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Numero do processo: 12466.000692/94-33
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.080
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 20 de agosto de 1996 MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente e Relator Procurado VISTA EM 2 9 AGO 996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO, LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. Ausente o Conselheiro: SÉRGIO DE CASTRO NEVES. Fez sustentação oral o Advogado Dr. ROBERTO SILVESTRE MAROSTON OAB N° 22.170. trne MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA INTERESSADA RELATOR(A) 117.933 301-1080 DRF - DE JULGAMENTO DO RIO DE JANEIRO ALF/PORTO DE VITÓRIA/ES CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATÓRIO E VOTO •• •• Recurso de oficio. A fiscalização autuou a empresa por ter cometido erro de. classificação, quando da importação de MITSUBISHI PAJERO, de uso misto, enquadrando-os como jipes. Em apreciação e julgamento a decisão singular julgou improcedente a ação fiscal quanto ao mérito, após rejeitar a preliminar levantada pelo sujeito passivo e negar o seu pedido de perícia sobre os veículos. Declarou o julgador de primeira instância que só teria aplicação o Parecer Normativo nO02/94 para classificar os veículos que atendam simultaneamente os requisitos de serem "jeep" e "veículos de uso misto" no código 8703 33-0600 se não tivesse sido expedida a decisão contida na Orientação Normativa NBM-DISIT 258 8' RF, de 14 de setembro de 1993, corroborada pelo Despacho Homologatório COSIT/DINOM nO245, de 21/12/94, relativos a veículos que atendam às condições . para serem tidos como jipes (conforme o AD(N) 32/93 e não atendam às condiç~~ .. para serem tidos como veículos de uso misto, conforme o referido PN. ,. COSIT/DINOM nO 02/94. Diz ainda que o citado Despacho Homologatório reconheceu que os veículos MITSUBISHI PAJERO não apresentam condições para serem veículos de uso misto, de modo que têm classificação no código 8703.33.0400 da TAB/TIPI. Com este fundamento, concluiu o julgador de primeira instância que a classificação correta dos citados veículos, deve ser no código 8703-33-0400 por não atenderem as condições para serem declarados como sendo de uso misto, h?'!~""') sido confirmado pelos Despachos Homologatórios que devem ser tidos por .jiiJê" Verifica-se que as análises das características dos veículos foram feitas exclusivamente com base em documentos e que existe, pelo menos aparentemente contradição nas conclusões dos órgãos encarregados de proferir a classificação tarifária das mercadorias. Assim é que, enquanto o PN nO 02/94 encontra nos veículos simultaneamente as características de jipes e de veículos de uso 2 , , I" I,; ,I: ",, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃO N° 117.933301-1080 •• • misto, as decisões DINOM/DISIT 8' RF declara que tais veículos por serem jipes como tais devem ser classificados, ficado omitida qualquer menção ao uso misto. A contradição pode levar a concluir que talvez não se trate dos mesmos veículos ou que ocorreu simplificação ao máximo na enumeração das especificações da mercadoria ao ponto de a Orientação Normativa DISIT/DINOM 8' RF deixar de lado, por desprezíveis, algumas características outras para efeito de enquadramento tarifário. i ' Estas contradições impedem saber o tipo de veículo importado, objeto da ação fiscal, e se tomam um obstáculo ao julgamento do presente recurso de ofício. Por outro lado, tem-se que foi impertinente o pedido da importadora de realização de perícia, havendo formulado quesitos como os que seguem: a) se os veículos tipo "jeep", marca Mitsubishi Pajero, objeto da presente ação fiscal, atendem cumulativamente os requisitos fixados pelo AD(N) 32/93; b) se além dos requisitos enumerados no citado AD(N), os veículos em discussão apresentam outros que lhes conferem a característica essencial e específica de "jeep". Como a resposta apenas a estes quesitos não daria esgotamento às indagações sobre a mercadoria a classificar, voto no sentido de converter o julgamento do recurso de oficio em diligência à Repartição de Origem, no sentido de ser ouvido o INT, para esclarecer se os veículos em questão se enquadram nas especificações previstas no Ato Declaratório COSIT nO32/93, ou no Parecer Normativo COSIT n? 02/94. Na ocasião deverá ser convidada também a importadora a apresentar os quesitos que julgar convenientes. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 1996 " .--:;:::::: MOACYR - RELATOR .' 3 "I "', ,1:' I :Ii : ! !' , 'í' I 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007844/2003-08
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
DECADÊNCIA. PRAZO.
0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à COFINS decai
em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE.
A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, não lhe obstando a
existência de depósitos judiciais.
CONVERSÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS EM RENDA DA UNIÃO.
MOMENTO DE EXTINÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Depósitos judiciais somente extinguem débitos tributários depois de efetivada
a respectiva conversão em renda da Unido.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se multa de oficio e juros de
mora na forma prevista na legislação.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 2801-000.120
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA TURMA ESPECIAL da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos
períodos de abril a junho de 1998 e excluir a multa de oficio.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. PRAZO. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à COFINS decai em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais. CONVERSÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS EM RENDA DA UNIÃO. MOMENTO DE EXTINÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Depósitos judiciais somente extinguem débitos tributários depois de efetivada a respectiva conversão em renda da Unido. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se multa de oficio e juros de mora na forma prevista na legislação. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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PRAZO. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à COFINS decai em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais. CONVERSÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS EM RENDA DA UNIÃO. MOMENTO DE EXTINÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Depósitos judiciais somente extinguem débitos tributários depois de efetivada a respectiva conversão em renda da Unido. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se multa de oficio e juros de mora na forma prevista na legislação. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA TURMA ESPECIAL da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ocorrência da decadência em rein -do aos períodos de abril a junho de 1998 e excluir a multa de oficio. Processo n° 10980.007844/2003-08 S2-TE01 Fl. 134 Acórdão n.° 2801-00.120 .0,600-uk;ou OSE A MARIA COELHO MARQU P sidente BE HIOR MELO DE SOUSA Rela Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Mauricio Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Trata o presente de recurso contra o Acórdão n° 150.539, de 18 de outubro de 2007, da DRJ/Curitiba-PR, que considerou procedente o lançamento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente aos períodos de apuração 04/1998 a 12/1998, fls. 54 a 62, decorrente de auditoria interna na DCTF do segundo, terceiro e quarto trimestre de 1998, em que são exigidos R$ 21.252,91, além dos consectdrios legais. Cientificada da decisão ern 13 de novembro de 2007, fl. 120, a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 121 a 130, em 28 de novembro de 2007, cujo teor sera a seguir sintetizado. alega, em preliminar, a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, no tocante aos períodos de apuração abril a julho de 1998, dizendo que o prazo, pela regra do art. 150, § 4°, do CTN, é cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Cita, a respeito, jurisprudência do Conselho de Contribuinte e da Camara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; no mérito, argumenta que a exigibilidade da COFINS, para os períodos lançados, está suspensa, em razão da Ação Ordinária n° 97.0011253-5, acompanhada de depósitos judiciais, conforme guias em anexo; defende ser improcedente a imposição da multa de oficio e dos juros de mora, tendo em vista o disposto no artigo 63, §1°, da Lei n° 9.430/96; em apoio a sua defesa, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Superior Tribunal de Justiça; requer, pelo exposto, seja considerado insubsistente o presente lançamento. Processo n° 10980.007844/2003-08 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.120 Fl. 135 E o Relatório. Voto Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator 0 recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Quanto à decadência alegada, manifestou a decisão recorrida que, por tratar- se "de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo para extinção do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito é definido, de fato, pelo § 4° do art. 150 do CTN, que, via de regra, o fixa em 5 anos." Entretanto, hospedando a condição estabelecida no inicio deste mesmo texto se a lei ado fixar prazo a homologação", estabelecendo prerrogativa da lei de estipular prazo diverso para a extinção do direito da Fazenda Pública, curva-se aquele Juizo ao prazo de 10 (dez) anos estabelecido no art. 45, da Lei n° 8.212/91, posto tratar-se no presente caso de contribuição para a Seguridade Social, considerando até estar este ditame legal em consonância corn o art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988. A obrigação tributária de COFINS referente aos períodos de apuração em apreço foram objetos da Ação Ordinária n° 970011253-5, que discute o mérito de ser ou não isento dessa contribuição este sujeito passivo, fazendo-se acompanhar de depósitos judiciais, corn efeito, não tern a força de extinguir o crédito tributário, nem de impedir a sua constituição, com a multa de oficio, inclusive, visto não estar ao amparo do artigo 63, da Lei n" 9.430/96. Tern-no, todavia, de marcá-lo com a suspensão de sua exigibilidade, nos termos do art. 151, II, do CTN, tudo, como já bem assentado na decisão combatida. A propósito da suspensão da exigibilidade, informa o despacho de fl. 105 que esta providência já fora tomada pela Delegacia da Receita Federal de Curitiba. Após a edição da súmula n° 08, do STF, insustentável o enquadramento no art. 45, da Lei n° 8.212/91. Em vista da existência dos depósitos judiciais - procedimento do contribuinte que cientificou a Fazenda Nacional dos fatos geradores, devendo contra ela correr o prazo de 05 (cinco) anos a contar desses eventos - deve prevalecer o que dispõe o art. 150, § 4° do CTN. Desse modo, considerando que os períodos de apuração vão de abril a dezembro de 1998, o prazo final para lançamento expirou em 30 de abril e 31 de dezembro de 2003, respectivamente. A lavratura do auto de infração deu-se em 18 de junho de 2003, fl. 55, com ciência em 21 de julho de 2003, fl. 71. Desse modo, nesta data estava decaído o direito de a Fazenda constituir os créditos tributários relativos aos períodos de apuração de abril a junho de 1998. JA esclarecido pela decisão da DRJ os efeitos que advirão dos seus depósitos, no tocante à incidência da multa de oficio e dos juros de mora, a serem excluídos por ocasião da conversão em renda, que os reitero: "Em que pese o lançamento, na sua formalização, ser efetuado, por previsão legal, corn a aplicação de multa de oficio e de juros de mora, esses valores (de multa e de juros) apenas serão exigidos, em face de depósitos judiciais, na proporção d 3 Processo no 10980.007844/2003-08 S2-T E01 Acárao n.° 2801-00.120 Fl. 136 crédito Tributário que remanescer à extinção pela conversão em renda da Unido. Conversão essa que, a teor do item 23, nota 5, da Norma de Execução CSAr/CST/CSF n" 002, de 1992, é considerada, para fins de cálculo de extinção, com base no valor dos depósitos a data em que efetuados. Ou seja, um depósito de montante integral e na data do vencimento da obrigação correspondente, caso venha a ser convertido em renda — e apenas nesse momento — conduzirá extinção do crédito relativo à contribuição, o que, pelo principio de que o acessório segue o principal, conduzirá a inexistência da base da multa de oficio e dos juros de mora, mesmo que aplicados no ato de formalização do crédito. Antes da conversão, porém, como não há extinção de crédito, medida alguma deve ser tomada, devendo-se manter a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora, mormente pela precariedade e transitoriedade da existência de depósitos judiciais, em face da possibilidade de levantamento, em detrimento da garantia do crédito Tributário." Dado o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência dos períodos de abril a junho de 1998. Sala ias Sessões, em 01 de junho de 2009 BELC IOR MELO DE SOUSA 4 4
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000378/94-79
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Dec 06 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301.01.100
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ISALBERTO ZAVÃO LIMA
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ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 06 de dezembro de 1996 DEIROSMOAC PRESIDENT '~/l ISALBERTO ZAVÃO LIMA RELATOR •~/ , Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA 'REGINA MELARÉ, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. Ausente o Conselheiro: SÉRGIO DE CASTRO NEVES. alice I .~ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA t RECURSO N°RESOLUÇÃO N" RECORRENTE INTERESSADA RECORRIDA RELATOR 118.016 301.1.100 DRJ/ DO RIO DE JANEIROIRJ CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX ALFIPORTO DE VITÓRIAlES ISALBERTO ZAVÃO LIMA RELATÓRIO E VOTO •• Recurso de oficio. Adoto Relatório e Voto proferido em processo de matéria idêntica, Recurso n° 117.878, cujo ilustre Relator, Dr. Moacyr Eloy de Medeiros, assim se pronuncIou: "A fiscalização autuou a empresa por ter cometido erro de classificação, quando da importação de MITSUBISHJ PAJERO, de uso misto, enquadrando-os como jipes. Em apreciação e julgamento a decisão singular julgou improcedente a ação fiscal quanto ao mérito, após rejeitar a preliminar levantada pelo sujeito passivo e negar o seu pedido de perícia sobre os veiculos. Declarou o julgador de primeira instância que só teria aplicação o Parecer Normativo n° 02/94 para classificar os veiculos que atendam simultaneamente os requisitos de serem "jeep" e "veículos de uso misto" no código 8703 33-0600 se não tivesse sido expedida a decisão contida na Orientação Normativa NBM-DISIT 258 8" RF, de 14 de setembro de 1993, corroborada pelo Despacho Homologatório COSITIDINOM n° 02/94. Diz ainda que o citado Despacho Homologatório reconheceu que os veículos MITSUBISHJ PAJERO não apresentam condições para serem veiculos de uso misto, de modo que têm classificação no código 8703.33.0400 da TABITIPI. Com este fundamento, concluiu o julgador de primeira instância que a classificação correta dos citados veículos, deve ser no código 8703- 33-0400 por não atenderem as condições para serem declarados como sendo de uso misto, havendo sido confirmado pelos Despachos Homologatórios que devem ser tidos por jipes. Verifica-se que as análises das características dos veículos foram feitas exclusivamente com base em documentos e que existe, pelo menos aparentemente contradição nas conclusões dos órgãos encarregados de proferir a classificação tarifária das mercadorias. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA I ), RECURSON" RESOLUÇÃO N° 118.016 301.1.100 Assim é que, enquanto o PN nO 02/94 encontra nos veículos simultaneamente as características de jipes e de veículos de uso misto, as decisões DINOM/DISIT 8a RF declara que tais veículos por serem jipes como tais devem ser classificados, ficado omitida qualquer menção ao uso misto. A contradição pode levar a concluir que talvez não se trate dos mesmos veiculos ou que ocorreu simplificação ao maxlmo na enumeração das especificações da mercadoria ao ponto de a Orientação Normativa DISIT/DINOM 8a RF deixar de lado por desprezíveis algumas características outras para efeito de enquadramento tarifário. Estas contradições impedem saber o tipo de veículo importado, objeto da ação fiscal, e se tomam um obstáculo ao julgamento do presente recurso de ofício. Por outro lado, tem-se que foi impertinente o pedido da importadora de realização de pericia, havendo formulado quesitos como os que seguem: a) se os veículos tipo "jeep", marca Mitsubishi Pajero, objeto da presente ação fiscal, atendem cumulativamente os requisitos fixados pelo AD (N) 32/93; b) se além dos requisitos enumerados no citado AD (N), os veículos em discussão apresentam outros que lhes conferem a característica essencial e específica de "jeep". Como resposta apenas a estes quesitos não daria esgotamento ás indagações sobre a mercadoria a classificar, voto no sentido de converter o julgamento do recurso de ofício em diligência á Repartição de origem, no sentido de ser ouvido o INT, para esclarecer se os veículos em questão se enquadram nas especificações previstas no Ato Declaratório COSIT nO 32/93, ou no Parecer Normativo COSIT n° 02/94. Na ocasião deverá ser convidada também a importadora a apresentar os quesitos que julgar convenientes." Sala das Sessões em 06de dezembro de 1996. '~IJ~ Z~ ISALBERTO ZAVÃO LIMA - Relator 3 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 10845.004086/2003-12
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO SOCIAL - COFINS
Ano-calendário:2002,2003
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Matérias trazidas na impugnação e que tenham sido submetidas ao Poder Judiciária não podem ser apreciadas pelas instâncias julgadoras administrativas, sob pena de se configurar concomitância de instâncias de julgamento, obstada pelas normas tributárias processuais, em especial o artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 e o Ato Declaratório Normativo - ADN COSIT 03/96.
QUALIFICAÇÃO DE CONTADOR PARA EXAME DE ESCRITA FISCAL. DESNECESSIDADE. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
LANÇAMENTO NA PENDÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. CABIMENTO.
A autoridade fiscal tem o dever e oficio de constituir o crédito tributário relativo ao tributo devido, por for a do disposto no parágrafo único, do artigo 142, do CTN, tendo em conta que' imprescindível a existência de título hábil a lastrear a sua cobrança, quer na .a administrativa, quer na judicial.
MÉRITO. MULTA D OFÍCIO. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.
Foge à competência das autoridades julgadoras administrativas a apreciação de irresignação do contribuinte endereçada a pretensos vícios de inconstitucionalidade de normas legais, tendo em vista que aquelas instâncias de julgamento cabe apenas aplicar as leis aos casos concretos, carecendo-lhes poderes para afastá-las, o que é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-000.089
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA TURMA ESPECIAL da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO SOCIAL - COFINS Ano-calendário:2002,2003 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Matérias trazidas na impugnação e que tenham sido submetidas ao Poder Judiciária não podem ser apreciadas pelas instâncias julgadoras administrativas, sob pena de se configurar concomitância de instâncias de julgamento, obstada pelas normas tributárias processuais, em especial o artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 e o Ato Declaratório Normativo - ADN COSIT 03/96. QUALIFICAÇÃO DE CONTADOR PARA EXAME DE ESCRITA FISCAL. DESNECESSIDADE. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. LANÇAMENTO NA PENDÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. CABIMENTO. A autoridade fiscal tem o dever e oficio de constituir o crédito tributário relativo ao tributo devido, por for a do disposto no parágrafo único, do artigo 142, do CTN, tendo em conta que' imprescindível a existência de título hábil a lastrear a sua cobrança, quer na .a administrativa, quer na judicial. MÉRITO. MULTA D OFÍCIO. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Foge à competência das autoridades julgadoras administrativas a apreciação de irresignação do contribuinte endereçada a pretensos vícios de inconstitucionalidade de normas legais, tendo em vista que aquelas instâncias de julgamento cabe apenas aplicar as leis aos casos concretos, carecendo-lhes poderes para afastá-las, o que é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado.
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Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA DE OFICIO DE 75% - APLICABILIDADE - No lançamento de oficio, não caracterizado o evidente intuito de fraude, aplica-se a multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento do imposto devido.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - DEDUÇÕES SABIDAMENTE INEXISTENTES -
DESPESAS MÉDICAS - PENSÃO ALIMENTÍCIA - CABIMENTO - A inclusão em
diversas declarações de ajuste anual de deduções sabidamente inexistentes, tão-somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-000.155
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Júlio Cezar da Fonseca Furtado que desqualificavam a multa de oficio.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: AMARYLLES RELNALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFICIO DE 75% - APLICABILIDADE - No lançamento de oficio, não caracterizado o evidente intuito de fraude, aplica-se a multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - DEDUÇÕES SABIDAMENTE INEXISTENTES - DESPESAS MÉDICAS - PENSÃO ALIMENTÍCIA - CABIMENTO - A inclusão em diversas declarações de ajuste anual de deduções sabidamente inexistentes, tão-somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. Recurso negado.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13851.001200/2006-12 Recurso n° 165.092 Voluntário Acórdão n° 2801-00.155 — 1' Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente NILZA BENEDICTO Recorrida 5' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFICIO DE 75% - APLICABILIDADE - No lançamento de oficio, não caracterizado o evidente intuito de fraude, aplica-se a multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - DEDUÇÕES SABIDAMENTE INEXISTENTES - DESPESAS MÉDICAS - PENSÃO ALIMENTÍCIA - CABIMENTO - A inclusão em diversas declarações de ajuste anual de deduções sabidamente inexistentes, tão-somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. Recurso negado. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Júlio Cezar da Fonseca Furtado que desqualificavam a multa de oficio. AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE Presidente e Relatora FORMALIZADO EM: 21 Aco 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (suplente convocado), Margareth Valentini (suplente convocado) e Sandro Machado dos Reis. Processo n° 13851.001200/2006-12 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.155 Fl. 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 98 a 115, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de RS 27.394,09, acrescido de multa de oficio parcialmente qualificada e juros de mora. A autuação decorreu de glosas das seguintes deduções: dependentes (com multa de 75%); despesas médicas (com multas de 75% e 150%); pensão alimentícia judicial (com multa de 150%) e despesas com instrução (exercícios 2001 a 2003, com multa de 75%). Incidiu multa de oficio qualificada sobre as glosas de pensão alimentícia ("...devido à inserção de elementos sabidamente inexatos... ") e sobre as despesas médicas referentes à Santa Casa de São Carlos e ao Hospital Amaral de Carvalho ("...por em tese estar ocorrendo o crime contra a ordem tributária..."). Foi formalizada representação fiscal para fins penais (processo n° 13851.001211/2006 94). IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 120 a 122), instruída com o documento de fls. 123, acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 138): "(...) a nulidade do auto de infração em razão do quantum da multa imposta, por ferir o princípio constitucional do não confisco e por desobedecer ao princípio da razoabilidade, o que levaria a declará-lo nulo de pleno direito. Entende ter havido falta de observância ao princípio da razoabilidade, uma vez que o elevado percentual da multa aplicada foi superior ao valor do imposto apurado pelo Fisco, o que a torna desproporcional, daí porque a multa qualificada no percentual de 150% e a multa de ofício de 75% aplicadas sobre o valor do imposto apurado não pode prevalecer. Aduz que a multa aplicada não observou os princípios legais, uma vez que o valor da multa apurado tem nítido caráter de confisco, o que é vedado pelo inciso IV do artigo 150 da Constituição federal. Afirma não possuir capacidade econômica favorável para solver o valor total do crédito tributário constante do auto de Infração, impossibilitando a contribuinte de agir, devido á flagrante inconstitucionalidade por parte do fisco. Traz à colação ementas judiciais, no intuito de embasar seus argumentos de defesas. 2 Processo n° 13851.001200/2006-12 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.155 Fl. 3 Por fim, caso não seja declarada a nulidade do lançamento, requer a redução da multa aplicada para o patamar mínimo." ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 5' Turma da DRJ-São Paulo/SP II, consoante Acórdão de fls. 136 a 143, julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMEIVTO. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos,as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade processual, nem nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. IMPOSTO APURADO SOBRE AS GLOSAS DE DEDUÇÕES COM DEPENDENTES, DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E DESPESAS COM INSTRUÇÃO. — MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Quando não há contestação especifica do imposto apurado por parte da contribuinte, tais matérias são consideradas como não impugnadas e essa parte do lançamento é considerada como definitiva. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da lei 4.502/64 relaciona como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzi-los e que restou caracterizado nos autos. MULTA DE OFÍCIO DE 75% APLICABILIDADE. A multa de oficio é prevista em disposição legal especifica e tem como suporte fálico a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Lançamento Procedente" RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) te- . 3 Processo n° 13851.001200/2006-12 52-TE01 Acórdão n.° 2801-00.155 Fl. 4 Cientificada da decisão de primeira instância em 12/12/2007 (fls. 149), a contribuinte apresentou, em 10/01/2008, o Recurso de fls. 151 e 152, instruído com cópias do extrato do processo (fls. 153 e 154), argumentando, em síntese, que as multas aplicadas são desproporcionais, apresentando caráter confiscatório. Pondera que não tem condições de satisfazer a exigência sem comprometer sua subsistência. Aduz que, não obstante a aplicação das multas em questão tenham previsão legal, nada impede que o julgador as reduza com o propósito de atender a capacidade financeira da contribuinte. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 156, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora Registre-se, inicialmente, que a interessada limita-se a solicitar a redução das multas de oficio aplicadas, por considerá-las desproporcionais e por não ter condições de quitar a exigência. Cumpre registrar, entretanto, que as multas aplicadas observaram fielmente a legislação que rege a matéria. Por oportuno, confira-se o disposto no art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação então vigente: "Art. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72, e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Observe-se que a penalidade descrita no inciso "I" aplica-se sempre que houver falta de recolhimento de imposto. Já a penalidade prevista no inciso "II", quando presente o evidente intuito de fraude, conforme definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, a saber: 4 Processo n° 13851.001200/2006-12 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.155 Fl. 5 "Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 11 - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72." No caso, houve qualificação para as glosas de despesas médicas pleiteadas como pagas à Santa Casa de São Carlos e ao Hospital Amaral Carvalho, que responderam à fiscalização que não prestaram serviços profissionais à interessada ou a seus dependentes, bem como para as glosas de pensão alimentícia, eis que os dados inseridos nas declarações da interessada não puderam ser corroborados pelos documentos apresentados pela interessada, levando à autoridade lançadora de que houve a inserção de elementos sabidamente inexatos. A inclusão em diversas declarações de ajuste anual de deduções sabidamente inexistentes, tão-somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a qualificação da multa de oficio. Para as demais glosas, efetuadas em decorrência de a interessada não lograr apresentar documentos hábeis a comprovarem o direito pleiteado, foi, acertadamente, aplicada a multa de oficio de 75%, uma vez que implicou falta de recolhimento do imposto exigido. Esta é exatamente a hipótese do inciso I acima transcrito, sendo legitima a multa de 75%. Pelo que diz o inciso VI do art. 97 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Por falta de previsão legal, as razões da impugnante não afastam a sanção. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 27 de julho de 2009 AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13502.000903/2002-51
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 27/12/2002
COMPENSAÇÃO
Poderá apenas ser efetivada se os Créditos do Contribuinte em relação à Fazenda Pública estiverem revestidos dos atributos de liquidez e certeza. Não verificados estes requisitos, improcedente o pleito de compensação e devidos os débitos subjacentes.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-000.035
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª turma especial da segunda seção de
julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DANIEL MAURICIO FEDATO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/12/2002 COMPENSAÇÃO Poderá apenas ser efetivada se os Créditos do Contribuinte em relação à Fazenda Pública estiverem revestidos dos atributos de liquidez e certeza. Não verificados estes requisitos, improcedente o pleito de compensação e devidos os débitos subjacentes. Recurso negado.
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Numero do processo: 12963.000139/2007-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/07/2007
ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Não sendo acolhida a preliminar, não se conhecerá das demais questões argüidas.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-000.444
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/07/2007 ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Não sendo acolhida a preliminar, não se conhecerá das demais questões argüidas. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/07/2007 ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Não sendo acolhida a preliminar, não se conhecerá das demais questões argüidas. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Sttringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes, os Conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Relatório Tratase de processo de Auto de Infração DEBCAD n° 37.081.6340, lavrado em 17/07/2007, tendo a interessada tomado conhecimento da autuação em 19/07/2007 conforme fls. 01 dos autos. A empresa foi autuada por não ter informado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP os valores referentes aos honorários do contabilista, no período de 02/2006 a 04/2007, conforme consta no Relatório Fiscal da Infração às fls. 12. Tal fato configurou a infração prevista no art. 32, inciso IV e § 50 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4° do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Em decorrência da infração ao dispositivo acima descrito, foi aplicada uma multa, nos termos do art. 32, § 5° da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97 c/c art. 284, inciso II, na redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9 de junho de 2003 e art. 373 do RPS, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007, no valor de R$ 2.411,82 (dois mil, quatrocentos e onze reais, oitenta e dois centavos); calculada conforme descrito no Relatório Fiscal da Multa Aplicada às fls. 12. Foram juntadas, ainda, pela autoridade lançadora, cópias de diversos documentos que serviram de base para a autuação, conforme fls. 13/81. A autuada apresentou em 03/09/2007 a impugnação de fls. 86/93, acompanhada de cópias de documentos, alegando, em síntese o que se relata a seguir. Em preliminar, argüiu a tempestividade da impugnação assegurando que a notificação foi recebida em 02/08/2007 juntamente com o Termo de Encerramento da Ação FiscalTEAF emitido em 30/07/2007 e entregue a empresa em 02/08/2007. No mérito, apresenta a sinopse da autuação e diz que a base de cálculo utilizada é excessiva além de incluir contribuição não devida relativa à retenção de 11% sobre honorários contábeis, cuja remuneração mensal é superior ao limite máximo. Também diz que essa questão foi tratada na impugnação da NFLD n° 37.081.6293 e que o valor da multa deve ser revisto. Argumentou que é garantido pela Constituição o direito ao contraditório e a ampla defesa nos processos administrativos, e ainda, que exercendo o seu direito de defesa impugna o Auto de Infração e apresenta as GFIP de todo o período exigido, incluindo todos os segurados empregados, administradores e contador, esclarecendo que procedeu de boafé. Afirmou que por ter corrigido a. falta no prazo para impugnação e por atender a todos os requisitos do art. 291, § 1° do Decreto n° 3.048/99, faz jus ao direito de relevação da multa e caso não seja esse o entendimento requer que a multa seja atenuada. Requereu, também, a realização de diligências para verificação dos documentos apresentados e que a defesa seja recebida no efeito suspensivo. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000139/200739 Acórdão n.º 240300.444 S2C4T3 Fl. 248 3 Por fim, visando comprovação de suas alegações a impugnante juntou aos autos cópias dos seguintes documentos: Procuração "Ad Judicia" (fls. 95); Documentos dos procuradores (fls. 96/97); Folha de rosto do AI ora impugnado (ciência em 19/07/2007, às fls. 98); TEAF (ciência em 02/08/2007, às fls. 99); Folha de rosto da NFLD n°37.081.6358 (ciência em 02/08/2007, às fls. 100); Contrato Social (fls. 101/103); I Declarações do contador dos anos de 2006 e 2007; recibos de honorários do contador de 01/2007 a 05/2007; relação de honorários do contador do ano de 2006; protocolos de envio de arquivos Conectividade Social e relatórios referentes as GFIP do período de 02/2006 a 09/2006 enviadas no dia 31/08/2007, período de 10/2006 e 02/2007 a 04/2007 enviadas em 30/08/2007 e período de 11/2006 a 01/2007, inclusive 13/2006, enviadas em 03/09/2007 (fls. 104/205). Tendo em vista o vencimento do prazo para impugnação em 20/08/2007 sem que houvesse manifestação do contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Poços de Caldas declarou a revelia do autuado e lavrou o respectivo "Termo de Revelia Através do Oficio n° 129/2007/SARAC/EAC/2, de 03/09/2007, encaminhando ao interessado uma via conforme fls. 84/85. Em 13/09/2007, após a apresentação da defesa intempestiva com argüição de tempestividade, foi enviado o Oficio n° 165/2007/SARAC/EAC/2 solicitando a desconsideração do referido Termo de Revelia (fls. 207). Através da Manifestação relativa ao Oficio n° 129/2007/SARAC/EAC/2, apresentada em 17/09/2007 (fls. 208/212), o autuado assegurou a tempestividade da defesa e requereu a ineficácia do Termo de Revelia. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz De Fora (MG ) DRJ/JFA emitiu Acórdão n° 0917.703(fls. 214), mantendo procedente o lançamento por intempestiva a impugnação. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” e requer sejam conhecidas suas alegações. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE Em preliminar, a recorrente suscitou em primeira instância, e reiterou em sede de recurso, a tempestividade da impugnação afirmando que procedera a entrega da defesa dentro do prazo legal. É cediço que sempre que o recurso for interposto em prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebêlo, tendo em vista o fenômeno da preclusão. Ocorre que sendo suscitada preliminar de tempestividade é cabível tal verificação.Entretanto, restando intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do procedimento e não se examina as demais questões argüidas. No processo em comento, o contribuinte afirmou em sua defesa e reiterou em sede de recurso, que foi intimado em 02/08/2007 do lançamento objeto desta NFLD alegando que prazo para a devida contestação expirou em 03/09/2007, data do protocolo de sua impugnação: “ Assim, a defesa administrativa feita pela recorrente foi tempestiva, tendo em vista que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (documento integrante da notificação fiscal) foi emitido em 30/07/2007 e recebido pela empresarecorrente em 02/08/2007.” Relevante notar que a recorrente desconsiderou a data da notificação assinada por sua sóciagerente em 19/07/2007 e se apoiou no erro formal sanável que não implicou em prejuízo para o contribuinte dos equivocados registros de um dos anexos daquela ou seja no TEAF. Desse modo, sem êxito, em primeira instância, se conheceu da impugnação no que se referiu à preliminar suscitada, instaurandose o litígio somente em relação à argüição de tempestividade. Cumpre destacar que diferente do que alega, de acordo com o registro de fl. 01, a recorrente foi notificada em 19/07/2007 conforme abaixo : “ Nos termos dos arts. 2° e 30 da Lei 11.457 de 16/03/2007, fica o contribuinte notificado do levantamento objeto da presente NFLD.” A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal consta expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante desta notificação: ( grifei) Fl. 251DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000139/200739 Acórdão n.º 240300.444 S2C4T3 Fl. 249 5 IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito RL Relatório de Lançamentos FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos MPF Mandado de Procedimento Fiscal TIAF Termo de Início da Ação Fiscal TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos AGD Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal REFISC Relatório Fiscal (grifei) Para pagamento, parcelamento ou impugnação deverão ser observadas as instruções constantes do relatório IPC Instruções para o Contribuinte, que segue anexo, devendo o contribuinte dirigirse à unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil. ” Às fls. 02 a 03, contêm nos itens 2 a 2.6 instruções específicas à respeito de IMPUGNAÇÃO orientando , inclusive, sobre os prazos. Às fls. 11, sem ter se traduzido em prejuízo para o contribuinte caracterizandose simples erro formal escusável, posto que sanável consta o confuso anexo Termo de Encerramento da Ação fiscal, registrando ter sido emitido com data de 30/07/2007, assinado pelo Auditor Fiscal com data anterior, de 17/07/2007 e recebido pela Sócia Gerente com data de 02/08/2007. Entretanto, a CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO ocorreu de fato e de direito em 19/07/2007 quando a notificada assinou que recebera na oportunidade inclusive o TEAF – Termo de Encerramento da Ação Fiscal como anexo parte integrante da notificação em comento conforme fl. 01. Aduz que na forma do preceituado no artigo 293, § 1o do Decreto 3.048/99, o autuado terá prazo de trinta dias, a contar da ciência para impugnar a autuação: "Art. 293. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 (...) Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) § 1o Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. ( Redação dada pelo Decreto n° 6.103, de 2007). ” ( grifei) Por tudo que foi exposto, o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação terminou em 20/08/2007. Tendo o contribuinte protocolizado sua defesa apenas em 03/09/2007, configurouse, portanto, a intempestividade. Afastada a hipótese de tempestividade em sede impugnação, restou impedida a apreciação das demais matérias tratadas. Isto posto, tendo sido intempestiva a impugnação em primeira instância não se instaurou a fase litigiosa do procedimento, status este que deve ser mantido em instância “ad quem”. Se o indivíduo não exercita seu direito no prazo ou termo legal, perde a faculdade processual de ação, ocorre então o que se denomina preclusão temporal. Segundo Maria Helena Diniz ( Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 678.) , genericamente, podese definir a preclusão como a "perda de um direito subjetivo processual pelo seu nãouso no tempo e no prazo devidos" Um dos princípios jurídicos mais conhecidos de todos os tempos encontrase no brocardo latino: "dormientibus non sucurrit jus". De fato, o direito não socorre aos que dormem no processo. E é nesse sentido também que disciplina a Lei n° 9.784/99 na dicção do artigo 63, I: “ Artigo 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; ” Desse modo, por intempestiva a impugnação e não tendo por isso se instaurado a fase litigiosa do procedimento, NÃO CONHEÇO DO RECURSO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 253DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000139/200739 Acórdão n.º 240300.444 S2C4T3 Fl. 250 7 Fl. 254DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 10675.901941/2008-49
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.079
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães
de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Matéria: RF06 - A03 - Fazendária - Restituição PJ Demais
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório TRICARD ADMINISTRADORA DE CARTOES LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que deferiu em parte seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente de Declaração Eletrônica de Compensação — Dcomp, 11° 36521.53000.310506.1.7.020864, transmitida cm 31/05/2006. cujo objeto é a compensação de débitos proprios , no valor de 24.174.76. com crédito oriundo de saldo negativo de 1RPJ relativo ao exercício de 2006. anocalendário de 2005. no valor de R$40.249.21 (fls. 6 a 10). A interessada apresentou ainda as Dcomp, listadas às fls. 16 a 21 (frente e verso), utilizando crédito relativo ao saldo negativo do anocalendário de 2005. de modo que o montante original de débitos compensados no presente processo é de R$457.790,83. A DRPUBE/MG emitiu, em 26/08/2008, o Despacho Decisório Eletrônico de li. 6. por meio do qual não homologou a compensação declarada porque não foi possível confirmar a apuração do crédito. uma vez que o valor informado na DIRE/2006 (R$439.465,01) no corresponde ao valor informado na Dcomp com demonstrativo de crédito (R$40.249.21). A interessada foi cientificada em 01/09/2008 (fl. 15v). A requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (lis. 22 a 24), na qual alega que: (...) Para instrução dos autos foram anexados, As fls. 39 a 57, extratos retirados dos sistemas da Receita Federal do Brasil, relativamente As declarações entregues pela interessada (DIPJ, DCTF, DCOMP) e DIRF. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Constitui crédito passive] de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRRI decorrente do ajuste efetuado no final do período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Deferido em parte o direito creditório, há que se homologar parcialmente a compensação até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: A requerente alega em sua defesa ocorrência de erro formal no preenchimento da Dcomp ao fracionar o valor do saldo negativo do anocalendário de 2005, no importe de R$439.465,01, em três Dcomp distintas a saber: [...]7125, [...]7001 c [...]6226, retificada pela Dcomp [...]0864. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 3 3 De fato a interessada errou no preenchimento das Dcomp ao informar o valor do saldo negativo diferente do valor apurado na DIRF/2006, impossibilitando a confirmação desse crédito nos controles internos da RFB. E, embora intimada a proceder a necessária retificação, conforme fls. 11 a 14, nada fez. Contudo. isso não implica a inexistência do crédito indicado nas declarações de compensação. Posteriormente à ciência do Despacho Decisório, a interessada retificou duas vezes a mencionada declaração, em 15/12/2008 e em13/01/2009. A DIPJ/2006 Retificadora ativa demonstra apuração do saldo negativo igual ao apurado na original, no valor de R$439.465,01 (fls. 39 a 45). Conforme extrato da DIPJ/2006, acostada aos autos à fl. 27. observase que a interessada optou pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual, e, ao final do anocalendário apurou saldo negativo, conforme demonstrado abaixo: IRPJ devido no período R$ 7.468,82 Imposto de Renda Pago Por Estimativa () R$199.803,55 IRRF () R$246.831.53 Saldo Negativo (=) R$439.465,01 Quanto ao IRRF. de acordo com o extrato da DIRF de fl 50. confirmouse a retenção do valor indicado acima. No entanto. na DIPJ/2006, o valor informado na linha 24 Outras Receitas Financeiras", espaço próprio para inclusão dos rendimentos de aplicações financeiras que compõem a demonstração do resultado, é menor que o valor dos rendimentos recebidos pela interessada. informados na Ficha 50 Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte" da DIPJ (11. 28) e na DIRF. Conclui se. então, que a contribuinte deduziu IRRF inclusive quanto a rendimentos não oferecidos à tributação. Nesse sentido , determina o Decreto n° 3.000. de 1999. a seguir: (...) De acordo com o dispositivo legal acima, no encerramento do anocalendário, quando da apuração do IRPJ a pagar, a contribuinte pode deduzir o imposto de renda retido na fonte, desde que as receitas que deram causa às retenções tenham sido computadas na determinação do lucro. No presente caso, tratandose de uma só fonte pagadora e um só tipo de receita. "Rendimentos sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa ". sob um mesmo código de retenção (3426), o IRRF a deduzir sera considerado proporcionalmente as receitas computadas na apuração do lucro do anocalendário de 2005, no valor de R$192.485.44. No que concerne às estimativas devidas (fls. 51 a 53), as referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, foram quitadas por pagamentos, confirmados à 11. 54, no montante de R$142.911.00. A estimativa , relativa a março d2 2005. foi compensada na Dcomp n° [...]1366 (R$38.109,50), totalmente homologada , e na Dcomp n° [...]7094 (R$18.783.05), não homologada, nos termos do Acórdão 0932.348. desta 1a Turma da DRJ/JFA, exarado nesta mesma Sessão de Julgamento. O total confirmado a titulo de estimativa é de R$181.020,50. Dessa forma, restou comprovado o saldo negativo do anocalendário de 2005. passível de compensação, no valor abaixo: IRPJ devido no período R$ 7.468.82 Imposto de Renda Pago Por Estimativa () R$181.020.50 IRRF ()R$192.485,44 Fl. 205DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 4 4 Saldo Negativo (=) R$366.037.12 Diante do exposto. voto pela parcial procedência da manifestação de inconformidade, para reconhecer direito creditório em favor da interessada , a titulo de saldo negativo do anocalendário de 2005, no valor de R$366.037,12. e homologar em parte as compensações declaradas , até o limite do crédito reconhecido. Cientificada da aludida decisão em 13/12/2010, fl. 63, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/11/2011, fl. 64 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e contesta as conclusões do acórdão recorrido, alegando, em essência que (verbis): (...) 1.2 — DA NECESSIDADE DE REUNIÃO DE PROCESSOS A análise da legitimidade de parte do crédito de "saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006" (estimativa de IRPJ do mês de março/2005. cuja compensação respectiva não foi homologada pela SRFB). objeto das DCOMPs que não foram homologadas depende do desfecho atinente ao processo administrativo de n° 10675.900043/200873 que tramita junto ao CARF, conforme será exposto no item 3.1.1 do presente Recurso. Desta forma, é imperioso o apensamento do presente processo àquele, para julgamento conjunto, com o escopo de se evitar decisões conflitantes e a fim de se garantir a celeridade processual. (...) III DAS RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO 3.1. DA ORIGEM E LEGITIMIDADE DA TOTALIDADE DO CRÉDITO Nas compensações não homologadas nos termos do Despacho Decisório rastreado sob o n° 783764864 (Doc. 5) emitido pela SRFB aos 26.08.2008 foi utilizado, de forma fracionada, crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006, conforme tabela resumo a seguir: (...) De acordo com o que restou consignado no próprio Acórdão recorrido, o erro da Contribuinte no preenchimento das DCOMPs ao informar o valor do saldo negativo diferente do valor apurado na DIPJ/2006, fato que teria impossibilitado a confirmação desse crédito nos controles internos da RFB, não implica a inexistência do crédito indicado nas declarações de compensação. Todavia, ao analisar a composição do saldo negativo de IRPJ/2006 declarado, a r. julgadora da DRJ/JFA não reconheceu a totalidade do crédito, conforme demonstrativo a seguir: (...) Adiante serão apresentadas e refutadas todas as diferenças apontadas pela nobre relatora do Acórdão recorrido. 3.1.1. DIFERENÇA DE IMPOSTO DE RENDA PAGO POR ESTIMATIVA Como visto, parte do crédito de saldo negativo de IRPJ/2006 é composto das estimativas do imposto pagas mensalmente. Desta forma, o montante de IRPJ pago por estimativas declarado pela Recorrente no importe de R$ 199.803,55 apresenta a seguinte composição: (...) Fl. 206DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 5 5 As estimativas de janeiro e fevereiro de 2005 foram quitadas por pagamentos, devidamente confirmados pela DRJ/JFA através dos documentos de fls. 54. No entanto, a estimativa de março de 2005 foi liquidada por meio de • duas compensações. A DCOMP 27456.02303.030505.1.7.021366 foi totalmente homologada. A DCOMP 00025.54338.290405.1.3.027094 não foi homologada nos termos do Acórdão n° 0932.348. Todavia, tal decisão foi objeto de Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte (Doc. 6), atualmente, pendente de julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Doc. 7). 3.1.1.1. LEGITIMIDADE DA COMPENSAÇÃO DE PARTE DA ESTIMATIVA DE IRPJ DO MÊS DE MARÇO/ 2005 A origem do crédito objeto da DCOMP n° 0025.54338.290405.1.3.027094, por meio da qual foi compensado parte do débito da estimativa de IRPJ do mês de março/2005, é pagamento indevido ou a maior de IRPJ do ano calendário de 2004. A Recorrente apurou o montante de R$ 247.616,37 à titulo de IRPJ/2004 a pagar, o qual foi devidamente quitado da seguinte forma: (i) parte em espécie, por meio de DARF, no valor de R$ 220.633,63 e (ii) parte com antecipações do crédito parcial de IRRF no valor de R$ 26.982,74. A diferença do IRRF do período, que não foi utilizada como antecipação do IR11/2004, referese exatamente ao crédito informado na DCOMP em questão, tudo devidamente registrado em seus livros fiscais e informes de rendimento respectivos. Assim, o crédito de IRPJ objeto da compensação com parte da estimativa devida a titulo de IRPJ no mês de março/2005 é plenamente válido e legitimo. Tal compensação não foi homolOgada pela SRFB, sob o argumento de que a forma de apuração do lucro real indicada na DCOMP (ANUAL) diferia daquela informada na DIPJ (TRIMESTRAL). No aludido processo restou cabalmente comprovado que a divergência originouse de mero ERRO DE FATO incorrido pela Contribuinte quando do preenchimento da DCOMP, pois, ao invés de informar que sua apuração de IRPJ era TRIMESTRAL, tal qual atesta sua DIPJ, informou que a apuração do imposto era ANUAL. Todavia, esse pequeno equivoco, meramente formal, não é suficiente para tornar ilegítimo o crédito declarado pela Recorrente na DCOMP de n o 0025.54338.290405.1.3.027094. Desta forma, a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa a estimativa parcial de IRPJ do mês de março de 2005, somente poderá não ser homologada, quando houver decisão administrativa irreformável nos autos do processo de n° 10675.90043/200873, em que se discute a legitimidade do crédito objeto da DCOMP n° 0025.54338.290405.1.3.027094, o que, frisese, ainda não aconteceu. Por isso, tornase imperiosa e imprescindível a conexão dos processos nos moldes requeridos no item 1.2 supra. 3.2. DIFERENÇA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Segundo a nobre julgadora da DRJ/JFA a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa ao IRRF não foi confirmada em sua totalidade, vez que o valor informado na linha 24 ("outras receitas financeiras") da ficha 06 da DIPJ/2006, espaço próprio para inclusão dos rendimentos de aplicação financeiras que compõem a demonstração do resultado, é menor que o valor dos rendimentos recebidos pela interessada, informados na ficha 50 da DIPJ e na DIRF da instituição financeira (fonte Fl. 207DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 6 6 pagadora). Por isso, concluiu, equivocadamente, que a Recorrente deduziu IRRF quanto a rendimentos não oferecidos A tributação, em desconformidade com a regra prevista no Art. 526 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR). Sem qualquer justificativa razoável, a n. julgadora entendeu que o IRRF a deduzir deveria ser considerado proporcionalmente às receitas computadas na apuração do lucro do anocalendário de 2005, ou seja, o IRRF deveria incidir sobre o montante informado na linha 24 da ficha 06 da DIPJ/2006 e não sobre o montante declarado na ficha 50 da DIPJ e na DIRF. Insta ressaltar, inicialmente, que os rendimentos de aplicação financeira são registrados na ficha 6 da DIPJ relativa à Demonstração do Resultado do Exercício, que refletem informações contábeis, em observância ao Principio da Competência, conforme comprovam os extratos de aplicações financeiras (Doc.8) e razão contábil (Doc. 9) anexos. Já o registro dos rendimentos de aplicação financeira na ficha 50 da DIPJ e na DIRF é feito no momento em que ocorre a efetiva disponibilidade financeira do recurso, in casu, no momento do resgate da aplicação financeira, fato gerador do 1RRF. A legislação em vigor é clara ao estabelecer que o imposto de renda deve ser retido na fonte no momento do pagamento do rendimento (resgate da aplicação), senão vejamos: (...) Não restam dúvidas de que o momento da incidência do IRRF ´´e, de fato, o resgate da aplicação financeira, sendo que o § 10 do Art. 33 da IN no 25/2001 é claro ao estabelecer que o crédito do 1RRF a ser considerado pelo contribuinte é o indicado no comprovante de rendimentos fornecido pela instituição financeira, informe de rendimentos ou na sua DIRF, o que como reconhecido pela própria n.julgadora da DRJ/JFA confere com os valores declarados na ficha 50 da DIPJ da Recorrente. Ressaltese que a Recorrente somente se creditou do IRRF após a sua efetiva incidência, como visto, após o resgate da aplicação e não quando registrou contabilmente os rendimentos pelo regime de competência. No entendimento da n. Julgadora da DRI/JFA o 1RRF a deduzir deveria ser considerado proporcionalmente As receitas computadas na apuração do lucro do ano calendário de 2005, ou seja, aquelas contabilizadas na linha 24 da ficha 06 da DIPJ/2006, no valor total de R$ 192.485,44. Tal critério está absolutamente equivocado, pois o Art. 526 do Decreto n° 3.000/1999, dispõe que a DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO EM DETERMINADO PERÍODO DE APURAÇÃO, PODERÁ SER FEITA COM 0 IMPOSTO PAGO OU RETIDO NA FONTE SOBRE AS RECEITAS QUE INTEGRARAM A BASE DE CALCULO. Em momento algum, o legislador estabelece que as receitas em questão devem ser tributadas no mesmo período de apuração, isto 6, no anocalendário de 2005. Basta que todas as receitas correspondentes ao crédito de IRRF tenham sido oferecidas A tributação (inclusive de exercícios anteriores), ou melhor, basta que tais receitas tenham integrado a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social da pessoa jurídica que auferiu tal rendimento. Tal requisito foi rigorosamente cumprido pela Recorrente. Na medida em que auferia o rendimento (independentemente do efetivo resgate fato gerador do IRRF) contabilizava a receita e oferecia à tributação do IRPJ e CSLL. Ocorre que a aplicação em tela iniciouse em 01.07.2002. Portanto, a partir do momento em que a Recorrente auferia os rendimentos mensais, contabilizavaos e ofereciaos a Fl. 208DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 7 7 tributação, sem creditarse do imposto, o que era feito, frisese urna vez mais, somente após o resgate e ao final do período de apuração do imposto. 0 alegado pode ser comprovado pelo demonstrativo constante do Anexo I ao presente Recurso, bem como pelo extrato de aplicação financeira (Doc. 8), registros contábeis (Doc. 9) e DIPJ (Doc. 10) de todo o período em que a aplicação financeira em questão esteve ativa. Tal demonstrativo evidencia que os rendimentos auferidos desde o inicio das aplicações financeiras foram devidamente oferecidos à tributação, tempestivamente, sendo que o crédito de IRRF somente era apropriado após o resgate das aplicações e ao final do período de apuração do IRPJ da Recorrente de determinado exercício fiscal. Portanto, o crédito atende aos requisitos de liquidez e certeza estabelecidos pela legislação pertinente, já que o IRRF que compôs o saldo negativo de IRPJ/2006 foi devidamente comprovado por meio da ficha 50 da DIPj e da DIRF anexadas aos presentes autos, bem assim restou demonstrado que a receita correspondente (rendimento sobre aplicações financeiras de renda fixa) foi tributada correta e tempestivamente. IV DA CONCLUSÃO Em face do exposto, REQUER: (...) É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Versa o presente processo de reconhecimento de direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (SNRIRPJ), anocalendário de 2005, e homologação de pedidos de compensação. Passo a apreciar as alegações recursais. De início o contribuinte pleiteia que o julgamento desse processo seja feita em conjunto com o de nº 10675.900043/200873, sob a seguinte alegação (verbis) Desta forma, a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa a estimativa parcial de IRPJ do mês de março de 2005, somente poderá não ser homologada, quando houver decisão administrativa irreformável nos autos do processo de n° 10675.90043/200873, em que se discute a legitimidade do crédito objeto da DCOMP n° 0025.54338.290405.1.3.027094, o que, frisese, ainda não aconteceu. Por isso, tornase imperiosa e imprescindível a conexão dos processos nos moldes requeridos no item 1.2 supra. (grifei) A meu ver tal reunião é absolutamente necessária, pois, parte do crédito tributário em litígio está mesmo em discussão naquele processo, consoante registrado na própria decisão recorrida (verbis): No que concerne às estimativas devidas (fls. 51 a 53), as referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, foram quitadas por pagamentos, confirmados à 11. 54, no montante de R$142.911.00. A estimativa , relativa a março d2 2005. foi compensada na Dcomp n° [...]1366 (R$38.109,50), totalmente homologada, e na Dcomp n° [...]7094 (R$18.783.05), não homologada, nos termos do Acórdão 0932.348. desta 1a Turma da DRJ/JFA, exarado nesta mesma Sessão de Julgamento. O total confirmado a titulo de estimativa é de R$181.020,50 (grifei) Verifiquei no sitio do CARF na internet que o processo 10675.90043/200873, foi objeto de recurso voluntário, tal qual alegado pelo contribuinte e ainda não foi distribuído a Relator, pelo que deve ser mesmo reunido a este para julgamento em conjunto. No que concerne a glosa de IRRF a contribuinte alegou que (verbis): Segundo a nobre julgadora da DRJ/JFA a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa ao IRRF não foi confirmada em sua totalidade, vez que o Fl. 210DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 9 9 valor informado na linha 24 ("outras receitas financeiras") da ficha 06 da DIPJ/2006, espaço próprio para inclusão dos rendimentos de aplicação financeiras que compõem a demonstração do resultado, é menor que o valor dos rendimentos recebidos pela interessada, informados na ficha 50 da DIPJ e na DIRF da instituição financeira (fonte pagadora). Por isso, concluiu, equivocadamente, que a Recorrente deduziu IRRF quanto a rendimentos não oferecidos A tributação, em desconformidade com a regra prevista no Art. 526 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR). (...) Insta ressaltar, inicialmente, que os rendimentos de aplicação financeira são registrados na ficha 6 da DIPJ relativa à Demonstração do Resultado do Exercício, que refletem informações contábeis, em observância ao Principio da Competência, conforme comprovam os extratos de aplicações financeiras (Doc.8) e razão contábil (Doc. 9) anexos. Já o registro dos rendimentos de aplicação financeira na ficha 50 da DIPJ e na DIRF é feito no momento em que ocorre a efetiva disponibilidade financeira do recurso, in casu, no momento do resgate da aplicação financeira, fato gerador do 1RRF. (...) Não restam dúvidas de que o momento da incidência do IRRF ´´e, de fato, o resgate da aplicação financeira, sendo que o § 10 do Art. 33 da IN no 25/2001 é claro ao estabelecer que o crédito do 1RRF a ser considerado pelo contribuinte é o indicado no comprovante de rendimentos fornecido pela instituição financeira, informe de rendimentos ou na sua DIRF, o que como reconhecido pela própria n.julgadora da DRJ/JFA confere com os valores declarados na ficha 50 da DIPJ da Recorrente. Ressaltese que a Recorrente somente se creditou do IRRF após a sua efetiva incidência, como visto, após o resgate da aplicação e não quando registrou contabilmente os rendimentos pelo regime de competência. No entendimento da n. Julgadora da DRI/JFA o 1RRF a deduzir deveria ser considerado proporcionalmente As receitas computadas na apuração do lucro do ano calendário de 2005, ou seja, aquelas contabilizadas na linha 24 da ficha 06 da DIPJ/2006, no valor total de R$ 192.485,44. (..) Em momento algum, o legislador estabelece que as receitas em questão devem ser tributadas no mesmo período de apuração, isto é, no anocalendário de 2005. Basta que todas as receitas correspondentes ao crédito de IRRF tenham sido oferecidas A tributação (inclusive de exercícios anteriores), ou melhor, basta que tais receitas tenham integrado a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social da pessoa jurídica que auferiu tal rendimento. Tal requisito foi rigorosamente cumprido pela Recorrente. Na medida em que auferia o rendimento (independentemente do efetivo resgate fato gerador do IRRF) contabilizava a receita e oferecia à tributação do IRPJ e CSLL. Ocorre que a aplicação em tela iniciouse em 01.07.2002. Portanto, a partir do momento em que a Recorrente auferia os rendimentos mensais, contabilizavaos e ofereciaos a tributação, sem creditarse do imposto, o que era feito, frisese urna vez mais, somente após o resgate e ao final do período de apuração do imposto. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Resolução n.º 140200.079 S1C4T2 Fl. 10 10 0 alegado pode ser comprovado pelo demonstrativo constante do Anexo I ao presente Recurso, bem como pelo extrato de aplicação financeira (Doc. 8), registros contábeis (Doc. 9) e DIPJ (Doc. 10) de todo o período em que a aplicação financeira em questão esteve ativa. (...) Pois bem, em tese cabe razão à recorrente. O IRFonte deve ser aproveitado no período em que houver a retenção, mas os rendimentos devem ser reconhecidos pelo regime de competência, o que pode causar descompasso. Logo, há que ser convertido o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal realize verificações na contabilidade e nas declarações de IRPJ da contribuinte confirmando a tributação da totalidade dos rendimentos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte em 2005 sobre as aplicações financeiras. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize os seguintes procedimentos: 1) apensar ao presente o processo de nº 10675.900043/200873 para julgamento em conjunto, bem como outros que tratarem de recursos voluntários sobre os mesmos créditos que porventura não tenham sido julgados neste Conselho. 2) efetuar verificação fiscal na contabilidade da contribuinte para apurar a tributação da totalidade dos rendimentos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte em 2005 sobre as aplicações financeiras, conforme alegado. 3) ao final, deverá ser lavrado relatório consubstanciado dos procedimentos executados pela unidade de origem, bem com cientificado o contribuinte para, caso deseje, manifestar no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 212DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001066/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.078
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães
de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório. TECMA ENGENHARIA LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) e de Pedido de Restituição onde o Contribuinte compensou débitos de COFINS, CSLL, IRRF, IRPJ E PIS com crédito proveniente saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2000. São os seguintes os Pedidos de Restituição e as Declarações de Compensação apresentadas para serem analisadas neste processo: (...) A autoridade competente da DRF em Santa Maria analisou as referidas declarações e os documentos pertinentes, e emitiu o Parecer DRF/STM/SAORT nº 436, de 07 de maio de 2009 (fls. 8990) e o Despacho Decisório DRF/STM, de 07 de maio de 2009 (fl. 91), homologando as compensações requeridas e reconhecendo o direito creditório no valor de R$57.799,30, referente ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000 remanescente. Conforme extratos do programa SAPO de fls. 6473, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário remanescente após as compensações efetuadas nos processos nºs. 11060.001755/200556, 11060.002029/200551 e 11060.002030/200585, é de R$78.149,65 (fl. 73). Compensando os débitos declarados neste processo, o saldo a restituir em valor original e que foi reconhecido é de R$57.799,30 (fls. 7484). Inconformado com a decisão da autoridade competente da DRF em Santa Maria, o Contribuinte, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 169178. Em síntese, os motivos pelos quais não se conforma com o decidido no referido Despacho Decisório, são os seguintes: As compensações homologadas nos processos nºs. 11060.001755/200556 e 11060.002030/200585 foram realizadas em desacordo com o pretendido e declarado, e tiveram reflexo no saldo a ser restituído. Os saldos negativos do IRPJ foram apurados equivocadamente no Relatório de Fiscalização, constante no processo nº 11060.001755/2005856. No Relatório de Fiscalização é dado, de forma equivocada, aos recolhimentos de IRPJ estimado efetuados indevidamente a maior, o tratamento de saldo negativo, atualizando os créditos a partir do mês subseqüente ao término do anocalendário, não aplicando a taxa SELIC a partir da data dos recolhimentos a maior, como prevê a legislação. Não foi cientificado da reconstituição dos saldos negativos no Relatório de Fiscalização, restando claramente configurado o cerceamento do direito de defesa. Prova disso é o Relatório de Fiscalização datado de 10/06/2005 e os processos nºs. 11060.001755/200556 e 11060.002030/200585, nos quais os despachos decisórios foram emitidos em agosto de 2005, sendo notificado apenas em 01/09/06 e 29/04/09, respectivamente. Desse modo, espera que o próprio fisco venha a considerar os Fl. 373DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 3 3 novos valores para que todas as compensações sejam homologadas e assim todo o crédito de direito do contribuinte seja utilizado para compensação ou restituído. Consta no Parecer DRF/STM/SAORT nº 271, processo nº 11060.001755/200556, de 5 de agosto de 2006, que as autocompensações corroboradas pelo Relatório de Fiscalização, utilizaram como créditos, pagamentos parciais dos débitos na data do vencimento, complementando com saldo negativo do IRPJ apurado em 31 de dezembro do ano anterior ao vencimento do débito a ser compensado, afirmativa essa que está incorreta no que diz respeito às compensações com saldo negativo. As compensações com saldo negativo não se limitaram a utilização do saldo de 31 de dezembro do ano anterior ao vencimento do débito, mas sim foram sendo feitas com saldo negativo de IRPJ mais antigo remanescente e ainda não decaído, sendo confirmado com o que consta nas planilhas anexas ao Relatório de Fiscalização (fls. 4348). Dessa forma, as compensações demonstradas no anexo ao Despacho Decisório DRF/STM, de 05 de agosto de 2006 (processo nº 11060.001755/200556) não estão corretas, pois de acordo com o Relatório de Fiscalização, os débitos de janeiro de 1999 e parte de fevereiro de 1999 e os débitos de abril, maio e junho de 2001 foram compensados com o saldo negativo do anocalendário de 1998 (Anexo I). Devido aos equívocos nas compensações efetuadas e demonstradas no Parecer DRF/STM/SAORT nº 271, na Notificação DRF/STM nº 06/273, de 28 de agosto de 2006, foi apontado saldos de recolhimentos de IRPJ, código 2362 e saldo negativo de IRPJ de 1998 e 1999 totalmente utilizados, não restando saldo credor disponível para futuras compensações. Essa informação é equivocada, pois observandose o descrito no Relatório de Fiscalização e nas planilhas a ele anexas, podese verificar que os saldos negativos a serem compensados após a última efetuada através deste processo (11060.001755/200556) são os seguintes (valor original): saldo negativo do anocalendário de 1998 ...........R$ 32.955,65 saldo negativo do anocalendário de 1999 ...........R$ 140.296,96 saldo negativo do anocalendário de 2000 ...........R$ 120.598,05 saldo negativo do anocalendário de 2001 ...........R$ 32.955,65 A conclusão no Relatório de Fiscalização de que não há mais saldos negativos de IRPJ de 1998 e 1999 para futuras compensações está incorreta e em desacordo com o próprio relatório. Assim, os saldos devem ser utilizados para as compensações no processo nº 11060.002030/200585. Analisando o art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1995, art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, art. 73 da Lei nº 9.532, de 1997, art. 876 do Código Civil, art. 10 da Instrução Normativa Nº 460, de 2004, questão nº 606 do “Perguntas e Respostas”, art. 150 do CTN e art. 898 do RIR/1999, concluiu se que as compensações efetuadas, referentes ao IRPJ estimativa dos anos calendário de 1998 e 1999, já foram homologadas em função do prazo transcorrido. Não pode a autoridade administrativa, por mera liberalidade, alterar as compensações procedidas naqueles anoscalendário. Conforme a matéria decadencial, mais especificamente lançamento por homologação, há que se dizer que decorrido o período apontado em lei é defeso à fiscalização operar qualquer procedimento contrário ao existente. Ocorreu cerceamento de direito quando a Fiscalização alterou procedimento já imutáveis diante de prazo decadencial. Em relação ao assunto, transcreve Fl. 374DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 4 4 ensinamentos de Leandro Paulsen e de Diogo Leite de Campos, e decisões administrativas. Em síntese, os pontos de discordância e os pedidos são os seguintes: a) Que sejam reconhecidos os pagamentos efetuados indevidamente a maior e dado a estes o tratamento com tal. b) A correção pelos juros SELIC, dos recolhimentos de IRPJ efetuados indevidamente a maior, deverá ser com base no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995. c) Sejam homologadas as compensações originalmente efetuadas pelo contribuintes com os pagamentos indevidos a maior. d) Caso não sejam reconhecidos os pagamentos efetuados a maior e prevaleça o disposto no Relatório de Fiscalização, sejam: d.1) Dada a possibilidade de retificar os seus pedidos de compensação relativos aos saldos negativos para corrigir os valores em função das alterações propostas no referido relatório. d.2) Sejam esgotados os créditos de saldo negativo de IRPJ mais antigos para depois passar a compensar para o subseqüente e, após todas as compensações, restando saldo credor, seja o mesmo restituído com o acréscimo de juros SELIC. d.3) Corrigidas as compensações demonstradas no Anexo ao Despacho Decisório DRF/STM, de 05 de agosto der 2006 (processo nº 11060.001755/200556) conforme demonstrado no Anexo I desta Manifestação de Inconformidade. Finalizando, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para que seja restituído os valores objeto de pedido de restituição. A decisão recorrida está assim ementada: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, quando comprovado que o Contribuinte foi cientificado do procedimento fiscal, dandolhe suporte material suficiente para que possa conhecêlo e apresentar sua defesa. PRIMEIRA INSTÂNCIA. DEFINITIVIDADE DAS DECISÕES. As decisões da autoridade administrativa não contestadas pelo Contribuinte são definitivas. Desse modo, os saldos negativos de IRPJ apurados pela Fiscalização em processo anterior, quando esgotado o prazo para contestação, não podem ser novamente analisados pela autoridade administrativa. PER/DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO . Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento se manifestar sobre pedido de retificação de PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 5 5 No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: Inicialmente, o Contribuinte argumenta que houve cerceamento do direito de defesa, em razão de que não foi cientificado da reconstituição dos saldos negativos no Relatório de Fiscalização e que a Fiscalização alterou procedimentos já imutáveis diante do prazo decadencial. Analisando os autos, concluiuse que não ocorreu cerceamento do direito de defesa, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, pois teve a oportunidade de apresentar na Manifestação de Inconformidade, os argumentos e documentos no sentido de comprovar que a decisão da autoridade competente não está correta. O processo, contendo todas as peças relativas ao procedimento fiscal, inclusive o Relatório de Fiscalização (fls. 4348), ficou à disposição do Contribuinte na repartição durante o prazo para apresentar sua inconformidade. Nesse período, não houve impedimento algum de requerer vistas ao processo, se julgasse necessário, para que examinasse a documentação nele contido, assegurandolhe o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa garantido pelo art. 5º, inc. LV, da Constituição Federal. Além disso, como consta no Parecer DRF/STM/SAORT nº 281, de 26 de agosto de 2005 (processo nº 11060.002030/200585 fl. 223) e Parecer DRF/STM/SAORT nº 271, de 5 de agosto de 2005 (processo nº 11060.001755/200556, fl. 194 verso), o Relatório de Fiscalização e anexos, onde a Fiscalização apurou os saldos negativos dos anoscalendário de 1994 a 2001, são parte integrante dos respectivos pareceres, comprovando assim o recebimento do referido relatório. Tanto é verdade que o apresentou juntamente com a Manifestação de Inconformidade (fls. 199221). Portanto, não ocorreu cerceamento do direito de defesa. Em relação aos outros argumentos da defesa, entre os quais, que as compensações efetuadas, referente ao IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999, já foram homologadas em função do prazo transcorrido (decadencial), que no Relatório de Fiscalização é dado, de forma equivocada, aos recolhimentos de IRPJ estimado efetuados indevidamente a maior, o tratamento de saldo negativo, atualizando os créditos a partir do mês subseqüente ao término do anocalendário, não aplicando a taxa SELIC a partir da data dos recolhimentos a maior, como prevê a legislação, que as compensações homologadas no processo nº 11060.001755/200556 estão incorretas, cabe esclarecer que não cabe a sua análise neste processo, pois a apuração dos saldos negativos dos anoscalendário de 1994 a 2001 foi efetuada no processo nº 13046.000090/200313, assim como também, foram homologadas todas as compensações feitas, não havendo contestação por parte do Contribuinte, sendo definitiva a decisão proferida pela DRF. Esclareçase, que não se admite a prolação de novo despacho decisório sobre matéria já decidida em caráter definitivo na esfera administrativa. A esse respeito dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I – De primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [....]: Fl. 376DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 6 6 Em relação às compensações homologadas no processo nº 11060.002030/2005 85, que o Contribuinte alega também estarem incorretas, não cabe a sua análise neste processo, pois essa ocorreu no referido processo, tendo sido mantido por essa DRJ o Despacho decisório DRF/STM, de 26 de agosto de 2005, conforme Acórdão nº 1811.380 – 1ª Turma de DRJ/STM, de 08 de outubro de 2009 (fls. 240 – 248). Também, as compensações homologadas no processo nº 11060.001755/200556 não foram contestadas, sendo a decisão proferida definitiva, não cabendo mais a discussão no âmbito administrativo. Conforme Notificação nº DRF/STM/Saort Nº 255, de 24 de abril de 2009 (fl. 233), a Manifestação de Inconformidade protocolizada em 02/10/2006 (fl. 232) não foi conhecida pela DRF em Santa Maria, ato esse que também não foi contestado pelo Contribuinte. Portanto, os saldos negativos de IRPJ apurados conforme Relatório de Fiscalização e anexos (fls. 194221) não são passíveis de revisão, eis que foram apurados no processo nº 13046.000090/200313, que não foi contestado pelo Contribuinte, sendo definitiva a decisão nele proferida (fls. 236239). Por outro lado, de acordo com a legislação, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação o crédito decorrente de qualquer tributo ou contribuição administrado pela RFB originado de saldo negativo de IRPJ, apurado no encerramento do trimestre ou do anocalendário, nos casos de apuração trimestral ou anual, respectivamente. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a restituir/compensar no encerramento do período, o Contribuinte pode deduzir os valores das estimativas recolhidas. Se os recolhimentos foram maiores que o imposto devido, apurase saldo negativo, que é passível de restituição e/ou compensação a partir de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Assim, como visto, os valores pagos a título de imposto de renda por estimativas não traduzem a existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quando efetuadas nos exatos termos dispostos na lei, são consideradas antecipações do imposto devido no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito à restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito do Contribuinte no período (saldo negativo). A estimativa mensal não pode ser considerada como indébito tributário, não retornando à disponibilidade os pagamentos ou créditos a ela vinculados. Concluiuse, portanto, que as estimativas contribui para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ. O saldo negativo desse imposto, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde que sua base de cálculo englobe as estimativas recolhidas durante o período. Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. Por outro lado, na hipótese de saldo negativo de IRPJ, a legislação prevê que, para fins de restituição/compensação, o seu valor será acrescido da taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, conforme Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Assim, não assiste Fl. 377DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 7 7 razão ao Contribuinte quando argumenta que o valor da estimativa deve ser atualizada a partir do mês subseqüente ao seu pagamento. Também, não assiste razão ao Contribuinte quando alega que a conclusão da DRF de que não há mais saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999 é equivocada. Ocorre que, conforme Notificação DRF/STM nº 06/273, de 28 de agosto de 2006 (fl. 230), o Contribuinte foi notificado que os saldos credores de recolhimento de IRPJ, código 2362 e saldos negativos de IRPJ/1998 e 1999, apresentados no processo nº 11060.001755/200556, foram totalmente utilizados, conforme Parecer DRF/STM/Saort nº 271, de 05 de agosto de 2005 e Despacho Decisório da mesma data, que homologou as compensações solicitadas, não restando saldo credor disponível para futuras compensações (fls. 230231). E, não tendo apresentado contestação dessa notificação, a matéria não pode ser mais discutida, sendo definitiva essa decisão no âmbito administrativo. Portanto, como visto, não há valor remanescente de saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999, passível de compensação neste processo. Enfim, o valor apurado a ser restituído de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, considerando as compensações utilizados em processos anteriores (11060.001755/200556, 11060.002029/200551 e 11060.002030/200585), conforme demonstrativos de fls. 6484, está correto. Em relação ao pedido de retificar os PER/DCOMP, esclareçase que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não possui competência para se manifestar sobre retificação de pedidos de compensação, conforme Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, art. 212, que assim dispõe: (...) Assim, não cabe pronunciamento desta DRJ a respeito do pedido de retificação de PER/DCOMP. (grifei) Cientificada da aludida decisão em 16/07/2010, fl. 260, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/08/2010, fls 263 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer (verbis): Ocorre que as compensações homologadas no processo 11060.001755/200556 e no processo 11060.002030/200585, foram realizadas em desacordo com o pretendido e declarado pela empresa e tomaram como base os créditos apurados no Relatório de Verificação Fiscal constante no processo 13046.000090/200313. Não bastasse isto, apesar de diferente dos procedimentos adotados pela empresa, no Relatório de Verificação Fiscal, são propostas compensações que acabaram não sendo respeitadas pelo parecer do próprio processo 11060.001755/200556. Pelo fato de toda a recomposição dos créditos através do Relatório de Verificação Fiscal e das compensações terem sido homologadas em descordo com o pretendido pela empresa foi protocolada Manifestação de Inconformidade referente ao processo 11060.001755/200556 e Fl. 378DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 8 8 Recurso Voluntário 11060.002030/200585, sendo que o primeiro não foi conhecido sob o argumento de que as autocompensações objeto de análise foram integralmente homologadas pela RF13. e'o segundo está em andamento. Por fim, todas as compensações efetuadas no processo 11060.002030/200585 e 11060.001755/200556 tiveram reflexo no saldo de crédito a ser restituído objeto do parecer ora recorrido, portanto, devem ser reconsiderados na análise dos créditos e das compensações para concluirse que o saldo de crédito a restituir corresponde ao pretendido pela empresa, ou seja, R$ 98.865,01 e não apenas R$ 57.799,30. (...) CONCLUSÃO A vista de todo o exposto, demonstrada a nulidade, a insubsistência e improcedência do Acórdão que manteve a homologação das compensações de forma diversa da pretendida pelo contribuinte e o deferimento da restituição de crédito em valor inferior ao de direito, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso, para que sejam considerados nulos todos os atos praticados pela RFB com o objetivo de modificar as compensações e os pedidos de restituição declarados pela contribuinte devido ao cerceamento do direito de defesa, sejam considerados homologados tacitamente todas as compensações e constituições de créditos dos anoscalendário 1993 a 2001 apurados e declarados pela contribuinte e que são objeto de compensação e pedidos de restituição analisados neste e noutros processos vinculados, homologandoas tal qual pretendido pela contribuinte e, em mantendo as reconstituições dos créditos pela RFB, seja determinado a restituição de todo e qualquer crédito de direito da contribuinte, independente de pedido de restituição devido a modificações operadas pela RFB e pela demora em dar conhecimento para que qualquer medida corretiva fosse movida. (Grifei) É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.001066/200975 Resolução n.º 140200.078 S1C4T2 Fl. 9 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de declarações de compensação, com utilização do direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (SNRIRPJ), anocalendário de 2000, cujo direito creditório foi reconhecido parcialmente pela Unidade de Origem. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, 169178, que foi indeferida pela DRJ, sendo que no recurso voluntário contesta os fundamentos da DRJ e da DRF, bem como repisa suas alegações iniciais (fls. 263274) . A partir da análise do voto condutor do acórdão recorrido, bem como da peça recursal, cujos trechos relevantes à atual fase do litígio encontramse transcritos no relatório acima, verificase, de plano, que o presente não se encontra em condições de julgamento em 2a. instância, pelo que o processo deve ser convertido em diligência para os seguintes fins: 1) reunir a este os processos 11060.001755/200556 e 13046.000090/200313, nos quais foram apreciados questões repisadas pelo contribuinte no presente processo, sendo que, apesar de o contribuinte ter apresentado manifestação de inconformidade no 1o, protocolizada em 02/10/2006 (fl. 232), não foi conhecida pela DRF em Santa Maria. 2) reunir a este o processo 11060.002030/200585, no qual o contribuinte já interpôs recurso voluntário, para julgamento em conjunto, estando aguardando distribuição no CARF, haja vista que conforme asseverado pelo recorrente, bem como reconhecido na decisão de 1a. instancia, a matéria em litígio no aludido processo repercute no presente. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para realização dos procedimentos acima descritos. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 380DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000467/2007-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO
ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os
artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal O fato gerador das contribuições ocorre durante o período de execução da obra, no caso, para a Matrícula CEI 11.22302.750/76, a obra de construção teve início em 1997 e um primeiro término parcial em 21.08.1998, com área total de 5.468,43 m2, e um segundo término parcial em 05.2006, área total, após acréscimos, de 7738,51 m2.
A cientificação da NFLD pela recorrente se deu em 13.11.2006, e o período
do débito é 05/2006. Dessa forma, para o primeiro término parcial da obra em
21.08.1998, com área total de 5.468,43 m2, constata-se que com fulcro na
Súmula Vinculante nº 8,, STF, que já se operara a decadência do direito de
constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o,
CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN.
Em relação ao segundo término parcial da obra, em 05.2006, a diferença de
área construída 2.270,08 m2 (ou seja, 7738,51 m2 menos 5.468,43 m2) não se
operara a decadência.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO AFERIÇÃO
INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela
execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição
indireta.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS
LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO
DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram
distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35
da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de
ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei
quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine
penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com
base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com
base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora
mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se
deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora
(com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art.
5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A,
Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.488
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar primeiramente a PRELIMINAR suscitada (i) em relação à área construída de 5.468,43 m2, em declarar a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN; (ii) em relação à área construída restante de 2.270,08 m2, declarar que não houve a decadência. No MÉRITO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal O fato gerador das contribuições ocorre durante o período de execução da obra, no caso, para a Matrícula CEI 11.22302.750/76, a obra de construção teve início em 1997 e um primeiro término parcial em 21.08.1998, com área total de 5.468,43 m2, e um segundo término parcial em 05.2006, área total, após acréscimos, de 7738,51 m2. A cientificação da NFLD pela recorrente se deu em 13.11.2006, e o período do débito é 05/2006. Dessa forma, para o primeiro término parcial da obra em 21.08.1998, com área total de 5.468,43 m2, constata-se que com fulcro na Súmula Vinculante nº 8,, STF, que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. Em relação ao segundo término parcial da obra, em 05.2006, a diferença de área construída 2.270,08 m2 (ou seja, 7738,51 m2 menos 5.468,43 m2) não se operara a decadência. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal O fato gerador das contribuições ocorre durante o período de execução da obra, no caso, para a Matrícula CEI 11.22302.750/76, a obra de construção Fl. 115DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 teve início em 1997 e um primeiro término parcial em 21.08.1998, com área total de 5.468,43 m2, e um segundo término parcial em 05.2006, área total, após acréscimos, de 7738,51 m2. A cientificação da NFLD pela recorrente se deu em 13.11.2006, e o período do débito é 05/2006. Dessa forma, para o primeiro término parcial da obra em 21.08.1998, com área total de 5.468,43 m2, constatase que com fulcro na Súmula Vinculante nº 8,, STF, que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. Em relação ao segundo término parcial da obra, em 05.2006, a diferença de área construída 2.270,08 m2 (ou seja, 7738,51 m2 menos 5.468,43 m2) não se operara a decadência. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar primeiramente a PRELIMINAR suscitada (i) em relação à área construída de 5.468,43 m2, em Fl. 116DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 110 3 declarar a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN; (ii) em relação à área construída restante de 2.270,08 m2, declarar que não houve a decadência. No MÉRITO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 96 a 103, apresentado contra Acórdão nº 0215.502 – 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 85 a 89, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.023.3905, no valor consolidado de R$ 147.977,95 (cento e quarenta e sete mil, novecentos e setenta e sete reais e noventa e cinco centavos), às fl. 01. A NFLD se refere às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas decorrentes do saláriodecontribuição aferido com base na área construída e no padrão da obra de construção civil, situada à Rodovia MG 050, km 131, s/n, Zona Rural, cidade de Divinópolis / MG, Matrícula Cadastro Especifico do INSS CEI nº 11.223.02750/76. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 26 a 29, tratase de fiscalização especifica da obra referente aos Blocos 1 a 5 especificados no projeto de prevenção e combate a incêndios n°. H876/95 aprovado em 14110/2005 (CBMMG — 5° CIA IND 13M). A área dos blocos e o enquadramento quanto à destinação do imóvel: Bloco 1 — 1° pavimento 172,15 m2, 2° pavimento 89,98 m2 e 3° pavimento 172,15 m2. Subtotal de 434,28 m2. Destinação comercial — salas (escritório). Bloco 2 compreende escritório e galpão industrial. O escritório possui 2 pavimentos cada um com 88,11 m2 perfazendo subtotal de 176,22 m2 sendo classificado como comercial— salas. O galpão industrial possui área de 963,24 m2. Bloco 3 — referente à área de 46,55 m2, classificado como galpão industrial (galpão de abastecimento de combustível). Bloco 4 — relacionado a galpão industrial com área total de 4.965,42 m2, Bloco 5 — compreende galpão industrial com área de 1.152,80 m2. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 111 5 O Relatório Fiscal, ás fls. 26 a 29, observa ainda que considerando o projeto (projeto de prevenção e combate a incêndios n°. H876/95 aprovado em 14110/2005 (CBMMG — 5° CIA IND 13M). ) e de acordo com o alvará de localização número 08204 (em anexo) considerouse como inicio da obra a data de 23 de maio de 1997. É informado ainda pelo Relatório Fiscal, às fls. 26 a 29, que foi apurada a remuneração da mãodeobra por aferição indireta – construção civil com base na tabela do Sindicato das Indústrias de Construção Civil SINDUSCON/MS., conforme Aviso para Regularização de Obra — ARO, às fls. 30 a 36. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09306822F00 é de 01/1996 a 05/2006, fls. 41 a 42. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 05, é 05/2006. O Recorrente teve ciência da NFLD no dia 13.11.2006, conforme o Aviso de Recebimento – AR nº 676726488SL, às fls. 47. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 49 a 52, com Anexos às fls. 53 a 58, sendo apresentada a seguinte documentação: • Às fls. 53, cópia do registro de Imóvel, Matrícula nº 50545, com data de 04.01.1989, referente à Zona 45, Gleba 999, sublote 000, do Cadastro Técnico Municipal. • Às fls. 54, cópia da Certidão n º 1236/2006 da Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinópolis, nos seguintes termos: CERTIDÃO N° 1236/2006 Certifico, revendo os arquivos desta Prefeitura, deles verifiquei constar que se encontra lançado desde 17/01/1995 em nome de Cofepe Comércio de Ferro e Perfilados Ltda., um galpão comercial com área construída de 1505,87 m2, sendo 966,09 m2 conforme projetos aprovados em data de 08/06/90 e 23/11/90, sob os registros n's 7822/90 e 16111/90, ordens 27.160 e 27.646, e 539,78 m2 sem projeto aprovado. Certifico mais que em data de 13/05/99, houve um acréscimo de 3.962,56 m2, conforme projeto de modificação com acréscimo aprovado em data de 21/08/98 sob o registro n° 12.781/98 ordem n° 33.808, totalizando 5.468,43 m2 de área construída. Imóvel situado no lugar denominado Olaria, Fazenda do Catalão, nesta cidade, correspondendo a seguinte inscrição imobiliária: Zona 45, Gleba 999, sublote 000, do Cadastro Técnico Municipal. Divinópolis, 14 de Novembro de 2.006. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Após, houve solicitação de Diligência Fiscal por parte da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte, às fls. 64, nestes termos, em síntese: (...) e de que as edificações ocorreram em 1993/94 e em 1996/97, conforme Certidão n° 1236/2006 emitida pela Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinápolis, às fls. 54. (...) Mas, em relação à data de início da obra, em vista dos documentos juntados pela empresa (fls. 53/54), e, ainda, que no lançamento foi considerado a data de 23/05/1997, relativa à emissão do Alvará de Licença para Localização e Funcionamento, às fls. 37, faz se necessário o encaminhamento dos autos em diligência para que o Auditor notificante, com base no artigo 482, incisos e parágrafos, da IN SRP n° 03 de 2005 (instrução mantida pelo artigo 48 da Lei 11.457 de 2007), verifique qual parte da obra foi realizada em período abrangido pela decadência, e, sendo o caso, proceda à retificação do lançamento. A resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 66, informa que: A empresa apresentou a certidão da Prefeitura Municipal de Divinópolis n°. 1236/2006 comprovando a decadência de 1505,87 m2 conforme artigo 482, parágrafo 3° e inciso III da IN SRP n°. 03 de 2005. Analisando os projetos sob os registros n° 7822/90, 16111/90 e 12.781/98, através da comparação das áreas e da planta de localização chegouse as seguintes conclusões: 68,20 m2 é relacionada ao escritório do bloco 1 (discriminado no relatório fiscal) e esta área conforme planta, verificação no local e informação da empresa foi reformada posteriormente. 26,76 m2 é relacionada à parte do escritório localizado no bloco 2. 963,24 m2 se refere ao galpão do bloco 2. 447,67 é relativa à parte do galpão no bloco 5. Assim considerando a área decadente foram refeitos os cálculos conforme os dois AROs anexados. No primeiro ARO considerouse como área existente 1505,87 m2(decadente) e calculouse o salário de contribuição referente a reforma (68,20 m2) e acréscimo de área comercial (515,54 m2 — 366,08 m2 no bloco 1 e 149,46 m2 no bloco 2). Nos segundo ARO considerouse como área existente 2.021,41 m2 (1505,87 m2 área decadente e 515,54 m2 área comercial incluída no primeiro ARO) e calculouse o salário de contribuição referente ao acréscimo dos restantes 5.717,10 m2 de galpão industrial (46,55 m2 do bloco 3, 4.965,42 m2 do bloco 4 e 705,13 referente à parte do bloco 5). Fl. 120DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 112 7 A AuditoriaFiscal anexou: às fls. 67 a 74, cópia de dois novos ARO emitidos; às fls. 79, cópia da Guia de IPTU emitida pela Secretaria de Fazenda da Prefeitura Municipal de Divinópolis, do imóvel em questão, para o período 2006, constando a área construída de 5.468,43 m2 . A Recorrida analisou a autuação e a Impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme o Acórdão nº 0215.502 – 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 85 a 89, cuja Ementa segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006 PERÍODO ABRANGIDO PELA DECADÊNCIA. Cabe ao interessado a comprovação da realização da obra em período abrangido pela decadência. Lançamento Procedente em Parte Inconformado com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 96 a 103, onde alega, em síntese que: Em sede Preliminar: (a) Pela decadência. A inconstitucionalidade do art. 45, Lei 8212/1991; O Auto de Infração AI, faz menção ao período de 01/1996 a 05/2006, sendo que, conforme artigo 150, I combinado com o artigo 173, I do Código Tributário Nacional CTN, está prescrito o período anterior a 06/2001. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 108. É o Relatório. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 108. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e para o Mérito. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 113 9 DAS QUESTÕES PRELIMINARES Violação a preceitos constitucionais. A Recorrente argumenta em relação à violação a preceitos constitucionais: Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 123DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA DECADÊNCIA Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 124DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 114 11 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 115 13 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp Fl. 127DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN – devese identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela recorrente se deu em 13.11.2006, conforme o Aviso de Recebimento – AR às fls. 47, e o período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 05, é 05/2006. No entanto, o fato gerador das contribuições ocorreu durante o período de execução da obra, no caso, para a matrícula CEI 11.22302.750/76, a obra de construção teve início em 23.05.1997. Devese então determinar qual o período do término da obra e a área total construída. (a) Do término parcial da obra de construção civil. em 21.08.1998 A Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, no art. 482, § 3º, IV c/c art. 482, § 4º c/c art. 482, § 6º, estabelece os critérios para se determinar o período de término da obra de construção civil: Art. 482. O direito de a Previdência Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. § 1º Cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. (...) § 3º A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese, Certidão de Conclusão de Obra CCO; II um dos respectivos comprovantes de pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU, em que conste a área da edificação; III certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU; IV auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela SRP; Fl. 128DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 116 15 V termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período decadencial; VI escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial; (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007) Redação original: VI escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial. VII contrato de locação com reconhecimento de firma em cartório em data compreendida no período decadencial, onde conste a descrição do imóvel e a área construída. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007) § 4º A comprovação de que trata o § 3º deste artigo darseá também com a apresentação de, no mínimo, três dos seguintes documentos: I correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; II contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria à Secretaria da Receita Federal, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área; IV vistoria do corpo de bombeiros, na qual conste a área do imóvel, expedida em período decadencial; V planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no CREA. § 5º As cópias dos documentos que comprovam a decadência deverão ser anexadas à DISO. § 6º A falta dos documentos relacionados nos §§ 3º e 4º, poderá ser suprida pela apresentação de documento expedido por órgão oficial ou documento particular registrado em cartório, desde que seja contemporâneo à decadência alegada e nele conste a área do imóvel . (Incluído pela IN MF/RFB nº 829, de 20/03/2008) Outrossim, colacionase, às fls. 54, a cópia da Certidão n º 1236/2006 da Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinópolis, expedida em 14.11.2006: CERTIDÃO N° 1236/2006 Fl. 129DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 Certifico, revendo os arquivos desta Prefeitura, deles verifiquei constar que se encontra lançado desde 17/01/1995 em nome de Cofepe Comércio de Ferro e Perfilados Ltda., um galpão comercial com área construída de 1505,87 m2, sendo 966,09 m2 conforme projetos aprovados em data de 08/06/90 e 23/11/90, sob os registros n's 7822/90 e 16111/90, ordens 27.160 e 27.646, e 539,78 m2 sem projeto aprovado. Certifico mais que em data de 13/05/99, houve um acréscimo de 3.962,56 m2, conforme projeto de modificação com acréscimo aprovado em data de 21/08/98 sob o registro n° 12.781/98 ordem n° 33.808, totalizando 5.468,43 m2 de área construída. Imóvel situado no lugar denominado Olaria, Fazenda do Catalão, nesta cidade, correspondendo a seguinte inscrição imobiliária: Zona 45, Gleba 999, sublote 000, do Cadastro Técnico Municipal. Divinópolis, 14 de Novembro de 2.006. O que enseja o enquadramento da Certidão n º 1236/2006 da Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinópolis no art. 482, § 6º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, de modo a se ter o término da obra totalizando 5.468,43 m2 de área construída na data de 21.08.1998. Anotase que tanto a autoridade lançadora na resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 66 quanto a Delegacia de Julgamento, às fls. 64 e 85 a 89, consideraram plenamente válida a Certidão n º 1236/2006 da Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinópolis, às fls. 54, no sentido de se efetivamente delimitar o período de execução da obra, em especial a data de término. Em relação à área total construída, devese determinála. (b) Da área total construída 5.468,43 m2 ou 7.738,51 m2 (b.1) Da decadência da área total construída de 5.468,43 m2. A cópia da Certidão n º 1236/2006 da Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinópolis, às fls. 54, expedida em 14.11.2006, mostra que a área total construída em data de 21/08/1998 totalizou 5.468,43 m2. No mesmo sentido, a AuditoriaFiscal anexou, às fls. 79, cópia da Guia de IPTU emitida pela Secretaria de Fazenda da Prefeitura Municipal de Divinópolis, do imóvel em questão, para o período 2006, constando a área construída de 5.468,43 m2 . Fl. 130DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 117 17 Neste ponto, devese cotejar tal informação da área total construída de 5.468,43 m2, com a resposta da AuditoriaFiscal à Solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 66: A empresa apresentou a certidão da Prefeitura Municipal de Divinópolis n°. 1236/2006 comprovando a decadência de 1505,87 m2 conforme artigo 482, parágrafo 3° e inciso III da IN SRP n°. 03 de 2005. Analisando os projetos sob os registros n° 7822/90, 16111/90 e 12.781/98, através da comparação das áreas e da planta de localização chegouse as seguintes conclusões: 68,20 m2 é relacionada ao escritório do bloco 1 (discriminado no relatório fiscal) e esta área conforme planta, verificação no local e informação da empresa foi reformada posteriormente. 26,76 m2 é relacionada à parte do escritório localizado no bloco 2. 963,24 m2 se refere ao galpão do bloco 2. 447,67 é relativa à parte do galpão no bloco 5. Assim considerando a área decadente foram refeitos os cálculos conforme os dois AROs anexados. No primeiro ARO considerouse como área existente 1505,87 m2(decadente) e calculouse o salário de contribuição referente a reforma (68,20 m2) e acréscimo de área comercial (515,54 m2 — 366,08 m2 no bloco 1 e 149,46 m2 no bloco 2). Nos segundo ARO considerouse como área existente 2.021,41 m2 (1505,87 m2 área decadente e 515,54 m2 área comercial incluída no primeiro ARO) e calculouse o salário de contribuição referente ao acréscimo dos restantes 5.717,10 m2 de galpão industrial (46,55 m2 do bloco 3, 4.965,42 m2 do bloco 4 e 705,13 referente à parte do bloco 5). Ou seja, resta uma diferença que a decisão de 1ª instância acerca da qual assim se manifestou, às fls. 88: No caso, a empresa comprovou, com base no inciso III do § 3° do artigo 482 da referida Instrução (dispositivo que trata da certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU), o término de parte da obra em período decadente. Isso porque, de acordo com a fiscalização, e aqui confirmado, a Certidão n° 1.236/2006, emitida pela Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinopolis, registra um galpão com área construída de 1.505,87 m2 , lançado em nome de Cofepe Comércio de Ferro e Perfilados Ltda. desde 17.01.1995. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 Logo, sabendo que o lançamento previdenciário foi formalizado em 08.11.2006, devese excluir a área decadente de 1.505,87 m2 da área total apurada pela fiscalização de 7.738,51 m2 , esta constante também do requerimento (fls. 39) junto ao Corpo de Bombeiros para a aprovação da alteração do projeto de prevenção e combate a incêndios, aprovado sob n° 11876, feito pelo Engenheiro Civil Ramiro Guimarães Lara CREA 54.844/D, restando, dessa forma, a área de 6232,64 m2 a regularizar. Observase que a área a regularizar (não decadente) equivale às áreas indicadas no Relatório Fiscal excluindose a área decaída, esta comprovada pela empresa através da Certidão n° 1.236/2006, emitida pela Prefeitura Municipal de Divinópolis. Considerando, assim, que a área total da obra corresponde à declarada pelo contribuinte no requerimento de aprovação da alteração do projeto de prevenção e combate a incêndios, e que foi comprovada, através da Certidão n° 1.236/2006, parte da área decadente, resta regularizar a área de 6.232,64 m2 , que corresponde a 515,54 m2 de área comercial e 5.717,10 rn2 de galpão industrial. Concluise, novamente, que tanto a autoridade lançadora na resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 66 quanto a Delegacia de Julgamento, às fls. 64 e 85 a 89, consideraram plenamente válida a Certidão n º 1236/2006 da Divisão de Cadastro Técnico da Prefeitura Municipal de Divinópolis, às fls. 54, e a cópia da Guia de IPTU para o ano de 2006 emitida pela Secretaria de Fazenda da Prefeitura Municipal de Divinópolis, às fls. 79, anexada pela AuditoriaFiscal no sentido de se efetivamente delimitar o período de término da obra e da área total edificada. Observase ainda que tanto a decisão de 1ª instância quanto a autoridade lançadora, consideraram para efeitos de decadência a plena validade do art. 45, Lei 8.212/1991, posto que à época dos fatos ainda não tinha sido editada a Súmula Vinculante nº 8/2008 do STF. (b.1.1) Da decadência. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela recorrente se deu em 13.11.2006, conforme o Aviso de Recebimento – AR às fls. 47. Em relação a área total construída de 5.468,43 m2 na data de 21/08/1998 , constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 118 19 (b.2) Da área total construída de 7.738,51 m2. A cópia, às fls. 39, do requerimento da Recorrente direcionado ao Corpo de Bombeiros solicitando a aprovação da alteração do projeto de prevenção e combate à incêndio nº 11876, informa que houve acréscimo na área total construída para um total de 7.738,51m2. RAMIRO GUIMARÃES LARA, eng. civil CREA 51.844/13, estabelecido (...) , vem através deste requerer a aprovação da alteração do projeto de prevenção e combate a incêndios, aprovado neste comando sob nº 11876, construído no lote 999, quadra 002, zona 45, situado à Rodovia MG 050 Km 096, Lugar denominado Fazenda Catalão nesta cidade. De propriedade da COFEPE – Comércio de Ferro e Perfilados ltda. Sendo as modificações a seguir: 1 No bloco 1 onde Funcionava o depósito de vergalhões e chapas passou a funcionar a –CIAÇO Centro Industrial do Aço limitada. 2 – Houve acréscimo na área total construída, passando de 6727,79 m2 para 7738,51 m2. 3 No Bloco 4 foi instalado alarme de incêndios e 2 hidrantes externos. Obs.as modificações acima seguem em projeto anexo. Nestes termos pede deferimento. Divinópolis, 30 de junho de 2005. Anotase que tal requerimento, às fls. 39, foi datado de 30.06.2005, o que indica que entre 1998 e 06.2005 a área total edificada foi alterada para um total de 7738,51 m2. Neste ponto, a Recorrente não restou comprovada as datas de início e de término da obra de acréscimo da área total construída, razão pela qual resta válida a aferição indireta realizada pala Auditoria Fiscal nos termos do art. 33, § 4º, Lei 8212/1991. Considerandose o item (b.1.1) acima, constatase que da área total edificada de 7738,51 m2. já se operara a decadência da área construída de 5.468,43 m2 . Desta forma, restam não decadentes a área total de 2.270,08 m2 , ou seja, 7738,51 m2 menos 5.468,43 m2 . Fl. 133DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 DO MÉRITO DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10665.000467/200774 Acórdão n.º 2403000.488 S2C4T3 Fl. 119 21 Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, acatar parcialmente a PRELIMINAR suscitada para: (i) em relação à área construída de 5.468,43 m2, declarar a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN; (ii) em relação à área construída restante de 2.270,08 m2, declarar que não houve a decadência. NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 135DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 29/04/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 03/05/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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