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Numero do processo: 10925.000329/2003-53
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: INTIMAÇÃO POR EDITAL. NECESSIDADE DE PRÉVIA TENTATIVA DE INTIMAÇÃO PESSOAL OU VIA POSTAL.
A ausência de comprovação de prévia tentativa de intimação pessoal ou postal macula a intimação por edital e exige a sua anulação.
EMENTA: DECADÊNCIA..§4°, DO ART. 150, DO CTN. Súmula
Vinculante n.° 08/STF.
O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é quinquenal. Inteligência do art. 150, do Código Tributário Nacional e aplicação da Súmula Vinculante n.° 8/STF
Numero da decisão: 1102-000.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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Recorrida 3a, TURMA/DRJ-FLORIANÕPOLIS/SC EMENTA: INTIMAÇÃO POR EDITAL. NECESSIDADE DE PRÉVIA TENTATIVA DE INTIMAÇÃO PESSOAL OU VIA POSTAL. A ausência de comprovação de prévia tentativa de intimação pessoal ou postal macula a intimação por edital e exige a sua anulação. EMENTA: DECADÊNCIA..§4°, DO ART. 150, DO CTN. Súmula Vinculante n.° 08/STF. O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é quinquenal. Inteligência do art. 150, do Código Tributário Nacional e aplicação da Súmula Vinculante n.° 8/STF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, IVETEW4J4-1?ESSOA MONTEIRO - Presidente W-y6L SILVANA RESCIG (i GUERRA BARRETTO - Relatora EDITADO EM: 1 O NO V 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), José Sergio Gomes, João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), João Otavio Opperman Thome, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) e Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatora). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de julgamento de Florianópolis (fls. 67/69), que manteve lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL formalizado em 13 de maio de 2003, em razão de excesso de compensação de base negativa no ano calendário de 1997, com base no art. 45, da Lei 8.212/91 que prevê prazo decenal para a constituição de créditos tributários. Em suas razões recursais, o contribuinte defende, preliminarmente, a tempestividade recusai e, em seguida, invoca o comando dos artigos 150, §4 0 , do Código Tributário Nacional e art. 146, da Constituição Federal para afastar a aplicação do art. 45, da Lei n,' 8.212/95. É o relatório. 2 Processo ri" 10925 000329/2003-53 SI-C1111 Acórdão " 1101-00138 Fl 119 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Primeiramente, aprecio a tempestividade recurso], considerando a intimação por Edital informada na fl., 76 dos autos e a lavratura de Termo de Perempção constante na 78. Analisando os autos do processo administrativo, observa-se que, após a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (fls. 67/69), não consta qualquer comprovante de envio de Intimação à Recorrente, mas apenas uma folha (1:1, 75), com o título "Termo de Juntada de Correspondência Devolvida", carente de qualquer informação ou documento comprobatório. Em seguida, na ti.. 76, já consta o Edital ARF/CDR/SC 002/07, afixado em 16 de janeiro de 2007 e, após o ultrapassado o prazo regulamentar, carta de cobrança (fis., 79/80) e documento datado de 16 de março de 2007 (fi, 81) atestando o pedido de vista dos autos pela Recorrente. Na ff 84, a Recorrente solicita cópia dos autos e, em 12 de abril de 2007 (fls.. 85/97), foi interposto Recurso Voluntário, com a informação de que, apesar de ter endereço certo e fixo, o Edital não foi precedido de tentativa de intimação pessoal ou por correio. Dos elementos constantes nos autos, fica claro que a Recorrente apenas teve ciência da decisão da DRJ quando obteve vista dos autos em abril de 2007 e que interpôs Recurso obedecendo ao prazo previsto na legislação federal de 30 (trinta) dias, o que torna tempestiva a irresignação e autoriza o cancelamento do Termo de Perempção de fi, 78, com espeque no art. 23, do Decreto n..° 70235/72, verbis: "Art„23. Far-se-á a intimação: 1 — pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fbra dela, provada com a assinatura do sujeito passivo„ seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar.; 11 — por via posta, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; 111—por meio eletrônico, com prova de tecebimento, mediante.' a) envio ao domicílio tributário do .sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo §1 0 Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no capta deste artigo, a intimação poderá ser feita por edita/ publicado: 3 1 - no endereço da administi ação tnibutciria na internei, II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, ou - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local "( ) A norma acima transcrita exige anterior tentativa frustrada de intimação para o contribuinte para a utilização do Edital, condição não cumprida no presente caso que autoriza a anulação do Termo de Perempção de fl. 78 Corroborando o entendimento ora exposto, transcrevo esclarecedor precedente da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: "PAF - INTIMAÇÃO POSTAL EM ENDEREÇO ERRADO E POSTERIOR INTIMAÇÃO POR EDITAL - INVÁLIDA A CITAÇÃO POR EDITAL - A autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de citação disponíveis antes de valer-se da citação por edital. Considerando que a primeira intimação postal da decisão recorrida foi encaminhada para endereço difèrente do endereço da contribuinte devidamente infirmado no Contrato Social e no CNPJ, inválida é a citação por Edital PM' - ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL NÃO GEROU CERCEAMENTO DE DEFESA E NÃO DEU CAUSA PARA SUA NULIDADE - O erro no enquaáamento legal não causou nulidade do lançamento ou cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, porque os .fatos e o embasamento em que o lançamento se fundou estão claros em seu inteiro teor e a contribuinte mostrou ter pleno conhecimento desses fundamentos. IRRI COMPENSAÇÃO DE IRRE E IRRI RETIDOS E PAGOS A MAIOR EM ANOS-CALENDÁRIOS ANTERIORES - PROVA DE COMPENSAÇÃO NA DIPJ E - NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DA CONTRIBUINTE - ADMISSIBILIDADE - A IN 21/97 permite que créditos de tributos pagos a maior sejam compensados com débitos da mesma espécie independentemente de requerimento especial e a contribuinte comprovou a devida compensação pela sua escrita contábil e fiscal PAF - INTIMAÇÃO POSTAL EM ENDEREÇO ERRADO E POSTERIOR INTIMAÇÃO POR EDITAL - INVÁLIDA A CITAÇÃO POR EDITAL - A autoridade .fiscal deve exaurir todos os meios de citação disponiveis antes de valer-se da citação por edital Considerando que a primeira intimação postal da decisão recorrida fui encaminhada para endereço diferente do endereço da contribuinte devidamente infbrmado no Contrato Social e no CNPJ, inválida é a citação por Edital PA? - ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL NÃO GEROU CERCEAMENTO DE DEFESA E NÃO DEU CAUSA PARA SUA NULIDADE - O erro no enquadramento legal não causou nulidade do lançamento ou cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, porque os fatos e o embasamento em que o lançamento se fundou estão claros em seu inteiro teor e a contribuinte mostrou ter pleno conhecimento desses fundamentos IRPJ - COMPENSAÇÃO DE IRRE E IRPJ RETIDOS E PAGOS A MAIOR EM ANOS-CALENDÁRIOS ANTERIORES - PROVA DE COMPENSAÇÃO NA DIPJ E NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DA CONTRIBUINTE - ADMISSIBILIDADE - A IN 21/97 permite que créditos de 4 Acórdão n° 1101-00,238 Fl 120 Processo n" 10925.000329/2003-53 S1-CIT1 tributos pagos a maior sejam compensados com débitos da mesma espécie independentemente de requerimento especial e a contribuinte comprovou a devida compensação pela sua escrita contábil e fiscal." (Recurso 1.56699 Rel. Conselheira Lavínia 'Voares- de Almeida Nogueira Junqueira, Acórdão 197-00222, Sessão do dia 16 de setembro de .2008) (grifos acrescidos) Conheço, portanto, do recurso e passo a apreciar se houve ou não o transcurso do prazo decadencial, consoante defendido nas razões recursais Após incansáveis debates tanto no extinto Conselho de Contribuintes como nos Tribunais superiores pátrios, o Pretório Excelso editou a Súmula Vinculante n° 08„ publicada em 20 de junho de 2008, que pacificou definitivamente as divergência suscitadas quanto ao prazo para lançar a contribuição social sobre o lucro e o PIS, verbis: "Súmula Vinca/ante 8 São inconstitucionais o parágralb único do ar!. 50 do Decreto-Lei ri° 1.569/1977 e os artigos 4.5 e 46 da Lei n.°8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de direito tributário." Considerando que a Recorrente foi cientificada da lavratura do Auto de Infração em 09 de maio de 2003 e que o lançamento refere-se a CSLL cujo fato gerador teria ocorrido em 31 de dezembro de 1997, reconheço a decadência, nos exatos termos da Súmula Vinculante n.° 08, do STF, e aplico o prazo quinquenal determinado pelo Código Tributário Nacional, nos seguintes termos, verbis: "DECADÊNCIA - CSLL - PIS — COFINS -DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, a partir do ano-calendário de 1992, ex-ercício de 1993, por força das inovações da Lei n" 8.383/91, deix-ou de .ser lançada por declaração e ingressou no rol dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Passou ao cano ibuinte o dever de, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante dda contribuição devida, se desse procedimento houver contribuição a ser paga. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado pode ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150) Amoldou-se, assim, à natureza dos impostos sujeitos a lançamento por homologação a ser . feita, expressamente ou por decurso do prazo decadencial estabelecido no art. 1.50, § 4", do Código Tributário Nacional. CSSL — PIS e COFINS - DECADÊNCIA — A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts 149 e 195, § 4", da Constituição Federal, tem natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N" 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outi as, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988„ Desta . forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se rqfere à decadência, mais. precisamente no art. 1.50, ,sç 4" No caso concreto, a obrigação tributária ocorreu em 30/06/97. Como, o lançamento fbi feito em 5 19/12/02, decaiu o direito da Fazenda Nacional E o inesmo trenamento se reserva à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), e à Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) " (Recurso 149525, Rei Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Acórdão 107-08766) "Ementa TRIBUTOS SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO INICIO DA CONTRAGEM DO PRAZO DECADENCIAL FATO GERADOR PREPALÊNCIA DO ART 1.50, 4°, DO CIAT A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O IRPJ, a CSLL e o PIS COTINS são tributos que se amoldam à sLstemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (ar!]73, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fino gerador. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO - LUCRO ARBITRADO — CABIMENTO, A não apresentação dos livros e da documentação contábil e fiscal, apesar de regulas intimação, impossibilita ao . fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributáml " (Recurso 146124, Rei Hugo Correia Sotero, Acórdão 107-08688) Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para acatar a decadência da CSLL. É como voto SILVANA RESCIG O GUERRA BARRETTO 6
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Numero do processo: 10715.000184/2010-95
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.000184/201095 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.351 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRACAO ADUANEIROADUANA Recorrente UNITED AIR LINES INC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 01 84 /2 01 0- 95 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 45.000.00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada registrou a destempo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados no mês de março de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo de fl. 09, descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN SRF n° 28/1994, alterado pelo artigo I o da IN SRF n° 510/2005, tendo em conta que o inciso II do artigo 39 da mencionada norma (IN SRF n° 28/1994) considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada (fls. 11/12), a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 23, acompanhada dos documentos de fls. 24 a 54, para, ao final, "requerer seja julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista à violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da moralidade e eficiência administrativa; e ii., As constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX, fatos que isentam de culpa a Impugnante nos atrasos alegados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão recorrido dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004: Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional e a aplicação de multa singular em virtude da continuidade delitiva. É o Relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 6 5 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 7 6 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 8 7 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 9 8 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto a alegação de aplicação de multa singular entendo que não assiste razão à recorrente uma vez que o aspecto material da penalidade é deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, o que, por não estar expressamente consignado, poderia levar a interpretação de que a multa deveria ser aplicada a cada carga transportada (identificada por diferentes Declarações para Despacho de Exportação), mas que numa interpretação mais benéfica ao contribuinte entendese que a imposição da multa do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 deve ser aplicada uma única vez, por cada veículo transportador, ou seja, por viagem, conforme considerou a fiscalização, mas nunca uma aplicação de multa singular para embarques diversos, devendo ser aplicada para cada veiculo identificado pelo respectivo vôo. Essa matéria já foi enfrentada em julgamentos anteriores desse conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Ano calendário:2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 10 9 IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 12 11 vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3801005.351 S3TE01 Fl. 13 12 / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, deixo de apreciar os demais argumentos trazidos pela recorrente. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a penalidade aplicada, em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 35311.001227/2006-47
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO
DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO
DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligencia e uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este
entendimento encontra amparo no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
DECISÃO RECORRIDA NULA.
Numero da decisão: 2402-000.085
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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G CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO..s..., , , Processo n" 35311.001227/2006-47 Recurso n" 143.559 Voluntário Acórdão n" 2402-00.085 — 4a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente NITRIFLEX S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida DRP-DUQUE DE CAXIAS/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligencia e uma exigencia jurídico- procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. DECISÃO RECORRIDA NULA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. /4011F/ 7" ,' • C o' b ' I EIRA , Presidente e Relator i Processo n°35311.001227/2006-47 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.085 Fl. 283 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. 2 Processo n°35311.001227/2006-47 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.085 Fl. 284 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Duque de Caxias / RJ, fls. 0214 a 0218, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 024 a 025, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo são oriundos de pagamentos originados de Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em desconformidade com os I e II, Art. 2°, da Lei 10.101/2000. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 16/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 031 a 032, acompanhada de anexos. Diante dos argumentos da defesa, a DRP solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 0207. A fiscalização respondeu aos questionamentos da DRP, fl. 0211 a 212. A DRP não encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e não reabriu seu prazo para defesa. A DRP analisou o lançamento, a impugnação e a diligência, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0226 a 0237, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: A CF/88 já determinou que a PLR é desvinculada da remuneração; O Sindicato negou-se a indicar representante, como demonstram os diversos documentos anexos; Diante do exposto, requer o provimento do recurso. ‘/f‘ 3 Processo n°35311.001227/2006-47 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.085 Fl. 285 Posteriormente, a DRP enviou o processo ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0281. É o relatório. p 4 Processo n°35311.001227/2006-47 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.085 Fl. 286 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Quanto às preliminares, há questão que merece ser analisada. A DRP, antes da emissão da primeira decisão, comandou diligência fiscal, fls. 0207, e como resultado dessa diligência, a fiscalização prestou relevantes informações, fls. 0211 a 0212. Ressalte-se a relevância das informações prestadas na diligência, pois esclareceram dúvidas, questionamentos do julgador. Não há provas de que o recorrente foi cientificado do resultado da diligência, que sanou dúvidas e questões presentes na sua defesa, sendo, portanto, emitida decisão sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pela fiscalização ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra- razões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório não foi conferido. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão n° 105-15982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA - A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: Processo n°35311.001227/2006-47 S2-C4T2 Acórdão n." 2402-00.085 Fl. 287 A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta-se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa opor-se a pretensão do fisco, fazendo-se serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Ressalte-se, também, que há determinação legal para que se verifique o direito dos cidadãos. Lei 9.784/1999: Art. 2' A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 1- atuação conforme a lei e o Direito; VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; --- X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XII ••• - impulsào, de oficio, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; Constituição Federal/1 988: Art. 5" Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos )p\seguintes: --• 6 Processo n°35311.001227/2006-47 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.085 Fl. 288 LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com ioá meios e recursos a ela inerentes; Portanto, é dever da Administração Pública garantir o direito dos cidadãos contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na CF188, clausula pétrea da Lei Magna. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. áç I" A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. á' 3 0 Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Em respeito ao § 2°, do Art. 59, do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve cientificar o sujeito passivo dessa decisão, dar ciência de todas as diligências e de seus respectivos resultados, reabrir prazo para defesa e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Assim, a decisão não se encontra revestida das formalidades legais, ten o sido lavrada em desacordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. 7 Processo n° 35311.001227/2006-47 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.085 Fl. 289 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pela anulação da decisão de primeira instância. Sala das Sessões - 18 de aosto de 2009 46Vir. AlfCE • IVEIRA - Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010281/2007-74
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA.
A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991, restando configurada que a atividade principal doc contribuinte seja a produção rural.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991, restando configurada que a atividade principal doc contribuinte seja a produção rural. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991, restando configurada que a atividade principal doc contribuinte seja a produção rural. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 02 81 /2 00 7- 74 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 778DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.010281/200774 Acórdão n.º 2302002.675 S2C3T2 Fl. 743 3 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 29/11/2007, de contribuições arrecadadas para o SENAR, devidas pela empresa na qualidade de agroindústria, em substituição às contribuições incidentes sobre a folha de pagamento dos empregados e trabalhadores avulsos, nas competências de 01/2002 a 12/2006. O relatório fiscal de fls. 24/30, diz que o período lançado de 01/2002 a 12/2006 teve como fundamento legal o art.22A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 10.256/01, sendo que de 09/2003 a 12/2006, apesar da alteração da legislação, com inclusão dos parágrafos 6° e 7° ao citado artigo, pela Lei n° 10.684/03, os demonstrativos contábeis da empresa demonstram que a receita bruta decorrente da atividade rural, caracterizada pela venda de madeira, sementes e mudas, é superior a um por cento da receita bruta da comercialização de sua produção, conforme demonstrado no anexo I do mesmo relatório fiscal. Por isso, a empresa continua obrigada a recolher as contribuições sobre a receita bruta da comercialização de sua produção. Aduz o relatório, que a receita bruta da comercialização da produção foi apurada a partir dos balancetes mensais, fornecidos pelo contribuinte em meio papel e digital sendo composta pela receita de vendas deduzidas as notas canceladas, os abatimentos e as devoluções de mercadorias. Após a impugnação, Acórdão de fls. 523/536, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) a nulidade da NFLD porque sem fundamentação foram desconsiderados parte dos recolhimentos previdenciários efetuados sobre a folha de pagamento e não foram compensados integralmente os valores recolhidos; b) cerceamento de defesa porque o fiscal decidiu subtrair ou não os créditos previdenciários; c) que a NFLD deixou de indicar a correta fundamentação legal e a exposição objetiva e precisa dos fatos geradores; d) a decadência pelo artigo 150,§ 4º, porque as unidades florestais recolhiam contribuições para o SENAR até 11/2002; e) que não é agroindústria com base em Parecer da Procuradoria Geral do INSS n.º 58 de 30/06/1977, onde cada unidade deve ser considerada autônoma; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) que o lançamento não comprova contabilmente que existe industrialização da produção própria; g) que pode recolher a contribuição de forma individualizada; h) que seu enquadramento está correto para IPI e ICMS; i) que existe bitributação com o COFINS; j) que a contribuição do artigo 22 A é inconstitucional, porque trazida pela Lei Ordinária n.º 10.256/2001; k) a inaplicabilidade da SELIC. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova, juntada de documentos e solicita perícia. Requer a intimação do SENAR para que se manifeste sobre a possibilidade de compensação dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento e, por fim, requer a nulidade da NFLD e o cancelamento do débito. Resolução desta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF, converteu o julgamento em diligência para que o Fisco demonstrasse, efetivamente, se a notificada é produtora rural que industrializa a sua produção para estar obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias expostas no artigo 22 A da Lei n.º 8.212/91. Em resposta à diligência solicitada, Informação Fiscal de fls.647/651, apenas repetiu os dados já expostos no relatório fiscal, de que: o conceito de agroindústria aplicase à recorrente, por conta de seus objeto social. Que dentre as atividades desenvolvidas destacase a produção de madeira para sua indústria de celulose e papel e para venda. Que a produção da madeira é feita em suas próprias fazendas e envolve desde a obtenção da semente até o corte de árvores adultas. Que além da madeira oriunda de sua produção própria, adquire madeira de terceiros para utilização em seu processo produtivo. Conclui que por esse motivo, enquadrase no conceito de agroindústria, aduzindo, ainda, que a recorrente não cumpre com o disposto pelo parágrafo 7º do artigo 22A da Lei n.º 8.212/91, incluído pela Lei n° 10.684/03, porque a receita bruta decorrente da atividade rural, caracterizada pela venda de madeira, sementes e mudas, é superior a um por cento da receita bruta da comercialização de sua produção, conforme demonstrado no anexo I do relatório fiscal. Por isso a empresa continua obrigada a recolher as contribuições sobre a receita bruta da comercialização de sua produção. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e manifestouse para dizer que : apenas os estabelecimentos de CNPJ 45.989.050/000505 e 45.989.050/000696, desenvolvem atividade de plantio e extração de madeira, com beneficiamento ou industrialização rudimentar de produto original. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.010281/200774 Acórdão n.º 2302002.675 S2C3T2 Fl. 744 5 Que são unidades autônomas, com enquadramento específico no CNAE, diretoria própria, escrituração contábil independente e individualizada. Que a receita bruta apontada está equivocada porque somente o estabelecimento 49.989.050/001404, recebeu toras das unidades florestais, o que não foi contestado pelo Fisco. Que não foi provada, na diligência, a utilização de produção própria pelos demais estabelecimentos da recorrente, embora tenham constado da planilha as suas receitas brutas, o que no mínimo, deveria ser excluído da base de cálculo do SENAR. Que nos anos de 2002 a 2006 o faturamento decorrente da produção própria foi ínfimo comparado ao faturamento da industrialização adquirida de terceiros, conforme demonstra na planilha excel “Vendas Brutas” (doc. 7). Cumprida a diligência, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Quanto à decadência, temos que a notificação referese ao período de 01/2002 a 12/2006 e foi lavrada em 29/11/2007, com ciência pelo sujeito passivo na mesma data. Embora nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, tenha declarado inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editado a Súmula Vinculante n° 08, que deve ser acatada por todos os órgãos judiciais e administrativos, as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, ou seja, contribuição para o SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção própria, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, e não se vislumbra período decadente: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao mérito, o Fisco lançou as contribuições previdenciárias sobre a receita bruta da comercialização da produção em substituição às contribuições devidas e incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados, sob a alegação de que a recorrente se enquadra como agroindústria. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.010281/200774 Acórdão n.º 2302002.675 S2C3T2 Fl. 745 7 Entretanto, pelos elementos constantes do processo, não foi possível vislumbrar tal situação, tanto que Resolução expedida por este Colegiado converteu o julgamento em diligência para que o Fisco confirmasse o lançamento elucidando e demonstrando porque a recorrente foi enquadrada como agroindústria. Porém, da Informação Fiscal trazida aos autos, não vislumbrei qualquer fato novo que confirmasse a situação da recorrente como agroindústria, O Fisco apenas reafirma o que foi dito no relatório fiscal, referindose ao conceito de agroindústria e dizendo que pelas atividades constantes do contrato social da empresa, a mesma se enquadra em tal conceito. Dos documentos trazidos aos autos, vêse que a matriz e mais dez estabelecimentos tem como objetivo principal a fabricação de embalagens de papel, de chapas e embalagens de papelão ondulado, enquanto dois estabelecimentos mantém atividades rurais de : extração de madeira em florestas plantadas, fabricação de embalagens de cartolina e papel cartão e atividades de apoio a produção florestal. O artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim dispõe, verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) (...) § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 7º Aplicase o disposto no § 6º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 783DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Para ser enquadrada como agroindústria a empresa deve industrializar produção própria ou produção própria e de terceiros. Além disso, a norma afasta o benefício do tratamento fiscal substitutivo em qualquer fase do processo produtivo, quando a empresa se dedique apenas ao florestamento ou reflorestamento e modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. Há uma finalidade na norma em beneficiar o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção. A recorrente, no caso, é uma indústria fabricante de papel e embalagens, sendo essa a principal atividade econômica. O reflorestamento não é sua principal atividade conforme informação trazida pela fiscalização, tanto em relação ao pessoal ocupado, quanto à produção própria em relação à adquirida de terceiros. Nesse sentido já se posicionou o TRF da 4ª Região no julgamento de caso análogo, cuja ementa da Apelação em Mandado de Segurança n ° 200572000070924 foi publicada no Diário do Estado em 14 de agosto de 2007, nestas palavras: MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIA. FÁBRICA DE MÓVEIS DE MADEIRA. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI Nº 8.212/1991. LEI Nº 10.256/2001. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da impetrante é a fabricação de móveis com predominância em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. No mesmo sentido foi o julgado na Apelação e Reexame Necessário n ° 200671130035215, cuja ementa foi publicada no Diário do Estado em 20 de janeiro de 2010, nestas palavras: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DECADÊNCIA. PRAZO E MARCOS TEMPORAIS. AGROINDÚSTRIA. FÁBRICA DE MÓVEIS. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI Nº 8.212/1991. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃOINCLUSÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. ART. 89, § 8º, DA LEI 8212/91. POSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. 2. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § Fl. 784DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.010281/200774 Acórdão n.º 2302002.675 S2C3T2 Fl. 746 9 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. 3. Afastase a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. 4. Julgamento pela sistemática do art. 543C, do CPC (recurso repetitivo), do REsp nº 973.733/SC, STJ, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ Publicação em 18/09/2009. 5. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor ou empresa rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. 6. A atividade preponderante da empresa é a industrialização e exportação de móveis em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, envolve um complexo processo de transformação de matériaprima beneficiada ou manipulada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. 7. Interpretação restritiva que se encontra em precedentes deste Regional. 8. De acordo com o art. 28, § 9º, "p", da Lei 8212/91, não integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição social, os valores efetivamente pagos a programa de previdência complementar, desde que disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. 9. No caso concreto, a análise do contrato e termos aditivos celebrado entre a apelada e a empresa de previdência privada indica que não houve qualquer exclusão prévia da extensão dos benefícios a todos os empregados. 10. O fato de ter que a apelada (conforme contrato) informar a entidade de previdência privada dos trabalhadores que aderiram ao plano é mero procedimento funcional e não pode ser tido aprioristicamente como mecanismo de escolha ou exclusão. De outra banda, as várias declarações de empregados manifestandose pela nãoinclusão no plano de previdência privada é reforço do caráter genérico e eletivo do benefício. 11. Possível a compensação de ofício amparada no § 8º do artigo 89 da Lei 8.212/91, acrescido pelo art. 115 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005. 12. Sentença parcialmente reformada. Pelo exposto, não há como considerar a recorrente uma produtora rural para se adequar ao conceito de agroindústria. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. O Fisco tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... Fl. 785DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores São Paulo, 2003, p.149: “O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo.” Ainda continua nas páginas 193/194: “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (...)” “Por aí se concluiu que, quer quando obrigatória, quer quando facultativa, se for feita, a motivação atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinantes do ato.Se tais motivos são falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado.” No caso em questão, foi dada oportunidade ao Fisco, através do comando de diligência para que trouxesse os motivos de convencimento de que a recorrente era produtora rural, mas o resultado da diligência não trouxe qualquer fato novo em relação ao que já constava dos autos, limitandose a conceituar agroindústria e listar as atividades que podem vir a ser desenvolvidas pela recorrente, eis que constantes de seu contrato social. O Fisco não logrou comprovar que a atividade desenvolvida pela recorrente em dois estabelecimentos dedicados a extração de madeira e atividades de apoio à produção florestal se sobrepõem às demais atividades atinentes à fabricação de papel e embalagens para se afirmar que o contribuinte é produtor rural enquadrado como agroindústria. A contribuição substitutiva tem a finalidade de desonerar o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção, o que não se configura no presente caso, onde temos uma fábrica de papel, que não tem o reflorestamento como sua atividade principal, conforme verificado nos autos. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 786DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.010281/200774 Acórdão n.º 2302002.675 S2C3T2 Fl. 747 11 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000572/2007-85
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO
CIDE
Período de apuração: 31/05/2002 a 24/10/2002
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO.
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREVENÇÃO DA
DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Deve ser constituído o crédito tributário cuja exigência estiver suspensa por decisão judicial, com vistas à prevenção da decadência do direito de exigi-lo, nos termos da Lei.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.398
Decisão: ACORDAM os membros da 2° Câmara / 1° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ( Exigência de crédito tributário )
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Período de apuração: 31/05/2002 a 24/10/2002 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Deve ser constituído o crédito tributário cuja exigência estiver suspensa por decisão judicial, com vistas à prevenção da decadência do direito de exigi-lo, nos termos da Lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / Tunna Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Processo n° 12466.000572/2007-85 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.398 Fl. 193 444 JUDIT CONDES DO AMARAL Pres . . e e RC • • LA • ILOROSA Relator Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ricardo Paulo Rosa, Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 1 2 Processo n° 12466.000572/2007-85 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.398 Jr[. 194 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O processo em apreço refere-se à exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de que trata a Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001, mediante a lavratura do Auto de Infração que constituiu o credito tributário no valor de R$ 9.395.516,08 (fls. 01 a 04). Segundo a descrição dos fatos, o sujeito passivo importou as mercadorias descritas como "gasolina automotiva, tipo A, amarela, livre de pigmento", a granel, classificada no código NCM 2710.1139. A autoridade lançadora esclarece que não obstante incidir a referia contribuição para as mercadorias importadas em tela, a contribuinte preferiu efetuar, em juizo, o depósito integral do tributo devido para fins de suspender a sua exigibilidade e concornitantemente impetrou o Mandado de Segurança n° 2002.50.01.001002-0 na 3' Vara Federal da Circunscrição Judiciária do Espirito Santo, que conforme se depreende da Sentença exarada (fls. 05/06), a impetrante questiona a constitucionalidade da respectiva contribuição, com fundamento no art. 155, § 30, da CF, com a redação que lhe foi conferida pela EC n°33/2001. Diante do acima exposto, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento em apreço com vista a prevenir o respectivo crédito tributário dos efeitos da decadência, estando suspensa a sua exigibilidade, por força do disposto no artigo 151, inciso II do CTN. Cientificada da presente exigência, a autuada apresentou a impugnação de fls. 125 a 138, acompanhada dos documentos de fls. 139 a 154, para aduzir, em preliminar, que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa por conta do depósito promovido em ação judicial movida para discutir idêntica matéria, o presente lançamento é totalmente insubsistente e inócuo na medida em que julgada procedente a ação os depósitos serão resgatados e a divida final deixará de existir, ou, do contrário, se julgada improcedente, os depósitos serão convertidos em renda da União para fins de extinção dos respectivos créditos tributários. No mérito sustenta a insubsistência do lançamento em face da inconstitueionalidade da EC n°33 e da Lei n° 10.336, ambas de 2001, por violar ao inciso VI do § 40 do art. 60 da CF, pela inobservância dos requisitos necessários para a instituição da cobrança da CEDE, por ausência de Lei Complementar, e por se tratar de tributo com natureza de imposto. Por fim, pede que as intimações sejam endereçadas para o escritório de seus procuradores, sito a avenida Joubert de Barros, n° 306, Bento Ferreira, Vitória, ES, CEP 29.050-720. Nestes termos, requer a insubsistência do lançamento consubstanciado no presente auto de infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. 3 Processou' 12466.000572/2007-85 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00398 Fl. 195 Assunto Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - C/DE Período de apuração: 31/05/2002 a 2411012002 JULGAMENTO DO PROCESSO. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A opção pela via judicial importa em renúncia ao direito de litigar na esfera administrativa e desistência da impugnação interposta que contém idênticos argumentos e fundamentos de fato e de direito da petição inicial demandada ao Poder Judiciário, impondo-se, assim, o cumprimento da decisão judicial transitada em julgado. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. Sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, faz-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmando entendimento até aqui defendido no processo e requerendo a reforma da decisão de primeira instância. 4 Processo n° 12466.000572/2007-85 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.398 Fl. 196 Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relatar. Há duas questões que no processo que exigem manifestação, A primeira diz respeito à possibilidade de que o crédito seja constituído em auto de infração para prevenção da decadência, procedimento contra o qual a contribuinte se insurge, por entender que o depósito do valor em juizo dá por si só garantia de que os valores serão pagos se a decisão não lhe for favorável. A segunda está relacionada às alegações de inconstitucionalidade da CIDE, assunto que está sendo discutido em juízo. Em relação à segunda questão suscitada, parece-me claro que trata-se de um caso típico de concomitância. Quanto a isso, sabe-se que, na essência, o que justifica a negativa ao contribuinte do direito de discutir o assunto na esfera administrativa quando o mesmo opta por discuti-lo em juizo, é o fato de que, ante a decisão tomada na esfera judicial, a decisão administrativa toma-se sem nenhum efeito, sendo absolutamente despicienda qualquer iniciativa tendente a dar andamento ao processo administrativo. No que diz respeito à constituição do crédito, penso que também não podem prosperar as razões de direito alegadas pela recorrente. Existe previsão legal para a lavratura do auto de infração com vistas à prevenção da decadência nos casos em que a matéria esteja sendo discutida em juizo. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. § I° O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2°A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição Ante o exposto, considerando que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à - -- Processo n0 12466.0005712007-85 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00398 Fl. 197 autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e que, em tais circunstância o crédito tributário deve ser constituído com vistas à prevenção da decadência, VOTO POR NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado pela contribuinte. 1Sal. 1 1 s ‘sões, em 04 de fevereiro de 2010 í I.! a Í IC . il 1111 LO ROSA. n I , 6 1 1 ,
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Numero do processo: 13161.001381/2007-28
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 10670.000318/2001-41
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ITR - ILEGALIDADE QUANTO À EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4º, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
ITR- ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSADA - LIMITES DA LIDE
Não pode ser excluída da base de cálculo do ITR área de preservação permanente superior àquela glosada pela autoridade lançadora, inclusive por força dos limites da lide.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente no total de 250 hectares.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ITR - ILEGALIDADE QUANTO À EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4º, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ITR- ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSADA - LIMITES DA LIDE Não pode ser excluída da base de cálculo do ITR área de preservação permanente superior àquela glosada pela autoridade lançadora, inclusive por força dos limites da lide. Recurso especial provido em parte.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10670.000318/2001-41 Recurso o° 328.810 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9202-00.474 — 2' Turma Sessão de 09 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente LETIVAN GONÇALVES DE MENDONÇA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ITR - ILEGALIDADE QUANTO À EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATORIO AMBIENTAL - ADA. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 "A não apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (ADÁ) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 40, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. rnt- ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSADA - LIMITES DA LIDE Não pode ser excluída da base de cálculo do ITR área de preservação permanente superior àquela glosada pela autoridade lançadora, inclusive por força dos limites da lide. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente no total de 250 hectares. Processo ns 10670.000318/200141 CSRF-T2 Acórdão ri.° 9202-00.474 Fl. 260 á' Ir- CARLOS ALB ITAS B " TO - Presidente 40014,it:11 GONÇALO . 1 "1 ALLAGE - relator EDITADO EM: 3 AR 2410 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e dias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Letivan Gonçalves de Mendonça foi lavrado o auto de infração de fls. 02-08, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1997, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Brandão, situado no município de -Icaraí de Minas (MG). - - Segundo a autoridade lançadora (fls. 04), "O Contribuinte acima citado informou em sua declaração de ITR, referente ao exercício de 1997, uma área de duzentos e cinqüenta hectares de preservação permanente. No entanto não protocolou requerimento junto ao IBAMA, solicitando o Ato Declaratório Ambiental — ADA, no prazo legal. Informou ainda urna área de trezentos e oitenta e cinco hectares de utilização limitada (reserva legal). Porém não apresentou o documento comprovante (matrícula do imóvel contendo a averbação da reserva legal), solicitado pela intimação data de 08.03.2001 e recebida em 15.03.2001 (vide fls.), da referida área." As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas, respectivamente, de 250,0 ha e de 385,0 ha para 0,0 ha. A l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente em parte, para acolher como área de preservação permanente 73,0 ha (fls. 50-61). Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 301-31.926, que se encontra às fls. 176-184, cuja ementa é a seguinte: EMENTA: ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ACEITA. A área de preservação permanente aceita, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR., é aquela devidamente reconhecida pelo órgão ambiental estadual através de documentação hábil e idônea. g 2 Processo n° 10670.00031812001-41 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.474 E. 261 ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do 1TR independe de sua prévia averbação no cartório competente, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de outras provas documentais idôneas, inclusive pela sua averbação no cartório competente em data posterior ao fato gerador do imposto. Recurso Voluntano p"rovido bnParte. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para determinar a exclusão da base de cálculo do ITR/97, apurada pela autoridade julgadora de primeira instância, da área equivalente a 205,0 ha a titulo de reserva legal, bem como da área equivalente a 5,0 ha ocupada pela rodovia que liga São Francisco a São Romão. Intimada do acórdão em 27/09/2005 (fls. 185), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às fls. 186-196, acompanhado dos documentos de fls. 197-203, insurgindo-se quanto à exclusão da base de cálculo do I1R da área de reserva legal sem a averbação à margem da matrícula do imóvel. A Egrégia Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 13/02/2007, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, através do acórdão n° CSRF/03-05.271 (fls. 232-235). O contribuinte, por sua vez, também apresentou recurso especial de divergência às fls. 220-225 onde alegou em apertada síntese, que: a) Vem questionando a glosa total da área de preservação permanente, pois não há na legislação do ITR o condicionamento da IN SRF n° 67/97 relativo à apresentação do ADA ao IBAMA. Tal dispositivo é infra-legal e outra interpretação contraria o disposto nos artigos 99 e 100 do CTN; b) Nesse sentido é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, ilustrada pelos acórdãos n' 301-31.751, 301-30370, 302-35 300 entre diversos outros citados; c) Portanto, deve ser parcialmente reformado o acórdão recorrido para excluir da tributação a área remanescente de 277,0 ha. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 1435.128810 (fls. 241- 244), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contra-razões às fls. 246-256, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso pela não caracterização da divergência, de acordo com as previsões dos artigos 7°, inciso II e 15, § 2°, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Quanto ao mérito, sustentou a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. 3 Processo n° 10670.000318/2001-41 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.474 Fl. 262 VOTO Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto à preliminar de não conhecimento do recurso, suscitada pela Fazenda Nacional em sede de contra-razões, destaco que o sujeito passivo transcreveu em sua insurgência as ementas de alguns julgados paradigmas. No despacho de admissibilidade estão analisadas as particularidades do caso em apreço, da seguinte forma: Cita diversos acórdãos do 3° CC que corroboram o entendimento de que não é cabível a tributação da área em decorrência da intempestividade do pedido de reconhecimento pelo órgão ambiental, sem, contudo, trazer ao processo cópias dos acórdãos mencionados, ou de suas ementas, invocados como exemplos de divergência jurisprudencial. Não obstante, o que reza no artigo 37 da Lei n° 9.784, de 29/01/99, permite que tais citações sejam levadas em consideração, tanto mais que, no presente caso, as transcrições das ementas ou de partes das ementas dos acórdãos são fidedignas. Assim, tem-se a titulo de primeiro paradigma o Acórdão n° 303- 31.751 ifi. 224): Diante disso, é de se concluir que o paradigma Acórdão n° 303- 31.751 com ementa acima transcrita encerra divergência requerida no §2°, do artigo 15 do R1CSRF, quando taxativamente enfatiza ser descabida a cobrança do Imposto Suplementar por glosa de área de Reserva Legal da propriedade (Preservação Permanente e de Utilização Limitada), em função da não apresentação em tempo do ADA, quando a alegada não protocolização tempestiva moveu a decisão contestada a não aceitar a comprovação — ADA apresentado pela interessada — ao exigir, segundo a ementa, que para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de preservação permanente aceita é aquela reconhecida pelo órgão ambiental estadual através de documentação hábil e idônea. Na mesma linha do paradigma enfocado seguem os demais acórdãos paradigmas rujas decisões encontram-se sintetizadas nas folhas 224 e 225. Em virtude, pois, da satisfação dos requisitos necessários à admissibilidade, admito o pleito e dou-lhe seguimento nos termos do § 6°, do artigo 15, do RICSRF. ...o 4 Processo n° 10670.00031812001-41 CSRF-T2 Acórdão 11.° 9202-00.474 Fl. 263 Penso que, somado a isso, tem-se que, de acordo com o artigo 67, § 90, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF n° 446/2009, "As ementas referidas no § 7° poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade." Salvo melhor juízo, tal determinação regimental, atualmente em vigor, traz a orientação que deve prevalecer, inclusive para os recursos interpostos sob a égide de Regimentos anteriores, quanto à admissibilidade ou ao conhecimento dos recursos especiais de divergência. O recurso especial em apreço atende a tal requisito e, segundo penso, merece ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para determinar a exclusão da base de cálculo do ITR197, apurada pela autoridade julgadora de primeira instância, da área equivalente a 205,0 ha a título de reserva legal, bem como da área equivalente a 5,0 ha ocupada pela rodovia que liga São Francisco a São Romão. O recorrente insurgiu-se contra a não aceitação da área de preservação permanente, alegando que a exigência de apresentação tempestiva do ADA carece de respaldo legal. • Importante esclarecer, desde já, que na DITR/97 o contribuinte informou uma área de preservação permanente de 250,0 ha e em sede de recurso especial pretende que seja acolhida como de preservação permanente a área de 277,0 ha, que somada àquela já aceita pela • decisão de primeira instância de 73,0 ha, soma 350,0 ha, conforme ADA apresentado em 2001 e de acordo com DITA retificadora, apresentada sob ação fiscal. Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre a ausência de amparo legal para a exigência do ADA em momento anterior à alteração promovida no artigo 17-0 da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000. Até então, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação (IN/SRF n° 43/97, com redação dada pela IN/SRF n° 67/97). No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 41 tem o seguinte conteúdo: "A não apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (ADA) emitido pelo MAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". No caso, cumpre reiterar, a exigência envolve o exercício 1997. Ce 5 Processo n° 10670.000318/2001-41 CSRF-T2 Acórdão n.°9202-00.474 Fl. 264 Por força do que dispõe o artigo 72, § 40 , combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser reformada. O lançamento glosou a área de preservação permanente de 250,0 ha pela ausência de apresentação tempestiva do ADA. Esta a área — 250,0 ha — que deve ser aceita como de preservação permanente e não aquela de 350,0 ha pleiteada pelo recorrente. Entendo que neste momento, inclusive pelos fundamentos do voto e para não ultrapassar os limites da lide, não se pode aceitar área de preservação permanente superior àquela glosada pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para considerar improcedente o lançamento com relação à área de preservação peunanente, ou seja, deve ser excluída da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente de 250,0 ha. d. Gonçalo :onet lage - Relator • 6
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001373/2007-81
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10840.001510/91-68
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL - DECORRÊNCIA - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo
matriz se projeta no julgamento do processo decorrente
recomendando o mesmo tratamento, dada a intima
relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 102-29.895
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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RECORRIDA : DRF - RIBEIRÃO PRETO - SP. FINSOCIAL - DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se projeta no julgamento do processo decorrente recomendando o mesmo tratamento, dada a intima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por C:REAÇÕES MYTHES HAUTE COU'TURE LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Sala _; -s e e tijalo de 1995 - EMANUE OS S OS PAIVA - PRESIDENTE \ *, • ' -• • I( I n E OLIVEIRA - RELATOR_ .„ 1 VISTO EM T ‘011.TRENZIERG RIBET.0 141"..YNR;,:.4 ROCHA - PRe,cuPADOR nA SESSÃO DE: FAZENDA NACIONAL O 9 jUN 1995 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: José Clóvis Alves, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Ursula Hansen, Mio César GOtTleS da Silva e José Carlos Passuello. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBLTNTES 02 PROCESSO -.NP 10840/001.510/91-68 RECURSO N°: 82.090 ACÓRDÃO N°: 102-29.895 RECORRENTE: CREAÇÕES MYTHES HAUTE COUTURE LTDA. RELATÓRIO CREAÇÕES MYTHES HAUTE COUTURE LTDA., com sede na cidade de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, na guarda do prazo legal recorre a este Conselho do ato do titular da DRF daquela cidade, que, indeferindo a sua impugnação, manteve lançamento ex-officio em suas declaraçóes de rendimentos apresentadas para os exercícios de 1987 e 1988, ensejando a cobrança do Finsocial no valor de Cr$ 41,00, acrescido da multa de 50% e demais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, culminando com a lavratura do auto de infração de fls. 01/05 de onde se transcreve: "Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, na qual foi apurada omissão da receita operacional ocasionando, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de cálculo deste imposto/contribuição. O cálculo do imposto/contribuição, a atualização monetária, as penalidades aplicáveis e os respectivos enquadramentos legais constam de demonstrativos anexos, os quais fazem parte integrante deste Auto. Artigo 1°, parágrafo I do Decreto-lei N° 1.940/82 e artigo 16, 80 e 86 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto N° 92.693/86". Notificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 07/08, apresentando impugnação representada por cópia da defesa interposta no processo principal. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONT " .13INTES 03 PROCESSO N° 108401001.510/91-68 Acórdão N° 102-29.895 A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 25/26, indeferindo a impupação apresentada pela contribuinte, cujos fundamentos se acham sintetizados na seguinte ementa: "TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕS DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL PROCEDIMENTOS E LANÇAMENTOS DE OFÍCIO Apurada omissão de receitas na pessoa jurídica e julgada procedente, é exigível da empresa a contribuição para o FINSOCIAL, calculada sobre o montante devido." Não se conformando com a decisão retro, a contribuinte interpôs recurso a este Conselho às fls. 31/33, cujas razões são lidas na íntegra em sessão. É o relatório MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 04 PROCESSO IV' 10840/001.510/91-68 Acórdão Nci 102-29.895 VOTO Conselheiro WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, Relator: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento ex-officio levado a. efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, relativamente a imposto de renda, resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração de fls. 01/05. Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhecimento da recorrente, revelado em sua peça impugnatória e bem assim em seu recurso onde insiste na vinculação deste processo ao julgamento do processo principal. Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica, a propósito do imposto de renda foi objeto de julgamento por esta Câmara, em sessão realizada em 18 de fevereiro de 1993, que por unanimidade de votos, negou-lhe provimento, conforme faz certo o Acórdão N° 102-27.913. Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo reflexivo, recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Brasília - DF., 1- (I,- aio de 1995. WALDEVAN 5 DE OLIVEIRA RE .T R Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.010349/2002-54
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 201-00.728
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia. Sala das Sessões, em 13 de dezembro de 2007. Walber José da Silva Relator; Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, José Antonio Francisco, Antônio Ricardo Accioly Campos e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça. 1 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia, -2 I SIM:, Mot: Si:ipe 91745 CC-MF Fl. Processo n2 : 10283.010349/2002-54 Recurso n' : 133.138 Recorrente : GRADIENTE ELETRÔNICA S/A RELATÓRIO Contra a recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de CPMF não retida e nem recolhida pelas instituições financeiras por força de decisão judicial posteriormente revogada. Inconformada, a empresa impugnou o lançamento, alegando que parte dos valores lançados fora recolhida por ela e parte pelas instituições financeiras e que o auto de infração não poderia ser lavrado contra ela (fls. 26/30). A DRJ em Belém - PA excluiu do auto de infração os valores efetivamente recolhidos pela empresa autuada, relativos aos fatos geradores ocorridos no dia 11/08/99 e no dia 18/08/99, e manteve os demais valores lançados por entender que a recorrente é responsável pelo recolhimento da CPMF não retida e nem recolhida pelas instituições financeiras em cumprimento a decisão judicial. Inconformada, a empresa autuada ingressou com o recurso voluntário de fls. 113/120, no qual sustenta a improcedência do lançamento porque a responsabilidade pelo pagamento da CPMF é das instituições financeiras e não dela recorrente (arts. 1 2 e 22 da MP n2 2.037/2000). Cita jurisprudência deste Segundo Conselho de Contribuintes. No dia 17/10/2007 o presente recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro, conforme despacho de fl. 203. ■ o Relatório. 2 MF - SEGUNDO CONSELHO CONTRIBUINTES CONFERE COM O t:»2:31NAL Bras!lia, _ 28 Shio Sçi arbosa Mat.: Siape 91745 22 CC-MF Fl. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n' : 10283.010349/2002-54 Recurso n : 133.138 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR WALBER JOSÉ DA SILVA 0 recurso voluntário é tempestivo, atende as demais exigências legais e dele conheço. A recorrente impetrou mandado de segurança visando eximir-se do pagamento da CPMF, tendo obtido êxito na primeira instância e perdido da segunda instância. Na vigência da decisão que lhe era favorável, não houve a retenção e o recolhimento da CPMF lançada neste auto de infração. A recorrente alega que o auto de infração não poderia ser contra ela lavrado porque a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento da CPMF, no caso dos autos, é da instituição financeira. De fato, a legislação atribui as instituições financeiras a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento da CPMF na vigência de decisão judicial favorável ao contribuinte, desde que não exista expressa vedação judicial e nem oposição do contribuinte (arts. 44 e 45 da MP n2 2.158-35/2001). Pelos elementos acostados aos autos não é possível concluir que as instituições financeiras poderiam ou não efetuar a retenção e o recolhimento da CPMF na vigência da liminar (se é que existiu) e da sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n 2 99.4400-3 porque o processo não está instruido com cópia da petição inicial e das decisões proferidas no citado mandado de segurança e, também, não há informação se houve ou não oposição da recorrente à retenção e ao recolhimento da exação por parte das instituições financeiras. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a repartição de origem para as seguintes providências: 1 - juntar cópia da petição inicial, da decisão liminar, da sentença de mérito e do acórdão proferido pelo TRF/1 relativo ao Mandado de Segurança n 2 99.4400-3 (42 Vara da Justiça Federal em Manaus - AM). Informar quando ocorreu o trânsito em julgado; 2 - informar se a recorrente se opôs à retenção e ao recolhimento da CPMF na vigência da liminar e da sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n 2 99.4400-3. Se for necessário e conveniente, consultar as instituições financeiras que deixaram de encaminhar as informações a que se refere o inciso IV do art. 45 da MP n 2 2.158-35/2001; 3 - informar se as instituições financeiras relacionadas no demonstrativo "Valores Informados pelos Declarantes" de fls. 09/10, exceto o BANCO BBA CREDITANSTALT S/A, prestaram as informações a que se refere o inciso IV do art. 45 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001; 3 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MF - SEGUNDO CONSELHO DE: CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORGINAL BrasMa, Si;vio Si3irhosa Mat.: Sine 91745 2,s/ CC-MF Fl. Processo n' : 10283.010349/2002-54 Recurso n2 : 133.138 4 - informar se as instituições financeiras relacionadas no demonstrativo "Valores Informados pelos Declarantes" de fls. 09/10, exceto o BANCO BBA CREDITANSTALT S/A, foram intimadas do trânsito em julgado da decisão do TRF/1 que deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional e reformou a sentença de primeiro grau para julgar constitucional a exigência da CPMF. Em caso positivo, foi cumprido o disposto na alínea "h" do inciso II do art. 45 da Medida Provisória n2 2.158-35/1002, na hipótese de não haver expressa manifestação em contrário; 5 - prestar as informações e os esclarecimentos que julgar necessário ao deslinde da questão; e 6 - dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo- lhe prazo para, querendo, manifestar-se. Concluída a diligência, devolver o processo a este Segundo Conselho de Contribuintes. Sala das Sessies, em 3 de dezembro de 2007. WALBERIJOSt DA SILVA 4
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