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Numero do processo: 10845.004698/98-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1101-000.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, DEVOLVER os autos à Turma de origem para que se manifeste sobre a conveniência de manter o julgamento que analisou parcialmente o Recurso Voluntário ou de decretar a nulidade da decisão por ela proferida pari passu com a declinação da competência em favor desta 1ª Seção.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída no colegiado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, DEVOLVER os autos à Turma de origem para que se manifeste sobre a conveniência de manter o julgamento que analisou parcialmente o Recurso Voluntário ou de decretar a nulidade da decisão por ela proferida pari passu com a declinação da competência em favor desta 1ª Seção. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída no colegiado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .0 04 69 8/ 98 -8 7 Fl. 820DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Auto de Infração com exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte, que, por entender decorrer de lançamento reflexo ao de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, houve por bem a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho declinar a competência à 1ª Seção de Julgamento. No que respeita ao lançamento ora discutido, temse que em ação fiscal realizada junto ao estabelecimento da Recorrente, a fiscalização apurou, no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1996, as seguintes infrações: 1) Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício: valores referentes aos honorários advocatícios e comissões de vendedores, que não foram objeto de retenções na Fonte de Imposto de Renda; 2) Remunerações indiretas: cotas de capital e um terreno, adquiridos pelos seus sócios, mas pagos pela própria empresa – recursos entregues a sócios; e 3) Pagamentos a beneficiários não identificados: comissões a vendedores não identificados, bem como outros pagamentos sem identificação dos beneficiários. Feita uma primeira delimitação da controvérsia, adoto parcialmente o Relatório da douta DRJ, porque expõe com veracidade e concisão os fatos: “Em conseqüência, (...) foi lavrado o Auto de Infração de fl. 01, do qual a empresa tomou ciência em 02/12/1998, para a constituição do crédito tributário correspondente, no montante de R$ 2.081.540,24 (dois milhões, oitenta e um mil, quinhentos e quarenta reais e vinte e quatro centavos), referentes ao imposto, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/10/1998. A exigência foi objeto de impugnação tempestiva, fls. 621 a 631, na qual a autuada reconhece sua condição de responsável pela falta de retenção e recolhimento do imposto, porém insurgese contra o lançamento efetuado argumentando que as “conclusões da digna autuante não estão fundadas no bom direito, principalmente no tocante aos denominados benefícios indiretos e à aplicação açodada e equivocada do artigo 61 da Lei n.º 8.961/95, que daria respaldo à tributação dos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados”. Alega que a autuante “confundiu operações de empréstimo com remuneração indireta” e que “... os pagamentos a terceiros, em nome dos sócios, constituem genuínos empréstimos ou mútuos da pessoa jurídica em favor de seus sócios. Podiam até tais pagamentos serem considerados como adiantamentos por conta de lucros futuros”. Assinala que esses pagamentos não podem ser considerados como “salário indireto”, na exata definição do PN/COSIT 11/92, que § 1º do art. 61 da Lei n.º 8.981/95 “não pode mudar a natureza do negócio realizado” porque o art. 110 do CTN veda essa alteração. No tocante à exigência relativa ao IR. Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, aponta que, embora o art. 61 da Lei n.º 8.981/95 trate de tributação exclusiva na fonte, na prática ele pode Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10845.004698/9887 Resolução nº 1101000.096 S1C1T1 Fl. 4 3 atingir também a omissão de receita presente nos pagamentos não identificados”. Expõe que, “no caso vertente, o artigo 61 citado está sendo utilizado para atingir uma omissão de receita já tributada em outro auto de infração”, pois, nos anoscalendários de 1995 e 1996, a empresa foi autuada por omissão de receita nos seguintes valores: R$ 2.257.083,04 em 1995 e R$ 3.081.509,07 em 1996. No ano de 1995, além da tributação na pessoa jurídica de 100% da receita tida como omitida, Tributouse o mesmo valor (100% da receita) na fonte à alíquota de 35%. Noticia que a receita tida como omitida foi apurada e dimensionada da seguinte forma: “no exame dos Livros Registros de Saídas constatamos que diversas notas fiscais de venda foram registradas no referido livro em valores inferiores, caracterizando omissão de receita ...” Sublinha que as diferenças encontradas nos dois anos resultam do confronto entre as notas fiscais emitidas e os valores lançados no livro de saída. Na apuração dos valores tributados no presente auto de infração, os denominados “pagamentos a beneficiários não identificados”, ... o fisco tomou os cheques emitidos pela empresa. Afirma que a receita não declarada constitui a fonte dos recursos carreados para as contas bancárias e que as duas autuações – sobre a receita omitida e sobre pagamentos não identificados – alcançam o mesmo fato, isto é, incidem sobre os valores provenientes das receitas não declaradas. Caso persista qualquer dúvida sobre esse ponto, requer a realização de diligência para colmatar as lacunas do trabalho fiscal. No que diz respeito à falta de retenção do imposto sobre trabalho sem vínculo, reconhece sua falta. Entretanto, avisa que está contatando os beneficiários dos pagamentos para saber se eles incluíram os rendimentos em suas respectivas declarações de rendimentos, protestando pela apresentação desses documentos em momento oportuno. Requer sejam acolhidas as suas razões de defesa, restando afastadas as exigências tributadas com esteio no artigo 61 da Lei n.º 8.981/95, posto ter ficado comprovado que nas duas hipóteses – benefício indireto aos sócios e pagamentos a beneficiários não identificados – o trabalho fiscal está equivocado.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, exonerando o crédito tributário em R$2.773,46; e considerou que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos e que embasaram o lançamento. Restou assim ementado o Acórdão de 1ª instância: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996 Ementa: FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. RENDIMENTO DO TRABALHO SEM VÍNCULO DE EMPREGO. PAGAMENTOS S/ CAUSA OU FEITOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO DE Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10845.004698/9887 Resolução nº 1101000.096 S1C1T1 Fl. 5 4 OBRIGAÇÕES DOS SÓCIOS. Sujeitamse ao imposto renda na fonte as remunerações do trabalho sem vínculo empregatício, os pagamentos sem causa ou feitos a beneficiários não identificados, bem como os referentes às obrigações dos sócios suportadas pela empresa. REAJUSTAMENTO DOS RENDIMENTOS. Se a fonte pagadora dos rendimentos assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga será considerada líquida e o tributo recairá sobre o rendimento reajustado. Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que são deduzidos os seguintes argumentos em relação a cada um dos pontos em litígio: INFRAÇÃO 1 – FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE TRABALHO SEM VINCULO. Reconhece a Autuada que esta retenção, efetivamente, não foi efetuada. Está contatando os beneficiários dos pagamentos para saber se eles incluíram os rendimentos em suas respectivas declarações de rendimentos. Se não tiver êxito nessa empreitada, providenciará o recolhimento do imposto devido. INFRAÇÃO 2 – REMUNERAÇÃO INDIRETA DOS SÓCIOS DA EMPRESA. Para enfrentar essa equivocada autuação, a lmpugnante, logo de saída, afirmou que a autuante havia confundido operações de empréstimo com remuneração indireta, uma vez que as duas operações identificadas pelo Fisco não têm nenhuma relação com qualquer tipo de remuneração, muito menos com remuneração indireta. Asseverou que os pagamentos efetuados a terceiros, em nome dos sócios, constituem genuínos empréstimos ou mútuos da pessoa jurídica em favor de seus sócios. Diante dessa lacônica apreciação, a Recorrente, certa que as razões de impugnação, acima compendiadas, são suficientes para demonstrar que os pagamentos efetuados pela empresa das quotas de capital e do terreno adquiridos pelos sócios representam efetivos empréstimos, reitera, aqui, os argumentos que as sustentam. Todavia, ainda que não fossem empréstimos, a autuação não podia ser feita no contexto das ditas remunerações indiretas por um motivo bem simples: tais operações, além de perfeitamente comprovadas, como expressamente reconhece o próprio Fisco ver a descrição da infração acima transcrita, têm causa também expressamente identificadas, o que impede o enquadramento no § 1° do artigo 61 da Lei n° 8.981/91. Confirase, a propósito, a sua redação: "§ 1 0 A incidência prevista no caput [IRFONTE sobre pagamento a beneficiários não identificados] aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados OU não, quando não for comprovada a operação OU a sua causa, bem como A hipótese de que trata o § 2 ° , do art. 74 da Lei n ° 8.383, de 1991." Como visto, as operações apuradas pelo Fisco estão comprovadas o registro contábil faz prova em favor da autuada e têm causas definidas. Vale dizer, a aquisição de quotas e o financiamento para a aquisição de um terreno, nas condições constantes da descrição da infração Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10845.004698/9887 Resolução nº 1101000.096 S1C1T1 Fl. 6 5 acima destacada. O empréstimo para aquisição do terreno, conforme constatado pelo próprio Fisco (ver a descrição contida no próprio auto de infração), está lançado na declaração de rendimentos do sócio. Não estando, portanto, configurada a vislumbrada "remuneração indireta", também essa exigência deve ser afastada. INFRAÇÃO 3 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. (...) a natureza da norma instituída pelo artigo 61 da Lei n° 8.981/95, por constituir um instrumento para indiretamente alcançar a distribuição das receitas omitidas, no caso vertente, sob a rubrica de "pagamentos a beneficiários não identificados", ele não podia ser aplicado porque os recursos financeiros que possibilitaram tais pagamentos já tinham sido tributados na Fonte, como reflexo do auto de infração lavrado por omissão de receita, sob pena de haver uma dupla incidência sobre a mesma matéria. O processo foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa, que o distribuiu à 2ª Seção de Julgamento. O processo foi sorteado ao conselheiro Rubens Maurício Carvalho, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho. Indicouse o processo para a pauta em 15 de agosto de 2012, ocasião em que foi declinada da competência a esta 1ª Seção de Julgamento, em razão de uma das exigências de IRRF decorrer de processo reflexo do IRPJ. Devese explicar que o julgamento ocorrido em 15 de agosto de 2012 analisou as três matérias impugnadas pela contribuinte, decidindo negar provimento quanto às infrações 1 e 2 supramencionadas, e declinando a competência a esta Seção apenas no que respeita ao terceiro item. Eis a ementa daquele acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício:1996, 1997 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MATÉRIA DEFINITIVA Determinase a definitividade do crédito, pela falta de alegações no recurso acerca das razões que o constituíram. CABIMENTO DO LANÇAMENTO. FALTA DE PROVAS. Mantémse o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais em relação ao qual o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não faça prova em contrário, mediante documentação hábil e idônea, acerca dos fundamentos de fato e direito que suportam a autuação. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento., Recurso Voluntário Negado” Não só suscita a Recorrente em seu Recurso Voluntário a existência de outros processos administrativos em que houve o lançamento de IRPJ, como a própria autoridade preparadora, juntou aos autos (às fls. 634 a 651) os acórdãos da DRJ, referentes ao processos n. 10845.004700/9827 e 10845.004699/9840, que tratam nos mesmos períodos de apuração de IRPJ, Cofins, PIS e CSLL. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10845.004698/9887 Resolução nº 1101000.096 S1C1T1 Fl. 7 6 Ambos os processos, nos quais ficou assentada a procedência do lançamento, transitaram em julgado em desfavor da contribuinte, que não recorreu administrativamente das decisões de 1ª instância. É importante asseverar, contudo, que, em relação aos lançamentos analisados e mantidos no seio do Processo n. 10845.004699/9840, temse que havia autuação atinente à Imposto de Renda Retido na Fonte, à alíquota de 35%, em decorrência de pagamentos a beneficiários não identificados. A exigência, da ordem de R$ 2.031.873,63 (valor histórico), envolvia as competências de cada um dos meses do anocalendário 1995, o que se constata a partir da leitura do fólio n. 671. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Consoante narrado acima, o Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo foi parcialmente analisado pela Egrégia 2a Seção desse Colendo CARF, que houve por bem remeter os autos a essa Primeira Seção para a análise de um tópico específico da irresignação do sujeito passivo. O ponto em questão versa sobre exigência de Imposto de Renda na Fonte por pagamento a beneficiário não identificado, crédito tributário esse que teria sido constituído a partir de fiscalização iniciada para a verificação do cometimento de eventuais infrações à legislação de IRPJ, o que atrairia a competência para a apreciação do feito para essa Seção. Outrossim, citada fiscalização também culminou na lavratura de auto de infração que veio ser apreciado no seio do mencionado Processo Administrativo n. 10845.004699/9840, que foi definitivamente julgado em aresto cuja ementa foi reproduzida acima. O lançamento discutido nesse Processo Administrativo definitivamente julgado, atinente a cada um dos meses dos anos de 1995 e 1996, apurou omissão de receitas que teria sido perpetrada pelo sujeito passivo a partir de inscrição a menor, nos livros fiscais da contribuinte, dos valores de Notas Fiscais emitidas. Outrossim, consoante dito acima, esse lançamento contemplava exigência de Imposto de Renda na Fonte por pagamento a beneficiário não identificado. Em primeiro lugar, frisese que é estreme de dúvidas que os pretensos pagamentos feitos a beneficiários não identificados – que ensejaram o vertente lançamento de Imposto de Renda na Fonte – teriam sido realizados com a receita que a fiscalização constatou omitida, sobre a qual foram lançados os créditos de IRPJ que foram definitivamente constituídos após a conclusão do citado Processo Administrativo n. 10845.004699/9840. De fato, o período de apuração discutido em ambos os feitos é idêntico, havendo igualmente equiparação – e não identidade, como sói acontecer, dado o redimensionamento da base de cálculo de IRF por pagamento a beneficiário não identificado – entre a matéria tributável em ambos os casos. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10845.004698/9887 Resolução nº 1101000.096 S1C1T1 Fl. 8 7 Por essas considerações, partilho do entendimento da Egrégia 2a Seção, que declinou a competência a esta 1ª Seção, sob o fundamento de que o lançamento de IRF está lastreado em fatos cuja apuração serviu para configurar lançamento do IRPJ. Isso decorre das normas atribuidora de competência constante do art. 2º e seguintes do Regimento Interno do CARF. Claro está que os lançamentos de IRF e de IRPJ, quando se fundamentam nos mesmos fatos, atraem a competência desta 1ª Seção; é como dispõe o art. 2º, IV, do RICARF: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV – demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (grifamos) O Regimento Interno do CARF não prevê hipótese de cessão do julgamento, para que cada Seção aprecie as matérias de sua competência originária. De forma que entendo que, em havendo lançamento que envolva a competência da 1ª Seção, todo o Recurso deve ser por esta analisado. Pelo exposto, DEVOLVO o processo à 2ª Seção, que analisara originalmente o presente processo, para que ela possa manifestarse sobre a conveniência de manter o julgamento que analisou parcialmente o Recurso Voluntário ou de decretar a nulidade da decisão por ela proferida pari passu com a declinação da competência em favor desta 1ª Seção. É como voto. Fl. 826DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.900559/2006-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de 1ª instância quando as razões para o indeferimento do pedido encontram-se descritas e fundamentadas nos atos processuais.
DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência e perícia para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-004.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de 1ª instância quando as razões para o indeferimento do pedido encontram-se descritas e fundamentadas nos atos processuais. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência e perícia para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
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DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de 1ª instância quando as razões para o indeferimento do pedido encontramse descritas e fundamentadas nos atos processuais. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência e perícia para coleta de provas se os elementos que integram os autos demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 05 59 /2 00 6- 35 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 634 2 A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 291.127,04, com débitos vincendos do próprio Pis e Cofins. Instruem o processo a Declaração de Compensação de fl. 01, onde constam os débitos a compensar, bem como cópias dos extratos das DCTF's originais e retificadoras, DACON e DIPJ original e retificadora, referente ao período de 06/2003, onde o contribuinte pretende demonstrar o crédito do PIS. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 635 3 A DRFVolta Redonda, por meio do despacho decisório de fls. 83/84, indeferiu a solicitação da contribuinte pela inexistência de direito creditório, à vista dos documentos fiscais, uma vez que Diligência Fiscal perpetrada no estabelecimento da interessada não apurou pagamento a maior ou indevido no período fl. 71/72. O interessado contesta o despacho decisório que indeferiu seu pleito argumentando (fls.97/118), em síntese, que: 1. A bem da verdade, o despacho decisório vergastado foi exarado com o simples cunho formalista de evitar a homologação tácita prevista no art.74,§ 5°, da Lei n° 9.430/96, caracterizandose como violador das exigências objetivas inerentes às decisões administrativas, visto que prolatado em caráter de urgência que ensejou o desrespeito à diligência necessária para se apurar verdadeiramente o direito creditório da impugnante; 2. Inobstante, não merece prosperar a decisão em comento, considerando que a impugnante não pode e não deve quitar um crédito tributário já extinto, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, visto que: 2.1. O despacho decisório está eivado de nulidade insanável, uma vez que Fiscalização não demonstrou a motivação para considerar não homologada a compensação efetuada, restando irrefragável o prejuízo causado à defesa da impugnante, em flagrante ofensa aos princípios da Ampla Defesa, do Contraditório e da Verdade Material; 2.2. Ocorreu a decadência do direito do Fisco de efetuar a cobrança de eventuais saldos remanescentes, nos termos do art.150, § 4°, do CTN, e 2.3. Os créditos compensados são líquidos e certos, portanto passíveis de serem utilizados para quitar o débito descrito; 3. É preciso ressaltar a absoluta nulidade do Despacho Decisório em comento, nos termos do art.2°, VIII, e art. 50, II, §1°, da Lei n° 9.784/99, e art.59, II, do Decreto n° 70.235/72, o que implica em inexorável ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, previstos no art.5°, LV, da Constituição Federal, e ainda ao princípio da verdade material; 4. A mera afirmação de que a contribuinte não comprovou a razão do recolhimento indevido de PIS não presta para fundamentar a denegação da compensação, pois a fiscalização deveria ter ao menos buscado junto à impugnante documentos e provas que demonstrem o crédito oferecido. Todavia, assim não procedeu a RFB, pelo que se mostra descabida a assertiva consignada no despacho decisório em comento; 5. A Lei n° 9.784/99 dispõe que os atos administrativos devem ser motivados. Ademais, no Estado de Direito, a proteção ao contribuinte encontra amparo nos princípios que integram a Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 636 4 ordem jurídica estabelecida, em especial os princípios da legalidade e da vinculação, que servem de roteiro obrigatório ao administrador, delimitam a faixa legítima de atuação do Estado Fisco e respaldam, assim, as garantias constitucionais dos direitos dos contribuintes; 6. No presente caso é incontestável a ocorrência da decadência do direito do Fisco de efetuar a cobrança do debito cuja compensação não restou homologada, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. O débito compensado se refere a contribuição para o PIS, tributo este sujeito a lançamento por homologação, o qual se aplica o prazo de 5(cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador; 7. Tal entendimento é amparo pelo Conselho de Contribuintes e em pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ; 8. Havendo, pois, o pagamento, extinguese o crédito tributário sob condição resolutória da autoridade administrativa, sendo certo que, tal qual como o pagamento, a compensação possui a mesma propriedade de extinção do crédito tributário sob condição resolutória; 9. Destarte, contrapondo o fundamento da decisão guerreada, não se afigura razoável a alegação da falta de comprovação do crédito pleiteado, visto que em momento algum a fiscalização teve interesse em analisar os documentos que cita no despacho decisório, valendose, injustificadamente, de meras suposições, em incontestável afronta ao princípio da verdade material; 10. No despacho decisório a autoridade alega que a empresa não comprovou erro de preenchimento da DCTF originária com sua escrita contábil, entretanto, convém esclarecer que o Fisco não analisou qualquer documentação para propor o não reconhecimento do direito creditório da impugnante; 11. Inobstante, observase que a diferença entre o valor recolhido pela impugnante aos cofres públicos no pagamento de PIS do período de apuração de fevereiro de 2003 e posteriormente o valor apresentado na DCTF retificadora, é suficiente para quitar o débito objeto da compensação em questão, a ensejar a homologação do pedido inicial; 12. Por outro lado, ao comprarse [compararse] as declarações apresentadas ao Fisco, vêse que os valores nelas apostos são equivalentes e correspondentes, a comprovar que os lançamentos são condizentes com a realidade e, por conseqüência, os créditos compensados são líquidos e certos, nos termos do artigo 170 do CTN, restando prescindível a apresentação sumária da documentação citada no despacho decisório; 13. Em virtude disso, em que pese a impugnante ora demonstrar, a liquidez e certeza de créditos de PIS suficientes para a quitação do débito compensado no presente feito, caso persista Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 637 5 qualquer incerteza ou questionamento por parte da RFB, requer seja determinada diligência ou perícia, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 72.232/72, para que se confirmem de vez por todas as assertivas consignadas na presente, bem como a pertinência da compensação realizada, sob pena de cerceamento do direito de defesa constitucionalmente garantido à impugnante; 14. Considerando a existência do crédito e a regularidade da compensação, a exigência do referido tributo, além de configurar enriquecimento ilícito por parte da União Federal, afronta o principio da verdade material, pelo qual o Estado deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos pelos interessados; 15. Em outras palavras, a verdade material é princípio que, entre outros, norteia o processo administrativo fiscal e obriga a autoridade tributária a agir com diligência na apuração dos fatos durante a fiscalização, cabendolhe investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, sob pena de afrontar 0 princípio do devido processo legal, do qual é corolário; 16. Por todo exposto, requerse seja julgada integralmente procedente a presente Manifestação de Inconformidade, determinandose o cancelamento da cobrança do débito de PIS originariamente compensado e: 16.1 seja declarado nulo o despacho decisório impugnado, que não homologou a compensação efetuada pela impugnante, por possuir vicio insanável de nulidade, vez que ao mesmo falta a motivação, ferindo o direito fundamental do contribuinte à ampla defesa e ao contraditório, nos termos do art.5°, LV, da Constituição Federal; 16.2. seja declarado extinto o crédito tributário pretendido pela decisão vergastada, nos termos do artigo l50, § 4°, do CTN, em virtude da ocorrência da decadência do direito do Fisco de efetuar a cobrança de eventuais saldos remanescentes; ou 16.3. na remota hipótese de serem ultrapassadas essas razões preliminares, seja homologada a compensação efetuada pela impugnante, tendo em vista ter sido demonstrado o crédito utilizado para a compensação realizada; 17. Por fim, protesta a impugnante pela produção suplementar de todas as provas em direito admitidas, especialmente a perícia contábil, indicando assistente técnico, para esse fim e de acordo com o art.16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Junto com a manifestação de inconformidade, a interessada apresentou cartão de CNPJ, procuração, Quadragésima Primeira Alteração Contratual e Documentos de Identidade. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 638 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II por intermédio da 5ª Turma, no Acórdão nº 1323.209, sessão de 29/01/2009, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não homologou sua compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO A compensação é forma de extinção do crédito tributário, desde que devidamente comprovado que o contribuinte tenha crédito proveniente do pagamento indevido ou a maior de tributos. PRAZO PRESCRICIONAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSADO O prazo prescricional de cobrança do crédito tributário confessado mediante a entrega da DCTF, interrompido com a apresentação da declaração de compensação a RFB, tem sua contagem iniciada na data em que a nãohomologação da compensação tomase definitiva na esfera administrativa. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA/DCTF O lançamento é feito quando da entrega da DCTF pelo contribuinte e garante, a Fazenda Pública, da decadência do crédito tributário devido por ele. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Compensação não Homologada Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário, em 02/04/2009 (fls. 189/204), no qual vem aduzir: 1. Em preliminar, a nulidade do despacho decisório por ausência dos motivos que resultaram na não homologação da compensação e o cerceamento do direito de defesa; 2. No mérito, insurgese contra a alegação no despacho decisório da inexistência de liquidez e certeza dos créditos, pois não comprovou a origem do suposto crédito que erigiu da retificação da DCTF original. Sustenta ainda a inobservância da garantia do processo legal e ofensa ao princípio da verdade material. Posteriormente, em 24/11/2017 (fls. 232/238) e 26/04/2018 (fls. 605 e 626/632), juntou ao processo razões complementares ao seu recurso, sem qualquer alusão aos Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 639 7 motivos de sua apresentação extemporânea, conforme prescreve o § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721. Nessas novas petições a contribuinte argumenta que a origem do crédito de PIS decorreu de erro na interpretação da nova legislação do PIS não cumulativo que passou a se submeter e efetuou pagamento a maior que o devido. Alega que seu direito creditório está plenamente comprovado nos documentos que ora apresenta: Balanço Patrimonial (fls. 254/279), Razão (fls. 280/589), planilha de apuração do PIS (fls. 590/591), DARFs (fls. 592/594) e quadro "créditos demonstrados na apuração" (fls. 596/603). É o relatório. 1 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário, apresentado em 02/04/2009, atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Matérias em preliminar de nulidade e de mérito foram arguidas. Preliminar de nulidade do despacho decisório Suscita a recorrente, em preliminar, a nulidade do despacho decisório com a alegação de que o Fisco não demonstrou a motivação para não homologar a compensação. Afirma, também, a absoluta nulidade do despacho por preterição do direito de defesa, ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material. Entenderam os julgadores da DRJ que inexiste a alegada nulidade, pois constou o motivo da não homologação da compensação, a saber: conquanto efetuada diligência pela fiscalização, o contribuinte não comprovou o pagamento a maior de PIS na escrituração contábil e fiscal. Com razão a decisão recorrida. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 640 8 O despacho decisório faz remissão ao Termo de Constatação Fiscal (fls. 72/73), lavrado pela autoridade administrativa ao final da diligência realizada nos documentos disponibilizados pelo contribuinte. No referido Termo constou a impossibilidade de se apurar os valores devidos de PIS, declarados nas DCTFs retificadoras, e que o contribuinte não logrou comprovar em sua escrita contábil o valor pago a maior. Como se vê, restou aclarado no despacho decisório o motivo do indeferimento do crédito pleiteado e não homologada a compensação por ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito. Não há, portanto, qualquer ofensa a princípio constitucional ou preterição do direito de defesa que levaria à nulidade do ato administrativo nos termos do art. 59 do PAF. Dessa forma, não vislumbro qualquer vício de nulidade no despacho decisório. Do exposto, não vislumbro qualquer vício de nulidade no despacho decisório ou razões para reparos na decisão recorrida que afastou a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte, bem como presentes nos documentos que acompanharam o despacho decisório os fundamentos para indeferir o direito creditório e não homologar a declaração de compensação. Mérito O mérito da irresignação suscitada em recurso voluntário referese à acusação da autoridade fiscal da ausência de comprovação da origem do erro do PIS devido informado na DCTF original, que após retificações em 14/09/2004, 16/02/2007 e 26/03/2007, fez exsurgir um valor de pretenso pagamento a maior. Quanto à alegada decadência para exigência dos débitos não compensados, a matéria não foi suscitada em sede de recurso voluntário restando, portanto, preclusa; e conquanto matéria passível de conhecimento de ofício, a situação dos autos é de confissão de dívida através de declaração de compensação, nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A recorrente rechaça a conclusão do Fisco sob o argumento de que não foram analisados os documentos mencionados no despacho decisório e aponta para o valor lançado na DCTF retificadora para afirmar que é líquido, certo e suficiente para quitar os débitos objeto de compensação, nos termos do art. 170 CTN. Aduz ainda que se restarem dúvidas quanto a suas afirmações que se realize diligência ou perícia. Conforme relatado, após a apresentação do recurso voluntário, a recorrente junta aos autos, em duas oportunidades (27/11/2018 e 26/04/2018), "razões complementares" de defesa. Nessas, alega apresentar "novas provas aos autos" de que o PIS foi pago a maior em decorrência de erro na interpretação da nova legislação do PIS a que se encontra submetida (Leis ns. 10.485/02 e 10.637/02). Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 641 9 Argumenta que a partir de dezembro de 2002 recolheu de forma equivocada o PIS, pois acumulou créditos passíveis de compensação e não os deduziu na apuração da Contribuição devida. Assim, justifica a diferença entre o valor devido e o efetivamente pago a maior, "por nítido equívoco em seus controles internos (...)". Afirma que o Balanço Patrimonial, as Contas do Razão e a planilha demonstrativa de apuração do PIS no período comprovam o pagamento a maior do PIS; e renova o pedido para que seja determinada diligência ou perícia. Passemos à análise, enfrentando o ônus probatório, a comprovação material do direito creditório, e a possibilidade de se considerar como tempestivos e oportunos os novos documentos juntados aos autos, cerca de 09 (nove) anos após a interposição do recurso voluntário. Mister colacionar os dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 642 10 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN2, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de sucessivas retificações de DCTF (três, em verdade), com a redução do PIS devido no período de apuração, sem a apresentação da integralidade da escrita contábil e documentos fiscais, além de divergências entre valores informados em planilhas e escriturados importa em reconhecer o acerto da autoridade fiscal em não homologar a compensação declarada. Assim se manifestou a autoridade fiscal no Termo de Constatação (fls. 73/74): Através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, intimamos o contribuinte para apresentar diversos documentos (fls. 59 ). 2 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 643 11 Dos elementos apresentados, não nos foi apresentado livro Razão e o livro Diário não contemplava balancetes mensais escriturados. [...] Apesar da apresentação dos elementos acima, não foi apresentado Livro Razão, ademais, o valor constante na planilha apresentada como apurado (fls. 63/64) , diverge do valor apresentado pelo próprio contribuinte no balancete impresso, tendo como PIS A RECOLHER no mês 30/06/2003 o montante de R$l.876.382,15(fls. 65). Observamos que os valores retificados com códigos de receita 6912 e 8109 no período de junho de 2003, constantes na DCTF ND 0000.100.2007.l2341266 (fls. 42), não conferem com o valor descrito no balancete apresentado. Por não ter sido possível apurar os novos valores devidos, declarados nas DCTF's retificadoras, onde o contribuinte não logrou comprovar através de sua escrita contábil o valor pago à maior, pelo motivo também, da fiscalização não ter encontrado elementos através de sua escrita auxiliar, para comprovar a totalização das contas envolvidas demonstrando que a DCTF original foi preenchida com erro em relação ao demonstrado, opinamos pela não aceitação da compensação pleiteada. [...] E no Despacho Decisório (fl. 86): [..] Entretanto, no âmbito da diligência realizada na SAFIS desta DRF, o direito creditório não foi reconhecido, tendo em vista que a interessada não logrou comprovar, por meio de sua escrita contábil, quer por meio de seus livros obrigatórios quer por meio de seus livros auxiliares, que a DCTF original teria sido preenchida com erro e, por conseqüência, que o valor de R$ 703.100,33 teria sido pago a maior. [...] Iniciado então o contencioso com a manifestação de inconformidade era dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Destarte, em sede de despacho decisório, a autoridade fiscal explicitou as razões do indeferimento do direito creditório e não homologação da compensação, inclusive consignando a ausência do Livro Razão e divergências entre os valores apurados na planilha, balancetes e DCTF retificadora. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 644 12 Na manifestação de inconformidade nada acrescentou em matéria de prova; e no recurso voluntário, repisou o mesmo texto transcrevendoo no tocante à preliminar de nulidade e às ofensas aos princípios do contraditório, ampla defesa e verdade material. Quanto às novas provas apresentadas em "razões complementares", além de extemporâneas e ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF, não há comprovação do pagamento a maior do PIS no período. A simples juntada de Balanço Patrimonial, Razão, planilhas e DARFs sem a demonstração de que os lançamentos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos não conferem liquidez e certeza ao direito creditório pleiteado. Os documentos juntados em complemento ao recurso voluntário, apresentados cerca de 09 (nove) anos após a ciência do Acórdão da DRJ, todos de emissão ou posse do contribuinte, estavam disponíveis à data da manifestação de inconformidade; dada essa circunstância, injustificável a não apresentação para análise e julgamento em sede primeira instância administrativa. Outrossim, não há fato ou razão renovadas trazida aos autos pela DRJ. O voto teceu considerações no sentido de que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar com elementos hábeis seu direito. Afastamse, portanto, as situações excepcionais e ensejadoras da apresentação extemporânea de elementos probatórios de que trata o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/76. Reconhecese na jurisprudência certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, isto é, afastase a preclusão em alguns casos excepcionais que notadamente referemse a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o pronto convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. No caso dos autos, evidenciase que o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal3, o PAF e o CPC. Quanto às alegações de que o princípio da verdade material impende a aceitação extemporânea de provas, suprimindo instância julgadora, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. 3 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 645 13 A verdade material não se efetiva como um salvo conduto no qual o contribuinte aguarda pelo momento que melhor lhe convier a apresentação de suas provas. O ônus processual probatório é regido por dispositivos legais e se trata de um requisito de admissibilidade dos pleitos de natureza creditório, exigindo sua evidência desde a instauração do contencioso. Destarte, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito e sua compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância. Cumpre salientar que esta Turma, em julgamento recente de situação análoga a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário , por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso do contribuinte. Tratase do Acórdão nº 3201003.716, sessão de 24 de maio de 2018, processo nº 10880.686794/200927, do qual fui relator, cuja ementa reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10073.900559/200635 Acórdão n.º 3201004.708 S3C2T1 Fl. 646 14 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Desse modo, em homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório do direito creditório, da impossibilidade de supressão de instância, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida. Por fim, no tocante ao pedido de realização de diligência ou perícia, entendo desnecessária. O pedido de realização de diligência e perícia técnica apresentado pela impugnante foi indeferido na decisão a quo, por ser prescindível à solução do litígio. É injustificada a realização de diligência/perícia quando os elementos constantes nos autos são suficientes à formação de convicção do julgador e não carece de conhecimento técnico específico. O contribuinte pretende substituir a deficiência probatória da qual lhe incumbe com providência a cargo do Fisco ou perito técnico. Ambas somente se justificam quando o julgador diante de indícios ou elementos incipientes de prova carece de melhor elucidação dos fatos para formar sua convicção. Não é a situação dos autos, em que a contribuinte não logrou êxito em trazer provas de sua alegação no momento oportuno, segundo o regramento do PAF. Ademais, conquanto que se afastasse a preclusão dos argumentos e documentos das novas "razões complementares", o que não é o caso, não verifico a presença de documentos suficientes a demonstrar o direito creditório. Apenas cópia do Razão e Balanço Patrimonial não permite atestar a veracidade do direito creditório sem a correlação e suporte em documentos fiscais. Portanto, não me parece estar diante de fatos que reclamam esclarecimentos ou dúvidas que exigiria o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto. Assim, desnecessária providências de diligência e perícia pois os fundamentos antecedentes são suficientes para decidir a controvérsia. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 646DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.724698/2017-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO.
A isenção do imposto de renda pessoa física decorrente de doença grave aplica-se aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2002-000.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos a título de pensão judicial a partir de junho de 2012.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO. A isenção do imposto de renda pessoa física decorrente de doença grave aplica-se aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
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MOLÉSTIA. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente LIZETE PINTO PORTUGAL VASOWICZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO. A isenção do imposto de renda pessoa física decorrente de doença grave aplicase aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos a título de pensão judicial a partir de junho de 2012. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 46 98 /2 01 7- 09 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19985.724698/201709 Acórdão n.º 2002000.592 S2C0T2 Fl. 95 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 26/29), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do imposto apurado de saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir para saldo de imposto a pagar de R$5.967,54. A notificação noticia a omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, no valor de R$67.423,25. Impugnação Cientificada à contribuinte em 19/9/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 3/10/2017, à fl. 2/14 dos autos, na qual a representante da contribuinte afirmou que os rendimentos seriam provenientes de pensão de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que o comprovaria. Antes do julgamento, a autoridade lançadora examinou a possibilidade de revisão de ofício do lançamento (art. 6°A da IN RFB n° 958/2009, com a redação dada pelo art. 1º da IN RFB n° 1061 /2010), tendo concluído, à vista de documentação comprobatória juntada pela contribuinte à impugnação, pela manutenção do lançamento, como consignado no Despacho Decisório de fls. 38/39. Cientificada desse decisão em 22/3/2018, a contribuinte se manifestou em 29/3/2018, reiterando os termos da impugnação anteriormente apresentada (fl.44). A impugnação foi apreciada na 8ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 63/66): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos os rendimentos recebidos por portador de doença grave a título de pensão alimentícia desde que comprovado que a pensão foi paga em cumprimento de Acordo/Decisão Judicial ou por Escritura Pública. Recurso voluntário Fl. 95DF CARF MF Processo nº 19985.724698/201709 Acórdão n.º 2002000.592 S2C0T2 Fl. 96 3 Ciente do acórdão de impugnação em 18/6/2018 (fl. 70), a contribuinte, em 5/7/2018 (fl. 73), apresentou recurso voluntário, às fls. 73/91, no qual indica a juntada de documentação comprobatória da natureza do rendimento, ressaltando que já constam dos autos os documentos comprobatórios da moléstia grave. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio versa sobre a omissão de rendimentos. A recorrente não concorda com tal infração, argumentando que seria isenta do IR, pois é pensionista e portadora de moléstia grave prevista em lei. Na apreciação da matéria, o Despacho Decisório consignou: Em que pese a alegação da contribuinte que tais rendimentos são decorrentes de aposentadoria/pensão, constatase pela notificação que os rendimentos em questão decorrem de informação prestada em Declaração de Ajuste Anual de outro contribuinte, possivelmente fruto de pensão alimentícia. Porém, a impugnante, apesar de intimada, não apresentou qualquer documento visando comprovar a origem dos rendimentos, em especial sua distribuição mensal durante o ano de 2012, pois só estariam isentos aqueles recebidos a partir de agosto de 2012, conforme laudo apresentado – fls. 13. (destaques acrescidos) Da mesma forma, a DRJ entendeu não restar comprovada a natureza do rendimento, nos seguintes termos: Verificase que há uma exigência legal clara que a contribuinte não comprovou, pois não trouxe aos autos as provas de que a pensão alimentícia recebida no anocalendário 2013 foi em cumprimento de acordo ou decisão judicial, ou ainda por escritura pública, ou seja, que não foi por mera liberalidade do alimentante Sr. João Vasovicz, CPF 007.034.19900 (conforme por ele declarado em DIRPF). Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19985.724698/201709 Acórdão n.º 2002000.592 S2C0T2 Fl. 97 4 Limitouse a reapresentar os documentos de prova já entregues por ocasião da impugnação: correspondência de Paraná Previdência (fl. 51) Laudo de Perícia Médica (fl.52), Procuração (fls. 57/59) e identificação (fl. 60). Dessa forma, não há reparos a fazer ao Despacho Decisório N° 093 (fls.38/39). (destaques acrescidos) Da leitura das decisões, constatase que somente foi questionada a natureza do rendimento, tendo sido considerada comprovada a existência da moléstia mediante laudo médico de fl. 12. Em seu recurso, a recorrente junta a petição e a homologação de seu divórcio do senhor João Vasocicz (fls.80/89). Do item 6 do acordo homologado, consta que o senhor João pagaria pensão para as duas filhas do casal e, quando essas não mais necessitassem, a pensão passaria para a mulher. Considerando que, no anocalendário 2012, as filhas contavam com 50 e 46 anos, é de se concluir que a pensão já revertera em favor da recorrente, tendo sido ela a beneficiária informada pelo alimentante. Não obstante, cabe observar que o laudo apresentado aponta como início da doença a data de 19/6/2012. Dessa feita, somente a partir do mês de junho a recorrente faria jus à isenção, sendo de se manter a inclusão dos rendimentos de janeiro a maio de 2012. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos pela recorrente a título de pensão alimentícia judicial a partir do mês de junho, mantendo a inclusão dos rendimentos recebidos de janeiro a maio de 2012. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002992/2003-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 29 92 /2 00 3- 18 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.002992/200318 Acórdão n.º 1402003.534 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.002992/200318 Acórdão n.º 1402003.534 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907877/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/04/2015
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias estabelecido no art. 33 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-004.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade na sua apresentação.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/04/2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias estabelecido no art. 33 do Decreto 70.235/72.
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COMPENSAÇÃO Recorrente CATHO ONLINE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/04/2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de 30 (trinta) dias estabelecido no art. 33 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade na sua apresentação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição/compensação de PIS, com origem no período de apuração de abril de 2010. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 78 77 /2 01 6- 11 Fl. 512DF CARF MF 2 Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 08688.04632.160415.1.3.042100, nos termos do despacho decisório emitido em 04/08/2016 pela DRFBRE – Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri. Segundo o despacho decisório, cientificado em 16/08/2016, a compensação não foi homologada porque o pagamento indicado como indevido encontravase totalmente alocado ao débito de PIS/Pasep (6912) do período de apuração 04/2010. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. Na sequência, e em sede preliminar, requer a reunião de processos administrativos que seriam vinculados “nos quais se discute a mesma questão da correta qualificação da atividade da Requerente e do respectivo regime de apuração a que se encontra submetido, na verificação da legitimidade do direito creditório pleiteado em razão do recolhimento a maior, no regime não cumulativo de apuração, da contribuição ao PIS e da Cofins.” Salienta que tal juntada encontra amparo no princípio da economia processual. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações (Tabela CNAE 2.0, divisão J, Código 63), e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13896.907877/201611 Acórdão n.º 3201004.470 S3C2T1 Fl. 513 3 Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” No subitem seguinte (3.3. Reflexos tributários do desenvolvimento de software para uso na atividade de acesso/provimento de conteúdo) chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” No próximo subitem, 3.4 (Inexistência de crédito tributário passível de cobrança), diz ser incabível a cobrança em virtude da não homologação da compensação pois “tratase de declaração de compensação de crédito apurado em face do recolhimento indevido da contribuição ao PIS no sistema não cumulativo (código 6912), com os próprios débitos da contribuição ao PIS, do mesmo período, apurados sob a sistemática da cumulatividade (código 8109).” Afirma que tal cobrança não pode ocorrer “sob pena de cobrança em duplicidade da contribuição”. Requer o cancelamento das cobranças decorrentes da não homologação das compensações. Ao final, requer a reunião de processos, em razão de conexão, a declaração de improcedência do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer, em sendo mantido o entendimento de que está submetida ao regime não cumulativo das contribuições, o cancelamento de eventuais cobranças de créditos tributários calculados sob o regime cumulativo das contribuições, sob pena de bis in idem. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CTA n.º 06 59.561, de 28/06/2017 (fls. 73 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/04/2015 PER/DCOMP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. PROVAS. NECESSIDADE. Fl. 514DF CARF MF 4 As receitas auferidas por empresas de serviços de informática, decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento ou cessão de direito de uso, bem como de análise, programação, instalação, configuração, assessoria, consultoria, suporte técnico e manutenção ou atualização de software, compreendidas ainda como softwares as páginas eletrônicas, quando existentes, somente estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins se efetivamente comprovadas, implicando, na hipótese contrária, o indeferimento do pedido de restituição ou a não homologação da compensação, conforme o caso. UNIFICAÇÃO DE PROCESSOS. DESCABIMENTO. Tratandose de hipótese não expressamente elencada na legislação, é descabida a necessidade de unificação de processos, sem prejuízo, todavia, de os julgamentos serem simultaneamente realizados. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COBRANÇA DO DÉBITO COMPENSADO. No caso de compensação não homologada, a cobrança do débito indicado para extinção, quando cabível, decorre da própria legislação, todavia, se restar comprovado que o débito somente foi apurado e informado pela contribuinte em função do regime de apuração por ela pretendido, a cobrança, quando e se vier a ocorrer, não pode prescindir da avaliação prévia da Administração acerca dos pertinentes critérios, até mesmo para evitar dupla cobrança em face da contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 91 e ss. E, por meio da petição de fl. 273, juntou laudo técnico aos autos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O Recurso Voluntário não deve ser conhecido. É que, intimada do acórdão recorrido em 10/11/2017 (ver doc. emitido pelo Correios à fl. 86), uma sextafeira, o prazo para a sua interposição pela Recorrente, que se iniciara na segundafeira seguinte, dia 13/11/2017 (primeiro dia útil após a intimação; art. 5º do Decreto nº 70.235, de 19721), encerrouse no dia 12/12/2017, uma terçafeira. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13896.907877/201611 Acórdão n.º 3201004.470 S3C2T1 Fl. 514 5 A Recorrente, porém, juntouo aos autos no dia 14/12/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de fl. 88), um dia após encerrado o prazo de trinta dias, conforme estabelecido no art. 33 do mesmo diploma legal2. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002074/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2001
FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A falta ou insuficiência de recolhimento da CPMF enseja o lançamento de oficio, com os acréscimos legais.
RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE.
Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pela instituição financeira, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação, nos termos do art. 5°, § 3° da Lei n° 9.311/96.
AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a cobertura dos valores autuados pelos depósitos judiciais efetuados. Depois de realizado o lançamento de CPMF com base nos dados fornecidos pela instituição financeira, torna-se dever do contribuinte apresentar as provas e fazer a demonstração pontual dos erros em que, porventura, teria incorrido a Fiscalização na apuração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da CPMF enseja o lançamento de oficio, com os acréscimos legais. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pela instituição financeira, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação, nos termos do art. 5°, § 3° da Lei n° 9.311/96. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a cobertura dos valores autuados pelos depósitos judiciais efetuados. Depois de realizado o lançamento de CPMF com base nos dados fornecidos pela instituição financeira, tornase dever do contribuinte apresentar as provas e fazer a demonstração pontual dos erros em que, porventura, teria incorrido a Fiscalização na apuração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 20 74 /2 00 3- 63 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 321 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza os detalhes do litígio: Tratase de Impugnação, fls. 182/190, interposta em face do Auto de Infração relativo à Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira CPMF concernente aos períodos de apuração de janeiro/2000 a agosto/2001, no valor originário de R$ 11.628,05, que, adicionado aos juros de mora calculados até abril de 2003 e à multa de ofício de 75% lançada, perfaz o montante total autuado de R$ 25.327,05 (fls. 165/182). 2. A mencionada autuação foi formalizada em virtude de falta de recolhimentos da CPMF no que se refere a operações financeiras realizadas junto aos Bancos ABN AMRO REAL S/A e ITAÚ S/A. 3. Cientificada aos 03/06/2003, fl. 184, do lançamento, a contribuinte, aos 03/07/2003, interpôs a supradita Impugnação, na qual inicialmente alega que, por meio de petição cuja cópia está acostada à fl. 211 (na qual consta recibo datado de 26/05/2003), informou à DRF/Maceió/AL que, segundo documentos de fls. 212/214, a peticionante efetuou depósitos judiciais referentes à CPMF de 1999 a 2001 nos autos do mandado de segurança tombado sob o nº 99.100077. 4. Declara estranhar o Auto de Infração, porquanto estaria devidamente comprovada a existência de depósitos judiciais da CPMF, em totais inclusive superiores aos aqui exigidos, que abrangeriam todas as movimentações financeiras da impugnante. 5. Fala que “em momento algum, a Impugnante foi agraciada com uma medida judicial que vedasse o recolhimento da CPMF de suas contas bancárias” e que “Ao revés, a liminar posteriormente ratificada por sentença judicial autorizava a suspensão da exigibilidade da cobrança da CPMF em relação às operações financeiras realizadas pela Impugnante, mas determinava expressamente que tais valores deveriam ser depositados em conta vinculada ao processo judicial”. 6. Exterioriza que, tendo saído vitoriosa a Fazenda Nacional no Acórdão, já transitado em julgado, proferido pelo TRF da 5ª Região em sobredita ação, caber lheia requerer a conversão dos depósitos em renda da União o que ainda não teria Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 322 3 sido realizado, consoante pretende patentear por meio de extratos emitidos pela Caixa Econômica Federal – CEF. 7. Reputando comprovada a realização de depósitos judiciais concernentes a todas suas movimentações financeiras, inclusive aquelas que deram azo à autuação sob reproche, requereu fosse reconhecida a improcedência do Auto de Infração guerreado. 8. Em face dos termos da Impugnação interposta, e, ainda, diante da documentação acostada às fls. 212/214, esta 2ª Turma – então composta por integrantes totalmente distintos dos atuais, por intermédio da Resolução de fls. 230/232, decidiu, em sessão realizada aos 12/06/2006, converter o julgamento em diligência, com os objetivos expostos nos itens 5.1 a 5.4 desta Resolução, abaixo textualmente transcritos: “5.1 verificar se existe o depósito judicial integral dos valores de CPMF lançados no auto de infração e se comprovados juntar cópia dos mesmos e se havia o depósito, informar e comprovar que tais valores foram ou não convertidos em renda da União; 5.2 uma vez efetuadas as verificações solicitadas, resultar alteração no valor da contribuição lançada, elaborar um Quadro Demonstrativo Conclusivo, por período, determinando o valor da contribuição resultante, juntamente com a documentação comprobatória; 5.3 – diante dos elementos que acompanham a peça impugnatória demais providências que, a seu critério, possam subsidiar na solução da lide; 5.4 – seja dada ciência à contribuinte do resultado da diligência acima solicitada, concedendolhe reabertura de prazo para que se pronuncie, se assim o desejar, nos termos do que dispõe o Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores”. 9. Encerrada a diligência requerida, foi elaborado o Relatório de Diligência de fl. 239, que informa que, consoante informação colhida junto à Caixa Econômica Federal (vide intimação, fl. 92, e Ofício nº 157/2007/PAB Justiça Federal/AL, datado de 19/04/2007, fl. 93), que: (i) há depósito judicial no valor de R$ 177.598,37, na conta nº 2394.635.000106213, vinculada ao processo nº 9900100077; e (ii) o valor de R$ 11.042,55, proveniente da conta nº 2394.635.000109452 (igualmente vinculada ao processo nº 9900100077), foi convertido aos 11/09/2001 em renda da União. 10. Ao apreciar o resultado da diligência, o saudoso julgador Lúcio Flávio Pessoa Coutinho, após discorrer acerca dos objetivos da diligência requerida, concluiu que a diligência não foi conclusiva como solicitado na Resolução nº 486/2006, itens 5.1 e 5.22, razão pela qual, após concordância da então Presidente desta Turma, os autos foram novamente devolvidos à Unidade de Origem, fls. 241/242, para que a diligência fosse conclusiva quanto ao valor do depósito judicial convertido em renda, em 11/09/2001, a que se refere o Diligente, se são referentes aos fatos geradores da CPMF tratados no presente processo, elaborando o Quadro Conclusivo conforme item 5.23 da resolução anteriormente citada. 11. No segundo Relatório de Diligência, fl. 246, foi informado que: 11.1. segundo ofício da Caixa Econômica Federal de fl. 238, aos 11/09/2001 foi convertido em renda da União o valor de R$ 11.042,55; Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 323 4 11.2. as demais informações solicitadas no item 5.1., da Resolução, foram prestadas à fl. 239. 12. Redistribuído para minha relatoria o presente processo em virtude da aposentadoria do anterior Relator, anexei os extratos de fls. 245/269, impressos no sistema SINAL04 e correspondentes a depósitos de CPMF realizados pela impugnante, e, em seguida, no Despacho de Diligência de fls. 271/274 ponderei que: 12.1. conquanto a diligência realizada tenha identificado o valor total atualizado dos depósitos judiciais existentes na conta judicial nº 2394.635.00010621 e o montante total corrigido referente à conta judicial nº 2394.635.00010945 convertido em renda da União, não foi apresentado demonstrativo conclusivo, por períodos, discriminando as contribuições resultantes, tampouco foi informado se os depósitos dizem respeito, ou não, às operações que ocasionaram a exigência tributária em altercação; 12.2. para a elaboração de “Quadro Demonstrativo Conclusivo”, por período de apuração, da CPMF a ser mantida nos presentes autos, devese, primeiramente, identificar, um a um por período de apuração, os depósitos judiciais realizados (o que ainda não constava dos presentes autos), em seguida se certificar se tais depósitos são, ou não, relacionados às operações financeiras que ocasionaram a autuação aqui tratada. Somente depois disto, é possível se imputar os depósitos judiciais vinculados à contribuição devida em razão de tais operações financeiras (devendo, para tanto, ser adotada como valoração a data dos depósitos judiciais) e ao final se obter, por período de apuração, o saldo final da CPMF remanescente a ser exigido. 12.3. uma vez que os depósitos judiciais realizados a partir de 1º de dezembro de 1998, imediatamente repassados pela Caixa Econômica Federal ao Tesouro Nacional, na forma do art. 1º, §2º, da Lei nº 9.703, de 17/11/1998, são controlados no sistema SINAL04 – este Relator emitiu neste sistema os extratos de fls. 245/269, que apontam, individualmente, os montantes e as datas dos depósitos judiciais atinentes à CPMF realizados nos autos da ação judicial tombada sob o nº 99.10007 7. No detalhamento destes depósitos é possível constatar que, além das contas judiciais nº 2394.635.00010621 e 2394.635.00010945, está também vinculada à referenciada ação judicial a conta judicial nº 2394.635.00010622, consoante exemplificativamente demonstra à fl. 123 o detalhamento do segundo depósito relacionado nos extratos de fls. 245/266; 12.4. apesar de identificados os depósitos judiciais de CPMF realizados nos autos da multicitada ação judicial (que, em princípio pelo menos, englobam todas as importâncias depositadas), não é possível confirmar, nos extratos de fls. 246/249, a correlação entre os depósitos judiciais estampados nestes extratos às operações financeiras efetuadas pela autuada junto aos Bancos ABN AMRO REAL S/A e ITAÚ S/A e que ensejaram a autuação ora debatida, até mesmo porque os valores depositados divergem, bastante, dos montantes autuados, o que foi ilustrado em relação ao período de apuração em relação ao qual foi instaurada a maior exigência (junho/2000), relativamente ao qual foram instauradas as seguintes exigências a seguir descritas e para os quais, consoante fls. 246/266, foram realizados os seguintes depósitos: VALOR AUTUADO EM RELAÇÃO AO MÊS DE JUNHO/2000: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 324 5 DEPÓSITOS VINCULADOS AO MÊS DE JUNHO DE 2000: 12.5. conforme tabela acima, são totalmente discrepantes os valores autuados e os depositados da contribuição o que levanta dúvidas acerca da vinculação dos depósitos à CPMF devida em virtude das operações financeiras que resultaram na autuação recorrida; 13. Em função do exposto, considerando que ainda persistia a necessidade de complementação da diligência, determinei, mais uma vez, o encaminhamento dos presentes autos à Unidade de Origem para que fosse realizada diligência no seguinte sentido: 13.1. fosse certificado se os depósitos judiciais objeto dos extratos de fls. 245/266 se referem, ou não, às operações financeiras que ensejaram a autuação debatida, e, ainda, se eles realmente englobam todos os depósitos judiciais efetuados na ação nº 99.00.100077; 13.2. fossem imputados, individualmente por período de apuração autuado, os valores lançados aos correspondentes depósitos cujas vinculações às operações Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 325 6 financeiras que ensejaram o lançamento debatido fossem confirmadas, com indicação do saldo remanescente da CPMF restante após tais imputações; 13.3. fosse informado se porventura os depósitos judiciais realizados junto à conta judicial nº 2394.635.00010622 foram, ou não, convertidos em renda da União, bem como, na hipótese de resposta positiva, a data em que isto ocorreu; 13.4. fosse anexada a documentação que embasa a conclusão da diligência requerida e seja elaborado relatório conclusivo a respeito das questões antecedentes, devendo, em homenagem ao princípio do contraditório e da ampla defesa, dele ser cientificada a autuada para que, querendo, manifestese a respeito no prazo de 30 (trinta) dias. 14. Aos 15/12/2014, foi expedida a intimação de fl. 282/283, por meio da qual a autoridade diligenciante requereu que a contribuinte, no prazo de 10 (dez) dias: (i) apresentasse os comprovantes de depósitos judiciais referentes à CPMF do período de janeiro de 2000 a agosto de 2001; (ii) agrupasse mensalmente os valores do período acima em uma tabela. 15. Em resposta, a intimada apresentou a petição de fl. 284, datada de 15/02/2015, por meio da qual informa que: 15.1. não dispõe dos comprovantes de depósitos requeridos, pois “de acordo com a decisão proferida nos autos mandado de segurança nº 99.80.100077, a incumbência de promover a retenção desses valores e sua transferência para conta judicial pertencia ao banco depositário, Caixa Econômica Federal, agência PAB JUSTIÇA FEDERAL, que certamente disporá das informações e documentos solicitados”; 15.2. a legislação tributária apenas obriga a contribuinte guardar os documentos pelo prazo de cinco anos (art. 195, parágrafo único, do CTN) e a documentação solicitada se relaciona a fatos geradores ocorridos há mais de quinze anos; 15.2. “esta empresa já recebeu, em 05/05/2003, outra intimação fiscal da Receita Federal, por meio da qual se solicitava a mesma documentação ora aludida, havendo, naquela ocasião, sido prestados todos os esclarecimentos e documentos necessários, conforme documentação que a empresa traz em anexo com o fim de subsidiar os trabalhos do ilustre auditor”. A 2ª Turma da DRJ/REC, acórdão nº 1152.084, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF DEPÓSITOS JUDICIAIS. VINCULAÇÃO ÀS OPERAÇÕES FINANCEIRAS AUTUADAS. ENCARGO DA IMPUGNANTE. É encargo processual da impugnante comprovar a sua alegação de que a contribuição devida sobre as operações financeiras especificamente autuadas, cujas ocorrências não Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 326 7 levantou dúvidas, foram objeto de depósitos judiciais vinculados a estas operações. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA LIVROS DE ESCRITURAÇÃO E COMPROVANTES. MANUTENÇÃO ATÉ A PRESCRIÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. A contribuinte está obrigada a manter, até a prescrição da ação de cobrança dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, os livros de escrituração comercial e contábil obrigatórios e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados. Em seu recurso voluntário, a Recorrente ratifica todos os argumentos de sua impugnação. Não junta novos documentos. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Na origem, houve procedimento fiscal para verificar o recolhimento de CPMF pelas instituições financeiras, em virtude de decisão judicial favorável à empresa, que posteriormente foi revogada. Por força da MP n° 2.15835, as instituições financeiras ficaram obrigadas a apurar e registrar os valores devidos no período de vigência de decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição, e, após a revogação dessa medida impeditiva, a efetuar o débito na conta bancária de seus clientescontribuintes, a menos que houvesse manifestação expressa em contrário, encerramento de conta ou insuficiência de saldo. Art. 45. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: I apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; II efetuar o débito em conta de seus clientescontribuintes, a menos que haja expressa manifestação em contrário: a) no dia 29 de setembro de 2000, relativamente às liminares, tutelas antecipadas ou decisões de mérito, revogadas até 31 de agosto de 2000; b) no trigésimo dia subsequente ao da revogação da medida judicial ocorrida a partir de 1° de setembro de 2000; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 327 8 III recolher ao Tesouro Nacional, até o terceiro dia útil da semana subsequente es do débito em conta, o valor da contribuição, acrescido de juros de mora e de multa moratória, segundo normas a serem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; IV encaminhar a Secretaria da Receita Federal, no prazo de trinta dias, contado da data estabelecida para o débito em conta, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: a) nome ou razão social do contribuinte e respectivo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; b) valor e data das operações que serviram de base de cálculo e o valor da contribuição devida. Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV deste artigo, a contribuição não se sujeita ao limite estabelecido no art. 68 da Lei n° 9.430, de 1996, e será exigida do contribuinte por meio de lançamento de oficio. Nesse contexto, duas instituições financeiras, nas quais a Recorrente mantinha contas bancárias, prestaram à Receita Federal as informações relativas a não retenção da CPMF. A Lei n° 9.311/96, no art. 4°, I, prescreve que são contribuintes da CPMF os titulares das contas referidas nos incisos I e II do seu art. 2°: Art. 2° O fato gerador da contribuição é: I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; II o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2°, ainda que movimentadas por terceiros; Já o art. 5°, §3°, dispõe que: Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 328 9 (...) § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Logo, o contribuinte possui, em caráter supletivo, a responsabilidade pelo pagamento da CPMF, no caso de sua não retenção pela instituição financeira responsável. A fiscalização intimou a empresa para comprovar a vinculação das contribuições lançadas com os depósitos judiciais. O contribuinte, por sua vez, não logrou êxito em comprovar tal conexão. A análise feita pela decisão recorrida foi precisa: 20. Para atender a solicitação acima, a contribuinte foi intimada pela autoridade fiscal diligenciante a apresentar os comprovantes de depósitos judiciais referentes à CPMF do período de janeiro/2000 a agosto/2001 e a agrupar mensalmente os valores em uma tabela. 21. Em resposta, limitouse a diligenciada a responder que não dispõe dos comprovantes de depósitos, tendo exposto as três razões relatadas no item 15 e subitens acima. 22. Quanto à primeira alegação, não está elucidada que retenção a suposta decisão judicial (cuja cópia não foi apresentada pela defendente) teria determinado que a Caixa Econômica Federal realizasse em face da ora recorrente. 23. Todavia, com todo respeito, pareceme muito estranho que o MM. Juízo determinasse que a CEF fizesse retenções de valores a serem judicialmente depositados a título de tributos em litígio, pois, como se sabe, a realização de depósitos judiciais desta natureza é uma faculdade da contribuinte (e não uma obrigação) e, em regra, os depósitos judiciais ou são realizados pela parte interessada na “boca” do caixa ou são objeto de operações realizadas por meio da “internet”, sendo que, em todos os casos, é disponibilizada, como não poderia deixar de ser, comprovante da operação. Aliás, mesmo que se admita a estranha hipótese de que tenha sido determinada a retenção de valores para fins de depósitos judiciais, ainda não há como se admitir que desta retenção não tenha sido fornecida comprovação à parte que a sofreu. 24. O argumento de que não mais estaria obrigada a guardar os documentos solicitados, dado o disposto no parágrafo único, do art. 195, do CTN, é manifestamente impertinente, pois tal dispositivo diz que “Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram” (g.n.) 25. Ora, in casu, o prazo de prescrição sequer se iniciou, porque, em razão da impugnação do sujeito passivo, a contagem do prazo de prescrição – salientese, de cobrança (e não de constituição) do crédito tributário está suspensa, na forma do art. 151, III, do CTN, sendo que, somente quando este crédito estiver definitivamente constituído (ou seja, após a decisão definitiva na via administrativa), é que se inicia a fluência do prazo prescricional, consoante expressamente determina o art. 174, caput, do Código Tributário Nacional, assim redigido: “A ação para a Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 329 10 cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva”. 26. A terceira alegação é, igualmente, improcedente, pois, consoante se verifica às fls. 210/213, a contribuinte, em resposta à intimação datada de 05/05/2003, apenas apresentou cópia de extrato da CEF em que consta o saldo global da conta judicial nº 000106216. Não foram apresentadas cópias dos depósitos judiciais, consoante expressamente requerido pela Fiscalização por intermédio da intimação cuja cópia está acostada à fl. 210, expedida durante a terceira diligência realizada. 27. Se a contribuinte, por justificativas não acatáveis, não apresentou sequer cópia dos depósitos judiciais nem tabulou os correspondentes valores, não haveria como a Fiscalização passar à etapa seguinte, que seria solicitar do sujeito passivo que estabelecesse uma vinculação entre as operações que ensejaram a autuação e tais depósitos. 28. Aqui, repiso que, consoante mencionado no Despacho de Diligência de fls. 271/274, “apesar de identificados os depósitos judiciais de CPMF realizados nos autos da multicitada ação judicial (que, em princípio pelo menos, englobam todas as importâncias depositadas), não é possível confirmar, nos extratos de fls. 246/249, a correlação entre os depósitos judiciais estampados nestes extratos às operações financeiras efetuadas pela autuada junto aos Bancos ABN AMRO REAL S/A e ITAÚ S/A e que ensejaram a autuação ora debatida, até mesmo porque os valores depositados divergem, bastante, dos montantes autuados” (vide item 12.4 acima, no qual inclusive há exemplo numérico da assertiva). 29. Destaco que se a contribuinte, que não contesta a efetividade das operações financeiras que ensejaram a autuação nem alega que elas não são tributáveis pela CPMF, assevera que tais operações teriam sido objeto de depósitos judiciais, sobre ela recai, na forma do art. 333, II, do CPC, aqui aplicável analogicamente, o dever de comprovar o fato impeditivo do direito do Fisco de exigir a contribuição sobre tais operações, para o que deveria ter apresentado cópias de tais depósitos e, ainda, ter estabelecido perfeita correlação entre os depósitos e as operações autuadas, pois, eventualmente, tais depósitos podem se vincular a outras operações. 30. E oportunidades para a autuada se desvencilhar de seu ônus processual probante não faltou (como quando da Impugnação e da realização da terceira diligência), mas, ainda assim, não o fez. 31. Portanto, por falta de comprovação de que as importâncias da CPMF relativas às operações financeiras autuadas teriam sido objeto de depósitos na ação mandamental acima descrita, não merece acolhida a Impugnação da contribuinte, devendo ser mantida a autuação. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a cobertura dos valores autuados pelos depósitos judiciais efetuados. Depois de realizado o lançamento de CPMF com base nos dados fornecidos pela instituição financeira, tornase dever do contribuinte apresentar as provas e fazer a demonstração pontual dos erros em que, porventura, teria incorrido a Fiscalização na apuração. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10410.002074/200363 Acórdão n.º 3301005.588 S3C3T1 Fl. 330 11 Por isso, deve ser constituído o lançamento de ofício da CPMF devida, por imperativo do art. 142 do CTN, inclusos os consectários legais: multa (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96) e juros SELIC. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721154/2012-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE
O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete, inteligência do art. 56 da MP n° 2.15835/ 2001, está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.
Numero da decisão: 9303-007.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete, inteligência do art. 56 da MP n° 2.15835/ 2001, está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 11 54 /2 01 2- 12 Fl. 5616DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo auto de infração (efls. 02 a 09) referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI apurado no período de 10/07/2007 a 31/12/2007, no valor de R$ 13.760.351,16, aí somados: principal de R$ 6.141.353,87, multa de ofício de R$ 4.606.015,42, e juros de mora (calculados até 30/03/2012) de R$ 3.012.981,87. A contribuinte teve ciência da autuação em 30/07/2012. A infração que deu azo à autuação foi haver recolhimento a menor de IPI, entre julho e dezembro de 2007, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. A autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. O detalhamento das infrações encontrase na Informação Fiscal, às efls. 12 a 17. A empresa apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 318 a 342, em 06/08/2012. Já a 2ª Turma da DRJ/RPO, em 26/09/2012, no acórdão nº 1438.746, às efls. 4667 a 4678, apreciou a impugnação para considerála improcedente. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 01/11/2012, às efls. 4685 a 4715. Em apertada síntese, a contribuinte alega: a) não há obrigatoriedade legal de destacar o valor do frete na nota fiscal visando ao crédito presumido do IPI; b) no preço de venda dos produtos está computado o valor do frete com todas as despesas a ele referentes; c) foi demonstrada a segregação do valor do veículo e do frete computado no preço no registro das receitas de venda; d) o auto de infração carece de base legal para realização de lançamento de ofício relacionado ao alegado aproveitamento indevido dos créditos de IPI em discussão; e) igualmente carece de fundamentação legal a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada; e f) caso não seja provido o recurso, pleiteia a realização de diligência para buscar a verdade dos fatos. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, converteu o julgamento em diligência, em 23/10/2013, por meio da Resolução nº 3201 000.439, às efls. 4727 a 4730. A diligência visava que a unidade preparadora avaliasse: a) se o frete foi considerado no cálculo da contribuição; b) se o frete está inserido na formação do preço de venda; e c) sendo incluído no preço de venda, se o frete é contabilizado em conta contábil segregada de receita com venda do veículo. Após o procedimento, que proferisse parecer conclusivo sobre essas questões. Além disso informarse com a contribuinte se houve declaração (ou contrato de quem pratica o frete) e apresente planilha com os fretes diferenciados dos Estados (análise por parte da fiscalização, inclusive). Realizadas as diligências foi apresentada Informação Fiscal de efls. 4735 a 4749. Nela é de se destacar que os valores de fretes cobrados nas vendas (componente do valor Fl. 5617DF CARF MF Processo nº 10860.721154/201212 Acórdão n.º 9303007.911 CSRFT3 Fl. 5.617 3 do veículo vendido) eram receitas que não podiam ser relacionadas com pagamento do serviços de transporte (frete pago/CIF), sendo estes superiores àqueles. Já o atendimento da contribuinte A última solicitação da diligência, sobre contratos e planilhas de fretes diferenciados, foi atendida apenas de forma parcial, após duas intimações. Cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou manifestação às efls. 5070 a 5078, na qual reafirma sua demonstração de que cobra pelos fretes realizados, mas que os valores pagos às transportadoras não são exatamente idênticos aos computados no preço de venda, porém, essa equivalência de valores não consta da legislação, sendo, portanto, exigência da fiscalização e não da Lei. De fato, há segregação no lançamento contábil de receita entre o valor do preço do veículo e o do frete escriturado, constando a receita do frete escriturada de forma apartada no Livro Diário. A mesma 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, no acórdão nº 3201002.247, apreciou os recursos em 23/06/2016, às efls. 5433 a 5454, negando provimento ao recurso voluntário. Tal acórdão teve as seguintes ementas: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Rejeitase a alegação de nulidade, tendo em vista, constar no Auto de Infração, a fundamentação legal. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. No caso, o crédito presumido relativo às saídas de produtos realizadas entre os dias 1º e 5 de julho de 2007 foi escriturado em 10/07/2007, como “OUTROS CRÉDITOS”, na rubrica “CRÉDITO PRESUMIDO CIF MP 2.15835/ 01” , portanto, na data de ciência do auto de infração, dia 06/07/2012, ainda não havia transcorrido o decurso de prazo de cinco anos. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete, inteligência do art. 56 da MP n° 2.15835/ 2001, está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. Recurso a que se nega provimento. O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento ao recurso. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Fl. 5618DF CARF MF 4 Masuko dos Santos Araújo. Houve sustentação oral por advogado nomeado pela Recorrente. Embargos de declaração da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 5462) do acórdão nº 3201002.247, em 15/08/2016, e, às efls. 5467 a 5472, em 22/08/2016 (efl. 5466), manejou embargos de declaração àquele acórdão, indicando nele a existência de contradições. Alega omissão do aresto na análise de documentação comprobatória do valor dos fretes juntada já na impugnação, bem como contradição ao fundamentarse na falta de apresentação de documentação oficial. O Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento no despacho de efls. 5477 a 5481, em 07/10/2016, os admitiu, forte no art. 65 do Anexo II do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Em 25/04/2017, a mesma Turma, no acórdão nº 3201002.766, entendeu, por unanimidade, não estarem configuradas contradições ou mesmo omissões no aresto, estando os fundamentos do acórdão embargado em perfeita harmonia com a sua conclusão, por isso os rejeitou. Recurso especial de divergência da contribuinte A contribuinte teve ciência do acórdão de seus embargos, em 09/06/2017, e interpôs recurso especial de divergência ao acórdão nº 3201002.247, em 23/06/2017 (efl. 5506), às efls. 5507 a 5520. Foram apresentados como paradigmas os acórdãos nº 3402004.086 e nº 3402004.087. Argumenta que enquanto no acórdão recorrido entendeuse que não foram atendidos os requisitos legais para apuração do crédito presumido de IPI, tendo em vista que o valor do frete não foi destacado na nota fiscal, nos paradigmas, verificase entendimento contrário sobre o mesmo fato, qual seja, a legislação em momento algum exige o destaque segregado do valor do frete pago para fruição do regime especial. O Presidente da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 5572 a 5576, analisou o recurso especial, concluindo que os acórdãos paradigmas tratavam da discussão apenas com base na inexigibilidade de que os valores de fretes fossem destacados nas notas fiscais, enquanto que na decisão recorrida o fundamento foi a ausência de provas de que o frete dos produtos estivesse incluso no preço dos produtos vendidos. Por isso, negou seguimento ao recurso especial. Cientificada (efl. 5579) do despacho em 21/08/2017 (efl. 5583), a contribuinte a ele interpôs o agravo de efls. 5587 a 5596, em 25/08/2017, com base no art. 71 do Anexo II do RICARF . A Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF apreciou o agravo, em 06/07/2018, no despacho de efls. 5600 a 5603 e resumiu os argumentos da agravante da seguinte forma: a) Tanto o acórdão recorrido como os acórdãos paradigmas enfrentam os mesmos argumentos trazidos pela Fiscalização, através de Relatório de Informação Fiscal, quais sejam: (i) falta de comprovação do computo do frete no preço da mercadoria; e (ii) falta de destaque do valor do IPI nas Notas Fiscais. Fl. 5619DF CARF MF Processo nº 10860.721154/201212 Acórdão n.º 9303007.911 CSRFT3 Fl. 5.618 5 b) Nos termos do acórdão recorrido, a legislação estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal. Dessa forma, tendo em vista que nas notas fiscais de vendas dos veículos não consta frete destacado, este seria por conta do emitente, justificando assim o entendimento de que o frete não foi cobrado juntamente com o preço dos produtos; c) Nos acórdãos paradigmas, os Ilustres Julgadores entenderam que a Fiscalização extrapola seu poder ao trazer uma exigência, qual seja, a necessidade de destaque do valor do frete na Nota Fiscal, que não consta em lei; e d) Restou comprovado que a decisão recorrida e as decisões paradigmas apresentaram interpretação divergente da legislação tributária (interpretação do art. 56 da Medida Provisória 2.15835/2001). Conclui sua análise com as seguintes considerações: A discussão travada no acórdão recorrido foi se o valor do frete estando incluído na composição do preço é suficiente para que o sujeito passivo faça jus ao crédito presumido, sem, contudo, comprovar que assumiu os gastos com o transporte. O que se pôde extrair da ratio decidendi do acórdão recorrido foi que, embora desejável o destaque do valor do frete na nota fiscal, não é requisito essencial para fruição do regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação de serviço de transporte, podendo ser demonstrado o citado dispêndio por terceiras vias. O fato foi que não houve comprovação dos pagamentos dos referidos gastos, nem tampouco o destaque dos valores dos fretes. Pelo quadro relatado, foi mantida a glosa dos valores referentes aos fretes. No acórdão nº 3402004.086, discutiuse a mesma questão posta no acórdão recorrido, qual seja: Se a indústria automotiva deveria provar que assumiu o valor do frete para ter direito ao crédito presumido do IPI de 3% do valor do imposto destacado na nota fiscal, previsto no art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Pelo voto condutor do acórdão, no regime especial contido no art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, o valor do frete estaria presumidamente embutido no preço do produto, não havendo necessidade de segregar o valor na nota fiscal, nem de provar que foi arcado pela indústria automotiva. Resta, então, caracterizada a divergência jurisprudencial sobre a matéria. Por essas razões acolheu os embargos para dar seguimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. Contrarrazões da Fazenda Fl. 5620DF CARF MF 6 Cientificada do despacho de efls. 5600 a 5603, em 09/07/2018 (efl. 5604) a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da contribuinte em 16/07/2018, às efls. 5605 a 5613. Inicialmente pugna pelo não conhecimento do recurso especial do sujeito passivo, destacando que : Percebase que a questão é absolutamente probatória, a contribuinte não logrou comprovar que o frete foi cobrado juntamente com o preço dos produtos, seja por destaque nas notas fiscais, seja por qualquer documento hábil. Já no acórdão apontado como paradigma, o entendimento da Turma foi de que a legislação não exige o destaque do valor do frete nas Notas Fiscais, sendo este o único motivo da glosa efetuada. (Negritos do original) Por essa razão, entende correto o despacho que não admitiu o recurso especial, e afirma, reproduzindo seus argumentos: Como bem destacado no despacho de inadmissibilidade, “(...) não se pode afirmar que a decisão indicada represente paradigma da controvérsia jurisprudencial, vez que, no caso da decisão recorrida, a ausência probatória da inclusão do frete cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos foi o fundamento da decisão, e não a ausência de destaque do frete nas Notas Fiscais, matéria analisada pelo paradigma indicado”. (Negritos da PGFN) Subsidiariamente, no mérito, requer que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose a decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Em que pesem as considerações da Fazenda Nacional, em sua contrarrazões, concordo com o entendimento da Presidente da CSRF, quanto à existência de divergência jurisprudencial. De fato, como salientou a Procuradora em suas contrarrazões, o acórdão recorrido centrouse na questão probatória, acerca da inclusão do valor do frete no preço do produto. Sabemos que a divergência não se estabelece em sede de instrução probatória. Assim, poderseia concluir pela inocorrência da divergência suscitada. Fl. 5621DF CARF MF Processo nº 10860.721154/201212 Acórdão n.º 9303007.911 CSRFT3 Fl. 5.619 7 Ocorre que, tanto no recorrido, como nos paradigmas, a prova é a mesma (mesma empresa, mesma escrituração e mesma contabilização). Portanto, a diferença entre essas decisões somente pode ser atribuída ao critério jurídico aplicado sobre essa prova. Nesse caso, a divergência jurisprudencial fica patente e, portanto, conheço do Recurso Especial do Sujeito Passivo. Mérito Preliminarmente, devo fazer a ressalva de que essa Turma, em 13/03/2018, se posicionou, por unanimidade, no acórdão nº 9303006.465, no qual participei, resultando na seguinte ementa: REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art.56, II, 'b', MP 2.158/2001). Contudo, adotarei posicionamento diverso no presente processo e explico tal proceder pela análise do voto condutor daquele aresto que se inicia com o seguinte parágrafo: Com efeito, enquanto o acórdão recorrido entendeu cabe o direito ao crédito presumido de IPI estabelecido no art. 56 da Medida Provisória MP n.º 2.15835, de 2001, sobre a parcela do frete cobrado pela prestação de serviço de transporte de veículos novos, malgrado não destacado nas notas fiscais (esse é o único tema que se controverte no recurso especial), o paradigma,todavia, em flagrante dissídio jurisprudencial, em situação idêntica e para o mesmo contribuinte, concluiu justamente o contrário. (Grifei.) Assim, entendo que as considerações havidas naquele acórdão se prendiam igualmente a situação em que a controvérsia girasse em torno da necessária e exclusiva comprovação do destaque dos valores frete nas notas fiscais ("...único tema que se controverte..."), sem consideração de outras questões. Portanto, naquela oportunidade, o colegiado não se debruçou sobre as outras questões. Ao contrário, no presente processo, a análise foi mais aprodundada e temos fundamentação adicional sobre o tema, que não pode deixar de ser considerada. Por essa razão, entendo que no processo atual se possa admitir análise distinta. Como em larga a medida abordado quando da apreciação do conhecimento, há dois pontos importantes para construção do meu posicionamento: 1) legislação vigente à época dos fatos geradores; e Fl. 5622DF CARF MF 8 2) falta de comprovação dos valores dos fretes relacionadas individualmente com cada venda realizada. O primeiro ponto afasta de plano a ideia trazida pela contribuinte de que seria possível admitirse alguma forma de equalização dos valores de frete, ou mesmo um preço médio como afirmado pelo Conselheiro Cássio Schappo, em sua declaração de voto no acórdão recorrido. A legislação da época, 2007, dispunha: (...) II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput, em todas as operações de saída do estabelecimento industrial; (...) Da leitura do dispositivo acima, poderseia ter uma interpretação mais restritiva, de que a cobrança conjunta do frete com o preço do serviço deveria ser expressa no documento fiscal. Poderseia, ainda, ter uma interpretação mas aberta do dispositivo, de que, mesmo sem a informação expressa no documento fiscal, esse valor poderia ser apresentado em documentação complementar. Porém, no entender deste conselheiro, não cabe a interpretação de que o valor do frete não esteja integralmente alocado à venda de cada respectivo produto. De outra forma, o dispositivo restaria sem aplicação nenhuma. Logo, a cada venda deveria ser possível a comprovação da cobrança do frete e , como visto, mesmo após diligência isso não foi possível. Mais ainda, a Informação Fiscal resultante da diligência apresenta a seguinte tabela (efl. 4745): 2007 Frete pago/CIF "FRETEVENDAS" totais Frete "FRETE/VENDAS" despesa receita maio 47.932.207,43 38.008.106,51 9.924.100,92 junho 57.956.474,42 46.594.332,63 11.362.141,79 setembro 90.050.658,95 72.949.804.89 17.100.851,06 outubro 103.358.317,03 84.306.427,51 19.051.889,52 Totais 299.297.657,53 241.858.671,54 57.438.986,29 Depois dessa constatação veio a afirmação da fiscalização à efl. 4746: Como vemos, os totais pagos pelos serviços de transporte por VW, em apenas 4 meses de 2007, ultrapassaram as supostas cobranças dos mesmos "FRETEVENDAS CIF " (CIF?) em R$57.438.986,29. Ou seja, os valores de fretes pagos aos transportadores não eram diretamente atribuídos às vendas realizadas, talvez o fossem de forma indireta, por critérios outros que não os exigidos pela legislação que concedia o crédito presumido. Quiçá isso fosse relevante para a contribuinte por questões de mercado ou de logística na distribuição dos veículos, mas, no meu entender, não atendia a condição da norma Fl. 5623DF CARF MF Processo nº 10860.721154/201212 Acórdão n.º 9303007.911 CSRFT3 Fl. 5.620 9 então vigente: cobrar o preço do serviço de transporte juntamente com o preço dos veículos em todas as operações de saída. Me parecem irrelevantes as considerações sobre vantagens ou desvantagens para a tributação do IPI na aplicação deste ou daquele critério, o que deve valer é o critério disposto na lei à época dos fatos. Por conseguinte, caberia a comprovação e a diligência, bem como o acórdão recorrido que nela se baseou, concluíram que dela a contribuinte não se desincumbiu a contento e deveria fazêlo a fim de usufruir do crédito presumido em um regime especial de tributação. Dessarte, apesar da aparente contradição do voto agora apresentado com aquele do acórdão inicialmente referido, cogito tratarse de análise sobre bases fáticas e jurídicas distintas e por isso me valho das razões do voto condutor do acórdão a quo para concluir pela negativa de provimento ao recurso especial da contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000218/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2005.
Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa:
Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 79.386,24, referente ao quarto trimestre de 2005.
Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue.
1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999".
2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto.
3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...".
Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004.
Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem.
3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços.
Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão.
Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual.
Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria.
No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado:
Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças.
3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal:
Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal.
Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ...
Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se).
Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações.
O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central).
Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se).
A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado.
O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz:
(...)
Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda.
Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal:
Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas].
Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem.
No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega:
(..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis.
Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza.
(. )
Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros...
Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda.
tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte.
Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação:
Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros.
Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos":
(...)
Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa:
Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos.
Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos.
Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca.
Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações.
A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.793, de 29/10/2010 (fls. 208 e ss.), assim ementado:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2005
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito creditório não reconhecido
Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 974 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos.
Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse.
O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 79.386,24, referente ao quarto trimestre de 2005. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.793, de 29/10/2010 (fls. 208 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2005 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 974 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto
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RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO Recorrente WRC OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 79.386,24, referente ao quarto trimestre de 2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 21 8/ 20 07 -1 1 Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.035 2 Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendoo com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extraise do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.036 3 Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mãode obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via email que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e referese a um Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.037 4 guindaste portuário modelo HMK 300E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB0001 Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifouse). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denotasena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebese também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.038 5 Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e referese a um guindaste portuário modelo HMK 300E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifouse), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifouse). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifouse). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denotase na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.039 6 Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, notase na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressaltese que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitandose o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.040 7 fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiarse indevidamente de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidenciase que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.041 8 ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, tornase impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0721.793, de 29/10/2010 (fls. 208 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da nãocumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.042 9 ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 974 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente, pessoa jurídica que presta serviços portuários, notadamente movimentação de cargas unitizadas em contêineres, apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto. Conferido em parte, em alguns processos, o direito reclamado e indeferido noutros, a Recorrente apresentou manifestações de inconformidade, posteriormente julgadas improcedentes pela DRJ. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.043 10 Nos autos do processo de nº 10920.000216/200721, já julgado pela 3ª Turma Especial desta 3ª Seção do CARF, constatou o relator do Acórdão nº 3803005.250, de 29/01/2014, conselheiro Corintho Oliveira Machado: Em preliminar, cumpre atentar para uma alegação trazida pela recorrente desde o início da lide falta de impugnação específica aos documentos apresentados pela contribuinte, no mister de comprovar seus créditos que, de fato, dificultou sobremaneira a defesa da ora recorrente. Esse vício na forma como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados (sem discriminação por nota fiscal, ou mesmo por fornecedor) trouxe não só dificuldade de defesa para a contribuinte mas também para o julgador de piso, conforme verseá adiante. Notase, no vestíbulo do voto, que a i. relatora elenca várias rubricas que teriam sido glosadas pela auditoriafiscal (reportadas no item 4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal)1 e que não teriam sido objeto da manifestação de inconformidade. Nada obstante, ao se analisar a tabela de notas fiscais glosadas do despacho decisório, fl. 276, encontrase um total de 24 notas que são tratadas conjuntamente pelo Fisco, como sendo de ativo imobilizado, materiais de uso/consumo e despesas administrativas. Pois bem, essas notas fiscais todas foram objeto sim da manifestação de inconformidade apresentada, não sobrando espaço algum para glosas não manifestadas. O tratamento das glosas no despacho decisório nesse formato genérico trouxe ainda problemas de avaliação para o julgamento que exsurgem nos últimos parágrafos do voto, quando são tratados os serviços de “intermediação de negócios comerciais” prestados pela empresa Cargotop Participações Ltda e os serviços de “assistência técnica” prestados pela empresa Demag Granes & Componentes Ltda. O acórdão dá a entender que tais valores não foram informados corretamente na linha 03 da ficha do Dacon (despesas com “Serviços Utilizados como Insumo”) e por isso nada aqui cabe ser dito, por não haver nenhuma glosa a esse título, entretanto, o despacho decisório é claro ao mencionar expressamente as notas fiscais relativas a esses fornecedores no item 2.2.1.1, não sendo legítimo ignorar a existência das glosas expressas tão somente porque não foram informados os seus valores no campo correto do Dacon, como sentencia o decisum guerreado. Na mesma linha de raciocínio valor não informado no Dacon está a rubrica "Outros Valores/Operações com Direito a Crédito", porém aqui há vício explícito do despacho decisório, que menciona a glosa dos valores, por não haver qualquer documento trazido pelo contribuinte, mas não menciona o valor glosado a esse título. 1 (...) Ressaltese que gastos com materiais de consumo, despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança e despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos. (...) Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.044 11 Ao meu sentir, esses vícios na maneira como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados, ainda no despacho decisório, geraram efetivamente cerceamento do direito de defesa do solicitante, e merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença, pois inquinaram todos os demais atos processuais deste contencioso, sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório) de forma apropriada, ou seja, com a necessária discriminação das glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o início a recorrente. Posto isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, para declarar nulo o processo desde o despacho decisório inclusive. Seguimos o voto do relator na parte em que descreve as deficiências do Despacho Decisório, mas alvitramos desfecho diferente. Entendemos que uma mera diligência poderá sanar as dúvidas a serem dirimidas (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Pelo exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora elabore, para o(s) PER/DCOMP(s) objeto dos autos, Relatório Fiscal detalhado sobre as razões das glosas, nos moldes em que já realizado quando do refazimento do Despacho Decisório que acostou ao processo nº 10920.000216/200721 (novo Despacho Decisório às fls. 1015/1041 do referido processo). Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para a continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10920.000218/200711 Resolução nº 3201001.711 S3C2T1 Fl. 1.045 12 Fl. 1046DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901578/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/06/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.568
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 78 /2 01 3- 62 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10280.901578/201362 Acórdão n.º 3401005.568 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.225. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10280.901578/201362 Acórdão n.º 3401005.568 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10280.901578/201362 Acórdão n.º 3401005.568 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10280.901578/201362 Acórdão n.º 3401005.568 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10280.901578/201362 Acórdão n.º 3401005.568 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10280.901578/201362 Acórdão n.º 3401005.568 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.004081/2005-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese.
Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação.
Numero da decisão: 9303-007.885
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 40 81 /2 00 5- 18 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 357 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 330201.421, de 12 de fevereiro de 2012 (fls. 304 a 314 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem nas Declarações de Compensação – DCOMP protocoladas pelo Contribuinte entre 12/11/2004 e 12/01/2005, requerendo a compensação de débitos de PIS e COFINS com crédito oriundo da Ação Ordinária n.º 1999.71.07.0050995, no valor de R$13.464,88, transitada em julgado, reconhecendo o direito da contribuinte de calcular o PIS nos moldes da Lei Complementar Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 358 3 n.º 7/70, considerando inconstitucionais as alterações introduzidas pelos DecretosLeis nºs. 2.445/1988 e 2.449/1988. Nos termos do despacho decisório exarado, foi homologado parcialmente a pleiteada compensação, deixando de fazêlo em relação aos débitos de COFINS e acatando somente a compensação dos débitos de PIS, consoante determinava a decisão judicial. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que defende não haver nenhuma vedação à compensação com todos os tributos administrados pela RFB, decorrendo tal direito da decisão judicial, que determinou a realização de compensação independentemente da autorização da administração fazendária, por simples escrituração contábil nos termos do art. 66 da Lei nº 8383/91. Requereu o cancelamento da intimação e o acolhimento de sua manifestação com a homologação das compensações relativas a débitos de Cofins, conforme declaradas. Ainda, requereu a extinção da cobrança ante a ilegalidade e inconstitucionalidade do lançamento feito pelo Fisco. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para admitir a compensação dos créditos relativos ao recolhimento indevido do PIS com tributos diversos administrados pela RFB, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995 PIS. COMPENSAÇÃO INDÉBITO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE. É possível haver a compensação de créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos referentes a outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil nos casos em que, como no presente, a denegação da Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 359 4 compensação com tributos de espécie distinta somente ocorrera em face de ter sido aplicada legislação que à data do reconhecimento judicial do direito creditório já havia sido modificada com a edição de legislação que passara a permitir a compensação na forma pretendida pelo sujeito passivo e na qual a própria Administração Tributária vem se orientando na homologação de compensações de tributos e contribuições sob sua administração. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 317 a 324) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à possibilidade de a administração tributária reconhecer a compensação de crédito decorrente de ação judicial transitada em julgado com tributos diversos, ainda que a ação judicial tenha restringido a compensação com tributos da mesma espécie, se legislação superveniente mais favorável já viger quando da decisão transitada em julgado. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de nº 20402.901. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro da ementa do acórdão paradigma no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 326 a 328. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 334 a 341, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 360 5 O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 326 a 328. Pois, no acórdão paradigma entendeuse pela necessidade de cumprimento da decisão judicial transitada em julgado em seus estritos termos, em decorrência da coisa julgada. De modo contrário, no acórdão recorrido entendeuse pela possibilidade de compensação com tributos diversos, a despeito de a decisão transitada em julgado restringir a compensação de créditos de PIS com débitos de PIS. Desta forma, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Da preliminar alegada em Contrarrazões Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede que seja declarada a prescrição intercorrente dos presentes autos, os quais devem ser arquivados de ofício. No entanto, deixo de acatar a preliminar em vista de que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, conforme Súmula CARF nº 11 Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Do mérito Nos termos do despacho decisório foram homologadas em parte as compensações declaradas pelo Contribuinte, apenas as compensações de PIS com PIS, não sendo homologadas as compensações de PIS com outros tributos, obedecendo o disposto da decisão judicial juntada aos autos. De acordo com o Recurso Voluntário de fls. 307: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 361 6 (....na inicial da ação ordinária impetrada pelo Contribuinte em outubro de 1999 foi solicitado o direito à restituição de indébitos fiscais do PIS recolhido com base nas alterações introduzidas na Lei Complementar 7/70 pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/1988, consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal STF, permitindo que a restituição pleiteada fosse efetuada por meio de compensação com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL ou o IRPJ. A decisão do Juízo Federal de primeira instância, em 25/10/2000, declarou o direito da parte autora de compensar os valores pagos a maior, a esse título, com a aplicação de correção monetária sobre a base de cálculo, com futuras parcelas devidas relativas somente ao próprio PIS, (...), aplicando ao caso o regime da Lei nº 8.383/1991 art. 66, considerando que o regime jurídico de compensação disciplinado na Lei 9.430/96 não é aplicável à espécie sub judice, uma vez esta pressupõe requerimento administrativo (compensação que é levada a efeito no âmbito da Secretaria da Receita Federal), hipótese diversa da que ora é apreciada (compensação que é efetuada no âmbito do lançamento por homologação). (fls. 93) Referida sentença foi proferida em 25/10/2000 (fls. 101), vindo a transitar em julgado somente em 10/02/2004, consoante Certidão de Trânsito fornecida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ (fls. 127), tendo as DCOMP’s sido entregues no período compreendido entre 12/11/2004 e 12/01/2005, nas quais é requerida a compensação de débitos das Contribuições PIS e COFINS, portanto em desacordo parcial com o que fora sentenciado pelo juízo de primeira instância, em 25/10/2002, que a admitira para que fosse realizada somente em relação a débitos da contribuição para o PIS, em face do disposto no § 1o. do artigo 66 da Lei nº 8.383/91. Importante ressaltar que essa decisão de mérito proferida na instância singular não mais foi objeto de questionamento, porquanto a Fazenda Nacional interpusera ao TRF da 4ª Região recurso de apelação somente sobre questões acessórias, sendo que ao STJ a Fazenda Nacional interpôs Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 362 7 recurso especial argüindo que deve prevalecer a tese da contagem do prazo prescricional a partir da declaração de inconstitucionalidade pela Suprema Corte, sendo aplicável a correção monetária no caso do PIS – SEMESTRALIDADE, tese essa que não foi acolhida. Vêse, pois, que a sentença de primeiro grau permaneceu intocada quanto às questões outras que não as acima relatadas, ficando seu trânsito em julgado na dependência da apreciação, pelo STJ, dessas mesmas arguições da Fazenda Nacional, o que veio a ocorrer com a decisão proferida em 28/10/2003 (fls. 125/126). Da leitura dos acima transcritos fundamentos que embasaram a sentença inicial, que restou consolidada, sem retoque, quando do seu trânsito em julgado, verificase que, tendo sido proferida anteriormente à edição de Lei nº 10.637, de 30/12/2002 Em suma, no caso sob análise a contribuinte valeuse de legislação superveniente mais benéfica (Lei nº 10.637/2002) vigente na data da apresentação das DCOMPs, efetuada no período de 12/11/2004 a 12/01/2005, declarando crédito judicial originado de decisão singular proferida em 25/10/2000, que, no mérito, restou consolidada, sem retoque, somente quando do seu trânsito em julgado em 10/02/2004, sendo que nesse interregno, de 25/10/2000 a 10/02/2004, somente questões outras (que não a necessidade de que a compensação fosse realizada somente com a mesma contribuição ao PIS) foram postas em discussão, significando dizer que a definitividade da decisão nesse aspecto já fora decretada desde 25/10/2000, porquanto essa questão, repitase, não mais fora posta em discussão na via judicial. Relevante destacar que a sentença, foi proferida em data anterior a entrada em vigor da Lei nº 10.637/02 (01/10/2002), que alterou o art. 74 da Lei nº. 9.430/96 para permitir a compensação com tributos diversos. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 363 8 O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº. 10.637/02 regula o instituto da compensação tributária nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser realizada após a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela RFB vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. A Lei nº 10.637/2002 sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei n.º 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. A Receita Federal do Brasil desde 2003 vem se posicionando no sentido que o Contribuinte pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Segue abaixo várias Soluções de Consulta e de Divergência sobre o tema: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2003. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 364 9 EMENTA: COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é admitida, entretanto, a compensação desses créditos com débitos de terceiros, a exemplo dos débitos dos fabricantes e dos importadores de veículos, oriundos da obrigação, relativamente às vendas que fizerem, de cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas, ainda que o detentor dos créditos seja o contribuinte substituído. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966, arts. 128 170 e 170A; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 9.250, de 1995, art. 39; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 10.637, de 2002, art. 49; Lei nº 10.677, de 2003; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43; Medida Provisória nº 135, de 2003, art. 17; IN SRF nº 210, de 2002, art. 30; IN SRF nº 360, de 2003. VERA LÚCIA RIBEIRO CONDE Chefe da Divisão de Tributação SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 2 de 22 de setembro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 365 10 apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 279, DE 07 DE OUTUBRO DE 2014 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 366 11 EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. EXECUÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. Tendo o contribuinte iniciado a execução na via judicial e posteriormente dela desistido, o direito de compensar prescreve no prazo de cinco anos contados a partir da homologação da desistência pelo Juízo da execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativo, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 367 12 DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF06 Nº 6035, DE 12 DE JULHO DE 2017 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB – exceção feita às contribuições previdenciárias e aos tributos apurados na sistemática do Simples Nacional – quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal de 1988. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. DISPOSITIVOS LEGAIS: CF, de 1988, art. 100, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 e IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 41, 81 e 82. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 368 13 Também através da Nota COSIT nº 141, de 23 de maio de 2003, a Receita Federal entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. A Receita Federal publicou, também, a Solução de Consulta 29/COSIT/SRF, segundo a qual “como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie”. Solução de Consulta nº 29 Cosit Data 30 de março de 2016 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 369 14 Como se pode ver todos os casos acima se aplicam perfeitamente ao presente caso. Sobre o tema ainda, encontrei diversos posicionamentos esclarecendo que as sentenças transitadas em julgado posteriormente à Lei 10.637/2002 — mesmo na hipótese de terem autorizado apenas a compensação entre tributos da mesma espécie — poderiam ser utilizadas pelos contribuintes para a compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Prevaleceu, assim, a aplicação da norma contida em lei a despeito de restrição eventualmente estabelecida em sentença. Tal se justifica na medida em que o contribuinte pode ter requerido o reconhecimento do seu indébito em juízo de forma mais restritiva antes da alteração legislativa que veio a permitir a compensação ampliada. A alteração na legislação e no procedimento de compensação poderia, portanto, ser aplicada posteriormente. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão nº 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido à compensação de COFINS com parcelas da própria COFINS. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Verificase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 370 15 poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. Quanto ao teor do título judicial em favor do Contribuinte, ressaltese que o mesmo, de fato, se restringe ao direito de compensação das parcelas pagas a maior a título do PIS com o próprio PIS, atendendo somente em parte ao pleito da demandante, que buscava a compensação dos indébitos do PIS com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL e o IRPJ. Contudo, o reconhecimento apenas parcial do direito pela Justiça, frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente, não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da recorrente, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que a decisão judicial admitisse hipótese de compensação ainda não albergada pela legislação vigente à época da autuação do processo. Logo, o deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal não importa em desobediência à decisão judicial, mas tão somente uma justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Por fim o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no Resp. 1.137.738, no sentido de que o contribuinte pode proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, de acordo com as normas posteriores, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇAO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART.170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇAO. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 371 16 MAJORAÇAO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇAO DO ART.535 DO CPC NAO CONFIGURADA. [...] 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizou apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. [...] 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em consequência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 9303007.885 CSRFT3 Fl. 372 17 dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp488992/MG). A vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 372DF CARF MF
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