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Numero do processo: 10218.000847/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. RENDIMENTOS OMITIDOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS RENDIMENTOS FORAM PROVENIENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE CARGAS BEM COMO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE OU LOCAÇÃO DE VEÍCULO.
É necessário comprovar, através de documentação hábil e idônea, que os rendimentos recebidos foram frutos da prestação de serviços de transporte de cargos e, assim o sendo, a redução da base de cálculo do imposto de renda somente deve ser observada quando tal renda for auferida mediante a utilização de veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária.
Numero da decisão: 2201-005.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IRPF. RENDIMENTOS OMITIDOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS RENDIMENTOS FORAM PROVENIENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE CARGAS BEM COMO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE OU LOCAÇÃO DE VEÍCULO. É necessário comprovar, através de documentação hábil e idônea, que os rendimentos recebidos foram frutos da prestação de serviços de transporte de cargos e, assim o sendo, a redução da base de cálculo do imposto de renda somente deve ser observada quando tal renda for auferida mediante a utilização de veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária.
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DEDUÇÃO INDEVIDA Recorrente LAORIDES LUIZ MAROSTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IRPF. RENDIMENTOS OMITIDOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS RENDIMENTOS FORAM PROVENIENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE CARGAS BEM COMO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE OU LOCAÇÃO DE VEÍCULO. É necessário comprovar, através de documentação hábil e idônea, que os rendimentos recebidos foram frutos da prestação de serviços de transporte de cargos e, assim o sendo, a redução da base de cálculo do imposto de renda somente deve ser observada quando tal renda for auferida mediante a utilização de veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 08 47 /2 00 7- 87 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10218.000847/200787 Acórdão n.º 2201005.094 S2C2T1 Fl. 311 2 Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 261/266 interposto contra decisão da DRJ em Belém/PA, de fls. 254/257 a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 241/245, lavrado em 6/8/2007, relativo ao ano calendários de 2004, com ciência do contribuinte em 3/9/2007, conforme extrato de consulta de postagem de fls. 248. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por deduções indevidas de despesas de livro caixa, no valor histórico de R$ 240.609,88, já acrescido do justo de mora, da multa do ofício de 75% e da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 241, o RECORRENTE não apresentou a documentação relativa as despesas escrituradas em livro caixa, razão pela qual a fiscalização entendeu que as despesas não estavam comprovadas. Foi declarado um total de rendimentos tributáveis no montante de R$ 452.538,88, ao passo em que foram escrituradas no livro caixa o montante total de R$ 418.633,99 de despesas dedutíveis. A fiscalização afirmou que o contribuinte alegou razões de defesa, porém não apresentou documentação que comprovasse suas alegações. Assim, entendeu que nenhuma das despesas escrituradas foi comprovada e glosou integralmente o montante deduzido, restando imposto a pagar na quantia de R$ 115.124,35, conforme demonstrativo de apuração de fls. 242: Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 2/15 em 10/9/2007. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Belém/PA, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10218.000847/200787 Acórdão n.º 2201005.094 S2C2T1 Fl. 312 3 Na impugnação, fls. 01/15, o Interessado, alega, em síntese, que: “Em razão da apresentação da Declaração Retificadora, e dos demais documentos que amparam a presente impugnação, não existe mais motivação para a permanência da existência da respectiva Notificação de Lançamento, visto que as deduções do livrocaixa, agora estão devidamente comprovadas “Há de se esclarecer, que apenas exerço atividade de produtor de Carvão Vegetal, e utilizo meus próprios veículos para transportar o carvão até seu destino final, conforme consta na documentação anexa Apresenta as Notas Fiscais que demonstram as despesas com combustíveis e na manutenção dos veículos de transporte de sua propriedade. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito fiscal. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Belém/PA julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 254/257): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 LIVRO CAIXA. CORRELAÇAO RECEITAS E DESPESAS. Para deduzir as despesas escrituradas em livro caixa, entre outras exigências contidas na legislação tributária, necessária é a comprovação da correlação entre receitas e despesas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No mérito, a DRJ entendeu que o RECORRENTE não comprovou a correlação entre as despesas incluídas no livro caixa e a receita auferida. Isso porque o RECORRENTE alega ser tanto produtor de carvão quanto transportador de cargas, mas não distingue qual receita é proveniente de qual atividade tampouco qual despesas é correlata com qual receita. Nos termos do voto vencedor da DRJ: (...)contribuinte alega ser produtor rural e ao mesmo tempo comprova ser tanto produtor rural, fl. 43, como transportador de cargas, fl. 23/26. Mas, principalmente, pela falta de correlação entre receitas e despesas. As receitas correspondem a que atividade? Uma das suas fontes de receita, conforme o livro caixa, e' da empresa Usimar Ltda e esta declara, fl. 26, que o Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10218.000847/200787 Acórdão n.º 2201005.094 S2C2T1 Fl. 313 4 interessado é “fomecedor de materiais e transportes”, qual a parcela de suas receitas correspondem à venda de carvão produzido por ele mesmo? e a produzida por outros produtores e apenas transportada por ele? Já que o mesmo é fornecedor de transporte para a empresa Usimar. Essa ausência de correlação entre receitas e despesas indispensável para o abatimento das despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora é também notada em relação a outra fonte pagadora, pois o impugnante apenas comprova, nos autos, as despesas, na esmagadora maioria relacionadas ao serviço de transportes, sendo secundarizada ou esquecida as despesas naturais e necessárias para a produção do carvão vegetal. Nada prova em relação às receitas, limitase a consignar seu montante no livro caixa, sem especificar e comprovar sua natureza. Deveria o interessado ter segregado as receitas, principalmente as relacionadas a sua condição de produtor rural e as decorrentes do transporte de cargas, eventualmente não vinculadas a sua produção, pois as fonnas de tributação são diferenciadas. Dessa forma não logrou êxito o impugnante em abater as despesas escrituradas em livrocaixa dada a ausência de provas que demonstrassem a correlação entre receitas e despesas. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 26/2/2010, conforme AR de fl. 259, apresentou o recurso voluntário de fls. 261/266 em 19/3/2010 Em suas razões, alega que sua atividade é de transporte de cargas, e pleiteia que seus rendimentos sejam tributados nos moldes estipulados pelo art. 47 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), qual seja, através da presunção que apenas 40% dos rendimentos auferidos são tributáveis. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10218.000847/200787 Acórdão n.º 2201005.094 S2C2T1 Fl. 314 5 Da dedução das despesas com livrocaixa Pois bem, apesar do lançamento ter sido por dedução indevida de despesas com livro caixa, o RECORRENTE, em sede recursal, apenas se limita a alegar que prestava serviços de transporte, e pleiteia que seus rendimentos sejam tributados com base na presunção estipulada pelo art. 47 do RIR/1999 (vigente à época dos fatos), in verbis: Art. 47. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º): I quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga; II sessenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de passageiros. § 1º O percentual referido no inciso I aplicase também sobre o rendimento total da prestação de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º, parágrafo único). § 2º O percentual referido nos incisos I e II constitui o mínimo a ser considerado como rendimento tributável. § 3º Será considerado, para efeito de justificar acréscimo patrimonial, somente o valor correspondente à parcela sobre a qual houver incidido o imposto (Lei nº 8.134, de 1990, art. 20). Em que pese a alegação do contribuinte de que se tratam de rendimentos provenientes de fretes e carretos, o mesmo não junta prova alguma aos autos para comprovar o montante dos rendimentos provenientes desta atividade. Ora, em sua impugnação, o RECORRENTE junta documentos que comprovam que ele, ao menos em tese, praticou atividades tanto como transportador (certificado de registro nacional de transportador rodoviário de carga de fls. 24 e registro nacional de transportadores rodoviários de carga de fls. 26) quanto como produtor rural (certificado emitido pelo Sindicato dos Produtores rurais de Tailândia/PR, comprovando a filiação do RECORRENTE, fls. 46). Por sua vez, analisando o livrocaixa, percebese que os rendimentos recebidos pelo RECORRENTE foram pagos pela Usimar Ltda, bem como da Empresa Simara Ltda (fls. 48/72). Acontece que o RECORRENTE não faz a distinção do montante recebido em decorrência de cada atividade. Tal fato ainda é agravado pela declaração de fls. 308, emitida pela USIMAR Ltda, que afirma que o RECORRENTE é “fornecedor de materiais e transportes”, bem como pela própria afirmação do RECORRENTE, em sede de impugnação: “Há de se esclarecer, que apenas exerço atividade de produtor de Carvão Vegetal utilizo meus próprios veículos para transportar o carvão até seu destino final, conforme consta na documentação anexa. “(fls. 4). Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10218.000847/200787 Acórdão n.º 2201005.094 S2C2T1 Fl. 315 6 Não há, portanto, clareza para determinar o montante recebido pelo RECORRENTE como remuneração por prestação de serviços de transporte. Por sua vez, o art. 47 do RIR/1999 é claro ao determinar que apenas os rendimentos provenientes da prestação de serviços de transporte em veículo próprio ou locado, são tributáveis mediante a aplicação do percentual de 40% (para transporte de cargas). Acontece que, no presente caso, apesar de haver indícios que uma parte dos rendimentos recebidos pelo RECORRENTE foi proveniente de serviços de transporte, é impossível determinar o seu montante exato. Nesse sentido, entendo que era dever do RECORRENTE comprovar suas alegações, de que os rendimentos recebidos eram totalmente provenientes do serviço de transporte. Tal prova poderia ser facilmente obtida mediante a apresentação do(s) contrato(s) de prestação(ões) de serviço(s) de transporte, especificando o valor pago ao RECORRENTE. Destaco que tal contrato deveria demonstrar qual o veículo utilizado para tanto, posto que o art. 47 exige como condição que o transporte seja realizado em veículo próprio, locado, ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária. A utilização de veículo próprio, locado ou adquirido como reservas de domínio como condição para a redução da base de cálculo é entendimento pacífico desta corte. Nesse sentido, cito julgado de minha relatoria: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 IRPF. RENDIMENTOS OMITIDOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PROPRIEDADE OU LOCAÇÃO DE VEÍCULO. No caso de valores auferidos pela pessoa física em decorrência do transporte de carga, a redução da base de cálculo do imposto de renda somente deve ser observada quando tal renda for auferida mediante a utilização de veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária. (Acórdão nº 2201004.791, Contribuinte Arildo Wingler, data da sessão 08/11/2018) Assim, ad argumentandum tantum, ainda que se considere que a integralidade dos rendimentos foi proveniente da prestação de serviços de transporte, era necessário comprovar que o serviço foi prestado em veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária, o que não foi feito. Por fim, acredito ser importante reiterar o argumento da autoridade julgadora de primeira instância que afirmou o seguinte: Deveria o interessado ter segregado as receitas, principalmente as relacionadas a sua condição de produtor rural e as decorrentes do transporte de cargas, eventualmente não vinculadas a sua produção, pois as formas de tributação são diferenciadas. Dessa forma não logrou êxito o impugnante em abater as despesas escrituradas em livrocaixa dada a ausência de provas que demonstrassem a correlação entre receitas e despesas. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10218.000847/200787 Acórdão n.º 2201005.094 S2C2T1 Fl. 316 7 Esta diferenciação é importante pois, como visto, os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte de carga são tributáveis no percentual de 40% (quarenta por cento) do rendimento total, conforme art. 9º da Lei nº 7.713/88 (matriz legal do art. 47 do RIR/99); já os rendimentos tributáveis relacionados à condição de produtor rural do RECORRENTE poderiam ser apurados mediante livrocaixa abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade rural, conforme art. 57 e ss do RIR/99 (vigente à época dos fatos). Com essas considerações, não acolho as razões aduzidas pela RECORRENTE. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 316DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.912513/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM.
Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-003.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912513/200953 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.858 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2019 Matéria DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente REFRIGERANTE MINAS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhecese a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009 97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 13 /2 00 9- 53 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.912513/200953 Acórdão n.º 1301003.858 S1C3T1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de DCOMP, que pleiteia compensação de crédito oriundo de estimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestaçã de Inconformidade A empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão da MP 449/08, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que, de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.912513/200953 Acórdão n.º 1301003.858 S1C3T1 Fl. 4 3 complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei. embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade; vale lembrar que a determinação da MP 449, que deu origem ao citado inciso IX do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi acolhida pelo Projeto de Lei de Conversão n°2/09, já remetido à sanção presidencial pela Mensagem 25/09, de 12/05/09. Portanto, além de não poder retroagir à data em que se deu a compensação objeto deste litígio, o dispositivo trazido à luz pela MP 449/09 perderá, necessariamente, a eficácia, quer pela sanção do PL de Conversão, quer pelo decurso do prazo, caso seja o referido PL vetado; na conclusão, destacou a manifestante que a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado, ou não é aplicável à hipótese sob exame, ou é posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; a mais, a imposição de comportamento tributário, por meio de Instrução Normativa, sem lei formal que lhe dê respaldo, não é admitida pela legislação tributária brasileira, desde a Constituição, passando pelo Código Tributário Nacional (art. 97); em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que o crédito, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, de acordo com a norma vigente. Transcrevese ementa do acórdão da DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.912513/200953 Acórdão n.º 1301003.858 S1C3T1 Fl. 5 4 Do Recurso Voluntário Em 14/12/2011, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Aviso de Recebimento dos Correios. Ainda inconformada, em 12/01/2012 a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 5072), no qual: Declara que apura IRPJ e CSLL pelo lucro real e, recolhe os valores de estimativa mensal e que, mês a mês, levanta balencete, o qual transcreve em seu Livro Diário, e que evidencia os pagamentos excessivos realizados com base na estimativa; Acrescenta que nem o Despacho Decisório, nem o acórdão recorrido, discutem ou põem em dúvida o acerto dos excedentes compensados e que limitamse a justificar seu procedimento com base na IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 e no art. 74, inc. IX da Lei n.9.784/96; Em seguida, destaca que os limites da lide dizem respeito à questão de direito e reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o direito à compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.853, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.913407/200997, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.853): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade reiterando seu direito à compensação de estimativas mensais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, e o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera que em razão de pagamentos indevidos de estimativa mensal, Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.912513/200953 Acórdão n.º 1301003.858 S1C3T1 Fl. 6 5 conforme apuração em balancetes mensais, teria direito à compensação dos valores pagos em excesso. No presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal. A Unidade de Origem sequer analisou o mérito do direito creditório, tampouco deu oportunidade ao contribuinte para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Há de se fazer a distinção entre compensação de pagamento de estimativa mensal devido e que deveria compor o saldo negativo ao final do anocalendário, daquele pagamento efetuado em valores superiores ao que a lei determina para fins de cálculo de estimativa mensal. Com efeito, entendo ser possível a compensação/restituição de recolhimento a título de estimativa mensal, desde que caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Dessarte, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que, tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.912513/200953 Acórdão n.º 1301003.858 S1C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011952/2002-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996
DILIGÊNCIA - ÔNUS DA PROVA. PRESCINDIBILIDADE
O instituto da diligência não é substituto para o ônus que tem o contribuinte de manter sob sua guarda e em perfeita ordem, para imediata exibição, os documentos relativos às atividades sujeitas ao controle fiscal.
PRESCRIÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Conforme o artigo 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - INAPLICAÇÃO NO PAF - SÚMULA 11 CARF
O instituto da prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, matéria esta já sumulada por este CARF (Súmula nº 11).
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL.
Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, conforme redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 - Decreto nº 3.000/99).
Numero da decisão: 2002-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996 DILIGÊNCIA - ÔNUS DA PROVA. PRESCINDIBILIDADE O instituto da diligência não é substituto para o ônus que tem o contribuinte de manter sob sua guarda e em perfeita ordem, para imediata exibição, os documentos relativos às atividades sujeitas ao controle fiscal. PRESCRIÇÃO - INOCORRÊNCIA. Conforme o artigo 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - INAPLICAÇÃO NO PAF - SÚMULA 11 CARF O instituto da prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, matéria esta já sumulada por este CARF (Súmula nº 11). IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, conforme redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 - Decreto nº 3.000/99).
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nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 64 1 63 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.011952/200296 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.897 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 27 de março de 2019 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ CORSINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996 DILIGÊNCIA ÔNUS DA PROVA. PRESCINDIBILIDADE O instituto da diligência não é substituto para o ônus que tem o contribuinte de manter sob sua guarda e em perfeita ordem, para imediata exibição, os documentos relativos às atividades sujeitas ao controle fiscal. PRESCRIÇÃO INOCORRÊNCIA. Conforme o artigo 174 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE INAPLICAÇÃO NO PAF SÚMULA 11 CARF O instituto da prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, matéria esta já sumulada por este CARF (Súmula nº 11). IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, conforme redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 19 52 /2 00 2- 96 Fl. 64DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 e 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos a título de aluguel de pessoa jurídica. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.302,60, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 28 a 40 dos autos: Conforme consignado na SRL, afirma terse equivocado quando do preenchimento de sua DIRPF/1997, pois teria declarado os rendimentos de aluguel recebidos do Bamerindus como rendimentos de pessoa física. Argumenta que a improcedência da solicitação de retificação da SRL fere os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa e devido processo legal, pois, conclusão diversa poderia ter sido tomada caso tivesse, oportunamente, sido notificado o Banco Bamerindus à apresentar o informe de rendimentos que lhe fora enviado para preenchimento de sua DIRPF, emitindo, de forma mais eficiente, a correspondente decisão, e não de maneira frágil e ainda marcada pela não realização de diligência para apurar a verdade fática. Além da ofensa aos princípios constitucionais, argumenta que o feito já não comporta mais continuidade, eis que sua pretensão está coberta pelo manto da prescrição, conforme disposiçoes do artigo 156, V e 174 do CTN. Por fim, requer a suspensão de toda e qualquer forma de exigibilidade do crédito em comento, nos termos do art. 151, III, do CTN e o cancelamento da medida fiscal. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.011952/200296 Acórdão n.º 2002000.897 S2C0T2 Fl. 65 3 A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 30/09/2008, no acórdão 0619.369, às efls. 47 a 51, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário,às efls. 56 a 62, no qual alega, em síntese: · que os valores autuados estão prescritos, com base no artigo 174 do CTN; · aplicase ao caso a prescrição intercorrente; · que a decisão fere os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa e devido processo legal, eis que conclusão diversa poderia ter tomada caso oportunamente tivesse notificado o Banco Bamerindus do Brasil S/A para apresentar o informe de rendimentos enviado ao recorrente para preenchimento da respectiva declaração anual de ajuste de imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/11/2008, efls. 54, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/12/2008, efls. 56, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos de alugueis e royalties recebidos de pessoas jurídicas, além de compensação indevida de carnêleão, matéria esta não impugnada pelo contribuinte, conforme decisão da DRJ: Inicialmente, cumpre observar que o contribuinte, tanto na apresentação da SRL (fl. 02) quanto da impugnação, não se manifesta contra a compensação indevida de carnêleão, no valor de R$ 1.205,40, e inclusão do IRRF incidente sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 1.080,00, dessa forma, é de se considerar essa parte do lançamento, conforme o disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, como não impugnada e, portanto, não litigiosa, que resulta em R$ 97,56 de saldo de imposto a pagar, cabendo à Delegacia de origem adotar as providencias cabíveis. Fl. 66DF CARF MF 4 O contribuinte alega que a decisão de piso fere os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa e devido processo legal, eis que conclusão diversa poderia ter tomada caso oportunamente tivesse notificado o Banco Bamerindus do Brasil S/A para apresentar o informe de rendimentos enviado ao recorrente para preenchimento da respectiva declaração anual de ajuste de imposto de renda. Razão não lhe assiste. O lançamento fiscal é atividade plenamente vinculada à autoridade administrativa que, naquela situação, entenda pela ocorrência do fato gerador da obrigação, tem o dever de ofício de constituiu o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de prevaricação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ainda, o auto de infração contem todos os requisitos elencados no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Ainda, todo o iter do processo administrativo fiscal está transcorrendo nos estritos limites da legalidade, vez que, o contribuinte fora intimado para se manifestar tanto mediante apresentação de impugnação ao auto de infração,quanto da decisão da DRJ, mediante Recurso Voluntário, que, neste momento, está sendo objeto de apreciação, conforme se vê pelos artigos 15 e 33 do Decreto nº 70.235/72, aqui colacionados: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.011952/200296 Acórdão n.º 2002000.897 S2C0T2 Fl. 66 5 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Logo, não há que se falar em violação a qualquer princípio constitucional. Ainda, quanto a notificação da pessoa jurídica para juntar aos documentos que comprovem o pagamento dos alugueis, mediante realização de diligência, tal procedimento é relevante para que a autoridade julgadora sanar alguma dúvida no curso do processo administrativo fiscal. No caso concreto, o ônus da prova de apresentar documentos solicitados pela fiscalização é do contribuinte e a diligência não supre o dever do contribuinte assim proceder. Como o contribuinte sequer trouxe aos autos qualquer documento comprobatório, o pedido de diligência não deve prosperar. Com relação a prescrição prevista no artigo 174 do CTN, a DRJ enfrentou com maestria a matéria, motivo pelo qual adoto as razões da decisão de piso: Quanto à preliminar de prescrição relativa à matéria impugnada, cabe ressaltar que a contagem do prazo prescricional para a ação de cobrança do crédito tributário, só se inicia a partir da constituição definitiva do crédito tributário, nos termos do art. 174, do CTN, in verbis. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. O prazo prescricional para a cobrança de qualquer tributo é de cinco anos contados da constituição definitiva do crédito tributário, ou seja, de quando 0 lançamento não mais está sujeito à modificação no âmbito do processo administrativo. Assim, o decurso in albís do prazo para impugnar o auto de infração ou a notificação de lançamento ou do prazo para recorrer da decisão ou, ainda, a data da intimação da decisão final não mais sujeita a recurso é que constitui o marco para o início da contagem do prazo prescricional. Pela análise dos autos, verificase que o crédito ora em litígio foi formalizado por meio da Notificação emitida em 12/11/1997 Fl. 68DF CARF MF 6 (fl. 04), antes, portanto, do prazo decadencial. O referido lançamento foi contestado pelo interessado em 12/12/1997, por meio da SRL de fl. 02, que foi apreciada e considerada improcedente (fl. 3). Essa decisão só foi cientificada ao contribuinte em 01/07/2008 (fl. 24), abrindose, então, prazo de 30 dias para recolhimento do imposto ou para apresentação de impugnação, direito este exercido por meio da impugnação de fls 25/28, apresentada em 21/07/2008. Portanto, o lançamento impugnado ainda está sujeito a modificações no âmbito do processo administrativo e, assim, não há que se falar em decurso do prazo prescricional. Em relação a prescrição intercorrente, tal instituto não se aplica ao processo administrativo fiscal, matéria sumulada por este CARF: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Com relação aos alugueis recebidos de pessoa jurídica, qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, como se vê pela redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/99): Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.011952/200296 Acórdão n.º 2002000.897 S2C0T2 Fl. 67 7 Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Ainda, conforme jurisprudência deste CARF: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. (Acórdão n°: 9202 002.451 – 08/11/2012) Os aluguéis devem der tributados de acordo com a Tabela Progressiva do Imposto de Renda das pessoas físicas e a responsabilidade pelo recolhimento depende da natureza jurídica do locatário: · Se pessoa jurídica, caberá a sociedade empresária recolher o imposto de renda na fonte. O locatário informa em sua DAA a razão social, CNPJ, o valor do aluguel recebido no ano e o imposto retido na fonte, no campo "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular"; · Se pessoa física, o locatário deve declarar o valor recebido no item "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior", dentro da aba "carnêleão". O artigo 631 do RIR/99 trata da primeira hipótese: Art. 631. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas. Já a segunda hipótese é regida pelo artigo 106 do mesmo Regulamento: Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na Fl. 70DF CARF MF 8 fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, § 2º, inciso IV): I os emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; II os rendimentos recebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais; III os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; IV os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas. Ainda, poderão ser abatidos dos valores dos alugueis recebidos, conforme artigo 632 do RIR/99: Art. 632. Não integrarão a base de cálculo para incidência do imposto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Ainda, nos termos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 1.500/14, temos: Art. 30. Para determinação da base de cálculo sujeita ao recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) de que trata o Capítulo IX, no caso de rendimentos de aluguéis de imóveis pagos por pessoa física, devem ser observadas as mesmas disposições previstas nos arts. 31 a 35. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) Parágrafo único. Ressalvado o disposto no inciso II do caput do art. 11, o valor locativo do imóvel cedido gratuitamente (comodato) será tributado na DAA. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.011952/200296 Acórdão n.º 2002000.897 S2C0T2 Fl. 68 9 Art. 31. No caso de aluguéis de imóveis pagos por pessoa jurídica, não integrarão a base de cálculo para efeito de incidência do imposto sobre a renda: I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas pagas para sua cobrança ou recebimento; e IV as despesas de condomínio. § 1º Os encargos de que trata o caput somente poderão reduzir o valor do aluguel bruto quando o ônus tenha sido do locador. § 2º Quando o aluguel for recebido por meio de imobiliárias, por procurador ou por qualquer outra pessoa designada pelo locador, será considerada como data de recebimento aquela em que o locatário efetuou o pagamento, independentemente de quando tenha havido o repasse para o beneficiário. Feitas essas considerações, a decisão da DRJ foi precisa quanto a necessidade do contribuinte ter comprovado suas alegações com a apresentação de algum documento, o que não foi feito: No caso dos autos não havia dúvidas quanto ao recebimento de aluguéis de pessoa jurídica, no caso, o Banco Bamerindus, o litígio prendiase à comprovação, por parte do contribuinte, de que dentre os rendimentos declarados como recebidos de pessoa física estariam incluídos os rendimentos ora questionados. Para tanto, caberia tão somente ao contribuinte apresentar o informe de rendimentos em que se baseou para preencher sua DIRPF, demonstrando, por exemplo, que o imposto que deduziu a título de carnêleão, na realidade referiase ao Imposto Retido pelo Banco Bamerindus, bem assim, a apresentar contrato(s) de locação recibos e outros documentos, que demonstrassem os valores efetivamente recebidos pelos diversos imóveis que possuía (fl.11), comprovando, dessa forma, a composição dos rendimentos declarados e, por conseguinte, o erro cometido no preenchimento da declaração, o que não se verificou, tanto por ocasião da apresentação da SRL quanto da impugnação. Fl. 72DF CARF MF 10 Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.926774/2009-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 02 34.595, da 2ª Turma da DRJ/BHE, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 67 74 /2 00 9- 51 Fl. 113DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o pedidos de compensação declarado através do PER/DCOMP n°23895.84324.050906.1.3.047276 (doc. de fls. 20/24). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 31/07/2000 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP (folha 17). Transcrevo, a seguir o relatório: Cientificado do Despacho Decisório em 29/06/2009 (doe. de fl. 26) ointeressado apresenta manifestação de inconformidade de fls. 01/02, protocolada em 19 dejulho de 2009, argumentando que: em 31/07/2000 recolheu a maior, por meio de DARF, a importância de R$4.587,60, referente à CSLL código 2484, que gerou um crédito no valor original de R$3.223,44, conforme PER/DCOMP de solicitação de crédito n° 2631712183.190505.1.2.04 8850. no PER/DCOMP n° 08585.60670.200706.1.3.047355 compensase a CSLL Cód 2484 de" junho de 2006 no valor de R$1.620,12, restando um saldo no valor original de R$2.420,34.; no presente PER/DCOMP n° 23895.84324.050906.1.3.047276 compensa se a CSLL Cód 2484 de julho de 2006 no valor de R$2.420,34, restando um saldo no valor original de R$109,67. dessa forma, o crédito é suficiente para a compensação do débito inexistindo valores a serem pagos, a que se refere o Despacho. Esclarecida a divergência apontada no Despacho Decisório, e comprovada as corretas declarações e compensações a que tem direito, pede seja reconsiderada a decisão, homologando integralmente a compensação e confirmado o crédito. Cientificada em 03/12/2011 (fl 47), a recorrente apresentou o recurso voluntário, entretanto, não há indicação da data em que houve a sua recepção. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, afirmando a sua tempestividade, pois, segundo esta, o recebimento do aviso ocorreu em 05/12/2011, contrariamente ao aviso de recebimento, anexado aos autos, segundo o qual, teria sido no dia 03/12/2011. Entretanto, com base no despacho de fl 111, o recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente afirma que: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.926774/200951 Acórdão n.º 1001001.173 S1C0T1 Fl. 3 3 · No anocalendário de 1999, a Recorrente estava sujeita à tributação com base no lucro real e havia optado pelo pagamento do IRPJ e da CSLL mensalmente sobre base de cálculo estimada, nos termos dos artigos 2° e 30°da Lei n°. 9.430/96. · Contudo, em relação à CSLL, a Recorrente não fez os recolhimentos por estimativa devidos durante o ano de 1999. Em que pese isto, a Recorrente encerrou o referido anocalendário com prejuízo, apurando base negativa da CSLL. não tendo havido, portanto, base de cálculo tributável pela contribuição à época do ajuste. · Ora, como a Recorrente encerrou o referido anocalendário com base negativa da CSLL, não sendo, pois, devida a contribuição, o pagamento realizado em 31/07/2000 foi indevido, cabendo, assim, a sua restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional, que dispõe: · ... Cita vários acórdãos, deste CARF, a respeito da não eficácia do recolhimento de estimativas, após o encerramento do período de apuração, posto que prevalece o efetivamente devido, com base no lucro real. Com base nisto, entende ser sem fundamento o acórdão recorrido e culmina pedindo a sua reforma. Consoante o despacho decisório e a decisão da DRJ, este não foi o caso da recorrente. Reproduzo (parcialmente) a decisão da DRJ: A matéria em questão cingese à manifestação de inconformidade do contribuinte, em face da não homologação da Declaração de Compensação de fls. 20/24, por insuficiência de crédito disponível para a compensação declarada no PER/DCOMP, uma vez que o pagamento realizado estava alocado a débito declarado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF e ao PER/DCOMP n° 08585.60670.200706.1.3.047355. Em síntese a manifestante alega que em 31/07/2000 recolheu a maior, por meio de DARF, a contribuição social código 2484, o que gerou um crédito, solicitado no PER/DCOMP n° 2631712183.190505.1.2.048850. De acordo com controles internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o pagamento em questão referese à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do período de apuração de março de 1999. Para este anocalendário a última Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) apresentada pelo contribuinte foi em 09/02/2004 (Declaração n° 1202774). Nesta declaração o contribuinte apurou um débito de contribuição social para o mês de março no valor de R$3.223,04, conforme tela anexa a seguir (fl 30). ... Fl. 115DF CARF MF 4 Também, verificase que, este débito foi declarado em DCTF retificadora transmitida em 24/11/2003. Nesta DCTF o contribuinte declarou débito de contribuição social para o mês de março de 1999 no valor de R$3.223,44 (fl 34). Com base nos registros eletrônicos (internos) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de fato, a recorrente não possui tal crédito. Em seu recurso, a recorrente nada trouxe de novo em relação à sua manifestação de inconformidade. Em se tratando de uma situação de fato, o que ficou demonstrado é que os valores foram declarados na DCTF e se referiam a estimativas daquele ano, tendo sido, posteriormente, recolhidos, pela recorrente. Como é sabido, a DCTF constituise em confissão de dívida e, portanto, o débito, nela declarado, considerase confessado. Apenas a sua retificação alteraria essa condição. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Consoante o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifei) Ou seja, a certeza e liquidez do crédito são condições sine qua non para autorizar a compensação. Portanto, inexiste direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte como pagamento indevido ou maior, posto que o recolhimento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.926774/200951 Acórdão n.º 1001001.173 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900024/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório e o Acórdão de primeira instância que não homologaram a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado em DCTF.
Numero da decisão: 2202-005.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.900089/2008-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório e o Acórdão de primeira instância que não homologaram a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10480.900089/200870, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 00 24 /2 00 8- 24 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10480.900024/200824 Acórdão n.º 2202005.081 S2C2T2 Fl. 3 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.078, de 09 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10480.900089/200870, paradigma deste julgamento. "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida em vista de que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado para quitar outro débito declarado em DCTF. Do Pedido de Compensação O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual se indicou como origem do crédito, o DARF relativo ao IRRF que teria sido recolhido indevidamente pelo Interessado. Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, porque o recolhimento realizado no DARF, indicado no PER/DCOMP, foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimado do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que detinha crédito suficiente a efetivar a compensação pretendida e, por conseqüência, extinguir o respectivo crédito tributário. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou o feito, proferindo a decisão por meio do Acórdão no qual considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório, que não homologou a compensação declarada na DCOMP. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10480.900024/200824 Acórdão n.º 2202005.081 S2C2T2 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário O contribuinte, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que efetuou, em duplicidade, o mesmo recolhimento do tributo, como atestam os DARF e afirmou que o segundo recolhimento foi indevidamente efetuado. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que seja dado provimento ao presente recurso voluntário a fim de reformar o Acórdão proferido pela DRJ, homologar a compensação declarada, reconhecer a existência do crédito e extinguir o débito tributário em face da regular compensação. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.078, de 09 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10480.900089/200870, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.078, de 09 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.078 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com os autos, percebese que o Recorrente entendeu que houve recolhimento indevido (duplicidade), por meio de DARF, relativo ao IRRF, por isso utilizou o valor para compensar outros débitos de IRRF, mediante apresentação de PER/DCOMP eletrônico. Quando da análise do PER/DCOMP eletrônico, constatouse que não poderia haver o reconhecimento do crédito, pois o crédito requerido para compensação já havia sido utilizado para quitar outro débito relativo ao IRRF declarado, portanto não havendo saldo disponível, conforme consta no campo Fundamentação, Decisão e Enquadramento legal do Despacho Decisório. Do mesmo modo, quando a DRJ apreciou a Manifestação de Inconformidade, também constatou, com base na DCTF, que o valor requerido para compensação foi integralmente vinculado ao débito do IRRF, para tanto, a referida DRJ anexou telas da DCTF, que comprovaram, de forma inequívoca, a vinculação do pagamento requerido ao débito declarado. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10480.900024/200824 Acórdão n.º 2202005.081 S2C2T2 Fl. 5 4 Neste caso, observase que a existência do direito creditório pleiteado na DCOMP pelo contribuinte não foi verificada, tanto no Despacho Decisório inicial, quanto pela decisão da DRJ, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. No tocante ao despacho decisório, notase que o despacho é resultado de uma análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação, considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que seria possível a partir da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperavase que fosse descrita a origem do direito creditório pleiteado de forma a demonstrar a sua disponibilidade. Todavia, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou prova da disponibilidade do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Apenas reproduziu na sua defesa o argumento da peça inicial alegando que se tratava de recolhimento em duplicidade e por isso considerou indevido. Neste contexto, cabe esclarecer que por se tratar de compensação competia ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, e por isso deveria apresentar junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, a fim de comprovar a certeza e a liquidez do seu crédito, conforme o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Dessa forma, notase que caberia ao contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. Além disso, ressaltase que o fato de o recolhimento está vinculado a um débito na DCTF, retiralhe as condições de liquidez e certeza, afastando qualquer possibilidade de utilizálo em compensação com outro débito, pois já houve o comprometimento do referido crédito, por meio da vinculação na DCTF, a qual se constitui em instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados. No mesmo sentido, esclarecese que o documento intitulado Pedido de Ressarcimento / Declaração de Compensação (PER/DCOMP) se presta, assim, a 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10480.900024/200824 Acórdão n.º 2202005.081 S2C2T2 Fl. 6 5 formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Acrescentase ainda que, o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação ou não de um pedido de compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pelo postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Tributária Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de demonstrar a certeza e liquidez do crédito em todos os seus atributos. Ademais, observo que os documentos carreados aos autos não são hábeis à comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, razão pela qual entendo que o Recorrente não poderia compensar o crédito, porque o mesmo já estava vinculado a um determinado débito declarado da DCTF. Por fim, entendo como correta a decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida. Portanto, não há espaço para reanálise do Despacho Decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso." Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908430/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.062
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição (PER) de contribuição, que restou indeferido, por ausência de crédito, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, sintetizada nos seguintes termos: Alega que a atividade da empresa é de montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 43 0/ 20 12 -0 0 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11020.908430/201200 Resolução nº 3302001.062 S3C3T2 Fl. 3 2 PIS e da Cofins. Porém, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito. Anexa a relação de notas fiscais do período de apuração em análise, buscando comprovar o total da receita mensal sobre o qual a contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento. Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado em DCTF para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA. Apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por empreitada de construção civil, sendo imprescindível a juntada do contrato de empreitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada com a decisão da primeira instância administrativa, a recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em relação a não retificação da DCTF, o próprio relator menciona a possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal; b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração, empreitada e subempreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins; e c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908430/201200 Resolução nº 3302001.062 S3C3T2 Fl. 4 3 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.058, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.908418/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.058): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, para que se possa acolher a alegação da contribuinte, ou seja, de que exerceu, no período analisado, “obras por empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento de dois requisitos essenciais: a existência do contrato de empreitada e a relação de serviços efetivamente executados neste contrato. Ressaltese que o campo “discriminação” das notas fiscais trazidas pela manifestante aos autos não permite conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto, se enquadram na norma supra. Enfim, apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar o que se pretende. Por tal razão, não é possível reconhecer que houve pagamento indevido ou a maior no Darf objeto da Dcomp em análise. O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11020.908430/201200 Resolução nº 3302001.062 S3C3T2 Fl. 5 4 indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Regressando aos autos, temos que na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu direito por intermédio de contratos. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo, ao interpor, acostou aos autos contratos de prestação de serviços, documentos, segundo a primeira instância, essenciais para comprovação de seu direito. Os contratos apresentados, em uma análise perfunctória, sugerem a modalidade empreitada e podem indicar que o sujeito passivo possuía o direito de recolher as contribuições no regime cumulativo. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11020.908430/201200 Resolução nº 3302001.062 S3C3T2 Fl. 6 5 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720294/2016-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13873.720284/201601, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 02 94 /2 01 6- 38 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720294/201638 Acórdão n.º 1201002.784 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 20.235,23, decorrente de atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de novembro de 2014. A contribuinte teria entregue a referida declaração apenas em 07/06/2016, com 18 meses de atraso. Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”. Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual afirma que o auto de infração não merece prosperar, seja em razão da ocorrência da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e desproporcional, já que foi calculada com base em percentual dos tributos informados na declaração. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1157.570, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2014 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720294/201638 Acórdão n.º 1201002.784 S1C2T1 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO OBRIGATORIEDADE DO CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão (AR de 11/10/2017), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017, onde reitera as razões apresentadas em sede impugnação para requerer o afastamento da multa exigida considerando a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.774, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13873.720284/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.774): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49 Conforme exposto no relatório, a exigência em questão referese a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente a janeiro de 2014. A Recorrente não cumpriu o prazo do dia 25/03/2014 e apresentou a declaração apenas em 07/06/2016. Em sede recursal, a Recorrente afirma que apresentou a declaração de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720294/201638 Acórdão n.º 1201002.784 S1C2T1 Fl. 5 4 De antemão, vale registrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. (Grifos nossos). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso”. (Processo nº 13770.002101/200721, Acórdão nº 1001000.973, Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.” (Processo nº 19515.000850/200559, Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018) Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida. II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa Outro argumento manifesto pela Recorrente é o do caráter confiscatório da multa exigida, o que seria vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade. Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. E, em análise da composição da exigência, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720294/201638 Acórdão n.º 1201002.784 S1C2T1 Fl. 6 5 constatei que a autoridade fiscal realizou o lançamento corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado. O argumento da Recorrente caracteriza a arguição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913406/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM.
Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhecese a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009 97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 34 06 /2 00 9- 42 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.913406/200942 Acórdão n.º 1301003.861 S1C3T1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de DCOMP, que pleiteia compensação de crédito oriundo de estimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestaçã de Inconformidade A empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão da MP 449/08, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que, de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.913406/200942 Acórdão n.º 1301003.861 S1C3T1 Fl. 4 3 complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei. embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade; vale lembrar que a determinação da MP 449, que deu origem ao citado inciso IX do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi acolhida pelo Projeto de Lei de Conversão n°2/09, já remetido à sanção presidencial pela Mensagem 25/09, de 12/05/09. Portanto, além de não poder retroagir à data em que se deu a compensação objeto deste litígio, o dispositivo trazido à luz pela MP 449/09 perderá, necessariamente, a eficácia, quer pela sanção do PL de Conversão, quer pelo decurso do prazo, caso seja o referido PL vetado; na conclusão, destacou a manifestante que a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado, ou não é aplicável à hipótese sob exame, ou é posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; a mais, a imposição de comportamento tributário, por meio de Instrução Normativa, sem lei formal que lhe dê respaldo, não é admitida pela legislação tributária brasileira, desde a Constituição, passando pelo Código Tributário Nacional (art. 97); em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que o crédito, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, de acordo com a norma vigente. Transcrevese ementa do acórdão da DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.913406/200942 Acórdão n.º 1301003.861 S1C3T1 Fl. 5 4 Do Recurso Voluntário Em 14/12/2011, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Aviso de Recebimento dos Correios. Ainda inconformada, em 12/01/2012 a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 5072), no qual: Declara que apura IRPJ e CSLL pelo lucro real e, recolhe os valores de estimativa mensal e que, mês a mês, levanta balencete, o qual transcreve em seu Livro Diário, e que evidencia os pagamentos excessivos realizados com base na estimativa; Acrescenta que nem o Despacho Decisório, nem o acórdão recorrido, discutem ou põem em dúvida o acerto dos excedentes compensados e que limitamse a justificar seu procedimento com base na IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 e no art. 74, inc. IX da Lei n.9.784/96; Em seguida, destaca que os limites da lide dizem respeito à questão de direito e reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o direito à compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.853, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.913407/200997, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.853): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade reiterando seu direito à compensação de estimativas mensais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, e o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera que em razão de pagamentos indevidos de estimativa mensal, Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.913406/200942 Acórdão n.º 1301003.861 S1C3T1 Fl. 6 5 conforme apuração em balancetes mensais, teria direito à compensação dos valores pagos em excesso. No presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal. A Unidade de Origem sequer analisou o mérito do direito creditório, tampouco deu oportunidade ao contribuinte para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Há de se fazer a distinção entre compensação de pagamento de estimativa mensal devido e que deveria compor o saldo negativo ao final do anocalendário, daquele pagamento efetuado em valores superiores ao que a lei determina para fins de cálculo de estimativa mensal. Com efeito, entendo ser possível a compensação/restituição de recolhimento a título de estimativa mensal, desde que caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Dessarte, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que, tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.913406/200942 Acórdão n.º 1301003.861 S1C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.901812/2009-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do despacho decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE.
O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindo-se apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.
Exegese da Súmula CARF n.º 84
Numero da decisão: 1002-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do acórdão recorrido e em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a possibilidade de análise pela DRJ/SDR da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PERD/COMP nº 28592.60l75.300606.l.3.04-7760.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do despacho decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindo-se apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Exegese da Súmula CARF n.º 84
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DANTAS COMÉRCIO, NAVEGAÇÃO E INDÚSTRIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do despacho decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindose apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Exegese da Súmula CARF n.º 84 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 18 12 /2 00 9- 14 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 135 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do acórdão recorrido e em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a possibilidade de análise pela DRJ/SDR da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PERD/COMP nº 28592.60l75.300606.l.3.047760. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SDR: Tratase da manifestação de inconformidade que contesta o Despacho Decisório eletrônico, com número de rastreamento 831285327, datado de 09/04/2009 (fl. 07), que não homologou a compensação declarada por entender ser improcedente o crédito informado no PER/DCOMP de fls. 01/06, no valor de R$26.890,96, em razão de tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da CSLL do anocalendário de 2005, de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo da CSLL do período. O contribuinte tomou ciência do referido despacho decisório, via correio, em 30/04/2009 (fl. 09) e, em 21/05/2009, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 10 a 20, alegando, em síntese, que: a) constatou que recolheu a maior a CSLL (código 2484) relativa ao mês de janeiro do anocalendário de 2005, o que gerou indébito tributário, que foi utilizado para compensação com débitos de IRPJ, Conforme o PER/DCOMP aqui analisado. Entretanto, a autoridade administrativa interpretou o recolhimento indevido como uma mera estimativa apurada no decorrer daquele período de apuração; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 136 3 b) em verdade, para o mês de janeiro de 2005 sequer houve apuração de base tributável para a CSLL por parte do Manifestante, como se depreende pelas informações evidenciadas junto à DCTF (fls. 47/65), a qual não aponta qualquer valor devido de CSLL naquele mês, e confirmada pela ficha 16/janeiro, da DIPJ/2006 (fls. 67/76), a qual demonstra a apuração de base negativa de IRPJ para o referido mês, logo, qualquer pagamento efetuado sob o código 2484, se reportando ao mês de janeiro de 2005 seria indevido, posto que não há qualquer relação com o resultado fiscal apurado; c) a interpretação equivocada da autoridade administrativa está baseada em disposição constante do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, previsão que não se amolda ao presente caso, pois a Manifestante realizou, nos termos da legislação competente, a compensação com base em crédito legítimo oriundo de pagamento indevido ou a maior, que é aquele que o contribuinte ordinariamente efetua o recolhimento do tributo, mas que, por erro na identificação do quantum debeatur, ou mesmo, por mero equívoco no preenchimento do DARF imputa valor superior àquele que seria efetivamente devido, gerando imediatamente um saldo disponível para compensação; e) o pagamento efetuado pela manifestante não pode ser considerado como saldo negativo de CSLL, como entendeu a autoridade fiscal, sob pena de tornar incongruente toda a regra de preenchimento da DIPJ; f) as estimativas que compõem as antecipações sempre corresponderão ao valor efetivamente devido, de modo que qualquer pagamento efetuado em montante superior acarretará em indébito tributário decorrente de pagamento indevido, não podendo ser confundido com saldo negativo; g) sendo certo que a manifestante em nenhum momento mostrouse incorreta no que tange a sua real apuração e recolhimento aos cofres públicos, não será digno e justo que a mesma seja penalizada por interpretação equivocada do art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, sobretudo que a própria Receita Federal do Brasil revogou o referido artigo, através da IN RFB n° 900, de 28 de dezembro de 2008; h) mesmo que se possa aceitar a interpretação conferida pela autoridade fiscal, hipótese que somente é aventada para efeito de argumentação, não é demais lembrar que a compensação de tributos deve sempre estar submetida à disciplina legal aplicável, no caso, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; i) um fator relevante que demonstra a fidedignidade da manifestante é que, mesmo recolhendo estimativa a maior no mês de janeiro de 2005 (via DARF de fl. 45, no valor de R$255.670,30), o crédito somente foi utilizado no período posterior ao da apuração, isto é, em 2006, deste modo não pode ser vedada a compensação por nenhum dos motivos levantados pela RFB. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 137 4 Protesta, ao final, por todos os meios de prova admitidos, mormente pela produção de prova documental para que seja apurada a veracidade dos fatos narrados, inclusive a conversão em diligência fiscal, se for julgado necessária e suficiente para demonstrar a verdade dos fatos e do direito. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SDR, conforme acórdão n. 1522.904 (efl. 89), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência feito de forma genérica, em desacordo com a legislação pertinente, ou quando a diligência se revela desnecessária para o deslinde da matéria em julgamento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO. O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em conseqüência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de CSLL apurado na Declaração de Ajuste Anual, diante da ausência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na falta de comprovação de pagamento indevido ou a maior, descabe a compensação de valores recolhidos a título de estimativa. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 98), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito sintetizados a seguir: Observa que a "...apuração da antecipação da estimativa mensal, para fins de cálculo do CSLL, referente à competência de janeiro de 2005, resultou, inicialmente, na constituição de um débito no valor de R$ 255.670,30, regularmente evidenciado junto à DCTF e DIPJ sob o código 2484", mas que "Posteriormente, o próprio Contribuinte, ora Recorrente, realizou espontaneamente a revisão desta apuração, tendo verificado que em verdade não haveria base tributável para o referido período (janeiro de 2005)." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 138 5 Informa que "de acordo com a DCTF de janeiro de 2005, assim como com a DIPJ 2006, regularmente ajustadas, e, digase, em tempo suficiente à análise da compensação, não há qualquer base a ser tributada para o período em destaque, de modo que inexiste, portanto, pagamento sob a forma de estimativa, visto que esta modalidade se dá apenas quando há antecipação do tributo devido, nos termos dos artigos 223 a 225 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999)...". Relata que "Em processo de verificação, a Autoridade Fiscal proferiu Despacho Decisório no sentido de não homologar integralmente a compensação pretendida, sob a argumentação de que os créditos gerados a partir de pagamentos, ainda que indevidos, de antecipações da estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, somente seriam passíveis de restituição/compensação a partir do 1° dia útil do mês de janeiro do exercício seguinte, nos moldes da utilização do Saldo Negativo de IRPJ e Base de Cálculo Negativa de CSLL." Sustenta que "Esta linha de raciocínio adotada pela Autoridade Fiscal se deu em razão da interpretação demasiadamente extensiva, logo equivocada, do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, que trata, exclusivamente, da compensação dos créditos oriundos a partir de Saldo Negativo de CSLL." Aduz que "A Autoridade Fiscal, ao proferir a decisão ora combatida, sustenta que a Recorrente não elidiu, por força da Manifestação de Inconformidade, os fatos apontados, em face da suposta ausência de provas." Entende que "Tal assertiva não merece prosperar, tendo em vista que a decisão em referência limitouse, exclusivamente, a apontar como sendo inexistente o crédito apontado, sem verificar, contudo, as alegações e informações trazidas ao processo, inclusive prestadas junto às declarações competentes (obrigações acessórias)." Afirma que "...tanto a DIPJ quanto a DCTF são instrumentos que constituem o lançamento dos débitos informados pelo próprio contribuinte, e que estão sujeitos à posterior homologação pela Autoridade Fiscal" e que "Neste caso, somente pode ser arguida qualquer nulidade ou inconsistência em procedimento específico, mediante intimação para prestação de esclarecimentos e instauração de processo fiscalizatórío (Mandado de Procedimento Fiscal), culminando com autuação e abertura de novo contencioso administrativo para defesa." Consigna que "O princípio da verdade material é premissa no âmbito do processo administrativo tributário e com base nele inferese que a Administração Tributária, quando da aplicação de um juízo de valor em fase contenciosa da regular constituição do crédito tributário, deve valerse da realização de novos exames, mediante a conversão do julgamento em diligência fiscal, sempre que entender ser necessária ã adoção desse procedimento, tendo em vista a complexidade dos assuntos envolvidos, agindo sempre em busca da verdade dos fatos." Ao final requer: 1) o acolhimento de seu pedido para o fins de reconhecimento do crédito e a consequente homologação da compensação efetuada; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 139 6 2) a produção de prova documental suplementar para que seja apurada a veracidade dos fatos narrados, inclusive a conversão do feito em diligência fiscal, caso seja a mesma considerada necessária para a plena demonstração da verdade dos fatos e do direito. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 28592.60l75.300606.l.3.047760 transmitido em 30/06/2006, conforme mostra o excerto seguinte do Despacho Decisório Eletrônico: Observase que o Despacho Decisório Eletrônico tem por base legal os artigos 165 e 170 da lei nº 5.172/66 (CTN) e o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, e que o Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 140 7 fundamento da não homologação do PER/DCOMP foi a impossibilidade de atribuir natureza jurídica de pagamento indevido a recolhimentos feitos a título de estimativa mensal sob código 2484 (CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em Lucro Real Estimativa Mensal), que só poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL devido no final do período de apuração para composição de saldo negativo do período destes tributos. Já o acórdão de Manifestação de Inconformidade consignou como dispositivo legal principal da improcedência do pleito do Recorrente a falta de liquidez e certeza do crédito vindicado, fundada no fato de se tratar de recolhimentos por estimativa, conforme indicado no excerto seguinte: "Somente os créditos líquidos e certos podem ser objeto de pedidos de restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), transcrito a seguir. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários c om c r é d i t o s l í q u i d o s e c e r t o s , vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Notese que o entendimento predominante é de que existe uma impropriedade na expressão 'pagamento por estimativa', já que pagamento é forma de extinção do crédito tributário, fato que não se configura nos recolhimentos mensais por estimativa, que se traduzem por meras antecipações do tributo devido, a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Portanto, como estimativa não configura crédito líquido e certo, não seria passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto devido em relação ao ano todo. Esclareçase, ainda, que a apuração de imposto devido ao final do exercício, em valor inferior ao que foi recolhido por estimativa, indica a existência de crédito restituível a ser apurado na declaração de rendimentos, mas não caracteriza como indevidos os valores recolhidos a título de estimativa." De fato, o art. 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005 vedava a restituição ou compensação do valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa1, entretanto, com o advento do artigo 11 da IN RFB nº 900/2008 esta restrição foi revogada e o pagamento 1 Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 141 8 indevido ou a maior de estimativa passou a ter tratamento de indébito tributário, conforme se infere da redação deste dispositivo sob comento: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A situação do Recorrente subsumese a essa alteração normativa por aplicação analógica do inciso I do artigo 106 do CTN2, eis que o PERD/COMP nº 28592.60l75.300606.l.3.047760 encontravase pendente de análise em 01/01/2009, data do início da vigência do artigo 11 da IN RFB nº 900/2008. Esta intelecção encontra correspondência na Solução de Consulta Interna nº 19/2011 da CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (COSIT), conforme se depreende da leitura de sua ementa (destaques deste relator) : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10510.901812/200914 Acórdão n.º 1002000.670 S1C0T2 Fl. 142 9 janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Ademais, há súmula vinculante do CARF que corrobora com o entendimento aqui esposado: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por todo o exposto, e consoante jurisprudência desta 2ª TE já manifestada em julgados anteriores sobre esse mesmo tema, voto por declarar a nulidade do acórdão n. 15 22.904 exarado pela DRJ/SDR e por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a possibilidade de análise da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PERD/COMP nº 28592.60l75.300606.l.3.047760, devendo a DRJ/SDR proceder a análise do direito creditório postulado na boa e devida forma, inclusive determinando de ofício, se necessário, a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo sujeito passivo, independentemente de requerimento expresso, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.925775/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.914743/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.914743/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório O contribuinte apresentou o PER/Dcomp nº 07523.80467.130505.1.3.047665, por meio do qual formalizou o Pedido de Restituição/Ressarcimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real anual relativo ao ano calendário 2003. O recolhimento indevido ou a maior teria sido feito por meio de DARF, código 2390, arrecadado em 27/02/2004, no valor de R$ 1.929.979,42, sendo R$ R$ 1.910.870,71 de principal e R$ 19.108,71 de juros. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 25 77 5/ 20 09 -2 1 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 3 2 O crédito formalizado por meio do PER nº 07523.80467.130505.1.3.047665 foi aproveitado nas seguintes Declarações de Compensação DComp: PER/DComp Processo Total compensado R$ 24220.76480.290405.1.3.046174 10880.914743/200909 1.760.055,41 16037.87817.301007.1.7.041060 10880.691569/200911 230.838,16 07523.80467.130505.1.3.047665 10880.925775/200921 151.744,99 40164.67039.150605.1.3.044117 10880.925776/200976 36.995,97 29760.34694.301107.1.3.040089 10880.998793/200922 195.569,23 Por meio de Despacho Decisório, a Delegacia Especial de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP cotejou o DARF em comento com o débito de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real de 2003 declarado em DCTF. O débito declarado era de R$ 1.929.979,41. Assim, a DERAT/SP reconheceu parcialmente o crédito solicitado, no valor original de R$ 0,01. A decisão da DERAT/SP afetou todas as compensações acima mencionadas. Irresignado, o contribuinte manejou a manifestação de inconformidade, por meio da qual, em síntese, alegou: 1) Que o despacho decisório não homologou as referidas compensações porque o pagamento indevido ou a maior não foi informado na DCTF original e o recolhimento e a PER/DCOMP utilizaram código de receita diferente do informado na DCTF; 2) Que no ano calendário de 2003, na DIPJ, apurou saldo negativo de IRPJ e mesmo assim recolheu o montante de R$ 1.929.979,42 a título de IRPJ ajuste anual do AC2003, comprovando o recolhimento indevido do IRPJ; 3) Que no caso em questão, em função do que dispõe o princípio da legalidade e o princípio da verdade material, não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar a incidência tributária, ocorrendo, na verdade, preenchimento equivocado da DCTF (erro formal), no campo débito apurado, onde na original foi incluído incorretamente o montante de R$ 1.910.870,71, sendo que o correto seria “zero”. Também, o código de receita foi informado incorretamente “2430”, que corresponde ao IRPJ de PJ obrigadas ao lucro real – entidades não financeiras, enquanto tanto o recolhimento quanto à informação no PER/DCOMP indicam tratarse de IRPJ – 2390 PJ obrigadas ao lucro real – entidades financeiras. Tal fato ocorreu em função do próprio programa DCTF; 4) Que o CARF, reiteradamente, tem decidido em favor dos contribuintes, no tocante ao “erro de fato”, consoante acórdãos anexados. Ao final, pugnou pelo acolhimento da manifestação de inconformidade, pelo reconhecimento integral do crédito pleiteado e pela homologação das compensações declaradas. A instância de piso julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A ementa do acórdão ora combatido restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO PARCIAL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA EM PARTE. Mantémse o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação quando constatado, sobre a parte não homologada, que parte do recolhimento indicado como fonte de crédito foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. É ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante solicitação de diligência. Não se admite pedido de diligência sem os motivos que a justifiquem e sem a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual, após reiterar os argumentos lançados na Manifestação de Inconformidade acerca da legitimidade do crédito pleiteado, pede: a vinculação dos processos número 10880.914743/200909, 10880.691569/200911, 10880.925775/200921, 10880.925776/200976 e 10880. 998793/200922: aduz o contribuinte que o crédito formalizado no PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174, foi utilizado parcialmente nas diversas Declarações de Compensação acima mencionadas e, portanto, os processos devem ser julgados em conjunto. a retificação de ofício do débito declarado na Declaração de Compensação que compõe o PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174: alega que o débito declarado no valor de R$ 1.535.010,87, relativo ao IRPJ devido no 1º trimestre de 2005, está errado (erro de fato) e que o valor correto seria de R$ 1.205.291,50. A diferença decorreria de IRRF no valor de R$ 329.719,37, que teria deixado de ser considerado na apuração do débito declarado no PER/DComp. Para instruir esse pedido, juntou a DIPJ 2006 e a DCTF de março/2005. a apreciação dos elementos de prova juntados em sede de recurso voluntário, em respeito ao princípio da verdade material: considerando a decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade devido à ausência de provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado, o contribuinte juntou no recurso voluntário novos elementos de prova que, a seu ver, comprovam o dito crédito. Em relação à legitimidade do crédito, o Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 5 4 contribuinte juntou a DIPJ retificadora do anocalendário 2003, demonstrativos do lucro líquido e do lucro real, livro razão, DARF com os recolhimentos das estimativas de IRPJ e a DCTF retificadora. Ao final, o recorrente requer que seja dado provimento ao recurso voluntário e, caso não seja este o entendimento, que se converta o julgamento em diligência para que seja apurado o crédito pleiteado. Era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº1401000.630, de 20/03/2019, proferida no julgamento do Processo nº 10880.914743/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº1401000.630): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Para que se tenha uma compreensão clara dos fatos relativos ao presente processo, é preciso colocálos em ordem cronológica. Inicialmente, o contribuinte apresentou o PER/DComp nº 24220.76480. 290405.1.3.046174, por meio do qual formalizou pedido de repetição de indébito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real do anocalendário 2003, no montante de R$ 1.929.979,42, em valores originais. Como relatado acima, o crédito formalizado por meio do PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174 foi aproveitado em diversas Declarações de Compensação. De acordo com a DIPJ/2004 (anocalendário 2003), o contribuinte teria apurado um saldo negativo de IRPJ no ano de 2003. Uma vez que não haveria IRPJ a pagar no ajuste de 2003, o pagamento efetuado seria inteiramente indevido. Na ficha 12A da DIPJ/2004 original, o contribuinte declarou os seguintes valores: Imposto sobre o lucro real (alíquota de 15%) R$ 3.331.267,83 Imposto sobre o lucro real (adicional) R$ 2.196.845,22 Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 1.545,69) IRRF (R$ 2.025.065,38) IR mensal pago por estimativa (R$ 3.866.744,25) Imposto de Renda a Pagar (R$ 365.242,27) Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 6 5 Em 31/10/2008, antes do Despacho Decisório, o contribuinte retificou a DIPJ/2004 e a ficha 12A passou a ter os seguintes valores: Imposto sobre o lucro real (alíquota de 15%) R$ 3.331.267,83 Imposto sobre o lucro real (adicional) R$ 2.196.845,22 Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 1.545,69) IRRF (R$ 2.025.065,38) IR mensal pago por estimativa (R$ 3.567.546,53) Imposto de Renda a Pagar (R$ 66.044,55) No Despacho Decisório nº 821099104, a DERAT/SP deferiu parcialmente o pedido de repetição e homologou parcialmente as compensações declaradas tendo em vista que o DARF teria sido quase integralmente utilizado no pagamento de débito de IRPJ declarado em DCTF. O deferimento parcial somou apenas R$ 0,01, tendo em vista que o débito declarado na DCTF original era de R$ 1.929.979,41. O Despacho Decisório foi emitido em 18/02/2009 e a ciência deste ocorreu em 04/03/2009. No dia 13/03/2009, após a ciência do Despacho Decisório relativo ao PER/DComp nº 24220.76480.290405.1.3.046174, o contribuinte apresentou uma DCTF retificadora, por meio da qual alterou o débito de IRPJ lucro real / ajuste anual anocalendário 2003 para R$ 0,01. A este débito, vinculou o DARF sob análise. É relevante que, antes do Despacho Decisório que tratou da formalização do crédito objeto de pedido de repetição, o contribuinte tenha retificado a DIPJ/2004 e alterado a apuração do IRPJ a Recolher, que passou de R$ 365.242,27 para R$ 66.044,55. Em que pese a vultosa discrepância no montante de IRPJ a Recolher, o fato de se apurar saldo negativo de IRPJ indicaria, a princípio, que o recolhimento de IRPJ relativo ao ajuste anual configuraria pagamento indevido ou a maior, passível de repetição de indébito. Contudo, não é a DIPJ que constitui débito ou crédito. É na DCTF que o contribuinte constitui seus débitos. E a DCTF original entregue pelo contribuinte apresentava um débito de IRPJ relativo ao anocalendário de 2003 no valor de R$ 1.929.979,41. A retificação da DCTF com o débito declarado de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real do anocalendário 2003 foi posterior à ciência do mencionado Despacho Decisório. Até o momento em que a fiscalização apreciou o PER/DComp, a DCTF indicava o débito de IRPJ de R$ 1.929.979,41. Como se viu, diante da situação fáticojurídica posta para análise da fiscalização, bastou o cotejamento do DARF com o débito em DCTF para indeferir praticamente todo o crédito pleiteado. Dentro do escopo do procedimento de verificação do direito creditório pleiteado, não havia necessidade de se realizar um procedimento fiscal complexo, voltado para a apuração do IRPJ do anocalendário 2003. Afinal, juridicamente, o débito de IRPJ havia sido espontaneamente constituído e pago pelo contribuinte. É justamente por essa razão que, nesses casos, para que se demonstre a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve o contribuinte juntar Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 7 6 robustos elementos de prova para desconstituir o débito formalizado por meio da DCTF que estava valendo no momento do procedimento fiscal. Neste sentido é reiterada a jurisprudência deste Conselho, como se pode ver nos seguintes julgados: ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE DEMONSTRAR A LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer prova ou ser indício do direito creditório.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprovar sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão nº 3302 006.401, de 13/12/2018, relatoria do conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho) COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes,Sessão de 22/05/2013). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 8 7 Na primeira instância, o contribuinte não apresentou nenhuma documentação que desse suporte à retificação da DCTF. Não foi por outra razão que a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Diante da decisão da DRJ de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade por ausência de provas, o contribuinte apresentou novas provas e pugnou pelo conhecimento destas em razão do Princípio da Verdade Material. Tenho que este princípio não deve ser compreendido como uma autorização para a apresentação a qualquer tempo de novos elementos probatórios, em frontal ofensa aos princípios do devido processo legal e da igualdade. Afinal, o legislador, ponderou os princípios mencionados e realizou uma concordância prática entre estes ao instituir a regra geral de preclusão e suas exceções conforme disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Todavia, entendo que subsumemse à hipótese do artigo 16, § 4º, "c", do PAF os casos como o presente, no qual (i) a matéria controversa é eminentemente probatória e o ônus probatório é do contribuinte; (ii) o procedimento de fiscalização foi singelo, limitandose ao cotejamento entre o DARF indicado no PER/DComp e o débito declarado em DCTF; (iii) não houve a oportunidade de o contribuinte apresentar os seus elementos de prova acerca do saldo negativo de IRPJ antes do Despacho Decisório; (iv) a DRJ entendeu que as provas que instruíram a Manifestação de Inconformidade (a DIPJ e a DCTF retificadoras) eram insuficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito; e (v) o contribuinte, dialogando com a decisão da instância de piso, trouxe os elementos de prova que entende serem necessárias, diante da ratio decidendi que fundamentou o acórdão da DRJ. Assim, tomo conhecimento das provas juntadas e passo a analisálas. No que tange à comprovação do saldo negativo de IRPJ, que redundaria em inexistência de débito de IRPJ relativo ao ajuste do lucro real do anocalendário 2003 e, por consequência, ao pagamento indevido de R$ 1.929.979,42, o contribuinte apresentou demonstrativos da composição do lucro líquido e do lucro real, bem como um relatório denominado "Livro Razão movimento mensal", além dos comprovantes de recolhimento. Conversão do julgamento em diligência. Diante da apresentação de novos documentos em sede de recurso voluntário, penso que seria prudente converter o presente julgamento em diligência, pelas razões que passo a expor. Primeiro, é de se relembrar que a DERAT/SP não teve oportunidade de analisar os documentos apresentados pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Isso traz um prejuízo para a apreciação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois a DERAT/SP não pode realizar os procedimentos típicos de auditoria fiscal, que são de sua competência, como a verificação de documentos de suporte, a análise dos lançamentos, o cruzamento de informações em bases de dados internas e externas e os pedidos de esclarecimentos que são normais na Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 9 8 verificação da apuração do IRPJ devido por uma pessoa jurídica submetida ao lucro real. Segundo, é de se destacar que os relatórios e demonstrativos apresentados pelo contribuinte não estão assinados pelo responsável legal da empresa e pelo contador. O "Livro Razão movimento mensal", por exemplo, tem apenas 12 páginas e assemelhase mais a um balancete do que à escrituração comercial a que estão obrigadas as sociedades corretoras de seguros, nos termos da Circular SUSEP nº 29, de 28 de dezembro de 1989, que instituiu o Plano de contas das Sociedades Corretoras de seguros. A citada norma da Superintendência de Seguros Privados SUSEP exige, por exemplo, que a escrituração deve ser completa, com registro de todos os atos e fatos que modifiquem a composição patrimonial, conforme as normas contábeis geralmente aceitas, e que a escrituração seja acompanhada de notas explicativas. O "Livro Razão movimento mensal" não tem lançamentos individualizados, nem por totais diários ou mesmo mensais, e não está assinado. Ressaltese, também, que o contribuinte, sendo uma Sociedade Anônima, está sujeito às normas atinentes à escrituração e às demonstrações financeiras nos termos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações). Os documentos apresentados não se enquadram nas exigências das normas de regência acerca da escrituração contábil e fiscal. O Demonstrativo do Lucro Líquido, que corresponderia à Demonstração do Resultado do Exercício DRE, não está assinado e não há referência de que esteja transcrito no Livro Diário. O Demonstrativo do Lucro Real não está assinado e não há indicação de que componha o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. A título de exemplo, acerca da importância da apresentação integral do LALUR, considerando as fortes posições em swaps cambiais registrados no "Livro Razão movimento mensal", seria de se olhar na Parte B do Livro se há controle de saldos de adições de perdas indedutíveis, nos termos do artigo 772 do Decreto nº 3.000/99, que estava vigendo na época dos fatos geradores. Terceiro, a própria inconsistência das informações prestadas nas DIPJ/2004 (original e retificadora) e dos débitos declarados em DCTF (original e retificadora) traz dúvidas acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quarto, para coroar, os próprios elementos probatórios trazidos aos autos pelo contribuinte não corroboram de forma harmônica o crédito pleiteado, como passo a expor. Como se viu, a DIPJ/2004 retificadora apresentou um resultado negativo de IRPJ a Recolher no valor de R$ 66.044,55. Contudo, não é esse o resultado apurado no demonstrativo do lucro real. Vejamos uma tabela comparativa: DIPJ retificadora (Ficha 12A) Demonstrativo do Lucro Real IR apurado R$ 5.528.113,05 R$ 5.528.113,05 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 10 9 PAT (R$ 1.545,69) (R$ 1.545,69) Estimativas (R$ 3.567.546,53) (R$ 3.069.051,18) IRRF (R$ 2.025.065,38) (R$ 2.025.065,38) IR a Recolher (R$ 66.044,55) R$ 432.450,80 Enquanto a DIPJ apresenta um saldo negativo de R$ 66.044,55, o documento juntado pelo contribuinte apresenta um saldo positivo de R$ 432.450,80. Diante das fragilidades dos documentos apresentados e das divergências entre as declarações e os elementos probatórios juntados, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência e os autos sejam encaminhados à delegacia de origem para que a autoridade administrativa realize o procedimento de diligência com o seguinte escopo: 1 Cotejar o relatório "Livro Razão movimento mensal" e o demonstrativo de composição do lucro líquido com a contabilidade e verificar se o lucro antes da provisão de imposto de renda registrado na contabilidade é de R$ 20.168.022,93; 2 Cotejar o Livro de Apuração do Lucro Real com o demonstrativo do lucro real e demais elementos probatórios que entender necessários para verificar qual o efetivo montante do lucro real e se, de fato, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ a Recolher no ano calendário 2003 e qual o valor correto; 3 Elaborar relatório dos procedimentos adotados e das conclusões a que tiver chegado. Dar ciência ao contribuinte para que se manifeste em 30 dias. Após a diligência, o processo deverá retornar a este Conselho para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Diante das fragilidades dos documentos apresentados e das divergências entre as declarações e os elementos probatórios juntados, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência e os autos sejam encaminhados à delegacia de origem para que a autoridade administrativa realize o procedimento de diligência com o seguinte escopo: 1 Cotejar o relatório "Livro Razão movimento mensal" e o demonstrativo de composição do lucro líquido com a contabilidade e verificar se o lucro antes da provisão de imposto de renda registrado na contabilidade é de R$ 20.168.022,93; 2 Cotejar o Livro de Apuração do Lucro Real com o demonstrativo do lucro real e demais elementos probatórios que entender necessários para verificar qual o efetivo montante do lucro real e se, de fato, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ a Recolher no anocalendário 2003 e qual o valor correto; Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10880.925775/200921 Resolução nº 1401000.632 S1C4T1 Fl. 11 10 3 Elaborar relatório dos procedimentos adotados e das conclusões a que tiver chegado. Dar ciência ao contribuinte para que se manifeste em 30 dias. Após a diligência, o processo deverá retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 316DF CARF MF
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