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Numero do processo: 10925.721917/2011-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA.
Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 4.502/1964, art. 80).
MULTA QUALIFICADA. REQUISITO.
Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.
IPI. MULTA DE OFÍCIO. COBERTURA DE CRÉDITO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa de ofício tanto nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, quanto nas hipóteses de falta de recolhimento do imposto.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazê-lo em nome de terceiros responsáveis.
Numero da decisão: 3403-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retirar a qualificação da multa de ofício, deixando-a no patamar de 75%.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 4.502/1964, art. 80). MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. IPI. MULTA DE OFÍCIO. COBERTURA DE CRÉDITO. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício tanto nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, quanto nas hipóteses de falta de recolhimento do imposto. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazê-lo em nome de terceiros responsáveis.
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CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Conforme a Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (no caso, a Lei no 4.502/1964, art. 80). MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. IPI. MULTA DE OFÍCIO. COBERTURA DE CRÉDITO. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa de ofício tanto nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, quanto nas hipóteses de falta de recolhimento do imposto. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazêlo em nome de terceiros responsáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 19 17 /2 01 1- 34 Fl. 6885DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retirar a qualificação da multa de ofício, deixandoa no patamar de 75%. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 2447 a 24701), lavrado em 8/11/2011, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acompanhado de juros de mora e de multa de ofício qualificada, referente aos períodos de apuração de 1/2007 a 12/2009. No Relatório Fiscal (fls. 2471 a 2489), anexo à autuação, afirmase que: a) em fiscalização de IPI abrangendo os citados períodos, foi constatado que todos os produtos industrializados pela empresa Plastileve Plástico Industrial LTDA, CNPJ no 06.248.982/000111, são classificados no código 3916.2000 da TIPI, o que os sujeita a uma alíquota de IPI de 10%; b) em todas as notas fiscais analisadas por amostragem, os produtos foram classificados nesse código, mas, em resposta ao Termo de Intimação no 338/2010, a contribuinte afirmou que a classificação correta era 3922.9000, contradizendo não apenas o que consta nas notas fiscais, mas também a informação apresentada na “Relação de Produtos de Fabricação da Empresa” presente na resposta ao mesmo Termo de Intimação (ao ser novamente indagada, no Termo de Intimação no 449/2010, a empresa ratifica a classificação original 3916.2000); c) o produto fabricado pela recorrente, forro de policloreto de vinila (PVC), é corretamente classificado no código 3916.2000, o que é confirmado pelas Soluções de Consulta da SRRF09 no 125/2007 e no 298/2007, e pela ampla divulgação que os fabricantes de tal produto fazem sobre o tema (juntase à autuação o Informativo n. 1 Toda numeração de folhas indicada nesta decisão se refere à paginação eletrônica no "eprocessos". Fl. 6886DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 3403001.822 S3C4T3 Fl. 6.886 3 2, Ano12008, da Associação Brasileira de Fabricantes de Perfis de PVC); d) apesar do disposto, nas notas fiscais de saída emitidas pela recorrente durante todo o período fiscalizado (2007 a 2009) restou comprovado que o cálculo do IPI e seu respectivo destaque (bem como recolhimento) não foram realizados pela empresa; e) a situação configura crime contra a ordem tributária, cf. art. 1o, IV e V da Lei no 8.137/1990, tendo sido a multa qualificada (art. 80, § 6o, II da Lei no 4.502/1964; e art. 44, § 1o da Lei no 9.430/1996) em função de ter a recorrente cometido a infração de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, configurandose o dolo pelo fato de a empresa, mesmo sabendo a correta classificação do produto, ter rotineiramente omitido o destaque (e o recolhimento) do imposto, incorrendo nas práticas referidas nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/1964; f) os valores lançados tem por base os arquivos de notas fiscais em meio digital entregues pela própria recorrente ao fisco (cf. Termo de Intimação no 570/2007), tendo sido a veracidade das informações verificada por amostragem, em relação às notas fiscais fornecidas pela empresa; g) a partir de tais valores das notas, foi produzida a tabela “saídas por CFOP”, verificandose quais operações constituiam base de cálculo para apuração do IPI devido, e a tabela “base de cálculo mensal do IPI”, apurandose inclusive os créditos de IPI com base na escrituação fiscal da recorrente; e h) no curso da fiscalização, verificouse que há, em tese, a formação de um grupo econômico de fato, qualificando se como responsáveis solidários à empresa Plastileve no presente processo: 1. a empresa Incofima Indústria e Comércio de Fibras Mattiello LTDA, CNPJ no 01.525.242/0001 61, sucessora de fato da Plastileve (que não opera mais comercialmente, mas mesmo assim obteve “empréstimos” da Incofima), conforme ambas as empresas reconhecem nos autos; a Incofima (que usa os veículos, maquinário, etc. e pagas contas da Plastileve) funciona no mesmo local da Plastileve, conforme constatado em diligências, e ambas compartilham setores administrativos área comercial, atendimento, RH, divulgação e fiscal Fl. 6887DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 havendo inclusive emissão de notas fiscais de bens produzidos pela Plastileve em nome da Incofima; 2. o Sr. Camylo Mattiello, CPF no 039.944.26996, sócio da Plastileve e da Incofima; e 3. o Sr. Laury Mattiello, CPF no 385.708.82904, administrador da Incofima, pai do sócio Camylo, e procurador da Plastileve, sendo o administrador de fato de ambas as empresas (mesmo antes de ter procuração para representar a Plastileve, o Sr. Laury já assinava documentos em nome da empresa, como se administrador fosse, cf. comprovado nos autos). Ciente da autuação em 11/11/2011 (fls. 6596), por meio de seu procurador, Sr. Laury, a empresa apresenta impugnação, em 12/12/2003 (fls. 6600 a 6616), alegando que: a) a empresa é familiar, e o que ocorreu foi fruto de erro por parte da empresa, e não de fraude; b) não houve conduta dolosa por parte da empresa, que não efetuou a destruição das notas fiscais ou mesmo dificultou seu acesso ao fisco, e não promoveu a saída de mercadorias sem nota fiscal, tendo respondido todos os termos de intimação que recebeu; c) houve confusão em relação à classificação fiscal, e o fato de haver duas soluções de consulta sobre o tema prova que a própria SRF teve que se manifestar para esclarecer a legislação; d) a contribuinte deixou inclusive de apurar créditos, o que “demonstra a sua completa ignorância sobre a matéria”; e) a multa de 150% foi indevidamente aplicada sobre os valores que resultaram em crédito, violando o princípio do não confisco, que estendese também às multas; f) na autuação houve a despersonificação da empresa, relacionandose no pólo passivo inclusive o Sr. Laury (que não faz parte do quadro social da autuada); g) a empresa autuada, que tem no quadro societário o Sr. Claudiomiro (concunhado do Sr. Laury) e o Sr. Camylo (filho do Sr. Laury), é distinta da Incofima, que tem no quadro societário o Sr. Laury e sua esposa, mas ambas são de um mesmo grupo familiar; h) o compartilhamento do espaço físico pelas empresas se deu por razões econômicas, e os produtos eram vendidos pelos mesmos representantes (também para reduzir custos, e não fraudar o fisco); Fl. 6888DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 3403001.822 S3C4T3 Fl. 6.887 5 i) o Sr. Laury somente passou a ser procurador da Plastileve em 26/03/2010, com a saída do Sr, Claudiomiro (embora a procuração que lhe dê poderes seja de 22/10/2010, no período que antecede ele estava ajudando seu filho); j) o contrato no qual se aponta ter o Sr. Laury assinado antes de ter poderes foi, na verdade, um contrato lavrado retroativamente; e k) os fatos ocorreram de 2007 a 2009, época em que o único administrador da empresa era o Sr. Claudiomiro. (entretanto, nem a ele se pode atribuir responsabilidade, visto que não incidiu nas condutas do art. 135 do CTN). No julgamento de primeira instância, efetuado em 14/12/2012, acordase (fls. 6836 a 6851) que: a) não há nulidades no lançamento; b) a matéria referente ao erro de alíquota não foi impugnada, não se instaurando o litígio em relação à correção da classificação adotada na autuação; c) a multa sobre o IPI lançado com cobertura de crédito tem amparo legal (art. 80 da Lei no 4.502/1964), e em entendimento de caráter normativo (Parecer Normativo CST no 39/1976); d) a multa de ofício também tem amparo legal, e sua aplicação é vinculada (não discricionária); e) a multa qualificada é aplicável por ter sido configurado o “animus” (vontade de querer o resultado ou assumir o risco de produzilo) de classificar incorretamente, pois a empresa, além de saber a classificação correta, errou repetidamente durante todo o período fiscalizado; e f) em relação à responsabilidade de terceiros (que é figura distinta da sujeição passiva), todos os responsáveis solidários foram cientificados (fls. 6582 a 6589), tendo somente a Plastileve apresentado impugnação, pelo que foram considerados não impugnados os Termos de Sujeição Passiva Solidária Lavrados. Cientificada do resultado do julgamento em 12/3/2012 (AR às fls. 6862), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 9/4/2012 (fls. 6863 a 6880), defendendo que: (a) as súmulas no 14 e no 25 do CARF atestam que a simples omissão de receita ou de rendimentos não enseja a qualificação da multa de ofício; Fl. 6889DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 (b) não houve fraude, sob os mesmos fundamentos alegados na impugnação, repetindoos também no que se refere ao alegado caráter confiscatório da multa de ofício e à exigência de multa sobre o IPI com cobertura de crédito; e (c) apesar de o julgador a quo ter considerado a matéria da responsabilidade de terceiros não impugnada, não é o que se vê na impugnação (cujo teor reitera), na qual a argumentação da empresa aproveita a todos, pois “não haveria sentido em todas as partes, cada uma por si interpor (sic) impugnação”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A controvérsia paira sobre: (a) eventual caráter confiscatório da multa de ofício; (b) a existência ou não de intuito doloso, ensejador da qualificação da multa de ofício; (c) a possibilidade de exigência de multa sobre o IPI com cobertura de crédito; e (d) a responsabilidade de terceiros. Da natureza da multa de ofício O entendimento manifestado pela recorrente de que o princípio da vedação ao confisco se estende às multas, como a multa de ofício nestes autos aplicada, introduz discussão que extrapola as competências desta corte administrativa, por buscar guarida constitucional para afastar a aplicação de comando legalmente previsto. O tema já é sumulado no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Da qualificação da multa de ofício O art. 80 da Lei no 4.502/1964 estabelece que a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeita o contribuinte à multa de ofício de 75%, estabelecendo o § 6o, II do mesmo artigo que tal multa será duplicada (qualificada) ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante, e nos casos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio). Na autuação, justificase a qualificação em função de ter a recorrente cometido a infração de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, configurandose o dolo pelo fato de a empresa, mesmo sabendo a correta classificação do produto, ter Fl. 6890DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 3403001.822 S3C4T3 Fl. 6.888 7 rotineiramente omitido o destaque (e o recolhimento) do imposto, incorrendo nas práticas referidas nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/1964. O art. 71 trata de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. O art. 72, por seu turno, trata de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador (ou excluir ou modificar suas características essenciais). Vejase que em ambos os enquadramentos há dois elementos relevantes: (a) um antecedente elemento volitivo , e um consequente o resultado buscado com a ação ou omissão. Em relação ao elemento volitivo, é de se destacar que não basta simplesmente haver recolhimento a menor, ou omissão de receita. É preciso que se vincule isso a uma “vontade”, a uma intenção. Simplesmente cometer um erro de classificação não configuraria conduta dolosa. Mas cometêlo sabendo qual é a classificação correta traria contornos de intenção. Cometêlo reiteradamente por largo período de tempo sabendo qual a classificação correta conformaria uma convicção ainda maior em torno do elemento volitivo. E cometêlo reiteradamente em todas as operações durante largo período de tempo sabendo qual é a classificação correta para um produto que é o único fabricado pela empresa pareceria tornar insustentável entendimento diverso. Contudo, no presente processo as mercadorias não estão incorretamente classificadas (em que pese a contradição nas respostas a intimações, os documentos fiscais da recorrente não apresentam o erro de classificação). A própria fiscalização reconhece (fls. 2476) que “em todas as notas fiscais analisadas por amostragem foi verificado que os produtos industrializados pela contribuinte foram classificados na posição (sic) 39.16.20.00 da TIPI”. A irregularidade constatada pela fiscalização durante todo o período em análise é a ausência do “cálculo do IPI e seu respectivo destaque nas notas fiscais, bem como seu recolhimento ao Erário”. A consideração acima não prejudica o silogismo efetuado no parágrafo que a antecede. Não efetuar o destaque e o recolhimento em uma operação não configura, por si, conduta dolosa. Mas fazêlo reiteradamente, por dois anos, em todas as operações de venda do único produto fabricado pela empresa, sabendo que a alíquota adotada expressamente enseja o destaque e o recolhimento, demarca indubitavelmente a presença do elemento volitivo. Presente o antecedente, resta verificar se o acompanha o consequente: se a ausência dolosa de destaque e recolhimento objetivou (a) impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (de sua natureza ou circunstâncias materiais) ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito correspondente (art. 71), ou (b) objetivou impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (ou excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir seu pagamento art. 72). Fl. 6891DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN 8 Emitindose a Nota Fiscal com a classificação correta, embora se tenha deixado de promover o destaque e o recolhimento, não se impede ou retarda o conhecimento do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, nem das condições pessoais do contribuinte. Pelo narrado na autuação, a ausência de destaque e recolhimento não foi um fator que dificultou ou impediu a evidenciação da matéria tributável, visto que as Notas Fiscais foram emitidas, não se questionando seu valor, e continham a correta classificação fiscal, o que configura não só o fato gerador como a exigibilidade do IPI. Tampouco se verificou impedimento ou retardo à própria ocorrência do fato gerador. Apesar de a autuação apresentar elementos que permitem identificar o intuito doloso, não se elencam atributos que levem ao entendimento de que isso dificultou ou impediu o conhecimento da matéria tributável por parte do fisco (tipificações previstas nos art.s 71 e 72 da Lei do IPI). Ausente, assim, o elemento consequente, exigido pela norma para qualificação da multa de ofício. Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso, e de que se volta a uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Temse, assim, prejudicada a manutenção da qualificação na multa de ofício lançada, devendo tal multa ser aplicada no patamar de 75%. Da multa sobre o IPI com cobertura de crédito Insurgese também a recorrente contra a cobrança da multa de ofício sobre o chamado IPI com cobertura de crédito, que é um IPI não lançado. Reiterese o teor do art. 80 da Lei no 4.502/1964, que estabelece ser aplicável a multa de ofício nos casos de : falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal ou falta de recolhimento do imposto lançado. Vejase que a mensagem é cristalina, brotando com caráter inequívoco na lei. A única forma de entender em sentido diverso é propugnando pela não aplicabilidade da lei, mas já se expressou aqui que o afastamento de norma legal sob a alegação de inconstitucionalidade extrapolaria as competências deste tribunal administrativo, em virtude da Súmula CARF no 2. Da responsabilidade de terceiros A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazêlo em nome de terceiros responsáveis. A simples distinção entre as personalidades dos relacionados na autuação já evidencia tratarse de imputação que demanda defesa individualizada. Cada pessoa física ou jurídica tem a possibilidade de defenderse das condutas que lhe são imputadas. Percebase, inclusive, que os interesses (assim como a argumentação de defesa) dos autuados pode ser conflitante (na impugnação e no recurso voluntário, por exemplo, narrase que o Sr. Claudiomiro retirouse na sociedade por “impersistência do afeto societário”). Fl. 6892DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.721917/201134 Acórdão n.º 3403001.822 S3C4T3 Fl. 6.889 9 Procedente, assim, o alerta do julgador a quo quanto aos efeitos da ausência de impugnação pelos responsáveis no julgamento de primeira instância, e quanto à impossibilidade de a recorrente efetuar defesa em nome alheio. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para retirar a qualificação da multa de ofício, deixandoa no patamar de 75%. Rosaldo Trevisan Fl. 6893DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11020.002757/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/04/2008
ANCINHOS E VASSOURAS PLÁSTICOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Ancinhos e vassouras de PVC (plásticos) classificam-se no código 3926.90.90 da TIPI, enquanto as serras manuais de poda classificam-se no código 8202.10.00. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 30/04/2008 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. VIOLAÇÃO DA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 30/04/2008 ANCINHOS E VASSOURAS PLÁSTICOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Ancinhos e vassouras de PVC (plásticos) classificamse no código 3926.90.90 da TIPI, enquanto as serras manuais de poda classificamse no código 8202.10.00. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 57 /2 00 9- 62 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002757/200962 Acórdão n.º 3302001.776 S3C3T2 Fl. 619 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 572 a 590 eProcesso) apresentado em 18 de agosto de 2011 contra o Acórdão no 1032.522, de 30 de junho de 2011, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 405 a 407), cientificado em 05 de agosto de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de outubro de 2004 a abril de 2008, julgou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 15/08/2004 a 30/09/2004 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. Para que se perquira tal questão teríamos que adentrar na análise da constitucionalidade do Decreto presidencial que estabeleceu determinada alíquota de IPI para um certo produto, competência que refoge a órgãos julgadores administrativos. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Ancinhos e vassouras de PVC (plásticos) classificamse no código 3926.90.90 da TIPI, enquanto as serras manuais de poda classificamse no código 8202.10.00. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 28 de agosto de 2009, de acordo com o termo de fls. 37 a 43. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de impugnação ao lançamento de fls. 01/36, cujo objeto é a cobrança de IPI relativo ao período de 15/08/2004 a 30/09/2004, tendo em vista a reclassificação fiscal dos insumos vassouras/ancinhos em pvc/plástico e serrotes para podas e suas variações, nos termos do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 37/43). Em relação às vassouras e ancinhos em PVC/plástico, e suas variações, a classificação adotada pela empresa foi a do código 9603.90.00 (outros da posição 9603 – vassouras e escovas, mesmo constituindo partes de máquinas, de aparelhos ou de veículos, vassouras mecânicas de uso manual, exceto as Fl. 619DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002757/200962 Acórdão n.º 3302001.776 S3C3T2 Fl. 620 3 motorizadas, pincéis e espanadores; cabeças preparadas para escovas, pincéis e ....), com alíquota de IPI de 0%, enquanto para o Fisco o código correto seria 3926.90.90, com alíquota de 15%. Registra a fiscalização que as mercadorias produzidas pela empresa eram vassoura plástica para folhas e grama, vassoura plástica para folhas e gramas modelo econômico e ancinho plástico. Fulcra seu entendimento no sentido de que “a classificação fiscal terá que seguir o regime da matéria constitutiva, o que resultará na classificação da mercadoria no Capítulo 39 ‘Plásticos e suas obras’, já que a parte operante da ferramenta é de plástico”. E, quanto a essas mercadorias, conclui sua motivação: Como a mercadoria não está descrita pelo texto das posições referentes a obras de plástico, ela está abrangida pela posição residual 3926 ‘Outras obras de plástico e obras de outras matérias das posições 3901 a 3914’. A exemplo da posição, a subposição de 1º nível e o item aplicável à mercadoria são os residuais, resultando no código 3926.90.90. Cumpre esclarecer que se classificam no código 3926.90.90 tanto os ancinhosvassoura com cabo como os sem cabo, em decorrência da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH 2, parte “a”, que estipula que qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Como os ancinhosvassoura sem cabo contem a parte funcional da ferramenta, eles são considerados um artigo inacabado e são abrangidos pela mesma posição do artigo completo. Já no que se refere aos serrotes para poda e suas variações, a classificação adotada pela empresa foi a do código 8201.90.00 (outras ferramentas manuais para agricultura, horticultura e silvicultura), com alíquota de IPI de 0%, enquanto para o Fisco o código correto seria 8202.10.00, com alíquota de 8%. Consigna que o contribuinte classificou esses produtos na posição “outras ferramentas manuais para agricultura, mas que esses produtos estariam descrito na posição 8202 (serras manuais; folhas de serras de todos os tipos), já que o serrote de poda contem serra. Eis o fundamento da reclassificação fiscal: Notese que a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado3.a) determina a prevalência da posição específica sobre a mais genérica. Como o texto da posição 8202 é mais específico que o da posição 8201, é aquela que inclui estes produtos. As Notas explicativas do Sistema Harmonizado/NESH, ....e atualizações posteriores, referentes à posição 8202, citam, em seus esclarecimentos, esse tipo de serra (em forma de faca) confirmando a classificação: Esta posição abrange: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002757/200962 Acórdão n.º 3302001.776 S3C3T2 Fl. 621 4 a) As serras manuais para madeira, metal, pedras ou quaisquer outras matérias utilizadas por profissionais ou em usos domésticos. ‘Os principais tipos de serra desta categoria são: as serras de caixilho ou arco (com armação de madeira ou metal e trabelhos); as serras de cabo de tipos normais serrotes de ponta, serrote de costas, etc; as grandes serras denominadas serrões, que freqüentemente possuem um punho em cada uma das extremidades; as serras em forma de faca (dobráveis ou não), para jardineiros ou mineiros; Por serem de uso manual, os serrotes de poda estão abrangidos pela subposição 8202.10 “serras manuais”, que não tem desdobramentos regionais. Conclui a fiscalização que os produtos comercializados pelo contribuinte são os mesmos de consultas formuladas à RFB, transcrevendo a referência de algumas delas no sentido de sua conclusão. Não resignada com o lançamento, a empresa impugnao tempestivamente, tecendo comentários acerca do princípio da seletividade em função da essencialidade, aduzindo que “...em uma análise preliminar, já se pode constatar que a interpretação pretendida pela autoridade fiscal afronta o princípio da seletividade. É inegável, pois, a essencialidade dos produtos objetos da discussão: vassoura, ancinho e o denominado ‘serrote para poda’”, averbando que a vassoura, seja ela de PVC ou de metal, tem a mesma função, qual seja, a de limpar jardins e hortas agrícolas, assim como o ancinho, enquanto o serrote é utilizado para cortar galhos de árvores, em especial para poda de espécies frutíferas. Conclui que “as atividades exercidas mediante a utilização de tais objetos são atividades agrícolas, essenciais para a economia do país...vinculados à agricultura familiar, que deve merecer um tratamento privilegiado pela sua importância na economia nacional”. Em relação ao ancinho e vassoura para jardim, afirma que se trata de instrumento agrícola composto por haste de madeira revestida com filme polimérico e com base em PVC (parte inferior em forma de pente), e, quanto à vassoura, afirma ser constituída por haste de madeira revestida igualmente com filme polimérico e com a base em PVC (parte inferior em forma de leque aberto e com varetas separadas). Constam fotos desses produtos às fls. 398/399, frente e verso. Articula, com base na nota 1, “d”, do Capítulo 96 (no qual vinha classificando os ancinhos e vassouras de PVC) que “as vassouras e os ancinhos fabricados pela empresa, apesar de serem de plástico, não estão dentre as exclusões de enquadramento do Capítulo 96, que faz referência às partes e acessórios de uso geral, na forma da Nota 2 da Seção XV.” Conclui que “as vassouras e os ancinhos só não seriam incluídos (sic) do Capítulo se fossem partes e acessórios em geral, defendendo que o melhor enquadramento da vassoura e do ancinho, em face de sua especificidade e da Fl. 621DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002757/200962 Acórdão n.º 3302001.776 S3C3T2 Fl. 622 5 função exercida, deveria ser na “posição” 9603.10.00, como vinha procedendo. Em relação à denominada serra de poda, questiona se a classificação fiscal deve ser a da posição 8201, na qual “a função desempenhada pelo produto, que é essencialmente vinculado à agricultura” ou a da posição 8202, “pela característica física da mesma, que tem o formato de uma serra curva”. Com base nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, em especial a regra 1, que, em síntese, registra que a classificação é determinada pelo texto das posições e Notas de Seção e de Capítulo, consigna que é necessário verificar os textos das posições e das notas de seção e capítulo para concluir que “o item que a impugnante adotou enquadra serra poda na NCM 8201.90.00, que engloba outras ferramentas manuais para agricultura, horticultura e silvicultura”, uma vez que “o serrote de poda serve essencialmente para cortar galhos de árvores” e que o mesmo “jamais poderá ser utilizado para cortar madeira ou outros materiais, visto a particularidade do formato de sua lâmina e dos dentes na lâmina, que foram concebidos para cortar somente numa direção”. Por fim, menciona que se acaso não seja aplicável a regra 1, correto seria aplicar a regra 2, que em seu item “a” define que o enquadramento se dará através das características essenciais do produto. Assim, afirma, “a característica essencial do denominado serrote de poda é realizar o corte de galhos de árvores, para fins vinculados à frutificação”. Já a serra manual, continua a impugnante, serve para fins vinculados à área de marcenaria ou da construção civil, pelo que, conclui, a classificação se daria pela finalidade do produto, concluindo que “está correto o enquadramento na posição 8202.90.00. No recurso, a Interessada, analisando princípios constitucionais, repetiu as alegações da impugnação e mencionou laudo técnico requerido ao Instituto Brasileiro de Tecnologia de Couro, Calçado e Artefatos IBTeC. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à questão da aplicação do princípio da seletividade, incide, no caso, a Súmula Carf n. 2, nos termos da Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF n. 2 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002757/200962 Acórdão n.º 3302001.776 S3C3T2 Fl. 623 6 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, somente compete ao Carf determinar se a classificação fiscal é ou não correta, segundo as normas de classificação. As normas de classificação primárias são compostas de seis regras, que devem ser aplicadas na sua ordem. Nesse sentido, a análise adotada pelo acórdão de primeira instância foi a seguinte: Duas questões: primeiro que os produtos são de PVC, portanto de plásticos, e, segundo, como determina a Regra 1, em tese o contribuinte poderia classificar no código adotado desde que não fosse contrário às notas do Capítulo 96, no caso. A Nota 1 desse Capítulo, dispõe acerca dos produtos não abarcados por ele, estatuindo em sua alínea “d” que “as partes e acessórios de uso geral, na acepção da Nota 2 da Seção XV, de metais comuns (Seção XV), e os artefatos semelhantes de plásticos (Capítulo 39)”. A meu ver, sem margem a qualquer dúvida, os artefatos semelhantes de plásticos são excluídos do capítulo 96 e posicionados no Capítulo 39. O contribuinte, em leitura, com a devida vênia, diversionista, articula a primeira parte da alínea d da Nota 1, do Capítulo 96, para concluir que “só não seriam incluídos (sic) do Capítulo 96 se fossem partes e acessórios de uso geral”. Ora, a nota faz menção específica a 3 exclusões, sendo a última àquela que se refere aos artefatos semelhantes de plástico, que é a hipótese dos ancinhos e vassouras para horticultura/jardinagem. Portanto, certo que tais produtos classificamse na posição 39, mesmo que incompletos, pois apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado (Regra Geral 2). Por sua vez, como esse Capítulo não apresenta posição que descreva especificamente a mercadoria (Regra Geral 1), ela deve ser enquadrada na posição 3926: “Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.14”. Finalmente, como os ancinhos e as vassouras de plástico não correspondem aos textos das subposições 3926.10 a 3926.40, devem ser incluídos na subposição 3926.90. Pela mesma razão, o desdobramento regional aplicável também é o residual, ou seja, 3926.90.90. Portanto, com razão a conclusão fiscal. De fato, o item “e” da regra de capítulo 96, ao referirse a “artefatos semelhantes de plásticos”, referese especificamente ao capítulo 39 e não somente à acepção da Nota 2 da Seção XV, que diz respeito somente às partes e acessórios. Notese que a regra especifica que “os artefatos semelhantes de plásticos” são os classificados na posição 39 e não que os “artefatos semelhantes de plásticos” se classificam na posição 39. Mesmo por que não existem artefatos de plásticos semelhantes aos mencionados na Nota 2 da Seção XV. Assim, a regra a ser aplicada é a n. 2b, pois o capítulo 39 referese a “plásticos e suas obras” e a posição 3926 inclui, especificamente, as obras de plástico. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002757/200962 Acórdão n.º 3302001.776 S3C3T2 Fl. 624 7 Somente se classificariam na posição 96.03 as vassouras e vassouras mecânicas de origem vegetal. No tocante aos serrotes para poda, com razão também a Primeira Instância: Como relatado, a classificação adotada pela empresa era 8201.90.00 (outras ferramentas manuais para agricultura, horticultura e silvicultura), sendo que o Fisco entende que a correta é 8202.10.00 (serras manuais). Dúvida não há pela Regra Geral nº 3, que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica. Portanto, certo que a posição 8202 (SERRAS MANUAIS; FOLHAS DE SERRAS DE TODOS OS TIPOS INCLUÍDAS AS FRESASSERRAS E AS FOLHAS NÃO DENTADAS PARA SERRAR) é mais específica em relação às serras manuais de poda industrializadas pela defendente. A Interessada argumenta que se aplicaria a regra n. 2: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. A regra n. 2 acima não permite solucionar a dúvida de classificação, pois não se trata de artigo incompleto ou inacabado. A dúvida é se a classificação deve ser na posição 8201 ou 8202. Enquanto a Interessada defende a classificação pela finalidade da ferramenta, a Fiscalização defende a classificação pela matéria e forma da ferramenta. Aplicase, de fato, a regra 3, uma vez que todas as serras manuais se classificam na posição 8202, pois a especificidade é determinada pelo texto das posições, independentemente de sua finalidade, pela aplicação da regra n. 1: Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002757/200962 Acórdão n.º 3302001.776 S3C3T2 Fl. 625 8 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 625DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 35301.007180/2006-44
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. NÃO INCIDÊNCIA DE 11% PARA OS SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESAS DO SIMPLES.
A empresa que contrata um serviço contínuo, que fica a sua disposição e se encontra previsto na lista constante no art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99, deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, a título de Contribuição Previdenciária.
Não incide Contribuição Previdenciária de 11% em relação à cessão de mão-de-obra, quando a empresa contratada pertencer ao SIMPLES.
MULTA.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Numero da decisão: 2403-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar acerca do MPF. No Mérito, considerar inexigível os valores das notas fiscais dos serviços prestados pelas empresas Gianto Serviços de Leituras Ltda ME., JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares & Andrade Guarujá Ltda ME, Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., Transveloz, por ser optante do simples à época dos fatos geradores, bem como, por maioria de votos determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi 128556/OAB/RJ.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO INCIDÊNCIA DE 11% PARA OS SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESAS DO SIMPLES. A empresa que contrata um serviço contínuo, que fica a sua disposição e se encontra previsto na lista constante no art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99, deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, a título de Contribuição Previdenciária. Não incide Contribuição Previdenciária de 11% em relação à cessão de mão deobra, quando a empresa contratada pertencer ao SIMPLES. MULTA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar acerca do MPF. No Mérito, considerar inexigível os valores das notas fiscais dos serviços prestados pelas empresas Gianto Serviços de Leituras Ltda – ME., JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares & Andrade Guarujá Ltda – ME, Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., Transveloz, por ser optante do simples à época dos fatos geradores, bem como, por maioria de votos determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi 128556/OAB/RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 71 80 /2 00 6- 44 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carolina Wanderley Landim, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 35.804.5070, consolidada em 02/06/2005, cuja notificação ocorreu em 07/07/2005 (fl. 2), lavrado em face da XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, no valor de R$ 163.555,51 (cento e cinquenta e três mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e cinquenta e um centavos), em relação ao período compreendido entre: 02/1999 a 12/2002. A autuação se deu por ter, segundo a fiscalização, deixado o contribuinte de recolher 11% do valor bruto da nota fiscal, na condição de empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra e empreitada, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Segundo o relatório fiscal (fls. 74/92), o débito apurado após a verificação por meio dos registros contábeis e com a descrição dos serviços executados nos contratos firmados entre a empresa objeto de fiscalização e empresa prestadoras de serviço, na forma abaixo, in verbis: “AM SERVIÇOS LTDA (Levantamento AM) CLÁUSULA PRIMEIRA O presente contrato tem por objeto a prestação, por parte da CONTRATADA à CONTRATANTE dos seguintes serviços: leitura de máquinas normais e especiais locadas pela contratante em poder dos seus usuários na cidade de Natal – RN; entrega de faturas normais e especiais na cidade de Natal; e digitação de cartões de leitura, em equipamentos da CONTRATANTE, de todo o estado do Rio Grande do Norte. CARGOMAX CONSULTORIA E PLANEJAMENTO DE TRANSPORTES LTDA – (Levantamento CGX) CLAUSULA I O objeto deste contrato é a prestação de serviço pela CONTRATADA de: A) Leitura de Equipamento Os serviços a serem prestados consistirão de leitura dos medidores dos equipamentos da CONTRATANTE, instalados em cliente da mesma, bem como do preenchimento dos cartões de leitura com as respectivas assinaturas dos clientes e dos leituristas no ato da medição, sendo que estes equipamentos encontramse instalados em localidades dentro do estado de Minas Gerais. B) Entrega de Faturas Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Os serviços prestados consistirão na entrega de faturas emitidas pela CONTRATANTE contra seus clientes na cidade de Belo Horizonte – MG e/ou cidades vizinhas num raio de até 50 KM. COPY DATA ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA (Levantamento CPD) CLÁUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial desta em Campinas, SP, e que desde já, a CONTRATADA declara conhecer. COMPRASSE COBRANÇA E SERVIÇO LTDA (LEVANTAMENTO CPS) Não apresentado. Registro contábeis na conta Serviços de Terceiros. GIANTO COBRANÇAS E SERVIÇOS LTDA (Levantamento GIA) CLÁUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial desta em Ribeirão Preto, SP, e que desde já, a CONTRATADO declara conhecer. HELIO DOS REIS SILVA (Levantamento HLR) Não apresentado. Registros contábeis na conta Leitura de Máquinas. JM PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA (Levantamento JM) 1. O presente contrato tem como objeto a prestação de serviços, a serem executados pela CONTRATADA, de leitura de medidores de cópias de equipamento XEROX, de propriedade da XEROX INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, locados e em poder de seus clientes, bem como entrega de documentos a clientes XEROX indicados pela contratante e digitações de cartão de leitura. TAVARES E ANDRADE GUARUJÁ LTDA (Levantamento TAV) 1 – DO OBJETO O presente contrato tem por objeto o fornecimento pela CONTRATADA à XEROX, dos serviços de leitura nos equipamentos indicados pela XEROX, instalados e em poder dos clientes desta, dentro da Região de São Paulo/SP, tal como descrita e caracterizada no ANEXO III, parte integrante deste, sem exclusividade, e que, desde já a CONTRATADA declara ter total ciência. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 4 5 TECNICÓPIAS REPRODUÇÕES TÉCNICÓPIAS LTDA (Levantamento TEC) CLÁUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes, bem como executar serviços de entregas de faturas, nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial Curitiba, e que desde já, a CONTRATADA declara conhecer. TRANSVELOZ SERVIÇOS DE LEITURA MÁQUINAS COPIADORAS LTDA (Levantamento TVZ) CLAUSULA PRIMEIRA: A CONTRATADA se compromete a executar serviços de leitura nos equipamentos de propriedade da CONTRATANTE, e em poder de seus clientes, nas localidades pertencentes à jurisdição da Filial Londrina, e que desde já, a CONTRATADA declara conhecer.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 105/137. DA DILIGÊNCIA FISCAL A AuditoraFiscal, ao analisar a prova documental apresentada e os argumentos de fato relativos a erro na base de cálculo das contribuições realizou diligência fiscal (fls. 217 e ss) para apresentação dos documentos não apresentadores durante a auditoria fiscal (notas fiscais e GPS referente à retenção dos 11%). O AFPS atendeu a diligência por meio da petição de fls. 240/242, in verbis: “1. As GPS relacionadas no item 103 da presente impugnação e apresentadas doe 13 fls 179 A 182, relativas a empresa Hélio dos Reis da Silva serão consideradas por esta fiscalização vide nova planilha demonstrativa anexa e seus valores serão excluídos com emissão de FORCED de exclusão, exceto a GPS 09/99 que não foi encontrada nos registros contábeis na conta INSS Terceiros. 3. No item 107 há a alegação de que as empresas Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda, Gianto Serviços de Leitura Ltda ME, JM Prestadora de Serviços Ltda, Tavares e Andrade Guarujá Ltda ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda e Transvelox Serviços de Leitura Máquinas Copiadoras Ltda são optantes pelo simples (vide doe 14 fls. 184 a 188). Consultamos o sistema CONSIMPLES da Secretaria da Receita Federal e confirmamos que são optantes exceto a empesa Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda que não é optante .Portanto excluímos as competências Fl. 652DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 01/00 a 08/02, considerando o artigo 151 § único da IN 100/03, anexamos novas planilhas demonstrativas e FORCED de exclusão. 4. Nas notas Fiscais apresentadas da empresa Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda, não há discriminados valores relativos a fornecimento de materiais e ou equipamentos, não cabendo assim dedução da base para retenção conforme determinado no item 18 da OS 209/99 e § 2 o da artigo 106 da IN 71/02.” DAS DECISÕES E SUAS REFORMAS Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro Centro, prolatou DecisãoNotificação de fls. 269/279, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: MPF. VALIDADE DO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. EXIGIBILIDADE DA RETENÇÃO DA LEI 9.711/98. PROVA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A intimação da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal em data diversa da emissão do MPF Complementar não acarreta a nulidade do lançamento. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8.212/91. A empresa contratante deverá reter 11%(onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Cabe a autoridade rever seus atos quando apreciado fato não provado por ocasião da lavratura do débito. Indeferese o pedido de perícia quando este se mostra prescindível. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Para melhor elucidar a extensão da parcial procedência transcrevese o dispositivo da decisão acima ementada e devidamente homologada pela Delegada da Receita Previdenciária RJ Centro, em 30 de novembro de 2005, in verbis: “Isto posto, e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; JULGO procedente em parte o presente lançamento fiscal, e DECIDO: a) Acatar parcialmente as alegações suscitadas na Impugnação; b) Indeferir o pedido de perícia; Fl. 653DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 5 7 c) Declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário de R$ 127.024,50 (Cento e vinte e sete mil, vinte e quatro reais e cinquenta centavos), conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR anexo; d) Determinar a lavratura de nova NFLD/IFD complementar, referente às diferenças apuradas por ocasião da diligência, constantes no item 5 da informação fiscal de fls. 223225; e) Recorrer de ofício desta DecisãoNotificação à Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil – Previdenciária RJ – Centro.” Porém, de se observar que a decisão foi anulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 2009, Acórdão 20600.772 — 4' Camara / 1 Turma Ordinária, em razão da não cientificação do contribuinte acerca de diligências efetuadas, acarretando cerceamento de defesa, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/07/1999, 01/09/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. 1. No presente caso não foram observados os princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e da ampla defesa. 2. Cerceamento de defesa por violação ao artigo 5o , incisos LIV e LV da Constituição Federal de 1988. 3. Nulidade da DecisãoNotificação. 4. Necessidade de manifestação do contribuinte quanto ao contido no resultado da diligência de fls. 223/225. Processo Anulado.” DA DECISÃO FINAL DA DRJ Após o julgamento por este conselho, a DRJ – Rio de Janeiro I, prolatou o acórdão 1243.120 – 10ª Turma, fl. 556/567 com o seguinte teor, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Seguridade e Social apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. A empresa contratante deverá reter 11%(onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Cabe a autoridade rever seus atos quando apreciado fato não provado por ocasião da lavratura do débito. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando este se mostra prescindível. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 572/607, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos, em suma: Preliminarmente A nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que originou a notificação fiscal de débito, haja vista que, conforme determina a legislação pertinente, a prorrogação dos MPF’S se verifica apenas quando da cientificação da Recorrente, de modo que tendo havido tal cientificação após o decurso do previsto no MPF, ocorreu a sua extinção. Mérito A autoridade administrativa não pode exigir o pagamento do que supostamente a Recorrente não teria retido, sem a verificação se os prestadores de serviços recolheram a contribuição por eles devida sobre a folha de salário. Assim, esta contribuição está sendo indevidamente exigida, ocasionando enriquecimento sem causa da Fazenda Pública; Os valores pagos a título de fornecimento de material pela prestadora de serviço não devem compor a base de cálculo da retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária; Inexigibilidade da retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária, por ser a empresa optante pelo Simples conforme entendimento manifestado pelo STJ, em sede de Recurso Repetitivo, o qual deve ser aplicado por este Conselho, em razão do disposto no art. 62A do seu Regimento Interno, devendo ser excluídos também os valores lançados relativos às competências de fevereiro a novembro de 1999 e dezembro de 2000 a dezembro de 2002, e fevereiro a novembro de 1999 e setembro a dezembro de 2002, respectivamente, sobre os pagamentos feitos às empresas Gianto Serviços de Leitura Ltda. ME, JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares e Andrade Guarujá Ltda. ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda. E Transvelox Serviços de Leitura de Maquinas Copiadoras Ltda., optantes pelo Simples; Fl. 655DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 6 9 Confirmação da existência de uma série de inconsistências na NFLD, que retiram a liquidez e certeza do crédito tributário exigido, em afronta ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional e aos princípios da legalidade e da verdade material. Do Pedido Requer a reforma da decisão recorrida para considerar integralmente improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 643, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR – DA PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – AUSÊNCIA DE NULIDADE A preliminar do recurso interposto não merece acolhimento em razão de ser o Mandado de Procedimento Fiscal mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador de competência do agente público. Esse é o entendimento deste Conselho, conforme se pode perceber do julgado abaixo, in verbis: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a.31/12/2002 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONCLUÍDOS ATÉ 01/05/2007 EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurarse de que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal . Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias concluídos sob a égide do Decreto .3.979/2001, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco contribuinte estabelecida com o ato administrativo do Fl. 657DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 7 11 lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar relação jurídica tributária fiscocontribuinte. (Processo n. 37166.000411/200454, Recurso no 268.580 Voluntário, Acórdão no 230101.378 – 3a Câmara / 1a Turma Ordinária , Sessão de 28 de abril de 2010) Destacável também o precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, bastante similar ao caso em análise, conforme se percebe, in verbis: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 06/05/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NORMAS PROCEDIMENTAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTOFISCAL INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EMISSÃO COM FALHAS. NULIDADE . INEXISTÊNCIA. São válidos os lançamentos precedidos de MPF ainda que a prorrogação não seja imediatamente após o vencimento do documento anterior, resultando lapso temporal não coberto por mandado. Com emissão do primeiro documento, o contribuinte tomou ciência do motivo e demais características do procedimento fiscal , não se vislumbrando prejuízo à defesa. Recurso especial provido. (Processo n° 35464.003835/200308 , Recurso n° 242.365 Especial do Procurador, Acórdão n° 9202 00.661 2a Turma, Sessão de 12 de abril de 2010) No mesmo sentido, a 2a Seção, Acórdãos: 210100.713 de 19/08/2010, 2402 00.408 de 25 de janeiro de 2010, 240200.409 de 25 de janeiro de 2010, 230101.373 de 28/04/2010; Câmara Superior de Recursos Fiscais: 910100.588 de 18 de maio de 2010, 9101 00.189 de 16 de junho de 2009, 40106.100 de 02 de fevereiro de 2009. DO MÉRITO DA DESNECESSIDADE DE A FISCALIZAÇÃO DILIGENCIAR JUNTO À PRESTADORA PARA VERIFICAR SE FORAM OU NÃO RECOLHIDOS OS VALORES PELO OBRIGADO Não procede o argumento da Recorrente de que deveria a auditoria buscar a notícia de que houve o pagamento por parte do suposto obrigado originalmente do crédito sob pena de caracterizarse bis in idem ou enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. De acordo com o previsto no art. 33, § 5° da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo, in verbis: “Art. 33 (...) (...) §5° O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar Fl. 658DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em beneficio de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal que milita em favor da fiscalização previdenciária. Ao contrário dos argumentos trazidos pela Recorrente, devese entender que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. Não importa o cumprimento da obrigação pela contratada, pois a obrigação da retenção é da contratante. Cumprenos esclarecer ainda, que a fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1° da Lei n. 11.098/2005: "Art. 1° Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento." Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: "Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes." Ante o exposto, não há que se falar em negligência da auditoria fiscal em observar pagamento pelo obrigado. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA É obrigatória a retenção de 11% no valor da nota fiscal ou fatura, quando a empresa contratar serviço contínuo, desde que haja a cessão de mãodeobra, para fins de Contribuição Previdenciária, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91 c/c o art. 219 do Decreto n. 3.048/99; assim como quando contratar, na modalidade empreitada, serviço de cessão de mãodeobra, nos termos do § 3o do art. 219 do Decreto n. 3.048/99. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 8 13 Mister se faz definir o que vem a ser serviço de cessão de mãodeobra, passível da retenção de 11%, para, em seguida, analisar os casos que deram origem ao Auto de Infração em tela. Assim disciplina o art. 31, §§ 3o e 4o da Lei n. 8.212/91, redação da Lei n. 9.711/98, verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (grifo nosso) Para melhor compreensão, mister destacar as previsões constantes no art. 219 do Decreto n. 3.048/99, verbis: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1o Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. § 3o Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. (grifo nosso) A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a lista constante no § 4o do art. 31 da Lei n. 8.212/91, é exemplificativa. Nesse diapasão, conforme delegação do citado Fl. 661DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 9 15 parágrafo, o Regulamento traz, taxativamente, o rol dos serviços que deverão ser considerados como “cessão de mãodeobra”, para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. Quanto ao alegado equívoco supostamente realizado pela DRJ, cumpre observar que assiste razão ao órgão julgador a quo e à fiscalização pois, apesar de nas notas fiscais constar metade do valor da nota como insumo e a outra como mãodeobra, não há a especificação de que tipo de máquina ali se trata, constando destaque vago e impreciso, incapaz de sustentar a tese do recorrente. DA INCOMPATIBILIDADE ENTRE A RETENÇÃO DE 11% E OS OPTANTES PELO SIMPLES Dentre os argumentos de recurso da empresa tomadora de serviços, foi alegado que devem ser excluídos também os valores lançados relativos às competências de fevereiro a novembro de 1999 e dezembro de 2000 a dezembro de 2002, e fevereiro a novembro de 1999 e setembro a dezembro de 2002, respectivamente, sobre os pagamentos feitos às empresas Gianto Serviços de Leitura Ltda. ME, JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares e Andrade Guarujá Ltda. ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda. E Transvelox Serviços de Leitura de Maquinas Copiadoras Ltda., optantes pelo Simples. Por tal razão, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais as decisões submetidas à sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Do julgamento do Recurso Especial n. 1112467/DF, restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça que o sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, acórdão cuja ementa segue abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). Fl. 662DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1112467/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 21/08/2009)” Na diligência fiscal, constante nas fls. 241, a autoridade fez a seguinte afirmação: “3. No item 107 há alegação de que as empresas Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda, Tavares e Andrade Guarujá Ltda ME, Tecnicópias Reproduções Técnicas Ltda e Transvelox Serviços de Leitura de Máquinas Copiadoras Ltda são optantes pelo simples (vide doc 14 fls. 184 a 188). Consultamos o sistema CONSIMPLES da Secretaria da Receita Federal e confirmamos que são optantes exceto a empresa Cargomax Consultoria e Planejamento de Transportes Ltda que não é optante. Portanto excluímos as competências 01/00 a 08/02, considerando o artigo 151 parágrafo único da IN 100/03, anexamos novas planilhas demonstrativas e FORCED d e exclusão.” A informação do Fiscal é condizente com os documentos acostados aos autos nas fls. 188 a 196, que demonstram o seguinte: Gianto Serviços de Leituras Ltda – ME., fl. 188 (optante desde 01/01/1998); JM Prestadora de Serviços Ltda., fl. 190 (optante desde 14/09/1999); Tavares & Andrade Guarujá Ltda – ME, fl. 192 (optante desde 10/08/1998); Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., 194 (optante desde 01/01/2001); Transveloz Serviços de Leitura em Maquinas Copiadoras Ltda., 196 (optante desde 01/01/1997). Fl. 663DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35301.007180/200644 Acórdão n.º 2403001.699 S2C4T3 Fl. 10 17 Ante o exposto, assiste razão à recorrente no que toca à sua dispensa de reter o valor de 11% a título de contribuição previdenciária, das cinco empresas optantes pelo SIMPLES, acima elencadas. DA EXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA NFLD LAVRADA Afirma a recorrente que há uma série de inconsistências na NFLD, que retiram a liquidez e certeza do crédito tributário exigido, em afronta ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional e aos princípios da legalidade e da verdade material. Cumpre esclarecer que não se verifica qualquer inconsistência na NFLD lavrada. Ora, se não houve qualquer prejuízo ao contribuinte, tendo sido inclusive realizado diligência fiscal para apurar as informações passadas, não há que se falar em inconsistência. Os fatos narrados estão comprovados pelas notas ficais apresentadas nos autos, assim como as planilhas e capitulação legal da obrigação imputada. Nesse sentido o conselho já se manifestou em diversas oportunidades, estampada pelo precedente abaixo colacionado. CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E GRUPO ECONÔMICO ASSUNTO: Contribuições SOCIAIS PREVIDENCIARIAS EMENTA Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES (...) NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. (CARF 2a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 240101.551 em 01/12/2010) Logo, não merece prosperar a alegação do recorrente nesse ponto do recurso voluntário apresentado. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, dou provimento parcial ao Recurso, para considerar inexigível os valores das notas fiscais dos serviços prestados pelas empresas Gianto Serviços de Leituras Ltda – ME., JM Prestadora de Serviços Ltda., Tavares & Andrade Guarujá Ltda – ME, Tecnicopias Reproduções Técnicas Ltda., Transveloz Serviços de Leitura em Maquinas Copiadoras Ltda., por serem optantes do SIMPLES à época dos fatos geradores, bem como, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 665DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10384.720015/2011-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas não empregadas.
NULIDADE
A decretação da nulidade depende do prejuízo sofrido pela parte.
Numero da decisão: 2403-001.544
Decisão: Recurso Voluntário Provido Em Parte
Crédito Tributário Mantido Em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e pela exclusão da multa de ofício referente às competências até 11/2008. Vencidos o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas e o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da alíquota do SAT.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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EXCLUSÃO Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas não empregadas. NULIDADE A decretação da nulidade depende do prejuízo sofrido pela parte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido Em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 00 15 /2 01 1- 45 Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e pela exclusão da multa de ofício referente às competências até 11/2008. Vencidos o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas e o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da alíquota do SAT. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 2403001.544 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0822.279 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações previdenciárias, consoante discriminação adiante esmiuçada. Autos relativos à obrigação principal: – AI DEBCADs 37.243.0970, importando R$ 169.092,37, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte dos segurados contribuintes empregados (rubrica 11) e contribuintes individuais (rubrica 1F), efetivamente descontada, com base em folha de pagamento e notas de emprenho, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD; – AI DEBCAD 37.243.0988, importando R$ 891.342,55, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte patronal (rubrica 12, alíquota 20% e rubrica 14, alíquota 20%) e em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (rubrica 13, alíquota 2%), com base em folha de pagamento e notas de emprenho, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD; AI DEBCAD 37.243.0996, importando R$ 1.964,62, motivado pelo lançamento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SEST e SENAT, rubrica 15, alíquota 2,5%) pelo pagamento a serviços de frete a transportador rodoviário autônomo, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD; AI DEBCAD 37.243.1003, importando R$ 167.595,94, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte devida por segurados empregados (rubrica 11) e contribuintes individuais (rubrica 1F), com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. Também foi incluída a contribuição decorrente do recolhimento em atraso de Guias da Previdência Social (GPS), consoante dispunham os art. 34 e 35 da Lei 8.212/91; AI DEBCAD 37.243.1011, importando R$ 389.278,24, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte à parte patronal (rubrica 12, alíquota 20% e rubrica 14, alíquota Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 20%) e em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (rubrica 13, alíquota 2%), com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. Autos relativos à obrigação acessória: AI DEBCADs 37.243.1020, importando R$ 1.000,00, motivado por apresentar o sujeito passivo a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24.07.1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997, com a redação da MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27.05.2009, com incorreções ou omissões, com lastro na fundamentação legal contida no na folha de rosto do respectivo DEBCAD; DEBCAD 37.243.1038, importando, R$ 1.523,55, motivado pela não arrecadação, mediante desconto das remunerações, das contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, com lastro na fundamentação legal contida no na folha de rosto do respectivo DEBCAD. O relatório Auto de Infração (fls. 501 a 517) informa que não existia Regime Próprio de Previdência Social no período fiscalizado. Prossegue esclarecendo acerca dos levantamentos: i) D11 FOLHA DE PAGTO COM DESCONTO / D2 FOLHA DE PAGTO 112008 / D3 FOLHA DE PAGTO 122008: valores correspondentes à contribuição efetivamente descontada da remuneração mensal dos segurados empregados, bem como a contribuição patronal e RAT incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados da Prefeitura Municipal de Aroazes; ii) U11 CONSELHO TUTELAR / U2 CONSELHO TUTELAR 112008 / U3 CONSELHO TUTELAR 122008: valores correspondentes à parte patronal, incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos membros do conselho tutelar e à parte do segurado, cujos valores foram efetivamente descontados de sua remuneração mensal; iii) E11 EMPREGADO COM RECIBO / E2 EMPREGADO COM RECIBO 112008 / E3 EMPREGADO COM RECIBO 122008: contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados da Prefeitura, cujo pagamento da remuneração foi efetuado por meio de recibos. Tais contribuições correspondem à parte patronal, RAT e à parte do segurado; iv) F11 FOLHA DE PGTO SEM DESCONTO / F2 FOLHA DE PAGTO SEM DESCONTO 112008 / F3 FOLHA DE PAGTO SEM DESCONTO 122008 / G1 GRATIFICAÇÃO EXTRA / G2 GRATIFICAÇÃO EXTRA 112008 / G3 GRATIFICAÇÃO EXTRA 122008: contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração mensal dos segurados empregados, sobre os valores pagos a título de gratificações, e por serviços extras prestados por servidores da Prefeitura Municipal. Tais contribuições correspondem à parte patronal, RAT e à parte do segurado; Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 2403001.544 S2C4T3 Fl. 4 5 v) R11 RAT NÃO DECLARADO EM GFIP / R2 RAT NÃO DECLARADO 112008 / R3 RAT NÃO DECLARADO 122008: contribuição destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, cuja alíquota é de 2,00%, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social – GFIP vi) C11 CONT INDIVIDUAL / C2 CONT INDIVIDUAL 112008 / C3 CONT INDIVIDUAL 122008 / T1 FRETE / T2 FRETE 112008 / T3 FRETE 122008: contribuições incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais, dentre estes os condutores autônomos de veículos rodoviários, que prestaram serviços no decorrer do mês ao Município ora fiscalizado. A diferença de valor entre a contribuição do segurado devida e a efetivamente descontada da remuneração dos membros do conselho tutelar (contribuintes individuais) foi lançada nos levantamentos C11, C2 e C3 do AI DEBCAD N° 37.243.1003. A contribuição do segurado contribuinte individual não foi descontada pela empresa, razão pela qual esta foi calculada aplicandose o percentual de 11,00% sobre o salário de contribuição mensal do contribuinte individual. VII) N1 RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS / N2 RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS 112008 / N3 RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS 122008: valores consignados em folha de pagamento a titulo de "gratificação de motorista" e "UNIPLAM", rubricas que integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias mas que, entretanto, não foram consideradas pelo contribuinte como tal. De acordo com o disposto na Lei 8.212/91, art 28, inciso I e no parágrafo 9º, alínea "q" do mesmo artigo as gratificações pagas a qualquer titulo, quando habituais, assim como os valores relativos à assistência médica própria da empresa ou por ela conveniada, desde que não abranja a totalidade dos empregados constituem salário de contribuição devendo incidir contribuição previdenciária sobre as mesmas. Também informa que foi feita REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS pelo fato de ter havido desconto sem o respectivo recolhimento à previdência social, além da omissão de fato gerador em GFIP, configurando, em tese, ilícitos penais. Quanto ao DEBCAD 37.243.1020, clarifica o auditor que, a GFIP da competência novembro/2008 foi enviada em 03/06/2009, já na vigência da MP 449, tendo sido aplicada a multa prevista no art.32A, inciso II da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, no valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Na competência 11/2008 foram omitidas 498 (quatrocentos e noventa e oito) informações, que agrupadas resultam em 50 Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 (cinqüenta) grupos de 10(dez) informações, perfazendo um total de R$ 1.000,00 (um mil reais). Salientese que o contribuinte foi intimado a apresentar novas GFIP, por meio de Termo de Intimação Fiscal TIF N° 1 recebido em 29/08/2010, contendo todos os segurados obrigatórios da previdência social e, assim, ter sua multa reduzida a 75% nos termos do art. 32, parágrafo 2º da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009. A Prefeitura não apresentou novas GFIP não tendo, portanto, direito à redução da multa aplicada. Já quanto ao AIOA DEBCAD N° 37.243.1038, a empresa foi ainda autuada por descumprir o disposto no art 30, inciso I alínea "a" da Lei 8.212/91 deixando de arrecadar, mediante desconto das remunerações as contribuições dos segurados empregados a seu serviço. A multa aplicada no valor de R$ 1.523,55 e tem previsão legal no art 283, inciso I alínea "g" do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/99. Este valor está atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 568 de 31/12/2010. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade. Sujeito passivo não foi informado da prorrogação do MPF. Inválido o argumento de informação disponibilizada na internet. · Nulidade. Local da lavratura das autuações não foram o município de Aroazes. · Nulidade. Incorreta qualificação do autuado. É o município quem possui personalidade jurídica e não a prefeitura. As contribuições dizem respeito ao Conselho Tutelar, Secretarias de transporte, Educação e Saúde. · Nulidade. Indicação confusa dos dispositivos legais infringidos. · Questiona tributação dos conselheiros do Conselho Tutelar. · Questiona SAT a 2%. · Questiona tributação incidente sobre o transporte de alunos (transportadores). É o relatório. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 2403001.544 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINARES NULIDADE A recorrente requer a nulidade dos lançamento em razão de não ter sido informada da prorrogação do MPF, por entender que houve falha na identificação do sujeito passivo, pelo fato de o lançamento ter sido lavrado fora do município e por entender confusa a apresentação dos dispositivos legais. Abaixo ficará demonstrada que não cabe a decretação da nulidade dos lançamentos. Inicialmente entendo que não houve prejuízo à recorrente, constato que a recorrente bem entendeu os lançamentos e que está exercendo seu direito de defesa livre e amplamente. Quanto à questão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 03.3.01.00 2010000485, de 08 de fevereiro de 2010. constatase que dele a Prefeitura tomou conhecimento. Conforme Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a ciência pelo sujeito passivo do MPF ocorre por intermédio da Internet, no endereço eletrônico Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. A ciência da prorrogação do MPF dáse da mesma forma. A informação acerca da prorrogação do MPF consta do referido endereço eletrônico e estava disponível para a recorrente. Quanto ao local de lavratura das autuações, estabelece o Decreto 70.235/72, que o auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta,... Essa é uma questão pacificada no CARF, eu editou súmula, que vincula de obediência obrigatório por todos conselheiros. Súmula CARF n º 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Quanto à alegada fundamentação legal confusa, entendo que o Relatório Fundamentos legais do Débito traz os dispositivos legais relacionados com as rubricas constantes do auto de infração, assim como discrimina a fundamentação legal da obrigação principal e da multa, cumprindo sua finalidade. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 2403001.544 S2C4T3 Fl. 6 9 Para a questão da identificação do sujeito passivo, verificase que todos os documentos de constituição do crédito apontam como o sujeito passivo o Município de Aroazes – Prefeitura Municipal e que portanto, entendo o questionamento improcedente. MÉRITO SAT 2% A aplicação da alíquota de 2% para a Prefeitura na tributação do SAT obedece ao estabelecido no anexo V do Decreto 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007, vigente à época dos fatos geradores, que estabelecia para o CNAE 84116/00 Administração pública em geral, a alíquota de 2%. Visto que o lançamento é atividade vinculada, entendo correta a alíquota aplicada. TRIBUTAÇÃO DOS CONSELHEIROS DO CONSELHO TUTELAR. A recorrente defende a tese que os conselheiros do Conselho Tutelar são segurados facultativos. Tal tese não procede visto que o Decreto 3.048 estabelece que os conselheiros são segurados obrigatórios enquadrados como contribuintes individuais. Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999)) j) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; l) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 §15. Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j"e"l" do inciso V do caput, entre outros:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) XV o membro de conselho tutelar de que trata o art. 132 da Lei nº8.069, de 13 de julho de 1990, quando remunerado;(Inciso acrescentado pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) TRANSPORTADOR RODOVIÁRIO AUTÔNOMO O Auto de Infração 37.243.0996 referese a transportadores autônomos que prestaram serviço à Prefeitura e que estão individualmente identificados no Relatório de Lançamentos. Por definição, tais trabalhadores são contribuintes individuais (segurados obrigatórios) e pela atividade, é correta a tributação para o SEST e SENAT, conforme demonstrado no acórdão recorrido. Entendo correto o lançamento. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10384.720015/201145 Acórdão n.º 2403001.544 S2C4T3 Fl. 7 11 Constatase que à época dos fatos geradores, até a competência 11/2008, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar a exclusão da multa de ofício referente às competências até 11/2008. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte e pela exclusão da multa de ofício referente às competências até 11/2008. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13971.002845/2002-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO.
Constatada obscuridade no julgado, por conter erro material no resultado e a redação da parte dispositiva do voto suscitar dúvida, cabe a retificação em sede de Embargos de Declaração.
Numero da decisão: 3401-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, conhecer em parte dos embargos de declaração, e por unanimidade acolhê-los parcialmente para re-ratificar o Acórdão nº 3401-001. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que votou por não apreciar a parte não conhecida entendendo que não devia ser submetida ao Colegiado, mas apenas à Presidência da Turma. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Jean Cleuter Simões Mendonça Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
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Embargante BUNGE ALIMENTOS S/A Interessado BUNGE ALIMENTOS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Constatada obscuridade no julgado, por conter erro material no resultado e a redação da parte dispositiva do voto suscitar dúvida, cabe a retificação em sede de Embargos de Declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, conhecer em parte dos embargos de declaração, e por unanimidade acolhêlos parcialmente para reratificar o Acórdão nº 3401001. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que votou por não apreciar a parte não conhecida entendendo que não devia ser submetida ao Colegiado, mas apenas à Presidência da Turma. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Jean Cleuter Simões Mendonça –Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 28 45 /2 00 2- 74 Fl. 751DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13971.002845/200274 Acórdão n.º 3401001.913 S3C4T1 Fl. 752 2 Tratase dos Embargos de Declaração de fls. 741/747, interpostos tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3401001.558, de 31/08/2011. Alega o Embargante três vícios no julgado: 1) erro material, por ausência de referência às cooperativas no resultado do Aresto (ficou registrado o provimento parcial “para reconhecer o direito em relação às aquisições de pessoas físicas”, não obstante haja menção expressa às aquisições de cooperativas na ementa e na conclusão do voto); 2) obscuridade, omissão ou contradição (não especifica qual seria exatamente o vício), por ter sido considerado precluso o tema da Selic desprezandose que inicialmente o pedido de ressarcimento foi indeferido por impossibilidade de apuração dos créditos e somente na diligência tal apuração restou possível, pelo que argúi não ter tratado da Selic na manifestação de inconformidade por não haver necessidade; e 3) erro material, obscuridade ou omissão (mais uma vez sem definir qual seria o vício, dentre as três possibilidade indicadas), por não “homologar” expressamente o resultado da diligência, o que pede seja feito no dispositivo. Ao final requer sejam acolhidos os Embargos, “sanando a obscuridade, a omissão, contradição e o erro material”. É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado . Voto Dos três vícios apontados pelo Embargante, considero passíveis de análise nesta via estreita dos Embargos de Declaração o erro material no resultado do Acórdão (item 1) e o que pode ser tida como obscuridade na conclusão do voto, ao não mencionar o resultado da diligência (item 3). Assim, os presentes Declaratórios devem ser admitidos para a correção e o esclarecimento cabível. Antes cuido do vício relatado no item 2, que não caracteriza omissão, contradição ou obscuridade. Sem enquadrar em uma dessas três espécies o defeito levantado por ter o Acórdão embargado considerado precluso o tema da Selic, o Embargante argúi que foi desprezada a circunstância de que inicialmente o pedido de ressarcimento foi indeferido por impossibilidade de apuração dos créditos. Somente na diligência tal apuração restou possível. Daí concluir que a Selic não foi abordada na manifestação de inconformidade porque não havia necessidade. Todavia, o voto é claro ao considerar o seguinte: A incidência (ou não) da Selic sobre eventual sobra de crédito não utilizada na compensação, que segundo a Recorrente deve ser aplicada a partir do pedido de ressarcimento, é tema precluso, por não ter sido abordada nem na manifestação de inconformidade nem no recurso voluntário. Tendo sido tratada apenas na manifestação sobre o resultado da diligência determinada pelo segundo acórdão da Terceira Câmara do Fl. 752DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13971.002845/200274 Acórdão n.º 3401001.913 S3C4T1 Fl. 753 3 Segundo Conselheiros de Contribuintes, resta impossibilitada o seu conhecimento. (...) No caso em tela ocorreu a preclusão temporal (ou consumativa, para outros), consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar da questão na manifestação de inconformidade. A argüição do item 2 parece mais adequada a eventual Recurso Especial endereçado à Câmara Superior de Recursos Fiscais, não à via estreitíssima dos Declaratórios. Ultrapassado o item que não merece admissibilidade, doravante cuido de corrigir o Acórdão embargado, levando em conta os itens 1 e 3, que configuram obscuridades. A ausência da menção às cooperativas no resultado do Acórdão caracteriza erro material porque, em consonância o com o relatório, tanto os fundamentos do voto quanto sua parte dispositiva sempre se referem às aquisições de pessoas físicas e de cooperativas, nunca às de pessoas físicas apenas. Observo que o erro material em tela pode ser visto como obscuridade, na medida em que causa dúvida quanto à deliberação do Colegiado. Daí a possibilidade de correção por meio destes Embargos. Patente que é, poderia até ser corrigido de ofício, nos termos do nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Bastaria que o contribuinte requeresse a retificação ao Presidente desta Turma, como previsto no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. O § 2º do referido art. 66, à semelhança do que se dá na hipótese de Embargos de Declaração, informa: “Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma.” De todo modo, por têlo como obscuridade admito a possibilidade de correção por meio destes Declaratórios, para o que se faz necessária alteração no resultado do Aresto, nos termos postos mais adiante na parte conclusiva deste voto. Também carece ser alterada a parte dispositiva do voto, para evidenciar que o resultado da diligência foi plenamente acolhido no julgamento e, assim, sanar o que pode ser visto como uma segunda obscuridade, relatada no item 3. Como bem observou o Embargante, a ausência de menção ao resultado da diligência pode causar dúvidas quando do retorno à DRF. Daí o acolhimento dos Embargos também nesta parte, mais uma vez sem efeitos infringentes. Pelo exposto, não conheço dos Embargos no que trata da preclusão atinente à Selic e, nas partes admitidas, o acolho para alterar as redações do resultado do Acórdão e da parte dispositiva do voto, que passam a ser as seguintes: resultado: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação à Selic, por preclusão, e dar provimento parcial para reconhecer o direito em relação às aquisições de pessoas físicas e de cooperativas, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno. Esteve presente o advogado Bruno Padovan OAB/DF 28.460; Fl. 753DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13971.002845/200274 Acórdão n.º 3401001.913 S3C4T1 Fl. 754 4 parte final do voto: Pelo exposto, não conheço da alegação quanto à incidência da taxa Selic, em face da preclusão, e dou provimento parcial determinar o ressarcimento do valor apurado na diligência, a ele acrescendose a parcela decorrente do cômputo, na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI, dos valores das aquisições de insumos a pessoas físicas e a cooperativas. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 754DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10469.905557/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DECADÊNCIA - Nos termos do inciso I do artigo 168 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional- CTN) o direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido. Desse modo, resta decaído o direito de pleitear a restituição/compensação do IRPJ dito pago a maior em 27/07/2000, na medida em que o PERDCOMP somente fora apresentado em 15/05/2009.
Numero da decisão: 1802-001.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DECADÊNCIA Nos termos do inciso I do artigo 168 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido. Desse modo, resta decaído o direito de pleitear a restituição/compensação do IRPJ dito pago a maior em 27/07/2000, na medida em que o PERDCOMP somente fora apresentado em 15/05/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 55 57 /2 00 9- 31 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.26) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —DCOMP de fls. 15/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1RPJ código 2089 com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 4.921,65 seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 2° trimestre do anocalendário 2000. Através do despacho de fl. 13, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal em Natal — DRF/Natal identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/05), fazendo, em síntese, as seguintes alegações: que o crédito é fruto da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares de 32% para 8%, descreve sobre a matéria is fls. 01/04; não procedeu à retificação da DCTF por ocasião da compensação pleiteada, para deixar patente que seu pagamento foi a maior, porque já havia transcorrido o tempo hábil para retificação, o sistema da Receita Federal não aceita retificação "após cinco anos da data prevista"; o crédito subsiste porque o descumprimento de obrigação acessória, não interfere na principal; requer a procedência da manifestação de inconformidade, homologação das compensações e a retificação de oficio das DCTFs com base no art. 149, inciso II do CTN, transcrito à fl. 05. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.905557/200931 Acórdão n.º 1802001.533 S1TE02 Fl. 3 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.276, de 30 de junho de 2011 (fls.25/28), cientificado ao interessado em 09/09/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.25): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 27/09/2011. Eis a defesa da Recorrente: (...) O presente Recurso tem por escopo sanar defeito correspondente a uma formalidade do procedimento das compensações, não se pretendendo, pois, discutir o mérito dos crédito tributários respectivos. Não há que se falar em inexistência dos créditos, isto pelo fato de que os tributos pagos forma a maior resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizá los para posteriores compensações. Entretanto, efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. Quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Nesse contexto, a obrigação de apresentar a DCTF é uma obrigação tributária acessória que, ainda quando descumprida, Fl. 54DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 não interfere na obrigação principal, ou seja, ainda que não se tenha procedido às retificações, o crédito subsiste. Observase que as compensações não foram homologadas somente em virtude do mero descumprimento de obrigação acessória, havendo crédito suficiente para legitimar as compensações. IIIDO PEDIDO: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, fundada na lavratura do auto de infração, espera e requer a Recorrente que seja acolhido o presente Recurso Administrativo, homologandose as compensações administrativas realizadas e cancelando os débitos ora determinados. Para tanto, requer à Receita Federal que retifique as DCTFs de ofício, em conformidade com o art. 149, II, do CTN, que prevê o lançamento de ofício pela autoridade administrativa quando "a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária". Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 33176.75174.150509.1.7.045012 (fls.11/15), transmitido em 15/05/2009, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ: R$ 1.240,00, código 2089, relativo ao 4º trimestre de 2004, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 30/06/2000; Vencimento: 31/07/2000, Valor: R$ 6.312,00). Conforme o despacho decisório de fl.13, emitido em 07/10/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 23/11/2009 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 1134.276, de 30 de junho de 2011(fls.25/28), mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação Fl. 55DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.905557/200931 Acórdão n.º 1802001.533 S1TE02 Fl. 4 5 porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente diz que não pretende discutir o mérito do crédito tributário e que não há falar em inexistência do crédito pelo fato de que o tributo pago a maior foi resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizálos para posteriores compensações. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débitos de IRPJ com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 30/06/2000, Vencimento: 31/07/2000, Valor: R$ 6.312,00). Verificase que a Recorrente se reporta a crédito relativo ao 1º trimestre de 2000, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento relativo ao 2º trimestre/2000, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso. Sobre o pagamento a maior, a Recorrente aduz que efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. E, quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Ainda que se admita como equívoco da Recorrente ao se reportar ao 1º trimestre de 2000 e não ao 2º trimestre de 2000, depreendese de suas alegações que a contribuinte pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DCTF comparados com o PER/DCOMP. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, a declaração de compensação deve estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento Fl. 56DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 pela autoridade administrativa de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 1.240,00, adotando a via do PER/DCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 2º trimestre do ano calendário de 2000. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 15/05/2009, tomou ciência do despacho decisório expedido em 07/10/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/11/2009 (fls.01/05). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos da entrega do PERDCOMP. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Ademais, nos termos do inciso I do artigo 168 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido. Desse modo, resta decaído o direito de pleitear a restituição/compensação do IRPJ dito pago a maior em 27/07/2000 (fl.18), na medida em que o PERDCOMP somente fora apresentado em 15/05/2009, portanto, 9 (nove) anos após a data de arrecadação do tributo. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.905557/200931 Acórdão n.º 1802001.533 S1TE02 Fl. 5 7 No tocante à revisão de ofício da DCTF, aventada pela interessada, como bem ressaltado na decisão recorrida, não se aplica ao caso a determinação do inciso II do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que não se discute no presente processo lançamento de ofício de crédito tributário decorrente de lavratura do auto de infração como aduzido pela Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000117/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira Presidente
Bernadete De Oliveira Barros Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Bernadete De Oliveira Barros Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva.
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete De Oliveira Barros – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 76 .0 00 11 7/ 20 07 -8 2 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000117/200782 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.319 S2C3T1 Fl. 568 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/12/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 36), a empresa não declarou, em GFIP's das competências de 04/99 a 09/02, 11/02 a 02/03, 04/03 a 03/04, 06/04 a 08/05, e 10/05, as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais autônomos por serviços prestados, lançadas na contabilidade da empresa em várias contas de fornecedores a pagar, bem como outros valores considerados pela fiscalização como sendo remuneração de segurados empregados, ali discriminados, além de valores pagos a título de patrocínio para o Clube Atlético Paranaense. A empresa autuada apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0620007, da 7a Turma da DRJ/CTA, (fls. 513), julgou a impugnação procedente em parte, excluindo, do débito, o valor da multa aplicada relativa às competências de 02/1999 a 11/2000, por decadência. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls 552), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste no julgamento em conjunto com as NFLDs correspondentes às obrigações principais geradoras das obrigações acessórias ora recorridas. Requer a reforma da decisão em relação à decadência a fim que seja reconhecida a decadência das parcelas anteriores à dezembro de 2001, com a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, bem como a redução da multa aplicada em razão da edição da MP 449/2008, com a aplicação do art. 32A, da Lei 8.212/91, em observância ao disposto no art. 106, do CTN. Finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida, com o julgamento de insubsistência do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000117/200782 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.319 S2C3T1 Fl. 569 3 Voto Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise dos autos, constatase que as contribuições incidentes sobre as verbas omissas em GFIP foram lançadas por intermédio das NFLDs 37.046.9682, 37.046.9704, 37.046.9712, 37.046.9720 e 37.046.9739, objeto de discussão administrativa. A recorrente alega, entre outras coisas, que inexiste a obrigação principal, e que, na ausência da obrigação principal, não há que se falar em cumprimento de medida acessória. De fato, verificase que existe uma nítida conexão entre esses lançamentos, uma vez que, estabelecida a obrigação tributária principal, por força do levantamento dos fatos geradores e lançamento das respectivas contribuições previdenciárias, deparouse a fiscalização com a obrigação acessória descumprida, caracterizada por deixar de declarar os respectivos valores em GFIP. Assim, entendo que o julgamento do auto em questão depende da procedência das NFLDs que lançaram as contribuições omissas em GFIP, e tanto o AI discutido por meio do presente processo administrativo fiscal, quanto os que são objeto dos processos que discutem os lançamentos acima indicados, detêm a mesma causa de pedir, pois os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são praticamente idênticos e sucessórios. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os todos esses processos e, para evitar que se tenham decisões contraditórias, devese reunir os autos em uma mesma câmara, para que se aplique a todos eles a mesma decisão. Cumpre registrar que este Conselho vem decidindo no sentido de se admitir a possibilidade da aplicação da conexão em matéria de processo administrativo fiscal, conforme se denota das ementas abaixo transcritas: “NORMAS PROCESSUAIS. CONEXÃO. Dáse a conexão quando os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são idênticos. Neste caso, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20400694 do Processo Administrativo nº 10980013136200217; Órgão julgador: Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 08/11/2005) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CONEXÃO DE MATÉRIAS ANÁLISE CONJUNTA NECESSIDADE Identificadaconexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. (Acórdão nº 10517246 do Processo 19740000426200389; Órgão Fl. 575DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11176.000117/200782 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.319 S2C3T1 Fl. 570 4 Julgador: Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 15/10/2008) Dessa forma, entendo que os referidos processos administrativos fiscais devam ser reunidos, a fim de afastar a hipótese de decisões contraditórias, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que estabelece: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Portanto, tendo em vista que restou configurada a existência da conexão entre os citados processos, devem ser os mesmos apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos dos processos administrativos que discutem as NFLDs 37.046.9682, 37.046.9704, 37.046.9712, 37.046.9720 e 37.046.9739, apensados ao presente processo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro deles. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 576DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13210.000103/2009-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2007
IRRF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO.
Restabelece-se a compensação de imposto de renda retido na fonte, quando o contribuinte comprova o pagamento, ou ter sofrido a retenção, de parte do valor compensado em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 1.321,44, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 1.321,44, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Restabelecese a compensação de imposto de renda retido na fonte, quando o contribuinte comprova o pagamento, ou ter sofrido a retenção, de parte do valor compensado em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 1.321,44, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 21 0. 00 01 03 /2 00 9- 92 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13210.000103/200992 Acórdão n.º 2801002.726 S2TE01 Fl. 150 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BEL (Fls. 105), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação em resistência à Notificação de Lançamento, fls.03/05, lavrada em face do Interessado, já qualificado nos autos, em procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual. Referente ao IRPF, anocalendário 2006, no qual foi apurada a seguinte infração: Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$1.843,29. Fonte pagadora: Centrais Elétricas do Pará S.A. – CELPA. Resultou a ação fiscal na eliminação do Imposto a restituir. Noticia a Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento que: “A glosa de IRRF por compensação indevida, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum comprovante de recolhimento de DARF referente ao Processo Trabalhista nº 10601059/2002. Por outro lado após pesquisa nos sistemas da Receita Federal (SIEF WEB) também não foi confirmado o referido pagamento”. Em sua impugnação, fl.01, o interessado afirma que “foi informado o rendimento de 15.143,90, ganho em ação judicial 015059/2002x em 09/12/2002”. Apresenta documentação referente ao processo judicial. Requer a liberação da restituição declarada. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: COMPENSAÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Para desconstituir a pretensão do Fisco é imprescindível que as alegações contrárias ao lançamento venham acompanhadas, oportunamente, de provas consistentes, de forma a não deixarem dúvida da fidedignidade dos fatos alegados. Cientificado em 07/04/2011 (Fls. 108), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 05/05/2011 (fls. 156 a 171), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação e apresentando nova documentação. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13210.000103/200992 Acórdão n.º 2801002.726 S2TE01 Fl. 151 3 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em sua impugnação o contribuinte alega o pagamento do IRRF, e anexa as cópias de alguns documentos referentes a ação trabalhista que, no seu entender comprovariam a retenção do tributo. Por seu turno, a DRJ entendeu que não havia provas suficientes para a comprovação da retenção do IRRF, ou do seu pagamento. No entanto, o contribuinte, em seu recurso, junta cópia de DARF referente a pagamento de IRRF, no valor de R$1.321,44.(pág. 41 dos autos) Também anexa o contribuinte, em seu recurso, vários documentos que comprovam a retenção do IRRF na ação judicial, no valor de R$1.321,44; dentre os quais podemos destacar os de páginas 51, 54 e 56 dos autos. Deste modo, é dever restabelecer a dedução do IRRF no valor de R$1.321,44. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução do IRRF no valor de R$1.321,44. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 16327.000189/2010-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA. QUALIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Somente se pode impor multa qualificada quando há no lançamento tributário indicação individualizada e específica sobre a conduta fraudulenta do contribuinte. A fraude não pode ser presumida e a sua tipificação deve estar determinada no ato administrativo da imposição de multa. Não pode ser exigida a multa qualificada quando não há nos autos elementos que atestem, de forma inequívoca, o evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte, ou discriminação da conduta fraudulenta.
Numero da decisão: 3803-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PAGAMENTO ANTECIPADO. AUSÊNCIA. Decai em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo deveria ter sido lançado, na hipótese de inocorrência de pagamento antecipado do débito apurado pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 MULTA. QUALIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Somente se pode impor multa qualificada quando há no lançamento tributário indicação individualizada e específica sobre a conduta fraudulenta do contribuinte. A fraude não pode ser presumida e a sua tipificação deve estar determinada no ato administrativo da imposição de multa. Não pode ser exigida a multa qualificada quando não há nos autos elementos que atestem, de forma inequívoca, o evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte, ou discriminação da conduta fraudulenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 89 /2 01 0- 78 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Belchior Melo de Sousa – Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de contribuição para o PIS e de Cofins, apurados no regime não cumulativo, conforme as Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, relativamente aos anoscalendário 2005 e 2006. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 95/97 da imagem digitalizada (como doravante se indicará), que: a) no anocalendário 2005, a contribuinte entregou a Declaração Simplificada PJ Inativa e no anocalendário 2006 entregou DIPJ com base no lucro presumido, porém sem receita operacional declarada; b) tais declarações estavam totalmente incompatíveis com a movimentação financeira, verificada por meio das declarações da CPMF fornecidas pelas instituições financeiras; c) esclarecimentos prestados pelo sóciogerente da pessoa jurídica, na Deinf/SP, confirmaram a ocorrência de operações de faturização ocorridas no anocalendário de 2005, e, na seqüência, acrescentou que foi tomador de recursos, na modalidade capital de girocrédito rotativo, caucionado por duplicatas. Sobre a correspondente declaração de rendimentos, referente ao período de apuração de 2005, afirmou que a condição de inativa foi declarada com a finalidade de evitar a penalidade por falta de apresentação, tendo em vista que naquele tempo a pessoa jurídica estava mudando de contador, serviço este terceirizado. Declarou, ainda, estar, àquele tempo, providenciando a escrituração contábil do ano de 2005; d) atendendo a intimação na ação fiscal, a Contribuinte apresentou toda a sua contabilidade, inclusive a apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Entretanto, não adotou o regime não cumulativo, no qual estava enquadrada, por estar sujeita à apuração do imposto de renda com base no lucro real; e) dessa forma, nesse regime foram apuradas as ditas contribuições, cujos demonstrativos de apuração estão nos Anexos I a V de fls. 84/91. g) foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre as contribuições apuradas e lançadas no presente auto de infração; Em impugnação apresentada, fls. 120/142, acompanhada dos documentos de fls. 143/179, expôs, em síntese, que: a) estão extintas pela decadência os débitos anteriores a março de 2005 e ora exigidos, nos termos do § 4°, do art. 150 e art. 156, V, ambos do CTN, iniciandose o prazo qüinqüenal para a homologação do crédito tributário com a ocorrência do fato gerador; b) no caso concreto não há qualquer indício de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual a regra do art.173, I, do CTN, é preterida para aplicação do já citado § 4°, do art.150; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.000189/201078 Acórdão n.º 3803003.766 S3TE03 Fl. 248 3 c) a atividade praticada pela impugnante no período fiscalizado corresponde a crédito rotativocaução de duplicatas, que é espécie do gênero financiamentos e investimentos, a qual não se confunde com a atividade de factoring, não se sujeitando assim à sistemática da não cumulatividade; d) a impugnante se enquadra no § 6°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 (sociedades de crédito, financiamento e investimento), e consequentemente, está sujeita ao inciso I, do art. 10, da Lei n° 10.833/03; e) o sócio da impugnante confirmou a inadequação da declaração como inativo. Desta forma, observase que a escrita fiscal da contribuinte foi equivocada, merecendo assim sua desconsideração; f) impõese o arbitramento do lucro, remetendo assim o PIS e a COFINS à cumulatividade, nos termos da Lei n° 9.718/98, pois a escrita contábil efetuada cinco anos após o evento evidencia sua inadequação. g) a multa aplicada ao presente caso, no percentual de 150%, afronta a boafé da impugnante; h) no caso concreto, não houve qualquer demonstração do Fisco sobre a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, hipóteses descritas pelos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64. Tais hipóteses não se verificam quando o contribuinte admite a inadequação de seus atos e procede ao refazimento. Esta postura é exatamente oposta aos elementos ensejadores da qualificação ora praticada, sendo essencial a diminuição da multa. Em julgamento da lide a DRJ/São Paulo assentou que a contagem do prazo decadencial no regime de lançamento por homologação se dá conforme o critério definido pelo art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, no caso concreto, afastou estas disposições, com base na ressalva deste parágrafo, aplicável às hipóteses de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, pelo que resta aplicável o art. 173, I, do CTN. Definiu sonegação, a partir do art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964, com reforço do art. 1º, inciso I, da Lei n° 4.729, de 14 de julho de 1965, imputandoa à conduta da Autuada, por omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou mesmo das condições pessoais de contribuinte, pela Autoridade Fazendária, caracterizada pelo fato de declarar que não auferiu receitas, de maneira continuada, ao longo do período. Quanto ao arbitramento do lucro ao caso em tela, o Órgão julgador desconsiderou o argumento de inadequação da escrita contábil, por ter sido efetuada cinco anos após a ocorrência dos eventos fiscalizados. Considerou, sim, que a eventual elaboração da escrituração contábil a destempo não é elemento suficiente para fundamentar tal conclusão. Verificou, por intermédio da análise dos balancetes analíticos, de fls.33/58, dos períodos 01/2005 a 12/2005, e fls. 60/83 dos períodos 01/2006 a 12/2006, que os referidos documentos foram emitidos utilizandose de processamento eletrônico nas datas de 31/10/2008, 06/11/2008 e 17/02/2009, concluindo ser inverídica a alegação de que os registros foram efetuados cinco anos após a ocorrência dos eventos fiscalizados. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Com respeito à incidência do PIS e COFINS não cumulativos, desqualificou o argumento da Autuada de que a atividade que desempenha a enquadraria no § 6°, do art.3º, da Lei n° 9.718/98, em particular nas sociedades de crédito, financiamento e investimento razão pela qual estaria sujeita ao disposto no inciso I, do art. 10, da Lei n° 10.833/03. Elucidou seu entendimento aduzindo que “sociedades de crédito, financiamento e investimento, também conhecidas por financeiras, foram instituídas pela Portaria do Ministério da Fazenda 309, de 30 de novembro de 1959. São instituições financeiras privadas que têm como objetivo básico a realização de financiamento para a aquisição de bens, serviços e capital de giro, devendo ser constituídas sob a forma de sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão Crédito, Financiamento e Investimento’’. Tais entidades captam recursos por meio de aceite e colocação de Letras de Câmbio (Resolução CMN 45, de 1966) e Recibos de Depósitos Bancários (Resolução CMN 3454, de 2007).”. Assim, assentou que a pretensão da impugnante não encontra amparo legal, já que a contribuinte não atendeu ao requisito de ser constituída sob a forma de sociedade anônima, mas é uma sociedade limitada e não consta na denominação social da empresa a expressão "Crédito, Financiamento e Investimento". Aduziu que o argumento de que a empresa desenvolveria atividades de tomador de recursos, na modalidade de capital de giro crédito rotativo (caução de duplicatas), foi apoiado unicamente em declaração do próprio sócio gerente da pessoa jurídica. Sendo assim, declarou improcedente o argumento da impugnante de que não estaria sujeita ao regime de apuração não cumulativo de PIS e COFINS. Cientificada da decisão, em 29 de setembro de 2010, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 167 a 174, em 29 de outubro de 2010, em que pugna, com os mesmos termos da impugnação, pela decadência do direito de lançar e pela redução da multa ao seu patamar normal, de 75%, tendo em mira que não ocorreram as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, sobretudo pelo fato de que a escrituração reconstituída foi considerada idônea para o fim de afastar o critério de apuração do lucro por meio do arbitramento, sendo, por decorrência, apta, também, a afastar a qualificação da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Duas matérias remanescem controvertidas no recurso voluntário, a saber: decadência e a multa qualificada. Multa qualificada Inicio pelo segundo tema, porque sua forma de deslinde será o ponto de partida do argumento a ser desenvolvido no primeiro. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.000189/201078 Acórdão n.º 3803003.766 S3TE03 Fl. 249 5 Da narrativa dos fatos contida no auto de infração apreendese que a Auditoria: a) inquiriu a PROFAC, na pessoa do seu sóciogerente, acerca da atividade exercida pela empresa, sobre as declarações de rendimentos transmitidas para a Receita Federal, de inatividade, relativamente ao anocalendário 2005, e na forma do lucro presumido, no anocalendário 2006; b) recebeu todos os registros contábeis e a apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins, espelhadas nos balancetes datados de 31/10/2008, 06/11/2008 e 17/02/2009; c) vinculou a atividade de faturização ao regime de apuração do imposto de renda pelo lucro real, d) identificou que as contribuições não foram apuradas pela Contribuinte segundo o regime não cumulativo, e nele apurou os valores a lançar. Ao fim da descrição, registrou que esses fatos se enquadravam, em tese, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/65, e, à vista deles, declarou ter aplicado no lançamento a multa de 150% sobre as contribuições apuradas. Seguem os termos da imputação: “conforme dispõe o § 1º, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1.996 (com Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007), o percentual de multa de 150% será aplicado nos casos previstos nos arts.71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64. independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais. Assim considerandose que os fatos descritos no presente relatório se enquadram, EM TESE, nos casos previstos, à época dos fatos, no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (atualmente previsto no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96), aplicouse a multa qualificada de 150% sobre as contribuições apuradas e lançadas no presente Auto de Infração.”. Esta é a única menção no auto de infração à tipificação da conduta da Fiscalizada. Do excerto, vêse que a Fiscalização fixou a subsunção da conduta aos três artigos, 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/65. O Auditor Fiscal não descreveu concretamente que condutas praticadas pela Fiscalizada estiveram adequadas a cada tipo penal, sonegação fraude e conluio, nem também mencionou nem identificou em que atos estaria presente o dolo ou o evidente intuito de fraude, segundo a previsão do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, na redação anterior à alteração conduzida pela Medida Provisória nº 357, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Atestese que a imputação é vaga. E foi por sua vagueza que a DRJ/São Paulo I, contrapondose à irresignação da então Impugnante contra a aplicação da multa qualificada, agrava a imposição, contorna a vaga imputação e qualifica como sonegação a ação da Fiscalizada, expressando o conteúdo do seu conceito1, fazendo abarcar o fato de a pessoa jurídica ter declarado que não auferiu receitas, de maneira continuada, ao longo do período. A matéria, de há muito é apreciada no CARF, que sedimentou um posicionamento pacificado na jurisprudência no teor da Súmula nº 14, cujo enunciado estabelece que: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Com efeito, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela Contribuinte de sonegação, de fraude ou de concluio, no ato de omitir rendimentos, marcado com o evidente intuito de fraude. A qualificação da multa, no presente caso, importa em equiparar uma mera infração fiscal de omissão de rendimentos, facilmente percebível pela Fiscalização, às infrações graves, em que o agente, simula, dissimula, surrupia dados necessários ao conhecimento do fato gerador e por via da fraude. É assente na doutrina que o evidente intuito de fraude exsurge da adulteração de notas fiscais, de adulteração de comprovantes, de notas calçadas, de notas frias, de notas paralelas, de notas fiscais dadas/recebidas a título gracioso, de conta bancária fictícia, de falsidade ideológica etc. No caso destes autos, nada há destacado da conduta da Fiscalizada que remeta a quaisquer condutas que se assemelhem a estas. Ao contrário. A Fiscalização acolheu os balancetes existentes já prontos anos antes da fiscalização, e em mãos dos quais recusouse a arbitrar lucro para lavratura de auto de infração pertinente. Ante esta recepção dada à Fiscalização, em que se pode dizer que os fatos praticados pela Pessoa Jurídica impediram ou retardaram, de forma dolosa, fraudulenta, o conhecimento do fato gerador? Não será o fato de a DRJ/São Paulo I ter complementado o auto de infração tipificando a conduta da então Impugnante como sonegação que a tornará. Este entendimento ora expressado, encontra ressonância em inúmeros precedentes nesta Corte: Acórdão n° 10419.384, Quarta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, Rel.: Nelson Mallmann, de 11/06/2003; Acórdão n.º 9202002.180, Segunda Turma/Câmara Superior de Recursos Fiscais, Relator(a): Susy Gomes Homann, de 26/06/2012; Acórdão n°. 10612.858, Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, Rel.: Luiz Antonio de Paula, 23/08/2002; Acórdão n° 10419.806; Acórdão nº: 10517.363; Acórdão n°. 10612.858, Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, Rel.: Luiz Antonio de Paula, 23/08/2002. O conteúdo da ementa abaixo tem sido, reiteradamente, reproduzido nos inúmeros julgados, ao longo dos anos: 1 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.000189/201078 Acórdão n.º 3803003.766 S3TE03 Fl. 250 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E REFLEXOS. Exercícios: 1991 a 1994 DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO OCORRIDA EM 14 DE JUNHO DE 1996. PERÍODOS FISCALIZADOS DE 1991 A 1994. Não se verifica a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário, tendo em vista que a ciência do auto de infração deuse em 26 de dezembro de e os períodos fiscalizados encerraram os anos de 1991 a 1994. MULTA. AGRAVAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO DA LEI N° 9430/96, MAIS BENIGNA. Somente se pode impor multa qualificada quando há no lançamento tributário indicação individualizada e específica sobre a conduta fraudulenta do contribuinte. A fraude não pode ser presumida e a sua tipificação deve estar determinada no ato administrativo da imposição de multa. Não pode ser exigida a multa qualificada quando não há nos autos elementos que atestam, de forma inequívoca, o evidente intuito de fraude por conta do contribuinte, bem como não há discriminação da conduta fraudulenta. GLOSA DAS DESPESAS FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE MANUTENÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL À COMPROVAÇÃO DOS VALORES RELATIVOS A DESPESAS COM CORREÇÃO MONETÁRIA. Devese manter a glosa das despesas financeiras se o contribuinte não apresenta à fiscalização a documentação de suporte da escrituração, e depois não a atesta de forma evidente nos autos. (Acórdão n°. 9101001.352, 1ª TURMA/CSRF/CARF/MF/DF/null/Câmara Superior de Recursos Fiscais, 15/05/2012). Por estas razões, entendo que a multa de ofício aplicada no presente lançamento deve ser reduzida ao patamar de 75%. Decadência Uma vez que abraço o entendimento de inexistência de conduta dolosa da Autuada, a contagem da decadência por aplicação do art. 173, I, do CTN, não pode ser mantida por estes fundamentos. No entanto, este deve continuar sendo o critério a definir a contagem do referido prazo, fundado na jurisprudência deste Conselho de que a inexistência do pagamento impede a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. O lançamento foi cientificado em 1/3/2010. O termo final para o lançamento ocorreu, para o primeiro período lançado, janeiro de 2005, em 31/12/2010. Logo não há que se falar em decadência. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Sala das sessões, 29 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 253DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13896.900286/2008-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório COMPUHELP COMPUTER SERVICE COMERCIAL LTDA. formulou Declaração de Compensação – Dcomp com vistas à extinção de débitos próprios, no valor de 55.739,35, com crédito oriundo de indébito de PIS, período de apuração de fevereiro de 2003 (pagamento efetuado em 31/03/2003, no valor de R$ 149.314,03). O Despacho Decisório Eletrônico nº 757832291 (fls. 10) não homologou a compensação porque “.. o DARF (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 02 86 /2 00 8- 03 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.” Sobreveio reclamação, fls. 16 a 24), por meio da qual o declarante ofereceu as seguintes alegações: a) de que retificou a declaração de compensação em tela, porque teria ocorrido erro no preenchimento das informações relativas ao documento de arrecadação que gerou pagamento indevido b) a legislação confere o direito à compensação dos valores pagos a maior c) no mérito, argumenta que o direito creditório aproveitado tem origem em pagamentos ao PIS calculados nos termos do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 d) discute a legitimidade da cobrança do PIS com base nos citados DecretosLeis no âmbito de ação de Mandado de Segurança (nº 2003.61.00.0068824) e solicita que a discussão administrativa seja suspensa até que decisão final definitiva seja prolatada no âmbito do Poder Judiciário. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05033.786, de 23 de maio de 2011, fls. 44 a 47, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 52 a 62, após síntese dos fatos relacionados com a lide, assevera que a decisão não deve prosperar, “... pois conforme PER/DCOMP já acostado aos autos quando da apresentação de manifestação de inconformidade, a Contribuinte, em cumprimento à anterior intimação recebida pela Receita Federal, demonstrou a retificação do PER/DCOMP objeto do despacho decisório, pois o campo no qual constam os dados do DARF havia sido preenchido erroneamente, tudo conforme se vê no anexo PER/DCOMP retificador, também acostado aos autos. Na continuação, discorre sobre o instituto da compensação, a inconstitucionalidade dos decretosleis nº 2.445 e nº 2.4449, ambos de 1988, e sobre o direito Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13896.900286/200803 Acórdão n.º 3803003.566 S3TE03 Fl. 79 3 que lhe foi assegurado no MS n9 2003.61.00.0068824, muito embora advenha de decisão que ainda não transitou em julgado. Conclui, requerendo que seja recebido e julgado totalmente procedente o seu recurso para o fim de reformar o acórdão proferido, reconhecendo a existência do crédito tributário em seu favor, conforme consta no anexo PER/DCOMP retificador; ou, subsidiariamente, para o fim de suspender a exigibilidade do crédito em questão, até decisão judicial final transitada em julgada no Mandado de Segurança nº 200361000068824. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 52 a 62 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS3ª Turma nº 05033.786, de 23 de maio de 2011. O voto condutor da decisão recorrida assevera que, conforme documentos constantes dos autos, o interessado foi intimado, antes da emissão do DDE nº 757832291 (fls. 10), a verificar os dados do DARF informados na declaração de compensação original. Na intimação, foi ainda instruído no sentido de que, caso fossem identificadas divergências, fosse transmitida nova DCOMP para sanálas. Compulsando os autos, constato que nenhuma providência foi tomada pelo interessado para que o eventual erro fosse corrigido. Não há, no autos, prova de que a Dcomp original tenha sido retificada (a Dcomp que instrui a MI é apenas cópia da Dcomp original). Ademais, a invocação o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.00688241 como origem do direito creditório não prosperará, haja vista que, no período de apuração a que se refere o pagamento pretensamente indevido, fevereiro de 2003, a base legal para a incidência da Contribuição era a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e não os malsinados decretos leis. Não se trata, portanto, de reconhecer a concomitância de processos administrativo e judicial, pois seja qual for o provimento que obtiver o contribuinte, ora 1 impetrado pela ora Recorrente em face da Receita Federal, objetivando a declaração da inexistência de relação jurídica entre as partes no que se refere à cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis ne 2.445 e 2.449, a qual foi julgada procedente pelo Juízo de l5 Instância, o qual assim decidiu: "Posto isso, julgo procedente o pedido, nos termos do art. 269, I, do CPC para o fim de declarar indevida a cobrança da contribuição ao programa de integração social PIS na forma dos Decretosleis n5s 2.445 e 2.449, reconhecendo o direito das Autoras a não se sujeitarem às restrições de caráter infralegal podendo compensar as parcelas a maior recolhidas a título de PIS, na forma dos mencionados decretosleis, representadas pelos DARFs anexados aos autos, com as parcelas vincendas das contribuições relativas ao próprio PIS, COFINS e CSLL, até o seu exaurimento, observada a prescrição quinquenal.O termo "a quo" da prescrição quinquenal será a data da ocorrência da homologação tácita ou expressa do lançamento, levada a efeito pelo contribuinte". O julgamento do RE impetrado pela União foi sob sobrestado, até que fosse julgado o RE 1.016.728. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 recorrente, na referida ação judicial, a compensação não será implementada com base na Dcomp ora sub judice, em face do PA a que se refere o pagamento indigitado como indevido. Incidental e finalmente, a compensação declarada na Dcomp de que se trata violou também a norma do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, pois foi implementada antes do trânsito em julgado da decisão judicial que teria reconhecido o direito. Com base nessas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
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