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Numero do processo: 14337.000191/2007-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003
DECADÊNCIA AFERIÇÃO INDIRETA DE CONTRIBUIÇÕES. MULTADE MORA. MULTA MAIS BENÉFICA
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
É licita a apuração por aferição indireta do débito quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, ou quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou ainda quando a contabilidade não registra o movimento real de remuneração de segurados a serviço da empresa e do faturamento, constituindo-se em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 35-A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 e conferiu nova redação ao art. 35 da mesma Lei.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.986
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. II)Nas preliminares por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do lançamento até a competência 08/2002 com base § 4º do art 150 do CTN.
Votou pelas conclusões o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. III) No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de
mora de acordo com a redação do art 35 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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MULTA DE MORA. MULTA MAIS BENÉFICA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É licita a apuração por aferição indireta do débito quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, ou quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou ainda quando a contabilidade não registra o movimento real de remuneração de segurados a serviço da empresa e do faturamento, constituindose em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 35 A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 e conferiu nova redação ao art. 35 da mesma Lei. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. II)Nas preliminares por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do lançamento até a competência 08/2002 com base § 4º do art 150 do CTN. Votou pelas conclusões o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. III) No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do art 35 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mess StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro Da Silva. Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000191/200705 Acórdão n.º 240300.986 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo, que li, compulsei com os autos e por corroborar seu conteúdo o transcrevo com grifos de minha autoria: “Trata o presente, do crédito previdenciário contra o sujeito passivo acima identificado, no montante de R$ 2.319.298,86 (dois milhões, trezentos e dezenove mil e duzentos e noventa e oito reais e oitenta e seis centavos), consolidado em 10/09/2007, constituído pela NFLD DEBCAD n.° 037.103.0790. 2. O crédito apurado referese às contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais e sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes a parte do empregado, parte da empresa, as destinadas ao financiamento da complementação dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/1997) e as relativas a Terceiros, a cargo da empresa. 3. Aduz a fiscalização que ao exame dos livros Razão e livros Diário discriminados no item 2.1 do Relatório Fiscal, às fls. 462469, nos lançamentos das contas identificadas no mesmo item, foi observado que em nenhum mês a empresa individualizou os lançamentos de modo a permitir a devida identificação das obras. 4. Somese a esse quadro, dentre outros motivos assinalados pela auditoria fiscal, em nenhum mês, houve a coincidência dos valores constantes nos documentos que demonstram as remunerações das obras, com os valores escriturados nas contas elencadas. 5. No entendimento do auditor notificante, tais fatos demonstram que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa. 6. Por outro lado, não foram apresentados nenhum documento referente às obras, como ART's, Plantas ou projetos aprovados, matrículas CEI Igualmente, não foi informado qualquer dado acerca das características das obras como finalidade, tipo de construção, quantidade de pavimentos, quartos etc. 7. Por conseguinte, a escrita contábil apresentada foi desconsiderado, por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a serviço do sujeito passivo. 8. A base de cálculo foi obtida por meio dos critérios descritos nos anexos 1, I e III. Foram considerados dados constantes em GFIP, GPS, folhas de pagamento, contabilidade que, apesar de Fl. 900DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 desconsiderado, faz prova contra o contribuinte bem como documentos de débitos confessados perante o INSS. 9. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, às fls. 632685, alegando, em síntese: 9.1 Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n.° 8.212/91, colacionado vasta transcrição doutrinária, segundo a qual, percebese a decadência para o período compreendido entre janeiro de 1997 a setembro de 2002. 9.2 Ainda sobre a decadência, reproduzindo a doutrina do professor Samuel Monteiro em sua obra intitulado Tributos e Contribuições, entende que a simples lavratura do termo de início da fiscalização, quando não for precedida de intimação para exibição de livros, documentos e papéis, não tem o condão de suspender ou interromper a decadência. Assim, alega ser igualmente decadente o período correspondente a outubro de 2002. 9.3 Ao contrário do alegado pelo auditor fiscal, toda a documentação fora integralmente apresentada, na forma solicitada. 9.4 A Fazenda Pública não pode e nem deve, sem mais nem menos, valerse de presunções. Há que justificar o porquê do abandono da prova direta, que tem a preferência, na medida que é a mais apta a relevar a riqueza tributável. 9.5 Desta forma, o lançamento com base em indícios pode ser derrubado não porque os indícios não sejam confiáveis, e até pode ser esse o caso, mas porque restou demonstrado que o Fisco desprezou, sem qualquer motivação ou com motivação insuficiente, provas diretas que estavam ao seu alcance. 9.6 Alega que nossa jurisprudência administrativa já vem reconhecendo o dever do fisco de comprovar os fatos que alega, conforme atestam os arestos colacionados na impugnação. 9.7 Ante o exposto, requer que seja julgado totalmente improcedente o lançamento constituído em período já atingido pela decadência qüinqüenal, bem como a declaração de nulidade da NFLD, pois, proferida em total divórcio com a prova direta apresentada e que estava a inteira disposição da auditoria fiscal c não foi legítima e regularmente apreciada.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 754, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – (MG) – DRJ/BHE, emitiu em 12 de novembro de 2008 o Acórdão n° 0112.499 que concedeu provimento parcial a impugnação. Na oportunidade, a Presidente da 5ª Turma recorreu de oficio ao 2° Conselho de Contribuintes, nos termos do artigo 366, inciso I e §§ 2° e 3° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto Fl. 901DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000191/200705 Acórdão n.º 240300.986 S2C4T3 Fl. 3 5 6.224/07, em razão de o valor exonerado ultrapassar o valor de alçada de que trata o art. 1° da Portaria/MF n° 03, de 03/01/2008. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 881 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” e muito embora contemplada com reconhecimento parcial das alegações sobre a decadência da exação, reargüiu prejudicial de decadência. Ë o Relatório. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.889, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” Na condução do seu voto, o i. Julgador a quo reconheceu a decadência das competências levantadas até 08.2002 na forma do comando do artigo 150 § 4° do Código Tributário Nacional CTN. De plano, adianto que comungo em parte da decisão entretanto, pelas conclusões. Aduz que após laboriosa análise, por estabelecimento e por competência, aquele i. Julgador , muito embora, os inúmeros “pagamentos antecipados” o tivessem levado a reconhecer a decadência da quase totalidade do lançamento, entendeu de restringir o alcance de sua decisão no que concerne ao estabelecimento 12.014.08010/70 e impôs limite do alcance na Fl. 903DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000191/200705 Acórdão n.º 240300.986 S2C4T3 Fl. 4 7 competência 12/2001 uma vez que as competências seguintes restavam inadimplidas, sem os “pagamentos antecipados”, ainda que insignificantes o fossem. É relevante ressaltar que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Refratário a chamar de pagamento antecipado os recolhimentos efetuados dentro dos prazos legais, rechaço ainda mais conceber que , também, os pagamentos efetuados fora dos prazos com multa e juros, porém realizados antes da ação fiscal, são distinguidos como tal. A meu juízo, tratase de concepção teratológica. A leitura atenta do artigo 150 do CTN, caput, evidencia que o que o legislador pretendeu exortando o dever de antecipar o pagamento, antes da ação fiscal ação essa, ressaltese, cujo prazo para ocorrer, sem a perda do direito potestativo, se insere no comando qüinqüenal do artigo em tela foi conceituar a modalidade de lançamento, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos para o reconhecimento de eventual reconhecimento decadência : “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Por tudo isso, entendo que qualquer possível “recolhimento antecipado”na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Ademais, se tiver que considerar o pagamento cumpre notar que quem o faz é o sujeito passivo definido pelo CNPJ matriz cabendo a ele o ônus pela infração de modo que “o pagamento antecipado ” é da empresa e não pode ser visto de modo individualizado até porque causaria verdadeiro caos o reconhecimento de alternadas ocorrências decadenciais ao longo de hipotético e caudaloso levantamento assim eivado. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Às fls. 294/438 no documento denominado RADA RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS registram – se valores antecipados recolhidos antes da ação fiscal. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” De acordo registro de fls. 461 no Relatório Fiscal, também, às 01, o período da constituição do crédito referiuse às competências , 01/1997 a 12/2000 e a empresa foi notificada em 14/07/2007. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 01/1997 a 12/2000 conforme Relatório Fiscal de folhas 461 e ainda que a empresa fora notificada em 14/07/2007 na forma do artigo 150, § 4° do CTN, embora os argumentos supra, em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sou de parecer que o crédito lançado conforme a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD em comento encontrase, todo ele, fulminado pelo instituto da decadência até a competência 08/2002. Tal decisão requer reformar o Acórdão a quo para ver alcançadas todas as competências até 08/2002, inclusive. NO MÉRITO. DA AFERIÇÃO INDIRETA. A empresa reiterou em sede recursal as mesmas alegações que fizera em sede de impugnação. O Relatório Fiscal exibe clareza e motivação na autuação e sequer foi contraditado pela Recorrente mediante a juntada de provas que contrapusesse os argumentos da Autoridade Fiscal de que : 1 O exame dos livros Razão e livros Diário discriminados no item 2.1 do Relatório Fiscal, às fls. 462469, nos lançamentos das contas identificadas no mesmo item, foi observado que em nenhum mês a empresa individualizou os lançamentos de modo a permitir a devida identificação das obras; 2 Em nenhum mês, houve a coincidência dos valores constantes nos documentos que demonstram as remunerações das obras, com os valores escriturados nas contas elencadas; 3 A contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa; Fl. 905DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000191/200705 Acórdão n.º 240300.986 S2C4T3 Fl. 5 9 4 Não foram apresentados nenhum documento referente às obras, como ART's, Plantas ou projetos aprovados, matrículas CEI Igualmente, não foi informado qualquer dado acerca das características das obras como finalidade, tipo de construção, quantidade de pavimentos, quartos etc.; e 5 – A escrita contábil apresentada foi desconsiderado, por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a serviço do sujeito passivo, A defesa às fls 632, priorizou em mais de dois terços os fundamentos para obter a decad6encia reconhecida e, de modo subjetivo, sem trazer à colação os documentos solicitados na ação fiscal, alegou que toda documentação esteve à disposição do Auditor. No recurso voluntário foi mais econômico ainda e registrou simplesmente que reiterava as razões de impugnação e novamente fez carga para obter reconhecida a decadência dotal da exação. Na condução do voto a quo, o . Julgador abordou com pertinência as razões que o levaram a decidir por improvir o pleito ora reiterado Assim , dada a pertinência aludida . corroborando aqueles argumentos, é despiceindo exortar os mesmos fundamentos para anuir àquela decisão. Desse modo, não dou provimento ao pedido na medida em que entendo que a Autoridade Fiscal agiu com exação ao proceder o levantamento por AFERIÇÃO INDIRETA. DA MULTA Consta registrado no Relatório dos Fundamentos Legais, às fls.445, na rubrica “ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA, item 601.08”, que o cálculo do valor da multa moratória obedecera ao previsto no artigo 35,I, II e III da Lei 8.212/91, na redação dada pela lei n° 9.876, de 26/11/99. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso para nas preliminares, conhecer do Recurso de Ofício, e negarlhe provimento e reconhecer a decadência do lançamento até a competência 08/2002, bem como conhecer do Recurso Voluntário para no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 907DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000191/200705 Acórdão n.º 240300.986 S2C4T3 Fl. 6 11 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19726.000378/2009-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.452
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no Art. 150, §4º, CTN.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no Art. 150, §4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Fl. 763DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 19726.000378/200901 Acórdão n.º 2403001.452 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários de fls. 534/549 e 552/587, apresentado pela DELTA ENGENHARIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, arrolada como responsável solidária, e INEPAR S/A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES, empresa contratante, respectivamente; em face da DecisãoNotificação – DN n. 17.401.4/0414/2005, prolatada pela Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro – Centro de fls. 507/525, que julgou procedente em parte o lançamento. Segundo o Relatório da DRJ, verbis: “Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização da Gerência Executiva em Curitiba/PR, pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa; ao Seguro de Acidente do Trabalho — SAT; além das contribuições dos segurados, constituído nos levantamentos: 049 — Solidariedade Constr. Civil Delta (competências: 12/96, 02/97 a 12/98) e 236— Solidariedade Cessão Manut. Delta (competências: 01/96 a 05/97, 07/97 a 12/98). O valor do presente e lançamento é de R$ 565.064,13 (quinhentos e sessenta e cinco mil, sessenta e quatro reais, e treze centavos), consolidado em 31/03/2004. 2. A apuração deuse com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de obras de construção civil, e de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, ambos executados pela empresa DELTA ENGENHARIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 00.077.362/000180, à empresa contratante INEPAR S/A INDUSTRIA E CONSTRUÇÕES, CNPJ 76.627.504/001412, conforme o Relatório Fiscal de fls. 42/47, e comunicado de fls. 62/63, estando as notas fiscais e os serviços descritos no Anexo de fls. 48/59. 3. De acordo com o Relatório Fiscal, a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal e/ou fatura, correspondente à execução de obras de construção civil e aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, através de guias de recolhimento, no prazo e valores estabelecidos na legislação. O lançamento foi precedido de Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 34. Constam dos autos TIAD, fls. 36 e TEAF, fls. 37/41.” O período de apuração corresponde às competências compreendidas entre 01/1996 a 12/1998. A empresa contratante foi notificada em 05/04/2004 (fl. 01), tempestivamente apresentou Impugnação de fls. 66/102, e aditamento nas fls. 104/121. A empresa contratada, responsável solidária, foi notificada em 1º/06/2004 (fl. 65), tempestivamente, apresentou Impugnação de fls. 123/491. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 4 DO RECURSO Inconformadas com a citada decisão, a DELTA ENGENHARIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, responsável solidária, tempestivamente, apresentou Recurso Voluntário de fls. 534/550 e a INEPAR S/A INDUSTRIA E CONSTRUÇÕES, empresa contratante, tempestivamente, apresentou Recurso Voluntário de fls. 552/587. É o relatório. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 19726.000378/200901 Acórdão n.º 2403001.452 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 673, os recursos são tempestivos e reúnem os pressupostos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação Fl. 767DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 6 na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, especificamente o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, na fl. 37, verificase que a Fiscalização analisou Comprovantes de Recolhimento, fato per si suficiente para a aplicação da decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/1996 a 12/1998. A última notificação ocorreu em 1º/06/2004 (fl. 65). Logo, o prazo decadencial ocorreu até a competência 07/1999, abrangendo, por conseguinte, todo o período do presente lançamento, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. CONCLUSÃO Do exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a decadência total, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 768DF CARF MF Impresso em 10/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
score : 1.0
Numero do processo: 10711.000124/89-55
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 1994
Ementa: I.I. E IPI - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO
Não havendo ficado evidenciada nos autos a ocorrência de cerceamento de defesa, descabe cogitar-se de nulidade do Auto de Infração, em virtude de falha processual, sanada no curso do procedimento administrativo-fiscal.
I.I. e IPI - CLASSIFICAÇÃO TARIFARIA
O produto denominado comercialmente de SILICONE Y-6857-B, tratando-se de produto não-iônico, com propriedades tensoativas, à base de silicone, há que ser classificado no código TAB/NBM 34.02.03.00.
Preliminar rejeitada
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 301-27.616
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar a preliminar
de nulidade do A.I.; no mérito, por unanimidade de votos, em
negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO
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MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANE.JAMENTO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA . PROCESSO'N I' 1_0_7_1_1_._0_0_0_1_24_/_8_9_-_5_5_°__ Recurso n~. : 5 - d 24 de maio 4eaoo 1 de 1.99_ 111.076 ACOROÃO N~ 3_0_1_-2_7_._6_16 _ Recorrente: Recorrid UNION CARBIDE DO BRASIL LTDA. IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO 1.1. E IPI - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇAO Não havendo ficado evidenciada nos autos a ocorrência de cerceamento de defesa, descabe cogitar-se de nuli- dade do Auto de Infra9ão, em virtude de falha proces- sual, sanada no curso do procedimento administrativo- fiscal. 1.1. e IPI - CLASSIFICAÇAO TARIFARIA O produto denominado comercialmente de SILICONE Y-6857-B, tratando-se de produto não-iônico, com pro- priedades tensoativas, à base de silicone, há que ser classificado no código TAB/NBM 34.02.03.00. Preliminar rejeitada Recurso a que se nega provimento. VISTO, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar a pre- liminar de nulidade do A.I.; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 24 de maio de 1994. c:J::::~-::Õ' OE ~~s - Preeidente MARIA' ti (~~~s&CUkL~O DAMEFP/DF - SECOS Ht 047/92 - •.•.H. - Relatora 2 - Procurador da Faz. Nac. VISTO EM -S~GUSTO TORRES NOBRE '. J •• Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: JOAO BAPTISTA MOREIRA, RONALDO LINDIMAR JOSE MARTON e LUCIANO WIRT CHAIBUB. Ausentes os Cons. ISALBERTO ZAVAO LIMA, MARCIA REGINA MACHADO MELARE e FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO. \ MINIST~RIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CAMARA RECURSO N. 111.076 -- ACORDÃO N. 301-27.616 RECORRENTE: UNION CARBIDE DO BRASIL LTDA. RECORRIDA IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO RELATORA MARIA DE FATIMA PESSOA DE MELLO R E L A T O R I O /. ~.'. '-~, CARTAXO 2 Retornam os presentes autos de diligência realizada no Ins- tituto Nacional de Tecnologia -- INT, através da repartição de origem, para cumprimento da Resolução n. 301-563,que determinava a elaboração de laudo técnico sobre a matéria objeto do litigio, nos termos do voto da relatora, às fls. 93. Adoto, portanto, como se aqui transcrito fosse, o relatório constante da mencionada Resolução 301-563 (doc. de fls. 90 a 92), cuja leitura faço nesse momento. . Em atendimento à diligência supracitada, foi elaborado pelo INT o Laudo Técnico de fls. 125 a 129, cujos termos leio integralmen- tem sessão, por versar sobre matéria eminentemente técnica, que, no meu entender, deve ser fielmente reproduzida. Acrescente-se, ainda, que a recorrente requereu, as fls. 101, a juntada aos autos do inteiro teor do Parecer C.S.T. (D.C.M.) n. 1482 de 23.11.90, relativo a produto, no seu entender, de constituição quimica idêntica ao de que trata este procedimento às fls. 102 a 108 encontra-se cópia do aludido Parecer. As fls. 109 e 110 fez idêntico pleito e juntou o mesmo docu- mento aos autos, às fls. 112 a 118. E o .elat6'i~ MINISTéRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES v O T O ~1, '. 3 Rec. 111.076 Ac. 301-27.616 Conselheira: Maria de Fatima Pessoa de Mello Cartaxo, relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre apreciar a preliminar de nulidade do Au- to de Infraaão, suscitada pela recorrente, sob o fundamento de que não se encontram nele mencionadas as disposi~ões legais infringidas. E bem verdade que, como assinala a recorrente, o inciso IV do art. 10 do Decreto n. 70.235/72 estabelece que o Auto de Infra~ão deverá conter, obrigatoriamente, a disposição ilegal infringida e a penalidade aplicável. Entretanto o mesmo Decreto n. 70.235/72, ao tratar das nuli- dades, dispõe em seus arts. 59 e 60: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 11 - os despachos e decisões proferidos por autoridade in- competente ou com preteri~ão do direito de defesa" ... "Art. 60. As irregularidades, incorre~ões e omissões dife- rentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Como se vê, são duas as hipóteses de nulidade prevista no Código de Processo Administrativo-Fiscal. A primeira delas é de logo afastada, por estar o Auto de Infra~ão de fI. 01, devidamente assinado pela AFTN Margarete Portscher Gomes. A segunda, que trata do cercea- mento de defesa, também não se aplica ao presente caso, pelo seguinte: a) do referido Auto de Infra~ão constam todos os elementos tidos como obrigatórios, relacionados no art. 10 do Decreto n. 70.235/72, à exceção da disposição legal infringida; b) a autora do feito fiscal invocou expressamente os arts. 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro, que lhe conferem poderes de reexa- minar o despacho aduaneiro, com vistas a verificar a regularidade da importa~ão, em todos os seus aspectos; c) citou, ainda, a autuante o Laudo de Análise n. 1448/87, através do qual foi constatada divergência entre o produto descrito na Adi~ão 001 e o efetivamente importado; d) como se observa, a irregularidade detectada na importa- ~ão, objeto da revisão aduaneira de que trata o citado art. 455 do R.A., trata-se de matéria de fato, relacionada à identificação do pro- duto; MINISTéRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Rec.111.076 Ac. 301-27.616 4 contra- empresa de análise da fls. 41/4, a ao efetuar o pedido 14/15, reiterado às analisado. e) do ponto de vista do cerceamento de defesa, muito mais relevante do que a cita~ão dos dispositivos legais e normativos que regem de forma genérica a declaração formulada pelo importador (D.I.) ao se pocessar o despacho aduaneiro, é sim, a descrição da irregulari- dade constatada, bem como, a indicação do Laudo de Analise em que se fundamentou a divergência; f) por outro lado, a empresa, tanto na impugnação quanto no recurso, demonstrou perfeita compreensão do ilícito fiscal que lhe es- tava sendo imputado através do questionado Auto de Infração, podendo dele bem se defender, sem que se verifique quaisquer restrições ao seu direito de ampla defesa; requerendo, inclusive, a realização de um no- vo laudo, pelo Instituto Nacional de Tecnologia, o que foi atendido por esta Câmara; g) assim sendo, a questionada omissão do dispositivo tegal infringido não constitui vício insanável, suficiente a livrar o Auto de Infração de nulidade de pleno direito, conforme pretendia a recor- rente, considerando-se que tal falha foi superada pelos demais elemen- tos constantes do lançamento, que permitiram o exercício da ampla de- fesa pelo sujeito passivo. h) além do mais, amostra pelo INT, às fls. convalidou o lançamento ora Por esses motivos, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, entendo como correta a decisão proferida pelo julgador de primeira instância, pelas seguintes razões: LABANA o tampouco priedades espuma de espumas de ci.al; 1 - da leitura dos dois laudos que instruem o presente pro- cesso, emitidos, respectivamente, pelo LABANA e pelo Instituto Nacio- nal de Tecnologia, depreende-se que a mercadoria, efetivamente, impor- tada, denominada comercialmente de Silicone Y-6857-B, é um produto or- gânico, tensoativo, de caráter não-iônico, à base de silicone; 2 - coincidem, portanto, as conclusões de ambos os laudos, no que concerne à descrição do produto e de suas características físi- co-químicas, como sendo um derivado de silicone do tipo polisiloxano- poliéter, ou ainda, um copolímero polisiloxano-polialquileno, com pro- priedades surfactantes, consequentemente, uma mistura com caracterís- ticas tensoativas, apontadas como necessárias ao atingimento de suas finalidades industriais; 3 - segundo a Informação Técnica n. 148/88, proferida pelo produto objeto do litígio "não corresponde em estrutura, nem em propriedades, com os óleos de silicone"; apresenta pro- tensoatiyas, que asseguram o seu emprego na fabricação de poliuretano ("utilizado como surfactante na fabricação de poliuretano"), sendo essa, pois, uma característica essen- 4 - concordo com o posicionamento da autora do feito final, em sua Informaaão de fls. 53, no sentido de que" ... dadas as caracte- rísticas peculiares deste produto o mesmo está excluido da posição 39.01, de acordo com o que determina as NENCCA: "Esta posição não compreende: a) Os produtos de poliadição ou de policondensação quja ca- racterística essencial lheu é conferida pelaS(\Ua._ssproprie- dades tensoativas" (34.02)"; ~ MINIST~RIO OA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Rec. 111.076 Ac. 301-27.616 5 o Silicone Y-6857-B e um polisiloxano-poliéter, produto de policondensaGão, cuja característica espuma, deve o mesmo ser classificado no capítulo com a supracitada norma de a interpretação (nota 5 como consequentemente um essencial é manter a 34, em consonância explicativa) ; 6 - adoto, ainda, o entendimento esposado pelo julgador sin- gular, em sua bem posicionada decisão de fls., expresso nos CONSIDE- RANDOS, a seguir, transcritos: "CONSIDERANDO que a classificação de uma mercadoria é de- terminada legalmente pelo texto das posições e das Notas de cada uma das SeGões ou Capítulos e pelas regras seguintes, sempre que não con- trariem os termos das referidas posições e Notas" (la. Regra Geral pa- ra Interpretação da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias NBM); CONSIDERANDO que as Notas Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Coopera~ão Aduaneira (NENNCA) são reconhecidas, por lei, como fonte subsidiária de interpretação do conteúdo das posições e desdobramento da NBM (parágrafo único do artigo 100 do R.A.); CONSIDERANDO que a posicão 39.01 da TAB não compreende os produtos de policondensação, cuja característica essencial lhes é con- ferida pelas suas propriedades tensoativas, remetendo-os para a posi- ~ão 34.02 (NENNCA - Considerações à posição 39.01, pág. 517); CONSIDERANDO que a posição 34.02 abrange produtos orgânicos tensoativos que, misturados com água, na concentração de 0,5 por cen- to, à temperatura de 20 graus centígrados, manifestam propriedades fí- sico-químicas, como por exemplo, diminuição da tensão superficial, formação de espuma, etc., excluindo-se desta posição apenas quando, na concentração e temperatura acima indicadas, não forem suscetíveis de diminuir a tensão superficial até 45 dynes cm ou menos (NENNCA -- Con- sidera~ões à posição 34.02, pág. 448); CONSIDERANDO que o produto importado é solúvel em água com formação de espuma e, nas condições estabelecidas pel~s NENNCA (20 graus centígrados, solução a 0,5%), reduz a tensão superficial a menos de 45 dynes/cm (Laudo n. 1448/87 e Informação Técnica n. 086/89); CONSIDERANDO que o produto em foco é um produto orgânico, e não organo-metálico, resultado de uma reação de copolímerização por condensa~ão (INF. 086/89, itens 5, 7 e 8, fls. 55/56); CONSIDERANDO que o produto Silicone Y-6857-B é um produto tensoativo de caráter não iônico (INF. 086/89, item 3), e, portanto, tem classifica~ão no código TAB 34.02.03.00, com alíquotas de 50% para o 1.1. e 15% para o IPI; CONSIDERANDO que o produto analisado não se identifica com o descrito nos documentos de importa~ão, por não constituir um óleo de Silicone (INF. 086/89, item 1);" Assim sendo, deve ser negado provimento ao recurso, quanto ao mérito da cobrança das diferenças do Imposto de Importa~ão e do Im- posto sobre Produtos Industrializados indicados no Auto de Infração e respectiva correção monetária e juros de mora. No tocante às multas, contra as quais também se insurge a recorrente, a saber arts. 524 e 526, 11 do Regulamento Aduaneiro e art. 364 do Regulamento do IPI, considero as mesmas cabíveis e aplicá- veis à hipótese dos autos, em virtude de haver ficado constatado q~a discrimina~ão da mercadoria nos documentos de importação por omi imprecisa e, até mesmo, incorreta quanto aos elementos indispensáve MINIST~RIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Rec.111.076 .Ac. 301-27.616 6.a identifica~ão e classifica~ão tarifária do produto. Tal fato carac- teriza a hipótese de declara~ão indevida e importa~ão ao desamparo de guia (G.I.), previstas, respectivametne, nos arts. 524 e 526, 11 do Regulamento Aduaneiro. Por outro lado, configurou-se, também, a situa~ão descrita no art. 364 do RIPI, por tratar-se de parcela de imposto devida e não recolhida dentro dos 90 (noventa) dias do término do prazo regulamen- tar, prevendo-se, para o caso, a aplicação de penalidade, ao percen- tual de 100% do valor do imposto. A vista do exposto e do mais que do processo consta, conhe~o do recurso, por tempestivo, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Sessões, em 24 de maio de 1994. ~ ~(~, ?~q~r:uLGL 19l MARIA DE FATIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO - Relatora 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000786/89-81
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 1996
Ementa: A perda da amostra do produto importado, impedindo a realização de
contraprova pelo interessado, da/ensejo, no caso, ao acolhimento do
recurso, pela caracterização do cerceamento ao amplo direito de
defesa.
Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 301-28.240
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, e aprovar a recomendação de representação a 8ª RF, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ
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ementa_s : A perda da amostra do produto importado, impedindo a realização de contraprova pelo interessado, da/ensejo, no caso, ao acolhimento do recurso, pela caracterização do cerceamento ao amplo direito de defesa. Recurso a que se dá provimento.
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Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 411 ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, e aprovar a recomendação de representação a 8 a RF, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 13 de novembro de 1996 MOACYR ELO P MEDE I OS Presidente MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉr toc . RA:MV:IA-G:RAI DA FAZCNDA NACIC)"At.419. Relatora Cotrilinenta-Geral • • repreaervaçdo Extraludiciel r:rs Árndbãoci.o.. AÁ:t"Git-eN-f O 6 MAR 1997 Luo A t el Mita t Ckré rtecumdcwo Ca razando N:ochano: Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e SÉRGIO DE CASTRO NEVES. Ausente o Conselheiro: LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. ume ( MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° : 112.495 ACÓRDÃO N° : 301-28.240 RECORRENTE : AMERCO COMÉRCIO EXTERIOR LTDA RECORRIDA : DRF/OSASCO/SP RELATOR(A) : MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO Ao relatório de fls. 79, que leio em sessão, acrescento os seguintes fatos processuais ocorridos. Por Resolução de n° 301-604, datada de 29.01.91, foi o julgamento do • recurso apresentado convertido em diligência ao INT - Instituto Nacional de Tecnologia, para o fim de ser realizada a contra-prova da amostra coletada inicialmente, tal como requerido pela recorrente, com a resposta de quesitos elaborados pela interessada e por este Conselho de Contribuintes. A repartição preparadora, em cumprimento à Resolução, tratou de encaminhar cópia do processo ao INT, que atestou o seu recebimento. Posteriormente, entretanto, o INT oficiou ao Sr. Delegado da Receita Federal em Osasco, solicitando a amostra do produto a ser analisado, para o fiel cumprimento da diligência. Passados dois meses sem que a repartição tivesse encaminhado a amostra solicitada, o INT fez a devolução da cópia do processo que havia recebido. A repartição preparadora, conforme atesta a cota aposta às fls. 80, certificou não ter encontrado, naquele recinto, quaisquer amostras da mercadoria a periciar. Determinou-se, então, às fls. 90, o encaminhamento do processo à DRF Santos-Labana, solicitando a amostra que originou o Laudo n° 1.152/89. rian ner Às fls. 90 consta certidão do Setor Técnico do LABANA-SANTOS, atestando a entrega ao SLA-DRF-Santos da amostra n° 792/89, referente à mercadoria "Tintas preparadas-tinta a agua" do Laudo n° 1.152/89. Estranhamente, contudo, às fls. 74 (não numerada e não rubricada) consta certidão da rRF São Paulo, certificando que, apesar dos esforços realizados por aquela Inspetoria no sentido de obter a amostra do produto, não foi possível obtê-la, motivo pelo qual fazia o encaminhamento do processo, sem cumprimento da Resolução n° 301-604, a este Conselho. É o relatório. )1(Y 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.495 ACÓRDÃO N° : 301-28.240 VOTO Conforme constou do relatório, não foi possível, por motivos não esclarecidos suficientemente, que o INT realizasse a análise do produto em questão, por falta de envio da amostra àquele Instituto. Desta forma, outra decisão não pode haver no presente processo, senão a de, reconhecendo-se o cerceamento de defesa imposto ao recorrente, pela impossibilidade de realizar a contraprova solicitada, por motivos aos quais não deu causa, ser o auto vestibular cancelado integralmente. Voto, assim, no sentido de ser dado integral provimento ao recurso apresentado às fls., cancelando-se todas as exigências impostas ao recorrente no auto vestibular. Proponho outrossim, recomendação no sentido que este Conselho represente à 8a RF Região Fiscal, para que sejam apuradas as responsabilidades daqueles que, por ação ou omissão, deixaram que a amostra do produto importado se perdesse dentro dos recintos da Administração Pública. Sala das Sessões, em 13 de novembro de 1996 MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - RELATORA 3 Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.013532/2007-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Não se conhece Recurso Voluntário protocolizado após trinta dias da data da ciência do Acórdão da DRJ, conforme previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-001.299
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso por intempestividade.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece Recurso Voluntário protocolizado após trinta dias da data da ciência do Acórdão da DRJ, conforme previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Relatório Tratase do AutodeInfração DEBCAD n° 37.042.6002, lavrado em face do INSTITUTO DE ADMINISTRAÇÃO SOCIAL E EMPREGO IASE, doravante mencionada simplesmente como empresa, IASE, no valor de R$ 1.195,13 (mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), por ter infringido a Lei n.° 8.212/91, art. 30, I, “a”, e a Lei n° 10.666/03, art. 4°, ccumulado com Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 216, I, “a”, quando deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados. Segundo o Relatório Fiscal de fls., verbis: “(...) 8. Conforme os Termos de Parceria firmados entre o Instituto IASE e as PREFEITURAS MUNICIPAIS DE PINDORETAMA, CNPJ: 23.563.448/000119, UMIRIM, CNPJ: 06.582.464/000130, SAO LUIS DO CURU, CNPJ: 07.623.051/000119, IPAPORANGA, CNPJ: 10.462.364/000147 e CANINDÉ, CNPJ: 07.189.463/000192, o IASE seria responsável pela contratação e pagamento de trabalhadores que seriam alocados nas Prefeituras para prestação de serviços em atividades típicas dos Municípios, sendo por esse motivo, recebedora de repasses mensais por parte das referidas Prefeituras. 9 Para a execução dos serviços, o Instituto IASE efetua a contratação de grande parte dos trabalhadores através de ‘Termo de Adesão ao Serviço Voluntário’, contrato previsto na legislação e que será melhor analisado logo abaixo, e ‘Contrato para Prestação de Serviços por Prazo Determinado para Atender a Necessidade Temporária de Excepcional Interesse Público’. 10 O Termo de Adesão é o instrumento mediante o qual a entidade formaliza a relação com um cidadão que se submete ao trabalho voluntário. O serviço voluntário é definido pela Lei 9.608/98 como o trabalho realizado por pessoas físicas, não remunerado, sem gerar nenhum tipo de vinculo empregatício, obrigações trabalhistas, previdenciárias ou afins. A Lei 9.608/98 permite que o voluntário seja ressarcido de despesas efetuadas no exercício do seu trabalho como voluntário, deste que comprovadas e expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário. 11. Analisando as Folhas de Pagamento/Relações de pagamentos efetuados, os Recibos de pagamento e as GFIP apresentadas, constatouse que para esses trabalhadores, contratados través de ‘Termo de Adesão ao Serviço Voluntário’, há repasses pecuniários mensais efetuados a titulo de despesas efetuadas. 12 Apesar de solicitada através de TIAD, a empresa não apresentou documentação comprovando as despesas efetuadas pelos trabalhadores que justificariam o pagamento a titulo de ressarcimento de despesas. Também não apresentou a autorização expressa aos trabalhadores para contrair despesas, conforme determina a Lei 9.608/98 (Lei do voluntariado). 13 Considerando as informações acima, essa fiscalização, observando a legislação vigente (Lei 8.212/91, artigo 33, parágrafo 3º), considerou os valores repassados a tais trabalhadores como saláriodecontribuição e, por conseguinte, fatos geradores das contribuições previdenciárias. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10380.013532/200718 Acórdão n.º 2403001.299 S2C4T3 Fl. 2 3 (...) 15.1 Após exame dos documentos apresentados, ficou constatado que a empresa não declara todos os segurados em GFIP, e que, para aqueles declarados o enquadramento é feito na categoria 24 — Contribuintes Individuais (Cooperado que presta serviços à entidade beneficente de assistência social isenta de cota patronal ou a pessoa física, por intermédio da cooperativa de trabalho). Tal enquadramento é totalmente incorreto, pois em hipótese alguma reflete a real situação dos trabalhadores a seu serviço.” 16. A relação de trabalho entre a empresa fiscalizada, INSTITUTO DE ADMINISTRAÇÃO SOCIAL E EMPREGO IASE, e os trabalhadores por ela contratados caracterizase pela existência de vinculo empregaticio, relação de emprego, e não de prestação autônoma de serviços ou trabalho voluntário. Dai serem enquadrados, para efeitos de contribuições previdenciárias, como segurados empregados da mesma. 17 O Instituto IASE, apesar de solicitado em TIAD, não apresentou todos os documentos relativos ao período fiscalizado, sendo tal descumprimento objeto de lavratura de Autos de Infrações com Códigos de Fundamentação Legal CFL: 35 e 38, conforme citado em tabela abaixo. 18 Ressaltese que o IASE não declara todos os segurados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP e não apresentou tal documento em diversas competências, apesar de manter trabalhadores em seus quadros. Tal fato foi objeto de lavratura dos Autos de Infração com Código de fundamentação Legal CFL 67 e 68 e configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000. Portanto, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. 19 Após a análise, esta auditoria constatou, através dos lançamentos contábeis existentes nos Livros Diário e Razão e folhas de pagamento (em anexo por amostragem), que não houve, por parte da empresa, a devida arrecadação, através de desconto, das contribuições sociais devidas pelos segurados a seu serviço.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente AI, através do instrumento de fls. 152/163, alegando, resumidamente, verbis: “Deixando de lado a questão da atecnia da expressão ‘isenção’. Uma vez que é pacífico jurisprudencialmente e doutrinariamente que o § 7° está a tratar de vera imunidade, o fato notório é que determinadas entidades que fomentam atividades de interesse público sem fins lucrativos estio acobertadas por uma ampla imunidade tributária ex vi de uma interpretação sistemática dos arts. 150. VI, "a”, § 2° e 195, § 7°, ambos da CF. incluindo ai os impostos e as contribuições sociais em sentido amplo. Interpretar de forma diferente é contrariar o interesse público que subjaz ao texto constitucional. (...) AS OSCIP's não exploram atividade econômica na forma do art. 173 parágrafos e incisos da CF, mas sim, exercem atividade de interesse público fomentada pelo Fl. 297DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 próprio Estado, através dos chamados Termos de Parcerias, por isso são imunes a impostos e contribuições sociais na ex vi dos arts. 150, VI, ‘a’ e 195, § 7° da CF. (...) Admitir a tributação das OSCIP's por intermédio de impostos e contribuções sociais é a mesma situação que admitir o Estado tributando a si próprio. (...) No entanto, há que salientar que as pessoas que prestavam serviços não eram subordinadas ao IASE, não tinham controle de freqüência, até mesmo porque não havia. horário préestabelecido, posto que estes recebiam as tarefas para executarem no horário que melhor lhe conviesse, desde que fosse horário de funcionamento da prefeitura. Toda documentação solicitada pelos fiscais foram entregues, não só em originais como em copias. (...) Douto Julgador. não é justo que o IASE, que é uma entidade sem fins lucrativos e que no remunera seus dirigentes, seja penalizada por valores que não recebeu ou mesmo imposta a recolher montantes que não reteve dos seus prestadores de serviços, vez que o município não repassou nenhum valor para ser pago a titulo de qualquer tributo.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, em 24/01/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FortalezaCE, através da 6a Turma da DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0812.711, de fls. 252/264, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 04/06/2007 IMUNIDADE. ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO OSCIP. A Organização da Sociedade Civil De Interesse Público OSCIP é uma qualificação jurídica a ser atribuída a pessoas jurídicas de direito privado, que se qualificam para desenvolver ações em parceria com o Poder Público. Essa qualificação por si só não enseja a imunidade prevista na Constituição Federal, art. 195, §70, que somente alcança as entidades beneficentes de assistência social que atendam os requisitos determinados na Lei n° 8.212/91, art. 55. SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO, DAS CONTRIBUIÇÕES. A empresa que deixa de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados que lhe prestaram serviços, infringe o art. 30, I, ‘a’, da Lei n°8.212/91. Lançamento Procedente” Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10380.013532/200718 Acórdão n.º 2403001.299 S2C4T3 Fl. 3 5 DO RECURSO Na fl. 270 dos autos, em 30/04/2009, a Receita Previdenciária, através da Intimação de controle nº 03.1.01.00 – DRF FORTALEZA, informa ao representante legal da empresa que a mesma tem o direito de recorrer do acórdão no prazo de 30 dias. Em 08/05/2009 a empresa tomou conhecimento da intimação através de AR recebido, conforme comprovado às fls. 271 dos autos. Em 10/06/2009 a Recorrente apresenta petição (fls. 275/285), manifestando se contra a decisão proferida pela DRJ em Fortaleza. É o Relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme AR constante na fl. 271, a empresa tomou conhecimento do Acórdão da DRJ, no dia 08/05/2009 (sextafeira), tendo iniciado o prazo para interposição do Recurso Voluntário no primeiro dia útil seguinte, nos termos do art. 5o do Decreto n. 70.235/72, qual seja, o dia 11/05/2009 (segundafeira). O prazo para a interposição de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Diante disso, os trinta dias para a interposição do Recurso Voluntário terminaram no dia 09/06/2009 (terçafeira). Logo, o Recurso Voluntário de fls. 275/285 foi apresentado fora do prazo, vez que, conforme consta na fl. 275, fora protocolizado no dia 10/06/2009 (quartafeira), 1 (um) dia após o prazo. CONCLUSÃO Diante do exposto, manifestome pelo não conhecimento do Recurso Voluntário, face a sua intempestividade. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001965/2010-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2009
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.383
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2009 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação. Recurso Voluntário Negado.
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DEIXAR DE APRESENTAR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. A empresa recorrente deixou de apresentar documentos/livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual foi lavrado Auto de Infração por esse descumprimento e não foi apresentada prova que pudesse reverter a autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001965/201037 Acórdão n.º 2403001.383 S2C4T3 Fl. 264 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.256 à 259 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls. 248 à 253) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração nº 37.285.4737, no valor originário de R$ 14.317,78 (quatorze, trezentos e dezessete mil reais e setenta e oito centavos). A autuação, segundo o relatório fiscal, às fls. 06 a 136, corresponde ao descumprimento por parte da empresa da obrigação acessória prevista no art. 33, § 2º e 3º, da Lei nº 8212/91, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O período objeto da fiscalização compreendeu as competências de 01/2007 a 12/2009. Acrescenta o referido relatório que a empresa, durante o período supracitado, ao apresentar os livros contábeis solicitados pela fiscalização não atendeu às formalidades legais exigidas, ausência de formalidades extrínsecas ou intrínsecas (falta de encadernamento , Livro Diário sem registro na Junta Comercial, Livro Caixa sem registro de movimentação bancária), bem como contendo informação diversa da realidade, ou seja, não foram contabilizados os recebimentos das Notas Fiscais emitidas em 2007 e 2008 e ausência de contabilidade em 2006 havendo pagamento de prólabore. Desta autuação, a recorrente foi notificado em 25/08/2010 e apresentou impugnação às fls. 209 a 246 alegando em síntese: Que a empresa ficou sem contabilidade desde sua abertura, 28/01/2005, até 22/01/2007 quando foi feita a primeira obra haja vista que anteriormente somente trabalhava com projetos de forma autônoma; Que a empresa do SIMPLES NACIONAL estão desobrigadas da escrituração contábil, como previsto no art. 47, da IN RFB 971, de 2009. Tal previsão consta também do sitio da Receita Previdência ao tratar da regularização de obra de construção civil; Que a escrituração contábil ainda que inexistente ou insuficiente em nada prejudicou o fisco federal, visto que a mão de obra é calculada pelo CUB; Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/BHE MG proferiu acórdão (n°0231.360) nos termos que se segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2009 Auto de InfraçãoAI: 37.285.4737 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 LIVRO OU DOCUMENTO COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE.OMISSÃO DE INFORMAÇÃO VERDADEIRA. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa livro ou documento fiscal com INFORMAÇÃO DIVERSA da REALIDADE, que omita INFORMAÇÃO verdadeira e que não atenda as formalidades legais exigidas. CONTABILIDADE.REGULARIDADE.CONFIABILIDADE. A confiabilidade da informação contábil fundamentase na veracidade, tempestividade, completeza e pertinência do seu conteúdo. A veracidade exige que as informações contábeis não contenham omissões, erros ou vieses, e sejam elaboradas em rigorosa consonância com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e com as técnicas e procedimentos respaldados na ciência da Contabilidade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignado com a decisão supra, o recorrente interpôs recurso voluntário às fls.256 a 259, ratificando os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001965/201037 Acórdão n.º 2403001.383 S2C4T3 Fl. 265 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA: O recorrente foi autuado através do Auto de Infração n° 37.285.4737 por ter deixado de apresentar documentos e livros relevantes para a caracterização de fato gerador das contribuições sociais destinadas a Seguridade Social. Sobre essa imputação, o recorrente alega que a documentação necessária à regularização de obra de construção civil é peculiar para cada tipo de obra, estando sob a égide da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, esta dispensa aquele, por ser optante e integrar o SIMPLES NACIONAL encontrase desobrigado da escrituração contábil. Acrescenta ainda que a contabilidade da referida empresa encontrase dentro dos padrões exigidos pelas NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE, bem como ficou sem contabilidade desde a abertura do estabelecimento, 28/01/2005, até 22/01/2007, quando foi realizada a primeira obra cadastrada no CEI, haja vista que somente trabalhava com projetos de forma autônoma. Acontece que nem a Lei 8.212/91 que regula o regime de tributação normal das contribuições previdenciárias nem a Lei Complementar 123/2006 descartam a hipótese da empresa não manter conservado e nem escriturar a contabilidade caso esta seja optante do SIMPLES, vejamos: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: (...) II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. (...) § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Além disso, prevê a Lei n° 8.212/91 que a empresa que não apresentar documento relevante para a fiscalização e ligado à possível ocorrência de fato gerador, será multada por esse descumprimento, in verbis: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ademais, previu o § 3o do mesmo art.33 que havendo recusa da entrega dos documentos solicitados em fiscalização, esta poderá aplicar a penalidade cabível, lançando de ofício o crédito devido, in verbis: § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O Regulamento da Previdência Social em seus arts.232 e 233, parágrafo único, reproduzem a mesma previsão da Lei n 8.212/91. Ressaltase que apesar da redação do art.33 ter sido dada por Lei recente, o teor é o mesmo, não mudando, portanto, a obrigação imposta à empresa em apresentar todos os documentos que sejam relacionados às contribuições sociais e possam identificar a ocorrência do fato gerador. Assim, a fiscalização agiu corretamente ao lançar a multa com base nos arts.92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e art.283, II, “j” c/c o art.373 do Regulamento da Previdência Social. Vejamos o que cada dispositivo preleciona, in verbis: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que tal dispositivo foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, preconiza o art. 102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.001965/201037 Acórdão n.º 2403001.383 S2C4T3 Fl. 266 7 Art.102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; * * * Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Ante o exposto e considerando que o recorrente infringiu norma legal tributária, entendo pela manutenção da cobrança em todos os seus termos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19615.000549/2007-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGRA CONSTITUCIONAL SERVIDOR OCUPANTE, EXCLUSIVAMENTE, DE CARGO EM COMISSÃO SERVIDOR OCUPANTE, EXCLUSIVAMENTE, DE CARGO TEMPORÁRIO EMPREGO PÚBLICO APLICAÇÃO
DO RGPS.
O art. 40 da CRFB/1988 dispõe que aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo.
O § 13, deste mesmo artigo 40 da CRFB/1988, institui que ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o Regime Geral de Previdência Social RGPS.
(Incluído pela Emenda Constitucional no 20, de 15/12/1998).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.267
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGRA CONSTITUCIONAL SERVIDOR OCUPANTE, EXCLUSIVAMENTE, DE CARGO EM COMISSÃO SERVIDOR OCUPANTE, EXCLUSIVAMENTE, DE CARGO TEMPORÁRIO EMPREGO PÚBLICO APLICAÇÃO DO RGPS. O art. 40 da CRFB/1988 dispõe que aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. O § 13, deste mesmo artigo 40 da CRFB/1988, institui que ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o Regime Geral de Previdência Social RGPS. (Incluído pela Emenda Constitucional no 20, de 15/12/1998). Recurso Voluntário Negado.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGRA CONSTITUCIONAL SERVIDOR OCUPANTE, EXCLUSIVAMENTE, DE CARGO EM COMISSÃO SERVIDOR OCUPANTE, EXCLUSIVAMENTE, DE CARGO TEMPORÁRIO EMPREGO PÚBLICO APLICAÇÃO DO RGPS. O art. 40 da CRFB/1988 dispõe que aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. O § 13, deste mesmo artigo 40 da CRFB/1988, institui que ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o Regime Geral de Previdência Social RGPS. (Incluído pela Emenda Constitucional no 20, de 15/12/1998). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19615.000549/200789 Acórdão n.º 240301.267 S2C4T3 Fl. 102 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – MUNICÍPIO DE TEN. ANANIAS P MUNICIPAL contra Acórdão nº 1119.225 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.667.1747, fl. 01, no valor consolidado de R$ 61.931,91. O lançamento é referente às contribuições devidas à Seguridade Social, a cargo do Município de Tenente Ananias Prefeitura, sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados obrigatórios da Previdência Social, na competência 12/2005. O Relatório Fiscal, às fls. 16 a 18, informa que as bases de cálculo dos fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias foram as remunerações pagas, devidas ou creditadas pelo Município de Tenente Ananias Prefeitura, decorrentes da remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, todos segurados obrigatórios da Previdência Social. Ainda o Relatório Fiscal, às fls. 16 a 18: Não houve a apropriação indébita previdenciária dos descontos efetuados e não recolhidos à Previdência Social dos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos devido ao comando de retenção efetuado pela Previdência Social utilizar o código de pagamento 2402, deixando, portanto, de efetivar a apropriação de recolhimentos dos descontos dos referidos segurados. No tocante ao elemento de despesa 3.3.90.36 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física, os profissionais da saúde, tais como enfermeiro (a), dentista, parteira entre outros, foram considerados como empregados, conforme determina o inciso XXVI do art. 6º da Instrução Normativa n o 003 de 14/07/2005 (publicado no D.O.U. em 15/07/2005). As contribuições destinadas a terceiros (SEST e SENAT) lançados na presente NFLD são decorrentes da subrogação a que está sujeito o Município de Tenente Ananias Prefeitura, nos termo do inciso IV, art. 30, da Lei 8.212/91. Estas contribuições são originárias dos serviços prestados por transportadores rodoviários autônomos. Tais contribuições, na verdade, são encargos dos fornecedores dos serviços, ficando o contribuinte ora sob auditoria fiscal, subrogado nesta obrigação. Em relação aos códigos de levantamento, o Relatório Fiscal, às fls. 16 a 18, mostra que o crédito apurado nesta notificação, lançado sob as codificações FP1 FOLHA DE PAGAMENTO EM GFIP; FP2 FOLHA DE PACTO NÃO DECL GFIP, FRE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS é decorrente das diferenças encontradas pela Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 fiscalização entre os valores devidos, calculados através da aplicação das alíquotas previstas na legislação própria sobre as bases de cálculo especificadas nos itens precedentes e os recolhimentos porventura efetuados pelo contribuinte. Em relação a outras autuações lavradas na ação fiscal, foi informado pela Auditoria Fiscal, à fls. 16 a 18, que foram lavrados Autos de Infração em nome da dirigente do órgão, Maira Sarmento da Silva, Prefeita do Município de Tenente Ananias, Estado do Rio Grande do Norte, pelas multas aplicadas por descumprimento ao art. 41, Lei 8.212, de 24.07.91. Houve ainda Lançamento de Débitos Confessados LDC 35.667.1690 debito referente ao período de janeiro a novembro de 2005 na quantia de R$ 383.456,04. A ciência da NFLD ocorreu em 10.11.2006, às fls. 109. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo do Débito, às fls. 17, é 12/2005. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 62 a 66, que, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) O valor apurado no "Auto de Infração" deve ser desconsiderado, pois já havia sido lavrado outro Auto de Infração, DEBCAD n.° 35.667.1704, no montante total de R$ 138.834,00 (cento e trinta e oito mil, oitocentos e trinta e quatro reais), deste total, R$ 71.529,32 (setenta e um mil, quinhentos e vinte e nove reais e trinta e dois centavos), segundo o defendente, correspondem ao mês de dezembro, logo, não poderia ser lavrado outro auto com valor diferente; (ii) Os valores apurados não guardam consonância com o número de vínculos existentes no período analisado; (iii) Em virtude do argumento acima, estaria havendo um enriquecimento sem causa, por parte do Instituto. (iv) Por fim, requer o acolhimento dos argumentos, desconsiderando os valores apurados na competência 12/2005. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1119.225 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, fls. 93 a 98, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS. VINCULAÇÃO A REGIME DE PREVIDÊNCIA. O servidor público, não vinculado a Regime Próprio de Previdência, é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DO ENTE PÚBLICO EQUIPARADO A EMPRESA. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19615.000549/200789 Acórdão n.º 240301.267 S2C4T3 Fl. 103 5 É obrigação legal das empresas, às quais se equiparam os órgãos públicos, efetuarem a retenção e o recolhimento da contribuição de responsabilidade dos contribuintes individuais, bem como, recolher a parte patronal. Lançamento Procedente Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 29 da Lei n.° 11.457, de 16/03/2007, combinado com o § 1.° do art. 305 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 07/05/1999, na redação dada pelo Decreto a° 4.729, de 09/06/2003, neste caso, dispensado o depósito prévio por se tratar de órgão público. Sala de Sessões, em 13 de junho de 2007. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 93 a 98, em apertada síntese: (i) Dos valores de dez/2005 Consta ainda do referido processo, no RDA — Relatório de Documentos Apresentados, que relaciona as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, tomandose por base levantamento feito sobre as GPS's apresentadas durante todo o Exercício Financeiro de 2005, destacandose o mês de dezembro/2005, constando valor recolhido no montante total de R$ 32.697,84. Desta forma, levandose em consideração o valor acima aduzido, que relaciona os recolhimentos das contribuições apuradas no período, notadamente o valor de R$ 32.697,84, relativo ao mês de dezembro/05, é de questionar o motivo de sua exclusão como fator de dedução do valor inicialmente apurado nas Folhas de Pagamento FP1, FP2 e FRE, constantes dos Discriminativos de Débito — DAD e DSD. Requer a redução do total apurado para o montante de R$ 22.259,92 (vinte e dois mil, duzentos e cinqüenta e nove reais e noventa e dois centavos), correspondente à diferença do valor de R$ 54.957,76 (cinqüenta e quatro mil, novecentos e cinqüenta e sete reais e setenta e seis centavos), relativo ao valor Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 inicialmente cobrado, com o valor de R$ 32.697,84 (trinta e dois mil, seiscentos e noventa e sete reais e oitenta e quatro centavos) correspondente às parcelas já recolhidas no mês de dezembro/2005. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 100. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19615.000549/200789 Acórdão n.º 240301.267 S2C4T3 Fl. 104 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 100. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada NFLD nº 35.667.1747 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (redação à época da lavratura da NFLD nº 35.667.1747) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); Fl. 112DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19615.000549/200789 Acórdão n.º 240301.267 S2C4T3 Fl. 105 9 e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal i. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; j. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. l. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 35.667.1747, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Ademais, a legislação de regência dos Regimes Próprios de Previdência Social – RPPS que dispõe que ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o Regime Geral de Previdência Social RGPS. Senão, vejamos a legislação acerca do RPPS: CRFB/1988: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional no 41, de 19/12/2003) § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional no 20, de 15/12/1998) Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) Lei 8.213/1991: Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais. (Incluída pela Lei no 8.647, de 13/04/1993) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19615.000549/200789 Acórdão n.º 240301.267 S2C4T3 Fl. 106 11 Decreto 3.048/1999: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; Lei nº 9.717/1998, de 27.11.1998, que dispõe sobre regras gerais para organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal e dá outras providências. Art. 9º Compete à União, por intermédio do Ministério da Previdência e Assistência Social: I a orientação, supervisão e acompanhamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos e dos militares da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e dos fundos a que se refere o art. 6º, para o fiel cumprimento dos dispositivos desta Lei; II o estabelecimento e a publicação dos parâmetros e das diretrizes gerais previstos nesta Lei. PORTARIA Nº 402, de 10.12.2008 REGULAMENTAÇÃO DA LEI GERAL DA PREVIDÊNCIA NO SERVIÇO PÚBLICO Art. 2º Regime Próprio de Previdência Social RPPS é o regime de previdência, estabelecido no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que assegura, por lei, aos servidores titulares de cargos efetivos, pelo menos, os benefícios de aposentadoria e pensão por morte previstos no art. 40 da Constituição Federal. § 1o O RPPS oferecerá cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargo efetivo, magistrados, ministros e conselheiros dos Tribunais de Contas, membros do Ministério Público e de quaisquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações e a seus dependentes. § 2º O servidor do ente federativo, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, de cargo eletivo, bem como de outro cargo temporário ou de emprego Fl. 115DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 público, é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS (gn) Portanto, nos termos do art. 40, § 13, CRFB/1988 c/c art. 12, I, g, Lei 8.212/1991 c/c Art. 11, I, g, Lei 8.213/1991 c/c art. 9º, I, i, Decreto 3.048/1999 c/c art. 9º, II, Lei 9.717/1998 c/c art. 2º, § 2º, Portaria MPS 402/2008, ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, afastandose deste modo a aplicação exclusiva de regime jurídico previdenciário estadual a estas categorias de servidores. (b) Inconstitucionalidades. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19615.000549/200789 Acórdão n.º 240301.267 S2C4T3 Fl. 107 13 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NO MÉRITO. (i) Dos valores de dez/2005 Consta ainda do referido processo, no RDA — Relatório de Documentos Apresentados, que relaciona as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, tomandose por base levantamento feito sobre as GPS's apresentadas durante todo o Exercício Financeiro de 2005, destacandose o mês de dezembro/2005, constando valor recolhido no montante total de R$ 32.697,84. Desta forma, levandose em consideração o valor acima aduzido, que relaciona os recolhimentos das contribuições apuradas no período, notadamente o valor de R$ 32.697,84, relativo ao mês de dezembro/05, é de questionar o motivo de sua exclusão como fator de dedução do valor inicialmente apurado nas Folhas de Pagamento FP1, FP2 e FRE, constantes dos Discriminativos de Débito — DAD e DSD. Requer a redução do total apurado para o montante de R$ 22.259,92 (vinte e dois mil, duzentos e cinqüenta e nove reais e noventa e dois centavos), correspondente à diferença do valor de R$ 54.957,76 (cinqüenta e quatro mil, novecentos e cinqüenta e sete reais e setenta e seis centavos), relativo ao valor inicialmente cobrado, com o valor de R$ 32.697,84 (trinta e dois mil, seiscentos e noventa e sete reais e oitenta e quatro centavos) correspondente às parcelas já recolhidas no mês de dezembro/2005. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Analisemos. Não assiste razão à Recorrente porque o valor R$ 32.697,84 reconhecido no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, às fls. 08, na competência 12/2005, foi integralmente deduzido do valor devido, conforme se observa do Relatório de Discriminativo Analítico de Débito – DAD, às fls. 08, com as seguintes deduções dos levantamentos: Levantamento FP1 FOLHA DE PAGAMENTO EM GFIP: crédito considerado em GPS: R$ 20.963,29 Levantamento: FP2 FOLHA DE PAGTO NAO DECL crédito considerado em GPS: R$ 11.734,55 Total do valor deduzido: Levantamento FP1 (R$ 20.963,29) + Levantamento: FP2 (R$ 11.734,55), perfazendo o total de R$ 32.697,84. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 118DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.000454/89-80
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: "INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAOES. Aplica-se a multa do art. 526, inciso II, do RA, quando a Guia de Importação for emitida para mercadoria diversa da efetivamente importada. Recurso provido."
Numero da decisão: CSRF/03-02.207
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Fausto de Freitas e Castro Neves, que lhe dava provimento parcial, para restabelecer a exigência excluída da multa do art. 526, II, do R.A.
Nome do relator: HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO
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Aplica-se a multa do art. 526, inciso II, do RA, quando a Guia de IMportacgo for emitida para mercadoria diversa da efetivamente importada. Recur so provido." , Vistós, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos ter mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Fausto de Freitas e Castro Neves, que lhe dava provimento parcial, para restabelecer a exigência éxlulda dá mul- ta do art. 526, II, do R.A. . :All a clÀ. :- Sessões-DF, em 18 de outubro de 1993 - ' S ,' jer. 747--__- PRESIDENTE . :,•00-. . _. .-: : 54-_,,,,A :lif „"..„-f - HUMBERTO ESMERALDO BAR4r '- FILHO- RELATOR / 2LUIZ FERNANDO OLIVE:-/, DE M 9AES- PROCURADOR DA FA /,--/ ZENDA NACIOANL - , = v.v..._ DANIEFP/DF— SECO9 Ne 064/90 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: ITAMAR VIEIRA DA COSTA, SÉRGIO CASTRO NETO, UBALDO CAMPELO N —t- TO, JOÃO HOLANDA COSTA E SEBASTIÃO RODRIGUES CABRA .., \10 _ /)1n7''':% 11; • ; BERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10845/000.454/89-80 RECURSOW : RP/301-0.155 AcCin1X0 N2: CSRF/03-02.207 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO : PLÁSTICOS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA RELATÓRIO_ A Colenda Câmara julgadora do recurso voluntário re - conheceu como efetivamente diverso daquele referido nos documentos de importação o produto ingressado no Pais. Excluiu, todavia, da autuação, as multas Previstas no art. 364, II, do RIPI e 526, II, do RA, com espeque na seguinte fundamentaçgo, verbis: "A primeira multa se refere expressamente a au sência de nota fiscal na transaç go comercial. Como no caso de importação não existe notas fiscais no há de se falar em infligir tal pena ao contribuinte. Quanto ã segunda multa C526, II do Regulamento Aduaneiro' a aplicação em simultaniedade (sic) com a 524 do mesmo diploma legal é o contra-senso lógi- co. Ora aplica-se a multa do artigo 524 em raz go da declaraç go indevida de mercadoria, já a multa do ar tigo 526, II se refere a importaçao de mercadoria T sem guia de importaçgo. Ou seja, ou a mercadoria foi importada sem uma guia de importaç go - caso previs- to no artigo 526, II -, ou foi importado com uma I guia mal redigida - caso previsto no artigo 524 -, mas simultaneamente ser importado sem via e com guia mal feita dat-a máxiMa venha, uma contradi- , ção. No caso em exame existe uma guia de importação acompanhando a mercadoria, de forma que no julgo caBlvel a multa do artigo 526, do Regulamento Adua- neiro." - /í DAMEFP/DF- SECOS N2 065/10 J.H. - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 108451000,454/8 9_ -80 2. Acórdgo n9 CSRF/03-02.207 Irresignada, j:.nterpSe a Fazenda Nacional recurso especial, promugnando pela manutençgó das penas antes menciona- das, vez que os arts. 256-259 do RIPI prevêem a emissRo de no- tas fiscais quando do ingresso de bens importados no estabeleci mento emitente, e que e. plausivel a aplicaç go concomitante das multas dos arts. 524 e 526, II, do RA, destinadas cada qual a uma infraç go distinta. A interessada, em contra-razõ'es, reporta-se ao voto condutor do areáto recorrido, clamando por sua preservaçgo. _ Ê o relatório. Và '.1 if4 , ,, , SERVICOPUBLICOFEDERAL PROCESSO N9 10845/000.454/89-80 3. AcOrdRo n9 CSRF/03-02.207 VOTO Conselheiro HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO, Relator No vejo como, data venha, sustentar a exclusRo de_ terminada pela v. decisâo recorrida. Com efeito, mostra-se cabível a multa proposta por falta de lançamento do IPI (iart. 364, RIPI), uma vez reconhecida' pela Câmara julgadora a diferença a menor nos tributos incidentes. Também aplica-se in casu, de igual sorte, uma vez pacificada a questao da divergência entre o que guiado e o que e- fetivamente importado, a penalidade prescrita no art. 526, II, do RA, ligo repelida pela existência do documento emitido para aquela outra mercadoria. Provejo o recurso. Sala das Sessões-DF, em 18 de outubro de 1993 HUMÇ TO ESMERALDO BARRETO FILHO - RELATOR h.'`R" - 1 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10711.001377/88-65
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES
1- Tendo sido corretamente descrita a mercadoria nos documentos de importação, tem-se por inaplicável à espécie a penalidade prevista no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro.
2- Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: CSRF/03-01.972
Decisão: ACORDAM os Membros. da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Itamar Vieira da Costa (relator), que provia o recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Fausto de Freitas e
Castro Neto.
Nome do relator: ITAMAR VIEIRA DA COSTA
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RP/301-0.162 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: MERCK S/A — INDOSTRIAS QUÍMICAS INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES 1- Tendo sido corretamente descrita a mercadoria nos documentos de impor- tação, tem-se por inaplicãvel ã es- pécie a penalidade prevista no arti go 526, inciso IX, do Regulamento K — duaneiro. 2- Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros. da Câmara Superior de Recursos Fis Cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Venci do o Cons. Itamar Vieira da Costa (relator), que provia o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto. :ala •as Sessões-DF, em 16 de novembro de 1992. MA* AM sEl.' - PRESIDENTE FA SIO DE FREITAS" . CASTRO NETO — RELATOR DESIGNADO DIVA ./Á RIA OSTA CRUZ E REIS — PROCURADORA DA FAZENDA NACIONAL v.v DAMEFP/DF-SECOB N 2 064/90 JM Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: SÉRGIO CASTRO NEVES, UBALDO CAMPELO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA e HUMBER TO ESMERALDO BARRE O FILHO. Ausente justificadamente o Cons. SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. N', (I) ,, dkt,Àxi~-~mr o 8 r"A VIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10711/001.377/88-65 RECURSO N9: RP/301-0.162 ACORDÃO N9 : CS RF/O 3-01.972 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: MERCK S/A - INDÚSTRIAS QUÍMICAS RELATÓRIO A Procuradoria da Fazenda Nacional, irresignada com a decisão contida no ac6rdão n9 301-26.448, que deu provimento par cial ao recurso voluntário interposto pela empresa em referância, para excluir a multa do artigo 526, inciso IX, do Regulamento Adua neiro, recorre a esta Cãmara Superior para ver restabelecida a exi gência da penalidade então exclulda. Ao expor suas razões recursais, a recorrente lembra que a decisão recorrida reconheceu que o contribuinte deixou dedes crever adequadamente o produto importado, ao omitir que o mesmotra tava-se de uma composição de ácido ascôrbico e álcool estearlliCo, declarando ser ácido ascOrbico puro. Constatada tal composição, ante o laudo de fl. 09, o produto foi reclassificado, ensejando a alteração da aliquota de 30% para 70%. A isto acrescenta que o pr6prio contribuinte, em suas razões- de defesa, sustenta a correção da classificação do pro T,4 • A, DAMEFP/OF- SECOS 149 065/90 J.H. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/001.377/88-65 3. AcOrdao n9-CSRF/03-01.972 duto, dizendo que a falta de especificação do produto que recobre a vitamina "C" em nada altera a sua classificação, sendo, pois, inca- blvel a penalização proposta. Raciocina a apelante que o próprio contribuinte re- conhece que, se a classificação original estivesse incorreta, a mui ta seria imputável. Por outro lado, reporta-se ao fato de que a DI deve conter todos os elemefttos que permitam a perfeita identificação da mercadoria, conforme o artigo 419, § 19, do R.A., o que não ocorreu no presente processo, constituindo infração não censurada pela Cama ra julgadora. Sendo assim, reportando-se aos termos da decisão sin gular de fl. 50, pede provimento ao recurso, para restabelecer a e- xigência do crédito tributário correspondente a penalidade prevista no inciso IX do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. O sujeito passivo, paralelamente apresentação de suas contra-alegações, interpOs também recurso especial dirigido a esta Cãmara, o qual, não foi objeto de acolhimento no despacho do Presidente da Camara recorrida, conforme determina o art. 59 da Por taria MF n9 434/79. Contraditando o recurso da Fazenda Nacional, a empre sa alega que a partir do laudo de Análise ou da descrição da merca- doria contida na GI não se pode identificar divergência na identifi cação do produto importado. Argumenta que a GI foi emitida para "ácido ascôrbico cristalino purissimo, recoberto, qualidade especial para tabletes e cápsulas", o que, a seu ver, ampara a importação do produto recober to com álcool-estearllico, tornando inaplicável a penalidade do ar- 5 rL SERVIÇO P UBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/001.377/88-65 4. AcOrdão n9-CSRF/03-01.972 tigo 526, IX, do R.A., uma vez que essa mesma descrição foi reprisa da na DI. Assim defende que a prevalãncia da penalidade seria um casuísmo inaceitável. É o relatório. trnnrpna Naninnal SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/001.377/88-65 5. Acórdão n9-CSRF/03-01.972 VOTO VENCEDOR Conselheiro FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, Relator designado Tendo sido a Guia de Importação que documenta a ope- ração de importação emitida para o produto "ácido ascOrbico crista- lino, purissimo, recoberto, qualidade especial para tabletes e cáp- sulas", e não estando caracterizada a declaração indevida de merca- doria em decorrência da não identificação da substância utilizada na cobertura do produto importado, considero inocorrente a infração ad ministrativa capitulada no auto de infração e, portanto inaplicável a penalidade prevista no artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneiro. Assim, nego provimento ao recurso interposto pela Pro curadoria da Fazenda Nacional. Sala das SessOes, 16 de novembro de 1992. FA STO DE FREITAS E CASTRO NETO -RELATOR DESIGNADO 4' r" - FflVIÇO runLico rnoEnAL 6. PROCESSO N 2 10711/001377/88-65 RECURSO N g RP/301-0.162 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: MERCK S/A - INDÚSTRIAS QUIMICAS RELATOR: ITAMAR VIEIRA DA COSTA VOTO VENCIDO Versa o presente processo sobre a divergência entre a des crição do produto importado contida no laudo n g PA-5037/85, do LABA- NA-RJ, e aquela constante dos documentos de importação. Por considerar esgotado o assunto nos termos da argumenta. ção desenvolvida por ocasião do julgamento de 1 @ instância, transcre- vo aqui os fundamentos conclusivos dessa decisão, que assim expõe: "a classificação de mercadoria para lançamento do Imposto de Importação consiste no seu enquadramento na TAB, mediante obser- vância das Regras Gerais e Complementares para Interpretação da NBM, combinadas com as notas tarifárias e demais dispositivos aplicáveis da legislação tributária (DL 1753/79 e art. 100 do Regulamento Adua- neiro aprovado pelo Decreto n Q 91.030/85); as Notas Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Coo- peração Aduaneira (NENCCA) são reconhecidas, por lei, como fonte sub- sidiária de interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (parágrafo único do art. 100 do R.A.); a mercadoria despachada, de conformidade com os documen- tos de importação, foi 500577 - Ácido L ( 4 . ) - Ascórbicocrist. puriss., r p rnh p rtn para comprimidos farmacêuticos; o Laudo n 2 PA-5037/85 (fls. 9) identificou o produto como sendo uma preparação constituída por ácido ascórbico e álcool estearí lico; o álcool estearílico adicionado ao ácido ascórbico não se ajusta às condições estabelecidas nas alíneas "f" e "g" da Nota (29-1) do Capítulo 29 da TAB, uma vez que não constitui um modo habitual e indispensável de acondicionamento e determinado exclusivamente por mo tivos de segurança ou por necessidades de transporte, haja vista que o ácido ascórbico é produto perfeitamente estável (INF. 136/85 - fls. 47); \DA V Rec.,n 2 RP/301-0.162 7. SERVIÇO PUOUCJ MV ílALol estearico é utilizado como agente lubrificante na formulação de comprimidos, tornando-o adequado a uso terapêutico ou profilático (INF. 17/86); dessa forma, o produto importado fica excluído do Capítu- lo 29; a mercadoria em questão classifica-se no código TAB 30.03.35.00 (Medicamentos para medicina humana ou veterinária, com base de vitamina, qualquer seu derivado e associação), que estabelece a alíquota de 70% para o Imposto de Importação; a declaração de importação deverá conter os elementos in- dispensáveis à identificação da mercadoria (art. 418, § 1 2 , do RA); na descrição do produto, objeto da D.I. n 2 8909/85, foi . omitido o nome da substância utilizada - como revestimento - álcool estearílico; assim, ser devida a multa prevista no art. 526, IX, do RA, pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importa- ção, constantes ou não de guia de importação ou de documentos equiva- lente ..." Isto posto, considerando estar caracterizada a infração - administrativa ao controle das importações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, res- tabelecendo a exigência do crédito tributário correspondente à aplica ção da penalidade prevista no inciso IX do artigo 526 do Regulamen to Aduaneiro. Sala das Sessões, 16 de novembro de 1992. ,--4 I , (----- ' evill ITAMAR VIE RA D COSTA Y1 1Relator \. \IA) ,.- Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10320.007158/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração:01/05/2003 a 31/10/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO DISPONIBILIZAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS.NULIDADE. LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AO REQUISITO DE VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. VÍCIO MATERIAL. PREJUÍZO COMPROVADO.
Considera-se cerceado o direito de defesa quando o contribuinte não tem acesso a todos os documentos da ação fiscal que motivaram a lavratura do Auto de Infração ou da NFLD, maculando o conteúdo do ato administrativo, requisito essencial para sua validade, o qual, uma vez desrespeitado e comprovada a ocorrência de prejuízo, acarretará o reconhecimento de vício material e a consequente nulidade do ato viciado e dos posteriores que dele
dependam ou sejam consequência.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-001.360
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a nulidade por vício material. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, que entendeu que todos anexos eram de conhecimento da recorrente.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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NÃO DISPONIBILIZAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS.NULIDADE. LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AO REQUISITO DE VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. VÍCIO MATERIAL. PREJUÍZO COMPROVADO. Considerase cerceado o direito de defesa quando o contribuinte não tem acesso a todos os documentos da ação fiscal que motivaram a lavratura do Auto de Infração ou da NFLD, maculando o conteúdo do ato administrativo, requisito essencial para sua validade, o qual, uma vez desrespeitado e comprovada a ocorrência de prejuízo, acarretará o reconhecimento de vício material e a consequente nulidade do ato viciado e dos posteriores que dele dependam ou sejam consequência. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a nulidade por vício material. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, que entendeu que todos anexos eram de conhecimento da recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.007158/200815 Acórdão n.º 2403001.360 S2C4T3 Fl. 369 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 272 a 293 contra decisão da 5 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 244 a 255) que julgou PROCEDENTE o AIOP nº 37.162.2549 no valor originário consolidado de R$ 472.867,11 (quatrocentos e setenta e dois mil, oitocentos e sessenta e sete reais e onze centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 89 a 104, o crédito exigido referese às contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (INCRA, SESC, SEBRAE, Slário Educação). Informou a auditoria que na data fixada no MPF e no Termo de Início de Ação Fiscal, a empresa ficou ciente de que deveria deixar à disposição do fisco um rol de documentos solicitados mediante TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos. Entretanto, na data firmada para esta apresentação, comunicou a recorrente que só alguns documentos foram encontrados, tendo sido estes, portanto, apresentados, juntamente com um CDR. Posteriormente, foi expedido outro TIAD, nesse constando a necessidade de ser apresentada documentação relativa aos controles de carga horária e pagamentos aos docentes. Ademais, em 26/02/2008 foi expedido outro TIAD requerendo a apresentação de documentos ainda não exibidos pela empresa. Em resposta a esse termo, a recorrente apresentou arquivos digitais referentes às informações de carga horária e pagamento aos docentes (competências 02/2007 a 10/2007). Posteriormente, outros TIAD’s foram emitidos pelos motivos expostos no relatório fiscal que se resumem na necessidade de serem apresentados outros documentos ou os mesmos solicitados anteriormente, bem como na necessidade de serem esclarecidas outras informações (contábeis, fiscais, financeiras) à fiscalização. A auditoria esclareceu ainda alguns pontos arguidos em ofício pela recorrente e considerou que os questionamentos realizados à empresa foram precisos e determinados para apurar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Todavia, constatouse que houve pagamento a segurados diversos, não tendo sido estes registrados para fins de despesas com o pessoal, o que poderia revelar o fenômeno do suprimento de caixa, situação que demonstra a atitude evasiva do contribuinte com relação ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Em síntese, a fiscalização tentou demonstrar que a recorrente pagou um certo número de funcionários, em sua maior parte docentes durante maio de 2003 a outubro de 2007, mas que não registrou esse fato em registro contábil próprio, inclusive não declarando em GFIP e nem apresentou toda a documentação solicitada pelo fisco, impedindo que tais valores estivessem sujeitos à tributação, o que levou a auditoria a proceder à aferição indireta nos Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 moldes do art.33, parágrafos 3 a 6 da Lei n 8.212/91, constituindose a autuação em levantamentos explicados abaixo pela tabela: Levantamento Descrição AFC Aferição Indireta cuja base de cálculo foi o maior dos montantes observados no levantamento FPC (valores não declarados em GFIP); AFD Aferição Indireta cuja base de cálculo foi o maior dos montantes pagos a título de remuneração complementar dos membros da diretoria para o período fiscalizado (pagamento de utilidades – aluguel, contas de energia elétrica); AFI Aferição Indireta cuja base de cálculo foi o maior dos montantes observados dentre as competências abrangidas pelo levantamento SPR, em que os segurados empregados não foram inscritos regularmente e, os que foram inscritos, tiveram o registro tardio. Vale destacar que a fiscalização lavrou autuações de acordo com cada contribuição previdenciária específica, tendo sido feita a divisão por rubricas das obrigações principais e das obrigações acessórias, imputando a responsabilidade do pagamento aos sócios dirigentes e juntando aos autos uma vasta documentação. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 29/12/2008 e apresentou impugnação às fls.111 a 123, alegando: O excesso de prazo da ação fiscal, que perdurou por mais de 12 (doze) meses; A ausência de empecilhos para o trabalho do fiscal, bem como a de fraude por parte dos gestores, considerando que a ausência de falhas é da essência humana, não podendo, portanto, a atitude da empresa já ser entendida como fraudulenta; A ilegitimidade do administrador não sócio como corresponsável pelo pagamento do crédito tributário; A ocorrência do cerceamento de defesa por falta de informações/anexos necessários ao Auto de Infração; A inexistência dos fatos geradores contidos nas planilhas dos anexos do Auto de Infração, considerando que não reconhece o teor dessas planilhas e consequentemente das hipóteses de incidência. Por fim, requereu a improcedência do crédito previdenciário exigido no Auto de Infração de Obrigação Principal. Instada a manifestarse acerca da matéria, a 5 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG proferiu decisão (acórdão 0935.350) nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/05/2003 a 31/10/2007 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.007158/200815 Acórdão n.º 2403001.360 S2C4T3 Fl. 370 5 AÇÃO FISCAL. DURAÇÃO. LANÇAMENTO. VALOR. CO RESPONSABILIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA.ELEMENTOS DE PROVA. A legislação não limita o máximo de tempo que uma ação fiscal pode perdurar, apenas determina providências periódicas para sua continuidade. O valor correto das autuações decorrentes de mesma ação fiscal são os constantes de cada um dos lançamentos, sumarizados em termo próprio. O administrador não sócio é coresponsável pela dívida lançada observados os requisitos legais. Não há cerceamento de defesa por falta de anexos integrantes do lançamento se esses encontramse devidamente juntados ao processo como parte da autuação e decorrem de cópias de documentos por terem sido fornecidos pelo próprio sujeito passivo. Os elementos de prova encontrados pela auditoriafiscal no curso da ação podem ser usados para subsidiar o lançamento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão supra, a recorrente apresentou recurso voluntário às fls.272 a 293 ratificando grande parte dos argumentos apresentados na impugnação e alegando: Inicialmente a ocorrência de decadência parcial (05/2003 a 11/2003); A impossibilidade da ação fiscal ter como objeto os mesmos fatos analisados pelo fisco em momento anterior; Os vícios contidos no arbitramento, haja vista que a técnica utilizada não se embasou em lei; A não ocorrência da situação passível de tributação; O erro no cálculo das contribuições. Ao final, requereu o conhecimento e o provimento do recurso voluntário para que a decisão de 1 instância fosse reformada, tendo também sido postulada a intimação do advogado para sustentar oralmente as razões recursais. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator I – DA NULIDADE VERIFICADA NA AUTUAÇÃO: I.1 – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: A recorrente alega a ocorrência de nulidade relativa ao cerceamento de seu direito de defesa, considerando que não foram disponibilizados todos os anexos da autuação quando da ciência do lançamento pelo contribuinte. Verificando os autos atentamente, não encontrei todos os 30 anexos alegados pela recorrente como faltantes, o que dificulta o exercício pleno do direito de ampla defesa do contribuinte. Ora, a fiscalização em tela tem como questão nodal a exigência de valores fruto de uma aferição indireta cuja base de cálculo foi arbitrada com fundamento em uma planilha. Como o contribuinte pode defenderse amplamente se a fiscalização não disponibiliza esse documento? Não se admite que a fiscalização entenda que os documentos fornecidos pelo próprio contribuinte não terão a apresentação obrigatória. A planilha, como a própria auditoria menciona, reportase aos professores com suas cargas horárias e salários, ou seja, é essencial para o deslinde das controvérsias aqui encontradas. Além disso, é dever da fiscalização instruir os AI’s ou NFLD’s com todos os elementos de prova que serviram para a formação do juízo de que o sujeito passivo incorreu em descumprimento de obrigação tributária, in verbis: Decreto n 7.574/2011 Art.38.A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 9o, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). §1oOs autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. Desse modo, se a fiscalização entende que um dos motivos da autuação foi a informação obtida por uma planilha com dados de salário e carga horária de professores, esse documento é essencial para motivar o lançamento e deveria ter sido trazido pelo agente fiscal. Ademais, a ausência de documento relevante para a caracterização da infração ofende ao princípio do devido processo legal, do qual também decorrem o Fl. 383DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.007158/200815 Acórdão n.º 2403001.360 S2C4T3 Fl. 371 7 contraditório e a ampladefesa, sustentáculos do nosso Estado Democrático de Direito previstos na Constituição Federal de 1988: Art.5 – (...) (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Sem a planilha, ressaltese, no momento da ciência da autuação, o contribuinte não pode exercer de modo útil e pleno sua defesa. Assim, deve a autuação ser nula na forma do Decreto 7.574/2011, in verbis: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, imprescindível o reconhecimento da nulidade no caso em tela. I.2 – DA NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL: Reconhecida a nulidade do lançamento, há que se destacar que, sendo um ato administrativo, regulado pelo art.142 do Código Tributário Nacional, só será nulo se violar algum requisito de validade dos atos praticados pela Administração Pública. Segundo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello, o ato administrativo, em uma visão mais resumida, possui apenas 2 (dois) elementos: conteúdo e forma. Desse modo, o administrativista compila o entendimento majoritário da doutrina que identifica 5 (cinco) elementos do ato administrativo: sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade. Ainda seguindo os ensinamentos desse doutrinador, entendese que a validade do ato administrativo fica ameaçada quando se verifica um desrespeito, um não atendimento a um dos requisitos, visto que o ato só será válido se todas exigências forem cumpridas concomitantemente. Assim, elenca seis requisitos, que devem ser respeitados simultaneamente pelo agente administrativo quando da utilização da prática de um ato público. São eles: 1 Requisito Teleológico (Finalidade); 2 Primeiro Requisito Objetivo (Procedimental); 3 Requisito Subjetivo (Sujeito); 4 Segundo Requisito Objetivo (Motivo); 5 Requisito Lógico (Causa); 6 Requisito Formalístico (Formalização). No caso em tela, o requisito violado pelo agente fiscal foi o segundo requisito objetivo (motivo), tendo em vista que concluiu erroneamente que a base de cálculo deveria ser aferida com base em uma planilha, esta nem sequer disponibilizada ao contribuinte, violando Fl. 384DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 norma legal que determina a juntada, pelo agente fazendário, de todos os elementos que formaram sua convicção de que o sujeito passivo infringiu obrigação tributária. O motivo do lançamento, portanto, baseouse em fatos que não ocorreram ou, se ocorreram, conforme entendimento do fiscal, não foi capaz de proporcionar a participação do contribuinte no controle da legalidade do ato administrativo, visto que sem o acesso a alguns anexos do Auto Infração ficou impossibilitado o exercício pleno do seu direito de defesa. O lançamento ocorrido no caso em tela violou o requisito do motivo e ainda prejudicou o direito de defesa do contribuinte, ora recorrente, maculando todo o conteúdo da autuação, motivo pelo qual a espécie de vício encontrada é material. Diferente do vício formal, que está relacionado à exteriorização do ato administrativo, a forma através da qual o ato produzirá seus efeitos, o vício material prejudica todo o conteúdo, e, nos casos de cerceamento de defesa, é insanável, por ter impedido a participação plena do contribuinte em algum momento (no caso, no primeiro momento – impugnação), violando direito fundamental, que, por sua natureza, deve ter aplicação imediata, segundo Texto Constitucional: Art.5 – (...) (...) § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Os neoconstitucionalistas defendem ainda que, por esse caráter de aplicação imediata, os direitos fundamentais possuem efeitos irradiantes. Em outras palavras, a importância do respeito a esses direitos são de tamanha importância que, todas as funções do Estado (legislativa, executiva e judiciária) devem trabalhar para atingir os ideais contidos nos direitos fundamentais, uma das premissas de um Estado Democrático de Direito. Além disso, essa violação dificulta o controle da legalidade, também realizado pelo Contencioso Administrativo, órgão da Administração Pública de composição democrática (conselheiros provenientes de cargos públicos – auditores fiscais e conselheiros representantes dos contribuintes – indicados por setores de relevante atuação no cenário econômico). Por todo o exposto, verificase que a nulidade ocorrida no caso em tela é decorrente de presença de vício material no lançamento (agente fiscal deixou de trazer os elementos relevantes para a lavratura do Auto, cerceando o direito de defesa do sujeito passivo, este sem acesso à documento essencial para o deslinde do caso), razão pela qual o prejuízo alberga todos os atos realizados posteriormente ao lançamento (à ciência do contribuinte da autuação) na forma do §1 do art.12 do Decreto 7.574/2011, anulando assim todo o processo administrativo tributário, in verbis: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): (...) §1 A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Contudo, todo o processo administrativo encontrase maculado em decorrência da nulidade do lançamento (ato inaugural do qual decorrem todos os outros). Fl. 385DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10320.007158/200815 Acórdão n.º 2403001.360 S2C4T3 Fl. 372 9 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para reconhecer a nulidade do AIOP 37.162.2549. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/07/2 012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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