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Numero do processo: 13116.000732/2003-03
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 1999
RETORNO DE DILIGÊNCIA - A manifestação técnica pretendeu somente enfatizar os dados que já haviam sido trazidos por meio do laudo inicial insuficiente, sem comprovar documentalmente e efetivamente os quesitos formulados por este Conselho.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.425
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1999 RETORNO DE DILIGÊNCIA - A manifestação técnica pretendeu somente enfatizar os dados que já haviam sido trazidos por meio do laudo inicial insuficiente, sem comprovar documentalmente e efetivamente os quesitos formulados por este Conselho. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. • n 61",• ANELIS IA D PRIETO Presiderite C‘I Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto, Tarásio Campelo Borges e Heroldes Bahr Neto. Processo n° 13116.000732/2003-03 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.425 Fls. 189 Relatório Trata-se de processo versando sobre auto de infração lavrado em 30/06/2003, por meio do qual se exige R$ 68.646.27 a título de ITR do exercício 1999, acrescido de multa de oficio e juros legais calculados até 30/05/2003. No procedimento de análise e verificação da DITR/99 e da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscalização houve por bem glosar integralmente as áreas declaradas como de utilização limitada (612,0 ha) e de pastagens (230,0 ha) e parcialmente as áreas declaradas como de preservação permanente (de 300,0 ha para 96,0 ha). Rejeitou-se, ainda, o VTN declarado (R$ 138.924,00), arbitrando-se o valor de R$ 362.458,00. • Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, haveria desconsiderado o laudo técnico apresentado (fis. I 7ss); (ii) a área de preservação constituída pela Reserva Particular do Patrimônio Natural de Goiás haveria sido igualmente desconsiderada; (iii) outras informações prestadas haveriam sido desconsideradas. Por fim, solicitou o contribuinte vistoria do local para que se comprovasse a autenticidade das afirmações prestadas quando da DITR, anexando, também, justificativa do laudo técnico (fis. 30ss), certidão de inexistência e ônus, comprovando a reserva de 612 ha como área de reserva e termo de compromisso (fis. 46 e 47) e cópia da anotação de responsabilidade técnica do engenheiro parecerista (fis. 48). Encaminhado o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BrasílialDF, julgou-se parcialmente procedente o lançamento, sendo proferida a seguinte ementa: "Assunto:Irnposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999 Ementa: DA REVISÃO DO VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/há médio apontado no SIP7', exige-se que o habilitado, atenda, de forma plena, aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 8 799/85), demonstrando, de forma inequívoca– o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto. DÁS ÁREAS DISTRIBUÍDAS DO IMÓVEL N.< 2 Processo n° 13116.000732/2003-03 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.425 Fls. 190 Cabe restabelecer integralmente as áreas de Utilização Limitada/RPPN, de Preservação Permanente e ocupadas com Benfeitorias declaradas, devidamente just—ficadas através de provas documentais aceitas pela fiscalização, para efeito de apuração das áreas distribuídas do imóvel (tributável e aproveitável). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - ÁREA DE PASTAGEM (REBANHO) Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Lançamento Procedente em parte." Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que: i. a intimação para apresentação de impugnação foi 111 entregue em endereço errôneo, tendo o contribuinte conhecimento da mesma por mera casualidade, razão pela qual teve pouco tempo para preparar sua defesa e apresentar documentos; para que fosse atendido o índice de rendimento mínimo fixado para a região onde se encontra o imóvel, bastaria a existência de 58 cabeças de animais de grande porte, havendo muitas mais em sua propriedade no ano de 1999; em sua declaração de IRPF 1999, restava consignada a existência de 60 cabeças de eqUinos, animais que não necessitam de vacinação contra a febre aftosa, razão pela qual as notas fiscais dessa vacina referentes aos mesmos não foram apresentadas quando da intimação de 10/04/2003; iv. as notas fiscais ora apresentadas comprovariam a existência de bem mais do que 60 cabeças de gado na sua propriedade nos anos de 1998/99, justificando plenamente os 230 ha declarados como área de pastagem; v. em relação ao VTN, esclarece que o relevo da região onde se situa sua propriedade é acidentado, com profunda variação, apresentando morros, vales, penhascos e outras formações que diminuem sua utilidade e, por via de conseqüência, o valor do hectare; vi. justamente por essa razão havia solicitado perícia do local, que certamente constataria a existência de características desfavoráveis em sua propriedade, que corroborariam o V7'N declarado; vii. em sua DITR informou V'TN com superior ao constatado pelo laudo, sujeitando-se a uma maior carga tributária, pois esse havia sido o valor apurado em outras pesquisas feitas à época, demonstrando com isso sua lisura e boa-fé; Anexou, ainda, cópia do seu IRPF do ano 1999 (fls. 93ss) e notas fiscais de sal mineral e vacinas referentes aos anos de 1996 a 1999 (fls. 108ss). • 3 Processo n° 13116.000732/2003-03 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.425 Fls. 191 Esta 3' Câmara de Contribuintes entendeu por transformar o julgamento em diligência para que o contribuinte comprove efetivamente: 1. a quantidade de cabeças de gado existentes no período abrangido pela DITR 99 2. o valor do VTN de seu imóvel A DRF/Anápolis/GO promoveu a diligência solicitada (fls.150 a 186) É o relatório. 110 4 . , • Processo n° 13116.000732/2003-03 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.425 Fls. 192 Voto Conselheira NANCI GAMA, Relatora Conforme, relatado, versa o processo sobre auto de infração em matéria de ITR, lavrado para constituir e cobrar diferença de imposto tido como devido pela fiscalização. Foi procedida diligência para apurar a quantidade efetiva de cabeças de gado existentes no período abrangido pela DITR 99 e o valor VTN do imóvel do Recorrente. Ocorre que, a manifestação técnica apresentada pelo Recorrente, pretendeu tão somente enfatizar os dados que já haviam sido trazidos por meio de laudo inicial insuficiente, sem comprovar documentalmente e efetivamente a quantidade de cabeças de gado e o valor 111 VTN do imóvel. Portanto, permanecem as mesmas omissões antes verificadas, visto que, os documentos apresentados, de forma alguma contribuem para o esclarecimento dos quesitos formulados pelo Conselho de Contribuintes. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito lançado pela fiscalização. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2008 • A CI G. A - Relatora • 5
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000208/2006-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
ALEGAÇÕES SOBRE VIOLAÇÃO À CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E AO PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO.
Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SÚMULA CARF
n. 12.
“Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.”
RENDIMENTOS RECEBIDOS. ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência,
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-001.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2001 ALEGAÇÕES SOBRE VIOLAÇÃO À CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E AO PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SÚMULA CARF n. 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” RENDIMENTOS RECEBIDOS. ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator.
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Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SÚMULA CARF n. 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” RENDIMENTOS RECEBIDOS. ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 25/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF como isentos e não tributáveis, considerando o teor da decisão da Juíza da 1ª. Vara do Trabalho de Mossoró (fls. 22/27), nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 32), no sentido de que não incide IRPF sobre o valor obtido em acordo trabalhista homologado por sentença. Perante o órgão colegiado a quo, após indeferido o pedido de diligência para a realização de prova pericial contábil, a ação fiscal foi julgada procedente, sob o fundamento de que as verbas recebidas estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa punitiva, por se tratar de aplicação de sanção na qual não haveria de se considerar a intenção do agente na prática infracional, tampouco a alegação da inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC (97/112). Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (fls. 119/146) com vistas a obter a reforma do julgado. Alega: a) violação ao princípio constitucional do não confisco; b) capacidade contributiva, inaplicabilidade da Súmula CARF n. 2, c) nulidade por cerceamento do direito de defesa; d) responsabilidade tributária da CEF; e e) impossibilidade de aplicação retroativa do Parecer Normativo n. 1/2002, além de reforçar os argumentos trazidos por ocasião da Impugnação, no sentido de que ficou desobrigada do recolhimento do IRPF em cumprimento à decisão judicial homologatória do acordo em ação trabalhista, bem como que os valores recebidos tinham efetivamente natureza indenizatória, conforme informado pela Caixa Econômica Federal – fonte pagadora, a qual assume o ônus pelo imposto e, por conseqüência é parte legítima para a exigência fiscal. Alega, ainda, erro no cálculo do imposto (fl. 154). Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000208/200684 Acórdão n.º 280201.684 S2TE02 Fl. 166 3 Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Rejeito as alegações de violação aos princípios constitucionais do não confisco, devido processo legal e capacidade contributiva, com fulcro na Súmula CARF n.º 2, assim redigida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” De igual modo, afasto a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, com fundamento da Súmula CARF n. 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Não vislumbro nulidade por cerceamento de defesa, alegada em face da adoção pela decisão a quo da expressão “lançamento procedente em parte”, por não se tratar de empecilho para o enfrentamento e conhecimento da acusação fiscal e do conteúdo decisório da decisão colegiada de 1ª instância. Rejeito a alegação de aplicação retroativa de atos normativos editados pela RFB e PGFN. A exigência do imposto decorre da lei e não de Parecer ou qualquer outro ato infralegal meramente interpretativo. A publicação deste, após o fato gerador, em nada altera a validade do lançamento. De igual modo, não reconheço suposto erro de cálculo no auto de infração Tratase de engano do Recorrente ao efetuar a apuração sem levar em conta os valores existentes na Declaração de Ajuste Anual. Passo, então, à análise da matéria de fundo. A Recorrente ajuizou reclamação trabalhista em face da Caixa Econômica Federal (CEF), juntamente com mais 70 empregados, pleiteando o recebimento do índice de 26,05%, relativo a URP de fevereiro de 1989, e a integração destes valores às verbas salariais vencidas e vincendas e ao FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios. Após dez anos de litígio, a CEF foi condenada. Sucumbente, propôs acordo, no qual pagaria os valores depositados em juízo, desde que os reclamantes renunciassem expressamente à integração desses valores inicialmente pleiteada. Acrescenta, o Recorrente, que na sentença homologatória do acordo restou consignado que não incide imposto de renda sobre a conciliação, nos termos do Provimento CG/TST 01/96; porém a DRF/Natal enviou relatório à PFN/RN, solicitando orientação sobre a possibilidade de efetuar o lançamento com ou sem multa de oficio, tendo em vista a incongruência no Provimento CG/TST 1/96, no qual o item 1 afirma a incompetência da Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 Justiça do Trabalho para deliberar acerca de imposto de renda incidente em reclamações trabalhistas em virtude de sentenças condenatórias enquanto o item 3 afirma não incidir imposto de renda sobre quantias pagas a titulo de acordo na Justiça do Trabalho. Alega ainda, que, em resposta, foi emitido o Parecer n° 1/2005, concluindo que apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer incidência de IRPF, ficando a base de cálculo do imposto, portanto, a depender da discriminação das verbas; porém, o Procurador não endossou a aplicação da multa de ofício, tendo em vista que a culpa da retenção do imposto não poderia ser atribuída aos reclamantes beneficiados pela decisão. Entretanto, é de se observar, que o próprio contribuinte esclarece que não ocorreu a integração destes valores às verbas salariais vencidas e vincendas, gratificação natalina, anuênios, FGTS e férias, em virtude do acordo celebrado. Portanto, a orientação do Parecer PFN de que apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer a incidência do IRPF e que a base de cálculo do imposto depende da discriminação das verbas, foi atendida, uma vez que as verbas recebidas decorrem apenas da diferença da URP de fevereiro de 1989, que, por ser público e notório, referese a atualização salarial, sem que tenha havido integração. Logo, os rendimentos recebidos referemse a verbas de natureza salarial, tributável, portanto, conforme a legislação de regência. Logo, ainda que o acordo judicial tenha determinado a não retenção do IRRF, a exclusão dos rendimentos recebidos da tributação pelo imposto de renda pessoa física, implica em ofensa à universalidade a que se refere o § 1º do artigo 43 do CTN e inciso I do § 2º do artigo 153 da CF/88 (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Pela tributação de rendimentos recebidos em virtude de acordo trabalhista em ausente a discriminação da natureza jurídica das verbas envolvidas, decisão da 1ª Turma do STJ, a seguir: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO SOBRE A RENDA IRPF. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE VERBAS DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE LIQUIDAÇÃO DOS VALORES. ACORDO FIRMADO ENTRE AS PARTES. IMPROCEDÊNCIA DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. ACORDO DAS PARTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. A isenção tributária, como espécie de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente e, a fortiori, restritivamente (CTN, art. 111, II), não comportando exegese extensiva. 2. O Imposto sobre a Renda incide sobre o produto da atividade que implique o auferimento de renda ou proventos de qualquer natureza, que constitua riqueza nova agregada ao patrimônio do contribuinte e deve se pautar pelos princípios da progressividade, generalidade, universalidade e capacidade contributiva, nos termos do arts. 153, III e § 2º, I e 145, § 1º da CF. 3. O conceito do art. 43 do CTN de renda e proventos, sob o viés da matriz constitucional, contém em si uma conotação de contraprestação pela atividade exercida pelo contribuinte, verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000208/200684 Acórdão n.º 280201.684 S2TE02 Fl. 167 5 do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. 4. A norma isentiva do Imposto de Renda, por sua vez, insculpida no art. 6º, inc. V, da Lei n.º 7.713/88, assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; 5. A regra, portanto, aponta no sentido de que advinda disponibilidade econômica ou jurídica, incide, sobre a renda ou provento, o tributo correspectivo, sendo certo que qualquer exceção deve decorrer de lei, que por seu turno reclama interpretação literal. 6. In casu, em reclamação trabalhista, houve condenação da exempregadora ao pagamento de verbas rescisórias de contrato de trabalho, em que parte das parcelas era passível de incidência do imposto de renda e outras não, porquanto abrangidas pela norma isentiva. Não obstante, supervenientemente, as partes homologaram acordo na Justiça do Trabalho, em um "montante global", que incorporou as diversas verbas devidas, houve recolhimento do imposto de renda, que o autor pretende restituir. 7. Na impossibilidade de separar os valores no tocante a cada verba, para aferir o caráter indenizatório ou não, impõe a incidência do Imposto de Renda sobre o todo, porquanto a isenção decorre da lei expressa, vedada a sua instituição por vontade das partes, através de negócio jurídico. 8. Inteligência, ademais, do art. 123, do Código Tributário Nacional, no sentido de que "salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes". 9. O requisito do prequestionamento, porquanto indispensável, torna inviável a apreciação, em sede de Recurso Especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o tribunal de origem é inviável. É que, como de sabença, "é inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada na decisão recorrida, a questão federal suscitada" (Súmula 282/STF). 10. "O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento." (Súmula 356/STJ) 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Superior Tribunal de Justiça STJ T1 PRIMEIRA TURMA Decisão REsp 958736 / SP Relator Ministro LUIZ FUX (1122) Data da Publicação/Fonte DJe 19/05/2010. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 6 No mesmo sentido, decisão da 1a. Turma Especial da 2a. Seção deste E. Sodalício, a seguir: CARF/ 2a. Seção/ 1a. Turma Especial/ ACÓRDÃO 280101.544 em 11/05/2011 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO OU SENTENÇA EM AÇÃO TRABALHISTA. Salvo nos casos de isenções expressamente previstas em lei, são tributáveis os valores recebidos em decorrência de acordo ou sentença em ação trabalhista. RENDIMENTOS RECEBIDOS. AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente a compensação de IRRF, quando nenhum valor foi retido pela fonte pagadora. Entretanto, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pela sentença homologatória de acordo trabalhista. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta do Recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/2005 03, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos: 10616801, 10616360 e 196 00065, a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000208/200684 Acórdão n.º 280201.684 S2TE02 Fl. 168 7 “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “(...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) O C. Superior Tribunal de Justiça, de igual modo, ao admitir a exigência do imposto do contribuinte, exclui a multa em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, apenas para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000208/200684 Acórdão n.º 280201.684 S2TE02 Fl. 169 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão em epígrafe. Brasília/DF, 25 de junho de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 10 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 25/06/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10880.934564/2009-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/07/2005
PRELIMINARES. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO.
INCOMPETÊNCIA DA DRF DE ORIGEM. NULIDADE POR VÍCIO
SUBSTANCIAL DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO.
PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
Numero da decisão: 3803-003.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF nº 24.259.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2005 PRELIMINARES. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. INCOMPETÊNCIA DA DRF DE ORIGEM. NULIDADE POR VÍCIO SUBSTANCIAL DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
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ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. INCOMPETÊNCIA DA DRF DE ORIGEM. NULIDADE POR VÍCIO SUBSTANCIAL DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF nº 24.259. (assinado digitalmente) Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 23 de setembro de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da contribuição para o PIS efetuado a maior, no montante de R$ 718.897,60, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 268.502,92. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu, preliminarmente, a retificação do polo passivo do presente processo e, no mérito, a declaração de insubsistência do despacho decisório, com a consequente homologação da compensação declarada e a extinção do débito fiscal nela compensado até o limite do crédito demonstrado, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) em 1º/9/2008, a então Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) foi parcialmente cindida, tendo sido incorporados 95% do seu patrimônio líquido pela ArcelorMittal Brasil e alterada a sua denominação para ArcelorMittal Tubarão Comercial, cuja sede foi transferida para a Capital do Estado de São Paulo, tendo sido o pedido de compensação sob análise apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo/SP, quando a requerente já havia sido incorporada parcialmente pela ArcelorMittal Brasil S/A, sediada em Belo Horizonte/MG, em razão do que o polo passivo deveria ser alterado para constar ArcelorMittal Brasil S/A e a competência transferida para Belo Horizonte, para onde os autos deveriam ser remetidos para julgamento; b) em razão do recolhimento realizado a maior da contribuição, exsurgira crédito em seu favor, disponível para compensação, não reconhecido pela repartição de origem, em razão de impropriedades cometidas no preenchimento da DCTF original, que impossibilitaram a identificação do efetivo direito creditório pleiteado; c) inicialmente, havia apurado um determinado valor da contribuição, devidamente recolhido por meio de DARF e declarado em DCTF, sendo que, posteriormente, verificando suas declarações contábeis e fiscais, identificou ajustes de créditos que não haviam Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.934564/200980 Acórdão n.º 3803003.552 S3TE03 Fl. 210 3 sido apropriados no momento oportuno, créditos esses que reduziriam o tributo devido incidente sobre as operações próprias; d) o único problema foi que a requerente deveria ter retificado também sua DCTF, reduzindo o valor do imposto informado como devido, de modo a desvincular o DARF do débito quitado em quantia equivalente ao crédito ora pleiteado; e) a sua boafé encontravase demonstrada pela retificação da DCTF e consequente liberação do crédito contido no DARF, em razão do que não mais subsistiria a irregularidade apontada; f) um erro material no preenchimento de uma DCTF não poderia prevalecer sobre o direito ao crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, encontrando se nos lançamentos contábeis da empresa o registro referente à compensação no limite do direito creditório efetivamente existente. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2005 Ementa: DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Quanto à alegada ilegitimidade do sujeito passivo, registrou o relator de piso que seria irrelevante o fato de a pessoa jurídica ArcelorMittal Brasil S/A ter incorporado a parcela cindida da Companhia Siderúrgica Tubarão, pois a Companhia Siderúrgica de Tubarão, CNPJ 27.251.974/000102 continuava existindo nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil com o nome atualizado de ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A, sujeito passivo do despacho decisório sob comento. Ainda segundo ele, com relação ao aspecto pessoal da norma de incidência tributária, a empresa Cia Siderúrgica de Tubarão (antiga denominação da ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A), na qualidade de Contribuinte, foi quem praticou os fatos geradores de que trata o presente processo, não tendo havido qualquer indício de cerceamento do direito de defesa ou outro prejuízo em razão desses fatos, inexistindo motivação para a alteração do polo passivo, no sentido de fazer constar do despacho decisório a denominação ArcelorMittal Brasil S/A, com a consequente remessa dos autos para julgamento perante a Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte/MG. No mérito, ressaltou a autoridade julgadora de primeira instância que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, é o documento que se presta a declarar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação etc.), constituindose em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto no § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 8 de março de 1984, em razão do que caberia ao interessado o ônus de comprovar documentalmente eventuais erros cometidos na declaração original que serviu de base ao despacho decisório, o que não ocorreu. Quanto à DCTF retificadora apresentada em 20 de maio de 2009, após a ciência da decisão sobre a qual se controverte nos autos, salientou o relator que dela não constou qualquer valor da contribuição sob comento. Além disso, ainda segundo o julgador administrativo, não foram trazidas aos autos cópias da escrituração contábil e das demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levadas a registro no órgão competente à época dos fatos, as quais devem ser mantidas em boa ordem e conservadas sob a responsabilidade do sujeito passivo, a fim de serem colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, enquanto não ocorrida a prescrição dos créditos tributários vinculados aos fatos a que se refiram as declarações de compensação, muito embora constasse da Manifestação de Inconformidade que os próprios lançamentos contábeis da empresa registrariam a compensação no limite do que efetivamente ocorrera. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, reitera, preliminarmente, sua alegação de ilegitimidade do sujeito passivo e de incompetência da DRF de origem, assim como nulidade por vício substancial do despacho decisório, pelo fato de ter sido emitido eletronicamente e não em decorrência de análise da autoridade fiscal, e, no mérito, requer a reforma do acórdão recorrido, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) “em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito decorrente da adoção pelo Fisco do cruzamento eletrônico de declarações como única causa de decidir neste processo, deve ser declarado nulo, por vício substancial, o depacho decisório”; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.934564/200980 Acórdão n.º 3803003.552 S3TE03 Fl. 211 5 b) a origem do direito creditório decorre do aproveitamento de crédito apurado sobre despesa de depreciação do ativo imobilizado, em consequência de um projeto de expansão da Usina, iniciado em 2004; c) recebido o despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF, para refletir a realidade fática de suas obrigações tributárias na esfera federal, sendo que a alegação de que a retificação fora realizada somente após a ciência do despacho decisório não tem o condão de retirar do mundo jurídico a existência do crédito; d) meros erros formais no preenchimento da DCTF não podem obstar o direito à compensação. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos, além de outras, cópia parcial da DCTF original (Doc04); cópia de uma planilha denominada “Demonstrativo das bases de cálculo do PIS e da Cofins” (Doc05); cópia de 3 folhas de um documento intitulado “Balancete Analítico/Sintético” (Doc06); e cópia de DCTF retificadora transmitida em 20/05/2009 (Doc07). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Ilegitimidade do sujeito passivo. Incompetência da DRF de origem. Nulidade por vício substancial do despacho decisório. Quanto à preliminar de ilegitimidade do polo passivo que constou do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original, o primeiro em 23 de setembro de 2006 e a segunda em 8 de maio de 2005. Em ambos os documentos, informaram se o CNPJ nº 27.251.974/000102 e a denominação social “Companhia Siderúrgica de Tubarão”. Na data da emissão do despacho decisório (20/04/2009), o referido CNPJ encontravase vinculado ao nome “ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A”, tendo sido essa a denominação social que constou da referida decisão. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Quisesse o contribuinte que as questões tributárias pendentes de apreciação por parte da Administração tributária federal passassem a ser direcionadas à sociedade incorporadora de parte da Companhia Siderúrgica de Tubarão, ele deveria ter informado à Receita Federal essa condição, o que, pelo que consta dos autos, não foi feito. Ora, não poderia a Administração tributária pressupor as alterações estatutárias promovidas pelo interessado antes delas ser cientificada. Conforme afirmado pelo julgador de piso, a empresa ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A, CNPJ 27.251.974/000102, atual denominação de Companhia Siderúrgica de Tubarão, encontrase na situação “Ativa” nos sistemas da Receita Federal, com sua sede instalada na cidade de São Paulo/SP. Nesse sentido, todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos e (iv) a situação cadastral do CNPJ declarado. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente; pois, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negada qualquer das garantias asseguradas pela legislação processual. No que tange à alegação de incompetência da DRF de origem, há que se registrar que, além do fato de tal alegação não corresponder à realidade dos autos, pois que a pessoa jurídica detentora do CNPJ permaneceu domiciliada em São Paulo, o procedimento fiscal, nos termos do art. 9º, §§ 2º e 3º, do PAF (Decreto nº 70.235/1972), pode ser formalizado Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.934564/200980 Acórdão n.º 3803003.552 S3TE03 Fl. 212 7 por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, formalização essa que previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que primeiro conhecer da exigência fiscal. Além disso, nos termos do contido no parágrafo único do art. 24 do mesmo PAF, quando o ato administrativo for praticado por meio eletrônico, a administração tributária pode atribuir o preparo do processo a unidade da administração tributária diversa. Essa previsão foi inaugurada pela Medida Provisória nº 449, de 2008, anteriormente à emissão do despacho decisório sob comento. Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, alegando a identificação posterior de ajustes de créditos não apropriados no momento oportuno, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alegou o então Manifestante que o crédito pleiteado decorreria de apuração contábil e que ele não poderia ser obstado por “meros erros formais no preenchimento da DCTF ou da PER/DCOMP”, nada dizendo sobre a sua origem. Somente no Recurso Voluntário o contribuinte informou que o direito creditório decorreria da apuração de crédito sobre despesa de depreciação do ativo imobilizado, em consequência de um projeto de expansão da Usina, iniciado em 2004, informação essa essencial à apreciação do pleito. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho, tendo permanecido controvertida nos autos apenas a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF original, assim como a existência de um indébito apurado a posteriori. Além disso, nenhum elemento probatório foi trazido aos autos para comprovar o alegado crédito, restringindo a defesa a afirmativas desvinculadas dos elementos fáticos presentes nos autos, quais sejam, o PER/DCOMP, a DCTF e o despacho decisório. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 O Recorrente, somente na fase recursal, trouxe aos autos cópia de uma planilha denominada “Demonstrativo das bases de cálculo do PIS e da Cofins” (Doc05) e cópia de 3 folhas de um documento intitulado “Balancete Analítico/Sintético” (Doc06), que, segundo ele, comprovariam o indébito, sem, contudo, lastreálos com os documentos hábeis e idôneos comprobatórios das informações neles contidas. O referido demonstrativo não veio acompanhado da escrituração contábil fiscal, necessária a comprovação das informações ali contidas; e as folhas do balancete, além do fato de não se encontrarem apresentadas de forma a comprovar a regularidade de sua formalização, como, por exemplo, registro na Junta Comercial, assinatura do profissional competente, termos de abertura e de encerramento etc., não fazem qualquer referência ao alegado crédito decorrente de encargos de depreciação do ativo imobilizado. Dessa forma, mesmo que, em tese, se superasse a ocorrência de preclusão temporal, temse que as provas que devem ser apresentadas pelo interessado são aquelas previstas na legislação tributária, como por exemplo, a escrituração contábilfiscal e os documentos que a lastreiam. Conforme preceitua o parágrafo único do art. 195 do Códito Tributário Nacional (CTN), “[os] livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. Demonstrativos elaborados pelo próprio interessado não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhados dos documentos em que constam, originalmente, as informações a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização confirme os dados declarados em DCTF. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.934564/200980 Acórdão n.º 3803003.552 S3TE03 Fl. 213 9 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Manifestação de Inconformidade, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca o direito pleiteado. Ele poderia ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica desprovida de elementos probatórios não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10880.934564/200980 Interessada: ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.552, de 27 de setembro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 35485.001387/2007-85
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 01/04/2007.
SUPOSTO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APOSENTADO. PLEITEOU ALTERAÇÃO NO CÓDIGO RECOLHIMENTO. GPS. PLEITO
INDEFERIDO NO ÓRGÃO LOCAL. APRESENTOU RECURSO PLEITEANDO RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO INICIAL E RECURSAL DISTINTOS. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO ENTRE A PEÇA INICIAL E A RECURSAL.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), pois o pleito inicial foi um e o objeto do recurso foi outro, não havendo pertinência temática entre o pedido inicial e o recursal.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 01/04/2007. SUPOSTO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APOSENTADO. PLEITEOU ALTERAÇÃO NO CÓDIGO RECOLHIMENTO. GPS. PLEITO INDEFERIDO NO ÓRGÃO LOCAL. APRESENTOU RECURSO PLEITEANDO RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO INICIAL E RECURSAL DISTINTOS. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO ENTRE A PEÇA INICIAL E A RECURSAL. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 01/04/2007. SUPOSTO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APOSENTADO. PLEITEOU ALTERAÇÃO NO CÓDIGO RECOLHIMENTO. GPS. PLEITO INDEFERIDO NO ÓRGÃO LOCAL. APRESENTOU RECURSO PLEITEANDO RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO INICIAL E RECURSAL DISTINTOS. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO ENTRE A PEÇA INICIAL E A RECURSAL. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), pois o pleito inicial foi um e o objeto do recurso foi outro, não havendo pertinência temática entre o pedido inicial e o recursal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório Os presentes autos cuidam de Requerimento de Atualização do CNIS RACNIS, fls. 01, que tem por objeto a regularização de informações incorretas no cadastro do contribuinte, No presente especificamente o contribuinte pretendia alterar o código de recolhimento das GPS do período de 04/2006 a 03/2007 de 1007 para 1406, isto é, de Contribuinte Individual para Segurado Facultativo, fls.01 e 06. A Agência da Previdência Social em Cotia, pelo despacho, de fls. 30, indeferiu o pedido de atualização, com fulcro no artigo 12, parágrafo 4°, da Lei 9.032/1995. O requerente foi cientificado desta decisão, em 29/05/2007, conforme carta, de fls. 31. O contribuinte apresentou petição de interposição de Recurso Voluntário à JRPS, em 30/05/2007, conforme, fls. 33. O recurso foi acompanhado dos documentos, de fls. 34 a 37. As razões recursais são assim resumidas. • Que ao requerer a aposentadoria foi orientado a continuar a recolher; • Que aposentouse em maio de 2007, sendo este o último mês de suas contribuições; • Por fim pedindo: a) restituição das contribuições de 04/2006 a 05/2007. A Junta de Recurso da Previdência Social – JRPS, em despacho datado, de 16/07/2007, fls 39, invocou o artigo 15, II, da Portaria MPS/GM N° 88/04 – Regimento Interno do CRPS para fundamentar a transferência dos autos daquela junta para à CaJ do CRPS, uma vez que em matéria de contribuições a competência era exclusiva deste órgão maior. O recurso foi remetido ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, fls. 39. Os autos foram transferidos ao Segundo Conselho de Contribuintes em razão do estabelecido na Lei 11.457/2007 e posteriormente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, nos termos da MP449/2008 convertida na Lei 11.941/2009. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35485.001387/200785 Acórdão n.º 2803000.641 S2TE03 Fl. 53 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, uma vez que o contribuinte tomou conhecimento do indeferimento de seu pleito, em 29/05/2007, fls. 31, e, em 30/05/2007, fls. 33, se deu a interposição do recurso. Tal interposição era isenta de depósito recursal, pois o recorrente é pessoa física e nem discutia crédito fiscal. Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso passo a este. Verificase da análise dos autos que em verdade o contribuinte requereu junto ao órgão local do INSS a Atualização do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, visando a alteração do código de recolhimento das Guia da Previdência Social – GPS, do período de 04/2006 a 03/2007, do código 1007 para 1406, fls. 01 e 06, o que foi indeferido, fls. 30. Entretanto ao interpor o Recurso Voluntário o contribuinte pleiteou a restituição das competências 04/2006 a 05/2007, fls. 33. Desta forma não há correspondência entre o pleito inicial e o recurso. Outrossim a matéria recursal não foi objeto de análise pela instância ordinária. O recurso, também, não devolve a este colegiado a que não fora objeto do pleito inicial. Analisar o pedido de restituição seria irregular, pois não faz parte das competências deste colegiado, salvo como recurso o que não é o caso, pois não se recorre daquilo que não foi objeto de pedido inicial. E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO INFIRMAM OS ARGUMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. Incumbe, à parte agravante, o dever de refutar, de modo pertinente, todos os fundamentos em que se apóia a decisão por ela impugnada. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes. (REAgR 326039, CELSO DE MELLO, STF) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL CONSÓRCIOS FUNCIONAMENTO SEM AUTORIZAÇÃO MULTA ADMINISTRATIVA PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA TEMÁTICA DOS DISPOSITIVOS FUNDAMENTO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 CONSTITUCIONAL REEXAME DE PROVAS: SÚMULA 7/STJ. 1. Inaplicável a disciplina jurídica do Código Tributário Nacional, referente à retroatividade de lei mais benéfica (art. 106 do CTN), às multas de natureza administrativa. Precedentes do STJ. 2. Não se conhece do recurso especial, no tocante aos dispositivos que não possuem pertinência temática com o fundamento do acórdão recorrido, nem tem comando para infirmar o acórdão recorrido. 3. Inviável a reforma de acórdão, em recurso especial, quanto a fundamento nitidamente constitucional (caráter confiscatório da multa administrativa). 4. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e provido. (RESP 201000134400, ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, 03/05/2010) ADMINISTRATIVO DECRETO 750/93 DISCUSSÃO EM TORNO DA OCORRÊNCIA DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA ACÓRDÃO DA CORTE DE ORIGEM QUE NÃO ANALISOU AS QUESTÕES DEBATIDAS NO ESPECIAL. 1. Caso em que o Tribunal de origem, por entender necessária a dilação probatória para solucionar controvérsia relativa à ocorrência de desapropriação indireta, determinou o retorno dos autos à vara de origem. 2. Não tendo a instância a quo analisado as teses apresentadas em recurso especial, descabe a esta Corte conhecer dele, seja pela ausência de prequestionamento, seja pela falta de pertinência temática entre o que foi discutido no especial e o que foi decidido no TRF da 4ª Região. 3. Recurso especial não conhecido. (RESP 200902111728, ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, 08/02/2010) CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, pois o pleito inicial foi um e o objeto do recurso foi outro, não havendo pertinência temática entre o pedido inicial e o recursal. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000128/2005-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO.
A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural.
IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS.
A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 12/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10247.000128/200557 Acórdão n.º 210201.194 S2C1T2 Fl. 78 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2001 Declarado, fl. 16 Retificação de ofício Acórdão DRJ, fl. 27 03 Área de Utilização Limitada 1.524,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 27 a 41 da instância a quo, in verbis: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 11 a 19, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2001, relativo ao imóvel denominado' "Paraíso II ou Nova Vida e Bom Futuro", localizado no município de Porto de Moz PA, com área total de 4.356,00 ha, cadastrado na SRF sob o n° 0.5572770, acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total de R$ 4.477,24. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na D e da documentação apresentada pela contribuinte no curso da ação fiscal, a fiscalização apurou falta de recolhimento do ITR, em virtude de glosa integral dos valores declarados a título de Área de Utilização Limitada. Ciência do lançamento em 051I012005, conforme AR juntado à folha 20 do processo. Não concordando com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de folhas 21 a 23, alegando, em síntese: I — preliminarmente! que por ter seu domicílio fiscal em Santarém — Pará, fica difícil se deslocar até a localidade de Monte Dourado — Almerim — Pará para dar vistas ao processo, enquanto que na cidade 'de seu domicilio existe uma Delegacia Especializada, que oferece melhores condições para MI procedimento. Diante da falta de condições financeiras • para tal deslocamento, solicita a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa; II — no mérito, que o Auto de Infração não pode prosperar tendo em vista a falta de interesse de agir por parte do Auditorfiscal, que não requereu junto ao Ibama e ao Incra informações detalhadas quando tomou ciência de que as terras, além de várzea, são consideradas riquezas naturais, protegidas pelo Interesse Ecológico, conforme determina o art. 37 da Lei 9.784/99; III — que, com as condições criadas pelo Governo Federal para conseguir os documentos necessários de preservação ecológica, já que os órgãos envolvidos não demonstram interesse em agir e servir, fica difícil para a impugnante obter os documentos para tal comprovação, enquanto o AuditorFiscal possui todas as condições necessárias para obtêlos ao Incra e ao lbama, se atendesse o que determinam os artigos 1°, 2°, 36, 37 e 38 da Lei 9.784/99 (transcreveos). Acresce Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10247.000128/200557 Acórdão n.º 210201.194 S2C1T2 Fl. 79 3 que, se o Auditor tivesse interesse em agir e conhecer a região, logo perceberia que as terras são mata virgem, todas protegidas pelo interesse ecológico; IV que, com a enchente do rio, as águas ultrapassam e fazem as terras caírem, diminuindo sua extensão, o que pode ser comprovado em diligência in loco ou via georreferenciamento, onde se constatará que o valor do crédito tributário está acima da realidade; V — que requer que sejam notificados o Incra e ao lbama, para vistoria in loco do que foi afirmado acima, que sejam requisitados os comprovantes de pagamento do ITR para a comprovação de que foram recolhidos os valores de acordo com a realidade física da terra existente e que seja julgada procedente sua impugnação, com o cancelamento do Auto de Infração e seu arquivamento. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a contribuinte não junta ao processo um único documento emitido por órgão público, seja federal ou estadual, que comprove que a área glosada seja de interesse ecológico, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, mas apenas as declaradas, através de ato emitido por órgão competente, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10247.000128/200557 Acórdão n.º 210201.194 S2C1T2 Fl. 80 4 mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia, mormente quando se trata de matéria que depende de comprovação documental, a qual deveria ter sido apresentada pelo contribuinte junto com sua impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 43 a 51, alegando em síntese: A teor do art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, o ITR sobre a área de preservação ambiental, para fim de isenção do Imposto em comento, basta a simples declaração do contribuinte, respondendo este pelo pagamento e consectários legais, se configurada falsidade. Assim, nos termos da legislação aludida, não são tributáveis as áreas de preservação permanente, nem de reserva legal; O ITR é considerado tributo com nítido caráter extrafiscal, sendo utilizado para desestimular latifúndios improdutivos, mas também para promover e incentivar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente.Deste modo, destaquese principalmente aquelas que beneficiam áreas rurais destinadas à preservação ambiental, seja em razão da manutenção da vegetação nativa ou pela utilização ecologicamente sustentável; Apesar de a legislação pertinente condicionar o aproveitamento do beneficio fiscal do ITR ao averbamento das mencionadas áreas no cartório de registro de imóveis competente, a jurisprudência sobre a matéria vem mostrando entendimento, segundo aduz, de que a isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal deve ser exercida independentemente de existência do averbamento correspondente; É imperioso perceber que o objetivo da legislação pertinente .é o de criar um mecanismo de controle para a manutenção da vegetação nativa. Assim, não parece ao contribuinte ser esta 1 averbação de caráter essencial para o aproveitamento da isenção; Segundo o Código Florestal (Lei n°. 4.771/65), é perfeitamente possível, se diante da necessidade de comprovação, que o contribuinte utilize outros meios que não o referido averbamento para demonstrar as condições de sua propriedade rural no momento de ocorrência do fato gerador do ITR; Não obstante o legítimo propósito do ADA, este se apresenta na maioria dos casos como desnecessário, já que o contribuinte, de acordo com o já citado art. 10, § 7° dá Lei n°. 9.393/96, ou está dispensado, ou tem a seu favor o reconhecimento oficial por parte do órgão ambiental competente relativamente à relevância ambiental de parcela ou totalidade de sua propriedade rural. Neste sentido apresenta decisões dos Conselhos de Contribuintes, requerendo seja declarado procedente seu recurso, insubsistente o Auto de Infração lavrado e a inexigibilidade do crédito apurado. Apresenta jurisprudência para suportar as suas razões, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10247.000128/200557 Acórdão n.º 210201.194 S2C1T2 Fl. 81 5 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Em julgamento vistos, relatados e discutidos os presentes autos resolveram os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, via Resolução nº 30301.361, fls. 55 a 63, remetendose os autos à repartição de origem para que o Ibama com jurisdição sobre a área do imóvel fosse intimado a vistoriar o local e informar as áreas existentes de interesse ambiental. Processada a diligência, a contribuinte não respondeu as intimações do Ibama, retornando os autos para julgamento sem nenhuma informação adicional. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Tratase desse processo de glosa de Área de Utilização Limitada, especificamente Área Interesse Ambiental. Ocorre, conforme previsto no art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c", da Lei nº9.393, de 1996; as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, devem ser comprovadas mediante ato do órgão competente federal ou estadual além da apresentação do ADA. Conforme já observado pela autoridade anterior, a contribuinte não junta ao processo um único documento emitido por órgão público, seja federal ou estadual, que comprove que a área glosada seja de interesse ecológico. E mesmo tendo uma outra oportunidade para isso através da diligência promovida pelo Conselho de Contribuintes, via Ibama, o recorrente não sequer respondeu as 2 (duas) intimações do órgão ambiental, fls. 72. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10247.000128/200557 Acórdão n.º 210201.194 S2C1T2 Fl. 82 6 Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências cobradas. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Não tendo o contribuinte durante as fases processuais de fiscalização, contencioso de primeira e segunda instância, além especialmente da diligência, apresentado qualquer prova para suportar a sua alegação, rejeito a argüição, por falta de provas Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 20/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10830.002334/91-73
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ - OMISSÃ0 DE RECEITA - Verificado saldo credor de caixa, licita a presunção de omissão de receita.
Recurso não provido.
Numero da decisão: 104-11.200
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CELIO SALLES BARBIERI JUNIOR
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RECORRIDA - D.R.F. em CAMPINAS - SP R.C.G. IRPJ - GMISSIA0 DE RECEITA - Verificado saldo credor de caixa, licita a presunção de omissão de receita. Recurso não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso intetposto por NOVA MULHER MODAS E CONFECÇBES LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por u~imidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Salas das Sesseres, em 2:3 de fevereiro de 1994 J.' 42.,--- I ta) i /A mAr A o_HE" ' LEITNO - PRESIDENTE e g LIo ságoTs BAR ...0 JU • - RELATOR (:::gbistiLt$2> _ 1 VISOT EM CARMÉLLIO MANTUANO DE 9?VA - PROCURADOR DA _ - sEssno DE: 2 8 _I ti 1 1194 FAZENDA NACIONAL_ _ _. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: WALDYR PIRES DE AMORIM, EVANDRO PEDRO PINTO, MIGUEL " RENDY, SÉRGIO MURILO MARELLO (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO_ .• DE CASTRO (Suplente Convocado) e CARLOS WALPERTO CHAVES ROSAS. : Defendeu a Recorrente, seu advogado, Dr. HEITOR REGINA OAB/SP n2 - 9.882. Defendeu a Fazenda Nacional, o Procurador Representante, . Dr. EDSON SOARES DA COSIA. MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N9: 10830/002.331/91-73 RECURSO N9: 103.919 ACISRD:40 N9: 101-11.200 RECORRENTE: NOVA MULHER MODAS E CONFECÇaES LTDA. RELATÓRIO NOVA MULHER MODAS E CONFECV5ES LTDA., pessoa jurídica de direito privado, por intermédio de seu representante • (documento as fls. 27), recorre a este Conselho (fls. 45/7). . pleiteando reforma da decisXo (fls. 31/2) prolatada pelo Delegado da Receita Federal em Campinas (SP), que indeferiu impugnação (fls. 24/6) referente ao lançamento descrito às fls. 22. 2. O procedimento fiscal, referente ao exercício de 1988, foi feito em virtude de apuração de o saldo credor de caixa. 3, A empresa tomou conhecimento dos termos do auto de infração em 28/02/91 (fls. 23) e, em 01/04/91 (segunda-feira), apresenta impugnação (fls. 21/6), alegando: a) preliminarmente, informa que a empresa apresenta declaração de rendimentos pelo regime de lucro presumido, devendo, por isso, ser limitada a fiscalização ao por ele exigido, não cabendo o levantamento ora realizado, pois a empresa está dispensada de escrituração: b) apenas como argumento, não importando nenhum reconhecimento por isso, refaz o demonstrativo fiscal, conforme seus dados, concluindo serem os recursos maiores que as despesas, ince xistindo o saldo credor de caixa; In MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2: 10830/002.334/91-73 ACóRDA0 N2: 104-11.200 c) protesta, ainda, pela produção de prova pericial e outras diliTEncias necessárias à demonstração da lisura de seu proceder; d) finalmente destaca a vigente legislação fiscal, da qual decorre a exigfficia tributária por norma Jurídica explícita, não tendo validade nenhum lançamento não estribado nos textos legais, critérios objetivos e técnicos, que possam sustentar a liquidez e certeza do crédito tributário. 4. As fls. 29/30 foi acostada informação fiscal que analisando os termos da impugnação, contesta-os integralmente, propondo, ao final, a manutenção do feito original. 5. A autoridade Julgadora singular prolata decisão (fls. 31/2) fundamentando: a) que a desobrigatoriedade da escrituração contábil para os contribuintes que fazem opção pelo lucro presumido, deve ser entendida conforme disposto na Portaria ME n2 24/79, que transcreve, destacando a obrigação da guarda dos documentos necessários à obtenção daquele regime, sendo essa a razão de a fiscalização ter feito o levantamento de fls. 17, o qual está lastreado nos elementos fornecidos pelo próprio contribuinte, além disso procura demonstrar através dos mesmos elementos, mas com terminologia diversa, a inexistÇncia do saldo credor de caixa, no documento de fls. 25, mas que ambos evidenciam aquele saldo credor, pelo que fica demonstrada a desnecessidade da prova pericial e outras diligÇncias e investigaçbes requeridas pela impugnante, sendo mantido o lançamento original. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Ng : 10830/002.334/Y1 -7J AC6RDA0 Ng : 104 - 11.200 6. A empresa foi cientificada dos termos da decisão em 17/06/92 e. em 06/07/92. apresenta recurso (fls. 45/7) a este Conselho, alegando: a) as exicrências do auto de infração e a decisão ora recorrida. são nulos de pleno direito, por ausétacia de embasamento de ordem legal e técnico, bem como cerceamento de defesa pelo não esclarecimento da metodologia usada para fundamentar a tributaçgo; b) as peças processuais de fls. 29/31, apenas criticam a impugnação, sem, no entanto, fundamentar, face a natureza da obrigaçro tributária; c) reitera os termos da impughaçgo em sua defesa e afirma que o demonstrativo de fls. 17 é ilógico e não técnico, pois compara elementos de natureza distinta, no podendo lastrear divida liquida e certa, passível de eventual execuçgo; d) indica, dentro do processo, os dados que nortearam o demonstrativo que elabora, o qual evidencia a inexisté-ncia de qualquer saldo credor de caixa, e como se trata de matéria técnico-contábil, em caso de dúvida. a recorrente reitera o requerimento de transformar o julgamento em diliancia a fim de ser elaborado laudo contábil. protestando pela apresentação de quesitos e dos assistentes técnicos, na época !I oportuna. É o relatório. h MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2: 10830/002.334/91 -7S ACãRDRO Ne: 104- 11.200 VOTO Conselheiro CÉSIO SALLES BARBIERI :JUNIOR. Relator. O recurso é tempestivo, eis que interposto dentro do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n2 70.235/72. No mérito, não vejo como dar razão à Recorrente. De fato, o demonstrativo por ela apresentado em nada modifica a autuação feita, vez que está totalmente divorciado da demonstração do fluxo de caixa, onde as rubricas de estoque final e saldo anterior, nada refletem sobre o mesmo. Da mesma maneira, incabível o pedido de perícia contábil, haja vista que todos os elementos se encontram no processo, fornecidos pela própria Recorrente e são de extrema singeleza. Nada foi trazido ao processo que pudesse elidir o auto de infração, permanecendo a Recorrente no campo das alegaçefes. Assim, face ao exposto e a tudo mais que do processo consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Br si ia, 2-" feiro de 19 . Xn--ÉLIO SA BARBI-4111Or JUNIOR • REI. TOR Page 1 _0128100.PDF Page 1 _0128300.PDF Page 1 _0128500.PDF Page 1 _0128700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10907.000795/2003-57
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa:
Omissão de rendimentos constatada mediante cruzamento de dados da
CPMF. Movimentação financeira entregue espontaneamente ao Fisco pelo contribuinte.
É de se manter a exigência fiscal na hipótese de não comprovação das alegações feitas em sede recursal.
Não se aplica ao processo administrativo fiscal a lei n. 6.830/80 (LEF), mormente para fins de verificação dos pressupostos de validade do lançamento tributário.
Não cabe ao órgãos de julgamento do CARF afastar multa ou sanção aplicada sob pretexto de inconstitucionalidade (Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”).
Numero da decisão: 2802-001.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: Omissão de rendimentos constatada mediante cruzamento de dados da CPMF. Movimentação financeira entregue espontaneamente ao Fisco pelo contribuinte. É de se manter a exigência fiscal na hipótese de não comprovação das alegações feitas em sede recursal. Não se aplica ao processo administrativo fiscal a lei n. 6.830/80 (LEF), mormente para fins de verificação dos pressupostos de validade do lançamento tributário. Não cabe ao órgãos de julgamento do CARF afastar multa ou sanção aplicada sob pretexto de inconstitucionalidade (Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”).
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Movimentação financeira entregue espontaneamente ao Fisco pelo contribuinte. É de se manter a exigência fiscal na hipótese de não comprovação das alegações feitas em sede recursal. Não se aplica ao processo administrativo fiscal a lei n. 6.830/80 (LEF), mormente para fins de verificação dos pressupostos de validade do lançamento tributário. Não cabe ao órgãos de julgamento do CARF afastar multa ou sanção aplicada sob pretexto de inconstitucionalidade (Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 04/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Versam os presentes autos sobre Recurso Voluntário interposto de decisão a quo que julgou procedente a ação fiscal, derivada de Auto de Infração lavrado em virtude de omissão de rendimentos constatada mediante cruzamento de dados da CPMF e cuja movimentação financeira foi entregue espontaneamente ao Fisco pelo contribuinte. Alega o Recorrente, em apertada síntese, que os valores cuja origem não restou comprovada, se referem à compra e venda de veículos e intermediação na compra para terceiros, recebendo por isso ínfima porcentagem. Afirma ter apresentado documentos idôneos relativos à compra e venda de veículos e, também, comprovado ser o capital de giro sempre o mesmo. Aduz não poder comprovar a totalidade das transações em razão de muitas vezes as operações de compra e venda de veículos não constarem em registro oficial, devido à celeridade do ato. A decisão a quo manteve o Auto de Infração com fundamento na ausência de prova a respeito da origem dos depósitos não excluídos da autuação. Logo: “(...) se o impugnante não apresenta documentos que comprovem inequivocamente possuir os depósitos em questionamentos origem já submetida à tributação ou isenta, materializase a presunção legal formulada de omissão de receitas, por não ter sido elidida, não havendo qualquer arbitrariedade ou abuso de poder, somente a aplicação estrita da legislação vigente.” (fl. 121). Interposto Voluntário e este E. Conselho, alega decadência referente aos fatos geradores 31/1/1998 e 28/2/1998, exorbitância da multa imposta e violação à lei n. 6.830/80. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández Tempestivo e interposto por parte legítima, é de se conhecer o presente recurso. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10907.000795/200357 Acórdão n.º 2802001.131 S2TE02 Fl. 147 3 De início, rejeito a argüição de decadência, com fulcro na Súmula CARF nº n.º 38: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Logo, a contagem do prazo decadencial da omissão de rendimentos constatada a partir de janeiro de 1998, somente se iniciou em 31/12/1998, ocorrendo a intimação da lavratura do Auto de Infração em 19/3/2003; vale dizer, dentro do qüinqüênio legal. Quanto às alegações de exorbitância da multa imposta e violação a princípios constitucionais, vale registrar que o Auto de Infração aplicou a multa de ofício dentro da legalidade e nos termos da jurisprudência deste E. Conselho, sendo vedado ao julgador administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 2, afastar multa ou sanção aplicada sob pretexto de inconstitucionalidade (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”). Por fim, rejeito a alegada violação à lei n. 6.830/80, por não constar de forma ostensiva o número do processo como manda a lei 6.830 em seu artigo 2°, parágrafo 5° e inciso V, por se tratar de texto legal inaplicável ao processo administrativo fiscal federal. Ante o exposto, conheço do recurso e no mérito lhe nego provimento. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández . Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10070.000501/2007-09
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
PENSÃO DE EX-COMBATENTE DA FEB. ISENÇÃO.
Não são isentos do imposto de renda os proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de ex-combatente
da Força Expedicionária Brasileira FEB pagos termos da Lei 8059/90 e do art.53 do ADCT.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2802-001.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: PENSÃO DE EX-COMBATENTE DA FEB. ISENÇÃO. Não são isentos do imposto de renda os proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira FEB pagos termos da Lei 8059/90 e do art.53 do ADCT. Recurso a que se nega provimento.
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ISENÇÃO. Não são isentos do imposto de renda os proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB pagos termos da Lei 8059/90 e do art.53 do ADCT. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 21/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fl. 04) proveniente de revisão de Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício do ano de 2004, anocalendário de 2003, que apurou omissão de rendimentos pela Contribuinte. Devidamente cientificada (fl. 25), a Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação (fl. 01), sustentando a nulidade do lançamento constante da respectiva notificação fiscal, em razão de tratarse de imposto indevidamente exigido, por tratarse de rendimentos isentos (pensão de viúva de excombatente), instruindo a impugnação com documentos, especialmente o título de pensão especial, emitido pelo Ministério da Defesa, de que constam, como fundamentos para o benefício à mesma concedido, o art.53 do ADCT e a Lei nº.8.059/90 (fls.11). Consta (fls.30) requerimento da contribuinte para a anexação de documento à impugnação em razão de ter sido, verbis, “por esquecimento omitido à época da impugnação”, consistindo em cópias de andamento de processo judicial em que supostamente a contribuinte haveria tido reconhecida a impropriedade de descontos na fonte de valores relativos ao imposto de renda sobre a pensão decorrente do falecimento de seu marido. Ato contínuo, os autos foram remetidos para julgamento à 3ª Turma da DRJ/RJ2, em sessão realizada no dia 12/03/2010, resultando no Acórdão n.º 1328.388, que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por considerar que os fundamentos legais do benefício de que se originam os rendimentos tributados (art.53 do ADCT) não o permitem se subsumir nas hipóteses legais de isenção do imposto (fls.35). Intimada da supramencionada decisão, conforme fls.38v, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 43/44), pleiteando a improcedência do lançamento e o reconhecimento da isenção do imposto sobre os rendimentos em questão, trazendo pela primeira vez aos autos nessa instância recursal o título de pensão, referente ao benefício concedido a seu falecido cônjuge, e sustentando, como já o fizera por ocasião da impugnação, o indevido enquadramento legal pelo Ministério da Defesa do benefício concedido à Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. A questão versada nos autos diz respeito a reconhecerse ou não aos rendimentos auferidos pela contribuinte a qualidade de rendimentos isentos e nãotributáveis. A contribuinte, na qualidade de viúva de excombatente, percebe pensão nos termos do art.53 do ADCT e da Lei 8.059/90, como o comprova o título de fls.11. A qualidade de excombatente de seu falecido marido não deve ser questionada, uma vez que fartamente comprovada pela prova dos autos, inclusive os Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10070.000501/200709 Acórdão n.º 280201.339 S2TE02 Fl. 57 3 documentos trazidos aos autos em fase recursal, dos quais conheço com fundamento no princípio do formalismo moderado. O documento de fls.46 deixa claro, que o falecido excombatente passou a receber, com base no artigo 30 da Lei 4.242/63, a partir de 15 de outubro de 1981, pensão militar em razão de a partir de tal data ter sido julgado inválido. Dispunha o artigo 30 da Lei 4.242/63: “Art 30. É concedida aos excombatentes da Segunda Guerra Mundial, da FEB, da FAB e da Marinha, que participaram ativamente das operações de guerra e se encontram incapacitados, sem poder prover os próprios meios de subsistência e não percebem qualquer importância dos cofres públicos, bem como a seus herdeiros, pensão igual à estipulada no art. 26 da Lei n.º 3.765, de 4 de maio de 1960.” Como se vê, não se pode contestar que o falecido marido da contribuinte ostentava a condição de excombatente, participou ativamente das operações de guerra, com de resto atestado também pelo documento de fls.50, e encontravase, quando da concessão do benefício acima referido, em condição de invalidez, sem poder prover o próprio sustento. Ressaltese que a pensão que então percebia o excombatente correspondia ao posto de 2º Sargento, conforme fls.46. Contudo, com a promulgação da Constituição de 1988 e o advento da Lei 8059/90, ao excombatente deferiuse pensão especial a contar de 25 de junho de 1992, conforme se constata a fl.51. Naturalmente que, por tratarse de pensão de excombatente e por haver a Lei 8059/90 inclusive revogado o art.30 da Lei 4242/63, a nova pensão substituiu a antes concedida, uma vez que não poderiam subsistir dois benefícios de idêntica natureza e fundamento, qual seja, a condição de excombatente de seu beneficiário. Observese que não foi apenas o fundamento legal da pensão daquele ex combatente que se alterou, mas também o seu valor, uma vez que o artigo 3º da Lei 8059/90 dispõe: “Art. 3º A pensão especial corresponderá à pensão militar deixada por segundotenente das Forças Armadas.” Demais disso alterouse o fundamento fático do benefício, uma vez que, no s termos da Lei 4242/63 necessário se fazia que o excombatente se encontrasse inválido, enquanto nos termos da Lei 8059/90 e do art.53 do ADCT bastava que tivesse efetivamente participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial. Como se vê, o excombatente ostentou por certo tempo pensão que tinha fundamento na Lei 4242/63, mas esta foi substituída por pensão fundada na Lei 8059/90 e no art.53 do ADCT, regulamentado por esta lei. Foi, portanto, esta última pensão que se transmitiu à sua viúva, ora recorrente, como se pode verificar a fls.11, de que consta que os fundamentos de sua pensão são a Lei 8059/90 e o art.53 do ADCT e não a Lei 4242/63. Dispõe a Lei 7713/88, em seu artigo 6º: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (omissis) XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os DecretosLeis nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art.30 da Lei 4.242, de 17 de julho de 1963, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira;” O RIR/99, acresce ainda o art.17 da Lei 8059/90, uma vez que o caso ali previsto é de prosseguimento do recebimento do benefício instituído pela Lei 4242/63, cuja isenção se reconhece. Isto posto, tendo a pensão da ora recorrente fundamento na Lei 8059/90 e o art.53 do ADCT, não configurandose a hipótese do art.17 da Lei 8059/90, assiste razão à DRJ em sua decisão. Isto posto, nego provimento ao recurso e mantenho a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10209.000644/99-83
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.511
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. ANE SE DAUDT PRIETO Pre aente 2 2 .L.q0N LUI ARTOLI elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. 1 Processo n.° 10209.000644199-83 Resolução n.° 303 -01.511 CC03/CO3 Fls. 704 RELATÓRIO Retomam os autos a esta Egrégia Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, haja vista a determinação do retorno destes para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/ PA, conforme o Acórdão de fls. 584/601, por considerar equivocado o processamento do feito diante da não apreciação da impugnação pelo órgão competente, a fim de preservar os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, os quais obrigam a submissão da matéria ao duplo grau de jurisdição. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls.585/594, transcrito abaixo: "Trata o presente processo de exigência de crédito tributário suspenso por força de Regime Aduaneiro Especial de Drawback, posto que, em procedimento de diligência fiscal levado a efeito, apurou-se o descumprimento de compromisso e condição que isentaria a empresa do pagamento de tributos exigíveis na importação, acarretando em perda do direito ao incentivo do regime especial de drawback. Em 05/10/98, as fls. 01/04, o contribuinte apresenta esclarecimentos, alegando que: (i) as divergências apuradas a partir dos dados do Registro do Controle da Produção e do Estoque, são justificadas pelo fato de que a totalidade das matérias-primas importadas sob o regime de Drawback, foram integralmente consumidas no processo produtivo, resultando em exportação do produto final, sem desvio da finalidade principal do compromisso assumido; (ii) o desvio entre o índice de consumo do Controle da Produção - 1,94, e o índice da média ponderada das comprovações - 2,02, é justificado pelo fato de haver critério especifico para a comprovação pela quantidade, considerando a unidade de cada ato em particular e o seu índice técnico, não havendo, na época, ajuste para recomposição do índice; (iii) o fato de haver um índice real menor do que o utilizado na comprovação, revela uma produção de alumínio maior do que as exportações desse produto ofertadas em comprovação da operação sob Drawback, contudo, deve ser considerada a existência de exportações não vinculadas ao drawback; (iv) ao adicionarmos esta exportações Aquelas objeto de comprovação, temos urn índice de 1,96, o qual está próximo do índice real de produção 1,94, havendo, ainda, a considerar que os Atos Concessórios, por vezes, ultrapassam de um exercício para outro, sendo dificil compatibilizá-los de forma fracionada; (v) o "Coque" e o "Piche" são componentes do processo produtivo sujeitos a estoque sob o titulo de produto ern elaboração; Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CCO3 CO3 Fls. 705 (vi) o índice real de consumo do "Coque" está próximo do índice da média ponderada das comprovações, sendo a pequena diferença justificável em virtude dos Atos Concessórios não estarem limitados, no todo, ao período de apuração, razão dantes já alegada, no caso da "Alumina"; (vii) o índice real de consumo do "Piche" está a maior do que o índice da média ponderada, este fato se justifica por haver aquisição desse material produtivo, no mercado interno, da empresa Usiminas; (viii) corno se evidencia urna relativa compatibilidade dos indices, temos a acrescentar que o fluoreto é componente do banho eletrolitico, cujo consumo pode ser reduzido pela aplicação de criolita sintética e/ou, em substituição a esta, sendo que, a pequena divergência pode ser justificada pelo fato, já apresentado, de que os Atos Concessórios podem ultrapassar de um exercício para outro. Na oportunidade, apresenta "Histórico Codificado", juntamente com o "Descritivo do Plano de Contas", os quais aduz possibilitar a transcodificação dos lançamentos contábeis dos Livros Diários e Razão, bem como "Livro Registro do Controle da Produção e do Estoque". Intimado, em 29.12.98, a apresentar justificativa sobre as sobras de mercadorias, o contribuinte manifesta-se ás fls. 422/423, alegando, em suma, que: (i) em virtude do incremento tecnológico no processamento do alumínio, o índice de aproveitamento das mercadorias importadas melhorou, gerando um coeficiente de produção mais vantajoso para o pais, que passou a necessitar de maior quantidade de produto final exportável; (ii) não houve sobras das mercadorias alumina, coque calcinado de petróleo, piche eletrolitico e fluoreto de alumínio, referentes ao período de 1993 a 1995, pois tudo que ingressou no pais sob o regime de drawback foi exportado, consoante pode ser verificado através de seus documentos fiscais; (iii) uma vez que todo o produto que ingressou no pais favorecido pelo regime de drawback foi utilizado na exportação — com o acréscimo de que o coeficiente de aproveitamento destes produtos importados foi mais favorável para o pais — entendem não ter havido nenhum dano ao Erário, uma vez que todas as obrigações de pagar foram cumpridas, inexistindo qualquer remanescente de mercadorias, ou internação, que possam gerar débito de tributo; (iv) caso haja o entendimento de que houve infração a uma obrigação acessória, admite-se que a eventual capitulação deva ser enquadrada no art. 522, IV, do Código Aduaneiro. Anexou documentos de fls.424/429. A seguir, o Relatório de Conclusão da Ação Fiscal (fls. 430/434), concluiu, em suma, que: Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 706 (i) não convencidos pelas justificativas apresentadas pelo contribuinte, solicitou- se a abertura de nova ação fiscal, pois os indícios de infração verificados eram diferentes dos constantes da Diligência Fiscal levada a efeito no contribuinte; (ii) infere-se das considerações e informações prestadas pelo contribuinte, que este admite os indices de insumo/produto que foram apresentados pela Fiscalização e que as sobras existiram e foram utilizadas na fabricação de produtos exportados, através dos Registros de Exportação e Declarações de Exportação; (iii) ainda que a legislação permitisse essa situação, as quantidades exportadas apontadas pelo contribuinte não bastariam para adimplir o seu compromisso de exportação utilizando-se os indices apurados pela Fiscalização; (iv) considerando-se que o processo fabril do alumínio é continuo e complexo não permitindo, em conseqüência, o acompanhamento pelo Controle de Estoque do fluxo fisico dos insumos utilizados no processo produtivo, optou-se por utilizar a média diária do consumo de insumos e da produção de alumínio primário em períodos anuais para definir os indices de insumo/produto; (v) utilizando os dados constantes do Controle Eletrônico de Estoque, no período de 1993 a 1995, apresentado pelo contribuinte (fls. 06 a 187), dividimos a média do mês de outubro do insumo destinado a produção, pela média diária do mês do produto acabado, resultando no índice insumo/produto; (vi) apesar de dispor do prazo de até trinta dias, contados a partir da data limite para exportação, para apresentar os Relatórios de Comprovação, confonne disposto no art. 36, da Portaria DECEX n° 24, de 26/08/92, momento em que ainda seria possível fazer os ajustes determinados pelos indices de insumo/produto, o contribuinte em questão, optou por não fazê- lo; (vii) após a finalização de todos os Relatórios de Conclusão de Drawback elaborados pela Fiscalização, descaracterizou-se, corn base no art. 3°, da Portaria MEFP n° 594/92, os Atos Concessórios de Drawback — Suspensão n's 1-92/156-2 (fls. 200 a 224), 1- 93/061-5 (fls. 257 a 282), 1-93/186-7 (fls. 309 a 327) e 1-94/081/2 (fls.348 a 371), seus Aditivos e Relatórios de Comprovação pela utilização nesses Atos Concessários de indices superestimados e incompatíveis com o processo produtivo de alumínio primário verificado através do Controle de Estoque do contribuinte. Das sobras dos insumos apuradas no curso da fiscalização, autorizada pela FM n° 1998-00.021-0 e 1998-00.022-8, exige-se através do Auto de Infração (fls.436/449) competente os tributos e acréscimos legais devidos pela inadimplência do contribuinte no compromisso de exportar, segundo os Relatórios de Comprovação de Drawback elaborados pela Fiscalização, utilizando os indices de insumo/produto constantes das fls. 188 a 199, e pela inércia do contribuinte em tornar uma das providências relacionadas no inciso I, do art. 319, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030, de 05.03.85, e alterações. Ciente do Auto de Infração, em 13.10.99, o contribuinte apresenta tempestiva Impugnação as fls. 451/483, aduzindo, em suma, que: .), (i) a empresa está sempre em busca de técnicas que aperfeiçoem o processo produtivo, com o intuito de reduzir os custos dos produtos e aumentar em escala inversamente 4 Processo n.° 10209.000644 199-83 Resolução n.° 303-01.511 CCOIC03 Fls. 707 proporcional a sua produção, por esta razão, a Albrds conseguiu aumentar o seu índice de aproveitamento dos insumos, gerando, por conseguinte, um coeficiente de produção mais vantajoso para a empresa que passou a necessitar de menor quantidade de mercadoria importada para obter maior quantidade de produto exportável; (ii) não há produção excedente resultante da utilização de insumos importados sob o manto do Drawback, que tenha sido consumida internamente, pois a produção para o mercado interno advém de matérias primas adquiridas no próprio mercado interno ou externo, nesse Ultimo caso, com pagamento dos tributos devidos; (iii) a fiscalização concorda em seu relatório da impossibilidade de se efetuar controle de estoque do fluxo fisico dos insumos, em função da complexidade do processo fabril da impugnante; (iv) ao excluirmos o restante da alumina considerada como sobra no Relatório de Conclusão Fiscal, vamos apurar um montante de 17.830,90 TM de insumos, enquanto que no Mapa de Valor Tributável temos um total de 18.295,95 TM, logo, há uma diferença nos levantamentos fiscais, em favor do fisco de 465,05 TM, demonstrando que há urna incorreção nos levantamentos fiscais, os quais devem ser submetidos à perícia para que se apure a correção dos valores ali demonstrados, caso contrário eiva-se de nulidade o AI e todo o processo administrativo fiscal; (v) a apuração correta das supostas sobras é de suma importância para que seja procedida a defesa, já que sem saber quais foram os montantes exatos das supostas sobras de insumos apuradas, não poderão os mesmos serem identificados individualmente no Controle de Estoques e nas próprias Dls ou REs, prejudicando, dessa forma, a defesa; (vi) não se pode fabricar alumínio primário sem os seus insumos completos - alumina, coque, piche e fluoreto — onde, necessariamente, lid que se produzir quantidades de produto final equivalente aos insumos consumidos analisados entre si, ou seja, utilizando-se um índice de insumo produto na razão de 1,936 para a alumina; 0,349 para o coque; 0,091 para o piche e 0,018 para o fluoreto (foram estes apurados pela fiscalização), teremos que ter sempre urna produção equivalente ao consumo de cada insumo; (vii) não seria possível fabricar alumínio primário sem todos os seus componentes, e não haveria de onde tirar os insumos complementares para sustentar a presunção da fiscalização; (viii) se sobrou piche suficiente para fabricar somente 4.507,06 TM de produto final, como é que com a sobra de Fluoreto a empresa fabricaria 24.310,49 TM de produto final? Impossível; (ix) imposto a pagar somente haveria caso fosse implementada a hipótese do art. 319, 1, "c", parágrafo único do Regulamento Aduaneiro, caso contrário, haveria homologação dos procedimentos de "lançamento fiscal — contábil" do sujeito passivo para apuração do tributo; (x) a característica básica do lançamento por homologação é exatamente a possibilidade do sujeito passivo concluir pela falta de pagamento do tributo em razão da apuração por ele mesmo realizada; Processo n.° 10209.000644/99-83 Reso n.° 303-01.511 CC03,CO3 Fls. 708 (xi) operou-se a decadência do direito da Fazenda Federal exigir o crédito tributário lançado no Auto de Infração; (xii) considerando que a data do registro da DI é a data de ingresso da mercadoria estrangeira no território nacional, sendo, portanto, a data da ocorrência do fato gerador, e que, in casu, o lançamento será por homologação, pois é o próprio contribuinte quem deveria apurar as sobras de insumos não exportadas, deve o prazo decadencial ser contado nos moldes do art. 150, §4 0 , do CTN; (xiii) o lançamento de II, bem corno IPI, nos casos de haver "quebra" de Drawback, em tese, são devidos quando o próprio contribuinte detecta a sobra de insumos e os utiliza para a produção que será revendida internamente, nesse momento, o próprio contribuinte apura as sobras de insumos acobertadas pelo Drawback suspensão, utilizadas para produzir produtos revendidos no mercado interno, e as tributa, recolhendo o imposto junto ao órgão arrecadador diretamente, sem efetuar prévia consulta ao fisco, sem o seu prévio exame, portanto; (xiv) sendo o lançamento por homologação, deve estar jungido à regra decadencial do artigo 150, §4°, já que inexiste lei prevendo especificamente o prazo para a autoridade fiscal homologar os resultados dos Atos Concessórios de Drawback; (xv) a jurisprudência do Conselho de Contribuintes entende que o prazo para o contribuinte recolher o tributo devido na hipótese do art. 319, I, "c", parágrafo único, são de trinta dias, interpretação do art. 36, da Portaria DECEX n° 24, de 26.08.92, determinando assim o lançamento por homologação, pois o próprio contribuinte é quem apura a base de cálculo e o valor a recolher sem a prévia audiência do fisco; (xvi) se a Fazenda não efetuou o lançamento a tempo, e em se tratando de lançamento por homologação, onde o próprio contribuinte identifica o fato gerador, apura a sua base de cálculo, aplica a aliquota do tributo e após recolher o tributo, se devido for, não poderá mais fazê-lo ultrapassado os cinco anos decadenciais previstos no art. 150, §4°, do CTN; (xvii) o impugnante não tornou nenhuma das providências previstas no inciso I do art. 319 do Regulamento Aduaneiro, haja vista que não houve inadimplemento de exportar, muito menos, como a própria fiscalização asseverou, tomou as providências do inciso I, posto que desnecessárias e inocorrentes; (xviii) as providências do inciso I do art. 319, que devem ser tomadas somente ern caso de inadimplemento do compromisso de exportar, não foram tornadas porque: - devolução ao exterior ou reexportação: não houve reexportação ou devolução de insumos ao exterior pois os insumos importados adquiridos sob o manto do Drawback foram exportados como produto final; - destruição, sob o controle aduaneiro: é fato que essa medida não foi tomada pela empresa, haja vista que não houve sobras a serem destruidas, pois tudo o que se importou foi exportado sob a forma de produto final; - destinação para o consumo interno nas mercadorias remanescentes: como a própria fiscalização reconhece, no auto de infração essa medida também não foi tomada, pois 6 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CCO 3 'CO3 Fls. 709 todo produto final destinado ao consumo interno é produzido com matéria prima nacional ou importada corn o pagamento de tributos. (xix) o Regulamento Aduaneiro somente prevê o pagamento dos tributos suspensos pelo Drawback, quando há o implemento da aliena "c" do art. 319, ou seja, se houver destinação para o consumo interno das mercadorias remanescentes importadas; (xx) para haver tributação há a necessidade de plena comprovação de que as mercadorias importadas sob o manto de Drawback foram destinadas para o mercado interno; (xxi) por mais que o Fisco, em seu enquadramento fatico não afirme tal hipótese, nem poderia fazê-lo, haja vista que não houve levantamento especifico que detenninasse o consumo interno de produto acabado, contudo, tipificou na página 2 do auto a alínea "c" do art. 319, I, como fundamentação legal da infração, ou seja, conclui, presuntivamente, que as supostas sobras do tributo foram utilizadas no mercado interno; (xxii) o Fisco restou onerado em apresentar duas comprovações: a de que houve sobras nos regimes de Drawback e a de que essas sobras foram destinadas ao mercado interno, no entanto, isso claramente não foi provado; (xxiii) a impugnante faz prova de que adquire mercadoria importada com tributação, bem como adquire mercadorias nacionais, para atender a sua pequeníssima produção destinada ao mercado interno, para tanto, traz à colação planilha que demonstra o Resumo das Quantidades Mensais das vendas no Mercado interno, Anexo II; (xxiv) somadas as saídas internas ao longo de cinco anos, tem-se uma venda interna de tão somente 13.108,525 Toneladas Métricas; (xxv) a fiscalização presumiu que foram vendidas no mercado interno, corn produtos oriundos de Atos Concessórios de Drawback, com suspensão do imposto urn total de 10.761,48 TM — considerada a base do insumo alumina; 20.789,50 T.M. — considerada a base Coque e 24.310,49 T.M., considerada a base de Fluoreto, tal presunção é completamente improcedente, pois se prova que os montantes de sobras superam as vendas de cinco anos de comercialização interna de produtos finais; (xxvi) prova-se também que a empresa adquire insumos no mercado interno, bem como no mercado externo, devidamente tributada — anexo III — de forma que os AFTNs deveriam efetuar o levantamento completo das aquisições da empresa no mercado interno, considerando os seus estoques iniciais e finais em exercícios fechados, para concluir se há ou não venda no mercado interno de produtos produzidos corn insumos beneficiados pelo Drawback; (xxvii) a simples presunção de erros na apuração de coeficientes de produção, que levaram os AFTNs a concluírem que houve sobras no Regime Drawback e que essas sobras foram consumidas no mercado interno, não podem implicar em pagamento do imposto, mas no máximo a uma multa por descumprimento de obrigação acessória, já que como será demonstrado a seguir, todos os insumos importados sob o manto do Drawback foram exportados corno produtos finais; (xxviii) a presunção é instituto abominável no Direito Tributário e nele não encontra guarida, haja vista o Poder de Tributar estar condicionado ao principio da Legalidade Processo n.° 10209.000644 199-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 710 e da Tipicidade Cerrada, ou seja, não se pode exigir tributo sem a prévia existência de lei que assim determine, muito menos, criar-se hipótese de incidência tributária não contemplada na Lei; (xxix) busca a fiscalização presumir ocorrência de um fato que quebra a suspensão do pagamento do tributo, fato esse que não pode ser presumido, mas deve ser provado e comprovado, e não há nada nos autos que possa comprovar que houve a destinação para o consumo interno das supostas sobras; (xxx) isso porque, no levantamento da Fiscalização não consta os estoques iniciais e finais de insumos, que são controlados independente do Drawback — suspensão, ou seja, o fato de sobrar insumos no controle de Drawback não representa dizer que essas sobras foram utilizadas no consumo interno, pois além de todo o consumo interno de 5 anos ser inferior as sobras, aquelas sobras poderiam estar em estoque, aguardando uma futura exportação, que normalmente é o que acontece; (xxxi) os estoques da empresa, por esta possuir um ciclo de produção complexo, são únicos, não havendo separação fisica da matéria-prima importada pelo regime Drawback, da matéria-prima importada com tributação e da matéria prima nacional, logo, só se pode concluir que foi utilizado insumos protegidos pelo regime de Drawback no mercado interno, se fosse feito um levantamento de estoque fisico, ano após ano, envolvendo todas as matérias- primas adquiridas, bem como tudo aquilo que foi destinado As exportações e ao mercado interno; (xxxii) para comprovar se houve consumo interno das sobras, haveria necessidade de se apurar os estoques iniciais e aquisições no mercado interno e externo tributadas, cujo resultado nos forneceria o consumo de matérias primas utilizadas na produção interna e as exportadas (que poderiam ser efetuadas pelo regime de Drawback isenção); (xxxiii) não se considerou que a empresa possui estoques iniciais e finais, sendo que as supostas sobras, fisicamente e contabilmente, devem estar alocadas nos estoques, como prova disso, apresenta-se o Demonstrativo de Estoque de Produto/matéria Prima; (xxxiii) não foram consideradas as aquisições no mercado interno e as importações tributadas, que também justificam toda a revenda no mercado interno; (xxxiv) não se observou que a quantidade total em Toneladas Métricas de Alumínio de 5 anos são inferiores a apuração das sobras de insumos realizadas pela fiscalização; (xxxv) traz a colação as planilhas de todas as suas aquisições de insumos importados, seja no regime de Drawback suspensão ou isenção, comprovando-se que tudo o que se importou foi exportado; (xxxvi) nesse relatório, poderá ser identi ficado as importações efetuadas pelas DIs através dos seus números e datas, bem como individualmente pelo tipo de insumo importado, ao final se tem as somas das importações no período, conforme o ano de importação; (xxxvii) demonstra-se através de Planilha de Controle de Exportação, todas as .1 exportações realizadas nos anos respectivos, com a indicação da RE n° e data; 8 Processo n. ° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 711 (xxxviii) as exportações estão demonstradas em números globais, face a impossibilidade de urna vinculação diária de corno ocorreu na prática, entre as matérias primas importadas em Drawback e as respectivas exportações; (xxxix) o demonstrativo efetuado no mesmo período de apuração dos atos concess6rios de Drawback, indica que o quantitativo de exportação foi sempre maior que as importações, salvo no ano de 1994 em comparação ao insumo Coque e Fluoreto, cuja justificativa da diferença é plenamente compensada com as exportações de 1995, haja vista que não podem ser coincidentes no aspecto temporal as importações com as exportações, pois a exportação não é efetuada logo após a importação; (xl) todos os insumos importados sob o manto do Drawback foram exportados, mesmo que fora do período concess6rio, o que no máximo resultaria em multa administrativa, posto que o ingresso de insumos protegidos pelo Drawback determina a suspensão do pagamento do imposto; (xli) as autoridades fiscais incluíram no auto de infração a tributação da alumina, quando na própria DI 19/001, de 23/02/95, que deu origem à importação consta a tributação em aliquota zero do II e de IPI, no entanto, a autuação foi efetuada sob a aliquota de 2%, sem qualquer amparo legal, haja vista que até os dias de hoje a importação deste insumo pennanece com tributação à aliquota zero, assim, requer-se a exclusão da autuação, também por este motivo. Pelo exposto, preliminarmente, requer seja decretada a nulidade do auto de infração em razão do claro cerceamento de defesa, face a contrariedade dos levantamentos fiscais apurados pelo fisco, fazendo-se necessária a perícia técnica, e caso não se entenda pela nulidade, no mérito, pleiteia a completa improcedência do lançamento. Anexa os documentos de fls. 484/561. Remetidos Os autos à DRJ/Belém, esta converteu o julgamento em diligência para que fossem sanadas questões relativas à procuração e substabelecimentos juntados nos autos. Cumprida a diligência e reencaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, o lançamento foi julgado nulo (fls. 575/579), sob o prisma da seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Importação- II Data do fato gerador: 04/06/1993, 01/12/1993, 23/02/1995 Ementa: TERMO DE RESPONSABILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. nulo o lançamento de oficio de II cuja exigência houver sido formulada em concorrência com tenno de responsabilidade exigido pela legislação de regência anteriormente firmado pelo sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Data do fato gerador: 10/05/1993, 10/12/1993, 03/12/1993, 12/08/1994 Ementa: TERMO DE RESPONSABILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 712 E nulo o lançamento de oficio de Ipi vinculado cuja exigência houver sido formulada em concorrência corn termo de responsabilidade exigido pela legislação de regência anteriormente firmado pelo sujeito passivo. Lançamento Nulo." Em virtude da decisão proferida, a DRJ/Belém recorre de oficio ao Terceiro Conselho de Contribuintes. Tendo ern' vista o disposto na Portaria MF IV 314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração ate as lis. 583, última. E o relatório." Os autos foram encaminhados para a DRJ em Belém do Pará, entretanto, consoante informação de fl.603, esta se declarou incompetente para julgar a matéria em litígio, encaminhando os autos, portanto, para a DRJ em Fortaleza. Assim, a DRJ em Fortaleza, em atendimento ao disposto no Acórdão já mencionado, tomou conhecimento da impugnação do contribuinte, considerando o lançamento procedente em parte, sob o prisma da seguinte ementa (fis.604/605): "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/05/1993, 04/06/1993, 01/12/1993, 03/12/1993, 10/12/1993, 12/08/1994, 23/02/1995 Ementa: DIREITO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEMONSTRATIVOS DE CALCULO. Havendo clareza, coerência e exatidão nos demonstrativos de cálculo que respaldam a exigência tributária e encontrando-se ainda embasados em robusta prova documental, que possibilita o conhecimento dos dados utilizados na determinação da matéria tributável, resta infundada argüição de cerceamento do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais do Direito Tributário Data do fato gerador: 10/05/1993, 04/06/1993, 01/12/1993, 03/12/1993, 10/12/1993, 12/08/1994, 23/02/1995 Ementa: DRAWBACK.. SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. IMPOSTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Em caso de inadimplemento do regime drawback, modalidade suspensão, o termo de inicio do prazo decadencial, para lançamento dos impostos incidentes na importação, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao do recebimento, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, do relatório final de comprovação, emitido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) por meio das agências bancárias habilitadas. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 10/05/1993, 04/06/1993, 01/12/1993, 03/12/1993, 12/12/1993, 12/08/1994, 23/02/1994 Ementa: DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES .3 ,PERANTE A SEC EX. 10 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303 -01.511 CC03/CO3 Fls. 713 A suspensão de tributos, pela aplicação do regime drawback, obriga o beneficiário a comprovar, perante a Secex, nas condições e prazos estabelecidos, a efetiva exportação dos produtos em cuja elaboração foram utilizadas as mercadorias importadas. A Receita Federal não tem competência para aceitar exportações não comprovadas perante a Secex. INADIMPLEMENTO. ônus do beneficiário demonstrar o cumprimento do drawback, por meio da comprovação da exportação dos produtos fabricados mediante o emprego das matérias-primas importadas ao amparo do regime, atendendo as demais condições estabelecidas no ato concess6rio. A falta de comprovação das exportações é fator suficiente para caracterização do inadimplernento do drawback e cobrança dos impostos que ficaram suspensos por ocasião da importação. Lançamento Procedente em Parte." Ciente da decisão proferida em primeira instância, conforme intimação de fl.649, o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário As fls.654/696, no qual alega, em suma, que: foi autuado por não ter cumprido o compromisso de exportar produto elaborado com insumos desembaraçados sob o Regime Aduaneiro de Drawback — Suspensão, relativamente aos Atos Concessórios n's 1-93/156-2, 1-93/061-5, 1-93/186-7 e 194/081-2, e também não tomou nenhuma das providências previstas no inciso I, do art. 319, do Regulamento Aduaneiro — RA; a preliminar de cerceamento de defesa tem por validade a contrariedade e o erro do levantamento fiscal, bem como a impossibilidade de se concluir que os produtos não foram exportados, sem que a fiscalização realizasse um levantamento do estoque fisico no tempo determinado e ainda analisasse os documentos e demonstrativos apresentados, os quais foram excluídos sem qualquer justificativa pela autoridade recorrida; em razão do acima exposto, foi requerido a realização de perícia na apuração do coeficiente de produção e diligência para que o Fisco comprovasse se as vendas das mercadorias ao mercado interno foram realizadas ou se foi dada outra destinação distinta da exportação aos produtos produzidos, todavia, tanto no primeiro quanto no segundo julgamento em primeira instância, nenhuma destas providências foi tomada, ou seja, o cerceamento de defesa é duplo; f1.435 consta os demonstrativos de valor tributável nos quais encontram-se os quantitativos mensurados em razão da Tonelada Métrica — TM, os quais correspondem As sobras de insumos, que com a aplicação do índice de produção foram convertidos em produtos acabados supostamente não exportados; conforme o relatório conclusivo da ação fiscal, item 5, observa-se um quadro onde ha indicações das sobras dos produtos referentes aos AC 1-92/156-2 e 1-93/061-5, indicando um total de sobras em 1993 e 1994, dessas sobras foram abatidas as RE 93/0664012 e RE 94/0477655001, porém, não foram consideradas quando do lançamento do crédito t, tributário, concluindo-se supostamente, por um total final de produção de alumínio primário sem comprovação; 11 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resoluçfío n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 714 qualquer desconsideração de REs no levantamento fiscal irá implicar em diferença a favor do Fisco, visto que a auditoria apregoa que se deixou de cumprir o compromisso de exportar o insumo importado sob a forma de produto final; a comprovação do acima posto somente se da através das REs e das notas fiscais de exportação; a fiscalização não considerou em seus levantamentos as REs 93/0664012 e 94/0477655001, as quais representam produtos finais exportados e que não foram consideradas em nenhum outro ato concessório, estando as mesmas vinculadas ao ato concessório em fiscalização; a explicação do trecho tirado da decisão recorrida (fl.659) não prospera, pois não há menção à omissão das REs que foram juntadas nos autos e que foram desconsideradas dos levantamentos; a autoridade recorrida simplesmente explica os levantamentos, porém, de maneira ruim, visto que não considerou, assim como a fiscalização, a inclusão das duas REs que reduziram claramente a diferença apontada pelo Fisco, isto porque tais REs comprovariam a exportação dos produtos acabados; o que a fiscalização propôs não foi a exclusão da alumina (produto final dos insumos), mas sim a sua desconstituição em insumos, cujos valores apurados devem ser reduzidos dos relatórios onde se apontam as diferenças não exportadas, posto que ajuntada das REs foi para comprovar que aquela quantidade de insumos foi exportada sob a forma de produto final e guarnecida pela comprovação das REs 93/0664012 e 94/0477655001 que foram excluídas pela fiscalização sem qualquer justificativa e que, em função disso, desqualificam o relatório do Fisco; no demonstrativo de apuração do Valor Tributável (fi.435), quando somadas as quantidades totais das sobras de insumos, tem-se o valor de RS 18.295,95 TM de insumos, quais sejam, alumina calcinada, que não é produto final, fluoreto, piche e coque, contudo, o Ilustre Julgador soma as REs, sendo que, na verdade, deveria fazer a redução dos valores; quando somamos as sobras do demonstrativo acima descrito, excluída a alumina dos períodos de 1993 e 1994, cuja importação tem aliquota zero referente ao IPI e II, temos um montante de 17.830 TM de insumos; tal diferença, além de reduzir o crédito tributário tornando-o ilíquido, desqualifica-o e, no mínimo, reduz o crédito tributário lançado; o 11. Julgador, ao afirmar que a diferença apurada na realidade é "de 17.511,38 TM não 17.830,90 TM, como equivocadamente afirma a impugnante", só faz confirmar a inadequação do levantamento para dar segurança ao lançamento do crédito tributário, o qual se sabe muito bem que não passível de dúvida; por ocasião da impugnação, foi dito que a única e possível inclusão de importação de Alumina como tributável é a constante da DI-Adição n°. 19/001 de 23.02.1995, na qual o total importado (sobras) foi de somente de 319,48 TM; Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 715 ao ser excluído o restante da alumina considerada corno sobra no relatório de conclusão fiscal, apura-se um montante de 17.830,90 TM de insumos, enquanto que no Mapa de Valor tributável temos um total de 18.295,95 TM, logo, há urna diferença nos levantamentos fiscais em favor do Fisco de 465,05 TM; diante do fato acima exposto, observa-se claramente que há urna incorreção nos levantamentos fiscais, devendo estes serem submetidos a perícia para que se apure a correção dos valores ali demonstrados, pois, do contrário, o AINF é dotado de nulidade e, conseqüentemente, todo o processo administrativo; a autoridade coatora não apontou qual os erros do relatório apresentado, não detenninou a diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse, fundamentadamente, sobre os relatórios e documentos apresentados e transformou os demonstrativos apresentados pelo fisco corno prova juris et de juris, pois, sem apontar onde haveriam incorreções, desqualificou os documentos apresentados e deu validade inquestionável aos apresentados pelo fisco; a apuração correta das supostas sobras é de grande importância para a defesa, pois somente através delas é que se pode apurar o suposto quantitativo tributário, principalmente quando se observa que o Fisco já deixou de considerar documentos essenciais ao deslinde da questão; não se pode fabricar alumínio primário sem os seus insumos completos, quais sejam, alumina, coque, piche e floureto, onde necessariamente há que se produzir quantidades de produtos finais equivalente aos insumos consumidos analisados entre si, ou seja, utilizando- se um índice de insumo produto na razão de 1,936 para a alumina; 0,349 para o coque; 0,091 para o piche e 0,018 para o fluoreto — dados estes apurados pela fiscalização — sempre se terá urna produção equivalente ao consumo de cada insumo; segundo o relatório da fiscalização, foram produzidas, presumivelmente, 20.780,50 TM de alumínio primário com as sobras de piche que supostamente foram comercializadas no mercado interno, no entanto, para produzir 20.789,50 TM de alumínio seriam necessárias mais 40.248,47 TM de alumina; 7.225,54 TM de Coque; 1.891,84 de Piche e 374,21 TM de floureto Indaga-se: "de onde a impugnante retirou esses insumos?" A resposta é simples, "de lugar nenhum, posto que essa quantidade apurada pela fiscalização não foi produzida"; só foram apurados, conforme demonstrativo do relatório de conclusão da ação fiscal, 31.303,21 TM de alumínio primário com as sobras de alumina, que considerando a redução das RES n's 93/0664012 e 94/0477655001, teríamos uma fabricação suposta de alumínio primário de somente 10.761,48 TM; é impossível fabricar o alumínio sem o principal componente básico que é a alumina; sem a análise dos estoques da empresa sequer se poderia apurar as diferenças supostamente existentes, razão pela qual se requer diligência no sentido de apurar se tais diferenças realmente não foram exportadas sob a forma de produto final; i considerando as deduções da fiscalização, as sobras de alumina somente poderiam resultar numa fabricação de 10.761,48 TM de produto final, logo, no se pode 13 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resoluç5o n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 716 presumir que essa sobra deu origem a uma quantidade certa de produto final havendo urna completa presunção de que o saldo apurado pela fiscalização resultou em produto final comercializado no mercado interno; o mesmo se diz com relação ao piche, cuja sobra resultou numa fabricação de 4.507,06 TM, já deduzidas as REs não consideradas na autuação, assim, se sobrou piche suficiente para fabricar somente 4.507,06 TM de produto final, seria impossível a fabricação de 24.310,49 TM com a sobra de fluoreto; há contradição entre os estoques iniciais e finais da empresa porque primeiro houve a negativa de realização de diligências para apuração dos seus estoques à época da autuação e segundo pelo indeferimento do pedido de perícia nos levantamentos fiscais, eis que tal perícia é necessária em função da apontada contrariedade; o regime Drawback — Isenção somente pode ser cassado ou revogado no caso das hipóteses previstas no artigo 319 do RA, ocorrendo uma dessas hipóteses, o beneficiário do regime será considerado inadimplente, pois descumpriu o seu dever de exportar os insumos importados corn a suspensão dos tributos; é necessário que a fiscalização comprove que não houve a exportação sob a forma de produto final dos insumos importados e vinculados ao Ato Concessório fiscalizado mediante a apresentação de notas fiscais de vendas do produto ao mercado interno; a empresa não tem razão para utilizar REs inadequadas às operações do Drawback, vez que é essencialmente comercial exportadora; o julgador não poderia, ao seu único critério, expurgar a produção de provas por julgá-las desnecessárias ou por não preencherem um requisito formal; a prova a ser produzida não serviria apenas para convencimento da primeira instância, mas também para complementar o processo e satisfazer a exigibilidade dos atos da administração pública, mesmo porque, não interessa A Fazenda Pública exigir tributo indevido; a contraprova ao argumento da fiscalização de que houve o inadimplemento do dever de exportar tem como finalidade comprovar que todos os insumos importados foram exportados sob a forma de produto final, contudo, referida prova so poderia ser realizada através de novas diligências, quais sejam: 1) apurar se a empresa emitiu alguma nota fiscal de saída para venda interna de produto bene ficiado pelo drawback; 2) constatar se o produto importado saiu do estoque da empresa sob outra forma; e 3) saber se houve uma das destinações ao produto importado não permitida pela legislação; a perícia, que também foi desconsiderada, assim corno as diligências, tinham como finalidade: 1) apurar a regularidade do levantamento fiscal, posto que este desconsiderou duas REs em seu levantamento; 2) apurar se a Albrás pode fabricar alumínio somente com insumos parciais; 3) apurar se os estoques da empresa representam e se adequam as suas saídas para o exterior; 4) se as diferenças apontadas pela fiscalização são corretas; e 5) se as diferenças apontadas pela fiscalização conferem com as notas fiscais de saídas vinculadas aos atos concessórios e as REs; Processo ri.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CCO3 CO3 Fls. 717 a decisão, além de parcial e contraditória, reconhece que se deve procurar saber por meio de diligências se as exportações realizadas se referiam a produtos que continham os insumos importados no regime drawback; o beneficio da dúvida favorece ao contribuinte e não ao Fisco; a empresa tern 99% de sua produção exportada, razão pela qual não se poderia presumir que os insumos importados não foram exportados; ao ser ignorado o pedido de diligência e julgar pela dúvida, favorecendo o Fisco, a autoridade fiscal desconsiderou por completo o direito ao contraditório e ampla defesa, pois deu mais valor ao formalismo do que a realidade do processo; o regime drawback suspensão tern corno modalidade de lançamento o efetuado por declaiação, isto porque é a partir do deferimento do regime que se assina o Termo de Responsabilidade; o lançamento é considerado efetuado no momento da assinatura do Termo de Responsabilidade; o lançamento é por declaração sob o ponto de vista de haver Termo de Responsabilidade assinado onde se declara todos os elementos necessários a cobrança do tributo; o prazo prescricional inicia-se na data em que o Fisco poderia exigir o Termo de Responsabilidade, isto conforme decisão do STJ e do Conselho de Contribuintes; de acordo com a tabela de fis. 673, o Fisco poderia ter apresentado e executado o Termo de Responsabilidade na medida da inadimplência, todavia, não o fez, razão pela qual o direito deste prescreveu; os Comunicados DECEX não prevêem qualquer determinação que não esteja prevista no RA; ao exportar todas as mercadorias importadas com o beneficio da suspensão, cumpriu as regras de fundo previstas para o Ato Concessório, razão pela qual a DECEX homologou o Ato Concessório; o regime drawback suspensão requer apenas que o contribuinte comprove que as mercadorias importadas sob o manto da suspensão foram devidamente exportadas e que tal comprovação foi efetivada e comprovada perante o DECEX; o drawback é concedido pela autoridade de comércio exterior e somente por ela pode ser cassado, bem como, é incabível exigir obrigação não exigida na época da concessão do regime; a autoridade administrativa não pode fazer exigências posteriores A concessão, principalmente as que não estão previstas em lei, até mesmo porque o Ato Concessório do regime foi concedido pelo SECEX no qual a empresa se habilitou com os requisitos necessários a tal direito; 15 Processo n.° 10209.000644199-83 Resoluçao n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 718 a concessão do regime foi feita de forma vinculada; o Fisco lavrou o AI por ter considerado que a empresa inadimpliu o seu dever de exportar as mercadorias importadas ao AC1-92/156-2 e 1-93/061-5, apesar de esta ter exportado todas as mercadorias importadas, vez que somente opera com exportação; de acordo corn o art. 108 do CTN, não se pode usar a analogia para exigência de tributo previsto em lei assim como não se pode aplicar a equidade para dispensar o pagamento de tributo devido; segundo a regra interpretativa prevista no art. 111, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente quando se trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção; havendo dúvida quanto a capitulação legal do fato ou a natureza — no que tange As circunstâncias materiais ou extensão de seus efeitos — deve ser aplicada a hennenêutica tributária, consoante o art. 112 do CTN; a Recorrente cumpriu corn sua obrigação ao comprovar junto a SECEX o adimplemento de sua exportação; não é verdade a alegação de que é o Fisco que deve fazer as comprovações do compromisso de exportar, ao contrário, o ônus da prova cabe a quem faz a alegação, todavia, no presente caso, a alegação feita pelo fisco de que houve descumprimento do dever de exportar não está provada nos autos, o que há é mera presunção; por outro giro, fato negativo não se prova, assim, o que se pode provar é que todo o produto produzido com os bens importados, sob o manto deste e de outros regimes drawback foram exportados, razão pela qual requer perícia e diligência, uma vez que não realiza vendas para o mercado interno em níveis significativos e, as que faz, são realizadas com insumos adquiridos no mercado interno ou com pagamento de imposto; diante do ensinamento de Alfredo Augusto Becker, conclui-se que antes da ocorrência da tributação deve haver a previsibilidade legal dos fatos que, se realizados no mundo real, dardo suporte a cobrança do tributo, logo, a hipótese de incidência é a previsibilidade legal dos fatos que poderão ocorrer no mundo fenomênico gerando o direito ao Estado de lançar o tributo; o fato gerador não é a situação definida em lei, mas somente a sua ocorrência no mundo real, pois a situação definida em lei é a hipótese de incidência, deste modo, temos a hipótese de incidência como abstração e o fato gerador como concentração; a hipótese de incidência do II será sobre a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, consoante o art. 83 do Decreto-Lei IV 37/66, com redação nova dado pelo Decreto n" 2.472/88, art. 1'; Drawback Isenção ou Suspensão são modalidades de exclusão do crédito tributário nos quais há hipótese de incidência (entrada de mercadoria estrangeira no território nacional), há fato gerador, surge o crédito tributário, mas este é excluído ou suspenso em função de determinação legal; 16 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 719 o art. 175 do CTN desconsiderou a isenção corno hipótese de exclusão do crédito tributário; no presente caso, a hipótese de incidência do II ocorreu corn a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, todavia, houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; os arts. 314, 1,315 e 318 do RA, subsidiários ao art. 175 do CTN, suspendem a exigibilidade do crédito tributário nos casos em que a importação estiver beneficiada pelo Drawback Suspensão; o pagamento do II e IPI, caso incidentes, deveria ter sido efetuado no momento do desembaraço aduaneiro; segundo o art. 139, § único do RA, a data de pagamento do 11, referente a urn fato gerador já ocorrido anteriormente, é o da entrada das mercadorias estrangeiras em território nacional; o fato de ter ocorrido, supostamente, a venda de alumínio primário produzido com as supostas sobras protegidas pelo regime drawback, não desfazem a natureza jurídica do fato gerador, mas simplesmente passa a surgir a obrigação de pagar a partir do momento em que se constata que houve destinação para o consumo interno das mercadorias produzidas com os insumos tidos por remanescentes; conseguintemente, surge a obrigação da fiscalização comprovar que as supostas sobras foram consumidas no processo de industrialização de produtos vendidos no mercado interno ou não exportados e não para comprovar a ocorrência do fato gerador, vez que este já ocorreu no momento do ingresso daquelas mercadorias; é de suma importância verificar o que foi vendido no mercado interno, pois esses valores comprovam o que poderia ter se utilizado dos insumos importados para produzir mercadoria ao mercado interno; os auditores presumem, através de cálculos estimados, que não ocorreu o adimplemento de exportar, todavia, tal acusação é desprovida de comprovação, visto que para tal fato ser verdadeiro haveria necessidade de se indicar aonde está a produção das sobras; não foram exigidas as providências previstas no art. 319 do RA, ao contrario, o que se exigiu foi o recolhimento do imposto incidente sobre as mercadorias supostamente utilizadas no mercado interno; utilizado o item "C" do supracitado artigo, ha de ser verificado o que foi destinado ao mercado interno e se essas mercadorias foram produzidas com insumos proveniente do drawback; não tomou nenhuma das providências previstas no inciso I, do artigo 319 do RA, visto que não houve inadimplemento de exportar e por serem desnecessárias e incoerentes; a hipótese de incidência elenca o inadimplemento do dever de exportar, porem, tal hipótese não está comprovada nos autos e sequer os auditores tentaram fazer isso; 17 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03,CO3 Fls. 720 o que consta nos autos é que os auditores apuraram sobras dos insumos importados, mas não que tais sobras Ink, foram utilizadas em processo produtivo com a finalidade de produzir produtos para reinessa ao exterior; o pagamento dos tributo S suspensos pelo regime drawback somente se da nos casos em que "houver destinação para o consumo interno das mercadorias remanescentes importadas", consoante alínea "c", do art. 319 do RA; o Fisco ficou onerado de apresentar duas comprovações: la) a de que houve sobras nos regimes de drawback e 2") a de que essas sobras foram destinadas ao mercado interno; o Julgador desprezou o qiiadro de resumo de quantidades mensais de vendas no mercado interno, onde se verifica que 1 0) no ano de 1992 somente foi vendido no mercado interno 34,471 TM de alumínio; 2°) no lano de 1993 somente foi vendido no mercado interno 87,654 TM de alumínio; 3 0) no ano de 1994 somente se vendeu no mercado interno 3.537,535 TM de produto acabado; 4°) no ano de 1995 vendeu-se no mercado interno 9.332,927 TM de alumínio e 5°) em 1996 vendeu-se no mercado interno 115,938 TM de alumínio, tudo comprovado através das notas fiscais relacionadas nos demonstrativos, o que somadas correspondem a 13.108,525 TM; a presunção da fiscalização não procede, vez que a prova de que os montantes de sobras superam as vendas de cinco anos de comercialização interna de produtos finais, assim, ao contrario do que concluiu o Julgador recorrido, é importante para o deslinde da questão que se prove a comercialização interna dos produtos; a empresa adquire insumos no mercado interno, bem como no mercado exterior, devidamente tributados, de forma que os auditores deveriam efetuar o levantamento completo das aquisições da empresa no mercado interno considerando os seus estoques iniciais e finais em exercícios fechados e comparando-Os aos atos concessorios para concluir se há ou não venda no mercado interno de produtos produzidos com insumos beneficiados pelo drawback; demonstrou que as venda S no mercado interno são menores do que as supostas sobras e que tais vendas são produzidas corn produtos nacionais tributados; a simples presunção de coeficientes de produção, que levaram os auditores a concluírem que houve sobras e que essas sobras foram consumidas no mercado interno, não podem implicar no pagamento de imposto; não havendo destinação interna das mercadorias supostamente restantes nos regimes de drawback, não há como se interromper a suspensão do pagamento do imposto; a presunção se funda na existência de um "fato conhecido", que seria a suposta sobra de insumos importados com suspensão e de um "fato desconhecido", cuja existência é somente provável, tal fato desconhecido é a venda no mercado interno ou um fato negativo a ausência de exportação dos produtos beneficiados pelo drawback; constata-se a presunção no caso em dois sentidos: 1°) que as sobras serviram para produção de produto consumido no mercado interno e 2°) que tais sobras não foram exportadas; 18 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03, CO3 Fls. 721 comprova que as únicas destinações internas dos produtos acabados durante cinco anos decorreram da manufatura de insumos corn pagamentos de imposto e que o restante das vendas nesse período foram todos exportados; o principio da inocência, que tem corno regra que o contribuinte 6. inocente até prova em contrário, é invertido pelo Julgador, pois este entende que "o contribuinte é culpado até prova em contrário"; não se pode aplicar o art. 319, I, "c" do RA, quando houver o simples erro na comprovação do regime drawback em função de utilização de coeficiente de produção maiores dos que foram utilizados pela fiscalização, isto porque a nonna tributária só incidirá caso haja destinação das supostas sobras ao mercado interno; segundo o Anexo IV, é possível identificar as importações efetuadas pelas Dls através de seus números e datas, bem como, individualmente pelo tipo de insurno importado (Itens 2 e 3, do Anexo IV) e, ao final, se têm as somas das importações no período conforme o ano da importação; consta da Planilha de Controle de Exportação (Itens 4,5 e 6 do Anexo VI) todas as exportações realizadas nos anos respectivos com a indicação da RE número e data; consoante indica e comprova o demonstrativo de fls.689/690, o qual foi efetuado no mesmo período de apuração dos atos concessórios de drawback, o quantitativo de exportações sempre foi maior que as importações, salvo no ano de 1994 no que tange a comparação ao insumo Coque e Fluoreto, cuja justificativa da diferença é plenamente compensada corn as exportações de 1995, haja vista que não podem ser coincidentes no aspecto temporal as importações com as exportações, pois a exportação não é efetuada logo após a importação; demonstra, através da análise de fl.691, que tudo que foi importado foi exportado, ou seja, não deixou de exportar qualquer quantidade de insumo importado corn beneficio; o regime de drawback isenção, ao contrário do que afirma o Il. Julgador, é uma isenção condicionada, isto porque, caso haja o adimplemento do compromisso de exportar e havendo a devida homologação do regime, não haverá o pagamento do imposto suspenso, ou seja, o imposto não fica suspenso indetenninadamente, pois a suspensão condiciona-se ao adimplemento do drawback que, ocorrendo, transformará a suspensão de pagamento em isenção; no caso do drawback isenção, havendo a vinculação da importação do Ato Concessório de Drawback, a autoridade aduaneira deixará de exigir o tributo, sob a condição de que essa importação retorne ao exterior sob a fon -na de produto a ser reexportado; a suspensão do pagamento do tributo somente não se transformará em isenção definitiva, caso ocorra uma das causas interruptivas da suspensão previstas no art. 319 do RA; o pagamento do tributo somente ocorrerá no caso da alínea "c" do supracitado artigo, ou seja, quando houver a destinação para o consumo interno das mercadorias remanescente; 19 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 722 somente corn a comprovação, por parte do fisco, de que as importações corn tributos suspensos foram destinadas ao mercado interno, é que a fazenda poderá exigir o pagamento do tributo; as normas constantes do art. 319 do RA, não são penas de procedimento, mas também de determinação da causa em que o regime sera considerado inadimplido; a multa é indevida tendo em vista que deve ser cobrada conforme determina o art. 59 da Lei n°8.383/91. Para corroborar o alegado o contribuinte colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Indica como perito o Sr. Sebastião Rosa e apresenta rol de quesitos a t1.695. Diante do exposto, preliminarmente, requer a realização de perícia a fim de que sejam respondidos os quesitos formulados a fl.695. Outrossim, requer realização de diligências para que: seja apurada se a empresa emitiu alguma nota fiscal de saída para venda interna de produto beneficiado pelo drawback; seja constatado se o produto importado saiu do estoque da empresa sob outra se saiba se houve urna das destinações ao produto importado não permitida pela legislação. No mérito, requer, que se ultrapassadas as providências preliminares, se declare o cerceamento de defesa e a correspondente nulidade do AI. Requer ainda, que seja declarada a prescrição do direito da Fazenda exigir o credito tributário em face do lançamento ser por declaração e ter ocorrido mais de dez anos da assinatura do Termo de Responsabilidade assinado pelo contribuinte. Por fim, requer a improcedência do AI pelos motivos a seguir expostos: em face da presunção do Fisco do inadimplemento do contribuinte de exportar; por inexistência de remessa das sobras supostamente apuradas pela fiscalização ao mercado interno ou a outra destinação distinta da exportação; em função de todos os insumos importados terem sido exportados sob a forma de produto final; em face da não ocorrência da condição suspensiva autorizadora da exigibilidade do tributo no drawback suspensão. Instrui o referido Recurso Voluntário os documentos de fls.697/701, dentre estes, OAB do representante legal (fl.697), Termo de Posse realizado em Assembléia (fls.698/700) e procuração (fl.701). forma; 20 Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 723 Tendo em vista o disposto na Portaria MF n° 314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 18/08/2008, em dois volumes, constando numeração até à f1.702, última. É o relatório. v . Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03,t03 Fls. 724 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Trata-se o presente processo de exigência de credito tributário suspenso por forgo de Regime Aduaneiro Especial de Drawback, posto que, em procedimento de diligência fiscal levado a efeito, apurou-se, segundo entendimento do r. agente fiscal, o descumprimento de compromisso e condição que isentaria a empresa do pagamento de tributos exigíveis na importação, acarretando em perda do direito ao incentivo do regime especial de drawback. De acordo corn a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa interessada descumpriu parcialmente o compromisso de exportar o produto final (alumínio primário) elaborado a partir dos insumos fluoreto de alumínio, coque calcinado de petróleo, alumina calcinada e piche eletrolitico, os quais foram importados ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback, conforme atos concessórios n° 1-92/156-2, 1-93/061-5, 1- 93/186-7 e 1-94/081-2. Em suma, os auditores autuantes consideraram que: (i) infere-se quanto às informações prestadas pelo contribuinte que este admite que os indices de insumo/produto apresentados à fiscalização resultaram de sobras que foram utilizadas na fabricação de produtos destinados à exportação; (ii) as quantidades exportadas pelo contribuinte não bastariam para adimplir o seu compromisso de exportação; (iii) tendo em vista que o processo fabril do alumínio é continuo e complexo, não permitindo o acompanhamento pelo controle de estoque do fluxo fisico dos insumos utilizados no processo produtivo, foi aplicada a média diária do consumo de insumos e da produção de alumínio primário em períodos anuais; (iv) o contribuinte, apesar de dispor do prazo de até 30 dias para apresentar os Relatórios de Comprovação, objetivando ajustar determinados indices de insumo/produto, não o fez; (v) todos os Relatórios de Conclusão de Drawback foram descaracterizados, em virtude dos indices apresentados estarem superestimados e incompativeis corn o processo produtivo de alumínio primário verificado através do Controle de Estoque do contribuinte. Inicialmente, ressalto que o "Drawback", em linhas gerais, nada mais é que uma espécie de incentivo à exportação, instrumentalizado em um pacto celebrado entre Fisco e contribuinte, por meio do qual o segundo, com o beneficio de importar insumos com suspensão, isenção ou direito à restituição de tributos, se compromete a exportar um novo produto em prazos e quantidades pré-determinados. A questão debatida nos autos cinge-se em saber se restaram cumpridos termos e condições previstos nos Atos Concessários para a fruição do beneficio do regime especial de Drawback-suspensão. A matriz legal do regime — Drawback — é o Decreto-lei n° 37/66, que assim estabelece: Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 725 Art. 78 — Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: II — Suspensão do pagamento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. A operação de "Drawback", na modalidade suspensão, é a "dispensa condicionada de tributos, incidentes em importação, de produto destinado a gerar mercadoria exportável após beneficiamento, utilização na fabricação, complementação ou acondicionamento de mercadoria a ser exportada". Verifica-se que as determinações da legislação de regência deixam claro que a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadorias sob o regime de "DRAWBACK" está condicionada ao prévio exame e aprovação, pelo órgão competente, do plano de exportação apresentado pelo beneficiário resultando, então, na expedição de Atos Concessórios. Em última análise, o não cumprimento das exportações prometidas levaria obrigação do importador de recolher os tributos de importação relativos à. parte da mercadoria que deixasse de ser exportada, com os acréscimos legais devidos. 0 espirito do regime de drawback 6, sobretudo, incentivar a exportação, assegurando condições ao produtor nacional de competir no mercado internacional. Para beneficiar-se de tal regime, no entanto, o importador deve comprovar a utilização dos insumos por ele importados na produção da mercadoria exportada. Alega a fiscalização que a exportação de mercadoria deu-se de forma diversa da pactuada em ato concessório, em virtude dos indices apresentados pelo Recorrente, no que tange a insumo/produto, estarem superestimados e incompatíveis com o processo produtivo de alumínio primário e, consequentemente, chegou-se à conclusão de que o contribuinte descumpriu parcialmente o compromisso de exportar a mercadoria previamente pactuada. Sucede que a análise de qualquer questão no âmbito do Processo Administrativo Fiscal deve ser norteada pelos princípios da verdade material, da materialidade e da tipicidade. 0 principio da verdade material norteia o julgador para que descubra qual é o fato ocorrido e, a partir dai, qual a norma aplicável, ou seja, a verdade objetiva dos fatos, independente das alegações do contribuinte, ou das interpretações realizadas pela fiscalização no momento do lançamento. Assim, o que se busca no processo administrativo é averiguar se ocorreu no mundo dos fatos o fato hipoteticamente previsto na norma, e em que circunstâncias deve ser interpretado. Os fatos são a expressão escrita de um acontecimento em determinado tempo e espaço. E são os documentos que declaram a existência, ou não, de um fato para que ele alcance relevância para o Direito. Ocorre que, dos documentos que se apresentam nos autos, se mostra improvável que se alcance um julgamento norteado pelo principio da verdade material, já que não há elementos suficientes à formação de convicção deste Julgador. 231 Resende, Leone Soares. "Exportação e Drawback". Sao Paulo: Aduaneiras. 2' ed., p.54. Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução n.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 726 Corn efeito, o cerne da questão se encontra no processo produtivo da mercadoria exportada pelo contribuinte, especificamente no índice insumo/produto envolvido neste processo, e que acabou por fundamentar a autuação, já que desconsiderado o índice apresentado pelo contribuinte quando de sua comprovação das exportações atreladas ao regime de drawback-suspensão. Cumpre observar, no entanto, que não se apura com clareza qual o real índice insumo/produto se aplicou aos insumos/mercadorias em questão, senão vejamos: Do relatório de conclusão da ação fiscal (fls. 430/435), verifica-se que a fiscalização, considerando que o processo fabril do alumínio primário é continuo e complexo não pennitindo, em conseqüência, o acompanhamento pelo Controle de Estoque do fluxo fisico dos insumos utilizados no processo produtivo, optou por utilizar a media diária do consumo de insumos e da produção de alumínio primário em períodos anuais para definir os indices de insumo/produto. Nestes termos, utilizando os dados constantes do Controle Eletrônico de Estoque, no período de 1993 a 1995 (fls. 06/187), procedeu do seguinte modo: "Passo 1: Dividimos o total das saídas mensais de insumos (alumina calcinada, coque calcinado de petróleo, piche eletrolitico e fluoreto de alumínio) para a produção pelo número de dias do mês, resultando na media diária do mês insumo destinado A produção; Passo 2: Dividimos o total das entradas mensais do alumínio primário no estoque de produtos acabados, resultando na média diária do mês do produto acabado; Passo 3: Dividimos a média diária do mês do insumo destinado A produção (passo 1) pela média diária do mês do produto acabado (passo 2), resultando no índice insumo/produto." Tal critério, no entanto, a principio, não me parece o mais acertado a apurar o processo produtivo do contribuinte no tocante A correspondência entre insumos importados x mercadoria exportada. Com efeito, dos valores adotados na sistemática escolhida pela fiscalização, não ha como se apurar se todo o insumo da produção é de origem de regime de drawback, o que de fato o contribuinte alega e demonstra por meio dos documentos juntados As fls. 513/533, de forma que o estoque de produtos acabados também não corresponderia, necessariamente, ao que deveria ser exportado pelo beneficiário. Assim, entendo que pelo critério adotado pela fiscalização não há como apurar, com a certeza necessária, o real índice de insumo/produto aplicado no processo produtivo do contribuinte interessado. De outro lado, infere-se das alegações trazidas pelo contribuinte em suas defesas que houve uma melhora em seu índice de produção, "gerando um coeficiente de produção mais vantajoso para o pais", de forma que teria passado a necessitar de menor quantidade de insumo — importado sob o regime drawback — para obter maior quantidade de produto final exportável. Alega, no entanto, que não houve sobras, já que a totalidade de insumos importados teria sido exportada. 241 ON L BARTOLI Relator Processo n.° 10209.000644/99-83 Resolução ti.° 303-01.511 CC03/CO3 Fls. 727 Alega, ainda, que se deixou de considerar, no momento da fiscalização, dois registros de exportação — RE 93/0664012-001 e RE 94/0477655-001, através dos quais teria exportado mercadoria produzida corn os insumos adquiridos sob o regime de drawback- isenção. Aduz, outrossim, que os cálculos apresentados pela fiscalização são inconsistentes, além de não levar em consideração a proporção correta de cada insumo envolvido na produção de mercadoria exportada. Diante de tal celeuma, entendo por bem converter o julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia — INT, a fim de que este, da análise do processo produtivo implementado pelo contribuinte na produção da mercadoria exportada — alumínio primário — responda: qual o efetivo índice de utilização de insumos se aplica ao processo produtivo do beneficiário — Albrds — na produção do produto final exportado — alumínio primário? qual a proporção necessária de cada insumo — fluoreto de alumínio, coque calcinado de petróleo, alumina calcinada, e piche eletrolitico — para produção de 1 (uma) tonelada do produto final exportado — alumínio primário? é possível a obtenção do produto final — alumínio primário —, de iguais características, em proporção diversa da apurada no item anterior? Poderá a Repartição Fiscal preparadora, caso seja do seu interesse, apresentar também seus quesitos. Por .fim, determino que, além dos quesitos formulados pelas partes, o INT se pronuncie quanto aos cálculos de índice insumo/produto apurados pela fiscalização, bem como sobre os critérios por ela adotados, apontando sua validade, ou não, para fins de análise do processo produtivo da Recorrente — Albrds. Conclusa a diligência, instruidos os autos com tais informações, retornem a este Eg. Conselho para julgamento. É corno voto. Sala das Sessões, em 09 de dezembro de 2008. 25
score : 1.0
Numero do processo: 10166.914217/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Compensação – COFINS
Ano Calendário:2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS.
AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES.
IMPOSSIBILIDADE.
A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa em desistência do processo na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3803-003.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Matéria Concomitância Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Compensação – COFINS Ano Calendário:2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES. IMPOSSIBILIDADE. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa em desistência do processo na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 23/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues E Eu, Areovaldo Mariano Tavares, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório O contribuinte por meio da Per/Dcomp eletrônica nº 18608.62792260105.1.3.040769, transmitida em 26/01/2005, buscou homologar a compensação de créditos tributários oriundos de pagamento a maior (R$ 796.616,90 valor original), com débitos de COFINS apurados em 31/07/2004 e com vencimento em 13/08/2004. O Despacho Decisório proferido pela DRF/Brasília (fl.14), após a constatação pela fiscalização de que na data da transmissão da referida DComp (26/01/05), o valor original do saldo credor seria insuficiente para à satisfação dos débitos de COFINS (competência 07/2004), eis que foram localizados um ou mais pagamentos efetuados para a quitação de débitos pelo contribuinte. homologou parcialmente a compensação realizada pelo contribuinte, em relação à Per/DComp eletrônicanº18608.62792260105.1.3.040769.Por conseguinte foi endereçado ao sujeito passivo uma carta de cobrança para a exigência da diferença dos valores considerados insuficientes. Ao tomar ciência da exação, manifestando a sua inconformidade o contribuinte esclareceu que efetuou os recolhimentos dos tributos nas respectivas datas de seus vencimentos. Entretanto, a compensação efetuada, por decorrência do contido nas Leis nºs9.718/98, 10.833/03 e 11.196/05, bem assim as IN SRF nºs 468/04 e 658/06, respectivamente, a levaram a realização de recálculos sucessivos, sempre com efeitos retroativos, daí o atraso na entrega. Aduziu o contribuinte que não cometeu nenhuma irregularidade, que não há se falar em multa de mora e, postulando pela aplicação do princípio da irretroatividade ao caso concreto, pugnou pela improcedência da aplicação da multa de mora, galgada no art. 61 da Lei nº 9.430/96 e o art. 28 da IN SRF nº 460/2004, por ser o motivo causador da insuficiência do crédito informado, igualmente o fazendo em face do caráter de retroatividade da exigência que lhe fora formalizada. Foram os autos encaminhados conclusos para o julgamento da lide pela 4ª Turma da DRJ/BSB em 22/09/11 (fl. 654/658), que proferiu a decisão, cuja ementa adiante se transcreve, por meio do Acórdão nº 0345.226: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2004 Compensação em Atraso – Exigência de Multa de Mora. O débito para com a União, decorrente de tributo e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensado no prazo previsto na legislação específica, será acrescido de multa de mora. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.914217/200914 Acórdão n.º 3803003.531 S3TE03 Fl. 2 3 Compensação – Observância das Condições da Lei. A compensação de créditos ibutários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com o teor da decisão de primeira instância, cuja ciência deu se em26/04/2012, conforme registra o AR , dela recorreu o contribuinte em 23/05/12, conforme atesta o protocolo do recurso aviado, deduzindo em síntese termos que repisam de forma minudente os argumentos constantes da peça inaugural, ocasião em que mencionou jurisprudência administrativa (Acórdão nº 3102001.126, proc. 14033.003351/200865, Rec. 902.357, Rel. Cons. Ricardo Paulo Rosa) e judicial É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário é tempestivo. A matéria devolvida para este Tribunal se circunscreve ao cabimento ou não da aplicação de multa de mora à compensação intentada,em razão do atraso na entrega da Declaração de Compensação pelo contribuinte. Cumpre registrar a inexistência nos autos de debate acerca da origem do crédito, do montante apurado, da existência dos contratos firmados pelo contribuinte, da legislação adotada para a realização dos recálculos. Portanto, devem tais fatos serem imputados como incontroversos, não mais sendo objeto de exame. Outrossim, encontramse anexos cópias de contratos, planilhas com lançamentos registrados no Livro Razão, indicando os valores relacionados a cada empresa contratante. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 A decisão prolatada pelo juízo a quo envolve o não reconhecimento do direito creditório e culminou na improcedência da manifestação de inconformidade aviada pelo contribuinte. A tese deduzida pela 4ª Turma de julgadores da DRJ/BSB consistiu em que há respaldo para a aplicação da multa de mora no art. 61 da Lei 9.430/1996, c/c art. 28 da IN SRF 460/2004, uma vez que seja para valorar o crédito do sujeito passivo, quanto os créditos tributários em favor do Erário, a regra de valoração aplicada é a mesma, com vistas à sua extinção pela via da compensação. Ou seja, os créditos do contribuinte são reajustados pela taxa Selic e os valores compensados em atraso serão acrescidos de multa e de juros de mora, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Concluiu o aresto vergastado que as mudanças da sistemática arrecadatória levada a efeito pela legislação, conforme houvera aduzido o contribuinte, não é motivo para o atraso na entrega na Per/DComp, portanto deve ser cobrada a multa de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. De antemão, em homenagem ao princípio da unicidade de jurisdição, que tem por finalidade evitar a concorrência de conflitos de competência entre os Poderes harmônicos da União Federal, coube ao Poder Judiciário firmar a coisa julgada que não poderá ser objeto de reforma no processo administrativo. Nesse sentido, o Poder Executivo através do § 2º do art. 1º do DecretoLei nº 1.737/79 e do art. 38 da Lei nº 6830/80, dispôs sobre a matéria, disciplinada por meio da alínea “a” do ADN/SRF/COSIT N º 03/96 e do art. 26 da Port. MF nº 258/01, que a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. No caso em comento, existe uma Ação Judicial Ordinária Anulatória de Lançamento Tributário com Pedido de Tutela Antecipada de n˚ 74185720104.01.3400, em tramitação na 21ª Vara Federal do Distrito Federal, com sentença de mérito confirmada, a partir da concessão de tutela antecipada para afastar a aplicação de multa moratória na compensação de COFINS (período de apuração 29/02/2004 e arrecadação em 15/03/2004), ante o atraso da transmissão do PER/DCOMP (07/08/07), contra a qual a União interpôs Embargos de Declaração com Efeitos Infringentes, rejeitados em 07/05/2012. Passo seguinte tramitou a referida ação para o Tribunal Regional Federal da 1a Região em 14/09/2012. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.914217/200914 Acórdão n.º 3803003.531 S3TE03 Fl. 3 5 Ocorre que também há uma demanda administrativa da qual a Recorrente é parte interessada, cujo fundamento da causa de pedir é o mesmo daquele pretendido na ação judicial, ou seja, o afastamento da multa moratória por atraso na declaração de compensação. Ora, sendo a Recorrente parte interessada tanto na ação judicial quanto na demanda administrativa, coincidindo também o mesmo propósito entre eles, resta mais que caracterizada a concomitância, pela simultaneidade de tramitação de ações propostas nos âmbitos judicial e administrativo. Em desfavor do contribuinte encontrase o contido no parágrafo único do artigo 38 da Lei nº 6.830/80 (LEF), o qual estabelece que a propositura, pelo contribuinte, de ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. No mesmo sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3, de 14/02/1996, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT), publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 15/02/1996, que dispõe sobre o tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial, cujas regras abaixo se transcreve: “a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona a matéria diferenciada (p. ex.: aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.); c) no caso da letra “a” a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC).” Ante todo o exposto, não conheço do recurso voluntário interposto. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 6 É assim que voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues, Relator Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.914217/200914 Acórdão n.º 3803003.531 S3TE03 Fl. 4 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10166.914217/200914 Interessada: CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.531 , de 25 de Setembro de 2012 da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 25 de Setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN
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