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Numero do processo: 11080.722116/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2201-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencido o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Guilherme Barranco De Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte. Vencido o Conselheiro GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 16 /2 01 0- 57 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Guilherme Barranco De Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Através da Notificação de Lançamento foi apurado imposto a restituir de R$ 310,60 relativos ao exercício de 2009 em decorrência da omissão de rendimentos oriundos de reclamatória trabalhista. Na Impugnação o contribuinte ora recorrente alega em síntese, que não foram excluídos de tributação os rendimentos isentos: FGTS, Férias Indenizadas e as verbas relativas ao Programa de Incentivo ao Afastamento Voluntário (PIAV) nos valores indicados em FACDT, conforme documentos em anexo. A DRFBJ julgou procedente a ação fiscal com fundamento na tributação dos rendimentos recebidos e na ausência de discriminação quanto à sua natureza. Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (102/108) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Versa o litígio sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.722116/201057 Acórdão n.º 2201002.554 S2C2T1 Fl. 120 3 Ainda que não haja impugnação expressa quanto à adoção do regime de caixa e os argumentos de defesa girem em torno da natureza dos rendimentos isentos e não tributáveis no entendimento do recorrente entendo que o julgador tributário não se encontra adstrito às razões do recorrente, mormente quando há previsão regimental de aplicação do decido pelo STJ em sede de repetitivo. Tal conclusão deriva do princípio do livre convencimento motivado, efeito translativo dos recursos e da verdade material, que permite ao julgador se utilizar de fundamento jurídico diverso dos apontados pelas partes para solução da lide, cujo fundamento legal se encontra no artigo 29 do Decreto n. 70.235/72: Nesse sentido, TRF da 4 Região: O julgador pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente motivada. A doutrina atribui essa idéia ao Princípio do Livre Convencimento Motivado que está consagrado no art. 131 do CPC: "o juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento". (TRF 4 501782449.2011.404.0000, Terceira Seção, Relator p/ Acórdão Rogério Favreto, D.E. 31/10/2012). Da análise dos autos, é de se ver que a tributação dos valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo C. Superior Tribunal de Justiça, em sede de repetitivo, deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no REsp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.722116/201057 Acórdão n.º 2201002.554 S2C2T1 Fl. 121 5 De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Ademais, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídos por opção do contribuinte à época. Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal diversa daquela reconhecida como correta pelo STJ, ficou reconhecido que a autoridade fiscal se utilizou de critério jurídico equivocado, o que afetou substancialmente a constituição do crédito tributário. A adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência prejudicou a correta quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e por consequência, o valor do tributo devido, caracterizandose em insanável vício material. O próprio Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas expostas pela RFB, indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ, reconheceu a necessidade de oportunizar aos contribuintes a retificação das informações prestadas, como único meio de se chegar ao valor tributável correto do IRPF: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que determinar a aplicação das alíquotas vigentes à época, representaria novo lançamento com outro critério jurídico, o que é expressamente vedado pelo artigo 146 do CTN. Ademais, não compete a este órgão de julgamento, ainda mais em adiantada fase recursal, refazer o lançamento com critérios jurídicos distintos daqueles utilizados à época, mas tão somente exercer o controle de legalidade em sede contenciosa, caracterizado pelas suas limitações quanto à alteração de alguns aspectos da hipótese de incidência, base de cálculo e alíquotas. Nesse sentido, alguns precedentes deste E. Sodalício: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004) (grifos meus) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.722116/201057 Acórdão n.º 2201002.554 S2C2T1 Fl. 122 7 como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013) (grifos meus). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013) (grifos meus). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos meus) Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Diferentemente do que defende o Relator, penso que no caso dos autos não ocorreu qualquer vício material de origem, já que a autoridade fiscal utilizou, para a constituição da exigência, a norma legalmente vigente na data do fato gerador, ou seja, o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (regime de caixa). Contudo, em razão de fato superveniente, qual seja, o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. REsp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Portanto, não há que se falar em refazimento do lançamento por inobservância do regime de competência, mas o dever de ofício de aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ante ao exposto, voto por voto dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11516.007838/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/10/2008
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 78 38 /2 00 8- 04 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, devidas por esses segurados e não descontadas de suas remunerações, para as competências 05/2004 a 10/2008. O Relatório Fiscal (fls. 15/31) informa que a contribuição previdenciária foi apurada por aferição indireta com base na mão de obra contida no Custo Unitário Básico (CUB), aplicado nas seguintes obras: 1. Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76), período 07/2004 a 01/2007; 2. Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), período 01/2006 a 05/2008; 3. Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73), período 05/2004 a 05/2007; 4. Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79), período 08/2003 a 05/2005. Consta ainda do lançamento fiscal o levantamento PA Pagamento autônomo, relativo às competências 01/2005, 02/2005, 07/2007, 08/2007 e 10/2007. Em síntese, as razões e motivações do lançamento das contribuições previdenciárias apuradas por aferição indireta da mão de obra utilizada nas edificações supracitadas foram: 1. Cita a fiscalização que por meio do exame dos livros Diário e Razão e da documentação de Caixa referente aos lançamentos contábeis, que a empresa não observa os princípios contábeis em sua escrituração. Discorre sobre os princípios contábeis geralmente aceitos; 2. Informa que do exame nos livros contábeis e folha de pagamento constatou que a empresa não registrou todas as despesas efetuadas com as obras que realizou. Na obra denominada Residencial Guimarães, consta folha de pagamento relativo as competências 07/2004 a 11/2004, e não consta registro contábeis nos centros de custos 1.1.3.5, relativos a este período. Relata que a citada obra iniciou em 07/2004, conforme consta de folha de pagamento apresentada pela empresa, com admissão de 04 empregados nesta competência. Não consta registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, impostos sobre a folha de pagamento. O centro de custo relativo a esta obra contem registros de lançamentos contábeis apenas a partir do ano de 2005. Informa que a empresa deixou de lançar em títulos próprio despesas com remuneração e que este fato fere os princípios da oportunidade, Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Acórdão n.º 2402004.541 S2C4T2 Fl. 3 3 continuidade e competência. O balanço patrimonial apresentado no ano de 2004, não apresenta registro com a obra Residencial Guimarães, de forma que este não espelha a realidade; 3. Da análise da folha de pagamento da empresa, informa que a empresa não possui em seu quadro de empregados engenheiros, e não consta dos registros contábeis pagamentos a estes profissionais, exceto para a obra Residencial Alaíde. Não existem registros de despesas, na execução das demais obras com relação aos mesmos; 4. Cita que não consta diversos registros de despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Bernardo Koerich, centro de custo 1.1.14, não consta despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Não consta lançamentos relativos a pagamento de profissionais habilitados. Este fato também foi constatado na obra Residencial Alaíde, centro de custo 1.1.3.2. Cita que constam registro de despesas com terreno, ferragens, concretagem, argamassa, salários e encargos, previdência social, FGTS, materiais, fretes, impostos, água, luz e esgoto. Cita que não consta registro de despesas com alimentação dos empregados; 5. Não consta registro contábil das despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), em anexo. Os serviços foram relativos a projeto arquitetônico e complementares do Residencial Bernardo Vicente Koerich. Relata que a contratação do respectivo profissional foi por meio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda e não constam registros contábeis referentes a pagamentos para a citada empresa. Que este fato ratifica a constatação de que a empresa não registra despesas com profissionais em diversas obras realizadas. O mesmo fato foi apurado com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho, com honorário de R$ 1.200,00, conforme consta de ART em anexo, sendo que não consta registro contábil relativo a mencionada despesa; 6. Relata que a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos, e cita as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não traduzem a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas com descrições como “deposito bancário” e “retirada bancária”, sendo que estes lançamentos envolvem em contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil; 7. Cita que, considerando os fatos apurados, os salários de contribuição das obras foram apurados por aferição indireta com base na área Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 construída, tendo como parâmetro para a apuração da mão de obra empregada o Custo Unitário Básico aplicável para a construção. Apresenta quadro descritivo das obras, Residencial Guimarães, Residencial Pedro Coelho, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde , fls. 25/26 dos autos; 8. Foram considerados nos cálculos todos os salários de contribuição declarados em GFIP inequivocamente vinculados às obras, bem como 5% das despesas com fornecimento de concreto usinado, conforme demonstrativo fls. 32/60. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 45/61), alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Acórdão n.º 2402004.541 S2C4T2 Fl. 4 5 Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra, são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 8. argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil; 9. aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; 10. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.603 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 572/580) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. E, com relação aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, GPS acostadas aos autos (fls. 493/499), relativo aos contribuinte individuais (levantamento PA), tratados no “item c da decisão”, ficou consignado que: “(...) cabe ao setor competente da unidade de origem, após a confirmação dos mesmo no sistema, providenciar a apropriação ao presente crédito”. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O lançamento em questão referese à apuração das contribuições incidentes sobre mão de obra utilizada em obra de construção civil, por aferição indireta com base na área construída e no valor do Custo Unitário Básico (CUB), fornecido pelo SINDUSCON. Com relação às obras Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73), Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76) e Residencial Alaíde, a Recorrente alega que não é cabível o arbitramento efetuado. A Recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato da auditoria fiscal haver desconsiderado sua contabilidade e partido para o procedimento de aferição indireta. Segundo a Recorrente não haveria razão para tal conduta, já que ela possui a escrituração contábil formal e regular, inclusive a sua contabilidade foi submetida a uma análise da perícia contábil que não apontou qualquer irregularidade. As razões fáticas que levaram a auditoria fiscal a desconsiderar a contabilidade e efetuar o lançamento por aferição indireta foram as seguintes: 1. a Recorrente não realizou o registro de todas as despesas efetuadas com a obras denominada Residencial Guimarães, pois consta folha de pagamento relativo as competências 07/2004 a 11/2004, e não consta registro contábeis nos centros de custos 1.1.3.5, relativos a este período. Relata que a citada obra iniciou em 07/2004, conforme consta de folha de pagamento apresentada pela empresa, com admissão de 04 empregados nesta competência. Não consta registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, impostos sobre a folha de pagamento. O centro de custo relativo a esta obra contém registros de lançamentos contábeis apenas a partir do ano de 2005. Informa que a empresa deixou de lançar em títulos próprio despesas com remuneração e que este fato fere os princípios da oportunidade, continuidade e competência. O balanço patrimonial apresentado no ano de 2004, não apresenta registro com a obra Residencial Guimarães, de forma que este não espelha a realidade; 2. da análise da folha de pagamento da empresa, informa que a empresa não possui em seu quadro de empregados engenheiros, e não consta dos registros contábeis pagamentos a estes profissionais, exceto para a obra Residencial Alaíde. Não existem registros de despesas, na execução das demais obras com relação aos mesmos; 3. não consta diversos registros de despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Acórdão n.º 2402004.541 S2C4T2 Fl. 5 7 Bernardo Koerich, centro de custo 1.1.14, não consta despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Não consta lançamentos relativos a pagamento de profissionais habilitados. Este fato também foi constatado na obra Residencial Alaíde, centro de custo 1.1.3.2. Cita que constam registro de despesas com terreno, ferragens, concretagem, argamassa, salários e encargos, previdência social, FGTS, materiais, fretes, impostos, água, luz e esgoto. Cita que não consta registro de despesas com alimentação dos empregados; 4. não consta registro contábil das despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), em anexo. Os serviços foram relativos a projeto arquitetônico e complementares do Residencial Bernardo Vicente Koerich. Relata que a contratação do respectivo profissional foi por meio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda e não constam registros contábeis referentes a pagamentos para a citada empresa. Que este fato ratifica a constatação de que a empresa não registra despesas com profissionais em diversas obras realizadas. O mesmo fato foi apurado com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho, com honorário de R$1.200,00, conforme consta de ART em anexo, sendo que não consta registro contábil relativo a mencionada despesa; 5. da análise da remuneração contida nas GFIP's relativas às (4) quatro obras em questão, declaradas pela Recorrente, constatase que esta representa uma média de apenas 51 % da mão de obra obtida com base no Custo Unitário Básico (CUB) aplicável. Isso evidencia que os salários identificados para a construção, informados na GFIP, apresenta um percentual baixo em relação à mão de obra obtida com base neste parâmetro (CUB). Este fato vem a corroborar a ausência de registro contábil da remuneração de mão de obra utilizada na execução da obras objeto do lançamento fiscal; 6. a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos, e cita as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não traduzem a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas com descrições como “deposito bancário” e “retirada bancária”, sendo que estes lançamentos envolvem em contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil. É de fato que a utilização de métodos indiretos para a apuração dos fatos geradores é medida excepcional, da qual a auditoria fiscal deve lançar mão quando presentes as circunstâncias que autorizam o procedimento, conforme dispõe o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º, da Lei 8.212/1991, in verbis: Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).(...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Dos fatos enumerados nos itens 1 a 6, retromencionados, verificase que eles são suficientes para justificar a utilização da técnica de aferição indireta (arbitramento) na apuração da base de cálculo, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “3” e “18” (fls. 15/31), visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Essa demonstração da recusa de apresentação de documentos ou informações, ou a sua apresentação deficiente, também foi noticiada na decisão de primeira instância nos seguintes termos (fls. 572/580, Acórdão 0717.603 da 6a Turma da DRJ/FNS): “[...] Relata a fiscalização que a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos contábeis efetuados. Cita que são rotineiramente utilizados expressões que não traduzem as reais operações registradas. Este fato ficou constatado nos lançamentos contábeis relativos as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não permitem identificar a natureza das operações realizadas. Isto porque os históricos destas contas, em muitos casos, se apresentam com ausência da descrição ou descrição que impossibilita a identificação sobre o que se refere os pagamentos ou recebimentos. Na conta Bancos, os lançamentos não permitem traduzir a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas informações, tais como "depósito bancário' e "retirada bancária". Cabe observar que muitos destes lançamentos tem Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Acórdão n.º 2402004.541 S2C4T2 Fl. 6 9 como contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. Estes lançamentos contábeis, da forma como são realizados não permitem identificar adequadamente a ocorrência de pagamento remuneração, bem como outros eventos necessários para a análise contábil dos custos relativos às diversas obras executadas pelo contribuinte. Esta análise se faz necessária para verificar se a remuneração registrada na contabilidade da empresa está compatível com o porte da empresa e com o custo das obras por ela realizada. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil. Além desta situação apontadas pela fiscalização, de acordo com o discorrido pormenorizadamente no relatório fiscal da notificação, foram constatados outros vícios nos registros contábeis, conforme segue. A fiscalização informa que do exame nos livros contábeis e folha de pagamento constatou que a empresa não registrou todas as despesas efetuadas com as obras que realizou. Este fato, conforme já apontado anteriormente neste relatório, restou demonstrado em decorrência da ausência de registro contábil da folha de pagamento da obra do Edifício Residencial Guimarães, no exercício de 2004. Além desta situação fática, constatouse que não constam outros registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, e despesas com fundações. Outra situação constatada na ação fiscal foi a ausência de registro na contabilidade dos pagamentos efetuados a profissionais responsáveis pela elaboração de projetos e pelo execução e acompanhamento das obras. Não constam da folha de pagamento da empresa segurados empregados o contribuintes individuais que executem estas atividades, e não consta da escrituração contábil examinada despesas desta natureza, exceto para a obra Residencial Alaíde, conforme relata a fiscalização. Este fato portanto, ocorre com relação às diversas obras que integram os centros de custos da contabilidade da empresa. Outra constatação apontada foi que ocorre a ausência de registros contábeis, com relação a despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Bernardo Koerich, cento de custo 1.1.14, não registra despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Verificouse inclusive a ausência de despesas com alimentação de segurados empregados próprios da empresa, nas obras em esta apresentou folha de pagamento com mão de obra direta. Em casos mais específicos, demonstrou nos autos a não contabilização de despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de ART Anotação de Responsabilidade Técnica, em anexo. Os serviços prestados pelo citado profissional ocorreu Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 por intermédio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda. Nada consta da contabilidade da empresa com relação a estes fatos geradores de contribuição previdenciária. Resta portanto, evidente que a empresa não registra a totalidade das despesas com profissionais em diversas obras realizadas. Esta mesma situação foi constatada com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho. A remuneração paga à engenheira não consta dos registros contábeis examinados, fato que demonstra a ausência de confiabilidade nos lançamentos efetuados. (...) Outro fato a ser considerado é que, da análise da remuneração contida nas GFIP's relativas às (4) quatro obras em questão, declaradas pela empresa notificada, constatase que esta representa uma média de apenas 51 % da mão de obra obtida com base no Custo Unitário Básico CUB aplicável. Verificase desta forma que os salários identificados para a construção, informados na GFIP apresenta um percentual baixo em relação à mão de obra obtida com base neste parâmetro (CUB). Este fato vem a corroborar a ausência de registro contábil da remuneração de mão de obra utilizada na execução da obras objeto do lançamento fiscal. Resta evidente nos autos, que não apenas o custo da mão de obra está contabilizado a menor que a realidade, bem como o custo total das construções. A título de exemplificação deste fato, citase que o custo total da execução da obra Residencial Alaíde, conforme consta do Livro Razão e citado nos autos, fl. 309, foi de R$ 1.853.619,63, incluindo inclusive o custo de aquisição do terreno. Considerando que esta obra foi construída com área total de 7.776,43 m2, o custo por metro quadrado informado pela empresa por meio de sua escrituração contábil é de apenas R$ 238,36. O Custo Unitário Básico habitacional, médio para o período de. execução da citada obra, 08/2003 a 05/2005 de acordo com dados do SINDUSCONSC, variou no período entre os valores R$ 732,71 a R$ 828,23 o que demonstra a grande discrepância entre os valores contabilizados e os valores reais. [...]”. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de arbitramento é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3°, 4º e 6o, da Lei 8.212/1991 combinado com o art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Acórdão n.º 2402004.541 S2C4T2 Fl. 7 11 regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, fato este não demonstrado pela Recorrente. A Recorrente alega que a obra Residencial Guimarães iniciou apenas em 04/2005, apresentando como prova os registros contábeis de 2005 e um contrato de aquisição por permuta do terreno com a empresa H. Sell Empreendimentos Ltda. Tal alegação não será acatada, já que, para as competências 07/2004 a 11/2004, existem folhas de pagamento de trabalhadores e as correspondentes Guias de Pagamento de FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP). Em relação ao contrato de aquisição com permuta, apresentado pela Recorrente, além de não ter sido contabilizado na data de sua emissão, percebese que, embora tenha sido emitido em 09/11/2004, a assinatura da Senhora Glausi Santos Lima Pereira só foi reconhecida em cartório em 22/12/2008 (fls. 433/435, processo 11516.007840/200875), data posterior tanto à sua emissão como à lavratura do presente lançamento fiscal (21/11/2008). Assim, esse contrato de aquisição não serve para comprovar que a obra do Residencial Guimarães iniciouse somente em 04/2005, conforme afirmado pela Recorrente. A Recorrente alega a existência de ações judiciais ordinárias, propostas na Justiça Federal de Florianópolis/SC, de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde) e 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich). Afirma que os processos judiciais foram favoráveis à Recorrente e estes apresentam perícia contábil. Cumpre esclarecer que as informações contidas no laudo pericial não indicam uma auditoria acompanhada de exame pormenorizado na contabilidade da Recorrente. O perito indicado apenas informou que a empresa possui contabilidade formalizada e que efetuava registros em centros de custos. Em outras palavras, não houve uma análise específica dos fatos apontados pelo Fisco no âmbito do Poder Judiciário. Portanto, não existe qualquer conflito com relação a matéria já apreciada no judiciário, eis que os fatos apontados pelo Fisco, apurados do exame na escrituração contábil da empresa, não foram objeto de análise no citado processo judicial. Diante disso, não acato as alegações da Recorrente. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13312.000027/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
A Declaração de ITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Não se concebe o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório, cuja comprovação é ônus do contribuinte.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
A autoridade julgadora pode indeferir as diligências, que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sendo certo que tal conduta não caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mormente quando já foi oportunizada a produção das provas que a parte pretendia fossem produzidas com a diligência requerida.
ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS, PRODUTOS VEGETAIS E PASTAGENS. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com benfeitorias, produtos vegetais e pastagens.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado em laudo de avaliação, que serviu de base para o preenchimento de sua DITR e para o lançamento, deve ser mantido, mormente quando o novo laudo trazido pela defesa não demonstre de forma inequívoca a retificação pretendida pela defesa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A Declaração de ITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Não se concebe o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório, cuja comprovação é ônus do contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora pode indeferir as diligências, que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sendo certo que tal conduta não caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mormente quando já foi oportunizada a produção das provas que a parte pretendia fossem produzidas com a diligência requerida. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS, PRODUTOS VEGETAIS E PASTAGENS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com benfeitorias, produtos vegetais e pastagens. VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado em laudo de avaliação, que serviu de base para o preenchimento de sua DITR e para o lançamento, deve ser mantido, mormente quando o novo laudo trazido pela defesa não demonstre de forma inequívoca a retificação pretendida pela defesa. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente Substituto. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 328 1 327 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13312.000027/201019 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.294 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria ITR Glosa de áreas ocupadas com benfeitorias, arbitramento do VTN e outras infrações. Recorrente MARILHA HOLDING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A Declaração de ITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Não se concebe o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório, cuja comprovação é ônus do contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora pode indeferir as diligências, que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sendo certo que tal conduta não caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mormente quando já foi oportunizada a produção das provas que a parte pretendia fossem produzidas com a diligência requerida. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS, PRODUTOS VEGETAIS E PASTAGENS. COMPROVAÇÃO. O contribuinte deve comprovar, por meio de documentação pertinente, as áreas ocupadas com benfeitorias, produtos vegetais e pastagens. VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado em laudo de avaliação, que serviu de base para o preenchimento de sua DITR e para o lançamento, deve ser mantido, mormente quando o novo laudo trazido pela defesa não demonstre de forma inequívoca a retificação pretendida pela defesa. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 00 27 /2 01 0- 19 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 329 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOÃO BELLINI JUNIOR – Presidente Substituto. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra MARILHA HOLDING LTDA foi lavrado Auto de Infração, fls. 132/146, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Urtiga, com 1.168,0 ha (NIRF 7.529.9003), localizado no município de Camocim/CE, relativo aos exercício 2005 a 2008, no valor de R$ 12.393.366,35, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/12/2009. A infração imputada à contribuinte no Auto de Infração foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão da glosa dos seguintes valores declarados, os quais não foram comprovados pela contribuinte, durante o procedimento fiscal: (i) áreas ocupadas com benfeitorias; (ii) benfeitorias; e (iii) culturas, pastagens cultivadas melhoradas e florestas plantadas. Para melhor ilustrar as infrações detectadas pela autoridade fiscal vejase quadro a seguir e trecho extraído do Auto de Infração: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 330 3 ITR 2005 a 2008 Declarado Auto de Infração 07Área Ocupada com Benfeitorias 68,0 ha 0,0 ha 10Produtos Vegetais 350,0 ha 0,0 ha 13Pastagens 645,0ha 0,0 ha 20Valor das Benfeitorias R$8.234.611,00 R$0,00 21Valor das Culturas/Pastagens/Florestas R$8.760.225,00 R$0,00 Vale ressaltar ainda que não consta no Contrato Social da empresa a Atividade Rural, bem como a empresa não apresentou cópia das folhas do Diário e Razão onde constem, separadamente, as Receitas Despesas da Atividade Rural. Além disso o Laudo de Reavaliação faz prova contra a empresa ora fiscalizada, haja vista que o terreno é não edificado, com exceção de algumas casas de taipa, com cobertura em telha de barro. Há também o fato de que o Terreno encontrase em sua maioria com mata virgem, tudo conforme descrito no Laudo de Reavaliação de Bens assinado pela contadora: Glayys Queiroz Oliveira da LGM Contabilidade e Processamento, pela contadora: Emiliana Medeiros de Oliveira e pelo engenheiro civil: Denis Sales Maia. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que, depois da realização de diligência, restou não conhecida pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/BSA nº 0345.826, de 09/11/2011, fls. 232/241. Sucedeuse recurso voluntário, que foi provido, por unanimidade de votos, para determinar o retorno dos autos a DRJ, para julgamento da impugnação. (Acórdão nº 2201 002.065, de 16/04/2013, fls. 273/276). Ato contínuo, a impugnação foi julgada, por unanimidade de votos, improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/BSB nº 0355.148, de 25/09/2013, fls. 285/306. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 07/10/2013, Aviso de Recebimento (AR), fls. 307, a contribuinte apresentou, em 05/11/2013, recurso voluntário, fls. 309/324, trazendo as alegações a seguir parcialmente transcritas: Negativa do pedido de perícia. Cerceamento do direito de defesa – A autuação concluiu, de forma presumida, pela inexistência de áreas de pastagem nativa, de benfeitorias úteis ou necessárias, e de áreas ocupadas com produtos vegetais, que realmente se constituem em áreas não tributáveis e como tal foram informadas e arroladas nas Declarações de ITR, estando, igualmente, em plena conformidade com a situação física do imóvel. O acórdão recorrido, contudo, negou produção da referida prova, argüindoa como desnecessária ao exame em questão, o que, porém, revela um claro e manifesto cerceamento do direito de defesa da recorrente. Do erro do julgamento. Da indevida supressão das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Áreas não tributáveis. Glosas equivocadas – Diante do exposto no art. 10, § 1º, da Lei nº 9.393, de 1996, impossível pudesse o agente fiscal estipular o Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 331 4 VTNt com base no preço total de mercado do imóvel, apurado no laudo de avaliação que foi elaborado para servir de base exclusivamente á reavaliação do imóvel, sem considerar, para tanto, os elementos pertinentes aos critérios de apuração do ITR, previstos nas normas de regência. Ora,o preço total do imóvel, fixado naquele laudo de avaliação, foi formado a partir de diversos elementos, dentre os quais alguns que, na concepção legal pra fins de apuração do ITR, se constituem como não tributáveis. O preço de mercado do imóvel, tal como ocorreu no laudo de reavaliação do bem, não compreende exclusivamente o valor da terra nua tributável (VTNt), porque ali não foram consideradas as exclusões previstas em lei, tais como: a área de pastagem nativa, a área composta de benfeitorias e a área plantada com produtos vegetais. A glosa foi produzida de forma ilegal, na medida em que o agente fiscal não observou sequer os procedimentos elencados no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. A falta de apresentação dos documentos solicitados durante o procedimento fiscal não justifica a estipulação do VTNt do imóvel com base na área total do imóvel, sem as deduções previstas em lei. As áreas não tributáveis (68 ha de benfeitorias, 350 ha ocupados com produtos vegetais e 645 ha ocupados com pastagem nativa) perfazem 1.063 ha, de um imóvel, cuja área total é de 1.168ha. Fosse crível a presunção erroneamente produzida pela autuação, estaríamos diante de um área totalmente desertificada, na qual não se conceberia a existência de um mínimo de pastagem nativa. Do erro quanto à fixação do VTNt do imóvel, referente aos anos de 2007 e 2008. Reavaliação registrada na contabilidade – A autoridade fiscal glosou as áreas não tributáveis informadas nas DIAT e considerou o VTNt como aquele constante do preço total de mercado do imponível, apontado em laudo de avaliação elaborado no ano de 2004. Contudo, em março de 2007, a contribuinte promoveu uma nova reavaliação do imóvel, através de um Laudo Técnico de Avaliação, elaborado pela empresa Domus, que atribuiu ao referido bem o preço de mercado no valor de R$ 296.700,00. A redução apurada nesse laudo de avaliação levou em consideração o fato de não terem ocorrido os investimentos almejados para a área do imóvel, como a construção do aeroporto de Camocim, com investimentos que anteriormente haviam sido estimados pelo Governo do Estado, que pretendia instituir naquela região um pólo turístico. Esse novo valor de mercado do imóvel encontrase devidamente reconhecido na contabilidade da empresa, e quanto a este fato, a fiscalização não cogitou. Ressaltese que a contribuinte constatou, inclusive, a existência de erro nas suas DIAT, referentes aos exercícios 2007 e 2008, pois mantevese o valor as informações relativas ao preço do imóvel, sem considerar o que constava dos registros contábeis da empresa. Da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal – Há também, outro erro na autuação e na própria DIAT, que não levaram em consideração a Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 332 5 porção de área de preservação permanente e de reserva legal, consideradas como área não tributável, para fins de apuração do ITR. E quanto á este fato, a jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que “o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade da Ao Declaratório Ambiental do Ibama” É o Relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 333 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao pedido de diligência que foi indeferido pela decisão recorrida, devese esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). No presente caso, a diligência proposta pela contribuinte tem por objetivo, comprovar a existência das áreas ocupadas com benfeitorias, pastagens e produtos vegetais. Ocorre que, diante da glosa efetivada pela autoridade fiscal, a comprovação da existência das áreas deveria ter sido providenciada pela contribuinte e juntada aos autos quando da apresentação da impugnação. Destaquese que durante o procedimento fiscal a contribuinte foi devidamente intimada a fazer tal comprovação, sendo certo que foi justamente a falta de demonstração das referidas áreas que deu causa ao lançamento. Aliás, a autoridade fiscal deixou bastante claro na descrição dos fatos, parte integrante do Auto de Infração, que a não existência de tais áreas restou comprovada pelo Laudo de Reavaliação de Bens, fls. 91/100, que foi apresentado pela contribuinte à época da fiscalização. Digase, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância, embora tenha indeferido, no acórdão recorrido, o pedido formulado pela contribuinte, havia determinado uma diligência em momento anterior, conforme Resolução 03366, de 15/12/2010, fls. 216/224, solicitando a intimação da contribuinte para apresentação dos documentos comprobatórios de tais áreas. Todavia, a contribuinte quedouse silente ao Termo de Diligência/Solicitação de Documentos, fls. 226/227. Nestes termos, há de se concluir que não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa argüido pela contribuinte, posto que lhe foi oportunizado fazer a comprovação da existência das áreas ocupadas com benfeitorias, com pastagens e com produtos vegetais por várias vezes, seja durante o procedimento fiscal, seja quando da apresentação da impugnação ou quando da realização da diligência determinada pela autoridade a quo. Afastase, portanto, a preliminar de cerceamento do direito de defesa. No mérito, devese esclarecer de pronto que o lançamento não cuida de arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN). A autoridade fiscal no Auto de Infração glosou as áreas ocupadas com produtos vegetais, com pastagens e com benfeitorias e, via de conseqüência, considerou que o valor total do imóvel (R$ 17.520.450,00, atribuído pelo Fl. 333DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 334 7 contribuinte nas suas DITR/2005, 2006, 2007 e 2008) seria igual ao VTN, já que os valores das benfeitorias e das culturas/pastagens/florestas não poderiam ser admitidas em razão da falta de comprovação da existência das mesmas. Ou seja, a autoridade fiscal, considerando a existência do Laudo de Reavaliação, que valorava o imóvel em R$ 17.520.450,00 e era textual ao afirmar que no imóvel não existiam benfeitorias e não se referia a existência de áreas ocupadas com pastagens ou produtos vegetais, entendeu que o valor total do imóvel era igual ao VTN. Tal esclarecimento se faz necessário dado que o contribuinte em seu recurso afirma que a autoridade fiscal não observou sequer os procedimentos determinados no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Ora, considerando que o lançamento não cuidou de arbitramento do VTN, não há que se falar em cumprir os ritos previstos no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. No que se refere a glosa das áreas ocupadas com produtos vegetais, com pastagens e com benfeitorias a contribuinte insiste em afirmar a sua existência, contudo, não trouxe aos autos nenhum documento comprobatório que permitisse a conclusão da existência de tais áreas no imóvel em questão. Tratase, portanto, de mera alegação sem prova, quando em Direito é pacífico o entendimento de que alegar sem provar é o mesmo que não alegar (allegatio et non probatio, quasi non allegatio). Nesse sentido, cumpre dizer que o Código Tributário Nacional (CTN), visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu hipóteses em que o sujeito passivo presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova das informações prestadas em suas DITR. E este é o caso dos autos. Conforme aqui já mencionado, a contribuinte foi inúmeras vezes intimada a fazer a comprovação das referidas áreas ocupadas com produtos vegetais, pastagens e benfeitorias. Contudo, nada foi apresentado. Nestes termos, devese manter as glosas das áreas ocupadas com produtos vegetais, com pastagens e com benfeitorias. No que se refere aos áreas de preservação permanente e de reserva legal, a contribuinte afirma que houve erro no preenchimento de suas declarações, contudo, mais uma vez, incorreu em meras alegações sem nada provar. Aqui devese registrar que assiste razão a decisão recorrida quando afirma que mesmo que houvesse a possibilidade de retificação das DITR, em uma eventual hipótese de erro de fato, tal somente seria possível caso restasse comprovadas todas as exigências necessárias para a fruição do benefício fiscal, tais como apresentação de Ato Declaratório Ambiental e averbação das áreas de reserva legal, junto ao registro de imóveis competente. Aliás, a contribuinte sequer quantificou tais áreas, seja na impugnação ou no recurso, tratandose, portanto, de pedido genérico. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 335 8 Assim, não há como acolher o pedido de retificação das DITR para inclusão de áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de cálculo do imposto devido. Por fim, devese examinar o pedido de retificação das DITR, no que se refere ao valor total do imóvel. Afirma a contribuinte que em março de 2007 promoveu uma nova reavaliação do imóvel, através de um Laudo Técnico de Avaliação, fls. 188/200,elaborado pela empresa Domus, que atribuiu ao referido bem o preço de mercado no valor de R$ 296.700,00. Esclarece, ainda, que a redução apurada nesse laudo de avaliação levou em consideração o fato de não terem ocorrido os investimentos almejados para a área do imóvel e que esse novo valor encontrase devidamente reconhecido na contabilidade da empresa. Mais uma vez assiste razão a decisão recorrida, que rechaçou o Laudo Técnico de Avaliação, pelos motivos a seguir transcritos, os quais adoto integralmente: (...) entendo que o teor do documento trazido aos autos realmente não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a totalidade das normas da ABNT, para um Laudo com Grau II de fundamentação e precisão, não demonstrando o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador dos ITR/2005 (1º.01.2005), 2006 (1º.01.2006), 2007 (1º.01.2007) e 2008 (1º.01.2008), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no primeiro Laudo apresentado pela contribuinte. Ademais, nesse Laudo, às fls. 188/200, há a informação expressa que tratase de um Parecer Técnico e não de Laudo de Avaliação com Grau II de fundamentação e precisão, sendo por demais sucinto, posto que de seu total de páginas, 8 (oito) delas são apenas descrição da caracterização da Região onde se encontra o imóvel com a apresentação de dados referentes a caracterização geográfica do município, características ambientais, divisão políticaadministrativa, aspectos demográficos e sociais (domicílios, saúde e educação), infra estrutura (saneamento e energia elétrica), economia e finanças (produto interno bruto e finanças públicas). De fato, a avaliação constante desse Parecer não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.6533, principalmente os itens 7.4 – Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.5 – Diagnóstico do mercado, 7.7 – Tratamento de Dados e 9 – Especificação das Avaliações, com todos os elementos de pesquisa identificados (número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco – item 9.2.3.5) e em especial o subitem 9.2.2.2., que estabelece que o profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo de Avaliação. Além disso, foi observado que: não há especificação para cada um dos exercícios abrangidos pela ação fiscal; a amostra utilizada se refere a apenas 3 (três) imóveis, de terrenos urbanos, conforme informação do INCRA; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 336 9 não há como saber se os elementos de pesquisa são uma AMOSTRA REPRESENTATIVA da situação em que se encontra o imóvel avaliando, e não há EXPLICITAÇÃO DOS DADOS COLETADOS NO MERCADO com suas principais características econômicas, físicas e de localização, a fim de que fosse possível fazer uma comparação entre as amostras apresentadas e o imóvel avaliando. Ainda, ocorre que a exemplo do VTN/ha originariamente declarado de R$ 450,01/ha, o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho de R$ 254,02/ha, menor do que o declarado, também, se encontra muito abaixo do VTN, correspondendo a apenas 1,7%, do constante no Laudo de fls. 91/100, de forma que o acatamento da pretensão da contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, além de erro material na avaliação do primeiro Laudo apresentado, o que não aconteceu. Enfim, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida. Assim, vislumbro que a alteração do VTN arbitrado somente poderia ser considerada caso a impugnante tivesse carreado aos autos novo Laudo de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, com as exigências apontadas pela autoridade fiscal, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do seu imóvel em particular, a preços de 1º.01.2005, 1º.1.2006, 1º.1.2007 e 1º.1.2008 (art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei nº 9.393/96), bem como as suas características desfavoráveis em relação aos demais imóveis avaliados, e, principalmente, a ocorrência de erro material no primeiro laudo apresentado, de modo a descaracterizálo como documento hábil para fins de tal arbitramento. Aqui, registrese, conforme já mencionei neste voto, que a autoridade fiscal não promoveu arbitramento do VTN, apenas desconsiderou (glosou) os valores especificados pela contribuinte em suas DITR para as benfeitorias e para as culturas/pastagens/florestas e, via de conseqüência, igualouse o valor total do imóvel, R$ 17.520.450,00, ao VTN. Tal procedimento está perfeitamente correto, dado que o Laudo de Reavaliação de Bens, fls. 91/100, era textual ao afirmar que no imóvel não existiam benfeitorias e não se referia a existência de áreas ocupadas com pastagens ou produtos vegetais. Ora, se referido Laudo, que foi utilizado pela contribuinte para o preenchimento de suas DITR, afirma que o valor total do imóvel é de R$ 17.520.450,00 e que referido imóvel não possui benfeitorias, tampouco, áreas ocupadas com produtos vegetais e com pastagens, há Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.000027/201019 Acórdão n.º 2102003.294 S2C1T2 Fl. 337 10 de se concluir que o valor especificado no laudo corresponde ao VTN, posto que nenhum outro elemento foi valorado no mencionado documento. Acrescentese, ainda, que a afirmação da recorrente de que o novo valor, especificado no Laudo, elaborado em 2007, de R$ 296.700,00, tenha sido reconhecido em sua contabilidade, carece de comprovação. Nessa conformidade, devese manter o VTN do imóvel em R$ 17.520.450,00, nos termos em que consubstanciado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10283.909719/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 19 /2 00 9- 89 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909719/200989 Acórdão n.º 3202001.577 S3C2T2 Fl. 371 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004912/2003-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1, dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1, dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1, dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 49 12 /2 00 3- 11 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou improcedente manifestação de inconformidade relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física do ano calendário 1993. Por bem descrever os eventos do processo, passo a reproduzir, com a devida vênia, o seguinte excerto do Relatório da decisão contestada: Cuidam os autos de pedido de restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre verba recebida pelo interessado no anocalendário 1993 da IBM Brasil – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. sob o título de “indenização espontânea pessoal”. O interessado alega que a importância foi paga em razão de sua adesão a Programa de Incentivo a Demissão Voluntária e, portanto, não deveria submeterse à incidência do imposto de renda, nos termos da IN SRF nº 165, de 1998. Apreciado na Delegacia da Receita Federal em Niterói (fls. 24/25) e depois, em sede de recurso, na Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – II (fls. 45/50), o pedido de restituição foi indeferido sob o fundamento de que, na data de seu protocolo, já havia transcorrido o prazo decadencial estabelecido no art. 168 do CTN. Inconformado, o interessado ingressou com Recurso Voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes, que, no acórdão nº 10421.473 (fls. 68/77), afastou a decadência do direito de pedir do recorrente e determinou a remessa dos autos à repartição de origem para análise do mérito do pedido. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra a decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, que teve provimento negado, conforme decisão às fls. 103/107. A decisão desfavorável à Fazenda Nacional ensejou recurso dirigido ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Recurso Extraordinário não foi conhecido (fls. 167/176), permanecendo assim a decisão recorrida. Encaminhado o processo à unidade de jurisdição do interessado, este foi intimado a apresentar documentos que a autoridade a quo entendeu necessários para fins de análise do pleito (fls.183/184), constando entre eles: 8. com relação as ações de nº 93.00274473, autuada em 10/12/1993, na 12ª Vara Federal do Rio de Janeiro e ação de nº 93.00221701, autuada em 01/10/1993, na 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro, fica o interessado intimado a apresentar: petições iniciais, sentenças de todas as instâncias e decisões interlocutórias eventualmente proferidas, certidão de trânsito em julgado, pedido de Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10730.004912/200311 Acórdão n.º 2802003.325 S2TE02 Fl. 341 3 desistência da ação homologado judicialmente, certidão de objeto e pé e certidão de inteiro teor (de acordo com a situação); Em resposta, o interessado apresentou os documentos juntados às fls. 192/285. Após análise da documentação apresentada, o direito creditório não foi reconhecido pela autoridade administrativa, nos termos do Despacho Decisório às fls. 286/292. A decisão foi no sentido da não apreciação das razões trazidas pelo contribuinte no pedido de restituição em virtude da propositura de ação judicial (MS nº 93.00274473) com mesmo objeto do presente processo, o que configurou renúncia à esfera administrativa. O interessado manifestou sua inconformidade com os termos dessa decisão, alegando, em apertada síntese, não haver identidade entre os pedidos formulados judicialmente e aquele que é objeto do presente processo, motivo pelo qual demandou fosse examinado o mérito de seu pedido, sendo, ao final devolvido o valor recolhido na fonte a título de imposto de renda incidente sobre a verba indenizatória quando de seu desligamento da empresa (fls. 299/304). A instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: AÇÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. IDENTIDADE DE OBJETO. Existindo sentença definitiva proferida em ação judicial que apresentava o mesmo pedido e fundamento na causa de pedir do processo administrativo, resta o cumprimento da decisão judicial, sem análise dos argumentos apresentados pelo requerente. . Irresignado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 14/11/2012, aduzindo, em resumo que: não há identidade entre os pedidos formulados judicialmente e aquele que é objeto do presente processo, o que foi admitido textualmente pela relatora do acórdão a quo; no Mandado de Segurança o pedido restringiuse ao deferimento da liminar no sentido de que o imposto de renda que seria retido por ocasião do desligamento não fosse recolhido aos cofres da Fazenda Pública, mas sim que: i) fosse autorizada a liberação da verba para o impetrante ou, alternativamente, a critério do MM Juízo ii) fosse depositada a importância que seria recolhida a título de IRRF em conta vinculada a disposição do juízo; o pedido do MS se prendeu apenas à não retenção da verba ou o seu depósito em juízo; em nenhum momento foi requerido em sede de MS que, caso indeferida a liminar, no mérito fosse determinada a devolução pela Receita Federal do montante recolhido indevidamente do contribuinte; que à época do Mandado de Segurança o numerário ainda não havia sido retido pelo empregador, não podendo então ser demandada a restituição por essa via; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 assim, não havendo identidade entre os pedidos, o MS não faz coisa julgada em relação ao Processo Administrativo sob o exame para que uma ação faça coisa julgada em relação a outra, ambas têm de ser idênticas, isto é, devem possuir “as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido”; que a coisa julgada não protege a sentença que bate de frente com a moralidade e legalidade, e que a Receita Federal já reconheceu que as indenizações pagas em razão de PDV têm natureza indenizatória, não incidindo o imposto de renda sobre elas. Requer, ao final, seja reformulada a decisão em pauta, determinandose o retorno do processo ao órgão de origem para que seja enfrentado o mérito da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Impende desde já passar à análise do Mandado de Segurança (MS) nº 93.00274473, com pedido de liminar, que tramitou na 12ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls. 182/183 e 227/274). Em sua petição inicial, os próprios autores, dentre os quais o contribuinte, definem o objetivo da segurança postulada (fl. 256): Em consequência, o objetivo da presente segurança é obter provimento judicial que os libere de se sujeitarem à referida retenção, e de modo mais amplo, de reconhecer como "renda" ou "provento" tributável o montante das indenizações pagas, sem que por isso, os Impetrantes, ou sua exempregadora, como fonte retentora, sofram sanções ou se submetam a procedimentos, lançamentos ou autuações fiscais decorrentes de determinações emanadas da Ilma. Autoridade apontada como coatora à qual estão jurisdicionados. (grifei) Perante tal assertiva, fica bastante claro que o recorrente buscava no writ o reconhecimento do poder judicante da inexistência de relação jurídica que o obrigasse a recolher o imposto de renda sobre as verbas em questão. Nesse contexto, a formulação de um pedido imediato de não retenção do imposto de renda pela fonte pagadora revelase, na prática, eminentemente circunstancial, pois naquele momento ainda não tinha incidido dito gravame sobre as verbas em apreço daí, justamente, o pleito de deferimento de medida liminar. O bem da vida almejado era, porém, e de um modo amplo, conforme as expressas palavras do contribuinte, que os valores recebidos fossem reconhecidos como indenizatórios e, portanto, indenes à tributação sobre a renda. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10730.004912/200311 Acórdão n.º 2802003.325 S2TE02 Fl. 342 5 Em sentença datada de 6/7/1994 (fls. 275/277), e transitada em julgado em 14/10/1994 (fl. 278), foi decidido a improcedência do pedido, com base no entendimento de que as verbas não tinham o aventado caráter indenizatório. Lembrese, como é cediço, que as sentenças denegatórias de mérito possuem conteúdo declaratório negativo. Em outros termos, foi estabelecido na sentença que o montante recebido da IBM Brasil – Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. sob o título de “indenização espontânea pessoal" não está isento da tributação do imposto de renda, daí a rejeição do pedido de não retenção. E, no presente processo administrativo, o contribuinte busca pedido de restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre as multicitadas verbas, por entender possuírem elas o caráter de Programa de Incentivo a Demissão Voluntária e, portanto, não sujeitas à incidência do imposto de renda, nos termos da IN SRF nº 165, de 1998. Cumpre destacar que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, existindo controvérsia já estabelecida no Judiciário que abrange a matéria que se apresenta litigiosa neste julgamento, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao entendimento daquele Poder, prevalecente nos termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal, mormente quando tal entendimento já está abrigado sob o manto da coisa julgada, como no caso concreto. De fato, a concomitância traduzse em fator externo à relação processual administrativa que impede a eficácia de eventual decisão emanada nesse âmbito, a qual se configura desnecessária e inútil no que contrariar a decisão de mérito do Poder Judiciário. Em votovista exarado no RE nº 233.582/RJ (DJe de 16/5/2008), o qual discutiu a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.380, de 22 de setembro de 1980, o Ministro Gilmar Mendes teceu considerações que também se revelam aplicáveis no particular: Destarte, a renúncia a essa faculdade de recorrer no âmbito administrativo e a automática desistência de eventual recurso interposto é decorrência lógica da própria opção do contribuinte de exercitar a sua defesa em conformidade com os meios que se afigurem mais favoráveis aos seus interesses. Temse aqui fórmula legislativa que busca afastar a redundância da proteção, uma vez que, escolhida a ação judicial, a Administração estará integralmente submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 (...) Não vislumbro, por isso, qualquer desproporcionalidade na cláusula que declara a prejudicialidade da tutela administrativa se o contribuinte optar por obter, desde logo, a proteção judicial devida. Com efeito, causa profunda espécie entender que, muito embora o posicionamento judicial definitivo nos termos do art. 467 do Código de Processo Civil1, sobre o caráter não indenizatório das verbas em comento, pudesse a administração tributária reconhecer, com base em normas infralegais, possuírem elas natureza diametralmente diversa e acatar o pleito do interessado. Deflagrado estaria assim o desrespeito aos incisos XXXV e XXXVI do art. 5º da Constituição Federal e ao próprio conceito de coisa julgada. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson 1 Assim como nos termos do inciso III do art. 6º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileito Decretolei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, com a redação dado pela Lei nº 3.238, de 1º de agosto de 1957: Art. 6º. A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perefeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (...) § 3º Chamase a coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 11613.000074/2009-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 09/03/2009
CIDE-COMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. CENTRAIS PETROQUÍMICAS. RESTRIÇÃO NORMATIVA AUSENTE NAS NORMAS APONTADAS NA AUTUAÇÃO.
A dispensa de pagamento (redução de alíquotas) da CIDE-Combustíveis, de acordo com as disposições da Lei no 10.336/2001 (e alterações posteriores), do Decreto no 4.940/2003 (e alterações posteriores) e do art. 10-A da IN SRF no 442/2004, não é aplicável unicamente a importações efetuadas diretamente por centrais petroquímicas.
Numero da decisão: 3403-003.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Neder, OAB/SP no 309.388. Julgado no dia 24/02/2015, com a participação do Conselheiro Jorge Freire.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 09/03/2009 CIDECOMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. CENTRAIS PETROQUÍMICAS. RESTRIÇÃO NORMATIVA AUSENTE NAS NORMAS APONTADAS NA AUTUAÇÃO. A “dispensa de pagamento” (redução de alíquotas) da CIDECombustíveis, de acordo com as disposições da Lei no 10.336/2001 (e alterações posteriores), do Decreto no 4.940/2003 (e alterações posteriores) e do art. 10 A da IN SRF no 442/2004, não é aplicável unicamente a importações efetuadas diretamente por centrais petroquímicas. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Neder, OAB/SP no 309.388. Julgado no dia 24/02/2015, com a participação do Conselheiro Jorge Freire. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 00 74 /2 00 9- 09 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 16/05/2009 (fls. 6 a 11, com ciência em 25/05/2009, cf. fl. 7)1 para exigência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Combustíveis (CIDECombustíveis), em relação à importação registrada na declaração (DI) no 09/02872561, no valor original (a título de principal) de R$ 5.395.201,74. Narra a fiscalização, na autuação, que: (a) diante da irresignação contra o pagamento efetuado no momento do desembaraço, e diante de liminar em mandado de segurança determinando o desembaraço sem o recolhimento em caso similar, deixouse para lavrar a autuação “após a nacionalização da mercadoria”; (b) “o importador não é uma central petroquímica e produz principalmente gasolina e diesel, produtos excluídos do benefício da alíquota zero pelo Decreto no 4.940/2003, em seu art. 1o”; (c) a nafta, apesar de inserida no texto do decreto, não tem destino certo, ainda que o importador alegue que é para comercialização imediata com uma central petroquímica, defendendo que isso o habilita à alíquota zero; (d) a discussão central é interpretativa, e reside em saber se a estatal, que refina petróleo e distribui derivados, enquadrase no dispositivo de alíquota zero para nafta quando adquire o produto para comercializálo; e) com base em permissão contida no Decreto, a RFB regulou a matéria na IN no 422/2004, aclarando que o benefício fica sujeito a duas condições resolutivas: ser o importador uma central petroquímica e haver uma declaração expressa na DI sobre a produção residual de gasolina e diesel; (f) a importação com o benefício pretendido colocaria em posição não isonômica a estatal, cuja produção de gasolina e diesel é obviamente ampla, em relação a uma central petroquímica, que ao importar estaria sujeita às limitações de que a produção de gasolina e diesel não superasse 12%, não sendo relevante a existência de contrato prévio; e (g) a situação é bem melhor enquadrada na Lei no 10.336/2001, com a redação dada pelas Leis no 10.833/2003 e no 11.196/2005 (art 8oA, §§ 1o e 2o), que prevê a possibilidade de compensação na comercialização da CIDECombustíveis recolhida na importação. A empresa apresenta impugnação em 23/06/2009 (fls. 43 a 64), alegando, em síntese, que: (a) registrou a DI no 09/02872561, referente a nafta petroquímica (NCM 2710.11.41), observando rigorosamente a legislação em vigor; (b) em análise da origem da Lei no 10.336/2001, e de sua disciplina inicial na IN SRF no 107/2001, revela que havia isenção objetiva, com objetivo de manter a neutralidade tributária, da CIDECombustíveis para a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por central petroquímica, nos termos e condições estabelecidos na ANP, havendo ainda presunção de destinação no caso de não comprovação; (c) com a revogação dos dispositivos pela Lei no 10.833/2003, houve nova disciplina, passando o Poder Executivo a poder dispensar o pagamento da CIDECombustíveis sobre as correntes de hidrocarbonetos destinadas à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, sendo também este benefício de caráter objetivo (em relação ao produto, somente sendo possível afastar o benefício se comprovado que a nafta não foi utilizada no processo petroquímico); (d) no presente caso, o produto foi devidamente destinado a uma central petroquímica, com que a empresa possui contrato, havendo inclusive menção nas notas de venda à destinação a ser dada ao produto; (e) há ainda redução a zero das alíquotas da CIDECombustíveis incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, entre 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11613.000074/200909 Acórdão n.º 3403003.552 S3C4T3 Fl. 391 3 eles a nafta petroquímica (Decreto no 4.940/2003); (f) a IN SRF no 422/2004, de forma inapropriada, ignorou as modificações introduzidas na Lei no 10.336/2001 pela Lei no 10.833/2003; (g) diante da nova redação conferida ao Decreto no 4.940/2003 pelo Decreto no 6.683/2008, a RFB publicou a IN no 905/2008, alterando a IN SRF no 422/2004, mantendo o caráter objetivo do benefício, apesar de cometer algumas impropriedades, como menções a artigo revogado, cabendo destacar que o caput do art. 10A trata da redução de alíquota em geral, e os parágrafos que o seguem tratam somente das centrais petroquímicas; (h) a RFB não tem a competência para restringir a aplicação de benefício fiscal concedido de forma objetiva; e (i) falta de isonomia haveria se a operação fosse tributada, sendo a etapa seguinte comercialização isenta, cf. art. 10A, § 4o da IN SRF no 422/2004. Anexa à impugnação as notas de venda com a informação de que a nafta não seria destinada à produção de gasolina ou diesel, cláusula contratual que prevê o destino da nafta vendida, e declaração da adquirente (BRASKEM, que é quem deveria responder em caso de descumprimento) sobre o destino da nafta. Sobre a compensação, cogitada ao final da autuação, afirma a empresa que se aplica à situação em que eventualmente os hidrocarbonetos acabem não sendo destinados à formulação de gasolina ou diesel. Por fim, defende a empresa a inaplicabilidade da multa de ofício, com base no ADI SRF no 13/2002, demandando perícia contábil para comprovar que toda a nafta importada de que trata a autuação foi vendida à BRASKEM. Em 25/03/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 200 a 242), no qual se decide, por voto de qualidade, pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: (a) em análise histórica da legislação, percebese que houve diferentes tratamentos tributários, da isenção à redução de alíquota e à possibilidade de compensação/dedução, cabendo verificar em que hipótese se enquadra o caso em análise; (b) não se aplica ao presente caso a isenção disciplinada no § 4o do art. 5o da Lei no 10.336/2001, que já não estava em vigor; (c) “se o contribuinte não pode deduzir a Cide paga na importação quando a mercadoria não for utilizada como insumo”, nos termos do art 8oA da Lei no 10.833/2003, “não há que se falar em dispensa do recolhimento do tributo, uma vez que, se houvesse dispensa de pagamento, não haveria motivos para não se permitir a dedução”; (d) “a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa depende de expressa previsão normativa”; e (e) o ADI SRF no 13/2002 não se aplica ao caso analisado, por tratar do imposto de importação. Consta ao final do julgamento declaração de voto dos julgadores que externaram entendimento diverso. A primeira, no sentido de que: (a) o controle da destinação deveria ser efetuado por marcação (cf. Resolução ANP no 13/2009); (b) a redução a zero das alíquotas diz respeito aos produtos elencados e não à qualidade do sujeito passivo; e (c) o código NCM da nafta petroquímica (2710.11.41) está sujeito a licenciamento nãoautomático, tendo como órgão anuente a ANP, que só autoriza a importação se “destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo de Central de MatériaPrima Petroquímica” (Portaria ANP no 32/2000 e Portaria SECEX no 10/2010), não procedendo ainda a afirmação da autuação de que “o destino é incerto”. E a segunda, acrescendo considerações sobre a inexistência de nexo causal entre o § 3o do art. 5o e o art 8oA da Lei no 10.833/2003, e informando que as efetivas condições a serem satisfeitas pelo importador (deferimento da LI e menção na DI à produção residual) não são objeto da autuação. Há ainda, derradeiramente, declaração de voto sobre a negativa de acatamento da diligência demandada. Cientificada da decisão da DRJ em 09/09/2011 (fl. 242), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 23/09/2011 (fls. 251 a 268), basicamente reiterando as considerações externadas em sua impugnação (à luz das considerações expostas nas declarações de voto dos julgadores que divergiram do voto vencedor), destacando que a autuação “fundamentouse única e exclusivamente no fato de a recorrente não constituir uma central petroquímica, Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 classificandoa como produtora de combustíveis”, e acrescentando que houve nulidade da decisão de piso por cerceamento do direito de defesa, diante da negativa de deferimento à perícia contábil (e da existência de deferimentos em outros processos com o mesmo objeto discutido nos autos, cf. exemplos que relaciona às fls. 269 a 280 e 281 a 292). Neste CARF, o processo foi sorteado em março de 2013 à Conselheira Silvia de Brito Oliveira, que não mais faz parte deste colegiado, tendo sido, por consequência, novamente sorteado em setembro de 2014, quando passei a receber a incumbência pela análise. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há que se esclarecer, de início, que parece haver consenso nos autos (em que pese alguma confusão terminológica) de que não se está aqui a tratar das isenções previstas nos §§ 4o e 5o do art. 5o da Lei no 10.336/2001, revogados desde 2003, mas da aplicação da legislação vigente em 09/03/2009, data de registro da declaração de importação (DI) no 09/02872561, sendo as considerações sobre o histórico da legislação efetuadas apenas com cunho ilustrativo da evolução da disciplina legal e infralegal da matéria. O regramento legal vigente no momento da autuação estabelece (Lei no 10.336/2001): “Art. 5 o A Cide terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas:(Redação dada pela Lei no 10.636, de 2002) (...) §3 o O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. (Redação dada pela Lei no 10.833, de 2003) § 4o Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3o serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. (Redação dada pela Lei no 10.833, de 2003)” (grifo nosso) E, em disciplina ao § 3o do art. 5o da Lei no 10.336/2001 surge o Decreto no 4.940/2003: “Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) Fl. 393DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11613.000074/200909 Acórdão n.º 3403003.552 S3C4T3 Fl. 392 5 incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: § 1o Para os efeitos do caput , a produção residual de gasolina ou diesel, a partir de nafta petroquímica importada ou adquirida no mercado interno por centrais petroquímicas, não caracteriza destinação para formulação desses combustíveis. (Incluído pelo Decreto no 6.683, de 9 dezembro de 2008) § 2o A CIDECombustíveis incidirá na venda da gasolina ou diesel decorrentes da produção residual de que tratam os §§ 1o e 3o.(Incluído pelo Decreto no 6.683, de 9 dezembro de 2008) § 3o A produção residual de gasolina ou diesel em volume igual ou superior a doze por cento do volume total de produção decorrente da nafta adquirida implicará a incidência da CIDE Combustíveis nas operações de importação ou de aquisição no mercado interno de nafta petroquímica. (Incluído pelo Decreto no 6.683, de 9 dezembro de 2008) § 4o A incidência de que trata o § 3o darseá na operação de importação ou aquisição no mercado interno efetuada após a data em que for excedido o limite, proporcionalmente ao percentual de combustíveis produzidos em relação ao volume total de produção. (Incluído pelo Decreto no 6.683, de 9 dezembro de 2008) § 5o A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá disciplinar a aplicação das disposições de que trata este artigo. (Incluído pelo Decreto no 6.683, de 9 dezembro de 2008)” (grifo nosso) (na relação, logo no primeiro item figura a NCM 2710.11.41, relativa a nafta petroquímica, que é a mercadoria discutida no presente processo) Por sua vez, disciplinando o § 5o do art. 1o do Decreto no 4.940/2003 é publicada a Instrução Normativa SRF IN SRF no 422/2004, que dispõe, em seu art. 10A (com a redação dada pela IN RFB no 905/2008): “Art. 10A. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE Combustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação do art. 1o do Decreto no 4.940, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 1o A produção residual de gasolina ou diesel, a partir da nafta petroquímica importada ou adquirida no mercado interno por Centrais Petroquímicas, não caracteriza destinação para formulação desses combustíveis quando seu volume for inferior a 12% (doze por cento) do volume total de produção decorrente da nafta importada ou adquirida. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) Fl. 394DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 § 2o A produção residual de gasolina ou diesel, em volume igual ou superior a 12% (doze por cento) do volume total de produção decorrente da nafta adquirida, implicará na (sic) incidência da CIDECombustíveis nas operações de importação ou aquisição no mercado interno efetuadas após a data em que for excedido o limite, tendo por base de cálculo o valor da nafta petroquímica correspondente ao volume empregado na produção de combustíveis. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 3o A CIDECombustíveis incidirá na venda da gasolina ou diesel decorrentes da produção residual de que tratam os §§ 1o e 2o.(Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 4o As Centrais Petroquímicas, nas aquisições no mercado interno, declararão ao fornecedor que o volume de combustíveis produzido é inferior a 12% (doze por cento) do volume total de produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 5o Na hipótese de importação, a Central Petroquímica fará constar da Declaração de Importação ou documento equivalente que o volume de combustíveis residualmente produzido de que trata o § 1o do art. 1o do Decreto no 4.940, de 2003, é inferior a 12% (doze por cento) do volume total da produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 6o Na hipótese de a produção residual de gasolina ou diesel ser igual ou superior a 12% (doze por cento) do volume total de produção, a Central Petroquímica deverá, em cada importação ou aquisição no mercado interno, declarar esta situação e anexar cópia do documento de recolhimento da CIDE Combustíveis apurado na forma do § 2o do art. 1o.(Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 7o Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, a dedução de que trata o art. 7o da Lei no 10.336, de 19 de dezembro de 2001, tem valor: (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) I nulo, nas hipóteses do caput e do § 1o; (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008 ) II igual ao valor da CIDECombustíveis pago nas hipóteses previstas nos §§ 2o e 3o deste artigo. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008)” (grifo nosso) A autuação (para exigência de CIDECombustíveis/importação, com multa de ofício e juros de mora) decorre da falta de recolhimento na referida DI no 09/02872561 (adição 001, referente a “naftas para petroquímica”, NCM 2710.11.41), sustentando o fisco que a recorrente não é uma central petroquímica e produz principalmente gasolina e diesel, sendo por isso excluída da redução de alíquota (a zero) estabelecida pelo Decreto no 4.940/2003 (redução exclusiva para produtos, entre os quais a nafta, não destinados à formação de gasolina ou diesel). Argumentase que apesar de a nafta descrita na referida declaração de importação estar contemplada pela redução, seu destino é incerto no momento da importação. E que o Decreto não faz nenhuma referência explícita ao caso de refinarias/distribuidoras, como a Fl. 395DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11613.000074/200909 Acórdão n.º 3403003.552 S3C4T3 Fl. 393 7 recorrente, mas deixa a cargo da RFB a disciplina da aplicação de suas disposições, sendo que a Instrução Normativa SRF no 422/2003, em seu art. 10A, § 5o, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB no 905/2008, estabelece que na hipótese de importação, a central petroquímica deve fazer constar na declaração de importação que o volume de combustíveis residualmente produzido de que trata o § 1o do art. 1o do Decreto no 4.940/2003 é inferior a 12% do volume total da produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo. Conclui assim o fisco que: (a) a redução só se aplica, na importação, às centrais petroquímicas; e (b) deve haver declaração expressa na DI sobre a produção residual de gasolina ou diesel. Alega ainda o fisco que interpretação diversa seria não isonômica, sendo irrelevante que a recorrente (uma refinaria) tenha contrato prévio de venda a central petroquímica. Na impugnação (e, basicamente, no recurso voluntário) , sustentase que a redução é de natureza objetiva, à nafta petroquímica, e fica condicionada à destinação na elaboração de produtos petroquímicos. Assim, só se qualificaria a dispensa do pagamento se a autoridade fiscal comprovasse que a nafta não foi utilizada no processo petroquímico. E no presente caso, após a importação, o produto foi destinado a central petroquímica (BRASKEM), em virtude de contrato, estando nas notas de venda a ressalva quanto à destinação do produto. Defendese ainda que os parágrafos do art. 10A da Instrução Normativa SRF no 422/2003 disciplinam o caso particular das centrais petroquímicas, mas não se aplicam às refinarias e distribuidoras (para as quais se aplica o comando geral objetivo do caput do artigo), não podendo a autoridade autuante, com visão limitada do princípio da isonomia, restringir o teor da lei. E a DRJ, tratando dos arts. 7o e 8o da Lei no 10.336/2001 (que sequer são relacionados no enquadramento legal da autuação fl. 11), e combinandoos com o art. 8oA da mesma lei (que é usado na autuação somente para informar onde “a situação é melhor enquadrada”), e com os dispositivos legais aqui também reproduzidos (§ 3o do art. 5o da Lei no 10.336/2001, art 1o do Decreto no 4.940/2003, e art. 10A da Instrução Normativa SRF no 422/2004) conclui que o tratamento tributário da CIDECombustíveis recebeu regramentos diferentes ao longo do tempo (tributação, isenção e alíquota zero). Em que pese trazer à baila enquadramentos sequer suscitados na autuação, não creio que haja discordância em relação à conclusão, até pelo seu caráter óbvio. E, como disposto ao início deste voto, resta também incontroverso que não se está aqui tratando das isenções revogadas. Assim, a apreciação de mérito da DRJ restringese ao tópico denominado “dispensa de pagamento” (fls. 211 a 214). Já de início, o julgador reconhece que ao se examinar isoladamente o art 1o do Decreto no 4.940/2003, poderia se concluir, à primeira vista, que a recorrente está dispensada do pagamento da CIDECombustíveis na importação em análise, persistindo dúvida somente em relação à aplicabilidade do dispositivo no momento da importação. Na sequência, o julgador amplia a análise ao art. 8oA da Lei no 10.336/2001, que dispõe compensação de valores de CIDECombustíveis incidentes na importação de hidrocarbonetos líquidos (efetuando análise de seus parágrafos, também inexistente na autuação), para concordar que, com base no princípio da isonomia, incide o tributo nas importações em análise. Nas palavras do julgador (fl. 213): Fl. 396DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 Parece assim, no primeiro parágrafo reproduzido, que o julgador de piso acorda fortemente com um dos argumentos da autuação: o de que em função da isonomia, e diante do art. 8oA da Lei no 10.336/2001, que trata de compensação, deveria incidir o tributo. Em relação ao argumento de que necessariamente a importadora deve ser uma central petroquímica, a acordância é mais tímida, no segundo parágrafo reproduzido). A DRJ parece ter analisado o Decreto no 4.940/2003 (expressamente referido na autuação), concluindo preliminarmente pela dispensa de pagamento. Mas, ao comparar o Decreto com os comandos do art. 8oA da Lei no 10.336/2001 (apenas referido na autuação para indicar onde “a situação é melhor enquadrada”) e do Decreto no 5.987/2006 (ausente na autuação), que tratam de compensação, conclui ser devido o pagamento, sem sequer precisar analisar a Instrução Normativa SRF no 422/2004 (que é exatamente o motivo de o autuante afirmar, às fls. 8/9, que): Fl. 397DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11613.000074/200909 Acórdão n.º 3403003.552 S3C4T3 Fl. 394 9 Ao que tudo indica o julgamento de piso mantém o lançamento divergindo da autuação em relação aos fundamentos. Na autuação, a Instrução Normativa, tida como irrelevante no julgamento, é protagonista, o que se depreende pelo excerto transcrito do auto de infração. E, assim, deixa de analisar a aplicação da Instrução Normativa SRF no 422/2004. O artigo 10A de tal norma, transcrito ao início deste voto, será aqui novamente reproduzido, em parte, para fins didáticos: “Art. 10A. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE Combustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação do art. 1o do Decreto no 4.940, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 1o A produção residual de gasolina ou diesel, a partir da nafta petroquímica importada ou adquirida no mercado interno por Centrais Petroquímicas, não caracteriza destinação para formulação desses combustíveis quando seu volume for inferior a 12% (doze por cento) do volume total de produção decorrente da nafta importada ou adquirida. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) § 2o A produção residual de gasolina ou diesel, em volume igual ou superior a 12% (doze por cento) do volume total de produção decorrente da nafta adquirida, implicará na (sic) incidência da CIDECombustíveis nas operações de importação ou aquisição no mercado interno efetuadas após a data em que for excedido o limite, tendo por base de cálculo o valor da nafta petroquímica correspondente ao volume empregado na produção de combustíveis. (Incluído pela IN RFB no 905, de 30 de dezembro de 2008) (...)” (grifo nosso) Não consigo ler neste dispositivo que somente as Centrais Petroquímicas podem importar com a redução estabelecida pelo art. 1o do Decreto no 4.940/2003. Vejo, sim, que caso sejam as centrais petroquímicas as importadoras, elas devem cumprir as regras estabelecidas nos parágrafos do art. 10A da Instrução Normativa. E, ainda que seguisse o raciocínio de atribuir a todos os importadores os requisitos dos parágrafos, percebese que a exigência da CIDECombustíveis na importação recairia sobre as operações após a data em que houvesse excedido limite (discussão que não é cogitada no processo). Isso não quer dizer, necessariamente, que a “dispensa” de que trata o § 3o do art. 5o da Lei no 10.336/2001 seja de caráter objetivo, como alega a recorrente, pois o próprio texto do parágrafo afirma textualmente que os termos e condições a serem fixados pelo Poder Executivo podem abarcar registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. Mas estamos certos de que os parágrafos do art. 10A da Instrução Normativa não tratam de tais registros especiais, que restringiriam o universo de sujeitos. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Assim, seja pela improcedência da argumentação constante na autuação, centrada na crença de que a redução de alíquota é apenas às centrais petroquímicas, seja pela inovação argumentativa na decisão de primeira instância (aliada ao art. 59, § 3o do Decreto no 70.235/1972), com a qual não se concorda (exigência de tributo com base em raciocínio a contrario sensu, a partir de norma de compensação), entendo que deve ser afastado o lançamento. Enquanto laboraram o autuante e o julgador de piso em águas rasas, ignorando importantes dispositivos legais (como o § 4o do art. 5o da Lei no 10.336/2001, que trata da marcação) e regulamentares (como os parágrafos do Decreto no 4.940/2003, inspiradores dos parágrafos do art. 10A da IN SRF no 442/2004, incluídos pela IN RFB no 905/2008), mergulharam em águas mais profundas os votos dissidentes externados no julgamento de piso, levantando matérias que de fato deveriam ter sido objeto de análise na autuação, para que esta pudesse a contento discutir a exigibilidade da CIDECombustíveis no caso concreto. Pareceu antever essa deficiência o despacho de encaminhamento do processo da unidade local para este CARF, após a apresentação do recurso voluntário (fl. 293): “Encaminhamos o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para recebimento e provimento do recurso interposto pela interessada.” (grifo nosso) Ademais, esta Terceira Turma já apreciou caso idêntico (ressalvado o fato de que naqueles autos acatouse a baixa em diligência), em relação à mesma empresa, no qual o colegiado majoritariamente afastou a autuação. Na ocasião, acordei com o relator, externando o detalhamento da motivação da acordância em declaração de voto, em conjunto com o Conselheiro Ivan Allegretti (guardando a declaração de voto substancial similitude com o voto condutor presente neste processo): “A autuação (para exigência de CIDE Combustíveis/importação, com multa de ofício e juros de mora) decorre da falta de recolhimento na declaração de importação no 09/09232525 (referente a nafta), sustentando o fisco que a recorrente não é uma central petroquímica e produz principalmente gasolina e diesel, sendo por isso excluída da redução de alíquota (a zero) estabelecida pelo Decreto no 4.940/2003 (redução exclusiva para produtos, entre os quais a nafta, não destinados à formação de gasolina ou diesel). Argumentase que apesar de a nafta descrita na referida declaração de importação estar contemplada pela redução, seu destino é incerto no momento da importação. E que o Decreto não faz nenhuma referência explícita ao caso de refinarias/distribuidoras, como a recorrente, mas deixa a cargo da RFB a disciplina da aplicação de suas disposições, sendo que a Instrução Normativa SRF no 422/2003, em seu art. 10A, § 5o, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB no 905/2008, estabelece que na hipótese de importação, a central petroquímica deve fazer constar na declaração de importação que o volume de combustíveis residualmente produzido de que trata o § 1o do art. 1o do Decreto no 4.940/2003 é inferior a 12% do volume total da produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo. Conclui assim o fisco que: (a) a redução só se aplica, na importação, às centrais petroquímicas; e (b) deve haver declaração expressa na DI Fl. 399DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11613.000074/200909 Acórdão n.º 3403003.552 S3C4T3 Fl. 395 11 sobre a produção residual de gasolina ou diesel. Alega ainda o fisco que “se admitida a interpretação que pretende o importador, de gozar o benefício da alíquota zero, chegase na (sic) absurda falta de isonomia quanto às exigências para o controle do tributo”, sendo irrelevante que a recorrente (uma refinaria) tenha contrato prévio de venda a central petroquímica. Na impugnação (e, basicamente, no recurso voluntário) , sustentase que a redução é de natureza objetiva, à nafta petroquímica, e fica condicionada à destinação na elaboração de produtos petroquímicos. Assim, só se qualificaria a dispensa do pagamento se a autoridade fiscal comprovasse que a nafta não foi utilizada no processo petroquímico. E no presente caso, após a importação, o produto foi destinado a central petroquímica (BRASKEM), em virtude de contrato, estando nas notas de venda a ressalva quanto à destinação do produto. Defendese ainda que os parágrafos do art. 10A da Instrução Normativa SRF no 422/2003 disciplinam o caso particular das centrais petroquímicas, mas não se aplicam às refinarias e distribuidoras (para as quais se aplica o comando geral objetivo do caput do artigo), não podendo a autoridade autuante, com visão limitada do princípio da isonomia, e com base na dificuldade de fiscalização, restringir onde nem a lei, nem as normas infralegais o fizeram. O órgão julgador de primeira instância decide inicialmente pela realização de diligência, para apurar, entre outros, se as importações e vendas estão contabilmente registradas, qual o destino dado à totalidade da nafta importada, se o produto importado foi marcado, conforme determina o art. 5o, § 4o da Lei no 10.336/2001, e art. 1o, I da Resolução ANP no 274, de 01/11/2001, e porque não foi utilizada a modalidade de importação por encomenda a que se refere a Instrução Normativa SRF no 634/2006. Veja que estes dois últimos itens, sequer levantados na autuação, acabam constituindo complementação do auto de infração (embora, a depender da resposta, pudessem realmente auxiliar na defesa da recorrente). Tal “complementação da autuação” parece estar configurada no seguinte excerto do voto condutor do acórdão de primeira instância: “Todavia, cabe observar que o processo está devidamente instruído com a prova documental suficiente para julgamento da lide, tornandose prescindível a realização da perícia solicitada; até mesmo em virtude da diligência já realizada, após a qual foram acrescentados diversos elementos de prova ao processo, dos quais a defendente teve conhecimento, manifestandose a contento a respeito deles. Agora, no atual estágio, os autos contêm prova de inquestionável valor para a elucidação dos fatos, de modo que referidos documentos ...” (grifo nosso) Fl. 400DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Manifestandose sobre a diligência, a recorrente sustenta que praticamente todos os documentos solicitados (v.g. notas de venda) já constavam dos autos, e que não poderia ter marcado o produto, pois a Resolução ANP no 274, de 01/11/2001 não estabelece quem seriam as empresas fornecedoras do marcador, o que só vem a ser feito pela Resolução ANP no 13, de 09/06/2009, que estabelece os requisitos necessários para cadastrar tais empresas fornecedoras, sendo que não havia nenhuma cadastrada ao tempo do desembaraço da declaração de importação. No julgamento de piso, a DRJ entende, por maioria, em análise histórica/analógica de isenção revogada, que a redução de alíquota é específica às centrais petroquímicas (subjetiva), pois para estas se admitiria a “presunção de que não utilizarão a nafta para produção de gasolina ou diesel”, o que teria sido endossado pelo Decreto no 6.683/2008, que acrescentou parágrafos ao art. 1o do Decreto no 4.940/2003 tratando exclusivamente de centrais petroquímicas. Em nome da verdade material, o julgador admitiria que a recorrente comprovasse que a nafta importada foi efetivamente destinada na forma prevista em norma, contudo, tal prova não estaria presente nos autos, pelo que inexiste “razoável certeza quanto à não destinação da nafta à produção de combustíveis, o que daria o direito à redução de alíquota à impugnante”. Por fim, usa a DRJ para manter a autuação os argumentos surgidos inauguralmente no pedido de diligência (ausentes na autuação) referentes à marcação do combustível (descaracterizando a argumentação da recorrente de que não havia possibilidade de marcação pela ausência de fornecedores) e à importação por encomenda. Há, assim, um aparente conflito entre a motivação utilizada na autuação e a apresentada pela DRJ para manter a própria autuação. No julgamento de primeira instância, concluise que “A Instrução Normativa SRF no 422/2004, conforme esclarece seu art. 1o, foi editada com o único objetivo de regulamentar e consolidar a legislação de regência da matéria, definindo procedimentos para apuração da Cide, não tendo o propósito de alterar normas legais e nem poderia ser diferente. Assim, independentemente da referida Instrução Normativa e até mesmo se jamais viesse a ser publicada, chegarseia à conclusão de que é devida a Cide nas importações relacionadas no auto de infração, o que demonstra que a citada Instrução Normativa não interfere na presente análise.” Na autuação, no entanto, centrase a discussão no fato de ser a recorrente uma refinadora (e não uma central petroquímica) – aliás, essa é a motivação do voto dissidente na DRJ, que prega a nulidade da autuação pelo vício na edificação do lançamento. Na autuação, a Instrução Normativa, tida como irrelevante no julgamento, é protagonista, o que se depreende pelo seguinte excerto do auto de infração: “Assim, ficou estabelecido, para as centrais petroquímicas, um percentual de 12% do total produzido pela planta, para a Fl. 401DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11613.000074/200909 Acórdão n.º 3403003.552 S3C4T3 Fl. 396 13 produção de gasolina e diesel, acima do que qualquer aquisição de nafta sofrerá a incidência da CIDE. 9. Não obstante a preocupação em bem delimitar a incidência sobre a nafta adquirida por uma Central Petroquímica, a norma não fez nenhuma referência explícita ao caso de uma refinaria/distribuidora, como a Petrobrás, adquirir a nafta para comercializar. Assim, a partir, tão somente, da leitura do Decreto 4.940/2003, com as alterações feitas em 2008, não há como se esclarecer a questão. Persiste, portanto, até este ponto da análise, a impressão de que, de fato, o importador parece fazer jus à alíquota zero. 10. Mas o assunto ainda não se encontra vencido. O parágrafo 5o do Decreto sub oculi delega poder à RFB para regulamentar o assunto, o que foi feito com a IN 422/2004, com alterações posteriores, em função das novas disposições trazidas ao Decreto supramencionado 11. O § 5o , do art. 10A, da citada IN 422/2003, determina que, na hipótese de importação, as Centrais Petroquímicas farão constar na DI que o volume de combustíveis residualmente produzido de que trata o § 1° do art. Io do Decreto n° 4.940, de 2003, é inferior a 12% (doze por cento) do volume total da produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo. 12. Assim, tudo leva a crer que a dúvida do contribuinte poderia ter sido resolvida a partir de uma apreciação mais apurada do parágrafo 5° do art. 10A da IN SRF 422/2004, pois só aí se vê a preocupação da RFB em regulamentar a alíquota zero da CIDE na aquisição de nafta via importação. Reza o dispositivo a possibilidade de a Central Petroquímica importadora fazer jus à alíquota zero, desde que, in literis, "faça constar na DI que o volume de combustíveis residualmente produzido de que trata o § 1° do art. 1° do Decreto n° 4.940, de 2003, é inferior a 12% (doze por cento) do volume total da produção decorrente da nafta petroquímica utilizada em seu processo produtivo. Ou seja, o benefício fica sujeito a duas condições resolutivas: 1. ser o importador uma Central Petroquímica; 2. haver uma declaração expressa na DI sobre a produção residual de gasolina e diesel.” (grifo nosso) Assim, seja pela improcedência da argumentação constante na autuação, centrada na crença de que a redução de alíquota é apenas às centrais petroquímicas, seja pela inovação argumentativa na decisão de primeira instância (aliada ao art. 59, § 3o do Decreto no 70.235/1972), voto pelas conclusões, acolhendo o recurso voluntário. Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti” (grifos no original, DV no Acórdão no 3403002.047, Rel. Cons.Domingos de Sá Filho, maioria, vencido o Cons. Alexandre Kern) Fl. 402DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 403DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 19515.007339/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
Ementa:
APLICAÇÃO CUMULATIVA DE MULTAS REGULAMENTARES
1 - Sobre o mesmo pressuposto material e sobre conteúdo de pressuposto material continente houve aplicação cumulativa das multas do inciso I, do inciso II e do inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91, infligidas em três processos distintos. Caso de consunção. Ademais, quando a lei sancionatória quis, ela disse expressamente sobre a aplicação cumulativa de penas. Insubsistência da multa aplicada objeto deste feito.
2 - Esclarecida pela recorrente a razão da divergência sobre campo de dois arquivos, a isso nada contrastou nem controverteu o autuante. Não houve a perfeita concreção de informações inexatas no cumprimento de obrigações acessórias, sob a interpretação funcional e teleológica da norma apenatória.
Numero da decisão: 1103-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Sérgio Luiz Bezerra Presta, e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 Ementa: APLICAÇÃO CUMULATIVA DE MULTAS REGULAMENTARES 1 - Sobre o mesmo pressuposto material e sobre conteúdo de pressuposto material continente houve aplicação cumulativa das multas do inciso I, do inciso II e do inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91, infligidas em três processos distintos. Caso de consunção. Ademais, quando a lei sancionatória quis, ela disse expressamente sobre a aplicação cumulativa de penas. Insubsistência da multa aplicada objeto deste feito. 2 - Esclarecida pela recorrente a razão da divergência sobre campo de dois arquivos, a isso nada contrastou nem controverteu o autuante. Não houve a perfeita concreção de informações inexatas no cumprimento de obrigações acessórias, sob a interpretação funcional e teleológica da norma apenatória.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 Ementa: APLICAÇÃO CUMULATIVA DE MULTAS REGULAMENTARES 1 Sobre o mesmo pressuposto material e sobre conteúdo de pressuposto material continente houve aplicação cumulativa das multas do inciso I, do inciso II e do inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91, infligidas em três processos distintos. Caso de consunção. Ademais, quando a lei sancionatória quis, ela disse expressamente sobre a aplicação cumulativa de penas. Insubsistência da multa aplicada objeto deste feito. 2 Esclarecida pela recorrente a razão da divergência sobre campo de dois arquivos, a isso nada contrastou nem controverteu o autuante. Não houve a perfeita concreção de informações inexatas no cumprimento de obrigações acessórias, sob a interpretação funcional e teleológica da norma apenatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 73 39 /2 00 8- 21 Fl. 3326DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.326 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Sérgio Luiz Bezerra Presta, e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 3327DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.327 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização em 4/11/2008 para imposição de multa regulamentar referente ao anocalendário 2004, no valor de R$ 4.326.461,85, em virtude da apresentação incorreta de dados fornecidos por meio magnético, fundamentado no art. 926 do RIR/99. Iniciada a fiscalização em 24/12/2007, a recorrente foi notificada para apresentar, entre outros elementos, arquivos digitais (padronizados de acordo com o Anexo Único do Ato Declaratório Executivo – COFIS 15/01 e Instrução Normativa SRF 86/01), livros e documentos de sua escrituração contábil relativos ao anocalendário de 2004. Registrese que a recorrente apurou a Cofins pelo regime cumulativo no mês de janeiro do anocalendário de 2004, e pelo regime nãocumulativo de fevereiro a dezembro do mesmo anocalendário. Após ser reintimada, em 10/3/2008, a apresentar arquivos magnéticos de sua escrituração contábil e arquivos de notas fiscais, a recorrente entregou, em diferentes datas, os documentos solicitados pela fiscalização, conforme descrito no relatório do Acórdão nº 16 42.608 da 4ª Turma da DRJ/SP I (fls. 3278 a 3280 do eprocesso): 2.3. Em 10/03/2008 a fiscalizada foi reintimada a apresentar os arquivos magnéticos de sua escrituração contábil e, também, intimada a apresentar o arquivo de notas fiscais, previstos na IN SRF 86/2001 e ADE COFIS 15/2001, do ano calendário de 2004. 2.4. Em 26/03/2008 esta fiscalização recebeu a resposta às intimações, onde a fiscalizada indica a entrega dos arquivos magnéticos contábeis segundo a IN SRF 86/2001 e ADE COFIS 15/2001. 2.5. Em 29/05/2008 o contribuinte entregou os arquivos de notas fiscais 4.31, 4.32 e 4.91, para o estabelecimento de CNPJ 01.157.555/001186. 2.6. Em 05/06/2008 houve a entrega dos arquivos de notas fiscais 4.3.2, 4.3.3 do mesmo estabelecimento citado no item precedente. 2.7. Dos arquivos entregues, foi lavrado auto de infração em 19/06/2008, por erro quanto à forma de entrega desses arquivos, conforme consta na descrição dos fatos do Termo de Verificação Fiscal (TVF) n° 01, lavrado na mesma data e parte integrante do auto de infração, formador do Processo Administrativo (PA) 19515.002348/200825. 2.8. Em 20/08/2008 o contribuinte entregou a esta fiscalização os arquivos magnéticos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3 e 4.3.4, para os estabelecimentos filiais 001003 (CEASA CAMPINAS), 000961 (AMOREIRAS CAMPINAS) e 001186 (GUARULHOS SÃO PAULO), sem conferência de seu conteúdo, juntamente com os relatórios de acompanhamento. Fl. 3328DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.328 4 2.9. Desta entrega foram elaborados os Termos de Constatação e Intimação Fiscal (TCIF) n° 01 e n° 02, lavrados em 04/09/2008. 2.10. Em 29/08/2008 o contribuinte entregou os arquivos magnéticos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3 e 4.3.4, para os estabelecimentos filiais 000376 e 000619, correspondentes às filiais São José e Guarapiranga. Requisitouse novamente o arquivo de estabelecimento 000376, pois não foi possível a sua leitura. 2.11. Em 19/09/2008 o contribuinte entregou novamente os arquivos magnéticos 4.31, 4.3.2, 4.3.3 e 4.3.4 para o estabelecimento 001186 (GUARULHOS), sem conferência do seu conteúdo, corrigido. 2.12. Em 07/10/2008 o contribuinte entregou os arquivos magnéticos 4.31, 4.3.2, 4.3.3 e 4.3.4 para o estabelecimento 000619 (GUARAPIRANGA), sem a conferência do seu conteúdo, de forma a contemplar o “PDV” nas saídas. 2.13. Em 09/10/2008 o contribuinte foi intimado regularmente (TCIF n° 04 Meios Magnéticos), conforme aviso de recebimento entregue em 17/10/2008, a apresentar os arquivos magnéticos 4.8.1 (arquivo de folha de pagamento), 4.8.2 (arquivo cadastro de empregados), 4.9.1 (arquivo de cadastro de pessoas jurídicas e físicas), 4.9.4 (tabela de natureza da operação) e 4.9.5 (tabela de mercadorias/serviços). Foram solicitados também os arquivos de inventário de mercadorias em 31/12/2003 e 31/12/2004 4.5.1 (arquivo de controle de estoque) e 4.5.2 (arquivo de registro de inventário). 2.14. Em 20/10/2008 o contribuinte foi intimado (TCIF n° 05 Meios Magnéticos), conforme aviso de recebimento entregue em 24/10/2008, a justificar por escrito a seguinte inconsistência: Diferenças entre informações de dois arquivos que, em tese, deveriam indicar o mesmo valor, ou seja, o campo 8 valor total das mercadorias, no arquivo 4.3.1, e o campo 15 valor total do item, no arquivo 4.3.2. 2.15. De fato, no campo 8 do arquivo 4.3.1 valor total da mercadoria deve ser informada a soma do campo “Valor Total do Item” referente aos itens da nota fiscal do arquivo 4.3.2, de acordo com o Anexo Único do ADE COFIS n° 15, de 23/10/2001. Portanto, o campo 8 –arquivo 4.3.1 – nada mais é que uma soma dos itens da nota fiscal do campo 15 – arquivo 4.3.2. 2.16. Da análise desses dois arquivos observouse que para os estabelecimentos 000619, 000961, 001003 e 001186 existem vários registros onde os valores são diferentes. 2.17. Anexo a este termo e parte integrante do mesmo, reproduzimos o registro correspondente à nota fiscal n° 6560, emitida pelo estabelecimento 000619, onde se observa que no arquivo 4.3.1, campo 8, consta o valor total da nota, de R$78,88. Já o arquivo 4.3.2 informa no campo 15 o valor total dessa mesma nota de R$218,86. Fl. 3329DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.329 5 A autoridade fiscalizadora apontou os arts. 265, 266, § 1º, e 980, I, do RIR/99, que regem a entrega dos arquivos magnéticos. Quanto a eles, e a penalidade que preveem, colacionou o seguinte quadro: Em relação à justificativa apresentada pela recorrente para a divergência detectada pela fiscalização, consta do auto de infração que (fls. 2.205 do eprocesso): “Reintimado regularmente em 18/11/2008, o contribuinte alegou que na geração dos arquivos das filiais, não foram somados os valores dos itens de uma nota fiscal que apresenta mais de um CFOP e, com isso, os arquivos com mais de um CFOP tiveram seu totais prejudicados, considerando somente a soma de um código de operação fiscal. A justificativa já fora dada anteriormente, quando da resposta ao Termo de Constatação e intimação Fiscal 4Cofins – quanto à divergência entre o arquivo “DACON2004” e o arquivo da IN SRF 86/01”. Assim, concluiu que a recorrente está sujeita à penalidade descrita, em vista das informações incorretas constantes dos arquivos magnéticos apresentados. Apontou a IN SRF 86/01, o Ato Declaratório Executivo COFIS 15/01, para afirmar que os arquivos digitais do contribuinte devem ser apresentados em arquivos padronizados. Acrescentou que, se os arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte contiverem informações incorretas, estará sujeito à penalidade correspondente a 5% do valor da operação, limitado este valor a 1% da receita bruta da pessoa jurídica no período. Enquadrou a conduta da recorrente como infratora dos arts. 265, 266, §1º, 980, I do RIR/99, e apresentou tabela com a síntese do valor tributável, a qual se transcreve abaixo (fls. 3281 do eprocesso): Fl. 3330DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.330 6 Por fim, registrou que o valor tributável supera o valor de 1% da receita bruta, prevalecendo o limite legal, conforme tabela abaixo transcrita: DA IMPUGNAÇÃO Em 24/12/2008, a recorrente apresentou impugnação de fls. 3226 a 3231 na qual argui, em síntese, o que segue. Primeiramente, a recorrente aduziu que a utilização da receita bruta para fixação do valor da penalidade não possui relação razoável com a infração cometida, em ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade, nos seguintes termos (fls. 3208 do e processo): No presente caso, a fiscalização entendeu que o contribuinte não atendeu a forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos, aplicando a multa prevista no art. 980, I do RIR/99, em razão da inobservância do art. 265, 266, os quais tratam da obrigatoriedade de apresentação dos arquivos em meio magnético. As penalidades impostas ao vincular a sanção pela apresentação com erro nos dados fornecidos em meio magnético, utilizando a receita bruta consiste numa grandeza econômica que não possui qualquer relação razoável com a infração cometida, representa clara ofensa ao principio da proporcionalidade garantido constitucionalmente. Alegou que as multas impostas têm caráter confiscatório, pois absorvem parcela expressiva da renda do contribuinte, transformandoas em instrumento arrecadatório. Afirmou que houve ofensa ao princípio da razoabilidade, pois considerou que a fiscalização extrapolou os limites necessários para atender à finalidade legal na imposição da multa regulamentar em face das deficiências formais dos arquivos magnéticos. Asseverou a necessidade de a disponibilização de programa validador para a checagem de irregularidades nas informações constantes dos arquivos magnéticos, a fim de sanar, por exemplo, a divergência verificada no caso da recorrente. Nesse ponto, salientou a impossibilidade de conferência das informações geradas em arquivos tipo “textos” (*txt), aduzindo que a recorrente não agiu com dolo, máfé, ou intenção de fraudar o erário, tendo sido induzida a erro, em vista da impossibilidade de conferência dos dados transmitidos. Fl. 3331DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.331 7 Consignou, ao contrário, o comprometimento da recorrente em atender as intimações, aduzindo, ainda, que as incorreções poderiam ser corrigidas por meio de intimação para a regularização emitida pela autoridade fiscal. Mencionou o art. 112 do CTN, para arguir que cabe à fiscalização identificar seguramente a hipótese legal autorizante da imposição da multa regulamentar. Fez referência ao princípio da verdade material, alegando a necessidade de reintimação da recorrente para regularização da documentação apresentada, em vista da complexidade dos sistemas e da quantidade de informações transmitidas. Por fim, requereu a declaração de inconsistência e improcedência do auto de infração, com a determinação de nova fiscalização, com prazo para entrega dos arquivos magnéticos em conformidade com a legislação. DA DECISÃO DA DRJ Em 20/12/2012, acordaram os julgadores da 4ª Turma da DRJ em São Paulo I, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, pelos motivos abaixo sintetizados: Inicialmente, informou que os argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade não são apreciáveis em sede administrativa, em vista do conteúdo do Parecer PGFN/CRF 439/96, do art. 26A do Decreto 70.235/72, do art. 1º do Decreto 2.346/97, da Portaria MF 103/02, do art. 7º, V, da Portaria MF 341/11. Nesse sentido, colacionou lições doutrinárias e ementas dos tribunais administrativos. Quanto ao mérito, mencionou os arts. 265, 266 e 980, II, do RIR/99, os arts. 11 e 12, II e parágrafo único, os arts. 1º, 2º, e 3º da Instrução Normativa SRF 86/01, e os arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Executivo – COFIS 15/01. Isso, para atestar que as informações solicitadas das pessoas jurídicas que se utilizam de sistema de processamento eletrônico de dados devem ser prestadas corretamente, sob pena de imposição de multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Asseverou que, em face das inconsistências nos arquivos apresentados à fiscalização e das diversas informações para retificação, o contribuinte, que reconheceu os equívocos, está sujeito à penalidade. Fez alusão ao art. 142 do CTN, para consignar que a lavratura do Auto de Infração não é facultativa. No que se refere à alegação de afronta à verdade material, registrou que a recorrente reconheceu as incorreções nas informações prestadas, e que não houve a comprovação de ocorrência de erro apenas formal. Nesse aspecto, citou o art. 368 do CPC, os arts. 15, caput, e 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, para registrar que a prova documental deve ser apresentada em conjunto Fl. 3332DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.332 8 com a impugnação, sob pena de preclusão do direito de fazêlo. Assim, concluiu ser incabível a abertura de novo prazo. Por fim, relevou que a recorrente combateu apenas a suposta falta de proporcionalidade/razoabilidade entre sua ação e o valor lançado. Dessa forma, entendeu que a situação em exame se subsumiu a hipótese da norma que prevê a penalidade, mantendo o lançamento efetuado. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 1/2/2013, recurso voluntário de fls. 3304 a 3320, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural, acrescentado em síntese o que segue. De início, consignou que os arquivos magnéticos contêm todas as informações necessárias, sendo que o equívoco apontado não gerou à falta de pagamento de imposto. Aduziu, ademais, que não foi concedido prazo para sanar o referido erro. Quanto a isso, colacionou julgados do Conselho de Contribuintes para corroborar sua alegação. Afirmou que o cálculo do apresentado pelo Auditor Fiscal utilizou o valor total da operação e não apenas o valor omitido na operação, diversamente da prescrição contida no Auto de Infração, incorrendo na apuração de um valor quase três vezes superior ao correto. Para exemplificar, juntou a seguinte tabela: Nesse sentido, apontou que o valor apurado nos dez primeiros lançamentos foi 299,02% maior do que aquele apurado pela aplicação dos 5% sobre o valor da operação omitida. Assim, asseverou que a aplicação da multa foi descabida. Asseverou que o cálculo correto deveria consistir na soma de toda a omissão apurada com a aplicação de 5% sobre o montante. Após, comparar esse resultado com o valor obtido pela aplicação de 1% sobre a Receita Bruta do período e considerar o menor dos dois valores obtidos. Fl. 3333DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.333 9 Por fim, requereu o cancelamento do auto de infração. Subsidiariamente, requereu o recálculo da multa, com base no valor da operação omitida. É o relatório. Fl. 3334DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.334 10 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 3.299, 3.301 e 3.304, numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Doravante, a numeração de fls. indicadas neste voto é a física. Como se viu do relatório, tratase de multa regulamentar de 5% do valor de cada operação, prevista no art. 12, II, da Lei 8.218/91. Do Termo de Verificação Fiscal (TVF) nº 2: Ao apresentar os meios magnéticos cujo conteúdo de seus registros possui informações incorretas, o contribuinte está sujeito à penalidade, que corresponde a 5% do valor da operação, limitado este valor a 1% da receita bruta da pessoa jurídica no período. (fl. 570, TVF nº 2, destaques do original) Põese uma primeira questão, que é a da retroatividade benigna em matéria apenatória do art. 57 da Medida Provisória 2.158/01, com a redação dada pela Lei 12.873/13, em face do art. 12 da Lei 8.218/91. O art. 57 da Medida Provisória 2.158/01 já tinha sido modificado pela Lei 12.766/12. Por ocasião do julgamento que resultou no Acórdão nº 1103000.841, após amplo debate, prevaleceu o entendimento de que o art. 12 fora revogado pelo art. 57 da Medida Provisória 2.158/01, ao ser este alterado pela Lei 12.766/12. Eis a dicção dos arts. 11 e 12, da Lei 8.218/91, com as alterações do art. 72 da MP 2.158/01: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º. A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. § 2º. Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 3335DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.335 11 § 3º. A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º. Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal.” (NR) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas.” (NR) (grifos nossos) Vejase a dicção do art. 57 da MP 2.158/01 com a redação dada pelo art. 8º da Lei 12.766/12 (e que tem a mesma dicção do apresentado no Parecer Final do Projeto de lei de conversão da MP 575/12): Art. 8º. O art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; Fl. 3336DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.336 12 II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º. Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3º. A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) (grifos nossos) Do julgamento veiculado no referido acórdão, lembro que minha única divergência conclusiva com o ilustre relator, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, foi quanto ao art. 57 em questão alcançar também o inciso I do art. 12 da Lei 8.218/91, e não só os incisos II e III do art. 12 dessa lei. Desse acórdão fiz o voto vencedor, de modo que me limito aqui a transcrever os excertos que veiculam a ratio decidendi, quanto à revogação do art. 12 da Lei 8.218/91 pelo art. 57 da Medida Provisória 2.158/01 com a redação da Lei 12.766/12: Podese dizer que os bens jurídicos tutelados pelo art. 57 da MP 2.158/01 com a alteração dada pelo art. 8º da Lei 12.766/12 compreendem aqueles tutelados pelo art. 12 da Lei 8.218/91. Em ambos os casos, a norma apenatória visa tutelar a apresentação dos livros contábeis e fiscais, escriturados eletrônica ou digitalmente. Nessa linha também foi o entendimento extraído pelo ilustre relator, com a diferença de que, para o relator, há identidade de bens tutelados entre a novel norma legal e o art. 12, II e III, da Lei 8.218/91, escapando desse alcance o inciso I do art. 12 dessa lei. A mens legis é (in)formada também pela abertura semântica e cognitiva ao ambiente, pelos acopladores estruturais do sistema jurídico (que são conformados na interpretação sistemática, na finalidade, nos conceitos abertos, etc.), que “controlam” os Fl. 3337DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.337 13 dados e os convertem em concepções jurídicas, como fala Niklas Luhmman. O sistema do direito é operacionalmente fechado ao ambiente, essencial à segurança jurídica; a abertura ao ambiente é semântica e cognitiva, havendo o controle e conversão dos dados ao sistema pelos acopladores estruturais, como destaca o consagrado jusfilósofo citado. Aqui, a interpretação finalística e mesmo sistemática, que conformam os acopladores estruturais do sistema jurídico, fechandoo operacionalmente ao ambiente, não interditam a abertura semântica e cognitiva ao ambiente da expressão “escrituração digital” para compreender os livros contábeis e fiscais vertidos em meio magnético, a que se refere o art. 11 da Lei 8.218/91. Ou seja, a abertura semântica e cognitiva da expressão “escrituração digital” utilizada pelo art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12 permite, nos termos postos, compreender os livros contábeis e fiscais em meio magnético referidos pelo art. 11 da Lei 8.218/91. Diante da abertura semântica e cognitiva da expressão “escrituração digital” do art. 57 da MP 2.158/01 com a redação dada pelo art. 8º da Lei 12.766/12, “reconduzida” pela ou conciliada com a finalidade dessa norma e com o microssistema que ela integra, não me parece razoável que somente a tutela do bem jurídico na forma do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91 esteja fora do alcance daquela norma. Dito melhor, pareceme irrazoável não se ter por compreendido no art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12 o art. 12 da Lei 8.218/91 (que adota seu antecedente art. 11 como materialidade com qualificação negativa, i.e., a inobservância do art. 11 como materialidade positiva). [...] A conclusão, portanto, é a de que o art. 12 da Lei 8.218/91 foi revogado tacitamente pelo art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12, conforme a parte final do § 1º do art. 2º do Decretolei 4.657/42 – a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (nova nominação dada pela Lei 12.376/10). (negrejamos) Posteriormente, o art. 57 da Medida Provisória (MP) sofreu nova alteração, agora pela Lei 12.873/13, passando a ter a seguinte redação: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de Fl. 3338DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.338 14 atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas:(Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta;(Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1º. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento) (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2º. Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3º. A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4º. Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.339 15 No julgamento versado no Acórdão nº 1103000.969, de relatoria do ilustre Conselheiro André Mendes de Moura, predominou o entendimento de que o art. 57 da Medida Provisória 2.158/01, com a alteração da Lei 12.873/13, regulara integralmente a matéria de penalidades por descumprimento de obrigações acessórias de tributos administrados pela RFB. Do voto vencedor, de minha lavra, destaco: Notase que, na redação da Lei 12.766/12, o art. 57 da MP 2.158/01 não previa a multa por entrega extemporânea da escrituração digital e de outras obrigações acessórias para a pessoa sujeita ao Simples Nacional. Isso pode ser interpretado de duas formas: a) lacuna legal – por esquecimento do legislador; b) por não se referir o dispositivo legal às multas relativas a todas as obrigações acessórias, vale dizer, por não compreender o dispositivo legal as multas correspondentes às obrigações acessórias reguladas em normas legais específicas para elas – caso do art. 7º da Lei 10.426/02 em discussão. [...] A interpretação lógica concorre para a segunda das interpretações, pois as pessoas sujeitas ao Simples Nacional não estão obrigadas à escrituração digital (inclui os arquivos magnéticos da Lei 8.218/91), embora elas tenham dever de apresentar DCTF, DIRF, DIPJ na modalidade simplificada (DSPJ) – todas previstas especificamente no art. 7º da Lei 10.426/02. Na redação da Lei 12.873/13, o art. 57 da MP 2.158/01 prevê a incidência da multa por entrega extemporânea das obrigações acessórias, também às pessoas submetidas ao Simples Nacional. O art. 16 da Lei 9.779/99 trata de todas as obrigações acessórias de tributos administrados pela Receita Federal. O que nos parece é que o art. 57 da MP 2.158/01, com a redação dada pela Lei 12.873/13, regulou integralmente a matéria de penalidades por descumprimento de obrigações acessórias de tributos administrados pela RFB. Reforça essa conclusão o que dissemos acima sobre a redação da Lei 12.766/12 ao art. 57 da MP 2.158/01. Também concorre a essa interpretação o fato de o art. 57 da MP 2.158/01 na redação atual, sobre compreender as pessoas sujeitas ao Simples Nacional (para entrega extemporânea das obrigações acessórias), não ter feito nenhuma ressalva. Não diz, por exemplo, exceto para as obrigações acessórias de que trata o art. 7º da Lei 10.426/02, ou que não se aplica o artigo para as hipóteses do art. 7º da Lei 10.426/02 (por meio de acréscimo de parágrafo ao artigo). Fl. 3340DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.340 16 O caso, portanto, é de aplicação do art. 2º, § 1º, parte final, da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Decretolei 4.657/42): [...] (negrejamos) Observo que, em relação ao eLalur, a Lei 12.973/14, ao inserir o art. 8ºA ao Decretolei 1.598/77, instituiu multas específicas quanto à não apresentação do eLalur ou sua apresentação com omissões, inexatidões ou incorreções. Essas multas específicas instituídas pela Lei 12.973/14 foram previstas nos arts. 183 e 184 da Instrução Normativa RFB 1.515/14 – e também nos arts. 34 e 35 da Instrução Normativa RFB 1.493/14. A ECF (escrituração contábil fiscal) é o eLalur para quem apura o IRPJ sob o regime do lucro real – é o que diz o art. 1º, § 3º, da Instrução Normativa RFB 1.422/13, com a redação da Instrução Normativa RFB 1.489/14. Então, o art. 6º, caput, da Instrução Normativa RFB 1.422/13 também prevê as multas específicas da Lei 12.973/14, para infrações relativas à ECF cometidas só pelas pessoas que apuram o lucro real. E, coerentemente, o § 1 º do art. 6º dessa IN comunica a aplicação das multas do art. 57 da Medida Provisória 2.158/01, com a redação da Lei 12.873/13, quanto a infrações referentes à ECF praticadas pelas demais pessoas. Com todas essas considerações, entendo que o art. 57 da Medida Provisória 2.158/01 com a redação da Lei 12.873/13 passou a regular as multas por infrações relativas aos arquivos magnéticos, inclusivamente a ECD. Se se entender que ele não compreende as multas por infrações sobre arquivos magnéticos, a conclusão será a de que não há mais pena para tais infrações. Isso porque o art. 12 da Lei 8.218/91 fora revogado pelo art. 57 da Medida Provisória 2.158/01 com a redação da Lei 12.766/12, e, tendo sido “novamente” revogado o art. 57 mencionado com sua alteração pela Lei 12.873/13, não há repristinação – revogação da norma revogadora não ressuscita a norma revogada primitivamente. Enfim, concluo ser aplicável o art. 57 da Medida Provisória 2.158/01 com a redação da Lei 12.873/13, com retroatividade benigna. Posto isso, passo ao exame da questão da aplicabilidade da multa no caso vertente. Do TVF nº 2 que integra o auto de infração deste processo, transcrevo os seguintes excertos, que são pertinentes ao motivo da aplicação da multa (do inciso II do caput do art. 12 da Lei 8.218/91, já transcrito): 14 — Em 20/10/2008 o contribuinte foi intimado regularmente via postal (Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 05 — Meios Magnéticos), conforme aviso de recebimento entregue em 24/10/2008, a justificar por escrito a seguinte inconsistência: — Diferenças entre informações de dois arquivos que, em tese, deveriam indicar o mesmo valor, ou seja, o campo 8 — valor total das mercadorias, no arquivo 4.3.1, e o campo 15 — valor total do item, no arquivo 4.3.2. De fato, no campo 8 do arquivo 4.3.1 — valor total da mercadoria — deve Fl. 3341DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.341 17 ser informada a soma do campo "Valor Total do Item" referente aos itens da nota fiscal do arquivo 4.3.2, de acordo com o Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, de 23 de outubro de 2001. Portanto, o campo 8— arquivo 4.3.1 nada mais é que uma soma dos itens da nota fiscal do campo 15 — arquivo 4.3.2. Da análise desses dois arquivos observouse que para os estabelecimentos 000619, 000961, 001003 e 001186 existem várias (sic.) registros onde os valores são diferentes. (fl. 568. TVF nº 2, negritos do original, sublinhados nossos) No mesmo TVF, já é indicado que houve o aperfeiçoamento de outro auto de infração para exigência da multa relativa aos mesmos arquivos, objeto da aplicação da multa deste processo. É o auto de infração do TVF nº 1 (o deste feito é do TVF nº 2), que compõe o processo administrativo nº 19515.002348/200825: 8 — Dos arquivos entregues, foi lavrado auto de infração em 19/06/2008, por erro quanto à forma de entrega desses arquivos, conforme consta na descrição dos fatos do Termo de Verificação fiscal n° 01, lavrado na mesma data e parte integrante do auto de infração, formador do Processo Administrativo 19515.002348/200825; (fl. 567, TVF nº 2, negritos nossos) A recorrente trouxe junto com os memoriais o TVF nº 1 (citado no TVF nº 2, que é deste feito, como se viu na transcrição acima) e o TVF nº 3. Os itens 1 a 6 do TVF nº 1 e do TVF nº 3 são idênticos ao do TVF nº 2 que integra o auto de infração do presente processo. Tais itens versam sobre o início do procedimento fiscal, e que, entre outros, envolveu a intimação da recorrente para entrega de arquivos digitais com as operações contábeis do anocalendário de 2004. E que, posteriormente, a recorrente foi intimada para apresentar arquivos magnéticos de notas fiscais do anocalendário de 2004. Do TVF nº 1 já citado no TVF nº 2 que integra o auto de infração do presente processo, transcrevo excertos: 6 – Em 29/05/2008 o contribuinte entregou os arquivos de notas fiscais 4.3.1, 4.32 e 4.91, para o estabelecimento de CNPJ 01.157.555/001186; 7 – Em 05/06/2008 houve a entrega dos arquivos de notas fiscais 4.3.2, 4.3.3 do mesmo estabelecimento citado no item precedente; 9 – Dos arquivos entregues, cuja relação está anexa a este termo, constatouse, no tocante à forma de apresentação estabelecida no anexo único do ADE COFINS (sic.) Nº 15/2001, que não foram atendidos alguns quesitos... [...] Ao fornecer os meios magnéticos contendo a apresentação incorreta quanto à forma de seus registros e respectivos Fl. 3342DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.342 18 arquivos o contribuinte está sujeito à penalidade, que corresponde a 0,2% do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período. (fls. 2 e 4 do TVF nº 1, destaques nossos) O TVF nº 3, tal como o TVF nº 2 objeto do presente processo, faz remissão ao auto de infração do TVF nº 1 (o item 7 do TVF nº 3 corresponde ao item 8 do TVF nº 2), e também cita o auto de infração do TVF nº 2, deste processo. Do TVF nº 3, destaco os seguintes excertos: 7 Dos arquives entregues, foi lavrado auto do infração em 19/06/2008, por erro quanto à forma de entrega desses arquivos, conforme consta no descrição dos fatos do Termo de Verificação fiscal nº 01, lavrado na mesmas data e parte integrante do auto de infração, formador do Processo Administrativo 19515.004348/25; [...] Através do Termo de Reintimaço fiscalmeios magnéticos lavrado em 18/11/2008, o contribuinte foi reintimado a apresentar a justificativa da inconsistência. Diante do exposto, foi aplicada a multa proporcional pela apresentação incorreta dos dados fornecidos em meio magnético, formadora do Processo Administrativo 19515.007339/200821. [é o presente processo, decorrente do TVF nº 2] [...] 14.2 Quanto à entrega dos arquivos notas fiscais: 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 [...] Estabelecimento 01.157.555/000619 ... [...] 01.157.555/000961 ... 01.157.555/001003 ... 01.157.555/001186 ... [...] 16 No caso concreto, as arquivos de algumas filiais (0003 e 0006) foram transcorridos 169 dias da ciência da intimação, atestado pelos protocolos de entrega assinados por esta fiscalização. Outros filiais 0009 e 0010 foram entregues após 160 (cento e sessenta) dias da ciência da intimação. Isto sem deixar de observar os arquivos não entregues, cuja consequência Fl. 3343DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.343 19 tornou inviável a auditoria das notas fiscais desses estabelecimentos. Assim, o contribuinte está sujeito à penalidade imposta pela legislação, cuja multa é equivalente a dois centésimos por cento por dia do atraso, calculada sabre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo do um por cento desta, aos que não cumprem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas (Lei n° 8.218/91, art. 12, inciso III, com a redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (fls. 2 a 4 do TVF nº 3, destaques nossos, com exceção dos nºs dos processos administrativos) Noto que todos os autos de infração recaíram em relação a arquivos magnéticos de notas fiscais do mesmo anocalendário, e, ainda, do item 4.3.2. Quer dizer, os autos de infração correspondentes aos TVF nºs 1 e 3 recaíram sobre a apresentação dos arquivos magnéticos de notas fiscais do anocalendário de 2004 que deram causa ao auto de infração ora discutido. Vêse claramente que houve, em face de mesma infração, e de infração conteúdo compreendida em infração continente, aplicação cumulativa de multas – do inciso I, do inciso II e do inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91. Na aplicação da retroatividade benigna, a aplicação cumulativa corresponde às multas do inciso I, do inciso II e do inciso III do art. 12 da Medida Provisória 2.158/01, com a redação atual da Lei 12.873/13. Não vejo como se possa, em matéria apenatória, sobre infração conteúdo de outra ou mesma infração, aplicaremse cumulativamente as multas. Sobre conspirar contra o bom senso, conspira contra a interpretação axiológicoteleológica, e mesmo contra a interpretação lógica, em matéria sancionatória, exegese diversa. O caso se assemelha (não se identifica) ao de concurso formal (perfeito) de crimes. Mais. Podese inclusive falar de consunção, como se verá adiante. Ainda, quando a lei sancionatória quis, ela disse expressamente sobre a aplicação cumulativa de penas. Cito apenas um exemplo, o art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, na redação da Lei 11.488/07: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.344 20 Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Especificamente quanto aos arquivos de notas fiscais da filial 001186, que compõem o pressuposto material da inflição da multa em causa, o auto de infração do TVF nº 1 já apena sobre o mesmo pressuposto material. O auto do TVF nº 1 inflige a multa à recorrente por não atendimento à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos (é a multa de 0,5% sobre a receita bruta, prevista no inciso I do art. 12 da Lei 8.218/91 retrotranscrito). Ora, não há como se apenar por furto e roubo o que roubo é (sobre mesmo pressuposto material)! Quanto aos arquivos de notas fiscais 4.31 e 4.32 das filiais 000619, 000961, 001003, e também da filial 001186, em relação a todos eles o auto de infração do TVF nº 3 os alcançou, para infligir à recorrente a multa de 0,2% ao dia de atraso sobre a receita bruta, por não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos – é a multa prevista no inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91. São esses arquivos os objetivados pela multa em dissídio: 5% sobre o valor da operação aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitadas a 1% da receita bruta – é a multa do inciso II do art. 12 da Lei 8.218/91. Para ficar claro, todos os arquivos objeto da multa do auto de infração em causa (que é do TVF nº 2) estão compreendidos no pressuposto material do auto de infração do TVF nº 3. Com isso, foram aplicadas as multas previstas em todas as hipóteses do art. 12 da Lei 8.218/91 quanto aos mesmos arquivos. No que se toca aos arquivos de notas fiscais da filial 001186, é muito evidente que a multa aplicada por não atendimento à forma pela qual devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos (auto do TVF nº 1) afasta a multa aplicada no auto de infração em dissídio – por prestação incorreta das informações solicitadas. Já a multa aplicada sobre o pressuposto material correspondente aos arquivos de notas fiscais 4.3.1 ou 4.3.2 das demais filiais do presente auto de infração, ela deve ser afastada pela aplicação da multa que recobre esses arquivos de todas essas filiais pelo auto de infração do TVF nº 3 (que alcança mais outras, conforme transcrição feita do TVF). A multa do auto do TVF nº 3 é a do inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91 por não cumprimento da apresentação dos arquivos no prazo estabelecido. Num caso em que não se apresentem os arquivos, pura e simplesmente, a tipificação seria desse inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91. Daí ter dito antes que se pode, inclusive, falar em consunção, à vista da aplicação concomitante e cumulativa da multa do inciso III do art. 12 da Lei 8.218/91 (auto do TVF nº 3), e da multa do inciso I desse artigo, infligida no presente auto (que é do TVF nº 2). Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.345 21 Essas razões são bastantes para se extrair o juízo de que se impõe o afastamento da multa em jogo, remanescendo a discussão quanto às multas dos TVF nºs 2 e 3 – nos autos dos processos administrativos nº 19515.002348/200805 e nº 19515.007465/200885. Há mais, porém, a meu ver. Já se viu, conforme transcrição dos excertos do TVF nº 2 que compõe o auto de infração em jogo, que a causa para a aplicação da multa do inciso II do art. 12 da Lei 8.218/91 foi a apresentação de divergências de valores do campo 8 (valor total das mercadorias) dos arquivos de notas fiscais 4.3.1 e os valores no campo 15 (valor total do item) dos arquivos de notas fiscais 4.3.2. Como descrito no referido TVF, o campo 8 do arquivo 4.3.1 nada mais é do que a soma dos itens da nota fiscal do campo 15 do arquivo 4.3.2. Reintimada a recorrente a respeito dessa divergência, seu esclarecimento foi o seguinte, como consta no TVF nº 2: Reintimado regularmente em 18/11/2008, o contribuinte alegou que na geração dos arquivos das filiais, não foram somados os valores dos itens de uma nota fiscal que apresenta mais de um CFOP e, com isso, os arquivos com mais de um CFOP tiveram seus totais prejudicados, considerando somente a soma de um código de operação fiscal. A justificativa já fora dada anteriormente, quando da resposta ao termo ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 04 — COFINS — quanto divergência entre o arquivo "DACON2004" e o arquivo da IN SRF 86/01. (fl. 569, TVF nº 2, negritos nossos) Ora, a isso nada contrastou nem controverteu o autuante. Simplesmente, nas notas fiscais que apresentavam mais de um CFOP considerouse a soma somente de um código de operação fiscal (CFOP), segundo esclarecimento da recorrente. Notese o quadro. Não houve prejuízo à fiscalização, para apuração dos créditos e dos tributos, com os dados apresentados pela recorrente, que são deveres instrumentais (e não “principais”), sendo certo que nada rechaçou nem controverteu o autuante sobre o esclarecimento prestado. Nesse cenário, qual o prejuízo, no âmbito da função dos deveres instrumentais ou obrigações acessórias? A interpretação da norma apenatória deve ser feita à vista de sua função e de sua finalidade. À vista da retroatividade benigna do art. 57, III, da Medida Provisória 2.158/01 com a redação da Lei 12.873/13, transcrevo seu excerto novamente: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) [...] Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.007339/200821 Acórdão n.º 1103001.196 S1C1T3 Fl. 3.346 22 III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas:(Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta;(Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) Considerando as ponderações que fiz acima, não vejo a perfeita concreção de informações inexatas no cumprimento de obrigações acessórias, sob a interpretação funcional e teleológica da norma apenatória, que deve ser consumada aos fatos concretos. O esclarecimento prestado, não questionado pelo autuante, e que revela ausência de prejuízo à fiscalização, equivale à correção da divergência apontada. Segue daí a outra ordem de razões, pelas quais, extraio o juízo de que se impõe afastar a multa do presente auto de infração (TVF nº 2). A questão da razoabilidade da multa invocada pela recorrente já foi, portanto, enfrentada. Já a questão da proporcionalidade da multa fica prejudicada. Nessa linha de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 24 de março de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.008540/2003-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2003
PIS. CRÉDITOS. EXPORTAÇÃO.
Mantida a glosa sobre os créditos de PIS decorrentes de produtos exportados já que adquiridos com o fim específico de exportá-los.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.625
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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COMPENSAÇÃO Recorrente BIANCHINI S/A INDÚSTRIA COMÉRCIO E AGRICULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2003 PIS. CRÉDITOS. EXPORTAÇÃO. Mantida a glosa sobre os créditos de PIS decorrentes de produtos exportados já que adquiridos com o fim específico de exportálos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 85 40 /2 00 3- 66 Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11080.008540/200366 Acórdão n.º 3202001.625 S3C2T2 Fl. 2.827 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ de Porto Alegre, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade constante do presente processo: Trata o presente processo da Declaração de Compensação entregue em 29 de agosto de 2003 através da qual a contribuinte pretende a extinção dos valores de Cofins, IRPJ e CSLL do período de apuração de junho de 2003 através da compensação com créditos de PIS não cumulativo de junho e julho do mesmo ano, que teriam sido apurados conforme o determinado no artigo 3° da L.ei n° 10.637, de 2002, e cujo cálculo teria sido efetivado com base na DCOMP de fl. 01 e nos DACON”s dos segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls. 09/30). Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto a interessada pela DRF em Porto Alegre, a qual verificou que em junho e julho de 2003 foram incluídos os créditos de PIS provenientes de compras com o fim específico de exportação. Ou seja, empresas vendiam as mercadorias para a contribuinte explicitando tratarse de vendas para posterior exportação, usufruindo dos direitos de crédito de PIS incidente nas operações anteriores, conforme determinado na legislação. Assim, a interessada não poderia beneficiarse dos créditos já utilizados, por força do disposto no § 4° do artigo 6° da Lei n° 10.833, de 2003. O Relatório Fiscal de fls. 2.576/2.585 analisa todos os Pedidos de Ressarcimentos e Declarações de Compensação que envolvem os créditos tributários de PIS dos períodos de janeiro de 2003 a junho de 2005 e de Cofins de fevereiro de 2004 a junho de 2005. O Despacho Decisório n° 865/2006 (fl. 2.592), reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento de PIS de junho e julho de 2003, nos valores de R$ 951.447,37 e R$ 1.277.516,62, homologando as compensações até este limite, efetuando a cobrança dos valores não extintos pela compensação (R$ 338.926,23 a título de IRPJ e R$ 534.599,79 a título de CSLL, ambos de julho de 2003), por força da irregularidade acima relatada (crédito indevido relativo a mercadoria comprada com o fim específico de exportação) nos períodos a que se refere o pedido que ora se analisa. A glosa baseouse no disposto no § 2” do artigo 7” da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e no artigo 6°, § 4°, da Lei n° 10.833, de 2004. Consta também do Relatório que em outros períodos (a partir de agosto de 2004) foi efetivado recálculo no pedido da contribuinte por conta do impedimento de compensação ou ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria, operações previstas nos artigos 8° e 15da Lei n° 10.925, de 2004, sem qualquer influência no ressarcimento e compensações objeto do presente processo. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e apresentou tempestivamente a Manifestação de Inconformidade de fls. 2.602/2.605, questionando a cobrança dos valores não extintos pela compensação e sobre a possibilidade de ressarcimento ou compensação com outros tributos dos créditos originados da aquisição de soja. Quanto à glosa relativa aos Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11080.008540/200366 Acórdão n.º 3202001.625 S3C2T2 Fl. 2.828 3 créditos sobre os produtos comprados com o fim específico de exportação, alega não haver disposição em contrario na Lei n° 10.637, de 2002, sendo que não lhe parece constituirse em empresa comercial exportadora nos termos da legislação em vigor. A decisão proferida pela DRJ/POA foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2003 Ementa: CRÉDITOS Mantida a glosa sobre os créditos de PIS decorrentes de produtos exportados já que adquiridos com o fim específico de exportá los. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Razão não assiste à Recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida. Conforme apontado no início do voto da decisão recorrida, a glosa de crédito referese às aquisições efetivadas com o fim específico de exportação nos períodos de junho e julho de 2003 (fls. 2808 e seguintes). A decisão a quo fundase no artigo 7o da Lei n° 10.637/2002 e nos artigos 6° e 15 da Lei n° 10.833/2003, verbis: Art. 7o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11080.008540/200366 Acórdão n.º 3202001.625 S3C2T2 Fl. 2.829 4 § 1o Para efeito do disposto neste artigo, considerase vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazêlo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2o No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou de contribuição para o PIS/Pasep, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. Art. 6° A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3°, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1° poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3° O disposto nos §§ 1° e 2° aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8° e 9° do art. 3°. § 4° O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1° não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (grifamos) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Vêse, portanto, não haver a possibilidade de se usufruir dos créditos em tela. Ademais, a Recorrente declara que possui as características de exportadora (fls. 977), motivo pelo qual não haver dúvida em relação à sua qualificação com empresa Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11080.008540/200366 Acórdão n.º 3202001.625 S3C2T2 Fl. 2.830 5 comercial exportadora, conforme, inclusive, corroborado pelo artigo 217 do Decreto 4.543 e pela Portaria Secex 36/2006 (artigo 156). Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10715.006292/2009-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005, 03/03/2005, 04/03/2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA POSTERIOR MAIS BENIGNA (IN RFB 1.096/2010).
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, a e b, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira votaram pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 62 92 /2 00 9- 38 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 3 2 conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 60.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em agosto de 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00301/09” (fl. 10), descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo Io da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 15 a 28 alegando, em síntese, que: a autoridade lançadora utilizou norma posterior ã ocorrência dos fatos geradores para aplicar a multa ora impugnada; à época dos referidos fatos não havia norma que estipulasse um prazo especifico e certo para a realização dos referidos registros no Siscomex, devendo ser declarado nulo o auto de infração por ausência de tipificação válida capaz de aplicar penalidade às empresas de transporte aéreo internacional; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; o prazo de dois dias para que o transportador aéreo registre os dados de embarque no Siscomex passou a viger somente em 15.02.2005, com a edição da IN/SRF 510/05, sendo inaplicável aos fatos narrados no presente lançamento, na medida em que Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 5 4 norma de natureza punitiva não gera efeitos para atos praticados anteriormente à sua vigência, por violação aos principios da irretroatividade, da segurança jurídica e da legalidade, evidenciando a nulidade, também por essa razão, do auto de infração, pois em nítida violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto 70.235/72; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2a da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2o do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; tendo em vista a inaplicabilidade da IN/SRF 510/O5, é de ressaltar que a IN/SRF 28/94, em sua redação original, não previa um prazo específico para a inserção das informações de dos dados de embarques das mercadorias no Siscomex, limitandose a afirmar que referido procedimento deveria ser realizado imediatamente após respectivos embarques; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os. dados de embarque das mercadoriasno Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; por diversas vezes no decorrer do ano de 2004 o Siscomex permaneceu indisponível, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 6 5 pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês de junho do referido ano. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005, 03/03/2005, 04/03/2005 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Datado fato gerador: 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005, 03/03/2005, 04/03/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; evidenciada a ausência de qualquer violação às disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de infração. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03. a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 7 6 Datado fato gerador: 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005, 03/03/2005, 04/03/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. Posteriormente apresentou petição alegando direito superveniente imprescindível à análise da questão, qual seja, a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, que possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram no início de 2005, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 9 8 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 10 9 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. No tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Assim, relativamente aos fatos que ocorreram posteriormente a 14/2/2005, devem ser exoneradas as multas com referência aos vôos cujas informações sobre o embarque foram prestadas em prazo inferior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 11 10 Com relação a alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, não obstante o meu entendimento de que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, a maioria da Turma votou pelas conclusões considerando aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006292/200938 Acórdão n.º 3801005.025 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13005.000125/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - ENTIDADE ISENTA - COMPROVAÇÃO DE PEDIDO DE ISENÇÃO - PRECARIEDADE DO PEDIDO PREVISTO NO DECRETO 612/96 AFASTADO PELA PUBLICAÇÃO DO DECRETO 3.048/99 - CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 , II e § 1 DA LEI 8212/91 -
Embora o Ato Declaratório de Isenção da entidade obtido em 11/1996, tivesse caráter precário, ou seja, teria validada até o vencimento da CEAS, que ocorreu em 24/09/1999, devendo a entidade neste marco requerer ao INSS a renovação da isenção, deve-se observar as alterações legislativas que alteraram os efeitos da isenção concedida.
Conforme consta dos autos em 09/1999, data da expiração do CEAS, já estava em vigor o Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, o qual não carrega previsão acerca de pedido de renovação da benesse fiscal.
A partir da entrada em vigência do Decreto 3048/99, a isenção passou a ser por prazo indeterminado ou até que o INSS a cancelasse. No caso, entendo que não mais existindo previsão de necessidade de novo pedido quando da expiração do CEAS, não cabe dizer que o mesmo perdeu a condição de isenta, já que a mesma, a partir do Decreto 3.048/99, dependia de ato cancelatório por parte do INSS.
Portanto, para efetuar o lançamento das contribuições patronais seria necessário o anterior cancelamento da isenção, o qual, pelo que consta dos autos, não ocorreu.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Relatora e Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Relatora e Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Conforme consta dos autos em 09/1999, data da expiração do CEAS, já estava em vigor o Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, o qual não carrega previsão acerca de pedido de renovação da benesse fiscal. A partir da entrada em vigência do Decreto 3048/99, a isenção passou a ser por prazo indeterminado ou até que o INSS a cancelasse. No caso, entendo que não mais existindo previsão de necessidade de novo pedido quando da expiração do CEAS, não cabe dizer que o mesmo perdeu a condição de isenta, já que a mesma, a partir do Decreto 3.048/99, dependia de ato cancelatório por parte do INSS. Portanto, para efetuar o lançamento das contribuições patronais seria necessário o anterior cancelamento da isenção, o qual, pelo que consta dos autos, não ocorreu. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 01 25 /2 01 0- 11 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Relatora e Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13005.000125/201011 Acórdão n.º 2401003.804 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.258.9154, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais no período compreendido entre as competências 01/2006 a 12/2007, inclusive 13 salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 26 e seguintes, emitido o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal em 23/09/2009, recebido pela entidade em 30/09/2009, através de Registro Postal (doc.de fls.32). Em resposta a entidade apresentou, em 06/10/2009, na Agência da Receita Federal do Brasil em Lajeado, o Estatuto da Entidade, as Atas de Assembléias de n° 001/2006 e 01/2008, bem como os documentos de fls . 44 a 49 e 52 a 55. Também apresentou as Certidões de fls. 56 a 59 emitidas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Em relação ao atendimento no disposto no artigo 55 da Lei n° 8212/91 e suas alterações, em vigor durante o período do procedimento fiscal, dispôs o auditor notificante em seu relatório: A entidade não apresentou Certidão emitida pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, da Secretaria Nacional de Justiça, órgão do Ministério da Justiça comprovando seu registro nessa Secretaria, para comprovar a sua condição de entidade declarada de utilidade publica federal. Constam dos registros de controle desta Delegacia de que fora deferido à entidade através da Resolução n° 03, de 2 3 . 0 1 . 2 0 0 9 , do CNAS, com base na Medida Provisória n° 446, de 07.11 2 0 0 8 , o Pedido de renovação do Certificado de Entidade de Assistência Social do Processo 71010.001761/200521 . Esta Medida Provisória n° 446/2008 não foi votada pelo Poder Legislativo Federal. Não apresentou documento em que lhe tenha sido deferida a isenção das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações de empregados e contribuintes individuais no período do procedimento fiscal. Pela falta de documentação necessária, nem estaria apta a requerer a isenção das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações de empregados e contribuintes individuais. Após análise prévia da documentação até então apresentada e, consultando os sistemas previdenciários, foi constatada que a entidade encontrase em débito em relação às contribuições referidas sobre as remunerações informadas pela entidade através da GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações Fl. 563DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 à Previdência Social e de Documentos de Arrecadação da Previdência Social. A entidade apenas vinha recolhendo as contribuições descontadas de seus empregados com a dedução, quando o caso, das quotas de salário família adiantadas e o salário maternidade. Restou, então, em não tendo a isenção às contribuições a seu encargo previstas no artigo 22 da Lei 8.212/91 e suas alterações, bem como às destinadas às outras entidades para as quais são devidas contribuições arrecadadas e administradas, antes pela Secretaria da Receita Previdenciária e, a partir de Maio de 2007, com o advento da lei n° 11.457/2007, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, o débito que ora estamos procedendo ao lançamento. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 08/02/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 18/02/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 142 a 143, onde argumenta: 1. Inicialmente, queremos levar ao conhecimento de Vossa Senhoria que através do Processo n.° 71010.001761/200521 protocolamos o pedido de renovação do Certificado de entidade de Assistência Social cujo pedido foi deferido através da Resolução n.° 03 de 23 de janeiro de 2009 do CNAS, publicada no Diário Oficial da União de 26 de janeiro de 2009, cuja cópia segue em anexo. 2. Também segue em anexo, cópia da Certidão emitida pelo Departamento de Justiça, Secretaria Nacional de Justiça, órgão do Ministério da Justiça, cujo teor comprova o Registro de nossa entidade nessa Secretaria. 3. Da mesma forma seguem em anexo, todas as renovações de certificados com o respectivo deferimento. 4. Isto posto, é nosso entendimento que a nossa entidade sempre esteve e ainda está plenamente em dia e enquadrada no artigo 55 da Lei Federal n.° 8.212/91 e suas alterações posteriores, conforme processo n.° 71000.065064/200941 do Ministério do Desenvolvimento Social encaminhado ao Ministério da Saúde conforme a Lei 12.101/2009, que trata das novas competências das certificações. 5. Como forma de mostrar a Vossa Senhoria a veracidade de nossas alegações e informações, juntamos ao presente, além dos documentos já mencionados anteriormente, outros documentos que consideramos pertinentes. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 201 a 203. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13005.000125/201011 Acórdão n.º 2401003.804 S2C4T1 Fl. 4 5 A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. NÃO ATENDIMENTO. O não atendimento dos requisitos legais para o gozo e fruição da isenção das contribuições previdenciárias obriga a entidade ao seu recolhimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 215. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 6. Quanto ao argumento descrito na acordão recorrido, a recorrente, conforme documentos anexados ao presente, protocolou em data de 28/04/2006 e 27/04/2007, junto a Delegacia da Receita Previdenciária em Novo Hamburgo juntamente com o relatório circunstanciado das atividades desenvolvidas e todos os demais documentos necessários, a respectiva solicitação para manutenção da isenção patronal da nossa entidade. 7. Assim, entende a recorrente que cumpriu com o que estabelece o §1º do art. 55 da lei 8212/91, requerendo provimento do presente recurso, para que seja modificada a decisão que julgou improcedente a impugnação. O processo foi baixado em diligência, por meio da Resolução n 2401 000.208, fls. 231, para que fossem prestados esclarecimentos acerca do pedido de isenção da entidade. Vejamos os termos da diligência: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não da presente NFLD está ligado a identificação de entidade isenta, considerando que a autoridade julgadora entendeu que a empresa deixou de cumprir a totalidade de requisitos previstos no art. 55 da lei 8212/91. Vejamos trecho do acordão recorrido: Verificase, do § 1 o acima, que a entidade deveria requerer ao INSS a isenção das contribuições sociais. Todavia, assim não procedeu, conforme explicitado no Relatório Fiscal. Assim, em razão do não atendimento de todos os requisitos previstos na legislação de regência, a entidade não era isenta do recolhimento da cota patronal das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, pelo que foi corretamente efetuado o presente lançamento, em observância ao princípio da legalidade. Contudo o recurso interposto foi no sentido de demonstrar que a empresa havia requerido ao INSS a manutenção da qualidade de isenta em duas oportunidades, quais sejam: 04/2006 e 04/2007. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Pelo que se extrai da Decisão de 1 instância a empresa não havia requerido a isenção da cota patronal perante o INSS, descumprindo o requisito previsto § 1 do art. 55 da Lei 8212/91, razão porque não fazia jus a isenção da cota patronal. Face a dissonância entre as informações contidas nos autos, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência no sentido de que a DRFB jurisdicionante preste esclarecimentos acerca dos pedidos de “manutenção” da qualidade de isenta, cujas cópias encontramse anexadas fls. 216 e 217. Importante observar que no pedido à fl. 216, consta inclusive n. de protocolo junto a Agência da Previdência Social n. 37.074.000313/0618. Dessa forma, entendo que devam ser prestados esclarecimentos sobre a existência de pedido de isenção, ou de manutenção de isenção, conforme descrito pelo recorrente. Caso realmente tenha havido os pedidos, qual foi a decisão acerca dos mesmos, para que com base nessas informações possa se avaliar o direito da entidade da condição de isenta. Em resposta a diligência acima, foi elaborada informação fiscal nos seguintes termos: Em atendimento à diligência determinada pela Resolução n.º 2401000.208 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), de 13/03/2012, constante das fls. 231235 deste processo digital, emitimos a presente Informação Fiscal. Foram localizadas na pasta da Interessada/Entidade os documentos abaixo relacionados, que se encontram hoje sob a guarda desta Unidade: Plano de Ação de 2005 (cópias juntadas às fls. 241247 do presente processo); Plano de Ação de 2006 (cópias juntadas às fls. 248252 do presente processo); Plano de Ação de 2007 (cópias juntadas às fls. 253258 do presente processo); Relatório Circunstanciado das Atividades desenvolvidas no exercício de 2005 e demais documentos (cópias juntadas às fls. 259310 do presente processo), protocolados sob o n.º 37074.000313/0618, em 28/04/2006, na Agência da Previdência Social de Encantado (RS); Relatório Circunstanciado das Atividades desenvolvidas no exercício de 2006 e demais documentos (cópias juntadas às fls. 311347 do presente processo), protocolados sob o n.º 35270.000243/200727, em 02/05/2007 (Previdência Social – Novo Hamburgo); Processo n.º 13051000.114/200861, relativo à prestação de contas do exercício 2007, protocolada em 30/04/2008 na Agência da Receita Federal do Brasil em Encantado (RS), e demais documentos (cópias juntadas às fls. 348473 do presente processo). Fl. 566DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13005.000125/201011 Acórdão n.º 2401003.804 S2C4T1 Fl. 5 7 Segundo os documentos colacionados aos autos, a Interessada apresentou Relatórios de Atividades dos anos 2005, 2006 e 2007, conforme expedientes de fls. 260, 312 e 349. A interessada entende que, com a apresentação dos referidos documentos, em 28/04/2006 (fl. 260) e em 27/04/2007 (fl. 312), atendeu o estabelecido no § 1º do artigo 55 da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, litteris (destaquei): Compulsando os autos do processo administrativo n.º 13051 000.114/200861, verificamos à fl. 464 que as informações constantes do sistema CONFILAN do INSS/CNAS indicam que houve o reconhecimento da isenção em favor da Associação Hospitalar São João Batista, inscrita sob o CNPJ n.º 87.316.618/000143, em 01/11/1996. De fato, em decorrência do pedido protocolado sob o n.º 35253.000331, em 14/11/1996 (fl. 475), a Entidade foi considerada em gozo de isenção da quota patronal prevista no artigo 55 da Lei n.º 8.212, de 1991, “em caráter precário, a partir da competência novembro de 1996, até o prazo de validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos”, conforme Ofício AFPAG n.º 027/97, de 18/02/1997 (fl. 483). Consta ainda do referido documento que a falta de pedido de renovação da isenção, formulado ao INSS, até a data de seu vencimento, constitui infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991. Salientese que o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos de fl. 476 foi expedido em 17/10/1996 com validade por 03 (três) anos (Lei n.º 9.429, de 26/12/1996, art. 5º). Após o vencimento do prazo estipulado, a pessoa jurídica deveria requerer o reconhecimento da isenção ao INSS, ou a sua renovação, em formulário próprio, nos termos do artigo 208 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, produzindo efeitos a partir da data do protocolo do novo pedido, caso deferido (art. 208, § 2º). Nesse sentido, a IN MPS/SRP n.º 3, de 14/07/2005, vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, alterando apenas as denominações do órgão com competência para analisar o requerimento de isenção de Contribuições Previdenciárias, manteve as mesmas exigências, a saber (destaquei): Importante observar que o “Relatório Circunstanciado de Atividades” e o “Plano de Ação das Atividades” são entregues em cumprimento de obrigação acessória estabelecida no artigo 209 do Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999. Em que pese a apresentação de um novo pedido de isenção (fls. 351353), em 30/04/2008, conforme carimbo aposto à fl. 349 (processo n.º 13051000.114/200861), não há registro de que a Interessada obteve o reconhecimento do INSS ou da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) ou da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) do benefício da isenção para o período do crédito lançado (01/2006 a 13/2007), mediante emissão de Fl. 567DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, ou de outro ato ou despacho de mesmo teor. A empresa manifestouse às fls. 492, após ter sido cientificada dor termo da informação fiscal, fazendo um histórico dos pedidos de renovação do CEAS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13005.000125/201011 Acórdão n.º 2401003.804 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 120. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO – A questão a ser apreciada é o alegado direito a isenção pleiteado pelo recorrente, por entender a requerente ser Instituição filantrópica, com registro no CNAS — CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL e ter preenchido todos os requisitos. Primeiramente devese esclarecer que o comando constitucional que imuniza é regra excepcional e por isso não comporta interpretação extensiva. Não se admite diminuir o alcance da norma constitucional bem como não se admite estendêla. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social de que trata o § 7° do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 está conjugado com as disposições de assistência social do art. 203 dessa Carta Magna. Para os fins colimados pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no que se reporta à imunidade prevista no art. 195, § 7°, apenas se subsumem ao restrito conceito de assistência social aquelas atuações descritas no seu art. 203. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para fazer jus a imunidade (conforme afirma o recorrente) prevista pelo parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Ill promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §I Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. O presente caso, amoldase a instituições que pleiteiam, dentro dos limites legais, valerse da imunidade das contribuições patronais. Conforme descrito pelo auditor o recorrente não conseguiu demonstrar ter requerido junto ao INSS e posteriormente a SRP, o pedido de isenção em cumprimento ao §1 do art. 55 da lei 8212/91. Importante observar os termos trazidos pelo auditor após a baixa do processo em diligência, já que o recorrente questionava ter realizado o pedido junto ao INSS em cumprimento as termos da legislação pertinente: Compulsando os autos do processo administrativo n.º 13051 000.114/200861, verificamos à fl. 464 que as informações constantes do sistema CONFILAN do INSS/CNAS indicam que houve o reconhecimento da isenção em favor da Associação Hospitalar São João Batista, inscrita sob o CNPJ n.º 87.316.618/000143, em 01/11/1996. De fato, em decorrência do pedido protocolado sob o n.º 35253.000331, em 14/11/1996 (fl. 475), a Entidade foi considerada em gozo de isenção da quota patronal prevista no artigo 55 da Lei n.º 8.212, de 1991, “em caráter precário, a partir da competência novembro de 1996, até o prazo de validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos”, conforme Ofício AFPAG n.º 027/97, de 18/02/1997 (fl. 483). Consta ainda do referido documento que a falta de pedido de renovação da isenção, formulado ao INSS, até a data de seu Fl. 570DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13005.000125/201011 Acórdão n.º 2401003.804 S2C4T1 Fl. 7 11 vencimento, constitui infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991. Salientese que o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos de fl. 476 foi expedido em 17/10/1996 com validade por 03 (três) anos (Lei n.º 9.429, de 26/12/1996, art. 5º). Após o vencimento do prazo estipulado, a pessoa jurídica deveria requerer o reconhecimento da isenção ao INSS, ou a sua renovação, em formulário próprio, nos termos do artigo 208 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, produzindo efeitos a partir da data do protocolo do novo pedido, caso deferido (art. 208, § 2º). Nesse sentido, a IN MPS/SRP n.º 3, de 14/07/2005, vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, alterando apenas as denominações do órgão com competência para analisar o requerimento de isenção de Contribuições Previdenciárias, manteve as mesmas exigências, a saber (destaquei): Importante observar que o “Relatório Circunstanciado de Atividades” e o “Plano de Ação das Atividades” são entregues em cumprimento de obrigação acessória estabelecida no artigo 209 do Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999. Em que pese a apresentação de um novo pedido de isenção (fls. 351353), em 30/04/2008, conforme carimbo aposto à fl. 349 (processo n.º 13051000.114/200861), não há registro de que a Interessada obteve o reconhecimento do INSS ou da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) ou da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) do benefício da isenção para o período do crédito lançado (01/2006 a 13/2007), mediante emissão de Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, ou de outro ato ou despacho de mesmo teor. Ou seja, segundo descrito pelo auditor notificante a empresa não conseguiu demonstrar ter formalizado pedido de isenção de contribuições previdenciárias no período objeto do lançamento, considerando que a isenção da cota patronal a partir da competência 11/1996, davase de forma precária devendo ser renovado o pedido, o que não ocorreu. Destacase, ainda, segundo a autoridade fiscal que o requerimento de isenção protocolado em 30/04/2008, não produz efeitos retroativos para efeitos de cumprimento aos termos do §1 do art. 55 da lei 8212/91, razão pela qual, em que pese os argumentos do recorrente não tenho como atribuirlhe razão. “em caráter precário, a partir da competência novembro de 1996, até o prazo de validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos”, conforme Ofício AFPAG n.º 027/97, de 18/02/1997 (fl. 483). Consta ainda do referido documento que a falta de pedido de renovação da isenção, formulado ao INSS, até a data de seu vencimento, constitui infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991. QUANTO A APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE Fl. 571DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Antes mesmo, de apreciarmos os argumentos do recorrente, frente a diligência, convém apreciar aspectos inerentes a legislação atualmente aplicável. Quanto ao direito a isenção o art. 55 da Lei n º 8.212 de 1991 que previa os requisitos necessários à obtenção do direito à isenção foi revogado pelo art. 44 da Lei n º 12.101 (DOU de 30 de novembro de 2009). De acordo com o previsto no art. 31 da Lei n º 12.101 de 2009, a Receita Federal deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção. O direito ao benefício será exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, atendidos os requisitos do art. 29 da Lei n º 12.101, independentemente de pedido ao órgão fazendário. Nesse sentido é o teor do art. 31, in verbis: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. A atuação do órgão fiscalizador ocorrerá na hipótese de descumprimento pela entidade do art. 29 da Lei n º 12.101, sendo lavrado diretamente o auto de infração, conforme expressamente previsto no art. 32 da Lei n º 12.101, nestas palavras: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.7 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Por seu turno, a concessão ou de renovação dos certificados não é mais de competência do CNAS, passando tal exercício para os Ministérios respectivos, nestas palavras: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. § 1o A entidade interessada na certificação deverá apresentar, juntamente com o requerimento, todos os documentos Fl. 572DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13005.000125/201011 Acórdão n.º 2401003.804 S2C4T1 Fl. 8 13 necessários à comprovação dos requisitos de que trata esta Lei, na forma do regulamento. § 2o A tramitação e a apreciação do requerimento deverão obedecer à ordem cronológica de sua apresentação, salvo em caso de diligência pendente, devidamente justificada. § 3o O requerimento será apreciado no prazo a ser estabelecido em regulamento, observadas as peculiaridades do Ministério responsável pela área de atuação da entidade. § 4o O prazo de validade da certificação será fixado em regulamento, observadas as especificidades de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) ano e máximo de 5 (cinco) anos. § 5o O processo administrativo de certificação deverá, em cada Ministério envolvido, contar com plena publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sociedade o acompanhamento pela internet de todo o processo. § 6o Os Ministérios responsáveis pela certificação deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lista atualizada com os dados relativos aos certificados emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas, incluindo os serviços prestados por essas dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a elas destinados. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n º 12.101/2009 Desse modo, entendo que para os pleitos formulados até a data da publicação da Lei n o. 12.101/2009 há que se observar o procedimento disposto na Lei n 8.212/91. Para os fatos geradores ocorridos após a publicação da Lei n 12.101, não é mais necessária formulação de pedido do reconhecimento do direito. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do não recolhimento da parcela patronal de contribuições previdenciárias. A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS”para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, ou mesmo entregar os relatórios de atividades ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Contudo, observando os argumentos colacionados pelo recorrente e aspectos inerentes as alterações legislativas, entendo que razão assiste ao recorrente quanto a validade do seu pedido de isenção FORMULADO NO ANO DE 1996. Conforme informação fiscal prestada em sede de diligência (acima transcrita), a entidade obteve em 11/1996 o Ato Declaratório de Isenção, todavia, conforme a OS INSS/DARF n.º 150/1996 (vigente à época), a isenção deveria ser renovada até a data de validade do CEAS. Eis o texto da Ordem de Serviço n. 150: III DO PEDIDO DE RENOVAÇÃO DA ISENÇÃO 4. A entidade beneficente de assistência social deverá requerer a renovação da isenção junto à GRAF jurisdicionante da sede da entidade até a data de expiração do prazo de validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos que é de 3 (três) anos, contados da data da sua emissão. 4.1 A entidade requerente instruirá o pedido de renovação de isenção com os documentos relacionados nas alíneas “a” a “g” do item 3, acompanhados de cópia autenticada do requerimento e protocolo do pedido de renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, quando este não houver sido expedido até o prazo previsto no subitem anterior. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13005.000125/201011 Acórdão n.º 2401003.804 S2C4T1 Fl. 9 15 4.1.1 A entidade portadora de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos emitido pelo extinto Conselho Nacional do Serviço SocialCNSS até 24.07.91 que, comprovadamente, tenha ingressado com o pedido de renovação do mesmo até a data limite de 31.12.94, está ao amparo do processo até que o Conselho Nacional de Assistência SocialCNAS julgue e emita a decisão final do pedido. Sendo indeferido o pedido, seus efeitos retroagem a 01.01.95. (Subitem 9.2) 4.2 A falta de apresentação do pedido da renovação da isenção ou sua apresentação intempestiva sujeitará a entidade a Auto deInfração, a ser lavrado pela fiscalização pelo descumprimento do art. 32, inciso III da Lei 8.212/91. 4.3 Da decisão que deferir ou indeferir pedido de renovação de isenção, observarseá os procedimentos previstos no item 7 e respectivos subitens desta Ordem de Serviço. Este regramento da OS está em consonância com o que dispunha o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 612, de 21/06/1992, o qual trazia a seguinte regulamentação: Art. 32. A entidade beneficente de assistência social deverá, a cada três anos, requerer a renovação da isenção, como previsto no art. 31. (Redação dada pelo Decreto nº 752, de 1993) 1° O requerimento deverá ser protocolizado até a data de expiração do prazo de validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, concedido pelo Conselho Nacional de Serviço Social. (Incluído pelo Decreto nº 752, de 1993) 2° A requerente instruirá o pedido com cópia autenticada do requerimento e protocolo do pedido de renovação do certificado, quando este não houver sido expedido até o prazo previsto no parágrafo anterior. (Incluído pelo Decreto nº 752, de 1993) Verificase, então, que o Ato Declaratório de Isenção obtido em 11/1996, teria validada até o vencimento da CEAS, que ocorreu em 24/09/1999, devendo a entidade neste marco requerer ao INSS a renovação da isenção. Ocorre que em 09/1999, data da expiração do CEAS, já estava em vigor o Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, o qual não carrega previsão acerca de pedido de renovação da benesse fiscal. Portanto, a partir da entrada em vigência desse diploma normativo, a isenção passou a ser por prazo indeterminado ou até que o INSS a cancelasse. No caso, entendo que não mais existindo previsão de necessidade de novo pedido quando da expiração do CEAS, não cabe dizer que o mesmo perdeu a condição de isenta, já que a mesma, a partir do Decreto 3.048/99, dependia de ato cancelatório por parte do INSS. Portanto, para efetuar o lançamento das contribuições patronais seria necessário o anterior cancelamento da isenção, o qual, pelo que consta dos autos, não ocorreu. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Dessa forma, entendo que estaria correto o lançamento, não tivesse o dispositvo da OS e do Decreto 612/96, sido alterado, para não mais prevalecer a necessidade de pedido de renovação da isenção em concomitância com a expiração do CEAS. Isto posto, entendo que não há como prosperar o lançamento, considerando, que a entidade não teve sua isenção cancelada e sua isenção continuo válida no tempo com a publicação do Decreto 3.048/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, no mérito DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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