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Numero do processo: 10680.922647/2012-88
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado.
Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator).
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 26 47 /2 01 2- 88 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator). Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 39), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 40910512 emitido eletronicamente em 05/12/12, referente ao PER/DCOMP nº 39455.19654.111111.1.3.040040. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS –Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$ 8.734,99, representado por Darf recolhido em 25/03/09 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 41DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922647/201288 Acórdão n.º 3802004.275 S3TE02 Fl. 41 3 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o que ocorreu foram problemas com as Dacon, DCTF e DIPJ a que se vinculam as compensações glosadas. Que os documentos foram entregues com erro e alguns deixaram de ser entregues na época própria tendo sido necessária a apresentação das declarações faltantes e retificadoras. Afirma que juntamente com a manifestação de inconformidade juntou todos os documentos possíveis e que poderia apresentar todos os que a autoridade julgar necessários. Invoca o princípio da verdade material, a ampla defesa, o devido processo legal, a segurança jurídica e a oficialidade, discorrendo sobre eles. Que caberia ao julgador diligenciar para descobrir a verdade material. Que direito aos créditos de PIS e COFINS nascem de vendas tributadas à alíquota zero. Cita leis. Afirma que referidos créditos são comprovados pelos documentos pertinentes (demonstrativos de crédito, notas fiscais de aquisição e outros). Diante disso, pede que sejam realizadas diligências e perícias que a autoridade julgar necessárias e que seja reformado o despacho decisório com a homologação das compensações pleiteadas. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu pela improcedência do pleito do sujeito passivo, mantendo a glosa do crédito requerido e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que, diante da divergência entre os valores de débito constantes na DCTF e no Dacon (formadores do direito creditório), o pleito careceu de materialidade do crédito, mormente ante a ausência de prova nos autos. Afirma a decisão recorrida que: Nesse ponto, cumpre assinalar que as contradições foram evidenciadas entre informações prestadas pelo próprio contribuinte (DCTF original, Dacon e Dacon retificadora), motivo pelo qual o manifestante deveria cuidar de provar efetivamente qual valor (informação) corresponde à realidade dos fatos, a fim de conferir a necessária certeza ao crédito pretendido, não cabendo à autoridade julgadora mandar sanar a insuficiência de prova por meio de realização diligência. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Em seu Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, o direito creditório existe, e para tanto acosta diversos documentos aos autos, eminentemente notas fiscais de aquisições e de saídas. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 39), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, apurado erroneamente o PIS e a COFINS, mas afirma que o direito de crédito decorre de vendas efetuadas com alíquota zero nos termos do art. 17 da lei 11.033/2004, “bem assim das diversas rubricas previstas no art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que permitem o direito ao crédito das contribuições”. Ocorre que, nada obstante o Recorrente afirmar no Recurso Voluntário que acosta diversas notas fiscais comprobatórias do seu direito de crédito, estas não constam dos autos. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, pois ausente demonstração cabal da origem dos créditos de PIS e da COFINS a serem compensados. Conclusão Fl. 43DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922647/201288 Acórdão n.º 3802004.275 S3TE02 Fl. 42 5 Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919009/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/05/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/05/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.919009/201210 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.155 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CALIENDO METALURGIA E GRAVACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/05/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 09 /2 01 2- 10 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919009/201210 Acórdão n.º 3801005.155 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13708.001463/96-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1995 a 01/07/1996
ALEGAÇÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO NÃO APRECIADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
Caracteriza cerceamento ao direito de defesa a não apreciação das alegações de defesa ventiladas na impugnação.
DECISÃO NULA
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1995 a 01/07/1996 ALEGAÇÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO NÃO APRECIADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Caracteriza cerceamento ao direito de defesa a não apreciação das alegações de defesa ventiladas na impugnação. DECISÃO NULA Recurso voluntário provido em parte.
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Caracteriza cerceamento ao direito de defesa a não apreciação das alegações de defesa ventiladas na impugnação. DECISÃO NULA Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 14 63 /9 6- 16 Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescido de juros de mora e de multa de ofício. Segundo consta do campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, a exigência deriva da venda, em períodos de apuração compreendidos nos anos de 1995 e 1996, de produto tributado (açúcar refinado) sem o destaque do IPI nas respectivas notas fiscais. Cientificado do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação que restou não conhecida pela DRJ do Rio de Janeiro. Conforme consignado no DESPACHO DECISÓRIO DRJ/RJ/SEPIN N° 06/97 (fls. 212/214), de 02/09/1997, existiriam ações judiciais impetradas pela contribuinte com o mesmo objeto do presente processo administrativo (Mandados de Segurança – MS de n° 95.00297663 e 96.00113254). Por meio do doc. de fls. 238/240, de 24/09/1999, a contribuinte noticia a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro que a Instrução Normativa – IN SRF nº 67, de 16/07/1998, convalidou expressamente, em seu artigo 3º, “o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI”. Ao final, requereu, noutros termos, a revisão do lançamento. Em face disso, foi determinada a realização de diligência pela DERAT/SP, ocasião em que a autoridade diligenciadora, no Relatório Final de fls. 3084 e ss., de 31/08/2007, certificou que “o(s) produto(s) industrializados, descritos nas notasfiscais, são aqueles, consoante classificação fiscal (TIPI), que preenchem os requisitos legais do benefício previsto na mesma Instrução Normativa”. Referiuse aqui ao art. 3º da IN SRF nº 67, de 1998. Em 29/01/2009, a contribuinte foi cientificada do DESPACHO DECISÓRIO DRJ/RJ/SEPIN N° 06/97. Irresignada, apresentou, em 09/02/2009, o recurso voluntário de fls. 3394 e ss., por meio da qual, além de defender o seu cabimento, sustenta ter abordado, na impugnação, a impossibilidade de cominação da multa de ofício, o que não fora tratado na decisão recorrida, bem como afirma aplicável a Instrução Normativa – IN SRF nº 67, de 16/07/1998. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. De fora parte o procedimento de revisão do lançamento após a apresentação da impugnação – algo absolutamente contrário à legislação processual –, vemos que o não conhecimento da impugnação deveuse ao fato de a Recorrente estar litigando na esfera judicial com duas ações que se apresentariam com o mesmo do presente processo administrativo (Mandados de Segurança – MS de n° 95.00297663 e 96.00113254). Ocorre que, como destacado no Recurso Voluntário, a Recorrente também contestou, na primeira peça de defesa, a imposição da multa de ofício, matéria que a instância Fl. 3380DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13708.001463/9616 Acórdão n.º 3202001.474 S3C2T2 Fl. 4.031 3 de piso, com efeito, não apreciou. Eis o trecho da impugnação em que se começa a defender a impossibilidade da multa e dos juros de mora (fl. 150): MAS, AINDA QUE POR ABSURDO SE ADMITISSE A POSSIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO, JAMAIS PODERIA SE IMPUTAR A IMPUGNANTE MULTA DE 100% E JUROS DE MORA. A nosso juízo, esse fato leva à nulidade da decisão recorrida, por cerceamento ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Portanto, devem os autos retornar à instância de piso para novo julgamento, inclusive para apreciar, dado o seu evidente caráter retroativo, o que dispõe o art. 3º da IN SRF nº 67, de 16/07/1998, cuja redação é a seguinte: Art. 3º Fica convalidado o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI. (g.n.) Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para ANULAR a decisão recorrida, devendo a DRJ prolatar uma nova, consideradas as razões aqui delineadas. É como voto. Charles Mayer de Caso Souza Fl. 3381DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Fl. 3382DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000425/99-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-003.246
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas , Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 04 25 /9 9- 10 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas , Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 360 a 363) apresentados em 08 de maio de 2012 contra o Acórdão no 9303001.420, de 05 de abril de 2011, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 1 a 3), que, relativamente a pedido de ressarcimento de IPI, não conheceu do recurso especial do Procurador, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: Não se conhece de recurso especial que não venha acompanhado de prova de divergência jurisprudencial. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL NÃO CONHECIDO Segundo o acórdão embargado, seria a seguinte a matéria do recurso: [...] Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de fls. 230/284, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. O recurso foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF, por meio de despacho às fls. 302, com base em informação de fls. 300/301. O sujeito passivo apresentou contrarazões às fls. 309/326. A embargante alegou omissão quanto à apreciação da matéria relativa à incidência dos juros Selic sobre o ressarcimento. É o relatório. Voto Fl. 399DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13605.000425/9910 Acórdão n.º 9303003.246 CSRFT3 Fl. 1.173 3 Nos termos do acórdão embargado, foram as seguintes as matérias submetidas a recurso: As matérias que nos são submetidas versam sobre: i) pedido de manutenção da glosa de valores relativos ao ressarcimento de crédito presumido de IPI, dos valores de aquisições de gás O2 (oxigênio) no processo de extração e fundição de ouro destinado à exportação, e ii) não atualização monetária pela taxa Selic desses valores. Como fundamento, constou o seguinte do voto condutor do acórdão: A PGFN alega que a decisão combatida permitiu a inclusão na base de cálculo do crédito presumido um gás que não entra em contacto direto com o produto final. Ocorre que, os acórdãos referemse a produtos que tem processos produtivos diferentes, não nos permitindo, portanto, enfrentar a decisão de ambos como divergentes. O acórdão de recurso voluntário (efl. 227), segundo o resultado, proveu parcialmente o recurso da Interessada, reconhecendo o direito à incidência dos juros Selic no caso de ressarcimento de crédito presumido de IPI. No recurso especial, a Procuradoria contestou a inclusão das aquisições do gás oxigênio na base de cálculo do crédito e a incidência de juros Selic sobre o ressarcimento (efls. 250 e seguintes), a partir da data de protocolização do pedido, apontando como paradigmas os Acórdãos n. 20310.550, 20217.842, 20311.795, 20216.844 e CSRF n. 202 130.027, anexando cópia de acórdãos (efls. 259 e 285). No exame de admissibilidade (efls. 311 e seguintes), considerouse o seguinte: E, por último, o acórdão n° 20178.168, as fls. 274/284, prova a divergência quanto à incidência da Selic sobre ressarcimento e, ainda, quanto ao gás 02 (oxigênio). Dessa forma, o acórdão embargado, de fato, omitiuse quanto à incidência de juros Selic no ressarcimento, cujo direito foi parcialmente reconhecido. A matéria devolvida ao Colegiado e que não foi analisada no acórdão prolatado pela 3ª turma da CSRF cingese à aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, passo a admitir, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Em face do exposto, conheço parcialmente e nego provimento ao recurso especial da Fazenda nacional no que tange à aplicação da taxa Selic no ressarcimento negado pela Receita Federal. Esse passa a ser o novo resultado do julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão apontada nos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13605.000425/9910 Acórdão n.º 9303003.246 CSRFT3 Fl. 1.174 5 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/08/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 11065.000095/99-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1989 a 31/12/1994
COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA
O ônus da prova do direito creditório compete ao sujeito passivo, que tem a obrigação de comprovar o seu pleito com a apresentação dos respectivos documentos fiscais e contábeis que sustentariam seu direito. Direito creditório não comprovado com a apresentação de DARF em que consta código de receita diverso daquele correspondente ao tributo que teria dado origem ao crédito alegado.
Numero da decisão: 3401-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator.
EDITADO EM: 22/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Claudio Monroe Massetti (Suplente), Bernardo Leite de Queiroz Lima
Nome do relator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1989 a 31/12/1994 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova do direito creditório compete ao sujeito passivo, que tem a obrigação de comprovar o seu pleito com a apresentação dos respectivos documentos fiscais e contábeis que sustentariam seu direito. Direito creditório não comprovado com a apresentação de DARF em que consta código de receita diverso daquele correspondente ao tributo que teria dado origem ao crédito alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator. EDITADO EM: 22/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Claudio Monroe Massetti (Suplente), Bernardo Leite de Queiroz Lima
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ÔNUS DA PROVA O ônus da prova do direito creditório compete ao sujeito passivo, que tem a obrigação de comprovar o seu pleito com a apresentação dos respectivos documentos fiscais e contábeis que sustentariam seu direito. Direito creditório não comprovado com a apresentação de DARF em que consta código de receita diverso daquele correspondente ao tributo que teria dado origem ao crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente. Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator. EDITADO EM: 22/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Claudio Monroe Massetti (Suplente), Bernardo Leite de Queiroz Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 00 95 /9 9- 18 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA 2 Relatório Tratase de pedido de compensação apresentado em 20/01/1999 por meio do qual a Recorrente requer o reconhecimento e utilização de créditos decorrentes do recolhimento a maior da Contribuição ao PIS no período de julho de 1989 a dezembro de 1994. O direito creditório não havia sido reconhecido inicialmente, motivo pelo qual foi apresentada manifestação de inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre indeferiu a manifestação de inconformidade. Interposto Recurso Voluntário, a Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu o direito ao crédito relativo aos pagamento efetuados a partir de 20/01/1994, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nºs 2.445/88 e 2.449/88, considerando como base de cálculo correta o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Em face deste acórdão foram interpostos Recursos Especiais pela Recorrente e pela União. A Câmara Superior de Recursos Fiscais houve por bem manter o acórdão do Conselho de Contribuintes. Os autos retornaram à Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo, cujo Setor de Orientação e Análise Tributária (Seort) proferiu o seguinte despacho decisório: ASSUNTO: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. PIS SEMESTRALIDADE. DECADÊNCIA. Apurado crédito de PIS, nos termos dos Acórdãos nº 203 10.723, proferido pelo 2º Conselho de Contribuintes e nº 9900 000.838 proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que reconheceram o direito do contribuinte a recolher a contribuição para o PIS, tomando como base de cálculo o faturamento do 6º mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, encontrandose, entretanto, fulminados pela decadência, os pagamentos efetuados anteriormente a 20/01/1994. Crédito parcialmente reconhecido. Declarações de Compensação homologadas até o limite do crédito reconhecido. A ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1994 ANÁLISE DE DIREITO CREDITÓRIO. DEMONSTRATIVOS DE CÁLCULO DO CRÉDITO. INTEGRAM DESPACHO DECISÓRIO. Todos os demonstrativos e relatórios de cálculo carreados aos atos pela autoridade fiscal a fim de subsidiar sua decisão, passam a fazer parte integrantes do despacho decisório proferido. ANÁLISE DE DIREITO CREDITÓRIO. DEMONSTRATIVO ANALÍTICO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Processo nº 11065.000095/9918 Acórdão n.º 3401002.833 S3C4T1 Fl. 407 3 No Demonstrativo Analítico de Compensação, elaborado pelo sistema informatizado da RFB, consta a informação de que o crédito do contribuinte disponível para compensação é atualizado para a data da formalização desta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do relatório do acórdão recorrido colhese: Tratase de Pedido de Compensação, protocolizado em 20/01/1999, relativo a créditos decorrentes de recolhimentos a maior de PIS/Pasep, com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 (fls. 03 a 11). Os pagamentos foram efetuados no período de 10/07/1989 a 9/12/1994, por meio de Darf, cujas cópias encontramse às fls. 15 a 87. O direito creditório não foi reconhecido e as compensações não foram homologadas, conforme o Despacho Decisório e Parecer Seort/DRF/NHO nº 263/2004 (fls. 93 a 99). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, nos termos do Acórdão às fls. 120 a 127. A interessada interpôs Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, o qual, mediante o Acórdão nº 20310.723 (fls. 141 a 150), reconheceu o direito à restituição/compensação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 20/01/1994, dentre aqueles com cópias dos Darf às fls. 15 a 87, considerando como base de cálculo, o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. A contribuinte e a União recorreram à Câmara Superior de Recursos Fiscais, entretanto, os Acórdãos nº 0203087 e 9900000.838 (fls. 183 a 187 e 236 a 239) mantiveram a decisão recorrida. As Declarações de Compensação (Dcomp) com lastro no mesmo crédito ora em análise as quais não foram homologadas, conforme Despacho Decisório DRF/NHO/Seort nº 248/2011 proferido no processo nº 11065.723844/201155 (fls. 247 a 248) foram apensadas ao presente processo para verificação do procedimento compensatório. Do despacho decisório As Dcomp vinculadas ao processo nº 11065.723844/201155, foram homologadas até o limite do crédito reconhecido. A autoridade fiscal informa que a fim de analisar os débitos objeto das Dcomp vinculadas ao processo nº 11065.723844/201155, apurou o crédito de PIS/Pasep, relativamente aos pagamentos efetuados após 20/01/1994, nos termos das decisões administrativas: utilizando como base de cálculo da exação, o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Relata que: o cálculo do crédito foi efetuado a partir das bases de cálculo mensais (faturamentos de jul/1993 a jun/1994) relacionadas às fls. 116 a 118; os pagamentos efetuados após Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA 4 20/01/1994 são referentes às competências de jan/1994 a dez/1994, conforme cópias dos Darf – código de receita 3885 juntados às fls 71 a 87; os recolhimentos foram confirmados nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB) fls. 249 a 250; no Demonstrativo de Pagamentos à fl. 251 estão relacionados todos os pagamentos computados na apuração do crédito; os valores devidos foram obtidos aplicandose a alíquota de 0,75% sobre as bases de cálculo e encontramse discriminados no Demonstrativo de Apuração dos Débitos à fl. 252; os pagamentos foram vinculados aos valores devidos de cada competência e no mês de nov/1994, em que o pagamento não foi suficiente para amortizar integralmente o valor devido, foi aproveitado saldo de pagamento referente a jan/1994, para liquidação total do débito. E conclui que os saldos dos pagamentos obtidos após as vinculações foram atualizados até 01/01/1996, com incidência da taxa de juros Selic a partir dessa data, quando foi obtido o valor de R$ 196.022,98 conforme Demonstrativo de Saldos de Pagamentos às fls. 253 a 254. Da manifestação de inconformidade Preliminarmente, a recorrente pugna pela declaração de nulidade da decisão em exame, na medida em que é desprovida de requisito de validade, haja vista, não ser possível identificar, em sua fundamentação, as razões que embasaram a parcial homologação das compensações, considerando que foram apenas apontados os valores representativos dos créditos e das compensações homologadas e não homologadas, sem qualquer indicação clara dos cálculos dos créditos aproveitados. Nesse sentido alega que “sabese a extensão dos valores compensados e não compensados, mas não se conhece como foram efetuados os cálculos que corroboram o ato em exame”. No mais reclama de erros no cálculo do crédito apurado pela fiscalização, que resultou menor do que o que tem direito. Nesse sentido, alega que nos demonstrativos utilizados pela Receita Federal para apurar os valores dos créditos a serem aproveitados pela Empresa, identificase perfeitamente que não consta o recolhimento efetuado em 09 de dezembro de 1994, no valor de R$ 21.150,21Darf de arrecadação anexado à folha 050 do processo 11065.000095/9918.(doc.01). Aponta, como outro fato determinante para que os valores dos créditos apurados tenham resultado inferiores aos por ela aproveitados, a falta de atualização monetária dos referidos créditos, “desde a data de sua constituição, até a data de seu efetivo aproveitamento, ou seja, a data da elaboração dos respectivos PER/DCOMP”. Alega que para determinar o montante dos créditos, “recalculou a base de cálculo da contribuição, expurgando os valores indevidamente incluídos, e sobre essa base de cálculo correta aplicou a alíquota incidente, resultando, deste modo, no valor efetivamente devido”. Diz que este procedimento foi o mesmo utilizado pela Receita Federal sem, contudo obter os mesmos valores pelos motivos anteriormente expostos. Em face do acórdão da DRJ foi interposto o Recurso Voluntário em tela, no qual se requer sejam apresentados os demonstrativos detalhados de como foi obtido o crédito Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Processo nº 11065.000095/9918 Acórdão n.º 3401002.833 S3C4T1 Fl. 408 5 da Recorrente e reconhecido o direito creditório relativo à Contribuição ao PIS do mês de novembro de 1994. A Recorrente alega, em suas razões recursais, que a Guia DARF foi preenchida incorretamente, constando o código de receita nº 1097, IPI MÁQUINAS, APARELHOS E MATERIAL DE TRANSPORTE, quando o correto seria constar o código 3885, referente à Contribuição ao PIS. Sustenta que não haveria motivos para recolher o IPI sob este código de receita, eis que sua atividade é a fabricação de tintas, o que demonstraria que o código indicado decorreu de um mero equívoco no preenchimento da DARF. É o relatório. Voto O presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Primeiramente, a Recorrente alega que não constam nos autos do processo o demonstrativo de cálculo para apuração dos créditos da Contribuição ao PIS. Compulsando os autos, verificase que todos os elementos necessários para a averiguação da forma como o cálculo dos créditos foi realizado estão presentes. Assim, não merece prosperar o pedido da Recorrente no que tange à apresentação do demonstrativo de cálculos. Pleiteia a Recorrente que seja reconhecido o crédito do PIS referente a novembro de 1994, cujo pagamento teria sido feito por meio da guia DARF de fls. 50 no valor de R$ 21.150,21 (vinte um mil cento e cinqüenta reais e vinte e um centavos). Consta na referida guia o código de receita 1097, que corresponde ao IPI MÁQUINAS, APARELHOS E MATERIAL DE TRANSPORTE. Sustenta que sua atividade preponderante é a fabricação de tintas e que por esta razão não haveria motivo para recolher o IPI sob o código de receita 1097. Junta, inclusive, cópia de seu contrato social, no qual constam as atividades exercidas pela empresa. O fato de ser esta a sua atividade não impede que porventura venha a adquirir máquinas, aparelhos e material de transporte. Várias empresas cujas atividades não são relacionadas ao transporte de cargas adquirem tais tipos de máquinas e equipamentos para auxiliálas no exercício de sua atividade preponderante. Logo, não há como reconhecer que a Recorrente jamais faria tais aquisições e, por conseguinte, não estaria sujeita ao recolhimento do IPI simplesmente porque sua atividade envolve a fabricação de tintas. Neste passo, mister ressaltar que o ônus da prova do direito creditório, o que inclui a comprovação do recolhimento do tributo pago a maior, é da Recorrente. Ora, para comprovar suas alegações, a Recorrente apenas juntou ao presente Recurso cópia da guia DARF, demonstrativo da apuração da base de cálculo do PIS de novembro de 1994 e cópia de seu contrato social. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA 6 Afirma que o preenchimento no código de receita 1097 se deu por mero equívoco, motivo pelo qual deve ser vinculado o pagamento ao PIS do período e, por conseguinte, reconhecido o crédito. Segundo alega nas razões recursais, o valor recolhido corresponderia à aplicação da alíquota de 0,65% do PIS sobre a base de cálculo do PIS devido no mês de novembro de 1994. O valor constante da guia não corresponde ao valor devido, caso fossem aplicadas tanto a alíquota de 0,65% quanto a alíquota de 0,75%. Considerando a base de cálculo de R$ 3.302.340,00 (três milhões trezentos e dois mil trezentos e quarenta reais) informada pela Recorrente na Declaração de Rendimentos referente ao anocalendário de 1994, aplicandose a alíquota de 0,65% chegase ao valor de R$ 21.465,21 (vinte e um mil quatrocentos e sessenta e cinco reais e vinte e um centavos), ao passo que, à alíquota de 0,75% apurase o valor de R$ 24.767,55 (vinte e quatro mil setecentos e sessenta e sete reais e cinqüenta e cinco centavos). Consta no campo 14 da DARF em questão a informação de que o valor original seria de R$ 21.465,21 (vinte e um mil quatrocentos e sessenta e cinco reais e vinte e um centavos), com valor recolhido a maior de R$ 315,00 (trezentos e quinze reais), que corresponde à diferença entre o valor recolhido na guia e o apurado aplicandose a alíquota de 0,65% sobre a base de cálculo de novembro de 1994. Não obstante a indicação dos referidos valores, não há a comprovação de que qualquer pagamento foi alocado à Contribuição ao PIS devida no mês de novembro de 1994. Pelo contrário, conforme consta no Demonstrativo de Saldos de Pagamento apresentado pela própria Recorrente, não há alocação de qualquer pagamento da Contribuição ao PIS no referente período. Destarte, os documentos acostados aos autos não são aptos a comprovar a alegação de que houve mero equívoco na indicação do código de receita ou que foi realizado o recolhimento do tributo no período em questão. Em nenhum momento apresenta documentos que efetivamente demonstrem que de fato tentou corrigir seu erro no preenchimento da guia, o que sustentaria a alegação de que o preenchimento com o código de receita do IPI tratouse de mero equívoco. Por fim, defendese com o argumento de que os documentos são antigos, motivo pelo qual não seria mais possível obtêlos. Tal fato não a impediu de apresentar os demonstrativos de base de cálculo de demais documentos que constam dos autos. Aliás, vale frisar que, quando do pedido de compensação, não havia transcorrido cinco anos desde que ocorrido o fato gerador do tributo a que se refere o crédito pleiteado, o que justificaria o fato de não possuir mais os documentos referentes ao período objeto da compensação Não há razões para crer que a Recorrente não estivesse ciente do equívoco à época, o que também justificaria não ter mantido os documentos necessários para comprovar a existência do crédito. Em suma, a Recorrente não se desimcumbiu do ônus da prova que lhe competia. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Processo nº 11065.000095/9918 Acórdão n.º 3401002.833 S3C4T1 Fl. 409 7 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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Numero do processo: 10909.005942/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Charles Mayer de Castro Souza - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Charles Mayer de Castro Souza Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculados através de auto de infração lavrado em 10/03/2008 (efls. 02/ss), regulamente cientificado em 27/12/2007 (efls. 1830), para a cobrança da multa de conversão do perdimento no montante de R$ 51.114,78. A autoridade fiscal enquadrou a penalidade aplicada nos seguintes dispositivos: Arts. 602, 604, inciso IV, 618 e § 1° do Decreto n°4.543/02 e art. 73, §§ 1° e 2° da Lei n° 10.833/03 (vide e fls. 5); Art. 23, inciso V e seus parágrafos, do DecretoLei n° 1.455/76, com as modificações introduzidas pela Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (vide efls. 17). Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 05 94 2/ 20 07 -9 9 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10909.005942/200799 Resolução nº 3202000.352 S3C2T2 Fl. 213 2 Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 15) lavrado com vistas à constituição de crédito tributário referente a conversão da pena de perdimento em multa no valor total de R$ 51.114,78 (cinqüenta e um mil, cento e quatorze reais, e setenta e oito centavos), equivalente ao valor aduaneiro de diversas mercadorias que foram importadas pelo contribuinte em epígrafe consoante declarações de importação (DI) n.°s 06/05706594 e 05/09491690, registradas, respectivamente, em 18/05/2006 e 11/08/2006, tendo em vista a ocultação do sujeito passivo, do real comprador e responsável pela operação, mediante fraude e simulação, e em conformidade com a previsão contida no inciso XXII e no § Io , ambos do art 618 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 4.543, de 2002, com redação dada pelo Decreto n.° 4.765, de 2003. Mais precisamente, segundo relata a autoridade autuante às fls. 02 a 12 do processo, a empresa autuada foi objeto do procedimento especial de fiscalização que, disciplinado na forma da IN SRF n.° 228, de 2002, foi levado a efeito pela Alfândega do porto de Vitória (ES) e culminou, em 19/01/2007, com a constatação de que as operações de importação registradas por conta própria pelo fiscalizado, no período de 01/01/2004 a 31/12/2007, foram, na realidade, realizadas com recursos de terceiros, e configuram simulações perpetradas com a finalidade de ocultar os reais adquirentes das mercadorias importadas, o que caracteriza o dano ao Erário previsto nos termos do inciso V do art. 23 do DecretoLei n.° 1.455, de 1976, com as alterações promovidas pela Lei n.° 10.637, de 2002. Aduz, ainda, a fiscalização que a empresa fiscalizada recusouse a informar a localização das mercadorias em relevo e, bem assim, recusouse a apresentar notas fiscais de entrada e saída eventualmente relacionadas às mencionadas mercadorias, ao argumento de que teria apresentado "contraposição" à conclusão do procedimento especial de fiscalização levado a cabo pela Alfândega do porto de Vitória (ES). Em razão disso, então, foi aplicada a multa sob apreço, em atendimento ao disposto no art 73, capuí e §§ I o e 2o , da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 25/01/2008 (fl. 01), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 14/02/2008, os documentos colacionados às fls. 110 a 114 e a impugnação de fls. 103 e 104, onde, em síntese, alega ter apresentado defesa administrativa relativamente ao procedimento especial previsto na IN SRF n.° 228, de 2002, e que, em razão disso, a Inspetoria da Receita Federal em Vitória (ES) anulou por completo a acusação de que teria havido a interposição de pessoas ou qualquer outra irregularidade. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0723.745, em 01/04/2011 (efolhas 123/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10909.005942/200799 Resolução nº 3202000.352 S3C2T2 Fl. 214 3 Data do fato gerador: 18/05/2006, 11/08/2006 ÔNUS DA PROVA. Constitui ônus do impugnante trazer ao processo a prova dos fatos alegados na impugnação. Acórdão Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em preliminares: o auto de infração é nulo por ausência de motivação, uma vez que se fundamentou em relatório fiscal posteriormente “tornado nulo e insubsistente, através do Parecer 991/07 do SEORT da Alfândega do Porto de Vitória”; a decisão recorrida é nula por alteração na motivação do critério jurídico utilizado no lançamento, isto porque “todo o procedimento fiscalizatório ocorreu no sentido de se comprovar a utilização pela recorrente de recursos de terceiros nas operações de comércio exterior”, contudo, a decisão recorrida “muda totalmente a descrição dos fatos para emitir seu Acórdão dizendo agora que se trata de ocultação do real adquirente”. Assim, teria havido cerceamento do seu direito de defesa, o que implicaria na necessidade de reabertura de prazo para recorrente apresentar nova defesa; b) No mérito: o que se pode extrair das próprias acusações do relatório conclusivo elaborado pela fiscalização, é que a recorrente teria operado com recursos de terceiros, não se cogitando a caracterização da ocultação do real adquirente; houve a comprovação de que a empresa operou em nome próprio, conforme restou assentado no Parecer SEORT 991/07; com base no citado Parecer, a Representação Fiscal para Inaptidão foi declarada insubsistente pelo Inspetor da Alfândega do Porto de Vitório, tornandoa sem efeito, por conseguinte, os fatos levantados pela fiscalização também não podem ser materializados no presente auto de infração; no caso de matéria anteriormente discutida, há vinculação da Administração, nos termos do art. 45 do Decreto nº70.235/72; A empresa Indústria e Comércio de Confecções K Hage Ltda foi cientificada do acórdão de primeira instância em 21/10/2008 (efolha 2.039) e apresentou Recurso Voluntário em 18/11/2008 (efolhas 2.371/ss), onde repisa basicamente os mesmos argumentos já trazidos na impugnação, os quais podem ser sintetizados como segue: não participou em nenhum momento do processo de internação das mercadorias, tampouco, a importação foi realizada a seu mando ou as suas expensas. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10909.005942/200799 Resolução nº 3202000.352 S3C2T2 Fl. 215 4 no Termo de Verificação raramente é citada e, nas poucas vezes em que foi, não há nenhum relato de ilegalidade de suas atividades; é totalmente improcedente as alegações imputadas à autuada K Hage, pois nunca adiantou qualquer recurso monetário, tampouco realizou o pagamento a vista de notas pactuadas a prazo; adquiriu diversas mercadorias da empresa Gama, assim, por realizar compras frequentes, realizava frequentes pagamentos (compras a prazo), podendo ocorrer a coincidência de pagamento com data de emissão de notas fiscais, porém, esses pagamentos não se referiam às notas emitidas naquele dia, mas sim, a notas emitidas anteriormente, por compras anteriores, logo, nesse mesmo raciocínio, nunca ocorreu o adiantamento de recursos financeiros, os depósitos nada mais eram do que o pagamento de mercadorias adquiridas e entregues anteriormente. é terceiro adquirente de boafé de mercadorias importadas. não há que se falar no presente caso de responsabilidade solidária. não obteve qualquer vantagem com a alegada interposição fraudulenta, eis que a mesma adquiriu as mercadorias dentro dos valores praticados no mercado. O processo foi baixado em diligência, nos termos da Resolução nº 3201 000.103, de 16/04/2009 (efls. 2425/ss). Posteriormente, retornou ao CARF e foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto vencido Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecidos. Em preliminar foi suscitada pelo ilustre Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves a conversão do julgamento em diligência. No meu entender a diligência é desnecessária, uma vez que as Recorrentes não trouxeram sequer um documento capaz de demonstrar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, tanto na impugnação como no recurso. As Recorrentes escorase apenas na tese de nulidade do relatório fiscal que embasou a autuação fiscal, sem dispender o mínimo esforço para comprovar os fatos ocorridos. Contudo, a Turma, por maioria de votos, resolveu converter o julgamento em diligência, restando este Conselheiro vencido. Então, foi designado o Conselheiro Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves para redigir o voto vencedor. É como voto. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10909.005942/200799 Resolução nº 3202000.352 S3C2T2 Fl. 216 5 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Voto vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: Com a devida vênia, divirjo do ilustre Relator. Nossa Turma, em casos da mesma empresa e referente à mesma fiscalização, decidiu converter o julgamento em diligência por unanimidade. Naquele oportunidade, decidimos nesse sentido, porque, como se lê do Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória também juntado aos presentes autos , o Relatório Fiscal em que se baseou a autuação teria se equivocado, quando considerou irrelevante a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio", na qual se demonstraria expressivos pagamentos, em razão de empréstimos realizados no exterior, demonstrados pela recorrente através de contratos de câmbio, na forma do artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007. Assim, diferentemente do nobre relator, não vejo razões para modificar o entendimento no presente caso, pelos mesmos motivos explicitados em meu voto no Processo nº 12466.000917/200881, que tem como recorrente a mesma empresa e referente a mesma fiscalização. Leiase: Processo nº 12466.000917/200881 Resolução nº 3202000.190–2ªCâmara/2ªTurma Ordinária Data 25 de fevereiro de 2014 Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10909.005942/200799 Resolução nº 3202000.352 S3C2T2 Fl. 217 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Observo, de logo, que não foi cumprida integralmente as solicitações da Resolução proferida nestes autos, porquanto não foi juntada aos indeferida a representação de inaptidão do CNPJ da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A cópia integral do Processo de n°12466.000172/200770 é importante, porque possui provas com base nas quais o Inspetor da Alfândega considerou demonstrada a capacidade econômica da Gama Comercial importadora e Exportadora Ltda.,o que,em tese, constitui forte motivo para afastar a interposição fraudulenta presumida, imputada pela fiscalização às recorrentes. Efetivamente, como se lê do Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, o Relatório Fiscal em que se baseou a autuação teria se equivocado, quando considerou irrelevante a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio", na qual se demonstraria expressivos pagamentos, em razão de empréstimos realizados no exterior, demonstrados pela recorrente através de contratos de câmbio, na forma do artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, juntados às fls. fls. 1.287 a 1.680 dos autos do citado Processo n° 12466.000172/200770. Confirase: Não há realmente conta representativa da existência de fornecedores a demonstrar a obtenção de empréstimos, entretanto, a própria fiscalização reconhece a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio" em que se demonstra expressivos pagamentos realizados ao exterior. Resta indagar se esta contabilização se reveste de ilegalidade a demonstrar a falta de comprovação de recursos apontada pela fiscalização. A parte sustenta que esta conta referese a obrigação constituída no exterior decorrente de financiamento externo, que seriam honrados após a negociação das mercadorias no mercado interno. Bastante razoável que a empresa possa se valer empréstimos internos ou externos para custear suas importações, entretanto, necessário se faz que tais operações estejam devidamente registradas em sua contabilidade. No caso, presente pareceme muito mais a existência de possível omissão de receitas, com reflexos na pessoa física dos sócios, do que inexistência de fato da empresa. [...] Nessa esteira, cumpre registrar que o artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, estabelece as condições de prova no que pertine comprovação dos recursos, cujo teor abaixo transcrevemos: [...] A parte comprova que todos os contratos de câmbio foram fechados pela mesma,trazendo agora aos autos os documentos de fls.1.287a 1.680 demonstrando o efetivo fechamento de câmbio na forma disciplinada na IN acima mencionada. Ressae, desta forma, ressalvadas as vênias de estilo, atendido ao que prescreve a norma atinente comprovação que se pretende demonstrar. Em que pese as constatações da fiscalização acerca dos lançamentos contábeis da empresa, que repito, deve ser objeto de representação, visando a fiscalização na empresa com reflexos em seus sócios, os autos não demonstram que a empresa tenha sido constituída para sistematicamente fraudar o fisco mediante interposição fraudulenta. [...]Do exame da representação impugnada, Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10909.005942/200799 Resolução nº 3202000.352 S3C2T2 Fl. 218 7 obviamente respeitando os posicionamentos divergentes, não ficou caracterizado de forma inequívoca a interposição fraudulenta. Constatase que a recorrente não só recolheu os tributos incidentes na importação, mas repito, também se moveu no sentido de reparar recolhimento feito a menor,no que tange a os tributos internos, mediante retificação de DCTF. A divergência contábil apontada pela fiscalização, a nosso entendimento não causou prejuízo alguma Fazenda Nacional. Em tal contexto, presumese, pois, de boafé a conduta da empresa representada, mesmo porque não restou comprovada nem a inexistência de fato, nem a falta de comprovação da origem dos recursos empregados. Ademais, inexiste comprovação de que o contribuinte tenha utilizado algum meio fraudulento objetivando burlar os encargos tributários, de modo que se afigura exorbitante a decretação de inaptidão do CNPJ da mesma. O principio da segurança jurídica consubstanciase na necessidade e adequação dos meios empregados para que atinja os desideratos que a lei almeja. In casu, não se configurando a interposição fraudulenta, bem como havendo possibilidade da determinação de providência extremamente gravosa ao contribuinte, novamente menciono que se afiguraria demasiada a pena imposta. Desta forma, do quanto foi exposto,ressalvandose as vênias cabíveis, e, considerando que os fatos levantados pela fiscalização não configuraram as irregularidades previstas na legislação para caracterização da declaração de inaptidão, manifesto entendimento de que deva ser acolhido o pleito sobre a insubsistência da representação,tornando a sem efeito, haja vista as razões expendidas no presente parecer. Forte nessas razões, voto para converter o julgamento em diligência para que seja: [...] Forte nas razões acima transcritas, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja: a) juntada aos autos a cópia integral do Processo de n°12466.000172/200770, especialmente a documentação de fls.1.287 a 1.680 deste, onde consta os contratos de câmbio que comprovariam a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., de acordo com o Parecer n° 991/07; b) intimada a unidade preparadora para analisar se a documentação de fls.1.287 a 1.680 do Processo de n° 12466.000172/200770, onde consta os contratos de câmbio a que alude a conta contábil "Câmbio Exterior Próprio", comprovariam ou não a capacidade econômica da recorrente,Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Ao fim da instrução processual, as Recorrentes deverão ser intimadas para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias sobre os documentos juntados aos autos em decorrência da diligência. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 11128.002199/2005-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios.
O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido. Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 21 99 /2 00 5- 11 Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 2.010), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 16037.426, proferido em primeira instância pela 24ª Turma da DRJ de São Paulo I, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da peça impugnatória, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: "(...) Trata o presente processo de Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório e Restituição de PIS (R$ 40.739,69) e COFINS (R$ 187.649,46), incidentes na importação, DI de nº 04/07721953, registrada em 06/08/2004, fls. 10 a 13, indevidamente recolhidos face a alíquota de defensivos agrícolas para tais contribuições terem sido reduzidas a zero, nos termos da Lei nº 10.925/2004, publicada no Diário Oficial da União no dia 26/07/2004 e regulamentado pelo Decreto nº 5.195, destinado exclusivamente a regulamentar o artigo 1º da Lei 10.925/2004. O citado diploma regulamentar, trouxe expressamente a previsão do termo inicial de produção de seus efeitos: Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do dia 26 de julho de 2004. A interessada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal de nº 051/08 , fls. 70/73 a apresentar cópia de todos os livros fiscais, com a escrituração contábil da operação coberta pela Declaração de Importação de nº 04/07721953. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002199/200511 Acórdão n.º 3802003.034 S3TE02 Fl. 2.012 3 O pedido foi indeferido através do Despacho de fls.203/204. Ciente do Indeferimento, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 209/213, onde em síntese do necessário alegou: em que pese o costumeiro acerto do Ilmo Julgador, sua decisão não merece prosperar uma vez que existe sim o crédito, conforme se demonstrará; entende o Ilmo Julgador que os valores pleiteados pela Requerente já foram contabilizados a débito e, assim, restou caracterizado “de forma inequívoca que o interessado já efetuou o desconto de que trata o artigo 15º da Lei nº 10.865/2004”. cabe destacar que inicialmente os débitos das contribuições foram contabilizados nas contas 376000 e 376001, para PIS e COFINS respectivamente; em dezembro de 2005, referidos valores foram transferidos para conta 157011, no valor total de R$ 3.035.510,31 (três milhões trinta e cinco mil quinhentos e dez reais e trinta e um centavos) que correspondem ao montante total das contribuições recolhidas a maior pela Requerente, não só ao pleito deste processo; cumpre mencionar que referido montante permanecesse contabilizado até hoje na conta 157011; ocorre que trimestralmente é realizada uma reclassificação contábil onde o saldo da conta 157011 é transferido para a conta 234085; não assiste razão o Ilmo Julgador ao afirmar que não há como comprovar que os valores contabilizados como de débito foram transferidos para conta 234085; para que reste incontroversa a existência do direito creditório e assim a restituição, a Requerente acosta a presente manifestação de inconformidade cópia dos Razões das contas 376000 (PIS), 376001 (Cofins), 157011 (impostos em litígio) e 234085 (imposto a compensar) do período compreendido entre dezembro de 2005 a 2011; resta claro, pelos inúmeros documentos ora anexados, que tais créditos nunca foram utilizados desde o momento em que foram contabilizados pela empresa; não se pode olvidar que o processo administrativo regese pela busca da verdade material, motivo pelo qual, não podem ser poupados esforços para se verificar se a obrigação tributária foi realmente estabelecida; não sendo suficientes os documentos e esclarecimentos ora apresentados com o objetivo de comprovar a veracidade dos fatos, requer a IMPUGNANTE, desde já, a realização de Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 diligência com intuito de demonstrar a existência do direito ao crédito; resta cabalmente comprovado que os valores contabilizados a título de PIS e COFINS decorrentes de pagamento equivocado através da DI 04/07721953 não foram utilizados; requer reconhecido o seu direito creditório no valor de R$ 228.389,15 (duzentos e vinte e oito mil trezentos e oitenta e nove reais e quinze centavos). É o Relatório. Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2004 RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO (PIS/PASEP e COFINS) NA IMPORTAÇÃO PAGA INDEVIDAMENTE. Indeferese pedido de restituição quando a interessada, a quem cabe o ônus da prova, não instruir o processo com provas de que tenha direito a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de São Paulo II, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 1.969/1.981), no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, solicitando, com base no principio da busca da verdade material o acolhimento integral de suas razões, reformando a decisão recorrida. Caso não seja esse o entendimento, por entender que a documentação apresentada não seja o suficiente para comprovar o alegado direito, requer a apresentação de novos documentos, esclarecimentos e realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 2.010), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002199/200511 Acórdão n.º 3802003.034 S3TE02 Fl. 2.013 5 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Do pedido de diligência Quanto a possível realização de diligência, é cediço que o pedido é regulado pelo art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, o qual impõe requisitos formais para sua validade. Contudo, além dos requisitos previstos no art. 16, supra, deve ser analisado pelo julgador se o pedido de realização de diligência é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, visto que a realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o deslinde da questão, ou seja, o deferimento de um pedido de diligência, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. Veja abaixo, trecho reproduzido do Acórdão recorrido (grifamos), que a Recorrente foi intimada e, portanto, já teve oportunidade de esclarecer e apresentar toda a documentação necessária (fl. 1.967): "(...) A interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação necessária através da Intimação Fiscal de nº 51/08, fls. 70/72, tendo inclusive solicitado prorrogação de prazo, concedido pela fiscalização(...). As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, é inadmissível pedido pela juntada posterior de documentos. Assim, a realização de diligência é prescindível, visto que em relação à questão objeto da lide, o processo já apresenta elementos suficientes para o seu deslinde, razão pela qual, sou pelo seu indeferimento. Das provas nos autos O presente caso envolve eminentemente matéria de prova. Como bem frisado pela Recorrente em suas razões de recurso, o direito material à restituição é incontroverso, e decorre da própria aceitação da retificação da DI, com efeitos retroativos, para 06 de agosto de 2004 (data da ocorrência do fato gerador do imposto de importação). No entanto, a preocupação esposada pela autoridade administrativa, desde a manifestação de inconformidade perpassando pelas intimações realizadas e pela decisão recorrida, é o fato de que, havendo sido autorizada a retificação da DI para redução da alíquota a zero após a ocorrência da importação, há o risco de a materialidade do crédito – não do direito em tese – já haver sido utilizado, como desconto, na apuração regular do sujeito passivo. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Noutras palavras, tornase imprescindível verificar se o contribuinte pleiteia duplo benefício (a uma, pelo aproveitamento como desconto na apuração de PIS e COFINS, e a duas, pela restituição surgida com a diminuição retroativa da carga tributária). Todo o propósito do procedimento de restituição que ora se examina é conferir se houve, ou não, o aproveitamento das aquisições, então tributadas, na apuração do PIS e da COFINS do sujeito passivo. Em sede recursal, o contribuinte traz diversos argumentos explicativos quanto à migração de saldos entre suas contas contábeis, e junta extratos de seu livro razão analítico para tentar dar mais subsídios de comprovação do seu direito creditório. Entendo, porém, que o livro razão analítico nem seria necessário, desde que houvesse uma explicação razoável para a ausência de registro do direito pleiteado na conta de ativo como impostos a recuperar, à época da intimação realizada pelo Fisco. Senão, vejase abaixo, trecho reproduzido do Acórdão recorrido (grifamos): "(...) A interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação necessária através da Intimação Fiscal de nº 51/08, fls. 70/72, tendo inclusive solicitado prorrogação de prazo, concedido pela fiscalização(...). E o relator prossegue em sua análise, definindo o seguinte ponto como sendo um dos principais motivos do indeferimento do pedido (grifamos): "(...) 3. Observase que não consta dos autos a prova documental de que os valores contabilizados na forma descrita acima foram estornados ou transferidos para a conta n° 234085 Impostos a Recuperar, ou equivalente, no Ativo, e que permanecem contabilizados nesta conta, conforme solicitado na alínea "d" do Termo de Intimação supracitado. E, à vista da Declaração Contábil às fls. 92, depreendese que os citados valores não transitaram por esta conta, ficando desta forma comprovado que já houve o desconto de que trata o item 2 acima". Vale destacar que é possível, em tese, que o contribuinte, a posteriori, realize reclassificação contábil de valor equivalente ao saldo da época. Ainda que matematicamente o resultado seja o mesmo, em termos fiscais esse procedimento não me parece razoável. Até para evitar mais essa dúvida acerca do seu direito creditório, era imprescindível que a Recorrente confrontasse o resultado do despacho de indeferimento (fls. 202/203), de modo inescapável mostrando que, à época do pedido de restituição, não houve aproveitamento do montante pleiteado. E nessa tarefa ela não me parece ter logrado êxito. Vejase. Em seu recurso (fls. 1.969/1.981), a Recorrente aduz o seguinte: 32. Ocorre que trimestralmente é realizada uma reclassificação contábil onde os saldos da conta 157011 é transferidos para a conta 234085. Ora, se trimestralmente há reclassificação contábil da conta 157011 para a conta 234085 (Impostos a Recuperar), e considerando que o pedido de restituição foi feito somente em 31/03/2005 (fl 04), pareceme claro que o saldo já deveria estar recomposto quando do pleito inicial. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002199/200511 Acórdão n.º 3802003.034 S3TE02 Fl. 2.014 7 A própria Recorrente, no entanto, indica que somente em dezembro de 2005 houve transferência de um determinado montante para a conta de impostos a recuperar. No entanto, se esse saldo é decorrente daqueles fatos geradores que motivam o pedido de restituição, tal já não resta imune a dúvidas. De fato, é importante destacar que a Recorrente afirma em sede recursal que: 33. Outrossim, para que restasse incontroversa a existência do direito creditório e assim a restituição, a Requerente acostou à manifestação de inconformidade cópia dos razões das contas 376000 (PIS), 376001 (Cofins), 157011 (impostos em litígio) e 234085 (imposto a compensar) do período compreendido entre dezembro de 2005 a 2011. 34. Se houvesse sido realizada a diligência fiscal na documentação acostada, as referidas reclassificações teriam sido observadas pela autoridade fiscal responsável, razão pela qual ficaria inconteste que tais créditos nunca forma utilizados desde o momento em que foram contabilizados pela empresa. No entanto, se a Recorrente, ao invés de simplesmente juntar seu livro razão analítico buscando uma diligência no processo, tivesse tido a cautela de apresentar a composição das contas contábeis a que se refere no excerto colacionado acima, possivelmente haveria um confronto que suscitasse dúvida ao julgador. Cabe destacar que, às vésperas da sessão de julgamento, a Recorrente, no decorrer da sustentação oral, apresentou um Laudo de auditoria externa (que se encontra acostado ao PAF nº 11128.002217/200557, inclusive fazendo referência a este e outros processos da Recorrente) que tem como função confirmar a existência do indébito, além de detalhar como se deu a movimentação das contas contábeis. Todavia, o laudo apenas explicita que as diversas movimentações de contas contábeis ocorreram inclusive (e principalmente) após a negativa do pedido inicial, de modo retroativo; além disso, aponta que houve equivocadamente, e por mais de uma vez, o registro de valores em conta de passivo, ao invés de conta de ativo. Trago à baila o seguinte excerto do Laudo, que assim sintetiza a questão após já indicar três movimentações de saldos entre contas: 7.5 Das Reclassificações posteriores A partir de julho de 2006 a Dow promoveu sucessivas reclassificações do crédito pleiteado (indébito), entre as contas de ativo n° 157011 (Impostos em Litígio), 234085 (Impostos a Recuperar) e 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), sendo que o montante de R$3.035.510,21 passou a compor o saldo da referida conta15 (Doc. 13). Em setembro de 2006, o saldo da conta 157011, no montante de R$15.078.592,84, onde estão incluídos os créditos de PIS/COFINSImportação objetos do presente trabalho, foi reclassificado para conta de ativo n° 234085 (Impostos a Recuperar), passando a compor o saldo da mencionada conta (R$41.248.352,52). Posteriormente, em outubro de 2006, o montante de R$15.078.592,84, devidamente destacado na conta n° 234085 (Impostos a Recuperar), foi novamente reclassificado para conta de ativo 157011 (Impostos em Litígio), permanecendo nessa Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 conta até dezembro de 2006. No referido mês, houve nova reclassificação desses valores, passando novamente a integrar o saldo da conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Ato continuo, em janeiro de 2007 houve nova reclassificação desses valores, passando a serem controlados novamente na conta 157001 (Impostos em Litígio), permanecendo na mencionada conta até março de 2007 e integrando o seu saldo 16 . Nesse mês, houve nova reclassificação contábil, sendo os valores novamente transferidos para conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Em abril de 2007 foi realizada nova reclassificação dos citados valores, que foram novamente remanejadas para conta 157011 (Impostos em Litígio). O laudo prossegue, após apresentar tabela de cronologia iniciada em dezembro de 2005, com as primeiras movimentações entre saldos de contas: (...) Em janeiro de 2012, o saldo da conta n" 157011 (Impostos R$ 17.975.255,00, no qual estão contidos os créditos ora tratados, por alguns dias, para a conta n° 235200 (Saldo Negativo de CSLL) conta de origem (Impostos em Litígio) logo no inicio de fevereiro. Em março de 2012, o saldo da conta n° 157011 (Impostos em Litígio) foi transferido para a Conta n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). Neste cenário, desde abril de 2012, a Dow tem movimentado os créditos fiscais que possui entre as contas n° 157011 (Impostos em Litígio) e n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). (...) Por fim, analisamos relatório fornecido pela Companhia contendo a composição da conta 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), comprovando a manutenção dos créditos de PIS e de COF1NS nos registros contábeis da Dow (Doc. 16). Podese, depreender, pela movimentação das contas, que os créditos de PIS e de COFINS ora tratados estão contabilizados na conta de ativo n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), não tendo sido escriturada qualquer compensação pela Dow em oportunidades diversas das aqui analisadas, conforme os registros contábeis analisados. Pelo exposto nos itens acima, tendo em vista que os saldos mensais, bem como o final são superiores ao valor do crédito pleiteado, inferese que este (crédito) está contido no saldo final e não foi utilizado pela Dow. Ora, com a devida vênia ao zeloso trabalho desenvolvido no laudo referenciado pela Recorrente, ele apenas retrata a via tortuosa dos créditos pleiteados. Há diversos equívocos indicados e sucessivas movimentações de saldos entre contas, com a conclusão de que, na existência de saldo a maior, isso é significado que o valor pleiteado (a menor) está contido ali, sugerindo a procedência do pedido. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002199/200511 Acórdão n.º 3802003.034 S3TE02 Fl. 2.015 9 Não me parece que todos os problemas relativos à demonstração da materialidade dos créditos, já exaustivamente debatidos nos autos, tenham sido resolvidos pelo Laudo Técnico. Sem embargo, entendo que eventual equívoco na contabilização do saldo, ou ainda na movimentação em si, não seriam razão suficiente – consideradas de modo isolado – para negar o pedido do contribuinte. Todavia, a situação sob exame é excepcional, pois há uma série de movimentações entre contas contábeis, feitas para rubricas equivocadas, sem que houvesse um único momento de segurança quanto à adequação do valor e da conta correta. Isso dificulta deveras a análise da materialidade do crédito. Até porque em último caso o que se tem é, de um lado, uma análise feita à documentação apresentada pelo sujeito passivo, indicando que o crédito pleiteado já foi aproveitado doutra maneira; e, de outro, alegações e um apanhado de documentos fiscais que, de per si, não trazem qualquer dado pulsante que ponha em xeque a conclusão da autoridade administrativa. Assim, entendo que cabe refutar o pleito da Recorrente, por ausência de demonstração da materialidade do crédito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13852.000592/2002-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
Ementa:
IPI. RESSARCIMENTO.CORREÇÃO MONETÁRIA.ANALOGIA
O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois para aquele não há previsão de atualização monetária.
O art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
RECURSO REPETITIVO RESP 993.164/MG. TEMPO TRANSCORRIDO ENTRE PEDIDO E EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO NÃO CONFIGURA OPOSIÇÃO ESTATAL INDEVIDA
A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar.
Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator) e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joel Miyazaki.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
JOEL MIYAZAKI - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO.CORREÇÃO MONETÁRIA.ANALOGIA O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois para aquele não há previsão de atualização monetária. O art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. RECURSO REPETITIVO RESP 993.164/MG. TEMPO TRANSCORRIDO ENTRE PEDIDO E EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO NÃO CONFIGURA OPOSIÇÃO ESTATAL INDEVIDA A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator) e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joel Miyazaki. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. JOEL MIYAZAKI - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO.CORREÇÃO MONETÁRIA.ANALOGIA O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois para aquele não há previsão de atualização monetária. O art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. RECURSO REPETITIVO RESP 993.164/MG. TEMPO TRANSCORRIDO ENTRE PEDIDO E EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO NÃO CONFIGURA OPOSIÇÃO ESTATAL INDEVIDA A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator) e Maria Teresa Martinez AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 2. 00 05 92 /2 00 2- 51 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Joel Miyazaki. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. JOEL MIYAZAKI Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Insurgese a contribuinte em Recurso Especial de fls. 338/421, admitido pelo despacho de admissibilidade nº 3100041, de fls. 438/439, contra o Acórdão 310100.896 de fls. 303/308 que, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ANALOGIA O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois não há previsão de atualização monetária. Notese que o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. Tratase de pleito de ressarcimento relativo a Crédito Presumido de IPI protocolado em 06.12.2002 e deferido após cinco anos em 26.12.2007, sem o reconhecimento da correção monetária. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13852.000592/200251 Acórdão n.º 9303003.012 CSRFT3 Fl. 3 3 Com Contrarrazões às fls. 441/449 onde a Fazenda Nacional sustenta a improcedência das alegações da Recorrente uma vez que a diferenciação entre os institutos da restituição e do ressarcimento impede a correção monetária. Registra o documento que a restituição pressupõe o pagamento indevido havendo um recolhimento que posteriormente vem a ser repetido pelo contribuinte, tudo na conformidade do art. 165 do CTN. Transcreve excerto do Acórdão 20180965 deste Conselho que reverbera ser impeditivo ao administrador público fazer o que a lei não prevê e, ainda, noticia que a aplicação da Taxa SELIC em casos como o deste processo é considerada impossível por várias Câmaras do Segundo Conselho de então e, transcreve os julgados. Reverbera também que o crédito incentivado de IPI revestido de natureza de benefício fiscal, decorre de política estatal para reger um dado momento econômico e assim sendo, deve ser interpretado de modo restritivo. Inclui raciocínio no sentido de que “não há que se falar em aplicação do art.62A do RICARF que determina a reprodução, pelo Conselho, de decisões definitivas de mérito tomadas pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que não se coaduna com o caso em exame.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O recurso preenche condições de admissibilidade dele tomo conhecimento. Este Recurso Especial restringese ao insurgimento contra a atualização monetária em ressarcimento de crédito presumido de IPI decidida no Acórdão de fl. 303 fundamentado no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. A Recorrente transcreve os Acórdãos nºs 340101.344 da 4a Câmara da 1a Turma Ordinária e 340200.610 da 4a Câmara da 2a Turma Ordinária deste Conselho decidindo favoravelmente a aplicação da atualização monetária quer pelo instituto da analogia quer em razão de ser o ressarcimento uma espécie do gênero restituição. De todos sabido que a atualização monetária não representa acréscimo a qualquer valor buscado e sim, apenas e tão somente, recuperação do valor de compra da moeda. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 A Súmula nº 411 do STJ diz ser devida à correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A decisão de fl. 303 indefere a pretensão da JBS EMBALAGENS METÁLICAS Ltda., ora Recorrente, quanto à correção monetária por ausência de previsão legal sendo indisponível o uso de analogia para criar direito ao contribuinte porque traz ferimento aos princípios administrativos da legalidade, impessoalidade e moralidade. Diante do exposto, estando o assunto submetido aos ditames do art. 543C do CPC e caracterizada nestes autos a resistência do fisco para atualizar o crédito voto por dar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte no sentido de que o crédito seja corrigido monetariamente a partir do protocolo do pedido. Sala das Sessões, 05 de junho de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Voto Vencedor Conselheiro Joel Miyazaki Redator designado Ouso discordar das brilhantes considerações tecidas pelo eminente conselheiro relator. É que, a meu sentir, a posição mais consetânea com o bom direito é a da não incidência da taxa SELIC nos casos de ressarcimento de créditos do IPI, visto que, inexiste previsão legal que autorize a atualização. Quanto a esta questão, adoto e endosso as razões de decidir do voto vencedor da decisão recorrida. Com relação ao recurso repetitivo REsp 993.164/MG de relatoria do Ministro Luiz Fux, este não se aplica ao caso aqui discutido. O Fisco não ofereceu resistência indevida no presente caso, os créditos solicitados pela contribuinte foram integralmente deferidos pela autoridade preparadora como bem relatado no presente acórdão. A interpretação de que o tempo transcorrido entre o pedido de ressarcimento e o despacho decisório, per si, constituiria oposição administrativa indevida amplia o escopo dos termos do recurso repetitivo, na tentativa de criar direitos que nem o legislador e tampouco os Tribunais Superiores tiveram intenção de criar. A administração tem o poder/dever de deferir ou não os créditos em ressarcimento solicitado pelo administrado, por outro lado, deve também zelar pelo princípio da eficiência vis a vis as inúmeras tarefas e serviços que necessitam ser desempenhadas e providos aos contribuintes, em contraste com a notória carência de recursos humanos e materiais enfrentada pelo serviço público. Ainda que se admitisse, por amor ao debate, que a demora configurasse oposição, pergunto: quanto é o tempo "razoável" ? Seis meses, um ano, dois anos ? Qual a penalidade pelo descumprimento do "tempo razoável" ? Como já dito, o direito administrativo Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13852.000592/200251 Acórdão n.º 9303003.012 CSRFT3 Fl. 4 5 é regido pelo princípio da legalidade, não há como arbitrariamente definirse um prazo que a Lei não estabeleceu. Desse modo, não havendo previsão legal e não se enquadrando a situação nos termos do recurso repetitivo, NEGO provimento ao recurso especial. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722251/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007
Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.245.321-0
Consolidados em 13/11/2009
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN.
Em relação ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias patronais, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições dos segurados, contando-se o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN.
O pagamento parcial, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, exige a análise individualizada conforme a contribuição devida pelo sujeito passivo.
ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. PERDA DA ISENÇÃO PELA MANTENEDORA.
Havendo a perda de isenção pela mantenedora, não há reconhecimento de direito adquirido da mantida.
Alegação de existência de mandado de segurança no pálio judicial, com êxito em outros tributos não implica em extensão aos efeitos da decisão judicial na isenção previdenciária não prospera, ausência de efeito 'erga omes'.
No caso em tela havendo ação mandamental específica não guarda vínculo nenhum com o presente lançamento, eis que visam desconstituir os lançamentos fiscais específicos, consubstanciados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.445.9821, 35.471.7910, 35.471.7928 e 35.445.9830, referentes a ação fiscal anterior, referente a período diferente do presente (10/1996 a 05/2002), razão pela qual a decisão dele não importa neste, não havendo concomitância e tão pouco há necessidade de diligência para ter o resultado final.
DIREITO A ISENÇÃO
A lei previdenciária estabelece as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção.
No caso em tela houve a perda do benefício da isenção por parte da mantenedora e a mantida também o perde.
DA CONDIÇÃO DE ISENTA DA RECORRENTE. INEXISTÊNCIA COM A PERDA DO RECONHECIMENTO DE ISENTA DA MANTENEDORA
A mera alegação de enquadramento do FPAS 639, não garante a Recorrente a condição de isenta se a mantenedora perdeu o direito ao benefício, sem demonstração de existência de reversão diante de recurso próprio.
Em não sendo reconhecida como isenta a mantenedora, então, por sua vez a mantida há de demonstrar a sua condição de isenta, que não presente caso não ocorreu, mantendo o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, quanto à decadência, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007 Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.245.321-0 Consolidados em 13/11/2009 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. Em relação ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias patronais, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições dos segurados, contando-se o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. O pagamento parcial, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, exige a análise individualizada conforme a contribuição devida pelo sujeito passivo. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. PERDA DA ISENÇÃO PELA MANTENEDORA. Havendo a perda de isenção pela mantenedora, não há reconhecimento de direito adquirido da mantida. Alegação de existência de mandado de segurança no pálio judicial, com êxito em outros tributos não implica em extensão aos efeitos da decisão judicial na isenção previdenciária não prospera, ausência de efeito 'erga omes'. No caso em tela havendo ação mandamental específica não guarda vínculo nenhum com o presente lançamento, eis que visam desconstituir os lançamentos fiscais específicos, consubstanciados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.445.9821, 35.471.7910, 35.471.7928 e 35.445.9830, referentes a ação fiscal anterior, referente a período diferente do presente (10/1996 a 05/2002), razão pela qual a decisão dele não importa neste, não havendo concomitância e tão pouco há necessidade de diligência para ter o resultado final. DIREITO A ISENÇÃO A lei previdenciária estabelece as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção. No caso em tela houve a perda do benefício da isenção por parte da mantenedora e a mantida também o perde. DA CONDIÇÃO DE ISENTA DA RECORRENTE. INEXISTÊNCIA COM A PERDA DO RECONHECIMENTO DE ISENTA DA MANTENEDORA A mera alegação de enquadramento do FPAS 639, não garante a Recorrente a condição de isenta se a mantenedora perdeu o direito ao benefício, sem demonstração de existência de reversão diante de recurso próprio. Em não sendo reconhecida como isenta a mantenedora, então, por sua vez a mantida há de demonstrar a sua condição de isenta, que não presente caso não ocorreu, mantendo o lançamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, quanto à decadência, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722251/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.352 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria Contribuição Previdenciária Recorrente UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007 Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.245.3210 Consolidados em 13/11/2009 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. Em relação ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias patronais, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições dos segurados, contandose o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. O pagamento parcial, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, exige a análise individualizada conforme a contribuição devida pelo sujeito passivo. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. PERDA DA ISENÇÃO PELA MANTENEDORA. Havendo a perda de isenção pela mantenedora, não há reconhecimento de direito adquirido da mantida. Alegação de existência de mandado de segurança no pálio judicial, com êxito em outros tributos não implica em extensão aos efeitos da decisão judicial na isenção previdenciária não prospera, ausência de efeito 'erga omes'. No caso em tela havendo ação mandamental específica não guarda vínculo nenhum com o presente lançamento, eis que visam desconstituir os lançamentos fiscais específicos, consubstanciados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.445.9821, 35.471.7910, 35.471.7928 e 35.445.9830, referentes a ação fiscal anterior, referente a período diferente do presente (10/1996 a 05/2002), razão pela qual a decisão dele não importa neste, não havendo concomitância e tão pouco há necessidade de diligência para ter o resultado final. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 51 /2 00 9- 93 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 DIREITO A ISENÇÃO A lei previdenciária estabelece as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção. No caso em tela houve a perda do benefício da isenção por parte da mantenedora e a mantida também o perde. DA CONDIÇÃO DE ISENTA DA RECORRENTE. INEXISTÊNCIA COM A PERDA DO RECONHECIMENTO DE ISENTA DA MANTENEDORA A mera alegação de enquadramento do FPAS 639, não garante a Recorrente a condição de isenta se a mantenedora perdeu o direito ao benefício, sem demonstração de existência de reversão diante de recurso próprio. Em não sendo reconhecida como isenta a mantenedora, então, por sua vez a mantida há de demonstrar a sua condição de isenta, que não presente caso não ocorreu, mantendo o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, quanto à decadência, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob n° 0733.102 da 5ª Turma da DRJ/FNS onde julgou procedente o lançamento efetuado no AIOP acima identificado, sendo ele: AIOP DEBCAD sob nº 37.245.3210, referente a crédito à contribuição previdenciária, compreendendo a parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), bem como para o financiamento da aposentadoria especial aos 25 anos, incidentes sobre as remunerações pagas a empregados, e sobre remunerações pagas a contribuintes individuais. Diz a Fiscalização que trata de uma instituição de ensino, pesquisa e extensão sem fins financeiro e que deveria se enquadrar no código FAPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social, sob nº 574 e no entanto ela registrou na GFIP com o código sob nº 639. Que tal comportamento resulta em declarar apenas contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, deixando de ser declaradas a cota patronal incidente sobre remuneração pagas, devidas ou creditadas de segurados empregados e de contribuintes individuais, conforme dispõe o Artigo 22, I, II e III da Lei 8.212/91. Intimada a apresentar o Deferimento do Pedido de Isenção de Contribuição Previdenciária a Recorrente informou que é abrangida pelo direito adquirido, nos moldes do § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91, porque já contempla de isenção em razão de ser entidade mantida pelo CETEC. Destacou a Fiscalização que o CETEC, através do Ato Cancelatório sob nº 15.401.1/001/2005, perdeu a isenção, com efeito retroativo em 01/01/93. E ainda, relata a Fiscalização, que em relação as demais obrigatoriedade que trata o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, a Recorrida teve seu CEBAS renovado ao triênio 23/10/2005 a 2008 por força da MP 446/2008, ao qual foi rejeitado. Quanto a multa, já analisando a benevolência do artigo 106, II, C do CTN a Fiscalização aplicou o Artigo 35 da Lei 8.212/91, bem como lançou em outro AI a multa pelo descumprimento de obrigação acessória relaciona à GFIP. Quanto a decadência a Fiscalização entendeu que não houve recolhimento antecipado, razão pela qual teve como fulcro para analise da decadência o Artigo 173, I do CTN. Inconformada com lançamento aviou sua Impugnação, cuja qual não foi suficiente para modificálo, sendo mantido ‘in totum’. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Noticiada da decisão de piso, em 11/11/2013, no dia 02/12/2013 apressouse em recorrer a esta Corte, com as seguintes alegações: i) tempestividade; ii) fatos; ii) da decisão recorrida; iv)necessidade de reforma e suas razões. É a síntese do necessário. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. O ponto nodal da testilha é a isenção de contribuição previdenciária, parte patronal, face ao reconhecimento ou não do direito adquirido da Recorrente diante da isenção da sua mantenedora CETEC. Lamenta a Recorrente em ter ajuizado mandado de segurança na Justiça Federal ao invés de ter aviado ação declaratória, em caso idêntico, mas com outros lançamentos, onde lá se conheceu da sua isenção, por ser mantida pela sociedade civil Centro e Educação técnica e Cultural – CETEC, entidade que, segundo a decisão judicial goza de isenção previdenciária desde 1966, direito a ela extensivo. A decisão de piso trás a nós a notícia que verificou no sítio da internet do TRF/5 o ‘mandamus’ mencionado e que constatou que a Recorrente de fato buscou a anulação dos lançamentos fiscais outros referentes a ação fiscal anterior, compreendido no período (10/1996 a 05/2002), sendo que em decisão singular o mesmo foi julgada improcedente, mas em sede de recurso de apelação a impetrante obteve provimento parcialmente favorável, para afastar o lançamento fiscal do período objeto das autuações, e que atualmente se encontra em tramitação perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por força de Recurso Especial. Observo que por ser uma ação mandamental específica não guarda vínculo nenhum com o presente lançamento, eis que visam desconstituir os lançamentos fiscais específicos, consubstanciados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.445.9821, 35.471.7910, 35.471.7928 e 35.445.9830, referentes a ação fiscal anterior, referente a período diferente do presente (10/1996 a 05/2002), razão pela qual a decisão dele não importa neste, não havendo concomitância e tão pouco há necessidade de diligência para ter o resultado final. A lei previdenciária estabelece as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção. Assim, reportome ao Relatório Fiscal onde este informa que houve o cancelamento de isenção da mantenedora, através do Ato Cancelatório sob nº 15.401.1/001/2005, onde perdeu a isenção retroativo em 01/01/93. Por onde inicio o meu julgamento. DA PERDA DO BENEFÍCIO INCENTIVO PELA ENTIDADE MANTENEDORA CETEC Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 No Relatório Fiscal, quando tratou da obrigatoriedade do requerimento administrativo para o direito à isenção, que a entidade mantenedora CETEC teve cancelada a isenção, por meio do Ato Declaratório nº 15.401.1/001/2005, emitido em 22/02/2005, com efeito retroativo a 01/01/1993 a Recorrente não manifestou em sua impugnação. Ora, esta questão não foi espancada pela Recorrente no momento da impugnação, tornandose assim, matéria não impugnada, nos dizeres do Artigo 17 do Decreto 70.235/72, ‘in verbis’: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Desta forma, como a Recorrente sustenta em sua argumentação na resposta à intimação fiscal (fl. 231), que possui direito adquirido como entidade mantida pelo CETEC, mas não demonstrou que esta é instituição isenta, não há de se conhecer a sua isenção também. Assim, como não anatematizou o relato da fiscalização ao dizer que a mantenedora não tinha mais reconhecida a isenção por força de ato cancelatório que o ‘caçou’, não vejo como prosperar a alegação de isenta por ser mantida por mantenedora isenta. DA CONDIÇÃO DE ISENTA DA RECORRENTE A Recorrente alega ser enquadrada no FPAS 639, porque isenta em razão de ser mantida pela CETEC e ainda por ter direito adquirido. Por sua fez, como alhures dito, a CETEC já não é mais isenta, porque afastada esta condição através de ato declaratório não combatido, fato este por si só que já estabelece que a Recorrente não faz jus à isenção da cota patronal. Em não sendo reconhecida como isenta a mantenedora, então, por sua vez, deveria a mantida, ora Recorrente demonstrar cabalmente a sua condição de isenta, cuja evolução histórica foi trazida na decisão de piso, a qual me inclino e peço vênia para transcrevêla em parte: Do reconhecimento de isenção das Contribuições Sociais No âmbito da Previdência Social, a legislação estabeleceu as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção. Nestes termos, a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (IFC), como requisito para que se tenha seguimento a cobrança de contribuições através de lançamento fiscal, tem lugar quando a entidade é reconhecida como isenta pelo INSS, tal como previsto na Instrução Normativa SRP nº 03, de 14 de julho de 2005, vigente à época da lavratura fiscal em comento: Instrução Normativa SRP nº 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 5 7 requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. [...]. Denotase, pelo dispositivo da IN 03/2005, que a verificação diz respeito à continuidade do atendimento dos requisitos para manutenção do benefício, ou seja, diante de uma entidade beneficente de assistência social e em gozo de isenção das contribuições destinadas à seguridade social reconhecida pelo INSS, quando o Fisco constata o descumprimento de requisitos que importem na perda da isenção, fará informação fiscal, dandolhe oportunidade do contraditório e da ampla defesa na via administrativa. Da mesma forma na legislação posterior, destacandose a Instrução Normativa RFB nº 971 de 13 de novembro de 2009, e que atualmente sequer se faz necessária a exigência prévia de IFC, bastando que não se cumpram os requisitos legais para manutenção da isenção, para se proceder ao imediato lançamento fiscal, que colaciono: Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 229. Constatado o descumprimento, pela entidade, de requisito estabelecido no art. 227, a isenção ficará suspensa e a fiscalização da RFB lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, relatando os fatos que lhe deram causa. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012 ) [...] Art. 233. A partir de 30 de novembro de 2009, deixam de ser emitidos ato declaratório e ato cancelatório de isenção. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010 ) [...] Pelo que se vê, a IFC é apenas prérequisito para a cobrança de contribuições destinadas à seguridade social, devidas por entidades beneficentes de assistência social que estejam em gozo de isenção reconhecida pelo INSS, pois que se destina ao cancelamento da isenção anteriormente concedida. O ato de reconhecimento do direito à isenção, conforme a legislação, pode ser tácito ou expresso. Na forma expressa, temse aquele obtido Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 por ato formal expedido pelo INSS, posteriormente pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, atualmente, dispensada a sua emissão, por força da novel legislação (Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009). No seu período de exigência formal, constava expresso do § 1º, do art. 55, da Lei nº 8.212/91, nestes termos: Lei nº 8.212/91: Art. 55. [...]. [...] § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...]. Tacitamente seria em virtude dos direitos adquiridos, que o parágrafo primeiro ressalvou, cuja interpretação foi dada pelo Parecer CJ/MPAS nº 2.901, de 25 de novembro de 2002: ASSUNTO: Interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de1991. EMENTA: Direito Previdenciário. Assistência Social. Direito adquirido à isenção. Interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Tratase de consulta sobre a interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujo teor é o seguinte: [...] 7. Desde o início, a opção do legislador brasileiro foi a de dar benefício fiscal às entidades de fins filantrópicos. Infraconstitucionalmente, os primórdios da legislação de assistência social datam de 4 de julho de 1959, quando entrou em vigor a Leinº 3.577,que concedia isenção da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões às entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública cujos membros de suas diretorias não percebessem remuneração, nos seguintes termos: Art. 1º Ficam isentas da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebam remuneração. Art. 2º As entidades beneficiadas pela isenção instituída pela presente lei ficam obrigadas a recolher aos Institutos, apenas, a parte devida pelos seus empregados, sem prejuízo dos direitos aos mesmos conferidos pela legislação previdenciária. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 6 9 8. Em 1º de setembro de 1977 passou a viger o DecretoLei nº 1.572, que revogou a Lei nº 3.577, de 1959, resguardando o direito da instituição que tinha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data em que foi publicada, fosse portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e já estivesse isentada contribuição. Este decreto deu prazo para que a entidade que não estivesse de posse de todos os documentos os pleiteasse junto aos órgãos competentes, conforme se depreende da sua leitura: Art. 1º Fica revogada a Leinº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isentada contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam a remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. §2ºA instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo da isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do início da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até, que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. §3ºO disposto no parágrafo anterior, aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4º A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 Art. 2º O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao dessa revogação. 9. As entidades filantrópicas criadas a partir deste DecretoLei, por falta de previsão legal, contribuíam normalmente para a Previdência Social, sem poder usufruir de benefícios fiscais nesta área. Só com a Constituição de 1988 é que se volta a discutir a matéria, levando ainda, a partir de sua promulgação, quase três anos para que uma norma específica fosse publicada para regulamentar definitivamente a isenção. [...] O Direito Adquirido à Isenção 26. Tecidas estas poucas considerações, chegamos ao cerne da questão, qual seja, a melhor interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. [...]. 28. Se depois da Constituição de 1988 surgiu a celeuma do § 7º do art. 195 estar tratando de imunidade ou de isenção, antes a dúvida não existia. Era isenção. Isenção é revogável a qualquer tempo, conforme o art. 178 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. 29. A Lei nº 8.212, de 1991, quando trouxe de volta a possibilidade de uma entidade beneficente ter o benefício fiscal, assegurou que aquelas que vinham gozando do benefício desde o DecretoLei nº 1.572, de 1977, não precisariam requerer a isenção novamente ao INSS. 30. E é novamente mesmo, porque era necessário requerer a isenção ao Instituto,que em 1978 ainda era o IAPAS: ORDEM DE SERVIÇO PRÉIAPAS/SAF/Nº 023.34, DE 21 DE FEVEREIRO DE 1978. Assunto: Entidades de fins filantrópicos isenção da quota patronal da contribuição previdenciária. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 7 11 O SECRETÁRIO DE ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 110, inciso V do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº MTPS 3.283, de 18 de setembro de 1973, e consoante o disposto no subitem 3.1 da Portaria n° MPAS838, de 19 de setembro de 1977, Considerando o que dispõe o DecretoLei nº 1.572, de 01 de setembro de 1977, Considerando o Parecer nº 1.168, de 30.11.77, do Sr. Consultor Geral da República Processo nº 024C77 P. R. nº 4.192/77, publicado no "Diário Oficial da União" de 16.01.78, e Considerando o que determina a Portaria n° MPAS928, de 23 de janeiro de 1978, RESOLVE: 1 Disciplinar as obrigações das entidades de fins filantrópicos perante a Previdência Social, para efeito de isenção da quota patronal. I CONDIÇÕES PARA ISENÇÃO DA QUOTA PATRONAL 2 A isenção da quota patronal de contribuição previdenciária, prevista na Lei n° 3.577, de 04 de julho de 1959, estará assegurada às entidades em qualquer das situações abaixo indicadas: a) que tenham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo governo federal até 01.09.77 e que, naquela data, fossem portadoras de certificado de entidade de fins filantrópicos, com validade por prazo indeterminado, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura e estivessem isentas daquela contribuição; b) que se encontravam em gozo da isenção, sendo portadoras de certificado provisório de entidades de fins filantrópicos em vigor, desde que tenham requerido até 30.11.77 seu reconhecimento como de utilidade pública federal; c) que se encontravam em gozo de isenção, ainda que expirado o prazo da vigência do certificado provisório de entidade de fins filantrópicos, desde que tenham requerido, até 30.11.77, a renovação do referido certificado e o reconhecimento como de utilidade pública federal. 2.1 Ocorrendo o indeferimento do pedido de reconhecimento como de utilidade pública federal ou da renovação do certificado provisório, a isenção cessará na data da publicação dos atos decisórios. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 2.2 Para as entidades que não tenham requerido, até 30.11.77, a renovação de certificado provisório e o reconhecimento como de utilidade pública federal, a isenção cessou, definitivamente, naquela data. 3 O cancelamento da declaração de utilidade pública federal, o seu indeferimento ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, tornandose devidas as contribuições previdenciárias integrais a partir do mês seguinte ao da revogação. [...]. 31. O que o § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, está garantindo é que a entidade beneficente que já gozava da isenção não precisaria se submeter ao crivo do INSS novamente para manter a benesse. A observância aos requisitos da nova lei, a partir de sua exigência (novembro de 1991), é imperiosa para todas as entidades que quiserem continuar gozando de isenção das contribuições sociais previdenciárias. [...]. 35. O Instituto tem sim a competência para verificar se a entidade atende aos requisitos da isenção a qualquer tempo. Se constata que ela não mais atende, deve emitir informação fiscal, que dará origem ao ato cancelatório, e dependendo do requisito que não está sendo cumprido pode retroagir os efeitos da decisão de cancelamento ao momento ao em que a entidade deixou de cumprilo, observado o prazo decadencial. 36. Por outro lado, nenhuma entidade que, depois da Lei de Custeio, reúna todas os documentos e condições do seu art. 55, pode se autodeclarar isenta, dispensarse do pagamento das contribuições previdenciárias, sem o requerimento e a prévia manifestação do INSS, exceto as que já eram reconhecidamente isentas antes daquela lei. 37. Os atos cancelatórios eventualmente feitos pelo INSS com base única e exclusivamente no fato de entidade isenta antes da Lei nº 8.212, de 1991, não ter requerido novamente a isenção, afrontam o § 1º do art. 55, e devem ser de pronto revistos. Ante o exposto, concluise que, administrativamente, a melhor interpretação para o § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, é aquela que garante às entidades isentas pela Lei nº 3.577, de 1959, que continuaram a usufruir o benefício após o DecretoLei nº 1.572, de 1977, o direito de não precisarem requerer novamente a isenção ao Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 8 13 INSS, devendo contudo se adequar a todos os requisitos da nova legislação, ficando sujeita a fiscalização posterior. Também se faz necessário que o INSS revise todos os cancelamentos de isenções que contrariem este Parecer. [...] Temse, pois, que as entidades reconhecidas administrativamente como isentas pelo INSS são as que: a partir da vigência da Lei 8.212/1991, efetuaram pedido de isenção e tiveram este deferido expressamente; ou as que eram isentas nos termos da Lei nº 3.577, de 1959, e continuaram a usufruir o benefício após o Decreto=Lei nº 1.572, de 1977. Para as entidades nesta situação, faziase necessário o cancelamento do benefício para a posterior exigência da contribuição não paga. É o que mostram as Instruções Normativas INSS/DC nº 100, de 18/12/2003, Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005 e Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009: IN INSS/DC nº 100/2003: Art. 321. A entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da publicação do Decretolei nº 1.572, atendia aos requisitos abaixo, teve assegurado o direito à isenção até 31 de outubro de 1991: I detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) com validade por prazo indeterminado; II era reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal; III os diretores não percebiam remuneração; IV encontravase em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. [...]. Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005: Art. 313. O direito à isenção foi assegurado até 31 de outubro de 1991 à entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da publicação do Decreto lei nº 1.572, de 1977, atendia aos requisitos abaixo: I detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF com validade por prazo indeterminado; II era reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal; III os diretores não percebiam remuneração; Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 IV encontravase em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. [...]. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 240. O direito à isenção foi assegurado até 31 de outubro de 1991 à entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da publicação do Decreto Lei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, atendia aos requisitos abaixo: I detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) com validade por prazo indeterminado; II era reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal; III os diretores não percebiam remuneração; IV encontravase em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. [...]. O art. 55 da Lei nº 8.212/91 regulamentou a isenção da contribuição social por parte das entidades de assistência social, estabelecida pelo art. 195, § 7º, nestes termos: Lei nº 8.212/91: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos. III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título. V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 9 15 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social/INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. [...] Temse, pois, que uma das formas do reconhecimento da isenção é o requerimento administrativo e o seu deferimento por parte do órgão competente (INSS, SRP, RFB, nos períodos das respectivas competências). Digase que não se trata de inovação da Lei nº 8.212/1991, uma vez que o art. 275, § 1º, do Regulamento do Regime de Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 72.771/1973, já o exigia. No caso presente, não consta ter a autuada requerido o reconhecimento de isenção perante o INSS, não havendo, portanto, o reconhecimento pela via expressa, como previsto no art. 55, § 1º, da Lei nº 8.212/1991. Decreto nº 72.771/1973: Art. 275. A entidade de fins filantrópicos, para gozar da isenção prevista na Lei no 3.577, de 4 de julho de 1959, deverá apresentar ao INPS o certificado em que seja como tal declarada pelo Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura. § 1º A isenção será efetivada a contar do mês em que a interessada formalizar ao INPS sua pretensão, acompanhada dos elementos pelos quais faça prova de que preenche os requisitos indicados no parágrafo seguinte e será suspensa, a qualquer tempo, quando for apurado que deixou de satisfazer qualquer daqueles requisitos, notificado o Conselho Nacional de Serviço Social. [...]. Neste ponto, cabe verificar se estaria a entidade abarcada pelo reconhecimento tácito, face a ressalva ao direito adquirido, que compõe a primeira parte do parágrafo primeiro citado. O Parecer CJ/MPAS buscou dar a interpretação ao direito adquirido, dantes colacionado, no sentido de que as entidades que já usufruíam da isenção, por terem requerido antes da novel legislação, não precisariam se submeter a novo pedido administrativo, como consta no seu item 30: “30. E é novamente mesmo, porque era necessário requerer a isenção ao Instituto, que em 1978 ainda era o IAPAS: [...]”. O direito à isenção sempre foi atribuído a título precário, ou seja, as entidades eram obrigadas a atenderem aos requisitos estabelecidos em Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 lei, sob pena de perecimento do direito. Assim é desde o Decretolei nº 1.572/1977, que previu em seu art. 2º os casos de revogação do mesmo. DecretoLei nº 1.572/1977: Art. 1º Fica revogada a Lei no 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decretolei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. § 2º A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo da isenção referida no caput deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste decretolei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3º O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venha a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4º A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento. Art. 2º. O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao desta revogação. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 10 17 Nada impedia nem impede que, por inovação legislativa, viessem ou venham a surgir novos requisitos ao reconhecimento ou à manutenção do direito à isenção a que se refere o art. 195, § 7º, da CF/1988. É o que também se observa da leitura do art. 178 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (....) O art. 55 da Lei nº 8.212/1991, foi regulamentado pelo Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado sucessivamente pelos Decretos nº 356, de 7 de dezembro de 1991, nº 612, de 21 de julho de 1992, nº 2.173, de 5 de março de 1997 e Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, que por conveniência se reproduz o necessário: Decreto nº 356/1991: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 25, 26 e 28 a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 1º A isenção das contribuições é extensiva às dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da entidade beneficente, quando por ela executada e destinadas a uso próprio. § 2º A isenção não abrange empresas ou entidades que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja, no exercício do direito a isenção, exceto no caso de que trata o § 11. § 3º Ressalvado o direito adquirido, a isenção será requerida ao INSS na forma do art. 31. § 4º O INSS verificará, periodicamente, se a entidade beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 5º O Conselho Nacional do Serviço Social encaminhará trimestralmente ao INSS a relação das entidades que não renovaram o Registro na forma do inciso III. § 6º A entidade filantrópica que em 24 de julho de 1991 gozava da isenção de que trata este artigo, Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 estará, a partir de 25 de julho de 1991, sujeita ao cumprimento das exigências referidas nos incisos I a VIII para manter a isenção, que poderá ser cancelada, a qualquer tempo, caso o INSS venha a verificar a falta de qualquer delas, ainda que isoladamente. § 7º O disposto no inciso II somente será exigido da entidade beneficiada pela isenção em 24 de julho de 1991, na forma do Decretolei nº 1.572, de 01 de setembro de 1977, quando da renovação do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos. § 8º Perderá direito à isenção a entidade que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos. § 9º O INSS comunicará ao Ministério da Justiça e ao Conselho Nacional do Serviço Social o cancelamento de que trata o parágrafo anterior, observado o disposto no § 2º do art. 33. § 10. Para os fins previstos neste artigo, todas as entidades registradas no Conselho Nacional do Serviço Social até 24 de julho de 1991 deverão renovar seu Certificado ou Registro até 25 de julho de 1994, conforme o inciso III. § 11. O disposto nos § 6º e 7º aplicase à empresa ou entidade mantida por outra que, em 24 de julho de 1991, estava no exercício do direito à isenção, desde que esse direito fosse a ela extensivo. Como se observa, o § 11, do art. 30 estendeu o benefício fiscal às entidades mantidas, com personalidade jurídica própria. Pela leitura dos §§ 2º, 3º e 11 do art. 30 do Decreto nº 356/1991, temse que para as entidades personalizadas ligadas à mantenedora, a dispensa de requererem a própria isenção ao INSS, só estaria assegurada na ocorrência cumulativa das seguintes condições: a) ser entidade mantida por instituição com direito à isenção, estando o nome daquela averbado no certificado de entidade de fins filantrópicos desta; b) a instituição mantenedora estar no exercício do direito à isenção, por efeito da Lei nº 3.577/59, em 24 de julho de 1991; e c) que esse direito fosse extensivo à entidade mantida. A conclusão que se vislumbra é que, com a vigência da Lei nº 8.212/1991, a entidade vinculada que possuía isenção por via reflexa, para a preservação desse benefício sem a necessidade de requerer a isenção diretamente ao INSS, deveria continuar na condição de entidade mantida, implicando, o contrário, na perda da benesse fiscal. De outra forma, se pretendesse a desvinculação da entidade tida como mantenedora e a preservação do benefício, deveria requerer a isenção na via administrativa e aguardar o pronunciamento, sujeitandose às normas legais vigentes à data do requerimento, como as entidades em geral, sendo impossível se autodeclarar como entidade isenta, eximindose do pagamento Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 11 19 das contribuições previdenciárias, sem o requerimento e a prévia manifestação do órgão administrativo, como fez a autuada, ainda que reunisse todos os documentos e as demais condições previstas no art. 55 da Lei nº 8.212/91. O Decreto nº 612/1992, que deu nova redação ao ROCSS, manteve as mesmas disposições do Decreto nº 356/1991, que reproduzo: Decreto nº 612/1992: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 25, 26 e 28 a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 1º A isenção das contribuições é extensiva às dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da entidade beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 2º A isenção não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício do direito à isenção, exceto no caso de que trata o § 11. § 3º Ressalvado o direito adquirido, a isenção será requerida ao INSS na forma do art. 31. § 4º O INSS verificará, periodicamente, se a entidade beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 5º O Conselho Nacional de Serviço Social encaminhará trimestralmente ao INSS a relação das entidades que não renovaram o registro na forma do inciso III. § 6º A entidade filantrópica que em 24 de julho de 1991 gozava da isenção de que trata este artigo, estará, a partir de 25 de julho de 1991, sujeita ao cumprimento das exigências referidas no incisos I a VIII para manter a isenção, que poderá ser cancelada, a qualquer tempo, caso o INSS venha a verificar a falta de qualquer delas, ainda que isoladamente. § 7º O disposto no inciso II somente será exigido da entidade beneficiada pela isenção em 24 de julho de 1991, na forma do Decretolei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, quando da renovação do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 § 8º Perderá o direito à isenção a entidade que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos. § 9º O INSS comunicará ao Ministério da Justiça e ao Conselho Nacional do Serviço Social o cancelamento de que trata o parágrafo anterior, observado o disposto no § 2º do artigo 33. § 10. Para os fins previstos neste artigo, todas as entidades registradas no Conselho Nacional do Serviço Social até 24 de julho de 1991 deverão renovar seu Certificado ou Registro até 25 de julho de 1994, conforme o inciso III. § 11. O disposto nos §§ 6º e 7º aplicase à empresa ou entidade mantida por outra que, em 24 de julho de 1991, estava no exercício do direito à isenção, desde que esse direito fosse a ela extensivo. Com o advento do Decreto nº 2.173, de 5 de março de 1997, que deu nova redação ao ROCSS e à regulamentação do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, restou em definitivo afastada a possibilidade de isenção, por via reflexa, a entidade mantida, como se vê: Decreto nº 2.173/1997: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a pessoa jurídica beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 1º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 2º A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela controlada. § 3º Ressalvado o direito adquirido, a isenção será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS na forma do art. 31. § 4º A pessoa jurídica beneficente de assistência social que, em 24 de julho de 1991, gozava de isenção de que trata o Decretolei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, está sujeita ao cumprimento das exigências referidas nos incisos I a VI deste artigo para manter a isenção, que poderá ser cancelada, a qualquer tempo, caso o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS venha a verificar a falta de qualquer delas, ainda que isoladamente. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 12 21 § 5º O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 6º Perderá o direito à isenção a pessoa jurídica que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, obedecido o seguinte procedimento: I se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinam a perda da isenção; II a entidade será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; IV cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência SocialCRPS. § 7º O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS comunicará ao Ministério da JustiçaMJ e ao Conselho Nacional de Assistência SocialCNAS o cancelamento de que trata o parágrafo anterior. (destacamos). Denotase pelo novo regulamento, que restou afastado o benefício a outra entidade, disciplinando que a isenção concedida a uma pessoa jurídica não mais seria extensiva nem abrangeria outra pessoa jurídica, ainda que mantida por aquela. Desta feita, a entidade mantida que detinha personalidade jurídica própria, a partir de 06/03/97 (vigência do Decreto 2.173), deveria requerer a isenção em nome próprio (art. 30, § 2º), e o deferimento do benefício pelo órgão administrativo (na data do Decreto, a autarquia INSS). (GN) Temse, portanto, que em 05/03/1997, dia anterior à vigência do ROCSS, pereceu o direito de qualquer entidade propriamente personificada, por via reflexa, na condição de mantida, usufruir o favor incentivo e, desta feita, a partir de 06/03/1997, com base nas disposições da legislação, a autuada não mais estava amparada no benefício fiscal, que Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 somente poderia voltar a obtêlo após o prévio requerimento administrativo e o conseqüente deferimento, situação que não ocorreu. (GN) O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, também afastou a possibilidade de extensão do benefício a entidade mantida, nestes temos: Decreto nº 3.048/1999 (obs: Art. 206 revogado pelo Decreto nº 7.237, de 20/07/2010): Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 5º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica de direito privado beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 6º A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela controlada. [...]. § 7º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. ....” Feito a cronologia da lei e observado que a Recorrente, por também não acudir os pressupostos legais para ter reconhecida sua isenção, julgo improcedente suas alegações. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 13 23 Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja Fl. 604DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 24 manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 14 25 regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Entretanto a decadência, diferentemente é matéria de ordem pública e mesmo não sendo espancada no presente recurso, tenho que ela deva ser analisada, eis que representa anseio social de justiça. Vejo que a Recorrente antecipou o recolhimento de parte da contribuição previdenciária ao contribuir com a parte dos empregados, razão pela qual, ainda que de valores inferiores ao que julga a Fiscalização o valor correto, de uma certa forma houve o recolhimento, comportando assim a aplicação da Súmula CARF 99, estando decadentes os lançamentos a outubro de 2004, inclusive este. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO EM PARTE, declarando decadentes os lançamentos anteriores a outubro de 2004, com aplicação da Súmula CARF 99. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 26 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator designado Peço licença ao nobre relator para divergir quanto à decadência. 2. Concordo que é possível reconhecer de ofício a decadência. Porém, no caso do crédito tributário sob exame, não houve pagamento parcial antecipado para fins da contagem da decadência na forma do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 3. É verdade que, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial do direito de constituir de ofício o crédito tributário, relativo à diferença entre o valor constituído pelo sujeito passivo e aquele que o Fisco entende devido, regese pelo art. 150, § 4º, do CTN, isto é, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 4. Nada obstante, o chamado lançamento por homologação pressupõe uma atividade do sujeito passivo correspondente a determinar e quantificar a prestação pecuniária. 4.1 Ao dispor dos elementos para a formalização do crédito tributário, a atividade contempla forte grau de participação do sujeito passivo, na medida em que verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante do tributo devido e realiza o seu pagamento, atuando o Fisco, eventualmente, no controle posterior de correção desse procedimento, procedendo ou não a sua homologação. 4.2 A tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento exige do sujeito passivo, portanto, um conjunto de procedimentos realizado separadamente para cada um dos tributos devidos, a partir do cotejo individualizado dos fatos jurídicos com a regramatriz de incidência tributária. 4.3 Longe de uma análise conjunta, o débito relativo a um determinado tributo, para fins de antecipação do pagamento, impõe que o sujeito passivo calcule o seu valor à vista da respectiva norma jurídica aplicável, tendo em conta, entre outros, o fato gerador, a base de cálculo e a alíquota de cada tributo. 5. Logo, suscita a aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN, tão somente a hipótese de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, cujo exame individual e por período de apuração dáse sob o enfoque dessa exação devida e antecipada pelo sujeito passivo. 6. Conforme registram os autos, a recorrente antecipou o recolhimento da contribuição previdenciária a cargo dos segurados, não existindo notícia, por sua vez, de qualquer pagamento das contribuições previdenciárias patronais, objeto do lançamento de ofício constante do processo administrativo. 6.1 É de se notar que a inexistência desse pagamento mantém coerência com a descrição dos fatos, dado que a fiscalização informa que o sujeito passivo, ao se enquadrar como entidade isenta (FPAS 639), deixou de declarar e recolher a cota patronal incidente sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722251/200993 Acórdão n.º 2301004.352 S2C3T1 Fl. 15 27 7. De maneira que a ausência de pagamento, mesmo que parcial, em relação às contribuições previdenciárias patronais, distintas que são das contribuições dos segurados, considerando a regramatriz de incidência, afasta a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e justifica a utilização do critério do art. 173 do CTN. 8. Ao se referir o crédito tributário às competências de 06/2004 a 13/2007, com ciência da autuação pelo sujeito passivo em 20/11/2009 (fls. 59/76 e 383), e tendo em vista o prazo contado na forma definida no art. 173, inciso I, do CTN, não há que se falar em decadência. 9. Cabe reforçar que essa linha de pensamento não conflita, pelo contrário, harmonizase com o enunciado da Súmula 99 deste Conselho, a seguir reproduzido: SÚMULA CARF 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 10. Com efeito, o enunciado vinculante associa o pagamento antecipado, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, a uma mesma contribuição previdenciária, chamada de fato gerador, ainda que não tenha sido incluída no recolhimento parcial alguma parcela exigida no auto de infração, e que normativamente compõe a respectiva base de cálculo do tributo. 10.1 O enunciado trata de afastar, assim, a tese de que o pagamento parcial deve ser verificado rubrica a rubrica integrante da base de cálculo de uma mesma contribuição. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de aplicar a regra decadencial expressa no art. 173, inciso I, do CTN, descabendo reconhecer, no lançamento fiscal, crédito tributário alcançado pela decadência. Acompanho o relator nas demais matérias do seu voto. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10920.724243/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO.
Caracterizam subvenção para investimento e, portanto, não se sujeitam à incidência do IRPJ e da CSLL, as quantias relativas ao crédito presumido de que cuida o art. 148-A, do Anexo II, do Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina.
Numero da decisão: 1201-001.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência da multa isolada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e Rafael Vidal de Araújo.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Caracterizam subvenção para investimento e, portanto, não se sujeitam à incidência do IRPJ e da CSLL, as quantias relativas ao crédito presumido de que cuida o art. 148-A, do Anexo II, do Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência da multa isolada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e Rafael Vidal de Araújo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. De acordo com jurisprudência pacífica deste Conselho, não é nulo o lançamento em que a autoridade tributária descreve com precisão a infração que entende ter o sujeito passivo cometido, ainda que não aponte todos os dispositivos legais lhe fundamentam. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Por não se caracterizarem como tributos sujeitos à lançamento por homologação, o prazo decadencial para exigência das multas isoladas relativas à falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL é contado segundo o disposto no art. 173, I, do CTN, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, § 4º, do mesmo Código. Súmula nº 104 do CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Caracterizam subvenção para investimento e, portanto, não se sujeitam à incidência do IRPJ e da CSLL, as quantias relativas ao crédito presumido de que cuida o art. 148A, do Anexo II, do Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 42 43 /2 01 2- 51 Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência da multa isolada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e Rafael Vidal de Araújo. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1045.967, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre RS. Por bem descrever o litígio de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 3578 e ss.): Tratase de autos de infração lavrados em 07/12/2012 para constituir créditos tributários de IRPJ e CSLL relacionados com subvenções recebidas em 2007 do estado de Santa Catarina. 1. Autuação De acordo com a fiscalização, o interessado contabilizou as subvenções diretamente em conta de reserva de capital, mas deveria têlas adicionado às bases de cálculo, porque: com base nos esclarecimentos prestados pelo interessado, se trataria de subvenções correntes para custeio ou operações, cuja exclusão do resultado tributável não é autorizada pela legislação; mesmo que se tratasse de subvenções cuja exclusão, para fins de tributação, a legislação admitisse, o interessado deveria tê las registrado em conta de receita (para posterior exclusão) e, deixando de fazêlo, perderia eventual direito a não computálas no lucro real; no § 2º, do art. 545, do RIR/99, existe determinação de que “o valor da isenção ou redução, lançado em contrapartida à conta de reserva de capital nos termos deste artigo, não será dedutível na determinação do lucro real”. Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 4 3 Ainda de acordo com a fiscalização, esse tratamento contábil fiscal que o interessado deu às subvenções teria ocasionado recolhimentos insuficientes de antecipações de IRPJ e de CSLL. O percentual da multa de ofício foi de 75%. 2. Impugnação O interessado impugnou, abordando as seguintes questões. 2.1. Nulidade dos autos de infração por ausência de motivação e fundamentação – primeiro semestre de 2007 No curso da fiscalização, o interessado informou à fiscalização que as subvenções recebidas em 2007 tinham como fundamento o art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC, tendo apresentado a transcrição do dispositivo (fls. 21). Na impugnação, diz que só passou a receber subvenções com base nesse dispositivo a partir de julho de 2007, quando firmou com o estado de Santa Catarina um protocolo de intenções nesse sentido. Não esclareceu quais seriam os fundamentos das subvenções recebidas no primeiro semestre. À vista nesses fatos, entende que teria havido cerceamento de defesa, o que levaria à nulidade da autuação, no tocante ao primeiro semestre de 2007. 2.2. As subvenções – ano de 2007 2.2.1 – Teriam natureza de investimento Defende que as subvenções seriam para investimento porque nos considerandos do protocolo de intenções há referência a: incremento do desenvolvimento industrial e comercial; manutenção dos investimentos atuais e a realização de novos investimentos no setor produtivo e tecnológico; consolidação do setor do setor de serviços, importação beneficiamento e logística; dinamização e a modernização do parque produtivo catarinense e o fortalecimento da economia estadual e regional; manutenção do nível de investimento em tecnologia apropriada para o desempenho de sua atividade, a utilização de serviços de mãodeobra catarinense e contribuição no desenvolvimento da economia e geração de empregos no Estado de Santa Catarina. Aduz ainda que, conforme a cláusula segunda do protocolo de intenções, ele (...) se comprometeu a: incrementar a atividade por ela desenvolvida de industrialização ou de serviços de logística ou de comercialização de mercadorias, matériasprimas, produtos acabados ou semiacabados, importados do Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 5 4 exterior do país, e que imprimam considerável movimentação portuária, rodoviária e aeroportuária no Estado de Santa Catarina; continuar a investir em tecnologia apropriada à sua atividadefim, de modo a contribuir à criação de um pólo de excelência no Estado de Santa Catarina; estimular e manter o desenvolvimento de uma economia de serviços e a geração de emprego e renda no Estado de Santa Catarina. Com base nesses pontos, conclui que: teria assumido “a obrigação de investir os valores objeto da subvenção na expansão de seu empreendimento econômico (“fomentação e manutenção das atividades pela Empresa”)”; “a geração de empregos diretos e o incremento do consumo dentro do Estado de Santa Catarina são meras conseqüências do investimento que gere o incremento de suas atividades no Estado”. Busca reforçar esse entendimento, mencionando o fato de o art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC, estabelece como requisito para concessão da subvenção a obrigação de geração de empregos e a alavancagem da economia catarinense. Finalmente, alega que a fiscalização não comprovou o motivo pelo qual as subvenções teriam a natureza de custeio, já que, em momento algum, o RICMS/SC e o Protocolo de Intenções instituíram os benefícios para custear parte das atividades desempenhadas pela Impugnante [...] 2.2.2 – Teriam sido regularmente escrituradas Com base no art. 28, § 2º, do decretoLei nº 1.598, de 1977, discorda da afirmativa da fiscalização de que as subvenções para investimento devem transitar por conta de resultado. 2.3. Decadência da multa isolada Alega que o termo inicial do prazo decadencial para lançamento dessas multas teria como a ocorrência do fato gerador, como previsto no § 4º, do art. 150, do CTN, de forma que as multas referentes aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2007 já estavam alcançadas pela decadência quando da constituição do crédito tributário (dezembro de 2012). 2.4. Multa isolada após o encerramento do anocalendário Para o interessado após o encerramento do período de apuração do IRPJ e da CSLL, a apuração e o recolhimento da estimativa Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 6 5 mensal deixa de ser exigível, pelo que não há que se falar na aplicação da multa [...]. 2.5. Multa isolada cumulada com multa de ofício O interessado sustenta que ao aplicar a multa de 50% sobre o valor das estimativas não recolhidas, a r. autoridade fiscal está punindo a Impugnante em duplicidade por uma mesma suposta infração, haja vista que já houve a aplicação de multa qualificada de ofício de 75% sobre a mesma base. Todavia, não há como se admitir uma dupla punição para uma única infração, qual seja, a suposta dedução indevida de despesas com ágio [sic]! 2.6. Percentual da Selic O interessado afirma ser de 48,87% (e não de 50,69%, como constou nos autos de infração), o percentual de juros para pagamento em 30/11/2012 dos créditos lançados e que venceram 31/01/2008. 2.7. Abatimento do IRRF do IRPJ devido no ajuste anual Alega que não teria ocorrido o abatimento do saldo de IRRF existente no ano calendário de 2007 do IRPJ devido no ajuste anual (conforme se infere da DIPJ do período anexa). Na mencionada DIPJ (fls. 2984), o interessado deduziu IRRF no valor de R$ 40.740,40. 2.8. Juros de mora sobre a multa de ofício De acordo com a impugnação o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não autorizou a aplicação de juros de mora (SELIC) sobre multas de ofício, tal como se está exigindo no processo em tela. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela parcial procedência da impugnação para reduzir o montante dos juros de mora lançados. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário reproduzindo, em síntese, as mesmas razões já expostas na impugnação ao lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 7 6 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Alega a recorrente que o lançamento deve ser declarado nulo, por vício material, uma que vez que a fiscalização deixou de apontar a fundamentação legal da autuação. Não assiste razão à defesa. Conforme se observa no auto de infração e no relatório de atividade fiscal, a autoridade informou como base legal da infração, dentre outros, o art. 392 do RIR/99, que prevê a incidência do IRPJ sobre os valores recebidos a título de subvenções para custeio. Ademais, conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, eventual falta ou insuficiência na fundamentação legal da infração não dará causa à nulidade do lançamento se a autoridade descrever com precisão o ilícito que entende ter o sujeito passivo cometido, como ocorreu no caso dos presentes autos. Isso não significa dizer, a priori, que o lançamento esteja materialmente correto, mas tãosomente que, como dito, se a autoridade fiscal descreveu com precisão o ilícito tributário que entende ter sido cometido pelo sujeito passivo, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento por ausência ou insuficiência de fundamentação. Por sua vez, as razões de defesa envolvendo a materialidade do lançamento não podem ser examinadas em preliminar, mas apenas na apreciação do mérito. 3) DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DA MULTA ISOLADA Alega a recorrente que o lançamento das multas isoladas referentes ao período de janeiro a novembro de 2007 foi alcançado pelo decurso do prazo decadencial de cinco anos, a teor do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez ter sido cientificada da autuação somente em 07/12/2012. Ocorre que é assente neste Conselho o entendimento segundo o qual as multas isoladas não são “tributos sujeitos a lançamento por homologação”, daí porque a contagem do prazo decadencial das referidas multas não pode ser realizada segundo o disposto no mencionado art. 150, § 4º, do CTN, e sim conforme o art. 173, I, do mesmo Código. Tal entendimento foi recentemente positivado em súmula, in verbis: Súmula CARF nº 104: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Isso posto, para o mês de janeiro, fato gerador mais antigo da multa isolada ora contestada, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2008, e encerrarseia em 31/12/2012. Ocorre que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo antes dessa data, razão pela qual devese afastar a alegação de decadência. 4) DAS ESPÉCIES DO GÊNERO “SUBVENÇÕES” Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 8 7 Conforme descrito em seu relatório de atividade fiscal, a autoridade tributária, após colacionar legislação e doutrina acerca das subvenções, concluiu (fl. 3384 e ss.) que o crédito presumido instituído pelo art. 148A, do Anexo II, do Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina, do qual a ora recorrente é beneficiária, caracterizase como subvenção para custeio, e não como subvenção para investimento, razão pela qual a contribuinte não deveria têla registrado diretamente em reserva de capital, e sim levado ao resultado de 2007 e oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, segundo estabelecido no art. 392, I, do RIR/99, in verbis: Art.392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); (...) Em seu recurso voluntário a interessada reafirma que o crédito presumido em comento tem natureza de subvenção para investimento, e não de subvenção para custeio, pois tratase de benefício de redução do imposto estadual concedido pelo Estado de Santa Catarina como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, nos exatos termos do a seguir art. 443 do RIR/99: Art.443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou (...) O mencionado art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC, e o art. 144, por ele referido, assim estabelecem: Art. 144. Na saída de produtos de informática resultantes da industrialização, e que atendam as disposições contidas na Lei federal n° 8.248, de 1991, o crédito presumido de que trata o art. 142, calculado sobre o valor do imposto devido pela operação própria, será equivalente a 96,5% (noventa e seis inteiros e cinco décimos por cento). (grifamos) (...) Art. 148A. Na saída subseqüente à importação de mercadorias diversas das referidas nesta Seção, poderá ser concedido o benefício fiscal previsto no “caput” do art. 144, atendido o estabelecido neste artigo. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 9 8 § 1º O disposto neste artigo: I dependerá de concessão de regime especial pelo Secretário de Estado da Fazenda; II somente será aplicado à empresa que, cumulativamente: a) seja signatária de protocolo de intenções firmado com o Estado; b) gere no mínimo 30 (trinta) empregos diretos, no estabelecimento beneficiário ou em estabelecimento do grupo, situado neste Estado, a partir de, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias contados da concessão do benefício, mantendoos durante todo o período de fruição; c) cujas atividades resultem em elevado impacto e alavancagem da economia catarinense; d) contribua com o Fundo instituído pela Lei nº 13.334, de 2005, em montante ajustado no protocolo de que trata o inciso I; e) – REVOGADA. f) – REVOGADA. g) realize operações de saída com mercadorias importadas por conta própria ou por encomenda: 1. nos 12 (doze) meses subsequentes à concessão do benefício, em montante igual ou superior a R$ 350.000.000,00 (trezentos e cinqüenta milhões de reais); e 2. a cada período de 12 (doze) meses posterior àquele previsto no item 1, em montante igual ou superior a R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais); h) – REVOGADA. i) utilize serviços de despachante aduaneiro residente e domiciliado neste Estado ou de Comissárias de Despacho Aduaneiro estabelecidas no Estado de Santa Catarina, para execução das liberações de importação junto aos órgãos intervenientes; j) realize operações de importação, quando se tratar de operações por conta e ordem de terceiros: 1. nos 12 (doze) meses subsequentes à concessão do benefício, em montante igual ou superior a R$ 330.000.000,00 (trezentos e trinta milhões de reais) considerando para esta finalidade o valor aduaneiro acrescido dos tributos federais e despesas aduaneiras; 2. a cada período de 12 (doze) meses posterior àquele previsto no item 1, em montante igual ou superior a R$ 470.000.000,00 (quatrocentos e setenta milhões de reais) considerando para esta Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 10 9 finalidade o valor aduaneiro acrescido dos tributos federais e despesas aduaneiras; (...) Com base na norma acima transcrita a contribuinte e o Governo do Estado de Santa Catarina celebraram protocolo de intenções onde é reafirmado o cumprimento dos deveres prescritos no referido art. 148A. Pois bem, para identificarmos se o crédito presumido de ICMS em questão tem natureza jurídica de subvenção para investimento ou de subvenção para custeio é preciso, antes, verificarmos as características próprias de cada uma dessas espécies do gênero subvenção. 4.1) Das Subvenções para Custeio Examinemos, de pronto, a Lei nº 4.320/64, que estatui normas gerais de Direito Financeiro: Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Transferências Correntes (...) § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (...) Das Transferências Correntes I) Das Subvenções Sociais (...) II) Das Subvenções Econômicas Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 11 10 Art. 18. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas, de natureza autárquica ou não, farseá mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. Consideramse, igualmente, como subvenções econômicas: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Govêrno, de gêneros alimentícios ou outros materiais; b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. Art. 19. A Lei de Orçamento não consignará ajuda financeira, a qualquer título, a emprêsa de fins lucrativos, salvo quando se tratar de subvenções cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial. (...) Pois bem, o art. 12, §§ 2º e 3º, da Lei nº 4.320/64 conceitua o gênero “subvenções” como sendo dotações orçamentárias realizadas pelo Estado a entidades de direito público ou de direito privado, que não correspondam a contraprestações dessas entidades ao Estado. Em seguida, a mencionada Lei tratou de regular duas espécies de subvenções, quais sejam, as sociais e as econômicas. Salta aos olhos desde logo que ambas têm como finalidade o custeio de outros entes pelo Estado, conforme previsão expressa contida no § 3º do art. 12, acima transcrito. As subvenções sociais são destinadas ao custeio de entes públicos ou privados, de caráter assistencial ou cultural, que não possuam finalidade de lucro (art. 12, § 3º, I). Por não ser essa, obviamente, a espécie de subvenção de que cuida o presente litígio, vamos nos abster, aqui, de sobre ela tecer maiores comentários. Já as subvenções econômicas destinamse ao custeio de empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril (art. 12, § 3º, II). Mas o que significa “custeio”? A meu sentir, custeio, no contexto das subvenções econômicas, é a destinação de recursos financeiros, pelo Estado, a empresas públicas ou privadas com fins lucrativos, com vistas a cobrir, total ou parcialmente, seus custos e/ou despesas “correntes”. Tal afirmação encontra amparo no já transcrito art. 18, § 1º, “a” e “b”, da Lei nº 4.320/64. Mas por que razão o Estado subvencionaria, ainda que parcialmente, os custos e/ou despesas correntes de empresas privadas com fins lucrativos? A única resposta juridicamente possível está fundada no interesse público do Estado em fazêlo. Neste sentido, não há dúvida de que o Estado pode ter interesse em subvencionar parte dos custos e/ou despesas correntes de empresas com fins lucrativos, produtoras de bens ou prestadoras de serviços de interesse público. Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 12 11 É o caso, por exemplo, das subvenções concedidas pela União às empresas nacionais concessionárias de linhas aéreas regulares com vistas a proporcionar a integração do território nacional, nos termos da Lei nº 4.200/63. E também das subvenções concedidas pela União às concessionárias de serviço público de energia elétrica, de modo a tornar módica a tarifa cobrada dos consumidores residenciais de baixa renda, nos termos da Lei nº 10.604/2002. Ou ainda das subvenções concedidas pela União aos produtores de álcool combustível com a finalidade de “reduzir a volatilidade de preço e contribuir para a estabilidade da oferta do produto”, nos termos da Lei nº 10.453/2002. As “subvenções econômicas” foram recepcionadas pela legislação tributária com e denominação de “subvenções correntes, para custeio ou operação”, ou simplesmente “subvenções para custeio”, conforme disposto no a seguir transcrito art. 44, IV, Lei nº 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: (...) IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (...) O acima referido art. 44, IV, da Lei nº 4.506/64 é a base legal do art. 392, I, do RIR/99, aludido pela fiscalização como fundamento da presente autuação. Ora, pelo visto até aqui, é de clareza mediana que o crédito presumido de que cuida o art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC, ora sob exame, não se subsume à espécie “subvenções econômicas” ou, na denominação adotada pela legislação tributária, “subvenções para custeio”. De fato, a contribuinte não é produtora de bens ou prestadora de serviços de interesse público, daí porque não haveria interesse estatal em subvencionar parte de seus custos e/ou despesas correntes. Por ouro lado, observase nas conclusões do auditor fiscal (fl. 3384 e ss.) o emprego de argumento a contrario sensu para afirmar que a subvenção contida no art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC é da espécie “subvenções para custeio”. De fato, ao examinar a referida norma e o respectivo protocolo de intenções firmado entre a contribuinte e o Governo Estadual, o auditor entendeu que não poderia tratarse de subvenção para investimento, daí porque concluiu, a contrario sensu, que o crédito presumido em questão somente poderia ser do tipo subvenção para custeio. Em outras palavras, a fiscalização não tentou demonstrar que as características da subvenção concedida à contribuinte são próprias das subvenções para custeio. 4.2) Das Subvenções para Investimento Relembrando o que foi visto no item anterior, a já mencionada Lei nº 4.320/64 tratou apenas de duas espécies do gênero “subvenções”, quais sejam, as “subvenções sociais” e as “subvenções econômicas”. As subvenções sociais destinamse a entidades sem Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 13 12 fins lucrativos e, assim, não interessam ao presente processo. Já subvenções econômicas são denominadas pela doutrina tributária como “subvenções para custeio”. As “subvenções para investimento”, portanto, não foram reguladas pela Lei nº 4.320/64. Mas, sendo espécie do gênero “subvenções,” são, igualmente às outras duas espécies, dotações estatais orçamentárias que não correspondam a contraprestações das entidades beneficiárias ao Estado. As “subvenções para investimento” foram mencionadas pela Lei Societária (Lei nº 6.404/76), em seu abaixo transcrito art. 182, § 1º, “d”, alínea essa que, à época dos fatos examinados neste processo, encontravase em pleno vigor: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: (...) d) as doações e as subvenções para investimento. (grifamos) (...) Posteriormente, o art. 38, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77 (base legal do art. 443 do RIR/99), também fez referência às “subvenções para investimento”, nos seguintes termos: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifamos) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (...) Isso posto, com base no conceito geral de subvenção (gênero) contido no art. 12, §§ 2º 3º, da Lei nº 4.320/64, e nas características específicas presentes na Lei Societária e no Decretolei nº 1.598/77, é possível concluir com segurança que as subvenções para investimento: Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 14 13 a) sendo espécie do gênero “subvenções”, são dotações orçamentárias realizadas pelo Estado a entidades de direito público ou de direito privado, sem caráter contraprestacional; b) tais dotações devem, necessariamente, ser registradas no patrimônio líquido da entidade beneficiária a título de reserva de capital, submetendo assim às limitações contidas no art. 200 da Lei Societária; c) em razão de seu nomen juris a ela atribuído, essas dotações têm como finalidade a realização de investimentos por parte da entidade beneficiária, e; d) são dotações orçamentárias que, inclusive, podem assumir a forma isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. A caracterização, então, do crédito presumido instituído pelo art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC como sendo subvenção para investimento não encontraria maiores dificuldades, pois possui todas as características referidas nas letras “a” a “d” retro. A dificuldade em reconhecerse o aludido crédito presumido como subvenção para investimento, em especial para a autoridade lançadora e para a DRJ de origem, as quais estão vinculados aos atos normativos expedidos pela SRF, diz respeito à interpretação que o Parecer Normativo CST nº 112/78 conferiu a essa espécie de subvenções. Entende aquele PN que as subvenções para investimento são somente aquelas dotações em que os recursos são investidos pela beneficiária em seu ativo fixo. Ocorre que nem o art. 38, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77 nem o art. 182, § 1º, “d”, da Lei Societária, onde a expressão “subvenções para investimento” é encontrada, fazem essa restrição. Ao contrário, a primeira norma estabelece textualmente que haverá subvenção para investimento inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como “estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”. E, como é cediço, a implantação e, principalmente, a expansão de empreendimentos econômicos não se faz exclusivamente com investimento em ativo fixo. Ademais, como é sabido, toda e qualquer espécie de subvenção, seja ela, social, para custeio ou para investimento, deve estar lastreada em um interesse público. E não me parece que o interesse público que motiva as subvenções para investimento seja a aquisição de ativo fixo. Isto é apenas um, mas não o único meio para concretizar o que me parece ser verdadeiramente o interesse público por detrás das subvenções para investimento, qual seja, o incentivo, pelo Poder Público, do desenvolvimento da atividade econômica, nos termos do art. 174 da Constituição da República. Nesse sentido, uma vez que as Turmas do CARF têm competência para deixar de aplicar os atos normativos expedidos pela SRF que considerar ilegais, e tendo em vista a manifesta ilegalidade do Parecer Normativo CST nº 112/78 no que concerne à caracterização das “subvenções para investimento”, entendo que é, sim, dessa espécie o crédito presumido instituído pelo art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC, de que a contribuinte era beneficiária no ano de 2007. 5) DO REGISTRO CONTÁBIL DAS SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 15 14 Afirma a autoridade tributária (fl. 3389 e ss.) que, ainda que fosse possível admitirse que as subvenções em tela sejam subvenções para investimento, é de se ter em conta que a contribuinte deixou de cumprir condição essencial a fim de que não fossem tributadas, qual seja, leválas ao resultado para, só então, promover sua exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real do ano de 2007, conforme estabelece o abaixo transcrito art. 443 do RIR/99: Art.443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou (...) Alega a recorrente que inexistia, à época dos fatos sob exame, norma que impusesse, primeiro, a inclusão da subvenção para investimento como receita do exercício para, somente após, promover sua exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Afirma que, segundo o art. 443 do RIR/99, acima transcrito, as subvenções para investimento não serão computadas no lucro real, desde que registradas como reserva de capital. Também aqui assiste razão à defesa. De fato, conforme consta da acusação fiscal, a contribuinte escriturou diretamente como reserva de capital, sem antes incluir no lucro contábil de 2007, os valores relativos ao crédito presumido instituído pelo art. 148A, do Anexo II, do RICMS/SC, de que era beneficiária. Tal registro contábil atende ao disposto art. 443 do RIR/99, uma vez que a expressão “não serão computadas na determinação do lucro real” enseja duas possibilidades de escrituração. A primeira é aquela promovida pela recorrente. A segunda seria levar a subvenção para investimento ao resultado contábil de 2007 para, após, promover a exclusão, conforme exigiu a fiscalização. Não há nenhuma ilegalidade na forma adotada pela contribuinte, ao menos até o ano de 2007. Para os anos subsequentes, o reconhecimento prévio como receita do exercício tornouse obrigatório, conforme art. 195A, da Lei nº 6.404/76, incluído pela Lei nº 11.638/2007. 6) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência da multa isolada e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10920.724243/201251 Acórdão n.º 1201001.182 S1C2T1 Fl. 16 15 Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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