Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.928610/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.928610/2009-90
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874293
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.583
nome_arquivo_s : Decisao_11080928610200990.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 11080928610200990_5874293.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7351561
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589808558080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928610/200990 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.583 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 10 /2 00 9- 90 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.928610/200990 Acórdão n.º 1401002.583 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.928610/200990 Acórdão n.º 1401002.583 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 30/09/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.928610/200990 Acórdão n.º 1401002.583 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.928610/200990 Acórdão n.º 1401002.583 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723335/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMPRÉSTIMOS. CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCONSIDERAÇÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Sujeitam-se à tributação como rendimentos recebidos de pessoas jurídicas os valores de empréstimos informados na declaração de ajuste anual, quando restar comprovado, em face dos elementos constantes dos autos, a desconsideração de contratos de mútuos.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO.
Havendo comprovação de que lançamento de ofício foi motivado, nos termos dos fundamentos e fatos descritos nos demonstrativos anexos aos autos, não há que se falar em nulidade do lançamento. Ainda mais quando o sujeito passivo, devidamente cientificado, logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal regulamentar.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos termos do §1º do Inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, aplica-se a qualificadora da multa de ofício quando restar comprovado a intenção do sujeito passivo de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido.
Numero da decisão: 2401-005.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que dava provimento parcial ao recurso para afastar a qualificadora da multa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 EMPRÉSTIMOS. CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCONSIDERAÇÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Sujeitam-se à tributação como rendimentos recebidos de pessoas jurídicas os valores de empréstimos informados na declaração de ajuste anual, quando restar comprovado, em face dos elementos constantes dos autos, a desconsideração de contratos de mútuos. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO. Havendo comprovação de que lançamento de ofício foi motivado, nos termos dos fundamentos e fatos descritos nos demonstrativos anexos aos autos, não há que se falar em nulidade do lançamento. Ainda mais quando o sujeito passivo, devidamente cientificado, logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal regulamentar. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos termos do §1º do Inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, aplica-se a qualificadora da multa de ofício quando restar comprovado a intenção do sujeito passivo de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.723335/2012-48
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888888
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.611
nome_arquivo_s : Decisao_15504723335201248.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
nome_arquivo_pdf_s : 15504723335201248_5888888.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que dava provimento parcial ao recurso para afastar a qualificadora da multa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7384493
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589820092416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 926 1 925 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.723335/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.611 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2018 Matéria IRPF EMPRÉSTIMOS Recorrente MILTON MARQUES DO NASCIMENTO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 EMPRÉSTIMOS. CONTRATOS DE MÚTUOS. DESCONSIDERAÇÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Sujeitamse à tributação como rendimentos recebidos de pessoas jurídicas os valores de empréstimos informados na declaração de ajuste anual, quando restar comprovado, em face dos elementos constantes dos autos, a desconsideração de contratos de mútuos. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO. Havendo comprovação de que lançamento de ofício foi motivado, nos termos dos fundamentos e fatos descritos nos demonstrativos anexos aos autos, não há que se falar em nulidade do lançamento. Ainda mais quando o sujeito passivo, devidamente cientificado, logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal regulamentar. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos termos do §1º do Inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase a qualificadora da multa de ofício quando restar comprovado a intenção do sujeito passivo de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 33 35 /2 01 2- 48 Fl. 926DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 927 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que dava provimento parcial ao recurso para afastar a qualificadora da multa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0240.112 (fls. 878/892) da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE). Em decorrência do procedimento administrativo foi lavrado Auto de Infração (fls. 03/13), acompanhado do termo de Verificação Fiscal e anexos (fls. 14/48), no qual foi apurado imposto sobre a renda pessoa física no valor de R$ 224.068,51, acrescido de juros de mora de R$ 93.547,73 e de multa de ofício no valor de R$ 281.719,14, resultando no montante de R$ 599.336,38. No lançamento, apurouse infrações relativas à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, à omissão de rendimentos da atividade rural, à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada e ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Cientificado pessoalmente do Auto de Infração em 12/04/2012 (fls. 3), apresentou impugnação em 11/05/2012 (fls. 840/866). Por bem detalhar os fatos, transcrevemse excertos do relatório da decisão de piso, que assim resumiu: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 928 3 [...] Relata a autoridade fiscal que através do Termo de Início de Fiscalização nº 437/2010, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos nele relacionados. O contribuinte também foi informado que, de acordo com o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os valores depositados em contas correntes ou de investimentos, estão sujeitos a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores sem comprovação de origem seriam considerados omissão de rendimentos. Após prorrogação do prazo contido na intimação e apresentação de documentos, foi feita a análise dos extratos bancários e elaborada planilha onde foi consolidado todos os créditos efetuados nas contas de depósito do contribuinte que precisavam de identificação e comprovação da origem e da natureza econômica dos recursos depositados. Constatouse ainda que o contribuinte participou de duas operações imobiliárias que precisavam ser analisadas quanto à ocorrência de ganho de capital. [...] O contribuinte apresentou 95 recibos emitidos por ele próprio para comprovar que ele havia recebido valores a título de empréstimos contraídos junto à empresa Vox Mercado Pesquisa e Projetos Ltda e à empresa Vox Opinião Pesquisas e Projetos Ltda, cópias de páginas dos livros contábeis destas empresas e de cheques emitidos pelas empresas na concessão de tais empréstimos. Com a resposta incompleta, o contribuinte foi novamente intimado (345/2011) tendo informado que em 2007 não efetuou nenhum pagamento de empréstimo, juros ou amortizações para as empresas a ele ligadas e informou que não recebeu das empresas, nas quais possuía participação societária acionária, qualquer valor a título de prólabore. Através do Termo nº 434/2011 o contribuinte foi intimado a informar quais garantias ofereceu às empresas para quitação das importâncias recebidas a título de empréstimo em virtude da retirada do contribuinte em fevereiro de 2008 do quadro societário das empresas. O contribuinte informou que não foi realizado nenhum pagamento dos empréstimos obtidos e que há ainda assuntos pendentes com estas empresas, dentre eles estes débitos que se encontram em negociação. [...] De posse de toda documentação apresentada, a autoridade fiscal informa que passou a analisála pormenorizadamente. Salienta que cabia ao contribuinte comprovar por meio de documentação hábil e idônea, a origem financeira e a natureza jurídica dos valores creditados, no ano calendário 2007, em suas contas de depósito, mantidas no Banco Bradesco e no Banco Itaú. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 929 4 As alegações e os documentos apresentados comprovaram a origem financeira e a natureza jurídica dos créditos relacionados nas fls. 11 e 12 do TVF que foram oferecidos à tributação na fonte ou na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. Os documentos apresentados não comprovaram a origem financeira e a natureza jurídica dos créditos relacionados à fl. 13 do TVF que foram lançados de ofício como omissão de rendimentos caracterizados por depósitos de origem não comprovada. [...] Um outro crédito no valor de R$ 15.767,20 na data de 12/01/2007 foi comprovado. Referese a Receita da Atividade Rural não oferecida à tributação na DIRPF 2007 e sujeita às normas de tributação específica prevista na legislação vigente. Tendo em vista a opção do contribuinte no ano calendário 2007 pelo arbitramento sobre a receita bruta da atividade rural, o valor de R$ 3.153,44 correspondente a 20% de R$ 15.767,20 recebidos em 12/01/2007, foi lançado de ofício como omissão de receitas da atividade rural (arbitramento do resultado). As alegações e documentos apresentados comprovaram que Magid Mahmud Laur foi o remetente de R$ 30.000,00 depositado em 05/07/2007, porém não comprovaram a natureza jurídica deste crédito, sendo também lançado de ofício como omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. [...] Com relação à doação da Fazenda Santo Antônio feita aos filhos em 30/11/2007, foi identificado que houve apuração incorreta do ganho de capital na alienação de bem imóvel. Esclarece a autoridade fiscal que a partir do ano calendário 1997, a forma de apuração do ganho de capital na venda de imóvel rural considera em regra o valor da terra nua informado em DIAT. Pelas informações contidas nos DIAT – Documento de Informação e Apuração do ITR, os valores da terra nua eram R$ 120.000,00 na aquisição e R$ 143.115,00 na alienação. A diferença entre estes dois valores, considerando os percentuais de redução do ganho de capital previstos na legislação conforme a data de aquisição do imóvel, é o valor do ganho de capital que foi lançado à tributação de ofício. [...] Em relação aos empréstimos que o contribuinte alega ter contraído junto as empresas Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda e Vox Opinião Pesquisa e Projetos Ltda foram analisados os livros contábeis destas empresas e constatado lançamentos referentes a créditos concedidos a Milton Marques do Nascimento Filho feitos em dinheiro ou cheque. Conclui de todos os elementos acima citados, que as alegadas operações de mútuo foram simuladas e não possuem características próprias à espécie, consistindo, na verdade, em pagamento de rendimentos tributáveis efetuados Fl. 929DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 930 5 pelas pessoas jurídicas Vox Opinião Pesquisa e Projetos Ltda e Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda ao fiscalizado. Os contratos de mútuo foram celebrados entre os partícipes unicamente com o intuído de elidir da tributação as remunerações, rendimentos e vantagens recebidos pelo Sr. Milton Marques do Nascimento Filho e foram desconsiderados pela fiscalização, para efeito de aplicação da legislação do imposto sobre a renda da pessoa física. Foram lançados como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídicas. Tendo em vista a conduta do contribuinte tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda da pessoa física sobre o valor apurado como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150% nos termos previstos no artigo 44 inciso I combinado com o §1º do mesmo artigo da Lei nº 9.430/1996. O Acórdão nº 0240.112 do colegiado de primeira instância restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A divergência entre a autoridade lançadora e o contribuinte, acerca da qualificação jurídica dada aos fatos, não caracteriza falta de motivação do lançamento. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O fato gerador do imposto de renda, em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro e não mensalmente. Dessa forma, quando da ciência do lançamento, em 12/04/2012, ainda não havia transcorrido o prazo decadencial para fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Haja vista a descaracterização dos contratos de mútuo, ante os elementos constantes dos autos, tributamse os rendimentos auferidos de pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da DRJ/BHE em 10/09/2012 (fls. 897), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 03/10/2012 (fls. 898/924). Da sua peça recursal, assim se consubstanciam os principais argumentos de defesa: · Postula a nulidade do auto por ausência de motivação. Alega que as hipóteses de incidência das normas legais e regulamentares invocadas Fl. 930DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 931 6 no Auto de Infração não comportam a subsunção dos fatos nele narrados; · Salienta como já afirmado pela própria auditoria que em 2003 já possuía mútuos com as empresas das quais era sócio que foram informados nas declarações de rendimentos em cada exercício. Aduz que a Receita Federal já os conhecia e aprovou tacitamente estas operações de empréstimo. Não foi um fato novo surgido apenas no exercício de 2007; · Sustenta que o fisco não pode inovar durante o curso do processo, a motivação do lançamento, pretendendo a manutenção porque, embora não ocorresse a subsunção quanto às normas citadas no Auto de Infração, esta ocorreria com relação a outras normas. Tal situação consistiria em cerceamento de defesa; · Pleiteia, com base no art. 150, §4º do CTN, a decadência do direito de lançar imposto sobre fatos geradores ocorridos de janeiro a março de 2007; · Afirma que não era diretor empregado, mas administrador sócio e como tal não busca remuneração pelo trabalho, mas o lucro. Não há qualquer legislação que determine que o administrador sócio deva receber uma remuneração pelos seus serviços, em vez de receber os lucros pelo seu trabalho e pelo capital investido. Todos os mútuos que fez junto às empresas das quais participou foram feitos na expectativa de serem pagos quando as empresas obtivessem seus lucros; · Alega, no que concerne à multa, que sua conduta em contratar mútuos com as empresas nas quais possui participação societária não se subsume a nenhum dos tipos definidos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 que ensejaria a qualificação da multa de 150%; · Acrescenta ainda sobre os contratos de mútuos que todos eles estavam registrados em sua declaração de Imposto de Renda do exercício fiscalizado, assim como dos demais exercícios anteriores; · Requer que seja anulado o auto de infração por vícios de forma devido a falta de subsunção dos fatos ao tipo legal infringido. Pede ainda, alternativamente, que seja acatada a alegação de decadência sobre os fatos ocorridos em janeiro, fevereiro e março de 2007 e anulado o auto pois os fatos tidos como geradores de impostos são na verdade empréstimos contraídos pelo impugnante; · Por fim, que seja retirado o agravamento da multa de ofício, uma vez que o impugnante não praticou qualquer uma das condutas definidas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. É o relatório. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 932 7 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Delimitação da lide Conforme informa o recorrente, os créditos tributários apurados nos itens 002, 003, e 004 do Auto de Infração (fls. 2/13) foram objeto de parcelamento. No caso, a adesão ao benefício fiscal implica em desistência parcial do recurso voluntário, com a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta (art. 78 do Regimento do CARF Portaria MF nº 343/2015). Por esse modo, restou como matéria recursal apenas o item 001 do AI (Omissão de rendimentos recebidos na qualidade de dirigente de empresas, nas quais possuía participação societária). Preliminares a) Nulidade do lançamento De início, alega o sujeito passivo a nulidade do lançamento. Para tanto, em resumo, destaca os seguintes pontos "O lançamento é ato administrativo vinculado. Como tal, a motivação nele inserta obriga a Administração, que não pode alterála senão pelo cancelamento do Auto, lavrandose outro. Falta de correspondência entre os fatos do Auto e as normas legais nele apontadas como violadas. Ilegalidade da autuação." Aduz que o lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos na qualidade de dirigente de empresas foi feito pela presunção de que os mútuos recebidos pelo recorrente no exercício de 2007 são receitas omitidas, entendendo, desta forma, que a auditoria fiscal não demonstrou suficientemente a motivação do ato administrativo de lançamento. Pois bem. Para a compreensão do alegado pelo recorrente importante seja esclarecido o desenrolar da ação fiscal que culminou na apuração do crédito tributário discutido no recurso voluntário. No decorrer do procedimento administrativo, foi constatado pela auditoria fiscal que o sujeito passivo recebeu das empresas Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda (CNPJ 00.852.438/000106) e da Vox Opinião Pesquisas e Projetos Ltda (CNPJ 00.852.501/000104) os seguintes valores: Mês/Ano Valor Apurado (R$) Jan/2007 97.403,90 Fev/2007 49.201,95 Mar/2007 115.000,00 Abr/2007 12.403,90 Mai/2007 19.717,23 Jun/2007 27.500,00 Fl. 932DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 933 8 Jul/2007 2.201,95 Ago/2007 12.903,88 Set/2007 130.500,00 Out/2007 32.000,00 Nov/2007 7.761,20 Dez/2007 44.522,40 Referidos valores constam dos Anexos 02 e 03 (fls. 41/44) do Termo de Verificação Fiscal, onde estão discriminados a forma de pagamento, em dinheiro ou cheque, data da operação, valor total da operação e o valor recebido pelo Sr. Milton Marques, bem assim o correspondente lançamento nos livros Diário e Razão das empresas citadas. Às fls. 344 e segs estão anexados aos autos documentos (cópias de livros Diário e Razão, fichas de caixa, cópias de cheques, recibos) que comprovam o recebimento dos valores apontados nas planilhas. Em 11/08/2011, por meio do meio do termo de intimação fiscal nº 295/2011 (fls. 326/327), considerando os valores informados na DIRPF/2008, no quadro "Dívidas e Ônus Reais", o recorrente foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os empréstimos com as seguintes pessoas jurídicas: Situação em Discriminação 31/12/2006 31/12/2007 Débito com Vox do Brasil Pesquisas e Participações ltda CNPJ 23.254.436/000102 89.604,86 54.250,00 Empréstimo a Pagar a Vox do Brasil Pesquisas e Participações ltda CNPJ 23.254.436/000102 482.265,55 486.139,35 Empréstimo a Pagar a Vox Mercado Pesquisas e Projetos ltda CNPJ 00.852.438/000106. 1.053.749,88 1.179.866,29 Empréstimo a Pagar a Vox Opinião Pesquisas e Projetos ltda CNPJ 00.852.501/000104. 654.180,61 1.079.180,61 Atendendo ao termo de intimação nº 295/2011, o sujeito passivo apresentou resposta a intimação e documentos de fls. 344/563. 1.30 Em 08/09/2011, recebemos a resposta do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal nº 295/2011, acompanhado de 95 recibos emitidos pelo contribuinte com o intuito de comprovar que ela havia recebido valores a título de empréstimos contraídos junto à empresa Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda e à empresa Vox Opinião Pesquisas e Projetos Ltda, cópias de páginas dos livros contábeis destas empresas onde estariam escriturados os alegados empréstimos e cópias de cheques emitidos pelas empresas na concessão de tais empréstimos. [...] 1.33 Além disso, em atenção ao Termo de Intimação Fiscal nº 345/2011, o contribuinte apresentou um termo de resposta por meio do qual informa que em 2007 não efetuou nenhum pagamento de empréstimo, juros ou amortizações paras as empresas a ele ligadas e informou ainda que não recebeu das empresas, nas quais possuía participação acionária, qualquer valor a título de prólabora. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 934 9 Ainda, em atendimento ao termo de intimação fiscal nº 70/2011 (fls. 205/209), apresentou, entre outros, para comprovar a origem financeira dos créditos em suas contas de depósitos, contratos de mútuo (fls. 244/245). Consoante observou a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal (fls. 19): 1.21 Para dar suporte às suas alegações o contribuinte apresentou: [...] Contrato de Mútuo, entre Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda (mutuante) e o contribuinte (mutuário), datado de 02/01/2007, por meio da qual a mutuante se propôs a fornecer recursos financeiros ao mutuário limitados à R$ 430.000,00. Contrato de Mútuo, entre Vox Opinião Pesquisas e Projetos Ltda ( mutuante) e o contribuinte (mutuário), datado de 02/01/2007, por meio da qual a mutuante se propôs a fornecer recursos financeiros ao mutuário limitados à R$ 130.000,00. Em 15/12/2011, por meio do termo de intimação fiscal nº 434/2001 (fls. 571/572), considerando a retirado do contribuinte, em fevereiro de 2008, do quadro societário das empresas acima citadas, o recorrente foi intimado a prestar esclarecimentos quanto aos empréstimos tomados junto a essas empresas. Resposta do contribuinte: "1 Não foi realizado nenhum pagamento dos empréstimos obtidos das empresas, Vox do Brasil Pesquisas e Participações Ltda, Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda e Vox Opinião Pesquisas e Projetos Ltda. As dívidas não foram amortizadas e nem quitadas. 2 Minha retirada, do quadro societário das empresas Vox do Brasil Pesquisas e Participações Ltda, Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda e Vox Opinião Pesquisas e Projetos Ltda, se deu em fevereiro de 2008. No entanto, a negociação para minha retirada começou em 2002. E ainda há assuntos pendentes, dentre eles os débitos que para com as três empresas, que se encontra em processo de negociação para definição de escalonamentos de prazos e, eventuais, oferecimentos de garantias. (sic)" Com relação aos empréstimos contraídos das referidas empresas, a auditoria fiscal fez os seguintes esclarecimentos (TVF fls. 29/33): 3.14 Consta na cláusula primeira dos dois contratos de mútuo apresentados pelo fiscalizado, que o objeto pactuado é "abertura de uma conta corrente entre a MUTUANTE e o MUTUÁRIO, que se obrigam mutuamente a remeter uma ao outro recursos financeiros, em caráter temporário, mediante o cumprimento das cláusulas e condições pactuadas nesse contrato" (grifei) 3.15 Apesar da citação textual do caráter temporário do mútuo, a cláusula quarta dos contratos, que dispõe sobre os prazos, caracterizase como uma cláusula em branco ou vazia, ao afirmar: " Os créditos vencidos a favor da MUTUANTE serão objeto de compensação quando da distribuição dos lucros" (grifei). O que vale dizer que, se não houver distribuição de lucros, seja pela não Fl. 934DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 935 10 existência de lucros acumulados ou vontade da empresa em distribuí los, não haverá pagamento do empréstimos. 3.16 Conforme verificase nas DIRPF referentes aos anos calendários ao fiscalizado, o valor do "empréstimo" informado pelo contribuinte em 2003 era de R$ 442.670,36, ele foi aumentando ao longo dos anos e atingiu R$ 2.840.538,82 ao final de 2007. Nos posteriores a prática continua, chegando a R$ 3.038.235,68 no ano calendário2010. Ou seja, os alegados contratos de mútuo são mantidos ano a ano sem que ocorra sua quitação. 3.,17 Em resposta apresentada em 07/11/2011 à solicitação de comprovação do efetivo pagamento do principal, de juros e amortizações dos empréstimos de mútuo, o contribuinte informa que "não houve pagamento de empréstimo de mútuo em 2007" e, conforme a resposta apresentada em 16/01/2012, até a presente data tais empréstimos não foram quitados, mesmo com a saída do contribuinte das empresas em fevereiro de 2008. Ora, se o contribuinte saiu do quadro societário das empresas em 2008, não era de se esperar que suas dívidas com as empresas aumentassem, o normal é que elas tivessem sido quitadas ou no mínimo amortizadas quando de sua saída. Os fatos apontados contradizem o caráter de temporariedade do instituto do mútuo. 3.18 Outra questão relevante é que o contribuinte não recebeu qualquer rendimento seja ele tributável ou não das empresas nas quais possuía participação societária. [...] 3.27 Na cláusula 5ª, item 5.9, de todos os contratos sociais das empresas das quais o contribuinte é sócio, existe previsão expressa para essa retirada: "Os administradores farão jus a uma retirada mensal a título de prólabore, que será deliberada em Reunião de sócios e deverá ser levada a débito das despesas gerais da sociedade, observados os limites estabelecidos pela legislação do Imposto de Renda"(grifei) 3.28 No entanto, em resposta encaminhada em 07/11/2011 à Intimação Fiscal nº 345/2011, por meio da qual lhe foi solicitado informa se recebeu, durante o ano de 2007, valores pagos pelas empresas das quais é sócio, a título de PróLabore, o contribuinte afirmou: "... Informo também, que no referido ano calendário 2007, nenhum valor foi recebido, das empresas nas quais possuía participação acionária, a título de prólabore...". [...] 3.31 Ainda quanto aos supostos "empréstimos" resta claro que, os valores creditados ao contribuinte não se enquadram nessa definição, uma vez que pela análise dos lançamentos contábeis efetuados pelas Mutuantes, os valores foram igualmente " emprestados" aos outros sócios da empresa, Srs. Marcos Antônio Estelita de Salvo Coimbra e João Francisco Pereira de Meira, nas mesmas datas e valores, ficando patente tratarse de remuneração de dirigentes. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 936 11 3.32 Também corrobora o caráter remuneratório dos valores creditados a periodicidade dos ditos "empréstimos". Abstraise da relação contida no Anexo 02 do presente termo que foram emitidos cheques semanais no valor de R$ 1.500,00, destinados aos 3 administradores das sociedades, sendo creditado ao sócio Milton Marques o valor de R$ 500,00. Ou seja, .... 3.34 Como se não bastassem todos os argumentos acima, que demonstram que as operações realizadas pelo contribuinte não se enquadram na definição formal de mútuo, não identificamos no livro diário das empresas Mutuantes qualquer pagamento ou recolhimento de IOF Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas Títulos ou Valores Mobiliários devido sobre os valores creditados ao contribuinte, a título de mútuo. De acordo com a Lei nº 9.779/1999, incide IOF sobre operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. Da análise dos documentos anexados aos autos, concluiu a auditoria fiscal (item 3.35 do Termo de Verificação Fiscal): 3.35 Da análise de todos os elementos acima citados, concluise que as alegadas operações de mútuo foram simuladas e não possuem características próprias à espécie, consistindo, na verdade, em pagamento de rendimentos tributáveis efetuados pelas pessoas jurídicas Vox Opinião Pesquisa e Projetos Ltda e Vox Mercado Pesquisas e Projetos Ltda ao fiscalizado. Os contratos de mútuo foram celebrados entre os partícipes unicamente com o intuito de elidir da tributação as remunerações, rendimentos e vantagens recebidas pelo Sr. Milton Marques do Nascimento Filho e foram desconsiderados por esta fiscalização, para efeito de aplicação do imposto sobre a renda da pessoa física. Pois bem. Temse como ponto central em discussão a descaracterização dos contratos de mútuo. Neste sentido, entendo que a matéria envolve eminentemente a comprovação de fatos. No caso, a comprovação efetiva de que o negócio jurídico entre as empresas (Vox Mercado Pesquisa e Projetos Ltda e a Vox Opinião Pesquisa e Projetos Ltda) e a pessoa física autuada tem a natureza de empréstimos. Neste tipo de análise é razoável que se faça uma observação do conjunto comprobatório com um todo. Por esse modo, concluo que agiu bem a auditoria fiscal em demonstrar com clareza a desconsideração dos contratos de mútuos ao correlacionar com os documentos e provas acostados aos autos. Reforço os argumentos da auditoria fiscal, que motivaram o lançamento em discussão, pela análise dos seguintes pontos: 1) Nos contratos apresentados (fls. 244/245 e 251/252), além de outras disposições, prevê a cláusula quarta que os créditos vencidos a favor das empresas mutuantes serão objeto de compensação quando da distribuição dos lucros. Como bem registrou a auditoria, caso não haja distribuição de lucros, seja pela não existência de lucros acumulados ou vontade da empresa em distribuílos, não haverá o pagamento do empréstimo. Nesse ponto, entendo que esse aspecto, pela interpretação do art. 585 da Lei nº 10.406/2002 ( Fl. 936DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 937 12 Código Civil), descaracterizaria os contratos de mútuos, quanto ao caráter temporário desse tipo de instrumento; 2) Ainda destacou a fiscalização que, nas DIRPF referentes aos anos calendário anteriores ao fiscalizado, o valor do empréstimo informado pelo contribuinte em 2003 era de R$ 442.670,36, ele foi aumentando ao longo dos anos e atingiu R$ 2.840.538,82 ao final de 2007. Nos anos posteriores, a prática continua, chegando a R$ 3.038,235,68 no ano calendário de 2010. Ou seja, os empréstimos são mantidos ano a ano, sem que ocorra sua quitação; 3) Também deve ressaltado que os mesmos empréstimos foram disponibilizados aos outros sócios da empresa, Srs. Marcos Antônio Estellita de Salvo Coimbra e João Francisco Pereira de Meira, nas mesmas datas e valores. Aliase ao fato que os pagamentos eram realizados por meio de cheques semanais no valor de R$ 1.500,00, dividido para os sócios, cabendo ao Sr. Milton Marques o recebimento em cada semana de R$ 500,00. O Anexo 02, fls. 41/48, com o demonstrativo de referidos valores, detalha as operações no calendário fiscalizado; 4) Ademais, em relação aos empréstimos não foram identificados pela fiscalização os lançamentos no livro diário das empresas mutuantes, qualquer pagamento ou recolhimento de IOF Imposto sobre Operações de Crédito, Cãmbio e Seguro ou relativas a Título ou Valores Mobiliários, nos termos da Lei nº 9.779/1999. Questiona ainda o sujeito passivo que a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento inova em várias questões e fundamentos para se chegar à conclusão quanto à simulação. Diz que em momento algum foi questionado pela auditoria fiscal a legalidade dos contratos de mútuo. Diz que tal fato foi trazido aos autos pelo colegiado de primeira instância. Da decisão atacada, em relação ao argumento apresentado pelo recorrente de houve inovação no julgamento, retirase a seguinte passagem: Tendo em vista que a verificação de ocorrência de fato gerador no caso que se examina, deuse em conseqüência da descaracterização de um ato jurídico, mister se faz o aprofundamento do exame do procedimento fiscal para se averiguar a sua legitimidade. Para tanto, necessário se faz discorrer previamente a respeito da simulação. A Lei nº 7.450/85, que em seu art. 51 introduziu na legislação do Imposto de Renda preceito visando coibir a realização de operações simuladas com o objetivo de escapar à incidência do imposto ou obtenção de vantagens fiscais ilícitas, assim estabelece: Lei nº 7.450/1985 “Art. 51. Ficam compreendidos na incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que Fl. 937DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 938 13 decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda.” O conceito de simulação encontrase positivado no Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, nos seguintes termos: Art. 167 § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem ante datados, ou pós datados. Buscando na doutrina o significado e o alcance do texto legal, encontramse conceituações diversas. [...] Vêse, portanto, que a conclusão extraída pela autoridade fiscal lastreouse em uma série de fatos por ela constatados e comprovados no curso da ação fiscal. Analisados em conjunto, tais fatos constituem evidência irrefutável de que houve simulação na operação de mútuo. A utilização dos elementos propostos por Francisco Ferrara para provar a simulação fazse útil no presente caso. A existência de motivo para a simulação reside no fato de que o empréstimo constituise em uma forma de entrada de origem não sujeita à tributação. A ligação entre as partes resta clara nos contratos anexados. Não há execução material do contrato, que segundo Ferrara é a decisiva para caracterizar um negócio simulado. Os contratos apresentados (fls. 244/245 e 251/252) são simples instrumentos particulares. Deles não constam o reconhecimento de firma das assinaturas do mutuário e do mutuante nem o seu registro no Registro de Títulos e Documentos, requisito que seria necessário para sua oposição a terceiros, consoante o disposto no art. 221 do Código Civil, in verbis: [...] Apesar de afirmar a dificuldade da prova direta da simulação, o autor não se furta a abordar os meios probatórios indiretos, elencandolhes os elementos, que classifica como relativos ao interesse em simular: às pessoas dos contraentes; ao objeto do negócio jurídico; à execução do negócio; à conduta das partes na realização do negócio. Dentre os elementos apontados como Fl. 938DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 939 14 capazes de provar a simulação, revelamse importantes para a presente análise, os que se seguem: a existência de motivo para a simulação, ou seja, “o interesse que leva as partes a estabelecer um acto simulado, a razão que conduz a fazer aparecer um negócio que não existe ou a mascarar um negócio sob uma forma diferente: é o porquê do engano”. Essa causa deve ser “séria e importante (suficiens e idonea)” de forma a justificar a simulação; ligação entre as partes; falta de execução material do contrato, a qual, afirma Ferrara, é decisiva para caracterizar um negócio como simulado, tratandose da “mais clara confissão” da simulação. Na execução apenas formal do negócio jurídico, este leva a mutações jurídicas que só se manifestam no campo do direito, comportandose os contraentes, de fato, de acordo com outro negócio jurídico ou como se não tivesse negócio algum [...] Assim, as constatações acima, constituemse em evidência irrefutável de que os contraentes nos dois contratos de mútuo apresentados não pretendiam e não praticaram as operações exteriorizadas pelos instrumentos, devendo, por conseguinte, ser afastados. Afastada a hipótese de mútuo, é correto o procedimento da fiscalização em considerar os recursos ditos provenientes dessa operação, como rendimentos tributáveis recebidos, visto que não se vislumbra outra situação. [...] Pois bem. Consoante os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, entendo que deve ser rechaçado o argumento de que ocorreu inovação no julgamento, no caso, não houve alteração da matéria fática e nem dos fundamentos jurídicos do lançamento. Na realidade, o colegiado de primeira instância aprofundouse na análise de pontos que foram observados pela auditoria fiscal quanto aos contratos de mútuos. Em face do acima exposto, afastase qualquer pretensão de nulidade do procedimento fiscal prévio ao lançamento, e deste propriamente, porquanto não se vislumbra nenhuma evidência de vício na constituição do crédito tributário. Ao contrário do que afirma o recorrente, o ato administrativo de lançamento está devidamente motivado, nos termos dos fundamentos e fatos descritos no Auto de Infração e Termo de Verificação de Infração. O recorrente demonstrou conhecer perfeitamente o teor do ato administrativo formulado no auto de infração, pelo que logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento, em obediência aos art. 142 do CTN, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, e a Constituição Federal. b) Decadência Fl. 939DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 940 15 Argumenta o recorrente que os fatos geradores ocorridos de janeiro a março de 2007 estavam fulminados pela decadência. Afirma que, no caso em tela, por se estar perante um tributo sujeito a lançamento por homologação, em que há supostos pagamentos efetuados a menor, a contagem do prazo se dá da ocorrência do fato gerador. Salienta que o período de apuração deuse de janeiro de 2007 a dezembro de 2007, o prazo decadencial, alcançou os débitos referentes aos fatos geradores de janeiro a março de 2007, visto que somente em abril de 2012 foi lavrado o presente auto de infração impugnado. Pois bem. A situação em apreço passa necessariamente pela análise de qual regra deve ser aplicada: o § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Pacificando o assunto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 940DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 941 16 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por ter sido submetido ao regime do art. 543C do CPC, sistemática dos recursos repetitivos, essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. No caso (os valores apurados no item 001 do Auto de Infração), constituem se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual que se enquadram no conceito de lançamento por homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao exercício analisado, momento em que o lançamento poderá ser efetuado. Assim, em relação aos fatos geradores do ano calendário 2007, contase o prazo de 05(cinco) a partir de 01/01/2009, sendo o termo final o dia 31/12/2013, como o sujeito passivo tomou ciência em 12/04/2012 (fls. 3), concluise como regular o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a decadência do período de janeiro a março de 2007. Mérito a) Omissão de rendimentos recebidos na qualidade de dirigente de empresas Diz o recorrente que não era diretor empregado. Ele era sócio das empresas em condições iguais aos outros dois administradores. Diz que há uma enorme diferença entre administrador empregado e empregador sócio. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 942 17 Argumenta que o administrador empregado busca obviamente uma contraprestação financeira pela atividade laboral exercida, já o administrador sócio não está preocupado com a remuneração pelo seu trabalho, pois o que ele busca é o lucro. Em que pese os argumentos apresentados pelo recorrente sobre a diferença entre administrador empregado e administrador sócio, considerando os pontos analisados na preliminar de nulidade do lançamento, entendo como superada a questão dos valores recebidos a título empréstimos, onde restou caracterizado que o sujeito passivo, na realidade, recebeu rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, na qualidade de dirigente, nos termos dos arts. 37, 38 e 43 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §1º). [...] Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º). [...] Rendimentos do Trabalho Assalariado e Assemelhados Rendimentos do Trabalho Assalariado, de Dirigentes e Conselheiros de Empresas, de Pensões, de Proventos e de Benefícios da Previdência Privada Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; [...] b) Multa qualificada de 150% Fl. 942DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 943 18 Dispõe o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(grifouse) Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem os tipos penais, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Relata a auditoria fiscal que constitui sonegação o fato do contribuinte ter celebrado contratos de mútuo fictícios, com empresas das quais era sócio, para mascarar o recebimento de rendimentos tributáveis pagos pelas pessoas jurídicas, ocultando a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos tipos penais previsto dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do sujeito passivo, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. A caracterização do elemento dolo exige a presença de substancial conjunto probatório sobre a prática do ato infracional, não se prestando para tal a existência de meros indícios da intenção dolosa por parte do agente. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 15504.723335/201248 Acórdão n.º 2401005.611 S2C4T1 Fl. 944 19 No caso, entendo que estão presentes elementos que dão suporte a aplicação da multa qualificada, considerando sobretudo os contratos de mútuos celebrados com o fim de burlar as regras de tributação, aliados ainda a outros elementos, a exemplo de recebimentos semanais de cheques depositados em conta corrente. Portanto, sem reforma a decisão de piso, mantémse a multa qualificada de 150%, nos termos §1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 944DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660428/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660428/2012-43
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878814
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.829
nome_arquivo_s : Decisao_10880660428201243.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660428201243_5878814.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360225
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589830578176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660428/201243 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.829 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 28 /2 01 2- 43 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660428/201243 Acórdão n.º 3401004.829 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660428/201243 Acórdão n.º 3401004.829 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660428/201243 Acórdão n.º 3401004.829 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660428/201243 Acórdão n.º 3401004.829 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660428/201243 Acórdão n.º 3401004.829 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660428/201243 Acórdão n.º 3401004.829 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901038/2009-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13116.901038/2009-92
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6014558
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.231
nome_arquivo_s : Decisao_13116901038200992.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13116901038200992_6014558.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7766336
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051905164312576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1312; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.901038/200992 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.231 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 7 de maio de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL Recorrente PRECON GOIAS INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO FATOGERADOR 15/06/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU COMPROVAÇÃO. Provada a existência do crédito tributário, que deseja compensar, admitese a compensação já que conformada a sua liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 03 44.045, da 2ª Turma da DRJ/BSB, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 10 38 /2 00 9- 92 Fl. 77DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação feito através da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Transcrevo, a seguir o relatório: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 04, emitido eletronicamente em 25/03/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº. 11299.04356.170805.1.3.047650, transmitido em 17/08/2005, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 265,91, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 15/06/2005, efetuado através de DARF no importe de R$ 1.314,91, recolhido em 24/06/2005, sob o código de receita 5952 (CSRF), o qual foi vinculado a débito de igual valor confessado em DCTF. Cientificada do despacho denegatório por via postal em 03/04/2009 (fl. 17), a interessada apresentou em 08/04/2009 a manifestação de inconformidade acostada às fls. 01/03, alegando, em síntese, de que o débito correto do período é de R$ 708,35, como consta informado da DCTF de junho de 2005, retificada em 07/04/2009. Cientificada (eletronicamente) em 15/08/2011 (fl 76), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 09/09/2011 (fl 76). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, em síntese, que: Em razões mérito, cita a IN RFB 600/2008 que lhe dá o direito a compensação: · A Requerente achou por bem compensar com o Imposto de Renda Retido na Fonte pela Contribuição Social (PIS/ COFINS e CSLL) através da PER/DCOMP n. 11299.04356.170805.1.3.047650, no valor de R$ 272,58 (duzentos setenta e dois reais, cinqüenta e oito centavos) atinente aos lançamentos contábeis ns. 0100116913 (9918) e 0700036775 (9918), com o respectivo Comprovante de Arrecadação, documentos anexos às folhas n. 33 a 34, como segue. Junta cópia de notas fiscais, Livro Razão. Alega que retificou a DCTF (junta cópia) e que esta não é inoportuna e que é uma obrigação puramente acessória. Alega o princípio da verdade material, cita doutrina e culmina requerendo: · A verdade real, também conhecida como verdade material, é um princípio decorrente do princípio constitucional da legalidade, na qual o fisco em processo administrativo fiscal deverá buscar sempre os Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13116.901038/200992 Acórdão n.º 1001001.231 S1C0T1 Fl. 3 3 fatos materiais verdadeiros, o que realmente ocorreu para tipificar a lei ao fato concreto. Desta forma, aduz Adelmo da Silva Emerenciano (cita doutrina). · Certamente, o nos moldes atuais do Despacho Decisório não está presente a verdade real, não sobrevindo nenhum dúvida quanto a boa fé do sujeito passivo em apresentar a verdade real e material, mas também o adimplemento da obrigação tributária principal. · Apresentado as provas quanto ao pagamento indevido dos tributos pela Requerente prontamente nos autos, que seja reconhecido seu direito à compensação e ressarcimento daquela quantia considerada como principal, homologando a PER/DCOMP transmitida em 10 de agosto de 2005. · Requerse também que seja plenamente considerado sem efeito, cancelado, a aplicação de juros e multa moratória com o reconhecimento da Requerente ao seu direito à compensação. A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, parcialmente: A respeito da alegação da interessada, oportunizase esclarecer que a apresentação de DCTF retificadora, transmitida em 07/04/2009 (fl. 10), depois que o sujeito passivo foi cientificado do despacho decisório desfavorável, que ocorreu em 03/04/2009 (fl. 17), não é suficiente para por termo ao litígio. Na fase de contestação, deve o interessado apresentar prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, instruindo a manifestação de inconformidade com o documentário contábil/fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro invocado no preenchimento da DCTF primitiva. Não é ocioso lembrar que, de acordo com o art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, os parágrafos que regulam o contraditório ao despacho decisório que não homologar a compensação, incluídos pela Lei nº. 10.833, de 2003, determinam que: ... Em outras palavras, à manifestação de inconformidade interposta à DRJ, são aplicáveis, mutadis mutandis, as mesmas condicionantes legais estabelecidas pelo precitado Dec. nº. 70.235, de 1972, em relação à impugnação interposta contra a formalização de exigência de crédito tributário, disciplinadas no art. 16 do mencionado diploma, a saber: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.o.). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 79DF CARF MF 4 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, não tendo a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo trazido prova documental que dê respaldo à informação constante da DCTF retificadora, não há reparo a fazer no despacho decisório atacado De fato, a alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. De acordo com o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesta linha, foi a conclusão exarada através do Parecer Normativo Cosit 2/2015, conforme a seguir: 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: Observase que, no recurso voluntário, foram apresentadas documentos adicionais, como cópia de notas fiscais e do livro razão que provam o direito da recorrente, levandose em consideração o princípio da Verdade Material. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901038/200992 Acórdão n.º 1001001.231 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim temse a comprovação da liquidez e certeza do crédito, tal como preconizado no artigo 170, do CTN. Assim, dou provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720334/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO.
As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
Numero da decisão: 1302-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/2012-76 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13749.720334/2012-43
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011136
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.510
nome_arquivo_s : Decisao_13749720334201243.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13749720334201243_6011136.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/2012-76 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7755189
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051905240858624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13749.720334/201243 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.510 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA Recorrente IGREJA BATISTA CENTRAL EM MAGE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo, 13749.720339/201276 paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 03 34 /2 01 2- 43 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13749.720334/201243 Acórdão n.º 1302003.510 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de ato de lançamento eletrônico por meio do qual foi imposto ao recorrente multa por falta/atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de maio de 2010. Em suas razões de impugnação, sustenta o contribuinte que, por se tratar de entidade religiosa, faria jus ao gozo da regra imunizante preconizada pelo art. 150, IV, "b", da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB e, ato contínuo, estaria dispensada do cumprimento, não só da obrigação principal, mas também das obrigações acessórias tendentes à apuração de impostos e contribuições federais (DCTF). Instada a analisar a defesa oposta, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente, ao argumento sintetizado na ementa abaixo reproduzida: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento acima em 10/06/2013, tendo interposto seu recurso voluntário em 03/07/2013, por meio do qual reprisa os argumentos já deduzidos em suas razões de impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado , Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1302003.502, de 16/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº13749.720339/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.502): O recurso é tempestivo e preenche todos os demais pressupostos de cabimento, razões pelas quais dele tomo conhecimento. A matéria aqui tratada não é, nem de longe, complexa. Outrossim, como o contribuinte se limita a reprisar os argumentos já aviados em sua impugnação, e por concordar em absoluto com os argumentes despendidos pela Turma a quo, valendo Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13749.720334/201243 Acórdão n.º 1302003.510 S1C3T2 Fl. 4 3 me dos preceitos do art. 57, § 3º, do anexo II, do RICARF, tomoos, agora, como minhas razões de decidir, reproduzindoos a seguir: De conformidade com o art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, que trata das DCTF com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2010, temos que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz, mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No art. 3º da mesma Instrução Normativa, que trata das pessoas jurídicas dispensadas e das hipóteses de dispensa de apresentação das DCTF, não constam as pessoas jurídicas imunes, como os templos de qualquer culto, citadas no item “b”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, que faz menção à limitação de instituição de impostos federais, estaduais e municipais, e não de obrigações acessórias, como a entrega de declarações, ou à imposição de multa punitiva por atraso na apresentação das mesmas. Assim, correta está a imposição à pessoa jurídica imune, como a interessada, da multa prevista no inciso II, do § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, por atraso na entrega da DCTF do mês de janeiro de 2010, uma vez que o prazo final para a mesma se encerrava em 19/03/2010, e a interessada somente apresentou a em 24/08/2012. Quanto a qualquer argüição de inconstitucionalidade na peça impugnatória, há que se destacar que a mesma refoge à competência desta autoridade administrativa julgadora, por ser da alçada dos órgãos judiciais. Não há ato do Supremo Tribunal Federal de declaração de inconstitucionalidade dos atos legais embasadores do feito. Portanto, o procedimento fiscal não ofende o principio da legalidade, porque tais atos não se acham com sua execução suspensa. Cabe ressaltar que a lei e os atos normativos tem força vinculante para a administração, não lhe cabendo a opção de descumprila, principalmente ao se tratar de aplicação da legislação tributária, que se faz mediante atividade plenamente vinculada. Por outro lado, à 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, compete julgar, em primeira instância, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu Poder é limitado a examinar se os atos praticados pelos Agentes da Administração Federal estão de acordo com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores e aplicáveis ao caso. Portanto, não cabe ao julgador administrativo de primeira instância apreciar a constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13749.720334/201243 Acórdão n.º 1302003.510 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, tendo a exigência sido corretamente efetuada com fulcro em bases legais e normativas vigentes, não cabe neste voto quaisquer ajustes em virtude inconstitucionalidade. Com efeito, as regras de imunidade preconzidas pela CRFB tem razões axiológicas em outros princípios e garantias constitucionais descritos ao longo de seu texto, conformando, assim, hipótese de incompetência tributária. Nada obstante, semelhantes disposições ainda se encontram condicionadas à verificação efetiva da condição imunizante dos entes por elas "beneficiados", mormente se o resultado de suas atividades se afeiçoam, v.g., ao fim a que destina o preceitos constitucional. As obrigações acessórias, neste particular, não tem o condão de constituir, per se, a obrigação tributária (especialmente no caso de entidades imunes) e, ato contínuo, não representam ofensa à prescrição contida no art. 150, IV, "b", servindo, de outra sorte, como instrumento de confirmação das condicionantes alhures mencionadas. A míngua de determinações legais que "isentem" (e termo correto, aqui, é, de fato isenção) as entidades imunes do cumprimento da obrigação acessória, não há como dar sustento à tese exarada no recurso voluntário, restando absolutamente correta a DRJ e, também, a autoridade fiscal. A luz do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900648/2010-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.678
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.900648/2010-51
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013380
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.678
nome_arquivo_s : Decisao_10783900648201051.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10783900648201051_6013380.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7760166
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051905422262272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 128 1 127 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.900648/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.678 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 08 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MONNA INDÚSTRIA DE VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 06 48 /2 01 0- 51 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10783.900648/201051 Acórdão n.º 1002000.678 S1C0T2 Fl. 129 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Trata o presente processo de declarações de compensações, a seguir relacionadas, lastreadas em saldo a restituir de CSLL, apurado no exercício de 2005. 2 A DRF Vitória (ES) homologou em parte as compensações (fls. 16 e 29/33), reconhecendo o direito creditório no valor originário de R$ 122.413,44, restando um saldo a recolher de R$ 6.135,59 (fl. 33). 3 lrresignado com o indeferimento, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fls. 1/15, alegando, em síntese, que o motivo da não homologação das compensações decorre de outras compensações efetuados no processo administrativo n° 10783.901607/200604, ainda objeto de questionamento. Por tal circunstância, impõese a reunião dos processos. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1, conforme acórdão n. 1232.449, de 30 de julho de 2010 (efl. 92), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2010 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10783.900648/201051 Acórdão n.º 1002000.678 S1C0T2 Fl. 130 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS LÍQUIDOS E CERTOS. COMPROVAÇÕES. A compensação pode ser deferida se comprovada pelo contribuinte a liquidez e certeza dos créditos tributários. Tendo já sido apreciado em outro processo a insuficiência do crédito alegado, é de se indeferir o presente pedido. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 52), no qual, reproduz ipsis litteris os fundamentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente não teve homologada o PER/DCOMP nº 12305.57741.260705.1.3.031102, conforme indicado no excerto do Despacho Decisório Eletrônico seguinte: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.900648/201051 Acórdão n.º 1002000.678 S1C0T2 Fl. 131 4 Observase que a circunstância fática que motivou a não homologação do PER/DCOMP está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a insuficiência de saldo de crédito compensável, devendo, portanto, ser provadas pelo Recorrente quaisquer alegações em sentido contrário que visem a sua alteração, a teor do que dispõe o artigo 373 do CPC, de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal1. Da análise do Recurso Voluntário, constatase que a maior parte da argumentação apresentada não diz respeito ao objeto destes autos, mas é relacionada ao processo nº 10783.901607/200604, que o Recorrente sustenta possuir relação de prejudicialidade com o processo ora examinado e no qual estariam consignados os créditos que dariam cobertura aos débitos constantes do PER/DCOMP 12305.57741.260705.1.3.031102. Sobre o assunto, o acórdão recorrido manifestouse da seguinte forma: 6 Nos termos do acórdão n° 1229.557 (fls. 56/57), proferido nos autos do processo administrativo fiscal n° 10783.901607/200604, que por sua vez fundamentou a decisão nos termos do acórdão n° 1222.630, proferido nos autos do processo administrativo fiscal n° 11543.001595/200351 (fls. 81/88), esta turma negou provimento à manifestação de inconformidade do interessado, não reconhecendo o direito creditório em litígio. 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10783.900648/201051 Acórdão n.º 1002000.678 S1C0T2 Fl. 132 5 Em consulta processual ao sítio do CARF, constato que a decisão recorrida no processo nº 10783.901607/200604 foi confirmada pelo juízo ad quem, conforme excerto do acórdão de Recurso Voluntário nº 1003000.204 abaixo reproduzido: Portanto, ainda que existente a pretensa relação de prejudicialidade entre os processos citados, a confirmação da decisão recorrida proferida pelo órgão de instância superior no processo nº 10783.901607/200604 inviabiliza o pleito do Recorrente, porquanto não reconheceu o direito ao crédito pretendido. No mais, considerando que o Recorrente não apresenta outros fundamentos capazes de infirmar a decisão de não homologação do PER/DCOMP nº 12305.57741.260705.1.3.031102 e diante da falta de comprovação da existência e suficiência do crédito pleiteado, é de ser mantida a decisão proferida no acórdão recorrido, eis que configurada a ausência do requisito de liquidez e certeza necessários à homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10783.900648/201051 Acórdão n.º 1002000.678 S1C0T2 Fl. 133 6 Dispositivo Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.723070/2012-08
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
DESPESAS MÉDICAS FIXADAS, A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA, EM ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUÇÃO.
A dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores 24 anos só é possível quando estas estejam incapacitadas física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nestas hipóteses, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes.
A existência de acordo extrajudicial estabelecendo a obrigação de alimentos, abrangendo despesas médicas, não tem o condão de propiciar ao declarante livre dedução das parcelas pagas a esse titulo por tempo indeterminado, pois que isto significaria financiamento público de gastos privados não autorizados em lei.
Numero da decisão: 2003-000.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 DESPESAS MÉDICAS FIXADAS, A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA, EM ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores 24 anos só é possível quando estas estejam incapacitadas física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nestas hipóteses, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. A existência de acordo extrajudicial estabelecendo a obrigação de alimentos, abrangendo despesas médicas, não tem o condão de propiciar ao declarante livre dedução das parcelas pagas a esse titulo por tempo indeterminado, pois que isto significaria financiamento público de gastos privados não autorizados em lei.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10640.723070/2012-08
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006153
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.057
nome_arquivo_s : Decisao_10640723070201208.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10640723070201208_6006153.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7737811
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051905462108160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T3 Fl. 220 1 219 S2C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.723070/201208 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2003000.057 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria IRPF DESPESAS MÉDICAS Recorrente JOSÉ DA SILVA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 DESPESAS MÉDICAS FIXADAS, A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA, EM ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores 24 anos só é possível quando estas estejam incapacitadas física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nestas hipóteses, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. A existência de acordo extrajudicial estabelecendo a obrigação de alimentos, abrangendo despesas médicas, não tem o condão de propiciar ao declarante livre dedução das parcelas pagas a esse titulo por tempo indeterminado, pois que isto significaria financiamento público de gastos privados não autorizados em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 30 70 /2 01 2- 08 Fl. 220DF CARF MF 2 Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (auto de infração fls. 02 a 21), acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, nos anoscalendário de 2008, 2009, 2010 e 2011. Por bem descreverem os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual transcrevo a seguir: A ação fiscal desenvolvida junto a José da Silva Filho, referente aos anoscalendário 2008 a 2011, exercícios 2009 a 2012, resultou no Auto de Infração de fls. 02 a 21, exigindo R$ 31.803,72 de imposto, R$ 46.406,92 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 7.449,13 de juros de mora (calculados até 10/2012). No caso, houve glosa de deduções indevidamente pleiteadas relativas a: previdência privada/FAPI, dependentes, despesas médicas, pensão judicial e despesas com instrução. Além disso, apurouse dedução indevida do imposto com contribuição previdenciária patronal paga pelo empregador doméstico. O detalhamento da fiscalização encontrase no Relatório Fiscal, às fls. 22 a 27, do qual se destacam os seguintes trechos: “Introdução ... O procedimento fiscal originouse pela constatação, através de investigação interna da Receita Federal, da existência de dezenas de Declarações de Ajuste Anual, transmitidas de um mesmo computador, onde se verificou a inclusão de várias despesas de mesma natureza, possivelmente fictícias, a título de dedução da base de cálculo do IRPF dos declarantes. Pelos dados investigados, concluiuse pela participação do sr Luiz Alberto Garajau, CPF 135.693.68653, e sua filha Aline Liliane Garajau de Lima, CPF 036.093.69620, que confeccionaram e transmitiram os documentos, através de um computador do escritório da sociedade empresária Del Rei Cred Ltda, na cidade de São João Del Rei/MG. Inidoneidade das deduções da base de cálculo do IRPF ... A conduta consistia em inserir, nas DAA dos diversos contribuintes, despesas fictícias (majoradas ou simplesmente inventadas) a título de despesas médicas, dependentes, pensão alimentícia judicial, previdência privada ou FAPI, instrução ou contribuição previdenciária de empregadas domésticas, reduzindo artificialmente a base de cálculo do imposto e, conseqüentemente, aumentando o valor da restituição. Caso determinada declaração incidisse em malha fiscal, de imediato era entregue uma retificadora, com ligeiras alterações nas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10640.723070/201208 Acórdão n.º 2003000.057 S2C0T3 Fl. 221 3 deduções fictícias, prática repetida até que a declaração fosse liberada para pagamento da restituição. ... Responsabilidade na fraude Em sua resposta, o sujeito passivo reconhece que as informações contidas em suas Declarações não correspondem a realidade. Tinha inteiro conhecimento de que as deduções ou eram inexistentes ou foram majoradas. Não pode negar que a responsabilidade das informações contidas na DIRPF é exclusivamente do contribuinte pois sabia que sua restituição seria maior. Não foi por outro motivo que, residindo no município de Barbacena/MG, que possui diversos escritórios de contabilidade, se dispôs a utilizar os serviços do sr Luiz Alberto Garajau e sua filha Aline Liliane Garajau de Lima, na cidade de São João Del Rei, com a promessa de conseguir uma restituição expressiva. ... Conclusão Por tudo o que foi relatado, não há que se falar em mero erro de preenchimento de declaração. A estratégia utilizada, sempre majorando ou inventando as mesmas despesas, indica uma conduta continuada e demonstra o dolo, com o inequívoco intuito de auferir vantagem indevida em detrimento do Erário Publico. Forçoso concluir que o fiscalizado, com o auxílio de terceiros que prometiam uma restituição maior, prestou declaração falsa ao fisco, utilizando despesas majoradas ou simplesmente inventadas, mas que sabia inexistentes, com a finalidade de reduzir a base de cálculo do imposto, obtendo vantagem ilícita em benefício próprio. Assim, as despesas consideradas falsas, majoradas ou não comprovadas, foram integralmente glosadas. A diferença de imposto apurada com base nesta infração está sujeita à multa de ofício qualificada à alíquota de 150%, nos termos do art. 44, inciso I e §1°, da Lei 9.430/96. Com exceção do imposto decorrente da glosa da dedução de pensão judicial e de parte da dedução de despesas médicas, sujeito à multa proporcional de 75%, em decorrência dos fatos narrados, além da aplicação da multa qualificada de 150% sobre o restante do imposto apurado, foi formalizado o devido Processo de Representação Fiscal para Fins Penais sob o nº 10640.723071/201244. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 166/167, instruída pelos elementos de fls. 168 a 192, bem retratada pelos seguintes trechos que dela se extraem: Fl. 222DF CARF MF 4 “... as despesas de deduções pleiteadas pelo agente passivo referemse somente àquelas relacionadas acima com o alimentando Raphael Pavani, estudante, sem nenhum trabalho assalariado. ... Reconheço a legalidade das deduções indevidas relacionadas pelo MPF Fiscalização n° 0610400.2012.001220, mas discordo dos valores lançados como DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS NA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL), referente às despesas com plano de saúde do ALIMENTANDO Raphael Pavani Duarte da Silva, relativos ao Fato Gerador de 31/12/2010 valor de R$1.357,02 e Fato Gerador 31/12/2011 no valor de R.$ 1.448,28, glosa efetuada pela ação fiscal, com alegação de que o beneficiário não é dependente, no entanto de acordo com o RIR 3.000/99, art. 80, §5°, o alimentante poderá deduzir as despesas médicas (plano de saúde PLANSFER) do alimentando, em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Portanto, conforme item 8.3 da escritura pública de separação consensual, registrada no Tabelionato do 3 o Ofício de Notas, situado à rua Barão de São João Nepomuceno, n° 251, bairro Centro, Juiz de ForaMG, em 05/06/2008, o impugnante tem o direito de deduzir da base de cálculo da declaração de ajuste anual, relativo ao ano base de 2010 e 2011, as despesas com o plano de saúde PLANSFER do ALIMENTANDO Raphael Pavani Duarte da Silva. Por oportuno, peço também o cancelamento da multa de 75% aplicado sobre os valores apurados na ação fiscal.” Acórdão de Primeira Instância Os membros da Quarta Turma da DRJ Juiz de Fora MG, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação no que contestou o Auto de Infração de fls. 02 a 21, para exigir do contribuinte o pagamento do imposto no valor de R$ 771,46 (setecentos e setenta e um reais e quarenta e seis centavos), sujeito à multa proporcional de 75% (passível de redução) e aos juros de mora na data do efetivo recolhimento. Destaquese que o imposto, no valor de R$ 31.032,262 (trinta e um mil, trinta e dois reais e vinte e seis centavos), referente à parcela não contestada do lançamento, já foi afastado dos presentes autos, consoante informações à fl. 193. Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 24/12/2012 (fl.206), o contribuinte interpôs em 22/01/2013 recurso voluntário (fls. 207 a 218), reiterando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, quais sejam: I OS FATOS A ação fiscal apresentado pelo Mandato de Procedimento FiscalMPFProcesso n° 010640.0723.070/201208,conforme demonstrativo de débitointimação no 313/2012, débitos apurados relativos ao IRPF dos anos base de 2010 e 2011 em decorrência de despesas com plano de saúde (PLANSFERPL DE SAÚDE DOS FERROVIÁRIOS) do alimentando Raphael Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10640.723070/201208 Acórdão n.º 2003000.057 S2C0T3 Fl. 222 5 Pavani Duarte da Silva, em 2010 no valor R$ 1.357,02, em 2011 no valor R$ 1.448,28, devidamente amparada como despesas de dedução do IR conforme preceitua o item 8.3 da escritura pública de separação consensual, registrada no Tabelionato do 3° Ofício de Notas, situado à rua Barão de São João Nepomuceno, n' 251, bairro Centro, Juiz de ForaMG, em 05/06/2008. II O DIREITO Na escritura pública de separação consensual registrada no Tabelionato do 3° Ofício de Notas, situado à rua Barão de São João Nepomuceno, n° 251, bairro Centro, Juiz de ForaMG, de 05/06/2008, conforme cópia anexa, cita no seu item 8.3 "para ainda sob obrigação do cônjuge José da Silva Filho o pagamento do plano de saúde (PLANSFER), na forma do contrato de Assistência MédicoHospitalar, na modalidade "Plano Especial" ou outro plano equivalente a favor dos filhos Amanda Cristina Duarte da Silva e Raphael Pavani Duarte da Silva". Vale mencionar ainda que o contrato relativo ao plano de saúde da PLANSFER foi celebrado pelo contribuinte bem antes da data da escritura pública de separação consensual, na modalidade de "PLANO ESPECIAL", sob o n° 03.196.014815009, tendo como beneficiários os filhos Amanda e Raphael. Ao ser confeccionado o contrato de assistência médico hospitalar junto a PLANSFER a filha Amanda ficou como titular e o filho Raphael como seu dependente é por este motivo que nos comprovantes de pagamentos do plano não aparece o nome do reclamante. Ademais, há de se observar que o filho Raphael não provem de outros recursos ou rendimentos a não ser os relativos à Pensão alimentícia, apesar de maior de 24 anos, portanto o pagamento dos valores à PLANSFER referentes aos anos calendários 2010 e 2011 foram efetuados pelo contribuinte. Cabe ressaltar que, somente o filho Raphael faz uso do beneficio do plano de saúde da PLANSFER, pois a filha Amanda (CPF 014.784.20693) encontrase residente desde 2006 em Mount Vernon, NYEUA, nem se quer é usuária do plano de saúde. Por causa desta situação o contribuinte já providenciou uma Ação de Exoneração de alimentos, conforme Processo n° 0335362 86.2012.8.13.0145 da Vara de Família de Juiz de ForaMG. Contudo solicitovos uma análise mais criteriosa do item 8.3 da escritura pública de separação judicial pois as deduções pleiteadas pelo contribuinte relativa as despesas com plano de saúde (PLANSFERPL DE SAÚDE DOS FERROVIÁRIOS) do alimentando Raphael Pavani Duarte da Silva, em 2010 no valor R$ 1.357,02, em 2011 no valor R$ 1.448,28 não se trata do enquadramento legal do art.77 § 1° item III e V e § 2° do RIR/99 e sim do art.80 § 5° do RIR/99, art. 4, inciso II e art. 8, § 3° da Lei n° 9.250/1995. Fl. 224DF CARF MF 6 MÉRITO (art.80 § 5o do RIR/99, art. 4o, inciso II e art.8 o § 30 da Lei n° 9.250/1995, art. 15 e art. 16 do Dec.70.235/72) O acórdão n° 0941.8884'Turma da DRJ/JFA julgou improcedente a impugnação formalizada pelo agente passivo relativa as despesas médicas dos anos base de 2010 e 2011 justificando que a dedução é incabível pois o alimentando é maior de 24 anos, e que os comprovantes sequer mencionam o contribuinte e os pagamentos ali listados encontramse em desacordo com o estabelecido em escritura pública de separação judicial. Notese o que preceitua os art. 77 e art.80, § 5º do RIR 3.000/99 § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos. Todavia o fisco julgando improcedente a impugnação menciona o que prevê o art. 4°, inciso II, da Lei n° 9.250 de 26/12/1995, base legal do art. 78 do RIR/99, mas anulando o benefício da lei de acordo com os arts. 1694 e 1695 do Código Civil e em seguida cita varias doutrinas a cerca do entendimento legal de vários autores de livros de direito civil. Ora se o pagamento das despesas médicas (Plano de Saúde PLANSFER) são provenientes de acordo homologado através de escritura pública de separação consensual, registrada no Tabelionato do 3° Ofício de Notas, situado à rua Barão de São João Nepomuceno, n° 251, bairro Centro, Juiz de ForaMG, em 05/06/2008, de acordo com o art. 4°, inciso II e art.8 § 3° da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, base legal do art.78, art.80, § 5' do RIR/1999, e que o alimentando Raphael não possui qualquer outro tipo de recursos ou rendimentos a não ser os relativos à Pensão alimentícia, entendese que o impugnante tem o direito de deduzir da base de cálculo da declaração de ajuste anual, relativo ao ano base de 2010 e 2011, as despesas com o plano de saúde PLANSFER do ALIMENTANDO Raphael Pavani Duarte da Silva. Por oportuno, peço também o cancelamento da multa de 75% aplicado sobre os valores apurados na ação fiscal. III A CONCLUSÃO À vista de todo exposto, solicito à autoridade administrativa competente a análise criteriosa do item 8.3 da escritura pública de separação consensual registrada no Tabelionato do 3° Ofício de Notas, situado à rua Barão de São João Nepomuceno, n' 251, bairro Centro, Juiz de ForaMG, de 05/06/2008, que hora se junta ao processo. Desta forma, espera e requer o impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Para os devidos esclarecimentos e ajuste na defesa manifestada pelo reclamante nesta impugnação, faço anexar os seguintes documentos: Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10640.723070/201208 Acórdão n.º 2003000.057 S2C0T3 Fl. 223 7 1) Xerocópias da Intimação n° 313/2012, Acórdão n° 0941.888 4 Turma Proc.n°010640.0723.070/201208; 2) Xerocópia da escritura pública Tabelionato do 3° Ofício de Notas, situado 251, bairro Centro, Juiz de ForaMG; e 3) Xerocópia da carteira de identidade de separação consensual registrada no à rua Barão de São João Nepomuceno, n° e inscrição do CPF. 4) Copia da Consulta de processo em andamento TJMG 5) Declaração do SESEF Serviço Social das Estradas 6) xerocópia dos comprovantes dos valores pagos ao aos anos base de 2010 e 2011. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito O recorrente insurgese contra a decisão de primeiro grau, alegando ter direito à dedução das despesas com plano de saúde (PLANSFERPL DE SAÚDE DOS FERROVIÁRIOS) do alimentando Raphael Pavani Duarte da Silva, em 2010 no valor R$ 1.357,02 e em 2011 no valor R$ 1.448,28, por estarem devidamente amparadas como despesas de dedução do IR no item 8.3 da escritura pública de separação consensual, registrada no Tabelionato do 3° Ofício de Notas Alega em síntese que no item 8.3 da referida escritura, consta a obrigação do pagamento do plano de saúde (PLANSFER), na forma do contrato de Assistência Médico Fl. 226DF CARF MF 8 Hospitalar, na modalidade "Plano Especial" ou outro plano equivalente a favor do filho Raphael Pavani Duarte da Silva., conforme trecho copiado a seguir: Assevera que o filho Raphael não provem de outros recursos ou rendimentos a não ser os relativos à Pensão alimentícia, apesar de maior de 24 anos, portanto o pagamento dos valores à PLANSFER referentes aos anos calendários 2010 e 2011 foram efetuados pelo contribuinte. Conclui que se o pagamento das despesas médicas são provenientes de acordo homologado através de escritura pública de separação consensual, de acordo com o art. 4°, inciso II e art.8 § 3° da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, base legal do art.78, art.80, § 5o do RIR/1999, teria o direito de deduzir da base de cálculo da declaração de ajuste anual, relativo ao ano base de 2010 e 2011, as despesas com o plano de saúde do alimentando Raphael Pavani Duarte da Silva. Pede também o cancelamento da multa de 75% aplicada sobre os valores apurados na ação fiscal. A decisão de piso julgou improcedente a impugnação por entender não serem dedutíveis os pagamentos a título de pensão alimentícia a filhos maiores de 24 anos, o que acarretou, por conseqüência, a indedutibilidade dos pagamentos com o plano de saúde. Não podemos confundir o direito à dedução de pensão alimentícia com as deduções de despesas médicas com alimentandos. Estas sofrem as mesmas limitações que a dedução de despesas médicas efetuadas com dependentes que não recebem pensão alimentícia, conforme disposto nos parágrafos 4o e 5o do art. 78 e parágrafo 5o art. 80, ambos do RIR (Decreto 3.000/99 vigente à época do fato gerador). Significa dizer que a dedução de tais despesas se restringe aos alimentandos que preencham os requisitos para se qualificarem como dependentes perante a legislação do imposto de renda. Em outras palavras: a dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores 24 anos, só é possível quando estes estejam incapacitados física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nesta hipótese, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. Em reforço: a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação de alimentos, abrangendo despesas médicas, não tem o condão de propiciar ao Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10640.723070/201208 Acórdão n.º 2003000.057 S2C0T3 Fl. 224 9 declarante livre dedução das parcelas pagas a esse titulo por tempo indeterminado, pois que isto significaria financiamento público de gastos privados não autorizados em lei. Copio aqui julgado deste conselho sobre o assunto: Acórdão nº 2801002.727 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS FIXADAS, A TÍTULO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA, EM ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, pagas a título de pensão alimentícia para pessoas maiores de 21 anos e que não estejam cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau até 24 anos, só é possível quando estas estejam incapacitadas física ou mentalmente para o trabalho, porquanto, nestas hipóteses, preencheriam as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. Ressalvase, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento das despesas médicas após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados.(grifei) DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. A dedução de despesas com instrução, não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual, deve ser feita por intermédio de retificação da declaração anteriormente apresentada, antes da notificação do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Destaco aqui, que para ter direito à dedução pleiteada, o recorrente deveria ter apresentado provas de incapacitação física ou mental do alimentante para o trabalho e a comprovação do efetivo pagamento na conta corrente 5.978422, da agência 0174, do Banco ABN AMRO Real S/A, conforme determina a cláusula 8.3 da escritura pública. O recorrente não apresentou os documentos supra mencionados. Apenas apresentou declaração do plano de saúde constando sua filha como titular do plano de saúde, sem que fosse feita qualquer menção a que o pagamento tivesse sido feito por ele próprio. Desta forma, merece ser mantida a glosa relativa aos pagamentos de despesas médicas (plano de saúde) PLANSFERPL DE SAÚDE DOS FERROVIÁRIOS do alimentando Raphael Pavani Duarte da Silva, em 2010 no valor R$ 1.357,02, em 2011 no valor R$ 1.448,28. Fl. 228DF CARF MF 10 Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe total provimento. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720769/2010-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007
CSP. BOLSAS DE ESTUDO. CURSO SUPERIOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. NATUREZA DO VÍCIO. PROVIMENTO DO RECURSO.
Não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de demonstrar a ocorrência do fato gerador, deve-se dar provimento ao recurso. o vício material confundi-se com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador,
Numero da decisão: 9202-007.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 CSP. BOLSAS DE ESTUDO. CURSO SUPERIOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. NATUREZA DO VÍCIO. PROVIMENTO DO RECURSO. Não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de demonstrar a ocorrência do fato gerador, deve-se dar provimento ao recurso. o vício material confundi-se com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador,
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.720769/2010-54
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011858
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.566
nome_arquivo_s : Decisao_10380720769201054.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10380720769201054_6011858.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7756213
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051905623588864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.720769/201054 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.566 – 2ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CSP BOLSA DE ESTUDOS NATUREZA DO VÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDACAO EDSON QUEIROZ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 CSP. BOLSAS DE ESTUDO. CURSO SUPERIOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. NATUREZA DO VÍCIO. PROVIMENTO DO RECURSO. Não tendo a autoridade fiscal se desincumbido de demonstrar a ocorrência do fato gerador, devese dar provimento ao recurso. o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 07 69 /2 01 0- 54 Fl. 450DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (obrigação principal), totalizando R$ 564.580,47 e consolidada em 10/03/2010, referese à cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social, relativas as competências de 01 a 05, 07,08 e 11/2006 e 01 a 03, 06, 07, 09 e 11/2007, no Levantamento BOL – BOLSAS DE ESTUDO EMPREGADOS (remunerações indiretas pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados) parte patronal e SAT/RAT para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o Relatório Fiscal, temse a seguinte seqüência temporal dos fatos: 3.6. Após o exame de sua escrituração contábil, verificouse que a Fundação Edson Queiroz, no período fiscalizado, contabilizou despesas relativas à bolsas de estudo. A empresa informou que tais valores referemse à concessão de bolsas de estudo de curso de graduação e pós graduação ofertadas ao público externo e a funcionários, professores e dependentes destes. 3.7. A Fundação apresentou relação em meio papel e magnético, onde constam os valores pagos a título de bolsa de estudos de graduação e pósgraduação ofertadas aos funcionários administrativos, professores e dependentes destes, os quais constituem fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3.8. Os valores concedidos, a título de bolsas de estudo de curso superior, foram considerados como fato gerador de contribuições previdenciárias pois, segundo a legislação vigente, para que não se considere tais valores como fato gerador fazse necessário que os mesmos sejam relacionados aos planos educacionais de educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e a cursos de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, conforme previsto na Lei 8.212/91:(grifei) [...] 3.9. Tendo em vista que a empresa apresentou valores semestrais de bolsas concedidas aos seus funcionários, conforme atesta a relação anexa a este auto de infração, a auditoria fiscal efetuou os lançamentos dos fatos geradores da seguinte forma: considerou como competência dos lançamentos o primeiro mês do 1º semestre, ou seja, 01/2005 e o primeiro mês do 2º semestre, ou seja, 07/2005. Para os funcionários que ainda não eram empregados nestas competências foram consideradas como competência os primeiros meses em que figuraram como empregados. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10380.720769/201054 Acórdão n.º 9202007.566 CSRFT2 Fl. 3 3 Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 26/10/2011, o lançamento foi anulado, prolatandose o Acórdão nº 2301002.391, (efls. 300/307) com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular o lançamento, devido a reconhecimento da existência de vício, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Redator Designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal. Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério.” O acórdão encontra se assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 Ementa: BOLSA DE ESTUDO OCORRÊNCIA DE VÍCIO MATERIAL O Relatório Fiscal deve informar, com clareza e precisão, se os benefícios concedidos aos empregados, na forma de utilidades, não estão previstos nas hipóteses de isenção ou se estão sendo pagos em desacordo com a legislação pertinente, sob pena de se retirar do crédito o atributo de certeza e liquidez, necessário à garantia da futura execução fiscal. Verificado que o vício, in casu, é na motivação do ato, temse que lhe é atribuída a característica de ser material. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 27/04/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 30/05/2012, Recurso Especial (efls. 348/359). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao vício, uma vez que o acórdão atacado entendeu que tratase de vício material e a argumentação e os paradigmas trazidos pela representante da Fazenda Nacional defendem o vício formal. Vejamos trechos da argumentação do citado recurso: À luz desses ensinamentos, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. Na hipótese em apreço, a descrição deficiente do fato gerador, não pode ser considerado como de tal natureza e intensidade a ponto de determinar a nulidade material do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. Contudo não é essa a situação retratada nos autos, pois o fato que originou o lançamento – ausência de pagamentos de contribuições previdenciárias devidas pela empresa, resta devidamente evidenciado na NFLD. Fl. 452DF CARF MF 4 Neste ponto, caso constatado tal vício, deveria o Colegiado ter concluído pela necessidade de anulação parcial do lançamento por vício formal quanto às retenções. (Com os grifos do original.) Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 30/03/2015 (efls. 375/377), levandose em consideração como paradigma o Acórdão nº 240100018 e 230200.386 A recorrente, em suas alegações finais, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido de forma a manter o lançamento em sua integralidade. Cientificado do Acórdão nº 2301002.391, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o RESP da PGFN, em 07/12/2015, o contribuinte apresentou, em 16/12/2015, portanto, tempestivamente, contrarrazões (efls. 384/398). Em suas contrarrazões, o contribuinte assevera as argumentações que trouxe em seu Recurso Voluntário e sustenta pela manutenção do voto que anulou o lançamento por vício material. Vejamos trechos: VÍCIO DE FUNDO assim entendido como sendo o defeito ou a omissão legal referente à substância do próprio ato jurídico, como o que provém da ilicitude do objeto, da incapacidade do agente, ou do consentimento obtido mediante coação, simulação, erro, ou qualquer outra fraude, ou engano. [...] Dentro desse contexto, o Relator do voto vencedor, na esteira do que afirmou a Relatora do voto vencido, constando que a motivação é o antecedente suficiente do consequente do autonorma adminiutrativo, nada mais fez que aplicar o doreito e a jurisprudência ao caso concreto, como bem lançado no voto vencedor, ao afirmar que: “Verificado que o vício, in casu, é na motivação do ato, como constatado no voto da Relatora, temse que lhe é atribuída a característica de ser material.” (Com os grifos do original.) É o relatório. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10380.720769/201054 Acórdão n.º 9202007.566 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 375. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Porém, antes mesmo de apreciar os pontos trazidos no recurso, importante esclarecer que não apreciarei a petição de juntada aos autos pelo contribuinte, mesmo sob o enfoque de alegação de matéria de ordem pública, posto que o Recurso Especial possui cognição restrita. Dessa forma, a questão objeto do recurso referese, resumidamente, a regra de nulidade do lançamento por entender o acórdão recorrido que a fiscalização não se desincumbiu de demonstrar o fato gerador, senão vejamos trecho do referido acórdão: Peço vênia para divergir da D. Relatora, pois a meu ver, o presente lançamento fiscal, ato administrativo que é está viciado em um dos seus pressupostos, qual seja, a motivação, assim entendida pela doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santi, em sua obra, Lançamento Tributário, 2ª Ed. Max Limonad, página 109: “A motivação é o antecedente suficiente do conseqüente do atonorma administrativo. Funciona como descritor do motivo do ato que é fato jurídico. Implica declarar, além do (i) motivo do ato [fato jurídico], o (ii) fundamento legal (motivo legal) que o torna fato jurídico, bem como, especialmente nos atos discricionários, (iii) as circunstâncias objetivas e subjetivas que permitam a subsunção do motivo do ato ao motivo legal.” O preclaro autor vai adiante e assinala que se a motivação não for adequada à realidade do fato então o ato administrativo não é passível de validação, vejamos (pág. 110); “Porém, se faltar a motivação, ou se esta for falsa, i.é., não corresponder à realidade do motivo do ato, ou dela não decorrer nexo de causalidade jurídica com a prescrição do atonorma (conteúdo), então, por ausência de antecedente normativo, o atonorma é invalidável.” Constatado o vício necessário se faz saber qual a sua natureza. Novamente valhome dos ensinamentos de Eurico Marcos Diniz de Santi, exposto na sua obra, Decadência e Prescrição no Direito Tributário, 2ª Ed. Max Limonad, página 129: “Vinculamos anulação aos problemas na aplicação dos enunciados prescritivos que se referem ao processo de produção do lançamento (vícios formais) e nulidade aos problemas Fl. 454DF CARF MF 6 inerentes ao conteúdo do ato (vícios materiais), ou seja, à norma individual e concreta que estabelece o crédito e sua motivação.” Verificado que o vício, in casu, é na motivação do ato, como constatado no voto da Relatora, temse que lhe é atribuída a característica de ser material. Sob esse enfoque, passo a esclaracer meu entendimento acerca da interpretação da natureza dos vícios para melhor estabelecer a natureza da nulidade a ser declarada. Da nulidade do Lançamento natureza do vício. Primeiramente, entendo que a falta da descrição pormenorizada no relatório fiscal, desde que demonstrado o fato gerador no conjunto apresentado pelo auto de infração, levaria a anulação do AI por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, implicando cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. Ao meu ver, no lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo, nas contribuições previdenciárias se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como segurado empregado, mas o relatório fiscal falhou na descrição dos elementos, cerceando o direito de defesa, embora esteja evidente a existência do fato gerador; entendo que haveria falha na motivação, devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212, podendo efetivar novo lançamento sem diligenciar ou buscar novos elementos e provas, mas tão somente efetivando novo lançamento consubstanciado nos mesmos elementos constantes nos autos. Nessa concepção, o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador, ou seja, não teriam sido apresentados elementos suficientes para determinar a existência do fato gerador que gerou o lançamento, seja da obrigação principal ou mesmo do fato gerador que implicou a aplicação da multa. Vencida essa etapa de esclarecimentos, importante identificar no caso concreto, qual a motivação da autuação, conforme descrito no relatório fiscal: Importante destacar trecho do acórdão recorrido, porém com enfase no voto vencido que a meu ver bem identificou a existência de falha no lançamento, senão vejamos: O auto de infração foi lavrado tendo em vista a constatação de que a entidade concede bolsas de estudo a seus empregados, o que foi considerado, pela fiscalização, como sendo uma remuneração indireta. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10380.720769/201054 Acórdão n.º 9202007.566 CSRFT2 Fl. 5 7 A recorrente não nega tal fato, mas entende que os valores relativos a bolsas de estudo de seus empregados não integram o salário de contribuição, uma vez que visavam apenas a melhor classificação técnica e profissional de seus trabalhadores. De fato, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais. Porém, elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. O descumprimento de alguns dos requisitos expostos acima precisa estar devidamente evidenciado no Relatório Fiscal, sob pena de nulidade do lançamento, pois será mera presunção da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Verificase, da leitura do Relatório do AI, que a autoridade autuante não apontou quais os elementos de convicção o levaram ao entendimento de que as vantagens foram concedidas em desacordo com o estabelecido no dispositivo legal encimado. Entendo que para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os valores concedidos a títulos de bolsas de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição. No acórdão recorrido, a autoridade julgadora transcreve o art.39, da Lei nº 9.394/96, com as alterações dadas pela Lei 11.741, de 2008, e o art. 44, da mesma Lei, para concluir que, pelo CNAE da recorrente, os cursos por ela ofertados se enquadram no inciso II, do referido dispositivo legal. Contudo, não motiva sua conclusão. Não restou claro os motivos pelos quais o relator do acórdão combatido entendeu que as bolsas concedidas pela entidade estariam enquadradas no inciso II, do artigo 44, da Lei 9.394/96 e, por isso, integrariam o salário de contribuição. Até mesmo a Consulta Interna nº 02/2009, reproduzida na decisão, deixa claro que o custo relativo aos cursos profissionalizantes de nível superior, graduação e pósgraduação de que trata o inciso III, § 2º, art. 39 da Lei nº 9.394, de 1996, introduzido pela Lei nº 11.741, de 2008 é passível de não incidência de contribuição previdenciária, nos termos da alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei nº8.212, de 1991. Fl. 456DF CARF MF 8 Dessa forma, entendo que caberia à fiscalização comprovar que os cursos de graduação fornecidos pela recorrente a seus empregados não se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, ou que eram utilizados em substituição a parcelas salariais. Ademais, a Lei 11.741, de 2008, que alterou a redação da Lei 9.394, utilizada pela autoridade julgadora para fundamentar sua decisão, ainda não havia entrado em vigência quando da ocorrência do fato gerador. Observase, ainda, que toda essa legislação, bem como a Consulta Interna 02, foi trazida apenas na decisão recorrida, e não no relatório do AI, o que, no meu entendimento, configura ofensa ao princípio do contraditório e à ampla defesa, já que retirou, do contribuinte, a oportunidade de se defender do entendimento inovador ao lançamento, trazido apenas em sede de julgamento em primeira instância administrativa. Assim, diante das irregularidades acima apontadas, a nulidade do AI merece ser decretada, uma vez que a autoridade lançadora deixou de observar os requisitos formais do lançamento, previstos no art.37 da Lei n° 8.212. Ou seja, conforme bem fundamentado no voto vencido do acórdão recorrido, a autoridade fiscal apontou que as bolsas concedidas à título de nível superior por si só constituiriam salário de contribuição, contudo entendo não ser essa a melhor interpretação a ser adotada, ou seja, entendo ser possível que as bolsas concedidas à título de cursos de graduação e pós graduação, possam inserirse no conceito de capacitação profissional. Embora tenha me filiado a tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de que a educação superior não estaria abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996 e analisando o texto original do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, não vejo a impossibilidade de se interpretar a educação superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional. No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, possível a sua exclusão do conceito de salário de contribuição, desde que cumpridos os demais requisitos legais, quais sejam: extensível a todos os empregados. Notese que não estou com isso afastando toda e qualquer fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito de salário de contribuição, mas tão somente, abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na exclusão prevista no art. 28, §º, "t" da lei 8212/90 desde que cumprido os requisitos ali expostos, mas precisamente: “e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No caso, poderia o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividades desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a todos os dirigentes e empregados. Contudo, pela análise dos trechos do relatório fiscal, é possível vislumbrar que o auditor não se desincumbiu de apontar quaisquer desses descumprimentos, ou Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10380.720769/201054 Acórdão n.º 9202007.566 CSRFT2 Fl. 6 9 seja, a não vinculação do curso superior as atividades desenvolvidas pela empresa, nem mesmo mesmo respaldou o lançamento pela ausência de alcance a todos os empregados e dirigentes. Nos restaria identificar por fim, se a falta atribuída ao auto de infração importaria nulidade por vício formal ou material. Conforme me manifestei acima, a decretação de nulidade por vício formal darseá quando houver simples falha na motivação, mas for possível, na análise dos elementos contantes dos autos, identificar a efetiva ocorrência do fato gerador. No caso ora sob análise não vejo essa simples falha, posto que não seria possível a mera reconstituição do lançamento sem que se tenha que promover nova fiscalização ou solicitação de outros documentos e elementos de prova. Novamente, valhome dos pontos já trazidos para esclaracer que entendo que o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, face a não demonstração do fato gerador. Isso posto, considerando o caso ora apresentado, encaminho por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, posto que o lançamento realmente padece de vício material. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13897.001653/2002-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13897.001653/2002-81
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006154
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.026
nome_arquivo_s : Decisao_13897001653200281.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VINICIUS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 13897001653200281_6006154.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7737892
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051905645608960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13897.001653/200281 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3003000.026 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 17 de abril de 2019 Assunto RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente ASTRAZENECA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 97 .0 01 65 3/ 20 02 -8 1 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação solicitada, pois a compensação fora efetivada com crédito inferior ao débito, em decorrência deste último, à data da compensação, estar vencido. A empresa solicitou o Ressarcimento do saldo credor de IPI do 4° Trimestre de 2001, fundamentandose no artigo 11 da Lei n° 9.779/99, no valor de R$ 21.374,04, cumulado com Declarações de Compensação (fls. 01). O pedido foi indeferido pela autoridade administrativa sob a fundamento de não estar instruído corretamente, em conformidade com os documentos previstos no artigo 6° da Ordem de Serviço nº 08/2005, pois mesmo o requerente tendo sido regularmente intimado não apresentou a relação dos produtos fabricados e que tenham saído do estabelecimento, contendo nome comercial, classificação fiscal e alíquota, identificandoos como isentos, tributados a alíquota zero ou não tributados pelo IPI (NT), fato que prejudicou a verificação/apuração do crédito. Regularmente cientificada do despacho denegatório, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que o ato administrativo estaria eivado de nulidade, tendo em vista que as exigências referentes à documentação constam de norma interna da Secretaria da Receita Federal, qual seja, Ordem de Serviço elaborada pela 8ª SRRF n° 08, de 13 de setembro de 2005, cujo teor não esta disponível aos contribuintes, não cabendo à Receita Federal impor obrigação de apresentar documentação, sob pena de violação do principio da legalidade. Diante do fato, requereu seja declarada a nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório e, conseqüentemente, o pedido de compensação. Em relação às formalidades que revestem o Livro Registro de Apuração do IPI, afirmou que os dados constantes do Livro em questão foram devidamente remetidos ao Fiscal, restando apenas os termos de abertura e encerramento, que, com como bem asseverou a autoridade administrativa, tratase de mera formalidade. Já no que diz respeito à classificação dos produtos que saíram do estabelecimento no período em questão, alegou que faltou apenas a distinção individualizada do que estaria sujeito à alíquota zero ou do que seria não tributado (NT). Porém, considerando que classificação fiscal dos produtos, bem como as colunas dos Livros Registro de Entradas e Registros de Saídas foram devidamente informadas à Receita Federal, a informação faltante não obstaria a análise do Fisco. Ou seja, a suposta insuficiência de documentos probatórios não tem o condão de causar o indeferimento do direito creditório, nem da compensação realizada, uma vez que, as lacunas de informação Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 4 3 poderiam ser cumpridas pela própria Receita Federal, mediante o exame dos seus registros e das normas atinentes ao IPI. Acrescentou que o principio da verdade material, justificaria o suprimento das lacunas de informações pela própria Autoridade Fiscal ou ainda pela ora juntada dos documentos (em anexo). Juntamente com a manifestação a empresa apresentou além do termo de início e encerramento do livro de apuração do IPI, cópias do registro de entradas e saídas com descrição do produto, classificação fiscal, alíquota e IPI destacado. Em 21/02/2008, a empresa apresentou documento alegando ter operado a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário em cobrança, de acordo com o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. A manifestação de inconformidade foi indeferida por esta Turma de julgamento e a empresa apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo Acórdão nº 3102003.044 da 1ª Câmara2ª Turma Ordinária, teve o seguinte teor: IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROVAS. APRECIAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar os documentos apresentados pelo sujeito passivo junto à impugnação ao lançamento ou à manifestação de inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada. Voltaram os autos para análise. A 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em saídas não tributadas (N/T) pelo imposto. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 5 4 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) preliminarmente, nulidade do despacho decisório por violação ao princípio da publicidade e legalidade, nulidade da decisão recorrida por preterição ao direito de defesa e inobservância de acórdão do CARF; (ii) no mérito, existência do direito creditório pleiteado, uma vez que teria trazido todos os documentos para suportar a apuração do IPI. Pugna, ancorada no princípio da eventualidade, pela realização de diligência. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Como veremos, o litígio gira em torno da comprovação da liquidez e certeza do crédito de ressarcimento de IPI utilizado em declaração de compensação. PRELIMINARES Inicialmente, a recorrente sustenta que o despacho decisório seria nulo, pois teria havido violação aos princípios da legalidade e publicidade, uma vez que o fundamento principal da decisão, para a não apreciação dos documentos acostados e reconhecimento do direito creditório pleiteado, não teria sido a ausência de documentos, mas a inobservância das formalidades previstas na O.S. nº. 08/2008, norma infralegal e de conteúdo inacessível à recorrente. Nessa esteira, a recorrente afirma: Digno de nota que a referida 0.S. n° 08/2005 não era de conhecimento geral dos contribuintes, diante da ausência de publicidade inerente aos atos normativos internos dos órgãos da administração pública. Nesse sentido, tratandose de um instrumento normativo interno que não foi devidamente publicado no Diário Oficial da União ou em qualquer outro meio idôneo que permitisse a publicidade do conteúdo da O.S. n° 08/2005, não se poderia cogitar a sua indicação como único fundamento do Despacho Decisório n° 995/2007. Portanto, é imperioso ratificar os termos do Recurso Voluntário considerados às fls. 232/243 dos autos, para requerer a nulidade do Despacho Decisório na 995/2007, tendo em vista que a negativa do crédito buscou guarida unicamente em norma infralegal que sequer fora publicada, restando configurada cristalina ofensa aos princípios da legalidade e da publicidade, crivados no art. 37, da Constituição Federal/88, eivando de nulidade o r. Despacho Decisório n° 995/2007 e todos os atos subsequentes exarados pelas Autoridade Fiscal e Julgadora. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 6 5 Analisando o despacho decisório às fls. 86 a 88,1 verificase que o fundamento da decisão não foi a inobservância de formalidades previstas em ordem de serviço da RFB, mas, sim, a falta de apresentação de documentos essenciais, mesmo após intimações para tanto, impossibilitando a autoridade fiscal de verificar a "utilização no pleito de produtos não tributados (NT)". Para melhor elucidar a questão, seguem transcritos excertos do despacho decisório: 4. Verificação da não utilização no pleito de produtos nãotributados (NT), não houve possibilidade. A requerente forneceu documentação tanto em meio físico (papel), por demais volumosa, não tendo sido acostada aos autos, quanto em meio magnético (CDROM), acostado à fl. 93 do PAF n° 13897.001652/200236. No entanto, forneceu apenas registros de entradas e saídas referentes ao Trimestrecalendário ora em análise, conforme a própria representante legal atesta (fl. 54), mesmo assim, sem nenhum revestimento legal, tais como Termos de Abertura, Encerramento etc. Ademais, não trouxe à luz a devida discriminação entre produtos que tenham saído do estabelecimento, contendo nome comercial, classificação fiscal e alíquota, identificandoos como isentos, tributados a alíquota zero, não tributados pelo IPI (NT), ou que tenham sua saída imune, tornando, de acordo com os ditames da Ordem de Serviço elaborada pela 8a SRRF n°08, de 13 de setembro de 2005, em seus artigos 6° e 7º, indevido o pleito por falhas de instrução processual e conseqüente impossibilidade de se aferir o quantum requerido, acarretando, pois, o não reconhecimento do direito creditório ora pleitado. No despacho, observase que a referida ordem de serviço tinha como objetivo apenas a padronização da análise dos pedidos de ressarcimento e, em seu art. 6º., enunciava alguns documentos essenciais que deveriam ser exigidos, pela autoridade fiscal, quando da análise de pedidos de ressarcimento. Nesse contexto, a autoridade fiscal procedeu à intimação do sujeito passivo vide intimação à fl. 56 , requerendo livros, documentos e elementos diversos, entre os quais, relação com identificação dos produtos saídos do estabelecimento, com discriminação "contendo nome comercial, classificação fiscal e alíquota, identificandoos como isentos, tributados a alíquota zero, não tributados pelo IPI (NT)". A ausência de apresentação de tal relação, impossibilitou a autoridade fiscal de "aferir o quantum requerido, acarretando, pois, o não reconhecimento do direito creditório". Assim, resta evidente, na simples leitura do despacho decisório, que a motivação da denegação do direito creditório pleiteado foi ausência de provas do crédito. A intimação e a verificação de certos documentos relevantes para análise creditória no âmbito dos pedidos de ressarcimento de IPI são inerentes àqueles procedimentos administrativos de verificação da certeza e liquidez de créditos postulados perante a Fazenda Pública. No caso concreto, em face da ausência de apresentação, pelo sujeito passivo, de parte fundamental da documentação requerida, a autoridade fiscal não teve como verificar a legitimidade dos créditos pleiteados, sobretudo porque os documentos apresentados pela recorrente não se prestam a atestar se parte dos créditos decorrentes de aquisição de insumos foram integrados (ou não) a produtos que saíram do estabelecimento como nãotributados pelo IPI, fato que se refletiria na apuração do próprio direito creditório pleiteado. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do eprocesso. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 7 6 Nesse sentido, posicionouse a decisão recorrida, trazendo os fundamentos abaixo transcritos, os quais adoto integralmente: Quanto à nulidade de ato administrativo, o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) que dispõe: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Depreendese do artigo acima transcrito que os despachos ou decisões da autoridade administrativa são nulos quando proferidas por autoridade incompetente e com preterição do direito de defesa. Constatase do despacho decisório que a autoridade que o proferiu tem competência delegada e contêm todas as informações necessárias para a contribuinte exercer o seu direito de defesa, tanto é assim que a manifestante se pronunciou devidamente quanto a toda matéria discutida na decisão ora contestada. O fato de o despacho ter citado uma Ordem de Serviço não eiva o processo de nulidade, pois está explícito em seu texto qual o motivo do indeferimento: falta de documentos necessários para comprovar o montante do crédito solicitado. Como veremos a seguir, é ônus do contribuinte e não do fisco a comprovação do “montante” do saldo credor de IPI que diz ter a seu favor. Ademais, a empresa foi intimada a apresentar tais documentos (intimação SEORT nº 639/2007, de 11/09/2007) e constava, da referida intimação, não só a relação dos documentos necessários como a informação de que o não atendimento das solicitações acarretaria o indeferimento do pleito por falta de elementos probatórios. Não vislumbro, portanto, qualquer nulidade do despacho decisório. O fundamento da decisão é absolutamente nítido: ausência de elementos probatórios que impede a constatação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. No curso do processo, como bem frisou o aresto recorrido, o sujeito passivo exerceu, de forma plena, seu direito de defesa, contestando a matéria consubstanciada no despacho atacado. A recorrente também postula pela nulidade do acórdão recorrido, sustentando que houve preterição ao direito de defesa e inobservância de acórdão do CARF. Os excertos transcritos abaixo elucidam os argumentos trazidos pela recorrente: Conforme é possível depreender do v. acórdão recorrido, há evidente confronto entre o que foi decidido e determinado pelo CARF e a nova decisão prolatada pela DRJ, que se limitou a reproduzir os mesmos argumentos da decisão anulada, com idêntica conclusão pela incerteza de correção na apuração dos créditos. Ora, a referida incerteza exige a realização das diligências necessárias para seu esclarecimento como forma de viabilizar o julgamento, eis que do contrário restarão privilegiadas a arbitrariedade e a ilegalidade em detrimento do direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal, previstos no art. 50, LIV e LV, da CF/88, e, principalmente, do princípio da verdade material, insculpido no art. 29 c/c arts. 36, 37 e 38, da Lei 9.784/99 c/c art. 16, do Decreto 70.235/72.(...) Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 8 7 Vejase que toda a imparcialidade invocada no v. acórdão recorrido, com a devida vênia, revelase distorcida à medida que é do interesse de ambas as partes — não apenas da Recorrente, mas do Fisco enquanto órgão da sociedade — a verificação da existência do crédito tributário e a mensuração do correspondente montante, a fim de que se evite o enriquecimento indevido de qualquer das partes. Além disso, o nobre Julgador não estaria "fazendo provas", mas permitindo que aquelas necessárias e indispensáveis ao objeto da demanda fossem avaliadas pelo Auditor Fiscal competente, de modo que todas dúvidas do E. Julgador restassem devidamente dirimidas, tornandoo apto a proferir decisão CONCLUSIVA sobre a existência do direito ao crédito e o respectivo montante, coisa que não ocorreu. E, digase mais, o próprio texto normativo estabelece que as diligências serão determinadas de ofício, sempre que o julgador entendêlas por necessárias, sendo que a diligência somente não é necessária quando o julgador já tem a sua convicção formada sobre o mérito, hipótese que não corresponde ao caso dos autos. (...) Portanto, tornase claro que a inobservância do dever de realização da diligência, em razão da essencialidade do ato, afronta os postulados mais básicos do Direito, como os princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e da verdade material, previstos nos arts. 50, LIV e LV, e 37, da CF/88, e, principalmente, do princípio da verdade material, insculpido no art. 29 c/c arts. 36, 37 e 38, da Lei 9.784/99 c/c art. 16, do Decreto 70.235/72. Constatada novamente a preterição ao direito de defesa e a desconsideração dos termos da decisão proferida pelo CARF, a anulação do v. acórdão recorrido é medida que se impõe, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72, para que seja realizada a diligência necessária de verificação da existência do crédito tributário e o seu respectivo montante, viabilizando a prolação de nova decisão pela DRJ/RPO. Da leitura dos excertos, depreendese que a decisão recorrida teria deixado de realizar diligência necessária, determinada por decisão anterior do CARF, afrontando, assim, os princípios da legalidade, contraditório, ampla defesa, verdade material e devido processo legal. Não vislumbro nulidade da decisão recorrida nem afronta a qualquer dos princípios jurídicos mencionados pela recorrente. Ademais, entendo que não restou configurada a aludida inobservância ao acórdão do CARF que anulou a decisão anterior da DRJ. Explico. Compulsando o Acórdão nº. 3102.003.044 (fls. 310 a 315), proferido pela 2ª Turma Ordinária, 1ª Câmara da 3ª Seção, em julgamento em 28/01/2016, extraemse os seguintes excertos (ementa e partes do voto condutor): EMENTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 9 8 IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROVAS. APRECIAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar os documentos apresentados pelo sujeito passivo junto à impugnação ao lançamento ou à manifestação de inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada PARTES DO VOTO CONDUTOR Creio que compreendo perfeitamente o descontentamento manifestado pela instância inicial ao afirmar que não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido. Contudo, peço vênia para dizer que, ao meu sentir, no caso concreto, a recorrente não está ignorando os dispositivos legais que impõe a concentração dos atos em determinados momentos processuais. Segundo entendo, a legislação lhe autoriza tomar tal providência no momento da apresentação da manifestação de inconformidade. Uma vez que isso ocorra, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a seu critério, poderá determinar a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos carreados aos autos. Inobstante, na situação em que se encontra o processo, não vejo outra solução se não a de declarar nula a decisão de primeira instância, por preterição ao direito de defesa. A simples leitura da ementa transcrita é suficiente para delimitar os contornos do acórdão do CARF: é nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar os documentos apresentados pelo sujeito passivo junto à impugnação, ao lançamento ou à manifestação de inconformidade. Observase, no caso ali apreciado, que o colegiado afastou a decisão anterior da DRJ por entender que aquele colegiado furtouse à análise das provas carreadas aos autos. Tal entendimento é ratificado na leitura dos excertos do voto condutor, transcritos acima, nos quais o relator assume, como preterição ao direito de defesa e razão para nulidade da decisão da DRJ, a não apreciação dos documentos apresentados com a manifestação de inconformidade, análise que poderia ser realizada, segundo a decisão do CARF, a critério do julgador da DRJ, em procedimento de diligência. Nessa esteira, há que se assinalar que o acórdão do CARF em nenhum momento determinou que a DRJ procedesse à diligência para análise dos documentos juntados ao processo, tendo, apenas, sugerido a possibilidade de diligência para análise das provas "a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a seu critério, poderá determinar a conversão do julgamento em diligência" , considerando que tal exame teria sido negligenciado na prolação do primeiro acórdão da DRJ. Desse modo, a questão que se impõe, para aferir se a decisão recorrida padece de nulidade, não é se o colegiado a quo realizou (ou não) diligência pois, como visto, o CARF não determinou a diligência , mas se aquele órgão apreciou as provas dos autos. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 10 9 Examinando o acórdão recorrido, constatase, de forma nítida, que houve plena apreciação dos documentos juntados pela recorrente. Os excertos do aresto atacado, transcritos a seguir, elucidam a questão (grifei algumas partes): Em que pese a decisão do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os documentos apresentados pela manifestante na fase impugnatória foram sim analisados no acórdão anulado, no qual restou verificado a existência de fabricação de produtos não tributados pelo IPI e a impossibilidade de verificação da correção do crédito alegado pela falta de documentação hábil. Tal análise teve o seguinte julgamento:(...) Sendo assim, mantenho o julgamento anterior acrescentando que, embora o entendimento do Conselho seja equiparar o processo de julgamento da declaração de compensação ao de julgamento do auto de infração, o ônus da prova do direito de crédito a favor do sujeito passivo continua sendo do contribuinte e o julgador administrativo deve ter livre convicção na análise das provas constantes do processo. Os documentos apresentados pelo contribuinte são somente aqueles solicitados na fase de verificação do pleito ou fiscalizatória de competência da autoridade administrativa. Naquela fase o crédito ainda estava sob análise preliminar, ou seja, não finda, podendo o Fisco ainda solicitar outros documento que achasse necessários para a análise, não significando, necessariamente, que a juntada destes levaria à solução do procedimento. Nesta fase do processo, no entanto, não cabe ao julgador fazer qualquer verificação, fiscalização ou apuração com respeito ao crédito do contribuinte. Apenas julgar se o crédito é válido e está provado (se o crédito é líquido e certo) e se é passível de compensação. Assim, somente a relação dos produtos saídos da empresa (tributados, isentos e nãotributados) apresentados não são suficientes para essa verificação, já que pendente a escrituração ou não do crédito dos insumos utilizados na manufatura dos produtos nãotributados pelo imposto. Como não consta estorno de créditos no livro de apuração do IPI (conforme determina a IN 33/97), esta verificação não se consegue fazer pelos documentos apresentados. Se o contribuinte não pode trazer aos autos as notas fiscais de entrada, poderia pelo menos trazer uma relação de insumos utilizados e demonstrar ou o estorno dos insumos ou sua não escrituração com relação aos produtos NT para a apuração do saldo credor do IPI do período. Este julgador não optou pela diligência por considerar que não cabe, no caso de quem invoca direito creditório, a inversão do ônus da prova. Alias, não cabe ao julgador administrativo fazer prova para qualquer uma das partes do processo. Dos excertos, resta evidente que o aresto recorrido analisou, de forma cabal, as provas juntadas até a manifestação de inconformidade, tendo concluído que os documentos apresentados não são suficientes para a verificação da parcela de créditos de insumos empregados em produtos nãotributados. Vejase que a DRJ analisa, inclusive, a relação de produtos nãotributados na saída do estabelecimento, não apresentada no procedimento fiscal, mas apresentada na manifestação de inconformidade. Tal relação, todavia, não é bastante para a apuração do crédito alegado. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 11 10 Nessa esteira, a decisão contestada assinala que, se o contribuinte não pode apresentar as notas fiscais de entrada, poderia, ao menos, ter trazido relação de insumos utilizados nos produtos com saídas nãotributadas, demonstrando o estorno de seus créditos e aqui o colegiado lembra que não consta, no livro de apuração de IPI , estorno desses créditos ou sua não escrituração. Observase, ainda, que o colegiado a quo entendeu por não converter o julgamento em diligência, uma vez que assume que sobre o contribuinte recai o ônus de demonstrar o direito creditório alegado, não devendo tal encargo ser transferido ao julgador administrativo. Temse, aqui, uma decisão motivada (não realização de diligência), harmônica com a linha de entendimento adotada pelo colegiado (ônus probatório do contribuinte) linha de entendimento que pode, sim, ser objeto de discordância, não implicando, todavia, necessária nulidade em sua adoção. Sublinhese que o colegiado de primeira instância não revela dúvidas quanto à decisão a ser tomada. O que se verifica, na leitura do acórdão recorrido, é que não restaram comprovadas, para aquele colegiado, a certeza e liquidez do crédito pleiteado, pressupostos sem os quais, na ótica do colegiado a quo, há que se negar provimento ao pedido deduzido. Em outras palavras, para o colegiado, todos os elementos probatórios deveriam ter sido trazidos pela impugnante, em momento oportuno, não cabendo, no caso, diligência para suprir a inação da própria interessada. No caso concreto, poderseia falar em preterição do direito de defesa se a decisão recorrida tivesse ignorado as provas juntadas aos autos. Não é este o caso. O colegiado a quo aprecia todas as provas trazidas até então e conclui que a impugnante não levou a cabo o ônus de demonstrar o crédito pleiteado seja pela juntada de notas fiscais, relação de insumos que integram os produtos nãotributados, etc. Não há que se falar, portanto, em nulidade da decisão recorrida, sobretudo: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa. MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente argumenta que apresentou todos os documentos que suportaram a apuração do IPI e do correspondente crédito pleiteado nos autos, tendo demonstrado a "integridade e a ilibação dos procedimentos adotados". Subsidiariamente, a recorrente postula pela realização de diligência, nos termos consignados nos excertos a seguir transcritos: Em verdade, os fundamentos do mérito se confundem com os próprios fundamentos do pedido de nulidade do v. acórdão recorrido à medida em que resta evidente a necessidade da realização das diligências para apuração da existência do direito creditório e o respectivo montante. Com a máxima vênia, frisese, novamente, o disposto no art. 18, do Decreto 70.235/72, ín verbis: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 12 11 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Por oportuno, ressaltase o entendimento deste Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acerca do conceito de necessidade das diligências, isto é. são necessárias as diligências sempre que houver dúvida acerca da matéria de fato e da convicção do julgador. bem como quando a produção da prova for indispensável ao desate da controvérsia (Acórdãos nº 2202003.056 e 1103000.799). E nem se alegue que as diligências não se prestam a suprir os documentos indispensáveis ao reconhecimento do direito creditório da Recorrente, pois constam dos autos o livro de registros de apuração do IPI, bem como planilhas que segregam os produtos entre isentos, tributados à alíquota zero e não tributados (NT), todos acostados à Manifestação de Inconformidade tempestivamente apresentada. Ademais, é importante salientar que o crédito pleiteado fora apurado em conformidade com o que determina o art. 11, da Lei 9.779/99, servindo como base de cálculo apenas os produtos produzidos pela Recorrente que são classificados como isentos ou tributáveis à alíquota zero. Aliás, cabe destacar a atividade desempenhada pela Recorrente, que consiste na fabricação de medicamentos alopáticos 'para uso humano, como atesta seu CNAE 21.21101, estando todos os produtos farmacêuticos sujeitos a alíquota zero de IPI, como se depreende do capítulo 30 da tabela TIPI em vigor. Desta forma, os produtos constantes nos registros da Recorrente (fl. 133/199) como saídas não tributadas (NT) — classificação fiscal 999.99977 — tratamse apenas de brindes e amostras grátis distribuídas pela Recorrente, tais como marcadores de página, mouse pad, cartão postal etc., razão pela qual tais valores não foram computados na apuração do crédito em debate. Sendo assim, restando comprovado que á Recorrente trouxe aos autos, de modo oportuno e tempestivo, todos os documentos que atestam a existência de seu direito creditório, bem como que o seu cálculo foi realizado em consonância ao art. 11, da Lei 9.779/99, isto é, sem o cômputo de qualquer produto NT, fazse necessária a reforma integral do acórdão vergastado, com o consequente reconhecimento do crédito pleiteado. Em se decidindo pela realização da diligência fiscal, a Recorrente ratifica a indicação do assistente técnico o Sr. Fernando Neves da Silva, CRC/SP n° 218.729/06, com endereço na Rodovia Raposo Tavares, S/N, Km 26.9, Moinho Velho/Granja Viana, Cotia/SP, CEP: 06707000, Telefone (11) 37371329, bem como os quesitos formulados, abaixo reproduzidos: 1. Os livros de registros de apuração de IPI, juntamente com os registros de entrada e saída colacionados à manifestação de inconformidade permitem a apuração do crédito referente ao 4º Trimestre de 2001? Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 13 12 2. Analisando os livros de registro e planilhas de entrada e saída apresentados, qual o valor do crédito de IPI apurado? 3. O valor apurado no quesito anterior considerou produtos não tributados em sua base de cálculo? 4. O valor pleiteado pela Recorrente está em consonância com sua escrita fiscal? Tal valor levou em consideração produtos não tributados para o cálculo do crédito? Nos excertos acima transcritos, a recorrente aduz, em síntese, que: (i) apresentou, já em sua manifestação de inconformidade, livro Registro de Apuração do IPI, assim como planilhas segregando os produtos entre isentos, não tributados e tributados à alíquota zero; (ii) que os créditos de IPI apurados não incluem os materiais utilizados na saída de produtos não tributados tais produtos seriam apenas brindes, cartões postais, mouse pads, etc., diversos dos produtos fabricados pela recorrente (medicamentos para uso humano). Compulsando os autos (fls. 126 a 198), podese constatar que a recorrente trouxe, de fato, por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, o livro Registro de Apuração do IPI (fls. 126 a 163) e a lista de saída de produtos (fls. 169 a 194) com a segregação dos mesmos em isentos, não tributados e tributados à alíquota zero. Junto à manifestação, também foram apresentadas relação com os produtos de saída tributados pelo IPI (fls. 165 a 169) e a lista com os produtos de entrada cuja aquisição teria gerado o crédito de IPI pleiteado nos autos (fls. 195 a 198). Analisando a relação de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero (fls. 169 a 194), observase que há, entre os produtos não tributados (NT), canetas, copos, sacolas, calendários, marcadores de página, revistas, brindes, manuais, entre outros produtos que, ao menos prima facie, não apresentariam qualquer relação com os produtos descritos na relação de entrada cuja aquisição teria servido para gerar o direito creditório alegado (fls. 195 a 198). Compulsando a referida relação de entrada, podese verificar que parte substancial dos produtos ali descritos referemse a caixas de embarque, cartuchos, cartelas, bisnagas e laminados. Tais produtos estão classificados em quatro NCMs: NCM 4819.10.00 (caixas de papel ou cartão, ondulados), NCM 4819.40.00 (outros sacos; bolsas e cartuchos), NCM 39204100 (chapas de polímeros cloreto vinila, rígidas e sem suporte) e NCM 7612.10.00 (recipientes tubulares flexíveis). Cotejando a lista de entrada (fls. 195 a 198) com a relação de produtos que saíram do estabelecimento com incidência do IPI (fls. 165 a 169), observase que parte substancial dos produtos que entraram no estabelecimento parecem guardar uma clara relação com os produtos de saída tributados: na lista de saída, parte considerável dos produtos compreende bisnagas, cartuchos, cartelas de medicamentos, caixas de embarque e laminados, contendo descrições dos produtos similares àquelas da lista de entrada. Em síntese, verificase que, ao menos em juízo de delibação, considerável parte dos produtos de entrada guardam relação com as saídas tributadas, apontando, assim, para a verossimilhança da alegação da recorrente de que os créditos escriturados não se referem às saídas não tributadas. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 14 13 Entendo que, no caso concreto, há que se proceder à auditoria e análise minuciosa dos documentos apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade. Vale lembrar que a falta da apresentação, durante o procedimento de fiscalização, da planilha de saída com a identificação dos produtos não tributados constituiu o fundamento para o despacho decisório de não homologação da compensação e denegação do pedido de ressarcimento. Tal planilha foi, contudo, apresentada pelo sujeito passivo juntamente com outros documentos. Apreciando os documentos juntados, o colegiado a quo entendeu que não havia, nos autos, provas suficientes do direito creditório alegado e que não seria o caso de converter o julgamento em diligência. Como antes asseverado, o colegiado de primeira instância não estava obrigado à diligência, sendo plenamente válida sua decisão, exarada segundo seu livre convencimento e sua valoração das provas dos autos. Apesar de válido e legítimo, divirjo do entendimento consignado na decisão recorrida. Em um contexto no qual o despacho decisório se funda na ausência de apresentação de determinado documento e este documento é apresentado, juntamente com documentação robusta, em momento processual próprio, não vejo como reconhecer inação, por parte do sujeito passivo, no exercício de demonstração do seu direito creditório. Assim, levandose em consideração que a recorrente apresentou, no momento correto, documentação robusta, sobretudo a relação de saída com a discriminação dos produtos não tributados, cuja ausência foi, como visto, o fundamento para o despacho decisório, e tendo em vista que, apenas no desenrolar do contencioso é que se revelou a insuficiência daquela relação para confirmar, de forma inequívoca, a falta de vinculação entre os produtos de entrada e os produtos não tributados, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem tome as seguintes providências: 1 Proceder à auditoria da apuração dos créditos de IPI, atinente ao quarto trimestre de 2001, levando em consideração os documentos juntados pelo sujeito passivo às fls. 126 a 198, assim como outros documentos e informações que se fizerem necessários. A auditoria deverá apurar os créditos pleiteados de IPI, escriturados no livro Registro de Apuração e constantes da lista de entradas às fls. 195 a 198 que não estejam vinculados às saídas não tributadas. A análise deverá esclarecer, se for o caso, quanto do crédito pleiteado está vinculado a saídas não tributadas. O trabalho de auditoria deverá, ainda, verificar, à luz das normas vigentes e de documentos que se fizerem necessários, a natureza, consistência e disponibilidade dos créditos pleiteados. 2 A partir da análise efetuada no item 1, proceder ao exame do ressarcimento/compensação objeto do presente litígio, apurando se os créditos de IPI são suficientes e disponíveis para a extinção dos débitos objetos da declaração de compensação. 3 Elaborar relatório com demonstrativo e parecer conclusivo acerca da auditoria dos documentos apresentados pela recorrente e da análise do ressarcimento/compensação objeto do presente litígio. O parecer deverá justificar todas as análises efetuadas e trazer todos os documentos e elementos necessários para suportar suas conclusões; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13897.001653/200281 Resolução nº 3003000.026 S3C0T3 Fl. 15 14 4. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.903392/2009-89
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Numero da decisão: 3003-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10920.903392/2009-89
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6000656
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.214
nome_arquivo_s : Decisao_10920903392200989.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCIO ROBSON COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10920903392200989_6000656.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges - Presidente. Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7722402
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051905664483328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 118 1 117 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.903392/200989 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.214 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 15 de abril de 2019 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PEALE INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 33 92 /2 00 9- 89 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10920.903392/200989 Acórdão n.º 3003000.214 S3C0T3 Fl. 119 2 Relatório Por bem retratar os fatos reproduzo o relatório proferido pela DRJ na oportunidade em que apreciou a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Tratase da manifestação de inconformidade das fls. 85 a 88, protocolizada em 29 de maio de 2009, firmada pelo representante legal do estabelecimento, contestando o Despacho Decisório nº de rastreamento 831685395, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville (SC) A ciência do despacho referido ocorreu em 30 de abril de 2009, segundo consta na fl. 97. O despacho decisório objeto da inconformidade não reconheceu parte do crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 24148.18175.220904.1.1.01 6215, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao segundo trimestre de 2004, o valor de R$ 72.518,87, considerando legítimo o valor de R$ 65.268,42. A motivação do DDE foi a seguinte: ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 40834.38716.250105.1.3.015199, bem assim não há valor a ser ressarcido para o PER/DCOMP 24148.18175.220904.1.1.016215. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que o motivo da referida utilização do crédito em período subsequente se deve ao reconhecimento de apenas R$ 11.173,09 como saldo credor de período anterior no “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível”, coluna “b”. Menciona que apesar de ser chamado de crédito não ressarcível, esse crédito pode ser utilizado para dedução dos débitos pelas saídas. Segue dizendo que o saldo credor do período anterior informado na ficha “Livro Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento – Entradas” é de R$ 234.322,17. Deduzindose o crédito aproveitado em PER/DCOMPs de trimestres anteriores, que é de R$ 212.341,40, o saldo credor ajustado do período anterior seria de R$ 21.980,77, diferente do saldo reconhecido de R$ 11.173,09, restando uma diferença de R$ 10.807,68. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10920.903392/200989 Acórdão n.º 3003000.214 S3C0T3 Fl. 120 3 No PER/DCOMP inicial do primeiro trimestre de 2004, foi informado que o saldo credor em 31 de março de 2004 era de R$ 224.571,09, implicando lançamento de crédito a maior de R$ 9.751,08, o que foi corrigido pelo manifestante, que efetuou o devido ajuste no livro Registro de Apuração do IPI, lançando os R$ 9.751,08 como estorno de crédito na segunda quinzena do mês de julho 2004, conforme podemos constatar na ficha “Livro Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento – Saídas” no campo “Outros Débitos” do PER/DCOMP 21749.81966.101204.1.1.011045, referente ao terceiro trimestre de 2004. Dizendo que o saldo inicial considerado no despacho foi de R$ 224.571,09, então, não poderá ser considerado o estorno de crédito no valor de R$ 9.751,08 como débito, conforme lançado na coluna “d”, correspondente a “Débitos Ajustados do Período” do quadro “Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento” do anexo ao despacho decisório. Por fim, alega que ainda persiste uma diferença de R$ 1.056,60 dos R$ 10.807,68 antes apontados, valor que supõe referirse a glosas de trimestres anteriores. Mas como não há clareza no despacho decisório para identificar possíveis glosas de períodos anteriores, e o manifestante tampouco foi cientificado de despachos de trimestres anteriores, não há como se pronunciar sobre a possível glosa de R$ 1.056,60, impondose que a Receita Federal apresente com clareza a referida glosa. Diante de todo o exposto, fica caracterizado, que o crédito solicitado deve ser integralmente reconhecido. Do recurso houve julgamento com o acórdão N.º 1057.127 3ª Turma DRJ/POA cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. É descabida a alegação de nulidade do despacho decisório, fundada em suposta preterição do direito de defesa, não verificada no caso concreto, por terem sido os motivos da não homologação da compensação expostos com clareza. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ÔNUS DA PROVA. A manifestação de inconformidade que deixa de apresentar provas referentes aos motivos de fato em que se fundamenta não pode ser acolhida. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10920.903392/200989 Acórdão n.º 3003000.214 S3C0T3 Fl. 121 4 Ao tomar ciência do Acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário replicando os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Compulsando os autos, verifico que o despacho decisório deu parcial provimento ao pedido de ressarcimento requerido pela Recorrente, conforme tela. Vejamos: Prosseguindo e analisando a documentação acostada ao processo, vejo que há o extrato de pedido de ressarcimento (efls 2 a 79), anexados pela Recorrente junto com a Manifestação de inconformidade (efls 85 a 88). Ao proferir o seu julgamento, a DRJ relata que por ausência de provas suficientes deixa de dar provimento a Manifestação de inconformidade porque, segundo o relator, a recorrente deveria ter instruído seu recurso com documentos que comprovasse as suas alegações. Vejamos o voto: (...) Quanto às alegações, em si, o manifestante não juntou documentos, tampouco elaborou demonstrativos em relação aos valores alegados, em substituição aos que constam nas informações complementares da análise de crédito, disponíveis Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10920.903392/200989 Acórdão n.º 3003000.214 S3C0T3 Fl. 122 5 para consulta na página da Receita Federal na internet e às quais ele mesmo se reporta. É ônus do manifestante expor os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, conforme art. 57, III, combinado com o § 2º do art. 119, ambos do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Alegações desacompanhadas de provas que as tornem convincentes não podem ser acolhidas. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos como bem sinalizou a DRJ. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente o Pedido de Compensação. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10920.903392/200989 Acórdão n.º 3003000.214 S3C0T3 Fl. 123 6 (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito1, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequencias do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda2: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Dispositivo 1 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) 2 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10920.903392/200989 Acórdão n.º 3003000.214 S3C0T3 Fl. 124 7 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
