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Numero do processo: 13896.905985/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.989, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 59 85 /2 01 5- 61 Fl. 123DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905985/2015-61 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905985/2015-61 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 125DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905985/2015-61 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916159/2012-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE CSLL. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 1001-001.331
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDRE SEVERO CHAVES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE CSLL. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE CSLL. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata-se, o presente processo, de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 02-46.541, da 2ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a Manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 61 59 /2 01 2- 31 Fl. 52DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.331 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.916159/2012-31 Inconformidade, apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Transcreve-se, portanto, o relatório da supracitada DRJ, que resume de forma satisfatória o presente litígio: “DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 40102189 emitido eletronicamente em 05/11/2012, referente ao PER/DCOMP nº 06349.73718.230710.1.3.040170. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de CSLL, Código de Receita 2372, no valor original na data de transmissão de R$601,60, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/10/2005. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 19/11/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 13/12/2012, podendo ser destacados os seguintes trechos: Fl. 53DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.331 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.916159/2012-31 Ao final, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” Entretanto, a DRJ/BHE, julgou totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 30/09/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No voto proferido pela DRJ/BHE, esta destacou: “A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e também do valor de CSLL indicado na manifestação de inconformidade com base nas notas fiscais anexadas por cópia. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF; e com a apuração demonstrada na manifestação de inconformidade surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total de IRPJ apurado para o 3o trimestre de 2005. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). As divergências acima explicitadas afastam a certeza do crédito e constituem razão suficiente para o indeferimento da compensação. Quanto à falta de retificação da DCTF, cumpre esclarecer que o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extingue-se no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fl. 54DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.331 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.916159/2012-31 Fazenda Pública submete-se a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos. (grifou-se)” Diante disso, verifica-se que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação, tanto da DCTF quanto da DIPJ.” Cientificado da decisão de primeira instância em 14/08/2013 (Aviso de Recebimento à fl. 38), inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/09/2013 (fls. 39 a 49). Em sede de Recurso Voluntário, em síntese, a Recorrente, além de reiterar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, destacou que: (i) que as guias foram pagas a maior em razão do lançamento de notas fiscais que haviam sido canceladas e substituídas; (ii) que ficara impossibilitada de retificar a DCTF, preenchida de forma errônea; (iii) que a percepção tardia não invalidaria o seu direito ao crédito. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Inicialmente, ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Concerne, a presente controvérsia, a verificar o direito creditório informado em PER/DCOMP como decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL, no valor originário de R$ 601,60. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, estabelece que a compensação Fl. 55DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-001.331 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.916159/2012-31 deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Nesse sentido, a DRJ decidiu acertadamente, vez que constatou que o valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF, que diverge, ainda, do valor do IRPJ indicado na Manifestação de Inconformidade, com base nas Notas Fiscais anexadas por cópia. Tais divergências, bem como a ausência de registro contábeis suficientes, vão de contramão aos requisitos primordiais para o reconhecimento do crédito, quais sejam, liquidez e certeza. Ademais, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma a necessidade de retificação da DCTF e DIPJ, pois, segundo ela, somente com as retificações necessárias é que se chegaria ao valor correto dos tributos. Fl. 56DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-001.331 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.916159/2012-31 Entretanto, como já discorrido supra, a mera retificação das declarações não seriam suficientes para o reconhecimento do crédito. Tendo em vista que a Recorrente não apresentou elementos probatórios capazes de infirmar o decidido pela DRJ, o direito creditório não deve ser reconhecido. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 13687.000120/2005-08
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
OPÇÃO SIMPLES. CIRCUNSTÂNCIA PERMITIDA. SUMULA CARF Nº 57 VINCULANTE.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples.
Numero da decisão: 1003-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, que lhe negou provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 OPÇÃO SIMPLES. CIRCUNSTÂNCIA PERMITIDA. SUMULA CARF Nº 57 VINCULANTE. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Exclusão Simples A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/UBE/MG nº 509.446, de 02 de agosto de 2004, fl. 02, com efeitos a partir de 01.11.2001 com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 01/11/2001 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 7. 00 01 20 /2 00 5- 08 Fl. 85DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.908 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13687.000120/2005-08 Situação excludente: (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 2931-9/02 Instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos para agricultura, avicultura e obtenção de produtos animais. Data da ocorrência: 01/11/2001 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória nº 2.158-34, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 28/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. A Recorrente manifestou-se contrariamente ao procedimento apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) com pedido de revisão do ato em rito sumário. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 03, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se pelo indeferimento do pedido, já que no Contrato Social consta como objeto atividade vedada. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma DRJ/JFA/MG nº 09-21.716, de 26.11.2008, fls. 17-20: EXCLUSÃO. SIMPLES. O exercício de atividade impeditiva implica a exclusão do Simples. Solicitação indeferida Recurso Voluntário Notificada em 13.01.2009, fl. 22, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.02.2009, fls. 24-27, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que “presta apenas serviços de “manutenção e conservação de máquinas e equipamentos agrícolas em geral (oficina mecânica)”. Suscita que não há obrigatoriedade de registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA que possui “regulamento de certificação através do INMETRO, que não exige a presença de engenheiro legalmente habilitado nos quadrados da empresa”. Afirma que a prestação de serviços que exerce de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados é permitida para o Simples. Diz que sua opção foi deferida de forma regular. Alega que a Lei nº 9.317, de 1996, foi revogada pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: Fl. 86DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.908 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13687.000120/2005-08 Portando, diante do exposto, solicitamos o acatamento da presente, para julgar procedente a presente o referido recurso, manter a ferida empresa devidamente inscrita no SIMPLES, dentro do tempo que ali esteve enquadrada. Tendo em vista as alegações constantes na peça de defesa da Recorrente, que está instruída com os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possui, o julgamento foi convertido na realização de diligência consubstanciada na Resolução da 3ª TE/1ª Seção nº 1801-00.033, de 03.08.2010 (art. 15, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), fls. 29-34. A Informação Fiscal foi elaborada a partir das informações prestadas pela Recorrente e documentos comprobatórios juntados aos presentes autos, e-fls. 50-81. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Exceções a Atividade Vedada A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo ano-calendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto Fl. 87DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.908 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13687.000120/2005-08 na regra de competência do agente. Tratando-se de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motivá-lo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade (art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996). O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que preste serviço profissional de engenheiro ou de arquiteto ou de agrônomo, cujas atribuições consistem em planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial ou agroindustrial. Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à engenharia ou à arquitetura ou à agronomia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento e é efetuada pelo profissional ou pela empresa no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). A vedação alcança a prestação de serviço de montagem e manutenção de equipamentos industriais. Por outro lado, a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no Simples. Também ficam excetuadas da restrição as atividades de serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados tais como caminhão-trator, trator de rodas, trator de esteiras e trator misto, de serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores, de serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas, de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática e de serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos, assegurada a permanência no Simples com efeitos retroativos à data de opção da pessoa jurídica (Lei nº 5.194, 24 de dezembro de 1996, art. 96 do Código de Trânsito Brasileiro, Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, Súmula CARF nº 57 Vinculante e Lei nº 6.496, de 07 de dezembro de 1977). O termo “assemelhado” não pode ser entendido como uma lacuna legal a possibilitar a adoção da analogia. Neste caso tem cabimento a interpretação extensiva, já que a lei estabelece um rol exemplificativo (art. 96 e art. 108 do Código Tributário Nacional). A emissão do ato de exclusão fundamentado na prestação de serviço profissional pressupõe a obtenção de receita proveniente de atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica (art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Classificação Brasileira de Ocupações, aprovada pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego nº 397 de 9 de outubro de 2002). Examinadas as informações prestadas pela Recorrente e os documentos comprobatórios juntados aos presentes autos foi elaborada a Informação Fiscal com as seguintes inferências, e-fls. 50-81: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio do Despacho nº 1801-00.0233 – 1ª Turma Especial, de 03/08/2010, converteu o julgamento do recurso voluntário interposto no presente processo em diligência com o seguinte objetivo: Fl. 88DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.908 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13687.000120/2005-08 - caracterize a prestação do serviço profissional que a pessoa jurídica exerce mediante a qual a receita bruta é auferida a partir de 01/01/2001; - se a prestação do serviço profissional se enquadra na atividade permitida do art. 4º da Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004 e no art. 9º do Código de Trânsito Brasileiro – CTB; - anexe Notas Fiscais que comprovem a prestação de serviço profissional; - verifique se para o exercício da atividade é exigido o Atestado Técnico e Termo de Responsabilidade; -verifique se no quadro de pessoal há engenheiros ou técnicos com conhecimento, especialização e experiência profissional que se assemelhem a engenheiros. O contribuinte foi intimado pela Notificação/Solicitação de Documentos SAORT/DRF/UBL/MG Nº 009/2019, de 15/02/2019, fls. 42/49, apresentando em 09/04/2019 documentação de fls. 50/79, informando que: -“desde sua constituição (01/novembro/2001), vem prestando aos seus clientes serviços a terceiros de torno, solda, mão-de-obra mecânica, instalação, reparo e manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas em geral (oficina de serviços), fls. 50; -“que as atividades desenvolvidas acima descritas pela empresa, tem toda relação com as atividades elencadas na ligação com os serviços profissionais permitidos do art. 4º da Lei nº 10.964/2004, pois como já dito, presta serviços de tais natureza”, fls. 51; -“anexamos cópias de várias notas fiscais de prestação de serviços executados pela empresa, a fim de comprovar a atividade desenvolvida”, fls. 51, 60 a 67; -“temos por certo não ser exigido atestado técnico e termo de responsabilidade, fls. 51; -“o quadro pessoal da empresa não há nenhum engenheiro ou técnicos especialistas”, fls. 53. Verifica-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa podem ser consideradas como corretas, pois foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciam as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Assim, os elementos probatórios foram suficientes para certificar que a prestação de serviços de torno, solda, mão de obra mecânica, reparação e manutenção de máquinas agrícolas em geral, os quais não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem a permanência da Recorrente no Simples, de acordo com a Súmula CARF nº 57 Vinculante (Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, Fl. 89DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.908 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13687.000120/2005-08 art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.903000/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS PARA A SAÚDE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS PARA A SAÚDE LTDA contra acórdão que deferiu em parte a manifestação de inconformidade apresentada diante da homologação apenas parcial, pela Derat/SP, da compensação de crédito de saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2005 com débitos próprios do contribuinte. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 03 00 0/ 20 11 -1 0 Fl. 454DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1302-000.768 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903000/2011-10 1. Trata o processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório da Derat/São Paulo que reconheceu parcialmente o crédito de Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário 2005, no valor de R$ R$ 4.291.646,03, do montante de R$ 5.542.517,99, pleiteado no Perdcomp 01944.88202.140606.1.3.02-9999. 2. Cientificada da decisão em 18/02/2011, conforme fls. 11, em 22/03/2011, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 23/38, alegando em síntese que: a. Conforme declarado na DIPJ 2006, ano-calendário 2005 (Doc. 05), mais exatamente nas fichas 11 e 12-A, recolheu IRPJ mensalmente, devidamente comprovado pelos DARFs anexos (Doc. 06). b. Compôs um crédito de R$ 31.556.080,71, no ano-calendário de 2006, conforme podemos ver pela planilha abaixo: Retenções Fonte PAGAMENTOS ESTIMATIVA - DCOMP SOMA CRÉDITO R$ 12.209..479,50 R$ 14.384.647,80 R$ 4.961.953,41 R$ 31.556.080,71 c. Que a soma das parcelas de crédito, são compostas por valores por retenções efetuadas por órgão público, recolhimentos de estimativas mensais e estimativas compensadas por meio de outros PER/DCOMPs. d. Diferentemente do que foi alegado pela autoridade fiscalizadora, no despacho decisório, conforme se verifica da planilha anexa (Doc. 07), a empresa apurou um IRPJ devido de R$ 26.013.562,72, quantia esta, inferior daquela que foi efetivamente recolhida (R$ 31.556.080,71), gerando, portanto, um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 5.542.517,99, oriundo da diferença entre IRPJ devido e a soma das parcelas pagas por estimativa. e. Esta diferença dá direito ao contribuinte a um crédito, passível de compensação, com outros tributos, o que foi feito, por meio dos PER/DCOMP's mencionados. f. Sendo assim, não merece prosperar a r. decisão atacada, devendo ser reconhecido integralmente o crédito, tendo em vista a comprovação documental dos recolhimentos efetuados, bem como existência do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 5.542.517.99, e não no valor de R$ 4.291.646,03, conforme alegado. g. No presente caso, conforme comprovam os documentos anexos, é evidente o direito da Manifestante à compensação dos valores recolhidos a título de pagamento por estimativa (IRPJ), ocorridos no exercício de 2006. Da compensação e. Que ao efetuar o recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo ao período de 01/01/2005 a 31/12/2005, por efetuar seu recolhimento por estimativa, acabou recolhendo um valor superior ao realmente apurado ao final do exercício, correspondente ao montante de R$ 5.542.517,99. (...) f. Ato seguinte, apurou débitos de PIS, COFINS e IRPJ, relativos aos meses de maio e junho do mesmo ano, tendo sido devidamente quitados, por meios de compensação, que ocorreu da seguinte forma: Fl. 455DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1302-000.768 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903000/2011-10 - O crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 5.542,517,99, foi utilizado em dois PER/DCOMPs sob n°s 01944.88202.140606.1.3.02-9999 (R$ 2.356.128,59), e 03159.53840.140706.1.3.02-1871 (R$ 2.689.028,80). - PER/DCOMP 01944.88202.140606.1.3.02-9999: utilizado um crédito de R$ 2.356.128,59, para compensar com débito de PIS/PASEP relativo ao mês de maio/2006, no valor de R$ 420.315,30, e um débito de COFINS, também relativo ao mês de maio/2006, no valor de R$ 1.935.813,29, perfazendo o montante de R$ 2.356.128,59, quantia esta exatamente igual ao valor do crédito disponível. - PER/DCOMP n° 03159.53840.140706.1.3.02-1871: utilizado um crédito de R$ 2.689.028,80, para compensar com débito de IRPJ, relativo ao mês de junho/2006, no valor de R$ 833.249,94; com débito de COFINS, relativo ao mês de julho/2006, no valor de R$ 1.450.049,46; e com débito de PIS, também relativo ao mês de junho/2006, no valor de R$ 405.729,40, perfazendo, portanto, um montante de R$ 2.689.028,80, quantia esta exatamente ao crédito disponível devidamente atualizado pela SELIC até a data da compensação. g. Que a soma dos créditos utilizados nas PER/DCOMPs acima perfazem o montante de R$ 5.045.157,39, montante este ainda inferior daquela que o contribuinte efetivamente tinha direito. E que também o crédito foi devidamente atualizado pela Selic Acumulada até a data de sua utilização, conforme permite o inciso II do artigo 52 da Instrução Normativa n° 600 de 2005. E assim resta demonstrado que o valor do crédito era ainda superior ao valor do débito, quando da transmissão dos PER/DCOMPs, o que torna perfeitamente viável a compensação dos valores declarados na DCOMP. j. Cita a Lei Federal n° 9.430/96, que em seu artigo 74 cita a possibilidade de compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo, com débitos relativos a qualquer tributo ou contribuições. l. Cita Instrução Normativa n° 600 de 28 de dezembro de 2005, reconheceu que quando apurado um crédito relativo a um tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal, o contribuinte pode utilizá-los na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos. m. Requer seja reconhecido integralmente o direito da empresa ao crédito declarado, homologando-se, por conseqüência, o saldo remanescente do débito compensado, pelas razões acima aduzidas. A DRJ/Curitiba proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃO HOMOLOGADAS. CONFIRMAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Reforma-se o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação, de crédito de saldo negativo de IRPJ, por motivo de estimativa compensada e não homologada em outro processo, quando naquele julgamento a compensação é confirmada. Fl. 456DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1302-000.768 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903000/2011-10 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA EM ATRASO. DARF. INSUFICIÊNCIA DO VALOR RECOLHIDO. INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS. Quando os pagamentos dos débitos de estimativas são efetuados após data de vencimento, além do valor do principal, há incidência de multa e juros de mora devidos pelo recolhimento em atraso. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cumpre esclarecer que a referida decisão concordou com a manifestação de inconformidade apenas no tocante às estimativas compensadas que ainda não haviam sido homologadas na época do despacho decisório. A instância a quo acabou depois confirmando sua homologação em decorrência de decisões de primeira instância proferidas em outros processos. Assim, remanesceram não reconhecidas parcelas do direito creditório pleiteado referentes às retenções na fonte e aos pagamentos de estimativas com DARF. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, alega que os pagamentos dos débitos de estimativa em atraso realizados com DARF não foram acompanhados de multa de mora por causa do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que afasta a sua incidência quando há a denúncia espontânea. Acrescentou, ainda, que o entendimento da DRJ não pode prosperar quanto às retenções na fonte porque a parcela não reconhecida decorre de retenções por ela sofridas. É o relatório. Voto A instância a quo não concordou com a parcela remanescente do direito creditório não reconhecido por duas razões: (i) a consulta às DIRF enviadas pelas fontes pagadoras não confirmou a mesma parcela de R$ 23.478,95 já negada no despacho decisório; e (ii) não foram confirmados os totais dos recolhimentos das estimativas em DARF referentes aos meses de março, abril e outubro de 2005 porque estes não foram acompanhados das respectivas multas de mora. Quanto à parcela não reconhecida à título de retenções na fonte, a empresa não acrescentou nada de novo em seu recurso. Diante do argumento de que não havia confirmação em DIRF, a recorrente apenas alegou que sofreu as retenções. No entanto, tal alegação carece de contraprova. É de se dar razão, portanto, ao que já foi sentenciado pela decisão recorrida. Fl. 457DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1302-000.768 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903000/2011-10 No que diz respeito aos pagamentos das estimativas em DARF desacompanhados das multas de mora, a empresa alega que o STJ afasta a sua incidência quando há a denúncia espontânea. De fato, aquele tribunal possui um entendimento sobre o assunto firmado, em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.149.022/SP, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. Fl. 458DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1302-000.768 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903000/2011-10 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, restou sedimentado que: (i) quando o contribuinte declara o tributo e não efetua o pagamento no vencimento, mas o faz (acompanhado dos juros de mora) antes de iniciado o procedimento fiscal, não se trata de denúncia espontânea, sendo exigível, portanto, a multa de mora (cf. Súmula nº 360 do STJ); (ii) quando o contribuinte declara o tributo de forma parcial e subsequentemente (antes de iniciado o procedimento fiscal) retifica a declaração, noticiando e quitando concomitantemente a diferença informada (acompanhada dos juros de mora), configura-se a denúncia espontânea em relação à correspondente infração, sendo, portanto, descabível a exigência de qualquer multa (de mora ou de ofício). Como se sabe, o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, determina que os julgados preferidos pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, são de observância obrigatória por este Colegiado. Confira-se: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No caso presente, é possível constatar que parte das estimativas das competências de março, abril e outubro de 2005 já haviam sido objeto de pagamentos via DARF nas datas dos respectivos vencimentos (veja-se, sobre isso, as informações contidas nas páginas 13 e 15 da PERDCOMP, juntada às fls. 12/38, dando conta de que, nas datas dos respectivos vencimentos, houve pagamentos de: R$ 234.973,50 referente ao PA 03/2005; R$ 2.177.841,46 referente ao PA 04/2005; e R$ 2.324.686,13 referente ao PA 10/2005). Fl. 459DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 1302-000.768 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903000/2011-10 Não foram juntadas aos autos as DCTF originais que confirmariam que os valores correspondentes a esses DARF estavam desde àquela época já declarados (a empresa só juntou em seu recurso as DCTF retificadoras, apresentadas em fevereiro de 2008, referentes a essas mesmas competências). Por outro lado, como já anunciado, os DARF correspondentes aos valores dessas mesmas competências recolhidos com atraso (só com juros de mora) foram objeto de declaração através das DCTF retificadoras apresentadas em fevereiro de 2008 (fls. 327/451). Tais DARF não foram recolhidos concomitantemente com a apresentação dessas DCTF retificadoras, na verdade, foram recolhidos em data bem anterior (veja-se, sobre isso, as informações contidas nas páginas 12, 13 e 15 da PERDCOMP, juntada às fls. 12/38, dando conta de que, em 31/05/2006, houve pagamentos de: R$ 514.168,44 de principal + R$ 93.064,48 de juros, referentes ao PA 03/2005; R$ 592.487,71 de principal + R$ 98.352,95 de juros, referentes ao PA 04/2005; e R$ 10.000,00 de principal + R$ 755,00 de juros, referentes ao PA 10/2005). Essas informações também podem ser confirmadas com as cópias de DARF juntadas com a manifestação de inconformidade. Portanto, para se ter certeza de que realmente se configurou a denúncia espontânea na conformidade do que foi decidido pelo STJ em sede de recurso repetitivo, é necessário que venham aos autos cópias das referidas DCTF originais e outras eventuais retificadoras. Destarte, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que a unidade de origem promova a juntada de cópias de todas as DCTF (originais e suas retificadoras) referentes aos três períodos em que há o questionamento acerca da denúncia espontânea (março, abril e outubro de 2005). Concluída essa providência, deve-se dar ciência à empresa dos elementos juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726714/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Não havendo, no caso julgado, nenhum vício no acórdão embargado, os embargos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 3201-005.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não havendo, no caso julgado, nenhum vício no acórdão embargado, os embargos devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, em face do Acórdão nº 3201-005.108, de 27/02/2019, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 67 14 /2 01 3- 17 Fl. 3410DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726714/2013-17 LENHA. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção tem direito ao presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Alega-se que o acórdão embargado incorreu numa omissão, qual seja, no fato de que, embora tenha reconhecido o crédito presumido sobre aquisições de lenha, não se saberia exatamente em qual estágio do processo produtivo se insere a utilização da caldeira. Ter-se-ia deixado claro, no acórdão embargado, que um dos motivos pelos quais esse crédito não fora reconhecido foi a falta de identificação do estágio da produção onde a caldeira é utilizada. O acórdão embargado, contudo, não esclareceu se houve ou não essa comprovação ou mesmo se tal prova seria irrelevante e o porquê. O despacho de admissibilidade encontra-se às fls. 3399/3399. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Embargante alega omisso o acórdão embargado, ao fundamento de que não se adentrou no tema concernente ao estágio do processo produtivo em que há a utilização da caldeira, onde a lenha, cujo crédito nele se reconheceu, é consumida. Esse tema, contudo, só foi referido no acórdão prolatado pela DRJ, visto que o único fundamento adotado pela fiscalização para promover a glosa do crédito de PIS/Cofins sobre a aquisição de lenha se deu pelo fato de terem sido realizadas a pessoas físicas. É o que se dispôs no único parágrafo do Despacho Decisório em que a matéria foi abordada: Compra de pessoa física 38. Nessa mesma linha constatamos que o interessado listou diversas aquisições de canola em grãos, jumento macho/fêmea e lenha de eucalipto realizadas de pessoa física. Tendo em vista que sobre essas aquisições não incide PIS e Cofins não cumulativos, essas operações também foram glosadas da base de cálculo do crédito. (g.n.) E sendo este o único fundamento utilizado pela fiscalização para promover a glosa do crédito correspondente, omissão não há, porquanto devidamente enfrentado no acórdão embargado: Diferentemente do que adotado no acórdão recorrido, entendemos que a Recorrente faz jus, sim, ao crédito presumido na aquisição de lenha. Observe-se a redação conferida ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004: Fl. 3411DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18186.726714/2013-17 Art. 8 o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A Recorrente produz mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza a lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção. Portanto, embora não faça jus ao crédito básico, porquanto a aquisição se deu desonerada das contribuições, tem direito ao presumido. O que se esqueceu de dizer no acórdão embargado, aqui concordamos, é que a DRJ acresceu fundamentos ao Despacho Decisório para negar o crédito sobre a aquisição de lenha, mas o tema, aliás, sequer foi levantado no recurso voluntário. Nada mais que isso. Ante o exposto, voto por REJEITAR os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3412DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.720219/2015-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Exercício: 2016
ISENÇÃO. TÁXI. EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROPRIEDADE DE VEÍCULO
O direito à aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), destina-se apenas ao motorista profissional que comprovadamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade.
Numero da decisão: 3302-007.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
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TÁXI. EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROPRIEDADE DE VEÍCULO O direito à aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), destina-se apenas ao motorista profissional que comprovadamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Por bem retratar os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 37-39: A pessoa física em epígrafe pleiteou a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóvel de passageiros, para uso em categoria de aluguel (táxi), de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 02 19 /2 01 5- 97 Fl. 54DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.447 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13881.720219/2015-97 Mediante o Despacho Decisório de fl. 21, a Superintendência Regional da RFB – 8ª Região Fiscal indeferiu o pedido, tendo em vista a constatação de que não possui veículo de sua propriedade na categoria aluguel/táxi. Cientificada da decisão, a pessoa física interpôs manifestação de inconformidade, conforme peça de fl. 26, por meio da qual alegou que não possui nenhum veículo até a data da manifestação, conforme certidão do Ciretran. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Exercício: 2016 ISENÇÃO. TÁXI. EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROPRIEDADE DE VEÍCULO. O direito à aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), destina-se apenas ao motorista profissional que comprovadamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade. Cientificado da decisão em 20.07.2016 (fls.41), o Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.06.2017 (fls. 42-43), alegando, em síntese apertada, que comprovou o preenchimento dos requisitos para fruição do benefício concedido na Lei nº 8.989/95. Juntou documentos para robustecer suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, constata-se que o ponto fulcral da controvérsia cinge-se ao preenchimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do IPI aos taxistas. A Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, trata da isenção do IPI na aquisição de veículo de passageiros a ser utilizado na exploração do serviço de aluguel (táxi), estabelecendo as condições e os requisitos para sua concessão, nos termos seguintes: Art. 1º Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I - motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi);(Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) Fl. 55DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.447 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13881.720219/2015-97 Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Do que se extrai do referido permissivo é que o intuito do legislador foi desonerar da aquisição de IPI os veículos que preencham as condições da cabeça do artigo 1º para aqueles "motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, atividade de condutor autônomo de passageiros ...e que se destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel". A respeito do assunto a RFB editou a IN RFB nº 987, de 22 de dezembro de 2009, nos seguintes termos: Art. 2º Poderão adquirir, com isenção do IPI, para utilização na atividade de transporte individual de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), automóvel de passageiros, incluído o veículo de uso misto, de fabricação nacional, equipado com motor de cilindrada não superior a 2.000cm3 (dois mil centímetros cúbicos), de no mínimo 4 (quatro) portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movido a combustível de origem renovável, ou sistema reversível de combustão, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi): I - o motorista profissional que: a) exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público; ou b) seja titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi) e esteja impedido de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo; e II - a cooperativa de trabalho, permissionária ou concessionária de transporte público de passageiros, na categoria de aluguel (táxi). § 1º O direito à aquisição com o benefício da isenção de que trata o caput poderá ser exercido apenas uma vez a cada 2 (dois) anos, sem limite do número de aquisições, observada a vigência da Lei nº 8.989, de 1995. § 2º Em qualquer hipótese, o prazo de 2 (dois) anos: I - para uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI deverá ser obedecido, ainda que tenha ocorrido, nesse prazo, destruição completa, furto ou roubo do veículo; e II - terá como termo inicial a data de emissão da Nota Fiscal da aquisição anterior com isenção do IPI. § 3º Para efeito de reconhecimento da isenção entende-se como condutor autônomo de passageiros o motorista que seja proprietário de apenas um automóvel utilizado como táxi, admitida a propriedade de outros veículos, mesmo que para aluguel, desde que não utilizados como táxi. § 4º A propriedade referida no § 3º será caracterizada na data do requerimento do benefício pelo interessado. Tanto na Lei nº 8.989/95 quanto na IN RFB 987/2009 há previsão expressa determinando como condição para o fruição do benefício que o destinatário da isenção comprove o efetivo exercício da atividade de taxista e que possua veículo de sua propriedade. Fl. 56DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.447 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13881.720219/2015-97 O Recorrente, por sua vez, não comprovou ser proprietário de veículo a época em que protocolou o pedido, contrariando, assim, a determinação contida nas normas anteriormente citadas, justificando, assim, o indeferimento do seu pedido. Veja, o fato do Recorrente possuir licença validando o exercício de sua atividade não supre a necessidade de se comprovar ser proprietário de veículo, posto que os requisitos devem ser atendidos integralmente. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000270/2007-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002
REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO § 3º, Art. 57
Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada .
CARNÊ LEÃO - MULTA ISOLADA.
A partir da vigência da Medida Provisória 351de 2007, é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, independentemente da aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto apurado no ajuste anual.
Numero da decisão: 2001-001.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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CARNÊ LEÃO - MULTA ISOLADA. A partir da vigência da Medida Provisória 351de 2007, é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, independentemente da aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto apurado no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 02 70 /2 00 7- 10 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.349 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000270/2007-10 Relatório Por meio de auto de infração acostado ao processo, foi constatada a omissão de rendimentos de R$ 1.321,16, recebidos da Gerência Executiva do INSS em Fortaleza, confonne DIRF por ela emitida, bem como, em relação à mesma fonte, foi incluído IRRF de R$ 63,17, concernente aos rendimentos não informados. Além disso, verificou-se a falta de pagamento do carnê-leão nos meses de março e abril de 2001, em virtude do que está sendo exigida a multa isolada de 50% sobre o valor não recolhido. Inconformado com o lançamento do tributo, o contribuinte apresentou impugnação, por meio do alega, em síntese, que jamais recebeu o suposto rendimento do INSS em Fortaleza de R$ 1.321,16 apurado pela fiscalização e que quanto à penalidade imposta relativamente ao carnê-leão teria ocorrido a decadência, vez que o imposto advém das competências de março e abril de 2001, ao passo que o auto de infração somente veio a ser postado em 30/11/2006. Sustenta que os valores das bases de cálculo do imposto referentes a março e abril de 2001 foram espontaneamente informados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) e que os valores do imposto por meio dela apurados foram integralmente pagos. Por fim, pleiteia a anulação do lançamento por decadência, ou, caso fique comprovada a efetiva percepção pelo contribuinte dos rendimentos considerados omitidos da fonte INSS de Fortaleza, o pagamento suplementar sem a incidência de multa e dos juros SELIC, bem como a desconstituição da multa decorrente do não pagamento do carnê-leão. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, a qual resolveu baixá-los em diligência para que a Gerência Executiva do INSS em Fortaleza, confirmasse o pagamento ao contribuinte, relativo ao ano-calendário de 2001. Em resposta ao documento que lhe fora emitido, a diligenciada apresentou as provas que entendeu necessárias à resolução do impasse. A DRJ Florianópolis, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => quanto à infração relativa à omissão de rendimento recebido do INSS, o débito correspondente encontra-se remitido. Em virtude disso, deixo de analisar as razões que a ele se referem, uma vez que já extinto. => quanto à alegação de decadência que toca à multa por falta ou insuficiência de pagamento do carnê leão, é de se esclarecer que o fato gerador do (IRPF) é complexivo, ou seja, possui um ciclo de formação que se completa em um determinado período de tempo, constituindo-se num conjunto de fatos globalmente considerados. No caso do IRPF, o fato gerador se completa em 31 de dezembro de cada ano-calendário. A periodicidade da incidência é anual. Assim, as pessoas físicas são obrigadas a fazer o ajuste anual e apurar os seus resultados do confronto entre o total das rendas ou proventos percebidos durante o ano e o total dos dispêndios/despesas admitidos por lei como dedutíveis, com o propósito de apurar o imposto devido no ano, compensando-se de todas as antecipações do imposto já efetuadas no curso do ano-calendário, exceto aquelas consideradas como definitivas (art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995). Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.349 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000270/2007-10 => quanto ao valor pago a titulo de carnê-leão, este se enquadra apenas como antecipação do valor devido anualmente, ou seja é uma presunção de que o fato gerador irá ocorrer no final do ano-calendário. Caso o fato gerador não ocorra, garante-se a restituição da quantia paga. Dessa forma, não resta dúvidas de que a legislação considera como anual o fato gerador do imposto de renda de pessoa física, à exceção dos casos de tributação definitiva ou exclusiva na fonte. => assim, no caso em tela, como a data do fato gerador do tributo ocorreu em 31/12/2001 e a data da ciência do lançamento em 04/12/2006, pela regra de contagem do artigo 150, § 4°, do CTN, conclui-se que não ocorreu o instituto da decadência, porquanto não havia transcorrido mais de cinco anos entre a data do fato gerador do tributo e a data do lançamento. Ante todo o exposto, julgo improcedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, no importe de R$ 15.859,18, referente à multa sobre a ausência ou insuficiência de recolhimento do carnê leão. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que teria ocorrido a decadência da cobrança da multa acerca do carnê leão e que os valores da base do imposto foram recolhidos no ano subsequente. É o relatório. Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. REGIMENTO INTERNO DO CARF – APLICAÇÃO § 3º, Art. 57 Após detida análise dos autos e dos argumentos do Recorrente, entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado representa repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo na decisão de piso. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I ¬ verificação do quórum regimental; II ¬ deliberação sobre matéria de expediente; e Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.349 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000270/2007-10 III ¬ relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Desta feita, desde já sustento integralmente a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Ainda assim, vale ratificar alguns pontos para que não restem dúvidas. Mesmo que não seja necessário, por apego ao argumento entendo que merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.349 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000270/2007-10 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A despeito da clareza da decisão a quo, ratifico que consoante o artigo 109 do RIR/99, “os rendimentos sujeitos a incidência mensal devem integrar a base de cálculo do Imposto de Renda na Declaração de Ajuste Anual, e o imposto pago será compensado com o apurado nessa declaração de rendimentos.” Entretanto, caso o contribuinte não realize o recolhimento mensal obrigatório relativo ao carnê-leão, o artigo 44, inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.430/96 determina a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor que deixou de ser recolhido, bem como incidência de juros à taxa Selic, mesmo que os rendimentos tenham sido informados na Declaração de Ajuste Anual e não tenha sido apurado imposto a pagar. Vale frisar que tal matéria já foi discutida no CARF e nos tribunais regionais federais, oportunidade em que a jurisprudência administrativa e judicial firmou entendimento no mesmo sentido, determinando a aplicação da multa isolada de 50% quando o contribuinte deixar de recolher imposto de renda mensal por meio do carnê-leão. Vejamos: “MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. PERÍODO DE APURAÇÃO A PARTIR DE 2007. A partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.” (Acórdão nº 2301-004.789 – CARF, julgado em 16/08/2016) Por tudo quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário e manter a decisão a quo nos exatos termos da DRJ. Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.349 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.000270/2007-10 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728636/2016-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que rejeitou a conversão do julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.513 1 1.512 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.728636/201656 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.772 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 6 de agosto de 2019 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PONTO ONLINE CURSOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que rejeitou a conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratamse de recursos voluntários (fls. 1318, 1402, 1442, 1472) pelos quais os recorrentes se indispõem contra decisão em que a autoridade julgadora de primeiro grau considerou improcedente impugnação apresentada contra lançamento de Contribuições Previdenciárias da empresa e do segurado, aplicada com multa de ofício qualificada (em razão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 28 63 6/ 20 16 -5 6 Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.514 2 de constatarse a concorrência da conduta dolosa tendente a impedir o conhecimentos dos fatos geradores pela Administração Tributária) e agravada (por falta de atendimento da fiscalização), tendo sido, ainda, lavrado autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias, exigidos mediante responsabilidade solidária da empresa em conjunto com seus sócios e administradores. Consta da decisão recorrida (1230) o seguinte resumo do fatos verificados até aquele momento processual: AUTUAÇÃO Foram lavrados os seguintes Autos de Infração • Contribuição previdenciária da empresa e do empregador: devida à Seguridade Social, correspondente à cota patronal incidente sobre as remunerações, pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, nas competências de 01/2012 a 12/2014. e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFLP). lavrado em 20 09 2016. no valor de R$ 10.954.384,14 (dez milhões novecentos e cinquenta e quatro mil trezentos e oitenta e quatro reais e quatorze centavos). • Contribuição previdenciária dos segurados: devida à Seguridade Social, correspondente à cota do segurado, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, nas competências de 01/2012 a 12 2014. e não declaradas em GFIP, lavrado em 20/09/2016. no valor de R$ 2.365.837,42 (dois milhões trezentos e sessenta e cinco mil oitocentos e trinta e sete reais e quarenta e dois centavos). • Deixar de preparar folhas de pagamento de todos os seus segurados empregados (CFL 30). infringindo o disposto na Lei n° 8.21291. art. 32, inciso I, c/c art. 225. I. do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. lavrado em 20/09/2016. no valor de R$ 6.429.12 (seis mil quatrocentos e vinte de nove reais e doze centavos). • Deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (CFL 34). nos termos do art. 32. inciso II e art. 33. § 2o da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09 e art 225; inciso n do Decreto n° 3.048 99. lavrado em 20/09 2016, no valor de R$ 64.290.33 (sessenta e quatro mil duzentos e noventa reais e trinta e três centavos). • Deixar de apresentar documentos à fiscalização (CFL 35). nos termos do art. 32. inciso ILT da Lei n° 8.212 91. na redação dada pela Lei n° 11.941/09. lavrado em 20/09/2016. no valor de R$ 64.290.33 (sessenta e quatro mil duzentos e noventa reais e trinta e três centavos). • Deixar de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço (CFL 59). nos termos do art. 283. inciso I. alínea "g" do Decreto n° 3.048. de 6 de maio de 1999. lavrado em 20/09/2016. no valor de R$ 6.429.12 (seis mil quatrocentos e vinte de nove reais e doze centavos). Os Auditores Fiscais iniciam o relato transcrevendo os dispositivos legais que amparam o lançamento fiscal e Autos de Infração emitidos. Informam sobre início da fiscalização, termos de intimação e reintimação emitidos durante ela. e os documentos que foram entregues pela impugnante, e os que não foram, assim como. os esclarecimentos que ela prestou em relação aos lucros distribuídos pelas Sociedades em Conta de Participação (SCP). representadas pela impugnante. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.515 3 Noticiam que em função de a informação original prestada ao Fisco não contemplar os valores pagos em 01/2012 e a contabilidade não identificar nominalmente os professores beneficiários das remunerações nem a composição das verbas recebidas no mês, as remunerações desse período foram apuradas por aferição indireta. Comunicam que pela generalidade das informações prestadas pela impugnante, diligenciaram alguns professores especialistas que lhe prestaram serviços, sua administradora, e exsócios. Apresentam as alterações contratuais da impugnante, relativas a objeto social, sócios e respectivas cotas, assim como. suas atividades e negócios. Destacam algumas informações que constam no site de Internet da impugnante sobre os serviços ofertados, tais como cursos preparatórios para concursos. Consideram que o sistema de cursos oferecidos pela impugnante se assemelha à aula presencial dos cursos preparatórios tradicionais, sendo que a única diferença entre ambos é o canal de comunicação entre professor e aluno, que no caso da autuada é na forma virtual. Aduzem que profissionais de ensino (professores), que representam a sua principal força de trabalho necessária à comercialização e execução de cursos preparatórios para concursos, não foram declarados em GFIP. Explicam que a Ponto Online celebra com professores especialistas contrato de Sociedade em Conta de Paiticipação (SCP). onde ela é "sócio ostensivo" e estes "sócios participantes". Relatam ainda que (fls 45/46): [,..] até abril de 2014, as SCP eram constituídas por projeto de ensino, que abrangia um curso (ou um pacote de cursos) comercializado pela PONTO ONLINE. Neste caso, o professor especialista que se envolvesse em diferentes projetos de ensino, integrava como "sócio participante" tantas SCP quantos fossem os cursos de seu interesse lançados no mercado, ou seja, o objeto da SCP abrangia a realização de um curso/disciplina específico ou um pacote de cursos vinculados a um edital de concurso. 64. A partir de maio/2014, as SCP passaram a ser constituídas por professor especialista, independentemente do número de projetos de ensino que este viesse a participar, ou seja, a SCP, uma vez constituída, passou a incorporar todos os projetos de ensino de interesse desse professor. 65. Assim, no periodo auditado, de acordo com o rol de contratos apresentados ao fisco (Anexo 6A), apurouse a constituição de 3.632 Sociedades em Conta de Participação (SCP) no período fiscalizado, para atender a demanda do público alvo por projetos de ensino voltados para concursos públicos, o que consolida a forma arquitetada pelo sócio ostensivo para a execução do seu objetivo empresarial em consonância com o planejamento tributário adotado. Ressaltam que o objetivo central das SCP é comum {"congregar esforços na consecução de projetos de ensino"); "as partes possuem capacidades diferenciadas e complementares" os contratos celebrados entre as partes seguiam o mesmo padrão, mudando apenas o sócio participante e as especificidades inerentes a cada projeto de ensino. Explicam que as partes subscrevem um capital mínimo, onde o sócio OSTENSIVO participa com 60% das cotas, integralizadas em moeda corrente, e o sócio participante PROFESSOR com 40% das cotas restantes, integralizadas em moeda corrente e em direitos de uso do material técnico disponibilizado (pelo tempo do projeto). Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.516 4 Noticiam que a administração da sociedade é exercida pelo sócio ostensivo, na pessoa de seu administrador não sócio, que recebe prólabore fixo mensal, estipulado pelo sócio ostensivo e rateado proporcionalmente entre as SCP, e salário fixo decorrente de contrato de trabalho em regime da CLT firmado com a autuada. Acrescentam que as receitas (compostas das vendas de matriculas dos cursos online e da livraria) e despesas/custos das SCP são registradas na contabilidade do sócio ostensivo, em centros de custos distintos, da seguinte forma: [...] Contabilmente, para cada projeto criasse uma conta no Ativo não Circulante identificada com o número do respectivo projeto. Nesta conta é registrada a participação societária do sócio ostensivo e a apropriação de suas receitas com o respectivo projeto. [...] Em contrapaitida, no passivo é criada uma conta destinada ao controle e apuração do resultado do referido projeto. Apresentam exemplos da contabilização nos Livros Diário e Razão, e ressaltam que são suportadas pelas SCP parte das despesas do sócio ostensivo, tais como: telefone, condomínio, pessoal técnicoadministrativo (inclusive prólabore). energia elétrica, serviço de acesso e hospedagem de sítio na internet. Transcrevem os artigos da Lei n° 10.406. de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) que dispõem sobre as SCP. e interpretam que as atividades decorrentes do objeto social é exercido exclusivamente pelo sócio ostensivo, e o sócio participante apenas participa dos resultados, não aparecendo perante terceiros, sendo "um investidor que acredita no projeto do sócio ostensivo ", Aduzem que. os professores especialistas das SCP. em realidade, prestaram serviços à autuada, e. portanto, os valores pagos a eles devem ser classificados como remuneração, e não como lucros isentos de tributação. Relembram que os contratos de SCP pactuados com a Ponto Online estabelecem como responsabilidade para os sócios participantes "a preparação e entrega do material técnico referente ao conteúdo e assuntos a serem tratados no curso, de forma compatível com a carga horária estipulada e no formato definido pelo sócio ostensivo. ". sendo que o conteúdo do material é de exclusiva responsabilidade do professor especialista, que tem por obrigação atualizálo semanalmente, e esclarecer dúvidas dos alunos, formuladas no fórum disponível no site da autuada. Acrescentam que. as declarações prestadas pelos sócios participantes, colhidas em diligências, demonstram a efetiva prestação de serviços por eles nos cursos comercializados pelo sócio ostensivo. Transcrevem trechos desses depoimentos, e ressaltam que as declarações prestadas pela administradora para Ponto Online apenas ratifica as dos professores especialistas. Aduzem que. o modus operandi da Ponto Online é adverso do disposto no Código Civil, e houve uma inversão de papéis para a viabilização do objeto social das SCP. onde os sócios participantes assumiram o papel que caberia ao sócio ostensivo, atuação essa implementada pela Ponto Online. desde sua constituição, com o fim de obter vantagens tributárias proporcionadas à forma jurídica das SCP. Transcrevem julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). que considerou simulação a formação de SCP para pagamento de remuneração por serviços prestados, travestida de distribuição de lucros. Reafirmam que. os professores especialistas prestaram serviços de ensino ao sócio ostensivo, e recebiam remuneração em decorrência deles, e não lucros frutos do capital investido nas SCP. Explicam que os valores pagos aos professores eram apurados mensalmente, e enviados em planilha por email. seguido de transferência bancária aos destinatários. Colacionam exemplos de planilhas apresentadas pela autuada, que dizem demonstrar a forma de apuração das remunerações pagas aos professores especialistas, onde constam os valores pagos a eles: "Lucro a Pagar". "Direito de Uso" Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.517 5 e "Integralização". Comunicam ter considerado como base de cálculo apenas as remunerações a título de "Lucro a Pagar". Informam ainda que. os sócios da Ponto Online (Vicente Paulo das Graças Pereira (Vicente Paulo), e José Jayme Morais Júnior (José Jayme) também constituíram SCP. na condição de sócios participantes para ministrarem aulas como professores. Acrescentam que: 124. Outro procedimento apurado pela Auditoria Fiscal que não corresponde com a realidade dos fatos formalmente apresentados pela Fiscalizada diz respeito a apuração anual dos lucros distribuídos aos sócios Vicente Paulo das Graças Pereira e José Jayme Moraes Júnior. 125. Segundo os registros contábeis e as Declarações de Informações Econômicos Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) transmitidas nas épocas próprias à Receita Federa! do Brasil, parte do montante do lucro distribuído aos referidos sócios no período fiscalizado decorreu de apuração indevida, conforme descrevem os itens seguintes. 126. No período de referencia, a Auditoria Fiscal constatou que a PONTO ONLINE pagou, de forma dissimulada de distribuição de lucros, despesa de remuneração decorrente dos serviços prestados pelos sócios participantes das SCP (professores especialistas) da ordem de RS 16.126.198,22. Sobre este valor, a vista da legislação previdenciária, incide contribuição patronal de 20%, o que equivale a RS 3.225.239,64 [...]127. Considerando que a PONTO ONLINE, apesar da determinação legal, não apropriou as despesas relativas à contribuição previdenciária (RS 3.225.239,64) quando da apuração do resultado contábil do referido período, tal omissão proporcionou a apuração de um resultado final maior que o devido [...]. Apresentam os demonstrativos de resultados apurados pela empresa, e pela fiscalização ao considerar a despesa de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos professores especialistas, que deveria ter sido apropriada, concluindo que a Ponto Online distribuiu lucros a seus sócios maior do que o efetivamente apurado nos anos de 2013 e 2014. conforme trecho: 129. Observese nesse demonstrativo, em que considera a apropriação das despesas com a contribuição previdenciária descrita anteriormente, que os valores dos lucros apurados nos exercícios de 2013 e 2014 mostramse insuficientes para fazer face ao montante do lucro distribuído aos sócios acima identificados. Em 2013, foi apurado um lucro de RS 4.434.716,83; no entanto, foram distribuídos aos sócios o montante de RS 4.892.148,56. Em 2014, foram apurados lucros R$ 890.498,45; no entanto, foram distribuídos aos sócios o total de RS 3.584.365,00. Apresentam o valor do lucro apurado pela auditoria, que deveria ter sido distribuído aos sócios, de acordo com o contrato social e as leis de regência, e informam que o valor distribuído a maior, por ser indevido é passível de tributação, por ser considerado saláriodecontribuição. nos termos do art. 28 da Lei n° 8.212. de 24 de julho de 1991. Comunicam que em função dos fatos encontrados na autuada, constituíram o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos profissionais professores que prestaram serviços de ensino à Ponto Online. e decorrente de distribuição indevida de lucros aos seus sócios. Noticiam ter aplicado a multa qualificada, em função da conduta da fiscalizada caracterizar sonegação, fraude e conluio, nos termos do § 1o do art. 44 da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.518 6 1.1 AUTOS DE INFRAÇÃO DECORRENTES DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Explicam ter lavrado os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória, porque a autuada não registrou em folha de pagamento, nem em títulos próprios de sua contabilidade, as informações relativas aos professores profissionais que recebiam remuneração pela prestação de serviços de ensino à fiscalizada, assim como. não reteve desses segurados contribuintes individuais as contribuições que eram por ele devidas. Além disso, informam ter lavrado Auto de Infração, porque a autuada não apresentou "Planilha demonstrativa dos lucros distribuídos aos sócios das SCP no formato estabelecido pela Auditoria Fiscal", apesar de ter sido intimada e reintimada para isso. Acrescentam que. a multa decorrente desses Autos de Infração foi agravada, porque restou configurado que a autuada agiu com dolo. fraude e máfé. nos termos do art. 290. inciso II. c/c art. 292. inciso II. ambos do Decreto n° 3.048. de 6 de maio de 1999. 1.2 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Relatam ter responsabilizado solidariamente os sócios Vicente Paulo, e José Jayme. nos termos do inciso I do art. 124. e inciso III do art. 135. ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). e a administradora não sócia Anabelle Vieira Denega (Anabelle), nos termos do inciso III do art. 135 desse Código. Noticiam que. Vicente Paulo é um dos sócios fundadores da empresa, e detém a maior parte do capital subscrito, que a gerência da sociedade foi delegada à administradora não sócia Anabelle. e apesar dessa delegação, os sócios também tomavam parte em decisões da empresa, relacionadas à natureza estratégica, planejamento e desenvolvimento da empresa. Apresentam trechos das declarações colhidas em diligência aos professores especialistas, exsócios, e administradora, que os levaram a afirmar que: 171. Segundo o depoimento prestado e tomado a termo pelo fisco, a administradora não sócia declarou em seu depoimento que as principais atividades de gestão por ela exercidas no âmbito do PONTO ONLINE são: atendimento ao público; contato com professores para convite e lançamento de cursos; atividades de gerenciamento administrativo, pessoal e financeiro. 172. Ainda, como administradora e desde a sua contratação afirmou que pode tomar todas as decisões da empresa com base em parâmetros prédeterminados. Situações novas, não inseridas no contexto organizacional da PONTO ONLINE, submeteas à apreciação dos proprietários da empresa, caso julgue necessário. 173. Tais atribuições foram confirmadas pela referida Administradora, conforme consta do Termo de Depoimento prestado ao fisco [...]. Colacionam trecho de email trocado entre José Jayme e um dos depoentes, que dizem mostrar os atos de gerência praticados por esse sócio. Relacionam os procedimentos que configuraram a prática de atos com excesso de poderes, praticados pelos solidados: a) adoção de planejamento fiscal abusivo, ou seja, dissimular pagamento de prestação de serviço de distribuição de lucros para eximirse de responsabilidade tributária; b) não observância, de forma intencional, do artigo 991 e parágrafo único da Lei n° 10.406, de 10/01/2002 (Código Civil), que veda expressamente atribuir responsabilidade ao sócio participante de Sociedade em Conta de Participação; Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.519 7 c) distribuição indevida de lucros aos sócios da PONTO ONLINE, conforme relatado nos itens anteriores; d) não declarar na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) todos os dados correspondentes às contribuições previdenciárias devidas pela Empresa, conforme determina o art. 32, inciso IV da Lei n°8.212, de 24/07/1991; e) não lançar em títulos próprios da contabilidade da Empresa os rendimentos auferidos pelos professores especialistas que prestaram serviços de ensino ao sujeito passivo no período fiscalizado (art.32, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991); Concluem que a responsabilidade solidária abrange créditos previdenciários relativos às obrigações principal e acessórias. Informam ter emitido representação fiscal para fins penais. 2. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR PONTO ONLINE CURSOS LTDA 2.1 DAS PRELIMINARES 2.1.1 Nulidades na apuração de base de cálculo e na determinação do lançamento A impugnante alega que a auditoria fez incidir em duplicidade a contribuição previdenciária sobre a mesma base de cálculo, pois os "lucros distribuídos disfarçadamente" não podem ensejar nova tributação por terem origem na exigência fiscal constituída. Afirma não existir critério coerente para reajustamento do lucro, pois há outros valores, além dos utilizados pelo Fisco, que surtiriam efeitos similares, e diz que devem ser excluídos da base de cálculo os valores de R$ 448.231.67 e R$ 2.693.866.55. Acrescenta que houve erros de cálculo, que levaram a uma exigência maior, porque os valores de lucros efetivamente distribuídos pela Ponto Online. indicados pela fiscalização continham erros. Acosta a seguinte tabela, informando as inconsistências: Em função do erro na base de cálculo, solicita nulidade do lançamento. Para embasar sua tese. cita art. 10, V, do Decreto n° 70.235/72, e art. 37 da Lei n° 8.212/91, e transcreve jurisprudência do CARF. e de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). 2.1.2 Nulidade por cerceamento de defesa: Ausência de apuração e demonstração Individualizada por SCP das alegadas Infrações Arrazoa que as SCP possuem escrituração contábil e apuração de resultados próprias, e condições contratuais distintas, como a participação dos sócios na sociedade, e a fiscalização não poderia desconsiderar essas particularidades e efetuar um lançamento único. Aduz que os sócios participantes não prestaram serviços, nem receberam lucros ou rendimento do Sócio ostensivo, que se tivesse existido deveria ser provado pelo Fisco, de forma individual em cada SCP. Argumenta que a apuração conjunta dessas remunerações cerceou o direito de defesa da impugnante, pois impossibilitou a "exata apuração da origem da base de cálculo autuada ". vez que desconsiderou as peculiaridades delas, a exemplo da apuração de lucros em uma e prejuízos em outras. Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.520 8 2.1.3 A impossibilidade de lançamento com base em presunção Afirma que o lançamento foi baseado em presunção da fiscalização, e que os fatos e nexo de causalidade entre a infração e a conduta do sujeito passivo devem ser provados pela auditoria. Assevera que. apesar de exercer suas atividades por anos. estabelecida em SCP com mais de 100 (cem) sócios, a Auditoria Fiscal se fundamentou em depoimentos de quatro professores especialistas, que a impugnante não teve acesso, e que não apresentam fundamentos que justifiquem a "indevida qualificação do Fisco ". Comunica que os valores distribuídos pelas SCP entre as partes eram lucros e não remuneração, visto que quando elas incorressem em prejuízos os sócios participantes eram chamados a aportar recursos. 2.1.4 A invalidade do TDPF e a necessidade de, no mínimo, ser sobrestado o presente processo administrativo Alega a impugnante que o processo deve ser sobrestado se não acolhida a nulidade, em função de a Sra. Anabelle ter apresentado requerimento ao Delegado da RFB apontando nulidades no procedimento fiscal instaurado contra ela e faltas funcionais dos Auditores Fiscais responsáveis pela ação fiscal na condução desta, e como o despacho do Delegado encaminhou o requerimento para o Escritório de Corregedoria da Receita na Ia Região Fiscal (ESCOR 01). sendo que não houve manifestação desse Órgão a respeito, o processo deve ser suspenso. Assevera que, como no requerimento há denúncia de práticas discriminatórias em razão do gênero, todos os atos posteriores praticados em decorrência daquele estão eivados de vícios. Transcreve jurisprudência, e cita art. 149, inciso DC. do CTN, sobre a revisão de ofício do lançamento nos casos de falta funcional. 2.2 DO MÉRITO 2.2.1 A Autuação Alega que. a interpretação do Fisco ao parágrafo único do art. 993 do Código Civil é equivocada, pois as SCP são efetivas e legais, e exercem suas atividades sob a administração da Ponto Online. e apoio dos sócios participantes, e acrescenta: 35. O art. 993 do CC não veda a participação do Sócio Participante nas atividades desenvolvidas pela SCP, ele apenas atribui maior grau de responsabilidade civil (e não fiscal/previdenciária, já que responsabilização para tais fins impõe lei complementar, conforme o art. 146, III, "a", da CF) ao Sócio Participante que firmar negócios Jurídicos com terceiros em nome da SCP. 36. Ademais, é fundamental notar que, no presente caso, as sociedades constituídas entre a Sócia Ostensiva e os Sócios Participantes apresentavam todos os requisitos previstos no art. 981 do CC contribuição de bens e serviços para o desenvolvimento de uma atividade econômica determinada, com a consequente divisão dos resultados econômicos obtidos. Havia ainda a divisão dos riscos econômicos ligados aos negócios algumas das SCPs chegaram, inclusive, a registrar prejuízos, suportados conjuntamente pela Sócia Ostensiva e pelos Sócios Participantes. E, ao contrário do que supõe a D. Fiscalização, não houve o desenvolvimento de atividades diretamente pelos Sócios Participantes aos alunos. Estes sequer tinham conhecimento das SCPs e contratavam diretamente com a Sócia Ostensiva, por melo de seu website. Aduz que. não houve qualquer ato abusivo, simulado ou fraudulento, conluio ou prática de sonegação, que ensejasse multa desproporcional, e no caso, tratase apenas de divergência interpretativa ao art. 993 do Código Civil. 2.2.2 Os Fatos A impugnante resume como se dá o desenvolvimento de suas atividades, diz que oferece cursos online preparatórios para concursos públicos, e: Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.521 9 39. Como seu objetivo é oferecer conteúdo específico para concursos públicos, a preparação das aulas e o material utilizado são únicos. Os próprios professores, Sócios Participantes com quem a Sócia Ostensiva se une, desenvolvem o conteúdo das aulas sob medida. Assim, o que ocorre na maior parte dos casos é que para o preparo de material e desenvolvimento das aulas, a RequerenteSócia Ostensiva se associa a um Professor Especializado no segmentoalvo do concurso público específico (Professor Especialista). 40. Por exemplo, para um curso preparatório para concurso destinado a preencher vagas de auditor fiscal da Secretaria de Fazenda em Tocantins, a Requerente firmará uma parceria com um Professor Especialista na legislação fiscal estadual de Tocantins. A Requerente veiculará as aulas e disponibilizará o material online a seus alunos, e o Proessor Especialista (Sócio Participante) desenvolverá o conferido e solucionará duvidas em fóruns de dúvidas, estático e virtual, em plataforma própria da Sócia Ostensiva. E assim, portanto, que se forma a relação, via SCP, entre a Sócia Ostensiva e os Sócios Participantes. Explica que para cada curso e para cada parceria são firmadas SCP específicas, onde o sócio participante transfere para a sociedade uma parte em recursos financeiros e outra parte mediante direitos de exploração de obras, e o sócio ostensivo aporta recursos financeiros, e comercializa o conteúdo oferecido por aquele sócio, aos alunos dos cursos online. Acrescenta que após o curso, os resultados são rateados entre as partes, geralmente nos percentuais de 40% para o sócio participante e o restante para o sócio ostensivo, mas que esse rateio também pode ocorrer no percentual de 50% para o sócio participante. Diz que não se tratam de cláusulas uniformes, mas livremente acordadas entre os sócios, para alcançarem os propósitos do negócio. Aduz que a Auditoria Fiscal não considerou que nos casos de resultados negativos, ambos os sócios são chamados a suprir o déficit na mesma proporção de 40% e 60%. como ocorreu no caso do sócio participante Marcos Henrique Girão da Silva. Diz que o modelo adotado pela impugnante é em razão da dinamicidade da SCP. que não apresenta burocracia, e pela facilidade na alocação de recursos: e da parte do sócio participante, projeta seu nome no mercado de cursos para concursos e divulga materiais de sua autoria. Afirma com isso. a existência affectio societatis entre os sócios das SCP. Argumenta que os valores pagos aos sócios participantes são lucros variáveis, determinados após conclusão dos cursos, ilíquidos e indeterminados, podendo ser negativos: ao contrário do proveniente da prestação de serviços que são fixos, previamente determinados, líquidos e certos, e sempre positivos. Com isso. assevera que a fiscalização não compreendeu corretamente o modelo de negócios adotado pela impugnante, nem as características das SCP. além da interpretação equivocada ao art. 993 do Código Civil. 2.2.3 O Direito Relaciona as razões jurídicas para o cancelamento dos Autos de Infração: (i) as SCPs constituídas pela Sócia Ostensiva e os Sócios Participantes são empresas, sob o ponto de vista material, e apresentam todos os elementos de que trata o art 981 do CC; (II) ainda que os Sócios Participantes desempenhem atividades como a elaboração do material utilizado no curso e o desenvolvimento das aulas, resolução de dúvidas, etc, o art. 993 do CC não proíbe tal exercício. Na verdade, esse dispositivo trata apenas de responsabilidade civil de sócios participantes de SCPs e, além disso, é fundamental destacar que a atividade desenvolvida pelas SCPs é substancialmente diversa daquela Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.522 10 desempenhada pelos sócios participantes, de ta! modo que sequer houve inversão de papéis; (iii) ainda que, para argumentar, se admitisse que as SCPs não cumpriam com as disposições gerais previstas no CC, ainda assim se tratariam de sociedades comuns, se sujeitando à tributação como verdadeiras pessoas jurídicas. Logo, os resultados distribuídos ainda seriam qualificados como lucros, e não como contraprestações pela prestação de serviços; (iv) o próprio art. 129 da Lei 11.196/05, dispõe que "para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas", de tal forma que a requalificação proposta pela D. Fiscalização não prospera; e (v) a D. Fiscalização desconsidera de forma indevida as SCPs neste caso. Por mais que essas entidades não apresentem personalidade jurídica, para fins fiscais elas são equiparadas as demais pessoas jurídicas. Embora não o faça de modo expresso, a D. Fiscalização, com o devido respeito, pretende aplicar de forma indevida o instituto da desconsideração da personalidade jurídica e as regras antielisivas de que trata o parágrafo único do art. 116 do CTN. 2.2.4 As SCP's constituídas pela requerente apresentam todos os elementos do art. 981 do Código Civil Afirma que as SCP reuniam recursos de ambos os sócios, tinham affectio societatis. objetivo de desenvolver projetos específicos, e os riscos ou benefícios do exercício da atividade empresarial eram assumidos por ambos os sócios. Transcreve art. 981 do Código Civil sobre os elementos que caracterizam uma sociedade. Arrazoa que a opção pelas SCP decorre da particularidade do segmento econômico, por envolver projetos de curta duração, por ter atuação dinâmica e envolver interesses recíprocos entre os sócios ostensivo e participante, e ser compatível com uma sociedade marcada pelo avanço tecnológico, interconectividade e inovação, além de facilitar os controles dos recursos de cada curso, e definir os que são lucrativos e deficitários. Além disso, os sócios participantes podem oferecerseu material preparatório a residentes de diferentes cidades do país. sem precisar custear todos os recursos com estrutura tecnológica e logística, que foram custeados pelo sócio ostensivo, e por existir esse interesse recíproco, os professores especialistas e a impugnante constituem as SCP. onde são estabelecidos: [,..] (a) a subscrição e a forma de realização do capital social da sociedade; (b) as obrigações das partes quanto à realização do objeto; (c) o objeto determinado e temporário, com a estipulação do prazo de sua conclusão; (d) a assunção dos riscos do empreendimento por ambas as partes; e (e) modo em que, em havendo resultado positivo, os lucros da sociedade serão repartidos, ou os prejuízos supordos pelas partes. Apresenta doutrina sobre a simplicidade, dinamicidade e conveniência das SCP. e diz não existir qualquer desvirtuamento ao instituto da SCP. Aduz, que pela equiparação destas às pessoas jurídicas nos termos do art. 148 do RIR/99 elas estavam sujeitas a um número maior de tributos, do que se os sócios participantes desenvolvessem suas atividades na condição de pessoas físicas. Apresenta tabela com o faturamento e os valores de tributos recolhidos pela impugnante, e diz que sendo SCP regularmente constituídas, os resultados ao final do empreendimento eram passíveis de distribuição como lucros. Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.523 11 Argumenta que quando os sócios participantes e exsócios se referiam a "modalidade interessante", estavam se referindo apenas à simplicidade e dinamicidade da estrutura societária, e à isenção aos lucros contida no ait. 10 da Lei n° 9.249/95, e não a "redução de carga tributária indevida". Afirma que essa isenção foi confirmada pelas Soluções de Consulta da Receita Federal do Brasil n° 43/2011 e 11/2009. e que as SCP's mantinham registros contábeis e fiscais, que são provas em seu favor, nos termos dos artigos 254. 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000. de 26 de março de 1999. e citam jurisprudência do CARF. 2.2.5 A correta interpretação do artigo 993 do Código Civil e a inexistência de "inversão de papéis" Alega que o art. 993 do Código Civil não impede que o sócio participante exerça atividades na SCP. mas apenas estabelece que se ele agir como sócio ostensivo, aparecendo perante terceiros, será responsabilizado da mesma forma que este. Interpreta que o art. 981 do Código Civil permite que a integralização do capital seja feita por bens e serviços, e que os sócios participantes podem fazer essa integralização nas SCP por serviços. Transcreve doutrina, e afirma que: 77 E, no presente caso, sequer há o desenvolvimento das mesmas atividades das SCPs pelos Sócios Participantes, ou a contratação destes diretamente com terceiros. De fato, a Sócia Ostensiva desenvolve as atividades de venda e divulgação dos cursos online, em website por ela desenvolvido e mantido (PONTO DOS CONCURSOS). Todos os contratos com terceiros (alunos) são realizados pela Sócia Ostensiva e os Sócios Participantes não vendem conteúo algum (cursos, aulas, ebooks etc.) aos alunos. Arrazoa que não há inversão de papéis, pois. enquanto o sócio ostensivo vende os cursos e disponibiliza o acesso online, os sócios participantes desenvolvem o material e tiram dúvidas dos alunos, que celebram contrato com o sócio ostensivo, e sequer sabem da existência das SCP. 2.2.6 Ainda que as SCPs não cumprissem com os requisitos do Código Civil, terseia uma sociedade comum, cujos lucros tampouco se sujeitariam às contribuições lançadas pela D. Fiscalização Alegam que. mesmo sendo sociedades comuns, os resultados distribuídos continuariam sendo lucros nào sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, pois regularmente registrados na contabilidade. Transcreve jurisprudência do CARF a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre lucros distribuidos. 2.2.7 O artigo 129 da Lei 11.196/05 e a autorização para desenvolvimento de atividades personalíssimas por meio de sociedades Transcreve o art. 129 da Lei n° 11.196. de 21 de novembro de 2005. e diz não haver incompatibilidade ao sócio para exercer atividades por meio das SCP e mesmo que as exercessem em caráter personalíssimo, diretamente contratadas junto aos alunos, as regras fiscais seriam as mesmas aplicadas às demais pessoas jurídicas, sendo apenas desconsideradas se verificados os requisitos do ait. 50 do Código Civil. Sobre este assunto, transcreve jurisprudência do CARF. 2.2.8 A desconsideração das SCPs e a indevida tentativa de aplicação do disposto no artigo 116, parágrafo único, do CTN pelo Fisco Argumenta que a fiscalização pretendeu desconsiderar a personalidade das SCP's para requalificar os lucros auferidos por elas. que integram o resultado contábil da impugnante e não foram questionados pela fiscalização. Aduz que essa desconsideração só seria possível se presentes as hipóteses do art. 28 da Lei n° 8.078. de 11 de setembro de 1990; ait. 117 da Lei n° 6.404. de 15 de dezembro de 1976; art. 18 da Lei n° 8.884. de 11 de junho de 1994; e art. 50 da Lei n° 10.406. de 10 de janeiro de 2002. Aduz que essa medida Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.524 12 estaria condicionada à comprovação pela fiscalização do abuso de direito, excesso de poder, infração à lei. dentre outros vícios da má administração da sociedade, que não foi o caso da impugnante. Transcreve julgados do CARF. sobre a desconsideração de personalidade jurídica em matéria tributária. Assevera que. no caso das SCP. não há elemento que as desconsidere para fins fiscais e previdenciários. e mesmo que houvesse, a competência seria do judiciário e não da fiscalização. Acrescenta que o Fisco também não poderia requalificar o lucro auferido apurado conforme a legislação, pois estaria aplicando indiretamente o art. 116. parágrafo único do CTN. que não é autoaplicável e depende de regulamentação. Nesse sentido, cita julgados. 2.3 A IMPROCEDENCIA DA MULTA QUALIFICADA A impugnante alega que: sempre cumpriu suas obrigações tributárias: sua contabilidade, assim como das SCP foi elaborada de acordo as regias legais; entregou as declarações exigidas, inclusive das específicas das SCP: e apresentou ao Fisco, por meio das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) os lucros distribuídos aos sócios participantes. Apresenta tabela contendo faturamentos trimestrais, tributos recolhidos, e respectivos percentuais entre o faturado e o recolhido, afirmando que estes estão de acordo com a tributação pelo lucro presumido, e que os valores sempre foram recolhidos sem atraso, devendo essa boa reputação nortear a imposição das multas. Aduz que a fiscalização não provou que o impugnante tenha agido com dolo. simulação ou fraude, limitandose à argumentação genérica e equivocada dos casos, decorrente de divergência na interpretação dos artigos 981. 991 e 993 do Código Civil. Discorre sobre a teoria da imputação subjetiva, e diz que para a aplicação da multa qualificada o Auditor Fiscal "deve demonstrar a ocorrência dos aspectos objetivos e subjetivos na conduta do contribuinte". Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). e doutrina, e diz não ter incorrido em aspectos de ordem objetiva ou subjetiva que pudessem levar à aplicação da multa qualificada. Indaga como pode ter cometido fraude ou simulação se registrou todas as SCP. recolhendo os tributos devidos conforme a legislação, e cumpriu todas as obrigações acessórias. Cita o art. 112 do CTN. ressaltando a aplicação da interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida, e transcreve doutrina sobre a dúvida quanto à capitulação legal, natureza e circunstâncias materiais do fato. Arrazoa que por se tratar de uma divergência de interpretação dos fatos, somente poderia se falar em erro de proibição, pois a impugnante não tinha conhecimento da iliciuide do negócio. Transcreve jurisprudência sobre erro de proibição, e cita ait. 76. inciso II, letra "a"', da Lei n° 4.502. de 30 de novembro de 1964, sobre a não aplicação de penalidade quando o imposto tiver sido recolhido de acordo com interpretação irrecorrível de última instância administrativa, acrescentando acórdãos em que há entendimento de não incidência de contribuição previdenciária sobre os lucros auferidos pelas SCP constituídas em sociedades com os professores especialistas. Afirma que se houve esse entendimento jurisprudencial e doutrinário, a impugnante agiu de boafé.. não se aplicando a ela a penalidade disposta no art. 76. inciso II. letra "a", da Lei n° 4.502/64. Cita doutrina sobre o princípio da segurança jurídica. Assevera que a Auditoria Fiscal deve aplicar a multa, seguindo os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, dispostos no art. 2o, parágrafo único, inciso VI, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. e o teimo "propor" constante no art. 142 do CTN. significa que ele deve "ponderar as situações objetivas e subjetivas da conduta Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.525 13 praticada pelo contribuinte, de modo a ser feito um juízo de pertinencia e de adequação da aplicação da penalidade, quando for o caso ". Transcreve doutrina que afirma que a legislação apenas caracteriza o teto máximo da penalidade fiscal, cabendo à autoridade administrativa o juízo de valor quanto à pertinência e adequação, cita ainda jurisprudência do CARF sobre o não cabimento da multa qualificada mesmo nos casos de simulação. 2.4 DESCABIMENTO DA MULTA POR SUPOSTO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Argumenta que as informações sobre os lucros distribuídos já haviam sido prestadas ao Fisco na DIRF e na própria contabilidade, e diz que as planilhas entregues à fiscalização discriminavam essa informação, não havendo razão para a lavratura do Auto de Infração CFL 35. Acrescenta que o mesmo vale para o Auto de Infração CFL 34. que estaria abarcado pela multa de ofício, decorrente do lançamento das contribuições pela auditoria. Assevera que as penalidades por descumprimento de obrigação acessória são absorvidas pelas multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, são desproporcionais e violam o princípio do nâoconfísco. Cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e RE 640.452/RO que teve Repercussão Geral reconhecida, e do STJ que relevou imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória em função da boafé e ausência de prejuízos ao Fisco. Aduz ainda que se o contribuinte entende que a obrigação principal não é devida, a acessória dela relacionada deixará de ser cumprida, não podendo as penalidades serem cumuladas. Transcreve jurisprudências do CSRF e do CARF. 2.5 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA Alega não ser cabível incidência de juros sobre multa de ofício, pois o CARF já se posicionou várias vezes nesse sentido, e há jurisprudência do CSRF com o mesmo ponto de vista. 2.6 DO PEDIDO A impugnante requer: a) conhecimento e acolhimento da impugnação: b) improcedência dos Autos de Infração; c) afastamento da multa de ofício qualificada: d) juntada posterior de documentos: e) aplicação do princípio da verdade material. 3. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR VICENTE PAULO DAS GRAÇAS PEREIRA, JOSE JAYME MORAES JÚNIOR, E ANABELLE VIEIRA DENEGA. As impugnações foram apresentadas em separado, entretanto, por trazerem argumentos comuns aos três. serão relatadas em conjunto. Os pontos específicos a um ou outro impugnante serão pontualmente individualizados. 3.1 DAS PRELIMINARES 3.1.1 Tempestividade e legitimidade De início, os impugnantes alegam tempestividade das impugnações e legitimidade para defenderem tanto o vínculo de responsabilidade quanto o próprio lançamento. 3.1.2 A incompetência da D. Fiscalização para lavrar Termo de Sujeição Passiva Os impugnantes argumentam que os Auditores Fiscais não têm competência para atribuir responsabilidade solidária, visto ser atribuição da Procuradoria da Fazenda Nacional. Transcrevem julgados do CARF nesse sentido, e pugnam pela nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.526 14 3.2 DO MÉRITO 3.2.1 Os fatos Os impugnantes fazem um resumo da autuação, e dizem que a requalificação jurídica dos lucros das SCP efetuada pelo Fisco não tem razão de ser, pois havia affectio societatis. conjunção de esforços econômicos entre os sócios, e assunção compartilhada de riscos e beneficio. Aduzem que a responsabilidade solidária deve ser afastada, pois a requalificação dos lucros, pelo Fisco decorreu de um conflito interpretativo dos artigos 981. 991 e 993 do Código Civil, e não se trata de caso de fraude e crime de sonegação. Vicente Paulo das Graças Pereira (VICENTE PAULO), e José Jayme Moraes Júnior (JOSE JAYME) acrescentam que se entendesse que os lucros fossem, em realidade, remuneração por serviços prestados, eles não poderiam ser responsabilizados porque não tinham qualquer ato de gestão sobre a sociedade. Nesse ponto. Anabelle Vieira Denega (ANABELLE) diz que não poderia ser responsabilizada porque não atuou com excesso, abuso ou violação à lei e ao Contrato Social da Ponto Online. VICENTE PAULO e JOSÉ JAYME acrescentam que essa responsabilidade não deve ser acatada, porque figuravam apenas como sócios, sem exercer ato de administração, por ser vedado pelo ait. 117. inciso X. da Lei n° 8.212/91; e. ainda, que as hipóteses dos artigos 124. I. e 135. III não se aplicam a eles. ANABELLE. por seu turno, diz que sua responsabilização foi atribuída pela fiscalização apenas com base no art. 135. inciso Hl. do CTN. e o disposto nesse artigo não se aplica a ela. VICENTE PAULO afirma que as provas acostadas pelo Fisco não prosperam, porque: (i) o Sr. Jean de Figueiredo Cronemberger foi sócio em período estranho aos anos objeto da fiscalização ora Impugnada. Ainda que consideradas relevantes as "afirmações genéricas" por ele feitas para argumentar , não há qualquer prova documenta! que sustente essas afirmações, nem fato concreto provado, de modo que tais afirmações não poderiam ser levadas em conta pelo D. Fisco; (II) baseandose somente no depoimento do Sr: Jean de Figueiredo Cronemberger, o D. Fisco desconsidera as informações prestadas pelos Srs. Vinícius Oliveira Ribeiro, Marcos Henrique Girão da Silva, Vladia Almeida Mattar Hudson, Tatiana Santos Aguiar; Cleonice Maria Oliveira da Silva Borges de Souza e Anabelle Vieira Denega; (iii) a atribuição de responsabilidade solidária ao Requerente em decorrência de uma frase mencionada péla Sr a. Anabelle Vieira Denega ("Situações novas, não inseridas no contexto organizacional do Ponto Online, submeteas à apreciação dos proprietários da empresa, caso julgue necessário") não revela qualquer proporcionalidade e, também, nenhum ato de gestão, já que é absolutamente natural que sócios tenham interesse nos resultados da empresa, bem como no seu regular funcionamento; e (iv) Idealização, fundação e orientação pedagógica de uma pessoa Jurídica, só, em nada se relaciona com o exercício da gerência. JOSÉ JAYME também usa o mesmo argumento do tópico (iii), acima transcrito, no que se refere à frase dita por Anabelle Vieira Denega, e acrescenta que as provas acostadas pelo Fisco não prosperam, porque o simples tratamento cortês entre os sócios da Ponto Online e os sócios participantes, não tem a ver com ato de gestão, e a reputação dos sócios dessa empresa motiva os professores especialistas a manterem contato com eles, para discussões didáticas e pedagógicas ligadas à atividade docente. Além disso, fazendo referência ao trecho de email acostado pela fiscalização ao corpo do Relatório Fiscal, assevera que a auditoria não apresentou elementos comprobatórios da efetiva prática de gerência pelo impugnante, e que trato social não é ato de gestão. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.527 15 3.3 DA INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 3.3.1 Inocorrência de simulação, dolo, fraude ou abuso Os impugnantes arrazoam que o caso se trata de uma questão de interpretação da legislação civil e tributária previdenciária. e a fiscalização faz alegações genéricas de que a Ponto Online teria agido com dolo. fraude, abuso e simulação, para aplicar a eles a responsabilização solidária, sem apresentar provas disso. Nesse tópico. ANABELLE cita jurisprudência do Carf, para sustentar que mesmo que se falasse de "erro de proibição", não ensejaria a responsabilidade solidária. No que se refere especificamente a sua responsabilização. VICENTE PAULO alega que a auditoria apenas a justificou baseada em depoimento do Sr. Jean de Figueiredo Cronemberger (Jean Cronemberger), da gerente Anabelle Vieira Denega; e em textos colhidos do website da Ponto Online. que indicam ser o impugnante o idealizador e fundador da empresa. Ele rebate os fundamentos da fiscalização, dizendo que: a) o depoimento de Jean Cronemberger deve ser desconsiderado, porque se refere a período estranho ao objeto da auditoria, e já alcançado pelo instituto da decadência, nos termos do ait. 173 do CTN: b) por absoluta falta de prova documental, além do fato de o depoente ter deixado de ser sócio da Ponto Online em função de "grave desavença", o que não lhe dá condições de fazer qualquer afirmação sobre a atuação do impugnante na Ponto Online no período de apuração da fiscalização; c) e, diante dos depoimentos dos outros depoentes ouvidos pela fiscalização. VICENTE PAULO e JOSE JAYME alegam que a informação da gerente Anabelle Vieira Denega de que "Situações novas, não inseridas no contexto organizacional da Ponto Online, submeteas à apreciação dos proprietários da empresa, caso julgue necessário", não prova atos de gestão dos sócios, visto que: a) por terem knowhow sobre o objeto da Ponto Online devem ser ouvidos em situações novas, não relacionadas ao "contexto rotineiro da sua gestão ", a fim de apontarem diretrizes e rumos que orientarão a gerente na condução dos negócios da empresa, o que não tem a ver com a prática de atos de gestão ou exercício da gerência; b) e por terem interesses econômicos na realização do empreendimento podem ser ouvidos em situações excepcionais, com suas experiências didáticas para realização do objeto da sociedade. VICENTE PAULO assevera que o fato de ter sido o idealizador e fundador da Ponto Online e ter prestigio como professor e autor de livros para concursos públicos nao implica em efetivo exercício de gerencia dos negocios da empresa. 3.3.2 Inaplicabilidade dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN Os impugnantes transcrevem jurisprudência do CARF sobre o não cabimento de responsabilidade pelos artigos 124. inciso I. e 135. inciso III. do CTN. quando não comprovada a ocorrência das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. VICENTE PAULO e JOSÉ JAYME aduzem que a fiscalização socorreuse ao art. 124. inciso I do CTN por não conseguir encontrar conduta que os enquadraria no art. 135 do CTN. criando nova hipótese de sujeição passiva. Interpretam que primeiro a sujeição deve ser definida por este artigo para depois se pensar na atribuição pelo art. 124 do CTN. que não pode ser usado forçosamente em combinação com aquele para criar uma nova hipótese de sujeição, nem mediante emprego da expressão "interesse comum": e. VICENTE PAULO acrescenta que. no seu caso específico, nem o motivo de que "foi o maior beneficiário", por ser o sócio majoritário, ou criador do website. VICENTE PAULO e JOSÉ JAYME argumentam que o artigo 124 do CTN não trata de responsabilização de terceiro, mas da dosimetria da responsabilização se solidária ou subsidiária. Transcrevem doutrina a respeito, e citam jurisprudência do CARF sobre a impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária a terceiros pelo art. 124, Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.528 16 inciso I. do CTN sem que haja comprovação de interesses jurídicos comuns. ANABELLE também transcreve esse mesmo julgado do CARF. VICENTE PAULO e JOSÉ JAYME também fazem referência a julgados do STJ. a respeito de o art. 124 do CTN "não tratar de norma distribuidora de responsabilidade1, e do STF. em decisão ao RE 562.276 PR. com Repercussão Geral, que dizem ter aplicação na esfera administrativa nos termos da Nota PGFN n° 1.266 2014 e do ait. 62. II. alínea b do Regimento Interno do CARF. 3.3.3 Inaplicabilidade do artigo 135, inciso III, do CTN VICENTE PAULO e JOSÉ JAYME alegam que, a responsabilização pelo ait. 135, inciso III. decorre de os sócios terem praticado atos com excesso de poder, ou infração à lei, contrato social e estatuto, e que, concomitantemente, a obrigação tributada decorra desses atos. ANABELLE alega o mesmo, no caso dos diretores, gerentes, e representantes das pessoas jurídicas. Os três impugnantes transcrevem jurisprudência do STF e dizem que a fiscalização os responsabilizou pelo simples fato de: ser o sóciofundador (impugnação VICENTE PAULO), sócio (impugnação JOSÉ JAYME). e gerente (impugnação ANABELLE) da Ponto Online. VICENTE PAULO e JOSE JAYME acrescentam que a fiscalização sequer demonstrou que eles exerceram gerência ou administração da empresa, e que o fato de autuarem como sóciofundador (impugnação VICENTE PAULO), ou sócio (impugnação JOSE JAYME). não influencia a administração da empresa. Os três defendentes citam doutrina, jurisprudência do STJ, Portaria PGFN n° 180/2010, e Parecer PGFN CRJ CAT n° 55/99. para sustentar que a simples inadimplência da obrigação tributária não leva à responsabilização pessoal dos administradores. ANABELLE acrescenta que mesmo que a jurisprudência citada se refira apenas a sóciosgerentes. o trecho transcrito deixa claro a necessidade da existência dos requisitos para a responsabilização. VICENTE PAULO e JOSÉ JAYME aduzem que a fiscalização não trouxe elementos que provassem que os dois tivessem praticado atos de gestão; e. os três impugnantes ressaltam que a fiscalização não trouxe qualquer fundamento, indício ou prova que indicasse que eles tivessem amado com excesso de poder, infração à lei. ao contrato social ou estatuto da Ponto Online. Acrescentam que a fiscalização presumiu uma sonegação de contribuições previdenciárias, que no caso. o que ocorreu foi divergência de interpretação dos artigos 981. 991 e 993 do Código Civil. 3.4 A IMPROCEDENCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Os impugnantes arrazoam que a sujeição passiva não se sustenta porque os Autos de Infração são improcedentes. Nesse aspecto, repetem as mesmas razões apresentadas na impugnação da Ponto On line. de onde se extrai resumidamente os seguintes pontos: • Nas preliminares, alegam nulidade na apuração da base de cálculo: cerceamento do direito de defesa; lançamento baseado em simples presunções; invalidade do TDPF: • Nos fatos, aduzem que a Ponto Online demonstrou que os valores lançados pela fiscalização correspondem efetivamente a lucros regularmente contabilizados nas DRE's, e que as SCP foram constituídas em função da dinamicidade e por apresentarem menos burocracia. • No mérito, asseveram que: a) as SCP constituídas pela Ponto Online são verdadeiras empresas, com affectio societatis entre seus sócios, que conjugavam esforços e compartilhavam riscos e benefícios; b) os valores pagos pela Ponto Online aos sócios Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.529 17 participantes são lucros, variáveis, determinados após conclusão dos cursos, ilíquidos e incertos, podendo ser negativos, características essas, contrárias aos rendimentos decorrentes da prestação de serviços; c) o art. 993 do Código Civil, trata apenas da responsabilidade solidária e não proíbe que os sócios participantes desempenhem atividades como a elaboração de material, solução de dúvidas, etc. não tendo ocorrido inversão de papéis; d) as SCP seriam sociedades comuns, caso não cumprissem as disposições do Código Civil, e os resultados também seriam lucros: e) nos termos do art. 129 da Lei n° 11.196/05. a requalificação proposta pela fiscalização não se sustenta: f) as SCP foram indevidamente consideradas pela fiscalização, que indiretamente aplicou o art. 116 do CTN. que depende de regulamentação para ser aplicável. • Aduzem pelo afastamento da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), por não se tratar de casos de fraude ou sonegação de contribuição previdenciária. e. ainda que se entendesse que os lucros fossem, em realidade, rendimentos decorrentes de serviços, tratarseia apenas de uma divergência quanto à interpretação dos artigos 981. 991 e 993. do Código Civil. • Acrescentam que as multas decorrente*» de obrigações acessórias e os juros não prosperam, e que a taxa Selic se aplicaria ao crédito decorrente da obrigação principal, mas não à multa de ofício por ser penalidade e não ter natureza tributária. 3.5 DO PEDIDO Os três impugnantes requerem: a) acolhimento das respectivas impugnações: b) cancelamento dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária: c) julgamento das respectivas impugnações em conjunto com a impugnação da Ponto Online: d) que os argumentos de mérito apresentados pela Ponto Online sejam estendidos às respectivas peças defensórias dos impugnantes: e) cancelamento dos Autos de Infração e afastamento da responsabilidade solidária. Os impugnantes VICENTE PAULO e JOSÉ JAYME requerem ainda, o cancelamento dos Termos de Arrolamento. Ao analisar o caso, em 24.04.2017, entendeu a autoridade julgadora serem improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo na íntegra os autos de infração aplicados, mediante a emissão das seguintes ementas: AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.530 18 A empresa é obrigada ao recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DOS VALORES PAGOS AOS SÓCIOS. VERDADE MATERIAL. Demonstrado que as atividades e os negócios jurídicos desenvolvidos possuem aspectos diversos da realidade formal, onde os sócios participantes da conta participação prestavam serviços ao sócio ostensivo, os valores pagos por este em decorrência desses contratos devem ser classificados segundo a sua efetiva natureza jurídica, como remuneração por serviços prestados por contribuintes individuais da Previdência Social. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. contrato social ou estatutos, devendo responder solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. De outro lado, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM ATRASO. MULTA DE OFÍCIO Tendo o Auditor Fiscal aplicado a multa prevista em lei, agiu em conformidade com o seu dever, em face de a atividade do lançamento ser plenamente vinculada. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Após o lançamento, incidem juros sobre a multa de oficio, pois, esta integra o crédito tributário lançado, nao havendo que se fazer distinção em relação à aplicação da regra contida no artigo 161 do Código Tributário Nacional CTN. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. DECISÕES JUDICIAIS. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS JULGADORAS. VÍNCULO Os parâmetros e critérios de julgamentos estão limitados ao âmbito Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.531 19 administrativo e não há subordinação do julgador administrativo às decisões administrativas ou judiciais sem força vinculante expressa. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO. DESCABIMENTO. Foge da competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciar reclamação do sujeito passivo quanto a arrolamento de bens e direitos realizado no curso de procedimento fiscal. Irresignados, a empresa e os devedores solidários apresentaram recursos voluntários (fls. 1318, 1402, 1442, 1472), reafirmando, em síntese, os argumentos e pedidos contidos nas impugnações. Em 20.03.2019, a recorrente apresentou petição, requerendo que os fatos fossem analisados à luz da decisão proferida pelo Acórdão de Recurso Voluntário nr 1401002.823 da 1ª Turma Ordinária, da 4.ª Câmara, da 2ª Seção, deste Carf, que entendeu procedente o recurso voluntário e não ocorrido o fato gerador de obrigação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade Os recursos são tempestivos e atendem aos requisitos legais para suas admissibilidades, portanto, devem ser conhecidos. Da diligência de ofício Analisados os recursos voluntários, informa a empresa que ao firmar os contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP), os sócios ostensivos e os sócios participantes colaboravam proporcionalmente com a formação do capital social da sociedade e, ao final do período estipulado para a atividade da SCP, tais sócios verificavam os resultados, dividindo o lucros ou arcando proporcionalmente com os prejuízos do empreendimento. Examinados alguns contratos juntados pela auditoria (exemplo abaixo), verifica se que de fato existe cláusula prevendo tal forma constituição do capital e repartição dos resultados das SCP's envovidas: Contrato de Sociedade em Conta de Participação Ponto Online Cursos Ltda, pessoa jurídica com sede na SCN, Quadra 5, Bloco A, n° 50, Sala 1227 CEP 70.715900, Asa Norte Brasília DF, inscrita no cadastro de contribuintes do Ministério da Fazenda CIMPJ sob o número 07.610.468/000147, neste ato representado por ANABELLE VIEIRA DENEGA, CPF: 057.985.69926 (doravante denominado "Provedor") e VINÍCIUS OLIVEIRA RIBEIRO, residente e domiciliado na SHIN CA 10 Its 1/4 bl d apto 310 (Condomínio Bellagio) Lago Norte. CEP: 71503510. BrasíliaDF, CPF: 011.982.50666 (doravante denominado "Especialista"), por esta e na melhor forma de direito, têm entre si justo e contratado constituir uma Sociedade em Conta de Participação, nos termos do presente instrumento, conforme cláusulas a seguir. Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.532 20 (...) CAPÍTULO III Da formação do capital Cláusula VI Da formação do capital do Projeto objeto do contrato Para início do Projeto, as partes subscrevem, nesta data, o capital de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais), dividido em 1.200 (mil e duzentas cotas) de R$ 1,00 (um real), realizadas também nesta data da seguinte forma: a) o Provedor subscreve 720 (setecentas e vinte) cotas e as realiza em moeda corrente no valor de R$ 720,00 (setecentos e vinte reais); b) o Especialista subscreve 480 (quatrocentas e oitenta) cotas e as realiza da seguinte forma: b.l) 100 (cem) cotas em dinheiro no valor de R$ 100,00 (cem reais); b.2) 380 (trezentas e oitenta) cotas em direitos de uso (pelo tempo do Projeto) do Material Técnico antes referenciado. Parágrafo único. Não é permitida a alteração do quadro societário, com a cessão total ou parcial de quota, ou a entrada de novo sócio, situação em que a Sociedade em Conta de Participação deverá ser dissolvida (após a distribuição dos resultados, na forma especificada neste contrato) de pleno direito, sendo repartido entre os sócios 0 eventual acervo na proporção do capital social. (...) Cláusula VIII Do controle das receitas, custos e despesas do Projeto O Projeto terá suas operações controladas em separado das operações do sócio ostensivo e suas receitas e custos/despesas serão acompanhadas por registros contábeis, mantidos em conformidade com a legislação comercial e com os princípios fundamentais de contabilidade. § 1°. As receitas serão compostas, basicamente, pelas vendas do curso online, valores esses a serem pagos pelo aluno, conforme contrato estabelecido entre o aluno e o Provedor (sócio ostensivo). § 2o. Serão suportados pela Sociedade em Conta de Participação, como custos do projeto, parte dos custos e despesas do Provedor com: (a) aluguel, (b) telefone, (c) condomínio, (d) pessoal incluindo prólabore, (e) energia elétrica, (f) serviço de acesso e hospedagem de sítio Internet. Tais custos serão apropriados da seguinte forma: a) 60% (sessenta por cento) desses custos e despesas do Provedor deverão ser apropriados ao projeto com base na relação entre (i) o número de alunos matriculados no curso e (¡i) o total (Je alunos matriculados em todos os cursos, em andamento, oferecidos pelo Provedor; b) o valor acima descrito está limitado, para o Projeto, a 5% (cinco por cento) do total desses custos e despesas dó Provedor com os itens acima enumerados (itens "a" a "f"). (...) Cláusula IX Da apuração do resultado do Projeto O resultado será apurado ao final do Projeto e, no caso de o projeto ultrapassar em andamento a data d^ 31 de dezembro, ao final de cada exercício social, que coincidirá como o ano civil. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.533 21 § Io. Ao final do Projeto e anualmente, erjn 31 de dezembro, será levantado o balanço geral da sociedade, dos lucros líquidos ou prejuízos do exercício; feitos os necessários ajustes, o saldo porventura existente será distribuído ou suportado pelos sócios na forma definida neste contrato. § 2°. A Sociedade em Conta de Participação poderá realizar o levantamento de balanço ou balancete extraordinário em data diferente daquela prevista no parágrafo Io, com o objetivo de distribuição antecipada de lucros. (...) Cláusula X Da distribuição/participação no resultado A distribuição do resultado se dará nos seguintes termos: No caso de resultado positivo apurado (lucro a ser distribuído): a) ao Especialista caberá a parcela do resultado positivo lucro apurado, determinada conforme condições a seguir: a.1) caso o lucro seja igual ou inferior a R$ 121,00, ao especialista caberá 80% do referido lucro; a.2) caso o lucro seja superior a R$ 121,00 e igual ou menor a R$ 600,00, ao especialista caberá o valor fixo de R$ 100,00; a.3) caso o lucro seja superior a R$ 600,00, ao especialista caberá o valor da diferença entre diferença entre 80% do referido lucro e cifra de R$ 380,00, sendo que (i) esse valor está sujeito a um limite máximo correspondente à diferença entre 40% do faturamento do projeto e a cifra de R$ 380,00; (ii) o limite máximo antes definido somente será aplicado caso seja superior a R$ 600,00. b) ao Provedor caberá o valor restante do lucro. No caso de resultado negativo apurado (prejuízo a ser suportado): a) o Especialista suportará 80% (oitenta por cento) do resultado prejuízo, limitado ao valor do capital inicialmente aportado; b) o Provedor suportará o valor restante do prejuízo. Assim, em razão de não constar dos autos de infração, ou dos documentos que os instruem, informações objetivas sobre a efetivação de tais circunstâncias contratuais e por considerar tais esclarecimentos fundamentais ao deslinde do caso, com fulcro no disposto no art. 18 do decreto 70.235/72, VOTO POR CONVERTER A PRESENTE VOTAÇÃO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a auditoria realize os seguintes procedimentos: 1) Intimar a fiscalizada a apresentar documentos e esclarecimentos suplementares, caso a auditoria julgue necessário tal procedimento para a realização desta diligência (pex. documentos de caixa, contabilidade, etc); 2) Analisar as informações constantes dos autos e eventuais informações obtidas junto à empresa durante a diligência, respondendo (de forma objetiva, com foco na decisão a ser tomada por esta turma julgadora) aos seguintes questionamentos, relativos a todas as SCP's envolvidas no lançamento: Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 10166.728636/201656 Resolução nº 2402000.772 S2C4T2 Fl. 1.534 22 a) houve de fato, e em regra, efetiva colaboração financeira dos sócios (ostensivo e participante) das SCP's para a formação do seu capital? há provas contábeis e documentos de caixa que demonstrem a efetiva entrega de recurso pelos professores? (esclarecer em planilha os casos que há e não há prova de tal rateio); b) como se deu a divisão da cobertura dos prejuízos entre sócios ostensivos e participantes nos eventuais casos de insucesso financeiro dos cursos promovidos? há evidências contábeis e provas de efetivo desembolso financeiro pelos professores de tais prejuízos pelos professores? Em quantos casos houve insucesso? c) era pago algum valor ao professor especialista em caso de insucesso do curso? d) acrescentar outros dados julgados relevantes ao esclarecimento da caso. 3) Intimar novamente os recorrentes, concedendolhes 30 dias de prazo para, querendo, manifestaremse sobre as conclusões e esclarecimentos da auditoria; 4) Após isso, retornem os autos à apreciação deste Conselho. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 1577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.726772/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.229
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS, vinculado a declaração de compensação, que não restou integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, defendendo direito a percepção da integralidade dos créditos pleiteados. Discorre sobre o conceito de insumos e defende reversão das glosas efetuadas, essencialmente por entender que todos integram seu processo produtivo. A DRJ competente julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão nº 14-075.421. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 26 77 2/ 20 12 -1 5 Fl. 8711DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.229 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726772/2012-15 Irresignada com o não reconhecimento integral de seu pedido, a recorrente apresentou Recurso Voluntário reforçando os argumentos da manifestação de inconformidade e contestando, de forma específica, a decisão de primeira instância, glosa por glosa. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.197, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.720433/2010-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.197):. “Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A lide envolve a matéria do creditamento na apuração das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, assim como o creditamento sobre os insumos do processo produtivo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, veio de encontro à posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno deste Conselho, tem aplicação obrigatória. Entre outros dispositivos legais, o Art. 16.º, §6.º e o Art. 29.º do Decreto 70.235/72, Art. 2.º caput, inciso XII e Art. 38.º e 64.º da Lei 9.784/99 e Art. 112.º, 113.º, 142.º e 149.º do CTN permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal. Diante do exposto, em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, vota-se no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a Fl. 8712DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.229 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726772/2012-15 interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que : - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Fl. 8713DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.229 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726772/2012-15 Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza. Fl. 8714DF CARF MF
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Numero do processo: 10803.000104/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em quebra indevida do sigilo bancário, quando a Requisição de Movimentação Financeira foi feita em face da negativa do sujeito passivo em atender às intimações fiscais e a fiscalização observou as normas pertinentes à matéria.
A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Inexistindo demonstração de preterição do direito de defesa, especialmente quando o contribuinte exerce a prerrogativa de se contrapor a acusação fiscal, não se configura qualquer nulidade.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1.º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar a origem é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
GLOSA DE DEPENDENTES. UNIÃO ESTÁVEL. OBRIGATORIEDADE DE PROVA.
Para fins de comprovação da relação com companheira é necessária a prova de coabitação, em endereços coincidentes.
DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO.
As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto, estando sob reserva de lei em sentido formal. Assim, pode a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução, mormente quando, sabedor da necessidade de documentação complementar, o contribuinte não faz prova efetiva de que os serviços foram prestados.
DESPESAS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA ACORDADA AMIGAVELMENTE. GLOSA.
Para que seja possível a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia, indispensável que seja oriunda de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não podendo decorrer, para efeitos tributários, de mera liberalidade.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA.
Na falta de comprovação da efetividade e legitimidade das despesas com instrução de dependentes é de se manter a glosa.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DOCUMENTO FALSO. GLOSA.
A negativa de emissão do recibo da despesa deduzida na apuração da base de cálculo do imposto pela instituição de ensino superior, bem como a não confirmação por parte desta de ter emitido recibo em momento anterior, tudo isto aliado à falta de comprovação da efetividade do pagamento do dito serviço pelo contribuinte, constitui prova suficiente de que se trata de documento falso, de modo a justificar a glosa.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N.º 4.
É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária.
A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2202-005.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em quebra indevida do sigilo bancário, quando a Requisição de Movimentação Financeira foi feita em face da negativa do sujeito passivo em atender às intimações fiscais e a fiscalização observou as normas pertinentes à matéria. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Inexistindo demonstração de preterição do direito de defesa, especialmente quando o contribuinte exerce a prerrogativa de se contrapor a acusação fiscal, não se configura qualquer nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1.º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar a origem é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. GLOSA DE DEPENDENTES. UNIÃO ESTÁVEL. OBRIGATORIEDADE DE PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 04 /2 00 8- 98 Fl. 2436DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 Para fins de comprovação da relação com companheira é necessária a prova de coabitação, em endereços coincidentes. DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto, estando sob reserva de lei em sentido formal. Assim, pode a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução, mormente quando, sabedor da necessidade de documentação complementar, o contribuinte não faz prova efetiva de que os serviços foram prestados. DESPESAS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA ACORDADA AMIGAVELMENTE. GLOSA. Para que seja possível a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia, indispensável que seja oriunda de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não podendo decorrer, para efeitos tributários, de mera liberalidade. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA. Na falta de comprovação da efetividade e legitimidade das despesas com instrução de dependentes é de se manter a glosa. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DOCUMENTO FALSO. GLOSA. A negativa de emissão do recibo da despesa deduzida na apuração da base de cálculo do imposto pela instituição de ensino superior, bem como a não confirmação por parte desta de ter emitido recibo em momento anterior, tudo isto aliado à falta de comprovação da efetividade do pagamento do dito serviço pelo contribuinte, constitui prova suficiente de que se trata de documento falso, de modo a justificar a glosa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N.º 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. Fl. 2437DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 A Súmula CARF n.º 2 enuncia que o Egrégio Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 1.370/1.405), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 1.321/1.359), proferida em sessão de 09/12/2009, consubstanciada no Acórdão n.º 17-37.130, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP II (DRJ/SP2), que, ora por maioria, ora por unanimidade de votos, julgou procedente em parte à impugnação (e-fls. 2.094/2.131), cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 GANHO DE CAPITAL – DECADÊNCIA. O imposto de renda, pessoa física, decorrente da apuração de ganho de capital, é tributo devido de forma definitiva e enseja o lançamento por homologação. Assim, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houver pagamento de imposto. RENDIMENTOS SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. DECADÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoa-se no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de cada ano-calendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao Carnê-Leão. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. PERMUTA. A permuta só ocorre pela entrega de coisas de igual valor ou, pelo menos, quando o bem dado como parte de pagamento superar a quantia a ser paga em dinheiro, hipóteses que não se aplicam ao caso presente. Assim, deve o valor do imóvel dado como parte do Fl. 2438DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 pagamento compor o valor da alienação, para efeito de determinação do ganho de capital, estando correto o procedimento efetuado pela fiscalização. UNIÃO ESTÁVEL. RELAÇÃO COM COMPANHEIRO. PROVA. Para fins de comprovação da relação com companheiro é necessária a prova de coabitação, em endereços coincidentes. DESPESAS MÉDICAS – REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, está sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução, mormente quando, sabedor da necessidade de documentação complementar, o contribuinte não faz prova efetiva de que os serviços foram prestados. DESPESAS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. GLOSA. Para que seja possível a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia, indispensável que seja oriunda de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não podendo decorrer, para efeitos tributários, de mera liberalidade. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA. Na falta de comprovação da efetividade e legitimidade das despesas com instrução de dependentes é de se manter a glosa. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DOCUMENTO FALSO. A negativa de emissão do recibo da despesa deduzida na apuração da base de cálculo do imposto pela instituição de ensino superior que o teria firmado aliada à falta de comprovação da efetividade daquele pagamento pelo contribuinte, constitui prova suficiente de que trata-se de documento falso, justifica a sua glosa. SIGILO BANCÁRIO. Não há que se falar em quebra indevida do sigilo bancário, quando a Requisição de Movimentação Financeira foi feita em face da negativa do sujeito passivo em atender às intimações fiscais e a fiscalização observou as normas pertinentes à matéria. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.º 9.430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. EMPRÉSTIMOS. A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva ocorrência da operação, mediante a sua informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual, além da comprovação da transferência de numerário envolvida. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA RECEBIDA DE GENITOR. Afasta-se a tributação sobre valor que o sujeito passivo logra comprovar ter sido transferido de seu genitor, com extratos bancários, com coincidência de data e valor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150% nos casos em que, no procedimento de ofício, constata-se que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de causar dano ao erário público. JUROS DE MORA. SELIC. INCIDÊNCIA. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido. A taxa SELIC é aplicável na atualização dos débitos fiscais não-recolhidos integralmente no vencimento da obrigação, incidindo desde esta data, mesmo que a Fl. 2439DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, no Procedimento Fiscal n.º 08.1.90.00-2008-06689-1 (0819000/06689/08), para fatos geradores ocorridos nos anos- calendário de 2002, 2003 e 2004, com auto de infração lavrado em 11/11/2008 (e-fls. 02/14), notificado o contribuinte em 12/11/2008 (e-fls. 2.090/2.091), com Termo de Verificação e Conclusão Fiscal juntado aos autos (e-fls. 16/86), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação (e-fls. 1.321/1.359), pelo que passo a adotá-lo: O presente processo que ostenta como última página a de n.º 1.936 trata de auto de infração de fls. 01/14 [e-fls. 02/15], para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 2003, 2004 e 2005, anos-calendário 2002, 2003 e 2004, no valor de R$ 91.337,69 (noventa e um mil, trezentos e trinta e sete reais e sessenta e nove centavos), mais multa de ofício de 150% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatadas as seguintes infrações: a) Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, com relação ao imóvel constituído por conjunto n.º 72, localizado no 7.º andar ou 11.º pavimento do Edifício Banco BMG, situado à Alameda Santos n.º 2.355, registrado no 34.º Subdistrito de Cerqueira César, em São Paulo (SP), nos anos-calendário de 2002 e 2003; b) Dedução indevida de dependentes, em face da não comprovação da relação de dependência das pessoas informadas na sua Declaração de Ajuste Anual Exercícios 2004 e 2005, anos-calendário de 2003 e 2004, respectivamente; c) Dedução indevida de despesas médicas, também por não terem sido comprovadas, nos anos-calendário de 2003 e 2004; d) Dedução indevida de pensão judicial pleiteada indevidamente nos anos- calendário de 2003 e 2004; e) Dedução indevida de despesas com instrução pleiteadas indevidamente nos anos-calendário de 2003 e 2004; f) Dedução indevida de despesas de previdência privada pleiteadas indevidamente nos anos-calendário de 2003 e 2004; g) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos-calendário de 2003 e 2004. Às fls. 15/85 [e-fls. 16/86] é acostado Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, onde a fiscalização descreve circunstanciadamente o desenrolar dos fatos. Da Impugnação ao lançamento O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 12/12/2008 (e-fls. 2.293 e 2.094/2.131), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada (e-fls. 1.321/1.359), pelo que peço vênia para reproduzir: Cientificado da exigência tributária em 12/11/2008, por via postal, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 1.515 [e-fl. 2.091], o autuado apresenta impugnação às fls. 1.518/1.555 [e-fls. 2.094/2.131], de onde se extrai os seguintes argumentos: a) com relação à movimentação financeira levantada pela fiscalização, às fls. 19/44 [e-fls. 20/45], entende que seria coerente considerar os valores dos bens Fl. 2440DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 declarados, principalmente no que tange a aplicações financeiras e imóveis que foram negociados durante os anos de 2002, 2003 e 2004; b) as aplicações financeiras declaradas e comprovadas pelos extratos e informes bancários somaram R$ 1.106.663,73 e R$ 1.887.305,73, em 31/12/2002 e 31/12/2003, respectivamente; c) os imóveis negociados que implicaram trânsito de valores em contas bancárias do contribuinte durante o ano de 2003 somaram: - imóvel da Alameda Santos n.º 2335 cj. 72 – R$ 360.000,00, tendo sido negociado por R$ 450.000,00, conforme contrato de compra e venda de fls. 1.621/1.626 [e-fls. 2.198/2.203], com dação em pagamento de um flat localizado à Rua Bela Cintra; - imóvel da Rua Tanabi n.º 221, vendido para Mário Francisco M. Gelli, com pagamentos efetuados mediante depósitos em conta no total de R$ 46.650,00, durante o ano de 2003; d) somente devido às negociações imobiliárias ocorridas durante o ano de 2003, o movimento financeiro nas contas bancárias do autuado totalizaram R$ 406.650,00; e) reporta-se também a venda de outros ativos, como veículos, equipamentos de informática, móveis e recebimento de ações judiciais por ele próprio e por o dependente, no total de R$ 41.913,00, cujas origens foram aceitas pela fiscalização à fl. 36 [e-fl. 37]; f) houve também resgate de poupança no valor total de R$ 33.930,34, durante o ano de 2003, devidamente comprovada e aceita pela fiscalização, conforme fls. 35/36 [e-fls. 36/37], bem como resgate de outras aplicações financeiras no valor total de R$ 271.039,62, como informa a fiscalização à fl. 21 [e-fl. 22]; g) ao somar todos esses valores aos rendimentos declarados, tem-se o total de R$ 1.198.198,26, valor superior ao total da movimentação financeira de R$ 854.228,46 informado pela fiscalização à fl. 19 (item 9) [e-fl. 20]; h) relata acerca da apresentação da documentação à fiscalização, deixando de exercer seu direito ao sigilo de informações pessoais e do que ocorreu com relação aos prazos concedidos para atendimento das intimações fiscais; i) condena a conduta da fiscalização durante a ação fiscal, em determinados momentos; j) com relação ao ganho de capital de R$ 35.550,00, apurado no item 13.2.20 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, à fl. 26 [e-fl. 27], informa que fez parte da negociação um outro imóvel que entrou como dação em pagamento (flat da Rua Bela Cintra), conforme documentos de fls. 1.631/1.634 [e-fls. 2.208/2.211], que se trata de instrumento particular de promessa de cessão de direitos sobre futura unidade autônoma, por estar o imóvel em construção, à época; k) se o contrato de venda do imóvel da Alameda Santos estipulou total de R$ 450.000,00 e o valor do flat foi de R$ 90.000,00, então R$ 360.000,00 foi o valor em reais apurado com a venda; e, ao subtrair a comissão imobiliária de R$ 21.600,00, apura-se o valor líquido de R$ 338.400,00; l) o flat da Rua Bela Cintra foi vendido 14 meses após a negociação da Alameda Santos e por preço inferior ao que estava no contrato de negociação, em face das dificuldades de mercado; m) a fiscalização não levou em consideração todos os dispêndios havidos com a compra e venda do imóvel da Alameda Santos desde sua arrematação em hasta pública do Poder Judiciário até a venda do flat (imóvel da Rua Bela Cintra), que fez parte da negociação do conj. 72 da Alameda Santos; n) a fiscalização também não considerou o pagamento da comissão imobiliária de R$ 4.500,00, pela venda do apartamento da Rua Bela Cintra ao Sr. Nelson Tomás Fequittio Filho; o) chega-se, portanto, a um prejuízo de RS 18.533,22 e não ganho de capital de R$ 35.550,00; p) no momento da venda do conj. 72 da Alameda Santos, os R$ 90.000,00 atribuídos como valor do flat poderiam ser considerados apenas teórico, por não ter se transformado em moeda corrente; q) “Isso fica bastante claro, no cálculo apresentado por contador contratado pelo contribuinte Márcio que continuou o cálculo da apuração do Ganho de Capital Fl. 2441DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 após a venda do Cj. 72, subtraindo o valor da receita líquida apurada igual a R$ 338.400,00, do custo de aquisição dos imóveis que era de R$ 392.850,00 naquele momento. O valor que resultou de R$ 54.450,00 foi atribuído ao custo de aquisição do Flat da Bela Cintra que fez parte daquela negociação. Se mais tarde o Flat fosse vendido realmente pelos R$ 90.000,00 que o seu ex-proprietário tinha lhe atribuído, poderíamos então calcular o lucro imobiliário ou Ganho de Capital, subtraindo o valor de custo, R$ 54.450,00, do valor apurado pela venda de R$ 90.000,00, ou seja, apuraríamos um lucro de R$ 35.550,00”; r) a omissão de receita de depósitos bancários nos valores de R$ 46.650,00 e R$ 32.300,00, nos anos de 2003 e 2004, respectivamente, refere-se à venda do imóvel da Rua Tanabi ao seu irmão de nome Mário Francisco M. Gelli, conforme documentos de fls. 118/120 [e-fls. 120/122]; s) a fiscalização, ao caracterizar como omissão de rendimentos os valores depositados como partes de pagamentos do imóvel negociado, desconsiderou totalmente os documentos apresentados e utilizou informações da DOI de 2007, “portanto CINCO ANOS APÓS o negócio imobiliário ter sido fechado e, no mínimo, QUATRO ANOS APÓS os pagamentos (depósitos em conta) em questão, interpretando a informação de Transferência de Bem que aparece na DOI equivocadamente como se fosse uma VENDA feita pela Sra. Maria José M. Gelli aos seus filhos Márcio M. Gelli e Mário Francisco M. Gelli. Essa chamada 'VENDA', seria impossível de ser realizada, pois na data apontada na DOI, a Sra. Maria José M. Gelli JÁ ESTAVA FALECIDA, conforme pode ser comprovado pelo Atestado de Óbito (anexo sob fl. 121) [e-fl. 2.217] Obviamente que a Transferência do imóvel registrada pela DOI tratou apenas do Registro do Formal de Partilha expedido pelo processo de Inventário pelo falecimento da Sra. Maria José M. Gelli. Some-se a isso, o fato de que as informações que constam na DOI – Declaração de Operações Imobiliárias – que alimenta o sistema de Informações da Receita Federal, do qual os Fiscais do Grupo Especial extraíram os dados para autuação do Sr. Márcio, apenas apontam as operações que ficaram registradas em Cartório, e todos sabemos que nenhuma venda de imóvel é levada para Registro definitivo em cartório, sem que os pagamentos estejam finalizadas. E óbvio que enquanto o comprador não termina de pagar o valor total estipulado em contrato de compra e venda, ele não pode ser considerado proprietário definitivo do imóvel adquirido.” t) relata acerca do erro de informação do banco de dados do IPTU da Prefeitura Municipal de São Paulo e esclarece o seguinte: - possuía no ano de 2002 somente parte do imóvel da Rua Tanabi que dividia com sua mãe, Maria José M. Gelli; - em meados de 1999, sua mãe apresentava problemas de saúde e como seu irmão de nome Mário demonstrou interesse na aquisição da parte do imóvel pertencente ao contribuinte, resolveu-se que os dois celebrariam informalmente o contrato de compra e venda, com o autuado vendendo a parte que lhe cabia e mais a parte que lhe caberia, quando do falecimento da mãe; - significa dizer que o autuado vendeu 62,5% do imóvel da Rua Tanabi para o Sr. Mário, celebrando contrato particular com as firmas das partes autenticadas em cartório e atribuindo à operação o valor de R$ 100.000,00, a ser pago como estipulado em cláusula contratual em seis anos; - o Sr. Mário, como comprador, passou a efetuar de tempos em tempos depósitos na conta de seu irmão, conforme suas disponibilidades financeiras; - é óbvio que seria impossível levar a registro em cartório a venda pelo valor estipulado de R$ 100.000,00, pois ainda não havia sido paga na sua totalidade, antes da finalização do processo de inventário da mãe; u) entende que nem sempre há as formalidades burocráticas nos negócios entre irmãos; v) o autuado sempre ajudou o seu irmão Mário, em face de sua situação financeira mais confortável; w) “Dessa forma, o negócio celebrado foi justo e legal. O reconhecimento das firmas por Cartório, na data de celebração do mesmo, comprova que houve intenção de Fl. 2442DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 oficializar o Contrato. Os pagamentos foram feitos segundo os critérios estipulados em contrato”; x) a conta bancária utilizada pelo seu irmão de nome Mário, em 2003 e em 2004 já foi encerrada, tendo permanecido uma dívida com o banco, em fase de negociação até os dias atuais; y) não é de sua responsabilidade a guarda de documentos e extratos bancários que não lhe pertencem, mas ao seu referido irmão; z) apresentou Termo de Empréstimo celebrado com a Sra. Cristiane Brandi, para custeio de tratamento de saúde de Luciane Brandi, sua cunhada; aa) junta à fl. 1.647 [e-fl. 2.224] contrato de empréstimo localizado posteriormente em pasta de documentos da empresa Vidroclass, que estava em poder de um dos ex-sócios, cujo valor ali mencionado de R$ 80.000,00 consistiu de valores desembolsados pelo sujeito passivo para tratamento de saúde de Luciane Brandi; ab) os recibos de venda de veículo de fls. 1.652/1.654 [e-fls. 2.229/2.231] foi utilizado para pagamento ao Sr. Márcio Machado Gelli e corrobora a afirmação de Cristiane Brandi, no sentido de ter sido ajudada por parentes para o pagamento da dívida; ac) não teve o intuito de fraude e houve engano na relação de origens dos depósitos, “pois na realidade o depósito de R$ 1.500,00 feito em 04/08/2003 na Ag. 1891-0 do Banco do Brasil, em conta do Sr. Márcio, foi realizada com recursos da venda de portas e balcões que estavam nos conjuntos 71 e 72 da Al. Santos 2335, imóvel este que foi negociado naquela ocasião pelo Sr. Márcio, conforme demonstra cópia do documento anexa sob folha 136 [e-fl. 2.232] emitido pela empresa Perdizes Design CNPJ 03.376.680/0001-30. Assim também ocorreu com o depósito de R$ 6.000,00 feito em 17/11/2003 em conta do Sr. Márcio, no mesmo Banco, que teve origem nos recursos de venda de equipamento de informática que também foram arrematados junto com o imóvel acima citado, conforme demonstra a Nota Fiscal de Compra emitida pela empresa Informática SM Santa Adélia anexa sob folha 137” [e-fl. 2.233]; ad) relata acerca de outros documentos localizados com seu contador, cujos valores integram o montante de R$ 35.178,00 autuado pela fiscalização e informa que o valor de R$ 11.300,00, também integrante do montante de R$ 35.178,00 considerado como depósito bancário sem origem comprovada, nada mais foi do que resgate de conta poupança efetuado em 06/10/2004; ae) quanto ao montante de R$ 13.250,00, foi empréstimo efetuado para o seu irmão Mário, que não tinha situação financeira estável e recebia auxílio do contribuinte; e quando o valor dessa ajuda ultrapassou o valor de R$ 25.000,00, o sujeito passivo achou por bem formalizar a transferência de valores como empréstimo, com a assinatura de contrato particular de fl. 1.668 [e-fl. 2.245]; af) os valores de R$ 10.000,00, do ano de 2003, e R$ 11.000,00, do ano de 2004, também são empréstimos realizados entre o contribuinte e pessoas de sua amizade, relatando acerca da movimentação em conta bancária; ag) o depósito de R$ 1.000,00, de 04/06/2004, teve origem no sinal da venda do veículo Fiat Tipo 1995, placa CBC 7680 para a América Multi Veículos em 01/06/2004, no valor de R$ 1.800,00 pago em dinheiro e não no pagamento de empréstimo ao Sr. Benedito A. Gonçalves; ah) o depósito de R$ 1.800,00 de 23/05/2003 teve origem em devolução de produtos adquiridos da empresa Inajar Mat. Constr. Ltda., CNPJ 52.724.705/0001-55, através da nota fiscal de devolução de n.º 10.129, à fl. 1.672 [e-fl. 2.249]; ai) efetuou venda de uma cadeira no valor de R$ 1.700,00 e deve ser considerado como origem dos depósitos bancários; aj) relata à fl. 1.542 [e-fl. 2.118] acerca do valor do depósito bancário de R$ 7.100,00; ak) no que tange ao depósito de R$ 2.750,00 de 29/09/2004, decorreu de saque da conta poupança do seu pai, Sr. Mário Gelli, no Banco Bradesco, constando a informação na Declaração de Ajuste Anual, conforme extrato de fl. 1.678 [e-fl. 2.255]; Fl. 2443DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 al) com relação à glosa de dependentes, informa que a Sra. Ana Paula Araújo Bueno e seu filho Rafael A. Bueno são seus dependentes, na condição de companheira e enteado; am) junta às fls. 1.679/1.680 [e-fls. 2.256/2.257] comprovantes das despesas com instrução; an) com relação à glosa de despesas médicas, não obstante ter ocorrido o extravio de documentos em assalto ocorrido em 12/10/2003, conseguiu recompor parte dos papéis; e, no caso da despesa médica em nome da Dra. Patrícia N. Dellavia, houve equívoco do contador que preparou a sua Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 2004, no sentido de que as sessões de fisioterapia domiciliares foram feitas pela fisioterapeuta Roberta A. S. Santana, conforme documentos de fl. 1.708 [e-fl. 2.285]; ao) no caso da Ótica Higienópolis, foram enviados os recibos das consulta oftalmológicas junto com o recibo dos óculos especiais do Sr. Mário Gelli e, por descuido, o contador informou na Declaração de Ajuste Anual somente o CNPJ da ótica; ap) aduz que a fiscalização fez suposições tendenciosas e perigosas penalmente, relatando acerca do ocorrido durante a ação fiscal; aq) junta os documentos de fls. 1.620/1.936 [e-fls. 2.197/2.428 e 1.134/1.219]. 5 - Conforme despacho desta Turma de Julgamento, de fls. 1.937/1.939 [e-fls. 1.221/1.223], os autos retomam à repartição de origem, para as seguintes providências: a) autenticar com o original os documentos de fls. 1.621/1.640 [e-fls. 2.198/2.217], 1.650/1.669 [e-fls. 2.227/2.246], 1.671/1.673 [e-fls. 2.248/2.250], 1.675/1.704 [e-fls. 2.252/2.281], 1.707/1.713 [e-fls. 2.284/2.290] e 1.855/1.929 [e-fls. 1.138/1.212], na forma preceituada pelo Decreto n.º 83.936, de 6 de setembro de 1979; b) intimar o sujeito passivo a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea da situação de união estável mantida com a Sra. Ana Paula Araújo Bueno, nos anos de 2003 e 2004, nos termos do que dispõe o art. 1.723 e seguintes do Código Civil; c) intimar o sujeito passivo a apresentar a certidão de nascimento do dependente Rafael A. Bueno; d) intimar o sujeito passivo a complementar a comprovação da efetividade dos dispêndios a título de despesas médicas trazidas nos documentos de fls. 1.681/1.704 [e- fls. 2.258/2.281], 1.707/1.710 [e-fls. 2.284/2.287], 1.856/1.858 [e-fls. 1.139/1.141], 1.860/1.861 [e-fls. 1.143/1.144], 1.871/1.874 [e-fls. 1.154/1.157], 1.878/1.886 [e-fls. 1.161/1.169], 1.900/1.903 [e-fls. 1.183/1.186], 1.907 [e-fl. 1.190], 1.919 [e-fl. 1.202], 1.923 [e-fl. 1.206], 1.925/1.929 [e-fls. 1.208/1.212] e 1.935 [e-fl. 1.218], mediante apresentação de cópias de cheques, débitos em conta corrente, extratos bancários, faturas de cartão de crédito etc. e) sejam trazidas aos autos outras informações que julgar convenientes para a elucidação do feito. 6 - O sujeito passivo foi intimado conforme Termo de Intimação Fiscal – 07/08/2009 de fls. 1.942/1.943 [e-fls. 1.226/1.227] a apresentar os documentos solicitados, como relacionado no item precedente, com a ciência ocorrida em 10/08/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 1.947 [e-fl. 1.231]. Posteriormente, conforme Termo de Intimação Fiscal – 10/09/2009 de fls. 1.954/1.955 [e-fls. 1.239/1.240], foi intimado a se manifestar acerca da informação trazida pela Universidade Paulista – UNIP à fl. 1.949 [e-fl. 1.233], no sentido de que não reconhece a emissão da declaração de fls. 1.680 e 1.953 [e-fls. 2.257 e 1.238] e o contribuinte não consta como aluno daquela Universidade, com a ciência dada ao sujeito passivo em 14/09/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 1.959 [e-fl. 1.244]. O litigante não se manifestou acerca das matérias abordadas nos itens 5 e 6 acima, tendo sido devolvidos os autos a esta Delegacia Especializada, para prosseguimento do julgamento do feito. Em 06/11/2009, o sujeito passivo apresenta o arrazoado de fls. 1.964/1.993 [e- fls. 1.249/1.279], onde, em resumo, traz os seguintes argumentos: a) contesta o agravamento da multa de ofício de 150%, pois, no caso de lançamento tributário fulcrado em depósitos bancários, para a aplicação da multa Fl. 2444DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 qualificada de 150% torna-se necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, ficando evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio; b) com relação à infração de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários com origem não comprovada, apresentou documentos que justificam a origem dos depósitos, inclusive as pessoas que fizeram os pagamentos; c) cita a Súmula n.º 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, entendendo que depósito bancário não é fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza; d) não há como se transportar para a presunção tributária a improbidade administrativa, pois os conceitos são distintos, sendo aplicável a presunção de inocência, onde a Administração Pública possui o dever legal de demonstrar a ilicitude do acusado/investigado, através de ato desonesto, praticado no exercício da função pública; e) a quebra de sigilos bancário e fiscal do agente público não pode se dar sem motivo justificado e fundamentado; f) falta plausibilidade jurídica presumir-se enriquecimento ilícito do agente público, pelo simples movimento de sua conta bancária, ou pelo recolhimento de CPMF, visto ser necessário o nexo de causalidade, através de um ato omissivo ou comissivo praticado no exercício da função pública de forma ilícita ou dolosa, não se admitindo a forma culposa; g) ao final, pede a suspensão da atualização monetária pela taxa SELIC a partir da data do protocolo de sua impugnação (12/12/2008). Novamente, em 12/11/2009, apresenta o arrazoado de fls. 1.996/2.008 [e-fls. 1.283/1.295], apresentando as seguintes informações: a) na apuração do ganho de capital, a fiscalização cometeu equívoco ao tratar a venda do imóvel como se fosse a prazo, quando, na verdade, a venda foi feita com pagamento à vista, conforme contrato particular de compra e venda assinado em 16/12/2002 (fls. 1.621/1.626) [e-fls. 2.198/2.203]; b) “Devido ao fato de que o Contrato citado menciona no item C que o valor de R$ 248.400,00 será pago através de financiamento junto a Instituição financeira competente, os Auditores mais uma vez fizeram uma presunção errônea, concluindo tratar-se de uma venda A PRAZO. No entanto, está muito claro pelo contrato de compra e venda, pelos extratos das contas bancárias e demais documentos apresentados pelo Sr. Márcio, que o comprador, Sr. Joaquim Paulo Grava de Souza, apenas levantaria o valor restante previsto no contrato, junto a instituição financeira, na forma de financiamento pago por ele, repassando o valor À VISTA para o Sr. Márcio, quando estivesse disponibilizado pela Instituição Financeira. Além disso, não levaram em consideração que na negociação da venda, um outro imóvel entrou como parte de pagamento, ou seja, na forma de DAÇÃO EM PAGAMENTO”; c) demonstra a apuração do ganho de capital e apura que não há lucro imobiliário, tampouco ganho de capital na operação; d) aduz a decadência dos fatos geradores ocorridos até 14/11/2008, reproduzindo doutrina no sentido de que o fato gerador do IRPF somente ocorre na data da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Mais uma vez, em 18/11/2009, o sujeito passivo apresenta o arrazoado de fls. 2.012/2.022 [e-fls. 1.299/1.309], como aditamento à impugnação protocolizada em 12/12/2008, com os seguintes argumentos: a) informa que há bitributação para o Exercício 2005, ano-calendário 2004, por ter sido autuado por equipe de malha de IRPF, em função das mesmas glosas de despesas e de dependentes informados na Declaração de Ajuste Anual, conforme notificação de lançamento de fls. 2.023/2.027 [e-fls. 1.310/1.317]; b) sobre a omissão dos valores recebidos pela venda do imóvel da Rua Tanabi n.º 221, Perdizes, São Paulo (SP), pelo fato de não ter comprovado a venda do imóvel, pois apresentou somente cópia do contrato de promessa de compra e venda, sem o registro em cartório, aduz que a venda efetuada para seu irmão de nome Mário foi da parte do Fl. 2445DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 imóvel que já lhe cabia e mais a parte que este herdaria quando do falecimento de sua mãe (proprietária de outra parte do imóvel); c) assim, o contrato foi feito para evitar aborrecimentos futuros com inventário do imóvel, caso sua mãe falecesse repentinamente; d) como os pagamento efetuados pelo seu irmão Mário não foram suficientes para quitação do valor total previsto até o momento do falecimento de sua mãe, foi necessária a abertura de inventário, antes de formalizar o contrato de promessa de compra e venda com registro em cartório; e) em face desses eventos inesperados, não foi possível a realização do registro em cartório da transação efetuada entre os irmãos, naquele momento específico; f) não há qualquer irregularidade nesse negócio efetuado ou falta de documentação hábil e idônea. Consoante informação do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal de fls. 15/85 [e-fls. 16/86], foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais de n.º 10803.000105/2008-32. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa foi acolhida em parte pela DRJ (e-fls. 1.321/1.359), primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram refutadas cada uma das insurgências não acolhidas por meio de razões baseadas nos seguintes tópicos: a) Decadência do imposto sobre ganho de capital nos anos de 2002 e 2003; b) Decadência do imposto de renda pessoa física; c) Alegações de aspectos disciplinares; d) Da infração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; e) Da dedução indevida de dependentes; f) Da dedução indevida de despesas médicas; g) Da dedução indevida de pensão alimentícia; h) Da dedução indevida de despesas com instrução; i) Da quebra de sigilo bancário; j) Da omissão de rendimentos em face de depósitos bancários com origem não comprovada; k) Da multa qualificada de 150%; l) Da atualização dos juros de mora pela taxa SELIC; m) Da bitributação para o ano-calendário de 2004. Ao final, consignou-se que julgava procedente em parte o lançamento para: - por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, manter integralmente as exigências decorrentes de dedução indevida de dependentes, de despesas médicas, de pensão alimentícia e de despesas com instrução; - por unanimidade de votos, manter parcialmente a exigência decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; - por maioria de votos, manter integralmente a exigência decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 30/03/2010 (e-fls. 1.370/1.405), o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação, postula que seja declarada a inexistência do direito de constituição do crédito tributário para julgar improcedente o auto de infração. Requereu, outrossim, a suspensão do crédito, enquanto perdurar a discussão, ex vi do art. 151, III, do CTN, o que é efeito automático da interposição recursal. Requereu, ainda, a nulidade do lançamento por inexistir autorização judicial. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Ausência de presunção lógica; b) Prazo de atendimento às notificações; c) Das Fl. 2446DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 despesas com dependentes, instrução, tratamento médico e pensão alimentícia; d) Da taxa SELIC e da inaplicabilidade dela como índice de atualização de débitos fiscais e da ilegal capitalização de juros; e) Da ilegalidade da multa imposta e da Lei n.º 8.383/91; f) Da impossibilidade de arbitramento de Imposto de Renda em face de Depósitos Bancários. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator. Consta nos autos Termo de Apensação deste feito ao Processo n.º 10803.000105/2008-32 (e-fl. 2.435), representação fiscal para fins penais. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 05/03/2010, e-fl. 1.364, protocolo recursal em 30/03/2010, e-fl. 1.370, e despacho de encaminhamento, e-fl. 1.408), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito - Preliminar de nulidade: Ausência de presunção lógica e Prazos e Atendimento às notificações e Ausência de Autorização e Ausência de Autorização Judicial Observo que a recorrente requereu o reconhecimento de nulidade do lançamento, pois não teria havido autorização judicial. Sustenta que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Advoga que, numa linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Assevera que, juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial. Cita a Súmula n.º 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TRF). Pontua que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n.º Fl. 2447DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais. Sustenta que nunca se negou a fornecer documentos e que os prazos eram impossíveis de serem atendidos. Diz que em determinados casos houve diligências e não se apresentou Mandado de Procedimento Fiscal. Pois bem. Quanto à tributação por depósitos bancários com origem não comprovada, os extratos bancários são válidos e eficazes para consubstanciar o lançamento, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6.º da Lei Complementar 105, de 2001, estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal não caracteriza inconstitucionalidade, não sendo necessária prévia autorização judicial. Portanto, a utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário, não caracteriza nulidade, não exige prévia autorização do Poder Judiciário. Ademais, a Súmula n.º 182 do Tribunal Federal de Recurso (TRF), órgão extinto pela Constituição Federal de 1988, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos fundamentados em lei superveniente. Noutro ângulo, faz-se necessário esclarecer que a matéria tributada não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Todavia, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. A presunção é válida e regular, estando imposta em lei. Para o presente caso, a autoridade lançadora, após análise prévia dos extratos, excluiu depósitos/créditos cuja origem foi passível de identificação. Após esta análise, intimou o sujeito passivo a justificar os restantes que prescindiam da comprovação da origem. Afinal, é função da Administração Tributária, entre outras, investigar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. Por sua vez, cabe ao contribuinte comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados. Não comprovada a origem dos recursos, ou apenas comprovada parcialmente, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo a autoridade lançadora tão-somente a inquestionável observância da norma legal. Por conseguinte, os argumentos de defesa não socorrem o contribuinte, inexistindo qualquer nulidade. Fl. 2448DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 Demais disto, não se comprovando a origem dos depósitos bancários, resta configurado o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos, não assistindo razão ao recorrente em suas argumentações. Tem-se, ainda, que consignar que várias foram as prorrogações de prazos concedidas, além de ser possível ao sujeito passivo, quando da impugnação, ou, excepcionalmente, quando da interposição do recurso voluntário, apresentar quaisquer elementos de prova que entenda cabível, pelo que não visualizo nulidade. Em complemento, não sendo apresentados os extratos bancários torna-se cabível a Requisição de Movimentação Financeira. Em acréscimo, é cediço no âmbito da jurisprudência do CARF que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) ou Mandado de Procedimento Fiscal – Complementar (MPF-C), atual Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), é mero instrumento de controle administrativo e de planejamento das atividades da Administração Tributária, de modo que estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal, que decorrem exclusivamente da Lei, deste modo irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não constitui motivo suficiente para a nulidade do lançamento. O MPF não constitui elemento essencial de validade do correspondente auto de infração, descabendo pleitear nulidade do lançamento por eventual irregularidade em sua emissão, prorrogação ou ciência. Obiter dictum, não há que se falar em nulidade ou mesmo em cerceamento ou preterição do direito de defesa quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes às causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável, tendo identificado o “fato imponível” estando autorizada a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei n.º 9.430. Os relatórios fiscais, em conjunto com os documentos acostados, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizando-os como fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no relatório fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos diversos discriminativos que integram a autuação. Além disto, houve a devida apuração do quantum exigido, indicando-se os respectivos critérios que sinalizam os parâmetros para evolução do crédito constituído. A fundamentação legal está posta e compreendida pelo autuado, tanto que exerceu seu direito de defesa bem debatendo o mérito do lançamento. A autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum quanto às provas que identificam a subsunção do caso concreto à norma tributante, estando os autos bem instruídos e substanciados para dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e o recorrente exerceu claramente seu direito de defesa rebatendo-os, a tempo e modo, em extenso arrazoado para o bom e respeitado debate. Fl. 2449DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 Discordar dos fundamentos, das razões do lançamento, não torna o ato nulo, mas sim passível de enfrentamento das razões recursais no mérito. Em suma, não é acertado afirmar que há ausência de presunção lógica e, também, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer nulidade. Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. - Da impossibilidade de arbitramento de Imposto de Renda em Face de Depósitos Bancários O recorrente requer a improcedência do auto de infração e sustenta, por vários argumentos, a impossibilidade de arbitramento de Imposto de Renda em Face de Depósitos Bancários. Pois bem. Não lhe assiste razão. Como já analisado na preliminar, não é aplicável a Súmula n.º 182 do extinto TFR, bem como não é necessária prévia autorização judicial para o translado do sigilo bancário, sendo tema solucionado pelo Supremo Tribunal Federal. Deveras, nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs ns.º 2.386, 2.390, 2.397 e 2.859), bem como no Recurso Extraordinário n.º 601.314, este em Repercussão Geral, Tema 225/STF, a Excelsa Corte julgou constitucional a Lei Complementar n.º 105/2001. O Tema 225 da Repercussão Geral do STF tem a seguinte enunciação, in verbis: “a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6.º da Lei Complementar n.º 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei n.º 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.” A tese fixada consigna que: “I – O art. 6.º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II – A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1.º, do CTN.” Tem-se, ainda, que o auto de infração foi exarado após averiguações nas quais se constatou movimentação bancária atípica, já que a fiscalização constatava que a movimentação financeira era incompatível com os respectivos rendimentos declarados. Neste diapasão, intimou-se o sujeito passivo para apresentar documentação hábil e idônea a atestar a origem dos depósitos, não tendo sido demonstrada as origens, de modo a substanciar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Fl. 2450DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 Por ocasião da intimação, para comprovação de origem dos depósitos, contextualizou-se as implicações dispostas no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, que trata da presunção de omissão de rendimentos quando não se comprova a origem de depósitos bancários, de modo que o sujeito passivo foi intimado para justificar os ingressos de recursos na conta corrente que mantinha em instituição financeira, conforme planilha elaborada, ocasião em que deveria se indicar, de modo individualizado, a motivação e a origem de tais recursos, bem como apresentar documentação hábil e idônea comprobatória do que fosse afirmado, oportunidade em que o recorrente não comprovou as origens, deixando de justificar, como lhe era exigido com base legal, os depósitos creditados na conta corrente. A questão é que, frente a presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430, considerando que ele foi intimado para justificar a origem dos depósitos, mas não o fez, não lhe assiste razão na irresignação. O lançamento é válido e eficaz, ainda que estabelecido com base na presunção de omissão de rendimentos, sendo arbitrado apenas nos créditos apontados em extratos bancários e objeto de intimação para comprovação de origem. Aliás, súmulas do CARF afastam as alegações recursais, a saber: Súmula CARF N.º 26 – A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430196 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF N.º 30 – Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF N.º 38 – O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. O fato é que o recorrente não faz prova das origens dos valores creditados em sua conta corrente e a comprovação da origem dos recursos deve ser feita individualizadamente, o que não aconteceu na matéria tributável objeto dos autos. Neste diapasão, faz-se necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Esse indício transforma-se na prova da omissão de rendimentos apenas quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, após regular intimação fiscal, nega-se a fazê-lo, ou não o faz, a tempo e modo, ou não o faz satisfatoriamente. Para o presente caso, o contribuinte apresentou significativa movimentação bancária, sem comprovação da origem dos recursos e, mesmo intimado para justificar, não o fez. As alegações do contribuinte, por si só, não afastam a presunção legal, não são suficientes, não sendo escusável suas ponderações. Exige-se dele a efetiva comprovação da origem e atestada mediante individualização documental hábil e idônea. É função privativa da autoridade fiscal, entre outras, investigar a aferição de renda por parte do contribuinte, para tanto podendo se aprofundar sobre o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, Fl. 2451DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 com vistas à verificação da ocorrência, ou não, de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. A comprovação da origem dos recursos é obrigação do contribuinte, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados no ajuste anual, como é o presente caso. Assim, não se comprovando a origem dos depósitos bancários, configurado está o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos, não assistindo razão ao recorrente em suas argumentações de ilegalidade no lançamento baseado nos extratos bancários, quando corretamente se aplicou o procedimento de presunção advindo do art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996 (art. 849 do RIR/1999). Não restando demonstrada e comprovada a origem da omissão, vale observar o estabelecido na legislação, que, no caso, prevê, ainda que por presunção, a tributação como omissão de rendimentos auferidos. No mais, quanto ao questionamento quanto a autuação por depósito bancário não identificado que o contribuinte diz restar justificado por contrato de compra e venda de imóvel, válido transcrever o que consta do relatório fiscal sobre o assunto (e-fls. 16/86), vez que o recurso não traz inovação para afastar o quanto apontado pela fiscalização: a) Devidamente intimado pelo Termo de Intimação Fiscal, de 12/02/2008 (fls. 1.126/1.130) [e-fls. 1.609/1.613], a comprovar as origens dos depósitos/créditos em sua conta corrente bancária, discriminados abaixo, o fiscalizado identificou no anexo da petição de 18/03/2008 (fls. 1.135/1.137) [e-fls. 1.619/1.621], a origem dos recursos na rubrica “Venda Tanabi”, cujo montante recebido no AC 2003, totalizou R$ 46.650,00: (...). b) Juntou o “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel”, celebrado em 15/12/2002, com preço ajustado em R$ 100.000,00, sendo o fiscalizado qualificado como vendedor e o comprador designado como o Sr. Mário Francisco Machado Gelli, CPF n.º 026.875.638-46. O imóvel objeto da transação consistia da “fração ideal do Imóvel situado no n.º 221, da Rua Tanabi, Perdizes, São Paulo/SP, com área de 93,10 m 2 , registrado na Prefeitura do Município de São Paulo sob n.º 021.029.0156-4.” (fls. 1.145/1.147) [e-fls. 1.629/1.631]. c) Consultando os sistemas da RFB, constatamos que na Declaração de Operações Imobiliárias, recepcionada em 17/09/2007, do CNPJ 46.227.989/0001-71, do Segundo Cartório de Registro de Imóveis da Capital/SP, constou alienação, em 15/08/2007, do imóvel situado à Rua Tanabi, 221, Perdizes, São Paulo, matrícula 50.974, registro 7, livro 2, folha 2, pelo valor de R$ 84.095,00 (oitenta e quatro mil e noventa e cinco reais), com alienante, Sra. Maria José Machado Gelli, CPF 522.463.378-87 e adquirentes, o fiscalizado e o Sr. Mário Francisco Machado Gelli, CPF n.º 026.875.638-46. d) O ofício / Difis / n.º 54/2007, de 06/09/2007, foi encaminhado à Secretaria Municipal de Finanças – São Paulo/SP, para solicitar os extratos de pagamento de IPTU, referente ao AC 2002 e 2003, em nome do fiscalizado. Em resposta (ofício Decar/Gabi n.º 532/07, de 14/11/2007), o Diretor do Departamento de Arrecadação e Cobrança informou que constavam dois imóveis em nome do fiscalizado: os imóveis situados à Rua Tanabi, 221 (021.029.0156-4) e à Rua Ajuricaba, 158 (024.076.0029-0). e) Nas DIRPFs, o fiscalizado declarou metade do imóvel situado à Rua Tanabi, 221, Perdizes/SP, pelo valor de R$ 38.000,00, em 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003; e pelo valor de R$ 5.000,00 em 31/12/2004. f) Através do Termo de Intimação Fiscal n.º 01, de 06/08/2008, autorizado pelo MPF-Diligência Vinculada n.º 08.1.90.00-2008-05309-9 (Regional), o contribuinte Sr. Mário Francisco Machado Gelli, CPF n.º 026.875.638-46 foi intimado (fls. 1.179/1.180) [e-fls. 1.664/1.665], a comprovar a aquisição do imóvel situado à Rua Tanabi, 221, Perdizes/SP. O Correio devolveu a correspondência após três tentativas de entrega. Fl. 2452DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 g) Novo Termo de Intimação Fiscal n.º 02, de 20/08/2008, foi encaminhado no mesmo endereço cadastral. O Correio devolveu a correspondência alegando “destinatário desconhecido no local”. h) Após contato telefônico, com a Sra. Eliane Barbosa Santos de Moura, encaminhamos o Termo de Intimação Fiscal n.º 03, no mesmo endereço cadastral, aos seus cuidados. O termo foi recepcionado em 28/08/2008. O contribuinte Sr. Mário Francisco Machado Gelli, em resposta de 10/09/2008, alegou estar em viagem e solicitou prorrogação de prazo até 30/09/2008. i) Tendo transcorrido 35 (trinta e cinco) dias, contados da ciência do Termo de Intimação Fiscal n.º 03, e na falta de sua resposta, encaminhamos o Termo de Prorrogação de Prazo n.º 4, de 02/10/2008, concedendo prazo adicional de cinco dias úteis. j) Em expediente do dia 10/10/2008, o Sr. Mário Francisco Machado Gelli informou que adquiriu a parte do imóvel à Rua Tanabi, pertencente ao fiscalizado, esclarecendo que o contrato de compra e venda não foi registrado até o momento, porém não apresentou documentação hábil da aquisição. k) Portanto, foram constatados os seguintes fatos: - A única documentação apresentada pelo fiscalizado, para comprovar a origem dos depósitos/créditos em conta corrente foi o “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel”, celebrado em 15/12/2002, com preço ajustado em R$ 100.000,00, em cópia simples, não registrada em cartório; - A venda do imóvel em questão constou na Declaração de Operações Imobiliárias, em 15/08/2007, pelo valor de R$ 84.095,00, tendo como adquirentes do imóvel, o fiscalizado e o Sr. Mário Francisco Machado Gelli, CPF n.º 026.875.638-46 e como alienante, a Sra. Maria José Machado Gelli, CPF 522.463.378-87. - O imóvel constou, em nome do fiscalizado, no cadastro no imóvel da Prefeitura de São Paulo/SP, conforme pesquisa de 31/10/2007 e que tais informações contradizem o contrato de venda do imóvel, celebrado em 15/12/2002, cuja cópia foi fornecida pelo fiscalizado; - Devidamente intimado, o contribuinte circularizado, Sr. Mário Francisco Machado Gelli, não apresentou documentação hábil comprovando a aquisição do imóvel. - O imóvel não constou na declaração de bens e direitos das DIRPFs do Sr. Mário Francisco Machado Gelli, que alegou ter adquirido parte do imóvel. - Conforme exposto acima e como a maioria dos depósitos /créditos foi efetuada em dinheiro, impossibilitando a identificação do depositante e que o fiscalizado devidamente intimado, não comprovou a origem dos depósitos/créditos em sua corrente, no montante de R$ 46.650,00, no AC 2003, com base em documentação hábil e idônea, ficou caracterizada, nos termos do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, omissão de rendimentos dos depósitos/créditos de origem não comprovada. Dessarte, não vejo reparos na decisão hostilizada. Sendo assim, sem razão o recorrente. - Das despesas com dependentes, instrução, tratamento médico e pensão alimentícia O recorrente alega que possui como dependentes, a Sra. Ana Paula Araújo Bueno e seu filho, Rafael A. Bueno, pois a mesma é sua companheira e o filho é seu enteado. Diz que o vínculo existe desde 2002 e preenche os requisitos de dedução. Advoga, ainda, que é possível a dedução de despesas médicas. Sustenta, também, que paga pensão alimentícia à Sra. Cristiane Brandi, para custeio de tratamento de saúde de um dependente do contribuinte, podendo efetuar a dedução seja com fundamento na pensão ou com base na despesa médica. Quanto à instrução, Fl. 2453DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 diz que é possível a sua dedução e que a despesa é com mensalidades de Ana Paula Araújo Bueno, sua companheiro e dependente. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Ademais, como não se apresentou novas razões de defesa, vez que a peça recursal não traz maiores inovações em relação à impugnação, passo a adotar, doravante, como minhas razões de decidir o seguinte trecho elucidativo da decisão vergastada: DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES Acerca da glosa de dependentes, o sujeito passivo aduz apenas que a Sra. Ana Paula Araújo Bueno e seu filho Rafael A. Bueno são seus dependentes, na qualidade de companheira e enteado. Não contesta a glosa dos demais dependentes relacionados em sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 2005, ano-calendário 2004. O sujeito passivo foi intimado (fls. 1.942/1.943) [e-fls. 1.226/1.227] a comprovar a situação estável com a Sra. Ana Paula Araújo Bueno, nos anos de 2003 e 2004, mas nada trouxe aos autos, tampouco manifestou-se a respeito. (...) O exame desses dispositivos jurídicos indica que eles não definem o significado de companheiro ou companheira: em vez disso, ao arrolar quais pessoas podem ser consideradas dependentes para fins do Imposto de Renda, eles determinam os requisitos necessários para que o companheiro(a), definido(a) alhures, esteja incluído nessa lista. Ao deixar de fazer a comprovação do vínculo com os dependentes informados em suas Declarações de Ajuste Anual, incluindo-se aí a suposta companheira e o enteado, mantém-se as glosas feitas pela fiscalização. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (...) Tal dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Na presente lide, a fiscalização glosou as despesas médicas que o sujeito passivo não logrou apresentar os recibos hábeis e idôneos firmados pelos profissionais. Em sede de impugnação, o sujeito passivo traz os documentos de fls. 1.681/1.709 [e-fls. 2.258/2.286]. Ocorre que, por envolver valores expressivos, foi o sujeito passivo intimado (fls. 1.942/1.943) [e-fls. 1.226/1.227] a comprovar a efetividade desses dispêndios, bem como a apresentar o original desses papéis. Como já acima relatado, não houve qualquer manifestação ou providência por parte do sujeito passivo. Não há dúvidas que, em caso de dúvidas ou suspeição quanto à idoneidade da documentação apresentada, a autoridade julgadora pode e deve perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, mediante a realização de diligência. Isto porque é manso e pacífico na jurisprudência administrativa que recibos, por si só, não autoriza a dedução de despesas, mormente quando desacompanhados de outros elementos de prova da realização do tratamento médico/odontológico e do efetivo pagamento dos honorários profissionais. Não há dúvidas, de que a efetividade do pagamento a título de despesa médica não se comprova com a mera exibição de recibos, mormente quando os recibos referem- se a serviços prestados de valores bastante expressivos, sem mencionar o tipo de serviço médico prestado que possa justificar o pagamento daquela quantia. Diante destes fatos e pela falta absoluta de qualquer prova relativa à efetiva realização dos serviços apontados nos documentos apresentados, mormente quando os documentos trazidos aos autos estão em cópia simples sem qualquer autenticação, há de se decidir pela manutenção das glosas. O art. 73 do RIR/1999, cuja matriz legal é o § 3.º do art. 11 do Decreto-Lei n.º 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, deslocando para ele o ônus probatório. Mesmo que a Fl. 2454DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 norma possa parecer, em tese, discricionária, deixando a juízo da autoridade a iniciativa, esta agiu amparada em indícios de ocorrência de irregularidades nas deduções: o percentual de despesas médicas é elevado em relação aos rendimentos tributáveis declarados. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o interessado o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Portanto, poderia o contribuinte, se assim quisesse, ter juntado aos autos documentos que reforçassem a convicção de que de fato houve a prestação dos serviços correspondentes, tais como exame, radiografias, laudos; bem como o seu efetivo pagamento, como cópia de cheques, extratos bancários etc. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Nessa seara, cumpre informar que o sujeito passivo limita-se a alegar que ajudou com recursos financeiros a Sra. Cristiane Brandi, para custeio de tratamento de saúde de pessoa da família. À fl. 48 [e-fl. 49], a fiscalização informa que a Sra. Cristiane Brandi esclareceu que a pensão alimentícia decorreu de acordo amigável com o sujeito passivo. Como dispõe o art. 4.º, inciso II, da Lei n.º 9.250, de 1995, na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia, em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Assim, para efeito de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, a pensão alimentícia é a prevista em acordo ou decisão judicial, não podendo resultar de acordo particular, fora do processo judicial. Devem ainda tais despesas serem comprovadas com documentação hábil e idônea, como recibos, cópias de cheques, depósitos bancários etc. Na falta da comprovação devida, corretas as glosas feitas pela fiscalização. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO No que concerne à dedução de despesas com instrução, o art. 81 do RIR/1999, com base no art. 8.º, inciso II, alínea “b”, da Lei n.º 9.250, de 1995, dispõe que na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1.º, 2.º e 3.º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual fixado pela legislação de regência. No presente caso, os documentos de fls. 1.679/1.680 [e-fls. 2.256/2.257] não comprovam as despesas com instrução. O documento de fl. 1.679 [e-fl. 2.256] refere-se a mensalidades escolares de Ana Paula Araújo Bueno, que não é considerada dependente do sujeito passivo e o documento de fl. 1.680 [e-fl. 2.257] não teve a sua emissão confirmada pela instituição de ensino emitente, a Universidade Paulista – Unip, conforme fl. 1.949 [e-fl. 1.233]. A negativa de emissão do recibo da despesa deduzida na apuração da base de cálculo do imposto pela instituição de ensino superior que o teria firmado aliada à falta de comprovação da efetividade daquele pagamento pelo contribuinte, constitui prova suficiente de que se trata, em tese, de documento falso e justifica a sua glosa. Neste diapasão, não apresentando novas razões, tampouco documentos para infirmar as conclusões da fiscalização e da decisão recorrida, não vejo reparos a efetivar. Sendo assim, sem razão o recorrente. Fl. 2455DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 - Da taxa SELIC e da inaplicabilidade dela como índice de atualização de débitos fiscais e da ilegal capitalização de juros Observo que o recorrente requer o afastamento da exigência da SELIC nos tributos lançados. Pois bem. Não vejo reparos a serem tecidos na decisão hostilizada para a referida irresignação quanto aos juros moratórios, sendo tema objeto de enunciado posto na Súmula CARF n.º 4, nestes termos: “A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” No caso específico de débitos para com a Fazenda Nacional, a adoção da taxa de referência SELIC, como medida de percentual de juros de mora, foi estabelecida pela Lei n.º 9.065, de 20/06/1995, nestes termos: Art. 13. A partir de 1.º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n.º 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6.º da Lei n.º 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n.º 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n.º 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Trata-se de temática já superada e, atualmente, sumulada. Aliás, o cálculo dos juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, está, hodiernamente, previsto, de forma literal, no art. 61, § 3.º, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. De mais a mais, considerando que a SELIC está prevista em lei, o julgador administrativo está impedido de afastá-la sob alegação de inconstitucionalidade ou por tese de confisco, incluindo tese de capitalização de juros, conforme Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, a alegada capitalização de juros sequer é comprovada. Diante de tal alegação, a comprovação exigiria elementos de prova concretos, substanciais, não apenas circunstanciais. A alegação não pode ser pontual e/ou assistemática, deve ser concreta e exemplificativa. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da ilegalidade da multa imposta no lançamento de ofício. Da inconstitucionalidade da multa em face de seu caráter confiscatório. Princípio do não confisco. Da Lei n.º 8.383/91. Observo que o recorrente requer que seja afastada aplicação da multa, essencialmente alega que é confiscatória. No que se refere a multa aplicada, o fundamento para a irresignação é o alegado aspecto inconstitucional, confiscatório. Fl. 2456DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 2202-005.507 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10803.000104/2008-98 Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. A multa imposta teve por base dispositivo normativo veiculado em lei, constando a devida fundamentação e indicação dos preceitos aplicados. Trata-se de aplicação da lei, sendo defeso a autoridade fiscal deixar de observar a legislação que lhe impõe dever deôntico de conduta obrigatória. No mais, o julgador administrativo está impedido de reduzi-la, com fulcro em tese constitucional de confisco, pois é vedado ao Colegiado declarar a inconstitucionalidade de norma legal, conforme Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, não visualizo nos autos qualquer comprovação de denúncia espontânea, como alegado pelo recorrente (e-fl. 1.401). Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário De livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso. Neste sentido, em resumo, conheço do recurso, rejeito a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso, mantendo íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 2457DF CARF MF
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