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Numero do processo: 13748.720604/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Considera-se intimada a contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, ficando este limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considerase intimada a contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, ficando este limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 06 04 /2 01 3- 15 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13748.720604/201315, em face do acórdão nº 1653.778, julgado pela 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), no qual os membros daquele colegiado entenderam por não conhecer da impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls. 69 a 72, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2011, ano calendário de 2010, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 23.018,58. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 70), a autoridade fiscal procedeu à glosa do valor de R$ 18.904,88 indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela fonte pagadora SILVER LIFE OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE LTDA, CNPJ 01.960.213/000128. Cientificado da notificação, o contribuinte impugnou o lançamento, mediante o instrumento de fls. 02, no qual alega que o imposto foi deduzido e recolhido no CNPJ 01.960.213/000128, onde foi liquidante extrajudicial nomeado pelo governo (cópia do Diário Oficial e DIRFs em anexo). Invocando o art. 71 da Lei nº 10.471, de 01/10/2003 (Estatuto do Idoso), o interessado solicita prioridade na análise de sua impugnação. Consta a fl. 06, a declaração do Impugnante de que só teve conhecimento da correspondência referente à Notificação em 25/07/2013, pois estava viajando, sendo o porteiro do prédio onde reside o recebedor da mesma. Suscitada a preliminar de tempestividade, vieram os autos à esta Delegacia para o seu julgamento. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13748.720604/201315 Acórdão n.º 2202003.434 S2C2T2 Fl. 107 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pelo não conhecimento da impugnação apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa apresentadas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade. Inconformada com o não conhecimento da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fl.90, requerendo que seja acolhida a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminarmente, verificase que impugnação apresentada não foi conhecida pela autoridade julgadora de primeira instância, face a intempestividade da mesma. Na ocasião, foi compreendido pela DRJ de origem que: Pelo exame do processo verificase que a Notificação em questão, lavrada em 01/07/2009, foi recebida no endereço do sujeito passivo, em 15/07/2009, por via postal, conforme AR à fl. 6. Assim, aplicandose as regras acima mencionadas, o prazo será contado da seguinte forma: data da intimação: ciência por via postal em 15/07/2013 (2ª feira) início do prazo para impugnação: 16/07/2013 (3ª feira); vencimento do prazo para impugnação: 14/08/2013 (4ª feira) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Deste modo, o prazo de 30 dias para apresentação da impugnação terminou em 14/08/2013, tendo o contribuinte protocolado sua defesa em 15/08/2013, conforme carimbo aposto no arrazoado à fl. 02, configurandose, portanto, sua intempestividade visto que realizada após o transcurso do prazo de 30 dias estabelecido no art. 15 do Decreto nº 70.235/72. O artigo 15 do Decreto n.º 70.235/1972 dispõe sobre o prazo para interposição de impugnação da exigência pela lavratura de auto de infração:. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, ficando assim prejudicada a análise das questões de mérito.. Ocorre que da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso voluntário ao CARF, todavia fica este limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração. Porém, não há no recurso voluntário qualquer argumento para a reforma deste acórdão Além disso, não verificase que há qualquer vício quanto à ciência da intimação e, consequentemente, devendo ser considerada intempestiva a impugnação, não tendo sido, portanto, instaurando o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, ficando assim prejudicada a análise das questões de mérito, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 15471.004353/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO.
São isentos os proventos de aposentadoria oficial e complementar percebidos por portador de moléstia grave, quando estiver comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. IMPOSTO SUPLEMENTAR. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Torna-se improcedente a exigência do imposto suplementar com fundamento na dedução indevida de despesas médicas quando evidenciado que os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte incluem proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, que uma vez excluídos da base de cálculo resultarão em um valor de rendimentos tributáveis abaixo do limite de isenção da tabela progressiva anual.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria oficial e complementar percebidos por portador de moléstia grave, quando estiver comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. IMPOSTO SUPLEMENTAR. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Torna-se improcedente a exigência do imposto suplementar com fundamento na dedução indevida de despesas médicas quando evidenciado que os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte incluem proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, que uma vez excluídos da base de cálculo resultarão em um valor de rendimentos tributáveis abaixo do limite de isenção da tabela progressiva anual. Recurso Voluntário Provido
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GLOSA. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente PASCHOAL RIENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria oficial e complementar percebidos por portador de moléstia grave, quando estiver comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao anocalendário a que se referem os rendimentos. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. IMPOSTO SUPLEMENTAR. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Tornase improcedente a exigência do imposto suplementar com fundamento na dedução indevida de despesas médicas quando evidenciado que os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte incluem proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, que uma vez excluídos da base de cálculo resultarão em um valor de rendimentos tributáveis abaixo do limite de isenção da tabela progressiva anual. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 43 53 /2 01 0- 90 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15471.004353/201090 Acórdão n.º 2401004.354 S2C4T1 Fl. 64 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15471.004353/201090 Acórdão n.º 2401004.354 S2C4T1 Fl. 65 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1334.119 (fls. 31/34): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DESPESA MÉDICAMATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria na que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. REVISÃO DE OFÍCIO. Não tendo a fiscalização alterado os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento analisar os rendimentos que foram relacionados na declaração de ajuste anual do sujeito passivo, tendo em vista que caracterizaria uma revisão de ofício, o que escapa à competência desta instância julgadora, em respeito ao que dispõe o art. 229, da Portaria do Ministro da Fazenda n° 587/10. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2008/962085962267399, relativa ao anocalendário 2007, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 14.958,95 (fls. 3/8). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal em 28/10/2010, às fls. 28, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2). 3.1 Afirmou discordar da notificação fiscal em razão de gozar de isenção do imposto sobre a renda, desde 1º/4/2005, conforme atesta o laudo da perícia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), acostado às fls. 12/14. 3.2 Declara que as fontes pagadoras, INSS e Petrobrás, não mais estão descontando o imposto sobre a renda na fonte. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15471.004353/201090 Acórdão n.º 2401004.354 S2C4T1 Fl. 66 4 4. Intimado em 21/8/2012, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 38/42, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 4/9/2012 (fls. 44/45). 4.1 Reitera a sua condição de portador de moléstia grave, classificada como insuficiência renal crônica, desde o ano de 2005, e, portanto, com direito à isenção de que trata inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. 4.2 Assim como na impugnação não questiona a glosa das deduções, pois a comprovação da moléstia grave tornaria desnecessário o demonstrativo das despesas médicas. 4.3 Pondera que o ato de lançamento deve observar os princípios da legalidade e da verdade material, devendo a administração anular os seus atos eivados de vícios. 4.4 Por derradeiro, requer o cancelamento do débito fiscal e a restituição do imposto retido na fonte. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15471.004353/201090 Acórdão n.º 2401004.354 S2C4T1 Fl. 67 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. De acordo com os incisos XXXI e XXXIII, e §§ 4º a 6º, do art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, são isentos do imposto sobre a renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão1 recebidos por portador de moléstia grave, devidamente comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Transcrevo a redação: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15471.004353/201090 Acórdão n.º 2401004.354 S2C4T1 Fl. 68 6 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (grifouse) (...) 7. Conquanto as alterações efetuadas pela fiscalização na declaração apresentada pelo contribuinte digam respeito à glosa de despesas médicas, a condição de portador de moléstia grave implica uma provável reclassificação dos rendimentos declarados, com reflexo direto na base de cálculo do imposto devido no anocalendário e, indiretamente, na necessidade de comprovação ou justificação das deduções. 7.1 Em outras palavras, constatado que os rendimentos declarados são isentos, ou em parte tributáveis, porém correspondentes à faixa inicial da tabela progressiva em que a alíquota é 0 (zero), a notificação fiscal será improcedente, sendo descabida a exigência de imposto suplementar. 7.2 Não se trata de revisar a declaração apresentada pelo recorrente, como entendeu a decisão de piso, mas tão somente em dar solução ao litígio instaurado, limitandose à controvérsia quanto à exigência de imposto suplementar, considerando os elementos de prova disponíveis nos autos. 8. Isso porque os princípios informativos do processo administrativo fiscal, tais como ampla defesa, verdade material, duplo grau de jurisdição, informalismo moderado, oficialidade e preclusão, estão em permanente tensão. 8.1 É tarefa do julgador assegurar o equilíbrio entre eles, respeitando as formalidades inerentes ao rito procedimental, sem contudo levar a situações de litígio judicial desnecessário, com clara violação ao princípio da eficiência. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15471.004353/201090 Acórdão n.º 2401004.354 S2C4T1 Fl. 69 7 8.2 Levada a questão para apreciação do Poder Judiciário, inevitavelmente será avaliada sobre o aspecto material. Não pode prosperar a decisão administrativa que mantém um lançamento tributário que não se coadune como os princípios da legalidade tributária e verdade material. 8.3 Por isso, atenuase os rigores das normas quanto à produção de provas, como medida excepcional, em face de documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador a respeito da improcedência do lançamento tributário, por alterarem, substancialmente, fato que serve de suporte à exigência fiscal. O que está em jogo, ao fim e ao cabo, é a legalidade da tributação. 9. Exposta nesses termos a questão, identifico que procedem as alegações do recorrente. 10. Há prova que o autuado é portador de doença grave, qual seja, insuficiência renal crônica, desde 1º/4/2005, atestado por laudo médico emitido por serviço oficial (fls. 12). A insuficiência renal crônica (CID: N 18) está incluída no rol de patologias que dão direito à isenção (nefropatia grave). 11. É verdade que esse documento de fls. 12 não está identificado formalmente como "laudo pericial". Todavia, sob o ponto de vista material, contém as informações mínimas para assim o considerarmos como apto a comprovação da moléstia. 11.1 Com efeito, o expediente compõe o Processo nº 37216.005897/200816, no âmbito da Agência Executiva 17001.02.1 do INSS, localizada no Rio de Janeiro (RJ), e foi emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, Dr. Demétrio Alarcon Gonçalves, integrante do quadro de peritos da Autarquia Previdenciária. 11.2 Desse documento constam o órgão emissor, a qualificação do portador da moléstia, o diagnóstico da doença, inclusive os elementos que o fundamentam, a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave e, por fim, a identificação do profissional responsável pela emissão do laudo pericial. 11.3 Há também uma comunicação da chefia da Agência da Previdência Social sobre a conclusão da perícia médica (fls. 14). 12. Ressalto, por relevante, que o documento de fls. 12 contém a informação que o Sr. Paschoal Riente, ora recorrente, é segurado em gozo de benefício da previdência oficial desde 1º/1/1988, sob o nº 079.818.7298, com origem em "aposentadoria por tempo de contribuição" (espécie 42) 2. 13. No que toca aos rendimentos recebidos de pessoa jurídica declarados na DAA, estou convencido de que se tratam de proventos de aposentadoria e, portanto, isentos de tributação (fls. 16 e 21). 13.1 São rendimentos de previdência oficial, oriundos do INSS, CNPJ 29.979.036/000140, e de previdência complementar, pagos pela Petros Fundação Petrobrás de Seguridade Social, CNPJ 34053.942/000150, totalizando a quantia de R$ 64.866,84. 2 http://www8.dataprev.gov.br/SipaINSS/pages/conrmi/conrmiInicio.xhtml Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15471.004353/201090 Acórdão n.º 2401004.354 S2C4T1 Fl. 70 8 13.2 Na DAA consta também, no ficha correspondente aos rendimentos isentos e não tributáveis, valor de R$ 17.077,97, referente à parcela de isenção de rendimentos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte maior de 65 anos, o qual está aposentado pelo INSS desde o ano de 1988, como alhures mencionado (fls. 17). 13.3 Estando o portador de doença grave aposentado pela previdência oficial, o benefício de complemento de aposentadoria, independentemente da forma adotada para seu recebimento, pagamento único, parcelas ou renda mensal, ou do regime de tributação, progressiva ou regressiva, é isento do imposto sobre a renda. 14. Quanto aos rendimentos recebidos de pessoas físicas, no importe de R$ 3.600,00, não se referem, possivelmente, a proventos de aposentadoria e devem ser tratados como tributáveis (fls. 16 e 21). 14.1 Porém, seu montante total está abaixo do limite de isenção da tabela progressiva anual do anocalendário de 2007, exercício de 2008 (R$ 15.764,28). 15. Constatado que o total de rendimentos tributáveis declarados na DAA, objeto de procedimento de revisão fiscal, está abaixo do limite de isenção, as irregularidades identificadas nas despesas médicas não terão o condão de reduzir a base de cálculo tributável do imposto sobre a renda, fato que serve de suporte à exigência fiscal. 16. Logo, nessa hipótese, tornase improcedente a exigência do imposto suplementar com fundamento na dedução indevida de despesas médicas. 17. Especificamente no que tange ao pedido de restituição do imposto retido na fonte, esclareço que ultrapassa os limites da controvérsia fixada pela notificação fiscal e impugnação, estando a matéria fora do presente litígio. Tal pleito deve ser analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário do recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito DAR LHE PROVIMENTO para tornar insubsistente a exigência fiscal consubstanciada na Notificação Fiscal nº 2008/962085962267399, relativamente ao anocalendário 2007. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 16095.000189/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
COOPERATIVA. REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao cooperado - contribuinte individual - incide contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei.
COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
A venda de produto a terceiros por uma cooperativa não se constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equipara-se à empresa no que se refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago e/ou creditado pela cooperativa a uma outra cooperativa, incide a contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe reconhecer e declarar, no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais assim não declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes, nem reconhecido pela Chefia do Poder.
Numero da decisão: 2301-004.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COOPERATIVA. REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao cooperado - contribuinte individual - incide contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei. COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A venda de produto a terceiros por uma cooperativa não se constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equipara-se à empresa no que se refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago e/ou creditado pela cooperativa a uma outra cooperativa, incide a contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. Descabe reconhecer e declarar, no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais assim não declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes, nem reconhecido pela Chefia do Poder.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 399 1 398 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000189/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.448 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria COOPERATIVA DE TRABALHO Recorrente COOPERCAIXA COOPERATIVA PAULISTANA DE CAIXAS E CHAPAS DE PAPELÃO ONDULADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COOPERATIVA. REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao cooperado contribuinte individual incide contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei. COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A venda de produto a terceiros por uma cooperativa não se constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equiparase à empresa no que se refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago e/ou creditado pela cooperativa a uma outra cooperativa, incide a contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 89 /2 00 9- 13 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. Descabe reconhecer e declarar, no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais assim não declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes, nem reconhecido pela Chefia do Poder. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 400 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal com ciência em 23/11/2011 por omissão de fatos geradores em GFIP. O processo mantém conexão com o processo principal nº 16095.000191/200984 e o crédito tributário decorre de desconsideração de ato cooperativo em razão da prática de suposto ato mercantil. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou inserir, na mesma Guia, dados incorretos que provoquem alteração no cálculo das contribuições devidas. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: sofreu fiscalização que culminou na lavratura de Auto de Infração, subscrito pela fiscal de rendas Sra. Maria Teresa Malvadosi; ao contrário do asseverado pela fiscal, é a cooperativa que presta serviços aos seus associados, por expressa disposição de lei, no caso, artigos 4º e 7º da Lei n° 5.764/71; sua federação FETRABALHO efetuou consulta perante a Gerência Executiva São Paulo Sul do INSS (doe. 09), a qual reconheceu A NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PELA COTA PATRONAL DA COOPERATIVA DE PRODUÇÃO, e reconheceu, também, A NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA COTA PATRONAL SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS PRA TICADOS ENTRE COOPERATIVAS ASSOCIADAS; o Manual da GFIP/SEFIP 8.4 não distingue cooperativa de produção da cooperativa de trabalho, sendo que o subitem 4.3.2 do Capítulo II desse Manual diz claramente como proceder; se fosse para aplicar a correta classificação do cooperado, deveria ser o código 25, uma vez que não há quota patronal; o valor da multa está incorreto, uma vez que está embasado em artigo revogado (art. 32, § 5 o , da Lei n° 8.212/1991); Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 o valor correto da multa é de R$ 500,00, conforme inciso II do § 3 o do art. 32A da Lei n° 8.212/1991, em aplicação da retroatividade mais benigna; e R$ 377.909,53. E também que pratica ato mercantil que implique afastarse suas atividades do conceito de ato cooperativo. No caso, sustenta que presta serviço na produção de papelão ondulado e caixas de papelão sobre matériaprima fornecida pelo encomendante. Todos que participam da produção são cooperados, remunerados pelo rateio proporcionalmente ao serviço prestado por cada um. A cooperativa seria um meio para a prática do ato cooperativo e não o contrário. A recorrente junta vários documentos para demonstrar suas alegações, dentre os quais o contrato para regular a facção de produtos com a empresa industrial e comercial Casablanca Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, fls. 722. O julgamento foi convertido em diligência para que se fossem esclarecidas as operações realizadas pela recorrente à luz dos documentos juntados. Segue transcrição da resolução: Antes do exame das questões preliminares e de mérito, é necessário que se esclareça um fato importante para o julgamento. É que a definição de ato cooperativo e sua aplicação ou não ao presente caso tem estreita relação com os fundamentos a serem adotados e a correspondente conclusão. ... Para demonstrar suas alegações, a recorrente trouxe aos autos documentos que esclarecem a natureza das prestação de serviços, sobretudo a comprovação de fornecimento de matéria prima pelo encomendante, fls. 682 (ilustração representativa das operações), fls. 722 e seguintes (contrato de encomenda com fornecimento de matériaprima). Assim, para melhor compreensão dos fatos, penso ser cabível uma diligência, a fim de que a fiscalização explique detalhadamente as operações realizadas pela recorrente, a fim de justificar sua conclusão acerca da ausência de ato cooperativo: Ocorre que, conforme já demonstramos alhures, a Autuada pratica atos não cooperativos, consistentes na venda de produtos. E, que, por via de conseqüência, o reconhecimento de que fala a Autuada não alcança os valores pagos pelos serviços prestados por outra cooperativa. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o relatório conclusivo a ser redigido pela fiscalização. O relatório de diligência afirma que a suposta cooperativa de trabalho sequer emite nota fiscal de serviço contra clientes. O que se constata é que de fato seria uma cooperativa de produção e venda de produtos, fls. 792 e seguintes. O recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência. É o Relatório. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 401 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Das preliminares Quanto aos requisitos formais O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao mérito De fato, tanto no procedimento fiscal quanto na diligência que o sucedeu ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente se confunde com o conceito de cooperativa de trabalho. Não é a utilização como mão de obra de pessoas Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 402 7 organizadas em cooperativa que a caracteriza como cooperativa de trabalho, mas a natureza de sua atividade perante terceiros. Melhor dizendo, será cooperativa de trabalho quando a entidade presta serviços para seus clientes por intermédio de cooperados. Quando sua atividade é a fabricação própria ainda que de produtos por encomenda acompanhada do fornecimento de matériaprima se trata de cooperativa de produção e não de cooperativa de trabalho como deseja o recorrente ser tratado para fins de tributação. E ainda assim, o parágrafo único do artigo 79 da Lei 5.764, de 16/12/1971 afasta do conceito de ato cooperativo as operações de compra e venda de mercadorias e produtos: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Contudo, verifico que a recorrente contrata serviço de cooperativas de trabalho. De acordo com às fls. 112 a 116 e 382 foram lançadas contribuições relativas aos cooperados na condição de contribuintes individuais e sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho COOPERMAX e COOPERNAT. Quanto à esta última parte do lançamento, ou seja, contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF proferida na sessão de 18/12/2014 no sentido de declarála inconstitucional: 25/02/2015,Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015 ... EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 595.838 EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário.Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. De acordo com o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 devem ser reproduzidas pelas turmas do CARF: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, tendo se tornado definitiva a decisão do STF resta a esta turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. A multa relativa esta parte deve ser excluída da autuação. Quanto à multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 403 9 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 404 11 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 405 13 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 406 15 Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Quanto ao juros pela SELIC Ressaltase que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18 082011 EMENT VOL0256802 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. No mais, a recorrente insurgese contra a cobrança em tese da exação – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 407 17 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da parte relativa aos serviços contratados de cooperativa de trabalho e, quanto ao remanescente, a retroatividade benéfica nos termos acima. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13888.003847/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. IPI.
Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN.
DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI.
É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos à insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Súmulas CARF nºs 18 e 20.
Recurso Voluntário Improvido
Numero da decisão: 3402-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. IPI. Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos à insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Súmulas CARF nºs 18 e 20. Recurso Voluntário Improvido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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IPI. Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos à insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Súmulas CARF nºs 18 e 20. Recurso Voluntário Improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 47 /2 00 9- 04 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de constante dos autos emanados da decisão DRJ/RPO, fls. 222 versos, por meio do voto do relator Marcelo Eduardo Barreto Mayr, nos seguintes termos: “Trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituir o IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos inexistentes, conforme a legislação do imposto, decorrentes da aquisição de insumos não onerados pelo tributo (produtos classificados na TIPI como de alíquota 0% ou NT), tampouco existindo qualquer concessão de liminar ou tutela antecipada concedida pelo Poder Judiciário que ampare tal pretensão. Por conseguinte, é exigido do contribuinte o crédito tributário montante em R$ 14.127.743,45, inclusos juros e multa de ofício, conforme descrito no Termo de fls. 140/150. Em sua impugnação (fls. 157/168), o contribuinte alega que teria ocorrido a decadência de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, conforme § 40 do art. 150 do CTN e que, no mérito, o creditamento estaria amparado pelo princípio constitucional da não cumulatividade e que o processo administrativo deveria ser suspenso até a deliberação definitiva no C. STF, quanto à repercussão do RE n° 590.809. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1427.238 de fls.222 que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. IPI. Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos à insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF, fls. 230 a 246 onde repete as suas alegações apresentadas na sua impugnação e requer ao final o seguinte: 1) Seja reconhecida a consumação da decadência em relação às competências discriminadas e nos termos pleiteados, haja vista transcurso Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13888.003847/200904 Acórdão n.º 3402003.027 S3C4T2 Fl. 3 3 do tempo previsto no artigo 150 parágrafos 4º do CTN, conforme fundamentado. 2) Independentemente da consumação de decadência, requer seja reconhecida a insubsistência do Auto de Infração lavrado, com o seu consequente CANCELAMENTO, tendo em vista que a impugnante é detentora do direito ao aproveitamento dos créditos de IPI glosados pela autoridade fiscal. A procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões em 31/01/2011 para refutar as alegações da recorrente e requerer seja negado provimento ao recurso interposto, conforme razões acima suscitadas, para manter a decisão proferida em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Conforme o relatado, trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituir o IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos inexistentes, conforme a legislação do imposto, decorrentes da aquisição de insumos não onerados pelo tributo (produtos classificados na TIPI como de alíquota 0% ou NT), tampouco existindo qualquer concessão de liminar ou tutela antecipada concedida pelo Poder Judiciário que ampare tal pretensão. Por conseguinte, é exigido do contribuinte o crédito tributário montante em R$ 14.127.743,45, inclusos juros e multa de ofício, conforme descrito no Termo de fls. 140/150. O voto condutor da decisão recorrida, enfrentou muito bem cada argumento da Impugnação que são os mesmos do Recurso Voluntário para concluir pela improcedência da mesma e manter o crédito tributário exigido no AI e que corroboro acrescentando as súmulas do CARF de nº 18 e 20, também, como razões de decidir. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. ” “Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Também, em sede de Recurso Voluntário cabe enfrentar a preliminar de decadência arguida pela Recorrente e nesse ponto passo ao meu entendimento sobre o assunto: A respeito da alegação de decadência parcial, importa destacar que venho entendendo da mesma forma do voto condutor da decisão recorrida, se houve pagamento aplicase o artigo 150 § 4º, se não houve pagamento, aplicase o art. 173, I do CTN. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Também, dizem os artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Cabe destacar que a decadência tributária é o prazo oponível ao Fisco, isso porque se a Fazenda perder o prazo quinquenal, arruinará seu direito de rever o pagamento da obrigação tributária. Acontece que o CTN aduz algumas peculiaridades quanto ao início da contagem do prazo decadencial, sendo este o cerne do estudo. Para isso, salientamos a primeira hipótese que é aquela em que a contribuinte paga de logo o tributo, mas que posteriormente, o Fisco verifica que o pagamento foi aquém do devido. Sem dúvida o contribuinte gozará dos efeitos do pagamento adiantado, entretanto quando o Fisco descobrir que não foi integral, revogará todos os efeitos benevolentes ao sujeito passivo e lançará a obrigação tributária (valor restante), constituindo o crédito tributário, recaindo assim na execução fiscal. Isso se trata da antecipação de pagamento do tributo. Como visto no artigo 150, §4° do CTN: Necessário ressaltar que, conforme o parágrafo 4° do aludido artigo, se a Fazenda Pública não usar do seu direito de lançar dentro do quinquênio contados a partir do fato gerador, o crédito restará extinto, segundo o Art. 156, V, do CTN. Agora, se porventura, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13888.003847/200904 Acórdão n.º 3402003.027 S3C4T2 Fl. 4 5 for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não será aplicado o Art. 150 §4° do CTN, mas sim o Art. 173, I do CTN. “O direito de o Fisco rever o lançamento do sujeito passivo, e, em consequência, exigir diferença e, ou suplementação do tributo, ou, ainda, aplicar penalidade, salvo caso de dolo, fraude ou simulação, caduca em 5 anos, reservado à Lei do Poder tributante fixar outro prazo menor. Se esgotarse o prazo, há decadência do direito de revisão por parte do Fisco, considerandose automaticamente homologado o lançamento em que se baseou o sujeito passivo para efetuar o pagamento antecipado. ” (Min. Francisco Peçanha Martins. STJ. REsp 132.329/SP) Diferentemente, do Art. 150 § 4° do CTN, no artigo 173, § I, há o elastecimento do prazo, pois sua contagem se dá em momento posterior, somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sendo assim, a aplicação deste cânon seria prejudicial ao contribuinte, tendo em vista haver um lapso maior para decair o direito do Fisco em lançar a obrigação tributária. Ora, como se pode perceber a contagem do prazo quinquenal dos dois artigos mencionados se dá de forma diversa, um começa a fluir da data do fato gerador; o outro somente no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter efetuado o lançamento. O que determina a aplicação de um ou outro é o pagamento. Assim, não há decadência a reconhecer no presente processo, tão pouco a fazer qualquer reparo na decisão recorrida em referência a hermenêutica do artigo 153, parágrafo 3º, II da Constituição Federal de que se não foi cobrado imposto nas operações anteriores, seja pela nãoincidência, isenção ou tributação à alíquota zero dos insumos, não há direito ao crédito. Isto posto, NEGO PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 11065.100835/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
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Numero da decisão: 3301-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 35 /2 00 9- 77 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 11.821,49, referente a março de 2009, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 15/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 12 3 INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 13 4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 14 5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11516.722854/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por A. ANGELONI & CIA LTDA.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ANGELONI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por A. ANGELONI & CIA LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado pela fiscalização, referente ao período de 01/2009 a 12/2012, que resultou na lavratura dos dois Autos de Infração abaixo discriminados: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 85 4/ 20 13 -8 0 Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 366 2 a) AI nº 51.012.5344, no valor de R$ 27.474.736,34, mais juros e multa de ofício, relativo à contribuição previdênciária patronal incidente sobre as remunerações pagas aos sócios, na qualidade de contribuintes individuais, em função do pagamento de juros sobre o capital próprio. b) AI nº 51.012.5342, no valor de R$ 3.420.018,23, mais juros e multa de ofício, relativo a diferença devida a título de GILRAT; De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos que motivaram as autuações foram os seguintes: Em relação ao AI 51.012.5344 relativo ao pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP considerou que esses foram pagos em desacordo com a legislação em vigor, em razão de dois fatos: a) Pagamento em montante superior ao permitido: De acordo com a fiscalização verificase, conforme demonstrado nos quadros III e IV (fls. 178) que levandose em consideração a TJLP, o limite máximo a ser creditado a título de JCP seria de R$ 115.829.763,75. No entanto, a empresa pagou aos seus sócios o montante líquido de R$ 143.928.787,90, conforme constatado através da DIPJ e da DIRF; b) Os critérios utilizados para pagamento, conforme as atas constantes do Quadro V (fls. 179) foram os seguintes: b.1) aprovação da distribuição de remunerações aos sócios sob a forma de JCP; b.2) o valor pago a cada sócio seria o valor líquido após a retenção do imposto de renda na fonte; c.1) os pagamentos seriam efetuados de forma desproporcional à participação dos sócios no capital social da empresa. Em razão das referidas deliberações concluiu a autoridade fiscal que: a) no caso da deliberação “a”, ficou caracterizado que o pagamento correspondeu à remuneração”, tratandose de prólabore recebido pelos diretores, e não a juros sobre o capital próprio, conforme considerado pela ANGELONI b) no caso da deliberação “b”, tendo sido pagos os valores líquidos, para efeito de apuração de base de cálculo da contribuição previdenciária, devese acrescer o IRRF. Ainda em relação ao item “b”, com a inclusão do IRRF, os valores pagos foram superiores ao permitido pela legislação, porém, nos anos de 2009 e 2010, houve pagamento superior ao permitido independentemente de inclusão do IRRF, consoante demonstrado no Quadro VI (fls. 180); c) Finalmente, em relação à deliberação "c" a distribuição correta deveria ter observado a participação de cada quotista no capital social da empresa, consoante demonstrado no quadro VII (fls. 180), pois os sócios fundadores, Antenor e Arnaldo, que detêm apenas 0,01% do capital social, receberam o equivalente a 50,48% e 47,51%, respectivamente, enquanto que as empresas Távola Redonda e Três Ribeirões (holding’s), que detêm 50,99% e 48,99% do capital, conforme quadro VII (fls. 181) Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 367 3 Intimada a prestar esclarecimentos a empresa alegou que os sócios fundadores da empresa (Antenor e Arnaldo), por serem usufrutuários das holding´s, são detentores do direito de auferirem a percepção de lucros e juros sobre o capital próprio destas e, por via de conseqüência, da própria empresa fiscalizada. Assim, considerando que as empresa fiscalizada creditaria JCP para as holding´s, e estas, por sua vez, creditaria JCP aos sócios usufrutuários, optaram os sócios da fiscalizada por distribuir juros de forma desproporcional à participação social, conforme lhes faculta o artigo 1007 do Código Civil, combinado com a cláusula 29 do seu contrato social, evitando dupla atividade burocrática (confecção de atas, lançamentos contábeis, cumprimento de obrigações acessórias). Em relação ao AI nº 51.012.535 relativo a diferença GILRAT a fiscalização alegou que, embora a empresa tenha declarado em GFIP, de forma correta, o código CNAE e a alíquota RAT correspondente, ao preencher o campo FAP, no período de 01/2010 a 13/011, informou o coeficiente de 1,00 quando o correto seria 1,5790 para 2010 e 1,4159 para 2011, o que gerou a diferença a título de GILRAT, conforme planilha de cálculo de fls. 189/267; O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração (fls. 1.148/1.153 e 1271/1.295) alegando, resumidamente que: a) em relação AI nº 51.012.5352 (Diferença de GILRAT), nas competências 02/2010 a 12/2011, de fato, recolheu a contribuição social sem o FAP, tendo parcelado o débito correspondente e, em relação a competência 01/2010, o crédito já se encontra extinto pelo por pagamento, com a devida aplicação do FAP, conforme comprovado pelas GPS e GFIP´s em anexo. b) em relação ao AI nº 51.012.5344 (Juros sobre Capital Próprio JCP) esclarece que a própria Receita Federal, em relação ao mesmo contribuinte, fez lançamento do JCP como dividendo e, portanto, indedutível. c) que o tratamento do JPC como prólabore acarreta a possibilidade de sua dedução, o que vai de encontro a glosa contestada. d) O JCP é tratado como despesa financeira, o que seria incompatível com o conceito de remuneração. e) a situação não pode perdurar, sobretudo para o anocalendário de 2009, o qual foi objeto de duas classificações jurídicas distintas. Uma como dividendo e, portanto, indedutível na apuração do IRPJ, outra, como prólabore sujeito a contribuição previdenciária, mas, por outro lado, dedutível da base de cálculo do IRPJ. f) a autoridade fiscal apurou bases de cálculo incorreta pro dois motivos: f.1) Entendeu que o ônus do IRF não seria repassado aos sócios quando, na verdade, o agente fiscal acrescenta aos valores brutos distribuídos os valores de IRF, gerando uma duplicidade destes últimos. O quadro VI do Relatório Fiscal mostra que o valor considerado como pago a maior pela empresa se refere exatamente ao valor do IRF retido. f.2) nos anos de 2009 e 2011, o valor supostamente distribuído a maior pela empresa inclui, além do IRF em duplicidade, os montantes de JCP que deixaram de ser pagos nos anos de 2004, 2005 e 2006, procedimento que está em consonância com o Acórdão nº 1202000.766 de 08/05/2012, bem como com o RESP 1.086.752PR, de 11/03/2009, do STJ. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 368 4 Para comprovar a referida alegação junta cópia do Livro Razão, conta nº 3484 referentes aos anos de 2009 a 2012 (doc. 03), onde é possível checar a veracidade dos números informados na tabela de fls. 1.277. g) que a autoridade fiscal se utilizou da palavra "remuneração" constante dos documentos societários da empresa para concluir, por presunção, que os valores se referiam a prólabore, sem se preocupar em trazer ao lançamento uma única prova que corrobore tal entendimento. h) que o JCP possui natureza jurídica de dividendo, pelos seguintes motivos: h.1) sua distribuição depende do sucesso do empreendimento e somente os sócios fazem jus à sua percepção. h.2) de acordo com o art. 9º §1º, da Lei 9.249/95, a fonte dessa forma de remuneração é a mesma definida pelo art. 201 da Lei nº 6.404/76, a saber, o lucro líquido, lucros acumulados e reserva de lucros. Além disso, de acordo com o §7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95, os juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica a título de JCP poderá ser imputado ao valor dos dividendos. h.3) que o RIR/99 regula a tributação do JCP dentro do capítulo referente a "rendimentos de participação societária." h.4) que o artigo 9º da Lei 9.249/95 não criou nova figura de direito privado, mas tão somente estabeleceu um regime fiscal opcional para os lucros distribuíveis pelas pessoas jurídicas e, por essa razão, a Deliberação CVM nº 207/96 previa a reversão do JCP contabilizado como despesa ou receita financeira. h.5) que tanto o CARF, no Acórdão nº 14010001.401, como a 2ª Turma do TRF da 4ª Região já reconheceram a natureza jurídica de dividendo. i) uma vez demonstrada a natureza jurídica de dividendo do JCP, a Impugnante, ora Recorrente, passa a defender legitimidade de sua distribuição desproporcional, desde que a sociedade assim delibere, pois: i.1) em nenhum momento a Lei nº 9.249/95 vinculou a base de cálculo do JCP à conta de capital dos sócios, com base em sua proporção no capital social i.2) o princípio da estrita legalidade impede as autoridades fazendárias de ampliar o escopo da norma para estabelecer restrições que não estão nela contida. i.3) que embora a regra do artigo 1007 se aplique às sociedades simples, o artigo 1.053 admite, em caso de omissão, a sua aplicação subsidiária às sociedades limitadas; j) que os valores distribuídos a título de JCP não consistem em pagamento pela prestação de serviço à empresa, não compondo a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois a distribuição de lucro é remuneração decorrente do capital investido e não rendimento do trabalho. Além disso, alega que o §9º do art. 28 da Lei 8.212/91 estabelece que a participação nos lucros e resultados não integra a base de cálculo do INSS. A Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação apresentada em decisão cuja ementa é a seguinte: Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 369 5 "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DIVIDENDOS. NATUREZAS DISTINTAS. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL. SÓCIOS DIRIGENTES. PRÓLABORE. Os juros sobre o capital próprio e os dividendos possuem naturezas jurídicas e tratamentos tributários distintos. Enquanto estes decorrem da distribuição de lucros aos sócios, aqueles representam a remuneração pelos recursos financeiros “emprestados” à empresa, constituindo despesa financeira. Os juros sobre o capital próprio é forma de remuneração pelo capital investido, motivo pelo qual os valores pagos aos sócios dirigentes da empresa a este título de forma desproporcional à participação dos mesmos no seu capital social, passa a assumir natureza jurídica de prólabore." Em seu voto, a Delegacia Regional de Julgamento DRJ reconhece a contradição entre o presente lançamento e a autuação que o mesmo contribuinte já havia sofrido em 27/06/2012, referente ao IRPJ, sob o mesmo fundamento, qual seja, distribuição desproporcional de JCP nos anoscalendários de 2007 a 2009. Conclui, no entanto, que "somente após o exaurimento da discussão na esfera administrativa é que haverá a necessidade de se compatibilizar o tratamento jurídico pagos a título de JCP aos sócios da empresa" , uma vez que, "haja vista a possibilidade de reforma das decisões proferidas em primeira instância, não há como, nessa fase processual, acolher a alegação do contribuinte de que há uma efetiva contradição na qualificação jurídica atribuída aos fatos que fundamentaram o lançamento. (fls. 1563) Em relação a natureza jurídica do JCP, a DRJ alega que eles não se confundem com dividendos, pois: a) ao contrário do que alega a Impugnante, a distribuição do JCP não depende, necessariamente, do resultado do período, uma vez que o §1º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 permite sua distribuição quando houver lucros acumulados ou reserva de lucros de períodos anteriores em montante igual ou superior ao valor de duas vezes o juros pagos ou creditados, o que demonstra que é possível a distribuição de JCP mesmo que tenha apurado prejuízo contábil. b) O JCP pode ser pago ou creditado sem prejuízo da distribuição de lucro apurado no exercício o que reforça a autonomia entre as duas espécies de remuneração de capital. c) que a sua imputação ao dividendo mínimo obrigatório, de que trata o art. 202 da Lei 6.404, de 1976, é tão somente facultada pelo §7º do art. 9º da Lei 9.249, de 1995, e, além disso, se dá sem prejuízo da retenção do imposto de renda na fonte, o que demonstra a nítida distinção entre os aludidos institutos. d) que o JCP corresponde a remuneração paga ao sócio pelo dinheiro "emprestado" por este à sociedade e, nestes termos, se trata de uma despesa financeira incorrida pela empresa, o que não se confunde, quer do ponto de vista contábil, quer do ponto de vista jurídico, com distribuição de lucro. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 370 6 e) em relação a distribuição desproporcional do JCP, alega que é uma espécie de remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência do capital por eles investido na sociedade e que, sendo assim, não há como pensar em pagamento desproporcional pagandose mais a quem investiu menos e vice versa. f) em relação ao lançamento dos valores pagos aos sócios a título de JCP como remuneração de prólabore sujeita a incidência das contribuições previdenciárias, entendeu a DRJ que o fato gerador das contribuições previdenciárias estaria configurado em razão alegação constante do item 2.2 do Relatório fiscal de que a 89º Alteração Contratual designa os sócios Antenor e Arnaldo Angeloni para ocuparem os cargos e exercerem as funções de diretores. Diante desse fato, conclui que embora estivessem sob a roupagem de juros sobre o capital próprio, os valores pagos aos sócios se destinaram, na verdade, a retribuílos pelos serviços prestados na administração da empresa. (fls. 1565/1566) g) Em relação a alegação da majoração da base de cálculo em razão da inclusão do IRF sobre os valores brutos pagos aos sócios, entendeu a DRJ que as cópias dos lançamentos efetuados nas contas "3484 CONSTAS CORRENTES DOS SÓCIOS" e "3875 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO" do Livro Razão (fls. 1360/1404), referentes aos anos de 2009 e 2010, juntadas pela defesa "embora demonstrem os valores "creditados" (despesa incorrida) aos sócios minoritários a título de JCP e o IRRF correspondente, não são hábeis a comprovar os valores efetivamente "pagos" aos mesmos. h) em relação aos valores que seriam relativos aos anos de 2004, 2005 e 2006 entendeu a DRJ que não podem ser computados para aferição dos limites de distribuição do JCP, uma vez que as referidas despesas foram incorridas somente em 2009 e 2010. i) Finalmente, em relação as alegações de que o crédito tributário constituído no AI 51.012.5352 (Diferença de GILRAT) entendeu a DRJ que, "em que pese as GFIP´s juntadas pelo contribuinte às fls. 1.217/1,270 dos autos, consultandose as informações do sistema GFIPWEB, verificase que tais documentos não constam da base de dados da Receita Federal do Brasil" e que, além disso, o contribuinte não instruiu sua peça impugnatória com os protocolos de envio das GFIP´s apresentadas nesta fase litigiosa, os quais comprovariam que aquelas informações foram, de fato, transmitidas. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.1570 1605) reiterando os argumentos da impugnação. Enfatiza, em particular, os seguintes aspectos: a) Diferentemente do alegado pela autoridade lançadora, os sócios Antenor e Arnaldo Angeloni não são e não foram à época dos fatos geradores diretores da sociedade, conforme se verifica pelas Atas de Reunião do Conselho de Administração da Recorrente; (fls. b) Que uma leitura atenta da 89ª alteração contratual (fls.1669 ) demonstra o equívoco da autoridade lançadora ao utilizála como elemento de prova de que os sócios Antenor e Arnaldo Angeloni seriam diretores da sociedade, por duas razões. Em primeiro lugar, porque a referida alteração contratual é datada de 05.07.2012, período posterior a grande maioria dos fatos geradores, e, em segundo lugar, porque a redação da cláusula 15, referente à composição da Diretoria é bastante clara ao atribuir aos referidos sócios a função de diretores apenas interinamente, até que houvesse nova deliberação em reunião de quotistas ou do Conselho de Administração. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 371 7 c) que a inclusão dos sócios como diretores interinos era mera formalidade de praxe, tanto assim que, à época em que realizada a referida alteração contratual , já havia membros eleitos da Diretoria (fls. 1669) d) que os senhores Arnaldo e Antenor Angeloni eram à época, e o são até hoje, membros do Conselho de Administração da Companhia e, para exercício de tal cargo, e recebem remuneração a título de prólabore, conforme se verifica das Atas de Quotistas anexas (fls.1299 a 1328) Finalmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarazões (fls. 1811 a 1839) reiterando, quanto ao mérito, as alegações da autoridade fiscal e da Delegacia Regional de Julgamento. Em relação a preliminar de nulidade por ausência de demonstração do fato gerador das contribuições previdenciárias por parte da Autoridade Fiscal, alega que, compulsando os autos, não se vislumbra o descumprimento de nenhum dos requisitos fixados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois não houve autuação de pessoa incompetente e tampouco preterição no direito de defesa do contribuinte. Em sessão de julgamento de 10 de maio de 2016, foi proposta a conversão do processo em diligência para que a Fiscalização se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre: a) os valores efetivamente pagos aos sócios Antenor Angeloni e Arnaldo Angeloni, a título de Juros sobre o Capital Próprio, considerando as informações constantes das bases de dados da Receita Federal do Brasil, além de todos documentos acostados ao autos, inclusive aqueles trazidos no Recurso Voluntário (DARFs, DIRFs e comprovantes de rendimentos de fls. 1.708/1.785); b) a exatidão dos valores recolhidos relativos a GILRAT na competência 01/2010, considerando a aplicação do coeficiente do FAP de 1,5790. É o relatório. Voto Vencido Entendo desnecessária a diligência requerida. Isso porque a Delegacia Regional de Julgamento não suscitou qualquer problema nos referidos documentos, apenas entendeu que, por não constarem os dados por eles informados dos sistemas da Receita Federal, não deveriam ser aceitos. Sendo assim, entendo estarem devidamente comprovados os valores pagos aos sócios, bem como parcelamento do GILRAT das competências 02/2010 à 12/2011 (fls. 1787) datado de 12/11/2013, em relação ao qual consta das fls. 1793 a autorização de débito em conta corrente das parcelas e os comprovantes os comprovantes de pagamento das parcelas ( fls. 1794 a 1802). Além disso, o pagamento da competência 01/2010 com a aplicação do fator FAP a Impugnante, está devidamente comprovado pelos seguintes documentos: a) Guias da Previdência Social GPS (fls. 1162 a 1213) b) Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas quais é possível constatar, nos campos "ALIQ RAT" "FAP" e "RAT AJUSTADO" a aplicação do FAP no cálculo da Contriuição Social. (fls. 1217 a 1270) Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 372 8 c) GFIP´s relativas à competência 02/2010 (fls.) para demonstrar que o FAP aplicado correspondeu a 1,00, ao passo que, nas GFIP´s de 01/2010, a Impugnante aplicou o FAP no percentual de 1,58 (fls. 1214 a 1216). Dessa forma, voto pela não conversão do processo em diligência, posto que o seu resultado em nada alterará o meu entendimento quanto à matéria discutida. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Voto Vencedor Conforme decidido pela DRJ, os lançamentos contábeis apresentados pela Contribuinte em sua impugnação não lograram comprovar que não foi a empresa que suportou o ônus do imposto de renda retido na fonte. As cópias dos lançamentos tão somente mostram os valores creditados, não havendo prova hábil que demonstre os valores efetivamente pagos aos sócios. Porém, por ocasião do Recurso Voluntário, a Contribuinte apresentou diversos documentos, tais como cópias de DIRFs, DARFs e comprovantes de rendimentos (fls. 1.708/1.785), visando demonstrar que o ônus do imposto de renda foi dos sócios beneficiários. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. No caso presente, pela análise dos documentos acostados no Recurso Voluntário, verifico que não é possível se chegar a uma conclusão em relação às alegações da Recorrente acerca dos sócios da empresa terem suportado o ônus do imposto de renda na fonte. É que não há como vincular os DARFs apresentados com as DIRFs informadas, razão pela qual entendo ser necessária uma diligência para que a autoridade lançadora possa analisar os documentos apresentados e emitir uma opinião conclusiva. Do mesmo modo, no tocante às Guias da Previdência Social GPS e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP , relativas à GILRAT da competência 01/2010, percebo que não é possível se constatar que as mesmas foram capazes de quitar as obrigações da Contribuinte em relação às diferenças de GILRAT lançadas de ofício. Dessa forma, para evitar cerceamento de defesa e em respeito ao princípio da verdade material, bem como para que não reste qualquer dúvida na deliberação do colegiado, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de o julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1. Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre: Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 373 9 a) os valores efetivamente pagos aos sócios Antenor Angeloni e Arnaldo Angeloni, a título de Juros sobre o Capital Próprio, considerando as informações constantes das bases de dados da Receita Federal do Brasil, além de todos documentos acostados ao autos, inclusive aqueles trazidos no Recurso Voluntário (DARFs, DIRFs e comprovantes de rendimentos de fls. 1.708/1.785); b) a exatidão dos valores recolhidos relativos a GILRAT na competência 01/2010, considerando a aplicação do coeficiente do FAP de 1,5790. 2. Dê vista à Recorrente, para, querendo, se pronunciar, no prazo de 30 (trinta) dias. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma, sob a responsabilidade da Relatora, para inclusão em pauta de julgamento. Assinado Digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10384.720877/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
PERDAS TÉCNICAS. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. NÃO SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
As perdas técnicas correspondentes ao montante de energia elétrica dissipada no sistema de distribuição decorrente das leis da Física relativas aos processos de transporte, transformação de tensão e medição de energia elétrica, designadas como parcelas Joule, dielétrica e magnética, não se subsumem às hipóteses de furto ou roubo, inutilização ou deterioração, destruição em sinistro ou, ainda, emprego em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.
PERDAS NÃO TÉCNICAS. FURTO OU FRAUDE. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
As perdas não técnicas correspondentes a desvios diretos de energia da rede elétrica (furto) e por adulterações em fiações elétricas e equipamentos, com o objetivo de reduzir ilicitamente o sistema de medição (fraudes) se subsumem às hipóteses de furto de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito vinculado às perdas técnicas.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. NÃO SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. As perdas técnicas correspondentes ao montante de energia elétrica dissipada no sistema de distribuição decorrente das leis da Física relativas aos processos de transporte, transformação de tensão e medição de energia elétrica, designadas como parcelas Joule, dielétrica e magnética, não se subsumem às hipóteses de furto ou roubo, inutilização ou deterioração, destruição em sinistro ou, ainda, emprego em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. PERDAS NÃO TÉCNICAS. FURTO OU FRAUDE. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. As perdas não técnicas correspondentes a desvios diretos de energia da rede elétrica (furto) e por adulterações em fiações elétricas e equipamentos, com o objetivo de reduzir ilicitamente o sistema de medição (fraudes) se subsumem às hipóteses de furto de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 08 77 /2 01 4- 11 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito vinculado às perdas técnicas. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários de PIS/Pasep e Cofins, relativos ao anocalendário de 2011, em razão da falta de estorno de créditos da nãocumulatividade referentes às perdas de parte da energia elétrica adquirida para revenda, denominadas perdas técnicas (decorrentes de aquecimento dos cabos de distribuição, medidores e demais equipamentos) e perdas não técnicas (decorrentes de furtos e fraudes perpetradas pelos consumidores), com fulcro no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em impugnação, a recorrente alegou que: 1. As perdas referemse à energia que, embora inserida no sistema e na rede das distribuidoras, não chega a ser comercializada, seja devido ao processo físico de transporte da energia (perdas técnicas), seja devido ao processo de comercialização (essencialmente, furtos e fraudes); 2. As perdas técnicas e não técnicas compõem os custos não gerenciáveis da empresa, cujos valores são reconhecidos e fixados pela ANEEL, compondo parte do preço tarifário da venda de energia elétrica e dos índices de reajuste tarifário, conforme Resolução Normativa ANEEL nº 234/2006 e Resolução Normativa ANEEL nº 166/2005; 3. As perdas técnicas não se subsumem a nenhuma das hipóteses previstas no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, a saber: furto, roubo, inutilização, deterioração, destruição em sinistro ou utilização em produtos com a mesma destinação; 4. Nos casos de perdas não técnicas, a empresa adota providências para apuração de possíveis irregularidades, mediante procedimento técnico administrativo, com o objetivo de recuperar a receita perdida, nos termos da Resolução ANEEL nº 414/2010; a recorrente acostou aos autos documentos relativos aos referidos procedimentos e relatório demonstrando os montantes recuperados em 2011, propugnando pela inexistência de fundamento legal para o estorno de tais créditos; Fl. 755DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 4 3 5. Efeito confiscatório da multa de 75% vinculada ao tributo lançado. Na peça impugnatória, a recorrente contestou matérias relativas à autuação de IRPJ e CSLL. A Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o Acórdão nº 0130.342, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 Ementa: PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ESTORNO DE CRÉDITOS As perdas em caráter permanente dos bens adquiridos para utilização na prestação de serviços ensejam o estorno dos créditos da Cofins apurados com base no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 756DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 5 4 Data do fato gerador: 31/01/2010, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 Ementa: PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ESTORNO DE CRÉDITOS As perdas em caráter permanente dos bens adquiridos para utilização na prestação de serviços ensejam o estorno dos créditos do PIS apurados com base no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 757DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, não se conhece quanto às autuações de IRPJ e CSLL, por não serem objeto deste processo. No mérito, a lide cingese à necessidade de estorno de créditos da não cumulatividade referentes às perdas técnicas e não técnicas de energia elétrica, em razão do disposto no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A definição de perdas de energia pode ser obtida a partir da Resolução Normativa ANEEL nº 234/2006, que em seu Anexo VII dispôs: "1. Do ponto de vista regulatório, as perdas na distribuição serão classificadas em: • Perdas técnicas: montante de energia elétrica dissipada no sistema de distribuição decorrente das leis da Física relativas aos processos de transporte, transformação de tensão e medição de energia elétrica. Corresponde à soma de três parcelas: Joule, dielétrica e magnética; e • Perdas não técnicas: apuradas pela diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, dentre outros. 2. As perdas na distribuição serão calculadas pelo balanço energético, ou seja, pela diferença entre o montante de energia injetada e a fornecida. Observados o período do balanço energético e a base de ativos correspondente, será apurada a parcela correspondente às perdas técnicas e, por diferença, as perdas não técnicas." Fl. 758DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 7 6 O site da ANEEL http://www.aneel.gov.br/area.cfm?idArea=801 dispõe em termos similares à nota técnica: O sistema elétrico de potência é dividido em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. As distribuidoras recebem a energia dos agentes supridores (transmissoras, geradores ou outras distribuidoras), entregandoa aos consumidores finais, sejam eles residenciais, comerciais, rurais, industriais ou pertencente às demais classes. A energia medida pelas distribuidoras nas unidades consumidoras será sempre inferior à energia recebida dos agentes supridores. Essa diferença é denominada perda de energia e é segregada conforme sua origem: Perdas na Rede Básica (ou Transmissão): são aquelas que ocorrem entre a geração de energia elétrica nas usinas até o limite dos sistemas de distribuição. São apuradas mensalmente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, conforme dados de medição de geração e a energia entregue às redes de distribuição. A diferença entre elas resulta no valor de Perdas na Rede Básica e seu custo é rateado em 50% para geração e 50% para o consumo. Perdas na Rede de Distribuição: aquelas que ocorrem dentro do próprio sistema de distribuição e podem ser divididas em duas categorias, conforme sua causa: Perdas Técnicas: inerentes ao transporte da energia elétrica na rede, relacionadas à transformação de energia elétrica em energia térmica nos condutores (efeito joule), perdas nos núcleos dos transformadores, perdas dielétricas, etc. Podem ser entendidas como o consumo dos equipamentos responsáveis pela distribuição de energia. Perdas Não Técnicas: correspondem à diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc. Esse tipo de perda está diretamente associado à gestão comercial da distribuidora. Esclarecidas as definições, necessário, pois, averiguar se tais perdas se amoldam às disposições do §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Como visto, as perdas técnicas são inerentes à atividade de transmissão e distribuição de energia elétrica e decorrem dos processos físicos de dissipação de energia no seu transporte. Novamente, socorrese do site da ANEEL quanto ao seu cálculo: "As perdas técnicas de cada distribuidora são calculadas na revisão tarifária periódica conforme as regras definidas no Módulo 7 do PRODIST. De forma resumida, o sistema de distribuição é dividido de acordo com os segmentos de rede (alta, média e baixa tensão), transformadores, ramais de ligação Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 8 7 e medidores. Aplicamse então modelos específicos para cada um desses segmentos, utilizandose informações simplificadas das redes e equipamentos existentes, como por exemplo, comprimento e bitola dos condutores, potência dos transformadores e energia fornecida às unidades consumidoras. Com base nessas informações, estimase o percentual de perdas técnicas relativas à energia injetada na rede." Tratase, portanto, de estimativa técnica, calculada a partir de modelos específicos adotados para cada segmento de rede e em funções das características físicas de seus componentes, sendo, portanto, um custo próprio do sistema, cujos efeitos financeiros compõem as tarifas de energia elétrica, conforme artigo 51 do Decreto nº 4.541/2002: Art. 51. As concessionárias, permissionárias e cooperativas referidas no art. 50 deverão celebrar contratos distintos para a conexão, uso dos sistemas de transmissão ou distribuição e compra de energia elétrica. Parágrafo único. Na definição do valor das tarifas para os contratos de conexão e de uso dos sistemas de transmissão ou distribuição de que trata este artigo, serão consideradas as parcelas apropriadas dos custos de transporte e das perdas de energia elétrica, bem como os encargos de conexão e os encargos setoriais, conforme regulamentação existente, admitida uma redução, quando necessária, em relação às tarifas de transmissão e de distribuição. (grifo não original) Assim, diante do exposto, concluise que as perdas técnicas não se enquadram nas hipóteses previstas no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, a saber: furto ou roubo, inutilização ou deterioração, destruição em sinistro ou, ainda, emprego em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. A título de comparação, a legislação do IPI prevê no artigo 254, inciso IV do Decreto nº 7.212/2010, dispositivo similar aplicado às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem: Art. 254. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto Lei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 8a, Lei no 7.798, de 1989, art. 12, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11): [...] IV relativo a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem, e quaisquer outros produtos que hajam sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma sorte; Porém o artigo 255 possibilita a manutenção do crédito em relação às quebras admitidas no regulamento, o qual permite a existência de quebras nos estoques ou no processo de industrialização, desde que submetidas a laudo de órgão técnico competente e desde que não excedam os limites normalmente admissíveis (artigo 523 do regulamento do IPI). Fl. 760DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 9 8 A apuração das perdas técnicas são definidas em ato normativo da ANEEL, decorrente de seu poder regulatório, e consiste em parcela da energia que, inevitavelmente se perderá no transporte, se assemelhando às quebras inerentes aos processos produtivos. Ressaltase que a norma dispõe sobre parcelas que foram inutilizadas ou furtadas ou destruídas, o que pressupõe que estes bens eram destinados a serem vendidos, sujeitandose à contribuição nãocumulativa. Ocorre que estas parcelas de energia perdida são inevitáveis e inerentes e não poderiam gerar contribuição nãocumulativa, pois que já estimadas em função das características físicas das instalações e equipamentos, independentemente da gestão comercial da empresa. Além disso, frisese que estes valores são repassados às tarifas de energia, sujeitandose à incidência nãocumulativa, o que reforça ser indevido lançamento, quanto à necessidade de se estornar créditos da nãocumulatividade da contribuição. Por outro lado, as perdas não técnicas correspondem à diferença entre as perdas totais verificadas no sistema (simplificadamente, a diferença entre a energia injetada e a vendida e entregue), e as perdas técnicas, decorrentes de eventos como furtos, erros de medição, fraudes e que estão diretamente relacionadas com a gestão comercial da empresa, como exposto no site da ANEEL. De fato, a recorrente afirmou que estas perdas decorrem essencialmente de furtos e fraudes, caracterizados por desvio direto de energia da rede elétrica (furto) e por adulterações em fiações elétricas e equipamentos, com o objetivo de reduzir ilicitamente o sistema de medição (fraudes). Diferentemente das perdas técnicas, as não técnicas dependem da eficiência e da gestão das empresas no combate a tais eventos, e podem ser repassadas às tarifas mediante limites definidos pela ANEEL, conforme esclarece o site da agência: “Cabe à ANEEL definir qual a parcela de perdas não técnicas de energia que poderá ser repassada à tarifa, sendo suportada, por seguinte, pelos consumidores regulares. Tais limites são estabelecidos por metodologias específicas, cujos parâmetros se baseiam, em grande parte, na observação das boas práticas de empresas eficientes nessas atividades. Nessa análise, que ocorre na revisão tarifária, as concessionárias são comparadas por critérios de similaridade. O referencial de perdas é estabelecido observando o nível real das perdas da própria empresa (histórico recente de perdas) e o nível de perdas reais praticadas por empresas similares e mais eficientes. Essa comparação foi viabilizada pela criação do “índice de complexidade” que reflete o conjunto de dados estruturados por área de concessão e que reúne as variáveis socioeconômicas que melhor explicariam o fenômeno de estudo. Com a caracterização de cada área de concessão através do índice e a apuração das perdas praticadas por cada empresa é possível identificar as mais eficientes. As regras de cálculo das perdas não técnicas estão definidas no Submódulo 2.6 do PRORET.” O submódulo acima mencionado estipula que os repasses tarifários são definidos na forma de uma trajetória decrescente ou de uma meta fixa ou ambas, sendo que tais Fl. 761DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 10 9 perdas decorrem de um problema sócioeconômico, aliado à eficiência no combate a tais eventos. As perdas são estabelecidas mediante metas a serem alcançadas a partir de um índice referencial. Depreendese, assim, que, ao contrário das perdas técnicas, as não técnicas se inserem nos custos gerenciáveis e estão diretamente vinculadas à gestão comercial da empresa. No próprio recurso voluntário, a recorrente confirma esta natureza ao expor que, relativamente a estas perdas, é possível sua recuperação mediante a abertura de procedimentos técnicos administrativos destinados a comprovar a ocorrência de furtos e fraudes, possibilitando a recorrente a recuperação destas perdas, mediante faturamento de receita, nos termos dos artigos 129 e 130 da Resolução Normativa ANEEL nº 414/2010. Portanto, as perdas não técnicas, afirmadas pela recorrente como decorrentes de furto e fraude, se amoldam à hipótese de furto1 prevista no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, devendo os créditos relativos aos seus montantes serem estornados. Entretanto, a recorrente defende que os valores de receita recuperados, decorrentes dos eventos que fundamentam as perdas não técnicas, são incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Entendo que a alegação procede, pois a recuperação dos valores furtados ou fraudados implica sua sujeição às contribuições e, conseqüentemente, devolve à recorrente o direito à apropriação dos créditos vinculados a esta recuperação, que tenham, porventura, sido estornados em período anterior. A recorrente acostou aos autos alguns processos, por amostragem, relativos à recuperação de receita. Estes procedimentos administrativos são sujeitos à apresentação de reclamação à própria concessionária, e, ainda, no caso de manutenção do inconformismo, à Ouvidoria da Concessionária, ou à Agência Estadual reguladora, ou, na sua inexistência, à ANEEL, nos termos dos artigos 133 e 200 da Resolução Normativa nº 414/2010. Destacase, também, que alguns processos referemse a cobranças de períodos não abrangidos no lançamento, ou seja, as recuperações não se referem a perdas não técnicas que fundamentaram o estorno neste lançamento. Destarte, a possibilidade de reversão do estorno deve estar vinculada à recuperação da perda não técnica que o fundamentou, no período em que submetida à incidência da contribuição e no montante relativo à quantidade de energia recuperado, conforme valores determinados no demonstrativo de efls. 18. Caso a recuperação seja sujeita à incidência das contribuições em períodos posteriores aos lançados, tal reversão somente deve ser considerada nestes períodos posteriores, não surtindo efeito nos períodos lançados. No caso presente, a recorrente apresentou amostragem de um procedimento efetuado em cada mês, o qual informa o mês e a diferença de kwh cobrada. Verificase nestes documentos que a recuperação se referiu a valores cobrados de diversos períodos, em sua maioria 2009 e 2010 e apenas no documento de maio, setembro, outubro, novembro e dezembro constam períodos de 2011. No documento de efls. 678, a recorrente informou o 1 Art. 155 Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: [...] § 3º Equiparase à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 11 10 valor de R$ 3.946.358,87 como valor de processos faturados no ano de 2011, decorrentes de recuperação de receitas. Ocorre que neste valor estão incluídas recuperações de diversos períodos (pelo menos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, a partir dos documentos juntados), sendo que apenas para 2011 houve glosa de créditos decorrentes de perdas não técnicas. Assim, a recorrente deveria ter demonstrado o valor mensal, em 2011, das recuperações relativas apenas ao anocalendário de 2011, pois, para os anos anteriores não houve qualquer glosa e, portanto, nada há a ser estornado. Além disso, não houve a comprovação de que os valores recuperados foram oferecidos à tributação, caracterizando sua definitividade. Assim, não há como prover o recurso neste ponto. Por fim, quanto às alegações de efeito confiscatório da aplicação da multa de 75%, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 622 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pontuese, ainda, que a multa aplicada possui fundamento legal no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Diante do exposto, voto para não conhecer das alegações relativas às matérias concernentes aos lançamentos de IRPJ e CSLL e das alegações de inconstitucionalidade, e para 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 12 11 dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os lançamentos relativos às perdas técnicas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10970.720186/2011-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N. 1. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÈDITO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quando configurado o instituto da concomitância, deve-se declarar a definitividade do crédito tributário, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário por concomitância nas esferas administrativa e judicial. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso .Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
PATRICIA DA SILVA - Relatora.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 09/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário por concomitância nas esferas administrativa e judicial. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso .Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) PATRICIA DA SILVA - Relatora. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado. EDITADO EM: 09/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N. 1. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÈDITO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quando configurado o instituto da concomitância, devese declarar a definitividade do crédito tributário, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário por concomitância nas esferas administrativa e judicial. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso .Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 86 /2 01 1- 64 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 PATRICIA DA SILVA Relatora. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 09/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda e pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 280301.732, fls. 311/318, prolatado em 14 de agosto de 2012, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração a legislação previdenciária. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n º 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32ª à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE O VALOR PAGO A COOPERATIVA DE TRABALHO. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 503 3 Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de Autos de Infração, lavrados em 26/09/2011, que têm por objeto contribuições previdenciárias, relativas ao período entre 01/2007 a 12/2008, e aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a saber: a) DEBCAD nº 37.342.8154 Contribuição das empresas em geral relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, com fundamento legal no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91 – Competências 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008; Valor: R$ 458.176,66 (Quatrocentos e cinquenta e oito mil, cento e setenta e seis reais e sessenta e seis centavos), composto do principal, juros, multa de mora e multa de ofício; Fundamento Legal da Multa de Mora relativa às competências 01/2007 a 11/2008: art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 (redação dada pela Lei nº 9.876/99); Fundamento Legal da Multa de Ofício relativa à competência 12/2008: art. 35A, da Lei nº 8.212/91 (redação dada pela MP nº 409/2008); b) DEBCAD nº 37.338.9299 Multa por descumprimento de obrigações acessórias, com fundamento legal no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 409/2008); Valor: R$ 35.061,89 (trinta e cinco mil, sessenta e um reais e oitenta e nove centavos); Da análise do relatório fiscal, constatase que a autoridade fiscal adotou os seguintes critérios para aplicação das multas: As contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela UNIMED deveriam ter sido informadas em GFIP pela ADUFU, em todo o período auditado, mas analisando as GFIP do período verificamos que isto não foi feito em nenhuma competência. A falta de informações destas contribuições ocasionou a redução no cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela mesma, devendo ser objeto de um auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, fundamentado no art. 32, inciso IV, parágrafo 5, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 9.528/1997. A multa aplicada corresponde ao total das contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, observado o limite Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 máximo por competência, fixado no art. 32, parágrafo 4, da Lei n. 8.212/91, com a redação da Lei n. 9.528/97. Ocorre que em 04/12/2008 a Medida Provisória n. 449, convertida na Lei n. 11.941 de 27/05/2009, alterou o cálculo do valor da multa para este tipo de infração. Para as infrações com fatos geradores anteriores a 04/12/2008, a multa aplicada deve observar o principio da anterioridade mais benéfica para o contribuinte, conforme o disposto na alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. Efetuamos o cálculo da multa anterior e comparamos com o atual, conforme legislação a seguir: Antes da MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009: Art. 35, inciso II, alínea “a”, mais a multa prevista no parágrafo 5 do art. 32, inciso IV da Lei n. 8.212/91. Depois da MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009: Art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, que se reporta ao art. 44, inciso I da Lei n. 9.430/1996 – multa de ofício de 75%. Demonstramos no Anexo II a este relatório o cálculo da multa mais benéfica para o contribuinte em cada competência. A multa anterior prevaleceu em todas as competências de 01/2007 a 11/2008. Nas competências de 12/2008 em diante, a multa calculada é a definida no art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, que se reporta ao art. 44, inciso I da Lei n. 9.430/1996 – multa de ofício de 75%, já que estas competências são posteriores à medida provisória. Após análise da impugnação apresentada pelo Contribuinte, a 5ª Turma da DRJ/JFA, acórdão nº 0938.128, fls. 235, por unanimidade, manteve o lançamento tributário. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, o qual foi parcialmente provido para “retificar o valor da multa em razão da apresentação de GFIP com incorreções e omissões, devendose aplicar o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/91, com a redação pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte”. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que o r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, mais precisamente o acórdão nº 2401.00.127, conforme ementa que segue: (...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia do recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 504 5 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Argumenta que a legislação anterior previa multas distintas para o lançamento do principal (multa de mora do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91) e pelo descumprimento de obrigação acessória do art. 32, sendo lavrados dois autos de infração. Com a legislação atual, aplicase apenas a multa do art. 35A, em um único auto de infração. Havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias juntamente com descumprimento de obrigações acessórias, aplicase a multa única do art. 35A, da Lei nº 8.212/91, não mais devendo ser aplicado o art. 32A, sob pena de bis in idem. Ao final, requer a reforma do julgado e a manutenção do Auto de Infração, sendo que, na execução do julgado deverá ser verificada a norma mais benéfica (art. 35, II e art. 32, IV, da norma revogada ou art. 35A). O Contribuinte interpôs Recurso Especial arguindo a nulidade do auto de infração por fundamentação legal baseada em instrução normativa revogada e a inconstitucionalidade da contribuição, tendo por fundamento o RE nº 595.838, em sede de repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Informou, ainda, que aos 22/05/2013 impetrou o Mandado de Segurança nº 000620563.2013.4.01.3803, perante a 1ª Vara Federal de Uberlândia, tendo por objeto a constitucionalidade da contribuição e que obteve a concessão da segurança para determinar que a Fazenda Nacional se abstenha da cobrança do tributo. Em sede de exame de admissibilidade, o recurso foi parcialmente conhecido no que diz respeito à inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Nas contrarrazões recursais, a Fazenda Nacional requereu a inadmissibilidade do recurso por ausência de divergência jurisprudencial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patricia da Silva Na interposição do Recurso Especial da Fazenda foram observados os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Após interpor o Recurso Especial, o contribuinte peticionou nos autos, fls. 448/450, informando a impetração do Mandado de Segurança, tendo por objeto a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Assim, o opção pela discussão da matéria na via judicial importa renúncia à esfera administrativa, nos termos da Súmula 1, do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vejase que o referido entendimento sumular pautase no art. 126, § 3º, Lei nº 8.213/91, no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, bem como no art. 87, do Decreto nº 7.574/2011, os quais prevêem que a propositura de ação judicial que tenha objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Desta forma, tendo em vista que a questão relativa à inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91 foi posta sub judice, temse a renúncia à instância administrativa quanto à referida matéria. Vale ressaltar que a renúncia ao contencioso administrativo não alberga as demais matérias, devendo o processo administrativo prosseguir com relação à retroatividade benigna da multa prevista no art. 32A, da mesma Lei. Antes de analisar o debate em questão no Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante tecer algumas considerações sobre a Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes da entrada em vigor da referida MP, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 505 7 do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Para uma melhor visualização da matéria, vejase o quadro comparativo das multas antes e depois da MP nº 449/208: Lei 8.212/91 Multas Antes da MP 449/2008 Norma atual Obrigações principais Multa por obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso Multa de Mora art. 35, I 8 a 20% * Se incluído em dívida ativa, variável entre 30 a 100% (inciso III) Multa de Mora art. 35, caput 0,33% ao dia limitado a 20% Multa por obrigações não declaradas e lançadas de ofício Multa de Mora art. 35, II 24 a 50% * Se incluído em dívida ativa, variável entre 30 a 100% (inciso III) Multa de Ofício art. 35A 75% Obrigações acessórias Multa por descumprimento Art. 32, §4º, 5º e 6º 100% Art. 32A 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas; 2% ao mês calendário, limitada a 20%. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN, verbis: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; Sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, nos seguintes termos: as multas aplicadas com fundamento no art. 35, I, da legislação anterior devem ser comparadas com o art. 35, caput, da norma atual; as multas com fundamento no art. 35, II, devem ser comparadas com a multa do atual art. 35 A; as multas por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no antigo art. 32, §§, deve ser comparada com a atual multa do art. 32A. Isto porque, a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver tanto descumprimento de obrigações principais quanto de obrigações acessórias. Tal entendimento não decorre expressamente de Lei, mas sim de uma interpretação do Fisco sob o argumento de que a multa única é mais favorável ao contribuinte do que a aplicação separada das multas dos arts. 32A e 35A, da Lei nº 8.212/91, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 506 9 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Vejase abaixo um quadro ilustrativo da sistemática da multa única: Multa única Fatos Geradores Ocorridos antes da MP 449/2008 Aplicação da multa mais benéfica Fatos Geradores ocorridos após a MP nº 449/2008 Multa atual Descumprimento de Obrigações principais e acessórias Comparação entre a multa atual (art. 35A) e o Somatório das multas anteriores (art. 35 e art. 32, §§ 4º, 5º e 6º) Art. 35A Descumprimento apenas de obrigações acessórias Comparação entre a multa anterior do art. 32, §§ 4º, 5º e 6º e a multa atual do art. 32A. Art. 32A Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Tal pretensão afronta diretamente o art. 106, II, “c”, do CTN, pois não proporciona uma aplicação retroativa da multa de mora prevista no atual art. 35, caput, e, mais grave ainda, da multa por descumprimento das obrigações acessórias, prevista no atual art. 32A. Desta forma, a Instrução Normativa inova o ordenamento jurídico, pois extrapola a regra prevista no art. 106, do CTN, uma vez que estipula a aplicação de uma multa única não é prevista em Lei. Tratase de solução inusitada, objetivando justificar a aplicação da gravosa multa de 75% à falta de recolhimento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à sua instituição. A multa única aplicada aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2008 mostrase ilegal, pois cumula penalidades decorrentes de infrações distintas e ignora o princípio da retroatividade benigna. Para se constatar se uma penalidade é mais benéfica, deve Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 se confrontar a multa atual com a multa anteriormente prevista para a infração de mesma natureza, ou seja, a atual multa prevista para os casos de lançamento de ofício (75%) deve ser comparada com a multa anteriormente prevista no art. 35, II (24% a 50%), enquanto que a multa por descumprimento de obrigações acessórias, atualmente prevista no art. 32A, somente pode ser comparada à multa anteriormente prevista no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º. Não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. O argumento do bis in idem utilizado pela Fazenda é válido apenas para os fatos geradores ocorridos posteriormente à entrada em vigor da MP nº 409/2008, não podendo cumular a multa prevista no atual art. 35A com a multa do art. 32A. Todavia, a mesma sistemática não pode ser estendida aos fatos geradores ocorridos anteriormente, devendose fazer o cotejo entre o artigo revogado e o atual para verificar a multa mais benéfica ao contribuinte. Nesse sentido, em respeito ao art. 106, do CTN, entendo que na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por contrariedade à Súmula CARF nº 1 e negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, pois a aplicação da multa única prevista na Instrução Normativa RFB 971/2009 viola o princípio da retroatividade benigna. É como voto. Patricia da Silva Relatora Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 507 11 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora no âmbito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ouso discordar. Mais especificamente, entendo que se deva adotar aqui uma ótica de desistência de discussão em sede administrativa, sendo de se concluir que ao alegar a autuada, em sede de ação judicial, que não estaria sujeita à contribuição instituída pelo artigo 22, IV da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, dada sua inconstitucionalidade, insurgiuse (desistindo assim da discussão administrativa) não só contra o surgimento da obrigação principal insculpida no DEBCAD 37.342.8154, mas também contra a multa pelo descumprimento de obrigação acessória que deu origem ao DEBCAD 37.338.9299, multa esta cujo surgimento, notese, é consectário direto da existência dos débitos constituídos através do DEBCAD 37.342.8154 (cujos valores não declarados em GFIP geraram o descumprimento da obrigação acessória, descumprimento este sancionado através do DEBCAD 37.338.9299). Ou seja, estão, no meu entendimento e da maioria deste Colegiado, necessariamente abrangidos por pedido judicial que contém a alegação de inexistência da obrigação principal objeto de lançamento (através do DEBCAD 37.342.8154) também os débitos decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, que foram lançados, notese, por falta de declaração em GFIP dos referidos débitos de obrigação principal (agora DEBCAD 37.328.9299). Daí, de se entender que, o contribuinte, ao pleitear judicialmente a não incidência do dispositivo que deu origem aos débitos de obrigação principal deslocou para o Judiciário também a discussão quanto à multa decorrente da não declaração destes débitos em GFIP, caracterizada, assim, a desistência pelo contribuinte do direito de apreciação da matéria em litígio no âmbito do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Para a matéria sob litígio no pleito fazendário, não há que se falar, aqui, em "matéria distinta" da discutida na ação judicial para fins de aplicação da Súmula CARF no. 01, sendo de se estender, assim, a argumentação de concomitância, adotada para fins de não conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, também ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. A propósito, finalmente, de se ressaltar, para fins do deslinde da questão, somente o óbvio efeito diverso, dado o interesse oposto da agora recorrente (recorrida quando da análise do Especial de iniciativa da Contribuinte), qual seja: Em sede de Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional, a partir da observada concomitância entre as esferas administrativa e judicial, devese declarar a definitividade do crédito constituído decorrente da matéria sob litígio (in casu, as multas aplicadas nos débitos de obrigação principal constantes do DEBCAD 37.342.8154 e os débitos constantes do DEBCAD 37.338.9299). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, por concomitância nas esferas administrativa e judicial. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10516.720004/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o acórdão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o acórdão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 04 /2 01 2- 01 Fl. 6368DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 03/08/2012, lavrados para exigir diferenças dos tributos incidentes na importação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, bem como a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro em substituição à pena de perdimento, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 14/05/2008 e 21/12/2011. Segundo dá conta o Relatório de Auditoria de fls. 2226/2380, a fiscalização apurou que as importações efetuadas em nome da empresa FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA (CNPJ 08.008.172/000113) foram registradas com ocultação da MADEIREIRA HERVAL LTDA, real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude, simulação e utilização de documentos eivados de falsidade ideológica, que foram utilizados para instruir os despachos aduaneiros de importação. Foi apurado, ainda, que em seis declarações de importação ocorreu redução indevida do valor aduaneiro, em razão de o contribuinte ter apropriado descontos retroativos relacionados a ressarcimentos concedidos pelo exportador, em virtude de direitos antidumping incidentes em operações anteriores. Em sede impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, a nulidade da autuação por erro na identificação do sujeito passivo; preclusão lógica e falta de motivação para a revisão aduaneira; inexistência de convênio específico e protocolo que autorize a atuação em conjunto da Receita Federal com o fisco gaúcho; existência de decisão judicial que anulou o processo nº 10909.001939/200704 relativo à FREE TRADE; inexistência da interposição fraudulenta e de dano ao erário; criação regular da FREE TRADE; capacidade financeira da FREE TRADE comprovada e atestada por instituições financeiras e por ata notarial; comprovação da sua capacidade operacional, da sua lucratividade e de sua real existência; impossibilidade de converter o perdimento em multa em relação a fatos geradores ocorridos até o advento da MP nº 497/2010, sob pena de violar o princípio da irretroatividade das leis; devem ser deduzidos do valor da multa os tributos recolhidos no desembaraço aduaneiro; devem ser excluídos da autuação os valores relativos às vendas da FREE TRADE para terceiros diversos da ora impugnante; deve ser excluída a tributação sobre os descontos, pois foram obtidos na própria operação e não em operações anteriores. Por meio do Acórdão 31.299, a 1ª Turma da DRJ Florianópolis, por maioria de votos, julgou a impugnação procedente em parte. O relator originário foi vencido na preliminar de ilegitimidade passiva, relativamente à infração prevista no art. 23, V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76 (perdimento). Foi cancelado o crédito tributário relativo às diferenças dos tributos devidos na importação, pois a DRJ entendeu que a autuada deveria ter sido arrolada como responsável solidária em relação a esses tributos e não como contribuinte. A DRJ entendeu que a FREE TRADE deveria ter sido arrolada como contribuinte e a MADEIREIRA HERVAL como responsável solidária. Tendo em vista que a MADEIREIRA HERVAL foi arrolada como contribuinte e a FREE TRADE nem sequer foi indicada no polo passivo da autuação, a DRJ anulou o lançamento de ofício em relação aos tributos, mantendo a exigência em relação à multa equivalente a 100% do valor aduaneiro. Não houve interposição de recurso de ofício, em razão do valor exonerado ser inferior ao limite de alçada. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 LEGITIMIDADE PASSIVA NA INFRAÇÃO. A responsabilidade pela infração pode ser atribuída conjuntamente ou isoladamente ao responsável solidário e ao contribuinte, quando da práticas de infrações que recaiam sobre Fl. 6369DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402003.115 S3C4T2 Fl. 3 3 o adquirente ou encomendante de mercadorias de procedência estrangeira. PERDIMENTO DE MERCADORIA POR OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. A falta de identificação da pessoa jurídica encomendante ou contratante por conta e ordem na declaração de importação, mediante utilização de fraude ou simulação, acarreta a pena de perdimento da mercadoria importada. Impugnação Procedente em Parte Regularmente notificado em 02/07/2013 (fl. 5734), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 5743 e ss. em 01/08/2013, no qual reprisou e reforçou as alegações de impugnação, contestando pontos específicos do acórdão de primeira instância e arguindo sua nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Em uma das preliminares a defesa alegou a nulidade do acórdão de primeira instância pelo fato de a DRJ não ter julgado sua impugnação, mas sim a impugnação apresentada pela FREE TRADE no processo nº 10516.720006/201292, no qual foi infligida àquela empresa a multa por acobertamento, em face dos mesmos fatos que deram lastro à presente autuação. Analisandose o inteiro teor do voto vencedor, proferido no acórdão recorrido, verificase que em relação à impugnação apresentada neste processo pela MADEIREIRA HERVAL, a Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis apenas analisou de modo específico três alegações formuladas na impugnação, a saber: (i) a preliminar de erro na indicação da sujeição passiva; (ii) a possibilidade de dedução dos tributos recolhidos na época dos despachos aduaneiros do valor da multa equivalente a 100% do valor aduaneiro; e (iii) a aplicação da nova redação do art. 23, § 3º, do DL nº 1.455/76 à mercadorias revendidas antes do advento da MP nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, conforme se pode conferir nas fls. 5699/5706. A partir do final da fl. 5706, o ilustre relator designado para o voto vencedor aderiu ao voto proferido em primeira instância no processo nº 10516.720006/201292, no qual a FREE TRADE responde pela multa por acobertamento, entendendo que com isso rechaçaria todos os argumentos da impugnação apresentada pela MADEIREIRA HERVAL neste processo. Embora exista conexão entre os fatos que rendem ensejo à inflição da multa pela cessão do nome ao acobertante e à penalidade de perdimento (ou sua conversão em multa) Fl. 6370DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 ao acobertado, o exame da transcrição dos fundamentos utilizados no acórdão da FREE TRADE (fl. 5607 e ss.) em cotejo com o teor da impugnação (fls. 5742/5906), revela que não restaram analisados todos os argumentos de defesa apresentados pela MADEIREIRA HERVAL. O problema decorre do fato de que, conquanto as duas penalidades estejam lastreadas nos mesmos fatos, os fundamentos legais das multas são distintos e os argumentos das impugnações ofertadas em ambos os processos não são idênticos. Desse modo, restaram carecedores de análise as seguintes alegações da impugnação apresentada pela MADEIREIRA HERVAL: a) A existência de processo judicial que teria anulado o processo nº 10909.001939/200704, em nome da FREE TRADE, no qual o Judiciário teria decidido que não se verificaram os fatos invocados pelo fisco como pressupostos deste auto de infração (a simulação); b) Que este auto de infração contra a MADEIREIRA HERVAL seria uma retaliação da fiscalização, em razão da interposição da ação judicial acima noticiada; c) Que a fiscalização faltou com a verdade ao se referir no Relatório Fiscal ao processo 10909.001939/200704, pois na época da presente ação fiscal ela já sabia que o Poder Judiciário havia anulado aquele processo; d) Que naquele processo judicial restou decidido que não incide IPI na revenda de produto importado, e que é no mínimo curioso que a fiscalização omita essa informação e autue a empresa, sob o argumento de que a União teria prejuízo com o recolhimento a menor do IPI incidente na revenda; e) Inexistência de dano ao erário porque o IPI não incide na revenda de produto importado, conforme restou decidido no processo judicial, e também porque houve recolhimento dos impostos incidentes na importação na ocasião dos despachos aduaneiros; f) Ausência de competência para autuar valores referente ao ICMS, pois o fisco trata como dano ao erário a utilização do benefício concedido pelo Estado de Santa Catarina. Não cabe à Receita Federal desconsiderar benefícios fiscais legitimamente concedidos pelos estados federados; g) Impossibilidade de aplicação da pena de perdimento nas operações de revenda da FREE TRADE a outras empresas diversas da MADEIREIRA HERVAL; Por outro lado, verificase que outros argumentos foram analisados, porém, levando em contra a inflição da multa por acobertamento no processo da FREE TRADE, e não a pena de perdimento aplicada neste processo. Exemplos disso foram as alegações de inexistência de dano ao erário e de impossibilidade de desconsideração de operações de venda ou revenda de mercadorias. Observem senhores conselheiros o seguinte trecho do voto do acórdão recorrido: "(...) O presente processo não trata da imposição de qualquer penalidade relacionada à desconsideração das operações de venda (ou revenda), mas sim de penalidade relacionada à cessão de nome para a realização de operação de comércio exterior Fl. 6371DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402003.115 S3C4T2 Fl. 4 5 (importação) acobertando o real interessado na operação, empresa MADEIREIRA HERVAL LTDA., que em nenhum momento foi citada quando da apresentação das declarações de importação em apreço.(...)" Esse é um trecho em que o voto condutor do acórdão recorrido transcreveu a fundamentação do voto proferido no processo relativo à FREE TRADE. O trecho não pode ser aplicado a este caso concreto, pois este processo não trata da multa pela cessão do nome. É intuitivo que determinadas considerações válidas para o processo relativo ao acobertante, não são necessariamente válidas para o processo no qual responde o acobertado. Por fim, na parte em que o acórdão recorrido remete ao voto proferido no processo da FREE TRADE, o julgado incorreu em mais um problema que o eiva de nulidade: a Turma de Julgamento não fez nenhuma referência às provas trazidas pela defesa com a impugnação. Entre as fls. 2.615 e 5.676 deste processo, existem documentos apresentados pela defesa que não foram levados em conta pelo acórdão recorrido, nem sequer para serem rejeitados ou declarados impertinentes a este processo, pois a decisão recorrida não fez nenhuma referência a eles. Os referidos documentos são laudos de vistoria, documentos relativos à ação judicial acima citada, atestados passados por instituições financeiras, relação de clientes, balancetes e livros contábeis, contratos de locação de imóveis, documentos expedidos pelo fisco catarinense, entre outros, por meio dos quais a defesa tentou comprovar alegações destinadas a refutar a acusação fiscal de que a FREE TRADE não possuía capacidade operacional, os quais foram desconsiderados pela decisão recorrida. É certo que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp n. 874793/CE e REsp 876271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de documentos e de argumentos que sejam decisivos para o deslinde do processo. No processo administrativo tributário, não pode a DRJ ou o CARF simplesmente restarem silentes a respeito da determinado fundamento da defesa apresentada pelo contribuinte que de fato pode culminar no cancelamento da autuação fiscal, sob pena de evidente afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além da busca da verdade material. O art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. No caso concreto, é inconteste que a falta de análise específica de argumentos ventilados em sede de impugnação, em conjunto com os documentos a ela anexados, violou o direito de defesa do contribuinte e suprimiu um grau de jurisdição, o que merece reparo por parte deste colegiado. Com esses fundamentos, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário para anular o acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, determinando Fl. 6372DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de origem, a fim que nova decisão seja proferida na boa e devida forma. Antonio Carlos Atulim Fl. 6373DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12326.000073/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PREJUDICIAL DE MÉRITO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11).
Numero da decisão: 2301-004.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1338.242, exarado pela 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro II (fls. 53 a 56 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo trechos do relatório do acórdão recorrido: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 00 73 /2 01 0- 98 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Foi efetuada Notificação de Lançamento de fls. 06/11 em razão de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 39.409,45, na declaração de rendimentos relativa ao Exercício de 2008, AnoCalendário 2007. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 09, verifica se que foram excluídos os pagamentos efetuados à EletrosSaúde em nome de não dependentes na DIRPF. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, fls. 03/06, alegando, em síntese, que: (...) Este valor, R$ 39.409,45, referese ao que foi pago por mim à ELETROS SAÚDE por meu sogro Francisco Antônio Mandarino Filho (CPF: 007.005.00772), nascido em 10 de agosto de 1904 e minha sogra Luz Mandarino, nascida em 02 de outubro de 1913, pais de minha mulher, filha única, Regina Célia Mandarino Medeiros, casada comigo em comunhão de bens, com renda própria insuficiente, já oferecida a tributação da Receita como minha dependente. Meus sogros eram meus vinculados no Plano de Saúde, ELETROS SAÚDE, conforme já foi dito. (...) Após intimação, fl. 17, o contribuinte complementou a impugnação anteriormente formulada, requereu novamente que seus sogros fossem considerados dependentes para fins de Imposto de Renda e apresentou a documentação de fls. 21/30. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Na Declaração de Ajuste Anual podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem assim as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao tratamento do contribuinte e de seus dependentes. A ciência pessoal dessa decisão ocorreu em 04/10/2013 (fl. 57). Em 29/10/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 59 a 63), sendo alegado, em síntese, a ocorrência de prescrição da notificação e a extinção da obrigação tributária. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 66). É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.000073/201098 Acórdão n.º 2301004.614 S2C3T1 Fl. 68 3 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÃO PREJUDICIAL DE MÉRITO – PRESCRIÇÃO Não se sustentam as alegações de que teria ocorrido a prescrição do crédito tributário em questão, uma vez que Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, conforme Súmula CARF 11, de observância obrigatória pelos membros do CARF, segundo determinação do caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Voto, portanto, por NEGAR provimento ao recurso (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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