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Numero do processo: 10680.011600/2005-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO
Dedução de incentivo de entidade não prevista em lei. Matéria não recorrida.
Numero da decisão: 2001-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecera dedução das despesas médicas, mantendo-se a glosa da dedução de incentivo utilizada indevidamente, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO Dedução de incentivo de entidade não prevista em lei. Matéria não recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecera dedução das despesas médicas, mantendose a glosa da dedução de incentivo utilizada indevidamente, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 16 00 /2 00 5- 68 Fl. 71DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 9.572,32, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2002. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, como se aqueles acostados não estivessem a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: 1 Despesas médicas por não ter sido comprovada a efetiva prestação dos serviços médicos e a vinculação do pagamento aos serviços prestados pelos profissionais citados. 2 Dedução de incentivo de R$825,94 de entidade não prevista em lei. No Acórdão vergastado estão apresentadas as razões da decisão, o embasamento legal apontado e a argumentação utilizada para nortear o decidido, como segue: (...) A Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cujo art. 8º fundamenta o feito fiscal, dispõe: “Art 8°A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas : I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; .............................................................................................. § 2° O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10680.011600/200568 Acórdão n.º 2001000.134 S2C0T1 Fl. 72 3 ............................................................................................... II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” De acordo com o § 2°, inciso III do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a especificação e comprovação dos pagamentos, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. O Por sua vez, o art. 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, RIR/1999, dispõe: “Art 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, §3'). " (...) Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) 1° Não foi requerido ou mesmo intimado que o contribuinte ora Recorrente, apresentasse documentos não previstos em Lei, pois, só foram mencionados agora na R. decisão, portanto, não havia como trazêlas aos autos. Com efeito, desconsiderou citados princípios, pelas seguintes razões: 1Legalidade: porque o citado artigo 8° da Lei 9.250/95, no caso em discussão, ressalva a exigência de apresentação de cheques, na falta de outra comprovação. (grifo nosso) Art. 8°: A base de cálculo.... I – II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, etc. §2° O disposto na alínea "a" do inciso II II – restringese aos pagamentos pelo contribuinte ao próprio tratamento, etc... III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação de nome,... Aí vem a ilegalidade da decisão. Fl. 73DF CARF MF 4 “De acordo com o § 2°, inciso III do preceituado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a especificação e comprovação dos pagamentos, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação ser feita indicação de cheque nominativo por meio do qual foi efetuado os pagamentos. É muito claro este artigo 8°, que diz: na falta de documentação. Toda DOCUMENTAÇAO (recibos) foi juntado aos autos, com total identificação de quem recebeu os honorários. Portanto, é legal a dedução e não ilegal. Ora, Srs. Julgadores, mais do que provado está que o Recorrente juntou aos autos toda documentação comprobatória de suas deduções, com as suas despesas médicas, dentárias, etc., e o que mais importante, são provas previstas na Lei 9.250/95, ou mesmo no Regulamento do Imposto de Renda. Requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e provido, reformandose a decisão de 1ª Instância, julgandose improcedente a Notificação de Lançamento em objeto, e determinandose seu arquivamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decretolei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10680.011600/200568 Acórdão n.º 2001000.134 S2C0T1 Fl. 73 5 § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas Fl. 75DF CARF MF 6 condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.011600/200568 Acórdão n.º 2001000.134 S2C0T1 Fl. 74 7 lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto às deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi Fl. 77DF CARF MF 8 apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.011600/200568 Acórdão n.º 2001000.134 S2C0T1 Fl. 75 9 “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo Fl. 79DF CARF MF 10 tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. No exame da documentação acostada ao processo verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória estipulada em lei para a comprovação da despesa e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Mantida a glosa da dedução no valor de R$ 825,94, por se tratar de dedução de incentivo de entidade não prevista em lei, cuja matéria não foi objeto do recurso. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas, mantendose a glosa da dedução de incentivo utilizada indevidamente, conforme definido no parágrafo anterior. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720929/2014-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0365.219 da 4ª Turma da DRJ/BSB01, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 09 29 /2 01 4- 51 Fl. 61DF CARF MF 2 Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzido o voto: Voto É tempestiva e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade a manifestação de inconformidade manejada pelo interessado, razão por que merece ser conhecida. Acerca dos procedimentos para se efetuar a opção de ingresso ao Simples Nacional, temse, no campo infralegal, a Resolução CGSN nº 94/2011: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção Requereuse diligência a fim de atender as orientações contidas na Nota Técnica CODAC Simples Nacional 01/2014. A contribuinte traz aos autos, comprovante de pagamento de DARF (fls. 09) recolhido pelo valor principal, sem os acréscimos legais. A DRF de origem traz aos autos telas de sistemas da RFB (fls. 21 a 24) que permitem verificar que os débitos motivadores do indeferimento permaneceram em situação de exigibilidade após o término do prazo para regularização. Sendo assim, em vista dos elementos contidos nos autos, não se comprovou a plena regularização das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2014 no prazo regulamentar (31/01/2014). Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10805.720929/201451 Acórdão n.º 1001000.207 S1C0T1 Fl. 3 3 Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade e, no mérito, julgála improcedente. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Em se recurso voluntário, a recorrente alega ter atendido todas as exigências , as quais, an verdade, correspondia a apenas uma, que era o débito discrimnado no Termo de Indeferimento de Opção, conforme abaixo: A recorrente apresentou o comprovante de recolhimento, porém, o fez pel valor original, conforme comprovado pela DRJ Portanto, entendo não assistir razão a recorrente, posto que verificase a existência de débito não regularizado até a data limite e com exigibilidade não suspensa, apesar dos esforços do contribuinte para sanálas, conforme bem decidido pela DRJ, a qual citou a base legal, conforme acima. Fl. 63DF CARF MF 4 Portanto, nego provimento ao presente recurso voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902193/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 93 /2 00 9- 11 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902193/200911 Acórdão n.º 1302002.507 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902193/200911 Acórdão n.º 1302002.507 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902193/200911 Acórdão n.º 1302002.507 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902193/200911 Acórdão n.º 1302002.507 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902193/200911 Acórdão n.º 1302002.507 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720527/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
APROVEITAMENTO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. CONSULARIZAÇÃO.
Tendo sido demonstradas desde o início do processo robustas evidências de cumprimento das exigências legais para aproveitamento do imposto pago no exterior através de declarações fiscais dos países de origem, transcrição das demonstrações financeiras das empresas no exterior em Livro Diário e Balanço no Brasil, registro dos lucros das empresas no exterior DIPJ, legislação tributária dos países de origem do imposto e comprovantes de recolhimento é razoável aceitar a juntada aos autos posteriormente à Impugnação dos comprovantes de recolhimento devidamente consularizados que ratificam argumentos no sentido de efetiva comprovação do imposto que fora pago no exterior.
Numero da decisão: 1201-001.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer: a) o crédito de imposto pago no exterior no montante de R$ 21.904.780,76 como passível de compensação com o IRPJ devido no Brasil e b) o valor do saldo negativo nos limites do quanto julgado nos autos do processo administrativo 16327.720327/2011-10
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida.
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. CONSULARIZAÇÃO. Tendo sido demonstradas desde o início do processo robustas evidências de cumprimento das exigências legais para aproveitamento do imposto pago no exterior através de declarações fiscais dos países de origem, transcrição das demonstrações financeiras das empresas no exterior em Livro Diário e Balanço no Brasil, registro dos lucros das empresas no exterior DIPJ, legislação tributária dos países de origem do imposto e comprovantes de recolhimento é razoável aceitar a juntada aos autos posteriormente à Impugnação dos comprovantes de recolhimento devidamente consularizados que ratificam argumentos no sentido de efetiva comprovação do imposto que fora pago no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer: a) o crédito de imposto pago no exterior no montante de R$ 21.904.780,76 como passível de compensação com o IRPJ devido no Brasil e b) o valor do saldo negativo nos limites do quanto julgado nos autos do processo administrativo 16327.720327/201110 (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 27 /2 01 2- 53 Fl. 2343DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório 2.21. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a declaração de compensação, fls. 02 a 07 (PER/DCOMP nº 23542.52814.230511.1.7.024005), na qual pleiteia a compensação de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao período de apuração findo em 31/12/2007. 2. No Despacho Decisório de fls. 795 a 812, a autoridade fiscal consigna, em síntese, o seguinte: 2.1 O presente processo analisa PER/DCOMP com crédito de "Saldo Negativo do IRPJ" apurado na DIPJ 2008, AnoCalendário 2007, no valor original de R$ 200.947.974,07 para a compensação de débitos do IRRF incidente sobre o pagamento de Juros sobre o Capital Próprio, códigos 5706 e 9453. 2.1.1 Tal crédito, foi informado na ficha 12B da DIPJ 2008, resumidamente, a seguinte maneira: 2.2 Na DIPJ retificadora (nº 1934280) verificase o registro de lançamento de ofício tratado no processo 16327.720.327/201110, no qual, segundo sistema SAPLI de fls. 34, houve a alteração do lucro real declarado na ficha 09B de R$154.683.727,85 para R$ 239.554.512,03. No mesmo processo consta a redução do saldo negativo de R$ 200.947.974,08 para R$ 179.730.278,05, conforme "Demonstrativo de Compensação de Valores" do Auto de Infração (fls. 750). Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 16327.720527/201253 Acórdão n.º 1201001.895 S1C2T1 Fl. 3 3 2.3 Com relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte o contribuinte aproveitou parte do crédito relativo ao IRRF JCP (código 5706) do qual era beneficiário para compensar com débitos de IRRF sobre JCP que o mesmo tinha que recolher e constava também na DIRF como beneficiário de IRRF sob o código 3426, conforme tabela resumo abaixo: 2.3.1 As fontes pagadoras e de retenção pagaram e/ou compensaram os débitos informados. O valor recebido a título de JCP foi oferecido à tributação, conforme se observa na linha 37 da ficha 06B da DIPJ (fls. 14) 2.3.2 Do exposto comprovase a existência e a suficiência de IRRF em nome do interessado, no valor total de R$ 202.860.106,77 para suportar a dedução de IRRF no valor de R$ 202.857.849,34 efetuada no ajuste anual do IRPJ da DIPJ 2008. 2.4 Os débitos do IRPJ Estimativa informadas na DIPJ correspondem a compensações registradas no sistema SIEF, no valor total de R$ 2.168.420,41, as quais têm como crédito o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2006 e estão em análise manual. 2.5 No cálculo do IRPJ Estimativa referente ao mês 12/2007 às fls. 21 o interessado informou a dedução de R$ 34.568.636,29 como "Imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital". Na ficha 34 da mesma DIPJ (fls. 26 a 33) o contribuinte informou as empresas, lucros e Imposto de Renda relativos ao anobase 2007, conforme tabela resumo abaixo: 2.5.1 O interessado foi Intimado através dos Termos de Intimação 342/2011, 351/2011 e 19/2012 a apresentar a comprovação documental dos Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital auferidos no exterior e os registros contábeis probatórios da inclusão destes valores no Lucro Real apurado em 31/12/2007. Os demonstrativos de fls. 151 e155 e os relatórios analíticos às fls. 156 e 157 mostram, por Filial e Controladas, as Rendas, Despesas e Lucros obtidos por cada unidade no exterior. Observase que houve “alteração” das receitas contabilizadas na conta específica de R$ 201.635.509,06 para R$ 245.874.405,75 e das Fl. 2345DF CARF MF 4 despesas de R$ 46.118.647,60 para R$ 55.571.962,46. Intimado, através do Termo 19/2012, a comprovar tais alterações, não houve atendimento da solicitação. 2.5.2 Com relação aos comprovantes dos lucros da Itaú Chile Holdings o interessado apresentou Demonstrativo Consolidado às fls. 179/181 e cópias das "Declaracion Mensal Y Pago Simultâneo de Impuestos Formulário 29" às fls. 183/303. Através de pesquisa realizada no sítio do "Servicio de Impuestos Internos" do Chile, no endereço http://www.sii.cl/formularios/form.htm às fls. 731 e 732/737 percebese que o Formulário 29 é utilizado para a Declaração e Pagamento Mensal de IVA (Imposto sobre o valor agregado). Não foi apresentado nenhum formulário específico relativo ao Imposto de Renda. Nos formulários apresentados não foi possível identificar os lucros auferidos pelas empresas do grupo Chile Holding e, apesar de intimado 03 vezes a apresentar comprovação dos lucros no exterior o interessado restringiu sua resposta com a apresentação dos formulários 29, de forma que não ficou comprovado o valor dos lucros apurados. 2.5.3 Sobre a comprovação dos lucros das empresas localizadas no Uruguai BKB Uruguay, Boston Directo, Oca Casa Financiera e Oca S/A) o interessado apresentou Demonstrativo Consolidado às fls. 179 e 182 e cópias das "Declaración de Impuestos Formulário 2176" (fls. 304/510). Tais formulários são utilizados para informações a respeito do"Impuesto al Valor Agregado IVA" e também para as antecipações mensais do IRIC (Impuesto a las Rentas de la Industria y Comercio), do IRAE (Impuesto a la Renta de las Actividades Econômicas", etc. Nos formulários apresentados não foi possível identificar os lucros auferidos pelas empresas sediadas no Uruguai e, apesar de intimado 03 vezes a apresentar comprovação dos lucros no exterior o interessado restringiu sua resposta com a apresentação dos formulários 2176, de forma que não ficou comprovado o valor dos lucros apurados. 2.5.4 Não foi apresentado nenhum documento probatório referente aos lucros auferidos pela Itaú Holding Cayman. 2.6 Com relação aos comprovantes de pagamento dos impostos apurados no exterior, o interessado não apresentou nenhum documento reconhecido pelo órgão arrecadador e nem pelo Consulado da Embaixada brasileira no país de incidência do imposto, conforme determina o § 2º do artigo 26 da Lei 9.249/95. Sob a alegação de que os documentos originais de pagamento de impostos encontramse arquivados nos respectivos países em que foram recolhidos (fls. 145), o interessado apresentou legislações tributárias do Uruguai às fls. 545/567 e do Chile, através de CD com textos impressos às fls. 624/723; A Lei n° 9430/96 determina a possibilidade de dispensa da obrigação a que se refere o § 2° do art. 26 da Lei n° 9.249/1995, quando se comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital faça previsão expressa da incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. 2.6.1 Não é possível concluir que os valores mensais informados nos formulários apresentados (formulário 29 para as empresas do Grupo Chile Holding e formulário 2176 para as empresas do Uruguai) correspondam ao efetivamente devido e pago destes mesmos impostos sobre os lucros. Pelo exposto anteriormente não foi possível sequer identificar os valores dos lucros auferidos pelas empresas do Grupo Chile Holding e por aquelas sediadas no Uruguai, de forma a impossibilitar o estabelecimento de uma relação entre o lucro apurado e o imposto pago por estas empresas. 2.7 O interessado informou, em resposta à intimação (demonstrativo de fls. 179), os valores de Imposto de Renda pagos em 2007 e “compensáveis” no Brasil no total de R$ 50.372.613,93. O valor do “IR pago no exterior” da ficha 34 da DIPJ é de R$ Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 16327.720527/201253 Acórdão n.º 1201001.895 S1C2T1 Fl. 4 5 48.272.043,20 o mesmo apresentado nas respostas aos Termos de intimação às fls. 119, 145 e 151. Não foi apresentada qualquer explicação sobre tal diferença. Na carta de fls. 620 foi explicado que a diferença de R$ 15.803.977,64, entre o total de R$ 50.372.613,93 e aquele informado na ficha 11 – mês 12/07 da DIPJ 2008 (R$ 34.568.636,29) foi utilizado na DIPJ 2009, conforme demonstrativos de fls. 622 e 623. 2.8 A compensação do imposto pago no exterior com aquele devido no Brasil tem como base legal o artigo 26 da Lei 9.249/2005, o artigo 16, I da Lei 9.430/96 e é regulamentada pela instrução Normativa SRF nº 213/2002. 2.9 O cálculo da compensação do imposto de renda pago no exterior com o imposto de renda e a CSLL devidos no Brasil, utilizandose das regras dispostas nos artigos 13, 14 e 15 da IN SRF nº 213/2002, se devidamente comprovadas, foram calculadas e poderiam ser utilizadas conforme planilhas de fls. 741 a 743, ressalvando que no despacho decisório, dada a divergência, não esclarecida, dos valores de lucros disponibilizados no exterior da ficha 34 (R$ 235.059.409,08) e das fichas 09B e 17 (R$ 238.574.485,52) foi considerado este último valor. 2.10 Com base em todo o analisado e do saldo negativo declarado na ficha 12 B da DIPJ 2008, chegouse à seguinte tabela: 3. Em razão do acima descrito concluiuse que o valor do imposto pago no exterior de R$ 48.272.043,20 ou R$ 50.372.613,93 não poderão ser compensados no Brasil de forma que o crédito reconhecido se restringiu ao montante de R$ 145.161.641,75. 4. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 28/01/2013, conforme AR (Aviso de Recebimento) de fls. 815. 5. Irresignado, o interessado apresentou, em 27/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 822 a 832, informando e alegando, em síntese, o seguinte: 5.1 Da leitura do despacho decisório, percebese que não foi reconhecido o direito creditório no montante de R$ 55.786.332,32 decorrentes da não confirmação do imposto pago no exterior (R$ 34.568.636,29) e da redução do saldo negativo em decorrência Fl. 2347DF CARF MF 6 do crédito tributário constituído no processo nº 16327.720327/201110 (R$ 21.217.696,03). O que não merece prosperar. 5.2 Sobre a comprovação do imposto pago no exterior: O manifestante teve como imposto pago no exterior o montante de R$ 50.372.613,93 (R$ 33.396.337,79 da Chile Holdings e R$ 16.976.276,14 das empresas sediadas no Uruguai), conforme planilha de fls. 825 e utilizou R$ 34.568.636,29 para deduzir do imposto apurado no Brasil, conforme informado na ficha 11 da DIPJ 2008. 5.2.1 Quanto à falta de comprovação das alterações efetuadas nos valores contabilizados das Receitas e das Despesas nas contas 7323.000.000.0005 (Receitas Ajustes Investimentos no Exterior) e 8202.000.000.0009 (Despesas Ajustes — Investimentos no Exterior) é de se ressaltar que as alterações pontuadas pela RFB nas contas de receitas e despesas de equivalência patrimonial não influenciam o valor do crédito apurado pelo Manifestante, visto que a legislação que rege a matéria autoriza a compensação do imposto pago no exterior com o imposto incidente no Brasil sobre lucro, rendimento ou ganho de capital e não sobre receita e/ou despesa. Além do mais a diferença entre a receita de equivalência patrimonial e o lucro adicionado na base do IRPJ, foi objeto da autuação ocorrida nos autos do processo n° 16327.720327/201110, no qual não foi encontrada nenhuma divergência nas contas mencionadas. Resta assim evidente que tais receitas e despesas não constituem óbice para a utilização do imposto pago no exterior, a teor do que dispõe o artigo 26 da Lei n° 9.249/95 e artigo 14 da IN 213/02. 5.2.2 A fiscalização afirma que com os documentos apresentados para as empresas do grupo Chile Holdings não foi possível apurar os valores dos lucros apurados em 2007 e também relacionar tais valores com os respectivos impostos pagos no exterior pelas mesmas, o que resta equivocado, uma vez que foram apresentados os comprovantes de recolhimento do imposto pago no exterior no curso da fiscalização (fls.183 a 303 dos autos). Os documentos apresentados à Fiscalização referemse ao imposto pago mensalmente a título de antecipação do imposto de renda anual denominado "PPM", o qual é informado no Formulário 29 (mesmo formulário onde se declara o IVA), por conta da similaridade de suas bases. O PPM foi recolhido conforme o disposto no artigo 84 da lei do imposto de renda chileno (fls. 621 a 723) e, segundo o sitio da internet do “Servicio de Impuestos Internos” do Chile, tais pagamentos são deduzidos do imposto de renda apurado ao final do exercício, similarmente como ocorre no Brasil. Ademais a legislação vigente não estabelece como prérequisito para a compensação do imposto pago no exterior a prova da relação entre lucro apurado, imposto devido e imposto recolhido. 5.2.2.1 O procedimento adotado pelo manifestante encontra respaldo nos artigos 25, 26 e 27 da Lei 9.249/95 e no § 2º do artigo 16 da Lei 9.430/96. De acordo tais dispositivos os comprovantes de recolhimento somados a legislação do país de origem são suficientes para compensação do imposto pago no exterior com IRPJ, restando, assim, comprovada a existência do crédito. 5.2.2.2 Com relação à tributação do lucro na Chile Holding, os valores dispostos nas fichas 34 e 35 da DIPJ foram apurados de acordo com o quadro abaixo, de forma que, restando comprovada a tributação do lucro em referência, não há que se falar na impossibilidade de utilização do imposto pago no exterior. Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 16327.720527/201253 Acórdão n.º 1201001.895 S1C2T1 Fl. 5 7 5.2.3 No que se refere às empresas localizadas no Uruguai, vale o mencionado acima também, ou seja, foram apresentados os comprovantes de impostos pagos no Uruguai (IRIC e/ou IRAE), bem como comprovada a tributação dos lucros conforme quadro abaixo, além do que a legislação vigente considera suficientes os comprovantes de recolhimento e as disposições legais do país de origem para a compensação do imposto pago no exterior com o devido no Brasil, não impondo qualquer requisito que exija a comprovação da relação entre o imposto recolhido e devido. 5.2.4 A diferença entre os valores de IR pago no exterior mencionados nos itens 55 (R$ 50.372.613,93) e 56 (R$ 48.272.043,20) do despacho decisório se deve ao momento das informações prestadas. Na entrega da DIPJ, em junho de 2008, o manifestante havia apurado o montante de R$ 48.272.043,20, todavia na fase da fiscalização, em novembro de 2011, o mesmo já havia juntado outros comprovantes de recolhimento, no valor de R$ 2.100.570,73, que não estavam disponíveis na época da transmissão da DIPJ. Tudo conforme quadro explicativo de fls. 800. O manifestante, diante da limitação legal só utilizou R$ 34.568.636,29 na compensação, no entanto requer, nos termos do artigo 147, § 2º do CTN, o reconhecimento do valor integral de R$ 50.372.613,93 de imposto pago no exterior e a retificação de ofício da DIPJ 2008. 5.3 Sobre a indevida redução do saldo negativo de 2007: Outro motivo que levou a autoridade fiscal a homologar parcialmente o crédito pleiteado pelo Manifestante foi a redução do Saldo Negativo de 2007, efetuada de ofício pela RFB, em razão da constituição de crédito tributário levado a efeito nos autos do processo administrativo n° 16327.720327/201110, cujo auto de infração foi lavrado para a exigência de multa isolada, por suposta falta de recolhimento das estimativas de CSLL e IRPJ do período de dezembro de 2006 e 2007, bem como a exigência de CSLL pela suposta ausência de tributação sobre receitas decorrentes de investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial. O processo está em discussão junto ao CARF, razão pela qual tal parcela (R$ 21.217.696,03) não poderia ser reduzida do Saldo Negativo do ano de 2007 até o encerramento da lide. Ressaltese que no referido processo a Receita Federal verificou todos os pagamentos efetuados no exterior e não glosou nenhum deles, o que corrobora com todo o aqui alegado. Fl. 2349DF CARF MF 8 5.4 Por fim, requer seja reformado o despacho decisório com a consequente homologação da compensação e também, caso entenda ser necessário, remeter os autos à Delegacia competente para que proceda a alteração de ofício das informações transmitidas na DIPJ 2008, nos termos do artigo 147, § 2º do CTN. Protesta também pela juntada dos documentos anexos e outros que se fizerem necessários. Da decisão de 1° instância Em decisão de 27/09/13, a 8° Turma da DRJ/SPI julgou a impugnação improcedente, conforme abaixo ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO. Para a compensação do imposto de renda pago no exterior com aquele devido no Brasil é preciso comprovar, além de outras exigências legais, que o valor do lucro disponibilizado no exterior adicionado para a apuração do lucro real aqui no Brasil tenha relação com o imposto de renda lá devido e recolhido. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. LIMITE. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DO SALDO NEGATIVO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. JULGAMENTO NÃO DEFINITIVO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Impossível o reconhecimento do direito creditório relativo à parcela do saldo negativo de IRPJ ,reduzido por meio de auto de infração, enquanto não houver julgamento definitivo desse último por inexistir liquidez e certeza. Recurso Voluntário Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário através do qual ratificou seus argumentos de Impugnação. Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 16327.720527/201253 Acórdão n.º 1201001.895 S1C2T1 Fl. 6 9 Da conversão do julgamento em diligência Por meio da Resolução 1201000.232 de 24 de janeiro de 2017, esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem faça a análise dos comprovantes dos recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai, apresentados na forma consularizada pela Recorrente e apresente relatório conclusivo acerca da correspondência e suficiência de tais recolhimentos com o imposto utilizado no Brasil no ano calendário de 2007. Da Resposta à Diligência Em resposta à diligência solicitada, a DEINF/DIORT trouxe aos autos extensa documentação apresentada pelo contribuinte em resposta às intimações efetuadas e ao final apresentou relatório com a seguinte conclusão: Diante dos esclarecimentos, da documentação anexada nestes autos e de acordo com a legislação aplicável (art. 25 a 27 da Lei nº 9249/95; art. 15 e 16 da Lei nº 9.430/96; art 1º da Lei nº 9532/97; Lei nº 9.821/99; IN SRF nº 213/2002), entendo que o valor a possível de ser reconhecido como IR pago no exterior no anocalendário de 2007 para a empresa Banco Itaú Holding, salvo melhor juízo, seria de R$ 21.904.780,76 . É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, portanto, merece ser conhecido. Resumo dos fatos O objeto do presente processo é o pedido de compensação do saldo negativo do anocalendário de 2007 no valor de R$ 200.947.974,07, cuja análise da Receita Federal Fl. 2351DF CARF MF 10 resultou no Despacho Decisório da DEINF que reconheceu apenas o valor de R$ 145.161.641,75. Assim, resta em discussão o valor de R$ 55.786.332,32 que é composto por valores de imposto pago no exterior (R$ 34.568.636,29) e redução de ofício do saldo negativo no montante de R$ 21.217.696,03 em razão de cumprimento de decisão proferida nos autos do processo n. 16327.720327/201110. Do Imposto Pago no Exterior A Recorrente efetuou a dedução no Brasil de R$ 34.568.636,29 equivalente ao imposto de renda pago por suas subsidiárias estabelecidas no Chile e no Uruguai. O valor compensado foi declarado na ficha 11 da DIPJ da Recorrente, conforme consta nos autos. A Receita Federal no Brasil não reconheceu os mencionados recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai em razão de ausência de comprovação não somente dos lucros auferidos por tais empresas em 2006, mas também dos recolhimentos efetuados. Segundo a decisão da DRJ, as divergências apontadas pelo despacho decisório demonstram descasamento entre as informações prestadas pela ora Recorrente o que leva à falta de confiabilidade em tais informações. Segundo o despacho decisório, o resultado da subtração entre os valores das contas 7323.000.000.0005 e 8202.000.000.0009 (resultado positivo tributável) difere, tanto do montante do lucro antes dos impostos, informado na ficha 34 da DIPJ, como no valor declarado na ficha 09B da DIPJ. Utilizado aqui, quadro apresentado no Recurso Voluntário para demonstrar tais divergências: Alega a Recorrente que a diferença de R$ 46,2 milhões se refere ao ajuste de conversão de moeda da Itaú Chile Holdings que fora incluído na DIPJ (oferecido à tributação), bem como, se refere também às diferenças de correção monetária de balanço que possuem previsão legal no Chile mas não no Brasil. Ainda segundo a Recorrente, o ajuste no valor de R$ 36,4 milhões se deve ao fato do resultado da Chile Holding ter transitado antes pelos EUA e Ilhas Cayman antes de ser Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 16327.720527/201253 Acórdão n.º 1201001.895 S1C2T1 Fl. 7 11 incorporado ao Lucro no Brasil, assim, o lucro deveria ter sido convertido em dólares, e não diretamente de pesos chilenos para Reais. Conforme organograma societário constante do Recurso Voluntário, pode se verificar que as empresas Itaú Chile Holdings e BICSA Holdings residem nos EUA e CAyman, contudo, para fins de cálculo de equivalência patrimonial, a Recorrente considerou, de forma equivocada, que tais empresas residiam no Chile, assim, tal resultado foi convertido, incorretamente, de Pesos para Real. Contudo, informa a Recorrente que tal ajuste foi retificado diretamente na DIPJ, tendo sido feita a conversão de pesos para dólares e de dólares para Reais. O demonstrativo deste cálculo foi juntado por ocasião da Impugnação. No que concerne à diferença de R$ 11,6 milhões, esclarece a Recorrente que tal valor resulta da soma da Correção Monetária de Balanço das empresas chilenas correspondentes aos últimos 03 anos anteriores à incorporação ao Lucro da Itaú Holding, que ocorreu em 2007. Informa ainda que a inflação chilena nos 03 anos anteriores à 2007 foi de 5%, assim, o valor de R$ 9,75 milhões relativo ao ano de 2007 e R$ 1,9 milhão relativo ao ano de 2006 que somam o total de R$ 11,6 milhões, foram estornado no Brasil, justificando, portanto, a diferença entre o valor registrado no Chile e o valor declarado no Brasil pela Recorrente. Diante do acima exposto e documentação acostada aos autos, me parece terem sido devidamente evidenciadas as explicações relacionadas aos apontamentos constantes do despacho decisório que se referem à divergência de valores. Na seqüência, cabe avaliar o ponto do Despacho Decisório relacionado à alegação de que não houve comprovação dos lucros auferidos pelas empresas estabelecidas no Uruguai na moeda local e a correspondente conversão em Reais. A discussão aqui se refere à correlação direta entre os valores de lucro informados nas declarações uruguaias e o valor do lucro adicionado para fins de apuração do Lucro Real no Brasil. Aqui, a ora Recorrente traz em Recurso Voluntário, quadro que demonstra os lucros apurados no exterior que compuseram o Saldo Negativo ora em combate: Fl. 2353DF CARF MF 12 Informa a Recorrente que o lucro do Itaú Chile foi de R$ 85,5 milhões e que por conta de ajustes das taxas de câmbio no cálculo da equivalência patrimonial, o lucro foi aumentado de R$ 46,2 milhões para R$ 131,7 milhões, esclarece também que os lucros de todas as subsidiárias chilenas são consolidados na Itaú Chile Holding. Esclarece também que os lucros relacionados às empresas estabelecidas no Uruguai são iguais aos lucros declarados na Declaração de Imposto IRIC (formulário 2149). Além disso, juntou os respectivos comprovantes de recolhimento. Contudo, tanto em sede de despacho decisório, quanto na decisão da DRJ, tais comprovantes não foram considerados em razão da ausência de consularização. Em suma, me parece até aqui que a ora Recorrente demonstrou evidências de que cumpriu as exigências legais para aproveitamento do imposto pago no exterior (Chile e Uruguai), pois, além de explicar as divergências apontadas, também apresentou: i) declarações do Chile (Formulário 22 anual e 29 estimativas) e Uruguai (Formulários 2149 anual e 2176 estimativas); ii) transcrição das demonstrações financeiras das empresas no exterior em Livro Diário e Balanço no Brasil; iii) registro dos lucros das empresas no Chile e Uruguai em DIPJ (fichas 34 e 35) e iv) legislação tributária do Chile e do Uruguai aplicável ao IRPJ e v) comprovantes de recolhimento. Contudo, restou ainda, dúvida acerca da validade dos comprovantes de recolhimento (Uruguai e Chile) apresentados, vez que não haviam sido autenticados pelo consulado do Brasil em tais jurisdições e, este foi um fator explorado com ênfase na decisão da DRJ ora Recorrida. Neste sentido, não obstante os comprovantes já houvessem sido juntados aos autos por ocasião da Impugnação, veio a ora Recorrente apresentar em momento posterior à apresentação do Recurso Voluntário, os comprovantes de recolhimento devidamente consularizados, o que reforça seus argumentos no sentido de efetiva comprovação do que fora pago no exterior. Dada a importância de tais documentos para final comprovação das evidências que já haviam sido trazidas aos autos e em homenagem à busca da verdade material tão valorizada neste Conselho, concluiu este turma de julgamento pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem analisasse os comprovantes de recolhimento efetuados no Chile e Uruguai, apresentados na forma consularizada pela Recorrente e apresentasse relatório conclusivo acerca da correspondência e suficiência de tais recolhimentos com o imposto utilizado no Brasil no anocalendário de 2007. Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 16327.720527/201253 Acórdão n.º 1201001.895 S1C2T1 Fl. 8 13 Primeiramente, atestou a autoridade julgadora que os documentos apresentados pela Recorrente foram cópias dos originais, autenticadas e que não foram detectadas rasuras ou quaisquer outros motivos para duvidar de suas autenticidades/idoneidades. Contudo, destacou a autoridade fiscal que os formulários não foram objeto de peritagem técnica específica e que, para alguns deles, a autenticidade das assinaturas dos emitentes não foram objeto de reconhecimento de firma. Em relação à Chile Holding, o relatório traz as seguintes informações: 4 – Valor do imposto em Reais: Soma de impostos pagos mensalmente em pesos chilenos (formulário 29), convertido para Reais utilizandose a taxa cambial da data do pagamento de cada parcela, conforme a tabela demonstrativa de pág 180 e 181. A este valor, foram somados o valor do imposto a ser liquidado no momento do ajuste anual (ou subtraídos, quando o caso de devolução), convertidos para reais na data indicada no certificado declaración de renta internet (23/04/2007 e 30/04/2007). Considerei os valores como pagos, pois a legislação do Chile determina que o pagamento do imposto dar seá com a entrega da declaração. Normalmente, há no corpo da consulta de estado da declaração de renda 2007 um campo em que consta que a o formulário foi recebido pelo SII bem como informa cargo enviado al banco y aceptado en cuenta corriente. Decreto Ley 824/1974: "Artículo 96. Cuando la suma de los impuestos anuales a que se refieren los artículos anteriores, resulte superior al monto de los pagos provisionales reajustados en conformidad al artículo 95, la diferencia adeudada deberá reajustarse de acuerdo con el artículo 72 y pagarse en una sola cuota al instante de presentar la respectiva declaración anual. (458) Artículo 97. El saldo que resultare a favor del contribuyente de la comparación referida en el artículo 96, le será devuelto por el Servicio de Tesorerías dentro de los 30 días siguientes a la fecha en que venza el plazo normal para presentar la declaración anual del impuesto a la renta." Como consequência desta auditoria, concluise que o valor possível de ser reconhecido é R$ 15.847.178,54, inferior, portanto, ao pleiteado pelo contribuinte na ficha 35 – pág 27 da DIPJ ac 2007. Esta diferença se deve ao fato de que o contribuinte não observou a correta aplicação da legislação brasileira no que faz referência ao imposto efetivamente pago no exterior, ou seja, o valor pago a maior que o devido, objeto de devolução por parte do governo onde a pessoa jurídica se encontra domiciliada, não deve compor a parcela a ser aproveitada no Brasil. Assim rezam os §§ 1º e 8º do art. 14 da IN SRF nº 213/2002: “Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a Fl. 2355DF CARF MF 14 rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago , não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal.” (grifo nosso) Dito isso, cabe também informar que o valor de R$ 15.847.178,54 possível de ser reconhecido como pago no exterior pela controlada Itaú Chile Holding encontrase dentro do limite estabelecido pela legislação brasileira para utilização como antecipação do devido na declaração de ajuste anual da controladora brasileira (Banco Itaú Holding Financeira S/A), conforme determina o art. 14, § 9º e seguintes, da IN SRF nº 213/2002, com demonstração na tabela abaixo: Para a empresa Banco Itaú Uruguay concluiu o relatório no seguinte sentido: Os valores utilizados para o cálculo do total recolhido são os as Declarações 2/149 e 2/176. Assim o valor possível de ser reconhecido como efetivamente recolhido é de R$ 1.580.069,08 (cálculo demonstrado na tabela de fls 2247) Para a empresa Itaú Uruguay Directo (Boston Directo), a conclusão foi a seguinte: Para esta empresa, não há possibilidade de utilização do IR pago no exterior, pois, conforme declara no Brasil (DIPJ), ela apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2007 (não houve disponibilização de lucros). Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 16327.720527/201253 Acórdão n.º 1201001.895 S1C2T1 Fl. 9 15 Com relação à empresa Oca Casa Financiera (Uruguai), o relatório traz o seguinte: Os valores utilizados para o cálculo do total recolhido são os as Declarações 2/149 e 2/176. Assim o valor possível de ser reconhecido como efetivamente recolhido é de R$ 205.277,14 (cálculo demonstrado na tabela de fls. 2248). Por fim, no concernente à empresa Oca S/A, temos a seguinte conclusão do relatório fiscal: Os valores utilizados para o cálculo do total recolhido são os das Declarações 2/149 e 2/176. Assim o valor possível de ser reconhecido como efetivamente recolhido é de R$ 5.398.325,35 (cálculo demonstrado na tabela de fls 2249) Ao final, o Relatório Fiscal traz o seguinte quadro demonstrativo de sua conclusão: Fl. 2357DF CARF MF 16 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no MÉRITO, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer : a) o crédito de imposto pago no exterior no montante de R$ 21.904.780,76 como passível de compensação com o IRPJ devido no Brasil e b) o valor do saldo negativo nos limites do quanto julgado nos autos do processo administrativo 16327.720327/201110. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 2358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.007904/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: PERÍCIA CONTÁBIL. No processo administrativo fiscal, é pressuposto do exercício da própria atividade que os operadores detenham conhecimento suficiente para verificar a escrituração contábil do contribuinte, atribuindo-lhe os efeitos fiscais próprios. A prova pericial, neste sentido, somente seria cabível para a solução de questões que fugissem ao conhecimento técnico necessário à solução das questões que são postas em julgamento, como atinentes à medicina, à física, à engenharia etc. Não que seja proibitiva a realização de perícia contábil no processo administrativo. Todavia, a sua aceitação deveria estar condicionada a um grau de dificuldade que fugisse às questões ordinárias próprias da vida da empresa – questões essas que são de conhecimento e aplicação próprios dos operadores da máquina administrativa tributária estatal. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da lei nº 8.212, que fixava prazo decenal para lançamento das contribuições sociais, a elas se aplicando o prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. No que toca à data de início do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça solidificou entendimento, em sede de repercussão geral no RESP 973.733 que, havendo pagamento parcial no curso do período de apuração e na ausência de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data da ocorrência do fato gerador, salvo se identificado dolo ou fraude. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS Constitui omissão de receita a não contabilização de pagamentos identificados, nos termos do art. 281, inciso II do RIR/99, mormente se, em procedimento de circularização, referidos pagamentos são identificados por Fl. 1 DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 meio idôneo, no caso, extratos bancários com depósitos realizados em nome da contribuinte na conta de terceiros. OMISSÃO DE RECEITA. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. Caracteriza omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, cuja presunção encontra-se respaldada pelo inciso III do art. 281 do RIR/99.
Numero da decisão: 1401-000.726
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a decadência relativa aos três primeiros trimestres de 2000, assim como a decadência do PIS e Cofins relativos aos meses janeiro a novembro de 2000; rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: PERÍCIA CONTÁBIL. No processo administrativo fiscal, é pressuposto do exercício da própria atividade que os operadores detenham conhecimento suficiente para verificar a escrituração contábil do contribuinte, atribuindo-lhe os efeitos fiscais próprios. A prova pericial, neste sentido, somente seria cabível para a solução de questões que fugissem ao conhecimento técnico necessário à solução das questões que são postas em julgamento, como atinentes à medicina, à física, à engenharia etc. Não que seja proibitiva a realização de perícia contábil no processo administrativo. Todavia, a sua aceitação deveria estar condicionada a um grau de dificuldade que fugisse às questões ordinárias próprias da vida da empresa – questões essas que são de conhecimento e aplicação próprios dos operadores da máquina administrativa tributária estatal. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da lei nº 8.212, que fixava prazo decenal para lançamento das contribuições sociais, a elas se aplicando o prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. No que toca à data de início do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça solidificou entendimento, em sede de repercussão geral no RESP 973.733 que, havendo pagamento parcial no curso do período de apuração e na ausência de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data da ocorrência do fato gerador, salvo se identificado dolo ou fraude. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS Constitui omissão de receita a não contabilização de pagamentos identificados, nos termos do art. 281, inciso II do RIR/99, mormente se, em procedimento de circularização, referidos pagamentos são identificados por Fl. 1 DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 meio idôneo, no caso, extratos bancários com depósitos realizados em nome da contribuinte na conta de terceiros. OMISSÃO DE RECEITA. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. Caracteriza omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, cuja presunção encontra-se respaldada pelo inciso III do art. 281 do RIR/99.
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No processo administrativo fiscal, é pressuposto do exercício da própria atividade que os operadores detenham conhecimento suficiente para verificar a escrituração contábil do contribuinte, atribuindolhe os efeitos fiscais próprios. A prova pericial, neste sentido, somente seria cabível para a solução de questões que fugissem ao conhecimento técnico necessário à solução das questões que são postas em julgamento, como atinentes à medicina, à física, à engenharia etc. Não que seja proibitiva a realização de perícia contábil no processo administrativo. Todavia, a sua aceitação deveria estar condicionada a um grau de dificuldade que fugisse às questões ordinárias próprias da vida da empresa – questões essas que são de conhecimento e aplicação próprios dos operadores da máquina administrativa tributária estatal. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da lei nº 8.212, que fixava prazo decenal para lançamento das contribuições sociais, a elas se aplicando o prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. No que toca à data de início do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça solidificou entendimento, em sede de repercussão geral no RESP 973.733 que, havendo pagamento parcial no curso do período de apuração e na ausência de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data da ocorrência do fato gerador, salvo se identificado dolo ou fraude. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS Constitui omissão de receita a não contabilização de pagamentos identificados, nos termos do art. 281, inciso II do RIR/99, mormente se, em procedimento de circularização, referidos pagamentos são identificados por Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 meio idôneo, no caso, extratos bancários com depósitos realizados em nome da contribuinte na conta de terceiros. OMISSÃO DE RECEITA. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. Caracteriza omissão de receita a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, cuja presunção encontrase respaldada pelo inciso III do art. 281 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a decadência relativa aos três primeiros trimestres de 2000, assim como a decadência do PIS e Cofins relativos aos meses janeiro a novembro de 2000; rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10768.007904/200561 Acórdão n.º 1401000.726 S1C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ, contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, contribuição para a assistência social – COFINS e contribuição para o programa de integração social – PIS, acrescidos de SELIC e multa de ofício de 75%, fundado nas seguintes imputações: 1) Omissão de receitas por manutenção, no passível, de obrigações já pagas; 2) Omissão de receitas caracterizada por falta de escrituração de pagamentos. Em sede de impugnação, a Recorrente apresentou às seguintes razões, bem sintetizadas pelo relatório da decisão recorrida, in verbis: o lançamento é nulo — a utilização de informações prestadas por terceiros se traduziu em ato lesivo ao devido processo legal; quanto à Cofins e ao PIS, com relação aos fatos geradores em 10/00 e 11/00, ocorreu a decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; pagamentos supostamente não registrados: não há prova irrefutável do pagamento; solicita diligência para provar que não realizou os negócios jurídicos em tela; lançamentos ditos postergados: os lançamentos contábeis, relativos a pagamentos a fornecedores, ocorreram em data posterior ao efetivo pagamento por erro; o único o modo seguro de se assegurar a omissão de receita é por meio da recomposição da conta Caixa; solicita prova pericial para confirmar a inexistência de saldo credor de Caixa; a multa de 75% viola o princípio do não confisco; o STJ já decidiu que a taxa Selic é inconstitucional, devendo ser aplicada a orientação do Poder Judiciário. Em julgamento na primeira instância, a DRJ manteve o lançamento, tendo a decisão restado assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 NORMAS GERAIS I DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. DECADÊNCIA. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. A impugnação deve, necessariamente, mencionar. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O contribuinte não pode se eximir do ônus da I prova mediante solicitação de perícia ou diligência. OMISSÃO DE RECEITAS. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÃO JÁ PAGA. A manutenção, no Passivo, de obrigação já paga autoriza a presunção de omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados autoriza a presunção de omissão de receita. MULTA E JUROS. Não compete à Autoridade Administrativa de ar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. • Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, em que repisa as razões de impugnação, acrescentando que: 1) O julgamento realizado pela DRJ é nulo por ausência de fundamentação quanto à negativa de realização de perícia; 2) Inobservância do prazo decadencial e da inconstitucionalidade da multa e juros aplicados. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10768.007904/200561 Acórdão n.º 1401000.726 S1C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. PRELIMINAR DE NULIDADE. PERÍCIA CONTÁBIL. Argui a Recorrente, em se de preliminar, cerceamento de defesa e nulidade do julgamento realizado perante a DRJ do Rio de Janeiro, que indeferiu o pedido de perícia contábil solicitada em sede de impugnação. Em suas razões de impugnação, a perícia requestada está fundada nos seguintes quesitos, a saber: b.1.) quesitos: (i) Indique, a partir do exame das notas fiscais n° 113.769 e 121.710 ou de outros documentos, emitidas pela Rio de Janeiro Refrescos, se consta comprovante de entrega das mercadorias constantes das referidas notas; (ii) Indique, caso positivo o exame anterior, o nome da empresa que recebeu as mercadorias, bem como do funcionário que assinou a via de entrega destas mercadorias; (iii) Indique, se positivo o exame acima, se o funcionário pertence ou pertencia ao quadro de empregados da Impugnante na data em que foram entregues as mercadorias; (iv) indique, após os exames feitos, se as mercadorias constantes das notas fiscais n° 113.769 e 121.710, foram entregues à Impugnante; (v) indique se é possível afirmar, com toda a certeza, a partir dos mesmos documentos examinados pela autoridade fiscal, se as duplicatas referentes às notas fiscais acima indicadas foram efetivamente pagas pela Impugnante; (vi) indique, após recomposição da conta Caixa da Impugnante referente ao 40 Trim/2000, com a inclusão dos valores dós pagamentos constantes do Item 4.2 do Termo de Verificação Fisca se há saldo credor desta conta ou se a Impugnante possuía recursos suficientes a suportar os referidos pagamentos; (vii) indique, .apartir do exame dos documentos da Impugnante, de que forma foram efetuados estes pagamentos, se por meio de cheque, doc e/ou\ transferência bancária ou em dinheiro. b.2.) Assistente Técnico: KARLO DANIEL BRAVIM: Contador — CRC/ES 009885/02; Endereço: Rua Joaquim Távora, n.° 39 — 5.° andar (salas 501/504), Centro, Campos dos Goytacazes/RJ De fato, o art. 16, inciso IV do decreto nº 70.235, prevê a possibilidade de o Impugnante requerer a realização de perícia. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 Todavia, vejo com prudente cautela a possibilidade de se realizar perícia contábil em processo administrativo fiscal. Isso porque, no processo administrativo fiscal, é pressuposto do exercício da própria atividade que os operadores detenham conhecimento suficiente para verificar a escrituração contábil do contribuinte, atribuindolhe os efeitos fiscais próprios. A prova pericial, neste sentido, somente seria cabível para a solução de questões que fugissem ao conhecimento técnico necessário à solução das questões que são postas em julgamento, como atinentes à medicina, à física, à engenharia etc. Não que seja proibitiva a realização de perícia contábil no processo administrativo. Todavia, a sua aceitação deveria estar condicionada a um grau de dificuldade que fugisse às questões ordinárias próprias da vida da empresa – questões essas que são de conhecimento e aplicação próprios dos operadores da máquina administrativa tributária estatal. Analisando os quesitos requeridos pela Requerente, não encontro essa peculiaridade e aprofundamento necessários para o deferimento da prova pericial. Ao contrário, o que quer a Recorrente é que o perito adéqüe a argumentação de suas razões de impugnação aos documentos contábeis que apresentou, o que não pede a presença de um perito, senão vejase: (i) Os quesitos 1, 2 e 3 demandam a mera leitura dos documentos acostados pela Recorrente, e dispensam a presença de Expert em contabilidade; (ii) Os quesitos 4, 5 e 7 demandam a juntada de prova pela própria Recorrente, e não de perícia contábil; (iii) O quesito 6 referese à recomposição da conta caixa da Recorrente, o que é obrigação sua, e não da autoridade fiscal. Ademais, não He relevância no pedido, como restará provado a frente. Desnecessária, pois, a realização de perícia contábil, não havendo justificativa suficiente ao seu deferimento. Neste sentido, acompanho o entendimento da DRJ ao dizer que “o contribuinte não pode eximirse do ônus da prova mediante solicitação de perícia ou diligência”. Pelo exposto, voto no sentido de afastar a preliminar argüida. DECADÊNCIA Aduz a Recorrente, ainda em sede preliminar, que parte do débito objeto de lançamento encontravase alcançado pela decadência. Referido argumento foi afastado pela decisão recorrida, com base em dois fundamentos: (i) O prazo do art. 150, §4º do CTN referese à homologação do pagamento, e não ao lançamento a ser promovido pela Autoridade Fiscal, razão pela qual deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; (ii) No caso do PIS e da COFINS, o prazo para se realizar o lançamento seria de 10 anos, e não de 5 anos. Tem razão a Recorrente. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10768.007904/200561 Acórdão n.º 1401000.726 S1C4T1 Fl. 4 7 Inicialmente, registro que o Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade da lei nº 8.212, que fixava prazo decenal para lançamento das contribuições sociais, a elas se aplicando o prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. No que toca à data de início do prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça solidificou entendimento, em sede de repercussão geral no RESP 973.733 que, havendo pagamento parcial no curso do período de apuração e na ausência de dolo ou fraude, o prazo decadencial deve ser contato a partir da data da ocorrência do fato gerador. Analisando os autos, identifico que a DIPJ 2001, acostada às fls. 09 e seguintes, apontam tributo a pagar de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no anocalendário 2000, não existindo nada que aponte o inadimplemento de referidas obrigações por parte da Recorrente. Lado outro, no que se refere à constatação de dolo ou fraude, apesar de a decisão recorrida tomar esse argumento como reforço à negativa de reconhecimento da decadência, não identifiquei, no termo de verificação fiscal às fls. 287 e seguintes, qualquer imputação nesse sentido. Ao contrário, a multa aplicada à Recorrente foi fixada no patamar de 75%, o que afasta o pressuposto exigido pela lei e jurisprudência acerca da aplicação do art. 173, inciso I do CTN. Neste particular, cumpre esclarecer que, de fato, o art. 150, § 4º não dispõe acerca do prazo para se realizar o lançamento, mas sim para a homologação tácita do pagamento realizado pelo contribuinte. No entanto, a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte tem como efeito reflexo impedir que seja demandado pagamento complementar por meio do lançamento direto. Neste sentido, o lançamento para cobrar aquilo que eventualmente deixara de ser pago pelo contribuinte somente pode ser realizado antes da homologação do pagamento por ele realizado, sob pena de ser alcançado pela decadência. Diante do exposto, aplicável o prazo decadencial do art. 150, §4º do CTN. No caso dos autos, tratase de apuração do imposto de renda apurado pelo lucro real, com recolhimentos trimestrais e PIS/COFINS com recolhimentos mensais, devidos no ano calendário de 2000. O auto de infração foi notificado ao contribuinte no dia 13 de dezembro de 2005. Assim, encontramse alcançados pela decadência os lançamento de IRPJ e CSLL relativos aos 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário 2000, que deveriam ter sido notificados aos contribuintes, respectivamente, até os dias 31 de março de 2005, 30 de junho de 2005 e 30 de setembro de 2005; bem como os lançamentos de PIS e COFINS de janeiro a novembro do anocalendário 2000, que deveriam ter sido notificados aos contribuintes, em cada último dia do respectivo mês anterior em 2005, sendo o último no dia 30 de novembro de 2005. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A Autoridade Fiscal, em procedimento de circularização, identificou que as notas fiscais nº 113.769 e 121.710, emitidas pela Rio de Janeiro Refrescos Ltda. e pagas, respectivamente, nos dias 24 de outubro de 2000 e 13 de novembro de 2000, não haviam sido escrituradas pela Recorrente, razão pela qual adotouse o disposto no art. 281, inciso II do RIR/99, que considera omissão de receitas “a falta de escrituração de pagamentos efetuados”. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 8 Em sua defesa, a Recorrente alega que não reconhece referidas notas fiscais como sendo de sua responsabilidade, assim como afirma, textualmente, que não realizou referidos pagamentos, razão pela qual não pode ser aplicada a presunção constante de referido dispositivo legal. Reclama, ainda, a Recorrente, que não pode a palavra de terceiros, chamados a apresentar documentos no curso da circularização, valer mais do que a dela própria, pelo que deveria ter sido produzido prova suficiente para a aplicação da presunção. No entanto, a assertiva sobre a qual fundouse a autuação não se ateve às notas fiscais emitidas pela Rio de Janeiro Refrescos Ltda., mas também nos extratos de pagamento emitidos pelo Banco Bradesco, acostado às fls. 193 e 195, em que a Recorrente aparece como pagadora das notas fiscais acostadas às fls. 192 e 194. Diante desses documentos, principalmente da instituição financeira, que apontam a Recorrente como fonte pagadora das notas fiscais em litígio, não vejo como deva prevalecer a palavra da Recorrente. Com isso, afasto a argumentação da Recorrente e mantenho a imputação, devendo ser observada, pela instância preparadora, a decadência supra reconhecida. OMISSÃO DE RECEITA. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JÁ PAGAS. Por fim, a autuação fiscal imputa à Recorrente omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, cuja presunção encontrase respaldada pelo inciso III do art. 281 do RIR/99. Intimado pela Autoridade Fiscal para justificar a manutenção de referidos débitos no passivo, a Recorrente “não apresentou qualquer esclarecimento em relação à origem dos recursos utilizados para efetuar a quitação das duplicatas relacionadas no anexo II da intimação fiscal”. Em sede de recurso, a Recorrente novamente não trouxe qualquer informação relevante ao deslinde da questão, insistindo que deveria ser promovida a reconstituição de sua conta caixa, pelo que eventual saldo apurado após referida recomposição respaldaria o pagamento. No entanto, como bem decidiu a instância originária, “a existência de saldo na conta Caixa não elide o lançamento”. Diante do exposto, deve ser mantido o lançamento, observada a decadência supra reconhecida. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 10768.007904/200561 Acórdão n.º 1401000.726 S1C4T1 Fl. 5 9 DISPOSITIVO Pelo exposto, entendo deva ser acolhida a preliminar de decadência de IRPJ e CSLL relativa aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2000, assim como de PIS/COFINS relativa aos meses de janeiro a novembro de 2000, rejeitadas as demais preliminares e, no mérito, negado provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
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Numero do processo: 11060.003271/2009-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 32 71 /2 00 9- 75 Fl. 135DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA Dcbcad n° 37.256.9021, lavrado em 09/12/2009, no valor de R$ 159.501,60 (cento e cinqüenta c nove mil, quinhentos c um reais c sessenta centavos), lavrado no Código de Fundamentação Legal 68, por apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 01/2004 a 08/2008, infração prevista no artigo 32, inciso IV, parágrafos 3 o e 5 o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafo 4U do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Após o trâmite processual, a 3ª Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo da multa aplicada para ajustála a determinação legal do artigo 32A, I da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfico à recorrente, cita a Portaria PGFN nº 14/2009. O acórdão 2803003.483 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2008 ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Como conseqüência, a GFIP entregue deve informar a situação correta em relação à isenção inexistente. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11060.003271/200975 Acórdão n.º 9202006.165 CSRFT2 Fl. 136 3 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra parte da decisão onde se discutiu o critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Pugna pela utilização das regras da IN RFB nº 1027/2010. Intimado da decisão e do recurso especial o contribuinte apresentou pedido de prorrogação de prazo para apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é Fl. 137DF CARF MF 4 aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11060.003271/200975 Acórdão n.º 9202006.165 CSRFT2 Fl. 137 5 competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 139DF CARF MF 6 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11060.003271/200975 Acórdão n.º 9202006.165 CSRFT2 Fl. 138 7 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 141DF CARF MF 8 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11060.003271/200975 Acórdão n.º 9202006.165 CSRFT2 Fl. 139 9 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Pertinente mencionar que o presente lançamento possui como objeto a cobrança de multa por descumprimento de uma obrigação acessória cuja origem está diretamente relacionada ao lançamento para a cobrança do débito relativo à obrigação Principal. Assim, considerando a relação de causa e efeito entre a decisão eventualmente proferida no processo em que se discute a exigibilidade ou não do débito relativo à obrigação principal e o presente processo, se faz prudente averiguar a existência de decisão definitiva acerca do débito. Destaco que consta das fls. 13 a informação de que este processo encontrava se em apenso ao processo 11060.003269/200904. Em consulta ao sítio do CARF, pela movimentação processual, é possível concluir que já há decisão definitiva pela manutenção do débito principal, fato que nos permite julgar sem quaisquer prejuízos o presente recurso especial. Assim, em face ao exposto dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 143DF CARF MF 10 Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987778/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 78 /2 01 2- 54 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987778/201254 Acórdão n.º 1401001.960 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987778/201254 Acórdão n.º 1401001.960 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987778/201254 Acórdão n.º 1401001.960 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000301/2009-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
Inserem-se no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-005.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inserem-se no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1549; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10945.000301/200973 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.658 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria COFINS CONCEITO DE INSUMOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIMESA COOPERATIVA CENTRAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 03 01 /2 00 9- 73 Fl. 6466DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3102002.045, de 25/09/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências). NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matériasprimas aplicadas no processo de produção. DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Cofins não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 6467DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 4 3 Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento de créditos da Cofins, apurados no regime de incidência não cumulativa exportação, relativos ao anocalendário de 2007, que foram cumulados com pedidos de compensação. A Fazenda Nacional pede o provimento do seu recurso especial em relação aos seguintes itens: (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes; (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Exame de Admissibilidade, efls. 6453/6460, exarado pelo então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, bem como do recurso especial e do despacho de admissibilidade e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.833/2003. Como visto, no Acórdão recorrido adotou como critério o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido tenha uma relação de pertinência entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica. Fl. 6468DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 5 4 É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 6469DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 6 5 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 6470DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 7 6 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. Passamos então a analisar os itens objeto do recurso da Fazenda Nacional: (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. Quanto a esse item, importante transcrever abaixo trecho do voto constante do Acórdão da DRJ para deixar claro que a insurgência do contribuinte não é total quanto aos itens glosados, veja a seguir: (...) A interessada comentou o entendimento do fisco, de que os bens classificados no CFOP 1.556/2.556, não se enquadrariam no conceito de insumo e que representariam bens de uso e consumo, glosando, da base de cálculo de créditos, o montante de R$ 6.763.448,36 (representado por 8.803 notas fiscais, relacionadas As fls. 4772/4983); a contribuinte concorda com tal glosa até o montante de R$ 4.240.897,69, dizendo que, por outro lado, o valor remanescente (R$ 2.522.550,67) seria referente a bens utilizados no processo industrial, tais como matériasprimas, Fl. 6471DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 8 7 insumos de produção e embalagem, o que lhe conferiria direito ao correspondente crédito, anexando, às fls. 6236/6306, lista de tais bens. (...) Quanto a esses itens, o Acórdão recorrido concedeu o direito ao crédito em relação aos seguintes itens, destacados no trecho abaixo transcrito do voto da relatora: (...) Feito este esclarecimento e tendo em vista que a Recorrente se dedica à produção de carne e leite para consumo humano, por óbvio que se devem incluir no conceito de insumo os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. (...) Quero registrar que a própria Receita Federal já afastou a necessidade de que para ser insumo e ter direito ao crédito, haja necessidade do desgaste do bem consumido, pelo contato físico com o bem em produção. Tal fato pode ser constatado pelo que foi disposto na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016. Abaixo transcrevo a sua ementa em relação ao PIS que é idêntica da Cofins: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; Fl. 6472DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 9 8 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; Fl. 6473DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 10 9 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. (...) Penso que esta interpretação está mais coerente, sobretudo com o disposto no inc. II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, na medida em que se exige que o bem ou serviço seja aplicado e consumido diretamente no processo produtivo do bem destinado a venda. Entendo que não há espaço para estender para outros bens ou serviços utilizados na etapa préindustrial ou em período posterior ao encerramento do processo produtivo. Neste sentido pelo que foi exposto no voto do Acórdão recorrido, pareceme que os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, atende ao conceito de insumos erigidos pela Lei, na medida em que são utilizados e consumidos no processo produtivo propriamente dito do produto destinado a venda. Compreendo que a utilização destes produtos têm o mesmo alcance dos itens 3a e 3c da Solução de Divergência acima transcrita. (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes Nesta mesma linha de entendimento, o acórdão recorrido reconheceu a legitimidade dos créditos relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes utilizados também no processo produtivo. Ante a falta de evidência de que não se destinam ao uso e consumo dentro do processo produtivo, penso que não há como não acatar referidos créditos, pelas mesmas razões já expostas no item anterior. Fl. 6474DF CARF MF Processo nº 10945.000301/200973 Acórdão n.º 9303005.658 CSRFT3 Fl. 11 10 (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. Compreendo que se trata de insumo utilizado diretamente no processo industrial do contribuinte. Assim, por se tratar de bens utilizados e consumidos dentro do processo produtivo do produto destinado a venda, nego provimento ao RE da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 6475DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.901194/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.278
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp, em que o COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA., CNPJ 00.363.548/000104 requer crédito de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador DRJ/SDR considerou improcedente. Cientificado, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, tempestivo, reclamando da impossibilidade/desarrazoabilidade/desproporcionalidade de se evitar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 19 4/ 20 09 -7 4 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10530.901194/200974 Resolução nº 1201000.278 S1C2T1 Fl. 3 2 compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da declaração nas Fichas 12A e 17 da DIPJ apresentada, a qual deveria ser retificada; contudo, dado o lapso de tempo decorrido, tal retificação se fez inviável, pela Recorrente. Contudo, o crédito existe, o que comprova mediante a juntada do Balanço Patrimonial em que apurou o prejuízo de R$()675.524,73; pleiteia que a verdade material seja reconhecida, consoante precedentes do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.273, de 20.09.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10530.901191/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.273): O contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2004, no regime de apuração anual com estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos; na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, apurou lucro real R$() 675.524,73, isto é, prejuízo fiscal; na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa apurou Imposto de Renda a Pagar nos meses de 01 a 12/2004, que pagou nos prazos, via DARF; e na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, todos os campos estão zerados, não estando demonstrada a existência de eventual Saldo Negativo de IRPJ; já no caso das estimativas mensais de CSLL, demonstrou na Ficha 16 Calculo da CSLL Mensal por Estimativa, os valores de CSLL a pagar nos meses de 01 a 12/2004, os quais recolheu nos prazos via DARF; mas na da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte informou na linha 36. Base de Cálculo da CSLL, o valor de R$() 675.524,73, porém os demais campos como a linha 43. () CSLL Mensal Paga por Estimativa, restaram zerados, e deixou de demonstrar eventual o Saldo Negativo de Base de Cálculo da CSLL, passível de reconhecimento como direito creditório. Requereu crédito de pagamento indevido da estimativa de IRPJ de 08/2017, no mesmo valor recolhido via DARF, no PER/Dcomp objeto deste processo. O Despacho Decisório indeferiu o pleito porque o valor recolhido correspondia ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, portanto tal pagamento foi alocado ao correspondente débito confessado, não restando saldo para compensar outros débitos. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10530.901194/200974 Resolução nº 1201000.278 S1C2T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a DRJ, em relação às estimativas mensais de IRPJ, esclareceu que, como o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ajuste anual do anocalendário de 2004 e os pagamentos efetuados por estimativa referentes ao IRPJ/CSLL deveriam compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL, respectivamente do anocalendário de 2004, que deveria ter sido apurado na forma do art. 2º, §4º, I a IV, da Lei n° 9.430, de 1996, e passível de ser restituído ou compensado com débitos do contribuinte, a partir do mês de janeiro de 2005, conforme disposto no art. 5º combinado com o art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp; em outras palavras, a estimativa mensal paga somente poderá compor eventual crédito de saldo negativo, na apuração anual, sendo a sua data base 31/12/2004, no caso; por isso, a apuração anual do IRPJ/CSLL deveria ter sido demonstrada, para comprovar eventual crédito de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. No presente caso, verificase que constam os seguintes valores, informados/confessados/pagos pelo contribuinte: IRPJ DIPJ original Ficha 11 DCTF original cód 5993 Darf pago CSLL DIPJ original Ficha 16 DCTF original cód 2484 Darf pago jan/04 11.405,68 11.405,68 11.405,66 jan/04 7.239,06 7.239,06 7.239,06 fev/04 15.272,70 15.272,70 15.272,70 fev/04 9.327,26 9.327,26 mar/04 23.478,90 23.478,90 23.478,88 mar/04 13.758,60 13.758,60 13.758,60 abr/04 18.582,76 18.582,75 18.585,75 abr/04 11.114,69 11.114,69 11.114,69 mai/04 26.483,23 26.483,23 26.483,23 mai/04 15.380,95 15.380,95 15.380,95 jun/04 31.322,78 31.322,78 31.322,78 jun/04 17.994,30 17.994,30 17.994,30 jul/04 20.592,38 20.592,38 20.592,38 jul/04 12.199,89 12.199,89 12.199,89 ago/04 23.701,60 23.701,60 23.701,60 ago/04 13.878,86 13.878,86 13.878,86 set/04 20.732,09 20.732,08 20.732,08 set/04 12.275,33 12.275,33 12.275,33 out/04 20.230,82 20.230,82 20.230,82 out/04 12.004,64 12.004,64 12.004,64 nov/04 24.363,07 24.363,06 24.363,07 nov/04 14.236,08 14.236,08 14.236,06 dez/04 26.126,33 26.126,33 26.126,33 dez/04 15.188,22 15.188,22 15.188,22 Total 262.292,34 262.292,31 262.295,28 Total 154.597,88 145.270,62 154.597,86 E na apuração anual: Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 0,00 ()CSLL Mensal pago por estimativa 0,00 (=) IR a pagar 0,00 (=)CSLL a pagar 0,00 O contribuinte juntou também Demonstrativo de Resultados do Exercício, data de encerramento 31/12/2004, em que apurou Lucro Líquido R$() 675.524,73. Observase na DIPJ do anocalendário 2004 que o contribuinte, para uma receita líquida de R$11.148.363,19, informou R$11.130.026,04 de custo das mercadorias revendidas, e apurou prejuízo fiscal e lucro líquido negativo de R$()675.524,73; e sua DIPJ foi aceita e regularmente processada. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10530.901194/200974 Resolução nº 1201000.278 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista destes dados, adoto entendimento prevalente no CARF, expresso no Acórdão nº 9101002.913, da 1ª Turma da CSRF, em 8 de junho de 2017, cujos excertos transcrevo e que se aplicam tanto a estimativas mensais de IRPJ, como de CSLL: Ementa: ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifei.) Relatório: Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. No voto, foi adotado entendimento de recurso repetitivo, nos seguintes termos, e com os quais esta Relatora concorda: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1o e 2°; do RICARF. aprovado pela Portaria MF 343. de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903. de 08/06/2017 proferido no julgamento do processo 10166.901000/2009 36. paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese. como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101 002.903): Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10530.901194/200974 Resolução nº 1201000.278 S1C2T1 Fl. 6 5 "A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5o da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3° do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] []§ 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF n° 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10530.901194/200974 Resolução nº 1201000.278 S1C2T1 Fl. 7 6 indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF n° 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10530.901194/200974 Resolução nº 1201000.278 S1C2T1 Fl. 8 7 restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF n° 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retomo dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1o e 2o do art. 47 do RICARF. conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e. no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto" Conclusão. Recomposição da apuração anual. 2004. Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 262.295,28 ()CSLL Mensal pago por estimativa 154.597,86 (=) IR a pagar ()262.295,28 (=)CSLL a pagar () 154.597,86 Evidenciase o direito creditório até o limite do Saldo Negativo de IRPJ em 31/12/2004, de R$()262.295,28, a ser observado para o conjunto de todos as PER/Dcomp deste contribuinte que requerem Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10530.901194/200974 Resolução nº 1201000.278 S1C2T1 Fl. 9 8 créditos de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, ou de Saldo Negativo de IRPJ deste anocalendário; e analogamente, até o limite de R$() 154.597,86, de Saldo Negativo da CSLL em 31/12/2004. Diligência. Constam para julgamento nesta Turma do CARF, 19 (dezenove) processos requerendo créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004; contudo, não se dispõe de informação se estes esgotam todos os pedidos de restituição/compensação, pelo contribuinte, relativos ao anocalendário 2004. A fim de se evitar dar provimento a créditos, em duplicidade, fazse necessária diligência que: a) efetue um levantamento e informe todas as PER/Dcomp apresentadas pelo contribuinte, em que este requereu créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004 e crédito de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário 2004, com o seguinte detalhamento, para cada PER/Dcomp: 1 nº da PER/DComp 2 nº do processo administrativo 3 informar se o crédito requerido é de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, ou de CSLL, e o mês 4 informar se crédito requerido é de Saldo Negativo de IRPJ ou de CSLL 5 valor do crédito requerido 6 valor do crédito já reconhecido e consumido em compensação de débitos 7 localização do processo. b) Elaborar os demonstrativos de compensação dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL reconhecidos, co m os débitos declarados em todas PER/Dcomp. Conclusão. À vista do exposto, voto por efetuar a diligência nos termos descritos. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento indevido de estimativa mensal de CSLL com apuração de base de cálculo negativa ao final do exercício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720124/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Numero da decisão: 2401-005.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 01 24 /2 01 2- 08 Fl. 570DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 18088.720124/201208 Acórdão n.º 2401005.050 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Processo Administrativo Fiscal por meio do qual estão sendo exigidos valores referentes aos Autos de Infração DEBCADs nºs 37.366.0561, 37.366.0553 e 37.366.0545, elaborados da seguinte forma: Debcad nº 37.366.0561: Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP), com lançamento de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte da empresa (patronal) e à parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, no montante de R$ 1.486.167,18 (um milhão e quatrocentos e oitenta e seis mil e cento e sessenta e sete reais e dezesseis centavos), referente ao período de 01/2007 a 13/2008. Foi lançada a multa de 24% até 11/2008 e de 75% para as competências 12 e 13/2008. Debcad nº 37.366.0553: Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP), com lançamento de contribuições devidas aos chamados Terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, no montante de R$ 345.567,33 (trezentos e quarenta e cinco mil e quinhentos e sessenta e sete reais e trinta e três centavos), referente ao período de 01/2007 a 13/2008. Foi lançada a multa de 24% até 11/2008 e de 75% para as competências 12 e 13/2008. Debcad nº 37.366.0545: Auto de Infração de Obrigações Acessórias (AIOA), Código de Fundamento Legal (CFL) 68, por ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. As contribuições não declaradas, haja vista a opção indevida pelo Simples, estão demonstradas em planilha de fls. 45. Resultaram as multas, por competência, em R$ 194.054,40 (cento e noventa e quatro mil e cinqüenta e quatro reais e quarenta centavos), conforme planilha de cálculo já mencionada. Houve formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), processo 18088.720127/201233, com base nos termos do art. 337A do Código Penal – sonegação de contribuições previdenciárias. Cientificada do presente processo em 05/04/2012 (fl. 357), a empresa apresentou IMPUGNAÇÕES específicas para cada crédito (debcad) do presente Auto de Infração, no prazo legal, aduzindo, em síntese, o que se segue. (I) Debcad nº 37.366.0545 (multa CFL 68) que a impugnante foi fiscalizada e excluída do sistema Simples, afirmando a autoridade administrativa que as empresas DMC e RENALDO MASSINI JUNIOR – EPP seriam a mesma empresa. Fl. 572DF CARF MF 4 que deve ser observado o princípio da legalidade tributária no procedimento efetuado, inviabilizando a aplicação do art. 116 e parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN) ao presente caso. que não foi correta nem tem base legal a “unificação”, por parte da fiscalização, das receitas das duas empresas distintas, com o intuito de excluir a DMC do sistema Simples, haja vista que as atividades empresariais estavam licitamente segregadas, constituindo planejamento tributário permitido pela lei. Cita jurisprudência administrativa (acórdão nº 10323357), segundo a qual o desdobramento de atividades empresariais não caracteriza a simulação pretendida pela fiscalização. que as empresas em tela (DMC e RENALDO MASSINI JUNIOR – EPP) são distintas, com estrutura, registros e quadros de funcionários próprios. A fiscalização aponta apenas um único funcionário (departamento de publicidade) em comum às empresas. que a localização física das empresas, em locais próximos, não é vedada pela lei. Nem tampouco o fato de Reinaldo Massini Junior ser ainda gerente da DMC e ainda a existência de acordo comercial entre as duas empresas. que foi assim ilegal a exclusão da impugnante do regime simplificado de tributação, já que suas receitas nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 ficaram aquém do limite legal, devendo ser mantida na condição de optante do Simples. que deve prevalecer a substância sobre a forma, buscandose a efetiva aplicação do princípio da verdade material, em detrimento da verdade formal, ou seja, deveria ser adequadamente analisada a realidade dos fatos e os documentos pertinentes. que não foi demonstrada pela autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador ou fato jurídico tributário. que ainda não foram observados diversos princípios constitucionais, tais como o da proporcionalidade, da razoabilidade, do nãoconfisco, e da capacidade contributiva. que a multa fiscal foi imposta de forma exagerada – cita doutrina e jurisprudência – contrariando disposições jurisprudenciais, cabendo a redução da multa ao patamar de 20%. (II) Debcad nº 37.366.0553 (Terceiros) A entidade impugnou o lançamento nos mesmos termos acima mencionados. (III) Debcad nº 37.366.0561 (Patronal/SAT) A entidade impugnou o lançamento nos mesmos termos acima mencionados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1439.221 da 7ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 511/522, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 18088.720124/201208 Acórdão n.º 2401005.050 S2C4T1 Fl. 4 5 PARTE PATRONAL. SAT. ENTIDADES TERCEIRAS. OPÇÃO PELO SIMPLES. LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. A partir da apuração de receitas não declaradas ao fisco federal, denotando a conseqüente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples (Federal e Nacional), seguese a exclusão da contribuinte do referido sistema de tributação favorecida, na forma da legislação, quando a interessada sujeitarseá às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A remuneração paga a segurados a serviço da empresa, após sua regular exclusão do regime tributário simplificado (Simples Federal e Nacional), constitui fato gerador das contribuições previdenciárias, correspondentes à quota da empresa e de outras entidades e fundos (Terceiros). ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO. Não houve, em todo o procedimento, nenhuma violação do princípio da legalidade, da ampla defesa e proporcionalidade, dentre outros, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela impugnante e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo competente para discutir a constitucionalidade da lei e se esta fere ou não dispositivos e princípios constitucionais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. GFIP. OMISSÕES DE FATOS GERADORES E CONTRIBUIÇÕES. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. MULTAS. LEGALIDADE. OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Constitui infração à legislação previdenciária, punível com multa, apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, comprovada a partir de declaração de opção indevida em relação ao regime do Simples. Após o comparativo entre as penalidades legalmente previstas antes e após a edição da MP n.º 449/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na lei n.º 11.941/2009, tendo em vista o art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional (CTN), que trata da retroatividade benéfica de penalidades tributárias, houve a prevalência, para o período pertinente, da sistemática mais benéfica ao sujeito passivo, não se podendo falar em redução da Fl. 574DF CARF MF 6 multa a patamares inferiores ao preconizado pela legislação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ASPECTO MATERIAL. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, notadamente quanto ao seu aspecto material, vale dizer, o montante da remuneração paga aos segurados, obtido a partir das informações declaradas nas GFIP da própria autuada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Recorrente foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 15/01/2013, conforme Aviso de Recebimento às fls. 524. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 526/535, reiterando os argumentos já lançados em sua peça de impugnação. O órgão preparador certificou a intempestividade do recurso (fl. 538), pois este teria sido protocolizado em 15/01/2013. Em seguida, este Conselho converteu os autos em diligência para que o órgão fazendário esclareça a tempestividade do recurso, diante da inconsistência da certidão de fl. 538. A Secretaria da Receita Federal prestou informações atestando a intempestividade do Recurso Voluntário (fl. 546). Devidamente intimada em 20/02/2015 (AR de fl. 550), a contribuinte se manifestou afirmando que o Recurso Voluntário é tempestivo, porquanto a entrega do recurso por meio eletrônico se deu no dia 14/02/2013, e, apenas o reconhecimento de firma do protocolo teria ocorrido apenas no dia 15/02/2013. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 18088.720124/201208 Acórdão n.º 2401005.050 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA INTEMPESTIVIDADE O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Conforme se extrai do artigo 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Observase dos autos que a Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 15/01/2013 (terçafeira), conforme Avisos de Recebimento às fls. 524, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 15/02/2013 (sextafeira), consoante se extrai do Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, emitido pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais SVA juntado às fls. 536. Logo improcede as alegações do Contribuinte de que a entrega do recurso, por meio eletrônico, se deu no dia 14/02/2013, e, apenas o reconhecimento de firma do protocolo teria ocorrido apenas no dia 15/02/2013. Tendo em vista que o prazo final para a apresentação do recurso se deu no dia 14/02/2013 e o presente recurso fora aviado em data posterior, de rigor a sua intempestividade. Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. Fl. 576DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente face a sua intempestividade, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 577DF CARF MF
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