem de 1,5 bilhões de reais.  São assim descritas as operações pela autoridade fiscal:  1. no primeiro semestre de 2005, a pessoa jurídica CAMARGO  CORRÊA  S/A,  CNPJ  nº  01.098.905/000109,  controladora  da  autuada,  manteve  negociações  com  pessoas  físicas  e  jurídicas  visando  adquirir  o  controle  da  pessoa  jurídica  LOMA NEGRA  CIA S/A.;  2.  para  a  concretização  do  negócio,  foram  constituídas  três  pessoas jurídicas (GABY 1, GABY 2 e GABY 3);  3. em 30 de junho de 2005, por meio de contrato de COMPRA E  VENDA  DE  AÇÕES,  a  CAMARGO  CORRÊA  S/A  adquiriu  as  ações  das  pessoas  jurídicas  GABY  1,  GABY  2  e  GABY  3,  passando  a  deter  indiretamente  100%  das  ações  da  pessoa  jurídica  HOLDTOTAL  S/A  e  93,43%  das  ações  da  pessoa  jurídica LOMA NEGRA;  4.  em  30  de  novembro  de  2005,  a  CAMARGO CORRÊA S/A  transferiu  a  titularidade  das  suas  ações  das  pessoas  jurídicas  GABY 1, GABY 2 e GABY 3 para a fiscalizada, sua controlada,  por meio de aumento de capital e pagamento de uma dívida que  Fl. 5653DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.640          29 tinha com a pessoa  jurídica CAUÊ  INVESTIMENTS LIMITED,  transferida para a fiscalizada por meio de subrogação;  5.  ao  adquirir  GABY  1,  GABY  2  e  GABY  3,  a  CAMARGO  CORRÊA  S/A  pagou  um  ágio  de  R$  1.571.603.219,37,  e,  ao  transferir a titularidade das citadas empresas para a fiscalizada,  o fez transferindo, também, o referido ágio;  6.  em  1º  de  dezembro  de  2005,  a  fiscalizada  incorporou  as  empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3, passando a amortizar o  ágio referenciado.    Verifica­se, pelo relatório que:    1.  os  alienantes  do  investimento  LOMA  NEGRA  criam  as  empresas  holding  GABY,  GABY  2  e  GABY  3,  que  passam  a  controlar  diretamente o investimento LOMA NEGRA;  2.  a  CCSA  adquire  as  empresas  GABY  1,  GABY  2  e  GABY  3,  controladoras do investimento LOMA NEGRA, com ágio;  3.  a CSSA transfere a titularidade da GABY 1, GABY 2 e GABY 3 para  a Contribuinte;  4.  a  Contribuinte  promove  a  incorporação  das  empresas  GABY  1,  GABY 2 e GABY 3, e passa a amortizar o ágio.    O ágio analisado se refere à aquisição de participação societária relevante em  empresas (investidas) por outras empresas (investidoras).   Cumpre ressaltar, de pronto, que apesar de ser um dos fundamentos do TVF,  bem como acaba sendo matéria de debate em outros  lançamentos  realizados contra a mesma  empresa,  não  vejo  que  o  presente  caso  em  nada  se  compare  à  discussão  da  utilização  de  "empresa­veículo".  Em diversos precedentes, mesmo desfavoráveis ao contribuinte, os julgadores  tem,  inclusive,  se  manifestado  sobre  a  legalidade  das  operações  realizadas  nas  duas  etapas,  cingindo­se o debate à análise da possibilidade de se transferir o ágio a ser deduzido.  Isto porque,  segundo o  entendimento do voto vencedor ora Recorrido,  se a  participação  societária  tiver  sido  adquirida  por  uma  pessoa  jurídica  que  posteriormente  transfira  essa  participação  para  outra  pessoa  jurídica,  a  esta  última  não  se  aplica  a  possibilidade de amortização fiscal prevista no artigo 386 do RIR/99.  No  período  de  ocorrência  dos  fatos,  o  legislador  reconhecia  como  justificativa  negocial  para  o  pagamento  de  ágio  (ou  deságio)  a  expectativa  de  rentabilidade  futura da empresa investida, o valor de mercado de bens do ativo da empresa investida superior  Fl. 5654DF CARF MF     30 ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, o fundo de comércio, intangíveis e outras  razões econômicas.  Com  edição  da  Lei  n.  9.532/97,  o  legislador  ordinário  passou  a  permitir  o  aproveitamento do ágio à fração 1/60 ao mês, desde o momento em que o ágio escriturado pela  investidora viesse a ser confrontado, em um mesmo acervo patrimonial (confusão patrimonial),  com os lucros advindos da empresa investida que justificaram o pagamento desse sobrepreço  por expectativa de rentabilidade futura.  A  possibilidade  de  amortização  das  despesas  de  ágio  por  expectativa  de  rentabilidade futura, da forma prescrita pela Lei n. 9.532/97, depende do cumprimento de uma  regra básica, que pressupõe o fenômeno societário da absorção patrimonial, com a reunião (por  incorporação,  fusão  ou  cisão)  do  patrimônio  da  pessoa  jurídica  investidora  com  a  pessoa  jurídica  investida,  a  fim  de  que  o  aludido  ágio  registrado  naquela  seja  emparelhado  com  os  lucros gerados por esta.   Concretizada a absorção patrimonial exigida pelo legislador, o ágio apurado  em aquisição precedente pode ser amortizado nos balanços levantados após a ocorrência de um  desses eventos, ainda que a incorporada ou cindida seja a investidora (incorporação reversa).  Parte da doutrina defende que os arts. 7 e 8 da Lei n. 9.532/97 veiculariam  beneficio  fiscal,  com  uma  espécie  de  estímulo  a  investimento  na  aquisição  de  empresas  privadas  com  perspectivas  de  crescimento  de  rentabilidade,  como  incentivo  à  geração  de  riqueza, de empregos e, como conseqüência, de incrementar a própria arrecadação tributária.  Entretanto, em que pese  tal norma  tenha uma potencialidade de  indução de  conduta, entendo ser mais correto o entendimento de que o referido texto tenha previsto mera  norma  de  dedutibilidade  para  apuração  fiscal,  que  inclusive  limita  quantitativamente  a  amortização do ágio em questão à fração 1/60 ao mês.  O  legislador  simplesmente  impõe  que  o  ágio  em  questão  seja  processado  contra os  lucros da empresa  investida, cuja expectativa de  lucratividade  tenha dado causa ao  ágio quando de sua aquisição.   O  claro  objetivo  do  legislador  foi  de  garantir  segurança  jurídica  para  um  momento  de  intensidade  nas  operações  econômicas,  em  pleno  plano  de  desestatização.  E  exatamente por isso prevê uma regra operacional básica e objetiva.  Por sua vez, com a edição da Lei n. 12.973/2014 o tratamento fiscal do ágio  sofreu  algumas  modificações,  mas  manteve­se  em  praticamente  inalterado.  Entretanto,  o  legislador  alterou  as  regras  sobre  a  apuração  e  o  aproveitamento  do  ágio  fundado  em  expectativa de rentabilidade futura, trazendo nova regulamentação quanto às exigências para a  amortização do ágio.   A lei passou a exigir a elaboração de um laudo específico e em determinado  prazo (o que não existia anteriormente) e passou a vedar a apuração de ágio na aquisição de  investimento  relevante  realizada  entre partes  dependentes. O objetivo  foi  o  de  reduzir  temas  considerados litigiosos.  Como bem asseverado pelo colega Conselheiro Luis Flávio Neto em recente  voto onde analisa caso do mesmo contribuinte na CSRF (Acórdão n. 9101003.397):     Fl. 5655DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.641          31 O  silêncio  do  legislador,  na  reforma  de  2014,  em  relação  a  temas  igualmente  contenciosos,  como  o  da  transferência  de  investimento com ágio analisado nos presentes autos, pode ser  compreendido  como  inexistência  de  oposição  às  possíveis  restruturações  societárias  que  o  participar  venha  a  sofrer.  Referido silêncio pode ser considerado como reconhecimento do  direito  de  autoorganização  garantido  ao  particular  pelo  princípio da livre iniciativa, de forma que não haverá nenhuma  sanção  a  isso  no  que  concerne  ao  aproveitamento  do  ágio  legitimamente apurado na operação originária de aquisição de  investimento relevante. Trata­se de um silêncio eloquente.    Da análise da norma de dedutibilidade do ágio prevista à época dos fatos, são  condições que compõe a regra básica para o seu aproveitamento:    1.  A  aquisição  de  investimento  relevante  com  contraprestação  de  ágio  fundado em expectativa de rentabilidade futura;  2.  Fluxo  financeiro  ou  sacrifício  econômico  envolvido  na  operação  de  aquisição;  3.  Desdobramento  do  custo  de  aquisição  em  valor  de  equivalência  patrimonial da investida e ágio ou deságio incorrido;  4.  A amortização do ágio deve se processar contra os lucros da empresa  investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio  quando de sua aquisição);  5.  Absorção  da  pessoa  jurídica  a  que  se  refira  o  ágio  ou  deságio  (investida) pela pessoa jurídica investidora (ou viceversa).    Não se pode concluir que o legislador nacional buscou induzir a concentração  de empresas ou concentração econômica, pura e simplesmente. O objetivo do legislador foi o  de  alcançar  uma  solução  para  o  emparelhamento  de  receitas  e  despesas,  o  que  se  dá  com  a  realização  do  investimento,  integrando  em  uma  mesma  entidade  o  acervo  investido  e  o  investimento.  Tal necessidade decorre da utilização pelo  legislador brasileiro da  teoria da  entidade empresarial, com contabilização em apartado, diferentemente da adotada pelo direito  norte  americano,  onde  há  comunicação  natural  das  despesas  com  o  ágio  e  as  receitas  cuja  expectativa de geração futura justificou a sua assunção.   Assim é que, passando as empresas (investidora e investida) a comporem um  mesmo  grupo  econômico,  naturalmente  a  despesa  decorrente  do  sobrepreço  em  razão  da  expectativa de rentabilidade futura, naturalmente deveria ir de encontro com o resultado do seu  investimento.  Fl. 5656DF CARF MF     32 E é nessa linha que parte da doutrina defende inexistir prejuízo ao Fisco ao  permitir a dedutibilidade do ágio, vez que isso seria uma conseqüência natural do encontro das  despesas  com  a  aquisição  e  o  resultado  do  investimento  que  justificou  a  aquisição  com  sobrepreço.  O que coube ao legislador foi a preocupação de estabelecer uma regra básica  à dedutibilidade, bem como estabelecer critérios objetivos para se evitar o aproveitamento de  ágio superior ao efetivamente devido.  Ressalte­se, novamente,  que o  legislador  em momento algum há disposição  expressa na Lei n. 9.532/97 que vede a  realização de  reorganizações  societárias periféricas e  intermediárias ao evento de absorção eleito para ensejar a amortização do ágio por expectativa  de  rentabilidade  futura,  a  exemplo da  constituição de  empresa­veículo ou,  ainda,  que vede  a  transferência do ágio.  Como bem observado pelo colega Conselheiro Luis Flávio Neto no já citado  Acórdão CSRF n. . 9101003.397:    O  que  há  é  uma  tese  sobre  uma  “interpretação”  da  Lei  n.  9.532/97, pela qual a PFN sustenta a perda da possibilidade de  amortização do ágio em face de reorganizações societárias com  empresas veículo.  Como não há disposição expressa nesse sentido que dê ensejo a  argumentos  contundentes  apoiados  em  interpretação  literal,  é  necessário  investigar  se  uma  interpretação  sistemática,  teleológica ou mesmo histórica apoiariam tal tese.  De  início,  não  se  pode  jamais  perder  de  vista  que,  na  receita  procedimental  básica  prescrita  pelo  legislador  para  que  o  contribuinte  opte  (economia  de  opção)  pela  amortização  fiscal  do  ágio  em  aquisição  oneroso  de  investimento,  a  chamada  empresa  veículo  funciona  como  instrumento  para  o  emparelhamento  das  receitas  (da  empresa  investida)  com  as  despesas  da  amortização  do  ágio  (apurados  pela  empresa  investidora),  o  que,  afinal,  pressupõe  alguma  forma  de  “push  down  accounting”.  Daí  a  assertiva  de  VICTOR  BORGES  POLIZELLI:  “Enfatiza­se:  a  ‘empresa  veículo’  foi  legalmente  criada  pela  Lei  n.  9.532/1997  como  condição  para  o  carregamento do ágio para baixo, para a empresa investida”.  Além  disso,  parece  fora  de  dúvida  que,  ausente  manifestação  clara  e  expressa  do  legislador  para  a  limitação  de  liberdades  fundamentais,  qualquer  interpretação  que  conduza  a  tal  limitação  deverá  ser  avaliada  a  partir  das  normas  constitucionais  que  tutelam  a  liberdade  que  se  pretende  restringir.  Na  ausência  de  tal  manifestação  expressa  de  forma  clara  pelo  legislador,  a  análise  sistemática  do  ordenamento  demanda, antes de tudo, verificar se a interpretação em questão  contraria  liberdade constitucional de empresa, de  investimento,  de  organização  e  de  contratação,  me  parece  ser  dever  do  julgador administrativo evitá­la. A razoabilidade dessa tese deve  enfrentar esse teste fatal.     Fl. 5657DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.642          33 Ora, diante da ausência de restrição legal à transferência do ágio, bem como  diante dos princípios constitucionais que norteiam as liberdades individuais dos contribuintes, e  da  clara  opção  fiscal  de  dedutibilidade  de  despesas  relativas  ao  ágio,  qualquer  restrição  à  liberdade deve ser pautada por regras claras e expressas em lei.  Como bem conclui o referido colega Conselheiro em seu voto, se o legislador  assim não o  fez,  não há  esforço dialético,  que diante de uma análise  sistemática das normas  constitucionais,  que  permita  ser  razoável  impor  qualquer  restrição  às  reorganizações  societárias intermediárias ao encontro patrimonial da entidade investida com o investimento  faz  que  pereça  o  direito  à  amortização  de  ágio  por  expectativa  de  rentabilidade  futura  legitimamente apurado.  Desta  feita,  não  havendo  restrição  expressa  à  transferência  do  ágio,  e  prevalecendo  a  liberdade  negocial,  bem  como  sendo  cumprida  a  regra  operacional  básica  prevista na legislação, não há como se impedir a dedutibilidade do ágio.  Ressalto mais  uma  vez  que,  o  aproveitamento  do  ágio  é mero  encontro  da  despesa  realizada  pela  investidora  com  a  rentabilidade  que  justificou  o  pagamento  do  sobrepreço. Trata­se de conseqüência que deveria ser natural. Não há prejuízo ao Fisco.  Tenho me manifestado  de  forma  contrária  a  certas  ingerências  que o Fisco  tem imposto na administração e forma de realização dos negócios pelas empresas. Enquanto se  tem de um lado a obrigação do administrador buscar a forma mais eficiente e menos custosa  para gestão dos  seus negócios  (desde que  lícita), por outro  lado muitas vezes vemos o Fisco  fazendo  "exercícios  negociais"  buscando  verificar  se  as  operações  e  negócios  realizados  poderiam ter sido feitas por um meio que gerasse maior arrecadação tributária. Um fenômeno  chamado  por  alguns  doutrinadores,  como  Eurico  de  Santi,  de  "Planejamento  Tributário  Às  Avessas".  Entretanto, se estabelecerem interpretações absolutamente restritivas, apenas  com  o  fito  de  impedir  a  dedutibilidade  do  ágio,  é  pura  manifestação  de  uma  tentativa  de  "planejamento tributário as avessas", ou a busca de se obter uma tributação que naturalmente  não se obteria. Nesta situação, o Fisco faz um verdadeiro exercício interpretativo na tentativa  de  restringir  a  dedutibilidade  do  ágio.  Em  muitas  vezes,  faz  um  verdadeiro  exercício  de  imaginação  simulando  situações  em  que  a  tributação  seria  maior,  nesta  senda,  havendo  hipótese de tributação mais gravosa, enquadra a opção fiscal adotada pelo contribuinte como  abusiva.  Trata­se de verdadeira ingerência na liberdade negocial do contribuinte.  Por outro lado, a utilização da chamada empresa­veículo, expressão que tem  sido usada como sinônimo de ilegalidade tributária, por si só, não torna a operação ilegal, se  desacompanhada  de  qualquer  ato  fraudulento  ou  simulado,  especialmente  quando  restar  demonstrada a existência de alternativas que resultem no mesmo resultado tributário obtido.  Em  que  pese  não  tenha  sido  esse  o  fundamento  do  presente  lançamento,  cumpre  ressaltar  tal  posição  vez  que  o  mesmo  ágio  foi  assim  considerado  em  outros  lançamentos.  Esta linha de jurisprudência já é adotada por este Conselho:  Fl. 5658DF CARF MF     34   "AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO.  Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização  de ágio efetivamente pago.   A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da  Lei  nº  9.532,  de  1997,  ter  sido  realizada  por meio  de  empresa  veículo  não  prejudica  o  direito  do  contribuinte,  ante  o  fato  incontroverso  de  que  dessa  reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela  prevista  em  lei.  (Acórdão  1102000.982  1°  Câmara  /  2°  Turma  Ordinária  Sessão  de  04/12/2013  Voto  Vencedor  Conselheiro  José  Evande  Carvalho  Araujo)    Destaque­se trecho de voto proferido no Acórdão n. 1201001.267:    "(...)  Em  relação  ao  emprego  da  chamada  "empresa  veículo"  cumpre  destacar  que  tal  expressão  tem  sido  utilizada  pela  fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal  em si mesmo".  No  entanto,  como  é  cediço,  não  é  possível  sustentar­se  uma  autuação  fiscal  lastreada  na  simples  acusação  de  emprego  de  "empresa  veículo",  até  porque  o  simples  emprego  de  "empresa  veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária.    Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa  veículo" e a prática de alguma  infração à  legislação  tributária. E, no caso dos autos,  como o  autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastar­ se, de pronto, a autuação.". O que não o fez.  Entretanto,  no  caso  em  análise  a  situação  é muito mais  restrita. Não  estou  aqui nem a ingressar no campo da análise dos discutíveis propósitos negociais extrafiscais, que  demandam debate muito maior face ao alto grau de subjetividade.  Mas  o  fato  é  que,  se  o  chamado  planejamento  tributário  abusivo  deve  ser  rechaçado, igualmente o "planejamento tributário as avessas" também deve ser.  No presente caso, não existem grandes discussões acerca da legitimidade das  operações societárias realizadas, mas sim, quanto à possibilidade de transferência do ágio.  Pois bem, como já me manifestei acima, entendendo que o legislador é o ator  competente para impor restrições à opção fiscal de dedutibilidade do ágio, e assim não o fez, a  interpretação  sistemática  que  se  deve  ter  é  a  de  que  é  permitida  a  realização  da  referida  transferência. Isto, desde que, todas as demais condições da regra básica prevista em lei sejam  cumpridas. E também entendo que estejam.  Neste ponto, cumpre mais uma vez me valer do brilhante voto proferido pelo  Colega Conselheiro Luis Flávio Neto, no já citado Acórdão CSRF n. . 9101003.397:  Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.643          35   5. Aplicação das normas jurídicas ao caso concreto.  É  relevante  repisar  o  contexto  fático  das  reestruturações  societárias  realizadas no bojo do contribuinte, tal como descrito no acórdão recorrido (efls. 1497 e  seg.), in verbis:  “1. no primeiro semestre de 2005, a pessoa  jurídica CAMARGO CORRE S/A, CNPJ  no  01.098.905/000109,  controladora  da  autuada,  manteve  negociações  com  pessoas  físicas  e  jurídicas  visando adquirir o  controle da pessoa  jurídica LOMA NEGRA CIA  S/A.;  2. para a concretização do negócio, foram constituídas três pessoas jurídicas (GABY 1,  GABY 2 e GABY 3);  3. em 30 de junho de 2005, por meio de contrato de COMPRA E VENDA DE AÇÕES, a  CAMARGO CORRÊA S/A adquiriu as ações das pessoas jurídicas GABY 1, GABY 2 e  GABY  3,  passando  a  deter  indiretamente  100%  das  ações  da  pessoa  jurídica  HOLDTOTAL S/A e 93,43% das ações da pessoa jurídica LOMA NEGRA;  4. em 30 de novembro de 2005, a CAMARGO CORRÊA S/A transferiu a titularidade das  suas ações  das pessoas  jurídicas GABY 1, GABY 2  e GABY 3 para a  fiscalizada,  sua  controlada, por meio de aumento de capital e pagamento de uma dívida que tinha com a  pessoa  jurídica  CAUÊ  INVESTIMENTS  LIMITED,  transferida  para  a  fiscalizada  por  meio de subrogação;  5. ao adquirir GABY 1, GABY 2 e GABY 3, a CAMARGO CORRÊA S/A pagou um ágio  de  R$  1.571.603.219,37,  e,  ao  transferir  a  titularidade  das  citadas  empresas  para  a  fiscalizada, o fez transferindo, também, o referido ágio;  6. em 1o de dezembro de 2005, a fiscalizada incorporou as empresas GABY 1, GABY 2 e  GABY 3, passando a amortizar o ágio referenciado.”  Conforme  os  fundamentos  explicitados  acima,  a  transferência  do  investimento para a Camargo Correa Cimentos, empresa efetivamente operacional, em  nada  interfere  na  apuração  e  amortização  fiscal  do  ágio.  Assim,  permissa  vênia,  compreendo equivocadas algumas das premissas adotadas  pelo  i. Conselheiro  relator  do acórdão recorrido, quando afirma, in verbis:  “Apesar  de  concordar  com  a  decisão  de  primeiro  grau  no  sentido de que não restam configurados nos autos circunstâncias  que indiquem a constituição de “empresa­veículo” no âmbito de  um planejamento tributário, rejeito o argumento ali esposado de  que a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o  controle  de  empresas  adquirida  com ágio  efetivamente  pago, à  sua controlada , pelo valor total pago. Não se trata, como parece  crer  a  Turma  Julgadora  de  primeiro  grau,  de  vedação  ao  repasse  de  controle  de  empresas,  mas,  sim,  de  ausência  de  lei  autorizadora de transferen̂cia de ágio por meio de subscricã̧o de  aumento de capital e de quitação de dívida."  Fl. 5660DF CARF MF     36 Ocorre que o legislador prescreveu normas que tornaram a adoção de  “empresas veículo” (com propósito específico de atuar na reestruturações societária ou  não)  indiferente para a apuração do ágio ou, em muitas  situações, necessária. Afinal,  não  se  pode  esquecer  que  a  edição  da  Lei  n.  9.532/97  foi  impulsionada  diante  das  privatizações  pretendidas  como  plano  de  governo  à  época,  as  quais,  inclusive  por  questões regulatórias, exigiriam a utilização de “empresa veículo”.  Salvo hipótese de dolo para evasão de tributos (o que não me parece  que  restou  demonstrado  nos  autos),  é  oponível  ao  fisco  a  aquisição  de  investimento  relevante  por  empresa­veículo,  com  ágio  fundado  em  expectativa  de  rentabilidade  futura, na qual todas as exigências da legislação tributária, contábil e societária tenham  sido cumpridas.  Além disso,  todos  os  demais  requisitos  exigidos  pela Lei  n.  9.532/97  foram cumpridos pela contribuinte.  Foi  cumprida  a  exigência  do  efetivo  desdobramento  do  custo  de  aquisição  em  valor  de  equivalência  patrimonial  e  o  ágio  por  expectativa  de  rentabilidade futura.  Foi  cumprido  o  requisito  da  demonstração  a  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  empresa  adquirida.  Note­se  que  as  oposições  trazidas  pela  fiscalização quanto à expectativa de rentabilidade futura das empresas adquiridas e as  demonstrações trazidas foram afastadas tanto pela DRJ quanto pela Turma a quo.  Nesse  sentido,  vale  repisar  o  quanto  decidido  pela  DRJ,  quando  do  julgamento da impugnação apresentada pela ora recorrente, in verbis:    “Observa­se  também  que,  a  controladora  da  fiscalizada,  a  empresa Camargo Correa  S.A.  (CCSA),  realmente  pagou pelas  empresas  Gaby1.  Gaby2  e  Gaby3,  com  ágio  calculado  pelo  relatório de  rentabilidade  futura  efetuado pelo banco Goldman  Sachs, tendo inclusive havido um ligeiro desconto no valor pago.    Cabe  lembrar  que  por  serem  grupos  econômicos  distintos,  a  CCSA  teria o máximo empenho em pagar o menor valor possível, e não ao contrário, como é  feito em criação de ágio entre empresas do mesmo grupo econômico.  Assim,  é  descabida  a  argumentacã̧o  tecida  pelo  auditor  fiscal  a  respeito:  “Mostra­se  de  hialina  clareza  a  flagrante  intencã̧o  do  grupo  econômico de adquirir as empresas com o fim único de transferir o ágio. Trata­se de um  caso  típico  de  "empresas  veículos",  criada  com  este  cínico  intuito.  A  recente  jurispruden̂cia administrativa vem sendo firmada no sentido de se exigir um propósito  negocial  em  operacõ̧es  societárias  que  visem  apenas  e  tão  somente  a  alcanca̧r  benefícios  fiscais,  tal  como  no  caso  "sub  examine".  A  título  meramente  ilustrativo,  é  oportuno  transcrever  excerto  de  julgado  do  então  Conselho  de  Contribuintes  (atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  conforme  Medida  Provisória  n°  449/2008):  Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.644          37 O citado acórdão do CARF dizia  respeito à  incorporacõ̧es com ágio  efetuadas através de empresas veiculo, dentro de um mesmo grupo econômico, no tipo  de operação já descrito acima, o que não se aplica ao caso presente.  É  absurda  ainda  a  ainda  a  argumentacã̧o  apresentada  pelo  auditor  fiscal quando alega que “Relembrando que as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 foram  compradas  pelo  valor  de US$ 775.818.303,  em  09/11/2005,  apesar  de  ser  constituída  por um Patrimônio Líquido de US$ 136 milhões e com um ágio de US$ 639,8 milhões e  no  estudo  elaborado  peio  grupo  econômico  Camargo  Corrêa  e  seus  assessores  financeiros,  a  Média  Revisada  do  Valor  do  Capital  era  de  US$  829  milhões,  em  29/03/2005.  Diante  dos  fatos  apresentados,  cabe  indagar:  O  Grupo  Camargo  Corrêa pagou algum ágio ou teve ganho de capital na compra das empresas Gaby's ?”  (grifou­se)  O  auditor  fiscal  parece  se  esquecer  que  ganho  de  capital  em  transações de  compra  e  venda,  só  existe para a  vendedora que  venda o bem  com um  preco̧ maior que a avaliação histórica dele na contabilidade. O lucro na venda constitui  o ponto de partida para o cálculo do ganho de  capital a  ser pago pela  vendedora do  bem.  Também  parece  não  lembrar  que  ágios  em  aquisicã̧o  de  bens  são  legais  e  podem  ser  amortizados,  tanto  que  os  arts.  385  e  386  do  RIR/99  autorizam  expressamente essa amortizacã̧o.  Conforme autoriza  o  §2o  do  artigo  385,  a  contribuinte  pode  indicar  qualquer um dos itens desse parágrafo como fundamento do ágio. Reproduz­se a seguir  o citado artigo, para maior clareza:  Art.  385.  O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  deverá,  por  ocasião  da  aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisicã̧o em (DecretoLei ns 1.598, de  1977, art. 20):  I­ valor de patrimônio líquido na época da aquisicã̧o, determinado de  acordo com o disposto no artigo seguinte; e   II ­ ágio ou deságio na aquisicã̧o, que será a diferenca̧ entre o custo  deaquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior.  §  1o.  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto Lei  n. 1.598, de 1977, art. 20, § 1).  §  2o.  lançamento  do  ágio  ou  deságio  deverá  indicar,  dentre  os  seguintes, seu fundamento econômico (Decreto Lei n1.598, de 1977, art. 20, §22):  I  ­  valor  de  mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  Fl. 5662DF CARF MF     38 II  ­  valor  de  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada,  com  base  em  previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3o. lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará como comprovante da escrituracã̧o (Decreto Lei n? 1.598, de 1977, art. 20, §  3).  Conforme se observa acima, o legislador deixou para os contribuintes  a escolha de qual fundamento de ágio seria utilizado, não obrigando de maneira alguma  que  a  avaliacã̧o  fosse  feita  pelo  fundo  de  comércio  como  parece  acreditar  o  auditor  fiscal,  podendo  perfeitamente  utilizar  como  fundamento  de  ágio,  o  valor  de  rentabilidade da controlada com base em previsão de resultados futuros.  Cabe  notar  que  o  próprio  auditor  fiscal  declara  e  a  contribuinte  confirma, o fundamento para a apuração do valor do ágio foi o relatório efetuado pelo  banco Goldman Sachs, com base em previsão de exercícios futuros e esse relatório não  foi  contestado  pelo  auditor  fiscal,  que  no  entanto  tece  uma  argumentação  um  tanto  contraditória nos parágrafos 2.2.3.8 até 2.2.3. 17. pois afirma em um parágrafo que o  fundamento do ágio deveria ser o de expectativa de rentabilidade futuro e nos seguintes  despreza essa avaliação em favor da avaliação do fundo de comércio, esquecendo que a  avaliação de fundo de comércio,  faz parte integrante do valor calculado com base em  previsão de resultados futuros.  Realmente  não  se  poderia  partir  para  avaliacã̧o  de  valores  de  resultados futuros sem ter o valor atual do bem, que é composto necessariamente pelo  valor de fundo de comércio e outros intangíveis.  Uma vez que a argumentacã̧o sobre fundo de comércio não invalida o  relatório do Banco Goldman Sachs, pois o auditor fiscal não comprovou que os valores  apresentados no relatório do banco seriam  falsos ou estariam errados,  limitando­se a  tecer longos argumentos sobre o fundo de comercio em teoria.  Assinala­se também que , durante o procedimento fiscal , a fiscalizada  mandou  elaborar  um  Estudo  do  valor  das  empresas  Gaby  1,  Gaby2  e  Gaby3,  pela  empresa KPMG Corporate LTDA  ,  estudo  esse que  serviu  apenas  validador  do  outro  estudo, e onde esta declarado que “"que o escopo do trabalho não incluiu a elaboração  de  nova  avaliação  econômico­financeira  da  Loma Negra,  assim  como  das  Empresas,  mas  apenas  a  formalização  do  estudo  de  rentabilidade  futura  feito  quando  da  Transacã̧o.  Nesse  sentido  não  somos  responsáveis  pelas  premissas  de  projeções  do  estudo  derentabilidade  futura  da  Loma  Negra."  (pág.  5,  parágrafo  3o  do  Estudo  de  Valor das  empresas Gabyl Holding, LLC, Gaby2 Holding, LLC Gaby3 Holding, LLC,  realizado pela KPMG Corporate Finance Ltd.)  O  auditor  fiscal  utilizou  esse  trecho  como  argumentação  para  descaracterizar a avaliação feita pelo banco Goldman Sachs mas , na realidade, o que  está  dito  apenas  confirma  que  a  avaliação  foi  feita  à  época  da  transação  e  que  os  valores não foram criados em 2010 por ocasião do no estudo , que manteve os valores  apurados anteriormente, servindo apenas para formalizar  , no Brasil, o mesmo estudo  feito pelo banco americano.  Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.645          39 Convém reparar que a argumentação tecida pelo auditor fiscal vai no  sentido  que  a  fiscalizada  teria  procurado  obter  o  maior  valor  possível  de  ágio  para  aproveitar­se do que o auditor fiscal denomina “a benesse da amortizacã̧o do ágio” o  que não é muito coerente, pois , como já dito, seria muito mais vantajoso para o grupo  Camargo Correa, pagar o menor preço possível pela aquisição e não o contrário.  As afirmacõ̧es do auditor fiscal , como já dito, só fariam sentido se a  transação tivesse ocorrido entre empresas do mesmo grupo econômico, com aquisições  “pagas”  em  ações  da  empresa  “compradora”  que  ai  sim,  tem  o maior  interesse  em  criar  o maior  ágio  possível,  para  ser  amortizado  posteriormente  por  ela  ou  pela  sua  incorporadora.”  Igualmente foi cumprida a exigência do art. 8o, “b”, da Lei 9.532/97,  com a  absorção patrimonial  da  pessoa  jurídica  que  detinha  o  investimento  adquirido  com ágio. Assim, foi cumprida a exigência de que a amortização do ágio apurado pela  investidora  se processasse  contra os  lucros da  empresa  investida,  cuja  expectativa de  lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição.    Assim é que, concordando com as conclusões a que chegou o Nobre Colega  Conselheiro no referido paradigma, e concluindo restarem cumpridos os requisitos previstos na  regra  básica  legal  para  aproveitamento  do  ágio,  entendo  que  deva  ser  dado  provimento  ao  Recurso Voluntário do contribuinte.  Ademais,  além  de  tudo  o  quanto  exposto,  era  possível  obter  o  mesmo  resultado se a Recorrente  tivesse efetuado a compra direta,  com empréstimos  realizados pelo  grupo econômico.  Desta forma, havendo outra forma de se obter o mesmo resultado econômico,  não  há  o  que  se  questionar  a  operação  societária  realizada,  que  foi  um  claro  exercício  da  liberdade negocial assegurada ao contribuinte.  Esse também é entendimento firmado no CARF:    AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO.  Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização  de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de  que  tratam os  arts.  7º  e  8º  da Lei  nº  9.532,  de  1997,  ter  sido  realizada por  meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato  incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia  de  tributos  distinta  daquela  prevista  em  lei.  (Acórdão  1102000.982  1°  Câmara  /  2°  Turma  Ordinária  Sessão  de  04/12/2013  Voto  Vencedor  Conselheiro José Evande Carvalho Araujo)    No mesmo sentido foi o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no  Acórdão 1302001.186 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária:  Fl. 5664DF CARF MF     40   Por outro lado, a constituição da NAVPAR teve como propósito  possibilitar o aproveitamento do ágio, como afirma a autoridade  lançadora?  A  resposta  é  irrefragavelmente  não,  pelas  seguintes  razões.  Primeiro,  ninguém  discute  a  existência  do  ágio  e  o  seu  efetivo  pagamento  pela  recorrente  aos  membros  da  família  Schwec.  Logo, mesmo que não existisse a NAVPAR,  se a  recorrente e a  Sogil tivessem adquirido diretamente o controle da Auto Viação  Navegantes  com  ágio,  poderiam  cindi­la  e  passar  a  deduzir  a  amortização  do  ágio  das  suas  bases  tributáveis.  Logo,  fica  evidente  que  esse  malabarismo  societário  se  deve  a  razões  meramente  empresariais,  que os obrigavam a preservar a Auto  Viação  Navegantes,  ou  seja,  preferindo  assim  criar  uma  intermediária.  Além  disso,  caso  viesse  a  ser  declarado  nulo  o  ato  de  constituição da NAVPAR, por ser um ato simulado, subsistiria o  ato  dissimulado,  o  qual  consistiria  em  uma  participação  da  recorrente na Auto Viação Navegantes com ágio no mesmo valor  que  fora  registrado  na  aquisição  da  NAVPAR,  sendo  que,  por  óbvio, para que a sua amortização viesse a ser dedutível do IR e  da CSLL, bastava que houvesse a mesma operação que foi feita  com a NAVPAR.  Logo,  ainda  que  se  admita  a  existência  de  um pacto  prévio  de  constituição  da  NAVPAR,  este  não  serviu  para  dissimular  ato  tributariamente mais oneroso, pois os efeitos  tributários  seriam  os mesmos caso a NAVPAR não viesse a  ser constituída,  razão  pela qual entendo que não houve simulação fiscal.    Face ao exposto, voto no sentido de dar provimento nesse ponto ao recurso  voluntário.    Da inexistência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL, da  despesa de amortização de ágio considerada indedutível.  Igualmente assiste razão ao contribuinte no que se refere à CSLL.   Na  sessão  de  03/05/2016,  a  CSRF  proferiu  o  acórdão  n.  9101002.310,  no  qual compreendeu que as normas que determinavam a adição da amortização contábil do ágio  para  fins  de  IRPJ  não  poderiam  ser  transplantadas  para  a  CSLL.  A  decisão  restou  assim  ementada:    Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL  Ano­calendário:  2004, 2005, 2006, 2007.  Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.646          41 CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE.  A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício.  Havendo  determinação  legal  expressa  para  que  ela  não  seja  computada  na  determinação  do  lucro  real,  o  respectivo  valor  deve  ser  adicionado  no  LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no  mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o  que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade  lançadora.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  ADIÇÃO  À  BASE  DE  CÁLCULO.  INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995.  Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL  da  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  investimento  avaliado  pela  equivalência  patrimonial.  Inaplicabilidade,  ao  caso,  do  art.  57  da  Lei  n  8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com  a base de cálculo do IRPJ.  IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA.  A  aplicação,  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  das mesmas  normas  de  apuração  e  pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo.  Assim,  em  determinadas  circunstâncias,  para  que  se  possa  considerar  indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não  é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na  determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse  sentido.    Concordo  com  a  decisão  que  tomou  o  referido  Colegiado.  Não  há  fundamento legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio  pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao  caso,  do  art.  57  da  Lei  n  8.981/1995,  posto  que  tal  dispositivo  não  determina  que  haja  identidade com a base de cálculo do IRPJ.  Assim,  também  dou  provimento  ao  Recurso  Voluntário  do  Contribuinte  quanto a este ponto.    Da impossibilidade de cumulação da multa de ofício e isolada  Em  que  pese  a  questão  possa  ser  prejudicada  caso  vencedor  o  voto  deste  relator,  entendo  que  deva  enfrentar  esta  questão  de  mérito  para  evitar  possíveis  futuros  questionamentos em sede de embargos.  No  que  se  refere  à  alegação  de  impossibilidade  da  duplicidade  da  multa  isolada  e  de  ofício,  também  concordo  com  as  razões  do  Recorrente.  Isto  porque,  sigo  o  entendimento  acerca  da  impossibilidade  da  aplicação  simultânea  sobre  a mesma  infração  da  multa  isolada  pelo  não  pagamento  de  estimativas  apuradas  no  curso  do  ano­calendário  e  da  Fl. 5666DF CARF MF     42 multa  proporcional  concernente  à  falta  de  pagamento  do  tributo  devido  apurado  no  balanço  final do mesmo ano­calendário.  Tal  fato  se  deve  à  conclusão  de  que  o  não  pagamento  das  estimativas  é  apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Uma vez que as estimativas são meras  antecipações  dos  tributos  devidos,  a  concomitância  significa  dupla  imposição  de  penalidade  sobre o mesmo fato.  Neste  ponto me  permito  valer  dos  fundamentos  aduzidos  pelo Conselheiro  Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201­00.235:    As  regras  sancionatórias  são  em  múltiplos  aspectos  totalmente  diferentes  das  normas  de  imposição  tributária,  a  começar  pela  circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por  uma  conduta  antijurídica,  ao  passo  que  das  segundas  se  trata  de  conduta  lícita.  Dessarte,  em múltiplas  facetas o  regime das  sanções pelo  descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do  tributário.  Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre  as  funções  da  pena,  há  a  PREVENÇÃO  GERAL  e  a  PREVENÇÃO  ESPECIAL.   A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da  prescrição da norna punitiva,  inibe­se o comportamento da coletividade de  cometer  o  ato  infracional.  Já  a  segunda  é  dirigida  especificamente  ao  infrator para que ele não mais cometa o delito.  É,  por  isso,  que  a  revogação  de  penas  implica  a  sua  retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma  conduta  não mais  é  tipificada  como  delitiva,  não  faz  mais  sentido  aplicar  pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas.  Essa  discussão  se  torna  mais  complexa  no  caso  de  descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais.  Hector Villegas,  (em Direito Penal Tributário. São Paulo,  Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate  da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis  temporárias e excepcionais.  No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo  há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal,  no caso, o art. 3°:  Art.  3"  ­  A  lei  excepcional  ou  temporária,  embora  decorrido  o  período  de  sua  duração  ou  cessadas  as  circunstâncias  que  a  determinaram, aplica­se ao fato praticado durante sua vigência.  Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.647          43 O legislador penal impediu expressamente a retroatividade  benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções  de prevenção. Explico e exemplifico.  Como  é  previsível  a  cessação  da  vigência  de  leis  extraordinárias e certo,  em relação às  temporárias, a exclusão da punição  implicaria  a  perda  de  eficácia  de  suas  determinações,  uma  vez  que  todos  teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de  uma  lei  que  impõe  a  punição  pelo  descumprimento  de  tabelamento  temporário  de  preços.  Se  após  o  período  de  tabelamento,  aqueles  que  o  descumpriram não  fossem punidos  e  eles  tivessem a  garantia  prévia  disso,  por que então cumprir a lei no período em que estava vigente?  Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal  é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra  que  estabelece  o  dever  de  antecipar  não  ser  temporária,  cada  dever  individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento  definitivo que se caracterizará no ano seguinte.  Nada  obstante,  também  entendo  que  as  duas  sanções  (a  decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar  em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões  de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal.  Nesta  seara  mais  desenvolvida  da  Dogmática  Jurídica,  aplica­se  o  Princípio  da  Consunção.  Na  lição  de  Oscar  Stevenson,  "pelo  princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja  execução  atravessa  fases  em  si  representativas  desta,  bem  como  de  outras  que  incriminem  fatos  anteriores  e  posteriores  do  agente,  efetuados  pelo  mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é  meio  necessário,  fase  normal  de  preparação  ou  execução,  ou  conduta  anterior  ou  posterior  de  outro  crime,  é  excluída  pela  norma  deste". Como  exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime  de estelionato absorve o de  falso. Nada obstante, se o crime de estelionato  não chega a ser executado, pune­se o falso.  É  o  que  ocorre  em  relação  às  sanções  decorrentes  do  descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de  receita,  que  enseja  o  descumprimento  de  pagar  definitivamente,  também  acarreta  a  violação  do  dever  de  antecipar.  Assim,  pune­se  com  multa  proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas  não do de pagar, pune­se a não antecipação com multa isolada.    Diga­se  ainda  que  a  questão  é  objeto  de  Súmula  do  CARF  nº  105,  que  entendo permanecer aplicável aos fatos geradores posteriores à edição da Lei nº 11.488/07  in  verbis:    Fl. 5668DF CARF MF     44 Súmula  CARF  nº  105  :  A  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por  falta  de  pagamento  de  IRPJ  e  CSLL  apurado  no  ajuste  anual,  devendo  subsistir a multa de ofício.     Outrossim, tal posição encontra guarida em diversas decisões deste Conselho,  incluindo­se  esta  mesma  Turma  Ordinária,  seja  pela  aplicação  do  princípio  da  consunção  (também aplicável ao caso), seja pela própria impossibilidade de cumulação.  Assim, entendo assistir razão ao recorrente quanto a este ponto.    Conclusões  Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e  dar provimento ao Recurso Voluntário quanto a (i) possibilidade de transferência e amortização  do  ágio;  (ii)  a  inexistência  de  previsão  legal  para  adição  na  base  de  cálculo  da  CSLL,  da  despesa  de  amortização  de  ágio  considerada  indedutível,  e;  (iii)  da  impossibilidade  de  cumulação de multa isolada e de ofício.  Tendo em vista  a conclusão do meu voto,  os demais  argumentos de mérito  restam prejudicados, em que pese enfrentados no voto.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva  Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.648          45 Voto Vencedor  Cláudio de Andrade Camerano ­ Redator Designado  De se destacar que o presente voto vencedor  refere­se à  (i) manutenção da  glosa das despesas com amortização de ágio e  (ii)  a adição na base de cálculo da CSLL das  referidas  despesas.  Nestes  itens,  por  maioria  de  votos  (voto  de  qualidade),  foi  negado  provimento ao Recurso Voluntário.  Assim,  de  se  acatar  o  que  foi  decidido  pelo  Relator  e  ratificado  por  esta  Turma  Ordinária,  relativamente  às  demais  questões  trazidas  no  Recurso,  com  exceção  das  matérias supra identificadas, objeto deste voto vencedor.  Da amortização do ágio: glosa  Apesar  do  voto  bem  articulado  proferido  pelo  nobre  Conselheiro  Relator,  neste item em questão, divirjo, data vênia, de seu entendimento.  Reproduzo excertos da decisão de piso, para relembramos a situação:  De acordo com o autor do feito, as despesas com a amortização  do ágio gerado com a aquisição das empresas Gaby 1, Gaby 2 e  Gaby 3, foram glosadas porque o fundamento econômico seria o  valor de fundo de comércio e intangíveis ao invés da expectativa  de  rentabilidade  futura,  bem  como  o  laudo  de  avaliação  elaborado  pela  KPMG,  que  justificou  este  ágio,  teria  sido  apresentado em momento muito superior ao da transação. Além  do mais, a amortização do ágio teria sido feita de forma indevida  pela impugnante, uma vez que a aquisição das empresas Gaby´s  não foi feita por ela, não atendendo ao disposto nos artigos 385  e 386 do RIR.  Por sua vez, a contribuinte alega que a aquisição com ágio das  empresas Gaby´s pela CCSA teve como fundamento econômico a  expectativa de rentabilidade futura baseado no estudo elaborado  pela  Banco  Goldman  Sachs,  devidamente  apresentado  à  fiscalização, e que foram apenas ratificados posteriormente pelo  citado  laudo  de  avaliação  elaborado  pela  KPMG.  Que  a  fiscalização não desconsiderou os estudos apresentados nem fez  prova  de  que  o  fundamento  econômico  seria  a  aquisição  de  fundo de comércio. Que sob o ponto de vista contábil, Fundo de  comércio e expectativa de rentabilidade futura seriam sinônimos.    Quanto  à  transferência  da  participação  adquirida  com  ágio  à  título  de  aumento  de  capital  e  pagamento  de  dívida,  da CCSA  para  a  contribuinte,  informa  que  a  legislação  não  veda  esta  transação.  Que  o  fato  de  não  existir  lei  que  autoriza  expressamente a transferência do ágio não significa que isto seja  vedado, porém, o fato de não haver lei que proíba tal operação  representa,  sim,  a  possibilidade  de  sua  implementação.  Se  a  participação nessas empresas, cuja expectativa de rentabilidade  futura  sustentou  o  ágio,  foi  transferida,  é  razoável  que  o  ágio  Fl. 5670DF CARF MF     46 acompanhe essa participação. Ad argumentandum, alega que a  integralização  de  capital  na  Impugnante  dá  ensejo  ao  nascimento de um novo ágio, o qual  também preenche todos os  requisitos  de  validade  e  sua  amortização  fiscal  é  plenamente  legítima.  A  questão  a  ser  enfrentada  é  verificar  se  há  embasamento  legal  para  a  Recorrente deduzir, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a amortização de ágio registrado  em sua contabilidade, decorrente de determinadas operações societárias que culminaram com a  transferência à Camargo Correa Cimentos S/A (atualmente denominada de Intercement Brasil  S/A), por meio de incorporação, de ativo que continha o registro de ágio.   Do Termo de Verificação Fiscal ­ TVF, já relatoriado no âmbito do voto do  Relator, em apertada  síntese,  de  se dizer  que  estamos  diante de  caso  relativo  à  aquisição  de  participação  societária,  por  parte  da Camargo Correa  S/A  (CCSA)  de  empresas  sediadas  no  exterior ­ Gaby 1, Gaby 2 e Gaby 3 ­, as quais detinham ações da Holdtotal S/A e Loma Negra  C.I.A.S.A., pagamento então efetuado com ágio.  Posteriormente,  a CCSA  integraliza  o  capital  de  sua  controlada,  a  empresa  Camargo Correa Cimentos  S/A  (CCC),  sendo  sua  atual  denominação  de  Intercement  Brasil  S/A, a Recorrente, utilizando­se nesta integralização as ações adquiridas no exterior. Com esta  engenharia societária,  a CCC,  sendo agora a  titular das empresas Gaby 1, Gaby 2 e Gaby 3,  promove  a  incorporação  destas  três  empresas  e  passa  a  amortizar  o  ágio  trazido  por  estas  empresas, simples assim:  Eis o relato fiscal:  Em  01  de  dezembro  de  2005,  a  empresa  CCC  incorporou  as  empresas Gaby1, Gaby2, Gaby3,  conforme  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária,  realizada  nesta  data,  iniciando  a  amortização  do  ágio  nesse mesmo mês  a  razão  de  01/96  avos,  totalizando R$ 16.371.148,13 por mês e R$ 196.453.777,56 por  ano.  Em  07  de  dezembro  de  2005,  foi  providenciado  o  encerramento/cancelamento  das  empresas  Gaby1,  Gaby2  e  Gaby3,  no  Estado  de  Delaware,  nos  EUA,  tendo  em  vista  que  foram  extintas  pelas  incorporações  realizadas  no  Brasil,  em  01/12/2005.  Mediante  uma  simples  operação  de  incorporação,  a  recorrente  está  se  beneficiando de uma dedutibilidade de quase duzentos milhões de reais por ano, entendendo  estar ao abrigo legal do art.386 do RIR/99. E isto sem sacrificar um único ativo!  A questão que ora se analisa requer algo mais que a simples constatação da  licitude  de  cada  uma  das  operações  realizadas.  Para  além  da  legalidade  de  cada  ato  individualmente  considerado,  impõe­se  a verificação  do  conjunto  de  operações,  em  face  dos  princípios que informam o ordenamento jurídico.  A questão  não  requer muitas  divagações,  deve­se  ter  em mente  que  o  ágio  representa um custo (se o investimento for alienado) ou despesa se for objeto de amortizações.  A legislação permite que o ágio possa ser amortizado, impedindo, entretanto,  sua dedução fiscal, confirme consta no art.391 do RIR/99, ressalvado o disposto no art.426 do  RIR/99 (alienação do investimento).  Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.649          47  Ainda,  a  possibilidade  (fiscal)  de  deduzir  o  ágio  na  apuração  do  lucro  restringe­se ao caso previsto no art. 386, III, do RIR/99 (art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97), qual  seja: em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  fundamentado  em  rentabilidade da  coligada  ou  controlada  com base  em previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros, caso em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo,  para cada mês do período de apuração.    Reproduzo o texto legal do caput do art.386 do RIR/99:  “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no art. 20 do Decreto­Lei nº1.598, de 26 de  dezembro  de  1977:  (Vide  Medida  Provisória  nº  135,  de  30.10.2003)  [...]III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja  o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decreto­lei n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados posteriormente à  incorporação,  fusão ou  cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês  do  período  de  apuração;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.718,  de  1998).  Então, o que se persegue é o que alguns chamam de confusão patrimonial,  que nada mais é do que a união dos patrimônios das empresas envolvidas, a real  investidora  (que adquiriu a participação societária com ágio) e a investida, ocasião em que a amortização  do ágio passa a ser autorizada com efeitos imediatos na base de cálculo do IRPJ.  Particularmente, em outro viés que me agrada mais, este encontro de contas  nada  mais  é  do  que  a  observância  ao  regime  de  competência,  que  ilustra  o  princípio  da  confrontação entre receitas e despesas. Relembremos de seu conceito, conforme se extrai da  obra  Contabilidade  Financeira  ­  Introdução  Aos  Conceitos,  Métodos  e  Aplicações,  de  Roman L.Weil, Katherine Schipper e Jennifer Francis, tradução da 14ª edição norte­americana,  2016:  Contabilidade pelo regime de competência  O  regime  de  competência  reconhece  a  receita  quando  uma  empresa  vende  bens  (empresas  industriais  ou  comerciais)  ou  presta  serviços  (empresas  de  serviços).  As  despesas  são  reconhecidas  no  período  em  que  a  empresa  reconhece  as  receitas  que  esses  custos  ajudaram  a  produzir.  Assim,  a  contabilidade  pelo  regime  de  competência  busca  confrontar  despesas com receitas. Quando o consumo dos benefícios futuros  de um ativo não está correlacionado a uma receita específica, a  empresa  reconhece  esses  gastos  como  despesa  no  período  em  que a empresa utiliza os benefícios.    Despesas representam saída de ativos incorrida para gerar receitas.   Enquanto  o  ágio  pago  (sacrifício  de  ativos)  na  aquisição  em  debate  permanecer com a adquirente CCSA, ele (o ágio) fica, digamos, congelado, em face do regime  Fl. 5672DF CARF MF     48 de competência, uma vez que ainda não se materializaram os benefícios futuros desta saída de  ativos com os lucros ou receitas esperados, ou seja, o custo/despesa representado pelo ágio e as  receitas pertinentes  (resultados  futuros) que se espera obter/gerar  ainda não se comunicaram,  daí a sua indedutibilidade fiscal.  Agora,  quando  se  perfectibiliza  o  encontro  da  despesa/custo  (do  ágio,  sacrifício  de  ativo  do  investidor)  com  a  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  investida,  ou  seja, as receitas esperadas e auferidas pela investida, daí a legislação tributária brasileira aceitar  a dedutibilidade fiscal da despesa (amortização do ágio).   E NÃO  é  o  que  temos  nos  autos,  pois  a  incorporação  das  empresas  que  detinham  o  investimento  com  ágio  foi  feita  pela  CCC  (Recorrente),  que  não  fora  a  adquirente real, de forma que não se verificou aí o desejável encontro de patrimônios.   Veja que o art.386 do RIR/99 é muito claro: a amortização do ágio, ­ entenda  a dedução fiscal ­, surgido de aquisição de participação societária é permitida a quem adquiriu  tal investimento com o sobrepreço, não sendo cabível a sua transferência a outra empresa por  meio  de  aumento  de  capital,  até  porque  não  há  lei  que  possibilite  transferência  de  ágio  por  meio de subscrição de aumento de capital.  Só me resta concordar com a decisão de piso:  Apesar da incorporação das Gaby´s realizada pela contribuinte  em  01  de  dezembro  de  2005,  não  foi  ela  quem  adquiriu  as  empresas. O inciso III do artigo 386 somente pode ser utilizado  se atendido o disposto no artigo 385 do RIR/99. Esta é condição  para existência daquela. Sendo assim, entendo acertada a glosa  destas despesas.  Quanto  ao  argumento  de  que  a  integralização  de  capital  na  Impugnante dá ensejo ao nascimento de um novo ágio, entendo  totalmente  descabido.  Neste  caso,  não  se  tratam  de  partes  independentes, mas sim de empresas do mesmo grupo econômico  (CCSA e CCC). Como já informado acima, um dos pressupostos  para  a  formação  do  ágio  é  que  o  negócio  ocorra  entre  partes  independentes.  Com  relação  ao  argumento  da  Recorrente  de  que  haveria  uma  eventual  inovação  na  decisão  da DRJ,  que  teria  considerado  um  fundamento  econômico  do  ágio  não  coincidente  com  o  da  autoridade  fiscal,  isto  não  tem  a  menor  relevância,  uma  vez  que  se  discute aqui se o ágio em debate é amortizável ou não.  Acerca disto, oportuno reproduzir excerto do Acórdão 1302­00.834, referente  processo  10880.721862/2010­45,  trazido  aos  autos  no Termo  de Verificação  Fiscal,  acórdão  este que tratou da mesma matéria na empresa fiscalizada, mas do ano de 2005:  Como  se  vê,  a  autoridade  autuante  serviu­se  de  quatro  fundamentos para sustentar a autuação.  Tenho, pois, que dois desses fundamentos não procedem.  Com efeito,  a discussão acerca do  fundamento  econômico ágio  só  se  apresentaria  relevante  se  não  estivesse  em  discussão,  também,  a  própria  titularidade  do  dispêndio  (ágio).  Penso  que  as  razões  descritas  nas  letras  “a”  e  “c”  acima  se  complementam,  mas,  conflitam  com  a  referenciada  pela  letra  Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.650          49 “b”, ou seja, se o ágio não é passível de amortização em virtude  de  a  contribuinte  não  se  enquadrar  nas  disposições  da  lei,  vez  que  não  foi  ela  quem  suportou  a  despesa  com  ágio,  perde  relevância discutir o fundamento econômico desse mesmo ágio.  [...]  [grifo não é do original]  A seguir,  ementa de  julgado  do CARF  que  denota  enorme  similaridade  ao  caso que ora se mostrou:   Sessão de 17/08/2016  Acórdão 9101 ­ 002.428  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ    Ano­calendário: 2000, 2001, 2002    TRANSFERÊNCIA  DE  ÁGIO.  AMORTIZAÇÃO.  INDEDUTIBILIDADE.    A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução  das  despesas  de  amortização  do  ágio,  prevista  no  art.  386  do  RIR/1999,  requer  que  participe  da  "confusão  patrimonial"  a  pessoa  jurídica  investidora  originária,  ou  seja,  aquela  que  efetivamente  acreditou  na  "mais  valia"  do  investimento,  fez  os  estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para  a aquisição.   Ainda  que  o  ágio  tenha  sido  criado  em  operação  envolvendo  terceiros independentes e efetivo pagamento do preço, se houver  a transferência do ágio registrado na investidora originária para  outra  empresa,  pertencente  ao  mesmo  grupo  econômico,  por  meio  de  operações  meramente  contábeis  e  sem  circulação  de  riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento  tributário do ágio.    TRIBUTAÇÃO REFLEXA    Sendo  a  tributação  decorrente  dos  mesmos  fatos,  aplica­se  à  CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.      Portanto, voto em negar provimento ao  recurso em relação à dedutibilidade  das despesas com ágio.    Do Lançamento da CSLL  Em resumo, assim se posicionou o conselheiro relator em seu voto acerca da  indedutibilidade da CSLL:  Da inexistência de previsão legal para adição na base de cálculo  da  CSLL,  da  despesa  de  amortização  de  ágio  considerada  indedutível.  Igualmente  assiste  razão  ao  contribuinte  no  que  se  refere  à  CSLL.   Fl. 5674DF CARF MF     50 Na  sessão  de  03/05/2016,  a  CSRF  proferiu  o  acórdão  n.  9101002.310,  no  qual  compreendeu  que  as  normas  que  determinavam  a  adição  da  amortização  contábil  do  ágio  para  fins  de  IRPJ não poderiam  ser  transplantadas  para  a CSLL. A  decisão restou assim ementada:  "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL  Ano­calendário:  2004, 2005, 2006, 2007.  CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE.  A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido  do exercício.  Havendo  determinação  legal  expressa  para  que  ela  não  seja  computada  na  determinação  do  lucro  real,  o  respectivo  valor  deve  ser  adicionado  no  LALUR,  aumentando,  portanto,  a  base  tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se  refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso  sentir,  torna  insubsistente  a  adição  feita  de  ofício  pela  autoridade lançadora.  AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.  ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO.  INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995.  Inexiste  previsão  legal  para  que  se  exija  a  adição  à  base  de  cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de  investimento  avaliado  pela  equivalência  patrimonial.  Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto  que  tal  dispositivo  não  determina  que  haja  identidade  com  a  base de cálculo do IRPJ.  IRPJ.  CSLL.  BASES  DE  CÁLCULO.  IDENTIDADE.  INOCORRÊNCIA.  A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas  normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  por  expressa  disposição  legal,  não alcança a sua base de cálculo.  Assim,  em  determinadas  circunstâncias,  para  que  se  possa  considerar  indedutível  um  dispêndio  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição,  não  é  suficiente  a  simples  argumentação  de  que  ele,  o  dispêndio,  é  indedutível  na  determinação  do  lucro  real,  sendo  necessária,  no  caso,  disposição de lei nesse sentido."  Concordo com a decisão que  tomou o  referido Colegiado. Não  há fundamento legal para que se exija a adição à base de cálculo  da  CSLL  da  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  investimento  avaliado  pela  equivalência  patrimonial.  Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto  que  tal  dispositivo  não  determina  que  haja  identidade  com  a  base de cálculo do IRPJ.  Assim,  também  dou  provimento  ao  Recurso  Voluntário  do  Contribuinte quanto a este ponto.  Fl. 5675DF CARF MF Processo nº 16561.720241/2016­29  Acórdão n.º 1401­003.183  S1­C4T1  Fl. 5.651          51 Com a devida vênia, divirjo de tal entendimento.  De se reproduzir as disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95:  Art. 57. Aplicam­se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n  7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  inclusive no que se refere ao disposto no art. 38,mantidas a base  de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com  as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei  n 9.065, de 1995)  A despeito do entendimento do nobre Relator, segundo o qual não se poderia  utilizar o artigo 57 da Lei 8.981/95 para justificar a adição de despesas tidas como indedutíveis  perante  a  legislação do  IRPJ, na base de cálculo da CSLL,  é de  se  reconhecer  exatamente o  contrário.  Ora,  o  citado  dispositivo  reflete  a  intenção  do  legislador  de  evitar  a  repetição  desnecessária  de  comandos  legais  para  disciplinar  a metodologia  de  determinação  das  bases  imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo:  como  as  bases  imponíveis  do  IRPJ  e  da  CSLL  partem  do  lucro  líquido  ­  ou  o  resultado  contábil  do  período  de  apuração  ­  torna­se  dispensável  repetir  os  conceitos  de  receita  bruta,  receita  líquida,  custos  e  despesas  operacionais,  etc,  aplicáveis  à  CSLL,  se  os mesmos  estão  devidamente definidos na legislação do IRPJ.   No  que  tange  à  CSLL,  a  exigência  fiscal  apurada  no  IRPJ  ocasiona  insuficiência na determinação da base de cálculo desta contribuição, o que ensejou a lavratura  do respectivo auto de infração.   A exigência  fiscal  relativa a  esta  contribuição  é mera decorrência dos  fatos  apurados no auto de infração do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ). Subsistindo a matéria  fática que ensejou o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte deve colher aquele auto de infração  lavrado por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal entre eles.  A seguir, alguns julgados do CARF neste sentido:  Acórdão 1201­002.687  Sessão de 11/12/2018  REGRAS  GERAIS  DE  DEDUTIBILIDADE.  ÁGIO.  DESPESA.  Amortização de Ágio é despesa submetida ao regramento geral  das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com  repercussão  tanto  na  apuração  do  IRPJ  quando  da  CSLL,  conforme  art.  13  da  Lei  nº  9.249,  de  1995  e  art.  57  da  Lei  nº  8.981, de 1995.  Acórdão 1401­001.747  Sessão de 05/10/2016  Assunto:  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL  Exercício: 2009, 2010    INDEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS  DE  AMORTIZAÇÃO  DE ÁGIO SURGIDO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO EM  SOCIEDADES COLIGADAS OU CONTROLADAS AVALIADOS  Fl. 5676DF CARF MF     52 PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO.    O art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95, obriga o contribuinte a  não computar na determinação da Base de Cálculo da CSLL as  contrapartidas da amortização do ágio surgido na aquisição de  investimento  em  sociedades  coligadas  ou  controladas  avaliado  pelo patrimônio líquido. Ou seja, estas despesas de amortização  de  ágio  são  indedutíveis  para  efeitos  de  apuração  da  Base  de  Cálculo da CSLL.      Processo 16327.721471/2012­54  Acórdão 1402­002.241  Sessão de 06/07/2016  Ementa: Assunto: Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido  ­  CSLL Ano­calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL. ADIÇÃO  DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA  DE  PREVISÃO NORMATIVA.  A  adição,  à  base  de  cálculo  da  CSLL,  de  despesas  com  amortização  de  ágio  deduzidas  indevidamente  pela  contribuinte  encontra  amparo  nas  normas  que regem a exigência da referida contribuição.  Conclusão  Voto em negar provimento ao recurso em relação à dedutibilidade das despesas  com  ágio  e  na  inexistência  de  base  legal  para  adição  na  base  de  cálculo  da CSLL das  referidas  despesas.  (assinado digitalmente)  Cláudio de Andrade Camerano                          Fl. 5677DF CARF MF

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Numero do processo: 10768.010738/98-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1991 a 31/12/1996 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL NÃO SE CONFUNDE COM PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Configurado o lançamento por homologação e realizado recolhimento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício é contado a partir da ocorrência do fato gerador. Na inexistência de recolhimento antecipado, o prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A realização dos depósitos judiciais não equivale a pagamento antecipado do tributo. Portanto, no caso, o prazo decadencial deverá ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9303-008.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO

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Acórdão nº  9303­008.101  –  3ª Turma   Sessão de  20 de fevereiro de 2019  Matéria  PIS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  J SIMAO TECIDOS S A     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/09/1991 a 31/12/1996  DECADÊNCIA.  INCONSTITUCIONALIDADE.  STF.  SÚMULA  VINCULANTE Nº 08.  De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos  do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário  Nacional.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DEPÓSITO  JUDICIAL  NÃO  SE  CONFUNDE  COM  PAGAMENTO.  PRAZO  DECADENCIAL  DE  CINCO  ANOS  CONTADOS  A  PARTIR  DO  PRIMEIRO  DIA  DO  EXERCÍCIO  SEGUINTE  ÀQUELE  EM  QUE  O  LANÇAMENTO  PODERIA TER SIDO EFETUADO.  Configurado  o  lançamento  por  homologação  e  realizado  recolhimento  antecipado  do  tributo,  o  prazo  de  decadência  do  direito  do  Fisco  efetuar  o  lançamento  de  ofício  é  contado  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador.  Na  inexistência  de  recolhimento  antecipado,  o  prazo  decadencial  é  contado  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado.  A realização dos depósitos judiciais não equivale a pagamento antecipado do  tributo. Portanto, no caso, o prazo decadencial deverá ser contado a partir do  primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido efetuado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 07 38 /9 8- 17 Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.294          2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e  Érika  Costa  Camargos  Autran,  que  lhe  negaram  provimento.  Votou  pelas  conclusões  o  conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo  de Oliveira Santos.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.  (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello ­ Relatora.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Redator designado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em exercício).  Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  FAZENDA  NACIONAL  (e­fls.  745  a  756)  com  fulcro  nos  artigos  67  e  seguintes  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado  pela Portaria MF nº 256/09, buscando a  reforma do Acórdão nº 3401­00.223  (e­fls. 719 a  727, e reproduzido às e­fls. 770 a 783) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  em  17/09/2009,  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP  Período de apuração: 01/09/1991 a 31/12/1996  NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA  DA  ESFERA  ADMINISTRATIVA.  O  contribuinte  que  busca  a  tutela  jurisdicional  abdica  da  esfera  administrativa,  na  parte  em  que  trata  do  mesmo objeto.  DECADÊNCIA.  CINCO  ANOS  A  CONTAR  DO  FATO  GERADOR.  SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008.   Editada  a  Súmula  vinculante  do  STF  n°  8/2008,  segundo  a  qual  é  inconstitucional  o  art.  45  da  Lei  n°  8.212/91,  o  prazo  para  a  Fazenda  proceder ao lançamento do PIS é de cinco anos a contar da ocorrência do  Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.295          3 fato gerador, nos termos dos art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional,  sendo irrelevante a antecipação do pagamento.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  MEDIDA  JUDICIAL.  LANÇAMENTO.  POSSIBILIDADE.   A existência de medida judicial não impede o lançamento de oficio, que se  não efetivado em tempo hábil será atingido pela decadência.  AÇÃO JUDICIAL COM DEPÓSITO  INTEGRAL.  IMPROCEDÊNCIA DE  MULTA E JUROS.   Não cabe o lançamento de multa nem de juros de mora, na constituição de  crédito tributário cujo montante foi integralmente depositado.  Recurso provido em parte.    O  presente  processo  tem  origem  em  lançamento  efetuado  para  prevenir  a  decadência da contribuição para o PIS relativo aos fatos geradores ocorridos no período de  apuração  de  01/09/1991  a  31/12/1996.  A  Contribuinte  ingressou  com  o  mandado  de  segurança nº. 91.010.7232­3, no qual obteve êxito para não mais recolher o PIS nos moldes  do  art.  1º,  inciso  V,  do  Decreto­Lei  n.º  2.445/88,  mas  sim  na  forma  do  art.  3º  da  Lei  Complementar n.º 07/70, com base na semestralidade.   Nos autos do mandado de segurança, conforme autorizado em sede de liminar  e  confirmado  em  sentença,  foram  realizados  depósitos  judiciais  da  integralidade  das  diferenças entre os valores apurados com base na Lei Complementar n.º 07/70 e àqueles em  exigência pela Autoridade Coatora nos termos do Decreto­Lei n.º 2.445/88.   Após a realização de duas diligências no processo administrativo, a DRJ deu  provimento parcial à  impugnação do Sujeito Passivo, consoante Acórdão n.º 11.181  (e­fls.  567 a 578), em razão da comprovação de pagamentos nos períodos de apuração de 11/1995,  04/1996, 07/1996, 08/1996, 09/1996 e 12/1996 e à redução da base de cálculo nos demais.  Com  relação  à decadência,  entendeu pela  rejeição da preliminar  em  razão da aplicação do  prazo de 10 (dez) anos do art. 45 da Lei n.º 8.212/91, então vigente.   Não resignada, interpôs recurso voluntário, sobrevindo o acórdão que lhe deu  parcial provimento e declarou a decadência de parte do lançamento, com fulcro no art. 150,  §4º do CTN, em observância à Súmula Vinculante nº 08 do STF, por considerar os depósitos  judiciais como equivalentes ao pagamento.   Do acórdão de recurso voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs  embargos de declaração (e­fls. 730 a 734) apontando a existência de omissão no que tange às  matérias  relativas  aos  depósitos  judiciais  e  juros  de mora,  além  da matéria  da  decadência  frente aos depósitos judiciais.   Os aclaratórios foram recebidos e providos para sanar as omissões apontadas,  complementando  a  fundamentação  do  julgado,  sem  efeitos  infringentes,  nos  termos  do  Acórdão n.º 3401­002.250 (e­fls. 737 a 742), que foi assim ementado:  Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.296          4   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/09/1991 a 31/12/1996  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO COMPLEMENTAÇÃO  DO ACÓRDÃO.   Constatada  contradição  no  acórdão,  cabe  complementá­lo,  sem  efeitos  infringentes  porque  o  resultado  não  foi  alterado  com  o  acolhimento  dos  embargos de declaração.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/09/1991 a 31/03/1993  DECADÊNCIA.  TERMO  INICIAL.  EXISTÊNCIA  DE  DEPÓSITO.  DATA  DO  FATO  GERADOR.  CTN,  ART.  150,  §  4º.  STJ.  RECURSO  REPETITIVO.  Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento  de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62­A do  Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria  MF  nº  586,  de  2010,  o  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  ofício  é  contado  da  ocorrência  do  fato  gerador, nos termos do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, quando efetuado  o  pagamento  antecipado  exigido  nesse  artigo. A mesma  interpretação  é  aplicada na situação de depósito, judicial ou administrativo, e ainda que  parcial, por restar impossibilitada a exigência do pagamento no montante  correspondente.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos  de  declaração,  sem  efeitos  infringentes,  nos  termos  do  voto  do(a)  relator(a).   (grifou­se)    Nessa oportunidade, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (e­fls. 745  a 756) suscitando divergência jurisprudencial quanto (a) à equivalência do depósito judicial a  pagamento  antecipado,  para  fins  de  aplicação  da  regra  do  §  4º  do  art.  150  do  CTN  na  contagem do prazo decadencial e (b) a dispensa de constituição de crédito tributário quando  houver  depósito  judicial.  Para  comprovar  o  dissídio  interpretativo,  colacionou  como  paradigmas,  respectivamente,  os  acórdãos  9900­000.267,  para  a  primeira  matéria;  e  202­ 18.171, com relação à segunda matéria. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta,  em  síntese,  que  quanto  à  decadência,  não  tendo  ocorrido  o  recolhimento  antecipado  do  tributo sujeito ao  lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do  crédito  tributário  reger­se­á  pelo  disposto  no  art.  173,  inciso  I,  do  Código  Tributário  Nacional.   Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.297          5 Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº  s/n.º,  de  10  de  agosto  de  2015  (e­fls.  758  a  762),  proferido  pelo  ilustre  Presidente  da  4ª  Câmara  da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  por  entender  comprovada  a  divergência  jurisprudencial.   Devidamente  cientificado  o  Contribuinte  (e­fls.  764  e  789),  não  foram  apresentadas contrarrazões.   O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado  e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ 3ª  Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.     É o Relatório.     Voto Vencido  Conselheira Vanessa Marini Cecconello ­ Relatora     Admissibilidade  O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos  pressupostos  de  admissibilidade  constantes  no  art.  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais  ­ RICARF,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de  junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento.     Mérito    1. Decadência  No que tange à divergência jurisprudencial quanto à decadência, a discussão fica  restrita  à  determinação  da  regra  aplicável  como  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  de  decadência, se do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN.   A  presente  autuação  abarcou  os  fatos  geradores  ocorridos  nos  períodos  de  apuração de 01/09/1991 a 31/12/1996, inclusive, recaindo a discussão acerca da decadência do  direito de o Fisco proceder ao lançamento de PIS sobre o período relativo aos fatos geradores  ocorridos antes de abril de 1993.  A  divergência  a  ser  apreciada  refere­se  ao  termo  inicial  de  contagem  da  decadência do direito de lançamento, se a data do fato gerador ­ artigo 150, §4º do CTN ­ ou  Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.298          6 primeiro  dia  do  exercício  seguinte  ao  em  que  poderia  ser  lançado,  no  caso  de  não  existir  pagamento antecipado ­ artigo 173, I do CTN.   Pertinente esclarecer que, em  razão da declaração de  inconstitucionalidade do  art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal,  ao  julgar os  recursos extraordinários  nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08,  indubitável estar­se diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do  Código Tributário Nacional:    Súmula Vinculante STF nº 08   São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­Lei  nº  1.5g69/1977  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/1991,  que  tratam  da  prescrição e decadência do crédito tributário.     Portanto, após a edição da Súmula Vinculante nº 08, a controvérsia a respeito do  prazo decadencial para as contribuições previdenciárias cinge­se à aplicação dos artigos 150,  §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional.   Nos termos do art. 62­A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22  de  junho de  2009,  e  reproduzido  em  sua  íntegra  no  art.  62,  §2º  do RICARF,  aprovado pela  Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de  tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça  firmado  no  julgamento  do  recurso  especial  nº  973.733,  pela  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  restando  superada  a  tese  da  irrelevância  de  ter  ocorrido  ou  não  pagamento,  in  verbis:    PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em  que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito  da previsão  legal, o mesmo inocorre,  sem a constatação de dolo,  fraude ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado  em  28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004,  DJ  28.02.2005)  Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.299          7 [...]    Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso do PIS,  na  inteligência do acórdão do STJ cuja ementa  transcreveu­se acima:  (i)  a partir do primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  (art.  173,  inciso  I  do  CTN)  em  caso  de  dolo,  fraude  ou  simulação;  quando  não  houver  pagamento  antecipado ou  inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do  fato gerador (art. 150,  §4º  do  CTN)  nas  hipóteses  de  pagamento  parcial  ou  integral  do  débito  ou  existência  de  declaração prévia do mesmo.   Feitas estas considerações, passe­se ao exame do artigo de lei aplicável ao caso  destes autos. O litígio decorre de auto de infração lavrado para exigência da contribuição para o  PIS nos períodos de apuração de 09/1991 a 03/1993,  inclusive, ou seja,  anteriores  a abril  de  1993.   A  Contribuinte  teve  ciência  do  auto  de  infração  em  28/04/1998  (e­fls.  293  a  294).   Conforme  restou  comprovado  nos  autos  do  presente  processo  administrativo,  relativo  aos  períodos  de  09/1991  a  03/1993  no  âmbito  da  discussão  judicial  em  sede  de  mandado  de  segurança  para  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  a  Contribuinte  efetuou o depósito judicial das parcelas controversas a título de contribuição para o PIS (e­fls.  43  a  44). Uma  vez  sendo  os  valores  depositados  em  juízo  automaticamente  convertidos  em  renda  da União  quando  do  trânsito  em  julgado  da  demanda  judicial,  conforme  efetivamente  comprovado  nos  presentes  autos,  tem­se  que  o  depósito  judicial  equivale  ao  pagamento  do  crédito tributário.   Nesse sentido, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa  do julgado proferido no agravo regimento no recurso especial nº 1163271/PR, de Relatoria do  Ministro Castro Meira, in verbis:    RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO  DO  MONTANTE  INTEGRAL.  ART.  151,  II,  DO  CTN.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA.  DECADÊNCIA.  1. Com  o  depósito  do montante  integral  tem­se  verdadeiro  lançamento  por  homologação.  O  contribuinte  calcula  o  valor  do  tributo  e  substitui  o  pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a  Fazenda  aceita  como  integral  o  depósito,  para  fins  de  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito,  aquiesceu  expressa  ou  tacitamente  com  o  valor  indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no  art. 150, § 4º, do CTN.  2. Uma  vez  ocorrido  o  lançamento  tácito,  encontra­se  constituído  o  crédito  tributário,  razão  pela  qual  não  há  mais  falar  no  transcurso  do  prazo  decadencial  nem  na  necessidade  de  lançamento  de  ofício  das  importâncias  depositadas. Precedentes da Primeira Seção.  Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.300          8 3. Agravo regimental não provido.  (AgRg  no  REsp  1163271/PR,  Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 19/04/2012, DJe 04/05/2012)     Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº.  973.733,  em  sede  de  recurso  repetitivo,  de  observância  obrigatória  por  este  Colegiado,  as  circunstâncias acima descritas  levam à  conclusão de que havendo o  recolhimento antecipado  do  tributo,  bem  como  o  depósito  judicial,  que  é  equivalente  ao  pagamento  antecipado  do  tributo,  a  contagem  do  prazo  decadencial  deve  se  dar  na  forma  do  art.  150,  §4º  do  CTN,  observando­se o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.  Portanto,  tendo  ocorrido  a  ciência  do  auto  de  infração  em  28/04/1998,  encontram­se extintos pela decadência os créditos tributários de PIS dos períodos de apuração  anteriores a abril de 1993, não merecendo reforma o acórdão recorrido.   Diante do exposto, nega­se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional  neste ponto.     2. Necessidade de lançamento quando há depósito judicial     Com  relação  a  esse  tópico,  entende­se  pela  possibilidade  de  ser  efetuado  o  lançamento,  nos  termos  do  acórdão  recorrido,  consoante  art.  50,  §1º  da  Lei  n.  9784/98.  Transcreve­se a fundamentação:      Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.301          9         Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.302          10 Diante  do  exposto,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional.   É o Voto.     (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello  Voto Vencedor  Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Redator designado  Com a devida vênia, divirjo da posição adotada pela i.  relatora em seu bem  elaborado voto.   O cerne da questão é decidir se os depósitos judiciais em tela equivaleriam a  recolhimentos antecipados, para fins de atração da regra decadencial do art. 150, § 4° da Lei n°  5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN).   Caso  a  resposta  seja  positiva,  o  prazo  decadencial  para  o  fisco  realizar  o  lançamento de ofício será contado a partir da ocorrência do fato gerador, no termos do referido  art. 150, § 4° do CTN. Caso contrário, aplica­se a regra geral, do art. 173, I, do CTN, com o  prazo  decadencial  contado  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  De uma maneira prática, a aplicação alternativa das duas regras acima resulta  em uma diferença de até um ano no prazo decadencial.  Pois  bem,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ,  órgão  máximo  de  interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN,  só  deve  ser  adotada  nos  casos  em  que  o  sujeito  passivo  antecipar  o  pagamento  e  não  for  comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, do  CTN,  nos  demais  casos.  Veja­se  a  ementa  do  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS  ARTIGOS  150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.303          11 dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (destaques do original)  Observe­se que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime  do art. 543­C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa  que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário e, por  conta do disposto no art. 62 do Regimento  Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n°  343,  de  2015,  esse  entendimento  deve  ser  reproduzido  nas  decisões  dos  colegiados  deste  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme a seguir reproduzido:    Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10768.010738/98­17  Acórdão n.º 9303­008.101  CSRF­T3  Fl. 1.304          12 Art. 62. ...  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.   Portanto, resta apenas definir se os depósitos judiciais realizados no caso sob  análise equivaleriam a pagamentos antecipados.  Entendo que o depósito  judicial  apresenta natureza  jurídica diversa daquela  do  recolhimento  de  tributos.  Com  efeito,  o  depósito  indica  justamente  a  intenção  de  não  recolher o tributo, de modo que ele não se presta para atrair a regra decadencial do art. 150, §  4º do CTN.  Situação especial seria aquela em que os depósitos judiciais já tivessem sido  convertidos em renda da união, em momento anterior ao do lançamento. Nessa situação, então  não  teríamos um mero depósito  judicial, mas  sim um efetivo  recolhimento determinado pela  justiça.  No presente caso, em que pese ser referida a existência de depósitos judiciais,  não encontrei prova da conversão do depósito em renda em momento anterior ao lançamento.  Portanto, sem prova de extinção de crédito tributário até a data do lançamento, concluo que se  deva aplicar ao lançamento em litígio a regra decadencial geral do art. 173, I, do CTN.  Em face do exposto, voto pelo provimento do recurso especial de divergência  da  Fazenda  Nacional,  para  rejeitar  a  prejudicial  de  equiparação  entre  depósito  judicial  e  pagamento  antecipado  do  tributo  e,  consequentemente,  afastada  a  decadência  do  direito  ao  lançamento do tributo, restabelecer o crédito tributário lançado.    (assinado digitalmente)   Luiz Eduardo de Oliveira Santos                 Fl. 822DF CARF MF

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Numero do processo: 16682.901648/2013-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.869
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­006.869  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  Processo Administrativo Fiscal  Recorrente  TIM S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012  PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.  A matéria  já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na  via administrativa. Caracteriza­se a concomitância quando o pedido e a causa  de  pedir  dos  processos  administrativos  e  judiciais  guardam  irrefutável  identidade.        Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)    Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Walker  Araújo,  Jose  Renato  Pereira  de  Deus,  Gilson  Macedo  Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva  (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.  Relatório  Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER),  transmitido pelo  contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS.  Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de  origem,  o  qual  concluiu  pela  improcedência  do  crédito  original  informado  no  PER,  sob  o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 48 /2 01 3- 36 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16682.901648/2013­36  Acórdão n.º 3302­006.869  S3­C3T2  Fl. 3          2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação  de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.  Cientificado  desta  decisão,  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12­089.011.   Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  apresentou  recurso  voluntário  ao  CARF, no qual argumenta que:  a)  A  ausência  de  retificação  de  DCTF  ou  de  qualquer  outra  obrigação  acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida  em  que  o  Fisco  possui  outros  meios  de  apurar  a  existência  de  eventual  indébito  tributário.  Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda  do direito ao crédito;  b)  Não  há  concomitância  entre  o  presente  processo  e  o  Mandado  de  Segurança  n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  A  lide  proposta  foi  no  sentido  de  que  fosse  reconhecido o direito  líquido e certo da recorrente não se sujeitar à  incidência do PIS/Cofins  sobre as  receitas de  interconexão, bem como para  reconhecer o  crédito  referente  a  eventuais  valores  pagos  indevidamente,  relativamente  a  contribuições  apuradas  e  recolhidas  após  a  impetração  do writ.  O  objeto  da  ação  judicial  se  destina  apenas  às  contribuições  de  PIS  e  Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS;  c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos  indevidos  de PIS/COFINS sobre receitas de  interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013,  foram  objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em  apurações  de  PIS/COFINS  feitas  partir  de  23.9.2013,  foram  objeto  do  pedido  judicial  formulado  no Mandado  de  Segurança  n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  Bem  verdade  que  há  certa  semelhança  entre  as  causas  de  pedir  dos  processos  administrativos  e  judicial.  Ambos  estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia,  os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem  como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma  discussão para períodos de apuração distintos. Frise­se: os pedidos administrativos se voltam às  contribuições  apuradas  e  pagas  antes  da  impetração  do  mandado  de  segurança.  Já  aquelas  apuradas  e  pagas  após  o  ajuizamento  da  ação  judicial  são  objeto  do mandado de  segurança.  Diante desse cenário, verifica­se que não há concomitância entre o mandado de segurança em  curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo,  tendo em vista que os  períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos;  d) Os valores  recebidos pela Recorrente e  repassados a outras operadoras a  título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não  se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do  ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros  a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos  que  devem  ser  repassados  ao  terceiro  que  cedeu  seus  meios  de  rede  à  Recorrente.  Não  há,  portanto,  qualquer  efetivo  acréscimo patrimonial  da Recorrente,  porque  já  há  um  imediato  e  compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de  telecomunicação;  e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a  tributação pelo  PIS/COFINS  da  receita  total  auferida  pela  Recorrente  pela  prestação  do  serviço  de  Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16682.901648/2013­36  Acórdão n.º 3302­006.869  S3­C3T2  Fl. 4          3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes.  E,  além  dessa  tributação,  nos  termos  da  pretensão  fiscal,  haveria  uma  nova  incidência  do  PIS/COFINS  pelo  terceiro  que  realiza  a  interconexão,  no  momento  em  que  ele  apropriar  a  receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário;  f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser  integrada por elementos  estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a  título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente  a  título  de PIS/COFINS  sobre  esses  valores  de  interconexão  de  redes  seja  qualificado  como  indébito tributário, que lhe deve ser restituído.  Termina  o  recurso  requerendo  o  provimento  para  que  seja  reformado  o  acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado.  É o breve relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Acórdão nº  3302­006.815,  de  25  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  16682.900008/2014­90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.815):  "O  recurso  é  tempestivo  e  apresenta  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  de  forma  que  dele  conheço  e  passo à análise.  O cerne da questão  está  em decidir  se há  concomitância  entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  Para  tanto,  é  necessário  analisar  os objetos dos respectivos processos.  Conforme  já  mencionado  na  decisão  a  quo,  o  indébito  pleiteado  no  Pedido  de  Restituição  decorre,  nas  palavras  do  contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de  valores  referentes  a  ingressos  de  numerário  em  razão  de  contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da  Manifestante”. Portanto,  defende  em  processo  administrativo a  não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão.  Vejamos o objeto do MS nº 0024185­79.2013.4.02.5101:  Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos:  a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e  certo  da  impetrante  à  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  tributários,  nos  termos  do  art.  151,  IV,  do  CTN,  das  Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16682.901648/2013­36  Acórdão n.º 3302­006.869  S3­C3T2  Fl. 5          4 contribuições  ao  PIS  e  a  Cofins,  sobre  os  meros  ingressos  apurados  mensalmente  pelo  regime  de  competência  pela  impetrante  decorrentes  tão  somente  das  tarifas  de  interconexão  recebidas  dos  usuários  pela  co­prestação  dos  serviços  de  telecomunicações  prestados  pelas  demais  operadoras  e  a  elas  integralmente  repassadas  (serviços  de  transmissão,  emissão  ou  recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos,  imagens, sons  ou informações de qualquer natureza);  b)  determinação  à  Autoridade  Coatora  sobre  o  contudo  da  decisão  liminar,  bem  como  acerca  do  conteúdo  do  presente  mandamus,  para que  no  prazo  legal,  preste  as  informações  que  entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do  Ministério Público;  c) Ciência à União Federal,  nos  termos do art.  7º,  II,  da Lei nº  12.016/2009;  d)  ao  final,  a  concessão  da  segurança  para  confirmar  a  liminar  requerida  e  assegurar  o  direito  liquido  e  certo  de  a  impetrante  não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins,  sobre  meros  ingressos  apurados  mensalmente  pelo  regime  da  competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas  de  interconexão  recebidas  dos  usuários  pela  co­prestação  dos  serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras  e  a  elas  integralmente  repassadas  (serviços  de  transmissão,  emissão  ou  recepção  de  símbolos,  caracteres,  sinais,  escritos,  imagens,  sons  ou  informações  de  qualquer  natureza),  sob  pena  de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 §  1º;  150,  I  e  IV  e  195,  I,  "b"  da  Constituição  Republicana  de  1988,  com  a  consequente  compensação  do  indébito  dessas  contribuições,  apurados  desde  a  distribuição  do  presente  writ,  devidamente  atualizado  pela  Taxa  Selic,  após  o  trânsito  em  julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170­A do CTN.  A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº  0024185­79.2013.4.02.5101, assim decidiu:   Trata­se  de  mandado  de  segurança  com  pedido  de  liminar  impetrado  por  INTELIG COMUNICAÇÕES  LTDA  contra  ato  atribuído  ao  DELEGADO  DA  DELEGACIA  ESPECIAL  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DE  MAIORES  CONTRIBUINTES  NO  RIO  DE  JANEIRO  ­  DEMAC,  objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao  PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo  regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de  interconexão  ­  serviços prestados pelas demais  operadoras,  que  são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a  declaração do direito de compensar o  indébito  referente a  estas  contribuições, apurado desde a distribuição do writ.  Sustenta,  em  apertada  síntese,  que  as  chamadas  "tarifas  de  interconexão"  não  constituem  receita,  e  sim  meros  ingressos  econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm  um  primeiro  momento,  pela  Impetrante,  porem  repassadas  cm  seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao  cliente usuário da Impetrante.  (...)  Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16682.901648/2013­36  Acórdão n.º 3302­006.869  S3­C3T2  Fl. 6          5 Pelo  exposto,  com  fulcro  no  art.  269.  I,  do  CPC.  JULGO  PROCEDENTE  O  PEDIDO  e  CONCEDO  A  SEGURANÇA,  para  determinar  ao  Impetrado  que  se  abstenha  de  exigir  da  Impetrante  que  recolha  o PIS  e  a Cofins,  incluindo  na  base  de  cálculo  o  valor  recebido  pela  Impetrante  e  posteriormente  repassado  a  operadora  congênere,  que  prestou  efetivamente  o  serviço,  a  título  de  "tarifa  de  interconexão",  bem  como  para  declarar  o  direito  da  Impetrante  à  compensação  do  indébito,  apurado  desde  a  distribuição  do  presente,  na  forma  da  lei  de  regência,  de  acordo  com  a  modalidade  escolhida  pelas  Impetrantes, aplicando­se a SELIC como critério de atualização  do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos  termos da fundamentação supra.  Analisando  as  razões  jurídicas  apresentadas  na  peça  recursal,  fico  convencido  da  identidade  das  demandas  administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é  a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins  em  relação  as  receitas  de  interconexão.  O  próprio  recorrente  reconhece essa congruência entre os processos administrativo e  judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara  no  fato de que os pagamentos  indevidos de PIS/COFINS sobre  receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013,  foram  objeto  de  pedido  administrativo  de  restituição,  e  que  apenas  os  pagamentos  realizados  com  base  em  apurações  de  PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido  judicial  formulado  no  Mandado  de  Segurança  n°  0024185­ 79.2013.4.02.5101.   Não comungo do entendimento no qual a concomitância é  afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração  apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial  entre  os  períodos  de  apuração,  aqueles  contemplados  pelo  mandamus  e  os  não  contemplados,  na  minha  visão,  refere­se  somente à possibilidade de o  recorrente utilizá­los para pedido  de  compensação  antes  do  trânsito  em  julgado,  por  ordem  judicial,  conforme  sua  solicitação  na  exordial.  Os  demais  períodos  de  apuração,  os  que  foram  apurados  antes  da  distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da  ação  para  poderem  se  credenciar  a  objeto  de  um  pedido  de  restituição, com possíveis compensações.   Digo  isso,  pois  a  decisão  do  Poder  Judiciário  sobre  a  incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das  tarifas  de  interconexão,  terá  reflexos  para  todos  os  períodos  de  apuração,  independentemente  se  foi  contemplado  no  pedido  do  MS nº 0024185­79.2013.4.02.5101 ou não  Isso  se  deve  ao  fato  de  que  na  existência  de  processos  paralelos,  com objeto  e  finalidade  idênticos,  não  é  salutar  que  haja  decisões  com  efeitos  redundantes  ou  antagônicos.  Em  qualquer  das  hipóteses,  prevalecerá  a  decisão  judicial,  motivo  pelo  qual  a  concomitância  de  processos  ofende  o  princípio  da  economia  processual.  Em  face  disso,  a  opção  do  contribuinte  pela  via  judicial  encerra  o  processo  administrativo  fiscal  em  definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre.  Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16682.901648/2013­36  Acórdão n.º 3302­006.869  S3­C3T2  Fl. 7          6 Registre­se que a coisa julgada a ser proferida no âmbito  do  Poder  Judiciário  jamais  poderia  ser  alterada  no  processo  administrativo,  pois  tal  procedimento  feriria  a  Constituição  Federal,  que  adota  o  modelo  de  jurisdição  una,  onde  são  soberanas as decisões judiciais.  Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela  via  judicial  para  a  discussão  de  matéria  tributária  implica  na  renúncia  ao  poder  de  recorrer  nesta  instância,  nos  termos  do  parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º  do Decreto­lei nº 1.737, de 1979.   Ratificando este entendimento,  foi aprovado o enunciado  de Súmula CARF nº 01, in verbis:  Súmula CARF nº 1  Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso  quanto à matéria  submetida ao  crivo do Poder  Judiciário  e na  parte  conhecida,  nego  provimento  ao  recurso  por  enxergar  identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no  MS nº 2007.70.00.022276­5 e neste recurso administrativo."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                           Fl. 360DF CARF MF

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Numero do processo: 13609.720698/2018-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2016 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NEGATIVA DE RECEBIMENTO DE PAGAMENTOS PELO CONTRIBUINTE. DECLARAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA SOBRE A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO OU PAGAMENTOS. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. A impugnação deve ser instruída com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Pelo princípio da verdade material, restando demonstrado por documentos hábeis e idôneos, mesmo que em sede recursal, que não houve o recebimento de rendimentos tidos por omitidos, torna-se indevida a exigência e, por conseguinte, no particular, insubsistente o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2003-000.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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2003­000.070  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  IRRF  Recorrente  DANILO COSTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2016  IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM OU SEM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO.  NEGATIVA  DE  RECEBIMENTO  DE  PAGAMENTOS  PELO  CONTRIBUINTE.  DECLARAÇÃO  DA  PESSOA  JURÍDICA SOBRE A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO OU  PAGAMENTOS. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE.   A impugnação deve ser instruída com elementos de prova que fundamentem  os  argumentos  de  defesa  de  maneira  a  não  deixar  dúvida  sobre  o  que  se  pretende demonstrar.  Pelo  princípio  da  verdade  material,  restando  demonstrado  por  documentos  hábeis e idôneos, mesmo que em sede recursal, que não houve o recebimento  de  rendimentos  tidos  por  omitidos,  torna­se  indevida  a  exigência  e,  por  conseguinte, no particular, insubsistente o crédito tributário lançado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente     (assinado digitalmente)  Wilderson Botto – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 06 98 /2 01 8- 13 Fl. 98DF CARF MF     2   Participaram  do  presente  julgamento,  os Conselheiros:  Sheila Aires Cartaxo  Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  (fls.  84/95)  contra  o  acórdão  nº  09­67.409  proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG)  ­ DRJ/JFA (fls. 74/76), que julgou improcedente a  impugnação apresentada pelo contribuinte  (fls.  2/24) em  face da  lavratura da notificação de  lançamento de  IRPF  (fls. 20/25) objeto do  presente feito, cujas infrações podem assim ser descritas (fls. 63/68):   Infração:  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  COM  VÍNCULO  OU  SEM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO,  SUJEITOS  À  TABELA  PROGRESSIVA,  recebidos  de  pessoa  jurídica, Fonte Pagadora: 06.008.876/0001­60 – Vandir C Silva  CPF 373.713.476.68. Beneficiário: Vanessa Vieira Vasconcelos  – CPF 456.044.796­91 Padrão. Valor: R$ 7.011,67.  Infração:  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  Contribuinte  declarou  a  maior  o  gato  com  plano  de  saúde  Aliança Administradora de Benefícios de Saúde S/A, no valor de  R$ 2.621,66.  Diante do  apurado, a  fiscalização promoveu o ajuste do  imposto declarado,  resultando  da  cobrança  de  imposto  suplementar  no  valor  de R$  486,05,  que  acrescido  dos  encargos legais, totalizou R$ 888,39 (fls. 67).  Cientificado,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  parcial  tempestiva,  insurgindo­se  apenas  contra  a  glosa  da  omissão  de  rendimentos  no  valor  de  R$  7.011,67,  vinculada ao cônjuge e dependente na declaração de ajuste anual do ano­calendário de 2016,  exercício de 2017, Vanessa Vieira Vasconcelos Padrão, sob a alegação de que os rendimentos  tidos por omitidos foram gerados em face de informações equivocadas prestadas pelo escritório  de contabilidade que fez a declaração das empresas tidas como fontes pagadoras FRANCISCO  S MAIA EPP, CNPJ nº 02.259.198/0001­58, e VANDIR C SILVA, CNPJ nº 06.008.876/0001­ 60. Sendo certo que sua dependente só manteve vínculo de trabalho com a primeira empresa  (Francisco S Maia EPP),  e  só  dela  auferiu  rendimentos  do  trabalho  assalariado  com vínculo  empregatício (código 0561) no ano­calendário de 2016.  A  DRJ/JFA,  ao  apreciar  o  feito,  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo o crédito tributário remanescente (fls. 76), por entender:  Nos  termos  despendidos  na  peça  de  defesa  do  contribuinte,  destaca­se a concordância alusiva à infração nominada dedução  indevida de despesas médicas, no valor de R$ 2.621,66. Trata­se,  portanto,  de matéria  incontroversa do  lançamento,  afastada do  presente julgado de acordo com o previsto no art. 17 do Decreto  n. 70.235/1972.   O  questionamento  do  impugnante  cinge­se  à  omissão  de  rendimentos no valor de R$ 7.011,67,  vinculada ao cônjuge e  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13609.720698/2018­13  Acórdão n.º 2003­000.070  S2­C0T3  Fl. 99          3 dependente na DAA/2017, Vanessa Vieira Vasconcelos Padrão.  A adução do notificado, em resumo, consistiu em afirmar que os  rendimentos  tidos  por  omitidos  foram  gerados  em  face  de  informações  equivocadas  prestadas  em  nome  das  fontes  pagadoras Francisco S Maia EPP, CNPJ 02.259.198/0001­58, e  Vandir C Silva, CNPJ 06.008.876/0001­60.   Embora  verossimilhante  a  narrativa  do  sujeito  passivo,  incontestável é o fato de que permanecem nos sistemas da RFB  as DIRF  alusivas  àquelas  duas  pessoas  jurídicas  promovendo  pagamentos  à  indigitada  dependente  no  decorrer  do  ano­ calendário 2016.  (...)  Em  assim  sendo,  supondo  que  o  interessado  efetivamente  houvesse identificado a causa geradora da infração em comento,  deveria tomar as devidas medidas para saneá­la, mesmo porque  a  mera  alegação  não  afasta  a  plausibilidade  de  uma  pessoa  perceber  o  mesmo  rendimento  de  duas  pessoas  jurídicas,  sobretudo  se  referir­se a uma mesma  função  e  idêntica  carga  horária. Também, nesse mesmo compasso, não há como estender  a compreensão sugerida pelo notificado para outros exercícios.   Voto, então, por considerar improcedente a impugnação naquilo  em que contraditou o lançamento.   Intimado  via  postal,  por  AR  (31/08/2018)  (fls.  80/81),  o  contribuinte  apresentou  (em  18/09/2018)  Recurso  Voluntário  (fls.  84/95),  insurgindo­se  contra  a  manutenção da autuação, repisando basicamente as alegações da impugnação e requerendo, ao  final,  (i)  o  cancelamento  da  exigência  reclamada,  mediante  a  retificação  da  notificação  de  lançamento  com  a  exclusão  da  glosa  operada;  (ii)  que  a  empresa  Vandir  C  Silva,  CNPJ  06.008.876/0001­60,  seja  intimada a  retificar  sua DIRF 2016/2017; e  (iii) o  reprocessamento  de sua DIRF com a liberação do imposto a restituir a que faz jus.   Instruiu  a  peça  recursal,  com  destaque,  para  os  seguintes  documentos:  (i)  cópia da CTPS de sua dependente, contendo os vínculos profissionais registrados (fls. 89/90);  (ii)  declaração  prestada  pelo  titular  da  empresa  Vandir  C  Silva,  CNPJ  06.008.876/0001­60,  com firma reconhecida no Cartório do 3º Ofício de Notas de Sete Lagoas­MG (fls. 91).  Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Wilderson Botto – Relator   O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  razões por que dele conheço e passo à sua análise.  Fl. 100DF CARF MF     4 MÉRITO   Da omissão de rendimentos recebidos por dependente apurada:  O  Recorrente  alega  que,  em  virtude  de  erro  praticado  por  escritório  de  contabilidade  restou  declarado  que  sua  esposa/dependente,  Vanessa  Vieira  Vasconcelos  Padrão,  CPF  nº  456.044.796­91,  obteve  rendimentos  do  trabalho  assalariado  com  vínculo  empregatício  (código  receita  0561),  no  ano­calendário  de  2016,  exercício  de  2017,  de  duas  fontes pagadoras – FRANCISCO S MAIA EPP, CNPJ nº 02.259.198/0001­58, e VANDIR C  SILVA, CNPJ nº 06.008.876/0001­60 – nos valores iguais de R$ 7.011,67, sendo certo que a  mesma  trabalhou  apenas  para  uma  delas,  qual  seja,  FRANCISCO S MAIA EPP,  e  só  desta  auferiu rendimentos.  A  DRJ/CGE,  por  seu  turno,  embora  reconhecendo  a  verossimilhança  das  alegações  suscitadas na peça  impugnatória, houve por bem manter a  autuação, no particular,  entendendo  que  o  contribuinte,  ao  apurar  a  falha,  “deveria  tomar  as  devidas  medidas  para  saneá­la, mesmo porque a mera alegação não afasta a plausibilidade de uma pessoa perceber  o mesmo rendimento de duas pessoas jurídicas, sobretudo se referir­se a uma mesma função e  idêntica carga horária” (fls. 76).  Tem­se, portanto, que a controvérsia  suscitada nos autos,  consiste em saber  se  a  apurada  omissão  de  rendimentos  do  trabalho  assalariado  com  vínculo  empregatício  (código receita 0561), paga no ano­calendário de 2016 pela empresa Vandir C Silva, CNPJ nº  06.008.876/0001­60, de fato procede.    Pois bem. Razão assiste ao Recorrente.   Os  documentos  carreados  aos  autos,  sobretudo  os  que  instruem  o  recurso  voluntário – com especial destaque para as páginas da CTPS (fls. 69/70) e declaração prestada  pelo  titular  da  empresa  Vandir  C  Silva  (fls.  70),  declaração  essa  com  as  assinaturas  autenticadas  no  Cartório  do  3º  Ofício  de  Notas  de  Sete  Lagoas­MG  –  não  deixam margem  dúvida  a  demonstrar  que  a  esposa/dependente  do  Recorrente  não  manteve  contrato  ou  vínculo  de  trabalho  a  empresa  Vandir  C  Silva,  bem  como  não  recebeu  da  indigitada  empresa os rendimentos supostamente omitidos no valor de R$ 7.011,67.  Pelos registros lançados em CTPS, no período de 02/07/2012 a 29/06/2016, a  dependente apenas e  somente  laborou para a empresa FRANCISCO S MAIA EPP, CNPJ nº  02.259.198/0001­58,  cujos  dados  podem  ser  confirmados  na  DIRF/2017  (fls.  20),  com  a  declaração  do  vínculo  (0561),  período  pago  (janeiro  a  junho)  e  rendimentos  tributáveis  no  período.   Destarte,  em  nome  da  verdade  material  evidenciou­se  a  não  ocorrência  da  alegada  omissão  de  rendimentos,  haja  vista  que  não  restou  comprovado  ter  a  esposa/dependente  ter  percebido  o  valor  tido  por  omitido,  não  devendo  o  Recorrente  ser  responsabilizado por conduta que não deu causa (omissão de declaração), cabendo à unidade  fiscal  de origem promover os  respectivos  acertos na DAA/2017 de  forma a  refletir  a  correta  conduta e expungir o excesso lançado.   Por fim, nunca é demais relembrar que a Administração tem o dever de zelar  pelos interesses primários (os de toda sociedade) em detrimento aos interesses secundários (da  arrecadação).  E  um  dos  interesses  primários mais  caros  a  ser  preservado,  é  que  somente  se  cobre do administrado aquilo que ele realmente deva, no montante em que se deva, sob pena de  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13609.720698/2018­13  Acórdão n.º 2003­000.070  S2­C0T3  Fl. 100          5 se  configurar  indevida  invasão  no  direito  de propriedade,  resultando no  enriquecimento  sem  causa da Fazenda Pública.      CONCLUSÃO   Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário,  nos  termos  do  voto  em  epígrafe,  para  afastar  a  omissão  de  rendimentos  apurada  e,  no  particular, declarar a insubsistência do crédito tributário suplementar recorrido.     (assinado digitalmente)   Wilderson Botto                               Fl. 102DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.904584/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
Numero da decisão: 1401-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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1401­003.225  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2019  Matéria  PER/DComp; pagamento a maior  Recorrente  SAKURAI CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2002  PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.  Não  havendo  comprovação  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  objeto  de  PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Declarou­se  impedida  de  participar  do  julgamento  a  Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira  de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.  Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009­37, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Abel  Nunes  de  Oliveira  Neto,  Daniel  Ribeiro  Silva,  Cláudio  de  Andrade  Camerano,  Mauritânia  Elvira  de  Sousa  Mendonça  (suplente  convocada),  Carlos  André  Soares  Nogueira  (relator),  Letícia  Domingues  Costa  Braga,  Eduardo  Morgado  Rodrigues,  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves  (presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 84 /2 00 9- 26 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.904584/2009­26  Acórdão n.º 1401­003.225  S1­C4T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  presente  processo  de PER/DComp por meio  do  qual  o  contribuinte  pediu a restituição de pagamento a maior ou indevido e declarou a compensação de débitos.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  indeferiu  o  pedido  e  não  homologou  a  compensação declarada  em face de o DARF  indicado pelo  contribuinte  ter  sido  inteiramente  utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para a  compensação dos débitos informados no PER/DComp.  O  contribuinte  apresentou manifestação  de  inconformidade  no  qual  aduziu  que, sendo um consultório de odontologia,  enquadra­se­ia na  regra que prevê a  tributação de  serviços  hospitalares,  com  percentual  de  presunção  do  IRPJ  de  8%  e  da CSLL  de  12%,  ao  invés do percentual de 32% dos serviços em geral.  Contudo, os débitos originalmente declarados em DCTF foram apurados com  o percentual de 32%. Assim, a diferença entre os montantes calculados  com o percentual de  32%,  efetivamente  recolhidos,  e  o  montantes  devidos  com  a  aplicação  do  percentual  mais  benéfico  configurariam  pagamento  indevido  ou  a  maior.  Esta  diferença  é  que  estaria  sendo  pleiteada no PER/DComp sob análise.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acolheu a manifestação de  inconformidade do contribuinte. O fundamento utilizado pela DRJ para indeferir o pedido de  reforma do Despacho Decisório da DRF foi a ausência de comprovação da liquidez e certeza  do crédito pleiteado. Alegou a DRJ que a DCTF constitui confissão de dívida e que, portanto,  para  que  o  débito  declarado,  que  não  foi  retificado  pelo  contribuinte,  seja  desconstituído  é  preciso que sejam apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra.  Destacou  a  DRJ  que  o  ônus  de  comprovar  o  direito  creditório  é  do  contribuinte, mas  que  este  não  detalhou  a  composição  da  receita  auferida  no  período  e  não  trouxe nenhuma comprovação de que se enquadre na prestação de serviços hospitalares de que  trata o artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 (notas fiscais de serviço, relatórios).  Irresignado, o contribuinte manejou o recurso voluntário ora sob análise, no  qual reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade.  Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.904584/2009­26  Acórdão n.º 1401­003.225  S1­C4T1  Fl. 4          3   Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1401­003.220,  de  19/03/2019,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10880.904582/2009­ 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401­003.220):  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  legais. Dele, tomo conhecimento.  Conforme  relatado,  a  DRJ  delineou  de  forma  correta  a  controvérsia posta para solução. Trata­se de matéria probatória.  Trata­se de determinar a liquidez e certeza do crédito objeto do  pedido  de  repetição,  com  declaração  de  compensação,  nos  termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.  No  recurso  voluntário,  o  contribuinte  fez  longa  defesa  da  interpretação  do  artigo  23  da  IN  SRF  nº  306/2003,  vigente  à  época  dos  fatos,  de  forma  a  enquadrar  sua  atividade  ­  consultório de odontologia ­ como serviço hospitalar. Com isso,  defendeu  o  direito  a  apurar  o  lucro  presumido  conforme  a  alíquota mais  benéfica  e  não  a  alíquota  aplicável  aos  serviços  em geral.  Contudo, esta não é a questão posta.  Nem a DRF no Despacho Decisório, nem a DRJ no Acórdão de  Manifestação  de  Inconformidade  fundamentaram  suas  decisões  na  inaplicabilidade  do  disposto  no  artigo  23  da  IN  SRF  nº  306/2003 ao contribuinte.  A  questão  posta  desde  o  início  é  a  desconstituição  de  débito  constituído  por  meio  de  DCTF,  que  requer  a  comprovação  de  qual  é  o  débito  condizente  com  a  verdade material. Em  outras  palavras, se o contribuinte equivocou­se na DCTF e na DIPJ e  declarou  débitos  maiores  do  que  os  devidos,  deve  comprovar  qual  o  montante  efetivamente  devido  e,  por  consequência,  comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado.  É preciso  lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº  70.235/72,  o  contribuinte  deve  apresentar  na  manifestação  de  inconformidade  "os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que  possuir".  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.904584/2009­26  Acórdão n.º 1401­003.225  S1­C4T1  Fl. 5          4 No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil  determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato  constitutivo de seu direito.  Não  é  demais  lembrar,  também,  que  a  determinação  da  aplicação do percentual de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) é dirigido  à atividade e não à pessoa que desenvolve serviços hospitalares.  É o que se depreende da dicção do artigo 15, § 1º, III, "a", e §  2º, da Lei nº 9.249/95, verbis:  Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será  determinada mediante a aplicação do percentual de oito  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de  20 de janeiro de 1995.  1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este  artigo será de:  (...)  III­ trinta e dois por cento, para as atividades de:  a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares;  (...)  2º  No  caso  de  atividades  diversificadas  será  aplicado  o  percentual correspondente a cada atividade.  (...)”. grifei.  Assim,  não  basta  que  o  contribuinte  faça  prova,  por  meio  do  contrato  social,  de  que  desenvolve  atividades  enquadradas  no  conceito  de  serviços  hospitalares  para  que,  automaticamente,  toda  a  receita  operacional  auferida  seja  enquadrada  nos  percentuais  de  8%  (IRPJ)  e  12%  (CSLL).  É  preciso  que  o  contribuinte junte elementos para vincular a receita à atividade  de  serviço  hospitalar.  Daí  a  DRJ  mencionar  notas  fiscais  e  relatórios.  Também  é  preciso  juntar  elementos  de  prova  da  contabilidade  para  se  determinar  se  as  receitas  declaradas  estão  de  acordo  com a escrita comercial (ou Livro Caixa).  Sem a apresentação de  tais elementos probatórios, o pedido do  contribuinte carece de liquidez e certeza.  Conclusão.  Portanto, não tendo o contribuinte logrado apresentar elementos  mínimos de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, voto  por negar provimento ao recurso voluntário.  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904584/2009­26  Acórdão n.º 1401­003.225  S1­C4T1  Fl. 6          5 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos  §§  1º,  2º  e 3º  do  art.  47,  do Anexo  II,  do RICARF,  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves                                  Fl. 86DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.900707/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­001.942  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de abril de 2019  Assunto  DILIGÊNCIA  Recorrente  GRIMALDI COMPAGNIA DI NAVIGAZIONE DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa  Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  da Delegacia  de  Julgamento  em  Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte.  Versa  o  processo  sobre  Pedido  de Restituição  de  crédito  de  contribuição  não  cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp.  O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte  fundamento:  "A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para restituição".  A  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  sustentando  seu  direito  creditório  no  fato  de  que  as  receitas  auferidas  pela  contribuinte  seriam  referentes  a     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 70 7/ 20 12 -5 5 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.900707/2012­55  Resolução nº  3402­001.942  S3­C4T2  Fl. 3          2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de  incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal  ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003.  A Delegacia  de  Julgamento  não  acatou  os  argumentos  da  impugnante,  sob  os  seguintes fundamentos principais:  ­ A nota  fiscal  juntada  não  comprova  uma  transação  internacional,  já  que  nas  operações  comerciais  com  partes  domiciliadas  no  exterior,  o  documento  comprobatório  é  a  fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou  nota fiscal.  ­  A  interessada  não  retificou  a  DCTF,  e  mesmo  que  o  tivesse  feito,  a  mera  retificação  não  poderia  ser  aceita  como  prova.  A  fim  de  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior  (commercial  invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa,  livros  fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos  recebidos.  Cientificada  dessa  decisão,  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário,  repisando que o pagamento foi  indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços,  sujeita à  imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer  qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação  de  serviço,  bem  como  todos  os  extratos  bancários  dos  períodos  objeto  dos  pedidos  de  restituição. Subsidiariamente,  requereu a  recorrente a conversão do  julgamento em diligência  para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação  do serviço e pagamento indevido.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução  3402­001.939,  de  24  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.900705/2012­66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­001.939):  "Atendidos  aos  requisitos  de  admissibilidade  toma­se  conhecimento do recurso voluntário.  Não  obstante  a  recorrente  não  tenha  retificado  a  DCTF  relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido,  este  CARF  tem  entendido  que:  "Nos  pedidos  de  restituição  e  compensação  PER/DCOMP,  a  falta  de  retificação  da  DCTF  do  período  em  análise  não  é  impedimento  para  deferimento  do  pedido,  desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal,  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.900707/2012­55  Resolução nº  3402­001.942  S3­C4T2  Fl. 4          3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e  certeza  do  crédito  pleiteado"  (Acórdão  nº  3301­005.595,  de  13  de  dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior).  Nos  termos  do  art.  16,  §4º,  "c"  do  Decreto  nº  70.235/761,  a  recorrente  apresentou  o  contrato  de  prestação  de  serviço  com  a  empresa  estrangeira  reclamado na  decisão  recorrida  e  comprovantes  dos  pagamentos  correspondentes.  Esses  documentos,  juntamente  com  outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as  receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa  física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento  represente  ingresso  de  divisas";  e,  consequentemente,  estariam  beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos  do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158­35 ou do art. 6º, inciso II da  Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002.  Conforme  assentado  na  Resolução  nº  3401­000.737,  da  4ª  Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção  de Julgamento do CARF  tem orientado sua  jurisprudência no sentido  de  que,  em  situações  em  que  há  alguns  indícios  de  provas,  o  julgamento  pode  ser  convertido  em  diligência  para  análise  da  documentação acostada.   Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder  ao  exame  de  livros  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  de  lançamentos  neles  efetuados,  bem  como  efetuar  intimações  à  recorrente  para  apresentação  de  esclarecimentos  e  documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF  transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente  da isenção das receitas tributadas.  Nessa  esteira,  com  fundamento  no  art.  18  do  Decreto  nº  70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no  sentido de determinar a  realização de diligência para que a Unidade  de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de  apuração:  a)  Analise  a  suficiência  da  documentação  acostada  aos  autos  para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a  recorrente  a  apresentar,  dentro  de  prazo  razoável,  os  documentos  e  esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para  a referida comprovação;  b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a  documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para                                                              1 Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro  momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  a)  fique demonstrada a  impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela  Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  (Produção de efeito)  (...)    Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.900707/2012­55  Resolução nº  3402­001.942  S3­C4T2  Fl. 5          4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em  que medida;  c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo­lhe  o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do  Decreto nº 7.574/2011; e   d)  Por  fim,  devolva  os  autos  a  este  Colegiado  para  prosseguimento no julgamento."  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos  que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de  retificação da DCTF do período de apuração:  a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o  direito  creditório  alegado  e,  sendo  o  caso,  intime  a  recorrente  a  apresentar,  dentro  de  prazo  razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte  para a referida comprovação;  b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação  juntada  aos  autos  pela  recorrente  e  sua  habilidade para  comprovar ou  não  a  legitimidade  do  direito creditório pleiteado e em que medida;  c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo­lhe o prazo de 30  (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e   d)  Por  fim,  devolva  os  autos  a  este  Colegiado  para  prosseguimento  no  julgamento.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra        Fl. 111DF CARF MF

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