Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11128.000748/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/12/2007
Ementa:
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO
DO REAL ADQUIRENTE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM
DE TERCEIROS. PENALIDADE. MULTA. PERDIMENTO.
Com a comprovação materializada da ocultação do real adquirente das mercadorias, caracterizando as operações de comércio exterior realizadas pela autuada, por sua conta e ordem, sem atender as condições da legislação de regência na forma como consta no art. 23 do Decreto-Lei no. 1455/76. A interposição está muito bem comprovada na forma do par. 2º do mencionado dispositivo, sendo perfeitamente aplicável ao caso a pena de perdimento prevista no seu par. 1º.
Numero da decisão: 3301-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do da relatora, Vencida conselheira Mônica Elisa de Lima.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 16/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto de Couto Chagas, Monica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 21/12/2007 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. PENALIDADE. MULTA. PERDIMENTO. Com a comprovação materializada da ocultação do real adquirente das mercadorias, caracterizando as operações de comércio exterior realizadas pela autuada, por sua conta e ordem, sem atender as condições da legislação de regência na forma como consta no art. 23 do Decreto-Lei no. 1455/76. A interposição está muito bem comprovada na forma do par. 2º do mencionado dispositivo, sendo perfeitamente aplicável ao caso a pena de perdimento prevista no seu par. 1º.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11128.000748/2009-39
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5452429
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.615
nome_arquivo_s : Decisao_11128000748200939.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIA REGINA FREITAS
nome_arquivo_pdf_s : 11128000748200939_5452429.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do da relatora, Vencida conselheira Mônica Elisa de Lima. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto de Couto Chagas, Monica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5887470
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704708317184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000748/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.615 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2015 Matéria DIF Recorrente J TOLEDO DA AMAZÔNIA IND. E COMERCIO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/2007 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. PENALIDADE. MULTA. PERDIMENTO. Com a comprovação materializada da ocultação do real adquirente das mercadorias, caracterizando as operações de comércio exterior realizadas pela autuada, por sua conta e ordem, sem atender as condições da legislação de regência na forma como consta no art. 23 do DecretoLei no. 1455/76. A interposição está muito bem comprovada na forma do par. 2º do mencionado dispositivo, sendo perfeitamente aplicável ao caso a pena de perdimento prevista no seu par. 1º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do da relatora, Vencida conselheira Mônica Elisa de Lima. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto de Couto Chagas, Monica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 07 48 /2 00 9- 39 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório prolatado pela Delegacia de Julgamento a quo: Trata o presente de auto de infração, fis. 01/16, lavrado contra o contribuinte acima qualificado, com a exigência da Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro das mercadorias, no valor de R$636.809,67, pelas razões a seguir expostas. Em 16/08/2007, teve início o Procedimento de Fiscalização na empresa referida, pela DRJ/Jundiaí/SP, unidade de jurisdição do contribuinte, BB Comercial Importadora Ltda., CNPJ 64.651.987/000197. A fiscalização constatou que as importações eram realizadas por conta e ordem da empresa J.Toledo da Amazônia Indústria e Comércio de Veículos Ltda., doravante denominada J. Toledo, real adquirente das mercadorias importadas pela empresa BB Comercial, doravante denominada BB Comercial, sem que tal fato fosse comunicado à Secretaria da Receita Federal como exige a legislação de regência. A auditoria foi realizada, com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 228/2002, para verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, e diante dos indícios, presunções e provas apurados, a fiscalização concluiu que ter ocorrido a prática de interposição fraudulenta e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Esses indícios (provas indiretas) que levaram a até a figura da interposição, decorreram do seguintes fatos conforme constam do Relatório investigativo. Inicialmente, foi verificado que a empresa, BB Comercial: não possuía funcionários em quantidade suficiente para atender a demanda de suas operações de importação, comercialização, administrativas, etc,; não possuía depósito para armazenar as mercadorias importadas; funcionava no mesmo endereço da J. Toledo, não assumindo as despesas de aluguel, luz, telefone, água, manutenção, IPTU, pois operava por meio da estrutura dessa empresa.; a sócia administradora da BB Comercial e o contador da empresa são empregados da J. Toledo. Outra constatação foi a de que a empresa importadora de direito, a BB Comercial foi adquirida pela sócias Fernanda de Toledo Risi e Marina de Toledo Risi, em 20/11/2000, por mil reais, embora tivesse patrimônio líquido, como lucros acumulados, superior a um milhão de reais, denotando incompatibilidade entre o valor pago pela empresa e seu valor real. Acresce destacar, ainda, que a empresa pertencia a duas pessoas, o sr. Euler Fabio do Nascimento e sr. Benedito Vanim Muraro, que também eram empregados da empresa J.Toledo. A fiscalização elaborou um quadro demonstrativo que possibilita visualizar a situação da empresa BB Comercial, com lucros acumulados e rendimentos isentos (lucros e dividendos), os quais foram recebidos pela sócia Fernanda de Toledo Risi, em montante tão insignificante, que seus rendimentos anuais não ultrapassaram R$30.000,00, sem qualquer retirada de dividendos que estavam disponíveis, numa forte evidência do papel desempenhado pela sra. Fernanda, ou seja, de sócia apenas de direito, não de fato dessa empresa,. Foi apurado que a mesma sra. Fernanda também aparece como sócia da TT Armazéns, recebendo baixos rendimentos. Outro fato mostrando os artifícios e simulações, é aquele em que, as sócios da BB Comercial, bem como os exsócios da BB Comercial, bem Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000748/200939 Acórdão n.º 3301002.615 S3C3T1 Fl. 3 3 como o contador, são todos empregados da J.Toledo ou da Consórcio Nacional Suzuki Motos Ltda., (do qual a J.Toledo é sócia). Prosseguindo nas investigações, a fiscalização observou que nas notas fiscais pela BB Comercial, as datas de emissão, das notas de entrada e de saída são iguais ou bem próximas, deixando claro que a empresa não possuía estoque das mercadorias importadas (conforme o livro de inventário), denotando a existência de adquirente predeterminado No exame do livro razão e dos extratos bancários, a fiscalização também constatou que a BB Comercial sempre possuía contas a receber da J.Toledo, mas que esses recebimentos sempre ocorrem próximo as liquidações dos contratos de câmbio das importações seguintes, bem como dos pagamentos dos tributos das referidas operações de importação, inexistindo imobilização financeira confirmado pelos extratos bancários, e não sendo localizados documentos de crédito a seu favor contra a J.Toledo. O único cliente e comprador dos produtos importados pela. BB Comercial era sempre a empresa J.Toledo. Embora constem nas notas fiscais de saída, que as vendas foram realizadas a prazo, a fiscalização não localizou lançamentos do recebimento de duplicatas ou outro título de crédito contra a J.Toledo. Em alguns casos os recebimentos ocorreram em datas incerta, e, até, após seis meses das vendas. Consta do processo a análise detalhada, realizada pela fiscalização, com relação a movimentação bancária e do livro razão da BB Comercial, no ano de 2003, ficando transparente a sua falta de capacidade financeira para operar no comércio exterior, numa demonstração de que as importações eram realizadas com os recursos repassados pela J.Toledo diretamente em conta corrente. Na análise das faturas comerciais e dos conhecimentos de carga, que instruíram as declarações de importação registradas pela BB Comercial nos anos de 2002 a 2006, pode ser verificado que consta o nome da J.Toledo, deixando transparente a participação dessa empresa nas referidas operações de importação. Outro forte indício foi a constatação de que os contratos de câmbio da BB Comercial estavam assinados por u1m empregado da J.Toledo. Outro fato relevante dessa dependência da BB Comercial com a J.Toledo é que, na ficha cadastral e na procuração, apresentada por aquela empresa ao Banco do Brasil, estão os nomes de sócios e funcionários da empresa J.Toledo. A própria contabilidade da BB Comercial, como apurou a fiscalização da RFB, era de uma empresa industrial, semelhante ao da J.Toledo, embora seu objeto social fosse o de importação, exportação e comércio. Praticando a interposição fraudulenta nessas operações, o IPI e as contribuições do PIS e Cofins, que seriam devidos numa operação por conta e ordem, deixaram de ser recolhidos pela real adquirente, portanto passaram a configurar operações não lícitas, e como enfatizou a fiscalização, a BB Comercial importou aproximadamente R$21.000,000,00, nos anos de 2003 a 2.007, o que representou um não recolhimento de IPI da ordem de R$1.300.000,00. Diante de todos os indícios que levaram a presunções da interposição fraudulenta, e das provas coletadas, a fiscalização, além de propor a Inaptidão do CNPJ da BB Comercial, diante da impossibilidade de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 apreensão das mercadorias, promoveu a lavratura de auto de infração, sendo que o presente auto referese tão somente as operações de importação, daquelas declarações de importação que estavam sob procedimento especial de fiscalização. O autuado foi intimado e cientificado, fls.175v., em 20/02/2009, tendo postado sua Impugnação, fls. 176/192, conforme AR, fls.220, em 19/03/2009. Em sua Impugnação o contribuinte alega que: 1. o sócio mcjoritário da empresa é tio e padrinho da sócia administradora da BB Comercial, motivado a garantir a sua segurança financeira, sugerindo a aquisição de quotas daquela empresa, juntamente com Marina de Toledo Risi; 2. para não assumir despesas, considerou que não precisariam locar armazém ou contratar empregados, por ser apenas um fornecedor exportador — a Suzuki e um cliente, a J. Toledo, 3. poderiam se tornar empresas interdependentes, com base no art. 42, parágrafo único, inciso I, da Lei n° 4.502164 e, com valores praticados com base no art.136, da mesma lei, com alteração do DL n°34166 art.2 alteração 5", 4. não ocorreu o beneficio da 'quebra do IPI' , pois com a edição da MP n° 2.1583512001, a importação por conta e ordem,por intermédio de pessoa jurídica importadora, tornou a real adquirente equiparada a estabelecimento industrial, devendo recolher o IPI sobre a venda das mercadorias, ou, ainda, na condição de encomendante conforme disposto na Lei n° 11.28112006, enquadramentos factíveis de serem feitos pela fiscalização da RFB, porém, inaceitável o tratamento de 'interposição fraudulenta'; 5. a incapacidade para financiar as operações de comércio exterior, no caso da BB Comercial inexistia, pois o seu patrimônio é compatível com o volume transacionado, faturando milhões anualmente, conforme seus balanços patrimoniais e balancetes; 6. todos os depósitos efetuados estavam lastreados em operações anteriores, representando créditos da importadora contra sua interdependente e, superavam as operações de importação realizadas posteriormente; 7. simples presunções não são suficientes para amparar a aplicação da multa de oficio lançada pela autoridade fazendária; 8. a penalidade de perdimento aplicada tem como fatos: o ingresso clandestino de produtos de procedência estrangeira em território nacional ou, ainda, de subfaturamento do valor aduaneiros dos bens, portanto, não enquadráveis no caso concreto; 9. a autuação vulnera os princípios constitucionais da legalidade e da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da igualdade. Ao final, requer a improcedência do auto de infração. A DRJ, analisando as razões expostas, houve por bem desprovêlas por meio do aresto de fls.226/240, cuja ementa a seguir se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Com a comprovação materializada da ocultação do real adquirente das Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000748/200939 Acórdão n.º 3301002.615 S3C3T1 Fl. 4 5 mercadorias, caracterizando as operações de comércio exterior realizadas pela autuada, por sua conta e ordem, sem atender as condições da legislação de regência, fica tipificada a figura da Interposição Fraudulenta, sendo cabível a aplicação da multa prevista na legislação de regência. Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte (fls.248/268), mediante o qual, de forma resumida reitera as razões, impugnando especificamente as conclusões do aresto recorrido, nos seguintes termos: 1 – Não se observa no caso concreto interposição fraudulenta, porquanto “embora a autoridade fazendária tenha se apegado nesses indícios para ratificar a autuação, não negou que o faturamento da importadora alcançava milhões todos os anos. Podese dizer, sem medo de equívocos, que o requisito legal para a configuração da interposição fraudulenta, qual seja, a incompatibilidade entre o volume transacionado e o patrimônio líquido da importadora, continua ausente no caso em testilha”. 2 – Entende que se a fiscalização pretendia tratar as importações realizadas como sendo por conta e ordem, caberia ao Fisco penalizar os envolvidos como a legislação prevê e não simplesmente reputar criminosas todas as importações em função de uma suposta intenção de ocultação do real adquirente. Seria, para tanto, indispensável ao caso a prova de que não havia disponibilidade financeira para as importações. 3 – A aplicação da pena de perdimento no caso concreto, além de severa em demasia não se encontra suficientemente motivada. Isso porque restou demonstrado nos autos, segundo a recorrente, a falta de indícios da interposição fraudulenta, em especial, ficou demonstrado que a importadora BB detinha lastro financeiro para suportar as importações. Quanto aos demais indícios a relação entre o sócio proprietário da J Toledo e da sócia da BB (tio e sobrinha) e a preocupação do primeiro em “proporcionar a ela um futuro mais seguro – até porque a BB já possuía um cliente cativo, que não lhe faltaria” justificariam o fato de a importadora funcionar dentro da estrutura da ‘J Toledo (“cliente cativo que não lhe faltaria”), não possuir estoque ou empregados. Segundo a recorrente esses indícios – falta de estoque, empregados e endereço coincidente com seu único cliente e o contador das empresas ser o mesmo – não configuraria provas suficientes para a caracterização da interposição fraudulenta, até porque a norma do art. 23, par 2º. Do DL 1455/76 menciona apenas a ausência de recursos financeiros suficientes para suportar as operações como sendo o único indício passível para a caracterização da interposição fraudulenta. 4 – Aponta que a aplicação da pena de perdimento na hipótese dos autos fere os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. No caso concreto, a acusação fiscal é a de que a empresa BB Importadora teria procedido importação com interposição fraudulenta porque teria ocultado o real adquirente das mercadorias importadas, a empresa J Toledo da Amazônia Ind. e Com. De Veículos Ltda. Os pontos destacados pela fiscalização para a caracterização da interposição fraudulenta teriam sido, além da ausência de demonstração da origem dos recursos para lastrear as operações de importações das mercadorias, indícios esses não pautados meramente na lucratividade da empresa, mas em registros contábeis e análises de notas fiscais emitidas, também em indícios externos como o fato de a empresa BB Importadora funcionar no mesmo endereço da J Toledo da Amazônia, o fato de a importadora não possuir empregados, estoques para armazenagem dos veículos importados, dentre outros. Em sua impugnação, a J. Toledo teceu longas considerações para o fim de justificar sua relação com a empresa BB Importadora, tendo revelado que a importadora pertence a uma sobrinha do sócio da J. Toledo que, preocupado com o futuro da parente, resolveu incentivála a adquirir a importadora com a garantia de que a sua nova empresa teria sempre como cliente cativo a ora recorrente. Com essas considerações buscou a recorrente justificar o fato de a importadora funcionar no mesmo local que a recorrente, não possuir empregados e mesmo ter o mesmo contador. Destacou o recorrente, ainda, que a importadora é uma empresa altamente lucrativa, como reconheceu a própria fiscalização, razão suficiente, segundo seu entendimento, para afastar a figura presunção da interposição fraudulenta imputada pelo Fisco, já que o par. 2º. Do art. 23 do DL 1445/76 apenas autorizaria a presunção da interposição fraudulenta na hipótese de não restar comprovado a origem e disponibilidade de recursos financeiros pela importadora para amparar as operações de importação. Inicio minha análise do caso, fazendo referência a trecho do voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan no PA 13116.000756/200788, Ac 3403002.746, proferido na sessão de janeiro desse ano, litteris: A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. É o caso do presente processo, no qual a fiscalização, ao final da autuação, informa que propôs em procedimento apartado a inaptidão do CNPJ da empresa (fl. 88). A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar” Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000748/200939 Acórdão n.º 3301002.615 S3C3T1 Fl. 5 7 A razão para a transcrição do trecho do voto do Conselheiro Trevisan no caso concreto é simples e merece ser explicitada: É que o recorrente, no caso concreto, durante toda sua peça impugnatória e recursal, em momento algum, nega que, de fato, é o real adquirente das mercadorias importadas pela BB Comercial. Também não nega que é o único cliente cativo da mencionada importadora. No entanto, não explica, em momento algum, por que, sendo o real adquirente das mencionadas mercadorias e conhecendo profundamente o funcionamento da importadora, que é de sua sobrinha e que funciona nas suas mesmas instalações, por que, então, não teria sido indicado nos registros de importação que o real adquirente seria a J Toledo e não a BB Comercial. Entendo, assim, que a interposição, no caso concreto, nem precisaria ser presumida na forma do par. 2º. já que as próprias partes envolvidas não negam essa prática. A interposição, a meu ver, já seria comprovada. Nada obstante, a presunção da interposição fraudulenta também restou caracterizada. De fato, o contribuinte insiste na análise da norma para se eximir da penalidade, aduzindo que a BB Comercial é empresa lucrativa, conforme reconhecido pela própria fiscalização e que esse fato (lucratividade) seria suficiente para comprovar o lastro dos recursos empregados nas importações e a inexistência da presunção da interposição. Em que pese, de fato, ser bastante relevante a lucratividade da empresa para a análise dessas alegações, a lucratividade em si não revela a origem dos recursos empregados nas importações. Explico: O fato de a empresa auferir lucros em determinados anos, não explica nem justifica, de per se, de onde teriam sido provenientes os valores despendidos para a importação das mercadorias. Nesse ponto, destaco trecho da Representação fiscal para fins de inaptidão de CNPJ (fls. 156/173), utilizada para embasar a autuação, no que interessa: Importação de mercadorias pela BB COMERCIAL para revenda a pessoa jurídica prédeterminada Analisandose as notas fiscais da BB COMERCIAL, verificase que as datas de emissão das notas fiscais de entrada e de saída são iguais ou bem próximas. Analisandose o livro de inventário também se verifica a informação "sem estoque". Tais fatos configuram a inexistência de mercadoria em estoque e a existência de adquirente predeterminado, contrariando o conceito de importação por conta própria. Na modalidade de importação por conta própria o importador nacionaliza mercadorias de sua propriedade, mantendo em seu estoque até o momento de comercializála. Assume o risco de não conseguir revendêla no mercado interno, deterioração do estoque, além dos custos de armazenagem. Quanto a isso, vale relembrar que a BB COMERCIAL opera no mesmo endereço da J TOLEDO e não possui estoque. Analisandose o livro razão e os extratos bancários da BB COMERCIAL, verificase que a BB COMERCIAL sempre possui contas a receber da J TOLEDO, e os recebimentos somente ocorrem imediatamente antes da liquidação dos contratos de câmbio das Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 importações seguintes. Não há a imobilização financeira na BB COMERCIAL, o que se confirma pelos extratos bancários. Também não foram apresentados documentos de crédito comprovando o direito da BB COMERCIAL contra a J TOLEDO, ou seja, tais valores são, na verdade, adiantamentos de recursos. A BB COMERCIAL não possui clientes no mercado nacional a não ser a própria J TOLEDO, que é a única compradora das mercadorias importadas, com a qual mantém intensa e exclusiva relação comercial. Confirmase a tese da importação da BB COMERCIAL ser para adquirente predeterminado, a J TOLEDO, embora esta não seja identificada nas declarações de importação. Ver anexo IX declarações escritas apresentadas pela Sra. Fernanda, anexo XII — livro razão analítico da BB COMERCIAL, anexo XIII — livro de inventário da BB COMERCIAL, anexo XIV — documentos de importação da BB COMERCIAL, anexo XVII — notas fiscais de saída da BB COMERCIAL, anexo XVIII — extratos bancários da BB COMERCIAL. Falta de capacidade financeira da BB COMERCIAL para operar no comércio exterior Podese confirmar a falta de capacidade financeira da BB COMERCIAL pelos seguintes fatores: • Não há a distribuição de dividendos às sócias, pois não há a imobilização de recursos em conta corrente, comprovando que, de fato, os recursos pertencem a J TOLEDO; • Recebimentos de adiantamentos em conta corrente para realizar as importações. Nas notas fiscais de saída constam que as vendas foram realizadas a prazo. Analisandose o livro razão e os extratos bancários da BB COMERCIAL constatase que não existem lançamentos representativos do recebimento de duplicatas ou outro título de crédito. Verificase que os históricos de recebimentos se referem a "repasses" da J TOLEDO diretamente na conta corrente da BB COMERCIAL, para imediatamente liquidar os contratos de câmbio e recolher os tributos incidentes nas importações. Apesar dos recebimentos indicarem, na documentação, recebimento de vendas a prazo, observase que ocorreram em data incerta, em alguns casos, até 6 (seis) meses após a concretização das vendas, e muitas vezes foram divididos em mais de uma prestação. Além disso, a inexistência de títulos de crédito, como, por exemplo, duplicatas, que permitiriam ao vendedor cobrar em data certa o valor devido do comprador, reforça que tais valores podem ser entendidos como adiantamentos da J TOLEDO para novas operações de importação da BB COMERCIAL. (...) A análise da movimentação financeira da BB COMERCIAL nos anos de 2004 a 2007 revela que a conduta praticada nos anos seguintes foi a mesma, pois (vide anexos IX e XVIII): Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.000748/200939 Acórdão n.º 3301002.615 S3C3T1 Fl. 6 9 • Em 09/jan/2004 houve o recebimento da J TOLEDO de R$ 587.800,00, referente às notas fiscais de saída 4967 a 5023, que foram emitidas em 29/out/2003. O saldo da conta banco passou de R$ 29.937,35 para R$ 617.737,35 e possibilitou a BB COMERCIAL liquidar o contrato de cambio no mesmo dia no valor de R$ 177.277,62. • Em 16/mar/2005 houve o recebimento da J TOLEDO de R$ 550.000,00, referente • às notas fiscais de saída 5575 a 5635, que foram emitidas em 10/nov/2004. O saldo da conta banco passou de R$ 166.116,37 para R$ 716.116,37 e possibilitou a BB COMERCIAL liquidar o contrato de cambio no mesmo dia no valor de R$ 415.287,20. • Em 27/out/2006 houve o recebimento da J TOLEDO de R$ 594.000,32, referente às notas fiscais de saída 7418 a 7469/7471 a 7505, que foram emitidas em 21/jul/2006. O saldo da conta banco passou de R$ 50.446,04 para R$ 644.446,36 e possibilitou a BB COMERCIAL liquidar o contrato de cambio no mesmo dia no valor de R$ 192.359,87 R$ 6.770,90. Em 17/ago/2007 houve o recebimento da J TOLEDO de R$ 604.000,84, referente às notas fiscais de saída 8542 a 8559, que foram emitidas em 22/jun/2007. O saldo da conta banco passou de R$ 25.114,11 para R$ 629.114,95 e possibilitou a BB COMERCIAL recolhesse despesas para registrar DI's no valor de R$ 74.584,95 no dia 23/ago/2007 e de R$69.106,97 no dia 28/ago/2007. Do histórico acima se observa que as importações da BB COMERCIAL são feitas com os recursos repassados da J TOLEDO, diretamente em conta corrente, com fim exclusivo de realizar operações de comércio exterior. Neste ponto vale transcrever o art. 5° da IN SRF n° 225, de 2002: "Art. 5"A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n'2.15835, de 24 de agosto de 2001. " Ver anexo IX declarações escritas apresentadas pela Sra. Fernanda, anexo XII — livro razão analítico da BB COMERCIAL, anexo XIV documentos de importação da BB COMERCIAL, anexo XV — contratos de cambio da BB COMERCIAL, anexo XVII — notas fiscais de saída da BB COMERCIAL, anexo XVIII — extratos bancários da BB COMERCIAL. Veja que as acusações que pesam contra as empresas envolvidas nas importações analisadas nesses autos, mais precisamente as acusações da completa ausência de conhecimento da origem dos recursos empregados pela importadora nas importações são graves e não passam pela simples e simplória análise da lucratividade ou não da mesma. O desenho traçado pela fiscalização envolve análise contábil, de movimentação de contas e cotejo com as operações examinadas. Tais assertivas, entretanto, não foram impugnadas pelo contribuinte em momento algum. Assim, e com base em todos os elementos sólidos e comprovados pela Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 fiscalização, entendo não assistir razão à contribuinte no tocante à ausência de interposição fraudulenta, na forma como consta no art. 23 do DecretoLei no. 1455/76. No entender dessa Relatora, a interposição está muito bem comprovada na forma do par. 2º do mencionado dispositivo, sendo perfeitamente aplicável ao caso a pena de perdimento prevista no seu par. 1º. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908211/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.525
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Ferreira Castellani - Relator
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10805.908211/2011-41
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430571
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-002.525
nome_arquivo_s : Decisao_10805908211201141.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
nome_arquivo_pdf_s : 10805908211201141_5430571.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani - Relator (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5826545
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704754454528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 197 1 196 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.908211/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.525 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria PERD/COMP Recorrente LAB HORN Laboratório Especializado em dosagens hormonais Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 11 /2 01 1- 41Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 198 2 Carmen Ferreira Saraiva –Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 35779.51843.190106.1.2.048840, em 19.01.2006, fls. 0208, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$ 11.928,35, contido no DARF de mesmo valor, recolhido em 30.09.2002, referente ao período de apuração de junho de 2002, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 03/01/2012, fls. 57, consta: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 11.938,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Pelo entendimento exarado no despacho decisório, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1623. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividade de análise clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica.” Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 199 3 Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 200 4 Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.215, de 22/08/2013, fls. 100107, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 201 5 líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 35779.51843.190106.1.2.048840, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 30/06/2002, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 202 6 Notificada em 04.11.2013, fl. 64, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013, fls. 6670. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito as regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Ferreira Castellani, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação, assim, o conheço. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 203 7 IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 204 8 A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 205 9 Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 206 10 proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 207 11 estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 208 12 O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908211/201141 Acórdão n.º 1803002.525 S1TE03 Fl. 209 13 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 18186.002159/2008-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MODIFICAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não formulado pedido de retificação de declaração quando da impugnação, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar as razões de pedir em sede de recurso voluntário, mormente quando nenhuma justificativa traz para formular tal postulação somente nessa instância. Não conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 MODIFICAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não formulado pedido de retificação de declaração quando da impugnação, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar as razões de pedir em sede de recurso voluntário, mormente quando nenhuma justificativa traz para formular tal postulação somente nessa instância. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18186.002159/2008-69
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450470
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.343
nome_arquivo_s : Decisao_18186002159200869.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 18186002159200869_5450470.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5886774
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704774377472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 42 1 41 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.002159/200869 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.343 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria IRPF Recorrente JOÃO BATISTA FANTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MODIFICAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não formulado pedido de retificação de declaração quando da impugnação, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar as razões de pedir em sede de recurso voluntário, mormente quando nenhuma justificativa traz para formular tal postulação somente nessa instância. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 21 59 /2 00 8- 69 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que julgou procedente Notificação de Lançamento ajustando o saldo do imposto de renda a restituir de R$ 4.652,66 para R$ 1.445,47, relativamente ao anocalendário 2005. O lançamento decorreu da constatação da omissão de rendimentos tributáveis recebidos por suas dependentes declaradas Fabiana Fante e Regiane de Oliveira Pissaia, das fontes pagadoras Sonda do Brasil, Santander e PDF Brasil Documentação Eletrônica Ltda., respectivamente, bem como da omissão de rendimentos a título de resgate de previdência privada (fls. 16/20). Em sede de impugnação, o contribuinte alega que desconhece as referidas dependentes, admitindo a omissão dos rendimentos de resgate de previdência privada e demandando a restituição conforme originalmente declarado (fls. 2/6). Mantida o lançamento pela instância recorrida, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/11/2011, afirmando que DIRPF/2006 foi elaborada por um amigo. Diz não mais se importar pelo que venha a receber financeiramente, pedindo que seja realizada a retificação da declaração com a exclusão dos dependentes Fabiane Fante e Regiane de Oliveira Pissaia e com o lançamento dos rendimentos de resgate de previdência privada do Bradesco. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém inova o contribuinte em seus fundamentos recursais, trazendo em sede de recurso voluntário razões de pedir não formuladas na impugnação. Consoante fl. 4, o contribuinte em sua irresignação original postulou a restituição do valor original apurado na DIRPF/2006 (R$ 4.652,66). Já no recurso voluntário, após asseverar não mais se importar em "receber financeiramente", requer seja efetuada a retificação de sua declaração (fls. 37/38), nos termos supra relatados. Notese que o contribuinte não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como aos arts. 128, 183, 264 e 460 do Código de Processo Civil. E, em que pese meu convencimento pessoal de que o instituto da preclusão não deve ser visto como um dogma, mas sim como instrumento para que o processo melhor atinja seu objeto último, a composição dos litígios, na espécie não vislumbro motivos para sua Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 18186.002159/200869 Acórdão n.º 2802003.343 S2TE02 Fl. 43 3 eventual ponderação frente a outras normas do ordenamento jurídico, pois nenhuma justificativa trouxe o autuado para só agora verter seu pleito de retificação de declaração. Mesmo que no exame do mérito desse pedido se adentrasse, o que se admite apenas a título argumentativo (ad argumentandum tantum), vale observar que não prospera solicitação para que seja procedida a retificação de ofício nesta etapa do contencioso fiscal, mormente quando não demonstrada de maneira inequívoca a ocorrência de erro de fato na confecção da declaração de ajuste transmitida em 25/3/2007 (fls. 29/31). Registrese que em sua impugnação o contribuinte afirmou desconhecer (fl. 2) os dependentes declarados Fabiana Fante, CPF nº 246.301.12898 e Regiane de Oliveira Pissaia, CPF nº 229.151.81861, enquanto no recurso voluntário mencionou somente que não tem mais os documentos para comprovação dessa dependência (fl. 37), o que denota, à evidência, significativa incongruência na sua linha argumentativa. Lembrese, ainda, que a inclusão de dependentes que recebam rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual obriga a que sejam incluídos tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual do declarante, em conformidade com o disposto no art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e com as orientações contidas nos Manuais "Perguntas e Respostas do IRPF" disponibilizados a cada anocalendário pela Receita Federal do Brasil. De todo modo, pelas razões mais acima firmadas, não cabe o conhecimento do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 11610.022726/2002-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS.
Aplica-se o percentual de 8% na apuração da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1103-001.155
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. Aplica-se o percentual de 8% na apuração da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11610.022726/2002-10
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448461
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1103-001.155
nome_arquivo_s : Decisao_11610022726200210.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11610022726200210_5448461.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5883766
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704782766080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.022726/200210 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.155 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria IRPJ compensação Recorrente Meng Engenharia Comércio e Indústria Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. Aplicase o percentual de 8% na apuração da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 02 27 26 /2 00 2- 10 Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Acórdão n.º 1103001.155 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de compensação de créditos de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) dos quatro trimestres do anocalendário 1997, no valor de R$ 163.408,40, com débitos relacionados nas declarações de compensação de fls. 3, 7, 10 e 131 O crédito alegado pela contribuinte decorreu de apresentação de DIPJ/1998 retificadora na qual houve alteração do coeficiente de lucro presumido de 16% para 8%, mantida a atividade da pessoa jurídica como “Construção – 45.2257 – Obras Viárias – Inclusive Manutenção”. O órgão local (Derat/SPO), mediante o despacho decisório de fls. 91, considerou intempestivo o pleito quanto aos pagamentos ocorridos até 28/11/1997, com fundamento no comando do art. 168, I, do CTN. No mérito, rejeitou o enquadramento da atividade declarada no percentual de 8%. Não foram homologadas as compensações tratadas neste processo e no de nº 11610.022808/200256, cuja compensação também utiliza o suposto saldo negativo de IRPJ. Noticiou a inexistência de DCTF retificadoras do anocalendário 1997 e PERDCOMP com utilização do crédito ora examinado. Em face de tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 101), a 5ª Turma da DRJ/SPOI indeferiu a solicitação nos termos do Acórdão nº 1619.206/2008 (fls. 226), assim resumido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 DECADÊNCIARESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo/contribuição pago indevidamente e conseqüentemente, de compensálos, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DE VALIDADE A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.” 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Acórdão n.º 1103001.155 S1C1T3 Fl. 4 3 Cientificada da decisão em 28/08/2009 (fls. 234), a contribuinte apresentou recurso no dia 23 do mês seguinte (fls. 309). Preliminarmente, defendeu a tempestividade do pedido tendo em vista a contagem do prazo de cinco anos a partir da data da entrega da declaração de imposto de renda. Também alegou homologação tácita da compensação declarada. No mérito, afirmou ter apresentado em 27/12/2002 declaração retificadora do IRPJ (DIRPJ) do anocalendário 1997 baseada na Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 186/2003 (fls. 119), alterando o percentual de lucro presumido de 32% para 8% em razão do “elevado percentual de materiais em relação à receita de faturamento”. O emprego de materiais estaria comprovado pela amostra de 10 (dez) contratos de prestação de serviços por empreitada juntados ao processo de consulta. Juntou contratos vigentes em 1997 apesar de considerar desnecessária tal prova, tendo em vista a documentação constante do processo de consulta. Esta Turma, acolhendo voto deste mesmo relator, por maioria, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, determinou o retorno dos autos à unidade de origem para realização de diligência, conforme Resolução 110300.062/2012 (fls. 526). O relatório da diligência se encontra nas fls. 1.787/1.790. A recorrente foi cientificada do relatório mas não apresentou contrarazões (fls. 1.792). É o relatório. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Acórdão n.º 1103001.155 S1C1T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. A recorrente suscitou preliminares de tempestividade da declaração de compensação, de ocorrência de homologação tácita da compensação e de impossibilidade de revisão da DIRPJ/1998 retificadora. A DRJ entendeu ser de 5 (cinco) anos o prazo para o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributos pagos a maior e considerou caduco o direito aos créditos até 28/11/1997. Também penso ser de cinco anos o prazo para repetição do indébito relativo a tributos submetidos à sistemática de lançamento por homologação prevista no art. 150 do CTN, conforme expus no voto condutor do Acórdão 10197.125/2009 (Recurso nº 156392), do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, assim resumido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Nos casos de tributos submetidos ao regime do lançamento por homologação (art. 150 do CTN), é de cinco anos, contados a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento dito “antecipado”, o prazo para o contribuinte pleitear restituição de pagamento indevido ou maior que o devido. Tratandose do IRPJ anual, iniciase a contagem do prazo a partir da entrega tempestiva da declaração.” Entretanto, é derto que Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu definitivamente a tese dos “cinco mais cinco anos”, ao menos para períodos anteriores à edição da LC 118/2005, como se observa no seguinte julgado: “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.123.809 MG (2009/00285790) TRIBUTÁRIO – EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO– CONSUMO DE COMBUSTÍVEL – DECRETOLEI N. 2.288/86– REPETIÇÃO DE INDÉBITO – PRESCRIÇÃO – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Acórdão n.º 1103001.155 S1C1T3 Fl. 6 5 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos embargos de divergência no REsp 435.835/SC, em 24.3.2004, adotou o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos a homologação, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 2. O STJ, por intermédio da sua Corte Especial, no julgamento da AI nos EREsp 644.736/PE, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar n. 118/2005, a qual estabelece aplicação retroativa de seu art. 3º, porquanto ofende os princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. 3. Entendimento reiterado pela Primeira Seção em 25.11.2009, por ocasião do julgamento do recurso especial repetitivo 1.002.932/SP, oportunidade em que a matéria foi decidida sob o regime do art. 543c do CPC e da Resolução STJ 8/2008.” (Destaque acrescido) Nestes autos, cujos supostos créditos dos anos calendários 1997 são anteriores à LC 118, de 09/02/2005, constatase que a declaração de 27/12/2002 deve ser tratada como tempestiva, tendo em vista que foi apresentada dentro do prazo dos “cinco mais cinco anos”. A alegação de homologação tácita é improcedente. Entre a entrega das declarações de compensação em 27/12/2002 (fls. 3, 7, 10 e 13) e a ciência do despacho decisório (fls. 91) pela contribuinte no dia 26/12/2007 (fls. 97) não transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 74, § 2º e 5º, da Lei 9.430/1996. A recorrente também afirmou que seria vedada a revisão do imposto apurado na DIRPJ/1998 retificadora: “O valor de imposto de renda pago a maior de R$ 163.408,40 foi informado na Declaração de Compensação apresentada no dia 27/12/2002. A declaração retificadora do anocalendário de 1997 foi entregue via Internet no dia 04/10/2002, conforme recibo. No dia 26/12/2007 quando a recorrente tomou ciência do despacho decisório da não homologação da compensação já havia decorrido o prazo de cinco anos, ainda que contado a partir da data em que a DIPJ retificadora foi entregue. Se a DIPJ retificadora não foi rejeitada, o imposto de renda pago a maior no valor de R$ 163.408,40 é inquestionável.” Presumo que a menção ao período de cinco anos para rejeição da declaração de rendimentos seja uma referência ao prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, a alegação de impossibilidade de revisão do imposto apurado é descabida em razão de o referido prazo ser limitador do direito do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento. No caso deste processo, que não trata de lançamento Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Acórdão n.º 1103001.155 S1C1T3 Fl. 7 6 tributário, cabe ao Fisco verificar a liquidez e certeza do crédito alegado pelo contribuinte, independentemente do prazo decadencial do art. 150 do CTN. Ainda preliminarmente, alegou ter agido com amparo na Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 186/2003 (fls. 125 e 366), expedida em razão de consulta por ela formulada. A referida decisão apresenta a seguinte conclusão: “Entendese, assim, que, na apuração da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido das pessoas jurídicas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais (em qualquer quantidade) deve ser utilizado o percentual de oito por cento, previsto no art. 3.°, § 1.°, da Instrução Normativa SRF n.° 93, de 1997.” Vêse que inexiste qualquer afirmação acerca da situação de fato da contribuinte, limitandose o órgão competente ao fornecimento à consulente da interpretação dos dispositivos legais aplicáveis, como não poderia ser diferente no âmbito do processo de consulta. Pelo exposto, considero tempestiva a declaração de compensação e rejeito as demais preliminares suscitadas. O tema central de mérito tratase de suposto crédito da contribuinte em razão de pagamento parcialmente indevido decorrente de apuração de lucro presumido a 32% quando seria correto o percentual de 8%, tendo em vista a alegada atividade desempenhada de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Após exame da documentação juntada pela contribuinte, a Turma adotou a Resolução 110300.062/2012 (fls. 526), determinando o retorno dos autos para: "b) intimar a recorrente a comprovar documentalmente, conforme os registros contábeis, a composição das suas receitas no anocalendário 1997 e o fornecimento de materiais; c) com base na documentação apresentada pela contribuinte, especificar em planilhas demonstrativas as parcelas das receitas conforme os percentuais de presunção do lucro a que estejam submetidas, além de apurar o IRPJ devido e eventual crédito a compensar pela contribuinte." A autoridade fiscal realizou as verificações solicitadas e elaborou relatório de diligência (1.787) assim concluindo: "... a empresa MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. foi intimada a comprovar documentalmente, conforme os registros contábeis, a composição de suas receitas no anocalendário 1997 e o fornecimento de materiais (fls. 549 a 556). 6. Em resposta à intimação (fls. 579 a 1.786), a requerente comprovou, via notas fiscais compreendendo todo o período do anocalendário 1997, se enquadrar na hipósete prevista no art. 3º, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, conforme Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 186/2003, da utilização do percentual de 8% sobre a receita bruta auferida na atividade, para cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.022726/200210 Acórdão n.º 1103001.155 S1C1T3 Fl. 8 7 7. Diante de tal quadro fático, apurouse direito creditório à requerente MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., CNPJ 49.670.524/000189 contra a Fazenda Nacional, na importância de R$ 163.408,40 (cento e sessenta e três mil, quatrocentos e oito reais e quarenta centavos), referente a Saldo Negativo de IRPJ do 1º ao 4º trimestres de 1997, conforme delimitado na tabela abaixo, sobre o qual ainda deve incidir o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC conforme art. 83 da IN RFB nº 1.300/2012." (Destaque acrescido) A recorrente não apresentou contrarazões ao relatório de diligência (fls. 1.792). Como visto acima, a autoridade fiscal encarregada da diligência ratificou a alegação da contribuinte quanto ao percentual de presunção do lucro aplicável à sua atividade, de 8%, e apurou o crédito nos mesmos valores informados nas declarações de compensação. Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722390/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
IRPF. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN.
Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial é do art. 150, § 4º do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULARES. NULIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29.
IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. SÚMULAS DO CARF Nº 14 e 25.
A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição de multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, pela falta de previsão legal, é necessária à comprovação de uma das hipóteses.
PROVA EMPRESTADA.
No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a decisão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9º do Decreto nº 70.235/76, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A Lei n° 9.065 de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 2201-002.645
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 2006 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo do item 2 do Auto de Infração os depósitos relativos à conta-conjunta nº 13.687-5 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora), VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que além disso excluíram os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Albert Rabelo Limoeiro, OAB/DF 21.718.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado.
EDITADO EM: 28/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 IRPF. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial é do art. 150, § 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULARES. NULIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando-se sua tributação a esse título. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. SÚMULAS DO CARF Nº 14 e 25. A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição de multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, pela falta de previsão legal, é necessária à comprovação de uma das hipóteses. PROVA EMPRESTADA. No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a decisão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9º do Decreto nº 70.235/76, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A Lei n° 9.065 de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.722390/2012-85
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5434683
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.645
nome_arquivo_s : Decisao_10166722390201285.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NATHALIA MESQUITA CEIA
nome_arquivo_pdf_s : 10166722390201285_5434683.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 2006 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo do item 2 do Auto de Infração os depósitos relativos à conta-conjunta nº 13.687-5 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora), VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que além disso excluíram os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Albert Rabelo Limoeiro, OAB/DF 21.718. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado. EDITADO EM: 28/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5836951
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704837292032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722390/201285 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.645 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente NEY ROBSTHON OTAVIANO DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 IRPF. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial é do art. 150, § 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE COTITULARES. NULIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificandose sua tributação a esse título. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. SÚMULAS DO CARF Nº 14 e 25. A omissão de rendimentos em valores elevados ou a conduta reiterada não caracteriza ou tipifica a imposição de multa qualificada pelo dolo dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, pela falta de previsão legal, é necessária à comprovação de uma das hipóteses. PROVA EMPRESTADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 90 /2 01 2- 85 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a decisão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9º do Decreto nº 70.235/76, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A Lei n° 9.065 de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 2006 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo do item 2 do Auto de Infração os depósitos relativos à contaconjunta nº 13.6875 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora), VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que além disso excluíram os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Albert Rabelo Limoeiro, OAB/DF 21.718. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Redator designado. EDITADO EM: 28/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, Fl. 924DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 3 3 justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 03 e seguintes, lavrado em 09/05/2012, exigese do Contribuinte NEY ROBSTHON OTAVIANO DE ALMEIDA o montante de R$ 272.738,37 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 409.107,57 de multa de ofício qualificada e R$ 110.666,76 de juros de mora (atualizados até a data da lavratura do Auto de Infração), totalizando um crédito tributário de R$ 792.512,70, referente aos anos calendários 2006, 2007, 2008 e 2009, decorrente de: (i) Omissão de Rendimento Recebido de Pessoa Jurídica e (ii) Omissão de Rendimento Caracterizado por Depósito Bancário de Origem não Comprovada. O Relatório Fiscal, de fls. 22 e seguintes, relata: · O presente Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi expedido a partir de subsídios gerados durante a fiscalização desenvolvida nas empresas Via Empreendimentos Imobiliários S/A e Via Engenharia S/A, ambas integrantes do grupo econômico VIA. · Como resultado dessas auditorias, ficou comprovado o vínculo de prestação de serviços entre os corretores de imóveis e as empresas objeto da fiscalização para comercialização dos empreendimentos imobiliários incorporados e/ou construídos por essas empresas. · Constatados indícios de que esses profissionais, corretores de imóveis, por sua vez, não declararam à Receita Federal do Brasil (RFB) os rendimentos auferidos a título de comissão de venda, incidente sobre as operações imobiliárias levantadas nas duas empresas fiscalizadas, foram expedido diversos MPF, dentre eles esse que gerou a presente autuação. · O Contribuinte mantém vínculo empregatício com o Grupo Via na condição de Gerente de Vendas. Além da remuneração fixa mensal a título de salário, que transita pela folha de pagamento da sociedade sobra o qual incidia o IRRF, recebia também uma comissão de venda (0,13% sobre todas as vendas), cujo montante é calculado sobre o valor de todas as vendas efetivadas por corretores autônomos que integram as equipes de vendas no âmbito do grupo. Esta parcela era paga “por fora” não compondo a remuneração mensal do empregado, logo, sem IRRF. Apurouse que nas DIRPF de 2007 a 2010 não incluiu na base de cálculo para apuração do imposto devido os valores da comissão de venda recebidos das empresas para as quais prestou serviços. · O Contribuinte quando questionado respondeu desconhecer a origem das informações constantes na planilha elaborada pela auditoria fiscal, bem como que desconhece e não tem ciência do procedimento levantado pela RFB, no qual se apurou valores pagos ao Contribuinte a título de comissão de venda pela sua participação no processo de intermediação imobiliária como Gerente de Vendas. · Apurouse também em procedimento de fiscalização de outros corretores de imóveis, que integraram, à época, equipes de vendas do Grupo Via, sob a gerência do Contribuinte, repasses de valores por meio de transferências ou depósitos bancários na conta do Contribuinte, cujos repasses materializam o esquema conjunto adotado pela Fl. 925DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 empresa para pagamento da parte variável da remuneração devida ao Contribuinte. Nos extratos bancários apresentados pelo Contribuinte, há diversos lançamentos de créditos oriundos de repasses feitos por corretores de imóveis. Das transferências/depósitos feita pelo corretor Sr. Cleiton Magalhaes de Souza, há lançamentos que são convergentes com a prática adotada para pagamento “por fora” da referida comissão. · Desta que os repasses da comissão de vendas destinados ao Gerente de Vendas, via de regra, são realizados em espécie diretamente pelo corretor do imóvel responsável pela venda, ou seja, os valores não transitam pela conta bancária do beneficiário. Os casos identificados nos extratos do Contribuinte escaparam a regra e, por conseguinte, contribuíram para atestar o procedimento fraudulento de sonegação fiscal praticado tanto pelas empresas do Grupo Via para o qual o Contribuinte presta serviços quanto pelo próprio Contribuinte. · O Contribuinte quando questionado respondeu que os valores depositados em contas bancárias estão justificados nos rendimentos declarados como tributáveis, isentos e não tributáveis, bem como exclusivamente na fonte, os quais estão comprovados pelos informes das fontes pagadoras de todo o período de 2006, 2007, 2008 e 2009. · Os rendimentos declarados como “isentos e não tributáveis”, notadamente nos anos calendários de 2008 e 2009 não transitaram pela conta bancária conforme afirma o Contribuinte. Com relação ao ano calendário de 2009 do total de créditos bancários registrados nos extratos apresentados é de R$ 290.683,62. Deste valor, R$ 35.155,00 referese aos rendimentos depositados pela empresa do grupo Via a título de salário e R$ 26.567,08 classificados pela auditoria como “outros”, restando, portanto, um saldo de crédito da ordem de R$ 193.806,54. O valor declarado no ano calendário como “isentos e não tributáveis” corresponde a R$ 609.148,90. Ora, diante dessa realidade, é insustentável a tese do Contribuinte, pois, conforme se observa, não há créditos na conta bancária para suportar tal declaração. · Sobre a distribuição de lucros/dividendos recebidos da empresa N&Y Imóveis Ltda, declarados nas DIRPF dos anos calendário 2008 e 2009, o Contribuinte confirma o recebimento, porém, mesmo depois de reintimado, não esclarece a forma de pagamento utilizada pela referida empresa. · A multa de ofício foi qualificada diante da conduta intencional do contribuinte de não declarar na DIRPF do período fiscalizado os rendimentos auferidos a título de comissão de venda, pela sua participação como Gerente de Vendas no processo de intermediação imobiliária dos imóveis identificados nas planilhas anexas ao Auto de Infração, caracterizando, nos termos do art. 71 da Lei nº. 4.502/64 sonegação fiscal. Igualmente, enquadrase nesse mesmo conceito, a decisão do contribuinte de ocultar do Fisco a origem e a fonte pagadora dos depósitos bancários lançados em sua conta corrente /poupança que mantém a titularidade no banco Bradesco, referente ao período analisado. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 12/05/2012 (AR Postal fl. 19), tendo apresentado Impugnação, de fls. 676 e seguintes, em 12/06/2012, na qual trouxe as seguintes alegações: · Violação ao Princípio da Verdade Material na medida em que o lançamento desconsidera e distorce integralmente a verdade e os fatos. Aponta que os rendimentos declarados e comprovados foram suficientes para justificar a movimentação bancária que foi objeto do lançamento fiscal. Entretanto, ainda assim foram atribuídos ao Contribuinte supostos rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Destaca que não há provas dos pagamentos realizados pelas pessoas jurídicas desses malsinados Fl. 926DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 4 5 rendimentos, bem como a autuação não especifica as efetivas datas e os verdadeiros valores recebidos pelo Contribuinte. · Depósito Bancário – Comprovação da Origem destaca que de igual modo, foram atribuídos ao Contribuinte suposta omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, porém alega que a fiscalização não considerou como origem os rendimentos auferidos pelo Contribuinte, em especial os rendimentos tributados pelo carnêleão e os lucros recebidos, constantes das declarações do imposto de renda e comprovados pelo Contribuinte durante o procedimento fiscal. Inexistência de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada uma vez que o contribuinte jamais se furtou de esclarecer que os depósitos bancários foram efetivados com recursos originados de rendimentos regularmente declarados, sendo que parte desses recursos se referem aos rendimentos tributados pelo Carnê leão e parte se referem aos lucros recebidos de pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio. · Inexistência de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – a referida autuação é infundada uma vez que o Contribuinte apresentou todos os informes de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com que mantém vínculo empregatício. Todos os valores recebidos foram declarados, bem como as devidas retenções pelas fontes pagadoras, acompanhados dos respectivos informes de rendimentos. Também foram apresentados os comprovantes de recolhimentos de impostos devidos quando do ajuste final de cada ano calendário. Desta feita, ao contrário do alegado pela fiscalização, o Contribuinte comprovou a totalidade dos rendimentos declarados através das DIRPF prestadas à Receita Federal. · Prova Emprestada para embasar a suposta omissão de rendimentos a fiscalização se utiliza de prova emprestada de processo administrativo diverso do presente e do qual o Contribuinte não é parte, distorcendo estas provas e relatos inverídicos, uma vez que em momento algum o Contribuinte diz receber remuneração variável sobre todas as vendas efetivadas por corretores autônomos. A ilação fiscal quanto à percepção de remuneração variável a título de comissão de vendas se apoia em uma “memória de reunião” supostamente extraída de outro procedimento de fiscalização do qual o Contribuinte não fez parte da relação processual. Assim alega que a prova foi obtida de forma incorreta, pois a referida prova foi carreada ao presente processo sem a competente diligência fiscal, conforme prescreve a legislação que cuida do Mandado de Procedimento Fiscal, distanciandose completamente do princípio da impessoalidade que rege as relações entre o fisco e o contribuinte. Ainda que fosse possível tomar como válida a referida “memoria de reunião”, a fiscalização não poderia utilizar tal prova, pois a afrontaria o consagrado entendimento jurisprudencial e doutrinário de que nenhuma pessoa poderá produzir prova contra si mesmo. Alega impossibilidade de tributação com base em prova emprestada, apontando que seu valor probatório é precário e de pouca credibilidade, citando jurisprudência. · Ausência de Provas afirma que inexiste, nesse processo, qualquer pagamento “por fora”, sendo certo gravar que esta acusação foi presumida pela autoridade fiscal diante da inexistência de provas que afirmem tal acusação. Inexiste também no presente processo registro de que as empresas componentes do Grupo Via tenham apresentado planilhas. Da mesma forma inexiste registro de que o referido grupo de empresas tenha sido intimado para prestar informações no curso do presente procedimento administrativo. Complementa apontando que desconhece a origem das informações contidas nas ditas planilhas constante no Anexo 11 que foram elaboradas unilateralmente pela fiscalização. Impossibilidade de tributação por presunção à suposta Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. A Auditoria Fiscal presumiu que todas as vendas foram efetuadas por corretores autônomos e que o impugnante Fl. 927DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 recebeu o percentual de 0,13% sobre cada uma das transações imobiliárias, o que não é verdade. · Duplicidade de Exigência de Imposto a apuração realizada pela fiscalização resulta em duplicidade de exigência do imposto. Ora se a fiscalização entendeu que houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e tributou esses rendimentos pelo lançamento fiscal, tais rendimentos deveriam ser considerados para justificar os depósitos bancários que o próprio fisco considerou como não justificados. · Ausência de Intimação dos Cotitulares das Contas Bancárias nulidade de todo o lançamento fiscal efetuado com base nos extratos bancários, por ausência de intimação de todos os titulares da conta bancária junto ao Banco Bradesco. O contribuinte destaca que a conta é conjunta com sua esposa e o lançamento fez recair a autuação unicamente sobre o impugnante, não observando o §6º do art. 42 da Lei nº. 9.430/96 e a Súmula 29 do CARF. · Inaplicabilidade da Multa Qualificada pois não há qualquer omissão levada a efeito pelo Contribuinte. No caso de supostos rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a fiscalização se valeu unicamente de informações gerada internamente no seio da própria administração. No caso rendimentos tributados com base em extrato bancários, apesar da existência de legislação própria, a jurisprudência e a doutrina têm rejeitado veemente a imposição de multa qualificada para esse tipo de lançamento fiscal. Cita Súmula 14 do CARF. A argumentação de que o simples fato de o Contribuinte ter deixado de declarar seria um ato que se encaixaria em sonegação fiscal é um verdadeiro absurdo jurídico. · Decadência para o ano calendário de 2006, uma vez que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 15/05/2012 e houve pagamento antecipado de imposto. Logo, o prazo decadencial é o estabelecido pelo art. 150, §4º do CTN. · Descabimento da Taxa SELIC haja vista que a mesma foi criada para remunerar o investidor, de uma forma competitiva, e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação. Assim a Taxa SELIC possui natureza diversa. Observa também que a mesma não foi criada e definida por Lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e BACEN, contrariando o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, §1ºdo CTN. · Ilegalidade de Cobrança de Juros sobre a Multa por ausência de previsão legal. O art. 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Assim como tributo e multa são distintos, não se poderia fazer incidir a Taxa SELIC sobre a multa. A 3ª Turma da DRJ/BSB, na sessão de 01/08/2012, pelo Despacho nº 1.444, de fls. 724 e seguintes, encaminhou o processo para diligência com a finalidade que fossem juntados todos os documentos que serviram de base para o lançamento. Este pedido abrange aqueles subsidiaram a elaboração das supracitadas planilhas, nas quais estão assentadas as comissões recebidas pelo Contribuinte, obtidos no curso da fiscalização das empresas do Grupo Via (Via Engenharia S/A e Via Empreendimentos Imobiliários S/A), bem como os que, eventualmente, não foram anexados aos autos, oriundos do procedimento fiscal aberto em relação à pessoa física do ora Contribuinte, sob exame. A Diligência foi cumprida, às fls. 760 e seguintes, vindo o Auditor Fiscal esclarecer: Fl. 928DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 5 7 · Encaminhou em meio físico cópia de dois CD, identificados como Anexo 1 e 2, contendo os arquivos originais apresentados pelas empresas. Os arquivos que dizem respeito às planilhas apresentadas pelas empresas são: arquivo “informações Carteira 20062008 – corretores corrigido.xls, e arquivo “Emprimobiliarios – RFB (comissão) 010910novo.xls”. · Destaca que os arquivos originais apresentam as mesmas informações inseridas nas planilhas disponibilizadas ao Contribuinte durante a fase requisitória do procedimento fiscal como também nas planilhas anexadas ao Auto de Infração sob comento. · Rechaça a o argumento despendido pelo Contribuinte, pois todas as informações repassadas ao mesmo foram apresentadas pelas empresas auditadas, ou seja, nada foi montado ou criado pela fiscalização. · Quanto à declaração do Contribuinte de que “nunca afirmou que recebeu remuneração variável sobre todas as vendas pro corretores autônomos” consta dos autos documento lavrado a partir de reunião realizada nas dependências da empresa, em 11/08/2010, com o objetivo de se conhecer o funcionamento da Gerência Comercial sob a gestão do Contribuinte (anexo 10 do relatório). Neste documento consta, entre outras informações, declaração do próprio gestor (Contribuinte) sobre a composição da sua remuneração como Gerente de Vendas. · Por fim, destaca que a auditoria fiscal imprimiu as planilhas originais apresentadas pelas empresas relacionadas com o Contribuinte e encaminhouas, juntamente com a Informação Fiscal de fls. 636, para a ciência e manifestação do Contribuinte, se assim desejar, no prazo de 30 dias, a contar da ciência desta Informação Fiscal, devendo a manifestação ser encaminhada diretamente à 3ª Turma da DRJ/BSB. Segundo documento de fls. 790 a ciência do Contribuinte da diligência e da Informação Fiscal ocorreu via postal em 06/10/2012, às fls. 791, tendo lhe sido aberto prazo para Impugnação em 30 dias. O Contribuinte manifestouse em 06/11/2012 por petição, de fls. 793 e seguintes, insurgindose contra a diligência realizada pela DRJ/BSB para aperfeiçoamento das provas, uma vez que a própria DRJ/BSB em análise do relatório fiscal detectou que não foram acostados ao Auto de Infração os documentos entregues à fiscalização pelas empresas auditadas ou quaisquer outros que fundamentam as planilhas. Assim, destaca que o Auto de Infração encontrase com a validade comprometida, haja vista que somente na fase contenciosa, e em razão da diligência cientificada em 06/10/2012 ocorreu o aperfeiçoamento das provas que deveriam ter sido apresentadas quando da lavratura e ciência do auto de infração. Assim, resta demonstrado que o Auto de Infração que lastreou o presente processo é carente de documentos que comprovariam as supostas comissões e vendas atribuídas presumidamente ao Contribuinte. A 3ª Turma da DRJ/BSB na sessão de 06/12/2012 pelo Acórdão 0350.041, de fls. 832 e seguintes, julgou improcedente a Impugnação nos seguintes termos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos Fl. 929DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. MULTA QUALIFICADA DE 150%. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. CABIMENTO. O percentual da multa de lançamento de ofício será elevado para 150% quando comprovado nos autos que o procedimento adotado pelo sujeito passivo demonstra intenção de não levar à tributação rendimentos sabidamente tributáveis. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. É legal a aplicação da taxa SELIC para a fixação dos juros de mora incidentes sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. No caso de Lançamento de Ofício, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 867, em 21/01/2013, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 868, em 20/02/2013, reafirmando os argumentos aduzidos na Impugnação e na petição de fls. 793, ao qual reportase, vindo a alegar em complemento que diante do procedimento inadequado de coleta de provas que pudessem demonstrar o efetivo pagamento de comissões de vendas, requer o afastamento da acusação de omissão de rendimentos imputados ao Contribuinte já que tal fundamento foi integralmente reprisado pela DRJ/BSB quando da lavratura do Acórdão, destacando que não merece guarida a argumentação da 3ª Turma da DRJ/BSB no sentido de que: “O resultado da diligência, diferentemente do que alegou, não aperfeiçoou o Lançamento, mas tão somente ratificou os elementos probatórios já contidos nos autos, contradizendo peremptoriamente o suposto procedimento discricionário da autoridade autuante de montagem de provas (fls. 760/789). As planilhas e os documentos probatórios orginalmente coligidos pelo auditor fiscal guardam inteira consonância com aqueles obtidos na diligencia (fls. 586/604;639/660; 763/789)”. O Contribuinte apresenta, ainda, documento do Banco Bradesco demonstrando que a conta conjunta nº 136875 pertencente à agência 1526/Centro Empresarial Varig, foi transferida em 12/11/2010 para agência 0707/Prime Brasília. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. DAS PRELIMINARES Fl. 930DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 6 9 I.1. Da Decadência O Contribuinte requer para o ano calendário de 2006, o reconhecimento da decadência, com base no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN), pois, conforme comprovante de pagamento de fl. 68, efetuou o recolhimento do IRPF/07 em cota única no valor de R$ 5.728,65 em 27/04/2007, dentro do prazo legal e foi intimado em 12/06/2012, após o termino do prazo decadencial para constituição do crédito tributário. A 3ª Turma da DRJ/BSB não acolheu a decadência uma vez que adotou o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN diante da ocorrência de sonegação, conforme relato do Auto de Infração. Diante do exposto, passase a análise inicial da ocorrência da conduta fraudulenta por parte do Contribuinte e posteriormente do prazo decadencial. A Autoridade Lançadora ao qualificar a multa de ofício apurou a ocorrência de sonegação com base no art. 71 da Lei nº 4.502/64 diante da conduta intencional do Contribuinte em não declarar nas DIRPF os rendimentos recebidos. Confirase: Diante do exposto a conduta intencional do contribuinte de não declarar nas DIRPF do período fiscalizado os rendimentos auferidos a título de comissão de venda, pela sua participação como Gerente de Vendas no processo de intermediação imobiliária dos imóveis identificados nas planilhas anexas, caracteriza, nos termos do art. 71acima transcrito, sonegação fiscal. O Acórdão recorrido destaca que o Contribuinte reiteradamente deixou a margem da tributação os valores recebidos a título de comissão: No Termo de Verificação Fiscal (fls. 22/48), há um item específico e destinado à questão das multas aplicadas (item V). nele, não está aposto tãosomente o enquadramento legal, mas diferentemente do que assevera impugnante, há indicação clara da motivação que levou à qualificação da infração no patamar de 150%m: 1) no período analisado pela auditoria fiscal (anoscalendários 2006, 2007, 2008), ou seja, reiteradamente, os rendimentos auferidos a título de comissão, pela participação como Gerente de Vendas no processo de intermediação imobiliária identificado nas planilhas, foram deixados à margem da tributação (sonegação); Sob a fundamentação das instâncias administrativas anteriores cabe apontar que a ação reiterada e o mero não oferecimento do rendimento à tributação não são elementos do tipo descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O tipo descrito exige uma conduta do contribuinte visando impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. A Autoridade Lançadora não descreve qualquer conduta do Contribuinte, neste sentido havendo dilatado o prazo Fl. 931DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 decadencial e qualificado o prazo decadencial pelo simples não oferecimento da renda à tributação. Conforme descrição do tipo acima, não declarar rendimentos recebidos de forma reiterada não evidencia, por si só, a conduta de sonegação descrita no art. 71 da lei nº 4.502/64. A Súmula do CARF nº 25 assim dispõe: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No mesmo sentido, a Súmula do CARF n° 14 assim dispõe: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Diante da ausência de sonegação, inaplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, conforme expõe a decisão recorrida, razão pela qual permanece aplicável o prazo previsto no art. 150, §4º do CTN. Para aplicação do disposto no art. 150, §4º do CTN, além da multa de ofício, é preciso que o contribuinte tenha antecipado imposto durante o ano calendário. Nos autos há prova de pagamento de ajuste anual (fls. 68). Contudo, mesmo que se entenda que tal pagamento não justifica a aplicação do art. 150, §4º do CTN, por não se tratar de antecipação durante o ano calendário, o contribuinte também teve imposto retido na fonte durante o ano calendário de 2006, conforme apresentado em sua DIRPF/07 (fls. 65), bem como Informe de Rendimentos (fls. 69). Assim, entendo restar comprovado o pagamento de imposto que justifique a aplicação da contagem do prazo decadencial com base no art. 150, §4º do CTN. Uma vez estabelecido que o prazo para constituição do crédito tributário passa a fluir da ocorrência do fato gerador, passase a análise do momento de sua ocorrência. A partir de 1º de janeiro de 1989, em virtude das alterações provocadas pela Lei nº 7.713/88, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos: Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Contudo, o art. 2º da Lei nº 8.134, de 27/12/1990, introduziu a necessidade do ajuste anual: Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. O ajuste de que trata o mencionado art. 11 referese à apuração anual do imposto de renda na declaração de ajuste anual: Fl. 932DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 7 11 Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II será deduzido o valor original, excluída a correção. A análise conjunta do art. 2º da pela Lei nº 7.713/88 com o art. 2º e 11 da Lei nº 8.134/90 estabelece, portanto, que, não obstante o imposto de renda das pessoas físicas seja devido mensalmente, fica sujeito ao ajuste anual, no qual serão considerados, de forma global, todos os rendimentos tributáveis auferidos durante o ano calendário, com exceção daqueles tributáveis exclusivamente na fonte e dos sujeitos à tributação definitiva. É por essa razão que, com relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a doutrina e a jurisprudência dominantes costumam classificar o fato gerador do imposto de renda como sendo do tipo complexivo, isto é, formado de diversos elementos que se formam ao longo de um determinado período de tempo, compondose de diversos acontecimentos distintos que devem ser considerados em sua totalidade. Neste caso, tem prevalecido o entendimento de que o momento em que se completa o fato gerador é o termo final do ano calendário, ou seja, o dia 31 de dezembro de cada ano. Logo, para o ano calendário de 2006, uma vez que, o fato gerador só se aperfeiçoou em 31/12/2006, o prazo para constituição do crédito tributário, com base no art. 150, § 4º do CTN, teria por termo o dia 31/12/2011. Uma vez que o Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 12/05/2012 (AR Postal fl. 19), o lançamento para o ano calendário de 2006 ocorreu após o termo do prazo decadencial. Diante do exposto, reconheço a decadência para o ano calendário de 2006. I.2. Da Violação do Princípio da Verdade Material Quando da Lavratura do Auto de Infração O Contribuinte alega afronta ao princípio da verdade material na medida em que o lançamento desconsidera e distorce integralmente a verdade e os fatos, pois lhe foram atribuídos supostos rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Destaca que não há provas dos pagamentos realizados pelas pessoas jurídicas desses malsinados rendimentos, bem como a autuação não especifica as efetivas datas e os verdadeiros valores recebidos pelo Contribuinte. Às fls. 636 encontrase “memória de reunião” entre a Autoridade Tributária e o Contribuinte, na qualidade de gerente de vendas da Sociedade Via Empreendimentos Imobiliários, onde o item 1 descreve o nome e a função do recorrente na sociedade e o item 21descreve a composição da sua remuneração: 21 A remuneração do Gerente de Vendas é composta de um valor fixo mais comissão de ate 0,13% (zero virgula treze por cento) sobre todas as vendas fechadas pelos corretores autônomos. Os dados com as informações dos imóveis vendidos que originaram a remuneração variável do Contribuinte com base no percentual acima citado foram juntados ao Fl. 933DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 presente procedimento administrativo na diligência solicitada pela 3ª Turma da DRJ/BSB às fls. 760. O Termo de Verificação Fiscal destaca que nos extratos bancários apresentados pelo Contribuinte, há diversos lançamentos de créditos oriundos de repasses feitos por Corretores de Imóveis, os quais estão identificados nos referidos lançamentos no Anexo 13. O Relatório Fiscal de fls. 22 cita exemplos da coincidência entre o valor depositado por determinados corretores na conta do Contribuinte e o percentual de 0,13% de determinado imóvel vendido por aquele corretor em data anterior próxima à transferência bancária: Neste sentido, observe na planilha anexa ao TIF de 07/03/2012 (anexo 06, fls. 4), relativa às vendas da via Engenharia S/A, que o contribuinte declara desconhecer a origem das informações nela contidas, a venda do imóvel de que trata a proposta de Compra nº. 29915, de 14/03/2006, referente ao imóvel Via Place Bloco C, preço de venda no valor de R$ 228.722,00. O valor do crédito lançado na conta do contribuinte em 17/03/2006, feito pelo corretor Cleiton Magalhães de Souza, de R$ 299,00 corresponde a 0,13% do valor da operação, ou seja, tratase da comissão de venda relativa à participação do Gerente de Vendas (Anexo 03, fls. 9) Diante do exposto, improcede a argumentação de distorção dos fatos pela Autoridade Lançadora, uma vez que a mesma apurou, juntou provas e detalhou o recebimento da renda variável pelo Contribuinte, logo, não se vislumbra violação do princípio da verdade material. No presente ponto, o Contribuinte alega haver ocorrido aperfeiçoamento das provas produzidas pela 3ª Turma da DRJ/BSB, restando então demonstrada a precariedade do lançamento diante do aperfeiçoamento das provas somente na fase contenciosa. Inicialmente destacase que não houve aperfeiçoamento das provas. A diligência requisitada pela 3ª Turma da DRJ/BSB não objetivou produzir novas provas quanto apuração das infrações constantes do Auto de Infração lavrado em face do Contribuinte. As provas juntadas por ocasião da diligência já existiam previamente à diligência, tendo sido citadas pela Autoridade Lançadora e utilizadas na apuração das infrações contidas no presente Auto de Infração. A diligência objetivou preservar a ampla defesa e o contraditório ao trazer aos autos a documentação produzida no Processo Administrativo Fiscal instaurado em face das sociedades do grupo Via, que embasou o presente Auto de Infração. Dá conhecimento ao Contribuinte das provas produzidas na fase inquisitorial não configura aperfeiçoamento do lançamento, mas sim ato obrigatório da Autoridade Lançadora para que o Contribuinte exerça de forma plena seu direito ao contraditório e ampla defesa. Direitos estes que foram garantidos, uma vez que após a diligência o Contribuinte foi intimado a se manifestar sobre os documentos juntados, sendolhe aberto prazo de 30 dias para impugnar e contraditar as mesmas provas, conduta adotada pelo Contribuinte, conforme petição de fls. 793. O Contribuinte alega ainda ser proibido a utilização de prova produzida em outro Processo Administrativo Fiscal. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 8 13 Inicialmente, cabe apontar que quanto ao documento, de fls. 636, “memória de reunião” entre a fiscalização com o Contribuinte, na qualidade de Gerente de Vendas, onde este descreve sua remuneração afirmando a existência de uma remuneração variável, foi produzido junto ao próprio Contribuinte, não havendo como se esquivar sob a argumentação de que não participou da produção da prova em questão. Improcedente a argumentação quanto a impossibilidade de utilização do referido documento no presente Processo Administrativo Tributário, pois sua utilização viria de encontro ao entendimento de que nenhuma pessoa poderá produzir prova contra si mesmo. O referido entendimento visa não obrigar o indivíduo a realizar atos/conduta para produção de prova contra si mesmo, lhe assegurando, assim, o direito ao silêncio. Entretanto a compreensão do tema, não inibe a utilização por parte dos órgãos de investigação, de qualquer documento, produzido pelo próprio indivíduo, onde reste comprovada a sua conduta. Outro ponto é que as provas juntadas pela fiscalização são provas pré constituídas, ou seja, não foram produzidas no curso da ação fiscal em face das pessoas jurídica do Grupo Via. A documentação juntada aos autos são documentos que as sociedades investigadas já elaboram de forma contínua como registro e prova de suas atividades (informações de Carteira e dos empreendimentos imobiliários), logo não são consideradas como prova emprestadas impróprias. Neste sentido Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López esclarecem: Algumas vezes, o documento extraído do outro processo tem a natureza de prova pré constituída, ou seja, aquela formada previamente com a finalidade de ser utilizada caso haja litígio. A legislação regula, nesses casos, quais os requisitos que deva conter essa prova para atestar o fato de forma segura. A escrita do contribuinte é um exemplo de prova préconstituída. Nesses casos, não se está diante de prova emprestada imprópria , eis que não foi formada no curso de um processo específico. Assim, nota fiscal ou documento de pagamento (v.g., Darf) trazidos de um processo para outro já possuem força probatória antes do seu ingresso no primeiro processo.” (in Processos Administrativo Fiscal Federal Comentado ,3ª Edição. São Paulo: Dialética, 2010. Pág. 220). Ademais, a presente Corte Administrativa tem se posicionado pela possibilidade de utilização de prova emprestada, desde que não se esteja tomando emprestado a conclusão do outro procedimento e desde que o Contribuinte tenha oportunidade, no procedimento onde a prova é utilizadas de exercer o contraditório e a ampla defesa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/03/2005 a 13/11/2007 LANÇAMENTO. PROVA. EMPRESTADA No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a conclusão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9º do Decreto nº. 70.235/76, sob apena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso de Ofício Negado. (Acordão 3101001.749 Relator Luiz Roberto Domingo, 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária). Fl. 935DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Conforme já destacado, a ampla defesa e o contraditório quanto às provas juntadas na diligência requisitada pela 3ª Turma da DRJ/BSB foram garantidos com a abertura de prazo para o Contribuinte se manifestar sobre os referidos documentos obtidos junto as pessoas jurídicas. O Auto de Infração não se utilizou das conclusões do Processo Administrativo Fiscal (PAF) que corre junto à Via Empreendimentos Imobiliários S/A e Via Engenharia S/A, mas sim da lista de imóveis alienados pela equipe gerenciada pelo ora Contribuinte, no período objeto do presente Auto de Infração e a coincidência entre o valor depositado pelos corretores gerenciados pelo Contribuinte, que correspondiam a 0,13% do valor da negociação do imóvel. Enfim, os documentos obtidos pela fiscalização no âmbito do Processo Administrativo Fiscal das empresas integrantes do grupo econômico Via são admissíveis como prova no presente Processo Administrativo Fiscal, por terem sido submetidas ao procedimento contraditório, não prejudicando o direito de defesa do Contribuinte. Portanto, legítimo e correto o procedimento adotado pela fiscalização e sem procedência as argumentações do Contribuinte. Em relação às ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes transcritas pelo Contribuinte, temse que as mesmas, além de se aterem às situações circunstanciadas naqueles autos, não afetam o presente lançamento, uma vez que os julgados, especialmente os do Conselho de Contribuintes não possuem efeito vinculante, nem constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe Lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (PN CST 390/71). Diante do exposto mantémse a autuação por Omissão de Rendimento Recebido de Pessoa Jurídica para os anos calendários 2007 e 2008. II. DO MÉRITO II.1. Da Cotitularidade das Contas Bancárias O Contribuinte requer na Impugnação nulidade do lançamento quanto a presente autuação diante da ausência de intimação da cotitular da conta bancária, Sra. Cristiane Fumie Michalski Onoyama de Almeida. A 3ª Turma da DRJ/BSB não acolheu a referida argumentação, uma vez que: (i) os extratos bancários apresentados pelo Contribuinte dão como única titularidade o recorrente; (ii) as respostas às intimações dão como única titularidade o Contribuinte e (iii) a declaração do Banco Bradesco juntada na Impugnação referese à conta bancária da agência 0707/Prime Brasília, agência diversa da conta objeto da presente autuação – Agência 1526. Acompanhando o Recurso Voluntário, às fls. 914, foi juntada nova Declaração do Banco Bradesco direcionada pelo Gerente Geral da Agência 0707/Prime Brasília à Receita Federal do Brasil contendo esclarecimento de que a conta conjunta (c/c 136875 pertencente à agência 1526/Centro Empresarial Varig) do Sr. Ney Robsthon Otaviano de Almeida e da Sra. Cristiane Fumie Michalski Onoyama de Almeida, criada em 19/02/2004 foi transferida em 12/11/2010, com todo o seu histórico, cadastro e movimentação financeira para agência 0707/Prime Brasília, permanecendo com a mesma c/c 136875 até a data da declaração (06/02/2013). Fl. 936DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 9 15 O documento de fls. 914 comprova que a conta corrente 136875 da agência 1526 do Banco Bradesco, objeto da presente autuação, possui mais de um titular durante o período compreendido entre os anos de 2004 e 2013, o que engloba o período do presente Auto de Infração. O fato é que, em momento algum, a cotitular Sra. Cristiane Fumie Michalski Onoyama de Almeida foi chamada aos autos para justificar ou informar a respeito da movimentação da conta objeto do presente lançamento, o que macula o procedimento fiscal. Importante pontuar que o item 10 do Termo de Verificação Fiscal (fl.24) menciona que o próprio Contribuinte entregou os extratos bancários de sua titularidade, conforme Termo de Início do Processo Fiscal (TIF) (fl. 53). Do referido TIF constatase que a fiscalização não indica que cotitulares das contas bancárias sejam indicados. Confirase: 2 – extratos bancários referentes a TODA movimentação financeira junto às instituições financeiras que manteve a titularidade ou responsabilidade por contas depósito, investimento ou similares, durante os anoscalendários supracitados, no Brasil e no exterior. Assim, verificase que não havia como o Contribuinte apresentar a informação acerca da cotitularidade durante o processo de fiscalização, pois não fora instado pela autoridade competente para tal, juntado a documentação em sede de defesa. Conforme determinação expressa do § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, combinado com seu próprio caput, todos os titulares da conta devem ser regularmente intimados: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tratase de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Logo, é dever da fiscalização apurar a existência de co titularidade e intimar o outro titular da conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto não foi feito no caso concreto. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Destacase, ainda, que a Sra. Cristiane Fumie Michalski Onoyama de Almeida apresentou declarações de Imposto de Renda em separado do marido conforme cópias da DIRPF de 2007, 2008 e 2009, de fls. 64, 76 e 99, respectivamente. Destacase que a presente Corte Administrativa já pacificou o referido posicionamento pela Súmula do CARF nº 29: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento referente à Omissão de Rendimento Caracterizado por Depósito Bancário de Origem não Comprovada, com base nos depósitos apurados na conta corrente nº 136875 da agência 1526 do Banco Bradesco, por desrespeito ao comando cogente contido no §6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. II.2. Omissão de Rendimentos Depósito Bancário O Contribuinte destaca que lhe foi atribuída suposta omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, porém alega que a fiscalização não considerou como origem os rendimentos auferidos, em especial os rendimentos tributados pelo carnêleão e os lucros recebidos, constantes das declarações do imposto de renda e comprovados durante o procedimento fiscal. Há inexistência de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, uma vez que o Contribuinte jamais se furtou de esclarecer que os depósitos bancários foram efetivados com recursos originados de rendimentos regularmente declarados, sendo que parte desses recursos se referem aos rendimentos tributados pelo carnêleão e parte se referem aos lucros recebidos de pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê que cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos bancários. A referida prova deve apresentar coincidência ou semelhança de data e valor de cada depósito, sob pena dos referidos depósitos não terem sua origem comprovada. No Recurso Voluntário, o Contribuinte alega que a origem dos depósitos restou comprovada por meio de documentação hábil e idônea, porém ao se compulsar a peça recursal não se verifica a apresentação da correlação individualizada de datas e valores dos depósitos bancários. Desta feita, não há como se validar a origem dos depósitos. Ademais, a argumentação do Contribuinte no sentido de que houve dupla tributação da renda também não deve prevalecer. O Contribuinte pondera que ao passo que a fiscalização efetua lançamento com base em omissão de rendimentos em face de depósito bancário de origem não identificada e omissão de rendimento de pessoa jurídica, acaba por tributar duas vezes o mesmo rendimento, pois, entende o Contribuinte, que a omissão de rendimento da pessoa jurídica tributada deve servir para justificar a origem de depósitos bancários, não gerando a tributação nesse aspecto. Como já adiantado, esse não me parece ser o melhor entendimento, pois para se elidir o lançamento com base em depósito bancário de origem não identificada, é necessário haver a comprovação individualizada de datas e valores e isso não ocorre na argumentação do Contribuinte. A argumentação do Contribuinte poderia ser válida em sede de acréscimo Fl. 938DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 10 17 patrimonial a descoberto, mas não se coaduna com a sistemática de lançamento de omissão de rendimento de depósito bancário de origem não identificada. II.3. Omissão de Rendimentos Pessoa Jurídica O Contribuinte alega que a referida autuação é infundada uma vez que apresentou todos os informes de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com quem mantém vínculo empregatício. Todos os valores recebidos foram declarados, bem como as devidas retenções pelas fontes pagadoras, acompanhados dos respectivos informes de rendimentos. Também foram apresentados os comprovantes de recolhimentos de impostos devidos quando do ajuste final de cada ano calendário. Desta feita, ao contrário do alegado pela fiscalização, o Contribuinte comprovou a totalidade dos rendimentos declarados através das DIRPF prestadas à Receita Federal. De fato o Contribuinte apresentou a referida documentação, mas o lançamento não diz respeito às informações prestadas nas DIRPFs do Contribuinte, mas relacionase com os valores recebidos pelo Contribuinte a título de remuneração variável a título de comissão de vendas, conforme declaração do próprio Contribuinte efetuada em reunião realizada com a fiscalização para instruir o processo administrativo fiscal em face do Grupo Via. Com vistas a combater a utilização da prova produzida em outro processo de fiscalização, do qual o Contribuinte não faz parte, esse argumenta a impossibilidade de se utilizar prova emprestada, bem como a impossibilidade de tal declaração ser utilizada pela fiscalização para autuar o Contribuinte face entendimento de que ninguém pode produzir prova contra si mesmo. Pois bem. Em relação à questão da prova emprestada, já restou consignado meu entendimento no item I.2 do presente voto. No tocante à produção de prova contra si mesmo, entendo que esse entendimento se aplica no âmbito do Direito Penal não encontrando guarida em sede de processo administrativo tributário, pois, se assim fosse, o fiscalizado poderia se quedar silente durante qualquer fiscalização tributário, podendo se aproveitar da sua própria torpeza. O Contribuinte também se insurge pelo fato de o lançamento ter sido efetuado com base em planilhas apresentadas pelas empresas do Grupo Via. Alega que o lançamento não pode ser válido tendo como base planilhas elaboradas unilateralmente pela fiscalização. As planilhas apresentadas pela fiscalização tomaram como base as informações fornecidas pelo Grupo Via (empregadora do Contribuinte) em sede de processo de fiscalização. As planilhas encontramse acostadas nos autos, bem como fazem parte do termo de verificação fiscal elaborado pela fiscalização. Desta feita, considerando que (i) há declaração do Contribuinte, na qualidade de Gerente de Venda do Grupo Via, afirmando que há um recebimento de remuneração variável em razão de comissão de venda, (ii) há planilha apresentada pelo Grupo Via com listagem dos imóveis vendidos, bem como valores, datas e responsáveis e (iii) há informação prestada pelo Grupo Via (empregadora do Contribuinte) de que a comissão de vendas não consta do contra cheque, entendo que resta comprovado que o Contribuinte fez jus à remuneração variável que não fora sujeita à tributação. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 18 O Contribuinte alega, por fim, que comprovou pelos extratos bancários que não recebeu os supostos valores de comissão de vendas. Ou seja, busca demonstrar que não há nos extratos bancários apresentados qualquer valor de depósito com relação aos valores apresentados na planilha elaborada pela fiscalização. A apresentação de extratos bancários não me parece ser prova bastante para afastar o recebimento pelo Contribuinte da remuneração variável, a um porque tais valores poderiam ter sido depositados em outras contas de titularidade (ou não) do Contribuinte que não aquela apresentada em sede de fiscalização e a dois porque o Contribuinte pode ter recebidos os mesmos valores em espécie. II.4. Da Qualificação da Multa de Ofício No que concerne à qualificação da multa de ofício, conforme já exposto, não declarar rendimentos recebidos de forma reiterada não evidencia, por si só, a conduta de sonegação descrita no art. 71 da lei nº 4.502/64, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Isto posto acolhese o pleito do Contribuinte quanto à desqualificação da multa de ofício. II.5. Da Violação da Verdade Material em Relação aos Documentos do Caso O Contribuinte em sua Impugnação no item 3 “Dos Pedidos Finais” protesta pela juntada de documentos, perícias e/ou quaisquer outros elementos e/ou providencias que se fizerem necessárias ao deslinde da questão. O acórdão aquo com base nos art. 56 e 57 do Decreto nº 7.574/11 destaca que o momento de apresentação de provas por parte do Contribuinte em processo administrativo se dá na Impugnação, não lhe sendo garantida posterior juntada de documentação. Diante do referido pronunciamento, o Contribuinte alega violação à verdade material em relação aos documentos do caso, diante da recusa do acórdão recorrido pela juntada de documentos e perícias que se fizerem necessárias. A referida discussão aborda matéria em tese uma vez que o Contribuinte não aponta qual documento foi recusado pela fiscalização ou pela 3ª Turma da DRJ/BSB e que deseja ver apreciado. O documento de fls. 914 (Declaração do Banco Bradesco) juntado ao tempo do Recurso Voluntário foi recepcionado pela presente Corta Administrativa. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 11 19 Desta feita, uma vez que ponto levantado pelo Contribuinte visa discutir possível interpretação do princípio da verdade material em tese, sem aplicação concreta ao caso em tela, compreende se tratar de pedido impossível, razão pela qual indefere. II.6. Da Taxa Selic O Contribuinte levanta o descabimento da Taxa Selic haja vista que a mesma foi criada para remunerar o investidor, de uma forma competitiva, e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação tributária. Assim, a Taxa Selic possui natureza diversa. Observa também que a mesma não foi criada e definida por Lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e Banco Central, contrariando o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, §1ºdo CTN. A previsão legal da Taxa SELIC está expressa no art. 13 da Lei nº 9.064/95: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. O fato do método de apuração não estar previsto em Lei, ou o fato de que tal apuração é feita por órgão não legiferante, não retira a previsão legal Taxa Selic. Quanto à legitimidade da opção legislativa pelo referido parâmetro, não compete a presente Corte Administrativa ingressar no mérito dos atos, típicos, do poder legislativo Lei. A presente Corte Administrativa já possui posicionamento consolidado com base na Súmula do CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. II.7. Dos Juros de Mora Sobre a Multa de Ofício O Contribuinte alega ser ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal. O art. 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na Taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Assim como tributo e multa são distintos, não se poderia fazer incidir a Taxa Selic sobre a multa de ofício. Crédito tributário não se confunde com elemento quantitativo da obrigação tributária, embora no surgimento do crédito tributário tais valores possam ser coincidentes. Tal assertiva decorre do fato da expressão “crédito tributário" ser mais ampla do que o conceito de tributo, uma vez que abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias (art. 139 c/c 113, §1º do CTN). Fl. 941DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 20 Contudo, conforme disposto no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, a Taxa Selic incide sobre tributos e multa de ofício, apesar de ser parte integrante do crédito tributário não se confunde com tributo. Desta feita, entendo que a incidência de juros de mora com base na Taxa Selic ocorre apenas sobre o valor do tributo, não se aplicando sobre a multa de ofício. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de acolher a preliminar de decadência para o ano calendário de 2006 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, dar provimento parcial para excluir das bases de cálculo do item 02 Auto de Infração os depósitos relativos à contaconjunta nº 13.6875, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% e afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator Designado Em que pese o respeito e admiração que tenho pela ilustre Relatora, vou me permitir divergir de seu posicionamento, apenas em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em verdade, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, já que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Esse entendimento está pacificado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante a ementa destacada: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência relativamente ao anocalendário de 2006 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, dou provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo do item 2 do Auto de Infração Fl. 942DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.722390/201285 Acórdão n.º 2201002.645 S2C2T1 Fl. 12 21 os depósitos relativos à contaconjunta nº 13.6875 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 943DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727038/2011-55
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.
MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA.
Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO.
Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.727038/2011-55
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5428234
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-003.778
nome_arquivo_s : Decisao_10166727038201155.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO MAGALDI MESSETTI
nome_arquivo_pdf_s : 10166727038201155_5428234.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5822006
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704850923520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 657 1 656 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727038/201155 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.778 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria Outros Tributos ou Contribuições Recorrente COMERCIAL SAO PATRICIO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Podese aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 38 /2 01 1- 55 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 658DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727038/201155 Acórdão n.º 2803003.778 S2TE03 Fl. 658 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela COMERCIAL SÃO PATRICIO S.A em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que julgou procedente em parte a impugnação, e manteve em parte o crédito tributário exigido. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de Auto de infração referente ao AI DEBCAD nº 37.345.6204, lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, com valor consolidado em 13/10/2011, referente à exigência de contribuições destinadas à outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações de empregados. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “Pela análise da documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que não houve declaração em GFIP e que não foram considerados como fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias e para outras entidades e fundos os valores pagos a empregados com as seguintes rubricas: Auxílio alimentação, valores incluídos nas folhas de pagamento não declarados em GFIP, Premiação, Dissídio retroativo, Outros adicionais de férias e valetransporte pago em pecúnia”. Após devidamente intimado do lançamento em 27/04/2011 o contribuinte, apresentou impugnação tempestiva às fls. 697/717.No entanto a Delegacia manteve o lançamento em parte, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições, a seu cargo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos lançamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre despesas com alimentação in natura fornecida aos segurados empregados aplicase o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Intimado da decisão da instância a quo, em 12/11/2013, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 810, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls. 813/822, alegando em síntese: a) Preliminarmente alega que os lançamentos se revestem de ilegalidades que acarretam sua nulidade diz que no auto de infração foram tecidas Fl. 659DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 maiores considerações acerca do “grupo econômico”, relatandose genericamente os fatos que impuseram a aplicação das penalidades, sem diferenciar as situações de cada caso; b) aduz que a fiscalização fez pequena síntese do que considera irregularidade e, em seguida fez o seu relatório de lançamento colocando todas as situações na mesma situação lega que o relatório dos fatos foi genérico, tendo sido os fatos geradores discriminados na planilha de lançamento comum, sem distinção, o que impossibilita destacar o que realmente foi considerado pelo auditor fiscal. Aduz que não consta nos autos, a documentação que ele apresentou à fiscalização e os documentos que deram origem ao débito; c) Que não foram atendidos os requisitos legais para elaboração do auto de infração pela ausência de apresentação de provas dos fatos constitutivos do direito da Fazenda Pública. diz que falta à autuação impugnada requisito essencial que enseja sua nulidade em decorrência de vício formal, qual seja, a “fiel descrição do fato infringente”; d) Afirma que cumpre rigorosamente com seus compromissos e não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus trabalhadores, sendo que, em determinados casos, e excepcionalmente por algum lapso, pode ter deixado de declarar tais importâncias em GFIP. Diz que a não declaração ocorreu por falha e não por dolo e que o valor devido foi pago. diz que nesses casos como não haveria que se falar em débito principal, a multa, que é acessória, deveria deixar de existir. Cita jurisprudência; e) Assevera que, na remota hipótese de não serem acatadas as teses alinhavadas, devese levar em consideração o disposto na Lei nº 11.941/2009 quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser revisto os autos de infração. Ao final, Requer a declaração de nulidade dos autos de infração e das multas a elas aplicadas reformando o acórdão impugnando. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727038/201155 Acórdão n.º 2803003.778 S2TE03 Fl. 659 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidade Aduz a recorrente que os autos de infração não foram confeccionados e atendimento aos requisitos mínimos exigidos, por não se observar a fiel descrição do fato infringente. Contudo, diferentemente do que entende a recorrente, não há nulidade no presente processo. Devo concordar com a decisão a quo, visto ser totalmente improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Da análise dos autos depreendese que a autoridade fiscal descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal. Ademais, os dados baseiamse em arquivos e dados prestados pela própria autuada, constantes de sua escrita fiscal, não pode a recorrente alegar que desconhece os valores constantes das informações inconsistentes. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Do Vale Transporte No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte em pecúnia, ainda que as razões apresentadas pela recorrente sejam frívolas e genéricas, não posso deixar de dar provimento neste ponto nos termos da Súmula 89 deste Conselho. Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Fl. 661DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO Fl. 662DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727038/201155 Acórdão n.º 2803003.778 S2TE03 Fl. 660 7 BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: Fl. 663DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnica” Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste tópico. Valores pagos de acordo com a Convenção Coletiva Aduz a recorrente que no tocante ao dissídio e férias retroativas, houve engano do auditor fiscal, visto que a previsão de aumento deuse somente em 01.11.2008, não havendo o que falar em retroatividade. Analisando os autos, observase que equívoco há nas alegações lançacadas pela recorrente, visto que os pagamentos realizados na competência 12/2008 com a rubrica Dissidio retroativoela análise na CCT(679/691), que foi assinada somente em dezembro de 2008, os efeitos do aumento alcançariam o dia 1/11/2008 e as diferenças seriam pagas em 12/2008. Observase, com baseno DD de fls. 46/56 e no demonstrativo Anexo XII (fls. 401/450) que, corretamente, essa foi aúnica competência em relaçaõ a qual, a fiscalizacã̧o apurou contribuições relativas à retroaçaõdos efeitos do dissídio, utilizandose para tanto do código de levantamento DI nos autos. Assim, não há o que prover no presente tópico. Da Multa Aplicada No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva Fl. 664DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727038/201155 Acórdão n.º 2803003.778 S2TE03 Fl. 661 9 entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: Fl. 666DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727038/201155 Acórdão n.º 2803003.778 S2TE03 Fl. 662 11 “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores Fl. 667DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 668DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727038/201155 Acórdão n.º 2803003.778 S2TE03 Fl. 663 13 E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Das demais alegações As demais alegações lançadas pela recorrente são extremamente genéricas, não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, razão pela qual não pode este conselheiro acolhelas, mormente porque a recorrente limitase a informar que se não há o principal, não há que se falar em obrigação acessoria, “uma vez que o acessório segue o principal”. Ora, a extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão do recurso voluntário apresentado pela recorrente, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. A exata configuração do efeito devolutivo resulta na análise de dois aspectos: o primeiro concerne à extensão do efeito; o segundo, à sua profundidade. Delimitar a extensão do efeito devolutivo é precisar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem; medirlhe a profundidade é determinar com que matéria há de trabalhar o órgão ad quem para julgar. Ademais, a decisão recorrida tem o seu objeto: pode haver julgado o mérito da causa (sentença definitiva), ou matéria preliminar ao exame do mérito (sentença terminativa). Devese analisar se a decisão do tribunal cobrirá ou não área igual á coberta pela do juiz a quo. A questão é analisada aqui do ponto de vista horizontal. Por outro lado, a decisão recorrida tem os seus fundamentos: o órgão de primeiro grau, para decidir, precisou enfrentar e resolver questões, isto é, pontos duvidosos de fato e de direito suscitados pelas partes ou apreciados de ofício. Cumpre averiguar se todas essas questões, ou nem todas, devem ser reexaminadas pelo Conselho, para proceder, por sua vez, ao julgamento; ou ainda se, porventura, hão de ser examinadas questões que o órgão a quo, embora pudesse ou devesse apreciar, de fato não apreciou. Aqui o problema é tratado em perspectiva vertical. Assim, não recorredo a contribuinte especificamente dos termos decididos pela DRJ, não pode este Conselho fazer as vezes de advogado e tratar temas inexistentes no recurso. Razão pela qual não enfrento os demais lançamentos efetuados pela fiscalização e mantidos no acórdão a quo. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, afastando a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílio transporte e para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 670DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911714/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003 NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.911714/2009-61
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436381
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.211
nome_arquivo_s : Decisao_10580911714200961.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580911714200961_5436381.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5842240
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704857214976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.911714/200961 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3802004.211 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente SOCIEDADE ANONIMA HOSPITAL ALIANÇA Recorrida SOCIEDADE ANONIMA HOSPITAL ALIANÇA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2003 NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 14 /2 00 9- 61 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911714/200961 Acórdão n.º 3802004.211 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001006/00-13
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/04/1996
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Recurso Extraordinário Provido em Parte
Numero da decisão: 9900-000.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 30/04/1996 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Extraordinário Provido em Parte
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13855.001006/00-13
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437735
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9900-000.954
nome_arquivo_s : Decisao_138550010060013.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RODRIGO CARDOZO MIRANDA
nome_arquivo_pdf_s : 138550010060013_5437735.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5844968
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704858263552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 135 1 134 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13855.001006/0013 Recurso nº 131.391 Extraordinário Acórdão nº 9900000.954 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2014 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida COFRANA VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 30/04/1996 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Extraordinário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 10 06 /0 0- 13 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 418 a 429) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 407 a 414) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 09/10/2000, de parcelas referentes a contribuição para o PIS de janeiro de 1989 a abril de 1996 (fls. 02 a 165). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 276 a 286, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, e no mérito, quanto à parcela não prescrita, a inexistência do direito creditório. De se destacar, a propósito, que a Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para reconhecer a prescrição parcial e, quanto à parte não prescrita, reconhecer a semestralidade e garantir o direito da empresa de utilizar os créditos oriundos da referida semestralidade para compensação (fls. 381 a 385). A ementa do v. acórdão recorrido, impugnado através do presente recurso extraordinário, é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 10/04/1989 a 15/05/1996 PIS. PEDIDO . DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratandose de pedido de restituição/compensação da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS exigido com base nos Decretos n°s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13855.001006/0013 Acórdão n.º 9900000.954 CSRFPL Fl. 136 3 Tribunal Federal nos autos do RE n° 148.754/RJ, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, 10/10/1995, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, suspendendo a execução daqueles diplomas legais. Recurso especial negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Para tanto, apresentou como paradigma v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da relatoria da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 432 a 434. Contrarrazões às fls. 439 a 450. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 4 CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13855.001006/0013 Acórdão n.º 9900000.954 CSRFPL Fl. 137 5 caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 6 vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13855.001006/0013 Acórdão n.º 9900000.954 CSRFPL Fl. 138 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 09/10/2000, de parcelas pagas referentes a contribuição para o PIS de janeiro de 1989 a abril de 1996 (fls. 02 a 165). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em janeiro de 1999 e abril de 2006, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 09/10/2000, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a janeiro de 1989 a abril de 1996, ele afigurase parcialmente tempestivo, encontrandose prescritas as parcelas cujos fatos geradores são anteriores a outubro de 1990. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do pedido de restituição das parcelas cujos fatos geradores são anteriores a outubro de 1990, sem retorno dos autos para os órgãos a quo de julgamento porquanto já foi proferida decisão quanto ao mérito do pedido de restituição. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 8 Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 461DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000318/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. SUBESTIMAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO.
Incumbe à autoridade fiscal lançadora analisar os fatos e documentos apresentados no curso da ação fiscal e verificar a sua subsunção à norma. Eventual equivoco da autoridade fiscal, que venha a ser reconhecido pelos órgãos julgadores, quanto aos fatos e provas apurados e aplicação da norma não enseja a nulidade do lançamento, mas sim, pode vir a configurar sua insubsistência, parcial ou total.
GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO.
Restando comprovada a utilização de documentos fiscais inidôneos, emitidas por empresas declaradas inaptas, e inexistindo a comprovação do efetivo pagamento dos bens e serviços, nem sua existência efetiva, correta é a glosa dos custos neles apoiados.
GLOSA DE CUSTOS. EMPRESA INATIVA. PAGAMENTOS COMPROVADOS. INSUBSISTÊNCIA.
Comprovada pela interessada a efetividade do pagamento das operações registradas em notas fiscais emitidas por empresa que se declarou inativa perante o Fisco, mediante documentação hábil e idônea, deve ser declarada insubsistente a glosa efetuada pela fiscalização.
MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. AUSÊNCIA DE BOA-FÉ. CONLUIO. CABIMENTO.
A inidoneidade de documentos fiscais emitidos pelos fornecedores não implica, por si só, em responsabilidade penal da adquirente dos supostos bens e serviços. No entanto, a apresentação de documentos ideologicamente falsos, incluindo dados de sua própria movimentação financeira, como prova do pagamento pelas notas fiscais inidôneas revela o conluio da interessada com a emitente dos documentos inidôneos e, sua utilização para inflar custos e reduzir o montante tributável configura o evidente intuito de fraude, previsto nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, o que justifica a aplicação da multa qualificada.
PRAZO DECADENCIAL.EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO.
Evidenciado o intuito de fraude que justificou a aplicação da multa qualificada de 150%, prazo decadencial a ser observado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
Numero da decisão: 1301-001.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes justificadamente os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. SUBESTIMAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. Incumbe à autoridade fiscal lançadora analisar os fatos e documentos apresentados no curso da ação fiscal e verificar a sua subsunção à norma. Eventual equivoco da autoridade fiscal, que venha a ser reconhecido pelos órgãos julgadores, quanto aos fatos e provas apurados e aplicação da norma não enseja a nulidade do lançamento, mas sim, pode vir a configurar sua insubsistência, parcial ou total. GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO. Restando comprovada a utilização de documentos fiscais inidôneos, emitidas por empresas declaradas inaptas, e inexistindo a comprovação do efetivo pagamento dos bens e serviços, nem sua existência efetiva, correta é a glosa dos custos neles apoiados. GLOSA DE CUSTOS. EMPRESA INATIVA. PAGAMENTOS COMPROVADOS. INSUBSISTÊNCIA. Comprovada pela interessada a efetividade do pagamento das operações registradas em notas fiscais emitidas por empresa que se declarou inativa perante o Fisco, mediante documentação hábil e idônea, deve ser declarada insubsistente a glosa efetuada pela fiscalização. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. AUSÊNCIA DE BOA-FÉ. CONLUIO. CABIMENTO. A inidoneidade de documentos fiscais emitidos pelos fornecedores não implica, por si só, em responsabilidade penal da adquirente dos supostos bens e serviços. No entanto, a apresentação de documentos ideologicamente falsos, incluindo dados de sua própria movimentação financeira, como prova do pagamento pelas notas fiscais inidôneas revela o conluio da interessada com a emitente dos documentos inidôneos e, sua utilização para inflar custos e reduzir o montante tributável configura o evidente intuito de fraude, previsto nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, o que justifica a aplicação da multa qualificada. PRAZO DECADENCIAL.EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. Evidenciado o intuito de fraude que justificou a aplicação da multa qualificada de 150%, prazo decadencial a ser observado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18088.000318/2008-07
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442943
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.736
nome_arquivo_s : Decisao_18088000318200807.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 18088000318200807_5442943.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes justificadamente os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5866050
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704863506432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2393; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.737 1 3.736 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000318/200807 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.736 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria Glosa de Custos e Despesas Recorrente CONSTRUTORA BEMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. SUBESTIMAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. Incumbe à autoridade fiscal lançadora analisar os fatos e documentos apresentados no curso da ação fiscal e verificar a sua subsunção à norma. Eventual equivoco da autoridade fiscal, que venha a ser reconhecido pelos órgãos julgadores, quanto aos fatos e provas apurados e aplicação da norma não enseja a nulidade do lançamento, mas sim, pode vir a configurar sua insubsistência, parcial ou total. GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO. Restando comprovada a utilização de documentos fiscais inidôneos, emitidas por empresas declaradas inaptas, e inexistindo a comprovação do efetivo pagamento dos bens e serviços, nem sua existência efetiva, correta é a glosa dos custos neles apoiados. GLOSA DE CUSTOS. EMPRESA INATIVA. PAGAMENTOS COMPROVADOS. INSUBSISTÊNCIA. Comprovada pela interessada a efetividade do pagamento das operações registradas em notas fiscais emitidas por empresa que se declarou inativa perante o Fisco, mediante documentação hábil e idônea, deve ser declarada insubsistente a glosa efetuada pela fiscalização. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. AUSÊNCIA DE BOAFÉ. CONLUIO. CABIMENTO. A inidoneidade de documentos fiscais emitidos pelos fornecedores não implica, por si só, em responsabilidade penal da adquirente dos supostos bens e serviços. No entanto, a apresentação de documentos ideologicamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 03 18 /2 00 8- 07 Fl. 3737DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.738 2 falsos, incluindo dados de sua própria movimentação financeira, como prova do pagamento pelas notas fiscais inidôneas revela o conluio da interessada com a emitente dos documentos inidôneos e, sua utilização para inflar custos e reduzir o montante tributável configura o evidente intuito de fraude, previsto nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, o que justifica a aplicação da multa qualificada. PRAZO DECADENCIAL.EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SONEGAÇÃO. Evidenciado o intuito de fraude que justificou a aplicação da multa qualificada de 150%, prazo decadencial a ser observado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes justificadamente os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 3738DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.739 3 Relatório CONSTRUTORA BEMA LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1422.194, de 09/02/2009, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo ao IRPJ e CSLL, no valor de R$ 2.084.022,79. O acórdão de primeiro grau apresentou resumidamente o escopo da fiscalização, que transcrevo abaixo, para melhor compreensão dos fundamentos da autuação, especialmente das matérias fática em discussão: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foram apurados, para os anos de 2002 e 2003, custos de comprovação inidônea e custos sem comprovação, procedendo a autoridade à devida glosa. Apurouse, ademais, falta de declaração de débitos em DCTF e falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre base de cálculo estimada. Como conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 0712) e de CSLL (fls. 1620), lançandose, ainda, multa de oficio isolada pelo não recolhimento dos valores devidos a título de estimativa de IRPJ e CSLL. Conforme informa a autoridade autuante no “Relatório de Descrição dos Fatos” de fls. 23100, o contribuinte foi intimado a apresentar as vias originais das notas fiscais de compra de mercadorias e de prestação de serviços dos seguintes fornecedores: João Marcos Cosso ME; Darci Santos Silva; ARD Instalações; Cortez & Filhos Ltda; Grupo A e C Conserv.; Maria José Rodrigues. Exigiuse, ademais, a comprovação do efetivo pagamento das aquisições, inclusive com apresentação dos cheques microfilmados que serviram de pagamento das notas fiscais apresentadas. Solicitouse, ainda, a via original de diversas notas fiscais emitidas pelos fornecedores Thayte Express Ltda e Dario da Costa Moraes. Quanto às notas fiscais de emissão de Darci Santos da Silva, apenas parte daquelas que foram contabilizadas no Livro Razão Receitas e Despesas do ano calendário 2002 foram apresentadas. Como prova dos pagamentos destas notas, foram apresentados apenas cópias de cheques nominais ao próprio emitente, documentos estes que não comprovam o efetivo pagamento. As notas fiscais de emissão de Darci Santos da Silva contabilizadas pelo autuado totalizam R$ 406.867,15. Estes custos foram glosados, por serem de comprovação inidônea, dado que a empresa Darci Santos da Silva foi declarada inapta, com data de efeito da inaptidão a partir de 28/11/2002. As notas fiscais solicitadas de emissão de Thayte Express Ltda foram apresentadas, mas não foi comprovado o respectivo pagamento, já que foram apresentados somente recibos e cópias de cheques nominais ao próprio emitente. Os lançamentos contábeis de custos fundados nas notas fiscais emitidas pela Thayte Express Ltda foram glosados, pois esta empresa foi declarada inapta, com efeitos a partir de 16/07/2002. As notas fiscais emitidas por Dario da Costa Moraes escrituradas como custos pelo contribuinte autuado foram apresentadas, mas houve glosa dos custos, dado que o emitente das notas possui situação cadastral nula desde 27/02/2002 Também os Fl. 3739DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.740 4 custos contabilizados para este fornecedor no ano de 2003 foram glosados, por possuir situação cadastral CNPJ inapta com data de efeito de inaptidão a partir de 28/11/2000. As notas fiscais de emissão de João Marcos Cosso, contabilizadas como custos pelo contribuinte autuado, foram apresentadas, mas os custos foram glosados por ter o contribuinte deixado de apresentar a comprovação do efetivo pagamento, limitandose a apresentar cópias de cheques nominais ao próprio emitente. Além disso, constatou a autoridade autuante que a empresa João Marcos Cosso esteve inativa durante os anoscalendário de 2001 e 2002. As notas fiscais de emissão de Maria José Rodrigues, contabilizadas como custos pelo contribuinte autuado, não foram apresentadas e tampouco foi comprovado o efetivo pagamento, limitandose o contribuinte a apresentar cópias de cheques nominais ao próprio emitente. Ressaltou a autoridade autuante, ademais, que a empresa Maria José Rodrigues mantevese inativa durante todo o ano calendário 2003. Em razão desses fatos, os custos foram glosados. Apurou a autoridade autuante, em exame da DCTF relativa ao 4° trimestre do ano de 2003, que o contribuinte não declarou débitos de IRPJ no valor de R$ 12.978,75 e de CSLL no valor de R$ 7.787,25, débitos estes que foram informados na DIPJ. Assim, tais débitos foram lançados de ofício, com aplicação de multa de ofício de 75%. Em virtude das glosas de custos efetuadas, foram lançados as diferenças apuradas a título de IRPJ e de CSLL, lançandose, ademais, multa de oficio isolada (50%) pela falta de recolhimento dos valores devidos a título de estimativa para estes tributos, débitos estes apurados em razão da recomposição da base de cálculo decorrente das glosas de custos efetuadas. Sobre os créditos tributários de IRPJ e de CSLL apurados em razão da glosa de custos efetuadas foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em visto que foi caracterizado evidente intuito de fraude. Também em razão deste fato foi aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN. Inconformada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Tendo em vista que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos a lançamento por homologação, razão pela qual a contagem do prazo decadencial é regulada pelo art. 150, § 4°, do CTN, vale dizer, o prazo é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Assim, à data da ciência dos autos de infração (29/08/2008), já havia transcorrido o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ e da CSLL decorrente da glosa de custos registrados até 31/12/2002. Também para o período de janeiro a julho de 2003 houve o transcurso do prazo decadencial, pois houve a opção por apurar as bases de cálculo mensais do IRPJ e da CSLL. Este entendimento é acolhido pela doutrina e pela jurisprudência. As glosas de custos provenientes dos fornecedores João Marcos Cosso e Maria José Rodrigues foram efetuadas, segundo a autoridade autuante, pelo fato de estes constarem como inativos nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Ocorre que o art. 16 da IN SRF n° 2/2001 não contempla a situação cadastral “inativa” como uma das possibilidades. O art. 30 desta mesma IN prevê que somente é considerado inidôneo o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta, devendo a inaptidão ser declarada por meio do procedimento Fl. 3740DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.741 5 previsto no art. 25. Portanto, um contribuinte inativo não pode ser reputado inapto, de modo que o art. 217 do RIR/99 e a IN SRF 02/2001, invocados pela autoridade autuante para fundamentar o lançamento, não se aplicam às notas fiscais emitidas por João Marcos Cosso e por Maria José Rodrigues. A autoridade autuante deixou de fazer verificações “in loco” para constatar que as mercadorias adquiridas foram efetivamente utilizadas nas obras e serviços de manutenção prestados a diversos clientes. Os recibos apresentados são provas usualmente adotadas para comprovar pagamentos, de modo que não podem ser rejeitados. Também não se pode simplesmente ignorar o fato de que várias notas fiscais contém a quitação dos fornecedores em suas próprias vias. Nem todos os cheques utilizados para o pagamento de fornecedores foram emitidos nominais ao próprio impugnante. Os cheques n° 022367, 029023, 029024, 029025, 029026, 029028, 029029 e 0290030 foram emitidos nominais, entre outros, ao credor Thayte Express Ltda. As referências e a jurisprudência citada pela autoridade autuante, relacionadas à hipótese de subavaliação do estoque final, com efeito de postergação no pagamento do IRPJ, não têm aplicação ao presente processo administrativo, já que ela mesma concluiu que tal postergação não ocorreu. A autoridade autuante não teve o cuidado de verificar que os lançamentos contábeis relativos às notas fiscais n° 184, 195 e 166, emitidas por Dário da Costa Moraes, foram estornados, conforme cópias do Livro Razão anexadas aos autos. A despeito dos estornos, os valores destas notas fiscais constam indevidamente da Planilha de Relação das Glosas e foram considerados nos cálculos dos tributos e multas lançados. Os erros materiais e formais maculam o procedimento fiscal, ensejando a iliquidez e incerteza do “quantum” do valor do crédito tributário exigido, o que o toma nulo. Nos termos do parágrafo único do art. 217 do RIR/99, não há que se falar em inidoneidade de documentos quando o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços. O adquirente não tem poder de policia para fiscalizar a escrituração do vendedor ou prestador de serviços, a fim de, apenas quando constatada a irregularidade, considerar dedutível a despesa. As empresas emitentes das notas fiscais glosadas foram inscritas em todos os órgãos instituídos pela legislação vigente, tal como a JUCESP, a SEFAZ e a SRF. Todos estes órgãos têm o dever de verificar a regularidade do ente que requer o registro, de modo que o impugnante agiu de boa fé ao recepcionar como idôneas as notas fiscais, que foram emitidas preenchendo todos os requisitos para impressão e emissão. Ademais, as mercadorias foram adquiridas sempre dentro de condições normais de mercado e foram utilizadas na consecução dos objetivos sociais e para a geração de receitas. Todos os valores referentes às notas fiscais foram regularmente registrados na contabilidade e comprovadamente pagos aos seus emitentes. As notas fiscais de emissão de Darci Santos da Silva foram pagas por meio de cheques nominativos à própria empresa, mas as quitações respectivas estão formalizadas mediante carimbo e assinatura do beneficiário no corpo das próprias notas fiscais. Os pagamentos efetuados ao fornecedor Thayte Express Ltda podem ser constatados pelos recibos por este firmados, além das cópias de cheques e cópias dos extratos bancários onde constam as compensações respectivas. Quanto a este fornecedor, os cheques n° 029024, 029025, 029026, 029029, 029030 e 029028 foram emitidos nominais a ele. A autoridade autuante nada mencionou em relação à Fl. 3741DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.742 6 falta de comprovação dos pagamentos efetuados ao fornecedor Dário Costa Moraes, havendo cópias dos recibos emitidos. Os lançamentos contábeis relativos às notas fiscais n° 184, 195 e 166, de emissão desse fornecedor, foram estornados, razão pela qual devem ser desconsiderados no cálculo dos tributos devidos. Os pagamentos ao fornecedor João Marcos Cosso são provados por meio de quitações das notas fiscais formalizadas mediante carimbo e assinatura do beneficiário no corpo das próprias notas fiscais. Conforme consulta a página da RFB, o fornecedor João Marcos Cosso tinha sua inscrição no CNPJ cancelada em 2001 e foi liberada e considerada normal pela própria RFB, situação esta que perdura pelo menos até 13/08/2008, de modo que podese presumir que os servidores agiram dolosamente, em conluio ou fraude, pois liberaram o cancelamento do CNPJ, a despeito das inúmeras irregularidades apuradas pela fiscalização. As notas fiscais emitidas por Maria José Rodrigues, ao contrário do que afirmou a autoridade autuante, foram quitadas por meio de depósitos bancários efetuados em sua contacorrente. Este fornecedor regularizou sua situação em 24/05/2004, com efeitos retroativos a 31/12/2000, constando em seu cadastro atual a “SIT ESP = Normal”. Para este fornecedor, a autorização para impressão das notas fiscais emitidas a partir de abril de 2003 foi concedida pela SEFAZSP em março de 2003, de modo que não tem sentido falarse em inatividade. A quitação na própria nota fiscal é comumente utilizada pelas empresas em geral e é meio legal de prova de pagamento. Também o recibo é documento hábil para comprovar em juízo ou fora dele a efetividade do pagamento. Tais documentos foram injustificadamente desconsiderados pela autoridade autuante. Os cheques nominais ao próprio impugnante, também desconsiderados pela autoridade autuante, foram utilizados para pagamento em espécie, por meio de saques. Na vigência da CPMF era prática comum para elidir a contribuição evitar a prática de transações bancárias, com preferência aos pagamentos e recebimentos em espécie ou mediante um ímico endosso nos cheques. Há também aqueles que preferem pagamentos em espécie por outras razões, como restrição de movimentação de conta bancária etc. Diante destas circunstâncias, o impugnante houve por bem emitir cheques em seu próprio nome, sacar o dinheiro na bocadocaixa e promover o pagamento em espécie de alguns de seus fornecedores. A Receita Federal do Brasil não tem competência legal que lhe permita determinar aos contribuintes o modo pelo qual devem efetuar suas transações financeiras. Desde que comprovada a origem dos recursos, podese pagar fornecedor ou qualquer tipo de credor ou transação em espécie, mediante simples recibo ou quitação na própria via da nota fiscal. O art. 320 do Código Civil não prescreve uma forma especial para a comprovação do pagamento a fornecedores, de modo que está cabalmente comprovado nos autos a efetividade das operações de compra de mercadorias, o emprego destas nas obras e serviços executados e os pagamentos aos fornecedores. É descabida, portanto, a glosa dos custos relativos a estas mercadorias. A autoridade autuante não se deu ao trabalho de demonstrar a inexistência dos dispêndios com as aquisições das mercadorias e a desnecessidade delas na consecução das atividades do impugnante. Diante disso, concluise que as glosas efetuadas não podem subsistir apenas sob o fundamento de que os fornecedores se encontravam em situação irregular perante a Receita Federal do Brasil. Ademais, todas as transações de recebimentos e pagamentos foram realizadas mediante movimentações bancárias regularmente registradas na contabilidade da empresa, que preenche todas as formalidades exigidas pela legislação contábil, razão pela qual tais lançamentos contábeis fazem prova a favor do contribuinte, nos termos do art. 923 do RIR/99. A simples identificação de compras de mercadorias de contribuintes com inscrição no CNPJ inapta ou inativa não é razão bastante para a imputação de multa qualificada (150%), presumindose a ocorrência de evidente intuito de fraude. Não Fl. 3742DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.743 7 houve prova de que as mercadorias adquiridas não foram utilizadas pelo impugnante e tampouco demonstrouse que foram adquiridas com preços majorados ou em condições anormais de mercado. Não houve prova de que o impugnante tenha concorrido com eventual conduta dolosa ou fraudulenta de seus fornecedores. Ficou comprovada a boafé da impugnante, já que foi demonstrada a efetividade das operações. Além disso, as notas fiscais apresentadas pelos fornecedores continham todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Assim, é descabida a aplicação de multa qualificada, sobretudo tendo em conta que a autoridade autuante limitouse a transcrever a legislação que entende aplicável à hipótese, sem tecer quaisquer considerações sobre os fatos apurados. O impugnante somente tomou conhecimento das irregularidades cometidas pelos fornecedores em decorrência da fiscalização, revelando que sempre agiu de boafé. Não é aplicável a multa de oficio em concomitância com a multa isolada por suposta falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre bases mensais estimadas, por ficar caracterizado o confisco. A aplicação da multa de oficio dispensa a aplicação da multa isolada, conforme reconhece a jurisprudência do Conselho de Contribuintes. A utilização da taxa Selic para fins de cálculo de juros moratórios em matéria tributária viola as limitações constitucionais ao poder de tributar, notadamente o princípio da legalidade, por caracterizar aumento de tributo sem lei específica, além de contrariar os princípios da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica, conforme reconhece a doutrina e a jurisprudência. Assim, caso as exigências sejam mantidas, os juros exigidos nos autos de infração devem ser recalculados, mediante aplicação da taxa de 1% ao mês, conforme previsto no art. 161, parágrafo primeiro, do CTN. Por fim, pede o impugnante que sejam declarados nulos os autos de infração lavrados, ou, caso assim não se entenda, requer que o lançamento seja recalculado, excluindose os valores dos custos que foram estornados. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1422.194, de 09/02/2009 (fls. 3467/3485), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: DECADÊNCIA GLOSA DE CUSTOS PROVA – MULTA QUALIFICADA MULTA ISOLADA ESTIMATIVA SELIC. Havendo dolo, a contagem do prazo decadencial do IRPJ é regulada pelo art. 173, I, do CTN. A contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa regese pelo art. 173, I, do CTN. É cabível a glosa de custos quando o contribuinte não comprova o efetivo pagamento das aquisições, limitandose a apresentar notas fiscais, recibos e cópias de cheques nominativos a ele mesmo, sobretudo quando os fornecedores encontramse em situação de inativo ou inaptos. A reiteração da mesma infração diversas vezes durante dois anos seguidos caracteriza o evidente intuito de fraude, hábil a autorizar a aplicação de multa qualificada. É cabível a aplicação simultânea de multa vinculada ao crédito tributário apurado e de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa, tendo em vista a nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430/96 pela Lei n° 11.488/2007. Selic aplicada nos termos da lei. Falece competência á autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Fl. 3743DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.744 8 DECADÊNCIA GLOSA DE CUSTOS PROVA – MULTA QUALIFICADA MULTA ISOLADA ESTIMATIVA SELIC. Havendo dolo, a contagem do prazo decadencial da CSLL é regulada pelo art. 173, I, do CTN. A contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa regese pelo art. 173, I, do CTN. É cabível a glosa de custos quando o contribuinte não comprova o efetivo pagamento das aquisições, limitandose a apresentar notas fiscais, recibos e cópias de cheques nominativos a ele mesmo, sobretudo quando os fornecedores encontramse em situação de inativo ou inaptos. A reiteração da mesma infração diversas vezes durante dois anos seguidos caracteriza o evidente intuito de fraude, hábil a autorizar a aplicação de multa qualificada. É cabível a aplicação simultânea de multa vinculada ao crédito tributário apurado e de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa, tendo em vista a nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430/96 pela Lei n° 11.488/2007. Selic aplicada nos termos da lei. Falece competência á autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Lançamento Procedente em Parte O acórdão de primeiro grau reconheceu a decadência das multas isoladas, por falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e CSLL, para os fatos geradores de 31/01/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 30/06/2002, 31/08/2002, 31/10/2002 e 30/11/2002. Acolheu ainda o pedido de cancelamento parcial das glosas de custos relativas a aquisição do fornecedor Thayte Express Ltda, relativos aos pagamentos que comprovadamente foram feitos com cheques emitidos nominalmente àquele fornecedor relativos à NF. nº 250 (R$ 27.000,00), com base no parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/1996. Também foi excluído do lançamento o valor parcial da glosa de custos relativas à aquisições do fornecedor Dario Costas Moraes, relativo às NF. nº 184, 195 e 166, cujos valores (R$ 195.047,00) foram comprovadamente estornados na contabilidade pela recorrente. Ciente da decisão de primeira instância em 13/03/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 3491, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/04/2009 conforme carimbo de recepção à folha 3500. No recurso interposto (fls. 3500//3594), alega preliminarmente: a) Decadência do lançamento nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que o IRPJ e a CSLL estão sujeitos ao lançamento por homologação e tendo em vista que não restou comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, imputada pela autoridade fiscal que, em face disso, considerou o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN. b) Que, para tanto, a autoridade fiscal reputou como inidônea, a documentação apresentada para comprovação dos custos dos bens ou serviços vendidos, sem considerar os atos de boafé praticados pela Recorrente, tais como Fl. 3744DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.745 9 os pagamentos efetuados referente ã aquisição e utilização das mercadorias e dos serviços prestados. c) Que, o Fisco não cumpriu seu dever legal de demonstrar e comprovar os fatos imputados como inidôneos, não esgotando os meios disponíveis com vistas a comprovar a efetivação do pagamento e a efetiva prestação dos serviços e utilização dos materiais que lhe deram causa, o que seria possível mediante a realização de diligência nas obras executadas pela Recorrente, onde os materiais adquiridos teriam sido utilizados. d) Requer a exclusão das glosas dos valores relativos as notas fiscais contabilizadas durante o ano de 2002 e nos meses de janeiro a julho de 2003, por estarem atingidas pela decadência. e) Que a autuação seria nula, pois a autoridade fiscal subestimou as provas apresentadas pela recorrente, tais como recibos firmados pelos fornecedores, quitação constante das notas fiscais, cópias de cheque e extratos apresentados que comprovam o efetivo pagamento das aquisições e, ainda, os contratos de prestação de serviço e outros documentos apresentados que corroboram a efetiva utilização dos materiais adquiridos. f) Que a autoridade fiscal preferiu desconhecer as provas apresentadas pela Recorrente, assim como todo o contexto envolvido, limitandose a identificar o indício e presumir a inidoneidade dos documentos sem buscar outros elementos que comprovassem o dolo. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: g) Que independentemente dos fornecedores estarem com a inscrição do CNPJ inaptas ou inativas e estarem sujeitos a tratamentos diferenciados, restou comprovado o pagamento e o recebimento dos bens aplicase o disposto no parágrafo único do art. 217 do Regulamento do Imposto de Renda, o que toma as glosas pretendidas pela fiscalização injustificadas. h) Que a Recorrente não tem o Poder de polícia para fiscalizar os fornecedores, que cabe somente às autoridades tributárias. i) Que as empresas emitentes das notas fiscais glosadas foram inscritas em todos os órgãos instituídos pela legislação vigente (Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP, Secretaria da Fazenda do Estado de Fl. 3745DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.746 10 São Paulo – SEFZ/SP, Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB). j) Que se todos os órgão oficiais tivessem sido diligentes teriam impedido que as empresas sequer obtivesse a inscrição no CNPJ e na SEFAZ/SP. k) Que a recorrente agiu de boa fé ao recepcionar as notas fiscais como idôneas, pois apresentavam todos os requisitos formais, tinham a chancela de todos os órgãos oficias e traziam em si a presunção de regularidade. l) Que a inidoneidade dos documentos pressupõe a inaptidão do CNPJ, que por sua vez impõe a edição do respectivo ato declaratório, que confere publicidade acerca da irregularidade sobre determinadas pessoas jurídicas, produzindo efeitos a partir de sua ediçao. m) Que as operações ocorridas anteriormente à edição do ato declaratório que declarou a inaptidão de determinada pessoa jurídica, não são alcançadas pelo mesmo, para fins de caracterização de dolo, fraude ou simulação. n) Que, se os documentos revestiamse das formalidades extrínsecas e ainda não havia sido conferida a publicidade da condição de inidoneidade, não pode ser imputado a Recorrente a intenção dolosa de fraudar o Fisco, e muito menos aplicar a multa de ofício qualificada, ante o desconhecimento do fato. o) Que, conforme os documentos acostados às fls. 812/813; 1980/ 1983 e 2015, as empresas tidas por inidôneas pelo Fisco foram declaradas inaptas posteriormente às datas das operações ocorridas com a Recorrente, denotando, a absoluta ausência de máfé da Recorrente. p) Que, ainda que se admita que o efeito do Ato Declaratório não é retroativo, mas apenas declara situação preexistente, referida informação é essencial para descaracterizar a ausência de máfé e, sobretudo, a ausência das condutas descritas na Lei no. 4.502/64 fraude, dolo e simulação) pela recorrente, o que implica na exclusão da multa qualificada e, por consequência, o reconhecimento da decadência parcial do lançamento, nos termos do art. 150, § 4ºdo CTN. q) Que as mercadorias foram comercializadas pelos fornecedores mediante emissão regular de notas fiscais pelos respectivos fornecedores e que as notas fiscais preenchem todos os requisitos para sua impressão e emissão. Fl. 3746DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.747 11 r) Que as mercadorias foram adquiridas sempre dentro de condições normais de mercado e foram utilizadas na consecução de seus objetivos sociais e para geração de receitas. s) Que todos os valores referentes às notas fiscais foram regularmente registrados na contabilidade da Recorrente e foram comprovadamente pagos aos seus emitentes. t) Que, com relação as notas fiscais emitidas pelo fornecedor Maria José Rodrigues foram anexadas, quando da apresentação da Impugnação, o Demonstrativo de Notas Fiscais e pagamentos efetuados (fls.2457), as notas fiscais (fls. 2459 a 2512) e os respectivos pagamentos, comprovando que os valores são coincidentes com os depósitos efetuados, sendo que o valor global confere rigorosamente. u) Que acostou, por ocasião da Impugnação, cópias autenticadas das notas fiscais emitidas por Maria José Rodrigues (Anexo I da Impugnação) e que, ao contrário do que préconcebeu o agente fiscal, as notas fiscais foram todas quitadas mediante depósitos bancários efetuados em sua conta corrente, conforme demonstrativo no Anexo I da Impugnação, bastando uma simples conciliação para constatarse que o valor global é exato. Que, no entanto. os julgadores não acolheram as suas razões sob a fundamentação de que, para que os depósitos efetuados na conta corrente do fornecedor fosse admitido como comprovante de pagamento deveriam estar nele mencionados o nome do depositante, demonstrando estarem préconcebidos em suas suposições e o afastamento do seu dever de analisar as provas buscando a verdade dos fatos. Observa, ainda, que conforme a tela de consulta de fls. 2026, a fornecedora regularizou sua situação em 24/05/ 2004, retroativa a 31/12/2000, constando em seu cadastro atual a SIT ESP = Normal e que, sobretudo para demonstrar a boafé da Recorrente, que a autorização para impressão das notas fiscais emitidas a partir de abril de 2003, foi concedida pela SEFAZSP em março de 2003. v) Que, com relação ao fornecedor Darci Santos da Silva a autoridade fiscal enfatizou o fato que os cheques foram emitidos de forma nominal à própria empresa, não se atendo, ou ignorando , o fato de que, as quitações dessas notas fiscais estão formalizadas mediante carimbo e assinatura do beneficiário no corpo das próprias notas fiscais, conforme pode ser verificado nas cópias das notas fiscais anexadas os processo em fls. 1942 a 1950. Fl. 3747DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.748 12 w) Que, com relação ao fornecedor Thayte Express Ltda ME a efetivação do pagamento desse fornecedor pode ser constatada nos recibos firmados pelo mesmo, presentes todos os requisitos formais (fls. 837 a 1080), onde constam, além dos recibos, as cópias cheques e as cópias dos extratos bancários onde constam as compensações dos respectivos cheques. Aduz que, não obstante a posse destes documentos, o agente fiscal desconsiderou integralmente seu conteúdo, analisando de forma aleatória apenas os documentos de fls. 1.415 a 1.770. Ademais, alega que nem todos os cheques foram emitidos nominais a própria Recorrente, e que a referida prática era adotada nos casos em que o pagamento deveria ser realizado em espécie, em razão da mão de obra utilizada. Arrola alguns cheques que foram emitidos nominais a esse fornecedor: Cheques n° 029024 ,029025, 029026, 029029. 029030 e 029028, todos no valor de R$ 3.000,00 cada (fls. 1319/20, 1321/22, 1423/24, 1327/28, 1329/30, 1333/34). x) Que, quanto ao fornecedor Dario Costa Moraes, a autoridade fiscal nada mencionou em relação à falta comprovação de pagamentos desse fornecedor, pelo que se depreende ter considerado como adequados vários comprovantes que lhe foram apresentados durante a fiscalização. Informa que, ainda assim, foram acostadas ã Impugnação diversas cópias autenticadas dos recibos, os quais se encontram cotejados com as respectivas notas fiscais, (Anexo III da Impugnação). y) Que, com relação ao fornecedor João Marco Cosso – ME, o agente fiscal identificou em sua análise por amostragem vários cheques serem nominativos à própria empresa e não se ateve, ou ignorou que, as quitações dessas notas fiscais estão devidamente formalizadas mediante carimbo e assinatura do beneficiário no corpo das próprias notas fiscais. (vide fls. 2016 a 2022). Alega que, embora o fornecedor João Marcos Cosso ME, que tivesse sua inscrição no CNPJ informada como “cancelada”, em 2001, esta foi liberada e considerada normal pela própria RFB, situação que perdura pelo menos até a data de 13/O8/2008, data da última consulta efetuada pelo Auditor Fiscal (conforme consta da página de consulta da RFB, às fls. 2014). Que tal fato ocorrei antes da relação comercial existente entre a recorrente e o fornecedor sob exame, e foi liberado pela RFB, de modo que a recorrente não pode ser penalizada, pois não compete a ela o exame ou a fiscalização dos cadastros dos contribuintes. Fl. 3748DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.749 13 z) Que é comum e meio legal de prova a quitação aposta pelo fornecedor na própria nota fiscal, conforme notas fiscais (fls. 2016 a 2022 e 1942 a 1950); aa) Que, o recibo firmado pelo credor que especifique o valor, em numeral e por extenso, o nome do devedor, o nome do credor e a que se refere o pagamento, é documento hábil para comprovar, em juízo ou fora dele, a efetividade do pagamento. bb) Que o pagamento em espécie é legítimo e que o Fisco não pode rejeitar a quitação dada pelos fornecedores nos casos em que os pagamentos foram efetuados com cheques nominais à própria emitente, pois tal situação era comum na vigência da CPMF, com vistas a evitar o pagamento do tributo, mediante o simples endosso do cheque. cc) Que a fiscalização não demonstrou a inexistência dos dispêndios com as aquisições das mercadorias ou a desnecessidade delas na consecução das atividades da recorrente, sendo que pelo exame das notas verificase que referemse basicamente a materiais de construção que foram aplicados nas obras e serviços por ela executados, conforme contratos e balancetes anexados ao processo. dd) Que as glosas efetuadas pela fiscalização não podem subsistir exclusivamente sob a fundamentação de que os fornecedores se encontravam em situação irregular perante a RFB, pois a simples constatação de que os emitentes de notas fiscais estavam com seu CNPJ suspenso, sem a comprovação das providências previstas na IN 66/97, não podem ensejar a glosa dos correspondentes custos. ee) Que os registros contábeis fazem prova a favor da recorrente, nos termos do art. 923 do RIR/99. ff) Que é inaplicável a multa qualificada de 150% por ausência de amparo fático e legal, conforme já demonstrado. gg) Que é ilegal a aplicação da taxa Selic, a título de juros de mora, sobre o crédito constituído. hh) Protesta pela juntada de novos documentos, anexados ao recurso voluntário. Ao final requer que o recurso seja acolhido e provido para: Fl. 3749DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.750 14 a) Acolhendo as preliminares argüidas, sobretudo a da Decadência, cujos efeitos refletem em diversos itens dos autos de infração, declarar a improcedência dos lançamentos efetuados, determinandose seu cancelamento; b) se por alguma razão, entender este colegiado que deva apreciar as questões de mérito, o que não se espera, requerse o acolhimento integral das razões ora expostas, para declarar insubsistentes os autos de infração combatidos, determinandose a exclusão dos encargos indevidos, notadamente da multa agravada; c) Requer, outrossim, seja a Recorrente devidamente notificada juntamente com seus procuradores infra assinados, da data e local da sessão de julgamento por esse E. Conselho, para que possa no exercício pleno de seu direito de defesa, assistir a sessão, e se for o caso, entregar memoriais e sustentar oralmente, como lhe faculta o Regimento Interno deste Órgão, no endereço Av. Antonio Díederíchsen no. 400, Sala 2003, Ribeirão Preto / SP. É o Relatório. Fl. 3750DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.751 15 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário interposto e tempestivo e atende aos pressupostos regimentais e, portanto, deve ser conhecido. DAS PRELIMINARES Analiso inicialmente as alegações preliminares da recorrente. 1. Da alegação de nulidade da autuação Alega a recorrente que a autuação seria nula, pois a autoridade fiscal teria subestimado as provas apresentadas que comprovam a efetividade da aquisição utilização dos materiais adquiridos. Sustenta que a autoridade fiscal preferiu desconhecer as provas apresentadas, assim como todo o contexto envolvido, limitandose a identificar o indício e presumir a inidoneidade dos documentos sem buscar outros elementos que comprovassem o dolo. Não vislumbro nulidade na autuação ainda que restasse caracterizada a atitude da fiscalização apontada pela recorrente. A valoração das provas apresentadas na fase inquisitória, bem como a necessidade de aprofundamento ou não da investigação é da competência da autoridade fiscal, que formara sua convicção quanto aos fatos e lavrará ou não a autuação. O conjunto de elementos colhidos nesta fase, juntamente com o relatório fiscal e o auto de infração formam o conjunto processual que, uma vez impugnado é submetido às instância de julgamento administrativo. Daí em diante, incumbe aos julgadores administrativos analisar se os elementos colhidos e os fatos descritos se subsumem à hipótese legal que fundamentou a autuação. Ou seja, o conjunto probatório coligido e o juízo valorativo da autoridade fiscal é submetido ao reexame na esfera administrativa do mérito da autuação. Desta feita, eventual equivoco da autoridade autuante, que venha a ser reconhecido pelos órgãos julgadores, quanto aos fatos e provas apurados e aplicação da norma não enseja a nulidade do lançamento, mas sim, pode vir a configurar sua insubsistência, parcial ou total. Ante ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade. 2. Da alegação de decadência do lançamento A recorrente alega a decadência do lançamento nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que o IRPJ e a CSLL estão sujeitos ao lançamento por homologação e tendo em vista que não restou comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, imputada pela Fl. 3751DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.752 16 autoridade fiscal que, em face disso, considerou o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN. A aplicação do prazo decadencial, no caso concreto, depende diretamente da análise da existência ou não dos requisitos que fundamentaram a aplicação da multa qualificada, ao pressuposto da existência de dolo, fraude ou simulação, conforme imputado pelo Fisco. Assim, deixou para analisar a alegação de decadência ao final do voto, após apreciar os elementos fáticos relativos à glosa e a aplicação da multa qualificada. DO MÉRITO A autuação fiscal consistiu na imputação de três infrações distintas. A primeira referese a (I) glosa de custos amparados em documentação fiscal inidônea; (II) glosa de custos suja efetividade foi considerada não comprovada; e (III) Insuficiência ou falta de recolhimento de IRPJ e CSLL apurados, do anocalendário 2003 A última infração apontada não foi objeto de contestação por parte da recorrente. Assim, impõese analisar, apenas, as duas primeiras. 3. Da glosa de despesas por utilização de documentos inidôneos A primeira infração a ser analisada (001) referese à glosa de custos amparados em documentação fiscal inidônea. A autoridade fiscal fundamentou a glosa com base no disposto no art. 217 do Regulamento do Imposto de Renda do RIR/99 (Decreto nº 3. 000/1999), verbis: Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei nº 9.430, de 1996, art. 82). Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei nº 9.430, de 1996, art. 82, parágrafo único). Tendo em vista as situações fiscais apresentadas pelas emitentes dos documentos fiscais, a fiscalização intimou a interessada a comprovar a efetividade das operações, mediante a comprovação do pagamento. A interessada apresentou cópias de seus registros contábeis, de extratos bancários e de cópias de cheques, além dos próprios documentos fiscais que, no seu entender, comprovariam a efetividade dos pagamentos e das aquisições. Apresentou ainda contratos de prestação de serviços no período que serviriam para comprovar a efetiva utilização dos bens e serviços nas obras em que foi contratada como responsável. Fl. 3752DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.753 17 A fiscalização entendeu que não ficaram comprovados os pagamentos das notas fiscais, na medida em que a os cheques cujas cópias foram apresentadas, foram emitidos nominalmente à recorrente e não às supostas beneficiárias. Desta feita, a fiscalização entendeu aplicável o disposto no caput do art. 217 do RIR/99, retro citado, uma vez que a recorrente não se desincumbiu de provar a efetividade do pagamento e o recebimento dos bens. Com relação às imputações, como um todo, a recorrente alega que agiu de boafé ao adquirir os produtos dos referidos fornecedores e que não tinha como identificar a situação cadastral irregular das empresas emitentes do documento fiscal, uma vez que, além de não ter poder de fiscalização sobre a situação das empresas, o Fisco federal, que possui esta competência, somente veio a declarar a inaptidão dos CNPJ’s. em período posterior á realização dos negócios. Além disso, alega que as mercadorias foram adquiridas mediante emissão regular de notas fiscais pelos respectivos fornecedores e que as notas fiscais preenchem todos os requisitos para sua impressão e emissão. Sustenta que as mercadorias foram adquiridas sempre dentro de condições normais de mercado e foram utilizadas na consecução de seus objetivos sociais e para geração de receitas e, ainda, que todos os valores referentes às notas fiscais foram regularmente registrados na contabilidade da Recorrente e foram comprovadamente pagos aos seus emitentes. Pondera, que os registros contábeis fazem prova a favor da recorrente, nos termos do art. 923 do RIR/99. Defende que a fiscalização não demonstrou a inexistência dos dispêndios com as aquisições das mercadorias ou a desnecessidade delas na consecução das atividades da recorrente, sendo que pelo exame das notas verificase que referemse basicamente a materiais de construção que foram aplicados nas obras e serviços por ela executados, conforme contratos e balancetes anexados ao processo. Analisando o dispositivo em questão, entendo que tratase de uma presunção legal, introduzida em nosso ordenamento, mediante a qual afastamse os efeitos tributários dos documentos fiscais emitidos por empresas cuja inscrição no CNPJ é declarada inapta, ressalvada a prova da efetividade da operação, mediante a prova do pagamento e do recebimento dos bens pelos terceiros interessados. Assim, não comprovado o pagamento e o recebimento dos bens ou serviços pelo terceiro adquirente, impõese ao Fisco a glosa do custo ou da despesa. Entendo que a aplicação da presunção legal independe da comprovação de má fé do usuários dos documentos fiscais para fins de sua glosa. Assim, a mera alegação de ter agido de boafé é insuficiente para a afastar a glosa. Também os aspectos formais relativos à emissão dos documentos e registros na contabilidade da interessada, tendo em vista a presunção legal, não são suficientes para afastar a inidoneidade dos documentos. O Fisco não tem que comprovar a inexistência do dispêndio, pois ele se presume, invertendo o ônus da prova ao sujeito passivo. Assim única forma de afastar a glosa, Fl. 3753DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.754 18 neste caso, é a comprovação da efetividade do pagamento do preço respectivo e do recebimentos dos bens ou serviços. Dito isto, impõese analisar, à vista dos elementos dos autos, se a recorrente se desincumbiu de comprovar a efetividade do pagamento do preço respectivo e o recebimentos dos bens ou serviços descritos nos documentos fiscais. Fornecedor: Darci Santos da Silva CNPJ 04.180.182/000180 A fiscalização identificou a situação cadastral da emitente do documento fiscal como inapta perante o CNPJ, com a data do efeito de inaptidão a partir de 28/11/2000, com base em Ato Declaratório Publicado em 15/09/2004 (tela de consulta CNPJ as fls. 820/821 eprocesso). A recorrente alega que a autoridade fiscal enfatizou o fato que os cheques foram emitidos de forma nominal à própria empresa, não se atendo, ou ignorando, o fato de que, as quitações dessas notas fiscais estão formalizadas mediante carimbo e assinatura do beneficiário no corpo das próprias notas fiscais, conforme pode ser verificado nas cópias das notas fiscais anexadas os processo em fls. 1955 a 1963 eprocesso. A existência de carimbo de quitação aposto no documento fiscal tido por inidôneo não têm o condão de comprovar o efetivo pagamento pelos produtos e serviços neles descritos, nem o seu efetivo recebimento por parte da interessada. Tal situação seria válida como comprovante de quitação se registrada em documento fiscal sob o qual não incida a pecha de inidoneidade. O art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/1996 exige em tal caso, para afastamento da glosa, que a interessada apresente provas da efetividade do pagamento e do recebimento dos bens. No caso, a recorrente se limitou a relacionar diversos cheques emitidos em seu próprio favor e em diversas datas, que somados teriam sido utilizados para a quitação das notas fiscais. Agreguese ao conjunto de elementos analisados, o Termo de Declaração, anexado às fls. 1391/1392 eprocesso, prestado pelo sr. Darci Santos Silva, em 12/07/2004, às autoridades fiscais da RFB em São Paulo no qual declara que autorizou o Sr. João Marcos Cosso, de quem era empregado, a constituir a empresa individual no seu nome, que teria o ramo de transporte de cargas, e que depois disso não soube mais do movimento da empresa, nunca viu um talonário fiscal, nem assinou nenhum documento referente a empresa, só tendo tomado ciência de que havia movimento em seu nome por meio de um oficial de justiça que foi à sua casa com vistas a penhorar bens por dívidas fiscais do ICMS. Entendo que, com efeito, a recorrente não se desincumbiu de comprovar efetividade das operações e que o conjunto probatório aponta para a sua inexistência de fato, de modo que a glosa deve ser mantida quanto às notas emitidas pelo referido fornecedor. Thayte Express Ltda. ME. CNPJ 04.627.226/000178 A fiscalização efetuou a glosa por identificar a situação cadastral da emitente do documento fiscal como inapta perante o CNPJ, com a data do efeito de inaptidão a partir de 16/07/2002, com base em Ato Declaratório Publicado em 14/03/2006 (tela de consulta CNPJ as fls. 1993/1996 eprocesso). Fl. 3754DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.755 19 A recorrente alega que a efetivação dos pagamentos desse fornecedor pode ser constatada nos recibos firmados pelo mesmo, presentes todos os requisitos formais (fls. 837 a 1080), e pelas cópias cheques e dos extratos bancários onde constam as compensações dos respectivos cheques. Aduz que, não obstante a posse destes documentos, o agente fiscal desconsiderou integralmente seu conteúdo, analisando de forma aleatória apenas os documentos de fls. 1.415 a 1.770 (fls. 1426/1782 eprocesso). Ademais, alega que nem todos os cheques foram emitidos nominais a própria Recorrente, e que a referida prática era adotada nos casos em que o pagamento deveria ser realizado em espécie, em razão da mão de obra utilizada. Analisando a documentação apresentada pela recorrente verifico que os únicos cheques por ela emitidos nominais a esse fornecedor, tiveram a sua comprovação aceita pela autoridade julgadora de primeiro grau, que excluiu da glosa a nota fiscal de nº 250. Os demais cheques apresentados ou indicados como destinados à quitação dos preços constantes das demais notas fiscais (conforme planilha às fls. 2536/2537 do e processo) resumemse a vários cheques nominais, emitidos em diversas datas, à própria recorrente que teriam servido para a quitação da notas fiscais nº 202, 206, 214, 220, 225, 233 e 245, todas emitidas no ano de 2002. Pela relação apresentada, cada uma das notas fiscais teria sido quitada em várias parcelas em prazos superiores a seis meses e até um ano após a sua emissão. Ora, é completamente inusual no meio comercial a forma de quitação em parcelas com valores e prazos irregulares, indicada pela recorrente, sem apoio em faturas ou duplicatas e, mais ainda incomum, o elástico prazo de até um ano que se teria verificado entre a data da aquisição e a efetiva quitação das compras, sem acréscimos de quaisquer juros e encargos. Tampouco serve como prova, as cópias de recibos apresentadas, cujo valor probante se iguala ao do documento fiscal quanto a sua idoneidade. Repetese aqui o que foi dito quanto à aposição de carimbo de quitação no documento fiscal. Tal situação seria válida como comprovante de quitação se sobre o documento fiscal não pesasse a pecha de inidoneidade. Observo, ainda, o Termo de Constatação e Esclarecimentos, anexado às fls. 1385/1386 do eprocesso, no qual as autoridades fiscais da DSRFRibeirão Preto/SP relatam ter comparecido ao endereço da empresa Thayte Express Ltda onde só encontraram o vigia, que serias empregado do Sr. João Marcos Cosso que disse desconhecer tanto a empresa como seus sócios: Dario da Costa Moraes e Sandra Teixeira Coelho. Constataram ainda que o local consiste apenas de um barracão com um escritório, sem qualquer mercadoria que pudesse indicar atividade comercial, tendo encontrado, ainda, no local talões de Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas em nome da empresa João Marcos Amorim CossoME. Consta dos autos, também, Termo de Declaração (fls. 1389 – eprocesso), em 28/09/2002, na qual a Sr. Sandra Teixeira Coelho declara desconhecer a existência da empresa Thayte Express Ltda e de que fazia parte do seu quadro societário. Declara que são falsas suas assinaturas e rubricas na 6a. alteração contratual. No Termo de Declaração, anexado às fls. 1391/1392 do eprocesso, o sr. Darci Santos Silva, em 12/07/2004, indicado como sócio dessa empresa também se declarou Fl. 3755DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.756 20 surpreso ao tomar ciência de sua participação e declarou não ter assinado qualquer documento relativo à mesma. No Termo de Declaração (fls. 1396 do eprocesso), o Sr. Dario da Costa Moraes declarou serem falsas suas assinaturas constantes da 4a. e 6a. alterações contratuais da empresa Thayte Express Ltda e que desconhece as empresas e endereços constantes dos documentos no qual constam seu nome. O conjunto dos elementos apontam para a inexistência das operações constantes das notas fiscais. Ante ao exposto, voto no sentido da manutenção da glosa em relação aos documentos emitidos pelo referido fornecedor. Dario Da Costa Moraes CNPJ 04.950.372/000130 A glosa das notas fiscais emitidas por este fornecedor decorreu da constatação de que a sua situação cadastral era nula perante o CNPJ, com a data do efeito de nulidade anulação por vícios a partir de 27/02/2002, declarada em 06/2007 (tela de consulta às fls 2.015 – eprocesso). Com relação á glosa de aquisições deste fornecedor, alega a recorrente que a autoridade fiscal nada mencionou em relação à falta comprovação de pagamentos desse fornecedor, pelo que se depreende ter considerado como adequados vários comprovantes que lhe foram apresentados durante a fiscalização. Informa que, ainda assim, foram acostadas ã Impugnação diversas cópias autenticadas dos recibos, os quais se encontram cotejados com as respectivas notas fiscais, (Anexo III da Impugnação). Os recibos acostados aos autos no Anexo III da impugnação (fls. 2540 a 2562 eprocesso), que dariam quitação às notas fiscais emitidas pela firma individual Dario da Costas Moraes apresentam assinaturas completamente diferentes daquelas constantes das declarações prestadas pelo Sr. Dario Moraes à RFB, revelando claramente a falsidade ideológica destes documentos. O Demonstrativo dos supostos pagamentos das notas fiscais emitidas (fls. 2538 – eprocesso) apresentam os mesmos vícios apontados em relação aos fornecedores anteriormente analisados: cada uma das notas fiscais teria sido quitada em várias parcelas e em prazos elásticos, alguns deles superiores a um ano após a sua emissão. Em outros casos, como da NF. nº 175, os pagamentos teriam sido feitos de forma antecipada de até 3 meses, em seis parcelas (de 18/03 a 07/06/2002) que somariam o valor de R$ 49.500,00 constante da nota fiscal emitida em 27/06/2002. O conjunto de elementos desta suposta compra é revelador da falsidade dos recibos apresentados, pois os recibos (fls. 2543 a 2550 – eprocesso), emitidos em datas anteriores à nota fiscal nº 175, indicam textualmente a quitação parcial daquela nota fiscal. Além disso, analisando outros elementos dos autos verifico que a inscrição do CNPJ da empresa individual foi anulada pela Receita Federal tendo em vista que o suposto titular do empreendimento Sr. DARIO DA COSTA MORAES prestou declarações (fls. 1378 e 1386 – eprocesso) perante a autoridades do Fisco estadual de São Paulo e federal, nas quais afirma que reside no município de Guará/SP, onde é trabalhador braçal no sítio 2 Irmãos e que Fl. 3756DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.757 21 não é sócio, nem proprietário e também nunca participou de qualquer empresa comercial, industrial ou prestadora de serviços e ,ainda, que desconhece totalmente a existência da firma individual Dario da Costa Moraes. Afirmou ainda que não reconhecia como suas, sendo falsas, portanto, as assinaturas constantes da Declaração de firma Individual Dario da Costa Moraes. Pelo conjunto de elementos analisados resta evidente a inexistência das operações comerciais descritas nos documentos fiscais. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto a esta glosa. 4. Da glosa de custos de bens ou serviços vendidos No item 002 do TVF a autoridade lançadora descreve a glosa de custos decorrentes da aquisição de bens e serviços de empresas que se declararam inativas perante o Fisco Federal nos períodos de emissão das notas fiscais. Intimada a comprovar a efetividade dos pagamentos e do recebimento dos bens e serviços, entendeu a autoridade fiscal que a fiscalizada não se desincumbiu do mister, resultando na glosa dos custos. Passo a analisar as glosas de cada fornecedor. Fornecedor: João Marcos Cosso ME A fiscalização entendeu que não restaram comprovados os efetivos pagamentos das notas fiscais, uma vez que a fiscalizada limitouse a apresentar cópias de cheques nominais em seu próprio favor. Indica no TVF que juntou também, (às fls. 1.375 a 1.414 do processo em papel – 1385 a 1425 do eprocesso), documentação subsidiária que comprova, na presente fiscalização, a inidoneidade das notas fiscais emitidas por João Marcos Cosso ME. A recorrente, por sua vez, alega que o agente fiscal identificou em sua análise por amostragem vários cheques serem nominativos à própria empresa e não se ateve, ou ignorou que, as quitações dessas notas fiscais estão devidamente formalizadas mediante carimbo e assinatura do beneficiário no corpo das próprias notas fiscais. (vide fls. 2030 a 2036 eprocesso). Alega que, embora o fornecedor João Marcos Cosso ME, que tivesse sua inscrição no CNPJ informada como “cancelada”, em 2001, esta foi liberada e considerada normal pela própria RFB, situação que perdura pelo menos até a data de 13/O8/2008, data da última consulta efetuada pelo Auditor Fiscal (conforme consta da página de consulta da RFB, às fls. 2014 sic). Que tal fato ocorreu antes da relação comercial existente entre a recorrente e o fornecedor sob exame, e foi liberado pela RFB, de modo que a recorrente não pode ser penalizada, pois não compete a ela o exame ou a fiscalização dos cadastros dos contribuintes. Questiona: “Pode se presumir que os servidores da RFB agiram dolosamente, em conluio ou fraude, pois liberaram o cancelamento do CNPJ desse contribuinte, apesar das inúmeras irregularidades apuradas pela fiscalização, conforme relatório de fls. 1404 a 1414?”. A declaração de inatividade por parte da empresa emitente do documento fiscal é um indício de que as operações descritas no documento fiscal não ocorreram. A própria recorrente questionou a ação do Fisco Federal, citando o relatório fiscal do Fisco estadual de São Paulo, (fls. 1404/1414 do processo em papel – 1415/1425 do e Fl. 3757DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.758 22 processo), que aponta o Sr. João Marcos Cosso, titular da firma individual emitente das notas fiscais, como artífice de inúmeras fraudes contra o Fisco, mediante a utilização de interpostas pessoas em empresas da qual seria o real titular, como as empresas Thayte Express Ltda, Darci Santos Silva e Dario Costa Moraes, cujas operações com a recorrente foram analisadas nos tópico anteriores. O vínculo do Sr. João Marcos Cosso com aquelas empresas também aparece nos termos e depoimentos de fls. 1385/1409 – do eprocesso). O relatório do Fisco estadual de SP aponta que a empresa João Marcos Cosso ME foi autuada por diversas vezes pelo cometimento de fraudes fiscais, tais como o registro de créditos fiscais com base em notas fiscais emitidas por empresas inidôneas, emissão de notas fiscais frias para acobertar saídas de mercadorias de outras empresas, tentativas de transferência de créditos fiscais inexistentes do ICMS, entre outras práticas. Relata, ainda, que em diversas visitas feitas ao estabelecimento de João Marcos Cosso – ME nunca foi encontrado estoque de mercadorias , exceto materiais para prestação de serviços como oficina de telefones. As investigações do Fisco estadual culminaram na proposta de cassação da eficácia da inscrição estadual em 15/10/2001. O evidente vínculo do Sr. João Marcos Cosso na emissão das notas fiscais inidôneas em nome das empresas Thayte Express Ltda, Darci Santos Silva e Dario Costa Moraes, operações anteriormente analisadas, reforça o indício de que as operações descritas nas notas fiscais emitidas pela firma individual João Marcos Cosso – ME não ocorreram de fato. Em que pese, desta feita, não haver notícia nos autos de declaração de inaptidão com relação à empresa João Marcos Cosso – ME por parte da RFB, o que se espera que tenha sido providenciado a posteriori, o fato da recorrente ter tentado justificar e dar verossimilhança, mediante falsa indicação/comprovação de pagamentos, às operações contidas nas notas fiscais emitidas pelas empresas Thayte Express Ltda, Darci Santos Silva e Dario Costa Moraes, que teriam como real titular o Sr. João Marcos Cosso, coloca, também, sob suspeição as operações indicadas nas notas fiscais emitidas pela firma individual João Marcos Cosso – ME. Assim, a mera aposição de carimbo de quitação no corpo do documento fiscal, não é suficiente para comprovar o efetivo pagamento. Entendo que a ausência de comprovação da efetividade do pagamento e da real aquisição dos bens descritos nas notas fiscais, ante ao conjunto de indícios acima descritos, aponta para a inexistência de tais operações e justifica a glosa desses custos. Ante ao exposto, voto no sentido de manter a glosa dos custos deste fornecedor. Fornecedor: Maria José Rodrigues CNPJ 71.893.754/000166 A autoridade fiscal aponta que a empresa em referência apresentou declaração como inativa durante o anoscalendário 2003, (conforme tela de consulta as fls. 20402041 eprocesso). Intimada, a fiscalizada não apresentou as notas fiscais contabilizadas. Diante disso e da falta de comprovação do efetivo pagamento da aquisição das mercadorias efetuou a glosa dos custos. Fl. 3758DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.759 23 A recorrente sustenta que acostou, por ocasião da Impugnação, cópias autenticadas das notas fiscais emitidas por Maria José Rodrigues (Anexo I da Impugnação) e que, ao contrário do que préconcebeu o agente fiscal, as notas fiscais foram todas quitadas mediante depósitos bancários efetuados em sua conta corrente, conforme demonstrativo no Anexo I da Impugnação, bastando uma simples conciliação para constatarse que o valor global é exato. Afirma que, no entanto. os julgadores não acolheram as suas razões sob a fundamentação de que, para que os depósitos efetuados na conta corrente do fornecedor fosse admitido como comprovante de pagamento deveriam estar nele mencionados o nome do depositante, demonstrando estarem préconcebidos em suas suposições e o afastamento do seu dever de analisar as provas buscando a verdade dos fatos. Analisando os elementos dos autos, entendo que, desta feita, é diferente a situação deste fornecedor em relação aos demais, analisados anteriormente. Apesar da emitente das notas fiscais ter apresentado declaração de inatividade no ano de emissão da nota fiscal, os elementos trazidos pela recorrente na sua impugnação me parecem suficientes para comprovar a efetividade das operações. A recorrente trouxe ao autos diversos depósitos efetuados em nome da fornecedora que comprovam em grande parte a quitação das notas fiscais. Examinando os pagamentos relacionados no Demonstrativo de Notas Fiscais e Pagamentos Efetuados (fls.2476/2477 do eprocesso e os comprovantes de depósitos (fls. 2527/2535 eprocesso), é possível concluir que há proximidade entre as datas de emissão das notas fiscais e dos depósitos e coincidência de valor entre vários deles e as notas fiscais, isoladamente ou em conjunto. A ausência de identificação da interessada como depositante, justificada pela autoridade julgadora de primeira instância para manter a glosa, não me parece relevante. A uma por não ser comum tal identificação, no caso de depósitos; a identificação do depositante, na maioria dos bancos, só é possível em transferências entre contas do mesmo banco, ou ainda DOC ou TED. A duas, porque o simples fato da interessada deter tais documentos, que são concordantes em valores e contemporâneos com as notas fiscais, em nome da fornecedora, por si só me parecem suficientes para comprovar a efetividade dos pagamentos. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, nesta parte, para excluir do lançamento os valores dos custos glosados, no ano de 2003, referente a este fornecedor, no montante de R$ 63.416,00. 5. Da aplicação da multa qualificada A recorrente alega que é inaplicável a multa qualificada de 150% por ausência de amparo fático e legal. Sustenta que a autoridade fiscal reputou como inidônea, a documentação apresentada para comprovação dos custos dos bens ou serviços vendidos, sem considerar os atos de boafé por ela praticados, tais como os pagamentos efetuados referente ã aquisição e utilização das mercadorias e dos serviços prestados. Alega, ainda, que não pode ser imputada a si qualquer responsabilidade pela situação cadastral irregular das empresas emitentes dos documentos fiscais, mormente tendo estas situações sido declaradas e tornadas públicas pelo Fisco vários anos depois das realização das operações. Fl. 3759DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.760 24 Com a devida vênia, entendo que a boafé alegada pela recorrente fica afastada quando se analisa o conjunto probatório trazido aos autos. A presunção de inocência, ante a inidoneidade dos documentos fiscais por ela utilizados para elevar os custos contabilizados, se esvai quando se observa que as quatro suposta fornecedoras dos bens e serviços constantes das notas fiscais (Thayte Express Ltda, Darci Santos Silva e Dario Costa Moraes e João Marcos CossoME) estão diretamente ligadas a um mesmo titular, o Sr. João Marcos Cosso, que conforme analisado anteriormente, tem em seu histórico um grande número de fraudes contra o Fisco, mediante a criação de empresas de fachada e com interpostas pessoas. Poderia ser apenas uma grande e infeliz coincidência, o fato da recorrente estabelecer negócios justamente com tais empresas, em mesmo período de tempo, não tivesse ficado demonstrado a falsidade documental dos próprios dados e documentos informados por ela na tentativa de comprovar o pagamento das notas fiscais e a efetividade das operações. Relembro, a título de exemplo, a situação apontada quando da análise das supostas compras do fornecedor Dario Costa Moraes. A recorrente apresentou diversos recibos, supostamente assinados pelo titular da firma individual, Sr. Dario Costa Moraes, sendo que este senhor prestou declarações perante a autoridades do Fisco estadual de São Paulo e federal, nas quais afirma que reside no município de Guará/SP, onde é trabalhador braçal no sítio 2 Irmãos e que não é sócio, nem proprietário e também nunca participou de qualquer empresa comercial, industrial ou prestadora de serviços e ,ainda, que desconhece totalmente a existência da firma individual Dario da Costa Moraes. A assinatura nos recibos apresentados é evidentemente diversa daquela constante dos termos assinados pelo depoente. Alem disso, demonstrouse cabalmente a falsidade dos recibos ao se analisar a NF. nº 175, emitida por aquele fornecedor. Os pagamentos das operação teriam sido feitos de forma antecipada em até 3 meses, em seis parcelas (de 18/03 a 07/06/2002) que somariam o valor de R$ 49.500,00 constante da nota fiscal, emitida em 27/06/2002. Ocorre que os recibos (fls. 2543 a 2550 – eprocesso), foram todos emitidos em datas anteriores à nota fiscal nº 175, porém trazem textualmente a indicação de quitação parcial daquela nota fiscal, citando o seu número e dos cheques de emissão da recorrente que teriam sido entregues como pagamento. Ou seja, na data de emissão dos recibos já se saberia o número da nota fiscal emitida até três meses depois. Ao apresentar documentos de quitação claramente falsos, inclusive utilizandose de dados de sua própria movimentação financeira, visando a comprovar a efetividade das operações, a interessada confessa sua cumplicidade com a emissão fraudulenta do documento fiscal. Ora, se a inidoneidade das empresas fornecedoras e dos documentos por elas emitidos não seria da responsabilidade direta da recorrente, a apresentação de documentos ideologicamente falsos como prova do pagamento pelas notas fiscais inidôneas revela o evidente conluio da interessada com o real emitente dos documentos inidôneos. A utilização dos documentos inidôneos para inflar seus custos e reduzir o lucro tributável, configura, desta forma, o evidente intuito de fraude, previsto nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964: Fl. 3760DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.761 25 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (grifei) Ante ao exposto, voto no sentido de manter a multa qualificada. 7. Tributação Reflexa: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, dou provimento parcial ao recurso, em relação à CSLL, para excluir do lançamento a glosa de custos, no ano de 2003, referente ao fornecedor: Maria José Rodrigues, no montante de R$ 63,416,00. CONCLUSÃO DA ANÁLISE DO PRAZO DECADENCIAL APLICÁVEL 8. Do prazo decadencial aplicável ao lançamento A recorrente alega a decadência do lançamento nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que o IRPJ e a CSLL estão sujeitos ao lançamento por homologação e tendo em vista que não restou comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, imputada pela autoridade fiscal que, em face disso, considerou o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN. Conforme analisado anteriormente, restou evidenciado o intuito de fraude que justificou a aplicação da multa qualificada de 150%, de sorte que o prazo decadencial a ser observado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN. No que se refere às multas isoladas de estimativas, o acórdão recorrido, mesmo aplicando a regra decadencial prevista no art. 173, inc. I do CTN, reconheceu a decadência parcial do lançamento com relação aos fatos geradores de 31/01/2002, 31/03/2002, Fl. 3761DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18088.000318/200807 Acórdão n.º 1301001.736 S1C3T1 Fl. 3.762 26 30/04/2002, 30/06/2002, 31/08/2002, 31/10/2002 e 30/11/2002, tendo em vista que o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderiam ser lançadas corresponde à 1º/01/2003. Com relação à multa isolada relativa ao fato gerador apurado em 31/12/2002, o prazo decadencial, aplicandose o art. 173, inc. I do CTN, é o mesmo previsto para o IRPJ e CSLL apurado anualmente, cuja alegação de decadência foi afastada. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência do lançamento. CONCLUSÕES Em face de tudo quanto foi analisado e exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência da autuação e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento do IRPJ e da CSLL, a glosa de custos, no ano de 2003, referente ao fornecedor: Maria José Rodrigues, no montante de R$ 63.416,00. Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 3762DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005882/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se pode conhecer dos embargos interpostos fora do prazo estipulado pela legislação de regência.
Numero da decisão: 1302-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração, conforme relatório e voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Não se pode conhecer dos embargos interpostos fora do prazo estipulado pela legislação de regência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10909.005882/2007-12
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441788
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.664
nome_arquivo_s : Decisao_10909005882200712.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10909005882200712_5441788.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração, conforme relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5861849
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704873992192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.815 1 1.814 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.005882/200712 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.664 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante SÓ NAUTICA LTDA EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Não se pode conhecer dos embargos interpostos fora do prazo estipulado pela legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração, conforme relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 58 82 /2 00 7- 12 Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Contribuinte, em face do Acórdão nº 1302001.473 proferido por esta 2a Turma Ordinária da 3a Câmara, em 26/08/2014, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES PRATICA REITERADA DE INFRAÇÕES. A não escrituração de livro caixa com toda a movimentação financeira e bancária de forma reiterada justifica a exclusão do simples, principalmente quando intimada não explica a origem dos créditos bancários. Excluída do Simples os lucros devem ser arbitrados e os impostos e contribuições sociais apurados, deduzindose os valores já recolhidos. A ciência dos lançamentos juntamente com o ato de exclusão podem se dar na mesma data sem se caracterizar cerceamento de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O mandado de procedimento fiscal (MPF) é apenas um instrumento de controle interno da Receita Federal, que não afeta a relação da fiscalização com contribuinte. O fato de o sujeito passivo não ter sido cientificado da prorrogação do MPF não tem capacidade de anular o lançamento, cujas regras essenciais para a sua constituição são a lavratura por pessoa competente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo Ministério da Fazenda, não constitui quebra de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADES. Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Não se pode negar a aplicação da multa qualificada, quando o contribuinte demonstra condutadolosa com objetivo claro de impedir o fisco do conhecimento do fato gerador. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. O lançamento de IRPJ se reveste da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, sujeito ao prazo decadencial Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.664 S1C3T2 Fl. 1.816 3 do art.150 do CTN, porém aplicada a multa agravada, este prazo passa a ser regido pelo art. 173 do mesmo diploma legal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos, o decidido para o IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A Pessoa Jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou o recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitarseão à incidência do imposto exclusivamente na fonte. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A conduta reiterada em não escriturar a correta movimentação financeira no Livro Caixa e de não identificar os beneficiários dos saques e pagamentos evidencia o intuito doloso e a fraude, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. DECADÊNCIA. O lançamento de IRF se reveste da modalidade de lançamento por homologação e como tal, sujeito ao prazo decadencial do art.150 do CTN, porém constatado o dolo e a fraude este prazo migra para o art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, coincidentes em datas e valores. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CANCELAMENTO. A falta de documentação acerca das origens dos depósitos bancários não justifica o agravamento de 75% da multa de ofício de 150% lançada. Porém constatada a conduta dolosa do contribuinte, mostrase aplicável a multa de 150%. DECADÊNCIA. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase para as regras estabelecidas no art, 173 do CTN. Quanto ao auto de infração IRPJ e Contribuições apurados pelas regras do simples para o mês de janeiro de 2003, pela contagem do mencionado artigo não há que se falar em decadência. O colegiado. por unanimidade de votos negou provimento ao recurso voluntário. Foi interposto Embargos de Declaração onde a Embargante alega que ocorreu omissão, contradição e/ou obscuridade no julgado e que a Câmara decidiu em Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 contrariedade da prova nos autos e em contrariedade de Lei Federal, e da Constituição Federal. A oportuna abordagem recursal impõe ao embargante, desde logo, como requisito, preqüestionar matérias. O Acórdão embargado, foi levado a julgamento sem que houvesse intimado os patronos, ou a empresa, ainda que por diário, para o julgamento oportunizando a sustentação oral e conferindo inclusive efetividade ao principio da ampla defesa e do contraditório e por tal afronta o julgado é absolutamente nulo. Há ainda ponto necessário a ser aclarado nos acórdão, pontualmente quando se afirma que houve o pagamento sem causa, ocorre que havendo a tributação da receita, toda movimentação levada a débito forçosamente deve ser compreendida como ou decorrente de custo ou lucro, e portanto já estaria isento de tributação. Outra contradição também patente é quanto ao entendimento de que não houve ofensa à proteção constitucional do sigilo fiscal, isto porque, a quebra do sigilo resta patente. Sendo assim, pelas razões expostas, requer a embargante que o presente recurso seja recebido para o fim de ser suprida as omissões e contradições apontada e aclaramento destes pontos, bem como o seu enfrentamento. É o relatório. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.664 S1C3T2 Fl. 1.817 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Analisando os autos do processo verifico uma prejudicial para o julgamento dos embargos interpostos. Assim determina o art. 65 do Regimento Interno do CARF Portaria nº 256/2009, “in verbis”: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: II pelo contribuinte, responsável ou preposto; Tendo em vista que o Contribuinte tomou ciência do Acórdão ora recorrido em 04/11/2014, conforme AR de fls. 1.806 e ingressou com os embargos somente em 20/11/2014, conforme AR de fls. 1812, os mesmos foram apresentados fora do prazo e por isso são intempestivos. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos interpostos. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
